39 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NA REDUÇÃO DO ÍNDICE DE MORTALIDADE INFANTIL E MATERNA. PRACTICE NURSE'S STRATEGY IN THE HEALTH OF THE FAMILY IN REDUCING THE INDEX OF MATERNAL AND INFANT MORTALITY Eduardo Oliveira Morais Acadêmico de enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais-UnilesteMG Karine Arthuso Silva Acadêmica de enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais-UnilesteMG. Prof:ª Helisamara Mota Guedes Mestre em Enfermagem. Docente do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais-UnilesteMG. [email protected] RESUMO O Programa Viva Vida tem o objetivo de reduzir a taxa de mortalidade infantil e a mortalidade materna em Minas Gerais nos próximos quatro anos. Para atingir tal intuito, houve uma sistematização e ampliação de diversas atividades que, até então, vinham sendo desenvolvidas de forma desarticulada. Foi realizado, ainda, um diagnóstico que identificou as principais causas de óbitos maternos e infantis, bem como áreas de maior incidência de casos. Este estudo objetivou analisar a atuação do enfermeiro na Estratégia de Saúde da Família (ESF) na redução do índice de mortalidade infantil e materna no município de Timóteo-MG. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo descritivo, realizado com os enfermeiros da ESF. Para tal foi aplicado um questionário semiestruturado, contendo questões referentes às ações desenvolvidas pelos oito enfermeiros que atuam na ESF do município de Timóteo-MG. Os dados coletados foram demonstrados através dos relatos dos participantes e categorizados por núcleos de sentido. Os resultados mostraram que todos os enfermeiros foram capacitados para desenvolverem ações preconizadas pelo programa Viva Vida e todos confirmaram a importância de atividades de prevenção para diminuir o índice de mortalidade infantil e materna. Percebeu-se que as ações desenvolvidas e executadas pelos enfermeiros na sua maioria condizem com o preconizado pelos protocolos clínicos do Programa Viva Vida, evidenciando que, os enfermeiros que atuam na ESF estão prestando assistência qualificada e humanizada, desta forma contribuindo diretamente para promoção da saúde, e redução da taxa de mortalidade infantil e materna. PALAVRA-CHAVE: Saúde da Família. Mortalidade Infantil. Mortalidade Materna. Pré-Natal. Assistência De Enfermagem. ABSTRACT The Program Viva Vida has for objective to reduce the tax of infantile mortality and mortality motherly in Minas Gerais state, in next the four years. To achieve this aim, there was a systematization and expansion of various activities that, until then, had been developed in Separate. Was done yet, a diagnosis which identified the main causes of maternal and infant deaths, as well as areas of higher incidence of cases.This study it objectified to inside analyze the performance of the nurse in the ESF in reduncing of index of mortality infant and maternal in the city of Timóteo-MG. One is to a qualitative study, the descriptive type, carried through with the nurses of the ESF. For such a half-structuralized questionnaire was applied, contends referring questions to the actions developed for the eight (8) nurses who act in the ESF of the city of Timóteo-MG. The collected data had been demonstrated Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 40 through the stories of the participants and categorized by direction nuclei. The results had shown that the nurses all had been enabled to develop actions praised for the Alive program Life and had confirmed all the importance of activities of prevention to diminish the index of infantile mortality and motherly. It is concluded that the actions developed and executed for the nurses in its majority confirm with praised for the clinical protocols of the Alive Program the Life, evidencing that, the nurses that act in the ESF are giving qualified assistance and humane, in such a way contributing directly for promotion of the health, and reduction of the tax of infantile mortality and motherly. WORD-KEY: Health of the Family. Infantile mortality. Mortality. Motherly.PreNatal. Nursing assistance. INTRODUÇÃO Criado em 1994, pelo Ministério da Saúde, o Programa Saúde da Família (PSF) tem como seus principais propósitos reorganizar a prática de atenção em saúde em novas bases e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto das famílias e, com isso melhorar a qualidade de vida dos brasileiros (CARBONE; COSTA, 2004). O PSF atualmente denominado Estratégia Saúde da Família (ESF) é um modelo de organização dos Serviços de Atenção Primária a Saúde (APS) peculiar do Sistema Único de saúde (SUS), priorizando as ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde das pessoas de forma integral e contínua (CARBONE; COSTA, 2004). A construção da integralidade do cuidado em saúde na ESF tem sua ênfase na implantação e no fortalecimento da atenção básica à saúde pela expansão e pela qualificação de sua equipe com incorporação das ações programáticas estratégicas, nas quais devem constar a atenção à gestante e à mulher, como oferta do planejamento familiar, a prevenção do câncer de colo uterino e mama (FERNANDES, 2007). No Brasil, e em outros países em desenvolvimento, observa-se que os recursos escassos ou usados de forma menos eficiente resultam em início tardio do acompanhamento pré-natal, em consultas irregulares, muito rápidas, com longo tempo de espera e excesso de solicitação de exames complementares (DUCAN, 2006). O índice de mortalidade infantil no Brasil teve uma queda brusca nos últimos nove anos (1998 – 2007). Em 1998, era 41,22% ao ano e atualmente é 9,99%. O mesmo acontece com a mortalidade materna que teve queda de 2001 à 2007. Em 2001, era de 29,2% ao ano e atualmente é de 0,04% (BRASIL, 2007). Em 1995, ao lançar o Programa de Redução de Mortalidade Infantil (PRMI), o governo inseriu na sua agenda política o problema da sobrevivência infantil. Este programa objetiva a redução dos óbitos infantis e a melhoria da situação de saúde das crianças através do incremento dos diversos programas governamentais, promovendo a articulação intersetorial (saúde, educação, agricultura, saneamento, habitação, trabalho, comunicação social, justiça e orçamento) com instituições internacionais (HARTZ, 2005). Com o lançamento do PRMI, ocorreu uma grande mobilização nacional através de seminários regionais e nacionais envolvendo as Secretarias Estaduais de Saúde (SES). Essas apresentavam as diretrizes e os componentes da intervenção: Assistência à saúde materno-infantil, alimentação e nutrição, imunização e saneamento, Programa de Agentes Comunitários de Saúde Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 41 (PACS) e PSF, informação, Educação, Comunicação e Recursos Humanos (HARTZ, 2005). Lançado em outubro de 2003, o Programa Viva Vida é o programa de maior importância da Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais, que tem por objetivo de reduzir a taxa de mortalidade infantil em 25% e reduzir a mortalidade materna em Minas Gerais nos próximos quatro anos (MINAS GERAIS, 2008). O diagnóstico feito em Minas Gerais, baseado em dados de 2002, evidencia que as causas da mortalidade infantil e materna, de um lado, são relativas a agravos da gestação que levam ao nascimento de prematuros e complicações no momento do parto e puerpério, e, de outro lado, diarréias, pneumonias e desnutrição, todas elas, na maioria dos episódios, causas evitáveis. A maioria dos óbitos está concentrada no período neonatal, principalmente até o sexto dia de vida, o que demonstra a fragilidade na rede assistencial da atenção à gestante, ao parto e a criança (MINAS GERAIS, 2006). A Secretaria de Estado de Saúde, tendo em vista sua meta mobilizadora, promoveu a elaboração de dois instrumentos: a linha-guia de “Atenção ao Pré-Natal, Parto e Puerpério” e da “Atenção à Criança” (MINAS GERAIS, 2006). Os protocolos clínicos poderão oferecer instruções nas áreas de diagnóstico, tratamento, medidas preventivas, assim como em outras dimensões da prática clínica (MINAS GERAIS, 2005). O programa foi concentrado nas atividades identificadas como prioritárias, isto é, na atenção ao planejamento familiar, ao pré-natal, ao parto, ao puerpério, à criança de 0 a 1 ano de idade. Ações de atenção à saúde da criança também foram consideradas fundamentais ao sucesso do programa, como incentivo ao aleitamento materno, acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento, triagem neonatal, vacinação e controle de doenças prevalentes na infância (MINAS GERAIS, 2008). O diálogo franco, a sensibilidade e a capacidade de percepção de quem acompanha o pré-natal são condições básicas para que o saber em saúde seja colocado à disposição da mulher e da sua família – atores principais da gestação e do parto (BRASIL, 2006a). O acompanhamento da mulher no ciclo grávido puerperal deve ser iniciado o mais precocemente possível e só se encerra após o 42° dia de puerpério, período em que deverá ter sido realizada a consulta de puerpério (BRASIL, 2006a). O enfermeiro possui dentro de várias atribuições da profissão a de executar ações preconizadas pelos programas do Ministério da Saúde e de adaptar esse programa a realidade da comunidade. Por isto, torna-se relevante analisar as ações do enfermeiro dentro da Estratégia Saúde da Família no município de Timóteo-MG. O estudo é de grande importância e faz levantar questões sobre algumas mudanças que são necessárias com o intuito de oferecer um cuidado ao pré-natal de maior qualidade, no qual o enfermeiro da ESF possa atuar assegurando bem estar à gestante, uma boa qualidade de vida para mãe e seu bebê, e disponibilizar métodos preventivos para diminuição do índice de mortalidade infantil e materna. O objetivo da pesquisa é analisar a atuação do enfermeiro na ESF na redução do índice de mortalidade infantil e materna no município Timóteo-MG. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 42 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa, do tipo descritiva, segundo Lino Rampazzo (2002), a pesquisa qualitativa busca compreender aquilo que se estuda, sua atenção é mais focada no específico, no individual, querendo compreender o estudo e não explicá-los. Segundo Santos (1999), a pesquisa descritiva é descrever um fato ou um fenômeno. É um levantamento das características conhecidas, componentes do fato/fenômeno/problema. A pesquisa foi realizada nas Unidades de Saúde da Família, do Município de Timóteo, situados nos bairros Recanto Verde, Limoeiro, Macuco, Cachoeira do Vale, Ana Moura, Alegre e Novo Tempo. Fizeram parte do estudo os oito enfermeiros que trabalham na ESF, totalizando 100% da amostra. A coleta de dados foi realizada no mês de janeiro de 2008, através da aplicação de um questionário semi-estruturado, contendo questões referentes às ações desenvolvidas pelos enfermeiros que atuam na ESF. Este questionário foi refinado através de um estudo piloto com enfermeiros de Timóteo que não trabalham na ESF. Foi agendada uma data e horário juntamente com cada enfermeiro para apresentação dos objetivos e finalidades deste projeto de pesquisa. A coleta de dados foi realizada em uma sala individual na unidade de saúde, de acordo com a disponibilidade dos profissionais. Os dados coletados foram demonstrados através dos relatos dos participantes e categorizados por núcleos de sentido, de acordo com os temas, percepção sobre o Programa Viva Vida, prevenção e vivências dos enfermeiros na redução do índice de mortalidade infantil e materna em Timóteo. Foi solicitado ao Secretário de Saúde do município de Timóteo autorização para realização desta pesquisa. Os entrevistados assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, não havendo recusa em participar deste estudo. Para garantir o sigilo e anonimato dos participantes os nomes foram substituídos pela letra E de entrevistado e enumerado de acordo com a ordem de coleta de dados, denominando-os de E1 a E8. Os direitos éticos dos participantes foram resguardados conforme está previsto na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que regulamenta pesquisas com seres humanos (BRASIL, 1996). RESULTADO E DISCUSSÃO A caracterização dos enfermeiros foi delineada com base na idade, tempo de formação, tempo de trabalho na Unidade, capacitação do Programa Viva Vida e o estudo do material didático referente ao programa. A amostra apresentou como característica predominante estar na faixa etária de 36 à 40 anos (38%), com tempo de formação de 6 à 10 anos (50%), participação na capacitação feita pelo governo de Minas Gerais (100%) e afirmaram ter estudado o material oferecido sobre o Programa (100%), conforme mostra a TAB.01. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 43 TABELA 1: Distribuição das características da amostra Faixa etária 20 à25 26 à 30 31 à 35 36 à 40 Tempo de Formação 6 à 10 anos 1 à 5 anos 11 à 15 anos Tempo de trabalho na Unidade 1 à 5 anos 6 à 10 anos Capacitação do Programa Viva Vida N° de profissionais Percentual 2 2 1 3 25% 25% 12% 38% 4 3 1 50% 38% 12% 4 4 8 50% 50% 100% Dos enfermeiros entrevistados, sete (88%) não fazem parte do Comitê de Mortalidade Materna e Infantil (CMMI), enquanto um (12%) faz parte. Quando perguntado sobre o conhecimento a cerca do CMMI do município de Timóteo, três enfermeiros (38%) não souberam relatar, dois (25%) disseram que o CMMI investiga mortes maternas e infantis, dois (25%) descreveram as categorias profissionais que fazem parte do CMMI e o único (12%) integrante do Comitê ressaltou que após colaboração do hospital do referido município este têm um bom funcionamento. Fernandes (2007) relata que a mortalidade materna deve ser monitorada, visto que é uma morte muitas vezes evitável. Para tanto, foram criados os comitês de morte materna, que visam identificar os óbitos maternos e apontar medidas para sua redução. Esses comitês têm por finalidade promover a cidadania das mulheres, mobilizar e sensibilizar os gestores de saúde, desde 1998 tais eventos passaram a ser de notificação compulsória. A mortalidade infantil tem sido frequentemente apontada como indicador sensível da qualidade de vida de uma população de uma determinada localidade em sua dimensão mais ampla pelas condições sociais, econômicas e culturais dos indivíduos e da comunidade a que pertencem. Em 1999, foram implantados nos Estados os comitês de prevenção da mortalidade infantil, com intuito de reduzir os índices de óbitos. Os comitês têm a finalidade de investigar cada óbito, procurando determinar a evitabilidade e, nessa hipótese especificar medidas de prevenção (MANSANO, 2008). O Programa Viva Vida tem como objetivo a redução do índice de mortalidade infantil e materna no Estado. O Viva Vida vem sendo implementado de acordo com o princípio da equidade, o que significa priorizar relativamente as microrregiões, com maiores taxas de mortalidade infantil e materna (MINAS GERAIS, 2008). Quanto à percepção dos entrevistados sobre o Programa Viva Vida, 100% afirmam a relação da prevenção com o programa, sendo a prevenção a principal atitude para diminuir o índice de mortalidade infantil e materna como preconiza o programa estabelecido pelo governo de Minas Gerais. Pode-se constatar nas falas a seguir a percepção dos enfermeiros sobre o Programa Viva Vida. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 44 Programa de importância gigantesca que trabalha primeiramente com a prevenção, oferecendo assistência e orientação à mulher (E1). Tem intuito de reduzir a mortalidade materna e infantil, e melhoria da assistência e qualidade de vida (E4). É um programa de extrema importância, e temos que ficar atentos com a comunidade antes que os casos se agravem, e, juntamente com essa atitude, temos que orientar a todo instante a comunidade incansavelmente (E8). É um programa que veio para melhorar os índices de mortalidade maternoinfantil, é pautado em ações educativas e capacitação dos profissionais (E2 e E3). Observa-se nestes relatos que os enfermeiros sabem da importância e finalidade do Viva Vida o que torna mais fácil a implantação das ações preconizadas pelo programa a prática realizada nas unidades de saúde. Quando perguntado quais as ações que o enfermeiro realiza para diminuir o índice de mortalidade infantil, as respostas foram: Realizo acompanhamento de todas as crianças menores de 01 ano mensalmente, e maiores de 02 anos anualmente (E2). Consulta de enfermagem, promoção de eventos mensais, pesagem, medidas educativas, vacinação, assistência a criança desnutrida em parceria com o serviço social, nutrição e visitas domiciliares (E8). Palestras para as mães com temas, como: desnutrição, diarréias agudas, verminoses, anemia ferropriva, busca ativa de cartões faltosos, vacinação, triagem neonatal (E6). Acompanhamento sistematizado do crescimento e desenvolvimento da criança, controle nutricional com intuito de reduzir ou evitar a desnutrição infantil, controle efetivo do cartão de vacina (imunização), educação para os pais sobre higiene, alimentação e riscos de acidentes, consultas de puericulturas feitas no período de crescimento das crianças (E4). Pré-natal, puericultura, planejamento familiar, vacinação e incentivo ao aleitamento materno (E5). As falas dos enfermeiros mostram que são realizados ações de prevenção e promoção da saúde das crianças, conforme o preconizado pelo Programa Viva Vida, deixando clara a preocupação em colocar em prática estas ações. Nota-se que no relato de E5 foi mencionado a ação de incentivar o aleitamento materno, atitude esta, recomendada por um período de seis meses. Os recém nascidos apresentam risco aumentado de doenças graves devido à imaturidade do seu sistema imunológico. São mais vulneráveis a infecções bacterianas, fúngicas e virais. Podem adoecer e morrer em um curto intervalo de tempo. Normalmente, não é localizado o foco infeccioso, e o diagnóstico dos quadros sépticos se faz através de sinais clínicos gerais. A evolução clínica pode ser insidiosa e lenta ou rápida e explosiva, com deterioração hemodinâmica e choque irreversível em poucas horas (BRASIL, 2004). Estudos mostram que a maioria dos Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 45 bebês amamentados exclusivamente nos primeiros seis meses crescem bem e são saudáveis. É importante que os profissionais de saúde saibam como e com que freqüência as mães estão amamentando seus filhos. Os profissionais de saúde podem ajudar as mães a compreender a importância de amamentar exclusivamente seus bebês nos primeiros seis meses (BRASIL, 1993). Amamentar exclusivamente no peito evita muitas doenças, por exemplo, diarréia, pneumonia, infecção no ouvido e muitas outras, assim sendo é aconselhável que, as mulheres amamentem no mínimo até os seis meses, podendo este período prorrogar-se até os dois anos de idade. Após os seis meses a mãe poderá introduzir gradativamente na alimentação da criança os alimentos da família (BRASIL, 2007). A expansão da ESF tem sido decisiva para a ampliação do direito ao pré-natal. O pré-natal tem impactado diretamente os indicadores de saúde, especialmente a mortalidade materna e a mortalidade infantil (BRASIL, 2006b). No município de Timóteo a taxa de cobertura de consultas de pré-natal das áreas assistidas pela ESF tem sido acima de 90%, sendo o último ano disponível o de 2005 em que a cobertura foi 92,8% (BRASIL, 2008a). O programa de humanização no pré-natal e nascimento instituído pelo Ministério da Saúde em 2000 baseou-se na análise das necessidades de melhorar à saúde das mulheres durante o período crítico de gravidez, parto e puerpério, bem como à saúde da criança, aperfeiçoando o acesso, a cobertura e a qualidade do acompanhamento. Na região adstrita da ESF, todas as gestantes deverão ter acompanhamento pré-natal o quanto antes. O ideal é que a primeira consulta de pré-natal ocorra até o quarto mês de gestação, para que a gestante seja atendida até o final da gravidez. Se ela faltar à consulta de pré-natal, cabe ao agente comunitário realizar visita domiciliar a fim de agendar nova consulta e verificar o ocorrido (FERNANDES, 2007). A gestante deverá participar no mínimo, de seis consultas de pré-natal. Uma no primeiro trimestre, duas no segundo trimestre e três no terceiro trimestre de gestação, com a garantia de acompanhamento do médico e da enfermeira e realização de exames laboratoriais (FERNANDES, 2007). O principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é acolher a mulher desde o início da sua gravidez, assegurando no fim da gestação, o nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem estar materno e infantil (BRASIL, 2006a). Ao se questionar sobre quais as ações o enfermeiro realiza para diminuir o índice de mortalidade materna, oito (100%) enfermeiros responderam que realizam o cadastramento das gestantes nos primeiros meses de vida, acompanham o prénatal desde o primeiro trimestre, fazem solicitação de exames de rotina e orientações juntamente com a equipe da ESF. Na consulta de pré-natal, deve ser realizada anamnese, abordando aspectos epidemiológicos, além dos antecedentes familiares, pessoais, ginecológicos, obstétricos, e a situação da gravidez atual. O exame físico deverá ser completo, contando avaliação de cabeça e pescoço, tórax e abdome, membros e inspeção de pele e mucosas, seguindo por exame ginecológico e obstétrico (BRASIL, 2006b). Nos relatos acima, é fundamental destacar que as atividades realizadas pelos enfermeiros no pré-natal, encontram-se dentro do preconizado pelo Programa Viva Vida, por outro lado não foi identificado nos relatos ações durante o parto e puerpério. Vale ressaltar que o parto é geralmente feito no hospital do município e desta forma as gestantes recebem cuidados dos profissionais nesse hospital. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 46 Por outro lado, não se devem esquecer as atividades no puerpério. Os cuidados da enfermagem nesta fase consistem em realizar duas consultas puerperais: a primeira consulta até 10 dias após parto e a segunda, até 40 dias após parto. Nestas consultas deve-se detectar e tratar as complicações puerperais, incentivar o aleitamento materno, avaliar o risco reprodutivo, inscrever as mulheres com risco reprodutivo no planejamento familiar, avaliar a aceitação da criança pela família/parceiro. O protocolo de procedimentos técnicos para o pré-natal, parto e puerpério do Programa Viva vida sugere que no pré-natal se percorra todos os passos da gestante de risco habitual e de alto risco, o seu acolhimento e acompanhamento, os fatores de risco e critérios para o encaminhamento e a abordagem das doenças obstétricas mais freqüentes. Durante o parto os principais cuidados a serem tomados, vão do acolhimento da gestante na maternidade, até as condições mínimas para a mesma realizar o parto. No puerpério, destaca-se a importância da consulta puerperal, definindo o período das consultas e dos procedimentos a serem realizados. Cabe ao enfermeiro exercer algumas atividades, tais como: ações educativas para mulheres e suas famílias, consulta de pré-natal de gestação de baixo risco, solicitar exames de rotinas e orientar tratamento conforme protocolo de serviço, encaminhar gestantes identificadas como de risco para o médico (BRASIL, 2006, MINAS GERAIS, 2006). A percepção dos profissionais sobre o que tem sido a causa de óbitos em crianças e mulheres, na área da saúde é apresentada nos relatos a seguir: Hipertensão arterial para as mulheres, pré-maturidade para os recém nascidos e já teve caso de óbito por desnutrição em crianças (E1). Mulheres: Complicações relacionadas ao aparelho cardiovascular. Crianças: complicações relacionadas à pneumonia (E4). Hipertensão arterial e Infarto agudo do miocárdio para as gestantes (E5). Doenças respiratórias para crianças (E3). No Brasil, as principais causas de morte das mulheres são: doenças cardiovasculares, dentre as quais as mais importantes são o infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, neoplasias, sendo as causas mais importantes o câncer de mama, o de pulmão e o de colo de útero, doenças do aparelho respiratório, principalmente pneumonias, doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, com destaque para diabetes, causas externas (FERNANDES, 2007). A Tabela 2 ilustra os dados referentes ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), no município de Timóteo. Sendo que as causas mais freqüentes de óbitos no período de 2002 a 2007 foram por afecções respiratórias e hipóxia intra-uterina/ asfixia ao nascer sendo as mais prevalentes, seguida de demais causas de mortes e anomalias congênitas (BRASIL, 2008b). TABELA 2: Distribuição do Índice de Mortalidade Materna e Infantil, segundo DATASUS (2008). Período 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Óbitos em mulheres em idade fértil 20 23 21 13 22 22 Óbitos em crianças menores de um ano 25 16 14 14 18 12 Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 47 As causas dos óbitos são conhecidas pelos enfermeiros como foi mostrado nos relatos e estas informações podem ser facilmente obtidos pelos agentes comunitários de saúde que vão aos domicílios uma vez ao mês e sempre que necessário. Algumas doenças respiratórias agudas, principalmente as pneumonias e a asma, são causa importantes de hospitalização e morte em crianças abaixo de cinco anos. Sabe-se que aproximadamente um de cada cinco episódios de infecções de vias aéreas superiores (IVAS), em crianças, evolui para pneumonia que, sem tratamento adequado, ocasiona a morte em 10% a 20% dos casos (BRASIL, 2004). Quanto aos óbitos infantis, estima-se que o aleitamento materno poderia prevenir 13 a 15% de todas as mortes de crianças abaixo de cinco anos em todo mundo. 50% das mortes por doenças respiratórias e 66% das causadas por diarréia, sendo o enfermeiro da ESF o profissional responsável para assegurar tal método, reduzindo as taxas de mortalidade infantil e promovendo a conscientização do aleitamento materno às mães (DUCAN, 2006). Há fortes evidências epidemiológicas da proteção do leite materno contra diarréia, sobretudo em crianças de baixo nível socioeconômico. A maioria dos estudos feitos em diversos países mostra essa proteção, que é mais evidente nos países em desenvolvimento. Cabe ao enfermeiro da ESF orientar e incentivar a mãe a fortalecer a técnica do aleitamento assegurando uma saúde eficaz para seu bebê (DUCAN, 2006). O aleitamento materno é alimento completo porque contém vitaminas, minerais, gorduras, açúcares, proteínas, todos apropriados para o organismo do bebê, possui muitas substâncias nutritivas e de defesa, que não encontram no leite de vaca e em nenhum outro leite, o leite da mãe é adequado, completo, equilibrado e suficiente para o seu filho. Ele é um alimento ideal. Não existe leite fraco, é feito especialmente para o estômago da criança, portanto de mais fácil digestão (BRASIL, 2007). Dados do Ministério da Saúde referentes ao ano de 2005 mostram que 65% das crianças apresentam aleitamento materno exclusivo, no município de Timóteo (BRASIL, 2008a). Dessa forma cabe ao enfermeiro da ESF aproveitar o vínculo com a comunidade para promover ações de educação em saúde que estimulem a prática de hábitos saudáveis que visem a promoção, prevenção e manutenção da saúde. CONCLUSÃO O estudo mostrou que a participação ativa dos profissionais de enfermagem torna-se elementos fundamentais para a prevenção da mortalidade infantil e materna, conforme observado através das entrevistas. Após, a análise dos dados foi possível concluir que as ações desenvolvidas e executadas pelos enfermeiros na sua maioria condizem com o preconizado pelos protocolos clínicos do Programa Viva Vida, desta forma vale ressaltar que os enfermeiros vêm desenvolvendo ações fundamentais para o combate da mortalidade infantil e materna, destacando-se ações como: incentivo ao aleitamento materno, atenção ao pré-natal e a saúde da criança, contribuindo de forma direta para redução da mortalidade infantil e materna assegurando melhorias da situação de saúde das crianças e puérperas. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.1-N.1-Nov./Dez. 2008. 48 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Manejo e Promoção do aleitamento Materno. BrasíliaDF,1993. BRASIL. 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