“A GESTÃO DA TECNOLOGIA NAS EMPRESAS E INTERFACES COM A GESTÃO AMBIENTAL E GESTÃO ENERGÉTICA” PROF. DR. JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA SILVA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO FACULDADE DE ENGENHARIA UNESP CAMPUS DE BAURU PESQUISA REALIZADA COM O APOIO: DIRETORIA DE ARTICULAÇÃO TECNOLÓGICA SECRETARIA DE TECNOLOGIA INDUSTRIAL-STI MINISTÉRIO DO DESENV., INDUSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR-MDIC BRASÍLIA-DF JANEIRO/2005 2 GESTÃO DA TECNOLOGIA NAS EMPRESAS E INTERFACES COM A GESTÃO AMBIENTAL E GESTÃO ENERGÉTICA JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA SILVA / [email protected] Prof. Dr. Depto Engenharia de Produção / Faculdade de Engenharia /Unesp / Bauru-SP Pesquisa Realizada com o Apoio : Diretoria de Articulação Tecnológica / Secretaria de Tecnologia Industrial-STI Ministério do Desenv., Industria e Comércio Exterior-MDIC / Brasília-DF/ 2004/2005 Resumo Este trabalho analisa a correlação entre a gestão da tecnologia de produtos e processos e a gestão ambiental e gestão energética, em empresas de manufatura. Partindo de um modelo conceitual simplificado e desdobramentos das dimensões gestão da tecnologia, gestão ambiental, e gestão energética, em vários aspectos, foi possível analisar em pesquisa de campo vários conceitos disponíveis na literatura para esses três campos, envolvendo empresas do setor de manufaturados, através de projeto de pesquisa “survey” com método de pesquisa questionário estruturado, e projeto de pesquisa qualitativa com o método de pesquisa entrevistas semi-estruturadas. Essa analise também levou em consideração os novos conceitos do termo tecnologia, como a microtecnologia e a macrotecnologia, relatados em Silva (2003), visando facilitar a avaliação da capabilidade tecnológica da organização. Concluiu-se que, dentro do campo pesquisado de empresas existe correlação positiva entre os níveis de capabilidade tecnológica e os níveis de capabilidade ambiental, incluindo conservação de energia no processo produtivo. Palavras-chave: Tecnologia; Gestão da tecnologia; Gestão ambiental; Conservação de Energia. TECHNOLOGY MANAGEMENT IN THE ENTERPRISES AND INTERFACES WITH ENVIRONMENTAL AND ENERGY MANAGEMENT Abstract This work analyzes the correlation between the technology management of products and processes and environmental management and energy conservation, in manufacture companies. Leaving from a simplified conceptual model, and doing deployment of the dimensions technology management, environmental management and energy management, it was possible to analyze several concepts available in the literature for these fields, involving manufacture companies, through “survey research project” and “qualitative research project”, regarding also the technology capability of the organization through the new concepts of microtecnologia and macrotecnologia related in Silva (2003). It concluded that, inside the field researched of companies, there is a positive correlation between the levels of technology capability and environmental capability, including energy conservation in the productive process. Key-words: Technology; Technology Management; Environmental Management; Energy Management. 3 AGRADECIMENTOS Agradecemos o apoio recebido do Prof. José Rincon Ferreira , Diretor de Articulação Tecnológica da STI-MDIC, para a Realização e Divulgação deste Trabalho de Pesquisa. SUMÁRIO Página 1. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS 04 2. CONCEITUAÇÃO E METODOLOGIA 07 2.1 CONCEITUAÇÃO 07 2.2 METODOLOGIA 18 3. ANÁLSIE DOS RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO 20 3.1 GESTÃO DA TECNOLOGIA 20 3.2 GESTÃO AMBIENTAL 28 3.3 GESTÃO ENERGÉTICA 35 4. CONCLUSÕES 43 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 50 ANEXO 1- QUESTIONÁRIOS DA PESQUISA DE CAMPO 53 ANEXO 2- LISTAGEM NUMÉRICA DAS EMPRESAS 62 4 1. Introdução e Objetivos O termo “gestão da tecnologia” teve origem na segunda metade da década de 1980 nos Estados Unidos da América - EUA, envolvendo governo, empresas e universidades, visando o desenvolvimento, estudo e pesquisas de todos os aspectos correlacionados às tecnologias de produto e processo das organizações, dentro da abordagem da teoria organizacional das empresas. Durante a década de 1990 muitos trabalhos foram implementados nesse campo com apoio da National Science Fondation-NSF e universidades americanas como Harvard, MIT, Stanford, e University of Cambridge na Inglaterra, as quais continuam desenvolvendo, em conjunto, programas de pesquisas nesse campo. Esse esforço aconteceu depois da equalização dos níveis de qualidade entre as empresas americanas e japonesas, no contexto das “empresas de classe mundial” segundo a caracterização de Merli (1994), tendo início uma nova dimensão dentro do contexto de competitividade no mercado globalizado. Dentro dessa nova abordagem, Dodgson (2000) discute alguns conceitos de gestão da tecnologia, de gestão da inovação e de inovação tecnológica, onde argumenta que “a inovação tecnológica é uma atividade de importância crítica, que se tornou estratégia principal para a competição no Século 21”. A partir do ano 2000 constata-se segmentação de conceitos da gestão da tecnologia para alguns setores da economia, como equipamentos médicos, equipamentos de telefonia e comunicação etc, embora seja ainda tímida essa movimentação. Somente com essa segmentação será possível implementar ganhos consideráveis nos diferentes setores da economia, com tecnologias competitivas direcionadas para produtos e processos específicos de um setor industrial. Essa abordagem direciona o conhecimento existente para o uso de tecnologias existentes em outros setores, ou geração de novas tecnologias. O setor de Bens de Capital, por exemplo, merece nossa atenção porque ele é o fornecedor de equipamentos para o processo de produção de empresas de vários setores da economia, ou seja, a base tecnológica para outras industrias. Desta forma, o conteúdo das tecnologias embutidas em cada “bem de capital” torna-se importante para os processos de outras empresas, sendo muitas vezes definidor de parâmetros de competitividade, embora temporários, para quem adquirir esses equipamentos. Nos últimos anos temos desenvolvido vários estudos no campo da gestão da tecnologia, envolvendo o setor de manufaturados, como pode ser constatado em Silva; Plonski (1996), Silva (1999a), Silva (1999b), Silva (2001), Silva (2002a), Silva (2002b), e Silva (2003). Nesse contexto foram abordados vários aspectos das tecnologias de produto e processo, 5 como as implicações de desenvolvimento ou não dessas tecnologias no âmbito das organizações, influenciando dessa forma o campo de desenvolvimento de produtos e processos, como final de um modelo não linear que poderá conduzir ou não para inovações tecnológicas. Uma das conclusões importantes, decorrentes da continuidade da pesquisa, constante em Silva (2003), foi o desenvolvimento de novos conceitos e dimensões da palavra “tecnologia”, incluindo a “microtecnologia” para produtos e processos, e a “macrotecnologia” para a organização como um todo. Enquanto que essa ultima envolve o contexto da “formulação e gestão do conhecimento das tecnologias”, a primeira está relacionada ao resultado da operacionalização desse conhecimento em produtos e processos como resultado final para o mercado. Essa nova abordagem do conceito de “tecnologia” permite uma avaliação com maior detalhamento da capacitação tecnológica de uma organização, devido ao desdobramento da “microtecnologia” em “tecnologia principal” e “tecnologias complementares”, aplicáveis tanto para os produtos como para os processos de produção. Desta forma podemos visualizar o potencial de competitividade da organização no contexto tecnológico dentro de um determinado mercado de segmentação em um determinado momento. Por outro lado, esse desdobramento também permite analisar, com maior precisão, os aspectos de meio ambiente decorrentes das atividades da empresa, incluindo as necessidades e uso de energia. Qualquer alteração no contexto tecnológico de uma organização influencia todo o meio ambiente interno e externo à organização, como assinala Wolstenholme (2003). Como consequência dessa alteração temos reflexos diretos no desenvolvimento de produtos, de acordo com Hillebrand; Biemans (2004), onde a cooperação interna e externa é essencial. Também nesse contexto a medição da produtividade em P&D implica em diferenciar “pesquisa” de “desenvolvimento”, como assinalam corretamente Karlsson at all (2004) na busca de medição de um “output” da empresa. Portanto, embora não seja possível programar uma inovação tecnológica, pois ela ocorre aleatoriamente, é importante que a organização tenha conhecimento de todos esses aspectos, ou seja, da diferenciação entre pesquisa e desenvolvimento, dos reflexos da alteração de uma tecnologia dentro e fora da empresa, disponha de capabilidade tecnológica, e trabalhe constantemente no campo de desenvolvimento das tecnologias principais de seu ramo de empreendimento. Na conceituação de “resíduos” (“waste”) estabelecida em White et all (1996) podemos distinguir um ciclo onde poderá ou não haver reciclagem dos materiais, ou seja, materiais que podem recuperar ou não seu valor econômico. Esse aspecto depende das tecnologias 6 utilizadas no processo produtivo e das características dos resíduos, ou seja, estado físico, uso original, tipo de material, propriedades físicas, origem, nível de segurança etc. Quando de resíduos sólidos, a reciclagem, se existente, poderá ser conduzida para o mesmo processo gerador ou para processos alternativos. No caso de resíduos líquidos ou gasosos essa reciclagem é mais trabalhosa e geralmente inviável economicamente, fazendo com que as empresas se preocupem no máximo em atender a legislação ambiental. Por outro lado, também devemos analisar sob o ponto de vista do produto, ou seja, se sua utilização implica em geração de resíduos e o que acorre no final de seu ciclo de vida útil. No campo energético, embora o Brasil tenha iniciado vários programas nas décadas de 1970-80, o programa de conservação de energia não conseguiu desenvolver níveis razoáveis de eficiência e eficácia, como ocorreu na Europa e nos E.U.A. Somente depois do “apagão’ de 2001 é que esse campo tem merecido maior atenção por parte das empresas e órgãos governamentais. Racionalizar energia significa também diminuir os impactos ambientais causados na geração e uso de energia. No quadro atual, a racionalização do uso de energia ganha maior importância, levando-se em conta a quase paralisação de investimentos para expansão de geração no setor elétrico brasileiro, e da quase ausência de política energética nos últimos anos, dificultando mesmo o crescimento do País, pela ausência de infra-estrutura”. Assim, a conservação de energia envolve aspectos importantes como o combate ao desperdício, o reaproveitamento de energia, o uso de tecnologias ou programas de racionalização de energia, cogeração, entre outros. O presente trabalho analisa os principais aspectos da gestão da tecnologia em empresas, utilizando novos conceitos do termo “tecnologia” desenvolvidos anteriormente, de acordo com Silva (2003), procurando correlacionar e discutir sua influência quanto a aspectos de meio ambiente e conservação de energia. Essa abordagem utiliza também vários conceitos atuais, disponíveis na literatura internacional, relacionados à gestão da tecnologia, à gestão ambiental e à gestão energética, inseridos dentro da pesquisa de campo, além das microtecnologias de produto/processo, das macrotecnologias, e aspectos estratégicos e operacionais das tecnologias da organização. A pesquisa de campo envolve “survey” e entrevistas em pequenas e médias empresas tradicionais do setor de manufaturados, visando detectar o nível de conhecimento dessas organizações nesse campo. Esses dados, juntamente com os resultados de outras pesquisas, nesse campo, são relevantes para proposições futuras de otimização dentro do campo da teoria organizacional das empresas, correlacionando a gestão da tecnologia com a gestão ambiental e gestão energética. 7 2. Conceituação e Metodologia 2.1 Conceituação A conceituação envolvida nesse trabalho engloba três dimensões importantes para as empresas de manufatura, como a gestão da tecnologia, a gestão ambiental e a gestão energética, simbolicamente representadas através do modelo conceitual simplificado da Figura 01, as quais serão posteriormente desdobradas em seus vários aspectos. Insumos / Mão-de-Obra Capital EMPRESA Gestão Ambiental Gestão da Tecnologia Gestão Energética Produtos + Resíduos Figura 01- Modelo Conceitual Simplificado Dentro da gestão da tecnologia podemos incorporar os conceitos de microtecnologia de produtos e processos, desenvolvidos e citados em Silva (2003), de acordo com a Figura 02. Além do desdobramento da microtecnologia em tecnologia principal e tecnologias complementares, serão considerados aspectos estratégicos e operacionais relacionados às tecnologias, desenvolvimento de produtos e processos, bem como sua inserção no planejamento estratégico da empresa, de acordo com Silva (2002b). Nesse campo Swan; Allred (2003) indicam que “a questão crucial se concentra nas vantagens e desvantagens do desenvolvimento ou compra de tecnologia”. A nosso ver o desenvolvimento é sempre vantajoso, pois na realidade não se pode “comprar conhecimentos de uma tecnologia”, e sim no máximo “informação”, que por si só não gera conhecimento, como assinalamos em Silva (2003). O termo “transferência de tecnologia” é muito discutível e impraticável no contexto dos conceitos de macro e microtecnologias. Quando ocorre o “licenciamento de uma tecnologia”, nada garante a transferência para o receptor de todo o conhecimento 8 embutido, pois a parcela de conhecimento tácito é intransferível. Somente aparece o resultado final embutido em um produto ou processo. Com relação a microtecnologia do produto, tanto a tecnologia principal como as tecnologias complementares poderão influenciar os aspectos de meio ambiente. Após a vida útil do produto resta então seu descarte ou reutilização como matéria-prima para outros processos industriais. No campo da microtecnologia de processo, as tecnologias principais e complementares, em cada fase do processo de produção, influenciam diretamente a geração de resíduos e efluentes, sendo assim fundamentais dentro da gestão ambiental da empresa. TC (1) TC (2) TC (N) Tecnologia Principal (TP) TC (7) TC (3) TC (4) TC (6) TC (5) Figura 02- Microtecnologia : Conjunto de Tecnologias de Um Produto ou Processo - Silva (2003) Evidentemente, as microtecnologias de produto e processo são resultados da macrotecnologia da organização e do planejamento estratégico das tecnologias, dos produtos, e da empresa de maneira global. Nesse campo podemos destacar o enfoque central dado por Michael et all (2000) quando analisaram “a importância do desenvolvimento do aprendizado tecnológico e da gestão do conhecimento para a competitividade , crescimento, e sobrevivência da organização”, bem como os trabalhos de Mohrman et all (2003) quando procuraram conhecer o sistema de geração de conhecimentos em uma empresa visando o desenvolvimento de produtos, através de entrevistas com 1200 engenheiros de 10 firmas tecnológicas. A Figura 03 apresenta um esquema das empresas tradicionais que operam no “modelo linear clássico” dentro do contexto de meio ambiente, ou seja, contenção e tratamento, quando existentes, somente após a geração dos resíduos. 9 Manejo Não Sustentável Fonte Mat. Prima Resíduos Manufatura Resíduos Consumo Resíduos Descarte Resíduos “End of Pipe” : contenção e tratamento Figura 03- Modelo Industrial Linear Clássico– (Fonte: Furtado et all -2001} Mais recentemente, a questão ambiental tem levado as empresas modernas a se preocuparem com a possibilidade de não geração de resíduos, ou minimização e prevenção, incorporando o uso de alguns conceitos importantes relacionados à “produção limpa” e “produção mais limpa”. No campo de estratégias de gestão ambiental e os negócios da empresa, Furtado et all (2001) analisaram em profundidade a evolução das políticas de meio ambiente no meio empresarial considerando vários aspectos e conceitos importantes nesse campo. A Figura 04 apresenta, por outro lado, um esquema de “modelo industrial não linear” no contexto da gestão ambiental onde se tem uma visão global do sistema e suas correlações no que se refere à prevenção e reciclagem de resíduos. Nesse campo Petersen et all (2003) destacam a importância da integração com fornecedores para desenvolver novos produtos desde o início desse processo. P revenção d e r e s íd u o s E c o m a t e r ia is Re ge la c i c m ó at a x ic R eu so E q u a ç ã o c ir c u la r D o b e r ç o -a o -r e n a s c im e n to Figura 04. Modelo Industrial Não Linear M a n u fa tu r a P r o d u to s D u r á v e is R e p a r á v e is Ú te is R e s íd u o s A tó x ic o s V o lu m e s m ín i m o s – (Fonte: Furtado et all -2001) 10 É interessante ressaltar que na atualidade está se repetindo com a gestão ambiental o mesmo que ocorreu nas décadas de 1980/90 com a gestão da qualidade e a ISO 9000, ou seja, “a implantação de um sistema administrativo de gestão ambiental, mesmo com a certificação da ISO 14000, não garante compromissos em relação a eco-eficiência”. Vários fatores de ordem política e estratégica, de capabilidade tecnológica, de informação, de comunicação, e de legislação, devem ser considerados no processo de tomada de decisões para operação em “modelo não linear”, incluindo incorporação de conceitos de “produção limpa” e de “produção mais limpa”. De acordo com Furtado (1998) “a indústria já dispõe de meios para reorientar o sistema de produção de bens e serviços, com o emprego de produção mais limpa, produção limpa, ecodesign e outros instrumentos ambientalmente adequados. Para isso, será necessário conscientização e requalificação do pessoal, evitando o uso equivocado dos termos verde, eco, ecologia ou da expressão desenvolvimento sustentável, causado pelo despreparo dos agentes ou pela deliberada maquiagem verde (greenwashing)”. Ainda segundo Furtado (1998) e Furtado et all (2001) “as empresas, usualmente, vêem o Sistema de Gestão Ambiental - correlacionado, em geral, com a ISO 14001 - como estratégia importante para aprimorar seu desempenho, inclusive em relação à expansão de seus negócios. Entretanto, há recursos e instrumentos mais poderosos para as empresas que procuram mudar seu patamar no tratamento das questões ambientais”. De maneira resumida, de acordo com Donaire (1.995), a carta de princípios de “gestão ambiental responsável” da International Chamber of Commerce -ICC envolve os seguintes pontos: 1-Prioridade organizacional; 2-Gestão integrada (eco-gestão); 3- Compromisso com a melhoria dos processos; 4-Educação de recursos humanos; 5-Prioridade de enfoque; 6-Produtos e serviços não-agressivos; 7-Orientação do consumidor; 8-Equipamentos e operações para eficiência ambiental; 9-Pesquisa sobre impactos ambientais; 10-Enfoque preventivo; 11-Orientação de fornecedores e subcontratados; 12-Planos de emergência; 13Transferência de tecnologia limpa; 14-Contribuição ao esforço comum; 15-Transparência de atitudes; e 16-Atendimento ao público e comunicação ambiental. A comparação entre tais princípios e, por exemplo, as normas BS 7.750 (“British Standard Institute”, que emitiu a primeira norma ambiental) e ISO 14.000, mostram que a primeira é a que mais se aproxima dos preceitos da ICC-International Chamber of Commerce. Isto explica o fato de que uma empresa, credenciada pela BS 7.750, terá maior facilidade de se adaptar a ISO 14.000. Uma análise desses princípios indica que os itens (2), (3), (6), (8), (10) e (13) estão 11 diretamente correlacionados com a área de gestão da tecnologia de produtos e processos nas empresas. Em seus estudos conceituais Furtado; Furtado (1997) indicam que “produção limpa consiste em modelo de administração industrial para reorientar a geração de bens e serviços, segundo a visão de Sistema de Produto”. Os princípios da Produção Limpa (“Clean Production”) surgiram nos anos 80 como proposta da organização ambientalista internacional “Greenpeace”, na campanha para mudanças mais profundas do comportamento industrial. Essa idéia ganhou maior visibilidade a partir de 1989 quando a agência da ONU, dedicada ao meio-ambiente - PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente criou o programa de Produção Mais Limpa (“Cleaner Production”). Esses dois conceitos, segundo Furtado; Furtado (1997) podem ser resumidos como: “-Produção Mais Limpa (Segundo o PNUMA): Processo: - conservação de materiais, água e energia; eliminação de materiais tóxicos e perigosos; redução da quantidade e toxicidade de todas as emissões e resíduos, na fonte, durante a manufatura. Produto: - redução do impacto ambiental e para saúde humana, durante todo o ciclo, da extração da matéria-prima, manufatura, consumo/uso e na disposição/descarte final”. “-Produção Limpa (Segundo a GREENPEACE): Processo: - atóxico, energiaeficiente; utilizador de materiais renováveis, extraídos de modo a manter a viabilidade do ecossistema e da comunidade fornecedora ou, se não-renováveis, passíveis de reprocessamento atóxico e energia-eficiente; não poluidor durante todo o ciclo de vida do produto; preservador da diversidade da natureza e da cultura social; promotor do desenvolvimento sustentável. Produto: - durável e reutilizável; fácil de desmontar e remontar; mínimo de embalagem; utilização de materiais reciclados e recicláveis”. Em resumo, o conceito de “produção limpa” questiona e propõe a eliminação ou a substituição do modelo industrial linear clássico (Figura 03), baseado no “end-of-pipe”, pelo modelo não linear circular (Figura 04), de maior eco-eficiência e eficácia, ao defender a prevenção da geração de resíduos e promover maior poupança de água e energia. Segundo Jackson (1993) “o conceito de produção limpa envolve três princípios básicos: 1- visão do sistema global de produção; 2-aplicação dos princípios fundamentais (precaução, prevenção, integração e controle democrático); e 3-responsabilidade continuada do produtor”. Assim, para a aplicação de alguns conceitos de “produção limpa” e/ou “produção mais limpa”, há necessidade de incorporação, dentro das práticas de gestão da tecnologia para produtos e processos, de conceitos ligados à gestão ambiental. Todo 12 esses aspectos deverão ser analisados na pesquisa, envolvendo controle ambiental e sistemas de gestão ambiental, desde estratégicos até operacionais, com o desdobramento do modelo conceitual. A relação entre a gestão da tecnologia e a gestão ambiental na empresa não recai obrigatoriamente no que se tem denominado de “engenharia ecológica”, cujos conceitos são abordados por Mitsch ; Jorgensen (2003) e bem diferenciados da engenharia ambiental por Allen et all (2003). Nesse campo, as tecnologias embutidas no processo produtivo são definidoras, e indicam ou não o direcionamento da eco-eficiência do sistema como um todo. A Figura 5a apresenta uma esquematização do sistema de operações onde a função principal é manufatura, com a indicação da fase I de entrada de insumos, e das fases II e III, onde se concentram as microtecnologias de processo e microtecnologia de produto, respectivamente. A fase I está relacionada à matéria-prima e insumos, etapa essa também importante sob aspecto ambiental, mas fora do escopo do presente trabalho. Com relação à fase II, o processo de produção poderá envolver várias microtecnologias, cada uma com sua tecnologia principal e tecnologias complementares, influenciando a geração de resíduos diretos, o uso de energia e outras utilidades, e a geração de resíduos indiretos, com reciclagem ou não. A fase III envolve o produto gerado no processo, com valor agregado ou não de tecnologia. No caso de existir Fase (I) Matéria-Prima Insumos Fase (II) PROCESSO Resíduos Fase (III) PRODUTO Resíduo Após Vida Útil PRODUTIVO Resíduos do Processo Resíduos na Operação do Produto Figura 5a - Esquematização dos Pontos-Chave das Microtecnologias de Produto e Processo valor agregado, sua microtecnologia poderá ser desmembrada na tecnologia principal e tecnologias complementares, podendo ocorrer ou não eliminação de resíduos na operação do produto, como por exemplo: o descarte de água com sabão em máquinas de lavar 13 roupas; a emissão de gases poluentes por motores de combustão interna etc. No caso da máquina de lavar roupas, a tecnologia principal usada na de eixo horizontal é diferente daquela usada em uma máquina de lavar com eixo vertical. Essa diferença de tecnologias principais tem grandes implicações, pois a de eixo horizontal utiliza em média 1/4 do sabão em pó, 1/3 da água , e 1/3 da energia, em comparação com a de eixo vertical. Isso significa menor volume de efluentes (água e sabão), e menor consumo de energia, ou seja, maior eficiência e eficácia sob o ponto de vista de meio ambiente. Alguns países, como os Estados Unidos da América, e outros da União Européia, têm incentivado o uso das máquinas de lavar roupas com eixo horizontal dentro de programas de conservação de energia e meio ambiente. Ao termino da vida útil, esses produtos, como outros, são descartados ou usados como sucata para outros processos industriais. De acordo com Silva (1999b), “após o movimento da qualidade dos anos de 1980, as empresas dos países centrais começaram a investir no desenvolvimento de novas tecnologias de produto e processo, como nova dimensão de competitividade na economia globalizada”. Em função de uma decisão de uso de determinadas tecnologias de produto e de processo, temos a caracterização das necessidades de energia para o processo de produção, qualitativa e quantitativamente. Assim, as tecnologias de conservação de energia no processo produtivo constituem uma dimensão de segunda ordem, função das tecnologias de produto e processo utilizadas pelas empresas, ou seja, qualquer alteração na primeira dimensão afetará a segunda dimensão. No campo de uso industrial de energia, de acordo com a Figura 5b, podemos também dizer Fase (I) Matéria-Prima Insumos Consumo de Energia Fase (II) PROCESSO PRODUTIVO Consumo de Energia no Processo Consumo de Energia na Operação do Produto Figura 5b - Esquematização do Uso de Energia no Produto e Processo 14 que ela ocorre nas Fases I, II, e III. Sob o ponto de vista da empresa, a racionalização do uso de energia pode ser implementada no processo produtivo, desde seu projeto até a operação, com reciclagem ou não, e também no produto, também desde seu projeto, caso utilize energia em sua operação ou uso. Nessas duas fases poderão ser aplicados princípios da conservação de energia e técnicas de gestão energética. Assim, para qualquer processo de fabricação dentro de uma empresa é necessário o uso de algum tipo de energia. Dentro da lógica, se há utilização de energia, provavelmente deverá existir preocupação com sua racionalização. Segundo o SEBRAE (2004) – Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas, que desenvolve um programa de eficiência energética para essas categorias de empresas, “no atual paradigma, conservar energia não é sinônimo de desconforto, queda de produtividade e menor lucro, mas sobretudo uma maneira inteligente de se aliar à racionalização dos custos com aumento da produtividade e conseqüentemente melhoria nos lucros”. Um outro exemplo de racionalização de energia ocorre nas indústrias de manufaturas de plástico nos Estados Unidos. De acordo com o Energy Auditing (2004), o ERC – Energy Resources Center tem expandido esforços em pesquisas de conservação de energia nessa área de produção industrial. Em 1996 o Departamento de Comércio de Illinois-USA e a comunidade Affairs pesquisaram também esses aspectos nas indústrias de manufatura de plásticos. Dentre os custos de uma indústria, historicamente, os custos de energia não são considerados os mais importantes. Porém, no processo de manufatura de plástico, esses custos estão se tornando importantes, pois estão entre 1% a 5% do custo total de produção. Assim, as medidas de conservação de energia poderão significar redução considerável nos custos dos produtos plásticos. De acordo com o NCEMBT (2004) - National Center for Energy Management and Buildings Technologies, na área de compressores de gases, a aplicação de técnicas de conservação de energia também oferece bom retorno de investimento, significando uma economia de 6% durante 5 anos, e podendo atingir 25% em 10 anos. Assim, adotar medidas de racionamento de energia no processo de produção pode representar um bom investimento para muitos setores industriais. De acordo com Touma (1990), “combater o desperdício significa melhorar a maneira de utilizar a energia, sem abrir mão do conforto e das vantagens que ela proporciona. Significa diminuir o consumo, reduzir custos, sem perder, em momento algum, a eficiência, produtividade e a qualidade dos serviços”. 15 Enquanto que os Estados Unidos da América e Europa tenham desenvolvido com maior intensidade programas de racionalização do uso de energia a partir da década de 1980, tanto em âmbito governamental como empresarial, no Brasil essas ações foram de menor intensidade por diferentes motivos. Constata-se alguns estudos de racionalização do uso de energia, que induziram o surgimento de programas voltados para o combate ao desperdício de diversos tipos de energia e em outros casos a substituição por energia alternativa: - CONPET – Programa Nacional de Uso Racional de Derivados de Petróleo e Gás Natural, criado por Decreto Presidencial em 18 de julho de 1991 com a finalidade de desenvolver e integrar as ações que visam a racionalização do uso de derivados de petróleo e de gás natural, através da redução de perdas e eliminação de desperdício; do uso de energia de forma mais racional e eficiente; e do desenvolvimento e adoção de tecnologias de maior eficiência energética em consonância com as diretrizes do Programa Nacional de Racionalização da Produção e do Uso de Energia, instituído pelo Decreto número 99250 de 11 de maio de 1990. A meta do CONPET é obter um ganho de eficiência energética de 25% no uso de derivados de petróleo e do gás natural nos próximos 20 anos, sem afetar o nível das atividades dos diversos setores da economia nacional, segundo cálculos realizados pelo Ministério de Minas e Energia e pela PETROBRAS. O CONPET vem desenvolvendo projetos nos setores de transporte, industrial, residencial e comerciário, agropecuário, e geração de energia termelétrica. - PROCEL – Programa de Conservação de Energia Elétrica, um programa do governo brasileiro voltado para o combate ao desperdício de energia elétrica, instituído em dezembro de 1985 e implantado no ano seguinte, o PROCEL é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, cabendo à Eletrobrás o controle de sua execução. Seu principal objetivo é combater o desperdício de energia elétrica, tanto no lado da produção como no de consumo, concorrendo para a melhoria da qualidade de produtos e serviços, reduzindo os impactos ambientais e aumentando a criação de novos empregos. Para isso, o programa está desenvolvendo projetos nas mais diversas áreas. As metas em longo prazo estão consignadas no Plano 2015 que prevêem uma redução de consumo da ordem de 130 milhões de kWh em 2015, evitando a instalação de 25.000 MW (cerca de duas usinas de Itaipu). O ganho líquido para o País será de 34 bilhões de reais. Constata-se ganhos razoáveis na redução de consumo de energia elétrica em eletrodomésticos produzidos pela industria brasileira, como o uso de tecnologias alternativas que propiciaram maior 16 eficiência energética em motores elétricos, compressores, evaporadores, e outros componentes, de acordo com a ABINEE (2004). Por muitos anos, esforços para promover a conservação de energia e combate à poluição caminharam paralelamente. Segundo Pye (1997) apud Elliott (1997), “muitos pesquisadores da área de conservação de energia consideravam somente os aspectos de conservação de energia em seus projetos, enquanto muitos pesquisadores da área do meio ambiente não incluíam energia nas suas listas de fonte de poluição. Mais recentemente, os dois grupos têm começado a realizar trabalhos conjuntos, ou seja, os projetos de conservação de energia geralmente estão associados à prevenção de poluição e vice-versa. Juntando forças, pesquisadores de conservação de energia e prevenção de poluição poderão significar maior potencial para redução de custos”. Nesse contexto devem ser consideradas também as tecnologias de produto e processo, devido à interligação dessas com os aspectos de meio ambiente e conservação de energia. Considerando os diferentes conceitos analisados, referentes às dimensões gestão da tecnologia, gestão ambiental, e gestão energética, e tendo como embasamento o modelo conceitual simplificado esquematizado na Figura 01, procedemos ao desdobramento de cada uma dessas dimensões de acordo com os Quadros 01, 02 e 03, permitindo dessa forma delinear os vários aspectos a serem abordados e pesquisados junto às empresas, através de questionários e entrevistas. O conjunto de questões em cada campo procura incorporar alguns conceitos reconhecidos na literatura e na vivência e prática do pesquisador para a excelência de comportamento das organizações. Alguns aspectos são vinculados a outros, dentro do mesmo campo e mesmo em campos distintos, visando otimizar a análise e detectar da melhor forma possível a tendência de comportamento das organizações. ASPECTOS DA DIMENSÃO GESTÃO DA TECNOLOGIA - Grau de satisfação dos funcionários e clientes com as tecnologias usadas na empresa - Tempo de utilização das atuais tecnologias de produto e processo - Acompanhamento das tecnologias de produto e processo dos concorrentes - Área na empresa de prospecção tecnológica, aquisição ou licenciamento de tecnologia - Natureza das tecnologias da empresa: domínio público, patenteadas ou outras - Desenvolvimento próprio ou não das tecnologias de produto e processo - Lançamento de novos produtos e melhorias em produtos e processos - Existência de setor específico de desenvolvimento de novos produtos na empresa - Ordem de importância para a empresa: mercado, qualidade, tecnologia, treinamento - Utilização de sistema de informação tecnológica - Desenvolvimento de projeto parceria de pesquisa com universidade - Atendimento recebido nos contatos com as universidades 17 - Planejamento estratégico de produto / mercado e de tecnologia - Indicadores para decisão de utilização de novas tecnologias de produto e processo - Nível de capacitação tecnológica existente na empresa - Valor agregado das tecnologias principais de produto e processo na empresa - Domínio sobre as tecnologias complementares de produto e processo na empresa Quadro 01- Desdobramento da Dimensão Gestão da Tecnologia ASPECTOS DA DIMENSÃO GESTÃO AMBIENTAL - Grau de satisfação na empresa em relação ao destino de resíduos e efluentes do processo - Potencial de resíduos e efluentes na produção das matérias-prima usadas na empresa - Estimativa dos resíduos de matéria-prima após o processo de produção e seu destino - Reciclagem dos resíduos de matéria-prima no processo de produção da empresa - Grau de importância para adoção de novas tecnologias: custos de produção, meio - Ordem de importância dos resíduos no processo de produção da empresa - Destinos dos resíduos sólidos, líquidos e gasosos, provenientes do processo de produção - Utilização de tecnologias para redução direta de resíduos no processo de produção - Utilização de tecnologias de reciclagem interna de resíduos - Reciclagem dos produtos após vida útil - Estimativa dos tempos de degeneração de seus produtos no meio ambiente - Manutenção preventiva no processo visando não contaminação do meio ambiente - Potencial de otimização das tecnologias de produto / processo para redução de resíduos. - Reciclagem de produtos no processo de manutenção e limpeza - Conhecimento da ISO 14000 e certificação - Principais dificuldades da empresa na gestão do meio ambiente - Existência de descarte de resíduos ou poluentes no uso do produto da empresa Quadro 02 -Desdobramento da Dimensão Gestão Ambiental ASPECTOS DA DIMENSÃO GESTÃO ENERGÉTICA - Tipo de energia e fontes utilizadas no processo de produção - Tipo de combustíveis utilizados na empresa (sólido, líquido ou gasoso) - Existência de equipamentos para controle e redução da demanda de energia elétrica - Existência de isolamento térmico do sistema que utilize energia térmica - Existência de máquinas de racionalização de energia na empresa - Existência de setor que trabalhe em racionalização de energia - Conhecimento dos concorrentes na área de racionalização de energia - Existência de reaproveitamento de energia em alguma etapa do processo de produção - Conscientização dos funcionários na importância da racionalização de energia - Análise de parâmetros para adoção de novas tecnologias de produto e processo. -Comportamento das empresas durante o Programa de Racionamento de Energia Elétrica 2001/2002 (“Apagão”). Quadro 03 -Desdobramento da Dimensão Gestão Energética Desta forma, todos os conceitos relacionados às três dimensões serão direcionados para o conteúdo das questões que serão abordadas durante a pesquisa de campo desenvolvida, de acordo com a metodologia que segue. 18 2.2 Metodologia A caracterização de uma pesquisa, como pura ou aplicada, mesmo envolvendo as áreas exatas ou sociais, tem sido modificada com outros conceitos, entre eles aqueles propostos por Phillips ; Pugh (1989), com as categorias: 1- pesquisa exploratória (“exploratory research”), com significado de exploração; 2- pesquisa comprovação ou teste (“testing-out research”), que lida com os limites de uma proposta já generalizada, testando e analisando aspectos envolvidos dentro das condições de contorno anteriormente estabelecidas; e 3 - pesquisa solução de problemas (“problem-solving research”), que envolve problemas particulares no mundo real. Por outro lado, em função da característica da pesquisa, poderá haver interfaces entre essas categorias, para algum aspecto do projeto. O presente trabalho de pesquisa, de ordem qualitativa, pode ser enquadrado como "pesquisa de comprovação", embora alguns aspectos estejam inseridos na pesquisa solução de problemas. A pesquisa organizacional envolve a indução de conhecimentos práticos relacionados à eficácia organizacional. A natureza da pesquisa organizacional pode envolver abordagem quantitativa ou qualitativa, ou ambas. A abordagem quantitativa, de acordo com Bryman (1989) assemelha-se a um processo “científico” para condução de pesquisa. O termo “científico” é vago e controvertido, mas os pesquisadores em metodologia o consideram como uma abordagem sistemática para investigação, onde o mínimo requerimento está na coleção de dados e suas análises em relação a um problema previamente formulado. Muitas vezes as aproximações dentro do método quantitativo podem levar a resultados discutíveis, como coloca Campbell (1985), quando afirma que “o processo dedutivo do desenvolvimento de uma teoria, derivando hipóteses e testando-as para suportar ou não a teoria, apesar de aceito por todos, deve considerar também que o ideal raramente descreve a realidade”. A abordagem qualitativa tem tido considerável crescimento a partir da década de 1970, e, de acordo com Bryman (1989), “a característica central da pesquisa qualitativa está em sua ênfase na perspectiva de comportamento do indivíduo que está sendo estudado, dentro de seu meio organizacional, incluindo sua percepção sobre a influência do meio externo sobre seu meio ambiente". Os métodos de pesquisa mais proeminentes, ou métodos de coleta de dados, na pesquisa qualitativa, são a “observação participante” e as “entrevistas semi-estruturadas e não estruturadas”. O presente trabalho está concentrado na abordagem qualitativa da pesquisa organizacional, ou seja, procurando conhecer o comportamento dos indivíduos das organizações em 19 estudo, e da própria organização, dentro dos campos correlacionados ao desenvolvimento de tecnologias de produto e processo, de tecnologias ambientais, e das relações interorganizacionais entre empresas e entre empresas e instituições. Adotando a classificação de Bryman (1989), quando conceitua "projeto de pesquisa" e "método de pesquisa", o projeto de pesquisa do presente trabalho foi desenvolvido em duas etapas. Na primeira etapa foi conduzido o "projeto de pesquisa" "levantamento sorve", com o "método de pesquisa" utilizando um "questionário auto-administrado", objetivando analisar os diferentes aspectos do modelo conceitual no campo das pequenas e médias empresas. Em uma segunda etapa o "projeto de pesquisa" foi a "pesquisa qualitativa", em parte dessas pequenas e médias empresas, através do "método de pesquisa" "entrevistas semiestruturadas", procurando enriquecer os dados já analisados no “sorve” anterior, com relação ao comportamento das pessoas e das organizações, nos aspectos desdobrados das dimensões gestão da tecnologia e gestão ambiental. A amostragem para o levantamento "survey" foi intencional, envolvendo 97 empresas, sendo a maioria constituída de pequenas e médias empresas tradicionais do setor de manufaturados, situadas em vários municípios do Estado de São Paulo, nas regiões da Grande São Paulo, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Botucatu, Bauru, Jaú, São José do Rio Preto, e Marília. A pesquisa qualitativa foi conduzida em sua maior parte após análise do “survey”, com entrevistas em 38 empresas das participantes da fase anterior, procurando aprofundar vários aspectos para delineamento de tendências de comportamento. O questionário auto-administrado envolve questões relacionadas ao desdobramento da dimensão gestão da tecnologia do Quadro 01, da dimensão gestão ambiental do Quadro 02, e da dimensão gestão energética do Quadro 03, com conteúdo básico envolvendo dados numéricos, escalas nominais, e escalas ordinais tipo Likert (1932) apud Hayes (1992) de cinco pontos. As questões foram convertidas em variáveis e analisadas nos campos da estatística paramétrica e não-paramétrica visando indicação de tendências de comportamento no campo da pesquisa organizacional. De acordo com Siegel (1975), a estatística mais adequada para a escala nominal é a freqüência, enquanto que a indicação de tendência central de uma escala ordinal é a mediana. 20 3. Análise dos Resultados da Pesquisa de Campo Esse item engloba a pesquisa de campo definida na metodologia anteriormente especificada, envolvendo inicialmente o projeto de pesquisa “survey” e o método de pesquisa “questionário auto-administrado” em 97 empresas e posteriormente o projeto de pesquisa “pesquisa qualitativa” e método de pesquisa “entrevista semi-estruturada” em 38 daquelas empresas, selecionadas para esse fim. Apresentamos os gráficos e as análises de todos os aspectos das três dimensões desdobradas nos Quadros 01, 02 e 03, envolvendo gestão da tecnologia, gestão ambiental e gestão energética, procurando delinear uma tendência de comportamento das empresas pesquisadas nesse campo. 3.1 Gestão da Tecnologia Alguns aspectos da gestão da tecnologia são resumidos através da Figura 06, que indica o comportamento das empresas. Enquanto que a satisfação dos funcionários e clientes, com relação às tecnologias da empresa tem mediana 3,1 (razoável), a prospecção tecnológica de concorrentes e a qualificação tecnológica (treinamento) existente indicam mediana inferior a 2 (pouco satisfeito). Essas informações dão indicação de aspectos relevantes nesse campo. Tecnologias da Empresa Satisfação dos Funcionários Tecnologias da Empresa Satisfação dos Clientes 1-Insatisfeito 2-Pouco satisfeito 3-Razoav. Satisfeito 4-Satisfeito 5-Muito Satisfeito Prospecção T ecnológica Concorrentes Qualificação T ecnológica Treinamento 1 2 3 4 5 Mediana da Escala Ordinal Figura 06 - Aspectos da Gestão da Tecnologia na Empresa 21 O tempo de uso das tecnologias de produto de processo nas empresas é analisado na Figura 07 que apresenta os dados para um intervalo ao redor de 10 anos, indicando uma maturidade da tecnologia de produto com mediana 4,2 anos e para a tecnologia de processo mediana de 5,3 anos. Embora sejam poucas as empresas que produzem produtos com razoável conteúdo tecnológico, como veremos posteriormente, a mediana 4,2 anos indicada para o tempo de uso da tecnologia de produto pode ser considerada relativamente alta. Com relação à tecnologia de processo a mediana depende da dimensão do investimento e respectiva depreciação, levando em consideração uma plataforma ou vários produtos. %Empresas 40 Proc es s o Produto Mediana = 5,3 Mediana = 4,2 30 20 10 0 1,5 3,0 4,5 6,0 7,5 9,0 T empo Estimado de Uso das T ec nologias (anos ) Figura 07 - Tempo de Uso das Tecnologias nas Empresas A Figura 08 indica alguns aspectos estratégicos da tecnologia, com somente 37% das empresas tendo alguma prática de planejamento estratégico de tecnologia, 42% indicando I Projetos de Pesquisa c om Univers idade 3 % Parc eria c om Univers idade (Cons ultoria/T reinamento) Melhorias Em Proc ess os Melhorias Em Produtos Lanç amento de Novos Produtos Planej. Es tratégico de T ec nologia Planej. Es tratégico de Produto-Merc ado 30 40 50 60 70 80 90 100 % das Empres as Figura 08 - Aspectos Estratégicos da Gestão da Tecnologia nas Empresas 22 ter planejamento estratégico de produto-mercado, e 59% das empresas com lançamento de novos produtos nos últimos anos. Constatam-se melhorias em produtos para 63% e em processos para 64% das empresas nos últimos dois anos. Constata-se 35% das empresas com alguma atividade de consultoria e treinamento com universidades e somente 3% com projetos de pesquisa. Outros aspectos de desenvolvimento são apresentados na Figura 09, como o desenvolvimento de produto (52% das empresas) e processo (58%), áreas de desenvolvimento (46%, sendo 12% específicas). Somente 7 % das empresas têm área específica de tecnologia, 2,5 % utilizam efetivamente algum sistema de informação, e 38% têm acesso a alguma informação tecnológica através de fontes de comunicação diversas. Informação T ecnológica Fontes Diversas Sistemas de Informações --> Pouca Utilização Prospecção / Licenciamento de T ecnologias Setor Específico : 7 % Empresas Função T ecnologia Área de Desenvolv. Setor Específico : 12% das Empresas Produto Desenvolvido na Empresa Processo Desenvolvido na Empresa 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 % das Empresas Figura 09 - Aspectos da Tecnologia e Desenvolvimento nas Empresas Outro aspecto importante no campo da gestão da tecnologia está relacionado ao domínio e vulnerabilidade tecnológica das empresas estimados pela Figura 10. Somente 21% das empresas utilizam algumas tecnologias patenteadas, e 32 % tecnologias de caráter restrito não patenteadas. Ao redor de 59 % das empresas utilizam tecnologias de domínio público, ou seja, alta vulnerabilidade. Desta forma 91 % das empresas utilizam tecnologias de reduzido valor agregado, sem proteção de propriedade industrial e com elevada vulnerabilidade, principalmente com relação às tecnologias de processo. A maioria dos produtos dessas empresas não agrega tecnologia, ou seja, é de baixo valor agregado. 23 Patenteadas Vulnerabili dade T ecnológic a Bai xa T ec nologias de Caráter Res trito Não Patenteadas Outras Domínio Publ ic o Média Alta 20 30 40 50 60 % Empres as Figura 10 - Domínio e Vulnerabilidade das Tecnologias das Empresas Visando delinear a ordem de importância para as empresas, na atualidade, dos fatores “mercado”, “qualidade”, “tecnologia” e “treinamento”, a Figura 11 indica que em primeiro lugar o “mercado e qualidade” totalizando 80% das empresas, o segundo lugar a “qualidade e tecnologia” com 70% das empresas, o terceiro lugar a “tecnologia e qualidade” com 50% das empresas, e o quarto lugar o “treinamento e tecnologia” com 72% % das Empresas das empresas. 60 Mercado Qualidade 50 T ecnologia T reinamento 40 30 20 10 0 Primeiro Lugar Segundo Lugar T erceiro Quarto Lugar Lugar Ordem de Importância Figura 11- Importância de Fatores na Atualidade para as Empresas 24 Durante a pesquisa foi conduzida uma questão não-administrada relacionada aos parâmetros utilizados pelas empresas para opção de utilização de novas tecnologias de produto. O Quadro 04 indica que o “mercado, concorrência e redução de custos” foram os parâmetros de maior citação, vindo a seguir “produtividade, cliente, qualidade, inovação tecnológica, novos produtos, meio ambiente, atualização tecnológica e segurança”. PARÂMETROS PARA OPÇÃO DE USO DE NOVAS TECNOLOGIAS DE PRODUTO Mercado Concorrência Redução Custos Produtividade Clientes Qualidade Produto Ordenação dos Inovação Tecnológica Parâmetros por Maior Novos Produtos Citação pelas Empresas Meio Ambiente Consultadas Atualização Segurança Quadro 04 - Parâmetros para Opção de Novas Tecnologias de Produto nas Empresas Dentro dos mesmos critérios, a questão não-administrada para os parâmetros de decisão para opção de novas tecnologias de processo, as empresas indicaram, conforme o Quadro 05, os parâmetros “produtividade, qualidade e redução de custos” com maior citação, vindo a seguir “custo-benefício, tecnologia de concorrentes, e exigências de mercado”, e por fim a “rejeição de produtos, aumento da produção, novo produto, novos equipamentos, condições de trabalho, meio ambiente, treinamento, mão-de-obra, estrutura da empresa, investimentos e flexibilidade”. Como se pode constatar o item meio ambiente foi citado apenas por 2,6% das empresas no caso de produto e 1,3% das empresas no caso de processo, mesmo sendo o processo relevante em aspectos de geração de resíduos. 25 PARÂMETROS PARA OPÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS DE PROCESSO NAS EMPRESAS Produtividade , Qualidade Redução Custos Custo – Benefício Tecnologia Concorrente Exigência Mercado Rejeição Produtos Aumento Produção Ordenação dos Parâmetros Novo Produto por Maior Citação pelas Novos Equipamentos Empresas Consultadas Condições de Trabalho Meio Ambiente Treinamento Mão-de-Obra Estrutura Empresa Investimentos Flexibilidade Quadro 05 - Parâmetros para Opção de Novas Tecnologias de Processo nas Empresas A Figura 12 indica para a capacitação tecnológica uma mediana de 2,2, ou seja, entre os % das Empresas 60 50 Capacitação T ecnológica Grau de Satis faç ão Mediana : 2,2 40 30 20 10 0 1 Ins atis feito 2 Pouc o Satis feito 3 Raz oav . Satis feito 4 Satis feito 5 Muito Satis feito Grau de Satisfação Figura 12 – Auto-Avaliação da Capacitação Tecnológica nas Empresas 26 níveis “pouco satisfeito” e “razoavelmente satisfeito”. É interessante ressaltar que uma auto-avaliação da capacitação tecnológica em uma empresa é uma tarefa complexa e exige anteriormente a utilização de conceitos, como por exemplo a macrotecnologia e a microtecnologia, como veremos a seguir, para uma avaliação segmentada. Dando continuidade à avaliação das tecnologias da empresa, após os dados das Figuras 10 e 12, o conceito de microtecnologia desenvolvido em Silva (2003) permite analisar esse campo com maiores detalhes, pela segmentação da microtecnologia em tecnologia principal e tecnologias complementares. Os dados das Figuras 13 e 14 , em Silva(2003), foram atualizados, em sua maior parte, com o conjunto de empresas usado no presente trabalho. A Figura 13 indica poucas empresas com tecnologia principal de alto valor agregado em produtos (4%) / processos(8%), e relativamente pouco domínio e desenvolvimento (5% e 2% respectivamente) dessas tecnologias, prevalecendo tecnologias de domínio público (incluindo o domínio restrito) para mais de 88% das empresas. Evidentemente, o desenvolvimento da tecnologia principal de um produto ou processo é o fator mais relevante sob o ponto de vista de competitividade e vulnerabilidade tecnológica. Microtecnologia : Tecnologia Principal 69 70 62 60 % Empresas proc es s o produto 58 51 50 41 39 40 30 30 30 20 10 8 2 4 5 0 alto baix o médio Valor Agregado des env olv . na empres a domínio públic o domínio res trito Domínio da T ecnologia Figura 13 -Valor Agregado e Domínio das Tecnologias Principais 27 A Figura 14 indica que a maioria das empresas (ao redor de 95%) não tem capacitação para alterar nas tecnologias complementares dos produtos ou processos, geralmente fornecidas por outras empresas através de sistemas, equipamentos, acessórios ou bens de capital. Microtecnologia : Tecnologias Complementares 100 100 proc es s o produto % Empresas 90 80 70 60 49 50 40 41 35 30 28 31 23 21 20 10 3 7 0 altera c onhec e c ontr ola maneja utiliz a Domínio Sobre T ecnologias Complementares Figura 14 - Domínio dasTecnologias Complementares 28 3.2 Gestão Ambiental O “survey” e as entrevistas selecionadas procuraram delinear o comportamento das empresas em vários aspectos da gestão ambiental, envolvendo o processo de produção e alguns dados da geração de matéria-prima. A Figura 15 indica que para a maioria dos funcionários da empresas não existe problema grave com relação aos resíduos sólidos, líquidos e gasosos, oriundos do processo produtivo, ou seja, uma mediana de 3,2 com indicação entre “razoavelmente satisfeitos” e “satisfeito” nesse campo. Somente será possível ter uma conclusão sobre esse assunto após a análise de todas as questões da pesquisa, pela interpretação e correlação entre vários aspectos. 50 40 %Empresas 1-Insatisfeito 2-Pouco Satisfeito 3-Raz. Satisfeito 4-Satisfeito 5-Muito Satisfeito Gasosos Líquidos Sólidos 30 20 10 0 1 3 2 4 5 Escala Ordinal Figura 15- Grau de Satisfação Existente na Empresa com o Destino dos Resíduos A Figura 16 indica uma mediana de 6,2% para o percentual de resíduos de matéria-prima no processo de produção das empresas pesquisadas. % das Empresas 25 Mediana : 6,2 % 20 15 10 5 0 0 2 4 6 8 10 12 14 % de Res íduos de Matéria-Prima Figura 16 - Resíduos de Matéria-Prima no Processo de Produção das Empresas 29 A Figura 17 incorpora informações sobre resíduos na geração de matéria-prima e a reciclagem de resíduos de matéria-prima no processo de produção das empresas. Os dados indicam que 80% das empresas informam haver algum tipo de resíduo na fonte de matériaprima adquirida de terceiros, com 47% das empresas indicando prática a reciclagem de matéria-prima no processo de produção, e 53 % não praticam. Esses valores indicam que a metade das empresas não reutiliza os resíduos (principalmente sólidos) das matéria-prima, enviando-os como sucata para outros processos industriais ou para aterros industriais. 80 80 % Empresas 70 Sim Não Matéria Prima 60 53 50 47 40 30 20 20 1- Resíduos na Origem da Matéria-Prima 2- Recicalgem de Resíduos de Matéria-Prima no Processo Figura 17 - Matéria-Prima : Potencial de Resíduos e Reciclagem A Figura 18 apresenta uma complementação sobre adoção de novas tecnologias, assunto Custo Produç ão Econ. Energia Meio Ambiente % Empresas 50 40 Produtividade Qualidade 30 20 10 0 1º 2º 3º 4º 5º Ordem de Importância Figura 18 - Fatores de Decisão na Adoção de Novas Tecnologias nas Empresas 30 esse já abordado anteriormente nos Quadros 03 e 04, agora com questão administrada, visando delineamento no campo de meio ambiente. Como se constata, o meio ambiente recebe a indicação de somente 5% das empresas no primeiro grau de importância, 9 % no segundo grau, 10% no terceiro grau e 28% no quarto lugar, indicando que esse campo ainda não é prioritário para a maioria das empresas. A Figura 19 analisa o grau de importância dos três principais tipos de resíduos nas empresas. Como são empresas de manufatura de produtos sólidos, a ordem decrescente de importância indicada engloba : resíduos sólidos, resíduos líquidos e resíduos gasosos. Resíduos : Gasosos Líquidos Sólidos % Empresas 50 40 30 20 1º 2º 3º Ordem de Importância dos Resíduos Figura 19 - Grau de Importância dos Resíduos nas Empresas Evidentemente, o tipo de resíduo e sua quantidade dependem da natureza da industria. O potencial de geração de valor econômico desses resíduos, interna ou externa, é que poderá indicar o grau de importância nesse campo. O Quadro 06 indica os vários destinos dos resíduos sólidos, líquidos e gasosos, produzidos pelas empresas, onde se constata que 48% das empresas comercializam ou reciclam resíduos sólidos, 59% das empresas tratam ou despejam os efluentes líquidos em esgotos e rios, e 75% das empresas lançam na atmosfera ou filtram os resíduos gasosos. 31 DESTINOS DOS RESÍDUOS DO PROCESSO DE PRODUÇÃO NASEMPRESAS Sólidos % Líquidos % Gasosos % Comercialização 28 Tratamento 30 Atmosfera 54 Reciclagem 20 Esgoto / Rios 29 Filtros 21 Aterro 17 Reciclagem 16 Tratamento 19 Lixo Industrial 11 Descarte 14 Reciclagem 9 Lixão 9 Empresa Reciclagem 4 Lavagem 5 Ração Animal 5 Fertilizante 2 Fertilizante 4 Irrigação 2 Queima 5 Compostagem 3 Geração Vapor 2 Inseticidas 2 Quadro 06- Destinação dos Resíduos Sólidos, Líquidos e Gasosos das Empresas Com relação às tecnologias ou metodologias de redução de resíduos, e de reciclagem no processo, 45% e 38% das empresas fazem uso, respectivamente, de acordo com o Quadro 07. Por outro lado 84% das empresas indicaram que há potencial de otimização das tecnologias de produto e processo visando redução de resíduos no processo de produção. TECNOLOGIAS DE REDUÇÃO DE RESÍDUOS E DE RECICLAGEM NO PROCESSO Uso de Tecnologias de Redução de Resíduos 45 % (empresas) 55 % Não Utilizam Tecnologias ou Procedimentos Uso de Tecnologias de Reciclagem no Processo 38 % (empresas) Utilizam 62 % Não Utilizam Tecnologias ou Procedimentos Desulfitação Decantação Controle Biológico Clarificação Eficiência Equipamento Filtragem Reutilização de Águas Moagem / Aglomerados Aspiração e Lavagem Neutralização Estação Tratamento Tratamento / Reciclagem Caixas de Resíduos Evaporação / Reutilização Filtragem Queima Gerenciamento de Resíduos Irrigação Reciclagem Ração Animal Tecnologia Moldes Re-processamento Treinamento Tratamento Biológico Obtenção SubProdutos Otimização das Tecnologias de Produto/Processo Visando Redução de Resíduos 84 % (empresas) Existe Potencial 16 % (empresas) Não Existe Potencial Quadro 07 - Uso de Tecnologias de Redução de Resíduos/Reciclagem e Otimização Com relação à manutenção preventiva e corretiva, a Figura 20 indica que 64% das empresas realizam manutenção contra vazamentos no processo de produção enquanto que 32 39% fazem a reciclagem de materiais de manutenção das instalações. Manutenção Preventiva e Corretiva 80 % Empresas 70 Prevenção de Problemas Ambientais no Processo 64 60 Prevenção de Problemas Ambientais com a Manutenção Realiz am Não realiz am Parc ialmente 50 40 39 36 33 28 30 20 Manutenção Preventiva Contra Vazamentos no Processo de Produção Reciclagem de Produtos Utilizados na Manutenção das Instalações Figura 20 - Manutenção e Aspectos de Meio Ambiente nas Empresas Dependendo da característica do produto, este poderá afetar o meio ambiente durante sua utilização. De acordo com a Figura 21, para 35% das empresas existe essa possibilidade e para 65% não existe. Como já assinalamos, a tecnologia principal do produto influencia diretamente esse fator. Com relação ao reaproveitamento do produto após sua vida útil, 62% das empresas indicam não reciclagem e o restante reciclagem externa ou reprocessamento. % Empresas Produto e Meio ambiente : Uso e Reciclagem 80 reproc es s amento 70 rec ic lagem ex terna não rec ic lagem 62 60 50 Após Vida Útil do Produto 40 65 emis s ão poluentes não poluentes C om o U s o do Produto 35 30 24 14 20 Reaprov eitamento do Produto Após Sua Vida Ú til Emis s ão de Poluentes no U s o do Produto Figura 21 – Influência do Produto no Meio Ambiente 33 A Figura 22 apresenta uma estimativa do tempo de degeneração dos produtos das empresas no meio ambiente, com mediana ao redor de 70 anos, tempo esse razoável, mas muito complexo para discussão, tendo em vista a ampla variedade de produtos das empresas de manufatura consultadas. %de Empresas 30 Mediana : 70 anos 20 10 0 <1 1 a 10 10 a 50 50 a 100 > 100 T empo Estimado de Degeneração dos Produtos (Anos) Figura 22 - Tempo de Degeneração dos Produtos das Empresas no Meio Ambiente A Figura 23 apresenta informações relacionadas à norma ISO 14000. Constata-se que 22% das empresas consultadas desconhecem o conteúdo dessa norma ambiental e somente 3,5% das empresas têm a certificação. Apesar de ter ocorrido melhoria nos dados das empresas nos últimos três anos, ainda é limitada essa certificação. Como já assinalamos, a certificação em si não garante a gestão ambiental do sistema produtivo nas empresas. 96,5 100 Sim 90 % Empresas 80 Não 78 70 60 ISO 14000 50 40 30 22 20 3,5 10 0 Conhecimento Certificação ISO 14.000 Figura 23- ISO 14.000 : Conhecimento e Certificação nas Empresas 34 Finalmente, o Quadro 08 indica as principais dificuldades das empresas consultadas em gestão ambiental, extraídas de questão não-administrada, ou seja, na ordem de citação livre e espontânea. As dificuldades mais proeminentes são: tecnologias de processamento de resíduos, custos operacionais e de manutenção do sistema, e legislação/regulamentação. PRINCIPAIS DIFICULDADES EM GESTÃO AMBIENTAL Dificuldades % Empresas Tecnologia de Processamento de Resíduos 21,4 Custos Operacionais e de Manutenção 13,0 Legislação / Regulamentação 7,6 Localização da Planta 7,2 Cultura Ambiental / Treinamento 7,2 Encaminhamento de Resíduos 5,3 Efluentes com Diferentes Princípios Ativos 5,3 Financiamento 3,3 Investimentos 3,3 Mão-de-Obra com Qualificação 3,3 Necessidade de Incentivos Fiscais 3,3 Adequação ao Lixo Industrial 3,3 Redução de Resíduos Sólidos no Processo 3,3 Descarte Produto Tóxico para Empresa de Reciclagem 3,3 Uso de Recursos Hídricos no Tratamento de Efluentes 3,3 Burocracia Interna e nos Órgãos Externos Reguladores 3,3 Gestão da Empresa Matriz no Campo Ambiental 3,3 Quadro 08 – Principais Dificuldades das Empresas na Gestão Ambiental 35 3.3 Gestão Energética A pesquisa de campo procurou também delinear o comportamento das empresas em vários aspectos da gestão energética, envolvendo produtos, processos de produção, e aspectos organizacionais. A Figura 24 resume informações sobre os tipos e fontes de energias utilizadas pelas empresas pesquisadas. Com relação ao uso de energia elétrica, somente 75% das empresas indicaram como fonte as concessionárias, 2% a cogeração, e 3% a geração através de motores a combustão interna. No que se refere ao uso de energia térmica, 15% das empresas indicaram como fonte o vapor de caldeiras, 3% vapor de contrapressão de turbinas, e 12% de energia elétrica direta. Ao redor de 5% das empresas indicaram o uso Tipos de Energias Utilizadas Pelas Empresas 75 70 Tipos de Energia 60 Fontes de Energia Energia Elétrica 1 - Concessionária 2 - Cogeração 3 - Gerador Motor Comb. Interna Energia Térmica 4 - Vapor Gerado por Caldeiras 5 - Vapor Contra-pressão Turbinas 6 - Energia Elétrica Direta Energia Hidráulica 7 - Recursos Hídricos Energia Solar 8 - Coletor Solar Aquecimento Agua 9 - Painéis Geração Energia Elétrica % E mpres as 50 40 30 Outras 20 10 - GLP ; Lenha 12 15 10 2 3 5 3 7 1 0 8 9 0 1 2 3 4 5 6 7 10 Tipos e Fontes de Energia Figura 24 - Tipos e Fontes de Energia Utilizadas Pelas Empresas de energia hidráulica, 1% o uso de coletor solar para aquecimento de água, 7% o uso de GLP e lenha, e nenhuma das empresas indicou o uso de painéis solares para geração de energia elétrica. A Figura 25 indica a caracterização física dos tipos de combustíveis utilizados pelas empresas, com 63% das empresas utilizando combustíveis líquidos, 25% gasosos e 12% sólidos. Esses dados apresentam alguma diferença em relação àqueles da Figura 24, 36 principalmente no que se refere ao percentual das empresas que indicaram o uso de combustíveis gasosos, uma vez que dificilmente 25% das empresas têm acesso a rede de gás natural para uso térmico, embora recentemente tenha ocorrido expansão da rede de gás natural em todas as cidades periféricas da Via Anhanguera até a Grande São Paulo. Tipos de Combustíveis Utilizados Pelas Empresas 100 Combus tív el Sólido 90 Combus tív el Gas os o 80 % Empresas Combus tív el Líquido 63 70 60 50 40 25 30 20 12 10 0 Sólido Líquido Gas os o Combustível Figura 25 - Caracterização dos Combustíveis Utilizados Pelas Empresas A Figura 26 indica o percentual das empresas que utilizam controladores de fator de demanda de energia elétrica, analógicos (59%) ou digitais (30%). O uso desses itens é Uso de Controladores de Fator de Demanda de Energia Elétrica 100 90 % Empresas 80 CFD : Controlador de Fator de Demanda (Analógic o) CLP : Controlador Lógico Programável(Digital) 70 70 60 50 40 Com Controlador Sem Controlador ( Demanda : kVA ) 59 41 30 30 20 10 0 CFD CLP Controladores de Fator de Demanda Figura 26 - Uso de Controladores de Demanda de Energia Elétrica nas Empresas 37 importante para o processo de racionalização do uso de energia elétrica no processo produtivo, pois permite reproduzir o mapeamento estatístico da demanda global ou setorial de energia elétrica em uma empresa. Essas informações são relevantes para projetar ou otimizar sistemas produtivos, visando maior eficácia energética, desde que a empresa tenha capabilidade nas tecnologias embutidas nos processos. A Figura 27 traz informações importantes sobre a racionalização do uso de energia térmica no processo produtivo, com 63% das empresas praticando isolamento térmico nos sistemas térmicos e somente 11% procedendo ao reaproveitamento dessa energia no processo, indicando potencial de melhorias no campo de conservação de energia. Dentro do setor de manufaturados, os sistemas contínuos homogêneos, como as industrias de bebidas, de álcool e açúcar, química etc, e de sistemas que fazem uso de fornos contínuos de secagem, como cerâmicas, alimentícias etc, são importantes para projetos de reciclagem de energia térmica. Como exemplo podemos citar o caso do “aquecimento indireto” da coluna “A” de destilação na industria álcooleira, acarretando redução substancial de produção de vinhaça (resíduo), pois não há diluição do vinho com vapor direto, e ao mesmo tempo redução do consumo de bagaço na caldeira para geração de vapor, pois a água proveniente do vapor condensado no trocador, enviada posteriormente para alimentação da caldeira, está a uma temperatura de 97º C. Assim, temos dois ganhos importantes concomitantes, nas áreas de conservação de energia e de redução de efluentes. Energia Térmica no Processo de Produção % Empresas 100 90 { 80 { 70 60 Com Isolamento Térmico no Sistema Reaprov eitamento de Energia Sem Isolamento Térmico no Sistema Sem Reaproveitamento de Energia 63 89 50 40 37 30 20 11 10 0 Isolamento Térmico Reaprov eitamento de Energia Manejo de Energia Térmica Figura27 - Manejo de Energia Térmica no Processo de Produção pelas Empresas 38 A Figura 28 resume alguns aspectos da gestão energética nas organizações, como por exemplo existência de programas de conservação de energia em somente 20% das empresas, e setores/comissões de energia em somente 21% delas. Todavia, constata-se que esses programas estão relacionados principalmente com a energia elétrica. Existência de Programa ou Setor de Conservação de Energia Com Programa / Com Setor de Conserv. de Energia 100 90 % Empresas 80 Sem Programa / Sem Setor de Cons erv. de Energia A maioria dos Programas/Setores citados é referente somente a Controle de Demanda de Energia Elétrica. 80 79 70 60 50 Gestão 40 Energética 30 20 20 21 10 0 Programa Setor ou Comissão Conservação de Energia Figura 28 -Existência de Programas ou Setores de Racionalização do Uso de Energia Os dados da Figura 29 estão relacionados ao conhecimento da demanda e consumo de energia elétrica entre empresas de setores similares, ou seja, benchmarking. Inicialmente constatou-se que somente 13% das empresas já realizaram algum benchmarking nesse campo, ou seja, compararam a demanda de energia elétrica com empresas similares. Para 35% das empresas que realizaram esse benchmarking, existe alguma equivalência entre as empresas, para a demanda (kvA) ou consumo (kwh). Adicionalmente indagou-se às empresas se para a programação da produção eram considerados aspectos de economia de energia no processo ? Ao redor de 34% das empresas indicaram que adotam esse procedimento, contrariando alguns dados anteriores com percentual menor de empresas com algum programa de racionalização do uso de energia. Na realidade, são poucas as empresas com capabilidade tecnológica para interferir nas tecnologias do processo de produção e reduzir o consumo de energia. Na maioria das vezes a redução da demanda ou consumo de energia é realizada com ações indiretas, como redução da produção, uso de escalas de jornadas de trabalho, e com paradas de setores da produção. 39 Benchmarking de Demanda e Consumo de Energia Elétrica 100 Benchmarking de Demanda(kvA) e Consumo(k wh) de Energia Elétrica 87 90 % Empresas 80 Resultados da Comparaç ão 70 60 50 40 Comparação com Outras Empres as Similares 45 35 30 20 Nota : Programação da Produção c om Economia de Energia : 34 % Empres as 13 10 0 Comparou Não Comparou Equivalente Menor (Que Outras Empresas) Benchmarking de Demanda e Consumo Figura 29 - Benchmarking de Demanda e Consumo de Energia Elétrica entre Empresas A Figura 30 apresenta informações sobre estudos realizados pelas empresas, nos últimos três anos, no campo de racionalização do uso de energia. Os dados indicam que mais da metade das empresas se concentraram em estudos de racionalização do uso de energia em Estudos de Racionalização do Uso de Energia nas Empresas 100 1- Ar Condic ionado % Empresas 90 2- Gas Natural ou GLP Últimos Três Anos 3- Gerador de Vapor 80 70 4- Iluminação 66,7 60 5- Motores de Indução 55,1 50 40 36,6 30,0 30 6- Mot. de Vel. Variáv el 50,0 7- Óleo Combustív el 8- Refrig. Industrial 36,1 32,3 25,0 20 1 2 3 4 5 6 7 8 Estudos de Conservação de Energia Por Setor Figura 30 - Estudos de Racionalização do Uso de Energia nas Empresas 40 iluminação, em motores de indução e motores de velocidade variável. Ao redor de 36% das empresas empreenderam alguns estudos de racionalização do uso de energia elétrica em ar condicionado e no uso de óleo combustível em caldeiras, campo esse também estudado especificamente para geração de vapor por 32,3% das empresas. Nota-se estudos para utilização de gás natural e GLP em 30% das empresas e de estudos de melhorias no setor de refrigeração industrial em 25% das empresas. Pode-se dizer que a maioria dos resultados desses estudos ainda não foi implementada pelas empresas. Todavia, já se denota movimentação nesse campo de racionalização do uso de energia. Uma análise desse campo indica que na maioria dos casos não há necessidade de substituição do tipo de energia ou combustível utilizado, mas essencialmente a redução de seu consumo com a interferência no sistema produtivo. A Figura 31 apresenta dados sobre a conscientização dos funcionários das empresas no campo da racionalização do uso de energia, indicando que 38% do pessoal está conscientizado, ou seja, percentual relativamente baixo. Por outro lado, 66% dos funcionários não estão ou estão pouco conscientizados nesse campo. Essa conclusão, juntamente com dados anteriores, indica que as empresas, por ausência de qualificação e outros aspectos, ainda não despertaram para a importância da racionalização do uso de energia. Somente quando se tem escassez de energia, como ocorreu no período 2001-2002, é que as empresas parecem dar maior valor a esse campo, mas, quando a normalidade retorna, em pouco tempo apagam da memória esse fato, pois inexiste a conscientização. Conscientização da Importância da Racionalização do Uso de Energia 100 90 % Empresas 80 Func ionários da Empres a 70 60 50 40 38 40 30 22 20 10 0 Cons c ientiz ados Pouc o Cons c ientiz ados Não Cons c ientiz ados Conscientização dos Funcionários Figura 31 - Conscientização dos Funcionários da Empresa no Uso de Energia 41 A Figura 32 apresenta dados de comportamento das empresas durante o período 2001-2002 do Programa de Racionamento de Energia Elétrica (“Apagão”), quando foram estipuladas cotas em Kwh para empresas e residências em todo o País. Podemos ver que somente 50,9% das empresas indicaram ter conseguido atender às cotas de consumo programadas, e 49,1 % não atenderam. Esses dados indicam grandes dificuldades em conservação de energia para a metade das empresas, ou seja, não conseguiram interferir no processo industrial para redução do consumo de energia. Evidentemente as conseqüências dessa situação são especificas para cada empresa. Durante a presente pesquisa somente foi possível conhecer alguns procedimentos daquelas empresas que conseguiram operar dentro das cotas estipuladas no Programa de Racionamento como veremos a seguir. 100 % de Empresas 90 80 Programa de Racionamento de Enegia Elétrica 2001/2002 "APAGÃO 2001-2002" Ministério de MInas e Energia Governo Federal 70 60 50 50,9 49,1 Sim Não 40 30 20 10 0 Atendimento do Consumo Programado ( kwh ) Figura 32- Cumprimento das Metas de Consumo de Energia Elétrica nas Empresas O Quadro 09 apresenta informações das empresas que cumpriram as metas de demanda de energia elétrica estabelecidas pelo Programa de Racionalização. Como se nota, o maior percentual, de 17,1% das empresas se concentraram na redução do consumo de energia elétrica da iluminação. A seguir, 15,5% das empresas indicaram alguma ação em racionalização do uso de energia elétrica, campo esse relevante, pois envolve toda a empresa. Com mesma proporção, 15,5% das empresas indicaram o aluguel ou compra de gerador de energia elétrica com motores diesel. A seguir nota-se que 14,1% das empresas indicaram ações no campo de conscientização dos funcionários no uso de energia. 42 PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PELAS EMPRESAS* DURANTE O PROGRAMA DE RACIONAMENTO DO USO DE ENERGIA ELÉTRICA 2001-2002 PROCEDIMENTOS % Redução da Iluminação 17,1 Racionalização do Uso de Energia 15,5 Aquisição ou Aluguel de Gerador de Energia Elétrica 15,5 Conscientização do Pessoal 14,1 Escala de Jornada de Trabalho 8,4 Redução da Produção no Horário de Pico 7,0 Desligar Equipamentos Produção 5,6 Co-geração de Energia Elétrica 5,6 Redução Uso de Ar Condicionado 4,2 Parada de Setores da Indústria Treinamento de Pessoal Ordenação dos Procedimentos por Maior Citação pelas Empresas 2,8 1,4 Uso de Combustíveis Alternativos 1,4 Importação de Matéria-Prima 1,4 Obs : * Empresas que cumpriram as metas de demanda de energia elétrica estabelecidas pelo Programa. Quadro 09 - Procedimentos das Empresas no Programa de Racionamento do Uso de Energia Elétrica 2001-2002 A escala da jornada de trabalho foi outra ação utilizada pelas empresas visando distribuir a demanda de energia elétrica pelas 24 horas do dia de trabalho, incluindo muitas vezes o período noturno como alternativa. Esse procedimento é citado por 8,4% das empresas. A redução da produção em horário de pico é também citada por 7% das empresas. Ao redor de 5,6% das empresas indicaram desligamento de máquinas de produção e cogeração de energia elétrica. A redução do uso de aparelhos de ar condicionado foi citada por 4,2% das empresas e a paralização de setores da empresa 2,8%. Finalmente, 1,4% das empresas indicaram existir treinamento de pessoal no campo de racionalização do uso de energia,, uso de combustíveis alternativos e até importação de matéria-prima. 43 4. Conclusões O presente trabalho analisou vários aspectos da gestão da tecnologia de produto e processo, em empresas de manufatura, desde estratégicos até operacionais, incluindo também uma nova dimensão com os conceitos de microtecnologia (desmembramento das tecnologias de produto/ processo) e de macrotecnologia (capabilidade tecnológica específica). Ao mesmo tempo foram analisados vários aspectos correlacionados à gestão ambiental e gestão energética nessas empresas, desde a matéria-prima até o produto final, e resíduos. O trabalho envolveu “levantamento survey” em 97 empresas, e “pesquisa qualitativa” em 38 dessas empresas, selecionadas entre aquelas com algum desempenho em gestão da tecnologia de produtos e processos, para entrevistas básicas nos três campos pesquisados, ou seja, gestão da tecnologia, gestão ambiental e gestão energética, visando aprofundar alguns aspectos conceituais e organizacionais de comportamento. Fundamentalmente procurou-se verificar se as empresas com alguma capabilidade no campo da gestão da tecnologia apresentam melhor desempenho no campo da gestão ambiental e gestão energética, em comparação às empresas com limitada capabilidade tecnológica. O conceito do termo capabilidade, traduzido do inglês, pode ser aproximado como uma característica de pessoa ou organização, de ter capacidade mais habilidade, simultaneamente, sobre um determinado assunto, como por exemplo uma tecnologia. Assim, foi possível delinear vários aspectos importantes, procurando correlacionar a gestão da tecnologia com a gestão ambiental no conjunto das empresas pesquisadas. Durante o período foram mantidos vários contatos com entidades estatais e privadas, visando levantamento de dados de associações, empresas e informações setoriais, como a Secretaria de Tecnologia Industrial-STI do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior-MDIC, a FIESP-Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a CNI-Confederação Nacional da Indústria, a ABIMAQ-Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, e a ABDIB-Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base. Com relação à gestão da tecnologia, inicialmente os dados constataram que, embora a mediana de escala ordinal indique satisfação razoável (mediana) dos funcionários e clientes (sob o ponto de vista da empresa) com relação às tecnologias utilizadas atualmente, há pouca satisfação com relação à qualificação tecnológica existente na empresa e acompanhamento das tecnologias de concorrentes. A indicação é de que a mediana do tempo de uso das atuais tecnologias nas empresas é de 4,2 anos para produto e 44 5,3 anos para processo, dentro do contexto das melhorias em produtos ( para 63%) e processos (para 64%), com lançamento de novos produtos para 59% delas. Com relação a aspectos estratégicos, somente 42% das empresas informaram ter alguma prática de planejamento estratégico de produto-mercado e 37% de planejamento estratégico de tecnologia. Ao redor de 35% das empresas informaram ter ocorrido alguma parceria com universidades, nos campos de treinamento e consultoria. Embora 42% das empresas dizem obter informações tecnológicas através de fontes diversas, somente 2,5% delas informaram ter acesso a sistemas de informação. Somente 12% das empresas informaram ter setor específico de desenvolvimento, e 7% de tecnologia, embora 58% especificaram ter desenvolvido seus processos e 52% seus produtos. Essa discrepância talvez seja explicada pelo fato de que 91% das empresas utilizam tecnologias de domínio público ou de caráter restrito, não patenteadas, e somente 21% das empresas com tecnologias patenteadas para produto e/ou processo, indicando elevada vulnerabilidade tecnológica para a maioria das empresas pesquisadas. Em uma auto-avaliação da capacitação tecnológica das empresas foi constatada uma mediana de 2,2 (grau de satisfação entre pouco satisfeito e razoavelmente satisfeito). Na realidade, a maioria dos produtos produzidos pelas empresas pesquisadas não tem elevado valor agregado sob o ponto de vista de tecnologia de produto, e os processos de produção são baseados quase que exclusivamente em máquinas do setor de bens de capital adquiridas de terceiros, ou seja, vulnerabilidade de tecnologia de processo. Ao serem indagadas sobre a ordem de prioridade atual de quatro fatores básicos, as empresas indicaram como maior peso para o primeiro lugar o mercado (53%), para o segundo a qualidade (40%), para o terceiro a tecnologia (35%), e para o quarto lugar o treinamento (53%). Em um questionamento não administrado, dentre os principais parâmetros utilizados pelas empresas para tomada de decisão de uso de novas tecnologias para produto e processo, estão o mercado, a concorrência, a redução de custos e a produtividade, para as tecnologias de produto, e a produtividade, qualidade, redução de custos e custo-benefício, para as tecnologias de processo. Resumindo, no campo da gestão da tecnologia, podemos dizer que não se constata grandes alterações na configuração relatada em Silva (2003) e Silva (2002 b). Em geral a maioria das empresas pesquisadas ainda não desenvolve atividades específicas nesse campo, ao 45 contrário de empresas americanas, européias e asiáticas do setor de manufaturados. Muitas terminologias e conceitos praticados internacionalmente ainda são desconhecidos para muitas empresas. Constatam-se limitações em aspectos estratégicos e operacionais com relação às tecnologias de produto e processo, em capabilidade tecnológica, tendo como resultado elevada vulnerabilidade tecnológica, ou seja, poucas empresas desenvolvem efetivamente suas tecnologias com garantia de propriedade industrial. As informações relacionadas a microtecnologia de produto / processo cristalizam essas observações, pelo desdobramento que esse conceito permite fazer em tecnologia principal e tecnologias complementares, ou seja, menos de 8% das empresas informam que as tecnologias principais de seus produtos e processos têm alto valor agregado, e menos de 5% conseguem efetuar alterações nas tecnologias complementares. As implicações dessa configuração serão abordadas após a análise dos dados da pesquisa na área de meio ambiente. Com relação à gestão ambiental, os dados iniciais indicam não haver, para os funcionários das empresas, maiores problemas com relação aos resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Esse fato é preocupante, talvez decorrente da falta de conscientização ambiental nas empresas, porque parece haver carência de responsabilidade sócio-ambiental. Somente a mediana de 6,2% de resíduos de matéria-prima no processo já é preocupante, sendo que apenas 47% das empresas praticam reciclagem, sem contar o potencial de resíduos, na origem dessa matéria-prima, indicado por 80% das empresas. Como o setor é de manufaturados o grau de importância dos resíduos segue na ordem sólidos, líquidos e gasosos. Em questionamento administrado, para adoção de novas tecnologias na empresa, ao indicarem a ordem de importância de vários fatores (custo de produção, economia de energia, meio ambiente, produtividade e qualidade), constata-se que somente 5% das empresas posicionaram o meio ambiente em primeiro lugar, e 9% em segundo lugar, com indicação clara e não prioritária desse campo para a maioria das empresas pesquisadas. Com relação ao destino dos resíduos sólidos há indicação de que somente 48% das empresas reciclam ou comercializam, e as outras 52% direcionam para diferentes descartes sem valor econômico agregado. No que se refere a resíduos líquidos 30% das empresas efetuam tratamento e 29% descartam diretamente em esgoto ou rios. Para resíduos gasosos, 54% das empresas descartam diretamente na atmosfera, e 21% efetuam filtragem ou tratamento. 46 Em questionamento não administrado os dados indicam que 45% das empresas utilizam alguma tecnologia ou procedimentos de redução de resíduos, em sua maior parte após a produção do resíduo, e 38% das empresas alguma reciclagem no processo. Ao redor de 84% das empresas indicaram que existe potencial de redução de resíduos com a otimização das tecnologias de produto e processo. Pode-se dizer que esse potencial não é explorado por vários fatores, entre eles a limitada capabilidade tecnológica existente nas empresas, como se constatou anteriormente. A manutenção preventiva e corretiva no processo de produção das empresas é um fator relevante, não só para a eficiência do processo industrial como também para o meio ambiente, pois 64% das empresas indicaram sua prática. Com relação ao uso do produto, 65% das empresas indicaram não ocorrer emissão de poluentes, e ao redor de 62% das empresas não têm maiores informações sobre o que ocorre com o produto após sua vida útil. A estimativa da mediana do tempo de degeneração dos produtos na natureza está estimada pelas empresas em 70 anos. Com relação à norma ISO 14000 constata-se que 22% das empresas consultadas desconhecem o conteúdo dessa norma ambiental e somente 3,5% das empresas têm a certificação. Em questionamento não administrado constata-se que as principais dificuldades das empresas em gestão ambiental se concentram nas tecnologias de processamento de resíduos, nos custos operacionais e de manutenção dos sistemas de reaproveitamento, reciclagem ou tratamento, vindo a seguir a legislação , a localização da planta, a pouca cultura ambiental e treinamento. Resumindo, para a área de meio ambiente, podemos dizer que os dados disponíveis analisados indicaram limitações em 50% das empresas em vários aspectos do campo da gestão ambiental, entre eles o gerenciamento, as tecnologias, os procedimentos, o treinamento, a conscientização sócio-ambiental, a certificação e a legislação ambiental. Com relação à gestão energética, constata-se que a maior preocupação está no campo de energia elétrica, uma vez que ao redor de 75% das empresas indicaram como fonte única as concessionárias, sendo que o restante das empresas não deram informação sobre esse item, exceto 2% delas que geram energia elétrica por co-geração e 3% por geradores a diesel. Ao redor de 5% das empresas indicaram utilizar energia hidráulica, e 7% o uso de GLP e lenha, e somente 1% o uso de energia solar. Com relação ao uso de controladores de fator de demanda de energia elétrica, pode-se estimar uma média de 45% das empresas 47 utilizando controladores analógicos (CLP) e digitais (CFD), e 55% sem utilização desse equipamento. No campo de energia térmica, a maior fonte de energia tem sido combustíveis líquidos, principalmente óleo combustível. Nesse campo constata-se que somente 63% das empresas utilizam isolamento térmico em seu sistema de produção. No campo de reaproveitamento de energia, a situação é ainda mais preocupante, pois somente 11% das empresas consultadas reciclam alguma energia nas etapas do processo de produção. Quanto à existência de programas ou setores de gerenciamento de energia, a maioria das empresas não tem atividades rotineiras nesse campo. Resumindo, para a área de conservação de energia, podemos dizer que mais da metade das empresas já iniciaram algum estudo de racionalização do uso de energia em iluminação, em motores de indução e motores de velocidade variável, em ar condicionado, no uso de óleo combustível em caldeiras, e outros. Todavia, também podemos dizer que a maioria dos resultados desses estudos ainda não foi implementada pelas empresas. Uma consequência desse fato é que ao redor de 50% das empresas não conseguiram cumprir a meta de consumo de energia elétrica no Programa de Racionamento 2001-2002. Uma análise desse campo indica que na maioria dos casos poderão ser implementadas técnicas de conservação de energia, não havendo necessidade de substituição do tipo de energia ou combustível utilizado. Evidentemente cada setor industrial tem características peculiares no que se refere a técnicas de conservação de energia, como no caso do setor sucroalcooleiro citado anteriormente, onde o bagaço fornece praticamente a totalidade da energia demandada pela planta industrial. Concluindo, podemos agora destacar os aspectos mais importantes do relacionamento entre a gestão da tecnologia, a gestão ambiental e a gestão energética nas empresas. Uma analise pareada dos questionários de gestão da tecnologia, de gestão ambiental e de gestão energética, para cada empresa, indicou para a maioria dos casos uma correlação entre a capabilidade tecnológica da empresa e procedimentos nos campos da gestão ambiental e gestão energética. Assim, quanto mais elevado o nível de capabilidade tecnológica da organização consta-se ações positivas nos campos de meio ambiente e racionalização do uso de energia. Pode-se dizer que as maiores dificuldades em gestão ambiental e gestão energética estão nas empresas de menor nível de capabilidade tecnológica, as quais não têm capacidade e habilidade de interferir nas microtecnologias dos produtos e processos, tanto nas tecnologias principais como nas complementares. 48 Quando uma empresa tem capabilidade tecnológica ela consegue interferir nas microtecnologias de seus produtos e processos, pois domina as tecnologias principais e complementares, conseguindo redução de resíduos e de consumo de energia, podendo dessa forma operar dentro dos conceitos de produção limpa (“Clean Production” GreenPeace) e de produção mais limpa (“Cleaner Production”- PNUMA-ONU). Assim, a capabilidade tecnológica da organização induz em um primeiro nível a redução de resíduos, emissões e de energia com a modificação do produto, e modificação do processo com “housekeeping”, substituição de matérias-primas, e modificação das tecnologias. Em um segundo nível temos a reciclagem interna de resíduos, e por ultimo em terceiro nível a reciclagem externa e ciclos biogênicos. Portanto, o contexto da “produção limpa” induz ao desenvolvimento e uso de “tecnologias limpas”, e está relacionado aos dois primeiros níveis especificados, onde as microtecnologias de produtos e processos são determinantes. Desta forma, se uma organização desenvolve suas microtecnologias de produto e processo, ela tem capabilidade de interferir e modificar essas tecnologias, visando redução de resíduos, emissões e de energia, ou seja, em direção à “produção limpa”. Podemos então concluir que existe uma correlação positiva entre os níveis de capabilidade tecnológica e os níveis de capabilidade ambiental e energética. Evidentemente, como em toda relação de correlação, algum ponto pode não obedecer à tendência, como foi constatado em uma única empresa de certo nível de capabilidade tecnológica, mas com diversos problemas ambientais, indicando que também há necessidade de outros prérequisitos como a legislação consistente, a conscientização e a qualificação, para o direcionamento de ações de proteção ao meio ambiente e conservação de energia. Essa correlação indica a incorporação dos conhecimentos, relacionados às dimensões de meio ambiente e conservação de energia, na capabilidade tecnológica das empresas, ou seja, enriquecendo a macrotecnologia das organizações e cristalizando o uso desses conhecimentos dentro da matriz de relacionamentos das atividades rotineiras da empresa. Essa construção, com visão sistêmica, conscientização e qualificação, incorpora ações no campo da gestão do conhecimento da interface entre as dimensões gestão da tecnologia, gestão ambiental e gestão energética nas organizações. Como lembrou Locke (1999), “a vantagem competitiva das organizações começa com a constante descoberta de novos conhecimentos, seguida pela constante comunicação e utilização desses conhecimentos”. A continuidade da pesquisa deve envolver a gestão da tecnologia em setores específicos da economia brasileira, como já está acontecendo nos EUA desde a metade da década de 49 1990, como por exemplo o setor de bens de capital, sucro-alcooleiro, equipamentos para a saúde pública (médicos, odontológicos, hospitalares, monitoração ambiental), papel e celulose, telecomunicações, têxteis, energia elétrica, sistemas térmicos, entre outros. Como se nota esses setores envolvem produtos de alto valor agregado. Outros setores da economia, como por exemplo processos homogêneos, ou seja, produtos sem valor de agregado de tecnologia, mas com valor agregado no processo produtivo, como industria química, petroquímica etc, também são importantes para definições de roteiros tecnológicos alternativos. Destaca-se o que está ocorrendo por exemplo na China Continental, onde algumas empresas ocidentais instaladas naquele país não têm conseguido competir com empresas chinesas recentemente instaladas com tecnologias alternativas e altamente competitivas. Na realidade, a questão tecnológica de um País é uma questão tripartite, ou seja, envolve a empresa, o governo, e institutos de pesquisa e universidades, com definições de prioridades setoriais e de fomento à tecnologia, como ocorreu e ainda ocorre na Coréia do Sul. O início desse processo está na empresa e não na universidade, como muitos afirmam, e o final também na empresa para atender o mercado. O meio se concentra na geração e gestão do conhecimento tecnológico, ou seja, capabilidade tecnológica da organização. 50 Referências Bibliográficas ABINEE (2004) – Associação Brasileira da Industria Elétrica e Eletrônica. Disponível em http://www.abinee.org.br. Acesso em 10 dez 2004. ALLEN, T.F.H. ; GIAMPIETRO M. ; LITTLE A.M. (2003) - Distinguishing ecological engineering from environmental engineering. Ecological Engineering , v. 20, p. 389–407, USA. BRYMAN, A. (1989)- research methods and organization studies. Unwin Hyman, Londres, UK . CAMPBELL, J. P. (1985) - Editorial : some remarks from the outgoing editor. In : CUMMINGS, L.L. ; FROST, P.J. Publishing in the organizational sciences, v. 21, p. 321-33, USA. DODGSON. M. (2000) - The Management of Technological Innovation: An International and StrategicApproach. Oxford University Press, New York, 2000, 248 pp. DONAIRE, D. (1995) - Gestão Ambiental na Empresa, Editora Atlas, São Paulo. ELLIOT, R. N. 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Há quantos anos sua empresa utiliza as atuais tecnologias de produto e de processo ? Produto Processo 3. Utilizando a escala padrão, qual seria o grau de acompanhamento de sua empresa no que se refere às tecnologias de produto e de processo dos concorrentes ? 1 2 3 4 5 4. Em sua empresa existe algum setor que trabalhe em prospecção tecnológica, aquisição ou licenciamento de tecnologias ? Qual ? Não Sim Setor 5. As tecnologias atualmente utilizadas em sua empresa são : Domínio Público Patenteadas Outras 6. As tecnologias de produto e de processo atualmente utilizadas foram desenvolvidas em sua empresa ? Produto Sim Não Processo Sim Não 54 7. Nos últimos dois anos sua empresa lançou novos produtos ? Quantos ? Não Sim Quantos 8. Em sua empresa existe “setor específico” de desenvolvimento de novos produtos ? Se respondeu não, qual o setor que desenvolve, mesmo esporadicamente ? Sim Não Setor 9. Nos últimos dois anos sua empresa introduziu melhorias em produtos e processos ? Produtos Sim Não Sim Processos Não 10. Dentre os quatro itens abaixo, indique a ordem (1, 2, 3, 4) de importância atual para sua empresa ? Mercado Qualidade Tecnologia Treinamento 11. Sua empresa faz uso de algum sistema de informação tecnológica ? Se respondeu sim, indicar qual(ais). Não Sim Sistemas de Informação Tecnológica 12. Sua empresa já desenvolveu algum projeto parceria de pesquisa com a universidade ? Se respondeu sim, qual foi o resultado ? Não Projeto Parceria Sim Resultado Positivo Negativo 13. Quando sua empresa contatou a universidade por qualquer motivo (treinamento, consultoria etc), foi bem atendida ? Não Sim Especificar(opcional) 14. Em sua empresa existe planejamento estratégico nos campos abaixo ? Produto / Mercado Não Sim Tecnologia Não Sim 55 15. Citar os indicadores(ou aspectos) que sua empresa utiliza para optar pela utilização de uma nova tecnologia de produto e/ou de processo. Indicadores Produto Processo 16. Como classificaria pela escala padrão o nível de capacitação tecnológica existente em sua empresa? 1 2 3 4 5 17. Como classificaria o valor agregado das tecnologias principais de produto e de processo utilizadas por sua empresa: Alto Produto Médio Baixo Alto Processo Médio Baixo 18. Com relação às tecnologias complementares de produto ou processo, ou seja, as tecnologias de terceiros (embutidas em componentes do produto ou máquinas de produção), indique a situação de domínio de sua empresa sobre elas. Produto Processo Altera Conhece controla maneja Só utiliza Altera Conhece controla maneja Só utiliza 56 B) QUESTIONÁRIO GESTÃO AMBIIENTAL 1 2 insatisfeito pouco satisfeito Escala Padrão 3 razoavelmente satisfeito 4 satisfeito 5 muito satisfeito 1. Como você poderia estimar, utilizando a escala padrão, o grau de satisfação existente em sua empresa com relação ao destino de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, resultantes do processo de produção ? Sólidos 1 2 3 4 5 Líquidos 1 2 3 4 5 Gasosos 1 2 3 4 5 2. Segundo seu conhecimento, no processo de produção da matéria-prima adquirida por sua empresa, existe potencial de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos ? Sim Matéria Prima Não 3. No final do processo de produção de sua empresa, qual o percentual estimado de resíduos de matéria-prima ? Existe reciclagem ? Se não, qual o destino ? Resíduos de Matéria Prima % Reciclagem Sim Destino Não 4. Quando sua empresa analisa a adoção de novas tecnologias de produtos/processos, ordenar (1,2,3,4,5) a importância dos itens abaixo na tomada de decisões. Custo de Produção Meio Ambiente Produtividade Qualidade Economia Energia 5. No processo de produção de sua empresa, ordenar(1,2,3) a importância dos resíduos, diretos e indiretos, sob o ponto de vista de meio ambiente ? Sólidos Líquidos Gasosos 57 6. Quais são os destinos dos resíduos do processo de produção de sua empresa ? Sólidos Líquidos Gasosos 7. Sua empresa utiliza alguma tecnologia para redução direta de resíduos no processo de produção ? Se respondeu sim, indicar. Não Sim Tecnologia 8. Sua empresa utiliza alguma tecnologia para reciclagem interna de resíduos, visando reaproveitamento ou redução de poluição ? (Ex : decantação de águas etc.) Não Sim Tecnologia 9. Após a da vida útil do(s) produto(s) produzido(s) por sua empresa, existe possibilidade de reciclagem ? Se respondeu sim, indique a forma. Não Sim Forma de Reciclagem 10. Você poderia estimar o tempo de degeneração de seu(s) produtos(s) no meio ambiente, em anos ? Menos de 1 Ano 1 a 10 10 a 50 50 a 100 Mais de 100 11. Sua empresa faz manutenção preventiva a fim de evitar interrupção do processo e contaminação ao meio ambiente devido a vazamentos ? Não Sim 12. Você considera que as tecnologias de produtos/processos utilizadas por sua empresa poderiam ser otimizadas sob o ponto de vista de meio ambiente (redução de resíduos)? Não Sim 13. Em sua empresa, durante o processo de manutenção e limpeza, existe reciclagem de produtos, como óleos, panos, estopas, detergentes, águas etc. ? 58 Não Sim Parcial 14. Sua empresa conhece a ISO 14000 e tem certificação ? Conhecimento ISO 14000 Sim Não Certificação Sim Não 15. Segundo sua opinião qual(ais) é(são) a(s) principal(ais) dificuldade(s) de sua empresa na gestão do meio ambiente ? Ordem Dificuldades 1 2 3 16. O(s) produto(s) comercializado(s) por sua empresa, quando em utilização pelos clientes, constitui(em) fonte(s) de emissão de poluentes ? Sim Não 59 C) QUESTIONÁRIO GESTÃO ENERGÉTICA (CONSERVAÇÃO DE ENERGIA) 1. Assinale os tipos de energia e fontes (procedência ou como é produzida) utilizados no processo de produção de sua empresa : Tipos de Energia Fontes Elétrica 1 Concessionária Elétrica 2 Cogeração Elétrica 3 Gerador com Motor a Combustão Interna Térmica 1 Vapor Gerado em Caldeira Térmica 2 Vapor de Contra-pressão de Turbinas Térmica 3 Energia Elétrica Direta Hidráulica Recursos Hídricos Solar 1 Coletor Solar para Aquecimento de Água Solar 2 Placa para Geração de Energia Elétrica Outras Especificar : 2. Assinale os tipos de combustíveis utilizados em sua empresa. Sólidos Líquidos Gasosos 3. Com relação ao uso de energia elétrica em sua empresa assinale a existência ou não dos seguintes equipamentos para controle e redução da demanda : Sim Não Equipamento Controlador de Fator de Demanda -CFD Controlador Lógico Programável - CLP 4. Com relação ao uso de energia térmica, em sua empresa existe isolamento térmico em todo o sistema ? Sim Não 60 5. Sua empresa tem algum programa implantado de racionalização de energia ? Sim Não Programa 6. Em sua empresa existe algum setor ou comissão que trabalhe em racionalização de energia? Não Sim Setor 7. Em alguma oportunidade a empresa comparou seus dados de demanda(kvA) e consumo de energia(kwh) com os de outra empresa similar ? Qual foi o resultado ? Não Sim Resultado (Maior ou Menor ?) 8. No sistema de produção de sua empresa existe reaproveitamento de energia, de uma etapa do processo para outra ? Não Sim 9. A programação da produção de sua empresa leva em conta aspectos de economia de energia? Não Sim 10. Nos últimos 3 anos sua empresa empreendeu alguma análise ou estudo visando racionalizar o uso de energia nos seguintes itens ? (Assinalar somente os itens existentes em sua empresa) Não Sim Itens Iluminação Refrigeração Industrial Motores de Indução Motores de Velocidade Variável Óleo Combustível Gás Natural ou GLP Geradores de Vapor Ar Condicionado 61 11. Os funcionários de sua empresa estão conscientizados da importância da racionalização no consumo de energia ? Não Sim Pouco 12. Com relação ao Programa de Racionalização do uso de Energia Elétrica (Apagão) 2001/2002: a) Sua empresa cumpriu as metas estabelecidas para o consumo? SIM NÃO b) Se respondeu SIM, quais foram as principais medidas adotadas para aquela meta? 1 2 3 4 5 c) Se respondeu NÃO, indicar as principais dificuldades. 1 2 3 4 5 62 ANEXO 2 – LISTAGEM NUMÉRICA DAS EMPRESAS * PESQUISA DE CAMPO Empresas Consultadas 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45. 46. 47. Áreas de Atuação Química Móveis Metalúrgica Química Química Química Alimentícia Ferroviária Eletro-Mecânica Alimentícia Papéis Alimentícia Alimentícia Alimentícia Mobiliário Mecânica/Borracha Vestuários Materiais Elétricos Roupas de Cama Metalúrgica Plásticos Construção Mecânica Cerâmica Eletromecânica Mecânica Automotiva Metalúrgica Mobil.Estrut. Metálicas Farmacêutica Plásticos Auto-Peças Tapeçaria Calçados Máq. de Movimentação Eletromecânica Construção Isolamento Acústico Aeronáutica Artefatos de Borracha Artefatos de Plásticos Alimentícia Máquinas p/ Plásticos Produtos Plásticos Química Bombas e Sistemas Mecânica/Instalações Alimentícia Cidade/Estado Bauru-SP S. J. Rio Preto – SP Piracicaba-SP Ribeirão Preto-SP Bauru – SP Cotia – SP Taquaritinga – SP Araraquara-SP São Paulo-SP Marília – SP Piracicaba-SP São Manuel – SP Mogi Mirim - SP Agudos – SP Ribeirão Preto-SP Guarulhos-SP São Paulo-SP S.B. do Campo-SP Arealva-SP Rio das Pedras-SP Osasco-SP Agudos – SP Piracicaba-SP São Carlos-SP Piracicaba-SP São Paulo-SP S. J. Rio Preto – SP Piracicaba-SP São Paulo-SP Ribeirão Preto-SP Diadema- SP Oscar Bressane-SP Franca - SP São Paulo-SP São Paulo-SP S. J. Rio Preto – SP São B. do Campo-SP Botucatu – SP São Paulo-SP São Paulo-SP Marília – SP São B. do Campo-SP São Carlos-SP S. J. Rio Preto – SP Piracicaba-SP Suzano-SP Ribeirão Preto-SP 63 48. Química Bauru – SP 49. Eletro-Mecânica Orlândia-SP 50. Vestuários São Paulo-SP 51. Máquinas para Plásticos São Paulo-SP 52. Eletromecânica Garça – SP 53. Metalúrgica Guarulhos-SP 54. Metalúrgica Indaiatuba-SP 55. Telecomunicações São Paulo-SP 56. Celulose Lençóis Paulista - SP 57. Mecânica/Transportadores Cotia-SP 58. Plástica Garça – SP 59. Agrícola Pompéia – SP 60. Equip. para Plásticos Valinhos-SP 61. Vestuários Guarulhos-SP 62. Eletro-Mecânica São Paulo-SP 63. Móveis S. J. Rio Preto – SP 64. Química Campinas – SP 65. Metalúrgica Piracicaba-SP 66. Metalúrgica Ribeirão Preto-SP 67. Metalúrgica Mirassol – SP 68. Borracha São Paulo-SP 69. Fibra de Vidro Franca – SP 70. Móveis S. J. Rio Preto – SP 71. Alimentícia Bauru – SP 72. Borracha São Paulo-SP 73. Embalagens Plásticas Bauru -SP 74. Mecânica/Elétrica Diadema-SP 75. Química Arujá – SP 76. Alimentícia São Paulo-SP 77. Fertilizantes Cerqueira César-SP 78. Mecânica São Paulo-SP 79. Metalúrgica Indaiatuba-SP 80. Mecânica Diadema-SP 81. Eletromecânica Garça – SP 82. Bebidas Ribeirão Preto-SP 83. Elétrica S. J. Rio Preto – SP 84. Alimentícia S. J. Rio Preto – SP 85. Construção Franca – SP 86. Vestuários Botucatu-SP 87. Papel Bauru-SP 88. Plástica Garça – SP 89. Metalúrgica Botucatu – SP 90. Máquinas Agrícolas Jaú – SP 91. Vidros S. J. Rio Preto – SP 92. Papel São Paulo – SP 93. Alimentícia Bauru - SP 94. Metalúrgica Diadema-SP 95. Máq.Texteis/Plásticos Diadema-SP 96. Agrícola Morro Agudo – SP 97. Equip. Hidráulicos São Paulo-SP * : Algumas empresas solicitaram não divulgação de sua razão social.