román hernández c [ oética e dE LA azÓN ] román hernández oética de la azón c [ oética e da azão ] Galeria da Cisterna Faculdade de Belas-Artes Universidade de Lisboa Largo da Academia Nacional de Belas-Artes. Lisboa [ 7 de outubro a 30 de novembro de 2004 ] Sala de Exposiciones del Centro Cultural CajaCanarias Plaza del Patriotismo, 1. Santa Cruz de Tenerife [ marzo – abril de 2005 ] SERVICIO DE PUBLICACIONES DE LA CAJA GENERAL DE AHORROS DE CANARIAS (Publicación nº 318) (Arte nº 47) CON EL PATROCINIO DE / COM O PATROCÍNIO DE CAJA GENERAL DE AHORROS DE CANARIAS Obra Social y Cultural CABILDO INSULAR DE TENERIFE Área de Cultura GOBIERNO DE CANARIAS Viceconsejería de Cultura y Deportes UNIVERSIDADE DE LISBOA Faculdade de Belas-Artes COLABORAN / COLABORAM UNIVERSIDAD DE LA LAGUNA Oficina de Relaciones Internacionales INSTITUTO CERVANTES LISBOA AYUNTAMIENTO DE SANTA CRUZ DE TENERIFE Organismo Autónomo de Cultura T RANSPORTE / T RANSPORTE: Tejera Van - Mudanzas Internacionales SEGURO / SEGURO Grupo MG - Axa (Seguros e Inversiones) COORDINACIÓN Y MONTAJE / COORDINAÇAO E MONTAGEM: Galeria da Cisterna, Lisboa Prof. Auxiliar Joao Duarte Dra. Maria Teresa Madeira Sala de Exposiciones del Centro Cultural CajaCanarias Antonio Pérez Díaz Manuel Hernández Navarro DISEÑO Y MAQUETACIÓN / DESIGN: Francisco Javier Torres Franquis FOTOGRAFÍA / FOTOGRAFIA: Mauricio Pérez Jiménez (pág. 24-75) José Luis Camejo ( pág. 19, 52 y 53) Roberto A. Cabrera (pág. 12, 13 y 107) Román Hernández (pág. 6, 14, 15, 16 y 17) T EXTOS PARA LA EXPOSICIÓN / T EXTOS PARA A EXPOSIÇÃO: Antonio Manuel González Rodríguez Isidro Hernández Gutiérrez T RADUCCIÓN / T RADUÇÃO: José Bento (textos) Gabinete Erasmus (presentación) Elza A. Santos Pererira e Carla S. Capolino Cintra do Vale (currículum vitae) IMPRESIÓN / IMPRESSÃO: Gráficas Sabater D.L.: TF-XXXX/04 ISBN: 84-7985-181-3 AGREDECIMIENTOS: José Bento Rafael-José Díaz Roberto A. Cabrera Isidro Hernández Gutiérrez Ferdinand Arnold Mauricio Pérez Jiménez María Isabel Sánchez María Isabel Nazco María Teresa Madeira Ana Lilia Martín Visite esta exposición en nuestra Galería Virtual www.cajacanarias.es V oncientes da necessidade de contribuir para o desenvolvimento cultural das Canárias, a Obra Social de CajaCanarias desenvolveu nestas últimas décadas um dos labores de gestão e difusão cultural mais intensos, continuados e ambiciosos, no que se refere à sua programação de actos e exposições, na sua linha editorial e na sua aposta em diversos artistas de reconhecido prestígio. Neste último sentido, é um orgulho para CajaCanarias apoiar a projecção no estrangeiro de um dos artistas canários, o escultor Román Hernández, convidado a participar con uma exposição representativa da sua obra na Galeria da Cisterna da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Trata-se de um sala situada nas instalações do que foi um convento do século XIII que, após diversas remodelações ao longo da sua história, se transforma, finalmente, na Faculdade de Belas-Artes e, também, em Academia Nacional de Belas -Artes. Em 1994 este artista canário mostrava ao público a primeira das suas séries escultóricas, «Symmetria»; desde então, um infatigável labor criativo proporcionou-nos outras tantas exposições, entre elas, «Commesuratio» (1996), «Innata ratio» (1997), «De Humani corporis fabrica» (1999), «Legado oculto de la razón» (1998), «Confesiones para la ironía y la razón» (2000), «Escenografías de la desnudez» (2004) ou a que foi inaugurada recentemente, «Secretissima Scienza» (2004). Em todas elas, segundo as opiniões da crítica mais autorizada, o nosso escultor realiza uma leitura singular de diversos cânones e sistemas de proporção e harmonia estudados por artistas e tratadistas do Renascimento, L. B. Alberti, Rafael, Leonardo ou Dürer. Por ouro lado, Román Hernández combina o seu labor criativo com a docência na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de La Laguna, e estas duas tarefas, docência e criação, constituem duas faces de um mesmo acto de reflexão artística constante. Por tudo isto, é para CajaCanarias un motivo de grande satisfação apresentar a sua nova exposição, «Poética de la razón», e contribuir assim para a difusão internacional dos nossos artistas; mais ainda quando o convite procede de Portugal, país vizinho, querido e admirado por todos os canários, e do qual conservamos os insulanos –desde a sua ineludível presença nas ilhas durante o século XVI- uma boa parte da nossa riqueza lexical. Caja General de Ahorros de Canarias Obra Social y Cultural [ 6] c oética da e azão V oncientes de la necesidad de contribuir al desarrollo cultural de Canarias, la Obra Social de CajaCanarias ha desarrollado en estas últimas décadas una de las labores de gestión y difusión cultural más intensas, continuadas y ambiciosas en lo que se refiere a su programación de actos y exposiciones, en su línea editorial, y en su apuesta por diversos artistas de reconocido prestigio. En este último sentido, es un orgullo para CajaCanarias apoyar la proyección en el extranjero de uno de estos artistas canarios, el escultor Román Hernández, invitado a participar con una muestra representativa de su obra en la Galería da Cisterna de la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de Lisboa. Se trata de una sala ubicada en las instalaciones del que fuera un monasterio en el siglo XIII que, tras diversas remodelaciones a lo largo de su historia, se convierte, finalmente, en Facultad de Bellas Artes y, también, en Academia Nacional de Bellas Artes. En 1994 este artista canario mostraba al público la primera de sus series escultóricas, «Symmetria»; desde entonces, una infatigable labor creativa nos ha deparado otras tantas muestras, entre ellas, «Commesuratio» (1996), «Innata ratio» (1997), «De Humani corporis fabrica» (1999), «Legado oculto de la razón» (1998), «Confesiones para la ironía y la razón» (2000), «Escenografías de la desnudez» (2004) o la recientemente inaugurada «Secretissima Scienza» (2004). En todas ellas, según las opiniones de la crítica más autorizada, nuestro escultor realiza una lectura singular de diversos cánones y sistemas de proporción y armonía estudiados por artistas y tratadistas del Renacimiento, L. B. Alberti, Rafael, Leonardo o Durero. Por otro lado, Román Hernández combina su labor creativa con la docencia en la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de La Laguna, y ambas tareas, docencia y creación, constituyen dos caras de un mismo hecho de reflexión artística constante. Por todo ello, es para CajaCanarias un motivo de gran satisfacción presentar su nueva muestra, «Poética de la razón», y contribuir así a la difusión internacional de nuestros artistas; más aún cuando la invitación procede de Portugal, país vecino, querido y admirado por todos los canarios, y del que conservamos los isleños –desde su insoslayable presencia en las islas durante el siglo XVI– una buena parte de nuestra riqueza léxica. Caja General de Ahorros de Canarias Obra Social y Cultural c oética e dE LA azÓN [ 7] APRESENTAÇÃO ñ pela primeira vez que o escultor Román Hernández realiza uma exposição em Portugal, e é com o maior gosto que a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa o acolhe na galeria da Cisterna, nascendo precisamente esta exposição na sequência de contactos havidos a partir da intervenção na qualidade de arguente num júri de mestrado desta casa, enquanto professor titular da Faculdade de Belas-Artes de Laguna. O percurso deste escultor nascido em Tenerife define duas linhas de trabalho complementares e cruzadas: por um lado a docência na qual se inscreve uma parte da sua investigação focada no estudo das proporções e seus tratados e tratadistas aplicados à figura humana, e como tal à escultura; no âmbito do qual já realizou diversas publicações, e por outro lado a sua obra como escultor que tem vindo a mostrar desde a década de oitenta. A exposição que Román Hernández nos trouxe comporta obras realizadas em 1994-2003 que se reportam a diferentes séries, nomeadamente a das Capita mensulae e que estruturalmente se constróem em madeira, resina e terracota, sendo por vezes policromadas como o conjunto de dezasseis cabeças de (2000–02) com as quais realiza a instalação «Laberinto de pasiones». Utilizando a figura humana ou fragmentos da mesma, o autor, procura num contexto de actualidade formal, nalguns casos recorrendo a processos neo-dadaístas reformular e se possível questionar os limites da aplicação das proporções à escultura. Para tal recorre à teoria de arte, à filosofia, geometria, à matemática e tratadística, e condimentando tudo isto com uma ponta de ironia, aliás como a exposição em 2000 realizada em Tenerife salientava esta vertente ao intitular-se «Confesiones para la ironía y la razón». A relevância da ligação destas matérias com a matemática e a propósito das XI Jornadas sobre Aprendizage y Enseñanza de las Matemáticas levou-se à realização de uma exposição intitulada «Intuición Metafísica Versus Lógica Matemática», uma segunda mostra de homenagem a Luca Pacioli (Tenerife, Verão de 2003) e cujas peças sendo realizadas em madeira pintada de branco, eram destituídas de qualquer elemento figurativo, protagonizando situações onde se reflecte acerca da divina proporção. Certos da importância da convivialidade e do intercâmbio cultural e artístico deste tipo de eventos entre países distintos, mas próximos, há que salientar o sentido de actualidade desta exposição, cujo autor utilizando a técnica ancestral da terracota, entre outras, nos convida a repensar temas universais, que nunca se esgotam e se perdem na aurora dois tempos. Dra. Cristina Azevedo Tavares Presidente do Conselho Directivo Faculdade de Belas-Artes Universidade de Lisboa [ 8] c oética da e azão PRESENTACIÓN X sta es la primera vez que el escultor Román Hernández realiza una exposición en Portugal, y es un placer para la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de Lisboa darle la bienvenida en la galería La Cisterna. La idea de llevar a cabo esta muestra nace, precisamente, tras las relaciones establecidas con el escultor tras su visita a esta Universidad como miembro de un tribunal de tesis, y en calidad de Profesor Titular de la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de La Laguna. El itinerario artístico de este escultor nacido en Santa Cruz de Tenerife se caracteriza por dos campos de trabajo que, juntos, se complementan y relacionan: de un lado, la docencia, en la que se inscribe una parte de sus investigaciones dirigidas hacia el estudio de la proporción escultórica aplicada a la figura humana, así como a sus tratadistas y tratados clásicos, tema sobre el que ha ofrecido diversas publicaciones; del otro, la práctica escultórica misma, iniciada desde la década de los ochenta. Esta exposición de Román Hernández incluye obras realizadas desde 1994 hasta 2003, pertenecientes a distintas series: entre ellas, las denominadas Capita mensulae y que estructuralmente están hechas en madera, resina y terracota en ocasiones policromadas, o aquella otra compuesta de veintiséis piezas (2000-02) correspondientes a su instalación «Laberinto de pasiones». Ya utilizando la figura humana, ya fragmentos de la misma, el autor, en un contexto de actualidad formal y en algunos casos recurriendo a procesos neo-dadaístas, procura reformular y, si es posible, cuestionar los límites de la aplicación de las proporciones a la escultura. Para ello, recurre a la teoría del arte, la filosofía, la geometría, las matemáticas o la «tratadística», añadiendo a todo ello un tamiz de ironía. De hecho, la exposición celebrada en Tenerife en 2000 subrayaba esta vertiente bajo el título de «Confesiones para la ironía y la razón». La relevancia de la conexión entre estas materias y la matemática motivó la realización de una exposición titulada «Intuición Metafísica Versus Lógica Matemática», cuyo marco fue el XI Congreso Nacional sobre Aprendizaje y Enseñanza de las Matemáticas (Tenerife, verano de 2003); una muestra que homenajeaba la figura de Luca Pacioli. Parte de las obras allí presentadas estaban realizadas en madera lacada en blanco y ajenas a cualquier elemento figurativo, protagonizando situaciones donde se reflexionaba sobre la divina proporción. Conscientes de la importancia de la convivencia, así como del intercambio cultural y artístico entre países diferentes -aunque próximos-, debemos subrayar la actualidad de esta muestra, cuyo autor, utilizando la técnica ancestral de la terracota, entre otras, nos invita a volver sobre temas universales, inagotables y que se remontan al albor de los tiempos. Dra. Cristina Azevedo Tavares Presidente del Consejo Directivo Facultad de Bellas Artes Universidad de Lisboa c oética e dE LA azÓN [ 9] A DÉCADA ÁUREA DE ROMÁN HÉRNANDEZ Antonio Manuel González Rodríguez «... O que eu quero exprimir pela beleza das formas não é o que compreenderia o vulgo, a beleza dos corpos ou das pinturas; eu refirome (...) a linhas rectas e a linhas circulares, às las superfícies ou aos sólidos que procedem delas, feitos com a ajuda de tornos, de réguas ou esquadros (...) Semelhantes formas, com efeito, afirmo que são belas não relativamente, como outras, mas que são belas sempre, em si mesmas, por natureza» PLATÃO, Filebo, 51c «Esta nossa proporção, Excelso Duque, é tão digna de prerrogativa e excelência quanto possa dizer-se, quanto ao seu infinito poder, já que sem o seu conhecimento não poderiam ver a luz muitas outras coisas muito dignas de admiração em filosofia ou em qualquer outra ciência. E este dom é-lhe concedido, sem dúvida, pela natureza invariável dos princípios superiores...» L. PACIOLI, De divina Proportione, cap. VI f implicidade e complexidade extremas, são as qualidades que o escultor Román Hernández vem mostrando na sua obra desde que iniciou, faz agora uma década, a sua aventura estética pelos ásperos caminhos das proporções, dos cânones clássicos e dos grandes autores da tradição platónica. Uma aventura que levou paralelamente à sua formação académica e investigadora como professor universitário. Daí que a suas esculturas tenham mantido sempre um duplo aspecto: se por uma parte são o sentir ou a expressão de uma época, a nossa, caracterizada pela sua absoluta fragmentação e ausência de princípios orientadores fortes que inspirem a sua criação; por outra, constituem uma reflexão, entre nostálgica e irónica, de um passado, onde a arte era a revelação grandiosa de uns ideais, tidos por universais e partilhados por artistas, filósofos, teólogos, poetas e músicos, que encontraram no arcano mágico dos números a sua mais perfeita configuração. Expressão e reflexão são, pois, as notas dominantes que o espectador ou o estudioso de hoje encontrará nestas esculturas de Román Hernández a través das epígrafes eruditas com que encabeça as suas séries: «Symmetria» (1994), «Commesuratio» (1996), «Innata ratio» (1997), «De Humani corporis fabrica» (1999), «Legado oculto de la razón» (1998) ou «Confesiones para la ironía y la razón» (2000). Séries em que o artista dá rédea solta à sua portentosa imaginação para nos ofrecer toda uma heterogénea galeria de formas e objectos: crânios, cabeças trepanadas, dedos cortados, caras suspensas e coordenadas com textos e fórmulas matemáticas, corpos fechados em armários, bustos impenetráveis, manequins, extranhos e “sinistros” instrumentos para medir... Todo um reportório de elementos dispostos cuidadosamente, à maneira da moderna vanitas, onde a ironia e a melancolia se misturam com a reflexão e o controlo compositivo. As visões metafísicas de Giorgio de Chirico são recolhidas pelo nosso artista nestas obras e levadas à sua perfeição geométrica. A arte contemplativa destas últimas décadas caracterizou-se, em grande medida, pela sua condição perturbada, pela improvisação e o achado fortuito. Muito longe do que foi, nas épocas douradas do humanismo clássico, aquela outra arte cujo princípio regulador era a proporção, isto é, a razão como meio para afastar o capricho e o acaso e [ 10 ] c oética e da azão LA DÉCADA ÁUREA DE ROMÁN HÉRNANDEZ Antonio Manuel González Rodríguez «... Lo que yo quiero expresar por la belleza de las formas no es lo que comprendería el vulgo, la belleza de los cuerpos o de las pinturas; yo me refiero (...) a líneas rectas y a líneas circulares, a las superficies o a los sólidos que proceden de ellas, hechos o bien con ayuda de tornos, de reglas o escuadras (...) Semejantes formas, en efecto, afirmo que son bellas no relativamente, como otras, sino que son bellas siempre, en sí mismas, por naturaleza» PLATÓN, Filebo, 51c «Esta nuestra proporción, Excelso Duque, es tan digna de prerrogativa y excelencia cuanto decirse pueda, con respecto a su infinito poder, ya que sin su conocimiento no podrían ver la luz muchas otras cosas muy dignas de admiración en filosofía o en cualquier otra ciencia. Y este don le viene concedido, indudablemente, por la invariable naturaleza de los principios superiores...» L. PACIOLI, De divina Proportione, cap. VI f encillez y complejidad extremas, son las cualidades que el escultor Román Hernández viene exhibiendo en su obra desde que iniciara, hace ahora una década, su aventura estética por los vericuetos de las proporciones, los cánones clásicos y los grandes autores de la tradición platónica. Una aventura que ha llevado paralela a su formación académica e investigadora como profesor universitario. De ahí que sus esculturas hayan mantenido siempre un doble aspecto: si por una parte son el sentir o la expresión de una época, la nuestra, caracterizada por su absoluta fragmentación y la ausencia de principios rectores fuertes que inspiren su creación; por otra, constituyen una reflexión, entre nostálgica e irónica, de un pasado, donde el arte era la revelación grandiosa de unos ideales, tenidos por universales y compartidos por artistas, filósofos, teólogos, poetas y músicos, que encontraron en el arcano mágico de los números su más acabada configuración. Expresión y reflexión son, pues, las notas dominantes que el espectador o el estudioso de hoy encontrará en estas esculturas de Román Hernández a través de los epígrafes eruditos con los que encabeza sus series: «Symmetria» (1994), «Commesuratio» (1996), «Innata ratio» (1997), «De Humani corporis fabrica» (1999), «Legado oculto de la razón» (1998) o «Confesiones para la ironía y la razón» (2000). Series en donde el artista da rienda suelta a su portentosa imaginación para ofrecernos toda una heterogénea galería de formas y objetos: cráneos, cabezas trepanadas, dedos cortados, caras suspendidas y coordinadas con textos y fórmulas matemáticas, cuerpos encerrados en armarios, bustos impenetrables, maniquíes, extraños y «siniestros» instrumentos de medir... Todo un repertorio de elementos dispuestos cuidadosamente, a modo de moderna vanitas, donde la ironía y la melancolía se mezclan con la reflexión y el control compositivo. Las visiones metafísicas de Giorgio de Chirico son recogidas por nuestro artista en estas obras y llevadas a su perfección geométrica. El arte contemporáneo de estas últimas décadas se ha caracterizado, en gran medida, por su condición azarosa, por la improvisación y el hallazgo fortuito. Muy lejos de lo que fue, en las épocas doradas del humanismo clásico, aquel otro arte cuyo principio regulador era la proporción, esto es, la razón como medio para desplazar el capricho y c oética e dE LA azÓN [ 11 ] descobrir, assim, a harmonia profunda que subjaz oculta na trama matemática e geométrica do universo. Frente ao «caos» dominante actual, a obra escultórica de Román Hernández apresenta-se como paradigma de reflexão. E fá-lo sabendo o sentido provocador e irónico do seu acto. Por tras da estrutura de complexas deduções matemáticas e teóricas, a sua obra foi revelando, desde a sua primeira exposição individual (1994) até ao presente, todo esse mundo oculto que constituiu a Secretissima Scienza, que os tratados do Renascimento mostraram de uma forma críptica e iniciática. Um saber que os artistas deviam extrair e aprender no próprio seio dos cenáculos, que, por outro lado, não estavam abertos senão a uns poucos. A penosa busca de dito segredo por parte do maior dos artistas matemáticos alemães del Renascimento, Albrecht Dürer, é uma prova fidedigna da dificuldade de aceder ao mesmo. E não deixa de ser curioso que seja, precisamente, a Escultura a arte que melhor conservou os mais antigos cânones de proporção. Neste sentido são louváveis os tratados de L. B. Alberti (Della Statua, 1434-35) e Pompónio Gaurico (De sculptura, 1504), estudados e utilizados nas suas obras pelo nosso artista das Canárias. As estátuas clássicas constituem o melhor método de conhecimento das proporções dos antigos. O tratado de Watelet (L’art de peindre, París, 1760) recorda-nos, a este respeito, que «não temos nenhum escrito sobre as medidas que os gregos empregaram para ajustar a proporção [...] mas conhecemos as suas estátuas [...] as belas obras valem mais que os preceitos». Os sistemas de proporção, como cânone mecânico e estético, interessaram especialmente ao escultor que desejava emular, no seu trabalho, o acto supremo do Divino Criador. Seguindo a máxima do filósofo Protágoras (século V a. C.) de que «o homem é a medida de todas as coisas», os escultores do Renascimento, tal como os arquitectos, utilizaram as dimensões do homem bem proporcionado como fundamento de uma medida ideal de beleza. O cânone de proporção humana é um sistema que converte as medidas do corpo num conjunto harmónico. Para consegui-lo, os artistas recorreram a diferentes meios ou artifícios, como os cânones modulares (relação da totalidade do corpo com uma parte do mesmo), geométricos (o uso de formas geométricas perfeitas), aritméticos (o uso de medidas abstractas) e simbólicos (conexã com a revelação dos textos sagrados). Contudo, são as teorias das proporções áureas as mais prestigiadas e as que alcançaram, pelo menos na escultura, uma grande difusão e emprego. Embora fossem conhecidas pélos gregos, e inclusive pelos egípcios, a sua formulação moderna deve-se ao grande matemático e humanista Luca Pacioli, que as resgatou de fontes medievais próximas. A proporção áurea que o frade de Borgo Sansepolcro estuda e analisa é a que aparece descrita no livro VI dos Elementos de Euclides, e que Platão já recolhera no seu Timeo: «a divisão de um segmento em média e extrema razão». Dita proporção é denominada «divina» devido às numerosas correspondências e semelhança que mantém com as propiedades da divindade. Assim, a divina proporção é «uma única e não mais e não é possível apontar-lhe outras espécies nem diferenças», do mesmo modo que a unidade constitui o supremo epíteto de Deus; a divina proporção há-de encontrar-se em três termos, do mesmo modo que a substância divina se encontra em três pessoas; não admite definição pelo mesmo [ 12 ] c oética e da azão el azar y descubrir, así, la armonía profunda que subyace oculta en la trama matemática y geométrica del universo. Frente al «caos» imperante actual, la obra escultórica de Román Hernández se presenta como paradigma de reflexión. Y lo hace a sabiendas del sentido provocador e irónico de su gesto. Tras la estructura de complejas deducciones matemáticas y teóricas, su obra ha ido revelando, desde su primera exposición individual (1994) hasta el presente, todo ese mundo oculto que constituyó la Secretissima Scienza, que los tratados del Renacimiento mostraron de una forma críptica e iniciática. Un saber que los artistas debían extraer y aprender en el seno mismo de los cenáculos, que, por otra parte, no estaban abiertos sino a unos pocos. La penosa búsqueda de dicho secreto por parte del más grande de los artistas matemáticos alemanes del Renacimiento, Albrecht Dürer, es una prueba fehaciente de la dificultad de acceder al mismo. Y no deja de ser curioso que sea, precisamente, la Escultura el arte que mejor ha conservado los más antiguos cánones de proporción. En este sentido son loables los tratados de L. B. Alberti (Della Statua, 143435) y Pomponio Gaurico (De sculptura, 1504), estudiados y utilizados en sus obras por nuestro artista canario. Las estatuas clásicas constituyen el mejor método de conocimiento de las proporciones de los antiguos. El tratado de Watelet (L’art de peindre, París, 1760) nos recuerda, a este respecto, que «no tenemos ningún escrito sobre las medidas que los griegos emplearon para ajustar la proporción [...] pero conocemos sus estatuas [...] las bellas obras valen más que los preceptos». Los sistemas de proporción, como canon mecánico y estético, interesaron particularmente al escultor que deseaba emular, en su trabajo, el acto supremo del Divino Creador. Siguiendo la máxima del filósofo Protágoras (siglo V a. C.) de que «el hombre es la medida de todas las cosas», los escultores del Renacimiento, al igual que los arquitectos, utilizaron las dimensiones del hombre bien proporcionado como fundamento de una medida ideal de belleza. El canon de proporción humana es un sistema que convierte las medidas del cuerpo en un conjunto armónico. Para conseguirlo, los artistas han recurrido a diferentes medios o artificios, como los cánones modulares (relación de la totalidad del cuerpo con una parte del mismo), geométricos (el uso de formas geométricas perfectas), aritméticos (el uso de medidas abstractas) y simbólicos (conexión con la revelación de los textos sagrados). Sin embargo, son las teorías de las proporciones áureas las más prestigiadas y las que alcanzaron, al menos en la escultura, una gran difusión y empleo. Aunque fueron conocidas por los griegos, e incluso por los egipcios, su formulación moderna se debe al gran matemático y humanista Luca Pacioli, que las rescató de fuentes medievales próximas. La proporción áurea que el frate de Borgo Sansepolcro estudia y analiza es la que aparece descrita en libro VI de los Elementos de Euclides, y que Platón ya había recogido en su Timeo: «la división de un segmento en media y extrema razón». Dicha proporción es denominada «divina» debido a las numerosas correspondencias y semejanza que mantiene con las propiedades de la divinidad. Así, la divina proporción es «una sola y no más y no es posible asignarle otras especies ni diferencias», del mismo modo que la unidad constituye el supremo epíteto de Dios; la divina c oética e dE LA azÓN [ 13 ] motivo que não admite a essência divina, nem pode mudar, permanecendo sempre idêntica; por último, confere, qual «virtude celeste», o ser formal a tudo o que é criado. O carácter incomensurável da proporção áurea ou «divina» foi a causa da sua restringida aplicação real ao âmbito da arquitectura, pois as suas propiedades irracionais eram difíceis de conciliar com uma anotação fidedigna e comensurável das dimensões próprias de uma arquitectura racional. Ditas proporções alcançaram um desacostumado interesse a partir do século XIX, quando, de novo, as proporções incomensuráveis fascinem os arquitectos e artistas, numa época dominada pelos revivals góticos. De 1854 é o tratado de Adolf Zeising (Neue Lehre von den Proportionen des menschlichen Körpers), que baseia o seu novo cânone na secção áurea, tomando como suporte da mesma a figura humana masculina e estendendo a sua aplicação inclusive à própria Natureza. Desde então, as proporções áureas encontrarão lugar nas especulações artísticas e estéticas de finais do século XIX e princípios do XX. Em 1893, Adalbert Goeringer (Der goldene Schnitt ‘göttliche Proportion’ und seine Beziehungen zum menschlichen Körper) dará um passo mais ao estender a secção áurea à música e à astrologia como segredo de uma harmonia universal. Numa carta dirigida ao grande estudioso das proporções áureas, Matila Ghyka, o poeta Paul Valéry fazia-se eco deste desacostumado interesse ao escrever: «O equilíbrio entre o saber, o sentir e o poder está hoje quebrado nas artes. O instinto somente dá fragmentos; mas a arte magna deve corresponder ao homem completo. A divina proporção é a medida generalizada». As proporções áureas constituem, a partir de 2000, uma das principais referências no trabalho escultórico de Román Hernández, que, de uma forma explícita, penetra, como nenhum outro artista fez até agora, no «misterioso» e complexo mundo do famoso tratado de Luca Pacioli, De divina Proportione (ms. 1497, ed. imp. 1509). A este importante tratado dedica quatro grandes séries: «Sólidos geométricos» (2000-2001), «Homenaje a Luca Pacioli I», (2002), «Intuición metafísica versus lógica matemática: Homenaje a Luca Pacioli II» (2002-2003) e «Serie Blanca» (2002-2004). A primeira destas séries inspira-se nas 60 imagens coloridas realizadas por Leonardo da Vinci, como ilustração do manuscrito da sua De divina Proportione destinado a Ludovico il Moro. Os poliedros aparecem acompanhados pelas suas correspondentes fórmulas matemáticas e desenvolvimentos geométricos. São «objectos» mistos (híbridos) em que se reúnem, formando uma unidade plástica, a escrita, o relevo escultórico e as superfícies coloridas. O uso que faz, nas suas obras da escrita não somente proporciona chaves de interpretação ao espectador, mas incorporase, também, aos elementos pictóricos que animan as mesmas. A beleza que o frade renascentista intuía nas formulacões matemáticas da secção áurea ou divina proporção adquire realidade nestes objectos «híbridos» do nosso escultor. Nas restantes séries, em especial la «Serie Blanca», as formas humanas definidas (corpos, cabeças, cérebros, olhos, dedos, etc.) desaparecem para dar passagem a uns curiosos «artefactos», a maioria dos quais apresentados à maneira de pequenas cenas ou expositores, que exhibem diferentes objectos mecanomórficos, figuras caprichosas, [ 14 ] c oética e da azão proporción ha de encontrarse en tres términos al igual que la sustancia divina se encuentra en tres personas; no admite definición por lo mismo que no la admite la esencia divina, ni puede cambiar, permaneciendo siempre idéntica; por último, confiere, cual «virtud celeste», el ser formal a todo lo creado. El carácter inconmensurable de la proporción áurea o «divina» fue la causa de su restringida aplicación real al ámbito de la arquitectura, pues sus propiedades irracionales eran difíciles de conciliar con una anotación fidedigna y conmensurable de las dimensiones propias de una arquitectura racional. Dichas proporciones alcanzaron un inusitado interés a partir del siglo XIX, cuando, de nuevo, las proporciones inconmensurables fascinen a los arquitectos y artistas, en una época dominada por los revivals góticos. De 1854 es el tratado de Adolf Zeising (Neue Lehre von den Proportionen des menschlichen Körpers), que basa su nuevo canon en la sección áurea, tomando como soporte de la misma la figura humana masculina y extendiendo su aplicación incluso a la propia Naturaleza. Desde entonces, las proporciones áureas encontrarán cabida en las especulaciones artísticas y estéticas de finales del siglo XIX y principios del XX. En 1893, Adalbert Goeringer (Der goldene Schnitt ‘göttliche Proportion’ und seine Beziehungen zum menschlichen Körper) dará un paso más al extender la sección áurea a la música y a la astrología como secreto de una armonía universal. En una carta dirigida al gran estudioso de las proporciones áureas, Matila Ghyka, el poeta Paul Valèry se hacía eco de este inusitado interés al escribir: «El equilibrio entre el saber, el sentir y el poder está hoy roto en las artes. El instinto sólo da fragmentos; pero el arte magno debe corresponder al hombre completo. La divina proporción es la medida generalizada». Las proporciones áureas constituyen, a partir de 2000, una de las principales referencias en el trabajo escultórico de Román Hernández, que, de una forma explícita, se adentra, como ningún otro artista lo ha hecho hasta ahora, en el «misterioso» y complejo mundo del famoso tratado de Luca Pacioli, De divina Proportione (ms. 1497, ed. imp. 1509). A este importante tratado dedica cuatro grandes series: «Sólidos geométricos» (2000-2001), «Homenaje a Luca Pacioli I», (2002), «Intuición metafísica versus lógica matemática: Homenaje a Luca Pacioli II» (20022003) y «Serie Blanca» (2002-2004). La primera de estas series se inspira en las 60 imágenes coloreadas realizadas por Leonardo da Vinci, como ilustración del manuscrito de su De divina Proportione destinado a Ludovico il Moro. Los poliedros aparecen acompañados de sus correspondientes fórmulas matemáticas y desarrollos geométricos. Son «objetos» mixtos (híbridos) en los que se aúnan, formando una unidad plástica, la escritura, el relieve escultórico y las superficies coloreadas. El uso que hace, en sus obras, de la escritura no sólo proporciona claves de interpretación al espectador, sino que se incorpora, asimismo, a los elementos pictóricos que animan las mismas. La belleza que el frate renacentista intuía en las formulaciones matemáticas de la sección áurea o divina proporción adquiere realidad en estos objetos «híbridos» de nuestro escultor. En las restantes series, en especial la «Serie Blanca», las formas humanas definidas (cuerpos, cabezas, cerebros, ojos, dedos, etc.) desaparecen para dar paso a unos curiosos «artefactos», la mayoría de c oética e dE LA azÓN [ 15 ] poliedros, porcas de atarrachar, palas, ganchos, balaustres, etc. Tudo se mostra em absoluto repouso, a descansar sobre construções desenhadas com as proporções áureas (quadrados e rectângulos áureos perfilam-se nítidos em «Propuesta euclídea» (2002), «Euclidis elementa» (2003) e «Forma onírica para un espacio regular» (2003), entre outras). A harmonia do conjunto outorga a estas obras uma íntima serenidade, próxima da luz que se respira no recolhido universo dos lugares sagrados. A cuidadosa disposição dos objectos nestes pequenos palcos recorda, por outro lado, a exhibição que Sánchez Cotán fazia de sua frutas e hortaliças nas suas concisas e simples naturezas-mortas. As curvas parabólicas e as secretas proporções utilizadas nos mesmos conferiam às humildes comidas uma grandeza e sublimidade poucas vezes alcançadas na pintura. A vanguarda artística das primeiras décadas do século XX tirou partido das possibilidades estéticas que continham as estranhas e oníricas estruturas mecanomórficas. As máquinas chegaram a constituir autênticos mitos, sobre os quais o artista moderno projectava a angústia e o desejo. Foram consideradas, inclusive, como as novas divinidades, como duplos do homem. Para Francis Picabia, «a máquina transformou-se em alguma coisa mais que um simples instrumento da vida humana. É realmente uma parte da vida humana, talvez a sua verdadeira alma». Marinetti, em 1914, atribuía aos produtos fabricados em série pela indústria o qualificativo de «esplendor geométrico e mecânico», fruto de uma «sensibilidade numérica». Fernand Léger, de quem são devedores, sem dúvida, estes objectos de Román Hernández, já se apercebia do «novo estado visual imposto pelos meios de produção novos», que via como a condição da chegada de uma nova «beleza mecânica». Contudo, nestas últimas séries aponta-se uma subtil recuperação da natureza através da incorporação do cacto nas suas estruturas cenográficas, em princípio, simplificado nas suas formas geométricas: «Pirámide y cactus en flor» (2002), «Escultura y cactus» (2002), «Jardín de cactus» (2002-2003), etc. Produz-se, assim, uma busca do essencial, tanto na própria natureza como na geometria e na cor (a polaridade branco-negro). O cacto, como imagem da planta primitiva, aproxima-se vertiginosamente da simplicidade reguladora da geometria básica. E como planta peculiar das ilhas Canárias, confere a estas obras de Román Hernández uma particular signifição geográfica: «Na “Serie Blanca” introduzi além disso, a ideia de um elemento natural (o cacto) pelo qual se produz uma simbiose entre a forma geométrica e esta planta tão representativa das nossas ilhas. Surgiu a partir da observação de uma talo no barranco de Chimiche, no sul de Tenerife, rodeado por uma espectacular paisagem árida de singular beleza» (Carta de 6 de Novembro de 2002). Com o cacto, penetra na sua obra, de uma forma subreptícia, a paisagem, que abre, assim, uma perspectiva para futuros projectos. Em «Pirámide y cactus en flor», aparecem os três elementos básicos da geometria: o círculo, o triângulo e o quadrado representados aqui por meio da esfera, da pirâmide e do receptáculo quadrado que as abriga. Precisamente, as três figuras que o poeta-pintor japonês Sengaï (17501837) tinha plasmado numa das suas pinturas que simbolizava o Universo. O círculo alude ao infinito, a base fundamental de todos os seres, mas [ 16 ] c oética e da azão ellos presentados a modo de teatritos o expositores, que exhiben diferentes objetos mecanomórficos, figuras caprichosas, poliedros, tuercas, palas, tenedores, balaustres, etc. Todo se muestra en absoluto reposo, descansando sobre construcciones diseñadas con las proporciones áureas (cuadrados y rectángulos áureos se perfilan nítidos en «Propuesta euclídea» (2002), «Euclidis elementa» (2003) y «Forma onírica para un espacio regular» (2003), entre otras). La armonía del conjunto otorga a estas obras una íntima serenidad, cercana a la paz que se respira en el recogido universo de los lugares sagrados. La cuidada disposición de los objetos en estos pequeños escenarios recuerda, por otra parte, la exhibición que Sánchez Cotán hacía de sus frutas y hortalizas en sus escuetos y sencillos bodegones. Las curvas parabólicas y las secretas proporciones utilizadas en los mismos conferían a las humildes viandas una grandeza y sublimidad pocas veces alcanzadas en la pintura. La vanguardia artística de las primeras décadas del siglo XX sacó partido de las posibilidades estéticas que entrañaban las extrañas y oníricas estructuras mecanomórficas. Las máquinas llegaron a constituir auténticos mitos, sobre los que el artista moderno proyectaba la angustia y el deseo. Fueron tenidas, incluso, como las nuevas divinidades, como dobles del hombre. Para Francis Picabia, «la máquina se ha transformado en algo más que un simple instrumento de la vida humana. Es realmente una parte de la vida humana, quizá su verdadera alma». Marinetti, en 1914, atribuía a los productos fabricados en serie por la industria el calificativo de «esplendor geométrico y mecánico», fruto de una «sensibilidad numérica». Fernand Léger, de quien son deudores, sin duda, estos objetos de Román Hernández, ya advertía del «nuevo estado visual impuesto por los medios de producción nuevos», que veía como la condición del advenimiento de una nueva «belleza mecánica». Sin embargo, en estas últimas series se apunta una sutil recuperación de la naturaleza a través de la incorporación del cactus a sus estructuras escenográficas, en principio, simplificado en sus formas geométricas: «Pirámide y cactus en flor» (2002), «Escultura y cactus» (2002), «Jardín de cactus» (2002-2003), etc. Se produce, así, una búsqueda de lo esencial, tanto en la naturaleza misma como en la geometría y en el color (la polaridad blanco-negro). El cactus, como imagen de la planta primigenia, se acerca vertiginosamente a la simplicidad reguladora de la geometría básica. Y como planta peculiar de las islas Canarias, confiere a estas obras de Román Hernández una particular significación geográfica: «En la “Serie Blanca” introduje además la idea de un elemento natural (el cactus) por lo que se produce una simbiosis entre la forma geométrica y esta planta tan representativa de nuestras islas. Surgió a partir de la observación de una penca en el barranco de Chimiche, en el sur de Tenerife, rodeado por un espectacular paisaje árido de singular belleza» (Carta de 6 de noviembre de 2002). Con el cactus, penetra en su obra, de una forma subrepticia, el paisaje, que abre, así, una perspectiva para futuros proyectos. En «Pirámide y cactus en flor», aparecen los tres elementos básicos de la geometría: el círculo, el triángulo y el cuadrado representados, aquí, por medio de la esfera, la pirámide y el receptáculo cuadrado que las cobija. Precisamente, las tres figuras que el poeta-pintor japonés Sengaï (1750-1837) había plasmado en una de sus pinturas que simbolizaba el c oética e dE LA azÓN [ 17 ] que em si mesmo carece de forma. Os homens dotados de inteligência e sentidos precisam de formas tangíveis; daí, o triângulo que constitui o começo de todas as formas, que ao dobrar-se gera o quadrado e assim sucessivamente, até dar com a multidão dos seres, «as dez mil coisas», que o poeta Sengaï cifrava com a imagem ou compêndio do Universo. «Do texto de A divina Proporção, apertado entre as níveas mergens, brotava de novo o áspero entusiasmo do monge ébrio de beleza. Encontrei ali também, ao resplendor do grande incêndio das ideias do Renascimento, a austera claridade do archote trazido do Egipto por Pitágoras, e, dourada pelo sorriso de Platão, era na verdade a brilhante mística do Número Puro, regendo e traduzindo toda a ordem, toda a beleza, desde o suspiro da flauta até à harmonia das esferas. Como o audaz geómetra que outrora concebeu a Grande Pirâmide, como os arquitectos e filósofos do século de Péricles, o minorista Pacioli e os seus amigos, Piero della Francesca, Alberti, Leonardo da Vinci, Jacopo dai Barbari, acreditavam que na natureza viva e na arte, que é sua emanação, ressoa indefinidamente esta lei do Número. Bramante, Rafael, Miguel Ângelo, Vignola, pensavam do mesmo modo e criam também que o conhecimento completo da Geometria, a meditação profunda da Ciência do Espaço eram indispensáveis àqueles que com o pincel, o cinzel ou a corda deviam criar ou fixar as formas». M. C. GHYKA, Estética das proporções, Prefácio «Relación de magnitudes para una geometría del espacio» (Serie blanca), 2003. «Relação de magnitudes para uma geometria do espaço» (Série branca), 2003. [ Madera, 26 x 51 x 11 cm. ] [ 18 ] c oética e da azão Universo. El círculo alude al infinito, la base fundamental de todos los seres, pero en sí mismo carece de forma. Los hombres dotados de inteligencia y sentidos necesitan formas tangibles; de ahí el triángulo que constituye el comienzo de todas las formas, que al doblarse genera el cuadrado y así sucesivamente, hasta dar con la multitud de los seres, «las diez mil cosas», que el poeta Sengaï cifraba como la imagen o compendio del Universo. «Del texto de La divina Proporción, apretado entre los níveos márgenes, brotaba de nuevo el áspero entusiasmo del monje ebrio de belleza. Encontré allí también, al resplandor del gran incendio de las ideas del Renacimiento, la austera claridad de la antorcha traída de Egipto por Pitágoras, y, dorada por la sonrisa de Platón, era propiamente la brillante mística del Número Puro, rigiendo y traduciendo todo orden, toda belleza, desde el suspiro de la flauta hasta la armonía de las esferas. Como el audaz geómetra que antaño concibió la Gran Pirámide, como los arquitectos y filósofos del siglo de Pericles, el minorista Pacioli y sus amigos, Piero della Francesca, Alberti, Leonardo da Vinci, Jacopo dai Barbari, creían que en la naturaleza viva y en el arte, que es su emanación, resuena indefinidamente esta ley del Número. Bramante, Rafael, Miguel Ángel, Vignola, pensaban del mismo modo y estimaban también que el conocimiento completo de la Geometría, la meditación profunda de la Ciencia del Espacio eran indispensables a aquellos que con el pincel, el cincel o la cuerda debían crear o fijar las formas». M. C. GHYKA, Estética de las proporciones, Prefacio c oética e dE LA azÓN [ 19 ] CENOGRAFÍAS DA NUDEZ Isidro Hernández Gitiérrez «O homem não é mais que uma cana, a mais débil da natureza, mas uma cana que pensa. Toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento» BLAISE PASCAL I. A invisível melodia das formas T caba por ser não pouco arriscado ter que exercer um labor crítico perante a obra de Román Hernández, escultor que –em nossa opinão– leva a cabo um dos trabalhos mais rigorosos dentro do que entendeu chamar-se o radical deslocamento da reflexão artística, de modo que o âmbito específico da crítica ou o comentário passa a formar parte essencial do seu discurso criativo. Desde «Symmetria», as primeiras peças escultóricas que deu a conhecer no ano 1994, cada uma das suas obras propõem um dilema da proporção, do equilíbrio ou da simetria; confrontam os terrenos da pura abstracção com os da Natureza; mostram –enfim– o conflito interior entre os presssupostos conceptuais e axiológicos da escultura e o processo e resultado da obra, o objecto, a coisa em si artística. Posto a nu a estrutura exterior teórica da escultura, a vontade estilística do discurso é também uma vontade reflexiva sobre esse mesmo discurso, de modo que o criador –o autor– une em si a inspiração e a crítica. Com efeito, perante Román Hernández, ou confirmamos a tese de Argan –«a crítica tem uma única alternativa: ser pura arqueologia»–, ou acedemos a aproximar-nos da sua obra com un propósito mais criativo, isto é, de empatia ou de interpretação. Poderia dizer-se que o trabalho desenvolvido nestes últimos anos pelo autor desta exposição volta uma e outra vez sobre umas mesmas obsessões fundamentais; que o seu discurso escultórico gira em espiral sobre si mesmo, auscultando-se, abrindo caminho pelo difuso limite em que a criaçao plástica, os fundamentos da representação e as proporcções que a regem, coincidem. A sua é uma obra que nasce do elogio do pensamento e da reflexão humanas, em último termo, as únicas ferramentas válidas ao serviço do artista e da concepção primeira da sua obra. E é que, independentemente de que em todo o acto de criação intervenha em maior ou menos medida um processo de interiorização, de contínuas intervencões em busca da perfeição, esse impulso que tantas vezes se nutre do próprio ritmo da criação não pode –no caso de Román Hernández– deixar nada sujeito ao imprevisto. Tanto o material utilizado como a forma assumida acham-se ao serviço de um concetto ou ideia. Somente assim é possível entender as contínuas variantes que pairam sobre idênticos motivos e o uso obsessivo de uns poucos materiais: a [ 20 ] c oética e da azão ESCENOGRAFÍAS DE LA DESNUDEZ Isidro Hernández Gitiérrez «El hombre no es más que una caña, la más débil de la naturaleza, pero una caña que piensa. Toda nuestra dignidad consiste, pues, en el pensamiento» BLAISE PASCAL I. La invisible melodía de las formas e esulta no poco comprometido tener que ejercer una labor crítica ante la obra de Román Hernández, escultor que –en nuestra opinión– lleva a cabo uno de los trabajos más rigurosos dentro de lo que ha dado en llamarse el radical desplazamiento de la reflexión artística, de modo que el ámbito específico de la crítica o el comentario pasa a formar parte esencial de su discurso creativo. Desde «Symmetria», las primeras piezas escultóricas que dio a conocer en el año 1994, cada una de sus obras plantean un dilema de la proporción, del equilibrio o de la simetría; confrontan los terrenos de la pura abstracción con los de la Naturaleza; muestran –en fin– el conflicto interior entre los supuestos conceptuales y axiológicos de la escultura, y el proceso y resultado de la obra, el objeto, la cosa en sí artística. Puesto al desnudo el andamiaje teórico de la escultura, la voluntad estilística del discurso es también una voluntad reflexiva sobre ese mismo discurso, de modo que el creador –el autor– aúna en sí la inspiración y la crítica. En efecto, ante Román Hernández, o confirmamos la tesis de Argan –«la crítica tiene una sola alternativa: ser pura arqueología»–, o accedemos a aproximarnos a su obra con un propósito más creativo, esto es, de empatía o de interpretación. Podría decirse que el trabajo desarrollado en estos últimos años por el autor de esta muestra vuelve una y otra vez sobre unas mismas obsesiones fundamentales; que su discurso escultórico gira en espiral sobre sí mismo, auscultándose, abriéndose camino por el difuso límite en que la creación plástica, los fundamentos de la representación y las proporciones que la rigen, coinciden. La suya es una obra que nace del elogio del pensamiento y de la reflexión humanas, en último término, las únicas herramientas válidas al servicio del artista y de la concepción primera de su obra. Y es que, independientemente de que en todo acto de creación intervenga en mayor o menor medida un proceso de adentramiento, de continuas intervenciones en pos de la perfección, ese impulso que tantas veces se nutre del propio ritmo de la creación no puede –en el caso de Román Hernández– dejar nada sujeto a lo imprevisto. Tanto el material utilizado como la forma asumida se hallan al servicio de un concetto o idea. Sólo así es posible entender las continuas variantes que planean sobre idénticos motivos y el uso obsesivo de unos pocos c oética e dE LA azÓN [ 21 ] terracota, a madeira, o bronze ou a técnica mista. Entende-se asim que Román Hernández –consciente de que o rosto de uma época, a presente, não há-de reconhecer-se a não ser nas águas límpidas do seu passado– reitere as citações de Rafael, Leonardo ou Luca Pacioli, ou lhes renda homenagem em diversos trabalhos: foram eles, antes de mais nada, modelos do criador reflexivo, os mesmos que atribuíram a categorias matemáticas tais como a linha, o círculo ou a superfície a base de todo o problema de linguagem no campo das artes visuais. Todo este conjunto de influências extravasa nas figuras imaginadas pelo escultor, que indagam os parâmetros geométricos e as estruturas secretas que se encontram na base de toda a representação, pelo que estas aludem à actividade humana que procura ansiosamente esse saber, assim como a ordem invisível que rege a nebulosa do pensamento, isto é, esse não-saber sabendo que o homem ostenta e o faz único na sua espécie. Daí a série de terracotas policromadas «Oradores», pertenecentes à exposição «Commesuratio» (1996), na qual se representam as cabeças do doxógrafo, do poeta, do orador, do teólogo e do filósofo, alegorias dos distintos saberes do homem e do seu único modo de transmissão, a palavra, pois «a eloquência –afirma Pascal– é a pintura do pensamento». Daí o uso da escrita na própria obra, motivo pelo qual os críticos lhe atribuíram esse carácter hieroglífico ou hermético que convida à reflexão. Sem dúvida, o emprego, da caligrafia impressa em muitos dos seus trabalhos, assim como as constantes alusões a textos bíblicos ou manuais renascentistas dedicados ao estudo da proporção do corpo humano vão nesta mesma direcção, pois neste ponto fazer e dizer unem-se para ficar sobrepostos na graça de um mesmo acto. Deste modo, poderíamos chegar a afirmar que em séries posteriores como «Capita-Mensulae» (1999-2000) ou a «Homenagem a Luca Pacioli (I)» (2001) subjaz a teoria central da lingüística saussureana, segundo a qual a natureza do signo comporta, de um lado, o significante –a forma, o aspecto exterior do signo– e, do outro, o significado –a palavra, o fundo, o que diz de si a forma primeira. Esta misma liaison, este contínuo ir e vir da figura ao texto e do texto à figura, revela que para este escultor toda a imagem contém ou aguarda a palavra, e qualquer signo –lingüístico, visual, sonoro– é, em si mesmo, uma fonte de imagens. II. A expressão restante de Román Hernández Román Hernández rejeita o meramente aparente, o oportunismo e o tosco de boa parte da arte de hoje, as complacentes exigências do mercado –mais banal e aparatoso, cremos, do que exigente, autónomo e desinteressado– que tão gratuitamente se consideram artísticas. A sua obra compraz-se nas luzes, mas não nas do espectáculo, nem na das novas tecnologias aplicadas à arte, mas naquelas que surgem do convívio continuado com as refutacões do pensar. Tudo na sua obra, desde as cabeças humanas em estado pendular até aos mais pequenos fetiches, objectos ou formas geométricas em estado de absoluto repouso –predominantes nas naturezas mortas da sua última «Série branca»–, escapam às vicissitudes e poses do discurso incontrolado para –num marcado simbolismo– cultivar a ordem, a medida ou a proporção que proclamaram os nossos antigos. Não obstante, como mencionámos, a re-presentação nutre-se do simbolismo na medida em que descobrimos uma ocultação, alguma coisa ignorada que se torna inteligível através da forma; isso sim, um simbolismo que, paradoxalmente, tende para a nudez, a despossessão e a leveza. E é que, [ 22 ] c oética e da azão materiales: la terracota, la madera, el bronce o la técnica mixta. Se entiende así que Román Hernández –consciente de que el rostro de una época, la presente, no ha de reconocerse sino en las aguas límpidas de su pasado– reitere las citas de Rafael, Leonardo o Luca Pacioli, o les rinda homenaje en diversos trabajos: fueron ellos, antes que otra cosa, modelos del creador reflexivo, los mismos que atribuyeron a categorías matemáticas tales como la línea, el círculo o la superficie la base de todo problema de lenguaje en el campo de las artes visuales. Todo este acopio de influencias revierte en las figuras imaginadas por el escultor, que indagan los parámetros geométricos y las estructuras secretas que se encuentran en la base de toda representación, por lo que éstas aluden a la actividad humana que procura con ansias ese saber, así como al orden invisible que rige la nebulosa del pensamiento, esto es, ese no-saber sabiendo que el hombre ostenta y lo hace único en su especie. De ahí la serie de terracotas policromadas «Oradores», pertenecientes a la muestra «Commesuratio» (1996), en la que se representan las cabezas del doxógrafo, el poeta, el orador, el teólogo y el filósofo, alegorías de los distintos saberes del hombre y de su único modo de transmisión, la palabra, pues «la elocuencia –afirma Pascal– es la pintura del pensamiento». De ahí el uso de la escritura en la propia obra, motivo por el que los críticos le han atribuido ese carácter jeroglífico o hermético que invita a la reflexión. Desde luego, el empleo de la caligrafía impresa en muchos de sus trabajos, así como las constantes alusiones a textos bíblicos o manuales renacentistas dedicados al estudio de la proporción del cuerpo humano van en esta misma dirección, pues en este punto hacer y decir se aúnan para quedar imbricados en la gracia de un mismo acto. De este modo, podríamos llegar a afirmar que en series posteriores como «CapitaMensulae» (1999-2000) o el «Homenaje a Luca Pacioli (I)» (2001) subyace la teoría central de la lingüística saussureana, según la cual la naturaleza del signo comporta, de un lado, el significante –la forma, el aspecto exterior del signo– y, del otro, el significado –la palabra, el fondo, lo que dice de sí la forma primera. Esta misma liason, este continuo ir y venir desde la figura al texto y del texto a la figura, revela que para este escultor toda imagen contiene o aguarda la palabra, y cualquier signo –lingüístico, visual, sonoro– es, en sí mismo, una fuente de imágenes. II. El gesto restante de Román Hernández Román Hernández desecha lo meramente apariencial, el oportunismo y la simpleza de buena parte del arte de hoy, las complacientes exigencias del mercado –más banal y efectista, creemos, que exigente, autónomo y desinteresado– que tan gratuitamente se estiman artísticas. Su obra se regodea en las luces, pero no en las del espectáculo, ni en las de las nuevas tecnologías aplicadas al arte, sino en aquéllas que surgen del trato continuado con las refutaciones del pensar. Todo en su obra, desde las cabezas humanas en estado pendular hasta los más pequeños fetiches, objetos o formas geométricas en estado de absoluto reposo –predominantes en las naturalezas muertas de su última «Serie blanca»–, escapan a las vicisitudes y poses del discurso incontrolado para –desde un marcado simbolismo– cultivar el orden, la medida o la proporción que predicaron nuestros antiguos. No obstante, como hemos mencionado, la re-presentación se nutre del simbolismo en la medida en que advertimos una ocultación, algo ignorado que se hace inteligible a través de la forma; eso sí, un simbolismo que, paradójicamente, tiende a la desnudez, la desposesión c oética e dE LA azÓN [ 23 ] frente à carga emocional e autobiográfica que põem em prática alguns escultores actuais de reconhacido prestígio, e frente às dimensões quase arquitectónicas que adoptam as esculturas de outros, a obra que aqui apresentamos restringe-se à concisão do formato menor, próximo –diríamos– do tamanho insignificante de um homem no meio da imensidão do universo. Román Hernández que agora contemplamos –a sua «Série branca» (2002-2003)– as formas humanas se desvanecem, perdem o peso e a preeminência que se lhes tinha outorgado em peças anteriores. O autor persegue, agora, uma maior sujeição e austeridade nas estruturas secretas que fundamentam a obra, torna ainda mais exactas as proporções e medidas que se ocultam na estrutura exterior de cada coisa, os fios de uma invisível melodia que sustenta a gravidade sem peso de cada figura, tudo dirigido para a redução da forma e da matéria numas poucas linhas geométricas. De novo, as leis matemáticas do mundo proclamadas pelos antigos filósofos, o primeiro princípio dos seres –na sua dupla natureza, par e impar–, gravitam na atmosfera última do escultor: os números aparecem revestidos de toda uma simbologia que se resolve numa síntese superior, numa polaridade dialéctica onde se enlaçam o homem e o divino, nas forças contrárias do pitagorismo –o impar, indivisível, limitado; e o par, infinitamente divisível e inesgotável e limitado–. E, entre ambos, Román Hernández continua a buscar uma harmonia. Encontramo-nos, pois, perante uma concepção atomizada do Universo, se se quiser mínima –mas não minimalista– essencial, sobresignificada. A «Série branca» traduz uma espécie de matemática formal, uma mise en place dos alicerces, do disegno medular que articula qualquer corpo, um nu que alcança a escassez do desenho, o mesmo que –diria Yves Bonnefoy– se acha na base e fundamento de toda tentativa pictórica. Com efeito, as formas humanas vistas nos seus primeiros trabalhos oferecem motivo para uma espécie de retrocesso da materia até à sua armação mais simples, um significativo aligeiramento da linguagem que dá lugar a mil formas geométricas e figuras caprichosas –cactos, pirâmides, cubos, fórnices– dispostas no interior da moldura como se de uma diminuta cenografia se tratasse. Como o escultor italiano renascentista libertava da massa bruta da pedra a figura escondida no seu interior, assistimos aqui ao achado da dispositio que rege toda a escultura, tal e como reza o título de muitas destas peças: «Proporção Equilibrada», «Esferas em Movimento», «Dedução Concludente em Torno do Segmento e do Círculo», «Princípio Axiomatiforme», «Do Equilíbrio» ou, inclusive, «Teorema de Pitágoras». Também, e em consonância com essa expressão restante, é evidente que se manifesta temerosa a escolha do branco, ligado à ausência ou à morte; morte da cor, entende-se, signo de privação da forma ou, talvez, descida atá à estrutura tácita de toda matéria, ali onde quietação e movimento dão as mãos. «Configuración escultórica en torno a un postulado euclídeo» (Serie blanca), 2002. «Configuração escultórica em torno de um postulado euclidiano» (Série branca), 2002. [ Madera, 24 x 28 x 8 cm. ] Até quando muitos dos signos gráficos que com frequência acompanhavam a sua obra desapareceram sob a assepsia das suas últimas peças, o certo é que algumas delas bemn puderam considerar-se como [ 24 ] c oética e da azão y la levedad. Y es que, frente a la carga emocional o autobiográfica que ponen en práctica algunos escultores actuales de reconocido prestigio, y frente a las dimensiones casi arquitectónicas que adoptan las esculturas de otros, la obra que aquí presentamos se restringe a la concisión del formato menor, próximo –diríamos– al tamaño insignificante de un hombre en medio de la inmensidad del universo. Es así cómo en estas últimas obras de Román Hernández que ahora contemplamos –su «Serie blanca» (2002-2003)– las formas humanas se desvanecen, pierden el peso y la preeminencia que se les había otorgado en piezas anteriores. El autor persigue, ahora, una mayor sujeción y aplomo en las estructuras secretas que fundamentan la obra, precisa aún más las proporciones y medidas que se ocultan en el andamiaje de cada cosa, los hilos de una invisible melodía que sustenta la gravedad sin peso de cada figura, todo abocado hacia la reducción de la forma y la materia en unas pocas líneas geométricas. De nuevo, las leyes matemáticas del mundo predicadas por los antiguos filósofos, el primer principio de los seres –en su doble naturaleza, par e impar–, gravitan en la atmósfera última del escultor: los números aparecen revestidos de toda una simbología que se resuelve en una síntesis superior, en una polaridad dialéctica donde se enlazan el hombre y lo divino, en las fuerzas contrarias del pitagorismo –lo impar, indivisible, limitado; y lo par, infinitamente divisible e inagotable, y limitado–. Y, entre ambos, Román Hernández sigue buscando una armonía. «Proyecto escultórico ( I )» (Serie blanca), 2002. «Projecto escultórico ( I )» (Série branca), 2002. [ Madera, 24 x 24 x 4 cm. ] Nos encontramos, pues, ante una concepción atomizada del Universo, si se quiere mínima –que no minimalista– esencial, sobresignificada. La «Serie blanca» traduce una suerte de matemática formal, una mise en place de los cimientos, del disegno medular que articula cualquier cuerpo, un desnudo que alcanza la escasez del dibujo, el mismo que –diría Yves Bonnefoy– se halla en la base y fundamento de toda tentativa pictórica. En efecto, las formas humanas vistas en sus primeros trabajos dan pie a una suerte de involución de la materia hasta su armazón más simple, un significativo aligeramiento del lenguaje que da lugar a mil formas geométricas y figuras caprichosas –cactus, pirámides, cubos, hornacinas– dispuestas en el interior del marco como si de una diminuta escenografía se tratase. Como el escultor italiano renacentista liberaba de la masa bruta de la piedra la figura escondida en su interior, asistimos aquí al hallazgo de la dispositio que rige toda escultura, tal y como reza el título de muchas de estas piezas: «Proporción equilibrada», «Esferas en movimiento», «Deducción concluyente en torno al segmento y el círculo», «Principio axiomatiforme», «Del equilibrio» o, incluso, «Teorema de Pitágoras». Asimismo, y en consonancia con ese gesto restante, es evidente que no resulta azarosa la elección del blanco, ligado a la ausencia o a la muerte; muerte del color, se entiende, signo de privación de la forma o, quizás, descenso hasta la estructura tácita de toda materia, allí donde quietud y movimiento se dan la mano. Aún cuando muchos de los signos gráficos que con frecuencia acompañaban a su obra hayan desaparecido bajo la asepsia de sus últimas c oética e dE LA azÓN [ 25 ] uma espécie de reformulação moderna da linguagem cifrada dos emblemata, espelho do saber hermético da tradição renascentista. E é que quem visitar esta exposição comprovará até que ponto o seu autor volta a vista para as fontes do artístico, e como a sua obra entronca directamente com essa tradição humanista que lhe é tão cara, isso sim, a partir de uma releitura pessoal e absolutamente contemporânea. Neste sentido, «Jardim de cactos», «Projecto Escultórico» ou «Pirâmide e Cactos em Flor» –todas de 2002–, aproximam-se da sobriedade e concisão do lema ou motto do emblema, da imagem-ideia na qual o sentido supera o significado, pois trata-se de um dizer para além do explícito. Por tudo o que aqui comentamos, as criações de Román Hernández gozam da qualidade poética, da inesgotabilidade do sentido da imagem simbólica. Contudo, à margem da teorização do nosso discurso, pouco desvelamos da sua possível interpretação; as diferentes direcções para as quais se projecte a conotação da obra dependem de aspectos que se situam para lá da escultura, da escritura ou do emblema em sentido estricto, e que têm que ver com a recepção pessoal de cada um dos espectadores da sua obra. Que seja, pois, o visitante desta exposição que tenha a última palavra. A sua leitura partirá da multiplicidade de elementos prosódicos –para chamá-los de alguma maneira– que se apresentam perante o seu olhar, donde surgirá como uma onda expansiva a pluralidade do sentido, de maneira que o espectador deve acrescentar alguma coisa àquilo que contempla –uma palavra, um pensamento, um juízo de valor–, isso que Rodríguez de la Flor denominou «o esforço de exegese plural que a imagem pede infinitamente». «Forma onírica para un espacio regular» (Serie blanca), 2002. «Forma onírica para um espaço regular» (Série branca), 2002. [ Madera, 24 x 28 x 8 cm. ] [ 26 ] c oética e da azão piezas, lo cierto es que algunas de ellas bien pudieran considerarse como una suerte de reformulación moderna del lenguaje cifrado de los emblemata, espejo del saber hermético de la tradición renacentista. Y es que quien visite esta exposición comprobará hasta qué punto su autor vuelve la vista hacia las fuentes de lo artístico, y cómo su obra entronca directamente con esa tradición humanista que le es tan cara, eso sí, desde una relectura personal y absolutamente contemporánea. En este sentido, «Jardín de cactus», «Proyecto escultórico» o «Pirámide y cactus en flor» –todas de 2002–, se acercan a la sobriedad y concisión del lema o motto del emblema, a la imagen-idea en la que el sentido supera el significado, pues se trata de un decir más allá de lo explícito. «En torno a un espacio regular» (Serie blanca), 2003. «Em torno de um espaço regular» (Série branca), 2003. [ Madera, 24 x 24 x 4 cm. ] c oética e dE LA azÓN Por todo lo que aquí comentamos, las creaciones de Román Hernández gozan de la calidad poética, de la inagotabilidad del sentido de la imagen simbólica. Sin embargo, al margen de la teorización de nuestro discurso, poco desvelamos de su posible interpretación; las distintas direcciones hacia las que se proyecte la connotación de la obra dependen de aspectos que se sitúan más allá de la escultura, la escritura o el emblema en estricto sentido, y que tienen que ver con la recepción personal de cada uno de los espectadores de su obra. Que sea, pues, el visitante de esta muestra quien tenga la última palabra. Su lectura partirá de la multiplicidad de elementos prosódicos –por llamarlos de alguna manera– que se presentan ante su mirada, de donde surgirá como una onda expansiva la pluralidad del sentido, de manera que el espectador debe aportar algo a aquello que contempla –una palabra, un pensamiento, un juicio de valor–, eso que Rodríguez de la Flor ha denominado «el esfuerzo de exégesis plural que la imagen demanda infinitamente». [ 27 ] «Cara y plomada», 2000. «Cara e fio-de-prumo», 2000. [ Hierro y bronce, 25 x 75 x 8 cm. ] román hernández c [ oética e dE LA CATÁLOGO DE azÓN OBRAS ] «Plomada» (Serie instrumentos de medida), 1994. «Fio-de-prumo» (Série instrumentos de medida), 1994. [ Barro refractario, 16 x 34 x 12 cm. Col. del escultor ] [ 30 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 31 ] «Homenaje a Diego de Sagredo», 1994. «Homenagem a Diego de Sagredo», 1994. [ Técnica mixta, 80 x 30 x 20 cm. Col. privada ] [ 32 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 33 ] «Mayéutica», 1994. [ Barro refractario 28 x 80 x 37 cm. Col. del escultor ] [ 34 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 35 ] «Síntesis», 1996. «Síntese», 1996. [ Terracota policromada, 30 x 55 x 23 cm. Col. privada ] [ 36 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 37 ] «Estudio práctico completo para el hombre mecanizado del siglo XXI», 1996-97. «Estudo prático completo para o homem mecanizado do século XXI», 1996-97. [ Técnica mixta, 220 x 60 x 42 cm. Col. Galería Conca ] [ 38 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 39 ] «Deus omnipotens Praecinxit me virtute» (Dios omnipotente me coronó de virtudes), 2002-03. (Deus omnipotente coroou-me de virtudes), 2002-03. [ Técnica mixta, 55 x 43 x 15 cm. ] [ 40 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 41 ] «Tricordio pitagórico para establecer un universo sinfónico basado en los números» (Serie Commesuratio), 1997. «Tricordio pitagórico para estabelecer um universo sinfónico baseado nos números» (Série Commesuratio), 1997. [ Técnica mixta, 23 x 32 x 6 cm. Col. privada ] [ 42 ] c oética e da azão «Unidad de medida o ariete de medio palmo del dios obsceno» (Serie Commesuratio), 1997. «Unidade de medida ou aríete de meio palmo do deus obsceno» (Série Commesuratio), 1997. [ Técnica mixta, 23 x 32 x 6 cm. Col. del escultor ] c oética e dE LA azÓN [ 43 ] «Cuadratura para un caballo orgánico geométrico» (Serie Commesuratio), 1997. «Quadratura para um cavalo orgânico geométrico» (Série Commesuratio), 1997. [ Técnica mixta, 23 x 32 x 6 cm. Col . privada ] [ 44 ] c oética e da azão «Columna laterata pentagona solida» (Serie sólidos geométricos), 2001. «Columna laterata pentagona solida» (Série sólidos geométricos), 2001. [ Técnica mixta, 63 x 22 x 7 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 45 ] «Dodecaedro» (Serie sólidos geométricos), 2000. «Dodecaedro» (Série sólidos geométricos), 2000. [ Técnica mixta, 63 x 22 x 7 cm. ] [ 46 ] c oética e da azão «Prisma cuadrangular» (Serie sólidos geométricos), 2000. «Prisma quadrangular» (Série sólidos geométricos), 2000. [ Técnica mixta, 63 x 22 x 7 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 47 ] «Tetracedron planvs solidvs» (Serie sólidos geométricos), 2001. «Tetracedron planvs solidvs» (Série sólidos geométricos), 2001. [ Técnica mixta, 63 x 22 x 7 cm. ] [ 48 ] c oética e da azão «Pirámide trapezoidal» (Serie sólidos geométricos), 2000. «Pirâmide trapezoidal» (Série sólidos geométricos), 2000. [ Técnica mixta, 63 x 22 x 7 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 49 ] «Secretissima Scienza» (Serie Homenaje a Luca Pacioli), 2000. «Secretissima Scienza» (Série Homenagem a Luca Pacioli), 2000. [ Técnica mixta, 80 x 30 x 9 cm. ] [ 50 ] c oética e da azão «Figura compilada del natural con enorme trabajo y dispendio» (Serie Homenaje a Luca Pacioli), 2000. «Figura compilada do natural com enorme trabalho e dispêndio» (Série Homenagem a Luca Pacioli), 2000. [ Técnica mixta, 80 x 30 x 9 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 51 ] «¡Oh excelso espectador, te doy aquí unas humildes nociones sobre la construcción del exaedron planus solidus!» (Serie Homenaje a Luca Pacioli), 2000. «¡Oh excelso espectador, dou-te aquí umas humildes noções sobre a construção do exaedron planus solidus!» (Série Homenagem a Luca Pacioli), 2000. [ Técnica mixta, 80 x 30 x 9 cm. ] [ 52 ] c oética e da azão «Geometría razonada para la construcción del cuerpo esférico de Platón» (Serie Homenaje a Luca Pacioli), 2000. «Geometria pensada para a construção do corpo esférico de Platão» (Série Homenagem a Luca Pacioli), 2000. [ Técnica mixta, 80 x 30 x 9 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 53 ] «Dios Padre ejecutor, I» (Serie Capita mensulae), 1998-99. «Deu Pais executor, I» (Série Capita mensulae), 1998-99. [ Técnica mixta, 150 x 30 x 30 cm. ] [ 54 ] c oética e da azão «Dios Padre ejecutor, II» (Serie Capita mensulae), 1998-99. «Deu Pais executor, II» (Série Capita mensulae), 1998-99. [ Técnica mixta, 150 x 30 x 30 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 55 ] «Recuerdos de un metafísico-matemático» (Serie Capita mensulae), 1999-2000. «Recordações de um metafísico-matemático» (Série Capita mensulae), 1999-2000. [ Técnica mixta, 177 x 30,5 x 27 cm. ] [ 56 ] c oética e da azão «Y el sueño de la razón produjo pequeños monstruos (a Paula)» (Serie Capita mensulae), 1999-2000. «E o sonho da razão produziu pequenos monstros (a Paula)» (Série Capita mensulae), 1999-2000. [ Técnica mixta, 151 x 32,5 x 27 cm. Col. del escultor ] c oética e dE LA azÓN [ 57 ] «Exégeta para el IIº milenio» (Serie Capita mensulae), 2000. «Exegeta para el 2º milénio» (Série Capita mensulae), 2000. [ Técnica mixta, 166 x 33 x 25 cm. ] [ 58 ] c oética e da azão «San Sebastián defensor de la fe» (Serie Capita mensulae), 1999. «São Sebastião defensor da fé» (Série Capita mensulae), 1999. [ Técnica mixta, 164 x 37 x 25 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 59 ] «A la Divina Proporción», 2002. «À Divina Proporção», 2002 [ Técnica mixta, 147 x 32 x 21 cm. ] [ 60 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 61 ] «El mas aventajado y excelente es la cabeça, por que es el principio y origen del sentido y del movimiento voluntario, y por este fin tan principal su organizacion y compostura es admirable… Proceden della como de raiz las partes de la proporcion con que se forma el cuerpo y los nervios con que se nueve y asi començaremos della como de parte mas principal». «O mais avantajado e excelente é a cabeça, porque é o princípio e a origem do sentido e do movimento voluntário, e por este fim tão importante a sua organização e aspecto é admirável… Dela procedem como desde o início as partes da proporção com que se forma o corpo e os nervos com que se move e assim começaremos a partir dela como da parte mais importante». JUAN DE ARFE Y V ILLAFAÑE: De varia conmensuracion para la escultura y arquitectura, Sevilla, 1585, II, 1 «Cabezas» (Serie laberinto de pasiones). Instalación, 2000-02. «Cabeças» (Série labirinto de paixões). Instalação, 2000-02. [ Terracota policromada, tamaño natural ] [ 62 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 63 ] «Cabezas» (Serie laberinto de pasiones). Instalación, 2000-02. «Cabeças» (Série labirinto de paixões). Instalação, 2000-02. [ Terracota policromada, tamaño natural ] [ 64 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 65 ] «Cabezas» (Serie laberinto de pasiones). Instalación, 2000-02. «Cabeças» (Série labirinto de paixões). Instalação, 2000-02. [ Terracota policromada, tamaño natural ] [ 66 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 67 ] «Cabezas» (Serie laberinto de pasiones). Instalación, 2000-02. «Cabeças» (Série labirinto de paixões). Instalação, 2000-02. [ Terracota policromada, tamaño natural ] [ 68 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 69 ] «Durero me enseñó cómo construir una hermosa mujer a partir de ciertas reglas y principios», 2001. «Dürer ensinou-me como construir uma mulher formosa a partir de certas regras e princípios», 2001. [ Terracota policromada y madera, 159 x 45 x 25 cm. ] [ 70 ] c oética e da azão «Instrumentos del intelecto», 2003. «Instrumentos do inteleto», 2003. [ Técnica mixta, 162 x 46 x 26 cm. ] c oética e dE LA azÓN [ 71 ] «Espacio habitado para un orden constructivo», 2003. «Espaço habitado para uma ordem construtiva», 2003. [ Terracota policromada y madera, 160 x 41 x 26 cm. Col. del escultor ] [ 72 ] c oética e da azão «Busto, plomada y esfera», 2001. «Busto, fio-de-prumo e esfera», 2001. [ Terracota policromada y madera, 159 x 45 x 25 cm. Col. privada. ] c oética e dE LA azÓN [ 73 ] «Homenaje a Leonardo», 2003. «Homenagem a Leonardo», 2003. [ Bronce, 171 x 44 x 26 cm. ] [ 74 ] c oética e da azão c oética e dE LA azÓN [ 75 ] SYMMETRIA «SYMMETRIA» NOTAS PARA UNA EXPOSICIÓN UNA EXPOSICIÓN DE ROMÁN HERNÁNDEZ I Bastó la llama prometeica en su caída para revelar el esqueleto de lo visible, la arquitectura de lo soñado por el dios, materia primigenia que unas manos piensan, reducen a la claridad mínima del concepto. II Cabeza-cofre. Unidad primera. Medida de lo antaño creído centro de las cosas, hoy orfandad, espacio sin ratio. Un mismo barro nos manifiesta. Polvo. Materia. Rostro. Fractura de la unidad primera. Escisión que interroga y abre con negra voz un silencio de sílabas cercenadas. Sienes que desvelan el interior forzado del alma. Nada oculta allí el vacío. Compás, plomada, son formas del óxido del hierro violentado por la mano, sustraído a la montaña. Metal profanado y heridor, útil de muerte, instrumento de dominio y configurador de formas. La propia mano redime la herramienta, cuando es el hierro mayéutica del concepto. III Los maniquíes abandonaron la misión asignada. Han sido devueltos, con la extinción del tiempo, desde sus bottegue y escuelas originarias, para afirmarse como obra y como metáfora. IV Estos cuerpos son volúmenes sugeridos, dibujados en el espacio. Prescinde la mano creadora de la masa corpórea. El volumen es la forma insinuada, esencial, contra el hueco, desde el hueco. Los alambres trazan la nada de la forma en la luz. Varillas, tuercas, tea, piezas inverosímiles, arcos, líneas. Transparencia y solidez. Forma y espacio. Roberto A. Cabrera Texto del catálogo de la exposición «Symmetria» (esculturas), editado por el Excmo. Cabildo Insular de Tenerife, Santa Cruz de Tenerife, 1994. El espacio y la forma construyen la escultura. Sin espacio no existe la forma y sin forma no existe el espacio. Ambos elementos no existen en sí. La existencia de ellos no está en su esencialidad sino en la relación que la mente establece. En la pintura sucede que el espacio que limita el cuadro tiene dos dimensiones y la forma posee una tercera dimensión virtual no mensurable. En la escultura no existe lo virtual; de ahí la tangibilidad de espacio y forma y su mensurabilidad. La percepción de la escultura tiene su centro en ella misma; es una percepción esférica. En la pintura, la percepción sólo se desarrolla en un plano y la percepción virtual crea la perspectiva. El espacio no existente se hace presente por medio de un acuerdo mental. Es una percepción en un plano y el observador es el centro de la forma del cuadro. Estas proposiciones denotan las diferencias que existen entre la pintura y la escultura. La consideración axiológica, el juicio de valor, es también una contingencia mental acerca de los objetos pintura y escultura. Existen dos juicios de valor: el utilitario y el del arte. La vigencia del primero es secundaria. La vigencia del segundo deviene primaria cuando la mente crea en la escultura y la pintura, pongo por caso, la obra de arte. Obra es materia pura sin atributos y su misión es sustentar los calificativos. De, es una preposición conflictiva porque denota posesión, procedencia, contenido, cualidad, tiempo en el que algo sucede. Arte no sabemos con claridad qué es. La masa elocutiva de la frase «obra de arte” contiene pues un secreto y seguimos dialogando sobre su significado. En la construcción de la obra de arte el sentido de la materia viene dado por lo que la mente pone en ella transformándola en eso que nombramos arte. Más tarde se emprende el proceso de averiguación acerca de qué es lo que se ha de integrar en la materia para que esta devenga en arte. La respuesta puede ser que el arte sólo tiene la finalidad en sí mismo; el arte es una cosa mental. Escritas estas proposiciones ya podemos pasar a la percepción de la obra que Román c oética e dE LA azÓN [ 79 ] Hernández expone con el título genérico de Symmetria en la ermita de San Miguel de La Laguna. Se trata primero de percibir y luego integrar en la mente lo percibido. Y el trabajo posterior consiste en el análisis de esta percepción. Sabemos por Wittgenstein que un punto en el espacio es un lugar de argumento. De este modo los objetos que el escultor nos presenta constituyen los argumentos significativos del símbolo: la medida del cuerpo humano. Pero lo que yo hallo en esta exposición es precisamente es la mentira del número y lo apócrifo (increíble y falso) de la envoltura humana como medida del universo o como signo místico. Tratemos de las cabezas de arcilla y quedémonos con su ironía, es decir, con la representación contraria a lo que sería su verdad. Ninguna mayéutica es posible, nada se me hace consciente, nada sé antes de que el escultor me lo haga saber. Comienzo a entender su discurso cuando la arcilla se abre ante mí y se convierte en guardiana de vacíos o de instrumentos mágicos, es decir, imprevistos en la lógica sucesión de aconteceres porque, «no hay en la lógica números privilegiados ni hay tampoco ningún monismo o dualismo filosófico». La argumentación agustiniana de la medida de las cosas no me sirve para el hombre ni para juzgar lo representativo. Por eso, ante las esculturas que Román Hernández ha edificado se me hace cierta una proposición contraria a la enunciada por el autor del Tractatus: «Nosotros nos hacemos figuras de los hechos», por «nosotros nos hacemos hechos de las figuras». Esto es lo que sucede aquí, porque la carencia de lógica en la representación significa precisamente la esencia de la palabra arte y por ello es que me encuentro ante un lenguaje que se ha construido ajeno a mi participación y que intento descifrar con la ayuda de mi imaginación y no con la ayuda de la lógica. He de decir también —y esta es una proposición personal únicamente— que la obra de arte me ha de producir un sentimiento de inquietud cuando la contemplo, de modo que he de advertir ese movimiento en mi consideración crítica de una obra para que consiga, además, interesarme. Esto me ha sucedido en la visita a la exposición. La inquietud se basa en la soledad que a cada escultura pertenece; también al tiempo que le es propio, un tiempo antiguo que nos rodea apenas iniciamos el paseo por la ermita, y que ha sido trascendido y lleva también un cierto aroma a Giorgio de Chirico. Entonces me doy cuenta de que toda la sala es una escultura unitaria y que Román Hernández ha fabricado una «Gestalt», que no hay partes en el todo, que los maniquíes contemplan como yo desde su breve altura aquel universo clásico y surreal, en parigual manera. Y que el visitante es una figura más cuando entra en el espacio del recinto, para pertenecer ya a la misteriosa estructura docente que aquello es. Afirmo que, raramente, una exhibición de arte me ha preocupado tanto. No ha sido sólo la belleza de las formas, el comprender la maestría en la utilización del barro, la madera, el hierro, la selección de los elementos constructivos, el trabajo de la imaginación. Ha habido algo más: el tener la certeza de que me encontraba ante la obra de un escultor que no busca dentro del bloque de mármol lo que hay en él sino que construye en el espacio y con absoluta validez. Lo que en esto no hay: la imagen de esa paradoja en que el ser humano consiste. Carlos Pinto Grote Texto publicado por el Diario de Avisos, martes, 27 de diciembre de 1994, pág. 24. DE VARIA COMMENSURACION Pocos podían imaginar de entre los teóricos del Renacimiento, tanto italianos como españoles, de Alberti a Villalpando, pasando por el De Corporibus Regularibus, de Piero della Francesca o el De Divina Proportione de Fra Luca Pacioli, que entre los muchos exegetas que en la historia han sido, iba a nacerles a finales del siglo XX, y en pleno Atlántico, en la restallante eclosión canaria, un estudioso que, superando las limitaciones históricas que los códigos académicos conllevan, propusiera creativamente una relectura moderna de la arquitectura interior de los cuerpos cual si de un aventajado discípulo de la Bauhaus se tratara. Y no solo de los cuerpos. Román Hernández pretende dar un paso más allá de la evidencia exterior de lo anatómico, en la línea con lo ya expuesto con anterioridad, para [ 80 ] c oética e da azão bucear en la estructura sublime de los sólidos. Nos propone que seamos capaces, en esa labor de depuración, de encontrar aquello que es esencial y trascendente, aquello que resulta menos mensurable, pero que define, rige y articula lo espiritual. Nos alienta a una labor de análisis riguroso de las anfractuosidades cerebrales, convertidas en formas volumétricas perfectas donde surgen valores, ritmos y plomadas que ordenan escalas, medidas y proporciones, a la manera que proponía Pomponio Gáurico en De sculptura (1504). Estas propuestas no las hace Román Hernández con soluciones miméticas de interpretaciones precedentes, sino con la lucidez profunda que le permiten tanto las reflexiones teóricas como las modernas opciones de las técnicas mixtas, donde los materiales clásicos (hierros, maderas, terracotas) se enhebran de manera armónica con los técnicamente más elaborados (acrílicos, gres, resina de poliéster) para establecer propuestas estáticas y ortogonales (escuadras, marcos, paralelepípedos...) susceptibles, si se quisiera, de proporcionar movimiento sin descomponer su armonía. Partiendo de los maniquíes articulados ya conocidos, nos incita a encontrar artilugios que nos permitan incluso medir la razón. Tal es el grado de profundidad que quiere imbuir a sus composiciones y tal debe ser el modo con el que hemos de acercarnos, tras superar y acaso despreciar su primera y obvia lectura, a unas piezas colmadas de serenidad dinámica que penetran en el juego rítmico de sus esencias. Carlos Pérez Reyes Texto del catálogo de la exposición «Commesuratio» (esculturas), editado por el Servicio de Publicaciones de la Caja General de Ahorros de Canarias, Santa Cruz de Tenerife, 1996. RAZÓN E IRONÍA ¿Qué medidas ofrece el “Definitor imposible”? ¿Qué figura registran sus plomadas? ¿Qué proporciones revela? Descendiente absurdo del finitorum albertiano, ambición irrealizable de la medida absoluta, objetiva, de las formas, medidor frustrado, trasto inquietante, quimera, sin sentido, aborto de c oética e dE LA azÓN [ 81 ] las luces, extravío de-mente. O, tal vez, metáfora de empresas imposibles, de ambiciones sesgadas, disparate o sueño sin techo. La racionalidad imponiendo orden al caos del mundo: medida, cálculo, número. Reducción quijotesca a dimensiones cuantificables. Dominio del mundo. Pero la realidad se burla y empaña inmisericorde estas glorias que son irreverencias, impiedad, hybris punible. Objeto final para una ironía inocente. Sin embargo, ¿cabe hablar de inocencia en la ironía que ocultan estas piezas? La mirada se detiene en otro objeto imposible: «Instrumento para medir la razón». Poleas de dudosa utilidad, movimiento inefectivo, circular, caricatura de metafísico. ¿Y qué otra cosa es el pensamiento más allá de esta moción aparatosa de esferas, rueda sin eje, mecanismo irremediablemente oxidado? La verdadera mirada, la del lector, que pasa desinteresadamente su atención por estos objetos-escritura, pintura, volumen, espacialidad mixta: signo inequívoco de modernidad, a la manera de un niño. Los objetos aquí reunidos han de leerse como signos arruinados por el tiempo, por su acción necesaria. La ingenuidad de la mirada deviene luego melancolía, renuncia, postración. Y esa mirada lúcida, que los objetos expuestos propician, como experiencia de la nulidad de todo lo que es, ¿no nos exige, a su vez, el reconocimiento de un amor fati, una aceptación integral, movida por un entusiasmo afirmador, de la vida, aun en sus aspectos crueles y desconcertantes? «Todo material artístico reposa sobre una abstracción» (Pessoa) Abstracción, añadiríamos, en este caso, de un par obsesivo: ironía-tiempo. Ironía presente, una vez más, en la «Estancia para el instrumento del conocimiento». Ironía de hallar entronizada la razón en un cofre, en una caja con la tapa (¿la de los sesos?) abierta y no observar otra cosa que naturaleza muerta, fósil de memorias ya disueltas, sedimento cosificado del espíritu que perece. Denuncia, también, del tiempo, que la mirada encuentra en las pátinas de los materiales, en su presentación fragmentaria, en la propia “textualidad” del barro, de la madera gastada, del óxido de hierro. «Serie Oradores». La serie de los dominados por la palabra, sus siervos. Poeta, filósofo, teólogo... Filósofo y poeta miran el mundo a debida distancia. Melancolía lúcida. El teólogo apunta verticalmente a la divinidad, cerrados los ojos. Su mirada interior se eleva en silencio, sin mediación posible. Interroga al oculto con palabras que son como el fuego, extremas. Piensa en una luz que sólo él ve. Roberto A. Cabrera Texto del catálogo de la exposición «Commesuratio» (esculturas), editado por el Servicio de Publicaciones de la Caja General de Ahorros de Canarias, Santa Cruz de Tenerife, 1996. al cabo, enfrentarse a su propia inconmensurabilidad. El ojo no puede medirse a sí mismo. Y, sin embargo, sabe oscuramente que en él reside la medida originaria. También lo sabe el cerebro, ese infinito ojo interior que nunca puede contemplarse a sí mismo porque la razón será siempre una reflexión imperfecta. IV EL SUEÑO DE LA MEDIDA I Alto, entre almenas abiertas a los astros, un hombre sueña. Sueña la medida del hombre. Desciende por escalas movedizas hasta la visión de una esfera. Los astros giran inmóviles sobre su cabeza plegada en el laberinto del sueño. La esfera soñada contiene un laberinto, una danza de grutas adonde llega cernida la luz de los astros. El hombre, entonces, podría oír esta voz en su sueño: «Primeramente, los dioses, imitando la forma esférica del universo, incluyeron las dos direcciones divinas en un cuerpo esférico, que, a saber, denominamos hoy cabeza, la cual es la parte más divina de nosotros y señora de todo lo que en nosotros existe». II La medida del hombre es la medida de un sueño. De ese sueño quedan sólo fragmentos, turbias imágenes, retazos inconexos. Desde su caverna sustraída a la luz, desde el dédalo de su cráneo cavernoso, sin embargo, el hombre busca el sentido de su forma. Lo ha buscado desde la huella de la mano que en Altamira imprime armonía al conjunto informe de los animales oscuros, hasta los pies o las manos que en la pintura de Tàpies otorgan sentido al silencio de la materia. III La obra de Román Hernández, es una meditación sobre la medida del hombre. Rostros, ojos, dedos, orejas, huesos, son a la vez instrumentos y objetos de la medición. «Medida del ojo medidor», se titula una de estas piezas. El ojo traza coordenadas y diagramas, instaura perspectivas, elabora toda una compleja maquinaria de medición para, En «Ojo para un esquema constructivo del cuerpo humano» asistimos a una operación analógica por la que el cuerpo del hombre se configura a partir de la medida del ojo. El resultado recuerda los maniquíes que Oskar Schlemmer diseñó para sus ballets triádicos. En 1977 el gran coreógrafo y bailarín alemán Gerhard Bohner reconstruyó esos ballets, y en 1989, tres años antes de morir, crea la trilogía «Im (Goldenen) Schnitt» («En la sección (áurea)»). En esta obra los movimientos del cuerpo configuran esquemas abstractos y primordiales en un viaje por el espacio que es, también, un pulso con el tiempo. Bohner relata así esta experiencia: «Fui a través del cuerpo y empecé por hacer un estudio para cada articulación. Los movimientos debían reducirse drásticamente. De 100.000 movimientos del codo, por ejemplo, sólo podía adoptar tres». Asistimos aquí a una especie de ritualización del movimiento corporal que, en última instancia, busca la «sección dorada» del cuerpo humano. También en las piezas de Román Hernández presenciamos esa búsqueda de la clave de la medida, aunque en este caso los movimientos se han sustituido por iconos de tensa inmovilidad: el compás y la plomada están quietos, pero indican un movimiento perpetuo que nos contiene y nos configura. V Apenas se entenderán, sin embargo, estas piezas de la serie «Conmensuratio» si no se lee en ellas, como a trasluz, la ironía melancólica de que ha hablado Roberto A. Cabrera refiriéndose a algunas de estas obras. La frontalidad con que se nos presentan los despojos humanos destinados a la medición, la crudeza con que se exponen ante nosotros esos instrumentos de trepanación (cuyo negativo, acaso, sería el tricordio pitagórico de alguna de estas cajas) o esos diagramas en que se insertan una figura o un rostro humanos carentes de substancia, son los modos que tiene esa ironía de provocar sutilmente nuestro [ 82 ] c oética e da azão desengaño (barroco) ante los designios de la automedición humana. En una época en que la reproducción mecánica del hombre por el hombre se ha vuelto inminente, la ironía proyectada sobre estos designios, y la lectura de los textos antiguos de Platón, Pomponio Gáurico, Alain de Lille o L. B. Alberti, no deja de ser profundamente lúcida. La mecanización es la consecuencia última de la medición, parece decírsenos. La frontera entre una sección áurea que nos devuelva al origen de nuestro cuerpo en armonía con el espacio y con el tiempo, y una clave de la medida que nos permita esa temida intervención reproductora en el tejido genético, es una frontera tan fluctuante, que ante ella apenas cabe una actitud distinta de la ironía melancólica de estas piezas. El compás puede medir en sueños nuestro cráneo y hacerle recordar su origen en la esfera de los astros. Pero también puede medirlo para la reproducción de un cráneo que ya no será humano, sino el fruto de una pesadilla de la ciencia. Rafael-José Díaz Texto del catálogo de la exposición «De Humani Corporis Fabrica MCMXCIV-MCMXCVII»I, editado por la Viceconsejería de Cultura y Deportes del Gobierno de Canarias, La Laguna, 1998. LA ESFERA CRISTALINA Sin horizontes, sin pasado: el fin de la historia. En la experiencia de los que viven ya habitando el siglo XXI sólo hay presente. La innovación se ha desligado de la novedad, porque ésta implica un antes, inexistente. La reproducción del presente se deconstruye mediante estrategias irónicas y la introducción de agendas políticamente correctas: activismos, apropiaciones, parodias, economías de la representación. En los confines del territorio creativo de Román Hernández se respira la atmósfera fría y analítica del desplazamiento; pero aquí, desde la historia. Estatuaria y antinorma Desde el principio, Román Hernández se ha prodigado en homenajes a quienes él c oética e dE LA azÓN [ 83 ] considera sus maestros: Leonardo, Luca Paccioli, Diego de Sagredo... Guías pretéritas, de un tiempo en el que todavía se confiaba en la razón sabia, clave y nomenclatura de la realidad. Pero, como unas lecturas llevan a otras, su fascinación por matemáticas y filosofía le ha llevado a Platón, San Agustín..., incluso a las Sagradas Escrituras como fuente de inspiración, una vía principal en la que convergen itinerarios menos frecuentados: L. B. Alberti, Gáurico, Juan de Arfe... Su perfil erudito le sitúa hoy en día en un terreno poco frecuentado, el del conocimiento de los fundamentos geométricos de la representación del cuerpo humano que, durante el largo curso de la tradición clásica, se consideró el problema central de la estatuaria. La escultura heroica, civilmente ejemplar, es un sucederse de variaciones del canon y éste no es sino manifestación bella de la inteligibilidad. El hombre se erige como sujeto consciente de la racionalidad inscrita en la naturaleza, sólo a veces evidente. Pero la mirada del contemplador va más allá de la belleza aparente y su comprensión geométrica se salda con los modelos superadores de las proporciones del canon. Sin embargo, a partir del siglo XVI esa fe comienza a quebrarse. Primero será el problema de la expresión, de la que da cuenta este nuevo «Homenaje a Leonardo», de cuencas hundidas por la vejez y la ansiedad visionaria, rostro y peana surcadas por la escritura enigmática del tiempo, del que pendula una humilde plomada. Luego, el afloramiento de la antinorma se va trasvistiendo con diversas excusas: la relatividad del gusto del individuo y las tipologías de las razas, el conmover (movere) más que enseñar o deleitar (docere et delectare), la novedad... en una representación del cuerpo humano cada vez más particularizada, y fragmentada, dislocada. Esta fricción entre el orden matemático y la arbitrariedad humana, norma y antinorma, es el terreno en el que transita el trabajo de Román Hernández. Su erudición está puesta al servicio de un diálogo entre contemporaneidad y tradición. Ya en su primera exposición individual «Symmetria» (1994), se ensayaban puentes entre el legado histórico y las contestaciones contemporáneas: los maniquíes y móviles maquinistas que enlazaban el artificioso barroco con propuestas de resonancias dadaístas y surrealistas, junto a una vuelta a cánones medievales comprometidos en las poéticas del expresionismo existencialista. Después, conforme se hace explícita y cada vez más pulcra una sistemática de los fundamentos históricos de la geometría aplicada a la representación del cuerpo humano («Commensuratio», 1996), se va gestando una poética de lo siniestro: medidas aplicadas a dedos amputados, trepanaciones, cerebros diseccionados... («Innata Ratio», 1997), usando la sintaxis histórica como soporte para el desplazamiento irónico. Fisiognómica Con los «Oradores» (1996), en la indagación arqueológica de Román Hernández se inicia un capítulo que ocupa hasta ahora la redacción iconográfica de su escultura. Los «Oradores» (Doxógrafo, Orador, Teólogo, Filósofo, Poeta) son una serie de cabezas que hablan de las distintas vertientes del conocimiento humano y su transmisión. Péndulos, palometas, clavos de trepanación, cuerdas y circunferencias metálicas de contención sobre el cráneo son algunos de los atributos de la opinión caprichosa, la ocasión del discurso, la clausura de la teodicea, la sinrazón de la pasión intelectual, el mensaje de la visión predictiva, cuya medición va inscrita sobre la piel según un orden de proporciones de facultades cerebrales y sensitivas: perímetro, frente, ojos, boca. Un repertorio expresivo de tipos fisiognómicos tomados de la persistente tradición barroca española en la imaginería religiosa, iniciada con Alonso Cano y Pedro de Mena en el XVII y que será ampliada y reiterada, durante el XVIII, desde el influjo de L'Art de connaître les hommes par la Physionomie de Lavater a la vulgarización estandarizada de los santos patronos de nuestras parroquias: imaginería dirigida a conmover, por medio de la acentuación de los caracteres, rasgos e inclinaciones en una época sentimental. anhelo aeternitatis y frustración pragmática. Y el trasfondo moral, jugando entre lo severo y lo sarcástico, cobra protagonismo a través de la configuración sensual de las facciones. Miradas lábiles, mejillas carnosas, rictus escépticos, se combinan con esferas de colores, yuxtaponiendo humanidad y perfección, como ocurre ya en la pieza «Principio y origen del sentido» (1997) y que por la irrupción de la policromía inaugura un nuevo estadio en su trayectoria, ahora más depurada, ácida y luminosa. Taxonomía Es sintomático del diálogo que Román Hernández establece con la historia desde el presente la indefinición de los medios expresivos de la escultura. Su obra, ajena al purismo del volumen estatuario, se encuentra cómoda con los recursos de la grafía, el agregado de materiales humildes, el color e incluso el marco de la pintura. Las Capita mensulae parecen desmembradas de órdenes de antiguas arquitecturas mientras su serie de inspiración africana «Máscaras» recuerda taxonomías académicas, análisis fragmentados de un pretendido saber unitario. El dictum del fragmento y del comentario residual comunes —la sensibilidad postmoderna— se hace explícito en la serie de cajones (como si fueran extraídos de un archivo concluso antes de su exposición) formado por las parejas de cerebros de la Secretissima Scienza, las miradas a lo oculto y lo maléfico y, finalmente, la dicotomía visióngusto, que vuelve sobre la escisión del sentido noble de la visión («No hay nada en el intelecto que previamente no se haya ofrecido a los sentidos»), pálida y cristalina por su pureza, frente a la sanguínea, sonrosada, representación de olfato y gusto («Puerta por la que el intelecto entiende y gusta»). Pero, aun siendo fragmento, ¿no es éste un esfuerzo de clarificación para nuestra sociedad del espectáculo? Pero aún presente en los recuerdos de infancia de Román: «cuando mis padres me llevaban a las iglesias y rituales procesionales para participar en aquellas manifestaciones de fe con tintes dramáticos, lúdico-festivos y teatrales. Observar y amar, como decía mi madre, al “Señor muerto”, besarle los pies... pero todo ello lo viví sin demasiadas explicaciones y en cierta manera fui creándome una visión muy personal». Aquellos otrora santos, rostros del bagaje kitsch –fuente de la fantasía siempre surreal del mestizaje canario, en opinión de Breton–, los encontramos ahora convertidos en una galería de personajes ejemplares para el distanciamiento crítico. Las obras de Román se nos proponen como un paréntesis, pero adjunto a las inquietudes apremiantes de la actualidad. El enrarecido clima moral de fin de siglo le ha llevado a la revisión del Apocalipsis, como un decepcionado «Exégeta para el IIº milenio». El homenaje-denuncia de «El pensador corrupto» se muestra junto al «Dios-Padre ejecutor», que se identifica como «el indicado para proceder a mover la Rueda de la fortuna y del castigo». Pues el problema de la antinorma queda suspendido en la tensión entre razón y voluntad, También como una filtración del estado actual puede considerarse su interés en [ 84 ] c oética e da azão determinar un nuevo repertorio canónico de la representación figurativa de las culturas africanas, en el momento presente de globalización, que en Canarias se vive como un estrechamiento de los lazos geopolíticos a través del Atlántico. Las máscaras, utilizadas frecuentemente en la tradición vanguardista al servicio de la renovación del lenguaje formal, entran a formar parte de la Secretissima scienza, dejando un rastro de luminoso colorido en el resto de su producción. Lo deforme femenino En esta muestra, sólo una obra presenta el cuerpo completo, aunque se muestre como una parodia del ideal unitario de la estatuaria: “La tentación de Adán”. Se trata de un pequeño monumento, cuyo pedestal es desproporcionadamente elevado, ceremonioso y estrecho para la tosca y voluminosa mujer que sostiene. Como un engendro entre las figurillas de fertilidad prehistóricas y las proporciones medievales ridiculizadas, la grosera Eva encarna el «eterno deforme femenino». En la tradición que Román atiende no hay estudios de proporciones matemáticas acerca de la constitución de la mujer. El análisis geométrico siempre se adecuó al cuerpo del hombre, estableciendo una alianza duradera y «natural» entre racionalidad y masculinidad. De la mujer quedó la epidermis, sujeto (pictórico) de deseo de la representación masculina, sólo aparentemente bella. Pues bellas, verdaderamente, sólo podían ser las figuras masculinizadas de Miguel Ángel, o los desnudos homo eróticos de Canova. En Román, es una fijación que se repite, desde sus primeras obras. La representación de la mujer siempre es la de un cuerpo, inaccesible a la «Mayéutica» (1994). El modelo del «eterno deforme femenino» llega aquí hasta el sarcasmo, en esta Eva cuyo rostro ha sido sustituido por una esfera roja, recubierto por una pobre pelambrera y que se repite en la esfera que casi como un juego pende de la manita cuyo índice señala el seno. La esfera, símbolo de perfección (azul) o de su opuesto, el mal (negro) en otras obras, luce rojo pulsión quizás como indicio de otras plenitudes. O tal vez, sólo burla y escarnio de la esfera cristalina. Rocío de la Villa Texto del catálogo de la exposición «Confesiones para la ironía y la razón», editado por la Galería Mácula, La Laguna, 2000. c oética e dE LA azÓN [ 85 ] SOBRE LA RAZÓN IRÓNICA CUATRO LECTURAS Sede de la Sabiduría El cerebro y su signo: un cuero pésimo, lastre burdísimo, inaguantable. El cuero apesta, no hay duda. Un creyente: «La caña dual, el cerebro o el espíritu, el cerebro o la carne, infinitudfinitud. Hay aquí como un eco de viejas discusiones. Si aceptamos ese cerebro como símbolo del alma puede apreciarse el lugar natural que le corresponde. El alma, ente superior, ha de gobernar la carne (léase cuero de cabra), idea que se resuelve indiscutiblemente mediante los hilos que unen el cerebro con el cuero. Así la carne aparenta vida, no siendo sino máquina impulsada por el alma. Rotos los hilos, perdido todo contacto con la glándula pineal (esas teorías exquisitas de antaño, esos juegos olvidados tras los infalibles Popper-Eccles, platónicos de bata blanca) la carne muere, pues no es vida, y vive sólo el alma, que es de Dios y a su Vida apunta (Amén)». Un nihilista: «El cuero es un símbolo inequívoco de nuestra naturaleza. Es preciso que ese cuero nos insulte, como toda verdad de provecho. ¡La sede del Temor a Dios, un cuero putrefacto!» Un libertino: «Al cerebro le duelen las neuronas de puro pensar sin sexo». Fósil rítmico o centro quebrado Algunos cerebros cuelgan de sus dueños como atraídos hacia lo alto por nubes caprichosas, como si experimentaran los rigores de una fuerza de gravedad inversa. Estas gentes suelen sufrir dolores como al revés sin que logren sospechar el placer de dolores cómodos, amables, provistos de la dignidad encantadora de un sofá en salones desiertos. Un cerebro de esta naturaleza precisa de una maquinaria inconcebible que los sujete, confinándolos en su cavidad craneal. Tan irresistible es la fuerza vertical que tira de ellos que es natural temer que rompan el cráneo, descorchándose con la rabia incontenible de las sidras vulgares. Por lo común, estos artilugios garantizan a sus usuarios inmovilidad cerebral forzosa. Pero la imprudencia de algunos a la hora de dormir la siesta, la intemperancia o el descuido imbécil de otros han ocasionado accidentes horribles. Las cabezas de estos desgraciados, convertidos sin aviso en morteros ambulantes, disparan con sorda detonación los cerebros, que se elevan con la gracia fúnebre de misiles inteligentes. Los transeúntes, desconcertados, en vano se esfuerzan en perseguir los proyectiles con la vista, pues ya se pierden, traspasan las últimas nubes y abandonan definitivamente la atmósfera. Los periódicos locales suelen hacerse eco con generosidad de sucesos pirotécnicos como éstos, aunque rara es la vez, sin que sepamos la causa, que periódicos de ámbito nacional los divulguen. Pero no quería ocuparme de estos cerebros indóciles. Otra especie, por desgracia más abundante, ha de atraernos la atención. Me refiero a esos cerebros graves, enclavados firmemente, en sus cabezas, sobre los hombros, con el peso soberbio de un pilar catedralicio. ¡Qué lentitud pasmosa la de estos cerebros! Dormitan, como osos cavernarios, ahítos de su dolce non far niente, moluscos fosilizados que llevan esos pies a pasear, a la oficina o al mercado. Los portadores de estos cerebros precisan de aparato aligerador. Suelen tales máquinas instalarse sobre el sujeto, afianzándose en ambos hombros. Sobre la cabeza pende el mecanismo principal, formado por un ingenioso sistema de poleas que tira del cerebro con fuerza uniforme y constante. Los individuos que han experimentado este artilugio en sus carnes coinciden en referir una sensación de cosquilleo neuronal, como una efervescencia de lucidez nunca antes experimentada. Cerebro en proceso de registro También los cerebros se constipan, como viejecillas en otoño, atrincheradas en poltronas sin vida. Dan lástima estos cerebros derrotados, humillados por la dolencia, mustios, desahuciados. Hay quienes, advertidos de la extrema sensibilidad de estos órganos, cuidan de no exponerlos a bruscos cambios de temperatura o a corrientes de aire intolerables, abrigando los cerebros con celo maternal, acunándolos si es preciso. Así previenen los más cautos las temibles afasias y otras lesiones incurables, espanto y ruina de cuerdos. Para otros, en cambio, toda precaución es ociosa, pues sus cerebros no enferman como los más; antes se exponen a males de naturaleza bien distinta. Es el caso de cerebros entregados a erudición forzosa, catedráticos antifáusticos, esclavos y peste de las letras, bibliófagos reincidentes, caterva infame, inmundicia enemiga de todo arte, que la Providencia entrega con regularidad al infierno para paz y alivio de los justos. Sede del pensamiento y la razón A poco de revelársele a la humanidad el milagro del pensamiento, sus cabezas más notables ya porfiaban en dar con su sede. Buscaban los pensantes según diversos métodos, variopintos los más, excéntricos y estrafalarios. Algunos optaban por escudriñar el curso de las nubes sobre la superficie espejeante de las aguas de un lago; otros, más radicales, por sumergir cerebros de recién nacidos en cubas de mosto o en calderas de miel. Hubo sabios que se hicieron sepultar en cavernas durante veinte años, ignorándose, por desgracia, el término de sus dilatadas meditaciones. En Oriente, sabios concienzudos y metódicos viviseccionaron cráneos de videntes, sexos de doncellas, muslos y tobillos de santos, globos oculares, trenzas, testículos, lenguas de escribas, penes de general, durante interminables y fértiles siglos de honrosa ciencia. Los profetas ayunaban en el desierto cuarenta días y cuarenta noches y aunque algunos regresaban a la ciudad como osamentas renegridas, confundiendo al pueblo con oráculos de arena y visiones sin luz, los más tributaban sus arcanos y sus huesos al desierto, del que jamás volvían. Amplios arrozales sirvieron de escenario de anegadas especulaciones al campesino audaz, concentrado en la ociosa evolución de la bosta de un buey sobre la superficie recién arada del agua. En las praderas lejanas, los cazadores del bisonte interrogaban al humo patrio con desigual fortuna. Los más escépticos vigilaban el vuelo de los buitres. Buscaban, buscaron incansables los santos, los sabios, los profetas, agotando métodos inverosímiles, ensayando variantes, addenda, correcciones ad hoc, abrumando al pueblo con sus revelaciones, disputando con los incrédulos, sometiéndose al ataque de escépticos y cínicos. Ninguno se creyó obligado jamás a justificar, en lo tocante a métodos, sus preferencias. Ignoraban cuánto puede determinar la dieta porcofílica, ciertos regímenes sexuales, la proximidad del mar o el uso institucionalizado de moneda —por mencionar algunos, sin ánimo exhaustivo— la aceptación de uno u otro método. Estas cuestiones epistemológicas nos alejan de nuestros intereses históricos y etnográficos. Las investigaciones más autorizadas concluyen que [ 86 ] c oética e da azão no ha habido consenso en atribuir a tal o cual órgano la sede del pensamiento. No es de extrañar que algunos pueblos decidieran ahorrarse abonadas disputas, hueras e interminables. Así, los chamanes de las selvas del Sur, quienes siguen un único principio de radical economía: negar la posibilidad del pensamiento. Roberto A. Cabrera Texto del catálogo de la exposición «Confesiones para la ironía y la razón», editado por la Galería Mácula, La Laguna, 2000. EL ESPACIO ESCULTÓRICO DE ANA LILIA MARTÍN Y ROMÁN HERNÁNDEZ I Borges constató, en una página memorable, que ya apenas quedan lectores, en el sentido ingenuo de la palabra, sino críticos potenciales. Los lectores se han limitado, según Borges, a ensayar una «distraída lectura de atenciones parciales», a cuya ética subordinan la emoción que procura el goce inocente de una obra. Creo justificado trasladar esta idea al espacio del arte, donde el aserto de Borges, según puede comprobar el lector, se revela con total pertinencia. La obra de arte, por definición, es un gesto inefable. Ante la manifestación de este gesto, el espectador sufre la tentación de atender parcialidades, de buscar (al decir de Unamuno) tecniquerías, filiaciones eruditas y otras observaciones justicieras que dictaminen si la obra en cuestión tiene carta de ciudadanía o no en la república de las artes. Estas etiquetas, que el espectador se apresura a coleccionar, inhiben, quizás, una lectura global y lúdica, sensible a la emoción de quien contempla la obra. No pretendo negar la legitimidad de la crítica artística; aspiro a señalar sus riesgos, de los que acaso me vea libre no siendo, como adelanto ya a mi lector, un crítico de arte. Las líneas que siguen esbozan impresiones diversas, lecturas (¿parciales?) que no elevaré, imprudentemente, a la dignidad de juicios doctos y autorizados. Me propongo iluminar mi experiencia de una obra. Queda el lector obligado a indagar la que le es propia. c oética e dE LA azÓN [ 87 ] II Varias coordenadas definen el espacio escultórico de Ana Lilia Martín: la fascinada recreación del cuerpo humano; el fragmento elevado a totalidad; la disolución de la frontera entre lo antiguo y lo moderno, perseguida por la mano que modela, en deuda con el espíritu de la Italia renacentista, cuya estética reescribe. Estas líneas forman el eje vertebrador de una obra que se ha iluminado a sí misma, ajena a la servidumbre de escuelas, con una fidelidad atestiguada desde sus primeras piezas. Lo antiguo pervive en ellas, alienta con su luz recuperada las formas, las pátinas gastadas, los volúmenes, los rostros, desesperados, insomnes, aun grotescos, barro primordial que la arquitectura visible del alma anima, rostros sometidos a variación, inventariados, como si se deseara catalogar la huella que el albur de las emociones graba en ellos. Se ha ponderado de la música la sublime ambigüedad de su lenguaje. Acaso estos rostros participen de una condición análoga y sean las emociones representadas un horizonte irreductible a conceptos. III Las esculturas de La casa de Adán (1994), tal vez la serie más lograda —desde la perspectiva de un conjunto germinado en torno a una idea seminal—, recrean un mito de verdad implacable. Schopenhauer lo estimaba por la marginalidad que ocupa en el seno del optimismo judaico. Su elogio no es extraño. El mito de la Caída, que expone sin ambages la condición miserable de la vida, descrita como una condena, un valle de sufrimiento y de angustia, representa alegóricamente la verdad pesimista de su pensamiento. Antonio Averlino «Filarete», en una página asombrosamente ingenua de su Tratado, especula sobre el origen de la arquitectura y ensaya la hipótesis de atribuirlo a Adán proscrito, quien, sometido a la inclemencia, debió ser el primero de los hombres impelido a construir una morada. Es posible trascender la ingenuidad de estas líneas. La alegoría no es vana. Cabría preguntarse si hemos logrado habitar la casa de Adán, o si ésta fue erigida alguna vez. ¿No es, acaso, toda cultura, todo esfuerzo civilizatorio, tentativas, consumidas por el fracaso, de levantar la morada del hombre? Los rostros que Ana Lilia ha modelado, el desamparo de sus cuerpos, la angustia de sus gestos testimonian el horror de la orfandad primigenia, pero queda la duda de si ese horror nos ha abandonado alguna vez y no sea la morada sino la imagen de un anhelo irrealizable. Es sabido, desde antiguo, que un querubín guarda con la llama de una espada el camino del árbol de la vida. IV La disolución de la frontera entre lo antiguo y lo moderno que aprecio en la escultura de Ana Lilia Martín, y que he indicado como uno de los ejes fundamentales de su propuesta, adquiere en la obra de Román Hernández mayor audacia y radicalidad. El escultor nos desconcierta con la reunión de estratos heterogéneos: la policromía barroca (de cuyos excesos da cuenta la imaginería católica) convive con estudios geométricos en los que se respira el aliento innovador de los talleres de la Bauhaus; los colores primarios que visten figuras euclidianas dialogan con fragmentos de cornisas clásicas o barrocas, clavos romanos, péndulos y plomadas que el escultor ha rescatado de rastrillos y tiendas de antigüedades; arcos, bóvedas, pátinas envejecidas son el imprevisto escenario para el vuelo de figurillas investidas de esa luz que vive en la mano de los niños. Rocío de la Villa ha señalado esta circunstancia cuando elogia de Román Hernández la afortunada capacidad para tender puentes que comunican el legado histórico con la contemporaneidad, ofreciéndonos la tramoya del artificio barroco y sus maniquíes en desconcertante alianza con motivos de resonancias surrealistas, o cánones medievales transfigurados bajo la luz del expresionismo. Esta negación de los límites cronológicos (con sus anacronismos manifiestos), esta vulneración de las fronteras espirituales, que amenazan con la heterogeneidad y la fragmentación el discurso ininterrumpido que la modernidad pretende, conversa con otros elementos que iluminan la obra. Rocío de la Villa menciona algunos: la «poética de lo siniestro» (que hunde sus raíces en la imaginería barroca, cuya católica complacencia en el tormento y sus huellas no es preciso documentar), la exploración del problema (principal en otro tiempo) de los fundamentos geométricos de la representación del cuerpo humano. Yo añadiría el juego de la distancia irónica, la decidida voluntad de transgresión, el humor negro, la afición por la materia sensible a la herida del tiempo (el óxido, la madera vejada, el barro), la melancolía que inspiran sus meditaciones plásticas sobre la inanidad de toda medición, de toda ratio que armonice al hombre con la geometría (¿humana, demasiado humana?) del universo. Roberto A. Cabrera Texto del catálogo de la exposición «Esculturas» (Ana Lilia MartínRomán Hernández), editado por el Servicio de Publicaciones de Ibercaja, Zaragoza, 2001. LAS TRASLÚCIDAS MANOS Pasear la secuencia de la obra que expone el escultor Román Hernández me hace recorrer un camino sembrado de momentos. Hecho y visto con sus ojos, repetidos e interpelantes, son otros ojos, cuerpos, mentes, los que te sorprenden y miran, prendidos en su instante de creación o de evolución preciso (la evolución, según Teilhard de Chardin, no es más que el acto creador que permanece). Inquieta su obra desinquieta porque urgen sus figuras mil preguntas. Contemplando e inmerso en cualquiera de ellas siento cómo, soñando en medio de un oscuro laberinto, «las traslúcidas manos» (J. L. Borges) labran su diseño, entregadas a la seducción del primer modelo, y entiendo cómo el artífice reclama no sólo volver siempre a sus orígenes sino encontrar su preciso espacio y tiempo, con su pluriforme sentimiento. En el demiúrgico impulso creador se atisba de nuevo que la “inspiración poética se distingue por los dones de la imagen y del Número” (Paul Claudel). No en vano su ley «gobierna los sentimientos y las imágenes y lo que parece exterior es simplemente interior» (Flaubert). Es la verdad de lo que hay y del artista. Las cosas son lo que son y su misterio y hay que alumbrarlas. Sus referencias nos remiten al momento cuando Platón habla del surgimiento y constitución del cosmos en el Timeo, espléndida mitología para quienes su condición no tiene otra suerte, nada más y nada menos, que la metáfora. Antes de la existencia física de los cinco elementos, la materia que ha de adquirir forma se estructura conforme a cuerpos geométricos ideales, cuyas superficies poseen lados y ángulos iguales y cuyas aristas reposan sobre una esfera. Son sólo cinco los cuerpos que cumplen exactamente estas condiciones. [ 88 ] c oética e da azão Los llamamos cuerpos platónicos y con ellos está hecho el universo. Verdad, al Bien y a la Belleza. He aquí los referentes clásicos. El hontanar recuperado, la materia primera, los cuerpos celestes, los números divinos, macrocosmos y microcosmos al descubierto. Román, más acá, más allá y al mismo tiempo que el vitalismo órfico, las cosmogonías griegas, el espiritualismo matemático, ascético y místico de Pitágoras, el diálogo platónico, la obediencia y encantamiento de la escolástica —pange lingua gloriosi corporis misterium («Canta, oh lengua, el misterio del cuerpo glorioso», Tomás de Aquino)—, la fascinación de Luca Pacioli y el torbellino inacabable de una realidad convocando asombros, se sienta a la mesa y cincela instantes y modelos, con su particular ascética y disciplina, cuando ya «no lo turba la fama, ese reflejo de sueños en el sueño de otro espejo, ni el temeroso amor de lo discreto. Libre de la fatuidad y del exceso, labra con sus manos las materias, como si ellas mismas pudieran recuperar su condición de estrellas» (J. L. Borges). Cuerpo y mente ya traslúcidos, pueden ver y dejar ver la verdad del artesano repasando su obra y del artista sospechando el milagro. En definitiva, a la sorpresa artífice le sucede el sobrecogimiento, momento intenso y prolongado, sin tiempo, anunciación, encarnación y alumbramiento simultáneos y con él la luz y la iluminación, la palabra y la cosa, dueñas ya de sí mismas y de sus provocaciones, de sus estremecedores efectos. Interpelar al hombre de nuestros días con estos requerimientos metafísicos es una provocación oportuna. Hacerlo desde la experiencia inmediata instando a la intuición y su remoción del caos, un compromiso ineludible. Así pues, venid y ved cómo el creador contempla el modelo, cómo sucede el trazado del pentágono, la pirámide y el prisma trapezoidal y la función de la indispensable esfera, la esfera sólida para disponer el todo, dentro de una geometría razonada para la construcción del cuerpo esférico de Platón. He ahí el cubo, la pirámide, el octaedro, el dodecaedro, el icosaedro. Contemplad las entrañas de todas las cosas. Es el momento previo al que deben disponerse todas las materias. Dejaos sorprender con el ánimo de cada cuerpo, de cualquier cuerpo, los conformes, los deformes y los informes, en cualquier instante, con cada figura y sus modelos, procurad abriros paso en el aventurado laberinto, lugar de nuestros quehaceres. Sentid que la esencia de todo se entrega en su precisa existencia y comprobad que su existencia ha atrapado también la vuestra. Hay una voluntad discipular y didáctica en toda la obra de Román. En ella se ve al maestro que estudia los pesos y medidas, la armonía y el equilibrio de las cosas, lo que sean en sí, los nombres, los números y los infinitos espejos. Bien vale compartir la mirada, mirando y siendo mirado, interpelación en medio del inquietante laberinto. Ética y estética juntas en el mundo tan contingente como efímero de nuestra experiencia posible. La disciplina y la ascética señalan el camino procesual de una dialéctica abierta definitivamente al Uno, a la c oética e dE LA azÓN [ 89 ] José Segura Munera Texto del catálogo de la exposición «Homenaje a Luca Pacioli ( I )», editado por el Servicio de Publicaciones de la Caja General de Ahorros de Canarias, El Rosario, 2002. «Porque si se pudiera encontrar en la naturaleza un sexto cuerpo simple, el Sumo Hacedor resultaría disminuido y sería posible achacarle falta de prudencia al no haber previsto desde el principio todas las necesidades oportunas» PACIOLI, L.: De Divina Proportione, capítulo LV Resulta curioso que Pacioli —el franciscano Lucas Pacioli—, naciera en una localidad de la Toscana llamada Santo Sepulcro (San Sepolcro), en 1445, nombre que parece predestinarlo a honrar un capítulo de la vida de Cristo, a través de la Orden Seráfica, que supo popularizar los misterios de la Pasión. Esta pequeña aldea al pie de monte Maggiore hacía gala de contener en su nombre el pasaje evangélico que mencionaba el sepulcro nuevo, abierto en la roca, «donde nadie había sido enterrado». En contacto con aquellos humildes frailes, Pacioli afianzó su fe, abrazando la Orden hasta su muerte, acaecida en 1517. No es extraño, pues, que inconscientemente estableciera una correlación entre las matemáticas, su gran afición, y el sentido teológico de la Resurrección, surgida desde lo hondo del Sepulcro, ya que ella supone no sólo el objeto fundamental de la fe cristiana, sino también la culminación del orden, del universo rescatado. En todos sus estudios y tratados, la idea de proporción es una constante, de tal manera que su obra magna, De Divina Proportione, impresa en Venecia en 1509 y dedicada a Ludovico el Moro, Duque de Milán, llega a establecer la semejanza que guarda con las propiedades de la Divinidad. Así, en el capítulo V, afirma que «dicha unidad es el supremo epíteto de Dios mismo, según toda la escuela teológica y también filosófica. La segunda correspondencia es la de la Santa Trinidad, es decir, que, así como in divinis hay una misma sustancia entre tres personas — Padre, Hijo y Espíritu Santo—, de igual modo una misma proporción se encontrará siempre entre tres términos, y nunca de más o de menos, como se dirá...». Pacioli continúa argumentando esta tesis y para ello recurre eficazmente a la Teología ya que, como hombre de fe, intenta encontrar a Dios en el conocimiento de las matemáticas, del álgebra, de la geometría, de la aritmética, de la ciencia. En realidad, en este tratado De Divina Proportione, el autor lo que intenta demostrar es la supremacía de las matemáticas sobre cualquier otra disciplina, organizada a manera de una sutil y admirable doctrina que converge en una sola propuesta: «la arquitectura, y todo el arte, debe reflejar como allo specchio, la estructura matemática del Universo» A pesar de los resabios medievales, su mentalidad renacentista proporciona un rigor moral al conocimiento y realización artística, proponiendo las matemáticas como una vía segura para alcanzar el objetivo supremo de belleza. Las matemáticas, pues, son una referencia obligada para cualquier manifestación de arte. Esta relación entre las matemáticas y la belleza (arte) ha sido una constante en muchos de los artistas, como Alberto Durero, encarnación del Renacimiento alemán, que llegó a escribir dos tratados uno, sobre geometría descriptiva y otro sobre proporciones humanas —Underweysung der Messung y Vier Bücher von Menschlicher Proportion—, y numerosas cartas, buena parte de ellas a su amigo Wilibald Pirkheimer, en las que se preguntaba por cuestiones acerca de la perspectiva. Fueron las propuestas de los italianos, sobre todo las de Brunelleschi, las que ejercieron una gran influencia sobre sus planteamientos teóricoartísticos. El célebre arquitecto ya había formulado la posibilidad de considerar el lienzo como una ventana a través de la cual el espectador contemplaba una parte del mundo, utilizando a tal fin una sección de cono (o pirámide) que pone en relación el ojo del artista con el propio tema. Durero no hace otra cosa que experimentar una y otra vez con las teorías en vigor entonces, concluyendo en la creación de aparatos que eran capaces de proporcionar una correcta perspectiva, algunos de ellos planteados por Leonardo da Vinci. Así surgió su grabado más conocido, Melancolía, obra llena de misterio, identificada durante el Renacimiento con la «creatividad» Aquí, Durero hace alarde de sus conocimientos de geometría y de las artes constructivas, sin embargo manifiesta una evidente impotencia ante un mundo que le es inaccesible, que no llega a alcanzar. Los escarceos de Durero le permitieron entrar en contacto con la obra de Euclides, Arquímedes, Ptolomeo y Apolonio. Lo mismo ocurrió con Leonardo da Vinci, que si bien no se ocupó de escribir tratado sobre matemáticas, dejó en cambio una serie de Cuadernos en los que expresaba sus conocimientos científicos. La perspectiva vuelve a ser el quid de la cuestión, advirtiendo que «debe ser preferida a todas las demás pláticas y sistemas del saber humano» En otro Cuaderno, afirma: «Todos los problemas de la perspectiva quedan aclarados por los cinco términos de las Matemáticas, que son el punto, la línea, el ángulo, la super ficie y el sólido» Sus experiencias fueron incalculables, y muchos de sus tratados e invenciones no se hicieron realidad hasta la llegada del siglo XX. Se le atribuyen los dibujos (60 en total) que ilustran la Divina Proportione, de Pacioli, cuerpos geométricos suspendidos de sus correspondientes cartelas que recogen los diversos nombres en lengua latina. Estos dibujos cuentan con sus respectivas explicaciones, instrucciones y usos en un capítulo que cierra la mencionada obra. Fruto de la observación y la reflexión, y manteniendo una analogía con los postulados estéticos y filosóficos tanto de Pacioli como de aquellos otros artistas y teóricos del Renacimiento que, apoyados en la concepción neoplatónica, concebían el universo como una unidad armónica dependiente de un orden superior, es la obra de Román Hernández, que proyecta esa inclinación hacia las proporciones como lenguaje, dejando entrever el misterioso discurso establecido entre la medida, la sabiduría y la admiración convertidos en materia. Se trata de una constante búsqueda que tiene al arte como punto convergente para establecer todas las conexiones posibles hacia el encuentro de la realidad humana, por inaccesible que pudiera ser. En toda su producción, Román Hernández manifiesta una [ 90 ] c oética e da azão inquietud vital, no tanto de forma como de pensamiento; escudriña en la mente humana para encontrar las huellas de Aquel que hizo posible la sabiduría. La relación entre el hombre y el Creador se establece a través del símbolo, de igual manera que lo expresó Leonardo da Vinci en las ilustraciones de De Divina Proportione: Un fino hilo, una fibra secreta sirve de aliento y fuente para el conocimiento de lo hermoso, e incluso de la imperfección que hay en nosotros. En las obras «Dios Padre ejecutor» I y II, realizadas en madera y terracota policromadas, el escultor condensa todo el pensamiento en relación con la estructura misma del universo, haciendo referencia al pensamiento de Pacioli, de la que no se halla lejos la crítica de Bréal en cuanto a la ciencia de las formas que viven en el espacio y en la materia. Ante el Dios Padre ejecutor nos preguntamos, por tanto, si esas formas vivían ya en el espíritu; esos espacios que no se pueden medir ni describir se robustecen de fuerzas desconocidas que le otorgan a la realización artística la categoría de lo inédito. El hilo que verticalmente desciende de lo Alto, sin desviación alguna, transmite al hombre la conciencia que le procura tomar forma, es decir, el espíritu se describe a sí mismo, y como consecuencia, nos habla de aquella Fuerza superior. En la citada obra de Román Hernández, el arte no es una cuestión de superficie, de estética, de cálculos y de formas. El proceso de lectura es a la inversa; aquí nuestra mirada no traspasa la materia para llegar al interior, sino que brota desde dentro. No podemos comprender el resultado contemplando sólo las formas. El escultor nos propone adentrarnos en la propia realización artística para mirar hacia fuera, es decir, sentir lo mismo que lo representado, pues la vida de las formas tiende a crear un mundo que actúa y reacciona. La mirada interior. El arte no es una huella, sino el acento, una actividad creadora, algo así como lo que afirmaba Eckhart sobre la imagen interior del alma. Cada una de las esculturas de Román Hernández se hace reflexión, reflejando el esfuerzo por traspasar los límites propios de la materia. Busca más bien el ámbito de lo sabio, de la pregunta, del inconsciente. Sus obras nos interpelan, inquietándonos y obligándonos a buscar una razón al ritmo de cuerpos geométricos suspendidos del Éter. Son manifestaciones que ponen de relieve la madurez artística del autor, capaz de llevarnos al misterio de la vida, de las cuerdas que conducen nuestra conciencia. A través del c oética e dE LA azÓN [ 91 ] elemento geométrico, que en el caso de Pacioli —que recurrió al Timeo de Platón— se reduce a cinco formas regulares, Román Hernández bucea también en el significado que encierran estos cuerpos simples: la tierra, el aire, el agua, el fuego y el cielo. La relación existente entre la cabeza humana y la esfera —otra de las representaciones escultóricas— plantea la idea de universo, siguiendo los comentarios de Platón: «La cabeza humana es la imagen del mundo» (Timeo) Se produce, por tanto, el microcosmos. Es cuando el hombre descubre que tiene bajo sus pies la tierra, que lo sostiene; el espacio como vivencia. El cielo, en cambio, es lo infinito e ilimitado. En su mente se concentra la realidad como percepción, experimentando el mundo que le rodea. Según afirma Kretschmer, en «el mito del espacio se hacen presentes las dimensiones fundamentales de la existencia, la hondura y la anchura, que en su conjunto constituyen el universo en sentido subjetivo y objetivo» El círculo no sólo se revela bajo la experiencia del curso de los astros, sino también a través de la propia naturaleza humana. El yo es el centro del ciclo vital. El hombre está convencido de que existe una conexión entre los poderes superiores e inferiores, como si de un cordón umbilical —cordón cósmico— se tratara; un «lazo del cielo y de la tierra» (Lurker), que Román Hernández sabiamente representó en una de estas obras en las que un correcto perfil mantiene inmóvil su mirada sobre una plomada. Siguiendo las palabras de Biedermann, su autor plantea con el citado instrumento simbólico esa conexión que «se hunde en la conciencia y examina la línea recta de la obra arquitectónica espiritual», y que Le Corbusier define como el flexible símbolo de la verticalidad. El número está presente en la concepción del arte de este artista. No el número exclusivamente matemático, sino como imagen del mundo, con la división del espacio y del tiempo. El hombre en medio de ese mundo-número que intenta comprender bajo la observación empírica o por el esfuerzo especulativo-intuitivo. Son los cuerpos geométricos que, suspendidos, intentan explicar las realidades complejas con sus innumerables manifestaciones, haciéndolas visibles y pensables al espíritu humano. Y en cada una de sus obras aletea el espíritu de Pacioli, que da vida a todo el tratado, pues «todo aquello que se encuentra distribuido por el universo inferior y superior se reduce necesariamente a número, peso y medida» La intrincada simbología de los diversos cuerpos geométricos, de caras que se encuentran y de líneas que convergen o divergen, para conformar las ideas. Como afirma Cirlot, en el encuentro de las líneas «hay la idea de conflicto, en el cambio de dirección se implica la de una suerte de “voluntad” interna de la línea». De igual manera define al ángulo recto como «racional», y al agudo como «agresivo» o dinámico. Todo un lenguaje que se pone al servicio del conocimiento del hombre. Román Hernández no se conforma con demostrar únicamente una madurez artística, un dominio de las técnicas y un conocimiento de la anatomía escultórica, sino que pone de manifiesto sus conquistas en el conocimiento de los valores internos de su propia obra, universalizada, enriquecidas por la nunca interrumpida consulta de los clásicos como camino y fuente de las verdades esenciales, reglas gobernadoras que otorgan otra perspectiva al resultado artístico. Un arte que va más allá de su valor cotidiano, convencional y práctico, y que se esfuerza por hacer comprensible la pluralidad de las cosas, ofreciendo al hombre un mundo distinto y más capaz. Gerardo Fuentes Pérez Texto del catálogo de la exposición «Intuición metafísica versus lógica matemática” (Homenaje a Luca Pacioli, II», editado por la Sociedad Canaria Isaac Newton de Profesores de Matemáticas para las XI jornadas sobre aprendizaje y enseñanza de las matemáticas, La Laguna, 2003. [ 92 ] c oética e da azão SYMMETRIA «SYMMETRIA» (NOTAS PARA UMA EXPOSIÇÃO) UMA EXPOSIÇÃO DE ROMÁN HERNÁNDEZ I Bastou a chama prometeica na sua queda para revelar o esqueleto do visível, a arquitectura do sonhado pelo deus, matéria primigénia que umas mãos pensam, reduzem à claridade mínima do conceito. II Cabeça-cofre. Unidade primeira. Medida do que no passado se cria ser o centro das coisas, hoje orfandade, espaço sem ratio. Manifesta-nos un mesmo barro. Pó. Matéria. Rosto. Fractura da unidade primeira. Escisão que interroga e abre com negra voz um silêncio de sílabas cortadas. Têmporas que desvelam o interior forçado da alma. Nada oculta ali o vazio. Compasso, fio de prumo, são formas do óxido de ferro violentado pela mão, extraído da montanha. Metal profanado e que fere, utensílio de morte, instrumento de domínio e configurador de formas. A própria mão redime a ferramenta, quando é o ferro maiêutica do conceito. III Os manequins abandonaram a missão designada. Foram restituídos, com a extinção do tempo, das suas bottegue e escolas originárias, para afirmar-se como obra e como metáfora. IV Estes corpos são volumes sugeridos, desenhados no espaço. Prescinde a mão criadora da massa corpórea. O volume é a forma insinuada, essencial, contra o oco, a partir do oco. Os arames traçam o nada da forma na luz. Varas, porcas, teia, peças inverosímeis, arcos, linhas. Transparência e solidez. Forma e espaço. Roberto A. Cabrera Texto do catálogo da exposição «Symmetria» (esculturas), editado pelo Excmo. Cabildo Insular de Tenerife, Santa Cruz de Tenerife, 1994. c oética e dE LA azÓN [ 93 ] O espaço e a forma constroem a escultura. Sem espaço não existe a forma e sem forma não existe o espaço. Os dois elementos não existem em si. A existência deles não está na sua essencialidade mas na relação que a mente establece. Na pintura sucede que o espaço que limita o quadro tem duas dimensões e a forma possui uma terceira dimensão virtual não mensurável. Na escultura não existe o virtual; daí a tangilidade de espaço e forma e a sua mensurabilidade. A percepção da escultura tem o seu centro nela mesma; é uma percepção esférica. Na pintura, a percepção somente se desenvolve num plano e a percepção virtual cria a perspectiva. O espaço não existente faz-se presente por meio de um acordo mental. É uma percepção num plano e o observador é o centro da forma do quadro. Estas proposições denotam as diferenças que existem entre a pintura e a escultura. A consideração axiológica, o juízo de valor, é também uma contingência mental acerca dos objectos pintura e escultura. Existem dois juízos de valor: o utilitário e o da arte. A vigência do primeiro é secundária. A vigência do segundo chega a ser primária quando a mente cria na escultura e na pintura, dou por suposto, a obra de arte. Obra é matéria pura sem atributos e a sua missão é sustentar os qualificativos. De, é uma preposição conflictiva porque denota posse, procedência, conteúdo, quualidade, tempo em que alguma coisa acontece. Arte não sabemos com clareza o que é. A massa elocutiva da frase «obra de arte» contém, pois, um segredo e continuamos a dialogar sobre o seu significado. Na construção da obra de arte o sentido da matéria vem dado pelo que a mente põe nela, transformado-a nisso a que chamamos arte. Mais tarde empreende-se o processo de averiguação acerca do que é que se há-de integrar na matéria para que esta venha a ser arte. A resposta pode ser que a arte só tem a finalidade em si mesma; a arte é uma coisa mental. Escritas estas proposições já podemos passar à percepção da obra que Román Hernández expõe com o título genérico de «Symmetria» na ermida de S. Miguel de La Laguna. Trata-se primeiro de perceber e depois integrar na mente o que se percebeu. E o trabalho posterior consiste na análise desta percepção. que não há partes no todo, que os manequins contemplan como eu da sua breve altura aquele universo clássico e surreal, de maneira muito semelhante. Sabemos por Wittgenstein que um ponto no espaço é um lugar de argumento. Deste modo os objectos que o escultor nos apresenta constituem os argumentos significativos do símbolo: a medida do cuerpo humano. Mas o que eu acho nesta exposição é precisamente a mentira do número e o apócrifo (incrível e falso) do invólucro humano como medida do universo ou como signo místico. Tratemos das cabeças de argila e fiquemos com a sua ironia, isto é, com a representação contrária do que seria a sua verdade. Nenhuma maiêutica é possível, nada se me faz consciente, nada sei antes que o escultor mo faça saber. Começo a entender o seu discurso quando a argila se abre diante de mim e se converte em guardiã de vazios ou de instrumentos mágicos, isto é, imprevistos na lógica sucessão de acontecimentos porque, «não há na lógica números priveligiados nem há tão-pouco nenhum monismo ou dualismo filosófico». E que o visitante é uma figura mais quando entra no espaço do recinto, para pertenecer já à misteriosa estrutura docente que aquilo é. A argumentação agustiniana da medida das coisas não me serve para o homam nem para julgar o representativo. Por isso, perante as esculturas que Román Hernández edificou faz-se-me certa uma proposição contrária à enunciada pelo autor do Tractatus: «Nos fazemonos figuras dos factos”, por “nós fazemo-nos factos das figuras». Afirmo que, raramente, uma exposição de arte me preocupou tanto. Não foi somente a beleza das formas, o compreender a mestria na utilização do barro, da madeira, do ferro, da selecção dos elementos construtivos, do trabalho da imaginação. Houve alguma coisa mais: ter a certeza que me encontrava perante a obra de um escultor que não busca dentro do bloco de mármore o que há nele mas que constrói no espaço e com absoluta validade. O que nisto não há: a imagen desse paradoxo em que o ser humano consiste. Carlos Pinto Grote Texto publicado no Diario de Avisos, quarta-feira, 27 de dezembro de 1994, pág. 24. DE VÁRIA COMENSURAÇÃO Isto é o que sucede aqui, porque a carência de lógica na representação significa precisamente a essência da palavra arte e por isso é que me encontro diante de uma linguagem que se construiu alheia à minha participação e que tento decifrar com a ajuda da minha imaginação e não com a ajuda da lógica. Hei-de dizer também —e esta é uma proposição pessoal unicamente— que a obra de arte me há-de produzir um sentimento de inquietação quando a contemplo, de modo que hei-de reparar nesse movimento na minha consideração crítica de uma obra para que consiga, além disso, interessar-me. Poucos podiam imaginar de entre os teóricos do Renascimento, tanto italianos como espanhóis, de Alberti a Villalpando, passando por De Corporibus Regularibus, de Piero dell Francesca ou o De Divina Proportione de Fra Luca Pacioli, que entre os muitos exegetas que na história existiram, ia nacer-lhes em finais do século XX, e em pleno Atlântico, na estalejante eclosão canária, um estudioso que, superando as limitações históricas que os códigos académicos suportam, propusesse criativamente uma releitura moderna da arquitectura interior dos corpos como se de um poderoso discípulo da Bauhaus se tratasse. Isto sucedeu-me na visita à exposição. A inquietação baseia-se na solidão que a cada escultura pertenece; também ao tempo que lhe é própio, um tempo antigo que nos rodeia mal iniciamos o passeio pela ermida, e que foi transcendido e tem também um certo aroma a Giorgio de Chirico. Então apercebo-me de que toda a sala é uma escultura unitária e que Román Hernández fabricou uma «Gestalt», E não só dos corpos. Román Hernández pretende dar um passo para lá da evidência exterior do anatómico, em linha com o já exposto anterioriormente, para mergulhar na estrutura sublime dos sólidos. Propõe-nos que sejamos capazes, nesse labor de depuração, de encontrar aquilo que é essencial e transcendente, aquilo que acaba por ser menos mensurável, mas que define, rege e articula o [ 94 ] c oética e da azão espiritual. Alenta-nos para um labor de análise rigorosa das sinuosidades cerebrais, convertidas em formas volumétricas perfeitas onde surgem valores, ritmos e fios de prumo que ordenam escalas, medidas e proporções, à semelhança do que propunha Pomponio Gáurico em De sculptura (1504). Estas propostas não as faz Román Hernández com soluções miméticas de interpretações precedentes, mas com a lucidez profunda que lhe permitem tanto as reflexões teóricas como as modernas opções das técnicas mistas, onde os materiais clássicos (ferros, madeiras, terracotas) são misturadas de maneira harmónica com os tecnicamente mais elaborados (acrílicos, grés, resina de poliéster) para establecer propostas estáticas e ortogonais (esquadros, réguas em cruz, paralelepípedos...) susceptíveis, se se quiser, de proporcionar movimento sem decompor a sua harmonia. Partindo dos manequins articulados já conhecidos, incita-nos a encontrar artefactos que nos permitam inclusive medir a razão. Tal é o grau de profundidade que quer imbuir nas suas composições e tal deve ser o modo com que temos de aproximar-nos, após superar e porventura desprezar a sua primeira e óbvia leitura, e umas peças transbordantes de serenidade dinâmica que penetram no jogo rítmico das suas essências. Carlos Pérez Reyes Texto do catálogo da exposição «Commesuratio» (esculturas), editado pelo Serviço de Publicações da Caja General de Ahorros de Canarias, Santa Cruz de Tenerife, 1996. RAZÃO E IRONIA Que medidas oferece o “Definitor impossível”? Que figura os seus fios de prumo examinam? Que proporções revela? Descendente absurdo do finitorum albertiano, ambição irrealizável da medida absoluta, objectiva, das formas, medidor frustrado, traste inquietante, quimera, sem-sentido, aborto das luzes, extravio de-mente. Ou, talvez, metáfora de empreendimentos impossíveis, de ambições retorcidas, disparate ou sono sem tecto. A racionalidade impondo ordem ao caos do mundo: medida, cálculo, número. Reduçao quixotesca a dimensões quantificáveis. Domínio do mundo. Mas a realidade escarnece e embacia c oética e dE LA azÓN [ 95 ] sem compaixão estas glórias que são irreverências, impiedade, hybris punível. Objectivo final para uma ironia inocente. Contudo, —pode falar-se de inocência na ironia que ocultam estas peças? O olhar detém-se em outro objecto impossível: «Instrumento para medir a razão». Roldanas de duvidosa utilidade, movimento fictício, circular, caricatura de metafísico. E que outra coisa é o pensamento para lá desta emoção aparatosa de esferas, roda sem eixo, mecanismo irremediavelmente oxidado? O verdadeiro olhar, o do leitor, que passeia desinteressadamente a sua atenção por estes objectos-escritura, pintura, volume, espacialidade mista: signo inequívoco de modernidade—, à maneira de uma criança. Os objectos aqui reunidos hão-de ler-se como signos arruinados pelo tempo, pela sua acção necessária. A ingenuidade do olhar chega a ser depois melancolia, renúncia, prostração. E esse olhar lúcido, que os objectos expostos propiciam, como experiência da nulidade de tudo o que é, —não nos exige, por sua vez, o reconhecimento de um amor fati, uma aceitação integral, movida por um entusiasmo afirmador, da vida, até nos seus aspectos cruéis e desconcertantes? «Todo o material artístico repousa sobre una abstracção» (Pessoa) Abstracção, acrescentaríamos, neste caso, de um par obsessivo: ironia-tempo. Ironia presente, uma vez mais, na «Estância para o instrumento do conhecimento». Ironia de achar entronizada a razão num cofre, numa caixa com a tampa (a dos miolos?) aberta e não observar outra coisa senão natureza morta, fóssil de lembranças já destruídas, sedimento coisificado do espírito que perece. Denúncia, tambén, do tempo, que o olhar encontra nas pátinas dos materiais, na sua apresentação fragmentária, na própria «textualidade» do barro, da madeira gasta, do óxido de ferro. «Série Oradores». A série dos dominados pela palavra, seus servos. Poeta, filósofo, teólogo... Filósofo e poeta olham o mundo à devida distância. Melancolia lúcida. O teólogo aponta verticalmente a divindade, fechados os olhos. O seu olhar interior eleva-se em silêncio, sem mediação possível. Interroga o oculto com palavras que são como o fogo, extremas. Pensa numa luz que só ele vê. Roberto A. Cabrera Texto do catálogo da exposição «Commesuratio» (esculturas), editado pelo Serviço de Publicações da Caja General de Ahorros de Canarias, Santa Cruz de Tenerife, 1996. O SONHO DA MEDIDA I Alto, entre ameias abertas aos astros, um homem sonha. Sonha a medida do homem. Desce pelas escadas movediças até à visão de uma esfera. Os astros giram imóveis sobre a sua cabeça dobrada no labirinto do sonho. A esfera sonhada contém um labirinto, uma dança de grutas onde chega depurada a luz dos astros. O homem, então, poderia ouvir esta voz no seu sonho: «Primeiramente, os deuses, imitando a forma esférica do universo, meteram as duas direcções divinas num corpo esférico, que, a saber, denominamos hoje cabeça, a qual é a nossa parte mais divina e senhora de tudo o que em nós existe». II A medida do homem é a medida de um sonho. Desse sonho restam só fragmentos, turvas imagens, pedaços inconexos. Da sua caverna fora da luz, do dédalo do seu crânio cavernoso, contudo, o homem busca o sentido da sua forma. Tem-no buscado desde a marca da mão que em Altamira imprime harmonia ao conjunto informe dos animais obscuros, até aos pés ou às mãos que na pintura de Tàpies concedem sentido ao silêncio da matéria. III A obra de Román Hernández é uma meditação sobre a medida do homem. Rostros, olhos, dedos, orelhas, ossos, são simultaneamente instrumentos e objectos da medição. «Medida do olho medidor», se intitula uma das peças. O olho traça coordenadas e diagramas, instaura perspectivas, elabora toda uma complexa maquinaria de medição para, enfim, enfrentar a sua própria incomensurabilidade. O olho não pode medirse a si mesmo. E, contudo, sabe de um modo obscuro que nele reside a medida originária. Também o sabe o cérebro, esse infinito olho interior que nunca pode contemplar-se a si mesmo porque a razão será sempre uma reflexão imperfeita. IV Em “Olho para uma esquema construtivo do corpo humano” assistimos a uma operação analógica pela qual o corpo do homem se configura a partir da medida do olho. O resultado recorda os manequins que Oskar Schlemmer desenhou para os seus ballets triádicos. Em 1977 o grande coreógrafo e bailarino alemão Gerhard Bohner reconstruiu esses ballets, e em 1989, três anos antes de morrer, cria a trilogia «Im (Goldenen) Schnitt» («Na secção (áurea)»). Nesta obra os movimentos do corpo configuram esquemas abstractos e primordiais numa viagem pelo espaço que é, também, uma pulsação com o tempo. Bohner relata assim esta experiência: «Fui através do corpo e comecei por fazer um estudo para cada articulação. Os movimentos deviam reduzir-se drasticamente. De 100.000 movimentos do cotovelo, somente podia adoptar três». Assistimos aqui a uma espécie de ritualização do movimento corporal que, em última instância, busca a «secção dourada» do corpo humano. Também nas peças de Román Hernández presenciamos essa busca da clave da medida, embora neste caso os movimentos se tenham substituído por ícones de tensa imobilidade: o compasso e o fio de prumo estão quietos, mas indicam um movimento perpétuo que nos contém e nos configura. V Quase não se entenderão, contudo, estas peças da série «Conmensuratio» se não se lê nelas, como a contra luz, a ironia melancólica de que falou Roberto A. Cabrera ao referir-se a algumas destas obras. A frontalidade com que se nos apresentam os despojos humanos destinados à medição, a crueza com que se expõem diante de nós esses instrumentos de trepanação (cujo negativo, talvez, seria o tricórdio pitagórico de alguma destas caixas) ou esses diagramas em que se introduzem uma figura ou um rosto humano carentes de substância, são os modos que tem essa ironia de provocar subtilmente o nosso desengano (barroco) perante os desígnios da auto-medição humana. Numa época em que a reprodução mecánica do homem pelo homem se tornou iminente, a ironia projectada sobre estes desígnios, e a leitura dos textos antigos de Platão, Pompónio Gáurico, Alain de Lille ou L. B. Alberti, não deixa de ser profundamente lúcida. A mecanização é a consequência última da medição, parece dizer-se-nos. A fronteira entre uma secção áurea que nos devolva à origem do nosso corpo em harmonia com o espaço e o tempo, e uma clave da medida que [ 96 ] c oética e da azão nos permita essa receada intervenção reprodutora no tecido genético, numa fronteira tão flutuante, que perante ela mal cabe uma atitude diferente da ironia melancólica destas peças. O compasso pode medir em sonhos o nosso crânio fazê-lo recordar a sua origem na esfera dos astros. Mas também pode medi-lo para a reprodução de um crânio que já não será humano, mas o fruto de um pesadelo da ciência. Rafael-José Díaz Texto do catálogo da exposição «De Humani Corporis Fabrica MCMXCIV-MCMXCVIII», editado pela Viceconsejería de Cultura y Deportes del Gobierno de Canarias, La Laguna, 1998. A ESFERA CRISTALINA Sem horizontes, sem passado: o fim da história. Na experiência dos que vivem já a habitar o século XXI só há presente. A inovação desligou-se da novidade, porque esta implica um antes, inexixtente. A reprodução do presente deconstrói-se por meio de estratégias irónicas e a introdução de agendas politicamente correctas: activismos, apropiações, paródias, economias da representação. Nos confins do território criativo de Román Hernández respira-se a atmosfera fria e analítica da deslocação; mas aqui, a partir da história. Estatuária e antinorma Desde o princípio, Román Hernández excedeu-se em homenagems a quem ele considera seus mestres: Leonardo, Luca Paccioli, Diego de Sagredo... Guias pretéritos, de um tempo em que ainda se confiava na razão sábia, clave e nomenclatura da realidade. Porém, como umas leituras levam a outras, a sua fascinação por matemáticas e filosofia levouo a Platão, Santo Agostinho..., invlusive às Sagradas Escrituras como fonte de inspiração, uma via principal na qual convergem itinerários menos frequentados: L. B. Alberti, Gáurico, Juan de Arfe... O seu perfil erudito situa-o hoje em dia num terreno pouco frequentado, o do conhecimento dos fundamentos geométricos c oética e dE LA azÓN [ 97 ] da representação do corpo humano que, durante o longo curso da tradição clássica, se considerou o problema central da estatuária. A escultura heróica, civilmente exemplar, é um suceder de variações do cânone e este não é mais que uma manifestação bela da inteligibilidade. O homem erige-se como sujeito consciente da racionalidade inscrita na natureza, só às vezes evidente. Mas o olhar do contemplador vai para lá da beleza aparente e a sua compreensão geométrica termina nos modelos superadores das proporções do cânone. Contudo, a partir do século XVI essa fé começa a quebrar-se. Primeiro será o problema da expressão, revelada nesta nova «Homenagem a Leonardo», de órbitas sumidas pela velhice e a ansiedade visionária, rostro e peanha sulcadas pela escrita enigmática do tempo, do que pende como pêndulo um humilde fio de prumo. Depois, o afloramento da antinorma vai-se trasvestindo com diversós pretextos: a relatividade do gosto do indivíduo e as tipologias das raças, o comover (movere) mais que ensinar ou deleitar (docere et delectare), a novidade... numa representação do corpo humano cada vez mais particularizada, e fragmentada, deslocada. Esta fricção entre a ordem matemática e a arbitrariedade humana, norma e antinorma, é o terreno onde transita o trabalho de Román Hernández. A sua erudição está posta ao serviço de um diálogo entre contemporaneidade e tradição. Já na sua primeira exposição individual «Symmetria» (1994), se ensaiavam pontes entre o legado histórico e as contestações contemporâneas: os manequins e esculturas articuladas que enlaçavam o artificioso barroco com propostas de ressonâncias dadaístas e surrealistas, junto a uma volta aos cânones medievais comprometidos nas poéticas do expressionismo existencialista. Depois, conforme se faz explícita e cada vez mais pulcra uma sistemática dos fundamentos históricos da geometria aplicada à representação do corpo humano («Commensuratio», 1996), vai-se gerando uma poética do sinistro: medidas aplicadas a dedos amputados, trepanações, cérebros dissecados... («Innata Ratio», 1997), usando a sintaxe histórica como suporte para a deslocação irónica. Fisiognómica Com os «Oradores» (1996), na indagação arqueológica de Román Hernández inicia-se um capítulo que ocupa até agora a redação iconográfica da sua escultura. Os «Oradores» (Doxógrafo, Orador, Teólogo, Filósofo, Poeta) são uma série de cabeças que falam das diferentes vertentes do conhecimento humano e da sua transmissão. Pêndulos, chumaceiras, cravos de trepanação, cordas e circunferências metálicas de contenção sobre o crânio são alguns dos atributos da opinão caprichosa, do motivo do discurso, da clausura da teodiceia, do desvario da paixão intelectual, da mensagem da visão que prediz, cuja medição está inscrita na pele segundo uma ordem de proporções de faculdades cerebrais e sensitivas: perímetro, fronte, olhos, boca. Um reportório expressivo de tipos fisiognomónicos tomados da persistente tradição barroca espanhola nas imagens religiosas, iniciadas com Alonso Cano e Pedro de Mena no século XVII e que será ampliada e reiterada, durante o século XVIII, desde o influxo de L'Art de connaître les hommes para la Physionomie de Lavater à vulgarizaçao estandarizada dos santos patronos das nossas paróquias: imagens dirigida a comover, por meio da acentuaçao dos caracteres, traços e inclinaçoes numa época sentimental. Mas ainda presente nas lembranças de infância de Román: «quando meus pais me levavam às igrejas e rituais de procissões para participar naquelas manifestações de fé com tons dramáticos, lúdico-festivos e teatrais. Observar e amar, como dizia minha mãe, o «Senhor morto», beijar-lhe os pés... mas tudo isso vivi sem demasiadas explicações e de certa maneira fui criando para mim uma visão muito pessoal». Aqueles outrora santos, rostos da bagagem kitsch —fonte da fantasia sempre surreal da mestiçagem das ilhas Canárias, na opinião de Breton—, encontramo-los agora convertidos numa galeria de personagens exemplares para o distanciamento crítico. Pois o problema da antinorma fica suspenso na tensão entre razão e vontade, anelo aeternitatis e frustração pragmática. E o oculto fundo moral, a mover-se entre o severo e o fantástico, alcança protagonismo através da configuração sensual das feições. Olhares instáveis, faces carnosas, rictus cépticos, combinam-se com esferas de cores, justapondose humanidade e perfeição, como acontece já na peça «Princípio e origem do sentido» (1997) e que pela irupção da policromia inaugura uma nova fase na sua trajectória, agora mais depurada, ácida e luminosa. presente a indefinição dos meios expressivos da escultura. A sua obra, alheia ao purismo do volume estatuário, encontra-se à vontade com os recursos da grafia, a agregação de materiais humildes, a cor e inclusive a moldura da pintura. As Capita mensulae parecem desmembradas de ordens de antigas arquitecturas enquanto a sua série de inspiração africana «Máscaras» recorda taxonomias académicas, análises fragmentadas de um pretenso saber unitário. O dictum do fragmento e do comentário residual —comuns à sensibilidade postmoderna— torna-se explícito na série de gavetas (como se fossem extraídas de um arquivo terminado antes da sua exposição) formada pelo par de cérebros da Secretissima Scienza, os olhares ao oculto e ao maléfico e, finalmente, a dicotomia visão-gosto, que dirige sobre a escisão do sentido nobre da visão («Não há nada no intelecto que previamente não se tenha oferecido aos sentidos»), pálida e cristalina pela sua pureza, frente à sanguínea, rosada, representação de olfacto e gosto («Porta através da qual o intelecto entende e conhece o gosto»). Porém, mesmo sendo um fragmento, —não é este um esforço de clarificação para a nossa sociedade do espectáculo? As obras de Román propõem-se-nos como um parêntesis, mas unido às inquitações prementes da actualidade. O rarefeito clima moral de fim de século levou-o à revisão do Aplocalipse, como um decepcionado «Exegeta para o segundo milenio». A homenagemdenúncia de «O pensador corrupto» mostrase junto ao «Deus-Pai executor», que se identifica como o «O indicado para proceder a mover a Roda da fortuna e do castigo». Também como uma filtragem do estado actual pode considerar-se o seu interesse em determinar um novo repertório canónico da representação figurativa das culturas africanas, no momento presente de globalização, que nas Canárias se vive como um estreitamento dos laços geopolíticos através do Atlântico. As máscaras, utilizadas frequentemente na tradição vanguardista ao serviço da renovação da linguagem formal, entram para formar parte da Secretissima scienza, deixando um rastro de luminoso colorido no resto da sua produção. O disforme feminino Taxonomia É sintomático do diálogo que Román Hernández establece com a história a partir do Nesta exposição, somente uma obra apresenta o corpo completo, embora se mostre como uma paródia do ideal unitário da [ 98 ] c oética e da azão estatuária: «A tentação de Adão». Trata-se de um pequeno monumento, cujo pedestal é desproporcionadamente elevado, cerimonioso e estreito para a tosca e volumosa mulher que sustém. Como um monstro entre as figurinhas de fertilidade prehistóricas e as proporções medievais ridicularizadas, a grosseira Eva encarna o «eterno disforme feminino». Na tradição que Román segue não há estudos de proporções matemáticas sobre a constituição da mulher. A análise geométrica sempre se adequou ao corpo do homem, estabelecendo uma aliança duradoura e «natural» entre racionalidade e masculinidade. Da mulher ficou a epiderme, sujeito (pictórico) de desejo da representação masculina, só aparentemente bela. Pois belas, na verdade, só podiam ser as figuras masculinizadas de Miguel Ângelo, ou os nus homoeróticos de Canova. símbolo da alma pode apreciar-se o lugar natural que lhe corresponde. A alma, ente superior, há-de governar a carne (leia-se couro de cabra), ideia que se resolve indiscutivelmente mediante os fios que unem o cérebro ao couro. Assim a carne aparenta vida, não sendo senão uma máquina impulsionada pela alma. Quebrados os fios, perdido todo o contacto com a glândula pineal (essas teorias pretenciosas de outrora, esses jogos esquecidos sob os infalíveis Popper-Eccles, platónicos de bata branca) a carne morre, pois não é vida, e vive somente a alma, que é de Deus e a sua Vida desponta (Amén)». Em Román, é uma fixação que se repete, desde as suas primeiras obras. A representação da mulher sempre é a de um corpo, inaccesível à «Mayéutica» (1994). O modelo do «eterno disforme feminino» chega aqui até ao sarcasmo, nesta Eva cujo rosto foi substituído por uma esfera vermelha, recoberto por uma pobre porção de pêlo espesso e que se repete na esfera que quase como um jogo pende da mãozinha cujo dedo indicador aponta o seio. A esfera, símbolo de perfeição (azul) ou do seu oposto, o mal (negro) em outras obras, exibe uma rubra pulsão talvez como indício de outras plenitudes. Ou talvez, somente troça e escárneo da esfera cristalina. Um libertino: «Ao cérebro doem-lhe os neurones de, à força, pensar sem sexo». Rocío de la Villa Texto do catálogo da exposição «Confissões para a ironia e a razão», editado pela Galería Mácula, La Laguna, 2000. SOBRE A RAZÃO IRÓNICA Quatro leituras Sede da Sabedoria O cérebro e o seu signo: um couro péssimo, pedra grosseiríssima, insuportável. O couro empesta, não há dúvida. Um crente: «A cana dual, o cérebro ou o espírito, o cérebro ou a carne, infinitudefinitude. Há aqui como um eco de velhas discussões. Se aceitamos esse cérebro como c oética e dE LA azÓN [ 99 ] Um niilista: «O couro é um símbolo inequívoco da nossa natureza. É preciso que esse couro nos insulte, como toda a verdade útil. A sede do Temor a Deus, um couro putrefacto!» Fóssil rítmico ou centro roto Alguns cérebros estão suspensos de seus donos como atraídos para o alto por nuvens caprichosas, como se experimentassem os rigores de uma força de gravidade inversa. Essas pessoas costumam sofrer dores como ao contrário sem que consigam suspeitar do prazer de dores cómodas, amáveis, providas da dignidade encantadora de um sofá em salões desertos. Um cérebro desta natureza precisa de uma maquinaria inconcebível que os domine, confinando-os na sua cavidade craniana. Tão irresistível é a força vertical que puxa por eles que é natural recear que rasguem o crânio, rebentando com a raiva incontível das sidras vulgares. Generalmente, estes complexos mecanismos garantem aos seus utilizadores uma inmobilidade cerebral forçosa. Mas a imprudência de alguns à hora de dormir a sesta, a intemperança ou o descuido imbecil de outros ocasionaram já acidentes horríveis. As cabeças destes desgraçados, convertidos sem aviso em morteiros ambulantes, fazem disparar com uma surda detonaçao os cérebros, que se elevam com uma graça fúnebre de mísseis inteligentes. Os transeuntes, desconcertados, esforçam-se em vão a perseguir os projécteis com a vista, pois logo se perdem, ultrapassam as últimas nuvens e abandonam definitivamente a atmosfera. Os jornais locais costumam fazer constar com generosidade os acontecimentos pirotécnicos como estes, embora rara seja a vez, sem que saibamos a causa, que jornais de âmbito nacional os divulguem. Mas não queria ocupar-me destes cérebros rebeldes. Outra espécie, desgraçadamente mais abundante, tem de atrair a nossa atenção. Refiro-me a esses cérebros graves, encaixados firmemente nas suas cabeças, sobre os ombros, com o peso soberbo de um pilar catedralício. Que lentidão assombrosa a destes cérebros! Dormitan, como ossos cavernários, empanturradas pelo seu dolce far niente, moluscos fossilizados que levam esses pés a passear, ao escritório ou ao mercado. Os portadores destes cérebros precisam de um aparelho acelerador. Costumam tais máquinas instalar-se sobre o sujeito, apoiando-se nos dois ombros. Sobre a cabeça pende o mecanismo principal, formado por um engenhoso sistema de roldanas que puxa pelo cérebro com força uniforme e constante. Os indivíduos que experimentaram este mecanismo complicado nas suas carnes são unânimes em referir uma sensação de cócegas neuronais, como uma efer vescência de lucidez nunca antes experimentada. Cérebro em processo de exame Também os cérebros se constipam, como velhinhas no outono, entrincheiradas em poltronas sem vida. Metem dó estes cérebros derrotados, humilhados pela doença, murchos, desenganados. Há quem, ao observar a extrema sensibilidade destes órgãos, trate de não os expor a bruscas mudanças de temperatura ou a correntes de ar intoleráveis, abrigando os cérebros com um zelo maternal, embalandoos se for preciso. Assim evitam os mais cautos as temíveis afasias e outras lesões incuráveis, horror e ruína dos prudentes. Para outros, pelo contrário, toda a precaução é inútil, pois os seus cérebros não adoecem como a maioria; antes se expõem a males de natureza bem diferente. É o caso de cérebros entregues a uma erudição forçosa, catedráticos antifáusticos, escravos e peste das letras, bibliófagos reincidentes, caterva infame, imundície inimiga de toda a arte, que a Providência entrega com regularidade ao inferno para paz e alívio dos justos. Sede do pensamento e da razão Pouco depois de se revelar à humanidade o milagre do pensamento, as suas cabeças mais notáveis insistiam em encontrar a sua sede. Buscavam os pensamentos conforme diversos métodos, multiformes na sua maior parte, excêntricos e extravagentes. Alguns optavam por escuadrinhar o curso das nuvens sobre a superfície espelhante das águas de um lago; outros, mais radicais, por submergir cérebros de recém-nascidos em cubas de mosto ou em caldeiras de mel. Houve sábios que quiseram ser sepultados em cavernas durante vinte anos, ignorando-se, desgraçadamente, o limite das suas demoradas meditações. No Oriente, sábios com uma recta consciência e metódicos dissecaram crânios de videntes, sexos de donzelas, coxas e tornozelos de santos, globos oculares, tranças, testículos, línguas de escrivas, pénis de general, durante intermináveis e férteis séculos de honrosa ciência. Os profetas jejuavam no deserto quarenta dias e quarenta noites e embora alguns regressassem à cidade como esqueletos enegrecidos, confundindo o povo com oráculos de areia e visões sem luz, a maior parte ofereciam os seus arcanos e os seus ossos ao deserto, donde jamais regressavam. Amplos arrozais serviram de lugar de inundadas especulações ao camponês audaz, concentrado na inútil evoluçao da bosta de um boi sobre a superfície recém-arada da água. Nas pradarias longínquas, os caçadores do bisonte interrogavam com desigual forte o fumo da terra onde nasceram. Os mais cépticos vigiavam o voo dos abutres. Buscavam, buscaram incansáveis os santos, os sábios, os profetas, esgotando métodos inverosímeis, experimentando variantes, addenda, correcções ad hoc, assombrando o povo com as sus revelações, discutindo com os incrédulos, submetendo-se ao ataque de cépticos e cínicos. Nenhum se supôs obrigado nunca a justificar, no respeitante a métodos, as suas preferências. Ignoravam quanto pode determinar a dieta porcofílica, certos regimes sexuais, a proximidade do mar ou o uso institucionalizado de moeda —para mencionar alguns, sem intençao exhaustiva— a aceitação de um ou outro método. Estas questões epistemológicas afastam-nos dos nossos interesses históricos e etnográficos. As investigações mais autorizadas concluem que não houve consenso em atribuir a este ou àquele órgão a sede do pensamento. Não é de estranhar que alguns povos decidissem poupar-se a discussões fiáveis, vazias e intermináveis. Assim, os feiticeiros das selvas do Sul, que seguem um único princípio de radical economia: negar a posibilidade del pensamento. Roberto A. Cabrera Texto do catálogo da exposição «Confissões para a ironia e a razão», editado pela Galeria Mácula, La Laguna, 2000. [ 100 ] c oética e da azão O ESPAÇO ESCULTÓRICO DE ANA LILIA MARTÍN E ROMÁN HERNÁNDEZ I Borges constatou, numa página memorável, que quase já não há leitores, no sentido ingénuo da palavra, mas críticos potenciais. Os leitores limitaram-se, segundo Borges, a ensaiar uma «distraída leitura de atenções parciais», a cuja ética subordinam a emoção que procura o gozo inocente de uma obra. Creio justificado transladar esta ideia para o espaço da arte, onde o afirmação acertada de Borges, como pode comprovar o leitor, se revela com total pertinência. A obra de arte, por definição, é um gesto inefável. Perante a manifestação deste gesto o espectador sente a tentação de satisfazer parcialidades, de buscar (no dizer de Unamuno) tecnicarias, filiações eruditas e outras observações justiceiras que opinem se a obra em questão tem carta de cidadania ou não na república das artes. Estas etiquetas, que o espectador se apressa a coleccionar, impedem, talvez, uma leitura global e lúdica, sensível à emoção de quem contempla a obra. Não pretendo negar a legitimidade da crítica artística; aspiro a opontar os seus riscos, de que porventura não me vejo livre não sendo, como adianto já ao meu leitor, um crítico de arte. As linhas que se seguem esboçam impressões diversas, leituras (parciais?) que não elevarei, imprudentemente, à dignidade de juízos doutos e autorizados. Proponho-me iluminar a minha experiência de uma obra. Fica o leitor obrigado a indagar a que lhe é própria. II Várias coordenadas definem o espaço escultórico de Ana Lilia Martín: a fascinada recreação do corpo humano; o fragmento elevado a totalidade; a dissolução da fronteira entre o antigo e o moderno, perseguida pela mão que modela, em dívida com o espírito da Itália renascentista, cuja estética reescreve. Estas linhas formam o eixo vertebrador de uma obra que se tem iluminado a si mesma, alheia à servidão de escolas, com uma fidelidade testemunhada desde as suas primeiras peças. O antigo continua a viver nelas, revigora com c oética e dE LA azÓN [ 101 ] a sua luz recuperada as formas, as pátinas gastas, os volumes, os rostos, desesperados, insones, até grotescos, barro primordial que a arquitectura visível da alma anima, rostos submetidos a variação, inventariados, como se se desejasse catalogar a pegada que a contingência das emoções grava neles. Da música tem-se ponderado a sublime ambiguidade da sua linguagem. Talvez estes rostos participem de uma condição análoga e sejam as emoções representadas um horizonte que não pode reduzir-se a conceitos. III As esculturas de A Casa de Adão (1994), talvez seja a série mais conseguida —partindo da perspectiva de um conjunto germinado em torno de uma ideia seminal—, recriam um mito de verdade implacável. Schopenhauer avaliavao pela marginalidade que ocupa no seio do optimismo judaico. O seu elogio não é estranho. O mito da Queda, que expõe sem rodeios a condição miserável da vida, descrita como uma condenação, um vale de sofrimento e de angústia, representa alegoricamente a verdade pessimista do seu pensamento. Antonio Averlino «Filarete», numa página assombrosamente ingénua do seu Tratado, especula sobre a origem da arquitectura e ensaia a hipótese de atribuí-la a Adão proscrito, que, submetido à inclemência, deve ter sido o primeiro dos homens impelido a fazer uma morada. É possível transcender a ingenuidade destas linhas. A alegoria não é vã. Seria possível perguntar se conseguimos habitar a casa de Adão, ou se esta foi construída alguma vez. Não é, acaso, toda a cultura, todo o esforço civilizador, tentativas, consumidas pelo fracasso, para levantar a morada do homem? Os rostos que Ana Lilia modelou, o desamparo de seus corpos, a angústia de seus gestos testemunham o horror da orfandade primigénia, mas resta a dúvida de esse horror nos abandonou alguma vez e não seja a morada mas a imagem de um anseio irrealizável. É sabido, desde os tempos antigos, que um querubim guarda com a chama de uma espada o caminho da árvore da vida. IV A dissolução da fronteira entre o antigo e o moderno que procuro avaliar na escultura de Ana Lilia Martín, e que indiquei como um dos eixos fundamentais da sua proposta, adquire na obra de Román Hernández maior audácia e radicalidade. O escultor desconcertanos ao reunir estratos heterogéneos: a policromis barroca (cujos excessos nos são manifestados pelas imagens católicas) convive com estudos geométricos nos quais se respira o alento inovador das oficinas da Bauhaus; as cores primárias que vestem figuras euclidianas dialogam com fragmentos de cornijas clássicas ou barrocas, cravos romanos, pêndulos e fios de prumo que o escultor recuperou de mercados e lojas de antiguidades; arcos, abóbadas, pátinas envelhecidas são o lugar imprevisto para o voo de figurinhas investidas dessa luz que vive na mão das crianças. Rocío de la Villa assinalou esta circunstância quando elogia em Román Hernández a ditosa capacidade para estender pontes que comunicam o legado histórico com a contemporaneidade, oferecendo-nos a tramóia do artifício barroco e os seus manequins em desconcertante aliança com motivos de ressonâncias surrealistas ou cânones medievais transfigurados sob a luz do expressionismo. Esta negação dos limites cronológicos (com os seus anacronismos manifestos), esta transgressão das fronteiras espirituais, que ameaçan com a heterogeneidade e a fragmentação o discurso ininterrupto que a modernidade pretende, conversa com outros elementos que iluminam a obra. Rocío de la Villa menciona alguns: a «poética do sinistro» (que mergulha as suas raízes nas imagens barroca, cuja católica complacência com a tortura e suas pegadas não é preciso documentar), a exploração do problema (principal em outro tempo) dos fundamentos geométricos da representação do corpo humano. Eu acrescentaria o jogo da distância irónica, a decidida vontade de transgressão, o humor negro, o grande interesse pela matéria sensível à ferida do tempo (o óxido, a madeira estragada, o barro), a melancolia que inspiram as suas meditações plásticas sobre a inanidade de toda a medição, de toda a ratio que harmonize o homem com a geometria (humana, demasiado humana?) do universo. Roberto A. Cabrera Texto do catálogo da exposição «Esculturas» (Ana Lilia MartínRomán Hernández), editado pelo Ibercaja, Zaragoza, 2001. AS MÃOS TRANSLÚCIDAS O vago discorrer sobre a sequência da obra que expõe o escultor Román Hernández faz-me percorrer um caminho semeado de momentos. Feito e visto com seus olhos, repetidos e interpelantes, são outros olhos, corpos, mentes, os que te surpreendem e olham, presos no seu instante de criação ou de evolução exacto (a evolução, segundo Teilhard de Chardin, não é mais que o acto criador que permanece). Inquieta a sua obra desinquieta porque exigem com premência as suas figuras mil perguntas. Contemplando e imerso em qualquer delas sinto como, sonhando no meio de um obscuro labirinto, «as translúcidas mãos» (J. L. Borges) lavram o seu desenho, entregues à solução do primeiro modelo, e entendo como o artífice reclama não somente voltar sempre às suas origens mas encontrar o preciso espaço e tempo, com o seu pluriforme sentimento. No demiúrgico impulso criador vislumbra-se de novo que a «inspiração poética distingue-se pelos dons da imagem e do Número» (Paul Claudel). Não em vão a sua lei «governa os sentimentos e as imagens e o que parece exterior é simplesmente interior» (Flaubert). É a verdad do que há e do artista. As coisas são o que são e o seu mistério e tem-se que iluminá-las. As suas referências remetemnos para o momento em que Platão fala do aparecimento e constituição do cosmos no Timeu, esplêndida mitologia para quem a sua condição não tem outra sorte, nada mais e nada menos, que a metáfora. Antes da existência física dos cinco elementos, a matéria que háde adquirir forma estrutura-se de acordo com corpos geométricos ideais, cujas superfícies possuem lados e ângulos iguais e cujas arestas repousam sobre uma esfera. São somente cinco os corpos que cumpren exacatamente estas condições. Chamamo-lhes corpos platónicos e com eles está feito o universo. O manancial recuperado, a matéria primeira, os corpos celestes, os números divinos, macrocosmos e microcosmos a descoberto. Corpo e mente já translúcidos, podem ver e deixar ver a verdade do artesão a aperfeiçoar a sua obra e do artista suspeitando do milagre. Definitivamente, á surpresa artífice sucede o sobressalto, momento intenso e prolongado, sem tempo, anunciação, [ 102 ] c oética e da azão encarnação e parto simultâneos e com ele a luz e a iluminação, a palavra e a coisa, donas já de si mesmas e das suas provocações, dos seus efeitos estremecedores. Interpelar o homem dos nossos dias com estas intimações metafísicas é uma provocação oportuna. Fazê-lo a partir da experiência imediata insistindo no apelo à intuição e sua remoção do caos, um compromisso ineludível. Assim pois, vinde e vede como o criador contempla o modelo, como sucede o traçado do pentágono, da pirâmide e do prisma trapezoidal e a função da indispensável esfera, a esfera sólida para dispor o todo, dentro de uma geometria ordenada pela ideia para a construção do corpo esférico de Platão. Eis aí o cubo, a pirâmide, o octaedro, o dodecaedro, o icosaedro. Contemplai as entranhas de todas ais coisas. É o momento anterior àquele em que devem dispor-se todas as matérias. Deixai-vos surpreender com o ânimo da cada corpo, de qualquer corpo, os conformes, os disformes e os informes, em qualquer instante, com cada figura e seus modelos, procurai abrir para vós passagem no arriscado labirinto, lugar dos nossos afazeres. Senti que a essência de tudo se entrega na sua exacta existência e comprovai que a sua existência agarrou também a vossa. Há uma vontade discipular e didáctica em toda a obra de Román. Nela vê-se o mestre que estuda os pesos e medidas, a harmonia e o equilíbrio das coisas, o que sejam em si, os nomes, os números e os infinitos espelhos. Vale a pena compartir o olhar, olhando e sendo olhado, interpelação no meio do inquietante labirinto. Ética e estética juntas no mundo tão contingente como efémero da nossa experiência possível. A disciplina e a ascética assinalam o caminho processual de uma dialéctica aberta definitivamente ao Uno, à Verdade, ao Bem e à Beleza. Eis aqui os referentes clássicos. Román, mais cá, mais lá e, ao mesmo tempo que o vitalismo órfico, as cosmogonias gregas, o espritualismo matemático, ascético e místico de Pitágoras, o diálogo platónico, a obediência e encantamento da escolástica — pange lingua gloriosi corporis misterium («Canta, oh língua, o mistério do corpo glorioso», Tomás de Aquino)—, a fascinação de Luca Pacioli e o torvelinho inacabável de uma realidade convocando assombros, senta-se à mesa e cinzela c oética e dE LA azÓN [ 103 ] instantes e modelos, com a sua particular ascética e disciplina, quando já «não o perturba a fama, esse reflexo de sonhos no sonho de outro espelho, nem o temeroso amor do discreto. Livre da fatuidade e do excesso, lavra com suas mãos as matérias, como se elas próprias pudessem recuperar a sua condição de estrelas» (J. L. Borges). José Segura Munera Texto do catálogo da exposição «Homenagem a Luca Pacioli ( I )», editado pela Caja General de Ahorros de Canarias, El Rosario, 2002. «Porque se se pudesse encontrar na natureza um sexto corpo simple, o Sumo Fazedor chegaria a ser diminuído e seria possível atribuir-lhe falta de prudência ao não ter previsto desde o princípio todas as necessidades oportunas». PACIOLI, L.: De Divina Proportione, capítulo LV É curioso que Pacioli —o franciscano Lucas Pacioli—, nascesse numa localidade da Toscana chamada Santo Sepulcro (San Sepolcro), em 1445, nome que parece predestiná-lo a honrar um capítulo da vida de Cristo, através da Ordem Seráfica, que soube popularizar os mistérios da Paixão. Esta pequena aldeia ao pé de monte Maggiore fazia gala em conter no seu nome a passagem evangélica que mencionava o sepulcro novo, aberto na rocha, «onde ninguém fora enterrado». Em contacto com aqueles humildes frades, Pacioli fortaleceu a sua fé, abraçando a Ordem até à sua morte, ocorrida em 1517. Não é estranho, pois, que inconscientemente estabelecesse uma correlaçao entre as matemáticas, a sua grande inclinação, e o sentido teológico da Ressurreição, surgida do fundo do Sepulcro, já que ela supõe não só o objecto fundamental da fé cristã, mas também a culminação da ordem, do universo resgatado. Em todos os seus estudos e tratados, a ideia de proporção é uma constante, de tal maneira que a sua obra magna, De Divina Proportione, impressa em Veneza em 1509 e dedicada a Ludovico el Moro, Duque de Milão, chega a estabelecer a semelhança que guarda com as propiedades da Divinidade. Assim, no capítulo V, afirma que «dita unidade é o supremo epíteto de Deus uma evidente impotência perante um mundo que lhe é inacessível, que não chega a alcançar. As tentativas de Durer permitiram-lhe entrar em contacto com a obra de Euclides, Arquimedes, Ptolomeu e Apolónio. mesmo, segundo toda a escola teológica e também filosófica. A segunda correspondência é a da Santa Trindade, isto é, que, assim como in divinis há uma mesma substância entre três pessoas —Pai, Filho e Espírito Santo—, de igual modo uma mesma proporção se encontrará sempre entre três termos, e nunca de mais ou de menos, como se dirá...». Pacioli continua a argumentar esta tese e para isso recorre eficazmente à Teologia já que, como homem de fé, tenta encontrar Deus no conhecimento das matemáticas, da álgebra, da geometria, da aritmética, da ciência. Na realidade, neste tratado De Divina Proportione, o autor o que tenta demonstrar é a supremacia das matemáticas sobre qualquer outra disciplina, organizada à maneira de uma subtil e admirável doutrina que converge numa única proposta: «a arquitectura, e toda arte, deve reflectrir como allo specchio, a estrutura matemática do Universo». Apesar dos ressabios medievais, a sua mentalidade renascentista proporciona um rigor moral ao conhecimento e realizaçao artística, propondo as matemáticas como uma via segura para alcançar o objectivo supremo da beleza. As matemáticas, pois, são uma referência obrigada para qualquer manifestação de arte. O mesmo ocorreu com Leonardo da Vinci, que embora não se tenha ocupado a escrever tratados sobre matemáticas, deixou por outro lado uma série de Cadernos nos quais exprimia os seus conhecimentos científicos. A perspectiva volta a ser o ponto mais importante da questão, ensinando que «deve ser preferida a todas as restantes práticas e sistemas do saber humano» Em outro Caderno, afirma: «Todos os problemas da perspectiva ficam mais claros pelos cinco termos das Matemáticas, que são o ponto, a linha, o ângulo, a superfície e o sólido» As suas experiências foram incalculáveis, e muitos dos seus tratados e invenções não se tornaram realidade antes da chegada do século XX. Atribuem-se-lhe os desenhos (60 no total) que ilstram a Divina Proportione, de Pacioli, corpos geométricos suspensos das suas tabuletas que recolhem os diversos nomes em latim. Estes desenhos contam com as suas respectivas explicações, instruções e usos num capítulo que fecha a mencionada obra. Esta relação entre entre as matemáticas e a beleza (arte) foi uma constante em muitos dos artistas, como Alberto Durer, encarnação do Renascimento alemão, que chegou a escrever dois tratados, um sobre geometria descritiva —Underweysung der Messung e Vier Bücher von Menschlicher Proportion—, e numerosas cartas, boa parte delas ao seu amigo Wilibald Pirkheimer, nas quais perguntava por questões acerca da perspectiva. Foram as propostas dos italianos, sobretudo as de Brunelleschi, as que exerceram uma grande influência sobre os seus delineamentos teórico-artísticos. O célebre arquitecto já formulara a possibilidade de considerar e tela como uma janela através da qual o espectador contemplava uma parte do mundo, utilizando para tal fim uma secção de cone (ou pirâmide) que põe em relação os olhos do artista com o própio tema. Durer não faz senão experimentar uma e outra vez as teorias então em vigor, concluindo pela criação de aparelhos que eram capazes de proporcionar uma correcta perspectiva, alguns deles propostos por Leonardo da Vinci. Assim surgiu a sua gravura mais conhecida, Melancolía, obra cheia de mistério, identificada durante o Renascimento com a «criatividade» Aqui, Durer faz alarde dos seus conhecimentos de geometria e das artes construtivas; contudo, manifesta Fruto da observação e da reflexão, e mantendo uma analogia com os postulados estéticos e filosóficos tanto de Pacioli como daqueles outros artistas e teóricos do Renascimento que, apoiados na concepção neoplatónica, concebiam o universo como uma unidade harmónica dependente de uma orden superior, é a obra de Román Hernández, que projecta essa inclinação nas proporções como linguagem, deixando entrever o misterioso discurso estabelecido entre a medida, a sabedoria e a admiração convertidas em matéria. Trata-se de uma constante busca que tem a arte como ponto convergente para estabelecer todas as conexões possíveis para o encontro da realidade humana, por inacessível que pudesse ser. Em toda a sua produção, Román Hernández manifesta uma inquietação vital, não tanto de forma como de pensamento; esquadrinha na mente humana para encontrar as pegadas de Aquele que fez possível a sabedoria. A relação entre o homem e o Criador estabelece-se atraves do símbolo, da maneira que o exprimiu Leonardo da Vinci nas ilustrações de De Divina Proportione: Um fio fino, uma fibra secreta serve de alento e fonte para o conhecimento da formosura e inclusive da imperfeição que há em nos. Nas obras Deus Pai executor I e II, realizadas em madeira e [ 104 ] c oética e da azão terracota policromadas, o escultor condensa todo o pensamento em relação com a própria estrutura do universo, fazendo referência ao pensamento de Pacioli, da qual não está longe a crítica de Bréal quanto à ciência das formas que vivem no espaço e na matéria. Diante de Deus Pai executor perguntamos a nós próprios, portanto, se essas formas viviam já no espírito; esses espaços que não se podem medir nem descrever robustecem-se de forças desconhecidas que outorgam à realização artística a categoria do inédito. O fio que verticalmente desce do Alto, sem nenhum desvio, transmite ao homem a consciência que procura tomar forma, isto é, o espírito descrevese a si mesmo, e, como consequência, fala-nos daquela Força superior. Na citada obra de Román Hernández, a arte não é uma questão de superfície, de estética, de cálculos e de formas. O processo de leitura é ao contrário; aqui o nosso olhar não traspassa a matéria para chegar ao interior, mas brota de dentro. Não podemos compreender o resultado contemplando somente as formas. O escultor propõe-nos que penetremos na própria realizaçao artística para olhar para fora, isto é, sentir o mesmo que o representado, pois a vida das formas tende a criar um mundo que actua e reage. O olhar interior. A arte não é uma pegada, mas a entoação, uma actividade criadora, algo assim como o que afirmava Eckhart sobre a imagem interior da alma. Cada uma das esculturas de Román Hernández faz-se reflexão, reflectindo o esforço para ultraspassar os limites próprios da matéria. Busca antes o âmbito do sábio, da pergunta, do inconsciente. Suas obras interpelam-nos, inquietando-nos e obrigando-nos a procurar uma razão para o ritmo de corpos geométricos suspensos do Éter. São manifestações que põem em relevo a maturidade artística do autor, capaz de levar-nos ao mistério da vida, das cordas que conduzem a nossa consciência. Através do elemento geométrico, que no caso de Pacioli —que recorreu ao Timeu de Platão— reduz-se a cinco formas regulares, Román Hernández explora também o significado que encerram estes corpos simples: a terra, o ar, a água, o fogo e o céu. A relação existente entre a cabeça humana e a esfera —outra das representações escultóricas— coloca a ideia de universo, seguindo os comentários de Platão: «A cabeça humana é a imagem do mundo» (Timeu). Produz-se, portanto, o microcosmos. É quando o homem descobre que tem sob os seus pés a terra, que o sustém; o espaço como vivência. O céu, pelo contrário, é o infinito e ilimitado. c oética e dE LA azÓN [ 105 ] Na sua mente concentra-se a realidade como percepção, experimentando o mundo que o rodeia. Segundo afirma Kretschmer, em «o mito do espaço fazem-se presentes as dimensões fundamentais da existência, da profundidade e da amplidão, que no seu conjunto constituem o universo em sentido subjectivo e objectivo» O círculo não sómente se revela sob a experiência do curso dos astros, mas também através da própria natureza humana. O eu é o centro do ciclo vital. O homem está convencido de que existe uma conexão entre os poderes superiores e inferiores, como se de um cordão umbilical — cordão cósmico— se tratasse; um «laço do céu e da terra» (Lurker), que Román Hernández sabiamente representou numa destas obras nas quais um correcto perfil mantém imóvel o seu olhar sobre um fio de prumo. Seguindo as palabras de Biedermann, o seu autor coloca con o citado instrumento simbólico essa conexão que «se some na consciência e examina a linha recta da obra arquitectónica espiritual», e que Le Corbusier define como o flexível símbolo da verticalidade. O número está presente na concepção da arte deste artista. Não o número exclusivamente matemático, mas como imagen do mundo, com a divisão do espaço e do tempo. O homem nesse mundo-número que tenta compreender sob a observação empírica ou pelo esforço especulativo-intuitivo. São os corpos geométricos que, suspensos, tentam explicar as realidades complexas com as suas inumeráveis manifestações, tornando-as visíveis e pensáveis para o espírito humano. E em cada uma das suas obras paira o espírito de Pacioli, que dá vida a todo o tratado, pois «tudo aquilo que se encontra distribuído pelo universo inferior e superior reduz-se necessariamente a número, peso e medida» A intrincada simbologia dos diversos corpos geométricos, de caras que se encontram e de linhas que convergem ou divergem, para dar forma às ideias. Como afirma Cirlot, no encontro das linhas «há a ideia de conflito, na mudança de direcção implica-se a de uma sorte de “vontade” interna da linha». De igual maneira define o ângulo recto como «racional», e o ângulo agudo como «agressivo» ou dinâmico. Toda uma linguagem que se põe ao ser viço do conhecimento do homem. Román Hernández não se conforma com demonstrar unicamente uma maturidade artística, um domínio das técnicas e um conhecimento da anatomia escultórica, mas põe de manifesto as suas conquistas no conhecimento dos valores internos da sua própria obra, universalizada, enriquecida pela nunca interrompida consulta dos clássicos como caminho e fonte das verdades essenciais, regras directoras que outorgam outra perspectiva ao resultado artístico. Uma arte que vai para além do seu valor quotidiano, convencional e prático, e que se esforça por tornar compreensível a pluralidade das coisas, oferecendo ao homem um mundo diferente e mais amplo. Gerardo Fuentes Pérez Texto do catálogo da exposição «Intuição metafísica versus lógica matemática” ( Homenagem a Luca Pacioli, II )», editado pela Sociedade Canária Isaac Newton de Professões de Matemáticas, XI jornadas sobre aprendizagem e ensino das matemáticas, La Laguna, 2003. [ 106 ] c oética e da azão román hernández [ CURRICULUM i ITAE ] Nombre: Román Hernández González. Lugar de nacimiento: Los Realejos, Tenerife, Islas Canarias, España. Fecha de nacimiento: 9 agosto 1963. Dirección estudio-taller: Calle Mª Rosa Alonso Rodríguez, 5-7, Vuelta de los Pájaros. 38009 Santa Cruz de Tenerife, Islas Canarias. Tfnos.: 34 922 660 969 34 922 657 816 699 101 990 E-mail: [email protected] FORMACIÓN ACADéMICA Licenciatura en Bellas Artes, especialidad de Escultura, Facultad de Bellas Artes, Universidad de La laguna, 1987. Doctorado en Bellas Artes, Universidad de La Laguna. Tesis doctoral: «Aspectos estructurales, formativos y significativos del canon de proporción en la escultura», bajo la dirección del Dr. Miguel Ángel Martín Sánchez, 1993. EJERCICIO DOCENTE 1988-1995. Profesor asociado de Escultura en la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de la Laguna. Desde 1995 es Profesor Titular de Universidad. Área de Escultura, Facultad de Bellas Artes, Universidad de La Laguna. Asignaturas «Teoría de la escultura», «Materiales: función, creación y conservación», primer curso, licenciatura en Bellas Artes, 19942001. Asignatura «Representación escultórica de la figura humana», cuarto curso, licenciatura en Bellas Artes, 1994-2003. Curso «Procesos de moldeo y vaciado. Materiales», Facultad Bellas Artes, Universidad de La Laguna, 1992. Curso «Pátinas. Tratamientos y materiales» (Seminario «escultura 94»), Facultad Bellas Artes, Universidad de La Laguna, 1994. Curso de doctorado «Recursos y métodos para la investigación del hecho escultórico», Dpto. Pintura-Escultura, Universidad de La Laguna, 1994-1996. Asignatura «Fundamentos de los lenguajes plásticos y visuales», tercer curso, licenciatura en Bellas Artes, 2003-04. CONFERENCIAS IMPARTIDAS «Espacio y volumen en la configuración escultórica de la cabeza humana en el siglo XX. Antecedentes y notas para un planteamiento didáctico», Academia di Belle Arti di Carrara, 2001. «Crecimiento modular y espacio en la configuración escultórica», Academia di Belle Arti di Carrara, 2001. BECAS, PREMIOS Y ESTANCIAS EN CENTROS EXTRANJEROS CURSOS Y SEMINARIOS IMPARTIDOS Curso «Taller de experimentación plástica», Departamento de Obra Social y Cultural de la Caja General de Ahorros de Canarias, Icod de los Vinos, Tenerife, 1988. Asignatura «Estudio del volumen», primer curso, licenciatura en Bellas Artes, 1988-1989. Asignatura «Modelado», segundo curso, licenciatura en Bellas Artes, 1988-1994. c oética e dE LA azÓN [ 109 ] Beca de colaboración en biblioteca, Facultad de Bellas Artes, Universidad de La Laguna, 1985-86. Beca de la Universidad de La Laguna para realizar trabajos de investigación en el Instituto Diego Velázquez (C.S.I.C.), Madrid, 1989. Beca de estancia para realizar trabajos de investigación en universidades y centros nacionales y extranjeros, Dirección General de Universidades e Investigación, Lugar: Biblioteca Nacional de Madrid, 1993. Busto de D. Misael Afonso Guerra, empresa Atlantic Games, S.L., Mazo, La Palma, 2002. 2º Premio de Escultura «Encuentro Regional de artes Plásticas para jóvenes 1987», Viceconsejería de Cultura y Deportes del Gobierno de Canarias, 1987. Desde 2001 forma parte del comité asesor de la revista Cuadernos del Ateneo de La Laguna, publicación cuatrimestral. 2º Premio Concurso Nacional para realización de un monumento a Cristóbal Colón, Puerto Colón S.A., Adeje, Tenerife, 1988. INTERVENCIÓN EN PROYECTOS DE INVESTIGACIÓN Y DESARROLLO Invitado por la Facultad de Bellas Artes de Lisboa para participar como ponente especialista en la Tesis de licenciatura de la profesora Cristina Branco titulada «Contributos para o estudio da teoria das proporçoes aplicada à escultura em Portugal», 2001. «Diseño y creación de una estructura didáctica para el Museo Arqueológico y de Ciencias Naturales del Excmo. Cabildo Insular de Tenerife», Universidad de La Laguna y Excmo. Cabildo Insular de Tenerife, 1988. Profesor visitante dentro del programa SócratesErasmus (U.E.), Academia de Bellas Artes de Carrara, Italia, 2001. Profesor visitante dentro del programa SócratesErasmus (U.E.), Facultad de Bellas Artes de Lisboa, 2002 Actualmente es coordinador de área del programa Sócrates-Erasmus entre la Facultad de Bellas Artes de la U.L.L. y la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de Lisboa. «Conservación y restauración de esculturas de la Iª Exposición Internacional de escultura en la calle, S/C de Tenerife, 1973-74».Universidad de La Laguna y Ayto. de Santa Cruz de Tenerife, 1990-1992. «La madera: material escultórico. Estructura celular, intervención y conservación». Dirección General de Universidades e Investigación, Viceconsejería de Educación, Cultura y Deportes del Gobierno de Canarias, 1999-2001. PUBLICACIONES ENCARGOS Y COLABORACIONES Decoración artística del «VII encuentro internacional del MIDADEN», Centro de Estudios Teológicos, La Laguna, Tenerife. 1986. Realización de escultura y decoración de la consulta de la Dra. Ana Rodríguez Brito, La Laguna, Tenerife, 1987. Busto de Cristóbal Colón, empresa Puerto Colón S.A.. Adeje, Tenerife, 1988. HERNÁNDEZ, Román: «Procesos de moldeo y vaciado. Materiales» (pp. 181-269), en VVAA: Escultura. Hechos, ed. M. Sánchez, S/C de Tenerife, 1993. H ERNÁNDEZ , Román: «La teoría sobre la proporción de San Agustín: entre la simbología y la práctica artística» parte 1ª, El Día, Suplemento Cultural Las ínsulas estrañas, nº 9, Santa Cruz de Tenerife, 14 mayo 1994, parte 2ª, nº 10, 28 mayo 1994. Relieve homenaje al Dr. Antonio González González (Premio Príncipe de Asturias de investigación 1986), I.E.S. Dr. Antonio Glez, Tejina, Tenerife, 1989. HERNÁNDEZ, Román: «Orgánico-geométrico», díptico exposición escultura alumnos de Bellas Artes, Vicerrectorado de Extensión Universitaria, Universidad de La Laguna, marzo 1996. Diseño, maquetación y selección de dibujos del suplemento cultural Las ínsulas estrañas en Archipiélago Literario, Periódico El Día, Santa Cruz de Tenerife, Números 1 al 10, 1994. H ERNÁNDEZ , Román: «interpretaciones y especulaciones acerca del concepto vitruviano del homo ad circulum y ad quadratum» en Bellas Artes. Revista de Artes Plásticas, Estética, Diseño e [ 110 ] c oética e da azão Imagen, Servicio de Publicaciones, Universidad de La Laguna, nº 0, mayo 2002. HERNÁNDEZ, Román: «Consideraciones en torno a una teoría de la proporción en el medievo islámico» en Bellas Artes. Revista de Artes Plásticas, Estética, Diseño e Imagen, Ser vicio de Publicaciones, Universidad de La Laguna, nº 1, 2003. H ERNÁNDEZ , Román: «The Stereometric Drawing in the Analysis and Representation of the Natural. Background and Notes for a Didactic Analysis» en Leonardo, The International Society of the Arts, Sciences and Technology (IAST), Cambridge, U.S.A, 2004. En prensa. VV.AA.: «Mantenimiento y conservación de esculturas contemporáneas de la 1ª exposición internacional de esculturas en la calle, S/C de Tenerife 1973-74» (intervención sobre obras de H. Moore, J. Miró, C. Viseux y M. Martí), Actas del VIII Congrés de Conservació de Béns Culturals, Consellería de Cultura, Educació y Ciencia Generalitat Valenciana, Servicio de Publicaciones Universidad Politécnica de Valencia, 1992. HERNÁNDEZ, Román y MARTÍN, A. Lilia: «Análisis, tratamiento y conservación de escultura contemporánea realizada en hierro y duraluminio», Actas del IX Congreso de Conservación y Restauración de Bienes Culturales, Junta de Andalucía, 1992. HERNÁNDEZ, Román y MARTÍN, A. Lilia: «El dibujo estereométrico en el análisis y representación del natural. Antecedentes y notas para un planteamiento didáctico», Actas del Congreso Nacional «El dibujo del fin de milenio», Dptos. de Dibujo, Pintura y Escultura, Universidad de Granada y Caja Rural, Granada, 2000. HERNÁNDEZ, Román: «La teoría de la proporción de San Agustín: entre la simbología y la práctica artística», Actas del Congreso Diálogo Fe-Cultura, Centro de Estudios Teológicos-Universidad de La Laguna, 2000. HERNÁNDEZ, Román: «Del poliedro sobre un pedestal de Durero al cubo de Giacometti», Actas del Congreso Nacional de Bellas Artes «Renovar la tradición», Universidad de La Laguna, Viceconsejería de Cultura y Deportes del Gobierno de Canarias, 2002. En prensa. c oética e dE LA azÓN [ 111 ] HERNÁNDEZ, Román: «Aspectos estructurales, formativos y significativos del canon de proporción en la escultura», tesis doctoral (CDRom), Servicio de Publicaciones Universidad de La Laguna, 2004. En prensa. REALIZACIÓN DE DISEÑOS E ILUSTRACIONES Dibujo para «Retrato del artista ausente de Jaques Roubeaud», El Día Suplemento cultural Las ínsulas estrañas, nº 3, pág. V, Santa Cruz de Tenerife, 12 febrero 1994. Dibujo para «Mario Levrero: algunos aspectos de su narrativa (I)» de Jorge Ernesto Olivera, El Día Suplemento cultural Las ínsulas estrañas, nº 5, pág. V, Santa Cruz de Tenerife, 12 marzo 1994. Diseño de catálogo «Symmetria» esculturas Román Hernández, ed. Excmo. Cabildo Insular de Tenerife, S/C de Tenerife, 1994. Diseño de catálogo «Commesuratio» esculturas de Román Hdez., ed. Servicio de Publicaciones de la Caja General de Ahorros de Canarias, S/C de Tenerife 1996. Diseño de catálogo «Innata ratio» esculturas de Román Hdez., ed. Servicio de Publicaciones de La Caja General de Ahorros de Canarias, S/C de Tenerife, 1997. Diseño de díptico de la exposición «Legado oculto de la razón» esculturas de Román Hdez, ed. Área de Cultura del Excmo. Ayto. de Puerto de la Cruz, 1998. REPRODUCCIONES DE SUS OBRAS EN DIVERSOS MEDIOS «Aquí te doy otra regla para el arte de la escultura», (técnica mixta, 1998) en cubierta del libro Rhetorische Seh-Reisen. Fallstudien zu Wahrnehmungsformen in Literatur, Kunst und Kultur de A. de Toro y S. Welz, Vertuert Verlag, Frankfurt am Main, Leipzig, 1999. Cinco obras inéditas de la serie «sólidos geométricos» (técnica mixta, 2000) para Oro Azul al cuidado de Isidro Hernández en 2C revista semanal de ciencia y cultura, La Opinión de Tenerife, jueves 16 noviembre de 2000, pp. 9-12. Edición de 3000 marcadores de libros que reproducen la serie capita-mensulae (técnica mixta, 1999-2000), Librería El Paso, La Laguna, diciembre 2000. «Analogía» (técnica mixta, 1996) en Pedrero, V.: «Humano, pese a todo. Una aproximación al arte que viene», Cuadernos del Ateneo de La Laguna, nº 10, mayo 2001, Ateneo de La Laguna, 2001, p. 87. Reproducción de «Pyramis laterata triangula», serie «sólidos geométricos» (técnica mixta, 2000) y «Figura compilada del natural con enorme trabajo y dispendio» (técnica mixta, 1999), para 2 poemas de Carlos E. Pinto en 2C revista semanal de ciencia y cultura, nº 144, La Opinión de Tenerife, jueves 17 octubre de 2002, p. 13. ENTREVISTAS EN PRENSA CABRERA, Roberto: «symmetria», palabras acerca de una exposición (entrevista), Archipiélago Literario, p. V, El Día, Santa Cruz de Tenerife, 10 diciembre 1994. MORALES, Elena: «Entrevista al escultor Román Hernández», 2C Revista semanal de ciencia y cultura, La Opinión de Tenerife, nº 51, jueves 12 octubre de 2000. RECENSIONES «Esculturas de Román Hernández bajo el título de Symmetria», El Día, sábado, 3 de diciembre de 1994, p. 57. «Román Hernández presenta en La Laguna su última serie Commesuratio», El Día, martes 5 marzo 1996, p. 63. «Román Hernández. Esculturas». Publicación de la Obra Social y Cultural de la Caja General de Ahorros de Canarias, Época II, Año 2, nº 11, marzo 1996. «Nuevas esculturas de Román Hernández», El Día, jueves 23 octubre 1997, p. 58. «Las creaciones de Román Hernández exploran el legado oculto de la razón», El Día, domingo 22 febrero 1998, p. 93. «Román Hernández expone en el Castillo San Felipe», ABC, domingo 22 febrero 1998, p. 61. «Román Hernández utiliza la medida del hombre para definir su escultura», El Día, miércoles 20 enero 1999, p. 71. «Román Hernández clausura en el Círculo de Bellas Artes», El Día, martes 2 febrero 1999, p. 79. «Una quincena de creadores plásticos convertirán la galería Mácula en “El zoco del arte”», El Día, martes 4 enero 2000, p. 80. Morales, Elena: «El zoco del arte», La Opinión de Tenerife, sábado 15 enero 2000, p. 29. «Román Hernández vuelve a explorar las variantes del canon en su obra», Diario de Avisos, sábado 14 octubre 2000, p. 72. «Román Hernández explora el perfil escultórico del cuerpo humano», El Día, martes 24 octubre 2000, p. 79. «Román Hernández». Perspectivas de arte, ABC Cultural, 21 octubre 2000, p. 42. «Actualidad, marca libros de Román Hernández», 2C Revista Semanal de Ciencia y Cultura, nº 63, La Opinión de Tenerife, jueves 4 enero 2000, p. 8 «Román Hernández. Esculturas», RevisArt, nº 47-V, año VI, Barcelona, 2000, p. 54. «Román Hernández expone sus esculturas en la sala de arte de Cajacanarias en La Laguna», La Gaceta de Canarias, martes, 19 marzo 1996, p. 25. «La Biblioteca personal de Román Hernández», 2C Revista Semanal de Ciencia y Cultura, nº 65, La Opinión de Tenerife, jueves 18 enero 2001, p. 6. «Román Hernández en la nueva sala de arte de CajaCanarias en La Laguna», Diario de Avisos, martes, 5 marzo 1996, p. 19. «La obra escultórica de los canarios Ana Lilia Martín y Román Hernández en Ibercaja», Aquí Valencia, 22 octubre 2001, p.7. [ 112 ] c oética e da azão MORALES, Elena: «Reencuentro con el ser humano», 2C Revista semanal de Ciencia y Cultura, La Opinión de Tenerife, jueves, 24 abril de 2002, p.6. «Innata Ratio», Sala de Arte y Cultura de la Caja General de Ahorros de Canarias, Santa Ursula, Tenerife, 1997. «Román Hernández une ética y estética en su última exposición», Diario de Avisos, jueves 3 octubre 2002, p. 73. «Legado Oculto de la razón», Espacio Cultural Castillo San Felipe, Puerto de la Cruz, Tenerife, 1998. MORALES, Elena: «Poemas pintados. Homenaje a Rafael Alberti», 2C Revista semanal de Ciencia y Cultura, La Opinión de Tenerife, octubre 2002, p.10. «De Humani Corporis Fabrica MCMXCIVMCMXCVIII», Círculo de Bellas Artes, Santa Cruz de Tenerife, 1999. «Román Hernández expone su Homenaje a Luca Pacioli (I)», El Día, lunes 14 octubre 2002, p. 32. «Confesiones para la ironía y la razón», Galería de arte "Mácula", Santa Cruz de Tenerife, 2000. T O R R E S , Natalia: «Román Hernández. Geometría y estética», D Trulenque, Suplemento Cultural, Diario de Avisos, viernes 18 octubre 2002, pp. 6-7. «Esculturas», Román Hdez - Ana Lilia Martín, Ibercaja, Valencia, 2001. «Nuevas esculturas de Román Hernández», Memoria Social y Cultural, CajaCanarias, octubre 2003. «Román Hernández escultor», La Opinión de Tenerife, sábado 17 enero 2004, p. 15. «Hernández revela sus escenografías de la desnudez», El Día, lunes 2 febrero 2004, p. 28. «Román Hernández exhibe sus últimas esculturas», El Día, jueves 12 febrero 2004, p. 4. EXPOSICIONES Comisario de la exposición «Orgánicogeométrico» (esculturas), alumnos Facultad de Bellas Artes, Universidad de La laguna, sala de Exposiciones Campus de Guajara, La Laguna, 1996. «Homenaje a Luca Pacioli (I)», Sala de Arte CajaCanarias, La Laguna, 2002. «Intuición metafísica versus lógica matemática» (Homenaje a Luca Pacioli, II), en XI Jornadas nacionales sobre aprendizaje y enseñanza de las matemáticas, Casino Taoro-Palacio de Congresos, Puerto de la Cruz, 2003. «Escenografías de la desnudez», Museo Municipal de Bellas Artes, Santa Cruz de Tenerife, 2004. «Secretissima Scienza», Exconvento de Santo Domingo, La Orotava, Tenerife, 2004. «Poética de la razón», Galería da Cisterna, Facultad de Bellas Artes, Universidad de Lisboa, 2004. «Poética de la razón», Sala de Arte Cajacanarias Santa Cruz de Tenerife, 2005. EXPOSISIONES COLECTIVAS EXPOSICIONES INDIVIDUALES «Symmetria», Ermita de San Miguel, La Laguna, Tenerife, 1994. «Commesuratio», Sala de Arte y Cultura Caja General de Ahorros de Canarias, La Laguna, 1996. «Esculturas», Casa de la Cultura, Los Realejos, Tenerife, 1997. c oética e dE LA azÓN [ 113 ] Ha participado en numerosas exposiciones colectivas, entre ellas: Seleccionado en la «IV, V y VII Bienales Regionales de Arte de Teror», Ayuntamiento de Teror, Gran Canaria, 1986, 1922 y 1992. Seleccionado en la «XIX Bienal Regional de Bellas Artes», Gabinete Literario, Las Palmas de Gran Canaria, 1987. Seleccionado y premiado en el «Encuentro regional de artes plásticas para jóvenes 1987», Ayuntamiento de Las Palmas de Gran Canaria, 1987. «Esculturas», Ex-convento de San Francisco, Casa de la Cultura, Garachico, Tenerife, 1987. Colectiva de miembros del Colegio Oficial de Doctores y Licenciados en Bellas Artes y Profesores de Dibujo de Canarias, Instituto de Canarias, La Laguna, 1990. «La Atlántida», Círculo de Bellas Artes, Santa Cruz de Tenerife, 1991. «Cuatro escultores», Centro de Estudios Teológicos, La Laguna, 1993. Canarias), Ermita de San Miguel, La Laguna, 2002. «Pintores y escultores con la Fundación Canaria del Proyecto Hombre», Sala de exposiciones Cajacanarias, La Laguna, 2002. «Forjadores» (escultores canarios), CajaCanarias, exposición itinerante provincia Santa Cruz de Tenerife, 2002-2003. «Profesores Facultad de Bellas Artes», Club Náutico de Tenerife, febrero 2003. Colectivo artevivo, Galería La Trasera del Leal, agosto 2003. RESEÑAS CRÍTICAS SOBRE SU OBRA «41» (Profesores de la Facultad de Bellas Artes, Universidad de La Laguna), Centro de Arte La Recova, Santa Cruz de Tenerife, 1994. «Adeje-plástica 95», Centro Cultural Villa de Adeje, Tenerife, 1995. «Las imágenes de Lorca», Sala La Caixa, La Laguna, 1998. «La figura de Dios Padre en el arte del siglo XX», Centro de Estudios Teológicos, 1999. "El zoco del arte" (Monir, L. Feito, M. Chirino, Gonzalo Glez, Lucio Muñoz, J. L. Fajardo, Román Hdez, A. Lilia Martín), Galería de Arte Mácula, 2000. «Pintores y escultores con la Fundación Canaria del Proyecto Hombre», Sala de exposiciones del centro de iniciativas de la Caja de Canarias (CICCA), Las Palmas de Gran Canaria, diciembre 1999 y Sala de exposiciones del Centro Cultural CajaCanarias, Santa Cruz de Tenerife, 1999. «El rostro de Cristo en el año 2000», Centro de Estudios Teológicos, La Laguna, 2000. «Abiertos al absoluto», Centro de estudios teológicos, La Laguna, 2001. Colectiva (Feito, Tapies, Monir, Román Hdez, A. Lorenzo, Gonzalo, Glez, A. Lilia Martín...) Galería de arte Mácula, 2001. «Multicultural 2002» (Artistas de Senegal y CABRERA, Roberto A.: «Symmetria: notas para una exposición», Catálogo editado por el Cabildo Insular de Tenerife, Santa Cruz de Tenerife, 1994. PINTO GROTE, Carlos: «Symmetria: una exposición de Román Hernández», Diario de Avisos, Santa Cruz de Tenerife, martes, 27 diciembre 1994, pág. 24. PÉREZ REYES, Carlos: «Commesuratio» esculturas de Román Hernández, Suplemento Cultural Archipiélago Literario, El Día, sábado, 30 marzo 1996, pág. VI . PÉREZ REYES, Carlos: «De Varia Commensuración», catálogo editado por la Caja General de Ahorros de Canarias, 1996. CABRERA, Roberto A.: «Razón e ironía» en catálogo Commesuratio, catálogo editado por la Caja General de Ahorros de Canarias, La Laguna, 1996. DÍAZ, Rafael-José: «El sueño de la medida», en catálogo De Humani Corporis Fabrica, catálogo editado por la Viceconsejería Cultura y Deportes Gobierno de Canarias, La laguna, 1998. DE LA VILLA, Rocío: «La esfera cristalina» en «Confesiones para la ironía y la razón (esculturas)», catálogo editado por la galería Mácula y la Viceconsejería Cultura y Deportes Gobierno de Canarias, La Laguna, 2000. [ 114 ] c oética e da azão CABRERA, Roberto A.: «De la razón irónica. Cuatro lecturas» en «Confesiones para la ironía y la razón (esculturas)», catálogo editado por la Galería Mácula y la Viceconsejería Cultura y Deportes Gobierno de Canarias, La Laguna, 2000. HERRERO, Paloma: «Confesiones para la ironía y la razón de Román Hernández» en Suplemento de las Letras y las Artes, El Día, 31 octubre 2000, p. VIII. OBRA EN COLECCIONES PÚBLICAS Y PRIVADAS Universidad de La Laguna, Ayuntamiento de Los Realejos, Ayuntamiento del Puerto de la Cruz, Caja General de Ahorros de Canarias, Ibercaja Valencia, Colección Galería Conca, Fundación Canaria Orotava de Historia de la Ciencia. Colecciones privadas de Canarias, Zaragoza, Madrid, Málaga, Caracas, París, Leipzig y Hamburgo. CABRERA, Roberto A.: «El espacio escultórico de Ana Lilia Martín y Román Hernández», catálogo editado por el Ser vicio de Publicaciones de Ibercaja, Zaragoza, 2001. SEGURA MUNERA, José: «Las traslúcidas manos» en «Homenaje a Luca Pacioli (I)» catálogo editado por la Caja General de Ahorros de Canarias, La Laguna, 2002. Nome: Román Hernández González. FUENTES PÉREZ, Gerardo: Sin título en «Intuición metafísica versus lógica matemática (Homenaje a Luca Pacioli II)», catálogo editado por la Sociedad Canaria Isaac Newton de Profesores de Matemáticas, La Laguna, 2003. Dirección estudio-taller: Rua Mª Rosa Alonso Rodríguez, 5-7, Vuelta de los Pájaros. 38009 Santa Cruz de Tenerife, Islas Canárias. HERNÁNDEZ GUTIÉRREZ, Isidro: «Escenografías de la desnudez» en catálogo editado por el Museo Municipal de Bellas Artes de Santa Cruz de Tenerife, La Laguna, 2003. HERNÁNDEZ GUTIÉRREZ, Isidro: «Escenografías de la desnudez» en 2C Revista Semanal de Ciencia y Cultura, nº 203, La Opinión de Tenerife, Santa Cruz de Tenerife, sábado 10 enero 2004, pp- 14-15. D ÍAZ , Saro: «La geometría protagoniza la muestra escenografías de la desnudez», La Opinión de Tenerife, miércoles 28 enero 2004, p. 29. CASTRO SANLUIS, Joaquín: «Escenografías de la desnudez en el Museo de Bellas Artes», Diario de Avisos, miércoles 4 febrero 2004, p. 74. MONTESINOS SIRERA, José: «Secretissima Scienza» en catálogo editado por el Ayto. de la Orotava y la Fundación Canaria Orotava de Historia de la Ciencia, La Laguna, 2004. GONZÁLEZ RODRÍGUEZ, Antonio M.: «La década áurea de Román Hernández» en «Poética de la razón», catálogo editado por la Caja General de Ahorros de Canarias, 2004. c oética e dE LA azÓN [ 115 ] Local de nascimento: Los Realejos, Tenerife, Islas Canárias, España. Data de nascimento: 9 agosto 1963. Tfnos.: 34 922 660 969 34 922 657 816 699 101 990 E-mail: [email protected] FORMaÇÃO ACADÉMICA Licenciatura em Belas Artes em escultura, Faculdade de Belas Artes, Universidade de La Laguna, 1987. Doutorado en Belas-Artes, Universidade de La Laguna. Tese doutoral: «Aspectos estructurais, formativos e significativos do cânone de proporção na escultura», bajo la direcção do Dr. Miguel Ángel Martín Sánchez, 1993. EXERCÍCIO DOCENTE Desde 1988 é Professor de escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de La Laguna. Desde 1995 é Professor Titular da Universidade de La Laguna. CURSOS E SEMINÁRIOS LECCIONADOS BOLSAS, PRÉMIOS E ESTÂNCIAS EM CENTROS EXTRANGEIROS Curso «Atalier de experimentação plástica», Departamento de Obra Social e Cultural da Caixa Geral de Aforros de Canárias, Icod de los Vinos, Tenerife, 1988. Bolsa de colaboração na biblioteca, Faculdade de Belas-Artes, Universidade de La Laguna, 1985-86. Disciplina «Estudo do volumen», 1º ano, licenciatura em Belas-Artes, 1988-1989. Disciplina «Modelado», 2º ano, licenciatura en Belas-Artes, 1988-1994. Disciplinas «Teoria da escultura», “Materiais: função, creação y conservação”, 1º ano, licenciatura em Belas-Artes, 1994-2001. Disciplina «Representação escultórica da figura humana», 4º ano, licenciatura em Belas-Artes, 1994-2003. Curso «Processo de molde. Materiais», Faculdade de Belas-Artes, Universidade de La Laguna, 1992. Curso «Pátinas. Tratamentos e materiais» (Seminario "escultura 94"), Faculdade de BelasArtes, Universidade de La Laguna, 1994. Curso de doutoramento «Recursos e métodos para a investigação do feito escultórico», Dpto. Pintura-Escultura, Universidade de La Laguna, 1994-1996. Disciplina «Fundamentos das linguagens plásticas e visuais», 3º ano, licenciatura em Belas-Artes, 2003-04. CONFERÊNCIAS LECCIONADAS Bolsa na Universidad de La Laguna para realizar trabalhos de investigação no Instituto Diego Velázquez (C.S.I.C.), Madrid, 1989. Bolsa de estância para realizar trabalhos de investigação em universidades e centros nacionais e estrangeiros, Direccção General de Universidades e Investigação, Biblioteca Nacional de Madrid, 1993. 2º Prémio de escultura «Encontro Regional de Artes Plásticas para jovens 1987», Secretaria de Cultura e Desportos do Governo de Canárias, 1987. 2º Prémio Concurso Nacional para realização de um monumento a Cristóbal Colón, Puerto Colón S.A., Adeje, Tenerife, 1988. Convidado pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa para participar como relator especialista em Tese de mestrado da professora Cristina Branco intitulada «Contributos para o estudio da teoria das proporções aplicada à escultura em Portugal», 2001. Professor visitante do programa SócratesErasmos (U.E.), Academia de Belas-Artes de Carrara, Italia, 2001. Professor visitante doprograma Sócrates-Erasmos (U.E.), Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, 2002 Actualmente é coordinador da área do programa Sócrates-Erasmos entre a Faculdade de Belas-Artes da U.L.L. e Faculdade de BelasArtes da Universidade de Lisboa. «Espaço e volume na configuração escultórica da cabeça humana no século XX. Antecedentes e notas para uma exposição didáctica», Academia de Belas-Artes de Carrara, 2001. ENCARGOS E COLABORAÇÕES «Crescimento modular e espaço na configuração escultórica», Academia di BelasArtes de Carrara, 2001. Decoração artística do «VII encontro internacional do MIDADEN», Centro do Estudos Teológicos, La Laguna, Tenerife. 1986. Realização de escultura e decoração da consulta da Dra. Ana Rodríguez Brito, La Laguna, Tenerife, 1987. [ 116 ] c oética e da azão Busto de Cristóbal Colón, empresa Puerto Colón S.A.. Adeje, Tenerife, 1988. Relevo homenagem a Dr. António González (Premio Príncipe de Asturias de investigação 1986), I.E.S. Dr. Antonio González, Tejina, Tenerife, 1989. Design, maquete e selecção de desenhos do suplemento cultural Las ínsulas estrañas no Arquipelago Literário, El Día, S/C de Tenerife, Números 1 al 10, 1994. Busto de D. Misael Afonso Guerra, empresa Atlantic Games, S.L., Mazo, La Palma, 2002. Desde 2001 forma parte de um comité acessorda da revista Cuadernos del Ateneo de La Laguna, publicação quadrimestral. INTERVENÇÃO EM PROJECTOS DE INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO «Design e criação de uma estrutura didáctica para o Museu Arqueológico e de Ciências Naturais do Excmo. Cabildo Insular de Tenerife», Universidade de La Laguna e Excmo. Cabildo Insular de Tenerife, 1988. «Conservação e restauração de esculturas da Iª Exposição Internacional de escultura de rua, S/C de Tenerife, 1973-74». Universidade de La Laguna e Cámara Municipal de S/C de Tenerife, 1990-1992. «A madeira: material escultórico. Estrutura celular, intervenção e conservação». Direcção Geral de Universidades e investigação, Secretaria de Educação, Cultura e Desportos do Governo de Canárias, 1999-2001. HERNÁNDEZ, Román: «Orgânico-geométrico», díptico exposição escultura alunos de BelasArtes, Vice-reitorado de Extensão Universitaria, Universidade de La Laguna, março 1996. H ERNÁNDEZ , Román: «interpretações e especulações à cerca do conceito vitruviano do homo ad circulum e ad quadratum» em Belas-Artes. Revista de artes plásticas, estética, desenho e imagen, Serviço de Publicações, Universidade de La Laguna, nº 0, maio 2002. HERNÁNDEZ, Román: «Considerações em torno de uma teoria da proporção e o medievo islâmico» em Belas-Artes. Revista de artes plásticas, estética, desenho e imagen, Serviço de Publicações, Universidade de La Laguna, nº 1, 2003. H ERNÁNDEZ , Román: «The Stereometric Drawing in the Analysis and Representation of the Natural. Background and Notes for a Didactic Analysis» en Leonardo, The International Society of the Arts, Sciences and Technology (IAST), Cambridge, U.S.A, 2003. Em prensa. VV.AA.: «Mantimento e conservação de esculturas contemporâneas da 1ª exposição internacional de esculturas de rua, S/C de Tenerife 1973-74» (intervenção sobre obras de H. Moore, J. Miró, C. Viseux y M. Martí), Actas do VIII Congresso de Conservação de Bens Culturais, Secretaria da Cultura, Educação e Ciência Generalidade Valenciana, Ser viço de Publicações Universidade Politécnica de Valência, 1992. HERNÁNDEZ, Román y MARTÍN, A. Lilia: «Analise, tratamento e conservação de escultura contemporânea realizada en ferro e alumínio», Actas do IX Congresso de Conservação e Restauração de Bens Culturais, Junta de Andalucía, 1992. HERNÁNDEZ, Román: «Processos de molde. Materiais» (pp. 181-269), em VVAA: Escultura. Feitos, ed. M. Sánchez, S/C de Tenerife, 1993. HERNÁNDEZ, Román y MARTÍN, A. Lilia: «O design estereometrico no análise e representação do natural. Antecedentes e notas para uma fundamentação didáctica», Actas do Congresso Nacional «O desenho do fin do milénio», Dptos de Dibujo, Pintura e Escultura, Universidade de Granada e Caixa Rural, Granada, 2000. H ERNÁNDEZ , Román: «A teoría sobre a proporção de San Agustín: entre a simbologia e a prática artística» El Día, Suplemento Cultural Las ínsulas estrañas, nº 9, parte 1ª, 14 maio 1994; nº 10, parte 2ª, 28 maio 1994, S/C de Tenerife. H ERNÁNDEZ , Román: «La teoría sobre a proporção de San Agustín: entre a simbologia e a prática artística», Actas do Congresso Diálogo Fe-Cultura, Centro de Estudos TeológicosUniversidade de La Laguna, 2000. PUBLICAÇÕES c oética e dE LA azÓN [ 117 ] HERNÁNDEZ, Román: «Do poliedro sobre 1 pedestal de Dürer ao cubo de Giacometti», Actas do Congresso Nacional de Belas-Artes «Renovar a tradição», Universidade de La Laguna, Secretaria de Cultura e Desportos do Governo de Canárias, 2002. HERNÁNDEZ, Román: «Aspectos estructurais, formativos e significativos do cânone de proporcão na escultura». Tese doutoral (CDRom), Serviçio de Publicações Universidade de La Laguna, 2004. REALIZAÇÃO DE DESENHOS E ILUSTRAÇÕES Desenho para «Retrato do artista ausente de Jaques Roubeaud», El Día, Suplemento cultural Las ínsulas estrañas, nº 3, pág. V, S/C de Tenerife, 12 fevereiro 1994. Desenho para «Mario Levrero: alguns aspectos de sua narrativa (I)» de Jorge Ernesto Olivera, El Día, Suplemento cultural Las ínsulas estrañas, nº 5, pág. V, S/C de Tenerife, 12 março 1994. Design do catálogo «Symmetria» esculturas Román Hernández, Ed. Excmo. Cabildo Insular de Tenerife, S/C de Tenerife, 1994. Design do catálogo «Commesuratio» esculturas de Román Hdez, Serviço de Publicações da Caixa Geral de Aforros de Canárias, S/C de Tenerife 1996. Design do catálogo «Innata ratio» esculturas de Román Hdez, ed. , Serviço de Publicações da Caixa Geral de Aforros de Canárias S/C de Tenerife, 1997. Design de díptico da exposição «Legado oculto da razão» esculturas de Román Hdez, ed. Área de Cultura do Excmo. Cámara Municipal de Puerto de la Cruz, 1998. REPRODUÇÕES DE SUAS OBRAS EM DIVERSOS MEIOS «Aqui te dou outra regra para a arte da escultura», (técnica mista, 1998) na capa do livro Rhetorische Seh-Reisen. Fallstudien zu Wahrnehmungsformen in Literatur, Kunst und Kultur de A. de Toro y S. Welz, Vertuert Verlag, Frankfurt am Main, Leipzig, 1999. Cinco obras inéditas da série «sólidos geométricos» (técnica mista, 2000) para Oro Azul ao cuidado de Isidro Hernández em 2C revista semanal de ciencia y cultura, La Opinión de Tenerife, quinta-feira 16 novembro de 2000, pp. 9-12. Edição de 3000 marcadores de livros que reproduzem a série «capita-mensulae»(técnica mista, 1999-2000), Librería El Paso, La Laguna, dezembro 2000. «Analogía» (técnica mista, 1996) en Pedrero, V.: «Humano, a pesar de tudo. Uma aproximação à arte que vem», Cuadernos del Ateneo de La Laguna, nº 10, maio 2001, p. 87. Reprodução de Pyramis laterata triangula, série «sólidos geométricos» (técnica mista, 2000) e «Figura compilada do natural com enorme trabalho e dispendio» (técnica mista, 1999), para 2 poemas de Carlos E. Pinto en 2C revista semanal de ciencia y cultura, nº 144, La Opinión de Tenerife, quinta-feira 17 outubro de 2002, p. 13. ENTREVISTAS DE IMPRENSA CABRERA, Roberto: «symmetria», palavras acerca de uma exposição (entrevista), Archipiélago Literario, p. V, El Día, S/C de Tenerife, 10 dezembro 1994. MORALES, Elena: «Entrevista ao escultor Román Hernández», 2C Revista semanal de ciencia y cultura, La Opinión de Tenerife, nº 51, quintafeira 12 outubro de 2000. RECENÇÕES «Esculturas de Román Hernández como título de «Symmetria», El Día, sábado, 3 de dezembro de 1994, p. 57. «Román Hernández apresenta em La Laguna sua última série Commesuratio», El Día, terçafeira 5 março 1996, p. 63. Román Hernández expõe suas esculturas na sala de arte de CajaCanarias em La Laguna, La Gaceta de Canarias, terça-feira, 19 março 1996, p. 25. [ 118 ] c oética e da azão Román Hernández na nova sala de arte de CajaCanarias em La Laguna, Diario de Avisos, terça-feira, 5 março 1996, p. 19. Román Hernández. Esculturas. Publição da obra Social e Cultural da Caixa Geral de Aforros de Canárias, Época II, Año 2, nº 11, março 1996. «Novas esculturas de Román Hernández», El Día, quinta-feira 23 outubro 1997, p. 58. «As creações de Román Hernández exploram o legado oculto da razão», El Día, domingo 22 fevereiro 1998, p. 93. «Román Hernández expõe no Castelo San Felipe», ABC, domingo 22 febreiro 1998, p. 61. «Román Hernández utiliza a medida do homem para definir a sua escultura», El Día, quartafeira 20 janeiro 1999, p. 71. «Román Hernández clausura no Círculo de Bellas Artes», El Día, terça-feira 2 fevereiro 1999, p. 79. Uma quinzena de criadores plásticos converteram a galería Mácula en «El zoco del arte», El Día, quarta-feira 4 janeiro 2000, p. 80. «Román Hernández volta a explorar as variantes do canone na sua obra», Diario de Avisos, sábado 14 outubro 2000, p. 72. «Román Hernández explora o perfil escultórico do corpo humano», El Día, terça-feira 24 outubro 2000, p. 79. M ORALES , Elena: «Resencontro com o ser humano», 2C Revista semanal de ciencia y cultura, La Opinión de Tenerife, quinta-feira, 24 abril de 2002, p.6. «Román Hernández uma ética e estética na sua última exposição», Diario de Avisos, quinta-feira 3 outubro 2002, p. 73. MORALES, Elena: «Poemas pintados. Homenagem a Rafael Alberti», 2C Revista semanal de ciencia y cultura, La Opinión de Tenerife, outubro 2002, p.10. «Román Hernández expõe sua homenagem a Luca Pacioli (I)», El Día, Cultura, segunda-feira 14 outubro 2002,p. 32. T O R R E S , Natalia: «Román Hernández. Geometría e estética», D Trulenque, Suplemento cultural, Diario de Avisos, sexta-feira 18 outubro 2002, pp. 6-7. «Novas esculturas de Román Hernández», Memória Social e cultural, CajaCanarias, outubro 2003. EXPOSIÇÕES Comissário da exposição «Orgánicogeométrico» (esculturas), alunos da Faculdade de Belas-Artes, Universidade de La laguna, sala de exposições Campus de Guajara, La Laguna, 1996. Román Hernández. Perspectivas de arte, ABC Cultural, 21 outubro 2000, p. 42. EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS «Actualidade, marca livros de Román Hernández», 2C Revista Semanal de Ciencia y Cultura, nº 63, La Opinión de Tenerife, quintafeira 4 janeiro 2000, p. 8 «Symmetria», Ermita de San Miguel, La Laguna, Tenerife, 1994. «Román Hernández. Esculturas», RevisArt, nº47-V, año VI, Barcelona, 2000, p. 54. «A biblioteca pessoal de Román Hernández», 2C Revista Semanal de Ciencia y Cultura, nº 65, La Opinión de Tenerife, quarta-feira 18 janeiro 2001, p. 6. «A obra escultórica dos canários Ana Lilia Martín e Román Hernández na Ibercaja», Aquí Valencia, 22 outubro 2001, p.7. c oética e dE LA azÓN [ 119 ] «Commesuratio», Sala de Arte e Cultura Caixa Geral de Aforros de Canárias, La Laguna, 1996. «Esculturas», Casa da Cultura, Los Realejos, Tenerife, 1997. «Innata Ratio», Sala de Arte e Cultura da Caixa Geral de Aforros de Canárias, Santa Ursula, Tenerife, 1997. «Legado Oculto da razão», Espaço Cultural Castelo San Felipe, Puerto de la Cruz, Tenerife, 1998. «De Humani Corporis Fabrica MCMXCIVMCMXCVIII», Círculo de Belas Artes, S/C de Tenerife, 1999. «41» (Professores da Faculdade de Belas-Artes, Universidade de La Laguna), Centro de Arte La Recova, Santa Cruz de Tenerife, 1994. «Confissões para a ironia e a razão», Galería de Arte Mácula, S/C de Tenerife, 2000. «Adeje-plástica 95», Centro Cultural Villa de Adeje, Tenerife, 1995. «Esculturas», Román Hdez - Ana Lilia Martín, Ibercaja, Valencia, 2001. «As imagens de Lorca», Sala La Caixa, La Laguna, 1998. «Homenagem a Luca Pacioli (I)», Sala de Arte CajaCanarias, La Laguna, 2002. «A figura de Deus Pai na arte do século XX», Centro de Estudios Teológicos, 1999. «Instituição metafísica versus lógica matemática» (Homenagem a Luca Pacioli, II), Palácio de Congresos, Puerto de la Cruz, 2003. «A mercado da arte» (Monir, L. Feito, M. Chirino, Gonzalo Glez, Lucio Muñoz, J. L. Fajardo, Román Hdez, A. Lilia Martín), Galería de arte Mácula, 2000. «Cenografías da nudez», Museo Municipal de Belas-Artes, S/C de Tenerife, 2004. «Secretissima Scienza», Ex-convento de Santo Domingo, La Orotava, Tenerife, 2004. «Pintores e escultores com a Fundação Canária do Projecto Homem», Sala de exposições do centro de iniciativas da Caja de Canárias (CICCA), Las Palmas de Gran Canaria, dezembro 1999 e Sala de exposições do Centro Cultural CajaCanarias, S/C de Tenerife, 1999. EXPOSIÇÕES COLETIVAS «O rostro de Cristo no ano 2000», Centro de Estudos Teológicos, La Laguna, 2000. Participou em numerosas exposições coletivas, entre elas: Selecionado na «IV, V y VII Bienais Regionais de Arte de Teror», Cámara Municipal de Teror, Gran Canaria, 1986, 1922 y 1992. Selecionado na «XIX Bienal Regional de Belas Artes», Gabinete Literario, Las Palmas de Gran Canaria, 1987. Selecionado e premiado no «Encontro regional de artes plásticas para jovens 1987», Cámara Municipal de Las Palmas de Gran Canaria, 1987. «Esculturas», Ex-convento de San Francisco, Casa de la Cultura, Garachico, Tenerife, 1987. Coletiva de membros do Colégio Oficial de Doutores e Licenciados em Belas-Artes e Professores de Desenho de Canárias, Instituto de Canárias, La Laguna, 1990. «Abertos ao absoluto», Centro de Estudos Teológicos, La Laguna, 2001. Colectiva (Feito, Tapies, Monir, Román Hdez, A. Lorenzo, Gonzalo, Glez, A. Lilia Martín...) Galería de arte Mácula, 2001. «Multicultural 2002» (Artistas de Senegal e Canárias), Ermita de San Miguel, La Laguna, 2002. «Pintores e escultores com a Fundação Canária do Projecto Homem», Sala de exposições CajaCanarias, La Laguna, 2002. «Forjadores» (escultores canários), CajaCanarias, exposição itinerante da provincia Santa Cruz de Tenerife, 2002-2003. «Professores da Faculdade de Belas-Artes», Club Náutico de Tenerife, febrero 2003. Colectivo Artevivo, Galería La Trasera del Leal, agosto 2003. «A Atlántida», Círculo de Bellas-Artes, Santa Cruz de Tenerife, 1991. «Quatro escultores», Centro de Estudios Teológicos, La Laguna, 1993. [ 120 ] c oética e da azão RESENHAS CRÍTICAS SOBRE A SUA OBRA CABRERA, Roberto A.: «Symmetria: notas para uma exposição», Catálogo editado pelo Cabildo Insular de Tenerife, S/C de Tenerife, 1994. PINTO GROTE, Carlos: «Symmetria: uma exposição de Román Hernández», Diario de Avisos, S/C de Tenerife, terça-feira, 27 dezembro 1994, pág. 24. PÉREZ REYES, Carlos: «Commesuratio» esculturas de Román Hernández, Suplemento Cultural Archipiélago Literario, El Día, Sábado, 30 março 1996, pág. VI . PÉREZ REYES, Carlos: «De Varia Conmensuración», catálogo editado pela Caixa Geral de Aforros de Canárias, 1996. CABRERA, Roberto A.: «Razão e ironía» no catálogo Commesuratio, catálogo editado pela Caixa Geral de Aforros de Canárias, La Laguna, 1996. DÍAZ, Rafael-José: «O sonho da medida», no catálogo De Humani Corporis Fabrica, catálogo editado pela Secretaria da Cultura e Desportos Governo de Canárias, La Laguna, 1998. DE LA VILLA, Rocío: «A esfera cristalina» em «Confissões para a ironia e a razão (esculturas)», catálogo editado pela galería Mácula e pelo Secretaria da Cultura e Desportos do Governo de Canárias, La Laguna, 2000. CABRERA, Roberto A.: «Da razão irónica. Quatro leituras» em «Confissões para a ironia e a razão (esculturas)», catálogo editado pela galería Mácula e Secretaria da Cultura e Desportos do Governo de Canárias, La Laguna, 2000. HERRERO, Paloma: «Confissões para a ironia e a razão de Román Hernández» em Suplemento das letras e das artes, El Día, 31 outubro 2000, p. VIII. CABRERA, Roberto A.: «O espaço escultórico de Ana Lilia Martín e Román Hernández», catálogo editado pelo Serviço de Publicações de Ibercaja, Zaragoza, 2001. SEGURA MUNERA, José: «As maõs translúcidas» em «Homenagem a Luca Pacioli (I)» catálogo editado pela Caixa Geral de Aforros de Canárias, La Laguna, 2002. c oética e dE LA azÓN [ 121 ] F UENTES P ÉREZ , Gerardo: Sem título em «Instituição metafísica versus lógica matemática (Homenagem a Luca Pacioli II)», catálogo editado pela Sociedade Canária Isaac Newton de Professores de Matemáticas, La Laguna, 2003. HERNÁNDEZ GUTIÉRREZ, Isidro: «Cenografías da nudez» em catálogo editado pelo Museo Municipal de Belas-Artes de Santa Cruz de Tenerife, La Laguna, 2003. CASTRO SANLUIS, Joaquín: «Cenografías da nudez no Museo de Belas-Artes» Diario de Avisos, miércoles 4 fevereiro 2004, pág.74. MONTESINOS SIRERA, José: «Arte e ciencia» em Secretissima Scienza catálogo editado pela Càmara Municial de la Orotava, La Laguna, 2004. GONZÁLEZ RODRÍGUEZ, Antonio M.: «A década áurea de Román Hernández» em «Poética da razão» catálogo editado pela Caixa Geral de Aforros de Canárias, 2004. OBRA EM COLECÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS Universidade de La Laguna, Cámara Municipal de Los Realejos, Cámara Municipal do Puerto da Cruz, Caixa Geral de Aforros de Canárias, Ibercaja Valencia, Colecção Galería Conca, Fundación Canaria Orotava de Historia de la Ciencia. Colecções privadas de Canarias, Zaragoza, Madrid, Málaga, Caracas, París, Leipzig e Hamburgo. ÍNDICE 8 10 20 29 93 93 93 94 95 96 97 99 101 102 103 115 ÍNDICE 9 11 21 29 77 79 79 80 81 82 83 85 87 88 89 107