UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM DIDATICA E
METODOLOGIA DO ENSINO SUPERIOR IV
BRUNA VIGNALI RAMOS
DO CONHECIMENTO À CIÊNCIA GEOGRÁFICA: UMA REVISÃO DE
LITERATURA QUE COMPREENDE O ESTUDO DA GÊNESE DA
GEOGRAFIA MODERNA
Criciúma, Setembro de 2006.
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BRUNA VIGNALI RAMOS
DO CONHECIMENTO À CIÊNCIA GEOGRÁFICA: UMA REVISÃO DE
LITERATURA QUE COMPREENDE O ESTUDO DA GÊNESE DA
GEOGRAFIA MODERNA
Monografia apresentada à Diretoria de PósGraduação da Universidade do Extremo Sul
Catarinense – UNESC, para a obtenção do
título de especialista em Didática e Metodologia
do Ensino Superior.
Orientadora: Profª. Drª Fábia Liliã Luciano
Criciúma, Setembro de 2006.
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Dedico este trabalho às professoras Fábia Liliã
Luciano e Leila Maria V. Beltrão ambas muito
importantes na minha vida acadêmica e com
certeza na realização deste trabalho.
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus, ao mestre Jesus,pelo dom da vida.
A minha orientadora Fábia Liliã , que acreditou em meus ideais.
Aos meus pais Erivaldo Scheffer Ramos, Paulo Abel Lima, e minha mãe
Márcia Lima por terem me proporcionado o direito de estudar e obter grau superior
e neste sentido alçar mais um degrau da vida acadêmica.
Ao meu marido Everton Sutil pelo amor, pela Maria Luiza, incentivo,
paciência, compreensão e força para chegar ao final desse curso.
4
A história é a geografia do tempo, enquanto a
Geografia é a história do espaço.
Elisée Reclus (1830-1905)
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RESUMO
O presente estudo tem o objetivo de apresentar a historia da geografia a
partir do seu surgimento, sua concepção como ciência geográfica reunindo os
pressupostos necessários para a constituição desta, apontando todavia, a evolução
do entendimento da Geografia no decorrer do século XIX sendo caracterizada pela
escola tradicional. A problematização no entanto, nada mais é do que o
conhecimento que dá respaldo ao que se transformou na Geografia propriamente
dita. É importante conhecer, como a geografia que nós trabalhamos na atualidade
repensada no século XIX, como alguns geógrafos constituíram esse conhecimento e
percebiam a geografia da época.
Palavras-chave: conhecimento geográfico; empirismo; cientificidade.
6
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO.............................................................................................
7
2 DO CONHECIMENTO À CIÊNCIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA....
8
2.1 Gênese do Conhecimento Geográfico.................................................
8
2.2 Grécia: Aspectos Importantes na Constituição da Geografia ...........
9
2.2.1 Especificidades econômicas e históricas da Alemanha no início
do século XIX, como berço da ciência geográfica....................................
11
3 A Constituição da Ciência Geográfica ……....................................…….
15
3.1 O Determinismo Geográfico: Geografia Tradicional...........................
16
3.1.1 Alexandre Von Humboldt e Karl Ritter...............................................
18
3.2 A Antropogeografia de Ratzel...............................................................
20
3.3 O Possibilismo Geográfico...................................................................
21
3.3.1 Paul Vidal de La Blache .....................................................................
23
4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS DE ESTUDO..........................................
24
4.1 Análise dos Dados.................................................................................
24
4.2 Implicações do Estudo ..........................................................................
25
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................
27
REFERENCIAS..............................................................................................
28
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR..............................................................
29
7
1 INTRODUÇÃO
O título desse trabalho, Do conhecimento à Ciência geográfica: uma
revisão de literatura que compreende o Estudo da gênese da geografia Moderna,
surge da paixão pela disciplina de Geografia, por meio da curiosidade e da
constituição desta como ciência, a fim de
perceber suas transformações, que
contribuíram a cada tempo para o estudo do espaço geográfico.
O entendimento da evolução do pensamento geográfico e das correntes
filosóficas que lhe dão suporte é crucial para os geógrafos do século XXI, pois a
adoção de uma postura consciente frente à prática pedagógica, depende do
conhecimento aprofundado da evolução e do pensamento ligado à ciência que se
pretende ensinar.
Ao se pressupor que a educação é um processo social, produto das
relações de seu tempo, é fundamental compreender que o que se quer ensinar
também é fruto desta mesma condição e, por tal, o domínio, a compreensão da
evolução deste conhecimento é condição primordial para uma prática pedagógica
consolidada.
Por meio da história da geografia pretende-se aprofundar o estudo
relacionado ao seu surgimento como conhecimento geográfico e os motivos que
levaram esta a se tornar uma ciência, apresentando e discutindo a partir de uma
revisão bibliográfica, as interpretações que vários autores fazem sobre a origem do
conhecimento geográfico e da ciência geográfica.
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2 DO CONHECIMENTO À CIÊNCIA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Este capítulo relata sobre a gênese do conhecimento geográfico;
aspectos de sua constituição, o país onde a geografia é reconhecida como ciência;
bem como algumas especificidades como dados econômicos e históricos.
2.1 Gênese do Conhecimento Geográfico
A geografia é definida por alguns como o estudo da superfície terrestre ou
como a descrição da terra. Surgindo com as primeiras comunidades gentílicas que
estudiosos desta temática definiram como a pré-geografia, considerando sua
existência desde em 12 a.C.
Quaisquer que fossem os motivos dos deslocamentos e das migrações
mais antigas, variando da necessidade á aventura-las levaram ao
conhecimento mais amplo da superfície da Terra e á tendência ao registro
ou á transmissão desse conhecimento. Trata-se, incontestavelmente, de
material geográfico (SODRÉ, 1976, p.13).
Os conhecimentos da área de influência dos gregos eram amplos. Salienta
o papel de Heródoto que não apenas historicamente ficou conhecido, mas inclusive
foi o primeiro a registrar aspectos geográficos em sua obra, decorrente das
observações em suas longas viagens. Preocupando-se com a descrição de lugares,
porém sem aparecer naquele momento como a relação entre homem e meio, com
base nos estudos acordo com Sodré (1976, p.14), afirma que:
Assume particular destaque, conseqüentemente, o registro desse
conhecimento. Assim, se aceitarmos uma divisão da historia dos
conhecimentos geográficos para não falar ainda em geografia – que inclua
a etapa preliminar da pré-história, comportaria uma subdivisão: antes do
registro e depois do registro. Desse ângulo, é geralmente admitido que, os
gregos foram os primeiros a registrar de forma sistemática os
conhecimentos geográficos. Foram os gregos, aliás, que batizaram os
conhecimentos sobre a superfície da terra como geografia.
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Em relação a este conjunto de idéias, cabe salientar que, o conhecimento
empírico
era
primordial
na
sociedade
grega,
desencadeando
contudo,
o
conhecimento geográfico baseado na racionalidade humana. No entanto, intensa
gama desse conhecimento incontestavelmente obtido pelos gregos, se encontrava
disperso, caracterizados por relatos de viagem, escritos em tom literário,
curiosidades, descrição de lugares exóticos, continentes, fenômenos naturais.
Tais temas trabalhados por diferentes pensadores passam a serem
tratados como cruciais à geografia.
A geografia aparecia antes de definir seu campo, os seus métodos, as suas
técnicas, como tributários e menos importantes, de outras áreas do
conhecimento, cientificas ou não. Estava ainda, carregada de mitos, lendas
e deformações, que escondiam o que, em seus rudimentos, havia de
verdadeiro e de duradouro. Seu desenvolvimento, visando sua futura
autonomia, estaria ainda, e por muito tempo, na dependência das áreas,
cientificas ou não, de que o homem servia para sobreviver e progredir
(SODRÉ, 1976, p.19).
Na idade média as modificações nas relações humanas e ao contrário da
ordem feudal que afirmava uma concepção teocêntrica, (universo e homem são
criaturas) com o pensamento burguês surgem o antropocentrismo (O homem é o
centro da terra vista como submissa e como que deve ser subjugado mais pelo
homem).
2.2 Grécia: Aspectos Importantes na Constituição da Geografia
A geografia nasce com os gregos que são os primeiros a registrar de
forma sistemática os conhecimentos ligados a esse ramo do saber como ciência e
filosofia. Ao mesmo tempo em que alguns autores descrevem as regiões
conhecidas, outros pesquisadores gregos como por exemplo Tales e Anaximandro
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que estudavam a medição do espaço e a discussão da forma da Terra (Geodesia)
ou mesmo o próprio Heródoto que obtinha uma geografia regional, se classificada
atualmente, por intermédio da descrição dos lugares.
Cláudio Ptolomeu, que descreveu a “Síntese Geográfica“, constituiu-se
em um dos principais veículos que caracteriza no entanto, as descobertas do
pensamento grego clássico.
Pode-se dizer que o conhecimento geográfico se encontrava disperso. As
matérias apresentadas com essa designação eram bastante
diversificadas, sem um conteúdo unitário. Isso não quer dizer que
inexistam autores expressivos, no decorrer deste enorme período da
história da humanidade (MORAES, 1988, p.33).
Do ponto de vista particular, importa destacar como os elementos
geográficos estavam misturados, quando não subordinados, a outros, que
apareciam como principais. Não havia geografia e geógrafos, conseqüentemente.
Havia filósofos, historiadores, cientistas, que se referiam, secundariamente e a
aspectos geográficos. Em face desta situação, Sodré (1976, p.14) pondera que:
A Grécia tem importância, também, por ser o centro de uma sociedade
escravista que recebera e ultrapassara a herança mercantil dos fenícios.
Ora, o comércio é a fonte principal dos contatos; não apenas estimula a
curiosidade como abriga o conhecimento. Cabe aos gregos,
conseqüentemente,
coletar,
sistematizar,
como
compendiar
os
conhecimentos de natureza geográfica. Dominado o Mediterrâneo eles
conhecem o litoral sul da Europa e o litoral norte da África como o estreito
litoral oeste da Ásia; conhecem o mar vermelho, o mar negro, a
mesopotâmia e o golfo pérsico e as terras que se estendem até a Índia.
Percorreram esses mares e terras e em muitos lugares estabeleceram
feitorias.
As razões que determinaram que tenha sido a Europa a dar à luz a ciência
são complexas, mas têm a ver com a filosofia grega e a sua noção de que os seres
humanos podiam alcançar uma compreensão do modo como o mundo funciona por
intermédio do pensamento racional.
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2.2.1 Especificidades econômicas e históricas da Europa, como berço da
ciência geográfica
Na idade média as modificações nas relações humanas e ao contrário da
ordem feudal que afirmava uma concepção teocêntrica, (universo e homem são
criaturas) com o pensamento burguês surgem o antropocentrismo (O homem é o
centro da terra vista como submissa e como que deve ser subjugado mais pelo
homem).
A terra, de lugar habitado pelos deuses para os gregos e somente Deus
pelo cristão medieval, passa a ser vista pouco a pouco somente ao homem.
De acordo com Pereira (1999, p. 84):
As razões que levam à institucionalização da Geografia podem ser
encontradas tanto na ação de fatores externos, como na evolução da lógica
interna do conhecimento científico, ligadas ao processo de avanço e
domínio das relações capitalistas de produção. O desenvolvimento das
forças produtivas referentes à ascensão desse modo de produção também
provoca transformações no pensamento filosófico e cientifico relativas às
profundas modificações que se operam na instância econômica e política. É
nesse contexto que ocorre a transformação do feudalismo para o
capitalismo.
No entanto as condições para a sistematização do conhecimento
geográfico, o pressuposto mais fundamental da geografia moderna era o
conhecimento efetivo de todo o planeta, posto que, o “mundo conhecido” atingisse a
total extensão da Terra.
As viagens de Marco Pólo espalharam pela Europa o interesse pela
Geografia. Durante a Renascença e ao longo dos séculos XVI e XVII as viagens de
exploração reavivaram o desejo de bases teóricas mais sólidas e de informação
mais detalhada. “A descoberta e incorporação de novas terras, as principais viagens
de circunavegação e as expedições exploradas vão propiciar naquele momento, o
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estabelecimento de uma representação realística do planeta em meados do século
XVII” (MORAES, 1983, p.17).
A expansão marítima, os descobrimentos, a posterior apropriação de novas
áreas do globo, inscreve-se como parte ativa do processo de transição do
feudalismo para o capitalismo. A priori as expedições eram financiadas
diretamente pelas coroas européias uma vez que estas tinham interesse
nas expedições exploradoras do século XV chegando às expedições
científicas do século XVIII (MORAES, 1983, p.18).
Nesse momento histórico cabe entender que o contato direto dos
europeus com terras distantes por meio dos “descobrimentos”
trazia assim
informações geográficas importantes para o avanço do mercantilismo e com a
formação de impérios coloniais. Somente a posterior geopolítica de dominação de
territórios, assim como traria avanços significativos na aplicação de técnicas
cartográficas, que tentavam aprimorar a representação do espaço e de localização.
Outro pressuposto para o aparecimento de uma Geografia unitária,
residia no aprimoramento de técnicas cartográficas , o instrumento por
excelência do geógrafo. Era necessário haver possibilidade de
representação dos fenômenos observados , e da localização dos territórios.
Assim, a representação gráfica, de modo padronizado e preciso era
também uma necessidade posta pela expansão do comércio (MORAES,
1988, p.36).
A Idade Moderna caracterizou-se por ser o período dos grandes
descobrimentos, realizados especialmente pelos navegadores portugueses e
espanhóis. “Em trinta anos o horizonte geográfico, que não ultrapassava 60º de
latitude por 100º de longitude, alargou-se até abranger quase toda a Terra”
(MARTONNE, 1953, p.7). Nessa época, os estudos de Geografia Regional (mais
ligados à Etnografia) e Geografia Geral (voltados para a Astronomia e Cartografia)
tornam-se mais intensos, em razão do rápido conhecimento do planeta por parte dos
desbravadores europeus, que demandavam estudos detalhados sobre os lugares
descobertos, além de instrumentos de navegação e localização precisos.
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As condições materiais para que a geografia fosse sistematizada, são de
certa maneira forjadas no processo de avanço e domínio das relações capitalistas.
De um lado o desenvolvimento das forças produtivas, subjacente à emergência do
novo modo de produção, por outro a existência de uma classe preocupada com a
evolução do pensamento, organizam-se em movimentos ideológicos, filosóficocientíficos marcando não somente a transição do feudalismo para o capitalismo.
Seguindo esse conjunto de idéias, existem outras proposições que
auxiliaram, ou serviram de fonte para a sistematização da ciência como por exemplo
à detectada pelos pensadores políticos do iluminismo que discutiam as formas de
poder e a organização do Estado, visto que se trata de um tema próprio da geografia
e de acordo com (Moraes, 1988, p.39):
Rousseau, por exemplo, discutiu a relação entre a gestão do Estado, as
formas de representação e a extensão do território de uma sociedade.Dizia
ele que a democracia só era possível nas nações pouco extensas , e que
os Estados de grandes dimensões territoriais tendiam necessariamente a
formas de governo autocráticas.
Ressalta-se que os economistas políticos desse período, discutiam
questões geográficas quando estudavam os problemas do aumento populacional,
a produtividade natural do solo, os recursos minerais de determinados lugares,
expondo esses temas em suas teorias, sendo Adam Smith e Thomas Malthus
sempre citados pelos sistematizadores do conhecimento geográfico.
Posteriormente, as teorias do evolucionismo, (visto como um conjunto de
teorias de Darwin
e Lamarck) encontram-se presentes nas obras dos primeiros
geógrafos por apresentar o papel desempenhado pelas condições ambientes,
noções de ecologia como sendo o estudo da inter-relação
coabitam determinado espaço.
dos elementos
de
14
Reunindo-se então todos esses pressupostos, os estudos relacionados à
geografia vai obter pleno reconhecimento da sua autoridade, pois além de fornecer
a sustentação necessária que dará legitimidade à disciplina, traz consigo uma base
científica sólida para as indagações da Geografia que na segunda metade do século
XIX se transformará em ciência geográfica.
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3 A CONSTITUIÇÃO DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA
A Alemanha aparece como berço da sistematização geográfica, onde a
questão espacial era fundamental. A necessidade do domínio e organização do
espaço, a própria constituição do território advindas das relações do campo aliadas
ao “capitalismo Agrário”, como também na organização política que se forma no
decorrer do século XIX, com a constituição do Estado-nacional alemão, resulta nas
condições que permitiram avanços no pensamento geográfico para as classes
dominantes no inicio do século XIX.
Moraes (1988 p.46) afirma que:
Este ideal de unidade vai ter sua primeira manifestação concreta com a
formação, em 1815, da “Confederação Germânica”, que congregou todos
os principados alemães e os reinos da Áustria e da Prússia. Apesar de
não constituir ainda uma unificação nacional, estabeleceu maiores laços
econômicos entre seus membros, com o fim dos impostos aduaneiros
entre eles. È dentro desta situação que se pode compreender a eclosão
da Geografia. Temas como domínio e organização do espaço, apropriação
do território, variação regional, entre outros estarão na ordem do dia na
pratica da sociedade alemã de então. É sem duvida, deles que se
alimentará a sistematização geográfica.
Embora lançando raízes históricas ao longo dos séculos, somente no
Século XIX que a Geografia começou a usufruir o status de conhecimento
organizado, penetrando nas universidades. Os estudiosos, no século XVIII,
procuraram dividir a ciência em vários ramos; porém segundo Andrade (1989, p.11):
[…] o conhecimento científico não pode ser compartimentado, ele é um só,
e a divisão das ciências é apenas uma tentativa de compatibilizar a
vastidão deste conhecimento com a capacidade de acumulação de
conhecimentos pelo homem. Intelectuais como Kant e Comte são notados
pelas suas classificações científicas; contudo, as ciências humanas (com
exceção da Sociologia) foram excluídas das suas classificações, inclusive a
Geografia, que ‘só conquistaria a posição de ciência autônoma nas últimas
décadas do século XIX’.
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Há muitas definições ate então para a geografia, porém alguns autores
vão definir a Geografia como o estudo da paisagem, ou seja, o estudo dos aspectos
visíveis do real, da individualidade dos lugares, estudo da diferenciação de áreas ou
ainda, como estudo do espaço .
Porém o positivismo entendido aqui como o conjunto das correntes nãodialéticas, onde os estudiosos que seguem vão buscar suas orientações gerais
centrados no patamar que alavanca o pensamento geográfico tradicional.
3.1 Determinismo Geográfico: Geografia Tradicional
O Determinismo nasceu com os primeiros rudimentos sobre aspectos e
fenômenos que viriam a ser objeto da Geografia tradicional. A forma inicial do
determinismo esteve ligada à relação entre clima e homem.
Na história do pensamento geográfico é quase unânime o estabelecimento
do marco inicial da Geografia Moderna na publicação das obras de
Alexandre Von Humboldt e Karl Ritter como pioneiros do processo da
sistematização geográfica (MORAES, 1989, p.15).
Tratava-se de uma constatação da relação natureza – homem, onde esta
primeira determinava o modo de vida e o desenvolvimento intelectual das pessoas,
que era estabelecida conforme essa corrente do pensamento, de acordo com clima,
ou seja região do planeta em que habitava.
Os povos das regiões quentes são tímidos como os anciãos; os das regiões
frias são corajosos, como os jovens [...] Ter-se-á nas regiões frias pouca
sensibilidade para os prazeres; ela será maior nas regiões temperadas ;
nas regiões quentes será exagerada. Os indianos são naturalmente sem
ânimo; os próprios filhos dos europeus nascidos nas índias perdem o que
é próprio de seu clima (MORAES, 1989, p.16).
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A Geografia aparece como uma disciplina de observação conhecida nesse
período como “empirismo raciocinado” obedecendo a uma observação sistemática
onde o geógrafo contemplaria a paisagem sem ir além das aparências.
Do clima dependeriam não somente os costumes bem como o que
regularia a política, servindo de suporte inclusive para o fenômeno da colonização
de determinadas regiões do planeta, que historicamente serviram aos países
europeus.
Para Montesquieu (1962, p.253-266):
Não devemos, pois, espantar que a covardia dos povos de clima quente, os
tenha quase sempre, tornados escravos, e que a coragem dos povos de
climas frios tenha mantido livres. È uma conseqüência que deriva de sua
causa natural.
Levando em consideração que a ciência é à busca da comprovação do
fato, a maturação das condições históricas, materiais e sociais para a existência da
sistematização da ciência, a geografia aparecia como uma disciplina que se
preocupava com a conexão entre os elementos, buscando a causalidade existente
na natureza.
A paisagem causaria no observador uma “impressão”, a qual, combinada
com a observação sistemática dos seus elementos componentes, e filtrada
pelo raciocínio lógico, levaria a explicação: à causalidade das conexões
contidas na paisagem observada (MORAES, 1988, p.48).
A busca da articulação entre natureza e sociedade não foi tarefa fácil para
os geógrafos.
Na verdade, construir uma ciência de articulação na época em que surgiu
oficialmente a
geografia
pareceria ser como remar contra a maré, pois nesse
período a visão de ciência dominante privilegiava a divisão entre ciências da
natureza e da sociedade.
18
3.1.1 Alexandre Von Humboldt e Karl Ritter
Alexandre Von Humboldt entendia a geografia como a parte terrestre da
ciência do cosmos, parecendo uma síntese de todos os conhecimentos relativos a
Terra.
Em termos de método, propõe o que chamou de “empirismo raciocinado”,
ou seja, a intuição a partir da observação. Humboldt possuía uma formação de
naturalista (botânico e geólogo) e realizou inúmeras viagens percorrendo a Europa,
a Rússia asiática, o México, a América Central, a Colômbia e a Venezuela,
observando os fenômenos físicos e biológicos; seus trabalhos são todos de natureza
científica, sem qualquer finalidade pedagógica.
Sua proposta de geografia aparece na justificativa e explicitação de seus
próprios procedimentos de análise.
De acordo com Moraes (1988, p.47):
Humboldt entendia a Geografia como a parte terrestre da ciência do
cosmos, isto é, como uma analise de síntese de todos os conhecimentos
relativos á Terra. Caberia ao estudo geográfico: ’reconhecer a unidade na
imensa variedade de fenômenos, descobrir pelo livre exercício do
pensamento e combinando as observações, a Constancia dos fenômenos
em meio as suas variações aparentes’.
Apesar de naturalista, Humboldt mostra também grande curiosidade pelo
homem e pela organização social e política dos territórios, “achando que há uma
grande relação entre estas e as condições naturais” (PEREIRA, 1993, p.117).
Em sua obra Ensaio Político sobre o Reino da Nova Espanha, considerada
a primeira verdadeiramente geográfica no sentido moderno, comprova seu interesse
em relacionar a sociedade e o meio onde ela se estabelece.
Além do princípio de causalidade, Humboldt aplicou o chamado princípio
de geografia geral, ou seja, nenhum lugar da Terra pode ser estudado sem o
19
conhecimento do seu conjunto, sendo que um fenômeno verificado em determinada
região pode ser generalizado para todas as outras áreas do globo com
características semelhantes.
Na visão de Martonne (1953, p.13):
A aplicação deste princípio é o desmoronamento definitivo da barreira que
separa a Geografia Regional da Geografia Geral, a aproximação destes dois
ramos duma mesma ciência e a sua recíproca fecundação. No dia em que
foi compreendida a significação de tudo isso nasceu a Geografia moderna.
A obra de Karl Ritter (filósofo e historiador) é basicamente metodológica
definindo o conceito de “sistema Natural”, ou seja, uma área delimitada dotada de
uma individualidade, uma vez que caberá a geografia explicar a individualidade
desses sistemas, pois nesta denota o desígnio da divindade ao criar aquele lugar
específico. Por estas razões antropocêntricas (homem é o sujeito da natureza) e
regional (estudo individualizado) valoriza as relações homem-natureza.
Desta forma, conforme Moraes (1988, p.48):
A meta seria chegar a uma harmonia entre a ação humana e os desígnios
divinos, manifestos na variável natureza dos meios. Para Ritter a ordem
natural obedeceria a um fim previsto por Deus, a causalidade da natureza
obedeceria à designação divina do movimento dos fenômenos.
Mesmo tratando-se de constatações e objetos de estudo diferentes a s
teorias aparecem como fundamentos inquestionáveis de uma geografia unitária,
que ganha em determinado momento um caráter institucional, principalmente na
formação de cátedras, nascendo contudo a geografia nas universidades, criando
assim, uma linha de continuidade do pensamento geográfico antes não existente.
A influência de Humboldt e Ritter foi, portanto, decisiva para conferir à
Geografia o seu verdadeiro caráter científico. “Os dois sábios alemães, de diferentes
20
formações, davam origem a uma nova ciência de cuja existência certamente não
suspeitavam ao iniciarem as suas reflexões” (ANDRADE, 1989, p.13).
Esses autores ajudam a manter aberta uma via de discussão teórica do
pensamento geográfico, na Alemanha; nos outros países da Europa, a Geografia
seguia constituída de levantamentos empíricos e enumerações exaustivas sobre os
diferentes lugares da Terra.
3.2 A Antropogeografia de Ratzel
Caracterizado pelo empirismo por meio da análise pela observação e
descrição, a obra de Friedrich Ratzel representou um papel fundamental no
processo de sistematização da Geografia moderna. Este apresenta a primeira
proposta explicita de um estudo dedicado à discussão dos problemas humanos.
A análise das relações, entre o Estado e o espaço, foi um dos pontos
privilegiados da Antropogeografia. Para Ratzel, o território representa as
condições de trabalho e existência de uma sociedade. A perda de território
seria a maior prova de decadência de uma sociedade (MORAES, 1988,
p.56).
A Geografia proposta por Ratzel privilegiou o elemento humano, e abriu
várias frentes de estudo, valorizando questões referentes à História e ao espaço,
como: a formação dos territórios, a difusão dos homens no globo (migrações,
colonizações etc..) a distribuição dos povos e das raças na superfície terrestre, o
isolamento suas conseqüências, além de estudos monográficos das áreas
habitadas. Tendo em vista o objeto central que seria o estudo das influências, que
as condições naturais exercem sobre a evolução das sociedades.
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A tardia unificação da Alemanha caracteriza o momento histórico vivido
por Ratzel, alimentava um expansionismo do estado alemão, servindo como
estimulo para sua obra onde repensava o espaço .
É fácil observar a intima vinculação entre essas formulações de Ratzel,
sua época e o projeto imperial alemão. Esta ligação se expressa na
justificativa do expansionismo como algo natural e inevitável, numa
sociedade que progride , gerando uma teoria que legitima o imperialismo
bismarckiano (MORAES, 1988, p.56)
Conceitos importantes como Território e Espaço Vital surgem, onde neste
manifestaria a necessidade territorial de uma sociedade, tendo em vista uma relação
entre a população e seus recursos, assim como a guerra, a violência e a conquista
como justificativa para a reprodução de determinadas sociedades.
3.3 O Possibilismo Geográfico
O possibilismo geográfico aparece na França, no século XIX em oposição
ao determinismo e a antropogeografia, Paul Vidal de La Blache a partir de críticas
surge uma geografia com uma nova visão, contrapondo-se as enumerações
exaustivas e os relatos de viagem.
A proposta de Geografia apresentada por ele consiste na relação homemnatureza na perspectiva da paisagem onde o homem como ser racional é que
modifica o meio onde ele vive de acordo com suas necessidades e a natureza serve
para possibilitar tais necessidades.
Observou que as necessidades humanas são condicionadas pela natureza,
e que o homem busca as soluções para satisfaze-las nos materiais e nas
condições oferecidas pelo meio. Nesse processo de trocas mutuas com a
natureza, o homem transforma em a matéria natural, cria formas sobre a
superfície terrestre: para Vidal é aí que começa a obra geográfica do
homem (MORAES, 1988, p.48).
22
O pensamento geográfico francês nasceu com a tarefa de deslegitimar a
reflexão geográfica alemã, uma vez que ao rejeitar o determinismo ambientalista,
seu ponto de vista denominado de possibilismo, mas não queria dizer que o homem
é um agente livre para quem tudo é possível.
Reconheceu plenamente que a escolha do homem é severamente limitada
pelo sistema de valores de sua sociedade, sua organização, tecnologia, em suma
pelo que chamava modo ou gênero de vida do homem.
A Geografia Regional representou a reafirmação de que os aspectos
próprios da Geografia eram o espaço e os lugares.
Os geógrafos regionais dedicaram-se à recolha de informação descritiva
sobre lugares, bem como aos métodos mais adequados para dividir a Terra em
regiões.
As bases filosóficas foram desenvolvidas por Vidal de La Blache e Richard
Hartshorne.
Para Vidal, a região como uma determinada paisagem, onde os gêneros
de vida determinam a condição e a homogeneidade de uma região, Hartshorne não
utilizava o termo região: para ele os espaços eram divididos em classes de área, nas
quais os elementos mais homogêneos determinariam cada classe, e assim as
descontinuidades destes trariam as divisões das áreas. E este ficou conhecido como
método regional.
Outro ponto defendido por ele foi de região, como sendo uma unidade de
análise geográfica, que exprimiria a própria forma dos homens organizarem o
espaço terrestre.
Não seria apenas um dado teórico de pesquisa, mas também um dado da
própria realidade. A função do geógrafo seria delimitá-la, descrevê-la, e explicá-la.
23
3.3.1 Paul Vidal de La Blache
Considerado o fundador da geografia francesa moderna e da corrente
francesa de geografia humana, marcou uma nova visão da geografia, combatendo o
pensamento geográfico determinista de alguns autores, para enfocar uma forma
mais humanizada, relativizada e detalhada dos estudos geográficos, tendo na
Geografia Regional sua principal objetivação.
La Blache criou uma doutrina , o possibilismo, e fundou a escola francesa
de Geografia. E, mais, trouxe para a França o eixo da discussão
geográfica , situação que manteve-se durante todo o primeiro quartel do
século atual (Moraes, 1988, p.73).
A natureza então encarada como uma fornecedora de possibilidades para
a modificação humana, e não determinando sua evolução, sendo o homem o
principal agente geográfico. La Blache também redefine o conceito de gênero de
vida, herdado do determinismo: trata-se não mais de uma conseqüência inevitável
da natureza, mas de “um acervo de técnicas, hábitos, usos e costumes, que lhe
permitiram utilizar os recursos naturais disponíveis” (CLAVAL, 1974 apud CORRÊA,
1991, p.13).
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4 APRESENTAÇÃO DA METODOLOGIA DO ESTUDO
A pesquisa a ser realizada foi do tipo básica de natureza bibliográfica,
qualitativa, exploratória, descritiva e analítica.
O local para o levantamento de dados foi utilizado o acervo disponibilizado
nas Bibliotecas da UNESC .
O instrumento de coleta a das informações foi à leitura e o resumo sob a
forma de fichários e arquivamento das fontes referenciadas.
Após o levantamento das informações, as mesmas foram posteriormente
categorizadas e interpretadas à luz da análise de conteúdo.
4.1 Análise dos Dados
Mesmo que a geografia possua uma gênese grega, e que dela tenham
resultado os primeiros estudos geográficos, sua verdadeira gênese como ciência
ocorreu na Alemanha do século XIX, à luz dos trabalhos de Alexander von Humboldt
e Karl Ritter. Somente após a expressiva contribuição desses mestres, a Geografia
pôde estabelecer-se sobre bases científicas verdadeiras, deixando de ser uma
simples descrição do planeta para transformar-se em uma ciência, fundamentada na
busca pelas relações entre natureza e sociedade, suas causas e conseqüências.
A corrente determinista, nascida na Alemanha, possuía uma visão
extremamente ligada aos interesses nacionalistas e expansionistas alemães do
século XIX que, não realizando seu desejo de formar um império colonial na África e
na Ásia (assim como outros países europeus), foi retomado pelos nazistas a partir
das primeiras décadas do século XX, quando os alemães procuraram dominar a
Europa, além de exterminar os grupos étnicos que não eram considerados “puros”.
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Porém o possibilismo estava diretamente relacionado com o poder, visto que foi
fundado pelo intelectual escolhido pelo governo francês para instituir a Geografia na
França, Paul Vidal de la Blache. Elisée Reclus, até então o renomado nome da
Geografia francesa, teve sua figura esquecida por muito tempo, justamente por ser
anarquista e, portanto, não se adequar aos interesses oficiais. “A Geografia de La
Blache […] foi a que expandiu com maior força, porque […] atendia melhor às
necessidades da burguesia francesa” (MAMIGONIAN, 2003, p.16).
O método regional estava voltado para a catalogação de lugares. Essa
característica fez com que ele fosse difundido nos países que possuíam grandes
impérios coloniais – sobretudo França e Inglaterra –, pois catalogava todas as
informações necessárias sobre as regiões dominadas pelas potências imperialistas:
riquezas minerais, vegetação, clima e relevo.
As primeiras cadeiras de Geografia foram criadas na Alemanha, em 1870,
e posteriormente na França. Organizada e estruturada em função das obras de
Alexandre Von Humboldt e de Carl Ritter, desabrochando na Alemanha e na França,
pouco a pouco a Geografia foi-se difundindo para os demais países.
4.2 Implicações do Estudo
A gênese da geografia constituiu-se em um conjunto de conhecimentos de
ordem empírica e positivista que resultou na constituição dos temas relacionados a
essa nova disciplina implantada posteriormente nas universidades alemã e francesa
por alguns estudiosos ligados às ciências naturais, não necessariamente geógrafos
de formação, porém que legitimaram a geografia agregando caráter científico e
sistematizado à disciplina em formação.
A ciência geográfica constitui-se a partir da Geografia Tradicional, corrente
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do pensamento geográfico que abriu novos caminhos e discussões acerca do objeto
da geografia, quanto às demais correntes do pensamento como por exemplo o
movimento de renovação da geografia ou mesmo a geografia pragmática até
chegarmos em uma concepção filosófica mais completa até então que é a geografia
crítica de Milton Santos.
É importante salientar a importância do pensamento geográfico no século
XIX, o entendimento do que era geografia, do objeto de estudo do geógrafo nesse
período, a fim de pensarmos a geografia de sala de aula pois que esta é norteada
por esse conhecimento ideológico do fazer geográfico.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A geografia que epistemologicamente se originou na Grécia antiga
juntamente com as demais ciências advindas da filosofia, obteve caráter sistemático
e científico com auxílio da escola alemã que fundamentou o pensamento geográfico,
estudando
temas
e
interpretações
integrados,
deixando
de
ser
apenas
conhecimento para tornar-se à ciência Geográfica.
O Determinismo caracteriza um entendimento de Geografia todavia
equivocado, mas de imenso valor para os estudos que surgiram por outros países a
exemplo da França abrindo novas discussões e críticas acerca do pensamento,
como os apresentados no possibilismo geográfico, ambos caracterizando a
geografia tradicional resultando na articulação de uma disciplina autônoma.
No entanto, a Geografia “nasceu” e conseguiu crescer para chegar ao
estágio atual para assim chegar a conclusão de que a Geografia é a ciência do
espaço, não um espaço parado, mas sim, um espaço dinâmico onde as relações
entre homem e natureza e relações entre homem e homem são constantes.
Não esquecendo que a geografia é o estudo científico da superfície da
terra com o objetivo de descrever e analisar a variação espacial de fenômenos
físicos, biológicos e humanos que acontecem na superfície do globo terrestre, mas
também que a Geografia se propõe a algo mais que descrever paisagens, que ela
tem sua importância para a sociedade onde a articulação dessa ciência até hoje
importante objeto de discussão.
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REFERÊNCIAS
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MARTONNE, Emmanuel de. Panorama da Geografia. Volume I. Lisboa: Cosmos,
1953.
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PEREIRA, Raquel Maria Fontes do Amaral. A Geografia como união entre o
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Geografia moderna. 2.ed. Florianópolis: EDUFSC, 1993, 131 p., p. 116-123.
SODRÉ, Nelson Werneck. Introdução à Geografia. São Paulo: Vozes, 1987.
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BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
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Antiguidade. São Paulo: Global, 1984.
GÓMEZ, H. Reflexões
GEGRAF/UFG, 1991.
sobre teoria
e
crítica
em
Geografia.
Goiânia:
MOREIRA, Ruy. O que é Geografia. São Paulo: Brasiliense, 1991. Coleção
Primeiros Passos, nº. 48.
NOGUEIRA, ADRIANO. Ciência para quem? Formação científica para que?
Petrópolis: Vozes, 2000.
SPOSITO, Eliseu Savério. Geografia e Filosofia: contribuição para o ensino do
pensamento geográfico. São Paulo: UNESP, 2004.
VESENTINI, J. PEREIRA, Diamantino; SANTOS, Douglas e CARVALHO, Marcos
de. Geografia: ciência do espaço - o espaço mundial. São Paulo: Atual, 1993.
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