Eletromagnetismo II Aula 12 Exercícios: faça o problema número 20 do Capítulo 18 do livro-texto. Uma cavidade ressonante em forma de paralelepípedo Consideremos uma cavidade ressonante em forma de paralelepípedo, escavada em um material condutor ideal. Seja o paralelepípedo que dá forma à cavidade definido pelos seguintes vértices: (0, 0, 0), (a, 0, 0), (a, b, 0), (0, b, 0), (0, b, h), (0, 0, h), (a, 0, h) e (a, b, h). Neste caso, as ondas no interior da cavidade não são propagantes; são estacionárias. Tomemos uma dependência temporal dada por exp (−iωt) e tentemos o ansatz: ( ²x ²y ²z ) ( ) ny π nz π = E1 f1 (x) sen y sen z exp (−iωt) , b h ( ) ( ) nx π nz π = E2 sen x f2 (y) sen z exp (−iωt) , a h ( ) ( ) nx π ny π = E3 sen x sen y f3 (z) exp (−iωt) , a b para nx , ny , nz = 0, 1, 2, 3, . . ., pois, como as paredes da cavidade são idealmente condutoras e a componente tangencial do campo elétrico é contínua, ²x deve se anular para y = 0, y = b, z = 0 e z = h, ²y deve se anular para x = 0, x = a, z = 0 e z = h e ²z deve se anular para x = 0, x = a, y = 0 e y = b. Supomos E1 , E2 e E3 reais por simplicidade, e devemos encontrar as funções f1 , f2 e f3 . Como no interior da cavidade não há cargas por hipótese, a divergência do campo elétrico deve ser nula e, portanto, ( ) ( ) ∂²x ∂²y ∂²z ny π nz π df1 (x) + + = E1 sen y sen z exp (−iωt) ∂x ∂y ∂z dx b h ( ) ( ) nx π df2 (y) nz π + E2 sen x sen z exp (−iωt) a dy h ( ) ( ) nx π ny π df3 (z) + E3 sen x sen y exp (−iωt) a b dz = 0. Esta igualdade deve ser verdadeira para todo valor de nx , ny , nz , x e y. Tomando um caso em que nx , ny , nz , x e y são não nulos e dividindo esta equação pelo 1 produto sen ( nx π a x E1 ) sen ( ny π b y ) sen ( nz π h z ) exp (−iωt), obtemos: df1 (x) df2 (y) df3 (z) E2 E3 ( ( ) ) + + = 0. n π sen nax π x dx sen yb y dy sen nhz π z dz ( ) A única forma de satisfazer esta condição para todo ponto dentro da cavidade é escolhermos cada um dos termos acima igual a uma constante: E1 df1 (x) = C1 , sen nax π x dx df2 (y) E2 ( ) = C2 , ny π sen b y dy df3 (z) E3 ( ) = C3 , sen nhz π z dz ( ) com C1 + C2 + C3 = 0. Assim, ( ) C1 a nx π f1 (x) = − cos x , E1 nx π a ( ) C2 b ny π f2 (y) = − cos y , E2 ny π b ( ) nz π C3 h cos z . f3 (z) = − E3 nz π h Notemos que poderíamos ter adicionado uma constante a cada uma das funções acima, mas o caso constante já está incluído se considerarmos nx , ny , nz também assumindo o valor 0. Logo, a solução para este problema pode ser escrita como: ( ²x ²y ²z ) ( ) ( ) a nx π ny π nz π = −C1 cos x sen y sen z exp (−iωt) , nx π a b h ( ) ( ) ( ) b nx π ny π nz π = −C2 sen x cos y sen z exp (−iωt) , ny π a b h ( ) ( ) ( ) h nx π ny π nz π = −C3 sen x sen y cos z exp (−iωt) , nz π a b h com C1 + C2 + C3 = 0. Esta solução, como está expressa, implica em ignorarmos os casos em que um dos n0 s é nulo. Para podermos incluir estes casos também, dada a arbitrariedade das 2 constantes introduzidas acima, escolhemos: a , nx π b , = −C2 ny π h . = −C3 nz π E0x = −C1 E0y E0z Com isto, temos: ( ²x ²y ²z ) ( ) ( ) nx π ny π nz π = E0x cos x sen y sen z exp (−iωt) , a b h ( ) ( ) ( ) nx π ny π nz π = E0y sen x cos y sen z exp (−iωt) , a b h ( ) ( ) ( ) nx π ny π nz π = E0z sen x sen y cos z exp (−iωt) , a b h com nx ny nz + E0y + E0z = 0 a b h e nx , ny , nz = 0, 1, 2, 3, . . ., exceto os casos em que pelo menos dois n0 s são nulos. Agora, calculemos β. Da lei de Faraday, temos: E0x i β = − ∇ × ², ω ou seja, βx βy e βz [ ( ) [ ( ) ( ) ( ) [ ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) i ny π nx π ny π nz π = − E0z sen x cos y cos z exp (−iωt) ω b a b h ( ) ( ) ( ) ] nz π nx π ny π nz π − E0y sen x cos y cos z exp (−iωt) h ( a b h ) ( ) ( ) ( ) nz π nx π ny π nz π i ny π E0z − E0y sen x cos y cos z exp (−iωt) , = − ω b h a b h i nz π nx π ny π nz π = − E0x cos x sen y cos z exp (−iωt) ω h a b h ( ) ( ) ( ) ] nx π nx π ny π nz π − E0z cos x sen y cos z exp (−iωt) a ( a b h ) ( ) ( ) ( ) nx π ny π nz π nx π i nz π E0x − E0z cos x sen y cos z exp (−iωt) = − ω h a a b h nx π ny π nz π i nx π E0y cos x cos y sen z exp (−iωt) = − ω a a b h 3 ( ) ( ) ( ) ] ny π nx π ny π nz π − E0x cos x cos y sen z exp (−iωt) b ( a b h ) ( ) ( ) ( ) nx π ny π nz π ny π i nx π E0y − E0x cos x cos y sen z exp (−iωt) . = − ω a b a b h Forma alternativa de tratar este problema Este mesmo problema pode ser resolvido considerando as soluções para o guia de ondas da aula passada, mas com tampas nas extemidades. Assim, os modos TE do guia de ondas, temos: ( ) ( ) nx π ny π = β0 exp (ikz z − iωt) cos x cos y , a b βz que não é trivial quando nx , ny = 0, 1, 2, 3, . . . e n2x + n2y 6= 0. Para uma cavidade construída a partir deste guia, como há reflexão nas tampas, devemos considerar a superposição: βzcav = βz1 + βz2 , onde definimos: ( βz1 ) ( nx π ny π = β1 exp (ikz z − iωt) cos x cos y a b e ( ) ( ) ) ny π nx π x cos y βz2 = β2 exp (−ikz z − iωt) cos a b Como os modos são, por hipótese, TE, temos ²cav = 0 e, da continuidade da z componente normal do campo elétrico, também devemos impor ²cav = ²cav = 0 x em z = 0 e z = h. Mas, de acordo com a aula passada, iω 2 kz2 − ωc2 iω = − 2 ω2 kz − c2 ²cav = − x ) ( iω ∂βz1 − 2 ω2 ∂y kz − c2 cav ∂β z ∂y ( ∂βz2 ∂y ) e iω 2 kz2 − ωc2 iω = 2 ω2 kz − c2 ²cav = y ) ( iω ∂βz1 + 2 ω2 ∂x kz − c2 ∂βzcav , ∂x 4 ( ∂βz2 ∂x ) y de forma que devemos impor: ∂βzcav = 0 ∂x z=0,h e ∂βzcav = 0. ∂y z=0,h Assim, ( ) ( ) ( ) ( ) nx π ny π nx π ∂βzcav = − β1 exp (ikz z − iωt) sen x cos y ∂x a a b ( ) ( ) nx π nx π ny π − β2 exp (−ikz z − iωt) sen x cos y a a b e nx π ∂βzcav ny π ny π = − β1 exp (ikz z − iωt) cos x sen y ∂y a a b ( ) ( ) ny π nx π ny π − β2 exp (−ikz z − iωt) cos x sen y . a a b Impondo as condições acima, concluímos que: β2 = −β1 e kz = nz π , para nz = 0, 1, 2, 3, . . . . h Logo, escolhendo β0z = 2iβ1 , obtemos: ( ) ( ) ( ) ny π nz π nx π βzcav = β0z cos x cos y sen z exp (−iωt) a b h e, para não termos solução trivial, nz 6= 0, isto é, nz = 1, 2, 3, . . . . Calculemos, portanto, o campo elétrico: cav ∂β iω ²cav = − 2 ω2 z x ∂y kz − c2 ( ) ( ) ( ) iω ny π nx π ny π nz π = ( )2 β0z cos x sen y sen z exp (−iωt) 2 nz π a b h − ω2 b h c 5 e iω ∂βzcav 2 ∂x kz2 − ωc2 ( ) ( ) ( ) iω nx π ny π nz π nx π = − ( )2 β0z sen x cos y sen z exp (−iωt) . nz π ω2 a a b h − 2 h c ²cav = y Destas equações, verificamos que as amplitudes que calculamos anteriormente escrevem-se: iω ny π E0x = ( )2 β0z nz π ω2 b − 2 h c e E0y = − ( iω nz π h )2 nx π β0z . 2 − ωc2 a Da relação que obtivemos anteriormente, nx ny nz E0x + E0y + E0z = 0, a b h obtemos: ( ) nz n y π n x n x π ny iω E0z β0z = − ( )2 − 2 nz π h b a a b − ω2 h c = 0. Desta análise, concluímos que obtivemos modos TE, já que nz 6= 0 e, portanto, E0z = 0. Finalmente, notamos que as freqüências possíveis são obtidas da equação de onda: ω2 = c2 ( nx π a )2 ( ny π + b 6 )2 ( nz π + h )2 .