UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE ENGENHARIA CIVIL FÁBIO BOTTEGA ANÁLISE DO ENSAIO ESCLEROMÉTRICO, UM ENSAIO NÃO DESTRUTIVO, NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO CRICIÚMA, JULHO DE 2010. FÁBIO BOTTEGA ANÁLISE DO ENSAIO ESCLEROMÉTRICO, UM ENSAIO NÃO DESTRUTIVO, NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do Grau de Engenheiro Civil, no curso de Engenharia Civil da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientadora: MSc. DAIANE DOS SANTOS DA SILVA Co-orientador: VARGAS Prof. Esp. ALEXANDRE FÁBIO BOTTEGA ANÁLISE DO ENSAIO ESCLEROMÉTRICO, UM ENSAIO NÃO DESTRUTIVO, NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela banca examinadora para obtenção do Grau de Engenheiro Civil, no curso de Engenharia Civil da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC com linha de pesquisa em Ensaios Não Destrutivos. Criciúma, 01 de julho de 2010. BANCA EXAMINADORA Prof.ª Daiane Dos Santos Da Silva – Mestre – Orientador Prof.º Alexandre Vargas – Especialista – Co-orientador Prof.ª Ângela Costa Piccinini – Mestre – Banca AGRADECIMENTOS Foram muitas as pessoas que contribuíram para a concretização deste Trabalho de Conclusão de Curso, e meus agradecimentos em especial para: Meu pai Pedro Bottega e minha mãe Tânia Fortes Bottega que sempre prestaram apoio irrestrito e incondicional aos meus estudos. Meus amigos e parentes pelas palavras de incentivo. Allan Medeiros, colaborador do IPAT, pelo auxílio na execução dos ensaios no laboratório de materiais da UNESC. Os engenheiros civis da Construtora Fontana Jakson Araújo e Rodrigo Bianchini, que gentilmente forneceram material para estudo, na expectativa de contribuir para a pesquisa científica na engenharia civil. A querida Gissele Tavares, mais conhecida como “Gi”, por todo o apoio e paciência na organização da minha “complicada” documentação acadêmica de três Universidades. A professora Ângela Costa Piccinini pela coordenação do curso, sempre buscando o melhor para os alunos e professores e para o Curso de Engenharia Civil da UNESC. A professora Evelise Chemale Zancan com seu bom humor e otimismo insuperáveis. Meus professores orientadores Daiane dos Santos e Alexandre Vargas pelas instruções na elaboração deste TCC. Os professores Alexandre Vargas (novamente) e Evânio Ramos Nicoleit pelo conteúdo passado em sala que me deu condições de acertar as questões 25, 26 e 27 (Alexandre) e 39 e 40 (Evânio), e conseguir a aprovação em Primeiro lugar no Concurso Público da CASAN 2009 para o cargo de ENGENHEIRO CIVIL AUDITOR, na função de realizar auditoria das obras de Engenharia Civil da CASAN de todo o Estado de Santa Catarina. “E se o mundo não corresponde em todos os aspectos a nossos desejos, é culpa da ciência ou dos que querem impor seus desejos ao mundo?” Carl Sagan RESUMO O Ensaio Esclerométrico tem a promessa de estimar a resistência do concreto de estruturas sem causar perda de resistência, mas em um estudo preliminar descobriu-se que as normas técnicas a respeito do ensaio sugerem sua aplicação somente em concretos mantidos em cura e temperatura controladas. Não obstante os concretos de obras, que não atendem a esse critério de temperatura e cura, são os que possuem a maior demanda pelo ensaio. Investigou-se de maneira mais contundente se existem na bibliografia técnica procedimentos sistematizados de aplicação do esclerômetro em obra, e como não foram encontrados, uma nova metodologia foi proposta. Nesta metodologia foi obtida uma curva de correlação da resistência do concreto e do Índice Esclerométrico, a qual foi comparada com a curva do esclerômetro utilizado, e chegou-se a encontrar uma diferença de 33% nas estimativas da resistência. Analisou-se também a influência das fôrmas de moldagem do concreto na dureza superficial, utilizando quatro tipos de fôrmas. A fôrma de madeira úmida foi a que proporcionou os menores índices Esclerométricos, enquanto que os outros três tipos apresentaram valores muito parecidos. Avaliou-se a influência da armadura do concreto no Índice Esclerométrico em obra e em laboratório, e em nenhuma situação foi constatado aumento ou redução em seu valor. Conclui-se que o Ensaio Esclerométrico, para obter uma estimativa real da resistência do concreto, deve levar em conta todos os fatores que ocasionam variação no Índice Esclerométrico e na resistência do concreto. Ao todo foram 567 impactos com o esclerômetro em 12 corpos de prova e 36 corpos de prova cilíndricos ensaiados à compressão. Palavras-chaves: Esclerômetro de Schmidt. superficial. Concreto. Ensaio Não Destrutivo. Ensaio Esclerométrico. Dureza LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Curva de Gauss. .......................................................................................27 Figura 2 - Representação generalizada da variação da resistência em um mesmo elemento estrutural....................................................................................................32 Figura 3 - Variação da resistência em vigas..............................................................33 Figura 4 - Aparelho de ultra-som...............................................................................41 Figura 5 - Sonda Windsor..........................................................................................42 Figura 6 - Ensaio de tração direta. ............................................................................43 Figura 7- Estrutura do Ensaio de Arrancamento. ......................................................44 Figura 8 - Execução do Ensaio Pull-out. ...................................................................44 Figura 9 - Elemento ensaiado com Pull-out...............................................................45 Figura 10 - Aparelho com visor digital incorporado. ..................................................46 Figura 11 - Modelo digital mais sofisticado. ..............................................................46 Figura 12 - Modelo com registro em papel do IE.......................................................46 Figura 13 - Mostrador analógico do IE de um esclerômetro......................................47 Figura 14 - Esclerômetro de Schmidt tipo N..............................................................53 Figura 15 - Área de ensaio de 9cm X 9cm, para 9 impactos, sugerida pela NBR 7584 (1995). .......................................................................................................................54 Figura 16 - Área de ensaio de 20cm X 20cm, para 16 impactos, sugerida pela NBR 7584 (1995). ..............................................................................................................55 Figura 17 - Exemplo de curva de correlação para o Ensaio Esclerométrico. ............56 Figura 18 - Variação da resistência na idade para 5 tipos de traços.........................57 Figura 19 - Coleta de concreto em obra com carrinho de mão. ................................59 Figura 20 - Molde cilíndrico sendo untado com óleo mineral. ...................................59 Figura 21 - Transporte dos CPs em seus moldes para evitar impactos. ...................60 Figura 22 - Lixa usada para regularização dos topos dos CPs cilíndricos. ...............61 Figura 23 - Aspecto do topo de um CP após regularização com lixamento manual. 61 Figura 24 - CP ø10x20 sendo ensaiado à compressão. ...........................................62 Figura 25 - Estado antes do polimento......................................................................62 Figura 26 - Após polimento. Os círculos em preto e vermelho servem de referência para comparação. .....................................................................................................63 Figura 27 - Corte em serra diamantada de CP prismático. .......................................63 Figura 28 - topo do CP prismático após retifica em serra. ........................................64 Figura 29 - Acoplamento do prato da prensa com o CP retificado: melhor fixação do CP. ............................................................................................................................64 Figura 30 - 11 pontos para ensaio.............................................................................65 Figura 31 - 12 pontos para o ensaio..........................................................................65 Figura 32 - 14 pontos de ensaio................................................................................66 Figura 33 - CP na prensa com as 14 marcações. .....................................................66 Figura 34 - Ensaio Esclerométrico sendo executado. ...............................................67 Figura 35 - Material para coleta do concreto e moldagem dos CPs na primeira etapa. ..................................................................................................................................68 Figura 36 - Material em canteiro de obras após a coleta de concreto.......................68 Figura 37 - Parte superior da estufa aquecida com lâmpadas incandescentes. .......69 Figura 38 - Quatro CPs de cura seca mantido em temperatura ambiente média de 21ºC. .........................................................................................................................69 Figura 39 - Um molde de madeira pinus sendo saturado..........................................72 Figura 40 - Moldes de madeira saturada usados no ensaio......................................72 Figura 41 - Moldes de madeira pinus seca. ..............................................................73 Figura 42 - Dois moldes de madeira compensada secos..........................................73 Figura 43 - Detalhe do material da madeira compensada.........................................74 Figura 44 - Moldes impermeáveis. ............................................................................74 Figura 45 - Interior do molde: estanqueidade conseguida através de lonas plásticas. ..................................................................................................................................75 Figura 46 - CP D4S-MS e seu molde. .......................................................................75 Figura 47 - D4S-CO e seu molde, superfície de excelente qualidade.......................76 Figura 48 - D4S-MS e seu molde, ambos ainda úmidos, mesmo após 4 dias da sua concretagem..............................................................................................................76 Figura 49 - D4S-IM desmoldado, superfície muito lisa..............................................77 Figura 50 - D4E-MU: mesmo em estufa, a madeira não foi totalmente seca. ...........77 Figura 51 - Aspecto da madeira saturada em estufa, na face interior (a) e exterior (b). Ainda com sinais de umidade na face interior. ..........................................................78 Figura 52 - Molde e CP D4E-MS...............................................................................78 Figura 53 - Molde e CP D4E-CO...............................................................................79 Figura 54 - CP D4E-IM e seu molde .........................................................................79 Figura 55 - Aspecto visual dos quatros CPs D4E......................................................80 Figura 56 - Aspecto visual dos quatros CPs D4S......................................................80 Figura 57 - Peneiramento com peneira comum para isolar o agregado graúdo do concreto. ...................................................................................................................82 Figura 58 - Agregado miúdo de grandes dimensões retido na peneira.....................82 Figura 59 - Volume de agregado graúdo contido em um molde cilíndrico ø10x20cm ..................................................................................................................................83 Figura 60 - Pedra britada de basalto. ........................................................................83 Figura 61 - Pesagem do agregado graúdo saturado superfície seca........................84 Figura 62 - Colocação da brita para secagem em estufa..........................................84 Figura 63 - Seis CPs cilíndricos para o ensaio de compressão e o prismático para ensaio de esclerometria. ...........................................................................................88 Figura 64 - Cura saturada. ........................................................................................88 Figura 65 - Estufa aquecida com lâmpadas incandescentes. ...................................89 Figura 66 - OUT: temperatura medida no meio do CP. IN: temperatura do ambiente. ..................................................................................................................................89 Figura 67 - Molde com barra nervurada CA50. .........................................................91 Figura 68 - Cura do concreto em reservatório com água. .........................................91 Figura 69 - Corpos de prova cilíndricos e prismático com armadura. .......................92 Figura 70 - Posicionamento da barra no concreto e direções dos impactos. ............92 Figura 71 - Nas setas vermelhas duas linhas de ensaio L3 e L4. .............................93 Figura 72 - Visão por inteiro do pilar. No retângulo vermelho, a região ensaiada. ....94 Figura 73 - Região ensaiada e armaduras localizadas. ............................................94 Figura 74 - Curva de correlação do esclerômetro utilizado. ....................................104 Figura 75 - Agregado retido na #19mm...................................................................121 Figura 76 - Agregado retido na #12mm...................................................................121 Figura 77 - Agregado retido na # 9,5mm.................................................................121 Figura 78 - Agregado retido na #6,3mm..................................................................121 Figura 79 - Agregado retido na #4,8mm..................................................................121 Figura 80 - Equipamento de vibração utilizado. ......................................................121 Figura 81 - Dois dos três moldes de madeira cilíndricos.........................................134 Figura 82 - Detalhe do interior do molde de madeira cilíndrico. ..............................134 Figura 83 - Os três moldes de madeira concretados...............................................135 Figura 84 - CPs cilíndricos de molde de madeira ensaiados à compressão. ..........136 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Curva granulométrica do agregado graúdo. ............................................85 Gráfico 2 - Variação do IE com a idade para cura em temperatura ambiente...........95 Gráfico 3 - Variação do IE com a idade para cura por 7 dias em estufa. ..................96 Gráfico 4 - Crescimento do IE para fôrma impermeável. ..........................................97 Gráfico 5 - Crescimento do IE para madeira compensada........................................97 Gráfico 6 - Crescimento do IE para madeira saturada. .............................................98 Gráfico 7 - Crescimento do IE para madeira pinus seca. ..........................................98 Gráfico 8 - Influência das fôrmas usando a média dos IEs das duas curas. ...........100 Gráfico 9 - Crescimento da resistência do concreto................................................100 Gráfico 10 - Crescimento da resistência do concreto para 3 tipos de cura. ............101 Gráfico 11 - Crescimento do IE com a idade para os três tipos de cura. ................102 Gráfico 12 - Curvas de correlação individuais para cada tipo de cura. ...................102 Gráfico 13 - Curvas de correlação individuais ajustadas.........................................103 Gráfico 14 - Curva de correlação final para os 3 tipos de cura................................103 Gráfico 15 - Comparação da curva obtida com a curva do esclerômetro................105 Gráfico 16 - Crescimento da resistência do concreto..............................................107 Gráfico 17 - Comparativo entre curvas de correlação. ............................................127 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Formação de lotes pela NRB 12655 (2006). ...........................................26 Quadro 2 - Cronologia dos procedimentos realizados. .............................................70 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Valores para conversão de resistência de corpos de prova cilíndricos. ...23 Tabela 2 - Coeficientes de conversão da resistência de diversas geometrias de CPs. ..................................................................................................................................24 Tabela 3 - Variação da resistência em pilares...........................................................32 Tabela 4 - Variação da resistência entre topo e base de pilares...............................33 Tabela 5 - Relações fcj / fc28 .......................................................................................36 Tabela 6 - Resistências à compressão aos 28 dias. .................................................39 Tabela 7 - Quantidades de agregado graúdo encontradas no peneiramento. ..........85 Tabela 8 - Índices Esclerométricos aos 28 dias para cura seca e em estufa. ...........99 Tabela 9 - Índices Esclerométricos para concreto com barra de 8mm....................106 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABECE - Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas CP - corpo de prova D3E - concreto da terceira coleta, de cura seca, em estufa D3S - concreto da terceira coleta, de cura seca, fora da estufa D3U - concreto da terceira coleta, de cura normatizada D4S - concreto da quarta coleta, de cura seca, fora da estufa D4S-CO - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, de cura seca fora da estufa, moldado em madeira compensada D4S-IM - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, de cura seca fora da estufa, moldado em madeira impermeabilizada D4S-MS - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, de cura seca fora da estufa, moldado em madeira pinus seca D4S-MU - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, de cura seca fora da estufa, moldado em madeira pinus saturada D4E - concreto da quarta coleta, de cura seca, em estufa D4E-CO - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, curado em estufa, moldado em madeira compensada. D4E-IM - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, curado em estufa, moldado em madeira impermeabilizada. D4E-MS - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, curado em estufa, moldado em madeira pinus seca. D4E-MU - corpo de prova prismático 15x15x30cm, da quarta coleta, curado em estufa, moldado em madeira pinus saturada. END - Ensaio Não Destrutivo LISTA DE SÍMBOLOS fck - resistência característica do concreto fckj - resistência característica do concreto de “j’ dias de idade fck,est - resistência característica do concreto obtida pela aplicação da NBR 12655 fcj - resistência do concreto de “j” dias de idade fc28 - resistência do concreto de 28 dias de idade Ø10x20cm - corpo de prova cilíndrico de diâmetro 10cm e altura 20cm Ø15x30cm - corpo de prova cilíndrico de diâmetro 15cm e altura 30cm SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................18 1.1 Problema .............................................................................................................19 1.2 Justificativa..........................................................................................................19 1.3 Objetivos .............................................................................................................20 1.3.1 Objetivo geral ...................................................................................................20 1.3.2 Objetivos específicos .......................................................................................20 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................22 2.1 Considerações sobre a resistência do concreto..................................................22 2.1.1 Resistência à compressão axial do concreto - fcj..............................................22 2.1.2 Geometria dos corpos de prova para ensaio de compressão ..........................23 2.1.3 Diâmetro do CP e tamanho do agregado graúdo.............................................24 2.1.4 Controle tecnológico do concreto .....................................................................25 2.1.5 Resistência característica à compressão do concreto - fck ...............................26 2.1.6 Significado estatístico do fck .............................................................................27 2.2 Cálculo do fck .......................................................................................................28 2.2.1 Fcks de interesse ...............................................................................................29 2.2.2 Ponderações do valor do fck no cálculo estrutural ............................................29 2.2.3 Variações da resistência na própria estrutura ..................................................31 2.2.3.1 Variações da resistência em um mesmo elemento estrutural .......................31 2.2.4 Determinação do fck da estrutura......................................................................33 2.2.4.1 Locais genéricos da estrutura para obter a resistência .................................34 2.2.5 Transformação de fckj (ou fcj) para fck28 (ou fc28). ...............................................35 2.2.5.1 Transformação conforme NBR 6118 (2003)..................................................36 2.2.5.2 Transformação pela lei de Abrams................................................................36 2.2.6 Umidade dos CPs e testemunhos no ensaio de compressão ..........................37 2.2.7 Considerações sobre o ganho de resistência do concreto ...............................37 2.2.7.1 Cura...............................................................................................................38 2.2.7.2 Alta temperatura de cura ...............................................................................38 2.3 Ensaios Não Destrutivos na avaliação da resistência .........................................40 2.3.1 Ultrasom ...........................................................................................................41 2.3.2 Penetração de pinos ........................................................................................42 2.3.3 Pull-off ..............................................................................................................42 2.3.4 Pull-out .............................................................................................................43 2.3.5 Maturidade .......................................................................................................45 2.3.6 Esclerometria ...................................................................................................45 2.4 O Ensaio Esclerométrico e a resistência do concreto .........................................48 2.4.1 Recomendações para o Ensaio Esclerométrico...............................................51 2.4.2 Curva de correlação .........................................................................................55 3 METODOLOGIA DA PESQUISA...........................................................................58 3.1 Procedimentos genéricos dos ensaios ................................................................58 3.2 Execução dos ensaios.........................................................................................64 3.3 Primeira Etapa - Influência da fôrma no IE..........................................................67 3.3.1 Identificação dos CPs prismáticos....................................................................71 3.3.2 Tipos de fôrmas utilizadas................................................................................71 3.3.3 Caracterização do concreto..............................................................................80 3.3.4 Caracterização do agregado graúdo ................................................................81 3.4 Segunda Etapa - Proposta de uma nova metodologia para o Ensaio Esclerométrico...........................................................................................................86 3.4.1 Identificação dos corpos de prova....................................................................87 3.4.2 Temperaturas de cura ......................................................................................87 3.4.3 Caracterização do concreto..............................................................................90 3.4.4 Tipos de fôrmas................................................................................................90 3.5 Terceira etapa - Influência da armadura no IE ....................................................90 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES...........................................................................95 4.1 Primeira Etapa - Influência da fôrma no IE..........................................................95 4.2 Segunda Etapa - Proposta de uma nova metodologia para o Ensaio Esclerométrico.........................................................................................................101 4.3 Terceira Etapa - Influência da armadura no IE..................................................105 4.3.1 Em laboratório ................................................................................................105 4.3.2 Em obra..........................................................................................................107 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS .........108 5.1 Primeira Etapa - Influência da fôrma no IE........................................................108 5.2 Segunda Etapa - Proposta de uma nova metodologia para o Ensaio Esclerométrico.........................................................................................................108 5.3 Terceira Etapa - Influência da armadura ...........................................................110 REFERÊNCIAS.......................................................................................................111 APÊNDICES ...........................................................................................................113 APÊNDICE A - Índices Esclerométricos e ensaios à compressão da Primeira Etapa. .....................................................................................................................114 APÊNDICE B - Agregados graúdos retidos nas peneiras da primeira etapa. ..120 APÊNDICE C - Índices Esclerométricos e ensaios à compressão da Segunda Etapa. .....................................................................................................................122 APÊNDICE D - Curvas de correlação...................................................................126 APÊNDICE E - Índices Esclerométricos e ensaios à compressão da Terceira Etapa. .....................................................................................................................128 APÊNDICE F - Índices Esclerométricos da Terceira Etapa em obra.................131 APÊNDICE G - Ensaios de compressão em corpos de prova moldados em fôrma cilíndrica de madeira..................................................................................133 18 1 INTRODUÇÃO O concreto tradicional, utilizado nas construções comuns, é composto, basicamente, por um aglomerante (o cimento), um agregado graúdo (seixo ou pedra britada), um agregado miúdo (areia) e água. Da mistura desses quatro componentes resulta um composto pastoso, nesta fase, chamado de concreto fresco. Pelas reações químicas desse composto, iniciadas no contato da água com o cimento, o concreto fresco vai ganhando consistência, período denominado de “pega”. À medida que as reações de hidratação do cimento se desenvolvem, o concreto vai ganhando rigidez e se transformando em um material sólido. É nesse estado que é possível avaliar a sua propriedade mais importante: a resistência à compressão. É a avaliação dessa propriedade, utilizando um equipamento denominado Martelo de Schmidt, o objetivo do Ensaio Esclerométrico. E é este ensaio o alvo deste trabalho. O Ensaio Esclerométrico permite estimar a resistência do concreto pela medida da dureza de sua superfície. Essa medida é feita sem provocar redução da capacidade resistente da peça ensaiada e sem provocar dano superficial relevante, por isso esse ensaio também é tratado como sendo um Ensaio Não Destrutivo (END). Para melhor compreensão, o trabalho foi dividido em cinco capítulos. O capítulo 2 trata da fundamentação teórica, abrangendo conceitos da resistência do concreto, uma visão geral dos principais Ensaios Não Destrutivos e detalhes de aplicação do Ensaio Esclerométrico. O capítulo 3 contempla a parte prática do trabalho, que foram experimentos em laboratório e em obra, detalhando como foram realizados. O capítulo 4 apresenta os resultados dos experimentos e comentários a respeito. As conclusões finais e recomendações para trabalhos futuros estão no capítulo 5. No Apêndice A estão os valores dos índices Esclerométricoss obtidos nos ensaios e os valores dos ensaios à compressão dos corpos de prova cilíndricos. 19 1.1 Problema A obtenção da resistência à compressão do concreto em estruturas já executadas é muitas vezes necessária, e para se obter boa precisão, faz-se a extração de testemunhos de concreto da estrutura, sendo os mesmos ensaiados à compressão. Entretanto, esse procedimento gera danos significativos à estrutura ensaiada. Já o Ensaio Esclerométrico tem a promessa de estimar a resistência do concreto sem causar perda de resistência do elemento estrutural, no entanto, sua aplicação no concreto das estruturas de obras correntes possui poucos esclarecimentos técnicos na literatura. Dessa maneira questiona-se: é possível aplicar o Ensaio Esclerométrico nas estruturas de concreto das obras comuns, seguindo as informações da literatura, principalmente a Norma MERCOSUL NM 78, e obter resultados confiáveis? Ainda dentro da temática do Ensaio Esclerométrico, pergunta-se: as fôrmas de moldagem podem influenciar a dureza superficial do concreto? Armaduras no concreto causam influência significativa no Índice Esclerométrico? 1.2 Justificativa A avaliação da resistência do concreto de estruturas de concreto armado é muitas vezes necessária para esclarecer dúvidas e auxiliar os engenheiros na tomada de decisões. Essa necessidade surge, por exemplo, quando se deseja comparar a resistência do concreto de elementos estruturais concretados com várias betonadas, quando se deseja estabelecer a data da retirada dos escoramentos de uma estrutura, avaliar a homogeneidade da dureza superficial de estruturas novas e antigas, quando se realiza uma perícia, etc. Para a avaliação da resistência do concreto, o método mais comumente aceito é o de extração de testemunhos, o qual consiste na perfuração de um elemento estrutural e extração de um cilindro de concreto que será ensaiado à compressão. Esse método possui o inconveniente de reduzir a capacidade 20 resistente do elemento estrutural, e por isso, é muitas vezes evitado. Os Ensaios Não Destrutivos justamente tem a vantagem de não produzir dano estrutural, e por isso que têm uma tendência de aceitabilidade cada vez maior na engenharia, e suas aplicações, portanto, merecem estudos mais aprofundados. O Ensaio Esclerométrico é um Ensaio Não destrutivo bastante difundido e possui muitas vantagens em relação a outros ensaios, no entanto, sua aplicação em concretos de obras parece carecer de informações técnicas. Também outros detalhes do ensaio possuem poucos estudos divulgados, como a influência da armadura e do material das fôrmas no Índice Esclerométrico, fazendo jus a uma pesquisa científica. 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral O objetivo geral deste trabalho é executar o Ensaio Esclerométrico tanto em laboratório como em obra, para compreender seus detalhes de aplicação e, se possível, torná-lo mais aceito pelos profissionais da área da engenharia civil. 1.3.2 Objetivos específicos • Propor uma nova metodologia de obtenção de curvas de correlação para concretos mantidos em condições não normatizadas, que seria uma alternativa à proposta da NM 78. • Determinar as melhores técnicas para a execução da esclerometria de modo a obter os melhores resultados. 21 • Verificar se fôrmas de madeira seca, madeira úmida, madeira compensada e fôrma impermeável fornecem os mesmos Índices Esclerométricos para um mesmo concreto sob mesma cura. • Verificar a influência da armadura no Índice Esclerométrico. 22 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Considerações sobre a resistência do concreto 2.1.1 Resistência à compressão axial do concreto - fcj A resistência à compressão axial do concreto, ou simplesmente fcj, é a característica do concreto mais importante para estruturas, pois é a partir dela que se dá todo o processo do cálculo estrutural de concreto armado. A verificação de fcj de um concreto, de forma simplificada, pode ser determinada seguindo os passos abaixo: a) Coleta de quantidade suficiente de concreto para a moldagem dos corpos de prova (CPs); b) A forma e tamanho do molde devem seguir a NBR 5738 (2008), item 7.1: “A dimensão básica do corpo de prova deve ser, no mínimo, 4 vezes maior que a dimensão nominal máxima do agregado graúdo do concreto.” Para concretos comuns, geralmente, são usados moldes cilíndricos de base 10cm e altura 20cm ou base 15cm e altura 30cm; c) O lançamento, adensamento e cura dos corpos de prova devem ser feitos seguindo as prescrições da NBR 5738 (2008); d) O ensaio de compressão, em prensa, do corpo de prova: é padronizado pela NBR 5739 (2007). A idade padronizada para o ensaio é de 28 dias; e) Determina-se a tensão de ruptura dividindo-se a carga de ruptura do CP pela área de sua seção transversal, expressando o resultado com aproximação de 0,1 MPa. 23 2.1.2 Geometria dos corpos de prova para ensaio de compressão Atualmente no Brasil, para o ensaio de compressão só existe normatização para corpos de prova que possuam a forma geométrica cilíndrica, cuja altura seja o dobro do diâmetro da base. Essa normatização é feita pela NBR 5739 (2007) – Ensaios de compressão de corpos de prova cilíndricos. Não obstante, em outros países outras formas geométricas são adotadas para o ensaio de compressão, como por exemplo, a forma cúbica, que tem a vantagem de não necessitar de retificação de nenhuma face para melhorar o acoplamento do CP ao prato da prensa. (GIONGO, 2009). Quando da utilização de CPs cilíndricos de geometrias diferentes das especificadas na NBR 5739 (2007), pode-se utilizar os valores de conversão da Tabela 1. Tabela 1 - Valores para conversão de resistência de corpos de prova cilíndricos. Relação h / d Pesquisador ou Norma 2,00 1,75 1,50 1,25 1,00 0,75 0,50 Petrucci 1,00 0,98 0,96 0,94 0,85 0,70 0,70 Neville 1,00 0,97 0,93 0,90 0,85 - - Tobio 1,00 1,00 0,97 0,91 0,87 - - Petersons 1,00 0,97 0,95 0,89 0,83 0,77 0,71 Bungey 1,00 - - - 0,77 - - Sangha & Dhir 1,00 - 0,95 - 0,83 - - BS 1881 1,00 0,97 0,92 0,87 0,80 - - ASTM C 42 1,00 0,98 0,96 0,93 0,87 - - UNE 83302 1,00 0,98 0,96 0,94 0,90 - - JIS A1107 1,00 0,98 0,96 0,94 0,89 - - ABNT NBR 7680 1,00 0,97 0,93 0,89 0,83 - - Fonte: CREMONINI (1994 apud CASTRO, 2009). Para corpos de prova de outras geometrias, pode-se fazer uso da Tabela 2. 24 Tabela 2 - Coeficientes de conversão da resistência de diversas geometrias de CPs. Tipo de corpode-prova Coeficientes de conversão Dimensões (cm) Valores limites Valor médio Cilíndrico 15 × 30 1,00 Cilíndrico 10 × 20 0,94 a 1,00 0,97 Cilíndrico 25 × 50 1,00 a 1,10 1,05 Cúbico 10 0,70 a 0,90 0,80 Cúbico 15 0,70 a 0,90 0,80 Cúbico 20 0,75 a 0,90 0,83 Cúbico 30 0,80 a 1,00 0,90 Prismático 15 × 15 × 45 0,90 a 1,20 1,05 Prismático 20 × 20 × 60 0,90 a 1,20 1,05 Fonte: GIONGO (2009) 2.1.3 Diâmetro do CP e tamanho do agregado graúdo Pela análise das normas nacionais atuais e antigas, foi constatada certa confusão na definição do diâmetro do molde para corpos de prova ou testemunhos em função do diâmetro do agregado graúdo. Normas vigentes utilizam definições diferentes, o que não deveria ocorrer, pois ocasionam entendimentos distintos sobre um mesmo assunto. Percebeu-se que a NBR 5738 (2003) foi a norma que realizou a modificação da definição do diâmetro do molde em função do agregado graúdo, e sua versão posterior (e atual), lançada no ano de 2008, manteve essa definição, que é a que se segue: A dimensão básica do corpo-de-prova deve ser no mínimo quatro vezes maior que a dimensão nominal máxima do agregado graúdo do concreto. As partículas de dimensão superior à máxima nominal, que ocasionalmente sejam encontradas na moldagem dos corpos-de-prova, devem ser eliminadas por peneiramento do concreto, de acordo com a NBR NM 36. NOTA - Alternativamente, desde que conste no relatório do ensaio, a medida básica do corpo-de-prova pode ser no mínimo três vezes maior que a dimensão nominal máxima do agregado graúdo do concreto. (NBR 5738, 2008, grifo meu). 25 A NBR 5738 (2003) e a NBR 5738 (2008) não trazem a definição do termo “dimensão nominal máxima”. Buscou-se então sua definição em outras normas, e encontrou-se na NBR 7225 (1993) o seguinte: Dimensões nominais de agregados: Aberturas nominais das peneiras de malhas quadradas, correspondentes às dimensões reais do agregado. Por analogia, a dimensão nominal máxima seria a menor peneira na qual passam todos os agregados graúdos. A antiga NBR 5738 (1994) exigia que o diâmetro do molde fosse três vezes maior que a “dimensão máxima característica”. A NBR 7211 (2005) define a dimensão máxima característica como a grandeza associada à distribuição granulométrica do agregado, correspondente à abertura nominal, em milímetros, da malha da peneira da série normal ou intermediária na qual o agregado apresenta uma porcentagem retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5% em massa. Disso percebe-se que a antiga NBR 5738 (1994) utilizava o termo “dimensão máxima característica”, e que a partir da sua versão de 2003 passou a utilizar o termo “dimensão nominal máxima”, que tem significados distintos. O termo “dimensão nominal máxima” não é um termo estatístico, ele simplesmente corresponde a um tamanho máximo permitido do agregado graúdo, enquanto o termo “dimensão máxima característica” faz uma limitação estatística e não nominal. 2.1.4 Controle tecnológico do concreto O controle tecnológico do concreto engloba os mais diversos ensaios que avaliam várias propriedades do concreto. Dentre esses ensaios, um muito importante é o que avalia a resistência à compressão axial. A verificação da resistência do concreto solicitado só é possível ser realizada depois de transcorridos 28 dias da concretagem, ou seja, não é possível saber no momento da entrega do concreto se o mesmo atende a resistência especificada. Um controle que se pode fazer no recebimento do concreto em obra é o ensaio de abatimento do tronco de cone, ou slump, o qual serve para dar uma 26 idéia da trabalhabilidade do concreto. Pelo slump é possível verificar se há alguma variação não esperada no traço do concreto. Mudanças no abatimento do concreto podem indicar alterações no consumo de água, de cimento ou aditivo, bem como nas características dos agregados (METHA E MONTEIRO, 2008, p.480). 2.1.5 Resistência característica à compressão do concreto - fck Todo o cálculo de estruturas de concreto armado tem por base o valor da resistência característica do concreto, fck, o qual deve ser verificado em um controle de aceitação através do Controle Estatístico da Resistência em qualquer obra de concreto armado, (Item 12.3.3 da NBR 6118 (2003): “... o controle de resistência à compressão do concreto deve ser feito aos 28 dias, de forma a confirmar o valor de fck adotado no projeto.” A sua verificação é importante porque comprova se o fck do concreto entregue (ou produzido) na obra se iguala ou supera o fck de projeto, o que é importante para a segurança da edificação. Helene (1986) ratifica essa afirmação ao dizer que “o controle da resistência à compressão do concreto – ou seja, a determinação do fck, - situa-se dentro dessa necessidade de comprovação daquilo que está sendo executado frente ao que foi adotado no projeto da estrutura.” A NBR 12655 (2006) indica a divisão da estrutura em lotes, cada qual terá seu fck calculado através do ensaio de compressão dos exemplares representativos do lote. A formação dos lotes deve seguir o indicado no Quadro 1. Solicitação principal dos elementos da estrutura Limites superiores Volume de concreto Número de andares Tempo de concretagem Compressão ou compressão e flexão 50 m3 Flexão simples 100 m3 1 3 dias de concretagem 1 1) Quadro 1 - Formação de lotes pela NRB 12655 (2006). Fonte: NBR 12655 (2006). 1) Este período deve estar compreendido no prazo total máximo de sete dias, que inclui eventuais interrupções para tratamento de juntas. 27 A NBR 12655 (2006) – Concreto de cimento portland, preparo, controle e recebimento, procedimento - é a que normatiza o Controle Estatístico de Resistência do concreto recebido ou produzido em obra. Como uma estrutura é divida em vários lotes e cada um possui um fck, ela disporá, ao final de sua concretagem, de vários fcks, enquanto o cálculo estrutural adota somente um valor de fck. 2.1.6 Significado estatístico do fck O valor do fck é um termo estatístico, e corresponde ao valor de resistência com probabilidade de 5% de ser ultrapassado para menos, na amostragem de um lote. Os valores de fck e fcj são facilmente compreendidos ao se visualizar a Curva de Gauss, mostrada na Figura 1, onde Sd é o desvio padrão. Figura 1 - Curva de Gauss. 28 2.2 Cálculo do fck O cálculo do fck de um lote de uma estrutura é feito de acordo com o tipo de controle do concreto, por amostragem parcial, – onde algumas betonadas têm concreto coletado para moldagem de corpos de prova, – ou por amostragem total, – em que todas as betonadas é coletado concreto. O valor do fck de uma amostra ou lote de concreto no controle de aceitação do concreto pode ser calculado, de uma maneira geral, da seguinte forma: 1 – Faz-se a coleta de concreto das betonadas de concreto respeitando a NBR NM 33; 2 – Moldam-se e curam-se os corpos de prova cilíndricos de concreto de acordo com a NBR 5738; 3 – Realiza-se o ensaio de compressão em todos os corpos de prova aos 28 dias de idade seguindo a NBR 5739. Cada qual irá fornecer um valor de fcj (resistência à compressão individual do corpo de prova). 4 – De posse dos valores de fcj, calcula-se o valor estatístico de fck pela norma NBR 12655. Este valor específico de fck será tratado neste texto de fck,est por tratar-se de uma estimativa (otimista) do fck do concreto das estruturas da obra. A notação fck,est também é a notação adotada pela NBR 12655 (2006) Esclarece-se aqui que existem dois tipos de controle estatístico da resistência do concreto, um feito na produção e outro feito na aceitação do mesmo em obra. “Ambos são necessários para que seja alcançado um bom resultado final, mas suas missões são diferentes.” (HELENE, 1986). Um instrumento utilizado para o controle da produção do concreto é a Carta de valores individuais: Segundo Helene e Terzian (1993) “o controle mais divulgado e aceito em todo o Brasil utiliza cartas de controle que permitem o acompanhamento da uniformidade e da eficiência do concreto”. Para Helene (1986), acompanhar a evolução do desvio-padrão é o aspecto mais importante do controle de qualidade do processo de produção do concreto, pois o custo do m³ de concreto depende diretamente dele. 29 2.2.1 Fcks de interesse Observa-se que são três fcks de maior interesse: 1 - O fck de projeto: é valor de fck que foi utilizado no dimensionamento estrutural, seu valor é definido pelo engenheiro de estruturas; é o mesmo que o fck de dosagem. 2 - O fck,est: é o fck calculado com os corpos de prova normatizados, aos 28 dias, que por norma, deve ser igual ou maior ao fck de projeto; representa uma estimativa otimista do fck da estrutura; e 3 - O fck da estrutura: são os fcks reais do concreto da estrutura; para o cálculo de seu valor para um determinado lote devem ser extraídos vários testemunhos da estrutura, os quais devem ter sua resistência fcj determinada; de posse desses valores de fcj é calculado o fck. É válido frisar que o fck da estrutura determinado através da compressão de testemunhos extraídos da mesma não tem a obrigatoriedade de ser igual ou maior que o fck,est, visto que o concreto da estrutura não ficou sob as mesmas condições de cura e temperatura que os corpos de prova normatizados. Como será visto mais a frente, a resistência do concreto da estrutura é quase sempre inferior à resistência dos corpos de prova normatizados. 2.2.2 Ponderações do valor do fck no cálculo estrutural No máximo 5% do volume total de concreto de um lote pode estar com resistência à compressão abaixo do valor de fck de projeto, isto é para tentar limitar a quantidade de concreto da estrutura com fck abaixo do fck de projeto; quando o controle da resistência do concreto identificar desrespeito a essa exigência, esse concreto é classificado no meio profissional como “não conforme”. Esse volume de concreto de 5% com resistência inferior ao fck de projeto, apesar de estar de acordo com a NBR 12655 (2006), poderia ser problemático no dimensionamento estrutural, pois o mesmo é feito baseando-se em uma resistência igual ou superior à do fck, 30 mas a NBR 6118 (2003), considerando esse fato, adota ponderações do valor de fck, minorando-o. Também na norma outras ponderações são feitas para cobrir outras incertezas e aproximações. Na NBR 12655 (2006), o cálculo do fck de apenas uma betonada, se ela for a única do lote, pode ser calculada pelo critério do “Controle do Concreto por Amostragem Total”, item 6.2.3.2: a) para n ≤20, fck,est = f1 b) para n > 20, fck,est = fi onde n é o número de exemplares; f1 é a menor resistência encontrada e i = 0,05 n. Se essa betonada pertencer a um lote de no máximo a 10m³, o fck pode ser calculado pelo item 6.2.3.3 da NBR 12655 (2006): fck,est = Ψ6 . f1 Já o grupo ABECE (2010), independente de essa betonada ser ou não a única do lote, recomenda a utilização da seguinte fórmula: fck,est = 0,96 . X0 onde X0 é o maior valor de fc de dois CPs moldados com o concreto da betonada. O valor de fck sofre a primeira ponderação através da fórmula seguinte: fcd= fck / yc , onde yc = ym1 . ym2 . ym3. Conforme o item 12.1 da NBR 6118 (2003): γm1 - Parte do coeficiente de ponderação das resistências γc, que considera a variabilidade da resistência dos materiais envolvidos; γm2 - Parte do coeficiente de ponderação das resistências γc, que considera a diferença entre a resistência do material no corpo-de-prova e na estrutura; 31 γm3 - Parte do coeficiente de ponderação das resistências γc, que considera os desvios gerados na construção e as aproximações feitas em projeto do ponto de vista das resistências. Usualmente adota-se yc = 1,4 para as condições normais. Além do coeficiente yc, outra ponderação é feita nas tensões de cálculo, conforme item 17.2.2 da NBR 6118 (2003): σ = 0,8 . fcd (caso de redução da seção comprimida) ou σ = 0,85 . fcd (caso de seção constante ou crescente). 2.2.3 Variações da resistência na própria estrutura Em termos gerais, as variações de resistência “in situ” podem ser explicadas pelas diferenças na compactação e cura ou à não uniformidade do concreto fornecido. As variações do fornecimento são assumidas como sendo fortuitas, mas as variações na compactação e cura seguem padrões definidos de acordo com o tipo de elemento. (NEPOMUCENO, 1999, p.33). A resistência do concreto nas bases dos elementos estruturais tem a tendência de ser maior do que a resistência do concreto nos topos das vigas, lajes e pilares, devido ao fenômeno da exsudação, que modifica a relação água/cimento, alterando, portanto, a resistência. 2.2.3.1 Variações da resistência em um mesmo elemento estrutural Numericamente, a variação da resistência, ao longo da altura do elemento estrutural, pode ser vista na Figura 2. 32 Figura 2 - Representação generalizada da variação da resistência em um mesmo elemento estrutural. Fonte: BUNGEY (1996 apud NEPOMUCENO, 1999) Para os pilares, a variação da resistência ao longo de sua altura pode ser visualizada na Tabela 3. Tabela 3 - Variação da resistência em pilares. Referência KHAYAT Dimensões Resistência Diferenças de Variação de (m) (MPa) Resistência Resistência nos Topo/Base (%) elementos 1,5x0,95x0,2 40-70 2-8 1,8-5,5% 1,4x0,24x0,24 50 1% 2,8% ZHU (2000) 3 m altura 35 e 60 3 -11% 6,3-8,8% HOFFMANN 5x2 45-70 - 7,5-12,9% 1,54x1,1x0,2 56-59 5% - (1997) KHAYAT (1999) (2003) KHAYAT (2003) Fonte: DOMONE (2006 apud HASTENPFLUG, 2007). 33 Considerando ainda os pilares, MUNDAY (1984 apud VIEIRA, 2007) indica que a variação de resistência varia conforma o indicado na Tabela 4. Tabela 4 - Variação da resistência entre topo e base de pilares Altura da peça (mm) % de redução da resistência entre o topo e as camadas inferiores 200 8 400 12 600 16 800 19 1600 21 >1600 23 Fonte: MUNDAY (1984 apud VIEIRA, 2007). Já para vigas, a variação da resistência pode ser representada conforme indica a Figura 3. Figura 3 - Variação da resistência em vigas. Fonte: BUNGEY (1996 apud NEPOMUCENO, 1999). 2.2.4 Determinação do fck da estrutura O fck da estrutura pode ser determinado através de um número satisfatório de testemunhos, cujo local de extração deve considerar a variabilidade da resistência do concreto na estrutura (e os danos por ela sofridos). Os pontos de uma 34 estrutura para se obter a resistência do concreto podem ser definidos conforme as instruções a seguir. 2.2.4.1 Locais genéricos da estrutura para obter a resistência A resistência do concreto dos corpos de prova normatizados, para uma mesma data, geralmente é superior à resistência do concreto da própria estrutura, pois as condições de lançamento, adensamento e cura do concreto da estrutura são diferentes e piores do que as dos corpos de prova em laboratório; em obra existe uma enorme diversidade nos modos de lançamento, adensamento e cura do concreto enquanto que no laboratório todo esse processo é controlado e sempre feito da mesma maneira. Apenas em algumas situações pode ocorrer de a resistência real do concreto na obra se igualar ou superar a obtida dos CPs do controle de recebimento. Isso significa dizer que o fck dos corpos de prova de um lote quase sempre será maior que o fck do concreto correspondente a esse lote na própria estrutura. A avaliação da resistência do concreto da estrutura pode ser feita de modo direto pela extração de testemunhos e compressão dos mesmos ou de modo indireto, pela medição de alguma propriedade do concreto correlacionando-a com a resistência do mesmo, (que é o procedimento dos ensaios não destrutivos). Os locais específicos em um lote de concreto da estrutura para se determinar a resistência podem ser escolhidos de acordo com o ensaio que será feito, e para a extração de testemunhos podem ser definidos de maneira geral da seguinte forma, conforme preconiza a NBR 7680 (2007): a) A formação dos lotes deve obedecer àquela obtida quando da concretagem da estrutura ou em função da importância das peças que compõe a estrutura, por exemplo, considerar todos os pilares de um pavimento como um lote. O lote pode envolver um volume de concreto tão reduzido quanto se queira ou se precise para análise da estrutura ou adequabilidade do concreto. O tamanho máximo do lote de concreto a ser analisado deve atender a: I) volume total de concreto não superior a 100m³; 35 II) área construída em planta não superior a 500m²; III) volume de concreto produzido no máximo dentro de 15 dias; IV) quando edifício, no máximo um andar; V) em grandes estruturas maciças, o lote poderá abranger um volume de até 500m³, desde que a concretagem tenha sido executada em prazo não superior a uma semana. Em colunas, pilares e paredes cortina, passíveis de sofrerem fortemente o fenômeno da exsudação, os testemunhos devem ser extraídos 50cm abaixo da superfície topo de concretagem do elemento estrutural. Sempre que isto não for possível, os resultados podem ser aumentados em até 10%, desde que isso conste no relatório. NBR 7680 (2007). Em linhas gerais, os locais de investigação da resistência do concreto na estrutura podem ser definidos dependendo do objetivo do ensaio, conforme cita Bungey (1996 apud NEPOMUCENO,1999): a) Se o objetivo é estimar a resistência “in situ” para efeitos de dimensionamento de um elemento ou estrutura, os ensaios devem ser realizados nas zonas de altas tensões levando-se em conta a previsão da distribuição da resistência nos elementos estruturais; b) Se o objetivo é determinar o valor característico da resistência “in situ” para verificação da conformidade do material, os ensaios devem ser efetuados em concretos típicos e, por isso, as zonas superiores mais fracas dos elementos devem ser evitadas. O ensaio a cerca de meia altura é recomendável para vigas, pilares e paredes e os ensaios em zonas superficiais das lajes devem ser realizados na sua base a menos que a camada superior seja previamente removida. 2.2.5 Transformação de fckj (ou fcj) para fck28 (ou fc28). Nas situações em que se obtém o fck da estrutura para idade diferente de 28 dias, e o fck desejado é nessa idade, será necessário fazer a devida conversão. O crescimento da resistência do concreto é afetado pelas condições climáticas e condições de carregamento; levar em conta todas essas variáveis para predizer a resistência do concreto é um tanto quanto complexo e impraticável. Não obstante, é possível estimar o crescimento da resistência do concreto através de fórmulas quando se fixam alguns parâmetros. 36 2.2.5.1 Transformação conforme NBR 6118 (2003) As condições climáticas a que o concreto fica submetido podem ser variáveis, que é o que ocorre em obras, ou fixas (controladas), situação que ocorre somente em laboratório. Conhecido o tipo de cimento, é possível estimar o crescimento da resistência para uma cura úmida em uma temperatura entre 20 e 30ºC, conforme indica a NBR 6118 (2003, p.64): fck28 = fckj / B1 B1 = exp (s ( 1 – (28/t)1/2 )) , Onde: t é a idade do concreto e s vale: s = 0,38 para cimento CPIII e CPIV s = 0,25 para cimento CPI e CPII s = 0,20 para cimento CPV-ARI. Da aplicação das fórmulas anteriores, resulta a Tabela 5. Tabela 5 - Relações fcj / fc28 IDADE EM DIAS CIMENTO 3 7 14 28 60 90 120 240 360 10.000 CPIII e CPIV 0,46 0,68 0,85 1 1,13 1,18 1,21 1,28 1,31 1,43 CPI e CPII 0,59 0,78 0,9 1 1,08 1,12 1,14 1,18 1,20 1,27 CPV 0,66 0,82 0,92 1 1,07 1,09 1,11 1,14 1,16 1,21 Fonte: CARVALHO E FIGUEIREDO (2007). 2.2.5.2 Transformação pela lei de Abrams Quando são conhecidos parâmetros de dosagem para os componentes do concreto, a resistência do concreto pode ser estimada pela Lei de Abrams: 37 fcj = A / Ba/c A determinação dos termos “A” e “B” requer vários cálculos e conhecimento dos materiais utilizados, entretanto, a Lei de Abrams parece ser a fórmula de melhor precisão na estimativa da resistência, pois é a que leva em conta a maior quantidade de fatores. O crescimento da resistência do concreto em condições climáticas não controladas depende de muitos fatores, por isso é difícil fazer alguma estimativa. O histórico de temperatura do concreto no decorrer do tempo, (principalmente nas primeiras horas e nos primeiros dias) e a umidade influenciam a velocidade de ganho de resistência, assim como o histórico de carregamento (efeito Rush). Quanto mais precoce for o carregamento, maior será a redução da taxa de crescimento da resistência. 2.2.6 Umidade dos CPs e testemunhos no ensaio de compressão No controle de recebimento do concreto, os CPs devem ser rompidos seguindo a normatização, ou seja, devem ser retirados da água ou da estufa padronizada e serem imediatamente ensaiados. NBR 5739 (2007). Quando os CPs são curados junto à estrutura, conforme item 8.3 da NBR 5738 (2008), os CPs ao chegarem ao laboratório devem permanecer em câmara úmida normatizada até o momento do ensaio. 2.2.7 Considerações sobre o ganho de resistência do concreto A consistência do concreto durante o ganho de resistência pode ser caracterizada em quatro momentos: a) Enrijecimento: período entre a mistura dos componentes e início de pega. Nessa etapa o concreto vai perdendo trabalhabilidade. 38 b) Início de pega: o concreto não tem mais trabalhabilidade e inicia-se a passagem para o estado sólido. c) Fim de pega: concreto solidificado. A agulha de Vicat não o penetra. d) Endurecimento: o concreto começa a ganhar resistência (formação da etringita). O pico de liberação de calor ocorre, na maioria dos cimentos, 4 a 8 hs após a mistura, com a formação da etringita. (METHA E MONTEIRO, 2008). 2.2.7.1 Cura Chama-se de cura os procedimentos que tem o objetivo de manter água disponível para a hidratação do cimento. Ela deve ser iniciada após duas ou três horas após o lançamento nas fôrmas, e deve durar sete dias ou mais. Quanto maior for a relação a/c, por mais tempo deve ser curado o concreto. (METHA E MONTEIRO, 2008). 2.2.7.2 Alta temperatura de cura As preocupações com a alta temperatura ambiente durante a concretagem de estruturas estão relacionadas, principalmente, com a fissuração por retração que ocorre pela evaporação da água de amassamento na superfície do concreto. A superfície perde água e retrai, enquanto o interior do concreto ainda está úmido e não sofre retração. Essa retração diferencial entre o interior e a superfície ocasiona as fissuras, que facilitam a entrada de agentes agressivos no concreto reduzindo sua vida útil. A evaporação da água também prejudica o ganho de resistência, principalmente nos primeiros dias. 39 Garantida a água no concreto, pode-se acelerar o ganho de resistência inicial pelo aumento da temperatura, principalmente durante a pega. O inconveniente disso é que a resistência final será menor. Já a temperatura inicial mais baixa provoca um crescimento mais gradual da resistência, fazendo com que o concreto adquira maior resistência final. Esse fenômeno parece ser resultante da microestrutura da matriz do concreto mais uniforme, conforme estudos de pesquisadores. (METHA E MONTEIRO, 2008, p.64). Temperaturas muito elevadas nas idades iniciais podem não causar ganho de resistência caso a umidade disponível não seja suficiente para a hidratação do cimento. Se a temperatura se elevar ainda mais, chegará um momento em que mesmo com condições ótimas de umidade, a resistência não aumenta, podendo se estabilizar ou até diminuir. O concreto em cura térmica por vapor de água à pressão atmosférica não deve exceder os 70ºC, na cura sem vapor não deve passar dos 40ºC. (METHA E MONTEIRO, 2008). Obteve-se acesso aos dados de um ensaio onde o concreto foi submetido a várias temperaturas. A cura foi feita mantendo-se os corpos de prova imersos em água com temperaturas controladas de 5ºC, 15ºC, 25ºC e 35ºC. Utilizou-se cimento CPV-Ari Cauê Apiaí. Utilizaram-se três traços com relações água/cimento de 0,45 , 0,60 e 0,75. As resistências médias à compressão obtidas são visualizadas na Tabela 6. Tabela 6 - Resistências à compressão aos 28 dias. Temperatura (ºC) Relação a/c 0,45 0,60 0,75 5 45,4 37,5 24,3 15 46,3 39,3 27,4 25 52,8 42,7 25,8 35 49,1 36,1 23,9 Fonte: IKEMATSU E LAGUNA (2010). Na Tabela 6 é possível constatar que para as relações a/c de 0,45 e 0,60 a melhor temperatura de cura foi de 25ºC, e aos 35ºC houve um menor ganho de resistência do que aos 25ºC. 40 2.3 Ensaios Não Destrutivos na avaliação da resistência A estimativa da resistência do concreto de uma estrutura pode ser feita na obtenção direta do valor da resistência através do ensaio de compressão de testemunhos extraídos da estrutura. A resistência também pode ser estimada através da medida de alguma propriedade do concreto, (por exemplo, a dureza superficial), correlacionando-a com a resistência correspondente. A extração e compressão de testemunhos é, sem dúvidas, o modo mais preciso na obtenção da resistência do concreto. Há, no entanto, situações onde não se pode realizar esse ensaio: • Em locais com grande concentração de armaduras; • Em elementos estruturais de dimensões insuficientes para realizar o ensaio; • Em concretos de baixa resistência ou fissurados – os testemunhos podem sair com trincas. A extração de testemunhos também tem aplicação limitada em peças pré- moldadas, onde a cavidade deixada pelo ensaio pode inviabilizar a utilização da mesma. Dentre os métodos indiretos, destacam-se os Ensaios Não Destrutivos (END), os quais medem alguma propriedade do concreto “in situ” provocando pequeno ou nenhum dano a ele. Cada método possui suas peculiaridades, como a aparelhagem necessária, o tempo de sua execução, o tratamento estatístico dos dados, a precisão dos resultados, o dano causado ao elemento ensaiado, e os custos envolvidos. As dificuldades maiores dos ENDs estão na eliminação dos fatores que causam variação ou distorção nas grandezas medidas e no traçado da melhor curva de correlação da resistência com a propriedade medida. Cada ensaio tem sensibilidade variável a certas condições, por exemplo, o Ensaio Esclerométrico é significantemente afetado por uma superfície do concreto muito carbonatada, enquanto que o Ensaio de Ultra-som é pouco influenciado por esse fator; já a presença de microfissuras pode influenciar no Ensaio de Ultra-som e praticamente não serem detectadas pelo esclerômetro. Por essas diferenças de sensibilidade é que alguns autores recomendam que se aplique em um mesmo elemento dois ENDs distintos, por exemplo, Ultra-som e Esclerometria, e que a resistência final estimada 41 seja obtida por uma função de duas variáveis. As duas variáveis são as duas propriedades medidas pelos dois ENDs. A seguir uma breve revisão sobre os principais Ensaios Não Destrutivos voltados para avaliar a resistência à compressão do concreto. 2.3.1 Ultrasom O ensaio de ultrasonografia consiste na medição do tempo de percurso de um pulso ultra-sônico percorrer uma determinada distancia no interior do concreto. Dividindo-se o comprimento de concreto ensaiado pelo tempo para percorrê-lo (medido no próprio aparelho) acha-se a velocidade. As curvas são traçadas plotando o crescimento da velocidade do ultra-som com a idade. Para realizar o ensaio utiliza-se um aparelho (Figura 4) com dois transdutores, colocados, preferencialmente um de frente para o outro (transmissão direta), a freqüência do pulso é de 54KHz (no aparelho mais difundido). Sua execução requer habilidade por parte do operador, pois é um ensaio bastante sensível. Figura 4 - Aparelho de ultra-som. Fonte: MACHADO (2005). 42 2.3.2 Penetração de pinos O Ensaio de Penetração de Pinos, também conhecido por “Windsor Probe Test”, visa estimar a qualidade e a resistência à compressão do concreto pela medida da profundidade de penetração de pinos disparados por uma pistola especial (Figura 5) contra uma superfície de concreto. O princípio que rege o ensaio é que quanto maior a profundidade de penetração do pino, menor é a qualidade e resistência do concreto. Alguns autores consideram este ensaio como semidestrutivo, pois apesar de ele não produzir dano estrutural, produz dano superficial no elemento ensaiado. Figura 5 - Sonda Windsor Fonte: JAMES (2010). 2.3.3 Pull-off O Pull-off (ou Ensaio de tração direta) se baseia na estimativa da resistência do concreto pela medida da força de arrancamento de um disco metálico colado na superfície do elemento de concreto, conforme pode ser visto na Figura 6. 43 Figura 6 - Ensaio de tração direta. Fonte: NEPOMUCENO (1999). 2.3.4 Pull-out O Pullout (ou Ensaio de Arrancamento) permite estimar a resistência do concreto através do arrancamento de um disco metálico no interior da peça a ser ensaiada, correlacionando a força necessária ao arrancamento à resistência. O disco pode ser instalado na peça antes da concretagem, procedimento este chamado de “lok-test”, mas também pode ser inserido após a concretagem utilizando o sistema “capo-test”. O Ensaio de Arrancamento propriamente dito se dá da mesma maneira para os sistemas “lok-test” e “capo-test”, diferindo apenas no procedimento de inserção do disco metálico. A sistemática do ensaio pode ser vista na Figura 7. Após a instalação do disco metálico, o ensaio resume-se à instalação e utilização do equipamento de tração que irá arrancar esse disco juntamente com uma pequena porção de concreto. Vai-se aplicando uma força gradativamente maior no equipamento até a ruptura, fazendo-se a leitura do visor da força aplicada (Figura 8). 44 Figura 7- Estrutura do Ensaio de Arrancamento. Fonte: NEPOMUCENO (1999). Figura 8 - Execução do Ensaio Pull-out. Fonte: NEPOMUCENO (1999). Assim como os ensaios de penetração de pinos e de tração direta, o Ensaio de Arrancamento produz apenas danos superficiais no concreto (Figura 9), praticamente não reduzindo a capacidade resistente do elemento estrutural ensaiado. 45 Figura 9 - Elemento ensaiado com Pull-out. Fonte: NEPOMUCENO (1999). 2.3.5 Maturidade A avaliação da resistência do concreto pelo Método da Maturidade se baseia no fato de que a resistência do concreto será tanto maior quanto maior for o produto “temperatura X tempo”. Para isso é necessário monitorar a temperatura interna do concreto e utilizar funções matemáticas que fornecerão uma estimativa da resistência. 2.3.6 Esclerometria Esclerometria é o Ensaio Não Destrutivo para avaliação da dureza superficial do concreto. Neste ensaio utiliza-se um aparelho denominado esclerômetro de reflexão (ou Martelo de Schmidt) Com este aparelho obtém-se um 46 valor da dureza do concreto, chamado Índice Esclerométrico.. O uso do esclerômetro de reflexão tem seu uso normatizado no Brasil pela NBR 7584 (1995). Alguns modelos de esclerômetro encontrados comercialmente podem ser vistos nas Figuras 10, 11 e 12. Figura 10 - Aparelho com visor digital incorporado. Fonte: PROCEQ (2010) Figura 11 - Modelo digital mais sofisticado. Fonte: PROCEQ (2010) Figura 12 - Modelo com registro em papel do IE. Fonte: GOOGLE (2010) 47 A utilização do Esclerômetro é simples: posiciona-se o esclerômetro perpendicularmente à superfície a ser ensaiada, encostando-o e o pressionando-o. Através de um mecanismo interno de mola, uma massa metálica de características conhecidas é arremessada contra a haste metálica, e esta se impacta no concreto. Ocorre um repique dessa massa tanto maior quanto mais duro (ou mais resistente) for o concreto. Faz-se a leitura desse repique (Figura 13), que através de uma curva de correlação conveniente, encontra-se a resistência estimada do concreto naquela região. Figura 13 - Mostrador analógico do IE de um esclerômetro. As vantagens desse método é que ele não provoca danos estruturais, é rápido de ser executado (caso as superfícies já tenham sido preparadas) e sua operação é simples. Como principal desvantagem do ensaio é que ele avalia somente a superfície do concreto, a qual deve ser representativa de concreto em exame. Como este TCC tem por base o Ensaio Esclerométrico, maiores detalhes sobre o ensaio serão tratados em um sub-capítulo a parte. 48 2.4 O Ensaio Esclerométrico e a resistência do concreto De maneira geral, os fatores que influenciam a resistência do concreto são, conforme Metha e Monteiro (2008): • Propriedades dos componentes; • Proporções dos componentes e • Condições de cura e idade. Entende-se por propriedades dos componentes o tipo de cimento, granulometria dos agregados graúdo e miúdo, tipo de agregado graúdo e miúdo. Proporções dos componentes seria o traço do concreto. Condições de cura é a disponibilidade de água para o concreto, que pode levar em conta a umidade relativa do ar. A seguir se detalha os fatores que exercem maior influência na resistência do concreto e no Índice Esclerométrico (IE). a) Traço do concreto Ao proporcionamento dos materiais constituintes do concreto dá-se o nome de “traço”. Academicamente ele é sempre referido em massa, mas nas obras correntes, na maioria das vezes, é expresso em volume. Ele é representado na forma 1 : x : y : a/c, onde 1 corresponde à massa de cimento, x à massa de agregado miúdo, y à de agregado graúdo e a/c é a relação água/cimento. Desses quatro termos, o que define com maior intensidade a resistência que o concreto irá adquirir, é a relação água/cimento. b) Relação a/c A relação a/c é, sem dúvida, o fator mais importante na variação do traço do concreto, porque afeta a porosidade da matriz da argamassa e da zona de transição entre a matriz e o agregado graúdo (METHA E MONTEIRO, 2008, p.52). Um aumento na porosidade reduz a resistência do concreto e o IE. c) Adensamento O adensamento insuficiente pode provocar o não preenchimento completo das fôrmas, formando vazios no concreto, o que reduz a capacidade 49 resistente do elemento estrutural. O Ensaio Esclerométrico visa avaliar a resistência do concreto e não do elemento estrutural, no entanto caso o vazio deixado pelo adensamento inadequado esteja próximo do local de ensaio, o IE pode ser reduzido, prejudicando o resultado. A exsudação pode ocorrer de maneira mais intensa em elementos de maior altura, onde a parte mais alta tem um aumento na relação a/c, enquanto a parte mais baixa do elemento tem uma redução. Esse fenômeno pode se pronunciar com um adensamento exagerado, por um traço inadequado ou ainda por características inadequadas dos materiais empregados. A variação da relação a/c implica na variação da resistência, o que acarreta variação no IE. A segregação do agregado graúdo pode ocasionar variação no IE e na resistência. Para uma mesma argamassa/pasta, o aumento do consumo de agregado graúdo por m³ tende a aumentar o IE, entretanto, sua influência na resistência é mais complexa de predizer devido a outros fatores intervenientes. d) Ar incorporado O ar pode estar incorporado no concreto de maneira localizada e involuntária, pelo adensamento inadequado, como visto no item anterior, ou de maneira intencional e com uma distribuição relativamente uniforme, com o uso de aditivos incorporadores de ar. A incorporação de ar aumenta a porosidade da matriz cimentícia, reduzindo, portanto, a resistência. Essa redução é mais sentida em concretos com baixa relação a/c. Nas teses de doutorado e mestrado consultadas não foram encontradas informações a respeito da influência do ar incorporado no IE. e) Tipo de fôrma A permeabilidade da fôrma pode reduzir a relação a/c na superfície aumentando o IE. Meireles e Geyer (2003), utilizando fôrmas drenantes com o uso de têxteis encontrou um aumento de 100% na resistência superficial – ao que parece, Meireles utilizou a curva de correlação do esclerômetro na determinação da resistência superficial. Dessa forma percebe-se que o IE na superfície pode variar dependendo do material da fôrma, alterando a determinação da resistência do concreto. Outro item importante das fôrmas é sua umidade, supõe-se que ela pode colaborar no processo de cura da camada mais externa do concreto, no entanto, não 50 foi encontrado na literatura consultada, sua influência no IE. O tempo de descimbramento também pode influenciar nas características da superfície do concreto. f) Cura e histórico de temperatura A cura bem realizada otimiza o crescimento da resistência, assim o IE também aumenta. A temperatura mais elevada no concreto jovem acelera as reações químicas fazendo o concreto ganhar resistência mais rapidamente, aumentando o IE. Deve-se atentar ao fato de que o aumento da resistência do concreto nem sempre se dá na mesma proporção do aumento do IE, e vice-versa. g) Carbonatação A norma brasileira do Ensaio Esclerométrico NBR 7584 (1995) considera que as curvas de correlação são válidas para concretos de idade entre 14 e 60 dias, pela consideração da idade e da carbonatação As normas NM 78 (1996) e BS 1881:Part 202 (1986) consideram que até 90 dias de idade não é necessário levar em conta a carbonatação do concreto no Ensaio Esclerométrico. Quanto maior é a espessura carbonatada, maior será sua influência no IE. h) Umidade do concreto Um elemento estrutural úmido tem sua resistência e o IE reduzidos. Se essa umidade for apenas superficial, a resistência praticamente não sofre efeito, enquanto que o IE continua reduzido. A norma brasileira do Ensaio Esclerométrico recomenda que a superfície esteja seca para padronizar o ensaio. i) Rigidez da peça ensaiada A vibração da peça ensaiada no impacto do esclerômetro reduz o IE e diminui a precisão da correlação do IE com a resistência. Essa vibração pode ser ocasionada pela baixa inércia da peça ou por sua fixação inadequada ou inexistente. f) Agregados graúdos O impacto diretamente no agregado graúdo acarreta elevado IE, já que para concretos de resistência baixa e normal o agregado graúdo tem maior resistência (e rigidez) que o próprio concreto. 51 Variações do agregado graúdo na sua resistência, dimensão máxima, forma, textura superficial, granulometria e mineralogia podem afetar a resistência do concreto. Geralmente as alterações nas características dos agregados graúdos ocasionam alteração na relação a/c, e a variação da resistência e do IE ficam condicionados a essas duas alterações. (METHA E MONTEIRO, 2008).A densidade do agregado graúdo pode inferir de maneira significante no IE, e deve ser considerada na obtenção de curvas de correlação entre resistência e IE. g) Temperatura do concreto O concreto quando em temperatura igual ou inferior a 0ºC pode inferiir em um IE mais elevado pela solidificação da água presente no concreto. h) Presença de armaduras O IE pode ser influenciado pela presença de barras de aço no interior do concreto nas proximidades do impacto do esclerômetro. Quanto menor a resistência do concreto, menor a espessura de cobrimento e maior o diâmetro da barra, maior será o aumento no IE. 2.4.1 Recomendações para o Ensaio Esclerométrico Para se obter bons resultados no Ensaio Esclerométrico se faz necessário seguir algumas recomendações como se segue. a) fôrmas A norma brasileira do Ensaio Esclerométrico NBR 7584 (1995) em seu item 4.1.2 recomenda que se utilize nos moldes dos CPs o mesmo tipo de material utilizado na estrutura a ser ensaiada: MALHOTRA (1991 apud NEPOMUCENO,1999, p. 80), afirma que o IE de concretos moldados em fôrmas metálicas é entre 5% e 35% maior do que em moldes de madeira. Já em MACHADO (2005), cita-se que as fôrmas de madeira compensada absorvem a umidade do concreto, provocando maiores IE. Essa 52 divergência de opiniões é alvo de estudo neste TCC e foi verificada experimentalmente no item 3.3. b) tamanho e geometria dos CPs A norma brasileira recomenda que as peças a serem ensaiadas devam ter no mínimo 10cm na direção do impacto, e caso isso não seja possível, um apoio deve ser colocado na superfície oposta ao impacto para dar maior rigidez à peça e evitar a dissipação da energia por vibração. A norma também dá preferência por superfícies planas do concreto, o que denota o uso de fôrmas também planas. Nas teses e artigos consultados, observouse a preferência pela execução do Ensaio Esclerométrico nos corpos de prova cilíndricos, os quais eram posteriormente ensaiados à compressão. Desta maneira, obtém-se uma relação direta entre resistência e IE. De modo a obter uma visão global dos tamanhos e geometrias dos CPs utilizados nas publicações nacionais acerca do Ensaio Esclerométrico, cita-se o que segue: - Artigo do 50º IBRACON, “Estudo comparativo entre os ensaios de esclerometria e ultra-som no concreto”, de autoria de Darciley Araújo: utilizou CPs ø10x20 em pé, no chão, e aplicou os impactos no topo; - Artigo do 50º IBRACON, “Avaliação de desempenho do ensaio de esclerometria na determinação da resistência do concreto endurecido”, de autoria de Célcio José Escobar: usou CPs cúbicos de 20, 30 e 40cm de aresta, simplesmente soltos no chão. - Artigo do 49º IBRACON, “Utilização de Ensaios Não destrutivos para liberação de protensão em peças de concreto pré-fabricado”, de autoria de Thiago Spilere Pieri: usou CPs ø10x20 na prensa. A carga na prensa não foi divulgada. - Artigo do 49º IBRACON, “Ensaios Não destrutivos para avaliação da qualidade do concreto nas primeiras idades”, autoria de Sandro Eduardo da Silveira Mendes: usou CPs ø15x30cm na prensa, carga não divulgada. - Artigo do 45º IBRACON, “Aplicação de técnicas não-destrutivas para avaliação da resistência à compressão do concreto”, autor Roberto Caldas de Andrade Pinto: foram utilizados CPs prismáticos 15x20x60cm e lajes de grandes dimensões, provavelmente ambos ficaram simplesmente apoiados no chão. - Artigo “Observação de estruturas de betão de elevados desempenhos através de ensaios in situ não-destrutivos”, autoria de E.N.B.S. Júlio, da 53 Universidade de Coimbra, Portugal: usou CPs prismáticos 15x15x60cm e CPs cúbicos de aresta 15cm. - MACHADO (2005): foram usados CPs ø15x30 na prensa a 15% da carga estimada de ruptura. - EVANGELISTA (2002): usou CPs ø15x30 na prensa, carga não divulgada. - CÂMARA (2006): foram usados CPs ø10x20 na prensa a 1MPa. - NEPOMUCENO (1999): usou laje de grandes dimensões apoiada no chão. A execução do Ensaio Esclerométrico em CPs de dimensões tais que possibilitem sua colocação na prensa, é vantajosa no sentido de que fixa o CP causando-lhe certa restrição á vibração, e reproduz as tensões a que o concreto em obra está submetido, além de proporcionar uma posição ergonômica ao operador do esclerômetro. c) Tipo de esclerômetro O tipo de esclerômetro indicado para casos normais, de edifícios e postes, conforme a norma brasileira do Ensaio Esclerométrico, é o de energia de percussão de 2,25 N.m, que comercialmente equivaleria ao esclerômetro tipo N (Figura 14). Figura 14 - Esclerômetro de Schmidt tipo N. d) Superfície de ensaio As superfícies de ensaios devem ser secas ao ar, limpas e preferencialmente planas. O tipo de fôrma indicada é a não-absorvente. Devem-se 54 evitar superfícies horizontais, úmidas, carbonatadas, irregulares, ásperas, curvas ou talhadas. A norma recomenda que a superfície seja polida com prisma ou disco de carborundum. Também se deve evitar o impacto diretamente nos agregados, dando preferência ao impacto na matriz de concreto. Não é permitido o impacto em um ponto já ensaiado, caso isso ocorra, o segundo valor deve ser descartado. NBR7584 (1995). e) Área de ensaio As áreas de ensaio devem estar afastadas das regiões afetadas por segregação, exsudação, concentração excessiva de armadura, juntas de concretagem, cantos, arestas, etc. Dessa maneira, é conveniente evitar bases e topos de pilares, regiões inferiores de vigas, quando no meio do vão, e regiões próximas dos apoios. NBR7584 (1995). Os impactos do esclerômetro devem distar de, no mínimo, 3cm um do outro e 5cm de arestas e cantos. Deve-se delimitar a área de ensaio entre 80cm² e 400cm², para executar de 9 a 16 impactos (Figura 15 e Figura 16). A essa área corresponderá um único valor de IE, que por sua vez, corresponderá a um único valor de fcj. Figura 15 - Área de ensaio de 9cm X 9cm, para 9 impactos, sugerida pela NBR 7584 (1995). Fonte: NBR 7584 (1995) 55 Figura 16 - Área de ensaio de 20cm X 20cm, para 16 impactos, sugerida pela NBR 7584 (1995). Fonte: NBR 7584 (1995) f) Posição do esclerômetro O aparelho deve ser aplicado preferencialmente na posição horizontal, ou seja, em superfícies verticais. Sendo necessário aplicar em outras posições, o IE deve ser corrigido com os coeficientes fornecidos pelo fabricante do esclerômetro. Esses coeficientes levam em consideração a ação da gravidade e são específicos para cada tipo de esclerômetro. NBR7584 (1995). g) Tratamento dos resultados Para a determinação do IE para uma área, deve-se proceder o cálculo da média aritmética dos IE individuais dessa área, achando IEm. Deve-se desprezar os IE que estejam afastados (para mais ou para menos) em mais de 10% da média do IEm e calcular novo IEm. O IE final deve ser obtido com, no mínimo, 5 valores válidos. Caso isso não seja possível, o ensaio nessa área deve ser descartado. 2.4.2 Curva de correlação As curvas de correlação correlacionam graficamente o IE (Índice Esclerométrico) com a respectiva resistência. Um exemplo de curva de correlação pode ser visto na Figura 17. 56 Figura 17 - Exemplo de curva de correlação para o Ensaio Esclerométrico. Fonte: MACHADO (2005). A curva de correlação é obtida com concretos de traço conhecido, mantido em condições ambientais conhecidas. Aplica-se o Ensaio Esclerométrico no concreto desconhecido, obtendo o IE, que na curva de correlação irá indicar a resistência à compressão estimada do mesmo. A curva de correlação deve considerar os fatores desconhecidos do concreto a ser ensaiado, que podem influenciar na resistência e no IE, (uma lista com vários fatores foi vista no item 2.4). Por exemplo, ao ensaiar vários pilares de uma obra de concreto usinado, concretados com betonadas diferentes, em dias diferentes, pode-se ter como principais fatores desconhecidos: - Idade; - Histórico de temperatura; - Cura; - Variação do traço e das propriedades dos materiais. Os fatores que a norma NM 78 leva em conta são somente a idade e variação da relação a/c, ou seja, sua aplicação não é voltada para os concretos de obras. Para a plotagem da curva de correlação é necessário dispor de curvas do crescimento da resistência do concreto e do crescimento do IE com a idade. As normas internacionais dão diferentes instruções para o traçado delas. Como não foi 57 possível obter acesso a elas, cita-se a seguir o que foi encontrado traduzido em teses de mestrado e doutorado. • RILEM NDT 3: indica que deve ser variado o nível de resistência dos CPs. • NBR 7584 (1995): A norma brasileira não detalha como devem ser obtidas as curvas de correlação. • BS 1881 Part 202 (1986): ou variar a idade ou variar as proporções dos componentes. • NM 78: variar a relação a/c de 0,4 a 0,7, em intervalos de 0,05 e variar a idade (Figura 18). As teses nacionais consultadas utilizam essa norma como referência para os ensaios. • ACI 228.1R (2003): variar a idade. (MACHADO,2005; EVANGELISTA,2002). Conforme a norma BS1881:Part 202 (1986 apud MACHADO,2005) a idade na curva de correlação pode ser desprezada em concretos com idade entre 3 e 90 dias. A mesma norma recomenda a utilização de curvas para cada tipo de cura, ou seja, o concreto de resistência desconhecida deve ter sido mantido nas mesmas condições de temperatura e cura que o concreto utilizado na curva de correlação. Figura 18 - Variação da resistência na idade para 5 tipos de traços. Fonte: MACHADO (2005). 58 3 METODOLOGIA DA PESQUISA A pesquisa deste trabalho foi dividida em três etapas, de modo a contemplar alguns aspectos do Ensaio Esclerométrico que ainda não foram devidamente esclarecidos na literatura técnica nacional. - PRIMEIRA ETAPA - Influência da fôrma no IE: Foi avaliado se o material da fôrma de moldagem do concreto provoca influência na dureza superficial aferida pelo esclerômetro, e se essa influência existir, quantificá-la. Foram utilizados quatro tipos de materiais para os moldes. - SEGUNDA ETAPA - Proposta de uma nova metodologia para o Ensaio Esclerométrico: Nesta etapa propõe-se uma metodologia para obtenção da curva de correlação entre resistência à compressão e IE para concreto de obras. - TERCEIRA ETAPA - Influência da armadura no IE: Avaliou-se a influência da armadura no interior do concreto no IE, em laboratório e em obra. 3.1 Procedimentos genéricos dos ensaios Os procedimentos genéricos dos ensaios são aqueles que foram realizados em todas as etapas deste trabalho, tais como a coleta de concreto em obra, os ensaios de compressão dos CPs cilíndricos ø10x20 e os ensaios de Esclerometria nos CPs prismáticos. Os mesmos se encontram descritos em detalhes nesta seção. Para realizar o ensaio de compressão foi seguida a NBR 5738 (2008). Utilizaram-se moldes metálicos cilíndricos de base circular de diâmetro 10cm e de altura 20cm (ø10x20cm). Antes do lançamento do concreto nos moldes, os mesmos foram limpos e untados com óleo mineral na base e nas laterais com o auxilio de um pincel (Figura 20). O concreto saía do caminhão betoneira e era colhido com uma pá, sendo lançado em um carrinho de mão (Figura 19), o qual era levado ao local de moldagem dos CPs. Com uma concha metálica o concreto era retirado do carrinho de mão e distribuído de maneira uniforme no interior do molde. Cada molde foi preenchido em três camadas, cada qual, adensada manualmente com 12 golpes 59 com a haste cilíndrica padronizada, – que tem superfície lisa de 60cm de comprimento e diâmetro de 16mm com ponta semi-esférica de diâmetro igual ao da haste. Os tipos de adensamento permitidos por norma é o mecânico (por vibração) e o manual. Como o slump do concreto em todas as coletas foi 10cm, a norma permitia a utilização de qualquer um dois tipos de adensamento. Figura 19 - Coleta de concreto em obra com carrinho de mão. Figura 20 - Molde cilíndrico sendo untado com óleo mineral. Os corpos de prova foram acondicionados em locais, na medida do possível, fora do perímetro de serviço dos funcionários das obras. Praticamente 60 todos os corpos de prova cilíndricos foram transportados em seus moldes originais para o laboratório de ensaios IPAT (Figura 21), caso isso não acontecesse, os mesmos eram acondicionados de maneira que não sofressem avarias mecânicas. Os corpos de prova sempre foram retirados do canteiro de obras após 24hs da moldagem. Figura 21 - Transporte dos CPs em seus moldes para evitar impactos. Para os Ensaios de Esclerometria, optou-se por utilizar CPs prismáticos 15x15x30cm, pelos seguintes motivos: a) Possui faces planas, que é uma recomendação da norma brasileira do Ensaio Esclerométrico. Como são de faces planas, sua fabricação fica facilitada, podendo-se usar a madeira como molde. b) Maior inércia: os CPs utilizados são mais pesados que os cilíndricos padronizados ø15x30cm em 27% e mais pesados que os ø10x20cm em 330%, o que reduz a vibração do impacto do esclerômetro. c) Têm aproximadamente 16kgf, o que ainda permite seu manuseio por apenas uma pessoa; d) Suas dimensões permitiram que fossem fixados na prensa do laboratório da UNESC. O adensamento dos CPs prismáticos foi adaptado dos corpos de prova cilíndricos ø15x30cm, ou seja, foram adensados em três camadas, cada qual com 25 golpes com a haste padronizada. O ensaio de compressão seguiu a NBR 5739 (2007), sendo realizado em uma prensa do IPAT/UNESC (Figura 24). O topo dos CPs, quando possível, foram 61 lixados manualmente, utilizando uma lixa de óxido de alumínio (Figura 22), obtendo uma melhoria na regularização (Figura 23). Foram usados discos de neoprene no topo e na base dos CPs para distribuir de maneira mais uniforme as tensões dos pratos da prensa. Figura 22 - Lixa usada para regularização dos topos dos CPs cilíndricos. Figura 23 - Aspecto do topo de um CP após regularização com lixamento manual. 62 Figura 24 - CP ø10x20 sendo ensaiado à compressão. Os CPs prismáticos 15x15x30 antes do Ensaio Esclerométrico foram polidos com politriz. O resultado do polimento pode ser visto na Figura 25 e Figura 26. Figura 25 - Estado antes do polimento 63 Figura 26 - Após polimento. Os círculos em preto e vermelho servem de referência para comparação. Os prismáticos tiveram seus topos cortados em serra de corte diamantada (Figura 27) para permitir melhor acoplamento com os pratos da prensa durante o Ensaio Esclerométrico (Figura 29). Figura 27 - Corte em serra diamantada de CP prismático. Após o corte do topo do CP prismático, os agregados graúdos ficaram à mostra, vide Figura 28. 64 Figura 28 - topo do CP prismático após retifica em serra. Figura 29 - Acoplamento do prato da prensa com o CP retificado: melhor fixação do CP. 3.2 Execução dos ensaios Como o adensamento dos CPs prismáticos foi controlado e não se observou evidência clara de exsudação, utilizou-se toda a face lateral do CP para o Ensaio Esclerométrico, apesar de ela ter uma área de 450cm², 50cm² a mais que o recomendado pela norma. Estudou-se a melhor distribuição dos pontos a sofrerem o impacto do esclerômetro, de modo que houvesse alguma folga entre eles para que, durante o ensaio, houvesse a possibilidade de desviar das pequenas cavidades 65 existentes nas faces dos CPs. A primeira distribuição de pontos sugerida é vista na Figura 30. Figura 30 - 11 pontos para ensaio. Outra disposição dos pontos foi arranjada, conseguindo 12 pontos para os impactos, conforme a Figura 31. Decidiu-se adotar uma distancia de 6cm da base e do topo para reduzir possível influência da prensa na rigidez do concreto. Usou-se o espaçamento entre as duas linhas de pontos de 5cm, 2cm a mais que o recomendado pela norma, para servir como folga de desvio dos pequenos defeitos das faces. A Figura 32 representa a distribuição de pontos finalmente adotada, e sua aplicação é vista na Figura 33. Figura 31 - 12 pontos para o ensaio. 66 Figura 32 - 14 pontos de ensaio. Em cada idade de ensaio em uma face dos CPs prismáticos foi realizado o Ensaio Esclerométrico. Os CPs foram colocados na prensa com uma carga aproximada de 110KN (Figura 34), o que corresponde a uma tensão aproximada de 5MPa. A NM78 recomenda que a prensa fique a 15% da tensão de ruptura estimada do concreto, esta foi aferida e obteve-se aos 14 dias 28MPa, que para 15% corresponde a 4,2MPa, muito próximo da tensão adotada de 5MPa. Figura 33 - CP na prensa com as 14 marcações. 67 Figura 34 - Ensaio Esclerométrico sendo executado. 3.3 Primeira Etapa - Influência da fôrma no IE Nesta etapa foi avaliada a influência do material das fôrmas no IE, ou seja, se o IE pode sofrer variação dependendo do material usado na sua moldagem. Foram feitos ensaios em três idades, 14, 21 e 28 dias. Formaram-se dois grupos de fôrmas, cada qual composto de 4 moldes (madeira compensada, madeira saturada, madeira seca e fôrma impermeável), um de cada tipo (Figura 35). Cada grupo de fôrma ficou submetido a uma temperatura diferente nos primeiros sete dias de idade, após isso, ficaram sob a mesma temperatura. O objetivo de se utilizar duas temperaturas de cura é avaliar se o material do molde provoca alterações no IE nas mesmas proporções para diferentes temperaturas. 68 Figura 35 - Material para coleta do concreto e moldagem dos CPs na primeira etapa. Todos os CPs tiveram seus topos protegidos por sacos plásticos nas primeiras 24hs no canteiro de obras (Figura 36); após isso, os corpos de prova cilíndricos foram desmoldados, mas os prismáticos mantiveram-se em suas fôrmas. A temperatura ambiente máxima nas primeiras 24hs foi em torno de 24ºC, com umidade relativa do ar de 70%. Figura 36 - Material em canteiro de obras após a coleta de concreto. 69 Quatro CPs (e seus moldes), após 24hs da sua moldagem, foram colocados em uma estufa improvisada, onde a temperatura do concreto dentro do molde na região mais próxima das lâmpadas (Figura 37) era aproximadamente 30ºC, e a cada 12hs os moldes foram virados 90º para aquecer as outras faces. O objetivo foi simular condições de altas temperaturas típicas do verão. Figura 37 - Parte superior da estufa aquecida com lâmpadas incandescentes. Os outros quatro CPs foram sempre mantidos à temperatura ambiente juntamente com seis CPs ø10x20 (Figura 38), os quais foram ensaiados à compressão nas três idades de ensaio. Figura 38 - Quatro CPs de cura seca mantido em temperatura ambiente média de 21ºC. 70 Todos CPs prismáticos ficaram em seus moldes por 4 dias (96hs). Após a desmoldagem, aqueles que estavam na estufa voltaram para ela e ficaram lá por mais 3 dias, para completar os 7 dias. Do oitavo dia em diante os oito CPs prismáticos e seis cilíndricos ficaram armazenados no mesmo local, à temperatura ambiente, enquanto outros seis CPs cilíndricos ficavam em cura submersa em água. No Quadro 2 é mostrada a ordem cronológica dos procedimentos de ensaio da Primeira Etapa deste TCC. DIA Procedimentos realizados Coleta de concreto.e moldagem dos CPs cilíndricos e prismáticos. 1 Retirados da obra todos os CP. Os cilíndricos foram desmoldados e mantidos em local coberto juntamente com outros quatro prismáticos (D4S), e quatro prismáticos foram colocados na estufa (D4E). 2 Seis CPs cilíndricos foram colocados imersos em água (D4U) 3 Desformados todos os prismáticos. Aqueles que estavam na estufa continuaram nela. 7 Retirados da estufa os quatro prismáticos. Agora os oito prismáticos e 6 cilíndricos permanecem nas mesmas condições climáticas. 12 Colocados na água 2 CPs cilíndricos (D4S) 14 Rompidos dois CPs cilíndricos D4S e dois D4U. Realizado o Ensaio Esclerométrico nos oito prismáticos. 19 Colocados na água 2 CPs cilíndricos (D4S) 21 Rompidos dois CPs cilíndricos D4S e dois D4U. Realizado o Ensaio Esclerométrico nos oito prismáticos. 26 Colocados na água 2 CPs cilíndricos (D4S) 28 Rompidos dois CPs cilíndricos D4S e dois D4U. Realizado o Ensaio Esclerométrico nos oito prismáticos. Quadro 2 - Cronologia dos procedimentos realizados. 71 3.3.1 Identificação dos CPs prismáticos Para identificar os CPs foi criada uma nomenclatura própria. Todos os CPs foram identificados com nomes iniciados sempre com o prefixo D4, que significa a quarta coleta de concreto em obra deste TCC. Os prefixos são seguidos com a letra que representa o tipo de cura nos primeiros 7 dias, S ou E: • D4S: cura seca à temperatura ambiente. • D4E: cura em estufa nos primeiros sete dias. Na verdade, as duas curas são secas, pois não houve fornecimento de água em nenhum momento para o concreto. Os sufixos representam o tipo de material da fôrma: • MS: madeira seca • UM: madeira úmida • IM: fôrma impermeabilizada • CO: madeira compensada Unindo os prefixos com os sufixos, tem-se a identificação completa dos 8 CPs prismáticos usados nesta etapa do Programa Experimental: • D4S-MS: cura seca, molde de madeira seca. • D4S-UM: cura seca, molde de madeira úmida (ou saturada). • D4S-IM: cura seca e molde impermeável • D4S-CO: cura seca, madeira compensada. Para o prefixo D4E, segue o mesmo princípio. 3.3.2 Tipos de fôrmas utilizadas Foram usados 4 tipos de fôrmas, para cada tipo foram confeccionados 2 moldes, cada exemplar de cada molde ficou em uma condição diferente de temperatura. As fôrmas tinham dimensões internas de 15x15x30cm. 72 • Madeira pinus saturada: dois moldes de madeira pinus foram submersos em água por 14 dias, vide Figura 39 e Figura 40. Figura 39 - Um molde de madeira pinus sendo saturado. Figura 40 - Moldes de madeira saturada usados no ensaio. • Madeira pinus seca: foram usados dois moldes de madeira pinus seca (Figura 41), sofrendo molhagem minutos antes de sua concretagem, conforme se faz em obra. 73 Figura 41 - Moldes de madeira pinus seca. • Compensado: dois moldes de madeira compensada, ou “madeirit” secos (Figura 42). Na Figura 43 pode ser visto em detalhe a composição do material. Figura 42 - Dois moldes de madeira compensada secos. 74 Figura 43 - Detalhe do material da madeira compensada. • Impermeável: dois moldes de madeira impermeabilizados com lona plástica, para evitar perda ou ganho de água do concreto enquanto no molde. Simula muito bem a estanqueidade da fôrma metálica. (Figura 44 e Figura 45) Figura 44 - Moldes impermeáveis. 75 Figura 45 - Interior do molde: estanqueidade conseguida através de lonas plásticas. Na Figura 46, Figura 47, Figura 48 e Figura 49 são visualizados os CPs prismáticos de cura seca e seus respectivos moldes. Figura 46 - CP D4S-MS e seu molde. 76 Figura 47 - D4S-CO e seu molde, superfície de excelente qualidade. Figura 48 - D4S-MS e seu molde, ambos ainda úmidos, mesmo após 4 dias da sua concretagem. 77 Figura 49 - D4S-IM desmoldado, superfície muito lisa. Na Figura 50 pode-se ver o CP moldado com madeira saturada. Mesmo após quatro dias em estufa o concreto se apresentava úmido ao toque da mão, e com a superfície pulverulenta, que é um indicativo de concreto de baixa resistência. Figura 50 - D4E-MU: mesmo em estufa, a madeira não foi totalmente seca. Na Figura 51 observa-se a parte interna e externa de uma face de madeira do CP D4E-MU, onde nota-se que a mesma externamente já estava seca, mas internamente ainda úmida. 78 a) b) Figura 51 - Aspecto da madeira saturada em estufa, na face interior (a) e exterior (b). Ainda com sinais de umidade na face interior. Nas Figuras 52, 53 e 54 os outros três prismáticos de cura em estufa. Figura 52 - Molde e CP D4E-MS. 79 Figura 53 - Molde e CP D4E-CO. Figura 54 - CP D4E-IM e seu molde Na Figura 55 são mostrados os quatro CP curados por sete dias em estufa. 80 Figura 55 - Aspecto visual dos quatros CPs D4E. A seguir, na Figura 56, os quatro CP curados à temperatura ambiente. Figura 56 - Aspecto visual dos quatros CPs D4S. 3.3.3 Caracterização do concreto Utilizou-se concreto usinado bombeável, coletado em canteiro de obras, de fck=25MPa, e de slump 10cm. O mesmo foi coletado na boca do caminhão 81 betoneira, acondicionado em carrinho de mão até o momento de moldagem dos corpos de prova cilíndricos e prismáticos. O cimento usado, provavelmente foi o CPII, que é o mais usado na região de Criciúma. A densidade do concreto seco ao ar livre foi estimada em 2.311,8 kg/m³. Paralelamente ao Ensaio Esclerométrico nos CPs prismáticos, seis CPs cilíndricos curados secos à temperatura ambiente foram ensaiados à compressão, para representar a resistência dos CPs prismáticos D4S. Os mesmo foram imersos em água 48hs antes do ensaio para que fossem rompidos saturados. Outros seis CPs cilíndricos em cura padronizada, para caracterizar a curva de crescimento do concreto, foram ensaiados à compressão (D4U). Em cada idade, 14, 21 e 28 dias, foram ensaiados dois CPs ø10x20 de cura seca (D4S) e dois de cura normatizada (D4U). 3.3.4 Caracterização do agregado graúdo Considerou-se importante a caracterização minuciosa do agregado graúdo, pois a literatura consultada indicou que ele pode influenciar significativamente no IE. Para a caracterização do agregado graúdo do concreto usado nesta etapa foi necessário fazer um peneiramento do concreto ainda fresco. Moldou-se um CP cilíndrico ø10x20 da maneira recomendada, em seguida esse concreto foi despejado sobre uma peneira comum, de malha retangular 5,5 x 6mm (Figura 57), jogando-se água em seguida para limpar o agregado graúdo 82 Figura 57 - Peneiramento com peneira comum para isolar o agregado graúdo do concreto. Esperava-se que com a peneira selecionada todo o agregado graúdo fosse retido, mas uma parcela muito pequena acabou passando. Na peneira também ficaram retidos alguns poucos exemplares do agregado miúdo (Figura 58). Figura 58 - Agregado miúdo de grandes dimensões retido na peneira. Na Figura 59 pode-se ter uma idéia da quantidade de agregado graúdo presente em um único molde ø10x20, e na Figura 60 visualiza-se em detalhe a textura e cor do agregado que provavelmente tem origem de uma rocha basáltica. 83 Figura 59 - Volume de agregado graúdo contido em um molde cilíndrico ø10x20cm Figura 60 - Pedra britada de basalto. Caracterizado o agregado graúdo quanto ao tipo de rocha, passou-se para a etapa seguinte, que foi avaliar a sua densidade. Para esse objetivo utilizou-se o processo da balança hidrostática, o qual tem por base a equação abaixo, retirada da NBR NM 53 (2003): D = ms / (mu - mus) , onde D é a densidade, ms é a massa seca em estufa do agregado, mu é a massa úmida do agregado superfície seca e 84 mus é a massa submersa do agregado úmido. Após vários dias imerso em água, o agregado graúdo foi pesado em uma balança (Figura 61), antes, porém, sua superfície foi seca. A massa obtida foi de 1488,7g (mu). Em seguida foi pesado submerso em água resultando em 980,9g (mus). O agregado ficou secando em estufa por vários dias (Figura 62) e foi obtida uma massa de 1486,8g (ms). Aplicando os valores obtidos na fórmula chegou-se à massa específica do agregado seco de 2.928kg/m³. Figura 61 - Pesagem do agregado graúdo saturado superfície seca. Figura 62 - Colocação da brita para secagem em estufa. 85 A mesma porção de agregado graúdo foi peneirada no conjunto de peneiras disponíveis no IPAT/UNESC, obtendo-se as quantidades mostradas na Tabela 7. Com os dados dessa tabela foi possível traçar a curva granulométrica do agregado graúdo, vide Gráfico 1. Tabela 7 - Quantidades de agregado graúdo encontradas no peneiramento. Peneiras (mm) 19 12 9,5 6,3 4,8 Massa 13,9g 670,4g 349,9g 406,4g 50,4g CURVA GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO GRAÚDO ABERTURA DA PENEIRA 4,8 6,3 9,5 12 19 0% 10% % RETIDA ACUMULADA 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Gráfico 1 - Curva granulométrica do agregado graúdo. O volume de pedra britada no concreto é de 32%, sua massa corresponde a 41% da massa do concreto e o consumo é de 946,5kg por m³ de concreto. A dimensão máxima nominal é 25mm (a menor peneira que não houve retenção de agregado) e a dimensão máxima característica é 19mm (peneira com % retida acumulada igual ou imediatamente inferior a 5%, visto no Gráfico 1). Usou-se para o ensaio 1491g, enquanto que a NBR NM 53 (2003), para a dimensão máxima característica de 19mm, exige 3kg, o que corresponderia praticamente a 2 CPs ø10x15cm. 86 3.4 Segunda Etapa - Proposta de uma nova metodologia para o Ensaio Esclerométrico As normas que fazem recomendações na obtenção das curvas de correlação, geralmente, indicam que as mesmas podem ser utilizadas na estimativa da resistência de concretos submetidos nas mesmas condições de temperatura e cura do concreto utilizado no seu traçado, ou seja, o concreto das obras estaria fora das recomendações de aplicação da curva de correlação. Vislumbrou-se então a criação de uma metodologia de aplicação do Ensaio Esclerométrico para estimar a resistência de concretos curados em condições climáticas não controladas. A proposta sugerida e seguida nesta etapa é a coleta do concreto em obra e moldagem de CPs cilíndricos e prismáticos, os quais são divididos em grupos, cada qual submetido a uma condição de temperatura e cura específica. As condições de temperatura e cura devem ser aquelas possíveis de ocorrer em obra, e de preferência que sejam situações extremas, ou seja, que acarretem, por exemplo, concretos de alta resistência e altos valores de IE, concretos de baixa resistência e baixos IEs, concretos de elevados IE e baixas resistências, etc. Utilizando situações extremas, obtém-se maior representatividade da curva de correlação das situações possíveis de ocorrer em obra. A diferença fundamental entre essa proposta e aquela da norma NM 78 (1996), é que nesta usa-se como variantes da resistência do concreto o tipo de cura (e temperatura) e a idade, enquanto na NM 78 usam-se como variantes da resistência a relação a/c e a idade. Obtém-se assim uma boa simplificação do ensaio, pois não é necessária a fabricação em betoneira de concretos de vários traços, o concreto a ser utilizado chega pronto na obra, bastando apenas curá-lo em condições diversas. Outra vantagem do ensaio proposto é que ele leva em conta diferentes situações de temperatura e cura. O que se seguiu é a moldagem de 18 CPs cilíndricos e 3 prismáticos. Eles foram divididos em 3 grupos, cada um composto de 6 CPs cilíndricos e um prismático. Cada grupo ficou submetido a um tipo de cura: • Cura seca ao ar; • Cura saturada: imersos em água; 87 • Cura em alta temperatura com molhagens diárias: os CPs ficaram em uma pequena estufa. Como na PRIMEIRA ETAPA, os CPs prismáticos 15x15x30cm foram usados nos Ensaios Esclerométricos, enquanto os ø10x20cm foram usados nos ensaios de compressão. Para cada idade de 14, 21 e 28 dias, foi feito o Ensaio Esclerométrico em uma face dos 3 CPs prismáticos (um de cada cura), e ensaiados à compressão 2 CPs cilíndricos de cada cura. Para cada cura obteve-se 3 relações de IE e resistência do concreto, uma para cada idade. Os resultados dos ensaios desta etapa são apresentados e discutidos no item 4.2. 3.4.1 Identificação dos corpos de prova Os CPs foram identificados sempre com o prefixo D3, que corresponde à terceira coleta de concreto deste trabalho, seguido dos sufixos: • S: identificando a cura seca à temperatura ambiente. • U: cura úmida, normatizada. • E: cura em estufa, com molhagens diárias nos primeiros 7 dias. A identificação ficou assim: • D3S - concreto curado seco à temperatura ambiente, fora da estufa; • D3E - concreto curado em estufa nos primeiros sete dias, após curado à temperatura ambiente; • D3U - concreto curado imerso em água. 3.4.2 Temperaturas de cura • Cura seca ao ar à temperatura ambiente (D3S): o concreto ficou em ambiente coberto, sem sofrer incidência de sol, chuva ou vento, nem qualquer tipo de 88 molhagem (Figura 63). Simula uma condição que pode ocorrer em obra, principalmente em elementos estruturais concretados em épocas de pouca chuva e céu nublado. Os CPs cilíndricos foram colocados na água 72hs antes do ensaio de compressão. Figura 63 - Seis CPs cilíndricos para o ensaio de compressão e o prismático para ensaio de esclerometria. • Cura saturada (D3U): todos os CPs ficaram imersos em um tanque com água potável, a uma temperatura aproximada de 20ºC (Figura 64). O prismático de cura saturada era retirado da água 72hs antes de ser ensaiado, sendo recolocado na água logo após ser utilizado. Figura 64 - Cura saturada. 89 • Cura em alta temperatura com molhagens diárias (D4E): o concreto ficou em uma pequena estufa até o sétimo dia de idade (Figura 65), onde a temperatura dos corpos de prova medida na base foi aproximadamente de 30ºC, e no topo de 42º, devido à distribuição irregular de calor no interior da estufa (Figura 66). Uma vez ao dia, durante os sete primeiros dias, os CPs receberam uma molhagem superficial, tentando simular uma condição de molhagem que poderia ocorrem em obra. Após serem retirados da estufa, foram colocados juntos dos outros corpos de prova, para serem curados ao ar. Os CPs cilíndricos foram colocados na água 72hs antes do ensaio de compressão. Figura 65 - Estufa aquecida com lâmpadas incandescentes. Figura 66 - OUT: temperatura medida no meio do CP. IN: temperatura do ambiente. 90 3.4.3 Caracterização do concreto Utilizou-se concreto usinado bombeável, coletado em canteiro de obras, de fck=25MPa, e de slump 10cm. O mesmo foi coletado na boca do caminhão betoneira, acondicionado em carrinho de mão até o momento de moldagem dos corpos de prova cilíndricos e prismáticos. O cimento usado é o CPV, de alta resistência inicial. O agregado graúdo é pedra britada, de rocha basáltica. 3.4.4 Tipos de fôrmas Para os CPs prismáticos utilizaram-se fôrmas de madeira, revestidas internamente com plástico, de modo a ter a mesma estanqueidade das fôrmas metálicas. Suas dimensões internas são 15x15x30cm. Os CPs cilíndricos ø10x20cm foram moldados com fôrmas metálicas normatizadas. 3.5 Terceira etapa - Influência da armadura no IE Nesta etapa buscou-se verificar e quantificar a influência da armadura no concreto no IE, tanto em laboratório quanto em obra. Para a verificação em laboratório utilizou-se um molde de dimensões internas 15x15x60cm (Figura 67), revestido internamente por lonas plásticas para fazer a impermeabilização. Foi inserida uma barra metálica CA50 nervurada de 8mm de diâmetro no sentido da maior direção do molde, com um cobrimento de concreto de 1,5cm na face mais próxima, e um cobrimento de 5cm na segunda face mais próxima. Foi utilizada a barra em questão por ser sobra de material, e o cobrimento de 1,5cm, apesar de estar fora de norma, por ser um cobrimento provavelmente de ocorrência comum nas obras de pequeno porte, onde nem sempre são usados espaçadores nas armaduras. O adensamento foi adaptado da NBR 5738 (2008) do 91 corpo de prova prismático de lado 15cm, onde se exige para adensamento manual o lançamento do concreto em duas camadas, cada qual adensada com 75 golpes com a barra padronizada. O concreto utilizado é de fck 25MPa. O CP ficou em obra por 24hs, e após isso foi transportado para laboratório onde foi desformado e colocado dentro de um reservatório de água (Figura 68). Figura 67 - Molde com barra nervurada CA50. Figura 68 - Cura do concreto em reservatório com água. Na concretagem do CP prismático, foram moldados outros seis ø10x20 para obter a curva de crescimento de resistência do concreto (Figura 69). O Ensaio 92 Esclerométrico foi executado aos 14 e 28 dias, e o ensaio de compressão no CPs cilíndricos foi realizado aos 14, 28 e 65 dias. Figura 69 - Corpos de prova cilíndricos e prismático com armadura. Na Figura 70 são mostradas as seis direções onde foi realizado o Ensaio Esclerométrico. Cada direção possui uma linha de ensaio, onde foram marcados os locais para impacto do esclerômetro. As marcações seguiram uma distância mínima de 3cm entre uma e outra. O total de impactos em cada linha foi variável, pois foi necessário desviar das irregularidades da superfície. L5 L1 L6 L3 L2 L4 Figura 70 - Posicionamento da barra no concreto e direções dos impactos. 93 Para a execução do Ensaio o bloco de concreto foi colocado no chão. Uma parede de blocos de concreto serviu como anteparo na face oposta aos impactos no esclerômetro. Em cima do corpo de prova foram colocados mais dois blocos para restringir a vibração durante os impactos (Figura 71). Os resultados são apresentados e discutidos no item 4.3.1. Figura 71 - Nas setas vermelhas duas linhas de ensaio L3 e L4. Em obra foi verificada a influência da armadura no IE em um pilar circular de 30cm de diâmetro e altura 3,06m (Figura 72), moldado com fôrma metálica. Ele possuía armaduras longitudinais de 12,5mm com cobrimento de concreto de 2,5cm. As armaduras foram localizadas e assinaladas a lápis no pilar (Figura 73). O concreto possuía aproximadamente 14 dias de idade e fck de 25MPa para 28 dias. Os impactos com o esclerômetro foram feitos exatamente acima de 3 barras longitudinais, obtendo-se um IE. As regiões entre as barras também foram ensaiadas e obtiveram um IE próprio. As regiões acima dos estribos não foram ensaiadas. Comparando os dois IEs foi possível verificar e quantificar a influência das barras nesta situação específica. A área ensaiada possui 25cm de largura e 30cm de altura, ficando a 1,56m do piso e a 1,20m do topo.Os resultados são apresentados e discutidos no item 4.3.2. 94 Figura 72 - Visão por inteiro do pilar. No retângulo vermelho, a região ensaiada. Figura 73 - Região ensaiada e armaduras localizadas. 95 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 Primeira Etapa - Influência da fôrma no IE No Gráfico 2 é apresentado o crescimento do IE com a idade para os quatro tipos de fôrmas, para concreto curado em temperatura ambiente, usando a representação a seguir. - linha rosa (marcador quadrado): madeira compensada; - linha azul (marcador em X): madeira pinus seca; - linha preta (marcador losango): fôrma impermeável. - linha verde (marcador triangular): madeira pinus saturada; CURA SECA 41 40 39 38 37 36 D4S-IM IE 35 D4S-CO 34 D4S-MU 33 D4S-MS 32 31 30 29 28 27 14 21 28 IDADE Gráfico 2 - Variação do IE com a idade para cura em temperatura ambiente. Para todos os tipos de fôrmas obtiveram-se resultados muito semelhantes, à exceção da madeira pinus saturada que obteve nitidamente Índices Esclerométricos bem inferiores. Não se observou uma predominância para o maior 96 IE para um determinado tipo de fôrma, pois houve alternância nas três idades ensaiadas. Houve uma queda no IE dos 14 dias para os 21 dias para as fôrmas de madeira compensada e impermeável, mas esse tipo de acontecimento também foi observado nos ensaios de outros autores quando os ensaios são feitos em datas próximas, como foi neste caso. No Gráfico 3 observa-se o crescimento dos IEs para o concreto curado na primeira semana em estufa. Novamente o IE para a madeira pinus saturada foi o menor de todos para todas as idades. Neste gráfico apenas um resultado não parece estar de acordo com o esperado, que é o IE aos 14 dias (círculo vermelho) para a madeira pinus seca, sendo muito superior aos outros três IEs para esta idade. CURA EM ESTUFA POR UMA SEMANA 41 40 39 38 37 IE 36 35 D4E-IM 34 D4E-CO D4E-MU 33 D4E-MS 32 31 30 29 28 27 14 21 28 IDADE Gráfico 3 - Variação do IE com a idade para cura por 7 dias em estufa. Também não se observou predominância para o maior IE para um determinado tipo de forma. Entretanto, para os 28 dias houve uma mesma tendência na ordem do IE para as duas temperaturas, sendo a madeira compensada (linha rosa) com o maior IE, seguida em ordem decrescente pela madeira pinus seca (linha azul), fôrma impermeável (linha preta) e madeira pinus saturada (linha verde). 97 Nos gráficos 4, 5, 6 e 7 podem-se observar as diferenças no IEs causadas pela diferença de cura na primeira semana de idade. 41 40 39 38 37 36 35 IE Cura seca 34 Cura em estufa 33 32 31 30 29 28 27 14 21 28 Idade Gráfico 4 - Crescimento do IE para fôrma impermeável. 41 40 39 38 37 36 IE 35 Cura seca 34 Cura em estufa 33 32 31 30 29 28 27 14 21 Idade Gráfico 5 - Crescimento do IE para madeira compensada. 28 98 41 40 39 38 37 36 35 IE Cura seca 34 Cura em estufa 33 32 31 30 29 28 27 14 21 28 Idade Gráfico 6 - Crescimento do IE para madeira saturada. 41 40 39 38 37 36 IE 35 Cura seca 34 Cura em estufa 33 32 31 30 29 28 27 14 21 Idade Gráfico 7 - Crescimento do IE para madeira pinus seca. 28 99 Percebe-se que a temperatura não causou influência significativa nos IEs dos diversos tipos de fôrmas para a idade de 28 dias. Dessa maneira, é possível fazer a conversão do IE de 28 dias para a fôrma impermeável, pois é o tipo de fôrma recomendado pela NBR 7584 (1995). Na Tabela 8 os Índices Esclerométricos dos ensaios aos 28 dias. Tabela 8 - Índices Esclerométricos aos 28 dias para cura seca e em estufa. Fôrma Cura seca Cura em estufa IE médio Compensada (CO) 38,7 38,9 38,8 Pinus seca (MS) 38,3 38,2 38,25 Impermeável (IM) 37,8 38,1 37,95 Pinus úmida (MU) 35,5 35,5 35,5 A equação de conversão dos IEs dos diferentes tipos de fôrmas, para concreto de 28 dias de idade, fica: IEIM = 0,978 IECO = 0,992 IEMS = 1,069 IEMU, onde IEIM é o Índice Esclerométrico da fôrma impermeável; IECO é o Índice Esclerométrico da fôrma de madeira compensada; IEMS é o Índice Esclerométrico da fôrma de madeira pinus seca; IEMU é o Índice Esclerométrico da fôrma de madeira pinus saturada. Salienta-se que a equação encontrada é válida somente para o esclerômetro e para o concreto usados nos ensaios. Concretos com relação água/cimento menor que a do concreto usado podem resultar em diferenças menos significativas nos Índices Esclerométricos para os diferentes tipos de fôrmas, já a maior relação a/c tem a tendência de causar as maiores diferenças. No Gráfico 8 é mostrada a influência das fôrmas utilizando a média dos IEs das duas curas. O IE da fôrma saturada é 16,1%, 11,8% e 6,5% menor que o IE da fôrma impermeável (recomendada por norma), aos 14, 21 e 28 dias respectivamente. 100 INFLUÊNCIA DAS FÔRMAS 40 39 MADEIRA SECA ÍNDICE ESCLEROMÉTRICO 38 MADEIRA SATURADA 37 MADEIRA COMPENSADA 36 IMPERMEÁVEL 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 14 21 28 IDADE (DIAS) Gráfico 8 - Influência das fôrmas usando a média dos IEs das duas curas. Paralelamente aos Ensaios Esclerométricos foram realizados ensaios de compressão em corpos de prova cilíndricos ø10x20cm. Seis deles foram curados à temperatura ambiente e seis em cura normatizada. Os resultados são mostrados no Gráfico 9.Aos 14 dias não foi realizado o ensaio com CPs ø10x20 de cura seca. 34 33 32 Resistência (MPa) 31 30 29 Cura seca Cura normatizada 28 27 26 25 24 23 14 21 Idade Gráfico 9 - Crescimento da resistência do concreto. 28 101 4.2 Segunda Etapa - Proposta de uma nova metodologia para o Ensaio Esclerométrico. Utilizou-se 3 tipos de situações de cura e temperatura para simular as condições de obra. Idealmente seriam necessários estudos mais aprofundados e comprovações práticas de quantas situações de cura e temperatura seriam necessárias para uma representatividade completa de todas as condições climáticas passíveis de ocorrer em obra. Relembrando as 3 situações de cura e temperatura: • D3U - cura normatizada; • D3S - cura seca à temperatura ambiente; • D3E - cura em estufa com molhagens diárias por uma semana, após isso cura seca à temperatura ambiente. Observa-se no Gráfico 10 como se deu o crescimento da resistência do concreto quando submetido a três tipos de cura bastante distintos. As resistências do concreto obtidas aos 28 dias para a cura em estufa e cura seca ficaram abaixo do esperado (círculos cor-de-rosa), pois foram menores do que aos 21 dias de idade. CRESCIMENTO DA RESISTÊNCIA COM A IDADE 38 36 34 32 30 fc ESTUFA 28 SECO NORMA 26 24 22 20 14 21 28 Idade Gráfico 10 - Crescimento da resistência do concreto para 3 tipos de cura. 102 Já o crescimento do Índice Esclerométrico com a idade seguiu o que se esperava, para todas as idades e curas, vide Gráfico 11. No Gráfico 12 observam-se as curvas de correlação para os 3 tipos de cura, obtidas por regressão linear simples em planilha eletrônica. A cura seca apresentou a curva mais surpreendente, onde houve um grande ganho da dureza superficial do concreto, sem nenhum aumento de resistência à compressão correspondente. Esse resultado pode ser entendido observando o Gráfico 10 onde se nota que a resistência à compressão da cura seca aos 28 dias não foi coerente. CONCRETO fck 25MPa, cimento CPV - TRÊS TIPOS DE CURA 39 38 37 IE 36 ESTUFA 35 SECO NORMA 34 33 32 14 21 28 Idade Gráfico 11 - Crescimento do IE com a idade para os três tipos de cura. CORRELAÇÕES INDIVIDUAIS 38 36 34 ESTUFA fc 32 SECO 30 NORMA Linear (NORMA) 28 Linear (ESTUFA) 26 Linear (SECO) 24 22 20 32 33 34 35 36 37 38 IE Gráfico 12 - Curvas de correlação individuais para cada tipo de cura. 39 103 Eliminando-se os dois valores irregulares do Gráfico 12, circulados em verde, obtém-se as curvas ajustadas, visualisadas no Gráfico 13. CONCRETO fck 25MPa, cimento CPV - TRÊS TIPOS DE CURA 38 36 34 ESTUFA fc 32 SECO 30 NORMA Linear (NORMA) 28 Linear (ESTUFA) 26 Linear (SECO) 24 22 20 32 33 34 35 36 37 38 IE Gráfico 13 - Curvas de correlação individuais ajustadas. Considerando os pontos do Gráfico 13, obteve-se uma única curva de correlação, mostrada no Gráfico 14, obtida por regressão linear simples em planilha eletrônica, com um R2 igual a 0,826. O Gráfico 14 apresenta a curva de correlação resultante da metodologia proposta para o Ensaio Esclerométrico para concretos mantidos em condições de temperatura e cura não controladas. Curva de correlação final 38 Resistência (MPa) 36 34 32 30 28 26 y = 2,189x - 46,864 2 R = 0,826 24 22 20 32 33 34 35 IE Gráfico 14 - Curva de correlação final para os 3 tipos de cura. 36 37 38 104 Para se ter um parâmetro de comparação para validação da curva de correlação obtida, foi feita uma comparação entre a curva obtida e a curva do esclerômetro. A curva de correlação do esclerômetro usado foi retirada da Figura 74. É bom lembrar que essa curva apresenta as resistências para corpos de prova cúbicos, enquanto que no ensaio usaram-se corpos de prova cilíndricos ø10x20cm. As resistências foram convertidas baseando-se pela Tabela 2 (CPs cúbicos de aresta 15cm, normalmente usados na Europa). Figura 74 - Curva de correlação do esclerômetro utilizado. Os valores das resistências da curva do esclerômetro foram multiplicados por 0,8 (conversão para ø15x30) e depois multiplicados por 0,97 (conversão de ø15x30 para ø10x20). Comparando-se a curva obtida na nova metodologia com a curva do esclerômetro usado, obteve-se o Gráfico 15. 105 Curva de correlação da Nova M etodologia e Curva do Esclerômetro 38 36 y = 2,189x - 46,864 Resistência (MPa) 34 32 30 28 26 y = 1,4792x - 29,076 24 22 20 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 IE Nova metodologia Curva do esclerômetro Linear (Nova metodologia) Linear (Curva do esclerômetro) Gráfico 15 - Comparação da curva obtida com a curva do esclerômetro. Observa-se uma diferença significativa entre as duas curvas de correlação, obtendo-se, por exemplo, para um IE=37 valores de fc de 34,1MPa para a curva da metodologia proposta e 25,6MPa para a curva do aparelho, uma diferença de 33% na estimativa da resistência. Nos APÊNDICES encontra-se o Gráfico 15 em folha inteira. 4.3 Terceira Etapa - Influência da armadura no IE. 4.3.1 Em laboratório Aos 14 e 28 dias de idade realizou-se o Ensaio Esclerométrico no corpo de prova prismático 15x15x60cm, com uma barra de aço CA50 em seu interior, em 6 linhas de impacto, mostradas na Figura 70. 106 L5 L6 L1 L3 L2 L4 Figura 70 (repetida) - Posicionamento da barra no concreto e direções dos impactos. Na Tabela 9 são apresentados os resultados, onde se observa que as 6 linhas tiveram aproximadamente os mesmos valores para os IEs, concluindo que a barra de 8mm, na situação de ensaio, não provocou aumento no IE. Tabela 9 - Índices Esclerométricos para concreto com barra de 8mm. L1 L2 L3 L4 L5 L6 14 dias 30 29,9 31,2 29,9 31,9 29,7 28 dias 30,7 31 31,2 29,8 NR* NR* *NR: Não realizado O crescimento da resistência do concreto usado no corpo de prova foi obtido com os ensaios normatizados aos 14, 28 e 65 dias, usando CPs ø10x20cm, e pode ser visualizado no Gráfico 16. 107 CONCRETO fck 25MPa 36 35 34 33 32 fc 31 30 29 28 27 26 25 0 10 20 30 40 50 60 70 Idade Gráfico 16 - Crescimento da resistência do concreto. 4.3.2 Em obra O Índice Esclerométrico obtido para os pontos localizados exatamente acima das barras longitudinais do pilar foi de 33,7, e para as regiões entre essas barras foi de 33,5. O IE nas armaduras foi apenas 0,6% maior do que nas regiões sem armaduras próximas, demonstrando que para a situação ensaiada as armaduras não causaram influência significativa no Índice Esclerométrico. 108 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 5.1 Primeira Etapa - Influência da fôrma no IE O material do molde do concreto influencia o IE e deve ser considerado para obter maior precisão. As recomendações para trabalhos futuros: • Realizar os ensaios em idades superiores a 28 dias, como por exemplo, 60 dias, e verificar se a tendência observada nos ensaios aos 28 dias se repete; • Pesquisar outros materiais para as fôrmas; • É interessante o ensaio ser feito com concretos de várias relações água/cimento e observar até que ponto as fôrmas causam influência significativa no IE, e partir de que ponto essa influência pode ser desprezada; • Variar a data de desfôrma; • Manter vários moldes de madeira saturando imersos em água por datas diferentes, por exemplo,1, 3, 5, 7 e 10 dias. • Descobrir qual foi a razão para o molde de madeira saturada induzir menores IEs. 5.2 Segunda Etapa - Proposta de uma nova metodologia para o Ensaio Esclerométrico O Ensaio Esclerométrico tem potencial de aplicação para obras, desde que a curva de correlação utilizada seja específica para o concreto utilizado e que ela leve em conta as diferentes condições de temperatura e cura. Comprovações da precisão do Ensaio Esclerométrico são necessárias e podem ser obtidas com a cura de corpos de prova junto dos elementos estruturais a serem ensaiados ou com a extração de testemunhos desses elementos. Caso a precisão do ensaio não seja calculada, como o foi o caso deste experimento, o ensaio deve ser tratado como 109 “não conclusivo”, ou seja, a resistência do concreto estimada não deve ser aceita automaticamente. Na metodologia de ensaio das normas e na metodologia proposta neste trabalho se considera a idade do concreto como um parâmetro desconhecido, o que reduz a precisão da curva de correlação. Nas obras novas em construção não se deve ter muita dificuldade em descobrir a idade do concreto a ser ensaiado, assim, a consideração da idade pode trazer bons ganhos de precisão. Por exemplo, se em laboratório foram feitos ensaios aos 14, 21, 28, 60 e 90 dias, e o ensaio em obra foi feito aos 46 dias, deve-se considerar todos os ensaios realizados até os 60 dias, que é a idade imediatamente superior à idade do concreto da obra, no traçado da curva de correlação. Outro exemplo: ensaio realizado na obra com concreto de 18 dias de idade, devem ser considerarados apenas os ensaios realizados até os 21 dias. Como a curva de correlação proposta neste trabalho foi obtida com poucos pontos, não foi possível realizar um estudo estatístico completo dos resultados. Nas teses de mestrado e doutorado consultadas foram usados softwares que possibilitaram análises estatísticas robustas, possibilitando obter os limites de predição superior e inferior, que são os intervalos de confiança (de 95%) da curva de correlação obtida, ou seja, consegue-se determinar qual a precisão da curva em porcentagem ou em MPa. Como recomendações para trabalhos futuros podem-se citar: • Para o traçado da curva de correlação é recomendável utilizar vários combinações de temperatura e cura para simular as situações mais extremas que podem ocorrer em obra, por exemplo, chuvas por muitos dias, alta temperatura e sol forte por muitos dias, etc. • Manter alguns CPs ø15x30 na obra junto de pilares concretados com o mesmo concreto. Obter a curva de correlação, ensaiar o pilar com o esclerômetro obtendo sua resistência estimada, fazer o ensaio de compressão nos CPs cilíndricos para representar a resistência do concreto do pilar e comparar os resultados. • Avaliar a resistência do concreto e o Índice Esclerométrico para concretos sob o Efeito Rush. • Verificar se o concreto em obra nos dias ensolarados e quentes atinge temperaturas elevadas as quais acarretem prejuízo ao ganho de resistência do concreto. 110 • Verificar se apenas a molhagem superficial com mangueira de elementos estruturais acarreta ganho de resistência do concreto do interior da peça. • Avaliar para CPs ø10x15 na prensa, se os IEs no topo e na base possuem tendência de serem inferiores aos do centro do cilindro. 5.3 Terceira Etapa - Influência da armadura Os ensaios de verificação da influência da armadura foram bastante pontuais, mas já deram uma idéia de que nem sempre elas precisam ser localizadas e evitadas. Como os ensaios não abrangeram todas as possibilidades de combinações, recomenda-se que as armaduras sejam sempre localizadas e evitadas nos Ensaios Esclerométricos. Para trabalhos futuros poderiam se utilizar concretos de várias resistências, variando a espessura do cobrimento e o diâmetro da barra. Também pode ser colocada mais de uma barra e aferir a influência simultânea de várias barras no Índice Esclerométrico. 111 REFERÊNCIAS ABECE - Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutura. Estruturas de concreto, Conformidade da resistência do concreto. São Paulo, 2009. ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12655 – Concreto, Preparo e recebimento; Rio de Janeiro, 2006. ______. NBR 5738 – Concreto, Procedimento para moldagem e cura de corpos-deprova. Rio de Janeiro, 1994. ______. NBR 5738 – Concreto, Procedimento para moldagem e cura de corpos-deprova. Rio de Janeiro, 2003. ______. NBR 5738 – Concreto, Procedimento para moldagem e cura de corpos-deprova. Rio de Janeiro, 2008. ______. NBR 5739 – Concreto, Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. Rio de Janeiro, 2007. ______. NBR 6118 – Concreto, Projeto de estruturas de concreto, Procedimento. Rio de Janeiro, 2003. ______. NBR 7211 – Agregados para concreto, Especificação. Rio de Janeiro, 2005. ______. NBR 7225 – Materiais de pedra e agregados naturais. Rio de Janeiro, 1993. ______. NBR 7584 – Concreto endurecido, avaliação superficial pelo esclerômetro de reflexão. Rio de Janeiro, 1995. ______. NBR 7680 – Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estrutura de concreto. Rio de Janeiro, 2007. ______. NBR NM33 – Amostragem de Concreto Fresco. Rio de Janeiro, 1998. ______. NBR NM53 – Agregado graúdo, determinação da massa específica, massa especifica aparente e absorção de água. Rio de Janeiro, 2003. CÂMARA, Everlei. Avaliação da resistência à compressão de concretos utilizados na grande Florianópolis através de ensaios não destrutivos. Tese de Mestrado. UFSC. Florianópolis, 2006. CARVALHO, Roberto Chust; FIGUEIREDO FILHO, Jasson Rodrigues de. Cálculo de detalhamento de estruturas usuais de concreto armado. 3.ed. São Carlos: Edufscar, 2007. 112 CASTRO, Elisângela de. Estudo da resistência à compressão do concreto por meio de testemunhos de pequeno diâmetro e esclerometria. Tese de Mestrado. FECIV. Uberlândia, 2009. EVANGELISTA, Ana Catarina. Avaliação da resistência do concreto usando diferentes ensaios não destrutivos. Tese de Doutorado. UFRJ. Rio de Janeiro, 2002. GIONGO, José Samuel. Introdução e propriedade dos materiais. Apostila de Aula. USP. São Carlos, 2009. GOOGLE. Disponível em: <http://www.google.com.br/imghp?hl=pt-BR&tab=wi>. Acesso em 09 jan. 2010. HASTENPFLUG, Daniel. Contribuição ao estudo da uniformidade do concreto auto-adensável de alta resistência em pilares e vigas. Tese de Mestrado. UFSC. Florianópolis, 2007. HELENE, Paulo. Controle de qualidade do concreto. Boletim técnico 03/86. USP, 1986. IKEMATSU, Paula; LAGUNA, Luis Antônio. A influência da temperatura na desforma do concreto. Disponível em: <http://www.revistatechne.com.br/engenharia-civil/150/artigo-a-influencia-datemperatura-na-desforma-do-concreto-151696-1.asp>. Acesso em 4 jun. 2010. JAMES INSTRUMENTS INC. Disponível em: <http://www.ndtjames.com/WindsorProbe-System-8482-p/z-wp.htm 2010>. Acesso em 5 abr. 2010. MACHADO, Maurício Dornellas. Curvas de correlação para caracterizar concretos usados no Rio de Janeiro por meio de ensaios não destrutivos. Tese de Mestrado. UFRJ. Rio de Janeiro, 2005. MEIRELES, Luana Roriz; Geyer, André Luiz Bortoloacci. Drenagem do concreto através das fôrmas. In: Congresso Brasileiro do Concreto, 45. Vitória: IBRACON, 2003: METHA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M..Concreto, Estrutura, propriedades e materiais, 3.ed. São Paulo: Pini, 2008. NEPOMUCENO, Miguel Costa Santos. Ensaios não destrutivos em betão. TESE. Covilhã, Portugal, 1999. PROCEQ. 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São Paulo, 2007. 113 APÊNDICES 114 APÊNDICE A - Índices Esclerométricos e ensaios à compressão da Primeira Etapa. 115 CONCRETO D4 14 DIAS D4S-IM VALIDOS DESCARTE 32 ERRO (%) -100,0 36 -1,1 34 -6,6 36 34 40 35 37 36 -1,1 -6,6 9,8 -3,9 1,6 -1,1 35 33 36 39 38 40 39 7,1 36 -1,1 34 40,0 43 -6,6 -100,0 36,4 9,8 D4S-CO VALIDOS DESCARTE ERRO 38 34 4,2 -6,7 30 27 32 -100,0 -4,0 -9,5 -1,2 27 29 29 7,0 4,2 9,7 30 43 -100,0 -100,0 39 36 33,0 7,0 -1,2 -9,5 36,5 D4S-M.UMIDA VALIDOS DESCARTE ERRO 1,4 -8,7 33 -100,0 38 33 39 -8,7 -2,0 -2,0 48 -100,0 37 38 36 30 30 30 32 29 31 31,0 1,4 1,4 1,4 8,2 -2,0 4,8 4,8 36 35 29,6 D4S-MS VALIDOS DESCARTE ERRO 3,6 -10,0 6,4 29 -100,0 0,9 3,6 -1,8 -1,8 34 37 33 32 37 32 39 38 35 36,0 -4,5 32 -100,0 6,4 3,6 -4,5 -1,8 37 37 32 36,7 D4E-IM VALIDOS DESCARTE ERRO 32 -6,9 30 -100,0 -1,1 7,7 -4,0 -6,9 7,7 -6,9 36 36 31 32 31 33 37 37 8,6 39 8,6 -100,0 7,7 7,7 35 24 -6,9 -100,0 34,4 44 1,9 -100,0 D4E-CO VALIDOS DESCARTE ERRO 5,6 5,6 -9,0 -6,1 -9,0 -3,2 33 -3,2 36 5,6 33 -3,2 34 39 -0,2 -100,0 34,1 116 D4E-MU VALIDOS DESCARTE ERRO 29 29 -2,7 35 -100,0 38 -100,0 -2,7 37 36 35 -1,5 -4,2 -6,8 28 32 29 29 30 29 30 33,0 -2,7 0,7 -2,7 0,7 10,7 39 40 37 37 37 39,0 -4,2 3,8 6,5 -1,5 -1,5 -1,5 3,8 37 36 37 37 34 -6,0 37 -100,0 39 -2,7 -100,0 7,4 37 40 39 37 36 -1,5 6,5 3,8 -1,5 37 29,8 D4E-MS VALIDOS DESCARTE ERRO D4S: NR. D4U= fc1= fc2= fcm= 37,6 27,28 28,41 27,8 MPa 21 DIAS D4S-IM VALIDOS DESCARTE 32 ERRO -100,0 36 36 35 -2,7 -2,7 -5,4 34 36 34 40 40 39,0 0,0 0,0 -2,7 0,0 0,0 49 -8,1 -100,0 37 37 33 38 35 38 39,0 4,8 7,5 8,1 8,1 47 -6,3 -100,0 41 -100,0 2,0 36 34 7,2 29 1,2 -100,0 5,4 37,0 D4S-CO VALIDOS DESCARTE ERRO 38 4,8 -6,3 32 35 -0,8 2,0 42 -3,5 -100,0 -9,0 4,8 32 32 32 34 32 32,0 -4,7 -4,7 -4,7 1,2 -4,7 -4,7 36,3 D4S-MU VALIDOS DESCARTE ERRO -4,7 4,2 36 38 -100,0 7,2 36 7,2 33,6 117 D4S-MS VALIDOS DESCARTE ERRO 34 39 -7,1 6,6 36 36 35 36 35 -4,3 -1,6 -4,3 45 -100,0 2,0 39 6,6 37 44 -100,0 39 39 37 35 34 36,6 29 -7,1 -100,0 1,1 6,6 6,6 1,1 -4,3 40 34 38 36 37 37 37,0 7,3 -8,8 2,0 -3,4 -0,7 -0,7 -0,7 40 36 36 38,0 7,2 -3,5 -3,5 1,9 D4E-IM VALIDOS DESCARTE ERRO 38 41 ? -3,4 -3,4 45 -100,0 37 39 37 37 38 35 37 38 -0,8 4,5 -0,8 -0,8 1,9 -6,2 -0,8 1,9 31 34 31 33 31 10,0 #VALOR! 37,3 D4E-CO VALIDOS DESCARTE ERRO 37 ? -0,8 #VALOR! 37,3 D4E-MU VALIDOS DESCARTE ERRO 35 32 30 31 32 32 31,0 -2,9 37 -100,0 9,7 0,3 -6,0 -2,9 0,3 0,3 -2,9 -2,9 6,5 -2,9 36 -100,0 37 39 37 37 37 37 37 36 37 37 38 38 34 34,0 0,6 6,0 0,6 0,6 0,6 0,6 0,6 -2,1 0,6 0,6 3,3 3,3 -7,6 -7,6 3,4 31,9 D4E-MS VALIDOS DESCARTE ERRO D4S fc1= 25,6 fc1= 31 fc2= 26,8 fc2= 32,7 fcm= 26,2 MPa fcm= 31,9 MPa D4E: 36,8 118 28 DIAS D4S-IM VALIDOS DESCARTE ERRO 38 37 37 39 36 38 40 37 37 37 39 38 39,0 -2,2 -2,2 3,0 0,4 3,0 0,4 -2,2 -2,2 3,0 -4,9 0,4 5,7 33 -2,2 -100,0 38 37 41 37 38 40 36 38 42 38 38 40 40,0 -1,8 8,5 -1,8 -1,8 3,4 3,4 37 33 36 34 37,8 D4S-CO VALIDOS DESCARTE ERRO -1,8 -4,4 6,0 39 39 33 -4,4 -1,8 3,4 33 33 29 -7,0 -100,0 38,7 D4S-MU VALIDOS DESCARTE ERRO 10,0 10,0 -6,9 37 41 40 30 -100,0 -6,9 -6,9 37 29 4,4 -100,0 4,4 -6,9 1,5 36,0 41 -4,1 -100,0 35,5 1,5 D4S-MS VALIDOS DESCARTE ERRO 38 -3,5 7,0 4,3 48 -100,0 40 37 41 41 39 38 38 37 36 40 38 38,0 -0,9 44 -100,0 1,7 -0,9 -0,9 -3,5 -6,1 4,3 -0,9 -0,9 37 35 35 36 37 37 39 39 41,0 33 2,4 -100,0 2,4 7,7 38,3 D4E-IM VALIDOS DESCARTE ERRO 5,1 -2,8 7,7 7,7 -2,8 -8,1 -8,1 -5,5 -2,8 -2,8 43 41 37 37 37 37 39 41 37 39 39 37 41 39,0 10,7 5,5 -4,8 -4,8 -4,8 -4,8 0,4 5,5 -4,8 0,4 0,4 -4,8 5,5 0,4 38,1 D4E-CO VALIDOS DESCARTE ERRO 38,9 119 D4E-MU VALIDOS DESCARTE 43 ERRO -100,0 37 4,2 33 35 37 36 36 33 38 34 38 35 34,0 -7,0 43 -100,0 -1,4 4,2 1,4 1,4 -7,0 7,0 -4,2 7,0 -1,4 -4,2 32 30 29 29 30 30 35,5 D4E-MU - VERTICAL, NO CHÃO VALIDOS DESCARTE ERRO 29 32 -2,1 8,0 8,0 1,2 37 39 39 41 -2,1 29 29 27 1,2 26 -100,0 -2,1 -2,1 -8,9 41 36 36 39 37 37 39,0 7,5 -5,6 -5,6 2,2 -3,0 -3,0 2,2 -2,1 25 -100,0 1,2 38 37 -0,4 -3,0 29,6 D4E-MS VALIDOS DESCARTE ERRO D4S 33 -3,0 2,2 fc1= 30,52 fc2= fcm= 2,2 7,5 -100,0 fc1= 31,7 28,19 fc2= 33,5 29,4 MPa fcm= 32,6 MPa D4E: 38,2 120 APÊNDICE B - Agregados graúdos retidos nas peneiras da primeira etapa. 121 Figura 75 - Agregado retido na #19mm Figura 76 - Agregado retido na #12mm Figura 78 - Agregado retido na #6,3mm Figura 79 - Agregado retido na #4,8mm Figura 80 - Equipamento de vibração utilizado. Figura 77 - Agregado retido na # 9,5mm 122 APÊNDICE C - Índices Esclerométricos e ensaios à compressão da Segunda Etapa. 123 D3E (ESTUFA) A 110KN, FORMA IMPERMEÁVEL 14 DIAS VALIDOS DESCARTE ERRO(%) fc1= fc= 31 30 -100,0 -7,5 27,2 25,8 fcm= 33 39 -100,0 -1,5 35 39 -100,0 4,5 35 33 4,5 33 -1,5 -1,5 35 4,5 33 39 -100,0 33,5 -1,5 26,5 MPa D3U 114KN VALIDOS DESCARTE ERRO(%) fc1= fc2= 34 0,5 31 37 -8,4 9,3 28,8 32,5 fcm= 28,8 MPa 33 35 33 34 -2,5 3,4 -2,5 45 -100,0 32 35 31 35 36 0,5 6,4 33 31 36 6,4 31 32 36 6,4 32 33,8 39 -5,5 -100,0 -8,4 -5,5 32 34 34 34 39 3,3 -100,0 3,3 3,3 D3S (CURA SECA) 119KN VALIDOS DESCARTE ERRO fc2= 33 0,2 31 33 -5,8 0,2 24,7 fcm= 24,7 MPa 0,2 38 -5,8 -100,0 -2,8 6,3 -5,8 6,3 -2,8 38 36 36 35 33 33 43 8,6 -100,0 2,9 2,9 0,0 -5,7 -5,7 D3E 21 DIAS VALIDOS DESCARTE ERRO 33 35 37 35 36 33 -5,7 0,0 5,7 0,0 2,9 -5,7 35,0 32,9 124 D3S (CURA SECA) VALIDOS DESCARTE ERRO 33 35 34 36 37 34 41 42 -1,6 -100,0 -100,0 34 33 32 35 37,0 -1,6 -4,5 -7,4 1,3 7,1 -4,5 1,3 -1,6 4,2 39 7,1 -100,0 33 33 37 43 34 33 35 31 40 34 34 35 35 -4,5 -4,5 7,1 24,5 -1,6 -4,5 1,3 -10,3 15,8 -1,6 -1,6 1,3 1,3 -100,0 34 38 36 33 37,0 -6,6 -1,1 -9,3 1,7 34,5 D3U VALIDOS DESCARTE ERRO D3E= D3E= MÉDIA= 30,3 30,1 30,2 MPa D3S= D3S= 27,4 25,8 26,6 MPa D3U= 35,2 31,8 31,8 MPa 28 DIAS: D3E 28 DIAS CPV VALIDOS DESCARTE ERRO 39 37 35 37 36 37 39 7,2 1,7 -3,8 1,7 -1,1 1,7 7,2 35 43 -3,8 36 39 38 37 37 37 40 41 36 37 37 40 37,0 -4,9 3,0 0,4 -2,2 -2,2 -2,2 5,7 8,3 -4,9 -2,2 -2,2 5,7 -2,2 41 4,4 -100,0 36,4 D3S (CURA SECA) VALIDOS DESCARTE ERRO 33 -100,0 37,8 125 D3U VALIDOS DESCARTE ERRO D3E= D3E= MÉDIA= 39 3,5 28,2 29,2 28,7 MPa 37 40 -1,8 6,1 D3S= D3S= 37 32 -1,8 -100,0 25,5 24,4 25,0 MPa 39 37 35 39 35 37 38 39 38,0 3,5 -1,8 -7,1 3,5 -7,1 -1,8 0,8 3,5 0,8 D3U= D3U= 35,3 35,4 35,4 MPa 37,7 126 APÊNDICE D - Curvas de correlação 127 Resistência (MPa) [ Cilíndro Ø10x20cm ] CURVAS DE CORRELAÇÃO 52 51 50 49 48 47 46 45 44 43 42 41 40 39 38 37 36 35 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 IE Nova metodologia Linear (Nova metodologia) Curva do esclerômetro Linear (Curva do esclerômetro) Gráfico 17 - Comparativo entre curvas de correlação. MACHADO(2005) Linear (MACHADO(2005)) 128 APÊNDICE E - Índices Esclerométricos e ensaios à compressão da Terceira Etapa. 129 ENSAIO EM LABORATORIO EM PRISMA 15X15X60 COM FERRO DIAM 8mm CONCRETO D2 COM 14 DIAS DE IDADE condição: CPs saturados fc1= 27,6 MPa fc2= L3 válidos descarte Erro(%) L4 válidos descarte erro L2 válidos descarte erro 29 33 24,3 MPa fc3= 31 31 27,1 MPa fcm= 33 30 37 -7,0 5,9 -0,5 27 31 29 -9,6 3,8 -2,9 27 31 29 -9,6 L1 (ACIMA DA ARMADURA) válidos 30 descarte erro 0,0 -0,5 38 -100,0 26,3 MPa 31,2 5,9 -100,0 37 100,0 36 31 31 30 31 29 3,8 3,8 0,4 3,8 -2,9 -3,7 -100,0 31 31 30 31 29 3,8 3,8 0,4 3,8 -2,9 3,8 -2,9 38 -100,0 31 29 28 30 31 30 31 XX 3,3 -3,3 -6,7 0,0 3,3 0,0 3,3 29,9 29,9 30,0 130 ENSAIO EM LABORATORIO EM PRISMA 15X15X60 COM FERRO DIAM 8mm CONCRETO D2 COM 28 DIAS DE IDADE FC1=28,4 FC2=30 fcm= (CONDIÇÃO SATURADO) 29,2 MPa L1: LINHA MAIS DISTANTE DO FERRO VALIDOS DESCARTE 32 ERRO 3,2 31 31 29 30 33 35 0,0 0,0 -6,5 -3,2 -100,0 32 31 35 0,9 37 100,0 -100,0 31 30 29 31,00 39 100,0 26 6,5 -100,0 31 31 29 0,9 0,9 -5,6 L2: LINHA EM CIMA DO FERRO VALIDOS DESCARTE 32 ERRO 4,2 29 -5,6 4,2 30,71 L3: LINHA MAIS DISTANTE DO FERRO VALIDOS DESCARTE ERRO 29 -2,5 34 35 -100,0 -100,0 4,2 0,8 -2,5 29,75 100,0 -100,0 -100,0 L4: LINHA NA DIREÇÃO DO FERRO VALIDOS DESCARTE 33 33 31 30 30 30 ERRO 5,9 5,9 -0,5 -3,7 -3,7 -3,7 31,17 100,0 -100,0 -100,0 131 APÊNDICE F - Índices Esclerométricos da Terceira Etapa em obra. 132 CONCRETO COM 14 DIAS DE IDADE FORMA METALICA, TEMP AMBINETE 22ºC, PILAR DE 30cm DE DIAMETRO REGIÃO ACIMA DAS ARMADURAS VALIDOS 35 DESCARTE ERRO Nº 3,9 1 VALIDOS DESCARTE ERRO Nº 32 37 40 40 40 5,0 2 -100,0 3 -100,0 4 -100,0 5 33 32 32 33,7 2,1 19 -5,0 20 -5,0 21 41 46 -100,0 24 -100,0 25 36 35 38 9,8 6 6,8 7 -100,0 8 32 32 36 34 39 3,9 -100,0 10 40 40 -100,0 30 -100,0 31 9 32 43 42 -5,0 11 -5,0 12 6,8 13 0,9 14 -100,0 15 -100,0 16 -5,0 17 34 34 33 35 33 31 33,5 1,4 32 1,4 33 -1,6 34 4,3 35 -1,6 36 -7,6 37 38 -100,0 18 REGIOES ENTRE AS ARMADURAS VALIDOS DESCARTE ERRO Nº 33 39 -100,0 22 1,6 23 35 4,3 26 32 -4,6 27 33 -1,6 28 36 7,3 29 133 APÊNDICE G - Ensaios de compressão em corpos de prova moldados em fôrma cilíndrica de madeira 134 Três moldes cilíndricos de madeira foram construídos especialmente, e cedidos gentilmente pela Construtora Fontana para realização de ensaios de compressão e esclerometria ( A princípio o objetivo foi de executar a esclerometria nos corpos de prova cilíndricos ø10x20 e posteriormente ensaiá-los à compressão. Figura 81 - Dois dos três moldes de madeira cilíndricos. Figura 82 - Detalhe do interior do molde de madeira cilíndrico. 135 Na Figura 83 são visualizados os três corpos de prova moldados com concreto de fck 25MPa. Figura 83 - Os três moldes de madeira concretados. A idéia de realizar esclerometria em CPs ø10x20 concretados tanto em moldes de madeira quanto em moldes metálicos, foi abandonada. A explicação para isso é dada no item 3.1. Entretanto os CPs concretados em moldes cilíndricos de madeira foram ensaiados à compressão, obtendo-se os seguintes resultados: fc1 = 24 MPa fc2 = 27,3 MPa fc3 = 27,8 MPa Descartando o valor do primeiro molde por ter ficado muito abaixo dos valores dos outros dois moldes, obteve-se fcm = 27,6 MPa. Aos 28 dias, o mesmo concreto moldado seguindo a normatização pertinente (ou seja, com moldes cilíndricos metálicos), resultou em uma resistência 136 de 27MPa, um valor muito próximo ao obtido com os moldes cilíndricos de madeira. Esperava-se uma perda significativa de resistência daqueles concretados em moldes de madeira, pois as superfícies não ficaram perfeitamente circulares, embora um deles tenha obtido uma resistência significativamente mais baixa (24MPa). Na Figura 84 - CPs cilíndricos de molde de madeira ensaiados à compressão. Figura 84 - CPs cilíndricos de molde de madeira ensaiados à compressão.