Revista do Hospital
São Vicente de Paulo
Ano 2 • Número 3 • Jun-Jul/2011
Ortopedia
Medidas simples
podem prevenir a
fascite plantar
Pág. 9
Parar de
Fumar
Conheça as dicas e a
orientação do Serviço de
Antitabagismo
Pág. 10
Epidemia de
Dengue
Foco na assistência
garante sucesso do
tratamento
Informativo bimestral do Hospital São Vicente de Paulo
Prevenção e
cuidado
Prevista por especialistas para meados de abril, a queda nos casos de dengue infelizmente ainda
não ocorreu. A doença vem vitimando mais e mais pessoas e os óbitos não param de aumentar no Rio
de Janeiro. De 2 de janeiro a 14 de maio, foram 95.931 notificações, conforme relatório divulgado
pela Secretaria Estadual de Saúde. Por isso, essa terceira edição da Revista do HSVP traz como reportagem de capa as medidas adotadas por nosso staff médico para lidar com a epidemia. Nela, contamos que, além da prevenção à proliferação do mosquito transmissor, os cuidados básicos de atenção
ao paciente são a melhor arma contra a doença. É nesse aspecto, principalmente, que o HSVP faz a
diferença. Nossa congregação tem no humanismo a base de sua atuação seja na Saúde, na Educação
ou no Serviço Social. Podemos afirmar na Saúde, mais ainda. Quem está doente que, fica frágil, sente
dor. Por isso, o olhar humano, aliado à técnica médica, é a base da atuação de nosso corpo clínico,
de enfermagem e de nossos colaboradores, amparados na Pastoral da Saúde.
Em outra matéria de destaque, reforçamos os males do cigarro e mostramos um pouco do cotidiano do nosso ambulatório antitabagismo, que adota uma abordagem clínica e comportamental
para garantir o sucesso do tratamento daqueles que realmente desejam parar de fumar. São informações importantes, complementadas pela entrevista do médico e diretor geral do INCA, Luiz
Antonio Santini, nosso convidado para a coluna Personalidade, em comemoração ao Dia Mundial
sem Tabaco (31 de maio).
Você confere ainda a bela história de vida de um de nossos mais reconhecidos profissionais: o
cirurgião oncológico Alemar Salomão. Referência em sua especialidade, ele conta as lutas e vitórias
de quase meio século de dedicação incondicional a seus pacientes.
Ao mesmo tempo que está atento às questões mais urgentes e importantes de Saúde, o HSVP não
para. Estamos investindo em obras de infraestrutura que vão melhorar a sinalização, os acessos e a
mobilidade dentro de nosso hospital e demos o pontapé inicial para a reestruturação do atendimento na Emergência. Tudo isso para fazer você se sentir ainda melhor e mais seguro dentro do HSVP.
Desejo a você uma boa leitura.
Irmã Marinete Tibério - Diretora Executiva
EXPEDIENTE
SUMÁRIO
Combate ao tabagismo: um
desafio de todos
Mobilização contra a dengue
‘Acorde’ seus pés
Uma força para parar de fumar
Vermelhidão
nos olhos
Médico amigo
Glaucoma de pressão normal
Alice Romualdo
Notas
5
6
9
10
13
14
16
18
19
Errata
Na matéria Espaço do Conhecimento (edição nº 2), o ano de abertura da Biblioteca do HSVP
aos colaboradores foi 2008.
Hospital São Vicente de Paulo
Rua Dr. Satamini, 333 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: 21 2563-2121
FUNDADO EM
1930, pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo
Diretoria Médica
Eliane Castelo Branco (CRM: 52 28752-5)
Conselho Administrativo
Ir. Marinete Tiberio, Ir. Custódia Gomes de Queiroz,
Ir. Maria das Dores da Silva e Ir. Ercília de Jesus
Bendine
Conselho Editorial
Irmã Custódia Gomes de Queiroz - Diretora de
Enfermagem
Irmã Ercília de Jesus Bendine - Diretora da Qualidade
Irmã Josefa Lima - Coordenadora da Pastoral da
Saúde
Irmã Marinete Tibério - CEO do HSVP
Martha Lima - Gerente da Qualidade
Olga Oliveira - Gerente de Suprimentos
Sandro Eloi - Gerente do Capital Humano
PROJETO EDITORIAL e REDAÇÃO
SB Comunicação – tel.: (21) 3798-4357
Edição: Simone Beja
TEXTOS: Flávio Araújo
DIAGRAMAÇÃO: Sumaya Cavalcanti e Jairo Alt
APOIO EDITORIAL: Cláudia Bluvol
Impressão: Sol Gráfica
COLABORE COM A REVISTA DO HSVP
Envie suas dicas e sugestões de pauta para:
[email protected]
aconteceu
Mãos que cuidam merecem cuidado
De 7 de abril (Dia Mundial da Saúde) até 16 de maio, cerca de 900 pessoas, entre colaboradores do
HSVP, pacientes e até crianças do Colégio Marista São José da Tijuca reforçaram seus conhecimentos
sobre a forma correta de lavar as mãos. A campanha Saúde em Suas Mãos ressaltou a importância
de uma medida tão simples na redução das altas taxas de infecção hospitalar que, no Brasil, incidem
sobre 14% das internações, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “O resultado da campanha foi muito positivo e já estamos pensando em novas ações”, contou Paula Bacco, enfermeira do
Serviço de Controle de Infecção do HSVP e uma das coordenadoras da ação.
Semana da Enfermagem
A Semana da Enfermagem foi comemorada nos dias 11 e 12 de maio no
HSVP. No dia 11, houve celebração eucarística e confraternização interna.
No dia 12, houve o evento científico com o tema Acreditação Hospitalar.
“Tivemos a participação de importantes profissionais do HSVP, trazendo informações relevantes para as discussões”, informou Adriana Costa (foto),
gerente de Enfermagem. Os debates atraíram cerca de 200 pessoas entre
profissionais de saúde do HSVP e de outros hospitais do Rio.
Prevenção é Saúde
Em comemoração ao Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio), o projeto Prevenção É Saúde, do HSVP, levou ao público palestra sobre os males do
cigarro, no sábado (28/5). A pneumologista Christina Pinho, que atende no
Ambulatório Antitabagismo do hospital, reforçou que o tabagismo é uma
doença, cujo tratamento depende diretamente da motivação do paciente.
“Daí a importância de realizarmos cada vez mais eventos de conscientização”, ressaltou.
Benchmarking com a China
Um grupo de sete profissionais chineses da área da Saúde visitou o HSVP no dia 16 de maio. Através da
Câmara de Comércio Brasil-China, os gestores vieram conhecer o hospital e se inteirar da proporção de
hospitais públicos e privados na cidade, da remuneração do profissional médico, da produtividade da emergência e do ambulatório, dos processos de qualidade, da gestão financeira e dos indicadores, como taxas de
ocupação e permanência e atuação dos convênios.
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 4
Combate ao tabagismo:
um desafio de todos
Redes públicas e privadas de mãos
dadas pela prevenção
Luiz Antonio Santini Rodrigues
da Silva, diretor geral do Instituto
Nacional de Câncer (Inca)
Por Flávio Araújo
P
esquisa recente do Ministério da Saúde mostrou
que o Brasil avança na luta contra o tabagismo.
Entre 2006 e 2010, a proporção de brasileiros fumantes caiu de 16,2% para 15,1%. O médico,
mestre em cirurgia torácica, Luiz Antonio Santini Rodrigues da Silva, diretor geral do Instituto Nacional de
Câncer (Inca), falou com exclusividade à Revista do
HSVP sobre os avanços do combate ao tabagismo
no Brasil. Santini frisou a importância de o Congresso
Nacional aprovar o Projeto de Lei 315/2008, do exsenador Tião Viana, que proíbe os fumódromos em
lugares fechados de uso coletivo.
Revista do HSVP - A que o senhor atribui a queda
no número de brasileiros fumantes?
Luiz Santini - Desde 1989, o Programa Nacional
de Controle do Tabagismo é articulado pelo Ministério da Saúde (MS) através do Inca e tem como
objetivo geral reduzir a prevalência de tabagismo e
a morbimortalidade por doenças relacionadas ao
tabaco. Para esse fim, é articulado um conjunto
de medidas legislativas, econômicas, educativas,
de comunicação e atenção à saúde, para prevenir
a iniciação de jovens no tabagismo, promover a
cessação e proteger todos dos riscos do tabagismo
passivo. Graças a essas ações, o tabagismo tem
declinado no Brasil.
Revista do HSVP - Onde a saúde privada pode atuar de forma mais efetiva no apoio à saúde pública
em relação ao controle do câncer?
LS - Por meio das orientações e campanhas de prevenção ao câncer, na divulgação - de modo amplo
- dos modelos de atenção em práticas preventivas.
Em caso de suspeita, a saúde privada permite à
parcela da população que pode pagar iniciar o
tratamento com agilidade, já que o câncer, quanto mais cedo for tratado, mais chance tem de ser
curado. Prevenção e detecção precoce são os pontos fundamentais nessa colaboração da saúde privada com o controle do câncer no país.
Revista do HSVP - Essas medidas de prevenção,
orientações e a consequente criação de uma “cultura saudável” já são disseminadas pelo diálogo
entre as redes privadas e públicas de saúde?
LS - Sim, o Inca recomenda a toda a população,
através das redes privada e pública de saúde, que
a combinação de alimentação saudável com a
prática regular de atividade física e o controle do
peso são capazes de prevenir 63% dos tumores de
boca, faringe e laringe, 60% dos tumores de esôfago e 52% dos casos em que a doença atinge o
endométrio.
Revista do HSVP - No Dia Mundial sem Tabaco
(31/5), que mensagem o senhor deixa para nossos
leitores?
LS - O tabagismo está relacionado a: 25% das
mortes causadas por doença coronariana, 85%
das mortes causadas por bronquite e enfisema;
90% dos casos de câncer no pulmão (entre os
10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos); e 30%
das mortes decorrentes de outros tipos de câncer,
como boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas,
rim, bexiga e colo de útero. Por isso, a informação para prevenir a iniciação no tabagismo,
promover a cessação e proteger contra o fumo
passivo são tão importantes. São necessárias várias estratégias simultâneas, como campanhas de
informação pública, implementação de leis para
proteger os não fumantes da exposição passiva,
aumento dos preços dos cigarros e, proibição de
venda a menores. Algumas dessas estratégias têm
avanços já conquistados, mas ainda é necessário
perseverar nesse esforço.
Hospital São Vicente de Paulo I pág. 5
Mobilização contra a dengue
Prevenção, treinamento, informação e
cuidado são as melhores armas
F
amosa por suas análises de crises econômicas, a jornalista Míriam Leitão, da Rede Globo, enfrentou uma crise diferente no início de
março: a dengue. “Descobri com a dengue que
cada caso é único e não há um padrão que ajude
a pessoa a identificar a doença. Eu tive dor abdominal, seguida de uma pequena mancha vermelha
no braço. A febre só veio depois”, relata a jornalista. Responsável pela Gerência Médica do HSVP,
Cláudia Nastari explica que a dengue se manifesta
de forma diferente em cada paciente. “Qualquer
doença causada por agente microbiológico pode
se comportar de forma distinta dependendo das
condições entre o agente e hospedeiro. Há pessoas que vão ter dengue se apresentando nas formas
leves e outras nas graves, podendo evoluir para
óbito”, detalha a médica.
Míriam estava em uma fazenda, em Minas Gerais, onde pretendia aproveitar uma pequena folga
de carnaval de suas atribuições no rádio e na TV.
Os planos eram revisar seu novo livro e preparar
o prefácio de outro. No quarto dia, foi obrigada a
voltar ao Rio e sua sorte foi que, instintivamente,
ela parou com qualquer medicação, hidratou-se e
procurou ajuda médica logo que chegou. “Tive dor
em todo o corpo, até nas plantas dos pés. Fiquei
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 6
Foto: divulgação
Jornalista da Rede Globo, Míriam
Leitão foi uma das vítimas da dengue
prostrada, com uma coceira insuportável. Não me
alimentava e a ressaca da doença me deixou mal
por, pelo menos, 15 dias”, descreve a jornalista,
que se diz traumatizada com a doença e, agora, é
fã número 1 do repelente de mosquito.
Para a médica Cláudia Nastari, “esse período de melhora do quadro é justamente o
que requer maior atenção quanto aos sinais
de alarme, como sangramentos, vômitos e
dor abdominal persistentes, tonteiras, palidez,
suor frio e manchas vermelhas no corpo, que
indicam a necessidade de procurar assistência
médica imediata”.
O paciente pode vir a ter o quadro piorado,
sofrendo ameaça de choque porque o vírus da
dengue transforma a parede do vaso em um filó,
uma espécie de peneira. O líquido que está dentro
do vaso sai. O doente perde líquido para dentro
do próprio organismo. Para os médicos, a taxa de
hematócrito no exame de sangue indica a perda
desse líquido de dentro do vaso sanguíneo.
Mobilização e atendimento
diferenciado
De acordo com a Irmã Marinete Tibério, diretora executiva do hospital, em janeiro, 4.026
pessoas foram atendidas com suspeita de dengue
no HSVP. Esse número veio crescendo ao longo
dos meses e, em abril, atingiu 5.562. “Os exames sorológicos realizados nesse período nos dão
uma ideia da epidemia que enfrentamos. Em janeiro, foram 98 e chegamos ao fim de abril com
514 testes de dengue realizados, um aumento de
procedimentos acima de 400%”, enumera a Irmã
Marinete, destacando ainda como o HSVP se preparou para dar conta dessa demanda. “Criamos
um fluxo de atendimento para retorno do paciente, ou seja, ele já sai do atendimento com a solicitação de novo exame para 24 ou 48 horas depois. Recebe uma caderneta com o resultado dos
exames e orientações gerais, além de um folheto
informativo mais detalhado sobre a doença.”
Outras medidas foram implantadas, como o
encaminhamento do paciente com suspeita de
dengue direto ao pré-atendimento para avaliar
sinais de gravidade e, caso existam esses sinais,
atendimento médico, hidratação imediata e atendimento laboratorial. “Instalamos no box seis da
emergência, no lugar de um leito, cinco cadeiras
r e c l i - náveis para hidratação e acompanhamento dos pacientes”, explica a Irmã
Marinete. De janeiro a abril, 59
pessoas foram internadas no
HSVP por causa da dengue.
O alerta da doença foi acionado no
hospital antes do
verão, com o possível crescimento dos casos
na cidade. O
setor de Infec-
Cláudia Nastari, responsável pela
Gerência Médica do HSVP
tologia, em trabalho conjunto com os órgãos da
Prefeitura, acionou a Gerência Médica, que avisou à Emergência um reforço nos procedimentos.
“Em setembro passado, a Secretaria Municipal
de Saúde nos procurou, preocupada com possível epidemia da doença, e nos trouxe orientações para o atendimento e para a notificação da
dengue”, conta o chefe da Emergência do HSVP,
Celso Rodrigues. Ao mesmo tempo, o Ministério
da Saúde investiu em treinamento e divulgação,
disponibilizando um manual revisto e ampliado
de protocolos contra a dengue para todos os
médicos do Brasil. “No hospital, não tivemos nenhum caso grave por complicações de dengue.
Duas pessoas foram para o CTI, mas porque já tinham outras doenças crônicas e a dengue piorou
o quadro. Certamente, o cuidado no atendimento
colaborou para esse cenário positivo”, avalia a
médica infectologista Isabella Albuquerque.
Equipe experiente
Para o próximo ano, a preocupação é a chegada do vírus tipo 4. “A dengue 4 já chegou. Na
verdade, os tipos 1, 2 e 3 já circulam no Rio,
mas o tipo 1 é o que vem se apresentando com
maior frequência em 2011 e acometendo os mais
jovens de forma mais severa. Além disso, os não
expostos a qualquer tipo do vírus, em anos anteriores, correm risco de forma geral, considerando que a imunidade é específica para cada tipo.
Quando a pessoa tem a infecção pelo tipo 1, por
exemplo, ela nunca mais se repetirá. Ocorre que
o tipo 4 é 100% novo”, relata Isabella.
Para a diretora médica, Eliane Castelo Branco, o HSVP está preparado para enfrentar esse
desafio. “Realmente, a nossa equipe de Emergência conta com profissionais bem experientes
e já bem treinados em epidemias anteriores. A
maioria dos nossos médicos já trabalha aqui há
algum tempo e são capazes de prestar um aten-
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 7
dimento de qualidade.” Cláudia Nastari explica
a estratégia do hospital. “Nossos colaboradores
estão treinados nos protocolos do Ministério da
Saúde e o hospital se organiza estrategicamente
num plano de contingência interno para atender
essa demanda. De acordo com a diretora médica, novos leitos podem ser disponibilizados para
atender a pacientes com dengue. “Em caso de
emergência em saúde, com elevado número de
casos, o hospital é responsável social: cirurgias
eletivas podem ser adiadas para destinar leitos
para as pessoas acometidas pela doença, e temos leitos que são utilizados para exames, como
endoscopia, que também podem ser ocupados
por pacientes com dengue”, acrescenta Eliane
Castelo Branco.
Boa assistência é determinante para
o sucesso do tratamento
Com 28 anos de experiência na profissão,
Cláudia Nastari acredita que, para vencer a dengue, é preciso trabalhar na prevenção, informação à população e qualificação da assistência em
saúde. “Com o desenvolvimento tecnológico da
ciência, alguns profissionais têm se afastado de
conceitos básicos das ações em saúde: a escuta, o cuidado e a observação clínica; a dengue
nos remete a uma reflexão sobre o resgate dessas
boas práticas. É fundamental a capacitação dos
profissionais nos protocolos clínicos para adequada classificação de risco e definição de conduta”,
conclui Cláudia Nastari.
Dicas de prevenção
A dengue é uma doença causada por um vírus e
se manifesta por febre alta, dor de cabeça, dor
nas juntas, fraqueza, falta de apetite, manchas
vermelhas pelo corpo e, em casos graves, sangramento pela gengiva e nariz. Ela é transmitida
através do mosquito Aedes aegypti, que se re-
produz em água parada.
Ao identificar alguns dos sintomas, não se deve
tomar nenhum remédio, mas procurar imediatamente atendimento médico e ingerir muito líquido: cerca de três litros por dia, para adultos
e adolescentes.
Como evitar?
Nunca deixar água parada em nenhum recipiente, como garrafas, copos, bacias,
pneus, pratos de vasos de plantas e outros.
Guardar garrafas vazias de cabeça para baixo, jogar no lixo copos descartáveis,
tampinhas de garrafas e tudo que pode acumular água e manter o lixo fechado.
Verificar caixas d’água, que precisam ficar bem fechadas.
Limpar calhas de chuva e lajes para não haver acúmulo de água de chuva.
Limpar bebedouros de animais domésticos esfregando com bucha ou escova
dura e trocar a água diariamente.
Regar plantas com a mistura de uma colher de chá de água sanitária por um
litro de água.
Água sanitária também é larvicida e pode ser colocada em ralos.
Denúncias de lixo acumulado, imóveis abandonados, entulho ou qualquer informação sobre possíveis criadouros devem ser encaminhadas à Prefeitura do Rio
pelo site www.saude.rio.rj.gov.br
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 8
‘Acorde’ seus pés
Fascite plantar pode ser evitada com o
simples ato de espreguiçar-se pela manhã
P
ode parecer estranho, mas você sabia
que, ao despertar, a melhor forma de preservar a saúde dos seus pés é “avisá-los”
que você acordou? Esse é o conselho de
médicos e fisioterapeutas do HSVP para prevenir
um problema que se tem tornado comum: a fascite plantar. “Quando dormimos, a tendência é
ficarmos com os pés encurvados para baixo, relaxados, durante cerca de oito horas. Ao despertar,
muitas pessoas simplesmente pulam da cama e
esticam imediatamente os pés, causando distensão que, com o passar do tempo, inflama, originando a fascite plantar”, explica o ortopedista
Mario Henrique Loureiro, orientando que a prevenção dessa doença se dá, primeiramente, movimentando os pés antes de levantar-se da cama.
“É importante avisar os pés que o corpo vai mudar de posição. Vale espreguiçar-se, alongar. Ao
acordar, sentar-se na cama e apoiar o pé no chão
antes de se levantar ajuda muito”, detalha.
Na Fisioterapia do HSVP, que tem um índice
de cura da fascite plantar de cerca de 90%, a
recomendação é a mesma. De acordo com a
fisioterapeuta Denise Portugal, os pacientes são
orientados a “acordar” o corpo depois de despertar-se. “Movimentar os pés para a frente e para
trás, circularmente, mexer os dedos, são dicas importantes. Quando a pessoa já teve fascite, mes-
mo curada, deve fazer
massagens nos pés, por
exemplo, com um bastão
ou bolas crespas de plástico”, orienta.
O conjunto de nervos e
músculos que formam os pés
está ligado à chamada fascia plantar, uma membrana que recobre a planta
dos pés. A falta de exercícios físicos, associada ao
uso de calçados não apropriados, contribui para a
inflamação da fascia. “A doença é mais comum em
mulheres, pois elas não calçam com os pés, calçam
com os olhos”, diz Mário Loureiro, referindo-se ao
hábito de usar saltos muito altos. “Nesses casos, recomendamos ir baixando o salto aos poucos, pois,
se trocar de uma só vez, terá dor.”
Para Denise Portugal, a indicação do tratamento está diretamente ligada ao nível de dor
do paciente, e uma avaliação do que o levou ao
problema é fundamental. “É preciso avaliar como
estão as condições dessa musculatura. Fazemos
um histórico das atividades do paciente e uma
avaliação dos calçados utilizados. Não adianta
só tratar a dor do paciente, se ele voltar a incorrer no mesmo erro. Temos que tratar a dor, mas
orientar para que o paciente não volte a ter a
inflamação”, relata.
Ortopedia de ponta
Com 14 profissionais, chefiados pelo ortopedista Ilídio Pinheiro, esse serviço no HSVP oferece atendimento para casos de baixa a alta complexidades, utilizando sempre equipamentos com tecnologia de
ponta e material de primeira linha. Na opinião do especialista, no entanto, o diferencial fica por conta
da equipe médica. “Somos o mesmo grupo desde a fundação do hospital, acrescido evidentemente
de mais profissionais. Eu sou um dos primeiros membros da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos e muitos colegas aqui também o são, o que nos dá tranquilidade para trabalhar, seja nas
emergências, com casos gravíssimos, seja na questão da reconstrução óssea, devido a tumores ou
artroses”, conclui o médico.
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 9
Uma força para
parar de fumar
Ambulatório antitabagismo trabalha
com visão humanizada do paciente
D
uas pesquisas, realizadas em um intervalo
de pouco mais de 20 anos, revelaram um
panorama otimista em relação à dependência do cigarro no Brasil. Se em 1989 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
apontou que 34,8% da população fumava, em
2010, o Ministério da Saúde identificou que essa
taxa caiu para 15,1%. Para a médica pneumologista Christina Pinho, responsável pelo atendimento no Ambulatório Antitabagismo do HSVP, o
resultado é explicado pelas ações de proibição da
propaganda e mais informações sobre os malefícios do tabaco. “Certamente, as ações preventivas
do governo, ao longo desses anos, vêm dando
resultado na diminuição dos fumantes”, avalia. O
cenário, entretanto, ainda não merece tantas comemorações. A Organização Mundial da Saúde
(OMS) estima que o número de fumantes no mundo atingirá 1,6 bilhão em 2030 e que o número
de mortes anuais atribuíveis ao tabagismo atingirá
10 milhões no mesmo ano, sendo que 70% ocorrerão nos países menos desenvolvidos.
Baseada nos estudos sobre o cigarro e outras
dependências, Christina Pinho tem um olhar humano sobre o tratamento do doente, que aplica
no ambulatório do HSVP. “É preciso entender que
aquele doente chegou até o ambulatório em busca
de ajuda. Muitos pacientes me ligam envergonhados porque tiveram uma recaída. Prontamente, eu
respondo que não tem problema, que eles devem
voltar para conversarmos e bolarmos juntos uma
nova estratégia. O ser humano tem altos e baixos
e o meu papel de médica continua, independen-
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 10
temente de eles conseguirem ou não abandonar
o cigarro”, relata.
A abordagem tradicional da medicina no caso
de tabagistas não levava em consideração esse
olhar mais próximo do doente. Para a médica, a
pior estratégia no caso de recaídas é reprimir, brigar. Esse tipo de comportamento do médico só
piora o quadro. “Os pacientes ficam com medo
do fracasso e acabam faltando ou até desistindo
do tratamento. ”
A abordagem cognitivo-comportamental adequada a cada paciente é um dos diferenciais de
atendimento de Christina. No dia a dia, a relação
de confiança é estabelecida de tal forma que a
médica se torna quase uma amiga ou confidente.
“Uma das minhas pacientes falou com todas as
letras que seu melhor amigo era o cigarro, pois
ele estava com ela em todos os principais momentos de sua vida: acalmando quando brigava com
o filho; relaxando, quando estava com o marido.
Então, para muitas pessoas, o cigarro tem conotações emocionais importantes, às vezes vinculadas
à adolescência, aos parentes distantes”, detalha
a médica.
Ação facilitadora
De acordo com Christina, existem vários tratamentos para auxiliar quem quer parar de fumar,
como acupuntura, laser e homeopatia. Entretanto, no ambulatório do HSVP, ela aplica apenas
os recomendados pela Sociedade Brasileira de
Pneumologia: reposição de nicotina em adesivos,
chicletes ou pastilhas e outras drogas específicas. “O paciente sabe que parar depende muito mais dele do que de mim ou de
qualquer outro médico. Eu sou uma facilitadora, identificando em que fase ele está,
sua capacidade de abstinência e, a partir
daí, prescrevendo o tratamento.”
A literatura científica, de acordo com
Christina, ensina que há cinco fases do
paciente, em relação ao seu grau de motivação, para abandonar o tabaco. “Na pré- Christina Pinho é responsável
contemplação, a pessoa não está realmente pelo Ambulatório
interessada em se tratar. Ela vem ao ambu- Antitabagismo do HSVP
latório por causa da pressão ou do pedido
de um familiar mais próximo. A fase de contem- momento em que o paciente marca a data para paplação é quando a pessoa pensa em parar, mas rar. “Ao paciente que não está pronto para parar de
tem medo das consequências. Essa pessoa vem fumar, proponho um exercício mental que vai leváao ambulatório se instrumentalizar melhor sobre lo a perceber o que o motiva a fumar e que emoa proposta. Quando o paciente realmente quer ções o cigarro pode estar substituindo em sua vida.
se tratar, está na fase da ação e consegue parar Esse exercício o desperta para os gatilhos: aqueles
de fumar, pelo menos, por um tempo. A partir daí, pontuais que o induzem a fumar, como o café com
vem a quarta e mais difícil fase, que é a da ma- o pessoal do trabalho, o álcool com os amigos ou
nutenção, quando precisa dia após dia se manter coisas até mais simples, como jogar cartas ou um
sem o cigarro. Felizmente nem todos os pacientes anúncio de televisão”, explica Christina, ressaltando
chegam à quinta fase, que é a da recaída. Cos- que, identificados os gatilhos, o trabalho procura intumo brincar com os pacientes dizendo que parar terferir na rotina do paciente, evitando as ações que
de fumar é fácil. Difícil é não voltar.”
estão associadas ao cigarro.
De acordo com a médica, a motivação do paciente
é o segredo para vencer o tabagismo e ele
Gatilhos
só tem essa motivação quando tem consciência de
O paciente passa por consulta clínica, radio- seu problema e dos prejuízos que o cigarro traz.
grafia de pulmão e prova de função pulmonar. De- “Quando vem a fissura, o paciente precisa saber
pendendo do grau de dependência e do interesse exatamente o que está fazendo ao não acender
do paciente, ela avança mais um pouco, explica os um cigarro. Precisa entender que, para largar o
mecanismos da dependência e dos tratamentos e tabaco, terá que passar por alguns sacrifícios”,
sugere iniciar a reposição de nicotina, a partir do conclui Christina Pinho.
Na conta do cigarro: uma em cada oito mortes
Uma das principais causas de mortes prematuras e de incapacidades, o tabagismo representa um problema de saúde pública, não somente nos países desenvolvidos como também em
países em desenvolvimento, como o Brasil. O
tabaco, em todas as suas formas, aumenta o risco de mortes prematuras e limitações físicas por
doença coronariana, hipertensão arterial, acidente vascular encefálico, bronquite, enfisema e
câncer. Entre os tipos de câncer relacionados ao
uso do tabaco incluem-se os de pulmão, boca,
laringe, faringe, esôfago, estômago, fígado,
pâncreas, bexiga, rim e colo de útero.
Atualmente, o tabaco é um dos principais responsáveis pela carga de doenças no mundo,
causando cerca de uma em cada oito mortes.
Um em cada três adolescentes fumantes morrerá prematuramente devido ao tabagismo.
Fonte: Inca
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 11
Nos momentos de estresse, quando perdemos
alguém querido, passamos por dificuldades financeiras, problemas no trabalho ou, rompemos um
relacionamento, a resposta automática pode ser
o cigarro. Procure se acalmar e entender que momentos difíceis sempre vão ocorrer e fumar não
vai resolver seus problemas.
Se sentir muita vontade de fumar, para ajudar, você poderá chupar gelo, escovar os dentes
a toda hora, beber água gelada ou comer uma
fruta. Mantenha as mãos ocupadas com um elástico, pedaço de papel, rabisque alguma coisa ou
manuseie objetos pequenos. Não fique parado converse com um amigo, faça algo diferente, dis-
traia sua atenção. Saiba que a vontade de fumar
não dura mais que alguns minutos.
A pessoa que fuma fica dependente da
nicotina, que é considerada uma droga. E
daquelas bastante poderosas, pois atinge o
cérebro em apenas sete segundos. É normal,
portanto, que os primeiros dias sem cigarro
sejam os mais difíceis.
O mais importante é escolher uma data para
ser o seu primeiro dia sem cigarro. Esse dia não
precisa ser um dia de sofrimento. Faça dele uma
ocasião especial e procure programar algo que
goste de fazer para se distrair e relaxar.
Ao parar de fumar, você pode se sentir ansioso, com dificuldade de concentração, irritado, ter
dores de cabeça e sentir aquela vontade intensa
de fumar. Cada pessoa tem uma experiência diferente. Uns sentem mais desconforto, outros não
sentem nada. Mas não desanime: tudo isso vai
desaparecer, no máximo, em duas semanas.
Um estímulo a mais
Risco
Controlando a vontade
O Instituto Nacional de Câncer
disponibiliza dados e dicas importantes
para parar de fumar. Confira.
Recompense sempre seu esforço. Diariamente,
guarde o dinheiro que você gastaria com o cigarro e conte-o no final de cada semana. Pegue o dinheiro que economizou e compre um presente
para você ou para quem gosta. Se preferir, saia
para fazer um programa diferente.
Se você não conseguiu se segurar e fumou, não
desanime. A recaída não é um fracasso. Comece tudo novamente e procure ficar mais atento ao
que fez você voltar a fumar. O mais importante é
não usar a recaída como justificativa para continuar a fumar. Dê a si mesmo quantas chances
forem necessárias até você conseguir.
Exercícios, um recurso saudável
para relaxar
Respiração profunda: respire fundo pelo nariz e
vá contando até 6. Depois deixe o ar sair lentamente
pela boca até esvaziar totalmente os pulmões.
Relaxamento muscular: você pode esticar seus
braços e pernas até sentir os músculos relaxarem.
Relaxamento mental: nas horas em que a
vontade de fumar apertar, procure desviar o pensamento para situações boas que você tenha vivido ou queira que lhe aconteçam. Tente fechar os
olhos e lembrar uma música de que você goste e
que o acalme.
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 12
Estatísticas revelam que os fumantes, comparados
aos não fumantes, apresentam um risco dez vezes
maior de adoecer de câncer de pulmão; cinco
vezes maior de sofrer infarto; cinco vezes maior de
sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar e
duas vezes maior de sofrer derrame cerebral.
Além desses riscos, as mulheres fumantes devem
saber que o uso de anticoncepcionais associado
ao cigarro aumenta em dez vezes o risco de sofrer
derrame cerebral e infarto. Grávidas fumantes aumentam o risco de ter aborto espontâneo
em 70%; perder o bebê próximo ou depois do
parto em 30%; o bebê nascer prematuro em 40%
e ter um bebê com baixo peso em 200%.
Mas...
Você pode argumentar...
“Muitas pessoas fumam e não adoecem.
Outras não fumam e adoecem.” O importante é entender o que é se expor a riscos. Por
exemplo: se você atravessar uma rua movimentada
de olhos fechados, poderá chegar ao outro lado
sem se machucar - mas seu risco de ser atropelado
é bem maior do que se você atravessar de olhos
abertos na faixa de pedestres. Da mesma forma, se
você fuma, está se arriscando mais do que aqueles
que não fumam.
Vermelhidão
nos olhos
Sintoma nem sempre é de conjuntivite
V
ermelhidão nos olhos é sempre motivo de
preocupação e muitas pessoas logo a associam à conjuntivite, seguindo o perigoso
caminho da automedicação, com colírios e anestésicos. No entanto, fatores mais simples, como
alergia à poeira, ao pólen, aos cosméticos e outras
substâncias externas podem ocasionar esse mesmo
sintoma. A recomendação é sempre procurar um
especialista para fazer o exame e obter o diagnóstico correto.
Conjuntiva é a membrana - normalmente transparente - que reveste a parte interna das pálpebras e
a parte branca do olho, chamada esclera. Inflamações na conjuntiva e, até mesmo, em outras estruturas do olho podem deixar os olhos vermelhos, não
oferecendo, necessariamente, risco de contágio.
“Além das alergias, as uveítes (inflamação da úvea,
que compreende a íris, o corpo ciliar e a coróide) e
o glaucoma agudo são também causas da vermelhidão nos olhos, mas as conjuntivites é que estão
mais associadas a esse sintoma”, explica o médico
oftalmologista do HSVP, Flávio Rezende.
Muito comum no verão do Rio de Janeiro, a conjuntivite viral atinge pessoas que estão com baixa de
imunidade. Para evitar o contágio, é preciso lavar
as mãos constantemente, evitar levar os dedos aos
olhos e ter cuidado após cumprimentar pessoas ou
manipular objetos. “São vários tipos de vírus, mas
o adenovírus e o endovírus são as duas classes que
mais frequentemente causam a conjuntivite viral,
que predominou este ano no nosso estado. Já no
ano passado, a incidência maior foi do adenovírus,
mais grave, mais violento e que requer tempo mais
longo para ser curado”, detalha o médico, acrescentando que o adenovírus traz uma reação maior
e pode apresentar complicações. “Uma membrana pode se formar em cima da conjuntiva e, nesses
casos, precisa ser removida pelo médico, havendo
ainda a possibilidade de infiltração na córnea.”
O endovírus apresenta os mesmos sintomas,
como edema da conjuntiva e lacrimejamento, mas
não leva ao quadro de agravamento. “Após uma
semana, aproximadamente, o paciente fica curado. Já com o adenovírus, tivemos casos de pessoas
com conjuntivite durando dois meses ou por períodos superiores e com infiltrados na córnea por até
dois anos”, alerta Flávio Rezende. Outra conjuntivite contagiosa é a causada por bactérias, que pode
aparecer em qualquer época do ano, apresentando
secreção purulenta. A conjuntivite pode ainda ser
tóxica, ou seja, manifestar-se por reação adversa a
algum medicamento. “Nesses casos, basta suspender o uso do remédio que gerou a intolerância”,
explica o especialista.
Transplante de córnea e outros tratamentos
Além do atendimento clínico, o Serviço de Oftalmologia do HSVP é um dos mais abrangentes
do Rio de Janeiro e se destaca pela realização de transplante de córnea e cirurgias da catarata, retina e glaucoma. A córnea é o orgão do corpo humano com melhor resultado em transplante, porque a incidência de rejeição é muito baixa. “Para transplante de córnea, o paciente
precisa ter as demais estruturas do olho em perfeito estado”, explica Flavio Rezende.
O HSVP mantém uma parceria com o Banco de Olhos de Volta Redonda para o recebimento
de córneas. “Diferentemente de órgãos mais complexos e vascularizados, a córnea resiste em
bom estado para ser transplantada, por até sete dias, quando conservada em líquido específico. Com infraestrutura e procedimentos médicos adequados, as cirurgias costumam ser
sempre bem-sucedidas”, comemora Flavio Rezende.
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 13
Médico amigo
A trajetória de lutas e vitórias de Alemar Salomão,
uma referência em cirurgia oncológica
A
vocação – descoberta ainda menino –, o
destino – que o pôs recém-formado como
acompanhante de um tio que sofria de
câncer – e a religiosidade construíram o perfil de
um dos médicos de maior destaque do
HSVP. Alemar Roge Salomão conta,
em entrevista, por que escolheu a cirurgia oncológica como especialidade
de fé. São histórias emocionantes de
vidas salvas, de reconhecimento pelos
seus pares e da satisfação de praticar a caridade cristã na medicina,
há quase meio século.
Bom de prosa, esse mineiro de Uberaba, descendente de libaneses, encontrou no Rio de Janeiro
seu grande mestre, o médico Ary Frauzino, pelas
mãos de quem ingressou no Instituto Nacional deCâncer (Inca). Atualmente, Alemar é o médico
mais antigo do Inca e atua com profissionais
formados por ele. Em seu currículo, registramse ainda a chefia da emergência do Hospital
do Andaraí por 30 anos e o título de destaque
no Brasil, concedido pela Sociedade Internacional de Cirurgia Hepatobiliopancreática.
Muito longe das dificuldades que enfrentou
ao chegar à Cidade Maravilhosa, quando
o salário não cobria as despesas, hoje
em dia, o especialista declina de vários
convites para seminários e congressos
no Brasil e exterior. Na família, um orgulho a mais: os dois filhos médicos, que
dividem com ele os desafios e as alegrias
da profissão.
Revista do HSVP: Como foi o início da
sua carreira?
Alemar Salomão: Minha formatura foi
em 1966 e entrei no HSVP em 1970.
Estou há 41 anos no São Vicente. Comecei na unidade antiga, com o médico Ary Frauzino e aqui sempre tivemos
um ambiente maravilhoso, familiar.
Participei da formação desse hospital.
Além disso, trabalho no Inca
desde 1967 e, durante 25
anos, fui chefe da cirurgia do
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 14
instituto. Na unidade da Praça da Cruz Vermelha,
sou o médico mais antigo em atividade. Todos
os médicos do setor de abdômen foram meus residentes, foram criados por mim. Já poderia ter
me aposentado há 14 anos no Inca, mas não me
aposento porque lá posso dar um pouco mais de
mim, sobretudo aos mais pobres, e posso transmitir conhecimento e ensinamentos.
plicar que para tudo nessa vida há esperança;
que para Deus nada é impossível; que eles precisam ficar calmos, porque muita coisa pode
ser feita. Eu sempre converso com meus pacientes e começo essa conversa com uma frase que
li no Hospital Memorial dos EUA: “O sucesso
da cura veio porque procurei um médico e encontrei um amigo.”
Revista do HSVP: A medicina, para o senhor, é
uma vocação?
Revista do HSVP: O senhor falou de vencer batalhas e perder guerras, mas há guerras vencidas, não?
Alemar Salomão: Com sete anos de idade, eu já
tinha fama como castrador de porcos. Com um
canivetinho, eu retirava os ovários das porcas e
fazia desinfecção com fumo embebido em urina.
Desde então, eu já assinava no caderno da escola: doutor Alemar. Acho que isso é vocação,
sim. (risos)
Revista do HSVP: Por que o senhor escolheu a
cirurgia oncológica?
Alemar Salomão: Na vida, nada acontece por
acaso. Entrei em oncologia quando, acabando
a faculdade, meu tio teve câncer e vim para
o Rio acompanhá-lo até o seu falecimento.
Então, acabei me inspirando no cirurgião que
cuidou dele, o doutor Ary Frauzino. Comecei a
trabalhar com ele e, logo depois, ele me chamou para o Inca.
Nessa especialidade, somos muitas vezes ganhadores de batalhas e perdedores de guerras, mas
temos que lutar sempre. Agora mesmo, acabo de
falar com a família de um paciente cujo abdômen
estava tomado. Não foi possível fazer a cirurgia e
falei para eles que é preciso manter a esperança.
Para mim, não interessam longos dias, mas bons
dias. Que eles me tenham como amigo, porque o
que eu puder fazer pelo paciente vou fazer.
Revista do HSVP: Nesse aspecto, sua fé ajuda seu
trabalho?
Alemar Salomão: O cirurgião precisa ser muito amigo do paciente e de sua família, porque
trabalha com sofrimento. Quando um paciente
descobre que tem câncer, é um sofrimento geral, todos choram. No meio desse desespero,
entra o médico, que tenta colocar as coisas nos
seus devidos lugares: acalmar a família e ex-
Alemar Salomão: Muitas guerras vencidas. Aqui
mesmo no HSVP, operei uma garotinha que, aos
13 anos, tinha um câncer de intestino. Hoje, já se
passaram 41 anos de sua operação, ela se tornou
médica e ainda faz o acompanhamento comigo
no consultório. Tenho inúmeras passagens na minha vida profissional em que minha mão foi guiada por Nossa Senhora. Certa vez, tirei a bacia de
uma menina de 19 anos, uma cirurgia altamente
mutiladora. Muitos anos depois, ela virou artista
de cinema em um filme sobre deficientes físicos
e o câncer não voltou. Fiz outra cirurgia, esta no
Inca, com 15 horas de duração. O tumor da paciente atingia intestino, bexiga, veia e peritônio.
Anos depois, ela estava me esperando na porta
do instituto para me dar um presente. Sabe o que
era? Uma garrafa de cerveja. Ela juntou seus recursos e queria me dar algum agrado. Eu guardo
essa garrafa até hoje, fechadinha, com a cervejinha com que ela me presenteou.
Revista do HSVP: Essas são as maiores alegrias?
Alemar Salomão: Sim e não. São várias. Não tenho um único inimigo, posso afirmar sem medo de
errar. Operei milhares de pessoas que não podiam
pagar e sei que é dando que se recebe. Uma coisa
interessante e que me dá uma alegria enorme é
que eu operei nos últimos meses oito médicos. Isso
me faz muito feliz, pois, quando um profissional me
procura, está dando valor ao meu trabalho. Planto bondade e carinho e, na minha especialidade,
lido diariamente com muito sofrimento, mas não
levo esse sofrimento comigo. Levo apenas fé e a
consciência de ter feito o melhor. No dia seguinte,
certamente verei lágrimas, mas também verei um
sorriso. E, assim, sigo em frente.
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 15
Glaucoma de
Pressão Normal
Luisa Aguiar, médica oftalmologista
Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade
Federal do Rio de Janeiro
Residência médica em oftalmologia no Serviço de Oftalmologia do
Hospital Universitário Clementino Fraga Filho- UFRJ
Research fellow em glaucoma pelo Cole Eye Institute – Cleveland
Clinic
Médica do Serviço de Oftalmologia do Hospital São Vicente de Paulo
Médica do Departamento de Glaucoma do Serviço de Oftalmologia
do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho - UFRJ
Q
uando perguntamos ao paciente se ele
sabe o que é glaucoma, ouvimos respostas como: “uma doença que cega”, “pressão alta nos olhos” ou então apenas uma resposta
negativa e um ar de interrogação. Existe muita desinformação e muitos ainda pensam que pressão
intraocular alta é sinônimo de glaucoma. Não é.
E, realmente, o glaucoma pode levar à cegueira,
mas o diagnóstico precoce, o acompanhamento
e o tratamento corretos evitam esse desfecho na
grande maioria dos pacientes.
Glaucoma é uma neuropatia óptica decorrente da morte de células ganglionares da retina e
uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Calcula-se que a prevalência na
população geral seja entre 1,5% e 2%, podendo
chegar a 10% em populações de risco, como negros, idosos ou em pacientes com história familiar. Os principais fatores de risco são, portanto,
hipertensão ocular, raça negra, idade avançada
e história familiar de glaucoma, e o tratamento
consiste na redução da pressão intraocular (PIO),
através de colírios, laser ou cirurgia, com o objetivo de neutralizar a progressão da doença.
O diagnóstico de glaucoma é feito através
da observação do disco óptico durante exame
de fundo de olho, pois a morte das células ganglionares no glaucoma segue um padrão típico,
provocando o aumento progressivo da escavação do disco óptico, associado a defeitos de
campo visual. Outros exames, como tomografia
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 16
de coerência óptica (OCT) e HRT, podem ajudar
no diagnóstico.
O glaucoma primário de ângulo aberto é o mais
prevalente, seguido do glaucoma crônico de ângulo
estreito e dos glaucomas secundários, como o glaucoma cortisônico, glaucoma neovascular, glaucoma
pós-traumático e outros. Entre os pacientes
com diagnóstico de glaucoma primário de
ângulo aberto nos grandes estudos realizados, de 40 a 75% apresentam pressão intraocular normal e são classificados como
portadores de glaucoma de pressão normal,
subgrupo cada vez mais estudado, devido à
alta prevalência e dificuldade no diagnóstico.
A definição do glaucoma de pressão
normal é controversa, visto que a determinação da PIO normal é complexa. A definição ideal é: pressão normal é aquela
que não provoca dano ao nervo óptico. No
entanto, para cada paciente, essa pressão normal
é diferente e estabeleceu-se, com base em estudo
populacional, que PIO abaixo de 21 mmHg é considerada normal. Na prática, cada paciente tem
um limiar próprio de PIO, a partir do qual ocorre
morte celular. Exemplificando, uma pressão de 19
mmHg é considerada normal por critérios estatísticos, mas pode não ser normal para um determinado paciente, pois gera morte celular e determina o
surgimento do glaucoma. Portanto, a presença de
hipertensão ocular não é fundamental ao diagnóstico. Existe glaucoma sem pressão alta.
O mais típico é a concomitância de glaucoma
e pressão alta, pois a hipertensão ocular é o principal fator de risco. No entanto, muitos pacientes
apresentam hipertensão ocular com disco óptico
e campo visual normal, assim como existem pacientes que, apesar da PIO dentro
dos limites normais, desenvolvem
glaucoma. Podemos fazer um paralelo com câncer de pulmão e
tabagismo, simplificando em três
grupos: câncer de pulmão em tabagistas (glaucoma em pacientes
com pressão intraocular alta), tabagistas sem câncer (hipertensos
oculares) e não tabagistas com
câncer de pulmão (glaucoma de
pressão normal). Desse paralelo
podemos inferir, entre outras coisas, que o hipertenso ocular deve
ser monitorado, pois pode desenvolver glaucoma, e que pacientes com pressão
normal devem ser examinados com atenção, pois
também podem apresentar glaucoma.
O diagnóstico de glaucoma é feito com mais
frequência no grupo dos hipertensos oculares, pois
a detecção de hipertensão ocular em exame de
rotina é suficiente para levantar a suspeita. Nos
pacientes normotensos, a suspeita baseada na
pressão intraocular não existe, sendo necessária
uma avaliação mais cuidadosa do nervo óptico e
análise criteriosa dos fatores de risco, tornando o
diagnóstico mais difícil.
O glaucoma de pressão normal apresenta algumas características, além dos valores da PIO,
que o diferenciam do glaucoma primário. Há
mais hemorragia de disco óptico, os defeitos de
campo visual são mais centrais e profundos, é mais frequente em pacientes com
enxaqueca, pacientes com hipotensão
noturna, pacientes com apneia do sono e
pacientes com carótidas comprometidas.
Todas essas características estão relacionadas a uma regulação vascular anormal
e à redução do fluxo sanguíneo no nervo
óptico. Temos, portanto, no glaucoma de
pressão normal, dois mecanismos determinantes para o aparecimento e a progressão do glaucoma: o fenômeno mecânico determinado pela pressão intraocular e o
fenômeno vascular determinado pela redução do
fluxo sanguíneo.
O estudo pioneiro sobre o glaucoma de pressão
normal é o Normal Tension Glaucoma Study, publicado em 1998. Nesse estudo, 140 pacientes com
diagnóstico de glaucoma de pressão normal foram
divididos em dois grupos (um grupo tratado, através
da redução da PIO por colírios ou cirurgia e outro
grupo sem tratamento) e acompanhados por um
tempo médio de 6 anos. Houve progressão em 12%
dos pacientes tratados e em 35% dos pacientes não
tratados (diferença estatisticamente significativa). A
partir desse estudo, estabeleceu-se que o tratamento do glaucoma de pressão normal também consiste na redução da pressão intraocular. Observamos
que muitos pacientes não tratados não progrediram,
ou seja, podemos inferir que existem outros fatores,
tanto de risco como de proteção a serem estudados
e definidos. Os estudos mais recentes tentam definir
esses fatores, e muito se fala sobre fatores de neuroproteção, como o uso de tartarato de brimonidina,
e fatores de regulação do fluxo sanguíneo, como
uso de ginko biloba (redução de vasoespasmo).
Ao avaliar um paciente com glaucoma de pressão normal, devemos considerar os diagnósticos diferenciais, como neurite óptica isquêmica, neuropatia
compressiva, coloboma ou drusas de disco óptico,
entre outras. São sinais de alerta que indicam que
a alteração do disco óptico não ocorre por glaucoma: presença de baixa acuidade visual (menor que
20/40), pois no glaucoma a visão central é preservada, mesmo em estágios muito avançados, palidez do
disco óptico, idade menor que 50 anos e alterações
de campo visual respeitando o meridiano vertical.
Um caso clínico típico seria: mulher de 65 anos,
com história de enxaqueca e hipertensão arterial
sistêmica (descenso noturno exacerbado na monitorização ambulatorial da pressão arterial- MAPA),
pressão intraocular entre 16 e 19 mmHg, aumento
da escavação do disco óptico e defeito central em
campo visual computadorizado.
Enfim, o diagnóstico de glaucoma vai muito
além da medida da pressão intraocular. O glaucoma de pressão normal é uma realidade e requer
uma avaliação sistêmica e uma avaliação criteriosa do disco óptico. Recomenda-se que as pessoas,
principalmente aquelas com fatores de risco, sejam
avaliadas por um oftalmologista a partir dos 40
anos, independentemente da presença de sintomas
oculares. Apesar de não haver tratamento curativo
para o glaucoma, o diagnóstico precoce permite
evitar a progressão e consiste na melhor medida
preventiva existente.
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 17
Alice Romualdo
Do coma e risco de morte súbita para
uma vida sem restrições
H
á pouco mais de um ano, o HSVP passou
a adotar o slogan “Vocação para Cuidar”.
Muito mais do que uma estratégia de
marketing, para boa parte dos integrantes do hospital,
a frase espelha um cotidiano de atendimentos e
cuidados incondicionais. Principalmente quando
se trata do Serviço Social, que recebe diariamente
cerca de 100 pacientes, com quadros emergenciais
ou encaminhados por hospitais da rede pública de
saúde. A equipe, coordenada pela assistente social
Eliane Fernandes, coleciona centenas de histórias
de superação e vitórias, como a da dona de casa,
de 68 anos, Alice Romualdo.
Em tratamento de hipertensão arterial há quase
20 anos, através do Serviço Social do HSVP, Alice Romualdo foi surpreendida, no fim do ano passado, com
um quadro de pneumonia que a levou à Emergência, evoluindo para uma longa internação. “Quando
cheguei ao hospital, tinha apenas uma febre alta, mas
logo entrei em coma, paralisaram os rins e surgiram os
problemas no coração”, recorda Alice.
De acordo com a cardiologista Cristina Almeida, o quadro de saúde de Alice se agravou muito
naquele período. “Ela ficou internada no CTI, necessitou de ventilação mecânica (respiração por
aparelhos) e apresentou quadro de arritmia ventricular severa, sendo necessário choque elétrico para
reversão”, descreve a médica.
Alice apresentava ainda risco de morte súbita.
“A morte súbita é um evento de grande impacto na
sociedade. Porém, na atualidade, pode ser evitada com o implante de um marcapasso. Esse dis-
Acesso ao Serviço Social
positivo dispara um choque interno no coração no
caso de haver arritmia ventricular, como a que Alice
apresentou no CTI”, detalha Cristina Almeida, ressaltando que muitos outros procedimentos de alta
complexidade foram realizados pela cardiologia do
HSVP para garantir a recuperação da paciente.
Seria pouco provável, àquela altura, que Alice
sobrevivesse se não pudesse contar com um tratamento completo como o que recebeu no HSVP.
“É muito gratificante ver que o paciente beneficiado pelo Serviço Social tem consciência da oportunidade que lhe está sendo oferecida. E assim
aconteceu com a dona Alice e seus familiares.
Ela sempre se empenhou no tratamento, segue
as recomendações médicas à risca, e a família
colabora em tudo. A dedicação do paciente é
fundamental em qualquer caso médico”, avalia a
coordenadora Eliane Fernandes.
Atualmente, Alice leva uma vida normal e
nem mesmo dieta precisa fazer. “Eu já como
pouquinho mesmo, mas me alimento com
tudo o que é saudável, pois sei que
isso é muito bom para a saúde.” A
cardiologista Cristina Almeida
lembra que Alice usa medicamentos anti-hipertensivo e antiarrítmico, mas
explica que ela está bem
de saúde. “Atualmente,
ela está assintomática
e pode levar uma vida
sem restrições.”
Pessoas interessadas em atendimento no HSVP pelo Serviço Social precisam
procurar o setor, munidas de documentação completa. A partir daí, a equipe do
Serviço Social vai preparar um estudo para identificar o perfil socioeconômico
do candidato e saber, assim, se ele tem direito ao atendimento.
É obrigatório que o paciente candidato a atendimento tenha indicação médica
de alguma unidade pública de saúde. Somente com a referência do SUS sobre
o caso clínico, o processo de atendimento será iniciado.
Hospital São Vicente de Paulo - pág. 18
Estamos em obras!
Com um investimento de cerca de R$ 500 mil, o HSVP está em obras. As intervenções começam pelo muro
da Rua Dr. Satamini - que está recebendo revestimento imune às indesejadas pichações – e incluem novas,
iluminação e sinalização externa, até a reforma completa da entrada principal do hospital, com a
instalação de nova cabine da GPark, guarita para os usuários do serviço gratuito de van e mudança
da mão inglesa para a mão de trânsito usada no Brasil. “Nesta primeira fase, refizemos toda a pavimentação e concretagem de boa parte da rua. Compramos o software para a instalação da cancela
eletrônica e estamos revendo e ampliando a iluminação da colina”, detalhou a diretora executiva do
HSVP, Irmã Marinete Tibério. A próxima fase tratará do paisagismo nos jardins do hospital.
Novo aparelho de raios X
O HSVP conta agora com um moderno aparelho de raios X, totalmente
computadorizado, que permite, entre outras vantagens, trabalhar com
pacientes politraumatizados, sem exigir grande movimentação do corpo. A máquina faz a angulação, sendo comandada tanto da mesa de
controle quanto no aparelho e, dessa forma, possibilita exposições de
coluna, pélvis, exames de contrastes e hemodinâmica. “Esse equipamento traz mais agilidade para a nossa radiologia, reduz a quantidade
de radiação que incide no paciente e possibilita oferecer exames contrastados com ainda mais qualidade”, detalhou Denise Kineippe, a chefe da Radiologia. Para o médico
radiologista Márcio Almeida, essa tecnologia torna mais precisa a avaliação de obstruções do trato
digestivo superior, do intestino grosso e da extensão de área de comprometimento de tumor.
Mudanças no Serviço de Emergência
Outra área do HSVP que sofrerá mudanças para melhor atender aos pacientes é o
Serviço de Emergência. “Vamos reordenar o fluxo da Emergência, ampliando a ordem
de atendimento por risco para 24 horas e criar espaços facilitadores para agilizar o
atendimento desses pacientes que não estão em estado grave. Vamos criar um espaço
de cuidados e de procedimentos de menor complexidade”, explica a gerente médica
Cláudia Nastari. A obra de adequação da Emergência também atende a uma necessidade de trabalho dos médicos do HSVP, mas teve que ser adiada em razão do
movimento gerado pelos casos de dengue. “Agora que os atendimentos estão normalizados, as obras começarão no início do segundo semestre”, afirma a gerente.
Fisioterapia para internados
O Serviço de Fisioterapia do HSVP vem se destacando no atendimento aos pacientes
internados, principalmente os que sofrem de síndrome de hipomobilidade. “Essas
pessoas ficam por muito tempo acamadas e passam a ter complicações musculares,
articulares, ósseas e respiratórias, além do risco de formação de escaras”, explica o
fisioterapeuta do HSVP, Marcus Antônio Sena Pereira. O especialista reforça, ainda,
que os exercícios fisioterápicos contribuem também para melhorar o estado psicológico do paciente, que se sente mais animado pela perspectiva de recuperar seus
movimentos habituais. O HSVP mantém nove profissionais de fisioterapia atuando
em benefício dos pacientes internados.
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