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ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA
REDUÇÃO DO ÍNDICE DE MORTALIDADE INFANTIL E MATERNA.
PRACTICE NURSE'S STRATEGY IN THE HEALTH OF THE FAMILY IN
REDUCING THE INDEX OF MATERNAL AND INFANT MORTALITY
Eduardo Oliveira Morais
Acadêmico de enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais-UnilesteMG
Karine Arthuso Silva
Acadêmica de enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais-UnilesteMG.
Prof:ª Helisamara Mota Guedes
Mestre em Enfermagem. Docente do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais-UnilesteMG.
[email protected]
RESUMO
O Programa Viva Vida tem o objetivo de reduzir a taxa de mortalidade infantil e a mortalidade
materna em Minas Gerais nos próximos quatro anos. Para atingir tal intuito, houve uma
sistematização e ampliação de diversas atividades que, até então, vinham sendo desenvolvidas de
forma desarticulada. Foi realizado, ainda, um diagnóstico que identificou as principais causas de
óbitos maternos e infantis, bem como áreas de maior incidência de casos. Este estudo objetivou
analisar a atuação do enfermeiro na Estratégia de Saúde da Família (ESF) na redução do índice de
mortalidade infantil e materna no município de Timóteo-MG. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo
descritivo, realizado com os enfermeiros da ESF. Para tal foi aplicado um questionário semiestruturado, contendo questões referentes às ações desenvolvidas pelos oito enfermeiros que atuam
na ESF do município de Timóteo-MG. Os dados coletados foram demonstrados através dos relatos
dos participantes e categorizados por núcleos de sentido. Os resultados mostraram que todos os
enfermeiros foram capacitados para desenvolverem ações preconizadas pelo programa Viva Vida e
todos confirmaram a importância de atividades de prevenção para diminuir o índice de mortalidade
infantil e materna. Percebeu-se que as ações desenvolvidas e executadas pelos enfermeiros na sua
maioria condizem com o preconizado pelos protocolos clínicos do Programa Viva Vida, evidenciando
que, os enfermeiros que atuam na ESF estão prestando assistência qualificada e humanizada, desta
forma contribuindo diretamente para promoção da saúde, e redução da taxa de mortalidade infantil e
materna.
PALAVRA-CHAVE: Saúde da Família. Mortalidade Infantil. Mortalidade Materna. Pré-Natal.
Assistência De Enfermagem.
ABSTRACT
The Program Viva Vida has for objective to reduce the tax of infantile mortality and mortality motherly
in Minas Gerais state, in next the four years. To achieve this aim, there was a systematization and
expansion of various activities that, until then, had been developed in Separate. Was done yet, a
diagnosis which identified the main causes of maternal and infant deaths, as well as areas of higher
incidence of cases.This study it objectified to inside analyze the performance of the nurse in the ESF
in reduncing of index of mortality infant and maternal in the city of Timóteo-MG. One is to a qualitative
study, the descriptive type, carried through with the nurses of the ESF. For such a half-structuralized
questionnaire was applied, contends referring questions to the actions developed for the eight (8)
nurses who act in the ESF of the city of Timóteo-MG. The collected data had been demonstrated
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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through the stories of the participants and categorized by direction nuclei. The results had shown that
the nurses all had been enabled to develop actions praised for the Alive program Life and had
confirmed all the importance of activities of prevention to diminish the index of infantile mortality and
motherly. It is concluded that the actions developed and executed for the nurses in its majority confirm
with praised for the clinical protocols of the Alive Program the Life, evidencing that, the nurses that act
in the ESF are giving qualified assistance and humane, in such a way contributing directly for
promotion of the health, and reduction of the tax of infantile mortality and motherly.
WORD-KEY: Health of the Family. Infantile mortality. Mortality. Motherly.PreNatal. Nursing assistance.
INTRODUÇÃO
Criado em 1994, pelo Ministério da Saúde, o Programa Saúde da Família (PSF)
tem como seus principais propósitos reorganizar a prática de atenção em saúde em
novas bases e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto das
famílias e, com isso melhorar a qualidade de vida dos brasileiros (CARBONE;
COSTA, 2004).
O PSF atualmente denominado Estratégia Saúde da Família (ESF) é um
modelo de organização dos Serviços de Atenção Primária a Saúde (APS) peculiar
do Sistema Único de saúde (SUS), priorizando as ações de prevenção, promoção e
recuperação da saúde das pessoas de forma integral e contínua (CARBONE;
COSTA, 2004).
A construção da integralidade do cuidado em saúde na ESF tem sua ênfase na
implantação e no fortalecimento da atenção básica à saúde pela expansão e pela
qualificação de sua equipe com incorporação das ações programáticas estratégicas,
nas quais devem constar a atenção à gestante e à mulher, como oferta do
planejamento familiar, a prevenção do câncer de colo uterino e mama
(FERNANDES, 2007).
No Brasil, e em outros países em desenvolvimento, observa-se que os recursos
escassos ou usados de forma menos eficiente resultam em início tardio do
acompanhamento pré-natal, em consultas irregulares, muito rápidas, com longo
tempo de espera e excesso de solicitação de exames complementares (DUCAN,
2006).
O índice de mortalidade infantil no Brasil teve uma queda brusca nos últimos
nove anos (1998 – 2007). Em 1998, era 41,22% ao ano e atualmente é 9,99%. O
mesmo acontece com a mortalidade materna que teve queda de 2001 à 2007. Em
2001, era de 29,2% ao ano e atualmente é de 0,04% (BRASIL, 2007).
Em 1995, ao lançar o Programa de Redução de Mortalidade Infantil (PRMI), o
governo inseriu na sua agenda política o problema da sobrevivência infantil. Este
programa objetiva a redução dos óbitos infantis e a melhoria da situação de saúde
das crianças através do incremento dos diversos programas governamentais,
promovendo a articulação intersetorial (saúde, educação, agricultura, saneamento,
habitação, trabalho, comunicação social, justiça e orçamento) com instituições
internacionais (HARTZ, 2005). Com o lançamento do PRMI, ocorreu uma grande
mobilização nacional através de seminários regionais e nacionais envolvendo as
Secretarias Estaduais de Saúde (SES). Essas apresentavam as diretrizes e os
componentes da intervenção: Assistência à saúde materno-infantil, alimentação e
nutrição, imunização e saneamento, Programa de Agentes Comunitários de Saúde
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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(PACS) e PSF, informação, Educação, Comunicação e Recursos Humanos (HARTZ,
2005).
Lançado em outubro de 2003, o Programa Viva Vida é o programa de maior
importância da Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais, que tem por
objetivo de reduzir a taxa de mortalidade infantil em 25% e reduzir a mortalidade
materna em Minas Gerais nos próximos quatro anos (MINAS GERAIS, 2008).
O diagnóstico feito em Minas Gerais, baseado em dados de 2002, evidencia
que as causas da mortalidade infantil e materna, de um lado, são relativas a agravos
da gestação que levam ao nascimento de prematuros e complicações no momento
do parto e puerpério, e, de outro lado, diarréias, pneumonias e desnutrição, todas
elas, na maioria dos episódios, causas evitáveis. A maioria dos óbitos está
concentrada no período neonatal, principalmente até o sexto dia de vida, o que
demonstra a fragilidade na rede assistencial da atenção à gestante, ao parto e a
criança (MINAS GERAIS, 2006).
A Secretaria de Estado de Saúde, tendo em vista sua meta mobilizadora,
promoveu a elaboração de dois instrumentos: a linha-guia de “Atenção ao Pré-Natal,
Parto e Puerpério” e da “Atenção à Criança” (MINAS GERAIS, 2006). Os protocolos
clínicos poderão oferecer instruções nas áreas de diagnóstico, tratamento, medidas
preventivas, assim como em outras dimensões da prática clínica (MINAS GERAIS,
2005).
O programa foi concentrado nas atividades identificadas como prioritárias, isto
é, na atenção ao planejamento familiar, ao pré-natal, ao parto, ao puerpério, à
criança de 0 a 1 ano de idade. Ações de atenção à saúde da criança também foram
consideradas fundamentais ao sucesso do programa, como incentivo ao aleitamento
materno, acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento, triagem neonatal,
vacinação e controle de doenças prevalentes na infância (MINAS GERAIS, 2008).
O diálogo franco, a sensibilidade e a capacidade de percepção de quem
acompanha o pré-natal são condições básicas para que o saber em saúde seja
colocado à disposição da mulher e da sua família – atores principais da gestação e
do parto (BRASIL, 2006a). O acompanhamento da mulher no ciclo grávido puerperal
deve ser iniciado o mais precocemente possível e só se encerra após o 42° dia de
puerpério, período em que deverá ter sido realizada a consulta de puerpério
(BRASIL, 2006a).
O enfermeiro possui dentro de várias atribuições da profissão a de executar
ações preconizadas pelos programas do Ministério da Saúde e de adaptar esse
programa a realidade da comunidade. Por isto, torna-se relevante analisar as ações
do enfermeiro dentro da Estratégia Saúde da Família no município de Timóteo-MG.
O estudo é de grande importância e faz levantar questões sobre algumas
mudanças que são necessárias com o intuito de oferecer um cuidado ao pré-natal
de maior qualidade, no qual o enfermeiro da ESF possa atuar assegurando bem
estar à gestante, uma boa qualidade de vida para mãe e seu bebê, e disponibilizar
métodos preventivos para diminuição do índice de mortalidade infantil e materna.
O objetivo da pesquisa é analisar a atuação do enfermeiro na ESF na redução
do índice de mortalidade infantil e materna no município Timóteo-MG.
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, do tipo descritiva,
segundo Lino Rampazzo (2002), a pesquisa qualitativa busca compreender aquilo
que se estuda, sua atenção é mais focada no específico, no individual, querendo
compreender o estudo e não explicá-los.
Segundo Santos (1999), a pesquisa descritiva é descrever um fato ou um
fenômeno. É um levantamento das características conhecidas, componentes do
fato/fenômeno/problema.
A pesquisa foi realizada nas Unidades de Saúde da Família, do Município de
Timóteo, situados nos bairros Recanto Verde, Limoeiro, Macuco, Cachoeira do Vale,
Ana Moura, Alegre e Novo Tempo. Fizeram parte do estudo os oito enfermeiros que
trabalham na ESF, totalizando 100% da amostra.
A coleta de dados foi realizada no mês de janeiro de 2008, através da aplicação
de um questionário semi-estruturado, contendo questões referentes às ações
desenvolvidas pelos enfermeiros que atuam na ESF. Este questionário foi refinado
através de um estudo piloto com enfermeiros de Timóteo que não trabalham na
ESF.
Foi agendada uma data e horário juntamente com cada enfermeiro para
apresentação dos objetivos e finalidades deste projeto de pesquisa. A coleta de
dados foi realizada em uma sala individual na unidade de saúde, de acordo com a
disponibilidade dos profissionais.
Os dados coletados foram demonstrados através dos relatos dos participantes
e categorizados por núcleos de sentido, de acordo com os temas, percepção sobre o
Programa Viva Vida, prevenção e vivências dos enfermeiros na redução do índice
de mortalidade infantil e materna em Timóteo.
Foi solicitado ao Secretário de Saúde do município de Timóteo autorização
para realização desta pesquisa. Os entrevistados assinaram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, não havendo recusa em participar deste estudo.
Para garantir o sigilo e anonimato dos participantes os nomes foram substituídos
pela letra E de entrevistado e enumerado de acordo com a ordem de coleta de
dados, denominando-os de E1 a E8. Os direitos éticos dos participantes foram
resguardados conforme está previsto na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de
Saúde que regulamenta pesquisas com seres humanos (BRASIL, 1996).
RESULTADO E DISCUSSÃO
A caracterização dos enfermeiros foi delineada com base na idade, tempo de
formação, tempo de trabalho na Unidade, capacitação do Programa Viva Vida e o
estudo do material didático referente ao programa.
A amostra apresentou como característica predominante estar na faixa etária
de 36 à 40 anos (38%), com tempo de formação de 6 à 10 anos (50%), participação
na capacitação feita pelo governo de Minas Gerais (100%) e afirmaram ter estudado
o material oferecido sobre o Programa (100%), conforme mostra a TAB.01.
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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TABELA 1: Distribuição das características da amostra
Faixa etária
20 à25
26 à 30
31 à 35
36 à 40
Tempo de Formação
6 à 10 anos
1 à 5 anos
11 à 15 anos
Tempo de trabalho na Unidade
1 à 5 anos
6 à 10 anos
Capacitação do Programa Viva Vida
N° de profissionais
Percentual
2
2
1
3
25%
25%
12%
38%
4
3
1
50%
38%
12%
4
4
8
50%
50%
100%
Dos enfermeiros entrevistados, sete (88%) não fazem parte do Comitê de
Mortalidade Materna e Infantil (CMMI), enquanto um (12%) faz parte. Quando
perguntado sobre o conhecimento a cerca do CMMI do município de Timóteo, três
enfermeiros (38%) não souberam relatar, dois (25%) disseram que o CMMI investiga
mortes maternas e infantis, dois (25%) descreveram as categorias profissionais que
fazem parte do CMMI e o único (12%) integrante do Comitê ressaltou que após
colaboração do hospital do referido município este têm um bom funcionamento.
Fernandes (2007) relata que a mortalidade materna deve ser monitorada, visto que é
uma morte muitas vezes evitável. Para tanto, foram criados os comitês de morte
materna, que visam identificar os óbitos maternos e apontar medidas para sua
redução. Esses comitês têm por finalidade promover a cidadania das mulheres,
mobilizar e sensibilizar os gestores de saúde, desde 1998 tais eventos passaram a
ser de notificação compulsória.
A mortalidade infantil tem sido frequentemente apontada como indicador
sensível da qualidade de vida de uma população de uma determinada localidade em
sua dimensão mais ampla pelas condições sociais, econômicas e culturais dos
indivíduos e da comunidade a que pertencem. Em 1999, foram implantados nos
Estados os comitês de prevenção da mortalidade infantil, com intuito de reduzir os
índices de óbitos. Os comitês têm a finalidade de investigar cada óbito, procurando
determinar a evitabilidade e, nessa hipótese especificar medidas de prevenção
(MANSANO, 2008).
O Programa Viva Vida tem como objetivo a redução do índice de mortalidade
infantil e materna no Estado. O Viva Vida vem sendo implementado de acordo com o
princípio da equidade, o que significa priorizar relativamente as microrregiões, com
maiores taxas de mortalidade infantil e materna (MINAS GERAIS, 2008).
Quanto à percepção dos entrevistados sobre o Programa Viva Vida, 100%
afirmam a relação da prevenção com o programa, sendo a prevenção a principal
atitude para diminuir o índice de mortalidade infantil e materna como preconiza o
programa estabelecido pelo governo de Minas Gerais. Pode-se constatar nas falas a
seguir a percepção dos enfermeiros sobre o Programa Viva Vida.
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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Programa de importância gigantesca que trabalha primeiramente com a
prevenção, oferecendo assistência e orientação à mulher (E1).
Tem intuito de reduzir a mortalidade materna e infantil, e melhoria da
assistência e qualidade de vida (E4).
É um programa de extrema importância, e temos que ficar atentos com a
comunidade antes que os casos se agravem, e, juntamente com essa
atitude, temos que orientar a todo instante a comunidade incansavelmente
(E8).
É um programa que veio para melhorar os índices de mortalidade maternoinfantil, é pautado em ações educativas e capacitação dos profissionais (E2
e E3).
Observa-se nestes relatos que os enfermeiros sabem da importância e
finalidade do Viva Vida o que torna mais fácil a implantação das ações preconizadas
pelo programa a prática realizada nas unidades de saúde.
Quando perguntado quais as ações que o enfermeiro realiza para diminuir o
índice de mortalidade infantil, as respostas foram:
Realizo acompanhamento de todas as crianças menores de 01 ano
mensalmente, e maiores de 02 anos anualmente (E2).
Consulta de enfermagem, promoção de eventos mensais, pesagem,
medidas educativas, vacinação, assistência a criança desnutrida em
parceria com o serviço social, nutrição e visitas domiciliares (E8).
Palestras para as mães com temas, como: desnutrição, diarréias agudas,
verminoses, anemia ferropriva, busca ativa de cartões faltosos, vacinação,
triagem neonatal (E6).
Acompanhamento sistematizado do crescimento e desenvolvimento da
criança, controle nutricional com intuito de reduzir ou evitar a desnutrição
infantil, controle efetivo do cartão de vacina (imunização), educação para os
pais sobre higiene, alimentação e riscos de acidentes, consultas de
puericulturas feitas no período de crescimento das crianças (E4).
Pré-natal, puericultura, planejamento familiar, vacinação e incentivo ao
aleitamento materno (E5).
As falas dos enfermeiros mostram que são realizados ações de prevenção e
promoção da saúde das crianças, conforme o preconizado pelo Programa Viva Vida,
deixando clara a preocupação em colocar em prática estas ações. Nota-se que no
relato de E5 foi mencionado a ação de incentivar o aleitamento materno, atitude
esta, recomendada por um período de seis meses.
Os recém nascidos apresentam risco aumentado de doenças graves devido à
imaturidade do seu sistema imunológico. São mais vulneráveis a infecções
bacterianas, fúngicas e virais. Podem adoecer e morrer em um curto intervalo de
tempo. Normalmente, não é localizado o foco infeccioso, e o diagnóstico dos
quadros sépticos se faz através de sinais clínicos gerais. A evolução clínica pode ser
insidiosa e lenta ou rápida e explosiva, com deterioração hemodinâmica e choque
irreversível em poucas horas (BRASIL, 2004). Estudos mostram que a maioria dos
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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bebês amamentados exclusivamente nos primeiros seis meses crescem bem e são
saudáveis. É importante que os profissionais de saúde saibam como e com que
freqüência as mães estão amamentando seus filhos. Os profissionais de saúde
podem ajudar as mães a compreender a importância de amamentar exclusivamente
seus bebês nos primeiros seis meses (BRASIL, 1993). Amamentar exclusivamente
no peito evita muitas doenças, por exemplo, diarréia, pneumonia, infecção no ouvido
e muitas outras, assim sendo é aconselhável que, as mulheres amamentem no
mínimo até os seis meses, podendo este período prorrogar-se até os dois anos de
idade. Após os seis meses a mãe poderá introduzir gradativamente na alimentação
da criança os alimentos da família (BRASIL, 2007).
A expansão da ESF tem sido decisiva para a ampliação do direito ao pré-natal.
O pré-natal tem impactado diretamente os indicadores de saúde, especialmente a
mortalidade materna e a mortalidade infantil (BRASIL, 2006b). No município de
Timóteo a taxa de cobertura de consultas de pré-natal das áreas assistidas pela ESF
tem sido acima de 90%, sendo o último ano disponível o de 2005 em que a
cobertura foi 92,8% (BRASIL, 2008a).
O programa de humanização no pré-natal e nascimento instituído pelo
Ministério da Saúde em 2000 baseou-se na análise das necessidades de melhorar à
saúde das mulheres durante o período crítico de gravidez, parto e puerpério, bem
como à saúde da criança, aperfeiçoando o acesso, a cobertura e a qualidade do
acompanhamento. Na região adstrita da ESF, todas as gestantes deverão ter
acompanhamento pré-natal o quanto antes. O ideal é que a primeira consulta de
pré-natal ocorra até o quarto mês de gestação, para que a gestante seja atendida
até o final da gravidez. Se ela faltar à consulta de pré-natal, cabe ao agente
comunitário realizar visita domiciliar a fim de agendar nova consulta e verificar o
ocorrido (FERNANDES, 2007).
A gestante deverá participar no mínimo, de seis consultas de pré-natal. Uma no
primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre de
gestação, com a garantia de acompanhamento do médico e da enfermeira e
realização de exames laboratoriais (FERNANDES, 2007).
O principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é acolher a mulher desde
o início da sua gravidez, assegurando no fim da gestação, o nascimento de uma
criança saudável e a garantia do bem estar materno e infantil (BRASIL, 2006a).
Ao se questionar sobre quais as ações o enfermeiro realiza para diminuir o
índice de mortalidade materna, oito (100%) enfermeiros responderam que realizam o
cadastramento das gestantes nos primeiros meses de vida, acompanham o prénatal desde o primeiro trimestre, fazem solicitação de exames de rotina e
orientações juntamente com a equipe da ESF.
Na consulta de pré-natal, deve ser realizada anamnese, abordando aspectos
epidemiológicos, além dos antecedentes familiares, pessoais, ginecológicos,
obstétricos, e a situação da gravidez atual. O exame físico deverá ser completo,
contando avaliação de cabeça e pescoço, tórax e abdome, membros e inspeção de
pele e mucosas, seguindo por exame ginecológico e obstétrico (BRASIL, 2006b).
Nos relatos acima, é fundamental destacar que as atividades realizadas pelos
enfermeiros no pré-natal, encontram-se dentro do preconizado pelo Programa Viva
Vida, por outro lado não foi identificado nos relatos ações durante o parto e
puerpério. Vale ressaltar que o parto é geralmente feito no hospital do município e
desta forma as gestantes recebem cuidados dos profissionais nesse hospital.
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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Por outro lado, não se devem esquecer as atividades no puerpério. Os
cuidados da enfermagem nesta fase consistem em realizar duas consultas
puerperais: a primeira consulta até 10 dias após parto e a segunda, até 40 dias após
parto. Nestas consultas deve-se detectar e tratar as complicações puerperais,
incentivar o aleitamento materno, avaliar o risco reprodutivo, inscrever as mulheres
com risco reprodutivo no planejamento familiar, avaliar a aceitação da criança pela
família/parceiro.
O protocolo de procedimentos técnicos para o pré-natal, parto e puerpério do
Programa Viva vida sugere que no pré-natal se percorra todos os passos da
gestante de risco habitual e de alto risco, o seu acolhimento e acompanhamento, os
fatores de risco e critérios para o encaminhamento e a abordagem das doenças
obstétricas mais freqüentes. Durante o parto os principais cuidados a serem
tomados, vão do acolhimento da gestante na maternidade, até as condições
mínimas para a mesma realizar o parto. No puerpério, destaca-se a importância da
consulta puerperal, definindo o período das consultas e dos procedimentos a serem
realizados. Cabe ao enfermeiro exercer algumas atividades, tais como: ações
educativas para mulheres e suas famílias, consulta de pré-natal de gestação de
baixo risco, solicitar exames de rotinas e orientar tratamento conforme protocolo de
serviço, encaminhar gestantes identificadas como de risco para o médico (BRASIL,
2006, MINAS GERAIS, 2006).
A percepção dos profissionais sobre o que tem sido a causa de óbitos em
crianças e mulheres, na área da saúde é apresentada nos relatos a seguir:
Hipertensão arterial para as mulheres, pré-maturidade para os recém
nascidos e já teve caso de óbito por desnutrição em crianças (E1).
Mulheres: Complicações relacionadas ao aparelho cardiovascular. Crianças:
complicações relacionadas à pneumonia (E4).
Hipertensão arterial e Infarto agudo do miocárdio para as gestantes (E5).
Doenças respiratórias para crianças (E3).
No Brasil, as principais causas de morte das mulheres são: doenças
cardiovasculares, dentre as quais as mais importantes são o infarto agudo do
miocárdio e acidente vascular cerebral, neoplasias, sendo as causas mais
importantes o câncer de mama, o de pulmão e o de colo de útero, doenças do
aparelho respiratório, principalmente pneumonias, doenças endócrinas, nutricionais
e metabólicas, com destaque para diabetes, causas externas (FERNANDES, 2007).
A Tabela 2 ilustra os dados referentes ao Sistema de Informação sobre
Mortalidade (SIM), no município de Timóteo. Sendo que as causas mais freqüentes
de óbitos no período de 2002 a 2007 foram por afecções respiratórias e hipóxia
intra-uterina/ asfixia ao nascer sendo as mais prevalentes, seguida de demais
causas de mortes e anomalias congênitas (BRASIL, 2008b).
TABELA 2: Distribuição do Índice de Mortalidade Materna e Infantil, segundo DATASUS (2008).
Período
2002 2003
2004
2005
2006 2007
Óbitos em mulheres em idade fértil
20
23
21
13
22
22
Óbitos em crianças menores de um ano
25
16
14
14
18
12
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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As causas dos óbitos são conhecidas pelos enfermeiros como foi mostrado nos
relatos e estas informações podem ser facilmente obtidos pelos agentes
comunitários de saúde que vão aos domicílios uma vez ao mês e sempre que
necessário.
Algumas doenças respiratórias agudas, principalmente as pneumonias e a
asma, são causa importantes de hospitalização e morte em crianças abaixo de cinco
anos. Sabe-se que aproximadamente um de cada cinco episódios de infecções de
vias aéreas superiores (IVAS), em crianças, evolui para pneumonia que, sem
tratamento adequado, ocasiona a morte em 10% a 20% dos casos (BRASIL, 2004).
Quanto aos óbitos infantis, estima-se que o aleitamento materno poderia
prevenir 13 a 15% de todas as mortes de crianças abaixo de cinco anos em todo
mundo. 50% das mortes por doenças respiratórias e 66% das causadas por diarréia,
sendo o enfermeiro da ESF o profissional responsável para assegurar tal método,
reduzindo as taxas de mortalidade infantil e promovendo a conscientização do
aleitamento materno às mães (DUCAN, 2006).
Há fortes evidências epidemiológicas da proteção do leite materno contra
diarréia, sobretudo em crianças de baixo nível socioeconômico. A maioria dos
estudos feitos em diversos países mostra essa proteção, que é mais evidente nos
países em desenvolvimento. Cabe ao enfermeiro da ESF orientar e incentivar a mãe
a fortalecer a técnica do aleitamento assegurando uma saúde eficaz para seu bebê
(DUCAN, 2006).
O aleitamento materno é alimento completo porque contém vitaminas, minerais,
gorduras, açúcares, proteínas, todos apropriados para o organismo do bebê, possui
muitas substâncias nutritivas e de defesa, que não encontram no leite de vaca e em
nenhum outro leite, o leite da mãe é adequado, completo, equilibrado e suficiente
para o seu filho. Ele é um alimento ideal. Não existe leite fraco, é feito especialmente
para o estômago da criança, portanto de mais fácil digestão (BRASIL, 2007).
Dados do Ministério da Saúde referentes ao ano de 2005 mostram que 65%
das crianças apresentam aleitamento materno exclusivo, no município de Timóteo
(BRASIL, 2008a).
Dessa forma cabe ao enfermeiro da ESF aproveitar o vínculo com a
comunidade para promover ações de educação em saúde que estimulem a prática
de hábitos saudáveis que visem a promoção, prevenção e manutenção da saúde.
CONCLUSÃO
O estudo mostrou que a participação ativa dos profissionais de enfermagem
torna-se elementos fundamentais para a prevenção da mortalidade infantil e
materna, conforme observado através das entrevistas. Após, a análise dos dados foi
possível concluir que as ações desenvolvidas e executadas pelos enfermeiros na
sua maioria condizem com o preconizado pelos protocolos clínicos do Programa
Viva Vida, desta forma vale ressaltar que os enfermeiros vêm desenvolvendo ações
fundamentais para o combate da mortalidade infantil e materna, destacando-se
ações como: incentivo ao aleitamento materno, atenção ao pré-natal e a saúde da
criança, contribuindo de forma direta para redução da mortalidade infantil e materna
assegurando melhorias da situação de saúde das crianças e puérperas.
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008.
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REFERÊNCIAS
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