22/04/2015 METABOLISMO DE GLICÍDEOS METABOLISMO DE GLICÍDEOS Plano de Aula -Vias de síntese e degradação de Glicídeos -Principais mecanismos de Regulação -Regulação hormonal -Diabetes melitus Profª Juliana Schmidt Farmácia 2015 METABOLISMO DE GLICÍDEOS GLICÍDEOS DA DIETA Bibliografia BERG, Jeremy M.; TYMOCZKO, John L.; STRYER, Lubert. Bioquímica. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 1059 p. : CHAMPE, Pamela C.; HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. 544 p. DEVLIN, Thomas M. Manual de bioquímica com correlações clínicas. São Paulo: E. Blucher, 2007. 1186 p. LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica. 4. ed. São Paulo: Sarvier, 2007. 1202 p. VOET, Donald; VOET, Judith G. Bioquímica. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 1596 p. VOET, Donald; VOET, Judith G.; PRATT, Charlotte W.. Fundamentos de bioquímica. Porto Alegre Artmed, 2003. 931p. TECIDOS X FONTES DE ENERGIA TECIDOS X COMPOSTOS PRODUZIDOS •FÍGADO: glicose, glicerol, ácidos graxos •FÍGADO: glicose, glicogênio, AG, TG, colesterol •CÉREBRO: glicose, corpos cetônicos •MÚSCULO: glicose (glicogênio) •MÚSCULO: glicose, ácidos graxos, corpos cetônicos •ADIPOSO: TGs, AG •CORAÇÃO: corpos cetônicos (80%), glicose, ácidos graxos,lactato •INTESTINO: TGs, colesterol •HEMÁCIAS E RETINA: glicose •CÉREBRO: AG cadeia longa •ADIPOSO: glicose, corpos cetônicos •GL. MAMÁRIA: AG cadeia média a curta 1 22/04/2015 METABOLISMO DE GLICÍDEOS COMO OCORRE A CAPTAÇÃO DE GLICOSE PELOS TECIDOS? Difusão facilitada por proteínas de membrana GLUT Transporte ativo acoplado ao Na+ SGLT ESTADO ALIMENTADO / REPOUSO ESTADO JEJUM / EXERCÍCIO ↑ATP/ADP e NADH ↓ ATP/ADP e NADH GLICOGÊNESE GLICOGENÓLISE GLICÓLISE GLICONEOGÊNESE The carrier protein, the Glucose transporter (GluT1 ) in the erythrocyte PM, alter conformation to facilitate the transport of glucose COMO OCORRE A CAPTAÇÃO DE GLICOSE PELOS TECIDOS? CAPTAÇÃO DE GLICOSE CAPTAÇÃO DE GLICOSE VIA AÇÃO INSULINA CAPTAÇÃO DE GLICOSE VIA AÇÃO INSULINA Mobilização de GLUT 4 p/ membrana celular Aumento de 10x na captação de glicose Músculo e tecido adiposo - GLUT 4 com insulina 2 22/04/2015 CAPTAÇÃO DE GLICOSE VIA AÇÃO INSULINA METABOLISMO DE GLICÍDEOS Destinos da Glicose Músculo e tecido adiposo - GLUT 4 com insulina ESTUDO DIRIGIDO METABOLISMO DE GLICÍDEOS METABOLISMO GLICÍDICO Glicólise •Como ocorre a regulação das vias Glicolítica e Gliconeogênica pela ação dos hormônios insulina e glucagon. •Como ocorre a regulação da Glicogênese e da Glicogenólise pela ação dos hormônios insulina e glucagon. •Explique como a insulina promove o aumento da captação de glicose nos tecidos adiposo e muscular. •Explique como atuam os hormônios adrenalina e cortisol sobre o metabolismo glicídico nos tecidos. DEGRADAÇÃO DE GLICOSE GLICÓLISE •oxidação da glicose em ácido pirúvico •primeira etapa no catabolismo de glicídeos Fonte: Tortora, G.J. 8ª ed.; 2006 3 22/04/2015 Ativação da Glicose Gliceraldeído Piruvato REGULAÇÃO DA GLICÓLISE Descarboxilação do Piruvato insulina aumenta síntese de piruvato quinase e glicoquinase Descarboxilação do Piruvato Descarboxilação do Piruvato •Descarboxilação oxidativa do piruvato Formação de Acetil CoA •Transferência do grupo acetila proveniente da descarboxilação do Piruvato para a CoA •A coenzima A tem a função de transportar grupos acila aos quais se liga pelo grupo sulfidrila terminal formando uma molécula rica em energia •Reação irreversível Limita os destinos pois Acetil-CoA Oxidação completa a CO2 (Ciclo de Krebs) Formação de ácidos graxos, colesterol e corpos cetônicos 4 22/04/2015 Regulação do Complexo Piruvato Desidrogenase Regulação do Complexo Piruvato Desidrogenase Aumento acetil-CoA e NADH pela oxidação de ácidos graxos Insulina estimula fosfatase Impede oxidação da glicose CICLO DE KREBS 8 reações para: •Descarboxilação oxidativa do citrato • Regeneração do oxaloacetato Descarboxilação oxidativa 1 - Citrato sintase 2 - aconitase 3 - isocitrato DH 4 - α-cetoglutarato DH 5 . succinil CoA sintetase 6 - succinato DH 7 - fumarase 8 - malato DH REGULAÇÃO DO CICLO DE KREBS Regeneração do Oxaloacetato Alostérica •Citrato sintase •Isocitrato DH •Alfa-cetoglutarato DH 5 22/04/2015 SÍNTESE DE ATP Cadeia Transportadora de Elétrons Cadeia Transportadora de Elétrons •Complexo I: NADH CoQ redutase •Complexo II: Succinato CoQ redutase CoQ •Complexo III: Citocromo b-c1 Citocromo c •Complexo IV: Citocromo c oxidase Complexo V: ATP sintase Cadeia Transportadora de Elétrons •Complexo I e II transfererem e- para a Ubiquinona (Coenzima Q) móvel •Complexo I bombeia 4 H+ Cadeia Transportadora de Elétrons •Ubiquinona transfere para o Complexo III (contem citocromo (heme proteína) b e c1) •Complexo III bombeia 2 H+ Cadeia Transportadora de Elétrons Cadeia Transportadora de Elétrons •Cit c móvel transfere e- para o Complexo IV que possui 2 grupos heme (a e a3) e 2 cobres (CuA e Cu B) •Formam-se 2 H2O pelo fluxo de 4e- e 4 H+ pela redução de 1 O2. •Complexo IV bombeia 4 H+ http://www.youtube.com/watch?v=md6JdC98dTU 6 22/04/2015 Regulação da Síntese de ATP Pouco O2 acúmulo de NADH na mitocôndria Regeneração de NAD+ Fermentação lática lactato desidrogenase •Disponibilidade de O2, NADH, FADH2, ADP e Pi Regeneração do piruvato pelo Ciclo de Cori GLICONEOGÊNESE Como o lactato é reciclado? Formação de glicose a partir de compostos não glicídicos •Aminoácidos •Lactato •Glicerol Ocorre principalmente no fígado, no córtex renal em menor proporção (jejum curto – jejum noturno) Precursores não glicídicos são convertidos em Piruvato Oxaloacetato Diidroxiacetona Conversão de AMINOÁCIDOS em PIRUVATO ou OXALOACETATO Conversão de LACTATO em PIRUVATO – Ciclo de Cori Ciclo de Cori Lisina e leucina Acetil-CoA Fígado Sangue Glicose Glicose 2 NAD+ 2 NADH 6 ~P 2 Piruvato 2 NADH 2 NAD+ 2 Lactatos Músculo 2 NAD+ 2 NADH 2 ~P Lactato desidrogenase 2 Piruvato 2 NADH 2 NAD+ 2 Lactatos 7 22/04/2015 GLICONEOGÊNESE GLICONEOGÊNESE Glicerol quinase: glicerol glicerol 3-fosfato Glicerol 3-fosfato desidrogenase: G3P diidroxiacetona fosfato GLICÓLISE X GLICONEOGÊNESE REGULAÇÃO DA GLICONEOGÊNESE Hormonal por Modificação covalente de enzimas GLUCAGON REGULAÇÃO DA GLICONEOGÊNESE Hormonal por Modificação covalente de enzimas INSULINA Insulina GLUCAGON Enzima fosforilada Glucagon INSULINA Enzima não fosforilada Insulina Glucagon Fosforila PK 8 22/04/2015 METABOLISMO DE GLICÍDEOS GLICOGÊNESE Estoques de Glicogênio muscular são preservados para o uso durante alta atividade muscular esquelética ~300g GLICOGÊNESE Estoques de Glicogênio Hepático são encarregados de manter a Glicemia entre as refeições 100g GLICOGÊNESE •Isomerização Formação de glicose 1-fosfato •Ativação da glicose Glicose 1-fosfato uridil transferase •Adição ao polímero Glicogênio sintase Enzima ramificadora •Formação do polímero Glicogenina GLICOGÊNESE GLICOGENÓLISE Adiciona UDP glicose no C-4 do glicogênio Enzima ramificadora Glicogênio fosforilase (fosforólise) encurta em 1 glicose a cadeia Pi Vantagens fosforólise: -Já libera glicose fosforilada -No músculo, a glicose não sai. Glicose-1-fosfato Glicose-6-fosfato 9 22/04/2015 GLICOGENÓLISE REGULAÇÃO DO METABOLISMO DO GLICOGÊNIO Transferase remove 3 resísuos α-1,6 glicosidase (Enzima desramificadora ) Ligações a-1,4 a-1,6 glicosidase (fosforilase) LIBERA GLICOSE LIVRE REGULAÇÃO DO METABOLISMO DO GLICOGÊNIO •MODIFICAÇÃO COVALENTE: por hormônios que promovem a fosforilação das enzimas envolvidas no metabolismo (insulina, adrenalina, glucagon) Degradação regulada com a síntese COMO OCORRE A REGULAÇÃO DO METABOLISMO DE GLICÍDEOS NOS TECIDOS? HIPERGLICEMIANTES HIPOGLICEMIANTES GLUCAGON INSULINA ADRENALINA CORTISOL Glicogênio fosforilase Glicogênio sintase Ativa-P (a) / inativa (b) Ativa (a) / inativa-P (b) Glucagon e adrenalina promovem P forma b forma a Glucagon e adrenalina promovem P forma a forma b Insulina promove desP forma b Insulina promove desP forma a REGULAÇÃO DO METABOLISMO DE GLICÍDEOS REGULAÇÃO DO METABOLISMO DE GLICÍDEOS ADRENALINA CORTISOL Medula da supra-renal medo/exercício/hipoglicemia/baixa T Córtex da supra-renal ritmo circadiano e estresse Aumenta AMPc Músculo Estimula proteólise Fígado ativa enzimas da gliconeogênese e glicogenólise inibe enzimas glicogênese Fígado aumenta síntese das enzimas da gliconeogênese Músculo ativa enzimas glicogenólise Aumenta síntese de transaminases T. adiposo ativa Lipase hormônio sensível (TG AG+glicerol) 10 22/04/2015 REGULAÇÃO DO METABOLISMO DE GLICÍDEOS REGULAÇÃO DO METABOLISMO DE GLICÍDEOS GLUCAGON INSULINA Céls alfa ilhotas de Langerhans hipoglicemia Céls beta ilhotas de Langerhans hiperglicemia Aumenta AMPc Deficiência na produção Diabetes mellitus tipo 1 Níveis elevados de glucagon no Diabetes mellitus tipo 1 Deficiência na atuação Diabetes mellitus tipo 2 Fígado Fígado ativa enzimas da gliconeogênese e glicogenólise inibe enzimas da gliconeogênese e glicogenólise Ativa enzimas cetogênicas Inibe enzimas cetogênicas Ativa enzimas da glicogênese T. adiposo ativa Lipase hormônio sensível (TG AG+glicerol) T. adiposo Inibe enzimas da síntese de ácidos graxos inibe Lipase hormônio sensível (TG AG+glicerol) Ativa enzimas da síntese de AG e TG REGULAÇÃO DO METABOLISMO DE GLICÍDEOS INSULINA X DISTÚRBIOS DO METABOLISMO GLICÍDICO GLUCAGON HIPOGLICEMIA HIPERGLICEMIA Glicemia <60mg/dL Glicemia >126mg/dL HIPOGLICEMIA HIPOGLICEMIA Baixa concentração de glicose no sangue jejum ou pós-prandial Causas Sintomas: Aumento de insulina ou diminuição de glucagon, cortisol, • • • • • • • • • • • • Cansaço e mal-estar Confusão mental Tremores Alterações visuais Taquicardia Alterações do comportamento Palidez Convulsões Sudorese Perda de consciência Sensação de fome Coma adrenalina •Produção exagerada de insulina pelo pâncreas •Medicamentos utilizados no tratamento de diabetes •Insuficiência hepática, cardíaca ou renal •Tumores pancreáticos •Consumo de álcool •Deficiência dos hormônios que ajudam a liberar glicogênio 11 22/04/2015 HIPOGLICEMIA Tratamento O que é Diabetes mellitus? Papiros egípcios (1500 a.C.) passagem de muita urina •Retirada de tumores •abstinência de álcool em jejum Diabetes (grego “ sifão”) – perda excessiva de água na urina (poliúria) •mudar esquema medicamentoso •restringir ao máximo a ingestão de açúcares Mellitus (latim “mel”) – adoçado como mel (Aretaeu, Séc. II) Na crise meio copo de água adoçada com uma colher de açúcar ou chupar balas para repor os níveis de glicose Em casos de inconsciência buscar atendimento médico de Grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos, decorrente de defeitos na secreção da insulina, na ação da insulina ou em ambos, tendo como resultado a HIPERGLICEMIA emergência Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009/SBD 3ª edição Quais os principais tipos de Diabetes mellitus? Diferenças entre Diabetes mellitus tipo 1 e 2 Tolerância diminuída a Glicose (TDG) Diabetes mellitus tipo 1 Diabetes mellitus tipo 2 Diabetes mellitus gestacional DIABETES MELLITUS tipo 1 Fatores genéticos Genes ligados ao HLA – 6p21 e outros loci genéticos células β alteradas e/ou células β normais DIABETES MELLITUS tipo 2 Predisposição genética Fatores ambientais Vírus Rubéola congênita, caxumba, sarampo e/ou Lesão das células β Fatores ambientais Múltiplos defeitos genéticos Obesidade Defeito primário das células β Resistência periférica Comprometimento da secreção de insulina Utilização inadequada de insulina Ataque auto-imune Destruição das células β Insulite → LT, Macrófagos e LB Hiperglicemia Diabetes Mellitus tipo 2 Diabetes Mellitus tipo 1 12 22/04/2015 Diagnóstico de Diabetes mellitus Diagnóstico de Diabetes mellitus Laboratorial Clínico Laboratorial -Glicemia de jejum • Poliúria -Teste oral de tolerância a glicose (TOTG) • Polifagia URINA - EQU • Polidipsia - Glicosúria - Cetonúria SANGUE PERIFÉRICO - Glicemia de jejum - Teste oral de tolerância a glicose Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009/SBD 3ª edição CURVA GLICÊMICA NORMAL Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009/SBD 3ª edição CURVA GLICÊMICA DIABÉTICA 140 155 Conc Glic (mg%) Conc Gli (mg%) 120 100 80 60 40 20 150 145 140 135 130 125 0 0 50 100 150 0 50 100 150 Tempo (min) Tempo (min) Tratamento de Diabetes mellitus Não Farmacológico Mudança no estilo de vida -Alimentação / Atividade física Farmacológico - Insulina - Hipoglicemiantes orais e injetáveis Tratamento de Diabetes mellitus Hipoglicemiantes orais e injetáveis Análogos do hormônio Peptídeo Glucagon-like 1 (GLP-1 ou incretinomiméticos) Victosa, Byetta Inibidores da enzima Dipeptil-peptidase 4 (DPP-4- gliptinas) Galvus, Januvia Glibenclamida 13 22/04/2015 Tratamento de Diabetes mellitus Farmacológico - Insulina Insulina Ínício Pico (horas) Duração Efetiva Duração Máxima 4–6 Complicações do Diabetes mellitus Retinopatia diabética Nefropatia diabética Neuropatia diabética Doenças cardiovasculares Humana Ultra-rápida Regular NPH <0,25 0,5 – 1,5 3–4 0,5 – 1,0 2–3 3–6 4–6 2–4 4 – 10 10 – 16 14 – 18 Lenta 3–4 4 – 12 12 – 18 16 – 20 Ultralenta 6 – 10 10 – 16 18 – 20 20 – 24 Animal Regular NPH 0,5 – 2,0 3–4 4–6 6 – 10 4–6 8 – 14 16 – 20 20 – 24 Lenta 4–6 8 – 14 16 – 20 20 – 24 Ultralenta 8 – 14 mínimo 24 – 36 24 – 36 http://www.diabetes.org.br/attachments/ posicionamento/posicionamento-sbd-n03-2011.pdf Diabetes insipidus Síndrome clínica que se caracteriza por incapacidade de concentração do filtrado urinário, com conseqüente desenvolvimento de urina hipotônica e aumento do volume urinário NÃO HÁ GLICOSÚRIA E HIPERGLICEMIA deficiência do hormônio anti-diurético (ADH) NEUROGÊNICO resistência à sua ação nos túbulos renais NEFROGÊNICO PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS – DIABETE INSÍPIDO Portaria SAS/MS nº 710, de 17 de dezembro de 2010 http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pcdt_diabete_insipido.pdf 14