18 Curitiba, domingo, 9 de maio de 2010 Vida Pública GAZETA DO POVO PESQUISA Pessuti e Ducci ainda são desconhecidos PÁGINA 20 Editor responsável: Ricardo Marques de Medeiros – [email protected] DIÁRIOS secretos OPERAÇÃO ECTOPLASMA II Gaeco prende mais nove e faz devassa na Assembleia Promotores e policiais passaram a manhã apreendendo documentos na sede do legislativo; ex-diretor Administrativo, José Nassiff, volta para a prisão Karlos Kolbach e Luiz Claudio Oliveira Vazamento Fontes ligadas à investigação contaram que o Ministério Público ficou surpreso com o vazamento das informações sobre a operação, o que permitiu que vários suspeitos escapassem. Agora o MP quer fazer uma investigação para saber como se deu o vazamento. Abib Miguel Eduardo José Gbur Ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa acusado de montar uma rede de “laranjas” e funcionários “fantasmas”. A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público (MP) contra ele por formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e por cometer 1.182 vezes o crime de desvio de dinheiro público. Já estava preso porque o MP acredita que ele pode atrapalhar as investigações. Táxista, sobrinho de Daor Oliveira. Recebeu mais de R$ 1,2 milhão em 35 depósitos, mas garante que nunca trabalhou na Assembleia. Cláudio Marques da Silva Ex-diretor de Pessoal da Assembleia. Seria um dos principais colaboradores de Abib Miguel e responsável por efetivar as contratações irregulares. A Justiça recebeu a denúncia do MP contra ele por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e por colaborar no esquema de desvio de dinheiro público. Ele conseguiu um habeas corpus da prisão decretada há duas semanas, mas permanecia preso porque foi detido também por porte ilegal de arma de fogo. José Devanir Bordignon Era funcionário da Diretoria Geral da Assembleia, comandada por Abib. Ele aderiu ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) em janeiro de 2001, mas voltou a receber dinheiro da Casa a partir de setembro, apesar de não haver qualquer registro de sua recontratação. De 2004 a 2009, os depósitos somados chega a 1,2 milhão. Luis Carlos Monteiro (foto) Diretor da gráfica da Assembleia. É responsável pela impressão de todos os diários oficiais da Casa. A Assembleia Legislativa do Paraná omitiu 2.178 atos de janeiro de 2006 até 31 de março de 2009. Pierre José Gbur Viviane Bastos Pequeno Filho de Clori, aparece como funcionário da diretoriageral da Assembleia, chefiada por Abib. Uma conta em seu nome recebeu depósitos de R$ 1,28 milhão. Porém, ele afirma que nunca recebeu este dinheiro e nem trabalhou na Casa. Filha de Douglas Bastos Pequeno, contador de Abib. Ela seria funcionária da Casa, mas nunca teria prestado serviço. O pai dela foi exonerado da Assembleia em 2007, mas recebeu depósitos em janeiro, fevereiro e abril de 2009, apesar do nome dele não constar na lista de funcionários. Glaucinele Souza Gbur Mulher de Pierre Gbur. Ela é funcionária da Assembleia e aparece na lista da Transparência da Casa, porém nunca teria trabalhado lá. A Assembleia Legislativa não se pronunciou oficialmente sobre o pedido de afastamento do novo diretor de Pessoal, Antônio Carlos Gulbino. O Ministério Púiblico (MP) encaminhou na sexta-feira ao presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus (DEM), um documento requerendo a saída de Gulbino do cargo acusado de ter montado o mandado de segurança do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Paraná (Sindilegis). Na sexta, a Diretoria de Comunicação informou que Justus ainda não havia recebido o pedido de afastamento feito pelo MP. Ontem, a reportagem entrou em contato novamente com a Diretoria de Comunicação, mas ninguém foi localizado. Uma decisão do Tribunal de Justiça aceitou o mandado de segurança do Sindilegis e impediu que os dados financeiros dos funcionários do Legislativo fossem entregues aos promotores. Porém, a presidente interina do sindicato, Diva Scaramella Ogibowski, contou ao MP que Gulbino entregou uma procuração para que ela assinasse e disse ter sido “usada” e “enganada” por ele. O presidente do Sindilegis é o ex-diretor geral da Assembleia, Abib Miguel, preso acusado de cometer 1.182 vezes o crime de desvio de dinheiro público. Os promotores argumentam que Gulbino estaria dificultando o acesso a folha de pagamentos da Casa. Ex-diretor administrativo da Assembleia e braço direito de Abib Miguel. Nassiff também era sócio do ex-diretor geral. Sob comando dele, a diretoria administrativa foi o segundo departamento que mais fez contratações na Casa com 149 servidores. A Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público contra ele por nove crimes. Irmã de Daor Oliveira, corretor de imóveis , funcionário da Assembleia e amigo de Abib há 35 anos. Clori recebeu R$ 1,1 milhão com alguns salários de cerca de R$ 35 mil. A contratação dela aparece na DiretoriaGeral, comandada anteriormente por Abib, porém o nome dela não constana lista de servidores. Derci Aparecida Schimitt Segundo uma fonte do MP seria ligada à família Bastos Pequeno. Assembleia não se manifesta sobre afastamento de diretor Heliberton Cesca José Ary Nassiff Clori Oliveira Gbur Outro lado A reportagem procurou, por telefone, o responsável pela comunicação da Direção da Assembleia, Alexandre Teixeira, e o presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM). Mas nenhum dos dois respondeu às ligações. ❚ O Gaeco do Ministério Público (MP) do Paraná cumpriu 11 mandados de prisão na operação Ectoplasma 2. Porém, dois deles eram contra dois ex-diretores já presos (Abib Miguel e Cláudio Marques). Veja quem são os detidos ontem: SILÊNCIO Reprodução/TV Paranaense Além das prisões, promotores e auditores do Ministério Público, com o apoio de policiais, cumpriram também mandados de busca e apreensão de documentos como provas de irregularidades na Assembleia. Parte desses mandados foi cumprida dentro da própria sede da Assembleia Legislativa. O diretor da gráfica da AL, Luis Carlos Monteiro, que havia sido preso em sua residência, no Bairro Seminário, foi conduzido à Assembleia Legislativa para ajudar na busca de documentos. O Ministério Público chegou a pedir o envio de um caminhão para levar todo o material apreendido. Em outros locais também foram apreendidos documentos, computadores e pen drives. Até o fechamento desta edição, a busca por materiais ainda não tinha terminado. ❚ OS PRESOS Aniele Nascimento/ GP Devassa Promotores do Ministério Público e policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na Assembleia. O diretor da gráfica da Casa, Luis Carlos Monteiro (de jaqueta preta, no centro da foto) foi levado para ajudar a encontrar documentos. Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo ❚ O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) promoveu uma devassa na Assembleia Legislativa na manhã deste sábado, atrás de documentos, e prendeu o exdiretor-administrativo Casa, José Ary Nassiff, o diretor da gráfica da AL, Luis Carlos Monteiro, e mais sete pessoas. Outras 13 ainda estavam sendo procuradas pela polícia até o fechamento desta edição. A operação, intitulada “Ectoplasma II”, foi deflagrada após a Justiça ter expedido 24 mandados de prisão de envolvidos nos escândalos da Asssembleia revelados pela Gazeta do Povo e pela RPC TV na série de reportagens intitulada Diários Secretos. Além dos nove presos neste sábado, outros dois já estavam detidos: o ex-diretor-geral da AL, Abib Miguel e o ex-diretor de pessoal, Claudio Marques (veja quadro nesta página). Todos são acusados de participar de um esquema de desvio de verbas públicas, com o empréstimo de contas bancárias para receber dinheiro da Assembleia e o uso de funcionários fantasmas. José Ary Nassiff teve cumprido o pedido de prisão preventiva e já foi encaminhado para o Quartel General da Polícia Militar, em Curitiba, onde já esteve preso e saiu beneficiado pela concessão de um habeas corpus. No mesmo quartel também está preso o exdiretor-geral da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel, conhecido como Bibinho, que voltou para a cadeia por volta da 1h30 da madrugada de sexta-feira depois de ficar apenas cinco horas em liberdade. Os advogados dele entraram com mais um habeas corpus para tentar tirá-lo da cadeia, mas a juíza substituta Lilian Romero, da 2.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, pediu mais documentos para liberá-o. Neste sábado, porém, a Justiça aprovou mais um pedido de prisão preventiva contra ele. Antônio Carlos Gulbino: pedido de afastamento pelo Ministério Público do Paraná.