ISSN 2236- 3335
O PERÍODO COMPOSTO NA GT: ANÁLISE DE
CRITÉRIOS SINTÁTICOS E SEMÂNTICOS
J e o v an F a r i a s F o n s ec a
L i c e n c i a t u r a e m L e t r a s V e r n ác u l a s
j e o v an . f a r i a s @ h o t m a i l . c o m
P r o f a . M a . E d n a R i b e i r o M a r q u e s A mo r i m ( O r i e n t a d o r a / U E F S )
D ep a r t a m en to d e L e t r a s e A r t e s ( D L A )
e e d m a r q u e s @g m a i l . c o m
Res umo : Es t e t ra ba l ho pret ende demonst ra r que o c ri t éri o s i nt á t i co dev e s er us a do pa ra a ss egura r o ca rá t er d e coerênci a
e de coes ã o de concei t os i mport a nt es ( ora çã o pri nci pa l , d ependent e e i ndependent e) pa ra s e compreender a es t rut ura e
o funci onament o dos perí odos compost os . F oi s el e ci ona do um
ma t eria l , dua s gra má t i cas t ra di ci ona i s e uma des cri t i va , em que
s e v eem a borda gens es t ri t ament e s emâ nt i cas numa e es t ri t ament e s i nt á t i ca s nout ra s des s es concei t os . E como res ul t a do,
foi v i s t o que a a ná l i s e da gra má t i ca t ra dici ona l d e Al mei da
( 1 9 99 ) , que a dot a uma pers pect i v a s emâ nt i ca de des cri çã o des s es concei t os , a expres sã o sentido completo s e fa z pres ent e
e é es s enci a l . Como concl usã o, dev i do à fa l t a de um me ca nis mo a na l í t i co pa ra a a preens ão do s ent i do c ompl et o de uma
ora çã o e, a i nda , dev i do à fa l t a de uma def i ni çã o cl a ra do que
es sa expres sã o pode s i gni fi ca r, l ogi ca ment e, p ode s er v i s t a a
a borda gem s emâ nt i ca do perí odo compos to como i nefi ca z.
Pa l av ras- chav e: GT. Abordagens s emâ nt ica s e s i nt á t i cas .
Perí odo compos t o. Sent i do compl et o.
1 INTRODUÇÃO
A gramá t i ca t ra di ci ona l a pres enta hoj e, qua ndo mel hor r ev i sa da , uma s éri e de probl emas res ul t ant es da fa l t a de coerên-
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
12
ci a i nt erna ent re s ua s t eori a s cons t i t ui nt es . A pri mazi a da da
ora à s i nt a xe, ora à s emânt i ca , de forma i rref l et i da , à s v ezes,
prov oca i ncons i s t ência s concei t ua i s que, quando di zem r es pei t o a conce i t os a xi a i s , compromet em t oda a gra má t i ca , uma v ez
que, por s er f orma da por t eori a s , cons t i tui - s e em pr i ncí pi os
ra ci ona is , e, a s s i m, a dqui re o ca rá t er de s i st ema . Como s i s t ema , el a é forma da por concei t os , uni da des que, por neces s i da de de i nt era çã o l ógi ca , dev em s e comuni ca r coerent ement e.
Cont udo, o que s e v ê s ã o i ncoerênci a s . Es te a rt i go, port a nt o,
pret ende encont ra r as fa l ha s nas des cri ções de t i pos de ora ções r el ev ant es pa ra o a t endi mento de perí odo compos t o,
qua ndo des cri t as s ob a s pect o proemi nentement e s emâ nt i co;
i dent i fi ca r a i nt era çã o l ógi ca obs erv a da na s rel a ções dos concei t os qua ndo des cri t os s ob uma a borda gem es t ri t ament e s i nt á t i ca ; e mos t ra r como conv eni ent e a r el a ção d e compl ementa çã o ent re os cri t ér i os s i ntá t i cos e s emâ nt i cos na def i ni çã o de
ora çã o pri nci pa l , dependent e e i ndependent e. Es t e t ra ba l ho s e
j us t i fi ca por s e ent ender que os probl ema s a pr es enta dos na
gra má t i ca t ra di ci ona l , mui t as v ezes , res ul t am d e uma má a borda gem des cri t i va . Por i s s o, pret ende - s e demons t ra r que o cri t éri o s i nt á t i co funci ona como a borda gem descri t i v a propri a ment e neces s á ria pa ra a s s egura r o ca rá t er d e coerênci a e de coes ã o, es s enci a l a um s i s t ema pa ra s ua e fet i v a çã o l ógi ca , de
concei t os i mporta nt es pa ra s e compreender a es t rut ura e o
funci ona ment o dos perí odos compos t os.
2 M ET OD OL O GI A
Es t e t ra ba l ho a pres enta -s e como frut o de um l eva nta ment o bi bl i ográ fi co, qua ndo, cl a rament e, s el eci ona um ma t eri a l ,
dua s gra má t i cas t ra di ci ona i s e uma d es cri t iva , pa ra rev i sã o do
concei t o de perí odo compos t o nel e pres ent e, t endo a bi bl i ogra fi a us a da a qui a borda gens opos ta s , v i s ta s ent re a s gra má t i cas
de Al mei da ( 1 9 99 ) e B echa ra ( 1 9 6 1 ) : um a dot a o pont o de v i s t a
s emâ nt i co e o out ro o s i nt á t i co, res pect i vament e. J á a pes qui -
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
13
s a pres ent e é de ca rá t er expl ora t óri o, uma v ez que expl ora ,
s el eci ona e a pres ent a concei t os da GT ( gra má t i ca t ra di ci ona l ) —
ora çã o pri nci pa l , dependent e e i ndependent e — , cont ra s ta ndoos ent re s i e, pa ra fi ns de concl usã o, com o pont o de v i s t a de
Peri ni ( 20 00 ) . Us ou -s e de compa ra ções es t abel e ci das ent re es s es concei t os pa ra confi rma r s e es tã o em rel a ções l ógi ca s , o
que a s s egura o ca rá t er l ógi co que o s i s t ema da gramá t i ca s e
propõe a s er por exi gência ra ci ona l de des cri çã o concei t ua l .
3 O SENTIDO COMPLETO: UMA DEFINIÇÃO SEMÂNTICA
[ ...] é “ ilógico” conceituar com um critério e c lassificar
e a n a l i s a r c o m o u t r o s . É b o m l e mb r a r a q u i q u e ‚ o i l ó g i c o ‛ é o q u e n ão e n t en d em o s , a q u i l o c u j a r e l a ç ã o
c o m o r e s to p a r ec e i m p o s s í v e l . ( H A U Y , 1 9 8 7 , p . 2 2 ) .
N a pres ent e a ná l i s e do perí odo compos t o, v er -s e-á um
probl ema que d i z res pei t o à s emâ nt i ca , ou mel hor, à s ba rrei ra s
que s e nos i mpõem, na medi da em que nos so conheci ment o de
s emâ nt i ca , a t é o pres ent e moment o, nã o nos permi t e res ol v ê l os . T ra ba l hos como o de Ha uy ( 1 9 87 ) e Peri ni ( 1 9 9 9 ) ev i denci am
que o probl ema é a nt i go. O pont o cent ra l da probl emát i ca que
nes t a obra s erá a borda do, o ‚s ent i do compl et o‛, j á há mui t o
nos foi a pres ent ado qua ndo, por exempl o, Ha uy ( 1 9 87 ) , pa rt i ndo
de a ná l i s es de d efi ni ções de ora çã o pres ente em a l gumas gramá t i ca s t ra di ci ona i s , re conhece, depoi s de a l gumas ponderações , hav er um pont o de cont a t o ent re el a s :
[ . . . ] s e n d o a f r a s e o e n u n c i a d o d e s e n t i d o c o mp l e t o , e ,
d e f i n i d a a o r a ç ã o c o mo f r a s e , s e j a c o m e s t r u t u r a s i n tát ica S – P , seja sem ela , quer em torno de um verb o , q u e r d e s t i t u í d a d e v e r b o , c o n c l u i r - s e- á q u e q u a l q u e r q u e s e j a a e s t r u tu r a o r a c i o n a l , d e v er á t e r s e n t i d o co mp l e t o . ( H A U Y , 1 9 8 7 , p . 1 9 , g r i f o n o s so ) .
Afi rma Ha uy ( 1 9 87 , p. 1 9 ) que a s ‚[ . . . ] i nt erpret a ções nã o
s ó a nt a gôni cas , mas t a mbém cont ra di t óri a s do ‘ s ent i do
compl et o’ , t orna m a i nda ma is enga nos as [ . . . ]‛ a s defi ni ções de
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
14
ora çã o. Al ém di s s o, há a l guns es t udi os os da t eori a s i nt á t i ca
que ent endem exi s t i r dependênci a ent re o ‚s ent i do compl et o‛
da s ora ções com a s i t ua çã o ( a mbi ent e fí s i co e s oci a l onde s e
fa l a ) e cont ext o ( ambi ent e l i nguí s t i co onde s e a cha a ora çã o) , e
out ros a fi rma m que nã o. Peri ni ( 1 9 99 ) t a mbém fa l a s obre a i nfl uênc i a da ‚s i t ua çã o‛ pa ra o ent endi ment o do s ent i do de uma
ora çã o, mos t ra ndo, com i s s o, a rel a çã o que p ode ha v er ent re
s emâ nt i ca e pra gmá t i ca , o que mos t ra o ca rá t er compl exo que
pode t er a s emânt i ca . Qua ndo Ha uy ( 1 9 87 ) most ra i s s o, l a nça
l uz s obre a l go que ma i s t a rde Peri ni ( 1 9 99 , p. 4 2 -4 3) t eori za ri a:
‚[ . . . ] a des cri çã o s emânt i ca é i mport ant e e a l t ament e i nt eres s a nt e, mas a pres enta uma s éri e de di fi cul da des , ori unda s em
úl t i ma a ná l i s e da i gnorâ nci a rel a t i va em que nos encont ramos
dos fenômenos s emâ nt i cos em gera l [ . . . ] ‛.
A res pei t o das defi ni ções de ora çã o r el a ci ona da s pel o
pont o de cont a to ‚s ent i do compl et o‛, Ha uy ( 1 9 87 , p. 22) concl ui :
‚[ . . . ] es s a comprov ada di v ers i da de d e ‘ opi ni ões ’ s obre um fa t o
s i nt á t i co cuj a des cri çã o, por cons t i t ui r um concei t o bá s i co em
s i nt a xe, dev eri a s er pa ut ada na obj et i v i da de e cl a reza , de fi ne s e como enga nosa , ta nt o pela forma como pel o cont eúdo [ . . . ] ‛.
4 O PERÍODO COMPOSTO COMO PROBLEMA
Como s i s t ema l ógi co a que a gramá t i ca s e pret ende
cons t i t ui r, s eus concei t os es t ã o, por exi gênci a de t a l condi çã o,
rel a ci ona dos . Qua ndo s e pret ende a na l i sa r um probl ema que a
gra má t i ca t ra di ci ona l a pres ent a , no ca s o, o do perí odo compost o, fa z - s e nec ess á ri a a rev i s ão de out ros concei t os pres ent es
nel a ( a s a ber, os concei t os de f ras e, ora ção e , por cons egui nt e, s uj ei t o e predi ca do) , que t ra va m re l a ção di ret a com o probl ema a borda do. Ass im, embora mui t os concei t os dev am s er
t ra zi dos à l uz pa ra mel hor es cl a reci mento, como, s obret udo, o
de ‚ora çã o‛, es t e, ent re out ros , nã o s erá a qui a borda do por s e
cons t i t ui r um t ópi co compl exo.
Segundo B echa ra ( 1 96 1 , p. 199 ) : ‚Chama -s e perí odo o con-
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
15
j unt o ora ci ona l cuj a enunci a çã o t ermi na por s i l ênci o ou pa us a
ma is apreci á v el , i ndi ca da norma lment e na es cri t a por pont o. ‛
Por s ua v ez, Al mei da ( 19 99 , p. 522) di z que ‚[ . . . ] perí odo é uma
ou ma is ora ções que forma m s ent i do compl et o. ‛ N ess e ca s o,
v ê-s e o predomí ni o de a rgument os s emâ nt icos , uma v ez que
s e v a l e do sentido que as ora ções j unt as formam pa ra fi ns de
des cri çã o.
Percebe- s e uma concordânci a ent re a defi ni çã o de B echa ra ( 19 6 1 , p. 19 9 ) , que a fi rma que o perí odo ‚compos t o é
a quel e que encerra ma i s de uma ora çã o‛, com a defi ni çã o pres ent e em Al mei da ( 19 99 ) . Es t e des crev e duas cl as s i fi ca ções de
perí odos compos t os , mos t ra ndo que o que ma rca um perí odo
como compos t o é a pres ença de ma i s de uma ora çã o num perí odo, s obret udo com rel a ção s emâ nt i ca ent re ora ções . A pri mei ra cl as s i fi ca ção di z res pei t o à rel a çã o de ora ções por coordena çã o: Al mei da ( 1 99 9 , p. 34 6 ) di z que o perí odo é ‚[ . . . ] forma do por duas ora ções de s ent i do compl et o, a s qua i s s e chama m
i ndependent es . O perí odo compos to por coordena ção pode
cons t i t ui r -s e de ma i s de duas ora ções i ndependent es . ‛ Acres cent a , a i nda , Almei da ( 1 999 , p. 523) , ‚Ora ção coordena da é a
que v em l i ga da a out ra de i gua l função, ou s ej a , as coordena da s ent re s i podem es ta r quer i ndependent es , quer s ubordi nada s , quer pri nci pa is . ‛ A s egunda cl as s i fi ca ção é a rel a çã o por
s ubordi na çã o: concei t ua Al mei da ( 1 99 9 , p. 347 ) que o ‚[ . . . ] período que s e cons t i tui de uma ora çã o pr i ncipa l e de uma ou
ma is s ubordi nadas [ . . . ] ‛, ha j a v i s ta que a ora çã o s ubordi na da ,
de a cordo com Almei da ( 19 99 , p. 524 ) , ‚[ . . . ] é a que compl et a o
s ent i do de out ra de que depende, cha ma da pri nci pa l , à qua l s e
prende por conj unções s ubordi na t iv as ou pel a s formas nomi na i s do v erbo [ . . . ] ‛.
N a ora çã o Quando a chuva passar, eu voltarei, ent ender
a ora çã o Quando a chuva passar como subordi na da é ent endê
- l a , conforme Al mei da ( 19 99 ) most ra na defi ni çã o de ora çã o s ubordi na da , como dependent e s ema nt i ca ment e da ora çã o eu
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
16
voltei. A ques tã o é: como reconhecer a ora çã o subordi na da
como dependent e s ema nt i cament e da pri nci pa l ?
Reci t a ndo -a s epa ra dament e pa ra ‚s ent i r‛ s e fa l t a a l go?
Is s o pode, em a l guns exempl os, a t é funci ona r, qua ndo s e di z
Qua ndo a chuv a pa s sa r, percebe - s e que fa lt a a l go pa ra compl et á - l a, s ema nt i ca ment e, o s ent i do; a t é mesmo qua ndo ret i ra da
a conj unçã o, A chuv a pa s sa r, a a us ênci a t a nt o da conj unçã o
como da ora çã o pri nci pa l s ã o p ercebi da s. As s im, pode - s e
ent ender ora çã o s ubordi na da como um t i po de ora çã o i s ola da ,
i s t o é, s ua depreens ã o nã o depende da r el a çã o que ma nt ém
no perí odo com out ra ( s ) ; como dependent e mes mo i s ol a da ment e ( s em conj unçã o e s em a ora çã o pri nci pa l ) . Porém, em
out ros exempl os , como Quando eu refiz o projeto, mais erros
apareceram , cons i dera ndo s oment e a ora çã o s ubordi na da
Quando eu refiz o projeto , v ê- s e que el a é dependent e
s ema nt i cament e qua ndo exi ge um compl ement o pa ra i nt ei ra r
s eu s ent i do. Ret i ra ndo a conj unçã o, depa ra - s e com a ora çã o
Eu refiz o projeto , que n ess e ca so pa s sa a pos s ui r s ent i do
compl et o, s endo, port a nt o, a gora , coordena da , e nã o ma is
s ubordi na da .
D ess e modo, ent ende - s e que, na a ná l i s e da t i pol ogi a da s
ora ções , a cl a ss i fi ca çã o s ó é fe i t a com base na rel a çã o ent re
ora ções que compõem o perí odo compos to. As s i m, o ca rá t er
de coordena çã o e o de s ubordi na çã o podem s er ent endi dos
como s endo cl a ss i fi ca t óri os t a nt o de ora çã o c omo de perí odo,
des de que s e j a cons i dera da a rel a çã o ent re a s ora ções , e nã o
i s ol a da ment e. Como cons equência , a a bordagem s emâ nt i ca de
defi ni çã o de concei t os mos t ra -s e def ei t uosa . Is s o s erá a borda do ma i s deta l hadament e a di a nt e.
Perí odo compos t o na da ma i s é do que um conj unt o de
ora ções que ma nt êm r el a ções ent re s i ; es sa s rel a ções , ba s es
pa ra cl a ss i fi ca çã o dos perí odos compos t os , s e dã o em funçã o
dos t i pos de ora çã o env ol v i dos , que s erã o a borda dos no t ópi co s egui nt e. A ques t ã o, a gora , gi ra em t orno d a na t ureza des s a rel a çã o: el a é s i ntá t i ca ou s emâ nt i ca ?
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
17
5 RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA E DE INDEPENDÊNCIA
DAS ORAÇÕES
Pa ra ent ender mel hor o que v em a s er perí odo compos t o,
é neces sá ri o a t er - s e a os concei t os de ora çã o pri nci pa l , i ndependent e e dependent e, os qua i s sã o rel eva nt es pa ra s e ent ender a s rel a ções de s ubordi na çã o e de c oordena çã o das
ora ções que compõem um perí odo. Es s es concei t os s ã o ma rca dament e des cri t os s ob a rgumenta ção s emâ nt i ca em Al mei da
( 1 9 99 ) e s i ntá t i cas em B echa ra ( 19 61 ) .
Segundo Al mei da ( 1 9 99 , p. 522) , ‚Ora çã o i ndependent e é a
que, de s ent i do compl et o, v em a compa nha ndo out ra , que poderá t er t a mbém s ent i do compl et o ou nã o. ‛ D e a cordo com o que
s e compreendeu pá gi nas a t rá s , rei t era ndo o que Al mei da ( 1 9 99 )
di z, dua s ora ções de s ent i do compl et o formam um perí odo
compos t o por coordena çã o; e uma i ndependent e, d e s ent i do
compl et o, ma i s uma de s ent i do i ncompl et o formam um perí odo
compos t o por s ubordi na çã o. N es sa concei t ua çã o de ora çã o
i ndependent e e na defi ni çã o por Al mei da ( 1 9 99 , p. 346 ) d e p erí odo compost o por coordena çã o como ‚[ . . . ] forma do por duas
ora ções de s ent i do compl et o, a s qua i s s e cha ma m i ndependent es ", percebe - s e o us o do t ermo independente como correl a t o
da expres sã o sentido completo . Es sa expres sã o, es t ri t ament e
s emâ nt i ca , pode t ra zer a l guns probl emas , qua ndo nã o expos t o
corret a ment e s eu s i gni fi ca do e nã o expl i ci t ado um meca ni s mo
cl a ro de depreens ã o do s ent i do compl et o ou i ncompl et o da s
ora ções . O que v i ri a a s er sentido completo ? B echa ra ( 1 96 1 , p.
21 6 ) , v a l endo -s e de a rgument os s i nt á t i cos , mel hor de fi ne o raçã o i ndependent e e l a nça , com i s s o, l uz s obre o que s e pode
ent ender por sentido completo : “[ . . . ] ora ção i ndependent e é
a quel a que nã o exerce funçã o s i nt át i ca de out ra a que s e
l i ga ‛, ou a i nda , t a i s ‚[ . . . ] ora ções s e di zem i ndependent es porque uma nã o exerce funçã o s i ntá t i ca de out ra ; a mba s reúnem
em s i t oda s a s funções de que neces s i ta m pa ra s e cons t i t uí rem por s i s ós uni da des do di s curs o. ‛ As s im, uma ora ção
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
18
i ndependent e é a quel a que nã o pos s ui s eus t ermos s i nt á t i cos
s ob a fo rma d e ora çã o, s endo, a s s im, independente de out ra ;
el a por s i s ó pos sui sentido completo qua ndo, s ozi nha , cons t i t ui - s e com t odos os t ermos s i nt á t i cos n eces sá ri os à i nt ei reza
do s ent i do, v ei cul a do a t rav és da es t rut ura que pa s sa a ca rrega r pa ra es t e fi m: cons t i t ui r -s e como s ent i do compl et o; nout ras
pa l av ras , nã o depende de out ra pa ra complet a r s ua es t rut ura
s i nt á t i ca e cons t rui r- s e como unidade do d iscurso [ 1 ] , ent endi da
como di s pos ta como ora çã o, em t ermos es t rut ura i s , s i ntá t i cos ,
e s emânt i cos , l i ga dos à express ã o do p ens ament o ou, ma i s
uma v ez, a o s ent i do compl et o de um enuncia do. As s im, o ent endi ment o i nt ui t i v o de s ent i do compl et o, noçã o s emâ nt i ca , s e
fa z qua ndo, neces s a ria ment e, s e recorre, em pa ra l el o, a um
a s pect o s i nt á t i co da noçã o/forma ção de ora çã o e s eus t ermos. D a í , t a mbém, pos sa -s e ent ender a j us t i fi ca çã o da compl ement a çã o ent re cri t éri os s emâ nt i cos e s i nt á t icos .
D ess a forma , dev i do à i mpreci sã o de s i gni fi ca do da expres sã o sentido completo na defi ni çã o de ora çã o i ndependent e
qua ndo us a da s em a poi o de cr i t éri o s i nt á t i co, e nt ende -s e como
ma is coerent e o us o do cr i t éri o s i nt á t i co pa ra mel hor s e de fi ni r
ora çã o i ndependent e. Pa ra mel hor es cl a recer i s s o, mos t ra ndo
que o a s pect o s emâ nt i co a pres enta do na expres sã o sentido
completo gera probl ema s , re corre - s e, novament e, a B echa ra
( 1 9 6 1 , p. 21 8) : “[ . . . ] s ã o coordena da s as ora ções i ndependent es
que formam uma s equênci a , rel a ci ona da s pel o s ent i do. ‛ Aí , percebe- s e pel a express ã o relacionadas pelo sentido que há uma
rel a çã o de d ependênci a de s ent i do ent re ora ções i ndependent es , coordenadas , des cri t a s s ema nt i cament e c omo ora ções de
s ent i do compl et o, o que é, s ema nt i cament e, um pa ra doxo. N es s e ca s o, a fa l t a d e fi xa çã o dos cont ornos s emâ nt i cos da expres sã o sentido completo di f i cul t a o ent endi ment o de out ros
concei t os qua ndo rel a ci ona dos a expres s ões c orres pondent es ,
i ndi ca ndo, como no exempl o a cima , di s crepânci a s .
Es sa rel a çã o de s ent i do, na forma çã o de perí odo compos t o, t orna- s e cl a ra qua ndo s e ent ende que no perí odo compos t o, t a nt o por coordena ção ( ent re ora ções de mes ma fun-
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
19
çã o: i ndependent es , pri nci pa i s ou dependent es ) como por s ubordi na çã o ( ent re ora ções pri nci pa i s e ora ções dependent es ) ,
exi s t e rel a çã o de dependência de s ent i do. J á s e s a be que a
rel a çã o de dependênci a exi s t e no p erí odo compos t o por s ubordi na çã o, mos t ra do t a nto por A l mei da ( 1 9 99 ) qua nt o por B echa ra
( 1 9 6 1 ) , embora des cri t a s ob pe rs pect iv as di f erent es . Ent ã o, res t a a penas conf i rma r a rel a çã o de dependênci a de s ent i do no
perí odo compos to por coordena çã o pa ra mos t ra r a i mpreci sã o
encerra da na express ão sentido completo ca ra ct eri zadora de
ora çã o i ndependent e, des cri t a s ema nt i cament e por Al mei da
( 1 9 90 ) . N o perí odo coordena do Correu, mas não chegou a tempo, ret i ra do d e B echa ra ( 1 96 1 , p. 21 8) , embora s e ent enda ora ções i ndependent es como port a doras de sentido completo ,
qua ndo r et i ra da a conj unção a dv ers a t iva ‚mas ‛ ( ‚Correu. ‛, ‚N ão
chegou a t empo. ‛) , a s ora ções a gora s e mos t ram s em nenhuma l i ga ção. A re l a ção de s ent i do a dv ers a t iv a d es apa rece. N es s e s ent i do, ent ende - s e que a ora çã o s ó s e cha ma Oração Coordenada Sindética Adversativa por a pres enta r a r el a çã o ent re
dua s ora ções i ndependent es s i nta t i cament e; a pres enta r um conect i v o ( no ca s o, a conj unçã o ‚mas ‛) ; e a pres ent a r como neces s á ria uma re l a ção de d ependênci a de s ent i do que s e des crev e como a dv ers i da de, opos i ção, ent re a s o ra ções env olv i da s na forma çã o des s e perí odo. Ass i m, pa ra a compos i çã o do
s ent i do gl oba l do perí odo, há de s e reconhecer a r el a çã o de
dependênci a ent re a s ora ções env olv i das no p erí odo compost o
por coordena çã o.
Al ém di s s o, pode - s e reconhecer a i mportâ nci a do conect i v o us a do pa ra uni r a s ora ções , na forma ção do sentido completo , p ercebi da numa not a , a s egunda , em A l mei da ( 1 99 9 , p.
529 ) : “[ . . . ] a s ubordi na da a dv erbi a l é a i nda conv ers í v el , à s v ezes , em uma coordena da com a pr i nci pa l : El e chegou qua ndo
eu ent rei = El e chegou e eu ent rei . ‛ Ora , i s s o quer di zer que,
nes s e process o, a ora çã o i ndependent e perdeu s eu ca rá t er e
pa ss ou a poss ui r out ro, o d e dependent e. Is s o mos t ra , ma i s
uma v ez, que a defi ni çã o de ora çã o i ndependent e como uma
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
20
ora çã o de s ent i do compl eto nã o procede: no perí odo s ubordi na do ( El e chegou qua ndo eu ent rei ) , a ret i rada da pa l av ra conect i v a , a conj unçã o, i mpos s i bi l i t a o reconheci ment o da ora çã o
s ubordi na da como dependent e ( na a cepçã o s emâ nt i ca de s ent i do i ncompl et o) , por pa s sa r a corr es ponder à i ndependent e ( de
s ent i do compl et o) do p erí odo coordena do ( Ele chegou e eu ent rei ) . Em out ra s pa l av ras , t a nto a ora çã o s ubordi nada
( dependent e) como a ora ção coordenada ( i ndependent e) pas sa
a s er eu entrei , pa ra doxa l ment e. N o ent a nt o, pode -s e i nda ga r:
s e s ã o ora ções uni da s por di fe rent es conect i v os, nã o s eri a de
es pera r que fos s em cl a s s i fi ca das de forma di fer ent e? N ã o! Al mei da ( 1 9 9 9 ) , a i nda, nes sas not as a pres ent ada s , di z que nã o s e
dev e confundi r ora ção com conj unção, i s t o é, nã o é o t i po de
conj unçã o que defi ni rá o t i po de perí odo, mas s i m, a s ora ções.
D ess e modo, Al mei da ( 1 9 99 ) a fi rma que nã o há confus ã o ent re
ora çã o coordena da expl i ca t iv a e ora çã o subordi na da ca usa l
porque, embora os conect i v os s ej a m i gua i s, a r el a çã o ent re a s
ora ções que compõem ca da perí odo em quest ã o é di ferent e.
Ass i m, na bus ca pe l o ent endi mento da expres sã o sentido
completo , fa z- s e neces sá ri o um meca ni smo de a ná l i s e que s e
most re e fi ci ent e no reconheci ment o do s ent i do compl et o da s
ora ções . Como s e v ê, um perí odo compos t o p or s ubordi na çã o
s e conv ert e em um por coordena ção pel a s i mpl es s ubs t i t ui çã o
de uma conj unçã o, o que ra t i fi ca a i mportâ nci a da conj unçã o e
most ra a i mpreci sã o do concei t o de ora çã o i ndependent e como
ora çã o de s ent i do compl et o. Is s o ev i denci a qu e o ca rá t er de
dependent e ou i ndependent e de uma ora çã o depende da s rel a ções s i nt á t i cas , e nã o de s ent i do, most ra ndo rei t era dament e o
probl ema gera do pel a a bordagem s emâ nt i ca , e nt re a s ora ções
des env ol v i das ( a s que nã o s e encont ra m i nt roduzi das por v erbos nas formas nomi na i s ) com o us o de conect i v os . D ess e
modo, o m ét odo de a ná l i s e i ndiv i dua l ( excet ua ndo t a nt o a conj unçã o como s epa ra ndo a s ora ções ) da s orações pa ra s e v er i fi ca r s e el a s poss uem ou nã o s ent i do complet o nã o s e mos t ra
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
21
coerent e. Port a nto, a des cri çã o sentido completo nã o s e fa z
cl a ra pa ra a t ender a o concei t o de ora çã o independent e.
J á def i ni da a ora çã o i ndependent e, pa rt e -s e p a ra a de fi ni çã o de ora çã o dependent e. Segundo B echa ra ( 1 9 6 1 , p. 21 6 ) ,
‚[ . . . ] ora çã o d ependent e é a quel a que exerce funçã o s i nt á t i ca
de out ra e v a l e por um s ubs ta nt iv o, a dj et iv o ou a dv érbi o. A
dependent e é um t ermo s i nt á t i co que t em a forma de ora çã o. ‛
Port a nto, a noçã o de dependênci a é i nv ers a à de i ndependênci a , obv i ament e.
Sobre es t e a s pect o, v i s t o na noçã o de ora çã o d ependent e como ora çã o que funci ona como t ermo s i nt á t i co de out ra ,
Peri ni ( 20 00 , p. 1 24 ) mel hor o des crev e como s endo uma ‚ [ . . . ]
propri eda de, comum a t odas a s l í nguas , de col oca r es t rut ura s
dent ro de out ra s es t ruturas da mes ma cl a s s e, ‛ cha ma da recurs i v i da de. At rav és des s e concei t o, o d e r ecurs i v i da de, pode s e de fi ni r, s egundo Peri ni ( 2000 , p. 1 24 ) , perí odo compost o por
s ubordi na çã o como ‚[ . . . ] ora çã o compl exa , defi ni da como uma
ora çã o que cont ém dent ro d e s eus l i mi t es pel o menos uma out ra ora çã o. ‛ Peri ni ( 2000 ) ent ende o p erí odo compos t o como
s endo t a mbém uma ora çã o s i mpl esment e: um p erí odo compos t o
é fo rma do por uma ora çã o que, na v erda de, depende s i nt a t i ca ment e t a mbém de s ua dependent e, ora çã o s ob a forma de t ermo, pa ra compor i nt egra lment e s ua es t rutura s i nt át i ca , que
num t odo s e mos t ra como a pena s uma ora ção.
Ass i m, v ê- s e que Pe ri ni ( 200 0 ) us a como conv eni ent e o
cri t ér i o s i nt á t i co pa ra des crev er per í odo compos t o, a dota ndo
uma t ermi nol ogia di v ersa da t ra di ci ona l a qui a borda da . Em s í nt es e, a gra má t i ca des cri t i v a de Peri ni ( 2000 ) s e mos t ra condi zent e com a gramá t i ca de B echa ra ( 1 9 6 1 ) , no que di z res pei t o à
des cri çã o de p erí odo compos t o, qua ndo os doi s gra má t i cos
a dota m o cri t éri o s i nt á t i co, bas ea ndo s uas des cri ções na rel a çã o da s es t rut uras que compõem o p erí odo. N ess e s ent i do,
por s e v er uma re l a ção de concordâ ncia ent re uma gra má t i ca
des cri t i va , que s empre s e propõe a c ri t i ca r a GT, e out ra t ra -
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
22
di ci ona l , uni v oca ment e s e r econhece que, no pont o em que s e
coa duna m, a gramá t i ca t ra di ci ona l de B echa ra ( 1 9 6 1 ) foi e fi ca z,
no ca so em ques t ã o; efi ca z em defi ni r s i nt a t i cament e perí odo
compos t o .
Qua ndo Al mei da ( 1 9 99 , p. 523) a fi rma que ‚ [ . . . ] ora çã o
pri nci pa l é a que t em o s ent i do pri nci pa l no perí odo, e que,
embora nã o dependa de out ra ora çã o, t em s eu s ent i do i nt ei ra do por out ra ou out ra s a el a s ubordi nadas ‛, a pri ma zi a da da à
s emâ nt i ca fi ca pa t ent e nes s e excert o. O que s e obs erva a í é
um confl i t o de noções : s e a ora çã o pri nci pal nã o depende de
out ra , t er s eu s ent i do compl et ado por out ra s nã o s e permi t e
pens a r em dependênci a ? O que s eri a exa t ament e s ent i do i nt ei ra do por out ra ? Ma i s uma v ez, B echa ra ( 1 9 6 1, p. 21 6 ) , do pont o
de v i s t a s i nt á t i co, mel hor defi ne: ‚Cha ma -se ora çã o pri nci pa l
a quel a que pede uma dependent e. ‛ D e a cordo com o s i s t ema
de concei t os de B echa ra ( 1 9 6 1 ) , uma ora çã o dependent e é uma
ora çã o que, es t a ndo em forma de uma funçã o s i nt á t i ca , compl et a a es t rut ura da ora çã o pri nci pa l ; s a t i s fazendo a exi gênci a
de um enunci a do, cu j o s ent i do compl et o quei ra a l ca nça r, por
uma es t rut ura s i nt á t i ca forma da pel a pres ença dos t ermos s i nt á t i cos neces sá ri os pa ra t a l .
6 RESULTADOS
A a ná l is e das duas gramá t i cas t ra di ci ona i s , a de Al mei da
( 1 9 99 ) e a de B echa ra ( 19 6 1 ) , permi t e ent ender que, por um l ado, pel a pers pect i va s emâ nt i ca , a dot a da por Al mei da ( 1 99 9 ) , na
des cri çã o dos concei t os neces sá ri os a o entendi ment o de perí odo compos to ( ora çã o pri nci pa l , dependent e e i ndependent e) , a
expres sã o sentido completo s e fa z pres ente e ess enci a l . Em
funçã o da fa l t a de um meca nis mo a na l í t i co de depreens ã o do
s ent i do compl eto de uma ora çã o e, a t é mesmo, em funçã o da
fa l t a de cl a ra defi ni çã o do que v enha a s i gnifi ca r ess a expres s ã o, l ogi cament e, v ê- s e como i nefi ca z a a borda gem s emâ nt i ca
de perí odo compost o. Por out ro l a do, a pers pect i va s i ntá t i ca
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
23
a dota da por B echa ra ( 19 6 1 ) mos t ra que há rel a çã o de dependênci a s emâ nt i ca ent re a s ora ções que compõem o perí odo
compos t o por coordena çã o e, ta mbém, por s ubordi na çã o: o
que cont ra ri a a defi ni çã o s emâ nt i ca de oraçã o i ndependent e
( de s ent i do compl et o) e pri nci pa l ( de s ent i do pri nci pa l e que
nã o ‚depende‛ de out ras ) . Iss o fa vorece o ent endi mento de
que o cri t éri o defi ni dor de perí odo dev a s er o s i ntá t i co, embora pos sa s e ent ender como oport una a compl ement a çã o ent re
os cri t éri os s emâ nt i cos e s i ntá t i cos . A compa ra çã o ent re as
defi ni ções de perí odo compos to que a qui s e mos t ra ent re Peri ni ( 2000 ) e B echa ra ( 1 96 1 ) dá - s e de forma ha rmôni ca , aquel e
a borda a noçã o de recurs iv i dade, des crev endo - a como propri eda de da l í ngua que permi t e que uma es t rut ura s ej a enca i xa da
dent ro de out ra est rut ura , que é correl at a da defi ni çã o de ora çã o dependent e, uma ora çã o qua ndo s ob a forma de um
t ermo s i ntá t i co s e j unt a a out ra es t rut ura pa ra compor um perí odo. Embora s e pos sa ent ender como conveni ent e uma rel açã o de compl ementa çã o ent re os cri t éri os semâ nt i cos e s i nt át i cos , ent ende - s e obv i ament e que es s es concei t os sã o des cri ções de el ement os rel a ci ona dos e cons t i t ut iv os da es t rut ura
de uma ora ção; porta nto, de fa t os s int á t i cos. Por is s o, há de
s e conv i r que pa ra a des cri çã o des s es concei t os , s oment e a
a rgument a çã o ou cri t éri o s i ntá t i co, coerent ement e, mos t ra s uprema cia . Em s e t ra t ando de perí odo compost o, uma a fi rma çã o
que mel hor exempl i fi ca i ss o é a de B echa ra ( 1 9 6 1 , p. 216 ) : ‚[ . . . ]
qua nt o às s uas rel a ções s i nt á t i ca s dent ro do perí odo compos t o, a s ora ções podem s er i ndependent es e dependent es . ‛ Aí ,
percebe- s e que a s rel a ções s i ntá t i cas es tão em rel ev o por
conv eni ênci a e coerência des cri t iv a .
7 CONCLUSÃO
O ca mpo s emâ nt i co é, s em dúv i da , um t erreno de d i fí ci l
es t udo e a gua rda es t udi osos pers pi ca zes e i ns t rument a l i zados , com forma çã o a propri ada e us o de mét odos de ba s e t e-
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
24
óri ca cons is t ent e. Es pera - s e que, s ob a a cei t a çã o dos que s e
dedi ca m a pes qui sa ci ent í fi ca , cri em v erda dei ra s def i ni ções e
nã o mera ment e ‚opi ni ões ‛ ( decl a ra ções fei t a s por um gra má t i co e nã o por out ro, ca ra ct eri za ndo uma a fi rma çã o pa rt i cul a r)
a cerca dos fa t os s i nt á t i cos , s obretudo. A sa í da do probl ema
a qui a pres ent ado é rea t iv a r o ca rá t er de s i s t ema da gramá t ica , i s t o é, promov er a i nt era çã o l ógi ca ent re s eus concei t os ,
a t rav és de um s i s t ema de concei t ua çã o e fi ci ent e, com v i st as
à ha rmonia do s i s t ema gramat i ca l .
Abs t ra ct : Thi s pa per a i ms t o demons t ra t e t ha t t he s ynt a ct i c
cri t er i on s houl d be us ed t o ens ure t he coherence a nd cohes i on f ea t ure of i mporta nt concept s ( ma i n cl a us e, dependent
a nd i ndependent ) t o comprehend t he s t ruct ure a nd funct i oni ng
of compl ex cl a us es . To a na l yze, i t wa s sel e ct ed a ma t eri a l
compos ed by t wo t ra di t i ona l gra mma rs a nd one d es cri pt iv e
gra mma r. In one, i t wa s found s t ri ct l y s ema nt i c a pproa ches
a nd i n ot hers , s t ri ct l y s ynt a ct i c a pproa ches . As a res ul t , i t
was s een t ha t t he expres s i on complete sense i s es s ent ia l i n
t he t ra di t i ona l gramma r of A l mei da ( 1 9 99 ) , whi ch a dopt s a s ema nt i c pers pect i v e t o des cri be t hi s concept s . As a concl us i on,
owi ng t o a bs ence of a n a na l yt i ca l mechani s m t o a pprehend
t he fu l l s ens e o f a cl a us e a nd for a bs ence o f a cons i s t ent
defi ni t i on of t hi s expres s i on, t he s ema nt i c a pproa ch of t he
compl ex cl a us e was s een a s ineffect i v e.
K eywords: Tra di t i ona l gra mma r. S ema nt i c a nd s ynta ct i c a pproa ches . Compl ex cl a us e. F ul l s ens e.
REFERÊNCIAS
ALMEID A, Na pol eão Mendes de. Gramática metódica da língua
portuguesa . 4 3. ed. Sã o Pa ul o: Sa ra i va , 19 99 .
B ECHARA, Eva ni l do. Moderna gramática portuguesa . Ri o de
J a nei ro: Ci a Edi t ora Na ci ona l , 1 96 1 .
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
25
HAUY, Ami ni B oa i na in. Da necessidade de uma gramática da
língua portuguesa . 3. ed. Sã o Pa ul o: Át i ca , 1987 .
PERIN I, Má ri o A. Gramática descritiva do português . 4 . ed. Sã o
Pa ul o: Át i ca , 2000 .
_ _ _ __ _ . Para uma nova gramática do português . 9 . ed. Sã o
Pa ul o: Át i ca , 19 99 .
N OTAS
[1]
Ess a expres sã o poss ui t a mbém rel a çã o com a express ã o
s ent i do compl et o e ca rece de es t udo det a lha do pa ra mel hor
es cl a reci ment o da poss i bi l i da de de s ua defi ni çã o.
Env ia do em: 1 1 /09 /20 1 2.
Aprov a do em: 20/07 /20 1 3.
J
Graduando, Feira de Santana, v. 3, n. 5, p. 11-25, jul./dez. 2012
Download

o período composto na gt: análise de critérios sintáticos e semânticos