Preoperative staging of lung cancer with combined PET-CT Original Article - NEJM Julho 2009; 361; 32-39 Contexto clínico- O estadiamento rápido e acurado é essencial para a escolha do tratamento do paciente com neoplasia de pulmão não pequenas células. O estadiamento de neoplasia de pulmão não pequenas células foi uma das primeiras indicações aprovadas para o uso do PET. Desde 2001, a combinação de PET com TC no estadiamento desta neoplasia substituiu a avaliação convencional apenas pelo PET. A capacidade diagnóstica dos dois exames em conjunto é superior tanto no estadiamento feito pela TC apenas ou naquele feito apenas pelo PET. Entretanto, não se sabe o quanto o aumento da acurácia diagnóstica tem repercussão no manejo desta doença. Dois estudos randomizados avaliaram o efeito clínico do estadiamento por PET apenas. Um deles mostrou redução de 50% nas toracotomias fúteis. O segundo trabalho não mostrou esta redução. A proposta deste estudo randomizado foi avaliar a combinação de PET e Tomografia computadorizada no estadiamento pré-operatório do paciente com neoplasia de pulmão não pequenas células. Métodos-Os pacientes foram recrutados de três serviços de pneumologia próximos a Copenhagen. Os pacientes eram elegíveis para estudo se preenchessem os seguintes critérios- idade entre 18-80 anos, diagnóstico recente ou alta suspeita de neoplasia de pulmão não pequenas células e fossem considerados candidatos a cirurgia após terem realizado exames séricos, TC com contraste de tórax e abdômen superior e broncoscopia. Os critérios de exclusão incluiam DM tipo I, outra malignidade presente, claustrofobia e VEF1 estimado no pós operatório menor que 30% do previsto. Os pacientes que preenchiam todos esses critérios foram encaminhados para realização de estadiamento pré-operatório e foram randomizados em dois grupos. O primeiro seria avaliado com PET e TC e o segundo com o protocolo de estadiamento convencional. Em ambos os grupos a mediastinoscopia foi mandatória. Ultrassonografia endoscópica e ultrassonografia endobrônquica também foi oferecida para a maioria dos pacientes. Estes métodos de imagem junto a mediastinoscopia foram o método padrão para avaliação dos linfonodos mediastinais no pré-operatório. Os pacientes foram acompanhados até o óbito ou até pelo menos 12 meses de inserção no estudo. Eram consideradas indicações de cirurgia estadiamento até IIB e se havia envolvimento de linfonodos de mediastino IIIA N2 até estádio IV eram ditos inperáveis. O desfecho primário avaliado foi o número de toracotomias fúteis, definida como toracotomia realizada na qual o achado histopatológico confirmou envolvimento de linfonodo mediastinal (IIIA N2), estágio IIIB ou IV ou naquela que tenha revelado lesão benigna ou uma toracotomia exploradora ou toracotomia realizada em paciente que apresente doença recurrente ou óbito por qualquer causa dentro de 1 ano após a randomização. Resultados-Cento e oitenta e nove pacientes foram randomizados de janeiro de 2002 até fevereiro de 2007 sendo que 98 foram estagiados com PET e TC enquanto 91 foram estagiados de forma convencional. Mediastinoscopia foi realizada em 91% dos pacientes do grupo PET e TC e em 97% dos pacientes do grupo de estadiamento convencional (p=0,33). Ultrassonografia endoscópica foi realizada em 43% do primeiro grupo e em 33% no segundo grupo (p=0,18). No grupo que utilizou PET e TC 38 foram considerados inoperáveis contra 18 do grupo de estadiamento convencional. Desta forma 60 pacientes (61%) no grupo PET e TC e 73 pacientes (80%) no grupo de estadiamento convencional foram encaminhados a toracotomia (p=0,004). Destes que realizaram toracotomia 21 (35%) no grupo PET e TC e 38 (52%) no grupo de estadiamento convencional foram consideradas toracotomias fúteis (p=0,05). Dos 38 pacientes que os exames mostraram doença avançada, 13 deles só o PET mostrou essa alteração, com 9 casos mostrando metástase a distância e 4 casos com metástase para o mediastino que não tinha sido percebido pelos outros exames, mas foram confirmados pelos exames endoscópicos. De acordo com estes dados para cada 5 PET com TC realizadas uma toracotomia foi evitada. O número de toracotomias justificadas (não fúteis) foi similar nos dois grupos. A acurácia diagnóstica e a sensibilidade no grupo PET com TC foi respectivamente de 79% e 64% enquanto no grupo de estadiamento convencional foi de 60% e 32% respectivamente. Não houve diferença significativa em relação a sobrevida nos dois grupos (p=0,29). Conclusão- O uso do PET combinado com TC no estadiamento pré operatório dos pacientes com neoplasia de pulmão não pequenas células reduziu o número total de toracotomias, assim como, o número de toracotomias fúteis. O PET acrescenta no estadiamento do Ca de Pulmão, impedindo algumas cirurgias desnecessárias. Entretanto, esta proposta de estadiamento não afetou a mortalidade em geral. CURSO PRÓ-R Discussão-Este estudo randomizado foi interrompido precocemente, mas confirma a melhora do estadiamento ao realizá-lo com PET e TC. A definição de toracotomia fútil é passível de discussão. A realização de mediastinoscopia na maioria dos pacientes é um dado positivo para este estudo. 1