PROPRIEDADES DE FILMES MULTICAMADAS PARA A
TERMOFORMAÇÃO DE EMBALAGENS DE PRODUTOS
CÁRNEOS
PROPRIEDADES DE FILMES MULTICAMADAS PARA A TERMOFORMAÇÃO DE
EMBALAGENS DE PRODUTOS CÁRNEOS
Bruna de Araújo Costa
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE
DA COORDENAÇÃO DE QUÍMICA INDUSTRIAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL
DE GOIÁS COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO
TÍTULO DE BACHAREL EM QUÍMICA INDUSTRIAL.
Aprovada por:
_______________________________________________
Profº. Ms.Valmir Jacinto da Silva
(orientador)
______________________________________________
Profº. Dr. Olacir Alves Araújo
(membro)
_______________________________________________
Profº. Dr. Tácito Dantas Frota Leite
(membro)
ANÁPOLIS, GO – BRASIL
JULHO DE 2011
COSTA, BRUNA DE ARAÚJO
Propriedades de filmes multicamadas para a termoformação
de embalagens de produtos cárneos.
[Anápolis] 2011
XII, 43p. 29,7 cm (UnUCET/UEG,
Bacharel, Química Industrial, 2011)
Trabalho de Conclusão de Curso –
Universidade Estadual de Goiás, UnUCET
1. Filmes Multicamadas
2. Termoformação
3. Produtos cárneos
4. Qualidade
I. UnUCET/UEG II. Título (série)
ii
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos
meus pais Alcides (in memoriam) e
Beneracy.
iii
AGRADECIMENTOS
Ao meu pai por me ensinar desde de cedo a importância dos estudos e da
educação em nossas vidas.
A minha mãe pelo apoio nas minhas decisões, paciência e por transmitir força
nos momentos em que eu mais precisei.
As minhas irmãs pelo companheirismo, preocupação e carinho.
Ao Junior pelo amor, paciência e incansável incentivo nos momentos de
desânimo.
Aos professores pelos conhecimentos transmitidos, em especial, ao Prof. Valmir
pela compreensão e dedicação em me orientar.
A todos da Cepalgo Films, pela oportunidade do estágio e a disponibilização de
material que sem os quais não seria possível executar a parte experimental deste
trabalho.
Aos familiares e amigos, destacando-se, Lyzandra, Livinha, Matheus, Jack, Lid,
Gabi, Maicom, Danilo e Jhonny pela força e vibração em relação a essa jornada.
À aqueles que por ventura não foram citados, mas que direta ou indiretamente
contribuíram para a realização deste trabalho.
iv
Uma
capaz
de
pessoa
é
conseguir
qualquer coisa se o seu
entusiasmo
não
tiver
limites.
(Charles
Schwab)
v
Resumo do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à UnUCET/UEG
como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Química
Industrial.
PROPRIEDADES DE FILMES MULTICAMADAS PARA A TERMOFORMAÇÃO
DE EMBALAGENS DE PRODUTOS CÁRNEOS
Bruna de Araújo Costa
Julho/2011
Orientador: Profº. Ms. Valmir Jacinto da Silva
Curso: Química Industrial
RESUMO
O presente trabalho teve por objetivo avaliar as propriedades de filmes multicamadas
que serão utilizados na produção de embalagens para o acondicionamento de produtos
cárneos. Os filmes foram produzidos por uma coextrusora e caracterizados por meio da
determinação da espessura total, coeficiente de atrito, resistência à perfuração,
temperatura inicial de selagem e quantificação da barreira ao oxigênio. Os resultados
mostraram que os filmes produzidos para o fundo apresentaram uma espessura e
gramatura maior que os filmes produzidos para a tampa. Entretanto, no ensaio de
coeficiente de atrito ocorreu o contrário. Enquanto que, na temperatura inicial de
selagem, obteve-se valor igual a 82 ºC para ambos, além de encontrar valores próximos
na quantificação da barreira ao oxigênio. Nas análises de resistência à perfuração para
os filmes de fundo e tampa, tiveram um valor maior para a face externa do que para a
interna. Estas propriedades dos filmes avaliados indicam que os mesmos podem ser
utilizados na produção de embalagens para produtos cárneos.
vi
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS.................................................................................................................x
LISTA DE TABELAS...............................................................................................................xi
LISTA DEABREVIATURAS..................................................................................................xii
1. INTRODUÇÃO............................................................................................................1
A indústria de produtos cárneos sofre alta competitividade por tratar-se de um mercado com
alto valor agregado, e para ser a preferência, é imprescindível o melhoramento contínuo dos
sistemas de transporte, distribuição, estocagem e comercialização, até chegar aos consumidores
(WILKINSON; ROCHA, 2005)........................................................................................1
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.....................................................................................3
2.1. EMBALAGENS....................................................................................................3
2.2. RESINAS TERMOPLÁSTICAS ........................................................................3
2.2.1. POLIETILNO DE BAIXA DENSIDADE (PEBD) .................................4
2.2.2. POLIETILENO DE ALTA DENSIDADE (PEAD) ................................5
2.2.3. POLIPROPILENO (PP) ...........................................................................5
2.2.4. POLIAMIDA (PA) ...................................................................................7
2.2.5. COPOLÍMERO DE ETILENO E ÁLCOOL VINÍLICO (EVOH) ..........8
2.3. PRODUÇÃO DE FILMES PLANOS MULTICAMADAS..................................9
2.4. TERMOFORMAÇÃO..........................................................................................11
3. MATERIAIS E MÉTODOS.......................................................................................13
3.1. MATÉRIA-PRIMA.............................................................................................13
3.2. METODOLOGIA................................................................................................14
3.2.1. ANÁLISE VISUAL................................................................................14
3.2.2. ANÁLISE DE LARGURA.....................................................................15
3.2.3. ANÁLISE DE GRAMATURA...............................................................15
3.2.4. ANÁLISE DE ESPESSURA .................................................................15
3.2.5. ANÁLISE DE TRATAMENTO CORONA...........................................15
vii
3.2.6. DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE ATRITO (COF)..............17
3.2.7. DETERMINAÇÃO DA TEMPERATURA INICIAL DE SELAGEM..17
3.2.8. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO................19
3.2.9. DETERMINAÇÃO DA TAXA DE PERMEABILIDADE AO OXIGÊNIO..20
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................21
4.1. ANÁLISE VISUAL.............................................................................................21
4.2. ANÁLISE DE LARGURA..................................................................................21
4.3. ANÁLISE DE GRAMATURA............................................................................22
4.3.1. GRAMATURA DOS FILMES DE FUNDO..........................................22
4.3.2. GRAMATURA DOS FILMES DE TAMPA..........................................23
4.4. ANÁLISE DE ESPESSURA................................................................................23
4.4.1. ESPESSURA DOS FILMES DE FUNDO.............................................23
4.4.2. ESPESSURA DOS FILMES DE TAMPA.............................................24
4.5. ANÁLISE DO TRATAMENTO CORONA........................................................24
4.5.1. TRATAMENTO CORONA DOS FILMES DE FUNDO......................25
4.5.2. TRATAMENTO CORONA DOS FILMES DE TAMPA......................26
4.6. DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE ATRITO (COF)...........................26
4.6.1. COF DO FILME DE FUNDO................................................................26
4.6.2. COF DO FILME DE TAMPA ...............................................................28
4.7. DETERMINAÇÃO DA TEMPERATURA INICIAL DE SELAGEM (TIS).....30
4.7.1. TIS DO FILME DE FUNDO..................................................................30
4.7.2. TIS DO FILME DE TAMPA..................................................................31
4.8. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO..............................33
4.8.1. ANÁLISE DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO DA FACE INTERNA DE
FILMES DE FUNDO E DE TAMPA.............................................................................33
4.8.2. ANÁLISE DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO DA FACE EXTERNA DE
FILMES DE FUNDO E DE TAMPA. ...........................................................................35
4.9. DETERMINAÇÃO DA TAXA DE PERMEABILIDADE AO OXIGÊNIO
(TPO2).........................................................................................................................37
5. CONCLUSÃO............................................................................................................38
6. REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS..........................................................................40
viii
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Representação da reação de polimerização do polietileno (MANO, 1991). .....4
Figura 2. Representação da cadeia ramificada do PEBD (BELCHIOR, 2009). ..............4
Figura 3. Representação da estrutura linear do PEAD (BELCHIOR, 2009). ..................5
Figura 4. Representação da reação de polimerização do polipropileno (MANO, 1991).. 5
Figura 5. Representação da ligação amina-carbonila característica da PA (MERGEN, 2004).. 7
Figura 16. Relação dos COF em função dos Corpos de prova para o filme de fundo.. . .27
Figura 17. Relação dos COF em função dos Corpos de prova para o filme de tampa....29
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Composição das diferentes poliamidas..............................................................8
Tabela 11. Resultados do ensaio de perfuração da face externa do filme de fundo.......35
LISTA DE ABREVIATURAS
UEG – Universidade Estadual de Goiás
UnUCET – Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas
PEBD – Polietileno de baixa densidade
PEAD – Polietileno de alta densidade
PP – Polipropileno
PA – Poliamida
ix
EVOH – Copolímero de etileno e álcool vinílico
TPO2 – Taxa de permabilidade ao oxigênio
COF – Coeficiente de atrito
ASTM – American Society For Testing and Materials
TIS – Temperatura inicial de selagem
Ad – Adesivo
x
1. INTRODUÇÃO
A indústria de produtos cárneos sofre alta competitividade por tratar-se de um mercado
com alto valor agregado, e para ser a preferência, é imprescindível o melhoramento
contínuo dos sistemas de transporte, distribuição, estocagem e comercialização, até
chegar aos consumidores (WILKINSON; ROCHA, 2005).
Carnes, aves frescas e processadas sofrem perda de qualidade, principalmente,
devido à descoloração, desidratação superficial, crescimento microbiano e rancificação.
Estudos científicos aliado ao desenvolvimento tecnológico de novos materiais e
processos tem permitido prolongar o tempo de vida útil desses produtos. Um dos fatores
que tem contribuído para o aumento desta vida útil é a utilização de embalagens
produzidas a partir de filmes multicamadas (FÉLIX et al., 2008).
Os filmes multicamadas são aqueles que possuem várias camadas, no mínimo três,
que devem conferir concomitantemente proteção e barreira contra fatores indesejados,
são constituídos por diferentes polímeros que são conectados pela presença de adesivos.
A utilização de variados polímeros tem como função solucionar possíveis problemas
relacionados ao custo, além de otimizar a quantidade necessária de polímeros de maior
valor agregado, de modo a fornecer boas propriedades físico-químicas e óticas ao filme,
tais como selagem, aderência, rigidez, resistência a perfuração, brilho, entre outras
(CRIPPA, 2006).
Dentre os polímeros de custo elevado destacam-se as poliamidas (PA) e
copolímeros de etileno e álcool vinílico (EVOH). Filmes contendo essas resinas
possuem boa barreira ao oxigênio e apresentam alta resistência mecânica, embora
sofram significativa redução nessas características quando em contato com a umidade.
Essa desvantagem pode ser solucionada com a utilização de poliolefinas ou outros
polímeros para atuar como barreira ao vapor d’ água (BELCHIOR, 2009).
Uma das formas de conversão dos filmes multicamadas em embalagens é o
processo de termoformação, que consiste, normalmente, no aquecimento do filme fundo
por um determinado tempo e, por meio de um molde perfurado e ação do vácuo, o
moldar para receber o produto. Com o filme já termoformado e com o produto
acondicionado, realiza-se a selagem com o filme tampa, seguido de extração de ar e
formação de vácuo (OLIVEIRA et al., 2006).
1
Após o processo de termoformação, os materiais plásticos flexíveis multicamadas
podem sofrer alterações em suas propriedades físico-químicas e óticas. Entretanto, o
setor de embalagens não considera esse efeito como deletério. Essa despreocupação
pode estar associada à dificuldade de analisar filmes termoformados ou devido à grande
diversidade dos parâmetros de termoformação utilizada para cada estrutura de filme
(CRIPPA, 2006).
Por mais que ainda não seja obrigatório verificar a qualidade de filmes
termoformados, é de fundamental importância que continue as pesquisas nessa área,
além de otimizar
processos e as análises de qualidade. Enquanto isso, torna-se
necessário a certificação da qualidade de filmes planos multicamadas.
Neste contexto, o presente trabalho tem por finalidade avaliar as características e
propriedades de filmes multicamadas, com o objetivo de verificar a aptidão dos mesmos
na fabricação de embalagens termoformadas para o acondicionamento de produtos
cárneos. Serão avaliadas propriedades tais como a gramatura, a espessura, a temperatura
inicial de selagem, a resistência a perfuração e a taxa de permeabilidade ao oxigênio,
bem como outras propriedades.
2
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. EMBALAGENS
A meta prioritária das indústrias alimentícias é a produção de alimentos com
qualidade e segurança, para tanto, se faz necessário a aplicação de boas práticas
higiênico-sanitárias agregadas a um acondicionamento que possa garantir proteção e
conservação, para assegurar ao consumidor a aquisição de um produto saudável
(WURLITZER, 2007).
As embalagens plásticas flexíveis são amplamente utilizadas nas indústrias
frigoríficas para acondicionar e conservar carnes e derivados. As vantagens de sua
aplicação estão na flexibilidade de adaptação às linhas de produção e aos diferentes
tipos de produto, facilidade no manuseio, transporte e proteção do alimento e
conservação das características apreciadas pelo consumidor (VILLADIEGO et al.,
2004).
Com a utilização de embalagens multicamadas, que são adquiridas por meio da
combinação dos diversos tipos de polímeros, essas vantagens são ainda melhores por
ocasionar em uma mesma embalagem características como: resistência mecânica,
rigidez ou flexibilidade, como também barreira contra gases e umidade, além de
aumentar a vida de prateleira do produto (MERGEN, 2004).
Na produção de embalagens plásticas, os polímeros encontram-se sob a forma de
resinas termoplásticas.
2.2. RESINAS TERMOPLÁSTICAS
Uma resina pode ser definida como qualquer matéria-prima polimérica que seja
capaz de ser repetidamente amolecida pelo aumento de temperatura e endurecida pela
diminuição de temperatura, ou seja, qualquer matéria-prima no estado termoplástico
(JÚNIOR et al., 2002).
Dentre as resinas utilizadas para a produção de embalagens de produtos cárneos,
destacam-se o polietileno de baixa densidade (PEBD), polietileno de alta densidade
(PEAD), polipropileno (PP), poliamida (PA) e copolímero de etileno e álcool vinílico
(EVOH) (OLIVEIRA et al., 2006).
3
2.2.1. POLIETILNO DE BAIXA DENSIDADE (PEBD)
O polietileno de baixa densidade (PEBD) é obtido em condições de alta pressão
e temperatura por um processo de polimerização por radicais livres. A polimerização
aleatória do polietileno (Figura 1) nessas condições produz um polímero ramificado de
longas moléculas com cadeia principal de diferentes tamanhos, ramificações de
comprimentos variados e ramificações secundárias, como apresentado na Figura 2
(MERGEN, 2004).
Figura 1. Representação da reação de polimerização do polietileno (MANO, 1991).
Figura 2. Representação da cadeia ramificada do PEBD (BELCHIOR, 2009).
A presença dessas ramificações proporciona uma menor cristalinidade – um
arranjo ordenado das moléculas, uma vez que ramificações longas ou abundantes
tendem a dificultar a aproximação das moléculas, inibindo a formação de cristalitos.
Consequentemente, esse polímero apresenta uma baixa densidade (entre 0,910 e 0,940
gcm-3), uma menor resistência térmica, o que lhe confere menor temperatura de
amolecimento e maior flexibilidade (BLASS, 1988).
Este tipo de polietileno tem suas aplicações voltadas à confecção de recipientes
para utilidades domésticas, frascos para indústrias farmacêuticas, flores artificiais,
embalagens de alimentos, fraldas descartáveis, fita isolante auto-adesiva, entre outras
aplicações (ABIQUIM, 2011).
4
2.2.2. POLIETILENO DE ALTA DENSIDADE (PEAD)
O polietileno de alta densidade (PEAD) possui uma estrutura mais linear que o
PEBD. A linearidade de suas cadeias faz com que a orientação, o alinhamento e o
empacotamento das cadeias sejam mais eficientes, dessa forma as forças
intermoleculares podem agir mais intensamente e, como consequência, sua
cristalinidade e sua densidade (entre 0,935 e 0,960 gcm-3) são maiores que no caso do
PEBD, e por conseguinte, os produtos acabados produzidos a partir dessa resina
possuem elevada rigidez (COUTINHO et al., 2003). Essa cadeia linear é representada
na Figura 3:
Figura 3. Representação da estrutura linear do PEAD (BELCHIOR, 2009).
Comercialmente o PEAD se apresenta na forma granulada e seu aspecto pode
ser transparente ou opaco (BELCHIOR, 2009).
Esse polímero pode ser aplicado na produção de embalagens para alimentos,
produtos têxteis, cosméticos, fraldas descartáveis, tampas de refrigerante, brinquedos,
eletrodomésticos, materiais hospitalares, cerdas de vassoura e escovas, revestimentos de
fios e cabos elétricos e vários outros produtos (ABIQUIM, 2011).
2.2.3. POLIPROPILENO (PP)
Desde 1954, o polipropileno (PP), cuja reação de polimerização é representada
na Figura 4, tornou-se uma das mais importantes resinas termoplásticas da atualidade
(BELCHIOR, 2009).
Figura 4. Representação da reação de polimerização do polipropileno (MANO, 1991).
5
O polipropileno é um conjunto de três tipos de polímeros: o homopolímero, o
copolímero alternado e o copolímero estatístico (BELCHIOR, 2009).
Os homopolímeros são polímeros cujas macromoléculas são formadas por um
único tipo de unidade de repetição, e os copolímeros são macromoléculas formadas pela
repetição de duas ou mais unidades de repetição (meros). A diferença entre os
copolímeros alternados e estatísticos consiste em como as diferentes unidades de
repetição (meros) se dispõem ao longo da cadeia polimérica, sendo que no primeiro as
mesmas estão de maneira alternada, e no outro, posicionam sem padrão definido
(JÚNIOR et al., 2002).
O copolímero estatístico de polipropileno se obtém através da adição de eteno ao
propeno. O produto é um pouco mais resistente ao impacto e há uma melhoria
acentuada da transparência quando comparado ao homopolímero (MARTINS, 1994).
O copolímero alternado é fabricado em duas etapas de polimerização. O
homopolímero, produzido na primeira etapa, é em seguida copolimerizado com o eteno.
A proporção do eteno é bem mais elevada do que na produção do copolímero
estatístico. A parte copolimerizada se torna emborrachada, o que permite melhorar a
absorção da energia ao impacto (MARTINS, 1994).
No tocante a sua alta aceitação e significativo crescimento, as principais
características do polipropileno são: incolor, inodoro, densidade baixa, alta rigidez,
baixo peso específico, boa claridade e resistência às altas temperaturas, boa qualidade
de impressão, quando reforçado possui propriedades mecânicas adequadas, e pode ser
estirado pra a produção de filmes (SHREVE, 1997).
Suas desvantagens são, basicamente, a pouca resistência ao impacto em baixas
temperaturas e a alta permeabilidade a penetrantes, essas características são decorrentes
da temperatura de transição vítrea (Tg), que assim como o polietileno (PE), apresenta
uma Tg abaixo da temperatura ambiente. Temperatura de transição vítrea é a
temperatura em que acontece mudança nas propriedades do polímero, onde abaixo dessa
o mesmo é rígido e duro, enquanto que acima ele torna-se macio e elástico
(BELCHIOR, 2009).
6
O polipropileno pode ser aplicado em embalagens para alimentos, produtos
têxteis e cosméticos, tampas de refrigerantes, fraldas, produtos hospitalares
descartáveis, tubos para água quente, autopeças, fibras para tapetes, entre outros
(ABIQUIM, 2011).
2.2.4. POLIAMIDA (PA)
A poliamida é comercialmente conhecida como nylon. Este polímero contém
uma ligação amina-carbonila característica com muitas variações da cadeia de carbono
entre elas. A Figura 5 apresenta uma representação da ligação amina carbonila, que é o
grupo funcional das amidas (MERGEN, 2004).
Figura 5. Representação da ligação amina-carbonila característica da PA (MERGEN,
2004).
O oxigênio da carbonila, de uma cadeia de PA, com o nitrogênio da cadeia
vizinha desse mesmo polímero sofre uma forte atração um pelo outro e tendem a
alinhar-se por ligações intermoleculares fortes, denominadas como ligações de
hidrogênio (ligação ou pontes de hidrogênio). Esse alinhamento é responsável pelo alto
nível de regularidade das cadeias, conferindo aos nylons alta cristalinidade e, por
conseguinte, possui a peculiaridade de ser rígido e estável termicamente (MERGEN,
2004).
Além dessas características, as PA são altamente resistente à tenacidade, flexão,
perfuração, abrasão, gordura, e possuem boas propriedades barreira a gases e aromas.
Uma de suas desvantagens consiste no fato de serem higroscópicas, fator este que altera
suas propriedades mecânicas e de barreira, uma vez que a água exerce efeito
plastificante sobre elas (BELCHIOR, 2009).
Existem diferentes tipos de PA, com diferentes composições em que destacamse as PA-6, PA-66, PA-11, PA-12, pois são aquelas geralmente empregadas para o
7
acondicionamento de produtos cárneos (FÉLIX et al., 2008). A Tabela 1 apresenta os
diversos tipos de poliamidas com as suas respectivas composições.
Tabela 1. Composição das diferentes poliamidas (FÉLIX et al., 2008).
Tipos de poliamida
Compostos
PA-6
Caprolactama
PA-6/12
Caprolactama e laurolactama
PA-6/66
Hexametilenodiamina, ácido adípico, caprolactama
PA-6/6T
Hexametilenodiamina, ácido adípico, ácido tereftálico
PA-6I/6T
Hexametilenodiamina, ácido tereftálico, ácido isoftálico
Caprolactama, ácido adípico, Ω-1,6-diamino-2,2,4-trimetil-
PA-6/6T/6I
hexano,
1,6-diamino-2,2,4-trimetil-hexano
e
1-amino-
3aminometil-3,5,5-trimetil-ciclohexano
PA-11
Ácido Ω-amino undecanóico
PA-12
Laurolactama
PA-12T
Laurolactama,
ácido
isoftálico
e
bis(4-amino-3-metil
ciclohexil) metano
PA MXD-6
Ácido adípico e 1,3-benzeno amina
PA-66
Hexametilenodiamino e ácido adípico
PA-610
Hexametilenodiamino e ácido sebácio
PA-611
Hexametilenodiamino e ácido Ω-amino undecanóico
PA-612
Hexametilenodiamino e ácido dodecanodióico
2.2.5. COPOLÍMERO DE ETILENO E ÁLCOOL VINÍLICO (EVOH)
O copolímero de etileno e álcool vinílico, cuja unidade principal está representada
na Figura 6, é conhecido como EVOH. A sua produção é realizada pela hidrólise
controlada do copolímero de etileno e de acetato de vinila (EVA), transformando o
mero acetato de vinila em álcool vinílico (CRIPPA, 2006).
Figura 6. Representação da estrutura de EVOH (MOURA, 2006).
8
Apesar dos grupos etileno e álcool vinílico serem distribuídos aleatoriamente na
cadeia, o EVOH é altamente cristalino. A presença de hidroxila em sua estrutura,
contribui para o seu comportamento hidrofílico, ocasionando da mesma forma como
nos nylons, uma alteração nas propriedades mecânicas e de barreira ao oxigênio
(BASSANI et al., 2002)
Para solucionar essa problemática, utiliza-se o EVOH e as PA como camada
intermediária em processos de co-extrusão, para que eles possam ser revestidos por
poliolefinas ou outros polímeros que tenha a capacidade de ter boa barreira ao vapor
d’água. Quando trata-se de embalagens termoprocessáveis, essa proteção contra
umidade realizada pelo revestimento com polímeros pode não ser suficiente, sendo
necessário a incorporação de uma camada de adesivo, entre o EVOH e o dessecante
(LIMA, 2008).
Os adesivos são substâncias capazes de manter os materiais juntos por união
superficial, isto é, por adesão superficial. Essa adesão corresponde à atração entre dois
corpos sólidos ou plásticos, com superfícies de contato comuns, e produzida pela
existência de forças atrativas intermoleculares de ação a curta distância. A seleção do
adesivo deve ser baseada nos tipos de materiais que vão ser unidos (JÚNIOR et al.,
2002).
As vantagens do EVOH consistem em ser inofensivo à saúde, apresentar boa
estabilidade, ter alta resistência química, excelente flexibilidade e propriedades como
barreira a gás, óleos, aromas e solventes, superior inclusive as poliamidas (LIMA et al.,
2006).
2.3. PRODUÇÃO DE FILMES PLANOS MULTICAMADAS
A produção de filmes planos multicamadas é realizada em uma máquina
coextrusora. Os principais componentes de uma co-extrusora são: motor elétrico,
conjunto de engrenagens redutoras, cilindro, rosca, matriz, painel de comando,
resistências de aquecimento, ventiladores de resfriamento e bomba de vácuo (RAMOS,
2009). A Figura 7 mostra, esquematicamente, esses componentes:
9
Figura 7. Representação dos componentes de uma máquina extrusora (RAMOS, 2009).
O motor elétrico é responsável pelo acionamento da rosca, e as engrenagens
redutoras pela capacidade de transferir energia por meio de torque do motor para a rosca
(RAMOS, 2009).
No painel de comando deve-se informar quais resinas que irão ser utilizadas,
seguindo uma dada formulação e respeitando as camadas em que cada uma deve
constar. Em seguida, recipientes que estão identificados de acordo com cada camada
que representa, são preenchidos com resinas específicas. Esses recipientes contém uma
mangueira que transportam os materiais poliméricos até o funil de alimentação
(RAMOS, 2009).
A co-extrusora é composta de uma rosca que gira dentro de um cilindro
aquecido, essa combinação gera uma força de atrito que faz movimentar as resinas por
três zonas, como representado na Figura 8.
Figura 8. Seção transversal de uma extrusora mostrando as zonas de aquecimento
(FONSECA, 2005).
10
O funil de alimentação representa a zona 1, onde os materiais poliméricos
apresentam-se na forma sólida. As resinas são transportadas para frente, alcançando a
zona 2, onde irão sofrer compressão, e em seguida, vai para a zona 3 que tem uma
temperatura maior que a zona anterior, causando a fusão, homogeneização e transporte
para uma matriz plana. Entre a zona 3 e a matriz plana, normalmente, utilizam-se telasfiltro, que tem a função de filtrar partículas contaminantes e mal plastificadas dos
materiais (BELCHIOR, 2009).
Da matriz de perfil desejado ele é encaminhado a um cilindro de refrigeração. A
superfície do cilindro deve ser cuidadosamente retificada e altamente polida para
facilitar a obtenção de um produto de propriedades óticas e mecânicas uniformes. O
filme é estirado longitudinalmente até a espessura e largura desejada (BLASS, 1988).
Posteriormente, o filme é tratado com um banho de corona. O tratamento corona
é gerado pela aplicação de uma alta freqüência e voltagem entre dois eletrodos,
provocando uma descarga contendo íons, elétrons, moléculas excitadas e outros
componentes, que por serem altamente energéticos, interagem com a superfície do
filme, modificando a sua tensão superficial com o intuito de proporcionar a
compatibilidade com tintas (MOTA, 2004).
O filme plano é rebobinado em cilindros de tamanhos desejados, e o produto
final é obtido na forma de bobinas (MOTA, 2004). A Figura 9 apresenta uma
representação do processo de extrusão Plana.
Figura 9. Representação do Processo de extrusão Plana (BELCHIOR, 2009).
2.4. TERMOFORMAÇÃO
A termoformação baseia-se na transformação de filmes planos multicamadas em
embalagens, como é mostrado na Figura 10 (CRIPPA et al., 2007).
11
Figura 10. Etapas de termoformação de filmes planos multicamadas (CRIPPA, 2006).
O processo de termoformação consiste em aquecer o filme de fundo por um
determinado tempo, em um molde perfurado, e então é moldado pela ação do vácuo.
Em seguida, esse filme de fundo, já termoformado e com o produto, é selado com um
filme plano de tampa, para posteriormente ocorrer à extração de ar e formação de vácuo
(CRIPPA, 2006).
O acondicionamento a vácuo é muito utilizado em produtos cárneos por
modificar a atmosfera gasosa ao redor da embalagem, com o intuito de prolongar a vida
útil dos alimentos. A pequena quantidade de oxigênio remanescente no interior da
embalagem é consumida pela atividade metabólica da carne e das bactérias, criando-se,
assim, um microssistema anaeróbio/microaeróbio dentro do recipiente, que, auxiliado
pelo efeito inibitório do CO2 liberado na respiração de microrganismos, retarda o
crescimento de bactérias deterioradoras, como as Pseudomonas, permitindo a
predominância de bactérias do ácido láctico, que têm menor potencial de deterioração e
crescimento limitado a baixas temperaturas (OLIVEIRA et al., 2006).
12
3. MATERIAIS E MÉTODOS
3.1. MATÉRIA-PRIMA
As matérias-primas empregadas neste trabalho foram cedidas pela Empresa
Cepalgo Films, local em que a pesquisa experimental sobre o tema proposto foi
desenvolvida. Para isto, foram realizadas análises de propriedades, além do estudo dos
processos de fabricação de embalagens. Para cada um dos filmes multicamadas
produzidos foram preparadas três bobinas para os filmes de fundo e três bobinas para os
filmes de tampa. O filme de fundo analisado no trabalho é constituído de
PE/ad/PA6/EVOH/PA6/ad/PP e o de tampa é constituído de PE/ad/PA6/EVOH/PA6/ad/
PE.
13
3.2. METODOLOGIA
3.2.1. ANÁLISE VISUAL
A avaliação visual foi iniciada com o filme multicamada plano, ainda na
coextrusora, apresentada na Figura 11, até obtenção do produto acabado. Com a bobina
ainda em máquina, foi verificada a existência de ondulações e efeito de blocagem e com
ela fora da mesma, foi retirada uma amostra e fez-se a análise para verificar a presença
dos seguintes defeitos:
• Bolhas de ar,
• Furos, cortes e trincas,
• Rebarbas (excesso de filme projetando-se para fora da borda),
• Sujidades,
• Pedras (inclusões sólidas no filme),
• Amassamento (deformação em um ponto),
• Pinta preta (inclusões pretas na massa plástica),
• Transparência ou brilho,
• Manchas esbranquiçadas,
• Gel.
Figura 11. Representação esquemática de uma coextrusora (http://www.emic.com.br).
14
3.2.2. ANÁLISE DE LARGURA
Para a análise de largura, as bobinas foram retiradas da coextrusora e 03
amostras de cada um dos filmes, de aproximadamente 2,00 X 2,00 m, foram retiradas e
esticadas sobre uma superfície lisa e plana, e com o auxílio de uma régua graduada e
calibrada, fez-se as medições das larguras dos mesmos. A análise de largura foi
realizada, tanto para os filmes de fundo, quanto para os de tampa e foi realizada de
acordo a norma ASTM D646.
3.2.3. ANÁLISE DE GRAMATURA
Com as amostras empregadas para a análise de largura, fez-se também a análise
de gramatura. Para esta análise, as amostras foram dobradas e redobradas, de modo a ter
quatro folhas sobrepostas. Com o auxílio de um gabarito (100 X 100 mm), cortou-se
quatro corpos de prova em três locais diferentes dos filmes: extremidades e meio, e
realizou-se as pesagens. A unidade de medida da gramatura é g mm-2.
3.2.4. ANÁLISE DE ESPESSURA
Com as amostras empregadas nos dois testes anteriores, fez-se a análise de
espessura, conforme a norma ASTM D374. O resultado desta análise foi obtido por
meio da seguinte equação:
E=
g
d
(Equação 1)
Nesta equação g é a gramatura encontrada na análise de cada bobina (em gmm-2), e
d a densidade visualizada na coextrusora (em gcm-3). A unidade de medida da
espessura é o µm.
3.2.5. ANÁLISE DE TRATAMENTO CORONA
Uma amostra de cada filme foi retirada da bobina para a análise de tratamento
corona. Seguindo a norma ASTM D2578, essas amostras foram colocadas sobre uma
superfície lisa e plana, e com o auxílio de uma pinça metálica, umedeceu um pequeno
chumaço de algodão comum nas soluções de tensão superficial, aplicando-as
posteriormente nas superfícies dos filmes. Iniciou-se com uma solução de tensão
15
superficial baixa e foi aumentando gradativamente até não mais aparecer gotas grandes
e bolhas.
3.2.5.1. Preparo da solução utilizada na análise de tratamento corona
Para o preparo da solução utilizada na análise de tratamento corona, verificou-se
a quantidade de formamida P. A. (HCONH2, 99,5% de pureza) e de etilenoglicol
(C4H10O2, 98% de pureza) necessárias para a elaboração da solução com a tensão
desejada de acordo com as instruções da Tabela 2. Com o auxílio de provetas de 100
mL mediu os volumes de cada um dos reagentes. Em seguida realizou-se a pesagem de
0,05 g de rodamina e a dissolveu com os reagentes medidos anteriormente com as
provetas. A solução resultante foi então homogeneizada e transferida para um frasco de
armazenamento âmbar de 100 mL, previamente etiquetados com as seguintes
informações: tensão, data de manipulação, nome do manipulador e validade (que
corresponde a uma semana).
Tabela 2. Misturas de Formamida-Etilenoglicol na medida das tensões de umectação
dos filmes flexíveis.
Tensão Umectação
Formamida
Etilenoglicol
(dynas)
(% volume)
(% volume)
30
0
100
31
2,5
97,5
32
10,5
89,5
33
19
81
34
26,5
73,5
35
35
65
36
42,5
57,5
37
48,5
51,5
38
54
46
39
59
41
40
63,5
36,5
41
67,5
32,5
42
71
28,5
43
74,7
25,3
44
78
22
45
80,3
19,7
46
83
17
48
87
13
50
90,7
9,3
52
93,7
6,3
16
54
96,5
3,5
3.2.6. DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE ATRITO (COF)
Uma amostra de cada um dos filmes foi retirada da bobina para a determinação
de coeficiente de atrito. Seguindo a norma ASTM D1894, cortou-se quatro corpos de
prova utilizando o gabarito 250 X 130 mm, e mais quatro cortados usando gabarito 160
X 63 mm.
Fixou-se as extremidades de cada um dos filmes com as dimensões 250 X 130
mm em um bloco plano empregando fitas adesivas. Envolveu o sled com cada um dos
filmes de dimensões 160 X 63 mm também utilizando fita adesiva. O sled funcionou
como um “carrinho” que percorreu o caminho de uma extremidade a outra do filme
contida no bloco plano, como indicado na Figura 12. Os valores foram obtidos
automaticamente pela máquina universal de ensaios, sendo que COF é uma grandeza
adimensional.
Figura 12. Representação esquemática de uma máquina universal com os aparatos para
análise de COF (http://www.emic.com.br).
3.2.7. DETERMINAÇÃO DA TEMPERATURA INICIAL DE SELAGEM
Com as amostras empregadas na análise de COF, realizou-se a determinação de
temperatura inicial de selagem (TIS), seguindo a norma ASTM F88.
17
Foram cortados corpos de prova, utilizando o gabarito 25,4 X 100 mm, uniu as
faces interna e interna dos filmes e submeteu a selagem supondo uma temperatura, em
uma seladora, mostrada na Figura 13, que possuía parâmetros de tempo de resistência e
pressão constantes e iguais a 2s e 44 psi, respectivamente.
Figura 13. Representação de uma seladora (http://www.emic.com.br).
Após a medida da temperatura de selagem, os filmes ficaram um tempo
suficiente para que ocorresse o resfriamento da solda, e em seguida, digitou no
computador, que fica acoplado a máquina universal, o valor de temperatura utilizado
para selar os corpos de prova, e realizou-se o tracionamento à temperatura ambiente na
máquina universal com os aparatos do ensaio de TIS, conforme mostra a Figura 14.
18
Figura 14. Representação da máquina universal com os equipamentos de TIS.
(http://www.polinst.com.br).
Quando no corpo de prova foi retirada a selagem, obteve-se automaticamente os
valores da força expressa em Newton (N).
A análise de TIS foi concluída quando obteve a força de selagem equivalente a
2N, e repetiu-se mais duas vezes na mesma temperatura em que foi encontrado esse
valor de força.
3.2.8. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO
Ainda com as mesmas amostras utilizadas nas análises de COF, fez-se o ensaio
de determinação da resistência à perfuração, seguindo a norma ASTM F1306.
Cortou-se cinco corpos de prova utilizando o gabarito 76 X 76 mm e fixou-os na
máquina universal. Nessa mesma máquina há uma ponteira cônica que se localiza a uma
distância de 50 mm do corpo de prova. O sistema foi acionado e a ponteira desceu até
perfurar o corpo de prova, obtendo automaticamente um gráfico de força (N) X
deslocamento (mm), além de seus valores em uma tabela conjunta aos resultados de
deformação (mm), aréa (mm2), energia (J) e energia por área (Jmm-2), como observado
na figura 15.
19
Figura 15. Representação da máquina universal com os equipamentos de resistência à
perfuração (http://www.emic.com.br).
3.2.9. DETERMINAÇÃO DA TAXA DE PERMEABILIDADE AO OXIGÊNIO
A taxa de permeabilidade ao oxigênio (TPO2) é definida pela norma ASTM
D3985-95 como a quantidade de oxigênio que passa através de uma unidade de área,
perpendicularmente a superfície de um filme por unidade de tempo, sob condições de
temperatura, umidade relativa e gradiente de pressão parcial de oxigênio.
As taxas de permeabilidade ao oxigênio foram determinadas por método
coulométrico, segundo procedimento descrito na norma ASTM F 1927 (Standard test
method for determination of oxygen gas transmission rate, permeability and permeance
at controlled relative humidity through barrier materials using a caulometric detector),
em equipamento OXTRAN modelo 2/20, da MOCON, Modern Company Inc.,
operando com oxigênio puro como gás permeante e sob condições de temperatura e
umidade relativa específicas para o ensaio, ou seja, temperatura de 23 °C e a úmido. O
condicionamento dos corpos-de-prova foi feito durante 2 dias, a 23 °C e a úmido
(ambiente saturado com água). A área efetiva de permeação de cada corpo-de-prova foi
de 50 cm². Os resultados obtidos foram corrigidos para 1 atm de gradiente de pressão
parcial de oxigênio. Não foi feito condicionamento prévio dos corpos-de-prova.
20
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. ANÁLISE VISUAL
As três bobinas produzidas dos filmes de fundo e de tampa apresentaram-se
isentos de bolhas de ar, furos, cortes e trincas, rebarbas, sujidades, pedras,
amassamento, pinta preta, manchas esbranquiçadas e gel.
Apesar da presença dessas características serem consideradas defeitos toleráveis,
pois prejudicam a aparência da embalagem, mas não necessariamente suas funções de
contenção e proteção; é fundamental evitar ao máximo a presença delas, já que produtos
concorrentes encontram-se lado a lado nas gôndolas, e o consumidor escolhe em
segundos, aquele que possui melhor aparência.
4.2. ANÁLISE DE LARGURA
As larguras nominais dos filmes de fundo e de tampa das bobinas, para essa
produção, correspondem a 800 mm. Essa largura tem relação com o tamanho da
21
embalagem que se deseja obter, bem como da máquina de termoformação a qual os
filmes serão submetidos.
Das três bobinas produzidas de cada filme de fundo e de tampa, duas
apresentaram valores iguais a 803 mm e a outra igual a 802 mm. Esses resultados são
satisfatórios por estar de acordo com a tolerância que vai de 800 a 805 mm.
Valores fora desse intervalo podem atrapalhar a selagem no processo de
termoformação e, no caso de valores menores, pode interferir até no embalo e
acondicionamento dos produtos cárneos.
4.3. ANÁLISE DE GRAMATURA
Para encontrar os limites de máximo e de mínimo para a variação de gramatura
dos filmes, foi necessário realizar o cálculo de acordo com a equação 1, apresentada
anteriormente, em que utilizou a densidade visualizada em máquina, sendo que esse
valor de densidade corresponde a média da densidade de todos os polímeros
constituintes de cada filme; e o valor da espessura usado foi o nominal, ou seja, o valor
de espessura que se deseja encontrar nos filmes.
4.3.1. GRAMATURA DOS FILMES DE FUNDO
Para os filmes de fundo, a densidade obtida foi igual a 0,960 gcm -3 e a espessura
correspondente a 130 µm, obteve o resultado de gramatura de 124,80 gm-2.
As gramaturas das três bobinas produzidas foram iguais a 117,40, 124,30 e
123,10 gm-2, para as bobinas 1, 2 e 3, respectivamente. Sabendo-se que a tolerância
varia entre 124,80 ± 5%; percebeu-se que os valores para as bobinas 2 e 3 estão dentro
do especificado, enquanto que a bobina 1, está com o valor inferior ao tolerado.
Quando a bobina possui gramatura abaixo do mínimo significa que ela possui
um defeito crítico, uma vez que a gramatura está diretamente relacionada com as
propriedades de resistência mecânica e barreira. Portanto, a bobina 1, não pode ser
utilizada no processo de produção da embalagem, pois pode proporcionar algum dano
efetivo à embalagem e provocar a exposição do produto cárneo embalado.
22
4.3.2. GRAMATURA DOS FILMES DE TAMPA
Para os filmes de tampa, a densidade obtida foi de 0,984 gcm-3 e a espessura
correspondente de 75 µm, que resultou em uma gramatura de 73,80 gm-2. Os valores de
gramaturas das três bobinas produzidas foram iguais a 76,20, 70,30 e 74,70 gm -2, para
as bobinas 1, 2 e 3, respectivamente. Percebeu-se, então que todas as bobinas dos filmes
de tampa, com relação a gramatura encontram-se dentro das especificações e estão aptas
para serem utilizadas no processo fabricação das embalagens.
Normalmente, a espessura nominal do filme de fundo é maior que os tampa,
fator este que lhe confere também, uma maior gramatura. Isto ocorre porque somente o
filme de fundo sofre o processo de termoformação, que afeta as suas propriedades
físicas, mecânicas e óticas.
4.4. ANÁLISE DE ESPESSURA
4.4.1. ESPESSURA DOS FILMES DE FUNDO
Os resultados obtidos para a espessura das bobinas 1, 2 e 3 dos filmes de fundo
encontram-se apresentados na Tabela 3.
Tabela 3. Espessura dos filmes de fundo
Bobina
Gramatura (gm-2)
Densidade (gcm-3)
Espessura (µm)
1
117,40
0,960
122
2
124,30
0,960
129
3
124,80
0,960
130
A espessura pode variar entre 130 ± 5%. Percebe-se que a bobina 1, está com
espessura abaixo do especificado, resultado já esperado, uma vez que para efetuar o
cálculo da espessura utiliza o resultado da gramatura.
Filme com espessura fora dos parâmetros é considerado um defeito grave, já que
espessura alta impede a termossoldagem, e muito baixa pode sofrer danos por queima
nesse mesmo processo e ocasionar a abertura das embalagens. Portanto, é mais um dado
23
que reafirma que a bobina 1, encontra-se fora dos padrões estabelecidos e não pode ser
utilizada na produção de embalagens para o acondicionamento de produtos cárneos.
4.4.2. ESPESSURA DOS FILMES DE TAMPA
Os resultados encontrados de espessura das bobinas 1, 2 e 3 dos filmes de tampa
encontram-se mostrados na Tabela 4.
Tabela 4. Espessura dos filmes de tampa
Bobina
Gramatura (gm-2)
Densidade (gcm-3)
Espessura (µm)
1
76,20
0,984
77
2
70,30
0,984
71
3
74,70
0,984
76
Os resultados podem variar 75 ± 5%; portanto, todas as três bobinas produzidas,
estão de acordo com as especificações.
Assim como a gramatura, a espessura dos filmes de tampa também é menor que
a dos filmes de fundo, visto que, eles não passam pelo processo de termoformação e,
portanto, não apresenta modificações em suas propriedades iniciais.
4.5. ANÁLISE DO TRATAMENTO CORONA
O tratamento Corona é largamente utilizado na modificação de propriedades de
superfície de materiais, principalmente dos polímeros, isto devido a sua facilidade de
construção, baixa manutenção e facilidade de operação. A descarga Corona é gerada
pela aplicação de uma alta tensão elétrica entre dois eletrodos provocando uma descarga
contendo íons, elétrons, moléculas excitadas e outros componentes. Estes componentes,
por serem altamente energéticos, ao interagirem com a superfície do polímero podem
causar modificações nas propriedades de adesão e molhabilidade (MENDES; SINÉSIO,
2005).
O tratamento corona foi aplicado sobre a camada externa dos filmes de fundo e
de tampa porque normalmente, a camada externa é constituída por PE, que possui baixo
nível de energia de superfície e, consequentemente, baixa coesão e tensão superficial,
24
sendo necessário polarizar a superfície do filme para melhorar a adesão de tintas à sua
superfície.
As soluções foram preparadas por formamida, etilenoglicol e rodamina.
Utilizou-se esses solventes orgânicos pelo fato de serem constituintes da formulação de
tintas. Já a rodamina foi empregada para melhorar a visualização, uma vez que trata-se
de um corante.
Com o uso dessas soluções foi possível determinar a molhabilidade ou tensão de
umectação, ou seja, avaliar o grau de tratamento aplicado ao filme, e consequentemente,
a receptividade do mesmo à tinta.
Quando o contato da tensão superficial do líquido na solução com a superfície
do filme promoveu a formação de grandes gotas e bolhas, foi necessário utilizar uma
solução com menor tensão, uma vez que a presença dessas características indicou um
baixo poder de umectação que resulta na falta de adesão da tinta no filme. Isso ocorreu
devido à tendência das moléculas do líquido em ficar unidas ao invés de atrair a
superfície do filme, uma vez que a energia superficial do primeiro é maior que a do
segundo.
Da mesma forma, quando não houve a formação dessas características foi
necessário aumentar a tensão, já que indicou a uma menor atração entre as moléculas do
líquido em relação à atração das mesmas à superfície do filme.
4.5.1. TRATAMENTO CORONA DOS FILMES DE FUNDO
A quantidade ideal de tratamento corona para uma eficaz adesão de tintas com
os filmes corresponde a 44 dyncm-1, sendo o mínimo de 42 dyncm-1 e o máximo de 46
dyncm-1.
Os resultados das análises de tratamento corona, nas três bobinas produzidas,
foram iguais a 43 dyncm-1, e para o lado não tratado apresentou valores de 32 dyncm-1,
esse valor indica que não houve passagem significativa de tratameto corona para o verso
do filme polimérico, o que já era esperado, pois o tratamento corona interfere na
termossoldagem e é exatamente por isso que esse processo ocorre entre a face interna do
filme de fundo e a face interna do filme de tampa.
25
4.5.2. TRATAMENTO CORONA DOS FILMES DE TAMPA
Nos filmes de tampas os resultados obtidos, nas três bobinas produzidas, foram
iguais a 42, 44 e 43 dyncm-1 para as bobinas 1, 2 e 3, respectivamente e para o lado não
tratado apresentou valores de 32 dyncm-1. Pode-se observar que todas as três bobinas
produzidas estão de acordo com as especificações, embora a bobina 1, possua o valor
mínimo de tratamento recomendado, o que não é muito favorável, pelo fato de que esse
tratamento é brando, e vai diminuindo com o passar do tempo.
A partir dessas análises realizadas, observou-se que tanto para os filmes de
fundo quanto para os de tampa, a bobina 3 é a mais adequada para produção de
embalagens, pois possui valores mais próximos dos especificados para largura,
gramatura, espessura e tratamento corona. Por esse motivo, ela foi escolhida para
realização das análises de coeficiente de atrito (COF), temperatura inicial de selagem
(TIS) e resistência à perfuração.
4.6. DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE ATRITO (COF)
Os ensaios de COF foram realizados nos dias 31/03/2010 e 05/04/2010, dos
filmes de fundo e de tampa, do lado interno/interno e externo/externo.
4.6.1. COF DO FILME DE FUNDO
Os resultados da análise de COF do filme de fundo, juntamente com os valores
da média ( X ), determinados pela Equação 2 e os desvios padrão ( s ), calculados pela
Equação 3, encontram-se descritos na Tabela 5.
X =
i =1
Tabela 5. COF
∑( Xi − X )
n
n
∑Xi
(Equação 2);
s=
n
i =1
2
(Equação 3).
n −1
do filme de fundo
COF do filme de fundo
Corpo de
prova
31/03/10
05/04/10
31/03/10
05/04/10
interno/interno interno/interno externo/externo externo/externo
1
0,12
0,13
0,33
0,36
2
0,10
0,13
0,33
0,35
26
3
0,10
0,13
0,34
0,34
4
0,11
0,13
0,34
0,36
Média
0,11
0,13
0,34
0,35
Desvio
padrão
0,01
0,00
0,008
0,11
Os valores encontrados foram relacionados em um gráfico de COF em função
dos corpos de prova, como mostrado na Figura 16.
COF DO FILME FUNDO
0,6
(05/04/2010 - EXTERNO/EXTERNO)
(31/03/2010 - EXTERNO/EXTERNO)
(05/04/2010 - INTERNO/INTERNO)
(31/03/2010 - INTERNO/INTERNO)
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
4,5
CORPOS DE PROVA
Figura 16. Relação dos COF em função dos Corpos de prova para o filme de fundo.
Pela figura 16, percebeu-se que os resultados de COF do filme de fundo, para a
face interna/interna obteve valores inferiores aos realizados na face externa/externa, isso
acontece devido a descarga corona que atua nessa última camada, que promove a
oxidação do polietileno, fator que colabora para o aumento da micro-rugosidade, e
consequentemente, aumenta o atrito, ou seja, aumenta a dificuldade do deslizamento
entre duas superfícies. Os resultados encontrados de COF da face externa/externa são
bem próximos aos valores típicos de filmes constituídos por PEAD.
As análises realizadas na face interna/interna obteve resultados baixos.
Polímeros com alta cristalinidade, possui menor dificuldade no deslizamento. Sabendose que essa camada interna tem como objetivo principal atender a uma melhor selagem,
27
pode-se prever que ela é constituída por PP, que tem uma elevada capacidade de
selagem a quente aliado aos seus baixos valores de COF.
Independente da face de análise, observou-se que com o passar dos dias os
valores de COF encontrados não sofreram alterações significativas, o que possibilita
prever a não utilização de agentes aditivos, uma vez que as amidas que constitui esses
deslizantes, tende a migrar para a superfície do filme com o passar do tempo, formando
uma camada de amida ordenada, que colabora para a redução do COF, além de interferir
na adesão à tinta.
Ao invés de sofrer redução nesses resultados analisados após cinco dias, ocorreu
o contrário, exceto no terceiro corpo de prova do filme utilizando a face externa/externa,
que obteve valores iguais. Esse aumento pode estar relacionado ao descuido na
armazenagem.
O baixo grau de dispersão dos valores, demonstrados pelo desvio padrão,
aumenta a confiabilidade das análises realizadas, e portanto, dos resultados encontrados.
Ainda mais com o filme analisado no dia 05/04/10 na face interna/interna, que não
sofreu nenhuma alteração.
4.6.2. COF DO FILME DE TAMPA
Os valores de COF encontrados para os filmes de tampa encontram-se descritos
na Tabela 6.
Tabela 6. COF do filme de tampa
COF do filme de tampa
Corpo de
prova
31/03/10
05/04/10
31/03/10
05/04/10
interno/intern interno/interno externo/externo externo/externo
o
1
0,45
0,46
0,50
0,51
2
0,43
0,45
0,53
0,55
3
0,44
0,44
0,57
0,59
4
0,41
0,43
0,60
0,61
Média
0,43
0,45
0,55
0,57
Desvio
padrão
0,02
0,01
0,04
0,04
28
Os valores encontrados foram relacionados em um gráfico de COF em função
dos corpos de prova, como mostrado na Figura 17.
COF DO FILME TAMPA
0,70
(05/04/2010 - EXTERNO/EXTERNO)
(31/03/2010 - EXTERNO/EXTERNO)
(05/04/2010 - INTERNO/INTERNO)
(31/03/2010 - INTERNO/INTERNO)
0,65
0,60
0,55
0,50
0,45
0,40
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
CORPOS DE PROVA
Figura 17. Relação dos COF em função dos Corpos de prova para o filme de tampa.
Assim como no filme fundo, os resultados obtidos para o filme de tampa
realizados na face externa/externa foram superiores a interna/interna, porém esses
resultados estão mais próximos, podendo indicar a utilização de um mesmo polímero
nessas duas camadas. Avaliando os valores da Tabela 6, é possível supor a utilização do
PEBD.
Esses valores altos de COF são indesejados, pois ao extrair o ar do interior do
pacote, o filme adere ao produto formando pregas e dobras onde normalmente ocorrem
os furos do tipo “pé de galinha”.
Uma alternativa seria a utilização de um aditivo que atue como agente
deslizante, componente que perceptivelmente não foi utilizado, uma vez que os
resultados de COF aumentaram-se com o passar do tempo, exceto no terceiro corpo de
prova da análise interna/interna. Outra alternativa seria não utilizar o PEBD na camada
selante.
Pelo valor do desvio padrão, percebe-se que os resultados possuem baixo grau
de dispersão, fator que colabora para uma maior confiabilidade das análises realizadas.
29
4.7. DETERMINAÇÃO DA TEMPERATURA INICIAL DE SELAGEM (TIS)
A temperatura inicial de selagem é realizada somente entre as faces
interna/interna dos filmes, uma vez que essa camada não sofre tratamento corona, já que
o mesmo atrapalha a vedação entre os filmes. Esse ensaio tem como objetivo descobrir
a temperatura inicial de selagem, para utilizar essa mesma temperatura no processo de
termoformação.
4.7.1. TIS DO FILME DE FUNDO
Os resultados obtidos da TIS para o filme de fundo estão dispostos na Tabela 7.
Tabela 7. TIS do filme de fundo
Corpos de Prova
Força máxima(N)
Temperatura (°C)
01
10,03
85
02
4,73
84
03
2,78
83
04
3,54
83
05
3,05
83
Para encontrar a temperatura de selagem do filme fundo, fez-se uma medida
aleatória, empregando uma temperatura inicial de selagem de 85 ºC, que ao ser aplicada
à máquina universal, obteve uma força máxima para retirar essa união de filmes
correspondente a 10,03 N. Estudos demonstram que a força máxima necessária e
suficiente para selar embalagens alimentícias é igual a 2 N, devido a esse fato, foi
reduzido a temperatura inicial de selagem na máquina universal e repetiu-se o
procedimento anterior e fez-se uma nova selagem. O procedimento foi repetido até
encontrar a temperatura ideal de vedação.
Após encontrar a temperatura que equivale a uma força máxima ao redor de 2 N,
repetiu-se a análise por mais duas vezes. Sabendo-se que o aumento da temperatura
proporciona uma maior força para a retirada da selagem, foi possível construir um
gráfico da temperatura inicial de selagem (°C) em função da força máxima (N), que
pode ser visualizada pela Figura 18.
30
14
FORÇA MÁXIMA (N)
12
10
8
Linear Regression Y = A + B * X
Parameter
Value
Error
A
-264,575 45,58853
B
3,2225
0,54529
R
SD
N
P
0,95963 0,97545
5
0,00968
6
4
2
83,0
83,5
84,0
84,5
85,0
TEMPERATURA (°C)
.
Figura 18. Força máxima para o filme de fundo em função da temperatura inicial de
selagem.
Realizou-se a regressão linear, e substituindo os valores de A, B e x na equação
da reta, representada por y = A + Bx (Equação 4), considerando x = 2 N , obteve a
temperatura aproximadamente de 82,72 °C. Com isso, subentende-se que para selar um
filme PP com PP, de modo que a embalagem não sofra facilidade ou dificuldade de
abertura, seguindo essa metodologia, basta termoformá-lo em uma temperatura próxima
a 82 °C.
4.7.2. TIS DO FILME DE TAMPA
Os resultados obtidos da TIS para o filme de tampa estão dispostos na Tabela 8.
Tabela 8. TIS do filme de tampa
Corpos de Prova
Força máxima(N)
Temperatura (°C)
01
0,41
80
02
1,43
82
03
2,62
83
04
1,73
83
05
1,90
83
31
A tentativa aleatória para o filme tampa iniciou-se com 80 °C, pois a
temperatura optada inicialmente para o filme de fundo é maior que para o de tampa, isto
ocorreu porque a temperatura de fusão do PP é maior que do PEBD. Após selar com 80
°C obteve-se uma força máxima muito abaixo do esperado. Desse modo, foi necessário
aumentar gradativamente a temperatura de selagem até encontrar aquela que
correspondesse a uma força de retirada da vedação equivalente a 2 N.
Da mesma maneira que no filme de fundo, após encontrar a temperatura
equivalente a força máxima de 2 N, repetiu-se a análise por mais duas vezes,
possibilitando construir um Gráfico da força máxima (N) em função da temperatura
(°C), conforme apresentado na Figura 19.
4,5
FORÇA MÁXIMO (N)
4,0
3,5
3,0
Linear Regression Y = A + B * X
Parameter
Value
Error
A
-44,46235 12,26008
B
0,56059
0,14913
R
SD
N
P
0,90822 0,38889
5
0,003291
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
80,0
80,5
81,0
81,5
82,0
82,5
83,0
83,5
TEMPERATURA (°C)
Figura 19. Força máxima para o filme de tampa em função da temperatura inicial de
selagem.
Com a regressão linear, e substituindo os valores de A, B e x na equação 4,
considerando x = 2 N, encontrou-se a temperatura aproximadamente de 82,88 °C. Com
isso, compreendeu-se que para selar um filme PEBD com PEBD, de modo que o
consumidor não sofra constrangimento em sua abertura, seguindo essa metodologia,
basta termoformá-lo sob uma temperatura próxima a 82 °C.
Se os filmes de tampa e de fundo tivessem a mesma formulação na camada
interna, esta análise confirmaria a temperatura a se utilizar no processo de
termoformação; mas para essa análise o certo seria selar a parte interna do filme de
32
fundo com a parte interna do filme de tampa. Apesar de que os resultados, neste caso,
encontrados indicaram temperaturas bem próximas para filmes com formulações
distintas.
4.8. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO
A leitura automática dessa análise iniciou-se quando a ponteira do equipamento
encontrava-se a uma distância igual a 50 mm da superfície do filme até quando a
ponteira perfurou o material. Nesse trajeto descreveu-se um gráfico da força em função
do deslocamento, cuja área corresponde a energia (tenacidade). Essa energia foi
absorvida pelo filme em razão da aplicação de uma força (tensão) ao longo de um
deslocamento (deformação), como mostra a Figura 20. Os dados obtidos de força média
e desvio padrão foram obtidos conforme as equações 2 e 3, apresentadas anteriormente.
Figura 20. Gráfico da tensão em função da deformação.
4.8.1. ANÁLISE DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO DA FACE INTERNA DE
FILMES DE FUNDO E DE TAMPA
As tabelas 9 e 10 apresentam os resultados obtidos automaticamente na análise
de determinação de resistência à perfuração para a face interna dos filmes de fundo e de
tampa.
33
Tabela 9. Resultados do ensaio de perfuração da face interna do filme de fundo.
Resistência à perfuração do filme de fundo
Corpo de
prova
Força
Deformação
máxima máxima (mm)
(N)
Área
Energia
Energia/Área
(mm2)
máxima
(J)
( Jmm-2)
1
20,58
8,38
9,80
0,10
0,01
2
19,15
7,88
9,88
0,10
0,01
3
20,80
8,09
9,88
0,09
0,01
4
19,74
7,88
9,88
0,09
0,01
5
18,19
7,82
9,88
0,08
0,01
Média
19,69
7,96
9,86
0,09
0,01
Desvio
padrão
1,07
0,28
0,03
0,01
8x10-4
Tabela 10. Resultados do ensaio de perfuração da face interna do filme de tampa.
Resistência à perfuração do filme de tampa
Corpo de
prova
Força
Deformação
máxima máxima (mm)
(N)
Área
Energia
Energia/Área
(mm2)
máxima
(J)
(Jmm-2)
1
17,83
64,44
0,06
0,14
2,47
2
17,28
63,79
0,06
0,13
2,20
3
16,62
62,29
0,06
0,10
1,84
4
16,88
62,91
0,06
0,11
1,98
5
16,62
62,25
0,06
0,10
1,87
Média
17,04
63,14
0,06
0,11
2,07
Desvio
padrão
0,51
0,95
0,00
0,02
0,26
A Tabela 9, mostra que ao aplicar uma força média de 19,69 N, o filme de fundo
sofreu pouca deformação até ocasionar a sua ruptura, sendo que a área afetada pela
deformação foi 9,86 mm2, obtendo uma energia em torno de 0,09 J. Enquanto que, pela
Tabela 10, percebeu-se que ao aplicar uma força média de 17,04 N no filme de tampa, o
mesmo sofreu uma deformação enorme até ocorrer a ruptura, sendo que a área
correspondente a essa deformação foi baixa e igual a 0,06 mm 2 , obtendo uma energia
em torno de 0,10 J.
34
Esse resultado concorda com as suposições da interpretação dos dados dos
ensaios de COF da camada interna, de que a composição do filme de tampa pode ser a
base de PEBD e o filme fundo a base de PP, uma vez que as características do PEBD
quando comparado ao PP, consiste em sofrer um alto grau de deformação até romper,
ou seja, ser mais tenaz, isso acontece porque esse polímero possui ramificações longas,
fator este que contribui para a redução de sua cristalinidade, ocasionando um aumento
do alongamento na ruptura.
4.8.2. ANÁLISE DA RESISTÊNCIA À PERFURAÇÃO DA FACE EXTERNA DE
FILMES DE FUNDO E DE TAMPA.
Os resultados obtidos automaticamente na análise de determinação de
resistência à perfuração da face externa do filme de fundo e de tampa encontram-se
apresentados nas tabelas 11 e 12.
Tabela 11. Resultados do ensaio de perfuração da face externa do filme de fundo.
Resistência à perfuração do filme de fundo
Corpo de prova
Força
Deformação
Área
Energia
Energia/Área
máxima
(N)
máxima (mm)
(mm2)
máxima
(J)
( Jmm-2)
1
30,03
10,23
9,96
0,17
0,02
2
33,38
12,95
10,11
0,26
0,03
3
33,35
13,45
9,8
0,27
0,03
4
33,47
13,10
10,03
0,27
0,03
5
34,86
12,31
10,18
0,25
0,02
Média
33,02
12,41
10,3
0,24
0,02
Desvio padrão
1,78
1,28
0,12
0,04
4x10-3
Tabela 12. Resultados do ensaio de perfuração da face externa do filme de tampa.
Resistência à perfuração do filme de tampa
Corpo de prova
Força
Deformação
Área
Energia
Energia/Área
35
máxima
(N)
máxima (mm)
(mm2)
máxima
(J)
( Jmm-2)
1
19,63
64,86
0,06
0,15
2,72
2
19,51
65,63
0,06
0,16
2,90
3
20,15
65,62
0,06
0,17
2,99
4
20,63
65,69
0,06
0,17
3,01
5
20,08
65,55
0,06
0,16
2,92
Média
20,00
65,47
0,06
0,16
2,90
Desvio padrão
0,44
0,34
0,00
-3
6x10
0,11
A Tabela 11 mostra que foi necessário aplicar uma força média igual a 33,02 N,
para que o filme de fundo sofresse ruptura, embora a deformação seja pequena, e
correspondente a 12,41 mm2, em uma área de 10,3 mm2, obtendo uma energia em torno
de 0,24 J. Enquanto que, pela Tabela 12, percebeu-se que foi necessário aplicar uma
força média de 20,00 N no filme de tampa, o mesmo sofreu uma deformação grande,
quando comparada ao filme de fundo, até ocorrer a ruptura, sendo que a área
correspondente a essa deformação foi baixa e igual a mesma sofrida nessa análise da
face interna, obtendo uma energia em torno de 0,16 J.
Da mesma maneira que essa análise para a face interna, os resultados estão de
acordo com as proposições da interpretação dos dados dos ensaios de COF da camada
externa, de que a composição do filme de tampa pode ser à base de PEBD e o filme
fundo a base de PEAD, uma vez que o PEAD possui uma estrutura mais linear, sendo
que essa linearidade faz com que a orientação, o alinhamento e empacotamento sejam
mais efetivos, ocasionando um forte efeito sobre as propriedades mecânicas do
polímero, como por exemplo, a alta rigidez quando comparado ao PEBD.
O lado externo apresentou uma resistência à perfuração bem maior que o lado
interno, esse comportamento pode ser devido à camada superficial do polietileno, que
oxidou pela descarga corona e passou a servir como estrutura que possibilita o
fortalecimento do filme.
36
4.9. DETERMINAÇÃO DA TAXA DE PERMEABILIDADE AO OXIGÊNIO
(TPO2)
Para o filme de fundo, constituído de PE/ad/PA6/EVOH/PA6/ad/PP, o valor de
TPO2 original, foi menor que 4 cm3(CNTP)m-2dia-1 a 23 °C. Isto ocorreu devido à
presença de EVOH conciliado à PA6 em sua estrutura, o que aumenta a barreira ao
oxigênio do material, conferindo maior proteção ao produto contra a oxidação. Já para o
filme de tampa, que é constituído de PE/ad/PA6/EVOH/PA6/ad/PE o valor de TPO2
original, foi menor que 5 cm3(CNTP)m-2dia-1 a 23 °C, também devido a presença do
EVOH vinculado à PA6 em sua estrutura, o que justifica a utilização desses filmes na
produção de embalagens para o acondicionamento de produtos cárneos, cuja coloração é
muito sensível à oxidação e conseqüente perda da desejável coloração rósea.
O filme fundo teve resultado menor que o de tampa, isso indica que o adesivo
agregado ao PE e PP foi mais eficaz quando comparado com a combinação adesivo e
PE, uma vez que a presença deles são necessárias para não permitir a interferência da
umidade na barreira ao oxigênio realizada pelo EVOH e PA6. Este resultado é
interessante, pelo fato de que somente o filme fundo sofre o processo de
termoformação, e para tanto, se faz necessário melhores propriedades físico-químicas.
37
5. CONCLUSÃO
Para cada um dos dois filmes produzidos, filme de tampa e filme de fundo, foi
produzido três bobinas de filmes multicamadas. Destas três bobinas somente a bobina 1,
dos filmes de fundo foi descartada, pois encontrava-se fora das especificações, o que
indica que o processo de coextrusão é uma boa ferramenta para a produção de filmes
multicamadas.
A partir das análises de largura, gramatura, espessura e tratamento corona,
observou-se que tanto para os filmes de fundo quanto para os de tampa, a bobina 3 é a
mais adequada para produção de embalagens, pois possui valores mais próximos dos
especificados para essas análises. Por esse motivo, ela foi escolhida para realização das
análises de coeficiente de atrito (COF), temperatura inicial de selagem (TIS) e
resistência à perfuração.
A espessura do filme de fundo é geralmente maior que a do filme de tampa,
visto que, é somente ele que passa pelo processo de termoformação. O que ficou
comprovado nos resultados obtidos de gramatura e espessura.
Independentemente da face de análise e dos filmes utilizados, observou-se que
com o passar dos dias os valores de COF encontrados não sofreram alterações
significativas, indicando
que não houve o uso de aditivos durante o processo de
formação do filme.
A temperatura inicial de selagem obtida para o filme de fundo e de tampa foi
praticamente a mesma, indicado que os filmes apresentam propriedades semelhantes.
Na análise de resistência à perfuração os valores encontrados para a face externa
foram superiores a interna. Com isso, comprova-se a interferência do tratamento corona
nas propriedades dos filmes.
A presença de EVOH e PA6 na composição dos filmes de tampa e fundo fez
com a TPO2 ficasse abaixo de 5 e 4 cm3(CNTP)m-2dia-1, respectivamente; justificando a
necessidade de suas utilizações na composição dos filmes multicamadas.
Os filmes produzidos para o fundo e para a tampa apresentaram propriedades
ideais para a produção das embalagens termoformadas, uma vez que, a espessura total e
a resistência à perfuração dos filmes para o fundo foram maiores que para a tampa. Os
mesmos apresentaram uma boa barreira ao oxigênio, o que conferiu aos filmes uma
38
maior proteção ao produto contra a oxidação, o que indica que eles podem ser utilizados
na produção de embalagens para produtos cárneos.
39
6. REFERÊNCIAS BIBLIGRÁFICAS
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42
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