Reservatórios de Distribuição de Água Introdução • Finalidades dos reservatórios de distribuição de água: • • • • • • Regularizar a vazão Segurança ao abastecimento Reserva de água para incêndio Regularizar pressões Bombeamento de água fora do horário de pico Aumento do rendimento dos conjuntos elevatórios Classificação • • • • Quanto à localização no sistema Quanto à localização no terreno Quanto à sua forma Quanto aos materiais de construção Classificação: Quanto à localização no sistema • Reservatório de montante • Reservatório de jusante • Devem ser localizados de forma a abastecer as redes de distribuição com os seguintes limites de pressão: – Pressão estática máxima: 500kPa (50mH2O) – Pressão dinâmica mínima: 100kPa (10mH2O) Procurar evitar pressões excessivas nas áreas mais baixas Classificação: Quanto à localização no sistema • Reservatório de jusante • Recebe a água nas horas de menor consumo e auxilia o abastecimento durante as horas de maior consumo Possibilita uma menor oscilação da pressão nas zonas a jusante da rede A entrada e a saída de água se realizam através de uma tubulação única • • Classificação: Quanto à localização do reservatório no terreno • • • • Reservatório enterrado Reservatório elevado Reservatório semi-enterrado ou semi-apoiado Reservatório apoiado Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Reserv01.html Classificação: Quanto a sua forma • • • • Reservatórios enterrados, semienterrados e apoiados Normalmente circulares ou retangulares De modo geral, não existe restrição É comum construir estes reservatórios divididos em duas câmaras, por uma parede interna (para atender a diferentes etapas de construção) • • • Reservatórios elevados Construídos em uma grande variedade de formas Imaginação do projetista Classificação: Quanto aos materiais de construção • • • • Reservatório de concreto armado Reservatório de alvenaria Reservatório de aço Reservatório de poliéster armado com fibra de vidro • Reservatórios de maior porte: – – • Usual: concreto armado Menos usual: aço, alvenaria estrutural e concreto protendido Reservatórios de menor porte – Fibra de vidro, aço Classificação: Quanto aos materiais de construção • A escolha do material de estrutura do reservatório deve considerar no estudo técnico e econômico: • • • Condições da fundação Disponibilidade do material na região Agressividade da água a armazenar e do ar atmosférico Reservatório do Mocó – Manaus/AM Inaugurado em 1899 Capacidade: 5.650m³ ; área construída : 1.444m² Todo construído em estrutura metálica, sustentado por pilares e vigas metálicas que colocam duas caixas de ferro 16 metros da superfície. Centros de reservação Local que reúne as obras dos reservatórios e outras instalações necessárias para o funcionamento do sistema Capacidade do Reservatório • Capacidade total é função de 3 armazenamentos: • Ct = R1 + R2 + R3 • R1 reserva de equilíbrio, aquela destinada a compensar a diferença entre vazões de consumo e a vazão afluente (volume útil) • R2 reserva de emergência, aquela destinada a manter a continuidade do abastecimento se houver paralisação na produção • R3 reserva de combate a incêndios, como o nome diz, é aquela necessária ao atendimento de demandas para combate a incêndios Determinação de R1 (volume útil) Curva de consumo – Adução Contínua Representação do consumo em dias de grande solicitação de água Reta de adução vazão média de consumo no dia mais desfavorável Reservatório enche e seca Áreas hachuriadas iguais às áreas não hachuriadas Determinação de C1 (volume útil) Diagrama de Massa – Adução Contínua C1: Maior saldo ac R1 C2: Maior déficit ac Capacidade: R1=C1+C2 Saldo crescente (enche) Saldo Déficit diminui crescente (seca) (seca) Déficit diminui (enche) • Se na cidade não se dispõe de dados para determinação da capacidade do reservatório, procedese da seguinte forma: • A adução sendo contínua durante as 24 horas do dia, a capacidade C1 será igual ou maior que 1/ 3 do volume distribuído no dia de máximo consumo, ou seja: R1 13 ( P qm K1)(m3 ) Reserva de Emergência – R2 • Para que não ocorra a interrupção do fornecimento de água: • Previsão de um volume correspondente ao consumo da cidade durante o período de tempo correspondente à interrupção. • Em geral, a capacidade R2 é determinada pela expressão: • R2 = Q x tm • • Q = vazão máxima horária tm = período de tempo de interrupção do fornecimento de água. • Obs.: tm é geralmente definido pelo órgão contratante, considerando o tempo médio (tm) de duração de interrupções de maior freqüência. Reserva de Combate a Incêndios • O consumo de água para combate a incêndio pode ser calculado pela expressão: • R3 = Q x t • Q = vazão necessária para combate ao incêndio • t = duração do incêndio. Obs.: Outra maneira de determinar R3 é consultar o corpo de bombeiros local definindo valores de acordo com normas e necessidades. Capacidade do Reservatório Elevado • Quando há necessidade de um reservatório elevado garantir pressões adequadas na rede de distribuição podese dividir o volume de água entre ele e um reservatório enterrado Capacidade do Reservatório Elevado • Recalque com capacidade suficiente para atender à vazão do dia e hora de maior consumo da rede de distribuição (vazões extremas) • Ex.: trabalhando 24hs/dia O volume que atenderá a demanda da cidade estará armazenado no reservatório inferior Capacidade do Reservatório Elevado • Na prática: É comum fixar-se, nestes casos, capacidades para o reservatório elevado entre 10 a 20% da capacidade total necessária para a cidade. Reservatório de Montante • Pressão estática máxima: 500 KPa • Pressão dinâmica mínima: 100 KPa Qc b K1K 2 Pq 86400 Reservatório de Jusante Os dimensionamentos são feitos para as seguintes vazões: Conduto AB: Q1 K1 Pq 86400 BC rede de distribuição Conduto CD: vazões bastante variáveis a) Horas de menor consumo (escoamento CD): b) Horas de maior consumo (escoamento DC): K1 Pq Qmin 86400 K K Pq K Pq Q1 1 2 1 86400 86400 Q1 A maior entre as duas será a vazão de dimensionamento NA H1 H2 H H3 H4 A D B C • O nível de água no reservatório será fixado a partir da expressão: • NA = Z + hf + Pmín • • Z = cota do terreno no ponto mais desfavorável; hf = perda de carga no escoamento da água desde o reservatório até o ponto mais desfavorável; • Pmín = pressão disponível mínima requerida na rede de distribuição (10 m.c.a). Recomendações Gerais • • • • É conveniente que o fundo dos reservatórios tenha uma declividade mínima de 0,5% em direção da abertura de descarga, a fim de facilitar o refugio das águas após as limpezas. A cobertura nos reservatórios é importante, pois se destina a proteger, contra qualquer perigo de poluição, a água potável que vai ter no reservatório. A abertura de inspeção é uma passagem que se deixa na cobertura para permitir a visita ao interior do reservatório. Ela é geralmente quadrada com 0,6 m x 0,6 m e geralmente tem um dos lados no prolongamento da face interna da parede do reservatório, onde fica instalada a escada de acesso. As coberturas dos reservatórios devem ser providas de uma ou mais chaminés de ventilação, a fim de que o nível d’água fique sempre sob pressão atmosférica. As aberturas das chaminés devem ser providas de telas, a fim de impedir a passagem de substâncias estranhas e de insetos para o interior dos reservatórios. Recomendações Gerais • • • Na entrada de água, se o suprimento é feito por gravidade, costuma-se colocar uma válvula de bóia na extremidade da tubulação de entrada, a fim de que a passagem da água para o interior do reservatório, quando o mesmo estiver cheio, seja interrompida. Para cada compartimento do reservatório deve haver uma canalização de entrada. A canalização de saída, uma para cada compartimento, deve ser provida de registro para isolamento de cada unidade, tem saída pelo fundo do reservatório com um ressalto de 5 a 10 cm. Proteção de saída com grade de ferro fundido, bronze ou latão. Deve-se ter precauções especiais no sentido de assegurar a impermeabilidade das paredes do reservatório. Tubulação de entrada • A entrada de água pode ser feita em qualquer posição da altura do reservatório • Duas posições prevalecem: entrada acima do nível de água e a entrada afogada Tubulação de entrada • A velocidade de água na tubulação de entrada não deve exceder o dobro da velocidade na adutora que alimenta o reservatório • Caso entrada afogada em reservatório de montante, a tubulação de entrada deve ser dotada de dispositivo destinado a impedir o retorno da água • Quando o reservatório fica cheio, a entrada deve ser fechada por meio de válvula automática comandada pelo nível do reservatório (ex.: registros automáticos de entrada) Tubulação de saída • É a tubulação que encaminha a água do interior do reservatório para um sistema de distribuição • Dimensionamento a velocidade da água não deve exceder uma vez e meia a velocidade na tubulação da rede a jusante • A saída de água deve ser dotada de sistema de fechamento por válvula, comporta ou manobrada por dispositivo situado na parte externa do reservatório • Aí deve ser previsto dispositivo para entrada de ar na tubulação • A altura do nível de água sobre a abertura de saída deve ser de no mínimo 3D Extravasor • Dispositivo destinado a impedir que o nível de água no reservatório ultrapasse uma cota predeterminada • A água da extravasão deve ser coletada por um tubo vertical que descarregue livremente em uma caixa e daí encaminhada por conduto livre a um corpo receptor adequado • Dimensionamento de forma de possibilite a descarga da vazão máxima que alimentará o reservatório • A folga mínima entre a cobertura do reservatório e o nível máximo atingido pela água em extravasão é de 0,30 m. Inspeção • Cada câmara de reservação deve ter, pelo menos, uma abertura de inspeção, com dimensão mínima de 0,60 m fechada com tampa e dispositivo de travamento • As bordas da abertura de inspeção devem estar a pelo menos 0,10m acima da superfície de cobertura Ventilação • Devido à oscilação da lâmina d’água é necessário abertura de ventilação para saída de ar de modo a evitar os esforços devido ao aumento da pressão interna • As ventilações são constituídas por tubos de curvas, ficando sua abertura voltada para baixo, protegida por tela fina, de modo a impedir a entrada de insetos, águas de chuvas e poeiras Canalização de limpeza • É aquela destinada a permitir o esgotamento total e a limpeza do interior do reservatório, situada abaixo do seu nível mínimo • Diâmetro mínimo de 0,15 m • Ou que tenha capacidade para esgotar todo o volume situado abaixo do nível mínimo em 30 min, respeitado o Dmín = 0,15 m Peças Especiais • Válvulas, registros, comportas para fechamento das tubulações de entrada, saída e descarga de fundo • Dispositivo limitador do nível máximo da água para impedir a perda de água pelo extravasor registros automáticos de nível, transmissores de sinais para comando automático Outros componentes • Dispositivo de indicação do nível de água instantâneo ou com registros • Escada de acesso: – Os reservatórios elevados devem contar com escadas protegidas por guardacorpo e lances máximos de 5m para o acesso até a laje de cobertura – O início da escada deve impedir o acesso a pessoas não autorizadas – Desde a chegada da escada até a inspeção deve-se ter um guardacorpo – O reservatório elevado deve contar com uma escada permanente em seu interior • Devem ser instalados um páraraios e luz de sinalização de obstáculo elevado, de acordo com padrões do Ministério da Aeronáutica Consumo de Água Vazão (l/s) 50 60 70 80 90 120 150 200 300 400 350 300 280 270 250 240 220 210 200 150 120 90 70 60 180,42 Hora 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Vol. (m3) 180 216 252 288 324 432 540 720 1080 1440 1260 1080 1008 972 900 864 792 756 720 540 432 324 252 216 Vol. Ac. (m3) Vol. 180 396 648 936 1260 1692 2232 2952 4032 5472 6732 7812 8820 9792 10692 11556 12348 18000 13104 13824 16000 14364 14000 14796 15120 12000 15372 15588 Volume acumulado (m3) Hora 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Qméd (l/s) 10000 Médio (m3) Vol. Méd. Ac. (m3) 649,5 649,5 649,5 1299 649,5 1948,5 649,5 2598 649,5 3247,5 649,5 3897 649,5 4546,5 649,5 5196 649,5 5845,5 649,5 6495 649,5 7144,5 649,5 7794 649,5 8443,5 649,5 9093 649,5 9742,5 649,5 10392 649,5 11041,5 649,5 11691 649,5 12340,5 649,5 12990 649,5 13639,5 649,5 14289 649,5 14938,5 Vol. Útil15588 = 3798 m 3 649,5 Curva de volumes acumulados Vazão média 8000 6000 4000 2000 Exemplo 0 1 3 5 7 9 11 13 Horas 15 17 19 21 23 Determinação do volume útil através de volumes diferenciais Hora 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Qdist (l/s) 50 60 70 80 90 120 150 200 300 400 350 300 280 270 250 240 220 210 200 150 120 90 70 60 Qalim (l/s) 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 180,42 Exemplo Valim (m3) 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 649,5 Vdist (m3) 180 216 252 288 324 432 540 720 1080 1440 1260 1080 1008 972 900 864 792 756 720 540 432 324 252 216 Somatório Valim -Vdist(m3) 469,5 433,5 397,5 361,5 325,5 217,5 109,5 -70,5 -430,5 -790,5 -610,5 -430,5 -358,5 -322,5 -250,5 -214,5 -142,5 -106,5 -70,5 109,5 217,5 325,5 397,5 433,5 3798 -3798