Caracterização dos acidentes de trânsito e Goiânia: a experiência do Hospital de Urgências de Goiânia∗ Marta Rovery de Souza♣ Elias Rassi Neto♦ Palavras-chave: acidentes de transporte; violências; estudo epidemiológico. Resumo Diversos estudos têm sido realizados com o objetivo de descrever o perfil epidemiológico das vítimas de acidentes e violências. Também são diversos os trabalhos existentes na literatura científica nacional sobre o perfil da morbimortalidade por causas externas e dos custos com esses eventos. Todavia, estes estudos são pontuais temporal e geograficamente, limitando-se a informar ou interpretar os dados das variáveis da declaração de óbito (DO), da autorização de internação hospitalar (AIH) e do boletim de atendimento ambulatorial (BPA). Essa limitação priva o setor saúde de conhecer mais detalhes acerca das vítimas, das circunstâncias do evento e das lesões de menor gravidade que não tiveram a morte ou hospitalização como desfecho, bem como os tipos de violência que permanecem silenciados: violência sexual, tentativas de suicídio, violência doméstica e outras formas de violência interpessoal. Com vista a contribuir com esta reflexão, foi realizado um estudo epidemiológico, do tipo transversal, com abordagem quantitativa em um serviço de emergência hospitalar em Goiânia. A população do estudo compreendeu as vítimas de acidentes e violências atendidas em um serviço público de urgência e emergência em Goiânia – Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO) - no período de 01 a 30 de setembro de 2007. No período em questão foram atendidos neste serviço 2354 casos de acidentes e violências. Os acidentes de transporte representaram mais de 40% das ocorrências; aconteceram com indivíduos de sexo masculino e majoritariamente da faixa etária de 20-29 anos; a suspeita de uso de álcool foi significativa principalmente nos casos de agressão e nos acidentes de transporte. O principal veículo envolvido nos acidentes que estavam relacionados ao trabalho foram as motocicletas e a maioria dos condutores respondeu já ter sofrido um acidente anteriormente. ∗ Trabalho apresentado no XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, realizado em Caxambu- MG – Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008. ♣ Doutora em Ciências Sociais, professora da Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal de Goiás ♦ Mestre em Saúde Coletiva, professor do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Publica da Universidade Federal de Goiás 1 Caracterização dos acidentes de trânsito e Goiânia: a experiência do Hospital de Urgências de Goiânia∗ Marta Rovery de Souza♣ Elias Rassi Neto♦ Introdução Iniciativas de vários países do mundo, a partir do final do século XX, têm colocado o trânsito não só como um dos principais problemas da modernidade, bem como entre os problemas passíveis de intervenção por meio de práticas saudáveis. A estratégia é melhorar a identificação, a assistência aos acidentados e a atuação necessária para a redução de mortes e traumas no mundo. Documentos da ORGANIZACION MUNDIAL DE LA SALUD (2004) (OMS) destacam que no ano de 2000 cerca de 1,2 milhões de pessoas morreram por acidente de trânsito, sendo essa a décima causa de óbito e a nona a contribuir com a carga de doença em todo o mundo. A América Latina teve neste mesmo ano, uma das taxas per capta por acidentes de transporte mais alto do mundo com uma cifra média de 26 mortes por cada 100.000 pessoas (Souza, Minayo, Malaquias, 2005). Entre os fatores de risco mais importantes, destacam-se os abusos de bebidas alcoólicas assim como o descumprimento generalizado muitas vezes dos limites de velocidade. Igualmente importante, a gravidade das lesões no trânsito aumenta pelo não uso do cinto de segurança e dos capacetes. As péssimas condições de algumas rodovias, bem como os sistemas de sinalização se destacam também como fatores propagadores das lesões e dos acidentes de trânsito (paho.org). Vale destacar que 85% das mortes por conseqüência do trânsito no mundo se produzem nos paises de rendas per capta médias e baixas. O trânsito já se apresentava como um sério problema social já na década de 60, época em que a industrialização no Brasil se acelerou atrelada às profundas transformações socioeconômicas, pelo intenso movimento do campo para as cidades e, pela rápida e não planejada urbanização. Esta rápida urbanização e a concomitante motorização nos paises em desenvolvimento contribuíram para o crescimento dos acidentes de trânsito e isso não foi seguido por engenharia apropriada de estradas e por programas de sensibilização, educação, prevenção de riscos e repressão das infrações. No centro do modelo de desenvolvimento, três elementos foram responsáveis pela elevação das mortes no trânsito, que, desde então, passaram a ocupar o primeiro lugar no quadro das chamadas causas externas: a instalação das montadoras de automóvel como ponta de lança do desenvolvimento industrial; a troca das estradas de ferro pelo modelo rodoviário; ∗ Trabalho apresentado no XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, realizado em Caxambu- MG – Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008. ♣ ♦ Universidade Federal de Goiás. Universidade Federal de Goiás. 2 o aumento da frota de automóveis em todo o território nacional e a escassa regulação, controle e educação no trânsito (Souza, Minayo, Malaquias, 2005). Conforme o documento da OMS (2004) uma das razões para as parcas respostas dadas ao problema é que ele afeta mais pessoas pobres e vulneráveis que ricas e poderosas. Outra razão é a crença de que o acidente de trânsito diz respeito mais as agencias de transporte do que as agencias de saúde publica. Os crimes de trânsito são quase sempre tratados como fatalidade quando, na maioria das vezes, são frutos de omissões estruturais quanto às condições das estradas e vias públicas, às condições dos veículos, á fiscalização, às imperícias, imprudências e negligencias dos usuários – motoristas ou pedestres. Informes das Nações Unidas informa que na América Latina as colisões de trânsito constituem a segunda causa principal de morte entre pessoas de 5 a 25 anos. No Brasil os acidentes de trânsito foram em 2004 a quarta causa de morte- os homens a partir dos 20 anos de idade são as principais vitimas dessas ocorrências (80% dos óbitos). O risco de morrer por acidentes de transito terrestre foi seis vezes maior para os homens do que para as mulheres. São eles que determinam o padrão da curva de mortalidade por acidentes de transporte na população em geral. Chama atenção o fato de a Região Centro-Oeste apresentar as mais elevadas taxas de mortalidade no trânsito em todas as faixas etárias, dividindo essa posição apenas com a Região Sul para o grupo de 40 aos 49 anos. Na década de 1990, aumentou a violência urbana e a deterioração do meio ambiente. A violência se tornou um dos fatores mais importantes da perda de qualidade de vida da população urbana, ela penetra todos os setores da vida urbana com resultados devastadores e promove relações entre os cidadãos baseadas na insegurança, no desamparo, na agressividade e na autodefesa, restringindo o exercício de sua cidadania e transformando os espaços públicos em ambientes não saudáveis. As lesões ou causas externas são as principais causas de morte em todo o mundo, em especial nos países em desenvolvimento, como conseqüência das transições epidemiológica, demográfica e socioeconômica. Para fins de classificação, as lesões podem ser agrupadas segundo a intencionalidade da ação. Assim, existem as lesões intencionais, representadas pelas agressões, homicídios, suicídios, privação ou negligência, e as não intencionais, incluindo os acidentes de transporte, afogamentos, quedas, queimaduras, dentre outros. Segundo definição internacional, as causas externas encontram-se codificadas no capítulo XX da Classificação Internacional de Doenças (CID), incluindo os agravos e mortes auto ou hetero-infligidos. De acordo com a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências, acidente é entendido como “o evento não intencional e evitável, causador de lesões físicas e emocionais, no âmbito doméstico ou nos outros ambientes sociais como o do trabalho, trânsito, escola, espore ou lazer”. Violência, segundo a definição proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS), constitui “o uso da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha qualquer possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação”. Tecnicamente acidente de trânsito é “todo evento com dano que envolva o veículo, a via, a pessoa humana ou animais e que, para caracterizar-se, tem a necessidade da presença de pelo menos dois desses fatores”, mas a 3 Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por acidentes e violências, do Ministério da Saúde (Brasil, 2001), complexifica essa definição quando afirma que “acidente de trânsito é um evento não-intencional, mas evitável, causador de lesões físicas e emocionais”, relativizando o caráter aleatório do fato e chamando atenção para a prevenção. No Brasil, com base nos dados do Ministério da Saúde, as causas externas foram à terceira causa de morte, representando 12% (127.470) de todos os óbitos ocorridos em 2004, depois das doenças do aparelho circulatório e neoplasias. O coeficiente de mortalidade por causas externas foi de 119,4/100.000 entre homens, cinco vezes maior do que entre as mulheres (22,2/100.000). Dentre os óbitos por causas externas, os homicídios corresponderam a 38%, seguidos de acidentes de transporte terrestre (23%), suicídios (6%), quedas (5%) e afogamentos (5%), além de outros tipos de violências e causas externas de intenção indeterminada (23%). Com relação à morbidade, as causas externas foram responsáveis por hospitalizações devidas principalmente às quedas (42%), acidentes de transporte terrestre (15%) e homicídios (6%). Os danos causados por acidentes e violências correspondem a altos custos emocionais e sociais como: prejuízos econômicos decorrentes do absenteísmo; danos mentais e emocionais incalculáveis nas vítimas e em suas famílias; anos de produtividade ou de vida perdidos; aumento de gastos com atendimentos de emergência, assistência e reabilitação, muito mais onerosos do que a maioria dos procedimentos médicos convencionais. No âmbito da saúde pública, torna-se fundamental abordar os eventos de saúde em uma estrutura baseada em dados científicos e multi-setorais, permitindo elaborar respostas para uma grande variedade de doenças e problemas de saúde, incluindo os acidentes e violências. O Sistema Único de Saúde tem conseguido implementar importantes mudanças na organização dos serviços de saúde no Brasil. De uma forma geral, a descentralização tem demonstrado as maiores possibilidades dos municípios na gestão de seus interesses mais diretos, trazendo como conseqüência, em muitos casos, uma aproximação maior dos preceitos constitucionais de universalização e eqüidade. A partir dos pressupostos de construção de políticas públicas saudáveis e ambientes saudáveis, a reorientação dos serviços de saúde deve ser pensada no interior de uma política social concernente à liberdade e eqüidade na garantia do acesso igualitário aos serviços. As dificuldades inerentes aos grandes aglomerados urbanos, particularmente os conurbados das capitais, exigem reflexões e elaborações particulares. Ao mesmo tempo, as atividades voltadas ao monitoramento dos agravos à saúde ou de alguns de seus determinantes constituem prática fundamental para subsidiar políticas públicas para o enfrentamento e prevenção dos problemas. No campo especifico das violências e dos acidentes em particular, pela magnitude e transcendência, o seu acompanhamento tende a se tornar rotina diária, não só pelo setor saúde, como também por inúmeras outras áreas, podendo também servir como catalisador para as necessárias integrações intersetoriais. Em Goiânia, nas ultimas décadas, presenciamos uma incorporação crescente das violências como causa básica de óbitos, com expressiva importância nos adultos jovens, o que também impõe profundas alterações nos serviços de saúde que precisa melhor se adequar às novas realidades. Os impactos na qualidade de vida e os elevados custos sociais e econômicos envolvidos exigem reflexões permanentes sobre esta face da urbanização ocorrida nas ultimas 4 décadas. Em uma das pontas desta situação aparece à elevada freqüência das internações hospitalares ocorridas em Goiânia e registradas pelo SIH-SUS, tendo como causa básica alguma forma de violência. Dentre estas internações, um quarto é devido aos acidentes de transporte, que se responsabilizam por um terço dos custos hospitalares envolvidos. Nos três primeiros meses de 2005, somente o Hospital de Urgência de Goiânia – HUGO atendeu 7929 vitimas de acidentes de trânsito, dos quais 340 destes acidentados foram submetidos a cirurgias e outra parcela expressiva dos acidentados ai atendidos foi transferida para outros hospitais. O conhecimento cada vez mais preciso das características dos acidentes de trânsito constitui informação indispensável para a formulação das políticas publicas e é parte indissociável de seu planejamento. Neste sentido o Ministério da Saúde tem estimulado as gestões estaduais e dos maiores municípios brasileiros a também se apropriarem dessas realidades, fomentando iniciativas de pesquisa como a realizada em Goiânia e em várias outras capitais brasileiras que consistiu em um estudo epidemiológico do tipo transversal realizado no HUGO no período de um mês com vistas a coletar informações referentes aos atendimentos de violências realizados utilizando-se do instrumental elaborado pela SVS, voltado ao acompanhamento de hospitais considerados sentinelas. Para as finalidades deste trabalho serão analisadas informações que foram inseridas no referido instrumento que nos permitiram caracterizar de maneira mais aprofundada os acidentes que envolviam motociclistas. As variáveis contidas referem-se aos prováveis riscos que podem estar relacionados aos acidentes de trânsito tais como: motivo do deslocamento, causas ocupacionais, tempo de habilitação, histórico do motorista, veículos envolvidos e uso de equipamentos de proteção individuais. Propõe-se, neste artigo, refletir sobre os acidentes de trânsito como uma forma de violência e a chamar de crimes as infrações, desmistificando seu aspecto puramente não intencional (que pode ocorrer ocasionalmente) e aleatório. Esta posição dota de responsabilidades recíprocas tanto os usuários motorizados e pedestres como os órgãos gestores, instituições e empresas ligadas ao setor. O desafio das fontes de informação: os serviços sentinelas em acidentes e violências No Brasil, dentro do escopo da Coordenação de Geral de Vigilância de doenças e Agravos não Transmissíveis (CGDANT) do Ministério da Saúde, a vigilância de acidentes e violência pressupõe o fluxo sistemático de dados secundários e primários. As principais fontes de dados são os sistemas de informação de morbimortalidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e inquéritos de saúde periódicos, pesquisas realizadas em grupos específicos ou serviços de saúde. O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) apresenta dados fidedignos dos principais tipos de causas externas que determinam mortes, enquanto o Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) permitem o acompanhamento das internações hospitalares e atendimentos ambulatoriais decorrentes das causas externas, respectivamente. É importante chamar a atenção para a incompletude e a precariedade das informações sobre o tema: em primeiro lugar, a diversidade de dados sobre o assunto (departamentos estaduais de transito, delegacias de policia, serviços de saúde, SMT) na grande maioria das 5 vezes estas diferentes instituições envolvidas registram, identificam, definem e classificam os eventos de modos diferentes o que por sua vez culmina com uma falta de articulação que impossibilita a agregação e a comparação das informações existentes. Diversos estudos têm sido realizados com o objetivo de descrever o perfil epidemiológico das vítimas de acidentes e violências. Também são diversos os trabalhos existentes na literatura científica nacional sobre o perfil da morbimortalidade por causas externas e dos custos com esses eventos. Todavia, estes estudos são pontuais temporal e geograficamente, limitando-se a informar ou interpretar os dados das variáveis da declaração de óbito (DO), da autorização de internação hospitalar (AIH) e do boletim de atendimento ambulatorial (BPA). Essa limitação priva o setor saúde de conhecer mais detalhes acerca das vítimas, das circunstâncias do evento e das lesões de menor gravidade que não tiveram a morte ou hospitalização como desfecho, bem como os tipos de violência que permanecem silenciados: violência sexual, tentativas de suicídio, violência doméstica e outras formas de violência interpessoal. Frente à necessidade de conhecer a situação dos acidentes e violências de forma mais precisa e complementar em relação aos dados dos sistemas de informação em saúdes (SIS) existentes, o Ministério da Saúde, por meio da CGDANT, em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde (SES/SMS), implantou a estratégia de vigilância de acidentes e violências em serviços sentinelas a partir de agosto de 2006. Selecionaram-se serviços com maior demanda por atendimentos de emergência bem como os municípios prioritários para o desenvolvimento de ações de redução da morbimortalidade por causas externas. Essa estratégia apresenta dois componentes: i) vigilância de acidentes e violências em emergências hospitalares e ii) vigilância de violência sexual, doméstica e outros tipos de violência interpessoal em serviços de referência para violência. A vigilância com base em eventos e serviços “sentinelas” justifica-se pela impossibilidade de coletar universalmente os dados de atendimentos decorrentes de acidentes e violências realizados nos serviços de emergência de todo o País. Essa proposta apresenta como principais vantagens à identificação dos eventos em escala temporal mais próxima de sua ocorrência; obtenção de dados mais fidedignos e com melhor qualidade; implantação mais rápida e agilidade no seu aprimoramento, além da facilidade operacional e baixo custo, pois pode ser absorvida pelo nível local do sistema de saúde. Mediante as necessidades expostas e como parte integrante da estratégia implementada em 2006 pelo Ministério da Saúde, foi realizado um estudo epidemiológico, do tipo transversal, com abordagem quantitativa em um serviço de emergência hospitalar em Goiânia. Também conhecido como estudo seccional, de prevalência ou inquérito, o estudo de corte transversal é uma estratégia de investigação epidemiológica que se caracteriza pela observação direta de determinada quantidade planejada de indivíduos em uma única oportunidade. Esse tipo de estudo é relativamente rápido, de fácil execução e bastante útil para a formulação de hipótese. Porém, não oferecem evidência de uma relação temporal entre fatores de risco e desfecho, nem são adequados para testar hipóteses. A população do estudo compreendeu as vítimas de acidentes e violências atendidas em um serviço público de urgência e emergência em Goiânia – Hospital de Urgências de Goiânia (HUGO) - no período de 01 a 30 de setembro de 2007. Foi utilizado o instrumento elaborado pela SVS/MS, voltado ao acompanhamento de hospitais considerados como sentinelas. Esse instrumento sofreu alterações voltadas ao maior detalhamento das 6 características próprias de acidentes que envolvam motocicletas. As variáveis contidas nesse instrumento referem-se aos prováveis fatores de risco que podem estar relacionados ao acidente de trânsito, tais como: motivo do deslocamento, causas ocupacionais (vínculos, carga horária, etc.), dias, horários, local de ocorrência, tempo de habilitação, histórico do motorista, veículos envolvidos e o ocupado pela vítima, quantidade de vítimas e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Perfil dos acidentados atendidos no HUGO As vítimas de acidentes e violências atendidas no HUGO no período estudado (Tabela 1) eram fundamentalmente homens (68,4%), possuíam de 10-39 anos em 64,5% dos casos, chamando atenção primeiramente a participação do grupo etário de 20-29 anos que sozinho contribuiu com quase 30% dos casos. Com relação à variável raça/cor a maior prevalência dos acidentados eram da cor parda. O ensino fundamental aparece como o nível de escolaridade mais freqüente entre os acidentados – 46% possuíam o ensino fundamental (completo ou incompleto) enquanto que o ensino médio completo, apareceu em 17,05% dos casos. Tabela 1 Características Sócio-Demográficas Características Nº Absoluto Nº (%) Menores de 1 ano 1 a 9 anos 10 a 19 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 a 69 anos 70 anos ou + Ignorado Total 10 284 434 673 410 234 146 76 75 12 2354 0,4 12,1 18,4 28,6 17,5 9,9 6,2 3,2 3,2 0,5 100,0 Feminino Masculino Total 1610 744 2354 68,4 31,6 100,0 Branca Negra Parda Amarela Indígena Ignorado Total 759 331 1212 5 1 46 2354 32,2 14,1 51,5 0,2 0,0 2,0 100,0 Idade Sexo Cor/Raça 7 Escolaridade Analfabeto 1ª a 4ª série incompleta do E.F. 4ª série completa do E.F. 5ª a 8ª série incompleta do E.F. Ensino Fundamental completo Ensino médio incompleto Ensino médio completo Educação superior incompleto Educação superior completo Ignorado Não se aplica Total 123 321 112 532 132 368 401 89 42 113 121 2354 5,2 13,6 4,8 22,6 5,6 15,6 17,1 3,8 1,8 4,8 5,1 100,0 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. Entre os tipos de ocorrências, os acidentes de transporte foram os responsáveis pelas maiores cifras – 41,9% seguido pelas quedas (31,4%). As informações sobre o município de ocorrência e residência das vítimas de acidentes e violências mostraram que em ambos os casos quase 40% das ocorrências não aconteceram em Goiânia, bem como os envolvidos não residiam em Goiânia nas mesmas proporções, no entanto, foram atendidos no HUGO. Vale destacar que aproximadamente 30% destes atendidos eram de pessoas oriundas de três principias municípios: Senador Canedo, Aparecida de Goiânia e Trindade; municípios estes que também por estarem próximos da capital acabam fazendo uso dos serviços de emergência disponíveis em Goiânia (Tabela 1.1). Tabela 1.1 Características Sócio-Demográficas Características Nº Absoluto Nº (%) Acidente de Transporte Queda Queimadura Outros acidentes Suicídio/tentativa Agressão/maus tratos Intervenção legal Ignorado Total 986 738 5 454 26 132 1 12 2354 41,9 31,4 0,2 19,3 1,1 5,6 0,0 0,5 100,0 Goiânia Senador Canedo; Aparecida de Goiania, Trindade Demais localidades(municípios de GO,MG e MT ) Ignorado Total 1367 590 348 49 2354 58,0 25,1 14,8 2,1 100,0 Tipo de Acidente/Violência Município de Ocorrência 8 Município de Residência Goiânia 1347 57,2 Senador Canedo; Aparecida de Goiania, Trindade 682 29,0% Demais localidades(municípios de GO,MG e MT ) 309 13,1 Ignorado 16 0,7 Total 2354 100,0 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. Uma correlação entre álcool e tipo de ocorrência foi encontrada em 9,5% dos casos atendidos, no entanto, é sabido que estes dados são sub-enumerados, principalmente pela dificuldade e implicações éticas no levantamento desta informação pelos profissionais. Nos casos de agressão/maus tratos observou-se que a suspeita de uso de álcool esteve presente em 34,8% destes casos, sendo este o maior percentual encontrado. A suspeita de uso de álcool nos casos de acidente de transporte foi identificado em 13,5% e nos casos de suicídio e/ou tentativa de suicídio em 11,5% (Tabela 2). Estes dados reforçam a tese de que o álcool pode funcionar como um elemento desencadeador potencializando riscos de violências e acidentes. Tabela 2 Suspeita de uso de álcool, segundo tipo de ocorrência dos acidentes. Tipo de ocorrencia Acidente de transporte Queda Queimadura Outros acidentes Suicídio/tentativa Agressão/maus tratos Intervenção legal Ignorado Total geral Suspeita de uso de álcool Sim Não Ign. 133 (13.5%) 818 35 23 (3,1%) 702 13 0 (0,0%) 5 0 18 (3,9%) 429 7 3 (11,5%) 20 3 46 (34,8%) 80 6 0 (0,0%) 1 0 0 (0,0%) 3 9 223 2058 73 Total geral 986 738 5 454 26 132 1 12 2354 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. Como já mencionado anteriormente, 64,4% das pessoas atendidas no HUGO vítimas de violências ou acidentes possuíam entre 10 e 39 anos, chamando atenção para o grupo etário de 20-29 anos que apresentou as maiores cifras. No entanto, no detalhamento desta informação, observa-se que entre os acidentados atendidos de 20-29 anos 56,0% das ocorrências foram acidentes de transporte. As quedas foram mais presentes nas faixas mais jovens da população e nas de população idosa por razões óbvias. Nas ocorrências de suicídio e agressão este grupo etário também aparece como o mais vulnerável (Tabela 3). 9 Tabela 3 Tipo e ocorrência segundo idade do acidentado IDADE Menor de 1 ano 1 a 9 anos 10 a 19 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 a 69 anos 70 anos e + Ignorado Total geral Aci.Transp. 1 48 170 377 197 88 61 26 15 3 986 Queda 8 177 137 101 96 72 52 38 55 2 738 Queimadura Outros Ac. 0 1 0 57 0 99 1 131 1 73 3 55 0 24 0 8 0 4 0 2 5 454 Suic/tent Agressao 0 0 0 1 5 22 9 47 5 38 3 11 2 6 2 2 0 0 0 5 26 132 Interv.L 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 1 Ign. Total 0 10 1 284 1 434 6 673 410 2 234 1 146 0 76 1 75 0 12 12 2354 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. No que se refere à natureza das lesões nos atendimentos realizados, as contusões responderam por 40,5% das lesões, seguida pelas fraturas e pelos cortes/perfuração/laceração. Quanto à evolução nas primeiras 24 horas, as informações coletadas registraram que 47,7% dos acidentados tiveram encaminhamento ambulatorial e 44,3% receberam alta nas primeiras 24 horas. As internações ocorreram em 5,0% dos casos e ocorreram principalmente nos casos onde as lesões foram traumatismo crânio ou politraumatismo (Tabela 4). Tabela 4 Evolução na emergência, segundo a natureza da lesão. Natureza da Lesão Sem lesão Contusão Corte/perfuração/laceração Entorse/luxação Fratura Amputação Traumatismo dentário Traumatismo crânio/encefálico Politraumatismo Intoxicação Queimadura Outros Ignorado Total geral Evolução na emergência (24 Horas) Alta EA* IH** Evasão Óbito Ign. 56 12 0 0 0 1 625 293 10 3 0 24 89 231 19 0 4 5 137 48 0 0 0 2 63 415 23 0 1 5 3 7 1 0 0 0 7 21 1 0 0 0 10 53 28 0 4 2 5 25 30 1 2 3 8 4 4 0 0 2 2 5 2 0 0 0 37 8 0 0 0 0 1 2 1 0 1 8 1043 (44,3%) 1124 (47,7%) 119 (5,1%) 4 (0,2%) 12 (0,5%) 52 (2,2%) Total 69 955 348 187 507 11 29 97 66 18 9 45 13 2354 * Encaminhamento ambulatório ** Internação hospitalar Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”. 10 Um olhar sobre os Acidentes de Transporte Os condutores dos veículos foram as principais vítimas nos acidentes de transporte: 66,3%, já os passageiros apareceram como vítimas em 23,1% dos casos. Vale destacar que estas vítimas foram resgatadas e elevadas ao HUGO por intermédio principalmente do SAMU, de Ambulâncias e pelo Resgate municipal (63,3%) (Tabela 5). Tabela 5 Caracterização do tipo de vitima do acidente de transporte Tipo de vítima Total geral Nº(%) Pedestre 89 9,0 Condutor 654 66,3 Passageiro 228 23,2 Outro 1 0,1 Ignorado 14 1,4 Total 986 100,0 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. Ao se analisar a natureza das lesões das vítimas de acidente de transporte, primeiramente pode-se observar que as contusões e fraturas foram as principais lesões sofridas pelos acidentados independente de sua condição. No entanto, chama atenção que os traumatismos foram mais freqüentes entre os condutores acidentados (Tabela 6). Provavelmente este número esta influenciado pelo significativo número de acidentes que envolveram motocicletas, cujo uso de equipamentos de segurança- neste caso o capacetenem sempre se dá de forma adequada. Tabela 6 Tipo de Vitima do acidente de transporte, segundo natureza da lesão. Tipo de vitima Naureza da lesao Pedestre Condutor Passageiro Outro Ignorado Total geral Sem lesão 1 18 11 0 0 30 Contusão 41 299 114 1 8 463 Corte/perfuração/lac 8 55 15 0 2 80 eração Entorse/luxação 2 25 12 0 0 39 Fratura 21 155 40 0 3 219 Amputação 1 2 0 0 0 3 Traumatismo 0 9 5 0 0 14 dentário Traumatismo 3 34 12 0 1 50 crânio/encefálico Politraumatismo 10 31 11 0 0 52 Queimadura 0 3 0 0 0 3 Outros 2 21 8 0 0 31 Ignorado 0 1 0 0 1 2 Total geral 89 653 228 1 15 986 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. 11 Em outro esforço de qualificar os acidentes e violências, buscou-se selecionar aquelas ocorrências onde havia alguma relação do acidente com o trabalho da vítima. Neste sentido as informações coletadas mostraram que havia alguma relação em 18,1% dos casos, sendo que foi nos acidentes de transporte onde esta relação se deu de maneira mais significativa 40,9% (Tabela 7). Tabela 7 Tipo de ocorrência, segundo sua relação com trabalho da vitima. Tipo de Ocorrencia N.Abs Nº(%) Acidente de Transporte 174 40,9 Queda 95 22,4 Queimadura 3 0,7 Outros acidentes 143 33,6 Suicidio/tentativa 0 0,0 Agressao/maus tratos 4 1,0 Intervencao legal 0 0,0 Ignorado 6 1,4 Total acidentes/relação ao trabalho 425 100,0 Total de acidentes 2354 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. Dando continuidade ao desafio de caracterizar o mais detalhadamente possível as informações obtidas destes acidentes relacionados ao trabalho, não foi surpresa encontrar que em 75,9% deles o meio de transporte da vítima era a motocicleta (Tabela 8). Este achado está presente em outros estudos e é na perspectiva de refletir sobre este tipo especifico de acidente que seguirão nossas análises posteriores. Tabela 8 Meio de transporte da vitima, segundo acidente relacionado ao trabalho. Meio de Transporte da vítima A pé Automóvel Motocicleta Bicicleta Coletivo Outro Total N.Abs 6 7 132 22 2 5 174 Nº(%) 3,4 4,0 75,9 12,6 1,2 2,9 100,0 Fonte: Pesquisa “Serviços sentinelas para violências e acidentes: o caso do hospital de urgências de Goiânia – Hugo”, IPTSP, 2007. 12 Os acidentes com Motocicletas Baseado numa perspectiva sociológica do risco, a qual pressupõe que os significados de risco são definíveis pelo sujeito que vive a situação arriscada. O aumento de moto-boy circulando no trânsito sugere que eles desempenham tarefas que satisfazem as necessidades sociais contemporâneas, no entanto apesar da demanda ainda este trabalho é informal, principalmente pelo fato de que as empresas de tele-entrega na maior parte das vezes não são regulamentadas. Segundo um estudo realizado em Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (Veronese, A.M e Oliveira, D.L.L.C, 2006) ouvindo moto-boy sobre o modo como estes vêem os riscos do acidente de trânsito no cotidiano do seu trabalho, revelou que para os moto-boy a sociedade os vê de forma dicotômica. Por um lado, a presença dos moto-boy no trânsito das grandes cidades já está incorporada como necessária. Por outro, há críticas às condutas dos moto-boy, as quais são solicitadas pela própria. Ressalta ainda que ao descrever as especificidades de seu trabalho, os moto-boy destacam a urgência e a competição. A urgência solicitada nas entregas exige altas velocidades e essa é reconhecidamente a principal causa de acidentes e condenada no Código de Trânsito Brasileiro. No entanto ela é tão importante no trabalho de moto-boy a ponto de garantir o seu emprego. Corroborando os resultados do estudo de Oliveira e Veronese (2006), o risco do acidente de trânsito não é unifocal, ele incorpora uma rede de possíveis danos. Diriam alguns autores que os moto-boy vivem a dialética “risco-ncecessidade”: quando só se pode escolher entre trabalhar correndo os riscos do acidente de trânsito ou não trabalhar, o que a maioria escolheria? O uso do capacete, obrigatório por lei, é considerado pelos moto-boy como o principal equipamento de proteção do motociclista, no entanto, mesmo admitindo que na eventualidade de um acidente de trânsito os danos físicos são inevitáveis, os moto-boy não possuem o hábito de usar capacetes, botas, joelheiras e cotoveleiras, porque segundo eles, limitam a agilidade exigida pela natureza urgente do trabalho. O fenômeno do acidente de trânsito envolvendo moto-boy não esta relacionado apenas ao comportamento do moto-boy. Ele tem a ver, também com o meio e com as regras do mercado, estabelecidas por patrões e clientes. O planejamento de ações preventivas precisa considerar, então, todos os agentes e fatores que influem no comportamento arriscado dos moto-boy. Ações mais pontuais, reduzidamente dirigidas à mudança de comportamento dos moto-boy, possivelmente terão pouco sucesso (Oliveira e Veronese, 2006). Na análise dos dados complementares que estavam fundamentalmente relacionados a acidentes de transporte e mais especificamente a acidentes de motocicletas atendidos no HUGO, foi possível observar que praticamente um quarto dos acidentes os envolvidos responderam que já tinham sofrido um acidente anterior e no acidente atual eles eram os condutores e usavam a motocicleta (eram da propriedade do condutor em 74% dos casos) para trabalhar, principalmente transportando encomendas, atividade esta que requer rapidez. Ao analisar a forma de remuneração destas vítimas que usam a moto como instrumento de trabalho, vale destacar que menos da metade dos envolvidos possuíam carteira assinada e que sua remuneração ou era constituída somente de um salário fixo (46%) ou era composta apenas de parte variável (31%). Neste sentido, pode-se inferir que condições pouco adequadas de trabalho e vínculos empregatícios precários podem de alguma maneira aumentar a vulnerabilidade de acidentes deste indivíduos. 13 O tempo que estas pessoas envolvidas nos acidentes de moto trabalhavam nesta atividade era de menos de cinco anos (63% dos casos); bem como esta era sua única atividade de trabalho (85%). Considerações finais Diversas pesquisas nacionais e internacionais evidenciam que, se a tarefa de dirigir exige determinadas condições dos condutores, alguns grupos de profissionais, como os motoristas de taxi, de caminhão, de ônibus, de ambulância, e moto taxi/moto-boy são particularmente vulneráveis. Condições adversas nas relações de trabalho e nos vínculos trabalhistas são situações especificas que juntam vivencias de sofrimento laboral próprias desses profissionais cujas atividades fazem parte do sistema de transporte no Brasil. Vias públicas sem manutenção, sinalização deficiente, são situações específicas que também aumentam o risco e tornam estes profissionais mais vulneráveis aos acidentes. Também é importante ressaltar a relevância da educação e das políticas de conscientização do trânsito, direção defensiva, controle de velocidade e fundamentalmente o uso de equipamentos de segurança, que nos casos específicos dos moto-boy são fundamentais para sua prevenção. Levantar informações sobre esses acidentes, conhecer as populações envolvidas, a frota de veículos, a circunstâncias em que estes acidentes acontecem e o que acontece com as vitimas, possibilitam detectar situações de riscos diferenciados para a ocorrência desses eventos, o que por sua vez pode se constituir em um elemento norteador de políticas públicas para a redução da morbimortalidade por acidentes. Bibliografia Andrade SM, Mello Jorge MHP. Acidentes de transporte terrestre em município da Região Sul do Brasil. Revista de Saúde Pública 2001;35(3):31820. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Portaria n. 737, de 16 de maio de 2001. Aprova a Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências. Diário Oficial da União, Brasília, p. 3, 18 maio 2001. Seção 1. Organização Pan-Americana da saúde. Saúde nas Américas 2007 – Publicação Cientifica e Técnica n.622. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. 10ª rev. São Paulo: Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em Português, 1993. v. 1. Souza, E. R; Minayo, M.C; Malaquias, J.V – Violência no transito: expressão da violência social in Impacto da Violência na saúde dos brasileiros, série B. Textos Básicos de saúde – Brasília/DF, 2005. Veronese, A.M e Oliveira, D.L.L.C – Os riscos dos acidentes de trânsito na perspectiva dos moto-boy: subsídios para a promoção da saúde. Caderno de saúde publica, Rio de Janeiro, 22(12):2717-2721, dez, 2006. 14