MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS - Quais os Potenciais Impactos da Doença Holandesa? MAIO DE 2014 Esta publicação foi produzida para análise pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional. Foi elaborado pela DAI e Nathan Associates. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS - Quais os Potenciais Impactos da Doença Holandesa? Título do Programa: Programa de Apoio para o Desenvolvimento Económico e Empresarial (SPEED) Patrocinador: USAID/Mozambique DRAFT Número de Contrato: EDH-I-00-06-00004-00/13 Empreiteiro: DAI and Nathan Associates Data: Maio de 2014 Autores: Lynn Salinger and Caroline Ennis As opiniões dos autores expressas nesta publicação não reflectem necessariamente as opiniões da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional ou do Governo dos Estados Unidos. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS III Conteúdos Sumário Executivo 1. Visão Geral vii 1 2. Mercados de Trabalho em Moçambique: Modelo Conceptual 13 3. Mercados de Trabalho em Moçambique: Panorama Quantitativo 21 4. Mercados de Trabalho em Moçambique: Resultados da Avaliação 35 5. Resumo dos Impactos Previstos da Doença Holandesa sobre o Mercado de Trabalho de Moçambique 53 Anexo A. Entrevistas Feitas 61 Annex B. Bibliografia 63 Agradecimentos O presente relatório foi elaborado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) com base em trabalho de campo realizado em Março-Abril de 2014 através do projecto SPEED (Programa de Apoio para o Desenvolvimento Económico e Empresarial) da USAID Moçambique. Os autores gostariam de agradecer a todos os representantes do governo moçambicano, sector privado, comunidades de investigação e educação e organizações internacionais que dispensaram o seu tempo para partilhar informações connosco sobre a política, estrutura e comportamento do mercado de trabalho em Moçambique. A lista completa das entrevistas feitas está disponível no Anexo A. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS Acrónimos AIM Agência de Informação de Moçambique BCG Bevan, Collier, and Gunning BM Banco de Moçambique CIP Centro de Integridade Pública de Moçambique CONSILMO Confederação Nacional dos Sindicatos Independentes e Livres de Moçambique CPI Centro de Promoção de Investimentos CTA Confederação das Associações Económicas de Moçambique DNEAP Direcção Nacional de Estudos e Análise de Políticas (Ministério da Planificação e Desenvolvimento) ENDE Estratégia Nacional de Desenvolvimento EPC Engenharia, Produção e Construção (empreiteiro) ER Taxa de Câmbio IAF Inquéritos aos Agregados Familiares IAI Inquérito Agrícola Integrado IESE Instituto de Estudos Sociais e Económicos IFTRAB Inquérito Integrado à Força de Trabalho IIM Inquérito as Indústrias Manufactureiras ILO Organização Internacional do Trabalho IMF Fundo Monetário Internacional INCAF Inquérito Contínuo aos Agregados Familiares INE Instituto Nacional de Estatística INEFP Instituto Nacional para o Emprego e Formação Profissional INFOR Inquérito ao Sector Informal IOF Inquérito aos Orçamentos Familiares ISCTEM Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique DRAFT V LNG Gás Natural Liquefeito MIC Ministério da Indústria e Comércio MITRAB Ministério do Trabalho MPD Ministério da Planificação e Desenvolvimento MOZAL Mozambique Aluminum MT Metical OOH Manual do Panorama Ocupacional OTM Organização dos Trabalhadores de Moçambique PIREP Programa Integrado da Reforma da Educação Profissional PLA Project Labour Agreement PPP Parceira Público-Privado REER Taxa de Câmbio Real Efectiva RM República de Moçambique SNV Organização Holandesa para o Desenvolvimento SPEED Programa de Apoio para o Desenvolvimento Económico e Empresarial TIA Trabalho de Inquérito Agrícola UEM Universidade Eduardo Mondlane UNU Universidade das Nações Unidas USAID Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional WIDER Instituto Mundial para a Pesquisa da Economia de Desenvolvimento MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS VII Sumário Executivo Em todo o mundo, o boom das exportações de recursos naturais, muitas vezes levou a realinhamentos económicos significativos, mesmo à virtual eliminação de alguns sectores da economia. As exportações de recursos naturais levam a afluência de divisas recebidas, o que faz com que o valor da moeda local se fortaleça e alteram os preços relativos entre bens e serviços comercializáveis e não comercializáveis em todos os sectores. A experiência em outros lugares sugere que a mão-de-obra e o capital são frequentemente realocados em resposta a esses incentivos em mudança, para além dos chamados sectores “comercializáveis” (sectores tradicionais de exportação e substituição de importação, tais como agricultura, indústria manufactureira e turismo) para o sector de extractivos e sectores “não comercializáveis” (sectores de serviços que suportam a expansão dos recursos naturais em, tais como a construção, transportes e outras infra-estruturas, retalhistas, etc.). Dadas experiências semelhantes em outros lugares em África e no mundo, quais são os prováveis impactos de tais forças macroeconômicas fortes em Moçambique no mercado de trabalho e nos sectores comercializáveis tradicionais? E o que se pode fazer para geri-los de tal forma que o máximo benefício reverta para Moçambique? O projecto de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial e Económico da USAID Moçambique, lançou uma série de investigações para explorar estas questões. Em meados de Março de 2014 dois economistas procuraram informações qualitativas e quantitativas junto aos representantes do governo, sector privado e organizações de trabalho para compreenderem a estrutura, comportamento e políticas que regem o sector do trabalho em Moçambique hoje, a fim de prever possíveis impactos no mercado de trabalho do boom dos recursos naturais sobre o emprego e salários no futuro a curto e médio prazo.Os comentários recebidos dos stakeholders durante um workshop realizado em Junho de 2014 foram incorporados no relatório. Avaliações complementares dos potenciais impactos da chamada “Doença Holandesa” na agricultura, indústria e turismo também estão em curso. Os resultados da avaliação do trabalho incluem o seguinte: 1. O boom de recursos naturais já está a desenrolar-se em Moçambique, apesar de que toda a extensão do fenómeno macroeconómico conhecido como Doença Holandesa é improvável a ser sentida com a força total por algum tempo. Já estão em evidência as pressões ascendentes sobre os mercados de habitação e imobiliário comercial, bem como nos mercados de mão-de-obra qualificada. 2. A segmentação dos mercados de trabalho em Moçambique hoje - gestão, profissionais qualificados, técnicos qualificados, por um lado, e mão-de-obra não qualificada, por outro - é significativa. A equipe de avaliação do trabalho ouviu inúmeros relatos da oferta disponível apertada, não apenas para gestores e outros profissionais qualificados, o que é de se esperar, mas também na categoria de técnicos qualificados, ou seja, trabalhadores cujas ocupações exigem formação, aprendizagem, e (possivelmente) certificação. Isso coloca uma grande pressão tanto sobre os salários dos trabalhadores qualificados, para os quais está a ser pago um prémio cada vez maior no mercado de trabalho de Moçambique hoje, assim como sobre o sistema de cotas mão-de-obra estrangeira, que actualmente regula o volume de trabalhadores que podem ser “importados” do estrangeiro para compensar as actuais lacunas de qualificações. 3. Devido as reais barreiras de habilidades a mão de obra-não-qualificada é em grande parte NÃO substituível para a mão-de-obra exigida pelos sectores extractivos e outros associados afluentes da economia. Quatro quintos da força de trabalho está enraizada no sector agrícola, onde os moçambicanos com baixa formação académica, em grande parte analfabetos trabalham arduamente para ganhar a vida. Este grupo não qualificado de mão-deobra carece tanto da “empregabilidade suave” bem como das habilidades técnicas exigidas pelos empregadores do sector formal. Uma vez que a mãode-obra rural dificilmente pode ser contratada para os sectores extractivos ou não comercializáveis em um número significativo, o impacto esperado de uma possível Doença Holandesa sobre os salários no sector rural é provável que seja mínimo. 4. No entanto, a aceleração observada nas aprovações de megaprojectos em Moçambique aumentou as expectativas de que a indústria de extractivos irá proporcionar novos postos de trabalho para os moçambicanos. Criou e criará, mas apenas para um pequeno número de trabalhadores qualificados. O Governo de Moçambique faria bem em enfatizar que o futuro económico do país vai depender do desenvolvimento da força de trabalho formada ou educada. Esta mensagem não é bem compreendida pelo público e deve ser amplamente divulgada para incentivar uma tomada de decisões racional sobre a migração de trabalhadores, crescimento de pequenas empresas e investimentos nas proximidades dos locais da indústria extractiva e, mesmo abandono escolar retardado a favor de mais educação e desenvolvimento de habilidades. 5. No curto prazo, a demanda de mão-de-obra qualificada será satisfeita por meio de “importações” de trabalhadores estrangeiros. No longo prazo, pode fazer sentido estratégico para MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS IX os empregadores e governo estabelecer parcerias no desenvolvimento de oportunidades de educação e formação para moçambicanos a fim de oferecer técnico e profissionais qualificados candidatos a emprego na próxima década. 6. No entanto, é provável que alguns dos mais ambiciosos ou empreendedores tentarão mudarse para áreas de actividade a extracção de recursos. Assim, é ainda mais crucial que o ambiente de negócios – pelo referimo-nos aos regulamentos e a sua aplicação uniforme, bem como a disponibilidade de financiamento – seja favorável ao estabelecimento de empresas familiares que possam surgir em torno dos locais de mineração e outros locais extractivos. 7. É impossível prever os níveis de previsão de despesas de investimento por parte do governo, as indústrias extractivas e outros investidores privados. Mas o maior potencial para criação de empregos originados pelo crescimento de recursos encontra-se nos projectos de obras públicas de mão-de-obra intensiva, financiados por receitas públicas e o crescimento a ser gerado pelo investimento privado associado. Mais uma vez, as habilidades necessárias para atender a esses investimentos estão altamente concentradas nas áreas profissionais, cujo investimento de formação precisa de ser planificado e implementado com grande urgência. 8. Sob pressão da Doença Holandesa, à medida que o valor do metical se fortalece e a rentabilidade é espremida, as empresas serão obrigadas a rever as suas estruturas de custos. As empresas terão que considerar, nomeadamente, se recuam nalguma percentagem da sua força de trabalho, mudam para mão-de-obra importada mais barata, ou investir em máquinas de economia de trabalhadores, que serão menos caras, em termos de meticais, na esteira da valorização da moeda. O desenvolvimento do capital humano, melhoria das qualificações dos trabalhadores e investimentos em sectores de maior valor agregado da economia será necessária se esses salários mais altos (expressos em dólares ou euros) forem considerados acessíveis pelos investidores. DRAFT 9. No longo prazo, a competitividade de Moçambique será reforçada não obrigando as empresas a utilizarem mão-de-obra moçambicana não qualificada, mas investindo numa força de trabalho moçambicana altamente qualificada. Para que Moçambique empregue com êxito a “bênção” dos seus recursos naturais para embarcar numa transformação económica estrutural, criar novas indústrias e oportunidades de emprego de serviços para a futura força de trabalho do país, é preciso investir agora no seu povo. Isto tem de ser feito de uma forma coordenada e integrada, se possível através de uma política nacional de emprego que poe o emprego no centro de todas as actividades do Governo. Conforme descrito no relatório completo, a eficiência do mercado de trabalho e a forma como a economia responde às pressões da Doença Holandesa dependerá da medida na qual os obstáculos impedem o movimento entre os segmentos do mercado de trabalho e o quão bem é transmitida a informação sobre as oportunidades do mercado de trabalho. As informações sobre o mercado de trabalho – procura e oferta presente esperada de mão-de-obra; salários por região, sector e ocupação; requisitos de habilidades e certificação por ocupação; condições de trabalho – são extremamente difíceis de encontrar, não só para os participantes esperados do mercado de trabalho, mas também para os trabalhadores que já estão no mercado de trabalho que procuram mudar os seus portfolios de trabalho. Actualmente há pouca informação disponível – sobre as opções de carreira, oportunidades de emprego, potencial de geração de renda ou requisitos de formação – para oferecer aos jovens razões para permanecerem na escola e escolherem, particularmente, aprender habilidades em demanda. Se não for feito um esforço de formação mais abrangente, a economia provavelmente não vai desfrutar de um forte impulso no nível de emprego (Cenário 1). No caso do cenário 1, pode se imaginar vários ‘vencedores’ e vários ‘perdedores’ do boom em recursos naturais, conforme mostrado abaixo. ‘Vencedores’ Efeito Cambial Efeito do Boom Consumidores de produtos importados Importadores Empresas que utilizam maioritariamente matérias primas e subsídios importados. Trabalhadores com altas qualificações Indústria extractiva Fornecedores à Indústria Extractiva Transporte O Estado e Autoridade Tributária Provedores de serviços – por exemplo cabeleireiros Construção e produção de subsídios para construção Bancos ‘Perdedores’ Agricultura (seja a produzir para exportação, seja para substituição de importações) Exportadores Oportunidades de investimento alternativas Pessoas sem qualificações nem acesso a formação Agricultures PMEs Empresas Manufactureiras Turismo. Se os esforços de formação apenas permanecerem centrados nos técnicos qualificados necessários para a rápida expansão da indústria de extractivos, haverá uma subida de curto prazo no emprego, sendo que a expansão a longo prazo continuará a um ritmo inalterado (Cenário 2). No entanto, juntamente com os investimentos do governo e do sector privado para promover o crescimento em MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS XI outros sectores da economia de mão-de-obra intensiva (desenvolvimento de infra-estruturas, imobiliária, além de investimentos para aumentar a produtividade e inovação em produtos comercializáveis tradicionais, tais como a agricultura, indústria e turismo), Moçambique deve ser capaz não só de desfrutar de um aumento de curto prazo no emprego, mas também de embarcar numa transformação estrutural da economia que irá desfrutar de um nível acelerado de crescimento do emprego ao longo do tempo (Cenário 3). A probabilidade de sucesso em alcançar o Cenário 3 será melhorada se o governo moçambicano finalizar a sua Estratégia Nacional de Desenvolvimento, visando uma estratégia para alocar as receitas futuras das exportações de recursos naturais para fazer crescer a economia, através do investimento em sectores de mão-de-obra intensiva, cujos retornos irão posicionar o país para a transformação dinâmica e estrutural. A construção de infra-estruturas de transportes, comércio, construção e telecomunicações, o fornecimento de apoio aos sistemas agrícolas de mão-de-obra intensiva, atracção de investimentos a indústria de mão-de-obra intensiva, e a expansão dos investimentos em capital humano para aumentar a alfabetização, aritmética, habilidades técnicas e de gestão, irá fornecer a base para Moçambique captar benefícios, ao invés de ser desfeito pelos efeitos da Doença Holandesa, de uma expansão da indústria de extractivos nas próximas duas décadas. A Secção 1 do presente relatório apresenta uma visão geral da economia, a crescente importância das indústrias extrativas dentro dela, as preocupações macroeconómicas que podem surgir em associação com o boom dos recursos naturais, e uma amostra de experiências da Doença Holandesa em outros lugares. A Secção 2 oferece um modelo conceptual dos mercados de trabalho em Moçambique, com destaque para as várias dimensões para consideração pelo estudo. Os parâmetros quantitativos extraídos das fontes existentes sobre a força de trabalho em Moçambique, o emprego, a mobilidade da mão-de-obra, a renda, as instituições de trabalho, salário mínimo, e o sector informal e as empresas familiares são detalhados na Secção 3. As conclusões da avaliação sobre o papel da força de trabalho na estratégia global de desenvolvimento, as categorias e constrangimentos das habilidades da força de trabalho, a formação e educação técnico profissional, a mobilidade da força de trabalho e as informações sobre o mercado de trabalho são discutidas na Secção 4. Para concluir o relatório, os impactos esperados da Doença Holandesa nos mercados de trabalho em Moçambique encontram-se resumidos na Secção 5. Os anexos ao corpo principal do relatório fornecem ao leitor uma lista de todas as entrevistas realizadas (A) pela equipe de investimentos e uma bibliografia das fontes consultadas para o relatório (B). DRAFT MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 1 1. Visão Geral O objectivo deste estudo é explorar o potencial impacto vindouro do boom de recursos naturais em Moçambique, a possível valorização do metical, o impacto sobre os preços relativos entre sectores comercializáveis e não comercializáveis da economia, e, como consequência, o seu potencial impacto no mercado de trabalho moçambicano e em geral, na competitividade económica. Estudos complementares estão em curso ou previstos sob a égide do projecto SPEED para avaliar esses impactos sobre a competitividade da agricultura, turismo e indústria manufactureira moçambicana. Conforme visto na Tabela 1 abaixo, o sector primário ainda fornece uma componente significativa e crescente do PIB. Os números sugerem que Moçambique ainda não embarcou na transformação estrutural da sua economia que seria reflectida num aumento da proporção e na crescente formalização da indústria e serviços (Rodrik 2014). Tabela 1: Composição Sectorial do PIB de Moçambique Sector 2006 2011e Agricultura, cilvicultura, pescas, caça 27.9 31.5 Mineração e pedreira 1.4 1.5 Electricidade, gás, água 5.8 4.5 Construção 3.2 3.1 Manufactura 16.0 13.0 Comércio, hoteis, e restaurantes 15.5 18.9 Transportes e comunicações 10.0 10.0 Finanças, imobiliária, serviços empresariais 8.9 8.6 Outros serviços 7.3 4.7 Serviços público 4.0 4.1 Fonte: AfDB, OECD, UNDP, ECA, African Economic Outlook, 2013 INDÚSTRIAS EXTRACTIVAS EM MOÇAMBIQUE Os decisores políticos moçambicanos começaram a preparar-se para os efeitos da expansão significativa das indústrias de extracção. Um relatório de 2005 do Fundo Monetário Internacional (FMI) de questões seleccionadas mencionou apenas três “megaprojectos”1: a estação hidro-eléctrica de Cahora Bassa (Tete), a fundição de alumínio Mozal nos arredores de Maputo, e o gasoduto da Sasol (Inhambane) que transporta o gás natural para a África do Sul2. A produção da MOZAL em 2013 ainda é responsável por 75% da produção industrial de Moçambique e quase 50% das exportações (ROM/MPD/DNEAP 2013). No entanto, em 2013, a 1O termo “megaprojectos” é definido como “grande, geralmente de propriedade estrangeira, e com enclave de actividades de capital intensivo que dependem dos recursos extraídos e/ou bens intermediários importados e exportação quase na totalidade da sua produção” (IMF 2013, 64). A KPMG International (2013) também fornece uma visão geral do sector de mineração em Moçambique. 2A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos da República de Moçambique (RM) e a Sasol, um grupo de energia SulAfricano, possuem em conjunto o gasoduto de gás natural transfronteiriço. indústria extractiva foi, de longe, o sector de maior crescimento na economia, crescendo a uma taxa real de 38,2%. O Artigo IV do relatório de pessoal do FMI de 2013 destaca a importância da “preparação para a gestão dos recursos naturais”, prevendo uma expansão significativa do investimento, extracção e exportação do carvão e gás natural de Moçambique, identificando seis megaprojectos agora activos em Moçambique (FMI 2013), com vários novos megaprojectos previsto. Ricos depósitos de carvão estão a ser explorados no norte de Moçambique, em Moatize, Baixo Zambeze, e nas bacias de Mucanha e Vusi na província de Tete, e também previstas para as províncias de Manica e Niassa. A produção de carvão em 2013 aumentou significativamente com três empresas adicionais de mineração (Rovubwé, Nkondezi, e Midwest) entrando em produção. Enquanto isso, a Rio Tinto aumentou a produção de carvão na mina de Benga em 230%. Campos de gás natural foram identificados na Bacia do Rovuma além da costa de Cabo Delgado, no nordeste. As licenças concedidas em 2006, para a exploração de gás e petróleo em águas profundas além da costa norte resultaram em descobertas significativas de gás natural feitas por um consórcio liderado pela empresa italiana ENI e a empresa americana de energia Anadarko Petroleum Corporation. No final de 2012 anunciaram planos de desenvolver instalações de liquefação onshore, em Palma, província de Cabo Delgado, ao sul da fronteira com a Tanzânia. As licitações foram submetidas ao consórcio para a construção do que se prevê ser a segunda maior estação de gás natural liquefeito (GNL) no mundo, depois das instalações em Qatar. Está em curso o desenvolvimento dos desenhos de construção para as primeiras duas das dez possíveis estações ou “trens” de GNL. A construção é provável que comece em 2015, sendo as exportações comerciais estão teoricamente previstas para começarem em 2018. Nos cenários actuais as receitas para o governo iriam começar a fluir no início dos anos 2020. Em 2002, o grupo de mineração anglo-australiana Rio Tinto iniciou o seu projecto de areias pesadas em Moçambique e em 2011 adquiriu um projecto de coque de carvão da Riversdale Mining Ltd. Em 2004, a empresa de mineração brasileira Vale ganhou a sua primeira concessão para um projecto de extracção de carvão greenfield; a sua mina de Moatize lançou a produção em 2011. A empresa irlandesa Kenmare Resources plc tem vindo a explorar areias pesadas em Moma, província de Nampula, para extracção de titânio e outros minerais, desde meados dos anos 2000. Assim, em 2014, várias empresas moçambicanas e internacionais estão a explorar, extrair, processar e/ou exportar alumínio, carvão de coque e térmico, gás natural, ouro e outros minerais. Não obstante as questões de infra-estruturas3, o FMI prevê que a indústria extractiva irá contribuir 2 pontos percentuais adicionais ao crescimento económico anual na próxima década e elevar a contribuição do sector extractivo em relação ao PIB para cerca de 20% até a década de 2020 (FMI 2013, 68). Ao longo dos próximos dez anos, prevê-se que os impactos das receitas públicas sejam modestos à medida que as restrições de infra-estruturas no carvão são resolvidas e grandes projectos de construção para as exportações de GNL tiverem início. A longo prazo, no entanto, o FMI sugere que cerca de um quarto das receitas do governo, ou 9 por cento do PIB excluindo o carvão, e o GNL, poderia ser derivado de 3 Robbins e Perkins citam declarações de oficiais de companhias mineiras, interessadas a ser pacientes na procura de soluções para estradas, caminhos-de-ferro e deficiências portuárias, dada a escala das reservas de carvão encontradas em Moçambique (2012, 230). MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS impostos sobre o sector extractivos. Além das próprias actividades de extracção, estão a ser feitos investimentos de infra-estrutura em serviços públicos, transportes e instalações portuárias, bem como na expansão da habitação e dos serviços comerciais de apoio ao sector extractivo. O boom, por isso, irá resultar em fluxos esperados de receita para o governo, gastos domésticos pelas indústrias extractivas e pelo governo, e (estilizados abaixo na Figura 1 e desdobrados mais tarde no relatório pelos possíveis cenários na Figura 12) um certo grau de criação de emprego. Prevê-se o crescimento do emprego tanto directamente no sector de mineração e indirectamente nos sectores de apoio. Figura 1: Calendário Previsto do crescimento no Emprego DRAFT No entanto, o boom de recursos naturais muitas vezes trazem potenciais repercussões negativas para a economia nacional que precisam de ser geridas e planificadas, algumas das quais são discutidas neste relatório. O BOOM DE RECURSOS NATURAIS E QUESTÕES MACROECONÓMICAS As preocupações macroeconómicas surgem quando ocorrem estes booms de recursos naturais. A apreciação do valor da moeda local é uma manifestação clássica da chamada “Doença Holandesa”, uma frase cunhada pela revista The Economist em 1977 para descrever o impacto das exportações de gás natural na economia da Holanda4. 4 A Doença Holandesa pode surgir de um influxo repentino de moeda estrangeira causado por fenómenos para além do boom de recursos, tais como o aumento da ajuda externa or remitências de trabalhadores no estrangeiro. Para uma discussão sobre a maldição dos recursos naturais veja ‘A Armadilha dos Recusos Naturais’ em Collier (2007). Para uma revisão excelente de políticas de respostas aos booms de recursos naturais, veja Frankel (2010, reimprimido em 2012). Frankel (2010) nota que a forma do regime cambial afecta o tipo de impacto que o boom pode ter na 3 Na análise da Doença Holandesa os economistas pensam numa economia como estando composta pelo sector de recursos naturais “extractivos”, outros sectores “comercializáveis” (tais como a indústria, turismo e agronegócio), e sectores “não comercializáveis” (como o da construção)5: Figura 2: Composição da Economia Moçambicana Extractivos (Comercializáveis) Agricultura (Comercializáveis) Outros Comercializáveis Não Comercializáveis •Carvão •Gás Natural •Alumínio, outros minerais •Alimentos de primeira necessidade (mandioca, milho, sorgo, milho-miúdo, batata-doce, arroz, feijão •Cash crops (tobacco, cotton, sugar, cashews, soy) •Manufactura (substituição de importações)(agroprocessamento, cerveja, cemento, produtos de cuidados pessoais, utensílios plásticos) •Turismo (exportação de serviços) •Construção (industrial, habitação) •Transporte, outras infra-estruturas, serviços públicos •Retalho, outros serviços A literatura económica oferece várias explicações para os mecanismos que levam à apreciação real da moeda. Algumas apontam para a entrada crescente de receitas cambiais, que procuram “comprar” a moeda local como o catalisador que empurra para cima o preço da moeda local6. Outros apontam para o aumento das despesas domésticas derivadas das receitas dos recursos naturais em bens não comercializáveis, como investimentos na construção e infra-estrutura, que macroeconomia. A apreciação nominal da moeda local é uma experincia em resposta ao boom dos recursos quando o regime da taxa de câmbio é flexível, enquanto que, o regime cambial fixo vai resultar em inflação. No seu Memorandum de 2013 sobre políticas económicas e financeiras ao FMI, Moçambique reiterou o seu compromisso para um regime cambial flexível. O Banco de Moçambique monitoriza a evolução da taxa e de câmbio fectiva (REER), i.e., a taxa de câmbio do metical vis-a-vis às moedas dos parceiros comerciais, ajustadas aos níveis relativos de inflação. Até hoje, a REER flutuou +/- 20 pontos em volta dos 100 nos 10 anos passados, e esta actualmente quase apreciada (índice REER de cerca de 110), sugerindo uma possível apreciação da moeda face as exportações do carvão (FMI 2013, 19) 5Corden e Neary (1982) foram os primeiros a descrever a co-existência de subsectores em crescimento e atrasados numa economia, na sequência de um tal boom de recursos. Explorando vários exemplos, como por exemplo, os minerais da Austrália, gás natural da Holanda, e o petróleo do Reino Unido, observam que os sectores manufactureiros tradicionais enfrentam pressões negativas em cada instância. Estenderam a sua análise para incluir exemplos onde a fabricação tradicional é confrontada com os sectores tecnologicamente e economicamente mais bem-sucedidos, como na Irlanda, Japão e Suíça, onde se observam impactos semelhantes. 6“O que começa como um problema essencialmente de câmbio com a valorização da moeda local (como resultado de um afluxo maciço de receitas provenientes da venda de hidrocarbonetos)...” (Ziyadov 2012, 358-359). MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS empurram para cima os preços dos bens não comercializáveis , em relação aos de bens comercializáveis7. Não temos conhecimento de quaisquer estimativas prevendo o potencial impacto da crescente entrada de divisas na economia moçambicana sobre o esperado REER8. Dadas as consideráveis previsões de receitas do governo, a futura valorização do metical é potencialmente na ordem de uma magnitude maior do que os níveis recentes passados de 30% de valorização em relação ao dólar dos EUA, estimado por Biggs (2011). Quando a valorização da moeda ocorre, o preço nacional das importações, por exemplo, os preços em meticais de alimentos importados ou importáveis como o milho e o arroz ou os preços dos fertilizantes importados e outros insumos agrícolas, caem, visto que serão necessárias menos unidades de moeda local para comprar uma unidade da moeda estrangeira. Isto também significa que os preços domésticos das exportações – açúcar, algodão, tabaco, coco, castanha de caju, etc. – ou exportáveis – roupas, produtos de madeira e outros produtos manufacturados - cairão também, visto que os preços internacionais, determinados pelos mercados internacionais e geralmente expressos em dólares norte-americanos, são convertidos com menos unidades de moeda nacional em preços domésticos equivalentes. Assim, os incentivos ao aumento das importações de bens e insumos mais baratos vão aumentar e os incentivos para a produção de produtos substitutos da importação ou a exportação (de bens que não sejam os recursos naturais que causaram o boom em primeiro lugar) irão diminuir. Quando isso acontece, os preços relativos dos bens e serviços comprados e vendidos nos sectores locais não comercializáveis, sobem. Os incentivos para a realocação da mão-de-obra e capital na construção, transporte, retalho, etc. vão aumentar, conforme ilustrado na Figura 3. DRAFT Figura 3: Impactos Teóricos da Doença Holandesa em Todos os Sectores 7“Um dos possíveis danos de um boom da exportação de petróleo é que o aumento dos ganhos do petróleo leva ao aumento da despesa pública e privada, que por sua vez leva a uma forte apreciação da taxa de câmbio real,...” (Sachs 2007, 181). 8O Governador do Banco de Moçambique reconheceu esses riscos em um endereço para uma conferência de pesquisa anual (BM 2013). 5 Visto que os incentivos relativos à participação nos sectores extractivos e não comercializáveis versus sectores tradicionais comercializáveis mudam, pode-se notar efeitos no emprego e nos salários. A demanda por mão-de-obra no primeiro caso, ou seja, extractivos e não comercializáveis, vai aumentar e os salários vão subir. As indústrias extractivas, no entanto, são indústrias de capital intensivo, que não costumam criar novas oportunidades significativas de empregos directos (Kaplan 2013). É mais provável que o emprego nos sectores indirectamente afectados possa aumentar, seja por meio de gastos locais pelos extractivos nos bens e serviços de apoio ou através de um aumento da despesa – em infra-estrutura por parte do governo, alimentadas pelas receitas geradas pelas actividades extractivas ou pelo sector privado, em resposta à percepção de novas oportunidades de negócios geradas pela indústria extractiva. Supondo-se que a mão-de-obra é móvel entre os sectores da economia, pode haver efeitos sobre o emprego indirecto e salarios em outros sectores da economia, para além do movimento da mãode-obra de outros sectores da economia. Os salários nos sectores tradicionais exportáveis, por exemplo, poderiam aumentar, se a mão-de-obra for extraída da agricultura, turismo, ou indústria manufactureira e dos sectores extractivos e não comercializáveis. Se a mão-de-obra flui, os salários podem subir, levando a custos laborais mais elevados para os empregadores. Dependendo da cadeia de valor e da importância da massa salarial nesta, salários mais altos podem, então, ter um impacto negativo na competitividade. Frankel descreve a “Doença Holandesa” como iniciada por “um forte, mas talvez temporário aumento no preço mundial de mercadorias de exportação”, que por sua vez leva a: “uma grande valorização real na moeda (tomando a forma de valorização nominal da moeda, se o país tiver uma taxa de câmbio flutuante, ou a forma de entradas de dinheiro e inflação, se o país tiver uma taxa de câmbio fixa)9; um aumento nos gastos (especialmente por parte do governo, o que aumenta os gastos em resposta ao aumento da disponibilidade de receitas de impostos ou royalties – discutido abaixo); um aumento do preço dos bens não comerciáveis (bens e serviços, tais como habitação, que não são comercializados internacionalmente), em relação a bens comercializados (fabrico e outros produto internacionalmente comercializados diferentes dos produtos de exportação); uma consequente mudança da mão-de-obra e da terra proveniente dos produtos comercializados que não sejam produtos de exportação (impulsionada pelos retornos mais atraentes nos produto de exportação e de bens e serviços não comercializáveis); e um deficit na conta corrente (que incorra em dívida internacional, que pode ser difícil o seu serviço quando o boom dos produtos terminar) ”. (2010, 19) 9Ambos os casos, conforme referido por Ebrahim-Zadeh (2003), a apreciação da taxa de câmbio real ocorre, enfraquecendo a competitividade das exportações, especialmente das exportações tradicionais não afectados pelo boom. O regime da taxa cambial de Moçambique pode ser caracterizado como uma flutuação controlada. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS Frankel observa ainda que se os produtos comercializáveis estiverem concentrados no sector manufactureiro, a desindustrialização pode ocorrer. Se o boom de recursos poder ser sustentado por um longo período de tempo, a transferência de recursos dos sectores tradicionais de exportações para os sectores de extracção de recursos naturais e dos não comercializáveis não pode ser considerada adversa. Muitos economistas, no entanto, valorizam as melhorias de produtividade que a produção competitiva para o mercado mundial incentiva, sugerindo que existem custos económicos de longo prazo para as reduções nas actividades tradicionais de exportação. No entanto, os impactos macroeconómicos da Doença Holandesa não são inevitáveis. As receitas podem ser consumidas de imediato logo que são recebidos, com consequências negativas, ou podem ser isoladas da economia doméstica para minimizar a pressão sobre a moeda nacional ou investidas em fundos de estabilização para gerar renda e serem usados de forma mais deliberada no futuro. Se 100% das novas divisas ganhas forem gastas no exterior em importações, não haverá impacto sobre o mercado de cambial local10. Como alternativa, os impactos negativos podem ser prevenidos através de políticas fiscais prudentes do governo. Por exemplo, os países podem estabelecer fundos soberanos no exterior para minimizarem o impacto da entrada de divisas sobre a taxa cambial, ou pôr em prática programas estratégicos de investimento para desenvolver vantagens competitivas fora da indústria extractiva, ou uma combinação de ambos. Não é objectivo deste documento rever essas medidas de políticas. Alguns exemplos de experiências da Doença Holandesa são comparados abaixo. UMA AMOSTRA DE EXPERIÊNCIAS DA DOENÇA HOLANDESA DRAFT Os países em desenvolvimento exportadores de petróleo tais como a Nigéria, Indonésia, México e Angola, fornecem exemplos de países que passaram por desequilíbrios macroeconómicos severamente desestabilizadores na esteira da exploração de recursos naturais. A literatura sobre a Doença Holandesa também tomou em consideração exemplos de países que enfrentaram aumentos nas exportações de minerais (como o Botswana), os países enfrentando choques repentinos nos termos de troca, e os países enfrentando fortes aumentos nos recebimentos de divisas de ajuda externa, e fluxos de remessas. Os resultados dos estudos de caso seleccionados são resumidos a seguir, com foco em informações quantitativas detalhadas sobre as variáveis de interesse para este trabalho (em particular, os impactos específicos do mercado de trabalho), quando existente. Bevan, Collier e Gunning (BCG 1999) comparam as experiências da Nigéria e da Indonésia ao longo de várias décadas. Na Nigéria, documentam a queda nos índices de preços de bens comercializáveis e do colapso da produção de culturas agrícolas para exportação (cacau, óleo de palma, borracha), que acompanhou o boom do petróleo (1970-1981). As importações de 10 Ebrahim-zadeh (2003) 7 alimentos foram reguladas por quotas; embora bastante ineficaz no impedimento de entrada de importações devido às fronteiras porosas, as quotas contribuíram para aumentos acentuados dos preços dos alimentos no mercado interno11. O serviço público expandiu-se na Nigéria anualmente em 11,3% de 1973-83, em comparação com apenas 5,5% na Indonésia durante o período 19751983. Ambos os governos duplicaram os salários da função pública nos meados de 1970, com algumas tentativas de menos eficazes feitas para estender o salário mínimo para o sector privado em ambos os países. BCG não encontrou nenhuma evidência da Doença Holandesa na Indonésia. Destacam políticas pró-agricultura da Indonésia, visando alcançar a auto-suficiência do arroz, que não só rebateu os efeitos da Doença Holandesa, mas criou a base para o crescimento do PIB pró-pobre. A Indonésia investiu 20% do seu orçamento na agricultura durante o boom do petróleo, em comparação com apenas 2% na Nigéria (BCG 1999, 411). A agricultura da Indonésia também se beneficiou da disponibilidade da tecnologia da Revolução Verde para melhorar os rendimentos do arroz, inexistentes na Nigéria. Em termos de desenvolvimento da mão-de-obra qualificada, no início de 1970, 1 em cada 4 adolescentes frequentava o ensino médio na Indonésia, em comparação com apenas 1 em cada 20 na Nigéria. Isso levou ao aumento nos prémios pagos pelas competências e uma maior desigualdade salarial na Nigéria. Em contraste com a experiência da Indonésia, Usui (1997) constatou que a economia Mexicana sofreu com a Doença Holandesa. Embora ambos os países desvalorizaram as suas moedas durante o auge do boom, a fraca gestão macroeconómica do México conduziu à fuga de capitais. O registo de maior sucesso na Indonésia deveu-se em parte à capacidade dos tecnocratas económicos treinados internacionalmente para manter uma posição dominante na formulação de políticas da Indonésia. Em contraste, o México demorou muito tempo para abraçar a ortodoxia económica neoclássica. As receitas derivadas do petróleo responderam por um incrível 84% da receita total do governo em Angola e quase 50% do PIB no final de 1990 e início de 2000 (Kyle 2010)12. Com taxas de câmbio nominais fixas e inflação de mais de 10% ao ano, a moeda de Angola, o valor real do Kwanza apreciou-se de forma constante em relação ao dólar dos E.U.A. entre 1999 e 2008. Kyle observou que isso tornou difícil para os produtores nacionais de alimentos competirem com as importações. “Assim, ao contrário da Nigéria, o problema não é de um sector agrícola saudável que diminui e cai diante da concorrência externa. Em vez disso, a Angola enfrenta a mais difícil tarefa de reactivar um sector agrícola que já está num impasse em face dos incentivos adversos”. (2010, 18) 11A importação ilegal de alimentos, no entanto, era comum até os meados da década de 1980. No início da década de 1980, um dos co-autores trabalhou no norte dos Camarões, onde observou pessoalmente o comércio informal transfronteiriço do arroz camaronês para o norte da Nigéria, em troca de bens de consumo. Em meados dos anos 80, o Benim, que estava ofuscado pelo seu vizinho em termos de população, foi um dos maiores importadores mundiais do arroz moído. 12Isto se compara com 59,3% das receitas e 40% do PIB no Kuwait e 58,2% das receitas e 19% do PIB na Venezuela . MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS Pegg (2010) liga as experiências do Botswana a um boom das exportações de diamantes, que começou na década de 1980, e às opiniões conflituantes da literatura sobre se tal terá conduzido ou não à doença holandesa. Pegg observa a realocação da mão-de-obra qualificada do sector industria para o sector extractivo, sendo substituída nas indústrias de origem pelos menos qualificados, os trabalhadores agrícolas anteriormente desempregados. No entanto, dado o pequeno efeito directo de emprego das minas, o efeito global de movimento de recursos foi “mínimo”. Quanto à evicção dos sectores não extractivos, Pegg apresenta explicações estruturais (em vez da doença holandesa) para as baixas taxas de crescimento da agricultura e manufactura. Argumenta que a agricultura em Botswana é limitada por graves restrições de oferta de terra arável e clima. Fora da criação de gado, os formuladores de políticas agrícolas do Botswana têm poucas alternativas de investimento. O sector industrial do Botswana é prejudicado pelo seu pequeno tamanho do mercado, a sua proximidade com a vizinha potência industrial, a África do Sul, e os seus custos não competitivos dos serviços públicos. Hailu et al. (2011) também apontam que a moeda do Botswana, o Pula, foi desvalorizada de forma regular durante mais de 25 anos para manter a valorização real da moeda ao mínimo. Mais recentemente, o Governo do Botswana e a empresa De Beers Mining Company promoveram uma estratégia de “beneficência” para desenvolver trabalhos de processamento de diamantes de valor agregado em Botswana. Grynberg (2013) argumenta que a De Beers, confrontada com uma perda de estatura como líder global preeminente do cartel do diamante, mudou-se para uma estratégia de “Supplier of Choice” que adoptou o apoio ao processamento de matérias-primas de valor agregado – por exemplo, triagem, corte e polimento – em Botsuana, em vez de na Europa a fim de manter relações económicas de cooperação com um dos principais fornecedores de matéria-prima. Cerca de 3.000 novos empregos foram criados por este projecto de ligações a jusante13. DRAFT O boom do petróleo da Noruega exemplifica a gestão bem-sucedida das pressões da doença holandesa (Larsen, 2004). A realocação da mão-de-obra no sector de extracção foi modesta. Um sistema centralizado de formação salarial, ou seja, um processo tripartido de fixação dos salários a nível nacional que condicionou os aumentos salariais ao aumento da produtividade, permitiu que os fazedores de políticas limitassem as pressões salariais gerais. Os volumes de exportações de petróleo estabilizaram-se cedo e as receitas geradas foram investidas num Fundo Petrolífero estrangeiro para proteger a economia das pressões excessivas para gastar e proteger-se da valorização da moeda. 13O negócio de exportação de diamantes do Botswana sofreu tremendamente com a recessão global de 2008-09, por isso, este número certamente caiu. Os dados sobre o emprego total associado ao sector de mineração de diamantes de capital intensivo são difíceis de identificar. Grynberg compara o registo de empregos de corte e polimento de diamante no Botswana com o da Índia, onde cerca de 800 mil trabalhadores estão empregados numa indústria de corte e polimento de diamante baseada inteiramente nos diamantes brutos importados. 9 Tabela 2: Comparação do Boom de Recursos & Impactos Boom em Períododo Boom Crescimento do PIB, 1975-2012 (media anual) Noruega México Nigéria Indonésia Angola Botswana Petróleo Petróleo Petróleo Petróleo Petróleo Diamantes Década de 1980 até ao presente Década de 1980 1973 até ao presente Década de 19701980 Década de 1970 até ao presente Década de 1980 2.9% 3.2% 3.5% 5.8% 5.8% 7.3% IMPACTOS SOBRE Taxa de Câmbio Apreciação contida através do estabelecimento do Fundo do Petróleo no estrangeiro. Apreciação controlada por via da desvalorização. Apreciação Apreciação controlada por via da desvalorização. Apreciação da taxa de câmbio real estável vs. Dólar americano. Pula subiu > 20% em relação ao Rand, mas depreciou significativamente face ao dólar americano e ao euro; 10 desvalorização realizada 19772005. Despesa Dívida pública estritamente controlada. Renda proveniente do Fundo usado para apoiar os investimentos contra ciclo. Défice da despesa expandido rapidamente, inclinado para despesas correntes e investimentos no sector do petróleo. Expansão da função pública. Investido nos programas propobre, estratégia de autossuficiência em arroz. Apenas 1.3% do orçamento de operação e 5% de investimento gastos na agricultura; gasto significativo na infra-estrutura. Forte aumento nos gastos públicos. Mercado de Trabalho Controlos sobre a negociação colectiva mantiveram os aumentos salariais ao mínimo Salários mais altos dos empregos no sector público desviaram a mãode-obra para fora da agricultura Aumento mais moderado no serviço público (5.5%) consistente, 14mas resistência na desvalorização para preservar as rendas Rápidos aumentos salariais no sector público, que conduziu ao aumento nas “bichas” pois os participantes da força de trabalho aguardavam empregos na função pública.15 14 Os autores também estimam que ao longo do período de 1970-1981 a taxa de câmbio real valorizou-se em cerca de 120 por cento (Bevan, Collier e Gunning 1999, 52). 15 Mais de 40% dos trabalhadores formalmente empregados no Botswana foram empregados em meados dos anos 2000 no sector público com salários médios superiores aos equivalentes do sector privado por mais de 40%, agravados pelos baixos níveis de produtividade da mão-de-obra (Pegg 2010, 17, citando o FMI 2007). MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 11 Agricultura, Comercializáveis Noruega México Os investimentos anti cíclicos para manter uma base diversificada de manufactura e exportação; investimentos na educação, pesquisa, &desenvolviment o para desenvolver capital humano for a da indústria extractiva. Procura do Acordo Norte Americano de Comércio Livre, cuja negociação iniciou em 1990, visava abrir novos mercados para produtos agrícolas e industriais de exportação do México. Nigéria Agricultura para exportação colapsou; agricultura de substituição da importação enfraquecida por importações baratas. Indonésia Angola Botswana O Governo investiu para aumentar a produtividade; o crescimento permaneceu equilibrado em todos os sectores. Crescimento do sector agrícola nulo, embora seja a ocupação primária de> 2/3 da população. Pula forte levou ao aumento das importações de alimentos da África do Sul. Para resumir, os booms de recursos naturais de facto conduziram para a valorização da moeda, efeitos de gastos correntes e de investimento, e efeitos (mais limitados) de realocação de recursos (Tabela 2). Na Nigéria, a agricultura de exportação colapsou, enquanto o sector agrícola de Angola estagnou. Em contraste, a abordagem proactiva da Indonésia para os investimentos para aumentar a produtividade agrícola ajudaram o sector a resistir aos piores efeitos da valorização da moeda, enquanto os esforços da Noruega para promover o desenvolvimento do capital humano desenvolveram habilidades e competitividade fora do sector petrolífero. Os movimentos de mãode-obra para os sectores extractivos e público foram observados na Nigéria e Botswana, em parte estimulados pelo aumento das despesas públicas para balança salarial mais elevada do sector público. Observou-se no Botswana uma escassez de habilidades e efeitos do limitado emprego directo das indústrias extractivas. Os casos de Angola e Botswana lembram-se de que outras explicações estruturais além de doença holandesa, ajudam a explicar o motivo pelo qual o crescimento económico fora da indústria extractiva estagna-se. DRAFT MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 13 2. Mercados de Trabalho em Moçambique: Modelo Conceptual Esta secção apresenta um modelo conceptual para reflexão sobre as questões laborais em Moçambique. Para entender completamente as suas características multidimensionais requer uma compreensão do que tem sido chamado de “o sector do trabalho”, um conceito mais amplo do que apenas mercados de trabalho (Salinger e Wheeler 2010a). Uma abordagem multidimensional para a compreensão das questões do mercado de trabalho permite a consideração dos direitos dos trabalhadores, leis e regulamentos laborais, as instituições formais do governo destinadas a fazer cumprir as leis e regulamentos, as organizações da sociedade civil que podem representar ou defender em prol dos trabalhadores ou empregadores, as forças de procura e oferta no mercado e os níveis de emprego e salários para os quais elas conduzem, e programas de educação e formação profissional e seus impactos sobre as qualificações e a empregabilidade dos participantes do mercado de trabalho. A teoria da Doença Holandesa sugere que a mão-de-obra vai “fluir” dos sectores cujos preços relativos caem no âmbito da valorização da moeda para os sectores cujos preços relativos sobem. Para antecipar se, e em caso afirmativo, em que medida essas realocações serão observadas em Moçambique, é importante compreender o que impulsiona o emprego, os salários, e a migração da mão-de-obra em Moçambique hoje e quão são “flexíveis” são os mercados de trabalho em termos de movimentos da mão-de-obra das zonas rurais para as zonas urbanas, do sul para o norte, fora de e para Moçambique, e entre os sectores. Conforme classicamente definido, um mercado de trabalho é influenciado por mudanças na demanda e possíveis mudanças na oferta conforme os trabalhadores reagem a novos salários relativos. Um diagrama simples de um mercado de trabalho mostra as curvas de oferta e demanda tradicionais (Figura 4). O ponto da sua intersecção marca o preço deste factor de produção, ou seja, o salário vigente no mercado. Quando a demanda de mão-de-obra aumenta – por exemplo, devido a uma expansão do sector de recursos naturais, que requer trabalhadores adicionais numa grande variedade de habilidades, por exemplo – o salário de equilíbrio passará do Salário0 para Salário1, conforme mostrado abaixo. Figura 4: Diagrama Simplista do Equilíbrio Parcial do Mercado de Trabalho T0 e T1 Time T0 Time T1 Este modelo muito simplista requer sobreposições de cada vez mais detalhes, a fim de configurá-lo adequadamente para as condições do mercado de trabalho em Moçambique em 2014 e as condições prevista para 2024. É importante matizar a análise de inúmeras formas. Em primeiro lugar, essas mudanças não serão sentidas no agregado em todo o mercado de trabalho. Isto requer a desagregação do mercado de trabalho em componentes relevantes (qualificados/não qualificados, rurais/urbanos, formais/informais, etc.). Em segundo lugar, os caminhos de transição de ajuste pelos segmentos do mercado de trabalho para os novos incentivos relativos provavelmente não são suaves mas de contrário envolvem custos que afectam os resultados. Em terceiro lugar, as mudanças do mercado de trabalho não ocorrem num vácuo, mas são susceptíveis de ser influenciados por políticas postas em prática pelo governo para moldar os resultados do mercado de trabalho. Cada um desses factores é discutido por sua vez abaixo. As camadas relevantes da desagregação do mercado de trabalho num país em desenvolvimento típico incluem: Os mercados de trabalho são segmentados, marcados pela coexistência de mercados rurais e urbanos de trabalho, mercados de trabalho formais e informais, desemprego e subemprego e mercados de trabalho nacionais e regionais. Os requisitos e habilidade ocupacionais dos empregadores, que diferem por sector ou indústria, diferenciam a procura da mão-de-obra, levando a uma maior segmentação do mercado de trabalho. Diferenças salariais acentuadas são geralmente observadas para os cargos altamente qualificados e qualificados médios. A oferta da mão-de-obra é diferenciada por idade/experiência, bem como diferentes níveis de educação e formação (que pode ou não pode corresponder a diferentes níveis de habilidades mensuráveis)16. 16 É possível obter um certificado de conclusão de um curso sem ter aprendido a ler, por exemplo. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 15 Em situações de escassez de habilidades para o trabalho, os prémios salariais são tipicamente inflacionados por parte dos empregadores, os trabalhadores altamente qualificados podem ser “caçados” por um empregador a partir de outro, a mão-de-obra pode migrar em resposta à percepção de prémios salariais e/ou a mão-de-obra pode atravessar fronteiras (ou ser trazida pelos empregadores) para preencher as lacunas de habilidades. A participação no mercado de trabalho também pode ser diferenciada por género. Por exemplo, homens e mulheres podem desempenhar ou deixar de desempenhar certas profissões, ou podem responder de forma diferente a incentivos salariais relativos para passarem do campo para a cidade, do sul para o norte, ou através das fronteiras dentro de uma região, dependendo das responsabilidades domésticas ou laborais que podem ser moldadas por papéis de género específicos da cultura. As profissões dos sectores comercializáveis podem estar mais ou menos focadas num sexo ou noutro, com implicações sexistas se a doença holandesa tomar conta (Frederiksen, 2006). Como gestantes e criadoras de crianças, carecem de acesso a informações e ferramentas para o controlo da fertilidade e para o adequado cuidado das criança para as novas gerações, pode limitar ainda mais a capacidade das mulheres de se envolver totalmente no mercado de trabalho fora de casa. Os contratos de trabalho podem envolver uma variedade de arranjos institucionais, que afectam o acesso à terra, trabalho, lazer, redes sociais, etc. Uma família pode enviar seus membros para participarem em diferentes mercados de trabalho, que simultaneamente ou de forma escalonada em diferentes momentos ao longo do ano17. Por exemplo, os membros das famílias rurais, cuja principal ocupação é a agricultura, podem vender ou trocar a sua mão-de-obra com outros agricultores, trabalhar em períodos baixos para produzir bens ou serviços para venda em mercados rurais ou urbanas, operar negócios não agrícolas, além do seu trabalho na lavoura, migrar para as cidades ou para fora do seu país de origem por parte ou todo o ano para trabalhar e trazer uma parcela dos salários para casa, e assim por diante. As pressões de segurança alimentar para cultivar culturas alimentares e gado pode resultar na variação sazonal da oferta da mão-de-obra para trabalho não agrícola. DRAFT Os membros das famílias também tomam decisões de investimento no ensino privado, trocando ganhos hoje para investimento na educação/formação hoje e ganhos esperados amanhã. Por outro lado, a falta de informação sobre as oportunidades de geração de renda com o aumento da educação pode levar os membros das famílias a tomarem decisões ineficientes sobre o tempo gasto em programas escolares ou de formação18. 17O conceito dos portfólios dos empregos domiciliares é desenvolvido com mais detalhe em Jones and Tarp (2012). 18 Uma experiência sobre o impacto da informação sobre os ganhos salariais dos graduados realizada na República Dominicana concluiu que os rapazes de meia-idade escolar subestimam significativamente os retornos do ensino secundário, enquanto o fornecimento de informação sobre os salários médios para os homens com diferentes níveis de educação (escola primária, escola secundária, universidade) conduziu a um pequeno mas significante aumento na sua assiduidade escolar ao longo dos últimos quatro anos na maioria dos agregados familiares mas não do mais pobres. A distribuição espacial dos recursos, tais como terras aráveis, chuva ou o acesso à água para irrigação, recursos minerais e as concentrações urbanas também afectam a distribuição geográfica das oportunidades de emprego. Outro aspecto da estrutura da força de trabalho está ligado à composição estrutural de uma economia. Um dos princípios mais básicos do desenvolvimento económico é a noção de que os países crescem, as suas economias “transformam-se estruturalmente”, isto é, tornam-se mais diversificadas. Num país muito pobre tradicional, uma grande parte da renda nacional (produto interno bruto, ou PIB) e a sua força de trabalho irão normalmente concentra-se no sector primário, ou seja, a agricultura, a pesca e a silvicultura. Com o crescimento económico, os sectores da indústria e serviços tendem a tornar-se contribuintes relativamente mais importantes em relação para o PIB, bem como o emprego, e a participação de retiros de agricultura19. O seguimento dos dados para quantificar os contornos destas observações em Moçambique ajudanos a subdividir as curvas de procura e oferta agregada da mão-de-obra em curvas mais relevantes e desagregadas. Isto é importante porque a capacidade de resposta da oferta ou da demanda às alterações salariais, ou seja, as elasticidades dos preços da procura e da oferta, são provavelmente diferentes para diferentes segmentos do mercado de trabalho. Conforme mostrado no lado esquerdo da Figura 5, a oferta de mão-de-obra de baixa qualificação pode ser quase infinita no fornecimento; neste segmento do mercado de trabalho, o aumento da procura não muda o salário vigente. No lado direito, vemos a curva da oferta quase vertical para a mão-de-obra qualificada, praticamente fixa na oferta, pelo menos no curto prazo; Neste segmento, a mesma mudança na procura leva a pressão ascendente significativa nos salários. Alternativamente, se se puder aumentar a oferta de mão-de-obra qualificada através da “importação” de trabalhadores qualificados do exterior, o prémio salarial para as habilidades pode não subir tão drasticamente, conforme se vê no lado direito da Figura 6. Consulte Jensen (2010), resumido por Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab at Massachusetts Institute of Technology; see http://www.povertyactionlab.org/evaluation/impact-information-returns-education-demand-schooling-dominicanrepublic. 19A referência clássica aqui é Kuznets (1971). MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 17 Figura 5: Diagramas do Equilíbrio Parcial Segmentado do Mercado de Trabalho Figura 6: Diagrama da Mão-de-Obra Qualificada sob Condições Fixas ou Flexíveis de Oferta Estrangeira DRAFT A possibilidade de substituição da mão-de-obra entre segmentos também pode ser extremamente limitada. Por exemplo, os empregadores podem exigir qualificações académicas como uma qualificação mínima para consideração. O mais provável, buscam candidatos com habilidades específicas para certas profissões. Os trabalhadores do sector de turismo podem ser obrigados a falar mais de uma língua fluentemente. Os trabalhadores da construção civil podem ser obrigados a possuir habilidades em áreas profissionais específicas, ou obrigados a saberem matemática ou ter conhecimentos de segurança/protecção. Os mineiros podem ser obrigados a estar certificados para operações seguras ou manutenção de máquinas específicas. De forma mais ampla, os empregadores muitas vezes procuram “habilidades suaves”, definidos diversamente por diferentes fontes, mas incluindo geralmente uma combinação de confiabilidade no trabalho, habilidades de comunicação e de escuta, pensamento crítico e capacidades de resolução de problemas e capacidade de trabalhar em equipe. A demonstração destas habilidades suaves é exigida em todos os níveis profissionais, mesmo para as posições básicas com baixas qualificações (por exemplo, “ajudante de construção”, guardas, jardineiros, empregados domésticos). Além das nuances de uma análise das forças de procura e oferta no mercado de trabalho segundo referido acima, é importante considerar o que é preciso para a oferta e a procura se cruzarem”, isto é, os fluxos de informação necessários para a eficiente correspondência no mercado de trabalho. A literatura mundial está repleta de diagnósticos de “inadequações de habilidades”, em países desenvolvidos e em desenvolvimento20. Os empregadores em toda a parte falam de empregos que permanecem não preenchidas porque não se consegue identificar os candidatos certos. Esta é uma lacuna clássica de informação do mercado de trabalho. Parte da resposta para resolver a lacuna pode ser uma coordenação mais estreita entre empresas e o governo, para que as suas necessidades de emprego esperadas possam ser previstas e os programas de formação realizado com tempo suficiente. Outra parte da resposta pode envolver o fornecimento de informações detalhadas aos jovens e suas famílias, pois estes decidem quanto tempo a permanecer na escola em relação a sair mais cedo para ajudar no sustento da família, e quais as habilidades ou carreiras a seguir21. Mais também poderia ser feito para anunciar as vagas disponíveis (requisitos, condições de trabalho, tabelas salariais, etc.) nos letreiros electrónicos, nos jornais, na rádio, via alertas de celulares, etc. Os custos de ajustamento do mercado de trabalho também são importantes de considerar. A capacidade de responder ao aumento dos salários numa província distante pode exigir custos que criam barreiras à entrada de novas oportunidades no mercado de trabalho. Os custos de deslocamento – custos de transporte, custos de oportunidade, custos de alojamento temporário, custos de procura de um novo emprego, habitação, escolas, a falta de redes sociais locais para ajudar a mitigar alguns destes custos, etc. – podem ser suficientemente altos para impedir o ajuste ideal do mercado de trabalho. Na perspectiva dos empregadores, os custos associados com o deslocamento dos trabalhadores – fornecimento de habitação, cantinas e outros serviços para os trabalhadores de longe – também podem ser caros. As respostas também podem ser condicionadas por factores institucionais. Os mercados de trabalho, tal como os mercados de outros factores, bens e serviços, também são influenciados por leis e políticas governamentais. Os governos podem optar, por meio de leis laborais, regras da zona 20 Exemplos incluem o Banco Mundial (2012a) e Dobbsetal. (2012). 21 Num estudo realizado na República Dominicana (RD), sob os auspícios do Abdul LatifJameelPovertyActionLab no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, num cenário de altas taxas de abandono do ensino secundário, Jensen (2010) descobriu que os meninos da oitava classe (o último ano da escolaridade obrigatória na RD) têm informações extremamente limitadas sobre os retornos ao ensino secundário. Os estudantes de um subconjunto aleatório de escolas de ensino médio, que foram fornecidos dados sobre os potenciais ganho, completaram, em média, 0,2 mais anos de escolaridade ao longo dos próximos quatro anos. O efeito das informações foi mais elevado nos alunos menos pobres, ao passo que entre os mais pobres, o aumento da informação não teve nenhum efeito perceptível na escolaridade. Jensen escreve: “Os efeitos do tratamento [isto é, a difusão da informação salarial] na educação são grandes e marcantes; existem poucos exemplos de políticas ou intervenções que resultam num aumento de 0,20 a 0,35 anos de escolaridade, muito menos intervenções que são potencialmente tão baratas como esta”. (Jensen 2010, 544) A pesquisa é interessante aqui, porque sugere que a transmissão de informações pode incentivar os jovens e as suas famílias a colocarem um valor mais elevado na educação, apesar dos actuais ganhos diferidos que isso implica. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 19 industrial, ou outras medidas legais e administrativas, em regular os salários, números de emprego, condições de contratação e demissão, a associação dos funcionários e a representação no local de trabalho, condições de trabalho, disputas no local de trabalho, benefícios associados ao emprego e outros factores relacionados ao trabalho. Estes podem ter um impacto sobre os custos da mão-deobra e nos retorna ao trabalho e, assim, nas curvas de oferta e procura. Os governos também podem oferecer incentivos para encorajar os resultados do mercado de trabalho, tais como programas de formação, subsídios aos custo de formação, habitação e outros programas de desenvolvimento de infra-estrutura urbana, etc. É importante entender o que o quadro jurídico do sector de trabalho inclui, quais elementos desse quadro são efectivamente aplicados e quais não são (e por que não), e que elementos desse quadro podem ser problemáticos em termos de conflitos no local de trabalho. As políticas governamentais são emitidas pelo Legislativo, e são aplicadas pelo Poder Executivo, ou administração. Este pode incluir os Ministérios do Trabalho, escritórios públicos de emprego, inspecções do trabalho, órgãos judiciários especializados, conselhos de arbitragem ou outras agências de resolução de conflitos para resolver disputas no local de trabalho, e as comissões tripartidas que supervisionam as relações de trabalho. As organizações não-governamentais também podem desempenhar papéis no sector de trabalho, que seja em apoio dos direitos dos trabalhadores ou grupos de trabalho específicos (como mulheres) ou na defesa de certas dimensões de apoio no local de trabalho (como creches). As respostas do mercado de trabalho também podem ser condicionadas por actores institucionais. Os mercados de trabalho comportam-se de uma forma quando os actores em questão são os indivíduos que buscam maximizar a sua utilidade, contratando ou apresentando-se para contratação de acordo com as preferências pessoais, a nível da empresa, ou domésticas. No entanto, em algumas indústrias, em alguns países, os trabalhadores podem estar organizados em grupos, ou seja, sindicatos, para garantir que os interesses colectivos sejam defendidos. As negociação de acordos colectivos de trabalho entre os chamados actores “tripartidos” – ou seja, governo, empregadores e trabalhadores – podem introduzir uma dinâmica diferente nas relação do mercado de trabalho. DRAFT MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 21 3. Mercados de Trabalho em Moçambique: Panorama Quantitativo Esta secção fornece informações sobre os mercados de trabalho de Moçambique que são derivados de fontes secundárias de dados e entrevistas de avaliação da mão-de-obra. Os inquéritos domiciliares, empresariais, de trabalho e agrícolas em Moçambique oferecem uma variedade de fontes de dados22. A equipe de avaliação do trabalho contou com a análise secundária chave e relatos de pesquisadores e agências locais e internacionais23. DEMOGRAFIA, EMPREGO, E MOBILIDADE DA MÃO-DE-OBRA Figure 1: Moçambique, Resultados Demográficos por Idade, 2012 De acordo com as estatísticas nacionais, Moçambique em 2012 era um país de 23,7 milhões de habitantes, das quais metade entre as idades de 15 e 59 anos (Figura 7). As crianças com idades entre 0-14 anos compõem 45% de toda a população, os de 15-24 anos de idade (jovens) são em 20%, e aqueles com mais de 60 anos são quase 5% da população total. Isso deixa 7,3 milhões ou 30,6% do total da população, na força de trabalho adulta, com idades entre 25 e 59 anos. Destes, pouco mais de 1 milhão foram registados no sistema Fonte: INE nacional de segurança social em 2012, ou seja, estão formalmente empregados, dos quais pouco menos de 350 mil foram considerados “activos”. Em 2,5% ao ano, média de 2010-2012, a população ainda está a crescer muito rapidamente, apesar de que a taxa caiu dos picos de mais de 3% do início a meados da década de 1990, na sequência da guerra civil. Estima-se que 300 mil novos participantes no mercado de trabalho entrar na força de trabalho a cada ano (BAD e OCDE 2012). De acordo com o Ministério do Trabalho (2012), pouco mais de 280 mil empregos foram criados em 2012, incluindo postos de trabalho no sector público, sector privado, o auto- 22 Os mais relevantes são osInquéritos Agregados Familiares (IAF), 1996/7, 2002/3; Inquérito ao Sector Informal (INFOR), 2004; Inquérito Integrado à Força de Trabalho (IFTRAB), 2004/5; Inquérito aos Orçamentos Familiares (IOF), 2008/9; Inquérito as Indústrias Manufactureiras (IIM), 2012; Inquérito Contínuo aos Agregados Familiares (INCAF), 2012 (apenas 2 quartos concluídos); e Trabalho de Inquérito Agrícola (TIA), realizado em 1996, 2002, 2003, 2005, 2006, 2007, e 2008, depois revisto como Inquérito Agrícola Integrado (IAI), 2012. 23A nossa pesquisa bibliográfica identificou Ibraimo (2014); Ali (2013); Ennis (2013); Fox e Sohnesen (2013); Jones e Tarp (2012); Schindler e Giesbert (2010); Cramer, Oya, e Sender (2008a); Warren -Rodriguez (2008); De Vletter (2007); Francisco e Paolo (2006); Massingarela, Nhate e Oya (2005), bem como MPD/DNEAP (2010) e os relatórios sobre a INFOR (2006), MII (2013), e INCAF (2013). emprego, contratação de estrangeiros, e os trabalhos de mineração na África do Sul24. Estes números, se comparados, sugerem que a criação de emprego em Moçambique não está acompanhando o crescimento da população em idade de trabalho. Cerca de 70% da força de trabalho está empregada25, conforme desagregadas na Tabela 3. As taxas de emprego são substancialmente mais elevadas na zona rural, em comparação com as áreas urbanas. Discriminadas por nível de ensino, elas são as mais baixas para aqueles que tenha “apenas” concluído ensino secundário, uma estatística bastante estranha, já que representa um investimento substancial da educação em Moçambique26. Tabela 3: Taxas de Emprego em Moçambique por Sexo (%) Total Homens Mulheres Total 67.4 70.3 69.0 48.5 43.5 45.9 78.0 83.3 81.0 POR RESIDÊNCIA Urbanos Rurais POR EDUCAÇÃO Nenhum 75.9 80.1 78.9 Primária, até 5ªclasse 77.2 78.5 77.9 Primária 6ªh -7ª 61.2 54.2 58.3 Secondária 50.1 34.4 43.6 Superior 60.8 58.0 59.9 Não sabe 65.6 77.6 70.1 Fonte: INE (2013b) E, conforme ocorre em todo o mundo, as taxas são também mais baixas para os jovens (15-24 anos), em comparação com as dos adultos, com idades entre 25 e 64. Talvez a característica mais marcante da força de trabalho em Moçambique é a alta proporção de trabalhadores – 80% - que consideram a agricultura como a sua principal ocupação (Tabela 4 e Tabela 5)27. Junto com os números do PIB sectoriais 24Não está claro quão confiável estes dados são, e até certo ponto levantam mais perguntas do que respostas, especialmente para o autoemprego. Os dados apresentados no boletim de estatísticas de trabalho do Ministério do Trabalho (MITRAB) não são internamente consistentes e não fornecem nenhuma base sobre a metodologia de recolha, mas representam os melhores dados oficiais disponíveis. Isso destaca a necessidade de um forte sistema de recolha de dados do mercado de trabalho para sustentar a política. 25O INE de Moçambique usa o termo “empregado” para referir-se à soma a) daqueles que são trabalhadores assalariados, b) aqueles que trabalham em casa, mas não são remunerados, e c) aqueles que trabalham por conta própria. 26Esta é uma constatação estranha, pois certamente um graduado do ensino secundário em Moçambique tem habilidades comercializáveis. Poderia implicar uma espécie de “armadilha de expectativas de emprego”, em que a conclusão do ensino secundário aumenta a expectativa do graduado de que que ele ou ela deve ser capaz de conseguir um emprego formal, no entanto, o nível de educação, na verdade, não fornece formação suficiente para se qualificar para um emprego no sector formal, o que provavelmente requer alguma educação pós-secundária. Ainda assim, dito isso, o aluno do ensino médio pode-se sentir super qualificadas para e, portanto, rejeitar, o emprego na agricultura. 27O sector da agricultura em Moçambique inclui tanto a agricultura de subsistência (por exemplo, milho, arroz, outros grãos, amendoim e feijão, mandioca, batata-doce, outros legumes, gado), o cultivo de culturas tradicionais de exportação, tanto em plantações organizadas ou como produtores integrados (por exemplo, o tabaco, açúcar, algodão, banana e outras frutas, castanha de caju), e as culturas de rendimento não tradicionais (por exemplo, agro-silvicultura, biocombustíveis, soja, avicultura). Veja o MPD/DNEAP (2010), a USAID (2011) e o Monitor Group (2012). A produção de biocombustíveis refere-se a cana de açúcar, sorgo doce e jatropha; ver Arndt et al. (2008). MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 23 desagregados na Tabela 1, este número confirma ainda mais o facto de a transformação dinâmica da economia de Moçambique ainda não ter ocorrido. Esta é uma parte extremamente elevada da economia que ainda não transitou do sector primário de produção para os sectores da indústria ou serviços28. Tabela 4: Distribuição de Trabalhadores por Sector (%) 96/97 02/03 04/05 08/09 85.2 79.9 80.7 80.6 -4.6 Comércio 4.0 7.3 7.8 7.9 4.0 Outros serviços 2.7 2.8 2.9 2.9 0.2 Manufactura 2.7 3.6 2.8 2.7 0.0 Construção 1.4 1.6 1.4 1.7 0.3 Educação 0.8 1.6 1.6 1.7 0.9 Governo 1.2 1.2 1.2 1.1 -0.2 Transportes 1.1 1.1 0.8 0.8 -0.2 Saúde 0.5 0.5 0.5 0.4 -0.1 Mineração 0.5 0.5 0.2 0.2 -0.3 Agricultura Change, 96/7-08/9 Fonte: Jones and Tarp (2012), p. 26 Tabela 5: Distribuição do Emprego por Ocupação Principal (%) Total Urban Total H M Gestor 0.3 0.6 0.1 Técnico (Universidade) 1.7 2.4 Técnico (Não-Universidade) 1.2 Administração 0.5 Trabalhador não agrícola Rural Total H M Total H M 0.9 1.4 0.3 0.1 0.3 0.0 1.1 5.1 6.0 4.2 0.7 1.2 0.4 1.6 0.8 4.3 5.2 3.4 0.3 0.4 0.1 0.8 0.3 1.8 2.4 1.1 0.1 0.2 0.0 4.3 9.0 0.5 13.5 24.5 2.3 1.6 3.7 0.0 ArtesãoIndependente 0.1 0.3 0.0 0.2 0.2 0.2 0.1 0.3 0.0 Trabalhador de pequena empresa 5.9 6.5 5.4 18.8 14.5 23.2 2.1 3.7 0.8 Trabalhador de serviços 2.3 4.2 0.7 8.1 13.0 3.0 0.5 1.2 0.1 Empregado doméstico 0.9 0.4 1.3 3.6 1.2 6.0 0.1 0.1 0.1 77.3 65.4 87.0 36.229 20.9 51.8 89.4 80.8 95.9 Trabalhadores agrícolas 4.2 6.5 2.3 3.1 4.4 1.8 4.5 7.3 2.4 Outro 1.4 2.3 0.6 4.3 6.1 2.5 0.5 1.0 0.2 Camponês DRAFT Nota: H = Homens, M = Mulheres Fonte: INE (2013b) 28Para os países que reportam dados ao Banco Mundial sobre os últimos cinco anos, a posição de Moçambique facilmente eclipsa a 65% do primeiro da lista, Uganda. 29Bastante elevado em relação ao que se poderia esperar em áreas “urbanas”. A definição deve ser bastante ampla, incluindo o que seria normalmente considerado áreas “peri” urbanas. A importância da agricultura, mesmo nas áreas urbanas e, especialmente, para as mulheres, é digna de nota. O trabalho assalariado é particularmente importante para os homens urbanos (24,5%), ao passo que as mulheres urbanas (com excepção da agricultura) tendem a operar ou trabalhar em pequenas empresas (23,2%). A pesquisa do INCAF também apresenta dados para os trabalhadores com idade de 15 anos ou mais em relação a fontes de renda. A nível nacional, 13% dos moçambicanos recebem um salário, 62% trabalham por conta própria e são compensados , e 25% trabalham em casa sem remuneração (Tabela 6). Quanto maior for o nível de educação recebida, o mais provável é um trabalhador ser remunerado em oposição a trabalhar por conta própria ou trabalhar para a família. Tabela 6: Divisão do Emprego por Fonte de Renda (%) Total Assalariados AutoEmprego Trabalho Familiar sem Remuneração 13.1 61.9 25.0 22.0 58.1 19.9 5.9 65.0 29.1 41.0 50.7 8.3 4.9 65.2 29.9 POR GÉNERO Homens Mulheres POR RESIDÊNCIA Urbanos Rurais POR EDUCAÇÃO Nenhum 3.5 67.4 29.0 Primária, até 5ªclasse 7.0 66.5 26.6 Primária 6ª -7ª 18.0 58.3 23.7 Secondária 49.6 38.2 12.3 Superior 92.8 6.8 0.4 Nãosabe 26.6 63.8 9.7 Source: INE (2013b) Os resultados da pesquisa rural devem ser interpretados com cautela (Cramer, Oya, e Sender 2008). Ali (2013) observa que a resposta directa à pergunta sobre as ocupações domésticas primárias na “agricultura” não capta a rica diversidade de actividades não agrícolas, nas quais os membros do agregado familiar também se envolvem. Os membros das famílias rurais estão frequentemente activamente envolvidos numa multiplicidade de actividades para ganhar renda. Os salários no mercado de trabalho rural na economia informal são pagos numa variedade de formas, normalmente não numa base mensal regular, mais geralmente por tarefa concluída ou numa base diária, enquanto os trabalhadores agrícolas empregados em fazendas estrangeiras ou estatais são geralmente pagos salários mensais (Cramer, Oya, e remetente de 2008), mas também podem ser recrutados por tarefas ou trabalhos sazonais (O'Laughlin e Ibraima 2013). O IFTRAB 2004/5 sugeriu que, a nível nacional, 62% da população rural trabalha por conta própria, 25% trabalha na família sem remuneração, e 13% têm um emprego remunerado. A nível regional, a maior parte da população rural economicamente activa é assalariada no Sul (27%) do que no Centro (10%) ou no Norte (8%). MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 25 Os inquéritos agrícolas nacionais (TIA) fornecem algumas sugestões sobre o uso do trabalho assalariado nas áreas rurais. O TIA02 revelou que cerca de 40% dos empregadores de grandes famílias, contratam mão-de-obra temporária. As pequenas e médias empresas também contratam mão-de-obra temporária e permanente. A mais recente pesquisa agrícola integrada (IAI2012) questionava sobre o trabalho assalariado com um recall de doze meses, pedindo as famílias para detalharem o tipo de trabalho, empregadores, produtos ou serviços vendidos e a renda adquirida do emprego não agrícola, bem como os valores recebidos, enviados pelos membros da família. Este facto é destacado na Tabela 7, que confirma um forte aumento na percentagem de famílias que indicam ter mais de uma fonte distinta de renda entre 1996 /97 e 2008/09. Sender, Oya, e Cramer (2006) apresentam uma série de histórias de vida para dissipar a impressão de que as mulheres em Moçambique não participam no mercado de trabalho rural. Para muitas mulheres, o acesso ao trabalho remunerado (trabalho de “ganho-ganho”) é na verdade um complemento fundamental para a subsistência que ganham da machamba. Tabela 7: Agregados Familiares por número de fontes distintas de renda (%) Rural Urban Mudança nos Pontos, 96/708/9 96/97 02/03 08/09 Nenhum 49 15 20 -29 Um 32 51 36 4 Mais de um 19 34 43 24 Nenhum 30 13 14 -16 Um 53 58 42 -11 Mais de um 17 30 44 27 DRAFT Source: Jones and Tarp (2012), p. 34 Assumindo que os homens e as mulheres podem se deslocar, quer de um distrito para outro dentro de uma província, entre províncias ou mesmo através de fronteiras, se for necessário, constitui uma importante dimensão da rede de segurança para os moçambicanos (Massingarela, Nhate e Oya 2005). No entanto, a capacidade de envolver-se em múltiplos fluxos de subsistência pode realmente depender da riqueza, favorecendo aqueles com maiores recursos. Os dados do TIA05 destacam a disparidade entre os 20% das famílias mais ricas, que dependem da renda não agrícola para 50% do seu rendimento total, em contraste com os quatro quintos mais baixos de renda, que dependiam da renda agrícola para dois-terços a quatro-quintos de sua receita total (Tabela 8). A migração laboral de Moçambique tem sido uma dimensão importante dos ganhos totais de renda, especialmente para as famílias no Sul (De Vletter 2007). A migração para a África do Sul, especialmente para trabalhar no sector das minas, em particular, tem historicamente compensado a muito mais fraca produção agrícolas das famílias moçambicanas rurais do sul em comparação com o centro e norte30. Mather (2000) relataram que o cultivo da horticultura na vizinha África do Sul, especialmente na província de Mpumalanga, a oeste de Maputo, também contrata mão-de-obra agrícola de Moçambique 30 O Inquérito de Migração e Envio de Dinheiro do Projecto da África Austral sobre Migração de 2004, sugeriu que ao mesmo tempo, um terço dos migrantes externos de Moçambique deixou de trabalhar nas minas. durante os períodos de pico, embora esse tipo de trabalho é muito menos remunerado. Os fluxos de envio de dinheiro, de acordo com De Vletter, conduziram a muito mais elevados rendimentos médios e riqueza no sul. Os investimentos na habitação, carrinhas de caixa aberta, bombas de irrigação, e (cada vez mais) actividades comerciais informais para os membros das famílias que permanecem em Moçambique são investimentos comuns feitos a partir das rendas de envio de dinheiro. Moçambique recebe também trabalhadores imigrantes da vizinha África do Sul, Zimbabwe e Malawi. Tabela 8: Quota da Renda Familia6r Rural por Quintil de Renda, 2005 Subtotal Envio de Dinheiro/ Pensão SME-Outro Alto PME-Outro Baixo PMEExtractivas Mão-de-obra Não Agrícola Qualificada Mão-de-obra Não Agrícola Não Qualificada Renda Não Agrícola Subtotal Mão-de-obra Agrícola Não Qualificada Vendas de Gado Quintilh a Produção de Culturas Renda Agrícola 1-Baixo 71.8 3.3 5.6 80.7 0.7 0.9 3.3 4.9 2.7 5.5 18.0 2 70.3 2.6 4.5 77.4 2.0 1.3 5.1 5.6 3.4 5.2 22.6 3-Médio 65.8 2.9 3.4 72.1 3.4 3.2 5.6 6.3 5.0 4.5 28.0 4 61.2 2.1 3.5 66.8 3.7 7.1 4.7 5.5 7.9 4.5 33.4 5-Alto 46.4 1.3 1.7 49.4 3.0 16.5 5.3 5.4 15.6 5.0 50.8 Nacional 63.1 2.4 3.7 69.2 2.5 5.8 4.8 5.5 6.9 4.9 30.4 Source: Mather et al. (2008) A mobilidade interna da mão-de-obra rural é reafirmada também no estudo de caso fornecido por O'Laughlin e Ibraimo (2013), descrevendo a importância para homens e mulheres do trabalho sazonal por contrato no sector do açúcar, no distrito da Manhiça, a cerca de 80 km ao norte de Maputo. O distrito de Manhiça tem sido historicamente uma importante fonte de mão-de-obra emigrante para Sul-Africano. Enquanto as forças políticas e económicas na África do Sul combinam-se para tornar menos provável o emprego estável para os trabalhadores moçambicanos lá, a expansão do emprego na plantação de açúcar (tanto permanentes como sazonal) no distrito da Manhiça ajudou a compensar a redução das oportunidades de emprego além fronteiras. INVESTIMENTO E O EMPREGO O Centro de Promoção de Investimentos acompanha o número de projectos de investimento aprovados, por sector, os valores esperados desses investimentos, e o número de postos de trabalho que deverão ser gerados por projecto (Tabela 9). Em todos os anos e todos os sectores, a maior parte dos projectos (27,2%) e valor de investimentos (19%) estão no sector da indústria, sendo os serviços em segundo (25,5%). No entanto, a agricultura/agro-indústria lidera a lista com 30,8% dos postos de trabalho previstos. Prevê-se que os projectos de energia sejam de menos mão-de-obra intensiva, por valor total de investimento, conforme visto na coluna da direita. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 27 Tabela 9: Criação de Emprego por Projectos de Investimento, 2010-2013 Número de Projectos Agricultura/Agro-indústria Aquacultura/Pescas Banca/Seguros Emprego (Postos de trabalho previstos) Média de Empregos por Projecto Investimento Total (MT) Investimento por Posto de Trab.(MT/posição) 183 37,263 204 2,290,050,149 61,456 12 1,003 84 18,614,126 18,558 8 1,012 127 273,807,169 270,560 134 16,287 122 1,052,539,063 64,624 4 304 76 2,311,332,287 7,603,067 Indústria 370 22,750 61 2,543,678,756 111,810 Serviços 347 24,794 71 1,578,309,164 63,657 Transportes/Comunicações 118 9,175 78 2,387,681,718 260,238 Turismo/Hotelaria 183 8,493 46 922,946,601 108,671 1,359 121,081 13,378,959,033 110,496 Construção/ObrasPúblicas Energia TOTAL Nota: A indústria de extractivos está provavelmente contida na categoria “ Indústria”. Fonte: Centro de Promoção de Investimentos O CPI também faz o acompanhamento junto aos investidores para registar os empregos e investimentos reais realizados. Para 2010 e 2012, os resultados em termos tanto de valores de investimento como de empregos criados ficam muito aquém das expectativas iniciais (Tabela 10). DRAFT Tabela 10: Valores de Investimento Realizado como Quota do Planificado (%) 2010 2011 2012 Agricultura/Agro-indústria 8.6 3.3 7.1 Aquacultura/Pescas 0.0 14.9 100.0 Banca/Seguros 71.7 14.4 33.1 Construção/Obras Públicas 39.1 5.7 81.3 Energia 0.0 14.4 5.0 Indústria 28.7 13.9 24.6 Serviços 51.7 13.4 17.7 5.6 50.5 3.8 Turismo/Hotelaria 19.0 13.8 9.8 TOTAL Valor Investimento 11.3 15.9 14.0 16.6 11.6 25.5 Transportes/Comunicações TOTAL Postos de Trab. Note: The full year’s record of realized for 2013 is not yet complete. Fonte: Centro de Promoção de Investimentos INSTITUIÇÕES LABORAIS O sector laboral Moçambique é supervisionado pelo Ministério do Trabalho (MITRAB). Entre as suas várias funções, o MITRAB aplica a legislação laboral nacional, coordena com o Sistema Nacional de Segurança Social para obter informações sobre o emprego no sector formal, participa nas negociações nacionais do salário mínimo (veja abaixo), gere o sistema de quotas de trabalhadores estrangeiros e supervisiona a formação e educação profissional através do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP). Actualmente existem em Moçambique duas confederações sindicais para fazerem a advocacia em nome dos trabalhadores organizados em emprego no sector privado formal, Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM) e da Confederação Nacional dos Sindicatos Independentes e Livres de Moçambique (CONSILMO)31. Estes abrangem cerca de 23 sindicatos (Ulandsekretariet 2012) e mais de 400.000 trabalhadores32. Isso representa cerca de 5% do total da força de trabalho adulta. Também apoiam os trabalhadores do sector informal, por meio de Associação de Trabalhadores do Sector informal de Moçambique nas suas negociações com os municípios. As relações entre as empresas entrevistadas e os sindicatos parecem ser relativamente boas. Os empregadores afirmam que os sindicatos têm desempenhado um papel construtivo em situações de conflito no local de trabalho e também em termos de explicarem aos trabalhadores, certas políticas da empresa. SALÁRIOS MÍNIMOS A análise dos dados salariais, especialmente matizada por região, sector e ocupação poderia fornecer informações pertinentes da situação no mercado de trabalho. À medida que os efeitos de um boom de recursos naturais tornam-se mais profundamente enraizados em Moçambique, seria de esperar ver a pressão ascendente sobre os salários, conforme discutido anteriormente. Infelizmente, existe pouca informação está disponível a partir das fontes públicas sobre os salários de mercado pagos em 31A partir de agora os trabalhadores do sector público moçambicano não têm direito à negociação colectiva ou greves. A AIM informou a 1 de Maio de 2014 que um projecto de lei para estabelecer esses direitos aos funcionários públicos passou a sua primeira apreciação no Parlamento, no início de Maio, e espera-se que se torne lei no final do ano. 32Segundo os dados fornecidos pelo CONSILMO, cujos sindicatos incluem cerca de 126.000 membros em toda a indústria de construção, mineração e madereira; transporte rodoviário e garagistas; e trabalhadores da segurança privada. Refere-se que a OTM tem cerca de 300.000 membros. Os trabalhadores do sector público, profissionais de saúde, professores, jornalistas, trabalhadores de serviços de correio, aposentados, camponeses e trabalhadores do sector informal podem estar organizados mas não são abrangidos nas duas confederações. Para mais informações, consulte Ulandsekretariet (2012). MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 29 Moçambique. As empresas privadas de recursos humanos realizam pesquisas salariais em Moçambique, os quais a maioria dos empregadores privados de Moçambique subscreve33. Os salários mínimos são fixados anualmente pelo Governo, em consulta com a Comissão Consultiva de Trabalho, um órgão tripartido que inclui representantes de trabalhadores (sindicatos), empregadores (CTA), e do governo. Os salários mínimos aplicam-se ao período normal de trabalho, que é definido na lei de trabalho de 2007 de Moçambique (artigo 85,1) como 48 horas por semana e 8 horas por dia. As horas extraordinárias, trabalho nocturno, trabalho por turnos, trabalho a tempo parcial, descanso semanal, e outras licenças de trabalho também são definidas na lei de trabalho. Os salários mínimos fixados para 2008-2014, partir de 1 de Junho de cada ano, são apresentados na Tabela 11. Os salários mínimos que se tornam efectivos a 1 de Abril de 2014 aumentaram numa média simples de 11,6% em relação ao ano anterior. De longe, o maior aumento nominal está no sector agrícola, onde o salário mínimo foi aumentado em mais de 20% em um ano. O ponto de partida para as negociações anuais do salário mínimo consideram as taxas de inflação e de crescimento do PIB sectorial (o último é representante da produtividade) como multiplicadores para o salário mínimo do ano anterior. A isto adiciona-se um “factor de negociação”, que se pode adicionar ou subtrair do valor conseguido através da fórmula do aumento do salário. A fórmula é a seguinte: % de Aumento do Salário Mínimo = ((1 + Taxa de Inflação) (1 + ½ * Aumento Anual do PIB do Sector) - 1) +/- “Factor de Negociação” Esta fórmula garantiu que os salários mínimos reais não diminuíssem. Por exemplo, corrigidos pela inflação, os salários mínimos reais em 2013 foram de pelo menos 5% - e, em alguns sectores, 32-154% (o salário mínimo real do sector dos serviços financeiros em 2013 foi 153,7 % maior do que em 2008) – maior do que em 2008. DRAFT 33 Por exemplo, o Hay Group examina 40 empresas, formais, na sua maioria empresas internacionais com operações em Moçambique, desde petróleo e gás natural, recursos naturais, bens de consumo, transporte e outras indústrias. São recolhidas informações sobre salários e outros benefícios para uma série de ocupações, que vão desde motoristas e “operadores de processo” a engenheiros, profissionais de finanças e de gestão. Os dados estão disponíveis apenas numa base de pagamento de uma taxa pelos clientes. Tabela 11: Salários Mínimos em Moçambique (MT/mês) Sector % Change, 2013-14 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Pescas, Kapenta34 1810 1900 2090 2300 2485 2645 2857 8.0 Administração Pública 1826 2083 2270 2380 2522 2699 3002 11.2 Agricultura, Silvicultura, Caça, Pecuária 1315 1486 1692 2005 2300 2500 3010 20.4 Açúcar 1315 1500 1593 2075 Pesca, Geral 1892 2050 2200 2475 2640 2850 3167 11.1 2497 2850 3021 3195 3485 9.1 2435 2775 3177 3495 3953 13.1 Indústrias, Panificadora Construção 1909 2115 Extractivo, Sal Serviços Não Financeiros 4010 1926 2250 2550 2996 Indústrias, Geral 1975 2300 2497 3100 Electricidade&Água (Pequenas empresas) 2140 2403 2662 3222 2662 3116 2400 2890 Extractivo, Pedreira&Areia Electricidade&Água (Grandes Empresas) Extractivo, Geral 1892 2120 3510 3826 4228 10.5 3295 3888 4316 11.0 3585 3943 4400 11.6 3817 4107 4480 9.1 4768 3526 4651 Serviços Financeiros (Micro-) Serviços Financeiros (Bancos, seguros) 5350 15.0 7421 1942 2745 3483 5320 6171 6817 7465 9.5 Source: Hanlon (2014), AIM (2014) Em 1996, Moçambique aplicou um único salário mínimo em toda a economia. Hanlon (2014) relata que foi introduzido um salário mínimo separado para a agricultura, em 2000. Hoje, os salários mínimos são definidos para 15 sectores e subsectores. Os salários mínimos normalmente são referências para compensação nos cargos não qualificados e semiqualificados, apesar de as grandes empresas formais normalmente pagarem acima do salário mínimo, mesmo nesses níveis de qualificações. Geralmente não são aplicáveis ao emprego no sector informal. Dentro de uma categoria sectorial, o salário mínimo aplica-se a todo o sector e não é tratado em função da ocupação. Assim, por exemplo, um guarda ou funcionário de limpeza que trabalha para um banco deve ser pago o salário mínimo do sector financeiro, ao passo que um guarda ou funcionário de limpeza que trabalha para um hotel deve ser pago o salário mínimo aplicável ao sector do turismo. Os salários mínimos de Moçambique também proporciona uma referência de custos de mão-de-obra de baixa qualificação para permitirem a comparação entre os países. Os investidores internacionais, especialmente nas indústrias de manufactura de mão-de-obra intensiva, tomam em consideração os dados comparativos de salários e produtividade da mão-de-obra ao decidirem sobre os países alternativos nos quais investir. Expresso em dólares americanos convertidos aproximadamente a uma taxa de câmbio de 30MT/$, o salário mínimo de Moçambique para um trabalhador da indústria em geral, por exemplo, é de 147 dólares por mês, ou 5,64 dólares por dia. A título de comparação, o salário mínimo em dólares 34Sardinhas pequenos da água doce que são pescadas no reservatório de CahoraBassa, na província de Tete . MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 31 americanos de um operador de máquina de costura numa empresa têxtil no Camboja foi elevado no início de 2014 para 95 dólares por mês. No entanto, o rendimento anual bruto nacional per capita do Camboja em 2012 foi de 2.330 dólares, mais que o dobro de Moçambique (1000 dólares). O novo salário agrícola é equivalente a 100 dólares por mês, ou 3,86 dólares por dia. Como o metical aprecia-se sob a doença holandesa, o seu equivalente em dólar do salário mínimo em Moçambique vai aumentar ainda mais. Como Jones e Tarp apontaram para 2012, o salário mínimo na agricultura naquela época era “três vezes maior do que no global...a produtividade da mão-de-obra nesse sector” (2012, 29). Não é de surpreender que o emprego formal permanente no sector agrícola, numa plantação de açúcar, por exemplo, é considerado um emprego desejável, uma vez que o salário do sector informal para o trabalho sazonal ou baseada em tarefas é pago abaixo do salário mínimo35. Assim, a política de salário mínimo em Moçambique pode ameaçar a competitividade se a produtividade da mão-de-obra não subir de forma concorrente. Arndt et al. (2010) faz uma comparação entre a estrutura e o progresso económico de Moçambique com a do Vietnam, um país que experimentou um passado colonial semelhante, a guerra civil, os baixos pontos de partida do desenvolvimento económico e as altas taxas de pobreza. A base educacional muito maior do Vietnam é reflectida nos prémios salariais mais elevados pagos aos trabalhadores altamente qualificados em Moçambique do que no Vietnam, reflectindo a maior escassez de trabalhadores altamente qualificados em Moçambique. Os índices de salários não agrícolas da mão-de-obra qualificada a mão-de-obra pouco qualificados são 2,26 no Vietnam (2004) e 4,62 em Moçambique (2002) (Arndt et al. 2010, 17), DRAFT SECTOR INFORMAL E EMPRESAS FAMILIARES A informalidade do mercado de trabalho em Moçambique, conforme apontado por Jones e Tarp (2012), é definida pelo INE referindo-se a qualquer pessoa que não seja assalariada, ou seja, aqueles que trabalham por conta própria ou trabalhando sem remuneração em empregos domésticos. Jones e Tarp notam, ainda, que, mesmo dentro da categoria de trabalho assalariado, podem existir acordos de trabalho que são inseguros, irregulares e informais. Assim, conforme apresentado na Tabela 6, mais de 85% dos moçambicanos são considerados como trabalhando no sector informal. Os homens têm quase quatro vezes mais probabilidade de serem assalariados do que as mulheres; o emprego informal ocupa 78% de todos os homens e 94% de todas as mulheres. Além disso, ao explorar a evolução desses aspectos ao longo do tempo, Jones e Tarp notam que essas proporções mantiveram-se estáveis, sugerindo que a economia, embora em crescimento, não está a gerar um maior número de oportunidades de emprego no sector formal. 35Ver, por exemplo, o caso dos trabalhadores de açúcar descrito no O'Laughlin e Ibraimo (2013). Fox e Sohnesen (2013) apresentam dados primários de emprego divididos para mostrar a importância das empresas familiares para o rendimento (Tabela 12). São especialmente importantes no sector urbano, onde 22,7% das famílias trabalham. Observam que “muitas famílias ainda tinham apenas o rendimento agrícola em 2008, mas cada vez mais as famílias rurais e urbanas estão a tentar aumentar o rendimento total através da diversificação dos meios de subsistência em sectores não agrícolas, ao mesmo tempo mantendo a renda agrícola” (Fox e Sohnesen de 2013, 8). O aumento do ambiente de negócios para as empresas familiares, os autores argumentam que, deve ser considerado como parte da planificação de redução da pobreza do governo. Tabela 12: Composição do Emprego Primário por Área, 1997-2009 Urbano Rural Nacional 1997 2003 2009 1997 2003 2009 1997 2003 2009 Agricultura 66.7 46.7 44.7 94.0 92.3 93.2 86.8 78.2 79.6 HH Empresas 10.1 19.0 22.7 2.3 3.8 2.8 4.4 8.1 8.4 Salário não agrícola 23.2 34.3 32.7 3.7 3.9 3.9 8.9 12.6 12.0 Sector privado 7.6 21.9 22.5 1.3 2.2 2.1 3.0 7.8 7.8 Sector público 15.6 12.5 10.2 2.4 1.7 1.8 5.9 4.7 4.2 Fonte: Fox and Sohnesen (2013, 6) A Divisão de Apoio ao Sector Privado do Ministério da Indústria e Comércio ajuda a formalizar pequenas e médias empresas através da emissão de “licenças simplificadas”. Também recolhe informações sobre os níveis de emprego associados a essas licenças empresariais (Tabela 13). Tabela 13: Emissão de Licenças Simplificadas para Pequenas e Médias Empresas Licenças Simplificadas Emitidas Província 2010 2011 2012 2013 Emprego Associado Por Licença TOT 2010 2011 2012 2013 MEDIA NORTE C Delgado 290 378 463 494 1625 2.48 4.90 4.85 5.34 4.59 Nampula 573 855 885 1214 3527 1.38 3.37 1.13 1.81 1.95 Niassa 214 156 142 240 752 10.64 2.13 7.62 1.65 5.44 CENTRO Manica 483 370 264 405 1522 0.98 2.22 9.64 5.37 3.95 Sofala 577 540 2184 2585 5886 1.25 2.31 0.42 0.28 0.61 Tete 269 355 1044 981 2649 6.02 7.25 4.65 2.60 4.38 1438 1212 541 1214 4405 0.91 0.37 0.79 0.50 0.64 Zambézia SUL Inhambane 242 286 359 458 1345 2.91 5.10 6.94 3.56 4.67 84 122 292 813 1311 1.67 4.91 1.54 1.31 1.72 M Cidade 1470 1472 3271 4697 10,910 3.41 4.02 2.24 1.73 2.42 Maputo 2654 2924 1980 2545 10,103 0.43 2.08 4.57 2.05 2.13 TOTAL 8,294 8,670 11,425 15,646 44,035 1.80 2.79 2.83 1.75 2.25 Gaza Fonte: Ministério da Indústria e Comércio, Divisão de Apoio ao Sector Privado, recebido em Março de 2014 MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 33 Se estas representam “novas” empresas ou a formalização de empresas já existentes é impossível discernir. Maputo cidade e província são claramente as mais dinâmicas em termos de número de licenças emitidas. Curiosamente, a província de Tete, o centro da indústria de mineração de carvão de Moçambique, não mostra os níveis incomuns de actividade, mesmo quando categorizada em função de populações por província (não mostrado aqui). Isto sugere que os níveis de actividade económica secundária em torno do sector mineiro podem não estar a crescer tão rapidamente como se poderia ter previsto (ou não são licenciados). As empresas no norte são um pouco maiores em termos de postos de trabalho associados por empresa, do que as do centro ou sul (as médias são 3.12, 1.66 e 2.38, respectivamente). RESUMO: FACTOS ESTILIZADOS NO MERCADO DE TRABALHO Um resumo dos “fatos estilizados” sobre o mercado de trabalho em Moçambique é extraído de Jones e Tarp (2012) na Caixa 1 abaixo. Estes dão um retrato de um mercado de trabalho altamente segmentado: uma pequena parte da força de trabalho é educado, qualificada, e quer seja formalmente, informalmente ou trabalhando por conta própria, enquanto a grande maioria dos moçambicanos está confinada na baixa produtividade, informal ou auto-emprego, dentro e fora da agricultura, muitas vezes sob empregada e lutando para juntar os diferentes meios de subsistência para fazer face às despesas para as suas famílias. Caixa 1: Factos Estilizados Sobre o Mercado de Trabalho de Moçambique DRAFT 1. A população de Moçambique é jovem, rural e crescendo rapidamente. 2. As taxas de participação da força de trabalho são altas, o desemprego é baixo e principalmente confinado aos jovens urbanos. 3. Subemprego é grande. 4. O sector informal é grande e é o principal foco da criação de novos postos de trabalho. 5. Os níveis de educação (habilidades) permanecem baixos em toda a economia. 6. A mudança estrutural no Mercado de trabalho foi limitada 7. Existem grandes diferenças espaciais na distribuição da mão-de-obra moçambicana. 8. As lacunas de produtividade entre os sectores são grandes e em expansão, em grande parte devido ao baixo crescimento da produtividade na agricultura. 9. As fontes de rendimento familiar diversificaram-se ao longo dos tempos. 10. O descontentamento social parece estar a aumentar, particularmente entre os jovens urbanos. Fonte: Jones and Tarp (2012) MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 35 4. Mercados de Trabalho em Moçambique: Resultados da Avaliação A avaliação de campo de Março de 2014 sondou diversas dimensões que caracterizam os mercados de trabalho em Moçambique, exploradas abaixo. O PAPEL DO TRABALHO NA ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO A criação de emprego é uma questão transversal, que afecta uma série de diferentes portfolios do governo. O desenvolvimento de uma estratégia para promover a criação de emprego deve envolver não apenas o Ministério do Trabalho, mas também os ministérios da educação, indústria e comércio, planificação e desenvolvimento, agricultura, etc. No entanto, até à data em Moçambique esta questão tem sido tratada de forma muito fragmentada. O governo, ONGs, organizações internacionais e as próprias empresas estão activamente engajados na tentativa de resolver as lacunas de habilidades e a mobilidade da mão-de-obra. No entanto, um seminário da OIT de 2013, em Maputo, concluiu que embora haja “uma série considerável de programas e iniciativas relacionadas com a criação de emprego, desenvolvimento de habilidades e instituições do mercado de trabalho...as intervenções são fragmentadas e a escala de algumas das intervenções é pequena demais para ter um impacto” (ILO 2013). Caixa 2: Estratégia Bem-sucedida de Diversificação da Indonésia A quota de petróleo e do gás na receita pública da Indonésia caiu de uma alta de 49 por cento em 1982 para 23 por cento em 2005. Este foi um resultado directo de uma estratégia com duas características essenciais: I) políticas sectoriais que apoiaram os sectores agrícola e de manufactura (principalmente têxteis e calçados); e ii) flexibilidade da política, conforme demonstrado através de transição cuidadosa do país da substituição de importações para o crescimento liderado pelas exportações. A política de atracção de investimentos estrangeiros foi muito bem-sucedida ao direccionar-se ao sector de fabricação de mãode-obra intensiva. A política aproveitou-se tanto dos relativamente baixos custos da mão-de-obra como do acesso ao mercado dos EUA em seguimento das concessões comerciais preferenciais previstas no âmbito do esquema do Sistema Generalizado de Preferências (SGP) (Rosser 2007). A uma taxa média de crescimento anual de cerca de 12 por cento, a manufactura cresceu à taxa mais alta entre 1965 e 1997. O sucesso da estratégia de industrialização da Indonésia é baseado na construção de ligações sectoriais vitais, investimento em capital humano e físico, e fornecimento de subsídios e incentivos fiscais direccionados (Usiu 1997).. As receitas do sector de recursos naturais foram investidas na agricultura, principalmente na irrigação e recuperação de terras. Também forneceu subsídios para insumos, tais como fertilizantes, pesticidas, sementes, bem como a irrigação. Entre 1970 e 1984, a área total de terras irrigadas na Indonésia aumentou de 3.7 a 4.9 milhões de hectares, o uso de fertilizantes subsidiados aumentou de 0.2 a 4.1 milhões de toneladas, e o uso de pesticidas subsidiados aumentou de 1.080 toneladas para 14.210 toneladas (Barbier 1989). Conforme observado por Panayotou (1993, 64), “[o] Governo indonésio subsidiou pesticidas em 82 por cento do preço de retalho”. Depois de alcançar a auto-suficiência em arroz (substituição das importações), a estratégia mudou-se para culturas de exportação (orientação para o exterior e crescimento impulsionado pelas exportações). A Indonésia tornou-se recentemente o maior produtor e segundo maior exportador de óleo de palma, e classifica-se como o quarto maior produtor e exportador de café do mundo (Fuglieet al. 2010). Fonte: Hailu et al. (2011, 25). Dado que a maioria dos moçambicanos trabalha em empregos de baixa produtividade agrícola, ao lado de graves défices de habilidades, a situação é claramente grave. As iniciativas existentes não são, porém, necessariamente suficientes para enfrentar a escala do problema ou resolvê-los a tempo de garantir o máximo benefício do esperado crescimento da indústria extractiva para Moçambique e moçambicanos. E ainda não parece haver qualquer discussão detalhada sobre a necessidade de investir no apoio proactivo nos sectores não extractivos da economia, a fim de evitar o domínio completo dos extractivos, conforme o fez a Indonésia, descrito no Caixa 2. Sem tal estratégia, embora o PIB possa continuar a crescer, o emprego não. O impacto do sector extractivo na redução da pobreza e no crescimento sustentável inclusivo para todos os moçambicanos seria, assim, limitado. Isto foi reconhecido pelo governo, com uma retórica cada vez maior em torno da necessidade de não apenas de crescimento, mas do crescimento inclusivo. A promoção do emprego é um dos três principais objectivos definidos no Plano de Acção do Governo para a Redução da Pobreza (PARP). O PARP definiu três eixos principais de criação de emprego: i. Alinhar a formação profissional com as necessidades das indústrias emergentes nos sectores estratégicos (definidos como o turismo, manutenção industrial, agricultura, processamento, mineração, gestão e administração); ii. Reconhecer as aprendizagens adquiridas fora da formação profissional formal - por exemplo, a utilização de unidades móveis para formação nas áreas rurais, criando um sistema nacional de certificação; e iii. Aumente as ligações entre a oferta e a procura de emprego (por exemplo, através da expansão da capacidade dos centros públicos de emprego, apoiando as microempresas e aumentando o acesso ao crédito, e promover estágios profissionais. Melhorar o diálogo, criar um “observatório” do mercado de trabalho, e melhorar a qualidade, frequência e relevância das informações sobre o mercado de trabalho, também são enfatizados. O Governo também está na fase final de elaboração de uma estratégia nacional de desenvolvimento de 20 anos (a Estratégia Nacional de Desenvolvimento, ou ENDE), cujo foco principal é a industrialização. O esboço da ENDE destaca a necessidade de transferência de habilidades e de tecnologia, mas ainda é tão vaga sobre os mecanismos exactos para incentivá-la. É possível, com maior investimento analítico e uma forte liderança dentro do governo, que a ENDE possa se tornar a visão nacional para a transformação estrutural da economia, subordinando outras intervenções (por exemplo, na educação, transporte, infra-estrutura, indústria e comércio) ao objectivo primordial de transformação estrutural. Conforme visto no caso da Indonésia acima, outros países que se beneficiaram dos grandes fluxos de recursos das indústrias extractivas tentaram (com graus variados de sucesso) usar esses recursos para desenvolver uma política industrial proactiva que procurou apoiar indústrias não extractivas de mão-deobra intensiva, a fim de promover a criação de emprego. O governo de Moçambique está claramente ciente dessas questões, consideradas no “Diálogo Nacional sobre o Emprego” (ILO 2014) de Março de 2014 . Muitas intervenções – desde a reforma da formação profissional, a concessão de crédito para o auto-emprego, uma nova estratégia de estágios para financiar a promoção da pesca de pequena escala, os planos para um “observatório de trabalho” a fim de melhorar a informação do mercado de trabalho – estão em várias fases de elaboração e implementação, embora dispersas e fragmentadas. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 37 Sem uma liderança forte coordenada, Moçambique poderia perder a oportunidade proporcionada pelos recursos da indústria extractiva para a transformação global da economia e criação de emprego. Conforme visto na Secção 1, dados os efeitos directos e indirectos da indústria extractiva no resto da economia, é improvável que a industrialização e a diversificação económica irão “simplesmente acontecer” – na verdade, sem acções governamentais específicas, o inverso pode acontecer e Moçambique pode acabar com uma economia “amaldiçoada” pelos recursos naturais, tal como na Nigéria ou Angola, que deriva enormes receitas do petróleo e do gás, mas nos quais a grande maioria da população continua atolada na pobreza. Por isso, é urgente que a análise mais detalhada seja feita pelo governo, a fim de definir mais claramente o que precisa ser feito a fim de garantir o avanço de uma economia diversificada e de criação de emprego. Dado que as receitas já estão a fluir a partir do carvão e dos Impostos das Mais-valias sobre as vendas de acções nos desenvolvimentos de gás no mar, e, dado que a construção da estação de GNL está prevista para começar no próximo ano, esta questão está a tornar-se urgente se Moçambique pretender pôr em prática medidas para evitar a “maldição dos recursos”. CATEGORIAS & CONSTRANGIMENTOS DAS HABILIDADES O mercado de trabalho moçambicano pode ser caracterizada como altamente segmentado e enfrentando graves restrições de oferta de algumas habilidades. O mercado de trabalho pode ser dividido da seguinte forma: Figura 8: Categorias de Mercado de Trabalho em Moçambique DRAFT Categoria de Trabalho Exemplos de Ocupações Qualificações Técnicas, Se houver Administração, finanças, gestores, direcção estratégica Qualquer profissão para a qual exige-se um mínimo de formação pós-graduada e 5-10 anos de experiência profissional. PROFISSIONAIS QUALIFICADOS Engenheiros, cientistas, especialistas sénior do sector, contabilistas, auditores financeiros, chefes de departamento, gestores de recursos humanos, chefes de cozinha, especialistas agrícolas,… Qualquer ocupação para a qual exige-se um mínimo de 4 anos de ensino pós-secundário e, de preferência 3-5 anos de experiência de trabalho anterior. TÉCNICOS QUALIFICADOS Operadores de máquinas, mecânicos, metalúrgicos, electricistas, carpinteiros, operadores de máquinas pesadas, motoristas, guias de turismo, recepcionistas, preparadores de alimentos, supervisores, … Qualquer profissão para a qual exige-se formação profissional especializada e certificação, e de preferência 1-2 anos de experiência de trabalho anterior. Trabalhadores manuais, pessoal de limpeza, mãode-obra de agricultura comercial, camareiras, jardineiros,… Qualquer profissão para a qual não se exige nenhuma formação ou educação. GESTÃO MÃO-DE-OBRA POUCO QUALIFICADA Fonte: Equipe de avaliação. As restrições de oferta são evidentes não só para os profissionais de gestão altamente qualificados, mas também para técnicos qualificados de alta qualidade tais como electricistas, canalizadores, operadores de máquinas, etc., e em determinadas épocas do Figure 2: Demonstração Gráfica do Mercado de ano (nas áreas rurais, por exemplo, durante a Trabalho em Moçambique época de colheita). Estas restrições de oferta coexistem com um vasto potencial de oferta de trabalhadores não qualificados ou muito pouco qualificados, que são predominantemente agricultores familiares rurais, e em conjunto com significativo subemprego da mão-deobra não qualificada, tanto nas áreas urbanas como nas rurais. Existem claramente restrições em Moçambique que tornam a mão-de-obra menos móvel do que a teoria sugere, e que impedem o “fluxo” da mão-de-obra das actividades de remuneração baixa e baixa produtividade para actividades de remuneração mais elevada de produtividade mais alta – apesar da evidente procura desses sectores. A maior restrição à mobilidade entre o grande grupo de trabalhadores pouco qualificados e o conjunto limitado de técnicos, profissionais e gestores qualificados é a barreira das habilidades, representada graficamente na Figura 9. No mínimo, a maioria dos empregadores do sector formal exige que os trabalhadores saibam ler, fazer matemática, e que trazem alguma habilidade técnica para a qual é geralmente necessária formação e aprendizagem. As habilidades que mais faltam enquadram-se em duas categorias: “cultura de trabalho” técnoca/profissional e geral. A barreira das habilidades, que efectivamente corta as perspectivas da mão-de-obra rural de migrar quer para o sector urbano ou para a indústria extractiva e encontrar um emprego formal, é explicada pela baixa base de capital humano em Moçambique. O BAD e a OECD observam no seu relatório de 2012 de Perpectivas Económicas para Africa: Estima-se que Moçambique tenha o mais baixo nível de escolaridade entre a sua população adulta no mundo em 1.2 anos de educação formal. O baixo nível de habilidades da força de trabalho continua a ser uma questão importante tanto para os empregadores que não conseguem contratar trabalhadores qualificados, bem como para a promoção de uma cultura de empreendedorismo. Embora o nível de educação está a melhorar, a taxa de frequência líquida no ensino médio é de apenas 20%. A educação é gratuita, mas existem custos associados com uniformes e material escolar que apresentam um fardo para as famílias mais vulneráveis. O aumento na adesão nas escolas colocou a qualidade da educação sob pressão e levou o governo a reduzir os requisitos para se tornar um professor, a fim de atender a demanda. Há indícios de que a MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 39 absorção de jovens no sistema de ensino significou uma redução temporária do crescimento da força de trabalho que está actualmente a crescer a uma taxa estimada de 0,4% ao ano. (BAD e OCDE 2012, 14)36. A escassez de habilidades é sentido a todos os níveis do mercado de trabalho, embora com mais gravidade no topo e no meio da pirâmide. Para os trabalhos de gestão ou de profissionais qualificados, os empregadores destacam que os gestores experientes são “quase impossíveis” deencontrar no mercado local, assim como o são os profissionais sénior tais como engenheiros especializados – o que não é surpreendente, dado que estes cargos exigem não só as qualificações académicas, mas também muitos anos de experiência que muitas vezes seria adquirida no exterior. Muitos desses trabalhos (por exemplo, o gerente geral de um hotel, engenheiros sénior, gerente de fábrica, gestores financeiros, etc.) são ocupados por pessoal estrangeiro. Vimos pouca evidência de um movimento gradual em direcção a “Mozambicanização” dos cargos muito altos, apesar de algumas evidências de que isso aconteça em posições de nível médio, tais como de gestores de recursos humanos, gestor de chefes de departamentos específicos, ou engenheiros juniores. Mais surpreendente é o facto de que os empregadores sentem que a lacuna de habilidades é quase tão grave para cargos técnicos qualificados, como para operadores de máquinas, supervisores de fábrica, canalizadores, mecânicos, porteiros em hotéis, etc. Os empregadores notam que muitos indivíduos no mercado de trabalho, embora possam ter um diploma ou certificado, muitas vezes são incapazes de realizar ao padrão esperado pelas empresas, tanto estrangeiros como nacionais. Um empregador de uma empresa de manufactura de Moçambique sentiu que uma proliferação de cursos que fornecem certificação em habilidades específicas, sem fornecer formação prática adequada, torna ainda mais difícil do que no passado, encontrar os funcionários que estão “à altura da tarefa”. As empresas que não contratam determinadas posições (por exemplo, electricistas, canalizadores) numa base de tempo integral, mas em vez disso fiam-se nos empreiteiros locais, sentem que essas empresas muitas vezes não têm as habilidades para a actividade, na medida em que se esforçam por exemplo, para fornecer estimativas precisas para o trabalho a ser feito, às vezes são pouco fiáveis em termos de pontualidade e disponibilidade, etc.. DRAFT Para a mão-de-obra de baixa qualificação ou não qualificada empregada pelo sector formal, como jardineiros, limpeza, trabalhadores de construção de baixo nível, trabalho assalariado nas plantações etc., os empregadores mencionam a falta de “habilidades para o trabalho” ou “cultura de trabalho” como uma restrição. Por exemplo, a cultura de turnos de trabalho, pontualidade, confiabilidade em apresentar-se ao trabalho todo os dias, pode ser mais forte entre os imigrantes (por exemplo, zimbabweanos emalawianos) do que entre a força de trabalho local. Diz-se que os imigrantes “realmente enxertam-se” – muitas vezes por salários mais baixos. A alfabetização é também mencionada como uma restrição. Embora algumas empresas afirmaram que para este nível empregam funcionários analfabetos, a maioria afirmou que a alfabetização era uma exigência até mesmo para as posições de habilidades mais baixas. 36Os doadores também salientam a necessidade de melhorar a qualidade da aprendizagem, bem como do acesso. A qualidade do ensino primário em Moçambique é também muito baixa, sendo que os resultados preliminares da avaliação nacional de educação, mostram habilidades extremamente baixas de leitura para alunos da terceira classe do país, de acordo com a avaliação conjunta de 2014 do apoio ao orçamento geral realizado pelos doadores. Por exemplo, um hotel disse que mesmo os funcionários menos habilidade precisam ser alfabetizados, pois há procedimentos da empresa – tais como o preenchimento de formulários de licença e cursos de formação – que o exigem. Um série de empresas industriais destacou a necessidade de ser capaz de compreender os regulamentos de saúde e segurança e de formação, de forma que a alfabetização era um pré-requisito para o emprego. Com umataxa37 de analfabetização de adultos de 50%, isso por si só proporciona uma forte barreira para a criação de emprego, mesmo a este nível de baixas habilidades. Em Moçambique, hoje, a escassez de mão-de-obra qualificada é premente. A construção da estação de GNL em Cabo Delgado poderá começar já no próximo ano, criando cerca de 10.000 empregos para técnicos com habilidades de padrão internacional. A maioria desses trabalhos vai existir por longos períodos, visto que a construção da estação de GNL está prevista para ser realizada em fases. Dado este aumento previsto da demanda de mão-de-obra, é urgente que a escala de intervenções para melhorar o lado da oferta do mercado de trabalho moçambicano seja aumentado. Se os esforços não forem incrementados em breve, a indústria de construção civil, com o seu nexo de empreiteiros e subempreiteiros, será capaz de ter acesso aos trabalhadores de todo o mundo para compensar o deficit38. O governo de Moçambique está compreensivelmente preocupado com o facto de que os empregos criados na economia nacional devem ir, tanto quanto possível, para os cidadãos moçambicanos. Actualmente, o Ministério do Trabalho opera um sistema de quotas de trabalhadores estrangeiro para regular o tamanho da força de trabalho estrangeira em Moçambique39. No entanto, é necessária uma abordagem mais abrangente e estratégica para se associar com os objectivos de crescimento económico e a extracção de recursos naturais com o objectivo de criação em larga escala de empregos de boa qualidade produtivos. Dadas as extremas lacunas de habilidades identificadas nas secções anteriores, é importante que o esforço seja colocado não só na limitação da entrada de estrangeiros (uma resposta de curto prazo), mas também no aumento maciço da oferta local e da qualidade de trabalhadores qualificados no longo prazo. Quando a demanda supera a oferta num mercado, o que acontece? Os preços sobem, sinalizando a necessidade de o mercado aumentar a oferta. A curto prazo, um défice de arroz, por exemplo, pode levar à importação de arroz suficiente para atender à demanda. A longo prazo, se a economia for um produtor competitivo de arroz, mais arroz pode ser cultivado para minimizar o défice. No caso de um deficit de 37 2008-2012, da UNICEF, http://www.unicef.org/infobycountry/mozambique_statistics.html. 38Os conjuntos de mão-de-obra dos países mais pobres da Ásia, muitas vezes abastecem os projectos de construção nas economias em expansão do Oriente Médio, por exemplo. No entanto, é necessária a supervisão interna de tais projectos, para garantir que as condições de trabalho e os direitos dos trabalhadores são compatíveis com os padrões internacionais. Para um relatório sobre “o lado negro da migração” consulte a Amnistia Internacional (2013). 39Dependendo do tamanho da empresa, mas, independentemente do sector, uma empresa pode empregar trabalhadores estrangeiros equivalente a entre 1 e 5% de sua força de trabalho total. Em teoria, esta quota não é vinculativa, pois uma empresa pode solicitar autorização para o emprego de nacionais estrangeiros extras, se puder provar que nenhum moçambicano pode ser encontrado para preencher a vaga. No entanto, na prática, esta rota é extremamente burocrática e os empregadores queixam-se de que as decisões podem ser um pouco arbitrárias. Note-se que, para as grandes empresas da indústria extractiva e na teoria para outros investimentos importantes, as empresas podem negociar níveis muito maiores acima da quota de estrangeiros, directamente com o governo durante as negociações das suas licenças de investimento. O sistema de quotas é muito mais vinculativo, portanto, em pequenas e médias empresas que podem oferecer uma grande quantidade de empregos “em torno” do sector extractivo e mesmo em outras partes da economia. O outro estudo do SPEED (Ennis 2013) citou as frustrações de um número de PMEs que acham o sistema de quotas muito oneroso que chega a prejudicar os seus negócios . MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 41 mão-de-obra qualificada, a resposta do mercado é a mesma. Os preços (salários) sobem; a curto prazo, é “importada” mão-de-obra qualificada suficiente, através da imigração (que pode ser regulada por quotas de mão-de-obra estrangeira) a adicionar para atender a demanda. A longo prazo, salários mais elevados para os trabalhadores qualificados – os chamados “prémio salariais para habilidades” – devem incentivar os trabalhadores presentes e futuras a investirem na educação e formação necessárias para se qualificarem para uma posição de força de trabalho qualificada. O desenvolvimento de uma oferta de mão-de-obra qualificada, no entanto, leva mais tempo do que cultivar mais de uma safra anual de alimentos. Conforme discutido mais adiante, isto não quer dizer que nada está sendo feito em Moçambique para ampliar a oferta de mão-de-obra qualificada. Pelo contrário, várias intervenções já estão sendo realizadas, algumas em colaboração com empresas privadas, mas não numa escala para garantir que a maioria dos novos postos de trabalho associados ao crescimento de recursos irão para os moçambicanos. Se não for tomada acção suficiente, o governo poderá ser confrontado com um dilema. Qualquer construção deverá abrandar enquanto os moçambicanos são treinados, ou influxo em larga escala de trabalhadores estrangeiros terão que ser autorizados para manter a construção no caminho certo. Outra opção é que a construção seja feita principalmente no exterior, com unidades fabris construídas importadas e simplesmente montada no país. Nenhuma destas opções é politicamente ou economicamente atraente, e será importante para o governo trabalhar em estreita colaboração com as empresas seleccionadas para a construção a fim de garantir um equilíbrio adequado entre a criação de emprego doméstico e a manutenção da construção no caminho certo. EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO TÉCNICA E PROFISSIONAL (EFTP) DRAFT Conforme visto na secção anterior, os empregadores são unânimes em afirmar que enfrentam restrições de oferta de mão-de-obra e, em particular, restrições em encontrar habilidades específicas. O Diálogo Nacional sobre Emprego de Março de 2014 identificou “sistemas antiquados e ineficientes de educação, incluindo a formação técnica e profissional” como um dos principais entraves à criação de emprego. A Educação e Formação Técnica e Profissional (EFTP) em Moçambique é gerida de uma forma fragmentada. O governo precisa de criar um ambiente que apoie a EFTP – seja com financiamento público, ou, segundo a discussão com os parceiros e governo, através de Parceiras Público-Privadas (PPPs). A experiencia da Austrália, que criou a Autoridade de Qualidade de Habilitações de Austrália (Australian Skills Quality Authority)40 para padronizar os cursos e assegurar níveis mínimos sobre quais a indústria podia se depender, pode ser interessante entender melhor. Embora a abordagem da Austrália pode ser detalhada demais e demasiado regulada para uma aplicação directa em Moçambique, podem haver lições que podem ser aprendidas para fortalecimento das habilitações e adaptação ao contexto moçambicano. Também pode ser possível que certos currículos possam ser ‘importados’ (e adequados ao contexto nacional) em vez de inventar a roda. 40http://www.asqa.gov.au/about/about-asqa.html Os provedores de EFTP do país incluem uma série de escolas de formação técnica a nível secundário (geralmente são cursos de três anos para os estudantes que tenham concluído a 10ª classe); Os Centros de Formação Técnica funcionam sob auspícios do Ministério do Trabalho; algumas escolas especializadas geridos por outros ministérios; projectos de formação técnica baseados em igrejas e ONGs; bem como provedores do sector privado, para a formação em habilidades específicas. Apesar do facto de que a maior parcela do orçamento do governo na última década foi gasta na educação, o montante destinado à EFTP, que é cara, foi consistentemente menos do que o necessário para manter os padrões e acompanhar a demanda. Esforços para melhorar a coordenação, em particular entre os Ministérios da Educação e do Trabalho, foram feitos por meio do estabelecimento da Comissão Executiva da Reforma da Educação Profissional (COREP), no âmbito do Programa Integrado da Reforma da Educação Profissional (PIREP), apresentado na Caixa 3. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 43 Caixa 3: Programa de Reforma da Educação Profissional (PIREP) Em 2006, o Banco Mundial lançou o PIREP de 5 anos, sob a égide do Ministério da Educação, com financiamento de 30 milhões de dólares do Banco Mundial e 7.5 milhões de dólares da Holanda (mais tarde alargado para 2014), para melhorar a qualidade e a capacidade de resposta da educação e formação técnico profissional para as necessidades do mercado de trabalho, com quatro componentes: i) ii) Apoio ao desenvolvimento institucional para o governo; Desenvolvimento de curricula de formação profissional baseada em competências em habilidades críticas (Agricultura, Manutenção Industrial, Mineração, Gás, Hotelaria e Turismo, Administração e Gestão e TIC); iii) Renovação e apetrechamento de escolas de formação técnica e de formação de professores (7 institutos técnicos e três centros do INEFP); e iv) Fundo competitivo de subvenções (FUNDEC), em que as instituições de formação podem se inscrever para o financiamento de acções de formação profissional.. De acordo com o Banco Mundial, embora o progresso na Componente I tenha sido lento, houve bom progresso na Componente II, incluindo o envolvimento construtivo com do sector privado para definir as necessidades da indústria; os currículos baseados em competências, originalmente a serem implementados em sete instituições de foco, foram adoptados mais amplamente por outras instituições. No âmbito da Componente III as 7 instituições receberam equipamentos de última geração e formação de professores. Esta última mostrou-se essencial devido à tecnologia obsoleta e muitos formadores estando eles próprios desactualizados. O FUNDEC, também amplamente definido no início, mostrou progresso. Em 2011, o Banco Mundial estendeu 30 milhões de dólares em financiamento adicional para o PIREP até Setembro de 2014. O Documento de Avaliação do Projecto para a segunda fase observou que várias deficiências do projecto haviam sido identificadas nas revisões internas: “(I) a subestimação do tempo necessário para o desenvolvimento curricular; (ii) o progresso da implementação ser lento devido a questões de planificação que dificultaram a correcta articulação e sequenciamento das actividades; (iii) problemas com a criação do órgão nacional de supervisão da EFTP; (iv) problemas de procurement devido à necessidade de importar a maioria dos bens e serviços; e (v) a subestimação dos custos do projecto, que foi agravada pela inflação” (Banco Mundial de 2011, 4). DRAFT No entanto, a folha do projecto do Banco Mundial destaca uma série de resultados, incluindo vários que ultrapassaram as metas originais, ou seja, o estabelecimento de 61 padrões de competências aprovados pelo sector privado, mais de 4000 alunos que foram avaliados por meio desses padrões, o estabelecimento de padrões e qualificações ocupacionais abrangentes para 61 níveis de ocupação, 40% dos estudantes que foram fornecidos estágios através de sua formação, altos níveis de aproveitamento dos alunos, um número significativo de professores nos sectores alvo que foram treinados no novo sistema, e 19 instituições de EFTP agora alinhadas para o sistema baseado em competências. Fonte: Entrevistas e Banco Mundial (2011) Cursos Universitários Caixa 4: Anadarko e UEM: Formação dos Futuros Engenheiros Petrolíferos de Moçambique A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e a empresa de petróleo dos E.U.A. Moçambique tem uma série de Anadarko, em conjunto, criaram programa de um curso de mestrado em universidades públicas e privadas Engenharia do Petróleo, no qual 25 estudantes participam actualmente. As palestras são dadas por funcionários de várias universidades norteoferecendo cursos de graduação e americanas por link de vídeo. No ano passado, foi ministrado um curso pós-graduação. Uma análise preparatório para garantir que os estudantes tivessem a base adequada, e completa do sector está além do este ano estão a ser ministrados os módulos específicos sobre a Engenharia de Petróleo. A iniciativa também visa formar professores da UEM em aspectos escopo deste relatório, mas os técnicos de engenharia de petróleo de tal forma que, no futuro, eles também empregadores em geral, possam leccionar no curso. queixaram-se de que, embora os recém-formados muitas vezes tenham obtido conhecimento teórico, raramente aprendiam habilidades “reais para a vida” e a preparação para o trabalho em geral. A avaliação do trabalho entrevistou duas universidades, uma pública e uma privada, sendo que ambos haviam desenvolvido sistemas para atender à necessidade de os graduados saírem da universidade com experiência prática de trabalho já adquirida. A Faculdade de Engenharia da UEM desenvolveu uma rede de potenciais empregadores dos seus graduados e coloca todos os estudantes nas empresas para estágios, proporcionando assim a experiência de trabalho e potenciais oportunidades de emprego para seus estudantes. A universidade privada Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM) faz algo semelhante. Também introduziu simulações inovadoras de “vida real” no seu currículo através de um laboratório empresarial que incentiva os estudantes a interagirem num “mundo de negócios” virtual que ensina habilidades de gestão chave, bem como habilidades de trabalho tais como pontualidade e fiabilidade. Escolas de Formação Técnica Caixa 5: Empregabilidade dos Jovens Moçambicanos Moçambique tem uma rede de mais de 90 escolas de formação técnica e profissional que oferece uma série de cursos de formação técnica e profissional a níveis básico e médio. De acordo com Maimuna (2014), cerca de 5.500 estudantes formam-se a partir deste sistema a cada ano. Regista-se taxas de abandono muito altas, em média, cerca de 11%, mas chegando a 66% nos cursos de agricultura. A grande maioria dos graduados é de cursos básicos; em 2012 em todo o país apenas 545 alunos graduaram no nível médio dos cursos industriais. Um estudo recente realizado pelo Ministério da Planificação entrevistou uma série de empregadores em todo o país sobre a empregabilidade geral dos jovens moçambicanos. O estudo concluiu que “a percepção geral [dos empregadores] foi de que a força de trabalho jovem moçambicana tem limitações imensas em termos de qualidade. Aqueles com ensino secundário não têm habilidades que sejam directamente aplicáveis à indústria. E aqueles com formação técnica ou universitária receberam informações teóricas, em vez de habilidades práticas necessárias para responderem às exigências das empresas. Devido a isso, as empresas são obrigadas a oferecer programas de treinamento adicional ou recrutar trabalhadores estrangeiros”. O estudo também concluiu que a qualidade da formação técnica e profissional nas escolas técnicas e centros de formação do INEFP é extremamente variável. Existem algumas oficinas bem equipadas, mas a maioria não têm condições de trabalho e equipamentos básicos. Notou-se também casos de pessoal dos institutos de formação não sendo pagos. A maioria dos empregadores entrevistados para o estudo conta com o jornal para fazer propaganda de vagas, enquanto algumas contactam directamente as instituições de formação ou usam as agências privadas de emprego. A confiança em instituições públicas como INEFP é fraca (devido à falta de familiaridade com a instituição, a percepção de alguns candidatos ou habilidades inadequadas, o receio da corrupção/nepotismo e/ou percepção de que as grandes empresas têm primeiro acesso aos números limitados de graduados). Metade das empresas entrevistadas afirmou que oferece estágios, mas algumas destacaram que há custos para a empresa em fazê-lo – de equipamentos, seguros e nenhuma compensação pela perda de produção ou tempo. Fonte: Maimuna (2014) MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 45 No entanto, apenas 1% do total de matrículas escolares, o que representa cerca de 15% dos alunos do ensino secundário, participa nos cursos de EFTP, cerca de 90% dos quais estão nas escolas de formação técnica geridas pelo Ministério da Educação (outros ministérios também gerem algumas escolas técnicas). Existe um consenso geral entre os empregadores e outras partes interessadas entrevistadas de que a qualidade da formação nas escolas técnicas deteriorou-se significativamente ao longo dos últimos dez anos e as escolas não têm docentes e equipamentos qualificados e actualizados para a aprendizagem prática. Um empregador que tem recebido regularmente alunos das escolas técnicas em Maputo e Matola, durante muitos anos afirmou que...” a formação está muito pior do que há uma década atrás...um graduado de engenharia de hoje faz o que no passado, um técnico com formação de nível médio de uma escola técnica fazia, e hoje um técnico de nível médio faz o que um técnico de nível básico fazia”. Esforços estão a ser feitos no âmbito do programa PIREP para modernizar uma série de escolas, renovar os edifícios e fornecer equipamento e formação actualizada etc., mas as necessidades continuam grandes. Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP) O INEFP gere uma rede de centros de formação em todo o país, localizados principalmente nas capitais provinciais, que oferecem cursos em áreas profissionais, incluindo contabilidade e administração, electricidade, gestão de pequenas empresas, mecânica auto, canalização, soldadura, e hotelaria e turismo. Em 2012, o INEFP graduou 706 estudantes em todo o país (Maimuna 2014). Os programas oferecidos variam de 15 horas para cursos muito específicos até cerca de 400 horas para disciplinas mais complexas. Os centros são financiados pelas propinas dos estudantes, recursos do governo e algumas contribuições da indústria. DRAFT O INEFP é sensível às necessidades emergentes de capacitação da indústria. Por exemplo, um novo centro do INEFP está a ser criado em Palma para responder às necessidades futuras da indústria do gás natural. O INEFP forneceu formação em Tete para a indústria de mineração de carvão. O primeiro megaprojecto de Moçambique, Mozal, também colaborou com o INEFP para a formação do seu pessoal de construção e de operações (Caixa 6).No entanto, a capacidade dos centros do INEFP para satisfazer plenamente as necessidades dos empregadores é limitada. Apenas um dos centros é actualmente capaz de fornecer certificação reconhecida internacionalmente (em electromecânica). Dado que os empregadores dizem que para alguns postos de trabalho, as preocupações com a higiene e segurança implicam que as empresas só podem contratar pessoal se tiverem qualificações reconhecidas internacionalmente, a limitada certificação internacional em Moçambique limita efectivamente o acesso dos moçambicanos em outras habilidades, a menos que sejam capazes de ir para o estrangeiro para a formação. Os empregadores também mencionam que os cursos de turismo concentram-se demasiadamente em abordagens teóricas de administração e não o suficiente nas habilidades práticas como cozinhar, garçon, limpeza, gestão de inventário, etc. O INEFP está claramente muito desprovido de recursos suficientes, sem os recursos financeiros ou humanos necessários para responder plenamente à demanda de habilidades. O seu director declarou numa entrevista recente que o INEFP enfrenta desafios na construção de novos centros, fornecimento de equipamentos adequados e na definição de curricula que respondam às necessidades do mercado41 Caixa 6: A Abordagem da Mozal de Formação e Uso da Mão-de-Obra Local A Mozal, uma fundição de alumínio fora de Maputo, foi o primeiro grande projecto de investimento estrangeiro em Moçambique. A formação e contratação de pessoal local foi uma característica essencial do projecto Mozal em ambas as fases de construção (fase I, finais dos anos 1990, fase II, início de 2000) e operações. A planificação antecipada do projecto envolvendo os investidores estrangeiros (BHP Billiton, 47%; Mitsubishi Corporation do Japão, 25%; Industrial Development Corporation da África do Sul, 24%) e o governo de Moçambique (4%) enfatizou a formação local. A Empresa Financeira Internacional (IFC), um dos parceiros de financiamento forneceu um apoio importante para essa agenda.O projecto criou emprego em várias categorias: trabalho de baixas qualificações, temporário, para construção, e trabalho permanente, geralmente requerendo maiores qualificações, nas operações. O primeiro precisava de menos tempo para formação do que o segundo Construção Os termos de referência garantiram que os potenciais subempreiteiros concorrendo para a construção da fundição iriam empregar níveis significativos de mão-de-obra local e investir na formação. O empreiteiro de Engenharia, Produção e Construção (EPC) e todos os subempreiteiros foram vinculados pelo Acordo Mão-de-Obra do Projeto (PLA), assinado entre a empresa e os sindicatos e testemunhado pelo governo, estabelecendo padrões de salário para cada categoria de trabalhador. A Mozal estabeleceu um centro de treinamento moderno em coordenação com o INEFP e um provedor de formação terceiro. Os cursos de formação duravam entre 10 a 60 dias, dependendo das habilidades específicas. Assim que os indivíduos terminassem com êxito a formação ao nível exigido, recebiam um “passe de entrada” para o site. O PLA estipulava que nenhum subempreiteiro poderia contratar pessoal sem o tal passe de entrada. Isso garantiu que as habilidades técnicas fossem de qualidade adequada e formação adequada em matéria de saúde e segurança. No total, para ambas as fases de construção, 5.700 pessoas foram treinadas, com uma taxa de aprovação de 93%, e 72% foram empregadas no site. O custo total da formação, incluindo equipar o centro de treinamento, foi de 6.7milhões de dólares. Operações Mais de 1.000 empregos permanentes foram criados para as operações. Teve lugar a “Mozambicanization” gradual destes, de tal forma que o domínio inicial dose expatriados em níveis de supervisão e superior foi reduzido ao longo do tempo. Até 5 anos após as operações iniciais, 75% de todos os empregos permanentes foram ocupados por moçambicanos. O treinamento para os fornecedores locais também foi realizado ao abrigo do Programa de Empoderamento e Ligação das Pequenas e Médias Empresas para incentivar as ligações locais. Um entrevistado que trabalhou para a Mozal nesse momento salientou o alto desempenho do pessoal moçambicano. Todos, desde (mulheres) soldadoras, que desempenhavam a padrões muito elevados após o treinamento, até os operadores de TI provaram ser de qualidade muito maior do que o inicialmente previsto pela empresa. Que Lições da Mozal? Mozal é um de vários megaprojectos (Sasol, Kenmare, Rio Tinto, etc.) que usaram maioritariamente forca de trabalho moçambicano durante a construção, e que empregam uma maioria de Moçambicanos nas operações. Isto é importante dado o discussões actuais sobre construção de GNL em Palma. As principais lições da experiência da Mozal incluem: i) importância do diálogo de alto nível desde o início sobre questões laborais entre os investidores, o governo e os sindicatos; ii) a inclusão de questões de trabalho nos termos de referência para o empreiteiro e subempreiteiro EPC; iii) a importância de uma abordagem integrada para o trabalho, liderada pela empresa, ao invés de cada subempreiteiro lidar com as questões por si próprio; iv) o papel facilitador construtivo desempenhado pela IFC; v) o mais importante ainda, investimento inicial no desenvolvimento de habilidades valeu a pena e permitiu uma força de trabalho maioritariamente de Moçambique na construção e nas operações, funcionando com um alto nível de produtividade e segurança. Fonte: Entrevistas das equipas da avaliação; Castel-Branco and Goldin (2003). Enquanto novos centros foram estabelecidos com base em financiamentos de empresas específicas, isso torna o INEFP um pouco dependente do financiamento de grandes multinacionais, cujos recursos e interesses nem sempre podem ser alinhados com os da indústria nacional. O director do INEFP afirmou que a decisão de introduzir novos cursos ou material é dependente da avaliação do INEFP da demanda através de discussões com as empresas, em vez de basear-se em discussões com o Ministério da 41Citado no Boletim Informativo de Recrutamento e Selecção do CBE, 3 de Dezembro de 2013 . MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 47 Planificação a respeito da estratégia global de desenvolvimento. Algumas actividades do INEFP parecer um tanto ad hoc e dependentes das iniciativas individuais dos directores locais de centros específicos – um, por exemplo, aproximou-se de uma empresa de construção recentemente contratada que estava prestes a iniciar o trabalho numa ponte de Maputo para Catembe, perguntando à empresa que especificasse as habilidades que necessitaria, para que o centro pudesse preparar melhor os seus candidatos. Esta abordagem positiva empreendedora poderia ter ainda mais impacto se ocorresse a nível nacional e de uma forma que seja integrada no plano nacional de desenvolvimento. Estágios Os estágios parecem ser uma prática bem utilizada em Moçambique, sendo a conclusão de um estágio de três meses, muitas vezes um pré-requisito para a conclusão de cursos, tanto em escolas técnicas como de nível universitário. Algumas escolas e universidades ajudam os estudantes a encontrarem estágios através das suas redes, enquanto outras oferecem cartas de apresentação para os estudantes encontrarem as suas próprias colocações. Os empregadores normalmente apoiam esta estratégia como uma abordagem muito positiva, com benefícios para a empresa em ser capaz de identificar as melhores potenciais novas contratações sem o compromisso de um contrato formal de trabalho, e os benefícios para os estagiários em adquirir as habilidades práticas em demanda no mercado de trabalho. Os estagiários constatam que o estágio aumenta a sua empregabilidade, mesmo se não forem contratados pela empresa na qual foram originalmente colocados. A caixa apresenta histórias de dois estagiários ". DRAFT Caixa 7: Encontro com os Estagiários Natalia Mapasse – Assistente de recursos humanos, o ex-estagiária Natalia escolheu estudar recursos humanos porque tinha um membro da família que trabalhava no Ministério do Trabalho e ficou interessada no assunto. Estudou na Escola de Estudos do Trabalho, que pertence ao Ministério do Trabalho e costumava ser apenas para os familiares dos funcionários do Ministério, embora esteja actualmente aberta a todos, dependendo da conclusão com êxito de um exame. Após o ensino secudário segue-se um curso de estudos de três anos, para concluir o curso tinha que fazer um estágio e elaborar um relatório sobre a sua colocação. Ao terminar o estágio, a empresa ofereceu-lhe uma posição, onde agora trabalha há para pouco mais de um ano. Gimo Felizberto – Estagiário de Electricidade Depois de terminar a 12ª classe Gimo ouvi de amigos sobre uma escola profissional financiada pela igreja. A escola já tinha começado informalmente, mas recebeu a sua certificação oficial pouco antes dele se matricular. Estudou por 6 meses a tempo inteiro para ganhar um certificado como electricista. Pagou 3.000 meticais (cerca de 100 dólares), em parcelas. Ninguém na sua família é um electricista e pessoalmente não conhece nenhum, mas foi motivado pelo que “acredita que seria útil”. Ouvindo de um professor sobre uma empresa que por vezes contrata seus estagiários, Gimo candidatou-se para um estágio de electricista. Actualmente no seu segundo mês, ainda não sabe se será mantido pela empresa depois que concluir o estágio, nem o quanto iria ganhar se fosse mantido. MOBILIDADE DO TRABALHO A mobilidade do trabalho implica a capacidade da mão-de-obra de se deslocar entre um segmento do mercado de trabalho e outro – quer seja “mobilidade ascendente” (ou seja, começando como um júnior e sendo promovido gradualmente ao longo do tempo para posições mais altas e mais bem pagas) ou mobilidade entre sectores (por exemplo, da agricultura para a construção ou do turismo para a indústria extractiva). Dada a falta de habilidades a todos os níveis e, em particular a nível mais baixo do mercado de trabalho formal, conforme descrito acima, a mobilidade intersectorial da mão-de-obra em Moçambique é severamente prejudicada. No que diz respeito à mobilidade ascendente em Moçambique, há alguma evidência de empresas que promovem a partir de dentro – mas por vezes, atinge-se limites máximos devido à falta de escolaridade ou habilidades. Um exemplo foi de um supervisor no sector de mineração, que demonstrou boa capacidade de aprendizagem e foi promovido a supervisor mas não pode progredir mais pois é funcionalmente analfabeto. A gestão a nível médio é muitas vezes de moçambicanos em empresas de capital estrangeiro, mas a gestão sénior, muitas vezes (mas nem sempre) permanece estrangeira, efectivamente criando uma barreira. Há também um aparente desincentivo para fornecer formação de boa qualidade ao pessoal altamente qualificado, com o argumento de que podem ser caçados por outra empresa após a formação. Para o argumento da Doença Holandesa, a mobilidade no mercado de trabalho é assumida para permitir que a mão-de-obra flua entre os sectores da economia, neste caso, dos comercializáveis para os não comercializáveis. Isso é problemático, mesmo em mercados de trabalho desenvolvidos, pois algumas habilidades são específicas do sector ou mesmo específicas da empresa. No entanto, embora a mão-deobra é fisicamente móvel dentro do sector rural, entre os sectores rural e urbano, e entre a mão-de-obra mais qualificada, do sul para o centro e norte, o mercado de trabalho moçambicano não exibe muita mobilidade da mão-de-obra no sentido do movimento intersectorial incorrido pela Doença Holandesa. As barreiras à entrada no sector formal, conforme visto acima, ao sair da agricultura, são significativas e vimos pouca evidência de que isso ocorra, além de quando as empresas tinham acordo específico como parte do seu plano de investimento acordado com o governo para empregar localmente. Mesmo quando isso aconteceu, as pessoas locais tinham tendência a ser contratadas para fazerem os trabalhos mais básicos (visto que os níveis de habilidades eram muito baixos) e ressentiam do movimento ou entrada de pessoas melhor qualificadas ou melhor educadas vindas de fora da área para trabalhos mais bem pagos. Parece haver algum movimento de famílias rurais para diversificar as suas fontes de renda, envolvendose não só na agricultura, mas também noutras actividades “não agrícolas” ou criando pequenas empresas familiares. Há evidências de pequenos negócios informais criados em torno das minas, por exemplo – bares, restaurantes, comércio de pequena escala, etc. Conforme Fox e Sohnesen (2013) apontam, as pequenas empresas familiares podem ser uma fonte significativa de postos de trabalho e de aumento do bem-estar para as famílias, e ao longo do tempo podem permitir que as famílias invistam na educação e aquisição de habilidades para os membros mais jovens a fim de eventualmente transitarem para a economia formal. No entanto, com 300.000 novos ingressos no mercado de trabalho a cada ano, a economia formal não será por si só capaz de absorver a maior parte das pessoas que procuram trabalho. INFORMAÇÕES DO MERCADO DE TRABALHO MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 49 Outro aspecto da mobilidade no mercado de trabalho é a capacidade da mão-de-obra para de movimentar com base em informações recebidas – quer sobre oportunidades de emprego, salários mais altos num sector ou outro, melhores condições, etc. A informação pode fornecer “sinais” a mão-de-obra para investir em habilidades específicas, migrar ou lutar por melhores salários. As informações do mercado de trabalho em Moçambique, tal como em muitos países em desenvolvimento, são escassas, incompletas e mal divulgadas. Isso pode levar a um descompasso entre a oferta e a procura de mão-deobra, pois os empregadores precisam de habilidades específicas, ou precisam de números específicos de trabalhadores em determinados momentos, mas os trabalhadores disponíveis para o trabalho não sabem em que habilidades investir, ou onde encontrar trabalho. O governo tem uma série de fontes de dados que podem ser usadas para fornecer um quadro mais completo do mercado de trabalho e apoiar a política de trabalho. No entanto, essas fontes não são comparáveis e há pouca capacidade do governo de realizar uma análise do mercado de trabalho. A última pesquisa de grande escala do mercado de trabalho foi realizada pelo INE em 2004/5. O INE também recolheu alguns dados sobre o emprego na pesquisa domiciliar de curta duração do painel da INCAF, mas esta, infelizmente, foi suspensa. O CPI recolhe dados sobre empregos criados no sector formal por meio de projectos de investimento – mas isso é apenas para trabalhos projectados para serem criados por essas empresas que vão através do CPI e apenas para o sector formal. O Ministério do Trabalho produz alguma informação básica, mas não é publicada. O INSS tem uma base de dados que pode fornecer informações sobre as empresas do sector formal (que pagam a segurança social). Os inquéritos quinquenal de orçamento familiar fornecem algumas informações sobre a “principal fonte de renda”, mas o mais recente foi em 2008/9 e a definição de “principal fonte de renda” não reflecte adequadamente a complexidade das estratégias das famílias no mercado de trabalho. O inquérito domiciliar agrícola TIA novamente fornece algumas informações sobre a geração de renda familiar. Os centros do INEFP também têm registos de pessoas que procuram trabalho e de empregadores que procuram trabalhadores, mas muitos trabalhadores e empregadores não se registam. DRAFT Não parece haver dados disponíveis sobre as habilidades específicas e necessidades de profissionais qualificados, que possam permitir uma abordagem mais sútil para a autorização de trabalhadores estrangeiros para cargos específicos (veja abaixo). Para que haja uma articulação eficiente dos postos de trabalho disponíveis com os trabalhadores que oferecem os seus serviços, os empregadores e os potenciais funcionários precisam “encontrar-se” um ao outro. Num país como Moçambique, onde a infra-estrutura e os serviços de telecomunicações continuam fracos, isso apresenta desafios específicos. Em primeiro lugar, parece não haver nenhum serviço formal para ajudar os jovens e as suas famílias a tomarem decisões sobre a sua educação – quer se permanecem na escola, o que estudar na escola, se estudam numa escola secundária técnica, que cursos estudar, etc. Pode ser que alguns jovens abandonam a escola por causa de uma falta de informação sobre as alternativas possíveis ou os prováveis retornos do investimento em habilidades específicas. Mesmo nas universidades não parecem haver “serviços de carreiras”, como são muitas vezes presentes nos países desenvolvidos para ajudar os alunos a decidirem em que se especializar e em que ramo de sua indústria/profissão escolhida se concentrar. Embora isso, em parte, depende da aptidão e da personalidade dos indivíduos envolvidos, uma melhor informação sobre a demanda futura de trabalho e os níveis salariais entre os diferentes tipos de postos de trabalho seria de grande ajuda para facilitar que os “sinais do mercado” sejam mais bem interpretados e postos em prática pelos jovens. As universidades demonstram alguma compreensão disto e fazem contactos com os empregadores através das suas redes, mastal parece depender das disciplinas específicas e das empresas envolvidas em vez de um esforço concertado para colocar os estudantes e acompanhar o seu progresso. As entrevistas com o conselho nacional da juventude confirmaram que a maioria dos estudantes escolhem os seus graus académicos com base nas ligações familiares, informação imparcial, e “o que gostam na escola”, e que os estudantes têm pouca ideia quando fazem estas escolhas sobre quais as oportunidades que estas trarão no futuro. Embora o mesmo seja verdade em certa medida em todo o mundo, os estudantes moçambicanos mais pobres estão particularmente em desvantagem por não terem recursos para os serviços de carreiras formais, pois muitos serão os primeiros na família a serem capazes de obter um trabalho no sector formal. Os níveis de informação nas areasruras sobre as possibilidads e retornos do avanço da educação e exposição das pessoas que passaram por uma instituição de ensino superior são ambos extremamentes baixos. Mais ainda, a formação professional e o emprego continuam a carregar um estigma social, embora as profissões para técnicos qualificados podem ser altamente remuneradas. Actualmente, onde simplesmente ter um grau académito constitui efectivamente um passaporte para um emprego no sector formal em Moçambique, isso pode ser uma preocupação menos grave do que no future mas s estudantes concordaram que tanto a informação do mercado de trabalho e a exposição aos modelos ou mentores podem ter mantido os outros na escolha ou os encorajado a investir no ensino superior. Em segundo lugar, verificou-se que há pouco de fluxo de informações sobre vagas, níveis salariais e da demanda de mão-de-obra para aqueles que já estão no mercado de trabalho. Um exemplo disso foi uma empresa combinada de plantação e agro-processamento, que recebeu mão-de-obra de várias partes do país durante a colheita – no entanto, em alguns anos não houve oferta suficiente de mão-de-obra, e em outros anos, houve um excesso de modo que algumas pessoas que tinham viajado de províncias distantes (investindo os seus próprios recursos para fazê-lo) tiveram que voltar para casa sem obter um emprego. Um observatório do mercado de trabalho, há muito planejada no âmbito do PIREP, foi recentemente aprovado para implementação sob o MITRAB. Este pretende reunir representantes do governo, dos trabalhadores e do sector privado para criar uma base de informação e um fórum para troca de informações. Num mundo ideal, tal sistema de informação iria informar os moçambicanos sobre a actual e a esperada estrutura da força de trabalho em Moçambique (emprego por sector e ocupações dentro dos sectores, de preferência dividido por província), ocupações para as quais se espera que a demanda por parte do empregador aumente nos próximos cinco anos, requisitos de educação e formaçãopara essas ocupações, e os salários para os titulares de empregos mais altos nessas ocupações. Mais realisticamente, ajudaria se as informações sobre as actuais vagas de emprego pudessem ser publicadas de forma mais ampla.42 42Algumas agências de emprego publicam anúncios de emprego, quer seja on-line ou na impressa escrita, mas a cobertura geográfica da sua extensão é desconhecida. Algumas agências de emprego especializadas visam atender a demanda dos empregadores com a oferta do mercado de MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 51 CONCLUSÕES DA AVALIAÇÃO DE CAMPO Para resumir as conclusões das discussões com os empregadores, trabalhadores, estudantes, sindicatos, funcionários do governo, e organizações internacionais: A necessidade de abordar o impacto do esperado boom nos extractivos - e o papel da mão-deobra e as habilidades neste - é reconhecida amplamente pelo governo. Uma grande variedade de iniciativas já existentes tem como objectivo abordar aspectos específicos do mercado de trabalho (habilidades, auto-emprego, dados etc.) No entanto, estes não estão subordinados a uma estratégia nacional coerente para a transformação industrial e criação de emprego, tal como tem acontecido em outros países. O projecto da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento (ENDE) poderia desempenhar este papel - mas somente se acompanhada por uma análise mais detalhada e plano operacional, e apenas com apoio de alto nível para tornar esta a visão nacional para a qual todas as outras estratégias sectoriais devem-se subordinar. A escassez de habilidades é sentida bastante baixa na “pirâmide de habilidades” – os empregadores enfrentam sérias dificuldades em encontrar não só o pessoal profissional de gestão, mas também técnicos qualificados. No entanto, a barreira para os trabalhadores não qualificados ou pouco qualificados para subirem a escada das habilidades é bastante impermeável. DRAFT As actuais instituições para a EFTP estão sem recursos suficientes; enquanto os esforços estão em curso para reformar os currículos, oferecer equipamentos modernos, e expandir os serviços, nada disto está perto de ser suficiente para atender às necessidades actuais, e muito menos aquelas que emergiria ao abrig de uma política de industrialização específico. Embora o desenvolvimento de padrões nacionais de certificação é laudatório, deve-se procurar coerência com os padrões de certificação internacionalmente reconhecidos, a fim de assegurar aos formandos moçambicanos a capacidade de acesso a empregos e/ou mudar para o exterior para trabalhar em suas áreas de habilidades, se assim o desejarem. A mobilidade intersectorial da mão-de-obra é limitada; a mobilidade geográfica dentro das categorias de trabalho é comum. A informação sobre o mercado do trabalho é fraca, fragmentada, e não formalmente divulgados. O salário mínimo é uma referência importante para as empresas, mesmo aquelas que pagam acima. Em níveis mais baixos de habilidades, onde o trabalho é mais fácil de encontrar, as trabalho em Moçambique. No entanto, estas tendem a concentrar-se na correspondência dos empregos no sector formal altamente competitivo e altamente qualificado, em vez de fornecer informações gerais que facilitariam a mobilidade no mercado de trabalho em geral . empresas tendem a ter um salário fixo por posição. Para trabalhos que exigem qualificações mais elevadas, os salários são determinados mais por meio de negociação individual e taxas de mercado. Os sindicatos têm um papel moderadamente importante a desempenhar na fixação dos salários, especialmente para menores trabalhadores qualificados.52 Devido à escassez de mão-de-obra qualificada, os empregadores procuram contratar trabalhadores estrangeiros. Há uma necessidade de uma forma estratégica mais abrangente e de longo prazo para a regulamentação dos trabalhadores estrangeiros, possivelmente baseada numa melhor informação sobre as lacunas reais de habilidades no país. A questão permanece, se a multiplicidade actual de intervenções descritas acima será suficiente para fechar a lacuna de habilidades a tempo de Moçambique ter uma força de trabalho suficientemente habilitada para beneficiar não só do crescimento da indústria extractiva, mas para permitir uma diversificação da economia e, inclusive para a criação de emprego generalizada para todos? Será que o governo pode tomar a iniciativa, e definir a forma como a economia deve ser desenvolvida - e, portanto, que habilidades deveriam ser desenvolvidas - em vez de reagir à demanda, assim que surgir? MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 53 5. Resumo dos Impactos Previstos da Doença Holandesa nos Mercados de Trabalho em Moçambique A ameaça da doença holandesa em Moçambique é real. Embora tanto a ajuda externa como os fluxos de investimento estrangeiro já constituem factores na economia, prevê-se que os fluxos de moeda estrangeira recibos através de receitas fiscais da indústria extractiva acelerem de forma significativa nos próximos dez a vinte anos. Já se fazem sentir pressões na economia local em termos de crescimento do valor da imobiliária43 e aumento das pressões salariais para a mão-deobra altamente qualificada. Alguns especulam que o futuro valor do metical pode aumentar para o dobro do seu valor actual, em relação ao dólar dos EUA, ou seja, uma taxa de câmbio de 15 de MT por dólar americano, todo o resto permanecendo inalterado. Figura3: Desdobramento da Doença Holandesa A. Aumento da Exportacao de Recursos Naturais B. Aumento das Receitas Fiscais sobre Recursos Naturais C. Aumento da Despesa Local pela Industria Extractiva e Governo D. Aumento a Procura de Trabalhadores Qualificados (Profissionais & Tecnicos ) (especialmente nas extractivas + sectores nao comercializaveis) E. Aumento dos salarios nas cupacoes dos trabalhadores qualificados F. Mao-de-obra qualificada sai dos secotres tradicionais (comercializaveis) para os extractivos + nao comercializaeis Com o boom dos recursos naturais já em curso desde meados dos anos 2000, Moçambique já está a passar pelas etapas de A a F. a fim de poder atribuir parâmetros para a continuação da cadeia lógica de impactos na Figura 10 para além da etapa F, seria preciso saber o seguinte: 43 Consulte o post do blog do SPEED sobre este assunto, http://www.speed-program.com/blogs/bysubject/competitiveness-by-subjects/mozambique-real-estate-market-bubble-a-real-cause-of-concern. Em primeiro lugar, qual é o nível esperado de aumento da demanda demão-de-obra como resultado do boom: O que é o programa de investimentos do governoprevisto em infra-estrutura e serviços sociais, em resultado do boom de recursos e que multiplicadores de emprego estão associados com tais despesas? Qual é o provável nível de despesas por parte das empresas extractivasem “conteúdo local” e que multiplicadores de emprego estão associados com tais despesas? Quais são os prováveis níveisde investimento privadonos sectores industrial, comercial, e de construção residencial; manufactura; serviços; infra-estrutura; e de serviços de hotelaria/alimentares, que podem ser estimulados pelas oportunidades associadas com o boom de recursos, e que multiplicadores de emprego estão associadas com as tais despesas? Em segundo lugar, até que ponto é que a mão-de-obra moçambicana poderá se deslocar em resposta à percepção de novas oportunidades, e quão substituíveis são os diferentes segmentos do mercado de trabalho uns pelos outros: Qual é a “substituibilidade” damão-de-obraqualificada empregada em agronegócios, turismo e indústria, para as demandas de mão-de-obra qualificada nas indústrias extractivas? Qual é a “substituibilidade”da mão-de-obra rural, em grande parte não qualificadapela demanda de mão-de-obra qualificada ou pouco qualificada nas indústrias extractivas? Quão fisicamente móvel e empreendedoramente flexível é a mão-de-obra rural? Dadasas respostas às questões acima, o que pode-se fazer para ajudar a mitigar os efeitos potencialmente negativos no mercado de trabalho sobre a competitividade dos sectores tradicionais de Moçambique? Embora os parâmetros quantitativos para responder às perguntas acima são desconhecidos, a equipe de avaliação, no entanto, tira as seguintes inferências a partir das explorações realizadas até à data: 1. O boom de recursos naturais já está a desenrolar em Moçambique, apesar de toda a extensão do fenómeno macroeconómico conhecido como Doença holandesa seja improvável de se sentir com força total por algum tempo. As receitas fiscais e de exportação das vendas de GNL não estão previstas para breve, embora as exportações de carvão e receitas associadas já estejam em ascensão. Com o aumento do número de megaprojectos em carteira, o fluxo de investimentos e investidores estrangeiros será cada vez mais sentido, tanto em Maputo como perto dos locais de exploração e extracção. Já estão em evidência as ascendentes pressões sobre os mercados de habitação e de imobiliária comercial, bem como nos mercados de mão-de-obra qualificada. 2. A segmentação dos mercados de trabalho em Moçambique hoje - gestão, profissionais qualificados, técnicos qualificados, por um lado, e mão-de-obra de baixa qualificação, por outro, é significativa. Com a oferta escassa, já se fazem sentir as pressões salariais para os MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 55 gestores, profissionais financeiros, gestores de recursos humanos e outros profissionais. As habilidades técnicas específicas, no entanto, podem ser necessárias, por exemplo, um gestor de recursos humanos não pode substituir um engenheiro de petróleo, mesmo um motorista particular não pode ser substituto de um operador de escavadora hidráulica. A equipe de avaliação da mãode-obra ouviu inúmeros relatos sobre a escassa oferta disponível, não só para gestores e outros profissionais qualificados, o que é de se esperar, mas também na categoria de técnicos qualificados, ou seja, trabalhadores cujas ocupações exigem formação, aprendizagem, e (possivelmente) certificação. Isto coloca uma grande pressão tanto sobre os salários da mão-deobra qualificada, para os quais um prémio cada vez maior está a ser pago no mercado de trabalho de Moçambique hoje, como sobre o sistema de cotas de mão-de-obra estrangeira, que actualmente regula o volume de trabalhadores que podem ser “importados”do estrangeiro para compensar as actuais lacunas de habilidades 3. Devido a barreiras de habilidades reais, a mão-de-obra de baixa qualificação é em grande parte NÃO substituível pela mão-de-obra exigida pelos sectores extractivos e outros associados de afluência da economia. Quatro quintos da força de trabalho está enraizada no sector agrícola, onde os moçambicanos com baixa educação e em grande parte analfabetos trabalham duro para ganharem a vida. Geralmente seguem uma combinação de agricultura de subsistência, trabalho agrícola assalariado, trabalho não-agrícola assalariado, e auto-emprego através de empresas familiares para sustentarem a si próprios e suas famílias. Podem mover-se dentro de Moçambique ou de forma mais ampla dentro da região (especialmente para a África do Sul) em busca emprego casual, sazonal, ou mais estável, dinheiro do qual ajudam a apoiar as famílias em casa. Apesar de trabalhar arduamente, esta mão-de-obra carece de um conjunto mínimo de “habilidades suaves de empregabilidade”, que inclui, designadamente, experiência anterior comprovada de trabalho e capacidade de manter um emprego estável; habilidades básicas de leitura; capacidade de comunicação; capacidade comprovada de trabalhar e resolver problemas como parte de equipa. Estegrupo de mão-de-obra não qualificada também ressente-se da falta de habilidades técnicas exigidas pelos empregadores do sector formal. Dado que a mão-de-obra rural dificilmente pode ser contratada para os sectores extractivos ou não comercializáveis em número significativo, o impacto esperado de uma possível Doença holandesa sobre os salários no sector rural é provável de ser mínimo. DRAFT 4. No entanto, a aceleração observada nas aprovações de megaprojectos em Moçambique aumentou as expectativas de que a indústria extractiva irá proporcionar novos postos de trabalho para os moçambicanos. Forneceu e vai continuar a fornecer, mas apenas para um pequeno número de trabalhadores qualificados.O Governo e as empresas vão precisar de gerir as expectativas das comunidades locais, e em particular atender ao descontentamento social que poderá ocorrer devido a migração da mão-de-obra de fora das zonas de exploração de recursos. As empresas de construção que vão construir ferrovias, portos, fábricas de processamento, armazéns, escritórios e habitação de apoio os extractivos irão certamente proporcionar mais oportunidades de emprego do que directamente das extractivas. No entanto, estes postos de trabalho são susceptíveis de ser para pessoas de profissões especializadas, por exemplo, caldeireiros, operadores de equipamentos de construção, técnicos de veículos pesados e de serviço de equipamento móvel, electricistas, canalizadores e soldadores. Essas ocupações exigem um certo nível de educação, formação ecertificação44. Assim, excepto para as profissões mais básicas, a força de trabalho rural é menos provável de encontrar um emprego regular na indústria de extractivos ou nas actividades de construção em torno destas. O governo de Moçambique faria bem em enfatizar que o futuro económico do país vai depender do desenvolvimento da força de trabalho formada ou educada. Esta mensagem não é bem compreendida pelo público e precisa de ser amplamente divulgada para incentivar uma tomada de decisão racional sobre a migração da mão-de-obra, crescimento de pequenas empresas e investimentos perto dos locais da indústria extractiva e, mesmo atrasado do abandono escolar a favor de mais educação e desenvolvimento de habilidades. A mensagem também não parece ser bem compreendida pelo governo, levando a políticas contra produtivos, como as quotas restritivas de mão-de-obra estrangeira que podem ter a consequência não intencional de desencorajar novos investidores de procurarem fazer negócios em Moçambique. Em vez disso, deve ser a mais alta prioridade estabelecer uma política nacional de emprego45 – colocando o emprego no centro de todas as estratégias do governo, e mais especificamente uma estratégia nacional de desenvolvimento da força de trabalho. A referida estratégia deve considerar um programa que forneça os jovens de Moçambique informações de perspectivas profissionais, para que possam tomar decisões inteligentes sobre a sua escolaridade, e investir na formação ou aperfeiçoamento das habilidades dos quadros existentes das áreas profissionais que são necessários não só para construírem as estações extractivas de Moçambique, mas também os seus portos, aeroportos, estradas e infra-estruturas de energia e de comunicações. 5. A curto prazo, a demanda de mão-de-obra qualificada será satisfeita por meio de “importações” de trabalhadores estrangeiros. O cliché do “mercado global” aplica-se aos mercados de trabalho também. A curto prazo, diante das restrições imediatas de oferta de habilidades, os empregadores procuram negociar com com o governo de Moçambique as quotas de trabalhadores estrangeiros que lhes permitam aceder a mão-de-obra qualificada de fora de Moçambique. Sem esse acesso, as empresas internacionais vão ponderar opções alternativas para o desenvolvimento da indústria extractiva, tais como a construção de instalações marítimas flutuantes ou construção marítima de instalações de processamento modulares que podem ser enviadas a Moçambique para a montagem local. A longo prazo, tal como o exemplo de beneficiamento da indústria de diamantes de Botswana e a Mozambicanização da mã o-deobra no exemplo da Mozal, ambos demonstram que pode fazer sentido estratégico os empregadores e governo constituirem parceria no desenvolvimento de oportunidades de educação e formação para os moçambicanos a fim de abastecer técnico qualificados e candidatos a empregos profissionais na próxima década. 44 Para exemplos de perfis ocupacionais e os requisitos de certificação nos Estados Unidos, consulte o 2014 Bureauof Labor Statistics’ Occupational Outlook Handbook, publicado de dois em dois anos e disponível online. 45 Esta foi uma recomendação do Encontro Nacional do Emprego que decorreu em Maputo em Marco 2014. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 57 6. No entanto, é provável que alguns dos mais ambiciosos ou empreendedores procurem sair para áreas de actividade de extracção de recursos. Por exemplo, isso já foi observado em Moma e arredores, onde as operações de areias pesadas da Kenmare estão baseadas. Assim, é ainda mais crucial que o ambiente de negócios – com isso referimo-nos aos regulamentos e a sua implementação uniforme, bem como a disponibilidade de financiamento – sejam tornados favoráveis ao estabelecimento de empresas familiares, seja no varejo, serviços alimentares, transporte, segurança, ajuda ao agregado familiar, ou outra prestação de serviço que é provável de surgir em torno dos locais de mineração e de outros extractivos. 7. É impossível prever os níveis esperados de despesas de investimento por parte do governo, indústrias extractivas e outros investidores privados. Mas o maior potencial de criação de emprego impulsionada pelo boom de recursos depende dos projectos de obras públicas de mãode-obra intensiva financiados por receitas públicas e no crescimento a ser gerado pelo investimento privado associado. 8. Sob a pressão da Doença Holandesa, visto que o valor do metical fortalecesse e a rentabilidade é espremida, as empresas serão obrigadas a rever as suas estruturas de custos. Uma análise mais aprofundada será realizada por estudos acompanhantes do SPEED na agricultura, manufactura e turismo. No entanto, vito que os preços locais dos bens comercializáveis determinados nos mercados internacionais em dólares ou euros e convertidos em meticais, vão cair, o custo da mão-de-obra moçambicana, visto a partir do mercado global em dólares ou euros, vai subir. As empresas terão de considerar, nomeadamente, se cortam alguma percentagem da sua força de trabalho, mudam para a mão-de-obra importada mais barata, ou investem em máquinas de economia de mão-de-obra, que serão menos caras em termos de meticais, na esteira da valorização da moeda. DRAFT Por exemplo, se o valor do metical subisse de 30 MT/$ para 15 MT/S, isso duplicaria o preço da mão-de-obra moçambicana em termos de moeda estrangeira, tudo o resto sendo igual. A fim de manter a competitividade com os trabalhadores (já menos caros) em, por exemplo, Sudeste Asiático, a produtividade dos trabalhadores moçambicanos precisa de aumentar significativamente para compensar o seu custo mais elevado. O desenvolvimento do capital humano, a melhoria das habilidades dos trabalhadores e os investimentos em sectores de maior valor agregado da economia serão necessários se tiverem que ser considerados pelos investidores como acessíveis os salários mais altos (expressos em dólares ou euros). 9. A longo prazo, a competitividade de Moçambique será reforçada não obrigando que as empresas utilizem mão-de-obra moçambicana de baixa qualificação, mas investindo numa força de trabalho moçambicana de alta habilidade. A competitividade, conforme Webber (2013) enfatiza, não tem a ver com os custos, embora os custos certamente afectam a tomada de decisão das empresas, mas também tem a ver com a produtividade da mão-de-obra, habilidades, inovação e diferenciação da cadeia de valor. Para que Moçambique empregar com êxito a sua “bênção” de recursos naturais a fim de embarcar numa transformação económica estrutural, criando novas oportunidades de emprego em indústrias e serviços para a futura força de trabalho do país, é preciso investir agora no seu povo. Conforme descrito anteriormente, a eficiência do mercado de trabalho e a forma como a economia responde às pressões da Doença Holandesa dependerão da medida na qual os obstáculos impedem o movimento entre os segmentos do mercado de trabalho e como bem as informações sobre as oportunidades do mercado de trabalho são transmitidas. As informações sobre o mercado de trabalho, nomeadamente a procura e a oferta presente/prevista de mão-deobra; salários por região, sector e ocupação; habilidades e os requisitos de certificação por ocupação; condições de trabalho – são extremamente difíceis de encontrar, não só para os participantes do mercado de trabalho esperados, mas também para os trabalhadores que já estão no mercado de trabalho que procuram mudar as suas carteiras de trabalho. Actualmente há pouca informação disponível – sobre as opções de carreira, oportunidades de emprego, potencial de geração de renda, ou requisitos de formação – para oferecer aos jovens razões para permanecerem na escola e optarem em aprender habilidades particularmente em demanda. Conforme matizado na Figura 11, as oportunidades para o crescimento do emprego em Moçambique podem ou não ser realizadas, de acordo do 1) grau de sucesso que o governo pode comunicar as expectativas sobre a futura evolução do mercado de trabalho para os jovens de hoje que estão a tomar decisões sobre educação e formação que irão afectar a sua entrada no mercado de trabalho daqui há 3 a 5 anos, e 2) se podem ser envidados esforços coordenados para proporcionar melhores oportunidades de educação e formação para os jovens que respondam a essas expectativas. Se não for envidado um esforço de formação mais abrangente, a economia provavelmente não venha a desfrutar de um forte impulso no nível do emprego (Cenário 1 no gráfico acima). No caso de cenário 1, pode se imaginar vários ‘vencedores’ e vários ‘perdedores’ do boom em recursos naturais, como sumarizado abaixo. Figura 11: Potenciais ‘Vencedores’ e ‘Perdedores’ do Boom. ‘Vencedores’ Efeito Cambial Efeito Boom Consumidores de produtos importados Importadores Empresas que utilizam maioritariamente material primas e subsídios importados. Trabalhadores com altas qualificações Indústria extractiva Fornecedores à IndústriaExtractiva Transporte O Estado e Autoridade Tributária Provedores de serviços – por exemplo cabeleireiros Construção e produção de subsídios para construção Bancos ‘Perdedores’ Agricultura (seja a produzir para exportação, seja para substituição de importações) Exportadores Oportunidades de Investimento alternativas Pessoas sem qualificações nem acesso a formação Agricultores PMEs EmpresasManufactureiras Turismo. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 59 Se os esforços de formação mantiverem o foco apenas sobre os técnicos qualificados necessários para a rápida expansão da indústria extractiva, haverá a curto prazo um impulso no emprego, sendo que a expansão a longo prazo continuará a um ritmo inalterado (Cenário 2). No entanto, juntamente com os investimentos do governo e do sector privado para promover o crescimento em outros sectores da economia de mão-de-obra intensiva (desenvolvimento de infra-estrutura, imobiliária, além de investimentos para aumentar a produtividade e inovação em produtos comercializáveis tradicionais, como a agricultura, manufactura e turismo), Moçambique deve ser capaz não só de desfrutar de um impulso a curto prazo no mercado de trabalho, mas também de embarcar numa transformação estrutural da economia que irá desfrutar de um nível acelerado de crescimento do emprego ao longo do tempo (Cenário 3). Figura12: Cenários dos Possíveis Impactos DRAFT A probabilidade de sucesso no alcance do Cenário 3 será melhorada se o governo moçambicano finaliza a sua Estratégia Nacional de Desenvolvimento, visando uma estratégia de alocação das receitas futuras provenientes das exportações de recursos naturais para fazer crescer a economia, através do investimento nos sectores de mão-de-obra intensiva, cujos retornos irão posicionar o país para uma transformação dinâmica estrutural. A construção de infra-estrutura de transportes, comércio e telecomunicações, o fornecimento de apoio aos sistemas agrícolas de mão-de-obra intensiva, a atracção de investimentos a indústria de mão-de-obra intensiva e a expansão dos investimentos em capital humano para aumentar a alfabetização, aritmética e habilidades técnicas e de gestão, irá proporcionar a base da qual Moçambique poderá captar benefícios, ao invés de ser desfeita pelos efeitos da Doença holandesa de indústria extractiva em expansão ao longo das próximas duas décadas. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 61 Anexo A. Entrevistas Feitas Governo Augusta Pechisso, Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Divisão de Análise Económica e Planificação, Directora Adjunta Rita Freitas, Ministério da Indústria e Comércio, Divisão de Apoio ao Sector Privado (DASP), Directora Steven Glover, Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Divisão de Análise Económica e Planificação, Analista Emídio Mavila, Ministério do Trabalho, Divisão de Planificação, Cooperação e Estatística, Director Lourenço Sambo, Centro de Promoção de Investimentos, Director-General Luís Eduardo Sitoe, Ministério da Agricultura, Conselheiro Económico Emílio Ussene, Centro de Promoção de Investimentos, Serviços de Gestão de Projectos, Director Sector Privado Angela Beresford-Miller, Gestor de Construção, Administração e Contabilidade da Berry (por questionário) Emmy Bosten, Energyworks, Director Américo Celestino Chirruque, Companhia Industrial de Matola, Director de Recursos Humanos Bruce Chapman, Southern Sun Hotel, Director Geral GarethClifton, KenmareResources PLC, Director para Moçambique Gimo Felisberto, MaevaOils, Electricista Estagiário Andrew Fimister, Maris Capital Ltd., Sócio Fundador Jane Flood, Maputo a Pé, Proprietária Gabriel Fossati-Bellani, Pembaland, Sócio Fernando Gruenberg Stern, RadissonBlu Hotel, Director Geral David Hackey, Hotel Cardoso, Director Geral Adjunto (por questionário) Natália Mapasse, MaevaOils, Assistente de Recursos Humanos Daniel Mondlane, MaevaOils, Director Executivo Rui Monteiro, Turconsult, Proprietário Paulo Negrão, GAPI InvestmentCompany, Director Comercial NyashaNyaruwate, Rainbow Hotel, Director Geral (por questionário) John W. Peffer, Anadarko Moçambique Área 1, Presidente Telma Romão, Rio Tinto, Gestora de Recursos Humanos Nuno Sidónio, CBE Southern Africa, Director Amelia Sobral, Sumol+Compal, Gestor Financeiro BrittanyWenclawiak, HayGroup CTA GraemeWhite, TCT Dalmann, Director (por questionário) Hipólito Hamela, Conselheiro Económico Pedro Júnior Celso Nhantumbo, Conselheiro do Mecanismo Consultivo KekobadPatel, Director Executivo Eduardo Sengo, Conselheiro Económico Organizações de Pesquisa, Educação e Formação Rosimina Ali, Instituto de Estudos Sociales e Económicos, Investigadora Constantino André, Sindicato Nacional de Estudantes, Vice-presidente Rui Benfica, Universidade Estadual de Michigan, Professor Associado Antonio S. Cruz, Universidade Eduardo Mondlane, Economia Professor Leopoldo de Costa, ISCTEM, Reitor Yasfir Ibraimo, Instituto de Estudos Sociales e Económicos, Assistente de Investigação Mafalda Mussengue, Universidade Eduardo Mondlane, Economia Professor JulioTsamba, Universidade Eduardo Mondlane, Director da Faculdade de Engenharia Rafael Uaiene, Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) e , Universidade Estadual de Michigan, Projecto de Análise Política e da Capacidade de Planificação para Melhoria dos Resultados da Segurança Alimentar e Nutricional de Moçambique (MOZCAPAN) Organizações do Sector do Trabalho Jan Hjort, Ulandssekretariatet LO/FTF Council, RepresentanteRegional (Organização do Sindicato do Trabalho Dinamarquês) Jeremias Timana, CONSILMO, Secretário-geral Organizações Internacionais Enrique Blanco Armas, Banco Mundial, Economista Sénior Igor Felice, Organização Internacional do Trabalho, Conselheiro Técnico Chefe Randolph Fleming, USAID/AgriFutoro Project, COP Jane Grob, Technoserve, Directora Ana Menezes, Banco Mundial, Especialista de Educação MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 63 Annex B. Bibliografia African Development Bank (AFDB) and Organization for Economic Cooperation and Development (OECD). 2012. “Mozambique 2012.” African Economic Outlook 2012. Accessed online. Agencia de Informação de Moçambique. 2014. “Mozambique: Government Announces New Minimum Wages.” Allafrica.com: http://allafrica.com/stories/201405010229.html. Ali, Rosimina. 2013. “Mercados de Trabalho Rurais: Porque são negligenciados nas políticas de emprego, redução da pobreza e desenvolvimento em Moçambique?” Desafios para Moçambique 2013. Maputo: Instituto de Estudos Sociais e Económicos. Amnesty International. 2013. “The Dark Side of Migration: Spotlight on Qatar’s Construction Sector Ahead of the World Cup.” London. Arndt, Channing, Rui Benfica, Finn Tarp, James Thurlow, and Rafael Uaiene. 2008. “Biofuels, Poverty, and Growth: A Computable General Equilibrium Analysis of Mozambique.” IFPRI Discussion Paper 00803. Washington, DC: International Food Policy Research Institute. Arndt, Channing, Andres Garcia, Finn Tarp, and James Thurlow. 2010. “Poverty Reduction and Economic Structure: Comparative Path Analysis for Mozambique and Vietnam.” Working Paper No. 2010/122. Helsinki: United Nations University, World Institute for Development Economics Research. Banco de Moçambique. 2013. “Exploitation of Natural Resources Already Impacting on the Economy.” Address by the Governor of the Banco de Moçambique to the V JornadasCientificas do Banco de Moçambique, 11 October. http://www.bancomoc.mz/Noticias_en.aspx?id=591. DRAFT Benjamin, Nancy C., ShantayananDevarajan, and Robert J. Weiner. 1989. “The ‘Dutch’ Disease in a Developing Country: Oil Reserves in Cameroon.” Journal of Development Economics 30: 71-92. Bevan, David, Paul Collier, and Jan W. Gunning. 1999. The Political Economy of Poverty, Equity, and Growth: Nigeria and Indonesia. Oxford University Press. Biggs, Tyler. 2011. “Impact of Exchange Rate Fluctuations on the Economy of Mozambique.” SPEED/Reports/2011/010. Prepared for USAID’s SPEED Program. Maputo: DAI and Nathan Associates, December. ______. 2012. “Mozambique’s Coming Natural Resource Boom: Expectations, Vulnerabilities, and Policies for Successful Management.” Presentation. Maputo: Confederation of Mozambique Economic Associations and USAID/SPEED. Bihale, Domingos. 2013. “Dinâmica Actual do Mercado de Trabalho e desafios do Movimento Sindical em Moçambique”. May. Report prepared under the LO/FTF project of support to unions. Bucuane, Aurelio and Peter Mulder. 2007. “Exploring Natural Resources in Mozambique: will it be a blessing or a curse?” Maputo: Ministério da Planificação e Desenvolvimento, National Direction of Studies and Policy Analysis, June. Castel-Branco, Carlos Nuno and Nicole Goldin. 2003. “Impacts of the Mozal Aluminum Smelter on the Mozambican Economy.” Maputo: Eduardo Mondlane University, September. Center for Public Integrity. 2014. “Petroleum Legislation – Round Two: No Consultation and No Transparency, Again?” Maputo, March. Chatani, Kazutoshi, MareikeTheisling and Laura Schmid. 2014. “How Much Do Central Banks Care about Growth and Employment? A Content Analysis of 30 Low and Middle Income Countries.” Policy brief presented at the National Dialogue on Employment in Mozambique, March 28-29, Maputo. Collier, Paul. 2007. The Bottom Billion: Why the Poorest Countries Are Failing and What Can Be Done About It. Oxford University Press. ______. 2010. The Plundered Planet: Why We Must—and How We Can—Manage Nature for Global Prosperity. Oxford University Press. Corden, W. Max and J. Peter Neary. 1982. “Booming Sector and De-Industrialization in a Small Open Economy.” Seminar Paper No. 195. Stockholm: Institute for International Economic Studies, February. Cramer, Christopher, Carlos Oya, and John Sender. 2008a. “Lifting the blinkers: a new view of power, diversity, and poverty in Mozambican rural labour markets.” Journal of Modern African Studies, 46, 3, 361-392. ______, Carlos Oya, and John Sender. 2008b. “Rural Labor Markets in Sub-Saharan Africa: A New View of Poverty, Power, and Policy.” Policy Brief No. 1. London: University of London, School of Oriental and African Studies, Center for Development Policy and Research, November. Cunguara, Benedito, James Garrett, Cynthia Donovan, and Célia Cássimo. 2013. “Análise situacional, constrangimentos e oportunidades para o crescimento agrário em Moçambique.” Relatório de Pesquisa 73P. Maputo: Ministry of Agriculture, Direction of Economy. July. Dartey-Baah, Kwasi, Kwesi Amponsah-Tawiah, and David Aratuo. 2011. “Emerging ‘Dutch disease’ in emerging oil economy: Ghana’s perspective.” Society and Business Review 7, 2: 185-199. Davis, Graham A. 1995. “Learning to Love the Dutch Disease: Evidence from the Mineral Economies.” World Development 23, 10: 1765-1779. ______ and Arturo L. Vásquez Cordano. 2013. “The fate of the poor in growing mineral and energy economies.” Resources Policy 38: 138-151. De Vletter, Fion. 2007. “Migration and development in Mozambique: poverty, inequality, and survival.” Development Southern Africa, 24:1, 137-153. Dobbs, Richard et al. 2012. “The world at work: Jobs, pay, and skills for 3.5 billion people.” McKinsey Global Institute. Ebrahim-zadeh, Christine. 2003. “Back to Basics.” Finance & Development, 40, 1 (March). Available from http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2003/03/ebra.htm. Economist, The. 1977. “The Dutch disease.”The Economist,26 November: 82-83. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 65 Ennis, Caroline. 2013. “Effects of the Employment of Foreigners on Job Opportunities for Mozambican Citizens: Impact of the Current Quota System and Implications of Proposed Changes to the Regulations on Hiring Foreigners.” Prepared for USAID’s SPEED Program. Maputo: DAI and Nathan Associates Inc., August. Falck, Hans. 2000. “Dutch Disease in Mozambique?” Country Economic Report. Stockholm: Swedish International Development Cooperation Agency. Fields, Gary S. 2007. “Labor Market Policy in Developing Countries: A Selective Review of the Literature and Needs for the Future.” Policy Research Working Paper 4362. Washington: World Bank, September. ______. 2009. “Segmented Labor Market Models in Developing Countries.” ILR Collection. Ithaca, NY: Cornell University ILR School, March. Final paper published in H. Kincaid and D. Ross, eds., The Oxford handbook of philosophy of economics, pp. 476-510. Oxford University Press. ______. 2012. Working Hard, Working Poor: A Global Journey. Oxford University Press. Fox, Louise, LucreciaSantibañez, Vy Nguyen, and Pierre André. 2012. Education Reform in Mozambique: Lessons and Challenges. Washington, DC: World Bank. ______ and Thomas Pave Sohnesen. 2013. “Household Enterprises in Mozambique: Key to Poverty Reduction but Not on the Development Agenda?” Policy Research Working Paper Francisco, Antonio A. da Silva and Margarida Paulo. 2006. “Impacto da Economia Informal na Protecçào Social, Pobreza e Exclusào: A Dimensào Oculta da Informalidade em Moçambique.” Maputo: Centro de Estudos Africanos, May. DRAFT Franco, Antonio S. 2012. “Extractive Industries in Mozambique.”SPEED Notes 017/2012. Maputo: USAID SPEED Project. Frankel, Jeffrey A. 2010. “The Natural Resource Curse: A Survey.” NBER Working Paper 15836. Cambridge, MA: National Bureau of Economic Research, March. ______. 2012. “The Natural Resource Curse: A Survey.” Chapter 1, pp. 17-57, in Brenda Schaffer and TalehZiyadov, eds., Beyond the Resource Curse. Philadelphia: University of Pennsylvania Press. Frederiksen, Elisabeth Hermann. 2006. “Chapter 4: Labor Mobility, Household Production, and the Dutch Disease.” Copenhagen: University of Copenhagen, October. Giesbert, Lena and Kati Schindler. 2010. “Assets, Shocks, and Poverty Traps in Rural Mozambique.” GIGA Working Papers. Hamburg: German Institute of Global and Area Studies, November. Government of Mozambique. 2006. “Estratégia de Emprego e Formação Profissional em Moçambique 2006 – 2015.” Approved by the Council of Ministers, 14 March 2006. Grynberg, Roman. 2013. “Some Like Them Rough: The future of Diamond Beneficiation in Botswana.” Discussion Paper No. 142. Maastricht, Netherlands: European Centre for Development Policy Management, March. Hailu, Degol, Sara Rendtorff-Smith, UyangaGankhuyag, and CosmasOchieng. 2011. “Toolkit and Guidance for Preventing and Managing Land and Natural Resources Conflict: Conflict Prevention in Resource-Rich Economies.” New York: United Nations Hanlon, Joseph. 2014. “Mozambique News Reports &Clippings 253: Minimum wage & exchange rate supplement.” 8 May. Harberger, Arnold. 2009. “Reflections on Oil, Dutch Disease, and Investment Decisions.” Prepared for USAID. Los Angeles, CA: UCLA, August. Hill, Catharine B. 1991. “Managing Commodity Booms in Botswana.” World Development, 19, 9 (September): 1185-1196. Ibraimo, Maimuna Assiate. 2014. “Os Desafios para a Empregabilidade dos Jovens em Moçambique.” Discussion Paper, draft. Maputo: Ministério da Planificação e Desenvolvimento, DNEAP, February. ICF International. 2012. “The Future of Natural Gas in Mozambique: Towards a Gas Master Plan.” Submitted to the World Bank and Government of Mozambique Steering Committee. Fairfax, VA: ICF International, December. Instituto Nacional de Estatística. 2013a.Anuário Estatístico 2012 Moçambique. Maputo. ______. 2013b. “Inquérito Contínuo aos Agregados Familiares, INCAF - 2◦ Trimestre (Outubro a Dezembro 2012).” Boletim Trimestral, 11 June. International Labor Organization. 2013. “Report of the Seminar Tackling Employment Challenges Through Coordinated Action.” Maputo, April 16-18, 2013. ______. 2014. “Draft Summary Recommendations from the Conference: National Dialogue on Employment, Job Creation in a New Mozambican Economic Context.” Held in Maputo, Mozambique, 27-28 March. International Monetary Fund. 2005. “Republic of Mozambique: Selected Issues and Statistical Appendix.” IMF Country Report No. 05/311. Washington, DC: IMF, August. ______. 2007. “Botswana: Selected issues and statistical appendix.” IMF Country Report No. 07/228. Washington, DC. ______. 2013. “Republic of Mozambique: Staff Report for the 2013 Article IV Consultation.” IMF Country Report No. 13/200. Washington, DC: IMF, July. Ismail, Kareem. 2010. “The Structural Manifestation of the ‘Dutch Disease’: The Case of Oil Exporting Countries.” WP/10/103. Washington, DC: International Monetary Fund, April. Jensen, Robert. 2010. “The (Perceived) Returns to Education and the Demand for Schooling.” The Quarterly Journal of Economics (May): 515-548. Jones, Sam and Finn Tarp. 2012. “Jobs and welfare in Mozambique: Country case study for the 2013 World Development Report.” Helsinki: United Nations University, World Institute for Development Economics Research, August. MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 67 Kanbur, Ravi and Jan Svejnar, eds. 2009. Labor Markets and Economic Development. New York and Oxon, UK: Routledge. Kamas, Linda. 1986. “Dutch Disease Economics and the Colombian Export Boom.” World Development, 14, 9 (September): 1177-1198. Kaplan, Zachary. 2013. “Policy Options for Strengthening Local Content in Mozambique.” Prepared for USAID’s SPEED Program. Maputo: DAI and Nathan Associates, September. KPMG International. 2013. “Mozambique: Country mining guide.” Maputo. Krugman, Paul. 2014. “Jobs and Skills and Zombies.” New York Times, March 31. Kuznets, Simon. 1971. Economic Growth of Nations: Total Output and Production Structure. Cambridge, MA: Harvard University Press. Kyle, Steven. 2010. “Angola’s Macroeconomy and Agricultural Growth.” Working Paper WP 2010-04. Ithaca, NY: Cornell University, Department of Applied Economics and Management, January. Larsen, Erling R. 2004. “Escaping the Resource Curse and the Dutch Disease? When and Why Norway Caught Up With and Forged Ahead of Its Neighbors.” Discussion Papers No. 377. Oslo: Statistics Norway, Research Department, May. Lewis, Peter M. 2007. Growing Apart: Oil, Politics, and Economic Change in Indonesia and Nigeria. Ann Arbor, MI: University of Michigan Press. Magud, Nicolás and Sebastián Sosa. 2010. “When and Why Worry About Real Exchange Rate Appreciation? The Missing link between Dutch Disease and Growth.” IMF Working Paper WP/10/271. Washington, DC: IMF, December. DRAFT Maimuna Assiate, Ibraimo. 2014. “Os Desafios para a Empregabilidade dos Jovens em Moçambique. (draft para discussão).” Ministério da Planificação e Desenvolvimento, National Direction of Studies and Policy Analysis. Maputo, February. Mandlate, Oksana. 2014. “Ligações Entre os Grandes Projectos de IDE e os Fornecedores Locais na Agenda Nacional de Desenvolvimento.” IESE Bulletin No 60. Maputo, February. Massingarela, Cláudio, Virgulino Nhate, and Carlos Oya. 2005. “Mercados Rurais de Emprego em Moçambique: Um estudo sobre o trabalho assalariado temporário e informal nas zonas rurais de Manica, Nampula, e Zambézia.” Discussion Paper No. 31P. Maputo: Ministério da Planificação e Desenvolvimento, National Direction of Studies and Policy Analysis, December. Mather, Charles. 2000. “Foreign Migrants in Export Agriculture: Mozambican Labour in the Mpumalanga Lowveld, South Africa.” Tijdschriftvooreconomische en socialegeografie, 91, 4: 426436. Mather, David, BeneditoCunguara, and Duncan Boughton. 2008. “Household Income and Assets in Rural Mozambique, 2002-2005: Can Pro-Poor Growth Be Sustained?” Research Report No. 66. Maputo: Ministry of Agriculture, Directorate of Economics, December. Mogotsi, I. 2002. “Botswana’s diamonds boom: was there a Dutch disease?” South African Journal of Economics 70(1): 128-155. Monitor Group. 2012. “Mozambique: Stimulating Private-Sector Agribusiness Investment in Mozambique, Multi-Stakeholder Action Plan.” Prepared for CEPAGRI and USAID. August. Mutimucuio, Manuel and Quinn Laumas. 2010. “Experiences with Vocational and Business Skills Development in the Inhambane Tourism Industry.” Paper prepared for SNV. Mwanza, Peter. 2012. “Mozambique Business Linkages Review: Overview of Key Experience, Issues, and Lessons.” Prepared by USAID SPEED Program. DAI and Nathan Associates, October. Nucifora, Antonio M. D. and Luiz A. Pereira da Silva. 2011. “Rapid Growth and Economic Transformation in Mozambique, 1993-2009.” Chapter 3, pp. 65-79. In PunamChuhan-Pole and MankaAngwafo, eds., Yes Africa Can: Success Stories From A Dynamic Continent. Washington: World Bank. O’Laughlin, Bridget and Yasfir Ibraimo. 2013. “The Expansion of Sugar Production and the Well-Being of Agricultural Workers and Rural Communities in Xinavane and Magude.” IESE Caderno No. 12E/2013. Maputo: Instituto de Estudos Sociais e Económicos. Organização dos Trabalhadores de Moçambique. “Plano Estratégico 2013-2017”. Pegg, Scott. 2010. “Is there a Dutch disease in Botswana?” Resources Policy, 35: 14-19. Republic of Mozambique. 2007. Labour Law, Law Nr. 23/2007 of 1st August 2007. http://www.tipmoz.com/library/resources/tipmoz_media/labour_law_23-2007_1533E71.pdf. ______, Ministério da Planificação e Desenvolvimento, National Directorate of Studies and Policy Analysis (MPD/DNEAP). 2010. “Poverty and Wellbeing in Mozambique: Third National Poverty Assessment.” Maputo, October. ______. Ministério da Planificação e Desenvolvimento, National Directorate of Studies and Policy Analysis (MPD/DNEAP). 2013. “2012 Survey of Mozambican Manufacturing Firms, Inquérito as IndústriasManufactureiras 2012.” Maputo, July. ______. Ministério do Trabalho. 2012. “Boletim de Estatísticas do Trabalho – 2012.” Maputo. ______. National Statistics Institute (INE). 2006. “Resultados do Primeiro Inquérito Nactional ao Sector Informal (INFOR – 2004).” Maputo. ______. National Statistics Institute (INE). 2013. “Inquérito Contínuo aos Agregados Familiares, INCAF - 2◦ Trimestre (Outubro a Dezembro 2012).” Boletim Trimestral. 11 June. Robbins, Glen and David Perkins. 2012. “Mining FDI and Infrastructure Development on Africa’s East Coast: Examining the Recent Experience of Tanzania and Mozambique.” Journal of International Development, 24, 2: 220-236. Rodrik, Dani. 2014. “An African Miracle?” Richard H. Sabot Lecture, Center for Global Development. Washington, DC: April 24. Rosenfeld, David. No date. “The coal mining sector in Mozambique: A simple model for prediction of government revenue.” MERCADOS DE TRABALHO EM MOÇAMBIQUE FACE AO BOOM DE RECURSOS NATURAIS 69 Rosewarne, Stuart, JoonShik Shin, Susan McGrath-Champ, and Phil Toner. 2006. “The globalisation of the construction work force: the impact on the Australian building and construction industry.” 4th Asia-Pacific Building Unions Seminar. http://masonrycontractors.com.au/wpcontent/uploads/2014/03/globalisation-of-the-construction-workforce_rosewarne-et-al-1.pdf. Ross, Michael L. 2007. “How Mineral-Rich States Can Reduce Inequality.” Chapter 9, pp. 237-255. In Macartan Humphreys, Jeffrey D. Sachs, and Joseph E. Stiglitz, eds., Escaping the Resource Curse. New York: Columbia University Press. Sachs, Jeffrey D. 2007. “How to Handle the Macroeconomics of Oil Wealth.” Chapter 7, pp. 173- 193. In Macartan Humphreys, Jeffrey D. Sachs, and Joseph E. Stiglitz, eds., Escaping the Resource Curse. New York: Columbia University Press. Sala-i-Martin, Xavier and Arvind Subramanian. 2003. “Addressing the Natural Resource Curse: An Illustration from Nigeria.” WP/03/139. Washington, DC: International Monetary Fund, July. Salinger, Lynn and Jeffrey Wheeler. 2010a. “The Labor Sector and U.S. Foreign Assistance Goals, Technical Paper.” Prepared for USAID, Democracy and Governance Office. Burlington, VT: TetraTech/ARD, www.glasai.com. ______ and Jeffrey Wheeler. 2010b. “Labor Sector Strategic Assessment Guide.” Prepared for USAID, Democracy and Governance Office. Burlington, VT: TetraTech/ARD, www.glasai.com. Schierholz, Heidi. 2014. “Is There Really a Shortage of Skilled Workers?” Washington, DC: Economic Policy Institute, January 23. DRAFT Schindler, Kati and Lena Giebert. 2010. “Assets, Shocks, and Poverty Traps in Rural Mozambique.” Draft paper. Hamburg: GIGA Hamburg, April. Sender, John, Carlos Oya, and Christopher Cramer. 2006. “Women Working for Wages: Putting Flesh on the Bones of a Rural Labour Market Survey in Mozambique.” Journal of Southern African Studies, 32, 2 (June): 313-333. Simione, Felix. 2011. “Labor Market Returns to Education in Mozambique: Learning from a Quasiexperiment.” DNEAP Discussion Paper E73. Maputo, October. SNV. 2011. “High Impact Tourism Training for the Informal Sector – Inception Analysis.” Study prepared by Turconsult for SNV. Spenceley, Anna and Zachary Rozga. 2007. “IFC Tourism Training Network Market Research Report.” Washington: International Finance Corporation. Tarp, Finn. 2012. “Delivering good jobs in Mozambique: progress, problems, and possibilities.” NordicMozambique Conference on Inclusive Growth, Maputo, Mozambique, 23-24 May 2012. Timmer, C. Peter. 1994. “Dutch Disease and Agriculture in Indonesia: The Policy Approach.” Development Discussion Paper No. 490. Cambridge, MA: Harvard University, Harvard Institute for International Development. Ulandssekretariatet, LO/FTF Council. 2012. “Mozambique – Labour Market Profile 2012.” Copenhagen. United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD). 2012. Mozambique Investment Policy Review. New York and Geneva. United States. Bureau of Labor Statistics. 2014. Occupational Outlook Handbook. Washington, http://www.bls.gov/ooh/. Universidade Eduardo Mondlane. 2013. “Curso de Preparacao para Candidatos ao Mestrado de Engenharia de Petróleo.” Course Description. Usui, Norio. 1997. “Dutch disease and policy adjustments to the oil boom: a comparative study of Indonesia and Mexico.” World Development 23, 4: 151-162. Van Staden, Tjaart and Silvia Oliveira. 2001. “Use of Indigenous Labor On Mega Projects – An Overview Of Practice Used On The Training And Development Of Unskilled, Semi-Skilled And Skilled Labor For The Mozal Smelter Project.” Paper presented at the 1st International Conference on Employment Creation in Development, April 2-5, 2001. Warren-Rodriguez, Alex. 2008. “Uncovering Dynamics in the Accumulation of Technological Capabilities and Skills in the Mozambican Manufacturing Sector.” Department of Economics Working Papers No. 156. London: School of Oriental and African Studies, University of London. Webber, Martin. 2013. “Competitiveness in Light of Mozambique’s Resource Boom.” Trip Report, Draft. Maputo: SPEED Program, October. World Bank. 2004. Skills Development in Mozambique: Issues and Options. Report No. 29492-MZ. Washington, August 26. ______. 2011. “Project Information Document, Appraisal Stage: Additional Financing for Technical and Vocational Education and Training.” Report No. AB6320. June 16. ______. 2012a. Jobs: World Development Report 2013. Washington. ______. 2012b. “Country Partnership Strategy FY12-15 for the Republic of Mozambique.” Report No. 66813-MZ. Washington, DC: World Bank, February. ______. 2014a. “How wealthy is Mozambique after the discovery of coal and gas? Measuring wealth in Mozambique using the wealth accounting framework?” World Bank Mozambique Policy Note. Maputo, January. ______.2014b. “Human Capital for the Oil, Gas, and Minerals Industries – Is Africa Getting the Most Out of Its Extractive Industries Boom?” World Bank Issues Paper, March. Ziyadov, Taleh. 2012. “Conclusion: Constant Perils, Policy Responses, and Lessons to Be Learned.” Pp. 352-370. In Brenda Shaffer and TalehZiyadov, eds., Beyond the Resource Curse. Philadelphia: University of Pennsylvania Press.