UNIVERSIDADE
CATÓLICA DE
BRASÍLIA
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
Curso de Enfermagem
Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência
Cardíaca Internados no Hospital Regional de Taguatinga, 2007.
Hellen Rodrigues Gonçalves
Renata América Lima Torres Resende
BRASÍLIA
2007
1
Hellen Rodrigues Gonçalves
Renata América Lima Torres Resende
Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência
Cardíaca Internados no Hospital Regional de Taguatinga, 2007.
Projeto apresentado como requisito
parcial para aprovação na disciplina
“Trabalho de Conclusão de Curso
II” do curso de Enfermagem da
Universidade Católica de Brasília –
UCB.
Orientador: Profª Drª. Maria do Socorro Nantua Evangelista
Co-orientador: Drº. Hélio Bezerra da Silva
2
Termo de Aprovação
Monografia defendida e aprovada como requisito parcial para obtenção do Título de
Graduado em Enfermagem, defendida e aprovada em 05 de Dezembro de 2007, pela banca
examinadora constituída por:
____________________________________________________
Dra. Maria do Socorro Nantua Evangelista
____________________________________________________
Dr. Hélio Bezerra da Silva
____________________________________________________
Dra. Leila Bernado Göttens
Brasília
UCB
3
Dedico este trabalho a Jesus, o meu
Senhor, ao meu pai, pelo esforço na minha
formação, ao meu amado esposo, pelo incentivo e
paciência, aos meus irmãos, cunhados e sogra
pelo apoio, e aos meus sobrinhos, pela beleza da
inocência.
Renata Resende
Dedico este trabalho ao nosso Senhor
Jesus Cristo, aos meus pais – Edmundo e Helena,
pelo apoio, amizade e exemplo de fé e otimismo,
a minha irmã - Eliete pelo carinho, incentivo e
paciência, aos meus sobrinhos e aos meus
amigos, em especial ao Dr° Hélio pelo apoio.
Hellen Rodrigues
4
Resumo
A insuficiência cardíaca (IC) é uma das principais doenças cardiológicas de maior impacto ao
idoso e é considerada, do ponto de vista de saúde pública, uma das mais importantes causas
de admissão hospitalar no SUS. (Tavares, 2004) Segundo Almeida (2001), a IC também está
associada às limitações das funções cognitivas como a memória e a concentração e a um
declínio da qualidade de vida (QV). Avaliar a qualidade de vida dos idosos com IC de classes
III e IV na emergência de cardiologia do Hospital Regional de Taguatinga 2007. Trata-se de
um estudo de corte transversal onde foram entrevistados 25 pacientes idosos portadores de IC
internados no pronto socorro do Hospital Regional de Taguatinga. O instrumento utilizado foi
o WHOQOL-OLD da Organização Mundial de Saúde (Grupo WHOQOL), com aplicação em
outubro de 2007. Foi construída uma base de dados no software Microsoft Office Access® e a
análise estatística, no SPSS. Houve uma baixa qualidade de vida nos idosos entrevistados,
sendo a grande maioria do sexo masculino, tabagistas, etilistas, sedentários e com hipertensão
arterial. A maior queda da QV se deu em função do comprometimento sensorial e limitação
física, entretanto, os pontos positivos ressaltados envolvem o companheirismo, a religiosidade
e o respeito de si pelas pessoas mais próximas. Mesmo com a observação da limitação na
qualidade de vida dos idosos com IC, avaliou-se, positivamente, os aspectos psicológicos e
emocionais, havendo necessidades de fortalecer ações preventivas.
PALAVRAS - CHAVE: Qualidade de Vida, Insuficiência Cardíaca, Idoso.
5
Abstract
In agreement with Tavares (2004), heart failure (HF) is one of the most prevalent
cardiovascular disorders mainly for elderly patients. Also, is important cause admitted to the
hospital in the SUS. Consistent with found of Almeida (2001), the HF is associated with
decline in quality of life and, possibly, cognitive functions such as memory and attention.
Value quality of life in the elder with heart failure functional class II and IV in hospital of
Taguatinga cardiology emergency. This is a transversal cut study. We examined 25 elder
patients admitted to hospital with HF. We used the instrument the instrument WHOQUOL –
OLD of group quality of life the Health World Organization (WHOQOL Group). The
interview was in october, 2007. After builded one base data in software Microsoft Office
Access® and the static analyze was in SPSS. In this interview there was decrease in quality of
life in the elder, the most of people in this study was male, smoker, drunker, sedentary and
had the high blood pressure. The more important decrease in quality of life was associated
with cognitive functions and physical restraint. However, the positive points were the
companionship, the religion and the respect the other people. Despite decline in quality of life
associated HF evaluated the positive point related with psychology and emotional aspect.
However, there is important strengthen preventive actions.
KEYWORDS: Quality of Life, Heart Failure, Elder.
6
Sumário
1 Introdução.............................................................................................................................9
1.1 Epidemiologia.......................................................................................................10
1.2 Insuficiência Cardíaca..........................................................................................12
1.2.1 Etiologia.............................................................................................12
1.2.2 Fisiopatologia.....................................................................................12
1.2.3 Alterações Cardiovasculares associadas ao Envelhecimento.............13
1.2.4 Aspectos Clínicos...............................................................................14
1.2.5 Classificação.......................................................................................16
1.2.6 Tratamento..........................................................................................18
1.3 Estilo de Vida.......................................................................................................22
1.3.1 Hábitos Alimentares............................................................................22
1.3.2 Álcool..................................................................................................23
1.3.3 Tabagismo...........................................................................................23
1.3.4 Exercícios Físicos................................................................................23
1.3.5 Atividade Sexual.................................................................................24
1.3.6 Aspectos Psicossociais........................................................................24
1.3.7 Estresse................................................................................................24
1.3.8 Hipertensão Arterial............................................................................25
1.3.9 Obesidade............................................................................................25
1.3.10 Dislipidemia........................................................................................27
1.3.11 Diabete melito.....................................................................................27
1.4 Qualidade de Vida.................................................................................................29
1.4.1 Saúde e Qualidade de Vida.................................................................30
7
1.4.2 Promoção da Saúde.............................................................................32
2 Objetivos...........................................................................................................................36
2.1 Objetivo Geral.......................................................................................................36
2.2 Objetivo Específico..............................................................................................36
3 Material e Métodos...........................................................................................................37
3.1 Campo de Estudo..................................................................................................37
3.2 Tipo de Estudo......................................................................................................37
3.3 Amostra.................................................................................................................37
3.4 Coleta de Dados....................................................................................................38
3.5 Critérios de Inclusão.............................................................................................38
3.6 Critérios de Exclusão............................................................................................38
3.7 Instrumento de Pesquisa.......................................................................................38
3.8 Análise...................................................................................................................40
3.9 Aspetos Éticos.......................................................................................................40
4 Resultado e Discussão.......................................................................................................41
5 Conclusão.........................................................................................................................55
6 Recomendações................................................................................................................55
7 Referência Bibliográfica...................................................................................................59
8 Anexos..............................................................................................................................65
8
1.0 – Introdução
O idoso apresenta características próprias em relação a certas doenças, à resposta
terapêutica e ao efeito adverso dos medicamentos. Também, constitui-se um grupo de maior
risco para o surgimento das doenças crônico-degenerativas e, inclusive as enfermidades
cardiovasculares. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
Dentre as doenças crônicas de maior impacto no idoso a insuficiência cardíaca (IC) é
definida como uma síndrome clínica na qual uma desordem estrutural ou funcional do coração
leva a diminuição da capacidade do ventrículo de ejetar e/ ou de se encher de sangue nas
pressões de enchimento fisiológico. (NETO, 2004).
Em sendo assim, esta enfermidade é relevante do ponto de vista de Saúde Pública e é
uma das mais importantes causas de admissão hospitalar no SUS, com impacto social e
econômico, havendo uma necessidade de compreender e aprofundar o tema para que se possa
organizar estruturas de saúde, otimizar os custos e, principalmente, melhorar a qualidade de
vida e a sobrevida dos pacientes. (TAVARES, 2004).
Para Almeida (2001), a IC está associada ao declínio da qualidade de vida e,
possivelmente, ligado as limitações das funções cognitivas como a memória e a concentração.
Daí a importância dos clínicos que trabalham com pacientes portadores desta patologia
estarem preparados para investigar o estado mental de seus pacientes, já que o declínio
cognitivo pode interferir com aderência no plano de cuidados.
Neste sentido, a qualidade de vida está extremamente diminuída entre os pacientes
com IC, daí a variedade de sinais e sintomas físicos e psicológicos apresentados pelos
doentes. Esta doença é uma síndrome debilitante progressiva, nas quais os indivíduos
frequentemente experimentam sentimentos de ansiedade, medo e depressão. E a constante
9
presença da limitação física e de sintomas psicológicos resultam numa diminuição da
qualidade de vida. (SCOTT et al, 2004).
A qualidade de vida está relacionada à auto-estima, ao bem-estar, a um bom nível
sócio-econômico, ao estado emocional, interação social, atividade intelectual, o autocuidado,
o suporte familiar, estado de saúde, aos valores culturais, éticos e a religiosidade, ao estilo de
vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive.
(VECCHIA, 2005).
Enfim, podemos afirmar que a IC, conhecida também como câncer da cardiologia,
reduz a qualidade de vida dos pacientes sendo influenciada pelo sexo, idade e tipo da doença.
Então até que ponto esta qualidade de vida está reduzida?
1.1. – Epidemiologia
Aproximadamente 23 milhões de pessoas da população mundial são portadores de IC,
sendo que a prevalência registrada nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos,
França, Alemanha, Itália, Japão, Espanha e Reino Unido é de cerca de 1% a 2% da população.
(SOCESP, 2005).
Cerca de 2 milhões de novos casos de insuficiência cardíaca são diagnosticados a cada
ano no mundo, com tendência de elevação da incidência da doença. (NETO, 2004)
Apesar de não se ter registros epidemiológicos confiáveis no Brasil envolvendo a
incidência de IC, estima-se que até 6,4 milhões de brasileiros sofrem desta patologia. (NETO,
2004).
Segundo Pereira et al (2006), existe um maior crescimento da população idosa em
países em desenvolvimento do que os países desenvolvidos. No Brasil, os idosos representam
10
cerca de 10% da população geral. O censo de 2000 refere que a população idosa era de 15,5
milhões e que terá um crescimento para 18 milhões em 2010 e 25 milhões até 2025.
Segundo os dados do Sistema Único de Saúde (2000), ocorreram cerca de 398 mil
internações por insuficiência cardíaca no ano de 2000 com um registro de 26 mil mortes.
Essas internações correspondem a mais de 30% das internações no sistema público de saúde e
consumiram 33% dos gastos com doenças do aparelho circulatório, tornando-se a primeira
causa de internação de pacientes maiores de 60 anos no SUS.
E nos primeiros sete meses do ano de 2003 ocorreram 203.893 internações por
insuficiência cardíaca, com ocorrência de 14 mil óbitos e uma taxa de mortalidade de 14,7%.
(NETO, 2004).
Estima-se que em 2025 o Brasil possua a sexta maior população de idosos do mundo,
aproximadamente 30.000.000 pessoas, ou seja, 15% da população do país, e que a
insuficiência cardíaca seja a primeira causa de morte por doença cardiovascular no mundo.
(SUS, 2000).
Enfim, a IC é, principalmente, uma doença de idosos. Tanto a incidência como a
prevalência da doença aumentam exponencialmente com o aumento da idade. A taxa de
prevalência, que é cerca de 1% com a idade de cinqüenta anos, chega de 6% a 10% nas
pessoas com mais de 60 anos. A incidência aumenta de 4% no homem e 3% na mulher de 55
a 64 anos de idade, para 50% no homem e 85% na mulher de 85 a 94 anos de idade.
(SOCESP, 2005).
A taxa de mortalidade global por IC, dos pacientes internados pelo SUS no Brasil,
aumentou entre 1992 e 2003. Ela é mais intensa no grupo maior de 65 anos, quando
comparado com o grupo entre 45 e 64 anos, ao contrário do observado nos EUA, onde houve
diminuição da mortalidade nos dois grupos etários. (NOBRE et al, pg. 61, 2005).
11
Segundo Villacorta et al (1998), pacientes idosos com IC atendidos em Unidade de
Emergência apresentam alta mortalidade intra-hospitalar e pobre prognóstico após a alta, a
curto-prazo. O tratamento atual ainda é insatisfatório. A maioria morre por falência
circulatória, decorrente da progressão da doença. Maior vigilância e intervenções
multidisciplinares poderiam melhorar a morbimortalidade e reduzir a taxa de reinternação.
1.2 – Insuficiência Cardíaca
A insuficiência cardíaca pode ser definida como uma síndrome clínica na qual uma
desordem estrutural ou funcional do coração leva a diminuição da capacidade do ventrículo de
ejetar e/ ou de se encher de sangue nas pressões de enchimento fisiológico. (NETO, 2004).
1.2.1 - Etiologia
As principais etiologias cardíacas da IC no Brasil são: doenças aterosclerótica
coronariana, hipertensão arterial, agressão miocárdica pelo T. cruzi, agressão miocárdica pelo
álcool, agressões virais, doenças valvulares e cardiopatias congênitas. (ALMEIDA, 2005).
1.2.2 – Fisiopatologia
Segundo Almeida (2005), independente da etiologia, as alterações da função do
coração ocorrem por conta de evidentes modificações, caracterizadas fundamentalmente por
dilatação da cavidade e queda do seu desempenho sistólico, com conseqüente redução do
débito cardíaco e ativação dos mecanismos de compensação.
12
Uma vez o miocárdio lesado, resultando em disfunção ventricular e queda do débito
cardíaco, uma série de sistemas neuroendócrinos, são ativados. Dentre os sistemas
essencialmente vasoconstritores e retentores de sódio, destaca-se o sistema reninaangiotensina-aldosterona, com ações tanto do ponto de vista sistêmico como tecidual, onde o
aumento de angiotensina no próprio miocárdio leva à fibrose e induz hipertrofia.
(CLAUSELL et al, 1998).
Na insuficiência cardíaca ocorre ativação adrenérgica generalizada e retração do
sistema parassimpático. A falta de estiramento dos mecanorreceptores situados no arco
aórtico, nas artérias carótidas, nas arteríolas aferentes renais e no ventrículo esquerdo por
causa da queda da pressão arterial ou do volume sistólico, diminui o influxo inibitório para o
sistema nervoso autônomo que ativam vias eferentes simpáticas, promovendo vasoconstrição
periférica, aumento da contratilidade cardíaca e taquicardia. (SOCESP, 2005).
A vasoconstrição generalizada promove aumento da resistência vascular sistêmica e
aumento da pós-carga para o ventrículo esquerdo, sobrecarregando um ventrículo já
insuficiente. A hipoperfusão da musculatura esquelética leva ao metabolismo anaeróbico,
produção de ácido lático, gerando fraqueza e fadiga. A hipoperfusão esplâncnica promove
retenção de nitrogênio e sódio, disfunção hepática e isquemia mesentérica. (SOCESP, 2005).
1.2.3 – Alterações Cardiovasculares associadas ao Envelhecimento
Independente de doenças associadas, o processo de envelhecimento associa-se a
importantes alterações cardiovasculares. As artérias tendem a tornar-se rígidas com a idade,
diminuindo a elasticidade e a complacência da aorta e grandes artérias. As artérias rígidas
tornam-se menos distensíveis passivamente, e apresentam também menor capacidade para
dilatar-se ativamente, resultando menor aumento do fluxo sangüíneo em resposta a maiores
demandas
ou
estresse
fisiológico.
Essas
alterações
físicas
tendem
a
aumentar
13
significativamente a sobrecarga mecânica no coração senescente, que necessita propulsionar o
sangue através de artérias mais rígidas, não elásticas e menos distensíveis. A pressão arterial
sistólica aumenta e a pressão diastólica cai, vez que as artérias rígidas perdem a elasticidade
necessária para manter a pressão intravascular durante a diástole. (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
O envelhecimento produz progressivas mudanças cardíacas estruturais. Espessamento
das valvas aórtica e mitral pode ser observado. Calcificação e fibrose levam ao aumento em
sua espessura e rigidez, podendo interferir com o fechamento. Nos vasos sangüíneos, observase a diminuição da elasticidade da parede vascular, conferindo-lhe maior rigidez. O número
de miócitos diminui, ocorrendo aumento no tamanho dos remanescentes e maior deposição de
células adiposas. No sistema de geração e condução do estímulo ocorre perda celular e
substituição por tecido adiposo e fibroso. No nó sinusal, observa-se substancial diminuição do
número de células marcapasso: cerca de 10% em relação a indivíduo saudável de 20 anos de
idade. Ocorre deposição de tecido adiposo em volta do nó sinusal. Esse mecanismo pode
produzir disfunção sinusal. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
Uma das características mais marcantes do coração senescente é o relaxamento mais
lento, em parte devido a diminuição da velocidade de enchimento e conseqüente
prolongamento do tempo de enchimento ventricular. Dessa forma a disfunção diastólica é
importante causa de insuficiência cardíaca no idoso. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2002).
1.2.4- Aspectos clínicos da IC
Os fatores de risco preditivos de hospitalização e de readmissões incluem o pouco
conhecimento e a baixa adesão às recomendações para o autocuidado, que envolvem a
restrição de líquidos e de sal na dieta, a monitorização diária do peso, a atividade física e o
14
uso regular das medicações. Um estudo com 113 pacientes ambulatoriais de uma clínica de IC
identificou que existia falha sobre o que era ensinado aos pacientes em relação ao que eles
entendiam e aplicavam na prática. (RABELO et al, 2007).
A sintomatologia marcante é decorrente da queda do débito cardíaco que por sua vez
determina progressiva intolerância ao esforço, sendo caracterizada pelo sintoma de dispnéia.
(RABELO et al, 2007).
A IC produz sintomas de fadiga e dispnéia progressiva aos esforços ou no repouso
que, muitas vezes, é o principal motivo de procura por atendimento médico de urgência. No
entanto há evidência dos benefícios da atividade física encontrada nos ensaios clínicos, que
fez do exercício físico uma importante forma terapêutica na disfunção cardíaca crônica
estabilizada. (RABELO et al, 2007).
Outros sintomas que se observa na evolução da doença é uma tendência permanente à
retenção de sódio e água nos quais surgem os sintomas decorrentes do quadro de congestão
pulmonar, como ortopnéia, dispnéia paroxística noturna, tosse e sibilância. A congestão
venosa sistêmica pode determinar sintomas de dor ou desconforto no hipocôndrio direito, pela
distensão da cápsula hepática. (ALMEIDA, 2005).
Em relação a estes sintomas é importante orientar os pacientes com IC quanto à
aferição domiciliar do peso que tem importante papel no auxílio à percepção dos sinais de
hipervolemia. O aumento de peso corporal de 1,3 Kg em dois dias ou de 1,3 kg-2,2 Kg em
uma semana pode ser indicativo de que há retenção de líquidos. (RABELO et al, 2007).
São ainda sintomas decorrentes do baixo débito crônico a fadiga, a sonolência,
tonturas, oligúria, perda da massa muscular e a caquexia cardíaca. A presença de arritmias
ventriculares e/ou supraventriculares pode determinar os sintomas de palpitações e tonturas. A
disfunção ventricular pode se manifestar também por arritmia cardíaca, síncope,
tromboembolismo sistêmico ou até mesmo morte súbita (ALMEIDA, 2005).
15
1.2.5 – Classificação da IC
A classificação funcional da IC amplamente adotada é a da NYHA (New York Heart
Association), que estratifica os pacientes em quatro classes de acordo com sua limitação para
as atividades habituais. Contudo, o emprego de parâmetros vagos ou subjetivos na
caracterização das classes funcionais faz que seu uso na prática clínica alcance baixa
reprodutibilidade inter-observadores. (SOCESP, 2005).
Classe funcional I – pacientes assintomáticos;
Classe funcional II – pacientes sintomáticos somente aos grandes esforços;
Classe funcional III – pacientes sintomático aos pequenos e mínimos esforços;
Classe funcional IV – pacientes com sintomas em repouso.
Uma outra forma de classificar os pacientes com IC seria no estadiamento da doença
em relação ao acometimento estrutural do coração e o grau de manifestação clínica prévia,
guardando correlação com a progressão da doença, sua gravidade e prognóstico. O
estadiamento foi proposto pela AHA (American Heart Association): (SOCESP, 2005).
Estágio A: pacientes sem anormalidades ventriculares em risco de desenvolver IC em
virtude de condições comórbidas que são fortemente associadas com o desencadeamento da
IC: hipertensos, coronariopatas, diabéticos. (ALMEIDA, 2005).
Estágio B: pacientes que desenvolveram a doença cardíaca estrutural, que está
fortemente associada com o desenvolvimento da IC, mas não têm sintomas de IC. Exemplos:
hipertrofia ventricular esquerda, doença valvar cardíaca assintomática com dilatação
ventricular, IAM prévio. (ALMEIDA, 2005).
Estágio C: pacientes que apresentam IC sintomática prévia ou atual, associada com
doença estrutural cardíaca. (ALMEIDA, 2005).
16
Estágio D: pacientes com nítidos sintomas de IC em repouso, apesar de máxima
terapia farmacológica, e que necessitam de intervenções especializadas. Exemplos: pacientes
que não podem ter alta do hospital, recorrência na hospitalização, pacientes com suporte
inotrópico contínuo para alívio sintomático ou em assistência circulatória. (ALMEIDA,
2005).
A classificação funcional ou o estadiamento da insuficiência cardíaca são importantes
para:

O planejamento terapêutico;

A avaliação da resposta ao tratamento;

O fornecimento de informações sobre o prognóstico da doença. (ALMEIDA,
2005).
Enfim, a IC pode ser classificada de diversas formas: quanto ao tempo desde o
aparecimento (aguda ou crônica), quanto à etiologia da IC (diabética, hipertensiva, isquêmica,
valvar, inflamatória/infecciosa e outras), quanto à estabilidade atual do quadro (compensada
ou descompensada). (SOCESP, 2005).
Insuficiência cardíaca compensada e descompensada
O termo IC compensada é usado na clínica para designar pacientes cujos sintomas e
sinais de congestão pulmonar e/ou sistêmica foram aliviados pela terapia. Os pacientes
descompensados são aqueles que apresentam sinais ou sintomas de piora clínica evidenciados
por aumento da congestão pulmonar e/ou sistêmica ou pela evidência de má perfusão
periférica. (SOCESP, 2005).
17
1.2.6 - Tratamento da IC
O tratamento atual visa não apenas aliviar os sintomas, melhorar a capacidade
funcional e a qualidade de vida, mas também prevenir o desenvolvimento e a progressão da
doença, atenuar o remodelamento ventricular e reduzir a mortalidade. (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
O tratamento da IC envolve medidas não-farmacológicas, farmacológicas e cirúrgicas,
dependendo do estágio da síndrome. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA,
2002).
As medidas terapêuticas não farmacológicas são utilizadas na tentativa de minimizar
os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com esta patologia, sobretudo, na
forma grave e moderada. Quando usadas em conjunto, as medidas farmacológicas e não
farmacológicas tornam o tratamento da IC mais eficaz. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2002).
Embora o tratamento da IC em idosos seja, em essência, similar ao das outras faixas
etárias, é necessário considerarem-se os aspectos próprios relacionados às comorbidades, às
interações medicamentosas e às alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas inerentes ao
envelhecimento. A função renal deve merecer atenção especial, levando-se em conta o
declínio da taxa de filtração glomerular com a idade, que interfere na eliminação de fármacos,
especialmente dos excretados primariamente pelos rins. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2002).
Entre os medicamentos utilizados no tratamento da IC estão os inibidores da enzima
conversora de angiotensina (IECA), os diuréticos, os betabloqueadores, os antagonistas dos
receptores de aldosterona, os bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA-II), os
digitálicos, os agentes vasodilatadores, os anticoagulantes e os antiarrítmicos. (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
18
O uso dos BRA-II, em doses adequadas, são em geral bem tolerados pelos idosos e
constituem boa opção, quando os inibidores da ECA provocam efeitos adversos. Os nitratos
são amplamente utilizados em idosos na terapêutica da angina de peito e da IC refratária ao
tratamento convencional. Os anticoagulantes necessitam comumente ser administrados a
idosos com esta doença, devido à maior incidência de fibrilação atrial, porém é necessário a
monitorização laboratorial para prevenir as complicações hemorrágicas. (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
Outra medicação utilizada são os inibidores da enzima conversora da angiotensina
(IECA) produzem efeitos clínicos benéficos na IC crônica de todas as classes funcionais, de
etiologia isquêmica ou não. Esses inibidores trazem melhora dos sintomas, capacidade de
exercícios, classe funcional e qualidade de vida, e redução das hospitalizações por agravo da
patologia em questão. Ademais, observou-se uma redução das dimensões ventriculares e
melhora da fração de ejeção do ventrículo esquerdo durante o tratamento prolongado.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
A utilização dos digitálicos está reservada somente para os pacientes que permanecem
sintomáticos após a otimização do tratamento com inibidores da enzima conversora da
angiotensina (IECA), betabloqueadores e antagonistas da aldosterona. Deve-se ter cautela na
administração dos digitálicos pelo risco de intoxicação digitálica devido às alterações renais
que ocorrem nos idosos. (ALMEIDA, 2005).
Os diuréticos aumentam a natriurese e a diurese, além disso, reduzem o volume
intravascular, o volume ventricular, a pré-carga, a congestão visceral e os conseqüentes
sintomas da doença. Apesar de não haver ensaios clínicos sobre o efeito de diuréticos na
sobrevida de pacientes com IC, os efeitos de melhora da qualidade de vida e capacidade
funcional são tão evidentes que praticamente não há questionamentos neste sentido.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
19
Segundo Almeida (2005), cabe ressaltar que nos idosos os diuréticos não devem ser
usados como monoterapia, uma vez que seus únicos efeitos são o alívio ou a prevenção da
congestão. Deve-se monitorar os efeitos colaterais dos diuréticos em função da
hipopotassemia, hipomagnesemia, hiponatremia, alcalose metabólica, hipovolemia e piora da
função renal.
A aldosterona desempenha papel importante por atuar na retenção de sódio e água, na
excreção de potássio e magnésio, estimulando a produção de fibroblastos e aumenta o teor da
fibrose miocárdica, perivascular e perimiocítica, provocando rigidez muscular e disfunção.
Assim, a espironolactona bloqueia os receptores de aldosterona, reduz a síntese e o depósito
do colágeno, melhorando a função miocárdica. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2002).
Os bloqueadores betadrenérgicos são as principais drogas para o tratamento da IC.
Sua indicação é fundamentada em inúmeros ensaios clínicos que demonstraram βbloqueadores associados aos inibidores da ECA, reduzindo a morbidade e a mortalidade
decorrentes da doença. Porém, os β-bloqueadores não devem ser prescritos para pacientes
descompensados, portadores de IC. (NOBRE et al, p. 77, 2005).
Independente dos diferentes mecanismos de ação primária, os agentes vasodilatadores,
como a hidralazina, tendem a melhorar o desempenho cardíaco, seja por diminuição da
resistência vascular periférica (pós-carga), ou por redução da pré-carga, ou ambos.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
Os antagonistas dos receptores de angiotensina II têm efeito terapêutico semelhante
aos inibidores de ECA e são vasodilatadores, provocando a redução da resistência arterial
periférica, reduzem a pressão diastólica final do VE (ventrículo esquerdo) e aumentam o
débito cardíaco (DC). Além disso, modulam a estimulação neuro-hormonal e interferem na
20
remodelação ventricular, reduzindo a dilatação ventricular pós-infarto do miocárdio.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
O papel dos agentes antiarrítmicos no manuseio da IC não está ainda definido, porém,
a elevada incidência de arritmias complexas e de morte súbita nessa síndrome sugere sua
eventual utilidade clínica. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002)
As recomendações atuais para o uso de anticoagulantes orais cronicamente na IC são:
antecedentes de fenômenos tromboembólicos, fibrilaçao atrial e presença de trombo
intracavitário. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
Enfim os pacientes portadores de IC podem ser tratados basicamente com o tratamento
clínico medicamentoso, que retarda a progressão da doença, mas não leva à cura, e com o
tratamento cirúrgico de eleição, representado pelo transplante cardíaco que não é capaz de
atender a todos os pacientes. (BREDA et al, 2006).
Assim, formas alternativas de tratamento cirúrgico passaram a ser utilizadas na
tentativa de aumentar a sobrevida destes pacientes, por vezes livrando-os do transplante
cardíaco ou mantendo-os vivos até a realização do tratamento cirúrgico definitivo. (BREDA
et al, 2006).
Como já foi citado, o estilo de vida precário dos idosos, dentre eles suas
comorbidades, influenciam no surgimento da IC, daí a importância de enfatizar a mudança de
hábitos como planejamento terapêutico.
21
1.3 – Estilo de vida
O estilo de vida de uma pessoa, tal como suas comorbidades, são fortemente
associadas com o desencadeamento da IC. (ALMEIDA, 2005).
Alguns hábitos cotidianos como a má alimentação, aumento do hábito de fumar, a
falta de exercícios físicos e o estresse, predispõe as pessoas à obesidade, dislipidemias,
hipertensão arterial, resistência à insulina e a diabetes, por sua vez, estas condições podem
ampliar a freqüência da aterosclerose, responsável por aproximadamente dois terços dos
pacientes com IC. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
1.3.1 – Hábitos Alimentares
O consumo dos alimentos pode levar à ingestão de certos nutrientes que induzem
respostas, às vezes, indesejáveis na pressão arterial e no sistema cardiovascular.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006).
A intervenção nutricional visa à manutenção do peso ideal, com aporte adequado de
proteínas, carboidratos, lipídios e restrição de sal e gordura. (SOCIEDADE BRASILEIRA
DE CARDIOLOGIA, 2002).
A manutenção do índice de massa corporal ideal conhecida é entre 18,5 e 24,9 Kg/m².
É importante também o controle da circunferência da cintura, não devendo ultrapassar a 102
cm para homens e 88 cm para mulheres. Nos casos de sobrepeso ou obesidade, a perda de 5%
a 10% do peso inicial, já traz benefícios ao paciente. O consumo de calorias deve estar de
acordo com o gasto calórico diário, incluindo, o gasto com atividade física e evitando
alimentos hipercalóricos e sem valor nutricional. A redução de peso está relacionada à queda
da insulinemia, redução da sensibilidade ao sódio e a diminuição da atividade do sistema
nervoso simpático. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006).
22
O sal deve ser diminuído da dieta para no máximo 6 g/dia de sal. Logo, se faz
necessário a redução de sal adicional aos alimentos e reduzir ou abolir os alimentos
industrializados, como enlatados, conservas, frios, embutidos, sopas, entre outros.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006).
A ingestão de líquidos é liberada de acordo com as necessidades do paciente, devendo,
no entanto, ser evitado o excesso ou a escassez. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2002).
1.3.2 – Álcool
O álcool deve ser utilizado, no máximo, 30ml/ dia para homens e 15ml/dia para as
mulheres ou indivíduos de baixo peso. O álcool deprime a contratilidade miocárdica e pode
precipitar arritmias cardíacas. Em presença de miocardiopatia alcoólica, a ingestão de álcool
dever ser proibida. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
1.3.3 – Tabagismo
O fumo é o único fator de risco totalmente evitável que pode levar o doente à morte.
Isto significa que é um desafio em razão da grande dependência de nicotina que o cigarro
provoca. Toda a equipe de saúde deve estar atenta a priorizar o cuidado individual ao extabagista, bem como, o apoio psicoemocional e a orientação de atividades físicas e a educação
alimentar para compensar o ganho de peso. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2002).
1.3.4 – Exercícios Físicos
A prática regular de atividades físicas é recomendada para todos os cardiopatas, salvo
com acompanhamento médico em casos mais graves. Os exercícios aeróbicos ajudam também
23
no controle de outros fatores de risco como o peso corporal, a resistência à insulina e a
dislipidemia, reduzindo o risco cardiovascular em geral. O exercício físico pode reduzir os
riscos de doença arterial coronária, redução da pressão arterial sistólica/diastólica, acidentes
vasculares cerebrais e mortalidade geral. (NOBRE et al, pg. 85, 2005).
1.3.5 - Atividade sexual
Vale ressaltar que a manutenção da atividade sexual pode contribuir para aumentar a
auto-estima e melhorar a qualidade de vida, principalmente na fase idosa. (SOCIEDADE
BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
Os pacientes estáveis são encorajados a manter sua atividade sexual, fazendo os
ajustes necessários para evitar esforço em demasia e o surgimento de sintomas de IC.
(RABELO et al, 2007).
1.3.6 - Aspectos Psicossociais
O diagnóstico de IC provoca, na maioria das vezes, profundas mudanças nos seus
desejos, nas tradições, nas culturas, para se fazer amizades e na atividade social.
(SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2002).
1.3.7 – Estresse
Existem evidências do estresse emocional com o aumento da pressão arterial e da
reatividade
cardiovascular.
O
estresse
crônico
pode
também
contribuir
para
o
desenvolvimento da hipertensão arterial. Assim, o controle do estresse emocional é necessário
na prevenção primária da hipertensão arterial que é uma das comorbidades responsáveis pela
IC. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2006).
24
1.3.8 – Hipertensão Arterial
A elevação da pressão arterial representa um fator de risco independente, linear e
contínuo
para
a
doença
cardiovascular,
tendo
como
complicações
as
doenças
cerebrovasculares, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, insuficiência renal
crônica
e
doença
vascular
de
extremidades.
(SOCIEDADE
BRASILEIRA
DE
CARDIOLOGIA, 2006).
Segundo Sociedade Brasileira de Cardiologia (2006), a hipertensão arterial é entendida
como mudanças estruturais das artérias e do miocárdio em conjunto com a disfunção
endotelial e o remodelamento da musculatura lisa vascular. Os principais fatores de risco da
hipertensão arterial são o aumento da idade, sexo e etnia, fatores socioeconômicos,
alimentação, obesidade, álcool e sedentarismo.
Estima-se que cerca de 60% dos idosos brasileiros são hipertensos. A maioria
apresenta elevação isolada ou predominante da pressão sistólica, aumentando a pressão de
pulso, e elevação dos eventos cardiovasculares. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2006).
1.3.9 – Obesidade
A obesidade é um dos mais antigos distúrbios metabólicos e é a mais importante
desordem nutricional nos países desenvolvidos sendo crescente na população desses países. A
obesidade está sendo considerada como uma epidemia mundial. No Brasil, é cada vez mais
crescente a obesidade sendo distribuída em todos os estados, porém, proporcionalmente mais
elevado nas famílias de baixa renda. (FRANCISCHI et al, 2000).
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a ocorrência da obesidade nos
indivíduos reflete a interação entre fatores dietéticos e ambientais com uma predisposição
genética. Uma das principais causas dentre os fatores alimentares são o excesso de energia,
25
principalmente lipídios, favorecendo o aumento da adiposidade. A atividade física da
população pode estar comprometida devido ao empenho no emprego, nos estudos e assim
diminui o gasto energético do dia. (FRANCISCHI et al, 2000).
Segundo Francischi et al (2000), para cada 10% do aumento no peso corporal se tem
aumento na incidência de doenças coronarianas em 20% e esse risco pode ser mais elevado
quando o ganho de peso está acompanhado pela redução na atividade física e alta ingestão de
ácidos graxos saturados. Também, a hiperinsulinemia aumenta a síntese lipoproteína de baixa
densidade predispondo a hipertrigliceridemia que aumenta o transporte arterial de colesterol e
a síntese de lipídios endógenos, consequentemente, aumento na síntese de colágeno na parede
vascular e na formação de placas de lipídeos nas artérias, predispondo à formação de ateroma
e assim, elevando a probabilidade de ocorrência de problemas cardiovasculares.
A obesidade extrema é reconhecida, há anos, como um fator de risco para
insuficiência cardíaca. Dados de um estudo com base na análise de 5881 pessoas, com idade
média de 55 anos, sendo 54% mulheres, que o aumento do índice de massa corpórea (IMC)
em uma unidade aumentaria o risco de apresentar IC em 5% para os homens e em 7% para as
mulheres. Quando se compara a evolução dos obesos (IMC de 30 ou mais) com os normais
(IMC entre 18,5 e 24,9) os obesos apresentaram o dobro de chance de apresentar
descompensação cardíaca, sendo este risco 2,12 para as mulheres e 1,90 para os homens.
(BARRETO, 2003).
Uma dieta controlada, com baixa ingesta de lipídeos, mais carboidratos, maior
quantidade de fibras alimentares associadas com o exercício físico que melhora a capacidade
cardiovascular e respiratória, diminui a pressão arterial em hipertensos e melhora a ação da
insulina são fortes aliados na diminuição da obesidade. (FRANCISCHI et al, 2000).
26
1.3.10 – Dislipidemia
As dislipidemias relacionadas às doenças cardiovasculares têm sido estudadas
extensivamente e foi demonstrado que pessoas de países, grupos sociais ou raças que
consomem grandes quantidades de gordura têm níveis elevados de colesterol sérico e maior
incidência de aterosclerose coronariana e aórtica em relação àqueles que consomem menos
gordura. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2001).
Nos últimos anos, houve um aumento da prevalência de dislipidemia na população
geral, caracterizada por altos níveis de LDL-colesterol e baixos níveis de HDL-colesterol, a
qual está associada a um maior risco cardiovascular. As mudanças no estilo de vida, como o
aumento do sedentarismo e hábitos alimentares ricos em carboidratos e gorduras, com
conseqüente sobrepeso e obesidade, podem ser fatores contribuintes para o aumento dessa
prevalência. (ARCANJO et al, 2005).
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2001), para que se tenha uma melhora
no quadro de dislipidemia recomenda-se mudança de hábitos alimentares como reduzir a
ingestão de colesterol e ácidos graxos, consumo crescente de fibras, soja, entre outros.
Também, preconiza o consumo moderado de álcool, parar de fumar e exercícios físicos
constantes para o melhor funcionamento cardiovascular.
1.3.11 – Diabetes melito
Diabetes melito é um distúrbio que consiste na resposta secretória defeituosa ou
deficiente de insulina, manifestando-se pela utilização inadequada de glicose pelos tecidos
com conseqüente hiperglicemia. Os distúrbios do metabolismo da glicose podem causar
complicações que envolvem doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial
sistêmica, doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca, sendo que 75% dos pacientes
diabéticos morrem por algum evento cardiovascular. (OKOSHI et al, 2007).
27
Levantamentos epidemiológicos realizados há mais de 30 anos já mostravam que
homens diabéticos têm mais que o dobro de freqüência de insuficiência cardíaca do que os
não-diabéticos. (OKOSHI et al, 2007).
No Brasil, assim como em muitas outras localidades, o Diabetes melito está sendo
reconhecido como um importante problema de saúde pública, principalmente nos países em
desenvolvimento, onde tem ocupado um percentual de 30 a 40% das causas de morbidade
entre adultos. (GUIMARÃES, 2002).
A freqüência das complicações crônicas do DM do tipo 2 varia de acordo com as
populações estudadas. Os pacientes com DM do tipo 2 têm uma propensão duas a quatro
vezes maior de morrer por doença cardíaca. O comprometimento ateroesclerótico das artérias
coronarianas, dos membros inferiores e das cerebrais é comum nos pacientes com diabetes
melito (DM) do tipo 2 e constitui a principal causa de morte destes pacientes. Estas
complicações macroangiopáticas podem ocorrer mesmo em estágios precoces do DM e se
apresentam de forma mais difusa e grave do que em pessoas sem DM. Além disso, pacientes
com DM podem apresentar problemas de visão, doença renal e dano neuronal, que são
chamadas de complicações microangiopáticas. (SCHEFFEL et al, 2004).
A resistência à insulina ocorre quando uma concentração normal desse hormônio
produz uma menor resposta biológica nos tecidos periféricos, como músculo, fígado e tecido
adiposo. A ativação do receptor de insulina resulta na translocação da proteína transportadora
de glicose 4 (GLUT4) do citosol para a membrana celular, o que permite a entrada de glicose
na célula. A resistência insulínica pode decorrer de diversos fatores: defeitos na secreção e/ou
ação da insulina por menor número de receptores ou menor afinidade desses, redução na
quantidade de GLUT4 ou na translocação de GLUT4 para a membrana, sendo este último
considerado como o fator mais importante. (SANTOS, 2006).
28
O tratamento básico e o controle da doença dos tipos de diabetes 1 e 2 consistem,
primordialmente, de uma dieta específica, de atividade física e do uso adequado da medicação
(antidiabéticos orais e/ou insulina). O resultado é obtido através de uma educação específica,
com a necessidade de adoção pelos portadores de diabetes de determinadas medidas e práticas
comportamentais. (GUIMARÃES, 2002).
Considerando a totalidade dos fatores que influenciam o adoecimento dos idosos à IC,
como fazer a capacitação destes idosos para sair desta condição ou, pelo menos, amenizar a
sintomatologia? Um fator importante, e que é crescente na área da saúde, é avaliar a qualidade
de vida do paciente e não só observar a doença, mais explorar os meios que promovem a
satisfação do indivíduo mesmo sendo portadores de patologia crônica.
Visto que a IC compromete as condições de vida dos portadores, especialmente os
idosos, e que o estilo de vida é um fator essencial para o acometimento da doença, faz-se
necessário avaliar a qualidade de vida dos idosos portadores de IC e quais questões
influenciam mais o declínio dessa qualidade.
1.4 - QUALIDADE DE VIDA
A Organização Mundial de Saúde (2004) define qualidade de vida (QV) como “a
percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de
valores nos quais ele vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e
preocupações”.
Segundo Seidl (2004), há relatos de que o termo qualidade de vida surgiu na década de
30 com o propósito de definição e avaliação da forma de vida das pessoas. A partir da década
de 80, mais de 70% do total de instrumentos foram surgindo nesta época. Também,
29
evidenciou que esta avaliação estava sendo definida e mensurada na área de saúde pelos
profissionais de setor e assim, tendo uma falta de clareza e de consistência em relação a
conceituação da qualidade de vida .
Na década de 90, estudiosos concordaram com dois aspectos essenciais do conceito
para análise da QV, a subjetividade e a multidimensionalidade. A subjetividade é a percepção
da própria pessoa entrevistada quanto à qualidade de vida, o que para ela é bem-estar, saúde,
entre outros. Enquanto, a multidimensionalidade é a formação do construto por diferentes
dimensões, se aplicado por meio de pesquisas, estudos empíricos, usando metodologias
qualitativas e quantitativas. (SEIDL et al, 2004).
Seidl et al (2004), relatou que os debates sobre a conceituação de qualidade de vida
vêm estimulando o crescimento de pesquisas e sua utilização nos serviços de saúde, pela
equipe profissional junto aos pacientes. A saúde e a doença estão vinculadas aos aspectos
econômicos, socioculturais e estilo de vida. Logo, aumentar a qualidade de vida dos clientes
passou a ser um resultado almejado tanto na assistência, como nas políticas públicas visando à
promoção da saúde.
A qualidade de vida está relacionada à auto-estima, ao bem-estar, a um bom nível
sócio-econômico, ao estado emocional, à interação social, à atividade intelectual, o
autocuidado, o suporte familiar, ao estado de saúde, aos valores culturais, éticos e a
religiosidade, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se
vive. (VECCHIA, 2005).
1.4.1 – Saúde e qualidade de vida
Segundo Buss (2000), “a saúde é produto de um amplo espectro de fatores
relacionados com a qualidade de vida, incluindo um padrão adequado de alimentação e
nutrição, e de habitação e saneamento; boas condições de trabalho; oportunidades de
30
educação ao longo de toda a vida; ambiente físico limpo; apoio para famílias e indivíduos;
estilo de vida responsável; e um espectro adequado de cuidados de saúde”. O entendimento de
saúde deve abranger não só a ausência de doença, mas também o bem-estar e a qualidade de
vida.
Segundo Buss (2000), estudos mostram que o Brasil, assim como outros países da
América Latina, possuem uma má distribuição de renda, um baixo grau de escolaridade, um
nível elevado de analfabetismo e também, condições precárias de habitação e ambientes
insalubres, e que estão intimamente relacionados com as condições de vida e saúde. Um dos
grandes desafios é levantar como as condições de vida afeta a saúde e influencia diretamente a
qualidade de vida das pessoas.
Também pode-se observar que ao examinar as condições de morbi-mortalidade
relativa às doenças crônicas como o câncer e as doenças cardio e cérebrovasculares, ainda
persistem problemas permanentes, e que no intuito de solucioná-los tem-se investido mais
recursos na assistência médica curativa e individual. (BUSS, 2000).
O novo perfil de morbimortalidade tem elevado a prevalência das doenças crônicodegenerativas, porém, os avanço no tratamento e o possível controle dessas enfermidades tem
aumentado a sobrevida dos pacientes. No intuito de discutir a sobrevida dos pacientes com
câncer, a área da oncologia foi impulsionada a avaliar as condições de vida desses pacientes
como o prolongamento da vida e observar a existência do grau de qualidade de vida. Com
isso, a avaliação da qualidade de vida se tornou um dos indicadores da eficácia, eficiência e
impacto de determinados tratamentos em pacientes crônicos. (SEIDL et al, 2004).
Segundo Favarato (2006), há uma necessidade de avaliar a efetividade das
intervenções médicas devido a várias formas de tratamento da doença. As doenças agudas são
mais fáceis, devido a possibilidade de cura, para se avaliar as formas de tratamento. Porém, as
doenças crônicas têm sido necessárias outras dimensões de avaliação além da redução de
31
morbi-mortalidade, devendo ser avaliadas de forma mais ampla como a qualidade de vida e a
influência na família, entre outros, tendo como objetivo prolongar a vida de forma a aliviar a
dor e amenizar ou prevenir a incapacidade adquirida pela doença.
1.4.2 – Promoção da Saúde
Segundo Buss (2000), o desenvolvimento da promoção da saúde busca, em suas
prioridades, conceituar e colocar em prática a relação entre saúde e a qualidade de vida. A
promoção da saúde vem sendo discutida nas últimas décadas com a finalidade de tentar
contornar os inúmeros problemas de saúde que afetam as populações e assim, a sua qualidade
de vida.
Nesse sentido, não se pode deixar de mencionar os principais documentos que
marcaram o surgimento da promoção da saúde, entre eles, a Declaração de Alma-Ata, a Carta
de Ottawa e a Conferência de Adelaide.
A Declaração de Alma-Ata foi a conferência internacional realizada em 1978 que
abordava os cuidados primários de saúde com grande importância na qualidade de vida, uma
vez que a saúde como “estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não
simplesmente a ausência de doença ou enfermidade – é um direito humano”. Esta declaração
defendia adequadas medidas sanitárias e sociais preventivas e sua principal meta era que toda
a população do mundo, no ano de 2000, atingisse um nível máximo de saúde, por meio de
vida social e economicamente estável. Para isso, o cuidado primário de saúde era o ponto de
partida para atingir essa meta e as estratégias para alcançar saúde, deveriam ser de baixo custo
e tecnologia acessível à comunidade. Os cuidados primários de saúde abrangem a educação
como prevenção e controle de doenças, a distribuição de alimentos e uma adequada nutrição,
o saneamento básico, os cuidados de saúde materno-infantil, a imunização contra as principais
doenças infecciosas, a prevenção e controle de doenças localmente endêmicas, o tratamento
32
apropriado de doenças e lesões comuns, além do fornecimento dos medicamentos essenciais.
Este evento de Alma-Ata, suscita, a todos, englobando governo, comunidade e área da saúde,
a implementarem, em suas regiões, os cuidados primários de saúde. (CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL DE ALMA-ATA, 1978).
Novas conferências se sucederam e em 1986, foi promovida a Primeira Conferência
Internacional sobre Promoção da Saúde chamada de Carta de Ottawa, dando continuidade a
declaração ocorrida em Alma-Ata. Neste contexto, a promoção da saúde foi definida como
“processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e
saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo”. A comunidade deve
conhecer seus anseios e necessidades e, lutar por eles, para que possa chegar a um estado de
completo bem-estar físico, mental e social. Envolve assim, não só a área da saúde mais todos
para promover o bem-estar coletivo. Os pré-requisitos básicos para a saúde propostos são:
paz, habitação, educação, alimentação, renda, ecossistema estável, recursos sustentáveis,
justiça social e equidade. Também, cita que a saúde é essencial para se ter um entendimento
da qualidade de vida e que “a saúde é construída e vivida pelas pessoas dentro daquilo que
fazem no seu dia-a-dia, onde aprendem, trabalham, divertem-se e amam”. Enfatiza que a
saúde para a população mundial no ano de 2000 será uma realidade se as comunidades,
ONGs, governos, OMS e outros, tiverem um empenho em implementar a promoção de saúde
nos países do globo. (PRIMEIRA CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL SOBRE
PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1986).
Outro marco para a promoção de saúde ocorreu em 1988 com a Conferência de
Adelaide sendo uma continuidade das conferências de Alma-Ata e Ottawa. Enfatizou as
políticas direcionadas a saúde da população e a eqüidade. A saúde além de ser um direito
humano fundamental é também um sólido investimento social. A conferência identificou
quatro áreas prioritárias para as ações imediatas em políticas públicas: saúde da mulher,
33
alimentação e nutrição, tabaco e álcool e ambientes saudáveis. (SEGUNDA CONFERÊNCIA
INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988).
Na saúde da mulher, relatam que todas as mulheres, especialmente aquelas de grupos
étnicos, indígenas ou outras minorias, têm o direito a autodeterminação de saúde e deveriam
ser parceiras plenas na formulação das políticas públicas voltadas à saúde, tendo assim
assegurada sua identidade cultural. As mulheres exercem um importante papel na promoção
da saúde por meio de grupos e organizações que servem como modelos de processo de
organização, planejamento e implementação de componentes da promoção da saúde. A
conferência incentiva construir planos nacionais voltados para a saúde da mulher e oferecendo
sugestões como a igualdade de direitos na divisão de trabalho na sociedade; partos de acordo
com as preferências e necessidades das mulheres; e um apoio maior as mulheres trabalhadoras
como licença-maternidade e licença acompanhamentos dos cuidados dos filhos doentes.
(SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE,
1988).
A carta de Adelaide também priorizou a eliminação da fome e da má-nutrição para
proporcionar a saúde. As políticas públicas devem garantir acesso universal à uma
alimentação de boa qualidade no limite cultural de cada região. Além disso, possa integrar, de
forma eficiente a agricultura, a economia e os fatores ambientais. Deveria ser uma prioridade
em todos os governos para se obter um maior impacto a nível nacional e internacional. Devese estabelecer, primeiramente, metas que devam ser alcançadas em alimentação e nutrição. A
população tem direito a uma alimentação mais saudável e uma dieta mais rica. É
responsabilidade dos governos procurar aumentar seu poder de compra de alimentos, bem
como assegurar estoques de alimentos para que o consumidor tenha acesso rápido a uma
comida mais saudável, incluindo manter os estoques de alimentos para hospitais, escolas,
34
abrigos e locais de trabalho. (SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE
PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988).
O consumo de fumo e excesso de álcool são grandes riscos à saúde que merecem
ações dentro das propostas das políticas públicas voltadas a saúde. Além dos fumantes, as
pessoas ao seu redor, os chamados fumantes-passivos, podem ser acometidos pelo fumaça do
cigarro. Enquanto, o álcool contribui para distúrbios sociais e traumas físicos e mentais. A
conferência de Adelaide ressalva o grande número de pessoas acometidas por doenças e o
número crescente de óbitos causados pelo uso do fumo e abuso do álcool. (SEGUNDA
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE, 1988).
Sobretudo, a carta de Adelaide visa proporcionar a proteção da saúde humana a partir
dos efeitos adversos diretos e indiretos de fatores biológicos, químicos e físicos, sabendo que
os seres humanos fazem parte do ecossistema universal. Muitas pessoas vivem e trabalham
em estado prejudicial à sua saúde e estão expostas a produtos nocivos à mesma. Para se ter
políticas que promovam a saúde de forma eficiente, deve-se buscar ambientes que conservem
os meios naturais, por meio de estratégias ecológicas de alcance global, regional e local.
(SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE,
1988).
Logo, a nova concepção da saúde é o bem-estar e por sua vez, redunda em qualidade
de vida, e não simplesmente, a ausência de doença, produzido e alcançado socialmente.
Então, proporcionar saúde é evitar doenças, mas, principalmente, prolongar a vida
assegurando meios e situações que ampliem a qualidade de vida, a autonomia e o padrão de
bem-estar. (BUSS, 2000).
35
2.0 - Objetivos
2.1 - Objetivo Geral
Avaliar a qualidade de vida dos idosos com IC de classes III e IV na emergência de
cardiologia do Hospital Regional de Taguatinga.
2.2 - Objetivos Específicos
 Estudar os fatores que influenciam na qualidade de vida do portador de IC.
 Caracterizar a população acometida pela IC de classe funcional III e IV atendidos na
emergência do Hospital Regional de Taguatinga.
36
3.0 – Material e Método
3.1- Campo de Estudo
A pesquisa foi desenvolvida no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). O hospital
existe há 31 anos e, localiza-se na QNC – Área Especial N° 24 – Taguatinga Norte. No
momento existem 343 leitos para internação e 22 ambulatórios. O atendimento oferecido ao
público é de nível secundário, ou seja, conta com especialidades de média complexidade. As
especialidades ambulatoriais disponibilizadas à população compreendem as áreas de clínica
cirúrgica, dermatologia, endocrinologia, fisioterapia, ginecologia, odontologia, oftalmologia,
ortopedia, otorrinolaringologista, pediatria, pneumologia, gastroenterologia, psiquiatria,
neurologia, proctologia, pequenas cirurgias, urologia, endoscopia e cardiologia. Por sua vez, o
Pronto – Socorro faz atendimento nas áreas de clínica médica, ginecologia, obstetrícia,
pediatria,
odontologia,
cardiologia,
ortopedia,
cirurgia
geral,
otorrinolaringologia,
oftalmologia e urologia, onde são realizados em média 1000 consultas diariamente. Segundo
estatísticas de 2006, a emergência do HRT realizou 14.384 atendimentos na área de
cardiologia. Sendo assim, a opção de escolha desse hospital se deve a abrangência do
atendimento emergencial na área de cardiologia.
3.2- Tipo de Estudo
Trata-se de um estudo de corte transversal. Realizado com pacientes internados na
Emergência do Hospital Regional de Taguatinga.
3.3- Amostra
A amostra foi composta de 25 pacientes internados na emergência do Hospital
Regional de Taguatinga com quadro clínico de IC classe III e IV, no período de Outubro de
37
2007. Para este cálculo tomou-se a média de pacientes internados nos últimos três meses,
observado no livro de admissão do setor de urgência do Pronto Socorro do HRT.
3.4- Coleta de Dados
A coleta de dados ocorreu no período outubro de 2007. Os pacientes foram
entrevistados durante o período de internação por meio de entrevista estruturada, após a
estabilização do quadro patológico, ou seja, após a estabilização hemodinâmica. Para Moreira
(2002), a entrevista pode ser definida como uma conversa entre duas ou mais pessoas com um
propósito especifico em mente.
3.5- Critérios de Inclusão
Foram incluídos no estudo os pacientes acima de 60 anos internados no Hospital
Regional de Taguatinga em virtude da descompensação da IC de classe III e IV, indiferente
da cor, sexo, escolaridade, que concordaram em participar do estudo.
3.6- Critérios de Exclusão
Foram excluídos do estudo os pacientes portadores de IC internados devido a outras
patologias, aqueles menores de 60 anos, os que não aceitaram participar do estudo e os
impossibilitados de responderem ao questionário devido à gravidade do acometimento de sua
patologia.
3.7- Instrumento de Pesquisa
O instrumento adotado na pesquisa foi o WHOQOL-OLD que avalia a qualidade de
vida dos idosos e foi elaborada pelo Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de
Saúde (Grupo WHOQOL). Trata de um instrumento mais recente e que surgiu a partir dos
38
modelos mais utilizados da avaliação da qualidade de vida que são WHOQOL-100 e
WHOQOL-BREF, porém alguns itens foram acrescentados com base no perfil dos idosos que
são a atividade sexual, a cognição, o significado do lar e a respeito de morte e morrer.
(POWER, SCHIMIDT & Grupo WHOQOL, 2005).
O WHOQOL-OLD pode ser utilizado numa ampla variedade de estudos que inclui
investigações
transculturais,
epidemiologia
populacional,
monitoramento
de
saúde,
desenvolvimento de serviços e estudos de intervenção clínica em que questões sobre
qualidade de vida sejam importantes. Este instrumento permite a avaliação sobre o impacto da
prestação do serviço e de diferentes estruturas do atendimento social e
saúde sobre a
qualidade de vida, especialmente na identificação das possíveis conseqüências das políticas
sobre a qualidade de vida para os adultos idosos e uma compreensão mais clara das áreas de
investimento a fim de obter melhores ganhos na qualidade de vida. (POWER, SCHIMIDT &
Grupo WHOQOL, 2005).
O módulo WHOQOL-OLD consiste em 24 itens atribuídos a seis facetas como o
funcionamento sensorial, a autonomia, a atividades passadas, presentes e futuras, a
participação social, morte e morrer e intimidade.
A análise permite avaliar os seguintes aspectos:

O aspecto do funcionamento sensor avalia o componente sensorial e o impacto
da perda destas habilidades na qualidade de vida do idoso;

A faceta autonomia refere-se à independência na velhice e, portanto, descreve
até que ponto o idoso é capaz de viver de forma autônoma e tomar suas
próprias decisões;

A análise das atividades passadas, presentes e futuras descreve a satisfação
sobre conquistas na vida e coisas a que se anseia.
39

Quanto à participação social, permite avaliar a participação do idoso em
atividades do cotidiano, especialmente na comunidade e sua relação com o
mundo;

Com relação à morte e o morrer relaciona-se a preocupações, inquietações e
temores sobre a morte e morrer;

A faceta intimidade avalia a capacidade de relacionamento íntimo e com
pessoas ao seu redor.
Segundo Power (2005), o questionário do WHOQOL-OLD pode ser complementado
quando o pesquisador necessitar de itens complementares, porém, este instrumento só tem
validade se, para fins de pesquisa, forem excluídos menos de 20% dos itens do WHOQOLOLD. Neste sentido, alguns dados foram retirados com relação ao instrumento original e
outros incluídos, entre eles, o sexo do entrevistado, a etnia, dados sociais e demográficos,
além do estilo de vida que são importantes nessa avaliação.
3.8- Análise
Foi construída uma base de dados no software Microsoft Office Access® e a análise
estatística feita no SPSS.
3.9- Aspectos Éticos
Este projeto foi executado após a aprovação do Comitê de Ética da Secretaria de
Estado de Saúde do Distrito Federal.
40
4.0 Resultado e Discussão
Foram analisados 25 indivíduos, desse total 92,0% das pessoas eram do sexo
masculino e 8,0%, feminino. A média de idade dos entrevistados foi de 67 anos. Tanto a
mediana como a moda encontrada também foi de 67 anos. Considerando a totalidade dos
entrevistados 60,0% tinham a cor parda, seguido da branca com 20,0% e os negros
representaram 20,0% dos casos.
Tabela 1 - Distribuição sócio demográfica, dos casos de IC, no Hospital Regional de
Taguatinga, novembro de 2007
n
%
Sexo
Masculino
Feminino
23
02
92,0
8,0
Cor
Branca
Negra
Parda
05
05
15
20,0
20,0
60,0
Faixa Etária (Anos)
60 a 70
70 a 80
17
08
68,0
32,0
Na tabela 1, com relação ao sexo dos pacientes pesquisados, prevaleceu o sexo
masculino, semelhante ao estudo realizado pela SOCESP (2005), que encontrou mais homens
do que mulheres portadoras de IC. Também, comparando os dados dessa análise com o estudo
de Villacorta et al (1998), foi possível verificar que a maioria de homens mostraram IC.
No presente estudo, a grande maioria dos portadores de IC era de cor parda com 60%
dos casos, o que pode estar relacionado com a região do estudo. Em relação à cor dos
entrevistados, foi observada uma variação entre o resultado encontrado desse estudo em
comparação ao estudo de Framingham (1961) realizado nos EUA, onde os homens afroamericanos têm um risco 33,0% maior de serem internados em hospitais por insuficiência
41
cardíaca do que os homens brancos; o risco de IC para mulheres negras, daquele estudo, foi
de 50,0%. Porém, no Distrito Federal não há uma população com característica de cor muito
definida, em função da mobilidade e intensa migração de pessoas para esta região, e pode
também está ligado à limitação da população analisada.
A análise relativa a faixa etária mostrou que de acordo com a SOCESP (2005), a IC é
principalmente, uma doença de idosos. Tanto a incidência como a prevalência da IC
aumentam exponencialmente com o aumento da idade. A taxa de prevalência esperada é de
1,0% dos pacientes com a idade de cinqüenta anos, alcançando entre 6,0% a 10,0% nas
pessoas maiores de 65 anos.
Tabela 2 - Distribuição sócio demográfica dos casos de IC no Hospital
Regional de Taguatinga, novembro de 2007
n
%
Escolaridade
Analfabeto
Ensino Fund. Incompleto
Ensino Fund. Completo
06
10
09
24,0
40,0
36,0
Estado Civil
Solteiro
Casado
Viúvo
03
16
06
12,0
64,0
24,0
Renda Familiar (Salário Mínimo)
Menor que 2
Entre 2 e 4
22
03
88,0
12,0
Na análise do estudo da tabela 2, a maioria dos casos tinham o ensino fundamental
incompleto com 40,0% dos casos, seguido de ensino fundamental completo com 36,0% e
analfabetos, 24,0% dos entrevistados. Segundo Pereira et al (2006), o baixo nível de
escolaridade está ligada as cardiopatias e, consequentemente, a queda na qualidade de vida,
coicindindo com os dados deste estudo.
42
Do total de entrevistados, 64,0% eram casados e 24,0% eram viúvos. Segundo o
estudo de Scott et al (2004), os pacientes com companheiro(a) tem uma maior qualidade de
vida quando comparados aos viúvos.
Em relação ao rendimento mensal, 88,0% tinham renda mensal igual ou inferior a 2
salários mínimo (SM), sendo que 12,0% mostraram renda entre 2 e 4 SM. Segundo Pereira et
al (2006), os problemas financeiros têm relação na redução do bem-estar dos idosos, o que
pode ter implicado no adoecimento das doenças cardiovasculares.
A baixa escolaridade e baixa renda vêm sendo descritas pelos autores como um fator
de risco para a qualidade de vida. De acordo com Tavares et al (2001), o baixo grau de
instrução e a baixa renda foram identificados como fatores de risco e/ou agravantes tanto para
o desenvolvimento de insuficiência cardíaca quanto para a readmissão hospitalar. O estudo
dos autores citados acima avaliou pioneiramente no país as condições sócio-econômicas e
encontraram baixa escolaridade (56,0% de analfabetos) e baixa renda (57,0% tinham renda de
até 1 SM) na população do setor público. A taxa de analfabetismo de pessoas atendidas no
serviço privado também não é desprezível chegando a 11,0% dos pacientes; no entanto, a
renda é mais alta, como de 6 salários mínimos para 58,0% dos pacientes do serviço privado.
Neste estudo, a escolaridade, o estado civil e a renda familiar foram similares a outros
estudos que envolveram a qualidade de vida.
43
Tabela 3 - Distribuição dos casos de IC em relação ao estilo de vida, no
Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007
Comorbidades
Hipertensão Arterial (HA)
Diabetes Mellitus (DM)
Dislipidemia (Dislip)
Outras
HAS + DM
+ de 3 comorbidade
Tabagista
Sim
Não
Ex-tabagista
Quantos cigarros/dia
Entre 1 e 10
Entre 10 e 20
Mais de 20
Etilista
Sim
Não
Freqüência do uso de bebida
Menos que 3x por semana
Menos que 5x por semana
Prática de atividade física
Sim
Não
Quantas vezes por semana
Até 2 x
Até 3x
Mais de 3x
N
%
6
2
1
2
3
5
24,0
8,0
4,0
8,0
12,0
20,0
12
8
5
48,0
32,0
20,0
13
7
5
52,0
28,0
20,0
14
11
56,0
44,0
9
5
36,0
20,0
3
22
12,0
88,0
22
2
1
88,0
8,0
4,0
Nesse estudo da tabela 3, as comorbidades mais presentes foram à hipertensão arterial
com 24,0%, 12,0% foi HAS e DM associadas, e 20,0% dos casos mais de três comorbidades.
De acordo com Villacorta (2001), a hipertensão persistente em pacientes com IC e ocorre a
piora do desempenho cardíaco por causa da vasoconstrição presente. E a diabetes,
independente do risco de desenvolver DAC (doença arterial coronariana), tem influência
importante no prognóstico da IC. Também, no estudo da SOCESP (2002), foi verificado que
30,0% dos pacientes com IC padeciam de doença arterial coronariana, 24,2% com cardiopatia
hipertensiva, 27,1% apresentavam associação de doença arterial coronariana e cardiopatia
hipertensiva, 11,4% tinham cardiomiopatia dilatada de etiologia alcoólica, 4,2% em
decorrência de seqüelas da doença orovalvar reumática, 1,4% com doença pericárdica e 1,4%
44
de cardiopatia congênita acianótica. O resultado deste estudo foi semelhante aos estudos dos
autores citados acima.
Com relação ao estilo de vida dos entrevistados verificou-se que 48,0% dos doentes
eram tabagistas e dentre eles, 52,0% tinham o hábito de fumar até 10 cigarros diários e 20,0%
eram ex-tabagista.
Observou-se também que 56,0% da amostra faziam uso de bebida alcoólica, sendo que
20,0% deles utilizam bebida destilada com consumo diário. Segundo, a SOCESP (2002) em
presença de miocardiopatia alcoólica, a ingestão de álcool deve ser proibida. A American
Heart Association (2001), sugere uma redução do álcool em uma dose diária para mulheres e
duas doses diárias para homens. Uma dose corresponde a 14g de álcool, equivalente a uma
lata de cerveja ou um copo de vinho (120ml). Porém, quando se compara essa orientação com
o resultado obtido no presente estudo, observou-se que existe um excesso de consumo de
bebidas entre os entrevistados, podendo este dado, está associado com os fatores de risco para
a descompensação da IC.
Ainda sobre o estilo de vida, 88,0% dos entrevistados não faziam nenhum tipo de
atividade física. Joia (2007), constatou que a maioria dos idosos não praticava atividade física
e que os que praticam, estão mais satisfeitos com sua vida. No estudo de Taddei et al (1997) o
sedentarismo foi o mais prevalente dos fatores de risco cardiovascular (74,0%) na população
de gerontes. Sendo esse um fator de risco para IC comparável a hipertensão,
hipercolesterolemia, e tabagismo, e permanecendo como importante fator de risco entre os
idosos, podemos supor que não está sendo dada a devida ênfase à educação para a prática de
atividade física regular. De acordo com a SOCESP (2002), vários estudos têm demonstrado o
beneficio e a segurança dos programas de condicionamento físico orientados para pacientes
com IC. Um programa domiciliar de caminhadas pode ser a melhor opção para ajudá-los a
45
evitar as conseqüências negativas, tanto fisiológicas quanto psicológicas, da inatividade.
Como nos demais trabalhos, pode-se observar a falta de atividade física nos idosos.
Tabela 4 - Avaliação da qualidade de vida entre os portadores de IC, Hospital Regional de
Taguatinga, novembro de 2007
Qualidade
de Vida
Muito
Ruim
n
%
N
%
Qualidade
de vida
4
16,0
5
Satisfação
com a sua
saúde
7
28,0
8
5
Dor física
Dificuldade
para
dormir
Mais ou
menos
n
%
N
%
20,0
10
40,0
6
4
16,0
14
56,0
32,0
8
32,0
5
20,0
4
16,0
9
Ruim
Boa
Muito boa
%
24,0
n
----
--
--
--
--
20,0
3
12,0
1
4,0
36,0
6
24,0
1
4,0
--
Na análise relativa à qualidade de vida observou-se que 40,0% avaliou sua qualidade
de vida como mais ou menos. Para Pereira et al (2006), os idosos revelaram que a qualidade
de vida era boa, e não obteve a resposta ruim. Comparando com o nosso estudo na avaliação
da qualidade de vida, considerando as limitações causadas pela IC, houveram respostas ruins.
No que diz respeito à satisfação com a saúde, 56,0% dos pacientes mostraram-se mais
ou menos satisfeito e 28,0% responderam muito insatisfeito com a saúde. Ao avaliar o
sono/repouso, 36,0% assinalaram que apresentam dificuldade para dormir.
46
Tabela 5 - Avaliação da qualidade de vida dos portadores de IC seguido da idade, Hospital
Regional de Taguatinga, novembro de 2007
Faixa Etária
Qualidade de Vida
60 a 70
Total
70 a 80
Muito ruim
N
4
%
16,0
N
--
%
--
n
--
%
--
Ruim
4
16,0
1
4,0
5
20,0
Mais ou menos
6
24,0
4
1,0
10
40,0
Boa
3
12,0
3
12,0
6
24,0
Muito boa
--
--
--
--
--
--
Total
17
68,0
8
32,0
25
100,0
Na tabela 5, o resultado sugerem diferenças na qualidade de vida relacionadas à idade.
Neste estudo, 68,0% dos pacientes apresentavam idade entre 60 a 70 anos e desses, 32,0%
relataram que sua qualidade de vida estava ruim ou muito ruim, dado este que não foi
verificado entre os pacientes acima de 70 anos. Observando-se que os pacientes com idade
menor de 70 anos apresentam uma qualidade de vida inferior aos pacientes maiores de 70
anos.
47
Tabela 6- Avaliação da qualidade de vida dos portadores de IC idosos em relação ao sexo,
Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007
Sexo
Qualidade de Vida
Feminino
Total
Masculino
Muito ruim
n
--
%
--
N
4
%
16,0
n
4
%
16,0
Ruim
2
8,0
3
12,0
5
20,0
Mais ou menos
--
--
10
40,0
10
40,0
Boa
--
--
6
24,0
6
24,0
Muito boa
--
--
--
--
--
--
Total
2
8,0
23
92,0
25
100,0
Ao avaliar a qualidade de vida dos portadores de IC e o sexo observou-se que 40,0%
eram do sexo masculino e relataram ter uma qualidade de vida mais ou menos, 24,0%
disseram ser boa e 16,0% responderam ser muito ruim. Também, observou-se que apesar da
amostra pequena do sexo feminino, todas as mulheres que participaram da pesquisa relataram
uma qualidade de vida ruim. Segundo Nan Hou et al (2005), a qualidade de vida está
extremamente diminuída entre os pacientes com IC. Os pacientes experimentam uma
variedade de sinais e sintomas físicos, psicológicos e os fatores de risco da IC são diferentes
para homens e mulheres. Adicionalmente, mulheres e homens respondem diferentemente ao
impacto da doença. Semelhante ao que foi mencionado por este autor, neste estudo houve
diferença na resposta dos homens e das mulheres.
48
Tabela 7- Qualidade de vida dos pacientes idosos segundo o funcionamento sensorial,
Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007
Funcionamento Sensorial x Vida Diária
Qualidade de
Nada
Vida
Muito
Mais ou
Pouco
Menos
Bastante
Extremamente
Total
n
%
n
%
n
%
n
%
N
%
n
%
Muito Ruim
--
--
--
--
2
8,0
2
8,0
--
--
4
16,0
Ruim
--
--
--
--
2
8,0
3
12,0
--
--
5
20,0
Menos
1
4,0
2
8,0
6
24,0
--
--
1
4,0
10
40,0
Boa
--
--
2
8,0
3
12,0
1
4,0
--
--
6
24,0
1
4,0
4
16,0
13
52,0
6
24,0
1
4,0
25
100,0
Mais ou
Total
Na tabela 7, ao analisar a questão do funcionamento sensorial nos idosos portadores de
IC e sua qualidade de vida, verificou-se que 52,0% dos entrevistados relataram que as perdas
da função sensorial afetaram mais ou menos a sua vida diária e 24,0% disseram bastante,
comprometendo a sua qualidade de vida. Segundo Pereira et al (2006), a maior influência do
domínio físico na qualidade de vida dos idosos foi a capacidade funcional, sendo as alterações
biológicas (incapacidades) os fatores de extremo de mais impacto na vida dessas pessoas. O
resultado desta tabela é semelhante ao relato de Pereira et al (2006).
49
Tabela 8 - Avaliação Sentimento de Morte, Hospital Regional de Taguatinga,
novembro de 2007
Sentimento
de Morte
Nada
Muito
Pouco
n
%
Mais ou
Menos
n
%
Bastante
Extremamente
n
%
n
%
n
%
Preocupação
quanto a
maneira que
irá morrer
7
28,0
7
28,0
8
32,0
2
8,0
1
4,0
Medo de
morrer
5
20,0
9
36,0
6
24,0
5
20,0
--
--
Medo de
sentir dor
antes de
morrer
7
28,0
7
28,0
5
20,0
5
20,0
1
4,0
Em relação ao sentimento de morte e morrer, a tabela 8 mostrou que 32,0% teve mais
ou menos preocupação quanto a maneira pelo qual irá morrer e 28,0% tinha muito pouco
preocupação. Já analisando o medo de morrer, 36,0% teve muito pouco e 24,0% teve mais ou
menos medo de se encontrar nessa situação. Verificando o aspecto de sentir dor antes de
morrer, 28,0% disseram muito pouco e 28,0% relataram não ter nenhum medo de sentir dor
antes da morte. Ao contrário do que se esperava, a grande maioria dos idosos portadores de IC
relataram não ter muita preocupação com a morte. No estudo de Framingham (1961), após
dois anos do diagnóstico de IC, 37,0% dos homens e 38,0% das mulheres foram a óbito. Após
seis anos, porém, houve clara diferença a favor das mulheres, com uma mortalidade de 67,0%
para elas e de 82,0% para os homens.
50
Tabela 09 - Qualidade de vida dos idosos com IC segundo a limitação física, Hospital
Regional de Taguatinga, novembro de 2007
Qualidade
de Vida
Muito Ruim
Ruim
Mais ou
Menos
Boa
Total
Nada
Limitação Física
Muito Pouco Mais ou Menos
Bastante
Total
n
%
n
%
n
%
n
%
n
%
1
4,0
3
12,0
--
--
--
--
4
16,0
--
--
5
20,0
--
--
--
--
5
20,0
--
--
2
8,0
7
28,0
1
4,0
10
40,0
--
--
2
8,0
3
12,0
1
4,0
6
24,0
1
4,0
12
48,0
10
40,0
2
8,0
25
100,0
Na tabela 09, analisando a qualidade de vida dos idosos e sua limitação física, foi
verificado que 48,0% tinham muito pouca limitação física e 40,0% responderam mais ou
menos tinham algum comprometimento físico. Segundo Rabelo et al (2007), a insuficiência
cardíaca é uma síndrome debilitante progressiva, nas quais os indivíduos frequentemente
experimentam sentimentos de ansiedade, medo e depressão. E a constante presença da
limitação física e sintomas psicológicos resultam numa diminuição da qualidade de vida.
Segundo Pereira et al (2006), uma das maiores influências na qualidade de vida dos idosos
está relacionada ao domínio físico, ou seja, da capacidade funcional, independência na vida
diária, integração social, suporte familiar e independência econômica. Quanto mais ativo for o
idoso, maior é sua satisfação com a vida e, consequentemente, melhor é a sua qualidade de
vida. Esta pesquisa correlaciona-se com os dados da literatura, uma vez que quanto maior a
limitação física menor a qualidade de vida, como pode-se verificar na tabela 09.
51
Tabela 10 - Avaliação da espiritualidade dos idosos com IC, Hospital Regional
de Taguatinga, novembro de 2007
Espiritualidade
As crenças dão
sentido à vida
As crenças
ajudam a
enfrentar
dificuldades
Sentido para a
vida
Nada
n
%
Muito
Pouco
n
%
Mais ou
Menos
n
%
Bastante
Extremamente
n
%
n
%
--
--
4
16,0
8
32,0
9
36,0
4
16,0
--
--
2
5,0
3
6,0
4
13,0
5
1,0
1
4,0
2
8,0
1
36,0
13
52,0
--
--
Em relação às crenças pessoais, cerca de 52,0%, dos doentes idosos, referiram que
estas percepções, dão sentido à vida, e 13,0% relataram, ainda, que as crenças pessoais dão
força para enfrentar as dificuldades do dia a dia, sendo que 52,0% disseram que sua vida tem
sentido. De acordo com Santos et al (2002), o aspecto religioso tem grande influência na vida
do idoso ajudando na questão do envelhecimento, tanto do ponto de vista do acometimento
das doenças como na superação das dificuldades nesta etapa de vida. Da mesma forma que
Santos et al (2002), este trabalho mostrou também o importante papel da religiosidade na vida
dos idosos portadores de IC.
52
Tabela 11 - Avaliação da intimidade e atividades passadas, presentes e futuras dos idosos com
IC, Hospital Regional de Taguatinga, novembro de 2007
Intimidade
n
Nada
%
Satisfação com as
realizações na vida
1
4,0
1
4,0
8
32,0
13
52,0
2
8,0
Satisfação com o uso
do tempo
2
8,0
8
32,0
12
48,0
3
12,0
--
--
6
24,0
11
44,0
8
32,0
--
--
--
--
2
8,0
8
32,0
11
44,0
4
16,0
--
--
Oportunidades para
participar de
atividades da
comunidade
Felicidade com o que
você pode esperar
daqui para frente
Muito Pouco
n
%
Mais ou Menos
n
%
Bastante
n
%
Extremamente
n
%
Em relação à tabela 11, verificou-se que 52,0% dos idosos com IC estão bastante
satisfeitos com aquilo que alcançaram na vida e, somente 4,0% disseram insatisfeitos. Porém,
48,0% relataram ter mais ou menos satisfação com a maneira pela qual usa o seu tempo,
sendo que 32,0% assinalaram muito pouco. Na avaliação de oportunidade para participar de
atividades da comunidade, 44,0% alegaram muito pouca, sendo 32,0% mais ou menos e
24,0% nenhuma inserção na comunidade. Com relação às coisas que podem esperar daqui
para frente, 44,0% dos idosos falaram que é mais ou menos e 32,0% esperam muito pouco do
futuro. Segundo Joia (2007), os idosos dizem ser satisfeitos com sua qualidade de vida,
quando há um ambiente familiar, renda suficiente para suas necessidades, além de poder fazer
suas atividades diárias e lazer.
53
Tabela 12 - Qualidade de vida e companheirismo dos idosos portadores de IC, Hospital
Regional de Taguatinga, novembro de 2007
Qualidade
de Vida
Muito Ruim
Ruim
Mais ou Menos
Boa
Total
Nada
n
%
Sentimento de companheirismo
Muito Pouco Mais ou Menos
n
%
n
%
Bastante
n
%
n
Total
%
--
--
--
--
3
12,0
1
4,0
4
16,0
--
--
4
16,0
1
4,0
--
--
5
20,0
--
--
3
12,0
--
--
7
28,0
10
40,0
--
--
--
--
--
--
6
24,0
6
24,0
--
--
7
28,0
4
16,0
14
56,0
25
100,0
Na avaliação das relações sociais e intimidade com relação a qualidade de vida,
verificou-se que 56,0% dos indivíduos analisados sentiram-se bastante apoio por parte do(a)
companheiro(a), sendo que 28,0% relataram ter muito pouco sentimento de companheirismo.
Todos os idosos responderam sentir companheirismo, incluindo a relação com os filhos e
outras pessoas mais próximas. Quem respondeu baixo sentimento de companheirismo,
avaliou a qualidade de vida em ruim e mais ou menos. Sendo assim, a qualidade de vida foi
mais reduzida em pacientes que não possuíam sentimento de companheirismo. Segundo Jóia
(2007), uma das maiores relações com a satisfação com a qualidade de vida dos idosos é ter
um companheiro (a) do qual possa amar e ser amado. Para Pereira et al (2006), a inserção
familiar do idoso pode oferecer benefícios, no sentido de apoio familiar nas condições
debilitantes e de dependência, reduzindo o isolamento, porém, também pode gerar conflitos
intergeracionais que acabam por diminuir a estima e deteriorar o estado emocional do idoso.
No estudo realizado por Scott (2004), ressaltou os efeitos positivos do suporte educativo dos
familiares junto aos idosos. E concluiu que os familiares, especialmente a esposa/marido,
envolvido na educação do paciente colaboram para o aumento na qualidade de vida. Assim
como na literatura citada acima, este estudo teve semelhante resultado com a dependência da
qualidade de vida dos idosos portadores de IC com relação ao grau de companheirismo.
54
5.0 - Conclusão
Depois da aplicação do instrumento de pesquisa WHOQOL-OLD aos 25 pacientes
idosos portadores de IC de classe III e IV, internados no Hospital Regional de Taguatinga,
foram observados os seguintes resultados:
● A grande maioria dos doentes entrevistados eram do sexo masculino, tinham a idade
média de 67 anos, cor parda, casados, além do ensino fundamental incompleto e da renda
mensal entre dois salários mínimos;
● A comorbidade que prevaleceu foi a Hipertensão Arterial e quanto ao estilo de vida,
a grande maioria era tabagistas, etilistas e sedentários;
● Na análise da qualidade de vida, a maior parte relatou que sua QV era regular e que
estavam pouco satisfeito com a saúde. Muitos dos entrevistados relataram dificuldades para
dormir e a maior parte sentia muita dor física;
● Uma boa porcentagem dos idosos entrevistados assinalaram que seu funcionamento
sensorial afetava a sua qualidade de vida;
● Com relação ao sentimento de morte e morrer muitos relataram não terem muitas
preocupações em relação a esse assunto;
● A grande maioria dos entrevistados apresentaram limitação física e alguns idosos
tinham um maior comprometimento físico;
● Em relação às crenças pessoais, grande parte dos pacientes relataram que a religião
ajuda a enfrentar as dificuldades da vida e a dá sentido a sua vida;
● Os idosos com IC estavam satisfeitos com aquilo que alcançou na vida. Porém, a
maior parte relatou pouca satisfação quanto ao uso do seu tempo diário. Na participação da
comunidade, poucos entrevistados tinham oportunidades de interação social;
● A maior parte dos idosos sentiram apoio por parte do companheiro e da família;
55
Na avaliação da qualidade de vida, os domínios positivos incluíram o
companheirismo, a oportunidade de amar e ser amado, a religiosidade, a satisfação com
aquilo que alcançou na vida e na questão da morte e morrer. Os pontos negativos foram: a
baixa qualidade de vida, a dificuldade de repousar, a perda de alguns dos sentidos, a dor
física, a limitação da realização de suas tarefas, a falta de esperança de alcançar realizações
particulares e a insatisfação com a maneira na qual usa o seu tempo.
6.0 Recomendações:
Verifica-se, no presente estudo, que a qualidade de vida dos entrevistados não é
satisfatória e várias questões interferem na melhor forma de vida. Porém, embora se tenha
limitações próprias provenientes da IC e da própria idade, existem condições que podem
melhorar a qualidade de vida. Daí a necessidade de protocolos voltados a esses idosos
portadores de IC nos Centros de Saúde afim de melhor acolher os pacientes com essa
patologia, acesso aos programas e prevenção das comorbidades, melhores condições de vida,
segurança e saneamento básico.
As principais recomendações desse estudo, estão voltadas para os serviços de atenção
básica, que envolvem programas multidisciplinares para educação sistemática sobre a doença.
Enfermeiros engajados na promoção e prevenção de IC desempenham papel fundamental no
processo de educação e acompanhamento dos pacientes. Os objetivos deste processo são
ensinar, reforçar, melhorar e avaliar constantemente as habilidades dos pacientes para o
autocuidado, que incluem a monitorização do peso, a restrição de sódio e de líquidos, a
realização de atividade física, o uso regular das medicações e a monitorização de sinais e
sintomas de piora da doença.
56

Monitorização do Peso: a orientação ao paciente com IC quanto à aferição
domiciliar do peso diário tem importante papel no auxilio à percepção dos
sinais de hipervolemia. Os pacientes devem ser orientados a verificar o peso
pela manhã após urinar, com roupas leves, antes do café e utilizando a mesma
balança. O aumento de peso corporal de 1,3 kg em dois dias ou de 1,3 kg – 2,2
kg em uma semana pode ser indicativo de que há retenção de líquidos.
(RABELO et al, 2007).

Dieta: em relação a ingesta de sódio, os pacientes com IC grave devem ser
orientados a consumirem 2g/dia, enquanto uma dieta com 3 – 4 g de sódio/ dia
é o alvo mais razoável para aqueles pacientes com IC leve e moderada.
Segundo Rabelo (2007), a não adesão à restrição de sódio corresponde de 50%
a 88%. A adesão para o autocuidado, incluindo seguimento da dieta, mostrouse, de modo significativo, correlacionado com o conhecimento. (RABELO et
al, 2007).

Tabaco e álcool: o uso excessivo de bebidas alcoólicas e o fumo devem ser
desencorajados em função de seus efeitos negativos sobre o sistema
cardiovascular. A não adesão com a restrição de fumo e álcool foi relacionada
de modo significativo com o número de admissões por IC. (RABELO et al,
2007).

Realização de Atividade Física: a evolução do conhecimento sobre a
fisiopatologia da IC e a evidência dos benefícios da atividade física fez do
exercício físico uma importante forma terapêutica na disfunção cardíaca
crônica estabilizada. Segundo Rebelo (2007), um estudo comprovou que o
exercício moderado a longo – prazo melhora a capacidade funcional e a
qualidade de vida em pacientes com IC estável. O efeito sustentado de melhora
57
funcional parece estar associado com a baixa taxa de readmissão hospital por
IC e menor taxa de mortalidade. (RABELo et al, 2007).

Repouso: o repouso prolongado ou inatividade pode causar atrofia da
musculatura esquelética, exacerbação dos sintomas da IC, tromboembolismo e
redução da tolerância ao exercício. Atualmente o repouso só está indicado nos
episódios de descompensação aguda e, mesmo assim, de acordo com as
limitações de cada paciente.( RABELO et al, 2007).

Atividade Física Diária: dependendo da gravidade da doença, a intolerância ao
exercício pode ser um dos fatores limitantes durante a realização das atividades
da vida diária. O paciente deve ser orientado a identificar se existe ausência ou
presença de cansaço e de falta de ar para realizar as atividades do dia-a-dia e, a
partir daí, acompanhar a melhora ou piora desses sintomas.(RABELO et al,
2007).

Atividade Sexual: os pacientes são encorajados a manter sua atividade sexual,
fazendo os ajustes necessários para evitar esforço em demasia e o surgimento
de sintomas. Essa questão deve ser abordada pela equipe de enfermagem de
maneira natural e informativa. (RABELO et al, 2007).

Monitorização de Sinais e Sintomas: dados da literatura demonstram que
pacientes com IC toleram alguns sintomas como edema, ganho de peso e
fadiga por 7 dias, e dispnéia por 3 dias antes de procurarem assistência médica
e, somente 5% dos pacientes associam o aumento de peso como sintoma na
admissão hospitalar. Neste contexto as intervenções de enfermagem devem
estar focadas na educação dos pacientes e familiares para o reconhecimento
precoce destes sinais e sintomas evitando quadros de descompensação.
(RABELO et al, 2007).
58
Enfim, a educação para o entendimento da IC, e o desenvolvimento de habilidades
para o autocuidado, são considerados chaves para melhorar a adesão, evitar crises de
descompensação e consequentemente manter a estabilidade clínica dos pacientes. Essas metas
de promoção e prevenção são alcançadas nos serviços de atenção básica, que é onde se deve
começar a educação dos pacientes bem como de seu familiares.
59
7.0 – Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Osvaldo P. et al. Congestive Heart Failure and Cognitive Functioning
Amongst Older Adults. Arq. Neuropsiquiatr. v.59 n.2 São Paulo jan. 2001.
ALMEIDA, Dirceu Rodrigues. Insuficiência Cardíaca. Rev. Medicina Atual, 2005.
AMERICAN COLLEGE OF CARDIOLOGY FOUNDATION AND AMERICAN HEART
ASSOCIATION. Diagnóstico e Manejo da Insuficiência Crônica no Adulto. Editado por
RTM Ltda, 2006.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz do Grupo de Estudo em
Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Arq Bras Cardiol v.79,
suplemento I, 2002.
ARQ. BRAS. CARDIOL. – I Diretriz Latino-Americana para Avaliação e Conduta na
Insuficiência Cardíaca Descompensada, v.79, suplemento II, 2002.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Revisão das II Diretrizes da Sociedade
Brasileira de Cardiologia para o Diagnóstico e Tratamento da Insuficiência Cardíaca,
Arq Bras Cardiol v.79, suplemento IV, 2002
BARRETTO, José Luis et al. A obesidade e a insuficiência cardíaca. São Paulo: Rev.
Assoc. Med. Bras. v.49 n.1, jan./mar. 2003.
60
BARRETTO, José Luis et al. Insuficiência Cardíaca nos Idosos. Diferenças e Semelhanças
com os Mais Jovens. Arq. Bras. Cardiol. v.71 n.6 São Paulo jun. 1998.
BUSS, Paulo Marchiori. Promoção da saúde e qualidade de vida. Rio de Janeiro: Ciênc.
Saúde Coletiva v.5 n.1, 2000.
CHOR, Dora. Hipertensão arterial entre funcionários de banco estatal no Rio de Janeiro:
hábitos de vida e tratamento. São Paulo: Arq. Brás. Cardiol. v.71 n.5, nov. 1998.
CHOR, Dora. Saúde pública e mudanças de comportamento: uma questão
contemporânea. Rio de Janeiro: Cad. Saúde Pública v.15 n.2, abr/jun. 1999.
CLUASSEL, Nadine et al. Em Busca de Novos Paradigmas Para o Manejo da
Insuficiência Cardíaca. Arq. Bras. Cardiol. v.71 n.4 São Paulo out. 1998.
COLOMBO. Francisco J. N. et al. Estilo de vida e fatores de risco de pacientes com
primeiro episódio de infarto agudo do miocárdio. Ribeirão Preto: Rev. Latino-Am.
Enfermagem v.5 n.2, abr. 1997.
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE CUIDADOS PRIMÁRIOS DE SAÚDE.
Alma-Ata. URSS, 6-12 de setembro de 1978.
CRUZ, José F. et al. Prevalência de obesidade em idosos longevos e sua associação com
fatores de risco e morbidades cardiovasculares. São Paulo: Rev. Assoc. Med. Bras. v.50
n.2, abr./jan.2004.
61
FAVARATO, Maria E.C.S et al. Qualidade de vida em portadores de doença arterial
coronária: comparação entre gêneros. São Paulo: Rev. Assoc. Méd. Brás. V.52 n.4,
jul./ago. 2006.
FLECK, Marcelo P.A. et al. O instrumento de avaliação de qualidade de vida da
Organização Mundial de Saúde (WHOQOL-100): características e perspectivas. Rio de
Janeiro: Ciência. Saúde Coletiva v.5 n.1, 2000.
FLECK, Marcelo P. A. et al. Projeto WHOQOL-OLD: método e resultados de grupos
focais no Brasil. São Paulo: Rev. Saúde Pública vol.37 n.6, dec. 2003.
FRANCISCHI, Rachel P. P., Obesidade: atualização sobre sua etiologia, morbidade e
tratamento. Campinas: Rev. Nutr. v.13 n.1, jan./abr. 2000.
GARRIDO, Regiane; MENEZES, Paulo. O Brasil está envelhecendo: boas e más notícias
por uma perspectiva epidemiológica. São Paulo: Rev. Bras. Psiquiatr. v.24 supl.1, abr.
2002.
GUIMARÃES, Fernanda Pontin de Mattos et al. Orientações recebidas do serviço de saúde
por pacientes para o tratamento do portador de diabetes mellitus tipo 2. Campinas: Rev.
Nutr. v.15 n.1, jan. 2002.
HOU, Nan et al. Relationship of age and sex to health – related quality of life in patients
with heart failure. Rev. American Journal of Critical Care. v.13 n.2 march, 2004.
62
JÓIA, Paulo M. et al. Condições associadas ao grau de satisfação com a vida entre a
população de idosos. São Paulo: Rev. Saúde Pública v.41 n.1, fev. 2007.
MIRANDA, Carlos Henrique et al. Abordagem da Descompensação Aguda da
Insuficiência Cardíaca Crônica. Medicina v.36, Ribeirão Preto abr. 2003.
NETO, João Manoel R. A Dimensão do Problema da Insuficiência Cardíaca do Brasil e
do Mundo. Ver. Soc. Cardiol. v.14 n.1 São Paulo jan/fev. 2004.
NOBRE, Fernando et al. Tratado de Cardiologia – SOCESP. Editora: Manole Ltda, Barueri,
SP, 2005.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Manual WHOQOL-OLD. 2004.
PEREIRA, Renata Junqueira et al. Contribuição dos domínios físico, social, psicológico e
ambiental para a qualidade de vida global de idosos. Porto Alegre: Rev. Psiquiátrica Rio
Grande do Sul v.28 n.1, jan./abr. 2006.
PRIMEIRA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE.
Ottawa, novembro de 1986.
RABELO, Eneida Rejane et al. O que ensinar aos pacientes com insuficiência cardíaca e
por quê: o papel dos enfermeiros em clínicas de insuficiência cardíaca. Rev. Latino
Americana de Enfermagem v.15 n.1 Ribeirão Preto jan/fev. 2007.
63
ROCHA, Alby Duarte et al. Qualidade de vida, ponto de partida ou resultado final? Rio de
Janeiro: Ciênc. Saúde Coletiva v.5 n.1, 2000.
SANTOS, Claúdia Roberta Bocca et al. Fatores dietéticos na prevenção e tratamento de
comorbidades associadas à síndrome metabólica. Campinas: Rev. Nutr. v.19 n.3,
maio./jun. 2006.
SANTOS, Sérgio Ribeiro et al. Qualidade de vida do idoso na comunidade: aplicação da
Escala de Flanagan. Ribeirão Preto: Rev. Latino-Am. Enfermagem v.10 n.6, nov./dez. 2002.
SCHEFFEL, Rafael Selbach et al. Prevalência de complicações micro e macrovasculares e
seus fatores de risco em pacientes com diabetes melito do tipo 2 em atendimento
ambulatorial. São Paulo: Rev. Assoc. Med. Bras. v.50 n.3, jul./set. 2004.
SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE PROMOÇÃO DA SAÚDE.
Adelaide. Austrália, 5-9 de abril de 1988.
SEIDL, Eliane M. Fleury et al. Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e
metodológicos. Rio de Janeiro: Cad. Saúde Pública v.20 n.2, mar./abr. 2004.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. III Diretrizes de dislipidemias e
prevenção da aterosclerose. São Paulo: Arq. Bras. Cardiol. v.77, suplemento III, 2001.
TAVARES, Leandro Reis et al. Epidemiologia da Insuficiência Cardíaca Descompensada
em Niterói – Projeto Épica. Rev. Arq Bras Cardiol, v.82 n.2. Niterói RJ, 2004.
64
VECCHIA, Roberta Dalla et al. Qualidade de vida na terceira idade: um conceito
subjetivo. São Paulo: Rev. Bras. Epidemiologia v.8 n.3, set. 2005.
VILLACORTA, Humberto et al. Evolução Intra-hospitalar e Seguimento Pós-alta de
Pacientes Idosos Atendidos com Insuficiência Cardíaca Congestiva na Unidade de
Emergência. Arq. Bras. Cardiol. v.70 n.3 Rio de Janeiro jan. 1998.
XAVIER, Flávio M F et al. A definição dos idosos de qualidade de vida. São Paulo: Rev.
Bras. Psiquiatr. v.25 n.1, mar. 2003.
65
APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE PESQUISA
Universidade Católica de Brasília
Curso de Enfermagem
Título do estudo: Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca
Internados no Hospital Regional de Taguatinga
Autores: Hellen Rodrigues Gonçalves e Renata América Lima Torres Resende
Orientadora: Dra. Maria do Socorro Nantua Evangelista
Co-orientador: Dr. Hélio Bezerra da Silva
INSTRUMENTO DE PESQUISA
1. Identificação
Nome:______________________________________________________________
Sexo: ( ) M
( )F
Idade:_______anos
Cor: ( ) Branca ( ) Negra ( ) Parda
2. Dados Sociais e Demográficos
2.1. Nível de Escolaridade
( ) Analfabeto ( ) Ensino fundamental incompleto ( ) Ensino Fundamental Completo (
) Ensino médio completo ( ) Superior incompleto ( ) Superior Completo
66
2.2. Estado Civil
( ) Solteiro ( ) Casado ( ) Viúvo ( ) Divorciado
2.3. Renda Familiar
( ) Menor que 2 salários mínimos ( )Entre 2 e 4 salários mínimos ( )Entre 4 e 8 salários
mínimos ( )Acima de 8 salários mínimos ( ) não sabe referir
3. Dados do Estilo de Vida
3.3.Você fuma?
( ) Sim ( ) Não Se sim, quantos cigarros por dia?______cigarros
3.4.Faz uso de bebida alcoólica?
( ) Sim ( ) Não Se sim, quantas vezes por semana?____________________
Qual tipo de bebida que você faz uso e quantos copos?___________________________
3.5.Você pratica alguma atividade física?
( ) Sim ( ) Não Se sim, cite a modalidade_________________________
Quantas vezes por semana você pratica atividade física?______________
Se não, porque?____________________
3.4 Você possui alguma das seguintes co-morbidades?
( ) Hipertensão Arterial ( ) Diabetes melito ( ) Obesidade ( )Dislipidemia
( ) Outras. Qual?___________________
67
3.6 Quantos medicamentos você toma por dia?____________
3.7 Seu orçamento mensal é suficiente para a compra dos seus medicamentos?
( ) Sim ( ) Não
4. Avaliando a qualidade de vida
4.1. Como você avaliaria sua qualidade de vida?
Muito ruim
Ruim
Mais ou
Boa
Muito boa
4
5
menos
1
2
3
4.2. Quão satisfeito (a) você está com sua saúde?
Muito
Insatisfeito
Insatisfeito
1
Mais ou
Satisfeito
Muito Satisfeito
4
5
menos
2
3
4.3. Você sente muita dor física?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
4.4. Você tem alguma dificuldade para dormir?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
68
5. Avaliando o funcionamento sensorial
5.1. Até que ponto as perdas nos seus sentidos (por exemplo, audição, visão,
paladar, olfato, tato), afetam a sua vida diária?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
5.2. Até que ponto a perda de por exemplo, audição, visão, paladar, olfato, tato,
afeta a sua capacidade de participar em atividades?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
5.3. Até que ponto o funcionamento dos seus sentidos (por exemplo, audição,
visão, paladar, olfato, tato) afeta a sua capacidade de interagir com outras
pessoas?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
69
6. Avaliando o sentimento de morte e morrer
6.1. O quanto você está preocupado quanto a maneira pelo qual irá morrer?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
6.2. Quanto você tem medo de morrer?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
6.3. Quanto você teme em sofrer dor antes de morrer?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
7. Avaliando a autonomia e interação social
7.1. Até que ponto você consegue fazer as coisas que gostaria de fazer?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
70
7.2. Até que ponto você está satisfeito com as suas oportunidades para continuar
alcançando outras realizações na sua vida?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
7.3. O quanto você sente que recebeu o reconhecimento que merece na sua vida?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
7.4. Quanta liberdade você tem de tomar as suas próprias decisões?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
7.5. Até que ponto você sente que controla seu futuro?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
71
7.6. O quanto você sente que as pessoas ao seu redor respeitam a sua liberdade?
Nada
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
1
Bastante
Extremamente
4
5
8. Espiritualidade
8.1. Suas crenças pessoais dão sentido a sua vida?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
8.2. Em que medida suas crenças pessoais lhe dão força para enfrentar
dificuldades?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
8.3. Em que medida você acha que sua vida tem sentido?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
72
9. Intimidade
9.1. Até que ponto você tem um sentimento de companheirismo em sua vida?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
9.2. Até que ponto você sente amor em sua vida?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
9.3. Até que ponto você tem oportunidade de amar ou ser amado?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
10. Atividades passadas, presentes e futuras.
10.1. Quão satisfeito você está com aquilo que alcançou na sua vida?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
73
10.2. Quão satisfeito você está com a maneira com a qual você usa o seu tempo?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
10.3. Quão satisfeito você está com o seu nível de atividade?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
10.4. Quão satisfeito você está com as oportunidades que você tem para
participar de atividades da comunidade?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
10.5. Quão feliz você está com as coisas que você pode esperar daqui para frente?
Nada
1
Muito
Mais ou
pouco
menos
2
3
Bastante
Extremamente
4
5
Você tem algum comentário sobre o questionário?
Obrigada pela sua colaboração!
74
APÊNDICE B – CRONOGRAMA DO ESTUDO
CRONOGRAMA
Pesquisa: Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca
ternados no Hospital Regional de Taguatinga, 2007
Agosto
Levantamento
Bibliográfico
Levantamento
de Dados
Banco de
Dados
Análise dos
Dados
Resultados
Finais
X
Setembro Outubro
X
X
Novembro Dezembro
X
X
X
X
X
X
X
X
75
ANEXO A- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Este documento visa convidar o(a) senhor(a) a participar da pesquisa que está sendo realizada
sobre a “Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca Internados
no Hospital Regional de Taguatinga” este estudo objetiva avaliar a qualidade de vida dos
idosos portadores de insuficiência cardíaca atendidos na emergência do Hospital Regional de
Taguatinga, com o intuito de analisar os contribuintes da qualidade de vida dos idosos com IC
e assim contribuir na melhoria da atenção a essa população nos serviços de saúde pública.
Esse levantamento será realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da
Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal – CEP – SES/DF.
Por intermédio deste termo são garantidos os seguintes direitos:
 Não há qualquer obrigatoriedade em sua participação;
 Solicitar, a qualquer tempo, maiores esclarecimentos sobre a pesquisa, as seguintes
pessoas responsáveis pela pesquisa: Hellen Gonçalves, Telefone: 84294076, Renata
Torres, Telefone: 91214001 e, Maria da Socorro Nantua, Telefone: 33673644;
 Segredos sobre nomes, local de trabalho e quaisquer outras informações que possam
levar à sua identificação pessoal e da sua família;
 Ampla possibilidade de negar a responder a quaisquer questões ou a fornecer
informações que julgue prejudiciais a sua integridade física, moral e social;
 Opção de solicitar que determinadas falas e/ou declarações não seja incluídas em
nenhum documento oficial, o que será prontamente atendido;
 A segurança de que não terei nenhum tipo de despesa material ou financeira durante o
desenvolvimento da pesquisa, bem como, esta pequisa não causará nenhum tipo de
risco, dano físico ou mesmo constrangimento moral e ético ao entrevistado.
O resultado da pesquisa será divulgado por meio de um relatório de pesquisa com finalidade
acadêmica e em órgãos de divulgação científica em que o mesmo seja aceito. As entrevistas e
os dados coletados ficarão sob responsabilidade do pesquisador e armazenados por um
período de 2 (dois) anos na Direção da Universidade Católica de Brasília – UCB.
Este Termo de Consentimento, foi elaborado em 2 (duas) vias. Uma para o sujeito (pessoa
entrevistada) e outra para o pesquisador.
Brasília____de___________de 2007.
Assinatura do Participante:________________________________________________
Assinatura do Pesquisador:________________________________________________
Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal – SES/DF,
Fone: 33254955.
76
ANEXO C – PLANILHA DE ORÇAMENTO
Pesquisa: Qualidade de Vida dos Pacientes Idosos com Insuficiência Cardíaca Internados
no Hospital Regional de Taguatinga, 2007
Item

Total
Fonte de Recursos
01
01
0,00
0,00
01
01
89,00
97,00
186,00
Papel A4
Lápis
Caneta
Borracha
Marcador de Texto
Bloco de Notas
100
02
02
02
02
02
0,03
0,20
0,50
0,30
3,00
1,50
3,00
0,40
1,00
0,60
6,00
3,00
Xérox
Encadernação
175
04
0,10
3,00/100folhas
17,50
3,00
Transporte Coletivo
30
2,00
60,00
Total
Pesquisador Principal
Hellen Rodrigues Gonçalves e
Renata América
................
Material Permanente


Custos (R$)
Unitário
Pessoal da Pesquisa


Quantidade
Descrição
Informática (especificar)
Tinta preta para Impressora;
T Tinta colorida para impressora
próprio
186,00
Material de Consumo

Papelaria (especificar)
próprio
14,00

Serviços de Terceiros
(especificar)

Confecção de Material

Outras Despesas (viagem,
eventos científicos, correios, fone/fax,
etc...
Total
própria
próprio
20,50
60,00
280,50
Conceição – CPEq/ESCS/FEPECS/SES/DF
Download

Hellen Rodrigues Gonçalves e Renata América Lima Torres