UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Curso de Enfermagem Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca Internados no Hospital Regional de Taguatinga, 2007. Hellen Rodrigues Gonçalves Renata América Lima Torres Resende BRASÍLIA 2007 1 Hellen Rodrigues Gonçalves Renata América Lima Torres Resende Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca Internados no Hospital Regional de Taguatinga, 2007. Projeto apresentado como requisito parcial para aprovação na disciplina “Trabalho de Conclusão de Curso II” do curso de Enfermagem da Universidade Católica de Brasília – UCB. Orientador: Profª Drª. Maria do Socorro Nantua Evangelista Co-orientador: Drº. Hélio Bezerra da Silva 2 Termo de Aprovação Monografia defendida e aprovada como requisito parcial para obtenção do Título de Graduado em Enfermagem, defendida e aprovada em 05 de Dezembro de 2007, pela banca examinadora constituída por: ____________________________________________________ Dra. Maria do Socorro Nantua Evangelista ____________________________________________________ Dr. Hélio Bezerra da Silva ____________________________________________________ Dra. Leila Bernado Göttens Brasília UCB 3 Dedico este trabalho a Jesus, o meu Senhor, ao meu pai, pelo esforço na minha formação, ao meu amado esposo, pelo incentivo e paciência, aos meus irmãos, cunhados e sogra pelo apoio, e aos meus sobrinhos, pela beleza da inocência. Renata Resende Dedico este trabalho ao nosso Senhor Jesus Cristo, aos meus pais – Edmundo e Helena, pelo apoio, amizade e exemplo de fé e otimismo, a minha irmã - Eliete pelo carinho, incentivo e paciência, aos meus sobrinhos e aos meus amigos, em especial ao Dr° Hélio pelo apoio. Hellen Rodrigues 4 Resumo A insuficiência cardíaca (IC) é uma das principais doenças cardiológicas de maior impacto ao idoso e é considerada, do ponto de vista de saúde pública, uma das mais importantes causas de admissão hospitalar no SUS. (Tavares, 2004) Segundo Almeida (2001), a IC também está associada às limitações das funções cognitivas como a memória e a concentração e a um declínio da qualidade de vida (QV). Avaliar a qualidade de vida dos idosos com IC de classes III e IV na emergência de cardiologia do Hospital Regional de Taguatinga 2007. Trata-se de um estudo de corte transversal onde foram entrevistados 25 pacientes idosos portadores de IC internados no pronto socorro do Hospital Regional de Taguatinga. O instrumento utilizado foi o WHOQOL-OLD da Organização Mundial de Saúde (Grupo WHOQOL), com aplicação em outubro de 2007. Foi construída uma base de dados no software Microsoft Office Access® e a análise estatística, no SPSS. Houve uma baixa qualidade de vida nos idosos entrevistados, sendo a grande maioria do sexo masculino, tabagistas, etilistas, sedentários e com hipertensão arterial. A maior queda da QV se deu em função do comprometimento sensorial e limitação física, entretanto, os pontos positivos ressaltados envolvem o companheirismo, a religiosidade e o respeito de si pelas pessoas mais próximas. Mesmo com a observação da limitação na qualidade de vida dos idosos com IC, avaliou-se, positivamente, os aspectos psicológicos e emocionais, havendo necessidades de fortalecer ações preventivas. PALAVRAS - CHAVE: Qualidade de Vida, Insuficiência Cardíaca, Idoso. 5 Abstract In agreement with Tavares (2004), heart failure (HF) is one of the most prevalent cardiovascular disorders mainly for elderly patients. Also, is important cause admitted to the hospital in the SUS. Consistent with found of Almeida (2001), the HF is associated with decline in quality of life and, possibly, cognitive functions such as memory and attention. Value quality of life in the elder with heart failure functional class II and IV in hospital of Taguatinga cardiology emergency. This is a transversal cut study. We examined 25 elder patients admitted to hospital with HF. We used the instrument the instrument WHOQUOL – OLD of group quality of life the Health World Organization (WHOQOL Group). The interview was in october, 2007. After builded one base data in software Microsoft Office Access® and the static analyze was in SPSS. In this interview there was decrease in quality of life in the elder, the most of people in this study was male, smoker, drunker, sedentary and had the high blood pressure. The more important decrease in quality of life was associated with cognitive functions and physical restraint. However, the positive points were the companionship, the religion and the respect the other people. Despite decline in quality of life associated HF evaluated the positive point related with psychology and emotional aspect. However, there is important strengthen preventive actions. KEYWORDS: Quality of Life, Heart Failure, Elder. 6 Sumário 1 Introdução.............................................................................................................................9 1.1 Epidemiologia.......................................................................................................10 1.2 Insuficiência Cardíaca..........................................................................................12 1.2.1 Etiologia.............................................................................................12 1.2.2 Fisiopatologia.....................................................................................12 1.2.3 Alterações Cardiovasculares associadas ao Envelhecimento.............13 1.2.4 Aspectos Clínicos...............................................................................14 1.2.5 Classificação.......................................................................................16 1.2.6 Tratamento..........................................................................................18 1.3 Estilo de Vida.......................................................................................................22 1.3.1 Hábitos Alimentares............................................................................22 1.3.2 Álcool..................................................................................................23 1.3.3 Tabagismo...........................................................................................23 1.3.4 Exercícios Físicos................................................................................23 1.3.5 Atividade Sexual.................................................................................24 1.3.6 Aspectos Psicossociais........................................................................24 1.3.7 Estresse................................................................................................24 1.3.8 Hipertensão Arterial............................................................................25 1.3.9 Obesidade............................................................................................25 1.3.10 Dislipidemia........................................................................................27 1.3.11 Diabete melito.....................................................................................27 1.4 Qualidade de Vida.................................................................................................29 1.4.1 Saúde e Qualidade de Vida.................................................................30 7 1.4.2 Promoção da Saúde.............................................................................32 2 Objetivos...........................................................................................................................36 2.1 Objetivo Geral.......................................................................................................36 2.2 Objetivo Específico..............................................................................................36 3 Material e Métodos...........................................................................................................37 3.1 Campo de Estudo..................................................................................................37 3.2 Tipo de Estudo......................................................................................................37 3.3 Amostra.................................................................................................................37 3.4 Coleta de Dados....................................................................................................38 3.5 Critérios de Inclusão.............................................................................................38 3.6 Critérios de Exclusão............................................................................................38 3.7 Instrumento de Pesquisa.......................................................................................38 3.8 Análise...................................................................................................................40 3.9 Aspetos Éticos.......................................................................................................40 4 Resultado e Discussão.......................................................................................................41 5 Conclusão.........................................................................................................................55 6 Recomendações................................................................................................................55 7 Referência Bibliográfica...................................................................................................59 8 Anexos..............................................................................................................................65 8 1.0 – Introdução O idoso apresenta características próprias em relação a certas doenças, à resposta terapêutica e ao efeito adverso dos medicamentos. Também, constitui-se um grupo de maior risco para o surgimento das doenças crônico-degenerativas e, inclusive as enfermidades cardiovasculares. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Dentre as doenças crônicas de maior impacto no idoso a insuficiência cardíaca (IC) é definida como uma síndrome clínica na qual uma desordem estrutural ou funcional do coração leva a diminuição da capacidade do ventrículo de ejetar e/ ou de se encher de sangue nas pressões de enchimento fisiológico. (NETO, 2004). Em sendo assim, esta enfermidade é relevante do ponto de vista de Saúde Pública e é uma das mais importantes causas de admissão hospitalar no SUS, com impacto social e econômico, havendo uma necessidade de compreender e aprofundar o tema para que se possa organizar estruturas de saúde, otimizar os custos e, principalmente, melhorar a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes. (TAVARES, 2004). Para Almeida (2001), a IC está associada ao declínio da qualidade de vida e, possivelmente, ligado as limitações das funções cognitivas como a memória e a concentração. Daí a importância dos clínicos que trabalham com pacientes portadores desta patologia estarem preparados para investigar o estado mental de seus pacientes, já que o declínio cognitivo pode interferir com aderência no plano de cuidados. Neste sentido, a qualidade de vida está extremamente diminuída entre os pacientes com IC, daí a variedade de sinais e sintomas físicos e psicológicos apresentados pelos doentes. Esta doença é uma síndrome debilitante progressiva, nas quais os indivíduos frequentemente experimentam sentimentos de ansiedade, medo e depressão. E a constante 9 presença da limitação física e de sintomas psicológicos resultam numa diminuição da qualidade de vida. (SCOTT et al, 2004). A qualidade de vida está relacionada à auto-estima, ao bem-estar, a um bom nível sócio-econômico, ao estado emocional, interação social, atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, estado de saúde, aos valores culturais, éticos e a religiosidade, ao estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive. (VECCHIA, 2005). Enfim, podemos afirmar que a IC, conhecida também como câncer da cardiologia, reduz a qualidade de vida dos pacientes sendo influenciada pelo sexo, idade e tipo da doença. Então até que ponto esta qualidade de vida está reduzida? 1.1. – Epidemiologia Aproximadamente 23 milhões de pessoas da população mundial são portadores de IC, sendo que a prevalência registrada nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Japão, Espanha e Reino Unido é de cerca de 1% a 2% da população. (SOCESP, 2005). Cerca de 2 milhões de novos casos de insuficiência cardíaca são diagnosticados a cada ano no mundo, com tendência de elevação da incidência da doença. (NETO, 2004) Apesar de não se ter registros epidemiológicos confiáveis no Brasil envolvendo a incidência de IC, estima-se que até 6,4 milhões de brasileiros sofrem desta patologia. (NETO, 2004). Segundo Pereira et al (2006), existe um maior crescimento da população idosa em países em desenvolvimento do que os países desenvolvidos. No Brasil, os idosos representam 10 cerca de 10% da população geral. O censo de 2000 refere que a população idosa era de 15,5 milhões e que terá um crescimento para 18 milhões em 2010 e 25 milhões até 2025. Segundo os dados do Sistema Único de Saúde (2000), ocorreram cerca de 398 mil internações por insuficiência cardíaca no ano de 2000 com um registro de 26 mil mortes. Essas internações correspondem a mais de 30% das internações no sistema público de saúde e consumiram 33% dos gastos com doenças do aparelho circulatório, tornando-se a primeira causa de internação de pacientes maiores de 60 anos no SUS. E nos primeiros sete meses do ano de 2003 ocorreram 203.893 internações por insuficiência cardíaca, com ocorrência de 14 mil óbitos e uma taxa de mortalidade de 14,7%. (NETO, 2004). Estima-se que em 2025 o Brasil possua a sexta maior população de idosos do mundo, aproximadamente 30.000.000 pessoas, ou seja, 15% da população do país, e que a insuficiência cardíaca seja a primeira causa de morte por doença cardiovascular no mundo. (SUS, 2000). Enfim, a IC é, principalmente, uma doença de idosos. Tanto a incidência como a prevalência da doença aumentam exponencialmente com o aumento da idade. A taxa de prevalência, que é cerca de 1% com a idade de cinqüenta anos, chega de 6% a 10% nas pessoas com mais de 60 anos. A incidência aumenta de 4% no homem e 3% na mulher de 55 a 64 anos de idade, para 50% no homem e 85% na mulher de 85 a 94 anos de idade. (SOCESP, 2005). A taxa de mortalidade global por IC, dos pacientes internados pelo SUS no Brasil, aumentou entre 1992 e 2003. Ela é mais intensa no grupo maior de 65 anos, quando comparado com o grupo entre 45 e 64 anos, ao contrário do observado nos EUA, onde houve diminuição da mortalidade nos dois grupos etários. (NOBRE et al, pg. 61, 2005). 11 Segundo Villacorta et al (1998), pacientes idosos com IC atendidos em Unidade de Emergência apresentam alta mortalidade intra-hospitalar e pobre prognóstico após a alta, a curto-prazo. O tratamento atual ainda é insatisfatório. A maioria morre por falência circulatória, decorrente da progressão da doença. Maior vigilância e intervenções multidisciplinares poderiam melhorar a morbimortalidade e reduzir a taxa de reinternação. 1.2 – Insuficiência Cardíaca A insuficiência cardíaca pode ser definida como uma síndrome clínica na qual uma desordem estrutural ou funcional do coração leva a diminuição da capacidade do ventrículo de ejetar e/ ou de se encher de sangue nas pressões de enchimento fisiológico. (NETO, 2004). 1.2.1 - Etiologia As principais etiologias cardíacas da IC no Brasil são: doenças aterosclerótica coronariana, hipertensão arterial, agressão miocárdica pelo T. cruzi, agressão miocárdica pelo álcool, agressões virais, doenças valvulares e cardiopatias congênitas. (ALMEIDA, 2005). 1.2.2 – Fisiopatologia Segundo Almeida (2005), independente da etiologia, as alterações da função do coração ocorrem por conta de evidentes modificações, caracterizadas fundamentalmente por dilatação da cavidade e queda do seu desempenho sistólico, com conseqüente redução do débito cardíaco e ativação dos mecanismos de compensação. 12 Uma vez o miocárdio lesado, resultando em disfunção ventricular e queda do débito cardíaco, uma série de sistemas neuroendócrinos, são ativados. Dentre os sistemas essencialmente vasoconstritores e retentores de sódio, destaca-se o sistema reninaangiotensina-aldosterona, com ações tanto do ponto de vista sistêmico como tecidual, onde o aumento de angiotensina no próprio miocárdio leva à fibrose e induz hipertrofia. (CLAUSELL et al, 1998). Na insuficiência cardíaca ocorre ativação adrenérgica generalizada e retração do sistema parassimpático. A falta de estiramento dos mecanorreceptores situados no arco aórtico, nas artérias carótidas, nas arteríolas aferentes renais e no ventrículo esquerdo por causa da queda da pressão arterial ou do volume sistólico, diminui o influxo inibitório para o sistema nervoso autônomo que ativam vias eferentes simpáticas, promovendo vasoconstrição periférica, aumento da contratilidade cardíaca e taquicardia. (SOCESP, 2005). A vasoconstrição generalizada promove aumento da resistência vascular sistêmica e aumento da pós-carga para o ventrículo esquerdo, sobrecarregando um ventrículo já insuficiente. A hipoperfusão da musculatura esquelética leva ao metabolismo anaeróbico, produção de ácido lático, gerando fraqueza e fadiga. A hipoperfusão esplâncnica promove retenção de nitrogênio e sódio, disfunção hepática e isquemia mesentérica. (SOCESP, 2005). 1.2.3 – Alterações Cardiovasculares associadas ao Envelhecimento Independente de doenças associadas, o processo de envelhecimento associa-se a importantes alterações cardiovasculares. As artérias tendem a tornar-se rígidas com a idade, diminuindo a elasticidade e a complacência da aorta e grandes artérias. As artérias rígidas tornam-se menos distensíveis passivamente, e apresentam também menor capacidade para dilatar-se ativamente, resultando menor aumento do fluxo sangüíneo em resposta a maiores demandas ou estresse fisiológico. Essas alterações físicas tendem a aumentar 13 significativamente a sobrecarga mecânica no coração senescente, que necessita propulsionar o sangue através de artérias mais rígidas, não elásticas e menos distensíveis. A pressão arterial sistólica aumenta e a pressão diastólica cai, vez que as artérias rígidas perdem a elasticidade necessária para manter a pressão intravascular durante a diástole. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). O envelhecimento produz progressivas mudanças cardíacas estruturais. Espessamento das valvas aórtica e mitral pode ser observado. Calcificação e fibrose levam ao aumento em sua espessura e rigidez, podendo interferir com o fechamento. Nos vasos sangüíneos, observase a diminuição da elasticidade da parede vascular, conferindo-lhe maior rigidez. O número de miócitos diminui, ocorrendo aumento no tamanho dos remanescentes e maior deposição de células adiposas. No sistema de geração e condução do estímulo ocorre perda celular e substituição por tecido adiposo e fibroso. No nó sinusal, observa-se substancial diminuição do número de células marcapasso: cerca de 10% em relação a indivíduo saudável de 20 anos de idade. Ocorre deposição de tecido adiposo em volta do nó sinusal. Esse mecanismo pode produzir disfunção sinusal. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Uma das características mais marcantes do coração senescente é o relaxamento mais lento, em parte devido a diminuição da velocidade de enchimento e conseqüente prolongamento do tempo de enchimento ventricular. Dessa forma a disfunção diastólica é importante causa de insuficiência cardíaca no idoso. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 1.2.4- Aspectos clínicos da IC Os fatores de risco preditivos de hospitalização e de readmissões incluem o pouco conhecimento e a baixa adesão às recomendações para o autocuidado, que envolvem a restrição de líquidos e de sal na dieta, a monitorização diária do peso, a atividade física e o 14 uso regular das medicações. Um estudo com 113 pacientes ambulatoriais de uma clínica de IC identificou que existia falha sobre o que era ensinado aos pacientes em relação ao que eles entendiam e aplicavam na prática. (RABELO et al, 2007). A sintomatologia marcante é decorrente da queda do débito cardíaco que por sua vez determina progressiva intolerância ao esforço, sendo caracterizada pelo sintoma de dispnéia. (RABELO et al, 2007). A IC produz sintomas de fadiga e dispnéia progressiva aos esforços ou no repouso que, muitas vezes, é o principal motivo de procura por atendimento médico de urgência. No entanto há evidência dos benefícios da atividade física encontrada nos ensaios clínicos, que fez do exercício físico uma importante forma terapêutica na disfunção cardíaca crônica estabilizada. (RABELO et al, 2007). Outros sintomas que se observa na evolução da doença é uma tendência permanente à retenção de sódio e água nos quais surgem os sintomas decorrentes do quadro de congestão pulmonar, como ortopnéia, dispnéia paroxística noturna, tosse e sibilância. A congestão venosa sistêmica pode determinar sintomas de dor ou desconforto no hipocôndrio direito, pela distensão da cápsula hepática. (ALMEIDA, 2005). Em relação a estes sintomas é importante orientar os pacientes com IC quanto à aferição domiciliar do peso que tem importante papel no auxílio à percepção dos sinais de hipervolemia. O aumento de peso corporal de 1,3 Kg em dois dias ou de 1,3 kg-2,2 Kg em uma semana pode ser indicativo de que há retenção de líquidos. (RABELO et al, 2007). São ainda sintomas decorrentes do baixo débito crônico a fadiga, a sonolência, tonturas, oligúria, perda da massa muscular e a caquexia cardíaca. A presença de arritmias ventriculares e/ou supraventriculares pode determinar os sintomas de palpitações e tonturas. A disfunção ventricular pode se manifestar também por arritmia cardíaca, síncope, tromboembolismo sistêmico ou até mesmo morte súbita (ALMEIDA, 2005). 15 1.2.5 – Classificação da IC A classificação funcional da IC amplamente adotada é a da NYHA (New York Heart Association), que estratifica os pacientes em quatro classes de acordo com sua limitação para as atividades habituais. Contudo, o emprego de parâmetros vagos ou subjetivos na caracterização das classes funcionais faz que seu uso na prática clínica alcance baixa reprodutibilidade inter-observadores. (SOCESP, 2005). Classe funcional I – pacientes assintomáticos; Classe funcional II – pacientes sintomáticos somente aos grandes esforços; Classe funcional III – pacientes sintomático aos pequenos e mínimos esforços; Classe funcional IV – pacientes com sintomas em repouso. Uma outra forma de classificar os pacientes com IC seria no estadiamento da doença em relação ao acometimento estrutural do coração e o grau de manifestação clínica prévia, guardando correlação com a progressão da doença, sua gravidade e prognóstico. O estadiamento foi proposto pela AHA (American Heart Association): (SOCESP, 2005). Estágio A: pacientes sem anormalidades ventriculares em risco de desenvolver IC em virtude de condições comórbidas que são fortemente associadas com o desencadeamento da IC: hipertensos, coronariopatas, diabéticos. (ALMEIDA, 2005). Estágio B: pacientes que desenvolveram a doença cardíaca estrutural, que está fortemente associada com o desenvolvimento da IC, mas não têm sintomas de IC. Exemplos: hipertrofia ventricular esquerda, doença valvar cardíaca assintomática com dilatação ventricular, IAM prévio. (ALMEIDA, 2005). Estágio C: pacientes que apresentam IC sintomática prévia ou atual, associada com doença estrutural cardíaca. (ALMEIDA, 2005). 16 Estágio D: pacientes com nítidos sintomas de IC em repouso, apesar de máxima terapia farmacológica, e que necessitam de intervenções especializadas. Exemplos: pacientes que não podem ter alta do hospital, recorrência na hospitalização, pacientes com suporte inotrópico contínuo para alívio sintomático ou em assistência circulatória. (ALMEIDA, 2005). A classificação funcional ou o estadiamento da insuficiência cardíaca são importantes para: O planejamento terapêutico; A avaliação da resposta ao tratamento; O fornecimento de informações sobre o prognóstico da doença. (ALMEIDA, 2005). Enfim, a IC pode ser classificada de diversas formas: quanto ao tempo desde o aparecimento (aguda ou crônica), quanto à etiologia da IC (diabética, hipertensiva, isquêmica, valvar, inflamatória/infecciosa e outras), quanto à estabilidade atual do quadro (compensada ou descompensada). (SOCESP, 2005). Insuficiência cardíaca compensada e descompensada O termo IC compensada é usado na clínica para designar pacientes cujos sintomas e sinais de congestão pulmonar e/ou sistêmica foram aliviados pela terapia. Os pacientes descompensados são aqueles que apresentam sinais ou sintomas de piora clínica evidenciados por aumento da congestão pulmonar e/ou sistêmica ou pela evidência de má perfusão periférica. (SOCESP, 2005). 17 1.2.6 - Tratamento da IC O tratamento atual visa não apenas aliviar os sintomas, melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida, mas também prevenir o desenvolvimento e a progressão da doença, atenuar o remodelamento ventricular e reduzir a mortalidade. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). O tratamento da IC envolve medidas não-farmacológicas, farmacológicas e cirúrgicas, dependendo do estágio da síndrome. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). As medidas terapêuticas não farmacológicas são utilizadas na tentativa de minimizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com esta patologia, sobretudo, na forma grave e moderada. Quando usadas em conjunto, as medidas farmacológicas e não farmacológicas tornam o tratamento da IC mais eficaz. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Embora o tratamento da IC em idosos seja, em essência, similar ao das outras faixas etárias, é necessário considerarem-se os aspectos próprios relacionados às comorbidades, às interações medicamentosas e às alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas inerentes ao envelhecimento. A função renal deve merecer atenção especial, levando-se em conta o declínio da taxa de filtração glomerular com a idade, que interfere na eliminação de fármacos, especialmente dos excretados primariamente pelos rins. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Entre os medicamentos utilizados no tratamento da IC estão os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), os diuréticos, os betabloqueadores, os antagonistas dos receptores de aldosterona, os bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA-II), os digitálicos, os agentes vasodilatadores, os anticoagulantes e os antiarrítmicos. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 18 O uso dos BRA-II, em doses adequadas, são em geral bem tolerados pelos idosos e constituem boa opção, quando os inibidores da ECA provocam efeitos adversos. Os nitratos são amplamente utilizados em idosos na terapêutica da angina de peito e da IC refratária ao tratamento convencional. Os anticoagulantes necessitam comumente ser administrados a idosos com esta doença, devido à maior incidência de fibrilação atrial, porém é necessário a monitorização laboratorial para prevenir as complicações hemorrágicas. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Outra medicação utilizada são os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) produzem efeitos clínicos benéficos na IC crônica de todas as classes funcionais, de etiologia isquêmica ou não. Esses inibidores trazem melhora dos sintomas, capacidade de exercícios, classe funcional e qualidade de vida, e redução das hospitalizações por agravo da patologia em questão. Ademais, observou-se uma redução das dimensões ventriculares e melhora da fração de ejeção do ventrículo esquerdo durante o tratamento prolongado. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). A utilização dos digitálicos está reservada somente para os pacientes que permanecem sintomáticos após a otimização do tratamento com inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA), betabloqueadores e antagonistas da aldosterona. Deve-se ter cautela na administração dos digitálicos pelo risco de intoxicação digitálica devido às alterações renais que ocorrem nos idosos. (ALMEIDA, 2005). Os diuréticos aumentam a natriurese e a diurese, além disso, reduzem o volume intravascular, o volume ventricular, a pré-carga, a congestão visceral e os conseqüentes sintomas da doença. Apesar de não haver ensaios clínicos sobre o efeito de diuréticos na sobrevida de pacientes com IC, os efeitos de melhora da qualidade de vida e capacidade funcional são tão evidentes que praticamente não há questionamentos neste sentido. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 19 Segundo Almeida (2005), cabe ressaltar que nos idosos os diuréticos não devem ser usados como monoterapia, uma vez que seus únicos efeitos são o alívio ou a prevenção da congestão. Deve-se monitorar os efeitos colaterais dos diuréticos em função da hipopotassemia, hipomagnesemia, hiponatremia, alcalose metabólica, hipovolemia e piora da função renal. A aldosterona desempenha papel importante por atuar na retenção de sódio e água, na excreção de potássio e magnésio, estimulando a produção de fibroblastos e aumenta o teor da fibrose miocárdica, perivascular e perimiocítica, provocando rigidez muscular e disfunção. Assim, a espironolactona bloqueia os receptores de aldosterona, reduz a síntese e o depósito do colágeno, melhorando a função miocárdica. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Os bloqueadores betadrenérgicos são as principais drogas para o tratamento da IC. Sua indicação é fundamentada em inúmeros ensaios clínicos que demonstraram βbloqueadores associados aos inibidores da ECA, reduzindo a morbidade e a mortalidade decorrentes da doença. Porém, os β-bloqueadores não devem ser prescritos para pacientes descompensados, portadores de IC. (NOBRE et al, p. 77, 2005). Independente dos diferentes mecanismos de ação primária, os agentes vasodilatadores, como a hidralazina, tendem a melhorar o desempenho cardíaco, seja por diminuição da resistência vascular periférica (pós-carga), ou por redução da pré-carga, ou ambos. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Os antagonistas dos receptores de angiotensina II têm efeito terapêutico semelhante aos inibidores de ECA e são vasodilatadores, provocando a redução da resistência arterial periférica, reduzem a pressão diastólica final do VE (ventrículo esquerdo) e aumentam o débito cardíaco (DC). Além disso, modulam a estimulação neuro-hormonal e interferem na 20 remodelação ventricular, reduzindo a dilatação ventricular pós-infarto do miocárdio. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). O papel dos agentes antiarrítmicos no manuseio da IC não está ainda definido, porém, a elevada incidência de arritmias complexas e de morte súbita nessa síndrome sugere sua eventual utilidade clínica. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002) As recomendações atuais para o uso de anticoagulantes orais cronicamente na IC são: antecedentes de fenômenos tromboembólicos, fibrilaçao atrial e presença de trombo intracavitário. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Enfim os pacientes portadores de IC podem ser tratados basicamente com o tratamento clínico medicamentoso, que retarda a progressão da doença, mas não leva à cura, e com o tratamento cirúrgico de eleição, representado pelo transplante cardíaco que não é capaz de atender a todos os pacientes. (BREDA et al, 2006). Assim, formas alternativas de tratamento cirúrgico passaram a ser utilizadas na tentativa de aumentar a sobrevida destes pacientes, por vezes livrando-os do transplante cardíaco ou mantendo-os vivos até a realização do tratamento cirúrgico definitivo. (BREDA et al, 2006). Como já foi citado, o estilo de vida precário dos idosos, dentre eles suas comorbidades, influenciam no surgimento da IC, daí a importância de enfatizar a mudança de hábitos como planejamento terapêutico. 21 1.3 – Estilo de vida O estilo de vida de uma pessoa, tal como suas comorbidades, são fortemente associadas com o desencadeamento da IC. (ALMEIDA, 2005). Alguns hábitos cotidianos como a má alimentação, aumento do hábito de fumar, a falta de exercícios físicos e o estresse, predispõe as pessoas à obesidade, dislipidemias, hipertensão arterial, resistência à insulina e a diabetes, por sua vez, estas condições podem ampliar a freqüência da aterosclerose, responsável por aproximadamente dois terços dos pacientes com IC. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 1.3.1 – Hábitos Alimentares O consumo dos alimentos pode levar à ingestão de certos nutrientes que induzem respostas, às vezes, indesejáveis na pressão arterial e no sistema cardiovascular. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006). A intervenção nutricional visa à manutenção do peso ideal, com aporte adequado de proteínas, carboidratos, lipídios e restrição de sal e gordura. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). A manutenção do índice de massa corporal ideal conhecida é entre 18,5 e 24,9 Kg/m². É importante também o controle da circunferência da cintura, não devendo ultrapassar a 102 cm para homens e 88 cm para mulheres. Nos casos de sobrepeso ou obesidade, a perda de 5% a 10% do peso inicial, já traz benefícios ao paciente. O consumo de calorias deve estar de acordo com o gasto calórico diário, incluindo, o gasto com atividade física e evitando alimentos hipercalóricos e sem valor nutricional. A redução de peso está relacionada à queda da insulinemia, redução da sensibilidade ao sódio e a diminuição da atividade do sistema nervoso simpático. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006). 22 O sal deve ser diminuído da dieta para no máximo 6 g/dia de sal. Logo, se faz necessário a redução de sal adicional aos alimentos e reduzir ou abolir os alimentos industrializados, como enlatados, conservas, frios, embutidos, sopas, entre outros. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006). A ingestão de líquidos é liberada de acordo com as necessidades do paciente, devendo, no entanto, ser evitado o excesso ou a escassez. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 1.3.2 – Álcool O álcool deve ser utilizado, no máximo, 30ml/ dia para homens e 15ml/dia para as mulheres ou indivíduos de baixo peso. O álcool deprime a contratilidade miocárdica e pode precipitar arritmias cardíacas. Em presença de miocardiopatia alcoólica, a ingestão de álcool dever ser proibida. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 1.3.3 – Tabagismo O fumo é o único fator de risco totalmente evitável que pode levar o doente à morte. Isto significa que é um desafio em razão da grande dependência de nicotina que o cigarro provoca. Toda a equipe de saúde deve estar atenta a priorizar o cuidado individual ao extabagista, bem como, o apoio psicoemocional e a orientação de atividades físicas e a educação alimentar para compensar o ganho de peso. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 1.3.4 – Exercícios Físicos A prática regular de atividades físicas é recomendada para todos os cardiopatas, salvo com acompanhamento médico em casos mais graves. Os exercícios aeróbicos ajudam também 23 no controle de outros fatores de risco como o peso corporal, a resistência à insulina e a dislipidemia, reduzindo o risco cardiovascular em geral. O exercício físico pode reduzir os riscos de doença arterial coronária, redução da pressão arterial sistólica/diastólica, acidentes vasculares cerebrais e mortalidade geral. (NOBRE et al, pg. 85, 2005). 1.3.5 - Atividade sexual Vale ressaltar que a manutenção da atividade sexual pode contribuir para aumentar a auto-estima e melhorar a qualidade de vida, principalmente na fase idosa. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). Os pacientes estáveis são encorajados a manter sua atividade sexual, fazendo os ajustes necessários para evitar esforço em demasia e o surgimento de sintomas de IC. (RABELO et al, 2007). 1.3.6 - Aspectos Psicossociais O diagnóstico de IC provoca, na maioria das vezes, profundas mudanças nos seus desejos, nas tradições, nas culturas, para se fazer amizades e na atividade social. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002). 1.3.7 – Estresse Existem evidências do estresse emocional com o aumento da pressão arterial e da reatividade cardiovascular. O estresse crônico pode também contribuir para o desenvolvimento da hipertensão arterial. Assim, o controle do estresse emocional é necessário na prevenção primária da hipertensão arterial que é uma das comorbidades responsáveis pela IC. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006). 24 1.3.8 – Hipertensão Arterial A elevação da pressão arterial representa um fator de risco independente, linear e contínuo para a doença cardiovascular, tendo como complicações as doenças cerebrovasculares, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica e doença vascular de extremidades. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006). Segundo Sociedade Brasileira de Cardiologia (2006), a hipertensão arterial é entendida como mudanças estruturais das artérias e do miocárdio em conjunto com a disfunção endotelial e o remodelamento da musculatura lisa vascular. Os principais fatores de risco da hipertensão arterial são o aumento da idade, sexo e etnia, fatores socioeconômicos, alimentação, obesidade, álcool e sedentarismo. Estima-se que cerca de 60% dos idosos brasileiros são hipertensos. A maioria apresenta elevação isolada ou predominante da pressão sistólica, aumentando a pressão de pulso, e elevação dos eventos cardiovasculares. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006). 1.3.9 – Obesidade A obesidade é um dos mais antigos distúrbios metabólicos e é a mais importante desordem nutricional nos países desenvolvidos sendo crescente na população desses países. A obesidade está sendo considerada como uma epidemia mundial. No Brasil, é cada vez mais crescente a obesidade sendo distribuída em todos os estados, porém, proporcionalmente mais elevado nas famílias de baixa renda. (FRANCISCHI et al, 2000). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a ocorrência da obesidade nos indivíduos reflete a interação entre fatores dietéticos e ambientais com uma predisposição genética. Uma das principais causas dentre os fatores alimentares são o excesso de energia, 25 principalmente lipídios, favorecendo o aumento da adiposidade. A atividade física da população pode estar comprometida devido ao empenho no emprego, nos estudos e assim diminui o gasto energético do dia. (FRANCISCHI et al, 2000). Segundo Francischi et al (2000), para cada 10% do aumento no peso corporal se tem aumento na incidência de doenças coronarianas em 20% e esse risco pode ser mais elevado quando o ganho de peso está acompanhado pela redução na atividade física e alta ingestão de ácidos graxos saturados. Também, a hiperinsulinemia aumenta a síntese lipoproteína de baixa densidade predispondo a hipertrigliceridemia que aumenta o transporte arterial de colesterol e a síntese de lipídios endógenos, consequentemente, aumento na síntese de colágeno na parede vascular e na formação de placas de lipídeos nas artérias, predispondo à formação de ateroma e assim, elevando a probabilidade de ocorrência de problemas cardiovasculares. A obesidade extrema é reconhecida, há anos, como um fator de risco para insuficiência cardíaca. Dados de um estudo com base na análise de 5881 pessoas, com idade média de 55 anos, sendo 54% mulheres, que o aumento do índice de massa corpórea (IMC) em uma unidade aumentaria o risco de apresentar IC em 5% para os homens e em 7% para as mulheres. Quando se compara a evolução dos obesos (IMC de 30 ou mais) com os normais (IMC entre 18,5 e 24,9) os obesos apresentaram o dobro de chance de apresentar descompensação cardíaca, sendo este risco 2,12 para as mulheres e 1,90 para os homens. (BARRETO, 2003). Uma dieta controlada, com baixa ingesta de lipídeos, mais carboidratos, maior quantidade de fibras alimentares associadas com o exercício físico que melhora a capacidade cardiovascular e respiratória, diminui a pressão arterial em hipertensos e melhora a ação da insulina são fortes aliados na diminuição da obesidade. (FRANCISCHI et al, 2000). 26 1.3.10 – Dislipidemia As dislipidemias relacionadas às doenças cardiovasculares têm sido estudadas extensivamente e foi demonstrado que pessoas de países, grupos sociais ou raças que consomem grandes quantidades de gordura têm níveis elevados de colesterol sérico e maior incidência de aterosclerose coronariana e aórtica em relação àqueles que consomem menos gordura. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2001). Nos últimos anos, houve um aumento da prevalência de dislipidemia na população geral, caracterizada por altos níveis de LDL-colesterol e baixos níveis de HDL-colesterol, a qual está associada a um maior risco cardiovascular. As mudanças no estilo de vida, como o aumento do sedentarismo e hábitos alimentares ricos em carboidratos e gorduras, com conseqüente sobrepeso e obesidade, podem ser fatores contribuintes para o aumento dessa prevalência. (ARCANJO et al, 2005). Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2001), para que se tenha uma melhora no quadro de dislipidemia recomenda-se mudança de hábitos alimentares como reduzir a ingestão de colesterol e ácidos graxos, consumo crescente de fibras, soja, entre outros. Também, preconiza o consumo moderado de álcool, parar de fumar e exercícios físicos constantes para o melhor funcionamento cardiovascular. 1.3.11 – Diabetes melito Diabetes melito é um distúrbio que consiste na resposta secretória defeituosa ou deficiente de insulina, manifestando-se pela utilização inadequada de glicose pelos tecidos com conseqüente hiperglicemia. Os distúrbios do metabolismo da glicose podem causar complicações que envolvem doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial sistêmica, doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca, sendo que 75% dos pacientes diabéticos morrem por algum evento cardiovascular. (OKOSHI et al, 2007). 27 Levantamentos epidemiológicos realizados há mais de 30 anos já mostravam que homens diabéticos têm mais que o dobro de freqüência de insuficiência cardíaca do que os não-diabéticos. (OKOSHI et al, 2007). No Brasil, assim como em muitas outras localidades, o Diabetes melito está sendo reconhecido como um importante problema de saúde pública, principalmente nos países em desenvolvimento, onde tem ocupado um percentual de 30 a 40% das causas de morbidade entre adultos. (GUIMARÃES, 2002). A freqüência das complicações crônicas do DM do tipo 2 varia de acordo com as populações estudadas. Os pacientes com DM do tipo 2 têm uma propensão duas a quatro vezes maior de morrer por doença cardíaca. O comprometimento ateroesclerótico das artérias coronarianas, dos membros inferiores e das cerebrais é comum nos pacientes com diabetes melito (DM) do tipo 2 e constitui a principal causa de morte destes pacientes. Estas complicações macroangiopáticas podem ocorrer mesmo em estágios precoces do DM e se apresentam de forma mais difusa e grave do que em pessoas sem DM. Além disso, pacientes com DM podem apresentar problemas de visão, doença renal e dano neuronal, que são chamadas de complicações microangiopáticas. (SCHEFFEL et al, 2004). A resistência à insulina ocorre quando uma concentração normal desse hormônio produz uma menor resposta biológica nos tecidos periféricos, como músculo, fígado e tecido adiposo. A ativação do receptor de insulina resulta na translocação da proteína transportadora de glicose 4 (GLUT4) do citosol para a membrana celular, o que permite a entrada de glicose na célula. A resistência insulínica pode decorrer de diversos fatores: defeitos na secreção e/ou ação da insulina por menor número de receptores ou menor afinidade desses, redução na quantidade de GLUT4 ou na translocação de GLUT4 para a membrana, sendo este último considerado como o fator mais importante. (SANTOS, 2006). 28 O tratamento básico e o controle da doença dos tipos de diabetes 1 e 2 consistem, primordialmente, de uma dieta específica, de atividade física e do uso adequado da medicação (antidiabéticos orais e/ou insulina). O resultado é obtido através de uma educação específica, com a necessidade de adoção pelos portadores de diabetes de determinadas medidas e práticas comportamentais. (GUIMARÃES, 2002). Considerando a totalidade dos fatores que influenciam o adoecimento dos idosos à IC, como fazer a capacitação destes idosos para sair desta condição ou, pelo menos, amenizar a sintomatologia? Um fator importante, e que é crescente na área da saúde, é avaliar a qualidade de vida do paciente e não só observar a doença, mais explorar os meios que promovem a satisfação do indivíduo mesmo sendo portadores de patologia crônica. Visto que a IC compromete as condições de vida dos portadores, especialmente os idosos, e que o estilo de vida é um fator essencial para o acometimento da doença, faz-se necessário avaliar a qualidade de vida dos idosos portadores de IC e quais questões influenciam mais o declínio dessa qualidade. 1.4 - QUALIDADE DE VIDA A Organização Mundial de Saúde (2004) define qualidade de vida (QV) como “a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Segundo Seidl (2004), há relatos de que o termo qualidade de vida surgiu na década de 30 com o propósito de definição e avaliação da forma de vida das pessoas. A partir da década de 80, mais de 70% do total de instrumentos foram surgindo nesta época. Também, 29 evidenciou que esta avaliação estava sendo definida e mensurada na área de saúde pelos profissionais de setor e assim, tendo uma falta de clareza e de consistência em relação a conceituação da qualidade de vida . Na década de 90, estudiosos concordaram com dois aspectos essenciais do conceito para análise da QV, a subjetividade e a multidimensionalidade. A subjetividade é a percepção da própria pessoa entrevistada quanto à qualidade de vida, o que para ela é bem-estar, saúde, entre outros. Enquanto, a multidimensionalidade é a formação do construto por diferentes dimensões, se aplicado por meio de pesquisas, estudos empíricos, usando metodologias qualitativas e quantitativas. (SEIDL et al, 2004). Seidl et al (2004), relatou que os debates sobre a conceituação de qualidade de vida vêm estimulando o crescimento de pesquisas e sua utilização nos serviços de saúde, pela equipe profissional junto aos pacientes. A saúde e a doença estão vinculadas aos aspectos econômicos, socioculturais e estilo de vida. Logo, aumentar a qualidade de vida dos clientes passou a ser um resultado almejado tanto na assistência, como nas políticas públicas visando à promoção da saúde. A qualidade de vida está relacionada à auto-estima, ao bem-estar, a um bom nível sócio-econômico, ao estado emocional, à interação social, à atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, ao estado de saúde, aos valores culturais, éticos e a religiosidade, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive. (VECCHIA, 2005). 1.4.1 – Saúde e qualidade de vida Segundo Buss (2000), “a saúde é produto de um amplo espectro de fatores relacionados com a qualidade de vida, incluindo um padrão adequado de alimentação e nutrição, e de habitação e saneamento; boas condições de trabalho; oportunidades de 30 educação ao longo de toda a vida; ambiente físico limpo; apoio para famílias e indivíduos; estilo de vida responsável; e um espectro adequado de cuidados de saúde”. O entendimento de saúde deve abranger não só a ausência de doença, mas também o bem-estar e a qualidade de vida. Segundo Buss (2000), estudos mostram que o Brasil, assim como outros países da América Latina, possuem uma má distribuição de renda, um baixo grau de escolaridade, um nível elevado de analfabetismo e também, condições precárias de habitação e ambientes insalubres, e que estão intimamente relacionados com as condições de vida e saúde. Um dos grandes desafios é levantar como as condições de vida afeta a saúde e influencia diretamente a qualidade de vida das pessoas. Também pode-se observar que ao examinar as condições de morbi-mortalidade relativa às doenças crônicas como o câncer e as doenças cardio e cérebrovasculares, ainda persistem problemas permanentes, e que no intuito de solucioná-los tem-se investido mais recursos na assistência médica curativa e individual. (BUSS, 2000). O novo perfil de morbimortalidade tem elevado a prevalência das doenças crônicodegenerativas, porém, os avanço no tratamento e o possível controle dessas enfermidades tem aumentado a sobrevida dos pacientes. No intuito de discutir a sobrevida dos pacientes com câncer, a área da oncologia foi impulsionada a avaliar as condições de vida desses pacientes como o prolongamento da vida e observar a existência do grau de qualidade de vida. Com isso, a avaliação da qualidade de vida se tornou um dos indicadores da eficácia, eficiência e impacto de determinados tratamentos em pacientes crônicos. (SEIDL et al, 2004). Segundo Favarato (2006), há uma necessidade de avaliar a efetividade das intervenções médicas devido a várias formas de tratamento da doença. As doenças agudas são mais fáceis, devido a possibilidade de cura, para se avaliar as formas de tratamento. Porém, as doenças crônicas têm sido necessárias outras dimensões de avaliação além da redução de 31 morbi-mortalidade, devendo ser avaliadas de forma mais ampla como a qualidade de vida e a influência na família, entre outros, tendo como objetivo prolongar a vida de forma a aliviar a dor e amenizar ou prevenir a incapacidade adquirida pela doença. 1.4.2 – Promoção da Saúde Segundo Buss (2000), o desenvolvimento da promoção da saúde busca, em suas prioridades, conceituar e colocar em prática a relação entre saúde e a qualidade de vida. A promoção da saúde vem sendo discutida nas últimas décadas com a finalidade de tentar contornar os inúmeros problemas de saúde que afetam as populações e assim, a sua qualidade de vida. Nesse sentido, não se pode deixar de mencionar os principais documentos que marcaram o surgimento da promoção da saúde, entre eles, a Declaração de Alma-Ata, a Carta de Ottawa e a Conferência de Adelaide. A Declaração de Alma-Ata foi a conferência internacional realizada em 1978 que abordava os cuidados primários de saúde com grande importância na qualidade de vida, uma vez que a saúde como “estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade – é um direito humano”. Esta declaração defendia adequadas medidas sanitárias e sociais preventivas e sua principal meta era que toda a população do mundo, no ano de 2000, atingisse um nível máximo de saúde, por meio de vida social e economicamente estável. Para isso, o cuidado primário de saúde era o ponto de partida para atingir essa meta e as estratégias para alcançar saúde, deveriam ser de baixo custo e tecnologia acessível à comunidade. Os cuidados primários de saúde abrangem a educação como prevenção e controle de doenças, a distribuição de alimentos e uma adequada nutrição, o saneamento básico, os cuidados de saúde materno-infantil, a imunização contra as principais doenças infecciosas, a prevenção e controle de doenças localmente endêmicas, o tratamento 32 apropriado de doenças e lesões comuns, além do fornecimento dos medicamentos essenciais. Este evento de Alma-Ata, suscita, a todos, englobando governo, comunidade e área da saúde, a implementarem, em suas regiões, os cuidados primários de saúde. (CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE ALMA-ATA, 1978). Novas conferências se sucederam e em 1986, foi promovida a Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde chamada de Carta de Ottawa, dando continuidade a declaração ocorrida em Alma-Ata. Neste contexto, a promoção da saúde foi definida como “processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo”. A comunidade deve conhecer seus anseios e necessidades e, lutar por eles, para que possa chegar a um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Envolve assim, não só a área da saúde mais todos para promover o bem-estar coletivo. Os pré-requisitos básicos para a saúde propostos são: paz, habitação, educação, alimentação, renda, ecossistema estável, recursos sustentáveis, justiça social e equidade. Também, cita que a saúde é essencial para se ter um entendimento da qualidade de vida e que “a saúde é construída e vivida pelas pessoas dentro daquilo que fazem no seu dia-a-dia, onde aprendem, trabalham, divertem-se e amam”. Enfatiza que a saúde para a população mundial no ano de 2000 será uma realidade se as comunidades, ONGs, governos, OMS e outros, tiverem um empenho em implementar a promoção de saúde nos países do globo. (PRIMEIRA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1986). Outro marco para a promoção de saúde ocorreu em 1988 com a Conferência de Adelaide sendo uma continuidade das conferências de Alma-Ata e Ottawa. Enfatizou as políticas direcionadas a saúde da população e a eqüidade. A saúde além de ser um direito humano fundamental é também um sólido investimento social. A conferência identificou quatro áreas prioritárias para as ações imediatas em políticas públicas: saúde da mulher, 33 alimentação e nutrição, tabaco e álcool e ambientes saudáveis. (SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988). Na saúde da mulher, relatam que todas as mulheres, especialmente aquelas de grupos étnicos, indígenas ou outras minorias, têm o direito a autodeterminação de saúde e deveriam ser parceiras plenas na formulação das políticas públicas voltadas à saúde, tendo assim assegurada sua identidade cultural. As mulheres exercem um importante papel na promoção da saúde por meio de grupos e organizações que servem como modelos de processo de organização, planejamento e implementação de componentes da promoção da saúde. A conferência incentiva construir planos nacionais voltados para a saúde da mulher e oferecendo sugestões como a igualdade de direitos na divisão de trabalho na sociedade; partos de acordo com as preferências e necessidades das mulheres; e um apoio maior as mulheres trabalhadoras como licença-maternidade e licença acompanhamentos dos cuidados dos filhos doentes. (SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988). A carta de Adelaide também priorizou a eliminação da fome e da má-nutrição para proporcionar a saúde. As políticas públicas devem garantir acesso universal à uma alimentação de boa qualidade no limite cultural de cada região. Além disso, possa integrar, de forma eficiente a agricultura, a economia e os fatores ambientais. Deveria ser uma prioridade em todos os governos para se obter um maior impacto a nível nacional e internacional. Devese estabelecer, primeiramente, metas que devam ser alcançadas em alimentação e nutrição. A população tem direito a uma alimentação mais saudável e uma dieta mais rica. É responsabilidade dos governos procurar aumentar seu poder de compra de alimentos, bem como assegurar estoques de alimentos para que o consumidor tenha acesso rápido a uma comida mais saudável, incluindo manter os estoques de alimentos para hospitais, escolas, 34 abrigos e locais de trabalho. (SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988). O consumo de fumo e excesso de álcool são grandes riscos à saúde que merecem ações dentro das propostas das políticas públicas voltadas a saúde. Além dos fumantes, as pessoas ao seu redor, os chamados fumantes-passivos, podem ser acometidos pelo fumaça do cigarro. Enquanto, o álcool contribui para distúrbios sociais e traumas físicos e mentais. A conferência de Adelaide ressalva o grande número de pessoas acometidas por doenças e o número crescente de óbitos causados pelo uso do fumo e abuso do álcool. (SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988). Sobretudo, a carta de Adelaide visa proporcionar a proteção da saúde humana a partir dos efeitos adversos diretos e indiretos de fatores biológicos, químicos e físicos, sabendo que os seres humanos fazem parte do ecossistema universal. Muitas pessoas vivem e trabalham em estado prejudicial à sua saúde e estão expostas a produtos nocivos à mesma. Para se ter políticas que promovam a saúde de forma eficiente, deve-se buscar ambientes que conservem os meios naturais, por meio de estratégias ecológicas de alcance global, regional e local. (SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988). Logo, a nova concepção da saúde é o bem-estar e por sua vez, redunda em qualidade de vida, e não simplesmente, a ausência de doença, produzido e alcançado socialmente. Então, proporcionar saúde é evitar doenças, mas, principalmente, prolongar a vida assegurando meios e situações que ampliem a qualidade de vida, a autonomia e o padrão de bem-estar. (BUSS, 2000). 35 2.0 - Objetivos 2.1 - Objetivo Geral Avaliar a qualidade de vida dos idosos com IC de classes III e IV na emergência de cardiologia do Hospital Regional de Taguatinga. 2.2 - Objetivos Específicos Estudar os fatores que influenciam na qualidade de vida do portador de IC. Caracterizar a população acometida pela IC de classe funcional III e IV atendidos na emergência do Hospital Regional de Taguatinga. 36 3.0 – Material e Método 3.1- Campo de Estudo A pesquisa foi desenvolvida no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O hospital existe há 31 anos e, localiza-se na QNC – Área Especial N° 24 – Taguatinga Norte. No momento existem 343 leitos para internação e 22 ambulatórios. O atendimento oferecido ao público é de nível secundário, ou seja, conta com especialidades de média complexidade. As especialidades ambulatoriais disponibilizadas à população compreendem as áreas de clínica cirúrgica, dermatologia, endocrinologia, fisioterapia, ginecologia, odontologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologista, pediatria, pneumologia, gastroenterologia, psiquiatria, neurologia, proctologia, pequenas cirurgias, urologia, endoscopia e cardiologia. Por sua vez, o Pronto – Socorro faz atendimento nas áreas de clínica médica, ginecologia, obstetrícia, pediatria, odontologia, cardiologia, ortopedia, cirurgia geral, otorrinolaringologia, oftalmologia e urologia, onde são realizados em média 1000 consultas diariamente. Segundo estatísticas de 2006, a emergência do HRT realizou 14.384 atendimentos na área de cardiologia. Sendo assim, a opção de escolha desse hospital se deve a abrangência do atendimento emergencial na área de cardiologia. 3.2- Tipo de Estudo Trata-se de um estudo de corte transversal. Realizado com pacientes internados na Emergência do Hospital Regional de Taguatinga. 3.3- Amostra A amostra foi composta de 25 pacientes internados na emergência do Hospital Regional de Taguatinga com quadro clínico de IC classe III e IV, no período de Outubro de 37 2007. Para este cálculo tomou-se a média de pacientes internados nos últimos três meses, observado no livro de admissão do setor de urgência do Pronto Socorro do HRT. 3.4- Coleta de Dados A coleta de dados ocorreu no período outubro de 2007. Os pacientes foram entrevistados durante o período de internação por meio de entrevista estruturada, após a estabilização do quadro patológico, ou seja, após a estabilização hemodinâmica. Para Moreira (2002), a entrevista pode ser definida como uma conversa entre duas ou mais pessoas com um propósito especifico em mente. 3.5- Critérios de Inclusão Foram incluídos no estudo os pacientes acima de 60 anos internados no Hospital Regional de Taguatinga em virtude da descompensação da IC de classe III e IV, indiferente da cor, sexo, escolaridade, que concordaram em participar do estudo. 3.6- Critérios de Exclusão Foram excluídos do estudo os pacientes portadores de IC internados devido a outras patologias, aqueles menores de 60 anos, os que não aceitaram participar do estudo e os impossibilitados de responderem ao questionário devido à gravidade do acometimento de sua patologia. 3.7- Instrumento de Pesquisa O instrumento adotado na pesquisa foi o WHOQOL-OLD que avalia a qualidade de vida dos idosos e foi elaborada pelo Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde (Grupo WHOQOL). Trata de um instrumento mais recente e que surgiu a partir dos 38 modelos mais utilizados da avaliação da qualidade de vida que são WHOQOL-100 e WHOQOL-BREF, porém alguns itens foram acrescentados com base no perfil dos idosos que são a atividade sexual, a cognição, o significado do lar e a respeito de morte e morrer. (POWER, SCHIMIDT & Grupo WHOQOL, 2005). O WHOQOL-OLD pode ser utilizado numa ampla variedade de estudos que inclui investigações transculturais, epidemiologia populacional, monitoramento de saúde, desenvolvimento de serviços e estudos de intervenção clínica em que questões sobre qualidade de vida sejam importantes. Este instrumento permite a avaliação sobre o impacto da prestação do serviço e de diferentes estruturas do atendimento social e saúde sobre a qualidade de vida, especialmente na identificação das possíveis conseqüências das políticas sobre a qualidade de vida para os adultos idosos e uma compreensão mais clara das áreas de investimento a fim de obter melhores ganhos na qualidade de vida. (POWER, SCHIMIDT & Grupo WHOQOL, 2005). O módulo WHOQOL-OLD consiste em 24 itens atribuídos a seis facetas como o funcionamento sensorial, a autonomia, a atividades passadas, presentes e futuras, a participação social, morte e morrer e intimidade. A análise permite avaliar os seguintes aspectos: O aspecto do funcionamento sensor avalia o componente sensorial e o impacto da perda destas habilidades na qualidade de vida do idoso; A faceta autonomia refere-se à independência na velhice e, portanto, descreve até que ponto o idoso é capaz de viver de forma autônoma e tomar suas próprias decisões; A análise das atividades passadas, presentes e futuras descreve a satisfação sobre conquistas na vida e coisas a que se anseia. 39 Quanto à participação social, permite avaliar a participação do idoso em atividades do cotidiano, especialmente na comunidade e sua relação com o mundo; Com relação à morte e o morrer relaciona-se a preocupações, inquietações e temores sobre a morte e morrer; A faceta intimidade avalia a capacidade de relacionamento íntimo e com pessoas ao seu redor. Segundo Power (2005), o questionário do WHOQOL-OLD pode ser complementado quando o pesquisador necessitar de itens complementares, porém, este instrumento só tem validade se, para fins de pesquisa, forem excluídos menos de 20% dos itens do WHOQOLOLD. Neste sentido, alguns dados foram retirados com relação ao instrumento original e outros incluídos, entre eles, o sexo do entrevistado, a etnia, dados sociais e demográficos, além do estilo de vida que são importantes nessa avaliação. 3.8- Análise Foi construída uma base de dados no software Microsoft Office Access® e a análise estatística feita no SPSS. 3.9- Aspectos Éticos Este projeto foi executado após a aprovação do Comitê de Ética da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. 40 4.0 Resultado e Discussão Foram analisados 25 indivíduos, desse total 92,0% das pessoas eram do sexo masculino e 8,0%, feminino. A média de idade dos entrevistados foi de 67 anos. Tanto a mediana como a moda encontrada também foi de 67 anos. Considerando a totalidade dos entrevistados 60,0% tinham a cor parda, seguido da branca com 20,0% e os negros representaram 20,0% dos casos. Tabela 1 - Distribuição sócio demográfica, dos casos de IC, no Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 n % Sexo Masculino Feminino 23 02 92,0 8,0 Cor Branca Negra Parda 05 05 15 20,0 20,0 60,0 Faixa Etária (Anos) 60 a 70 70 a 80 17 08 68,0 32,0 Na tabela 1, com relação ao sexo dos pacientes pesquisados, prevaleceu o sexo masculino, semelhante ao estudo realizado pela SOCESP (2005), que encontrou mais homens do que mulheres portadoras de IC. Também, comparando os dados dessa análise com o estudo de Villacorta et al (1998), foi possível verificar que a maioria de homens mostraram IC. No presente estudo, a grande maioria dos portadores de IC era de cor parda com 60% dos casos, o que pode estar relacionado com a região do estudo. Em relação à cor dos entrevistados, foi observada uma variação entre o resultado encontrado desse estudo em comparação ao estudo de Framingham (1961) realizado nos EUA, onde os homens afroamericanos têm um risco 33,0% maior de serem internados em hospitais por insuficiência 41 cardíaca do que os homens brancos; o risco de IC para mulheres negras, daquele estudo, foi de 50,0%. Porém, no Distrito Federal não há uma população com característica de cor muito definida, em função da mobilidade e intensa migração de pessoas para esta região, e pode também está ligado à limitação da população analisada. A análise relativa a faixa etária mostrou que de acordo com a SOCESP (2005), a IC é principalmente, uma doença de idosos. Tanto a incidência como a prevalência da IC aumentam exponencialmente com o aumento da idade. A taxa de prevalência esperada é de 1,0% dos pacientes com a idade de cinqüenta anos, alcançando entre 6,0% a 10,0% nas pessoas maiores de 65 anos. Tabela 2 - Distribuição sócio demográfica dos casos de IC no Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 n % Escolaridade Analfabeto Ensino Fund. Incompleto Ensino Fund. Completo 06 10 09 24,0 40,0 36,0 Estado Civil Solteiro Casado Viúvo 03 16 06 12,0 64,0 24,0 Renda Familiar (Salário Mínimo) Menor que 2 Entre 2 e 4 22 03 88,0 12,0 Na análise do estudo da tabela 2, a maioria dos casos tinham o ensino fundamental incompleto com 40,0% dos casos, seguido de ensino fundamental completo com 36,0% e analfabetos, 24,0% dos entrevistados. Segundo Pereira et al (2006), o baixo nível de escolaridade está ligada as cardiopatias e, consequentemente, a queda na qualidade de vida, coicindindo com os dados deste estudo. 42 Do total de entrevistados, 64,0% eram casados e 24,0% eram viúvos. Segundo o estudo de Scott et al (2004), os pacientes com companheiro(a) tem uma maior qualidade de vida quando comparados aos viúvos. Em relação ao rendimento mensal, 88,0% tinham renda mensal igual ou inferior a 2 salários mínimo (SM), sendo que 12,0% mostraram renda entre 2 e 4 SM. Segundo Pereira et al (2006), os problemas financeiros têm relação na redução do bem-estar dos idosos, o que pode ter implicado no adoecimento das doenças cardiovasculares. A baixa escolaridade e baixa renda vêm sendo descritas pelos autores como um fator de risco para a qualidade de vida. De acordo com Tavares et al (2001), o baixo grau de instrução e a baixa renda foram identificados como fatores de risco e/ou agravantes tanto para o desenvolvimento de insuficiência cardíaca quanto para a readmissão hospitalar. O estudo dos autores citados acima avaliou pioneiramente no país as condições sócio-econômicas e encontraram baixa escolaridade (56,0% de analfabetos) e baixa renda (57,0% tinham renda de até 1 SM) na população do setor público. A taxa de analfabetismo de pessoas atendidas no serviço privado também não é desprezível chegando a 11,0% dos pacientes; no entanto, a renda é mais alta, como de 6 salários mínimos para 58,0% dos pacientes do serviço privado. Neste estudo, a escolaridade, o estado civil e a renda familiar foram similares a outros estudos que envolveram a qualidade de vida. 43 Tabela 3 - Distribuição dos casos de IC em relação ao estilo de vida, no Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Comorbidades Hipertensão Arterial (HA) Diabetes Mellitus (DM) Dislipidemia (Dislip) Outras HAS + DM + de 3 comorbidade Tabagista Sim Não Ex-tabagista Quantos cigarros/dia Entre 1 e 10 Entre 10 e 20 Mais de 20 Etilista Sim Não Freqüência do uso de bebida Menos que 3x por semana Menos que 5x por semana Prática de atividade física Sim Não Quantas vezes por semana Até 2 x Até 3x Mais de 3x N % 6 2 1 2 3 5 24,0 8,0 4,0 8,0 12,0 20,0 12 8 5 48,0 32,0 20,0 13 7 5 52,0 28,0 20,0 14 11 56,0 44,0 9 5 36,0 20,0 3 22 12,0 88,0 22 2 1 88,0 8,0 4,0 Nesse estudo da tabela 3, as comorbidades mais presentes foram à hipertensão arterial com 24,0%, 12,0% foi HAS e DM associadas, e 20,0% dos casos mais de três comorbidades. De acordo com Villacorta (2001), a hipertensão persistente em pacientes com IC e ocorre a piora do desempenho cardíaco por causa da vasoconstrição presente. E a diabetes, independente do risco de desenvolver DAC (doença arterial coronariana), tem influência importante no prognóstico da IC. Também, no estudo da SOCESP (2002), foi verificado que 30,0% dos pacientes com IC padeciam de doença arterial coronariana, 24,2% com cardiopatia hipertensiva, 27,1% apresentavam associação de doença arterial coronariana e cardiopatia hipertensiva, 11,4% tinham cardiomiopatia dilatada de etiologia alcoólica, 4,2% em decorrência de seqüelas da doença orovalvar reumática, 1,4% com doença pericárdica e 1,4% 44 de cardiopatia congênita acianótica. O resultado deste estudo foi semelhante aos estudos dos autores citados acima. Com relação ao estilo de vida dos entrevistados verificou-se que 48,0% dos doentes eram tabagistas e dentre eles, 52,0% tinham o hábito de fumar até 10 cigarros diários e 20,0% eram ex-tabagista. Observou-se também que 56,0% da amostra faziam uso de bebida alcoólica, sendo que 20,0% deles utilizam bebida destilada com consumo diário. Segundo, a SOCESP (2002) em presença de miocardiopatia alcoólica, a ingestão de álcool deve ser proibida. A American Heart Association (2001), sugere uma redução do álcool em uma dose diária para mulheres e duas doses diárias para homens. Uma dose corresponde a 14g de álcool, equivalente a uma lata de cerveja ou um copo de vinho (120ml). Porém, quando se compara essa orientação com o resultado obtido no presente estudo, observou-se que existe um excesso de consumo de bebidas entre os entrevistados, podendo este dado, está associado com os fatores de risco para a descompensação da IC. Ainda sobre o estilo de vida, 88,0% dos entrevistados não faziam nenhum tipo de atividade física. Joia (2007), constatou que a maioria dos idosos não praticava atividade física e que os que praticam, estão mais satisfeitos com sua vida. No estudo de Taddei et al (1997) o sedentarismo foi o mais prevalente dos fatores de risco cardiovascular (74,0%) na população de gerontes. Sendo esse um fator de risco para IC comparável a hipertensão, hipercolesterolemia, e tabagismo, e permanecendo como importante fator de risco entre os idosos, podemos supor que não está sendo dada a devida ênfase à educação para a prática de atividade física regular. De acordo com a SOCESP (2002), vários estudos têm demonstrado o beneficio e a segurança dos programas de condicionamento físico orientados para pacientes com IC. Um programa domiciliar de caminhadas pode ser a melhor opção para ajudá-los a 45 evitar as conseqüências negativas, tanto fisiológicas quanto psicológicas, da inatividade. Como nos demais trabalhos, pode-se observar a falta de atividade física nos idosos. Tabela 4 - Avaliação da qualidade de vida entre os portadores de IC, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Qualidade de Vida Muito Ruim n % N % Qualidade de vida 4 16,0 5 Satisfação com a sua saúde 7 28,0 8 5 Dor física Dificuldade para dormir Mais ou menos n % N % 20,0 10 40,0 6 4 16,0 14 56,0 32,0 8 32,0 5 20,0 4 16,0 9 Ruim Boa Muito boa % 24,0 n ---- -- -- -- -- 20,0 3 12,0 1 4,0 36,0 6 24,0 1 4,0 -- Na análise relativa à qualidade de vida observou-se que 40,0% avaliou sua qualidade de vida como mais ou menos. Para Pereira et al (2006), os idosos revelaram que a qualidade de vida era boa, e não obteve a resposta ruim. Comparando com o nosso estudo na avaliação da qualidade de vida, considerando as limitações causadas pela IC, houveram respostas ruins. No que diz respeito à satisfação com a saúde, 56,0% dos pacientes mostraram-se mais ou menos satisfeito e 28,0% responderam muito insatisfeito com a saúde. Ao avaliar o sono/repouso, 36,0% assinalaram que apresentam dificuldade para dormir. 46 Tabela 5 - Avaliação da qualidade de vida dos portadores de IC seguido da idade, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Faixa Etária Qualidade de Vida 60 a 70 Total 70 a 80 Muito ruim N 4 % 16,0 N -- % -- n -- % -- Ruim 4 16,0 1 4,0 5 20,0 Mais ou menos 6 24,0 4 1,0 10 40,0 Boa 3 12,0 3 12,0 6 24,0 Muito boa -- -- -- -- -- -- Total 17 68,0 8 32,0 25 100,0 Na tabela 5, o resultado sugerem diferenças na qualidade de vida relacionadas à idade. Neste estudo, 68,0% dos pacientes apresentavam idade entre 60 a 70 anos e desses, 32,0% relataram que sua qualidade de vida estava ruim ou muito ruim, dado este que não foi verificado entre os pacientes acima de 70 anos. Observando-se que os pacientes com idade menor de 70 anos apresentam uma qualidade de vida inferior aos pacientes maiores de 70 anos. 47 Tabela 6- Avaliação da qualidade de vida dos portadores de IC idosos em relação ao sexo, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Sexo Qualidade de Vida Feminino Total Masculino Muito ruim n -- % -- N 4 % 16,0 n 4 % 16,0 Ruim 2 8,0 3 12,0 5 20,0 Mais ou menos -- -- 10 40,0 10 40,0 Boa -- -- 6 24,0 6 24,0 Muito boa -- -- -- -- -- -- Total 2 8,0 23 92,0 25 100,0 Ao avaliar a qualidade de vida dos portadores de IC e o sexo observou-se que 40,0% eram do sexo masculino e relataram ter uma qualidade de vida mais ou menos, 24,0% disseram ser boa e 16,0% responderam ser muito ruim. Também, observou-se que apesar da amostra pequena do sexo feminino, todas as mulheres que participaram da pesquisa relataram uma qualidade de vida ruim. Segundo Nan Hou et al (2005), a qualidade de vida está extremamente diminuída entre os pacientes com IC. Os pacientes experimentam uma variedade de sinais e sintomas físicos, psicológicos e os fatores de risco da IC são diferentes para homens e mulheres. Adicionalmente, mulheres e homens respondem diferentemente ao impacto da doença. Semelhante ao que foi mencionado por este autor, neste estudo houve diferença na resposta dos homens e das mulheres. 48 Tabela 7- Qualidade de vida dos pacientes idosos segundo o funcionamento sensorial, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Funcionamento Sensorial x Vida Diária Qualidade de Nada Vida Muito Mais ou Pouco Menos Bastante Extremamente Total n % n % n % n % N % n % Muito Ruim -- -- -- -- 2 8,0 2 8,0 -- -- 4 16,0 Ruim -- -- -- -- 2 8,0 3 12,0 -- -- 5 20,0 Menos 1 4,0 2 8,0 6 24,0 -- -- 1 4,0 10 40,0 Boa -- -- 2 8,0 3 12,0 1 4,0 -- -- 6 24,0 1 4,0 4 16,0 13 52,0 6 24,0 1 4,0 25 100,0 Mais ou Total Na tabela 7, ao analisar a questão do funcionamento sensorial nos idosos portadores de IC e sua qualidade de vida, verificou-se que 52,0% dos entrevistados relataram que as perdas da função sensorial afetaram mais ou menos a sua vida diária e 24,0% disseram bastante, comprometendo a sua qualidade de vida. Segundo Pereira et al (2006), a maior influência do domínio físico na qualidade de vida dos idosos foi a capacidade funcional, sendo as alterações biológicas (incapacidades) os fatores de extremo de mais impacto na vida dessas pessoas. O resultado desta tabela é semelhante ao relato de Pereira et al (2006). 49 Tabela 8 - Avaliação Sentimento de Morte, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Sentimento de Morte Nada Muito Pouco n % Mais ou Menos n % Bastante Extremamente n % n % n % Preocupação quanto a maneira que irá morrer 7 28,0 7 28,0 8 32,0 2 8,0 1 4,0 Medo de morrer 5 20,0 9 36,0 6 24,0 5 20,0 -- -- Medo de sentir dor antes de morrer 7 28,0 7 28,0 5 20,0 5 20,0 1 4,0 Em relação ao sentimento de morte e morrer, a tabela 8 mostrou que 32,0% teve mais ou menos preocupação quanto a maneira pelo qual irá morrer e 28,0% tinha muito pouco preocupação. Já analisando o medo de morrer, 36,0% teve muito pouco e 24,0% teve mais ou menos medo de se encontrar nessa situação. Verificando o aspecto de sentir dor antes de morrer, 28,0% disseram muito pouco e 28,0% relataram não ter nenhum medo de sentir dor antes da morte. Ao contrário do que se esperava, a grande maioria dos idosos portadores de IC relataram não ter muita preocupação com a morte. No estudo de Framingham (1961), após dois anos do diagnóstico de IC, 37,0% dos homens e 38,0% das mulheres foram a óbito. Após seis anos, porém, houve clara diferença a favor das mulheres, com uma mortalidade de 67,0% para elas e de 82,0% para os homens. 50 Tabela 09 - Qualidade de vida dos idosos com IC segundo a limitação física, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Qualidade de Vida Muito Ruim Ruim Mais ou Menos Boa Total Nada Limitação Física Muito Pouco Mais ou Menos Bastante Total n % n % n % n % n % 1 4,0 3 12,0 -- -- -- -- 4 16,0 -- -- 5 20,0 -- -- -- -- 5 20,0 -- -- 2 8,0 7 28,0 1 4,0 10 40,0 -- -- 2 8,0 3 12,0 1 4,0 6 24,0 1 4,0 12 48,0 10 40,0 2 8,0 25 100,0 Na tabela 09, analisando a qualidade de vida dos idosos e sua limitação física, foi verificado que 48,0% tinham muito pouca limitação física e 40,0% responderam mais ou menos tinham algum comprometimento físico. Segundo Rabelo et al (2007), a insuficiência cardíaca é uma síndrome debilitante progressiva, nas quais os indivíduos frequentemente experimentam sentimentos de ansiedade, medo e depressão. E a constante presença da limitação física e sintomas psicológicos resultam numa diminuição da qualidade de vida. Segundo Pereira et al (2006), uma das maiores influências na qualidade de vida dos idosos está relacionada ao domínio físico, ou seja, da capacidade funcional, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica. Quanto mais ativo for o idoso, maior é sua satisfação com a vida e, consequentemente, melhor é a sua qualidade de vida. Esta pesquisa correlaciona-se com os dados da literatura, uma vez que quanto maior a limitação física menor a qualidade de vida, como pode-se verificar na tabela 09. 51 Tabela 10 - Avaliação da espiritualidade dos idosos com IC, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Espiritualidade As crenças dão sentido à vida As crenças ajudam a enfrentar dificuldades Sentido para a vida Nada n % Muito Pouco n % Mais ou Menos n % Bastante Extremamente n % n % -- -- 4 16,0 8 32,0 9 36,0 4 16,0 -- -- 2 5,0 3 6,0 4 13,0 5 1,0 1 4,0 2 8,0 1 36,0 13 52,0 -- -- Em relação às crenças pessoais, cerca de 52,0%, dos doentes idosos, referiram que estas percepções, dão sentido à vida, e 13,0% relataram, ainda, que as crenças pessoais dão força para enfrentar as dificuldades do dia a dia, sendo que 52,0% disseram que sua vida tem sentido. De acordo com Santos et al (2002), o aspecto religioso tem grande influência na vida do idoso ajudando na questão do envelhecimento, tanto do ponto de vista do acometimento das doenças como na superação das dificuldades nesta etapa de vida. Da mesma forma que Santos et al (2002), este trabalho mostrou também o importante papel da religiosidade na vida dos idosos portadores de IC. 52 Tabela 11 - Avaliação da intimidade e atividades passadas, presentes e futuras dos idosos com IC, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Intimidade n Nada % Satisfação com as realizações na vida 1 4,0 1 4,0 8 32,0 13 52,0 2 8,0 Satisfação com o uso do tempo 2 8,0 8 32,0 12 48,0 3 12,0 -- -- 6 24,0 11 44,0 8 32,0 -- -- -- -- 2 8,0 8 32,0 11 44,0 4 16,0 -- -- Oportunidades para participar de atividades da comunidade Felicidade com o que você pode esperar daqui para frente Muito Pouco n % Mais ou Menos n % Bastante n % Extremamente n % Em relação à tabela 11, verificou-se que 52,0% dos idosos com IC estão bastante satisfeitos com aquilo que alcançaram na vida e, somente 4,0% disseram insatisfeitos. Porém, 48,0% relataram ter mais ou menos satisfação com a maneira pela qual usa o seu tempo, sendo que 32,0% assinalaram muito pouco. Na avaliação de oportunidade para participar de atividades da comunidade, 44,0% alegaram muito pouca, sendo 32,0% mais ou menos e 24,0% nenhuma inserção na comunidade. Com relação às coisas que podem esperar daqui para frente, 44,0% dos idosos falaram que é mais ou menos e 32,0% esperam muito pouco do futuro. Segundo Joia (2007), os idosos dizem ser satisfeitos com sua qualidade de vida, quando há um ambiente familiar, renda suficiente para suas necessidades, além de poder fazer suas atividades diárias e lazer. 53 Tabela 12 - Qualidade de vida e companheirismo dos idosos portadores de IC, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007 Qualidade de Vida Muito Ruim Ruim Mais ou Menos Boa Total Nada n % Sentimento de companheirismo Muito Pouco Mais ou Menos n % n % Bastante n % n Total % -- -- -- -- 3 12,0 1 4,0 4 16,0 -- -- 4 16,0 1 4,0 -- -- 5 20,0 -- -- 3 12,0 -- -- 7 28,0 10 40,0 -- -- -- -- -- -- 6 24,0 6 24,0 -- -- 7 28,0 4 16,0 14 56,0 25 100,0 Na avaliação das relações sociais e intimidade com relação a qualidade de vida, verificou-se que 56,0% dos indivíduos analisados sentiram-se bastante apoio por parte do(a) companheiro(a), sendo que 28,0% relataram ter muito pouco sentimento de companheirismo. Todos os idosos responderam sentir companheirismo, incluindo a relação com os filhos e outras pessoas mais próximas. Quem respondeu baixo sentimento de companheirismo, avaliou a qualidade de vida em ruim e mais ou menos. Sendo assim, a qualidade de vida foi mais reduzida em pacientes que não possuíam sentimento de companheirismo. Segundo Jóia (2007), uma das maiores relações com a satisfação com a qualidade de vida dos idosos é ter um companheiro (a) do qual possa amar e ser amado. Para Pereira et al (2006), a inserção familiar do idoso pode oferecer benefícios, no sentido de apoio familiar nas condições debilitantes e de dependência, reduzindo o isolamento, porém, também pode gerar conflitos intergeracionais que acabam por diminuir a estima e deteriorar o estado emocional do idoso. No estudo realizado por Scott (2004), ressaltou os efeitos positivos do suporte educativo dos familiares junto aos idosos. E concluiu que os familiares, especialmente a esposa/marido, envolvido na educação do paciente colaboram para o aumento na qualidade de vida. Assim como na literatura citada acima, este estudo teve semelhante resultado com a dependência da qualidade de vida dos idosos portadores de IC com relação ao grau de companheirismo. 54 5.0 - Conclusão Depois da aplicação do instrumento de pesquisa WHOQOL-OLD aos 25 pacientes idosos portadores de IC de classe III e IV, internados no Hospital Regional de Taguatinga, foram observados os seguintes resultados: ● A grande maioria dos doentes entrevistados eram do sexo masculino, tinham a idade média de 67 anos, cor parda, casados, além do ensino fundamental incompleto e da renda mensal entre dois salários mínimos; ● A comorbidade que prevaleceu foi a Hipertensão Arterial e quanto ao estilo de vida, a grande maioria era tabagistas, etilistas e sedentários; ● Na análise da qualidade de vida, a maior parte relatou que sua QV era regular e que estavam pouco satisfeito com a saúde. Muitos dos entrevistados relataram dificuldades para dormir e a maior parte sentia muita dor física; ● Uma boa porcentagem dos idosos entrevistados assinalaram que seu funcionamento sensorial afetava a sua qualidade de vida; ● Com relação ao sentimento de morte e morrer muitos relataram não terem muitas preocupações em relação a esse assunto; ● A grande maioria dos entrevistados apresentaram limitação física e alguns idosos tinham um maior comprometimento físico; ● Em relação às crenças pessoais, grande parte dos pacientes relataram que a religião ajuda a enfrentar as dificuldades da vida e a dá sentido a sua vida; ● Os idosos com IC estavam satisfeitos com aquilo que alcançou na vida. Porém, a maior parte relatou pouca satisfação quanto ao uso do seu tempo diário. Na participação da comunidade, poucos entrevistados tinham oportunidades de interação social; ● A maior parte dos idosos sentiram apoio por parte do companheiro e da família; 55 Na avaliação da qualidade de vida, os domínios positivos incluíram o companheirismo, a oportunidade de amar e ser amado, a religiosidade, a satisfação com aquilo que alcançou na vida e na questão da morte e morrer. Os pontos negativos foram: a baixa qualidade de vida, a dificuldade de repousar, a perda de alguns dos sentidos, a dor física, a limitação da realização de suas tarefas, a falta de esperança de alcançar realizações particulares e a insatisfação com a maneira na qual usa o seu tempo. 6.0 Recomendações: Verifica-se, no presente estudo, que a qualidade de vida dos entrevistados não é satisfatória e várias questões interferem na melhor forma de vida. Porém, embora se tenha limitações próprias provenientes da IC e da própria idade, existem condições que podem melhorar a qualidade de vida. Daí a necessidade de protocolos voltados a esses idosos portadores de IC nos Centros de Saúde afim de melhor acolher os pacientes com essa patologia, acesso aos programas e prevenção das comorbidades, melhores condições de vida, segurança e saneamento básico. As principais recomendações desse estudo, estão voltadas para os serviços de atenção básica, que envolvem programas multidisciplinares para educação sistemática sobre a doença. Enfermeiros engajados na promoção e prevenção de IC desempenham papel fundamental no processo de educação e acompanhamento dos pacientes. Os objetivos deste processo são ensinar, reforçar, melhorar e avaliar constantemente as habilidades dos pacientes para o autocuidado, que incluem a monitorização do peso, a restrição de sódio e de líquidos, a realização de atividade física, o uso regular das medicações e a monitorização de sinais e sintomas de piora da doença. 56 Monitorização do Peso: a orientação ao paciente com IC quanto à aferição domiciliar do peso diário tem importante papel no auxilio à percepção dos sinais de hipervolemia. Os pacientes devem ser orientados a verificar o peso pela manhã após urinar, com roupas leves, antes do café e utilizando a mesma balança. O aumento de peso corporal de 1,3 kg em dois dias ou de 1,3 kg – 2,2 kg em uma semana pode ser indicativo de que há retenção de líquidos. (RABELO et al, 2007). Dieta: em relação a ingesta de sódio, os pacientes com IC grave devem ser orientados a consumirem 2g/dia, enquanto uma dieta com 3 – 4 g de sódio/ dia é o alvo mais razoável para aqueles pacientes com IC leve e moderada. Segundo Rabelo (2007), a não adesão à restrição de sódio corresponde de 50% a 88%. A adesão para o autocuidado, incluindo seguimento da dieta, mostrouse, de modo significativo, correlacionado com o conhecimento. (RABELO et al, 2007). Tabaco e álcool: o uso excessivo de bebidas alcoólicas e o fumo devem ser desencorajados em função de seus efeitos negativos sobre o sistema cardiovascular. A não adesão com a restrição de fumo e álcool foi relacionada de modo significativo com o número de admissões por IC. (RABELO et al, 2007). Realização de Atividade Física: a evolução do conhecimento sobre a fisiopatologia da IC e a evidência dos benefícios da atividade física fez do exercício físico uma importante forma terapêutica na disfunção cardíaca crônica estabilizada. Segundo Rebelo (2007), um estudo comprovou que o exercício moderado a longo – prazo melhora a capacidade funcional e a qualidade de vida em pacientes com IC estável. O efeito sustentado de melhora 57 funcional parece estar associado com a baixa taxa de readmissão hospital por IC e menor taxa de mortalidade. (RABELo et al, 2007). Repouso: o repouso prolongado ou inatividade pode causar atrofia da musculatura esquelética, exacerbação dos sintomas da IC, tromboembolismo e redução da tolerância ao exercício. Atualmente o repouso só está indicado nos episódios de descompensação aguda e, mesmo assim, de acordo com as limitações de cada paciente.( RABELO et al, 2007). Atividade Física Diária: dependendo da gravidade da doença, a intolerância ao exercício pode ser um dos fatores limitantes durante a realização das atividades da vida diária. O paciente deve ser orientado a identificar se existe ausência ou presença de cansaço e de falta de ar para realizar as atividades do dia-a-dia e, a partir daí, acompanhar a melhora ou piora desses sintomas.(RABELO et al, 2007). Atividade Sexual: os pacientes são encorajados a manter sua atividade sexual, fazendo os ajustes necessários para evitar esforço em demasia e o surgimento de sintomas. Essa questão deve ser abordada pela equipe de enfermagem de maneira natural e informativa. (RABELO et al, 2007). Monitorização de Sinais e Sintomas: dados da literatura demonstram que pacientes com IC toleram alguns sintomas como edema, ganho de peso e fadiga por 7 dias, e dispnéia por 3 dias antes de procurarem assistência médica e, somente 5% dos pacientes associam o aumento de peso como sintoma na admissão hospitalar. Neste contexto as intervenções de enfermagem devem estar focadas na educação dos pacientes e familiares para o reconhecimento precoce destes sinais e sintomas evitando quadros de descompensação. (RABELO et al, 2007). 58 Enfim, a educação para o entendimento da IC, e o desenvolvimento de habilidades para o autocuidado, são considerados chaves para melhorar a adesão, evitar crises de descompensação e consequentemente manter a estabilidade clínica dos pacientes. Essas metas de promoção e prevenção são alcançadas nos serviços de atenção básica, que é onde se deve começar a educação dos pacientes bem como de seu familiares. 59 7.0 – Referências Bibliográficas ALMEIDA, Osvaldo P. et al. Congestive Heart Failure and Cognitive Functioning Amongst Older Adults. Arq. Neuropsiquiatr. v.59 n.2 São Paulo jan. 2001. ALMEIDA, Dirceu Rodrigues. Insuficiência Cardíaca. Rev. Medicina Atual, 2005. AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY FOUNDATION AND AMERICAN HEART ASSOCIATION. 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Nível de Escolaridade ( ) Analfabeto ( ) Ensino fundamental incompleto ( ) Ensino Fundamental Completo ( ) Ensino médio completo ( ) Superior incompleto ( ) Superior Completo 66 2.2. Estado Civil ( ) Solteiro ( ) Casado ( ) Viúvo ( ) Divorciado 2.3. Renda Familiar ( ) Menor que 2 salários mínimos ( )Entre 2 e 4 salários mínimos ( )Entre 4 e 8 salários mínimos ( )Acima de 8 salários mínimos ( ) não sabe referir 3. Dados do Estilo de Vida 3.3.Você fuma? ( ) Sim ( ) Não Se sim, quantos cigarros por dia?______cigarros 3.4.Faz uso de bebida alcoólica? ( ) Sim ( ) Não Se sim, quantas vezes por semana?____________________ Qual tipo de bebida que você faz uso e quantos copos?___________________________ 3.5.Você pratica alguma atividade física? ( ) Sim ( ) Não Se sim, cite a modalidade_________________________ Quantas vezes por semana você pratica atividade física?______________ Se não, porque?____________________ 3.4 Você possui alguma das seguintes co-morbidades? ( ) Hipertensão Arterial ( ) Diabetes melito ( ) Obesidade ( )Dislipidemia ( ) Outras. Qual?___________________ 67 3.6 Quantos medicamentos você toma por dia?____________ 3.7 Seu orçamento mensal é suficiente para a compra dos seus medicamentos? ( ) Sim ( ) Não 4. Avaliando a qualidade de vida 4.1. Como você avaliaria sua qualidade de vida? Muito ruim Ruim Mais ou Boa Muito boa 4 5 menos 1 2 3 4.2. Quão satisfeito (a) você está com sua saúde? Muito Insatisfeito Insatisfeito 1 Mais ou Satisfeito Muito Satisfeito 4 5 menos 2 3 4.3. Você sente muita dor física? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 4.4. Você tem alguma dificuldade para dormir? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 68 5. Avaliando o funcionamento sensorial 5.1. Até que ponto as perdas nos seus sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato), afetam a sua vida diária? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 5.2. Até que ponto a perda de por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato, afeta a sua capacidade de participar em atividades? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 5.3. Até que ponto o funcionamento dos seus sentidos (por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato) afeta a sua capacidade de interagir com outras pessoas? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 69 6. Avaliando o sentimento de morte e morrer 6.1. O quanto você está preocupado quanto a maneira pelo qual irá morrer? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 6.2. Quanto você tem medo de morrer? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 6.3. Quanto você teme em sofrer dor antes de morrer? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 7. Avaliando a autonomia e interação social 7.1. Até que ponto você consegue fazer as coisas que gostaria de fazer? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 70 7.2. Até que ponto você está satisfeito com as suas oportunidades para continuar alcançando outras realizações na sua vida? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 7.3. O quanto você sente que recebeu o reconhecimento que merece na sua vida? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 7.4. Quanta liberdade você tem de tomar as suas próprias decisões? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 7.5. Até que ponto você sente que controla seu futuro? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 71 7.6. O quanto você sente que as pessoas ao seu redor respeitam a sua liberdade? Nada Muito Mais ou pouco menos 2 3 1 Bastante Extremamente 4 5 8. Espiritualidade 8.1. Suas crenças pessoais dão sentido a sua vida? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 8.2. Em que medida suas crenças pessoais lhe dão força para enfrentar dificuldades? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 8.3. Em que medida você acha que sua vida tem sentido? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 72 9. Intimidade 9.1. Até que ponto você tem um sentimento de companheirismo em sua vida? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 9.2. Até que ponto você sente amor em sua vida? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 9.3. Até que ponto você tem oportunidade de amar ou ser amado? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 10. Atividades passadas, presentes e futuras. 10.1. Quão satisfeito você está com aquilo que alcançou na sua vida? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 73 10.2. Quão satisfeito você está com a maneira com a qual você usa o seu tempo? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 10.3. Quão satisfeito você está com o seu nível de atividade? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 10.4. Quão satisfeito você está com as oportunidades que você tem para participar de atividades da comunidade? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 10.5. Quão feliz você está com as coisas que você pode esperar daqui para frente? Nada 1 Muito Mais ou pouco menos 2 3 Bastante Extremamente 4 5 Você tem algum comentário sobre o questionário? Obrigada pela sua colaboração! 74 APÊNDICE B – CRONOGRAMA DO ESTUDO CRONOGRAMA Pesquisa: Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca ternados no Hospital Regional de Taguatinga, 2007 Agosto Levantamento Bibliográfico Levantamento de Dados Banco de Dados Análise dos Dados Resultados Finais X Setembro Outubro X X Novembro Dezembro X X X X X X X X 75 ANEXO A- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Este documento visa convidar o(a) senhor(a) a participar da pesquisa que está sendo realizada sobre a “Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca Internados no Hospital Regional de Taguatinga” este estudo objetiva avaliar a qualidade de vida dos idosos portadores de insuficiência cardíaca atendidos na emergência do Hospital Regional de Taguatinga, com o intuito de analisar os contribuintes da qualidade de vida dos idosos com IC e assim contribuir na melhoria da atenção a essa população nos serviços de saúde pública. Esse levantamento será realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal – CEP – SES/DF. Por intermédio deste termo são garantidos os seguintes direitos: Não há qualquer obrigatoriedade em sua participação; Solicitar, a qualquer tempo, maiores esclarecimentos sobre a pesquisa, as seguintes pessoas responsáveis pela pesquisa: Hellen Gonçalves, Telefone: 84294076, Renata Torres, Telefone: 91214001 e, Maria da Socorro Nantua, Telefone: 33673644; Segredos sobre nomes, local de trabalho e quaisquer outras informações que possam levar à sua identificação pessoal e da sua família; Ampla possibilidade de negar a responder a quaisquer questões ou a fornecer informações que julgue prejudiciais a sua integridade física, moral e social; Opção de solicitar que determinadas falas e/ou declarações não seja incluídas em nenhum documento oficial, o que será prontamente atendido; A segurança de que não terei nenhum tipo de despesa material ou financeira durante o desenvolvimento da pesquisa, bem como, esta pequisa não causará nenhum tipo de risco, dano físico ou mesmo constrangimento moral e ético ao entrevistado. O resultado da pesquisa será divulgado por meio de um relatório de pesquisa com finalidade acadêmica e em órgãos de divulgação científica em que o mesmo seja aceito. As entrevistas e os dados coletados ficarão sob responsabilidade do pesquisador e armazenados por um período de 2 (dois) anos na Direção da Universidade Católica de Brasília – UCB. Este Termo de Consentimento, foi elaborado em 2 (duas) vias. Uma para o sujeito (pessoa entrevistada) e outra para o pesquisador. Brasília____de___________de 2007. Assinatura do Participante:________________________________________________ Assinatura do Pesquisador:________________________________________________ Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal – SES/DF, Fone: 33254955. 76 ANEXO C – PLANILHA DE ORÇAMENTO Pesquisa: Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca Internados no Hospital Regional de Taguatinga, 2007 Item Total Fonte de Recursos 01 01 0,00 0,00 01 01 89,00 97,00 186,00 Papel A4 Lápis Caneta Borracha Marcador de Texto Bloco de Notas 100 02 02 02 02 02 0,03 0,20 0,50 0,30 3,00 1,50 3,00 0,40 1,00 0,60 6,00 3,00 Xérox Encadernação 175 04 0,10 3,00/100folhas 17,50 3,00 Transporte Coletivo 30 2,00 60,00 Total Pesquisador Principal Hellen Rodrigues Gonçalves e Renata América ................ Material Permanente Custos (R$) Unitário Pessoal da Pesquisa Quantidade Descrição Informática (especificar) Tinta preta para Impressora; T Tinta colorida para impressora próprio 186,00 Material de Consumo Papelaria (especificar) próprio 14,00 Serviços de Terceiros (especificar) Confecção de Material Outras Despesas (viagem, eventos científicos, correios, fone/fax, etc... Total própria próprio 20,50 60,00 280,50 Conceição – CPEq/ESCS/FEPECS/SES/DF