A MaiorRiqueza
é a Saúde
Jornal Saúde
A saúde nas suas mãos
da
Ano 4 - Nº 38 Abril 2013 - Mensal Director Editorial: Rui Moreira de Sá
Directora-adjunta: Maria Odete Pinheiro Preço:150 KZ
MINISTÉRIO DA SAÚDE
GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA
Até 2025 serão construídos, ou ampliados, e apetrechados
66 hospitais, 74 centros de saúde e 4.344 postos de saúde...
rAivA
CoberturA
vACinAl dos
AnimAis não
tem sido efiCAz
A doença é mortal. Leia a entrevista
ao chefe dos serviços de veterinária
de Luanda. E previna-se |4 e 6
o essenCiAl Que
preCisA sAber |38
...mas a expansão da rede sanitária obriga a corrigir
desigualdade na distribuição dos médicos no país
estimule o seu bebé
Saiba como eStimular o deSenvolvimento linguíStico, cognitivo, motor e SenSorial
do Seu filho durante o primeiro ano de vida |18
QuAndo A bexigA
não párA
A dificuldade em controlar a vontade
súbita de urinar constitui um verdadeiro tormento diário para quem sofre de
incontinência urinária |24
CÓLERA
Autoridades sanitárias
do Huambo protegem a população
ensinando-a a prevenir-se |29
CorAção
sAudável
Tudo o que precisa
saber sobre
o colesterol|20
2 ll
ediToRiaL
l empresas socialmente
Rui MoReiRa de Sá
Director Editorial
responsáveis
[email protected]
O Jornal da Saúde chega gratuitamente às suas mãos graças ao apoio das seguintes empresas e entidades socialmente responsáveis que contribuem para o bem-estar dos
angolanos e o desenvolvimento sustentável do país.
A expansão da rede sanitária
e os profissionais de saúde
O
Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário 2012-2025 (PNDS) – apresentado publicamente no Conselho Consultivo
no final do mês passado – constitui um instrumento estratégico-operacional destinado à materialização das orientações fixadas na Estratégia de Desenvolvimento a Longo Prazo "Angola
2025" e na Política Nacional de Saúde, no âmbito da reforma do Sistema Nacional de Saúde.
A visão expressa no PNDS configura a saúde
como um factor incontornável do desenvolvimento global do país e da justiça social e traça
estratégias e metas no sentido de promover o
acesso universal aos cuidados de saúde, assegurar a equidade na atenção, melhor os mecanismos de gestão e de financiamento do Sistema
Nacional de Saúde e oferecer serviços de qualidade, oportunos e humanizados.
O PNDS apresenta objectivos ambiciosos em
todos os domínios do Sistema Nacional de Saúde, incluindo o reforço da luta contra as doenças
prioritárias, que englobam actualmente as
doenças transmissíveis e as crónicas não transmissíveis, a atenção à mãe e à criança e a melhoria da proximidade dos serviços, bem como
das capacidades de referência dos casos complicados.
Nesta edição destacamos duas das áreas decisivas para aquele desiderato: a ampliação e
apetrechamento da rede sanitária e uma, apenas uma, das vertentes do factor crítico essencial
para acompanhar e garantir o sucesso da expansão prevista – a distribuição geográfica dos
profissionais de saúde.
O QUE PROMETEMOS
AO LEITOR
A saúde é um estado de completo bem-estar físico,
mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade. Trata-se de um direito humano fundamental. A conquista de um elevado nível de saúde é
a mais importante meta social.
A promoção da saúde pressupõe o desenvolvimento
pessoal e social, através da melhoria da informação,
educação e reforço das competências que habilitem para uma vida saudável. Deste modo, o leitor fica mais habilitado a controlar a sua saúde, o ambiente, e fazer opções conducentes à sua saúde.
Prometemos contribuir para:
– Melhorar e prolongar a vida do leitor, através da educação, informação e prevenção da saúde;
– Contribuir para se atingirem os objectivos e metas da
política nacional de saúde e os Objectivos do Milénio,
através da obtenção de ganhos em saúde nas diferentes
fases do ciclo de vida, reduzindo o peso da doença;
– Constituir um referencial de formação e um repositório de informação essencial para os profissionais de
saúde.
Queremos estreitar a relação consigo, incentivando a
sua participação em várias secções do Jornal da Saúde.
Envie-nos os seus textos, comentários e sugestões.
E-mail [email protected]
SMS 932 302 822 / 914 780 462
As edições anteriores do Jornal da Saúde podem ser lidas em: www.ordemmedicosangola.org/
2 Módulo - Gestão de Operações e Logística na Saúde 17 a 21 de Junho de 2013
SecretariadO e inScriçõeS: rua Vereador Ferreira da cruz, 64, Miramar, Luanda
tel.: +244 931 298 484 / 923 276 837 / 932 302 822 e-mail:[email protected] | www.indeg.iscte.pt
l FICHA TÉCNICA
Conselho editorial: Prof. Dr. Miguel Bettencourt Mateus, decano da
Faculdade de Medicina a UAN (coordenador), Dra. Adelaide Carvalho, Prof. Dra. Arlete Borges, Dr. Carlos (Kaka) Alberto, Enf. Lic. Conceição Martins, Dra. Filomena Wilson, Dra. Helga Freitas, Dra. Isabel Massocolo, Dra. Isilda Neves, Dr. Joaquim Van-Dúnem, Dra. Joseth de Sousa, Prof. Dr. Josinando Teófilo, Prof. Dra. Maria Manuela
de Jesus Mendes, Dr. Miguel Gaspar, Dr. Paulo Campos.
Director Editorial: Rui Moreira de Sá [email protected];
Directora-adjunta: Maria Odete Manso Pinheiro [email protected];
Parceria:
Redacção: Andreia Pereira; Esmeralda Miza; Luís Óscar; Maria Ribeiro; Patrícia Van-Dúnem.Correspondente provincial: Elsa Inakulo
(Huambo) Publicidade: Maria Odete Pinheiro Tel.: 935 432
415 [email protected] Revisão: Marta Olias;
Fotografia: António Paulo Manuel (Paulo dos Anjos). Editor: Marketing For You, Lda - Rua Dr. Alves da Cunha, nº 3, 1º andar - Ingombota, Luanda, Angola, Tel.: +(244) 935 432 415 / 914 780 462, [email protected]. Conservatória Registo Comercial de
Luanda nº 872-10/100505, NIF 5417089028, Registo no Ministério da Comunicação Social nº 141/A/2011, Folha nº 143.
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ll
acTuaLidade
Abril 2013 l JSA ll 3
Farmacêuticos lusófonos em peso no X Congresso
As inscrições no X Congresso
Mundial dos Farmacêuticos
de Língua Portuguesa, que
Luanda acolhe a 30 e 31 de
Maio próximo, estão a superar as expectativas. Para
além das comitivas que vêm
do exterior e dos profissionais de farmácia de Luanda
já inscritos, também as províncias estão a preparar delegações. O mesmo acontece com a EXPO FARMA que
decorre em simultâneo, a
qual recebeu a confirmação
da participação, como expositores, das principais empresas da indústria farmacêutica e seus distribuidores.
O evento é promovido pela
Associação de Farmacêuticos de Língua Portuguesa
(AFPLP), em conjunto com a
Direcção Nacional de Medicamentos e Equipamentos
do Ministério da Saúde de
Angola e da Associação dos
Profissionais de Farmácia de
Angola (Assofarma).
De acordo com o Director
Nacional de Medicamentos
e Equipamentos Boaventura
Moura “o Congresso constitui um grande fórum de
aproximação entre a comunidade farmacêutica lusófona, para troca de experiências profissionais, culturais e
científicas”. Este ano, o
evento celebrará os 20 anos
de trabalho e cooperação
da AFPLP que realizará, também, no dia 29, a sua 13ª
Assembleia Geral.
Angola tem 216 farmacêuticos e 631 técnicos médios de farmácia, dos quais
597 são auxiliares.
Programa científico
O programa do Congresso inclui sessões dedi-
Cabinda
Chevron promoveu campanha
de prevenção contra a malária
A iniciativa incluiu a doação de mosquiteiros à população
BOAveNTurA MOurA “entre os temas em foco, destaca-se a sessão
sobre a produção de medicamentos como potenciador
de desenvolvimento local”
A Chevron-Cabinda Gulf Oil Company Limited (CABGOC), em parceria com o Governo
Provincial de Cabinda, promoveu uma campanha de prevenção da malária, na cidade de
Cabinda, junto à Maternidade 1º de Maio, no
dia 25 de Abril, para assinalar o dia mundial de
luta contra esta doença endémica.
A iniciativa incluiu a doação de 700 mosquiteiros e diverso material promocional.
"A malária em Angola ainda é a primeira causa de morte. De acordo com o Programa Nacional de Controlo da Malária, a doença representa cerca de 35% da demanda de cuidados curativos, 20% de internamentos hospitalares, 40% das mortes perinatais e 25% de mortalidade materna. Prevenir, sensibilizar e educar as pessoas no sentido de tomarem as medidas certas de prevenção são passos fundamentais para se reduzir os efeitos letais da
doença", disse a directora geral de Políticas, Relações Públicas e Governamentais, Recursos
Humanos e Serviços Médicos da Chevron,
Vanda Andrade.
A educação é uma componente fundamental
para a erradicação da malária que é causada
por parasitas transmitidos através da picada de
um mosquito infectado.
Plantas com poder insecticida podem ajudar a combater dengue
a sessão de apresentação do evento aos responsáveis das empresas
do sector – que encheram a sala – decorreu este mês em luanda
cadas à produção e ao circuito de medicamentos, à
regulamentação do sector
farmacêutico, à intervenção dos farmacêuticos nos
sistemas de saúde e à formação pré e pós-graduada. Entre os temas em foco,
destaca-se a sessão sobre
“Produção de medicamen-
tos como potenciador de
desenvolvimento local”.
Estarão presentes representantes da OMS África,
do Ministério da Saúde de
Angola, dos governos e das
instituições dos sectores da
saúde e do medicamento
de todos os países lusófonos.
Ângela Pizarro, uma investigadora da Faculdade de Farmácia da Universidade de
Coimbra, reuniu informação
científica sobre várias plantas
que podem ser usadas no
combate à dengue, dado o
seu poder insecticida e repelente do mosquito que transmite a doença.
No âmbito da tese final da
graduação em Medicamentos e Produtos à Base de Plantas, Ângela Pizarro defendeu que estas plantas
podem fazer parte de formulações de produtos
de acção insecticida ou repelente do mosquito
vector que transmite o vírus
da dengue.
Para Ângela Pizarro, a particularidade destas plantas é o
facto de serem aromáticas e
de possuírem poderosos
óleos essenciais, tais como as
espécies de Mentha, Eucalyptus e Glycirrhiza glabra (alcaçuz), que perturbam o processo normal da transmissão
da doença, actuando desde
a eliminação do mosquito
(insecticida) até à prevenção da picada (repelente).
Saiba mais sobre a dengue na página 38.
Angola dispõe de 1242 farmácias comunitárias, 196 farmácias hospitalares,
dois armazéns de medicamentos centrais estatais, três depósitos regionais
estatais, 18 depósitos provinciais estatais e 189 importadores e distribuidores.
EXPO FARMA apresenta inovações
Em simultâneo, decorre a EXPO FARMA
2013, onde os participantes têm a oportunidade de conhecer as inovações apresentadas pelas empresas farmacêuticas e
distribuidores que procuram contribuir
para a melhoria do sector da saúde em
Angola.
O certame contribui também para a
transparência do mercado e combate à
contravenção de medicamentos. “As empresas presentes como expositoras são as
que cumprem a legislação e dão garantias de qualidade”, rematou Boaventura
Moura.
O Dia Mundial da Saúde foi celebrado em Luanda, na manhã do domingo 7 de Abril, com uma marcha a favor de uma melhor saúde, medição da tensão arterial, promoção de exercícios físicos e de
uma alimentação saudável.
Estiveram presentes o Secretário de Estado da Saúde, Carlos Masseca, a Directora Nacional de Saúde Pública, Adelaide de Carvalho, a Directora Provincial de Saúde de Luanda, Rosa Bessa, directores nacionais de saúde, directores de hospitais de Luanda, profissionais de saúde, representantes de
ONGs, do sector privado e outros parceiros da sociedade civil, assim como oficiais das agências
das Nações Unidas, com destaque para o representante da OMS. O Jornal da Saúde acompanhou.
4 ll
RAIVA
Abril 2013 l JSA
Edgar dombolo, chEfE dos sErviços dE vEtErinária dE luanda
«Se há raiva nos humanos é porque a cobertura
vacinal dos animais não tem sido a mais eficaz»
“O combate à
raiva é feito
pelos Serviços
de Veterinária,
que devem
vacinar os
animais com
dono, e os
Serviços
Comunitários
que devem
recolher os
animais na via
pública”
Maria ribeiro
n as unidades de saúde de
Luanda continuam a receber vários casos de crianças mordidas por animais
com raiva. a propósito da situação, o Jornal da Saúde
ouviu o chefe dos Serviços
de Veterinária de Luanda,
edgar Dombolo, que, das
várias situações enumeradas como eventuais causas
da persistência destes casos, realça a necessidade
da extensão dos serviços às
comunas e a informação à
população sobre os cuidados a ter com os animais
domésticos
- Que avaliação faz do trabalho realizado até ao momento na luta contra raiva?
- A raiva é uma doença endémica em Angola. Há quatro
anos, notámos um aumento
considerável no número de
óbitos nos humanos. Fruto disso, foi criada uma comissão interministerial de combate à
raiva. Esta comissão estendese aos governos das províncias. É composta por vários órgãos, todos com a finalidade
de combater a raiva. Fazem
parte da comissão o Ministério
da Agricultura, da Saúde, da
Comunicação Social, da Administração do Território, do
Interior, das Finanças e da Defesa. Ao nível dos governos
provinciais são os órgãos locais destes ministérios que
compõem a comissão. Existe
uma comissão técnica que inclui os Serviços de Veterinária,
a Direcção Nacional de Saúde
Pública, o Serviço de Protecção Física e Bombeiros. Dela
faz parte o director do Ministério da Administração do Território para os Assuntos Locais
e da Comunicação Social e estende-se aos governos provinciais, que é onde nós estamos.
Nos governos provinciais também há uma comissão composta pelos chefes, no caso os
governadores provinciais, que
é apoiada por uma comissão
técnica, onde nós fazemos parte. Tratam do assunto da raiva
os Serviços de Veterinária (que
devem cuidar dos animais que
têm proprietário), os Serviços
Comunitários (que tratam dos
animais que circulam pelas
ruas), os Serviços de Saúde
(que tratam as pessoas que, por
qualquer motivo, tenham tido
um incidente com animais), os
órgãos de comunicação social
(para levar à população a mensagem sobre como proceder e
prevenir a raiva) e os outros,
como o Ministério do Interior
e o da Defesa, funcionam como suporte às acções necessá-
rias para o controlo da doença.
- Desde a criação da comissão, o que foi feito dentro das
competências dos Serviços
de Veterinária?
- As nossas acções têm incidido na sensibilização das pessoas para a necessidade de cuidar dos cães, vaciná-los contra
Conselhos a quem
tem animais domésticos
- Pelas características epidemiológicas da doença, todas as
medidas deveriam ser intensificadas. E isso começa pela própria informação da população. Esta é a nossa base para o sucesso. A população precisa de saber como tratar um animal, independentemente de ter mordido ou não. Ele tem que ter saúde, ser desparasitado, ter boa alimentação, ir periodicamente
ao veterinário para ser vacinado. Entre as várias vacinas que
deve apanhar, para nós, a mais importante é a da raiva, pelas
características da doença. O Governo vacina os animais contra
a raiva gratuitamente. Deve-se saber tratar bem dos animais.
a raiva, de maneira a que eles
possam estar imunizados e
não representem risco para os
humanos. É assim que, todos
os anos, realizamos campanhas de vacinação e, todos os
anos, de 1 de Janeiro a 31 de
Dezembro, vacinamos os animais contra a raiva. A vacinação é gratuita, não se paga. Por
norma, realizamos uma campanha e vacinamos nos nossos
postos espalhados pela cidade
durante todo ano. No ano passado, vacinámos cerca de 55
mil animais, na maioria cães,
e, este ano, estamos a preparar
uma campanha. Mas, mesmo
assim, já estamos a vacinar nos
nossos postos fixos desde Janeiro.
- Com o trabalho realizado,
qual é a situação?
- O número de óbitos nos humanos reduziu-se mas, tendo
em conta as características da
própria doença, o nosso lema
é: enquanto houver uma pessoa vítima de raiva o nosso trabalho não está concluído.
- Os hospitais continuam a
receber casos de crianças
mordidas por animais...
- Mordidas… É preciso esclarecer que os animais mordem
as pessoas por diferentes motivos e, infelizmente, um deles
é quando está contaminado
com a raiva. Eles podem morder por competição de comida
ou de espaço, por violação de
espaço ou por agressão. Os
animais reagem de diferentes
maneiras, em função das situações. Quando estão afectados
pela doença, a primeira alteração é no sistema nervoso central. Ficam agressivos e mordem as pessoas. Mas o facto de
ter sido mordida não quer dizer que a pessoa contraiu a raiva. Nem todas as pessoas mordidas contraem a doença, pois
podem ser mordidas por um
animal que não esteja contaminado.
- Mas, ainda assim, como interpreta o facto de haver ainda muitas crianças a serem
mordidas por animais afectados pela raiva?
- O que se pode dizer é que se
há doença nos humanos é porque a cobertura vacinal dos
animais não tem sido a mais
eficaz. Há uma margem de
animais que fica por vacinar
porque nós não vacinamos os
animais de rua. Pode ser que
estas crianças estejam a ser
mordidas por animais vadios.
Não temos como vacinar estes
animais.
- Mas, se a ideia é combater a
raiva, não deveriam também incluir estes animais
nos vossos Serviços?
- Por isso é que eu disse que o
combate à raiva não é feito somente pelos Serviços de Veterinária. O combate a raiva é
feito pelos Serviços de Veterinária, que devem vacinar os
animais com dono, e os Serviços Comunitários que devem
recolher os animais na via pública.
- E têm recolhido esses animais vadios?
- Essa informação poderá serlhe fornecida, com maior propriedade, pelos colegas dos
Serviços Comunitários. O que
temos conhecimento é que
eles, de facto, têm recolhido.
Mas olhemos para a concentração de humanos na província de Luanda. Normalmente,
quanto mais pessoas houver
mais cães haverá também. Então, a probabilidade de haver
animais na rua também é
maior porque mais pessoas se
desfazem dos seus animais.
Quer dizer que o trabalho de
recolha tem de acompanhar a
densidade populacional humana existente na província, de
maneira a reduzir ao máximo
– e, se possível, até extinguir –
os cães vadios. A província
tem em funcionamento um
Canil/Gatil no município de
Cacuaco. Construiu-se outro
no município de Viana, que
em breve estará em funcionamento, para acondicionamento destes animais que são recolhidos na via pública.
- Nos casos dos cães com dono, quando se constata que
estão com raiva, qual tem sido o procedimento?
- As pessoas têm que ser educadas no sentido de que, quando um animal ataca alguém e
este animal tem dono, o proprietário deve apresentá-lo nos
Serviços de Veterinária para o
animal ser observado durante
um período de 10 dias. Neste
período, desde o 1.º dia, avalia-se o comportamento do
animal. Se haver alguma alteração no comportamento ou o
animal morrer, a pessoa tem
que fazer o esquema pós-exposição completo. Desde o dia
em que aparece nos Serviços
de Veterinária até ao 10.º dia,
terá de apanhar três vacinas:
uma no dia zero, outra no 3.º
Abril 2013
l JSA
publicidade
ll 5
6 ll
RAIVA
dia e uma terceira no 7.º dia. E esperase pela observação do veterinário ao
10.º dia. Em função do resultado da
observação do animal, continua ou
não a fazer as vacinações. Por isso é
que digo que o nosso serviço trabalha
em estreita colaboração com os Serviços de Saúde porque quem vacina
as pessoas são os Serviços de Saúde.
O que acontece é que, muitas vezes,
as pessoas são mordidas e não vão no
devido momento solicitar os serviços
adequados. Vão para os postos médicos particulares, apanham a vacina
contra o tétano e pensam que o problema está resolvido. Isto acontece
por falta de informação. A mensagem
sobre o que as pessoas devem fazer
quando são atacadas por animais deve passar sempre. Nestes casos, exceptuando animais venenosos como
a cobra, em primeiro lugar, deve-se
lavar a ferida com bastante sabão, desinfectar a ferida com álcool e dirigirse, de preferência, a uma unidade sanitária estatal, porque muitos postos
privados, infelizmente, têm dificuldade em tratar destes casos de raiva.
Eles aplicam a vacina contra o tétano
e pensam que o problema está resolvido.
- Os Serviços de Veterinária têm, de
facto, o controlo dos cães com dono,
mas, na maior parte das vezes, os
cães vadios são cães que foram
abandonados…
- A tarefa do registo dos animais é da
competência das administrações municipais. São elas que devem fazer o
registo dos proprietários dos animais
de tal maneira que, quando um animal
aparecer na via pública, se consiga
chegar ao seu proprietário. Abandonar o animal na via pública não é o
procedimento mais correcto. Nós temos um Canil/Gatil. Se a pessoa já
não quiser ter o animal pode ligar para
o número 922389617 e uma equipa
fará a recolha do animal. Porque um
animal posto na via pública, se estiver
já contaminado, representa não só um
perigo para as pessoas
mas também para
os outros animais.
Para as pessoas
porque, infelizmente, se
ele morder alguém
Abril 2013 l JSA
O essencial
sobre a raiva
O que é?
a raiva é uma doença infecciosa aguda
causada por um vírus que acomete mamíferos, inclusive o homem.
Qual o
microrganismo
envolvido?
vírus do género lyssavirus, família
rabhdoviridae.
Quais
os sintomas?
e se essa pessoa não for atendida
oportunamente pode perecer e o cão
também vai morrer. Se este cão morrer acaba o problema. O pior é se o
cão lutar com outros animais, propagando o vírus.
- Com isso quer dizer que os Serviços de Veterinária limitam-se ao
trabalho da vacinação?
- Nós, enquanto Serviço de Veterinária, tratamos de vários problemas.
Muitas vezes formamos equipas com
os colegas da Saúde e dos Serviços
Comunitários e fazemos
buscas activas de
casos. Geralmente,
quando acontece morte de pessoas
por raiva nos hospitais, vamos até ao
local de residência da vítima e perguntamos por mais pessoas atacadas
pelo animal. Na área, num raio de três
quilómetros, vacinamos os animais
que, por qualquer razão, não tenham
sido vacinados. Recolhemos os animais naquele perímetro. Os colegas
da Saúde vacinam todas as pessoas
que dizem que foram mordidas. Nós
funcionamos assim, em resposta aos
casos. Esta é uma resposta conjunta.
O que temos apelado, já na base da
prevenção, é para que as pessoas
ocorram aos nossos postos de vacinação espalhados pelos diferentes municípios.
Temos tratado bem dos animais?
- Estamos a melhorar no tratamento. Se fomos a ver, há cinco ou dez anos
havia poucos consultórios de veterinária. Nós temos na cidade de Luanda
mais de dez. Se está a aumentar é porque há solicitação deste serviço e é
porque as pessoas estão a ganhar consciência de como tratar os seus animais. É preciso que a informação chegue a localidades como Maria Teresa,
na Muxima, Cabo Ledo, e que os serviços para tratar bem dos animais cheguem a estes sítios, para que todas as pessoas saibam como tratar correctamente os seus animais. É importante que os serviços estejam mais próximos do cidadão. Infelizmente, há uma área deste serviço que vem com o
sector privado. O sector estatal, neste momento, está representado apenas nos municípios e não nas comunas. Como temos suprido esta
lacuna? De quando em vez, conversamos com os coordenadores
dos bairros e com os Sobas e realizamos programas nas aldeias,
seja para desparasitação, seja para vacinação dos cães. Nestes
contactos com a população elevamos o nível de conhecimento
sobre como se deve tratar os animais e o nosso nível de conhecimento sobre como a população trata dos cães. Precisamos de estender os serviços a todos os pontos da província. Fizemos isso com
as campanhas de vacinação mas é uma actividade que acontece duas vezes por ano. Para este ano, estamos a preparar uma campanha para os meses de Junho/Julho e, em função desta, vamos ver se será necessário mais
uma ou não. Mas os nossos postos continuarão a vacinar. Chamamos à
atenção dos pais para quando as crianças aparecerem feridas em casa. O
que acontece normalmente é baterem, mas isso leva a uma situação em
que, depois de 45 dia 50, a criança fica doente e já não há nada a fazer. Os
pais e encarregados não devem bater as crianças feridas mas sim cuidar da
ferida. Aconselhamos lavar bem a ferida, com bastante sabão, e passar tintura de iodo ou álcool e, depois, ir a uma unidade sanitária para a criança ser
seguida.
os sinais duram de dois a quatro dias e
são inespecíficos. o paciente apresenta
mal-estar, pequeno aumento de temperatura, anorexia, cefaleia, náuseas, dor
de garganta, entorpecimento, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia. Podem ocorrer hiperestesia
e parestesia no trajeto de nervos periféricos, próximos ao local da mordedura e
alterações de comportamento. a infecção progride, surgindo manifestações
de ansiedade e hiperexcitabilidade
crescentes, febre, delírios, espasmos
musculares involuntários, generalizados e/ou convulsões. Espasmos dos
músculos da laringe, faringe e língua
ocorrem quando o paciente vê ou tenta
ingerir líquido, apresentando sialorreia
intensa. os espasmos musculares evoluem para paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal. o paciente
mantém-se consciente, com período de
alucinações, até à instalação de quadro
comatoso e evolução para óbito. observa-se presença de disfagia, aerofobia,
hiperacusia, fotofobia. o período de
evolução após instalados os sinais e
sintomas até o óbito, é em geral de cinco a sete dias.
Como se
transmite?
a doença é transmitida ao homem principalmente através da mordedura de
animais infectados.
Como prevenir?
vacinando anualmente cães e gatos,
não se aproximar de cães e gatos sem
donos, não mexer ou tocar quando estiverem a alimentar-se ou a dormir. nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem caídos no
chão ou encontrados em situações não
habituais.
O que se deve
fazer quando
agredido?
a assistência médica deve ser procurada o mais rápido possível após a agressão. Quanto ao ferimento: deve-se lavar
abundantemente com água e sabão e
aplicar algum produto antisséptico. o
esquema de profilaxia da raiva humana
deve ser prescrito pelo médico, ou, caso não tenha acesso, por um enfermeiro, que avaliará o caso. se possível
manter o animal (cão ou gato) em observação por 10 dias para ver se o animal manifesta doença ou morre. caso o
animal adoeça nesse período, informar
o serviço de saúde imediatamente.
Abril 2013 l JSA
publicidade ll
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8 ll
CLÍNICAS
Abril 2013 l JSA
NA ClíNiCA GirASSol
Investimento nos serviços de oftalmologia
reduziu envio de pacientes para o estrangeiro
Com vista à melhoria dos
serviços, está previsto para
este ano o arranque das cirurgias da retina e as refractivas,
onde irão tratar os casos como
as ametropias. «Estamos a
tratar da vinda dos professores que irão ministrar o curso
que, em princípio, irá abranger todos os médicos angolanos. A formação será gratuita.
Para 2014, estuda-se a possibilidade de iniciarmos a formação de especialistas em oftalmologia na sua totalidade
em território angolano», revelou o médico.
MARiA RibEiRo
n Após a decisão da direcção da Clínica Girassol em
realizar um investimento no
serviço de oftalmologia para reduzir o envio de pacientes para o exterior do país, a
equipa médica dos serviços
de oftalmologia desta unidade já tem em vista dois
novos desafios. Segundo o
chefe dos serviços, Pedro
Albuquerque, este ano a
meta é iniciar as cirurgias
refractivas e da retina.
Q
uando o serviço de oftalmologia da
Clínica Girassol iniciou,
as suas actividades resumiam-se às consultas de oftalmologia e optometria. «Não havia exames, não
tinha um bloco diferenciado
de oftalmologia», lembrou o
médico Pedro Albuquerque.
No entanto, apesar da limitação dos serviços, a equipa
médica era frequentemente
confrontada com uma demanda de pacientes que exigia um
tratamento mais diferenciado.
Vivia-se um dilema: do ponto
de vista clínico, o serviço dispunha de pessoal médico qualificado para dar resposta à demanda. Mas, do ponto de técnico, faltavam os equipamentos para dar suporte à actividade médica. Por esta razão, era
com certa insatisfação que a
equipa médica via muitos pacientes partirem para o exterior do país para darem continuidade ao tratamento de patologias que internamente podiam ser solucionadas.
A equipa médica, em 2011,
sensibilizou a direcção da clínica Girassol no sentido de
realizar um investimento de
vulto no serviço de oftalmologia que o deixou apto para a
absorção dos mais variados tipos de serviços da especialidade.
Em termos médicos, a oftalmologia é uma especialidade da medicina que estuda e
trata as doenças relacionadas à
visão e distúrbios de refracção,
entre outras. Dentre as várias
sub-especialidades, encontramos a oftalmologia pediátrica
e estrabismo, a plástica ocular,
doenças do segmento anterior,
doenças das vias lacrimais,
Pedro Albuquerque Este ano a meta é iniciar as cirurgias refractivas e da retina
“O serviço de
oftalmologia tem
capacidade para
fazer ecografia
ocular,
consultas de
optometria,
paquimetrias,
retinografias
sem medríase,
tomografia do
nervo óptico,
angiografias,
microscopia
endotelial,
topografia
corneal e
electrofisiologia”
glaucoma, a cirurgia refractiva, retina e neuroftalmologia.
Pedro Albuquerque lembra que, fruto do investimento
efectuado, o serviço, que hoje
funciona 24 horas ao dia, conta com uma área para atendimento de urgência, consultas
externas, área para realização
de exames de check-up e possui bloco operatório onde hoje são realizadas muitas das
operações que anteriormente
eram feitas no exterior do
país.
«Conseguirmos subdividir
o serviço de oftalmologia em
Equipamento e tecnologia de última geração apetrecham os serviços
de oftalmologia da Clínica Girassol
A oftalmologista retinóloga, Eva, observa a jornalista Maria Ribeiro que
testou a eficiência e humanização dos serviços
vários ramos e ter um local
onde fazemos as consultas de
oftalmologias e optometria.
Dispomos de uma área onde
fazemos os atendimentos de
urgência, os check-up, os exames complementares e um
bloco operatório onde realizamos, quer a cirurgia ambulatória, como as de urgência»,
reforçou o médico.
Cirurgias da retina
e as refractivas
Hoje, o serviço de oftalmologia tem capacidade para
fazer ecografia ocular, consultas de optometria, paquimetrias, retinografias sem
medríase, tomografia do nervo óptico, angiografias, microscopia endotelial, topografia corneal e electrofisiologia.
O glaucoma e outras
doenças tratáveis
Para dar suporte à demanda, o serviço de oftalmologia
da clínica Girassol conta com
o suporte de 15 médicos, dois
técnicos, três optometristas,
duas enfermeiras e quatro recepcionistas. A unidade hospitalar conta ainda no seu
quadro médico com a única
especialista de retina em Angola.
Dados avançados pelo
chefe dos serviços oftalmológicos indicam que só no mês
de Março foram atendidos
692 pacientes, somatório das
consultas externas e serviços
de urgência. No mesmo período, foram realizadas 38 intervenções cirúrgicas, onde o
destaque foi o tratamento das
cataratas. Note-se que a Clínica Girassol é privada e, como
tal, o afluxo de doentes não é
comparável ao dos hospitais
públicos.
Nos serviços de oftalmologia as patologias mais comum são as de refracção, ou
seja, pessoas que procuram os
serviços porque têm algumas
dificuldades em ver. «Podemos corrigir este problema,
ou com lentes de contacto, ou
com prescrição de uso de óculos».
A segunda causa da ida as
consultas está relacionada
com processos inflamatórios
normais e as cataratas «que
são a base das nossas cirurgias», acrescentou médico.
O serviço tem também
criadas as condições para detectar e tratar precocemente
os casos de glaucoma, uma
doença que tem causado cegueira a muitos angolanos. «É
uma doença crónica, uma
doença que em princípio é para toda vida, pelo que precisa-
Atenção
às crianças
Sobre os cuidados a ter para assegurar a visão, Pedro
Albuquerque recomenda
que, logo a nascença, as
crianças devem ser observadas por um oftalmologista para se detectar precocemente eventuais anomalias
que podem condicionar a
visão futuramente.
reconhecendo a dificuldade do acesso a estes serviços, o especialista aconselha, nestes casos, a realização de exames às crianças
na altura em que entram
para o sistema de ensino.
«As crianças antes de entrarem para escola devem ser
observadas. Frequentemente o desinteresse pode
ser causado pela dificuldade visual», disse.
Para os adultos a recomendação do médico é de, a
partir dos 40 anos, consultarem regularmente um especialista para realizar exames e saberem se têm
glaucoma, ou outra patologia crónica que muitas das
vezes está relacionada com
diabetes, hipertensão arterial, etc.
mos diagnosticar o mais precocemente possível e medicar
para não evoluir», aconselhou.
Exames disponíveis
Para o tratamento recorrem aos vários exames que
têm disponíveis. Através dos
exames de tonometria, por
exemplo, é possível fazer a
medição da tensão intra-ocular. Já os exames de paquimetria ajudam a determinar a espessura da córnea. Com a retinografia pode-se tirar uma
fotografia do fundo do olho e
com a OCT ver as lesões das
fibras do nervo óptico. «São
exames que permitem fazer
um seguimento do glaucoma.
Muitas das vezes o paciente
não vem à consulta porque é
uma doença que não provoca
dor. O indivíduo segue a sua
vida normalmente porque
permanece com a visão central durante muitos anos, mas,
aos poucos, vai perdendo a visão periférica até que chega
um dia em que fica cego.
Aqui, sim, vem a correr ao
médico, mas, nesta condição
o nervo está atrofiado e já não
se pode fazer nada». Por esta
razão, o médico recomenda
que sempre que possível deve
ir-se a uma consulta de oftalmologia, ao invés de consulta
de optometria, principalmente a partir dos 40 anos.
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10 ll
clínicas
Abril 2013 l JSA
inAuguRAdo CenTRo de diAgnóSTiCo poR imAgem
Luanda já tem centro de diagnóstico clínico de alto nível
MARIA RIbEIRO
Os equipamentos
de última geração
e sua utilização
n A realização de diagnósticos clínicos com segurança, a disponibilidade de
uma equipa qualificada,
aliado a um atendimento
personalizado, são, à partida, as referências do Centro
de Diagnóstico por Imagem
de Luanda (CDIL), recentemente inaugurado.
O ministro da saúde, José Van-Dúnem, no acto de inauguração do CDIL
L
uanda passou a
contar com uma
unidade de excelência dedicada
exclusivamente
ao diagnóstico clínico, congregando todas as modalidades
de imagens médicas no domínio do radiodiagnóstico e da
radiologia de intervenção não
vascular.
Dispondo da mais avançada tecnologia, o Centro de
Diagnóstico por Imagem de
Luanda (CDIL), inaugurado
pelo Ministro da Saúde, José
Van-Dúnem, com uma capacidade de atendimento de mais
de 50 pacientes por dia, está
localizado na Rua Rei Katyavala, no cruzamento com a
Rua da Liga Africana.
Valências e inovação
Com valências instaladas
nas áreas de radiologia convencional, ecografia, TAC espiral multicorte (128 slices),
ressonância magnética de alto
campo (1,5 Tesla) e mamografia digital com estereotaxia, o
CDIL está diferenciado para a
realização de estudos de patologia músculo-esquelético, em
medicina desportiva, estudos
do fígado, vias biliares e do
pâncreas. E, ainda, colangioressonância, angio-TAC e angio¬-ressonância em neuroradiologia, cardiologia, corpo
e periférico. Dispõe de métodos inovadores de estudo do
tracto urogenital e do tracto
gastrointestinal (como, por
exemplo, a colonoscopia virtual), investigação ginecoobstétrica, radiopediatria e
também de estudos da mandíbula e maxilar superior, com
dental scan, para planificação
de implantes dentários. De salientar que todos os exames
que utilizam radiação X são
realizados com técnica de baixa dose.
O CDIL está também vocacionado para os estudos na
área da oncologia, realçandose a possibilidade de efectuar
estudos de ressonância ma-
A técnica de radiologia Helena Soares mostra o equipamento de Tomografia Espiral Multi-corte
A equipA do CdiL Alexandra (responsável pela
área de recursos humanos e stocks), Loyde (auxiliar da acção médicotécnica), Magda (recepcionista), Etiandro (dactilógrafo), Adalgisa (auxiliar da acção médico-técnica), Mário Celestino
(administrador), Teresa
Carvalho (directora clínica), Helena Soares e Hélder Oliveira (técnicos).
Não ficaram na foto a responsável pela área técnica, Dulce, angolana formada em Portugal, a administrativa Iria e a Tatiana e Goreti responsáveis
pela higiene e limpeza.
gnética com difusão, uma
mais valia na pesquisa de neoplasias, localizações secundárias e recidivas.
O Centro dispõe igualmente de capacidade técnica e
competências para a realização de manobras de radiologia
de intervenção não vascular,
como biópsias percutâneas,
incluindo as biópsias estereotáxicas da mama e drenagens
de colecções intra-abdominais, pulmonares e outras.
Ambiente agradável
e confortável
Com um ambiente agradável e confortável – nada que se
assemelhe à habitual frieza e
impessoalidade de uma unidade de saúde convencional – e
uma equipa de profissionais
O técnico de radiologia Hélder Oliveira na Vítrea e Teresa Carvalho (directora clínica) a relatar exames no PACS (picturais arquiving computer system) – Osirix
altamente qualificada, liderada pela médica especialista em
radiodiagnóstico Teresa Carvalho, o CDIL realiza os diversos exames com segurança e
eficácia, com relatórios rápidos, assertivos e confidenciais.
O futuro: cardiologia e oncologia
A área de diagnóstico por imagem, em constante desenvolvimento e evolução, é essencial
para uma correcta avaliação e consequentes
tratamentos e "follow-up" dos pacientes.
Este centro vem dinamizar a cidade de Luanda nesta área e é, seguramente, uma mais valia
na conjuntura actual da medicina no país.
Num futuro próximo, o CDIL vai ainda incorporar as valências de cardiologia e oncologia,
com consultas e exames clínicos específicos
dessas especialidades.
Uma consulta especializada em doenças on-
cológicas, que inclui o cancro da mama – congregando o conhecimento e a experiência das
várias especialidades médicas – será um contributo fundamental para que o diagnóstico e o
tratamento sejam realizados adequadamente.
O objectivo da consulta de oncologia é oferecer um serviço especializado, em que, para
além do diagnóstico, o doente é informado e
aconselhado sobre o tratamento mais indicado. Por outro lado, os doentes com patologia
oncológica podem ser seguidos regularmente
nesta consulta.
para garantir a segurança e a
eficácia dos exames, assim
como produzir relatórios seguros, o CdiL dispõe, entre
outros, dos seguintes equipamentos:
Mamógrafo de Aquisição
Digital com monitores de alta resolução - Com este aparelho a equipa chefiada por
Teresa Carvalho tem a possibilidade de fazer biopsias por
estereotaxia nas lesões não
palpáveis e sem tradução
ecográfica. Com recurso a este equipamento é possível,
por computador, marcar o local das microcalcificações e
de outras lesões, efectuandose assim biópsias de alta precisão.
Ecógrafo de última geração
- Com este equipamento fazem-se todo o tipo de ecografias, nomeadamente as ecografias doppler. possui software próprio para alguns exames, como por exemplo na
área da obstetrícia.
Radiologia Convencional Com baixa dose de radiação,
este aparelho realiza diferentes tipos de exames no tórax e
outras partes do corpo humano.
Ressonância Magnética - Alto Campo – 1,5T – este equipamento permite, sem recorrer a qualquer tipo de radiação, realizar estudos com excelente caracterização tecidual. os estudos com difusão, mesmo sem recorrer à
administração de contraste
endo-venoso, auxiliam a identificação de patologia maligna.
Tomografia Espiral Multicorte (128 sl) - o equipamento, com aquisições de 0,5
mm, permite reconstruções
volumétricas optimizando a
acuidade diagnóstica, com
recurso à estação de trabalho
- Vitrea. Realçamos estudos
endo-luminais (colonoscopia
virtual e broncoscopia virtual),
estudos vasculares (angiografias, coronariografias), estudos de nódulos pulmonares, entre outros. está equipado com módulo de escopia
directa para guiar as manobras de intervenção.
Todos os exames são entregues ao paciente sob a forma
de Cd e de imagens impressas em papel fotográfico (A4).
Se necessário, para assegurar o diagnóstico, existe ainda
a possibilidade de recurso à
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12 ll
plano sanitário
Abril 2013 l JSA
ATÉ 2015
Angola terá mais 15 hospitais e 1.019 centros e postos de saúde
AO TODO, ATÉ 2025, SERÃO CONSTRUÍDOS, OU AMPLIADOS, E APETRECHADOS 66 HOSPITAIS, 74 CENTROS DE SAÚDE E 4.344 POSTOS DE SAÚDE
n Entre 2013 e 2015 serão construídos três hospitais centrais,
três hospitais gerais, nove hospitais municipais, 17 centros de
saúde e 1002 postos de saúde
no país, de acordo com as metas
fixadas no Plano de Desenvolvimento Sanitário (PNDS).
Metas a atingir
O
mapa sanitário nacional, realizado de
2007 a 2011, cadastrou 2.356 unidades, das quais só
1.854 eram funcionais, sendo 22%
de construção não definitiva. Por
outro lado, apenas 712 unidades
têm casa de banho, 245 têm acesso
à rede de água potável, 278 utilizam
água dos furos/poços, 93 compram
água e 955 (51%) não dispõem de
água. Cerca de 1.200 não têm energia elétrica, o que inviabiliza a utilização dos equipamentos instalados bem como os serviços no período noturno. Em geral, a rede de intra-estruturas do nível primário tem
estruturas antigas, em mau estado
de conservação e pouco apetrechadas em termos de equipamentos e
de pessoal. Muitas unidades carecem ainda de condições básicas de
funcionamento, tais como água,
energia, saneamento e material diverso.
Em Angola, o maior número de
unidades sanitárias pertence ao Sistema Nacional de Saúde (SNS). A
rede de prestação de cuidados de
saúde do SNS, em estado funcional, é constituída por 1.305 postos
de saúde, 291 centros de saúde, 34
centros materno-infantis, 146 hospitais municipais, 22 hospitais gerais, 20 hospitais centrais e 36 unidades diversas entre sanatórios sem
tipificação. A maioria destas unidades sanitárias beneficiou de obras
de reabilitação e outras foram construídas de raiz. Os postos de saúde
são o tipo de unidade sanitária em
maior número e presença territorial,
e constituem a principal porta de
entrada do Sistema Nacional de
Saúde. Todavia, a sua omnipresença tem um impacto muito limitado
na melhoria da saúde das comunidades, tanto pela quantidade e com-
“O PNDS prevê
que os postos de
saúde disponham,
logo de início, de
espaço suficiente
que permita a sua
ampliação e
progressiva
transformação em
centros de saúde”
petência dos seus profissionais, como pela reduzida oferta e qualidade
de serviços que prestam, resultando
numa relação custo-efectiva muito
baixa.
Expansão da rede
sanitária
O PNDS estabelece critérios para
a expansão da rede sanitária até
2025. Prevê que os postos de saúde
disponham, logo de início, de espaço suficiente que permita a sua ampliação e progressiva transformação
em centros de saúde, capazes de oferecer um pacote de serviços mais diferenciados à população. Estabelece
igualmente, normas para a padronização e manutenção dos diferentes
tipos de unidades sanitárias, de forma a garantirem condições para oferecerem cuidados e serviços.
O PNDS prevê a revisão da tipologia e a dotação de tecnologias de
saúde previstas para cada nível de
atenção, para adequar a oferta de
exames complementares de diagnóstico e terapêutica.
A manutenção preventiva ou de
reparação dos equipamentos e edifícios constitui, também, uma preocupação no sector, tendo em conta que
o crescimento do parque de estruturas de saúde e de equipamentos, não
tem sido acompanhado de uma cultura neste domínio.
O elevado número de unidades
sanitárias em determinados municípios, nem sempre traduz uma maior
disponibilidade de serviços, devido
à carência em equipamentos e em
recursos humanos. Nem todas as
unidades oferecem serviços compatíveis com a sua tipologia, por causa
dessas insuficiências. Pode deduzirse que existe uma enorme escassez
de serviços de saúde para atender às
necessidades básicas das populações. As unidades das províncias da
Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico,
Cuando Cubango e Namibe estão situadas a uma distância média de
mais de 75 quilómetros da sua unidade de referência. A província do
Cuando Cubango tem a maior distância média, com 122 quilómetros,
comparativamente à distância média nacional que é de 48 km. O raio
teórico, isto é, a distância que um
doente percorre para chegar a uma
unidade, é de 14,8 quilómetros, expressão de uma rede excessivamente dispersa e da sua falta de proximidade dos utilizadores. Estes factores
combinados comprometem, sobremaneira, o acesso das populações às
unidades de saúde, bem como a referência de casos graves.
Consequentemente, e segundo
dados do último levantamento feito
em Fevereiro de 2012 pelo GEPE
do MINSA, cerca de 94% das unidades sanitárias oferecem o serviço
de consultas, apenas 18% oferecem
o serviço de Planeamento Familiar
e 31% o serviço de Puericultura.
Apenas 160 unidades oferecem
uma assistência básica de serviços
obstétricos. Faltam equipamentos
básicos: cerca de 60 % das unidades não dispõem de estetoscópio,
53 % não têm balança de bebé e 57
% não dispõem de esfigmomanómetro.
1. A partir de 2013, garantir apoio metodológico e normativo do MINSA aos
hospitais centrais, Direcções Provinciais
de Saúde e Repartições Municipais de
Saúde;
2. A partir de 2013, acautelar a área de
expansão para todos os postos de saúde, com vista à sua evolução para centros de saúde.
3. Até 2014, adequar e publicar o regulamento geral das unidades sanitárias públicas do SNS e instrumentos normativos e metodológicos para a melhoria de
gestão e do desempenho da rede sanitária;
4. A partir de 2014, mais de 95 % das unidades de saúde funcionais disporem de
um programa de avaliação e manutenção;
5. Até 2015, utilizar o sistema de informação e gestão do sector, com indicadores
estatísticos essenciais, assegurando um
fluxo de informação permanente entre
todos os actores, permitindo a melhoria
da tomada de decisão a todos os níveis.
6. Entre 2013 e 2015, a totalidade das
unidades de saúde disporem de abastecimento de água, energia e de um sistema seguro de tratamento de lixo hospitalar;
7. Até 2025, melhorar os rácios relativos
à população por unidade sanitária, para
se atingirem as seguintes metas: (i) Hospital central: 1/1.000.000; (ii) Hospital geral: 1/750.000; (iii) Hospital municipal:
1/150.000; (iv) Centro de saúde materno-infantil: 1/150.000; Centro de saúde:
1/75.000; (vi) Posto de saúde: 1/15.000;
8. Melhorar a satisfação dos utentes das
unidades de saúde para cerca de 60%
em 2017 e 90% em 2025;
9. Entre 2013 e 2015 construir 3 hospitais
centrais, 3 hospitais gerais, 9 hospitais
municipais, 17 centros de saúde, e 1002
postos de saúde (na perspectiva da sua
futura adequação para centro de saúde);
10. Entre 2015 e 2023, construir e apetrechar 2 hospitais centrais, 2 hospitais gerais, 6 hospitais municipais, 11 centros
de saúde, e 668 postos de saúde (na
perspectiva da sua futura adequação
para centro de saúde), a cada dois anos;
11. Entre 2023 e 2025, construir e apetrechar 4 hospitais gerais, 7 hospitais municipais, 13 centros de saúde, e 670 postos de saúde (na perspectiva da sua futura adequação para centro de saúde);
12. Até 2015 construir e apetrechar uma
central logística, 3 armazéns de medicamentos regionais e 3 provinciais; e até
2017 construir e apetrechar 3 armazéns
provinciais e reabilitar 6 armazéns provinciais.
13. Até 2017 e 2025, respectivamente
60% e 100% das unidades sanitárias disporem de funcionários e equipamentos
que correspondam às suas necessidades e serviços, segundo o nível de atenção sanitária,;
14. Até 2025, cerca de 99% das unidades reabilitadas não precisarem de investimentos para uma nova reabilitação
durante um período de cinco anos.
Abril 2013
l JSA
publicidade
ll13
14 ll
plano sanitário
Abril 2013 l JSA
Até 2017
Plano sanitário prevê aumento de 50 %
de profissionais de saúde nas províncias
Metas a atingir
1. Até finais de 2013, ter advogado para a criação de
instrumentos legais reguladores de subsídios aprovados e incentivos para a fixa-
n Incentivos, subsídios e
investigação em saúde serão os meios para atrair recursos humanos especializados
ção de recursos humanos;
2. Até finais de 2014, estudar mecanismos de incentivos e de motivação dos
RHS a nível local;
3. Até finais de 2017, manter a contratação de recursos humanos estrangeiros
nas províncias e especialidades de maior carência
em Angola;
4. Até finais de 2014, adequar os mecanismos de
O
panorama dos
recursos humanos em
saúde, em Angola, controlados pelo Ministério da Saúde
(Minsa), indica avanços significativos no número total de
efectivos globais nos últimos
cinco anos nas carreiras médicas, de enfermagem, de técnicos de diagnóstico e de apoio
hospitalar, de acordo com o
Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS)
2012-2025 (Figura 1).
Contudo, a sua distribuição
pelo país é desigual, o que se
deve, em parte, à falta de incentivos para a sua atracção,
motivação e fixação nas localidades mais longínquas e de
difícil acesso do País. No
Kuando Kubango, por exemplo, há menos de um médico
para 20 mil habitantes.
De uma maneira geral, observam-se fortes variações da
densidade médica não só entre
as províncias (gráfico na 1ª página), como também entre os
municípios, em detrimento
das áreas rurais e áreas de difícil acesso. Luanda e as capitais
provinciais acolhem cerca de
85% dos médicos, pois os hospitais centrais e gerais absorvem a maioria dos médicos
para especialidades e subespecialidades em detrimento dos
hospitais municipais. Esta distribuição assimétrica tem, como consequências principais,
a iniquidade na qualidade
prestada, a sobrecarga dos
hospitais gerais, o atendimento tardio dos doentes (lista de
espera para as intervenções cirúrgicas longas), e, na maior
parte das vezes, o aumento da
mortalidade.
Os Decretos nºs 01/03 e
12/03 aprovados em 2003 estabelecem os subsídios de isolamento e fixação na periferia,
e incentivos atribuídos ao pes-
gestão de recurso humanos da saúde ao ordenamento jurídico em vigor, privilegiando a desconcentração, descentralização, e
municipalização nos serviços de saúde;
5. Até finais de 2017, dotar
as unidades de terceiro nível de meios para incentivar
a investigação em saúde,
como forma de atracção de
recursos humanos especializados;
6. Aumentar, entre 2013 e
2017, cerca de 50%, e, até
2025, cerca de 90% de re-
soal em regime de destacamento e transferência. Todavia, razões de âmbito financeiro e administrativo foram evocadas, até hoje, para a não implementação destes diplomas.
O que e como vai mudar
A desigualdade na distribuição geográfica dos recursos humanos em saúde vai ser
resolvida com medidas e mecanismos de gestão, correcção
das desigualdades existentes,
e incentivo à mobilidade e fixação de profissionais em
áreas inóspitas e com população vulnerável.
De acordo com o PNDS,
irá proceder-se a um levantamento em todos os municípios
para se determinar as qualificações profissionais, as funções que cumprem os actuais
recursos humanos, e as características demográficas, no
sentido de se desenvolver um
programa de formação contínua (incentivo a curto prazo) e
substituição por novos recursos humanos a médio prazo
(formação média inicial), e
longo prazo (formação superior). Para isso, o PNDS propõe a extensão do observatório
nacional de recursos humanos.
Outro factor de incentivo à
fixação é o desenvolvimento
de cursos de especialização e a
investigação a nível local para
cursos humanos especializados nas províncias com
maiores carências;
7. A partir de 2014, assegurar vagas anuais na função
pública para os recém-formados nas áreas mais prioritárias do sector da saúde
a nível nacional.
Os organismos e instituições responsáveis pela
execução são a Direcção
Nacional de Recursos Humanos do Minsa, as Direcções Provinciais e Municipais de Saúde, o Minfin e o
Mapess.
Figura 1: Evolução da força de trabalho da saúde nos últimos cinco anos
“Luanda e as
capitais
provinciais
acolhem cerca de
85% dos
médicos”
produzir conhecimentos baseados nas evidências locais e
com isso atrair os profissionais
de alta qualificação para as
províncias mais carenciadas.
Prevê-se a expansão dos cursos de especialização a nível
nacional, bem como a investigação em saúde.
O PNDS estipula assim
as seguintes estratégias
operacionais:
1.Promover a actualização
e a implementação dos diplomas legais sobre os subsídios,
ou suplementos remuneratórios, a nível local e alargar o re-
forço dos incentivos para facilitar a mobilidade dos quadros
técnicos dos serviços centrais
para os serviços locais;
2.Desenvolver pesquisas
para identificar mecanismos
de incentivos e de motivação
dos RHS a nível local;
3.Dotar as unidades de terceiro nível de meios para incentivar a investigação em
saúde como forma de atracção
de recursos humanos especializados;
4.Advogar junto as administrações locais para criarem
condições de habitação e
transporte para incentivar a fi-
xação de quadros;
5.Manter e incrementar a
contratação de força de trabalho estrangeira para suprir as
carências de pessoal e ter impacto na formação de homólogos angolanos;
6.Promover progressivamente a contratação de quadros estrangeiros para o reforço da qualidade de ensino e o
reforço da investigação em
saúde;
7.Assegurar vagas, anualmente, na função pública para
os recém-formados nas áreas
mais prioritárias do sector da
saúde a nível nacional.
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O sistema é capaz de fabricar o Oxigénio e Ar Medicinal no local, fornecendo
gás no local a um baixo
custo, suprindo todas as
necessidades do hospital.
As plantas são construídas
na dinamarca, e desenvolvidas para atender as condições específicas de cada
localidade.
Câmaras de Medicina Hiperbáricas
A câmara hiperbárica
é o equipamento
destinado as pessoas
que se submeterão
a sessões de oxigenoterapia
hiperbárica(OHb) a
fim de respirar oxigênio 100% puro a
pressões superiores a
pressão ao nível do
mar.
Sede: Rua N´Kwamme N´Krumah n.º 11, 1º d, Luanda, Angola. Tlm.:+244 924 602 581
16 ll
oftalmologia
Abril 2013 l JSA
Glaucoma: a importância do diagnóstico precoce
Carlos aguiar | oftalmologista
n a palavra glaucoma refere-se, não a uma única
forma de doença, mas sim
a um grupo de doenças.
Existem pois variadas formas de glaucoma como o
glaucoma primário de ângulo aberto, o glaucoma
de ângulo fechado ou
glaucoma agudo, os glaucomas congénitos, os
glaucomas secundários,
etc.
A
forma
de
apresentação
mais frequente da doença
glaucomatosa
é o glaucoma primário de ângulo aberto. É uma neuropatia
óptica progressiva que, as
mais das vezes, cursa com tensões oculares elevadas, embora haja um número significati-
vo de casos, cerca de 1/3, em
que a pressão intra-ocular se
encontra dentro dos valores
considerados estatisticamente
normais. Contudo, a pressão
intra-ocular elevada constitui
o factor de risco mais relevante
para o aparecimento e progressão desta doença e a sua redução é ainda o método mais eficaz para o seu tratamento.
Tem uma enorme prevalência
a nível mundial, sendo uma
das principais causas de cegueira mesmo nos países desenvolvidos e a segunda causa
de cegueira bilateral irreversível.
A maior parte dos casos
aparece após os 40 anos de
idade e a sua incidência vai aumentando de forma progressiva com o avanço da idade. A
sua prevalência em Portugal é
semelhante à dos países europeus, estimando-se que 1 a 4%
dos indivíduos de raça branca
com mais de 40 anos e 7 a 9%
de raça negra venham a ser
afectados por esta doença. A
gravidade da progressão desta
doença é também significativamente superior nestes últimos.
Consequências
da doença
Esta neuropatia óptica progressiva leva a uma perda das
fibras nervosas constituintes
do nervo óptico. São estas fibras nervosas que conduzem a
informação visual desde o
olho até ao cérebro. Como o
tecido nervoso não se regenera
tudo que for perdido, é-o de
forma definitiva. Ou, dito de
outra maneira, se um doente
cegar por glaucoma não temos
qualquer forma de lhe restituir
a visão.
Pelo que foi dito se compreende da necessidade de um
diagnóstico precoce, que não
se resume a uma avaliação da
pressão intra-ocular, mas antes
na observação atenta por um
médico oftalmologista. E como é impossível rastrear toda
uma população por total impossibilidade de recursos humanos e financeiros para o fazer, recomendamos um exame
oftalmológico periódico aos
familiares directos dos doentes
que sofrem de glaucoma bem
como a todos aqueles que com
mais de 40 anos de idade começam a ter os primeiros sinais de dificuldade de visão
para perto ou presbiopia. A
simples procura de uns óculos
para visão ao perto com os
quais se consegue uma boa visão, na ausência de sintomas
oculares, não constitui garantia que o glaucoma não esteja
presente já que a sua evolução
tem um carácter insidioso só
sendo perceptível pelo paciente em estádios muito avançados da doença que correspondem a uma destruição de mais
de 50% do contingente de fibras nervosas do nervo óptico.
Finalmente, a todos aqueles
a quem foi identificado a
doença, é fundamental o cumprimento rigoroso da medicação instituída pelo seu médico
oftalmologista, a quem devem
ser pedidos todos os esclarecimentos acerca da doença e a
vigilância periódica por ele indicada.
Abril 2013
l JSA
EVENTOS
ll 17
VII Jornadas CIentífICas do IsCIsa
Diagnóstico e aconselhamento pré-matrimonial:
uma abordagem multidisciplinar
D
ifundir e aprofundar no seio dos profissionais de saúde e da população em geral
conhecimentos relacionados com a problemática das doenças infecciosas e de
natureza hereditária passíveis de prevenção e discutir estratégias para o aconselhamento
pré-matrimonial, visando a prevenção desse grupo de
patologia e a promoção da saúde são os objectivos das
VII Jornadas Científicas do ISCISA que decorrem a 22
e 23 de Maio, em Luanda, sob o tema "Diagnóstico e
aconselhamento pré-matrimonial: uma abordagem
multidisciplinar".
O evento pretende ainda contribuir para trocar experiências sobre as acções e políticas implementadas em
diferentes países, no âmbito da prevenção das doenças
infecciosas, hereditárias e/ou genéticas.
Experiência única
O nascimento de um filho é uma experiência única.
Faz parte do ciclo de vida de uma família e em muitos
casos, representa a realização social e emocional da
mulher e o símbolo de masculinidade para o homem.
Durante o período gestacional, ansiedades específicas são comuns e esperadas. O medo doparto prematuro, da morte do feto e de deficiência fazem-se presentes.
O filho é visto como fonte de sentimentos, de afetividade construtiva e gratificante para os pais.
18 ll
terapia da fala
Abril 2013 l JSA
Estimulação no primeiro ano de vida do bebé
Kati, trabalhadora no Jornal da
Saúde, também tem de transportar o
seu filho às costas. Mas aproveita
todos os momentos livres para fazer
uma estimulação motora ao seu bebé,
neste caso com um chocalho.
Vanda Sardinha | Terapeuta da Fala
[email protected]
n Caros leitores, este é o
primeiro artigo que vos escrevo já residente em angola, mais propriamente no
Lubango. ao longo destas
três semanas em que tive a
possibilidade de voltar a lidar e conviver com o povo
angolano, uma situação
muito comum nas ruas chamou a minha atenção: a forma como as mulheres
transportam, e mantêm, durante grande parte do dia,
os seus filhos: afastados da
estimulação necessária para o seu desenvolvimento
linguístico, cognitivo, motor
e sensorial. não querendo
de qualquer forma interferir
com uma cultura tão rica e
enraizada, julgo pertinente
informar e indicar alguns
aspetos que podem ser trabalhados para promover o
desenvolvimento da criança
durante o primeiro ano de
vida.
Como estimular
a Criança no
primeiro ano de vida
Logo ao nascer, a criança inicia
o seu comportamento, desenvolvendo seu atos reflexos, não
percebendo a maioria das coisas ao seu redor. Começa a ter
contato com as coisas do seu
meio, usando os seus sentidos
(tato, visão, olfato, audição, paladar).
A linguagem também começa com o nascimento, com o
primeiro choro; é a comunicação, uma habilidade, e não uma
simples questão de pronunciar
as palavras.
Envolve os sentidos, o desenvolvimento de muitos músculos (principalmente da boca
e da língua), as experiências da
criança com as coisas, pessoas
e sensações diversas.
Aprenderá que linguagem é
uma forma de interagir com o
meio ambiente.
A criança usa as mãos para
explorar o seu mundo. Tocar,
pegar e alcançar, ajudam a descobrir coisas e pessoas. Sente a
diferença de coisas duras, ásperas, suaves. É necessário proporcionar-lhe uma variedade
de objetos coloridos e brincadeiras que ela possa repetir várias vezes.
À medida que cresce, vai fa-
zendo com que as coisas aconteçam, necessitando de mais
experiência e estimulação para
incentivar o desenvolvimento
dos seus sentidos. Se receber a
estimulação necessária nos primeiros meses, estará capacitada a desenvolver uma ampla
gama de respostas.
Quando começa a coordenar suas habilidades motoras,
olha para ver o que é que faz
ruído, volta-se para ver a voz
das pessoas, agarra o biberão
que está a mamar , tenta alcançar o chocalho que vê, move o
seu corpo, sacode os pés, examina os dedos dos pés, agita os
seus braços. Essas aquisições
indicam que tanto as pessoas
que convivem e cuidam do bebé, como o meio que a envolve
devem proporcionar-lhe estímulos para seu desenvolvimento.
estimulação visual
- Oferecer brinquedos simples,
coloridos e pendurados como
os que se movem com o vento,
ou mesmo luminosos, todos
que incidam sobre seu campo
visual.
- Pendurar móbiles coloridos,
de formas diferentes e leves
que se movam facilmente no
local onde a criança está deitada. À medida que a atenção da
criança for mais precisa, distanciar a localização desses estímulos, para que ela tente agarrá-los.
“O primeiro ano
de vida do bebé é
a fase mais
intensa do
desenvolvimento
pleno da
criança, sendo
neste período
que se consolida
a base do
desenvolvimento
neuropsicomotor
e sensorial”
enquanto a está a alimentar ou
dar banho É importante para ela
qualquer tipo de som emitido
pela voz humana.
- Colocar no berço, sinos, chocalhos, pompons ou qualquer
brinquedo sonoro para alertá-la
dos diferentes sons.
- Falar com a criança e movimentar objetos sonoros fora de
seu campo visual, para que ela
procure o som ou a voz.
- Oferecer objetos coloridos, diferentes e sonoros, deixando-a
explorar, tocar e levar a boca.
- Levar a criança a perceber a
relação entre causa e efeito, batendo os objetos uns contra os
outros e observar o som causado.
- Movimentar o corpo da criança, de parte em parte, para que
ela possa identificar e perceber
a existência das mãos, pés, face...
- Deixar brinquedos (argola de
borracha, bonecos, bichos macios, chocalhos) ao alcance de
sua mão para que ela possa
apalpar, segurar, e apertar.
- Colocar a criança em frente ao
espelho para que ela possa
olhar sua imagem e objetos novos
estimulação olfativa
e gustativa
- Deixar que a criança cheire o
talco, sabonete, loções, perfumes, quando ela estiver no banho e durante a troca da fralda,
tomando cuidado de não colocá-los muito próximos ao nariz
- Levá-la sempre à cozinha, de
modo que possa sentir o cheiro
da comida e de outros alimentos.
- Utilizar alimentos de diferentes sabores (doce e salgado) para que possa desenvolver o sentido do paladar.
estimulação auditiva
- Proporcionar novas experiências à criança com sons e vozes
diferentes
- Cantar e conversar com ela
estimulação do tato
- Durante as rotinas, de higiene
principalmente, passar em todo corpo da criança, esponjas,
cremes, talcos e tecidos de texturas diferentes, sempre nomeando-os.
- Levar a sua mão até à borda
de objetos para que ela possa
examiná-los; até o rosto das
pessoas que cuidam dela, para
que ela possa explorar o contorno, textura e orifícios do
rosto; até ao próprio pé, para
que ela possa perceber o limite
do seu corpo e o espaço que o
cerca.
- Fazer a criança sentar-se , segurando as suas mãos, trazendo a cabeça junto ao corpo,
não a deixando cair e manter
essa posição por alguns instantes, mesmo que o corpo fique
arqueado, curvado para frente.
- Colocá-la de bruços, incentivando-a a manter-se apoiada
nos cotovelos e abdómen.
- Segurá-la pelo tronco, colocando-a em pé por alguns instantes.
- Possibilitar-lhe estímulos táteis que incidam sobre a pele,
em diferentes partes do corpo,
especialmente nas mãos, para
poder sentir o calor (das pessoas, do biberão), o frio (da
água, do metal), o macio (dos
animais felpudos, esponjas,
toalhas) e prazer (cócegas, carícias).
- Oferecer brinquedos com
orifícios e de diferentes texturas, tamanho e peso, para ajudá-la a discriminar entre duro
e mole, suave e áspero, grande
e pequeno, pesado e leve.
estimulação motora
- Sacudir chocalhos, chaves,
campainhas ou qualquer objeto
sonoro, movendo-os de um lado para o outro e fazer com que
a criança siga com a cabeça, a
direção do som.
- Fazer esse mesmo estímulo
quando a criança estiver deitada de bruços, levando-a a levantar a cabeça na direção horizontal e vertical.
- Amarrar guizos nos pés ou
nos pulsos e incentivá-la a movimentar os braços e pernas para que eles façam barulho.
- Colocar algum objeto atraente
que lhe chame a atenção para
ela gatinhar ou se arrastar até
ele.
- Colocar a criança sentada, por
alguns minutos; a princípio,
com o apoio e depois, sem ele,
com alguns brinquedos para
manipular, a fim de adquirir
melhor equilíbrio no ato de sentar.
- Segurá-la pelo tronco, colocando-a em pé e deixá-la assim
com apoio.
- Levá-la a tentativas de erguerse apoiando em pessoas e objetos.
Mamã!
Na próxima edição de Maio
não perca:
A estimulação cognitiva e da
linguagem do seu bebé
Abril 2013
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l JSA
ll19
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20 ll
coração saudável
O que é o Colesterol?
O colesterol é uma gordura
essencial existente no nosso
organismo, que tem duas origens: uma parte produzida
pelo próprio organismo, em
particular o fígado, e outra
parte obtida através da alimentação, em particular pela
ingestão de produtos animais,
como a carne, os ovos, e os
produtos lácteos.
O organismo necessita de
colesterol para produzir as
membranas (paredes) celulares, hormonas, vitamina D e
ácidos biliares, que ajudam a
digerir os alimentos.
No entanto, o nosso organismo necessita de apenas
uma pequena quantidade de
colesterol para satisfazer as
suas necessidades. Quando o
colesterol está em excesso,
deposita-se nas paredes arteriais, constituindo placas que
reduzem o calibre dos vasos,
dificultando o afluxo de sangue aos órgãos e tecidos do
organismo.
Quando o sangue oxigenado não chega em quantidade
suficiente ao músculo cardíaco pode ocorrer uma dor no
peito -a chamada angina. Se a
obstrução da artéria coronária
for completa pode desencadear-se um enfarte do miocárdio.
Que tipos
de colesterol
existem?
O colesterol circula no sangue
ligado a uma proteína: este
conjunto colesterol-proteína
é, por isso, conhecido por lipoproteína. As lipoproteínas
são classificadas em altas,
baixas ou muito baixas, em
função da respectiva proporção de proteína e gordura em
cada uma, o que determina a
sua densidade.
Lipoproteínas de baixa densidade (LDL): são vulgarmente conhecidas como
"mau" colesterol, por ser
aquele que se deposita na parede das artérias, provocando
aterosclerose. Quanto mais
altas forem as LDL no sangue, maior é o risco de doença
cardiovascular.
Lipoproteínas de alta densidade (HDL): também conhecidas por colesterol "bom",
que tem como papel a limpeza das artérias, pelo que quanto mais altas forem menor risco há de surgir doença cardiovascular.
Lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL): são
semelhantes às LDL, mas
contendo mais gordura e menos proteínas.
Triglicéridos: são um outro
tipo de gordura que circula no
sangue ligada às VLDL. Uma
alimentação excessivamente
Abril 2013 l JSA
Tudo o que deve
saber sobre o
Colesterol
Deixar de fumar. Para além de toda uma
série de malefícios para a saúde, o tabagismo
desce o colesterol das
HDL. Felizmente ao deixar de fumar as HDL voltam a subir.
Tomar a medicação prescrita
pelo seu médico.
rica em calorias, açúcares ou álcool eleva os triglicéridos, aumentando o
risco cardiovascular.
Que factores afectam
os níveis de colesterol?
Um elevado número de factores influenciam os níveis de
colesterol no sangue.
Dieta. O consumo excessivo
de gordura saturada e de colesterol eleva os níveis de colesterol. Para os reduzir devese evitar o consumo de gorduras de origem animal, como
as carnes gordas, o presunto,
o queijo, a manteiga, as charcutarias, a fast food, etc.
Peso corporal. Ter excesso
de peso aumenta o colesterol.
Controlar o peso reduz os níveis de colesterol das LDL e
tem ainda a vantagem de elevar as HDL.
Actividade física. O exercício regular baixa o colesterol
das LDL e sobe as HDL.
Aconselha-se a prática de
30 minutos diários de actividade física, como por exemplo, a marcha em passo rápido.
Hereditariedade. Os nossos
genes determinam em parte a
quantidade de colesterol que
cada organismo produz. Há
famílias em que o colesterol é
elevado.
Quando está
o colesterol
demasiado elevado?
Um estudo da Fundação Portuguesa de Cardiologia mostra que cerca de dois terços da
população adulta portuguesa
têm o colesterol elevado. No
entanto, o colesterol elevado
não causa sintomas. Quando
estes ocorrem podem surgir
sob a forma de dor no peito
por angina ou enfarte do miocárdio. Estamos pois, perante
uma patologia grave em que é
fundamental fazer prevenção.
As
sociedades
científicas europeias recomendam, como valores normais um colesterol
inferior a 190 mg/dl quando
se trata da população em geral. No caso dos doentes com
patologia coronária, ou outra
doença aterosclerótica (acidente vascular cerebral, doença vascular periférica, etc.),
diabetes ou insuficiência renal, que são considerados
doentes de alto risco, recomendam-se valores de colesterol inferiores a 175 mg/dl.
Já para o colesterol das LDL
os valores recomendados são
respectivamente inferiores a
115 mg/dl para a população
em geral e a 100 mg/dl nos
doentes de alto risco. Estas recomendações agora referem
mesmo que nos doentes de alto risco, como é o caso dos
doentes coronários e diabéticos, há vantagem em atingir
níveis de LDL inferiores a 70
mg/dl para assegurar maior
protecção cardiovascular e
até tornar possível a regressão
da aterosclerose. Por isso, a
American Heart Foundation,
assim como outras Instituições norte-americanas recomendaram mais recentemente que os doentes de alto risco
devem ter valores de colesterol inferiores aos propostos
pelas Sociedades Europeias.
Um trabalho recente da
Fundação Portuguesa de Cardiologia, ainda em curso jun-
to
dos
utentes dos
Centros de Saúde (Projecto Coração Seguro), mostra que
cerca de 35% dos doentes,
apesar de estarem a fazer terapêutica para redução do colesterol, não estão controlados, ou seja não cumprem os
objectivos estabelecidos pelas Sociedades Científicas
Europeias.
No que respeita às HDL,
níveis inferiores a 40 mg/dl e
de trigliceridos superiores a
150 mg/dl conferem risco cardiovascular acrescido. Por
outro lado, quanto mais elevadas forem as HDL menor é
o risco de doença cardiovascular.
Como reduzir
o colesterol
e o risco de doença
cardiovascular?
Algumas pequenas medidas
são muito úteis:
Reduzir o consumo de alimentos ricos em gorduras
saturadas e colesterol. Estamos a falar em produtos animais, nomeadamente na carne vermelha e nos produtos
lácteos não desnatados
Praticar regularmente exercício. A actividade física aumenta o colesterol das HDL,
para além de ajudar a controlar o peso, a diabetes e a pressão arterial, factores de risco
importantes de doença cardiovascular.
Como tratar o colesterol alto?
O objectivo do tratamento é o
de diminuir o risco de doença
cardiovascular, através da redução do colesterol das LDL
e subida das HDL.
É importante referir que o
controlo dos níveis de colesterol deve assentar numa dieta
saudável, rica em fibra vegetal e pobre em gorduras saturadas, colesterol e ácidos gordos trans. Estes são essencialmente produtos manufacturados a partir de óleos vegetais,
tais como algumas margarinas sólidas à temperatura ambiente e óleos utilizados para
fritar. O controlo do peso, a
actividade física regular e não
fumar são companheiros indispensáveis da dieta.
O recurso a medicamentos, quando necessários, deve
ser decidido e acompanhado
pelo médico assistente, que
leva em conta, não só os valores do colesterol, como também o risco global, determinado com base na idade do
doente, no sexo, na pressão
arterial, na HDL e no tabagismo.
Que medicamentos são
utilizados para tratar
o colesterol alto?
Os medicamentos disponíveis são:
Estatinas. Bloqueiam uma
enzima que regula a quantidade de colesterol que o organismo produz. Reduzem as LDL
em 20-55%, consoante a esta-
tina e dose utilizadas. Também descem moderadamente
os trigliceridos e sobem as
HDL, ou seja, actuam de forma desejável sobre todo o
perfil lipidico.
Niacina. É essencialmente
uma vitamina B liposolúvel
(administrada em doses elevadas), que melhora todo o
perfil lipídico, com destaque
para a elevação das HDL, que
podem subir 25%. É menos
eficaz sobre as LDL que descem cerca de 5-15%.
Fibratos. São os mais potentes redutores dos trigliceridos
e em menor grau sobem as
HDL. Porém são menos eficazes na descida das LDL.
Resinas. Ligam-se, no intestino, aos ácidos biliares que
contém colesterol, grande
parte do qual destinado a ser
reabsorvido no tubo digestivo, mas que deste modo é eliminado pelas fezes. Descem
as LDL em cerca de 15%.
Esteróis vegetais. Bloqueiam a absorção do colesterol pelo intestino. A ingestão
de 2 gramas diariamente pode
descer o colesterol em cerca
de 5-15%.
Ezetimiba. Reduz selectivamente a quantidade de colesterol absorvido pelo intestino
delgado. Desce as LDL em
cerca de 18%. A ezetimiba,
associada às estatinas em doses baixas, por exemplo: associada a sinvastatina, oferece um melhor e mais seguro
controlo lipídico, com uma
descida total média 51% das
LDL, o que permite atingir
mais facilmente os níveis de
colesterol recomendados pelas sociedades científicas, o
que é particularmente importante nos doentes de maior
risco (diabéticos e coronários).
Nunca esquecer que os
medicamentos que reduzem o
colesterol são mais eficazes
quando combinados com
uma dieta pobre em gorduras
saturadas e colesterol. A escolha do medicamento a utilizar
depende de vários factores,
mas as estatinas são geralmente o grupo de fármacos
mais adequados, e por isso,
mais utilizados para reduzir o
colesterol das LDL e o risco
cardiovascular.
Quem consultar?
O seu médico de família é o
profissional de saúde melhor
colocado para lhe detectar um
excesso de colesterol, preconizar as medidas dietéticas
adequadas e, se necessário,
prescrever um ou mesmo
mais que um medicamento.
Ele saberá escolher as medidas mais apropriadas à sua
situação e assegurar a respectiva vigilância a longo prazo.
Abril 2013
l JSA
DIA MUNDIAL DA SAÚDE
ll21
22 ll
DOENÇAS
Abril 2013 l JSA
ObstIpaçãO
Sintoma ou doença?
SónIa ToMáS | Médica
n a obstipação, ou prisão
de ventre, é um dos sintomas mais frequentes no que
respeita a perturbações do
aparelho digestivo, definindo-se como a presença de
duas ou menos dejecções
por semana, constituídas
por fezes duras, em pequena quantidade e difíceis de
eliminar. É internacionalmente aceite como trânsito
intestinal "normal", uma frequência de dejecções entre
três vezes por dia e três vezes por semana, sendo o ritmo variável de indivíduo para indivíduo. Há ainda, para
cada um, uma oscilação
dos valores considerados
normais. ainda assim, praticamente toda a população
sofrerá de obstipação pelo
menos uma vez na sua vida.
N
uma tentativa
de uniformizar o diagnóstico, foram
criados critérios em que se considera obstipado o doente que apresenta
quaisquer dois dos seguintes
em, pelo menos, doze semanas dos últimos doze meses:
menos de três dejecções por
semana, esforço em evacuar,
fezes duras, sensação de defecação incompleta ou sensação de obstrução do canal
anal, com eventual remoção
de fezes com os dedos.
Mas será a obstipação uma
"doença" ou um "sintoma" reflector de uma situação subjacente? Para tal, é necessário
discernir entre as múltiplas
causas de obstipação, identificar as que apresentam co-relação com cada caso e instituir as terapêuticas adequadas, não só com intuito curativo e de melhoria da qualidade de vida, como também
com a finalidade de promover
a educação do doente.
Causas
da obstipação
Podem ser divididas em três grupos
distintos. As causas sócio-ambientais englobam
os deficits alimentares em fibras, frutas,
vegetais e água (dado que tanto as fibras como a água con-
tribuem para a formação de
um bolo fecal menos consistente, mais volumoso e que
consegue ser eliminado mais
facilmente), o sedentarismo
(nomeadamente, a imobilidade em idosos e acamados), as
alterações dos hábitos alimentares (em viagem) ou o
ignorar da necessidade de
evacuar (muitas são as pessoas que preferem aguardar
para evacuar em casa ao invés
de recorrer às casas-de-banho
públicas).
As causas funcionais correspondem às que apresentam alterações do funcionamento intestinal, como a cirurgia abdominal ou ortopédica recente, a gravidez, condições psiquiátricas ou endócrinas, o Síndrome do Cólon Irritável ou o uso de certos medicamentos. Já as causas orgânicas apresentam uma patologia específica a nível intestinal que condiciona o seu
funcionamento, como a presença de problemas ano-rectais como hemorróidas ou
neoplasias, ou condições neurológicas.
Como resolver
este problema
Na grande maioria das situações, é facilmente identificável uma ou mais causas sócio-ambientais para o aparecimento de obstipação, bastando nesses casos, abolir a
causa respectiva e promover
a prevenção de recorrências,
nomeadamente através de:
- Uma dieta equilibrada, rica
em farelo, cereais integrais,
leguminosas, fruta fresca e
vegetais, evitando gelados,
queijo, carne e todo o tipo de
fast food;
- Ingestão de líquidos em
quantidade (no mínimo 1,5 litros por dia), evitando as bebidas alcoólicas, com gás ou
com cafeína, como o café, a
cola e o chá preto;
- Exercício físico regular;
- Não ignorar a necessidade
de evacuar.
O cumprimento destes pontos preventivos é particularmente importante em idosos, acamados, doentes polimedicados ou recentemente submetidos a intervenções cirúrgicas.
"Muitas são as
pessoas que preferem
aguardar para evacuar em casa ao
invés de recorrer
às casas-de-banho
públicas"
Fígado e obesidade
SuSana LoPeS | Médica gastrenterologista
n na última década, assistiu-se ao desenvolvimento de uma nova epidemia nos eua e europa, denominada obesidade. Considera-se obesidade quando o índice de massa corporal
(IMC) ultrapassa os 30, e excesso de peso quando o IMC se situa entre os 25 e 30. Dados
relativos à população americana revelaram um acréscimo de obesos de 14-16% em 1995,
para 25% em 2005. Também na europa se verifica esta tendência, e os dados referentes à
população portuguesa adulta demonstraram que 53% dos portugueses apresentam excesso de peso, valor superior no sexo masculino, em que 60% apresenta IMC superior a 25.
A
pesar da sua
banalização,
a obesidade
não deve ser
considerada
uma variante do normal, mas
sim uma doença. São inúmeras as co-morbilidades associadas ao excesso de peso,
atingindo vários órgãos e sistemas.
A influência
da obesidade
noutras patologias
A obesidade está implicada na patogénese da diabetes,
hipertensão e dislipidemia,
sendo pois um factor de risco
cardiovascular relevante.
Convém, no entanto, não reduzir a importância da obesidade ao risco cardiovascular
acrescido e salientar que a
gordura também causa doença noutros órgãos. Um deles é
o fígado. Os hepatócitos são
um dos locais preferenciais
para a acumulação de gordura
em excesso. O armazenamento da gordura no fígado leva
ao desenvolvimento da esteatose hepática ou fígado gordo.
Em termos clínicos, os
doentes não apresentam geralmente sintomas, e o diagnóstico é suspeitado na presença de alterações analíticas
(aumento das transamínases)
ou ecográficas. A ecografia
permite detectar a esteatose
hepática ao revelar um fígado
difusamente mais claro e brilhante do que o rim. Com o
incremento da obesidade verifica-se um aumento na incidência e prevalência do fígado gordo. Embora um número elevado destes indivíduos
nunca venha a desenvolver
doença hepática significativa, sabe-se
que al-
guns vão desenvolver doença
mais agressiva, com inflamação hepática marcada (esteatohepatite) e progressão para
cirrose e/ou carcinoma hepatocelular. Esta evolução acontece porque a gordura hepática não é inofensiva, tornando
o fígado mais vulnerável a
outras agressões e diminuindo a sua capacidade de regeneração. Os ácidos gordos armazenados vão desencadear
fenómenos inflamatórios cujo resultado final é a morte
dos hepatócitos, a activação
dos mecanismos fibrogéni-
"Em termos
terapêuticos,
não existe
tratamento
específico, e as
principais
medidas
direccionam-se
para a mudança
do estilo de vida
e tratamento
da obesidade"
cos, com a deposição de colagéneo e a evolução para fibrose e cirrose. Sabe-se que os
doentes com esteatohepatite
apresentam uma doença progressiva, em que metade desenvolve fibrose e um terço
evolui para cirrose. A biopsia
hepática permite fazer o
diagnóstico de esteatose hepática, distinguir entre esteatose e esteatohepatite, excluir
outras causas de doença hepática e estabelecer o prognóstico com base no grau de fibrose existente.
Actualmente, o enfoque
terapêutico centra-se no controlo do excesso de peso (quer
seja por medidas dietéticas,
farmacológicas ou cirúrgicas), já que se demonstrou
uma diminuição da infiltração gorda hepática e melhoria
das transamínases nos indivíduos que conseguiram emagrecer. Em termos farmacológicos, as tiazolidinedionas
são fármacos promissores,
aumentando a sensibilidade
do tecido adiposo e do fígado
à insulina e redistribuindo a
gordura visceral para os depósitos lipídicos subcutâneos.
Têm também uma actividade
anti-inflamatória, e em ensaios clínicos demonstraram
serem capazes de normalizar
as transamínases e melhorarem significativamente as lesões histológicas.
Em resumo, a obesidade
produz doença hepática que
hoje se sabe não ser tão benigna como inicialmente se presumia, podendo evoluir para
doença hepática terminal. Em
termos terapêuticos, não existe tratamento específico, e as
principais medidas direccionam-se para a mudança do estilo de vida e tratamento da
obesidade. Farmacologicamente, o enfoque dirige-se
para fármacos capazes de aumentar a sensibilidade à insulina, embora inúmeros agentes de diversas classes já tenham sido utilizados com resultados por vezes
contraditórios.
Por cortesia do Jornal do Centro de Saúde
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INCONTINÊNCIA URINÁRIA
Abril 2013 l JSA
Quando a bexiga não pára
AndreiA PereirA
n A dificuldade em controlar a
vontade súbita de urinar constitui
um verdadeiro tormento diário para quem sofre de incontinência
urinária. As visitas constantes à
casa de banho e o medo de não
chegar a tempo assolam o quotidiano de quem se depara com este problema. Porém, certos casos
são passíveis de cura, através de
uma cirurgia realizada em 10 minutos.
A
incontinência urinária pode ser definida como a perda
involuntária de urina. Apesar de não
haver números concretos, estima-se
que, em termos gerais, pelo menos
3 milhões de pessoas já terão sofrido, em algum momento da sua vida,
pequenos derrames urinários. E por
que razão isto acontece?
Segundo o Prof. Paulo Dinis,
presidente da Associação Portuguesa de Neurourologia e Uroginecologia (APNUG), esta situação devese ao enfraquecimento do esfíncter:
um mecanismo de contenção da
urina. "Quando este músculo de retenção se encontra fragilizado, a
pressão abdominal aumentada pode
gerar perdas involuntárias de urina,
em determinadas circunstâncias: fazer esforços, levantar pesos, tossir,
subir escadas, espirrar. Esta é a típica situação de incontinência urinária de esforço."
Existe, ainda, um outro fenómeno de incontinência urinária,
que se designa por imperiosidade.
Nesta situação, a bexiga (um músculo que alarga, quando está vazia,
e encolhe quando está cheia) contrai-se involuntariamente. Um mero estímulo, como molhar as
mãos, colocar a chave na porta ou
em situações de stresse, pode provocar uma vontade súbita e repentina de urinar, sem que a pessoa tenha tempo de se deslocar à casa de
banho.
Um estudo de 2005, realizado
pela Spirituc, indica que, em Portugal, cerca de 650 mil pessoas sofrem deste problema, na sua grande maioria mulheres. Contudo, alguns doentes escondem esta preocupação, porque assumem que a
incontinência é um problema relacionado com o avanço da idade. E,
deste modo, não procuram ajuda
clínica. "Calcula-se que apenas 10
a 15% dos doentes estão adequadamente tratados", diz Paulo Dinis.
Implicações da IU
A Organização Mundial de
Saúde (OMS), para além de definir a incontinência urinária como
uma dificuldade em controlar as
perdas involuntárias de urina, indica, ainda, que se trata de uma
questão de higiene, com impacto
pessoal e social. "A incontinência
urinária subtrai qualidade de vida
destes doentes, provocando algumas limitações laborais, sociais,
no desempenho sexual e no bemestar psicológico", defende Paulo
Dinis.
O dia-a-dia do doente "passa a
ser gerido em função das idas à casa de banho", acrescenta o urologista. E avança com um exemplo:
"A incontinência
urinária subtrai
qualidade de vida
destes doentes,
provocando
algumas limitações
laborais, sociais,
no desempenho
sexual e no bem-estar psicológico"
Como funciona a
técnica TVT?
Cirurgia "simples", realizada em
ambulatório, com uma taxa de
cura que se situa entre os 85 a
90%. Esta intervenção implica
uma "incisão de um centímetro,
na parede da vagina, por onde se
coloca uma fita [rede feita de material sintético], por debaixo da
uretra, que vai reforçar estas estruturas de contenção". No entanto, ressalva Paulo Dinis, antes da
cirurgia, a primeira opção clínica
deve ser a fisioterapia, para fortalecimento dos músculos pélvicos.
Diagnóstico
da incontinência
O diagnóstico desta patologia
faz-se por intermédio do historial
clínico do doente. Para além disso, efectua-se um exame físico,
que, "através da na realização de
diferentes manobras, permite
identificar o tipo de incontinência
urinária", refere Paulo Dinis. Os
restantes exames clínicos englobam as análises gerais, as análises de urina e uma ecografia.
"Imagine-se um gestor que sofre
deste problema. A dada altura, se
estiver numa reunião de trabalho,
terá de abandonar a sala porque teve um episódio de imperiosidade,
que pode conduzir à incontinência."
As situações de imperiosidade
podem ser, na perspectiva do presidente da APNUG, "altamente
perturbadoras", quando comparadas com a incontinência urinária
de esforço. "Se a pessoa tosse ou
espirra, é esperado que possa ter
perdas de urina. No outro tipo de
incontinência, devido à sua imprevisibilidade, nunca se sabe quando
é o episódio poderá ocorrer."
Deste modo, Paulo Dinis desmistifica esta doença e garante que
"não se trata de uma fatalidade, até
porque, na maior parte dos casos,
tem tratamento". No entanto, este
problema continua a ser encarado
como um tabu. "É preciso anular
algumas ideias preconcebidas e
explicar à população que existe
solução para a incontinência urinária e, em determinadas situações, é até possível oferecer a cura. Se não forem encetadas medidas de controlo, esta patologia pode empurrar o doente para o isolamento e depressão", ressalva o
urologista.
Os doentes com incontinência
por imperiosidade "tendem a defender-se dos 'ataques surpresa' da
micção involuntária e, à custa de
episódios inesperados, aumentam
a frequências da micção, ou seja,
passam a vida a correr para a casa
de banho. Estes são os doentes,
com frequência diurna e nocturna,
que, na grande parte das vezes,
têm de inter romper o seu sono e
levantarem-se para urinar."
Cirurgia
em 10 minutos
A primeira abordagem do tratamento da incontinência urinária,
nos casos ligeiros e moderados "deve ser sempre através da fisioterapia, tentando o fortalecimento da
musculatura pélvica". Não se obtendo resultados com esta técnica
de reabilitação, "existem possibilidades cirúrgicas, através das quais
é permitido curar o doente".
Esta cirurgia, como explica o
urologista, não obriga a internamento, pelo que a pessoa pode obter
alta no mesmo dia em que é sujeita
a esta intervenção. A taxa de sucesso desta técnica cirúrgica "ronda os
85-90%, nas situações de incontinência urinária de esforço" (ver caixa). No caso da incontinência urinária por imperiosidade, "existem fármacos que garantem o controlo de
70 a 80% das situações deste tipo",
adianta o especialista. Estes medicamentos ajudam a reduzir a "excitabilidade do músculo da bexiga e
evitam, assim, a contracção involuntária, que provoca as perdas de
urina".
A par destas soluções, há, ainda,
a possibilidade de aplicar tratamentos intra-vesicais, que consistem na
"aplicação de fármacos dentro da
bexiga". Este líquido injectável vai
"acalmar a bexiga e permitir que o
doente não tenha uma contracção
vesical súbita, nas situações de incontinência por imperiosidade".
Nestes casos, é, ainda, possível
"educar a bexiga", através da micção temporizada. "O doente calcula
a frequência e o período da micção.
Se a pessoa indicar que consegue
aguentar cerca de quatro horas, então, pedimos para proceda à micção
meia hora antes."
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AlimentAção sAudável
Abril 2013 l JSA
Alimentos funcionais:
os aliados da saúde
C
AndrEiA PErEirA
n Hipócrates, conhecido
como o pai da Medicina,
proclamava os alimentos
como o melhor remédio.
Mas as suas afirmações iam
mais longe, ao dizer que somos aquilo que comemos.
Por este motivo, importa,
pois, saber de que forma os
alimentos podem ser uma
arma a favor - e não contra a saúde.
orria o ano de
1989, quando
se introduziu,
pela primeira
vez, o conceito
de alimentos funcionais. Este
termo, inventado no Japão,
serviu os objectivos do programa FOSHU (sigla, do inglês,
que significa alimentação para
uso específico da saúde). Os
japoneses preconizavam a utilização de alimentos que, para
além das suas propriedades
nutricionais, pudessem acarretar benefícios para a saúde. Até
à data, este foi o único país, a
nível mundial, a reconhecer legalmente esta categoria alimentar.
"Actualmente, para além
dos aspectos gustativos, os
consumidores procuram casar
o sabor com os benefícios que
os alimentos acarretam para o
organismo e para a saúde", diz
a Dr.ª Alexandra Bento, presidente da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN). A
especialista lembra, ainda, que
esta questão é, hoje em dia,
uma das grandes preocupações da indústria alimentar,
contrariamente ao que se passava há 15 anos atrás.
"Há cerca de uma década
atrás, a indústria investia, sobretudo, nos procedimentos de
higiene e segurança alimentar.
Mas, neste momento, para
além destes aspectos, desloca
o cerne das suas preocupações
para as questões nutricionais.
Veja-se, por exemplo, a redução do sal, do açúcar e da gordura dos seus produtos. Este é,
de facto, o caminho", adianta.
A nutricionista entende que
as empresas alimentares devem fixar pactos de entendimento, para que, em conjunto,
consigam incrementar hábitos
de alimentação mais saudáveis. Como tal, Alexandra
Bento aconselha a indústria a
fazer "o diagnóstico dos produtos", com o objectivo de reduzir em quantidade as substâncias que podem ser prejudiciais à saúde.
Uma dieta desequilibrada,
conjuntamente com a falta de
exercício físico, tem vindo a
ser apontada como um dos
factores directamente relacionados com o aparecimento de
determinadas doenças. Notese, por exemplo, a obesidade,
as patologias de foro cardiovascular, a diabetes e a hipertensão, cujos números disparam a nível mundial. "Todos
os actores têm a responsabilidade de alterar os regimes alimentares: desde os profissionais de saúde, que devem processar alterações e educar o
doente e o consumidor, passando pelas empresas de bens
alimentares", continua.
A este propósito, a Organização Mundial de Saúde
(OMS) indica que o aumento
do consumo de frutas e legumes reduz a incidência de
doenças crónicas não transmissíveis a nível mundial. A
indústria, não alheia a esta recomendação, aplica os conhecimentos da tecnologia alimentar ao serviço do consumidor, ao colocar produtos que
permitam responder às necessidades nutricionais.
Alimentos com
propriedades
medicinais
Uma alimentação correcta
e variada pode ser o ponto de
partida na redução ou prevenção de determinadas patologias. Basta ver que, devido às
propriedades medicinais, muitos alimentos funcionais foram catalogados de "nutracêuticos". Mas este termo em nada se relaciona com comprimidos ou cápsulas. "A presença de um ou mais compostos
Benefícios
dos
compostos
nutricionais
Probióticos: microrganismo vivo que ajuda a restabelecer o equilíbrio da flora
intestinal. São as chamadas "bactérias boas", resultantes da fermentação do
leite;
Prébióticos: são o substrato dos probióticos. Ajudam
a activar o sistema imunitário e auxiliam a absorção do
cálcio pelo organismo. Estão presentes nas fibras do
pão, dos cereais, nos frutos
e, em maior quantidade,
nos legumes;
Antioxidantes: ajudam a
reduzir o risco cardiovascular e a neutralizar os radicais livres, responsáveis
pelo envelhecimento celular. Estão presentes nas frutas e vegetais, tais como o
tomate e cebola;
Esteróis vegetais: estes
compostos de origem vegetal ajudam a diminuir a
absorção intestinal do colesterol;
Ácidos Gordos polinsaturados: os ómega 3, presentes
nos peixes gordos, como a
sardinha, atum e salmão,
demonstraram resultados
na redução dos lípidos e na
prevenção das doenças
cardiovasculares.
biologicamente activos e de
origem natural beneficia o
bem-estar físico e psicológico", explica Alexandra Bento.
Os alimentos funcionais
podem ainda, conter indicações terapêuticas. Tome-se por
exemplo o leite: por ser rico
em cálcio ajuda a prevenir ou
retardar o aparecimento da
osteoporose. Mas a lista de alimentos com propriedades be-
néficas para o organismo não
se esgota no leite. Uma laranja,
devido aos constituintes em vitamina C e fibras, pode, por
outro lado, proteger contra as
gripes e constipações. Já para
não falar no ómega 3, presente
no salmão, na sardinha e no
atum, com propriedades capazes de prevenir as doenças cardiovasculares.
Contudo, como ressalva
Alexandra Bento, apesar do
benefícios nutricionais, "os
alimentos devem ser encarados no contexto de um estilo
de vida saudável, consumidos
como parte integrante de uma
alimentação variada, e não como uma solução mágica para a
saúde e prevenção das doenças".
Existem, ainda, outros alimentos, que, apesar de manterem as propriedades típicas,
são enriquecidos com outras
substâncias nutricionais, que
ajudam o organismo a funcionar melhor. São os chamados
alimentos enriquecidos, que,
como o próprio nome já indica, resultam de um processo
de manipulação industrial,
tendo em vista um benefício
adicional para a saúde. No entanto, e muito embora estes
produtos proliferem nas prateleiras dos supermercados, de
acordo com a directiva europeia, é expressamente proibido publicitar ou veicular "informações que induzam em
erro o comprador ou que atribuam propriedades medicinais" aos géneros alimentícios.
"À semelhança do que
acontece com os medicamentos, a indústria alimentar tem
de submeter os seus produtos
a estudos científicos, para, a
partir daí, poder alegar que os
mesmos produzem resultados
favoráveis na redução ou combate de determinada patologia", sublinha a nutricionista.
Abril 2013
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28 ll
congressos
Abril 2013 l JSA
Saúde hUaMbo
HuamBo pRoTeGe-Se do SuRTo de CóleRa
Autoridades sanitárias
ensinam população
a prevenir-se
Elsa Inakulo |
CoRReSpondenTe no HuamBo
n a Direcção Provincial da saúde
do Huambo lançou um alerta e redobrou os esforços face ao surto de
cólera instalado nalguns pontos do
país. a preocupação é maior pelo
facto de se terem registado já casos
nas províncias limítrofes de Benguela e Bié. neste âmbito realizou
no sábado 20, uma feira da saúde
no município do Tchinjenje a 118
quilómetros da sede provincial,
desta vez com objectivo específico
de sensibilizar a população a prevenir-se da doença.
N
a oportunidade, o chefe
do departamento da assistência médica da instituição, Cesário Sapalo,
pediu a colaboração da
população na aplicação das medidas
preventivas da doença da cólera dada a
sua fácil contaminação e perigo que representa para as comunidades.
“A cólera é uma doença que rapidamente pode afectar um elevado número
de indivíduos da nossa comunidade em
pouco tempo. A enfermidade é fatal em
muitos casos, mas se aplicarmos algumas medidas básicas sobretudo de higiene podemos evitá-la. A nossa preocupação é maior pois existe um surto nalgumas localidades do país, inclusive na
vizinha província de Benguela. Daí a
nossa inquietação ser maior, dada a fácil
circulação de pessoas entre Huambo e
Benguela. É essencialmente para isso
que, juntos, abordemos os cuidados a ter
para não sejamos igualmente assolados
pela cólera”, disse.
“Além dos serviços normais que temos realizado hoje, queremos alertar e
sensibilizar a população sobre a prevenção desta doença, visto que é o município de entrada na província de Benguela
e, uma vez que já estão a ser registados
casos naquelas paragens, há a necessidade de informamos a população sobre
os sinais e sintomas da cólera, primeiros
socorros e sobre tudo os métodos de prevenção da doença” afirmou Sapalo.
Munícipes receptivos
Por seu turno os munícipes mostraramse receptivos à iniciativa. Segundo afirmaram, demostra preocupação do governo
em proteger os populares das enfermidades
através destes serviços. Garantiram estarem agora mais conscientes da importância
da actividade e prometeram colocar em
prática todas as medidas orientadoras.
“A saúde é um bem público e esse serviço é de extrema importância, pois vivemos em locais distantes, onde ainda temos
pouco acesso a essas informações. Por outro lado, reconhecemos que o consumo dos
alimentos e, sobretudo, da água, não tem
obedecido às regras de higiene. Se há cólera pelo país, então considero oportunos que
tenhamos essas informações. Deste modo,
pelo menos nós, pais, vamos ajudar também os nossos filhos que são a classe mais
vulnerável, pois brincam em qualquer local, muitos deles inapropriados, como em
águas paradas, amontoados de lixo e ouvimos que a cólera é uma doença de fácil
contaminação. Por isso, vamos todos trabalhar para colocar em prática as medidas
de precaução como a lavagem das mãos
antes das refeições e depois de usar a latrina, lavar as frutas, ferver a água para beber,
entre outras medidas aqui avançadas” referiu Jacinto Pindali um dos entrevistados.
Jsa l abril 2013
l 29
A linguagem
dos números
Como se
salvam
vidas nas
aldeias
longínquas
(Projecto Uhayele
Vimbo em Mandi)
567
Consultas
de pediatria
635
Consultas de
medicina
21
Consultas de
oftalmologia
115
Consultas pré-natais
a gestantes
380
medição da
pressão arterial
147
Hipertensos
diagnosticados:
203
Consultas de
nutrição
29
mal nutrição
moderada
identificada
Distância das unidades
de saúde é dificuldade
Outros munícipes do Tchinjenje realçaram que a distância tem constituído a maior
dificuldade para chegar as unidades sanitárias e daí ser necessário reforçar a prevenção.
“Estas palestras têm muitas vantagens:
primeiro conseguimos saber a importância
de aderir aos serviços sanitários, seja para
prevenção ou tratamento. Em segundo lugar poupa-se tempo, dinheiro e encurta-se
a distância” afirmou outro interlocutor.
Segundo os moradores, a distância tem
sido o maior constrangimento que os pacientes encontram na procura de serviços
de saúde. “Em muitos casos temos mesmo
de deslocar-nos até ao vizinho município
do Ukuma que dista cerca de 30 quilómetros”, afirmou um dos munícipes que falava à nossa equipa de reportagem.
Para Higino Silume, outro munícipe, o
que mais se deseja é que esses serviços sejam permanentes. “Sofremos muito com a
distância o que desincentiva muitos pacientes que procuram outras soluções, normalmente pouco recomendáveis”, afirmou.
A actividade foi organizada pela Direcção Provincial da Saúde em colaboração
com a Administração Municipal do Tchinjenje no âmbito do combate e prevenção de
endemias.
O administrador municipal Mateus
Sanjala afirmou que a grande preocupação
neste momento é de impedir que a cólera
afecte a região. A doença ameaça a sua circunscrição visto ter já atingido as localidades circunvizinhas, havendo assim a necessidade de dotar os munícipes de conhecimentos sobre a prevenção da cólera.
8
mal nutrição severa
250
Testes de
diagnóstico rápido
da malária
1
Casos positivos
de malária
detectados
391
Teste de HiV
0
Casos positivos
de HiV
detectados
180
Testes de glicemia
10
Casos de nível alto de
glicemia detectados
43
Testes ao sal
de cozinha
3
Casos de sal
de cozinha
não ionizado
64
palestras
1.169
Receitas de
medicamentos
aviadas
Balanço apresentado pela responsável
do departamento de
Saúde pública,
Georgina Figueiredo.
Comuna do Kuima, muniCípio da Caála
Uhayele Vimbo chega
aos aldeões de Mandi
A importância do aleitamento materno exclusivo até aos seis meses, o saneamento básico, as vantagens das
consultas pré-natais e os métodos de
prevenção da malária, foram os
temas destacados durante a campanha de sensibilização para a prevenção
de doenças nas comunidades que
deslocou técnicos sanitários à aldeia
de Mandi, no dia 6 de Abril, em mais
uma edição do projecto Uhayele
Vimbo (Saúde na Aldeia). De acordo
com o director provincial de saúde,
Francisco Juliana, “a iniciativa tem
como objectivo levar o serviço sanitário ambulante junto da população
das localidades longínquas e sem instalações definitivas de unidades sanitárias”.
Durante várias horas estiveram abertos consultórios de pediatria, obstetrícia, ginecologia, clínica geral, oftalmologia e estomatologia. Registou-se igualmente a distribuição de
redes mosquiteiras, realização de
controlo da tensão arterial, testes de
glicémia, malária e HIV/SIDA, palestras sobre informação e educação
comunitária, doação de sangue planeamento familiar e pesquisa sobre o
cancro da mama. Houve igualmente a
disponibilidade de fármacos necessários para as várias situações.
Segundo o balanço apresentado pela
responsável do Departamento de
Saúde Pública, Georgina Figueiredo,
milhares de pacientes aderiram às
mais variadas consultas, conforme
balanço que publicamos.
30 ll
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Abril 2013 l JSA
O presidente da
BP Angola, Martyn Morris, e o representante da
SSI, Francisco
Gonçalves, descerram a placa
comemorativa
Corte da fita pelo administrador do município de Ambaca, José Rank Frank, e a presidente da comissão de
operações do Bloco 18, Francisca de Lemos
Em CamabatEla, Kwanza nortE
Novo complexo
escolar beneficia
dois mil alunos
RuI MOReIRA De Sá
n O complexo escolar São Francisco de Assis, administrado pela
Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, foi inaugurado em Camabatela, província do Kwanza Norte,
no dia 26 de Abril.
A
instalação, com 12 salas de aula e gabinetes
de apoio, beneficia
cerca de dois mil alunos que estudavam
em condições precárias – a escola existente datava de 1956 –, ou estavam fora
do sistema de ensino, e ainda os adultos
que frequentam o curso de alfabetização.
O financiamento de USD 450 mil
é da BP Angola e demais parceiros do
Bloco 18, nomeadamente a Sonangol
e a SSI.
De acordo com o Bispo da Diocese de Ndalatando, Dom Almeida
Canda, em declarações ao Jornal da
Saúde, à margem do evento, a “obra
ajuda as nossas famílias a desempenharem a sua função educativa e a humanizar a sociedade angolana”.
PPara o frei Afonso Npeka, ministro vice provincial da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, “o novo
complexo escolar será um local de
transmissão de valores que Angola hoje precisa”. Lembrou que os Capuchinhos instalaram-se nesta região em
1948 com uma preocupação essencialmente pastoral e educativa.
O complexo escolar foi benzido
pelo Bispo da Diocese
de Ndalatando,
Dom Almeida Canda
As crianças
mostram o seu
imenso
contentamento
pelas
12 novas salas
de aula
Segundo o administrador do município de Ambaca, José Rank Frank,
trata-se da primeira escola do 2º ciclo
do ensino secundário que permitirá
aos jovens terminarem o curso médio
para professores, os quais, por sua
vez, formarão outros alunos. “O impacto desta obra vai assim abranger
todo o município de uma forma sustentável”, frisou.
Por sua vez, o director provincial da
educação, Velinho de Barros, garantiu
que o Ministério providenciará os docentes necessários para “dignificar o
gesto dos que ofereceram este bem”.
A representante dos estudantes
sustentou, por seu turno, que “a nova
escola servirá para educar, ensinar,
instruir e erradicar o analfabetismo”.
Quem corre
por gosto não se cansa
“Para além da BP Angola contribuir para o desenvolvimento da economia angolana através da sua actividade principal, deixará um legado
ainda maior se investir na formação
dos recursos humanos, com base em
parcerias sólidas”, afirmou o presidente da empresa, Martyn Morris.
Por isso “não nos cansamos de sair
dos nossos gabinetes e galgar quilómetros de estrada até chegarmos aqui
e percebermos o quanto
estamos a contribuir para a elevação
do nível escolar das crianças angolanas. Na verdade “quem corre por gosto não se cansa”, rematou.
Na cerimónia de inauguração participaram ainda a presidente da comissão de operações do Bloco 18,
Francisca de Lemos, o representante
da SSI, Francisco Gonçalves, o vicepresidente para a comunicação e assuntos governamentais da BP Angola, Paulo Pizarro, o guardião da missão em Camabatela, frei Patrice
Afonso – um dos maiores impulsionadores da obra –, e o soba grande,
entre outros convidados, directores e
assessores da BP Angola, imprensa e
autoridades tradicionais.
Abril 2013
saúde infantil
l JSA
Quando o chichi aparece fora de horas
Cláudia Pinto
n o problema é comum a
várias famílias. Para muitas crianças, passa a ser
um segredo bem guardado. Vergonha e inferioridade são sentimentos habituais. Por outro lado, os
pais nem sempre sabem
como lidar com a situação
e punem os filhos que urinam fora de horas. Para lidar com a enurese nocturna, são conhecidas formas de tratamento eficazes. a ajuda dos pais é
também essencial para a
resolução do problema.
apoiar em vez de discriminar, incentivar em vez de
punir, parecem ser truques essenciais.
A
enurese nocturna definese como uma
micção involuntária durante o sono. Tem muitas vezes uma natureza familiar (genética) e, na grande maioria
dos casos, desaparece espontaneamente com o tempo.
"Existe história familiar de
enurese nocturna em 60-70%
de crianças com enurese", diznos o médico João Luís Barreira, especialista em enurese
e pediatra do Hospital de São
João, no Porto. Ou seja, os filhos dos pais que sofreram de
enurese na infância têm uma
probabilidade muito aumentada de também vir a ter.
"Apesar de se tratar de um sintoma geralmente benigno, é
responsável por problemas
emocionais e sociais na criança e na sua família."
Há diversos factores implicados no aparecimento da
enurese nocturna, "desde a
produção exagerada de urina
durante o sono, a baixa capacidade funcional da bexiga enquanto reservatório e a capacidade de despertar ou não com
a sensação da bexiga cheia",
diz-nos João Luís Barreira. Os
especialistas descrevem ainda
casos raros, em que a enurese
surge como "a manifestação
de infecções urinárias recorrentes, de disfunção neurológica da bexiga, de uma forma
de diabetes, quer do tipo diabetes mellitus , em que há açúcar a mais no sangue que obriga a urinar muito, ou diabetes
insipida, em que há uma deficiência na produção de uma
hormona que reduz a perda de
água pelo rim", fundamenta o
especialista. Alguns estudos
epidemiológicos demonstram
ainda a associação de problemas psicológicos ou psiquiátricos com a enurese.
Está atento aos
sintomas do seu filho?
Os pais devem estar vigilantes aos sintomas urinários
diurnos dos seus filhos, pois
eles podem fornecer-lhe pistas importantes. A criança refere dor ao urinar? Tem de urinar com muita frequência e
em pequenas quantidades de
cada vez? Urina muito de cada
vez e parece estar sempre
cheio de sede e bebe exageradamente? Nota alguma anomalia no jacto urinário ou o
seu filho parece ter que fazer
força para iniciar a micção?
Estes são alguns dos sinais
que podem indicar uma causa
orgânica subjacente à enurese,
explica João Luís Barreira,
acrescentando: "Há uma associação frequente entre a obstipação e a enurese e nalguns
casos ao tratar a obstipação resolve-se o problema da enurese. Por fim, em relação ao sono propriamente dito, é frequente os pais considerarem
que estas crianças têm o sono
particularmente pesado. Em
alguns casos, as crianças ressonam muito durante a noite e
têm apneias obstrutivas durante o sono e isso parece estar
associada à libertação de uma
hormona que aumenta a produção nocturna de urina, o que
leva a ter enurese. Por vezes,
estas crianças são operadas às
amígdalas e adenóides e a
enurese resolve, ou pelo menos, melhora significativamente."
Todas as crianças com este
problema devem, em primeiro lugar, ser levadas ao seu
médico para uma avaliação e
orientação individualizada.
É possível resolver
o problema
A mensagem mais importante a dar aos pais é a de que,
se o problema for reconhecido
a tempo, "pode ser oferecida
ajuda à criança e à família e dizer-lhes que pode haver soluções". A escolha do tratamento para cada doente deve feita
caso a caso. As crianças que
sofrem deste problema são
"psicologicamente normais".
No entanto, se o sintoma de
enurese nocturna persistir,
"podem vir a sofrer um impacto psicológico muito grande.
Há estudos que revelam consequências graves na auto-estima e na qualidade da sua vida social", comenta João Luís
Barreira.
As crianças com enurese
sentem-se envergonhadas e
tristes ao se compararem com
os seus pares. "Do ponto de
vista social, a enurese acaba
por ter várias implicações. A
criança não se atreverá a ir
acampar com os escuteiros,
dormir em casas dos primos
ou amigos ou participar naquele passeio da escola tão falado por toda a turma, só para
citar alguns exemplos de convívio frequentes nestas idades
que implicam dormir fora de
casa", fundamenta o pediatra.
Alerta aos pais
É fundamental que os pais
não culpabilizem os seus filhos nem contribuam para este sentimento de inferioridade. "Por vezes, a atitude dos
pais e familiares contribui para a manutenção da enurese.
Os comportamentos e comentários que frequentemente surgem na sequência destes episódios podem dificultar a criança a ultrapassar o
problema", chama à atenção
a neuropsicóloga clínica, Miriam Gonçalves, especializada em enurese nocturna. Re-
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comenda-se, portanto, acompanhamento médico em todo
este processo. "As crianças
descrevem sentimentos como irritados, rabugentos, envergonhados e confusos".
Os próprios pais tendem a
"evitar falar do assunto com
outras pessoas. Falar sem
vergonha e encarar a enurese
nocturna como um problema
que hoje em dia tem fácil solução, é o primeiro passo para a resolução do mesmo e
para um tratamento eficaz",
aconselha Miriam Gonçalves. A punição e a ameaça
são, por outro lado, "as piores estratégias que se poderão adoptar, uma vez que a
criança já sofre o suficiente
por não conseguir evitar a
enurese. Evite ainda o recurso ao uso da fralda, por muito que lhe custe ter de lavar e
estender sistematicamente
os lençóis".
As crianças costumam
guardar este segredo "a sete
chaves" com medo de discriminação por parte dos seus
amigos e familiares porque
"pensam que só eles é que
ainda fazem chichi na cama.
Mas a realidade é que, por
exemplo, numa turma de 30
alunos da primária, cinco escondem este segredo", explica a neuropsicóloga.
Por cortesia do Jornal do Centro de Saúde
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responsabilidade social
Abril 2013 l JSA
responsabilidade social ll
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Odebrecht une esforços no combate à malária
A 25 de Abril o mundo comemora o Dia Mundial Contra a Malária. Neste sentido, a Odebrecht Angola tem vindo a promover,
de forma continuada, ações e atividades que objetivam a informação, a prevenção e combate à Malária.
Como membro permanente do Fórum Nacional dos Parceiros Contra a Malária, a Odebrecht Angola contribui de forma direta
participando da Comissão de Elaboração da Política Nacional de Intervenção de Base Comunitária do Programa Nacional Contra
a Malária, de onde saem as diretrizes para a resposta nacional contra a doença que mais vítimas fatais faz no nosso país, que contribui para uma diminuição na saúde das populações e que causa um impacto negativo significativo no setor produtivo, colocando em risco
o desenvolvimento sustentável do país.
Para cooperar de forma pró ativa e em consonância com o esforço do governo, a Odebrecht Angola promove palestras regulares
para seus trabalhadores, colabora com a comunidade residente próxima dos seus estaleiros, realizando seminários onde aborda
e orienta os cuidados e medidas de prevenção contra a malária. Desta forma, a Odebrecht Angola reafirma o seu compromisso
com o desenvolvimento do país!
Acção Comunitaria
do Projeto Honga
próxima ao Sistema
Viário de Luanda
Palestra para
trabalhadores em
Malanje
Palestra para
trabalhadores
do Projecto Vias
de Luanda
Seminário no Kwanza
Norte para lideres de
cinco aldeias
proximas ao
Projecto Cambambe
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SAÚDE MENTAL
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A esquizofrenia tem recuperação
Jaime Grácio | Psicólogo clínico
n esta é uma mensagem
importante a considerar actualmente. a doença mental
mais temida e mais estigmatizada ao longo dos tempos assume agora novos
contornos.
D
ados da Organização
Mundial de
Saúde, referem que mais
de 77% das pessoas com esquizofrenia vivem sem recaídas. Com o tratamento correcto, conjugando medicamentos, nomeadamente os
antipsicóticos, e tratamentos
psicológicos e psicossociais
(cursos de formação profissional, terapia para melhorar
as rotinas do dia-a-dia, unidades de recuperação, etc.), é
possível ultrapassar este problema.
A esquizofrenia é uma
doença que pertence ao grupo das psicoses (doenças
com períodos em que a pessoa perde o contacto com a
realidade), atinge cerca de
1% da população e surge
quando uma pessoa durante
algum tempo tem ideias pouco habituais e sensações estranhas. Por exemplo, achar
que está a ser perseguida por
uma organização secreta,
que os outros na rua falam de
si ou que está a comunicar
por telepatia. Também é frequente ouvir vozes ou ver
coisas que não existem. Muitas vezes fica-se confuso e
muda-se drasticamente as actividades. Este estado é geralmente seguido de uma
tendência para o isolamento,
desinteresse pelas coisas em
geral e a criação de um mundo próprio à sua volta.
Este problema tem início
habitualmente no fim da adolescência ou início da idade
de jovem adulto e tem dois
grandes tipos de causas: (1) a
vulnerabilidade (propensão)
genética; e (2) os factores
ambientais (acontecimentos
de vida negativos). Sabe-se
"Será
determinante
para uma boa
evolução, a
inclusão do
utente o mais
rapidamente
possível na vida
em sociedade e
na família"
que existem famílias onde
este problema tem mais tendência para acontecer, mas
isso, por si só, não é determinante.
Dos primeiros
sintomas
à detecção precoce
É preciso que haja acontecimentos stressantes que façam despoletar a doença. Por
exemplo, as pessoas que foram vítimas de abuso ou bullying, ou que assistiram a cenas violentas ou traumáticas,
têm também mais possibilidade de ter este problema. A
privação de sono, dificuldades nas relações e o consumo
de drogas (cannabis, ácidos e
metanfetaminas) também
são causas significativas.
No que diz respeito ao
consumo de drogas, será
muito importante ter em conta que o consumo da cannabis é um importante factor de
risco para a esquizofrenia. A
sociedade em geral, principalmente os pais, professores, jovens e até mesmo os
profissionais de saúde, deve
ter em conta que esta droga,
que muitas vezes é considerada "leve", pode trazer consequências graves. Muitos
dos novos casos acontecem
com jovens que nunca teriam
este problema se não fosse o
consumo de cannabis.
A detecção da doença logo no início é fundamental.
Alguns sinais de alarme são:
desinteresse pelas coisas em
geral; isolamento muito marcado e repentino; mudança
drástica das rotinas; indife-
rença às coisas à sua volta;
mudança de estilo; tendência
para se interessar por coisas
do oculto, fenómenos pouco
habituais ou organizações secretas; medo de sair à rua; e
desconfiança. Se existir consumo de cannabis, pessoas
na família com problemas de
saúde mental e se há história
de acontecimentos traumáticos na vida, então é necessário começar já um tratamento
de prevenção.
Tratar e voltar
a ter uma vida
normal
O tratamento da esquizofrenia é geralmente prolongado. Para pessoas que tiveram apenas um episódio da
doença será de prever um
contacto com os serviços de
saúde durante três a cinco
anos. Estes serviços podem
passar por unidades de internamento de curta duração,
programas de reabilitação
em serviços especializados,
residências e fóruns sócioocupacionais na comunidade.
Será determinante para
uma boa evolução, a inclusão
do utente o mais rapidamente
possível na vida em sociedade e na família. Ter um emprego ou regressar aos estudos no momento certo é fundamental. Esta inclusão deve
ser graduada, e em alguns casos é preciso contar com a
protecção dos intervenientes,
por exemplo as entidades patronais. Contudo, muitas vezes, é nesta fase que se encontra um outro obstáculo, o
estigma social. As pessoas
com esquizofrenia são competentes e podem trabalhar
ou estudar depois de terem
recuperado da fase de crise,
ou seja, podem fazer uma vida tal como todos os outros.
No início do tratamento poderão ter algumas dificuldades, mas com a ajuda certa
dos profissionais, família,
amigos e da sociedade em
geral, em alguns meses as
coisas começam a melhorar.
Por exemplo, existem algumas figuras públicas bem-sucedidas, entre as quais actores famosos e músicos, que
têm sintomas desta doença.
Existe mesmo o caso de um
cientista importante, que ganhou um Prémio Nobel, e sofria de uma esquizofrenia
grave.
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l JSA
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SAÚDE DA MULHER
Abril 2013 l JSA
Pode surgir na segunda metade da gravidez
Pré-eclâmpsia com
números alarmantes
Mário Bundo
n A pré-eclâmpsia é uma complicação que emerge na segunda metade da gravidez, associada a uma falha de adaptação circulatória entre o útero e a placenta. Actualmente mecanismo
de acção e/ou etiopatogenia conhecida, mas causa específica
desconhecida. Prémio nobel de
Medicina garantido para quem
descobrir…
A
pré-eclâmpsia é
uma síndrome caracterizada pelo
surgimento de hipertensão e proteinúria após as 20 semanas de
gestação em mulher previamente
normotensa. Tem uma incidência
de 2% a 8% de todas as gestações.
É uma das três causas principais
de morbilidade e mortalidade em
todo o mundo. Nos últimos 50
anos, houve redução significativa
nas taxas de complicações ligadas
a doença nos países desenvolvidos. Em contraste, as complicações mantêm-se altas nos países
em desenvolvimento. Essas diferenças devem-se maioritariamente ao acesso universal aos cuidados pré-natais, prontidão no aces-
“A pré-eclâmpsia
é uma síndrome
caracterizada pelo
surgimento de
hipertensão e
proteinúria (perda
excessiva de
proteínas através
da urina) após as
20 semanas de
gestação em
mulher
previamente
normotensa
(tensão arterial
normal)”
so e adequado manuseamento da
patologia nos países desenvolvidos. Paradoxalmente, muitas das
mortes nos países em desenvolvimento devem-se a falta de assistência pré-natal, falta de acesso
aos hospitais, falta de recursos,
diagnóstico e manuseamento inapropriado das pacientes com préeclampsia.
Situação em Angola
Duas das principais maternidades de Angola – a Lucrécia Paím e
Augusto Ngangula – assistiram,
em 2012, a um total de 51 372 partos na cidade de Luanda. Nestas
unidades a pré-eclampsia e suas
complicações estão entre as duas
principais causas de morte. Na
primeira, inclusive, superou a hemorragia que tem sido tradicionalmente a primeira causa de morte
em todo o mundo.
A pré-eclampsia cursa com pelo menos sete complicações agudas potencialmente fatais
1. Eclampsia
2. Edema agudo do pulmão
3. Insuficiência renal aguda
4. Encefalopatia hipertensiva
5. Síndrome HELLP
6. Descolamento da placenta/
Coagulação intravascular disseminada
7. Hemorragia/ Ruptura hepática
E tantas outras complicações a
longo termo:
1. Hipertensão crónica
2. Diabetes mellitus
3. Insuficiência renal crónica
4. Coronariopatia
5. Défice neurológico
6. Morte prematura
Cuidados a ter
Deve-se entender que, acautelando as gravidezes, evitam-se as
complicações a ela ligadas e as
mortes. Neste âmbito, são válidas
as seguintes estratégias;
1. Prevenir a gestação na puberdade e adolescência
2. Espaçamento adequado das
gestações
3. Evitar o excesso de gravidezes
e/ou partos (menos de 6 em toda a
vida).
A nível mais amplo as grandes
linhas de acção deverão passar
por:
1. Educação contínua da população e dos prestadores de serviços
nas unidades sanitárias
2. Potencializar o planeamento familiar
3. Assistência pré-natal adequada
4. Parto seguro
5. Protocolos claros para a detecção precoce e manuseamento da
pré-eclampsia a todos os níveis de
assistência sanitária.
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l JSA
ESPECIALIDADES
- MEDICINA INTERNA
- MEDICINA INTENSIVA
DO ADULTO
- GINECOLOGIA
- OBSTETRÍCIA
- NEONATOLOGIA
- PEDIATRIA
- CARDIOLOGIA
- OFTALMOLOGIA
- NEUROLOGIA
- ORTOPEDIA
E TRAUMATOLOGIA
- CIRURGIA
- GASTROENTEROLOGIA
- FISIOTERAPIA
- PSICOLOGIA
- ANESTESIA
- MEDICINA GENERAL
INTEGRAL
- ESTOMATOLOGIA
PRINCIPAIS MEIOS
DE DIAGNÓSTICO
- IMAGIOLOGIA:
RAIOS X,USG, TAC
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CLÍNICO
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OTROS SERVICIOS
ESPECIALIZADOS
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Tel.: + 244 227 270 167 Site: www.clinicacaridade.com
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dengue
Abril 2013 l JSA
O essencial que precisa
saber sobre o Dengue
Como
é transmitida?
• O causador da dengue é um vírus, mas seus transmissores – denominados vetores - são mosquitos do género Aedes;
• A dengue não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra, ou seja, não há transmissão por contato direto de um doente ou
de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou
alimento;
• Para ocorrer a transmissão é necessário que ocorra a picada da fêmea
do mosquito que esteja contaminada com o vírus da dengue. Além
disso, cerca de metade das pessoas que são picadas pelo mosquito
que tem o vírus não apresenta qualquer sintoma da doença;
• Uma pessoa pode contaminar o mosquito um dia antes do
início da febre até o sexto dia da doença.
• O mosquito vive cerca de 45 dias e pode contaminar até 300 pessoas, durante sua vida.
O que
é dengue?
É uma doença transmitida por um
mosquito (Aedes aegypti) que pica
apenas durante o dia, ao contrário do mosquito comum que
pica de noite.
Como
é o mosquito?
• O Aedes aegypti é um mosquito doméstico,
que vive dentro ou nas proximidades das
habitações;
• Além da dengue, este mosquito também pode
transmitir a febre-amarela;
• É preto com listras brancas no corpo;
• É menor que um pernilongo comum;
• Pica durante o dia;
• Desenvolve-se em água parada e limpa
Como é o ciclo
de vida do
mosquito?
Sintomas
da doença?
• De ovo a adulto dura 10 dias;
• Os ovos são colocados próximos à água e
a larva desenvolve-se dentro da água;
• A posição da larva do Aedes aegypti é
vertical. A posição da larva do pernilongo comum (Culex sp.) é
inclinada.
Como evitar a dengue?
A única maneira de evitar a dengue é eliminar o mosquito.
O inseticida pulverizado em ultra baixo volume é útil para matar os
mosquitos adultos, mas não acaba com os ovos. Por isso, deve ser empregado apenas em períodos de epidemias, com o objetivo de interromper rapidamente a transmissão. O mais importante é procurar acabar com os criadouros dos
mosquitos (lugares de nascimento e desenvolvimento das larvas). Adote as seguintes
medidas:
• Não deixe a água, mesmo limpa, ficar parada em qualquer tipo de recipiente;
• Lave bem os pratos de plantas, passando um pano ou uma bucha para eliminar completamente
os ovos dos mosquitos. Não adianta apenas trocar a água, pois os ovos do mosquito ficam aderentes às paredes dos recipientes. Uma boa solução é trocar a água por areia molhada nos pratinhos;
• Lave bebedouros de aves e animais com uma escova ou bucha e troque a água
pelo menos uma vez por semana;
• Guarde as garrafas vazias de cabeça para baixo;
• Jogue no lixo copos descartáveis, tampinhas de garrafas, latas e tudo o que acumula água;
• Utilize água tratada com água sanitária a 2,5% (40 gotas por litro de água) para regar bromélias;
• Não deixe acumular água nas calhas do telhado e lajes;
• Não deixe expostos à chuva pneus velhos, latas, garrafas, cacos de vidro, embalagens
vazias, baldes e qualquer outro recipiente que possa acumular água;
• Acondicione o lixo em sacos plásticos fechados ou latões com tampa;
• Tampe cuidadosamente caixas de água, filtros, barris, tambores, cisternas,
poços, etc.
• As piscinas devem ser tratadas com cloro e limpas frequentemente.
• Começa com febre alta, dor de cabeça e nos
olhos, muita dor no corpo;
• É comum a sensação de intenso cansaço, falta
de apetite e, por vezes, náuseas e vómitos;
• Podem aparecer manchas vermelhas na pele,
parecidas com as do sarampo ou da rubéola, e
coceira no corpo;
• Pode ocorrer, às vezes, algum tipo de
sangramento (em geral no nariz
ou nas gengivas).
Período de
incubação
Varia de três a quinze dias
após a picada, sendo em
média de cinco a
seis dias.
Tratamento
• Procurar uma unidade de saúde, ou
um médico, logo no começo dos sintomas.
Diversas doenças são muito parecidas com a
dengue, e têm outro tipo de tratamento.
• Os remédios são usados apenas para aliviar a febre e as dores, e devem ser indicados por médicos,
pois todos os medicamentos podem ter efeitos colaterais e alguns podem até piorar a doença.
• Não tomar nenhum remédio para dor ou
para febre que contenha ácido acetil-salicílico, que pode aumentar o risco de sangramento.
A situação em Angola
O responsável pelo programa da malária, da
Direcção Nacional de Saúde Pública, Filomeno Fortes admitiu que apenas uma pequena
parte das pessoas infectadas com dengue no
país está diagnosticada porque os testes de despiste são poucos.
Em declarações aos jornalistas à margem do
Congresso Nacional de Medicina Tropical, a
decorrer em Lisboa, Filomeno Fortes disse
que esta é a primeira vez que Angola enfrenta
uma epidemia de dengue e as autoridades estão a tentar ver qual a prevalência da doença.
"Devemos ter muitos casos de dengue a circular no país, mas só uma pequena parte
tem acesso ao diagnóstico diferencial", explicou, lembrando que só
agora as autoridades estão a introduzir os testes para confirmação da doença.
"As síndromas febris em
Angola são muito con-
fundidas. Temos em média, por ano, três milhões de casos clínicos de malária, desses apenas 60% são submetidos a diagnóstico laboratorial. De forma geral, tudo o que é febre em
Angola é diagnosticado como malária", explicou.
Desta vez, no entanto, "com a globalização da
dengue e com a chegada a Angola de expatriados saídos de países hiper endémicos de dengue", o país tem assistido a um aumento do número de casos, acrescentou o especialista,
adiantando que o mosquito que transmite a
doença existe em Angola e está infectado.
Alertadas para a situação do dengue, as autoridades de saúde estão a criar 'sítios sentinela',
para onde os casos suspeitos são encaminhados, explicou ainda.
O ministro da Saúde de Angola disse, entretanto, que até meados de Abril tinham sido notificados 50 casos de dengue, todos em Luanda e
sem registo de mortes.
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