Níveis de carbono particulado na precipitação: observações efectuadas em Aveiro durante o ano de 2003 M.A. Cerqueira (1), C.A. Pio (2), J.V. Afonso (3), C.N. Santos (4) Departamento de Ambiente e Ordenamento, Universidade de Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal (1) [email protected], (2)[email protected], (3)[email protected] , (4) [email protected] Resumo Nesta comunicação dão-se a conhecer os resultados de medições de carbono particulado efectuadas em amostras de água da chuva recolhidas em Aveiro entre Janeiro e Dezembro de 2003. A maioria das amostras foi colhida durante períodos contínuos de precipitação, geralmente associados à passagem de superfícies frontais sobre o território de Portugal Continental. Após a colheita, as amostras foram filtradas e analisadas por intermédio de um método termo-óptico, o qual possibilitou a diferenciação da matéria carbonácea em carbono negro (CN), carbono orgânico (CO) e carbono total (CT). No total procedeu-se à caracterização de 28 eventos de precipitação. A origem das massas de ar associadas a cada um destes estes eventos foi identificada através da aplicação de um modelo de cálculo de trajectórias retrógradas, tendo-se verificado que na grande maioria dos casos as amostras colhidas estavam relacionadas com o transporte de massas de ar provenientes da região do Atlântico Norte. A caracterização química revelou um teor médio e um desvio padrão de 16 ± 13 µg C dm-3 para o CN e 111 ± 51 µg C dm-3 para o CO. A classificação das amostras sob o ponto de vista das circulações atmosféricas à escala sinóptica permitiu verificar que os níveis mínimos de carbono particulado foram encontrados em amostras associadas ao transporte de massas de ar sobre o Oceano Atlântico (1 µg C dm-3 para o CN e 26 µg C dm-3 para o CO), enquanto os máximos foram encontrados em amostras associadas ao transporte de massas de ar sobre áreas continentais (65 µg C dm-3 para o CN e 201 µg C dm-3 para o CO). Introdução As partículas em suspensão na atmosfera contêm uma fracção significativa de material carbonáceo, o qual é geralmente classificado em dois componentes: o carbono negro (CN) e o carbono orgânico (CO). O CN é um poluente primário, emitido directamente para a atmosfera em consequência da queima incompleta de combustíveis fósseis e de biomassa (Cooke e Wilson, 1996; Liousse et al., 1996). Consiste maioritariamente em carbono elementar e a sua estrutura distingue-se pela semelhança com a grafite. Não obstante a elevada inércia química desta forma de carbono, apresenta propriedades adsortivas e catalíticas, o que lhe confere uma função importante no transporte e transformação de poluentes ao nível da troposfera. Trata-se também do constituinte atmosférico com a maior absorção específica da radiação solar incidente, contribuindo significativamente para o forçamento climático provocado pelas partículas do aerossol (Jacobson, 2001). Por sua vez, o CO tanto pode ter uma origem primária, se é emitido directamente na forma particulada, por exemplo durante a queima de combustíveis, como secundária, se é produzido na atmosfera por processos de conversão gás-partícula a partir de compostos orgânicos voláteis (Castro et al., 1999). Consiste numa mistura diversificada de compostos orgânicos, onde se incluem moléculas de hidrocarbonetos alifáticos, hidrocarbonetos aromáticos, aldeídos, cetonas, álcoois e ácidos carboxílicos (Alves et al., 2001). O CO particulado é especialmente eficiente na dispersão da radiação solar, podendo contribuir significativamente para a degradação da visibilidade e para o balanço climático terrestre (Malm e Day, 2000; Molnár et al., 1999). Uma fracção do CO particulado é solúvel em água, o que o torna também um participante activo na génese das nuvens (Corrigan e Novakov, 1999). As implicações ambientais que decorrem da presença das partículas de carbono na atmosfera terrestre têm motivado a realização de diversos estudos sobre a génese, composição e transporte dos aerossóis carbonáceos. Todavia, pouco se conhece ainda sobre a sua remoção, que deverá processar-se maioritariamente por deposição húmida (Ducret e Cachier, 1992). Efectivamente, têm sido poucos os autores a debruçarem-se sobre a ocorrência de carbono particulado na precipitação, o que tem sido apontado como uma das principais dificuldades sentidas no momento em que se pretende efectuar a calibração de modelos de transporte e de concentração de carbono particulado na atmosfera (Cooke e Wilson, 1996; Liousse et al., 1996). Nesta comunicação dão-se a conhecer os resultados de um ano de medições de carbono particulado em amostras de água da chuva recolhidas em Aveiro, trabalho que se desenvolveu no âmbito do projecto CARBOSOL, que pretende, entre outros objectivos, caracterizar a distribuição espacial dos teores de partículas carbonáceas na atmosfera e na precipitação do continente europeu. Procedimento Experimental As amostragens decorreram entre Janeiro e Dezembro de 2003 no campus universitário de Aveiro, situado no extremo sudoeste da cidade, a cerca de 7 km da costa atlântica, a uma latitude de 40º 38’N e a uma longitude de 8º 39’W. A grande maioria das amostras foi colhida durante períodos contínuos de precipitação, geralmente associados à passagem de superfícies frontais sobre o território de Portugal Continental. O equipamento de recolha consistiu num funil em aço inoxidável, de geometria piramidal e base quadrangular, dispondo de uma área aberta de 0.25 m2, ao qual se encontrava ligado um frasco de vidro com 5 dm3 de capacidade. O material encontrava-se cuidadosamente lavado, sendo exposto apenas durante a amostragem, com o propósito de se minimizar a deposição seca de partículas. Após a colheita, as amostras foram filtradas através de um filtro de fibra de quartzo (Whatman QMA), com 25 mm de diâmetro (previamente calcinado a uma temperatura de 550 ºC, durante 4 horas), a fim de se separar o conteúdo em carbono insolúvel presente na água da chuva. A água retida nos filtros foi removida num exsicador durante 24 horas, sendo as amostras preservadas a uma temperatura de -15 ºC até à data da análise. A matéria acumulada nos filtros foi posteriormente analisada por um método termo-óptico (Figura 1), anteriormente aplicado com sucesso à quantificação do conteúdo em carbono nas partículas do aerossol atmosférico (Castro et al., 1999). Resumidamente, o sistema consiste num tubo de quartzo com duas secções de aquecimento, uma fonte de laser e um espectrofotómetro de infravermelho não dispersivo para análise de CO2. Uma porção do filtro com a amostra é colocada no interior do tubo de quartzo, ao nível da primeira secção, a qual é aquecida de um modo controlado até uma temperatura de 600 ºC, com o propósito de volatilizar apenas a fracção orgânica das partículas. A segunda secção, revestida a óxido cúprico, é mantida a uma temperatura constante de 700 ºC e destina-se a garantir a oxidação total do carbono volatilizado. Posteriormente, a temperatura da primeira secção é elevada até 850 ºC, provocando-se a volatilização e oxidação do carbono negro. O sistema permite também que a parte inicial do forno seja varrida por um fluxo de um gás inerte ou por uma mistura contendo oxigénio, consoante a fracção a volatilizar. Em ambas as situações procede-se ainda à adição de oxigénio à parte terminal do forno, possibilitando-se uma combustão quantitativa do carbono volatilizado a CO2 e a sua subsequente monitorização em contínuo no analisador localizado a jusante. Durante a análise da amostra procede-se à monitorização do escurecimento do filtro com o auxílio do laser, a fim de se quantificar a fracção de carbono orgânico pirolisado e corrigir o valor de carbono negro estimado por via térmica. Figura 1 Representação esquemática do sistema de análise de carbono particulado (A-garrafa de gás; Bforno de quartzo; B1-zona 1 de aquecimento; B2-zona 2 de aquecimento; C-laser; C1-detector; C2pulsador; C3-transdutor; D-espectrofotómetro; E-controlador de temperatura; E1, E2-termopares; Fmedidor de fluxo mássico; G-rotâmetro; H-computador. Resultados e discussão Durante o ano de 2003 procedeu-se à caracterização de 28 eventos de precipitação, distribuídos sazonalmente do seguinte modo: 10 no Inverno; 6 na Primavera; 3 no Verão; e 9 no Outono. A origem das massas de ar associadas a cada um destes eventos foi identificada através da aplicação do modelo HYSPLIT (Draxler, 2004), o qual permitiu o cálculo de trajectórias retrógradas de quatro dias a terminarem em Aveiro no período em que decorreu a amostragem. O conjunto das 28 trajectórias encontra-se representado nas Figuras 2 e 3, sendo possível notar que na grande maioria dos casos as amostras colhidas estavam associadas ao transporte de massas de ar com origem na região do Atlântico Norte. Esta tendência não surpreende, por vir ao encontro dos padrões de circulação geral da atmosfera, que se distinguem por um regime de ventos de oeste numa cintura de latitudes compreendida entre os 30º N e os 60º N. As principais excepções a este comportamento referem-se às trajectórias que terminaram nos dias 30 de Maio, 24 de Outubro e 6 de Dezembro de 2003. No primeiro caso, o posicionamento de um centro de baixas pressões sobre a Península Ibérica ditou o transporte de massas ar sobre o norte de África. Na segunda situação, um centro de altas pressões localizado a noroeste das Ilhas Britânicas foi o responsável pelo deslocamento de massas de ar originárias do norte da Europa sobre o território de Portugal Continental. Por fim, no dia 6 de Dezembro, a existência de um centro depressionário localizado a sudoeste de Sagres provocou a recirculação de massas de ar sobre a Península Ibérica. 70 Latitude (º) 60 50 40 30 20 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 Longitude (º) Figura 2 Trajectórias retrógradas associadas aos eventos de precipitação caracterizados em Aveiro no período compreendido entre os dias 1 de Janeiro e 25 de Abril de 2003. 70 Latitude (º) 60 50 40 30 20 -70 -60 -50 -40 -30 -20 -10 0 10 Longitude (º) Figura 3 Trajectórias retrógradas associadas aos eventos de precipitação caracterizados em Aveiro no período compreendido entre os dias 25 de Abril e 12 de Dezembro de 2003. A análise da matéria carbonácea presente nas amostras de água da chuva revelou um teor médio e um desvio padrão de 16 ± 13 µg C dm-3 para o carbono negro (CN), 111 ± 51 µg C dm-3 para o carbono orgânico (CO) e 149 ± 128 µg C dm-3 para o carbono total (CT). Uma das amostras não permitiu a diferenciação dos teores de CN e CO pela técnica analítica adoptada. Tratou-se de uma situação em que a quantidade de matéria mineral concentrada no filtro era muito elevada, o que foi relacionado com a ocorrência de poeiras naturais provenientes do norte de África, fenómeno favorecido pelas condições meteorológicas anteriormente descritas para o dia 30 de Maio. A presença de partículas de CN nas 27 amostras restantes revelou que a incorporação de aerossóis com origem em processos de combustão era comum à generalidade dos eventos de precipitação que ocorreram na região costeira de Aveiro, mesmo nos casos em que as trajectórias das massas de ar mostraram um percurso exclusivamente marinho. Todavia, estes dados não permitiram esclarecer se a presença de CN decorreu de uma incorporação de partículas na faixa litoral, dado que a distância mínima que separa o local de amostragem da linha de costa não é desprezável (≈ 7 km), ou se resultou do transporte de partículas a longas distâncias, motivado pela circulação geral da atmosfera. Esta última possibilidade vai ao encontro de relatos anteriores da autoria de Ducret e Cachier (1992) mostrando que o CN ocorria regularmente em amostras de precipitação recolhidas em locais remotos dos continentes europeu e africano, como consequência da ampla disseminação das partículas do aerossol de combustão na atmosfera global. Na expectativa de uma interpretação mais pormenorizada dos níveis de carbono na água da chuva recolhida em Aveiro procedeu-se à classificação das amostras sob o ponto de vista da origem das massas de ar associadas a cada um dos eventos de precipitação. As amostras foram identificadas como marinhas, se as trajectórias mostrassem transporte de massas de ar sobre o Oceano Atlântico, eventualmente com um contacto inicial com a superfície do continente americano, e continentais, se o percurso final das trajectórias mostrasse transporte de massas de ar sobre a Península Ibérica. As amostras distribuíram-se então do seguinte modo: 20 na primeira classe e 8 na segunda. As diferenças entre os teores médios de carbono nas duas classes não foram estatisticamente significativas, todavia os níveis mais baixos foram encontrados em amostras marinhas (1 µg C dm-3 para o CN e 26 µg C dm-3 para o CO) enquanto os mais altos foram encontrados em amostras continentais (65 µg C dm-3 para o CN e 201 µg C dm-3 para o CO). Tabela 1 Valores médios e intervalos de variação de teores de carbono obervados na precipitação em diferentes locais da superfície terrestre. Concentração (µg C dm-3) Local n CN CO CT Aveiro, Portugal (costeiro) 28 16* (1-65) 111* (26-201) 149 (36-743) Trabalho presente Mace Head, Irlanda (costeiro) 18 31 (9-94) - 100 (47-323) Ducret e Cachier (1992) Paris, França (semi-urbano) 58 333 (27-1348) - 1184 (69-5868) Ducret e Cachier (1992) Nova Escócia, Canadá (rural) 20 3** 2.6 (0.0-8.2) 1.7 (0.8-2.8) - - Enyele, Congo (floresta tropical) - estação seca Referência Chýlek et al. (1999) Ducret e Cachier (1992) 12 155 (75-258) - estação húmida 33 45 (11-75) * média de 27 amostras; ** amostras de neve - 477 (265-745) - 236 (34-430) Em termos comparativos, os níveis de carbono particulado registados em Aveiro enquadram-se no conjunto de dados que tem vindo a ser reunido em diferentes locais da superfície terrestre (Tabela 1). Com efeito, os resultados apresentados neste estudo são muito semelhantes aos registados na estação de pesquisa da atmosfera de Mace Head (costa oeste da Irlanda), um local que se caracteriza por uma forte influência de ventos com origem no Oceano Atlântico, e significativamente inferiores aos registados em regiões que sofrem o impacto de fontes emissoras intensas. Estão neste casos os valores medidos na região urbana de Paris, onde a queima de combustíveis fósseis é muito expressiva, e em Enyele, na floresta tropical do Congo, onde na estação seca do hemisfério norte se fazem sentir os efeitos da queima de biomassa que ocorre em áreas extensas de savana do continente africano, situadas a mais de 100 km de distância daquele local. Os níveis mais baixos de CN na precipitação encontrados na literatura foram registados por Chýlek et al. (1999) num sítio rural da Nova Escócia, facto que os autores atribuíram à passagem de massas de ar marinho associadas ao desenvolvimento de ciclones extratropicais ao largo da costa leste do Canadá. A variação temporal dos níveis de carbono nas amostras de água da chuva encontra-se representada na Figura 4. Da análise do gráfico não se destaca qualquer tendência sazonal, sendo no entanto de notar a ocorrência de flutuações importantes entre medições sucessivas, que nalguns casos chegam a ser de uma ordem de grandeza. São diversos os factores que podem explicar esta variabilidade, nomeadamente as flutuações ao nível das fontes emissoras de carbono particulado, a intensidade e duração dos eventos de precipitação e a altura e a composição da coluna da atmosfera que é “lavada” durante a queda das gotas de água. carbono negro (CN) carbono orgânico (CO) -3 Concentração de carbono (µg C dm ) 300 250 200 150 100 50 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Data Figura 4 Variação temporal dos níveis de carbono negro (CN) e carbono orgânico (CO) em amostras de água da chuva colhidas em Aveiro durante o ano de 2003. Os resultados obtidos em Aveiro revelaram ainda que o CO era claramente dominante nas partículas em suspensão na água da chuva, representando, em média, 87 ± 8% da matéria carbonácea total. A mesma prevalência da fracção orgânica foi observada por Ducret e Cachier (1992) em amostras de água da chuva colhidas em diferentes locais da superfície terrestre. Contudo, em Aveiro, a fracção de CO tende a ser globalmente superior à encontrada naqueles locais. Estas observações deverão traduzir uma variabilidade das fontes emissoras e dos processos de remoção de carbono particulado. As amostras colhidas durante o presente trabalho corresponderam, na sua maior parte, a massas de ar com um longo tempo de residência sobre o oceano, pelo que a composição em carbono reflecte não só as características dos processos de combustão quando aquelas massas de ar atravessaram pela última vez zonas humanizadas, mas também a eficiência dos mecanismos de deposição e a eventual incorporação de carbono de origem marinha, resultante de processos de conversão gás-partícula. A prevalência da fracção orgânica nas partículas dos aerossóis carbonáceos tem sido igualmente observada em grande número de locais da superfície terrestre (e.g. Lin e Tai, 2001; Na et al., 2004). Castro (1997) refere valores médios de 0.88 para a razão CO/CT em aerossóis colhidos sob a influência de massas de ar marinho numa zona costeira da periferia de Aveiro, o que se aproxima consideravelmente dos resultados obtidos neste estudo e poderá sugerir uma simples incorporação do material em suspensão na atmosfera nas águas das nuvens e precipitação. Todavia, a proporção entre os dois tipos carbono nos aerossóis não deve relacionar-se directamente com o material em suspensão na água da chuva, dado que, conforme mostraram Ducret e Cachier (1992), uma parte do CO pode solubilizar-se na fase líquida, o que não acontece com o CN. Conclusões Este estudo mostrou que o CN ocorria em todas as amostras de água da chuva recolhidas e analisadas em Aveiro, facto que evidenciou uma contaminação generalizada por partículas derivadas de processos de combustão. Ainda assim, tanto os teores de CN como os de CO quantificados nessas amostras situaram-se entre os mais baixos já registados em estudos da mesma natureza, o que se explica pelo facto de a maioria dos eventos de precipitação estar associada ao transporte de massas de ar sobre extensas áreas do Oceano Atlântico nos dias que antecederam as colheitas. Em média, o CO correspondeu a mais de 80% da matéria carbonácea particulada presente na água da chuva. Esta prevalência do CO sobre o CN poderá explicar-se por um empobrecimento das massas de ar em partículas carbonáceas primárias e um enriquecimento em CO resultante da conversão gás-partícula de substâncias com origem marinha, durante o seu transporte sobre o Oceano Atlântico. Por fim, o presente trabalho vem aumentar a base de dados sobre os teores de carbono particulado na precipitação, informação que pode ser utilizada na construção de modelos climáticos regionais e globais e na validação de modelos de concentração e transporte de carbono na atmosfera. Agradecimentos Os autores agradecem o apoio financeiro concedido pela Comissão Europeia através do projecto CARBOSOL - Present and Retrospective State of Organic versus Inorganic Aerosol over Europe: Implications for Climate (contract number EVK2-2001-00067). Referências Alves, C., Pio, C. & Duarte, A. (2001): Composition of extractable organic matter of air particles from rural and urban Portuguese areas. Atmospheric Environment, 35, 5485-5496. Castro, L.M. (1997): Composição e origem dos poluentes particulados numa atmosfera costeira. Tese de Doutoramento. Universidade de Aveiro. Castro, L.M., Pio, C.A., Harrison, R.M. & Smith, D.J.T. 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