www.fisicaexe.com.br Um circuito elétrico LC é composto por um indutor de 2 mH e um capacitor de 0,8 μF e é alimentado por uma fonte de tensão alternada V = 9 cos 2.10 4 t V. A carga inicial do capacitor é de 320 μC e a corrente no circuito é nula, determine: a) A variação da carga no capacitor; b) A variação da corrente no circuito. Dados do problema • • • • • −3 L = 2 mH = 2 . 10 H ; −7 C = 0,8 F = 8.10 F ; 4 V = 9 cos 2.10 t V ; −4 q 0 = 320 C = 3,2 .10 C ; i0 = 0 . indutor: capacitor: f.e.m.: carga inicial no capacitor (t = 0): corrente inicial no circuito (t = 0): Esquema do problema Admitimos que inicialmente o capacitor está carregado com carga máxima ( q máx = q 0 ) e a corrente no circuito é nula ( i 0 = 0 ). A partir deste instante a fonte alimenta o circuito com uma uma corrente que varia senoidalmente, a carga no capacitor diminui enquanto a corrente no circuito aumenta (figura 1). Com isto escrevemos as Condições Iniciais do problema: q 0 = 3,2 .10 −4 i0 = C figura 1 d q 0 =0 dt Solução a) Aplicando a Lei das Malhas de Kirchhoff, temos (figura 2) n ∑V i= 0 i =1 Entre os pontos A e B temos uma d.d.p. no indutor dada por di VL =L e entre os pontos C e D da d.d.p. no capacitor é dada por dt q VC= , estas devem ser igual a f.e.m. fornecida pela fonte, assim C V L V C−V = 0 V LV C = V di q L =V dt C como corrente é a variação da carga no tempo, i = L d dt dq , re-escrevemos dt dq q =V dt C 2 d q q L =V dt2 C 1 figura 2 www.fisicaexe.com.br esta é uma Equação Diferencial Ordinária Não-Homogênea de 2.a Ordem. Dividindo toda a equação pela indutância L, temos 2 d q 1 V q= 2 L C L dt substituindo os valores dados no problema 2 d q 1 9 q= cos 2.10 4 t 2 −3 −7 −3 dt 2.10 . 8. 10 2. 10 2 d q 1 q = 4,5 . 10 3 cos 2.10 4 t 2 −10 dt 16.10 2 10 d q 1 . 10 q = 4,5 .10 3 cos 2.10 4 t 2 16 dt 2 d q 6,25. 10 8 q = 4,5 . 10 3 cos 2.10 4 t dt2 (I) a solução desta equação será q = q h q p (II) onde q h é a solução da equação homogênea (igualando a zero) e q p é a solução particular levando em consideração a função do lado direito da igualdade (no caso a f.e.m. aplicada ao circuito). • Solução homogênea 2 d qh dt 2 8 (III) 6,25 . 10 q h = 0 a solução deste tipo de equação é encontrada fazendo-se as substituições qh= e 2 dqh t = e dt t 2 d qh dt 8 t t e 6,25 .10 e = 0 t 2 8 e 6,25 .10 = 0 2 8 0 6,25 .10 = t e 2 8 6,25 .10 = 0 esta é a Equação Característica que tem como solução 2 8 = −6,25.10 8 = −6,25. 10 4 1,2 = ±2,5 .10 i onde i = −1 , a solução da expressão (III) é escrita como 1 t q h = C1 e C2 e q h = C1 e 4 2,5. 10 i t 2 2t − 2,5 .10 4 i t C 2 e 2 2 = e t www.fisicaexe.com.br onde C 1 e C2 são constantes de integração, usando a Relação de Euler (leia-se óiler) iθ e = cos θi senθ q h = C1 cos2,5 . 10 t i sen 2,5 . 10 t C2 cos2,5 .10 t−i sen 2,5 . 10 t q h = C 1 cos 2,5 . 10 4 t iC1 sen 2,5 . 10 4 t C2 cos2,5 .10 4 t−iC 2 sen 2,5 . 10 4 t 4 4 4 4 coletando os termos em seno e cosseno, temos 4 4 q h = C1 C 2 cos 2,5 .10 t iC1 −iC 2 sen 2,5 . 10 t q h = C1 C2 cos 2,5 . 10 4 t i C 1−C 2 sen 2,5 .10 4 t definindo duas novas constantes α e β em termos de C 1 e C 2, ficamos com ≡ C 1 C 2 ≡ i C 1 −C 2 e 4 4 (IV) q = cos2,5 .10 t sen 2,5 . 10 t multiplicando e dividindo esta expressão por 2 2 q h = cos 2,5 . 10 t sen 2,5 .10 t 4 2 q h = 2 4 2 2 2 2 4 4 cos 2,5 . 10 t sen 2,5 .10 t 2 2 2 2 fazendo as seguintes definições A ≡ 2 2 , cosφ ≡ 2 e 2 sen φ ≡ 4 2 2 4 q h = A cos φ cos 2,5 . 10 t sen φ sen 2,5 . 10 t Observação: lembrando da seguinte propriedade trigonométrica oos a−b = cosa cos bsen a sen b 4 q h = A cos 2,5 . 10 t −φ • (V) Solução particular 2 d qp dt 2 8 3 4 6,25 .10 q p = 4,5 .10 cos 2.10 t (VI) A solução deste tipo de equação é encontrada tomando-se a equação igual à função do lado direito da igualdade. Como neste caso o lado direito é uma função cosseno, a solução particular deve ser uma função cosseno, fazendo as seguintes substituições, onde D é uma constante 4 q p = D cos 2.10 t derivada primeira de 4 q p = D cos 2.10 t 3 www.fisicaexe.com.br a função q p ( t ) é uma função composta cuja derivada, pela regra da cadeia, é do tipo d q p [ v t ] d q p d v = dt dv dt com q p v = D cos v e v t = 2 . 10 4 t , assim as derivadas serão dqp 4 = −D sen v = −D sen 2 . 10 t dv dv 4 = 2 .10 dt e dqp 4 4 = −2 . 10 D sen 2.10 t dt (VII) 4 q p = D cos 2.10 t derivada segunda de 2 d qh dt 2 = d − 2.10 4 D sen 2.10 4 t dt a função q p ( t ) é uma função composta cuja derivada, pela regra da cadeia, é do tipo d q p [v t ] d q p d v = dt dv dt com 4 q p v = −2 .10 D cos v e v t = 2 . 10 4 t , assim as derivadas serão dqp 4 4 4 = −2 . 10 D sen v = −2 .10 D sen 2.10 t dv dv 4 = 2. 10 dt e 2 d qh dt 2 4 4 4 8 4 (VIII) = −2 .10 .2 . 10 D sen 2 .10 t = − 4.10 D cos 2.10 t substituindo as expressões (VII) e (VIII) acima em (VI) 8 4 8 4 3 4 −4.10 D cos 2.10 t 6,25 .10 D cos 2.10 t = 4,5 . 10 cos 2.10 t 2,25 . 10 8 D = 4,5 . 10 3 3 4,5 . 10 D= 2,25. 10 8 −5 D = 2 .10 assim a solução particular será q p = 2.10 −5 4 cos 2.10 t (IX) substituindo as expressões (V) e (IX) em (II), obtemos 4 q = A cos 2,5 . 10 t− φ 2.10 −5 4 cos 2.10 t (X) onde A e φ são constantes de integração determinadas pelas Condições Iniciais, derivando a expressão (III) em relação ao tempo, obtemos 4 www.fisicaexe.com.br derivação de 4 q = A cos 2,5 .10 t− φ 2.10 −5 4 cos 2.10 t a função q( t ) é uma função composta cuja derivada, pela regra da cadeia, é do tipo d q [u tv t ] d q d u d q d v = dt du dt dv dt com q u = cos u e u t = 2,5 . 10 4 t−φ , assim as derivadas serão dq 4 = −sen u = −sen 2,5 . 10 t −φ du e du 4 = 2,5 .10 dt o segundo termo na soma do lado direito da igualdade tem a mesma forma da derivada primeira calculada acima dq dv −5 4 4 4 = −2.10 . 2.10 sen 2.10 t = −0,4 sen 2.10 t dv dt dq 4 4 4 = − A sen 2,5 .10 t−φ . 2,5 .10 −0,4 sen 2.10 t dt dq 4 4 4 = −2,5 .10 A sen 2,5 .10 t−φ −0,4 sen 2.10 t dt (XI) substituindo as Condições Iniciais em (X) e (XI), temos 4 −4 −5 4 q 0 = 3,2 . 10 = A cos 2,5 .10 .0−φ 2.10 cos 2.10 . 0 −4 −5 3,2.10 = A cos −φ 2.10 cos 0 como o cosseno é uma função par temos cosφ = cos −φ e cos0 = 1 e a expressão acima fica −4 −5 3,2. 10 −2.10 = A cos φ 3,2 .10 −4 −0,2.10 −4 = A cos φ −4 3 . 10 = A cos φ (XII) d q 0 = 0 = −2,5 . 10 4 A sen 2,5 .10 4 .0−φ −0,4 sen 2.10 4 . 0 dt 4 0 = −2,5 . 10 A sen −φ −0,4 sen 0 como o seno é uma função ímpar sen φ = −sen −φ e sen 0 = 0 ficamos com 4 0 = 2,5 .10 A sen φ (XIII) isolando o valor de A na expressão (XII) −4 A= 3. 10 cosφ (XIV) e substituindo em (XIII), obtemos 0 = 2,5 .10 4 . −4 3 .10 . sen φ cosφ 5 www.fisicaexe.com.br 0 = tgφ φ = arc tg 0 φ=0 substituindo o valor de φ em (VII) −4 3. 10 cos0 −4 3. 10 A= 1 A = 3. 10 −4 A= substituindo estas constantes na expressão (X), temos q t = 3. 10 −4 4 cos 2,5 . 10 t 2.10 −5 4 cos 2.10 t b) A corrente será dada pela derivada da carga em função do tempo i= dq dt a derivada é dada pela expressão (XI), substituindo as constantes A e φ obtidas acima, temos 4 i t = = −2,5 .10 .3 .10 −4 4 4 sen 2,5 . 10 t −0 −0,4 sen 2.10 t 4 4 i t = = −7,5 sen 2,5 .10 t−0,4 sen 2.10 t 6