UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
A IMPORTANCIA DA ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE NO
PROCESSO DE REABILITAÇÃO PSICOMOTORA E INCLUSÃO
DO PORTADOR DE DEFICIENCIA VISUAL
Por: Manoel Mariano da Silva Neto
Orientador
Prof(a). Fabiane Muniz
Rio de Janeiro
2007
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
A IMPORTANCIA DA ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE NO
PROCESSO DE REABILITAÇÃO PSICOMOTORA E INCLUSÃO
DO PORTADOR DE DEFICIENCIA VISUAL
Apresentação
Candido
de
Mendes
monografia
como
à
requisito
Universidade
parcial
para
conclusão do curso de Pós Graduação “Latu Sensu”
em Educação Inclusiva para obtenção do grau de
especialista em .Educação Inclusiva.
Por: Manoel Mariano da Silva Neto
Rio de Janeiro
2007
3
AGRADECIMENTOS
Ao criador, pela oportunidade a vida e
ao conhecimento.
A todas aquelas pessoas que de uma
forma ou de outra nos bastidores,
puderam contribuir para que mais esta
etapa fosse conquistada.
Aos amigos pela presença e pela
ausência, também.
Especial a meus irmãos, cunhados,
sobrinhos, pela força e incentivo no
decorrer de mais esta caminhada,
porque a minha família é tudo.
4
EPÍGRAFE
“Eu, que vinha das abstratas regiões da
filosofia, um dia me apaixonei pela
concreta inteligência do corpo, pelas
riquezas que a consciência podia
examinar e desfrutar nos domínios da
corporeidade. E neles mergulhei, sem
imaginar as profundezas deste mundo
tão maldito como desconhecido, da
maioria dos adultos adulterados em
sua natureza por uma cultura que os
aparta de si mesmos.”
(Ana Amália Ottoni - 2000)
5
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meu pais
“Severino & Maria” pela sua dedicação,
cuidado,
carinho,
amor e sacrifícios,
porque, nada acontece por acaso, e é
pelo grande esforço que estas duas
figuras remetem à vida é que chegamos
hoje, aqui, juntos.
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RESUMO
Ao longo de toda a história da humanidade o portador de deficiência
visual esteve a margem da sociedade, pela sua suposta inabilidade, mal
interpretado pelo desconhecimento das suas capacidades. O objetivo deste
estudo esteve voltado ao ensino/aprendizagem da Orientação e Mobilidade, de
como um trabalho organizado e individualizado pode operar mais diretamente
com a re-estruturação e mudança de atitude do portador de deficiência visual,
outorgando a este indivíduo novas atitudes, idéias, aspirações e ambições,
trabalhando com o resgate de sua auto-estima, recolocando-o de forma
autônoma no seu ambiente familiar e social. Porque a finalidade deste
processo é dar-lhe uma real autonomia, fazer valer o seu direito prático de ir e
vir com segurança e dignidade. Preocupamo-nos com este processo no
desenvolvimento da capacidade que o portador de deficiência visual pode
desenvolver quando no decorrer das suas atividades diárias, que ele possa
aprender a identificar os seus espaços diários, aprendendo a desenvolver por
si, referencial ante as ações educativas que assimila e que temos como ápice
de ganhos fomentados por este processo de reabilitação.
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METODOLOGIA
Além da observação, “in loco”, quando no ensino das técnicas de
orientação e mobilidade, também a análise de formulários específicos (vide
anexo 4) onde por meio de anamnese se traça um perfil do portador de
deficiência visual, levando-se em conta dados da sua conformação
biopsicomotora.
Não esquecendo, no entanto, de tomar referencias bibliográficas que
possam dar maior suporte
à comparação das técnicas empregadas e
resultados propostos obtidos como metas a este processo.
8
SUMÁRIO
CAPÍTULO I..........................................................................................................
Conceito histórico Social do Portador de Deficiência Visual............................12
CAPÍTULO II.........................................................................................................
Aspectos Pertinentes à Orientação e Mobilidade............................................13
CAPÍTULO III........................................................................................................
Características da Diferença Significativa........................................................30
Conclusão........................................................................................................38
Bibliografia Consultada...................................................................................39
Bibliografia Citada...........................................................................................40
Índice..............................................................................................................42
Anexos............................................................................................................45
Folha de Avaliação.........................................................................................55
9
INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho é desenvolver aspectos relacionados ao
ensino/aprendizagem da Orientação e Mobilidade enquanto fator que irá
proporcionar ao portador de deficiência visual ( DV - fica preterido que, toda
vez que for citado a pessoa portadora de deficiencia visual, estaremos nos
referindo também a pessoa cega e com baixa visão), uma maior agilidade
motora e habilidade para locomover-se com segurança e autonomia,
consequentemente uma re-integração à sociedade.
Todo o profissional no trabalho
de ensino/aprendizagem, com o
material humano, deve se cercar de inúmeros suportes referenciais, no sentido
de poder suprir ao outro, com respostas, as expectativas geradas pelas
dificuldades assistidas e habilidades à solução de problemas.
Trabalhar com o DV, não requer diferenciação exacerbada no que diz
respeito à forma de ele ser tratado, existe sim, uma maior necessidade de
atenção aos acontecimentos que possam ser percebidos visualmente no
ambiente e, que este indivíduo pelo seu impedimento não possa usufruir de
imediato por esta forma de percepção. É encontrar por vias práticas e de
acúmulo de experiências, a melhora da sua capacidade de resolução de
problemas, proporcionar cada vez mais, novas e diferenciadas informações,
que possam ser necessárias a sua percepção e locomoção independente.
Não existe, no trabalho com a pessoa com deficiência, em nosso caso
o DV, a receita de como proceder perante a sua patologia unicamente, existe a
necessidade que surge perante ás suas vivências e aos objetivos que se
espera alcançar gradualmente, à sua funcionalidade.
Há um precedente importante, também, a ser considerado, que é a
escolha da linguagem usada, que seja de fácil entendimento, onde possam ser
identificados propósitos construtivos claros, diretos e imediatos, já que isso
será também um agente facilitador ao melhor acesso as propostas elaboradas,
porque na tentativa de adaptar-se à realidade, ele enfrenta uma fase onde
10
não se pode ignorar haver o sentimento de incapacidade, gerado pela nova
condição.
Perder a visão e tornar-se deficiente visual ou cego é indiscutivelmente
uma fatalidade, às vezes anunciada (vide anexo 1), e não é um acontecimento
fácil e nem desejável de se encarar, a aceitação é um processo lento e que
requer trabalho de paciência e, portanto uma maior atenção por parte das
pessoas que se envolvem diretamente com este individuo, porque há a perda
da identidade deste, e esta precisa ser resgatada, reestruturada, reconstruir
sua auto-estima, a sua imagem de homem/mulher, de cidadão, de ser humano,
de ser agora com necessidades específicas e diferenciadas e não de se sentir
o diferente, o excluído.
O ensino/aprendizagem das técnicas de Orientação e Mobilidade deve
ser proporcionado por um profissional com a capacidade e a responsabilidade
de fazer com que o seu instrumento de trabalho que é o ser humano, o DV,
possa
se
sentir
seguro
e
capacitado,
possa
estruturar
uma
maior
independência já que, de posse deste aprendizado fará uso de recursos que
facilitarão a identificação do estado físico do ambiente, das peças que o
compõe, e a conseqüente confiança necessária ao seu deslocamento com
autonomia.
Faremos algumas escalas capitulares por tópicos que se relacionem
mais diretamente com o assunto em questão.
A intenção do primeiro capítulo é fazer um rápido passeio pelo conceito
histórico social da deficiência, do deficiente e da Orientação e mobilidade,
procurando, com definições objetivas, fazer-se entender nos pressupostos e
referenciais dispostos durante o desenvolvimento textual.
No segundo capítulo faremos uma trajetória de como a Orientação e
mobilidade trabalha o sentido exato de seus objetivos, que é um aspecto muito
significativo
na
reabilitação,
agindo
como
prática
metodológica
de
ensino/aprendizagem ao DV.
No terceiro capítulo abriremos um pequeno perfil referenciativo ao
portador de deficiência visual que é o indivíduo que se beneficia do trabalho
de Orientação e Mobilidade, da forma com que ele recebe e espera
11
desenvolver-se, dos objetivos que ele traça para si em vista a um aprendizado
que lhe assegure a “liberdade pretendida”, dos benefícios advindos do
processo de assimilação das suas capacidades e potencialidades.
12
CAPÍTULO I
CONCEITO HISTÓRIO SOCIAL DO PORTADOR DE
DEFICIENCIA VISUAL
1.1 - O PORTADOR DE DEFICIÊNCIA
Ainda que saibamos que, as deficiências vêm intrinsecamente
acompanhando o homem desde a mais remota antiguidade, por inúmeros
fatores, ainda assim, esses fatores, se analisados, vão nos mostrar, que,
dentro de cada período que se possam localizá-los, terão características muito
específicas, que vão desde o encontro à cultura, religiosidade local, do
contexto ou ordem social da época, do nível de desenvolvimento tecnológico
da sociedade, pela sua atipicidade, pelo caráter surpreendente e divertido, pela
ignorância, por castigo, por superstição, egoísmo e/ou simples fator da
diferença e medo, até o desconhecimento das capacidades destes indivíduos.
Qualquer grupo social (incluindo os animais) sempre atua
no sentido da coesão, simetria e estabilidade. Para isso o
grupo desenvolve um conjunto de critérios ou regras,
determinando os atributos e condutas consideráveis
aceitáveis a serem seguidos por seus membros.
(GLAT.1995. p.19).
Mesmo de posse de alguns referencias que se faz no contexto
histórico, nem todas as afirmações sobre a existência de portadores de
deficiências nesta mais remota antiguidade pode ser verdadeiramente
comprovada.
13
Apesar da falta de dados que confirmem a existência de
deficientes nos primórdios da civilização, somos da
mesma opinião de Silva (1987), quando argumenta que:
“anomalias físicas ou mentais, malformações congênitas,
amputações traumáticas, doenças graves, são tão antigas
como a própria humanidade”. Logo, equivale a dizer que
muitas doenças nasceram com o homem, de forma a
dificultar a sobrevivência daqueles que convivem com ela,
inclusive, contribuindo negativamente para integra-se ao
grupo que pertence. (SILVA, citado por VIEIRA, 2006.
p.20).
Em cada fase que se fez a história da humanidade podemos distinguir,
claramente, uma pluralidade de pontos de vista tipicamente endereçados ao
indivíduo portador de deficiência, focado à sua limitação aparente, pois nem
mesmo quando se fala de educação se consegue vislumbrar um campo maior
de aceitação destes indivíduos:
Buscando
na
história
da
educação
informações
significativas sobre o atendimento educacional dos
portadores de deficiência, podemos constatar que, até o
séc. XVIII, as noções a respeito da deficiência eram
basicamente ligadas ao misticismo e ocultismo, não
havendo bases científicas para o desenvolvimento de
noções realísticas. O conceito de diferenças individuais
não era compreendido ou avaliado. As noções de
democracia e igualdade, ainda eram meras centelhas na
imaginação de alguns indivíduos criadores.
(MAZZOTTA, 2005. p.16)
14
Muito dos motivos os quais se criava esta metódica ao deficiente era
devido exclusivamente ao desconhecimento que se construía no que se diz
respeito à capacidade, potencial e habilidade destes indivíduos.
Eram, na
verdade, atitudes de rotulação e de puro preconceito, que explicitavam a toda
sociedade que qualquer deficiência pré-disposta seria passível de eliminação,
de seu portador, independia da atitude que fosse tomada para tal, porque não
havia uma forma de ser relevante com a diferença.
Assim, somente quando o “clima social” apresentou as
condições favoráveis é que determinadas pessoas,
homens ou mulheres, leigos ou profissionais, portadores
de deficiências ou não, despontaram como líderes da
sociedade em que viviam, para sensibilizar, impulsionar,
propor, organizar medidas para o atendimento às pessoas
portadoras de deficiências, ou com elas identificado,
abriram espaços nas várias áreas da vida social para a
construção de conhecimento e alternativas de atuação
com vistas à melhoria das condições de vida de tais
pessoas.
(MAZZOTTA, 2005. p.17).
Gradativamente vemos que, com o passar do tempo, e, com cada vez
maior conscientização, estudo e
descoberta da capacidade cognitiva das
pessoas portadoras de deficiências a rejeição transforma-se em compaixão,
proteção e caridade, o que felizmente hoje, vem sendo substituído pela
conquista de dignidade, direito e cidadania.
15
1.2 – A ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
Comprovadamente uma das maiores dificuldades encontradas pelo
DV, é está voltado à sua locomoção. Naturalmente este fato se dá pela falta de
interação que se faz com o ambiente, já que a visão nos dá cerca de 85% de
toda a nossa capacidade referenciativa, perceptiva, o que para o DV torna-se
um transtorno.
Quando
se
aborda
a
evolução
da
Orientação
e
Mobilidade, tem que ser obrigatoriamente referida a
história do “cão-guia” na Idade da Pedra, relatada por
Nelson Coon. Na mitologia grega. No Antigo Testamento,
a referências à O.M. em particular a Isaac, que deve ter
sido o primeiro caso registrado de cegueira que, utilizou
um cajado de pastor como auxiliar para se deslocar (Levy,
1872). Também em Pompéia, na Era Cristã, um afresco
representando a figura de um cego com um grande
báculo acompanhado de um cão. As gravuras de 1629
pelo
artista
holandês
Van
den
Enden
mostrando
indivíduos cegos com bastões da altura do peito. Também
Levy, ao referir-se à observação de um filósofo e cientista
da época, Sir Kenelm Digby, de que “o cego, que dirige os
seus passos pelo tato, à falta dos olhos, recebe aviso das
coisas através do seu bastão”, prova como o bastão era
utilizado pelos cegos no século XVII.
(MOURA E CASTRO, J.A., 1998).
Muito do que desenvolveu no âmbito da orientação e mobilidade teve
seu início nos Estados Unidos após a II guerra Mundial, isto devido ao número
elevado de soldados que voltavam da guerra muitas vezes mutilados, cegos, e,
que necessitavam de alguma forma resgatarem a sua autonomia.
16
Completando a nossa reflexão, apesar de existir uma grande variedade
de autores que complementam pensamentos sobre a orientação e mobilidade
como resultado de inúmeras experiências, o tema em questão realmente nos
propõe alguns princípios de organização da percepção da pessoa DV, de modo
que deve ficar claro no seu contexto, que existe a necessidade de uma
estruturação regrada, de onde se possa contribuir de modo a minimizar as
limitações mais imediatas deste indivíduo, reforçando todo um quadro
comportamental de si mesmo,
enquanto ser individual e, que necessita
assimilar uma dinâmica que lhe traga transformações.
1.3 – REVISÃO CONCEITUAL
1.3.1 – DEFICIENCIA
Alguma restrição ou perda resultante do impedimento para desenvolver
habilidades consideradas normais para o ser humano. (SENAC – 2002. p.23).
1.3.2 - DEFICIENCIA VISUAL
Acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho, após a
melhor correção, ou campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen),(vide anexo
2 e 3), ou ocorrência simultânea de ambas as situações. (SENAC – 2002. p.24)
1.3.3 - VISÃO SUB-NORMAL
O portador de visão subnormal muitas vezes é visto com certa
indefinição quanto às características de sua patologia, porque não é
considerando um indivíduo nem visonormal e nem cego.
17
Visão subnormal (VSN) é uma perda severa da visão que
não pode ser corrigida por tratamento clínico ou cirúrgico
nem por óculos convencionais. Também pode ser descrita
como qualquer grau de enfraquecimento visual que cause
incapacidade e diminua o desempenho visual.
(REVISTA IBC – nº01. set.1995. p.12)
1.3.4 – BAIXA-VISÃO
Independente
da patologia que se instala e que pode lesionar de
infinitas formas o órgão da visão, as vias de acesso às informações ao córtex
cerebral, ou mesmo da inabilidade deste córtex identificar as informações ora
referenciadas ao seu sistema, mesmo tendo as mesmas características
patológicas, as vias funcionais podem ter caráter de comprometimento
totalmente diferenciadas e o desenvolvimento é de prática individual.
“É a alteração da capacidade funcional da visão,
decorrente de inúmeros fatores isolados ou associados
tais como: baixa acuidade visual significativa, redução
importante do campo visual, alterações corticais e/ou de
sensibilidade aos contrastes que interferem ou limitam o
desempenho visual do indivíduo”. (MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO – MEC/SEESP. 2001).
1.3.5 - A PESSOA PORTADORA DE DEFICIENCIA
É a que apresenta em comparação com a maioria das pessoas,
significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de
fatores inatos e/ou adquiridos, de caráter permanente e que acarretam
dificuldades em sua interação com o meio físico e social. (MINISTÉRIO DA
EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. SEESP. 1994).
18
1.3.6 - ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
Também
conhecido
com
outras
nomenclaturas:
Mobilidade,
Peripatologia, Locomoção. É considerada uma atividade motora, mesmo uma
disciplina, que nasce da necessidade de desenvolver as habilidades da pessoa
cega de movimentar-se de um lugar ao outro, utilizando-se de técnicas
específicas e dos sentidos remanescentes, mas que também traz em si
características cognitivas, afetivas e de postura social que ajudarão em seus
propósitos.
A orientação e Mobilidade (OM) é um processo de aprendizagem
de/para uma melhor locomoção da pessoa com deficiencia visual, não se põe
a uma simples forma de construção
que possa parecer automatizada, de
alguns gestos ou tarefas. Este aprendizado tem e necessita, de uma grande
dedicação e disciplina e, que se aplica com rigor e sistematização da mesma
forma que a qualquer outro aprendizado.
Somente na iminência deste processo é que o indivíduo portador de
deficiência visual torna prática a sua potencialidade de reestruturar as suas
aptidões locomotoras, de uma maior capacidade de uso de seus recursos
sensoriais remanescentes e, conseqüente percepção
da sua forma de
locomover-se, também estimula e dá confiança e importância à sua autoestima, resgata e o afirma como pessoa independente e autônoma.
1.3.7 – ORIENTAÇÃO
Tem um caráter mais perceptivo, voltado para a identificação da
estrutura em que se predispõe o ambiente. “É o processo de utilizar os sentidos
remanescentes para estabelecer a própria posição e o relacionamento com
outros objetos significativos no meio ambiente”.
(WEISHALN. 1990, citado por MOTA, M.G.B.da. 2003. p.17).
19
1.3.8 - MOBILIDADE
A mobilidade está vinculada a fatores de caráter biopsicomotores,
portanto, exigindo como premissas para o seu desenvolvimento uma boa
conformação de orientação mental, intelectual e motora intrínsecas a fatores
físicos. “É a habilidade de locomover-se com segurança, eficiência e conforto
no meio ambiente, através da utilização dos sentidos remanescentes.”
(WEISHALN. 1990, citado por MOTA. M.G.B.da. 2003.p.18).
20
CAPÍTULO II
ASPECTOS RELATIVOS A ORIENTAÇÃO E
MOBILIDADE
São os olhos, o instrumento (órgão) da visão necessária ao intercambio
com o ambiente externo e interno quando na captação e meio de acesso ao
cérebro para interpretação das imagens.
E é este sentido da visão que
vinculado ao ser humano dá possibilidades da movimentação, da locomoção,
de uma tomada de consciência do ambiente que se faz presente, possibilitando
a percepção de toda a estrutura física que o compõe.
Compreender o ambiente a nossa volta é fator primordial para o bom
desenvolvimento das nossas habilidades psicomotoras, é a visão que nos
proporciona 85% de tudo aquilo que percebemos no contexto ambiental e que
atua como elemento facilitador desta estruturação perceptiva.
Qualquer
defasagem
fator de
que
se
instale
neste
sentido,
da
visão, será
desestruturação, principalmente da parte psicomotora,
o que provocará
consequentemente uma maior dificuldade na organização do seu mundo
perceptivo.
Quando
a
falta
da
momentaneamente,
uma
pane
visão
na
se
faz,
estruturação
instala-se,
dos
ainda
outros
que
sentidos
remanescentes, no sentido de uma maior exigência das suas especificidades,
que passam a funcionar então de forma fragmentada.
No que se refere ao adulto atingido pela deficiência visual,
seus efeitos implicam também perdas no aspecto físico,
psíquico, social e econômico, que exigem reorganização e
estabelecimento de novos esquemas de interação.
(MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - MEC-SEESp -.2001)
21
O individuo, quando se torna DV, seja por qualquer motivo, tem
inicialmente uma grande tendência à inatividade física,
que aliada ao
desconforto psicológico de enfrentar a nova situação, acaba efetivamente
limitando-o a um só ambiente, perde-se a referencia da organização de outros
ambientes, objetos e pessoas, da locomoção que nesta fase
já defasada
acontece de forma improvisada, sem os referencias que poderiam ajudá-lo a
estruturar os seus caminhos de forma segura e consciente, o que provoca um
sentimento de impotência, de frustração, perda da auto-estima e da confiança
na sua re-conquista dos espaços antes delineados.
Portanto, quando se elabora objetivos para seus alunos
no domínio psicomotor, o educador deveria primeiro
identificar o propósito educacional primordial almejado,
quer
este
seja o desenvolvimento
manipulativas
e
motoras,
o
de habilidades
desenvolvimento
de
habilidades cognitivas superiores ou o aprimoramento do
auto-conceito do aluno.
(HARROW,A.J. 1983. P.22).
.
É observado que, no indivíduo portador de deficiência visual, há com
grande regularidade uma defasagem na sua postura, causado primordialmente
pela ociosidade, ou seja, pela falta de movimentos, ou pela falta da realização
adequada de movimentos que anteriormente a perda da visão, eram realizados
com
desenvoltura. Há propensão a uma re-tensão, uma rigidez muscular
incisiva.
A necessidade de estruturação de um plano de ação onde sejam
estipuladas estratégias básicas que
sustentem e estimulem, mesmo que
temporariamente, durante o processo de ensino/aprendizagem, o individuo e,
que sejam o referencial para um trabalho que é individualizado, e que busca
suprir as necessidades mais imediatas de integração do individuo, por meio
da prática corporal, levando-se em conta as suas diferenças e possibilidades.
22
2.1 - OBJETIVOS DE UM PROGRAMA DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
2.1.1 - OBJETIVO GERAL
Poder proporcionar ao DV, o desenvolvimento de sua independência,
por meio de noções básicas e elementares de orientação e mobilidade.
2.1.2 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Conhecer, sentir, perceber e se relacionar efetiva e eficientemente com o seu
próprio corpo, ter consciência corporal de si mesmo;
Usar o máximo possível e, de forma segura a capacidade funcional de sua
visão residual (nos casos de pessoas com baixa visão);
Perceber e se relacionar efetiva e eficientemente com o espaço, assim como
com os objetos, sons e odores significativos do ambiente, através da utilização
dos sentidos remanescentes e domínio do próprio corpo;
Utilizar adequadamente as técnicas com o guia vidente;
Emprego seguro e eficiente das técnicas de auto-proteção;
Emprego adequado e eficiente das técnicas com a bengala longa;
Estabelecer contato adequado com as pessoas em geral;
Locomover-se com segurança, eficiência e adequação por áreas internas e
externas, com características diversas, utilização de meios de transporte.
(MEC-SEESP – PROJETO IR E VIR 2002)
23
2.2 - O PROFISSIONAL DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
O profissional de Orientação e Mobilidade é aquela pessoa que está
capacitada a proporcionar ao DV, a oportunidade de fazer uso adequado de
seus sentidos remanescentes com a finalidade de localizar este mesmo
indivíduo dentro de um determinado espaço, fazendo o uso de técnicas que lhe
possam subsidiar uma locomoção segura.
O
treinamento
em
Orientação
e
Mobilidade
exige
do
seu
instrumentador/técnico, atenção especial ao indivíduo que está sob a sua
responsabilidade na aprendizagem, um olhar mais direcionado às suas reações
emocionais, estrutura da sua orientação espacial, percepção auditiva, tomada
de decisão, logo, por isso, o método é individualizado, o qual é o que se ajusta
melhor a estas situações.
Está intrínseco em seu trabalho estas observações, que vão
proporcionar o desenvolver melhor de habilidades que podem assegurar uma
melhor garantia de assimilação das técnicas relativas a este processo de
ensino/aprendizagem junto ao DV. Assumir o papel de mediador, facilitador do
desenvolvimento, antevendo as situações e aproveitando-se das mesmas para
possibilitar a independência, mobilidade e autonomia.
A tarefa do educador, interessado precipuamente em
comportamentos
do domínio psicomotor , é a de
aumentar a destreza na execução eficiente de tarefas ou
padrões motores a partir desses movimentos naturais
locomotores, não locomotores e manipulativos.
(HARROW, A.J. 1983. p.17).
24
Somente o profissional com esta habilitação está apto a planejar e
desenvolver processos de educação e reabilitação, visando à re-integração
pela locomoção do DV , no comprometimento de um treinamento orientado.
A área da OM exige, do instrumentador/técnico, além de técnicas
especificas para o uso de auxilio instrumentais, também a compreensão da
pessoa DV como um todo e das suas características limítrofes para com o
meio.
O processo de Orientação e Mobilidade é desenvolvido com a
finalidade de proporcionar ao indivíduo a autoconfiança e autodisciplina para
que este possa locomover-se com maior facilidade.
É de caráter único e expresso do instrumentista/técnico/professor
habilitado no ensino da OM, estruturar conhecimentos básicos que lhe
garantam a plena condição de identificação, informação e resolução de
problemas, de forma significativa.
Iniciando assim uma pesquisa ante os
dados de seu aluno, que lhe sejam favoráveis tanto no relacionamento quanto
na certificação da sua aprendizagem.
É favorável o conhecimento dos conteúdos, conhecimento do aluno
perante a formulação de uma anamnese, o acompanhamento e avaliação das
práticas sempre atento à resolução de problemas que se evidenciem, à
segurança física e consequentemente ganho de confiança, trabalhando com
incentivo e motivação.
Não esquecer de trabalhar conceitos de sentido, direção, distância,
pistas, pontos de referencia, estruturação de mapas mentais e conceitos
corporais, lateralidade, direcionalidade, atenção tátil, sinestésica e olfativa,
expressão corporal, Inibição voluntária, esquema corporal resistência física;
tônus muscular, equilíbrio postura, marcha, dentre outros aspectos.
Fazer uso referencial das experiências já vividas por este aluno, porque
são experiências concretas, manter a sua auto-confiança e a linearidade das
suas reações sócio-afetivas, da ansiedade porque é conseqüência da sua
insegurança.
25
A atividade criadora da imaginação se encontra em
relação direta com a riqueza e a variedade da experiência
acumulada pelo homem, porque esta experiência é o
material com que ele constrói seus edifícios da fantasia.
Quanto mais ricas são as experiências humanas, tanto
maior será o material de que dispõe esta imaginação.
(VIGOTSKY, 1982. P.17)
Acreditamos pelas vias de fato que, o trabalho com o reabilitando, DV,
é facilitado quando este já tiver consciência das suas reais necessidades e,
em conseqüência deste fator, já ter uma larga experiência conceitual do que é
o mundo e do que ele representa para si, mas, mesmo assim, alguns destes
conceitos têm de sofrer reforço.
2.3
–
CARACTERIZAÇÕES
BÁSICAS
DE
APOIO
NO
ENSINO
APRENDIZAGEM DA ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
2.3.1. CARACTERIZAÇÃO DO DOMÍNIO PSICOMOTOR
O homem já, desde o seu nascimento traz consigo capacidades e
possibilidades inatas, poderíamos dizer que todas as janelas voltadas ao
aprendizado, dispostas no córtex cerebral estão abertas e passíveis de serem
trabalhadas, estimuladas, logo, estas duas reminiscências desenvolvem-se
mediante
estimulação adequada de forma que, quanto mais cedo forem
objetivadas com um trabalho representativo, onde possam ser postas à prática,
as suas especificidades, melhor será a sua capacidade de assimilação, desde
que existam condições mínimas, de caráter sociobiopsicomotor satisfatório.
26
Se retomarmos agora a formação biológica de cada
indivíduo, com cargas genéticas diferentes, poderemos
postular aqui que as disposições inatas que individualizam
cada
homem
deixando
novas
marcas
no
seu
desenvolvimento não interferem no conteúdo ou na
qualidade das possibilidades de desenvolvimento, mas
apenas em alguns traços particulares da sua atividade.
(BOCK, A.M.B. et all, 1997. p.172)
Esta sábia afirmação só vem confirmar que, quanto mais cedo se fizer
a estimulação dos sentidos remanescentes e de forma adequada à
necessidade deste individuo que perdeu a visão, melhores serão os resultados
ante as proposições de um trabalho de reabilitação e, melhor será a lembrança
dos movimentos antes executados, até sem a verdadeira consciência da sua
importância e da sua realização, conseqüente melhora na qualidade de vida
deste no aprendizado.
O movimento é a chave da vida e existe em todas as
formas com que se apresenta. Quando o homem
desempenha
movimentos
intencionais
ele
está
coordenando o domínio cognitivo, psicomotor e afetivo.
Internamente o movimento está continuamente ocorrendo
e, externamente, ele sofre uma constante modificação
provocada
pela
aprendizagem
anterior,
pelo
meio
ambiente e pela situação imediata em que o indivíduo se
encontra.
(HARROW.1983. P.18).
27
É relativamente certo que, um trabalho que se estruture perante um
seqüencial e coordenação lógica, e que tenha a preocupação de se por a
prática uma forma educativa com estratégias claras de aprendizagem, há de se
tornar deveras eficiente mediante as suas determinantes.
2.4 – TÉCNICAS DE MOBILIDADE
A mobilidade acontece em duas etapas distintas: a mobilidade
dependente e a mobilidade independente.
Haja vista ser um conjunto extenso de técnicas, condicionadas de
acordo com as suas especificidades e emprego, é demasiadamente longa a
exposição das mesmas de forma literal a todas as suas possibilidades,
optamos então por fazer a compactação destas informações de modo a apenas
nos referenciar aos tópicos de maior relevância em função das mesmas, sem
que se descaracterize assim às suas funcionalidades.
2.4.1 MÉTODO INDIVIDUAL
Relação Técnico/Aluno, definição de recurso didático e operacional
voltado ás suas característica globais;
2.4.2 MOBILIDADE DEPENDENTE
Inclui o aprendizado de técnicas com a utilização do guia-vidente.
2.4.3 TÉCNICAS COM O GUIA VIDENTE
A prioridade desta técnica é dar ao DV a possibilidade de saber utilizar
esse método de locomoção. Está incluso também neste item; técnica para
troca de lado; locomoção por passagens estreitas; subida e descida de
escadas comum e rolante; acesso a veículos automotores; posicionamento
para sentar-se em cadeiras e à mesa; quebra de Hines, que é uma forma de
28
recusar a ajuda indesejável e, também colocar-se adequadamente de forma a
ser melhor guiado; passagem por portas;
2.4.4 MOBILIDADE INDEPENDENTE
Significa que o deficiente visual vai aprender a locomover-se sozinho,
com ou sem o uso da bengala.
2.4.5 TÉCNICAS UTILIZADAS EM AMBIENTES FECHADOS
Proteção superior e inferior; enquadramento e tomada de direção;
rastreamento;
2.4.6 INDEPENDENCIA NA LOCOMOÇÃO E NA ORIENTAÇÃO ESPACIAL
EM AMBIENTES INTERNOS E EXTERNOS
Utilização de diferentes terrenos para o treinamento das propostas,
suporte no equilíbrio, locomoção motora, de modo a lhe proporcionar
segurança na identificação e deslocamento por locais estruturalmente
diferenciados;
2.4.7 RECONHECIMENTO AMBIENTAL
Pistas, pontos
de referência, mapa
mental, contribuindo
para
aprimoramento dos demais sentidos (tato, olfato, audição);
Em resumo, aprender a fazer uso adequado deste conjunto de
percepções, como auxilio á sua movimentação, eleger, dentro da sua vida
diária e dos caminhos que percorre, os seus pontos de apoio (referenciais) e
facilitadores que o ajudem na identificação destes locais. Todos estes pontos
ligados a estrutura física do local.
Estruturar todos estes precedentes da aprendizagem de forma
organizada para organizar-se e iniciar-se na elaboração gradativa da solução
29
dos problemas na medida em que forem surgindo, formar a sua rede
referencial de informação própria, para uma locomoção satisfatória, objetiva e
agradável.
2.4.8 AUXILIO DA BENGALA LONGA
Uso da bengala em diagonal; toque com a bengala; rastreamento com
a bengala; subida e descida de escadas comuns e rolantes; detecção e
exploração de objetos; localização de portas fechadas e trincos;
2.4.9 BENGALA DE HOOVER
No decorrer da segunda grande guerra mundial um médico chamado
Richard Hoover, dos Estados Unidos da América, preocupou-se em oferecer
algum tipo de apoio aos soldados que retornavam deficientes visuais., de modo
a dar a estes a possibilidade de uma maior autonomia na locomoção, foi
quando inventou a técnica hoje conhecida como técnica de Hoover que se
baseia em, com uma bengala longa, tamanho disposto em função da altura do
indivíduo que a usa, tatear o solo através da sincronia do passo movimento e
da bengala, mais tarde, aperfeiçoada, e incorporada aos programas de
orientação e mobilidade. As técnicas têm como principal objetivo tornar o
deficiente visual o mais independente possível, fazê-lo assimilar as técnicas de
locomoção e identificação nos ambientes usando para isso a colocação
adequada da bengala, o seu potencial de aprendizagem e os seus sentidos
remanescentes, fazer orientar-se no espaço, caminhar sozinho.
2.4.10 Utilização Do cão-guia
Além de se requerer um bom treinamento em Orientação e mobilidade,
haverá a necessidade de um período de adaptação por parte da pessoa que
fará requisição do animal, cão-guia, e treinamento conjunto.
30
As técnicas de Orientação e mobilidades têm como principal objetivo
tornar o DV o mais independente possível dar ênfase à sua autonomia, fazê-lo
assimilar as técnicas de locomoção e identificação do ambiente usando para
isso a colocação adequada da bengala, o seu potencial de aprendizagem e os
seus sentidos remanescentes, fazer orientar-se no espaço, caminhar sozinho.
Em resumo, aprender o uso conveniente da sua audição, olfato, tato,
percepções sinestésicas, eleger, dentro da sua vida diária e dos caminhos que
percorre, pontos de apoio (referenciais) facilitadores e que o ajudem
na
identificação destes locais. Pontos estes ligados estrutura física do local.
Estruturar todos estes precedentes da aprendizagem e iniciar-se na
elaboração gradativa da solução dos problemas na medida em que forem
surgindo, formar a sua rede referencial de informação própria, para uma
locomoção satisfatória, objetiva e agradável.
31
CAPÍTULO III
CARACTERÍSTICAS DA DIFERENÇA SIGNIFICATIVA
3.1 IDENTIDADE
Uma das teorias que pretende dar conta do processo de construção da
identidade e a define é a de Erikson,
É
um processo de crescente diferenciação e torna-se
ainda mais abrangente à medida que o indivíduo vai
ganhando cada vez maior consciência de um círculo em
constante ampliação de outros que são significativos para
ele. A formação da identidade emprega um processo de
reflexão e observação simultâneas, um processo que
ocorre em todos os níveis do funcionamento mental, pelo
qual o indivíduo se julga a si próprio à luz daquilo que
percebe ser a maneira como outros o julgam, em
comparação com eles próprios e com a tipologia que é
significativa para eles; enquanto que ele julga a maneira
pela qual eles o julgam, à luz do modo como se percebe a
si próprio em comparação com os demais e com os tipos
que se tornaram importantes para ele. Este processo é, ...
em sua maior parte inconsciente.
(Erikson, 1976, p. 21)
Queremos dizer com este conceito que, a idéia de uma identidade vem
acompanhada de uma noção de normalidade, noção esta que dá ao indivíduo
uma certa sustentação, tanto teórica (no caso psicológica) como social.
32
Em
outras
palavras,
identidade
é
a
denominação
dada
às
representações e sentimentos que o indivíduo desenvolve a respeito de si
próprio a partir do conjunto de suas vivências. É a síntese pessoal sobre o si
mesmo.
A primeira reação quando da perda da visão pelo individuo, é a não
aceitação, é onde começa o uso dos mecanismos de rejeição, os primeiros
gerados pela própria pessoa, depois sob o aspecto daqueles que estão à volta:
a negação, choque, revolta, culpa, credibilidade na cura e posterior aceitação.
A deficiência visual surge como ameaça que mutila, mesmo que
aparente e temporariamente, a capacidade integrativa do indivíduo. Acaba
gerando o desconforto, porque ele mesmo não tem, ainda, a verdadeira
consciência do seu estado, não sabendo, portanto, de imediato, como ajudarse e ser ajudado, o que provoca uma diferença muito significativa, porque a
sociedade estipula padrões de normalidade que culturalmente vão se reconstruindo, sem a preocupação de serem adaptados primeiro com relação a
si, depois com o outro.
A sociedade estabelece os meios de categorizar as
pessoas e o total de atributos considerados como comuns
e naturais para os membros de cada uma dessas
categorias.
Os
“ambientes
sociais
estabelecem as
categorias de pessoas que têm probabilidade de serem
neles encontrados.”
(GOFFMAN.1982,p.11/12).
A imagem social do deficiente no mundo, e também no Brasil, começa
com uma base de questionamentos sobre este indivíduo que vão de forma
eliminatória, tentar uma classificação, de modo a estigmatizar a sua condição.
Não distante dos “modelos” pré-estabelecidos pela sociedade, começa
dentro do ambiente familiar, na maioria das vezes, uma forma de tratamento e
visão que somente agrava e re-afirma a descaracterização do indivíduo como
33
pessoa dita “normal”, que são os sentimentos de negação dos efeitos
causadores da deficiência, da in-cansável busca pela cura, a piedade, a visão
de compensações pela perda, a igualdade irreal.
Estas afirmativas surgem quase como que finalizadas, sem quaisquer
possibilidades de questionamentos, mas existe a necessidade de sabermos
quem é este indivíduo enquanto suposto ser que é/ou se torna deficiente visual.
É visto como incapaz, o não social, o ceguinho, o diferente, o pedinte, o
doente, objeto de expiração.
Quando
estas
tipificações
generalizadas
são
consideradas como se fossem verdades universais, se
constituem nos chamados estereótipos. Estereótipos
representam uma forma poderosa de controle social,
constituindo os mecanismos cognitivos de manutenção
dos estigmas.
(Coleman, por Glat. 1995. p.21)
E mesmo por isso a sociedade pondera uma visão globalizada e
compactuada pela maioria, deste indivíduo, como vítima de uma situação a
qual ele não tem participação ativa, apenas é o sofredor de conseqüências,
dando parecer de que pela sua condição de deficiente visual ele teria o perdão
divino. Que precisa sempre de ajuda, incapacitado a qualquer ação de
autonomia.
3.2. RECURSOS METODOLÓGICOS
Empregamos, naturalmente, de algumas estratégias, como proposta
visando
facilitar a re-integração do DV. Tendo como base de acesso o
ensino/aprendizagem da Orientação e Mobilidade, trabalhamos com o resgate
do indivíduo como um todo, de forma artesanal, individualizada e direcionada,
disponibilizando assim um melhor estado a re-adaptação deste ao ambiente,
34
reestruturando o seu sentido espaço temporal, a sua consciência corporal, o
seu poder de percepção por vias diferenciadas.
Lançamos mão à motivação neste processo, fazendo ressaltar sempre
os melhores aspectos característicos ambientais, a auto-estima do indivíduo,
no estabelecer de uma postura adequada, para Goffman (1988: 114), “a
cegueira pode levar à impressão de falta de cuidado, por isso o cego deve
fazer um esforço especial para aprender ou reaprender a propriedade motora”,
e o objeto da aprendizagem, a OM, como fato propulsor e divisor de águas, que
criará possibilidades de regimentar com maior confiança a possibilidade de
movimento deste indivíduo, o movimento, além de abranger atos motores,
atinge também a dimensão social,
do ato
ir e vir. Com propriedade e
independência e re-organização..
A capacidade de se movimentar em espaços diferenciados será um
fator de conquista para o indivíduo DV, conquista de um espaço onde este se
projeta, da inter-relação que este deslocar proporciona, sendo assim,
desencadeará consequentemente uma melhor
organização mental, da
memória e re-construção de uma realidade de interação, inibitória ao
isolamento e estaticidade, “os movimentos expressivos do corpo, suas reações
tônicas, assumem uma dimensão social na medida em que se revestem de um
sentido pragmático ou simbólico para os outros”, (Lê Boulch. 1988. p.51).
Criar também estratégias onde o interesse por parte do indivíduo, seja
termo de atitude, propiciando descobertas, solicitando a sua capacidade de
tomar decisões, uso de linguagem clara e objetiva, acessível, proporcionar uma
dinâmica de ensino adequada, nem difícil que desanime e nem fácil que
desestimule, abrir parâmetros para a compreensão da utilidade do que está em
processo de aprendizagem, da funcionalidade dos quesitos postos a pratica.
O corpo necessita passar por várias e diferenciadas experiências. Há
necessidade de se trabalhar a re-construção de um sujeito social.( aquele que
tem uma história própria e, que pode ser referenciada).
35
A consciência de si mesmo ou experiência de si mesmo é
evidentemente o conjunto de retroações originadas das
interações
indivíduo-mundo,
mais precisamente sua
interpretação e memorização pelo sistema nervoso sob a
forma de conjuntos estruturados de informação e de
programas.
(VAYER. 1985.p.93).
Proporcionar assim, o alicerçamento da aprendizagem sob um plano
onde as interações sejam estabelecidas pelo próprio indivíduo.
3.3 EDUCAÇÃO DA MOTRICIDADE A EDUCAÇÃO DOS SENTIDOS
Funcionalmente convêm reafirmar a capacidade flexível, plástica,
mutável que o ser humano traz em si, isso funciona para dar prosseguimento
ao pensamento de que com determinadas necessidades enquanto ser
biológico, este tem de se adaptar, de elevar a sua capacidade de criar
condições físicas próprias e apropriadas, mesmo que temporárias, aos novos
ambientes que se formam à sua volta, da forma com que se pode entrar em
contato com este ambiente. De procurar frente a novas situações, a resolução
de problemas com a formulação de uma movimentação adequada ás suas
novas necessidade, ao seu novo estado de contato e percepção do ambiente.
É impróprio dizer que, alguns seres humanos, por questões naturais,
ao perderem a visão, têm como elemento condicionador à sua nova situação, o
desenvolver das suas capacidades perceptivas remanescentes de forma
compensatória á visão.
Todos os seres humanos, na verdade e, desde que estejam dentro de
padrões de normalidade onde possam desenvolver por meio da educação
estas potencialidades, terão de forma maior ou menor, um conseqüente
36
aprendizado e estabilidade uso destas habilidades. Sendo que, algumas
particularidades quanto a esse aprendizado, estão relacionadas a uma série
de fatores propiciados por carga genética, qualidade de vida, experiências
anteriores, enfim a um histórico pessoal e particular apropriado por este
indivíduo.
Já que, tendo como objetivo do nosso trabalho, a re-estruturação de
uma capacidade adequada de locomoção, temos por prioridade focar o
comportamento psicomotor do nosso aluno, que será indubitavelmente o
espelho do seu estado de espírito, consequentemente da sua capacidade de
compreensão (cognitiva) naquele momento.
Pautando um entendimento do que seja a motricidade, podemos
classificá-la como uma ciência que tem por objeto o estudo do homem, através
do seu corpo em movimento, nas relações formatadas com seu mundo interno
e seu mundo externo, logo, estruturar um trabalho de educação motora, ou
seja, re-educação motora para este indivíduo, requer elaborar uma atenção
direcionada a fazer com que estes movimentos sejam percebidos, analisados
e se tornem uma tarefa erigida com persistência. Aprender com as situações,
saber avaliar o seu desempenho frente ao objeto da aprendizagem, a
locomoção propriamente dita.
Educar os sentidos é estar aberto a uma nova forma de perceber as
novas experiências e de, mesmo, associar estas as experiências anteriores, de
formular estratégias de uma mudança de atitude onde a comunicação antes
visual habitue-se agora, de forma sonora, sinestésica, olfativa, tátil.
Este aprendizado se propõe a uma coordenação maior dos
movimentos, das percepções, tendo também como objetivos, propiciar
estímulos; trabalho com a sua visão funcional quando for o caso; detectar
dificuldades e recuperar os efeitos, de ordem emocional, cognitivo e motor,
então negativos, quando da instalação da deficiência visual; dar parecer de
limitações que existem e os graus diferenciados das dificuldades a serem
suplantadas.
Este aprendizado determina consideravelmente a necessidade de uma
pratica, do esforço do indivíduo que deve aos poucos tomar domínio do
37
ambiente a que se integra, e este aprendizado deve naturalmente seguir uma
continuidade onde é o estímulo que irá buscar nas habilidades motoras o
melhor de sua funcionalidade.
O desenvolvimento prático da OM. deve ser parte integrante do
processo
educativo
do
DV,
haja
visto,
sabermos
que
o
grande
comprometimento relativo a perda de visão, de forma total ou parcial
compromete a capacidade de movimentar-se
independente.
de forma voluntária e
38
CONCLUSÃO
Ao deparamo-nos com a estruturação deste trabalho de Orientação e
Mobilidade, sempre atuamos no sentido de um maior conhecimento, tanto do
emprego das técnicas, quanto na postura do profissional, como no trato com o
indivíduo portador de deficiência visual: cego ou de baixa-visão.
Angariamos esforços para que o nosso processo básico-fundamental
pudesse suplantar as dificuldades encontradas, baseando-nos em experiências
anteriores e no focar das necessidades mais imediatas destes indivíduos.
Este trabalho toma vulto pela qualidade das informações que se tornam
relevante a um processo de ensino/aprendizagem, as características práticas
individualizadas que são postas a observação, em caráter de flexibilidade do
processo a que se presta.
Complementamos a esses indivíduos, de forma cooperativa, uma
proposta de assimilação que dá continuidade ao seu caminho enquanto
cidadão, abrindo a ele uma possibilidade de acesso mesmo enquanto portador
de deficiência visual, sendo visto com respeito e gozando de dignidade, sendo
detentor do direito de ter uma vida tão normal quanto possível.
O trabalho realizado alcança sim, as suas finalidades, constrói sem
sombra de dúvidas, com a sua dinâmica, uma permissão à possibilidades, a
realização prática de um caminhar, locomover-se muito mais estruturado.
Chegamos com algumas dificuldades as nossas metas elaboradas e,
de forma relevante, sem dúvidas, alcançamos a estruturação de condutas
aceitáveis e apreendidas pelos indivíduos que se propuseram a oportunidade
de um re-aprendizado das suas capacidades (habilidades) locomotoras, estas,
confrontadas muitas vezes com suas experiências anteriores de modo a
acrescentar uma nova interpretação no valor expressivo do que consideramos
capacidade de locomoção com consciência e autonomia, sem mitos e sem
medo.
39
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de Professor: Orientação e Mobilidade. Brasília. SEESP/MEC. 2002
BRASIL. Ministério da Justiça – CORDE. Normas Internacionais do Trabalho
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__________.Cidadania e Inclusão. Modulo 02 A Gestão da Política de Inclusão
das Pessoas Portadoras de Deficiência. Brasília, Ministério da Justiça, 2000.
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subnormal em 03.09.2006
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Sociedade
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40
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18.09.2006
Tabela
de
Snellen
em
www.ip.usp.br/laboratorios/visual/psicof11.jpg Tabela de snellen em 18.09.2006
www.lerpraver.com/mobilidade Orientação e Mobilidade em 03.09.2006
42
INDICE
INTRODUÇÃO.................................................................................................................9
CAPÍTULO I.........................................................................................................
1. Conceito Histórico Social do portador de deficiências...................................12
1.1. O portador de deficiência............................................................................12
1.2. A Orientação e Mobilidade..........................................................................15
1.3. Revisão Conceitual.......................................................................... ..........16
1.3.1. Deficiência...............................................................................................16
1.3.2. Deficiência Visual.....................................................................................16
1.3.3. Visão Subnormal......................................................................................16
1.3.4. Baixa Visão..............................................................................................17
1.3.5. A Pessoa Portadora de Deficiência.........................................................17
.
1.3.6. Orientação e Mobilidade..........................................................................18
1.3.7. Orientação...............................................................................................18
1.3.8. Mobilidade...............................................................................................19
CAPÍTULO II........................................................................................................
2.Aspectos Pertinente a orientação e Mobilidade..............................................20
2.1. Objetivos de um Programa de Orientação e Mobilidade............................22
2.1.1. Objetivo Geral.........................................................................................22
2.1.2. Objetivos Específicos..............................................................................22
2.2. O Profissional de Orientação e Mobilidade.................................................23
43
2.3. Caracterização Básica de apoio no ensino/aprendizagem da Orientação e
Mobilidade..................................................................................................25
2.3.1 Caracterização do domínio Psicomotor....................................................25
2.4 Técnicas de Mobilidade...............................................................................27
2.4.1. Método Individual.....................................................................................27
2.4.2 Mobilidade Dependente...........................................................................27
2.4.3 Técnicas com o Guia-vidente..................................................................27
2.4.4 Mobilidade Independente.........................................................................28
2.4.5 Técnicas utilizadas em ambientes Fechados ..........................................28
2.4.6 Independencia na Locomoção e na Orientação espacial em ambientes
internos e externos...................................................................................28
2.4.7. Reconhecimento Ambiental.....................................................................28
2.4.8. Auxilio da Bengala Longa........................................................................29
2.4.9. Bengala de Hoover..................................................................................29
2.4.10. Utilização do Cão-Guia.........................................................................29
Capítulo III.............................................................................................................
3. Características da Diferença Significativa....................................................31
3.1. Identidade...................................................................................................31
3.2. Recursos Metodológicos.............................................................................33
3.3 Educação da Motricidade a Educação dos Sentidos..................................35
Conclusão..........................................................................................................38
Bibliografia Consultada......................................................................................39
Bibliografia Citada....................................................................................... ......40
Índice.................................................................................................................42
Indice de Anexos...............................................................................................44
Anexos...............................................................................................................45
Folha de avaliação.............................................................................................55
44
Índice de anexos
Anexo 1
Patologias mais comuns causadoras da deficiência visual...............................45
Anexo 2
Tabela de Snellen..............................................................................................48
Anexo 3
Classificação de níveis de deficiência visual.....................................................50
Anexo 4
Modelo de Formulário de Anamnese................................................................51
45
Anexo 1
PATOLOGIAS MAIS COMUNS CAUSADORAS DE DEFICIÊNCIA VISUAL
Sempre, quando focamos determinado objeto e as imagens formadas,
percorrem naturalmente os caminhos a serem interpretadas sem nenhum tipo
de transtorno nas vias do sistema visual, a visão é nítida, considerada normal,
e o olho é considerado emetrope ou normal.
defeitos da visão, os quais
Caso contrário temos os
destacam-se a miopia, a hipermetropia, o
astigmatismo, o estrabismo e a presbiopia..
Descrevemos a seguir uma lista descritiva de algumas patologias que
mais comumente afetam o sistema visual e que provocam os transtornos
visuais:
Glaucoma – é o conjunto de enfermidades que têm em comum o aumento da
pressão ocular, a perda do campo visual e a atrofia do nervo óptico. A forma
mais comum de glaucoma é conhecida como glaucoma primário de ângulo
aberto. Nesta condição, o nervo óptico é danificado lentamente e o paciente
perde a visão de forma gradual;
Catarata – caracterizada pela opacidade do cristalino, impedindo a passagem
da luz através do olho;
Corioretinite Macular
- É a causa mais freqüente de Uveite posterior. O
protozoário toxoplasma Gondii é intracelular, e embora encontrado em aves e
mamíferos, tem no gato seu hospedeiro definitivo. Sua predileção é por tecidos
fetais, cérebro e olhos, nestes últimos produzindo uma retinite necrosaste,
muitas vezes recidivante, e qualquer título positivo ao exame laboratorial é
importante para o diagnóstico; Atrofia Óptica – deterioração de uma parte ou de
todas as fibras nervosas do nervo óptico que levam as mensagens da retina ao
cérebro;
46
Retinopatia da Prematuridade – neurovascularização dos vasos retinianos
por excesso de oxigenação em prematuros. Há a formação de uma membrana
pós-cristalina e geralmente provoca descolamento da retina;
Retinose Pigmentar – Doença degenerativa primaria da retina, de transmissão
genética variável, autossômica ou ligada ao sexo, onde bastonetes e
posteriormente cones são destruídos com atrofia secundaria da retina e epitélio
pigmentar, começando na periferia média e poupando até mais tarde as
regiões maculares, de progressão lenta e inexorável, sendo a cegueira noturna
o primeiro sintoma assim como a deficiência de adaptação na mudança de
ambientes de iluminação diferentes, podendo apresentar como complicações
comuns à catarata, o glaucoma e a miopia, e fazer parte de síndromes com
surdo-mudez e tendo como resultado a amaurose (cegueira), apesar de serem
apregoadas soluções na medicina alternativa, hoje comprovadamente sem
sucesso;
Retinoblastoma - Tumor ocular hereditário de caráter recessivo, uni ou
bilateral, maligno, metastatisante;
Subluxação do Cristalino ou Marfan - Doença de caráter autossômico.
dominante do tecido
conectivo, com
características de aumento do
comprimento dos ossos longos, mãos e pés, cardiopatias, a alterações
oculares, entre elas o deslocamento dos cristalinos;
Anidria - ausência ou má formação congênita da íris;
Albinismo – doença causada pela ausência de pigmentação nos pelos, pele e
íris;
Pterígio – membrana vascular, proveniente da conjuntiva que invade a
córnea, subindo por cima desta, provocando uma mancha branca. Provoca
vermelhidão e prurido;
Diabetes - A base do comprometimento desta doença é vascular a nível capilar
e acomete portanto todo o organismo. Nos olhos podem ocorrer: paralisias
musculares, neoproliferação vascular iriana (rubeose) e glaucoma, catarata
precoce; alterações refratárias transitórias; comprometimento vítreo; papilite,
papiledema, neurites e atrofia óptica; Retinopatia, com micro aneurismas,
47
microhemorragias, alterações vasculares e neovasos, exsudatos, edema, e
pode ser "não proliferativa" ou "proliferativa", e é causa importante de cegueira.
Toda mulher deve ser vacinada antes de engravidar ou, de preferência,
no início da adolescência, pois o vírus da rubéola materna atravessa a
placenta, alterando o processo de formação embrionária.
Todas estas patologias e mais algumas outras de caráter não menos
importantes, criam limites ao indivíduo que as adquire, provocando assim
diferentes graus de deficiência visual e a cegueira.
48
ANEXO 2
Tabela de Snellen
Trabalha-se especificamente com dois tipos de tabelas, mas com as
mesmas finalidades, a primeira com letras, utilizadas para pessoas
alfabetizadas e a segunda com somente uma letra/sinal disposto em várias
posições, utilizadas para pessoas não alfabetizadas ou crianças.
Cada fileira é designada por um número, correspondente a distância na
qual um olho normal é capaz de ler todas as letras da fileira. Por exemplo, as
letras na fileira "40" são suficientemente grandes para que um olho normal veja
na distância de 40 pés.
Por convenção, a visão pode ser medida ou na distância de 20 pés (6 metros),
ou ainda mais perto, a 14 polegadas de distância. Para fins de diagnóstico, a
distância da acuidade é o padrão para comparação, sendo sempre testado
cada olho separadamente. A acuidade é marcada com dois números (por
exemplo, "20/40"). O primeiro número representa a distância de teste em pés
entre o quadro e o paciente, e o segundo representa a fileira menor das letras
que o olho do paciente pode ler. 20/20 é uma visão normal; 20/60 indica que o
olho do paciente pode apenas ler letras suficientemente grandes numa
distância de 20 pés, o que um olho normal pode ler numa distância de 60 pés.
49
Fontes:
Tabela de Snellen para não alfabetizados e crianças (conceito)
http://atlas.ucpel.tche.br/~nicolau/acuidade.htm em 18/09/2006
Tabela de Snellen para alfabetizados
http://www.raizamed.com.br/page29.html em 18.09.2006 em 18/09/2006
50
Anexo 3
Classificação de Níveis de deficiência visual
CLASSIFICAÇÃO
ACUIDADE
VISUAL
SNELLEN
ACUIDADE
VISUAL
DECIMAL
AUXÍLIOS
VISÃO NORMAL
20/12 a 20/25
1,5 a 0,8
BIFOCAIS COMUNS
PRÓXIMA DO
NORMAL
20/30 a 20/60
0,6 a 0,3
BIFOCAIS MAIS
FORTES LUPAS DE
BAIXO PODER
BAIXA VISÃO
MODERADA
20/80 a 20/150
0,25 a 0,12
LENTES
ESFEROPRISMÁTICOS
LUPAS MAIS FORTES
BAIXA VISÃO
SEVERA
20/200 a 20/400
0,10 a 0,05
LENTES ASFÉRICAS
LUPAS DE MESA DE
ALTO PODER
0,04 a 0,02
LUPA MONTADA
TELESCÓPIO
MAGNIFICAÇÃO
VÍDEO
BENGALA /
TREINAMENTO O-M
0,015 a 0,008
MAGNIFICAÇÃO
VÍDEO
LIVROS FALADOS,
BRAILLE
APARELHOS SAÍDA DE
VOZ
BENGALA /
TREINAMENTO O-M
SPL
APARELHOS SAÍDA DE
VOZ
BENGALA /
TREINAMENTO 0-M
BAIXA VISÃO
PROFUNDA
PRÓXIMO À
CEGUEIRA
CEGUEIRA
TOTAL
20/500 a
20/1000
20/1200 a
20/2500
SPL
Fonte: Sociedae Brasileira de Visão Sub-normal.
51
ANEXO 4
MODELO DE FORMULÁRIO DE ANAMNESE
DADOS PESSOAIS - DOCUMENTAÇÃO
NOME DO ALUNO..............................................................................
RG............................................. CPF...................................................
DATA DE NASCIMENTO....../....../.......
NATURALIDADE..................................
ENDEREÇO.........................................................................................
BAIRRO...................................................
MUNICIPIO.............................................
CEP.:........................................................
ESTADO...................................................
TEL...........................................................
DIAS DAS AULAS...................................
HORÁRIOS DAS AULAS........................
1ª AULA....................................................
ULTIMA AULA.......................................
PROFESSOR............................................
DATA DA ENTREVISTA.......................
DIAGNÓSTICO FÍSICO
APARENCIA ( ) AGRADÁVEL ( ) SATISFATÓRIA ( ) NEGLIGENTE
POSTURA ANDANDO.......... ( ) ERETA ( ) ARQUEADA
DE PÉ ................................. ( ) ERETA ( ) ARQUEADA
SENTADO............................ ( ) ERETA ( ) ARQUEADA
OBS.......................................................................................................................
...............................................................................................................................
..................
COMO CAMINHA
PASSOS ( ) VAGAROSOS ( ) RAPIDOS ( ) CURTOS ( ) LONGOS
POSIÇÃO DOS PÉS
( ) ARRASTADOS ( ) LEVANTA-OS COM EXAGERO ( ) AFASTA-OS
CONFUNDE PASSOS ...........................................
TEM PERCEPÇÃO DE LUZ...................................
PERCEBE VULKTOS CONTRA LUZ......................
PERCEBE OBJETOS GRANDES..........................
PERCEBE OBJETOS PEQUENOS.........................
(
(
(
(
(
) SIM
) SIM
) SIM
) SIM
) SIM
(
(
(
(
(
) NÃO
) NÃO
) NÃO
) NÃO
) NÃO
52
PERCEBE OBJETOS EM MOVIMENTO............
PERCEBE CORES............................................
( ) SIM ( ) NÃO
( ) SIM ( ) NÃO
AUDIÇÃO
LOCALIZA SONS EM AMBIENTES FECHADOS........ (
PERCEBE TRAJETÓRIA SONORA................................(
POSSUI SENSO DE OBSTÁCULO DESENVOLVIDO...(
DIRIGE O ROSTO PARA QUEM FALA..........................(
) SIM
) SIM
) SIM
) SIM
(
(
(
(
) NÃO
) NÃO
) NÃO
) NÃO
MEMÓRIA SINESTÉSICA – ORIENTAÇÃO
ORIENTA-SE EM RELAÇÃO AOS QUATRO CANTOS DE UMA SALA
( ) SIM ( ) NÃO
É CAPAZ DE FAZER O MAPA MENTAL DE UMA SALA APRESENTADA
( ) SIM ( ) NÃO
PERCEBE MOVIMENTOS DE VOLTA E MEIA VOLTA
( ) SIM ( ) NÃO
CONSEGUE DOBRAR A DIREITA COM PRECISÃO
( ) SIM ( ) NÃO
CONSEGUE DOBRAR A ESQUERDA COM PRECISÃO
( ) SIM ( ) NÃO
CONSEGUE VOLTAR PARA O LUGAR DE ONDE SAIU
( ) SIM ( ) NÃO
POSSUI CONCEITOS SOBRE RUAS, ELEVADORES, ESCADAS
ROLANTES, ESCADAS COMUNS, ROLETAS
( ) SIM ( ) NÃO
EQUILÍBRIO
ANDA EM LINHA RETA............................................(
TENDENCIA PARA A DIREITA................................(
TENDENCIA PARA A ESQUERDA...........................(
É CAPAZ DE CORRIGIR-SE ENQUANTO ANDA.....(
) SIM
) SIM
) SIM
) SIM
(
(
(
(
) NÃO
) NÃO
) NÃO
) NÃO
SENTIDO DE TATO
CAPACIDADE DE RECONHECER OBJETOS PEGANDOCOM AS MÃOS
( ) SIM ( ) NÃO
CAPACIDADE DE RECONHECER OBJETOS TOCANDO COM O CORPO,
PERNA, OMBRO, QUADRIL, PÉ)
( ) SIM ( )NÃO
POSSUI MANEIRISAMOS PENDULARES
( ) SIM ( ) NÃO
CASO AFIRMATIVO, QUAIS?..............................................................................
53
ANAMNESE
GRAU DE DEFICIENCIA
( ) CEGO ( ) CONGÊNITO ( ) BAIXA VISÃO ( ) ADQUIRIDA
CAUSA............................................................................................................
IDADE EM QUE OCORREU.......................................................................
EXISTEM OUTROS DEFICIENTES NA FAMÍLIA.................................
QUAL A DEFICIENCIA..............................................................................
OUTRAS PATOLOGIAS............................................................................
EXISTEM RAZÕES MÉDICAS QUE O IMPEÇAM DE CAMINHAR
........................................................................................................................
PORQUE PROCUROU O ATENDIMENTO DE OM................................
JÁ PASSOU POR ATENDIMENTO DE OM ANTES...............................
QUANDO....................................... POR QUANTO TEMPO......................
QUE ATIVIDADES DESENVOLVEU EM OM..........................................
CAMINHA SOZINHO....................................( ) SIM ( ) NÃO
COMO SE LOCOMOVE EM AMBIENTES FAMILIARES.....................
POSSUI MEMÓRIA VISUAL.......................( ) SIM ( ) NÃO
O QUE LEMBRA...........................................................................................
QUANTAS PESSOAS MORAM EM SUA CASA........................................
COMO É TRATADO PELA SUA FAMILIA...............................................
UTILIZA TRANSPORTE PUBLICO....................( ) SIM ( ) NÃO
QUAIS SÃO SEUS IDEAIS............................................................................
VOCÊ TEM ALGUM MEDO.........................................................................
COMO DEFINIRIA SUA VIDA.....................................................................
54
FICHA DE ACOMPANHAMENTO
NOME DO ALUNO..........................................................................................
DATA AULA
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
55
FOLHA DE AVALIAÇÃO
Nome da Instituição: UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
Título da Monografia: A IMPORTANCIA DA ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
NO PROCESSO DE REABILITAÇÃO PSICOMOTORA E INCLUSÃO DO
PORTADOR DE DEFICIENCIA VISUAL
Autor: MANOEL MARIANO DA SILVA NETO
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