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Curitiba, domingo, 9 de maio de 2010
Vida Pública
GAZETA DO POVO
PESQUISA
Pessuti e Ducci
ainda são
desconhecidos
PÁGINA 20
Editor responsável: Ricardo Marques de Medeiros – [email protected]
DIÁRIOS
secretos
OPERAÇÃO ECTOPLASMA II
Gaeco prende mais nove e
faz devassa na Assembleia
Promotores e policiais
passaram a manhã
apreendendo documentos na
sede do legislativo; ex-diretor
Administrativo, José Nassiff,
volta para a prisão
Karlos Kolbach e Luiz Claudio Oliveira
Vazamento
Fontes ligadas à investigação contaram que o
Ministério Público ficou surpreso com o vazamento das informações sobre a operação, o que
permitiu que vários suspeitos escapassem. Agora
o MP quer fazer uma investigação para saber
como se deu o vazamento.
Abib Miguel
Eduardo José Gbur
Ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa
acusado de montar uma rede de “laranjas” e
funcionários “fantasmas”. A Justiça recebeu a
denúncia do Ministério Público (MP) contra ele por
formação de quadrilha, falsidade ideológica,
lavagem de dinheiro e por cometer 1.182 vezes o
crime de desvio de dinheiro público. Já estava
preso porque o MP acredita que ele pode
atrapalhar as investigações.
Táxista, sobrinho de Daor Oliveira. Recebeu mais de
R$ 1,2 milhão em 35 depósitos, mas garante que
nunca trabalhou na Assembleia.
Cláudio Marques da Silva
Ex-diretor de Pessoal da Assembleia. Seria um dos
principais colaboradores de Abib Miguel e
responsável por efetivar as contratações irregulares.
A Justiça recebeu a denúncia do MP contra ele por
formação de quadrilha, lavagem de dinheiro,
falsidade ideológica e por colaborar no esquema de
desvio de dinheiro público. Ele conseguiu um habeas
corpus da prisão decretada há duas semanas, mas
permanecia preso porque foi detido também por
porte ilegal de arma de fogo.
José Devanir Bordignon
Era funcionário da Diretoria Geral da Assembleia,
comandada por Abib. Ele aderiu ao Programa de
Demissão Voluntária (PDV) em janeiro de 2001, mas
voltou a receber dinheiro da Casa a partir de setembro,
apesar de não haver qualquer registro de sua
recontratação. De 2004 a 2009, os depósitos
somados chega a 1,2 milhão.
Luis Carlos Monteiro (foto)
Diretor da gráfica da Assembleia.
É responsável pela impressão de
todos os diários oficiais da Casa.
A Assembleia Legislativa do
Paraná omitiu 2.178 atos de janeiro
de 2006 até 31 de março de 2009.
Pierre José Gbur
Viviane Bastos Pequeno
Filho de Clori, aparece como funcionário da diretoriageral da Assembleia, chefiada por Abib. Uma conta
em seu nome recebeu depósitos de R$ 1,28 milhão.
Porém, ele afirma que nunca recebeu este dinheiro e
nem trabalhou na Casa.
Filha de Douglas Bastos Pequeno, contador de Abib.
Ela seria funcionária da Casa, mas nunca teria
prestado serviço. O pai dela foi exonerado da
Assembleia em 2007, mas recebeu depósitos em
janeiro, fevereiro e abril de 2009, apesar do nome dele
não constar na lista de funcionários.
Glaucinele Souza Gbur
Mulher de Pierre Gbur. Ela é funcionária da
Assembleia e aparece na lista da Transparência da
Casa, porém nunca teria trabalhado lá.
A Assembleia Legislativa não se pronunciou
oficialmente sobre o pedido de afastamento do
novo diretor de Pessoal, Antônio Carlos Gulbino. O
Ministério Púiblico (MP) encaminhou na sexta-feira
ao presidente da Assembleia, deputado Nelson
Justus (DEM), um documento requerendo a saída de
Gulbino do cargo acusado de ter montado o mandado de segurança do Sindicato dos Servidores da
Assembleia Legislativa do Paraná (Sindilegis).
Na sexta, a Diretoria de Comunicação informou
que Justus ainda não havia recebido o pedido de
afastamento feito pelo MP. Ontem, a reportagem
entrou em contato novamente com a Diretoria de
Comunicação, mas ninguém foi localizado.
Uma decisão do Tribunal de Justiça aceitou o
mandado de segurança do Sindilegis e impediu que
os dados financeiros dos funcionários do Legislativo
fossem entregues aos promotores. Porém, a
presidente interina do sindicato, Diva Scaramella
Ogibowski, contou ao MP que Gulbino entregou
uma procuração para que ela assinasse e disse ter
sido “usada” e “enganada” por ele. O presidente do
Sindilegis é o ex-diretor geral da Assembleia, Abib
Miguel, preso acusado de cometer 1.182 vezes o crime
de desvio de dinheiro público. Os promotores argumentam que Gulbino estaria dificultando o acesso a
folha de pagamentos da Casa.
Ex-diretor administrativo da Assembleia e braço
direito de Abib Miguel. Nassiff também era sócio do
ex-diretor geral. Sob comando dele, a diretoria
administrativa foi o segundo departamento que mais
fez contratações na Casa com 149 servidores. A Justiça
recebeu a denúncia do Ministério Público contra ele
por nove crimes.
Irmã de Daor Oliveira, corretor de imóveis , funcionário
da Assembleia e amigo de Abib há 35 anos. Clori
recebeu R$ 1,1 milhão com alguns salários de cerca de
R$ 35 mil. A contratação dela aparece na DiretoriaGeral, comandada anteriormente por Abib, porém o
nome dela não constana lista de servidores.
Derci Aparecida Schimitt
Segundo uma fonte do MP seria ligada à família
Bastos Pequeno.
Assembleia não se
manifesta sobre
afastamento de diretor
Heliberton Cesca
José Ary Nassiff
Clori Oliveira Gbur
Outro lado
A reportagem procurou, por telefone, o responsável pela comunicação da Direção da Assembleia, Alexandre Teixeira, e o presidente da
Casa, deputado Nelson Justus (DEM). Mas
nenhum dos dois respondeu às ligações.
❚
O Gaeco do Ministério Público (MP) do Paraná cumpriu 11 mandados de prisão
na operação Ectoplasma 2. Porém, dois deles eram contra dois ex-diretores já
presos (Abib Miguel e Cláudio Marques). Veja quem são os detidos ontem:
SILÊNCIO
Reprodução/TV Paranaense
Além das prisões, promotores e auditores do
Ministério Público, com o apoio de policiais,
cumpriram também mandados de busca e apreensão de documentos como provas de irregularidades na Assembleia.
Parte desses mandados foi cumprida dentro da própria sede da Assembleia Legislativa.
O diretor da gráfica da AL, Luis Carlos Monteiro, que havia sido preso em sua residência,
no Bairro Seminário, foi conduzido à Assembleia Legislativa para ajudar na busca de
documentos.
O Ministério Público chegou a pedir o envio
de um caminhão para levar todo o material apreendido. Em outros locais também foram apreendidos documentos, computadores e pen drives.
Até o fechamento desta edição, a busca por
materiais ainda não tinha terminado.
❚
OS PRESOS
Aniele Nascimento/ GP
Devassa
Promotores do
Ministério Público
e policiais
cumpriram
mandados de
busca e
apreensão na
Assembleia. O
diretor da gráfica
da Casa, Luis
Carlos Monteiro
(de jaqueta preta,
no centro da foto)
foi levado para
ajudar a encontrar
documentos.
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo
❚ O Grupo de Atuação Especial de Combate ao
Crime Organizado (Gaeco) promoveu uma
devassa na Assembleia Legislativa na manhã deste sábado, atrás de documentos, e prendeu o exdiretor-administrativo Casa, José Ary Nassiff, o
diretor da gráfica da AL, Luis Carlos Monteiro, e
mais sete pessoas. Outras 13 ainda estavam sendo procuradas pela polícia até o fechamento desta edição.
A operação, intitulada “Ectoplasma II”, foi
deflagrada após a Justiça ter expedido 24 mandados de prisão de envolvidos nos escândalos da
Asssembleia revelados pela Gazeta do Povo e
pela RPC TV na série de reportagens intitulada
Diários Secretos.
Além dos nove presos neste sábado, outros
dois já estavam detidos: o ex-diretor-geral da AL,
Abib Miguel e o ex-diretor de pessoal, Claudio
Marques (veja quadro nesta página). Todos são
acusados de participar de um esquema de desvio
de verbas públicas, com o empréstimo de contas
bancárias para receber dinheiro da Assembleia e
o uso de funcionários fantasmas.
José Ary Nassiff teve cumprido o pedido de
prisão preventiva e já foi encaminhado para o
Quartel General da Polícia Militar, em Curitiba,
onde já esteve preso e saiu beneficiado pela concessão de um habeas corpus.
No mesmo quartel também está preso o exdiretor-geral da Assembleia Legislativa do
Paraná, Abib Miguel, conhecido como Bibinho,
que voltou para a cadeia por volta da 1h30 da
madrugada de sexta-feira depois de ficar apenas
cinco horas em liberdade.
Os advogados dele entraram com mais um
habeas corpus para tentar tirá-lo da cadeia, mas
a juíza substituta Lilian Romero, da 2.ª Câmara
Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, pediu
mais documentos para liberá-o. Neste sábado,
porém, a Justiça aprovou mais um pedido de prisão preventiva contra ele.
Antônio Carlos Gulbino: pedido de afastamento
pelo Ministério Público do Paraná.
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Gaeco prende mais nove e faz devassa na Assembleia