ABORDAGEM DO USUÁRIO
DE SUBSTÂNCIAS
PSICOATIVAS
Edson Capone de Moraes Júnior
Psiquiatra da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
[email protected]
2011
Agradecimentos: Dr. Ricardo Cezar Torresan, Maria Odete Simão e Prof.(a) Dr.(a) Florence Kerr-Correa
SUMÁRIO
1. IDENTIFICAÇÃO do usuário de substâncias
psicoativas
2. ABORDAGEM do usuário de substâncias
psicoativas
3. ABORDAGEM TERAPÊUTICA dos usuários
de substâncias psicoativas
SUMÁRIO
1. IDENTIFICAÇÃO do usuário de substâncias
psicoativas Sinais de uso de A/D
2. ABORDAGEM do usuário de substâncias
psicoativas Técnicas de abordagem + avaliação
3. ABORDAGEM TERAPÊUTICA dos usuários
de substâncias psicoativas
Farmacoterapia + Intervenções Psicossociais
JUSTIFICATIVA
Por que profissionais da saúde
deveriam se importar com o consumo
de A/D?
• Reduzir risco
(p.ex., acidentes com veículos motorizados)
• Reduzir problemas relacionados ao álcool
(p.ex., depressão, suicídio, hipertensão, AVCs)
• Reduzir interação medicamentosa com álcool (p.e.,
Frontal (alprazolam). Prozac (fluoxetina), Tylenol
(paracetamol)
JUSTIFICATIVA
Por que profissionais da saúde
deveriam se importar com o consumo
de A/D?
• Reduz violência e estresse familiar
• Reduz problemas no trabalho
acidentes, performance
,
• Economiza dinheiro
• Reduz riscos relacionados a responsabilidade
1ª PARTE:
IDENTIFICAÇÃO
1) IDENTIFICAÇÃO
• Primeiro passo
• Serviços de saúde variados
» PSF / UBS / AMB / PS / HG / HC
• Possível de ser efetuada por qualquer
profissional da saúde
1) IDENTIFICAÇÃO
• Pode ser efetuada após o profissional de
saúde aventar a possibilidade de
identificação de um usuário de substâncias
psicoativas
•
•
•
•
•
Queixas físicas
Queixas mentais
Alteração de comportamento (relato) - “problemas”
Sinais físicos sugestivos
Alterações laboratoriais
1) IDENTIFICAÇÃO
• Queixas físicas e mentais apresentadas
pelos usuários de A/D nos serviços de
saúde:
–
–
–
–
–
–
–
–
Insônia
Epigastralgia
Náuseas / Vômitos
Parestesias
Irritabilidade
“depressão”
Ansiedade
Alterações da Pressão Arterial
1) IDENTIFICAÇÃO
• Queixas físicas e mentais apresentadas
pelos usuários de A/D nos serviços de
saúde:
–
–
–
–
–
Disfunção sexual
Hemorragias
Quedas
Acidentes
Agressões
1) IDENTIFICAÇÃO
• Alterações Laboratoriais
– Nível de Álcool no Sangue (NAS)
– Gama-Glutamil Transferase (GGT)
» aumento
– Volume Corpuscular Médio (VCM)
» aumento
1) IDENTIFICAÇÃO
1) IDENTIFICAÇÃO
1) IDENTIFICAÇÃO
• Utilização de questionamentos rápidos sobre
consumo de A/D
– Quantidade / frequência / “binge”(intoxicação)
• Utilização de instrumentos padronizados para
detecção de usuários de alto risco
• CAGE / AUDIT
1) IDENTIFICAÇÃO
Uso de risco
Homens:
Mulheres e
Idosos:
> 14 drinques por semana
> 4 por ocasião
> 7 drinques por semana
> 3 por ocasião
(12- 15 gramas de álcool = 1 drinque padrão nos EUA/ Brasil)
1) IDENTIFICAÇÃO
CAGE
• Cut down Você tentou diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas
que bebe?
• Annoyed Você se sente aborrecido pq as pessoas criticam a
forma/quanto você bebe?
• Guilt Você se sente culpado pq as pessoas criticam a forma/quanto
você bebe?
• Eye opener Você precisa beber logo de manhã para se sentir
melhor?
1) IDENTIFICAÇÃO
AUDIT
Questionário de dez perguntas
Desenvolvido pela OMS (Babor et al)
Utilidades do AUDIT:
Identifica uso excessivo de álcool
Identifica Zonas de Risco
Ferramenta auxiliar para Intervenções Breves
Auxilia a identificar dependência de álcool e algumas
conseqüências do uso nocivo
* Avaliação positiva: oito ou mais pontos indicam beber de
risco ou nocivo, como também a possibilidade de
dependência
1) IDENTIFICAÇÃO
AUDIT
Leia as questões abaixo e assinale a alternativa mais apropriada ao seu padrão de
consumo.
Especifique qual a bebida utilizada: __________________________________
1- Qual a freqüência do seu consumo de bebidas alcoólicas?
(0) Nenhuma
(2) 2 a 4 vezes por mês
(1) Uma ou menos de uma vez por mês (4) 4 ou mais vezes por semana (3) 2 a 3 vezes por
semana
2- Quantas doses contendo álcool você consome num dia típico quando você está
bebendo?
(0) Nenhuma
(2) 3 a 4
(1) 1 a 2
(4) 7 a 9
(3) 5 a 6
(5) 10 ou mais
3- Qual a freqüência que você consome 6 ou mais doses de bebidas alcoólica em uma
ocasião?
(0) Nunca
(1) Menos que mensalmente
(2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Diariamente ou quase diariamente
1) IDENTIFICAÇÃO
AUDIT
4- Com que freqüência durante os últimos 12 meses você percebeu que não conseguia parar
de beber uma vez que havia começado?
(0) Nunca
(1) Menos que mensalmente (2) Mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Diariamente ou quase diariamente
5- Quantas vezes durante o ano passado você deixou de fazer o que era esperado devido ao
uso de bebidas alcoólicas?
(0) Nunca
(1) Menos que mensalmente
(2) Mensalmente
Semanalmente
(4) Diariamente ou quase diariamente
(3)
6- Quantas vezes durante os últimos 12 meses você precisou de uma primeira dose pela
manhã para sentir-se melhor depois de uma bebedeira?
(0) Nunca
Menos que mensalmente
(3) Semanalmente
(1)
(2) Mensalmente
(4) Diariamente ou quase diariam/e
1) IDENTIFICAÇÃO
AUDIT
7- Quantas vezes durante o ano passado você se sentiu culpado ou com remorso depois de beber?
(0) Nunca
(2) Mensalmente
(1) Menos que mensalmente (4) Diariamente ou quase diariamente
(3) Semanalmente
8- Quantas vezes durante o ano passado você não conseguiu lembrar o que aconteceu na noite
anterior por que você estava bebendo?
(0) Nunca
(2) Mensalmente
(1) Menos que mensalmente
(3) Semanalmente
(4) Diariamente ou quase diariamente
9- Você foi criticado pelo resultado das suas bebedeiras?
(2) Sim, mas não no último ano
o último ano
(0) Não
(4) Sim, durante
10- Algum parente, amigo, médico ou qualquer outro trabalhador da área da saúde referiu-se às
suas bebedeiras ou sugeriu a você parar de beber?
(0) Não
(2) Sim, mas não no último ano
(4) Sim, durante o
último ano
1) IDENTIFICAÇÃO
Nível de
Risco
Padrão de
Uso
Pontuação do
AUDIT
Intervenção
Zona I
Uso de Baixo
Risco
0–7
Educação para o Álcool
Zona II
Uso de Risco
8 – 15
Orientações Básicas
16 – 19
Orientações Básicas
Aconselhamento Breve
Monitoramento Continuado
20 – 40
Encaminhamento para
avaliação do Diagnóstico e
Tratamento
Zona III
Uso Nocivo
Zona IV
Provável
Dependência
2ª PARTE:
ABORDAGEM
2) ABORDAGEM
Técnicas de abordagem (interpessoal) do
usuário de A/D
2) ABORDAGEM
Técnicas de abordagem (interpessoal) do
usuário de A/D
Avaliação
I) uso
II) transtornos associados
III) geral (clínica ampliada)
IV) motivação
2) ABORDAGEM
Técnicas de abordagem (interpessoal) do
usuário de A/D
Permitirá a realização de intervenções
(abordagens terapêuticas)
Avaliação
I) uso
II) transtornos associados
III) geral (clínica ampliada)
IV) motivação
2ª PARTE:
ABORDAGEM
TÉCNICAS DE ABORDAGEM
2) ABORDAGEM
TÉCNICAS DE ABORDAGEM
Baseia-se no princípio de que uma pessoa esta
sofrendo, deseja alívio, e espera poder
contar com a outra pessoa para ajudá-lo
2) ABORDAGEM
TÉCNICAS DE ABORDAGEM
1. Não seja reprovador. Você é um terapeuta, não um juiz.
2. Lembre ao paciente de que o relacionamento é confidencial. Se
necessário, lembre-o disto novamente ao discutir problemas legais ou
atividades ilegais.
3. Não se apresente como umexpert em abuso de drogas se você não for
um expert . Permita que o paciente o eduque. Quando os pacientes
empregarem termos de gíria relacionados às drogas, peça esclarecimentos.
Não finja entender se você não entendeu; os pacientes irão perceber a sua
falta de sinceridade.
4. Assegure-se de ter compreendido a motivação do paciente para o
tratamento e os efeitos do uso da droga, além de identificar o tipo e o
padrão de uso da droga.
5. Não conclua que o abuso da droga é o único problema do paciente. Avalieo explicitamente quanto a transtornos psiquiátricos concomitantes,
sobretudo a depressão.
6 . Quando houver uma discrepância entre o relato do paciente e os resultados da
análise de urina, não conclua que os dados do laboratório são os corretos.
7. Procure as mentiras do paciente. Confronte o paciente quando você percebePeça a verdade.
las.
8. Obtenha informações colaterais, se possível. Se você pensa em conversar com
alguma pessoa significativa para o paciente, lembre-se de que você precisa de um
consentimento por escrito antes de fazer este contato.
9
Reserve tempo suficiente para entrevistar o paciente. Evite
interrupções. Seja empático, genuíno, compreensivo e congruente. Acima de tudo,
seja profissional. Os drogaditos gostam de tratar o terapeuta como se ele fosse um
igual. Mantenha sua distância profissional e limites.
10. Depois de completar a entrevista, dê feedback ao paciente com relação ao que
você observou. Se uma equipe do hospital vai tratar o paciente, diga-lhe que “nós
vamos pensar juntos e descobrir o melhor caminho para sua situação”. Cumpra suas
promessas.
Robert J. Graig - Entrevista Clínica e Diagnóstica
2ª PARTE:
ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
2) ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
A abordagem permite fazer um diagnóstico
na área de dependência química, porém não
se esgota mesmo depois deste ser
estabelecido
2) ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
• Avaliação do consumo de A/D
• Avaliação de transtornos relacionados ao consumo de
A/D
• Avaliação geral (clínica ampliada)
» Situação de saúde, Familiar, Financeira, Ocupacional, Rede social
• Avaliação do “estágio motivacional”
2) ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
I) Uso de A/D:
•
•
•
•
•
•
Substâncias utilizadas
Vias de administração
Quantidade
Frequência
Presença de intoxicações
Contexto do consumo
2) ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
I) Uso de A/D:
AVALIAÇÃO
2) ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
II) Transtornos relacionados ao uso de A/D:
– Qualquer uso !! - Problemas físicos, psicológicos
e sociais
• Doenças físicas
• Transtornos mentais
• Uso nocivo / Dependência (Sd. Abstinência)
2) ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
III) Geral (clínica ampliada):
–
–
–
–
–
–
Situação familiar
Financeira
Ocupacional
Rede social
Lazer
Condições de moradia
2) ABORDAGEM
AVALIAÇÃO
IV) Estágio motivacional do usuário de A/D:
– Graus diferentes de motivação
»
»
»
»
»
»
Pré-contemplação
Contemplação
Determinação
Ação
Manutenção
Recaída
2) ABORDAGEM
3ª PARTE:
ABORDAGEM
TERAPÊUTICA
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
Realizada após a
IDENTIFICAÇÃO e AVALIAÇÃO
de usuários de A/D
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
Permite a realização de
INTERVENÇÕES
sobre o usuário de A/D
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• Intervenções dependem:
– Capacidade técnica
– Tempo
– Local
– Circunstâncias
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• Intervenções realizadas de acordo com as
demandas do usuário de A/D
• Intervenções gerais e específicas
– Farmacoterapia
– Intervenções psicossociais
– Outras
3ª PARTE:
ABORDAGEM
TERAPÊUTICA
FARMACOTERAPIAS
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• FARMACOTERAPIA
– Fármacos atenuadores do prazer
– Fármacos aversivos
– Fármacos para tratamento da Sd. Abstinência
– Fármacos para tratamento de complicações físicas e psíquicas
– Fármacos para tratamento da “necessidade subjetiva / fissura”
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• FARMACOTERAPIA
– Fármacos aversivos
• Dissulfiram (anti-etanol)
(produz sintomas indesejáveis frente à administração de álcool)
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• FARMACOTERAPIA
– Fármacos atenuadores do prazer
• Naltrexone (Revia)
• Acamprosato
Eficaz apenas em uma parcela de portadores de uso nocivo / dependência
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• FARMACOTERAPIA
– Fármacos para tratamento de complicações físicas e psíquicas
SINTOMAS PSICÓTICOS:
• Neurolépticos
INTOXICAÇÃO AGUDA POR ESTIMULANTES:
• Benzodiazepínicos
ALCOOLISMO – (polineuropatia periférica, anemia megaloblástica, pelagra, etc)
• Tiamina (B1)
• Ácido fólico (B7)
• Piridoxina (B3)
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• FARMACOTERAPIA
– Fármacos para tratamento da Sd. Abstinência
• Benzodiazepínicos: Dependência álcool
(diazepam)
• Metadona: Dependência opiódes
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
• FARMACOTERAPIA
– Fármacos para tratamento da “necessidade subjetiva / fissura”
• Até o presente momento não há nenhum medicamento eficaz para reduzir
“realmente” a “necessidade subjetiva / fissura / vontade incontrolável” de
usar uma substância
3ª PARTE:
ABORDAGEM
TERAPÊUTICA
INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS
Reduzir o risco de danos proveniente do
uso continuado de substâncias psicoativas
ou, mais precisamente, reduzir as chances
e condições que favoreçam o
desenvolvimento de problemas
relacionados ao uso de substâncias
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
Objetiva detectar o problema e motivar o paciente
a alcançar determinadas ações por meio de um
aumento de seu senso de risco e de autoauto-cuidado.
Pode ser complementar a atividades assistenciais habituais
Não exigem muito tempo
5 a 30 min
Baixo custo
Pode ser executado por diversos profissionais de saúde
enfermeiras, médicos, ACS
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
1. O comportamento disfuncional pode ser
mudado;
2. A motivação precisa ser avaliada e
adequada para a ação; e
3. A percepção do paciente quanto à sua
responsabilidade no processo de equilíbrio
deve ser desenvolvida..
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
1972 Sanchez
Sanchez--Craig CANADÁ
Acrônimo FRAMES 6 elementos
"feedback"
comunicação dos resultados
"Responsibility"
ênfase na autonomia
"Advice"
orientações e recomendações
"Menu"
"Empathic"
"Self-efficacy"
catálogo de alternativas de ações
postura empática
do otimismo e autoconfiança do
paciente
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
De 3 a 5 minutos de aconselhamento breve
5 elementos
elementos::
Apresentar a pontuação do usuário
Identificar riscos e discutir conseqüências
Estabelecer metas de consumo:
consumo: redução ou sobriedade
Solicitar compromisso do usuário com as metas
Aconselhar e encorajar,
encorajar, entregar material didático
didático..
NIAAA;
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
2 a 8 sessões
Revisão do padrão de uso de A/D comparado às normas
Revisão dos riscos e conseqüências negativas pessoais (prós e
contras)
Entrega gráfico de feedback personalizado
Entrega de material informativo
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
UBS ambiente c/ < estigma
menor resistência do usuário de A/D
Melhores resultados quando direcionadas aos
usuários de risco ou uso nocivo
Não é ideal p/ dependentes
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
PREVENÇÃO
DUAS SESSÕES
Primeira sessão
Avaliação
Segunda sessão
Intervenção
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
PREVENÇÃO
PRIMEIRA SESSÃO: AVALIAÇÃO
Contexto em que bebe
Expectativas que tem da bebida
Incentivos (motivação) para parar de beber
Avaliação: estado mental, comportamento de
risco, uso de álcool e drogas
Dependência ou contra-indicação médica para
moderação
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
INTERVENÇÃO BREVE
PREVENÇÃO
SEGUNDA SESSÃO: INTERVENÇÃO
Revisão do padrão de uso de bebida comparado às normas
Revisão dos riscos e conseqüências negativas pessoais (prós e contras)
Entrega gráfico de feedback personalizado
Entrega de material informativo
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Modelo Transteórico (Prochaska & Di Clemente, 1982)
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Modelo Transteórico (Prochaska & Di Clemente, 1982)
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Modelo Transteórico (Prochaska & Di Clemente, 1982)
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Modelo Transteórico (Prochaska & Di Clemente, 1982)
MOTIVAÇÃO
PRÉ-CONTEMPLAÇÃO
MANUTENÇÃO
ACOMPANHAMENTO
MÉDICO
CONTEMPLAÇÃO
AÇÃO
SUCESSO A LONGO PRAZO
Prochanska e Di Clemente
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
FASE I (processo de mudança)
1. Fazer perguntas abertas
2. Escutar criticamente
3. Reassegurar
4. Resumir
5.Estimular afirmações de automotivação para mudar:
-Reconhecendo o problema
-Expressando preocupações
-Intenção de mudar
-Otimismo
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
FASE II (processo de mudança)
Preparação x Ação
-Diminui a resistência
-Aumentam as perguntas sobre mudança
-O paciente começa a experimentar mudanças
O papel do terapeuta é guiar o paciente nesse caminho
Negociando um Plano:
-Determinação de metas
-Opções de mudança
-Plano de metas
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
1ª sessão: feedback
2ª sessão: balança decisacional
3ª sessão: plano de mudanças
4ª sessão: monitoramento
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Mudar o comportamento
Problema
Vantagens
Desvantagens
Manter o comportamento
Problema
Vantagens
Balança Decisacional
Desvantagens
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Vantagens
USAR
• "relaxa"
• Reúne os amigos
• Esquece os problemas
PARAR USO
• melhora o desempenho no
emprego.
• Melhora a relação com a
família.
• Economiza dinheiro.
• Melhora a saúde.
• etc.
Desvantagens
USAR
• Perde o controle e a crítica do
que faz.
• Coloca em risco a saúde física.
• Sente-se deprimido no dia
seguinte.
• Ressaca.
PARAR USO
• Perde os amigos.
• Nao sei como me divertir sem o
álcool.
• etc.
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Vantagens
Bom em grupo
Menos tenso(a)
Desvantagens
Gastos
Depressão
Menos ansioso (a)
Ressaca
Menos solitário(a)
Vexames
Sente-se bem
Arrependimentos
Gosta do sabor
Engordar
Gosto dos amigos que
bebem
Perdendo a saúde
Reprovação/rendimento escolar
menor
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
ENTREVISTA MOTIVACIONAL
Plano de Mudança:
As mudanças que eu vou fazer são:
As razões mais importantes.......
Os passos mais importantes......
Como as outras pessoas podem ajudar......
Como vou saber se meus planos estão funcionando.....
O que pode interferir nos meus planos......
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
Entrevista Motivacional em Grupo
(Ingersoll,Wagner & Garib,2001; Jaeger,2003)
•1º Encontro: Devolução
avaliação inicial.
dos
resultados
•2º Encontro: Explorar o estilo de vida.
•3º Encontro: Balança decisional.
•4º Encontro: Auto-eficácia e plano de mudança.
da
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
“enfrentando resistências”
1)Reflexão Simples: explorar melhor a
situação ao invés de aumentar as defesas.
Ex:
Cliente: “Não sou eu que tenho problemas. Se bebo,
é porque minha esposa está sempre me
enchendo...”
Terapeuta: “Parece que para você, a razão de você
beber são os seus problemas conjugais.”
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
“enfrentando resistências”
2)Reflexão Amplificada: Devolver ao cliente o
que ele disse de uma forma amplificada.
Ex:
Cliente: “Eu consigo controlar a minha bebida.”
Terapeuta: “Então quer dizer que você não tem
nada a temer, então álcool não é um problema
para você.”
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
“enfrentando resistências”
3)Reflexão de dois lados: mostrar os dois lados
que o cliente Relatou.
Ex:
Cliente: Está bem, eu tenho problemas com drogas,
mas eu não sou um drogado.
Terapeuta: Você não tem dificuldade de assumir
que as drogas estão te prejudicando, mas você não
gosta de ser rotulado.
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
“enfrentando
resistências” as exposições do
4)Reinterpretar:
Recontextualizar
cliente.
Ex:
Cliente: “Eu não agüento mais tentar parar e não
conseguir, eu desisto.”
Terapeuta: “Realmente, muitas vezes é difícil ver
uma luz no fim do túnel. Eu percebo seu esforço
em parar e te admiro por isso. Lembre-se do
processo de mudança que discutimos: quanto
mais vezes você passar pelas fases, mais chance
de chegar à manutenção.
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
“enfrentando resistências”
5)Concordar, mas com alguma mudança: mudar
sutilmente de direção sem discordar do cliente. Ex:
Cliente: Não sei porque você e a minha mulher
pegam no meu pé por causa do meu beber. E os
problemas dela?
Terapeuta: Você tem razão, temos de ter uma
visão mais ampla: problemas de bebida envolvem
sempre a família.
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
“enfrentando resistências”
6)Enfatizar escolha e controle pessoal: enfatizar
que a responsabilidade e as escolhas são do
cliente. Ex:
Terapeuta: “Ninguém pode mudar o seu hábito.
No fim das contas, quem decide é você.”
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
“enfrentando resistências”
7)Paradoxo terapêutico: seu objetivo é colocar o
paciente em uma posição na qual a oposição ao
terapeuta resulta em movimento na direção
benéfica. Ex:
Terapeuta: Você parece estar muito feliz com seu padrão
antigo, pelo menos quando o compara com qualquer
alternativa de mudança. Portanto, não faz sentido passar
por todo o esforço de mudar se o que você realmente quer
é ficar como está.
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
O que sabemos sobre Intervenção Breve
Diminui o uso de bebidas alcoólicas
um ano (ou mais ?)
Funciona com homens e mulheres
Funciona em qualquer idade
por
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
O que sabemos sobre Intervenção Breve
• Pode diminuir uso de álcool por 12 meses
• O efeito é similar para homens e mulheres
• Não há diferença nos efeitos com relação à
idade
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
O que sabemos sobre Intervenção Breve
•
•
•
•
•
Reduz visitas ao PS
Reduz dias de internação
Reduz acidentes e injúrias
Reduz custos
Pode se feito por diferentes profissionais
3) ABORDAGEM TERAPÊUTICA
O que não sabemos sobre
Intervenção Breve
• A intervenção breve:
– Funciona para populações especiais?
– Funciona por mais de 12 meses?
– Reduz morbidade e mortalidade?
– Funciona nos diferentes estabelecimentos de saúde?
– Funciona melhor quando associada à farmacoterapia?
11
Passos para Avaliação e Triagem do uso de Álcool
Passo I - Perguntar sobre uso de álcool
•CAGE
•Consumo
•AUDIT
Se consumo é:
Homens
>14 drinques/semana ou >4/ocasião
Mulheres e outros adultos >7 drinques/semana or >3/ocasião
Homens e mulheres
1 ou mais respostas positivas no CAGE
8 ou mais pontos no escore do AUDIT
Passo II - Avalie problemas relacionados ao álcool
•Médico
•Dependência
•Comportamental
•Disposição
em mudar
12
Passos para Intervenção breve e encaminamento
Passo III - Aconselhe ação apropriada
Incapaz de controlar uso
Dependência
•Aconselhe
abstinência
•Indique especialista
Problemas relacionados ao álcool
Risco de desenvolver problemas
•Aconselhe
a diminuir
•Determine uma meta
Passo IV - Dê assistência e auxílio
•Considere farmacoterapia
•Seguimentos, visitas, telefonemas
PASSO I
DIAGNÓSTICO: PERGUNTE SOBRE USO DE ÁLCOOL ou
AUDIT ou CAGE
PASSO II
GRAVIDADE: AVALIE PROBLEMAS RELACIONADOS AO USO DE ÁLCOOL
PASSO III
ACONSELHE AÇÃO ADEQUADA
PASSO IV
ACOMPANHE O PROGRESSO DO
PACIENTE
INFORMAÇÕES ÚTEIS
Interações do álcool e outros
problemas de saúde
• Fumantes que bebem têm maiores chances de
recair
• Pessoas que vão se submeter a cirurgias têm
maiores taxas de complicações pós-operatórias
• Risco aumentado de hepatopatias e hepatite B, C
• Risco aumentado de dependência de drogas
ilícitas
INFORMAÇÕES ÚTEIS
7
Mortalidade/1000
Associação entre consumo de álcool & mortalidade em
homens entre 18-19 anos
Morte violenta
Outras causas de morte
50
40
30
20
Andreasson S, et al.
British Medical Journal.
1988; 296: 1021-25.
10
0
0
1-100
101-250 251-400
>400
Consumo de álcool semanal (g)
INFORMAÇÕES ÚTEIS
Curvas de risco estimado de função:
Álcool e risco de câncer
Laringe
Faringe
Oral
Fígado
Mama
Esôfago
Coloretal
Estômago
2.6
Risco relativo
8
2.4
2.2
2
1.8
1.6
1.4
1.2
1
0
20
40
60
80
100
Gramas de álcool/dia
Duffy & Sharples. In: Alcohol & Illness. Edinburgh University Press 1992
INFORMAÇÕES ÚTEIS
MULHERES SÃO MAIS SENSÍVEIS
AO ÁLCOOL QUE HOMENS
Peso corporal menor
Composição corporal: mais gordura
Flutuação hormonal
3 a 4 vezes menos enzimas (álcool- desidrogenase)
que metabolizam o álcool
Homens e mulheres com mesmo peso,
ingerindo mesma quantia de bebidas,
têm conseqüências diferentes.
INFORMAÇÕES ÚTEIS
RECOMENDAÇÕES PARA ABSTINÊNCIA
NÃO BEBA NADA SE ESTÁ:
Grávida ou considerando gravidez
Se está amamentando
Usando medicação que interage com álcool
Dependente de álcool ou
Contra-indicado por algum problema de saúde
INFORMAÇÕES ÚTEIS
DICAS: ESTRATÉGIAS PARA DIMINUIR
O CONSUMO DE ÁLCOOL
Fique “de olho” em você mesmo.
Vá devagar na ingestão de álcool.
Dê um tempo entre os drinques.
Escolha outras bebidas entre os drinque
(suco, refrigerantes, água).
Escolha bebidas mais fracas: cerveja ou vinho ao
invés de destilados (pinga, vodca, whisky).
Beba qualidade em vez de beber em quantidade.
Aproveite os efeitos suaves, gostosos da bebida.
1)Redução da Oferta:
Repressão à produção, tráfico e uso de drogas
2) Redução de Demanda:
Desestimulação do consumo, tratamento a usuários e dependentes
de drogas - Abstinência
3) Redução de Danos:
Conjunto de medidas voltadas para reduzir os riscos e danos
sociais e de saúde decorrentes dos diferentes usos de diversas
drogas e praticas sexuais desprotegidas
PROIBICIONISMO: IMPERATIVA
“ Não use drogas” “as drogas matam”
REDUÇÃO DE DANOS: CONDICIONAL
• “Não use drogas. Se usar , não use drogas
injetáveis. Se usar, não compartilhe seringas”.
• “ Se beber, não dirija
REDUÇÃO DE RISCOS E DANOS
•
O respeito a escolha ou possibilidades do usuário:
– Abstinência e/ou redução de danos
•
•
•
•
•
•
•
•
Responsabilidade subjetiva
Protagonismo: o trabalho é “com” a população alvo e
não “ para” eles
Resgate da Cidadania:
Pouca visibilidade dos usuários de drogas ilícitas (ilegalidade da droga)
Garantia do acesso aos serviços de saúde públicos
Exclusão dos usuários de drogas ilícitas do sistema social
Danos Objetivos e Subjetivos
• REDUÇÃO DE RISCOS E DANOS
• RISCO : o que precede
• 1-Perigo ou possibilidade de perigo
• 2-Possibilidade de perda ou responsabilidade pelo dano
•
•
•
•
•
•
DANO : conseqüência
1- Prejuízo material causado a alguém pela
deterioração ou inutilização de bens seus
2-Estrago, deterioração,danificação
( Dicionário AURELIO- Editora Nova Fronteira-1988)
“A teoria da aprendizagem social explica o
comportamento humano em termos de uma
interação recíproca contínua entre determinantes
cognitivos, comportamentais e ambientais.”
(Bandura, 1977)
FIM
Dr. Edson Capone de Moraes Júnior
Psiquiatra Assistente – Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)
[email protected]
2011
Agradecimentos: Prof. Dr. Jose Manuel Bertolote, Dr. Ricardo Cezar Torresan, Maria Odete Simão e Prof.(a) Dr.(a) Florence Kerr-Correa
Download

abordagem do usuário de substâncias psicoativas