PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA Francianne Santos Gonzaga de Carvalho Extrusão a Quente de Tubos: Análise Experimental da Distribuição de Tensões Residuais na Parede do Tubo São João Del Rei, 2013 i Francianne Santos Gonzaga de Carvalho Extrusão a Quente de Tubos: Análise Experimental da Distribuição de Tensões Residuais na Parede do Tubo Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Universidade Federal de São João del-Rei, como Requisito para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Mecânica Área de Concentração: Materiais e Processos de Fabricação Orientador: Frederico Ozanan Neves São João Del Rei, 2013 ii Ficha catalográfica elaborada pelo Setor de Processamento Técnico da Divisão de Biblioteca da UFSJ Cavalho, Francianne Santos Gonzaga de C331e Extrusão a quente de tubos: análise experimental da distribuição de tensões residuais na parede do tubo[manuscrito] / Francianne Santos Gonzaga de Carvalho. – 2013. 74f . ; il. Orientador: Frederico Ozanan Neves Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de São João del-Rei. Departamento de Engenharia Mecânica . Referências: f. 75-80. 1. Extrusão de tubos de alumínio - Teses. 2. Tensões residuais - Teses. 3. Alumínio – Teses. I. Neves, Frederico Ozanan(orientador) II. Universidade Federal de São João Del- Rei. Departamento de Engenharia Mecânica. III. Título CDU: 669.71 iii iv DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus pais que puderam me dar a oportunidade da educação v AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, sempre pelo amparo nos momentos de fraqueza. Ao meu orientador, Professor Frederico, pela oportunidade, paciência, por acreditar neste trabalho, pela ajuda nos momentos em que estive distante, enfim, por todos os ensinamentos. A todos os professores e secretária do Programa de Mestrado em Engenharia Mecânica da UJSF, pela contribuição, especialmente ao Professor Lincoln, pela ajuda na construção da ferramenta. Aos técnicos, Camilo, Luiz e Emílio pela dedicação na confecção da ferramenta, corpos de prova e condução do experimento. À coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela bolsa que me foi concedida. A todos amigos e companheiros de estudo, em especial, Camila, Sávio, Ana Paula, Robson, Diogo, Caíque e Elifas. Ao aluno de Iniciação Científica, Frederico, pela ajuda no experimento. Às minhas colegas de moradia, Rachel, Patrícia, Mariana, Manuella e Potira, pelo companheirismo, risadas, apoio nas horas difíceis, enfim, todos os momentos que passamos juntas. À Fátima, pela dedicação e carinho. Em especial, a meu noivo, Luciano, sem seu incentivo este trabalho não teria se concretizado. Aos meus pais, pela oportunidade de estudo e minhas irmãs, pelo carinho. À todos que contribuíram para a realização deste trabalho, de forma indireta. vi EPÍGRAFE “O gênio é composto por 2% de talento e de 98% de perseverante aplicação.” Ludwig Van Beethoven vii RESUMO As operações de manufatura podem provocar o aparecimento de tensões residuais. Estas podem estar presentes nos componentes e tem importante papel na resistência às solicitações, pois elas se somam às tensões externas atuantes, podendo aumentar ou diminuir sua magnitude, determinando assim a capacidade de carga e vida útil do componente. Este trabalho investiga a distribuição de tensões residuais na parede de tubos de alumínio extrudados a quente, estabelecendo o mapa de intensidade e de natureza (compressiva ou trativa). Foram confeccionados corpos de prova em tarugos de alumínio comercialmente puro, com dimensões 20 x 5 mm (diâmetro x altura). Os corpos de prova foram deformados em três temperaturas acima da temperatura de recristalização do alumínio. Também foram feitas extrusões de corpos de prova com três ângulos diferentes de matrizes e duas reduções diferentes. Em seguida os corpos de prova foram seccionados em relação ao seu eixo de simetria longitudinal para expor a seção transversal da parede do tubo. Ensaios de microdureza instrumentada foram executados para avaliar as tensões residuais ao longo da parede do tubo e confirmar os resultados de tensão residual. Para avaliação foram feitas análises estatísticas de resultados experimentais obtidos através de planejamento fatorial completo aleatorizado por níveis, onde a variável de resposta foi a dureza medida na parede do tubo. Para garantir a repetibilidade do processo foram realizadas 4 réplicas para cada ensaio. Foram encontradas condições favoráveis de extrusão, com indução de tensões residuais compressivas nas paredes interna e externa dos tubos. Palavras chave: extrusão de tubos, tensões residuais, alumínio viii ABSTRACT Manufacturing process induce residual stresses on the parts. These may are present in the mechanical components and have an important influence in their mechanical strength as they are added to the external stresses and may increase or decrease its magnitude, thus determining their load strength and life. This study investigate the distribution of residual stresses in the wall of hot extruded aluminum tubes, setting the map of intensity and nature (compressive or tensile, Samples of commercially pure aluminum with dimensions 20 x 5 mm (diameter x height) were hot extruded at three temperatures above the recrystallization temperature of aluminum. Three angles of tool and two thin wall were tested. Then the specimens were sectioned in its longitudinal axis of symmetry to expose the cross section of the tube wall. Instrumented microhardness tests were performed to evaluate the residual stress along the wall of the tube and evaluate the residual stress. A statistical analyzes were done using a full factorial design, randomized by levels. To ensure repeatability of the process, four replicates were done to each test. We found favorable conditions of extrusion, with induced compressive residual stresses in the inner and outer walls of the tubes. Keywords: Residual stress. Aluminum. Hot extrusion. ix Lista de Figuras Figura 1- Processo de extrusão (LAUE and STENGER, 1981) ............................................... 4 Figura 2- Extrusão direta ........................................................................................................ 6 Figura 3- Extrusão indireta ..................................................................................................... 7 Figura 5- Início da extrusão de um tubo com tarugo maciço (DIETER, 1981) ...................... 10 Figura 6- Extrusão do tubo com tarugo maciço (DIETER, 1981) .......................................... 10 Figura 7- Representação esquemática do processo de extrusão a quente de tubos ................. 11 Figura 8- Gráfico da pressão de extrusão de acordo com o percurso do pistão nas extrusões direta e indireta (DIETER, 1981) ......................................................................................... 12 Figura 9- Ângulo de uma matriz de extrusão (LAUE and STENGER, 1981) ........................ 13 Figura 10- Tensões residuais desenvolvidas junto à superfície de uma peça sendo esmerilhada (MODENESI, 2008) ............................................................................................................ 14 Figura 11- Padrão típico de distribuição de tensões residuais ao longo da seção de um eixo (OGATA, 2003) ................................................................................................................... 15 Figura 12- Superposição de tensão residual e tensão aplicada (NUNES, 2008) ..................... 17 Figura 13- Tensões residuais do Tipo I (NUNES, 2008) ....................................................... 20 Figura 14- Tensões residuais do Tipo II (NUNES, 2008) ..................................................... 21 Figura 15- Tensões residuais do Tipo III (NUNES, 2008) .................................................... 22 Figura 16- Espalhamento e difração de raios-X em um arranjo cristalino (NUNES, 2008).... 27 Figura 17- Princípios da medição de tensões residuais pela difração de raios-X (NUNES, 2008)............ ........................................................................................................................ 28 Figura 18- Elipsóide de tensões deformações (GUIMARÃES, 1990) ................................... 30 Figura 19- Modelo de tensões elástico planas (NUNES, 2008) ............................................. 31 Figura 20- Contato entre indentador e material (ANTUNES, 2006) ...................................... 34 Figura 21- Esquema de ensaio de indentação com indentador piramidal (CIMM, 2011) ....... 35 Figura 22- Gráfico entre força de indentação e profundidade de indentação (SUTERIO, 2005)........... ......................................................................................................................... 36 x Figura 23- Base inferior e punção piramidal ......................................................................... 38 Figura 24- Container inferior e container superior ................................................................ 38 Figura 25- Suporte superior da matriz e matriz ..................................................................... 39 Figura 26- Base superior e pistão ......................................................................................... 39 Figura 27- À esquerda, foto do forno de mufla utilizado para tratamento térmico, ao centro, foto da ferramenta montada e à direita, detalhe da base com o punção. ................................. 40 Figura 28- Ordem de montagem das peças da ferramenta de extrusão .................................. 40 Figura 29- Matrizes e punções.............................................................................................. 40 Figura 30- Fotos dos corpos de prova ................................................................................... 41 Figura 31- À esquerda, interior da ferramenta montada, e à direita, grafite em pó ................. 41 Figura 32- Extrusão dos tubos com prensa hidráulica ........................................................... 42 Figura 33- Resíduos retirados após a extrusão dos corpos de prova, punção cônico (à esquerda), e punção redondo (à direita) ................................................................................ 42 Figura 34- À esquerda, foto do tubo na ferramenta desmontada após extrusão, e à direita, detalhe do tubo aderido ao punção redondo .......................................................................... 43 Figura 35- Fotos dos corpos de prova após tentativas de extrusão com alumínio ASTM 6351T6.......... .............................................................................................................................. 44 Figura 36- Tubo seccionado longitudinalmente .................................................................... 44 Figura 37- Policorte Mesotom .............................................................................................. 44 Figura 38- Máquina de embutir e Politriz ............................................................................. 45 Figura 39- Ultra Micro Durômetro ....................................................................................... 46 Figura 40- Amostras embutidas em baquelite ....................................................................... 46 Figura 41- Detalhe da indentação ......................................................................................... 47 Figura 42- Resultado direto de dureza obtido para a amostra 2, do corpo de prova extrudado a 400 º C, matriz de 15 graus e espessura do tubo de 2,5 mm .................................................. 48 Figura 43- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 400° e espessura de tubo de 2,5 mm ............................................................................................. 53 xi Figura 44- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 450° e espessura de tubo de 2,5 mm ............................................................................................. 54 Figura 45- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 500° e espessura de tubo de 2,5 mm ............................................................................................. 54 Figura 46- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 400° e espessura de tubo de 3,5 mm ............................................................................................. 55 Figura 47- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 450° e espessura de tubo de 3,5 mm ............................................................................................. 55 Figura 48- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 500° e espessura de tubo de 3,5 mm ............................................................................................. 56 Figura 49- Gráfico de deslocamento x força, para extrusão de tubos com matrizes de ângulos curvos e punções retos (CHITKARA E ALEEM, 2001) ....................................................... 56 Figura 50- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise interna ................................ 57 Figura 51- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise interna ................................ 58 Figura 52- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise interna ................................ 58 Figura 53- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise externa ................................ 59 Figura 54- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise externa ................................ 59 Figura 55- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise externa ................................ 60 Figura 56- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise interna ................................ 60 Figura 57- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise interna ................................ 61 Figura 58- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise interna ................................ 61 xii Figura 59- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise externa ................................ 62 Figura 60- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise externa ................................ 62 Figura 61- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise externa ................................ 63 Figura 62- Gráfico de micro dureza para cilindros de alumínio extrudados a frio com matrizes de ângulos 30º, 45º e 60º (CHAUDHARI et al., 2012) ......................................................... 63 Figura 63- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 15° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 2,5 mm ................. 65 Figura 64- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 24° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 2,5 mm ................. 65 Figura 65- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 30° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 2,5 mm ................. 66 Figura 66- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 15° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 3,5 mm ................. 66 Figura 67- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 24° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 3,5 mm ................. 67 Figura 68- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 30° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 3,5 m .................... 67 Figura 69- À esquerda, foto dos punções utilizados, à direita, gráfico com a carga requerida para extrusão para cada tipo de punção, conical (cônico), ogival (ogival) e polynomial (redondo) (CHITKARA E ALEEM, 2001)........................................................................... 68 Figura 70- Gráfico de dureza média em relação ao tipo de punção para a temperatura 450° Celsius, superfície de análise interna e espessura do tubo de 2,5 mm .................................... 69 Figura 71- Gráfico de dureza média em relação ao tipo de punção para a temperatura 450° Celsius, superfície de análise externa e espessura do tubo de 2,5 mm ................................... 69 Figura 72- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, compunção cônico, a 400, 450 e 500 graus Celsius, respectivamente ................................................................................... 70 xiii Figura 73- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, com punção cônico, a 500, 450 e 400 graus Celsius, respectivamente ................................................................................... 71 Figura 74- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, com punção redondo, a 400 e 450 graus Celsius, respectivamente ...................................................................................... 71 Figura 75- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, com punção redondo, a 400 e 450 graus Celsius, respectivamente ...................................................................................... 71 xiv Lista de Tabelas Tabela 1- Faixas de temperatura para extrusão de vários metais (CIMM, 2011) ..................... 9 Tabela 2- Mecanismos básicos de geração de tensões residuais (RODACOSKI, 1997 citado por OGATA, 2003) .............................................................................................................. 16 Tabela 3- Composição química do Alumínio ASTM 6351-T6 (ABNT/CB-35 Alumínio) ..... 43 Tabela 4- Resultados dos ensaios de ultra micro dureza........................................................ 49 Tabela 5- Análise de Variância ............................................................................................ 51 Tabela 6- Resultados de dureza para os punções redondo e cônico, nas mesmas ................... 51 Tabela 7- Analise de variância para os tipos de punção ........................................................ 52 Tabela 8- Análise de variância para o punção redondo ......................................................... 52 Tabela 9- Análise de variância para o punção cônico............................................................ 53 xv Lista de Abreviaturas e Siglas Letras Latinas A0 área projetada da indentação [mm²] Af área final da seção transversal do tarugo [mm²] Ai área inicial da seção transversal do tarugo [mm²] d espaçamento entre planos cristalinos D detector de Raios-X [] d0 distância interplanar [] dϕ0 espaçamento entre planos cristalinos para material livre de tensões residuais [Å] [Å] E Módulo de Elasticidade F força de extrusão K resistência específica à extrusão [] n ordem de difração [] N perpendicular à superfície [] P0 carga residual de indentação do material livre de tensões residuais [N] Pc carga residual de indentação do material com tensões residuais [N] Pres [GPa] [N] carga residual de indentação do material com tensões residuais menos a carga de indentação do material livre de tensões residuais [N] Pt carga residual de indentação do material com tensões residuais [N] S fonte de Raios-X [] xvi Letras Gregas ε1 direção principal [] ε2 direção principal [] ε3 direção principal [] εx deformação linear [mm/mm] εϕψ deformação [mm/mm] λ comprimento de ondas de Raios-X ψ ângulo de rotação σ1 tensão principal [MPa] σ2 tensão principal [MPa] σ3 tensão principal [MPa] σr tensão de serviço [MPa] σs tensão de residual [MPa] σx tensão em uma dada direção [MPa] σϕ tensão em uma direção [MPa] σres tensões residuais [Å] [°] [MPa] xvii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1 2 REVISÃO DA LITERATURA................................................................................ 4 2.1 Extrusão .................................................................................................................. 4 2.2 Tipos de Extrusão .................................................................................................... 5 2.2.1 Extrusão Direta........................................................................................................ 5 2.2.2 Extrusão Indireta ..................................................................................................... 6 2.2.3 Extrusão Hidrostática .............................................................................................. 7 2.2.4 Extrusão a Frio ........................................................................................................ 8 2.2.5 Extrusão a Quente ................................................................................................... 8 2.3 Extrusão a Quente de Tubos: Características do Processo ........................................ 9 2.4 Tensões Residuais ................................................................................................. 14 2.4.1 Tipos de Tensões Residuais ................................................................................... 18 2.4.1.1 Macrotensões ou Macroscópicas ........................................................................... 19 2.4.1.2 Microtensões ou Microscópicas ............................................................................ 20 2.4.1.3 Submicroscópicas ................................................................................................. 21 2.4.2 Efeito das Tensões Residuais ................................................................................ 22 2.4.3 Medição de Tensões Residuais ............................................................................. 23 2.4.4 Medição de Tensões Residuais pelo Método da Difração de Raios-X.................... 26 2.4.5 Método de Medição de Tensões Residuais por Indentação .................................... 33 2.5 Alumínio Comercialmente Puro ............................................................................ 36 3 MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................. 38 3.1 Ferramenta Para Extrusão ..................................................................................... 38 3.2 Confecção dos Corpos de Prova ............................................................................ 41 3.3 Procedimentos Experimentais ............................................................................... 41 3.4 Planejamento Estatístico ....................................................................................... 47 xviii 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................... 48 4.1 Ensaios de Micro Dureza ...................................................................................... 48 4.1.1 Superfície de Análise ............................................................................................ 53 4.1.2 Ângulo da Matriz de Extrusão .............................................................................. 57 4.1.3 Espessura da Parede do Tubo ................................................................................ 64 4.1.4 Temperatura de Extrusão ...................................................................................... 64 4.1.5 Tipo de Punção ..................................................................................................... 68 4.2 Análise Superficial dos Tubos Extrudados ............................................................ 70 5 CONCLUSÕES .................................................................................................... 72 6 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ................................................. 74 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 75 ANEXO...................................................................................................................81 1 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO A extrusão é um processo de conformação plástica no qual um corpo é forçado a passar através de uma matriz por meio de compressão. Ao passar através da matriz o corpo adquire o formato da seção transversal do furo da ferramenta. Este processo é usado comercialmente desde o século XIX, mas com a Segunda Guerra Mundial, passou a ser mais utilizado, quando os perfis extrudados começaram a ser produzidos em grandes quantidades para componentes aeronáuticos. O processo de extrusão obtém peças com estreitas tolerâncias dimensionais e com grande relação comprimento/diâmetro. A produção de tubos metálicos a partir da extrusão tem sido muito utilizada para materiais metálicos não ferrosos, especialmente o alumínio. Este tem aplicações em diversos setores da indústria e a sua freqüente presença no nosso dia a dia representa bem a sua importância econômica no mundo atual. Tubos de alumínio são utilizados em estruturas espaciais permitindo a cobertura de grandes vãos com o mínimo de apoios, em tubulações para irrigação e em trocadores de calor como radiadores e componentes de ar condicionado, entre outros, ideais para os setores da construção civil, bens de consumo, indústria elétrica e de transportes. A variedade de perfis que podem ser extrudados em alumínio é praticamente ilimitada. O processo reduz custos, pois elimina operações posteriores de usinagem, possibilitando a obtenção de seções mais resistentes pela adequada eliminação de juntas frágeis e uma melhor distribuição de metal. Entre os principais tipos de produtos extrudados estão perfis sólidos, tubulares e semi-tubulares. Nos produtos produzidos por qualquer processo de manufatura, especialmente durante a produção de elementos de máquinas e componentes, pode ocorrer o aparecimento de tensões residuais que resultam numa série de efeitos que poderão ser benéficos ou não, dependendo da aplicação do componente, e da intensidade da tensão. Apesar dos estudos dos efeitos de tensões residuais terem sido iniciados há mais de 100 anos, somente a partir do final da década de 30 do século passado, com o desenvolvimento das tecnologias de medição com raios-x e extensômetros, é que as técnicas experimentais de medição de tensões residuais começaram a ser utilizadas em larga escala. A presença de tensões residuais leva o projetista a superdimensionar as peças, de modo a evitar sua falha prematura em serviço. Submetendo a peça produzida a tratamento 2 térmico para alívio de tensões poderia resolver o problema, mas além de custo adicional como no seu superdimensionamento, ainda pode acontecer alterações dimensionais durante o tratamento térmico, com perda das tolerâncias fixadas no projeto. A redução ou anulação das tensões residuais em peças mecânicas que trabalham em tensões cíclicas reduz a possibilidade de falhas em serviço, reduzindo substancialmente os custos de reposição e de manutenção dos sistemas dos quais estes elementos são componentes. Tubos de alumínio extrudados são largamente empregados na indústria mecânica, mas, até o presente, não existe um estudo sobre a presença de tensões residuais na sua produção e a sua natureza. Desta forma, um estudo exploratório sobre os mecanismos de formação de tensões residuais e suas características quando oriundas da extrusão direta a quente pode ser uma boa contribuição ao projeto de estruturas mais resistentes e mais econômicas. É objetivo desta pesquisa, investigar a distribuição de tensões residuais na parede de tubos de alumínio extrudados a quente, estabelecendo o mapa de intensidade e de natureza (compressiva ou trativa). Para a investigação foi escolhida a operação de extrusão direta a quente de tarugos de Alumínio Comercialmente Puro. Este trabalho foi estruturado e formatado seguindo as diretrizes para apresentação de dissertações do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da Universidade Federal de São João Del-Rei, PPMEC-UFSJ, procurando produzi-lo de forma a proporcionar uma leitura objetiva e concisa. Para tanto este documento é composto pelas seguintes partes: Introdução: Introdução onde se apresenta um breve contexto sobre o processo de extrusão e tensões residuais, além de serem apresentados o objetivo, justificativa e a estrutura desse trabalho. Revisão da Literatura: Apresenta a revisão da literatura abordada, necessária para um melhor entendimento do assunto estudado. Neste capítulo são abordados os temas relacionados ao processo de extrusão de tubos, determinação de tensões residuais, os métodos para determinar e medir tais tensões, alumínio, dentre outros. Materiais e Métodos: descreve detalhadamente os equipamentos, materiais e procedimentos usados. Resultados e Discussão: análises e discussões dos resultados obtidos. 3 Conclusões: Apresenta as conclusões obtidas a partir dos resultados dos ensaios. Sugestões Para Trabalhos Futuros: Composto por sugestões para trabalhos posteriores. 4 CAPÍTULO 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1. Extrusão A extrusão é um processo de conformação plástica que consiste em fazer passar um tarugo ou lingote de seção circular, colocado dentro de um container, por uma abertura existente no meio de uma ferramenta, por meio da ação de compressão de um pistão, com auxílio de uma prensa. Os produtos da extrusão são perfis, tubos e barras de seção circular. Praticamente qualquer forma de seção transversal vazada ou cheia pode ser produzida por extrusão. Como a geometria da matriz permanece inalterada, os produtos extrudados tem seção transversal constante (BRESCIANI FILHO et al., 1997). A figura 1 exemplifica o processo de extrusão. Figura 1- Processo de extrusão (LAUE and STENGER, 1981) Ao passar através da matriz, o corpo adquire o perfil da seção transversal do furo da ferramenta. O processo pode ser utilizado na fabricação de tubos sem costura e pode ocorrer a quente ou a frio. O perfil do produto vazado pode ser muito complexo (MOSHKSAR and EBRAHIMI, 1998) ou bastante simples, como é o caso de tubos com orifício cilíndrico. A fabricação de tubos pelo processo de extrusão passou a substituir a laminação, pois se tornou mais econômica e competitiva para comprimentos relativamente curtos e em pequenas quantidades (CHITKARA e ALEEM, 2001). 5 Pugh e Watkins (1961) fizeram uma análise da extrusão e dos produtos extrudados, comparando a extrusão a quente de alumínio puro e da liga DTD 363, investigando o efeito da temperatura e da velocidade de extrusão na pressão de extrusão. Também foi feita uma investigação da extrusão a frio de metais não ferrosos, com análises de efeito da redução e velocidade na pressão de extrusão. Hsiang e Liao (1997) estudaram um modelo de simulação numérica para processos de extrusão a quente de tubos, para prever o comportamento das variáveis no processo de extrusão, analisando o fluxo de metal através de testes de desempenho mecânico. Chitkara e Aleem (2001) analisaram mecanismos de extrusão de um tubo axi-simétrico a partir de um tarugo oco, comparando os resultados das pressões de extrusão na extrusão de um material modelo com punções de formatos diferentes. Lyal’Kov et al. (2006) desenvolveram um método para calcular os principais parâmetros na extrusão de tubos de difícil conformação, permitindo prever a facilidade com que tubos de dadas dimensões podem ser conformados. Sadeghi et al. (2012) utilizaram um algoritmo genético para selecionar os parâmetros de extrusão de tubos de ferro, aumentando a velocidade de produção. 2.2. Tipos de Extrusão De acordo com Campana (2008), as diferentes características dos produtos a serem extrudados, bem como os diferentes tipos de ligas metálicas utilizadas, fazem com que não se possa utilizar apenas um método aplicado para extrusão. Assim, podem ser listados como meios de obtenção de produtos extrudados: 2.2.1. Extrusão Direta Na extrusão direta apresentada na figura 2, o pistão age sobre o tarugo forçando sua passagem pela ferramenta e o metal é movido na mesma direção do pistão, provocando atrito entre ele e o container. Este processo possui maior utilização, pois não precisa de equipamentos complexos, consegue elevado controle dimensional e pode trabalhar com perfis extrudados de grande diâmetro sem comprometer a fluidez do perfil (SILVA, 1989). 6 Figura 2- Extrusão direta 2.2.2. Extrusão Indireta No processo de extrusão indireta, também conhecida como extrusão reversa ou invertida, a matriz se desloca na direção do tarugo. Ocorre o deslocamento da ferramenta e não do tarugo. Como não há movimento relativo entre o tarugo e as paredes do container, as forças de atrito e pressões necessárias são menores comparados à extrusão direta. Entretanto, como o êmbolo é furado, as cargas necessárias para a extrusão são limitadas e não é possível obter perfis com formatos complexos. Como vantagens, a extrusão indireta apresenta benefícios no que diz respeito ao aproveitamento da matéria-prima. Apenas 5 % do tarugo inicial são desperdiçados. A extrusão pode ocorrer em uma menor temperatura, evitando defeitos como desgaste, o container tem uma maior vida útil, há maior uniformidade de deformação e uma menor pressão de pico, resultando em menos carga aplicada. A principal desvantagem consiste na maior complexidade e no alto custo das ferramentas (SANTOS, 1998 e CAMPANA, 2008). A figura 3 mostra o processo de extrusão indireta. 7 Figura 3- Extrusão indireta 2.2.3. Extrusão Hidrostática Neste processo ilustrado pela figura 4, um tarugo é colocado sobre a matriz e envolvido por um fluido, ambos contidos no interior de um container. O fluido tem sua pressão aumentada por meio de um pistão, até o ponto em que o tarugo é forçado a escoar pela abertura da matriz, dando forma final ao produto. O apoio da matriz é obtido pelo fluido sob pressão, sendo a vedação do sistema feita através de selantes colocados em torno do pistão e da matriz. O fluido pressurizado facilita a deformação do material pelo estabelecimento de um estado de tensões favorável e pela redução do atrito entre o tarugo e a matriz. Entre as vantagens deste tipo de extrusão estão o controle do estado de tensões sobre o produto, evitando que haja a fratura do mesmo no caso de materiais frágeis, melhor qualidade de extrusão, eliminação do atrito possibilitando grandes reduções sem que seja necessário aquecer o material que será extrudado, maior rapidez na operação, uma maior vida útil e uso de materiais menos nobres na confecção das matrizes (BUTTON, 1985 e 1990). 8 Figura 4- Extrusão hidrostática (CIMM, 2011) Quanto à temperatura de extrusão, podem classificar-se como: 2.2.4. Extrusão a Frio É o processo em que o material que será extrudado tem ductilidade suficiente à temperatura ambiente, não necessitando ser aquecido para diminuir as forças necessárias para a extrusão. Este processo tem como vantagens (SILVA, 1989 e MORO e AURAS, 2006): Melhores propriedades mecânicas resultantes do encruamento; Controle das tolerâncias, requerendo pouca ou nenhuma operação posterior de acabamento; Melhor acabamento superficial, devido à não existência de camada de óxido; Eliminação do pré-aquecimento do tarugo. Como desvantagem, este tipo de processo apresenta altos custos na aquisição de maquinário e ferramentas, para trabalhar com peças grandes ou que possuem alto teor de carbono. 2.2.5. Extrusão a Quente A extrusão a quente é feita para ligas que não tem ductilidade suficiente à temperatura ambiente ou quando o material exige grande esforço à deformação. Com a extrusão a quente não se tem ganhos tão substancias em relação ao acabamento superficial e aumento da resistência mecânica (CHIKTARA e ALLEM, 2001), mas consegue-se reduzir as forças 9 necessárias para a realização do processo com grandes reduções de seção numa só etapa. Possui alguns problemas como desgaste excessivo da matriz, deformações não uniformes devido ao resfriamento do tarugo no container, filme de óxido no tarugo após ser aquecido gerando acabamento superficial ruim, mas algumas medidas preventivas podem resolver ou diminuir o efeito destes problemas como o pré-aquecimento da matriz (MORO e AURAS, 2006). A seguir apresenta-se a Tabela 1, com os principais metais e suas respectivas temperaturas de extrusão: Tabela 1- Faixas de temperatura para extrusão de vários metais (CIMM, 2011) Faixas de Temperatura de Extrusão para vários Metais Metal Temperatura ºC Chumbo 200 - 250 Alumínio e suas Ligas 375 - 475 Cobre e suas Ligas 650 - 950 Aços 875 - 1300 Ligas Refratárias 975 - 2200 2.3. Extrusão a Quente de Tubos: Características do Processo A indústria de tubos vem encontrando desafios no mercado atual. Primeiramente, porque os compradores vem exigindo produtos numa variedade maior de tamanhos e formas, 10 além de melhor qualidade e menores custos. Para cumprir essas necessidades, é necessário o uso de ferramentas otimizadas e técnicas avançadas de controle de qualidade e fabricação (CARDOSO, 2007). Tubos extrudados podem ser produzidos pela adaptação de um punção na extremidade do pistão. O espaçamento entre o punção e a parede da matriz é o que determinará a espessura da parede do tubo. A produção pode ser feita com a utilização de tarugos maciços ou tarugos inicialmente vazados numa operação em dois estágios, na qual o tarugo maciço é primeiramente perfurado e depois extrudado (DIETER, 1981). As figuras 5 e 6 ilustram a extrusão de um tarugo maciço, mostrando a operação da produção de tubos em uma única operação. Figura 5- Início da extrusão de um tubo com tarugo maciço (DIETER, 1981) A técnica de extrusão a quente de tubos consiste na conformação de um tarugo préaquecido em forno, forçando-o a passar por uma ferramenta cilíndrica, com o auxílio de um pistão e um punção cilíndrico, através de uma prensa hidráulica, como mostra a figura 7. Figura 6- Extrusão do tubo com tarugo maciço (DIETER, 1981) 11 Figura 7- Representação esquemática do processo de extrusão a quente de tubos De acordo com Bresciane Filho et al. (1997), existem fatores de influência que favorecem ou não as condições de trabalho, levando à obtenção de um produto de qualidade e custos especificados. Segundo Dieter (1981), estas variáveis são: a) Tipo de Extrusão O processo de extrusão direta apresenta um elevado nível de pressão inicial para fazer o tarugo passar pela matriz, depois este nível cai com o avanço do pistão até um valor mínimo pela redução de comprimento do tarugo no container, tendendo a crescer novamente no fim. A pressão de extrusão é a força de extrusão dividida pela área da seção transversal do tarugo. Na extrusão indireta, a pressão cresce constantemente com o avanço do pistão em decorrência dos resíduos de material retidos entre a ferramenta e o container, o que dificulta o movimento. A figura 8 mostra o gráfico da pressão de extrusão de acordo com o movimento do pistão nos processos de extrusão direta e indireta. A maioria das extrusões a quente são feitas pelo processo de extrusão direta, pois a extrusão indireta cria limitações quanto ao tamanho da peça extrudada e a pressão de extrusão máxima que pode ser atingida. 12 Figura 8- Gráfico da pressão de extrusão de acordo com o percurso do pistão nas extrusões direta e indireta (DIETER, 1981) b) Razão de Extrusão A razão de extrusão é a divisão entre a área inicial da seção transversal do tarugo e a área final da seção depois da extrusão. Como a taxa de escoamento de metal na passagem pela matriz pode ser considerada constante, a pressão de extrusão está diretamente ligada com o logaritmo neperiano da razão de extrusão. Então, a força de extrusão pose ser expressa como: ( ) Onde: F = força de extrusão Ai = área inicial da seção transversal do tarugo Af = área final da seção depois da extrusão k = resistência específica à extrusão (1) 13 Na extrusão a quente, a resistência específica à extrusão depende da tensão de escoamento, atrito e deformação heterogênea e é apresentada em gráficos ou como as equações das curvas de resistência à extrusão. c) Temperatura de Trabalho A temperatura de trabalho deve ser alta o suficiente para dar trabalhabilidade plástica ao metal, diminuindo a tensão de escoamento, mas não pode ser muito alta para se evitar gastos excessivos de energia, desgastes dos elementos da máquina de extrusão e matrizes e evitar a oxidação do tarugo. Escolhe-se a temperatura máxima abaixo do ponto de fusão ou abaixo da faixa de fragilidade a quente do metal, como já foi apresentado na Tabela 1, anteriormente. d) Velocidade de Deformação O aumento da velocidade no pistão acarreta no aumento da pressão de extrusão. A velocidade de extrusão interfere na temperatura de trabalho e na pressão de extrusão e depende do material a ser extrudado. Maiores velocidades acarretam em maior produção, e com o aumento da velocidade na extrusão a quente, aumenta-se a temperatura de trabalho, evitando-se o aumento da pressão de extrusão. e) Condições de Atrito na Matriz e nas Paredes do Container O atrito entre o container e o tarugo e entre a matriz e o tarugo tem uma enorme influência no escoamento do material, refletindo na qualidade do produto extrudado, tanto em suas propriedades mecânicas quanto nos defeitos que podem se apresentar ou não, além de produzir desgaste nas ferramenta. O ângulo da matriz também influi no atrito que será produzido, pois ângulos maiores aumentam a área de contato entre o material a ser extrudado e a ferramenta, aumentando assim o atrito. A figura 9 exemplifica o ângulo de uma matriz de extrusão. Figura 9- Ângulo de uma matriz de extrusão (LAUE and STENGER, 1981) 14 2.4. Tensões Residuais As tensões residuais são tensões internas que se desenvolvem em componentes que se apresentam em um estado de equilíbrio. Os campos de tensões residuais ocorrem no material mesmo sem a existência de carregamentos externos, gradientes de temperatura ou influência da gravidade. (LU, 1996 e RODACOSKI, 1997 e CORDOVIL, 2001 citados por SUTERIO, 2005) Para Hauk (1997), as tensões residuais são tensões auto-equilibradas, originadas sempre que o componente sofre deformação plástica localizada ou deformação elástica nãohomogênea. Como exemplo, pode-se citar o processo de esmerilhamento de uma peça, ilustrado na figura 10, que causa o escoamento plástico de material próximo à superfície da peça, introduzindo tensões residuais nesta região. Praticamente todas as operações de manufatura podem provocar o aparecimento de tensões residuais. Portanto, podemos afirmar que as tensões residuais podem ser ocasionadas por um ou mais motivos, que podem ser de origem mecânica, química e/ou térmica, ou a interação destes. A seguir encontra-se a Tabela 2, com exemplos dos mecanismos básicos de geração de tensões residuais. Figura 10- Tensões residuais desenvolvidas junto à superfície de uma peça sendo esmerilhada (MODENESI, 2008) 15 Todo sistema de tensões residuais está em equilíbrio e o somatório das forças resultantes e dos momentos produzidos será zero. O valor máximo em módulo que as tensões residuais poderão chegar é o próprio limite de escoamento do material. Valores de tensões acima do limite de escoamento do material irão ocasionar uma deformação plástica do material, havendo assim, uma redistribuição das tensões residuais (LU, 1996). A figura 11 mostra a distribuição de tensões residuais ao longo de um eixo, com o valor máximo da tensão ocorrendo próximo da superfície e diminuindo à medida que a profundidade aumenta. Depois ocorre uma inversão de sinal para satisfazer a condição de equilíbrio das forças internas (OGATA, 2003). Figura 11- Padrão típico de distribuição de tensões residuais ao longo da seção de um eixo (OGATA, 2003) 16 Tabela 2- Mecanismos básicos de geração de tensões residuais (RODACOSKI, 1997 citado por OGATA, 2003) ORIGEM Deformação Mecânica Diferencial PROCESSO OBSERVAÇÕES Conformação Laminação, Estampagem, Extrusão, Estiramento Auto-fretagem Armas, Vasos Pressão Conformação Superficial Jateamento, Granalhamento Processos de Usinagem Torneamento, Frezamento, Retificação, Furação, etc. Transformação de Fase do Soldagem Todos os Tipos Material Tratamentos Térmicos Têmpera, Normalização, etc. Processos de Usinagem Torneamento, Frezamento, Retificação, Furação, etc. Soldagem Todos os Tipos Tratamentos Térmicos Têmpera, Normalização, etc. Fundição Seções Transversais Diferentes, Grandes Dimensões Tratamentos Termoquímicos Contração ou Expansão Térmica Diferencial Montagem e ajustes Estruturas, Desalinhamento de Uniões Bi materiais Peças com Inserto, Peças Bi Metálicas Materiais Compósitos Todos Materiais Agregados à Superfície Materiais Agregados à Superfície Deposições por Plasma, Revestimentos Protetores, Anti-desgaste Tratamentos Térmicos Têmpera, Normalização, etc. Contração ou Expansão Térmica Diferencial Desigualdades Estruturais Microestrutura Diferencial 17 Tensões residuais podem estar presentes nos componentes de transmissões e tem importante papel na resistência às solicitações destes, pois elas se somam às tensões externas atuantes, podendo aumentar ou diminuir sua magnitude, determinando assim a capacidade de carga e vida útil do componente. O conhecimento do valor e da distribuição das tensões residuais é um fator muito importante para a integridade da estrutura. A medição destas tensões é um passo fundamental para assegurar o bom desempenho de um componente e pode ser obtida durante a fabricação, permitindo corrigir possíveis imperfeições na execução do projeto, facilitando o posterior controle da integridade e contribuindo para o planejamento da manutenção (SOARES, 2003 e MACHERAUCH e WOHLFAHRT, 1977 e MACHERAUCH e KLOOS, 1986 citados por GUROVA e LEONTIEV 2009). A figura 12 demonstra a superposição de dois tensores em um material. σS é a tensão de serviço, e σR é a tensão residual. Quando os dois tensores se sobrepõem, forma-se um novo tensor, que é a soma dos dois. Figura 12- Superposição de tensão residual e tensão aplicada (NUNES, 2008) As tensões residuais influenciam substancialmente nas características de resistência mecânica e no funcionamento dos elementos de uma estrutura. Podem causar uma série de efeitos que poderão ser benéficos ou prejudiciais, dependendo da aplicação do componente, em relação aos esforços mecânicos, térmicos ou químicos desempenhados por ele (OGATA, 2003). 18 Prevéy (1986) empregaram um algoritmo para determinar a distribuição de tensões residuais em subsuperfícies de uma liga de titânio, eliminando erros causados por desfocalização dos picos de difração de larguras intermediárias. Yazdi et al. (1998) examinaram o campo de tensões residuais induzidas por têmpera através do método de elementos finitos, analisando os aspectos térmicos e mecânicos no resfriamento de ligas de alumínio. Withers e Bhadeshia (2001) escreveram o efeito das tensões residuais em estruturas, mostrando suas origens para vários tipos de materiais e avaliando cada técnica para medição. Xu et al. (2005) apresentaram o método de indentação com penetrador cilíndrico e um método numérico para determinar a tensão residual em espécimes de cobre, ajudando no melhor entendimento da influência da tensão residual. Bocciarelli e Maier (2007) empregaram a combinação de métodos tradicionais de medição com o mapeamento das deformações residuais para identificar tensões residuais, testando seu desempenho através de exemplos numéricos e validando seu uso por meio de dados experimentais disponíveis na literatura. Raj et al. (2009) avaliaram danos em materiais de aeronaves causados por vida em fadiga utilizando a medição de tensões residuais, permitindo a continuidade de sua utilização com a remoção da superfície danificada sem afetar sua integridade estrutural. 2.4.1. Tipos de Tensões Residuais As tensões residuais podem ser classificadas quanto à sua natureza e quanto à sua área de abrangência, isto é, o volume do material sujeito à sua ação. Quanto à natureza, as tensões residuais podem ser trativas ou compressivas. As tensões residuais trativas devem ser evitadas em peças submetidas a esforços mecânicos cíclicos devido ao fato de facilitarem a nucleação e a propagação de trincas, levando-as a falharem por fadiga mecânica (BIANCH et al., 2000). Já as compressivas, geralmente possuem um efeito benéfico na vida em fadiga, propagação de trincas ou corrosão sob tensão (SUTERIO, 2005). Tomando como exemplo o mecanismo de fadiga, a vida em fadiga de uma componente e sua integridade estrutural podem melhorar através da introdução de tensões residuais compressivas na superfície. Isto reduz a iniciação de trincas devido à diminuição do valor 19 efetivo das tensões de tração necessárias para a nucleação e crescimento de trincas de fadiga (ROCHA, 2009). A presença de tensões residuais leva o projetista a superdimensionar as peças, de modo a evitar sua falha prematura em serviço. Uma outra alternativa é submeter o elemento produzido a tratamento térmico para alívio de tensões. Os dois casos representam custo adicional. No segundo caso, outro inconveniente é a possibilidade de alterações dimensionais durante o tratamento térmico, com perda das tolerâncias fixadas no projeto. De acordo com a sua área de abrangência, as tensões residuais podem ser classificadas como: 2.4.1.1. Macrotensões ou Macroscópicas São tensões que se estendem sobre grandes porções volumétricas quando comparadas com o tamanho de grão do material (RODRIGUES, 2007). As Macrotensões, Tensões Macroscópicas ou Tensões Residuais do Tipo I, apresentadas na figura 13, são homogêneas no volume de vários grãos e causam deformações uniformes da rede cristalina na região em que atuam (GUIMARAES, 1990). O material é considerado como sendo homogêneo numa visão macroscópica. São medidas por métodos de dissecção do material e secção. Estas tensões são causadas pelas interações mútuas de zonas de tamanhos macroscópicos do material. Elas podem ser originadas pelos processos de manufatura e se superpõem às tensões externas aplicadas no componente. A formação destas tensões é causada principalmente por fatores externos, tais como efeitos de deformação plástica não uniforme no material durante os processos de fabricação ou ainda gradientes de temperatura que causam expansões não uniformes no material (NUNES, 2008). As tensões residuais macroscópicas assumem um estado de equilíbrio e qualquer alteração, como a retirada do material ou surgimento de uma nova superfície, exige que as tensões se re-arranjem para que uma nova configuração de equilíbrio seja atingida. Tais tensões são quantidades tensoriais, com magnitudes e direções principais que variam em diferentes regiões do material. Um exemplo típico de tensões residuais macroscópicas é encontrado em união por processo de soldagem de chapas finas (SUTERIO, 2005). Também são exemplos de tensões residuais macroscópicas materiais deformados plasticamente de maneira não uniforme, processos de laminação, gradientes térmicos e têmpera em aço. Em geral é o tipo de tensão residual de maior interesse para a engenharia devido aos seus efeitos sobre os materiais. 20 Figura 13- Tensões residuais do Tipo I (NUNES, 2008) 2.4.1.2. Microtensões ou Microscópicas As Tensões Residuais Microscópicas, Microtensões ou Tensões Residuais do Tipo II cobrem uma distância de um grão ou uma parte de grão, assim, a região de influência no equilíbrio destas tensões se estende a um pequeno número de grãos. Estas tensões, ilustradas pela figura 14, ocorrem pelo simples processo de orientação dos grãos, ou seja, pela não homogeneidade da estrutura cristalina do material. Após a remoção das cargas, os grãos que não escoam tendem a retornar a sua geometria inicial e os que sofreram escoamento tendem a manter a sua deformação elástica permanente. Estas tensões resultam, ainda, da interação de fases presentes no material ou ao balanço entre diferentes grãos, podendo ser detectadas através da largura dos picos característicos no Raio-X (SILVA, 1999 citado por OGATA 2003; SUTERIO, 2005 e NUNES, 2008). 21 Figura 14- Tensões residuais do Tipo II (NUNES, 2008) 2.4.1.3. Submicroscópicas Conhecidas também como Microtensões Localizadas ou Tensões Residuais do Tipo III, as Tensões Residuais Submicroscópicas abrangem distâncias interatômicas, sendo homogêneas em regiões bastante limitadas, menores que um grão ou dentro de uma pequena porção de um grão. Ocorrem nos materiais metálicos sujeitos a processos que produzam descontinuidades na rede cristalina, como vazios, impurezas, falhas de empilhamento, entre outros (RODRIGUES, 2007). Estas imperfeições provocam pequenas flutuações no espaçamento dos planos da rede cristalina do material próximas às discordâncias onde estão presentes. Não são direcionais em nível macroscópico e não são mensuráveis, ou influem diretamente no comportamento mecânico macroscópico (GUIMARAES, 1990 e OGATA, 2003). A figura 15 mostra as tensões submicroscópicas. 22 Figura 15- Tensões residuais do Tipo III (NUNES, 2008) 2.4.2. Efeito das Tensões Residuais Na maioria dos casos, os efeitos das tensões residuais sobre os materiais são nocivos, uma vez que, por sua superposição com as tensões de serviço ou cargas aplicadas, podem causar deformações, acelerar transformações de fase e processos de corrosão. Nas situações onde pequenas deformações estão envolvidas, como fadiga, corrosão sob tensão e trincas por fragilização, as tensões residuais podem provocar fraturas (GUIMARAES, 1990 e SUTERIO, 2005). O desempenho de carga estática em materiais frágeis pode melhorar significativamente com o uso inteligente de tensões residuais. Exemplos comuns são o vidro temperado e o concreto protendido (WITHERS E BHADESHIA, 2001). De acordo com Andrino (2003), quando uma estrutura está submetida a um carregamento adicional, além do limite de escoamento do material, as tensões residuais se 23 tornam desprezíveis. Com carregamentos inferiores ao limite de escoamento do material, podem ocorrer fraturas frágeis ou corrosão sob tensão. A partir do conhecimento dos seus efeitos sobre os materiais, o monitoramento das tensões residuais tornou-se uma etapa indispensável na fabricação de alguns componentes. Para isso, houve o desenvolvimento de instrumentos e técnicas de medição de tensões residuais com o objetivo de atender às exigências dos laboratórios de pesquisa e da indústria. 2.4.3. Medição de Tensões Residuais Withers e Bhadeshia (2001) fizeram uma análise dos tipos de tensões residuais e seus efeitos nas estruturas mecânicas, e uma avaliação das técnicas de medição de tensões residuais, comparando a escala de comprimento característica de cada uma. As tensões residuais são mais difíceis de prever do que as tensões externas aplicadas. Por este motivo, é de grande importância ter métodos confiáveis para a medição destas tensões. As técnicas tradicionais de medição de tensões se baseiam na mudança de determinadas propriedades antes e depois da aplicação de um carregamento. Como as tensões residuais são o estado de tensões em um material, sem que nele sejam aplicadas forças externas, estas técnicas não percebem as tensões residuais (SOARES, 2003). Outra dificuldade para a medição de tensões residuais é o fato de que as tensões não são diretamente medidas. O que é medido é a deformação elástica causada pelas microtensões e macrotensões residuais. Os primeiros métodos utilizados na determinação qualitativa das tensões residuais eram baseados no alívio das tensões pela realização de cortes, remoção de camadas por meio de ataques químicos e pela medição do empenamento resultante no material. Estes métodos ainda são usados hoje, mas já foram aperfeiçoados. Ainda assim, existem algumas hipóteses para a medição de tensões residuais que continuam inalteradas. Elas assumem que: a) o material é isótropo; b) as técnicas de medição não introduzem novas tensões residuais; c) o campo de tensão é uniforme; d) existe um estado plano de tensões no ponto de medição. 24 Vários métodos de medição da tensão residual podem ser usados e a escolha específica de um método depende de vários fatores como, a natureza do campo da tensão residual, a geometria e a região da parte analisada (profundidade, dimensão e forma da superfície), o custo da medição e dos equipamentos necessários, o tempo disponível para a medição, a incerteza requerida e a repetitividade do método, a extensão da região de interesse (superficial, sub-superficial ou o volume total do material). Cada método possui um domínio de aplicações bem definido e dependente do problema (OGATA, 2003 e PITELLA, 2003). Em geral, as várias técnicas de medição de tensão residual podem ser classificadas como métodos destrutivos, semi-destrutivos ou não-destrutivos. Os métodos destrutivos e semi-destrutivos baseiam-se na alteração do estado de equilíbrio das tensões residuais, medindo-se a relaxação da tensão através da deformação por extensômetros. Com o alívio destas tensões no ponto ou na região de medição, a variação da deformação é medida e, através de modelos matemáticos adequados, são determinadas as tensões residuais originais. Nestes dois métodos são analisadas somente as tensões residuais macroscópicas (ANDRINO, 2003 e SUTERIO, 2005). As técnicas destrutivas comprometem ou impossibilitam o uso do componente medido, enquanto as técnicas semi-destrutivas provocam danos no componente medido, mas não comprometem a sua integridade, possibilitando seu uso após a medição das tensões residuais. De acordo com Lu (1996), dentre os métodos destrutivos, os mais usados são: Método da Remoção de Camadas (Deflexão) – são retiradas camadas do material com ataque químico; Método do Seccionamento – são feitos cortes parciais longitudinais ou transversais ao longo do eixo de peças assimétricas; Oettel (2000) diz que o método semi-destrutivo mais usado é o método do furo cego, que é regido pela norma ASTM-E 837. Os métodos não-destrutivos analisam as variações de parâmetros físicos ou parâmetros cristalográficos que foram provocadas pelas tensões residuais em um material. Estes métodos podem determinar todo tipo de tensões residuais, isoladas ou combinadas, mas não conseguem distingui-las entre si. Conseguem analisar tensões residuais sem a necessidade de 25 remoção de material, não provocando nenhum tipo de dano ao componente analisado (SUTERIO, 2005 e RODRIGUES, 2007). Lu (1996) descreve os métodos não-destrutivos mais usados: Método da Difração de Raios-X - analisa a distorção elástica linear do parâmetro cristalino. Sabendo-se o valor da deformação, podemos calcular o valor da tensão; Difração de Nêutrons - é baseado na variação das distâncias entre planos medidas com as tensões atuantes no componente. Os raios nêutrons penetram profundamente no interior do material, possibilitando a análise de porções maiores; Método do Ultra-som - é baseado no fato que a velocidade de propagação das ondas ultra-sônicas varia de forma aproximadamente linear com a tensão sob a qual o material cristalino está submetido. Com uma amostra de um material sem tensões residuais e suas características microestruturais (tamanho de grão, forma, orientação e fases secundárias), pode-se fazer uma comparação com uma amostra de um mesmo material com mesma composição química, com tensões residuais; Método Magnético (Barkhausen) - os materiais ferromagnéticos são constituídos de regiões microscópicas magneticamente ordenadas conhecidas por domínios. Cada domínio é magnetizado segundo direções cristalográficas preferenciais à magnetização. Quando se aplica um campo magnético ou tensões mecânicas nestes materiais, acontece um rearranjo na orientação magnética dos domínios. Medindo-se a amplitude do ruído eletromagnético provocado pela magnetização local destes materiais consegue-se medir as tensões residuais adicionadas; Método da Indentação - consiste na aplicação de uma carga sobre a superfície da peça que se pretende analisar através de uma ponta cônica, esférica ou piramidal. A pressão exercida pela ponta do indentador induz novas tensões provocando uma alteração plástica localizada na superfície do material. Com esta perturbação, há uma alteração do campo de deslocamento em torno da indentação, sendo possível correlacioná-lo com as tensões residuais existentes. 26 A seguir, os métodos da Difração de Raios-X e Indentação serão tratados mais detalhadamente, por se tratarem dos métodos não destrutivos mais utilizados para medição de tensões residuais. 2.4.4. Medição de Tensões Residuais pelo Método da Difração de Raios-X O uso de difratometria por raios-X iniciou-se por volta do final do século XIX, com a descoberta de Max von Laue (SOUZA e BITTENCOURT, 2008). A partir daí, foi possível conhecer melhor a estrutura dos materiais e as relações entre essa estrutura e suas propriedades. Com a difratometria de raios-X pode-se fazer atualmente a análise quantitativa de fases amorfas e cristalinas, análise de tensão residual, análise de filmes finos, análise de reflexão e textura, além de estudos de transformação de fase, reação cinética e comportamento da tensão em temperatura com auxílio de acessórios de alta temperatura (GOLDSMITH et al., 2000, citado por SILVA, 2007). De acordo com Ruud (2002), considerando que os metais são compostos de átomos dispostos em uma matriz tridimensional regular para formar um cristal, estes átomos formam pequenos cristais ou grãos, que se orientam aleatoriamente em relação ao arranjo cristalino do metal. Quando um metal policristalino é colocado sob tensão, externa ou residual, as tensões elásticas são produzidas na rede cristalina dos pequenos cristais, gerando modificações nas distâncias entre os átomos. É esta modificação que a difração de raios-X pode medir. O método de medição de tensões residuais por difração de raios-x analisa o espaçamento entre os planos de materiais cristalinos. As tensões residuais causam uma modificação nesse espaçamento, que é uniforme. Medindo-se essa deformação relativa à superfície da amostra, em duas orientações diferentes e conhecidas, consegue-se calcular a tensão residual da amostra pela proporção entre a deformação no regime elástico e a tensão (PITELLA e ANDRINO, 2003). Em um difrator de raios-X, o feixe de raios-X é gerado por uma fonte, passa por um colimador para direcionar e limitar este feixe de acordo com as especificações, e incide sobre a amostra a ser analisada (GUIMARÃES, 1990). Uma parte dos raios-X é absorvida pelos átomos enquanto outra parte é enviada de volta em todas as direções da área irradiada. No caso dos raios-X que incidem sobre um corpo cristalino, ao contrário dos corpos de substâncias amorfas, a dispersão ou espalhamento devido a cada átomo é reforçada em certas direções específicas com variação angular muito pequena. Esse é o fenômeno denominado 27 difração. O ângulo formado pela direção de incidência dos raios-X e o ângulo do raio difratado é designado como 2θ, sendo a metade deste ângulo o ângulo de BRAGG (PREVÉY, 1986). Mais precisamente, as condições de difração são expressas pela equação de Bragg: (2) onde n é um número inteiro que indica o ordem de difração; λ é o comprimento de onda de raios-X; d é o espaçamento entre os planos cristalinos e θ é o ângulo de difração. A figura 16 exemplifica a equação de Bragg. Figura 16- Espalhamento e difração de raios-X em um arranjo cristalino (NUNES, 2008) 28 Qualquer mudança no espaçamento entre os planos cristalinos resulta em uma mudança correspondente no ângulo de difração. Se for aplicada uma tensão de tração na amostra, o espaçamento entre os planos cristalinos será reduzido na proporção do coeficiente de Poisson e o ângulo de difração irá aumentar. Se a amostra for rotacionada através de um ângulo ψ conhecido, as tensões trativas presentes na superfície da amostra irão aumentar o espaçamento entre os átomos acima do estado livre de tensões e assim haverá uma diminuição no ângulo de difração. Medindo-se a mudança em relação à posição angular do pico de difração em pelo menos duas orientações da amostra definida pelo ângulo ψ, pode-se calcular as tensões na superfície da amostra (PREVÉY, 1986). A figura 17 mostra os princípios da medição de tensões residuais pela difração de raiosX. Em a), a amostra tem o ângulo ψ = 0. Em b), a amostra tem o ângulo ψ = ψ . D é o detector de raio-x, S é a fonte de raios-X, N é perpendicular à superfície e d0 é o espaçamento entre os planos cristalinos para um material livre de tensões residuais. Figura 17- Princípios da medição de tensões residuais pela difração de raios-X (NUNES, 2008) De acordo com a Teoria da Elasticidade, a tensão em uma determinada direção está relacionada com a deformação na mesma direção através do módulo de elasticidade segundo a Lei de Hooke (TIMOSHENKO e GOODIER, 1951): 29 (3) Onde: σx = tensão em uma dada direção E = módulo de elasticidade εx = deformação linear Quando uma força de tração é aplicada em um material em uma direção x, não ocorre apenas uma deformação linear (εx) na direção da força de tração, mas também ocorre deformação transversal e longitudinal. A razão entre a deformação transversal e a longitudinal é denominada Coeficiente de Poisson (ν). (4) Considerando um corpo em um sistema triaxial de tensões (σ1, σ2, σ3), a deformação em qualquer uma das três direções principais (ε1, ε2, ε3) se deve à tensão que atua ao longo do eixo escolhido, somada às deformações causadas pelo Coeficiente de Poisson na tensão principal atuando ao longo dos outros eixos. [ ] [ ] [ ] (5) De acordo com Pitella (2003), no caso de deformação plana, com as tensões σ1 e σ2 paralelas à superfície e σ3 nula, teremos: (6) 30 A figura 18 mostra um elipsóide de tensões deformações. Nele, a deformação εϕψ pode ser expressa em função das deformações principais, como: (7) Figura 18- Elipsóide de tensões deformações (GUIMARÃES, 1990) A medição de tensões residuais por difração de raio-X é feita apenas na superfície da amostra. Para isto, assume-se que existe um estado plano de tensões na superfície da amostra, então a distribuição de tensões é descrita por σ1 e σ2, e σ3 é igual a zero na superfície da amostra. Mas existe um componente de deformação ε3 perpendicular à superfície, devido ao coeficiente de Poisson e causada pelas duas tensões principais. A figura 19, a seguir, mostra o modelo de tensões elástico planas, onde dϕψ representa o espaçamento entre os planos cristalinos na direção definida pelos ângulos ϕ e ψ; ϕ é o ângulo entre um dos eixos principais de tensão e a projeção da direção da deformação medida sobre a superfície da amostra; ψ é o ângulo entre a direção normal à superfície e a direção da medida; dϕ0 é o espaçamento entre os planos cristalinos para um material livre de tensões residuais na direção definida pelo ângulo ϕ e εϕψ é a tensão na direção definida pelos ângulos ϕ e ψ. (PREVÉY, 1986 e RAJ et al., 2009). 31 Figura 19- Modelo de tensões elástico planas (NUNES, 2008) De acordo com Prevéy (1986), a deformação, εϕψ na direção definida pelos ângulos ϕ e ψ é: ϕ * + * + (8) E é o módulo de elasticidade e ν é o coeficiente de Poisson. Substituindo α1 e α2 na equação (8) por: (9) Teremos: * + * + (10) Se considerarmos o ângulo ψ como 90º, o vetor deformação ficará na superfície da amostra, e a componente de tensão na superfície da amostra será: (11) 32 Substituindo (11) na equação (10): * + *( ) + (12) A equação acima relaciona a tensão na superfície da amostra, na direção definida pelo ângulo ψ, a deformação ε, na direção (ϕ, ψ) e as tensões principais na superfície. Se d ϕψ é o espaçamento entre os planos cristalinos medido no sentido definido por ϕ e ψ, a deformação pode ser expressa em termos de mudanças nas dimensões lineares de da rede cristalina. (13) Substituindo (13) em (12), as constantes elásticas ( ) e ( ) serão os valores cristalográficos para a direção normal aos planos da rede em que a deformação é medida, como especificado pelos índices de Miller, pois nos cristais isolados a deformação pode ser diferente. [( ) ] [( ) ] (14) Fazendo dϕψ para qualquer orientação, teremos: [( ) Para ] [( ) ] (15) = 0, então: ( ) [ ( ) ] (16) Determinando o coeficiente angular, temos: ( ) (17) Resolvendo a equação (15) para a tensão σϕ : ( ) ( ) (18) 33 De acordo com Nunes (2008), como dϕ0 não difere de d0 em mais de 1%, a equação (18) pode ser escrita da seguinte forma: ( ) ( ) (19) A equaçao (19) faz com que a medição de tensões residuais por difração de raios-X torne-se um método diferencial, não precisando de nenhuma amostra livre de tensões residuais para se determinar o estado biaxil de tensões residuais na superfície de uma amostra. Como o corpo, no estudo de trabalho, não está carregado, Neves (2003) diz que a tensão residual será a relação entre a tensão residual e a deformação produzida no plano perpendicular, devido ao efeito do Coeficiente de Poisson: (20) 2.4.5. Método de Medição de Tensões Residuais por Indentação Segundo Callister (2007), a dureza é uma propriedade mecânica do material, que está relacionada à facilidade ou dificuldade de deformação plástica localizada, ou seja, é a resistência que o material oferece à pequenas impressões ou riscos. A técnica da indentação é um método não destrutivo que consiste na aplicação de uma carga sobre a superfície do material a ser analisado através de um penetrador rígido. Esse penetrador é padronizado, pode ser esférico, cônico ou piramidal e é semelhante aos usados em ensaios de dureza. A pressão feita pelo penetrador causa um re-equilíbrio no estado de tensão do corpo o que provoca um campo de deslocamentos ao redor da indentação. O campo de deformações locais decorrentes da indentação é função da forma da ferramenta de indentação, das propriedades do material, da carga de indentação e da magnitude e direção das tensões residuais inicialmente presentes no material (SUTERIO et al., 2002). Assim com técnicas apropriadas de medição de deslocamentos e deformações, é possível estabelecer uma relação entre a quantidade de tensões residuais presentes no material e (SUTERIO, 2005): medição da variação da sua dureza; medição da relação entre força e profundidade de indentação; medição da forma geométrica de indentação; medição da deformação ao redor da indentação. 34 O ensaio de dureza é um dos ensaios mecânicos mais utilizados, pois apresenta vantagens interessantes sobre os demais. Dentre elas, está sua simplicidade e custo, pois os corpos de prova não precisam de preparação complexa (no máximo lixar e polir). Além do mais, o ensaio é considerado não destrutivo, pois não há deformação, e tampouco fratura da amostra. Por último, é um ensaio que pode gerar outras informações tais como módulo de elasticidade e limite de resistência (MANEIRO e RODRÍGUEZ, 2006). O desenvolvimento de novos materiais e a crescente aplicação de revestimentos de fina espessura fazem com que os ensaios de dureza convencionais não possam ser utilizados. As cargas máximas aplicáveis e as dimensões reduzidas limitam as cargas máximas aplicáveis e, consequentemente, reduzem as dimensões das indentações. Estas restrições motivaram o desenvolvimento de técnicas e equipamentos de medição de dureza nos últimos anos. Os ensaios de ultramicrodureza surgiram, combinando o emprego de baixas cargas (abaixo de 2 Newtons) e profundidades pequenas. A área de contato do indentador com a superfície do material a ser ensaiado é calculada pelo deslocamento da ponteira, que é continuamente registrado durante a aplicação de carga, demonstrada pela figura 20 (ANTUNES, 2006). Figura 20- Contato entre indentador e material (ANTUNES, 2006) Na utilização de ensaios de ultramicrodureza para medição de tensões residuais, esperase que um material deformado a frio, submetido a um ensaio de dureza superficial, apresente um resultado diferente do resultado do mesmo ensaio em um material não deformado. Se a natureza das tensões residuais na superfície forem trativas, o ensaio apresentará um valor menor para a dureza superficial em relação ao material não deformado, havendo uma penetração maior do indentador com uma aplicação menor de carga. Caso contrário, sendo compressivas as tensões residuais na superfície, a penetração será mais difícil e o resultado do 35 ensaio apresentará valores maiores (BOCCIARELLI e MAIER, 2006). A figura 21 apresenta o esquema de um ensaio de indentação com indentador piramidal. Figura 21- Esquema de ensaio de indentação com indentador piramidal (CIMM, 2011) A medição de tensões residuais é feita pela comparação entre um material com tensões residuais e outro com a mesma composição, livre de tensões. Através da relação entre a força e a profundidade de indentaçao temos (SUTERIO, 2005): (21) Onde: σres são as tensões residuais do material; α é a constante característica do indentador e do material; Pres é a carga residual de indentação do material com tensões residuais menos a carga do material livre de tensões residuais (Pc – Po ou Pt – Po); 36 A0 é a área projetada da indentação. A carga residual de indentação é calculada pelo gráfico da força X profundidade de indentação, que é apresentado na figura 22, a seguir. Figura 22- Gráfico entre força de indentação e profundidade de indentação (SUTERIO, 2005) O método da indentação possui as vantagens de se poder medir a influência do tamanho da indentação na determinação da dureza, analisar variação de dureza ao longo do perfil e avaliar a dureza em filmes finos de materiais através da análise da tensão elasto-plástica em testes de microindentação, mas não pode ser usado para medir tensões residuais em materiais que apresentam gradientes ou variações de tensões na sua superfície (SUTERIO, 2005). 2.5. Alumínio Comercialmente Puro Segundo Fink (1936), o Alumínio é um material, que devido á combinação de suas propriedades físicas e químicas vem sendo utilizado nas indústrias e está em constante expansão. Possui estrutura cristalina cúbica de face centrada, número de coordenação igual a 12 e fator de empacotamento atômico igual a 0,74. 37 Considerado o terceiro elemento mais abundante da crosta terrestre, possui as vantagens de ser resistente à corrosão, ter alta condutibilidade térmica, baixo peso específico, grande ductilidade, não deixar passar luz, oxigênio, odor e umidade e ainda pode ser reciclado com facilidade. O alumínio é amplamente utilizado no mundo moderno devido ao seu excelente desempenho e às propriedades superiores na maioria das aplicações, pois suas técnicas de fabricação permitem a manufaturação do produto acabado a preços competitivos no mercado. Estas características tornam o Alumínio o metal não ferroso mais consumido no mundo. Dentre as indústrias consumidoras de alumínio, estão as fabricantes de tubos, que são utilizados em estruturas espaciais permitindo a cobertura de grandes vãos com o mínimo de apoios, além de tubulações para irrigação e trocadores de calor (ABAL, 2007). 38 CAPÍTULO 3 MATERIAIS E MÉTODOS Neste capítulo são apresentados os materiais e métodos utilizados na pesquisa a fim de determinar qualitativamente tensões residuais introduzidas no processo de extrusão a quente de tubos. O estudo foi realizado utilizando alumínio comercialmente puro. Deste, foram confeccionados corpos de prova. O procedimento adotado na preparação da ferramenta para a extrusão dos corpos de prova e geração dos tubos, até a condução dos ensaios de microdureza serão descritos. 3.1. Ferramenta Para Extrusão Para a extrusão dos corpos de prova, foi confeccionada uma ferramenta composta por 8 peças no Laboratório de Usinagem da UFSJ. O material utilizado foi o aço 1045. As figuras 23, 24, 25 e 26, a seguir, mostram de forma detalhada as peças que compõem a ferramenta de extrusão confeccionada. Figura 23- Base inferior e punção piramidal Figura 24- Container inferior e container superior 39 Figura 25- Suporte superior da matriz e matriz Figura 26- Base superior e pistão Foi feito tratamento térmico de têmpera nas peças da ferramenta de acordo com a GGD Metals (2011), em um forno de mufla, da marca JUNG, com temperatura inicial de 450 graus Celsius. Após estabilização marcou-se o tempo de 30 minutos. A temperatura foi elevada, então, para 950 graus Celsius e após estabilização, as peças da ferramenta permaneceram no forno por 1 hora. Para evitar a formação de carepa, as peças foram introduzidas no forno dentro de uma caixa de grafite. Ao serem retiradas do forno, as peças foram imersas em óleo de têmpera para resfriamento ao invés de água, para se evitar trincas. Após chegarem à temperatura ambiente, as peças foram introduzidas novamente no forno, dentro da caixa de grafite, à temperatura de 400 graus Celsius. Após estabilização, marcou-se o tempo de 30 minutos. As peças foram retiradas logo após o tempo marcado e foram resfriadas no ar, concluindo o processo de revenimento de acordo com a GGD Metals (2011), para alívio de tensões. 40 Figura 27- À esquerda, foto do forno de mufla utilizado para tratamento térmico, ao centro, foto da ferramenta montada e à direita, detalhe da base com o punção. Figura 28- Ordem de montagem das peças da ferramenta de extrusão Foram confeccionados também além das 8 peças, mais um punção cônico, para extrusão de tubos de 3,5mm de espessura, e dois punções com ponta redonda para extrusão de tubos de 2,5mm e 3,5mm de espessura, além de mais duas matrizes com ângulos de 24 e 30 graus. Figura 29- Matrizes e punções 41 3.2. Confecção dos Corpos de Prova Na preparação dos corpos de prova, foram utilizadas chapas de alumínio comercialmente puro. As chapas foram cortadas em pequenos pedaços e colocadas em um cadinho de grafite. Em seguida foram aquecidas em forno de mufla na temperatura de 700 graus Celsius até estabilização. Após a fundição, o alumínio foi despejado em moldes de areia. Os moldes foram feitos em uma caixa com areia de fundição previamente peneirada, umedecida e compactada. Como modelo para construção dos moldes, foram usados bastões de metal de 25 mm de diâmetro, retirados logo após a compactação da areia. Depois de resfriados, os tarugos foram retirados da areia, limpos e desbastados. Dos tarugos foram preparados corpos de prova com dimensões de 20mm de diâmetro por 5mm de altura. Foi feito um furo de centro em cada corpo de prova para direcionar a conformação, como é mostrado na figura 30. Figura 30- Fotos dos corpos de prova 3.3. Procedimentos Experimentais Para extrusão, a ferramenta foi montada e um corpo de prova colocado no seu interior. Como lubrificante, foi utilizado grafite em pó (textura de talco), colocado por cima do corpo de prova, até preencher toda a ferramenta, apresentado na figura 31. Figura 31- À esquerda, interior da ferramenta montada, e à direita, grafite em pó 42 Depois de o grafite ser compactado com o próprio pistão da ferramenta, esta foi levada para o forno, e permaneceu 10 minutos no seu interior, após a estabilização da temperatura. Em seguida, foi retirada e levada à Prensa Hidráulica da marca CONEMAG. Nela o corpo de prova foi prensado, como mostrado na figura 32, e retirado logo em seguida, desmontando-se a ferramenta. Figura 32- Extrusão dos tubos com prensa hidráulica Foram feitas extrusões nas temperaturas de 400, 450 e 500 graus Celsius. A velocidade da prensa foi a mesma em todos os ensaios. Variou-se o ângulo da matriz de extrusão, com 15, 24 e 30 graus, e a espessura dos tubos, com 2,5 e 3,5 mm. O punção utilizado para extrusão na ferramenta foi de dois tipos: cônico e redondo. No total, foram extrudados 39 corpos de prova, 36 com os punções cônicos e 3 com o punção redondo. A cada dois corpos de prova extrudados, as matrizes e os punções foram lixados, para remover resíduos de alumínio, como mostrado na figura 33, a seguir. Figura 33- Resíduos retirados após a extrusão dos corpos de prova, punção cônico (à esquerda), e punção redondo (à direita) 43 Figura 34- À esquerda, foto do tubo na ferramenta desmontada após extrusão, e à direita, detalhe do tubo aderido ao punção redondo Inicialmente, o alumínio utilizado foi o ASTM 6351–T6, que tem como principais elementos de liga o silício e o magnésio. A combinação destes dois elementos reduz o ponto de fusão e aumenta a fluidez da liga, conseguindo também maior resistência mecânica aliada à resistência à corrosão (BUZINELLI, 2000). A adição de manganês proporciona aumento de resistência mecânica, causando uma redução ligeira na ductilidade (MARTINS e PADILHA, 2006). São largamente utilizadas em produtos extrudados como tubos e perfis (LIMA, 2002). A composição química do Alumínio ASTM 6351-T6 é apresentada na Tabela 3, a seguir. Tabela 3- Composição química do Alumínio ASTM 6351-T6 (ABNT/CB-35 Alumínio) Outros Elementos Si Fe 0,7 - 1,3 0,50 Cu 0,10 Mn 0,4 - 0,8 Mg 0,4 - 0,8 Cr - Zn 0,20 Ti 0,20 Al Cada Total 0,05 0,15 Restante Entretanto, devido à dificuldades nos ensaios preliminares com matriz com ângulo de 10 graus, e temperatura de extrusão de 350 a 550 graus Celsius, este foi substituído por alumínio comercialmente puro, mais maleável. 44 Figura 35- Fotos dos corpos de prova após tentativas de extrusão com alumínio ASTM 6351-T6 Após a extrusão, para que fosse possível realizar os ensaios de microdureza instrumentada, os tubos foram seccionados em relação ao seu eixo de simetria longitudinal, como mostra a figura 36. Foi cortada uma amostra da parede de cada tubo. Para o corte foi utilizado um policorte da marca Mesotom, com refrigeração por meio de fluido de corte apresentado na figura 37. O corte foi lento, constante e com muita refrigeração para não introduzir tensões residuais indesejadas ao longo no corpo de prova. O procedimento foi realizado da mesma forma para todas as amostras. Figura 36- Tubo seccionado longitudinalmente Figura 37- Policorte Mesotom 45 As amostras foram embutidas a quente em baquelite em uma máquina de embutir TEMPOPRESS e polidas com lixas de granulometria que variaram de 240, 320, 400, 600, 800, 1000 a 1200 mesh em uma máquina politriz PANAMBRA DP-9ª, com fluxo de água contínuo, segundo a norma ASTM E 3 – 01. Em seguida, as amostras foram polidas com feltro e pasta de alumina 3 µm. Figura 38- Máquina de embutir e Politriz Imediatamente após o polimento, para se evitar a oxidação das amostras, foram feitos ensaios de microdureza instrumentada Vickers, de acordo com a norma ABNT NBR 6672. Nesses ensaios um penetrador de diamante, muito pequeno, com geometria piramidal, é forçado contra a superfície do corpo de prova. A impressão resultante é observada sob um microscópio e medida; essa medição é então convertida em um número de índice de dureza. Foi utilizado um ultra micro durômetro SHIMADZU, modelo DUH-211S (Dynamic Ultra Micro Hardness Tester) alocado no Laboratório de Microcospia da Universidade Federal de São João Del-Rei, A figura 37 apresenta o equipamento. Os parâmetros utilizados foram: a) força média de 500 mN; b) força mínima de 1,96 mN; c) velocidade de carregamento de 1,0 mN/seg; d) coeficiente de Poisson do punção piramidal de base quadrada igual 0,070. 46 Figura 39- Ultra Micro Durômetro Figura 40- Amostras embutidas em baquelite Foram feitas 8 indentações em cada amostra, sendo 4 na parede interna e 4 na parede externa dos tubos. 47 Figura 41- Detalhe da indentação As medidas de microdureza encontradas foram comparadas com os resultados de microdureza do material virgem. Como variáveis de controle, foram adotados: a) superfície de análise; b) ângulo da matriz; c) espessura da parede do tubo; d) temperatura de extrusão. A variável de resposta foi a dureza medida nas bordas internas e externas das paredes dos tubos. 3.4. Planejamento Estatístico Para avaliar se houve indução de tensões residuais no processo de extrusão dos tubos, foi realizado um planejamento estatístico fatorial aleatorizado por níveis, em que: A é a superfície de análise em dois níveis (interna e externa); B é o ângulo da matriz em três níveis (15º, 24º e 30º); C é a espessura da parede do tubo em dois níveis (2,5mm, e 3,5 mm); D é a temperatura de extrusão em três níveis (400º C, 450º C e 500º C). 48 CAPÍTULO 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A seguir são apresentados os resultados e discussões dos experimentos e ensaios realizados. Através de análises experimentais, estatísticas e conceituais, serão discutidos os resultados. 4.1. Ensaios de Micro Dureza Nesta seção são apresentados os resultados dos ensaios de Micro Dureza Instrumentada Vickers. O equipamento para medição de ultra micro dureza utilizado, fornece algumas informações importantes tais como: curva de dureza (força x deslocamento), força máxima, profundidade máxima, número de análises, média dos valores obtidos, dentre outros. Dessa forma é gerado um arquivo que compõe todos estas informações. Podem ser obtidos resultados de duas formas: a primeira através de uma leitura direta no equipamento e, a segunda, utilizando cálculos disponíveis na literatura, como foi citado na seção 2.4.5 do Capítulo 2. Nesta pesquisa, optou-se pela maneira direta. Os resultados diretos mostram os parâmetros do ensaio, a força máxima de indentação, a profundidade máxima e a dureza medida para cada sequência de indentação. A seguir, encontra-se um dos resultados obtidos pela forma direta. Figura 42- Resultado direto de dureza obtido para a amostra 2, do corpo de prova extrudado a 400 º C, matriz de 15 graus e espessura do tubo de 2,5 mm 49 Os resultados de dureza medidos para todos os corpos de prova ensaiados são apresentados na Tabela 4 a seguir. Tabela 4- Resultados dos ensaios de ultra micro dureza Temperatura 400º C 2,5mm 3,5mm Superfície de Análise Ângulo da Matriz 15 graus 24 graus 30 graus Ângulo da Matriz 15 graus 24 graus 30 graus Interna 45,3 54,2 47,8 48,2 51,7 52,8 55,5 46,4 21,8 36,8 23,4 36,5 Externa Interna Externa 67,9 46,2 71,3 63,9 56,2 54,4 69,3 54,7 57,9 68,1 57,4 62,3 76,6 49,9 66,2 81,6 52,3 66,5 79,5 48,9 62,2 73,9 47,4 60,9 43,7 60,4 71,9 49,7 62,4 73,9 27,9 53,7 64,7 48,6 62,7 55,7 Temperatura 450º C 2,5mm 3,5mm Superfície de Análise Interna 48,0 59,2 60,8 61,0 44,4 46,5 49,2 53,1 40,5 57,3 67,4 58,2 Externa 61,3 63,0 70,6 65,0 66,2 73,5 72,8 72,0 63,3 67,6 64,1 64,3 Interna 56,9 60,6 63,4 64,7 53,4 67,4 56,6 53,8 67,4 64,6 49,2 58,6 Externa 61,9 64,0 56,5 57,6 52,4 58,8 60,5 60,7 70,5 74,5 64,5 59,6 50 Temperatura 500º C 2,5 3,5 Superfície de Análise Ângulo da Matriz 15 graus 24 graus 30 graus Interna 54,5 58,6 47,2 42,0 37,2 47,2 51,7 54,2 62,9 71,5 75,4 78,9 Externa 61,6 60,5 51,9 49,0 60,7 61,8 67,2 76,0 63,3 68,2 66,0 65,2 Interna 47,8 51,4 41,4 36,9 41,9 45,1 36,3 32,4 61,3 62,6 64,8 64,5 Externa 57,7 56,7 48,6 45,9 54,0 53,1 45,5 42,9 64,3 64,5 63,7 53,5 O material virgem apresentou ultra micro dureza Vickers de 34 HV. Segundo Bocciarelli e Maier (2007), espera-se que um material deformado, submetido a um ensaio de dureza superficial, apresente um resultado diferente do resultado do mesmo ensaio em um material não deformado. Quando há tensões residuais trativas na superfície de um material, os ensaios de dureza apresentam valores menores de dureza comparados com o material virgem, caso contrário, as tensões residuais são compressivas, pois o indentador precisará de mais força para penetrar a amostra. Com o aumento da dureza, há também o aumento da tensão residual. Os resultados mostraram indução de tensão residual nas paredes dos tubos, de natureza compressiva. A análise de variância na Tabela 5 mostra, com uma confiança de 95%, se houve influência da superfície de análise, ângulo da matriz, espessura dos tubos e temperatura de extrusão. Na análise feita, SST é a soma dos quadrados de todas as medidas, SSA é a soma dos quadrados das medidas para cada superfície de indentação, SSB é a soma dos quadrados das medidas para cada ângulo de matriz de extrusão, SSC é a soma dos quadrados das medidas para cada espessura de tubo extrudado, SSD é a soma dos quadrados das medidas para cada temperatura de extrusão. O restante é a soma dos quadrados das interações. SSERRO é o erro embutido em toda a soma, GL é o grau de liberdade para cada variável. Ftab é dado na Tabela de Distribuição de Fisher, de acordo com a confiança e os graus de liberdade da variável e do erro. 51 Tabela 5- Análise de Variância T A B C D AB AC AD BC BD CD ABC ABD BCD ABCD ERRO SS 17.218,56 3.453,94 164,24 4,98 546,11 1.032,96 311,80 385,65 1.088,43 2.919,06 818,84 148,07 476,26 1.708,18 457,40 3.702,64 GL MÉDIA 143,00 1,00 3.453,94 2,00 82,12 1,00 4,98 2,00 273,05 2,00 516,48 1,00 311,80 2,00 192,82 2,00 544,21 4,00 729,77 2,00 409,42 2,00 74,04 4,00 119,07 4,00 427,04 4,00 114,35 110,00 33,66 Fcalc 102,61 2,44 0,15 8,11 15,34 9,26 5,73 16,17 21,68 12,16 2,20 3,54 12,69 3,40 1,00 Ftab 3,93 3,08 3,93 3,08 3,08 3,93 3,08 3,08 2,45 3,08 3,08 2,45 2,45 2,45 Influencia Não influencia Não influencia Influencia Influencia Influencia Influencia Influencia Influencia Influencia Não influencia Influencia Influencia Influencia As variáveis de controle que tiveram influência na indução de tensões residuais nas paredes dos tubos extrudados foram superfície de análise e a temperatura de extrusão. Também foi feita uma análise de variância para uma comparação entre os tipos de punção utilizados na extrusão. A seguir, encontram-se os resultados de dureza para os dois tipos de punção, redondo e cônico, nas mesmas condições de temperatura de extrusão e espessura de tubo na Tabela 6. Tabela 6- Resultados de dureza para os punções redondo e cônico, nas mesmas condições Punção Redondo Superfície de Superfície de Superfície de Ângulo Ângulo da Ângulo da Análise Análise Análise da Matriz Matriz Matriz Interna Externa Interna Externa Interna Externa 62,31 46,11 62,31 79,45 53,15 66,69 45,68 42,67 78,25 87,52 49,87 76,93 15 24 30 56,11 39,36 56,11 72,04 66,42 48,66 67,70 39,58 67,70 54,41 89,68 84,98 Punção Cônico Superfície de Superfície de Superfície de Ângulo Ângulo da Ângulo da Análise Análise Análise da Matriz Matriz Matriz Interna Externa Interna Externa Interna Externa 47,96 61,29 44,38 66,19 40,53 63,33 59,15 62,98 46,53 73,52 57,31 67,59 15 24 30 60,80 70,62 49,23 72,83 67,44 64,11 60,96 64,96 53,07 71,95 58,21 64,35 52 As variáveis de controle foram: A, o tipo de punção em dois níveis, cônico e redondo; B, a superfície de análise, em dois níveis, interna e externa; C, o ângulo da matriz de extrusão em três níveis, 15, 24 e 30 graus. A temperatura de extrusão foi de 450 graus Celsius, e a espessura do tubo foi de 2,5mm para todas as indentações. A tabela 7 apresenta a análise de variância para os dois tipos de punção. Tabela 7- Análise de variância para os tipos de punção SS 7.380,92 T 41,10 A 415,59 B 814,84 C 638,33 AB 1.035,89 AC 740,36 BC 188,14 ABC ERRO 3.506,66 GL 47,00 1,00 1,00 2,00 1,00 2,00 2,00 2,00 36,00 MÉDIA Fcalc Ftab 41,10 415,59 407,42 638,33 517,95 370,18 94,07 97,41 0,42 4,27 4,18 6,55 5,32 3,80 0,97 4,11 4,11 3,26 4,11 3,26 3,26 3,26 Não Influencia Influencia Influencia Influencia Influencia Influencia Não Influencia Além destas duas análises, também foi feita outra para verificar a influência do ângulo da matriz de extrusão em relação à superfície de análise para cada punção, na temperatura de 450 graus Celsius e com tubos de espessura de 2,5 mm. A é a superfície de análise, em dois níveis, interna e externa; B é o ângulo da matriz de extrusão, em 3 níveis, 15, 24 e 30 graus. As Tabelas 8 e 9, a seguir, mostram a análise de variância para os punções redondo e cônico, respectivamente. Tabela 8- Análise de variância para o punção redondo T A B AB ERRO SS 5.381,01 11,90 1.843,15 648,12 2.877,83 GL 23,00 1,00 2,00 2,00 18,00 MÉDIA Fcalc Ftab 11,90 921,58 324,06 159,88 0,07 5,76 2,03 4,41 3,55 3,55 Não influencia Influencia Não influencia 53 Tabela 9- Análise de variância para o punção cônico SS 1.958,81 1.042,02 7,58 280,38 628,83 T A B AB ERRO GL 23,00 1,00 2,00 2,00 18,00 MÉDIA Fcalc Ftab 1.042,02 3,79 140,19 34,93 6,52 0,02 0,88 4,41 3,55 3,55 Influencia Não influencia Não influencia Na extrusão dos tubos com punção redondo, a única variável que teve influência na indução de tensões residuais foi o ângulo da matriz de extrusão, já na extrusão de tubos com punção cônico, a superfície de análise teve influência na indução de tensões residuais, enquanto o ângulo da matriz não influenciou a indução de tensões residuais. 4.1.1. Superfície de Análise As superfícies interna e externa das paredes dos tubos exerceram influência na indução de tensão residual. Como é observado nas figuras 43, 44, 45, 46, 47 e 48, a seguir, a dureza nas paredes internas foi menor que nas paredes externas. Variação de Dureza Média na Temperatura de 400° C e espessura 2,5 mm Dureza (HV) 80 60 Interna 40 Externa 20 0 15 24 30 Ângulo da Matriz de Extrusão (graus) Figura 43- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 400° e espessura de tubo de 2,5 mm 54 Variação de Dureza Média na Temperatura de 450° C e espessura 2,5 mm Dureza (HV) 80 60 Interna 40 Externa 20 0 15 24 30 Ângulo da Matriz de Extrusão (graus) Figura 44- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 450° e espessura de tubo de 2,5 mm Variação de Dureza Média na Temperatura de 500° C e espessura 2,5 mm Dureza (HV) 80 60 Interna 40 Externa 20 0 15 24 30 Ângulo da Matriz de Extrusão (graus) Figura 45- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 500° e espessura de tubo de 2,5 mm 55 Variação de Dureza Média na Temperatura de 400° C e espessura 3,5 mm Dureza (HV) 80 60 40 Interna 20 Externa 0 15 24 30 Ângulo da Matriz de Extrusão (graus) Figura 46- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 400° e espessura de tubo de 3,5 mm Variação de Dureza Média na Temperatura de 450° C e espessura 3,5 mm Dureza (HV) 80 60 40 Interna 20 Externa 0 15 24 30 Ângulo da Matriz de Extrusão (graus) Figura 47- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 450° e espessura de tubo de 3,5 mm 56 Variação de Dureza Média na Temperatura de 500° C e espessura 3,5 mm Dureza (HV) 80 60 40 Interna 20 Externa 0 15 24 30 Ângulo da Matriz de Extrusão (graus) Figura 48- Gráfico de dureza média, paredes externas x paredes internas, temperatura de 500° e espessura de tubo de 3,5 mm Em todos os gráficos de dureza média para as diferentes temperaturas de extrusão, a dureza externa foi maior que a dureza interna. De acordo com Chitkara e Aleem (2001), isto se deve ao fato de que à medida que o pistão se desloca, há um aumento da carga necessária para comprimir o tarugo, até que esta alcança um pico, que indica o início da extrusão. A partir deste momento, a resistência entre a parede do tubo e a matriz decresce. Figura 49- Gráfico de deslocamento x força, para extrusão de tubos com matrizes de ângulos curvos e punções retos (CHITKARA E ALEEM, 2001) 57 4.1.2. Ângulo da Matriz de Extrusão O ângulo da matriz de extrusão não teve influência na dureza do material. A literatura diz que quanto maior o ângulo da matriz, maior a área de contato entre as paredes do tubo e a matriz, consequentemente, maior o atrito entre elas. Entretanto, com o aumento do ângulo da matriz de extrusão não foi verificado o aumento da dureza nas paredes dos tubos. As figuras 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60 e 61, a seguir, mostram os gráficos com uma comparação entre os ângulos das matrizes de extrusão, de acordo com a temperatura, espessura dos tubos e superfície de análise. Os resultados não seguiram um padrão. Dureza na Superfície Interna, Temperatura de 400° C e Espessura de 2,5 mm 60 Dureza (HV) 50 40 15° 24° 30 30° 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 50- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise interna 58 Dureza na Superfície Interna, Temperatura de 450° C e Espessura de 2,5 mm 70 60 Dureza (HV) 50 15° 40 24° 30 30° 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 51- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise interna Dureza na Superfície Interna, Temperatura de 500° C e Espessura de 2,5 mm 80 70 Dureza (HV) 60 15° 50 24° 40 30° 30 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 52- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise interna 59 Dureza na Superfície Externa, Temperatura de 400° C e Espessura de 2,5 mm 90 80 Dureza (HV) 70 60 15° 50 24° 40 30° 30 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 53- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise externa Dureza na Superfície Externa, Temperatura de 450° C e Espessura de 2,5 mm 74 72 Dureza (HV) 70 68 15° 66 24° 64 30° 62 60 58 56 54 1 2 3 4 Indentação Figura 54- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise externa 60 Dureza na Superfície Externa, Temperatura de 500° C e Espessura de 2,5 mm 80 70 Dureza (HV) 60 15° 50 24° 40 30° 30 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 55- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 2,5 mm e superfície de análise externa Dureza na Superfície Interna, Temperatura de 400° C e Espessura de 3,5 mm 70 60 Dureza (HV) 50 15° 40 24° 30 30° 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 56- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise interna 61 Dureza na Superfície Interna, Temperatura de 450° C e Espessura de 3,5 mm 70 60 Dureza (HV) 50 15° 40 24° 30 30° 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 57- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise interna Dureza na Superfície Interna, Temperatura de 500° e Espessura de 3,5 mm 70 60 Dureza (HV) 50 15° 40 24° 30 30° 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 58- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise interna 62 Dureza na Superfície Externa, Temperatura de 400° C e Espessura de 3,5 mm 80 70 Dureza (HV) 60 15° 50 24° 40 30° 30 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 59- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 400 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise externa Dureza na Superfície Externa, Temperatura de 450° C e Espessura de 3,5 mm 80 70 Dureza (HV) 60 15° 50 24° 40 30° 30 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 60- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 450 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise externa 63 Dureza na Superfície Externa, Temperatura de 500° C e Espessura de 3,5 mm 70 60 Dureza (HV) 50 15° 40 24° 30 30° 20 10 0 1 2 3 4 Indentação Figura 61- Gráfico de comparação entre ângulos de matrizes de extrusão na temperatura de 500 graus Celsius, espessura de 3,5 mm e superfície de análise externa Chaudhari et al. (2012), encontraram valores de micro dureza que também não seguiram a regra, para cilindros extrudados com matrizes de ângulos diferentes. Figura 62- Gráfico de micro dureza para cilindros de alumínio extrudados a frio com matrizes de ângulos 30º, 45º e 60º (CHAUDHARI et al., 2012) Uma das razões pelas quais a dureza não teve variação pode ser a temperatura de extrusão. Com esta variável acima da temperatura de recristalização do alumínio, pode-se ter 64 conseguido uma plasticidade suficiente para não tornar a variação do atrito entre as paredes dos tubos e a matriz significativa. 4.1.3. Espessura da Parede do Tubo Quando a razão de extrusão aumenta, a pressão necessária para extrusão também aumenta. De acordo com Ebrahimi et al. (2008), o efeito da redução da área é somente significativo em altos valores do fator de atrito, uma vez a baixos valores do fator de atrito, a área de superfície de atrito não tem qualquer efeito significativo sobre a potência de extrusão. Isto explica as diferentes espessuras dos tubos não terem influenciado as medidas de dureza, pois as reduções foram de 10% para a espessura de 3,5 mm e 20% para a espessura de 2,5 mm. 4.1.4. Temperatura de Extrusão O fator mais importante para se lembrar no processo de extrusão é a temperatura. A temperatura é o parâmetro mais crítico, porque dá as características desejadas ao alumínio tais como dureza e acabamento. Na extrusão a frio, o material endurece por encruamento durante a deformação porque os grãos do metal se deformam e assim permanecem, aumentando as tensões na estrutura e, consequentemente, sua dureza. Na extrusão a quente, os grãos se reconstituem após a extrusão por causa da alta temperatura, por isso a indução de tensões residuais é menor nesse tipo de extrusão. Temperaturas baixas causam maior atrito entre o tarugo e as paredes da ferramenta e um longo tempo necessário para iniciar a extrusão do tarugo. A temperatura de extrusão influenciou as medidas de dureza e quanto maior a temperatura, menor a tensão residual induzida. As figuras 63, 64, 65, 66, 67 e 68, a seguir, mostram gráficos que comparam a temperatura de extrusão e os ângulos das matrizes para cada espessura de tubo e superfície de análise. 65 Dureza Média para Ângulo de Matriz de 15° e Espessura do Tubo de 2,5 mm 70 Dureza (HV) 60 50 400° 40 450° 30 500° 20 10 0 Interna Externa Superfície de Análise Figura 63- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 15° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 2,5 mm Dureza Média para Ângulo de Matriz de 24° e Espessura do Tubo de 2,5 mm 70 60 400° 40 450° 30 500° Dureza (HV) 50 20 10 0 Interna Externa Superfície de Análise Figura 64- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 24° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 2,5 mm 66 Dureza Média para Ângulo de Matriz de 30° e Espessura do Tubo de 2,5 mm 80 Dureza (HV) 70 60 400° 50 450° 40 500° 30 20 10 0 Interna Externa Superfície de Análise Figura 65- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 30° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 2,5 mm Dureza Médiapara Ângulo de Matriz de 15° e Espessura do Tubo de 3,5 mm 70 Dureza (HV) 60 50 400° 40 450° 30 500° 20 10 0 Interna Externa Superfície de Análise Figura 66- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 15° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 3,5 mm 67 Dureza Média para Ângulo de Matriz de 24° e Espessura do Tubo de 3,5 mm 70 Dureza (HV) 60 50 400° 40 450° 30 500° 20 10 0 Interna Externa Superfície de Análise Figura 67- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 24° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 3,5 mm Dureza Média para Ângulo de Matriz de 30° e Espessura do Tubo de 3,5 mm 70 Dureza (HV) 60 50 400° 40 450° 30 500° 20 10 0 Interna Externa Superfície de Análise Figura 68- Gráfico de dureza média para temperaturas de 400º, 450º e 500° Celsius, em relação ao ângulo de 30° para matriz de extrusão e espessura de tubo de 3,5 m 68 4.1.5. Tipo de Punção Na extrusão de tubos simétricos em torno de um eixo, Chitkara e Aleem (2001), variaram o tipo de punção utilizado na extrusão. Entre eles, punções cônicos, ogivais e redondos. Os resultados apresentados na figura 69, mostram que as maiores cargas requeridas foram pelos punções cônicos e ogivais, respectivamente. O punção redondo foi o que menos requereu carga para realizar a extrusão dos tubos. O mesmo resultado foi encontrado neste trabalho, porém, o tipo de punção não exerceu influência na indução de tensões residuais nos tubos extrudados como é apresentado nos gráficos das figuras 70 e 71. Figura 69- À esquerda, foto dos punções utilizados, à direita, gráfico com a carga requerida para extrusão para cada tipo de punção, conical (cônico), ogival (ogival) e polynomial (redondo) (CHITKARA E ALEEM, 2001) 69 Dureza Média Parede Interna x Tipo de Punção 70 Dureza (HV) 60 50 15° 40 24° 30 30° 20 10 0 Redondo Cônico Tipo de Punção Figura 70- Gráfico de dureza média em relação ao tipo de punção para a temperatura 450° Celsius, superfície de análise interna e espessura do tubo de 2,5 mm Dureza Média Parede Externa x Tipo de Punção 80 Dureza (HV) 70 60 50 15° 40 24° 30 30° 20 10 0 Redondo Cônico Tipo de Punção Figura 71- Gráfico de dureza média em relação ao tipo de punção para a temperatura 450° Celsius, superfície de análise externa e espessura do tubo de 2,5 mm 70 Analisando separadamente cada punção, nas mesmas condições de temperatura de extrusão e espessura da parede dos tubos, diferentemente do que foi observado na análise para diferentes condições de temperatura de extrusão e espessura dos tubos, foi verificada a influência do ângulo da matriz de extrusão na indução de tensões residuais nas paredes dos tubos e não influência da superfície de análise para o punção redondo. Para o punção cônico, os resultados foram os mesmos da análise em condições diferentes. As diferenças nos resultados podem ser explicadas pela menor carga exigida pelo punção redondo no processo de extrusão. Chitkara e Alem (2001), encontraram na extrusão de tubos simétricos em volta de um eixo, a diferença de cerca de 15 a 20% de carga necessária para extrusão, comparando punções cônicos, redondos e ogivais de mesmo diâmetro, para matrizes iguais. Como o atrito é menor, qualquer alteração na área de contato é significativa, fazendo com que a tensão residual aumente com o aumento do ângulo da matriz de extrusão. 4.2. Análise Superficial dos Tubos Extrudados Comparando o acabamento interno e externo dos tubos, foram observadas as seguintes características: a temperatura não teve influência significativa; o punção redondo mostrou melhor acabamento externo, e visualmente melhor escoamento do material durante a extrusão, porém, o acabamento interno foi pior; o punção cônico apresentou pior acabamento externo e melhor acabamento interno; a variação do ângulo da matriz não influenciou no acabamento. As figuras 72, 73, 74 e 75, a seguir apresentam fotos de trubos extrudados com 2,5mm de espessura e diferentes punções e temperaturas. Figura 72- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, compunção cônico, a 400, 450 e 500 graus Celsius, respectivamente 71 Figura 73- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, com punção cônico, a 500, 450 e 400 graus Celsius, respectivamente Figura 74- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, com punção redondo, a 400 e 450 graus Celsius, respectivamente Figura 75- Fotos de tubos extrudados de 2,5mm de espessura, com punção redondo, a 400 e 450 graus Celsius, respectivamente 72 CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES O objetivo desta pesquisa foi investigar a distribuição de tensões residuais na parede de tubos de alumínio comercialmente puro extrudados a quente, estabelecendo o seu mapa de intensidade e de natureza (compressiva ou trativa). Na realização do experimento, podemos concluir que: - Foram encontradas tensões residuais nas paredes dos tubos. Estas tensões mostraram-se de natureza compressiva, o que favorece a utilização destes tubos como elementos estruturais, pois a indução de tensões residuais compressivas favorece a sua resistência à fadiga. - Houve diferenças quanto à valores de tensão residual nas paredes interna e externa dos tubos extrudados, sendo que as paredes internas mostraram menor tensão residual. - O ângulo da matriz de extrusão não teve influência na dureza do material. - As diferentes espessuras dos tubos não exerceram influência nas medidas de dureza, pois as reduções de 10% para a espessura de 3,5 mm, 20% para a espessura de 2,5 mm resultaram em baixos fatores de atrito. - A temperatura de extrusão influenciou as medidas de dureza e quanto maior a temperatura, menor a tensão residual induzida. - Apesar de o punção redondo requerer menor carga para realizar o processo de extrusão, o tipo de punção não influenciou a indução de tensões residuais nas paredes dos tubos extrudados. - Quanto ao acabamento dos tubos, a temperatura de extrusão, não mostrou diferenças significativas. - O punção redondo mostrou melhor acabamento externo, porém, o acabamento interno foi pior. - O punção cônico apresentou melhor acabamento interno e pior acabamento externo. 73 - A variação no ângulo da matriz de extrusão não mostrou diferenças no acabamento dos tubos. 74 CAPÍTULO 6 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Este trabalho analisou a indução de tensões residuais na extrusão a quente de tubos de alumínio comercialmente puro. A partir das conclusões, podemos sugerir os seguintes trabalhos futuros: - Verificar os parâmetros de extrusão a quente de tubos para a liga de alumínio ASTM 6351T6; - Analisar a indução de tensões residuais através de outros métodos de medição; - Extrudar tubos de alumínio com maiores reduções; - Verificar a influência de lubrificantes na extrusão a quente de tubos de alumínio; - Medir a força no processo de extrusão a quente de tubos de alumínio; - Avaliar a vida em fadiga dos tubos de alumínio extrudados a quente; - Avaliar a corrosão sob tensão de tubos de alumínio extrudados a quente; - Verificar a extrusão a quente de tubos para outros metais. 75 REFERÊNCIAS ABAL: Associação Brasileira do Alumínio. Fundamentos e Aplicações do Alumínio. São Paulo: ABAL, 2007. 68p. ALCOA. Perfis Extrudados de Alumínio: Catálogo de Ligas e Têmperas de Extrusão. 2010. 52p. ANDRINO, Marcílio Haddad. Avaliação de Tensões Residuais em Soldas de Dutos Utilizando o Efeito Acustoelástico. 2003. 186 f. 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