JOSÉ ALVES FILHO AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO RELACIONADA À PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NO ENSINO DE HISTÓRIA NA 2ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: um estudo de caso na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares – Caiçara - PB UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – UFPB CENTRO DE FORMAÇÃO DE TECNÓLOGOS – CFT DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BÁSICAS E SOCIAIS – DCBS CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO CAMPUS III BANANEIRAS Bananeiras – PB Março de 2007 ii JOSÉ ALVES FILHO AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO RELACIONADA À PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NO ENSINO DE HISTÓRIA NA 2ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: um estudo de caso na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares – Caiçara - PB Monografia apresentada à coordenação do Curso de Especialização em Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio na modalidade educação de jovens e adultos da Universidade Federal da Paraíba em cumprimento às exigências para a obtenção do título de Especialista. ORIENTADORA: Raíssa Dália Paulino Bananeiras – PB Março de 2007 iii Ficha catolográfica elaborada na Seção de Processos Técnicos da Biblioteca Setorial de Bananeiras. UFPB/CFT – Bibliotecária: Marilande Rodrigues Fonseca – CRB4/988. A474p Alves Filho, José Participação dos alunos no ensino de História na 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos: um estudo de caso na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares – Caiçara – PB / José Alves Filho. – Bananeiras, 2007. 73 p.: il. Orientadora: Raissa Dália Paulino. Monografia (Especialização) CFT / UFPB. 1. Educação – Jovens e Adultos. 2. História – Jovens e Adultos UFPB/ CFT/BS C.D.U: 374.7 (043.2) iv JOSÉ ALVES FILHO AVALIAÇÃO DA SATISFAÇÃO RELACIONADA À PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS NO ENSINO DE HISTÓRIA NA 2ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: um estudo de caso na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares – Caiçara - PB Aprovada em __/__/____ Banca Examinadora ______________________________ Profª. Raíssa Dália Paulino, Mestra Orientadora – UFPB ______________________________ Profº Luís Filipe de Araújo, Mestre Examinador - UFPB ______________________________ Profº Ademir Guilherme, Mestre Examinador - UFPB v A meus pais, pelo incentivo incansável às minhas atividades intelectuais e profissionais. A meus irmãos, pelo apoio nas horas mais necessárias. À minha esposa Patrícia, pela compreensão diante das dificuldades, e por acreditar na minha capacidade de buscar novos conhecimentos e realização profissional. À minha orientadora Raíssa Dália Paulino, pela dedicação e ensinamentos no desenvolvimento cientifico deste trabalho. A meu filho Isaac, pelos momentos de alegria que me oferece, mesmo sem compreender meus objetivos almejados, sabe me abraçar e sorrir. Enfim, a todos os amigos que de qualquer forma contribuíram comigo para que este trabalho seja realizado. vi AGRADECIMENTOS A Deus, força maior em minha vida e pela energia positiva que me transmite em todos os momentos de minha vida e principalmente durante a realização deste trabalho, me dando discernimento e compreensão para executar todas as atividades; Aos meus pais, José Alves da Costa e Maria Ivanilde, que incansavelmente não souberam medir esforços durante todos os dias da minha vida, dentro ou fora da Universidade, por acreditar no meu progresso profissional; A minha esposa Patrícia, pelo amor especial e incentivo constante que me proporciona; A meu filho Isaac, fruto do meu amor e minha grande fonte inspiradora, principalmente nos momentos mais difíceis do meu dia a dia; Aos meus irmãos, Icleide, Ivaneide, Ivoneide, Ivânia, Ivanildo, Ivamberto, Ivânio e Ivanilsom, pela atenção, que, cada qual, do seu jeito soube me dedicar; A minha orientadora Raíssa Dália Paulino, que soube ser, além de orientadora, companheira, neste momento especial de minha vida profissional; Ao meu amigo e digitador Washington, pela paciência e compreensão durante a digitação de todas as páginas deste trabalho; Aos meus colegas de turma, pela amizade e interação construída durante as aulas; A todos os amigos e às grandes amizades que construí durante minha vida acadêmica, pelos momentos felizes que juntos tivemos; Aos inimigos, pelo temor e respeito que me têm, por saberem que tenho Deus e por isso sou vencedor. vii LISTA DE QUADRO Quadro 1 - Perfil dos Discentes no Ensino de História na 2ª Série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos ............ 41 viii LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Nível de compreensão e entendimento da disciplina .......... 44 Gráfico 2 - Qualidade da comunicação entre professor-aluno: franqueza, abertura e adequação ............................... 45 Gráfico 3 - Grau de confiança mútua: professor-aluno ..................... 46 Gráfico 4 – Adequação no uso de estratégias para dinamizar o ensino-aprendizagem (seminários, exposição de filmes, debates, palestras e mostra cultural) ..................... 47 Gráfico 5 - Desenvolvimento de trabalhos em equipe ................................ 48 Gráfico 6 - Estilo de liderança do professor de História ...................... 49 Gráfico 7 – Sistema de avaliação da disciplina utilizado pelo professor ................................. 50 Gráfico 8 - Conteúdo programático atualizado Gráfico 9 - Questionamento dos ................................. 51 alunos na aula sobre o conteúdo ministrado pelo professor ................................. 52 Gráfico 10 - Utilização do conteúdo de História no seu dia-a-dia ............... 53 Gráfico 11 – Auto-avaliação do aluno ............................................ 54 Gráfico 12 – Avaliação quantitativa do professor de História ....................... 55 Gráfico 13 – Tempo de permanência na escola ....................... 56 Gráfico 14 – Motivos da escolha dos discentes para fazer parte da escola ............................................ 57 Gráfico 15 – Avaliação quantitativa da escola ............................................ 59 ix LISTA DE SIGLAS CCPs - Centros de Cultura Popular CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil EJA - Educação de Jovens e Adultos MEB - Movimento de Educação do Brasil MOBRAL - Movimento Brasileiro de Alfabetização ONU - Organização das Nações Unidas ONG - Organização não-Governamental PEI - Programa de Educação Integrada UNE - União Nacional dos Estudantes x FILHO, José Alves. Participação dos Alunos no Ensino de História na 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos: Um estudo de caso na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares – Caiçara – PB. 2007. 73 fls. Monografia (Especialização em Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio na Modalidade Educação de Jovens e Adultos). Universidade Federal da Paraíba. Bananeiras – PB: UFPB, 2007. RESUMO Esta pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de avaliar a participação dos alunos do ensino de História na 2ª Série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares na Cidade de Caiçara – PB. Para desenvolver esta pesquisa realizou-se um estudo de caso exploratório e descritivo através de pesquisas bibliográfica, documental e de campo. Os instrumentos utilizados na pesquisa de campo foram questionários totalmente estruturados dando suporte aos devidos resultados obtidos. Tais resultados demonstraram que os alunos estão ativamente participando de maneira contínua do processo expositivo de conteúdos atualizados expostos na sala de aula durante as aulas de História. Verificou-se, também, que os respectivos alunos pesquisados reconhecem que na instituição geradora da pesquisa existem professores totalmente qualificados e uma direção suficientemente voltada ao desenvolvimento das atividades da Educação de Jovens e Adultos, valorizando os costumes, religião, experiência de vida e trabalho profissional de cada aluno. Com base nos resultados obtidos, concluiu-se que o processo de avaliação da participação dos alunos no ensino de História na 2ª Série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares na Cidade de Caiçara – PB, à visão dos discentes, se dá na medida em que o professor viabiliza o debate em torno do tema exposto na sala de aula respeitando as diferenças culturais e possíveis deficiências no tocante ao entendimento do conteúdo, respeitando principalmente os alunos que dependem de atividades profissionais ligadas ao sistema político-administrativo municipal ou estadual dificultando, assim, um maior aprofundamento do conteúdo viabilizado pela participação na sala de aula. PALAVRAS-CHAVE: Participação. Avaliação. Educação de Jovens e Adultos. xi SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................... 11 1.1 Problemática da Pesquisa ......................................................... 15 1.2 Definição dos Objetivos .................................................................... 16 1.3 Justificativa ......................................................................................... 17 1.4 Procedimentos Metodológicos ......................................................... 18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ......................................................... 21 3 CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO EM ESTUDO ......................... 37 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS .................................... 40 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................... 60 REFERÊNCIAS .............................................................................. 67 APÊNDICE .............................................................................. 69 APÊNDICE A – Questionário aplicado aos discentes ......................... 70 1. INTRODUÇÃO Democratizar o ensino é ajudar os alunos a se expressarem bem, a se comunicarem de diversas formas, a desenvolverem o gosto pelos estudos, a dominarem o saber escolar. É ajudá-los na formação de sua personalidade social, na sua organização enquanto coletividade.Trata-se, enfim, de proporcionar-lhes o saber e o saber-fazer crítico como pré-condição para sua participação na própria sala de aula, durante as aulas de História e em outras instâncias da vida social, inclusive para melhoria de suas condições de vida. Para tanto, é imperioso buscar uma pedagogia e uma didática que possibilitem a participação dos discentes na sala de aula, partindo da compreensão da educação na prática social histórica e concreta, ajudando-se uns aos outros, mutuamente e desenvolvendo, assim, o trabalho dos docentes nas camadas populares. Conforme Snyders (1974), é ambição de nossa pedagogia que os alunos tenham acesso a conteúdos verdadeiros e que, ao mesmo tempo, os interessem e sejam sentidos como um auxilio no seu próprio esforço para viverem e para conhecerem. E, então, o professor há de parecer-lhes também uma instância auxiliadora e não uma potência hostil. Segundo Libâneo (1998), a valorização da escola como instrumento de apropriação do saber é o melhor serviço que se presta aos interesses populares [...,] consiste, então, na preparação do aluno para o mundo e suas contradições, fornecendo-lhe um instrumental, por meio da aquisição de conteúdos e da 12 socialização, para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. A relação professor-aluno torna-se fundamental neste processo de aprendizagem e, principalmente, na tentativa da participação dos alunos durante as aulas de História na sala de aula mediante os conteúdos expostos em sala, servindo para que o próprio aluno contribua na prática com a democratização da sua escola, da sua vida e da sociedade. O professor, então, facilitará a compreensão dos alunos e, junto com eles, interpretarão o conteúdo falando e debatendo sobre os problemas mais atuais vividos pelos próprios alunos nas comunidades em que vivem. O papel do adulto é insubstituível, desde que seja consciente e participativo, seja na sala de aula, seja na sociedade. Assim, na tentativa de buscar mudanças concretas para a própria sociedade, o aluno auxiliado pelo professor interage no meio cultural e social, naturalmente, elaborando planos progressistas com sua experiência imediata num contexto cultural, participando na busca da verdade, ao confrontá-la com os conteúdos e modelos expressos pelo professor. Mas esse esforço do professor em orientar, em buscar, em abrir perspectivas a partir dos conteúdos de História, implica um envolvimento com o estilo de vida dos alunos. Professor e aluno não devem apenas suprir necessidades metodológicas do processo educativo, mas devem sempre buscar, exigir, propor modelos e conteúdos compatíveis à realidade vivida pelos alunos, para que o aluno se mobilize para tornar a participação na sala de aula uma experiência de vida ativa socialmente e culturalmente. 13 A partir do momento que o aluno, com muita clareza e consciência, se envolve neste processo de participação, confrontará naturalmente suas idéias com as idéias do professor e chegará até a mobilização de mudanças sociais, culturais, políticas e religiosas dentro de um contexto vivenciado por ele mesmo no meio em que vive. Evidentemente, que neste processo participativo o professor não passará de um mediador entre o conteúdo de História, a participação dos alunos e as possíveis mobilizações sociais que serão promovidas por eles mesmos. É o aluno que, a partir de sua participação, deve ser o protagonista das mudanças progressistas da sua própria história. Segundo Freire (1979), o compromisso, próprio da existência humana, só existe no engajamento com a realidade, de cujas “águas” os homens verdadeiramente comprometidos ficam “molhados”, ensopados. Sabe-se, portanto, que nas primeiras décadas do século XX, a burguesia nacional tinha interesse em que a escola se adaptasse às necessidades de desenvolvimento industrial e, para isso, o currículo enciclopédico da escola tradicional já não servia. Era preciso renovar a prática pedagógica nas escolas. As camadas populares clamavam por educação de qualidade. Hoje, somos todos convocados a essa mudança continuada que ainda hoje está acontecendo, a construir novos métodos de ensino, a manter-se firme na relação professor-aluno e que, juntos, construam um mundo mais justo e igualitário. Se o que caracteriza a sociedade são as relações entre classes sociais, que são relações de contradição em função de interesses que são distintos, conclui-se que essa contradição também existe na escola, já que ela é uma manifestação 14 particular da sociedade. Portanto, uma escola que se proponha a atender os interesses das classes populares terá de assumir suas finalidades sociais referidas a um projeto de sociedade onde as relações sociais existentes sejam modificadas. Isso significa uma reorganização pedagógica que parta das condições concretas de vida dos alunos e sua destinação social, tendo em vista um projeto de transformação da sociedade, e aí se insere a função da transmissão do saber escolar. (LIBÂNEO, 1998). Ainda, segundo o autor (LIBÂNEO, 1998), em outras palavras, ao lado de outras mediações, é a aquisição de conhecimentos e habilidades que, assumindo formas pedagógicas, garantirá maior participação das classes populares na definição de um projeto amplo de transformação social. Este trabalho monográfico teve como objetivo avaliar a participação dos alunos do ensino de História na 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares na cidade de Caiçara- PB, se fundamentando na concepção de alguns autores que representam as mais possíveis teorias pedagógicas modernas e progressistas, tendo como embasamento teórico a participação escolar, refletindo sobre todas as possibilidades de conscientizações e mudanças sócio- político-cultural, refletindo à visão dos discentes da escola. Quanto a sua estrutura, este plano de estudo foi organizado em torno de alguns componentes básicos: a Introdução, a Fundamentação Teórica, a Discussão e Análise dos Dados e as Considerações Finais. Nesta Fase Introdutória que segue, reflete-se a teoria do trabalho, com a exposição da problemática da pesquisa; apresentam-se os objetivos a serem 15 alcançados, expõe-se a metodologia a ser utilizada para se atingir os objetivos propostos e a justifica-se este estudo. 1.1 Problemática da Pesquisa “O dialogo é o encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu.” (FREIRE, 1997, p.78). Concordando, assim, com Freire (1997, p. 78), entendo que o homem, do ponto de vista da humanidade, está à disposição da história, história essa que é construída por ele, no dia-a-dia, seja na família, seja no trabalho, seja na religião, seja na política. É o próprio homem que vai no decorrer dos tempos modelando seu convívio social, mediante sua ideologia. Sendo assim, percebe-se que a construção do meio, ou seja, a vivência na escola, na comunidade em que vive, no bairro em que mora, o relacionamento com as pessoas que estão circulando em sua volta, está totalmente a disposição do homem, fazendo parte desta construção que passa a ser uma construção contínua. Portanto, é possível acreditar que: “Através de sua permanente ação transformadora da realidade objetiva, os homens, simultaneamente, criam a história e se fazem seres históricos-sociais.” (FREIRE, 1997, p. 92). Esta pesquisa foi embasada exatamente em fatos desta natureza já citada, com a perspectiva de analisar a participação dos alunos no ensino de História na 2ª série do Ensino Médio da educação de jovens e adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares na cidade de Caiçara - Paraíba. 16 Entretanto, o problema específico desta pesquisa se concentra em saber se durante o ensino de História os alunos participam efetivamente, transformando o conteúdo exposto em debates, conversações e seminários apresentados, objetivando uma possível transformação vivida no seu dia-a-dia, baseada na percepção democrática brasileira. Com base na exposição apresentada, emerge a seguinte pergunta para a pesquisa: - Como a participação dos alunos com perspectiva transformadora, do Ensino de História na 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio. Dr. João Soares na cidade de Caiçara-PB está sendo avaliada pelos discentes? Diante da problemática exposta, seguem os objetivos a serem alcançados. 1.2 Definição dos Objetivos 1.2.1 OBJETIVO GERAL Avaliar a participação dos alunos com perspectiva transformadora, do Ensino de História na 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola 17 Estadual de Ensino Fundamental e Médio. Dr. João Soares na cidade de CaiçaraPB, à visão dos discentes. 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Identificar os fatores que inspiram os alunos durante o ensino de História, efetivando suas participações com visibilidade de transformação social, política e religiosa; - Identificação do perfil dos sujeitos da pesquisa e - Comparar os problemas expostos pelos alunos com a realidade brasileira vivida por cada um deles em seu convívio social. 1.3 Justificativa Do ponto de vista teórico e prático, esta monografia é bastante relevante por tratar de uma problematização que está sempre presente no dia-a-dia dos discentes na escola e no convívio social de cada um, pois se avalia a participação em sala de aula em uma turma da Educação de Jovens e Adultos do Ensino Médio, refletindo o ponto de vista dos discentes da escola pesquisada, já que a mesma só possui um professor de História no Ensino Médio. 18 Os resultados aqui advindos poderão contribuir com o processo participativo e democrático das escolas públicas do nosso país, subsidiando docentes da Educação de Jovens e Adultos em suas metodologias diárias. 1.4 Procedimentos Metodológicos Tratou-se de uma pesquisa de natureza aplicada, visto que objetiva a geração de conhecimentos direcionados à solução de problemas específicos, de aplicação prática, realizando uma comparação com a literatura corrente, com abordagem quantitativa e qualitativa. É quantitativa, porque foi feito um tratamento estatístico dos dados e que segundo Oliveira (1997), significa quantificar opiniões e dados na forma de coleta de informações por meio do emprego de recursos e técnicas estatísticas. É qualitativa, porque os dados, além de apresentados, foram examinados e interpretados e, segundo Oliveira (1997), as pesquisas qualitativas descrevem a complexidade de um problema, analisa a interação de variáveis, apresenta contribuição no processo de mudança, de criação ou de opiniões de determinado grupo e permite a interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos. A pesquisa pode ser classificada como exploratória, pois visa a proporcionar maior conhecimento do problema com vistas a explicitá-lo e descritiva, pois descreve as características de determinada população ou fenômeno, utilizando técnicas de coleta de dados padronizadas. (GIL, 2002). 19 Quanto aos procedimentos técnicos adotados, utilizou-se a pesquisa bibliográfica e um estudo de caso na 2ª Série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio. Dr. João Soares na cidade de Caiçara-PB. A pesquisa bibliográfica, segundo Vergara (2006), é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais e redes eletrônicas e o estudo de caso, ainda segundo a autora (VERGARA, 2006), é um circunscrito a uma ou a poucas unidades, entendidas essas como pessoa, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou mesmo país. Por se tratar de um estudo de caso, a população-alvo deste estudo foi constituída dos indivíduos-alunos que se encontram na 2ª Série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares na cidade de Caiçara-PB. Tendo em vista o tamanho da população, 57 discentes, optou-se por realizar a pesquisa com a utilização de um censo. Como resultado da pesquisa, obteve-se um total de 39 respondentes. Neste caso, os sujeitos da pesquisa, ou seja, as pessoas que prestaram os dados ou as informações de que se necessitava foram compostos por 39 discentes da escola investigada. Foi realizada uma pesquisa de campo para permitir ao investigador uma cobertura de fenômenos mais abrangente e na coleta de dados foi utilizado um questionário anônimo (APÊNDICE A), contendo perguntas abertas e fechadas aos discentes. Para a análise e interpretação dos dados quantitativos, foram empregadas técnicas de natureza estatística, com a utilização de percentuais e da planilha 20 eletrônica Excel. Para a análise qualitativa, apresentaram-se discussões com a utilização do editor de texto MSWord, por meio de pesquisas bibliográficas em livros, revistas e artigos sobre a Educação, Participação dos discentes em sala de aula e a Educação de Jovens e Adultos. 21 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O conceito de participação, pressupõe, em si, segundo Lück (1998), a idéia de trabalho associado de pessoas analisando situações, decidindo sobre seus encaminhamentos e agindo sobre elas, em conjunto. Isso porque o êxito de uma organização depende da ação construtiva de seus componentes, pelo trabalho associado, mediante reciprocidade que cria um “todo” orientado por uma vontade coletiva. Sob a designação de participação, muitas experiências são promovidas, algumas das quais mais negativas do que positivas, do ponto de vista da legitimidade do envolvimento das pessoas na determinação de ações e sua efetivação. Conforme Lück (1998), em nome da construção de uma sociedade democrática ou da promoção de maior envolvimento das pessoas nas organizações, promove-se a realização de atividades que possibilitem e até condicionem a sua participação. A participação é geralmente lembrada quando está relacionada à tomada de decisão. Realizam-se assembléias ou reuniões nas quais são discutidas questões relacionadas à tomada de decisão que, ao final, é decidida por votação ou por consenso. Verifica-se, no entanto, que tais experiências não resultam em democratização da tomada de decisão, quando ocorre manipulação, e que toda discussão realizada, não importa sua natureza ou conteúdo, não interfere ou 22 contribui para a decisão que já fora estabelecida, a priori, por grupo (s) de interesse. Elas servem, pois, mais para legitimar essa decisão. Inúmeras experiências de participação são, portanto, realizadas, em sala de aula, sem que tenham um sentido político democrático ou sentido pedagógico de transformação. É por esse motivo que o conceito e a prática concreta da participação devem ser particularmente analisados quando se considera a questão da participação do aluno na sala de aula durante o ensino de História na Educação de Jovens e Adultos. A participação, em seu sentido pleno, caracteriza-se por uma força de atuação consciente pela qual os membros, sejam da sala de aula ou da unidade escolar, reconhecem e assumem seu poder de exercer influência na dinâmica da própria unidade escolar, de sua cultura - diagnosticada pela identificação e formação dos costumes (MARRAS, 2003) - e de seus resultados. (LÜCK, 1998). Esse poder é resultante de sua competência e vontade de compreender, decidir e agir em torno das questões discutidas em sala de aula. Cabe lembrar que toda pessoa tem poder de influência sobre o contexto de que faz parte, exercendo-o, independentemente da sua consciência desse fato e da direção e intenção de sua atividade. No entanto, de acordo com Lück (1998), a falta de consciência dessa interferência resulta em falta de consciência do poder de participação que tem; essa inconsciência leva a resultados negativos para a organização social e para as próprias pessoas que constituem o ambiente escolar. Conforme indicado por Marques (1987, p.69), “a participação de todos, nos diferentes níveis de decisão e nas sucessivas fases de atividades, é essencial para assegurar o eficiente desempenho da organização“. No entanto, a participação deve 23 ser entendida como um processo dinâmico e interativo que vai muito além da tomada de decisão, uma vez que caracterizado pelo inter-apoio na convivência do cotidiano na sala de aula, na busca, pelos seus agentes, da superação de suas dificuldades e limitações e no bom cumprimento de sua finalidade social. Em síntese, ”a participação plena é caracterizada por mobilização efetiva dos esforços individuais para superar atitudes de acomodação, alienação e marginalidade; eliminar comportamentos individuais; construir espírito de equipe”. (LÜCK,1998). Sabe-se que dada a tendência burocrática e centralizadora ainda vigente da cultura organizacional escolar e do sistema de ensino brasileiro que reforça a participação, em seu sentido dinâmico de inter-apoio e integração para construir uma realidade mais significativa, não constitui uma prática nas escolas. Mas, de acordo com Puig (2000), a escola democrática deve ser uma instituição que se propõe instruir e formar alunos e alunas por meio da participação, juntamente, com professores e professoras, no transcorrer das tarefas de trabalho e convivência docente. Neste caso, é necessário ter em mente que uma cultura não é mudada apenas por desejos, sendo necessário o aumento da consciência participativa e o alargamento da competência para tanto. (LÜCK,1998). A prática da participação efetiva gera um sentimento de compartilhar que, por si só, é estimulador do enfrentamento de dificuldades, promove o revigoramento de energias e cria um sentimento de envolvimento com a realidade e seus problemas. Consequentemente, propicia a descoberta do significado do caráter social do trabalho (MARQUES, 1987) e é por meio desta participação que a ação coletiva se constrói. 24 A participação dá às pessoas a oportunidade de controlar o próprio trabalho, ao mesmo tempo em que se sentem parte orgânica de uma realidade e não apenas um apêndice da mesma. Pela participação é possível superar a prática do exercício do poder individual e de referência empregado nas escolas e promover a construção do poder da competência, centrado na unidade social escolar como um todo. Registram-se várias formas de participação, de significado, abrangência e alcance variados, desde a da simples presença física em um contexto, até a de assumir responsabilidade por eventos e situações. Em vista disso, é coerente o reconhecimento de que, mesmo na vigência da Administração Científica (1890), recomenda-se a prática da participação. (LÜCK,1998). De fato, a participação tem sido evocada nas escolas em várias circunstâncias. “À medida que a consciência social se desenvolve, o dever vai sendo transformado em vontade coletiva” (CARVALHO, 1979, p.22), criando no interior da escola uma cultura própria, não imposta de fora para dentro e que por isso mesmo, impulsiona a ação proativa cujos efeitos são o fortalecimento do grupo como força construtiva. A participação constitui uma forma significativa ao promover maior aproximação entre os membros da sala de aula e reduzir desigualdades entre eles. Entende-se, pois, que o conhecimento significativo não é resultante da contemplação da realidade e reflexão sobre a mesma. Resulta, sim, do envolvimento das pessoas na criação dessa realidade. Conforme Kosik (1976, p.18) ressalta ”não é possível compreender imediatamente a estrutura da realidade em si, mediante a contemplação ou a mera reflexão, mas sim mediante uma determinada atividade”. Portanto, entende-se que a ação é condição fundamental para a construção do conhecimento e que a educação democrática é aquela que oferece a todos que 25 fazem parte da organização escolar, a oportunidade de participação como condição não apenas de construir a realidade social pedagógica, como também de construir seu próprio conhecimento sobre esse processo. Considerando-se que, como organização social, na escola, principalmente na sala de aula, se reproduzem os movimentos sociais de conflitos entre grupos diferenciados de interesse e os conflitos de poder, há então oportunidade de se desenvolver, de maneira integrada, conhecimentos sobre o processo humano socialmente organizado. (LÜCK,1998). Entende-se que o sentido humano básico consciente na necessidade de o homem ser ativo em associação com seus semelhantes. Isto é, o homem se torna um ser humano e desenvolve essa humanidade, à medida que, pelo trabalho social, coletivamente compartilhado, canaliza e desenvolve seu potencial, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento da cultura do grupo em que vive. (LÜCK,1998). “O homem é o meio em que vive” (LÜCK,1998, p.17), formando um sistema indivíduo-meio que constitui um todo indissociável. “Nenhum homem vive, pensa, sente ou julga independentemente do grupo social a que pertence“. (CARVALHO,1979, p.15). Ao mesmo tempo, nenhum grupo social tem vida própria, independente dos indivíduos que o compõem. De seus componentes depende a dinâmica de seu trabalho orientado para a superação da perspectiva de trabalho mecânico, isolado. É pela participação que a pessoa desenvolve a consciência do que é, no todo, mobilizando suas energias e sua atenção como parte efetiva de sua unidade social e da sociedade como um todo. 26 A participação democrática promove a superação da simples necessidade de associação humana, que pode ser orientada por um sentido individualista e aproveitador, para uma necessidade de integração do ser humano na sociedade, de se sentir parte dela e por ela responsável, de harmonizar e coordenar esforços do grupo, com a finalidade de realizar um trabalho mais efetivo, contribuindo para o bem de todos. Segundo Pellegrini (1998), quando o tema é participação escolar é preciso levar em conta diferentes concepções e práticas. Para uns, participar significa aprovar as decisões tomadas pelo diretor; para outros, dar sugestões para que o superior selecione as melhores e decida sozinho; e, ainda, para muitos, a participação só acontece em relação a certos assuntos e em determinadas circunstâncias. Os que defendem e estão tentando vivenciar a “participação real” buscam mais: a diminuição significativa ou a extinção do autoritarismo centralizador; a diminuição de uma visão de trabalho reforçadora das diferenças e distanciamento entre os segmentos; a participação efetiva dos diferentes segmentos, conscientizando todos de que são autores da história que se faz no dia-a-dia. Assim, a participação na escola é uma forma do diretor, professores, alunos, funcionários e pais assumirem a responsabilidade de suas atividades, com poder para influir nos objetivos, conteúdos e processos organizacionais da própria escola. É preciso compreender essa conceituação de participação real em toda sua riqueza e extensão, evitando ações limitantes em que as pessoas confundem liberdade, autonomia, participação, com o não fazer nada, opor-se a tudo e a todos, como justificativa, muitas vezes, de seu desinteresse, acomodação ou incompetência. 27 A participação pressupõe uma deliberada construção do futuro, na qual participam todos os segmentos, da escola, fazendo suas diferentes percepções, anseios, valores, conhecimentos e fazeres específicos. Processos participativos estão acontecendo em nossas instituições educacionais? Para refletir sobre esta questão é preciso saber que a participação não significa que todas as pessoas devem opinar, decidir sobre todos os assuntos do cotidiano escolar – isso seria impossível e geraria o caos. O importante é que os diferentes segmentos da comunidade escolar ou as pessoas tenham algum mecanismo de influência sobre o poder, direcionando e construindo, junto, a ação educativa que acontece no dia-a-dia da escola. Nesta ação participativa, é preciso articular pelo menos três elementos: possibilidade, capacidade e vontade. Professores, alunos e pais precisam ser agentes de possibilidade, não se negando a participar, e sendo co-responsáveis na ação participativa da escola. Posturas rígidas e autoritárias, ou paternalistas e acomodadas, não criam a possibilidade de participação. Quem não tem informações, não sabe ou não conhece os assuntos que serão tratados em determinadas circunstâncias, não tem capacidade para participar. Entretanto, segundo Oliveira (2001), é pela efetivação de discussões e debates abertos a todos os segmentos da escola, a respeito das formas de interação e de inserção de cada um nelas, bem como dos processos de trabalho interno, que se pode agir em prol da ruptura deste modelo. Assim, o interesse em buscar e ter informações é essencial para que a reflexão em conjunto possibilite uma participação de qualidade por parte de cada um e de todos. Quanto mais se participa, mais se desenvolve a capacidade de 28 participar. E o desenvolvimento dessa capacidade vai depender em grande parte da vontade, do desejo e do envolvimento da pessoa. Há pessoas que, para não se desgastarem do ponto de vista físico e emocional, não querem participar. Outras, por timidez, insegurança, não conseguem participar. O importante é que o grupo auxilie, estimule, desafie, ampare cada um dos participantes, conscientes de que precisarão, juntos, aprender a caminhar. Convém, ainda destacar, que processos de participação implicam lideranças democráticas, que surgem no grupo e para o grupo e que, pela sua atuação de coordenação responsável, possibilitam o crescimento e o amadurecimento de todos os participantes. Participar não é, pois, o resultado de processos automáticos, fáceis, espontâneos. É uma conquista diária e uma conseqüência do fortalecimento da responsabilidade do indivíduo, bem como da noção de que “direitos” não podem estar dissociados da noção de “deveres” e dos espaços próprios da ação. O êxito dessa vivência participativa dependerá do aprendizado vivencial de cada um e de todos. Não há regras nem caminhos estabelecidos. Cada instituição deve construir o seu caminho, sem se angustiar com os resultados a serem alcançados a curto ou a médio prazo, mas valorizando e estimulando o esforço empregado na construção dos processos participativos. Libâneo (1998) diz que o professor precisa, portanto, de uma teoria que explicite a direção pretendida para a tarefa educativa de humanização do homem, extraída de uma concepção de educação enquanto prática social transformadora. O trabalho docente social transformador. O trabalho docente se reveste, assim, de importância fundamental, pois sua tarefa é um ensino que contribua para a transformação das relações desumanizadas existentes, para a tomada de consciência do movimento histórico-social do homem. 29 Não basta a transmissão acrítica do conhecimento. Não basta desenvolver o espírito critico. Não basta fazer discurso político ou repetir palavras de ordem na sala de aula. É necessário um trabalho mais concreto: Preparar boas aulas, exercícios, temas de debates, dominar as técnicas didáticas, conhecer o mundo de valores, gostos dos alunos, a fim de saber quais são as efetivas desvantagens e quais são as positividades dos alunos, condições concretas de vida e de trabalho, a fim de saber quais são as efetivas desvantagens e quais são as positividades dos alunos. É necessário, também, a participação política na sociedade, a compreensão dos mecanismos do poder, a tomada de partido pelo movimento histórico-social, engajamento das associações de classe, porque o trabalho pedagógico é uma parte das lutas sociais. Como a pesquisa pretende investigar a avaliação da participação dos alunos na Educação de Jovens e Adultos, faz-se necessário discorrer sobre esta Educação de Jovens e Adultos, de acordo com o histórico traçado por Ribeiro (2001). A educação básica de adultos começou a delimitar seu lugar na história da educação no Brasil a partir da década de 30, quando finalmente começa a se consolidar um sistema público de educação elementar no país. Neste período, a sociedade brasileira passava por grandes transformações, associadas ao processo de industrialização e concentração populacional em centros urbanos. A oferta de ensino básico gratuito estendia-se consideravelmente, acolhendo setores sociais cada vez mais diversos. A ampliação da educação elementar foi impulsionada pelo Governo Federal, que traçava diretrizes educacionais para todo o país, determinando as 30 responsabilidades dos Estados nacionalmente de extensão do ensino elementar aos adultos, especialmente nos anos 40. Com o fim da ditadura de Vargas, em 1945, o país vivia a efervescência política da redemocratização. A Segunda Guerra Mundial recém terminara (1945) e a Organização das Nações Unidas (ONU) – alertavam para a urgência de integrar os povos visando à paz e à democracia. Tudo isso contribuiu para que a educação dos adultos ganhasse destaque dentro da preocupação geral com a educação elementar comum. Neste período, a educação de adultos define sua identidade tomando a forma de uma campanha nacional de massa, a Campanha de Educação de Adultos, lançada em 1947. Pretendia-se, numa primeira etapa, uma ação extensiva que previa a alfabetização em três meses, e mais a condensação do curso primário em dois períodos de sete meses. Num curto período de tempo, foram criadas várias escolas de supletivo, modalizando esforços das diversas esferas administrativas de profissionais e voluntários. O clima de entusiasmo começou a diminuir na década de 50, pois iniciativas voltadas à ação comunitária em zonas rurais não tiveram o mesmo sucesso e a campanha se extinguiu antes do final da década. Ainda assim, sobreviveu a rede de ensino supletivo por meio dela implantada, assumida pelos Estados e municípios. A instauração da Campanha de Educação de Adultos deu lugar também à conformação de um campo teórico-pedagógico orientado para a discussão sobre o analfabetismo e a educação de adultos no Brasil. Neste momento, o analfabetismo era concebido como causa e não efeito da situação econômica, social e cultural do país. Essa concepção legitimava a visão do 31 adulto analfabeto como incapaz e marginal, identificado psicológica e socialmente com a criança. Uma professora encarregada de formar os educadores da Campanha, num trabalho intitulado Fundamentos e Metodologia do Ensino Supletivo, usava as seguintes palavras para descrever o adulto analfabeto: Dependente do contacto face a face para enriquecimento de sua experiência social, ele tem que, por força, sentirse uma criança grande, irresponsável e ridícula. E, se tem as responsabilidades do adulto, manter uma família e uma profissão, ele o fará em plano deficiente. O analfabeto, onde se encontre, será um problema de definição social quanto aos valores: aquilo que vale para ele é sem mais valia para os outros e se torna pueril para os que dominam o mundo das letras. Inadequadamente preparado para as atividades convenientes à vida adulta, ele tem que ser posto à margem como elemento sem significação nos empreendimentos comuns. Adulto-criança, como as crianças, ele tem que viver num mundo de egocentrismo que não lhe permite ocupar o plano em que as decisões comuns têm que ser tomadas. A confiança na capacidade de aprendizagem dos adultos e a difusão de um método de ensino de leitura para adultos, conhecido como Laubach, inspiraram a iniciativa do Ministério da Educação de produzir pela primeira vez, por ocasião da Campanha de 47, material didático específico para o ensino da leitura e da escrita para os adultos. No final da década de 50, as críticas à Campanha de Educação de Adultos dirigiam-se tanto às suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica. Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava no curto período da alfabetização, a inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do país. 32 Todas essas críticas convergiam para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo e para a consolidação de um novo paradigma pedagógico para a educação de adultos, cuja referência principal foi o educador pernambucano Paulo Freire. O pensamento pedagógico de Paulo Freire, assim como sua proposta para a alfabetização e educação popular foi realizada no país no início dos anos 60. Esses programas foram empreendidos por intelectuais, estudantes e católicos engajados numa ação política junto aos grupos populares. Desenvolvendo e aplicando estas novas diretrizes, atuaram os educadores do Movimento de Educação de Base (MEB), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dos Centros de Cultura Popular (CCPs), organizados pela União Nacional dos Estudantes (UNE), dos Movimentos de Cultura Popular, que reuniam artistas e intelectuais e tinham apoio de administrações municipais. O paradigma pedagógico que se construiu nessas práticas baseava-se num novo entendimento da relação entre a problemática educacional e a problemática social. A alfabetização e a educação de base de adultos deveriam partir sempre de um exame crítico da realidade existencial dos educandos, da identificação das origens de seus problemas e das possibilidades de superá-los. Além dessa dimensão social e política, os ideais pedagógicos que se difundiam tinham um forte componente ético, implicando um profundo comprometimento do educador com os educandos. Os analfabetos deveriam ser reconhecidos como homens e mulheres produtivos, que possuíam uma cultura. Dessa perspectiva, Paulo Freire criticou a chamada educação bancária, que considerava o analfabeto pária e ignorante, uma espécie de gaveta vazia onde o educador deveria depositar conhecimento. 33 Tomando o educando como sujeito de sua aprendizagem, Freire propunha uma ação educativa que não negasse sua cultura, mas que a fosse transformando através do diálogo. Com o Golpe Militar de 1964, os programas de alfabetização e educação popular que se haviam multiplicado no período entre 1961 e 1964, foram vistos como uma grave ameaça à ordem e seus promotores duramente reprimidos. O governo só permitiu a realização de programas de alfabetização de adultos assistencialistas e conservadores, até que, em 1967, ele mesmo assumiu o controle dessa atividade lançando o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). As orientações metodológicas e os materiais didáticos do Mobral reproduziram muitos procedimentos consagrados nas experiências de inícios dos anos 60, mas esvaziando-os de todo sentido crítico e problematizador. Durante a década de 70, o Mobral expandiu-se por todo o território nacional, diversificando sua atuação. Das iniciativas que derivaram do Programa de Alfabetização, o mais importante foi o Programa de Educação Integrada (PEI), que correspondia a uma condensação do antigo curso primário. Paralelamente, grupos dedicados à educação popular continuaram a realizar experiências pequenas e isoladas de alfabetização de adultos com propostas mais críticas, desenvolvendo os postulados de Paulo Freire. Estas experiências eram vinculadas a movimentos populares que se organizavam em oposição à ditadura, comunidades religiosas de base, associações de moradores e oposições sindicais, Paulo Freire, que fora exilado, seguia trabalhando com educação de adultos no Chile e depois em países africanos. Desacreditado nos meios políticos e educacionais, o Mobral foi extinto em 1985 e o seu lugar foi ocupado pela Fundação Educar. 34 Neste período de reconstrução democrática, muitas experiências de alfabetização ganharam consistência, desenvolvendo os postulados e enriquecendo o modelo da alfabetização conscientizadora dos anos 60. Os programas mais recentes prevêem um tempo maior, de um, dois ou até três anos dedicados à alfabetização e pós-alfabetização, de modo a garantir que o jovem ou adulto atinja maior domínio dos instrumentos da cultura letrada, para que possa utilizá-los na vida diária ou mesmo prosseguir seus estudos, completando sua escolarização. Do público que tem acorrido aos programas para jovens e adultos, uma ampla maioria é constituída de pessoas que já tiveram passagens fracassadas pela escola, entre elas, muitos adolescentes e jovens recém-excluídos do sistema regular. Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a educação de jovens e adultos impõe: como garantir a esse segmento social que vem sendo marginalizado nas esferas sócio-econômica e educacional um acesso à cultura letrada que lhe possibilita uma participação mais ativa no mundo do trabalho, da política e da cultura. Além dos 22,8 milhões identificados como analfabetos até 1998, estão incluídas nesse contingente pessoas que dominam tão precariamente a leitura e a escrita que ficam impedidas de utilizar eficazmente essas habilidades para continuar aprendendo, para acessar informações essenciais a uma inserção eficiente e autônoma em muitas das dimensões que caracterizam as sociedades contemporâneas. Na última década, o Brasil vem reconstruindo as instituições democráticas e nesse processo a educação tem um papel a cumprir com relação à consolidação da democracia em nosso país. É preciso ter em mente que a democracia não se esgota 35 na eleição de representantes para os poderes Executivos e Legislativos, ela deve implicar também a possibilidade de maior participação e responsabilidade em todas as dimensões da vida pública. Viu-se, assim, que promover a educação fundamental de jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de cumpri-la na infância é importante para responder aos imperativos do presente e também para garantir melhores condições educativas para as próximas gerações. Melhorar o nível educacional de um país é um desafio grande e complexo, que exige esforços em todos os níveis. Após expor sobre o tema participação, com ênfase na participação em sala de aula, e sobre a Educação de Jovens e Adultos no Brasil, se faz imprescindível mencionar sobre a definição e a importância da avaliação, bem como da satisfação recorrendo a autores do campo da Administração de Pessoas em organizações. Segundo Chiavenato (1999), a avaliação de desempenho e, neste caso, da participação, é um processo de rever a atividade passada para avaliar a contribuição que os indivíduos fizeram para o alcance dos objetivos do sistema. Acrescenta-se a esta definição a importância de se realizar a avaliação, o que para Lacombe (2005), é necessário fazer avaliações para melhorar o desempenho das pessoas, proporcionando feedback para o processo. Então, a avaliação da participação dos discentes em sala de aula se faz necessária com o intuito de um engrandecimento pessoal, tanto dos discentes, quanto dos docentes e de todos envolvidos no processo, para a melhoria do desempenho organizacional. Falando-se da satisfação, que para Vergara (2000) difere da motivação que é tida como um fator intrínseco, a satisfação está relacionada com os fatores 36 extrínsecos ao indivíduo, podendo ser avaliado pelo relacionamento entre as pessoas em uma organização. Entretanto, por se tratar de uma avaliação à visão dos discentes, o termo percepção deve ser enfatizado, pois Kaplan e Sadock (apud FIORELLI, 2004) o definem como um processo de transferência e estimulação física em informação psicológica. Nesse sentido, a percepção individual pode diferir enormemente de indivíduo para indivíduo, na medida em que ela representa uma impressão pessoal da realidade, elaborada com base nas experiências individuais de cada pessoa. 37 3 CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO EM ESTUDO A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares está localizada na cidade de Caiçara - PB. Foi fundada no dia 26 de novembro de 1934. Desde a sua fundação, a escola vem oferecendo inúmeros cursos em diversas modalidades: desde a pré-escola ao antigo colegial, hoje segunda fase do Ensino Fundamental. Abaixo, nas fotos 1 e 2, pode-se visualizar a escola e uma das suas salas de aula: Foto 1 – Fachada da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares Fonte: Pesquisa do autor (2007). 38 Foto 2: Exemplo de uma sala de aula da escola pesquisada Fonte: Pesquisa do autor (2007). A partir de 2005, a escola vem se expandindo com relação às suas atividades metodológicas dentro da comunidade, principalmente fazendo parcerias com diversas entidades e Organizações não-Governamentais (ONGs), oferecendo cursos profissionalizantes, a exemplo de: Curso de telefonista, de recepcionista, de secretariado, entre outros na área profissional, de modo que hoje existe um trabalho voltado para o alunado com idade avançada denominado Jovens e Adultos. Sendo assim, executam-se projetos junto a esses jovens e adultos no cultivo de hortaliças e legumes. Com o desenvolvimento desse projeto, percebeu-se a necessidade de alfabetizar estes jovens e adultos, já inseridos no projeto, e daí emerge o desejo de voltar a estudar. Assim, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) foi implantada na referida escola em 1992, com as séries de 5ª à 8ª no período noturno, respeitando o desenvolvimento profissional diário de cada um. Desta forma, a Alfabetização de Jovens e Adultos foi se tornando bem mais 39 ampla, possibilitando, em 2006, a implantação do Ensino Médio da EJA. Durante este período (1992 a 2006), foram alfabetizados entre homens e mulheres um total de 600 alunos, conforme registro na escola. A escola espera realizar muito mais, através de projetos voltados para a Educação de Jovens e Adultos, especialmente em modalidades referentes a cursos profissionalizantes e de informática. Por enquanto, a escola não trabalha com projetos de inclusão, mas atende a uma sala de aula com alunos especiais através de professores capacitados na área. 40 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS Este capítulo apresenta a análise dos dados obtidos através da pesquisa realizada junto a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares – Caiçara – PB, bem como interpreta seus resultados, tendo em vista o cumprimento sistemático de cada um dos objetivos propostos no estudo. Os dados foram analisados a partir dos questionários respondidos pelos discentes da 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos, respeitando o critério de participação voluntária, confrontando-se com a revisão de literatura apresentada no desenvolvimento do estudo. Os questionários foram aplicados junto a 39 discentes regularmente matriculados na 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos no ano 2006, no período noturno, de um total de 57 alunos cadastrados. Em respeito ao critério amostral do estudo, é possível se afirmar que estatisticamente a pesquisa conquistou êxito, tendo sido realizada por meio de um censo. A I Parte do questionário visou a traçar o perfil dos sujeitos da pesquisa, envolvendo questões relacionadas à determinação do gênero, da faixa etária, do estado civil, do número de filhos, da área de atuação profissional e dos costumes intelectuais. Conforme o Quadro I que segue, o perfil dos sujeitos da pesquisa será apresentado e em seguida, analisado: 41 I PARTE Perfil dos Discentes no Ensino de História na 2ª Série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos Freqüência % Masculino 13 33,3% Feminino 26 66,7% - - De 15 a 18 anos 02 5,1% Mais de 18 a 21 anos 02 5,1% Mais de 21 a 24 anos 07 18% Mais de 24 a 27 anos 05 12,8% Mais de 27 anos 23 59% Solteiro 16 41% Casado 23 59% - - Nenhum 11 28,2% De 1 a 2 filhos 22 56,4% De 3 a 4 filhos 06 15,4% Mais de 4 filhos - - Não trabalha 15 38,5% Administrativa 01 2,5% - - 03 7,7% Cooperativismo - - Comércio informal - - 20 51,3% Perfil Gênero Fem. Faixa etária (em anos) Menos de 15 anos +27 Estado Civil Divorciado Casado Filhos 1a2 Área de atuação Profissional Informática Comercialização e vendas Outra Costumes intelectuais Ler textos relacionados à História Sim Não Sim Outra Não 22 17 56,4% 43,6% Sim Utiliza mídias que retratam o homem através do tempo 16 23 41% 59% Não 23% 77% Não Acessa Internet, visitando páginas 09 relacionadas ao conteúdo de História 30 Quadro 1 – Perfil dos sujeitos da pesquisa Fonte: Elaborado a partir da coleta de dados pelo pesquisador (2007). 42 Com base no Quadro 1, o perfil dos alunos da 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares, Caiçara – PB consiste em características específicas, a saber. As maiores proporções de discentes correspondem ao gênero feminino (66,7%). A maioria da faixa etária é representada por meio dos discentes com mais de 27 anos, no total de 59%. Desses discentes pesquisados, 23 são casados, apresentando 59% e 22 discentes, que representam 56,4% mantêm em seu convívio familiar de 01 a 02 filhos. Entre outros, 20 deles, equivalente a 51,3%, exercem funções profissionais diversificadas, dentre elas funcionários públicos, tecelão e agricultores. Com relação aos costumes intelectuais, 22 deles, equivalente a 56,4%, lêem textos relacionados à História. Em contra-partida, 23, que indicam 59%, não utilizam mídias que retratam o homem através do tempo. Ainda analisando os costumes intelectuais, foi identificado que 30 discentes, representando 77% dos sujeitos pesquisados, afirmaram que não acessam Internet visitando páginas relacionadas ao conteúdo de História. Estas informações cumprem um dos objetivos específicos do estudo que visa a caracterizar o perfil dos alunos da 2ª série da Educação de Jovens e Adultos da escola pesquisada, a partir do diagnóstico discente por meio das questões acima mencionadas. Percebe-se que os discentes pesquisados na 2ª série do Ensino Médio da educação de Jovens e Adultos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares, Caiçara – PB, em sua maioria, está em atividade, ou seja, estão vinculados ao mercado de trabalho, evidenciando, assim, a presença das mulheres, que, em sua maioria, mantém relacionamento conjugal, com a idade de mais de 27 anos, mantendo uma média de 01 a 02 filhos, na população pesquisada. 43 Um dos fatores que chama muita atenção é que a maioria dos jovens e adultos que resolve retornar a esta modalidade de ensino é proveniente de escolas públicas e se sente pressionado pela concorrência do mercado de trabalho que exige um alto índice de qualificação profissional sem esquecer da leitura e da escrita e, principalmente, da habilidade desenvolvida por cada um. Neste caso, de acordo com a percepção de Marras (2003), os perfis culturais podem ser diagnosticados pela própria cultura através da identificação e da formação do conjunto que realça os costumes, que, por sua vez, podem ser representados através de crenças e valores, que aqui foram relatados. Em um segundo momento, foi analisada a participação dos discentes em sala de aula, seguindo a seqüência do instrumento de coleta de dados, na sua II Parte, utilizado na pesquisa de campo. As questões visaram à percepção do grau de satisfação dos discentes da 2ª Série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos, relacionados a(o): Nível de compreensão e entendimento da disciplina; Qualidade da comunicação entre professor-aluno: franqueza, abertura e adequação; Grau de confiança mútua: professor-aluno; Adequação no uso de estratégias para dinamizar o ensino-aprendizagem (seminários, exposição de filmes, debates, palestras e mostra cultural); Desenvolvimento de trabalhos em equipe; Estilo de liderança do professor de História; Sistema de avaliação da disciplina utilizado pelo professor; 44 Conteúdo programático atualizado; Questionamento dos alunos na aula sobre o conteúdo ministrado pelo professor e Utilização do conteúdo de História no seu dia-a-dia. Gráfico 1 - Nível de compreensão e entendimento da disciplina 3% 3% Muito satisfeito Satisfeito 44% 50% Pouco satisfeito Insatisfeito Gráfico 1 – Nível de compreensão e entendimento da disciplina Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após a análise do Gráfico 1, verificou-se que há a satisfação dos discentes com o nível de compreensão e entendimento da disciplina, pois a pesquisa revelou que 50% dos discentes encontram-se muito satisfeitos e 44% satisfeitos. Foi revelado, ainda, um pequeno índice de pouca satisfação (3%) e insatisfação (3%). Neste caso, conforme Libâneo (1998), o trabalho docente está sendo desempenhado de forma mais concreta, conhecendo o mundo de valores e de gostos dos alunos, percebendo se os mesmos estão compreendendo o que está sendo transmitido em sala de aula, com a exigência que o professor prepare bem as suas aulas. 45 Gráfico 2 - Qualidade de comunicação entre professor-aluno: franqueza, abertura e adequação 10% 5% 49% Muito satisfeito Satisfeito Pouco satisfeito Insatisfeito 36% Gráfico 2 – Qualidade de comunicação entre professor-aluno: franqueza, abertura e adequação Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). De acordo com a análise feita referente ao Gráfico 2, percebeu-se que existem indicadores com índices altíssimos relacionados à satisfação da qualidade de comunicação entre professor-aluno: referendando a franqueza, abertura e adequação, de modo que (49%) dos discentes encontram-se muito satisfeitos e (36%) satisfeito. A pesquisa revelou ainda índices de pouca satisfação (10%) e insatisfação (5%) baixos. Sendo assim, Carvalho (1979) diz que: nenhum grupo social tem vida própria, independente dos indivíduos que o compõem, tendo sempre que fazer esta relação comunicacional entre as pessoas, mesmo sendo de grupos sociais diversificados. 46 Gráfico 3 - Grau de confiança mútua: professor-aluno 3% 18% 46% Muito satisfeito Satisfeito Pouco satisfeito Insatisfeito 33% Gráfico 3 – Grau de confiança mútua: professor-aluno Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Com embasamento nos resultados analisados do Gráfico 3, analisou-se que a satisfação do grau de confiança mútua entre professor-aluno está alta, sendo assim revelada pela pesquisa (46%) muito satisfeitos, (33%) satisfeitos, enquanto que (18%) estão pouco satisfeitos e (3%) insatisfeito. Refletindo o que diz Oliveira (2001), tal índice de satisfação pode ser evidenciada com a efetivação de discussões em sala de aula que vai provocar a inserção de uns aos outros, buscando mutuamente confiança em torno dos debates efetivados. 47 Gráfico 4 - Adequação no uso de estratégias para dinamizar o ensinoaprendizagem (seminários, exposição de filmes, debates, palestras e mostra cultural 10% 5% Muito satisfeito Satisfeito 52% 33% Pouco satisfeito Insatisfeito Gráfico 4 – Adequação no uso de estratégias para dinamizar o ensino-aprendizagem (seminários, exposição de filmes, debates, palestras e mostra cultural) Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após a análise do Gráfico 4, verificou-se a existência da satisfação dos discentes relacionados a adequação no uso de estratégias para dinamizar o ensinoaprendizagem através de seminários, exposição de filmes, debates, palestra e mostra cultural, sendo revelada através da pesquisa que (52%) dos discentes encontram-se muito satisfeitos, (33%) satisfeitos e (10%) pouco satisfeito, enquanto que (5%) estão insatisfeitos. Neste caso, segundo Pellegrine (1998), o processo participativo exige alguns elementos básicos como: possibilidade, capacidade e vontade, para poder dinamizar todas as ações participativas, o que mostra que o docente de História está utilizando estes elementos. 48 Gráfico 5 - Desenvolvimento de trabalhos em equipe 8% 10% Muito satisfeito Satisfeito Pouco satisfeito 21% 61% Insatisfeito Gráfico 5 – Desenvolvimento de trabalhos em equipe Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após a análise do Gráfico 5, verificou-se um índice altíssimo da satisfação existente entre os discentes relacionada ao desenvolvimento de trabalhos em equipe, representando (61%) com muita satisfação, (21%) com satisfação, (10%) pouco satisfeito e (8%) de insatisfação. Neste caso, Lück (1998) nos leva a entender que o homem deve viver como ser associado às outras pessoas para entender suas próprias necessidades básicas e as necessidades da sociedade organizada. 49 Gráfico 6 - Estilo de liderança do professor de História 3% 21% 40% Muito satisfeito Satisfeito Pouco satisfeito Insatisfeito 36% Gráfico 6 – Estilo de liderança do professor de História Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Logo após análise do Gráfico 6, identificou-se a alta taxa de satisfação dos discentes referente ao estilo de liderança do professor de História, sendo representada por (40%) muito satisfeito, (36%) satisfeito, (21%) pouco satisfeito e apenas (3%) insatisfeito. Desta forma, conforme Oliveira (2001), o processo de participação na sala de aula também implica na liderança democrática exercida pelos membros da mesma, possibilitando o crescimento e o amadurecimento de todos os participantes. 50 Gráfico 7 - Sistema de avaliação da disciplina utilizado pelo professor 5% 13% Muito satisfeito Satisfeito Pouco satisfeito 54% Insatisfeito 28% Gráfico 7 – Sistema de avaliação da disciplina Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após a análise do Gráfico 7, verificou-se a existência de índices altíssimos de satisfação dos discentes, no tocante ao sistema de avaliação da disciplina utilizado pelo professor, sendo assim revelada pela pesquisa (54%) dos discentes muito satisfeitos, (28%) satisfeitos (13%) pouco satisfeito e (5%) insatisfeito. Desta maneira, para Lacombe (2005), é necessário fazer avaliações para melhorar o desempenho dos alunos, no sentido de crescimento, proporcionando feedback para este processo avaliativo. 51 Gráfico 8 - Conteúdo programático utilizado 10% 3% Muito satisfeito Satisfeito Pouco satisfeito 31% 56% Insatisfeito Gráfico 8 – Conteúdo programático utilizado Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Depois da análise do Gráfico 8, verificou-se entre os discentes um alto grau de satisfação referente ao conteúdo programático utilizado, sendo assim revelado pela pesquisa (56%) muito satisfeito, (31%) satisfeito, (10%) pouco satisfeito e (3%) insatisfeito. Neste caso, Lück (1998) diz que toda pessoa tem poder de influência sobre o contexto de que faz parte, programando atividades participativas e exercendo sua própria consciência, o que foi retratado pelo docente de História à visão dos seus discentes. 52 Gráfico 9 - Questionamento dos alunos na aula sobre o conteúdo ministrado pelo professor 10% 26% Muito satisfeito 23% Satisfeito Pouco satisfeito Insatisfeito 41% Gráfico 9– Questionamento dos alunos na aula sobre o conteúdo ministrado pelo professor Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Ao analisar o Gráfico 9, identificou-se um índice muito alto de satisfação entre os discente revelado pela pesquisa, (26%) muito satisfeitos, (41%) satisfeito e (23%) pouco satisfeito. O índice de insatisfação está representado por (10%) dos discentes. Segundo Marras (2003), a participação caracteriza-se por uma força de atuação consciente do aluno, seja na sala de aula ou fora dela, de modo que ele próprio exerça sua influência nas dinâmicas utilizadas pelo professor. 53 Gráfico 10 - Utilização do conteúdo de História no seu dia-a-dia 10% 3% 36% Muito satisfeito Satisfeito Pouco satisfeito Insatisfeito 51% Gráfico 10 – Utilização do conteúdo de História no seu dia-a-dia Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após a análise do Gráfico 10, verificou-se que há a satisfação dos discentes com a utilização do conteúdo de História no seu dia-a-dia, sendo assim revelado pela pesquisa: (36%) muito satisfeito, (51%) satisfeitos, (10%) pouco satisfeitos e (3%) insatisfeito. Segundo Libâneo (1998), o professor precisa expor uma teoria que explicite a direção pretendida para a tarefa educativa humanizando, através de seus métodos, o próprio homem para uma prática social transformadora. 54 Gráfico 11 - Auto-avaliação do aluno 15% 18% Nota 7,0 Nota 8,0 Nota 9,0 21% Nota 10,0 46% Gráfico 11 – Auto-avaliação do aluno Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após analisar o Gráfico 11, referente à auto-avaliação do discente, verificouse que (18%) se avaliou com nota 7,0 porque trabalham, e por este motivo chegam atrasados na sala de aula e que, envolvidos pelo cansaço, não prestam atenção na aula e às vezes não gostam da disciplina; (46%) se avaliou com nota 8,0 porque não faltam as aulas; (21%) se avaliou com nota 9,0 porque se consideram estudiosos e (15%) se avaliou com nota 10,0 porque se acham competentes e especiais. Neste caso, conforme Puig (2000), a escola democrática deve ser uma instituição que se propõe a instruir e formar seus respectivos alunos, no transcorrer das tarefas de trabalho e convivência docente. 55 Gráfico 12 - Avaliação quantitativa do professor de História 3% 3% 8% Nota 0,0 43% 21% Nota 5,0 Nota 7,0 Nota 8,0 Nota 9,0 Nota 10,0 22% Gráfico 12 – Avaliação quantitativa do professor de História Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após análise do Gráfico 12, relacionado à avaliação quantitativa do professor de História, foi revelado pela pesquisa que (3%) atribuíram nota 0,0 porque o professor falta muitas vezes às aulas; (3%) atribuíram nota 5,0 porque é muita rígido e precisa se atualizar; (8%) atribuíram nota 7,0 porque não entendem as leituras feitas na sala de aula e às vezes o professor muda de assunto; (21%) atribuíram nota 8,0 porque ensina muito bem e é conselheiro; (22%) atribuíram nota 9,0 porque o professor trata os alunos muito bem e (43%) atribuíram nota 10,0 porque sabe transmitir o conteúdo através de metodologias envolventes. Neste caso, segundo Kosik (1976), entende-se que a ação é condição fundamental para a construção do conhecimento, e a educação democrática é aquela que oferece a todos os discentes oportunidade de participação. Após análise da II Parte do questionário, percebeu-se a predominância da satisfação com relação aos itens relacionados à participação dos discentes em sala de aula e que os baixos índices de insatisfação podem ser atribuídos pelo fato dos alunos trabalharem, chegarem atrasados na sala de aula, e que, envolvidos pelo 56 cansaço, não consigam prestar atenção na aula, por não gostarem da disciplina e pelo fato das ausências e da rigidez do docente. Partindo-se à análise da III Parte do questionário referente à avaliação da instituição da escola alvo do estudo, os resultados encontrados foram relatados conforme os Gráficos 13, 14 e 15 que seguem: Gráfico 13 - Tempo de permanência na escola 10% 21% 10% Meses de 1 a 2 anos Mais de 2 a 3 anos Mais de 3 anos 59% Gráfico 13 – Tempo de permanência na escola Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após a análise do Gráfico 13, relacionado à permanência do discente na escola, verificou-se que (59%) fazem parte da escola entre 1 e 2 anos, (21%) permanecem há alguns meses, (10%) permanecem na escola entre 2 a 3 anos e (10%) por mais de 3 anos. 57 Gráfico 14 - Motivo da escolha dos discentes para fazer parte da escola Infra-estrutura adequada Bons profissionais 8% 3% 13% 26% Comprometimento da direção com a educação Tradição Para conseguir emprego 12% Próxima ao local em que mora 11% 21% 6% Pela qualidade de ensino Para fazer mais amigo Gráfico 14 – Motivo da escolha dos discentes para fazer parte da escola Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Após análise do Gráfico 14, referente aos motivos da escolhas dos discentes para fazer parte da escola, verificou-se que há um índice muito alto dos discentes que escolheram a escola porque existem bons profissionais (26%) e se utilizam dos ensinamentos dos mesmos para aprenderem bem o conteúdo e conseguir emprego (21%), de modo que (3%) escolheram a escola pela sua infra-estrutura adequada, (8%) para fazer mais amigos, (11%) pelo comprometimento da direção com a educação, (12%) por está próxima a sua residência e (13%) pela qualidade de ensino. Neste caso, Libâneo (1998), diz que: não basta transmitir conhecimentos críticos, não basta fazer discursos repetitivos na sala de aula, é preciso preparar os discentes para a vida dentro da sociedade dando a eles condições concretas para conviver socialmente com os outros. Na resposta para este item, poderia ser marcada mais de uma alternativa. Percebe-se que o item infra-estrutura foi o de menor índice (3%), podendo ser 58 demonstrado conforme a Foto 3 apresentada abaixo: Foto 3 – Exemplo de uma sala de aula da escola pesquisada Fonte: Pesquisa do autor (2007). É necessário destacar que a escola está passando por uma reforma na sua infra-estrutura, melhorando as salas de aula e demais ambientes que compõem a sua estrutura física. Entretanto, a escolha da escola por ter bons profissionais mostra a eficiência do trabalho realizado pelo educandário, bem como a escolha pela necessidade destes jovens e adultos na busca pela sua inserção no mercado de trabalho buscando uma melhoria na qualidade de sua vida. 59 Gráfico 15 - Avaliação quantitativa da escola Nota 5,0 18% 13% Nota 6,0 10% 5% Nota 7,0 Nota 8,0 26% 28% Nota 9,0 Nota 10,0 Gráfico 15 – Avaliação quantitativa da escola Fonte: Pesquisa de campo do autor (2007). Ao analisar o Gráfico 15, referente à avaliação quantitativa da escola, verificou-se que (13%) dos discentes atribuíram nota 5,0 porque falta iluminação adequada e está muito deteriorada, (10%) atribuíram a escola nota 6,0 porque precisa reformar sua estrutura, (28%) atribuíram nota 7,0 porque falta computadores e cadeiras, (26%) atribuíram nota 8,0 porque implantou a Educação de Jovens e Adultos (EJA), (5%) atribuíram nota 9,0 porque a escola é muito limpa e (18%) atribuíram nota 10,0 porque tem bons profissionais e uma direção muito atuante. Neste caso, conforme Marques (1987), a prática da participação efetiva gera um sentimento de compartilha, promove revigoramento, cria determinados envolvimentos para enfrentar as dificuldades, e é por meio desta participação que a ação coletiva se constrói, visto que os problemas advindos com a infra-estrutura estão sendo sanados. 60 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme Puig (2000) assinalou na fundamentação teórica apresentada nesta pesquisa, a escola democrática é uma instituição que se propõe a instruir e a formar alunos e alunas por meio da participação, juntamente, com professores e professoras, no transcorrer das tarefas de trabalho e convivência docente. Este trabalho consistiu em avaliar a participação dos alunos no ensino de História da 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares, Caiçara – PB, através de um estudo de caso. Embasados nas informações adquiridas com a pesquisa bibliográfica, com o estudo de caso e, posteriormente, com a pesquisa de campo, essa última realizada por meio da aplicação de questionários, constatou-se que, de maneira generalizada, a participação dos alunos durante a aula de História na 2ª série do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Dr. João Soares na cidade de Caiçara-PB, foi muito satisfatória. Tal constatação foi dada pelo fato dos próprios discentes assumirem espontaneamente e por livre arbítrio o compromisso de participar do processo educativo desta escola que se reflete no seu dia-a-dia. Vale salientar, então, que a maior parte dos discentes está muito satisfeita com as devidas metodologias aplicadas pelo docente na sala de aula, de modo que se envolvem neste processo participativo. De acordo com a pesquisa, foram revelados índices altos referentes à satisfação dos discentes relacionada ao nível de compreensão e entendimento da 61 disciplina representada por (50%) dos discentes. (49%) dos discentes disseram está muito satisfeitos referente à qualidade de comunicação entre professor-aluno: franqueza, abertura e adequação. Verificou-se, ainda, que (46%) dos discentes estão muito satisfeitos relacionados ao grau de confiança mútua: professor-aluno. (52%) dos discentes revelaram estar muito satisfeitos com a adequação no uso de estratégias para dinamizar o ensino-aprendizagem (seminários, exposição de filmes, debates, palestras e mostra cultural). Os discentes, representados por (61%), reagiram com muita satisfação referente ao desenvolvimento de trabalhos em equipe. (40%) dos discentes apresentaram estar muito satisfeitos com o estilo de liderança do professor de História. Com relação ao sistema de avaliação da disciplina utilizado pelo professor, (54%) disseram estar muito satisfeitos. Os discentes, que representaram (56%), disseram estar muito satisfeito com o conteúdo programático utilizado. (41%) dos discentes estão satisfeitos com o questionamento dos alunos na aula sobre o conteúdo ministrado pelo professor e (51%) disseram que estão satisfeitos com a utilização do conteúdo de História no seu dia-a-dia. Com relação à auto-avaliação dos discentes, (46%) se avaliou com nota 8,0 porque faltam as aulas. (43%) dos discentes avaliaram o professor de História atribuindo-lhe nota 10,0, porque sabe transmitir o conteúdo com metodologias envolventes. Com relação à permanência dos discentes na escola, (59%) disseram que estão freqüentando a escola desde 1 a 2 anos. (26%) dos discentes escolheram esta escola porque existem bons profissionais e (28%) atribuíram à escola nota 7,0 porque faltam computadores e cadeiras para o conforto de todos. Juntamente com os dados analisados que foram expostos, acredita-se que a escola é um grande veículo de transformação e que deve ser qualificada na medida em que prepara o alunado para viver em uma sociedade democrática. 62 Puig (2000) é muito transparente quando diz: uma escola democrática deseja que a participação de alunos e alunas e a responsabilidade dos educadores e das educadoras sejam complementários, de acordo com as idades e as diferentes circunstâncias de cada escola. Uma escola democrática é uma escola que facilita a participação dos jovens e das jovens sem negar, conteúdo, o papel e a responsabilidade dos educadores e educadoras. Além disso, uma escola democrática é, sobretudo, uma instituição que facilita em níveis acessíveis a participação do aluno, esperando que adquira a autonomia e a responsabilidade que permitem incrementar paulatinamente a amplitude de sua participação na comunidade. Concluiu-se, assim, que, o processo de participação do aluno na sala de aula durante o ensino de História na Educação de Jovens e Adultos torna-se viável, mas é preciso fazer algumas considerações peculiares aos métodos aplicados, criandoos para estimular gradativamente o aluno a fazer parte deste processo que o levará à realizações de confrontos administrativos, políticos, cultural e religioso, dentro do seu convívio social. Segundo Freire (1979), o desenvolvimento de uma consciência critica que permite ao homem transformar a realidade se faz cada vez mais urgente. Na medida em que os homens dentro de sua sociedade, vão respondendo aos desafios do mundo, vão temporalizando os espaços geográficos e vão fazendo história pela sua própria atividade criadora. Iluminados pela visão de Oliveira (2001), é, portanto, pela efetivação de discussões e debates abertos a todos os segmentos da escola, a respeito das formas de interação e de inserção de cada um nelas, bem como dos processos de trabalho interno que se pode agir em prol da ruptura desta forma de dominação. 63 Entende-se que, só através da participação efetiva do aluno na sala de aula e também de todos os segmentos da sociedade, é que existirá a possibilidade de mudanças sociais-políticas-culturais. Entretanto, pelo pesquisador, autor desta pesquisa, ser um docente, cabe uma reflexão: É para fazer um diferencial que abraçamos, e abraçamos de coração esta profissão que é o magistério. Mas só será verdadeiramente de coração quando juntos tentarmos transformar, através dos métodos participativos em sala de aula, e na vida social dos nossos alunos. Somos verdadeiramente chamados a essa missão transformadora, baseado nos princípios vocacionais, e com muito amor e cuidadosamente com muita habilidade, abraçar afetivamente cada um que se dispõe dentro da escola se alfabetizar. Freire, debate muito bem esta relação entre educador – educando, de modo que a educação acontece na medida em que vai se realizando esta relação saudável entre as pessoas. O Educador, a partir do momento que se dedica a este processo educacional, está também contribuindo humanamente para o desenvolvimento daquela comunidade escolar ou social, e principalmente quando recontextualiza ciência em didática, quando recontextualiza ciência em realidade, quando recontextualiza ciência em experiências já vividas pelos próprios alunos, seja na favela, seja na zona rural, de modo que o educador seja este veículo que junto com o educando transforme conscientemente suas ideologias fracassadas em ideologias de sucesso. Muitas vezes confundimos o papel de educador com as ações de opressor 64 ou discriminador, dentro das práticas e metodologias que efetivamente processamos em nossas salas de aula. Isso se dá pelo fato do poder que naturalmente adquirimos como educador, e neste sentido mutilamos os educandos quando nos comportamos igual aos administradores da Política Partidária, perseguindo incansavelmente nossos alunos e evitando que cada um se expresse conforme sua convivência social. É preciso que nos tornemos apaixonados por esta causa digna que gradativamente vai se desenvolvendo em torno das realidades tão diferentes de cada um, mas com valores específicos que muitas vezes não conseguimos explicar, simplesmente entendemos. É desta maneira que a sabedoria natural se faz presente neste processo transformador que nem sempre depende dos conhecimentos científicos. Baseando-se nesta exposição de motivos reais, entendemos que a diversidade cultural é parte da convivência educador – educando perante as Práticas Pedagógicas. Várias são as descobertas que fazemos durante o nosso envolvimento neste Processo. Este é na verdade o nosso papel como professor, recontextualizar observando as capacidades de desenvolvimento de cada um. Essas descobertas fazem-se necessárias para a total ação pedagógica dentro de qualquer realidade, seja qual for a realidade do educando, precisamos nos envolver para poder contribuir com este processo de transformação, mesmos nos comportando como professores detentores do poder em sala de aula. O processo ensino-aprendizagem está totalmente ligado a esta recontestualização, considerando a situação de convivência sócio-cultural, religiosa e econômica do aluno. É de maneira crucial para o professor fazer esta 65 recontextualização científica para a prática escolar, observando cuidadosamente todas as esferas que o sistema nos proporciona. Cazuza, em uma de suas músicas, diz que “o tempo não pára”. E nós somos produto desta contínua atualização que a cada dia se processa de formas diversificadas, seja através das tecnologias avançadas ou através de uma simples leitura de um jornal. Enfim, todos nós, educadores e educandos, somos intimados a conviver de maneira sintonizada uns com os outros para, oportunamente, transformarmos esta situação degradante que envolvem aqueles que vivem a margem desta sociedade que descrimina e oprime aqueles que não se envolvem por vários motivos neste processo evolutivo e globalizado. Despertar no aluno o desejo de ser alfabetizado tornou-se tarefa bastante árdua. Mas é papel do professor tentar fazer na vida do aluno uma possível mudança, transformação guiada pelo desenvolvimento principalmente social, onde deve se envolver neste processo todas as pessoas que desejam contribuir com sua participação, seja dentro ou fora da escola. A escola deve abrir suas portas para a reflexão de problemas desta natureza. Esta é uma reflexão que possivelmente poderemos fazer ou colocar em prática, desde que aqueles que são professores estejam preparados para tal compromisso. Amar, Compreender, Respeitar e Valorizar o aluno são métodos inexplicáveis, porque é parte da índole de cada professor quando se depara com os marginalizados, favelados, assim denominados pela sociedade na sala de aula. Trabalhar com o aluno que já chega cansado da jornada de trabalho na sala de aula, nem sempre é o que idealizamos, mas é nesta situação que vivemos: alfabetizar na concorrência com o cansaço físico ou mental. O que fazer? Nem sempre encontramos a resposta. Se não amamos o que fazemos tornar-se-á mais 66 impossível transformar. Se não dialogamos com os alunos, não há espaço para realizar determinadas transformações. Ser professor de verdade é ser ator que continuamente está representando no trapézio ou fazendo malabarismo na sala de aula e junto com os alunos. 67 REFERÊNCIAS CARVALHO, Maria Lúcia R. D. Escola e democracia. São Paulo: EPU, 1979. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: construindo FIORELLI, J. O. Psicologia para administradores: integrando teoria e prática. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2004. FREIRE,Paulo. Pedagogia do Oprimido. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. . Educação e Mudança. 23. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. GIL, C. A. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. KOSIK, Karel. Dialética do concreto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. LACOMBE, F. Recursos Humanos: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2005. LIBÂNEO, José C. Democratização da Escola Pública. 15. ed. São Paulo: Edições Loyola,1998. LÜCK, Heloísa. A Dimensão Participativa da Gestão Escolar. Gestão em Rede, 9, Brasília, 1998. MARQUES, Juracy C. Administração participativa. Porto Alegre: Sagra, 1987. MARRAS, Jean Pierre. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico.3 ed. São Paulo: Futura,2003. OLIVEIRA, Inês Barbosa de (org.). A Democracia no Cotidiano da Escola. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2001. 68 OLIVEIRA, S. L. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. (revisão Maria Aparecida Bessana) 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1997. PELEGRINE, Marlou Zenela. Participação, da Teoria à Prática. Gestão em Rede, 9, Brasília,1998. PUIG, Josep M. et al. Democracia e Participação Escolar.São Paulo: Editora Moderna, 2000. RIBEIRO,Vera Mª Massagão (org). Educação para Jovens e adultos. 4ª Ed. São Paulo/Brasília: MEC – Ministério da Educação e Ação Educativa, 2001. SNYDERS, G. Pedagogia Progressista. Coimbra: Almeida, 1974. VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em Administração. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006. . Gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 2000. 69 APÊNDICE 70 APÊNDICE A QUESTIONÁRIO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS DISCENTES NA AULA DE HISTÓRIA Este questionário tem como objetivo avaliar a participação dos discentes do 2º ano do Ensino Médio da EJA nesta escola. Favor responder com sinceridade às questões abaixo. Agradeço antecipadamente pela sua participação. PARTE I – CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS DA PESQUISA 1. Gênero: ( ) feminino ( ) masculino 2. Faixa etária: ( ) menos de 15 anos ( ) mais de 21 a 24 anos 3. Estado civil: ( ) solteiro 4. Filhos: ( ) nenhum ( ) de 15 a 18 anos ( ) mais de 24 a 27 anos ( ) casado ( ) de 1 a 2 filhos ( ) mais de 18 a 21 anos ( ) mais de 27 anos ( ) divorciado ( ) de 3 a 4 filhos ( ) mais de 4 filhos 5. Área de atuação profissional: ( ) não trabalho ( ) administrativa ( ) informática ( ) comercialização e vendas ( ) cooperativismo ( ) comércio informal ( ) outra: __________________________________________________________ 6. Costumes intelectuais: - Você costuma ler textos relacionados à disciplina História? ( ) Sim ( ) Não - Você costuma utilizar mídias que retratam o homem através do tempo? ( ) Sim Em caso afirmativo, quais? ( ) Televisão ( ) Jornal ( ) Não - Você costuma acessar a Internet, visitando páginas relacionadas com o conteúdo de História? ( ) Sim ( ) Não 71 PARTE II – PARTICIPAÇÃO DOS DISCENTES NA AULA DE HISTÓRIA 7. Favor marcar uma das alternativas de como melhor percebe a sua turma relacionada ao ensino-aprendizagem de História: Muito Satisfatório Pouco Insatisfatório satisfatório satisfatório INDICADORES Nível de compreensão entendimento da disciplina. e Qualidade da comunicação entre professor-aluno: franqueza, abertura e adequação. Grau de confiança professor-aluno. mútua: Adequação no uso de estratégias para dinamizar o ensinoaprendizagem (seminários, exposição de filmes, debates, palestras e mostra cultural). Desenvolvimento de trabalhos em equipe. Estilo de liderança do professor de História. Sistema de avaliação da disciplina utilizado pelo professor. Conteúdo atualizado. programático Questionamento dos alunos na aula sobre o conteúdo ministrado pelo professor. Utilização do conteúdo História no seu dia-a-dia. de 72 8. Como aluno, qual a sua nota? Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 9. Que nota você dá ao seu professor de História? Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ PARTE III – AVALIAÇÃO DA INSTITUIÇÃO 10. Há quanto tempo você estuda nesta escola? ( ) meses ( ) de 1 a 2 anos ( ) mais de 2 a 3 anos ( ) mais de 3 anos 11. Qual(is) o(s) motivo(s) da sua escolha para estudar e fazer parte desta escola? Você pode marcar mais de uma alternativa. ( ) Infra-estrutura adequada (ventilação, iluminação, conforto, biblioteca, quadra, salas de aula confortáveis, cantina); ( ) Bons profissionais (professores, diretores, secretários, agentes de higiene e saúde); ( ) Comprometimento da Direção com a educação; ( ) Tradição (tempo que atua na educação); ( ) Para conseguir um emprego; ( ) Por ser próxima ao local em que moro; ( ) Pela qualidade do ensino; ( ) Para fazer mais amigos. 12. Que nota você dá a sua escola? Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 73 ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________