UM DIA PARA AGIR… Semana dos Direitos Humanos e das Migrações 10 a 18 de Dezembro SECUNDÁRIO (15-18 anos) Esta proposta de acção encontra-se estruturada da seguinte forma: - Objectivos da acção; - Materiais/Recursos necessários; - Preparação da actividade; - Proposta de actividade; - Sugestões para aprofundamento da reflexão; Esta actividade utiliza fichas informativas de forma a estimular o interesse pelos activistas dos Direitos Humanos. Os temas abordados são: repressão política; activistas dos Direitos Humanos nos séculos XX e XXI; a luta pelos direitos nos vários países. Objectivos - Conhecer algumas personalidades que lutam / lutaram pelos Direitos Humanos em diferentes países. - Promover o respeito, a responsabilidade e a curiosidade pelos Direitos Humanos. Materiais/Recursos necessários - Um conjunto de trinta cartas por grupo (ver sugestões). - Tesoura. - Envelopes. - Opcional: cola e cartão mais grosso para tornar as cartas mais resistentes. Preparação - Organize a sala de maneira a haver espaço para trabalharem vários grupos. - Fotocopie / Imprima as cartas, de forma a ter um conjunto de cartas por grupo. - Recorte os conjuntos das 30 cartas, baralhe-as para não estarem todas seguidas e coloque um conjunto de cada 30 dentro de tantos envelopes quanto o número de grupos. É importante manter os conjuntos separados! - Antes de realizar esta actividade, pode propor ou organizar um trabalho de pesquisa sobre activistas importantes, ligados à defesa dos Direitos Humanos. Actividade 1. Peça aos participantes para se dividirem em pequenos grupos (três ou quatro participantes em cada um) e distribua um envelope por grupo. 1 UM DIA PARA AGIR… Semana dos Direitos Humanos e das Migrações 10 a 18 de Dezembro 2. Peça-lhes para espalharem as várias cartas com a face virada para baixo. 3. Explique que as cartas têm informações sobre a vida de seis activistas dos Direitos Humanos. O objectivo do jogo é fazer a ligação entre a informação e o activista, construindo assim uma pequena descrição da cada pessoa. 4. Explique que cada personagem é composta por um conjunto de cinco cartas (ou seja, uma carta A, uma B, uma C, uma D e uma E). 5. Peça a cada grupo para escolher uma carta, sucessivamente, até as cartas acabarem. 6. Dê-lhes uns minutos para que possam ler as cartas silenciosamente. 7. Cada grupo deve pensar nas suas próprias estratégias para construir o seu perfil e, para isso, vão precisar de 15 a 20 minutos. 8. Volte a reunir todos os participantes e peça a um representante de cada grupo para apresentar, pelas suas próprias palavras, uma das personagens. Prossiga com outro representante, até que todas as personalidades sejam apresentadas e todos os grupos possam verificar se juntaram as peças correctamente. Sugestões para a reflexão - O exercício foi acessível? Quais as estratégias utilizadas pelos diferentes grupos para ordenar as cartas? - De quais personalidades é que já tinham ouvido falar e quais desconheciam? Porque é que algumas personalidades são mais conhecidas que outras? - Ficaram surpreendidos com alguma informação? O que é que acharam mais impressionante? - Peças aos alunos para seleccionarem a citação com que mais se identificam: qual seria a vossa reacção se tivessem estado na situação daquela pessoa? Os seis perfis propostos nesta actividade devem funcionar como ponto de partida: podem colar as fotos em pedaços de cartão, juntamente com as citações e as curtas biografias, e colá-las na parede da vossa sala. Sugestões para desenvolvimento Recomendamos que tente dar seguimento a esta actividade, encorajando os participantes a procurarem informação sobre outros activistas – os seis activistas que apresentamos são activistas históricos na área dos direitos civis e políticos, mas o melhor será alargar o leque e procurar activistas nas áreas económicas e sociais. Pretende-se que admirem as personalidades que, através da nossa história, contribuíram na luta pelos Direitos Humanos. A turma pode até começar a sua própria galeria de activistas de Direitos Humanos, com a tarefa de a ir completando ao longo do ano, com notícias, novas cartas por si construídas ou fotografias. 2 UM DIA PARA AGIR… Semana dos Direitos Humanos e das Migrações 10 a 18 de Dezembro Cartas (1) A "Lutei contra a dominação branca e negra. Valorizei o ideal de uma sociedade livre e democrática onde todas as pessoas vivessem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual se deve viver e lutar por alcançar. Mas, caso seja obrigado, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer." A "De certos encontros dolorosos, mas ao mesmo tempo reconfortantes, eu apercebi-me como é que das profundezas da imoralidade de repente se ouve alguém gritar "A culpa é minha". E como, dessa lamentação, o paciente recupera o direito a considerar-se um ser humano outra vez." B Nasceu numa vila perto de Umtata e foi eleito/a Presidente da República da África do Sul, nas primeiras eleições democráticas no país, quando tinha 76 anos. Até essa altura - e mesmo depois disso - a sua vida foi dedicada à B Nasceu em 1906 na Rússia e morreu em Moscovo em 1977. Trabalhou, discretamente, como professor/a e jornalista até que foi rotulado/a de terrorista pelo regime estalinista num falso julgamento. Passou 18 anos nos C luta contra o apartheid, o sistema racista utilizado pelo ex governo branco para reprimir a maioria da população negra. Ele/a sofreu várias formas de repressão: foi banido/a de reuniões, forçado/a a esconder-se, e foi finalmente C campos de prisão siberianos sob condições horrendas porque se recusou a confessar outros de crimes que não cometera. Passou o primeiro ano numa cela solitária e húmida, proibido/a de se mexer, falar, cantar ou até mesmo de se deitar durante o dia. Mais tarde foi D preso/a, e sentenciado/a a prisão perpétua quando tinha 44 anos. Ele/a passou os seguintes 28 anos da sua vida atrás das grades, longe da sua família e dos seus filhos. D enviado/a para outro campo de prisão siberiano - o pior dos campos, de onde poucos saíam com vida - como castigo por ter ajudado um companheiro de prisão. Nelson Mandela Evgenia Ginzberg 3 UM DIA PARA AGIR… Semana dos Direitos Humanos e das Migrações 10 a 18 de Dezembro Cartas (2) A "Eu tenho um sonho - que um dia esta nação se erga e viva o verdadeiro significado da sua crença: "nós acreditamos que esta verdade é óbvia: que todos os Homens são criados iguais." Eu tenho um sonho - que os meus quatro filhos vão um dia viver numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele mas pela natureza do seu carácter." B Nasceu em Atlanta, na Geórgia, em 1929, quando a lei exigia que os negros ocupassem lugares especiais nos autocarros, nos teatros e cinemas e que bebessem de fontes de água diferentes das dos brancos. Quando tinha 28 anos, co-fundou A "A não-violência é a maior força à disposição da Humanidade. É mais eficaz do que a arma de destruição mais poderosa alguma vez criada pelo engenho dos homens." C uma organização de igrejas negras que encorajava marchas pacíficas, manifestações e boicotes contra a segregação racial. A organização participou num protesto em Birmingham, Alabama, onde centenas de crianças de coro D encheram as ruas para apoiar a causa. A polícia foi enviada para o local com cães, e bombeiros, com mangueiras de incêndio com muita pressão. Foi preso/a e encarcerado/a. C protestos pacíficos e na tolerância religiosa, embora tenha sido preso/a e encarcerado/a em várias ocasiões. Quando os indianos agiram violentamente uns contra os outros ou contra o Rajá britânico, ele/a jejuou até que a violência acabou. Liderou uma marcha de 390 km pela Índia e D persuadiu os seguidores a aceitar a brutalidade da polícia e dos soldados sem retaliarem. Ele/a passou um total de 2338 dias da sua vida, incansavelmente dedicada à paz, na prisão Martin Luther King Mahatma Gandhi B Nasceu em 1869. Filho/a de pais hindus, viveu em Gujarat quando a Índia ainda se encontrava sob o jugo do Império Britânico. Ele/a liderou a luta pela Independência, mas nunca se desviou da sua crença nos 4 UM DIA PARA AGIR… Semana dos Direitos Humanos e das Migrações 10 a 18 de Dezembro Cartas (3) A "Nós não estamos a tentar destruir ou aniquilar o regime militar; eles estão sempre a ameaçar aniquilar-nos, mas… o objectivo do nosso movimento é criar uma sociedade que ofereça segurança a todo o nosso povo, incluindo aos militares. A "Ai de mim, envio esta triste canção que tenho na minha cabeça a todos aqueles que ajudam prisioneiros. Estes sentimentos nesta época sombria… Nunca esquecerei aquelas terríveis torturas. Que esta actual miséria na prisão nunca mais seja infligida a nenhum outro ser sensível." B Ele/a é um monge/uma freira budista que acredita que o Tibete deve ser independente da China, e que foi preso/a pela primeira vez quando tinha dez anos pelas autoridades chinesas. O seu único crime foi participar numa B Nasceu em 1945 em Burma e era o/a filho/a do herói nacional assassinado na luta pela independência do domínio colonial. Tornou-se num/a líder popular na luta pela democracia contra C um regime militar cruel e quase foi assassinado/a por uma unidade do exército a quem deram ordens para lhe apontar as armas. Foi posto/a sob prisão domiciliária durante seis anos, sem que tivesse sido acusado/a de qualquer crime, e foi completamente isolado/ a do mundo. Mesmo quando foi libertado/a, o governo D não o/a deixou ver a sua/o seu mulher/marido moribundo. Em 2001, ele/a estava ainda confinado/a à sua residência, com acesso extremamente controlado e com as linhas telefónicas cortadas. C manifestação pacífica pela independência do Tibete. Voltou a ser preso/a quando tinha 15 anos e sentenciado/a a três anos de prisão. A sentença aumentou da primeira vez porque ele/ a cantou uma canção de independência na prisão; e, outra vez mais tarde, e desta vez por oito anos, porque ele/a D gritou "Libertem o Tibete" quando estava à chuva no pátio da prisão. Hoje tem problemas nos rins por causa das torturas de que foi vítima. Daw Aung San Suu Kyi Ngawang Sangdrol retirado da actividade “Grandes Activistas”, FAROL – Manual de Educação para os Direitos Humanos com Jovens 5