VI Fórum de Produção Discente – Resumos das apresentações
Área de concentração: Estudos Linguísticos
Norma e ensino do português no contexto moçambicano
Autora: Ermelinda Lúcia Atanásio Mapasse
Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Faraco
Debatedora: Prof.ª Dr.ª Clóris Porto Torquato
A partir de pressupostos sociolinguísticos, sobre questões que envolvem variação
linguística com implicações diretas no ensino da língua, o objetivo da pesquisa é
analisar a percepção, a aplicação e a atitude que os professores de língua
portuguesa, com o nível de licenciatura, fazem/têm em relação à variedade culta
do português de Moçambique e ao uso que eles e os seus alunos fazem da norma
do português europeu. Como suporte teórico a pesquisa apoiar-se-á em estudos
feitos sobre a importância da distinção dos conceitos de norma culta e norma
padrão (Faraco: 2008); em estudos referentes ao redimensionamento da noção de
“erro” linguístico baseada na perspetiva de variação linguística (Stroud 1997:9); e
em estudos que defendem a educação baseada na variação linguística, no sentido
de contacto entre diferentes variedades da mesma língua, assim como a inclusão
da componente de sociolinguística educacional na formação de professores, como
forma de dotar os futuros professores de uma pedagogia que ensine as
variedades cultas sem desvalorizar as outras variedades da mesma língua
(Bortoni-Ricardo:1992). Do ponto de vista metodológico, a pesquisa pautará pelos
parâmetros das abordagens quantitativa e qualitativa. Para a coleta de dados foi
utilizado um teste de julgamento linguístico e um questionário. O trabalho terá
como estrutura cinco capítulos, para além da introdução, conclusão e
recomendações, bibliografia e os apêndices. O capítulo 1: Norma e padronização
linguística - com o objetivo de explicitar os conceitos de norma linguística e discutir
a sua importância para o ensino da língua portuguesa no contexto moçambicano e
de apresentar aspetos principais do processo de padronização linguística e as
consequências deste processo para o ensino da língua portuguesa no contexto
moçambicano. O capítulo 2: Aquisição/aprendizagem de L2 e o ensino da língua
portuguesa em Moçambique – com o objetivo de apresentar diferentes
abordagens de ensino de língua. Capitulo 3: Metodologia de pesquisa – com o
objetivo de explicitar os procedimentos metodológicos adotados para a
consecução da pesquisa. Capítulo 4: Análise e interpretação dos dados – com o
objetivo de mostrar e comentar os resultados do estudo e discuti-los na base das
hipóteses formuladas. Capítulo 5: Proposta pedagógica e estratégias de ensino da
língua portuguesa no contexto moçambicano – com o objetivo de estabelecer uma
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR proposta pedagógica de ensino que inclua as características culturais e
linguísticas na cultura escolar.
Palavras-chave: Norma linguística. Ensino. Erro linguístico. Variação linguística.
Convergências e diferenças no ensino da Intercompreensão e do
FLE: concepção de material pedagógico e experiência em contexto
brasileiro (UFPR, Curitiba).
Autora: Sara Valente
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Lúcia Peixoto Cherem
Debatedor: Prof. Karine Marielly
Esta dissertação do duplo mestrado Grenoble-Curitiba, especialidade FLE
profissional, fala sobre a análise da relação de complementariedade e
convergência entre o ensino do FLE e da Intercompreensão em Línguas
Românicas (de agora para frente IC). Mais especificamente, a dissertação visa a
responder à seguinte problemática: a IC pode resultar na aprendizagem do FLE ?
Se sim, de que forma ? E reciprocamente, o FLE pode ser uma porta de entrada
para a IC? Se sim, como ?
Referindo-me à minha experiência de estágio profissional no Celin/UFPR de
Curitiba (Brasil) como professora de FLE e de IC, apresento os dois tipos de
público das duas disciplinas e as atividades criadas e testadas em aula. A
metodologia da coleta de dados prevê principalmente duas ferramentas: dois
questionários (um para o público do FLE, outro para o público de IC) e o diário das
aulas. Trata-se de dois públicos bastante diferentes em relação ao perfil linguístico
e às expetativas do curso.
O objetivo prático desse projeto é a criação de um «método
de intercompreensão», composto pelo livro do aluno e livro do professor, a fim de
que outros professores possam utilizar o material produzido e testado. Como
suporte do curso foi utilizada também uma plataforma comum para compartilhar
comentários, reflexões linguísticas e culturais. No meu caso, utilizei Facebook
devido à popularidade e à facilidade de acesso, mas poderia ter sido outra
plataforma como Moodle.
A dissertação se desenvolve em quatro partes : antes de tudo, uma descrição do
contexto geral do estágio, seguida pela apresentação do projeto, dos objetivos, da
metodologia e dos desafios que tive que enfrentar ao longo da aulas. Uma terceira
parte é focalizada na descrição prática e na análise crítica das aulas de IC e,
finalmente, um balanço e algumas reflexões sobre as possíveis convergências
entre as duas disciplinas e o futuro da IC na América Latina concluem o trabalho.
Palavras-chaves: FLE, Intercompreensão, Línguas Românicas, Didática das
Línguas, Perfil linguístico.
O lugar e o espaço da sistematização linguística dentro do ensino por
tarefas
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR Autora: Lis Helene Skrzypiec Andrade
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Lúcia Peixoto Cherem
Debatedor: Prof. Dr. Francisco Fogaça
Cada abordagem de ensino desenvolvida em busca de uma solução definitiva
para o ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras trouxe inerente uma
concepção teórica de língua. Atualmente, na área de Português para estrangeiros,
procura-se utilizar o ensino baseado em tarefas. Este uso é influenciado pelo
efeito retroativo exercido pelo exame Celpe-Bras, exame de proficiência em língua
portuguesa, cujo objetivo é o de convidar o candidato a interagir no mundo usando
a linguagem com um propósito social, organizado em torno de quatro tarefas
escritas que envolvem as quatro habilidades de forma integrada (SCARAMUCCI,
2003). Várias são as definições para ensino por tarefas dependendo do
pesquisador, porém todas giram em torno de um eixo comum que é o de ensinar o
aprendiz a utilizar a língua de maneira significativa e com um propósito social, a
construir significados em língua estrangeira. Nesse método a língua está inserida
em um contexto concreto e não em um sistema abstrato e é organizada dentro do
discurso, que é social e historicamente construído e organizado em formas mais
ou menos estáveis, nos chamados gêneros discursivos (BAKHTIN, 2003). Além
disso, é importante considerar que todo ato enunciativo é composto por dois
movimentos: um explícito que se refere à simbolização referencial e um implícito,
à significação do discurso (CHARAUDEAU, 2010). Da mesma forma, há uma
diversidade de desenhos de tarefas em que o significado deve se sobressair à
forma, podendo haver ou não um momento destinado à reflexão linguística.
Porém, na prática a teoria não é tão simples e uma das dificuldades no ensino por
tarefas é justamente a conciliação entre a materialidade linguística e o gênero
trabalhado na tarefa, levando a uma separação que resulta no retorno ao ensino
tradicional de língua, com exercícios estruturais, estáticos e descontextualizados,
em que conteúdos continuam sendo apresentados de forma acumulativa e
sequencial. Assim, o objetivo desta pesquisa é o de discutir como a relação entre
o texto e a sistematização linguística se apresenta, qual é seu lugar e espaço e ao
final do processo, propor uma unidade temática a ser aplicada para verificar como
esses conceitos podem ser apresentados e qual será a recepção e eficácia desse
material objetivando a conciliação entre a questão dos gêneros e das tarefas com
a sistematização linguística de maneira significativa e contextualizada para o
ensino de Português para falantes de espanhol. O foco deste trabalho é com
estudantes hispanofalantes por ser esta uma área que traz diversas
peculiaridades justamente pela proximidade linguística em que não há um aluno
verdadeiramente principiante, resultando em uma contraditória facilidade aparente
(ALMEIDA FILHO, 2001), ademais da proximidade geográfica, histórica e social.
Além disso, trata-se de ensino em imersão em que, cotidianamente, o estudante
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR enfrenta a realidade de usos da língua em textos autênticos tanto orais como
escritos, assim pois, o ensino para ser motivante, coerente e significativo, também
deve tratar a língua como um objeto vivo.
Palavras-chave: Português para hispanofalantes; ensino por tarefas, gêneros
discursivos; simbolismo referencial.
Os games a aprendizagem de língua inglesa sob a ótica do conectivismo
Autora: Edna Marta Oliveira da Silva
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão
Debatedora: Prof.ª Dr.ª Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim
Desde o advento das tecnologias de informação e comunicação (as TIC) no final
da segunda metade do século passado, muito tem sido discutido sobre a sua
validade e eficiência enquanto recursos facilitadores dos processos de ensino e
aprendizagem. Tal é o desafio educacional que emerge no século XXI, pois há,
dentro do espaço escolar, um encontro entre uma geração que ainda pensa de
forma analógica e linear com outra que raciocina de forma hipertextual. Há,
portanto, um descompasso entre aquele que ensina e aquele que aprende e é
necessário repensarmos nossas práticas enquanto docentes e que estejam em
consonância com esse mundo da tecnologia digital. Os nossos alunos “nativos
digitais”, para usar a expressão de Prenski (2001), por vezes, trazem para dentro
da sala de aula sua vivência com os mais diversos artefatos digitais, seja no uso
de gadgets ou no compartilhamento de informações oriundas do mundo virtual.
Nesse sentido, tenho observado – enquanto docente de língua inglesa - que os
jogos eletrônicos (ou games) surgem como uma das mídias que exerce um
encantamento entre aprendizes muito jovens. Além disso, percebo ainda que
existe, nesses alunos, um conhecimento de língua inglesa oriundo do contexto dos
games, a partir de suas interações com outros gamers (pessoas que jogam
games) ou com o próprio game. A característica imersiva dos games aponta
ainda, segundo Alves (2004), para o surgimento comunidades de aprendizagem
entre seus usuários, comunidades essas nas quais gamers trocam experiências e
saberes adquiridos. Desse aprendizado informal que emerge de tais espaços,
incluo a possibilidade de se aprender também o inglês, uma vez que boa parte dos
games tem, nesse idioma, a sua forma de comunicação. Portanto, a fim de
verificar como se dão os processos de aprendizagem informal e de construção do
conhecimento de língua adquirido por meio dos games, utilizarei como recorte
teórico o conectivismo, teoria elaborada por George Siemens (2004). Opto por tal
teoria não somente por seu caráter inovador, mas também pela sua proposta de
tentar explicar o efeito da tecnologia sobre os modos de viver, de comunicar e de
aprender em rede na era digital. Além da teoria conectivista de Siemens, traçarei
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR um paralelo com os estudos da complexidade de Larsen-Freeman e Cameron
(2008) e Paiva (2009; 2011) e que tratam da aquisição de segunda língua. Esta
pesquisa terá um caráter qualitativo de cunho etnográfico e será conduzida por
meio de entrevistas com sujeitos que se declarem gamers e sejam licenciandos de
Letras Português/Inglês ou Inglês. A opção por esse perfil de sujeitos deve-se ao
fato de já terem tido contato com as teorias de aprendizagem e, portanto, poderão
fornecer subsídios sobre seus próprios processos de aprendizagem de língua
inglesa mediados pelos games.
Palavras-chave: Língua inglesa. Jogos eletrônicos. Conectivismo. Aprendizagem
de língua estrangeira.
Elaboração de tarefas para ensino de português como língua estrangeira à
distância
Autor: Ayumi Nakaba Shibayama
Orientador: Prof.ª Dr.ª Denise Cristina Kluge
Debatedor: Prof.ª Dr.ª Eglantine Guély Costa
Este estudo tem como objetivo fazer o relato de experiência do curso piloto de
português língua estrangeira à distância do Centro de Línguas e Interculturalidade
da Universidade Federal do Paraná apresentando os pressupostos teóricos
norteadores da sua abordagem. O processo envolveu, num primeiro momento, a
investigação sobre a relação entre ensinantes e aprendizes e o papel do material
didático na perspectiva acional (PUREN, 2002) orientados pelos princípios
descritos no Quadro Europeu Comum de Referência (QECR) com vistas a
promover o desenvolvimento de habilidades orais e escritas. Para isso, houve o
aprofundamento de questões relacionadas à esta perspectiva, mais
especificamente aos conceitos de competências, tarefas e projeto. O construto
teórico do exame brasileiro de certificação de proficiência em português para
estrangeiros, CelpeBras, também foi considerado como elemento norteador deste
curso à distância. Colocar o aprendiz como ator social que interage em diferentes
situações através do ensino baseado em tarefas é um trabalho que se desenvolve
nos cursos presenciais deste Centro (SANTOS, 2014) e se mostra pertinente para
contextos à distância ambos ancorados na visão do uso da linguagem como
interagir no mundo com propósito social. (BRASIL, 2006; CLARK, 2000;
SCARAMUCCI, 2006). Santos (2014) apresenta critérios para elaboração de
tarefas para cursos PLE presenciais no Celin. Este estudo pretende utilizar os
critérios apresentados pela autora para cursos presenciais e aplicá-los em
contextos à distância, mais especificamente na elaboração das sequências
didáticas do curso PLEaD na plataforma moodle relatando todo o processo de
elaboração deste conteúdo. O trabalho detalha as diferenças e possíveis
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR adequações nas propostas de tarefas para estes dois contextos. Seja em
modalidade presencial ou a distância, a investigação teórica do curso como
também de seu material didático se faz necessária para que a prática pedagógica
em cursos presenciais ou à distância possam refletir a abordagem proposta e
visão de linguagem a fim de alcançar os objetivos de forma colaborativa e
autônoma.
Palavras-chave: ensino-aprendizagem, português língua estrangeira, abordagem
por tarefas, ensino à distância, perspectiva acional
PIBID: Impacto na Formação Continuada de Docentes do Curso de Letras
Inglês.
Autora: Iara Maria Bruz
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão
Debatedor: Prof. Dr. Francisco Fogaça
O PIBID (Programa Institucional de Iniciação à Docência) é um programa de
parceria entre Capes e MEC e é voltado para formação de professores. O
Programa une a participação de Universidades, graduandos de licenciatura e
professores da rede pública para trabalharem juntos, pensando a escola e todo o
contexto em que essa está inserida. O PIBID encontra-se como espaço de
formação tanto para os graduandos quanto para professores atuantes na rede
pública. Neste espaço híbrido, os envolvidos podem trocar ideias, experiências,
impressões, opiniões e, também, frustrações. Considerando que o coordenador do
subprojeto, professor do ensino superior, também é docente atuante no ensino,
pode ser acrescentada a sua formação continuada como uma das frentes que o
PIBID atinge. Apesar de não ser um dos objetivos diretos do PIBID, acredita-se
que, além de impactar a formação inicial e continuada dos alunos e professores da
rede pública, também impacte a formação de professores universitários que
participam como coordenadores do Programa. Diante disso, considera-se
relevante a realização de estudos que investiguem o possível impacto do PIBID na
formação continuada do professor universitário, coordenador de subprojeto. A
presente pesquisa propõe-se a verificar qual é esse impacto em dois subprojetos
da disciplina de língua inglesa em duas IES na região de Curitiba. Para tanto, está
sendo realizado um estudo de cunho etnográfico junto a dois subprojetos, um de
uma IES pública e outro de uma IES particular, envolvendo observação das
reuniões de ambos os grupos e entrevistas com as coordenadoras dos
subprojetos e com os licenciandos participantes. Com isso pretende-se constatar
se as professoras universitárias se percebem como professoras em formação, e
consequentemente se percebem os espaços do PIBID como locais desse
processo, bem como quais impactos o PIBID tem trazido- para suas práticas e na
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR construção de suas identidades como professoras e formadoras de professores.
Para tanto, tomamos como referencial teórico as concepções de linguagem como
discurso (BAKHTIN, 2003; JORDÃO, 2007; VOLOCHÌNOV, 2009; BLOMMAERT,
2010) na perspectiva da pós-modernidade (USHER; EDWARDS, 2003), pósmétodo (KUMARAVADIVELU, 1994; 2003), o ensino crítico de línguas
estrangeiras (PENNYCOOK, 2007; HAWKINS; NORTON, 2009) e teorias sobre
Letramento Crítico (JORDÃO, 2013; SOUZA 2011).
Palavras-chave: formação de professores; ensino crítico de língua estrangeira;
PIBID.
Inglês como Língua Franca: Um Estudo Etnográfico na Extensão do IFPR –
Campus Curitiba
Autor: Anderson Nalevaiko Marques
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão
Debatedora: Prof.ª Dr.ª Telma Gimenez
O ensino-aprendizagem de línguas, mais especificamente de Língua Inglesa (LI),
vem recebendo diferentes ressignificações ao longo das últimas décadas,
perpassando novos entendimentos dos conceitos de língua, comunicação,
inteligibilidade e formas de ensinar-aprender. Tais ressignificações acompanham
as mudanças propiciadas por, dentre outras razões, diferentes configurações
sociais contemporâneas que permitem, por meio das tecnologias de informação, o
contato entre diferentes atores sociais pelo planeta. Nesse cenário destacam-se
estudos que tentam dar conta da multiplicidade de sentidos atribuídos ao ensinoaprendizagem de LI. Alguns desses estudos tentam dar conta da descrição do
estatuto da LI como língua internacional, com base nas influências advindas de
falantes de outras línguas na LI. Outros, entretanto, incluem na arena de
discussões as mais variadas formas de comunicação que se configuram no
contato entre sujeitos que não têm a LI como língua primeira, especialmente
informados por teorias de Inglês como Língua Franca (ILF) – não excluindo,
contudo, os sujeitos que têm a LI como língua materna. Nessa perspectiva, o ILF
inclui como prementes as noções de não dependência de formas normativas préestabelecidas, coloca em foco a negociação de sentidos entre os sujeitos e busca
estratégias localizadas e contingentes de construção de sentidos, com ênfase na
negociação em detrimento da dependência de abordagens diretivas de ensinoaprendizagem. Assim, o presente projeto evidencia a necessidade de buscar
entendimentos sobre como os pressupostos de ILF podem ser traduzidos em
ações interventivas por meio da oferta de um curso de Extensão em instituição
Federal de Ensino. Dessa forma o planejamento, o desenvolvimento e a execução
do curso servirão como campo da pesquisa. A investigação também almeja
construir entendimentos sobre as percepções da comunidade envolvida na
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR pesquisa sobre normatividade, falantes nativos e não nativos, além da
necessidade de intervenção por parte do professor. Ainda, o projeto objetiva
entender, em uma perspectiva de investigação etnográfica discursiva pósmoderna, quais impactos tais práticas de ensino-aprendizagem não normativas
podem ser evidenciados e problematizados na continuidade da vida acadêmica
dos alunos envolvidos na investigação.
Palavras-chave: Inglês como Língua Franca; ensino-aprendizagem de línguas;
construção de sentidos; discurso.
Professores-alunos de espanhol na Jamaica e o impacto do creole:
Percepções e Práticas
Autora: Maria Teresa Sánchez Alcolea
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Clarissa Menezes Jordão
Debatedora: Prof.ª Dr.ª Clóris Porto Torquato
Jamaica, uma das Antilhas Maiores do Caribe, compartilha com outras ilhas da
região uma história de colonização, imigração e encontro de culturas que tem
resultado na criação de uma cultura diversa e uma língua crioula (o creole
jamaicano), caracterizada pela incorporação de aspectos aportados pelos grupos
culturais que têm coincidido nesse espaço geográfico. Como fenómeno integrador
de cultura e história na sociedade, o creole jamaicano gera diversidade de
interesses. Portanto, os estudos sobre essa língua abarcam questões de pesquisa
em diferentes campos académicos, incluindo a linguística, a educação, a
sociologia, entre outros. Minhas pesquisas anteriores têm me mostrado que,
apesar da estabilização fonológica, morfológica, sintática e léxica que tem levado
ao creole se tornar uma língua popularmente usada em todos os aspectos da vida
na Jamaica, e que, apesar das campanhas em favor de novas políticas linguísticas
que considerem e sejam mais adequadas à realidade linguística da ilha, persistem
atitudes linguísticas que, ao negar o impacto dessa língua no ensino e
aprendizagem, poderiam estar estancando o desenvolvimento da educação,
incluindo a aprendizagem de línguas estrangeiras, como o espanhol. Esse projeto,
por tanto, propõe um estudo das percepções dos professores-alunos de espanhol
com respeito ao creole, assim como o impacto dessas percepções sobre as
escolhas metodológicas para ensinar a língua espanhola. O projeto inclui também
uma análise das propostas metodológicas dos documentos curriculares dos
institutos pedagógicos estudados, visando contrasta-os com as propostas dos
professores-alunos de espanhol em suas práticas de ensino. O projeto será
desenvolvido em duas seções principais. A primeira parte incluirá questões
relacionadas com a situação linguística da Jamaica, levantada a partir de fontes
primárias e secundárias. A segunda incluirá o estudo das percepções dos
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR professores-alunos sobre o impacto da situação linguística da Jamaica no ensino
e na aprendizagem do espanhol e os métodos mais usados; baseado em dados
gerados a partir de fontes primárias, como entrevistas e questionários; com vistas
a concretizar propostas metodológicas para a inclusão do Creole como corpo
linguístico de partida para o ensino do espanhol.
Palavras-chave: Creole, Jamaica, ensino/aprendizagem, percepções, espanhol
O discurso das ladainhas de capoeira: relações étnico-raciais e construção
de identidades
Autora: Desirée Francine dos Santos
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Lígia Negri
Debatedora: Prof.ª Dr.ª Cloris Porto Torquato
O percurso metodológico desta pesquisa consiste em investigar como se
configuram os discursos das ladainhas de capoeira e de que forma esses
discursos podem depreender alguma relação com as discussões étnico-raciais e a
construção identitária dos sujeitos pertencentes ao meio capoeirístico. Pretendese fazer a investigação linguística a partir de análises de ladainhas selecionadas e
de entrevistas com capoeiristas, da vertente capoeira angola, a fim de
recuperarmos os sentidos atribuídos ao material sob análise. As entrevistas irão
se enquadrar na metodologia de pesquisa qualitativa para tentar compreender
como as crenças e valores podem acontecer na vida dos sujeitos e como estes
vivenciam cada processo dentro de um espaço comum. Do mesmo modo, este
estudo vem com o viés de ‘conhecer como as pessoas percebem o mundo’, a
capoeira, os cantos da capoeira e, especificamente, as ladainhas. As análises tem
por embasamento teórico a perspectiva bakhtiniana em que o discurso é encarado
como interação social. A pesquisa será desenvolvida a partir das concepções de
Stuart Hall, que entendem as identidades como processuais e construídas por sua
relação dialética entre o ser e o mundo. As teorias sobre relações étnico-raciais e
construção de identidades serão fundamentais para compreendermos os
discursos das ladainhas e como elas podem recuperar e atualizar uma memória,
mesmo com possíveis deslizamentos. Ao tentarmos resgatar uma memória
das/nas ladainhas utilizaremos a oralidade como aspecto relevante para objeto de
análise, uma vez que as ladainhas são cantos que conservam fundamentos e
tradições por meio da prática discursiva oral. A constituição histórica da capoeira,
como luta de resistência iniciada no século XIX, traz como reflexão os discursos
de resistência que abrangem principalmente uma questão étnico-racial e é,
justamente, este o foco que daremos ao investigarmos as construções de
identidades por meio das ladainhas. Portanto, detectar vestígios de uma relação
étnico-racial nos discursos das ladainhas, assim como nas falas dos sujeitos
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR praticantes da capoeira será um dos objetivos fundamentais deste estudo para
compreendermos como as ladainhas constroem uma memória de resistência afrobrasileira e como as identidades dos capoeiristas são influenciadas por essa
memória.
Palavras-chave: Discurso, Ladainhas, Identidades, Relações Étnico-Raciais,
Capoeira.
Processos de identificação com a língua e a cultura alemã por imigrantes
e/ou seus descendentes residentes no Brasil.
Autora: Silvia Milena Bernsdorf
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Gesualda de Lourdes dos Santos Rasia
Debatedor: Prof.ª Dr.ª Cloris Porto Torquato
Esta pesquisa tem por objetivo estudar como se dão os processos de identificação
com a língua e a cultura alemã por imigrantes e/ou seus descendentes residentes
no Brasil. Apesar do espanto que muitos brasileiros demonstram ao perceberem,
por exemplo, a grande presença de haitianos e sírios atualmente em nosso país, a
vinda de estrangeiros ao Brasil não é novidade. Desde o século XIX, recebemos
grandes contingentes de imigrantes, que vieram (e continuam vindo) em busca de
melhores condições de vida longe de suas terras natais. No Sul de nosso país, as
nacionalidades que se fizeram mais presentes a partir da década de 80 do século
XIX foram a italiana e a alemã. Nesta pesquisa, especificamente, interessa-nos
compreender como foi a instalação dos povos de origem germânica em terras
brasileiras e como se constituíram suas representações em relação à sua língua
materna e à sua cultura. Para a constituição de nosso corpus de análise,
coletaremos depoimentos orais dos sujeitos e, por se tratar de uma pesquisa
semi-estruturada, tal coleta não terá a estrutura fixa de uma entrevista, mas alguns
vetores servirão de orientação para a conversa, como: ano e local de nascimento,
vida familiar e escolar, práticas de uso das línguas alemã e portuguesa,
sentimentos relacionados ao “ser alemão” e ao “ser brasileiro” e práticas religiosas
e culturais, tanto na Alemanha quanto no Brasil. A Análise de Discurso (AD)
francesa, que iniciou seus estudos em 1969 com Michel Pêcheux, será nossa
teoria norteadora, e seus conceitos de Formação Ideológica (FI), Formação
Discursiva (FD), condições de produção, sujeito, sentido e, principalmente,
memória discursiva serão elementos-chave para compreendermos que domínios
de memória emergem desses relatos, em quais lugares os sujeitos se inscrevem
em relação à língua e à cultura alemã e de que modo se dá a construção
identitária dos sujeitos imigrantes e/ou seus descendentes residentes no Brasil.
Com isso, procuraremos contribuir para os estudos da AD francesa, em diálogo
com questões relacionadas à constituição identitária dos sujeitos, bem como para
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR o ensino e a aprendizagem da língua alemã que, ao nosso ver, não podem ser
desvinculados dos contextos que envolvem tal idioma e o relacionam com nosso
país, especialmente com a região Sul.
Palavras-chave: Cultura. Língua. Sujeito. Domínios de memória. Identidade.
Abordagens atuais da Semântica: Uma reflexão em epistemologia da
Linguística.
Autora: Paula Regina Scoz Domingos Damázio
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Roberta Pires de Oliveira
Debatedor: Prof. Dr. José Borges Neto
Neste trabalho investigamos as bases epistemológicas de algumas teorias
semânticas assumindo como base teórica a proposta de Pires de Oliveira e Basso
(2011). Adotando uma leitura frouxa de paradigma de Kuhn (1982), os autores
propõem a divisão da linguística em dois paradigmas: o científico e o humanista. O
Paradigma Científico ramifica-se em dois programas de pesquisa, o formalista e o
funcionalista. O programa formalista caracteriza-se por entender a linguagem
enquanto um sistema autônomo, já o programa funcionalista entende que a
estrutura da linguagem é resultado da interação, e por essa razão assume fatores
externos como hipóteses para suas teorias. (BASSO, PIRES DE OLIVEIRA,
2011). As pesquisas realizadas em ambos programas utilizam métodos científicos,
i.e. suas teorias são formuladas, verificadas, confirmadas ou refutadas utilizandose para tanto uma metalinguagem clara e precisa. O Paradigma Humanista abriga
duas linhas de pesquisa, as teorias enunciativas e a análise do discurso. Esse
paradigma caracteriza-se por apresentar interpretações referentes a determinados
fenômenos linguísticos que são particulares e singulares. Dessa forma, não são
propostas teorias com poder preditivo, pois as explicações partem de eventos
únicos e não sistemáticos.
Nossa investigação irá olhar de perto as teorias semânticas mais representativas
do quadro atual de pesquisas do país. Para tanto, faremos um levantamento em
relatórios de programas de pós-graduações, em plataformas como Sucupira da
Capes, em bolsas de PQ e grupos de pesquisa do CNPq. Transitaremos por dois
campos de saberes que são o científico e o humanista. A semântica, assim como
a linguística, é uma área de estudos marcada pela pluralidade epistêmica. Os
aspectos que compõe a presente pesquisa são: i) compor um quadro de
referência das semânticas a serem analisadas e por em prática um roteiro de
investigação epistemológico dessas teorias. ii) empreender um aprofundamento
histórico na trajetória da semântica nacional; iii) fundamentar nossas análises
partindo da incursão à filosofia da ciência e às teorias enunciativas e à análise do
discurso com o objetivo de avaliar as metodologias utilizadas na ciência e nas
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR humanidades; iv) refletir sobre a construção da ciência, a partir de um estudo de
caso.
Nosso objetivo é avaliar criticamente a proposta epistemológica de Pires de
Oliveira e Basso (2011), averiguando a possibilidade de distribuir as semânticas
analisadas nos paradigmas propostos pelos autores. Dessa forma, acreditamos
contribuir para as pesquisas em filosofia da linguística, com enfoque especial nos
estudos semânticos.
Palavras-chaves: Filosofia da Linguística. Epistemologia. Teorias semânticas.
Paradigmas científico e humanista.
Pronome onde e estratégias de esquiva a cujo: uma discussão da norma
culta urbana a partir dos ambientes virtuais de aprendizagem
Autora: Paula Cristina dos Reis
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Maria José Foltran
Debatedora: Prof.ª Dr.ª Maria Cristina Figueiredo Silva
Este projeto de pesquisa propõe a discussão dos conceitos de Norma Culta
urbana em vigência, partindo dos resultados obtidos na descrição e análise das
estratégias de relativização usadas em processo interativo escrito formal em
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), por acadêmicos de cursos de
graduação diversos de uma mesma Universidade Brasileira, todos optantes pela
modalidade de educação à distância. Após análise-teste em corpus reduzido - 200
sentenças - mostrou-se produtiva a seleção de relativas com pronome onde como
estratégia de esquiva à produção de cujo.
(PED06_F32)
Desde criança, eu era uma garotinha onde a persistência era elogiada!
(TEC08_M28)
(...) comecei cedo na empresa, era do meu pai. A empresa onde o moleque era
filho do dono.
(LET 07_F33)
E tudo parou quando ele foi embora. Quem mais me incentivava a estudar e a ser
alguém na vida. Eu virei um livro onde as páginas dos 12 aos 15 ficaram em
branco.
(LET 11_M41)
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR Me senti totalmente motivado quando participe da palestra! Pensei “preciso ir
voltando agora, ou não vou mais”. Hoje quero ter uma vida onde o foco seja a
tranquilidade.
Como hipótese de pesquisa, buscamos comprovar que o falante, ainda que
universitário e interagindo em AVA formal, demonstra preferência pela produção
de relativa vernacular e elege o item lexical onde como substituto direto a cujo e
como forma concorrente a que – já indicado por pesquisas como pronome
universal. Assim, os fatores “escolaridade” e “formalidade do ambiente” não se
mostram eficazes para a conservação de uso da relativa padrão em detrimento à
vernacular. A partir das constatações dos dados, analisaremos a estrutura das
relativas percentualmente significantes de modo a responder à pergunta-base da
pesquisa: em que medida o aparecimento da estratégia preferida pelos falantes
pode nos ajudar a decidir por uma das estruturas postuladas para as relativas?
Considerou-se como embasamento da pesquisa, as indicações de Kato (1981) a
respeito da alternância entre o uso de estratégias padrão e vernacular se
constituírem um caso de variação linguística estilística, sendo a estratégia padrão
ativada em situações de formalidade e resultante da intervenção escolar. As
indicações de Tarallo (1983), ao pesquisar a fala de trabalhadores e computar
baixíssimo uso de sentenças relativas padrão, indicando que na fala, a tendência
é pelo uso das estratégias vernaculares. Os apontamentos de Correa (1998) e
seus
estudos
sobre as estratégias de relativização no
português do Brasil, comprovando a aquisição tardia das estratégias padrão e a
tendência do falante em lançar mão de estratégias de esquiva a elas. Santos Silva
(2001) que, disposto a verificar a presença/ ausência de estratégias de esquiva na
modalidade culta do português falado e escrito, comprovou que as sentenças
relativas de estratégia padrão não fazem parte do vernáculo e tampouco são
privilegiadas na linguagem culta, independente da modalidade. E de Kenedy
(2007) que apresentou dados importantes quanto à variação padrão x vernacular
das relativas não ser exclusividade do Português Brasileiro, mas estarem
presentes também no espanhol, Frances e inglês.
Após seleção dos informantes, constituição completa do corpus de pesquisa,
análise dos resultados e comprovação/ negação da hipótese inicial de pesquisa, o
projeto final versará para uma discussão aprofundada acerca dos pilares que
nutrem os padrões da chamada Norma Culta Urbana.
Palavras-chave: Norma; relativa-padrão; relativa vernacular; Onde; Cujo; Ambiente
Virtual de Aprendizagem (AVA).
A indeterminção do sujeito no falar ludovicense
Autora: Alana Brito Barbosa
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR Orientadora: Prof.ª Dr.ª Odete Pereira da Silva Menon
Debatedor: Pr. Dr. Edson Domingos Fagundes
Esta pesquisa, que se fundamenta nos pressupostos da Sociolinguística
Variacionista (LABOV 1972; 1994; 2001), trata sobre a indeterminação do sujeito
no português falado em São Luís, capital do estado do Maranhão. A
indeterminação do sujeito, embora seja um tema bastante recorrente no português
contemporâneo, é tratado de forma parcial pela Gramática Tradicional, quando
postula que a língua portuguesa dispõe de apenas duas estratégias de
indeterminação do sujeito – verbo na terceira pessoa do singular mais o pronome
se e verbo na terceira pessoa do plural com o pronome oculto –, não englobando,
desse modo, a totalidade das estratégias que se fazem presentes no uso real da
língua. Pesquisas de diversas regiões brasileiras têm se encarregado do estudo
da indeterminação do sujeito – em textos escritos e na fala – e comprovam a
utilização de outras estratégias além daquelas prescritas pela Gramática
Tradicional. Nesta pesquisa, objetivamos: i) investigar as estratégias de
indeterminação do sujeito utilizadas no português lodovicense, a fim de verificar o
comportamento linguístico dessa comunidade de fala específica e ii) identificar os
contextos sociais e/ou linguísticos que podem favorecer o uso de tais recursos. O
corpus constituído para esta pesquisa é do tipo diálogo entre documentador e
informante. Os informantes ludovicenses contemplados foram igualmente
dispostos entre os dois sexos, quatro níveis de escolaridade (até o 6º ano do
ensino fundamental, até o 9º ano do ensino fundamental, ensino médio completo e
ensino superior completo) e três faixas etárias (25 a 35 anos, 40 a 50 anos e de 55
anos em diante). Ao todo, serão realizadas 48 entrevistas com falantes
ludovicenses, totalizando, portanto, 12 perfis sociolinguísticos, sendo, cada perfil,
composto por 4 informantes. Após a seleção do corpus, os dados serão
estatisticamente analisados com o pacote de programas computacionais
GoldVarbX (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005). Pesquisas deste tipo, que
partem do uso real da língua, certamente contribuem para que observemos a
realidade linguística atual e possamos, a partir disso, entender o funcionamento da
língua portuguesa em suas diversas variedades.
Palavras-chave: Sistema Pronominal. Indeterminação do sujeito. Português
Ludovicense.
Revisitando a metáfora: Reflexões sobre a teoria cognitiva da metáfora e a
teoria da relevância
Autor: Otávio Henrique Koch
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Elena Godoi
Debatedora: Prof.ª Dr.ª Lígia Negri
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR Este trabalho se propõe a analisar a metáfora sob o ponto de vista de algumas
correntes linguísticas contemporâneas, entendendo que a composição metafórica
desempenha um papel na estrutura cognitiva humana. Para isso, serão utilizadas
duas vertentes teóricas que tratam do assunto: a semântica cognitiva, com
enfoque em Lakoff e Johnson (1980) e em Fauconnier e Turner (1998; 2008), e a
abordagem pragmática sobre o tema, tendo como base a Teoria da Relevância
(TR, doravante) de Sperber e Wilson (1995). George Lakoff começou o enfoque
sobre a metáfora com o objetivo de trazer novas perspectivas aos estudos de
significado abordados pela linguística gerativa. Esses estudos foram realizados na
mesma época em que foi feita a formulação da semântica gerativa, a qual propõe
um modelo cognitivo que vai de encontro à proposta modular formalista de Fodor
e Chomsky. Em 1980 Lakoff e Mark Johnson introduziram no seu livro Metaphors
we live by a ideia de que as metáforas funcionam como fator fundamental na
estrutura cognitiva humana. Essa perspectiva vem como um contraponto à visão
de que a metáfora funciona apenas como uma forma de ornamentar o discurso,
proposta por Aristóteles. Para Lakoff e Johnson a nossa percepção estaria
fundamentada em conceitos metafóricos básicos, e que através deles
desenvolvemos a nossa visão de mundo. Os autores salientam esse ponto de
vista em seu livro, e apontam para uma formulação de conceitos em nossa mente
que serviriam de base para nosso sistema conceitual. Em contra partida, há a
visão sustentada pelos autores da Teoria da Relevância, na qual metáforas são
um produto da comunicação, e sua interpretação não difere de sentenças ditas. A
interpretação de metáforas para a Teoria da Relevância tem como base dois
conceitos relevantistas, segundo Sperber e Wilson(2004):
(I) Princípio cognitivo da relevância: a mente tende a maximizar nossas
expectativas de relevância
(II) Princípio comunicativo de relevância: cada enunciação carrega em si sua
presunção de relevância ótima.
Temos assim uma interpretação baseada no contexto comunicativo e produto da
comunicação. A TR desenvolve uma proposta que explica a interpretação de
metáforas, descartando o valor cognitivo atribuído a ela anteriormente.Tendo em
vista esses conceitos, a intenção da dissertação a ser realizada é tentar explicitálos, efetuando conexões entre os principais autores do campo, assim como
compreender os pontos de divergência e convergência entre as teorias
contemporâneas da metáfora.
Palavras-chave: Metáfora, cognição, semântica cognitiva, teoria da relevância.
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR O aprendizado de símbolos humanos por outras espécies
Autor: Fabio Mesquita
Orientador: Prof. Dr. José Borges Neto
Debatedor: Prof. Dr. Marcos Lopes
Alguns mamíferos e pássaros conseguem, sob intenso treinamento, comunicar-se
utilizando símbolos que podem ser chamados genericamente de 'palavras'. Uma
gorila chamada Koko, após anos de convivência com sua pesquisadora, é capaz
de produzir (gestualmente) expressões inovadoras como “biscoito pedra” para se
referir a uma rosquinha endurecida. Um papagaio-cinzento chamado Alex, ao ser
perguntado “quantos blocos azuis?” diante de uma bandeja com diferentes tipos
de formas geométricas de diversas cores, responde corretamente “quatro”. Estas
ocorrências observadas em animais treinados sugerem que eles possuem uma
capacidade latente de operar com algum tipo de sistema simbólico, e também
possivelmente são naturalmente capazes de realizar muitas das operações que
chamamos de conceituais ou referenciais. No entanto, é importante notar que
crianças podem aprender milhares de itens lexicais sem esforço, podendo
estruturá-los em uma sentença, enquanto que outros animais adultos dificilmente
produzem sequências de mais de 2 símbolos concatenados (apesar de alguns
autores alegarem que eles compreendem a estrutura de sentenças). Estes
estudos foram amplamente discutidos nos anos 1970, mas a maioria deles acabou
sendo criticada por outros pesquisadores sobre a questão conceitual “o que é
linguagem", e então diversas acusações de descuido metodológico, viés
ideológico, entre outras, vieram à tona. Esta mesma disputa sobre diferentes
concepções de linguagem persiste hoje com outra roupagem. Sob o termo
'evolução da linguagem', muitas noções tanto de evolução quanto de linguagem
subjazem em conflito. Enquanto muitos trabalhos se referem à mudança
linguística de longo prazo como evolução, outros alegam que a linguagem como
sistema computacional interno não evoluiria, apesar das línguas mudarem
constantemente (parametricamente, por exemplo). Uma conexão importante a ser
feita é sobre as concepções de evolução e linguagem dos autores. De um lado, há
a correlação entre uma visão externalista/comunicativa de linguagem e a aposta
de que ela teria evoluído de forma gradual, desde, digamos, o homo erectus até o
presente. Assim, em suas origens, a linguagem humana poderia ter sido similar ao
sistema restrito dos animais treinados do presente. De outro lado, estudiosos que
adotam uma concepção internalista/autônoma de linguagem quase sempre
alegam de que ela teria emergido brusca e recentemente no homo sapiens. Desta
maneira, este sistema interno não encontraria paralelo em outros animais. É
possível que muitas das discussões, principalmente as de grande escala, estejam
tratando de um falso dilema. As mudanças podem ocorrer em diferentes níveis:
uma mutação genética, por exemplo, pode ser responsável por uma alteração
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR repentina no funcionamento do cérebro de um indivíduo, mas o efeito desta
mudança no comportamento da espécie pode levar muitas gerações para ser
detectada como um novo traço fenotípico. Caso o sistema computacional
responsável pela linguagem tenha passado por uma alteração brusca que permita
a hierarquização de estruturas representacionais recursivas, ainda assim a
externalização da linguagem, que depende de muitos outros fatores cognitivos
para se estabelecer, poderia ser tomada como gradual, inclusive com estágios
iniciais de comunicação. No fundo, é possível que estejamos revisitando a mesma
disputa entre concepções internalistas e externalistas de linguagem.
Palavras-chave: evolução da linguagem; comunicação animal; faculdade de
linguagem.
Derivação morfológica no português brasileiro:
acionalidade
Autor: Maurício Resende
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Maria Cristina Figueiredo Silva
Debatedor: Prof.ª Dr.ª Maria José Foltran
um
estudo
sobre
Este projeto de pesquisa visa à verificação do comportamento dos processos
morfológicos responsáveis pelas nominalizações em Português Brasileiro (PB),
mais especificamente aquelas que formam nomes deverbais. Será aceita neste
estágio da pesquisa a distinção clássica entre flexão e derivação sem, por ora,
discutir ou questionar os critérios que sustentam tal diferenciação. De qualquer
forma, desde Câmara Júnior (1970), tem-se aceitado em larga medida que, pelo
menos no PB, a formação de novas palavras é um processo irregular no sentido
de que não obedece a um paradigma morfológico de derivação. Poucos estudos
desde Câmara Júnior têm dado atenção ao questionamento de se, de fato, os
processos derivacionais do PB são tão aleatórios e desregrados como apresentou
o autor. Seguindo essa direção, este estudo, primeiramente por meio de uma
metodologia hipotético-dedutiva e depois mediante a busca em banco de dados
por palavras não dicionarizadas, tem o objetivo de verificar se há ou não
regularidades nos processos derivacionais do PB. Para tanto, partiu-se do trabalho
de Brinton (1995) que mostrou, com base nos tipos de predicado propostos por
Vendler (1967), que, para o inglês, existe uma relação entre o dispositivo
empregado na nominalização deverbal e a acionalidade do verbo base. Desse
modo, este trabalho consiste na verificação de se também no PB existe algum tipo
de relação entre um verbo base e o seu nome deverbal, sob o prisma da
acionalidade, que garanta algum nível de regularidade ou sistematicidade nos
processos derivacionais. Assim, os objetivos da pesquisa são: verificar se a
acionalidade do verbo é preservada quando um nome deverbal é criado; investigar
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR quais são os diferentes dispositivos da nominalização deverbal no PB e checar se
o aspecto verbal desempenha algum papel no processo de nominalização. No
mais, este estudo objetiva a contribuir para o avanço da descrição e explicação
dos fenômenos linguísticos relacionados aos processos morfológicos de derivação
no PB, em uma abordagem formal, ancorado nos pressupostos teóricos da
Gramática Gerativo-Transformacional (CHOMSKY, 1957).
Palavras-chave: Processos de derivação. Acionalidade. Nomes deverbais.
O /e/ átono final produzido por falantes de Curitiba: uma análise acústica dos
sons da fala
Autor: Mateus Renan Dubiela.
Orientadora: Profª Drª Adelaide Hercília Pescatori Silva
Debatedor: Profª Drª Luciane Costa
O senso comum tende a afirmar que habitantes da cidade de Curitiba, PR,
realizam as vogais médias frontais átonas em posição final de palavra sem
alçamento, ao contrário do que é observado na maior parte do país. Esta
afirmação encontra certo suporte em estudos variacionistas a respeito da variação
destas vogais, principalmente na produção de indivíduos do Rio Grande do Sul.
Pesquisas como as de Mercer (1996), Vieira (2009) e Limeira (2013), sugerem
que a realização desta vogal no estado do Paraná está em meio a um processo de
mudança no qual a regra de elevação ainda não foi completamente implementada.
Os estudos variacionistas sobre o tema ainda afirmam que existe uma relação
forte entre a não-elevação da vogal átona e o seu contexto fonológico adjacente.
Este estudo, por sua vez, tem como objetivos principais: 1) Descrever a realização
acústica das vogais médias frontais átonas em final de dissílabos paroxítonos
terminados em /e/ por falantes do sexo feminino e 2) Verificar se o não-alçamento
da vogal é recorrente nos dados ou se há, de fato, uma tendência à elevação da
vogal átona. As hipóteses do trabalho são: 1) Falantes mais jovens tendem a
produzir a variável inovadora (com alçamento), enquanto falantes mais velhos
tendem a preservar a vogal média; 2) Falantes de uma faixa etária intermediária a
dos jovens e a dos mais velhos são mais instáveis em sua produção e, portanto,
exibem produção mais variável; e 3) O contexto fonológico precedente à vogal
átona influencia sua realização. Para testar o design experimental elaborado com
a finalidade de testar as hipóteses foi rodado um experimento piloto no qual
participaram apenas duas informantes, uma de 26 anos (representante da faixa
etária mais jovem) e outra de 46 anos (representante da faixa etária intermediária),
ambas nascidas e criadas em Curitiba e cujos pais também nasceram e foram
criados na cidade. Para testar as hipóteses, o corpus do estudo continha diversos
contextos consonantais e vocálicos precedentes a vogal distintos em um total de
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR 54 palavras. Cada informante repetiu as palavras-alvo inseridas na sentença
veículo “Diga <palavra> baixinho” cinco vezes. As produções das duas
informantes foram analisadas com o auxílio do software Praat e, para cada vogal,
foram extraídos os valores de F1, F2, F3 e duração relativa, totalizando 2160
dados (54x4x5x2=2160). A análise dos dados foi feita pela observação qualitativa
dos valores coletados, bem como por análise estatística. Os resultados
preliminares do estudo captam uma produção gradiente das vogais átonas,
mostrando que, de maneira geral, é dificultoso categorizar a alofonia do alçamento
como fazem análises tradicionais. Esta gradiência fornece evidências para um
tratamento dinâmico destes dados, uma vez que há um número de variáveis que
co-ocorrem para que os dados se mostrem como são.
Palavras-chave: fonética acústica, fonologia, variação linguística.
Decomposição lexical em primitivos semânticos e analiticidade
Autor: Alex de Britto Rodrigues
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Teresa Cristina Wachowicz
Debatedor: Em verificação
Este trabalho tem como objetivo analisar alguns argumentos centrais no debate
entre atomistas e decomposicionistas a respeito do significado lexical. A
perspectiva decomposicionista sugere um nível de representação em que um item
lexical pode ser decomposto em “unidades menores” abstratas, os “primitivos”
(também chamados de “primitivos conceituais”, “primes”, “predicados primitivos”,
entre outros termos). Já a perspectiva atomista, na qual o artigo de Fodor (1970)
“Three reasons for not deriving ‘kill’ from ‘cause to die’” pode ser considerado um
dos primeiros trabalhos influentes, defende a impossibilidade de se decompor
itens lexicais em primitivos semânticos uma vez que um “conceito” seria
indivisível, e para cada item lexical haveria um conceito. Alguns argumentos gerais
atomistas contrários à decomposição lexical são levantados a fim de observarmos
como as propostas decomposicionistas respondem a eles. Nossa tese é que a
analiticidade, relacionada às inferências das quais os primitivos semânticos
derivam, é central nesse debate e os argumentos das duas posições dependem
de como essa questão é tratada. As inferências das decomposições em primitivos
seriam analíticas, ou seja, teriam como base condições de verdade que não
exigem verificação epistemológica; por exemplo, a equivalência entre “kill” e
“cause to die” não precisaria ser verificada, pois se trata de um conhecimento a
priori. Prosseguindo com nossos objetivos, discutimos o conceito de “analiticidade”
e o debate não consensual a respeito de sua validade. Posteriormente,
analisamos algumas abordagens decomposicionistas, principalmente no que diz
respeito ao modo como elas respondem às críticas atomistas (principalmente
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR Fodor, 1970; 1980; 2003), entre elas a de Jackendoff (1983; 1990; 2002) e a de
Pietroski (2003). O que podemos notar é que essas abordagens
decomposicionistas desconsideram a problematização, apresentada pela posição
atomista, a respeito da validade da analiticidade. Com essa problematização, a
analiticidade, base para as derivações decomposicionistas, é posta sob suspeita.
Por outro lado, a posição decomposicionista conta com a análise de vários dados
que sustenta a existência de primitivos semânticos. Porém, esses primitivos são
estipulados como elementos abstratos, cuja natureza é difícil de ser atestada, o
que pode tornar não falseáveis as propostas decomposicionistas.
Palavras-chave: primitivos semânticos; analiticidade; decomposição lexical
VI Fórum de Produção Discente – 11 a 15 de maio de 2015 Programa de Pós-­‐Graduação em Letras/UFPR 
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Resumos do VI Fórum de Produção Discente linguistica