Dissertação de Mestrado EFEITOS DA MANOBRA DE VENTILAÇÃO CONTROLADA SOBRE O CONTROLE AUTONÔMICO CARDIOVASCULAR: PROTOCOLO NORMALIZADO PELA FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA ESPONTÂNEA Liliane Appratto de Souza INSTITUTO DE CARDIOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE CARDIOLOGIA Programa de Pós-Graduação em Medicina Área de Concentração: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares EFEITOS DA MANOBRA DE VENTILAÇÃO CONTROLADA SOBRE O CONTROLE AUTONÔMICO CARDIOVASCULAR: PROTOCOLO NORMALIZADO PELA FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA ESPONTÂNEA AUTOR(A): LILIANE APPRATTO DE SOUZA ORIENTADOR(A): KARINA RABELLO CASALI DISSERTAÇÃO SUBMETIDA COMO REQUISITO OBTENÇÃO DO GRAU PARA DE MESTRADO AO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE, ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: CARDIOLOGIA, DA FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE CARDIOLOGIA / INSTITUTO DE CARDIOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL. PORTO ALEGRE 2013 S729e Souza, Liliane Appratto de. Efeitos da manobra de ventilação controlada sobre o controle autonômico cardiovascular: protocolo normalizado pela frequência respiratória espontânea / Liliane Appratto de Souza; orientação [por] Karina Rabello Casali - Porto Alegre, 2013. 58 f; tab. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul / Fundação Universitária de Cardiologia - Programa de PósGraduação em Ciências da Saúde, 2013. 1.Ventilação controlada.2.Controle autonômico.I.Karina Rabello Casali.II.Título. CDU: 616.24 Bibliotecária Responsável: Marlene Tavares Sodré da Silva CRB 10/1850 SUMÁRIO BASE TEÓRICA 1.VENTILAÇÃO .............................................................................................................................. 1 2. VENTILAÇÃO E CONTROLE CARDIOVASCULAR ............................................................................. 4 2.1. Avaliação do Controle Autonômico....................................................................5 2.2. Influência da ventilação sobre o controle cardiovascular ..................................8 3. M ANOBRA DE VENTILAÇÃO CONTROLADA .................................................................................. 8 3.1. Implicações Fisiológicas da Manobra de Ventilação Controlada....................................9 4. JUSTIFICATIVA ......................................................................... ................................................12 5. HIPÓTESES.............................................................................................................................. 13 5.1. Hipótese Nula ........................................................................................... 13 5.2. Hipótese Alternativa ................................................................................. 13 6. OBJETIVOS.............................................................................................................................. 14 6.1. Objetivo Geral ....................................................................................... 14 6.2. Objetivos Específicos ........................................................................... 14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................15 ARTIGO RESUMO........................................................................................................................................26 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................27 MATERIAIS E MÉTODOS...................................................................................................................29 RESULTADOS.................................................................................................................................32 DISCUSSÃO...................................................................................................................................34 PERSPECTIVAS..............................................................................................................................38 LIMITAÇÕES DO ESTUDO................................................................................................................38 CONFLITOS DE INTERESSE..............................................................................................................38 FINANCIAMENTO............................................................................................................................38 AGRADECIMENTOS.........................................................................................................................38 REFERÊNCIAS................................................................................................................................39 FIGURA 1.......................................................................................................................................44 FIGURA 2.......................................................................................................................................44 FIGURA 3.......................................................................................................................................45 FIGURA 4.......................................................................................................................................46 FIGURA 5.......................................................................................................................................46 TABELA 1......................................................................................................................................47 TABELA 2......................................................................................................................................48 TABELA 3......................................................................................................................................49 LISTA DE ABREVIATURAS DA BASE TEÓRICA O2 – oxigênio CO2 – gás carbônico pH - produto hidrogeniônico SNC – sistema nervoso central HAS – hipertensão arterial sistêmica DPOC – doença pulmonar obstrutiva crônica NTS – núcleo do trato solitário SNA – sistema nervoso autônomo FC – frequência cardíaca VFC – variabilidade da frequência cardíaca VPA – variabilidade da frequência respiratória PAS – pressão arterial sistólica PAD – pressão arterial diastólica SRA – sistema renina angiotensina ECG – eletrocardiograma LF – do inglês low frequency HF – do inglês high frequency VLF - do inglês very low frequency LFnu – low frequency normalizado HFnu – high frequency normalizado SNP – sistema nervosa parassimpático IC – insuficiência cardíaca IAM – infarto agudo do miocárdio FR – frequência respiratória ivpm – incursões ventilatórias por minuto FRE – frequência ventilatória espontânea LISTA DE FIGURAS DA BASE TEÓRICA Figura 1: Construção da metodologia da Análise Simbólica. Figura 2: Diagrama ilustrativo do posicionamento do indivíduo durante a aplicação da Manobra de Ventilação Controlada e o sistema de aquisição utilizado para o registro não invasivo de sinais biológicos. Figura 3: representação do panorama atual da literatura referente aos efeitos da Manobra de Ventilação Controlada sobre o sistema autonômico cardiovascular em sujeitos hígidos e submetidos a uma FR fixa. BASE TEÓRICA ______________________________________________________ 1. VENTILAÇÃO A respiração tem como objetivos prover oxigênio (O2) aos tecidos e remover o dióxido de carbono. O sistema respiratório é um condutor de O2 através do sistema cardiovascular, por isso a ventilação é uma das funções do processo respiratório, responsável tanto pela captação e oferta de oxigênio (O2), afim de oxigenar os tecidos, quanto pela retirada do gás carbônico (CO2) 1 produzido pelos processos fisiológicos e seus principais centros reguladores são: a) o de Comando Central, originado de regiões específicas do encéfalo e b) o Centro Respiratório, localizado no tronco encefálico. Para que seja mantida a homeostase do organismo, o ato de ventilar requer movimentos coordenados da musculatura e, para isso, o Sistema Nervoso Central (SNC) precisa produzir um ritmo ventilatório adequado à ventilação alveolar, à homeostase de gases, ao equilíbrio ácido-base (pH) e sincronizar os movimentos ventilatórios às outras atividades corporais, como por exemplo, a fala, a deglutição, a locomoção, as mudanças posturais, dentre outras. Essa integração é possível pela presença de uma complexa rede de aferências e eferências neurais que permite o processamento das informações originadas a partir de diversos receptores sensoriais visando a execução dos ajustes necessários a partir das 2 inervações de diversos órgãos envolvidos na fisiologia respiratória . O Centro de Comando Central localiza-se no córtex cerebral, conhecido também como região dos Centros Superiores, e é responsável pelo controle voluntário (ou comportamental) da ventilação, pois possui vias de condução de estímulos eferentes aos motoneurônios que inervam os músculos ventilatórios, permitindo que o padrão ventilatório seja modificado voluntariamente e, quando estimulado, se sobreponha ao automatismo. Já o controle involuntário da ventilação (automático) responde principalmente aos estímulos químicos, como por exemplo, a alteração na 2,3 concentração de gases e de pH e à insuflação pulmonar, devido ao estiramento do tecido . O Centro Respiratório, localizado na região bulbar do tronco encefálico, conhecido também como Medula Oblonga, é composto por grupos de neurônios localizados bilateralmente e divididos em três grandes grupos: a) Dorsal, localizado no bulbo e responsável principalmente pela inspiração; b) Ventral, também localizado no bulbo e responsável tanto pela expiração 1 quanto pela inspiração, dependendo do estímulo recebido e c) Centro Pneumotáxico, localizado 4 na ponte e auxilia no controle tanto da frequência quanto do padrão respiratório . Além disso, o Centro Respiratório é responsável pela natureza periódica do ciclo ventilatório, a ventilação espontânea, uma vez que é capaz de gerar a ritmicidade da ventilação, a qual por sua vez é controlada pelas alterações de gases, de pH e pelo estímulo de estiramento. No entanto, essa automatização pode ser interrompida no momento em que se conscientiza o controle da 2 ventilação, prevalecendo o controle voluntário . O controle da ventilação, realizado tanto pelo Comando Central quanto pelo Centro Respiratório, é modulado pelas informações mediadas por terminações nervosas denominadas quimioceptores respiratórios. Tais receptores são sensíveis a alterações químicas sanguíneas e responsáveis por ajustar a ventilação a fim de manter as pressões de O2 e CO2 (PO2 e PCO2, respectivamente) dentro de determinados limites fisiológicos, os quais podem ser alterados pela 5,6 própria ventilação . As primeiras sinapses provenientes dos quimioceptores periféricos são recebidas e 7 processadas no Núcleo do Trato Solitário (NTS) , responsável por transmitir as informações periféricas a diferentes núcleos encefálicos que controlam as respostas reflexas simpáticas e 8 ventilatórias eferentes . Esse controle é realizado, mais especificamente, através de uma 9 complexa rede de regulação nas porções caudal e rostral da Medula Ventro Lateral do NTS . Além disso, o NTS está envolvido nas atividades simpáticas e respiratórias basais, já que processa informações provenientes tanto dos quimioceptores periféricos, como dos receptores de estiramento pulmonar 10,11 . Independentemente da origem do comando ventilatório, o neurotransmissor L-glutamato, dentro do NTS, é considerado o principal responsável por desencadear respostas ventilatórias e também da atividade simpática torácica aos estímulos oriundos não só dos receptores do barorreflexo, do reflexo de Hering-Breuer e dos quimioceptores, mas também em gerar um padrão ventilatório eupnéico 12,13 . O controle do equilíbrio ácido-base representa outro importante mecanismo que influencia a regulação da ventilação, uma vez que em uma situação de acidose metabólica, ocorre 2 pronunciada estimulação ventilatória a fim de expelir o CO 2 acumulado e reduzir a concentração +) sanguínea de hidrogênio (H . Contrariamente, numa situação de alcalose metabólica, a + ventilação é deprimida no intuito de elevar a pressão de O 2 e aumentar a concentração de H aos níveis normais. Nesse sentido, quando a ventilação é regulada voluntariamente (hiper ou hipoventilação), podem ocorrer situações de acidose ou alcalose ventilatórias ativando centros de 5 controle ventilatório para restabelecimento da homeostase . Além disso, algumas alterações não químicas, medidas por receptores de estiramento localizados nas vias aéreas e nos pulmões, podem interferir sobre a regulação da ventilação. A insuflação pulmonar, através do estímulo do estiramento do tecido, provoca a ativação de um reflexo mediado pelo nervo vago, que inibe a inspiração após determinado nível de insuflação e é 14 denominado reflexo de Hering-Breuer . Este reflexo desempenha papel importante na regulação 15 da frequência e profundidade ventilatória e sua atividade depende das aferências vagais . Os receptores de estiramento são inervados por fibras vagais mielinizadas (de adaptação lenta e rápida) e não-mielinizadas (fibras do tipo C pulmonares e brônquicas) cujas funções estão diretamente relacionadas ao prolongamento ou redução das capacidades inspiratórias e expiratórias, sendo estimuladas principalmente pela hiperinsuflação pulmonar. A resposta reflexa produzida, neste caso, pode provocar não só alterações na dinâmica ventilatória, mas também 5 em parâmetros cardiovasculares como bradicardia e hipotensão . Desde o século XIX se tem registros de observações envolvendo a relação entre o ato de respirar e as alterações na dinâmica cardiovascular. Carl Ludwig em 1847, percebeu em seus experimentos com cães que quando o animal inspirava, ocorria uma leve taquicardia e, opostamente, quando expirava, observava leve bradicardia. Essas flutuações da frequência cardíaca (FC) poderiam ser moduladas pela dinâmica ventilatória, uma vez que a ventilação lenta e regular era capaz de provocar agudamente efeitos benéficos através dos sistemas de controle reflexo cardiovasculares 16,17,18 .Estudos subsequentes utilizaram a ventilação controlada como metodologia auxiliar para investigações relacionadas ao sistema cardiovascular, já que a partir 3 dessa relação era possível interferir e analisar a interação cardiovascular e ventilatória, tanto em situações fisiológicas quanto patológicas 1,19,20 . Desordens ventilatórias têm diferentes efeitos sobre o equilíbrio ácido-base, o diâmetro arterial e a retenção de sódio pelos rins, por isso cronicamente podem contribuir para a fisiopatologia de diversas doenças como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), angina, desordens funcionais torácicas, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), além de interferir na reabilitação cardíaca. Nesse sentido, um padrão ventilatório regular é importante para a manutenção de um volume corrente adequado para a manutenção das necessidades metabólicas do organismo, sendo capaz de suavizar ou evitar as injúrias envolvidas no desenvolvimento e/ou 3 evolução de diversas patologias . 2. VENTILAÇÃO E CONTROLE CARDIOVASCULAR A influência da ventilação sobre as variáveis cardiovasculares vem sendo estudada a muito tempo, mas ainda existem muitas lacunas quanto à interação entre os mecanismos fisiológicos envolvidos 14,21,22 . A variabilidade natural dos parâmetros cardiovasculares reflete uma interação de diversos fatores que, em sua maioria, envolvem a influência do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) sobre o funcionamento cardiovascular, como o estresse ambiental, mudanças de postura e efeito mecânico da ventilação 23,24,25 . As alterações no balanço simpatovagal cardíaco, produzem variações na FC em situações patológicas 26,27 e fisiológicas 28,29 . Tais variações são obtidas através da ação dos sistemas simpático e parassimpático, que interagem rapidamente no nó sino-atrial, produzindo a camada Arritmia Sinusal Respiratória, modulando a FC e a pressão arterial (PA) de forma 28 diferenciada . A análise do controle autonômico pode fornecer informações importantes em relação às condições clínicas dos indivíduos, principalmente quando os mesmos já apresentam algum grau de desbalanço simpatovagal por diferentes etiologias, levando a algum grau de comprometimento 4 30 do controle cardiovascular . Desta forma, o uso de uma técnica não invasiva, capaz de obter o 29 máximo de informações a respeito desse sistema é de extrema importância . 2.1. AVALIAÇÃO DO CONTROLE AUTONÔMICO As variabilidades da frequência cardíaca (VFC) e da pressão arterial (VPA) fornecem informações importantes a respeito do controle autonômico, permitindo a avaliação quantitativa das modulações simpática e vagal sobre o sistema cardiovascular. Quanto menor a VFC, maiores serão os riscos de doenças cardíacas 23,24 . A diminuição da VFC constitui um importante fator prognóstico para o aparecimento de eventos cardíacos tanto em indivíduos previamente sadios quanto em portadores de cardiopatias 31,32,33,34,35,36 . Esses resultados são confirmados em pacientes pós infarto agudo do miocárdio (IAM), por exemplo, quando foi observada uma redução na VFC, considerada um fator de risco independente para eventos arrítmicos e mortalidade global 23,37 . Por outro lado, a VPA, apresenta relação contrária, apresentando valores maiores em condições patológicas. Quanto maiores os valores de PA ou quanto maior a idade do paciente, maior será a VPA, representando risco aumentado para o desenvolvimento e evolução de 38 desordens vasculares . Além de avaliações simples no domínio do tempo, a análise no domínio da frequência, ou análise espectral, pode fornecer informações quantitativas da função cardiovascular, através de metodologias de ampla aplicação e potencialidade, por usar em grande parte, registros não invasivos 24,28,39 . A análise espectral de séries temporais de FC, ou tacograma, e de pressão arterial sistólica (PAS), ou sistograma, permite não apenas a avaliação da variabilidade como também a sua caracterização em componentes frequenciais específicos. As oscilações rítmicas de PA e FC apresentam três faixas distintas: a faixa de alta frequência HF (do inglês, High Frequency), similar à atividade respiratória normal; a faixa de baixa frequência LF (do inglês, Low Frequency) e a faixa de muito baixa frequência VLF (do inglês, Very Low Frequency) 29,40,41 . Tais oscilações variam em amplitude e frequência de acordo com o comportamento, com as condições fisiológicas e patológicas 24,28,42 . 5 As componentes LF e HF da VFC e da VPA estão relacionadas às modulações simpática e vagal, respectivamente. Entretanto, por serem obtidas de forma indireta, diferentemente das medidas diretas de tônus simpático e vagal, as alterações sobre tais componentes de frequência não estão sempre diretamente ligadas ao aumento ou redução da atividade simpática e/ou vagal. A avaliação da VFC, por caracterizar resposta à ação do sistema nervoso sobre o coração, permite avaliar o controle autonômico através da relação entre as componentes espectrais LF/HF, ou seja, a relação entre as modulações simpática e vagal sobre o ritmo cardíaco 43,44 . Devido ao fato do sinal pressórico representar o resultado da interação de diversos mecanismos fisiológicos envolvidos no controle pressórico, componentes de frequência da VPA estão associadas a diferentes modulações, tanto do sistema nervoso simpático quanto da função vascular miogênica, do óxido nítrico derivado do endotélio e até mesmo da modulação do sistema 39 renina angiotensina (SRA) sobre a PA . Como a faixa de oscilação de tais mecanismos na maioria das vezes é coincidente, pouca informação pode ser extraída de forma precisa sobre a ação isolada de cada um deles. Em humanos, a informação fisiológica direta, retirada a partir da análise espectral da VPA está ligada à componente LF que permite a análise quantitativa da 28 modulação simpática vascular . Evidências mostram que em animais há uma associação entre o 39 SRA e a faixa de frequência VLF. No entanto, esta relação não está estabelecida em humanos . Apesar da grande aplicabilidade da análise espectral, limitações impostas pela metodologia podem impedir o uso de tais métodos em algumas situações. Em particular, quando a FR é inferior a 9 incursões ventilatórias por minuto (ivpm), há sobreposição das faixas de frequência associadas às modulações simpática e vagal 28,40,45 , e a análise espectral não é capaz de quantificar tais modulações separadamente. Neste sentido, a análise simbólica 46,47 apresenta- se como uma metodologia alternativa, de bases não-lineares, que permite distinguir as modulações cardíacas simpática e parassimpática mesmo em situações de não-estacionariedade ou quando há deslocamento de faixas de frequência imposto por alterações na frequência respiratória 46,47,48 . 6 A análise simbólica busca distinguir as modulações cardíacas simpática e vagal através da análise de sequências de três batimentos consecutivos 46,47 . O método desenvolvido por Porta 46 e cols. (2001) , já foi aplicado a situações caracterizadas por ativação simpática (tilt test, handgrip e administração de nitroprussiato de sódio e altas doses de atropina) ou ativação parassimpática (administração de fenilefrina e baixas doses de atropina) em humanos 49,50,51 . A análise decompõe séries de VFC em padrões de três batimentos e classifica em três categorias: padrão não variável, padrão variável e padrão muito variável, chamados de 0V, 1V e 2V, respectivamente (Figura. 1). Em situações de estimulação simpática farmacológica e por manobra padrão os autores observaram aumento do padrão 0V, relacionando-o à modulação 47 simpática cardíaca . (B) (A) Figura 1: (A) Série de intervalos RR obtidos através de ECG em humanos. A serie foi separada em seis níveis (de 0 a 5) e cada nível é identificado por um símbolo. Os padrões de 3 batimentos são construídas. (B) Classificação dos padrões. 0V indica o padrão sem variação; 1V, padrão com uma variação; e 2V o padrão com duas variações. Fonte: Guzzetti et al., 2005 49 No estudo de Porta e cols. (2007) , foram avaliados 17 sujeitos jovens e saudáveis nas situações de repouso e de manobra de ativação simpática (ortostatismo passivo) gradual. A análise dos sinais foi realizada tanto por análise espectral quanto por análise simbólica. Os resultados mostraram que o incremento na modulação simpática cardíaca, demonstrado pelo 7 aumento do componente espectral LFnu e a redução da modulação vagal cardíaca, demonstrada pela redução do componente espectral HFnu, foram acompanhados pelo aumento do padrão 0V e redução do padrão 2UV da análise simbólica, respectivamente, mostrando que esses dois padrões podem ser capazes de descrever aspectos diferentes e potencialmente correlacionados às respostas autonômicas ao ortostatismo passivo gradual. Os estudos envolvendo a análise simbólica tanto em experimentação animal em humanos 46,47,49,51,53 48,52 quanto , garantem sua aplicabilidade como alternativa na avaliação do controle autonômico através da VFC. Os dois principais índices sugeridos pelos autores como representativos dessa modulação autonômica são os padrões 0V e 2UV, pois possuem alto potencial para detectar alterações não recíprocas nas modulações simpática e parassimpática ou 49 alterações recíprocas, porém de magnitudes diferentes . 2.2. INFLUÊNCIA DA VENTILAÇÃO SOBRE O CONTROLE CARDIOVASCULAR Alguns autores relatam que a FC pode ser afetada pelo mecanismo da ventilação 14,54,55 e que tal alteração parece estar relacionada à resposta central aos estímulos do sistema somatosensorial, através dos componentes do SNA, intervindo sobre o equilíbrio cardiovascular pela ativação do Sistema Nervoso Parassimpático (SNP), promovendo um predomínio da modulação 44 cardíaca vagal . De fato, estudos que aplicaram a ventilação controlada demonstraram que, sob ventilação espontânea lenta, ocorre melhora da função autonômica 56,57 . 3. M ANOBRA DE VENTILAÇÃO CONTROLADA O ato de ventilar pode facilmente ser controlado pelo indivíduo, o qual adaptará o seu 14 ciclo ventilatório de acordo com a dinâmica que lhe é imposta . A dinâmica ventilatória controlada pode induzir alterações tanto químicas quanto mecânicas no organismo que, por sua vez, são percebidas pelo sistema de receptores sensoriais envolvidos no controle ventilatório e cardiovascular. A Manobra de Ventilação Controlada é uma metodologia muito aplicada em protocolos para avaliação do controle autonômico cardiovascular e não apenas como manobra de ativação 8 parassimpática 58,59,60 61 , pois também é utilizada como forma de controle do padrão ventilatório , já que o efeito dessa intervenção depende da frequência respiratória (FR) imposta durante o protocolo. O método consiste do próprio indivíduo controlar voluntariamente sua ventilação, tanto através da FR, quanto por outros parâmetros como, por exemplo, o tempo inspiratório e/ou expiratório, dependendo dos objetivos do estudo. Em geral, mantém-se o indivíduo em posição supina 62 ou sentado 63 e utiliza-se um estímulo sonoro (metrônomo) e/ou visual (biofeedback) para auxiliá-lo na adequada execução da técnica. Elege-se um método de avaliação dos parâmetros fisiológicos, dependendo dos desfechos preconizados pelo estudo. Nesse estudo, elegemos a análise indireta do parâmetro vascular de PA, através do sistema de aquisição das oscilações pressóricas periféricas aferidas no dedo médio (Finapres), ilustrado na Figura. 2. Transdutor Conversor A/D Figura 2: diagrama ilustrativo do posicionamento do indivíduo durante a aplicação da Manobra de Ventilação Controlada e o sistema de aquisição utilizado para o registro não invasivo de sinais biológicos. Fonte: próprio autor 3.1. IMPLICAÇÕES FISIOLÓGICAS DA MANOBRA DE VENTILAÇÃO CONTROLADA Apesar da grande aplicabilidade da manobra de ventilação controlada, os efeitos de tais metodologias sobre o sistema cardiovascular ainda são contraditórios e parecem depender do protocolo, tipo de patologia e do grau de comprometimento cardíaco. Rossi Caruso e cols. (2011) 64 mostraram que o exercício de ventilação controlada em pacientes com Insuficiência Cardíaca (IC) promoveu efeitos benéficos sobre controle autonômico avaliado através da VFC. Por outro lado, Adams e cols. (2009) 20 não observaram melhora no sistema cardiovascular em resposta ao treinamento por ventilação controlada em pacientes pós IAM. 9 Outra aplicação da manobra de ventilação controlada, amplamente utilizada, consiste na padronização da ventilação em protocolos de avaliação do SNA onde a FR é fixada, em geral, para 12 e/ou 15 incursões ventilatórias por minuto (ivpm) 21,40,62,65,66 . No entanto, os resultados ainda são contraditórios e possivelmente relacionados a FRE e sua ligação com a atividade 67 simpática em repouso já demonstrada por alguns autores . Pinna e cols.(2006) 21 avaliaram 41 indivíduos hígidos através da Manobra de Ventilação Controlada, utilizando FR fixa de 15 ivpm (0,25Hz) e compararam com a condição de ventilação espontânea. Apesar dos resultados terem demonstrado um aumento da componente espectral HF, os autores sugerem que esse fenômeno tenha ocorrido em virtude do aumento do volume de ar inspirado provocado pela manobra, já que a influência da respiração sobre a PA é principalmente mediada pelas variações na pressão intratorácica e pelo estiramento pulmonar (reflexo de Hering-Breuer). A Figura 3 sintetiza a contradição existente na literatura resultado na falta de padronização na escolha da FR utilizada para a Manobra de Ventilação Controlada. Amostra do Estudo (sujeitos hígidos) Situação 1 FR basal = 6ivpm VC = 15ivpm Aumento na modulação simpática Evidências: Souza LA et al, 2011 Telles S et al, 2011 Situação 2 FR basal = 12ivpm VC = 15ivpm Aumento na modulação simpática ou nenhum efeito autonômico Evidências: Bernardi L et al, 2000 DeBeck LD et al, 2010 Situação 3 FR basal =15ivpm VC = 15ivpm Nenhum efeito autonômico Evidências: Pinna GD et al, 2006 Diedrich A et al, 2009 Situação 4 FR basal = 20ivpm VC = 15ivpm Aumento na modulação vagal Evidências: Souza LA et al, 2011 Reimann M et al, 2010 Figura 3: representação do panorama atual da literatura referente aos efeitos da Manobra de Ventilação Controlada sobre o sistema autonômico cardiovascular em sujeitos hígidos e submetidos a uma FR fixa. Fonte:próprio autor 10 Uma possível explicação para as diferentes respostas obtidas na aplicação da mesma manobra envolve a variabilidade das características autonômicas intrínsecas de cada indivíduo em situação basal. Alguns trabalhos já demonstraram relação direta da frequência respiratória espontânea (FRE) com o tônus simpático basal 68,69 , indicando uma possível associação entre a resposta autonômica à manobra e a frequência respiratória espontânea basal. Portanto, a padronização de um protocolo normalizado de ventilação controlada, otimizado para indução da atividade vagal, depende ainda de uma investigação sistemática dos efeitos da manobra de ventilação controlada sobre o controle autonômico. Tal padronização seria relevante não só para fins de avaliação, como para intervenção não medicamentosa, já que o aumento da modulação vagal agrega um potencial terapêutico sobre diversas patologias 14,19,70 . 11 4. JUSTIFICATIVA A manobra de ventilação controlada é uma metodologia amplamente utilizada para avaliação do controle autonômico cardiovascular e para ativação vagal cardíaca através da redução da frequência respiratória. No entanto, manobras que utilizam FR mais lentas apresentam resultados contraditórios dependentes do protocolo e da frequência respiratória adotada. Tais variações podem estar relacionadas às características autonômicas intrínsecas de cada indivíduo, como a relação direta da frequência respiratória espontânea com o tônus simpático basal, já demonstrada em alguns estudos, indicando uma possível associação entre a resposta autonômica à manobra e a frequência respiratória espontânea basal. Desta forma, a padronização de uma metodologia baseada nos valores da frequência respiratória espontânea de cada sujeito poderia fornecer um melhor controle do efeito da intervenção sobre o sistema autonômico cardiovascular favorecendo a homogeneidade dos resultados no âmbito da pesquisa e permitindo a otimização dos resultados de intervenções não medicamentosas, reforçando a sua aplicabilidade clínica. 12 5. HIPÓTESES 5.1. HIPÓTESE NULA H0: O protocolo de ventilação controlada induz alterações autonômicas que independem da frequência respiratória espontânea. 5.2. HIPÓTESE ALTERNATIVA H1: O protocolo de ventilação controlada induz alterações autonômicas que dependem da frequência respiratória espontânea, exigindo uma padronização baseada nas condições basais de cada indivíduo. 13 6. OBJETIVOS 6.1. OBJETIVO GERAL Avaliar as alterações provocadas por diferentes frequências respiratórias sobre o controle autonômico cardiovascular, de forma aguda, em indivíduos hígidos, e propor uma metodologia baseada na frequência respiratória otimizada de acordo com a frequência respiratória espontânea individualizada. 6.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Avaliar de forma aguda as alterações autonômicas provocadas por protocolo de ventilação controlada com diferentes frequências respiratórias sobre: 1) Frequência cardíaca, pressão arterial, variabilidades da frequência cardíaca (VFC) e da pressão arterial (VPA); 2) Parâmetros derivados da análise espectral como a relação entre as componentes de baixa e alta frequências (LF/HF) da VFC, relacionados ao balanço simpato-vagal cardíaco, e a componente baixa frequencia (LF) da VPA, correspondente à modulação simpática vascular. 3) Parâmetros derivados da análise simbólica: 0V e 2V, relacionados às modulações simpática e vagal cardíacas, respectivamente. 14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1- Gavish B. Device-guided breathing in the home setting: Technology, performance and clinical outcomes. Biological Psychology 2010;(84):150-6. 2- Aires MM, et al. Fisiologia. Guanabara Koogan 2008.3 ed.:213-339. 3- Gilbert C. 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Karina Rabello Casali Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, Unidade de Pesquisa Rua Princesa Isabel, 370 - Santana , CEP: 90620-000 - Porto Alegre - RS - Brasil Email: [email protected] Telephone: Cel: +55-51 93548084 Fixo: +55-51 32237393 25 RESUMO A manobra de ventilação controlada é uma metodologia amplamente utilizada para avaliação do controle autonômico cardiovascular e para ativação vagal cardíaca através da redução da frequência respiratória (FR). No entanto, manobras que utilizam FR mais lentas apresentam resultados contraditórios dependentes do protocolo e da FR adotada. Tais variações podem estar relacionadas às características autonômicas intrínsecas de cada indivíduo, como a relação direta, já demonstrada em alguns estudos, da frequência respiratória espontânea (FRE) com o tônus simpático basal. Neste trabalho, empregamos análise espectral e simbólica para avaliar o efeito da manobra de ventilação controlada sobre o controle autonômico cardiovascular em 26 sujeitos saudáveis e divididos em dois protocolos experimentais: um protocolo onde os sujeitos foram submetidos a três frequências respiratórias consideradas padrões na literatura (0.17Hz, 0.25Hz e 0.33Hz) e um protocolo onde as frequências respiratórias eram normalizadas pela frequência espontânea (100%, 80%, 70% e 50% da FRE). Em geral, nossos resultados demonstraram respostas autonômicas em favor da modulação vagal nas manobras que utilizam FR mais lentas. Porém, enquanto tal ativação foi variável entre os indivíduos do protocolo padrão, o protocolo normalizado produziu uma ativação otimizada e todos os sujeitos obtiveram aumento do componente de modulação vagal a 80% da FRE (HFnu basal = 42% versus HFnu 80% = 73%, p<0,001). A análise simbólica indicou ainda um aumento da componente simpática quando a ventilação foi imposta a percentuais muito baixos da FRE (0V basal = 13,32 versus 0V 50% = 16,62, p=0,016). Esses resultados sugerem que os protocolos que utilizam manobra de ventilação controlada para indução de ativação vagal, empregados inclusive em situações patológicas, deveriam considerar a FRE na normalização das frequências impostas, limitando-as a valores moderadamente menores que a FRE individual. Palavras-chave: ventilação controlada; controle autonômico 26 INTRODUÇÃO A manobra de ventilação controlada é uma metodologia amplamente utilizada para avaliação do controle autonômico cardiovascular (Adams e cols., 2009; Ferreira e cols., 2011; Stein e cols., 2011; Porta e cols., 2012; Pinna e cols., 2006; Krasnikov e cols., 2012). Há numerosas evidências que apontam para efeitos significativos das características ventilatórias (frequência, amplitude e regularidade) na variabilidade cardiovascular batimento-a-batimento (Sakakibara e cols., 1995; Cooke e cols., 1998; Bernardi e cols., 2001; Pinna e cols., 2006), e diversos autores propõem o controle voluntário da respiração como uma forma efetiva de evitar confundidores em avaliações a curto-prazo da variabilidade cardiovascular (Radaelli e cols., 1994; Pinna e cols., 2006; DeBeck e cols., 2010). Em particular, alguns estudos verificaram que a redução controlada da frequência respiratória (FR) é responsável pelo aumento da modulação vagal cardíaca, (Montano e cols., 1994; Bernardi e cols., 2000; Fan e cols., 2010), o que motivou a aplicação da manobra de ventilação controlada como protocolo para indução de ativação vagal, indicado inclusive em situações patológicas, como na hipertensão (Radaelli e cols., 1994; Grossman e cols., 2001; Gavish e cols., 2010; Mourya e cols., 2009) e diabetes (Brown e cols., 2008). Porém, os resultados que associam manobras de controle da ventilação em FR mais lentas com o aumento da modulação vagal são ainda contraditórios. Em estudos com sujeitos hígidos submetidos à manobra, reportou-se aumento do componente simpático cardíaco (LF) na respiração mais lenta (0,1 Hz) e aumento do componente vagal (HF) na respiração mais rápida (0,2 Hz) (Reimann e cols., 2010; Brown e cols., 1993). Outros trabalhos realizados com protocolos semelhantes, com ventilação controlada a FR de 0,1 e/ou 0,25 Hz, também em sujeitos saudáveis, não demonstraram mudanças significativas nas análises espectrais tanto da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) quanto da pressão arterial (VPA), sugerindo que manobras nestas FR específicas não alteram os parâmetros cardiovasculares (Pinna e cols., 2006; Tzeng e cols., 2009). 27 Uma possível explicação para as diferentes respostas obtidas na aplicação da mesma manobra envolve a variabilidade das características autonômicas intrínsecas de cada indivíduo em situação basal. Alguns trabalhos já demonstraram relação direta da frequência respiratória espontânea (FRE) com o tônus simpático basal (Naughton e cols., 1998; Narkiewicz e cols., 2006), indicando uma possível associação entre a resposta autonômica à manobra e a frequência respiratória espontânea basal. Portanto, a padronização de um protocolo normalizado de ventilação controlada, otimizado para indução da atividade vagal, depende ainda de uma investigação sistemática dos efeitos da manobra de ventilação controlada sobre o controle autonômico. Tal padronização seria relevante não só para fins de avaliação, como para intervenção não medicamentosa, já que o aumento da modulação vagal agrega um potencial terapêutico sobre diversas patologias (Grossman e cols., 2001; Bernardi e cols., 2001; Joseph e cols., 2005), Porém, a avaliação do controle autonômico cardiovascular em condições de baixa frequência respiratória enfrenta desafios metodológicos. A decomposição espectral da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e da pressão arterial (VPA) é o principal método empregado para avaliar o controle autonômico cardiovascular e obter informações sobre as modulações simpática e vagal cardíacas, permitindo uma ligação interpretativa entre diferentes componentes oscilatórios e mecanismos fisiológicos específicos (Montano e cols., 1994; Task Force HRV, 1996; Thayere cols., 2012). Entretanto, limitações impostas pela metodologia linear de decomposição espectral podem impedir o uso de tais métodos em algumas situações. Em particular, quando a FR é inferior a 9 incursões ventilatórias por minuto (ivpm), há sobreposição das faixas de frequência associadas às modulações simpática e vagal (Radaelli e cols., 1994. Malliani e cols., 1991; Bernardi e cols., 2000), e a análise espectral não é capaz de quantificar tais modulações separadamente. Neste sentido, a análise simbólica (Porta e cols, 2001; Guzzetti e cols, 2005) apresenta-se como uma metodologia alternativa, de bases não-lineares, que permite distinguir as modulações cardíacas simpática e parassimpática mesmo em situações de nãoestacionariedade ou quando há deslocamento de faixas de frequência imposto por alterações na FR (Porta e cols., 2001; Guzzetti e cols., 2005; Tobaldini e cols., 2009). 28 Neste estudo, empregamos tanto os métodos espectrais quanto a análise simbólica com o objetivo de avaliar os efeitos da manobra de ventilação controlada sobre o controle autonômico cardiovascular de indivíduos hígidos em um largo espectro de frequências respiratórias (de 6ivpm até 22ivpm). Os nossos resultados sugerem a padronização de um protocolo otimizado para indução da ativação vagal que é baseado na normalização da frequência respiratória espontânea individual. Esta metodologia protocolar tem o potencial de favorecer a homogeneidade dos resultados no âmbito da pesquisa e permitir a otimização dos resultados de intervenções não medicamentosas, reforçando a sua aplicabilidade clínica. M ATERIAIS E MÉTODOS Foram avaliados 26 voluntários hígidos, de ambos os sexos e não fumantes. Nenhum dos sujeitos era portador de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes mellitus, doenças respiratórias crônicas, disfunções autonômicas, bem como tabagismo, alcoolismo e outras drogas. Todos os sujeitos foram instruídos 12 horas antes do teste a não ingerir cafeína e álcool, dormir bem e não realizar exercício físico intenso. O estudo foi aprovado pelos comitês locais de pesquisa com seres humanos e consentimento escrito foi obtido de cada sujeito antes da participação no estudo. Os voluntários foram divididos para participação em dois protocolos diferentes. Protocolo Padrão (PP) Dez indivíduos, com idades entre 24 a 32 anos, foram avaliados no Laboratório de Investigação Clínica, no Hospital Luiggi Sacco, em um ambiente silencioso, com temperatura (± 23 ° C) e iluminação controladas. O eletrocardiograma (ECG) foi registrado a 300 Hz e o sinal de pressão de pulso foi adquirido a 1000 Hz, de forma contínua e não invasiva (Finapres 2300, Ohmeda, Englewood, CO), em posição supina. O protocolo padrão consistiu da aplicação de manobras de ventilação controlada a frequências respiratórias consideradas padrão na literatura. No primeiro bloco o indivíduo era mantido em repouso, respirando de forma espontânea por 10 minutos de registro. Nos blocos subsequentes, de forma aleatória, os indivíduos foram instruídos 29 a seguir o estímulo sonoro, gerado por um metrônomo digital, para controle da ventilação em diferentes frequências respiratórias : 0,17 Hz, 0,25 Hz e 0,33 Hz, equivalentes respectivamente a 10 (bloco R10), 15 (bloco R15) e 20 ivpm (bloco R20). Os registros foram de 10 minutos em cada bloco, com um intervalo de 5 minutos entre eles para estabilização dos sinais. Protocolo Normalizado (PN) Dezesseis indivíduos, com idades entre 24 a 38 anos, foram avaliados no Laboratório de Investigação Clínica do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, em um ambiente silencioso, com temperatura (± 23 ° C) e iluminação controladas. O sinal de pressão de pulso foi adquirido a 1000 Hz, de forma contínua e não invasiva (Finapres 2300, Ohmeda, Englewood, CO), em posição supina. O protocolo normalizado consistiu da aplicação de manobras de ventilação controlada a frequências respiratórias normalizadas pela frequência respiratória espontânea de cada indivíduo. No primeiro bloco de registro o indivíduo era mantido em repouso por 10 minutos e a sua frequência respiratória espontânea (FRE) era aferida, sem que o sujeito percebesse, através da média de três medidas visuais. Nos blocos subsequentes, de forma aleatória, os indivíduos foram instruídos a seguir o estímulo sonoro, gerado por um metrônomo digital, para controle da ventilação em diferentes frequências respiratórias calculadas sobre a FRE: 100%, 80%, 70%, 60% e 50%. O registro de cada bloco foi de 10 minutos, com um intervalo de 5 minutos para retorno às condições basais. Avaliação do Controle Autonômico As séries temporais de tacograma foram construídas a partir do intervalo entre dois picos consecutivos de ondas R, para o Protocolo 1, ou pelos intervalos de pulso das ondas pressóricas, para o Protocolo 2. As séries de sistograma foram geradas pela detecção dos picos sistólicos dos registros de pressão arterial. Foram selecionados trechos estacionários de 200-300 batimentos em cada bloco, coincidentes em ambas as séries (Porta e cols., 2004). As séries de tacograma e sistograma foram submetidas à análise espectral, que permite o estudo no domínio da frequência da VFC e da VPA respectivamente. A decomposição espectral 30 foi realizada por modelagem autoregressiva com ênfase nas faixas de baixa frequência - LF (Low frequency: 0,04-0,15 Hz) e alta frequência - HF (High frequency: 0,15-0,40 Hz). A potência total 2 do espectro contido até 0,40Hz corresponde à VFC total, expressa em valores absolutos (ms ). Os valores de potência correspondente a cada faixa são expressos em valores absolutos (abs) e normalizados pela soma das componentes LF e HF (nu). No espectro da VFC, tais faixas estão relacionadas às modulações simpática e parassimpática cardíacas, sendo que a razão LF/HF reporta o balanço simpatovagal cardíaco (Malliani e cols., 1991; Montano e cols., 2008). No estudo da VPA, a faixa LF, em valores absolutos, está ligada à modulação simpática vascular (Stauss 2007) e a relação entre os componentes LF da VFC e VPA, em valores absolutos, conhecido como Índice αLF, determina a sensibilidade barorreflexa espontânea (Fazan e cols., 2005). Os mesmos trechos estacionários avaliados pela decomposição espectral foram submetidos à análise simbólica. O método divide a sequência em seis níveis e avalia a série de tacograma em padrões curtos de três batimentos. Os possíveis padrões são divididos em quatro grupos: o padrão 0V corresponde a sequência de 3 batimentos sem variação de níveis, o padrão 1V corresponde a uma variação de nível e o 2V associa-se ao caso de duas variações de níveis na sequência de 3 batimentos. O padrão 2V é subdividido em 2UV e 2LV, de acordo com o tipo de variação diferente ou semelhante, respectivamente. Ao final, os padrões iguais são agrupados e calculam-se os percentuais de ocorrência em cada serie (Porta e cols., 2001). Os padrões 0V e 2UV têm sido correlacionados às modulações simpática e vagal cardíacas respectivamente (Guzzetti e cols., 2005 ; Porta e cols., 2007). Análise Estatística Os dados foram avaliados através da análise de variância ANOVA de uma via com medidas repetidas, seguido de post hoc Tukey para comparação entre os diferentes estágios de FR. Para as distribuições não normais, o teste aplicado foi o ANOVA de Friedman com medidas repetidas. As correlações foram calculadas pelo método de Pearson. Foram consideradas diferenças estatisticamente significativas aquelas com P ≤ 0,05. 31 RESULTADOS Protocolo Padrão (PP) Os sujeitos avaliados no protocolo padrão tiveram média de FRE = 14,5 ± 1,7 ivpm. De acordo com os resultados mostrados na Tabela 1, as manobras não induziram modificações nos valores de frequência cardíaca (FC) e pressão arterial sistólica (PAS). No entanto, a avaliação do controle autonômico através da análise espectral apontou alterações importantes na VFC, sobretudo no bloco de ventilação R10. Apesar do valor total de potência espectral, que reporta o valor da VFC, não ter sido alterado, a manobra em 10 ivpm evocou modificações ligadas às componentes espectrais com aumento na banda HF, comparado aos blocos em situação Basal, R15 e R20, tanto em valores absolutos (p= 0,022, p= 0,015 e p= 0,011, respectivamente), como em normalizados (p= 0,041) (Figura 1). Além disso, o índice LF/HF, que relaciona-se ao balanço simpato-vagal, foi menor no bloco R10 quando comparado aos blocos R15 e R20 (p=0,028). Não houve alteração nos parâmetros de VPA e seus componentes espectrais, bem como no índice α, ligado à sensibilidade barorreflexa espontânea. Em relação à análise simbólica, não houve diferença significativa no padrão 0V, que representa a modulação simpática cardíaca. Já em R20, o padrão 2UV, relacionado à modulação vagal cardíaca em ortostatismo (Porta e cols., 2007), foi significativamente maior quando comparado ao bloco Basal e aos blocos R15 e R10 (p< 0,001). Além disso, em R20, o padrão 2LV, cujo significado fisiológico não é conhecido, foi significativamente menor em relação ao bloco R10. A Figura 2 mostra o efeito das manobras de ventilação controlada sobre o componente HFnu para cada sujeito nos diferentes blocos do protocolo padrão. Os protocolos induziram aumento da ativação vagal em 80% dos indivíduos de R10 (Figura 2-A), em 50% de R15 (Figura 2-B) e de 40% dos indivíduos em R20 (Figura 2-C). 32 Protocolo Normalizado (PN) No protocolo normalizado, os sujeitos avaliados tiveram média de FRE = 16,3±2,5 ivpm. Blocos com imposição de frequências respiratórias percentuais menores que a FRE geraram o deslocamento do componente espectral HF em direção à faixa LF. A Figura 3 exibe os espectros de VFC e do sinal respiratório de um indivíduo para as situações de ventilação controlada a 100%(A); 70%(B) e 50%(C) da FRE, apresentando o deslocamento da banda de maior coerência entre os componentes espectrais, de acordo com a FR imposta. Somente para os casos de 100% e 80% as faixas da FR permaneceram dentro da banda HF em todos os sujeitos. Portanto, os resultados da avaliação do controle autonômico obtidos por análise espectral estão demonstrados apenas nas situações Basal, 100% e 80%, (Figura 4(A); Tabela 2) e aqueles obtidos a partir da análise simbólica, que não depende de tal alteração, estão descritos para todos os blocos (Figura 4(B); Tabela 3). Não houve alteração nos valores de FC e PAS, bem como nos valores de suas variabilidades VFC e VPA. A avaliação do controle autonômico por decomposição espectral demonstrou alterações nas componentes LF e HF, ligados às modulações simpática e vagal cardíacas (Tabela 2, Figura 4(A)). O controle da ventilação a 100%, quando comparado com a situação basal, apontou aumento significativo do componente HF (p<0,001), com redução recíproca do LF(p<0,001), e redução do índice LF/HF (p<0,001), ligado ao balanço simpatovagal cardíaco. Da mesma forma, o controle da ventilação a 80% apontou aumento do componente HF (p<0,001), redução recíproca do LF (p<0,001) e redução do índice LF/HF (p<0,001) em relação à situação basal e também ao bloco de 100%. Não houve alteração nos parâmetros espectrais da VPA, exceto no componente HF cujo significado fisiológico não é determinado. A Tabela 3 demonstra os resultados obtidos para a avaliação do controle autonômico pela análise simbólica em todos os blocos estudados. Com relação aos parâmetros da análise simbólica, o padrão 0V, ligado a modulação simpática cardíaca, foi significativamente maior no bloco de 50% quando comparado aos blocos de 100%, 80% e 70% (p= 0,005, p= 0,002 e p= 0,004, respectivamente) (Figura 4(B)). Não houve diferença nos padrões 1V e 2LV. O padrão 33 2UV, relacionado à modulação vagal cardíaca em ortoestatismo, apresentou uma redução linear, significativa com relação aos blocos basal e 100%, acompanhando a redução da FR(p< 0,001) (Tabela 3). Além disso, observou-se diferença significativa no padrão 2UV quando os blocos de 60% e 50% foram comparados aos blocos 80% (p= 0,001 e p<0,001, respectivamente) e 70% (p= 0,004 e p< 0,001, respectivamente). A Figura 5 exibe o efeito do protocolo normalizado sobre a componente HFnu para os blocos de 100% e 80% em cada sujeito individualmente. Os protocolos induziram aumento da ativação vagal em 81% dos indivíduos impostos à ventilação controlada na FRE (Figura 5-A). No bloco de ventilação a 80% da FRE todos os indivíduos apresentaram aumento do componente de modulação vagal (Figura 5-B). DISCUSSÃO A manobra de ventilação controlada é empregada na promoção da ativação vagal, inclusive sendo indicada para tratamento da hipertensão no intuito de reduzir a pressão arterial e melhorar o quadro clínico (Grossman e cols., 2001; Radaelli e cols., 1994; Reimann e cols., 2010; Pinna e cols., 2006; Cooke e cols., 1998; Sakakibara e cols., 1996). Todos estes estudos, porém, consideram frequências respiratórias absolutas de 10 ou 15ivpm a serem aplicadas indiscriminadamente aos indivíduos e pacientes. Em particular, a FR respiratória indicada pelas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão é de 10 ivpm (VI Diretrizes Bras. De HAS, 2010). Nossos resultados ressaltam a importância de se considerar a frequência respiratória espontânea individual e sua ação no tônus simpático basal em protocolos da ativação vagal. Apesar de observarmos aumento significativo da ativação vagal a 10 ivpm (Figura 1), a análise individual dos sujeitos submetidos ao protocolo padrão (Figura 2) evidencia a heterogeneidade das respostas deste grupo, com aumento da ativação vagal em 80% dos indivíduos de R10, em 50% de R15 e de 40% dos indivíduos em R20. Ao levarmos em consideração a FRE individual e aplicarmos o protocolo normalizado, somente o controle da ventilação, mesmo na FRE individual, já evocou um aumento da modulação vagal em 80% dos indivíduos (Figura 5A) e a ativação vagal 34 foi atingida com homogeneidade, em todos os indivíduos com frequência respiratória de 80% da FRE (Figura 5B). Sabe-se que a respiração lenta induz uma diminuição generalizada na regulação das vias excitatórias dos sistemas cardiovascular e respiratório (Joseph e cols., 2005). Alguns autores já demostraram que a ventilação controlada, particularmente a respiração lenta de 3 a 6 ciclos/min, reduz a FC e PA tanto em indivíduos hígidos (Sakakibara e cols., 1995; Krasnikov e cols., 2012) como em pacientes hipertensos (Joseph e cols., 2005). Os mecanismos envolvidos nas alterações impostas pela ventilação lenta, porém, ainda não são totalmente conhecidos. Alguns autores atribuem tais efeitos a modificações reflexas, como aumento da sensibilidade baroreflexa (Reimann e cols., 2010; Bernardi e cols., 2001; Joseph e cols, 2005) e redução no quimireflexo (Bernardi e cols., 2001). Além disso, alterações anatômicas de distensão pulmonar podem evocar respostas autonômicas (Bernardi e cols., 2001). Também o reflexo de Hering-Breuer, que induz inibição da inspiração após a insulflação do pulmão, é mediado pela inervação vagal e parece ter um papel importante na regulação da frequência respiratória e profundidade ventilatória (Clark e cols., 1972). Nossos resultados não apontaram variações na sensibilidade barorreflexa espontânea, o que pode ser atribuído tanto ao método de avaliação, que no nosso caso foi indireto (Fazan e cols., 2005) ou devido às próprias variações metodológicas (Tzeng e cols. (2009)). De qualquer modo, nossos resultados sugerem que a ordem e magnitude de ação de tais possíveis mecanismos durante a manobra de ventilação controlada podem depender de características individuais, como a frequência respiratória espontânea. Em um mesmo grupo ao qual é imposta uma frequência respiratória fixa de 10 ivpm, podemos encontrar indivíduos respirando em sua própria FRE e outros respirando próximos a 50% da FRE. Nosso estudo corrobora a hipótese de que estas manobras têm efeitos distintos nos dois casos, sendo que nestes últimos indivíduos tal manobra poderia não apenas ser ineficaz na redução da PA, como poderia evocar ativação simpática. De fato, os resultados da análise simbólica sugerem um aumento da modulação simpática cardíaca quando a FR imposta é de cerca de 50% da FRE. Protocolos que impõem FR 35 muito lentas podem induzir alterações fisiológicas na função pulmonar em busca da adaptação ao tempo de ventilação prolongado. Tais alterações podem ocorrer de forma aguda e ser suprimidas quando o protocolo envolve treinamento com avaliação do efeito crônico. Tanto a hipóxia quanto a hipercapnia aumentam a ventilação e podem aumentar o tônus simpático, a FC, a PAS (Van de Borne e cols., 2000; Somers e cols., 1989a,b). Nosso estudo não avaliou os parâmetros de função respiratória devido ao fato de a metodologia ser capaz de inserir alterações autonômicas confundidoras na análise (Bernardi e cols., 2000). Um possível aumento do componente simpático cardíaco possui importância tanto de caráter investigativo quanto clínico uma vez que a ventilação controlada vem sendo aplicada como intervenção medicamentosa em diversas patologias como na hipertensão (Radaelli e cols., 1994; Grossman e cols., 2001; Gavish e cols., 2010; Mourya e cols., 2009), diabetes (Brown e cols., 2008), infarto agudo do miocárdio (Adams e cols., 2009). A modulação respiratória anormal é frequentemente relacionada com disfunção autonômica e a manipulação do padrão respiratório pode promover efeitos benéficos para o controle cardiovascular e respiratório tanto em condições fisiológicas quanto patológicas. Abre-se então uma nova área para futuras pesquisas visando à melhora do manejo de pacientes com disfunção autonômica cardiovascular (Bernardi e cols., 2001). No entanto, o sucesso do método depende muito da interação do paciente e das condições associadas à patologia (Gavish e cols., 2010). Cabe ressaltar, porém, que a interpretação dos resultados da análise simbólica não foi ainda validada em protocolos de ventilação controlada. Demonstrou-se uma correlação do padrão 0V com a modulação simpática somente em situações de ativação simpática farmacológica por manobras padrões (Guzzetti e cols., 2005) e em protocolo de estimulação simpática gradual imposta por ortoestatismo passivo, quando correlações positiva e negativa dos padrões 0V e 2UV, respectivamente, foram observadas em relação ao grau de ativação simpática (Porta e cols., 2007). Nossos resultados da análise simbólica para o grupo 50% da FRE não puderam ser confrontados com valores obtidos através da análise espectral porque frequências inferiores a 9 ivpm implicam no deslocamento do componente respiratório para a banda LF (Figura 3), 36 impossibilitando a avaliação do controle autonômico por análise espectral (Radaelli e cols., 1994. Malliani e cols., 1991; Bernardi e cols., 2000; Kox e cols., 2011). Como conclusão, evidenciamos a importância na avaliação da FRE para a aplicação das manobras de ventilação controlada. Demonstramos pela primeira vez o comportamento do controle autonômico com a variação da FR, propondo um protocolo normalizado pelas condições basais de cada indivíduo. Demonstramos que tal protocolo permite avaliar de forma mais homogênea indivíduos de FRE variadas e apresentamos algumas evidências que podem indicar que o uso de FR em torno de 50% da FRE induz ativação simpática cardíaca. O uso da manobra de ventilação controlada a 80% da FRE evocou aumento do componente vagal cardíaco em todos os indivíduos avaliados potencializando sua aplicação em protocolos que visem a ativação vagal em indivíduos hígidos e motivando o estudo de tal protocolo em situações patológicas. 37 PERSPECTIVAS Como perspectivas, o protocolo normalizado poderia ser aplicado à populações de diferentes patologias tanto para avaliações do efeito agudo como para estudo crônico por treinamento de forma adaptativa, buscando a construção de modelos individualizados para respostas mais eficientes. Além disso, o estudo sobre o efeito agudo das FR lentas, com rigor metodológico, avaliando de forma direta o tônus simpático e a função respiratória, poderia fornecer informações mais precisas sobre o efeito da FR a 50% da FRE sobre o controle autonômico cardiovascular. LIMITAÇÕES DO ESTUDO Devido às possíveis implicações da metodologia de análise de gases sobre o controle autonômico, optamos por não realizar o teste de espirometria para quantificação da eficiência da função pulmonar. A ausência destes dados é uma limitação do nosso estudo, pois impossibilita a análise mais precisa sobre as possíveis adaptações fisiológicas durante as manobras como a hipoxia ou hiperventilação. Outra limitação está relacionada à logistica metodológica que devido ao período longo de experimento impossibilitou a aplicação dos dois protocolos, padrão e normalizado, ao mesmo grupo de indivíduos. CONFLITOS DE INTERESSE Os autores declaram não haver conflitos de interesse que prejudicariam a imparcialidade desse estudo. FINANCIAMENTO Este trabalho foi financiado por recursos provenientes de agências de fomento à pesquisa: CNPq, CAPES e FAPERGS. AGRADECIMENTOS Grupo de pesquisa em fisiologia da UFCSPA, em especial à Profa. Dra. Katya Vianna Rigatto, ao Prof. Dr. Rodrigo DellaMéa Plentz e à doutoranda Cinara Stein. 38 REFERÊNCIAS Adams J, Julian P, Hubbard M, Hartman J, Baugh S, Segrest W, Russell J, Mcdonnell J, Wheelan K. A randomized controlled trial of a controlled breathing protocol on heart rate variability following myocardial infarction or coronary artery bypass graft surgery. Clin Rehabil. 2009 Sep; 23(9):782-9. Bernardi L, Porta C, Gabutti A, Spicuzza L, Sleight P. Modulatory effects of respiration. 2001; 90:47-56. Bernardi L, Wdowczyk-Szulc J, Valenti C, Castoldi S, Passino C, Spadacini G, Sleight P. 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Os protocolos induziram aumento da componente HF em 8 de 10 indivíduos em R10 (A), em 5 de 10 em R15 (B) e em 4 de 10 em R20 (C). 44 Figura 3: Exemplo de espectros da variabilidade da frequência cardíaca (acima) e do sinal respiratório (abaixo) nas situações de controle ventilatório na frequência respiratória espontânea FRE (A), na frequência normalizada em 70% da FRE (B) e na frequência normalizada em 50% da FRE. A área grifada corresponde à maior coerência espectral e demonstra o deslocamento dos picos em direção à banda denominada LF (0,04-0,15Hz). A linha pontilhada marca o limite entre as bandas de frequência LF e HF (0,15Hz). 45 *# *#+& * Figura 4: Parâmetros relativos a avaliação do controle autonômico através da análise espectral (n=16) (A) e da análise simbólica (n=16)(B) aplicadas às séries de intervalo de pulso do Protocolo Normalizado. O painel (A) mostra a potência espectral normalizada da banda de alta frequência HF (HFnu) e o painel (B) reporta os valores percentuais de ocorrência do padrão 0V da análise simbólica. Diferença estatisticamente significativa comparada aos blocos: Basal (*), 100% (#), 80% (+) e 70% (&). Figura 5: Efeito das manobras de ventilação controlada sobre o componente HFnu nos sujeitos submetidos ao protocolo normalizado. Linhas contínuas denotam transições com aumento da componente HF com relação à situação basal durante a manobra de ventilação controlada. As linhas pontilhadas marcam diminuição desta componente durante a manobra. Os protocolos induziram aumento da componente HF em 13 de 16 indivíduos no grupo 100% (A) e em todos os 16 indivíduos no grupo 80% (B). 46 Tabela1: Avaliação do controle autonômico no Protocolo Padrão. Dados com distribuição normal são apresentados como média ± desvio padrão da média e dados com distribuição não normal são apresentados como mediana (interquartis 25% e 75%). Diferenças significativas testadas pelo método de ANOVA de uma via com medidas repetidas, seguido pela comparação múltipla de Tukey, são assinaladas como (*) em relação a condição Basal, (#) em relação ao bloco R10 e (+) em relação ao bloco R15. Basal R10 R15 R20 p FC (bpm) 60,69±10,92 60,03±11,95 59,79±11,17 59,43±11,04 0,832 PAS (mmHg) 104,86±16,04 102,57±8,82 101,22±13,4 104,19±9,48 0,776 2 1786,18 (1057,9-4281,95) 2959,62 (1619,57-4794,65) 2797,81 (1364,5-5163,25) 1957,86 (880,13-3382,84) 0,451 LFa (ms ) 2 493,16 (246,3-1473,93) 434,51 (161,06-1004,96) 452,55 (192,82-2266,79) 518,67 (264,83-646,21) 0,229 LF nu 43,44(33,73-51,33) 31,80(9,87-4,21)* 46,42(21,98-84,65) HFa (ms ) 1093,92±1054,26 1832,73±1610,46* 920,37±1098,35 HF nu 55,71(38,30-59,01) 66,87(46,10-88,53)* 45,98(13,62-76,12) 13,04 (5,46-21,23) 12,53 (6,1-46,67) 10,25 (4,37-24,95) 9,06 (2,45-17,31) 0,494 2 1,63±1,10 5,57±6,48 5,52±5,69 2,32±2,72 0,09 HFabs (mmHg ) 2 0,98 (0,5-1,37) 1,98 (1,4-3,81) 0,63 (0,32-0,93) 0,61 (0,46-1,05) índice-α 26,63±20,99 14,65±11,37 27,98±25,36 31,20±24,63 0,136 0v 12,75 (5,69-19,46) 9,4 (5,02-17,73) 9,04 (6,38-15,1) 11,09 (3,03-14,05) 0,782 1v 48,07 (47,57-48,83) 44,37 (41,95-49,5) 48,66 (41,47-52,84) 44,35 (35,79-47,830 0,145 2lv 18,28±4,82 23,69±12,07 20,39±6,24 12,85±5,18 2uv 21,29±6,91 18,92±7,1 20,55±9,72 36,07±12,45* Análise Espectral VFC (ms ) 2 2 VPA (mmHg ) LFabs (mmHg ) # # 54,62(34,18-63,49) 804,46±773,96 # # # 43,81(33,81-61,05) 0,034 0,009 # # 0,041 0,008 Análise Simbólica # #+ 0,033 <0,001 47 Tabela 2: Avaliação do controle autonômico no Protocolo Normalizado (n=16) pela análise espectral. Dados com distribuição normal são apresentados como média ± desvio padrão da média e dados com distribuição não normal são apresentados como mediana (interquartis 25% e 75%). Diferenças significativas obtidas pela análise de ANOVA de uma via com medidas repetidas, seguida pelo teste de comparação múltipla de Tukey, são assinaladas como (*) em relação a condição Basal (*) e (#) em relação ao bloco de 100%. Basal 100% 80% p FC 70±10 70±10 69±10 0,0785 PAS 114(102-124) 113(103-123) 113(107-128) 0,305 2377±1932 2603±2158* 2877±2008* # 0,644 LFabs (ms ) 932 (349-1376) 551 (186-1130) 438 (248-939) 0,105 LF nu 51±19 39±23* 30±21* <0,001 HFabs (ms ) 933±998 1253±1203 1707±1527 0,058 HF nu 42 (33-61) 62 (41-72)* 73 (50-82)* LF/HF index 1,15 (0,61-1,94) 0,51 (0,29-1,29)* 0,32 (0,17-0,645)* 18,22 (8,2-35,8) 15,67 (8,2-31,7) 18,08 (12,1-30,5) 0,210 2 3,4 (2,2-5,5) 2,7 (1,6-9,1) 2,3 (0,9-19,1) 0,740 HF abs (mmHg ) 2 2 (1-3) 2,8 (2-4,3)* 4,5 (2,9-7,3)* Índice-α 13,25±5,51 15,18±11,96 14,54±11,10 Análise Espectral 2 HRV (ms ) 2 2 2 SAPV (mmHg ) LF abs (mmHg ) # <0,001 # # <0,001 <0,001 0,735 48 Tabela 3 - Avaliação do controle autonômico no Protocolo Normalizado (n=16) pela análise simbólica. Dados com distribuição normal são apresentados como média ± desv padrão da média e dados com distribuição não normal são apresentados como mediana (interquartis 25% e 75%). Diferenças significativas obtidas pela análise de ANOVA uma via com medidas repetidas, seguida pelo teste de comparação múltipla de Tukey, são assinaladas como (*) em relação a condição Basal (*), (‡)em relação ao bloco 100% (#) em relação ao bloco 80%, (†) em relação ao bloco 70% e (&) em relação ao bloco 60% . Basal 100% 80% 70% 60% 0V 13,32 (6,0-23,94) 11,87 (4,61-21,36) 9,34 (4,77-18,59) 12,62 (5,54-18,3) 16,57 (9,39-21,15) 1V 2LV 45,97 (39,44-47,89) 19,44±8,16 48,37 (44,75-50,66)* 19,44±9,77 2UV 22,68±11,75 20,74±8,88 50,01 (47,71-52,74)* 22,53±8,95 ‡#† 15,04±6,07* 48,24 (43,73-50,25)* 25,17±11,16 ‡#† 14,09±6,37* 48,36 (45,44-52,26)* 24,75±8,36 ‡#† 9,72±5,36* p 50% (entre blocos de FR ‡#†& 16,62 (15,06-24,37)* 0,016 0,025 48,64 (45,04-51,79)* 23,65±10,77 ‡#† 7,68±4,76* 0,061 <0,001 49