FUNDAÇÃO OSWALDO ARANHA
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE VOLTA REDONDA
PRÓ REITORIA DE PÓS GRADUAÇÃO, PESQUISA E EXTENSÃO
PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO EM CIÊNCIAS DA
SAÚDE E MEIO AMBIENTE
DANIEL BARBOSA MARUJO
NOVA ABORDAGEM ENTRE A RELAÇÃO DA FREQUÊNCIA
CARDÍACA COM A ESCALA SUBJETIVA DE ESFORÇO RPE - 20
VOLTA REDONDA
2010
FUNDAÇÃO OSWALDO ARANHA
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE VOLTA REDONDA
PRÓ REITORIA DE PÓS GRADUAÇÃO, PESQUISA E EXTENSÃO
PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO EM CIÊNCIAS DA
SAÚDE E MEIO AMBIENTE
NOVA ABORDAGEM ENTRE A RELAÇÃO DA FREQUÊNCIA
CARDÍACA COM A ESCALA SUBJETIVA DE ESFORÇO RPE - 20
Dissertação apresentada ao Programa de
Mestrado Profissional em Ensino em
Ciências da Saúde e Meio Ambiente, do
UniFOA – Centro Universitário de
Volta Redonda / RJ – como requisito
para obtenção do título de Mestre.
Autor: Daniel Barbosa Marujo
Orientador: Dr. Miguel de Lemos Neto
Orientador: Dr. Fábio Aguiar Alves
VOLTA REDONDA
2010
FICHA CATALOGRÁFICA
Bibliotecária: Gabriela Leite Ferreira -- CRB 7/RJ - 5521
M389n
Marujo, Daniel Barbosa.
Nova abordagem entre a relação da frequência cardíaca
com a escala subjetiva de esforço RPE – 20 / Daniel Barbosa
Marujo. – Volta Redonda: UniFOA, 2010.
51 f. : il.; grafs.
Dissertação (Mestrado Profissional) – Centro
Universitário de Volta Redonda – UniFOA. Pós-graduação
em Ensino de Ciências da Saúde e do Meio Ambiente,
2010.
Orientadores: Dr. Miguel de Lemos Neto e Dr. Fábio
Aguiar Alves
1. Intensidade do esforço 2. Freqüência cardíaca.
3. Testes ergométricos submáximos. I.Título.
CDD:
616.1
FOLHA DE APROVAÇÃO
Daniel Barbosa Marujo
Título da Dissertação:
NOVA ABORDAGEM ENTRE A RELAÇÃO DA FREQUÊNCIA
CARDÍACA COM A ESCALA SUBJETIVA DE ESFORÇO RPE - 20
Orientadores:
Prof. Dr. Miguel de Lemos Neto
Prof. Dr. Fábio Aguiar Alves
Banca Examinadora:
___________________________________________________
Prof. Dr. Miguel de Lemos Neto
_________________________________________________
Prof. Dr. Miguel de Lemos Neto
___________________________________________________
Prof. Dr. Miguel de Lemos Neto
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para a
minha formação e para que eu desenvolvesse esse trabalho. Em
especial, gostaria de agradecer aos meus alunos, que se dispuseram a
serem testados para o desenvolvimento dessa Dissertação. Aos
engenheiros Alexandre Marujo, Juliana Marujo e a Prof. Nara
Rubim, por me auxiliarem na análise estatística do estudo. A minha
futura esposa, Juliana Lustosa, pelos momentos de compreensão no
decorrer desta caminhada. A minha Família e amigos por estarem
comigo em todos os momentos e por terem compreendido minha
(grande) ausência em todo esse período. Sobretudo, gostaria de
agradecer aos meus orientadores, professores Miguel de Lemos Neto
e Fábio Aguiar Alves, orientador e amigo, por serem exemplos de
profissionais e de seres humanos.
SUMÁRIO
1.INTRODUÇÃO........................................................................................................12
2. REFERENCIAL TEÓRICO....................................................................................15
2.1 Frequência Cardíaca.................................................................................15
2.2 Percepção Subjetiva de Esforço...............................................................16
2.3 Testes Ergométricos.................................................................................19
3. OBJETIVOS...........................................................................................................20
3.1 Objetivo Geral...........................................................................................20
3.2 Objetivo Específico...................................................................................20
4.METODOLOGIA.....................................................................................................21
4.1 Amostra.....................................................................................................21
4.2 Critérios de Exclusão................................................................................21
5. MATERIAIS E MÉTODOS.....................................................................................22
5.1 Protocolo de Teste...................................................................................23
5.2 Instrumentos para coleta de dados e variáveis selecionadas para o
estudo............................................................................................................24
5.3 Limitações do Estudo...............................................................................24
5.4 Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos – CoEPS.....................25
5.5 Análise Estatística: Teste Qui Quadrado..................................................25
6. RESULTADOS.......................................................................................................23
7. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS........................................................................27
8. PRODUTO DISSEMINÁVEL..................................................................................39
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................42
10. BIBLIOGRAFIA.....................................................................................................44
LISTA DE FIGURAS
1. ESCALAS DE BORG (RPE 20 / CR 10 / CR 100).................................................18
2. PRODUTO DISSEMINÁVEL: CARTAZ..................................................................40
3. PRODUTO DISSEMINÁVEL: ADESIVO................................................................41
LISTA DE TABELAS
1. VALORES DAS CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS.....................................27
2. VALORES MÉDIOS DAS CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS......................28
3. VALORES DA EPE EM 50%, 60%, 70% E 80% DA FC MÁXIMA.........................29
4. CLASSIFICAÇÃO DA INTENSIDADE DO EXERCÍCIO COM BASE EM UM
TREINAMENTO DE RESISTÊNCIA CARDIORESPIRATÓRIA DE 30 A 60
MINUTOS...................................................................................................................30
5. VALORES DA EPE RELACIONADAS A 50% DA FC............................................31
6. VALORES DA EPE RELACIONADAS A 60% DA FC ...........................................33
7. VALORES DA EPE RELACIONADAS A 70% DA FC............................................35
8. VALORES DA EPE RELACIONADAS A 80% DA FC............................................37
LISTA DE ANEXOS
1. TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE.....................50
2. PRODUTO DISSEMINÁVEL: CARTAZ..................................................................51
3. PRODUTO DISSEMINÁVEL: ADESIVO................................................................52
RESUMO
NOVA ABORDAGEM ENTRE A RELAÇÃO DA FREQÜÊNCIA CARDÍACA COM A
ESCALA SUBJETIVA DE ESFORÇO RPE - 20
Autor: Prof. MsC. Daniel Barbosa Marujo
Orientador: Prof. Dr. Miguel de Lemos Neto
Orientador: Prof. Dr. Fábio Aguiar Alves
Na década de 60, o psicólogo sueco Gunnar Borg criou a Escala Subjetiva de
Esforço (RPE-20), com o objetivo de mensurar a intensidade do esforço de forma
subjetiva e não invasiva. Em seu estudo Borg relata que ao multiplicarmos por 10 a
escala correspondente, estaremos na Freqüência Cardíaca (FC) desejada para
indivíduos saudáveis, característica não encontrada em nosso estudo. Ao
avaliarmos 32 brasileiros, homens e mulheres, em um Teste Ergométrico
Submáximo de Esteira, encontramos a seguinte relação: em 50% da FC, 31% dos
avaliados encontram-se com diferença de 31% a 50% da FC prevista na literatura;
em 60% da FC, 47% dos indivíduos encontram-se com diferença de 11% a 20% da
FC prevista; em 70% da FC, 41% dos indivíduos encontram-se com diferença de
11% a 20% da FC prevista; e em 80% da FC, 44% dos indivíduos encontram-se com
diferença de até 10% da FC prevista. Sendo assim, observamos que a resposta da
FC através da RPE-20 encontra-se mais próxima do ideal quando trabalhamos com
FC mais altas, o que faz indispensável à associação da Escala com a monitorização
da FC, para a obtenção de resultados eficazes. Podemos concluir que, ao
analisarmos a população brasileira, a associação da FC com a RPE-20 não traz a
mesma resposta descrita no estudo original. Não foi encontrado na literatura,
nenhum estudo que confrontasse os resultados descritos no estudo de Borg.
Palavras
chaves:
Intensidade
Ergométricos Submáximos.
do
Esforço,
Freqüência
Cardíaca,
Testes
ABSTRACT
NEW APPROACH AMONG THE RELATIONSHIP OF THE HEART RATE WITH
THE SUBJECTIVE SCALE OF EFFORT RPE - 20
Autor: Prof. Mst. Daniel Barbosa Marujo
Orientador: Prof. Dr. Miguel de Lemos Neto
Co-orientador: Prof. Dr. Fábio Aguiar Alves
In the sixties, the Swedish psychologist Gunnar Borg created the Subjective
Scale of Effort (RPE-20), with the objective of measuring the intensity of the effort in
a subjective and no invasive way. In this study, Borg affirms that when we multiply
the corresponding scale by 10, we will be in the Heart Rate (HR) wanted for healthy
individuals, characteristic not found in our study. When we evaluated 32 individuals
(man and woman) in a Submaximal Ergometric Test of Mat, the following relationship
was found: in 50% of HR, 31% of the individuals are with difference of 31% to 50% of
foreseen HR in literature; in 60% of HR, 47% of the individuals are with difference of
11% to 20% of foreseen HR; in 70% of HR, 41% of the individuals are with difference
of 11% to 20% of foreseen HR; and in 80% of HR, 44% of the individuals are with
difference of up to 10% of foreseen HR. So, we observed that EPE is closer to the
ideal when we worked with higher HR, being indispensable for us the use of EPE
with the monitor of HR to obtain effective results. As a consequence of this study, we
developed some products for the master degree, like posters and adhesives with the
intention of spreading the newly found information.
Key words: Intensity of the Effort, Heart Rate, Ergometric Submaximal Test.
1. INTRODUÇÃO
O termo Exercício Físico é compreendido como qualquer movimento corporal
oriundo de uma contração muscular, gerando gasto energético acima dos níveis de
repouso, permitindo alterações em valências físicas como força, flexibilidade e
resistência, sejam para aspectos relacionados à composição corporal ou
desempenho desportivo (RAMOS, 1999).
Praticar exercícios físicos regularmente demonstra a opção por um estilo de
vida mais saudável, seja no campo biológico e/ou psico-sócio-cultural (CIOLAC e
GUIMARÃES, 2004), haja visto que diversos órgãos profissionais envolvidos com a
saúde, publicam inúmeras diretrizes com o intuito de promover estilos de vida mais
saudáveis em todo o ciclo vital (DATASUS, 2001). Além disso, estudos
epidemiológicos confirmam cada vez mais o papel decisivo da prática de exercícios
físicos como prevenção e controle de diversas doenças (HELMRICH et al; 1994;
CLAPP e LITLLE, 1995).
De acordo com as recomendações do “American College Sports Medicine ACSM” (2003), indivíduos aparentemente saudáveis devem exercitar-se de três a
cinco vezes por semana, procurando utilizar exercícios que envolvam os grandes
grupos musculares, em intensidades que variando entre 60-80% do consumo
máximo de oxigênio (VO2máx) ou entre 70-85% da freqüência cardíaca máxima. Ao
analisar a população brasileira, Monteiro et al; (2003) verificaram que apenas 13%
da população realizavam o mínimo de 30 (trinta) minutos de atividade física contínua
em um ou mais dias da semana, enquanto apenas 3,3% realizavam exercícios
físicos superiores a trinta minutos em cinco ou mais dias da semana.
Atualmente, os baixos níveis de atividade física são considerados um dos
principais fatores de risco, no que diz respeito a doenças crônicas nãotransmissíveis, que podem ser modificados. (WAXMAN, 2004). A correlação entre a
inatividade física, os altos índices de massa corporal (IMC), de colesterol total e de
hipertensão, aliada aos baixos níveis de aptidão cardiovascular, estão associados
com as altas taxas de morbidade e mortalidade, podendo destacar como principais
problemas às doenças cardiovasculares e o câncer (CARNETHON et al; 2005).
Yusuf et al; (2004) demonstraram que 12,2% dos infartos do miocárdio ocorrem em
indivíduos sedentários, sendo assim, a inatividade física pode ser um fator
predisponente para doenças cardiovasculares. A baixa aptidão e os riscos de
doenças cardiovasculares entre jovens são mais aparentes entre mulheres do que
em homens (CARNETHON et al; 2005), e em adultos, tornaram-se as principais
causas de mortes nos países Ocidentais (SHEPHARD, 1977 apud WATKINS).
A obesidade e o sobrepeso são vistos como problemas de saúde pública
(OLSHANSKY et al; 2005), sendo causados pelo desequilíbrio entre a demanda e a
oferta alimentar, podendo ser minimizado pela prática sistemática de atividade física,
visto que a mesma reduz a morbidade desencadeada pelos fatores de risco em
desenvolvimento
(DIABETES
PREVENTION
RESEARCH
GROUP,
2002).
Resultados ainda mais expressivos são obtidos, quando integrados com uma
alimentação adequada (WHO, 1995).
Devido a essas características, torna-se extremamente importante que o
praticante de atividade física submeta-se a exames clínicos prévios com o intuito de
que sejam avaliadas suas condições físicas (ACSM, 2003), garantindo assim, maior
segurança e eficácia na montagem dos treinamentos (AHA, 2001; DISHIMAN,
1994). Passada a fase de exames, os profissionais responsáveis poderão adequar
de forma mais específica os exercícios ao praticante, levando em consideração as
características e respostas oriundas dos testes.
Para elaborar um programa adequado de exercícios, independentemente da
idade, capacidade funcional, existência de fatores de risco ou doenças (ACSM, 2000
apud GRAEF e KRUEL, 2006), algumas características devem ser levadas em
conta, tais como:
 Seleção da modalidade de exercício;
 Intensidade do esforço;
 Duração da atividade;
 Freqüência semanal (GRAEF e KRUEL, 2006).
Embora estas condições devam ser sempre atendidas, alguns profissionais
ainda estimulam a superdosagem de exercícios para seus alunos. A elevada
intensidade de exercício físico é considerada um dos fatores determinantes para as
altas taxas de abandono em programas de atividade física (DISHMAN et al; 1994).
Diversos parâmetros fisiológicos podem ser utilizados para mensurar essas
variáveis, como a Freqüência Cardíaca (FC) (NAKAMURA et al; 2005), a Pressão
Arterial (AHA, 2001), o Consumo de Oxigênio (VO 2), a Percepção Subjetiva de
Esforço (EPE), os Limiares Ventilatório (LLV), a Dosagem de Lactato (LL) (GRAEF e
KRUEL, 2006) e as Unidades Metabólicas (BARBOSA et al; 2008). Dentre os
diversos indicadores que podem ser utilizados, alguns vêm sendo amplamente
utilizados pelos profissionais para mensurar a intensidade do esforço principalmente
por serem mais práticos e de baixo custo (BRUNETTO et al; 2005), tais como a
Percepção Subjetiva de Esforço (BRANDÃO et al; 1989) e a Freqüência Cardíaca
(CAMBRI et al; 2006; GRAEF e KRUEL, 2006).
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Frequência Cardíaca
A Freqüência Cardíaca tem sido a variável clínica mais empregada para
avaliarmos a intensidade do treinamento (GRAEF e KRUEL, 2006; ALMEIDA e
ARAÚJO, 2003) inclusive em testes ergométricos de esforço máximo que não
utilizem a medida de gases expirados (ARAÚJO e PINTO, 2005).
Em academias, por exemplo, a utilização de equações de regressão (como
por exemplo, subtrair 220 pela idade do aluno) para estimativa da Freqüência
Cardíaca Máxima, tem sido um procedimento habitual para a determinação das
intensidades dos exercícios aeróbios (ARAÚJO et al; 1980 apud BARBOSA et al). A
utilização dessas equações permite que a intensidade do treinamento seja feita de
maneira simples e barata, já que a mesma é feita tendo como base o percentual da
Freqüência Cardíaca Máxima e não o percentual do Volume de Oxigênio Máximo,
feito de uma maneira mais elaborada através da análise de gases expirados
(DENADAI et al; 2005).
O grande problema na utilização dessas equações, é que muitas vezes a
individualidade do atleta e a especificidade do treinamento são ignoradas, fazendo
com que a intensidade do treinamento não seja a almejada (DENADAI et al; 2005).
Isso significa que ao basearmos o treinamento nessa equação, estaremos
superestimando a Freqüência Cardíaca Máxima em indivíduos jovens (BARBOSA et
al; 2008), isto é, a Frequência Cardíaca Máxima da atividade será maior do que a
Freqüência Cardíaca Máxima real, e subestimando a mesma em indivíduos idosos
(POLICARPO e FERNANDES FILHO, 2004), isto é, a Frequência Cardíaca Máxima
da atividade será menor do que a Freqüência Cardíaca Máxima real.
Essa relação mostra que, independente da condição física, os limites
superiores e inferiores da Freqüência Cardíaca Medida são afetados pela utilização
da Freqüência Cardíaca Prevista.
2.2 Percepção Subjetiva de Esforço
Nos anos 60, o psicólogo sueco Gunnar Borg iniciou os estudos sobre
Percepção Subjetiva de Esforço. Seu objetivo era buscar uma ferramenta que
pudesse estimar não somente marcadores fisiológicos como resposta a intensidade
do esforço (BORG, 1998 apud FAULKNER et al), mas também quantificar e
qualificar a sensação de bem estar dos avaliados quando submetidos a algum tipo
de exercício físico.
O conceito de Percepção de Esforço refere-se principalmente ao trabalho
muscular, envolvendo uma grande participação dos sistemas cardiovascular,
muscular e pulmonar, além de sofrer relação direta com a intensidade do exercício,
ao mesmo tempo em que as emoções, a motivação pessoal e as condições
patológicas também estão envolvidas. Resumidamente, seria a sensação de “quão
pesado, difícil ou desgastante seria a tarefa executada” (BORG, 1998).
Segundo Brandão et al (1989) o principal fundamento da Percepção Subjetiva
de Esforço baseia-se no fato que os alunos podem quantificar a intensidade do
exercício que estão realizando, podendo ser vista como “o ato de detectar e
interpretar sensações vindas do corpo durante o exercício” (NOBLE e ROBERTSON,
1996).
De acordo com Borg (1998 apud FAULKNER et al), a percepção do esforço
pode ser entendida como um tipo de gestalt, ou configuração de sensações, tais
como dores, fadiga dos músculos periféricos e do sistema pulmonar, sendo formada
por um sentimento complexo que integra diferentes sinais do corpo. Uma das formas
mais empregadas para estimar a Percepção Subjetiva de Esforço é a utilização da
Escala de Borg (BORG, 2000), visto que além de ser de fácil aplicação, possui boa
reprodutibilidade. De acordo com Mattos e Farinatti (2007) a Escala de Borg ainda
apresenta boa relação com percentuais da Freqüência Cardíaca Máxima.
A Escala de Percepção Subjetiva de Esforço foi construída de forma
crescente e linear, de acordo com a intensidade do esforço (BORG e KAIJSER,
2004). Anos mais tarde, a escala foi modificada para uma escala de quinze pontos,
de maneira que as linearidades entre as categorias e a freqüência cardíaca no
exercício ficassem mais evidentes. Esta escala foi denominada RPE 20. A Escala
RPE 20 é composta por quinze números, compreendidos entre os números 6 (seis)
e 20 (vinte), com 7 (sete) parâmetros verbais, ou âncoras verbais, variando de: Muito
Leve até Muito Pesado (BORG, 1998 apud BORG e KAIJSER).
Borg (1998 apud BORG e KAIJSER) afirma que a Percepção Subjetiva de
Esforço pode ser mensurada tanto durante o treinamento, como durante a
competição, já que os aspectos psicológicos devem ser aliados aos aspectos
fisiológicos na análise dos resultados. A determinação da Percepção Subjetiva de
Esforço é simples e de fácil manipulação (SILVA et al; 2005), além de ser feita de
forma prática e não invasiva. Quando associada à resposta lactacidêmica, torna-se
uma ferramenta útil (KANG et al; 2003 apud LIMA et al), sendo um bom indicador de
intensidade para testes incrementais, ou seja, testes que utilizem aumento de cargas
(LIMA et al; 2006), não só para indivíduos saudáveis, mas também para grupos
especiais (SILVA et al; 2005).
Diversos pesquisadores têm demonstrado que a Percepção Subjetiva de
Esforço não pode ser afetada pelo gênero (DEMELLO et al; 1987 apud LIMA et al;
KANG et al; 2003 apud LIMA et al), estágio de treinamento (HELD, 1999 apud LIMA
e cols.; SEIP, 1991 apud LIMA e cols.) e modalidade de exercício (LIMA et al;
HETZLER, 1991).
Outros estudos avaliaram a relação da Percepção Subjetiva de Esforço e da
Frequência Cardíaca com o objetivo de mensurar o Limiar Anaeróbio (MAHLER et
al; 1990 apud SILVA et al) e com o Limiar Aeróbio (HILL et al; 1987 apud SILVA et
al; FERICHE et al; 1998 apud SILVA et al; GREEN et al; 2003 apud SILVA et al).
As Escalas Perceptivas de Esforço, mais conhecidas e utilizadas, são a RPE
20 (BORG, 1970; 1998 apud BORG e KAIJSER) e a CR 10 (BORG, 1982; 1998
apud BORG e KAIJSER). Posteriormente essas escalas tiveram uma seguidora, a
CR 100 (BORG e BORG, 1994; 2001; 2002 apud BORG e KAIJSER), conforme
demonstradas na Figura 1.
Cabe ressaltar que as Escalas possuem o mesmo objetivo, analisar o esforço
de forma subjetiva através de âncoras verbais que variam do menor até o maior
esforço possível, porém possuem escalas numéricas diferenciadas.
.
6
Nenhum esforço
0
Nada
Máximo Absoluto
120
110
7
0,3
Extremamente leve
8
0,5
100
Extremamente Leve
Máximo Esforço
95
90 Extremamente Intenso
0,7
85
9
Muito leve
1
Muito Leve
10
1,5
11 Leve
2
12
2,5
13 Pouco Intenso
3
14
4
15 Intenso (pesado)
5
16
6
17 Muito intenso
7
18
8
19 Extremamente intenso
9
20 Máximo esforço
10 Extremamente intenso
80
75
Leve
70
Muito Intenso
65
60
Pouco Intenso
55
50
45
Intenso (pesado)
Intenso (pesado)
40
35
Muito intenso
30
25
Pouco Intenso
20
15
Leve
10
09
11
.
06
Máximo Esforço
Muito Leve
03
Extremamente Leve
1,5
Esforço Mínimo
0
Nenhum Esforço
Fig.1: Tabela da Esquerda: Borg RPE 20 (modificada de BORG, 1970;1998); Tabela
do Centro: Borg CR10 (modificada de Borg 1982; 1998); Tabela da Direita: Borg
centiMax CR100 (modificada BORG e BORG, 1994; 2001; 2002).
2.3 Testes Ergométricos
Em 1972, os professores Josef Feher e Hélio Magalhães introduziram o Teste
Ergométrico no Brasil, que com o passar dos anos ganhou um crescimento
extraordinário em sua utilização, tornando-se um importante método diagnóstico
para doenças cardíacas prévias, passando a ser utilizado em diversos serviços em
todo o país (ANDRADE et al; 2002).
A escolha de um Teste de Esforço Maximo ou Submáximo deve variar de
acordo com as razões para a execução do teste, do tipo de indivíduo a ser testado,
da disponibilidade de equipamento e de recursos apropriados (ARAÚJO e PINTO,
2005).
Araújo et al (2005) testaram nove diferentes protocolos experimentais e
identificaram que nos Testes de Esteira Rolante com protocolos que utilizam
incrementos progressivos, os indivíduos apresentam uma Freqüência Cardíaca mais
elevada ao final do exercício. Por isso, nos laboratórios clínicos brasileiros de
ergometria, observa-se uma preferência pela utilização da Esteira Rolante quando
comparada ao Cicloergômetro de Membros Inferiores.
Em outro estudo, MYERS et al; (apud ARAÚJO et al, 2005) com o intuito de
identificar um protocolo que trouxesse melhor adequabilidade e acurácia, estudaram
o mesmo protocolo citado acima, analisando não somente a Freqüência Cardíaca,
mas também respostas hemodinâmicas e trocas gasosas e chegaram ao mesmo
resultado.
Foi visto que o nível de aptidão cardiorrespiratória é um importante
componente, já que possui relação com os controles neurais que regulam a
Freqüência Cardíaca em relação ao Consumo de Oxigênio (BARBOSA et al, 2005).
As respostas fisiológicas para os testes máximos também foram descritas
extensivamente, e visto sobre o aspecto psicológico, sabe-se que existe um
aumento muito grande na ansiedade dos avaliados (OLSHANSKY et al; 1995).
Pesquisas anteriores demonstraram que testes submáximos são associados a
melhorias no humor e apresentam baixos níveis de ansiedade (MORGAN, 1985).
3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Confrontar o estudo da Escala Subjetiva de Esforço (RPE-20), desenvolvida
na década de 60 por Borg, com uma pesquisa atual, buscando verificar se passados
50 anos, seus achados ainda podem ser aplicados a todas as populações, em
especial a brasileira, e propor o desenvolvimento de material informativo sobre esta
relação.
3.2 Objetivos Específicos
a) Demonstrar a praticidade da Percepção Subjetiva de Esforço, através da
RPE-20, para mensurar a Intensidade do Exercício;
b) Verificar, através de um Protocolo de Teste Ergométrico Submáximo em
Esteira, a resposta da associação entre a Frequência Cardíaca e a RPE-20
na população brasileira, e compará-la com o descrito na literatura;
c) Desenvolver um material impresso sobre a relação da Frequência Cardíaca
com a Percepção Subjetiva de Esforço, através da RPE-20, contendo
informações de fácil entendimento, voltado para o Ensino Formal e Não
Formal.
4. METODOLOGIA
4.1 Amostra
Participaram do estudo, trinta e dois voluntários de ambos os sexos,
devidamente matriculados em Academias de Ginástica localizadas em diversos
pontos da cidade de Barra Mansa. Os mesmos foram informados sobre a proposta
do estudo e sobre os procedimentos do estudo e assinaram um Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido explicado pelo avaliador. Os avaliados, foram
orientados que poderiam desistir a qualquer momento de participar do estudo, por
livre escolha, sem qualquer constrangimento ou danos às atividades exercidas pelos
mesmos.
4.2 Critérios de Exclusão
Foram excluídos do Teste, os avaliados que não apresentaram as seguintes
características:
 Idade entre 21 e 35 anos;
 Pelo menos 1 (um) ano de prática em exercícios contra-resistivos;
 Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido;
 Atestado Médico avaliando a saúde do voluntário no mês do teste.
Também foram excluídos os avaliados que:
 Utilizassem medicamentos de uso contínuo que pudessem atrapalhar o
resultado do Teste ou colocar em risco a saúde dos próprios avaliados;
 As voluntárias que estivessem em período menstrual.
5. MATERIAIS E MÉTODOS
Os voluntários foram submetidos a uma análise morfológica, com o objetivo
de estabelecermos algumas características relevantes ao treinamento, tais como:
 Altura;
 Peso;
 Índice de Massa Corporal (IMC);
 Freqüência Cardíaca de Repouso;
 Pressão Arterial Sistólica e Diastólica.
A Pressão Arterial e a Freqüência Cardíaca foram analisadas no início e no
final do teste. Para a determinação da Freqüência Cardíaca Máxima, foi utilizada a
equação de Karvonen (KARVONEN, 1957 apud ACSM), proposta pelo American
College Sports Medicine (2003) para prescrição de treinamento aeróbio.
A equação mencionada apresenta correlação entre os percentuais da
Freqüência Cardíaca Máxima e do Volume Máximo de Oxigênio, embora o objetivo
do estudo não tenha sido verificar a correlação entre as variáveis acima citadas
(POLICARPO e FERNANDES FILHO, 2004).
A equação é baseada na utilização da Freqüência Cardíaca de Repouso
(FCr), sendo a mesma subtraída da Freqüência Cardíaca Máxima (FCmáx) estimada
por uma equação ou real, sendo medida em testes esforço máximo. O valor
encontrado é multiplicado pelo percentual da intensidade desejada para o
treinamento (%int) e seu resultado, somado a Freqüência Cardíaca de Repouso.
Através dessa equação, é encontrada a intensidade de trabalho para uma
determinada Freqüência Cardíaca de Treinamento (FCt).
FCt = [(FCmáx - FCr) x %int] + FCr
De acordo com a American Heart Association (2001), a duração dos Testes
Ergométricos deve variar de oito a doze minutos. Optou-se por utilizar um protocolo
de testes submáximos, visto que um protocolo máximo envolve procedimentos de
laboratório sofisticados e o avaliador depende não somente de um alto nível de
condicionamento do avaliado, mas também da vontade do mesmo para trabalhar até
o esgotamento (WATKINS, 1984).
Em seu estudo, Cox et al; (2003) verificaram que a maior taxa de aderência
nos programas de exercício físico, apresentam atividades de intensidade moderada
quando comparadas aos programas de intensidade vigorosa. Além disso, atividades
de intensidade vigorosa podem representar um maior risco de ocorrência de lesões
cardiovasculares e ortopédicas. Isso faz com que programas de exercícios físicos,
envolvendo intensidades moderadas, ou seja, com uma variação entre 55 e 90% da
Freqüência Cardíaca Máxima e de 50 a 85% do Volume Máximo de Oxigênio sejam
recomendados (ACSM, 2000 apud BUZZACHERA et al).
Sendo assim, foi escolhido trabalhar com a intensidade do aquecimento e da
estabilização em 50% da Frequência Cardíaca Máxima, e os estágios de análise
com 60%, 70% e 80% da Freqüência Cardíaca Máxima não acarretando assim
riscos aos avaliados.
5.1 Protocolo de Teste
Em nosso estudo, foi utilizado um protocolo Submáximo para Testes
Ergométricos em Esteira, que tem por característica um período inicial de
aquecimento e estabilização da Frequência Cardíaca e 3 (três) estágios de análise.
O estágio de aquecimento poderia durar até três minutos e os três estágios de
análise, possuíam dois minutos cada, tendo em média, um protocolo com duração
de dez minutos.
A base conceitual desse protocolo vem do protocolo de Bruce (FREITAS,
2004), onde existem estágios com duração de 3 minutos com aumento de carga e
de inclinação da esteira. No nosso protocolo, optamos por aumentar a velocidade de
acordo com o aumento da freqüência cardíaca e por ser um Teste de caráter
Submáximo, não haverá a necessidade de aumento na Inclinação.
O estágio inicial de aquecimento e estabilização foi realizado com intensidade
de 50% da freqüência cardíaca máxima. Para os estágios de análise, foram
acrescidos aumentos de 10% no percentual da freqüência cardíaca, sendo assim, o
primeiro feito a 60%, o segundo a 70% e o terceiro a 80% da freqüência cardíaca
máxima.
Conhecendo todas as características do teste, os avaliados foram submetidos
à análise morfológica e realizaram um teste, porém de caráter piloto, para uma
correta adaptação ao protocolo utilizado. Após vivenciarem o protocolo de testes, os
avaliados realizaram em datas posteriores, o teste que seria realmente válido para o
estudo.
5.2 Instrumentos para Coleta dos Dados e Variáveis Selecionadas para o
Estudo
 Balança, marca Filizola, graduada em gramas e centímetros, para medidas de
Estatura em
centímetros (cm) e Peso Corporal em quilogramas (kg);
 Frequencímetro Cardíaco, marca Polar, para monitoramento da Freqüência
Cardíaca em
batimentos por minutos (bpm);
 Esteira Ergométrica marca Movement LX 160;
 Aparelho de Pressão Arterial, marca G-TECH, certificado pela Sociedade
Brasileira de
Hipertensão, para Níveis de Pressão Arterial Sistólica e Diastólica;
 Tabela de BORG, modelo RPE 20, para avaliação dos níveis de Percepção
Subjetiva de Esforço.
5.3 Limitações do Estudo
A análise da Pressão Arterial foi mensurada com um aparelho de Pressão
Arterial Digital, devido a uma ausência de sensibilidade por parte do avaliador. Vale
ressaltar que o mesmo foi calibrado a cada 10 testes, com o objetivo de manter as
medidas mais precisas.
Não será feita nenhuma análise entre a relação das variáveis do estudo
(Freqüência Cardíaca e Escala Subjetiva de Esforço) com o Volume Máximo de
Oxigênio, deixando assim, uma possibilidade para futuros estudos.
Não encontramos o estudo original de Borg, apenas sua notória contribuição
deixada para a literatura científica. Isso pode trazer diferenças nos resultados
encontrados por nossos estudos, já que a característica da amostra influencia
diretamente o resultado de qualquer estudo.
5.4 Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos - CoEPS
Todos os cuidados foram tomados com o intuito de garantir a integridade
física e mental dos participantes, bem como para garantir o seu anonimato. Após
serem definidas as características e procedimentos que seriam utilizados no estudo,
o mesmo foi submetido e aprovado pelo CoEPS/UniFOA em 08 de junho de 2009
(processo Nº 84/09).
5.5 Análise Estatística: Teste Qui Quadrado
Sob o propósito de analisar cientificamente os resultados encontrados, e
atendendo a uma solicitação da Banca Qualificadora do Mestrado, o tratamento
estatístico que a princípio analisava a diferença percentual entre as escalas, foi
alterado para o Teste “Qui Quadrado”.
De acordo com Conti (2009) o Teste Qui Quadrado, simbolizado pela letra 2,
é um teste de hipóteses que se destina a encontrar um valor da dispersão para duas
variáveis nominais, avaliando a associação existente entre variáveis qualitativas. É
um teste não paramétrico, ou seja, não depende dos parâmetros populacionais
como média e variância. O princípio básico deste método é comparar proporções,
isto é, as possíveis divergências entre as freqüências observadas e esperadas para
certo evento. Porém para utilizar o Teste Qui Quadrado, algumas condições são
necessárias, entre elas:
 Os grupos devem ser independentes;
 Os itens de cada grupo devem ser selecionados aleatoriamente;
 As observações devem ser freqüências ou contagens;
 Cada observação deve pertencer a somente uma categoria;
 A amostra deve ser relativamente grande (CONTI, 2009).
Karl Pearson (apud CONTI, 2009) propôs a seguinte fórmula para medir as
possíveis discrepâncias entre proporções observadas e esperadas:
2= [(o - e)2 /e]
 o = freqüência observada para cada classe;
 e = freqüência esperada para a classe.
Para definir os resultados utilizando o Teste Qui Quadrado, torna-se
necessário à utilização de uma relação proposta onde o resultado deve ser maior
que 3,841 para a hipótese ser significativa (> 3,841) ou menor que 3,841 para a
hipótese não ser significativa (< 3,841).
6. RESULTADOS
Como forma de caracterizar a amostra utilizada, as variáveis Idade, Peso,
Altura, Índice de Massa Corporal, Pressão Arterial Diastólica e Sistólica no início e
fim do exercício e Freqüência Cardíaca de Repouso, são apresentadas na TABELA
1.
TABELA 1 – Valores das Características Morfológicas da amostra
IDADE PESO
(anos) (kg)
22
56
26
59
26
57
28
57
36
56
20
68
22
69
22
77
21
65,5
22
93
31
72
27
57
30
86
21
74
29
77
25
75
26
83
26
61
29
83
22
60
24
69
28
83
27
81
22
57
25
60
26
62
23
59
25
60
31
83
30
85
24
77
20
74
ALTURA
(cm)
163
157
157
160
163
163
170
183
172
193
185
159
191
171
176
188
181
167
190
170
171
175
179
155
164
169
161
168
186
182
178
173
IMC
21,1
23,9
23,1
22,3
21,1
25,6
23,9
23,0
22,1
25,0
21,0
22,5
23,6
25,3
24,9
21,2
25,3
21,9
23,0
20,8
23,6
27,1
25,3
23,7
22,3
21,7
22,8
21,3
24,0
25,7
24,3
24,7
P.A.S P.A.D
(inicial) (inicial)
100
70
110
60
110
60
90
60
120
80
130
80
110
70
140
80
130
70
110
50
110
70
130
80
110
70
120
80
100
70
110
70
140
70
130
80
120
70
110
60
130
80
140
100
130
90
120
80
110
70
130
90
120
80
130
90
140
100
130
90
120
80
140
100
P.A.S
(final)
120
130
120
110
130
150
120
160
170
130
120
140
130
140
130
130
150
140
130
130
140
16
150
130
120
140
130
140,0
160
140
130
150
P.A.D
(final)
70
70
80
80
90
100
80
60
130
50
70
100
90
90
70
70
90
100
90
80
100
120
110
90
80
110
90
90
120
110
90
100
FC rep
(bpm)
71
74
75
85
70
83
60
73
75
66
57
61
77
76
65
68
73
69
76
65
71
82
78
68
63
62
69
71
83
80
76
75
LEGENDAS:
IMC: Índice de Massa Corporal;
P. A. D (inicial): Pressão Arterial Diastólica no início do exercício;
P. A. D (final): Pressão Arterial Diastólica no fim do exercício;
P. A. S (inicial): Pressão Arterial Sistólica no início do exercício;
P. A. S (final): Pressão Arterial Sistólica no fim do exercício;
FC rep (bpm): Frequência Cardíaca de Repouso em batimentos por minuto.
Tendo como objetivo uma maior compreensão do estudo, a Tabela 2
representa as médias das variáveis morfológicas anteriormente citadas.
TABELA 2 – Valores Médios das Características Morfológicas da amostra
Idade (anos)
Peso (kg)
Estatura (cm)
IMC
FC repouso
(bpm)
25,5
69,9
172,5
23,3
70,8
Conforme dito anteriormente, após serem analisados morfologicamente, os
avaliados foram testados no estágio de aquecimento, em 50% da FC máxima,
aumentando a FC em cada estágio de análise em:

Primeiro estágio: 60% da FC máxima;

Segundo estágio: 70% da FC máxima;

Terceiro estágio: 80% da FC máxima.
Sendo assim, a Tabela 3 apresenta os valores obtidos na relação das
Freqüências Cardíacas com a Escala Subjetiva de Esforço em 50%, 60%, 70% e
80% da FC.
TABELA 3 – Valores da EPE em 50%, 60%, 70% e 80% da FC máxima.
VOLUNTÁRIOS
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
50%
FC
E.P.E
135
15
134
12
134,5
13
138,5
7
127
7
141,5
12
129
8
135,5
11
137
9
132
9
123
8
127
10
133,5
11
137,5
12
128
9
131,5
10
133,5
11
131,5
10
133,5
9
131,5
10
133,5
11
137
12
135,5
10
133
9
129
10
128
11
133
12
133
10
136
12
135
11
136
9
137,5
10
60%
70%
FC E.P.E FC E.P.E
147
17
160
16
146
13
158
14
146,4 14 158,3 16
149,2
9 159,9 11
138,4 10 149,8 12
153,2 13 164,9 14
142,8
9 156,6 11
148
13 160,5 15
149,4 12 161,8 14
145,2 13 158,4 15
136,2 10 149,4 12
140,2 12 153,4 13
144,8 13 156,1 14
149,8 13 162,1 15
140,6 10 153,2 12
144,2 11 156,9 13
145,6 13 157,7 14
144
12 156,5 14
145
11 156,5 12
144,8 11 158,1 13
146
13 158,5 14
148
13
159
15
147
12 158,5 13
146
11
159
14
142,2 11 155,4 13
141,2 12 154,4 13
145,8 13 158,6 14
145,4 11 157,8 13
146,6 13 157,2 14
146
13
157
14
148
11
160
13
150
11 162,5 13
LEGENDAS:
EPE: Escala Subjetiva de Esforço;
FC: Frequência Cardíaca.
80%
FC
173
170
170,2
170,6
161,2
176,6
170,4
173
174,2
171,6
162,6
166,6
167,4
174,4
165,8
169,6
169,8
169
168
171,4
171
170
170
172
168,6
167,6
171,4
170,2
167,8
168
172
175
E.P.E
18
16
18
13
13
15
13
16
16
17
13
15
15
16
13
14
16
15
14
15
16
16
16
15
14
15
16
15
16
15
16
15
7. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Segundo Guiselini (2007), a Escala de Borg original começa em valores
correspondentes ao número “6”, uma vez que originalmente visava se aproximar à
freqüência cardíaca de exercício a valores de frequência encontrados normalmente
na população de uma forma direta.
Por exemplo, uma Percepção Subjetiva de Esforço de valor 6 (seis) seria
aproximadamente uma freqüência cardíaca de 60bpm; uma EPE de 15 (quinze)
seria aproximadamente uma freqüência de 150bpm. Isso significa que ao
multiplicarmos por 10 (dez) um valor citado pelo avaliado, estaríamos próximos à
faixa de freqüência cardíaca correspondente ao exercício.
No mesmo estudo Guiselini (2007), conforme descrito na Tabela 4, diz que
uma EPE de 12 a 13 corresponde a aproximadamente 60 a 79% da Freqüência
Cardíaca Máxima, ou 50 a 74% do consumo máximo de oxigênio ou da Freqüência
Cardíaca de Reserva.
TABELA 4 - Classificação da intensidade do exercício com base em um
treinamento de
resistência cardiorespiratória de 30 a 60 minutos.
Intensidade Relativa (%)
FC Máxima
VO2 Máximo ou FC
Escala de
Classificação da
Máxima de Reserva
Percepção de
Intensidade
Esforço
<35%
<30%
<10
Muito Leve
35-39%
30-49%
10-11
Leve
60-79%
50-74%
12-13
Moderado
80-89%
75-84%
14-16
Intenso
>90%
>85
>16
Muito Intenso
Fonte: POLLOCK, M.J.; WILMORE, J.H. Exercise in Health and disease: Evaluation
and prescription for prevention and rehabilitation. 2ed. Philadelphia: W. B. Saunders
apud GUISELINI, 2007.
Porém, nosso estudo encontrou resultados diferentes dos obtidos pela
literatura científica, conforme Guiselini (2007) em seu estudo. Inicialmente, nossa
análise foi realizada de forma percentual, ou seja, o percentual de diferença entre o
resultado encontrado e o resultado proposto pela literatura científica.
TABELA 5 – Valores da EPE relacionadas a 50% da FC.
FC
Desvio
50% segundo Padrão
E.P.E FC Guiselini
15
12
13
7
7
12
8
11
9
9
8
10
11
12
9
10
11
10
9
135
134
134,5
138,5
127
141,5
129
135,5
137
132
123
127
133,5
137,5
128
131,5
133,5
131,5
133,5
150
120
130
70
70
120
80
110
90
90
80
100
110
120
90
100
110
100
90
10%
12%
3%
98%
81%
18%
61%
23%
52%
47%
54%
27%
21%
15%
42%
32%
21%
32%
48%
10
11
12
10
9
10
11
12
10
12
11
9
10
131,5
133,5
137
135,5
133
129
128
133
133
136
135
136
137,5
100
110
120
100
90
100
110
120
100
120
110
90
100
32%
21%
14%
36%
48%
29%
16%
11%
33%
13%
23%
51%
38%
até
10%
2
6%
11% a
20%
7
22%
21% a 31% a acima
30%
50% de 50% Total
7
10
6
32
22%
31%
19% 100%
Quando testados na faixa de 50% da Freqüência Cardíaca Máxima, e vistos
sob a forma percentual, os avaliados apresentaram as seguintes características:
 31% dos avaliados, ou seja, 10 (dez) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão de  31 a 50%;
 22% dos avaliados, ou seja, 7 (sete) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão de  11 a 20%;
 22% dos avaliados, ou seja, 7 (sete) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão desvio padrão de  21 a 30%;
 19% dos avaliados, ou seja, 6 (seis) participantes, encontram-se com desvio
padrão maior de  50%;
 10% dos avaliados, ou seja, 2 (dois) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão de  10%.
Ao serem analisados pelo protocolo de Teste Qui Quadrado em 50% da
Frequência Cardíaca Máxima, os avaliados apresentaram um resultado de 402,49,
tornando a hipótese significativa;
TABELA 6 – Valores da EPE relacionadas a 60% da FC.
FC
60% Segundo Desvio
E.P.E FC Guiselini Padrão
17
13
14
9
10
13
9
13
12
13
10
12
13
13
10
11
13
12
11
11
13
13
12
11
11
12
13
11
13
13
11
11
147
146
146,4
149,2
138,4
153,2
142,8
148
149,4
145,2
136,2
140,2
144,8
149,8
140,6
144,2
145,6
144
145
144,8
146
148
147
146
142,2
141,2
145,8
145,4
146,6
146
148
150
170
130
140
90
100
130
90
130
120
130
100
120
130
130
100
110
130
120
110
110
130
130
120
110
110
120
130
110
130
130
110
110
13%
12%
5%
66%
38%
18%
59%
14%
25%
12%
36%
17%
11%
15%
41%
31%
12%
20%
32%
32%
12%
14%
23%
33%
29%
18%
12%
32%
13%
12%
35%
36%
até
10%
1
3%
11% a
20%
15
47%
21% a 31% a acima de
30%
50%
50% Total
4
10
2
32
13%
31%
6%
100%
Quando testados na faixa de 60% da Freqüência Cardíaca Máxima, e vistos
sob a forma percentual, os avaliados apresentaram as seguintes características:
 47% dos avaliados, ou seja, 15 (quinze) participantes, encontram-se na faixa
de desvio padrão de  11 a 20%;
 31% dos avaliados, ou seja, 10 (dez) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão de  31 a 50%;
 13% dos avaliados, ou seja, 4 (quatro) participantes, encontram-se na faixa
de desvio padrão desvio padrão de  21 a 30%;
 6% dos avaliados, ou seja, 2 (dois) participantes, encontram-se com desvio
padrão maior de  50%;
 3% dos avaliados, ou seja, 1 (um) participante, encontra-se na faixa de desvio
padrão de  10%.
Ao serem analisados pelo protocolo de Teste Qui Quadrado em 60% da
Frequência Cardíaca Máxima, os avaliados apresentaram um resultado de 247,77,
tornando a hipótese significativa;
TABELA 7 – Valores da EPE relacionadas a 70% da FC.
E.P.E
70%
FC
16
14
16
11
12
14
11
15
14
15
12
13
14
15
12
13
14
14
12
13
14
15
13
14
13
13
14
13
14
14
13
13
160
158
158,3
159,9
149,8
164,9
156,6
160,5
161,8
158,4
149,4
153,4
156,1
162,1
153,2
156,9
157,7
156,5
156,5
158,1
158,5
159
158,5
159
155,4
154,4
158,6
157,8
157,2
157
160
162,5
FC
segundo Desvio
Guiselini Padrão
160
140
160
110
120
140
110
150
140
150
120
130
140
150
120
130
140
140
120
130
140
150
130
140
130
130
140
130
140
140
130
130
0%
13%
1%
45%
25%
18%
42%
7%
16%
6%
25%
18%
12%
8%
28%
21%
13%
12%
30%
22%
13%
6%
22%
14%
20%
19%
13%
21%
12%
12%
23%
25%
até 11% a
10% 20%
6
13
19% 41%
21% a
30%
11
34%
31% a acima de
50%
50% Total
2
0
32
6%
0%
100%
Quando testados na faixa de 70% da Freqüência Cardíaca Máxima, e vistos
sob a forma percentual, os avaliados apresentaram as seguintes características:
 41% dos avaliados, ou seja, 13 (treze) participantes, encontram-se na faixa
de desvio padrão de  11 a 20%;
 34% dos avaliados, ou seja, 11 (onze) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão de  21 a 30%;
 19% dos avaliados, ou seja, 6 (seis) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão desvio padrão de  10%;
 6% dos avaliados, ou seja, 2 (dois) participantes, encontram-se com desvio
padrão de  31 a 50%; e nenhum participante encontrou-se na faixa de desvio
padrão acima de  50%.
Ao serem analisados pelo protocolo de Teste Qui Quadrado em 70% da
Frequência Cardíaca Máxima, os avaliados apresentaram um resultado de 160,39,
tornando a hipótese significativa;
TABELA 8 – Valores da EPE relacionadas a 80% da FC.
E.P.E
FC
80% F Segundo
C
Guiselini
18
16
18
13
173
170
170,2
170,6
180
160
180
130
4%
6%
5%
31%
13
15
13
16
16
17
13
15
15
16
13
14
16
15
14
15
16
16
16
15
14
15
16
15
16
15
16
161,2
176,6
170,4
173
174,2
171,6
162,6
166,6
167,4
174,4
165,8
169,6
169,8
169
168
171,4
171
170
170
172
168,6
167,6
171,4
170,2
167,8
168
172
130
150
130
160
160
170
130
150
150
160
130
140
160
150
140
150
160
160
160
150
140
150
160
150
160
150
160
24%
18%
31%
8%
9%
1%
25%
11%
12%
9%
28%
21%
6%
13%
20%
14%
7%
6%
6%
15%
20%
12%
7%
13%
5%
12%
8%
até
10%
14
44%
11% a 21% a 31% a acima
20%
30%
50% de 50% Total
12
4
2
32
38%
13%
6%
0%
100%
Quando testados na faixa de 80% da Freqüência Cardíaca Máxima, e vistos
sob a forma percentual, os avaliados apresentaram as seguintes características:
 44% dos avaliados, ou seja, 14 (quatorze) participantes, encontram-se na
faixa de desvio padrão de  10%;
 38% dos avaliados, ou seja, 12 (doze) participantes, encontram-se na faixa de
desvio padrão de  11 a 20%;
 13% dos avaliados, ou seja, 4 (quatro) participantes, encontram-se na faixa
de desvio padrão desvio padrão de  21 a 30%;
 6% dos avaliados, ou seja, 2 (dois) participantes, encontram-se com desvio
padrão de  31 a 50%; e nenhum participante encontrou-se na faixa de desvio
padrão acima de  50%.
Ao serem analisados pelo protocolo de Teste Qui Quadrado em 80% da
Frequência Cardíaca Máxima, os avaliados apresentaram um resultado de 109,09,
tornando a hipótese significativa;
8. PRODUTO DISSEMINÁVEL
O Mestrado Profissional diferencia-se do Mestrado Acadêmico, pela
obrigatoriedade no desenvolvimento de um Produto Disseminável. Sendo assim, ao
finalizarmos os Resultados e a Análise Estatística dos testes, passamos a focar na
elaboração do produto. Como estamos confrontando a literatura científica,
pensamos em desenvolver um Produto, com uma linguagem simples e que fosse de
fácil acesso para a população em geral, ou seja, um produto que não fosse voltado
somente para os Profissionais e/ou Estudantes da área de Educação Física, mas
também para o público em geral.
Nossa primeira idéia de Produto foi um livro, mas, teríamos alguns problemas,
como a falta de acesso de boa parte da população, visto que o mesmo seria restrito
apenas para os Profissionais da área de Educação Física. Descartada a idéia do
livro, pensamos em transformar nosso produto em uma cartilha, mantendo a idéia
base de um Produto de fácil acesso e informações. Porém, analisando o mundo
cada vez mais dinâmico e apressado em que vivemos, precisaríamos pensar em
algo que fosse mais simples e que pudesse transmitir a informação desejada.
Passamos então a focar nossa idéia no conceito de um Produto simples, de fácil
acesso e com informações claras.
Pensando assim, desenvolvemos como Produto, 2 (duas) ferramentas que
disseminem os resultados da nossa pesquisa. Em ambos, foram explicitados os
resultados em percentual, para que ficassem de forma mais clara e objetiva. A
primeira ferramenta foi à elaboração um cartaz que pudesse ser colocado nos locais
de treinamento (Figura 2), e a segunda, um adesivo para ser fixado em esteiras
ergométricas (Figura 3).
Figura 2 – Produto Disseminável: Cartaz
Figura 3 – Produto Disseminável: Adesivo
Assim alcançamos nosso objetivo, desenvolver um Produto simples, de fácil
acesso e que trouxesse informações claras e que beneficiassem não somente para
os Profissionais da área, mas a população em geral.
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Verdadeiros Pesquisadores sabem que na ciência não existe verdade
absoluta, o que é verdade hoje, amanhã possivelmente não mais será. Mesmo
assim,
ainda
causa
medo
a
alguns
profissionais,
que
se
consideram
“pesquisadores”, o fato de situações como essa acontecerem. Ao anunciarmos que
confrontaríamos o achado do brilhante pesquisador sueco Gunnar Borg, alguns
desses pseudopesquisadores zombaram da idéia, dizendo que era muita pretensão
querer modificar algo que era utilizado a mais de 50 anos! A Percepção Subjetiva de
Esforço através da RPE 20 de Borg possui um valor inquestionável quanto a sua
aplicabilidade em critérios de percepção de esforço. Porém em nosso trabalho,
observamos que nos voluntários, brasileiros, que participaram dos testes, os valores
preconizados pela tabela de Borg, não foram compatíveis com aqueles utilizados
para determinar a intensidade de treinamento.
Apoiado na literatura científica, Guiselini (2007) demonstra que ao
multiplicarmos por 10 a EPE, estaremos próximos à freqüência cardíaca de trabalho.
Assim, ao observarmos os resultados deste estudo, não obtivemos resultados que
sustentam tal afirmação. Na primeira análise, foram verificados os resultados sob a
forma de diferença de percentual dos resultados encontrados com o proposto pela
literatura científica.
Quando trabalhamos com 50% da FC máxima, 31% dos avaliados apontam
um desvio padrão, em módulo, na resposta do teste comparadas com a da literatura
científica de  31 % a 50%. Isso faz com que haja uma faixa muito extensa de
variação na resposta no avaliado, já que a mesma pode ser de 31% a 50% maior ou
menor do que a analisada. Ao analisarmos pelo Teste Qui Quadrado, os avaliados
apresentaram em 50% uma resposta significativa de 402,49.
Ao trabalharmos em 60% da FC máxima, 47% dos avaliados apontam um
desvio padrão, em módulo, na resposta do teste comparadas com a da literatura
científica de  11 % a 20%; esse resultado demonstra que a faixa de variação na
resposta do avaliado seja um pouco menor, já que a mesma pode ser de 11% a 20%
maior ou menor do que a analisada. Mas, no que diz respeito a treinamento,
principalmente de alto rendimento, ainda estamos com uma variação muito extensa.
Ao analisarmos pelo Teste Qui Quadrado, os avaliados apresentaram em 60% uma
resposta significativa de 247,77.
Porém, em 70% da FC máxima, 41% dos avaliados apontam um desvio
padrão, em módulo, na resposta do teste quando comparadas com a da literatura
científica de  11 % a 20%. Isso significa que quando testados em 70% da FC
máxima, os avaliados possuem a mesma faixa de variação na resposta quando
avaliados a 60% da FC máxima, podendo ser de 11% a 20% maior ou menor do que
a analisada, mantendo uma faixa extensa no que diz respeito a treinamento de alto
rendimento. Ao analisarmos pelo Teste Qui Quadrado, os avaliados apresentaram
em 70% uma resposta significativa de 160,39.
Completando a faixa de análise, ao trabalharmos em 80% da FC máxima,
44% dos avaliados apontam um desvio padrão, em módulo, na resposta do teste
comparada com a da literatura científica de  10 %. Isso significa que a resposta dos
avaliados pode ser 10% maior ou menor do que a analisada. Ao analisarmos pelo
Teste Qui Quadrado, os avaliados apresentaram em 80% uma resposta significativa
de 109,09.
Após analisarmos os resultados, podemos depreender que independente da
Análise Estatística utilizada, sejam em percentual ou pelo Teste de Qui Quadrado,
as respostas dos avaliados ao serem testados, de forma geral, são maiores que o
proposto pela literatura. Isso significa que a resposta obtida por Borg em seu estudo,
e muito utilizada ao longo dos anos, não possui boa relação quando utilizada na
população brasileira atual. Assim, de acordo com os resultados encontrados, fica
comprovado que a utilização da Freqüência Cardíaca e da Escala Subjetiva de
Esforço RPE-20, para ser apropriada para controlar a Intensidade do Exercício,
precisa ser ajustada para a população brasileira ou sempre que optar-se por utilizar
somente a Escala Subjetiva de Esforço RPE-20 deve-se associá-la diretamente a
monitorização da Frequência Cardíaca para a obtenção de resultados próximos do
ideal, visto que a utilização da Escala poderá trazer erros nos treinamentos
desenvolvidos para a população brasileira.
De qualquer forma, esperamos que estudos futuros apóiem-se em nossos
resultados para, quando não dispuserem de recursos, analisarem a Intensidade do
Esforço por meio da RPE-20 para trabalharem em uma faixa mais próxima do ideal
buscada nos treinamentos, ou confrontem nossos achados para estabelecermos
padrões mais precisos para analisarem a população brasileira nesses aspectos.
Não foram encontrados estudos que confrontem os resultados descritos no
estudo de Borg.
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ANEXO I
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO - TCLE
“Nova Abordagem entre a Relação da Frequência Cardíaca com a
Escala Subjetiva de Esforço RPE – 20”
Pesquisador Responsável: Prof. Mst. Daniel Barbosa Marujo / Tel.: (24) 8182-2328
O objetivo do estudo é estabelecer uma nova relação entre a Freqüência
Cardíaca e a Percepção Subjetiva de Esforço (BORG RPE - 20), através de um
Protocolo de Teste Ergométrico Submáximo em Esteira, para o desenvolvimento de
material informativo sobre esta relação. Antes de serem avaliados, os participantes
serão submetidos a uma análise morfológica, com o intuito de estabelecer
características relevantes do treinamento, tais como Altura, Peso Corporal, Índice de
Massa Corporal (IMC), Frequência Cardíaca de Repouso e Pressão Arterial Sistólica
e Diastólica. O protocolo de teste é caracterizado por 4 estágios, com duração de 3
minutos cada, sendo o primeiro estágio realizado a 50% da Frequência Cardíaca, o
segundo a 60%, o terceiro a 70% e o quarto a 80% da Frequência Cardíaca. Os
testes serão aplicados na Clícia Academia, no bairro Centro, na cidade de Barra
Mansa/RJ. Serão excluídos do teste, os avaliados que não apresentarem: Idade
entre 21 e 35 anos; Pelo menos 1 ano de prática em exercícios contra-resistivos;
Atestado Médico no mês do teste; Indivíduos que utilizem medicamentos de uso
contínuo que possam atrapalhar o resultado ou colocar em risco o próprio avaliado;
voluntárias em período menstrual. Cabe ressaltar que os avaliados serão voluntários
no estudo, isto é, não terão nenhum privilégio e/ou renda por participarem do
mesmo, podendo desistir de participar a qualquer momento, por livre escolha, sem
qualquer constrangimento. Todos os cuidados serão tomados com o intuito de
garantir a integridade física e mental de todas as participantes, bem como para
garantir o seu anonimato. Vale lembrar que este estudo foi submetido e aprovado
pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos CoEPS/UniFOA em 08 de
junho de 2009 (processo Nº 84/09).
Barra Mansa, _____de ___________________ de 2009.
Participante:
___________________________________________________________.
ANEXO II
ANEXO III
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