PARTIDO PROGRESSISTA BRASILEIRO FUNDAÇÃO TARSO DUTRA REFORMA , POLITICA UM TEMA EM DEBATE Novembro de 1999. íNDICE 7 - Apresentação - Conferência do Professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho - Conferência do Professor José Antônio Giusti Tavares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .............. .................. ........ ......... ..... . . . . . . . . . . . . . ... 13 . 22 ..................... . . . . .. - Conferência do Professor César Saldanha de Souza Júnior - Debates. .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...... . .. 28 . . . ................ 34 Anexos: I - II Proposta de Reforma Política do PPB/RS, - Sistema de Governo: Reflexões e Propostas .... 40 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 APRESENTAÇÃO A Fundação Tarso Dutra, de Estudos Políticos e de Administração Pública, promoveu Seminário sobre o tema Reforma Política. O evento ocorreu no dia 24 de novembro de 1999, no Planarinho da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Conferencistas: Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Advogado. Doutor em Direito pela Universidade de Paris. Professor Titular de Direito Constitucional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo(USP). Professor contratado das Faculdades Metropolitanas Unidas. D iri g iu o Departamento de Direito do Estado da USP. Foi Diretor da Faculdade de Direito da USP. Foi Secretário de Estado da Administração, Secretário de Estado da Justiça e Vice-Governador de São Paulo. Foi Ministro Interino da Justiça. É membro do Conselho Federal de Educação. Cesa r Saldanha de Souza Junior, Formado em Direito pela UFRGS. Mestre e Doutor em Direito pela Universidade de S ão Paulo. Procurador Regional do Ministério da Fazenda. Professor de Di reito Constitucional das Faculdades de Direito da UFRGS e da PUC/RS. José Antônio Giusti Tavares. Doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Professor de Ciência Política da UFRGS. Coordenador do Programa Permanente de Investigação em Instituições Políticas e Governo (PO US) Autor de vários livros. Entre eles . "Sistemas Eleitorais nas Democracias Contemporâneas - Teoria, Instituições, Estratégia"(1994) e "Reforma Política e Retrocesso Democrático - Agenda para reformas pontua i s no sistema eleitoral e partidário Brasileiro (1998). 6 7 Da direita para a esquerda: Prof. Celso Bernardi, Presidente do PPB/RS, Prot. Giusti Tavares, Percival Puggina, Presidente da Fundação Tarso Dutra, Prot. Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Or. Amaral de Souza, Ex Governador do Estado e o Prot. César Saldanha de Souza .Jr. o renomado Professor iVlanoel Gonçalves Ferreira Filho 8 9 Da direita para a esquerda: Prof. Celso Bernardi, Presidente do PPB/RS, Prof. Giusti Tavares, Percival Puggina, Presiden te da Fundação Tarso Dutra, Prof. Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Dr. Amaral de Souza, Ex Governador do Estado e o Prof. César Saldanha de Souza Jr. o renomado Professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho 8 9 R EFORIIII A POLlTICA ----------------------------------------------- SEMINÁRIO DA REFORMA POlÍTICA DATA: 24.11.1999 O SR. PRESIDENTE PER C IVAL PUGGINA Damos início aos - trabalhos desta tarde, convidando, para faz er parte da Mesa, o Presidente Regional do PPB, S r Celso Bernardi; o ex Gove r n ado r do Estado, Sr. Amara l . - de Souza; o nosso pal es trante e - um convidado muito especial - o ProL , Manoel Gonçalves Ferreira Filho; o Prof. César Saldanha Souza Júnior e o Prof. José Antônio Giusti Tavares. Estamos muito contentes com a presença de todos os convidados, inclusive por ve rmos tantas mulheres presentes, o que confere ao nosso encontro o caráter que pretendíamos. o PPB tem plena consciência - e a Fundação Tarso Dutra, não menor - de sua responsabil i dade como partido político, bem como sobre a necessidade de ter respostas para as indagações que a sociedade faz. Um in quie taçõe s da sociedade, ser o eco das parti do não pode mas tem de ser nele, no partido, que a sociedade irá buscar as respostas. O nosso partido quer ter respostas para questões fundamentais. Para tal, há mu ito tempo, debatemos, formando a nossa consciência a p ro pósit o de um tema importantíssimo para a sociedade e as ins tit u içõ e s que é a necessária e indispensável reforma política do País. , Temos um documento básico que foi produ zi do apó s uma consulta às bases do partido em todo o Estado. O nosso uma grande preocupação pres idente , Celso Bernardi, tem com o assunto. As pessoas que aqui estão são extre mamente h abi l i t a d a s e capacitadas para se m a ni f es t a re m sobre o assunto. Sentimo-nos muito re sença dos senhores. orgulhosos com a I O primei o palestrante é o Prof. Manoel Gonçalves Ferreira Filho. Advogado, doutor em direito pela Universidade de Paris, professor t i t ular de Direito Constitucio ai da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, também professo contratado das Faculdades Met ro po l i tanas Unidas. Dirigiu o Depa rta me n to t Direito do Estado de São Paulo, foi diretor da Universidade de São Paulo, s cretário de Administração daquele Estado, secretário da Justiça e vice-governa r de São Paulo, no go ve rn o Paulo Egídio. Foi ministro interino da Justiça e é membro do Conselho Fe dera l de E du cação . Já t i ve a com e n orme oportunidade de ouvi-lo em situações anteriores, sempre prov eito Por isso, professor, sinta-se em casa, Estamos mu it o . atentos e interessados em ouvi-lo. 10 11 III 1 OIHJlA l'OIIIICA .REFORMA POllTICA _ _ _ _ ______ _____ ___ _ ___ _ __ _ _ _ o SR. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO MPII (;1.110 presidente , Percival Puggina; meu caro governador Amaral de Sou. I 1l10U caro presidente Celso Bernardi, meu caro professor José AntOnIo (3111<.,11 1,1 meu caro professor César Saldanha Souza Júnior; minhas Se>nhor d' Senhores : P rimeiramente , man i festo o rJl0U agradecimento pe la g en tllp oi d, convite. Tenho para mim que participar de uma reunião como esta é um lTlotlVI I de honra que não posso deixar de agradecei. Repetindo o que tive a opo rtun id ade de d izer hoje na hora do almoço, na Federasul, e ssa vinda ao Rio Grande me tirou de uma depressão. Estava e u convencido, mal informado, de que no Brasil ninguém se preocupava com os grandes p rob l em as naciona i s e que as coisas poderiam ir de mal a pior sem que alguém se preocupasse com isso. Vejo que estav a absolutamente errado porque aqui no Rio Grande do S ul a i nda há quem, com a coragem cívica habitual, se preocupe com esses , gr a n des problemas , ao mesmo tempo em que procure soluções para eles. Não tenho dúvida de que o grande problema brasileiro seja o problema político, antes de ser um problema constitucional. Na leitura do meu currículo fi co u dito que so u professor de Direito Constitucional. Claro que estou habituado a discor re r sobre proble mas constitucionais. Entretanto, insisto em dizer que. antes do problema constitucional, antes do equacionamen to do poder estatal, ;; da sua divisão, da sua distribuição de competências, da fixação de l i mites para esse problema, existe um problema político. Se temos urna Constituição é pa ra que, por meio dela , con cretizemos uma democracia. O nosso problema político fundamental é p r blema da democracia. A que ão da democracia, no mundo contemporâneo, envolve dois temas interligJ os : o problema do siste ma eleitoral e o problema do sistema partidário. jem o bom equacionamento da questão eleitoral e da questão partidári o/ev identemente a democracia não dará bons frutos e a Constituição nã o p01e rá s u p era r a aus ê n c i a de condições para a concretização dessa democracia. Para examinar a questão, vou me permitir tomar, de início, um pouco de distâ ncia em relação à problemática concreta que todos vivemos. Vejam os Senhores que no século XVIII se procurou uma fórmula política exatamente para substituir a desgastada monarquia. E, ao procurá-Ia, Montesquieu, no Espírito das Leis, conseguiu colocar as bases d a q u i l o que se chama governo representativo ou de sistema representativo, ou seja, as bases 12 13 REFORMA POLíTICA ----------------------------------------------- da democracia representativa que temos hoje, sob nossos olhos. REFORMA POL.ITlCA Vejam. portanto, que o governo representativo nascE" (.Otn lllnol conotação que aparentemente não é democrática, porque ela dl,>tItHlllt· 1'11111 e permitam-me essa citação - que. em um os que têm e os que não têm a capacidade política. Mas fOI na ddtlll'. ;:11l til estado bem organizado, todos os homens livres (claro que , ao falar de homens. que todos podem escolher os que têm a capacidade de tomar as dec I�,/")I' ', qlll Montesquieu observa - imaginava as mulheres também) deveriam participar da determinação das leis se d e s e n volve u a d e mocratização do governo r e pre s e ntdtivo e do seu estabelecimento. Para ele era tudo , porque. na verdade, o grande estabe l ecime nto da democracia moderna e contemporânea. I' li objetivo que almejava era o governo de leis e não de homens . Estabelecer as leis era estabelecer o bom governo. o reto governo. Ao dizer isso. observa que nos estados do seu tempo, que já tinham milhões de habitantes - a França da Nessa democracia moderna e nessa democracia contemporânea o povo se governa, por meio de representantes que elege. Não há dúvida qu sua época tinha 22 milhões de habitantes - era impossível reunir todos os mais recentemente adotamos técnicas e instrumentos destinados a dar. em homens livres para discutir a respeito das leis ou de outras decisões do interesse certos casos, uma participação mais direta do povo na tomada das decisões geral. políticas . É o caso do referendo, em que o povo aprova algo que já foi votado pelo Legislati vo ; e é o caso do plebiscito, que não passa de uma consulta . Há Por outro lado, faz uma afirmação que é a base de todo o siste ma representativo e que supera a própria impossibilidade de reunir todo o povo. instrumentos ditos d e democracia direta, presentes na estruturação política dos Estados modernos , mas tal estruturação ainda se baseia na mesma idéia. Refere-se Montesquieu ao seguinte inconveniente: se todos os homens. em O povo todo escolhe aqueles que vão em seu nome governar , dentro da geral, tivessem a capacidade de escolher os qualificados para tomar as decisões presunção de que os escolhidos sejam mais capazes de tomar as decisões do políticas, nem todos os homens estari am qualificados para tomarem eles próprios que aqueles que apenas participam da escolha. Aqui está um ponto fundamental. as decisões políticas. É preciso, portanto, em uma democracia, equacionar o sistema de escolha dos representantes , de tal forma que os que vão escolher possam bem escolher. Esse é o fundamento de todo o sistema representativo. O fundamento Não há, sem dúvida ne nhuma, fórmula infalível, mas é evidente que é preciso desse sistema se destina à escolha de pessoas capacitadas para bem tomar bem equacionar o modo de escolha dos representantes para que se comece a as decisões políticas e não apenas o fato de que, havendo muitos cidadãos no ter condições de adiante concretizar a sua democracia. Estado, é necessário estabelecer a representação pela impossibilidade de congregar todos esses homens no momento da tomada da decisão. Até ontem, fazer essa minha afirmação exigia uma longa justificativa. que hoje é desnecessária. Isso porque. até ontem. se quiséssemos reunir a vontade de todos para a tomada de uma decisão política, como teríamos de fazer? Apurar votos? Levaríamos meses, anos? Reunir todos em uma praça pública? Impossível. Mas, hoje , graças à eletrônica - e vejam bem que com a eletrônica a democracia direta se tornou perfeitamente possível. A televisão e a linha telefônica permitem que todos acompanhem a discussão de um tema e sobre ele decidam ape rtando um botão. Afinal, a televisão já faz isso em determinados programas. Assim. não existe mais inconveniente operacional mas subsiste o inconveniente político que se expressa na singela conceituação produzida em 1749: Nem todos os homens estão igualmente qualificados para tomar as dec is õ es políticas. No Espírito das Leis, livro que cito novamente. a questão é colocada nos seguintes ,termos: o conhecimento da capacidade de bem decidir as coisas é um conheci ento de experiência, é um conhecimento que atinge os membros de um grupo, pelo contato com outros membros do grupo. Quer dizer, é na. convivência ue se encontra e se determina essa capacitação . E vamos e venhamos, quem tem a experiência de uma sala de aula, sabe disso, porque quando há m problema qualquer que envolve relação do professor com os alunos, e vi e-versa, os alunos sabem muito bem escolher quem é que e le s vão mandar, conversar com o professor ou com a diretoria. Quer dizer, em um pequeno g upo, sempre se sabe quem tem a capacidade de representar o grupo. É np contato e no conv ívio que se determina quem tem a capacidade de representar o grupo. O modo de escolha do representante para o livro de Montesquieu é este: é a escolha através do contato. Claro que ele raciocinava em termos do No mesmo livro, é colocada outra tese: Mas todos os homen s têm a século XVIII, quando todos conviviam e se encontravam pelo menos u m dia capacidade de identificar aqueles que têm essa capacidade de bem tomar as por semana e se formavam reciprocamente as noções sobre o caráter, o decisões políticas. Portanto, todos os homens podem ser chamados a fazer a conhecimento e conduta de cada um. escolha dos que vão tomar as decisões políticas, que foram, então, a pelidados de representantes 14 . Vej a m , p or ém, q u e is s o n ã o é o q u e se pa s s a no mundo 15 REFORMA POLÍTICA REFORMA POLíTICA propôs. como reforma política, o e sta b el ec imen to do chamado voto distrital misto. Todos aqu i conhecem as linhas gerais do voto distrital misto, ist o é , o eleitor vai el e ger um depu ta do o deputado distrital. É claro que no Brasil. dado o número elevado de habitantes que temos, provavelmente ainda assim o distrito será grande para que haja um contato ideal e proveitoso entre ele ito r e cand idato . mas seguramente sera melhor do que quando se proced e a eleição em um âmbito contemporâneo, até pelo fato de que é extremamente grande o número daqueles que devem ser integrados no processo político, o número daqueles qu e vão ser chamados à escolha. No mundo contem porâneo, a escolha de um deputado, por exemplo, sempre envolve milhares de pessoas e se torna muito difícil que todos , aqueles que vão escolher tenham com o candidato um convívio que torne prove itoso o conhecimento que se estabelece. Nesse caso, já entra uma p ri meira opç ão a , opç ão pelo tama nho do e spaço a ser ocupado pela circunscrição em que a escolha onde a circunscrição compree nde milhões de eleitores (como ocorre atualmente vai ser feita . Evidentemente, se a escolha se faz em um distrito que tenha - no Brasil). exageremos - 100 mil eleitores, é difícil que esse eleitores conheçam, de convívio. meia dú zia de candidatos, mas se o distrito tiver 10 mil eleitores, isso será muito o problema do distrito, portanto, é ligado e xata me nte à qualidade da conforme a experiência universal, o sistema distrital é o mais democracia. Não é por mera coincidência que a I nglaterra os Estados escolha porque mais provável. apto à , Unidos, a Alemanha e a França têm eleições distritais. Acho que enumerei as Se o distrito ou a circun scrição tiver 1 milhão de el eitores, será muito mais difícil - se não impossível - esse convívio. Por que coloco isso? Quando principais democracias do mundo. A eleição distrital diminui o afastamento se define o âmbito da escolha, já estamos dando um rasso que vai c ondicio nar entre candidato e eleitores, conseqüentemente, diminui o afastamento entre o ou fa vorecer uma boa escolha, ou já estamos colocando as coisas de tal forma eleito e os eleitores. Vejam que num sistema distrital o eleito tem de tomar que muito provavelmente não haverá boa escolha porque a escolha será feita mu ito cuidado com o que faz porque ele não pode mudar de distrito a cada , - permitam-me usar uma expressão forte - entre desconhecidos. A escolha pleito. E, se ele pretende ser reeleito por seu distrito, precisa estar atento à d ev er ia ocorrer entre conhecidos. opinião do distrito sobre o que ele faz ou deixa de fazer Ao faze rmos a eleição de deputados em distritos, evidentemente. . No si stema que temos hoje em que a circunscriçã o , possibilitamos, em grau maior, que os eleitores conheçam os candidatos e que é o conjunto da área de cada Estado, o candidato pode, e em São Paulo isso acontece, variar os candidatos, em conseqüência, respei tem os eleitores. Ampliando esse âmbito a região em que atua. de escolha, certamente, os eleitores desconhecerão. de contato e de convivia. enfrentar os custos dessa prática. É t udo uma questão de Ter recursos financeiros para os candidatos e, conseqü entemente. com mais dificuldade poderão fazer boas Da mesma forma, num distrito, a fraude e a corrupção são muito escolhas. dificultadas. Comprar a maioria dos votos nu m No Estado de São Paulo, por exemplo, há alguns milhões de eleitores distrito não é fácil, mas comprar alguns votos em cada um dos qu in he nto s e tanto s municípios de um Estado . não é muito difícil. portanto, em uma eleição, os candidatos naturalmente vão pleitea r o voto desses milhões e, evidentemente, não poderão manter contato direto com todos. Nesse caso, o contato se dará por intermédio dos meios de comu nicaç ão e. atualmente São Paulo, por e xemplo tem mais de , , pela televisão. Surge, então, uma deformação, que eu lembrava há pouco, que já vêem que quem conseguir o b ter 500 municípios e os senhores 50 votos e m cada um deles se elege. E, é a transformação da política em um grande espetáculo, porque na chamada obter esses 50 votos não é tão imposs ível se o carro pagador acompanhar o propaganda pela televisão, todos os recursos da televisão são empregados e, candidato. esses recursos que são potentes, no sentido de que influem profundamente . são recursos que permitem também disfarçar defeitos, salientar virtudes (virtudes Vejam, portanto, que a opção pelo distrito, que eu subscrevo, é uma essas que eventualmente sequer existem). Ou seja, o co nta to direto ou próximo opção que tem atrás de si a própria lógica da democracia, porque ela Visa, no com o eleitor, necessário para uma boa escolha, é substituído por u m contato se é que não é absolutamente vago, por meio de um instrumento que pode fundo, a aprimorar a qualidade da escolha . - comum - manipular a opinião. A escolha entre descon hecid os é uma escolha Precisamos ter presente isto: se conhecer o candidato não absolutamente suficiente para o acerto da escolha, man ipulada. é co ndição ela é condição im presci ndível . Acertar na escolha entre desconhecidos só contando com a sorte. E não parece Vejam que isso tudo se coloca muito bem no docu me nto que foi d istrib u ído pele PPB, a respeito da reforma p ol í ti ca. O PPB do Rio Grande razoável ol'g aniza r a pol í t ica com base na sorte. // / 16 / ./ Por outro lado, o sistema adotado por nós, em que o âmbito da escolha 17 REFORMA POLíTICA REFORMA POLÍTICA é tão largo que a comunicação pessoal é praticamente impossível, manipulações. E, quantas e quantas vezes nós gato por lebre por intermédio da televisão? já propicia não vimos alguém vender É a exata evidência do Estado Espetáculo. vista a questão do programa e das idéias para se situar as campanhas no plano da imagem, da simpatia, da antipatia e da atração. Há um autor francês que escreveu um livro interessante sobre isso, propaganda de televisão o melhor candidato é o que não tem idéias, é o plastic politician. Por quê? Por que se ele não tem idéias poderá assumir qualquer uma, e irá assumir as que estão - para usar uma linguagem imprópria para uma conferência erudita - dando Ibope. O candidato que tem idéias, passado e personalidade, é evidente que irá relutar em assumir qualquer posição. E, se essa posição, naquele momento, não está dando Ibope, ele é prejudicado. Abordei um lado da questão. Esse lado é a questão do distrito. Mas. há a questão do sistema eleitoral, no sentido de que ele se reflete no próprio sistema de partidos e é também uma experiência universal em que onde há muitos partidos a democracia funciona pior do que onde há poucos. A questão da relação entre sistemas eleitorais e número de partidos é um tema surrado da ciência política. los durante os debates que se estabelecem. O terceiro o sistema de representação proporcional. que é o que nós para as Câmaras Municipais. é o sistema que tende a multiplicar indefinidamente o número de partidos Qual é a idéia da representação proporcional? É dar a cada partido, numa câmara. uma força correspondente ao peso que ele tem no eleitorado. Portanto. todo o grupo terá o seu representante se ele passar do mínimo que é o quociente eleitoral. Conseqüentemente. isso estimula a formação de novos partidos e. particularmente. a divisão nos partidos existente. porque qualquer conflito interno ou qualquer sutileza programática justifica o aparecimento de um novo partido. Analisando a história brasileira. e nos atendo a fases específicas. vemos que em 1945 o Brasil começou com três partidos: PSD. UDN e PTB Quantos partidos trabalhistas haviam em 1964 (todos decorrentes de cisões PRT, POT PTN. PST e do PTB)? Provavelmente. uma meia dúzia. Havia o . outros. Exemplo típico dessa multiplicação. Vejam que pois que o sistema eleitoral se reflete. sim, sobre o número de partidos. E. em toda a parte. o número excessivo de partidos é negativo Houve um professor francês que, estudando a questão. mostrou que A primeira relação: o sistema de eleição majoritária, quando ela se dá num único turno, tende a produzir um sistema de dois partidos e tende a eliminar os demais partidos. Deixa dois partidos frente a frente, ainda que haja outros. mas que não contam. É o caso da Inglaterra, dos Estados Unidos e. a razão não é difícil de descobrir Onde, pela tradição, há dois partidos que pesam e a eleição é majoritária. é tudo ou nada. O eleitor tem sempre a tendência de votar útil. E. votar útil é votar num dos dois partidos. Votar inútil é votar num pequeno grupo, muito simpático, mas que não irá vencer a eleição. Se a eleição é majoritária em dois turnos. por exemplo, como é a nossa eleição para Presidente da República, o estudo mostra que se formam muitos partidos. mas agrupados em duas grandes coalizões básicas. Por que se formam muitos partidos? Por que no primeiro turno, sendo necessária a maioria absoluta, e essa será muito difícil de alcançar, cada grupo tenta a sua 18 campanha eleitoral. poupem os seus futuros aliados. e não procurem devorá temos para a Câmara Federal, para as Assembléias Legislativas estaduais. em que ele, sarcasticamente, diz que para os homens da mídia eletrônica da sorte. decisivo. Então. eles precisam se associar; e para que tenham chance de ver o seu candidato eleito na decisão. o levam a manter vínculos. Levam. também. os pa[ses que têm experiência nesse sistema. a fazer com que os partidos. em A idéia do Estado Espetáculo veio, exatamente, das campanhas eleitorais americanas nos últimos 40 anos, em que se perdeu um pouco de há uma relação entre o sistema eleitoral e número de partidos. Poderemos experimentar como estamos no eleitorado. Isso produz uma multiplicação de partidos. Esses partidos sabem que o segundo turno é para o funcionamento da democracia e para o bom funcionamento das instituições. Por quê? Por que muitos partidos produzem um esfarinhamento da câmara, já que essa fica dividida em pequenos grupos. E, câmara decide por maioria. Hoje. no Brasil, temos cerca de quarenta partidos registrados, e cerca de vinte representados no Congresso Nacional. Constituir uma maioria no Congresso Nacional exige uma articulação extremamente trabalhosa. porque é preciso somar os votos de pelo menos sete ou oito partidos. A outra conseqüência negativa desse sistema é a pequenízação dos partidos. Reparem. que onde há muitos partidos. todos tendem a ser relativamente pequenos. O maior partido brasileiro no Congresso Nacional deve ter 20 % da Câmara. ao contrário do que se passa. por exemplo. na Inglaterra. onde. como são dois os que pesam. sempre um tem a maioria absoluta. O sistema eleitoral. dessa forma. deve ser equacionado para que se evite a proliferação excessiva de partidos. Os alemães fazem isso. Existe no seu Direito a chamada cláusula de corte: o partido que não tem 5% dos votos 19 REFORMA POLíTICA REFORMA POLíTICA não elege ninguém. Isso tem impedido naquele Pais a proliferação dos partidos. mas não tem impedido que partidos com idéias novas cheguem a viver a vida política plenamente, participando da vida política nacional alemã. Hoje o Partido Verde é um dos que pesam na política alemã. idéia nova com relação ao que apareceu em situação está mal, sem elas a situação estaria pior. Por que estaria pior? Porque É uma 1950. Não se trata, pois, de um bloqueio ou um fechamento, mas de uma medida de prudência. Dirão os senhores: Mas isso não é Justol O justo é que cada corrente visa a fazer justiça, ou estabelecer condições de governabilidade? Opto pela segunda resposta, pois o modo de constituição de um parlamento precisa fazer tarefa, simplesmente fazer justiça o Congresso Nacional não daria os famosos meios ao Presidente da República para S. Exa tomar as decisões necessárias no atual contexto socioeconômico. Por quê? Porque o Congresso Nacional está esfarinhado em cerca de idéias tenha acesso a representação. Será que a composição do legislativo dele um órgão capaz de cumprir sua tarefa no interesse geral. Não medidas provisórias? Por que eles dizem que elas são necessárias? Em síntese, a argumentação é sempre a mesma, porque com as medidas provisórias a é sua É claro que temos a possibilidade de uma aproximação. E é exatamente o caso que os alemães conseguiram, porque eles conseguiram combinar a eleição distrital com a representação proporcional global. de 20 partidos, não há disciplina partidária, etc, etc. Os Senhores estão cansados de ouvir essa conversa mole. Digo conversa mole, porque quando o Presidente da República teve o interesse de obter a maioria de três quintos em dois turnos de cada Casa do Congresso Nacional, a fim de obter a reeleição, ele conseguiu Então isso não é tão difícil. Está aí a objeção e está aí a justificativa. A medida provisória é necessária, por quê? Ela é necessária porque o Congresso Nacional não pode decidir, porque o Congresso Nacional está dividido entre 20 pequenos partidos. Assim ele está dividido porque é adotada para a eleição da Câmara Federal o sistema de representação proporcional. Tudo muito bonito, mas se quisermos consertar os problemas vamos começar pelo sistema eleitoral. Vamos É claro que com a cláusula de corte. O sistema chamado distrital misto que é inspirado no sistema alemão tem demonstrado desde 1949 até 1999 - a Constituição alemã completou 50 anos em maio - que é um sistema que produz bons frutos. É claro que só esse tema do sistema eleitoral já daria lugar a uma longa discussão. Os Senhores já sabem que aí batemos em umas das idéias propostas por aquele programa, plano, sugestões enviadas pelo PPB do Rio Grande do Sul. Vejam que esses dois aspectos, o sistema eleitoral e partidário estão interligados. Não é possível a meu ver equacionar um sem que ser reflita no outro. É necessário considerar na engenharia constitucional os dois aspectos, quando se parte para esse equacionamento. vemos como mal funcionamento das nossas instituições políticas - e estou mudando de plano - deriva exatamente desse pecado que está na base com relação ao sistema eleitoral e partidário. No atual contexto nacional o PreSidente de Estado e chefe de governo, mas, sim, o primeiro e principal legislador. Por quê? Porque ele legisla por meio de medidas provisórias - as famigeradas medidas provisórias com força de lei. As medidas provisórias são condenáveis sobre vários aspectos. A idéia de separação de poderes é para exatamente criar freios e contra-pesos, sendo que o principal freio e contra-peso desaparece com a existência dessas tais medidas provisórias. Não vou fazer o discurso contra as medidas provisórias, porque ele 20 aparentes. Não estou com isso defendendo as medidas provisórias, inclusive. porque elas são perfeitamente desnecessárias até para suprir essa deficiência na tomada de decisões pelo Congresso Nacional, porque já se esqueceu neste País que a Constituição prevê o instituto da Lei Delegada. Portanto, armado com uma delegação o Presidente poderia editar as normas que fossem necessárias para evolução da conjuntura socioeconômica. Para quem não é Delegada e Medida Provisória? Esta é um ato que depende exclusivamente do Presidente da República, pois S. Exa. edita e publica a medida no Diário Oficial e a partir daí ela já está produzindo efeitos. Ela deve ser enviada ao Congresso, que deve discuti-Ia e convertê-Ia, ou não, em lei. A Constituição dá o prazo de 30 dias para isso. Acontece que surgiu o jeitinho brasileiro. Quando o Congresso 30 dias, ela é reeditada n vezes. Há medida provisória reeditada mais de 70 vezes. Isso quer dizer que não converte em lei e nem rejeita a medida provisória em a medida provisória dá um poder legislativo ilimitado para o Presidente da República. A delegação legislativa é diferente, porque o Presidente precisaria pedir autorização ao Congresso para editar normas com força de lei sob uma Elas estabelecem a insegurança jurídica, porque elas podem e são mudadas a todo momento. São um instrumento de concentração de poder. problema, ou seja, os aspectos que estão na base e não os aspectos mais técnico, permitam-me uma pequena explicação. Qual a diferença entre Lei Vejam por outro lado que esse é o ponto fundamentaL Muito do que da República, chefe de Estado e chefe de governo, não é apenas chefe começar atacando as raízes do problema e não simplesmente os reflexos do é conhecido. Como é que os que estão no outro lado justificam as determinada matéria. O Congresso só poderia dar essa delegação fixando um prazo de hoje a três meses, e não indefinidamente. O Congresso poderia e deveria estabelecer os termos do exercício. Essa é a expressão da Constituição Quer dizer que deveria estabelecer e indicar parâmetros, pontos de referência, que poderiam ser desdobrados, e que deveriam ser respeitados Vejam Senhores que essa situação é completamente diferente. E bem 21 REFORMA POLÍTICA REFORMA POLíTICA podem os senhores ver porque nenhum Presidente da República brasileíra, enquanto houver a medida provisória vai pedir uma delegação Por que S EX8 dar-se-ia a esse trabalho? Por que S. Exa deveria discutir com o Congresso a delegação, se pode, assinando um texto que um assessor coloque em sua frente, impor uma medida provisória. E mais: como sobrevivem outros países que não dispõem do instituto da medida provisória? Essa é uma interrogação interessante porque do jeito em que a questão por vezes é posta parece que sem medidas provisórias os estados nacionais e seus governos tenam que fechar as portas. Mas não é isso que se vê daqui para fora Senhores, realmente o problema fundamental na reforma política da qual se fala é no fundo o problema eleitoral e partidário. Não digo que equacionado o problema eleitoral e partidário todos os nossos problemas estariam resolvidos porém teríamos dado um passo importante e positivo para esse equacionamento. No Brasil, estamos procedendo de modo ilógico a meu ver. Ficamos fazendo pequenas modificações na Constituição em vez de enfrentar o problema fundamental que é o problema eleitoral e partidário Sei que os senhores têm consciência disso. A melhor prova é que estão neste seminário, nesta tarde, ouvindo algumas observações que não são originais, mas talvez veementes a respeito de um problema que preocupa a todos nós. Particularmente, preocupa a todos nós como cidadãos que somos MUito obrigado. constitucionalista contemporâneo do nosso País com o seu discípulo. que Imerecidamente me define às vezes como mestre, mas do qual gostaria de ser também discípulo, porque com ele aprendi muito no terreno, inclusive. das instituições, que é o Prof Cézar Saldanha. Devo manifestar de uma maneira muito clara que. cada vez maiS, me preocupa a questão, não da democracia - não gosto do uso da palavra democracia isoladamente pois prefiro falar em democracia constitucional AqUI mesmo, neste local, afirmei num determinado momento. quando se discutia a obscura democracia particlpatlva, que tão perturbadoramente tem contaminado o nosso Estado, que o elemento fundamental na ordem pública constitucional contemporânea não é a democracia - vamos deixar bem claro . a democracia não é o elemento fundamental da tradição ocidental; o elemento fundamental da tradição ocidental é o constitucionalismo, ou seJa, o governo das leis, o governo do debate. o governo fundado no pluralísmo e na sUjeição comum dos homens, não um governo de homens iguais, mas de homens Iguais que também se submetem à lei e à Constituição. Por isso manifesto o meu privilégio e gostaria de marcar o Significado da minha presença aqui. Certamente sou alguém que discorda, ou que pretenderia discordar, da maioria das posições políticas assumidas pelo PPB Fiquei muito surpreso quando recebi esse programa elaborado pelas bases e, o SR. PERCIVAL PUGINA - Muito obrigado, prot. Manoel Gonçalves Ferreira Filho, pela sua proveitosa exposição. Vou conceder a palavra ao prof. José Antonio Giusti Tavares e a seguir ao prof. César Saldanha Souza Junior. Não combinamos com os nossos convidados de hoje a concordância entre os três, por isso, provavelmente, observaremos interessantes divergências Gostaríamos que o plenário participasse desse debate, posteriormente, através de perguntas dirigidas aos nossos convidados. Concedo a palavra ao prof. José Antonio Giusti Tavares, doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, coordenador do programa permanente de investigação em instituições políticas e governo, autor de vários livros, entre eles: Sistemas Eleitorais nas Democracias Contemporâneas; Teoria, Instituições, E stratégias e Reforma Política e Retrocesso Democráti co; Agenda para Reformas Pontuais no Sistema Eleitora! e Partidário Brasileiro. sobretudo, quando fUI informado de que foi elaborado pelas bases do Partido Progressista Brasileiro no RIo Grande do Sul. Dei-me conta de que, surpreendentemente, se eu tivesse uma concepção maniquefsta da política, diria que, ou eu estaria errado, ou o PPB estaria errado, porque das dez proposições, dos dez pontos sublinhados aqui. concordo inteiramente, sem qualquer reserva, com seis deles. Tinha preparado uma exposição sobre isso e talvez até escreva algo modestamente sobre essa questão, que entregaria ao presidente do PPB. Mas o professor que nos honra com a sua exposição elegeu como tema fundamental a questão do voto distrital misto, e esse é precisamente um terreno no qual tenho sérias divergências Então, quero deixar claro: esse é um terreno de preferência, não um terreno substantivo. Comungamos do mesmo ponto de vista: a defesa das leis. do convívio constitucional em tudo o que ele significa, não apenas do ponto de vista do tecnicismo legal, mas do ponto de vista da substância - diria - ontológica o SR. JOSÉ ANTONIO GIUSTI TAVARES - Quero manifestar a preoc upação que ten h o com o imerecido privilégio e talvez a difícil responsabilidade de participar desse encontro. Talvez seja o mais seguro 22 e de valores - algo que aprendi também com Cézar Saldanha. Vou, então, com muito cuidado. fazer algumas considerações a respeito da questão do voto distrital misto, enfocando em particular o argumento 23 REFORMA POLíTICA REFORMA POLíTICA do Prof. Manoel. Talvez o argumento central do Prof. Manoel diga respeito á parte. Sou proporcionalista, isso fica claro; mas o meu proporcionalismo, natureza do mandato representativo, que, por sua vez, tem a ver com a dicotomia curiosamente, se ilude diante de um argumento que não é a defesa proximidade ou distanciamento em relação ao eleitorado. habitualmente liberal do proporcionalismo. A defesa habitualmente liberal do proporcionalismo é a de que no propor cionalismo todas as idéias são Simplificando um pouco as coisas, me parece que o argumento - representadas e reproduzidas no parlamento, é a idéia de que uma Assembléia que, aliás, é muito comumente usado na ciência política - de que quanto maior Legislativa ou uma Câmara de Deputados deve ser um microcosmos que a magnitude dos distritos, ou seja, quanto maior o número não só de eleitores, reproduza o conjunto das opiniões nacionais mas de candidatos que o mesmo distrito vai eleger, mais se compromete a idoneidade das informações de que o eleitor dispõe a respeito dos eleitos. Se assim não fosse, a representação deixaria de cumprir a sua função Distancia-se o contato, perde-se a proximidade e, como conseqüência, tende essencial, que é a de substituir o estado de guerra, o estado de natureza, pelo a desvanecer a responsabilidade dó eleito frente aos eleitores. conVIVIO político civilizado, porque é precisamente na medida em que o representante se distancia do seu contato vinculado aos seus representados A questão é a seguinte: desde quando a responsabilidade do eleito é que ele tem um discernimento para reproduzir o interesse público com os seus eleitores? A responsabilidade foi enunciada com muita clareza A primeira coisa que um deputado eticamente deve fazer ao assumir por Burke no limiar da Revolução Francesa, quando falou justamente da teoria moderna do mandato representativo o seu mandato é dar-se conta, com muita clareza, que ele não é representante da sua paróquia, mas de uma circunscrição estaduaL Na Câmara ele é o Burke foi eleito precisamente em condições distritais, mas a sua representante do Pais, os senadores representam os Estados, mas os deputados primeira preocupação, quando se dirigiu ao distrito, aos eleitores que o elegeram, representam uma circunscrição eleitoral e, na verdade, representam a totalidade ele manifestou com muita clareza ao dizer que o seu dever como deputado era do País o de observar, de se orientar na linha do melhor interesse do seu eleitorado e A questão da corrupção: não é verdade que o distritalismo afasta a do seu distrito, mas não se orientando segundo as opiniões deles corrupção; ao contrário, o distritalismo a recrudesce. Faço menção ao famoso o deputado moderno é portador de um mandato que se chama livre. relatório de um Senador dos Estados Unidos a respeito da manipulação dos ou seja, ele é responsável no sentido que se usa habitualmente, no sentido de oligopólios na indústria farmacêutica. Os oligopólios agiam em cada distrito e que ele tem domínio absoluto sobre as suas decisões. na indústria farmacêutica para obter a aprovação de remédios possivelmente inócuos ou nocivos. Atuavam junto ao candidato do distrito, dizendo que estariam O utro já observava, muito tempo antes, que quanto ao mandato dispostos a investir num hospital para o distrito, mas que, se fosse eleito o representativo, quando os eleitores elegem os seus representantes, não são fulano, o investimento não seria feito. Com isso, o fulano era afastado da vida os seus representantes que se obrigam frente aos representados, mas, ao política contrário, são os representados que se obrigam a assumir, como se fossem efetivamente suas, todas as deliberações que porventura tomar o seu deputado, A primeira observação que faço com muita clareza é a de que o com o concurso do seu voto e, inClusive, dos deputados que não elegeram dlstritalismo é um forte Instrumento que compromete a liberdade fundamental Sem esse princípio, por mais que ele possa escandalizar num primeiro momento. do representante, necessária ao exercfcio do mandato. não funciona nenhuma democracia moderna. A segunda observação é a de que os sistemas eleitorais não são A democracia moderna está fundamentada no mandato livre, que se métodos de eleger representantes ou de eleger o governo. Sistemas eleitoraiS aperfeiçoa não com a proximidade promíscua entre o representante e os também se distinguem entre si enquanto métodos capazes de solver a questão representados - e aí prefiro ficar c o m Gilberto Amato, em Eleição e do conflito com a sociedade. O conflito nas sociedades diferenciadas é inevitável Representação. Há uma passagem em que ele diz assim: Desde quando é Dada a inevitabilidade do conflito, no terreno eleitoral, dispomos de dOIS fundamental, importante e excelente para a política que o representante tenha mecanismos, com duas filosofias diferentes capazes de enfrentar esse problema convívio promíscuo com os seus eleitores? O representante é representante Um deles, como muito bem acentuou o professor, é o sistema majoritário simples, de uma unidade maior, de um interesse maior. aquilo que os americanos chamam de pluralidade uninominal, em que quem ganha leva tudo. Um candidato, num distrito desses, pode ter pouco mais de Então, por exemplo, é muito freqüente um tipo de defesa de minha 24 um terço dos votos e ser eleito. 25 REFORMA POLÍTICA Como diria REFORMA POLÍTICA B. J.(?) que foi distritalista, mas que sofreu o distritaiismo na sua vida política pessoal- estou usando inadequadamente a palavra distrital -, no sistema distrital, no sistema de pluralidade uninominal, um distrito pode e freqüentemente é representado não por aquele deputado que deveria, não por aquele que gostaria de ter como representante. mas precisamente por aquele que a maioria não desejaria ter como representante meu ponto de vista, tal como tem sido praticado, tem um componente mais majoritário do que proporcional. Vamos tomar o modelo alemão. Na Alemanha, o eleitor tem dois votos. Com o primeiro voto, ele elege um candidato do distrito. Esse voto, portanto, é um voto que participa de um conflito polar - segundo regras majoritárias -, quer dizer, é tudo ou nada. é chamado segundo voto, em que ele voto, que Esse é o efeito perverso da pluralidade, do sistema de maioria simples. Ao mesmo tempo, ele tem um vota na lista do partido, que é uma lista fechada, bloqueada e hierarquizada Não há personalismo realmente é O partido o mediador entre o eleitorado e a representação. Esse é um efeito muito perigoso e habitual. Ao mesmo tempo, o sistema majoritário, sendo um sistema em que aquele que ganha mais leva tudo, é um Preciso admitir que a fórmula que contabiliza o segundo voto e que sistema de tudo ou nada, que tende a conduzir a uma relação social e política distribui as cadeiras do severa. partido é a mais rigorosamente proporcional que se possa admitir. É o sistema excludente exclui adversários. Sabe-se que a exclusão do adversário é um mecanismo muito perigoso. É melhor ter o adversário ao alcance Bundestag de acordo com o segundo voto de cada da vista no diálogo político Às vezes discordo um pouco disso, quando vejo Se tirássemos do sistema alemão o componente distrital, o sistema certos adversários nossos à vista, mas não perco a minha convicção a esse alemão seria, do meu ponto de vista, o sistema ideal, porque realmente há uma respeito. distribuição mais do que proporcional. Na Alemanha, o primeiro voto tende a contaminar o segundo. O mecanismo majoritário tende a afetar o mecanismo é também um método de solver o conflito societário, mas de que maneira? Produzindo consenso. É intuitivo. meus amigos Quando uma questão é decidida por cadeiras partidárias, em mandatos de deputados, o que prevalece? Por exemplo. maioria. a decisão majoritária equivale a uma confissão. não explícita. mas a proporcional, são distribuídas, em uma confissão, de que, se foi necessário deCidir por maioria, não houve e não geral, os candi datos de lista são pessoas notáveis q ue. entretanto, há consenso. Quando um Parlamento decide por maioria, mas é constituído desempenham o papel de vedetes do partido. Perdoem-me o termo, são apenas por representantes de diferentes segmentos sociais, então o consenso é chamariscos, porque eles só assumem residualmente. Ao contrário, o sistema de representação proporcional proporcional, inclusive porque, na hora da posse, de se converter votos em as cadeiras que um determinado partido tem em tal colégio, obtidas pelo método primeiro lugar, aos candidatos distritais. Em viabilizado. É verdade que a q ui. no caso da proposta dos s e n h o r e s, Acho que não é correto afirmar que o número de partidos em si mesmo debilite, fragilize, comprometa a democracia, porque depende do seu significado necessariamente o mesmo candidato é candidato ao distrital e ao proporcional Aí a questão muda, e eu não saberia imaginar os resultados disso. Na Alemanha. os resultados são terríveis. Fala-se muito, por exemplo. em fragmentação partidária Temos fragmentação partidária? A fragmentação partidária que é perigosa é aquela que envolve um considerável número de partidos de magnitude média. mas. quando são três, quatro ou cinco partidos de magnitude média e uma profusão O professor fez referência ao fato de que, na Alemanha, por exemplo, com esse mecanismo em que há o voto distrital - há partidos. Quer dizer: lá não se fecha oportunidade para partidos Ora, a Alemanha é considerada. - Israel, Holanda - de partidos minúsculos, pelo amor de Deus, quem, de sã tecnicamente - num termo usual- sistema de dois partidos e meio. A Alemanha consciência, pode afirmar, pode atribuir a responsabilidade pelos males políticos tem dois partidos: a Social Democracia. a Democracia Cristã e dOIS meios aos partidos minúsculos? Quem tem medo de partidos minúsculos? partidos, que são os liberais e os verdes. Há uma outra questão que está ambígua aqui: na pauta do PPB. está Em primeiro lugar, de onde nasce a possibilidade de os verdes se o voto distrital misto. No início, pareceu-me - aliás, não sei se ainda esse é o elegerem? Isso ponto de vista do professor César Saldanha Souza Júnior - que os dois ilustres eleitos pelo segundo voto, tanto que, na linguagem vulgar, na Alemanha, esses professores sustentam realmente o voto distrital. Como o voto distrital não está partidos são chamados de segundo voto, pelo voto proporcional já foi provado, já se fez pesquisa. Os verdes e os liberais são na agenda, o melhor caminho é o voto distrital misto. Se for retirado do sistema misto o componente proporcional se Na verdade não há problema nisso, porque o voto distrital misto, do 26 converte, a Alemanha em um sistema em um sistema de dois partidos, a exemplo do Reino Unido. 27 REFORMA POLíTICA REFORMA POLÍTICA o SR. PERCIVAL PUGGINA - Para quem já pensava que democracia em que tenho divergência com o Professor Tavares. Com referência ao Professor não é fácil, estudar democracia se evidencia como coisa ainda muito mais " difícil. .. Passamos agora a palavra para o Professor César Saldanha Souza Júnior, formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, \ Manoel, estou cada vez mais convencido de que se trata de uma divergência de palavras e não de conteúdo, O Professor Manoel tem uma proposta de sistema de governo que costuma classificar como um parlamentarismo presidencializado, ou um presidencialis mo parlamentarizado, de cUjas formulações aceito praticamente 90%. Apenas considero aquilo que por ele é mestre e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo, procurador regional chamado de presidencialismo parlamentarizado, como parlamentarismo, do Ministério da Fazenda e professor de Direito Constitucional. nas Faculdades simplesmente. de Direito da Universidade Federal e da Pontifícia Universidade Católica do proíbo os alunos de darem nome aos sistemas de governo. Meus alunos sabem Rio Grande do Sul. É uma questão de denominação, por isso, em minha faculdade, que até inventei outro nome: chamo o sistema de Montesquieu de executivlsmo e, ao outro sistema, denomino de govemamentalis mo. Esse é o problema. Sr. Presidente, Sr. No sistema de Montesquieu, uma pessoa é chefe de governo, chefe Percival Puggina. figura extraordinária da cena intelectual da liderança partidária de Estado. chefe da administração. Isso é o Poder Executivo, Esse poder é um o SR. CÉSAR SALDANHA SOUZA JÚNIOR - rio-grandense; ex-governador Amaral de Souza; presidente Celso Bernardi; órgão que reúne três funções. o que é uma evolução dos poderes ao longo dos meu querido professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho; meu querido ProL tempos, José Antônio Giusti Tavares. Houve seis grandes fases: na primeira, Hobbes - conservação dos Agradeço a oportunidade extraordinária que nosso presidente Celso poderes; bipartição - Locke, século XVII; tripartição - Montesquieu, século XVIII: Bernardi e nosso coordenador Percival Puggina possibilitam nesta tarde, de tretrapartição - Benjamin Constant. século XIX; pentapartição - Webber e podermos estar juntos aqui, com duas das maiores expressões do pensamento Kelsen, início deste século e, depois dos anos político-jurídico do nosso País. Sem nenhuma demagogia e sem exagero, grande teorizador - com toda humildade - está na frente dos senhores, e considero o professor Tavares a nossa melhor cabeça da ciência política, em considera o Tribunal Constitucional como um poder. 48, 50, a hexapartição, cujo que sentido estrito. Assim como considero o Professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho o nosso maior constitucionalista. diria inclusive das últimas décadas. Talvez daqui a 50 anos tenhamos a heptapartição e o teorizador bem poderá ser o professor Roger Steven aqui presente. Para mim, modesto professor de província, é uma alegria estar aqui na presença desses dois grandes pensadores das Ciências Sociais Cada um adota um nome. Uns denominam o sistema de Hobbes de maneira, ficamos todos ancorados nessa questão da representação À bipartição, chamaria de liberalismo primitivo, À tripartição. poderia À tetrapartição. chamo de, abre aspas, parlamentarismo elitista. À pentapartiçã o, c hamaria de, abre asp as, proporcional. parlamentarismo dos partidos de massa. E. a hexapartição, chamo absolutismo. Pretendia fazer um exame mais leve, mais geral, mas, de certa chamar. abre aspas, de presidencialismo. parlamentarismo de massa com tribunal constitucional. No entanto, proíbo Quanto mais vivo e convivo com os Professores Manoel Gonçalves e terminantemente a utilização de denominações, porque com o nominalismo as Giusti Tavares, mais concordamos e mais cresce um consenso entre nós. palavras passam a nos atrapalhar. Ouvi o início da exposição do Professor Tavares, e diria que foi exatamente o mesmo que o Professor Manoel Gonçalves dizia hoje. quando mencionava o governo das leis e não dos homens. em uma brilhante entrevista concedida à imprensa às 12h 15min. É impressionante a convergência dos dois pronunciamentos. Posso mencionar isso pois assisti aos dois. Parecia que se copiavam mutuamente. Tenho certeza de que, quando sentar com meu mestre, Professor 1 \ que ou, estaremos sob a ameaça de acabar com este País, iremos Manoel Gonçalves Ferreira Filho, em uma futura revisão constitucional teremos de fazer colocar na mesa os itens e irei concordar como professor Manoel em 99%. mas talvez continuaremos discordando do nome que darem()s Com o Professor Tavares concordo em tudo, com governo, no conteúdo Há um ponto talvez em que divirjo do Professor Manoel e um 28 ponto à obra comum. não sabem como me o sistema de e no nome. No entanto, tenho uma discordância e vocês é doloroso discordar do Professor Tavares. Ele foi meu 29 REFORMA POLíTICA REFORMA POLíTICA mestre e um dos responsáveis por minha vocação de professor. Estimulou-me muito. Foi meu grande professor de Ciência Política em um curso que fiz nos anos 60, em formação de professores. Foi uma campanha terrível Naquela oportunidade, aceitei concorrer porque era para a Constituinte e eu teria a oportunidade de defender o meu modo de ver a Constituição, que foi profético. Também aprendi com o Prof Constituição casuística acabou acontecendo. Manoel Tudo o que falamos veio a acontecer: uma o Professor Tavares é um modelo já há trinta anos. Os três professores que considero em minha vida nesta área são: Paulo Brossard, Manoel Gonçalves feita sem consenso. Vimos o que Ferreira filho e José Antônio Giusti Tavares. Quero registrar dois fatos da razão prática, que para mim são suficientes. Primeiro, corri praticamente todos os mUnicípios. Eu tinha a minha Tenho tentado dizer ao professor Tavares que quando se fala de base, onde eu fui promotor. Onde fui promotor, fui muito bem votado. fiz uma Política e Direito, a aproximação a esses assuntos, principalmente, deve ser grande votação. Em Sobradinho e em Encruzilhada do Sul, que foram os dois da razão prática e não da razão teórica quando se trata de dizer qual o sistema lugares em que fui promotor, tive uma votação que me deixou realmente eleitoral mais adequado nas coisas da ação humana (isso aprendi com o neo aristotelismo). Nós, os neo-aristotélicos, acabamos descobrindo a grande importância de Aristóteles para o cultivo da razão prática, que o homem da modernidade esqueceu. realizado: eram porém municípios pequenos e também havia outros candidatos locais Fiz uma boa votação, mas não aquela votação, afinal de contas. que municípIos e Sul, onde eu tinha um grupo mU i to bom de amigos. que também me ajudaram na votação. enchesse as urnas Fiz uma votação maravilhosa nesses dois mais em Cachoeira do Por exemplo, a questão da homeopatia, posso dar meu depoimento pessoal: homeopatia funciona. Agora, a homeopatia encontra-se no campo da razão prática, da experiência. Percorri praticamente todos os municípios do Rio Grande do Sul. FIZ uma campanha longa, de praticamente 2 anos. Não contei ainda. mas acredito A razão teórica, que é a razão, abre aspas, da Ciência, não admite a que tenha participado de mais de 500 conferências sobre o Poder Constituinte homeopatia. Por quê? Porque não consegue comprovar e provar por que a Quando a campanha foi chegando ao seu final - esse é um fato que homeopatia funciona! E, como não consegue fazer isso, nega a homeopatia. conto, porque quero ver o Tavares candidato, para passar por essa experiênCia É racionalismo. Pode valer para certas áreas do o terapeuta que esta diante de um doente com dificuldades Isso é razão teórica. conhecimento, mas e problemas, não pode ser racionalista Se a homeopatia funciona, não vou estar preocupado com saber porque o faz. O fato é que pela experiência funciona e por isso devemos recomendar. É claro, contudo, que não devemos ser radicais Insisto: no tratamento com as pessoas, nas relações sociais, a razão prática é extremamente importante. -, tive a oportunidade de ir a um salão paroquial falar para um conjunto mUito grande de pessoas. Terminada a palestra, fui aplaudido, quase que de pé FUI então, para o diretório da legenda pela qual concorri naquela oportunidade falar com aqueles que trabalhariam e que levantariam o nome do candidato Ao chegar la, fUI recebido com muita alegria, sentei com os companheiros, e eles me disseram: Estamos altamente impressionados com o senhor Não o conhecíamos. Olha: aqui, nunca apareceu um candidato com tamanha comunicação com o auditório. Não perdi a esperança. Estou cada vez mais consciente de que esse último obstáculo que me impede de comungar em 100% com o Prof. Tavares É um candidato impressionante Não há dúvida que é o melhor candidato para a Constituinte. Embora eu não concorde com o julgamento, era isso o que me diziam. um dia desaparecerá. E bem sei qual será esse dia: o dia em que ele decidir, por uma experiência da vida, concorrer a deputado federal. A partir desse dia em que ele se resignar a aceitar concorrer a deputado O Senhor vai concordar comigo é o único candidato que é bom. Talvez os Porém, em seguida completavam que, no nosso partido, o senhor não demais candidatos não sejam tão bons quanto o senhor, mas são muito bons federal ou estadual e fizer uma campanha para valer, poderei conversar com São eles o 'Fulano de Ta/', que foi ministro do trabalho, que tem uma vida muito ele sobre o melhor sistema eleitoral. Digo isso, com toda tranqüilidade, pois longa na política, o 'Beltrano', que é deputado estadual e que tem muito prestigiO, uma vez fui candidato a deputado federal e quase morri, perdi meu patrimônio, e o 'Sicrano'. Então, há esses três nomes muito importantes. estraguei a minha saúde. Aliás, estou vendo amigos que me ajudaram naquela campanha, aos quais nunca vou poder agradecer suficientemente o apoio recebido. 30 Agora, o Senhor vai me desculpar, pois o Senhor é muito novo na política, mas nós queremos lhe dizer o seguinte: queremos ser vereadores Vamos fazer uma campanha. O município é grande. Há muitos buracos, muito 31 REFORMA POLíTICA REFORMA POLlTICA perau, O eleitor mora longe e enfrenta dificuldades. Não vamos utilizar o nosso carro. Não temos tinta. não temos dinheiro. Temos dificuldades. e, depois. temos a nossa campanha para vereador ou para prefeito. Como vamos articular essa campanha? A menor, por exemplo, do que a votação obtida pelo nossa pergunta é: o que é que o senhor nos oferece para que o apoiemos? Sr. Percival Puggina na última eleição. O problema principal prático não é o dos deputados que o deputado Sérgio Zambiasi elege para a Assembléia Legislativa - porque o povo votou Testemunho na frente de Deus. nosso Senhor. O que eu ouvia era a mesma lengalenga em todos os municípios. Para alguns. até para experimentar ofereci o que Churchill ofereceu na 2" Guerra Mundial: sangue. suor e lágrimas! (palmas) em Sérgio Zambiasi e não naqueles parlamentares O problema não é o dos é o de que ali estão eleitos graças ao senhor Sérgio Zambiasi: o problema quem deixou de estar sentado ali em lugar daqueles que foram eleitos por Sérgio Zambiasi. E, por exemplo. não tenho dúvidas de que um desses, que não está ali. é o nosso querido Percival Puggina que tanta falta faz à Assembléia E a resposta era: Muito obrigado. mas não aceitamos essa oferta Nós até que gostaríamos. mas o Senhor sabe que sangue. suor e lágrimas não movem automóveis. não pintam muros e não convencem o eleitorado. Legislativa. posso concordar com o senhor por É claro que nem o Prof. Manoel. nem eu, aceitamos a noção de que aquele ganhou. leva tud o O Prof. Manoel defende hOJe o voto Querido Professor Tavares. não razões de ordem prática. . Não preciso dizer que não me elegi (palmas) Era uma questão prática para mim. Não me venham falar que há essa ou aquela teoria. Desculpe-me. Tavares. porque fui lá ver como é que isso proporcional. Por quê? Porque o senhor mesmo reconheceu que é interessante que haja uma combinação com o voto proporcional para que partidos como os Verdes e outros possam eleger representantes. funciona na prática A contaminação a que V Sa. se refere é uma santa contaminação Vou contar o segundo fato e citar o nome de um deputado estadual aqui. até porque tenho grande respeito por S. Exa. Nunca votei nele, não pertenço ao seu partido. Tenho grande respeito por esse deputado que se chama Sérgio Zambiasi. Não admito que falem mal desse deputado. Acho até Ótimo' A presença é querida, é intencional. A presença dessa proporcionalidade é justamente para permitir que certos problemas graves que o voto distrital puro teria, como, por exemplo. excluir ou outros partidos que possam romper com a cláusula de corte ou cláusula de barreira. Era essa a observação. que algum dia ele poderá ser um belo candidato para defendermos o constitucionalismo no Estado. Concluiria. dizendo que há outros temas da reforma política AqUi acrescentaria. Prof. Manoel, que precisaríamos pensar noutras reformas políti ca s Eu dou muito valor a reforma do sistema de governo Estou desconfiado . Reconheço o direito que o deputado SérgiO Zambiasi tem de ser eleito deputado estadual. Acho que esse homem tem uma vocação política tão grande. tem um coração tão bom e se comunica tão bem que, mesmo falando por microfone. se elegeria deputado estadual pelo distrito que escolhesse. E digo mais, seria merecido, porque é um homem que sabe se identificar com a população, que sabe se comunicar muito bem. que tem um bom coração e que - acredito - tem uma reta intenção ao fazer política. de que seria mais fácil - e gostaría de ouvir a opin i ão do professor depOIS mudar o sistema de governo do que mudar o sistema eleitoral. Por quê? Porque os deputados que lá estão são produtos de um sistema ele i t o r al e, conseqüentemente. chamo lei de inércia das instituições. Eles sabem que mudado o sistema eleitoral, provavelmente a maioria não retorne para a Casa Portanto, é muito difícil pedir a um político que assine a sua sentença de morte política. Sou o primeiro a reconhecer o direito de o deputado Sérgio Zambiasi se eleger para esta Casa e cumprir. como cumpre, com dignidade impar. o seu mandato. Assim, vejo muita dificuldade para que essa reforma seja a primeira, embora concorde com o Prof. Manoel quanto a que devesse ser a primeira reforma. Se fizermos um sistema que cria um governo. se criarmos no Brasil o No entanto, Prof. Tavares, não posso admitir um sistema eleitoral pelo qual o deputado Sérgio Zambiasi elege 10. 11 deputados. Não posso admitir um sistema em que o Deputado Sérgio Zambiasi se torna eleitor de um lote de deputados estaduais. Não os conheço. Não sei quem são. Devem ser boas pessoas, mas, na verdade, muitos desses deputados tiveram uma votação 32 governamentalismo, com a sua conseqüente governabilidade possível, passaremos a ter um governo no País, porque infelizmente, hoje, não temos governo. É o incrível milagre brasileiro: num país que desde 1889 não tem governos, salvo os ditatoriais, porque nesses casos, sim, tivemos governos, ditatoriais ou autoritários. Lamentavelmente. a única forma que encontramos na República para termos governos no Brasil foi com autoritarismos. 33 REFORMA POLíTICA REFORMA POLlTICA Afonso Arinos dizia nos anos 50 e, quando se converteu ao de observar, em primeiro lugar, que a minha perspectiva foi diferente da que Parlamentarismo nos anos 60, que o Presidencialismo não produz governos ele encara. Em primeiro lugar, porque não discuti as finalidades da escolha dos autoritários, produz, na verdade, governos fracos, ausência de governos. Então representantes; dei isso como definido quando lembrei a colocação de vejo que só a mudança para o governamentalismo poderia criar uma liderança Montesquieu de que o representante é escolhido para tomar as decisões política e essa liderança, sim, poderia tentar forçar as demais reformas no adequadas ao Interesse geral, ou seja. porque ele é capaz de discutir os negócIos País. Muito obrigado e desculpem-me pelo uso prolongadO do tempo públicos, coisa que os eleitores não sabem. Jamais pretendi que o representante fosse escolhido para CXprlll1l1 o SR. PRESIDENTE PERCIVAL PUGGI NA - Temos o compromisso ,1 opinião de um grupo ou a opinião de um distrito. Coloquei a questão do dl�,tllt() de encerrar este ato ás 19 horas, porque o Prof Manoel precisa sair daqui para num outro enfoque: é a questão da escolha do representante mais capaI o aeroporto. Quero conceder a palavra a ele ainda porque precisa fazer algumas continuo a crer que, se o âmbito no qual se dá a escolha é mais restnto e li.! observações finais Depois. vamos abrir espaço para o auditório, sabendo que mais proximidade entre candidatos e eleitores, há maior probabilidade de qllP teremos ainda quinze minutos. se tanto, para lhe fazermos perguntas 1- os eleitores escolham o mais capacitado para tomar a decisão do que no caso contrário. Inclusive enfatizei que quando se alarga o âmbito da escolha, instrumentos como os meios de comunicação de massa, passam a ter um o SR. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO - Sr. Presidente. não poderia deixar de fazer algumas observações em face das brilhantes peso decisivo, e os meios de comunicação de massa não só vendem sabonete e sorvete, mas também podem vender candidato intervenções do Prof. Giusti e do Prof Saldanha. Eu sou partidário do voto distrital misto. Não sou partidário do voto Com relação ao Prof. Saldanha tenho apenas duas observações a distrital puro. Sou partidário do voto distrital misto, exatamente levando em fazer. Uma - e estou de acordo com ele - que é mais fácil mudar o sistema de conta as peculiaridades brasileiras. No Brasil, precisamos criar um vinculo maior governo do que mudar o sistema eleitoraL E subscrevo todas as razões que ele entre o eleito e uma comunidade. mas precisamos também fazer com que o apresentou. Apenas acho que mudar o sistema de governo sem mudar o sistema quadro geral da representação no Congresso Nacional não sofra distorções eleitoral não nos vai trazer maiores apnmoramentos. Inclusive tenho fortíssimas derivadas de problemas locais como esse problema do peso eleitoral do dúvidas de que seja viável um sistema parlamentar de governo no Brasil, com deputado Sérgio Zambiasi, que o Prof Saldanha levantou. vinte partidos representados no Congresso Nacional, com nenhum partido tendo Essas, em síntese. são as observações que queria fazer a propósito mais do que um quinto do Congresso NacionaL A maioria que daria sustentação a esse gabinete, seria uma coalizão e, como coalizão, seria instável da análise que da minha exposição foi feita pelos dois eminentes mestres análise que, sem dúvida, enriqueceu minha participação nesta noite. E aí já respondo também a uma colocação do Prof Giusti, pois entendo que um número excessivo de partidos é negativo para o funcionamento das O SR. PRE S I D E NTE PERC IVAL PUGGINA instituições, porque, por exemplo, inviabiliza a base de sustentação do sistema parlamentar de governo. Não acompanho. nem jamais acompanhei a política - Há um relógiO ali atras Estamos nos guiando por ele para encerrarmos às 19 horas da Holanda para saber como lá as coisas estão. mas tive a oportunidade de Vamos passar ao espaço das perguntas e peço aos perguntadores viver na França o final da 4a República que fOI marcado exatamente pela que levem em conta a limitação de tempo que temos, tendo esperança de que instabilidade governamental decorrente do número excessivo de partidos alguém faça ao Prof. Manoel alguma pergunta sobre o Orçamento Participativo embora lá houvesse partidos de peso maior do que os que temos aquI Passo a palavra ao ex-deputado Hugo Mardini, que é o pnmelro O segundo ponto também é relativo ao Prof. Saldanha sobre inscrito Presidencialismo e Parlamentarismo. Podemos chegar num acordo que sou a favor de um sistema presidencial de gabinete, embora eu esteja proibido de o SR. HUGO MARD I N I dar nomes aos sistemas, como ele me aconselhou. ao Prof. Manoel Gonçalves Antes de mais nada, uma saudação especial Ferreira Fi lho, eminente professor e Com relação ao Prof. Giusti, tenho que registrar a sua profunda constitucionalista, com quem tive o prazer de fazer o painel de Direito erudição e os seus conhecimentos, eminentemente, sobre a teoria. Gostaria 34 Constitucional em Santa Maria. O mesmo digo aos Professores Giusti e César 35 REFORMA POLíTICA REFORMA POlÍTICA Saldanha. Hugo Mardini, não posso dizer o que se deve fazer com o Rio Grande, já que Professor, aqui no Estado os eleitores, em 1998, elegeram um Executivo por uma maioria de 70 mil votos e 35 deputados estaduais - entre os 55 - para serem oposição a esse governo. Pela primeira vez, na história brasileira, se instala um grupo bolchevista. marxista, stalinista, leninista, um grupo delinqüente no Palácio Piratini, apoiando a destruição do Rio Grande, baseado na Constituição A Constituição diz que ele é governador. Foi diplomado. está empos s a d o, dispõe do p o d er do E st a d o e de polícia e vem, sistematicamente, querendo ressuscitar o marxismo leninista. morto e sepultado, que só existe em três lugares do planeta: em Cuba, na Coréia do Norte e no Rio Grande do Sul. (palmas) Portanto. o nosso governador .. Nosso não, porque não votamos nele. Não é nosso, porque o Rio Grande tem 7 milhões de eleitores. Eles fizeram 2 não tenho a honra de ser rio-grandense. Costumo dizer que, se não tivesse nascido em São Paulo, eu gostana de ter nascido no Rio G rande. (palmas) o Direito Constitucional não resolve tudo, é apenas uma técnica de organização do poder, mas nenhuma técnica produz efeitos se não contar com o espírito a seu lado. Lamentavelmente o Brasil passa por um período de anomia, ou seja, não há direito nem leis. Tudo o que foi apontado é condenável, mas tem solução no sistema constitucional. O que não tem solução no sistema constitucional é - permitam-me usar uma expressão deselegante, mas clara - o corpo mole. (palmas) Por que a juiza levou 45 dias para decidir? Porque não quis assumir a sua responsabilidade? E isso não deriva da Constituição nem das leis, mas, sim, de uma condição pessoal. milhões e 800 mil votos. O nosso candidato fez 2 milhões e 745 mil voto s . Portanto, esse é um governo eleito pela minoria, correto? Se os principias matemáticos estão certos, eles só receberam 2 milhões e 800 mil votos entre os 7 milhões de eleitores. Mas ele está aí. A lei determina que ele tem que Por outro lado. a Idéia de separação dos poderes, criando fre io s e contrapesos, visa a evitar que uma má escolha produza efeitos catastróficos. Essa é urna solução constitucional, porque se é ruim a situação quando o assumir o governo, e ele foi empossado. Só que decidiu destruir o Estado que governador assume uma postura do gênero desenhado, muito pior seria se ele constitucionalmente - e esta reunião está tratando de Direito Constitucional, tivesse nas mãos também o poder de legislar e de julgar. O mal é limitado. de reforma política - jurou manter, desenvolver e, principalmente, defender. Que estado de direito é esse, senhores? Onde estamos? Que país é este em que a propriedade é invadida todos os dias por delinqüentes, salteadores, marginais, e o Estado simplesmente fica assistindo? A juíza leva Sem dúvida, as afirmações veementes do deputado Hugo Mardini fazem ver a todos que há um problema anterior ao da institucionalização, que é um problema de consciência, de princípio. 45 dias para chegar a uma definição e, ao final, não define; quer que as partes Permitam-me citar, mais uma vez, o espírito das leis. MontesqUleu cheguem a um entendimento. Mas que entendimento pode haver se um é o distingue entre a natureza de uma forma de governo e o princípio, que é aquilo Invasor e o outro é o invadido? Se um é o assaltado e o outro é o assaltante? Se um é o morto e o outro é o homicida? Esse é oEstado constitucional brasileiro. A Juíza, então, envia uma ordem determinando a desocupação da área, e a polícia não cumpre o mandado. que faz mover essa forma de governo. Para Mo ntesquieu, a essência da democracia é o poder estar nas mãos da maioria, a decisão política ser tomada pelo povo, mas entende que nenhuma democracia funciona se não houver um princípio, isso é, se esse povo não estiver formado e motivado por um princípio que ele chamou de virtude cívica, mas que refere mais claramente em outra E mais. A delinqüência se instala na frente da fazenda do supremo mandatário do País, assalta um caminhão de sua propriedade, rouba adubos e sementes, e a polícia fica apenas olhando; não faz absolutamente nada. passagem corno o amor da pátria e das leis. Se não há amor da pátria e das leis, as instituições democráticas serão instituições vazias, como seriam quaisquer outras. (palmas) Na realidade, essa situação constitucional brasileira que VExas. abordam com inteligência e competência, como eu abordava nas aulas de Direito Constitucio nal que ministrava em Brasília, é uma Constituição aviltada, estuprada, violentada, desmoralizada pelas autoridades públicas. E o Rio Grande o SR. PERCIVAL PUGGINA - Temos espaço apenas para mais uma pergunta, e eu, no exercício do poder de quem está com o microfone na mão, a farei por todos. é o mais doloroso, terrível e clamoroso exemplo. A pergunta que se faz é: o que fazer com o Rio Grande? Muito obrigado. (palmas) O SR. AMARAL DE SOUZA o SR. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO 36 - Caro deputado - Antes de encerrar, expresso minha homenagem ao Senador Tarso Dutra, em quem a fundação de estudos políticos 37 REFORMA POLíTICA do PPB/RS buscou nome e inspiração, e que foi um defensor da reforma partidária, tendo sempre afirmado que a reforma política era a mais importante dentre todas. o SR. PERCIVAL PUGGINA plenário - Inicialmente, faço uma pergunta ao quem sabe o que significa COP-RSlevante o braço. Observo dOIs braços erguidos. Ontem, circulou nesta Casa, onde está em discussão o orçamento do Estado, um documento que iniciava dizendo que a instituição que o assinava COP-RS - manifestava-se na condição de legítima representante da soberania do povo rio-grandense. Exigia dos deputados estaduaiS que retirassem as emendas apresentadas ao orçamento do Estado COP-RS, para imensa maioria que não sabe quem é essa tão poderosa institUição, significa Conselho do Orçamento Participativo. Pergunto-lhe professor Manoel: que apreciação o ANEXOS senhor faz dessa abusiva e presunçosa intromissão, tão presente na Vida SOCial e política no-grandense desde o inicio deste ano? o PROF. MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO - Como um acesso de megalomania Não posso considerar senão como uma tentativa de pressão política por parte de um grupo que está arrogando a si um poder que não tem. Pelas leis. pelo sistema, são os deputados que estabelecem o orçamento pelo seu voto e têm o direito, portanto. de apresentar emendas ao projeto. Conseqüentemente, essa manifestação, embora seja politicamente grave. não passa de uma manifestação de prepotêncía de um grupo político. O SR. PERCIVAL PUGGINA - Um representante da juventude fará a entrega de um kit ao professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho. (Procede-se à entrega do kit) Já que cumprimos nosso horário para inicíar e terminar esta reunião, agradeço a presença de cada um. Desejo dizer ao professor Manoel Gonçalves Ferreira Filho que o infortúnio que fez com que ele nascesse em São Paulo e não no Rio Grande do Sul é compensado por sua presença como visitante muito assíduo no nosso Estado. Tenho certeza de que poderemos contar com ele para outros eventos como este. Agradeço ao professor Giusti Tavares e ao professor César Saldanha Souza Júnior. Estou muito contente com o evento que realizamos. 38 39 REFORMA POLlTICA REFORMA POLíTICA REFORMA POlÍTICA político como um todo. 2 - FIDELIDADE PARTIDÁRIA E PARTIDÁRIA: Que seja introduzida, por princípio Constitucional e regulamE'ntaçM por Lei Complementar, a Fidelidade Partidária, que vinculará o eleito com () P,Hlldo Os eleitos (Executivo e Legislativo) devem honrar os compromissos cio 1),11 Ilcto ( PROPOSTA DO PPB GAÚC HO obedecer às deliberações tomadas. democraticamente, com base no I <,tdflllo ' [I não ficar agindo de acordo com suas conveniências. Hoje certos políticos decidem não pela essência das propostil<', 111,]'. Considerando que esta matéria e as questões que envolvem uma pela contrapartida e pelos benefícios pessoais que dela resultarão. É preciso fortalecer os Partidos. Para provável reforma político-eleitoral estão sendo debatidas em Comissões ISSO deve h aver fidellcJ.1C h partidária. O eleitor não deve votar só na pessoa, ele precisa escolher tamb! '11\ Especiais, na Câmara Federal e no Senado da República; Considerando que o PPB Gaúcho entende como necessária e urgente programas de partidos A Fidelidade Partidária é o instrumento que regula o vínculo moral e uma nova Legislação Político-partidária, com regras estáveis que regulamentem as eleições. Não é admissível que a cada eleição se tenha uma nova Lei; jurídico do Parlamentar com o programa de seu partido. Considerando que vivemos um cenário político marcado pela perda É surpreendente que tenhamos eleições proporcionais para as casas de identidade e fragilidade doutrinária dos partidos, onde os eleitos, muitas legislativas e ao mesmo tempo não tenhamos um instituto de fidelidade partidária, já que o sentido da distribuição de vagas na eleição proporcional é vezes, mudam de legenda ao sabor de suas conveniências; E considerando que não se constrói um Estado moderno sem antes exatamente o de conferir o mandato ao partido e não ao candidato. existir u m a r epresentação política Justa; defendemos uma ur gente e imprescindível reforma político-eleitoral para que se restaure o padrão 3 ético atos - REFORMULAÇÃO DO 2° TURNO sem o qual a democracia torna-se mero Jogo de aparências a acobertar n oc i vos Que seja eliminado o . Diante desta realidade o PPB do Rio Grande do Sul, encaminha ao Diretório Nacional e suas Bancadas no Congresso, as seguintes propostas 2° turno para as eleições de Prefeito Para Governador e Presidente, só será adotado o 2° turno quando o mais votado não alcançar 45% dos votos válidos ou quando o mais votado obtiver 40% dos 15% em relação ao segundo colocado. Neste caso os dois mais votados do 1 ° turno disputarão o 2° turno. Cabe salientar que mUitos defendem a eliminação do 2° turno para governador, sendo mantido votos e diferença igualou superior a 1 - VOTO OBRIGATÓRIO Que seja mantido o voto obrigatório O ideal seria reconhecer o apenas para Presidente da República. princípio pelo qual todo o eleitor é livre de exercer ou não o seu direito de voto 4 Defendemos, no entanto, por razões que envolvem a realidade brasileira, a - REDUÇÃO DO TEMPO DE MANDATO DOS SENADORES manutenção do voto obrigatório. Introduzir agora o voto facultativo poderia Os Senadores eleitos na eleição de aumentar a instabilidade do sistema eleitoral. A história dos países com voto 2002 terão um mandato de 4 2006 serão disputadas 03 (três) vagas de Senador facultativo tem demonstrado uma participação muito superior dos mais ricos e anos A partir da eleição de escolarizados e uma ausência dos mais pobres e de pouca instrução. A pouca por Estado Serão considerados eleitos os três primeiros colocados na votação presença é outra preocupação, pois nas eleições Legislativas Americanas de individual ou na soma da coligação, quando for o caso. O primeiro colocado 1998 o comparecimento foi de apenas 40%. E como seria no Brasil? terá mandato de O voto obrigatório, se por um lado fere o direito individual, temos que reconhecer que. mesmo por linhas tortas, estimula a discussão política, favorece o cidadão a se tornar mais informado e melhora seu interesse pela administração 08 (oito) anos e o segundo e terceiro colocados, um mandato 04 (quatro) anos. Assim, alternadamente, a cada 08 (oito) anos será eleito um Senador com mandato de 08 (oito) anos. de Não poderão concorrer a suplente de Senador o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins até o segundo grau do titular. Os candidatos ao Senado pública. Por esta razão, optamos em defender, antes do voto facultativo, aquilo deverão ter, no mínimo, dois anos de domicilio eleitoral e de filiação partidária que julgamos mais urgente e o remédio mais eficaz, que é a reforma do sistema 40 41 REFORMA POLÍTICA 5 ADOÇÃO DO VOTO DISTRITAL MISTO REFORMA pOLíTICA mensais de janeiro a julho. A divisão seria de 20% entre todo s os partidos, e os - Defendemos o Voto Distrital Misto. não apenas pela virtude de consolidar os partidos e vincular mais o eleito com o eleitor. mas também como sistema que reduzirá os custos financeiros da campanha. Neste sentido apoiamos a adoção do Voto Distrital Misto. optando-se, após debate, por uma das fórmulas propostas. Pela primeira fórmula, mais tradicional. os Estados seriam divididos em distritos eleitorais correspondentes a metade das vagas a serem preenchidas para a Assembléia Legislativa e para a Câmara Federal. (50% das vagas) seriam ocupadas pela eleição de um deputado distrital eleito pelo sistema majoritário. A outra metade (50%) seria preenchida pelo sistema proporcional atual. O eleitor terá direito a Por esta fórmula. a metade demais 8 0% proporcionais ao número de candidatos e votos da última eleição. , Os c o n t r á r i o s à con cessão de dinheiro público para eleição deverão se dar conta que este é o me l hor caminho para evitar a corrupção. Este custo seria menor do que o mo n tante que se desperdiça h oj e pela cor r u pção. As empresas poderão contribuir diretamente para o Fundo Partid ário mediante lei espec ífica permitindo-se, inclusive, , o abatimento da contribuição n o I m po st o de Renda. Tudo é questão de elaborar uma Lei con s istente para que tenhamos u m Fundo Partidário forte e democrático. 7 dois votos para deputado estadual e federal: uma vez no candidato do d istr ito DIMINUiÇÃO DO NÚMERO DE DEPUTADOS FEDERAIS E CORREÇÃO DAS DISTORÇÕES NA REPRESENTAÇÃO - outra no candidato proporcional. A outra fórmula é um sistema distrital misto, assim denominado porque misto seria o critério do cálculo. possibi litando uma participação mais democrática de todos os partidos e Deputados , chegando ao número ideal de 450. caos ficam. pelo percentual de votos que cada um obtiver. classificados para as vagas proporcionais que o partido alcançar. Estas vag as serão calculadas pelo critério atual de legenda. na forma dos votos de todos os candidatos no Estado. Nesta fórmula o eleitor terá direito a um voto. Entre as vantagens estaria aquela de permitir a participação dos chamados pequenos p artidos e t a mbé m evitar que os candidatos as vagas propo rcionais patrocine m financeiramente os distritais majoritários. O importante para os Progressistas Gaúchos, não é a adoção de uma ou outra fórmula, é que seja adotado. de imediato, o sistema do voto distrital misto. 6 - Propomos uma diminuição no número de Deputados Federais. Temos hoj e 513 deputados. Entendemos que poderemos diminuir cerca de 60/70 FINANCIAMENTO PÚBLICO DAS CAMPANHAS ELE ITORAIS As campanhas eleitorais deverão ser custeadas pelo Fundo Partidário com recursos oriundos do Tesouro Nacional ou de outras fontes especificadas em Lei. Para ter acesso aos recursos do Fundo Partidário os Partidos deverão ter um mínimo de votos e de Deputados Federais. Deve ser estabelecido um valor correspondente, por eleitor/ano. por Outro grave prob lema é o da d i sto rçã o na representação dos Estados na Câmara Federal. Pela realidade da nossa Federação e a concentração demográfica urbana de alguns Estados é i m poss ível adotar-se o preceito democrático básico de 1 eleitor = 1 voto. No entanto poderemos e devemos eliminar as gritante e injustas distorções existentes. O atual parâmetro de 70 (setenta) no máximo e 08 (oito) no mínimo, Deputados por Estado, favorece a eleição com número reduzido de votos nos Estados de pouca densidade e l e it o ra l . Est e peso político permite uma concentração de poder em favor de alguns Estados que, com pouca população e renda, fazem do voto arma de barga n ha . Isso representa também um incentivo para que pessoas de Estad os mais politizados se transfiram para os de menor densidade, já que nestes Estados são efeitos Deputados com um número reduzido de votos . Nossa proposta é de estabelecer um parâmetro que amplie o máximo de 70 para 75 Depu tados e reduza o mínimo de 08 (oito) para 03 (tr ês) Deputados por Estado . 8 - CÓDIGO DE ÉTICA POLíTICA E DO SERViÇO PÚBLICO exemplo, de R$ 2,00 (dois Reais) sendo que, nos anos de eleição, este valor será o triplo. Os cálculos da receita necessária para financiar as campanhas (Prefeito, Vereadores, Presidente, Governadores. Senadores. Deputados Federais/Estaduais), as formas de contribuição, critérios de distribuição e administração do Fundo Partidário, ficará a cargo do Tribunal Superior Eleitoral - TSE. Nos anos de eleição, o valor deve ser adiantado com depósitos 42 P ro pomos que o PPB requei ra uma Comissão Especial para elaborar código de ética política e do serviço p úbl ico . Devemos consid e ra r o pr inc í p i o da moralidade pública como o mais relevante e mais importante para a credibilidade dos políticos. Por outro lado, quem governa tem que dar exemplo aos governados Diante deste i mperativo é que pedimos a urgente elaboração do Código 43 ------ - --- _ ._ --- - ..._ _ . - ---------------------- --- - ------- REFORMA POLíTICA de Ética Pol í t i ca e do Serviço Público, no qual se es tabeleça ritos próprios de processo e regras claras de punibilida d e aos d etentores de mandatos Executivo e Legislativo e para os servidores da administração pública 9 - . série de cautelas a serem tomadas para ev i tar favorecimento de determinados candidatos. E a liberdade de faz er pesquisa na véspera e no próprio dia da ELEiÇÕES - no primeiro domin go de outubro el ei ç ã o ? E o fato dos institutos serem contratados ao mesmo tempo por candidatos e por empresas de comunicação? Segundo Turno - no primeiro domi n go de novembro POSSES Nos Poderes Legislativos - dia 16 de dezembro ou 110 dia Senhor Presiden te, demais membros da Executiva Nacional, 2 de j aneiro Deputados e Senadores: Nos Poderes Executivos Municipal/Estadual e D istrita l - As propostas podem não serem as melhores e nem as ún i cas mas o , dia 18 de dez em b ro ou no dia 4 de janeiro importante é que o PPB faça da reforma político-partidária uma de suas grandes prioridades e passe a discutir e tomar posição com relação ao assunto. que No Poder Executivo Federa l - dia 20 consideramos de fundamental im po r t â n c ia para o aperfeiçoamento da de dezembro ou no dia 6 de j aneiro democracia b rasi l eir a Desnecessário se faz a r gu mentar os inconvenientes de ordem administrativa e até social da posse dos E xe c u ti vos no dia 1° de janeiro e dos Legislati vos no dia 31 de janeiro M esma avaliação devem merecer as pesquisas eleitorais. A primeira exigência é que só deveriam fazer pesquisa eleitoral empresas do ramo, após análise e credenciamento pela justiça eleitoral. Isso evitaria manipulação principalm ente em ele i ç õ es para Prefeitos, onde empresas s em n enhuma tradiçã o realizam essa tarefa. Notificação prévia de todos os par tidos e candidatos sobre a pes quisa e seus detalhamentos Poderíamos enumerar uma CA LEND Á RIO DE ELEiÇ Õ ES E POSSE Primeiro Turno REFORMA POLíTICA . Convictos da atenção e apoio. subscrevemo-nos com as melhores Sa u daç õ es Prog ressistas , . O recomendável é a posse do Legislativo antes do E xec utivo . CELSO BERNARDI OBSERVAÇ ÕES: Presidente PPB/RS 1. Que a primeira sessão legislativa da legislatura se in i c i e na data da posse do legislativo. Sendo que o recesso do Poder Le gi slat ivo será. exclusivamente, de 15 de J anei ro até o final de fevereiro. 2. Cláusula de transição de maneira a preservar direitos dos atuais man d atários em face das novas datas de posse. 10 - PROPAGANDA E PESQUISA E LEITORA L Pre c isa m os pr o move r u ma profunda avaliação sobre a propaganda eleitoral grat u i ta em rádio e televisão. Primeiro quanto ao acesso. procu rando eliminar a prese n ça dos chamados pa rti dos de aluguel que não existem para oport u nizar propostas, mas negócios com o tempo disponível. Outro aspecto que merece ser analisado é o fato de que os programas cuidam menos de propostas e do conteúdo dos candidatos e mais na produção de ricas peças publicitárias que encarecem, sobremaneira, as ca mpanhas . Os debates precisam de um melhor tratamento, quer quanto ao n úmero g uer quanto a formação de cadeias, comparecimento de candidatos, etc. , 44 45 REFORMA POLíTICA REFORMA POLíTICA 1988 tornara o País ingovernável constitui um diagnóstico hoje em dia insuscetível de contradita, tornando manifesto que a nossa sina, não sei por SISTEMA DE GOVERNO: quanto tempo, é prosseguir no processo da reforma constitucional, não obstante os obstáculos criados pela própria Constituição nos seus desvaneios u/trademocráticos. O ex-deputado federal Victor Faccioni me pergunta se, ante o desastre do presidencialismo, não seria o caso de reconhecermos os méritos REFLEXÕES E PROPOSTAS do parlamentarismo. Mas como fazê-lo? Como poderemos fazer de conta não houve so lene ple bisci to , orde nad o pela mesma Lei que Maior e esmagadoramente favorável ao regime presidencial? Como pensar em outro Em uma série de artigos publicados ainda no 2° semestre do ano passado. no jornal O Estado de São Paulo, o eminente Professor e mostra os paradoxos e incongruências da Constituição Brasileira, atentando contra a própria governabilidade do País. Num destes artigos, no Espaço Aberto, do Estadão de 02 de outubro "A nossa sorte é que a consulta popular foi genérica de tal modo que , nos resta ainda indagar, por meio de revisão constitucional, qual a 'forma de residencialismo' mais em consonância com a realidade brasileira. Estou de 1999, observou que: convencido de que deveria ser um 'presidencialismo parlamentarizado'. que seja capaz de compor em unidade funcional o Executivo e o Legislativo Eis aí "... a raiz primeira dos males que atormentam o País está na Carta Magna, então elaborada ... plebiscito que anule o resultado do já cumprido em data própria intangível?" Jurista Miguel Reale " um assunto para o qu al deveriam volver sua a t enção os constitucionalistas, a no ssos fim de encontrarmos uma solução que efetivamente sintonize as estruturas do poder com a ordem de programas a ser por eles, (. ) respectiva e complementarmente, realizada. Os exemplos institucionais da . . "A conseq ü ência dessa ilusão foi a falta de correspondência entre si dos três poderes do Estado, o Legisla ti vo o Executivo e o Judiciário, e de todos França e de Portugal são ricos de ensinamento, mas a nossa solução deve vir impregnada de sentido da realidade brasileira." , com a sociedade civil, donde a imperativa necessidade de imediatas reformas, de um nunca acabar de reformas. últimos É triste constatar, com efeito, que, nestes 11 anos de nossa vida democrática, não temos feito outra coisa no Congresso Nacional, senão su cess ivas e nunca concluídas e a dequ a das revisões constitucionais." "O pior é que, quando se pensa nessas reformas, temos quase sempre presente um problema de estruturas abstratamente concebidas, sem se levar em conta o respectivo conteúdo, com o qual se confunde a sua concreta programação. " A questão da gove rnabilid ade assume a cada dia que passa, maior e neste sentido, dos riscos da ingovernabilidade, o Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, falando durante o XX Congresso dos Tribunais do Contas do País, em 14/10/1999, sobre as Reformas Constitucionais. alertou para o fato de que: relevância, "Hoje há no Brasil um antagonismo permanente entre o Executivo e o Legislativo e agora até com o Judiciário. Está havendo uma desarmonia entre os poderes, que é uma coisa brutal." (. ) . . (. ) . . "A mesma falta de correlação funcional entre estrutura e programação se dá no que se refere ao 'sistema de poder' ou 'sistema de governo', em qu e o irrealismo foi de tal ordem que ninguém será capaz, com o texto constit ucion al à vista, de esclarecer qual o regime que vigora no Brasil, se o presidencial ou o parlamentar, o que tudo redunda, como penso ter comprovado em artigo anterior, na formação de uma 'praxe política à margem da Constituição', à custa da qual o pre<>idente da República se vai entendendo e desentendendo com o Congresso Nacional, com alarmantes idas e vindas, não menos comprometedoras palavras de confiança e desconfiança." "O certo é que a proclamação, feita por José Sarney, de que a Carta de 46 "A causa da desarmonia entre os poderes, segundo Michel Temer, é o caráter centralizador do sistema presidencialista, motivando antagonismo entre legislativo e executivo, como se fossem duas figuras inimigas. 'O legislati vo fala executivo do le gislati vo Isso é ruim par a o País. No parlamentarismo a execução é dividida. O parlamentarismo é responsável, cúmplice da execução. O legislativo passa a l e g islar de acordo com a mal do executivo e o . possibilidade de execução. Eu reconheço que muitas vezes legislamos sem possibilidade da execução e o executivo quer fazer coisas que não são toleráveis pela ordem jurídica', disse o presidente da Câmara." "DE BRINCADEIRA - Michel Tem er c onfess ou para platéia de 47 REFORMA POLÍTICA Conselheiros e Procuradores de Cortes de C ontas que com a Lei Orçamentária REFORMA POLíTICA e governo. Nesse sentido, um sistema de governo semipresidencial é uma sendo uma peça autorizativa o Congresso 'brinca de fazer Orçamento', Ele alternativa que poderia eliminar os entraves à gestão eficaz de governos de disse compreender a angústia dos deputados diante das críticas porque as coalizão e manteria, concomitantemente, a virtude de termos eleições diretas emendas não são liberadas, 'O deputado aprova uma eme nda e o Executivo para a Presidência. Por que?" simplesmente diz não entrego, Portanto, o orçamento é uma lei de brincadeIra, Nos Estados Unidos, não O Orçamento é ob rigat ório ', comparou." E que o presidencialismo lá, é outro, complementaria, eu. "Um regime semipresidencial atacaria diretamente os entraves à formação e ao funcionamento eficaz de governos de coalizão ao reduzir drasticamente as atribuições privativas do pr esid ente máxime no que se refere aos seus poderes , "O deputado Michel Temer defendeu a implantação do parlamentarismo, legislativos. Ao presidente além da prerrogativa de sancionar, promulgar e fazer 'Não agora. Proponho que se discuta um sistema de governo com a participação publicar as leis, de veria apenas ser atribuído o poder de vetá-Ias, tal qua l em ativa dos legislativos na execução, para se aplicar em 2002 ou 2006. Os países Portugal. A chefia do governo caberia a um primeiro-ministro investido pela não vão suportar, ao longo do tempo, a centralização de poder', disse , O Câmara, de cuja confiança seria dependente. Ou seja, para o primeiro-ministro presidente da Câmara entende que, para mudar o sistema, a população deve seriam transferidas as antigas funções governativas do presidente, passando opinar, Quanto ao plebiscito cuja a maioria aprovou o presidencialismo ele disse aquele a ser, juntamen te com o Gabinete, o novo centro de coordenação do que não foi o momento certo para fazer a consulta." (Diário do Nordeste - processo político. Destarte, ao instituir um Gabinete depende nte da confiança Fortaleza - 15/10/1999)." parlamentar, se criaria um mecanismo eficaz para fazer valer acordos de coalíz ão, uma vez que, caso o governo não se esteja saindo a contento da maioria parlamentar, esta poderia destituí-lo." Em artigo na imprensa gaúc ha , em 05/09/1999, o ex-deputado Victor Faccioni mostra que também no jogo político "Quem joga não pode apitar", observando inclusive o fato eloqüente de que enquanto o Presidente Fernando Henrique Cardoso, como Chefe de Governo é recriminado nas pesquisas de opinião pública em nosso País, como Chefe de Estado o mesmo presidente FHC é aclamado nas relações internacionais. "Um regime semipresidencial, no Brasil, deve reservar ao Chefe de Estado u m papel fundamental, conferindo-lhe a condição de símbolo supre mo da unidade nacional, árbitro do governo, condutor da política externa e comandante chefe das Forças Armadas. A ar bitragem presidencial se ampararia nas suas atribuições privativas de indicar e exonerar o primei ro minis tro e de dissolver a - Cámara dos Deputados e de convocar novas eleições. " Tal fato se dá, diz o articulista na medida em que a globalização impede , , que a mesma pessoa cumpra duas funções igualmente e cada vez mais absorventes, exigindo por isso o desdobramento do Sistema de Governo, num parlamentarismo nos moldes c l ás s icos . o u até num híbrido do próprio presidencialismo, que seria um P RES IDEN CIALI SMO DE GABINETE , nos moldes da França e Portugal. Complementa observando que o "jogo do dia-a dia da política e do governo" deve preservar alguém como magistrado, inclusive para administrar o choque da "desarmonia entre poderes", que o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, acredita ter chegad o ao máximo do suportável. No dia 26 de janeiro, deste ano, O Estado de São Paulo, novamente no Espaço Aberto, publicou outro oportuno artigo, intitulado" Semipresidencialismol" de autoria de Octávio Amorim Neto. Além de outras importantes considerações o autor afirma que: "Os princípios que norteiam uma proposta semipresidencial são a redução drástica dos poderes legislativos presidenciais e a transferência da tarefa de coordenar os Poderes Executivo e Legislativo para um primeiro-ministro O estabelecimento do semipresidencialismo representaria uma interpretação realista e responsável das lições de nossos 33 anos de preside n ci a l i sm o democrático (os 18 anos do período 1946-1964 mais os 15 do período 19851999) pois trataria de institucionalizar a prática informal de governos de co aliz ão , pela exigência de confiança parlamentar do Gabinete, ao mesmo tempo que reconheceria a possibilidade de uma influente liderança presidencial, mas se, e somente se, esta estivesse filtrada pelas forças majoritárias no Congresso" O SEMI PRESIDENCIALISMO, citado pelo autor, também poder ia ser chamado de PRESIDENCIALISMO DE GABINETE. A referênc i a a um Presidencialismo de Gabinete faz voltar à observação do professor Miguel Reale entendendo ser comp at íve l com a própria decisão do povo brasileiro no "A chave para uma reforma exitosa de nosso presidencialismo é, portanto, plebiscito, porquanto o sistema não pode ser entendido de form a restrita e a eliminação dos entraves à formação e ao funcionamento eficaz de governos estática, mas de uma maneira mais ampla e dinâmica, capaz de atender à de coalizão. Esses entra ve s tem sua fonte nas extensas prerr o gati v a s própria evolução do Processo Histórico da política nacional e das conseqüências constitucionais da Presidência (principalmente a medida provisória), que criam, da globalização na vida do País. Inclusive quando Miguel Reale concordou na em seu titular, a tentação de agir unilateralmente. Isso é justamente o oposto lembrança dos Sistemas de Governo da França e Portu gal ... "mas a solução que implica um governo de coalizão, qual seja a ação concertada entre partidos 48 deve vir impregnada do sentido da realidade brasileira". Neste sentido, oportuno , 49 REFORMA POLíTICA _."'" lembrar a obra e pro po sta de Bor ges de Mede ir o s, sobr e o PO DER -4Fundação Tarso Dutra MODERADOR que atualizada e adaptada ao momento atual, observa Faccioní, poderia se constituir na correção urgente e indispensável do Sistema DE ES1'UOOS POúncos E DE ADMlNISTRAÇÁO PÚ8IJCA oOOÁO 00 I'PEIRS Presidencialista do Governo que a Nação está a re clamar. CONSTITUiÇÃO Tais colocações estamos a fazer, porque no nosso entender, a mais urgente, impo r tante e imprescindível REFORMA que o País está a necessitar, e o momento a exigir, é a REFORMA PO L í TICA, e esta não será conseqüente, precisa e eficaz, se não começar pela reforma do SISTEMA DE GOVERNO. Fu n dação de Estudos Políticos e de Administração P ú bli ca Tarso Dutru pri v ado sem fins lucrativos, com d u raç ã o por tempo i ndetermi nado instituida pela Executiva Estadual do Partido P rogressista Brasileiro, con stitu ída em Assembléia no dia 27 de novembro do ano de 1996, tendo sua sede na Av. Borges de Medeiros, nO 430, conj . 601, na cida de de Porto Alegre, Estado do RIo Grande do Sul. Está inscrita no CGC sob o número 0 1 . 7 54 . 280/00 0 1/96 . A pessoa jurídica de direito , , Por isso, se não é possível, diante do plebiscito, pensarmos na mudança para o PARLAM ENT AR ISM O, pens emos no aperf e iço amento do PRESI DE NCIALIS MO, com um SISTEMA DE GABINETE. Um PRESIDENCIALISMO DE GABINETE, a nosso ver, é o mínimo que o momento e o futuro estão a exigir, mo tivo porque sugerimos que as lideranças FINALIDADE progressistas dos Estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, reunidas, nesta data, em Curitiba - PR - aprovem as propostas no sentido de que a Executiva Nacional e a Fund ação Milton campos, constituam com urgência, Comissão Especial para analisar a Reforma Política e a implantação do Sistema de Governo denominado SEMIPRESIDENCIALISMO ou PRESI DENCIALISMO DE GABINETE. A F u n da ção tem como fin a l idade : núcleos e grupos de estudos sobre ciências h u m a n a s em e à i n for m ação política e ao asses so rame n to a orgãos partidários e i n stituições p úblicas e privadas; I1 - pl an ejar e realizar c ursos seminário, simpósios, colóq u i o s e promoções similares, relacionadas à educação política; 111 - p l anej ar realizar ou estim ula r pesquisas relacionadas com seus o bj eti vos: IV estabelecer relacionamento continuado ou esporádico com insti tu i ções nacionais e estra n g eiras ou internacionais, mediante convênio, contratos ou outras formas de intercâmbio cultural e de cooperação recíproca; V criar e manter publicações periódicas ou eventuais, bem como planejar e elaborar programas para o uso da m íd i a eletrônica visando à difusão dos temas objeto de suas at i v i dades ; e, VI- su geri r planejar e executar outras atividades relacionadas com os objetivos de promoção da educação política e cívica do povo brasileiro. I - organizar ce ntros , geral, di re cionadas à formação , Curitiba/PR. 21 de fevereiro de 2000- , - CELSO BERNARDI .. Presidente do PPBIRS. - , ADMINISTRAÇÃO São órgãos da I- administração da Fundação: Conselho Deliberativo Diretoria Executiva; 111 Conselho Fi scal; IV Conselho Técnico. e Curador: II - - - Av. Borges 50 FUNDAÇÃO TARSO D UTRA de M edeiros, 430 Conj. 601 Porto A l e g re - RS Fone/fax: O xx 51.211.2027 - - 51 CONSELHO TÉCNICO: CONSEL H O DELIBERA TlVO E CURADOR Adelar da Cunha, Alberto Moesch, Alcides Pozzobom, Balduínio Mânica, COMISSÃO EXECUTIVA ESTADUAL DO PPB Carlos Alberto AlIgayer, Cesar Saldanha de Souza Júnior, Celso Be rna rd i - Presidente Clóvis Stenzel, A lci d es Vicini _1° Vice-Presidente D eput ado Telrno Kirst - Edgar Irio Simm, 2° V ice P res idente Hermes Dutra, - Guido Moesch- 3° Vice-Presidente Fernando Moreira, Antô nio Dorneu Maciel- Secretário-Gera l Guilherme Villela, J oão Antônio Dib _1° Secretário Francisco Turra, Lia P et ry S eelig - 2" Secretária Jorge Babot Miranda, Deputado É rico Ribeiro - Tesoureiro-Gerai José Augusto Amaral de Souza, Romeu Ramos - 10 Tesoureiro Hort Volk - Lauro Guimarães. 20 Tesoureiro Lothário Skolaud, Luiz Vicente Dutra, Marco Aurélio Olivei ra, INSTITUIDORES Mário Hamilton Villela, Nilseu Cavalheiro. Efetivos: Paulo de Tarso Dutra, Perciva l Pugglna Nilseu Reis Ca va lheiro Percival Puggina, Péricles da Cunha, Hermes P e r ei ra Dutra Romeu Ramos e Mário Villela Sônia Carrasco. Jorge Babot Miranda José Augusto Amaral de Souza Luiz Carlos Mandelli BANCADA ESTADUAL. BANCADA FEDERAL De puta d o AD O LF O BRITTO Deputa do A DOL F O FEDER JUNIOR Deputado ÉRICO RIBE I RO Deputado JOÃO AU GUSTO NAR DES Carlos Alberto A lg a ye r Marco Aurélio Oliveira Ba lduinio Mãnica Suplentes: Colorinda Sordi Luiz Vicenie Dutra Pa u lo de Tarso Dutra Alberto Preito Moesch Sônia Carrasco Deputado FRANCISCO ÁPPIO Dep u ta do J Ú LIO REDECKER Dep u tado FREDERICO ANTUNES Deputado LUIZ CARLOS HEIZE Deputado JOÃO FISCHER Deputado TEL.MO KIRST Dep uta do JOS É FARRET Deputa do MARCO PEIXOTO Deputada MARIA DO CARMO BUENO De puta do OTOMAR VIVIAN Deputado VA LDIR A ND RES DIRETORIA EXECUTIVA De puta d o VILSON COVATIl Presidente: PERCIVAL PUGGINA Diretor Aca dêmico: ALCIDES VICCINI Diretor Administrativo e Financeiro: NILSEU CAVA LHE I RO CONSELHO FISCAL Titulares: TULlO MACEDO. PAULO LUZ E LOTHÁRIO SKOLAUD Suplentes: D É CIO RUBIM, MARCELO CARDONA E PÉRICLES DA CUNHA 52 DIRETÓRIO ESTADUAL DO PPB Av. 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