|59 PARTE II | O RUGIDO DO LEÃO DO NORTE | A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE V A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE RAÍZES DA SOCIEDADE Áreas já densamente povoadas quando do início da expansão marítima européia (...); zonas de povoamento e colonização européia, onde se estruturam economias complementares ao capitalismo mercantil europeu, fornecedoras, sobretudo, de produtos tropicais e metal nobre (a América é, por excelência, o teatro da ação colonizadora européia durante o primeiro sistema colonial); e, finalmente, a África, fornecedora de força de trabalho escravizada (...). Novais, 1986, p. 33. “Para o fidalgo, todo comércio cheira a judaísmo.” O Pernambuco colonial, como é óbvio, pertenceu ao segundo Cervantes, em Dom Quixote grupo, onde predominaram os europeus de etnia branca. Principalmente portugueses, mas não só estes. Tratou-se de uma P ernambuco tem intérpretes de sua sociedade que até sociedade moldada pela lógica simplista e monopolista do transcendem, vários deles, as fronteiras desta própria Sistema Colonial. Eficiente para a acumulação de capital, porém sociedade em termos de renome e reconhecimento nacional e terrível para o sistema social. E, mesmo que os traços culturais internacional: Gilberto Freyre, José Antônio Gonsalves de Mello, europeus tenham prevalecido, devemos levar em conta que não Oliveira Lima, Pereira da Costa, Armando Souto Maior, Flávio poderia ser uma pequena Europa ou uma Nova Lusitânia, como Guerra, Amaro Quintas, Evaldo Cabral de Mello, Vamireh Chacon, sonhara Duarte Coelho, pelo simples fato de que a base Manuel Correia de Andrade, Paulo Cavalcanti, Socorro Ferraz, monopolista da plantation escravocrata não o permitiria. Era José Luiz Menezes, Nilo Pereira e muitos outros. De todos, poder- outra sociedade que se estava construindo. se-ia dizer que demonstram, cada qual, sua visão de conjunto para a realidade pernambucana. Ou dizer de cada um o que Fernando de Mello Freyre disse de forma tão feliz sobre Pereira da Costa: “A verdade é que se pode dizer de Pereira da Costa, parodiando Terêncio, que nada de Pernambuco lhe foi estranho” O comércio colonial permitiu, na realidade, uma ampla acumulação de riquezas, mas, em compensação, não estimulou a organização do trabalho, à maneira especificamente ocidental, de vez que se apoiava em princípio espoliativo, e não em cálculo de rentabilidade baseado nas possibilidades do mercado. Weber, 1980, p. 137. (Freyre, 1999, p. 18). A identidade sociocultural pernambucana foi forjada, Talvez a posição de Weber seja radical para a realidade inicialmente, ainda no período colonial. Transformações muito pernambucana, pois sabe-se da planificação produtiva desta importantes, como as novas levas de imigrantes, a urbanização capitania nos primeiros tempos, mas o que interessa na citação e o êxodo rural, ocorreram nessas últimas dezoito décadas após é o destaque para o diferencial entre a colônia e sua metrópole: a Independência, mas a base colonial ainda marca, e muito, a a base organizativa do trabalho. Além disso, os olhos da elite vida cotidiana dos pernambucanos. Foram quase três séculos local eram olhos fidalgos ou pretensamente fidalgos: estavam sob o Sistema Colonial e quase quatro séculos vivendo numa naturalmente voltados para os privilégios nobiliárquicos. Sempre economia baseada na coerção do trabalho escravo. É um passado que puderam, os fidalgos buscaram os necessários prestígios marcante, de onde se podem tirar informações preciosas para o das honras da corte, que podiam ir desde um título de familiar fazer empreendedor dos nossos dias. Essa origem pode e deve do Tribunal do Santo Ofício da Inquisição (espécie de “espião” agora ser encarada com o desprendimento que o século XXI e a não remunerado) a um alto título ou cargo na Corte. E era uma Nova Economia exigem. Os novos tempos demandam um novo época boa para isso: o fidalgo, assim feito por “obras” e saber sobre a História de Pernambuco. merecimentos — como o próprio Duarte Coelho, que servira ao Fernando Novais, um dos mais importantes especialistas Império como soldado, obtendo distinções — tinha novos no tema da colonização, demonstra que ela ocorreu em três concorrentes: os feitos pelo poder do dinheiro. Eduardo D’Oliveira quadros diversos: França vaticinou a esse respeito: 60| PARTE II | O RUGIDO DO LEÃO DO NORTE | A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE Para os fidalgos, a situação parecia ainda pior, porque, em lugar do valor e das obras, outro critério para recompensas se insinuava em seu desprestígio: o dinheiro. Escrevendo em 1642, o autor da Arte de Reynar denunciava o mal: “outro gênero de nobreza tem o tempo introduzido, ou a cobiça dos homens inventado, que só tem por nobre o que é rico (...)”. Sim, os homens enriquecidos no tráfico ou na administração colonial vinham pleitear distinções, cercados de deferências e afagos, enquanto os fidalgos de nascimento vegetavam impotentes. As honras compradas não tinham valor, e juntar dinheiro por meios pouco honestos, para havê-las, era um dano. Verdade, porém, é que essa gente, explorando a venalidade de corte, ia se sobrepondo aos discretos e orgulhosos descendentes da fidalguia de antanho. França, 1997, p. 195. valores antigos da fidalguia e a obtenção de um meio para ascender na sociedade portuguesa. Num antagonismo tal que nos leva a conjeturar se teria existido um tipo social que era uma espécie de fidalgo capitalista, com as devidas ressalvas em relação ao empreendedor ascético protestante analisado e tipificado por Weber (2004). O apego aos valores dos fidalgos levaria a Espanha, mais tarde, ao atraso e à perda de espaço e poder na Europa para... os holandeses, dentre outros povos que a suplantaram. Cervantes havia resumido bem este dilema em Dom Quixote: “para o fidalgo, todo comércio cheira a judaísmo” (in Méchoulan, 1992, p. 65). Os valores e princípios da fidalguia colonial eram, portanto, SOCIEDADE centrados nos ganhos financeiros e de capital. Não era, veja-se bem, uma “burguesia nascente” com consciência disso. Mesmo DE CLÃS OU DE EMPREENDEDORES? assim, isso fez a diferença onde esse espírito paracapitalista teve quem o coordenasse e soubesse tirar o melhor dele. Era um fidalguia portuguesa detestava sujar as mãos com a aventura da E empresa colonial. Tal divisão na sociedade cortesã portuguesa Corte. A muitos parece hoje estranho que a mesma elite explica o mercantilismo português e a primazia deste povo na empreendedora fosse partícipe da ação inquisitorial (excetuados Expansão Comercial Colonial. Por uma curiosa ironia da história, os cristãos-novos, que não eram poucos) e tão demandante das os fidalgos (ou os pretendentes à fidalguia) descapitalizados de benesses da Coroa. Essa contradição é apenas aparente, pois o Portugal foram buscar empréstimos vultosos entre os banqueiros seu empreendedorismo não nasceu de uma ruptura com o antigo dos Países Baixos e cercanias. Estes, sim, já cultivavam o “espírito” conjunto de valores, mas da necessidade dialética de encontrar e os valores do capitalismo moderno nascente e tinham como meios de ascensão social nas brechas desse mesmo conjunto objetivo tático a criação de uma rede mercantil-financeira capaz valorativo hegemônico à época. Afinal, se não se nascera um de dar horizontes aos projetos de empreendimento de uma classe fidalgo rico com rendas imemoriais, tinha-se de inebriar a Corte empresarial que não poderia ficar restrita às suas terras pequenas, com a prata ou com o ouro branco dos novos empreendimentos. muitas das quais tomadas ao mar por aterros e diques. Foi a essa Era um caminho para obter prestígio e poder, mas carregava em nova elite capitalista que acorreram os colonizadores portugueses si as contradições que fariam a velha sociedade ruir séculos mais para financiar o empreendimento açucareiro. Num livro muito tarde. A “felicidade” de Pernambuco foi ter vivido de pronto, logo interessante, chamado Dinheiro & Liberdade: Amsterdam no no primeiro século de sua história, dois episódios que tempo de Spinoza, Henry Méchoulan (1992) definiu o empresário incrementaram os empreendimentos planificados: a administração holandês com a linguagem do tempo presente (século XVII): “Assim, de Duarte Coelho com seus familiares e, mais tarde, o comando o mercador de Amsterdam contribui para uma nova visão do do Conde de Nassau sobre os holandeses invasores. capitalismo envergonhado e com sentimento de culpa, pois a velha ssa divisão de valores explica a dependência “ideológica” da elite colonial pernambucana em relação aos valores da mundo, que não pára de surpreender os contemporâneos. Tece, Mesmo em obras mais descritivas e narrativas que ele, uma imensa rede, que reúne e estimula as energias” conceituais, essa dualidade entre fidalguia e empreendimento (Méchoulan, 1992, p. 63). foi vista como uma singularidade. Sobre o período final do O fidalgo português, que foi para Pernambuco como empreendedor era um homem dual, tendo de viver entre os primeiro século, Flávio Guerra, recordando o argumento de Oliveira Lima, percebeu que: |61 PARTE II | O RUGIDO DO LEÃO DO NORTE | A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE Assim, já ia aos poucos se definindo uma personalidade colonial. Mesmo aqueles que haviam chegado do Reino como degredados, ou de lá fugindo apavorados com medo da Inquisição, iam, nas novas terras, como disse Oliveira Lima, deixando-se absorver pela ação despótica do solo, criando raízes e ficando presos às suas fábricas de açúcar, em que haviam empenhado todos os seus capitais salvos da pátria longínqua, ou conseguidos através de altos empréstimos, pois cada engenho pronto para entrar em funcionamento, incluindo a escravaria negra, ia pela casa dos 10 mil cruzados. Caracterizavase, destarte, uma população pernambucana já em embrião. Guerra, 1984, p. 39. O esquema tenta sintetizar o funcionamento básico da sociedade pernambucana até o início da República. Seu lócus era a unidade territorial e psicossocial básica de Pernambuco: o engenho de cana. Em cada engenho, capitaneada por um senhor, desenvolviase uma família “clânica” de nobreza autodeclarada que satelitizava outras famílias de protegidos (a “classe média” incipiente do engenho que cuidava das tarefas intermediárias, como gerenciamento, comércio e aquelas de profissões liberais...) e reinava soberana sobre a população geral, “o povão”, na Pernambuco surgia nesse misto de empreendimentos, empréstimos vultosos, vinda de desterrados por motivos expressão consagrada pela imprensa, ou os “moradores do andar de baixo”, na irônica expressão do jornalista Elio Gaspari. religiosos, alguns fidalgos e outros desejosos de sê-lo e muitos escravos, índios (no início) e negros. O resultado seria uma sociedade com camadas sociais dominantes por caráter hereditário no critério da parentela. Ou seja, “castas” formadas por parentesco e etnia. Em torno de cada casta familiar, um grupo de famílias-satélites. Com o passar do tempo, constituiu-se uma sociedade baseada em unidades fortes, autoritária e patriarcal, mas organicamente dividida, onde cada família, como uma espécie de “clã”, passou a ter os seus representantes institucionais e políticos, influentes, mas com dificuldade de defender algo mais que sua base. Daí a enigmática frase de Capiba: “O pernambucano é uma espécie de gente muito orgulhosa, mas não defende sua A estrutura “clânica”, entretanto, não era absoluta em termos de valores de convívio social. De um lado, uma certa frouxidão nos costumes morais, tão bem captada e analisada por Gilberto Freyre (1999). De outro, a pressão racionalizadora da dívida financeira feita com um dos países mais dinâmicos do capitalismo moderno de então: a Holanda, fortemente influenciada pelo calvinismo e, ao mesmo tempo, solo livre para tantas culturas e “gentes” das mais diversas origens e crenças, inclusive judeus. Região ainda periférica à rica Península Ibérica, a Holanda estaria à frente de portugueses e espanhóis cem anos depois. Esse convívio distante dos pernambucanos com um dos pólos mais vibrantes da economia de mercado nascente se tornaria vivência diária, mesmo que ambígua, após a invasão holandesa. terra, seus costumes nem sua história”. A E REALIDADE DA ESCRAVIDÃO nquanto marca principal definidora das bases sobre as quais se davam as relações sociais em Pernambuco, a escravidão chegou cedo — e para ficar por séculos. Para viabilizar a nova atividade econômica que começava a desenvolver-se em maior escala (afinal, depois da colonização do vale do Beberibe, vieram, em seqüência, as colonizações dos vales do Capibaribe, de Jaboatão, de Ipojuca, de Serinhaém, do Una, do Mundaú, do Manguaba...), Duarte Coelho (que fora “guarda-costas” do Atlântico e conhecia a dinâmica do processo escravista na Europa) solicitou ao rei de Portugal que autorizasse a importação de alguns negros para Pernambuco, inaugurando, assim, a escravidão negra no Brasil. 62| PARTE II | O RUGIDO DO LEÃO DO NORTE | A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE Diferentemente do índio americano, o negro africano já havia chegado à “idade dos metais” e praticava uma agricultura mais sofisticada, empregando os vencidos como mão-de-obra escrava. O Brasil tem o corpo na América e a alma na África... Sem Angola não há negros. E sem negros não há Pernambuco. Depois dessa primeira importação, o sucesso da iniciativa foi tanto que o tráfico de escravos negros viria a transformar-se num negócio dos mais rendosos do período colonial. Adquiridos a comerciantes negros de outras etnias (que pertenciam a nações africanas diferentes e falavam línguas diferentes) por preços baixos (às vezes trocados por fumo ou Padre Antonio Vieira cachaça), nos portos litorâneos africanos controlados pelos portugueses, os negros cativos eram transportados a custos mínimos, como animais, em navios negreiros. Estatísticas da época dão conta de que a “perda” no transporte equivalia a 30%. Aqui, eram vendidos a altos preços, na maioria das vezes a prazo e sob juros exorbitantes. O negócio era tão bom e tão necessário à economia colonial que os próprios holandeses, que em sua terra não praticavam o escravagismo — e até o condenavam —, ao invadirem Pernambuco, não só passaram a adotá-lo, como estimularam o tráfico, conquistando os portos exportadores (São Jorge da Mina, São Tomé, Angola). O objetivo da conquista era o de garantir o suprimento de mão-de-obra negra à produção do açúcar. Além do trabalho na lavoura e na fabricação do açúcar e da cachaça, os escravos, sobretudo as mulheres, eram utilizados, estrito e lato senso, no trabalho doméstico da casa grande. Sendo a escrava considerada propriedade do senhor de engenho, ele julgava-se no direito de dispor dos seus serviços quando e da forma que achasse conveniente. Na sociedade patriarcal, o dono da terra se achava, também, no direito de não guardar fidelidade à esposa. Gilberto Freyre chega a falar de “donjuanismo” português. A prática das relações sexuais entre patrão e escrava era não só considerada normal quanto estimulada como uma forma simples de ampliar o povoamento do novo território. Pesquisas recentes feitas pelo geneticista mineiro Sérgio Pena dão conta de que 80% da nossa constituição genética, por parte de mãe, é de origem índia ou negra. A prática das relações e da miscigenação era tão disseminada e considerada “natural” que eram comuns quadras populares do tipo: PARTE II | O RUGIDO DO LEÃO DO NORTE | A CONSTRUÇÃO DA SOCIEDADE A branca para casar A negra para trabalhar A mulata para namorar. |63 da maneira mais aproximada à realidade que o País apresenta hoje. Para ele, o Brasil foi palco de uma desidentificação cultural, imposta a mestiços que se desabilitavam dos grupos a que Até a crendice popular da época aliava a conveniência com o inicialmente pertenciam. O não-branco, não-negro e não-índio — sadismo, próprio de quem se julga com poderes de vida e morte todos possíveis, até mesmo num só indivíduo — foram formando sobre os outros: era comum o hábito de fazer com que os jovens a maioria do nosso povo ao passar dos séculos coloniais. Essa senhorzinhos, quando atacados por doenças venéreas, gente é o grande desafio de integração social da Nação Brasil. “descarregassem” a doença numa jovem negra virgem para se curar... Em face desse quadro de dominação ferrenha, não é de se estranhar a ocorrência de revoltas e levantes, tanto de índios, no início, quanto de negros, a partir do final do século XVI. Se há alguma coisa de se estranhar é que tenham sido tão poucos, pelo menos os oficialmente registrados! O mais famoso desses levantes foi o chamado Quilombo dos Palmares (sul de Pernambuco, a partir do Cabo de Santo Agostinho, até o norte de Alagoas e Garanhuns, a oeste), que se fez célebre pela resistência empreendida e pela bravura e liderança do seu “rei”, GangaZumba. Zumbi dos Palmares, líder de uma resistência tenaz, é símbolo dessa história de horror e libertação. A organização social dos quilombos era uma mistura das tradições africanas com as da zona rural da colônia. Por ocuparem zonas de floresta, praticavam a colheita e a agricultura básica de subsistência, inclusive da maconha, que já era utilizada largamente na região, estimulada pelos senhores de engenho, sobretudo na entressafra, quando era menos intenso o ritmo de trabalho. Contra o quilombo (que era, na realidade, uma confederação de aldeias negras, os chamados “mocambos”), organizaram-se expedições patrocinadas por vários governos e chegou-se, mesmo, a arregimentar o célebre bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. Velho era conhecido por sua rudeza incomum, mesmo numa colônia tão rude: dizia-se que nem português falava, precisando andar com intérprete a tiracolo. E ainda devotava ódio aos índios e negros. Todavia, o quilombo sobreviveu por mais de um século e só veio a ser considerado extinto no final do século XVII, deixando o exemplo, que foi seguido por diversos levantes semelhantes, inclusive revoltas não propriamente negras mas inspiradas pelo mesmo espírito meio anárquico e popular (a Cabanagem, no Pará; a Balaiada, no Maranhão; a Guerra dos Cabanos, em Pernambuco e Alagoas). Dentre os que analisaram a formação da sociedade brasileira, foi Darcy Ribeiro (1997) que considerou a questão da identidade Simultaneamente, ia surgir, no Nordeste açucareiro, uma nova formação de brasileiros. Compostos originalmente de mamelucos ou brasilíndios, gerados pela mestiçagem de europeus com índios, logo se desdobrou pela presença precoce e cada vez mais maciça de escravos africanos. Inclusive umas contadas mulheres que passaram a gerar mulatos e mulatas que já nasciam protobrasileiros por carência, uma vez que não eram assimiláveis aos índios, aos europeus e aos africanos e aos seus mestiços. Ribeiro, 1997, p. 96.