doi:10.3900/fpj.2.5.285.p
EISSN 1676-5133
Perfil da autonomia funcional
em idosos institucionalizados
na cidade de Barbacena
Artigo Original
Isabela C. Pereira
Mestrado em Ciência da Motricidade Humana - PROCIMH- Universidade Castelo
Branco(UCB-RJ) Brasil.
Laboratório de Biociências da Motricidade Humana UCB - LABIMH- RJ.
Universidade Presidente Antônio Carlos -UNIPAC - Barbacena – MG - Brasil.
Grupo de Desenvolvimento Latino-Americano para Maturidade - GDLAM
Alessandro V. C. Vitoreti
Universidade Presidente Antônio Carlos -UNIPAC - Barbacena – MG - Brasil.
Gustavo A.Líbero
Universidade Presidente Antônio Carlos -UNIPAC - Barbacena – MG - Brasil.
Flávia Maria Campos de Abreu
Mestrado em Ciência da Motricidade Humana - PROCIMH- Universidade Castelo
Branco(UCB-RJ) Brasil.
Laboratório de Biociências da Motricidade Humana UCB - LABIMH- RJ.
Universidade Presidente Antônio Carlos -UNIPAC - Barbacena – MG - Brasil.
Grupo de Desenvolvimento Latino-Americano para Maturidade - GDLAM
PEREIRA, I.C., ABREU, F.M.C.A., VITORETI, A.V.C., LÍBERO, G.A. Perfil da autonomia funcional em idosos institucionalizados na
cidade de Barbacena. Fitness & Performance Journal, v.2, n.5, p.285-288, 2003.
RESUMO: O presente estudo propõe a comparação do grau de autonomia de idosos entre duas instituições na cidade de Barbacena, no estado de Minas Gerais. No estudo, foram avaliados vinte e oito idosos asilados participantes do programa de atendimento fisioterapêutico, inserido nas instituições. A amostra foi composta de gerontes dos gêneros masculino e feminino, com idades
entre 58 e 86 anos, sendo quatorze residentes no Instituto Mauro e Alcides Ferreira (IMAF) e quatorze residentes na instituição Casa
do Velho Amigo (CVA). Foram utilizados os testes de avaliação funcional das atividades de vida diária (TAFAVDs), que possui quesitos necessários para avaliar a autonomia e desempenho dos sujeitos, compostos por: caminhar 10 metros (c10m); levantar-se da
posição decúbito ventral (LPDV), “Time Up & Go Test” (TUG); levantar-se 5 vezes da posição sentada (LPS). Foi utilizada a Estatística
Descritiva e teste-t de Student, para a verificação se há diferença significativa entre as médias para p< 0,05. Com a análise dos
dados obtidos, observa-se que os idosos dos dois grupos estudados tiveram uma diminuição nos diferentes graus de autonomia
significativamente compatíveis com a idade avançada.
Palavras-chave: autonomia, idosos institucionalizados, envelhecimento.
Endereço para correspondência:
Isabela C. Pereira [email protected]
Data de Recebimento: outubro / 2003
Data de Aprovação: novembro / 2003
Copyright© 2003 por Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte.
Fit Perf J
Rio de Janeiro
2
5
285-288
set/out 2003
285
ABSTRACT
RESUMEN
Institutionalized profile of the functional autonomy in elderly in Barbacena city
Perfil de la autonomía funcional en mayores institucionalizados en la
ciudad de Barbacena
The present study it considers the comparison of the degree of autonomy of elderly
between two institutions in the city of Barbacena in the state of Minas Gerais. In
the study participant ones of the program of inserted phisioterapêutic attendance
in the institutions had been evaluated twenty and eight aged put in a home. The
sample was composed of elderly of the sorts masculine and feminine, with ages
between 58 and 86 years, being fourteen residents in the Institute Mauro and
Alcides Ferreira (IMAF) and fourteen residents in the institution House of Velho
Amigo (CVA). The tests of functional evaluation of the activities of daily life had
been used (TAFAVD’s) that it possesss questions necessary to evaluate the autonomy
and performance of the citizens composites for: to walk 10 meters (C10m); To
arise of the position ventral decubitus (LPDV),Time Up & Go Test; (TUG); To arise 5
times of the seated position (LPS); . It was used the Descriptive Statistics and test-t
of student for the verification if it has significant difference enters the averages
for p< 0.05. With the analysis of the gotten data it is observed that the aged
ones of the two studied groups had had a reduction in the different significantly
compatible degrees of autonomy with the advanced elderly.
El presente estudio propone la comparación del grado de autonomía de mayores
entre dos instituciones en la ciudad de Barbacena, en el estado de Minas Gerais.
El estudio, habían sido evaluados veintiocho mayores asilados participantes del
programa de atención fisioterapéutico, insertado en las instituciones. La muestra
fue compuesta de gerontes de los géneros masculino y femenino, con edades entre
58 y 86 años, siendo catorce residentes en el Instituto Mauro e Alcides Ferreira
(IMAF) y catorce residentes en la institución Casa do Velho Amigo (CVA). Habían
sido utilizados los tests de evaluación funcional de las actividades de vida diaria
(TAFAVDs), que posee especialidades necesarias para evaluar la autonomía y
desempeño de los sujetos, compuestos por: caminar 10 metros (c10m); levantarse
de la posición decúbito ventral (LPDV), “Time Up & Go Test” (TUG); levantarse 5
veces de la posición sentada (LPS). Fue utilizada la Estadística Descriptiva y test-t
de Student, para la verificación se hay diferencia significativa entre las medias
para p< 0,05. Con el análisis de los datos obtenidos, se observa que los mayores
de los dos grupos estudiados tuvieron una disminución en los diferentes grados
de autonomía significativamente compatibles con la edad avanzada.
Keywords: autonomy, institutionalized elderly, aging
Palabras clave: autonomía, mayores institucionalizados, envejecimiento
INTRODUÇÃO
Ter autonomia é poder executar independente e satisfatoriamente
suas atividades do dia-a-dia, continuando suas relações e atividades sociais, e exercitando seus direitos e deveres de cidadão
(ABREU et al., 2002).
Segundo Aragão et al. (2002), as pessoas necessitam ser ativas
para serem saudáveis. O estilo de vida atual e todas as suas
conveniências transformam o homem em sedentário, o que é
prejudicial para a saúde. Viver de maneira autônoma e independente significa ser capaz de fazer qualquer atividade quando
tiver vontade.
A longevidade humana propõe aos idosos a preservação da
qualidade de vida, na presença das ameaças de restrição da autonomia e da independência, causadas pela depleção da saúde e
pelo empobrecimento da vida social (DUARTE e DIOGO, 2000).
Para prevenir ou minimizar os efeitos do envelhecimento, é necessário que se inclua a atividade física. Essa preocupação tem
sido abordada não somente nos países desenvolvidos, como
também nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil
(MATSUDO, 2002).
A perda progressiva da autonomia funcional se reflete nos diversos
domínios da vida do geronte, provocando conseqüências, como
alterações e precariedade na motricidade (ARAGÃO; DANTAS
e DANTAS, 2002).
A presença do cuidador na vida do idoso nos revela a condição
de perda da autonomia e da qualidade de vida, sendo agravada pela qualidade da atenção e pelo nível de amorosidade e
286
responsabilidade daquele que cuida. A estimulação realizada
pelos cuidadores podem levar o idoso às melhores respostas de
aprendizado (GIANI et al., 2002)
Pensar na autonomia de pessoas idosas e enfermas em termos
do grau em que sua liberdade de escolha é respeitada, do que
do grau em que são capazes de tomar decisões. Independência
é a capacidade de realizar atividades da vida diária (AVD’s) sem
ajuda (DUARTE e DIOGO, 2000).
Obter saúde mediante a autonomia alcançada pelo desempenho
de atividade física – diversos pesquisadores têm se esforçado para
tentar definir qual a condição física que determina um melhor
desempenho na atividade da vida diária, que poderia ser definida como triangulação saudável, que seria a atividade física,
a autonomia e a saúde (ARAGÃO; DANTAS e DANTAS, 2002).
No que diz respeito especificamente aos gerontes, é inegável
que a maneira pela qual se entende a noção de autonomia é
fundamental para o estudo das relações entre saúde e envelhecimento humano. Conceitos como esperança de vida ativa
ou envelhecimento senescente, ao colocarem em evidência a
necessidade de atribuir aos
gerontes um importante papel no seio de suas comunidades,
fazem-no sempre pelo viés da manutenção e qualificação de
uma vida autônoma (FARINATTI, 2002).
Segundo (Abreu et al. (2002), se os indivíduos envelhecerem
mantendo-se autônomos e independentes, as dificuldades serão
mínimas para eles, sua família e a sociedade.
Fit Perf J, Rio de Janeiro, 2, 5, 286, set/out 2003
MATERIAIS E MÉTODOS
homogeneidade do grupo IMAF em relação a C.V.A. Na aplicação do teste-t, não devemos rejeitar a hipótese de que as médias
Esta pesquisa possui características de estudo descritivo e usado
teste-t de student para a verificação se há diferença significativa
entre as médias para p< 0,05.
dos dois grupos são diferentes.
De acordo com as tabelas 2 e 3, no teste C10M, observa-se
que o grupo IMAF tem menor idade, e que isto contribuiu para
A amostra limitou-se exclusivamente aos idosos asilados de duas
o cumprimento do percurso em um tempo bem menor, e assim
instituições na cidade de Barbacena, Minas Gerais: foram sele-
não podemos rejeitar a hipótese do teste-t de que a média dos
cionados quatorze (14) indivíduos no Instituto Mauro e Alcides
Ferreira (IMAF) e quatorze (14) indivíduos na Casa do Velho
Amigo; (n =28) pertencentes ao programa de atendimento fisioterapêutico, de ambos os gêneros, com idade compreendida
entre 58-86 anos.
grupos são diferentes. O teste LPDV nos mostra que os dois
grupos apresentaram uma dificuldade em realizá-lo, mas, cabe
ressaltar, que 42,86% do IMAF não conseguiram realizar tal
teste, comparados com 28,57% do C.V.A. Para o teste TUG,
foi observada uma diferença significativa entre os dois grupos,
Para a avaliação da autonomia funcional, foram utilizados os
considerando as diferenças entre as médias de idade de 5 anos, e
seguintes instrumentos e testes:
o declínio progressivo do envelhecimento e funções motoras nas
- Cadeira de 50 cm (cinqüenta centímetros) de altura, col-
AVD’S. No LPS, verificou-se que não houve diferença significativa
chonete de espuma, fita adesiva para demarcar as distâncias
entre as médias.
referidas nos testes descritos abaixo, cronômetro para marcação
do tempo de realização de cada teste, fita métrica para demarcar
CONCLUSÃO
a distância correta dos postos a serem percorridos.
Com base nos dados e nas observações, podemos aceitar a hi-
- Testes de Autonomia
pótese de que não há diferença significativa entre os dois grupos,
a) C10 M: Caminhar 10 metros o mais rápido possível – o
mas, considerando que o grupo do C.V.A tem idade superior,
propósito deste teste é avaliar a velocidade que o indivíduo leva
melhor desempenho nas atividades individuais e são mais inde-
para percorrer a distância de 10 metros. Embora não seja esta
pendentes, podemos considerá-los com uma maior autonomia em
a distância das ruas no perímetro urbano, foi esta a medida
relação ao grupo do IMAF, que tem uma dependência elevada,
preconizada pelo estudo de Sipilä et al. (1996).
trazendo uma maior preocupação futura, pois poderá perder em
b) LPDV: Levantar-se da posição decúbito ventral – o propósito
muito em seu desempenho físico e locomotor, que são grandes
deste teste é avaliar a habilidade do indivíduo para levantar-se
propensores de uma boa autonomia para o envelhecimento do
do chão, partindo da posição de decúbito ventral, ficando de pé
indivíduo idoso.
o mais rápido possível. O tempo gasto na realização da tarefa
será anotado (ALEXANDER et al., 1997).
c) TUG: “TIME UP & GO” – este teste tem o propósito de avaliar
a mobilidade (PODSIADLO e RICHARDSON, 1991 apud AMORIM, 2002) e o comportamento neural (OKUMIYA et al., 1996
apud AMORIM, 2002) do indivíduo. O teste mede, em segundos,
o tempo em que o indivíduo levanta-se de uma cadeira, cujo
assento está a 50 cm do solo, caminha uma distância de três
metros, em linha reta, retorna e senta-se novamente.
d) LPS: Levantar-se da cadeira – o teste visa avaliar a capaci-
Tabela 1- Características da idade, nas duas instituições
Idade
C.V.A
IMAF
14
14
Média
75,5
70,07
D.P.
8,83
7,13
Mínimo
58
58
Máximo
86
81
1057
981
N
Soma da idade
Tabela 2 - Características da autonomia nas TAFAVD’S
dade funcional da extremidade inferior e consiste em levantar-se
IMAF
e sentar-se, cinco vezes, de uma cadeira, sem auxílio das mãos
N
(GURALNIK et al., 1994;1995 apud ARAGÃO, 2002).
Média
D.P
6,73
DISCUSSÃO E RESULTADOS
C10M
LPDV
TUG
14
14
14
14
13,71
6,36
14
18,86
6,36
6,86
10,66
Tabela 3: Características da autonomia nas TAFAVD’S
De acordo com a tabela abaixo, a média de idade dos dois grupos
C.V.A
obteve uma diferença considerável entre os grupos pesquisados.
N
O coeficiente de variação do grupo IMAF foi de 10,18% e do
Média
C.V.A de 11,70%, o que nos mostra um ligeiro grau de
D.P
27,53
Fit Perf J, Rio de Janeiro, 2, 5, 287, set/out 2003
LPS
C10M
LPDV
TUG
LPS
14
14
14
14
29,57
10
27,43
20,21
9,67
24,43
10,44
287
Observa-se ainda que os idosos dos dois grupos estudados
tiveram uma diminuição nos diferentes graus de autonomia
compatíveis com o envelhecimento humano progressivo e a
situação de asilamento.
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Fit Perf J, Rio de Janeiro, 2, 5, 288, set/out 2003
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