EFEITO DO SOLO NA PROPAGAÇÃO DE DISTÚRBIOS ELETROMAGNÉTICOS EM LINHAS AÉREAS Naiara F. Duarte 1 Ciby K. Rosa 1 Marco Aurélio O. Schroeder 2 Tarcísio A. Oliveira 2 Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET-MG Departamento Acadêmico de Engenharia Elétrica – DAEE Grupo de Eletromagnetismo Aplicado - GEAP Avenida Amazonas, 7675, Gameleira. tel: +55(31)3319-5257 CEP: 30510-000 - Belo Horizonte – Minas Gerais 1 - Alunas do 5º período do Curso de Engenharia Industrial Elétrica 2 – Professores do DAEE Abstract: This article objectives to quantify the soil effect in the transitory propagation in overhead lines, when submitted to electromagnetic disturbs. The longitudinal impedance and transversal admitance of the line were analyzed, considering a spectrum frequency characteristic of these disturbs and typical values of soil resistivity. Then, these effects on the main parameters, characteristc impedance and propagation constant, are analyzed.The results illustrate the sensitivity of these parameters in relation to the underlying soil (normally rejected in literature). This study has to objective to subsidize the overvoltages calculations in overhead lines, and thus, helps in the protection practices of the sames. Keywords: Soil effect, Aerial Lines, Overvoltages and Electromagnetic Transients. Resumo: Este artigo objetiva quantificar o cômputo do efeito do solo na propagação de transitórios em linhas aéreas, quando submetidas a distúrbios eletromagnéticos. Foram analisadas a impedância longitudinal e a admitância transversal da linha, considerando um espectro de freqüência característico destes distúrbios e valores típicos de resistividade do solo. Em seguida, foram caracterizados os principais parâmetros na propagação dos distúrbios: impedância característica e constante de propagação. Os resultados ilustram a sensibilidade destas grandezas em relação ao solo subjacente (normalmente desprezado na literatura). Este estudo visa subsidiar os cálculos de sobretensões em linhas, e assim, auxiliar nas práticas de proteção das mesmas. Palavras Chaves: Efeito do Solo, Linhas Aéreas, Sobretensões e Transitórios Eletromagnéticos. 1 INTRODUÇÃO A crescente demanda de energia elétrica, devido ao acelerado crescimento populacional, exige dos profissionais da área de Sistemas de Energia Elétrica estudos mais profundos com relação à qualidade de energia [1, 2, 3]. Em países de dimensões continentais, como o Brasil, as linhas de transmissão constituem o principal meio de transporte de energia elétrica e, devido a sua extensão, são alvos de interações com distúrbios eletromagnéticos indesejados de naturezas diversas. Neste caso, estas linhas constituem veículos privilegiados para a injeção de surtos eletromagnéticos em sistemas industriais. Normalmente, as causas destes distúrbios são classificadas em internas e externas [4]. As internas, por exemplo, são associadas às operações de chaveamento (surtos de manobra) e as externas correspondem às interações com as descargas atmosféricas que acoplam direta ou indiretamente com a linha de transmissão. De um modo geral, os efeitos desses distúrbios correspondem ao estabelecimento de sobretensões em diversas partes do sistema elétrico. Tais sobretensões podem superar a suportabilidade elétrica dos equipamentos instalados (cadeia de isoladores, de transformadores etc.) e, assim, diminuir a vida útil dos mesmos e provocar desligamentos não programados no fornecimento de energia elétrica. Por conseguinte, comprometem a qualidade da energia elétrica ofertada aos consumidores (industriais e residenciais). Um efeito que merece atenção especial na propagação dos surtos eletromagnéticos nas linhas aéreas corresponde ao solo subjacente. Os autores estão envolvidos numa pesquisa que visa computar o efeito do solo nesse processo, e assim, subsidiar os cálculos das sobretensões associadas. Para tal, quantifica-se o efeito do solo na impedância longitudinal (ZL) e admitância transversal (YT) de uma linha aérea, considerando um espectro de freqüência característico das principais solicitações eletromagnéticas indesejadas: 60Hz a 1MHz. Este estudo foi realizado considerando valores típicos de resistividade do solo do estado de Minas Gerais: 100, 2.400 (valor médio) e 10.000 Ω.m. Em seguida, são avaliados os dois principais parâmetros que caracterizam a propagação dos transitórios em linhas aéreas: impedância característica (Zc) e a constante de propagação (γ). Tem-se a expectativa de que as investigações realizadas neste trabalho consigam suscitar questionamentos e pesquisas posteriores, tendo em vista, por exemplo, os enormes danos causados pelas descargas atmosféricas. A CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais) estima que aproximadamente 70% das interrupções no sistema de transmissão são atribuídas a este fenômeno [5, 6, 7, 8, 9]. No sistema de distribuição, este índice é mais alarmante: em torno de 90% [10]! CARACTERIZAÇÃO DE Zc E γ DE UMA LINHA AÉREA Considere uma linha aérea monofásica e uniforme. Esta linha é constituída por um condutor semi-infinito (comprimento - l - tende a infinito), imerso no ar, de raio r (cm) e situado h (m) acima do solo (considerado perfeitamente plano). A Figura 1 ilustra a linha em questão. 2 Figura 1 – Linha aérea monofásica e uniforme. As equações matemáticas que quantificam as ondas de tensão e corrente em pontos genéricos da linha aérea sob estudo, no domínio fasorial, são amplamente divulgadas na literatura [11, 12]. d 2IS d 2V S e (1 e 2), = Z L YT I S = Z Y V L T S dx 2 dx 2 onde: Vs = Vs (x) e Is =Is (x) correspondem aos fasores de tensão e corrente, respectivamente; ZL à impedância longitudinal e YT à admitância transversal, ambas por unidade de cumprimento. O efeito longitudinal é composto por duas parcelas (resistiva e indutiva), enquanto o transversal, é composto por apenas uma (capacitiva), pois para linhas aéreas o efeito condutivo transversal normalmente é desprezado (G ≈ 0) [13]. Assim, as expressões de ZL e YT são: ZL = R + jωL e YT = jωC (3 e 4). As soluções das equações (1) e (2) são das seguintes formas [11]: γ V S = A1 e γx + A2 e − γx e (5 e 6), (A1e γx − A2 e − γx ) IS = zc onde: A1 e A2 são constantes que dependem das condições de contorno; γ é a constante de propagação e Zc a impedância característica. γ e Zc são computados pelas seguintes expressões [11]: Zc = ZL = Z c ∠θ Z c YT e γ = Z L YT = α + j β (7 e 8). Tanto γ quanto ZC, são grandezas complexas. O módulo de ZC estabelece a relação entre as amplitudes dos fasores de tensão e corrente, enquanto seu ângulo determina a defasagem entre os mesmos. ZC não depende do comprimento da linha. A parte real de γ corresponde à constante de atenuação (α) e a parte imaginária à constante de fase (β). Os conceitos de ZC e γ e seus efeitos são amplamente divulgados [11, 12]. Vale salientar, no entanto, que a caracterização das ondas de tensão e corrente (assim como a propagação do surto eletromagnético) depende diretamente de ZC e de γ . Por sua vez, estes dependem dos parâmetros R, L e C da linha aérea. EFEITO DO SOLO NOS PARÂMETROS Zc E γ Os métodos mais utilizados para cômputo do efeito do solo (e penetração do campo eletromagnético no mesmo) nos parâmetros ZL e YT (e, consequentemente, em ZC e γ ) foram desenvolvidos por Carson [14] e Deri et al. [15]. O trabalho de Carson requer a avaliação numérica de séries infinitas de dificil convergência, enquanto o de Deri et al. é composto por fórmulas fechadas de fácil aplicação. Por esse motivo, aliado ao fato de que nas aplicações de interesse os resultados oriundos dos dois métodos são bastante próximos [16], optou-se neste estudo pela adoção do método de Deri et al.[15]. Portanto, utiliza-se o conceito de imagens complexas aliado ao de profundidade complexa. Desta forma, o sistema físico equivalente ao sistema sob estudo (Figura 1) é apresentado na Figura 2. 3 Figura 2 – Sistema equivalente Na Figura 2, p corresponde à profundidade complexa: p= 1 = jωµσ (9), ρ jωµ onde: ρ é a resistividade do solo, ω=2πf é a freqüência angular (f é a freqüência) e µ é a permeabilidade magnética do solo (µ=µo=4π.10-7 H/m). Com o auxílio da Figura 2 pode-se calcular a indutância externa (Lext) e a capacitância (CT) da linha aérea [16, 17]: L ext µο ⎡ 2(h + p ) ⎤ e (10 e 11) 2πε o cT ≈ ln l 2π ⎢ ⎣ r ⎥ ⎦ l ≈ ⎡ 2(h + p ) ⎤ ln ⎢ ⎥⎦ ⎣ r A impedância longitudinal é constituida por três componentes [16]: i) Zint ⇒ associada à distribuição de campo eletromagnético internamente ao condutor, de natureza resistiva e indutiva (calculadas por meio de Funções de Bessel e em geral obtida por catálogos de fabricantes); ii) Zext ⇒ associada ao campo magnético exterior ao condutor (entre o ar e o solo), de natureza indutiva e iii) ZS ⇒ associada ao campo eletromagnético que penetra no solo, de natureza resistiva (parte imaginária de Lext/l) e indutiva (parte real de Lext/l menos o efeito de Zext). A admitância transversal (YT) é composta por duas parcelas de natureza capacitiva [16]: i)Yar ⇒ no ar, entre o condutor e o solo e ii) YS ⇒ no solo (parte real de Cext/l menos o efeito deYar). 4 RESULTADOS Com as formulações dos parâmetros de interesse devidamente estabelecidas, foram realizadas diversas simulações computacionais (com o auxílio do MATLAB®7.0) que permitiram uma série de análises de sensibilidade. O estudo em questão foi desenvolvido a partir dos seguintes dados: i) Linha aérea ⇒ típica de redes de distribuição monofásica, constituída por um condutor maciço de cobre (σ = 5,8 x107 S/m), diamêtro de 6,5 mm e altura de 10m em relação ao solo; ii) Faixa de freqüência ⇒ típica das principais solicitações que normalmente submetem as linhas aéreas: 60Hz a 1MHz (desde curto circuito até descargas atmosféricas) e iii) Valores de resistividades (ρ) ⇒ típicos do relevo e constituição físico-química do solo brasileiro: 100, 2.400 (valor médio em Minas Gerais) e 10.000 Ω.m, [11]. 4.1 Avaliação de ZL e YT As análises de sensibilidade envolveram a avaliação da contribuição relativa de cada parcela de ZL e de YT, no espectro de freqüência e para os valores de ρ considerados. As Figuras 3, 4 e 5 ilustram os resultados para os componentes de ZL. Observa-se que Zint, apesar de não depender de ρ, é bastante sensível ao espectro de freqüência; sua maior contribuição está na faixa próxima às freqüências industriais (aproximadamente 80% de ZL). Zext, que também independe de ρ, tem contribuição significativa em todo o espectro de freqüência, variando de aproximadamente 30% (faixa inferior de espectro de freqüência) a 90% de ZL (faixa superior do espectro de freqüência). Figura 3 - Valores relativos de ZL (100 Ω.m). Figura 4 - Valores relativos de ZL (2.400 Ω.m). Figura 5 - Valores relativos de ZL (10.000 Ω.m). Figura 6 - Zs x f para 100, 2400 e 10000 Ω.m. A contribuição de ZS aumenta com o acréscimo de ρ e, nas faixas intermediárias do espectro de freqüência (freqüências típicas das descargas atmosféricas) corresponde a aproximadamente de 25 a 40% de ZL. A Figura 6 esboça a variação de Zs com f para os três valores de ρ. Para análise da contribuição do solo no efeito capacitivo foi considerada a impedância transversal ao invés da admitância. As Figuras 7 e 8 ilustram os resultados obtidos. Percebe-se que na faixa de freqüências industriais o efeito do solo é bastante significativo, chegando a atingir cerca de 40% da impedância transversal. Para freqüências superiores, este efeito é bastante reduzido. Figura 7 - Valores relativos de ZT (2.400 Ω.m). Figura 8 - Valores relativos de ZT (10.000 Ω.m). Avaliação de ZC e γ As Figuras 9 e 10 ilustram, respectivamente, as variações do módulo e ângulo de Zc com f, para os três valores de ρ. Verifica-se que o módulo é bastante sensivél às variações em questão, enquanto o ângulo praticamente não varia com ρ. O módulo de Zc aumenta com ρ; apresenta valores na ordem de 1.000 Ω na faixa de freqüências industriais, diminuindo até cerca de 500Ω (faixa superior do espectro de freqüência). Quanto ao ângulo de Zc, observa-se que apresenta valores negativos em todo o espectro de freqüência. Na faixa próxima às freqüências industriais possui seu menor valor, correspondendo à maior característica capacitiva: em torno de -30º. Na faixa superior do espectro de freqüência aproxima-se de zero. As Figuras 11 e 12 ilustram, respectivamente, as variações de α e de β com f, para os três valores de ρ. Na faixa inferior do espectro de freqüência (até em torno de 10kHz), observa-se que a constante de atenuação (α) apresenta valores praticamente nulos. A partir de 100 kHz assume valores significativos, sendo que para solos de maior resistividade possui valores maiores: cerca de 0,01 Np/m na faixa superior do espectro de freqüência e para ρ = 10.000 Ω.m. A constante de fase (β) não varia com ρ; seu comportamento com f é similar ao de α. 4.2 5 Figura 9 - Módulo de Zc para 100, 2.400 e 10.000 Ω.m Figura 11 -Valores de α para 100, 2.400 e 10.000 Ω.m. Figura 10 - Ângulo de Zc para 100, 2.400 e 10.000 Ω.m. Figura 12 -Valores de β para 100, 2.400 e 10.000 Ω.m. CONCLUSÕES As linhas aéreas, em função de sua extensão, constituem-se veículos privilegiados para introdução de distúrbios eletromagnéticos nos sistemas elétricos de energia, incluindo os consumidores industriais e residenciais. Diversos estudos, encontrados na literatura técnica (nacional e internacional), modelam o solo subjacente como um condutor elétrico perfeito (ρ=0). Neste trabalho foi verificado que tal aproximação não é fisicamente consistente, pois os parâmetros de linhas aéreas são bastante sensíveis aos valores de resistividade do solo. Ademais, dependendo da faixa do espectro de freqüências (principalmente aquela associada às freqüências típicas das descargas atmosféricas), a contribuição do efeito do solo na impedâcia longitudinal corresponde aproximadamente a 40% e em torno de 30% em relação à impedância transversal. As impedâncias longitudinal e transversal são importantes na definição da impedância característica e da constante de propagação. A impedância característica atinge, na faixa inferior do espectro de freqüência, os maiores valores em módulo (bastante sensíveis à resistividade do solo) e os menores em ângulo (praticamente insensíveis à resistividade). A constante de atenuação atinge seus maiores valores na faixa superior do espectro de freqüência em solos de alta resistividade e a constante de fase permanece com valores elevados (nesta faixa) para os diversos tipos de resistividade. Verifica-se, portanto, a fundamental importância da inclusão do efeito do solo no cálculo de transitórios eletromagnéticos estabelecidos nas linhas aéreas, uma vez que as sobretensões decorrentes dependem diretamente da impedância característica e da constante de propagação. Este estudo tem aplicações nos cálculos das sobretensões que solicitam os isolamentos e equipamentos dos Sistemas de Energia. No caso de Minas Gerais, tais sobretensões, quando associadas às descargas atmosféricas, são responsáveis pela grande maioria das interrupções nos sistemas de transmissão e distribuição, que podem provocar paradas indesejadas no processo produtivo de consumidores industriais, e desta forma comprometer a qualidade da energia ofertada. REFERÊNCIAS 1. Santos, A.H.M., Simões, A.A., Martins, A.R.S. e outros; Conservação de Energia – Eficiência Energética de Instalações e Equipamentos. Eletrobrás/Procel, Ed. da EEEI, Itajubá, 2001. 2. IEEE Standard 1159. IEEE Recommended Practice for Monitoring Electric Power Quality, 1995. 3. Dugan, R.C.; Mcgranaghan, M.F.; Beaty, H.W. Electrical Power Systems Quality. McGrawHill, 1996. 4. Project UHV – Transmission Engineering. Transmission Line Reference Book – 345 kV and Above. Second Edition, EPRI, California, 1982. 5. Cherchiglia, L.C.L., Carvalho, A.M., Diniz, J.H., Souza, V.J. Lightning Program Carried out by Companhia Energética de Minas Gerais –CEMIG. International Conference on Grounding and Earthing (GROUND’98), 1998, pp.1-5. 6. Schroeder, M.A.O. Modelo Eletromagnético para Descontaminação de Ondas de Corrente de Descargas Atmosféricas: Aplicação às Medições da Estação do Morro do Cachimbo. Tese de Doutorado. CPDEE/UFMG, Belo Horizonte, 2001. 7. Soares, A. Modelagem de Linhas de Transmissão para Avaliação de Desempenho Frente às Descargas Atmosféricas. Tese de Doutorado. CPDEE/UFMG, Belo Horizonte, 2001. 8. Visacro, S.F., Soares, A., Schroeder, M.A.O., Cherchiglia, L. C.L. and Souza, V.J. Statistical Analysis of Lightning Currents Parameters: Measurements of Morro do Cachimbo Station. Journal of Geophsical Research, vol. 109, no. D0 1105, 2004, pp.1-11. 9. Soares, A., Visacro, S.F., Schroeder, M.A.O;Transient Voltages in Transmission Lines Caused by Direct Lightning Strikes. IEEE Transactions on Power Delivery, 2005, Vol. 20, no. 02. 10. De Conti, A.R., Silveira, F.H., Visacro, S., Duarte, J.V.P., Ventura, J.C.S. Avaliação da Influência de Diferentes Configurações de Linha nas Sobretensões Induzidas em Redes de Média Tensão. XVI Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica, Brasília, 2004. 11. Glover, J.D., Sarma, M. (1994). Power System Analysis and Design. PWS Publishing Company, Boston. 12. Anderson, P.M. Analysis Faulted Power Systems. IEEE PRESS Power Systems Engineering Series, New York, 1995. 13. Zanetta Jr., L.C. Transitórios Eletromagnéticos em Sistemas de Potência. Ed. da USP, São Paulo, 2003. 14. Carson, J.. Wave Propagation in Overhead Wires with Ground Return. Bell Syst. Tech. Journal, 5, 1926, pp. 539-554. 15. Deri, A., Tevan, G., Semlyen, A., Castanheira, A.. The Complex Ground Return Plane – A Simplified Model for Homogeneous and Multi-Layer Earth Return. IEEE Transactions on PAS, 1981, vol. 100, pp. 3686-3693. 16. Schroeder, M.A.O., Visacro, S.F., Drummond, P.S. Avaliação da Propagação em Linhas de Transmissão: Efeito do Solo. Congresso Chileno de Engenharia Elétrica, 1995. 17. Visacro, S.F., Drummond, P.S. Evaluation of the Correct Computation of Electromagnetic Disturbance Propagation Through Transmission Lines. Proceedings of EMC’94, Rome, 1994.