183 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 Ao primeiro dia do mês de Fevereiro do ano dois mil, pelas vinte e uma horas e quarenta minutos, hora a que se obteve o quorum, reuniu a Assembleia Municipal convocada para as vinte e uma horas. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------VERIFICARAM-SE AS SEGUINTES PRESENÇAS: ------------------------------------Marcelo Virgílio Sabino Morgado, Mário de Sousa Tavares, Jorge Manuel Santos Sobral, Pedro Miguel de Oliveira Marques, Faustino Filipe Cunha, Maria Margarida Nave Nunes Maldonado Freitas, Helder Adrião Ferreira, Ana Maria Rodrigues Rebelo da Silva, Natércia Maria Enxuto de Oliveira, Manuel Fernando Apolinário da Fonseca Soares, Mário António Duarte Pacheco, Carlos Manuel Gomes Lopes, Vítor Manuel Antunes Gancho, Manuel Mendes Nunes, Telmo Jorge Gonçalo dos Santos Carlos, Maria José Pinto da Cunha de Avillez Nogueira Pinto e Hugo Patrício Martinho de Oliveira. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------PRESIDENTES DE JUNTA DE: ---------------------------------------------------------------A-dos-Francos, Alvorninha, Caldas da Rainha – Nossa Senhora do Pópulo, Caldas da Rainha - Santo Onofre, Carvalhal Benfeito, Coto, Foz do Arelho, Landal, Nadadouro, Salir de Matos, Salir do Porto, Santa Catarina, São Gregório, Serra do Bouro, Tornada e Vidais, respectivamente: Justino Sobreiro, Virgílio Leal dos Santos, Vasco da Cruz Antunes de Oliveira, Hermínio do Coito Maçãs, Manuel do Rosário Marques Pedro, Carlos de Oliveira Rodrigues, António Páscoa Teles, António Augusto Marques Alexandre, Francisco Gonçalo Daniel, Armindo do Coito Almeida, Abílio Jacinto Luís, António Cabrita Jerónimo, João Manuel Almeida Silva, Joaquim Claro Pereira Horta, António Augusto Isidoro Ferreira Dinis e César Paulo Tempero. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------FALTARAM: ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------MEMBROS ELEITOS: ----------------------------------------------------------------------------Luís Manuel Pereira Monteiro Ribeiro, Alberto Manuel de Oliveira Reis Pereira e José Luís de Melo da Silveira Botelho. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------PRESENÇA DA CÂMARA: ---------------------------------------------------------------------Estiveram também presentes o Senhor Presidente e os senhores Vereadores Fernando Manuel Tinta Ferreira, Eduardo José Rebelo Ferreira, Maria da Conceição Jardim Pereira e João Adelino Marques Pereira. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ALTERAÇÃO DA MESA: ------------------------------------------------------------------------Em virtude de se encontrar doente, o Senhor Presidente da Assembleia Municipal Luís Manuel Pereira Monteiro Ribeiro, foi substituído pelo actual Primeiro Secretário, Vasco da Cruz Antunes de Oliveira. O lugar de Primeiro 184 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 secretário foi ocupado pelo actual Segundo Secretário, Natércia Maria Enxuto de Oliveira e para o lugar de segundo Secretário foi chamada a senhora deputada Ana Maria Rebelo da Silva. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Primeiro Secretário em substituição do Senhor Presidente da Assembleia deu início à reunião começando por cumprimentar os senhores convidados do INAG, Dr. Orlando Borges, Vice Presidente, Engº Rocha Afonso, Director de Projectos e Obras, Engª Laudemira Ramos, Directora dos Serviços do Domínio Hídrico, Engª Ana Seixas, Chefe de Divisão de Ordenamento e Protecção, Engº João Costa, Chefe de Divisão de Obras, Engº Calasans, Técnico responsável pela obra e Engº Rodrigues Vieira, Projectista que aceitaram o convite para prestarem esclarecimentos acerca do tema em discussão, “Estado actual da Lagoa de Óbidos”. -----------------------------------------------------------------------------------------------Uma vez que esta é uma reunião especial, solicitou à Assembleia que não fosse lida a correspondência nem houvesse período de Antes da Ordem do Dia, tendo havido concordância de todos. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ORDEM DO DIA: ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ESTADO ACTUAL DA LAGOA DE ÓBIDOS: ---------------------------------------------O Primeiro Secretário em substituição do Senhor Presidente da Assembleia deu a palavra ao representante do INAG, Dr. Orlando Borges. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Vice Presidente do INAG começou por dizer que está na Assembleia em substituição do senhor Presidente, uma vez que não pode estar presente. Esclareceu que o Instituto da Água começou a ter responsabilidade na gestão costeira a partir de 1993, antes, na jurisdição da Direcção Geral de Portos. Quando essa transferência foi feita, havia duas coisas que se pretendia para a Lagoa de Óbidos. Uma era o Plano de Ordenamento da Área Envolvente da Lagoa de Óbidos e da Baía de S. Martinho. A outra era a execução de “dois molhos” na embocadura no sentido de a fixar. Nessa altura o Ministério do Ambiente, bateu-se e emitiu todos os pareceres em sentido contrário a essa mesma intervenção. Estudos feitos posteriormente, vieram mostrar os prejuízos e toda a implicação que esses “molhos” poderiam ter, podendo entrar mais areia em vez de sair. Para o INAG o importante é basear as intervenções no conhecimento técnico e científico disponível, mas no sentido de o fundamentar e não fazer intervenções de forma casuística que possam resolver o problema. Recordou que todas as lagoas do País estão completamente assoreadas e é isto que mais cedo ou mais tarde vai acontecer à Lagoa de Óbidos. “Estas Lagoas tendem a desaparecer, tendem a assorear e isto é uma luta contra a natureza”. Continuou dizendo que o INAG tem vindo a tentar contrariar aquilo que é uma 185 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 situação normal da natureza. Enumerou todos os estudos que foram feitos e as diversas entidades que nele tiveram intervenção. O trabalho que se fez na Lagoa de Óbidos remonta já a 915.000 mil contos. Estão praticamente acabados os levantamentos topográficos e medições de correntes. Está a ser elaborado um protocolo com o Instituto Topográfico para a dragagem da Lagoa. É no entanto preciso saber que áreas vão ser dragadas, que volumes e quais são os produtos das dragagens e qual é a posição dos dragados. “Há períodos em que se pode dragar e há outros que não. Por isso, uma draga em permanência na Lagoa não é solução tecnicamente correcta”. Entretanto há o problema de onde colocar os dragados. ---------------------------------------------------------------------------------------------Está previsto no princípio de Março começar uma dragagem no Canal Central. Nessa intervenção fazer a valorização das margens da área balnear. Em Março será feito o lançamento do concurso público para dragagem e manutenção dos Canais e Cabeceiras a executar em Setembro. Será também feita a adjudicação para o Plano de Ordenamento e valorização das margens da Lagoa. Nos anos seguintes continuará a ser dada continuidade aos trabalhos. Terminou a sua intervenção dizendo que estão disponíveis para todas as questões que quiserem colocar. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Primeiro Secretário em substituição do Senhor Presidente da Assembleia informou que depois de falarem os técnicos do INAG, poderão os senhores deputados colocar as suas questões. De seguida será dada a palavra às Associações convidadas, Associação S.O.S. e Associação de Mariscadores caso estejam presentes e só depois poderão intervir os membros do público. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Marcelo Morgado interviu para dizer que reconhece que os problemas da Lagoa são bastante complicados, interligando-se uns nos outros e arranjar uma solução global rápida é extremamente difícil. Com base no estudo de impacto ambiental que há cinco anos lhe foi distribuído, nas conclusões havia um conjunto de acções que deviam ser executadas ao longo dos cinco anos consequentes, mas só algumas é que foram feitas. As mais importantes no que diz respeito à dragagem das cabeceiras e do corpo da Lagoa, aquelas que foram feitas não foram suficientes visto que cada vez há mais coroas de areia dentro da Lagoa. Agradeceu ao senhor Engº Rodrigues Vieira o esforço que tem feito para divulgar os problemas da Lagoa. Terminou pedindo que os trabalhos da Lagoa que estão programados, não sejam mais uma vez adiados. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A senhora de deputada Maria José Nogueira Pinto começou por dizer que o Dr. Orlando Borges disse que a partir de 1994 o INAG tomou conta desta questão. Logo, terá desenvolvido um conjunto de diligências que estariam todas integradas num projecto com princípio, meio e fim. Ficou surpreendida por uma 186 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 intervenção do senhor Secretário de Estado em 1996, que pelas suas palavras, dá ideia que tudo o que foi feito até 1996 nada foi aproveitado, havendo assim uma contradição em relação àquilo que acabou de dizer o senhor Vice Presidente do INAG. O que o senhor Secretário de Estado veio dizer foi que tudo o que estava feito tinha contradições, havia desiconomia e desarticulação. Um ano mais tarde a senhora Ministra acusa as Câmaras Municipais de não fazerem a parte que lhes compete. Mas nessa mesma altura o senhor Secretário de Estado dos Recursos Naturais dizia que tudo estava a ser feito em conjunto com as Câmaras. Perguntou quantos projectos foram feitos para a Lagoa de Óbidos e se agora está a ser cumprido qual projecto. Nunca foi dito que provavelmente o futuro da Lagoa não vai ser aquilo que as pessoas esperam, ou seja, foram criadas expectativas em relação a resultados destes trabalhos. O senhor Vice Presidente do INAG disse que na Lagoa estas intervenções destinam-se a retardar qualquer coisa que acontecerá, completamente diferente daquilo que diz o Poder Central, que a partir de agora está tudo sob controle. Para terminar deixou duas questões. A primeira é se estas são as medidas possíveis e destinam-se a retardar o efeito inevitável. A segunda é saber se este projecto que arranca com o apoio do LENEC, do Instituto da Dinamarca e com toda a técnica disponível. “Se é esse projecto que está em marcha, o que é que queria dizer o senhor Secretário de Estado Ricardo Magalhães quando em 1997 disse que estava tudo mal. Era um projecto que do ponto de vista técnico se confirmou que havia desiconomia, desarticulação e não era um sistema integrado...” -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Mário Tavares recordou aquilo que o senhor Engº Rodrigues Vieira disse, que estavam a lutar contra a natureza que pretende fazer desaparecer a Lagoa de Óbidos. Na realidade o que se está a fazer na Lagoa é um trabalho que hoje se faz e amanhã se desfaz, nunca estando concluído embora faça a Lagoa durar mais algum tempo. Por outro lado se não se tratarem dos problemas que são a base dos males pelos quais a Lagoa passa, nunca se consegue vencer. O importante é fazer com que a Lagoa deixe de estar poluída e para isso as Câmaras Municipais e o Governo têm uma importância decisiva e também o tratamento da desembocadura dos rios parece-lhe importantíssima. Era do maior interesse que se tornasse a Lagoa uma zona de paisagem protegida e fosse implementada a Comissão que aqui foi aprovada. Com o empenho de todos, o esclarecimento e a protecção da zona da Lagoa tanto no aspecto da poluição como de construção, plantação de eucaliptos e tanta coisa que a prejudicam, deviam ser tratados globalmente. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Vereador Eduardo Ferreira pediu a palavra para dizer que com toda a boa vontade temos de reconhecer que as soluções que foram adoptadas não estão a resolver o problema. O que se pretendia com a obra que foi feita, era 187 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 aumentar a velocidade de circulação da água para haver arrastamento dos sólidos, mas isso não está a acontecer. Na sua opinião há uma contradição em relação àquilo que foi dito. Foi dito que a tendência é para que a Lagoa morra e que cada vez tenha mais sedimentos. Por outro lado argumenta-se que não se devem tirar sedimentos da Lagoa porque isso é contra a sua vida. Houve alguma coisa que falhou porque neste momento há mais areia dentro da Lagoa e não era isso que se pretendia. Solicitou que se veja onde é que as coisas falharam e tentar remediar. “Porque não retirar alguma areia de dentro da Lagoa e pudesse ser vendida? Porque não, pensar nas pequenas dragas que estavam previstas?”-----------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Faustino Cunha recordou os seus tempos de juventude em que se brincava na Lagoa que nessa altura era de águas profundas. Todos sabem que ao longo de três décadas o assoreamento tem sido uma realidade e que tem provocado a anulação da Lagoa. Pelas suas contas temos um milhão de metros cúbicos de assoreamento por ano. Ou se consegue tirar esta areia de dentro da Lagoa ou então há uma incapacidade de resolver o problema da mesma. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Mário Pacheco começou por falar na proposta aprovada nesta Assembleia Municipal para criação de um Observatório da Lagoa. Há questões que vistas à distância não são sentidas da mesma forma como as populações da região sentem. Um representante do INAG disse que irão ser gastos na Lagoa cerca de duzentos e cinquenta mil contos por ano. Quando surge um problema na Lagoa, o Governo avança com a obra o mais rapidamente possível, ou seja, o projecto de execução e a obra avança tudo ao mesmo tempo. Na sua opinião e porque é um assunto complicado, deveria ser apresentado o projecto de execução antes da obra ser feita. Há que abandonar a ideia que já hoje aqui foi apresentada de que a Lagoa está moribunda. A ideia do Observatório era juntar as duas Câmaras e o Ministério da Agricultura. Quanto à venda dos dragados disse que para a construção civil, sem as areias serem lavadas é completamente impossível. No entanto podem servir para tapar valas, aterros ou outros casos. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Jorge Sobral pediu a palavra para dizer que se lembra que a Lagoa sempre fechou e lembrou uma história que se conta, que quando a Lagoa fechava, eram os camponeses que a iam abrir e muita gente das Caldas deslocava-se ao local para ouvir o “urro” que dava a Lagoa quando fazia a sualigação com o mar. É do tempo de quando a Lagoa estava fechada e muito cheia, ela chegava ao Castelo de Óbidos. Na opinião de diversas pessoas, o principal problema da Lagoa é aquilo que ao longo destes anos se tem feito, que é a construção nas suas margens. Há alguns anos a Lagoa chegou a estar 188 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 fechada um Verão inteiro e não houve nenhum problema. Hoje ela não pode estar fechada durante uma semana, devido à sua carga poluente. Na sua opinião é uma pena que não esteja presente a Associação de Municípios do Oeste para poder informar do que se está a fazer ao nível dos esgotos nos diversos Concelhos limítrofes. Adiantou que seria bom que numa próxima reunião, no período de Antes da Ordem do Dia, fosse trazida uma relação das obras que estão a ser feitas nesse sentido. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Vereador Eduardo Ferreira pediu a palavra para responder a algumas questões, na sua opinião graves para que fiquem sem resposta, que é sobre o urbanismo. Informou que o Decreto nº 32/93 regula toda a orla costeira numa faixa de dois quilómetros e que os principais mentores foram a CCRLVT, o INAG e a Câmara das Caldas que também pertence a essa Comissão de Acompanhamento onde foram definidas as regras urbanísticas por onde se regem a Lagoa e o seu espaço envolvente, assim como o espaço entre a Foz do Arelho e S. Martinho do Porto. Nunca ninguém acusou a Câmara das Caldas de estar a violar esse Decreto e disse que se alguém souber dalguma violação que o comunique ao Ministério Público e ao IGAT. Na sua opinião o que foi referido anteriormente foi que se o problema da poluição for resolvido, está solucionado o problema da Lagoa. Informou que vai ser construído um emissário submarino para tirar a poluição de dentro da Lagoa e vai ser feita a consignação na próxima sexta feira. Da forma como as coisas são ditas fica a ideia que a Câmara das Caldas nada faz em relação à poluição. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Jorge Sobral pediu a palavra para responder à intervenção anterior e dizer que não vejam nas suas palavras nenhuma acusação directa nem para o senhor Vereador nem para o seu Partido. No entanto foi bom lembrar que dentro das responsabilidades, há uns mais responsáveis que outros. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da Câmara começou por agradecer a disponibilidade do INAG e dos seus técnicos para virem às Caldas esclarecer questões que são essencialmente técnicas, já que as questões políticas pertencerão ao Governo. Disse não ser hoje a altura própria para se esgrimirem as razões de carácter político local. A Lagoa é mais uma questão Regional e Nacional do que puramente Concelhia. É obrigação da Câmara tudo fazer para que a Lagoa possa viver o maior número de anos. A Lagoa é um factor importante tanto nos aspectos turísticos, paisagísticos como comerciais, mas também dá vida a muitos seres e é um importante ponto de reprodução de inúmeras espécies piscícolas e de outra natureza. “Quando a Lagoa se tornar um areal, tudo isto acaba”. A Lagoa tem dois problemas graves. O assoreamento e a poluição. Lembrou que há alguns anos chegava muito mais carga poluente à Lagoa do 189 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 que hoje, visto que há vinte ou trinta anos não havia qualquer tratamento na Lagoa. -------------------------------------------------------------------------------------------------Para terminar deixou algumas perguntas aos técnicos do INAG. ---------------------“A ameaça da Lagoa é o assoreamento no seu interior. As coroas de areia são ou não uma ameaça à ligação da Lagoa com o mar? ------------------------------------Os milhões de metros cúbicos de areia que existem dentro da Lagoa e que estão a ocupar o espaço da água, devem ou não sair? ------------------------------------------Para a hipótese de tirar essa areia, há ou não prejuízo grave para o resto da Costa do País ou para as praias a Norte ou a Sul? ---------------------------------------Falou-se num muro submerso e numa “aberta” permanente fixa que aumentasse a velocidade da água na vazante para arrastar as areias, evitando assim as dragas. Atendendo a que grande parte deste canal ao fim de um ano está já assoreado, não era preferível e caso a areia esteja a mais dentro da Lagoa e a sua retirada não traga prejuízos às outras praias, dragar mais? -----------------------Se a areia não é útil à Lagoa nem prejudicial às outras praias, se se paga a si própria, ou seja, que a areia que se extrai tem um valor que paga a dragagem, porque há tanta hesitação em fazê-lo? -------------------------------------------------------Continuou dizendo que se o problema da poluição está com uma perspectiva de resolução. A grande preocupação deve ser a questão do assoreamento. Deixou claro que a Câmara não pretende obter receita com a venda da areia. Perguntou se aquilo que foi defendido que era a construção de um muro submerso como forma de criar um canal permanente com mais velocidade e mais capacidade de absorção de areia e limpeza da Lagoa, se de facto aquilo que lá está feito tem essa função ou tem apenas a função de protecção da margem Norte da mesma. Terminou a sua intervenção deixando mais uma pergunta. -----------------------------“A ideia que houve e que o Ministério do Ambiente aprovou e lançou, de ter uma ou duas dragas, ainda que mais pequenas, permanentemente a trabalhar na Lagoa, podendo percorrer todas as zonas mais assoreadas, não é uma solução bem preferível a esta de todos os anos ter que haver um concurso público para uma dragagem? ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Dr. Orlando Borges do INAG usou da palavra para dizer que antes de dar a palavra aos técnicos, pretendia esclarecer algumas questões. Em relação à draga que está na Lagoa, irá começar o seu trabalho no mês de Fevereiro e é na decorrência de um concurso limitado. Quanto aos duzentos e cinquenta mil contos a investir por ano na Lagoa, disse que neste momento o problema não é orçamental mas sim por outras dificuldades. Em relação ao destino dos dragados, uns poderão ser comercializados, outros poderão ser utilizados em aterros. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Engº Rodrigues Vieira, técnico do INAG começou por tentar responder 190 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 às questões colocadas pelo senhor Presidente da Câmara e relativamente à primeira questão disse que é evidente que as coroas de areia são uma ameaça para o futuro da Lagoa. O problema começa nos lodos, nas cabeceiras e nas margens. O facto de se ter reduzido a área da Lagoa, contribuiu para acelerar um processo de desiquilíbrio morfológico que tem como consequência, entrar mais areia dentro da Lagoa pela sua embocadura. ---------------------------------------Houve uma amostragem de fotografias, algumas de 1947, onde se vê claramente as diferenças entre a Lagoa de então e a de agora. Disse que as coroas de areia na entrada não devem ser mexidas. Respondendo a outra questão disse que as areias devem sair da Lagoa. Ao retirar-se as areias de dentro da Lagoa estão a interferir num dos mecanismos que controla a embocadura. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Mário Pacheco perguntou se foi ou não um erro a abertura de um canal que arrastou os sedimentos para a Lagoa. Outro erro na sua opinião foi o depósito dos dragados junto às margens da Lagoa. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Engº Rodrigues Vieira do INAG interveio novamente dizendo que os pescadores são da opinião de que o canal Sul deveria ser reactivado. Não discorda, no entanto há que haver um pouco mais de paciência e na altura de o reactivar, fazê-lo com conhecimento de causa. Neste momento pode ser perigoso. A função do canal não é tanto ser um muro guia. É sobretudo uma obra de contenção, contribuindo para que o canal esteja estabilizado nesta posição. Não querem correr o risco de se desenvolver novamente o canal Norte e de haver erosão muito próximo do cordão litoral. Ao estabilizar-se este canal, automaticamente protege a margem Sul. Tudo aquilo que está no projecto está confirmado pelas medições efectuadas. Relativamente às dragas em permanência é um assunto que o transcende. Acha no entanto que é uma alternativa que o INAG não deve excluir. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da Câmara fez uma pergunta que também a ele lhe foi colocada acerca do dique. Uma vez que as estacas têm cerca de onze metros e estão enterradas apenas seis metros, se o canal viesse para Norte e encostasse às estacas, perguntou se poderia haver o perigo de as arrastar. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Engº Rodrigues Vieira concluiu que é falsa essa preocupação e explicou a sua afirmação. Criticou a intervenção do senhor Vereador Eduardo Ferreira que tirou conclusões erradas de que o projecto falhou. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Vereador Eduardo Ferreira pediu a palavra para dizer que o que foi dito pelo INAG é que ia ser feito um canal para retirar areia e não, colocar mais areia dentro da Lagoa que foi aquilo que aconteceu. ---------------------------------------------- 191 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 O senhor Engº Rodrigues Vieira disse que o que está escrito no projecto é que nos primeiros anos, há que fazer uma manutenção do canal. Espera que daqui a quatro ou cinco anos comece a ser preciso menos manutenção, à medida que o equilíbrio morfológico da Lagoa se for restabelecendo. O que está a ser pedido é uma solução miraculosa, que a embocadura nunca feche e que as correntes sejam reguladas, com um ponto de partida que é uma Lagoa completamente destruída. Acha que é possível, admitindo que vai haver capacidade para fazer este investimento nas dragagens maciças das cabeceiras, recuperar o equilíbrio morfológico da Lagoa numa proporção que com o esforço reduzido de manutenção, ela se possa manter viva. Para manter a Lagoa viva é preciso um esforço permanente muito grande de manutenção. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------INTERVENÇÃO DO PÚBLICO: ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------De seguida usou da palavra um membro do público, o senhor Fernando Sousa que chamou à atenção dos técnicos do INAG para o facto da Lagoa estar praticamente fechada. Perguntou se a próxima intervenção na Lagoa no valor previsto de duzentos e cinquenta mil contos é para activar o canal, do esporão até à “aberta”. Se assim for, vai complicar mais o assoreamento na Lagoa. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Engº Rodrigues Vieira explicou que será para manutenção do canal e será analisada a melhor forma de a fazer. Em cada manutenção que se fizer, vêse o que está no terreno e é analisado. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Jorge Fernandes, membro do público pediu que lhe fosse fornecida a documentação já solicitada por várias vezes. Informou o INAG que esteve esta semana na Lagoa e no canal tinha água pela cintura. Criticou o facto de uma obra destas, passados dois meses estar nesta situação. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Engº Rodrigues Vieira informou que o processo de recuperação da Lagoa está lançado e acredita que vá para a frente mas vai também ser precisa vontade política e sobretudo tem que ser concretizada a nível das Entidades e Instituições locais. Em primeiro lugar e para já é preciso encontrar zonas que possam ser opções alternativas para deposição das dragagens que vão ser feitas na zona das cabeceiras. O que for dragado da zona das coroas pode ser utilizado para reforçar o cordão litoral, visto que é material limpo. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------De seguida falou o senhor Fernando do público para dizer que cada vez há mais areia na Lagoa e perguntou: “Houve um estudo e um projecto que mostraram ao público. Pensaram quanto é que iam retirar à bacia da Lagoa para fazer o vosso projecto? Quanto é que roubaram de água para fazer o projecto? Roubaram 192 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 muita água à Lagoa, onde ela existia e deixou de existir”. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Fernando Sousa do público pediu a palavra para dizer que um dos estudos de impacto ambiental de 1994, dizia: “O empreiteiro deve planear as operações de dragagem por forma a diminuir o risco de colocar material em suspensão que possa ser arrastado pelas correntes de enchente para o interior da Lagoa”. Pediu aos técnicos do INAG que vão agora avançar com a obra na Lagoa, que não permitam que a draga vá dragar as areias com a maré a encher. Porque o grande problema e o grande assoreamento no canal que foi feito foi que a draga tanto trabalhou na vazante como na enchente, ou seja, sem controle. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------A senhora Engª Ana Seixas usou da palavra para dizer que isto não pode ser visto como uma tragédia mas sim como um fenómeno natural que pode e tem vindo a ser contrariado. Tradicionalmente a população tendeu a concentrar-se junto da água e isso pode ser prejudicial tanto para a Lagoa de Óbidos como para qualquer uma. Ainda que possa haver tentativas de sistemas de tratamento, em termos práticos, na verdade, hoje polui-se mais. Falou da riqueza da Lagoa de Óbidos, como as populações de bivalves e de peixes que têm vindo a ser afectadas por diversos factores. No estudo de impacto ambiental diz que vai haver consequências ao nível das populações de bivalves, que será recuperado num período de quatro ou cinco anos. Terminou dizendo que há que dar um pouco de tempo e também há que haver um pouco de confiança na administração que pôs à disposição deste projecto o melhor da sua capacidade interna que o País tem para resolver este tipo de problemas. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Pedro Marques pediu a palavra para dizer que pelo que ouviu, tecnicamente é possível a recuperação da Lagoa. E num País onde se gastam milhões de contos “num Mundial de futebol”, espera que o senhor Ministro do Ambiente tenha o empenhamento necessário para a recuperação da Lagoa de Óbidos. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Faustino Cunha pediu a palavra para dizer que na sua intervenção anterior disse que o assoreamento era de um milhão de metros cúbicos por ano. Ouviu agora falar em cinquenta mil metros cúbicos. Assim sendo o problema é menor do que pensava. Percebeu que a vontade de depositar os dragados em frente à Lagoa, já no mar. Pergunta se as correntes dominantes não são de Norte para Sul e assim sendo se não seria melhor serem colocados a Sul da própria Lagoa, podendo assim abastecer outras praias. Lembrou que está em construção o IC1 que precisa de milhões de metros cúbicos de terrenos para terraplanagens. Está em concurso o IP6 entre Peniche 193 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 e Dagorda na mesma situação. Criticou a situação de que os concorrentes estão a procurar encontrar os terrenos de que necessitam e nem sequer os projectos apontam os locais onde deverão ser encontrados. Perguntou se os dragados da Lagoa não poderão ser utilizados nestas obras. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Senhor Presidente da Câmara usou da palavra para dizer que de facto os empreiteiros que estão a fazer os troços das vias à volta das Caldas estão a debater-se com a necessidade de terras para zonas de aterro. Quer nos braços da Barrosa quer a Nascente do cais, foram depositados dragados que por falta de outro espaço, ocuparam a área da Lagoa. Perguntou se aqueles inertes que não têm valor para a construção, não seria uma excelente oportunidade para serem utilizados e daí retirados. Disse que sugeriu aos técnicos dessas obras que contactassem o Ministério do Ambiente e o INAG. Terminou a sua intervenção agradecendo a todos os que intervieram nesta reunião e em especial aos técnicos do INAG. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor deputado Mário Pacheco pediu a palavra para chamar à atenção para a grande extensão de eucaliptos à volta da Lagoa que no seu modo de ver, poderá ser tão grave ou mais do que o resto da agricultura à volta da Lagoa. Queria sensibilizar os senhores convidados para a criação do Observatório, aprovado por esta Assembleia, completando assim o trabalho desenvolvido pelo INAG. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Engº Rodrigues Vieira interveio para dizer que quando o senhor deputado Faustino Cunha fala num milhão de metros cúbicos de areia, refere-se à bacia hidrográfica, enquanto que os cinquenta mil metros cúbicos são só no canal. Relativamente à questão do lançamento dos sedimentos na zona do cordão litoral, depende da época do ano. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O senhor Dr. Paulo Lemos do Polo do Ministério do Ambiente nas Caldas da Rainha usou da palavra para responder à pergunta do Senhor Presidente da Câmara. De facto os empreiteiros já o contactaram. Quanto às areias do fundo da Lagoa não são aproveitáveis por serem demasiado finas. No entanto as terras que eventualmente venham a ser retiradas da área a desafectar da Lagoa já poderão ter alguma utilidade. Esta terá que ser uma decisão do INAG em conjunto com o Ministério do Ambiente, tendo que ser uma decisão rápida. Em relação às areias que estão a ser exploradas actualmente, esclareceu que tem conhecimento de que uma parte delas irá ser utilizada na auto-estrada. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O Primeiro Secretário em substituição do Senhor Presidente da Assembleia encerrou a reunião agradecendo em nome da Mesa da Assembleia Municipal ao 194 ASSEMBLEIA MUNICIPAL DAS CALDAS DA RAINHA ACTA SESSÃO DE 07 de DEZEMBRO REUNIÃO DE 01 de FEVEREIRO 2000 senhor Dr. Orlando Borges e aos técnicos do INAG que o acompanharam. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------APROVAÇÃO EM MINUTA -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Assembleia aprovou em minuta o relato dos assuntos constantes da agenda de trabalhos. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------HORA DE ENCERRAMENTO -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Era uma hora do dia dois de Fevereiro do ano dois mil, quando pelo Senhor Presidente da Assembleia foi dada por encerrada a reunião da qual se lavrou a presente acta que vai ser assinada pela Mesa. ---------------------------------------------