VI Fórum de Produção Discente – Resumos das apresentações Área de concentração: Estudos Linguísticos Norma e ensino do português no contexto moçambicano Autora: Ermelinda Lúcia Atanásio Mapasse Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Faraco Debatedora: Prof.ª Dr.ª Clóris Porto Torquato A partir de pressupostos sociolinguísticos, sobre questões que envolvem variação linguística com implicações diretas no ensino da língua, o objetivo da pesquisa é analisar a percepção, a aplicação e a atitude que os professores de língua portuguesa, com o nível de licenciatura, fazem/têm em relação à variedade culta do português de Moçambique e ao uso que eles e os seus alunos fazem da norma do português europeu. Como suporte teórico a pesquisa apoiar-se-á em estudos feitos sobre a importância da distinção dos conceitos de norma culta e norma padrão (Faraco: 2008); em estudos referentes ao redimensionamento da noção de “erro” linguístico baseada na perspetiva de variação linguística (Stroud 1997:9); e em estudos que defendem a educação baseada na variação linguística, no sentido de contacto entre diferentes variedades da mesma língua, assim como a inclusão da componente de sociolinguística educacional na formação de professores, como forma de dotar os futuros professores de uma pedagogia que ensine as variedades cultas sem desvalorizar as outras variedades da mesma língua (Bortoni-Ricardo:1992). Do ponto de vista metodológico, a pesquisa pautará pelos parâmetros das abordagens quantitativa e qualitativa. Para a coleta de dados foi utilizado um teste de julgamento linguístico e um questionário. O trabalho terá como estrutura cinco capítulos, para além da introdução, conclusão e recomendações, bibliografia e os apêndices. O capítulo 1: Norma e padronização linguística - com o objetivo de explicitar os conceitos de norma linguística e discutir a sua importância para o ensino da língua portuguesa no contexto moçambicano e de apresentar aspetos principais do processo de padronização linguística e as consequências deste processo para o ensino da língua portuguesa no contexto moçambicano. O capítulo 2: Aquisição/aprendizagem de L2 e o ensino da língua portuguesa em Moçambique – com o objetivo de apresentar diferentes abordagens de ensino de língua. Capitulo 3: Metodologia de pesquisa – com o objetivo de explicitar os procedimentos metodológicos adotados para a consecução da pesquisa. Capítulo 4: Análise e interpretação dos dados – com o objetivo de mostrar e comentar os resultados do estudo e discuti-los na base das hipóteses formuladas. Capítulo 5: Proposta pedagógica e estratégias de ensino da língua portuguesa no contexto moçambicano – com o objetivo de estabelecer uma VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR proposta pedagógica de ensino que inclua as características culturais e linguísticas na cultura escolar. Palavras-chave: Norma linguística. Ensino. Erro linguístico. Variação linguística. Convergências e diferenças no ensino da Intercompreensão e do FLE: concepção de material pedagógico e experiência em contexto brasileiro (UFPR, Curitiba). Autora: Sara Valente Orientadora: Prof.ª Dr.ª Lúcia Peixoto Cherem Debatedor: Prof. Karine Marielly Esta dissertação do duplo mestrado Grenoble-Curitiba, especialidade FLE profissional, fala sobre a análise da relação de complementariedade e convergência entre o ensino do FLE e da Intercompreensão em Línguas Românicas (de agora para frente IC). Mais especificamente, a dissertação visa a responder à seguinte problemática: a IC pode resultar na aprendizagem do FLE ? Se sim, de que forma ? E reciprocamente, o FLE pode ser uma porta de entrada para a IC? Se sim, como ? Referindo-me à minha experiência de estágio profissional no Celin/UFPR de Curitiba (Brasil) como professora de FLE e de IC, apresento os dois tipos de público das duas disciplinas e as atividades criadas e testadas em aula. A metodologia da coleta de dados prevê principalmente duas ferramentas: dois questionários (um para o público do FLE, outro para o público de IC) e o diário das aulas. Trata-se de dois públicos bastante diferentes em relação ao perfil linguístico e às expetativas do curso. O objetivo prático desse projeto é a criação de um «método de intercompreensão», composto pelo livro do aluno e livro do professor, a fim de que outros professores possam utilizar o material produzido e testado. Como suporte do curso foi utilizada também uma plataforma comum para compartilhar comentários, reflexões linguísticas e culturais. No meu caso, utilizei Facebook devido à popularidade e à facilidade de acesso, mas poderia ter sido outra plataforma como Moodle. A dissertação se desenvolve em quatro partes : antes de tudo, uma descrição do contexto geral do estágio, seguida pela apresentação do projeto, dos objetivos, da metodologia e dos desafios que tive que enfrentar ao longo da aulas. Uma terceira parte é focalizada na descrição prática e na análise crítica das aulas de IC e, finalmente, um balanço e algumas reflexões sobre as possíveis convergências entre as duas disciplinas e o futuro da IC na América Latina concluem o trabalho. Palavras-chaves: FLE, Intercompreensão, Línguas Românicas, Didática das Línguas, Perfil linguístico. O lugar e o espaço da sistematização linguística dentro do ensino por tarefas VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR Autora: Lis Helene Skrzypiec Andrade Orientadora: Prof.ª Dr.ª Lúcia Peixoto Cherem Debatedor: Prof. Dr. Francisco Fogaça Cada abordagem de ensino desenvolvida em busca de uma solução definitiva para o ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras trouxe inerente uma concepção teórica de língua. Atualmente, na área de Português para estrangeiros, procura-se utilizar o ensino baseado em tarefas. Este uso é influenciado pelo efeito retroativo exercido pelo exame Celpe-Bras, exame de proficiência em língua portuguesa, cujo objetivo é o de convidar o candidato a interagir no mundo usando a linguagem com um propósito social, organizado em torno de quatro tarefas escritas que envolvem as quatro habilidades de forma integrada (SCARAMUCCI, 2003). Várias são as definições para ensino por tarefas dependendo do pesquisador, porém todas giram em torno de um eixo comum que é o de ensinar o aprendiz a utilizar a língua de maneira significativa e com um propósito social, a construir significados em língua estrangeira. Nesse método a língua está inserida em um contexto concreto e não em um sistema abstrato e é organizada dentro do discurso, que é social e historicamente construído e organizado em formas mais ou menos estáveis, nos chamados gêneros discursivos (BAKHTIN, 2003). Além disso, é importante considerar que todo ato enunciativo é composto por dois movimentos: um explícito que se refere à simbolização referencial e um implícito, à significação do discurso (CHARAUDEAU, 2010). Da mesma forma, há uma diversidade de desenhos de tarefas em que o significado deve se sobressair à forma, podendo haver ou não um momento destinado à reflexão linguística. Porém, na prática a teoria não é tão simples e uma das dificuldades no ensino por tarefas é justamente a conciliação entre a materialidade linguística e o gênero trabalhado na tarefa, levando a uma separação que resulta no retorno ao ensino tradicional de língua, com exercícios estruturais, estáticos e descontextualizados, em que conteúdos continuam sendo apresentados de forma acumulativa e sequencial. Assim, o objetivo desta pesquisa é o de discutir como a relação entre o texto e a sistematização linguística se apresenta, qual é seu lugar e espaço e ao final do processo, propor uma unidade temática a ser aplicada para verificar como esses conceitos podem ser apresentados e qual será a recepção e eficácia desse material objetivando a conciliação entre a questão dos gêneros e das tarefas com a sistematização linguística de maneira significativa e contextualizada para o ensino de Português para falantes de espanhol. O foco deste trabalho é com estudantes hispanofalantes por ser esta uma área que traz diversas peculiaridades justamente pela proximidade linguística em que não há um aluno verdadeiramente principiante, resultando em uma contraditória facilidade aparente (ALMEIDA FILHO, 2001), ademais da proximidade geográfica, histórica e social. Além disso, trata-se de ensino em imersão em que, cotidianamente, o estudante VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR enfrenta a realidade de usos da língua em textos autênticos tanto orais como escritos, assim pois, o ensino para ser motivante, coerente e significativo, também deve tratar a língua como um objeto vivo. Palavras-chave: Português para hispanofalantes; ensino por tarefas, gêneros discursivos; simbolismo referencial. Os games a aprendizagem de língua inglesa sob a ótica do conectivismo Autora: Edna Marta Oliveira da Silva Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão Debatedora: Prof.ª Dr.ª Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim Desde o advento das tecnologias de informação e comunicação (as TIC) no final da segunda metade do século passado, muito tem sido discutido sobre a sua validade e eficiência enquanto recursos facilitadores dos processos de ensino e aprendizagem. Tal é o desafio educacional que emerge no século XXI, pois há, dentro do espaço escolar, um encontro entre uma geração que ainda pensa de forma analógica e linear com outra que raciocina de forma hipertextual. Há, portanto, um descompasso entre aquele que ensina e aquele que aprende e é necessário repensarmos nossas práticas enquanto docentes e que estejam em consonância com esse mundo da tecnologia digital. Os nossos alunos “nativos digitais”, para usar a expressão de Prenski (2001), por vezes, trazem para dentro da sala de aula sua vivência com os mais diversos artefatos digitais, seja no uso de gadgets ou no compartilhamento de informações oriundas do mundo virtual. Nesse sentido, tenho observado – enquanto docente de língua inglesa - que os jogos eletrônicos (ou games) surgem como uma das mídias que exerce um encantamento entre aprendizes muito jovens. Além disso, percebo ainda que existe, nesses alunos, um conhecimento de língua inglesa oriundo do contexto dos games, a partir de suas interações com outros gamers (pessoas que jogam games) ou com o próprio game. A característica imersiva dos games aponta ainda, segundo Alves (2004), para o surgimento comunidades de aprendizagem entre seus usuários, comunidades essas nas quais gamers trocam experiências e saberes adquiridos. Desse aprendizado informal que emerge de tais espaços, incluo a possibilidade de se aprender também o inglês, uma vez que boa parte dos games tem, nesse idioma, a sua forma de comunicação. Portanto, a fim de verificar como se dão os processos de aprendizagem informal e de construção do conhecimento de língua adquirido por meio dos games, utilizarei como recorte teórico o conectivismo, teoria elaborada por George Siemens (2004). Opto por tal teoria não somente por seu caráter inovador, mas também pela sua proposta de tentar explicar o efeito da tecnologia sobre os modos de viver, de comunicar e de aprender em rede na era digital. Além da teoria conectivista de Siemens, traçarei VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR um paralelo com os estudos da complexidade de Larsen-Freeman e Cameron (2008) e Paiva (2009; 2011) e que tratam da aquisição de segunda língua. Esta pesquisa terá um caráter qualitativo de cunho etnográfico e será conduzida por meio de entrevistas com sujeitos que se declarem gamers e sejam licenciandos de Letras Português/Inglês ou Inglês. A opção por esse perfil de sujeitos deve-se ao fato de já terem tido contato com as teorias de aprendizagem e, portanto, poderão fornecer subsídios sobre seus próprios processos de aprendizagem de língua inglesa mediados pelos games. Palavras-chave: Língua inglesa. Jogos eletrônicos. Conectivismo. Aprendizagem de língua estrangeira. Elaboração de tarefas para ensino de português como língua estrangeira à distância Autor: Ayumi Nakaba Shibayama Orientador: Prof.ª Dr.ª Denise Cristina Kluge Debatedor: Prof.ª Dr.ª Eglantine Guély Costa Este estudo tem como objetivo fazer o relato de experiência do curso piloto de português língua estrangeira à distância do Centro de Línguas e Interculturalidade da Universidade Federal do Paraná apresentando os pressupostos teóricos norteadores da sua abordagem. O processo envolveu, num primeiro momento, a investigação sobre a relação entre ensinantes e aprendizes e o papel do material didático na perspectiva acional (PUREN, 2002) orientados pelos princípios descritos no Quadro Europeu Comum de Referência (QECR) com vistas a promover o desenvolvimento de habilidades orais e escritas. Para isso, houve o aprofundamento de questões relacionadas à esta perspectiva, mais especificamente aos conceitos de competências, tarefas e projeto. O construto teórico do exame brasileiro de certificação de proficiência em português para estrangeiros, CelpeBras, também foi considerado como elemento norteador deste curso à distância. Colocar o aprendiz como ator social que interage em diferentes situações através do ensino baseado em tarefas é um trabalho que se desenvolve nos cursos presenciais deste Centro (SANTOS, 2014) e se mostra pertinente para contextos à distância ambos ancorados na visão do uso da linguagem como interagir no mundo com propósito social. (BRASIL, 2006; CLARK, 2000; SCARAMUCCI, 2006). Santos (2014) apresenta critérios para elaboração de tarefas para cursos PLE presenciais no Celin. Este estudo pretende utilizar os critérios apresentados pela autora para cursos presenciais e aplicá-los em contextos à distância, mais especificamente na elaboração das sequências didáticas do curso PLEaD na plataforma moodle relatando todo o processo de elaboração deste conteúdo. O trabalho detalha as diferenças e possíveis VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR adequações nas propostas de tarefas para estes dois contextos. Seja em modalidade presencial ou a distância, a investigação teórica do curso como também de seu material didático se faz necessária para que a prática pedagógica em cursos presenciais ou à distância possam refletir a abordagem proposta e visão de linguagem a fim de alcançar os objetivos de forma colaborativa e autônoma. Palavras-chave: ensino-aprendizagem, português língua estrangeira, abordagem por tarefas, ensino à distância, perspectiva acional PIBID: Impacto na Formação Continuada de Docentes do Curso de Letras Inglês. Autora: Iara Maria Bruz Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão Debatedor: Prof. Dr. Francisco Fogaça O PIBID (Programa Institucional de Iniciação à Docência) é um programa de parceria entre Capes e MEC e é voltado para formação de professores. O Programa une a participação de Universidades, graduandos de licenciatura e professores da rede pública para trabalharem juntos, pensando a escola e todo o contexto em que essa está inserida. O PIBID encontra-se como espaço de formação tanto para os graduandos quanto para professores atuantes na rede pública. Neste espaço híbrido, os envolvidos podem trocar ideias, experiências, impressões, opiniões e, também, frustrações. Considerando que o coordenador do subprojeto, professor do ensino superior, também é docente atuante no ensino, pode ser acrescentada a sua formação continuada como uma das frentes que o PIBID atinge. Apesar de não ser um dos objetivos diretos do PIBID, acredita-se que, além de impactar a formação inicial e continuada dos alunos e professores da rede pública, também impacte a formação de professores universitários que participam como coordenadores do Programa. Diante disso, considera-se relevante a realização de estudos que investiguem o possível impacto do PIBID na formação continuada do professor universitário, coordenador de subprojeto. A presente pesquisa propõe-se a verificar qual é esse impacto em dois subprojetos da disciplina de língua inglesa em duas IES na região de Curitiba. Para tanto, está sendo realizado um estudo de cunho etnográfico junto a dois subprojetos, um de uma IES pública e outro de uma IES particular, envolvendo observação das reuniões de ambos os grupos e entrevistas com as coordenadoras dos subprojetos e com os licenciandos participantes. Com isso pretende-se constatar se as professoras universitárias se percebem como professoras em formação, e consequentemente se percebem os espaços do PIBID como locais desse processo, bem como quais impactos o PIBID tem trazido- para suas práticas e na VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR construção de suas identidades como professoras e formadoras de professores. Para tanto, tomamos como referencial teórico as concepções de linguagem como discurso (BAKHTIN, 2003; JORDÃO, 2007; VOLOCHÌNOV, 2009; BLOMMAERT, 2010) na perspectiva da pós-modernidade (USHER; EDWARDS, 2003), pósmétodo (KUMARAVADIVELU, 1994; 2003), o ensino crítico de línguas estrangeiras (PENNYCOOK, 2007; HAWKINS; NORTON, 2009) e teorias sobre Letramento Crítico (JORDÃO, 2013; SOUZA 2011). Palavras-chave: formação de professores; ensino crítico de língua estrangeira; PIBID. Inglês como Língua Franca: Um Estudo Etnográfico na Extensão do IFPR – Campus Curitiba Autor: Anderson Nalevaiko Marques Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão Debatedora: Prof.ª Dr.ª Telma Gimenez O ensino-aprendizagem de línguas, mais especificamente de Língua Inglesa (LI), vem recebendo diferentes ressignificações ao longo das últimas décadas, perpassando novos entendimentos dos conceitos de língua, comunicação, inteligibilidade e formas de ensinar-aprender. Tais ressignificações acompanham as mudanças propiciadas por, dentre outras razões, diferentes configurações sociais contemporâneas que permitem, por meio das tecnologias de informação, o contato entre diferentes atores sociais pelo planeta. Nesse cenário destacam-se estudos que tentam dar conta da multiplicidade de sentidos atribuídos ao ensinoaprendizagem de LI. Alguns desses estudos tentam dar conta da descrição do estatuto da LI como língua internacional, com base nas influências advindas de falantes de outras línguas na LI. Outros, entretanto, incluem na arena de discussões as mais variadas formas de comunicação que se configuram no contato entre sujeitos que não têm a LI como língua primeira, especialmente informados por teorias de Inglês como Língua Franca (ILF) – não excluindo, contudo, os sujeitos que têm a LI como língua materna. Nessa perspectiva, o ILF inclui como prementes as noções de não dependência de formas normativas préestabelecidas, coloca em foco a negociação de sentidos entre os sujeitos e busca estratégias localizadas e contingentes de construção de sentidos, com ênfase na negociação em detrimento da dependência de abordagens diretivas de ensinoaprendizagem. Assim, o presente projeto evidencia a necessidade de buscar entendimentos sobre como os pressupostos de ILF podem ser traduzidos em ações interventivas por meio da oferta de um curso de Extensão em instituição Federal de Ensino. Dessa forma o planejamento, o desenvolvimento e a execução do curso servirão como campo da pesquisa. A investigação também almeja construir entendimentos sobre as percepções da comunidade envolvida na VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR pesquisa sobre normatividade, falantes nativos e não nativos, além da necessidade de intervenção por parte do professor. Ainda, o projeto objetiva entender, em uma perspectiva de investigação etnográfica discursiva pósmoderna, quais impactos tais práticas de ensino-aprendizagem não normativas podem ser evidenciados e problematizados na continuidade da vida acadêmica dos alunos envolvidos na investigação. Palavras-chave: Inglês como Língua Franca; ensino-aprendizagem de línguas; construção de sentidos; discurso. Professores-alunos de espanhol na Jamaica e o impacto do creole: Percepções e Práticas Autora: Maria Teresa Sánchez Alcolea Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão Debatedora: Prof.ª Dr.ª Clóris Porto Torquato Jamaica, uma das Antilhas Maiores do Caribe, compartilha com outras ilhas da região uma história de colonização, imigração e encontro de culturas que tem resultado na criação de uma cultura diversa e uma língua crioula (o creole jamaicano), caracterizada pela incorporação de aspectos aportados pelos grupos culturais que têm coincidido nesse espaço geográfico. Como fenómeno integrador de cultura e história na sociedade, o creole jamaicano gera diversidade de interesses. Portanto, os estudos sobre essa língua abarcam questões de pesquisa em diferentes campos académicos, incluindo a linguística, a educação, a sociologia, entre outros. Minhas pesquisas anteriores têm me mostrado que, apesar da estabilização fonológica, morfológica, sintática e léxica que tem levado ao creole se tornar uma língua popularmente usada em todos os aspectos da vida na Jamaica, e que, apesar das campanhas em favor de novas políticas linguísticas que considerem e sejam mais adequadas à realidade linguística da ilha, persistem atitudes linguísticas que, ao negar o impacto dessa língua no ensino e aprendizagem, poderiam estar estancando o desenvolvimento da educação, incluindo a aprendizagem de línguas estrangeiras, como o espanhol. Esse projeto, por tanto, propõe um estudo das percepções dos professores-alunos de espanhol com respeito ao creole, assim como o impacto dessas percepções sobre as escolhas metodológicas para ensinar a língua espanhola. O projeto inclui também uma análise das propostas metodológicas dos documentos curriculares dos institutos pedagógicos estudados, visando contrasta-os com as propostas dos professores-alunos de espanhol em suas práticas de ensino. O projeto será desenvolvido em duas seções principais. A primeira parte incluirá questões relacionadas com a situação linguística da Jamaica, levantada a partir de fontes primárias e secundárias. A segunda incluirá o estudo das percepções dos VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR professores-alunos sobre o impacto da situação linguística da Jamaica no ensino e na aprendizagem do espanhol e os métodos mais usados; baseado em dados gerados a partir de fontes primárias, como entrevistas e questionários; com vistas a concretizar propostas metodológicas para a inclusão do Creole como corpo linguístico de partida para o ensino do espanhol. Palavras-chave: Creole, Jamaica, ensino/aprendizagem, percepções, espanhol O discurso das ladainhas de capoeira: relações étnico-raciais e construção de identidades Autora: Desirée Francine dos Santos Orientadora: Prof.ª Dr.ª Lígia Negri Debatedora: Prof.ª Dr.ª Cloris Porto Torquato O percurso metodológico desta pesquisa consiste em investigar como se configuram os discursos das ladainhas de capoeira e de que forma esses discursos podem depreender alguma relação com as discussões étnico-raciais e a construção identitária dos sujeitos pertencentes ao meio capoeirístico. Pretendese fazer a investigação linguística a partir de análises de ladainhas selecionadas e de entrevistas com capoeiristas, da vertente capoeira angola, a fim de recuperarmos os sentidos atribuídos ao material sob análise. As entrevistas irão se enquadrar na metodologia de pesquisa qualitativa para tentar compreender como as crenças e valores podem acontecer na vida dos sujeitos e como estes vivenciam cada processo dentro de um espaço comum. Do mesmo modo, este estudo vem com o viés de ‘conhecer como as pessoas percebem o mundo’, a capoeira, os cantos da capoeira e, especificamente, as ladainhas. As análises tem por embasamento teórico a perspectiva bakhtiniana em que o discurso é encarado como interação social. A pesquisa será desenvolvida a partir das concepções de Stuart Hall, que entendem as identidades como processuais e construídas por sua relação dialética entre o ser e o mundo. As teorias sobre relações étnico-raciais e construção de identidades serão fundamentais para compreendermos os discursos das ladainhas e como elas podem recuperar e atualizar uma memória, mesmo com possíveis deslizamentos. Ao tentarmos resgatar uma memória das/nas ladainhas utilizaremos a oralidade como aspecto relevante para objeto de análise, uma vez que as ladainhas são cantos que conservam fundamentos e tradições por meio da prática discursiva oral. A constituição histórica da capoeira, como luta de resistência iniciada no século XIX, traz como reflexão os discursos de resistência que abrangem principalmente uma questão étnico-racial e é, justamente, este o foco que daremos ao investigarmos as construções de identidades por meio das ladainhas. Portanto, detectar vestígios de uma relação étnico-racial nos discursos das ladainhas, assim como nas falas dos sujeitos VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR praticantes da capoeira será um dos objetivos fundamentais deste estudo para compreendermos como as ladainhas constroem uma memória de resistência afrobrasileira e como as identidades dos capoeiristas são influenciadas por essa memória. Palavras-chave: Discurso, Ladainhas, Identidades, Relações Étnico-Raciais, Capoeira. Processos de identificação com a língua e a cultura alemã por imigrantes e/ou seus descendentes residentes no Brasil. Autora: Silvia Milena Bernsdorf Orientadora: Prof.ª Dr.ª Gesualda de Lourdes dos Santos Rasia Debatedor: Prof.ª Dr.ª Cloris Porto Torquato Esta pesquisa tem por objetivo estudar como se dão os processos de identificação com a língua e a cultura alemã por imigrantes e/ou seus descendentes residentes no Brasil. Apesar do espanto que muitos brasileiros demonstram ao perceberem, por exemplo, a grande presença de haitianos e sírios atualmente em nosso país, a vinda de estrangeiros ao Brasil não é novidade. Desde o século XIX, recebemos grandes contingentes de imigrantes, que vieram (e continuam vindo) em busca de melhores condições de vida longe de suas terras natais. No Sul de nosso país, as nacionalidades que se fizeram mais presentes a partir da década de 80 do século XIX foram a italiana e a alemã. Nesta pesquisa, especificamente, interessa-nos compreender como foi a instalação dos povos de origem germânica em terras brasileiras e como se constituíram suas representações em relação à sua língua materna e à sua cultura. Para a constituição de nosso corpus de análise, coletaremos depoimentos orais dos sujeitos e, por se tratar de uma pesquisa semi-estruturada, tal coleta não terá a estrutura fixa de uma entrevista, mas alguns vetores servirão de orientação para a conversa, como: ano e local de nascimento, vida familiar e escolar, práticas de uso das línguas alemã e portuguesa, sentimentos relacionados ao “ser alemão” e ao “ser brasileiro” e práticas religiosas e culturais, tanto na Alemanha quanto no Brasil. A Análise de Discurso (AD) francesa, que iniciou seus estudos em 1969 com Michel Pêcheux, será nossa teoria norteadora, e seus conceitos de Formação Ideológica (FI), Formação Discursiva (FD), condições de produção, sujeito, sentido e, principalmente, memória discursiva serão elementos-chave para compreendermos que domínios de memória emergem desses relatos, em quais lugares os sujeitos se inscrevem em relação à língua e à cultura alemã e de que modo se dá a construção identitária dos sujeitos imigrantes e/ou seus descendentes residentes no Brasil. Com isso, procuraremos contribuir para os estudos da AD francesa, em diálogo com questões relacionadas à constituição identitária dos sujeitos, bem como para VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR o ensino e a aprendizagem da língua alemã que, ao nosso ver, não podem ser desvinculados dos contextos que envolvem tal idioma e o relacionam com nosso país, especialmente com a região Sul. Palavras-chave: Cultura. Língua. Sujeito. Domínios de memória. Identidade. Abordagens atuais da Semântica: Uma reflexão em epistemologia da Linguística. Autora: Paula Regina Scoz Domingos Damázio Orientadora: Prof.ª Dr.ª Roberta Pires de Oliveira Debatedor: Prof. Dr. José Borges Neto Neste trabalho investigamos as bases epistemológicas de algumas teorias semânticas assumindo como base teórica a proposta de Pires de Oliveira e Basso (2011). Adotando uma leitura frouxa de paradigma de Kuhn (1982), os autores propõem a divisão da linguística em dois paradigmas: o científico e o humanista. O Paradigma Científico ramifica-se em dois programas de pesquisa, o formalista e o funcionalista. O programa formalista caracteriza-se por entender a linguagem enquanto um sistema autônomo, já o programa funcionalista entende que a estrutura da linguagem é resultado da interação, e por essa razão assume fatores externos como hipóteses para suas teorias. (BASSO, PIRES DE OLIVEIRA, 2011). As pesquisas realizadas em ambos programas utilizam métodos científicos, i.e. suas teorias são formuladas, verificadas, confirmadas ou refutadas utilizandose para tanto uma metalinguagem clara e precisa. O Paradigma Humanista abriga duas linhas de pesquisa, as teorias enunciativas e a análise do discurso. Esse paradigma caracteriza-se por apresentar interpretações referentes a determinados fenômenos linguísticos que são particulares e singulares. Dessa forma, não são propostas teorias com poder preditivo, pois as explicações partem de eventos únicos e não sistemáticos. Nossa investigação irá olhar de perto as teorias semânticas mais representativas do quadro atual de pesquisas do país. Para tanto, faremos um levantamento em relatórios de programas de pós-graduações, em plataformas como Sucupira da Capes, em bolsas de PQ e grupos de pesquisa do CNPq. Transitaremos por dois campos de saberes que são o científico e o humanista. A semântica, assim como a linguística, é uma área de estudos marcada pela pluralidade epistêmica. Os aspectos que compõe a presente pesquisa são: i) compor um quadro de referência das semânticas a serem analisadas e por em prática um roteiro de investigação epistemológico dessas teorias. ii) empreender um aprofundamento histórico na trajetória da semântica nacional; iii) fundamentar nossas análises partindo da incursão à filosofia da ciência e às teorias enunciativas e à análise do discurso com o objetivo de avaliar as metodologias utilizadas na ciência e nas VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR humanidades; iv) refletir sobre a construção da ciência, a partir de um estudo de caso. Nosso objetivo é avaliar criticamente a proposta epistemológica de Pires de Oliveira e Basso (2011), averiguando a possibilidade de distribuir as semânticas analisadas nos paradigmas propostos pelos autores. Dessa forma, acreditamos contribuir para as pesquisas em filosofia da linguística, com enfoque especial nos estudos semânticos. Palavras-chaves: Filosofia da Linguística. Epistemologia. Teorias semânticas. Paradigmas científico e humanista. Pronome onde e estratégias de esquiva a cujo: uma discussão da norma culta urbana a partir dos ambientes virtuais de aprendizagem Autora: Paula Cristina dos Reis Orientadora: Prof.ª Dr.ª Maria José Foltran Debatedora: Prof.ª Dr.ª Maria Cristina Figueiredo Silva Este projeto de pesquisa propõe a discussão dos conceitos de Norma Culta urbana em vigência, partindo dos resultados obtidos na descrição e análise das estratégias de relativização usadas em processo interativo escrito formal em Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), por acadêmicos de cursos de graduação diversos de uma mesma Universidade Brasileira, todos optantes pela modalidade de educação à distância. Após análise-teste em corpus reduzido - 200 sentenças - mostrou-se produtiva a seleção de relativas com pronome onde como estratégia de esquiva à produção de cujo. (PED06_F32) Desde criança, eu era uma garotinha onde a persistência era elogiada! (TEC08_M28) (...) comecei cedo na empresa, era do meu pai. A empresa onde o moleque era filho do dono. (LET 07_F33) E tudo parou quando ele foi embora. Quem mais me incentivava a estudar e a ser alguém na vida. Eu virei um livro onde as páginas dos 12 aos 15 ficaram em branco. (LET 11_M41) VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR Me senti totalmente motivado quando participe da palestra! Pensei “preciso ir voltando agora, ou não vou mais”. Hoje quero ter uma vida onde o foco seja a tranquilidade. Como hipótese de pesquisa, buscamos comprovar que o falante, ainda que universitário e interagindo em AVA formal, demonstra preferência pela produção de relativa vernacular e elege o item lexical onde como substituto direto a cujo e como forma concorrente a que – já indicado por pesquisas como pronome universal. Assim, os fatores “escolaridade” e “formalidade do ambiente” não se mostram eficazes para a conservação de uso da relativa padrão em detrimento à vernacular. A partir das constatações dos dados, analisaremos a estrutura das relativas percentualmente significantes de modo a responder à pergunta-base da pesquisa: em que medida o aparecimento da estratégia preferida pelos falantes pode nos ajudar a decidir por uma das estruturas postuladas para as relativas? Considerou-se como embasamento da pesquisa, as indicações de Kato (1981) a respeito da alternância entre o uso de estratégias padrão e vernacular se constituírem um caso de variação linguística estilística, sendo a estratégia padrão ativada em situações de formalidade e resultante da intervenção escolar. As indicações de Tarallo (1983), ao pesquisar a fala de trabalhadores e computar baixíssimo uso de sentenças relativas padrão, indicando que na fala, a tendência é pelo uso das estratégias vernaculares. Os apontamentos de Correa (1998) e seus estudos sobre as estratégias de relativização no português do Brasil, comprovando a aquisição tardia das estratégias padrão e a tendência do falante em lançar mão de estratégias de esquiva a elas. Santos Silva (2001) que, disposto a verificar a presença/ ausência de estratégias de esquiva na modalidade culta do português falado e escrito, comprovou que as sentenças relativas de estratégia padrão não fazem parte do vernáculo e tampouco são privilegiadas na linguagem culta, independente da modalidade. E de Kenedy (2007) que apresentou dados importantes quanto à variação padrão x vernacular das relativas não ser exclusividade do Português Brasileiro, mas estarem presentes também no espanhol, Frances e inglês. Após seleção dos informantes, constituição completa do corpus de pesquisa, análise dos resultados e comprovação/ negação da hipótese inicial de pesquisa, o projeto final versará para uma discussão aprofundada acerca dos pilares que nutrem os padrões da chamada Norma Culta Urbana. Palavras-chave: Norma; relativa-padrão; relativa vernacular; Onde; Cujo; Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). A indeterminção do sujeito no falar ludovicense Autora: Alana Brito Barbosa VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR Orientadora: Prof.ª Dr.ª Odete Pereira da Silva Menon Debatedor: Pr. Dr. Edson Domingos Fagundes Esta pesquisa, que se fundamenta nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista (LABOV 1972; 1994; 2001), trata sobre a indeterminação do sujeito no português falado em São Luís, capital do estado do Maranhão. A indeterminação do sujeito, embora seja um tema bastante recorrente no português contemporâneo, é tratado de forma parcial pela Gramática Tradicional, quando postula que a língua portuguesa dispõe de apenas duas estratégias de indeterminação do sujeito – verbo na terceira pessoa do singular mais o pronome se e verbo na terceira pessoa do plural com o pronome oculto –, não englobando, desse modo, a totalidade das estratégias que se fazem presentes no uso real da língua. Pesquisas de diversas regiões brasileiras têm se encarregado do estudo da indeterminação do sujeito – em textos escritos e na fala – e comprovam a utilização de outras estratégias além daquelas prescritas pela Gramática Tradicional. Nesta pesquisa, objetivamos: i) investigar as estratégias de indeterminação do sujeito utilizadas no português lodovicense, a fim de verificar o comportamento linguístico dessa comunidade de fala específica e ii) identificar os contextos sociais e/ou linguísticos que podem favorecer o uso de tais recursos. O corpus constituído para esta pesquisa é do tipo diálogo entre documentador e informante. Os informantes ludovicenses contemplados foram igualmente dispostos entre os dois sexos, quatro níveis de escolaridade (até o 6º ano do ensino fundamental, até o 9º ano do ensino fundamental, ensino médio completo e ensino superior completo) e três faixas etárias (25 a 35 anos, 40 a 50 anos e de 55 anos em diante). Ao todo, serão realizadas 48 entrevistas com falantes ludovicenses, totalizando, portanto, 12 perfis sociolinguísticos, sendo, cada perfil, composto por 4 informantes. Após a seleção do corpus, os dados serão estatisticamente analisados com o pacote de programas computacionais GoldVarbX (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005). Pesquisas deste tipo, que partem do uso real da língua, certamente contribuem para que observemos a realidade linguística atual e possamos, a partir disso, entender o funcionamento da língua portuguesa em suas diversas variedades. Palavras-chave: Sistema Pronominal. Indeterminação do sujeito. Português Ludovicense. Revisitando a metáfora: Reflexões sobre a teoria cognitiva da metáfora e a teoria da relevância Autor: Otávio Henrique Koch Orientadora: Prof.ª Dr.ª Elena Godoi Debatedora: Prof.ª Dr.ª Lígia Negri VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR Este trabalho se propõe a analisar a metáfora sob o ponto de vista de algumas correntes linguísticas contemporâneas, entendendo que a composição metafórica desempenha um papel na estrutura cognitiva humana. Para isso, serão utilizadas duas vertentes teóricas que tratam do assunto: a semântica cognitiva, com enfoque em Lakoff e Johnson (1980) e em Fauconnier e Turner (1998; 2008), e a abordagem pragmática sobre o tema, tendo como base a Teoria da Relevância (TR, doravante) de Sperber e Wilson (1995). George Lakoff começou o enfoque sobre a metáfora com o objetivo de trazer novas perspectivas aos estudos de significado abordados pela linguística gerativa. Esses estudos foram realizados na mesma época em que foi feita a formulação da semântica gerativa, a qual propõe um modelo cognitivo que vai de encontro à proposta modular formalista de Fodor e Chomsky. Em 1980 Lakoff e Mark Johnson introduziram no seu livro Metaphors we live by a ideia de que as metáforas funcionam como fator fundamental na estrutura cognitiva humana. Essa perspectiva vem como um contraponto à visão de que a metáfora funciona apenas como uma forma de ornamentar o discurso, proposta por Aristóteles. Para Lakoff e Johnson a nossa percepção estaria fundamentada em conceitos metafóricos básicos, e que através deles desenvolvemos a nossa visão de mundo. Os autores salientam esse ponto de vista em seu livro, e apontam para uma formulação de conceitos em nossa mente que serviriam de base para nosso sistema conceitual. Em contra partida, há a visão sustentada pelos autores da Teoria da Relevância, na qual metáforas são um produto da comunicação, e sua interpretação não difere de sentenças ditas. A interpretação de metáforas para a Teoria da Relevância tem como base dois conceitos relevantistas, segundo Sperber e Wilson(2004): (I) Princípio cognitivo da relevância: a mente tende a maximizar nossas expectativas de relevância (II) Princípio comunicativo de relevância: cada enunciação carrega em si sua presunção de relevância ótima. Temos assim uma interpretação baseada no contexto comunicativo e produto da comunicação. A TR desenvolve uma proposta que explica a interpretação de metáforas, descartando o valor cognitivo atribuído a ela anteriormente.Tendo em vista esses conceitos, a intenção da dissertação a ser realizada é tentar explicitálos, efetuando conexões entre os principais autores do campo, assim como compreender os pontos de divergência e convergência entre as teorias contemporâneas da metáfora. Palavras-chave: Metáfora, cognição, semântica cognitiva, teoria da relevância. VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR O aprendizado de símbolos humanos por outras espécies Autor: Fabio Mesquita Orientador: Prof. Dr. José Borges Neto Debatedor: Prof. Dr. Marcos Lopes Alguns mamíferos e pássaros conseguem, sob intenso treinamento, comunicar-se utilizando símbolos que podem ser chamados genericamente de 'palavras'. Uma gorila chamada Koko, após anos de convivência com sua pesquisadora, é capaz de produzir (gestualmente) expressões inovadoras como “biscoito pedra” para se referir a uma rosquinha endurecida. Um papagaio-cinzento chamado Alex, ao ser perguntado “quantos blocos azuis?” diante de uma bandeja com diferentes tipos de formas geométricas de diversas cores, responde corretamente “quatro”. Estas ocorrências observadas em animais treinados sugerem que eles possuem uma capacidade latente de operar com algum tipo de sistema simbólico, e também possivelmente são naturalmente capazes de realizar muitas das operações que chamamos de conceituais ou referenciais. No entanto, é importante notar que crianças podem aprender milhares de itens lexicais sem esforço, podendo estruturá-los em uma sentença, enquanto que outros animais adultos dificilmente produzem sequências de mais de 2 símbolos concatenados (apesar de alguns autores alegarem que eles compreendem a estrutura de sentenças). Estes estudos foram amplamente discutidos nos anos 1970, mas a maioria deles acabou sendo criticada por outros pesquisadores sobre a questão conceitual “o que é linguagem", e então diversas acusações de descuido metodológico, viés ideológico, entre outras, vieram à tona. Esta mesma disputa sobre diferentes concepções de linguagem persiste hoje com outra roupagem. Sob o termo 'evolução da linguagem', muitas noções tanto de evolução quanto de linguagem subjazem em conflito. Enquanto muitos trabalhos se referem à mudança linguística de longo prazo como evolução, outros alegam que a linguagem como sistema computacional interno não evoluiria, apesar das línguas mudarem constantemente (parametricamente, por exemplo). Uma conexão importante a ser feita é sobre as concepções de evolução e linguagem dos autores. De um lado, há a correlação entre uma visão externalista/comunicativa de linguagem e a aposta de que ela teria evoluído de forma gradual, desde, digamos, o homo erectus até o presente. Assim, em suas origens, a linguagem humana poderia ter sido similar ao sistema restrito dos animais treinados do presente. De outro lado, estudiosos que adotam uma concepção internalista/autônoma de linguagem quase sempre alegam de que ela teria emergido brusca e recentemente no homo sapiens. Desta maneira, este sistema interno não encontraria paralelo em outros animais. É possível que muitas das discussões, principalmente as de grande escala, estejam tratando de um falso dilema. As mudanças podem ocorrer em diferentes níveis: uma mutação genética, por exemplo, pode ser responsável por uma alteração VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR repentina no funcionamento do cérebro de um indivíduo, mas o efeito desta mudança no comportamento da espécie pode levar muitas gerações para ser detectada como um novo traço fenotípico. Caso o sistema computacional responsável pela linguagem tenha passado por uma alteração brusca que permita a hierarquização de estruturas representacionais recursivas, ainda assim a externalização da linguagem, que depende de muitos outros fatores cognitivos para se estabelecer, poderia ser tomada como gradual, inclusive com estágios iniciais de comunicação. No fundo, é possível que estejamos revisitando a mesma disputa entre concepções internalistas e externalistas de linguagem. Palavras-chave: evolução da linguagem; comunicação animal; faculdade de linguagem. Derivação morfológica no português brasileiro: acionalidade Autor: Maurício Resende Orientadora: Prof.ª Dr.ª Maria Cristina Figueiredo Silva Debatedor: Prof.ª Dr.ª Maria José Foltran um estudo sobre Este projeto de pesquisa visa à verificação do comportamento dos processos morfológicos responsáveis pelas nominalizações em Português Brasileiro (PB), mais especificamente aquelas que formam nomes deverbais. Será aceita neste estágio da pesquisa a distinção clássica entre flexão e derivação sem, por ora, discutir ou questionar os critérios que sustentam tal diferenciação. De qualquer forma, desde Câmara Júnior (1970), tem-se aceitado em larga medida que, pelo menos no PB, a formação de novas palavras é um processo irregular no sentido de que não obedece a um paradigma morfológico de derivação. Poucos estudos desde Câmara Júnior têm dado atenção ao questionamento de se, de fato, os processos derivacionais do PB são tão aleatórios e desregrados como apresentou o autor. Seguindo essa direção, este estudo, primeiramente por meio de uma metodologia hipotético-dedutiva e depois mediante a busca em banco de dados por palavras não dicionarizadas, tem o objetivo de verificar se há ou não regularidades nos processos derivacionais do PB. Para tanto, partiu-se do trabalho de Brinton (1995) que mostrou, com base nos tipos de predicado propostos por Vendler (1967), que, para o inglês, existe uma relação entre o dispositivo empregado na nominalização deverbal e a acionalidade do verbo base. Desse modo, este trabalho consiste na verificação de se também no PB existe algum tipo de relação entre um verbo base e o seu nome deverbal, sob o prisma da acionalidade, que garanta algum nível de regularidade ou sistematicidade nos processos derivacionais. Assim, os objetivos da pesquisa são: verificar se a acionalidade do verbo é preservada quando um nome deverbal é criado; investigar VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR quais são os diferentes dispositivos da nominalização deverbal no PB e checar se o aspecto verbal desempenha algum papel no processo de nominalização. No mais, este estudo objetiva a contribuir para o avanço da descrição e explicação dos fenômenos linguísticos relacionados aos processos morfológicos de derivação no PB, em uma abordagem formal, ancorado nos pressupostos teóricos da Gramática Gerativo-Transformacional (CHOMSKY, 1957). Palavras-chave: Processos de derivação. Acionalidade. Nomes deverbais. O /e/ átono final produzido por falantes de Curitiba: uma análise acústica dos sons da fala Autor: Mateus Renan Dubiela. Orientadora: Profª Drª Adelaide Hercília Pescatori Silva Debatedor: Profª Drª Luciane Costa O senso comum tende a afirmar que habitantes da cidade de Curitiba, PR, realizam as vogais médias frontais átonas em posição final de palavra sem alçamento, ao contrário do que é observado na maior parte do país. Esta afirmação encontra certo suporte em estudos variacionistas a respeito da variação destas vogais, principalmente na produção de indivíduos do Rio Grande do Sul. Pesquisas como as de Mercer (1996), Vieira (2009) e Limeira (2013), sugerem que a realização desta vogal no estado do Paraná está em meio a um processo de mudança no qual a regra de elevação ainda não foi completamente implementada. Os estudos variacionistas sobre o tema ainda afirmam que existe uma relação forte entre a não-elevação da vogal átona e o seu contexto fonológico adjacente. Este estudo, por sua vez, tem como objetivos principais: 1) Descrever a realização acústica das vogais médias frontais átonas em final de dissílabos paroxítonos terminados em /e/ por falantes do sexo feminino e 2) Verificar se o não-alçamento da vogal é recorrente nos dados ou se há, de fato, uma tendência à elevação da vogal átona. As hipóteses do trabalho são: 1) Falantes mais jovens tendem a produzir a variável inovadora (com alçamento), enquanto falantes mais velhos tendem a preservar a vogal média; 2) Falantes de uma faixa etária intermediária a dos jovens e a dos mais velhos são mais instáveis em sua produção e, portanto, exibem produção mais variável; e 3) O contexto fonológico precedente à vogal átona influencia sua realização. Para testar o design experimental elaborado com a finalidade de testar as hipóteses foi rodado um experimento piloto no qual participaram apenas duas informantes, uma de 26 anos (representante da faixa etária mais jovem) e outra de 46 anos (representante da faixa etária intermediária), ambas nascidas e criadas em Curitiba e cujos pais também nasceram e foram criados na cidade. Para testar as hipóteses, o corpus do estudo continha diversos contextos consonantais e vocálicos precedentes a vogal distintos em um total de VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR 54 palavras. Cada informante repetiu as palavras-alvo inseridas na sentença veículo “Diga <palavra> baixinho” cinco vezes. As produções das duas informantes foram analisadas com o auxílio do software Praat e, para cada vogal, foram extraídos os valores de F1, F2, F3 e duração relativa, totalizando 2160 dados (54x4x5x2=2160). A análise dos dados foi feita pela observação qualitativa dos valores coletados, bem como por análise estatística. Os resultados preliminares do estudo captam uma produção gradiente das vogais átonas, mostrando que, de maneira geral, é dificultoso categorizar a alofonia do alçamento como fazem análises tradicionais. Esta gradiência fornece evidências para um tratamento dinâmico destes dados, uma vez que há um número de variáveis que co-ocorrem para que os dados se mostrem como são. Palavras-chave: fonética acústica, fonologia, variação linguística. Decomposição lexical em primitivos semânticos e analiticidade Autor: Alex de Britto Rodrigues Orientadora: Prof.ª Dr.ª Teresa Cristina Wachowicz Debatedor: Em verificação Este trabalho tem como objetivo analisar alguns argumentos centrais no debate entre atomistas e decomposicionistas a respeito do significado lexical. A perspectiva decomposicionista sugere um nível de representação em que um item lexical pode ser decomposto em “unidades menores” abstratas, os “primitivos” (também chamados de “primitivos conceituais”, “primes”, “predicados primitivos”, entre outros termos). Já a perspectiva atomista, na qual o artigo de Fodor (1970) “Three reasons for not deriving ‘kill’ from ‘cause to die’” pode ser considerado um dos primeiros trabalhos influentes, defende a impossibilidade de se decompor itens lexicais em primitivos semânticos uma vez que um “conceito” seria indivisível, e para cada item lexical haveria um conceito. Alguns argumentos gerais atomistas contrários à decomposição lexical são levantados a fim de observarmos como as propostas decomposicionistas respondem a eles. Nossa tese é que a analiticidade, relacionada às inferências das quais os primitivos semânticos derivam, é central nesse debate e os argumentos das duas posições dependem de como essa questão é tratada. As inferências das decomposições em primitivos seriam analíticas, ou seja, teriam como base condições de verdade que não exigem verificação epistemológica; por exemplo, a equivalência entre “kill” e “cause to die” não precisaria ser verificada, pois se trata de um conhecimento a priori. Prosseguindo com nossos objetivos, discutimos o conceito de “analiticidade” e o debate não consensual a respeito de sua validade. Posteriormente, analisamos algumas abordagens decomposicionistas, principalmente no que diz respeito ao modo como elas respondem às críticas atomistas (principalmente VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR Fodor, 1970; 1980; 2003), entre elas a de Jackendoff (1983; 1990; 2002) e a de Pietroski (2003). O que podemos notar é que essas abordagens decomposicionistas desconsideram a problematização, apresentada pela posição atomista, a respeito da validade da analiticidade. Com essa problematização, a analiticidade, base para as derivações decomposicionistas, é posta sob suspeita. Por outro lado, a posição decomposicionista conta com a análise de vários dados que sustenta a existência de primitivos semânticos. Porém, esses primitivos são estipulados como elementos abstratos, cuja natureza é difícil de ser atestada, o que pode tornar não falseáveis as propostas decomposicionistas. Palavras-chave: primitivos semânticos; analiticidade; decomposição lexical VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-‐Graduação em Letras/UFPR