CLAUDENIR FAVERO
USO E DEGRADAÇÃO DE SOLOS NA MICRORREGIÃO DE
GOVERNADOR VALADARES, MINAS GERAIS
Tese apresentada à Universidade
Federal de Viçosa, como parte das
exigências do Programa de Pósgraduação em Solos e Nutrição de
Plantas, para obtenção do título de
“Doctor Scientiae”.
VIÇOSA
MINAS GERAIS - BRASIL
2001
CLAUDENIR FAVERO
USO E DEGRADAÇÃO DE SOLOS NA MICRORREGIÃO DE
GOVERNADOR VALADARES, MINAS GERAIS
Tese apresentada à Universidade
Federal de Viçosa, como parte das
exigências do Programa de Pósgraduação em Solos e Nutrição de
Plantas, para obtenção do título de
“Doctor Scientiae”.
APROVADA: 7 de dezembro de 2001.
_____________________________
Prof. Dr. Haruf Salmen Espíndola
________________________________
Dr. Luiz Marcelo Aguiar Sans
_____________________________
Prof. Dr. Eduardo de Sá Mendonça
(Conselheiro)
________________________________
Prof. Dr. Luiz Eduardo Dias
_____________________________________
Prof. Dr. Ivo Jucksch
(Orientador)
Dedico esse trabalho à todos aqueles que praticam a agricultura
familiar, em especial, ao meu pai Geraldo Fávero
e à minha mãe Norilde Truzzi Fávero
ii
AGRADECIMENTO
À Deus, pelo privilégio de desfrutar a vida nesse planeta e poder realizar
trabalhos como este.
Ao povo brasileiro, que, através da CAPES, propiciou os recursos para a
realização desse trabalho.
Ao Departamento de Solos/UFV, pela oportunidade.
Ao Centro de Assistência Técnica - CAT de Governador Valadares, MG,
pelo apoio nos trabalhos de campo.
Ao Prof. Ivo Jucksch, orientador, amigo, companheiro.
Aos Profs. Liovando Marciano da Costa e Eduardo de Sá Mendonça,
conselheiros, pelas atenciosas contribuições.
Ao Prof. Júlio César Lima Neves, pela ajuda nas análises estatísticas.
Aos demais professores do DPS/UFV, pelo aprendizado e pela amizade.
Às estagiárias Aline P. de Oliveira, Lilian M. de Mesquita e Renata M. R.
da Silva, pela valiosa ajuda nas análises de laboratório.
Aos funcionários do DPS/UFV, pelo apoio, em especial, ao Carlos (lab.
manejo), ao Carlinhos (absorção atômica), ao Cláudio e ao Bené (lab. Física), ao
Carlos e ao Dímas (lab. fertilidade) e ao Geraldo (lab. química).
Aos colegas pós-graduandos do DPS/UFV, pelo saudável convívio, em
especial, à Agna, à Ronessa, à Rosana, ao Janela, ao Profeta e ao Walder,
freqüentadores assíduos do Moreira’s Bar.
À minha querida Fernanda Testa Monteiro, pelo carinho e pela força.
iii
BIOGRAFIA
CLAUDENIR FAVERO, filho do agricultor Geraldo Fávero e da
agricultora Norilde Truzzi Fávero, nasceu em 8 de junho de 1967, em Rolândia,
interior do Estado do Paraná.
Em dezembro de 1985, concluiu o curso Técnico em Agropecuária no
Colégio Agrícola Estadual Augusto Ribas, em Ponta Grossa, PR. De janeiro de
1986 a fevereiro de 1988, trabalhou como Técnico Agrícola no Instituto
Agronômico do Paraná - IAPAR.
Graduou-se em Agronomia em janeiro de 1993, pela Universidade Federal
de Viçosa - UFV. De abril de 1993 a julho de 1995 trabalhou como assessor
técnico no Centro de Assistência Técnica - CAT, em Governador Valadares, MG.
Em agosto de 1995, iniciou o mestrado em Solos e Nutrição de Plantas na
Universidade Federal de Viçosa, concluindo-o em fevereiro de 1998. Em março
do mesmo ano, inicio o doutorado em Solos e Nutrição de Plantas na mesma
universidade.
iv
CONTEÚDO
Página
EXTRATO
vi
ABSTRACT
viii
1. INTRODUÇÃO
1
2. MATERIAL E MÉTODOS
7
2.1. Caracterização da região
7
2.2. Informações sobre ocupação e uso do solo e condições
ambientais
11
2.3. Áreas amostradas
11
2.4. Determinações analíticas
16
2.4.1. Atributos físicos do solo
16
2.4.2. Atributos químicos do solo
17
2.4.3. Atributos ligados a matéria orgânica do solo
17
2.5. Análises estatísticas
22
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
24
3.1. Ocupação e uso do solo e condições ambientais
24
3.2. Atributos físicos do solo
32
3.3. Atributos químicos do solo
37
3.4. Atributos ligados a matéria orgânica do solo
41
3.4.1. Formas de carbono orgânico do solo
3.5. Índice pedológico de sustentabilidade
46
54
4. CONCLUSÕES
59
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
61
APÊNDICE
68
v
RESUMO
FAVERO, Claudenir, D.S. Universidade Federal de Viçosa, dezembro de 2001.
Uso e degradação de solos na microrregião de Governador Valadares,
Minas Gerais. Orientador: Ivo Jucksch. Conselheiros: Liovando Marciano da
Costa e Eduardo de Sá Mendonça.
Esse trabalho foi desenvolvido com o objetivo de sistematizar informações
existentes sobre o processo de ocupação e uso do solo e sobre as condições
ambientais da microrregião de Governador Valadares, MG; obter dados sobre
atributos físicos, químicos e ligados à matéria orgânica do solo, que sirvam como
indicadores de sustentabilidade das diferentes formas de ocupação e uso do solo;
e estabelecer um índice pedológico de sustentabilidade para agroecossistemas.
Além das informações obtidas em literatura, foram selecionadas nove áreas, em
três localidades, nos municípios de Governador Valadares e Periquito, MG,
sendo três matas secundárias, três pastagens, uma área em recuperação com
sistema agroflorestal, uma cultura perene (bananeira) e um cultivo anual (milho).
Em cada área realizaram-se três amostragens de solo nas profundidades de 0-5,
5-10 e 10-20 cm. Nas amostras compostas foram realizadas análises de atributos
físicos, atributos químicos e atributos ligados à matéria orgânica, sendo
realizado, também, um detalhamento das formas de carbono presentes no solo.
Estabeleceu-se um índice pedológico de sustentabilidade, sintetizando num único
valor alguns atributos físicos, químicos e ligados à matéria orgânica do solo, que
representam as condições atuais dos solos, tendo como referência a condição
mais próxima possível da natural (a mata). O índice pedológico de
sustentabilidade proposto mostrou-se eficiente na comparação entre os diferentes
vi
agroecossistemas. A forma predominante de ocupação e uso do solo da
microrregião de Governador Valadares, MG, com pastagens extensivas e uso
constante de queimadas, causou degradação do solo e apresentou o pior índice
pedológico de sustentabilidade, tornando evidente sua insustentabilidade
ambiental. Os agroecossistemas apresentaram melhores índices pedológicos de
sustentabilidade onde predominam a ocupação e o uso dos solos por sistemas de
agricultura familiar. A recuperação de pastagens degradadas com sistema
agroflorestal está proporcionando melhorias nos atributos do solo. As formas de
carbono da fração ácidos fúlvicos, carbono extraído e carbono solúvel em água
podem ser consideradas, num monitoramento a longo prazo, como boas
indicadoras da sustentabilidade dos agroecossistemas.
vii
ABSTRACT
FAVERO, Claudenir, D.S. Universidade Federal de Viçosa, December 2001. Use
and degradation of soils in the microregion of Governador Valadares,
Minas Gerais. Advisor: Ivo Jucksch. Committee Members: Liovando
Marciano da Costa and Eduardo de Sá Mendonça.
The objectives of this work were to systematize information on soil
occupation process and use, and environmental conditions in the microregion of
Governador Valadares, MG; to obtain data on soil physical, chemical and organic
matter related attributes, which can be used as indicators of the sustainability of
different forms of soil occupation and use; and to establish a pedological index of
sustainability for agroecosystems. Besides the information obtained from
literature, nine areas in three localities in the municipalities of Governador
Valadares and Periquito, MG, were selected. These areas comprise three
secondary forests, three pastures, an area in recuperation with agroforestry
system, a perennial crop (banana tree) and an annual crop (corn). Three soil
samplings at 0-5, 5-10 and 10-20 cm depths were carried out in each area. The
combined samples were analyzed for physical; chemical and organic matter
related attributes along with a detailed description of carbon configurations
present in the soil. It was established a sustainability pedological index, which
synthesizes in a single value some soil physical, chemical and organic matter
related attributes. These attributes represent the prevalent soil conditions, having
as reference the condition closest to the natural (forest) as possible. The proposed
sustainability pedological index was proved efficient when comparing the
different agroecosystems. The prevalent form of soil occupation and use in the
viii
microregion of Governador Valadares, with extensive pastures and constant
burning, caused soil degradation and gave the worst sustainability pedological
index, becoming clear its environmental non-sustainability. The agroecosystems
presented better sustainability pedological indexes where the occupation and use
of soils is predominately by family farming systems. The use of agroforestry
systems in reclamation of degraded pastures is improving soil attributes. In the
long term monitoring, carbon of the fulvic acid fraction, extracted carbon and
water-soluble carbon can be considered good indicators of sustainability for
agroecosystems.
ix
1. INTRODUÇÃO
A microrregião de Governador Valadares está inserida na última região de
Minas Gerais - Vale do Rio Doce - que foi ocupada por grande contingente de
seres humanos. Sua ocupação se intensificou à partir da década de 1930 com o
término da construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas – EFVM.
A forma de ocupação que predominou no Vale do Rio Doce, MG, foi
extremamente exploratória e degradante. Primeiramente, retirou-se a madeira,
promovendo-se uma verdadeira devassa na floresta. Em seguida, implantaram-se,
generalizadamente, pastagens com capim colonião (Panicum maximum) para
criação extensiva de bovinos. O único manejo que foi dado às pastagens foi a
queima na época seca do ano.
Ao percorrer a região observa-se, freqüentemente, topos de morro
desprovidos de cobertura vegetal e presença de voçorocas nas encostas. Os leitos
dos rios apresentam-se assoreados e alguns pequenos cursos d’água começam a
perder a perenidade.
Em meio a essa forma predominante de ocupação, algumas comunidades
com
sistemas de agricultura familiar impuseram formas diferenciadas à
ocupação e uso do solo. Esses agricultores não têm a pecuária como única ou
principal atividade, introduzindo sistemas diversificados de produção agrícola
(arroz, feijão, milho, café, cana-de-açúcar, banana, etc.). Essas comunidades de
agricultores familiares destoam do restante da região por apresentarem, além da
maior diversidade de produtos agrícolas, alguns remanescentes da floresta
1
original, os solos e os cursos d’água em melhores condições, ou seja, os recursos
naturais mais preservados.
A ação do Centro de Assistência Técnica – CAT, de Governador Valadares,
juntamente com organizações de agricultores familiares, está proporcionando a
implantação de propostas de reocupação e uso do solo, que recuperam e
melhoram as condições ambientais.
A região é carente de estudos que evidenciem o estágio de degradação em
que se encontra, em decorrência de sua ocupação histórica, e aponte as
possibilidades de uso sustentável dos recursos de que dispõe.
A designação “sustentável” passou a ser amplamente utilizada a partir da
publicação, em 1987, do relatório da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente
e Desenvolvimento - Nosso Futuro Comum (mais conhecido como Relatório
Brundtland), que instituiu um conceito de desenvolvimento sustentável:
“O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às
necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as
gerações futuras atenderem a suas próprias necessidade”.
(CMMAD, 1988)
Apesar da ambigüidade do conceito, o termo sustentabilidade passou a ser
um grande “guarda-chuva” sob o qual se abrigam diferentes concepções e
“correntes de pensamento”. Ninguém é contra uma idéia de sustentação já que a
insustentabilidade é algo indesejado, que ameaça e afeta a todos.
A palavra sustentabilidade tem sua origem do Latim sus-tenere (Ehlers,
1996), que significa suportar ou manter. O conceito de sustentabilidade,
relacionado com o futuro da humanidade, foi usado pela primeira vez em 1972,
no livro Blueprint for Survival (Kidd, 1992). No final dos anos 70, o termo
incorporou dimensões econômicas e sociais em seu significado, passando a ser
globalmente utilizado (Ehlers, 1996).
De acordo com Kidd (1992), existem diferentes “correntes de pensamento”
que deram origem ao conceito de sustentabilidade. Todas elas envolvem a
interação entre: crescimento populacional, uso de recursos e pressão sobre o meio
2
ambiente. Fazem parte destas correntes de pensamento: a corrente ecológica, a da
crítica à tecnologia, o eco-desenvolvimento, e as correntes de pensamento que
pregavam o “não crescimento” ou redução do crescimento econômico. Todas
essas linhas de pensamento já se encontravam completamente desenvolvidas
antes do termo sustentabilidade ser primeiramente utilizado em 1972.
Sustentabilidade é um conceito em disputa, abrigando diferentes, muitas
vezes conflitantes, concepções a respeito de como a agricultura, a indústria e o
comércio devem desenvolver-se, e de como os recursos naturais devem ser
utilizados; desde aquelas que propõem simples ajustes no presente modelo de
desenvolvimento, até aquelas que demandam mudanças mais radicais/estruturais
nos padrões de produção e de consumo da sociedade como um todo (Ehlers,
1996).
A designação agricultura sustentável surgiu após a publicação do Relatório
Brundtland (1987) com o conceito de desenvolvimento sustentável. O primeiro
conceito de agricultura sustentável foi instituído pelo congresso dos Estados
Unidos através da FACTA 90 - Food, Agriculture, Conservation, and Trade ActUSA e veio substituir o conceito de Agricultura Alternativa instituído em 1989
pelo NRC - Conselho Nacional de Pesquisa - EUA, uma vez que a designação
Agricultura Alternativa não era bem aceita, por se contrapor frontalmente à
Agricultura Convencional (baseada na intensa utilização de insumos externos).
Segundo o conceito instituído pela FACTA 90, agricultura sustentável é:
“Um sistema integrado de práticas de cultivo e criação animal com
aplicação local específica que, no longo prazo, suprirá as
necessidades humanas de alimentos e fibras, melhorará a
qualidade do meio ambiente e a base dos recursos naturais da qual
depende a economia agrícola, fará o uso mais eficiente dos
recursos não-renováveis e integrará, quando apropriado, ciclos e
controles biológicos naturais; sustentará ainda a viabilidade
econômica das explorações agrícolas e elevará a qualidade de vida
dos agricultores e da sociedade como um todo”
(Ehlers, 1996)
3
A partir de então, diversas instituições e organismos internacionais
formularam conceitos e definições sobre agricultura sustentável (NCR/EUA –
1991, FAO – 1991, IICA – 1992, Fórum ONGs e Mov. Sociais na ECO-92 e
outros). Os pontos centrais de divergências entre estes conceitos e definições é
quanto à utilização de insumos externos e o componente sócio-econômicopolítico da agricultura, e têm como pontos comuns, a preocupação com a
degradação ambiental, a segurança alimentar e a viabilidade econômica.
Reijntjes et al. (1994) definiram agricultura sustentável como sendo uma
agricultura ecologicamente equilibrada, economicamente viável, socialmente
justa, humana e adaptativa. Alguns autores incluem a segurança alimentar, a
produtividade e a qualidade de vida (Stockle et al., 1994); outros, enfatizam mais
os aspectos biofísicos do ambiente (Lehman et al., 1993). Ehlers (1996)
menciona quatorze diferentes definições de agricultura sustentável. Pretty (1995)
cita que desde 1987 existem mais de setenta definições construídas. Cada uma
delas apresentando valores, prioridades e objetivos diferentes.
Altieri
(1989)
introduziu
o
conceito
de
sustentabilidade
dos
agroecossistemas. Para esse autor os princípios básicos de um agroecossistema
sustentável são: a conservação dos recursos renováveis, a adaptação da
agricultura ao ambiente e a manutenção de um nível alto e estável de
produtividade. Ainda, segundo Altieri (1989), o equilíbrio (dinâmico) dos
agroecossistemas deve ser avaliado segundo quatro indicadores fundamentais:
1. Sustentabilidade – refere-se à habilidade de um agroecossistema em
manter a produção através do tempo, face a distúrbios ecológicos e
pressões sócio-econômicas;
2. Eqüidade – é a medida de como os produtos do agroecossistema são
distribuídos entre os produtores e consumidores locais;
3. Estabilidade – é a constância de produção sob um conjunto de
condições ambientais, econômicas e de manejo;
4. Produtividade – é uma medida quantitativa da proporção e montante
de produção por unidade de terra ou insumo.
4
Os indicadores de sustentabilidade propostos pelos diferentes autores
variam de acordo com a dimensão de sustentabilidade que cada um incorpora.
Dobbs e Cole (1992) propõem indicadores sócio-econômicos; Bertollo (1998),
após ampla revisão bibliográfica, lista exemplos de indicadores biofísicos; já,
Altieri e Nicholls (1999) discutem a necessidade de indicadores sócioeconômicos e ambientais.
Dalsgaard e Oficial (1997) utilizaram indicadores agroecológicos (riqueza
de espécies, diversidade funcional, eficiência, produtividade, biomassa total,
ciclagem de nutrientes, balanço de nutrientes, produção primária/biomassa) e
indicadores agroeconômicos (margem bruta e rendimento do trabalho) para
avaliar a sustentabilidade de agroecossistemas.
O solo, por ser uma interface entre as outras esferas (biosfera, atmosfera,
hidrosfera e litosfera), exerce papel fundamental em qualquer ecossistema
terrestre. Sua qualidade e a sustentabilidade dos ecossistemas agrícolas estão
intimamente vinculadas (Lal e Pirce, 1991, citados por Mielniczuk, 1999). O
monitoramento dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo fornecem
indicativos de sua qualidade (Larson e Pirce, 1994), servindo então, como
indicadores de sustentabilidade.
O solo, em sua condição natural, é um sistema aberto, trocando matéria e
energia com o meio. A condição de estabilidade é atingida quando as taxas de
adição e perdas se eqüivalem (Addiscot, 1992). A intervenção antrópica,
normalmente, leva a situações em que ocorrem mais perdas do que ganhos,
comprometendo a qualidade do solo e o cumprimento de suas funções básicas
(Doran, 1997).
A questão chave é definir níveis críticos para os atributos do solo, a partir
dos quais a sua qualidade e a sustentabilidade dos sistemas ficam comprometidas,
mesmo porque, estes níveis serão variáveis de solo para solo (Mielniczuk, 1999).
Uma opção é tomar como referência o solo em sua condição natural e,
estabelecendo-se os desvios, obter o grau de sustentabilidade dos sistemas.
Diversos autores (Turco e Blume, 1998; Amézquita et al., 1999;
Mielniczuck, 1999; Stenberg, 1999) têm utilizado caracterizações de atributos
5
físicos, químicos e biológicos dos solos como indicadores de sua qualidade e
sustentabilidade.
Mielniczuk (1999) afirma que existe um consenso em relação à matéria
orgânica como indicador da qualidade do solo devido a dois fatores. Primeiro,
porque o seu teor no solo é muito sensível em relação às práticas de manejo,
principalmente nas regiões tropicais e subtropicais, onde, nos primeiros anos de
cultivo, mais de 50% da matéria orgânica, previamente acumulada, é perdida por
diversos processos e segundo, porque, em sua maioria, os atributos do solo e do
ambiente relacionados às funções básicas do mesmo têm estreita relação com a
matéria orgânica.
Alguns componentes da matéria orgânica do solo, como a matéria orgânica
leve e as frações mais lábeis (Mendonça, 2001), bem como, as diferentes formas
de fósforo orgânico (Novais e Smyth, 1999) são mais sensíveis às condições de
manejo, podendo tornarem-se bons indicadores de sustentabilidade. No entanto,
existe uma carência de métodos de determinação e de informações mais seguras
sobre tais atributos.
A forma e o grau de intervenção humana na ocupação do solo na
microrregião de Governador Valadares, Vale do Rio Doce, MG, aliados à
fragilidade do ambiente, determinaram um padrão de uso insustentável.
Coexistem com esse padrão dominante de uso do solo formas de ocupação e uso
e propostas de recuperação do solo, que apontam para uma maior
sustentabilidade.
Diante desse contexto desenvolveu-se o presente trabalho com os seguintes
objetivos:
-
Sistematizar informações existentes sobre o processo de ocupação e uso do
solo e sobre as condições ambientais da microrregião de Governador
Valadares, Vale do Rio Doce, MG;
-
Obter, em áreas selecionadas, dados sobre atributos físicos, químicos e
ligados à matéria orgânica do solo, que demonstrem as atuais condições, e
sirvam como indicadores de sustentabilidade das formas de ocupação e uso
diferenciados;
-
Estabelecer um índice pedológico de sustentabilidade para agroecossistemas.
6
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1.
Caracterização da região
A microrregião de Governador Valadares, MG (Figura 1) é cortada pelo rio
Doce, que tem como principais afluentes, pela margem esquerda, os rios Corrente
Grande, Suaçuí Pequeno, Suaçuí Grande, Santa Helena e ribeirão Laranjeiras e,
pela margem direita, o ribeirão Traíra e o rio Caratinga, com densidade de
drenagem de suas bacias que varia de 0,11 a 0,33 km/km2 (Souza, 1995).
A montante de Governador Valadares a direção do curso do rio Doce é
SW/NE, encontrando-se este encaixado na geossutura que separa duas faixas
litoestruturais, seguindo a orientação da Placa Sul-americana (Hasui et al., 1993,
citados por Souza, 1995). Na cidade de Governador Valadares, o rio Doce forma
um “cotovelo”, sendo capturado pelas falhas transcorrentes, transversais à costa
oceânica, provocadas pelas tensões intraplacas induzidas pelo deslocamento da
Placa Sul-americana, com eixo de compressão horizontal com direção
WNW/ESE e E/W (Hasui, 1990, Macedo et al., 1991, citados por Souza, 1995),
seguindo, a partir de então, a direção NW/SE.
As unidades geomorfológicas presentes na microrregião de Governador
Valadares, MG são: a Depressão do Rio Doce e os Planaltos Dissecados do
Centro Sul e Leste de Minas (Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais CETEC, 1983).
A depressão do Rio Doce trata-se de uma área rebaixada e dissecada,
caracterizada por colinas com vales de fundo chato, planícies fluviais colmatadas,
rampas de colúvio e lagos de barragens naturais.
7
Os Planaltos Dissecados do Centro Sul e Leste de Minas caracterizam-se
por uma dissecação fluvial atuante nas rochas predominantemente granitognaissicas do embasamento pré-cambriano, resultando em formas de colinas e
cristas com vales encaixados e/ou de fundo chato, de maneira generalizada em
toda a extensão dos planaltos. A dissecação fluvial produziu um relevo peculiar
em afloramentos rochosos, os pontões e mornes, que ocorrem isolados,
associados às colinas, ou em grupamentos. Os principais grupamentos de pontões
relacionam-se com a rede de fraturas e falhas de direção NE e estão orientados
nas mesmas direções dos fraturamentos.
Na microrregião de Governador Valadares, são encontradas as seguintes
unidades geológicas: Associação de Gnaisses e Granitos Diversos (pεgn),
Associação Charnockítica (pεsch), Granito Intrusivo (γ) e Coberturas
Aluvionares (Qa), sendo que a unidade predominante é a Associação de Gnaisses
e Granitos Diversos (CETEC, 1983).
A seguir, são descritas as características das unidades.
Figura 1 - Porção mineira da bacia hidrográfica do Rio Doce. Em detalhe (cor
verde) a microrregião de Governador Valadares, MG.
8
Pεgn - As rochas que compõem esta unidade são: gnaisses kinzigíticos, gnaisses
charnockíticos, gnaisses facoidais , gnaisses homogêneos leucocráticos, ganisses
bandados, ortognaisses e veios pegmatóides. Os minerais que compõem estas
rochas, predominantemente, são: quartzo, feldspato, muscovita, biotita e
anfibólio. As rochas gnaissicas apresentam um profundo manto de intemperismo,
sendo raros os locais onde a rocha não decomposta é aflorante. Nesse manto de
decomposição, os minerais instáveis foram intemperizados e com a intensa
lixiviação, sílica e cátions trocáveis foram perdidos, concentrando óxidos e
aluminossilicatos 1:1.
pεsch - As rochas que compõem esta unidade são: charnockitos, granulitos,
anfibolitos, dioritos, gabros, piroxênitos e migmatitos. Os minerais constituintes
desses tipos de rochas são principalmente: quartzo, feldspato, micas, olivina,
anfibólio e piroxênio. Geralmente apresentam um manto de intemperismo menor
que 10 m de espessura, sendo freqüentes os afloramentos rochosos. Nessa
unidade, na faixa de migmatitos, se encontra a suite pegmatítica, portadora de
pedras preciosas, feldspato, caulim e micas.
γ - Constitui-se principalmente de granodioritos, quartzo-monzonitos, tonalitos,
dioritos e granitóides porfiróides. Os minerais predominantes nessas rochas são:
quartzo, feldspato, biotita e muscovita. O manto de intemperismo dessas rochas
é pouco espesso, sendo comum a exposição da rocha sã.
Qa - As coberturas aluvionares são constituídas principalmente por areias, argilas
e cascalhos. Apresentam espessuras variáveis em função da textura.
De acordo com o “Levantamento Exploratório dos Solos da Região sob
Influência da Companhia Vale do Rio Doce” (Brasil, 1970) ocorrem,
predominantemente, na microrregião de Governador Valadares, MG, solos:
Podzólicos Vermelho Amarelo eutróficos, Latossolos Vermelho Amarelo
distróficos e Aluviões eutróficos. Segundo Baruqui (1982), nessa região, os
Podzólicos ocupam todas as elevações nas áreas de cotas mais baixas, sendo que
nas áreas de cotas mais elevadas os Latossolos ocupam o topo das elevações, o
9
terço superior e, às vezes, o terço médio das encostas e os Podzólicos, o terço
inferior e, às vezes, o terço médio das encostas. Os Aluviões ocorrem nas
margens dos rios, principalmente, do Itambacuri, do Suaçuí Grande e do Doce.
Com relação aos aspectos climáticos, predominam nessa região, pela
classificação de Köppen, o clima CWa (Clima tropical úmido-megatérmico, com
estação seca no inverno, em que a temperatura média do mês mais frio é superior
a
18 0C, sendo a precipitação do mês mais seco, inferior a 60 mm). A
pluviosidade média anual oscila entre 1000 e 1500 mm. As maiores chuvas
ocorrem no mês de dezembro ou janeiro (Baruqui, 1982). No município de
Governador Valadares, onde está situada a estação meteorológica da
Universidade Vale do Rio Doce, a temperatura média anual é de 25,60 0C, a
média máxima anual de 28,70 0C e a média mínima anual de 18,30 0C.
No Diagnóstico Ambiental do Estado de Minas Gerais (CETEC, 1983)
realizado na década de 80, restava muito pouco da vegetação nativa na
microrregião de Governador Valadares, MG. Quase que a totalidade da área
aparece como Atuação Antrópica, o que significa a retirada da vegetação
primitiva e sua substituição por diferentes formas de uso do solo. Os resquícios
de vegetação nativa aparecem como Capoeira, representando as formações
capoeirão, capoeira e capoeirinha. São formações secundárias, em fase de
desenvolvimento, originárias de floresta cortada ou queimada.
A região do Vale do Rio Doce, MG, era, primitivamente, coberta pela
Floresta Atlântica, que penetrava em Minas Gerais pelos lados sul, sudeste, leste
e parte do nordeste (Baruqui, 1982). De acordo com o regime hídrico local, essa
floresta pode ser classificada como perenifólia, subperenifólia e subcaducifólia.
A floresta perenifólia tem ocorrência restrita às margens dos cursos d’água,
apresentado-se sempre verde durante todo o ano. A floresta subperenifólia
apresenta pequena porcentagem de espécies decíduas durante a estação seca,
mantendo-se sempre verde no restante do ano. A floresta subcaducifólia,
predominante na área, é composta por considerável quantidade de espécies
decíduas durante o período seco do ano, que é, nesta região, de aproximadamente
5 meses.
10
2.2.
Informações sobre ocupação e uso do solo e condições ambientais
As informações e os dados sobre a ocupação e o uso dos solos, bem como,
sobre as condições ambientais da região foram obtidos em literatura.
2.3.
Áreas amostradas
Foram selecionadas áreas com ocupações e usos diferenciados em três
localidades nos municípios de Governador Valadares e Periquito, no médio Vale
do Rio Doce, MG. Nas três localidades, foram selecionadas áreas que se
encontram o mais próximo possível da condição natural (remanescentes de
mata), para comparação com áreas que foram submetidas a diferentes usos
(Figura 2).
Comunidade de Ilha Brava, município de Governador Valadares, MG
A comunidade de Ilha Brava está localizada nas porções mais rebaixadas
da depressão do Rio Doce, próxima à sua margem esquerda e representa o padrão
de ocupação e uso do solo da região, com pastagens e uso intensivo de
queimadas. Nessa localidade foram selecionadas duas áreas para amostragens:
a) Mata Secundária – localizada na propriedade do Sr. Dimas Carlos Teixeira,
em encosta com exposição leste, coordenadas 18o 56’ 15’’ Latitude Sul, 42o 03’
39’’ Longitude Oeste e 280 m de Altitude. Trata-se de uma área de onde foi
extraída madeira e sofreu efeitos de queimadas, no passado. Atualmente,
encontra-se em estágio de regeneração.
b) Pastagem – localizada na propriedade do Sr. José Antônio Reis, em encosta
com exposição leste, coordenadas 18o 55’ 56’’ Latitude Sul, 42o 03’ 03’’
Longitude Oeste e 280 m de Altitude. É formada por brachiaria (Brachiaria
decumbens) semeada à cerca de 6 anos, manualmente e sem qualquer tipo de
adubação. Anteriormente, era formada por capim colonião (Panicum maximum)
submetido, anualmente, ao fogo.
11
Comunidade de Ilha Funda, município de Periquito, MG
A comunidade de Ilha Funda está localizada numa região de transição entre
a depressão do Rio Doce e os planaltos dissecados. A comunidade é constituída
por 9 famílias remanescentes dos primeiros familiares que ocuparam as terras
devolutas dessa região na década de 1930.
Figura 2 - Áreas amostradas na microrregião de Governador Valadares, MG.
a) - mata secundária em Ilha Brava; b) - pastagem em Ilha Brava;
c) - mata secundária em Ilha Funda; d) - pastagem em Ilha Funda;
e) - área em recuperação com sistema agroflorestal em Ilha Funda;
f) - mata secundária no Córrego dos Desidérios; g) - pastagem no
Córrego dos Desidérios; h) - bananal no Córrego dos Desidérios;
i) - área de plantio de milho no Córrego dos Desidérios.
12
No início da ocupação das áreas da comunidade, após a derrubada da mata,
foram implantadas lavouras de café, que foram cortadas na década de 1960, com
a crise do café e substituídas por pastagens. Atualmente, além dos quintais
(situados ao redor das residências), poucas áreas, localizadas nas partes baixas do
relevo e próximas aos cursos d’água, são utilizadas para plantio de arroz, feijão e
milho. A maior parte das áreas da comunidade, principalmente as partes mais
altas do relevo, são utilizadas com pastagens. Estas apresentam sérios problemas
de erosão, com áreas de topos de morro e encostas desprovidas de cobertura
vegetal e apresentando voçorocas. Os cursos d’água apresentam-se assoreados
com evidências de diminuição da vazão. Foram selecionadas três áreas para
amostragens:
c) Mata Secundária – localizada na propriedade do Sr. José Maria Coelho de
Barros, em encosta com exposição leste, coordenadas 19o 07’ 19’’ Latitude Sul,
42o 16’ 40’’ Longitude Oeste e 310 m de Altitude. Trata-se de uma área de onde
foi extraída madeira e que sofreu efeitos de queimadas no passado. Atualmente,
encontra-se em estágio de regeneração.
d) Pastagem – localizada na propriedade do Sr. Hermes Raimundo Oliveira, em
encosta com exposição noroeste, coordenadas 19o 07’ 18’’ Latitude Sul, 42o 16’
14’’ Longitude Oeste e 330 m de Altitude. É formada por brachiaria (Brachiaria
decumbens) semeada à cerca de 15 anos, manualmente, e sem qualquer tipo de
adubação, após o preparo do solo com arado à tração animal. Anteriormente, era
formada por capim gordura (Melinis minutiflora), tendo sido muito queimada, no
passado.
e) Área em recuperação com Sistema Agroflorestal – localizada na
propriedade dos herdeiros do Sr. Intelvino Albino da Silva, em encosta com
exposição nordeste, coordenadas 19o 07’ 18’’ Latitude Sul, 42o 16’ 14’’
Longitude Oeste e 330 m de Altitude. É uma experiência de recuperação de
pastagem degradada (pelo uso intenso do fogo e ocorrência de erosão)
implantada em 1994 pelo CAT – Centro de Assistência Técnica de Governador
Valadares, MG em parceria com a Associação Comunitária de Ilha Funda,
Periquito, MG. A implantação do sistema seguiu o método desenvolvido por
Ernst Götsch, agricultor e pesquisador que vive em Piraí do Norte, Sul da Bahia.
13
O método consiste, basicamente, na introdução de espécies cultivadas
consorciadas com espécies silvestres e no manejo das espécies espontâneas, de
forma que as associações de plantas sucedem-se umas às outras num processo
dinâmico e contínuo, à semelhança do que ocorre com a sucessão natural de
espécies (Götsch, 1996). O método preconiza também, a utilização de duas
formas de intervenção que visam acelerar o processo de sucessão. A primeira é
chamada de capina seletiva, através da qual cortam-se as espécies pioneiras que
já cumpriram a sua função no sistema. A segunda são as podas
rejuvenecedoras, que são podas drásticas efetuadas em espécies pioneiras, antes
de amadurecerem, com o intuito de restaurar a função estimuladora do
crescimento devido a brotação. Estas duas intervenções potencializam o
desenvolvimento do sistema, uma vez que todo o material cortado é depositado
sobre o solo, servindo como proteção e adubação.
No início do sistema, a erosão foi contida com o uso de cordões em nível,
seguindo-se a introdução de leguminosas adubadeiras (feijão-de-porco, feijãobravo do Ceará, mucuna preta e guandu) e, progressivamente, sendo introduzidas
espécies agrícolas e arbóreas (abacaxi, mandioca, capineira, piteira, acácia java,
sombreiro, bauhinia, ipês e outras). Devido a longos períodos sem chuvas e a
intensos ataques de formigas cortadeiras, várias espécies não sobreviveram.
Desde que o sistema foi implantado a única produção agrícola obtida foi de
abacaxi (produção baixa, apenas para consumo doméstico). Das espécies
herbáceas e arbóreas introduzidas, as mais persistentes foram: feijão-bravo do
Ceará, acácia de java e ipê amarelo. O sistema está em evolução, sendo
manejadas as espécies espontâneas e introduzidas novas espécies.
Comunidade do Córrego dos Desidérios, município de Gov. Valadares, MG
A comunidade do Córrego dos Desidérios está localizada nos planaltos
dissecados, com altitudes mais elevadas e temperaturas médias mais baixas que
as áreas situadas na depressão do Rio Doce. A comunidade é constituída por 39
famílias, descendentes, em sua quase totalidade, de três troncos familiares que
ocuparam originalmente a comunidade: os Desidérios, os Modestos e os Bahia. A
microbacia do Córrego dos Desidérios é uma das mais preservadas do município
14
de Governador Valadares, MG, com vários remanescentes de mata, cobrindo
topos de morros e encostas. Os níveis de erosão são baixos e as nascentes e
cursos d’água encontram-se pouco assoreadas e com fluxo perene e regular. No
início de sua ocupação, a comunidade foi produtora de café, dizimado na década
de 1960. Atualmente, a principal fonte de renda é a produção de banana. Além da
produção de banana, são produzidos: cana-de-açúcar, mandioca, milho, feijão,
arroz. Os quintais que rodeiam as residências abrigam uma grande diversidade de
frutíferas e olerícolas. As partes baixas do relevo, margeando os cursos d’água,
são ocupadas pelos quintais, e por plantios de arroz, feijão, mandioca, milho e
cana-de-açúcar. A banana, e parte dos plantios de cana-de-açúcar, milho e feijão,
ocupam as encostas até o terço mediano. A maior parte das encostas é ocupada
por pastagens. Quatro áreas foram selecionadas para amostragens nessa
localidade:
f) Mata Secundária – localizada na propriedade do Sr. José Jorge da Silva, no
terço superior de encosta, com exposição sudoeste, coordenadas 18o 48’ 29’’
Latitude Sul, 42o 16’ 07’’ Longitude Oeste e 600 m de Altitude. Trata-se de uma
área de onde foi extraída madeira no passado, encontrando-se, atualmente, em
estágio de regeneração.
g) Pastagem – localizada na propriedade do Sr. José Jorge da Silva, no terço
mediano de encosta com exposição sudoeste, coordenadas 18o 48’ 29’’ Latitude
Sul, 42o 16’ 07’’ Longitude Oeste e 600 m de Altitude. É formada por brachiaria
(Brachiaria decumbens) semeada a cerca de 3 anos, manualmente e com
matraca, sem qualquer tipo de adubação. Anteriormente, era área de cultivo de
milho e feijão.
h) Bananal – localizado na propriedade do Sr. José Matilde da Silva, no terço
médio de encosta com exposição noroeste, coordenadas 18o 48’ 29’’ Latitude
Sul, 42o 16’ 07’’ Longitude Oeste e 600 m de Altitude. Foi plantado há mais de
25 anos, manualmente através de mudas, e nunca recebeu qualquer tipo de
adubação. Anteriormente, era área de cultivo de milho e feijão. No passado, (há
mais de 50 anos) foi área de lavoura de café.
i) Área de cultivo de milho – localizada na propriedade do Sr. José Matilde da
Silva, no terço médio de encosta com exposição noroeste, coordenadas 18o 48’
15
29’’ Latitude Sul, 42o 16’ 07’’ Longitude Oeste e 600 m de Altitude. Era área de
cultivo de banana com o mesmo histórico do bananal anteriormente citado. Há
cerca de 10 anos o bananal sofreu intenso ataque do “Mal do Panamá” sendo,
então, substituído pelo cultivo de milho. O milho é plantado todos os anos,
manualmente, sem qualquer tipo de adubação. Em alguns anos foram
introduzidas leguminosas, consorciadas ao milho, com a função de adubação
verde.
2.4.
Determinações analíticas
Em cada área selecionada foram realizadas três amostragens de solos, em
altitudes diferentes, nas profundidades de 0 a 5, 5 a 10 e 10 a 20 cm. Para cada
amostragem, foram abertas três pequenas trincheiras, nas quais coletou-se três
amostras por profundidade. Desta forma, as amostras compostas de cada
profundidade, foram constituídas por 9 amostras simples. Uma porção de cada
amostra composta foi protegida do calor e da insolação até a chegada ao
laboratório, onde o teor de umidade foi
mantido constante e as amostras
armazenadas a 4 oC, para as determinações de carbono mineralizável e carbono
da biomassa microbiana. Foram coletadas, também, amostras indeformadas, em
anel volumétrico, para as determinações de umidade atual e densidade do solo.
Após secagem ao ar, as amostras de solos foram passadas em peneiras de
2 mm de malha e armazenadas em potes de plástico. Em cada amostra
procederam-se às determinações analíticas conforme descrito a seguir.
2.4.1. Atributos físicos do solo
Foram realizadas: análise textural, umidade atual, umidade residual,
equivalente de umidade, densidade do solo e densidade de partículas,
porosidade total, e grau de floculação, conforme EMBRAPA (1997). A argila
dispersa em água foi determinada pelo método proposto por Jucksch (1987).
16
2.4.2. Atributos químicos do solo
Foram medidos: potencial de hidrogênio (pH) - medido com peagâmetro
em água na relação 1:2,5; acidez trocável (Al3+) - extraído com KCl 1 mol/L e
titulado com NaOH 0,025 mol/L; acidez potencial (H + Al) - extraído com
acetato de cálcio 1 mol/L em pH 7,0 e titulado com NaOH 0,0606 mol/L; cálcio
e magnésio (Ca2+ e Mg2+) - extraídos com KCl 1 mol/L e determinados por
espectrometria de absorção atômica; potássio (K+) - extraído com Mehlich-1 e
determinado por fotometria de chama; e calculados: soma de bases (SB) = Ca2+ +
Mg2+ + K+; capacidade de troca catiônica efetiva (CTCe) = SB + Al3+;
capacidade de troca catiônica total a pH 7,0 (CTCt) = SB + (H + Al);
percentagem de saturação de bases (V) = SB/CTCt x 100; percentagem de
saturação com alumínio (m) = Al3+/CTCe x 100 conforme EMBRAPA (1997).
Obteve-se, também, Fósforo disponível (P) - pela extração com Mehlich-1 e
leitura da absorvância a 725 nm em espectrofotômetro, conforme Defelipo e
Ribeiro (1981).
2.4.3. Atributos ligados à matéria orgânica do solo
Carbono orgânico total (Yeomans e Bremner, 1988)
Amostra de 0,2 g de solo, almofarizada e passada em peneira de 0,210 mm,
foi acondicionada em tubos pirex de bloco digestor, juntando-se 5 mL de
K2Cr2O7 0,17 mol/L e 7,5 mL de H2SO4 concentrado. Após o pré-aquecimento
do bloco digestor até a temperatura de 170o C, os tubos foram colocados no bloco
e mantidos nessa temperatura por 30 minutos. Em seguida, foram retirados para
que esfriassem. O conteúdo de cada tubo foi transferido, quantitativamente, para
erlenmeyers de 125 mL, utilizando-se água destilada. Deixou-se a solução esfriar
até temperatura ambiente, adicionaram-se 2 mL de H3PO4 concentrado, 0,2 g de
NaF e três gotas da solução indicadora ferroin, e titulou-se com
Fe(NH4)2(SO4)2.6H2O 0,2 mol/L. Foram feitas duas provas em branco; uma
sofreu aquecimento, a outra não.
O teor de carbono orgânico total foi calculado pela seguinte equação:
COT(dag/kg) = (V).(N.Peq.100)/Pam
17
Onde:
V = Volume de Fe(NH4)2(SO4)2.6H2O gasto na titulação, sendo:
V= (Vbc-Va).(Vbs-Vbc)/Vbs + (Vbc-Va), em que:
Vbc = Volume de Fe(NH4)2(SO4)2.6H2O gasto na titulação da prova em
branco que sofreu aquecimento;
Vbs = Volume de Fe(NH4)2(SO4)2.6H2O gasto na titulação da prova em
branco que não sofreu aquecimento;
Va = Volume de Fe(NH4)2(SO4)2.6H2O gasto na titulação da amostra.
N = Normalidade da solução de Fe(NH4)2(SO4)2.6H2O.
Peq = Peso equivalente do carbono.
Pam = Peso da amostra de solo em mg.
Nitrogênio total - determinado pelo método de Kjeldahl por destilação a vapor,
descrito por Tedesco et al. (1985).
Fósforo orgânico (Bowman, 1989)
Em 2 g de amostra de solo, acondicionada em erlenmeyer de 125 mL,
foram adicionados 3 mL de H2SO4 concentrado. O erlenmeyer foi agitado,
manualmente, para completa imersão do ácido na amostra; foram adicionados 3
mL de água destilada, em três porções de 1 mL cada, agitando-se, manualmente,
a cada adição de 1 mL. Na seqüência, adicionaram-se mais 44 mL de água
destilada, completando-se um volume total de extrator de 50 mL. Após agitação
manual por 5 a 10 segundos, a solução foi filtrada em filtro de papel lento,
reservando-se o filtrado (extrato ácido) e retornando-se, quantitativamente, a
amostra para o erlenmeyer. Em seguida, foram adicionados 100 mL de NaOH 0,5
mol/L e procedeu-se a uma agitação, em agitador horizontal, por duas horas. A
solução foi filtrada em papel de filtro lento, reservando-se o filtrado (extrato
básico).
As amostras foram digeridas adicionado-se, seqüencialmente, em frascos de
vidro de 50 mL: 2 mL do extrato (ácido ou básico), 0,5 g de K2S2O8 e 2 ml
H2SO4 5,5 mol/L. Os frascos de vidro foram aquecidos em chapa quente
(aproximadamente 1500C) por 60 minutos. Após a digestão, o material
18
gelatinoso, que ficou no fundo dos frascos de vidro, foi redissolvido com 5 mL
de HCl 0,6 mol/L. O pH da solução foi ajustado com NaOH 10 mol/L,
utilizando-se indicador p-nitrophenol, e o volume completado para 25 mL com
água destilada (extrato digerido).
Tanto no extrato ácido, como no extrato básico, foram feitas determinações
de fósforo em amostra digerida (fósforo total - Pt) e em amostra não digerida
(fósforo inorgânico - Pi). A diferença entre o fósforo determinado na amostra
digerida (Pt) e o fósforo determinado na amostra não digerida (Pi) fornece os
valores de fósforo orgânico (Po). O Po total é a soma do Po do extrato ácido mais
o Po do extrato básico.
Para a determinação de fósforo na amostra não digerida, tomou-se 0,5 ou 1
mL do extrato (ácido ou básico), dependendo do teor de fósforo de cada amostra,
completando-se a solução de leitura para 5 mL com água destilada. Na leitura do
extrato básico, foi feita uma prova em branco para cada amostra (extrato sem o
reagente de trabalho) devida a turbidez apresentada pelo mesmo. Na amostra
digerida, o fósforo foi determinado tomando-se 10 mL do extrato digerido, sendo
a leitura feita em cubeta de 5 cm de comprimento.
Em todos os casos o fósforo foi determinado conforme Defelipo e Ribeiro
(1981).
Fracionamento de substâncias húmicas e determinação do teor de carbono nas
frações:
O fracionamento das substâncias húmicas foi feito conforme método
descrito por Schnitzer (1982), segundo a técnica de solubilidade diferencial,
utilizando-se os conceitos de frações húmicas estabelecidos pela Sociedade
Internacional de Substâncias Húmicas (Hayes et al., 1989).
As frações ácidos fúlvicos e húmicos foram extraídas com solução NaOH
0,1mol/L na relação solo:extrator de 1:10 p/v, utilizando-se 1,0 g de solo
almofarizado e passado em peneira de 0,210 mm e um tempo de contato de 24 h,
após agitação horizontal por 30 minutos. A separação entre o extrato alcalino e o
resíduo foi feita por centrifugação a 996 g por 20 minutos. Seguiram-se duas
lavagens do resíduo com a mesma solução, adicionando-se o extrato ao
19
anteriormente reservado. O resíduo foi recolhido em erlenmeyer de 125 mL e
colocado para secar em estufa com circulação de ar a 1050C. O extrato alcalino
teve o pH ajustado para 1,6 ± 0,2 com solução aquosa de H2SO4 20% e decantou
por 18 horas. O precipitado, fração ácidos húmicos (FAH), foi separado da fração
solúvel por centrifugação a 996 g por 5 minutos, rediluído em solução NaOH 0,1
mol/L e seu volume aferido para 50 mL. A porção solúvel no extrato acidificado,
fração ácidos fúlvicos (FAF), teve o volume aferido para 50 mL, utilizando-se
água destilada.
O carbono nos extratos das frações ácidos fúlvicos e ácidos húmicos foi
determinado segundo o método de Yeomans e Bremner (1988), utilizando-se
alíquotas de 5 mL de extrato, 5mL de K2Cr2O7 0,017 mol/L e 10mL de H2SO4
concentrado, e titulando-se com Fe(NH4)2(SO4)2.6H2O 0,02 mol/L. O carbono da
fração humina (FHU) foi determinado da mesma forma que o carbono orgânico
total (Yeomans e Bremner, 1988), utilizando-se 0,2 g do resíduo.
Carbono mineralizável (Gregorich et al., 1991).
Em 50 g de amostra de solo passado em peneira de 2 mm de malha e
acondicionada em pote de plástico de 500 cm3, foi adicionada água até à umidade
correspondente a 60% da capacidade de campo. Sobre a amostra de solo foi
colocado um frasco de plástico de 50 cm3 contendo 10 mL de NaOH 0,5 mol/L.
O pote de plástico de 500 cm3 foi hermeticamente fechado com tampa de rosca e
colocado para incubação em germinador de sementes a 25 0C. A cada 5 dias foi
determinado o carbono mineralizado pela atividade microbiana, titulando-se o
NaOH restante com HCl 0,25 mol/L. Para a titulação do NaOH, o pote de
plástico contendo a amostra incubada foi aberto, o NaOH vertido para
erlenmeyer de 125 mL, adicionando-se, imediatamente, 5 mL de BaCl2.2H2O 1,0
mol/L. Após o reabastecimento com NaOH as amostras de solo voltaram à
incubação. Ao NaOH recolhido no erlenmeyer foram adicionadas três gotas de
indicador fenolftaleina, procedendo-se, em seguida, à titulação com HCl. A
quantidade de carbono mineralizado foi calculado pela seguinte equação:
mgCO2 = (B - A) x M x E
sendo:
20
B = Volume de ácido clorídrico gasto na prova em branco;
A = Volume de ácido clorídrico gasto na amostra;
M = Molaridade do ácido clorídrico (mol/L);
E = Peso equivalente do carbono (6).
Carbono da biomassa microbiana
O carbono da biomassa microbiana foi extraído do solo com K2SO4 0,5
mol/L. O seu teor foi obtido pela diferença entre o carbono extraído de amostra
submetida à irradiação em microondas e o carbono extraído de amostra não
submetida à irradiação em microondas (Ferreira et al., 1999).
Duas amostras de 10 g de solo foram acondicionadas em erlenmeyer de 125
mL e umedecidas à 60% da capacidade de campo. Uma das amostras foi
submetida à irradiação em microondas a 400 J/g por duas vezes. Em seguida, nas
duas amostras foram adicionados 25 mL de K2SO4 0,5 mol/L. As amostras foram
agitadas em agitador horizontal por 60 minutos, centrifugadas a 1356 g por 5
minutos e filtradas em filtro de papel rápido. Adicionaram-se duas gotas de
H2SO4 concentrado ao filtrado, no qual foi determinado o teor de carbono.
Para a determinação do carbono, foram pipetados 5 mL do extrato em
erlenmeyer de 125 mL contendo 1 mL de K2Cr2O7 0,17 mol/L e 5 mL de H2SO4
concentrado. Foi colocado um pequeno funil de vidro na abertura do erlenmeyer
para ajudar no refluxo da mistura ácido-dicromato. A solução foi submetida à
irradiação em microondas a 500 J/mL. Depois da digestão em microondas, o
volume foi ajustado para 25 mL. Os procedimentos de digestão e diluição,
descritos acima, foram repetidos para padrões de sacarose (0, 10, 20, 40, 80, 200
e 400 mgC/L) e uma prova em branco. Nos padrões de sacarose e nas amostras
foi medida a absorvância a 590 nm, utilizando-se um espectrofotômetro (Islam e
Weil, 1998).
Carbono extraível com solução salina (Mendonça et al., 2001)
Amostra de 10 g de solo foi acondicionada em erlenmeyer de 125 mL,
juntamente com 20 mL da solução extratora de NaHSO4.H2O 0,025 mol/L. A
suspensão foi agitada por 30 minutos em agitador horizontal e centrifugada a
21
1356 g por 10 minutos. O sobrenadante foi filtrado em filtro de papel rápido,
reservando-se o filtrado. O carbono foi determinado por colorimetria, utilizandose um espectrofotômetro (Islam e Weil, 1998).
Carbono Solúvel em Água (Mendonça, 1992)
Amostra de 10 g de solo foi acondicionada em erlenmeyer de 125 mL,
juntamente com 20 mL de água destilada. A suspensão foi agitada por 30
minutos em agitador horizontal e centrifugada a 1356 g por 10 min. O
sobrenadante foi filtrado em filtro de papel rápido, reservando-se o filtrado. O
carbono foi determinado por colorimetria, utilizando-se um espectrofotômetro
(Islam e Weil, 1998).
Carbono da matéria orgânica leve (Anderson e Ingram, 1989)
Amostra de 30 g de solo foi acondicionada em frasco de vidro de 200 mL,
juntamente com 100 mL de água destilada. A suspensão foi agitada por 3 horas
em agitador horizontal e passada em peneira de 0,210 mm de malha. O material
retido na peneira foi acondicionado em bacia de plástico com água de torneira. O
material orgânico que flotou na água foi recolhido em cadinho de porcelana e
colocado para secar em estufa com circulação de ar a 70oC por 12 horas. Em
seguida, o material foi calcinado em mufla a 550oC por 6 horas, sendo pesado
antes e depois da calcinação. O valor de carbono da matéria orgânica leve foi
obtido pela diferença entre o peso do cadinho mais o material orgânico antes da
calcinação na mufla e o peso do cadinho mais a cinza após a calcinação na mufla.
2.5.
Análises estatísticas
Os dados foram submetidos à análise de variância, utilizando-se o seguinte
modelo:
FV
SIS
Erro (a)
PRO
PRO X SIS
Erro (b)
GL
(i-1)
(i-1)(k-1)+(k-1)
(j-1)
(j-1)(i-1)
i(j-1)(k-1)
22
sendo:
i = sistema
j = profundidade
k = repetição
As médias de profundidades, dentro de um mesmo sistema, foram
comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade, utilizando-se o Quadrado
Médio do Erro (b).
As médias de sistemas foram comparadas pelo teste Tukey a 5% de
probabilidade, utilizando-se, nesse caso, o Quadrado Médio do Erro (a).
Os valores de formas de carbono foram correlacionadas entre si e com os
índices de sustentabilidade propostos, através do teste de correlação de Pearson.
23
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1.
Ocupação e uso do solo e condições ambientais
Até o final do século XVIII, o Vale do Rio Doce, MG constituía-se dos
chamados “sertões do leste”, separando as áreas auríferas do litoral. Descendo
para o leste ficava o território aonde, do ponto de vista do colonizador, eram e
deveriam ficar “áreas vazias”. Com o objetivo de manter uma barreira natural ao
contrabando, a coroa portuguesa baixou, entre 1704 e 1769, uma série de
proibições, restringindo a abertura de estradas, a navegação e a fixação de
colonos. Qualquer um que chegasse ao Espírito Santo, vindo do Rio Doce, estava
sujeito a prisão (Pimenta, 1971, citado por Espíndola, 2000).
Os primeiros habitantes dessa região, dos quais se têm notícia, foram os
grupos indígenas conhecidos como Botocudo. Assim eram denominados os
membros de vários grupos indígenas existentes nas bacias do Rio Doce, Mucurí,
São Mateus e Jequitinhonha (Espíndola, 2000). Naquela época, existiam muitos
relatos denunciando as “hostilidades” e “maldades” praticadas pelos Botocudo.
Para o governador Pedro Maria Xavier de Athayde Mello (1808) “o botocudo é
selvagem que não se pode domesticar” (Vasconcelos, 1974).
Com a decadência da mineração, no final do século XVIII, os governadores
da Capitania de Minas Gerais buscavam alternativas econômicas para a
Capitania. Em 1807, o governador Pedro M. X. de Athayde Mello apresentou os
“sertões do leste” como solução para os problemas da Capitania. No entanto, para
ele, os obstáculos eram a insalubridade da região, as cachoeiras e, o mais grave, a
ferocidade dos botocudo. As propostas de Pedro M. X. de Athayde Mello foram
24
acatadas pela coroa portuguesa, seguindo-se uma série de ações no sentido de
controlar/dominar os Botocudo. Inicialmente, através de ações militares e
posteriormente, através de ações missionárias. As ações militares e missionárias
conseguiram, segundo Espíndola (1996), “limpar os vales” da presença dos
Botocudo.
Os fluxos migratórios para o vale do Rio Doce sucederam às ações militares
e missionárias, podendo ser descritos da seguinte forma: de origem interna,
vieram moradores da antiga região mineradora da bacia do Suaçuí e da
extremidade norte da Zona da Mata; também vieram moradores do vale do
Jequitinhonha e da Bahia; outros vieram da região fluminense, descendo pelo rio
Manhuaçu. A partir do final do século XIX, do litoral para o interior, vieram
estrangeiros ou seus descendentes estabelecidos na serra do Espírito Santo
(Espíndola, 2000).
A intensificação da ocupação do Vale do Rio Doce e, especialmente da
microrregião de Governador Valadares, se deu, com a construção da Estrada de
Ferro Vitória a Minas - EFVM, iniciada em 1903 e concluída na década de 30 do
século XX. Em 1907, a construção da EFVM foi interrompida na localidade de
Derribadinha, até que se construísse a ponte sobre o Rio Doce. Em 1910,
atravessando o rio, a ferrovia atingiu Figueira do Rio Doce, atual Governador
Valadares (Espíndola, 2000).
A ferrovia veio substituir o precário sistema de transporte feito por canoas e
provocou o aumento do povoamento ao longo das margens do Rio Doce. A
própria construção da EFVM trouxe um grande contingente de pessoas para a
região. A companhia foi buscar trabalhadores nos estados da Bahia, Sergipe,
Alagoas e Pernambuco (Espíndola, 1996).
Outro fator de grande contribuição, para acelerar o povoamento desta
região, foi a construção, nos anos 40/50, da rodovia Rio-Bahia. No início dos
anos trinta, a região não contava com uma única estrada de rodagem de tráfego
permanente. Existiam apenas picadas na mata e caminhos toscos, trafegados por
tropas de burro. Nos anos cinqüenta, a Rio-Bahia determinou a alteração no
sentido do tráfego, deixando de ser apenas no sentido Belo Horizonte-Vitória
pela EFVM, mas dirigindo-se, também, para o Rio de Janeiro. Sua construção fez
25
avançar a ocupação demográfica, determinando uma alteração significativa no
rumo da ocupação que se processava (Espíndola, 2000).
Apresentando terras de boa fertilidade, madeiras de excelente qualidade e
riquezas minerais, agora com a facilidade de transporte proporcionada pela
ferrovia e pela Rio-Bahia (as duas se cruzam exatamente em Governador
Valadares), a região se torna um grande atrativo para migrantes em busca de
meios de sobrevivência, e para fazendeiros e industriais em busca de riqueza fácil
(Pereira, 1980).
A região experimentou um fantástico crescimento populacional. Somente
nos anos 40, as áreas de crescimento moderado tiveram índices de
aproximadamente 80%, com vários municípios ultrapassando 200% de expansão
populacional. Governador Valadares, que até o final dos anos vinte, era uma
simples estação da estrada de ferro (Figueira do Rio Doce), entre 1940-1950, se
tornou um centro regional, apresentando um crescimento populacional de 400%
(Espíndola, 2000).
Nos anos quarenta e cinqüenta, a base da expansão demográfica foi o
aumento das atividades econômicas, com a intensificação da produção carvoeira,
da atividade madeireira e da multiplicação de serrarias. Por outro lado, ocorreu a
introdução da cultura comercial da cana-de-açúcar, a expansão da pecuária
extensiva e das culturas de subsistência (Strauch, 1958).
A primeira atividade econômica de maior porte, que se instalou no Vale do
Rio Doce, foi a extração da madeira, que passou, nos anos quarenta e cinqüenta,
da simples exploração da tora bruta para o processamento pelas serrarias e a
produção de carvão e lenha para atender às demandas das indústrias siderúrgicas
que se instalavam à montante do Rio Doce, no Vale do Rio Piracicaba. A
madeira, de boa qualidade, era um recurso natural “gratuito” e de fácil obtenção
de lucro. Além disso, a atividade madeireira dinamizava a região, possibilitando
a abertura de estradas e a criação de povoados em torno das serrarias. A atividade
madeireira foi importante fator de interiorização da colonização, ao permitir o
espraiamento da população pelo território. Os proprietários de terras,
principalmente os pequenos, e os que tinham posse de terras devolutas,
obtinham, através da venda da madeira, uma capitalização mínima para iniciar
26
suas atividades agrícolas. Os principais mercados compradores eram Vitória,
Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Esta atividade durou até o esgotamento da
matéria prima, observando-se hoje, em quase todas as cidades da região, os
vestígios das serrarias e ruínas presentes na paisagem (Espíndola, 2000).
Outra atividade que teve expressão e concentrou-se em Gov. Valadares foi
a extração e beneficiamento de mica, expandindo-se durante a II guerra mundial,
devido aos interesses estratégicos dos Estados Unidos. Os proprietários de
jazidas controlavam o beneficiamento mantendo estabelecimentos, mas,
principalmente, contratando os serviços de centenas de pequenas oficinas, e de
trabalhadores domésticos, espalhados em fundos de quintais pelos bairros pobres
da cidade. Nos anos cinqüenta, o produto era na sua totalidade exportado para os
Estados Unidos e, secundariamente, para a Alemanha (Strauch, 1958). Nos anos
sessenta, esta atividade perdeu, paulatinamente, a importância, até não ser mais
de interesse econômico (Espíndola, 2000).
A agricultura entrou nessa região, inicialmente, pelas mãos dos posseiros,
vindos de outras regiões do estado ou de estados nordestinos. Tratava-se em
primeira mão, de culturas de subsistência (arroz, feijão, milho, mandioca,
banana). Eram plantadas nas partes mais altas do terreno. As partes mais baixas
eram mais facilmente alagadas e sujeitas a doenças (informações obtidas de
agricultores pioneiros na região). Praticou-se em algumas áreas a agricultura
itinerante (derrubava-se a floresta, plantava-se por alguns anos, abandonava-se
aquela área e partia-se para a derrubada da floresta em nova área). Na obra de
Saint-Hilaire, essa prática é criticada com veemência. Depois de descrever a
prática dos colonos da região, no caminho entre Vila do Príncipe (atual Serro) e
Peçanha, afirma que “o terreno que se acaba de semear só apresenta a imagem da
destruição e do caos”, referindo-se à prática de desfloretar o terreno, deixar secar
por alguns dias, colocar fogo e, finalmente, realizar a plantação. Ele relata que
após duas colheitas, deixava-se o terreno repousar. Depois de cinco, seis ou sete
anos, cortavam-se novamente as árvores, queimava-se e, em seguida, fazia-se
novo cultivo nas cinzas. Com mais uma colheita, deixava-se o solo repousar de
novo, repetindo-se o processo até que o solo ficasse inteiramente esgotado. O
autor conclui que, desse modo, “os agricultores terminam, na Província de
27
Minas, o que começaram os homens que iam à cata de ouro, a funesta destruição
das matas” (Saint-Hilaire, 1975, citado por Espíndola, 2000).
O café também foi introduzido no Vale do Rio Doce, concentrando-se nos
municípios de Caratinga, Conselheiro Pena, Resplendor e Itueta (Espíndola,
2000). Na microrregião de Governador Valadares não teve a mesma importância
que em outras microrregiões do Vale do Rio Doce.
A única cultura comercial de grande importância, implantada na
microrregião de Governador Valadares nos primórdios de sua ocupação, foi a
cana-de-açúcar, destinada à Companhia Açucareira do Rio Doce - CARDO
pertencente à CIA Belgo Mineira. A companhia aproveitou a baixada aluvial, à
jusante da cidade de Gov. Valadares onde se localizava, para sua plantação e, ao
mesmo tempo, favoreceu o desenvolvimento de grandes e pequenas plantações
de fornecedores. Nos anos setenta esta atividade foi encerrada, ficando apenas as
ruínas da antiga usina de açúcar (Espíndola, 2000).
Aos poucos o capim colonião foi tomando conta da paisagem, trazendo
consigo a principal atividade econômica desta região até os dias atuais, a
pecuária extensiva. Nas áreas aluviais, após a derrubada da mata, o capim
colonião tomava conta da faixa ribeirinha. Os fazendeiros cediam as partes
baixas de suas fazendas (terraço ou leito maior) para os pequenos agricultores
plantarem culturas de subsistência, com a condição de que implantassem o capim
colonião. Depois da colheita, o “colonião” já estava crescido, então soltava-se o
gado para pastejá-lo. Antes das próximas chuvas ateavam fogo. Como o
“colonião” resistia ao fogo, ele era o primeiro a brotar dando muito trabalho para
se implantar culturas novamente. Mesmo nas partes altas, quando as áreas
ficavam “abandonadas” após alguns cultivos, o “colonião” ia penetrando e
tomando conta (Espíndola, 2000).
Como aos poucos, a maior parte das terras iam sendo incorporadas pelos
grandes fazendeiros e estes tinham como atividade apenas a criação de gado, a
pecuária foi se alastrando. Os dizeres de um fazendeiro da região refletem o
pensamento dominante:
28
“Eu! para que vou me dedicar à lavoura? Não sou trouxa. Lavoura
gasta gente para preparar a terra, plantar, cultivar e colher. Já com
os “orelhudos” - assim denominavam o gado - a coisa é muito mais
simples e barata. Um vaqueiro toma conta de milhares de bois. O
“colonião” nasce, só de semear de cima do cavalo, brotando pelas
quinze bandas. Se o pasto está sujo, uma caixa de fósforo resolve.
Taco fogo, o mato morre e o pasto sai mais viçoso ainda”.
Pereira (1980)
O Vale do Rio Doce, e notadamente, a microrregião de Governador
Valadares são, provavelmente, as porções mais degradadas do estado de Minas
Gerais. É freqüente na paisagem, o topo e o terço superior das elevações
encontrarem-se desprovidos de cobertura vegetal (“pelados”) e as encostas
apresentarem voçorocas.
Em estudos de erosão acelerada realizados pela Fundação Centro
Tecnológico de Minas Gerais – CETEC (1989), a maior parte das áreas da
microrregião de Governador Valadares aparecem como de ocorrência muito alta
de erosão (Figura 3).
Na avaliação da qualidade das águas da bacia do rio Doce, baseada em
dados de 1985 a 1990 (Agência Técnica do Rio Doce, 1994), as águas da
microrregião de Governador Valadares se apresentavam com qualidade inferior a
classe 2, necessitando portanto, de tratamento avançado, ou sendo impróprias,
para o abastecimento humano (Resolução CONAMA 020/86). Os principais
problemas apontados foram as contaminações bacteriológicas e tóxicas (metais,
óleos e graxas, fenóis e detergentes) e o excesso de sólidos em suspensão. Este
último, certamente, provocado pelos intensos processos erosivos ocorrentes na
região.
Devido a grande quantidade de sedimentos acumulados no leito do rio
Doce, o alagamento de suas margens tem se tornado constante nas estações
chuvosas. Por outro lado, está se tornando cada vez mais freqüente a presença de
leitos de pequenos cursos d’água completamente secos durante a estação seca.
29
A capacidade suporte das pastagens da região constituídas, em sua maioria,
por capim colonião (Panicum maximum), que foi no passado de 2,0 unidades
adultas/ha de bovinos, já, na década de oitenta, não ultrapassava a 0,8 unidades
adultas/ha (Baruqui, 1982). Embora a área destinada à pastagem tenha
aumentado nas últimas décadas, a produção de bovinos tem declinado
acentuadamente (Figura 4).
A produção dos principais produtos agropecuários da região também
declinou nas últimas décadas. Mesmo o arroz e o leite que apresentaram
acréscimos de produção até a década de 80, declinaram na década de 90
(Figura 5).
Todos esses dados evidenciam a degradação ambiental da microrregião de
Governador Valadares, Vale do Rio Doce, MG, fruto da forma predominante de
ocupação e uso do solo. Essa degradação ambiental somada à alta concentração
de terra e de renda, refletem-se numa crescente degradação sócio-econômica, a
ponto dessa região ser considerada “problemática no contexto estadual”
(Economia Mineira, 1989).
Fonte: CETEC (1989).
Figura 3 - Ocorrência de erosão na bacia hidrográfica do Rio Doce. Em destaque,
a microrregião de Governador Valadares, MG.
30
90
800000
80
700000
70
600000
500000
50
400000
40
Unidades
Porcentagem
60
300000
30
200000
20
100000
10
0
0
1970
Lavouras
1980
1985
Pastagens
1996
Outros
Bovinos
Fonte: IBGE - Censos Agropecuários de 1970, 1980, 1985 e 1996.
Figura 4 - Utilização das terras e produção de bovinos na microrregião de
Governador Valadares, MG, nas últimas décadas.
50000
130000
45000
120000
110000
100000
35000
90000
30000
80000
70000
25000
60000
20000
50000
15000
40000
Mil litros
Toneladas
40000
30000
10000
20000
5000
10000
0
0
1970
Café
1980
Arroz
1985
Feijão
1996
Milho
Leite
Fonte: IBGE - Censos Agropecuários de 1970, 1980, 1985 e 1996.
Figura 5 - Produção dos principais produtos agropecuários na microrregião de
Governador Valadares, MG, nas últimas décadas.
31
3.2.
Atributos físicos do solo
Os solos das áreas estudadas em Ilha Brava e Ilha Funda são
Argilosos/Argilo-Arenosos e os solos das áreas estudadas no Córrego dos
Desidérios são Franco-Argilo-Arenosos/Franco-Arenosos (Tabela 1). Os solos do
Córrego dos Desidérios são oriundos, provavelmente, de material mais rico em
quartzo que os solos de Ilha Brava e os de Ilha Funda.
O teor de argila no solo sob pastagem foi maior do que no solo sob mata
nas três localidades estudas, ocorrendo o inverso com o teor de areia grossa.
Observa-se, também, que há um acréscimo no teor de argila, em profundidade,
em todos os solos estudados (Tabela 1). Devido à maior exposição, o solo sob
pastagem sofreu maior erosão e, consequentemente, a perda das camadas
superficiais que apresentavam maiores teores de partículas grosseiras.
O solo da área em recuperação com sistema agroflorestal, em Ilha Funda,
apresentou teor de argila superior e de areia grossa inferior aos da mata e da
pastagem (Tabela 1).
Por se tratar de uma área que estava intensamente
degradada, antes de iniciar o processo de recuperação, a erosão foi mais intensa,
com maiores perdas das camadas superficiais, mais ricas em partículas
grosseiras.
Os solos sob bananeira e sob milho do Córrego dos Desidérios, são mais
jovens que os solos sob mata e sob floresta da mesma localidade, o que pode ser
constatado pelos maiores teores de silte apresentados (Tabela 1). Albuquerque
Filho (2001), trabalhando com este solo, classificou-o como Cambissolo
eutrófico.
A pastagem diferenciou-se da mata nos principais atributos físicos do solo,
nas três localidades estudadas, apresentando maiores valores de densidade do
solo e argila dispersa em água e menores valores de porosidade total e grau de
floculação, exceto para o teor de argila dispersa em água em Ilha Funda, que foi
menor que na mata e, conseqüentemente, sendo maior o grau de floculação; e o
grau de floculação no Córrego dos Desidérios, que foi maior do que na mata,
mesmo com o teor de argila dispersa em água tendo sido maior, ambos
apresentando diferenças não significativas (Tabela 2).
32
Tabela 1 - Valores médios da análise textural em amostras de solos de diversos
sistemas na microrregião de Governador Valadares, MG
Sistema
Mata
Pas
Mata
Pas
Saf
Mata
Pas
Ban
Mil
Prof.
cm
Areia G. Areia F.
Silte
Argila
----------------------%---------------------Ilha Brava
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
43 a
39 b
36 b
39 A
29 a
25 b
23 b
26 B
13 a
13 a
14 a
13 B
18 a
17 a
15 b
16 A
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
46 a
42 ab
42 b
43 A
43 a
41ab
37 b
41 AB
34 a
31 a
30 a
32 B
7a
8a
6a
7A
7a
7a
6a
7A
8a
6b
6b
7A
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
0–5
5 – 10
10 – 20
Média
67 a
63 a
57 b
62 A
53 a
54 a
50 a
52 C
57 a
59 a
56 a
57 B
51 a
48 a
50 a
49 C
2a
1a
2a
2B
6a
5a
6a
6A
Ilha Funda
4a
6a
6a
6A
5a
5a
7a
5A
5a
6a
6a
6A
Classe Textural
42 b
47 a
48 a
46 B
47 b
53 a
56 a
52 A
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argila
Argila
Argila
43 a
44 a
46 a
44 B
45 a
47 a
50 a
47 AB
53 b
57 ab
58 a
56 A
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argilo-Arenosa
Argila
Argilo-Arenosa
Argila
Argila
Argila
Argila
Córrego dos Desidérios
8b
5 b
20 a
9b
8 ab
20 a
10 a
10 a
23 a
9A
8C
21 B
9a
11 a
27 a
8a
8a
30 a
8a
8a
32 a
8A
10 BC
30 A
7a
19 a
17 a
8a
15 a
18 a
8a
15 a
21 a
8A
17 AB
18 B
9a
22 a
18 a
9 ab
23 a
20 a
7 b
21 a
22 a
9A
22 A
20 B
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Arenosa
Franco-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Arenosa
Franco-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Franco-Argilo-Arenosa
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho. Médias de sistemas seguidas pela mesma letra
maiúscula, na mesma localidade e médias de profundidades seguidas pela mesma letra minúscula; no mesmo sistema, ambas na
coluna, não diferem estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
33
Tabela 2 - Valores médios de atributos físicos do solo em diversos sistemas na
microrregião de Governador Valadares, MG
Sistema
Prof.
cm
A. D.
G. F.
U. A. U. R.
E. U.
P. T.
-----------------------------------%--------------------------------------
D.S.
D. P.
3
-------g/cm ------
Ilha Brava
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
15,6 a
15,8 a
15,7 a
15,7 B
62,7 a
66,3 a
67,2 a
65,4 A
16,0 a
17,0 a
17,2 a
16,7 A
1,77 a
2,10 a
2,14 a
2,00 A
17,2 b
18,2 ab
19,2 a
18,2 B
58,1 a
56,5 a
54,7 a
56,4 A
1,03 a
1,04 a
1,13 a
1,07 B
2,47 a
2,39 a
2,49 a
2,45 A
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
21,7 b
24,1 a
24,0 a
23,3 A
53,7 a
54,6 a
57,4 a
55,2 B
14,9 b
16,1 b
18,4 a
16,5 A
2,41 a
2,64 a
2,83 a
2,63 A
21,6 b
23,5 a
23,9 a
23,0 A
43,6 b
47,7 ab
50,8 a
47,4 B
1,40 a
1,30 ab
1,24 a
1,31 A
2,48 a
2,48 a
2,52 a
2,49 A
0,96 a
0,93 a
1,00 a
0,96 B
2,43 a
2,39 a
2,50 a
2,44 A
Ilha Funda
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
13,1 a
13,4 a
14,7 a
13,8 A
68,6 a
69,2 a
67,1 a
68,3 A
19,6 b
21,5 a
22,5 a
21,2 A
1,60 a
1,91 a
1,98 a
1,83 A
23,6 a
60,5 a
24,4 a
61,1 a
25,9 a
59,8 a
24,6 AB 60,5 A
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
11,8 a
13,0 a
13,7 a
12,8 A
73,2 a
72,1 a
71,9 a
72,4 A
18,2 b
20,0 b
22,7 a
20,3 A
2,23 a
2,22 a
2,64 a
2,36 A
23,0 a
22,9 a
25,2 a
23,7 B
56,4 a
55,1 a
60,2 a
57,2 A
1,08 a
1,11 a
1,00 a
1,06 AB
2,47 a
2,48 a
2,52 a
2,49 A
Saf
0-5
5-10
10-20
Média
15,7 a
16,9 a
15,2 a
15,9 A
70,5 ab
70,2 b
73,8 a
71,5 A
20,1 c
22,0 b
24,3 a
22,1 A
2,66 a
2,02 a
2,48 a
2,39 A
23,9 b
26,2 ab
27,8 a
26,0 A
52,6 a
54,3 a
57,8 a
54,9 A
1,21 a
1,18 ab
1,06 b
1,15 A
2,56 a
2,58 a
2,51 a
2,55 A
14,6 a
14,8 a
15,5 a
15,0 C
59,6 a
60,6 a
59,0 a
59,7 A
1,00 a
0,99 a
1,03 a
1,00 B
2,48 a
2,51 a
2,52 a
2,50 A
49,1 a
50,6 a
53,1 a
51,0 B
1,26 a
1,24 a
1,19 a
1,23 A
2,48 a
2,51 a
2,54 a
2,51 A
Córrego dos Desidérios
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
9,6 a
10,6 a
12,5 a
10,9AB
51,6 a
46,2 a
46,3 a
48,0 A
20,0 a
20,5 a
20,0 a
20,2AB
1,85 a
1,77 a
1,76 a
1,79 C
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
11,8 b
13,7 ab
16,0 a
13,8 A
57,8 a
54,7 a
49,3 a
53,9 A
26,4 a 3,02 a
24,3 a 2,22 a
23,6 a 2,00 a
24,8 A 2,41 BC
19,0 a
18,8 a
20,5 a
19,4 B
Ban
0-5
5-10
10-20
Média
8,0 a
8,9 a
9,5 a
8,8 AB
52,6 a
51,5 a
54,9 a
53,0 A
15,9 a
18,9 a
19,4 a
18,1 B
3,72 a
3,75 a
3,83 a
3,77AB
19,7 a
19,9 a
17,8 a
19,1 B
Mil
0-5
5-10
10-20
Média
3,3 a
3,7 a
4,2 a
3,7 B
82,2 a
81,3 a
81,2 a
81,6 A
17,2 a
20,7 a
20,5 a
19,5 B
3,71 a
4,16 a
4,82 a
4,23 A
24,4 a
23,3 a
25,3 a
24,3 A
56,2 a
1,07 a
2,45 a
60,4 a
0,96 a
2,42 a
55,4 a
1,12 a
2,50 a
57,3 AB 1,05 AB 2,46 AB
61,6 a
61,5 a
61,4 a
61,5 A
0,93 a
0,94 a
0,91 a
0,93 B
2,43 a
2,45 a
2,37 a
2,42 B
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho; A. D. = argila dispersa em água; G. F. = grau de
floculação; U. A. = umidade atual; U. R. = umidade residual; E. U. = equivalente de umidade; P. T. = porosidade total;
D. S. = densidade do solo; D. P. = densidade de partículas. Médias de sistemas seguidas pela mesma letra maiúscula, na mesma
localidade e médias de profundidades seguidas pela mesma letra minúscula; no mesmo sistema, ambas na coluna, não diferem
estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
34
A microrregião de Governador Valadares, MG está inserida no domínio
morfoclimático dos mares de morros florestados (Ab'saber, 1970). Nesse
domínio os solos estão, em sua maioria, em relevo íngreme (Resende et al.,
1995). Em pastagens com relevo íngreme a precipitação efetiva é menor, sendo
maior o escorrimento superficial e, conseqüentemente, a possibilidade de
ocorrência de erosão (Baruqui, 1982). Em situações de uso constante de fogo a
situação é mais delicada, pois a exposição do solo ao impacto das gotas de
chuvas provoca desagregação de partículas, entupimento e redução de poros e
aumento na densidade do solo (Paraná, 1994).
As diferenças entre os valores dos atributos físicos do solo sob pastagem
em relação ao solo sob mata foram, na média, maiores em Ilha Brava (Tabela 3),
encontrando-se o solo sob pastagem, nesta localidade, num estágio mais
avançado de degradação física. Em Ilha Brava, além do relevo íngreme e dos
efeitos das queimadas, possivelmente, os solos avaliados são do tipo Podzólico,
conforme descreve Baruqui (1982). Devido ao gradiente textural, os solos
Podzólicos são mais susceptíveis aos efeitos erosivos e suas conseqüências.
A área em recuperação com sistema agroflorestal, em Ilha Funda,
apresentou condições físicas do solo piores do que as da mata e do que as da
própria pastagem, com maiores valores de densidade do solo e de argila dispersa
em água e menor valor de porosidade total, embora as diferenças não tenham
sido significativas para a argila dispersa em água e para a porosidade total
(Tabela 2), ficando evidente que o tempo de recuperação ainda não foi suficiente
para alterar os atributos físicos do solo.
As áreas com bananeira e com milho, no Córrego dos Desidérios,
apresentaram valores menores de argila dispersa em água e valores maiores de
grau de floculação do que os da mata, embora as diferenças não tenham sido
significativas (Tabela 2) . Essas diferenças são devidas aos diferenciados teores
das frações texturais apresentados pelos solos dessas áreas (Tabela 1).
O equivalente de umidade foi maior nos solos sob pastagem, em relação ao
solo sob mata, em Ilha Brava e no Córrego dos Desidérios, não sendo
significativas as diferenças em Ilha Funda; no solo da área em recuperação com
35
Tabela 3 - Diferenças entre os valores médios dos atributos físicos do solo em
diversos agroecossistemas, em relação à mata, na microrregião de
Governador Valadares, MG
Sistema
Prof.
cm
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
A. D.
G. F.
U. A.
U. R.
E. U.
P. T.
-----------------------------------%--------------------------------------
-6,12
-8,30
-8,31
-7,58
D.S.
D. P.
3
-------g/cm ------
8,98
11,70
9,84
10,17
Ilha Brava
1,03 -0,64
0,91 -0,54
-1,17 -0,69
0,26 -0,62
-4,4
-5,3
-4,7
-4,8
14,53
8,84
3,86
9,08
-0,37
-0,26
-0,11
-0,25
-0,01
-0,09
-0,03
-0,04
0,6
1,5
0,7
0,9
4,19
5,99
-0,37
3,27
-0,12
-0,18
0,00
-0,10
-0,04
-0,09
-0,02
-0,05
-0,3
-1,8
-1,9
-1,3
7,90
6,80
2,05
5,58
-0,25
-0,25
-0,06
-0,19
-0,13
-0,19
-0,01
-0,11
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
1,30
0,44
1,04
0,93
-4,61
-2,93
-4,72
-4,09
Ilha Funda
1,41 -0,63
1,55 -0,31
-0,21 -0,66
0,92 -0,53
Saf
0-5
5-10
10-20
Média
-2,57
-3,46
-0,48
-2,17
-1,91
-1,02
-6,66
-3,20
-0,52
-0,54
-1,79
-0,95
Córrego dos Desidérios
-6,19 -6,43 -1,17
-8,47 -3,81 -0,45
-3,03 -3,62 -0,24
-5,90 -4,62 -0,62
-4,5
-4,0
-5,0
-4,5
10,56
9,99
5,82
8,79
-0,26
-0,25
-0,16
-0,22
0,00
0,00
-0,02
-0,01
-1,06
-0,11
-0,50
-0,56
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
-2,20
-3,15
-3,54
-2,96
Ban
0-5
5-10
10-20
Média
1,60
1,66
2,93
2,06
-1,06
-5,23
-8,63
-4,97
4,14
1,56
0,59
2,10
-1,87
-1,98
-2,07
-1,97
-5,1
-5,1
-2,3
-4,2
3,47
0,24
3,56
2,42
-0,07
0,03
-0,09
-0,04
0,03
0,09
0,02
0,05
Mil
0-5
5-10
10-20
Média
6,29
6,86
8,26
7,14
-30,68
-35,09
-34,91
-33,56
2,77
-0,19
-0,50
0,69
-1,86
-2,39
-3,06
-2,44
-9,8
-8,5
-9,7
-9,3
-1,99
-0,84
-2,47
-1,77
0,07
0,05
0,12
0,08
0,05
0,06
0,15
0,09
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho; A. D. = argila dispersa em água; G. F. = grau de
floculação; U. A. = umidade atual; U. R. = umidade residual; E. U. = equivalente de umidade; P. T. = porosidade total;
D. S. = densidade do solo; D. P. = densidade de partículas.
sistema agroflorestal foi maior que nos solos sob mata e sob pastagem; no
solo sob bananeira foi maior que no solo sob mata, não diferindo do solo sob
pastagem e; no solo sob milho foi maior que nos demais solos avaliados, da
mesma localidade (Tabela 2). Nos solos sob pastagem e sob sistema agroflorestal
o equivalente de umidade foi maior que nos solos sob mata em função dos seus
36
maiores teores de argila (Tabela 1). Já, nos solos sob bananeira e sob milho, o
equivalente de umidade foi mais condizente com os teores de silte (Tabela 1) e
como será visto mais adiante (item 3.4.) com os teores de carbono orgânico total.
Como o equivalente de umidade é feito com amostras indeformadas, é natural
que seus valores estejam relacionados aos teores das partículas minerais mais
finas (argila e silte) e aos teores de matéria orgânica do solo.
Os teores de umidade atual, umidade residual e densidade de partículas não
apresentaram diferenças significativas entre os diversos sistemas avaliados em
Ilha Brava e em Ilha Funda (Tabela 2), evidenciando homogeneidade entre os
solos sob os sistemas avaliados, nessas localidades. No Córrego dos Desidérios,
as diferenças nos valores desses atributos, entre os solos dos diversos sistemas,
foram mais significativas, principalmente, dos solos sob bananeira e sob milho
em relação aos solos sob mata e sob pastagem (Tabela 2), demonstrando que os
solos sob bananeira e sob milho diferem dos solos sob mata e sob pastagem
quanto ao tempo de formação e composição mineralógica. Diferem também,
quanto ao acúmulo de carbono orgânico, conforme será visto mais adiante
(item 3.4.).
3.3.
Atributos químicos do solo
Os valores de K+, Ca2+ e Mg2+ , bem como a soma de bases no solo sob
pastagem, em Ilha Brava, foram próximos aos do solo sob mata, não
diferenciando significativamente. No solo sob mata há uma maior concentração
dos cátions na camada mais superficial. Em Ilha Funda, a soma de bases foi
maior no solo sob mata, em relação ao solo sob pastagem; no entanto, os valores
isolados de K+, Ca2+ e Mg2+ não diferenciaram significativamente. No córrego
dos Desidérios, embora não apresentando diferenças significativas, os níveis de
K+, Ca2+ e Mg2+ e a soma de bases foram maiores no solo sob pastagem
(Tabela 4).
Os valores de P foram maiores nos solos sob mata, em relação aos solos sob
pastagem, nas três localidades estudadas, embora de forma não significativa em
37
Tabela 4 - Valores médios de atributos químicos do solo em diversos sistemas na
microrregião de Governador Valadares, MG
Sistema Prof.
cm
pH
P
H20
mg/dm3
K+
Ca2+ Mg2+ Al3+ H+Al SB CTCe CTCt
-----------------------------------cmolc/dm3-----------------------------------
m
V
---------%---------
Ilha Brava
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
4,38a 7,64a
4,35a 6,23ab
4,34a 4,81b
4,35A 6,23A
0,13a 0,55a
0,10b 0,19b
0,07c 0,09b
0,10A 0,28A
0,26a 1,59a
0,10b 1,70a
0,05b 1,80a
0,14A 1,70A
3,87a 0,94a 2,52a
3,73a 0,39b 2,09b
3,50a 0,22b 2,01b
3,70A 0,51A 2,21A
4,80a 62,0b 19,1a
4,12b 79,5ab 9,9ab
3,72b 88,5a
6,3b
4,21A 76,7A 11,8A
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
4,67a 5,94a 0,11a 0,45a
4,63a 4,20ab 0,07b 0,37a
4,62a 3,70b 0,05b 0,27a
4,64A 4,61B 0,08A 0,37A
0,25a 1,06a
0,14a 1,36a
0,11a 1,41a
0,17A 1,28A
2,90a 0,81a 1,87a 3,71a 56,6a 21,8a
3,00a 0,58a 1,94a 3,58a 68,3a 16,5a
2,80a 0,43a 1,84a 3,23a 74,5a 14,2a
2,90B 0,61A 1,89A 3,51B 66,5A 17,5A
Ilha Funda
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
4,25a 3,01a
4,35a 3,39a
4,37a 2,65a
4,33A 3,02A
0,15a 0,09a
0,11a 0,03a
0,09a 0,02a
0,12A 0,05A
0,06a 2,73a
0,04b 2,61ab
0,03b 2,37b
0,04A 2,57A
5,63a 0,30a
5,17ab 0,18a
4,70b 0,14a
5,17A 0,21A
3,04a
2,79b
2,51c
2,78A
5,94a
5,35b
4,84b
5,37A
90,0a
93,5a
94,5a
92,6A
5,15a
3,39a
2,86a
3,80B
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
4,31a 3,71a
4,31a 2,80b
4,40a 2,40b
4,34A 2,97A
0,13a 0,07a
0,08b 0,04a
0,06b 0,02a
0,09A 0,04A
0,04a 2,71a 5,27a 0,24a 2,95a
0,02b 2,74a 5,27a 0,14a 2,88a
0,01b 2,75a 4,77a 0,09a 2,84a
0,02A 2,74A 5,10A 0,16B 2,89A
5,51a
5,40ab
4,86b
5,26A
91,8a
95,3a
96,8a
94,6A
4,38a
2,53a
1,88a
2,93B
Saf
0-5
5-10
10-20
Média
4,57a 2,92a
4,48a 2,81a
4,42a 2,33a
4,49A 2,69A
0,23a 0,23a
0,15b 0,07b
0,11b 0,07b
0,16A 0,12A
0,07a 2,12b
0,03b 2,55a
0,02b 2,44a
0,04A 2,37A
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
4,68a 5,21a 0,19a 0,54a 0,16a 0,90b
4,58a 4,04ab 0,19a 0,21a 0,08a 1,13a
4,66a 3,44b 0,16a 0,11a 0,06a 1,10a
4,64C 4,23B 0,18C 0,29B 0,10B 1,04A
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
5,24a 4,56a 0,27a 1,62a 0,65a 0,28b 2,73a 2,55a 2,82a
5,29a 3,52ab 0,22a 0,93a 0,34ab 0,41b 2,80a 1,48ab 1,89ab
5,20a 2,83b 0,19a 0,44a 0,17b 0,63a 2,67a 0,80b 1,43b
5,25B 3,64B 0,23C 1,00B 0,38B 0,44B 2,73A 1,61B 2,05B
Ban
0-5
5-10
10-20
Média
5,94a 5,44a
6,02a 4,24a
6,02a 3,75a
5,99A 4,48B
0,64a 6,99a
0,63a 6,05a
0,44b 4,02b
0,57A 5,69A
Mil
0-5
5-10
10-20
Média
5,71a 8,73a
5,77a 7,91a
5,75a 5,93b
5,74A 7,52A
0,67a 5,11a
0,43b 5,09a
0,38b 4,17a
0,49B 4,79A
4,33a 0,53a
4,63a 0,24b
4,37a 0,20b
4,44B 0,32A
2,65a 4,86a 79,1b 10,8a
2,80a 4,88a 90,9a 5,03b
2,64a 4,56a 92,3a 4,35b
2,69A 4,77B 87,4A 6,71A
Córrego dos Desidérios
3,23a 0,89a 1,79a 4,12a 50,4b
3,23a 0,48a 1,61a 3,71a 70,2a
3,03a 0,32a 1,43a 3,36a 76,9a
3,17A 0,56B 1,60B 3,73B 65,8A
21,5a
13,0ab
10,1b
14,9B
5,28a
4,28b
3,47b
4,34B
10,7c
24,5b
45,5a
26,9B
47,6a
33,4b
22,6c
34,5B
1,95a 0,06a 2,43a 9,58a
1,57b 0,08a 2,70a 8,25b
1,13c 0,10a 2,77a 5,59c
1,55A 0,08C 2,63A 7,81A
9,65a 12,0a
8,33b 11,0b
5,69c
8,4c
7,89A 10,4A
0,67a
0,89a
1,93a
1,16C
79,6a
75,1ab
66,8b
73,8A
1,20a 0,14a 3,77a 6,98a
1,16a 0,22a 4,03a 6,67a
0,71b 0,21a 4,50a 5,26b
1,02A 0,19C 4,10A 6,31A
7,12a 10,8a
6,90a 10,7a
5,47b
9,8b
6,50A 10,4A
2,13a
3,99a
4,77a
3,63C
64,6a
60,9ab
52,9b
59,5A
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho. Al3+, Ca2+, Mg2+ extraídos com KCl 1mol.L-1; P e K
extraídos com Mehlich-1. Médias de sistemas seguidas pela mesma letra maiúscula, na mesma localidade e médias de
profundidades seguidas pela mesma letra minúscula, no mesmo sistema; ambas na coluna, não diferem estatisticamente entre si,
pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
38
Ilha Funda e no Córrego dos Desidérios. Os valores de Al3+ e a saturação por
alumínio foram maiores no solo sob mata, em relação ao solo sob pastagem, no
Córrego dos Desidérios; conseqüentemente, o pH foi menor no solo sob mata.
Em Ilha Brava e Ilha Funda não foram observadas diferenças significativas no
que se refere aos valores de Al3+, à saturação por alumínio e ao pH entre os solos
sob pastagem e sob mata (Tabela 4).
Nas três localidades estudadas, os solos sob mata são intensamente
intemperizados e os cátions trocáveis (K+, Ca2+ e Mg2+) que não foram perdidos
por lixiviação estão, em sua maioria, contidos na vegetação e reciclando-se,
continuamente. Quando a mata atinge um equilíbrio dinâmico, os nutrientes
movimentam-se em um ciclo quase fechado (Costa, 1990). Em solos altamente
intemperizados, a biomassa vegetal é o principal reservatório de nutrientes (Reis
e Barros, 1990). Dessa forma, os sítios de troca das partículas coloidais desses
solos encontram-se com alta saturação por Al3+ e baixa saturação por cátions
trocáveis. Os solos sob pastagem, além de terem sofrido as mesmas perdas de
cátions, provocadas pelo intemperismo, estão, constantemente, sujeitos a perdas
devidas às queimadas e aos processos erosivos, apresentando, como no caso de
Ilha Funda, menor quantidade de cátions trocáveis que a mata. A pastagem do
Córrego dos Desidérios é uma situação diferente das demais. Trata-se de uma
pastagem implantada a cerca de 3 anos (anteriormente, a área era cultivada com
milho e feijão) e está localizada numa posição, no relevo, imediatamente abaixo
da mata (Figura 2). Certamente, está havendo entrada de nutrientes advindos da
área de mata.
Os valores de H+Al, a capacidade de troca de cátions efetiva e a capacidade
de troca de cátions total, nos solos sob pastagem, em relação aos solos sob mata,
foram menores em Ilha Brava; próximos, em Ilha Funda, e, maiores, no Córrego
dos Desidérios, exceto para H+Al (Tabela 4). Esses valores são em função dos
níveis de cátions trocáveis e, como será visto posteriormente (item 3.4.), dos
teores de carbono orgânico apresentados.
O solo da área em recuperação com sistema agroflorestal em Ilha Funda,
apresentou pH, soma de bases e saturação por bases maiores que os solos sob
mata e sob pastagem, embora a diferença não tenha sido significativa para pH.
39
Por outro lado, os valores de Al3+ e H+Al, a saturação por alumínio e a
capacidade de troca de cátions total foram menores no solo da área em
recuperação com sistema agroflorestal, embora não significativos para Al3+ e
saturação por alumínio (Tabela 4). A ciclagem de nutrientes proporcionada pelas
espécies introduzidas no sistema agroflorestal está melhorando as condições
químicas do solo em recuperação, principalmente na camada mais superficial
(Tabela 4). No entanto, o material orgânico, incorporado pelas espécies
introduzidas, está sendo mineralizado rapidamente com pouca alteração na
capacidade de troca de cátions.
Nas áreas com bananeira e com milho, no Córrego dos Desidérios, os solos
apresentaram pH, valores de P, cátions trocáveis (K+, Ca2+ e Mg2+), soma de
bases e saturação por bases maiores e, valores de Al3+ e saturação por alumínio
menores que os solos dos demais sistemas avaliados, na mesma localidade
(Tabela 4), sendo as diferenças médias dos valores desses atributos do solo,
nesses dois agroecossistemas, em relação à mata, maiores do que as diferenças
médias dos níveis desses mesmos atributos, também em relação à mata, de todos
os demais agroecossistemas avaliados (Tabela 5). As áreas com bananeira e com
milho estão localizadas numa encosta, próximas a um afloramento rochoso
(Figura 2). O solo é do tipo Cambissolo eutrófico, com minerais primários em
decomposição (Albuquerque Filho, 2001). Portanto, nestes sistemas está
ocorrendo entrada de nutrientes provenientes da intemperização do material de
origem.
A maior presença de cátions trocáveis (K+, Ca2+ e Mg2+), e
conseqüentemente, soma de bases e saturação por bases no solo da área com
bananeira, em relação ao solo da área com milho (Tabela 4) demonstram a maior
capacidade de ciclagem dos nutrientes, provenientes do
intemperismo, pela
bananeira. Como o solo não é revolvido, os nutrientes acumulam-se, em maiores
quantidades, na camada mais superficial (Tabela 4).
Os solos sob bananeira e sob milho apresentaram, também, maiores valores
de capacidade de troca de cátions efetiva e total que os solos dos demais sistemas
avaliados (Tabela 4); certamente, em função dos seus maiores teores de matéria
orgânica, como será visto a seguir.
40
Tabela 5 - Diferenças entre os valores médios dos atributos químicos do solo em
diversos agroecossistemas em relação à mata na microrregião de
Governador Valadares, MG
Sistema Prof.
cm
pH
H20
K+ Ca2+ Mg2+ Al3+ H+Al SB CTCe CTCt
P
3
mg/dm
-----------------------------------cmolc/dm3-----------------------------------
m
V
---------%---------
Ilha Brava
Pas
0-5 -0,29 1,69 0,02 0,09 0,01 0,53
5-10 -0,28 2,03 0,03 -0,18 -0,04 0,34
10-20 -0,28 1,12 0,02 -0,18 -0,05 0,38
Média -0,29 1,61 0,02 -0,09 -0,03 0,42
0,97 0,13
0,73 -0,19
0,70 -0,21
0,80 -0,09
0,65
0,15
0,17
0,32
1,09
0,54
0,49
0,71
5,42
11,22
13,96
10,20
-2,68
-6,55
-7,92
-5,72
0,06
0,04
0,05
0,05
0,08
-0,09
-0,34
-0,11
0,43
-0,06
-0,02
0,12
-1,86
-1,79
-2,32
-1,99
0,77
0,87
0,98
0,87
1,30 -0,23
0,53 -0,06
0,33 -0,06
0,72 -0,12
0,39
0,00
-0,13
0,08
1,07
0,47
0,27
0,61
10,92
2,59
2,14
5,21
-5,61
-1,63
-1,49
-2,91
Córrego dos Desidérios
0,65 -0,08 -1,09 -0,49 0,62 0,50 -1,66
0,52 -0,03 -0,72 -0,26 0,72 0,43 -1,00
0,61 -0,03 -0,34 -0,11 0,47 0,37 -0,48
0,59 -0,05 -0,71 -0,29 0,60 0,43 -1,05
-1,04
-0,28
-0,01
-0,44
-1,16
-0,57
-0,11
-0,61
39,71
45,74
31,38
38,94
-26,1
-20,4
-12,5
-19,7
Ilha Funda
Pas
0-5 -0,06 -0,70 0,01 0,02 0,03 0,02 0,37
5-10 0,04 0,59 0,03 -0,01 0,02 -0,13 -0,10
10-20 -0,03 0,25 0,03 0,00 0,01 -0,38 -0,07
Média -0,02 0,05 0,03 0,01 0,02 -0,17 0,07
Saf
0-5 -0,32 0,09 -0,08 -0,14 0,00 0,62
5-10 -0,13 0,58 -0,03 -0,04 0,01 0,06
10-20 -0,04 0,32 -0,01 -0,05 0,01 -0,07
Média -0,16 0,33 -0,04 -0,08 0,00 0,20
Pas
0-5 -0,57
5-10 -0,72
10-20 -0,54
Média -0,61
Ban
0-5 -1,26 -0,23 -0,45 -6,45 -1,79 0,83
5-10 -1,44 -0,20 -0,44 -5,84 -1,49 1,05
10-20 -1,36 -0,31 -0,28 -3,91 -1,08 1,00
Média -1,35 -0,25 -0,39 -5,40 -1,45 0,96
0,80 -8,69
0,53 -7,77
0,27 -5,26
0,53 -7,24
-7,86
-6,72
-4,26
-6,28
-7,89
-7,24
-5,00
-6,71
49,72
69,30
74,98
64,67
-58,1
-62,1
-56,7
-58,9
Mil
0-5 -1,03 -3,53 -0,48 -4,58 -1,04 0,76
5-10 -1,20 -3,87 -0,24 -4,87 -1,08 0,91
10-20 -1,09 -2,48 -0,22 -4,06 -0,66 0,89
Média -1,11 -3,29 -0,31 -4,50 -0,93 0,85
-0,53 -6,09
-0,80 -6,20
-1,47 -4,94
-0,93 -5,74
-5,33
-5,29
-4,05
-4,89
-6,63
-7,00
-6,40
-6,68
48,27
66,19
72,13
62,20
-43,1
-47,9
-42,8
-44,6
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho.
3.4.
Atributos ligados à matéria orgânica do solo
Os teores de carbono orgânico total e os estoques de carbono orgânico
encontrados nos solos sob mata foram maiores que nos solos sob pastagem em
Ilha Brava e em Ilha Funda. No Córrego dos Desidérios não houve diferenças
41
entre o teor de carbono orgânico total no solo sob mata em relação ao solo sob
pastagem, sendo o estoque de carbono orgânico superior no solo sob pastagem
(Tabela 6 e Figura 6). A diferença entre o teor de carbono orgânico total do solo
sob pastagem em relação ao solo sob mata foi maior em Ilha Brava (Tabela 7).
Esses dados contrariam resultados apresentados por Choné et al. (1991),
Cerri et al. (1992) e Cerri et al. (1996), que obtiveram maiores conteúdos de
carbono orgânico em solos sob pastagens, na região amazônica, e refletem o
estágio de degradação dos solos sob pastagens nos ambientes estudados. Em Ilha
Brava, o manejo adotado nas pastagens é aquele predominante na microrregião
de Governador Valadares, ou seja, uso intenso de queimadas e exposição do solo
aos agentes erosivos, encontrando-se o solo sob pastagem, nessa localidade, no
estágio mais avançado de degradação. No Córrego dos Desidérios a não
utilização de queimadas e a posição da pastagem, no relevo, imediatamente
abaixo de uma mata (Figura 2), portanto, em condição de maior conservação,
coloca o solo sob pastagem, dessa localidade, como o menos degradado. O solo
sob pastagem em Ilha Funda ocupa uma posição intermediária quanto ao estágio
de degradação. Nessa localidade, as queimadas nas pastagens foram utilizadas
intensamente, no passado. Atualmente, não se verifica mais esta prática na
comunidade.
Na área em recuperação com sistema agroflorestal, em Ilha Funda, o teor de
carbono orgânico total e o estoque de carbono orgânico no solo, foram inferiores
aos solos da mata e da pastagem, embora a diferença não tenha sido significativa
em relação à pastagem (Tabela 6 e Figura 6). Essa área estava num estágio
avançado de degradação antes de iniciar o processo de recuperação, não
conseguindo, até o momento, recuperar os níveis de matéria orgânica.
Os solos das áreas com bananeira e com milho, no Córrego dos Desidérios,
apresentaram teores de carbono orgânico total e estoques de carbono orgânico
superiores às demais áreas avaliadas (Tabela 6 e Figura 6). O acúmulo de matéria
orgânica nessas áreas deve-se a baixa atividade microbiana. Quando as amostras
foram incubadas a 250 C e com umidade em 60% da capacidade de campo, a
atividade microbiana intensificou-se (item 3.4.1).
42
Tabela 6 - Valores médios de atributos ligados à matéria orgânica do solo em
diversos sistemas na microrregião de Governador Valadares, MG
Sistema
Prof.
cm
COT
NT
-----dag/kg-----
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
3,07a
2,45a
2,46a
2,66A
2,02a
1,71a
1,47a
1,73B
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
3,62a
3,21a
2,85a
3,23A
3,03a
2,83a
2,43a
2,76B
2,45a
2,24a
2,20a
2,30B
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
3,29a
2,51a
2,02a
2,61B
3,70a
2,52ab
1,99b
2,74B
6,17a
5,24a
3,61b
5,01A
5,45a
5,12a
4,75a
5,11A
Pas
Mata
Pas
Saf
Mata
Pas
Ban
Mil
Po
NT
Po
mg/kg
-----%COT----Ilha Brava
0,16a
69a
5,05a
0,22a
0,14a
58a
5,92a
0,24a
0,15a
45a
6,46a
0,22a
0,15A
58A
5,81A
0,23A
0,15a
77a
7,46a
0,39a
0,10a
66a
6,14a
0,37a
0,11a
32a
7,85a
0,22a
0,12A
58A
7,15A
0,33A
Ilha Funda
0,19a
82a
5,15a
0,23a
0,17a
51a
5,34a
0,16a
0,13a
55a
4,72a
0,19a
0,16A
63A
5,07A
0,19A
0,19a
76a
6,36a
0,25a
0,13a
51a
4,67a
0,18a
0,16a
58a
6,35a
0,24a
0,16A
63A
5,79A
0,22A
0,16a
72a
6,79a
0,29a
0,13a
87a
6,02a
0,39a
0,13a
59a
5,85a
0,27a
0,14A
73A
6,22A
0,32A
Córrego dos Desidérios
0,18a
135a
5,49a
0,27b
0,12a
124a
4,87a
0,48ab
0,13a
133a
6,80a
0,68a
0,14C
130B
5,72A
0,48A
0,18a
103a
4,67b
0,26a
0,20a
54a
8,20a
0,22a
0,13a
67a
6,40ab 0,34a
0,17B
74B
6,43A
0,28A
0,27a
311a
4,32a
0,52a
0,28a
328a
5,43a
0,63a
0,23a
245a
6,83a
0,79a
0,26A
295A
5,53A
0,65A
0,29a
296a
5,55a
0,56a
0,28a
299a
5,39a
0,59a
0,29a
322a
5,99a
0,72a
0,29A
305A
5,64A
0,62A
C/P
C/N
538a
569a
956a
688A
275a
413a
465a
384A
21,33a
18,37a
16,14a
18,61A
14,22a
17,71a
13,29a
15,07A
476a
638a
515a
543A
529a
580a
457a
522A
347a
323a
411a
360A
19,68a
20,03a
22,56a
20,76A
15,82a
22,27a
17,66a
18,58A
15,67a
18,10a
17,26a
17,01A
365a
220ab
164b
250B
429a
477a
305a
404A
212a
162a
147a
174B
189a
194a
158a
180B
19,27a
21,18a
16,15a
18,87A
23,02a
12,36a
16,01a
17,13A
23,66a
18,60a
15,20a
19,15A
20,45a
20,41a
16,82a
19,23A
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho; COT = carbono orgânico total; NT = nitrogênio total;
Po = fósforo orgânico; C/P = relação carbono/fósforo; C/N = relação carbono/nitrogênio. Médias de sistemas seguidas pela mesma
letra maiúscula, na mesma localidade e médias de profundidades seguidas pela mesma letra minúscula; no mesmo sistema, ambas
na coluna, não diferem estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
43
Os teores de nitrogênio total e fósforo orgânico não seguiram a mesma
tendência dos teores de carbono orgânico total nos solos sob mata e sob
pastagem. Em Ilha Brava e Ilha Funda esses teores foram bem próximos, sendo
as diferenças não significativas. No Córrego dos Desidérios, não obstante os
teores de carbono orgânico terem sido bem próximos, o teor de nitrogênio total
foi maior no solo sob pastagem. Por sua vez, o teor de fósforo orgânico foi quase
o dobro no solo sob mata, em relação ao solo sob pastagem (Tabela 6).
Quando relacionados ao carbono orgânico total, os teores de nitrogênio total
e de fósforo orgânico foram maiores, e as relações carbono/fósforo e
carbono/nitrogênio foram menores nos solos sob pastagem, em relação aos solos
sob mata, exceto no Córrego dos Desidérios, em que o teor de fósforo orgânico
foi maior, e a relação carbono/fósforo foi menor no solo sob mata (Tabela 6).
100
90
Carbono orgâ ni co (t/ha)
80
70
60
50
40
30
20
10
0
MaI B
P aI B
MaIF
PaIF
0-5 cm
SaIF
5-10 cm
MaCD
PaCD
BaCD
MiCD
10-20 cm
Figura 6 - Valores médios do estoque de carbono orgânico no solo em diversos
sistemas na microrregião de Governador Valadares, MG.
MaIB = mata em Ilha Brava; PaIB = pastagem em Ilha Brava; MaIF = mata em Ilha
Funda; PaIF = pastagem em Ilha Funda; SaIF = sistema agroflorestal em Ilha Funda;
MaCD = mata no Córrego dos Desidérios; PaCD = pastagem no Córrego dos Desidérios;
BaCD = Bananeira no Córrego dos Desidérios; MiCD = Milho no Córrego dos
Desidérios.
44
Tabela 7 - Diferenças entre os valores médios dos atributos ligados à matéria
orgânica do solo em diversos agroecossistemas, em relação à mata,
na microrregião de Governador Valadares, MG
Sistema
Prof.
cm
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
Saf
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
0-5
5-10
10-20
Média
Ban
Mil
COT
NT
Po
-------dag/kg------mg/kg
Ilha Brava
1,05
0,01
-7,2
0,74
0,04
-7,2
0,99
0,04
12,8
0,93
0,03
-0,6
Ilha Funda
0,59
0,00
6,3
0,38
0,04
-0,5
0,42
-0,03
-2,9
0,46
0,00
1,0
1,17
0,03
9,9
0,97
0,04
-36,4
0,65
0,00
-3,6
0,93
0,02
-10,0
Córrego dos Desidérios
-0,41
0,00
32,6
-0,01
-0,08
69,8
0,03
0,00
65,7
-0,13
-0,03
56,1
-2,88
-0,09
-176,0
-2,73
-0,16
-204,3
-1,59
-0,10
-112,3
-2,40
-0,12
-164,2
-2,16
-0,11
-160,6
-2,61
-0,16
-175,2
-2,73
-0,16
-189,2
-2,50
-0,14
-175,0
C/P
C/N
263
156
491
304
7,11
0,66
2,85
3,54
-53
58
58
21
129
315
104
183
3,86
-2,24
4,9
2,17
4,01
1,93
5,3
3,75
-64
-257
-141
-154
153
58
17
76
176
26
6
70
-3,75
8,82
0,14
1,74
-4,39
2,58
0,95
-0,29
-1,18
0,77
-0,67
-0,36
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho; COT = carbono orgânico total; NT = nitrogênio total;
Po = fósforo orgânico; C/P = relação carbono/fósforo; C/N = relação carbono/nitrogênio..
Embora as diferenças não tenham sido significativas, esses dados
evidenciam que existem diferenças qualitativas entre a matéria orgânica dos solos
sob mata e sob pastagem, sendo essa última mais rica em nitrogênio e fósforo,
exceto para o fósforo, no Córrego dos Desidérios. Por apresentarem sistema
radicular fasciculado, e por este, estar sendo constantemente renovado, as
gramíneas são eficientes na ciclagem de nutrientes, notadamente de fósforo
(Qasem, 1992).
45
No solo da área em recuperação com sistema agroflorestal, os teores de
nitrogênio total e de fósforo orgânico, relacionados ao carbono orgânico total,
foram maiores e as relações carbono/fósforo e carbono/nitrogênio foram menores
que nos solos dos demais sistemas avaliados, na mesma localidade, embora,
também, de forma não significativa (Tabela 6). As espécies de leguminosas
introduzidas no sistema agroflorestal são, provavelmente, as responsáveis por
esse enriquecimento maior de nitrogênio e fósforo na matéria orgânica do solo
sob esse sistema. Diversos autores relacionam os efeitos das leguminosas na
fixação de nitrogênio atmosférico e na ciclagem de nutrientes do solo, entre eles
o fósforo (Alvarenga et al., 1995, Franco et al., 1995, Favero et al., 2000).
Nos solos das áreas com bananeira e com milho, os teores de nitrogênio
total e de fósforo orgânico acompanharam os teores de carbono orgânico total,
sendo maiores que nos solos dos demais sistemas avaliados na mesma localidade.
No entanto, os teores de nitrogênio total, relacionados ao carbono orgânico total,
foram similares aos da mata, e inferiores aos da pastagem e a relação
carbono/nitrogênio foram similares ao da mata e superiores ao da pastagem
(Tabela 6), demonstrando que a riqueza em nitrogênio da matéria orgânica dos
solos sob bananeira e sob milho não difere da matéria orgânica do solo sob mata
e é menor que a do solo sob pastagem. Quanto ao fósforo, a matéria orgânica dos
solos sob bananeira e sob milho mostrou-se mais rica que a dos solos sob mata e
sob pastagem, como pode ser constatado pelos maiores teores de fósforo
orgânico, relacionados ao carbono orgânico total, e menores relações
carbono/fósforo apresentados por aqueles (Tabela 6).
3.4.1. Formas de carbono orgânico do solo
Inversamente ao observado para os teores de carbono orgânico total, os
teores de carbono da matéria orgânica leve, foram maiores nos solos sob
pastagem, comparados aos solos sob mata, em Ilha Brava e Ilha Funda, e menor,
no Córrego dos Desidérios (Tabela 8). As diferenças não significativas entre as
médias dos sistemas são resultado dos elevados coeficientes de variação entre as
médias (Tabelas 10A, 11A e 12A). Em alguns solos sob pastagem ocorre maior
46
presença de matéria orgânica leve, em relação à mata, em função da entrada de
material orgânico proporcionada pelo sistema radicular das gramíneas (Teixeira e
Bastos, 1989).
No solo sob pastagem, no Córrego dos Desidérios, está ocorrendo maior
decomposição do material orgânico que no solo sob mata, conforme pode ser
comprovado pela maior presença de biomassa microbiana (Tabela 8), em
decorrência,
provavelmente, do maior teor de nitrogênio desse material
(Tabela 6). A atuação dos microorganismos na decomposição da matéria
orgânica do solo depende, dentre vários fatores, da disponibilidade de nutrientes
(Neves, 1992). A decomposição da matéria orgânica será mais intensa, quanto
mais rica for em nutrientes, especialmente de nitrogênio. Num material mais rico
em nitrogênio, a quantidade imobilizada pela biomassa microbiana será menor,
pois esse elemento estará em quantidade suficiente para atender à atividade
metabólica dos microorganismos e ao processo de decomposição (GamaRodrigues, 1999).
O teor de carbono da matéria orgânica leve do solo da área em recuperação
com sistema agroflorestal, em Ilha Funda, foi menor que dos solos das áreas com
mata e com pastagem (Tabela 8), demonstrando que a entrada de material
orgânico no sistema é de fácil decomposição pelos organismos do solo, conforme
já discutido, devido à maior riqueza em nutrientes proporcionada pelas
leguminosas introduzidas.
No solo sob bananeira o teor de carbono da matéria orgânica leve foi maior
que no solo sob milho (Tabela 8), refletindo a maior entrada de material orgânico
proveniente de folhas e restos culturais da bananeira.
Em todos os sistemas, nas três localidades estudadas, observou-se
decréscimo no carbono da fração ácidos húmicos e acréscimo no carbono da
fração ácidos fúlvicos, em profundidade, refletindo-se no decréscimo, em
profundidade, da relação: fração ácidos húmicos/fração ácidos fúlvicos (Tabela
8). A maior solubilidade dos ácidos fúlvicos confere a estes maior mobilidade
das camadas superficiais para as camadas subsuperficiais do solo (Lima, 1996,
Dick, 1998, Medeiros, 1999).
47
Tabela 8 - Valores médios de formas de carbono orgânico do solo em diversos
sistemas na microrregião de Governador Valadares, MG
Sistema Prof. FHU FAH FAF Cmol Cext Csol Cbm Cmi
cm
FAH+FAF FAH
FHU
FAF
qCO2
---------------------------------%COT---------------------------------
Ilha Brava
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
60,6a
72,1a
70,7a
67,8A
15,7a
14,3ab
10,2b
13,4A
14,7a
17,0a
17,1a
16,3A
8,63a
9,68a
5,80a
8,04A
2,88a
3,45a
3,49a
3,27B
1,39a
1,58a
0,95a
1,31B
0,71a
0,95a
1,43a
1,03B
0,92a
1,38a
1,15a
1,15A
0,55a
0,44a
0,40a
0,46A
1,11a
0,85ab
0,62b
0,86A
0,04a
0,05a
0,03a
0,04A
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
68,1a
76,3a
83,0a
75,8A
14,2a
10,9ab
7,3b
10,8A
14,0a
16,6a
18,8a
16,5A
20,18a
21,27a
11,40b
17,62A
4,26b
5,64ab
6,74a
5,54A
3,27a
2,97a
2,44a
2,89A
1,53a
1,90a
1,98a
1,80A
1,71a
1,08a
1,60a
1,46A
0,41a
0,36a
0,32a
0,36A
1,01a
0,65ab
0,40b
0,69A
0,04a
0,03a
0,03a
0,03A
Ilha Funda
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
57,3a
60,5a
79,5a
65,8A
21,8a
16,3a
14,6a
17,6B
13,7a
15,6a
15,6a
15,0B
16,16a
13,56a
11,37a
13,70A
2,27a
2,69a
2,92a
2,63B
2,33a
2,27a
2,46a
2,35A
0,77a
1,07a
0,97a
0,94A
0,88a
0,41a
0,86a
0,72B
0,64a
0,54a
0,40a
0,53B
1,64a
1,05b
0,95b
1,21A
0,04a
0,01a
0,03a
0,03A
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
60,4a
57,2a
61,6a
59,7B
24,4a
25,6a
14,8b
21,6A
15,2b
16,6ab
21,2a
17,7A
24,50a
21,91a
12,17a
19,53A
3,27a
3,69a
3,98a
3,64A
1,92a
2,42a
2,88a
2,41A
0,95a
0,82a
1,23a
1,00A
1,19a
1,02a
1,24a
1,15B
0,66a
0,74a
0,59a
0,66A
1,63a
1,53a
0,70b
1,29A
0,04a
0,05a
0,03a
0,04A
Saf
0-5
5-10
10-20
Média
66,9a
59,1a
58,6a
61,5A
17,3a
14,2ab
8,1b
13,2C
17,8a
19,4a
22,6a
19,9A
10,88a
13,02a
5,34a
9,74A
3,04a
3,84a
4,17a
3,68A
2,22b
2,73ab
3,49a
2,81A
1,54a
1,33a
1,43a
1,43A
1,40a
1,90a
1,78a
1,69A
0,53a
0,57a
0,55a
0,55B
1,02a
0,73ab
0,36b
0,70B
0,03a
0,06a
0,05a
0,04A
Córrego dos Desidérios
Mata
0-5
5-10
10-20
Média
65,6a
77,0a
65,6a
69,4A
17,5a
16,5a
11,0a
15,0B
18,4b
20,6ab
23,6a
20,9A
26,97a
29,17a
14,74a
23,63A
1,81b
2,54ab
3,25a
2,54A
1,18b
1,61ab
2,03a
1,61A
0,62a
0,43a
1,01a
0,69A
0,87b
1,53a
1,80a
1,40A
0,59a
0,49a
0,54a
0,54A
0,95a
0,80a
0,48a
0,75B
0,05a
0,15a
0,08a
0,09A
Pas
0-5
5-10
10-20
Média
71,7a
65,6a
67,7a
68,3A
19,7a
16,7ab
11,8b
16,1B
14,9c
20,3b
24,8a
20,0A
6,31a
8,48a
6,16a
6,98A
1,36c
2,59b
3,62a
2,52A
0,96b
1,28b
2,45a
1,56A
0,82b
0,92b
2,25a
1,33A
1,22b
1,39ab
1,89a
1,50A
0,48a
0,57a
0,54a
0,53A
1,33a
0,82a
0,49a
0,88B
0,05a
0,05a
0,04a
0,05A
Ban
0-5
5-10
10-20
Média
64,1a
65,0a
79,7a
69,6A
14,8a
16,8a
18,9a
16,8B
4,0a
5,1a
5,9a
5,0B
14,77a
16,46a
10,59a
13,94A
0,62a
0,73a
1,17a
0,84B
0,54b
0,66ab
1,07a
0,76B
0,19a
0,23a
0,50a
0,31B
0,65a
0,96a
0,84a
0,82B
0,30a
0,34a
0,35a
0,33B
3,94a
3,44a
3,47a
3,62A
0,13a
0,15a
0,07a
0,12A
Mil
0-5
5-10
10-20
Média
67,8a
67,6a
76,5a
70,6A
20,9a
24,5a
26,3a
23,9A
9,1a
9,0a
9,5a
9,2B
8,90a
6,60a
4,43a
6,64A
0,42a
0,51a
0,57a
0,50B
0,26a
0,26a
0,35a
0,29B
0,12a
0,10a
0,17a
0,13B
0,90a
0,75a
0,70a
0,78B
0,47a
0,52a
0,47a
0,49A
2,36a
3,10a
3,23a
2,90A
0,38a
0,31a
0,14b
0,28A
Pas = pastagem; Saf = sistema agroflorestal; Ban = bananeira; Mil = milho; FHU = fração humina; FAH = fração ácidos húmicos;
FAF = fração ácidos fúlvicos; Cmol = carbono da matéria orgânica leve; Cext = carbono extraído; Csol = carbono solúvel;
Cbm = carbono da biomassa microbiana; Cmi = carbono mineralizável; qCO2 = quociente metabólico (Cmi(dia)/Cbm). Médias de
sistemas seguidas pela mesma letra maiúscula, na mesma localidade e médias de profundidades seguidas pela mesma letra
minúscula, no mesmo sistema; ambas na coluna, não diferem estatisticamente entre si, pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.
48
Os teores de carbono da fração ácidos fúlvicos, do carbono extraído e do
carbono solúvel em água foram maiores nos solos sob pastagem, comparados aos
solos sob mata, em Ilha Brava e em Ilha Funda, embora de forma não
significativa para o carbono da fração ácidos fúlvicos em Ilha Brava e para o
carbono solúvel em água em Ilha Funda. No Córrego dos Desidérios foram
superiores no solo sob mata, porém, de forma não significativa. No solo da área
em recuperação com sistema agroflorestal foram superiores e nos solos das áreas
com bananeira e com milho foram inferiores aos solos dos demais sistemas
avaliados, na mesma localidade, embora não tenham sido significativas as
diferenças entre o solo da área em recuperação com sistema agroflorestal, em
comparação com o solo sob pastagem em Ilha Funda (Tabela 8).
O carbono da fração ácidos fúlvicos, o carbono extraído e o carbono solúvel
em água são formas de carbono mais dinâmicas no solo, o que pode ser
observado pelas suas mobilidades, pois há um acréscimo nos teores dessas
formas, em profundidade, em todos os sistemas avaliados (Tabela 8). Medeiros
(1999) também verificou a mobilidade dessas formas de carbono no perfil do
solo. Essas formas de carbono são mais disponíveis aos microorganismos,
existindo correlações positivas com o carbono da biomassa microbiana e com o
carbono mineralizável (Tabela 9).
A matéria orgânica dos solos sob pastagem está presente em menor
quantidade que nos solos sob mata, porém, em formas mais dinâmicas. Além
disso, a matéria orgânica destes solos é mais rica em nitrogênio e, em alguns
casos, em fósforo, conferindo a estas maior acessibilidade dos microorganismos;
conseqüentemente, o tempo de permanência no solo é menor, e são passíveis de
serem perdidas do sistema com maior facilidade.
As áreas com bananeira e com milho apresentaram a matéria orgânica dos
solos com baixos teores das formas mais dinâmicas, representadas pelos teores
de carbono da fração ácidos fúlvicos, do carbono extraído e do carbono solúvel
em água. Essas áreas apresentaram, também, menor atividade microbiana,
conforme pode ser constatado pelos menores teores de carbono da biomassa
microbiana e carbono mineralizável (Tabela 8). Quando as amostras dessas áreas
foram incubadas a 25 0C e com umidade em 60% da capacidade de campo, a
49
Tabela 9 - Correlações de Pearson entre formas de carbono em diversos sistemas
na microrregião de Governador Valadares, MG
FHU
FAH
FAF
Cmol
Cext
Csol
Cbm
Cmi
FHU
FAH
-0,15
FAF
-0,01
-0,38**
Cmol
-0,02
0,14
Clab
0,14
-0,54** 0,66**
0,03
Csol
-0,01
-0,39** 0,60**
0,08
0,79**
Cbm
0,13
-0,46** 0,58**
-0,04
0,72**
0,62**
Cmi
0,13
-0,42** 0,61**
-0,03
0,53**
0,46**
-0,04
0,48**
FHU = fração humina; FAH = fração ácidos húmicos; FAF = fração ácidos fúlvicos; Cmol = carbono da matéria orgânica leve;
Cext = carbono extraído; Csol = carbono solúvel em água; Cbm = carbono da biomassa microbiana; Cmi = carbono mineralizável.
*, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste T.
mineralização de carbono foi intensa, conforme pode ser comprovada pelos
maiores valores do quociente metabólico apresentados (Tabela 8).
Nos demais sistemas e localidades estudados, os valores do coeficiente
metabólico foram bem próximos, não diferindo significativamente em nenhuma
situação (Tabela 8).
Segundo Anderson e Domsch (1990) o coeficiente metabólico é um bom
indicador das reações microbianas, podendo estabelecer uma estimativa dos
efeitos dos fatores ambientais na população microbiana, não sendo, portando, um
valor absoluto da quantidade de biomassa microbiana.
Sendo a fração humina considerada como a matéria orgânica de maior
estabilidade no solo (Hayes et al., 1989, Sposito, 1989, Kilham, 1994), os
menores valores da relação fração ácidos húmicos + fração ácidos fúlvicos/fração
humina, apresentados pelos solos das áreas com bananeira e com milho
(Tabela 8), colocam-nas como áreas com matéria orgânica de maior estabilidade
dentre os sistemas estudados.
Blair et al. (1995) estabeleceram um índice de manejo de carbono – IMC,
considerando como carbono lábil as formas de carbono oxidadas por KMnO4 333
mmol/L, obtido pela equação:
IMC = IQC X IL X 100
Sendo:
50
IQC – Índice da Quantidade de Carbono
IL – Índice de Labilidade do carbono
Em que:
IQC =
Carbono total da amostra
Carbono total da amostra de referência
IL =
Labilidade do carbono da amostra
Labilidade do carbono da amostra de referência
Labilidade do Carbono – LC =
Carbono lábil
Carbono total - Carbono lábil
A estabilidade da matéria orgânica pode ser demonstrada, também, pelo
índice de labilidade do carbono (IL), da equação do índice de manejo de carbono
(IMC) de Blair et al. (1995), considerando como carbono lábil as formas de
carbono extraídas por NaHSO4.H2O 0,025 mol/L (item 2.4.3.).
Tomando-se a mata como referência, os valores de IL das pastagens são
maiores que 1,0 exceto para a camada de 0 a 5 cm, no Córrego dos Desidérios,
sendo estes diretamente relacionados aos valores de labilidade do carbono - LC,
sempre maiores nas pastagens (Tabela 10).
Os maiores valores de IL, na pastagem, foram verificados em Ilha Brava e
os menores, no Córrego dos Desidérios (Tabela 10), colocando a matéria
orgânica do solo sob pastagem em Ilha Brava como a de menor estabilidade e a
do solo sob pastagem no Córrego dos Desidérios como a de maior estabilidade,
dentre os solos sob pastagens estudados.
Os valores de IL na área em recuperação com sistema agroflorestal também
foram maiores que 1,0 (Tabela 10). As formas mais dinâmicas de carbono
presentes no solo dessa área são resultado da entrada no sistema de espécies de
leguminosas com material orgânico mais rico em nutrientes, portando, de fácil
decomposição e mineralização pelos microorganismos, não havendo, ainda, um
acúmulo maior de carbono nas formas mais estáveis. Como os solos das áreas
com bananeira e com milho apresentam características diferenciadas das do solo
sob mata, estabeleceu-se um IL para milho, tomando-se como referência a
51
Tabela 10 - Índice de manejo do carbono em diversos sistemas na microrregião
de Governador Valadares, MG
Sistema
Mata
Pastagem
Prof.
cm
0-5
5 - 10
10 - 20
0-5
5 - 10
10 - 20
Mata
0-5
5 - 10
10 - 20
Pastagem
0-5
5 - 10
10 - 20
Agroflorestal 0 - 5
5 - 10
10 - 20
Mata
Pastagem
Bananeira
Milho
0-5
5 - 10
10 - 20
0-5
5 - 10
10 - 20
0-5
5 - 10
10 - 20
0-5
5 - 10
10 - 20
COT
Clab
Cnlab
IQC
----------mg/g---------Ilha Brava
30,69
0,88
29,81
24,47
0,83
23,64
24,59
0,80
23,79
20,24
0,85
19,39
0,67
17,08
0,96
16,12
0,73
14,73
0,99
13,74
0,63
Ilha Funda
36,19
0,86
35,33
32,10
0,86
31,24
28,47
0,81
27,66
30,33
0,99
29,34
0,84
28,27
1,00
27,27
0,88
24,26
0,96
23,30
0,88
24,49
0,70
23,79
0,69
22,44
0,86
21,58
0,70
21,99
0,91
21,08
0,79
Córrego dos Desidérios
32,93
0,60
32,34
25,13
0,63
24,50
20,25
0,64
19,61
36,96
0,49
36,47
1,13
25,25
0,63
24,62
1,03
19,88
0,70
19,18
0,98
61,70
0,37
61,33
52,43
0,38
52,05
36,08
0,37
35,71
54,53
0,22
54,31
0,89
51,23
0,26
50,97
0,98
47,52
0,26
47,26
1,64
LC
IL
IMC
0,030
0,036
0,036
0,044
0,060
0,072
1,52
1,71
2,14
100
100
100
98
119
128
0,024
0,028
0,030
0,034
0,038
0,041
0,031
0,040
0,043
1,39
1,38
1,45
1,32
1,45
1,49
100
100
100
116
117
121
82
102
115
0,018
0,026
0,034
0,014
0,027
0,038
0,006
0,007
0,012
0,004
0,005
0,006
0,75
1,08
1,12
100
100
100
83
101
110
100
100
100
59
68
70
0,69
0,69
0,53
COT = carbono orgânico total; Clab = carbono lábil; Cnlab = carbono não lábil; IQC = índice da quantidade de carbono; LC =
labilidade do carbono; IL = índice de labilidade; IMC = índice de manejo do carbono.
área com bananeira. Nesse caso, a área com milho apresentou valores de IL
menores que 1,0 (Tabela 10). A natureza mais lignificada da matéria orgânica do
milho, provavelmente, está contribuindo para essa maior estabilidade.
O índice de manejo de carbono – IMC, proposto por Blair et al. (1995),
sendo um produto entre o índice da quantidade de carbono – IQC e o índice de
labilidade do carbono – IL, dá um indicativo da possibilidade do sistema estar em
recuperação ou degradação. O IMC das pastagens e do sistema agroflorestal
52
estudados, tendo como referência a mata, foram maiores que 100 (Tabela 10)
dando um indicativo de que estes sistemas estariam em recuperação. Por outro
lado, o IMC do milho, em relação à bananeira, é menor que 100 (Tabela 10),
dando um indicativo de que aquele sistema estaria em degradação.
Diversos atributos físicos e químicos do solo indicam que os solos sob
pastagens estão numa condição de degradação, em relação ao solo sob mata,
principalmente em Ilha Brava e em Ilha Funda, e que o solo sob sistema
agroflorestal está em recuperação. Portanto, o IMC, proposto por Blair et al.
(1995) não deve ser tomado, isoladamente, na avaliação da possibilidade de
recuperação de um sistema. No caso das pastagens avaliadas em Ilha Brava e em
Ilha Funda, os valores de IMC, acima de 100, foram devidos aos elevados valores
de IL. Como já discutido, as formas mais lábeis de carbono são passíveis de
serem perdidas dos sistemas com mais facilidade. Sendo assim, podem não estar
contribuindo para a recuperação do sistema.
Conforme a hipótese de Mendonça e Rowell (1994) as formas mais lábeis
de carbono funcionam como ânions na superfície de troca catiônica do solo,
podendo se ligar às partículas do solo diretamente ou pela complexação com
cátions trocáveis. Na maioria dos solos estudados a concentração de cátions
trocáveis é muito baixa, exceto para Al3+ (Tabela 4). Isto pode estar contribuindo
para a perda das formas mais lábeis de carbono. Por outro lado, as que
permanecem no sistema, estão, em parte, complexadas com Al3+.
As formas de carbono da fração ácidos fúlvicos, carbono extraído e carbono
solúvel em água apresentaram altas correlações negativas com os índices de
sustentabilidade propostos nesse trabalho (Tabela 11). Essas formas mais lábeis
de carbono não foram incorporadas aos índices pedológicos de sustentabilidade;
no entanto, podem ser consideradas como boas indicadoras da dinâmica da
matéria orgânica no solo, e por conseguinte, da sustentabilidade dos
agroecossistemas.
A estabilidade da matéria orgânica discutida nesse trabalho reflete uma
avaliação pontual e momentânea. Para uma compreensão melhor da dinâmica da
matéria orgânica nos solos, é necessário um monitoramento a longo prazo das
diversas formas de carbono.
53
Tabela 11 - Correlações de Pearson entre as formas de carbono e os índices de
sustentabilidade em diversos agroecossistemas na microrregião de
Governador Valadares, MG
Índice
FHU
FAH
FAF
Cmol Cext
Csol
Cbm
Cmi
InFis
-0,14 0,59** -0,28* -0,48** -0,55** -0,58** -0,18 -0,27*
InQui
0,05 0,54** -0,82** -0,41** -0,76** -0,58** -0,41** -0,51**
InMO
-0,11 0,47** -0,77** -0,36** -0,76** -0,61** -0,45** -0,45**
InPed
-0,01 0,57** -0,84** -0,43** -0,81** -0,64** -0,44** -0,52**
COT = carbono orgânico total; NT = nitrogênio total; Po = fósforo orgânico; NTC = nitrogênio total em relação ao carbono (%);
PoC = fósforo orgânico em relação ao carbono (%); C/N = relação carbono/nitrogênio; C/P = relação carbono/fósforo;
FHU = fração humina; FAH = fração ácidos húmicos; FAF = fração ácidos fúlvicos; Cmol = carbono da matéria orgânica leve;
Cext = carbono extraído; Csol = carbono solúvel em água; Cbm = carbono da biomassa microbiana; Cmi = carbono mineralizável;
InFis = índice de sustentabilidade relacionado aos atributos físicos do solo; InQui = índice de sustentabilidade relacionado aos
atributos químicos do solo; InMO = índice de sustentabilidade relacionado aos atributos ligados à matéria orgânica do solo;
InPed = índice pedológico de sustentabilidade. *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste T.
3.5.
Índice pedológico de sustentabilidade
Visando uma comparação mais objetiva entre os agroecossistemas
avaliados, está sendo proposto, nesse trabalho, um índice pedológico de
sustentabilidade.
Foram selecionados alguns atributos físicos, químicos e ligados à matéria
orgânica que representem as condições do solo e que, quanto maiores foram os
seus valores, signifiquem, melhores condições.
A mata foi tomada como referência, sendo os valores dos atributos do solo
avaliados num determinado agroecossistema, divididos pelos valores dos
mesmos atributos do solo avaliados naquela condição. Assim, para um
determinado atributo ( I ):
I =
Valor do atributo no agroecossistema
Valor do atributo na mata
Dessa forma, os atributos dos solos na condição mata passam a ter peso 1,0.
Nos diferentes agroecossistemas, recebem pesos relativos à mata, que podem ser
maiores ou menores que 1,0. Sendo menor, reflete pior condição de
sustentabilidade que a mata e vice-versa.
O índice pedológico de sustentabilidade foi dividido em três partes: índice
de sustentabilidade relacionado aos atributos físicos do solo (InFis); índice de
54
sustentabilidade relacionado aos atributos químicos do solo (InQui) e; índice de
sustentabilidade relacionado aos atributos ligados à matéria orgânica do solo
(InMo), constituindo-se numa média aritmética simples dos pesos dados aos
atributos físicos, químicos e ligados à matéria orgânica, respectivamente,
conforme equações abaixo:
InFis = Σ I dos atributos físicos considerados
no de atributos físicos considerados
InQui = Σ I dos atributos químicos considerados
no de atributos químicos considerados
InMo = Σ I dos atributos ligados à MO considerados
no de atributos ligados à MO considerados
O índice pedológico de sustentabilidade (InPed) constitui-se numa média
aritmética simples dos índices parciais:
InPed = InFis + InQui + InMo
3
Optou-se por estabelecer o mesmo peso a todos os atributos do solo devido
à dificuldade de se estabelecer pesos diferenciados. Um determinado atributo do
solo tem importância relativa para um determinado agroecossistema dependendo
do tipo de solo, posição na paisagem, uso, etc. Estabelecer uma escala de valores
para os diferentes atributos do solo demanda um estudo mais aprofundado da
importância relativa de cada atributo, em cada agroecossistema avaliado.
Para compor o índice pedológico de sustentabilidade, foram selecionados os
atributos: grau de floculação (G. F.), umidade atual (U. A.), porosidade total
(P. T.), potencial de hidrogênio (pH), fósforo (P), acidez potencial (H + Al),
soma de bases (SB), carbono orgânico total (COT), nitrogênio total (NT) e
fósforo orgânico (Po), por serem atributos que refletem bem as condições físicas,
químicas e biológicas dos solos estudados. Além disso, a aplicação do índice
requer a utilização de atributos que, quanto maior o seu valor, representa melhor
condição do solo.
A pastagem em Ilha Brava apresentou o menor índice pedológico de
sustentabilidade (0,88), seguida da pastagem em Ilha Funda (0,96). A pastagem
em Ilha Brava apresentou a pior condição de sustentabilidade nos atributos
55
físicos e ligados à matéria orgânica e melhor, apenas, que a pastagem em Ilha
Funda, nos atributos químicos (Tabela 12).
A pastagem no Córrego dos Desidérios apresentou melhor condição de
sustentabilidade que as demais pastagens estudadas, com índice pedológico de
sustentabilidade igual a 1,15. Devendo-se isso, ao índice relativo aos atributos
químicos, que foi de 1,43, uma vez que o índice relativo aos atributos ligados à
matéria orgânica foi de 0,94 e o índice relativo aos atributos físicos foi de 1,07
(Tabela 12).
A área em recuperação com sistema agroflorestal apresentou índice
pedológico de sustentabilidade igual a 1,0, devendo-se isso, também, ao índice
relativo aos atributos químicos, que foi de 1,08. Nessa área, o índice relativo aos
atributos ligados à matéria orgânica foi de 0,92, sendo o índice relativo aos
atributos físicos igual a 1,0 (Tabela 12).
Na bananeira e no milho, os índices pedológicos de sustentabilidade
relativos à mata foram de 2,43 e 2,42, respectivamente. Devendo-se isso,
principalmente, aos índices relativos aos atributos químicos e ligados à matéria
orgânica (Tabela 12).
O uso desse índice relativo à mata para os agroecossistemas bananeira e
milho é prejudicado pelas diferentes características que os solos dessas áreas
apresentam em relação ao solo sob mata. Uma comparação mais adequada é a do
agroecossistema milho com o agroecossistema bananeira. Nesse caso, o índice
pedológico de sustentabilidade do milho (1,18), relativo à bananeira, coloca o
milho numa condição melhor de sustentabilidade (Tabela 12).
A aplicação do índice pedológico de sustentabilidade reforça e sintetiza as
discussões feitas ao longo desse trabalho, demonstrando que a forma de ocupação
e uso do solo predominante na microrregião de Governador Valadares, MG
(pastagens com o uso intensivo de queimadas e ausência de práticas de manejo e
conservação do solo), são causas da degradação ambiental e distanciam-se de
uma condição desejável de sustentabilidade, mesmo considerando-se que os
referenciais tomados nesse trabalho (as matas), tratam-se de capoeiras em
regeneração que já sofreram ações antrópicas (retirada de madeira, queimadas,
etc.) e, portanto, apresentam condições diferenciadas das naturais. Se continuar
56
Tabela 12 - Índice pedológico de sustentabilidade, relativo à mata, de diversos agroecossistemas na microrregião de Governador Valadares,
MG
Agroecossistema
G. F.
U. A.
P. T.
InFis
pH
P
H+Al
SB
InQui
COT
NT
Po
Pastagem - Ilha Brava
0,84
0,98
0,84
0,89
1,07
0,74
0,78
1,20
0,95
0,65
0,80
1,00
0,82
0,88
Pastagem - Ilha Funda
1,06
0,96
0,95
0,99
1,00
0,98
0,99
0,76
0,93
0,85
1,00
1,00
0,95
0,96
Pastagem - Cór. dos Desidérios
1,12
1,23
0,85
1,07
1,13
0,86
0,86
2,88
1,43
1,05
1,21
0,57
0,94
1,15
SAF - Ilha Funda
1,05
1,04
0,91
1,00
1,04
0,89
0,86
1,52
1,08
0,71
0,88
1,16
0,92
1,00
Banana - Córrego dos Desidérios
1,10
0,90
0,96
0,99
1,29
1,06
0,83
13,95
4,28
1,92
1,86
2,27
2,02
2,43
Milho - Córrego dos Desidérios
1,70
0,97
1,03
1,23
1,24
1,78
1,29
11,27
3,89
1,96
2,07
2,35
2,13
2,42
Milho* - Córrego dos Desidérios
1,54
1,08
1,07
1,23
0,96
1,68
1,56
0,81
1,25
1,02
1,12
1,03
1,06
1,18
InMO InPed
G.F. = grau de floculação; U. A. = umidade atual; P. T. = porosidade total; InFis = índice de sustentabilidade relacionado aos atributos físicos do solo; pH = potencial de hidrogênio; P = fósforo; H+Al = acidez potencial;
SB = soma de bases; InQui = índice de sustentabilidade relacionado aos atributos químicos do solo; COT = carbono orgânico total; NT = nitrogênio total; Po = fósforo orgânico; InMO = índice de sustentabilidade relacionado
aos atributos ligados à matéria orgânica do solo; InPed = índice pedológico de sustentabilidade.
* índice relativo à banana.
57
essa forma de ocupação e uso do solo, há uma grande tendência das
possibilidades de sustentabilidade piorarem. Por outro lado, a proposta de
recuperação de pastagens degradadas com sistemas agroflorestais é promissora
para a região, conforme pôde ser constatado pelo melhor índice pedológico de
sustentabilidade apresentado pela área em recuperação com sistema agroflorestal,
em relação à pastagem na mesma localidade.
O índice pedológico de sustentabilidade reflete, também, que em algumas
localidades da microrregião de Governador Valadares, MG, onde se pratica a
agricultura familiar, com sistemas mais diversificados de produção, quando não
se utilizam queimadas e há preservação da cobertura vegetal nos topos dos
morros, os agroecossistemas apresentam melhores condições de sustentabilidade.
O índice pedológico de sustentabilidade proposto mostrou-se eficiente na
comparação entre os diferentes agroecossistemas; no entanto, precisa ser
aprimorado para que se possa incorporar a importância relativa de cada atributo
num determinado agroecossistema, dependendo do tipo de solo, posição na
paisagem, uso, etc. Uma possibilidade pode ser a incorporação dos desvios do
solo utilizado na avaliação da aptidão agrícola das terras (Ramalho Filho et
al.,1978). Por outro lado, o índice pedológico de sustentabilidade não pode ser
tomado isoladamente na avaliação da sustentabilidade de um agroecossistema.
Ele pode dar uma contribuição na avaliação da sustentabilidade ambiental. No
entanto, para uma avaliação mais completa da sustentabilidade é necessário
considerar outras dimensões como, a econômica, a social, a cultural, que não
fizeram parte dos objetivos desse trabalho.
58
4. CONCLUSÕES
A partir da pesquisa realizada sobre a ocupação e o uso do solo e sobre as
condições ambientais da microrregião de Governador Valadares, MG; e dos
dados analíticos sobre atributos físicos, químicos e ligados à matéria orgânica do
solo, obtidos de amostras de solos coletadas em nove áreas selecionadas, em três
localidades, representando a condição natural (mata) e os usos diferenciados
ocorrentes na região, é possível concluir que:
-
A forma predominante de ocupação e uso do solo na microrregião de
Governador Valadares, MG, com pastagens extensivas e uso constante de
queimadas,
causaram
degradação
do
solo,
tornando
evidente
sua
insustentabilidade ambiental;
-
O índice pedológico de sustentabilidade proposto mostrou-se eficiente na
comparação entre os diferentes agroecossistemas. No entanto, precisa ser
aprimorado, para que se possa incorporar a importância relativa de cada
atributo num determinado agroecossistema, dependendo do tipo de solo,
posição na paisagem, uso, etc.
-
As pastagens extensivas e, mesmo, as pastagens em pequenas propriedades
com uso intensivo de queimadas apresentaram os piores índices pedológicos
de sustentabilidade;
59
-
Nas localidades em que predominam a ocupação e o uso do solo por sistemas
de agricultura familiar, os agroecossistemas apresentaram melhores índices
pedológicos de sustentabilidade, refletindo, não só a forma de ocupação e uso
mas, também, em alguns casos, as melhores condições dos solos;
-
A recuperação de pastagens degradadas com sistema agroflorestal está
proporcionando melhorias nos atributos do solo, refletidas no índice
pedológico de sustentabilidade;
-
As formas de carbono da fração ácidos fúlvicos, carbono extraído e carbono
solúvel em água podem ser consideradas, num monitoramento a longo prazo,
como boas indicadoras da sustentabilidade dos agroecossistemas.
60
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66
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67
APÊNDICE
68
Tabela 1A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos físicos para os sistemas na localidade de Ilha Brava, microrregião de Governador
Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
AG
AF
ST
AR
AD
GF
UA
UR
200,00 258,81** 465,65**
0,30
1,75
EU
PT
DS
103,68** 370,49** 0,269**
DP
Sistema (SIS)
1
826,89**
43,56
64,22**
Erro (a)
4
26,06
2,56
2,61
24,78
2,30
8,76
24,67
0,95
4,83
8,08
0,006
0,004
Profundidade (PRO)
2
68,06**
3,39*
2,17
99,39**
3,41*
25,58*
8,57**
0,25
7,27**
5,36
0,003
0,007
PRO X SIS
2
0,39
5,39**
0,06
3,50
2,39
2,90
2,31*
0,01
0,32
42,70*
0,024**
0,002
Erro (b)
8
2,31
0,56
0,61
1,86
0,56
4,03
0,36
0,13
0,45
6,15
0,002
0,002
C.V.% (a)
15,68
10,75
44,07
10,18
7,78
4,91
29,92
42,06
10,68
5,48
6,70
3,62
C.V.% (b)
4,66
5,0
21,32
2,79
3,84
3,33
3,61
15,34
3,25
4,78
4,30
1,80
0,008
AG = areia grossa; AF = areia fina; ST = silte; AR = argila; AD = argila dispersa em água; GF = grau de floculação; UA = umidade atual; UR = umidade residual; EU = equivalente
de umidade; PT = porosidade total; DS = densidade do solo; densidade de partículas. *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
69
Tabela 2A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos físicos para os sistemas na localidade de Ilha Funda, microrregião de Governador
Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
AG
AF
ST
AR
AD
GF
UA
UR
EU
PT
DS
DP
Sistema (SIS)
2
341,15*
0,04
0,26
328,48*
22,70
41,59
7,86
0,90
11,60*
70,76
0,077
0,026
Erro (a)
6
44,04
0,63
2,78
43,70
22,06
193,98
7,22
0,76
1,93
18,22
0,016
0,005
Profundidade (PRO)
2
51,81**
1,15
5,48
34,26**
2,63
0,49
33,78**
0,24
17,88*
20,54
0,009
0,002
PRO X SIS
4
2,81
1,70*
1,43
1,26
2,20
8,18*
0,78
0,20
1,33
11,26
0,011
0,006
Erro (b)
12
4,26
0,52
2,89
4,37
0,98
2,45
0,71
0,19
2,89
7,77
0,004
0,003
C.V.% (a)
17,19
11,77
30,82
13,42
33,13
19,69
13,22
39,83
5,60
7,42
11,83
2,88
C.V.% (b)
5,35
10,68
31,43
4,24
6,99
2,21
3,97
19,85
6,86
4,85
6,00
2,08
AG = areia grossa; AF = areia fina; ST = silte; AR = argila; AD = argila dispersa em água; GF = grau de floculação; UA = umidade atual; UR = umidade residual; EU = equivalente
de umidade; PT = porosidade total; DS = densidade do solo; densidade de partículas. *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
70
Tabela 3A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos físicos para os sistemas na localidade do Córrego dos Desidérios, microrregião de
Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
AG
AF
ST
AR
AD
384,11** 221,96** 162,78
GF
UA
2076,93
76,20*
UR
EU
PT
DS
11,67** 131,79** 192,02** 0,146**
DP
Sistema (SIS)
3
295,48**
3,93
0,018*
Erro (a)
8
10,03
3,36
20,53
13,17
40,90
514,40
10,23
1,08
3,86
20,10
0,015
0,003
Profundidade (PRO)
2
46,33**
0,08
0,19
43,36**
16,49**
33,80
5,02
0,06
1,14
8,46
0,004
0,002
PRO X SIS
6
22,59*
2,12**
14,75*
1,32
1,69
19,83
8,02
0,58
3,04
9,35
0,007
0,004
Erro (b)
16
5,44
0,28
4,65
5,96
2,34
20,53
4,34
0,32
2,07
9,92
0,006
0,002
C.V.% (a)
5,73
22,00
32,23
16,29
68,61
38,36
15,51
33,97
10,09
7,81
11,44
2,16
C.V.% (b)
4,22
6,32
15,35
10,96
16,41
7,66
10,11
18,52
7,39
5,49
7,44
1,91
AG = areia grossa; AF = areia fina; ST = silte; AR = argila; AD = argila dispersa em água; GF = grau de floculação; UA = umidade atual; UR = umidade residual; EU = equivalente
de umidade; PT = porosidade total; DS = densidade do solo; densidade de partículas. *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
71
Tabela 4A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos químicos para os sistemas na localidade de Ilha Brava, microrregião de
Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
pH
K+
P
Ca2+
Mg2+
Al3+
H+Al
SB
CTCe
CTCt
m
V
Sistema (SIS)
1
0,36693 11,71 0,00246
0,036
0,003
0,781
2,880
0,038
0,474
2,255*
468,22
147,15
Erro (a)
4
0,16938
0,293
0,078
1,297
1,360
0,721
0,096
0,178
2025,65
499,13
Profundidade (PRO)
2
0,00309 9,84** 0,00511**
0,161
0,050*
0,129
0,102
0,483*
0,114*
0,926**
PRO X SIS
2
0,00002
0,32
0,00004
0,037
0,002
0,014
0,032
0,054
0,121*
0,168
28,55
11,10
Erro (b)
8
0,00863
0,68
0,00015
0,046
0,010
0,071
0,039
0,100
0,021
0,076
125,98
29,92
C.V.% (a)
9,15
32,34
6,18
69,18
82,83
76,59
35,34
51,41
15,13
10,93
62,89
52,72
C.V.% (b)
2,0
15,17
14,08
66,66
64,16
18,67
6,0
56,38
7,14
7,12
15,68
37,39
3,07
0,00294
+
2+
3+
764,84* 165,87*
pH = potencial de hidrogênio; P = fósforo disponível; K = potássio trocável; Ca = Cálcio trocável; Al = alumínio trocável; H+Al = acidez potencial; SB = soma de bases;
CTCe = capacidade de troca catiônica efetiva; CTCt = capacidade de troca catiônica total a pH 7,0; m = saturação por alumínio; V = saturação por bases. *, ** = significativo a 5 e
1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
72
Tabela 5A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos químicos para os sistemas na localidade de Ilha Funda, microrregião de
Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
pH
P
K+
Ca2+
Mg2+
Al3+
H+Al
SB
CTCe
CTCt
m
V
Sistema (SIS)
2
0,0721
0,286
0,0109
0,019
0,00097
0,302
1,434*
0,066
0,089
0,930*
124,60
35,33
Erro (a)
6
0,0192
0,574
0,0086
0,006
0,00032
0,264
0,153
0,034
0,128
0,104
73,24
14,89
Profundidade (PRO)
2
0,0010
0,025*
0,00335**
0,039
0,585*
0,117**
0,111**
PRO X SIS
4
0,0188*
0,353
0,0011
0,004
0,00009
0,010
0,066**
0,139
23,94
5,26
Erro (b)
12
0,0052
0,120
0,0009
0,005
0,00007
0,013
0,066
0,011
0,007
0,073
19,21
3,94
C.V.% (a)
3,16
26,19
74,67
111,65
51,84
20,07
7,97
81,08
12,82
6,30
9,35
86,15
C.V.% (b)
1,64
11,97
24,83
94,74
24,33
4,42
5,26
45,46
3,00
5,26
4,79
44,33
1,363** 0,0158**
+
2+
0,110** 0,200
3+
1,086** 147,28** 35,96**
pH = potencial de hidrogênio; P = fósforo disponível; K = potássio trocável; Ca = Cálcio trocável; Al = alumínio trocável; H+Al = acidez potencial; SB = soma de bases;
CTCe = capacidade de troca catiônica efetiva; CTCt = capacidade de troca catiônica total a pH 7,0; m = saturação por alumínio; V = saturação por bases. *, ** = significativo a 5 e
1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
73
Tabela 6A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos químicos para os sistemas na localidade do Córrego dos Desidérios, microrregião
de Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
pH
P
3,2201** 27,25**
K+
Ca2+
Mg2+
Al3+
H+Al
0,335**
65,33**
3,823*
1,666**
4,029
SB
CTCe
CTCt
m
V
111,93** 89,51** 122,92** 8081,5** 6167,8**
Sistema (SIS)
3
Erro (a)
8
0,0901
3,52
0,035
2,35
0,858
0,029
1,209
5,28
4,94
Profundidade (PRO)
2
0,0017
11,98**
0,069**
5,88**
0,678**
0,089**
0,130
12,27**
10,40**
10,09** 800,96** 695,30**
PRO X SIS
6
0,0076
0,41
0,016*
1,04*
0,079*
0,021**
0,143
1,74**
1,92**
1,46**
233,32**
38,28
Erro (b)
16
0,0054
0,67
0,005
0,34
0,023
0,004
0,138
0,37
0,35
0,19
16,25
22,26
C.V.% (a)
5,55
37,78
50,61
52,11
21,37
38,86
34,82
56,41
49,27
27,10
43,01
32,03
C.V.% (b)
1,36
16,47
19,82
19,83
19,74
14,81
11,76
14,90
13,03
5,97
16,54
10,33
+
2+
3+
3,84
109,93
213,92
pH = potencial de hidrogênio; P = fósforo disponível; K = potássio trocável; Ca = Cálcio trocável; Al = alumínio trocável; H+Al = acidez potencial; SB = soma de bases;
CTCe = capacidade de troca catiônica efetiva; CTCt = capacidade de troca catiônica total a pH 7,0; m = saturação por alumínio; V = saturação por bases. *, ** = significativo a 5 e
1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
74
Tabela 7A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos ligados a matéria orgânica para os sistemas na localidade de Ilha Brava,
microrregião de Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
COT
NT
Po
NTC
PoC
C/N
C/P
Sistema (SIS)
1
3,835*
0,0036
1,46
8,08
0,045
56,27
414515,80
Erro (a)
4
0,334
0,0002
2720,35
2,25
0,048
27,82
334172,90
Profundidade (PRO)
2
0,570
0,0013
1834,11
2,12
0,016
20,46
146781,70
PRO X SIS
2
0,039
0,0003
200,52
1,80
0,013
16,12
43834,23
Erro (b)
8
0,152
0,0015
493,04
4,93
0,017
29,01
74385,06
C.V.% (a)
26,30
9,20
90,11
23,17
78,87
31,31
107,83
C.V.% (b)
17,77
28,28
38,36
34,26
46,67
31,97
50,88
COT = carbono orgânico total; NT = nitrogênio total; Po = fósforo orgânico; NTC = nitrogênio total em relação ao carbono (%); PoC = fósforo orgânico em relação ao carbono (%);
C/N = relação carbono/nitrogênio; C/P = relação carbono/fósforo. *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
75
Tabela 8A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos ligados a matéria orgânica para os sistemas na localidade de Ilha Funda,
microrregião de Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
COT
NT
Po
NTC
PoC
C/N
C/P
Sistema (SIS)
2
1,938**
0,0016
334,87
3,05
0,0375
31,79
90223,31
Erro (a)
6
0,124
0,0027
859,75
1,79
0,0126
31,97
24103,78
Profundidade (PRO)
2
0,664*
0,0038
877,11
1,30
0,0012
22,25
10192,68
PRO X SIS
4
0,062
0,0008
530,19
1,30
0,0097
11,41
14353,96
Erro (b)
12
0,014
0,0015
541,53
2,69
0,0070
28,25
37935,98
C.V.% (a)
12,76
33,40
44,71
23,52
46,01
30,10
32,68
C.V.% (b)
13,71
24,62
35,49
28,78
34,15
28,25
41,00
COT = carbono orgânico total; NT = nitrogênio total; Po = fósforo orgânico; NTC = nitrogênio total em relação ao carbono (%); PoC = fósforo orgânico em relação ao carbono (%);
C/N = relação carbono/nitrogênio; C/P = relação carbono/fósforo. *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
76
Tabela 9A – Resumo das análises de variância dos dados de atributos ligados a matéria orgânica para os sistemas na localidade do Córrego dos
Desidérios, microrregião de Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
COT
NT
Po
NTC
PoC
C/N
C/P
Sistema (SIS)
3
17,100**
0,040**
122055,30**
1,48
0,261
8,79
102914,20**
Erro (a)
8
0,628
0,005
5944,38
1,46
0,066
20,32
6449,48
Profundidade (PRO)
2
7,300**
0,004
1177,96
6,91
0,165*
94,46
34698,63*
PRO X SIS
6
0,544
0,002
2418,56
3,45
0,017
26,79
8772,19
Erro (b)
16
0,455
0,003
2490,39
2,71
0,029
34,49
8390,08
C.V.% (a)
20,50
32,60
38,33
20,70
50,95
24,24
31,88
C.V.% (b)
17,45
25,40
24,81
28,26
33,57
31,58
36,36
COT = carbono orgânico total; NT = nitrogênio total; Po = fósforo orgânico; NTC = nitrogênio total em relação ao carbono (%); PoC = fósforo orgânico em relação ao carbono (%);
C/N = relação carbono/nitrogênio; C/P = relação carbono/fósforo. *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente, pelo teste F.
77
Tabela 10A – Resumo das análises de variância dos dados de formas de carbono para os sistemas na localidade de Ilha Brava microrregião de
Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
FHU
FAH
FAF
Cmol
CExt
Csol
Cbm
Cmi
FAH+FAF
FHU
FAH
FAF
qCO2
Sistema (SIS)
1
288,19
29,67
0,22
413,39
23,19**
11,280**
2,680*
0,448
0,043
0,136
0,00015
Erro (a)
4
79,16
27,96
4,96
82,89
0,55
0,268
0,335
0,165
0,007
0,139
0,00014
Profundidade (PRO)
2
258,10
58,29**
20,53
82,19**
3,67*
0,752
0,513
0,031
0,023
0,458**
0,00034
PRO X SIS
2
24,85
1,56
2,37
17,79
1,33
0,100
0,062
0,469
0,002
0,007
0,00029
Erro (b)
8
208,02
5,13
9,84
4,28
0,51
0,171
0,382
0,184
0,014
0,028
0,00029
C.V.% (a)
12,39
43,76
13,60
70,97
16,78
24,63
40,89
31,12
20,45
48,28
32,61
C.V.% (b)
20,09
18,75
19,16
16,12
16,16
19,70
43,66
32,88
28,58
21,69
47,80
FHU = fração humina; FAH = fração ácidos húmicos; FAF = fração ácidos fúlvicos; Cmol = carbono da matéria orgânica leve; CExt = carbono extraído; Csol = carbono solúvel em
água; Cbm = carbono da biomassa microbiana; Cmi = carbono mineralizável; qCO2 = quociente metabólico (Cmi(dia)/Cbm). *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade,
respectivamente, pelo teste F.
78
Tabela 11A – Resumo das análises de variância dos dados de formas de carbono para os sistemas na localidade de Ilha Funda, microrregião de
Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
FHU
FAH
FAF
Cmol
CExt
Csol
Cbm
Cmi
FAH+FAF
FHU
FAH
FAF
qCO2
Sistema (SIS)
2
86,93*
160,05**
55,93*
218,10
3,240*
0,568
0,655
2,140*
0,048**
0,907*
0,00075
Erro (a)
6
15,22
2,84
10,63
263,20
0,413
0,272
0,133
0,218
0,004
0,102
0,00053
Profundidade (PRO)
2
135,50
180,89**
40,97*
151,24
1,600*
1,400*
0,052
0,080
0,030
1,305**
0,00006
PRO X SIS
4
188,94
17,20
5,06
19,98
0,059
0,269
0,094
0,186
0,015
0,112
0,00069
Erro (b)
12
187,72
16,12
7,29
63,28
0,411
0,267
0,166
0,127
0,020
0,054
0,00023
C.V.% (a)
6,26
9,68
18,61
113,27
19,38
20,67
32,54
39,37
11,31
29,85
60,85
C.V.% (b)
21,98
23,03
15,41
55,54
19,33
20,46
36,35
30,05
24,59
21,73
39,91
FHU = fração humina; FAH = fração ácidos húmicos; FAF = fração ácidos fúlvicos; Cmol = carbono da matéria orgânica leve; CExt = carbono extraído; Csol = carbono solúvel em
água; Cbm = carbono da biomassa microbiana; Cmi = carbono mineralizável; qCO2 = quociente metabólico (Cmi(dia)/Cbm). *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade,
respectivamente, pelo teste F.
79
Tabela 12A – Resumo das análises de variância dos dados de formas de carbono para os sistemas na localidade do Córrego dos Desidérios
microrregião de Governador Valadares, MG
FV
Quadrado Médio
GL
FHU
FAH
FAF
146,91** 560,19**
Cmol
CExt
Csol
Cbm
Cmi
FAH+FAF
FHU
FAH
FAF
qCO2
570,71
10,535**
3,709**
2,534**
1,286*
0,086*
18,72**
0,0908
Sistema (SIS)
3
7,95
Erro (a)
8
124,76
17,63
11,65
296,66
0,208
0,168
0,291
0,185
0,016
0,906
0,0276
Profundidade (PRO)
2
81,86
8,57
56,87**
133,80
3,614**
1,745**
1,235
0,487**
0,001
0,150
0,0249*
PRO X SIS
6
128,09
36,44*
13,57*
31,60
0,677*
0,303**
0,344
0,224*
0,005
0,485
0,0111
Erro (b)
16
294,53
10,90
3,81
61,93
0,180
0,053
0,346
0,065
0,014
0,846
0,0064
C.V.% (a)
16,07
23,39
24,78
134,58
28,53
38,90
87,86
38,19
26,88
46,76
125,10
C.V.% (b)
24,70
18,39
14,18
61,49
26,50
21,84
95,91
22,71
25,21
45,20
60,25
FHU = fração humina; FAH = fração ácidos húmicos; FAF = fração ácidos fúlvicos; Cmol = carbono da matéria orgânica leve; CExt = carbono extraído; Csol = carbono solúvel em
água; Cbm = carbono da biomassa microbiana; Cmi = carbono mineralizável; qCO2 = quociente metabólico (Cmi(dia)/Cbm). *, ** = significativo a 5 e 1% de probabilidade,
respectivamente, pelo teste F.
80
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uso e degradação de solos na microrregião de governador