O papel dos arquipélagos dos Açores e da Madeira
no relacionamento luso-americano nos finais
do século XVIII e inícios do século XIX
Jorge Martilzs Ribeiro
Os Açores, a Madeira e a América do Norte desde cedo mantiveram proveitosas relações de carácter comercial. Aliás, a partir do século XVIII, os interesses portugueses centram-se decididamente no espaço atlântico que, de acordo com Vitorino Magalhães Godinho, é
"numa outra escala, um Mediterrâneo i s avessas". De facto, Portugal,
nação atlântica, possuía, ainda, neste oceano, as ilhas de Cabo Verde
e de S. Tomé e Príncipe, vários estabelecimentos ao longo da costa africana, bem como o Brasill.
A Madeira e os Açores ocupavam um lugar significativo nas trocas entre os espaço português e a América do Norte, pois ficavam nas
rotas dos navios que, através do Atlântico, ligavam os continentes europeu e americano. A sua impoitância para a navegação residia no facto
I GODINI-IO. Virorino Magalhjer - Puili,~ole <is,fi,t<,s r10 <iqlíc<rr(1670-17701, in «Ensaios
II. Sobre Históia de Ponugaln, 2." ed., Lisboa, S i da Costa Ediiora. 1978, p. 427-429; RIBEIRO, Jorge
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286
BOLETIM DO INSTITUTO HISTÓRICO DA ILHA TERCEIRA
de ambos os arquipélagos serem pontos de escala, reabastecimento e
abrigo, quer para os barcos, quer para as tripulaçõesz.
A posição geográfica do Mclcleleii-a permitia aos navios que da Grã-Bretanha se dirigiam para a América aí fazerem escala e carregarem
vinlio em troca de tecidos de lã, trigo, farinha, linho, arenques, produtos da Irlanda e aduelas. Na viagem de regresso deixavam na ilha produtos americanos tais como bacalhau, cereais, tabaco, madeira, an.oz,
cera, tecidos de algodão, manteiga, carne e batatas'.
Os Açores, apesar de não estarem tão bem posicionados quanto o
arquipélago niadeirense, eram também importantes como pontos de apoio
à navegação atlântica. De facto, podiam-se aí obter alimentos, água potável, apetrechos navais e equipagens. A colonização das costas da América
doNorte e Central, no decurso do século XVII, aumentou o valor económico das ilhas açorianas, em particular do porto da Horta, dando azo aque aí
se realizassem negócios vantajosos. De facto, a excelente localização do
Faial, bem como o vinho e a aguardente que exportava explicam a sua importânciaco~nercial,além de que o local se mostrava ideal para servir de
BEECHERT, Jr, Edward - Tiie i%,iiieri-<ideofriie ihii?ecri coloiiier. Uiiiveccity olCalifomin,
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X1'111, p. 390; RIBEIRO, J a r g Manuel Maniiia - Coiitércio e dipioiii<rr-i<,iz<rs irl<rr<icsli,.ro-(iriiericro~is(1776-1822).. p. 40.
entreposto a trocas e a fazer baldeação. A Horta, aliás, passou a desempenhar, nos séculos XVIII e XM, um papel significativo, sendo um ponto de
encontro para os navios que cruzavam o oceano, bem como para os que se
dirigiam para as Índias Ocidentaisd.
A ilha de S. Miguel, amaiore mais populosa,
não tinhauma posição
- .
geográfica tão favorável quanto o Faial. A sua principal exportação para a
América do Norte era constituída por laranjas e limões, sendo o porto de
Boston um dos destinos principais das exportações micaelenses. Já a Terceira, o centro político, militar e eclesiástico açoriano importava da Nova
Inglaterra e da Terra Nova, bacalhau, óleo de peixe, aduelas para pipas e
inadeiras. Além disto, os americanos, desde aépocacolonial, tinham interesses na indústria baleeira dos Açores. Na segunda metade do século
XVIII compravam óleo de baleia que enviavam paraLondres, a fim de ser
refinado e reexportado para o norte de África5.
As principais mercadorias expedidas por Portugal metropolitano e
arquipélagos atlânticos para as treze colónias inglesas da América doNorte, antes e depois da independência, eram, sobretudo, vinho e sal, de lá recebendo priinordialmente cereais em grão (trigo e milho) e farinha6.
A Madeira ocupava um lugar de relevo no comércio luso-ainericano, dado ser um mercado importalite para produtos como o arroz, biscouto,
carne salgada, cera, farinhas, madeira, milho, óleo de peixe, peixe, presunto, sabão, sebo, toucinho, bem como velas de espermacete. E, se se verifica um decréscimo das exportações americanas para o arquipélago, não
parece ter havido uma quebra muito acentuada entre 1785 e 1802. Em
MENESES, Aiaeiiiio de Freitas dc - Or Ar~ire.srios eitciiríilbarlor de reicce,iror (1740-1770).
I - Pr,dere,~.r I,i.~1;11ii[.,irrPonta Dclgxla: Univeisidade dos A~orcs.1993, p. 29; DUNCAN. T. Beiiiley,
ob. cil., p. 154-156; RIBEIRO, Jorge Manuel Munins
Coi,,é,cio e diploiir<zci<ti><,.?
rrl<rç<icrliisoirii~cricaiias(1776-1822). p. 46-47.
5 MENESES, Avelino de Freiias de - O.< A~o'eriins e,ici.arilb<id<ir
de Srrrccirios (17401770). 11 -Ecoi,orni<i:, Pontn Dcigidn: U~iivenidsdedos Ayores, 1995, p. 218-221: 235.239 (quadros
21 a 26) : DUNCAN, T Benlley, 06. cil., p. 136; AFONSO, Joiio - B<ilençriu elos Aioi-er rili diii6iiricn <iil<ii,ric<rclesde o sécillo XVlll. «Boletim do Inslituto Histórico da ilha Terceira», Angra do
Heroismo, 45 (2). 1988. p. 1276 RIBEIRO, Jorge Manuel Manins - C<,ii!éirioe diploii~<iciu?tas irl o @ s lr,.~o-ririrr-~co~~~r.r
(/178-1'8221.p. 47-48. 218-221
"RIBEIRO.
Jorze Monucl Manins - Cui?zércioe dipl<irn<ici<i
izos rrl<r(.<íesIaso-<~i~,eiic<tri<ir
(1776-1822). p. 949.
-
288
BOLETIM DO INSTITUTO HISTÓRICO DA ILHA TERCEIRA
180111802 assistiu-se, de facto, a uma diminuição das exportações devido ao desembarque, em 1801, de tropas inglesas no Funchal, as quais aí
se mantiveram até inícios de 1802, pouco antes da assinatura da Paz de
Amiens. De 1802 a 1807, este escambo vai experimentar altos e baixos,
paraconhecer uma novaquebra em 180711808, devido ao embargo americano, o que, ao impedir a chegada a estas ilhas de farinhas e cereais, criou
dificuldades de abastecimento.
Gráfico 1 -Exportações dos Estados Unidos para a Madeira
(Percentagem em relação ao total exportado para a Metrópole,
Madeira, Açores e Domínios)
Foiitc: ESTADOS UNIDOS, Congresso - Aiiieiicriri Siore Popei.,~.Docirii,ei,rr, Legi.r/orive orid Eiecieiic
ofrhe C O I I ~ ~ ofihe
~ . S SUrtired S1oie.r. Washington: Galcs and Seaion. 1832- 1834. Vols. VI1 e VIII.
Entre 1807 e 1814, a Madeira voltou a estar ocupada pelas forças
britânicas, sendo, no entanto, o período entre 1 de Outubro de 1808 e 30
de Setembro de 18 11, aquele em que comprou mais produtos aos Estados
Unidos. A queda subsequente deve-se à guerra anglo-americana, iniciada em 18 12. A diminuição das exportações estadunidenses para a ilha pa-
BOLETIM DO INSTITUTO HISTORICO DA ILHA TERCEIRA
289
rece resultar do aumento dos direitos sobre o vinho da Madeira nos Estados Unidos; daí que o arquipélago i n a d e i r e n s e passasse a ter menos disponibilidades para adquirir as mercadorias que n e c e s s i t a v a 7 .
Gráfico 2 - Ex~ortaçõesdos Estados Unidos para os Açores
(percentagem em relação ao total exportado para a Metrópole,
Madeira, Açores e Domínios)
Fonte: E S T A D O S UNIDOS, Congresso - A~iierrcniiSrarc P a p e l r Docri~rre~tts,
Legislative
niid Execrtrivc of rlie Coizgiess of tlie Utiited Srntcs. Wasliin:ion: Gales and Seatoii,
1832- 1834. Vols. VI1 e V111.
7 SOUSA. João José Abi-eu, ob. cir., p. 89: SILBERT. Alben, ob. cir. p. 4 3 2 Nntional Archives
2nd Recoids Ad,>iinistration (Washington. DC)., General records of tlie Depanment of Stute. Ceiitral
lilcs, Des~>niclie.r.finiiiU?circdSr<ites Corirrrlr iii Fulrirclial, 1793.1806, uni. 1 (Mriiib 21. 1793 - Jlrb
16. 1831). (Nutiorirri Airbiics riiiqfiliiz ~>trúlic<ilioii,
7205. i.010 I ) . Memória do c6nsul dos Estados
Unidos no Fuiicliul, Diogo Leandcr Cathcan, dingidn ao Príncipe Regente D. Jogo, datada do Funclial,
6 de Noveinbro de I81 1: Arquivos NncionnisKorre do Tombo. Ministério dos Negócios Estrangeiros,
Arquivo Central, crirrrpoi,dêrici<i ieccbid<i. cnirrlioiidêirci<i dar Leg<rçrjes P~ii-riyires<ir.1Vosliiiigtoii.
c<ii.v<i554 (1830-1~733.Oficio no. 18 do encarregado dc negócios. Jacob Frederico Torlade Pereira dc
Azaiubuja, ]para o Ministro e Secretino dc Estado dos Negócios Esrrangciros, 2'. visconde de Santaréin,
Manuel Francisco Mesquita de Macedo Lei130 e Carvalhosa, datado de Georgetown. 26 de Fevereiro
de 1830: RIBEIRO. Jorze Manuel Martitis - Coiiréicio e <lil>luiiioci<iii<is rsl<rç,ies liiso-<liileiicriri<is
(1776-18221, p. 193-196.
A panir de agora os Naiianal Archives m d Recoids Adminisnation passam a ser designados
pela abreviatura N.A.R.A e os Arquivos NacioanisKoire do Tombo pela abreviatura A.N.K.T.
BOLETIM DO INSTITUTO HISTÓRICO DA ILHA TERCEIRA
290
Conforme se pode verificar, através do gráfico 2, a importância
dos Açores coino destino das mercadorias americanas é menor que o
madeirense. A partir de 1796 as exportações dos Estados Unidos para
o arquipélago decrescem, apresentando um ináxiino no biénio económico 1808/1810. De facto, nesta altura, em coiisequência do embargo
de 1807-1809, o porto da Horta tornou-se um entreposto para os produtos estadunidenses, de onde eram enviados para a Inglatera. Daí que,
com o advento da Paz, as compras das ilhas dos Açores aos norte-americanos diminuissem muitos.
O vinho era um dos principais produtos expedidos pelos arquipélagos inadeirense e açoriano para os portos da América setentrional.
De facto, o vinho da Madeira era o preferido pelos colonos, sobretudo
pelas classes superiores, conforme constata, ein 1795, o ministro residente de Portugal junto do executivo americano, Cipriano Ribeiro
Freireg. Aliás, as bebidas alcoólicas, em geral, gozavam de grande popularidade entre os habitantes desta região, devido h dificuldade em
obter outro tipo próprio para o consumo e a preços razoáveis. Assim,
a maioria da população optava pelas bebidas fermentadas, enquanto, as
classes abastadas preferiam o vinho, julgando, inclusive, que este estava isento de álcool. Daí ter sido grande a surpresa quando se descobriu que o Madeira, o vinho mais consumido, tinha um teor alcoólico
superior a 20%. Isto explica porque, após 1820, foi alvo de ataques das
associações que se opunham ao consumo destas bebidaslo. De qualquer
modo, de acordo com W. J. Rorabaugh, entre 1790 e 1830 o consumo,
per c n p i t a , dos noite-americanos foi superior ao de qualquer outro período da sua história".
3 VERMETTE, Mnry Thercsa Sylvia - Eoi-S A>iieiic<i5iri<iri<>izrhii>
ivirit riie Azoirs; <icoririrlni. vieir «Boletiiii do Institirto Histórico da ilha Terceira», A n g n do Heroismo, 45 (I?), 1988 , p.
1306 e 0.v R~rzkeese o firiirl. «O Faia1 c a Periferia Açoriaiia nos sécs. XV a XIX», Hona: Núcleo Cultiiral da Hona, 1995. p. 297; RIBEIRO, Jorgc Manuel Mnnins - C,>iizéicioe <liplutiincl<ii~<,s>rl<ipUrs Iiiso-oiscricniz<is(1776-1822)., p. 197-200.
9 RORABAUGH, W. I. - Tl8e nlcol~ulic
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University Press, 1981, 101: largc Manuel Mnniiis - Coriiérci<ic diplot,z<rci<iiios ialoçües iaro-oiiiericaiws (1776.18221. p. 36, 225-22: A.N.iT.T., Ministério dos Negócios Estrangeiros, Arquivo Central.
coi-iinrpo,idê,icir>ircebidu. cni.ier~>oridêiicia
d<lsLeg<içüerPoiri<girs.ru.r.Il'o.vhii,gloii. cnir<r 550 (17771796). Documento No. XXXII intitulada "Commcrcio geral dos Estados Unidos com as principacs
potencias da Europa e panicularmenle com Ponugal" anexo ao oficio no. 42 do ministro residente,
Cipnano Ribeiro Freirc, para o Secretino de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. Luís Pinto
de Soiisa Coutinho. dnrncin de Filadélfia, 27 de Junho de 1795.
' 0 RORABAUGH. W J., ob. cil., p. 100-101: RIBEIRO, Jorge Mattins -Aiginlr
nrpecros r10
cariiérclo do Madeira cuni <iAriiéiic<rdo Narre iio segaiid<itiierode do sécrrio Xl~ill.,p. 391-392.
RORABAUGH, W J., ob. cit., p. 1%; RIBEIRO; Jorge Manuel Manins - Co,iiéxio e dipioriirrcin t8a.y isioçües iitso-o,rzeilcarxir (1776-1822). p. 217.
"
A popularidade do vinho da Madeira na América do Norte, parece dever-se a uma série de factores. De facto, as leis britânicas facilitavam a sua importação, o comércio entre as colónias inglesas e o arquipélago madeirense era lucrativo e Londres impusera limites à compra de vinhos noutrds locais. Além disto, as características do Madeira faziam com que não perdesse qualidades após uma longa viagem
marítima, acreditando-se que tinha poderes medicinais, numa altura em
que se utilizava o vinho como anti-séptico, antibiótico e a n e s t é s i c o ' 2 .
Cabe aqui também referir que a maior parte deste lucrativo tráfico se encontrava na mão de ingleses, tendo sido eles quem promoveu o consumo deste vinho nas colónias britânicas da América do Nortel3. Na realidade, entre 1735 e 1775, houve um aumento constante do
preço do Madeira no mercado de Filadélfia, mesmo nos anos de 1756
e 1775 em que a qualidade é considerada f r a c a l 4 . Esta tendência mantém-se no período de 1796 a 1822, atingindo no final deste quarto de
século praticamente o dobro. Isto explica, aliás, o facto de vinhos das
ilhas Canárias serem vendidos nos Estados Unidos como se de Madeira
se tratasse e de servirem para adulterar este Ú l t i m o l s .
' 1 SILBERT, Alben, 06. cir., p. 422; MANCHESTER, Alan K. - Biiiirh prreii!irlei,ce iii
Bro;il. lis i,se <i>,ddecliiie. r1 .si,,dy i91 Ei<i.operrire.~1~orisiorz.
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RIBEIRO, Jorge Mmins - Alg<ii,ra.?I>eci«rdo curilérrio do Madeiro c,r,rri o Aiitérico do Norte i i o segro~dri,iierri<lcdo récrrlu XVIII, p. 390-391: RIBEIRO; Jorge Manuel Manins - Coiiiércio e dipluiuacio nas r-eln@e.~lnso-<ririeric<ii,<is(1776-18221. p. 42.
l i GUIMERA RAVINA. Agustín - «L<rsislos de1 viiioa (Modeir", Azores ). C(iil<ii:i<is)). Ir1
Aiael.ica Nrgles<r dui-rrrire E1 sigilo XVIII: ail<i <il>ro.i-i!iz<icid!r ri s u esrirdio. In *Colóquio Internacional
de História da Madeira. 1986», vol. 2. Funchii: Governa Regional da Madeira, 1990, p. 929-930;
SILBERT, Alben, 06. cii., p. 399; RIBEIRO; Jorge Manuel Manins - C<,~iiérciuc diplr~,iincio,i<r.r relri~6e.rIirso-ni>,er?c<i,i<is
(1776-1822), p. 43.
" BEECHERT, Ir, Edward, ob. cii., p. 14, 21; MINCHINTON, Walter - Briroi~i<r,,d Mrideim 10 181C In «Actas do I Colóquio Internacional dc História da Madeira - 1986r Funchal: Govemo Regional da Mridcira. 1989, p. 502: RIBEIRO; Jorge Manuel Manins - Coi,zéiri« e dil~loti,<icio iior reloçrirs lrrsn-niireilc<iiinr(1776-1822). p. 44.
ir A.N.TTT., Minisiério dos Negócios Estrangeiros, Arquivo Central, cor?rspoizd8~tci<i
recebida, coi-i-erporid&ici<i<I<lsLegaç8c.v Poiirrgircsris. IW~slti>igio,i.c<ii.ro 550 (1777-1796). Documento No.
LIV, pane do relatório inlitulado "Cornmercia gcral dos Estados Unidos com as principms potcncias
da Europa e paniculamicnte coni Ponugai" anexo ao ofício no.42 do ministro residente, Cipriano Ribeiro Freire, para o Sccrelirio de Estado dos Negócios Estrangeiros c da Guerra. Luis Pinto de Sousa
Coutinlio, datado de Filadt'lfin de 27 de Junlio de 1795; HERNÁNDEZ GONZALEZ, Manuel - Lu
pwecciori de E,si<,do,~Uizidos oi lo !i!asoitei.io orlnizricir: L<i pmreccioir de ,ii<isoiicsr,!<i<lcii.etlser eii
Co,i<ii,<is,p. 98; BETHENCOUIIT MASSIEU, Antonio - C<rrwi-iose h,g/nierm: e1 co,ueicio de vir?or
(1650-1800). Las Palmas: Cabildo Insular de Gran Canaria, 1991. p. 37-38, 100. 140, FRANCIS, Alan
David - T11e ivitie ilridc. Nova lorque: Harpcr and Row Publishers. 1992. 11. 62-63; 162. RIBEIRO,
(1776-15221, p.42-43;
Jorge Manuel Mmins - C<,,iiéiria e dipiaiincin rios rel<i$8es leso-<ri~,eiic<irilir
23 1-232.
292
BOLETIM DO INSTITUTO HISTÓRICO DA ILHA TERCEIRA
O gráfico 3, construído com base em dados fornecidos por Maria
de Lourdes de Freitas Ferraz, mostra-nos quanto os Estados Unidos eram
clientes importaiites, entre 1780 e 1799, chegando, nalguns anos, a comprar mais de uin quarto de todo o vinho exportado. É, no entanto, de referir que, em 1787, a maior parte das pipas enviadas para os Estados
Uiiidos e colóiiias britânicas do continente americano teve como destino as Antilhas, outro grande centro coiisumidor do Madeiral6.
Gráfico 3 - Vinho da Madeira exportado para os Estados Unidos
(percentagem em relação ao total
I
I
Fonte: FERRAZ, Maria de Lourdes de Freiras - O i~iiziiorln ~Mndeilniio séci<loXVIII Pivdi<çáo e »ieirodus iiiiei,irrcioi~nis. In «Actas do 1 colóquio internacioiial de
História da Madeira*, \'ol. 2. Fuiichal: Governo Rezional da MadeiraISecretaria
Regioiial do Turismo, Cultura e Emigração, 1990. p. 963 (quadro 6); 955 (quadro 9).
"'SILBERT, Alben, 06. ci!, p. 426-428: FERRAZ, Maria de Liirdes de Freiias - O iinhr,
da Mrideiiu eo .sécirlo Xl/III - Pro<!lipio e riieiu<rdosi!iien,ocioiinis. In «Actas do I colóquio internzcionnl de Hisr6ria da ,\f~&rm>,"o!. 2. Funcha!: Governo Region,?! da h 4 a d e j i ~ ~ S e c i reuf o
~m
~ ~l
do Turismo, Cultura e Emigia$Xo, 1990, p. 963 (quadm 6): 965 (quadro 9): RIBEIRO, Jorge Manuel
Manins - C,,j>,ii,éirioe di!>lorrinci<iiios rel<i$:<ies!l<ro-rriiieiicoil<is(1776-18221. p. 225.
294
BOLETIM DO INSTITUTO HISTÓRICO DA ILHA TERCEIRA
Será aqui curioso referir que, além do arquipélago madeirense, os
Estados Unidos compravam Madeira em muito outros locais, nomeadamente nas colónias da Dinainarca, Espanha, França, Grã-Bretanha e
Suécia. Alguin deste, devia tratar-se do denominado vinho de roda, sobretudo o que era exportado pelo Brasil e por Cabo Verde, enquanto
no decurso do conflito de 1812l1814 uma porção iinpoitante do vinho
entrado ein portos estadunidenses era parte da carga de navios capturados. Além disto. o já referido Cipriano Ribeiro Freire alertava as autoridades de Lisboa para o facto de chegar aos portos americanos muito
mais Madeira do que o registado nos documentos alfandegários.
Aliás, de acordo com o que já inencionámos para os tempos coloniais,
além de servir para adulterar este vinho, o de Tenerife continuava a
entrar em território estadunidense como se fosse proveniente do arquipélago madeirense. Isto explica-se pelo facto do das Canárias pagar
cerca de inetade dos direitos alfandegáriosl9.
Gráfico 5 - Preço médio anual do vinho da Madeira
no mercado de Filadélfia, em dólares de 1822
Preço por pipa em dólares de 1822
450
Fonte: COLE, Anhur Hmison - llJ/~u/e.~ale
pricer iii llie UitiredSr<iler1700-/%/ Cainbridgc: Hanurd
Univcrsity Press, 1938. p. 109-203.
'3 A.N.íí.T., Ministério dos Negócios Estrangeiros, Arquivo Central, c o r r p ~ l c recebii
da, coi-respuiidê~zci<~
d«s Leg<rrõcr Por?lrgirar<rr.IV<ishii~gloii.coixo 350 (1777-17961. Documento No.
XXXII intitulado "Comrnercio geral dos Estados Unidos com as principnes potencias da Europa e particularmente coin Ponugal"anexo no ofício n". 42 do ministro residente. Cipriano Ribeiro *ire, p x a
o Secrelário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, Luís Pinto dc Sousa Coutinho, datado
de Filadélfia, 27 dc Junho de 1794: VIEIRA, Albeno - Bini<írn>do ?i,i/in e </o vii,li<i do M<t<leii.<i.
Porir<, DeIg<rriri: Euinsigiio Pi,lilic<i~des,Ld"., 1990, p. 70; RIBEIRO, Jorge Manuel Manins
CoI I I ~ I C e~ dii>loiiraci<t
~
iiui i-elripõer irrso-<iri~eric<ie<~r
(1776-1822), p. 230.232, 237.
-
BOLETIM DO INSTITUTO HIS'TÓRICO DA ILHA TERCEIRA
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Além da Madeira e de Portugal metropolitano, as principais regiões portuguesas exportadoras de vinho para o mercado americano, os
Açores, embora ocupando um lugar mais modesto, também enviavam
algum deste produto para os Estados Unidos. Apesar da maioria das .'
ilhas produzirein vinho, apenas os do Pico e de S. Jorge tinham qualidade para serem vendidos na América do Norte. O da ilha Graciosa,
embora de menor qualidade, também era consumido na América devido
ao seu preço inferioi"0.
Na realidade, o mais popular era o do Pico, conhecido coino vinho do Faial (Faynl Wiize) entre os norte-americanos, embora, tal como
o de S. Jorge, fosse exportado através do porto da Horta. Isto explica
porque, no século XVIII, se misturavam com frequência os vinhos das
duas illias. O do Pico era parecido com o da Madeira, embora fosse de
q~ialidadeinferior, sendo vendido por cerca de metade do preço. Resistia, no entanto, a altas temperaturas, o que também o tornava bom
para ser coinercializado e consumido ein regiões tropicais. Além disto, na segunda metade do século XVII, a Nova Inglaterra absorvia uma
maior quantidade deste produto do que os países europeus".
Os Ai7iericaiz State Pnpei-s, a fonte por nós utilizada, não nos permite deterininar coni exactidão a quantidade do denominado vinho do
Faial exportado para os Estados Unidos, pois, a partir de 1816, este
aparece somado aos de Tenerife, sendo impossível separá-los, conforme se pode virificar através do quadro 1. De qualquer modo, tal como
acontecia com o da Madeira, os Estados Unidos adquiriam-nos ein vários locais do globo e não apenas nos arquipélagos que os produziam
2' DUNCAN, T. Bent1i.y. ob. til.. p. 130; A.N.m.T.,MiiiistCrio dos Nezócios Estrangeiros, Arquivo Centnl, cni.re.s~~sl>oi~dêrzciii
ircebidri. cor,r.cl>oiidèi~ci<i
das Legoç<icr Poi.iirg~rer<,r.IVoriiiiig~uri.criii a 550 (1777.17961 Documento N". XXXII intitillado "Cornmercio scrnl dos Estados Unidor com as
piincipnes poteiicius ila Eiiropa e pnnicularinente com Ponugnl" anexo ao ofício no. I 2 do ministro residente, Cipiiano Ribeiro Freire, para o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra,
Luis Pinto de Sousa Coutinlio, ditado dc Filadeifia, 27 de Junho de 1795; IIIBEIRO. Jorge Manuel
Ivlanins - Cuisércio c <li/,ioiitoci<iririr ieloifier Iiiro-<isieiicaiioric.(1776-l8??1. 11. 214-236.
2 DUNCAN, T Bentley, ob. c;!., i>. 151-153; RIBEIRO, Jorge Maiiiiel Mnnins
Coiiiér~in
c rlii?loi?t<icion<is irl<i~&riiira-n>ireiicnit<is(1776-18?2), p. 46-47.
-
Quadro 1 - Importação de vinhos de Tenerife e do Faia1 pelos
Estados Unidos da América
ou nos dois países ibéricos. Se atentarmos nos totais dos vinhos de
Tenerife e do Faial importados pelos norte-americanos verificámos que
a maior porção foi expedida pela Espanha e ilhas Canárias, enquanto
de Portugal, Madeira e Açores saiu uma parte muito pequena. De facto, o volume dos vinhos de Tenerife comprado pelos Estados Unidos
era superior ao importado dos Açores22. Através da fonte consultada
conseguimos, no entanto, apurar a quantidade de vinho que o arquipélago açoriano vendeu aos norte-americanos, conforme se pode ver através do quadro 223.
Quadro 2 - Exportações de vinhos dos Açores para os Estados
Unidos (Unidade - galão)
Fonte: ESTADOS UNIDOS, Congresso - Aiiiei-icurl Sture Pupers. Docrrr~~ei~rs,
Lcgislurivc uild Execirrive of rlle Corigress ofilze Urlired Srafe. Washington: Gales
and Seaton, 1832- 1834. Vols. VI1 e VIII.
Algum sal, embora não de produção local, citrinos da Terceira e
S. Miguel eram outros dos produtos exportados para a América do
Norte24. Aliás, em 1812, o cônsul americano no Faial lamentava que o
comércio entre as ilhas de S. Miguel e da Terceira com os Estados Uni-
" RIBEIRO, Jorge Manisel Mnninr, ub. cir., p. 238-239
2
Idem, ibidein, p. 239 (nota 170).
" Id., ibid., p. 252; 256.
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dos fosse insignificante, limitando-se à troca de laranjas e limões por mercadorias estadunidenses25.
A posição geo-estratégica e a sua importância comercial explicam,
desde cedo, a existência de representantes estadunidenses em ambos os
arquipélagos. Assim, a 31 de Outubro de 1783, o americano John
Marsden Pintard, residente na Madeira, foi nomeado agente do seu país
para esta ilha e para a de Porto Santo. Esta decisão do Coiigresso I-evelava-se necessária e até urgente, porque, de acordo com as normas em
vigor, os navios só podiam obter os despachos alfandegários através do
cônsul ou do agente da nação a que pertenciam. Na realidade, e para
da iião existência de um represelitalite
obviar a dificuldades deco~~entes
no arquipélago, logo após a revogação do decreto de 4 de Julho de 1776,
pelo qual Lisboa fechara os portos portugueses aos navios americanos,
o governador do arquipélago escolheu John Marsden Pintard para actuar como agente dos Estados Unidos. Além do mais, todos os negociantes que exportavam vinho em barcos americanos arrecadavam uma taxa
igual à cobrada quando este era enviado em navios britânicos. Enquanto este se destinava a um fundo destinado a auxiliar súbditos ingleses em
dificuldades, o dinheiro recebido pelo vinho exportado a bordo de navios americanos ficava na posse dos c~merciantes~~.
John Marsden Pintard acabou por ser nomeado cônsul dos Esta-
=
N.A.R.A. Gcneral recordr of tlie Oelianmcnt o i State. Central Filer. De.~~~nrclier./i.oii~
Uiiircd
Sroies coi,sirl.~iii i;-(11, 1795-1897, i.01. I lM<iirh 4, 1795 - Noici?rl>ei28, 1832). (N<irioi~olAicbjver
riiicr-ofrliir pirúlic<iriorz R 0 3 . rolo 1). Despacho do cônsul John Bass Oabney para o Secretjno de Estoda, lames Monroe, datado do Wial. 6 de A b d dc 1812; lorge Manuel Mmiiis
Cuiaéir.lo e di/>loiiincio ir<ir rel<i~<ics
lrrro-oriiei-icuiios (1776-18221. p. 928.
-
Joi,ni<ilr "f lhe Coriiit,e,ir<rl Coi,xirsr 1774-1789, (editados por WC. Ford. G.Hunr e J.C.
Fitzparrick). vol. XXV. 1783 (Seprember I - Dccember 31). Wasliington.Govemmest Printine OiIíce,
1922, (1. 778-780; N.A.R.A. General records of tlie Depnnment o l State. Central Files, Di/>loiit<ilicorzd
C<iiisirl<ii.hzsrisaiorir Foreifit LCIIQS <>/!/!eC<>,tri,tenr<~l
C O I I ~ E Sciizd ibe Dcpiii-riiieizr o/Sl<ile. 17851790. val. I (Jminuaiy 14, 1785 - Oeceiiibci 23, 1790). (National Archivrs microfilm publicntion, M61,
rolo I), p. 292-293. Cana do Secrct5rio dc Estado dos Negócios Estrangeiros, John Jay, para o capi15,-gera1 da ilha da Madeira, O. Oioeo Forjar Coutinlio, datada de Nova lorque, datada de 7 de Dezembro de 1787; RIBEIRO, lorgc Manuel Maninr - Coinércio e d;l>lorilricirr rios irI<iç&s Iirso-oliiei-ic<rii<rr(1776-18221, p. 354-355.
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dos Unidos, no Funchal, pelo Presidente George Washington e confirmado no cargo pelas autoridades portuguesas, em 17 de Setembro de 1791,
pouco depois da chegada do ministro residente David Humphreys, a
Lisboa?'.
Tal corno as outras funções consulares em Pomigal metropolitano,
este posto revelava-se apetecível pelo prestígio e privilégios que concedia a quem o exercesse2s. Isto explica, por uin lado, a atitude de urn dos
sócios de uma das mais importantes finnas da Madeira, a h z a c Hill,
Bisset & C.,que pretendia o cargo para um primo. Além de ser uma boa
colocação para este seu parente, a casa retiraria daí muitas vantagens de
carácter comercial29. Por outro lado, justifica, quanto a nós, a ambição de,
em 1793, ser também nomeado cônsul da França na Madeira, após o falecimento da pessoa que ocupava tal lugai; para o que obteve um parecer favorável do Secretário de Estado, Thomas Jefferson. A documeiitaçáo consultada não nos permitiu deterininar se Pintard alguma vez exerceu estas funções consulares. Sabemos, contudo, que, em 1798, tentou
obter o lugar de cônsul dos Estados Unidos em Cádis, tendo acabado por
3 N.A.R.A. Generiil recards of rhç Dspn,riiirnt af Stare, Centnl tiles. Dil~l~ir>ir<i;c
<urd Cmsrrlor htrir?icrioiis. Forcign Lcneis otf ilze Coiiiiiieiiinl C ~ ~ n g , r r<ind
r ilte Del~<ri-riae,,rof Srrrie. 17851790, vol. I (Januãry I?, 1785
Deccmber23, 1790). (Nntionul Archives miciofilm publication. M61,
-
rolo I), p. 354. Ocspncho do Secietzírio de Estada, Thomas Jefferson. para o c6nsul Jolin Mnrsden
Piiitard, datada de Nova lorque, 15 <!c Junho de 1790.RIBEIR0, Jorgc Mnnins - Algarir o.?/>rciordo
corriémio da Mrirleiio cr~iiz<iAii!érico do h'oiie iio regirirrlo ,iierolle </o séci,lr> XVIII. p. 400; A.N.KT.,
Minirt6rio dos Negócios Ertiaii@iros, Arquivo Central, c ~ ~ ~ ~ ~ e . <1<).7
r { ~lex,,<6e.c
o ~ ~ ~e.v/ro,~xcir<t.r
l ê ~ ~ ~ i c,),
~ ~
Lirbool, c<!i.~cr1 1 0 ( 1 7 9 0 - I 8 0 i J . Notas do ministro residente, coroncl David Huinplireys, para o Seciet6"o de Estado dos Ncgócios Estlnngeiior e da Guerra, Luis Pinto de Sourn Coiirinlio. datadas de Lisboa
(Bueiias Aircs), 10 de Junho, 1. 9 e 17 de Setembro de 1791: RIBEIRO. Jorge hlanuel Manins Coii~ércir,e <lil,lotii<iciri iicrr iel<i<<íesIirrn-<irizei.ic<iilris(1776-1822). p. 156.
Jarze
? 8 RIBEIRO.
Msniiis - O curlio consii/<,r no iior-oeste l>orntgu& !to./irtnl do sécirlo
X1'111: Iiierorqrriar e dirri-il>ai<<io rerriiorini. ConiunicaçZo apresentada nas IV Jornadas de Estudos
Nonc de Ponugal-Aquitiinia, subordinadas no terna: "Articulatiolis des temitoires dans Ia Péninsule
1bé"que". Bordéiis, 19 a 21 de Noveinbro 1998, policopiado.
' 9 RIBEIRO, Jorge Manins - Algiliis nsl>ecio,sdo c«iilEir.io do Mri<leii.<r coii! o Aiuéi-icrr do
Noi-re rio .segiiitd<i ii,ei<ide do sécirlo X V I I I . , p. 400-401; RIBEIRO. Jorge Manuel Manins - Coiizéicio E diploiencia wis rrl<r(.<ic.r1iii;u-<iinei?c<iri<ir
( 1 7 7 6 - / 8 2 2 ) , p. 9 18-919.
ir para o Rio de Janeiro como secretário do ministro plenipotenciário
Thomas Sumtei; J u n i o r 3 0 .
Após a saída de John Marsden Pintard, as funções de agente consular no Funchal foram exercidas por Lewis S. Pintard, Mariel Lamar e,
a paitir de 1807, por James Leander Cathcait. Este foi nomeado, pelo Senado, a 29 de Dezembro de 1806, tendo desembarcado no Funchal a 18
de Junho de 1807". Cathcart que estivera vários anos cativo em Argel,
antes de ser nomeado cônsul nessa Regência, bem como ein Tunis,
Tripoli e Livorno, viveu na Madeira durante 8 anos. Este foi um período difícil, tendo sido uma época de embargo, de ausência de relações comerciais e de guena. De facto, como já referimos, a Madeira esteve ocupada por forças inglesas, embora tal facto não tivesse causado probleinas
de maior ao cônsul. A James Leander Cathcart sucedeu o tenente-coro'W.A.R.A. Gcncial iccords o l thc Depanmcnr of State, Central files. De.si~<riclres/ioiaUiiiied
Siurer cortsi<lsiits Fuiich<ii, r o l i (M<ricli 21. i793 - Jrrly 16, IB3i1, (N<ttioi,ol Aiiitir.es siicir,/ii?,
i>~l.licrriiori.7205. roi<, i ) . Despnchos do cônsul Jolin Marsden Pinbtard para o Secretário de Estado.
Tliornas Jefferson, datados do Funchal, 27 de Mar90 e 7 de Jullio de 1793; cópia de uma cana do cônsul
lrai>cfs, Dc Ia Tuellicr para a cônsul John Marsden Pintard, datada do Funchal, 26 de tnarço de 1793.
anexa ao despacho do cônsul John Marsden Pintard para o Secret5rio de Estudo, Tliomus Jefeson. datado do Funchal, 27 de Março d ç 1793. Id., Dii~Ios,<iiicoiid Coi~s,r/<rr.
Ir~rii.ircii,~izs.1791-1801. vol. 2
(Aeflurr 22, 1793 - Jsrie i , 1795). p. 25 (Naii<ii,al Alrliiver riiici<ifiliir ~>iibiicririoiz,M28, iolo 2). Desoaciio do Secretária de Estado. Tlioinns Jeferson. "ara o cônsul John Marsdeit Pintard. datado de Fi1.J;lii.i. I? ,ti. Se~ciiilirl.I< 17,:l Id Oc.,i><.is i . % l i . , ! $ l/ii.ii,i!
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i I>cru ; i i ~ii I I .I i i i t i i i i c i i i !il:iiin,icii;i::no
\Vi.Iiz1ci S i i . ~ i I i ii.1r.i .i Sc:ii.t:ii~l .I< E>1i1.Ioi 11111>111.
. .
Pickrring, datado de Lisboa, 10 de Novembro de 1798; Id., De.~porci!es,fi.oirzU~ziiedS~i<i,erMiizirreir
io Biniil, vcil. i (Apiil 3, 1809 - Oct,,l.ei- 11, 1813). (A'ntioi~rilArchivcs ritici-ofilrii pitblicniioii. Mi21,
rolo 2). Derpaclio no.7 do ministro plenipotenciário, Thosias Sumter, Junior, para o Secretário de Estudo, Roben Smith. datado do Rio de Janeiro, 11 de Janeiro de 1811: RIBEIRO, Jorge Manuel Martins
- Coiiréirio e diploi?rncin,i<ir irlo~Uesliriu-<iiiiei?c<irinr (1776-1822). p. 919-920.
3 N.A.R.A. General records of tlie Depanriient of Statc, Central files. Personciel Records. Liri
.
<'
qf U.S. C<ii~nrlr~i.
O//cem. 1789.1939. !:o/. i 1 (Nritiurtol Airhiver iizici.o$lri! i>irblicritioir, M587, rolo
i i ) : Id., De.sparclzerfir,i~i Utiited Sirrier cuiisrrlr ir, Fz<ilitchal,v01 i (Mriiric 21. i793 - Jul). 16, 1831).
(Nnrioit<tlAiriiives iiiicrqílfr(riipi<l.licnriorz, 7205 rolo i ) . Despacho do cônsul Jaines Leander Cathcm
para o Secretino d e Estado, James Madisan, datado da Madeira. 23 de Junho de 1807: A.N.KT., Miiiisrério das Ncgócios Estrangeiros, Arquivo Ceiitral, corirrpoizdêiicio das ieg<i~UesesImiigeir<is ciri
Lirúoa, c<zlr<i411 (1806-1826). Nota do cônsul William J m i a p a n o Secretário de Estado dos Negó-
cios Estrangeiros e da Guerra, António de Araújo de Azevedo, datada dc Lisboa. 18 de Maio de 1807;
RIBEIRO, Jorge Manuel Maains - Coiiiéirio c dii>loinnci<i,!<ir irloç<ies h,sr,-riiiiei-ici>>~<~.v
(1776-18221,
o. 921.
BOLETIM DO INSTITUTO HISTORICO DA ILHA TERCEIRA
:
301
nel Robert Hector Macpherson e, após a i i i o r t e deste, ern 1817, John
Howard M a s c 1 1 3 ~ .
Relativamente aos Açores. Douglas Wheeler escreve que a noineaçáo de diplomatas apenas reconheceu o facto dos comerciantes da Nova
1ngIateri.a estarem profundamente e i i v o l v i d o s em empreendimentos neste arquipélago e de alguns aí residirem. A falta de diplomatas profissionais nos anos seguintes à independência dos Estados Unidos levou a que
essas f u i l ç õ e s fossem exercidas por negociantes, os quais retiravam o seli
sustento do coinércio. E, de acordo com o referido historiador, os empreendimentos marítimos de a i n e r i c a i i o s e açorianos ligavam a Nova Inglateria c o i n o a s q u i p é l a g o 3 2 .
Ern 1776 foi nomeado v i c e - c ô i i s u l na ilha de S. Miguel, Thomas
Hickling, um c o r n e i e i a i i t e americano, oriundo de uma proeminente família da Nova Inglaterra que se fixara em Ponta Delgada em 1769. Este
exerceu as f ~ ~ i i ç õ de
e s vice-cônsul ein S. Miguel e Santa Maria, praticamente até à data da sua m o i t e , em 18343-'. Por outro lado, a 5 de Agos-
"
N.A.R.A. Geiicial lecoids of tlie Oepanmz$it of Siate, Central files, Derpoiche,~,fiiiiiUiiiied
Slctter roririil.~i,, Ftiiiclial. voi. I (hl<!rclt ? I . 1793 - Jirli. 16. lS311. (ivoiioriai Axliires iriii.~.o/iiiii
~~rrblicriiiuiz,
7205, inlo I ) . Oespacl>o do c6nsul Jaiucs Lcasdcr Cathcan para o Sccrçtjiio de Estada,
Inmes Madison. datado da Madeira, I4 dc Maio de 1815: ld.. Persannel Records, Lisi of U.S. Corirsioi- Ofjcei-r. 1789-19.79. roi. 11 (Niitioirol Ar.cltives inici-ojilrit ~>i,blic<itioit,
iMS87, rolo 111: Id..
D e p a r c i i e ~ f l o i iU,,iie<l
~
Si<iicr coeritlr iiz liiricli<il, v01 I (i14oirb 71. 1793 - Jr<O16, 1831). (Nrrii<~ii<ii
Air-hiver riiiciolilii! ~>rrblirrriinii.??OS rolo I ) . Ocspicl>os do cünsiil Robcri Hector Macplierron para
o Secrztjrio de Estado, Jariies Ivlonroe. datados <]cFiladélfia. 17 de Dezcriibro de 1815 e dn Midçirn.
24 dc Jniieiro dc 1816: dcspaclio da cânsiil Jolin Howaid M ~ r c hpara o Secretdrio de Estado. lainer
Monroc. datado da Madcirn, 3 de Janeiro de 1817: CATI-1CART. J a n ~ e sLeandcr - Tlte C<il>iivcr.
i-icvcii ?e<m o [>i-isoiier i,! illgiei-r uie!/>iledI?? Irir <l<iiigltrci-J. B. Neiiark. La Ponc. Icid.: Herald Piint,
s.d.. p. 111-I\': 310: RIBEIRO. Jorge Mariiiçl Mailicis - Co!!,iilércio e rliploi,,<icio rins i r l < i ~ & .iiir,,-,-oii,e~
i.ic<lii<is(1776-18271, p. 922.
" WHEELER, D o u ~ l n sL. - Tire Azares <o,d :/te U,?i:e<l S:<i,e,r (1787-1987): EI.OIiit,,rlwd
) . ~ <~lfsb<iie<l
il~
hi.sroi'. 111«Boletim do Inrtitiito Histórico da lllia Tercciran. Aiigra do Heroismo. 1987.
i ~ l XLV,
.
toino 1, p.57-58.
3' VERIVIETTE, Maiy Tlicrcsa Silvia - E<crly Atiieiico s: irI<rtioirrbi/>irilh ibe A r o r r i ri coil.srl/(tr rieii,. «Boletiiil do Instituto Hisl6"co da illia Terceira*., Angm do Heroísino, 15 (I), 1988, p. 1302;
ROGERS, Francis Millei - SI. iMic1ioel:v Hickliiigr. F q o l D n D i ~ q sorid rireir Bi-iiirh coiziteciiurir.
rArquip6lngon. Ponta Oclgsda. número especial. 1988, p. 125; N.A.R.A. Desl>orclte.rfir>iit Uftiied Siriter
C~~~i,iairl.s
i,, F<I~<II.
1795-1897 rol. 2 (Jirly 76, I833 - Dccciitbei- J. 1811) ( N ~ ~ f i o i iAirliiues
ai
i~rici-ofilrii
( ~ ! ~ b l i ~ o fi203,
i ~ , ~ ii,Io
~ , 2). Olicios do cânsul no Fninl. Charles William Dabne): para o Secretário de
Estado. Louis McLune, datados dc Lisboa. 8 de Maio e I 4 de Setembro dc 18311; RIBEIRO, loigc Maouel Mnrlins - Coiiiéirio e <lil>loiirociarmr i r I u ~ 6 e sli,ru-ariiei,caii<rr (1776.1827). p. 326-357.
302
BOLETIM DO INSTITUTO HISTÓRICO DA ILHA TERCEIRA
to de 1790, o inglês John Street, natural do Faial, que entretanto se tronara
cidadão americano, era confirmado, pelo Senado, como vice-cônsul dos
Estados Unidos na ilha onde nascera35. John Street foi substituído por
John Bass Dabney, a partir de 1807, tendo ocupado o cargo de cônsul nos
Açores até à sua morte em 182636. Refira-se que, durante o tempo em
que John Bass Dabney exerceu funções, e até ao terceiro quartel do século XJX, as ilhas açorianas foram utilizadas pelas frotas baleeiras americanas, as quais frequentavam, sobretudo, as Flores e o porto da Horta.
Este era um local de aguada, de descanso das tripulações onde tambéni
se procedia à substituição de elementos da equipagem ou se completava esta, caso o navio tivesse saído do porto de origem sem o número necessário de homens para o serviço de bordo. Além disto, nesta cidade,
os marinheiros tinham acesso a assistência médica e hospitalar, podiam
receber correspondência e abastecerem-se de utensílios de pesca, de inateriais de reparação naval, sem esquecer que era uin local propício ao
3s Id., Prisontiel Records, Liri -f U.S. Cuiirirl~ri~
Ofliccr.~,1789-1939, i'ol 7 (Noiiori<ilArc1iii.c.r
riiicr"filii>pitblic<iiio,i, M587, rolo 71, Id., De.~p<lrc/iesfioirrUriired Si<ires Mi~iirieilro Poriirgal, rol.
3 (Noioii6ei- 19. 1790 - Scpiei,zi>ei.17, 1793). (Noiini~rlA~1zive.riiiici.<!(ibrl/>ublicriiioii.M43. rolo
2). Dcspacho ri'. 39 do ministro residente, coronel Dwid Humphreys, para o Secretário de Estada,
Tliornns Jefferson. datado d e Lisboa, 22 de Noveinbro de 1791; Id., Diplon~niiccritd Co,irrrIrrihirii-crciioiir Foiript Leirei-s of lhe Coiiiiizetir<rlCr,!z,iigi-essnrtd rl!e Del>ni-iirre,iiof Siaie, 1785-1790,
vol. I ( J n i i u q 14, 1785 - Deceinbei 23, 1790). (Nationnl Archives miciolil~upublicatioii, M61. rolo
I), p. 379. Dcspacho do Secret5ria dc Estado, Thomas Jefferson, p a n o vicc-cônsul Jolin Street, datada de Nova Iorque, 5 d e Agosto de 1790; Id., Deri>nicbes/rnii! Uriiled Sioies coizsais iii Lir6orz. vol.
1 (Jid) 27, 1791 -Decciiii>ei- 18, 1802). (Noiiuiwl Airliives ~iiicir,filrir~~r~6licrriioi~.
Tl80, mio I ) . Carta de John Street pura o Secretária d e Estado, Thomas Jefferson, datado de Lisboa. 8 de Novembro de
1791: RIBEIRO, Jorge Manuel Manins - Coiitéicir, e diploritncio rt<r,~i-elrip7c.~I(irso-~iiiieiicoi~o5
(177618221, p. 924-925; AFONSO, JoSo - Dos Ariois <lu l<ra,oi,tiiiaDOO,!-. /i<ii.<iO Hi.sl<i,lo Oiloceriiisio dos
A~oi-errii<iizoPci-.spcciii.<rAil<(i,iic<i,«O Faial r n Periferia A~oriananos sécs. XV a XIXn. Hona: Núcleo Culeral da Hona, 1995, p. 240.
36 N.A.R.A. General rccords of the Depmment of Statc, Central files, Desl>niclirrjiaiit Uiriied
S1nie.r c,~,,,isirl.siit I;ny<il,1795-1897, vol I (Mnirli 4. 1795 - N<,reri8bcr-28. 18321. (Nniioitol Aiuhives
iizici-ufilii,pzrblic<tiiori, T203. iolo I ) . Despacho do cônsul Jahn B. Dabney para o Secretário de Estsdo. James Msdison, datada do Faial, I2 de Abril d e 1807 e despacha d e Charles Willinin Dnbney para
o Secretario de Estado, Henry Clay, datado do Faial, 10 de Setembro de 1826; Id. Pemoriirel Recoi.d.r,
Lisr "f U.S. Coizsi~lni.Oflcers, 1789-1939, v01 7 (Nririoitnl Aicliiicr niicr@i!liliit piililic<riiuii,M587, rolo
7): RIBEIRO. Jorge Manuel Manins - Coinó-cio e dil>loiir<ici<i
iios ialri~<íes
liisri-orirericarim (177618231, p. 926-927.
BOLETIM DO INSTITUTO HISTÓRICO DA ILHA TERCEIRA
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contrabando. E, desde o início do século XJX que açorianos serviram a
bordo de embarcações baleeiras americanas37.
O coipo consular americano, em ambos os arquipélagos, foi um
espectador privilegiado do modo como os seus habitantes viveram a turbulência política e militar de finais do século XVIII e primeiras décadas
do século XJX, a qual não deixou de afectar o relacionamento luso-americano. Navios corsários americanos, sobretudo do porto de Baltimore,
munidos de cartas de corso dos insurgentes da América do StiI, noineadamente do patriota usuguaio general Artigas, actuaram em águas açorianas, capturando embarcaqões portuguesas, o que motivou protestos das
autoridades de Lisboa junto dos representantes estadunidenses em Portugal e dos diplomatas lusos nos Estados Unidos's.
Por outro lado, a guerra anglo-americana, iniciada em 1812, acabou por se reflectir na Madeira, uma vez que navios americanos foram
apresados por barcos de guelra britânicos nas águas circundantes da ilha39.
Nesta altura, as águas açorianas também forain palco de recontros entre
ingleses e americanos, sendo o episódio mais famoso a desti-tiição do navio corsário americano Gerze~nlA I ~ ? Z S ~ T O que
I Z ~ ,acabou por envenenar as
relações entre Poitugal e os Estados Unidos, no período posterior i guerra-'o. O barco foi destruído por um esquadrão de três navios britânicos,
'7 AFONSO, Jazo - Dor Aii<iir d6 Fc~iiiiliaBobiicy J>L,F<, a Hiridi.i<iOiroceizri.%i«dos Acoms
irtriao Pei-ri>eciiio Ai/di!iic<i,p. 240-241; VERMETTE, Mary Thercsn Silvia
Os Yoitkrer e o Fuiol,
n 291.
r~ -~
IVASTELO-BRANCO. Fcrnando - Sirbsirli<ispai?, n Hiririiia dr, l;<1i<ilc do Pri-jfei?o ACOii<is<l,"0 Fnial e n Periferia Açoriana nos sfcs. XV a XIXn, Hona: Núcleo Cultilral da Hona, 1995,
o. 106-107.
'Y N.A.R.A. General recaids of thc Depanmcnt of Stntç, Central files, De.v/~<itches,/ir>ii~
Uitired
S1,iIrs c<iiiraIriir F<~yrii,
1795.l897, rol. I (M<ii.cl?4, 1795 - Noieiirbcr 28. 1832). (Noiiai,<riArcliives
iiiicrofiliii />irbUc<iiioii.T203, i.<iln I). Despachas do cònsul Jnmer Lcandcr Cathcan para o Sccretirio
de Estado, Jsines Monroe, datados da Madeira. 1, 13 e 29 de Maio de 1813; RIBEIRO. Jorze Manuel
Maninr - Coiizéirio c dil>l«rii<rci<~
fios iria~<iesIirro-iiiiieiic<rit<is(1776-i82?), p. 923.
N.A.R.A. General records of the Oepanmeni of State, Central files, De.~pl>niclze.cfioi~,
U8iired
Siriler coitrii1.r iri F<,yul, 1795-1897, rol. I (M<ii~.h
4, 1795 - Noir,iiber 28, 111321. (N<iiioit<ilAicliiver
iiiio.o/ilie ~>irl>licniioii,
7203 ivlr, 11. Despacho do cònrul John Bass Dabney para o Secretário de Estado, James Monroe, datado do Faial, 17 de Julho de 1808: Tlie hirloi). of ibe ir«ridrijirl b<iiiie qfrlze
biig-<i/-li,ai.GPIICI.LI/
A~.~r.~~ro>zg
IWIII II Briiisb .sql!a<i~.~iii
<I[ Foyol. 1814. 7%ef<iiiioiis giiii, L o i i ~R~rii.
Skeicl, o/ ilie lffe ,~f>/c!pr<iinS<iii,irrl Ciiesrer Reirl. coriit?i<iri<leio/ ibe Aniiri>oii,q; ib,Ijo dcsigiied iiie
~~reseliijirig
of lhe Uiiired Si01e.r iii 18lX Hirroq rif iIiefi<ig. hiie,rsiii,g irici<ieitis,eic., Borton, Mass,
L: Bana & C'., PrinterS, 1893, p. 15-30; Jorge Manitcl Manins - Coiiréirio e clil~loiii<ici~i
izos rrln~ õ e slrrso-<i,i!eric<i,,ns(1776-1822). p. 928.
-
~
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ein 26 de Seteinbro de 1814, no porto da Horta, onde entrara para se
abastecer de ág~iapotável. No decurso do incidente em que moiyeram
vários marinheiros americanos, o Geizeral A I ~ I Z S ~acabou
~ V I Zpor
~ ser incendiado pelos ingleses. Os mnadores do corsário estimaram as perdas
em 30.700 dólares e pediram uina indemnização a Poiíugal. A corte portuguesa, então sediada no Rio de Janeiro, não aceitou esta reclamação,
pois na sua óptica, além da neutralidade poituguesa ter sido violada, o
governador do Faial tudo fizera para evitar este confronto. Ao mesmo
tempo, o govemo potíuguês deu instiuções, ao seu representante ein Londres, para reclamar e pedir uina reparação ao governo biitânico, tanto para
portugueses como para americanos. Refira-se, ainda, que esta pendência
se arrastou por vários anos, até 1852, altura em que por mediação do então presidente da República Francesa, o futuro Napoleão 111, foi dada razão a P o ~ t u g a l ~ ~ .
A posição geográfica da Madeira e dos Açores, bem como a sua
importância económica, explicam o papel deteiminante destas ilhas no
âmbito das relações diploináticas e comerciais entre o espaço português
e os Estados Unidos. De facto, ambos os arquipélagos tinham um grande alcance estratégico e-económico, pois serviam de pontos de apoio à
navegação estadunidense e também de mercados para os produtos americanos, dadas as carências alimentares com que se debatiam. Conforme
vimos, o madeirense exportava o vinho da Madeira, o preferido da classe
4 BOURDON, Leon - José Cowê<z do 3el.m ~lli/><l.v.?<ldeu~'
dil Royort,iie-U,zi de Porlirg<rl ei
Bvéril ii IW,rhiizgioii 1816-1820.Paris: Funda~ãoCalousle GulbenkianlCenlro Cultural Ponuguès, 1973,
p. 19; AGAN, Joreph - 71re Dip/oiii<riic iel<tri,,rz,rlsoflde Utiired Siriies riiid Bi-ozii. Paris: Jouve et Cie,
Editeuis, 1926. Vol. I. 71,e P,ii?tigirere Coni-i ni Rio de J<irieiia. p 48-62 HILL, Lawrence F. Bil,loiiz<iiic irl<iiioi,s I>eiii.eet!rlze Utiiicd Si<iics oiid Bi-mil. Ouiliaiil: Duke University Prcss, 1932, p.
12-15; MAGALHÃES, Josr' Calver - Hi.ri,ji,a dos ~lo1.6e.rdil>l(~iiidiic<ir
ertrrr Poi?ngal e os E.ri<id0.v Uizidos d<iAii!éricri 1776-1911. Mem Manins: Publicações Europa-Amhrici, 1991, p. 245-148; 169;
Jorge Manuel Manins - Co,izéi.ciu c dil>lori~cicioricrr irloç<ies Iirro-<risci?c<iil<~r
(1776-1,722). p. 490491.
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aristocsática norte-americana, e os Açores o denominado vinho do Faia1
(Fayc~li.virze),produzido nas ilhas do Pico e de S. Jorge, e expedido através do porto da Horta. Da América do Norte estas ilhas importavam sobretudo cereais, mas também bacalhau e madeiras.
A iinpostância destas relações comerciais explicam porque razão,
logo após a independência, as autoridades americanas nomearam agentes consulares para os dois arquipélagos, os quais foram espectadores privilegiados das dificuldades provocadas pelos conflitos em que Portugal
e os Estados Unidos se viram envolvidos nas duas priineiras décadas do
século X E .