UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI DANILO AWAZU SGARBI TÉCNICAS CONSTRUTIVAS APLICADAS NAS VIAS URBANAS PARA MELHORIA NA SEGURANÇA DO TRÂNSITO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO SÃO PAULO 2007 ii DANILO AWAZU SGARBI TÉCNICAS CONSTRUTIVAS APLICADAS NAS VIAS URBANAS PARA MELHORIA NA SEGURANÇA DO TRÂNSITO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil, da Universidade Anhembi Morumbi. Orientador: Prof. Célio Daroncho SÃO PAULO 2007 iii AGRADECIMENTOS À Professor Célio Daroncho, pela orientação na execução e conclusão deste trabalho. Aos meus pais, por darem condições para que eu pudesse executar e concluir este trabalho. À minha namorada, por ajudar na digitalização das imagens e ter incentivado em vários momentos, em cada etapa deste trabalho. Muito obrigado a todos. iv A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis, e a ausência dos sonhos transforma milionários em mendigos. A presença dos sonhos faz de idosos, jovens, e a ausência de sonhos fazem de jovens, idosos. Os sonhos são como uma bússola, indicando os caminhos que seguiremos e as metas que queremos alcançar. São eles que nos impulsionam, nos fortalecem e nos permitem crescer. Augusto Cury, no livro “Nunca Desista de seus Sonhos”. v RESUMO Gestão de trânsito é entendida como o gerenciamento dos fatores relacionados à organização do tráfego, como, manutenção preventiva, melhorias na circulação e segurança de veículos e pedestres, sinalização das vias, monitoramento do sistema viário e fatores vinculados à execução e aprimoramento de projetos (construção de pistas auxiliares, áreas de influências e superelevação inadequada), visando o bemestar da população. Uma adequação em um desses fatores possibilita o aumento da segurança no trânsito. Esta pesquisa foi desenvolvida para auxiliar o estudo da gestão de trânsito, focado na segurança no trânsito de veículos de pequeno porte (automóveis) no Município de São Paulo, realizando um estudo das técnicas de intervenção e sinalização que permitam o aumento da segurança no trânsito. Com a utilização deste trabalho, foi possível obter informações relevantes para a análise de dados estatísticos e de projetos propostos e executados referentes à segurança do trânsito no Município de São Paulo. Palavras-chave: Segurança. Trânsito. Automóveis. vi ABSTRACT Traffic management is understood as the management of the factors connected to traffic organization, such as, preventive maintenance, vehicles and pedestrians circulation and safety improvements, traffic signs, roads control and factors connected to projects execution and improvement ( auxiliary lanes construction, influence areas and unsuitable superelevation), aiming the population well-being. One adaptation in one of the factors makes possible the increase of traffic safety. This research will be developed to help the study of traffic management, focused on the safety of small vehicles (automobiles) in São Paulo city, studying techniques of intervention and signaling that allow the increasing of the traffic safety. With this study utilization it will be possible to obtain relevant informations to the analysis of statistic data and proposed and executed projects concerning to traffic safety in São Paulo city. Keywords: Safety. Traffic. Automobiles. 3 vii LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 6.1 Evolução da frota de veículos...................................................... 11 Figura 6.2 Acidentes de trânsito classificado pela sua natureza................... 11 Figura 6.3 Acidentes com vítima classificado por período............................ Figura 6.4 Vítimas fatais classificados por sexo............................................ 12 Figura 6.5 Vítimas fatais classificadas por faixa etária.................................. 13 Figura 6.6 Vias de sentido duplo – 28 pontos de conflito.............................. Figura 6.7 Duas vias de sentido único........................................................... 17 Figura 7.1 Fileiras de tachões....................................................................... 19 Figura 7.2 Fileira de tachões – Shopping Interlagos..................................... 19 Figura 7.3 Linhas de Estímulo à Redução de Velocidade............................. 20 Figura 7.4 Tachões arrancados ou danificados........................................... Figura 7.5 Lombada dotada de prolongamento até o meio-fio...................... 22 Figura 7.6 Lombada de concreto................................................................... 22 Figura 7.7 Detalhe da altura da lombada...................................................... 23 Figura 7.8 Lombada de concreto realizada com largura inadequada........... 23 Figura 7.9 Lombada eletrônica...................................................................... 24 Figura 7.10 Radar para fiscalização de semáforo........................................... 25 Figura 7.11 Radar para fiscalização de velocidade......................................... 25 Figura 7.12 Valeta de concreto........................................................................ 26 Figura 7.13 Valeta de concreto........................................................................ 26 Figura 7.14 Valeta realizada com concreto de baixa resistência.................... 27 Figura 7.15 Detalhe em planta de alargamento de calçada............................ 27 Figura 7.16 Alargamento de calçada............................................................... 28 Figura 7.17 Alargamento de calçada............................................................... 28 Figura 7.18 Estreitamento gradual.................................................................. 29 Figura 7.19 Execução de ponto de ônibus...................................................... 30 Figura 7.20 Refúgio de concreto..................................................................... 31 Figura 7.21 Refúgio de concreto..................................................................... 31 Figura 7.22 Canteiro Central........................................................................... 32 Figura 7.23 Canteiro Central........................................................................... 32 Figura 7.24 Rua de pedestres......................................................................... 33 12 16 21 3 viii Figura 7.25 Rua de pedestres......................................................................... 34 Figura 7.26 Execução de ilhotas separadoras de fluxo................................... 35 Figura 7.27 Ilhotas para orientação do fluxo de veículos................................ Figura 7.28 Ilhotas para impedir a circulação.................................................. 36 Figura 7.29 Faixa de mudança de velocidade................................................. 37 Figura 7.30 Faixas de mudança de velocidades............................................. Figura 7.32 Minirrotatórias............................................................................... 39 Figura 7.33 Minirrotatória com tachões em intersecção de três vias.............. 40 Figura 7.34 Implantação de minirrotatórias..................................................... 39 Figura 8.1 Balizadores refletivos................................................................... 42 Figura 8.2 Balizador não refletivos................................................................ 42 Figura 8.3 Tachões refletores na cor branca................................................. 43 Figura 8.4 Tachões refletores na cor amarela............................................... 43 Figura 8.5 Prisma de concreto....................................................................... 44 Figura 8.6 Sinalização de alerta.................................................................... Figura 8.7 Gradis em conjunto com cones.................................................... Figura 8.8 Cavalete....................................................................................... 46 Figura 8.9 Tapumes com elementos luminosos............................................ 47 Figura 8.10 Sinalização horizontal contínua branca........................................ 48 Figura 8.11 Sinalização horizontal tracejada branca....................................... 49 Figura 8.12 Sinalização horizontal como símbolos......................................... Figura 8.13 Marcas longitudinais..................................................................... 50 Figura 8.14 Marcas transversais..................................................................... Figura 8.15 Marca de canalização amarela..................................................... 52 Figura 8.16 Marca de canalização branca....................................................... 52 Figura 8.17 Sinalização de regulamentação................................................... 53 Figura 8.18 Sinalização de regulamentação................................................... 54 Figura 8.19 Sinalização de advertência........................................................... 54 Figura 8.20 Sinalização de advertência........................................................... 55 Figura 8.21 Sinalização de advertência........................................................... 55 Figura 8.22 Informações complementares...................................................... 56 Figura 8.23 Informações complementares...................................................... 56 Figura 8.24 Placas de orientação de destinos................................................ 57 36 38 44 49 51 3 ix Figura 8.25 Placas de orientação de destinos................................................ 57 Figura 8.26 Placa educativa............................................................................ 58 Figura 8.27 Semafórica de regulamentação.................................................... 59 Figura 8.28 Semafórica de regulamentação.................................................... 59 Figura 8.29 Semafórica de advertência........................................................... 60 Figura 9.1 Localização geral da Rua Joaquim Nabuco................................. 61 Figura 9.2 Localização aproximada da Rua Joaquim Nabuco...................... 62 Figura 9.3 Situação inicial da via................................................................... 63 Figura 9.4 Situação atual da via.................................................................... 64 Figura 9.5 Estreitamento de pista.................................................................. 65 Figura 9.6 Sinalização................................................................................... 66 Figura 9.7 Reurbanização da região............................................................. 67 x LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CB Comitê Brasileiro. CET Companhia de Engenharia de Tráfego. CNT Código Nacional de Trânsito. CONTRAN Conselho Nacional de Trânsito CTB Código de Trânsito Brasileiro DENATRAN Departamento Nacional de Trânsito. DETRAN Departamento de Trânsito dos Estados e do Distrito Federal. IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. NBR Norma Brasileira Registrada. RENACH Registro Nacional de Condutores Habilitados. RENAVAM Registro Nacional de Veículos Automotores. xi SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................... 01 2 OBJETIVOS.............................................................................................. 03 2.1 Objetivo Geral.......................................................................................... 03 2.2 Objetivo Específico.................................................................................. 03 3 METODOLOGIA DA PESQUISA.............................................................. 04 4 JUSTIFICATIVA........................................................................................ 05 5 ENGENHARIA DE TRÁFEGO.................................................................. 06 5.1 Contribuições da Engenharia de Tráfego.............................................. 06 5.2 Legislação e Normas............................................................................... 6 ACIDENTES DE TRÂNSITO..................................................................... 10 6.1 Histórico de Acidentes............................................................................ 6.2 Fatores Contribuintes para Ocorrência de Acidentes.......................... 13 6.3 Tipos de Acidentes.................................................................................. 14 6.4 Pontos Críticos........................................................................................ 15 7 TÉCNICAS DE INTERVENÇÃO EXISTENTES – OBRAS....................... 18 7.1 Fileiras de Obstáculos Transversais com Tachões............................. 18 7.2 Linhas de Estímulo à Redução de Velocidade com Tachões.............. 19 7.3 Lombada................................................................................................... 7.4 Lombada Eletrônica................................................................................. 24 7.5 Radares..................................................................................................... 24 7.6 Valetas...................................................................................................... 26 7.7 Alargamento de Calçada próximo à Esquina (Estreitamento de Via) 27 7.8 Refúgio...................................................................................................... 30 7.9 Canteiro Central....................................................................................... 7.10 Rua de Pedestres – Calçadão................................................................. 33 7.11 Implantação de Ilhotas............................................................................ 7.12 Faixas de Mudança de Velocidade......................................................... 37 7.13 Minirrotatórias.......................................................................................... 38 8 TÉCNICAS DE INTERVENÇÃO EXISTENTES – SINALIZAÇÕES......... 8.1 Dispositivos e Sinalizações Auxiliares.................................................. 41 8.2 Dispositivos Delimitadores..................................................................... 41 07 10 21 32 35 41 xii 8.3 Dispositivos de Canalização.................................................................. 43 8.4 Dispositivos e Sinalizações de Alerta.................................................... 44 8.5 Alterações nas Características do Pavimento...................................... 45 8.6 Dispositivos de Proteção Contínua....................................................... 45 8.7 Dispositivos de Uso Temporário............................................................ 46 8.8 Painel Eletrônico...................................................................................... 8.9 Sinalização Horizontal............................................................................. 48 8.10 Sinalização Vertical................................................................................. 53 8.11 Sinalização Semafórica........................................................................... 58 9 ESTUDO DE CASO................................................................................... 61 9.1 Localização............................................................................................... 61 9.2 Situação Inicial......................................................................................... 62 9.3 Situação Atual.......................................................................................... 63 9.4 Análise das Informações Coletadas...................................................... 64 9.5 Sinalização Utilizada................................................................................ 65 9.6 Técnica Escolhida.................................................................................... 66 10 CONCLUSÃO............................................................................................ 67 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................... 68 GLOSSÁRIO............................................................................................. 69 ANEXO A................................................................................................... 72 1 1 INTRODUÇÃO Segundo Grinblat (1980), apesar da Engenharia de Tráfego ser considerada hoje em dia, como ramo especializado da Engenharia Rodoviária, ou uma especialização da Engenharia Civil, os problemas a ela ligados remontam aos tempos do Antigo Império Romano. Entretanto, com o advento do automóvel, nos fins do século XIX, e principalmente, após a sua expansão de uso, a partir de 1900, foi que surgiu a imperiosa necessidade de controlar e separar os tráfegos desordenados de veículos e de pedestres. No que se refere ao transporte das pessoas com segurança, visando aspectos econômicos e físicos da cidade, “a Engenharia de Tráfego trata do planejamento e desenho geométrico das ruas e estradas, bem como das devidas operações decorrentes ao seu uso” (GRINBLAT, 1980, p. 4). Conforme dados estatísticos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2005), pode-se verificar a projeção do crescimento do número de acidentes com vítimas fatais no Município de São Paulo e também é possível analisar o perfil das pessoas envolvidas nesses acidentes. Grande parte destes acidentes ocorre por falha humana, porém, a inadequação dos veículos no que se refere à manutenção preventiva aliado à falhas nas sinalizações ou até mesmo a ausência delas e adequações das vias ao tráfego que se modifica constantemente, gera um contexto propício à ocorrência de acidentes de trânsito no Município de São Paulo, conforme dados estatísticos do IBGE. Segundo Gold (1998), é possível reduzir significativamente o número de acidentes por meio da aplicação da Engenharia de Tráfego, gerando melhoras sociais independentemente da ocorrência de mudanças na conduta das pessoas no trânsito. 2 Estruturada as condições e melhorias para o aumento da segurança no trânsito, fica estabelecido o papel fundamental da organização do tráfego, ou seja, da gestão de trânsito. Com a manutenção e melhoria dos dispositivos e sinalizações existentes, análise de dados estatísticos e estudo de melhorias de projetos executados e propostos é possível se obter resultados satisfatórios com relação ao aumento da segurança no trânsito do Município de São Paulo e por consequência a redução do número de vítimas. 3 2 OBJETIVOS O objetivo deste trabalho é apresentar as principais técnicas construtivas existentes aplicadas nas vias urbanas do Município de são Paulo, que visam o aumento da segurança no trânsito. 2.1 Objetivo geral Coletar, sistematizar e analisar informações relacionadas à Engenharia de Tráfego e técnicas que representem medidas de melhoria das condições de segurança e circulação de veículos no Município de São Paulo. 2.2 Objetivo específico Analisar dados estatísticos e projetos intervencionistas propostos e executados, referentes às condições de segurança no tráfego de automóveis no Município de São Paulo. 4 3 METODOLOGIA DA PESQUISA Este trabalho foi realizado por meio de análise de referências, com intuito de embasar as informações sobre o tema. A coleta de dados estatísticos permitiu a atualização das informações, comparação e elaboração de gráficos da evolução dos acidentes de trânsito confrontando dados de órgãos públicos (CET, DENATRAN e IBGE). Foram levantadas e analisadas informações contidas na legislação de trânsito vigente no Município de São Paulo, bem como as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) responsável pela elaboração das Normas Brasileiras Registradas (NBR). Os registros fotográficos permitiram ilustrar os principais aspectos físicos que ocasionam acidentes de trânsito e auxiliaram na espacialização das áreas de frequência de acidentes de trânsito apontando os pontos críticos no Município de São Paulo. Um Estudo de Caso foi elaborado com o intuito de exemplificar a utilização de algumas técnicas construtivas voltadas a segurança no tránsito de veículos e pedestres, facilitando a visualização e compreenção do tema abordado. 5 4 JUSTIFICATIVA Conforme dados estatísticos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET, 2005), a ausência de fluidez no trânsito atinge recordes a cada dia, e muitas vezes, estes, são ocasionados pela ausência de sinalização, estados de conservação das vias inadequados, veículos em condições desapropriadas de circulação, resultando em acidentes constantes. Segundo Gold (1998), constitui também um fator contribuinte o treinamento inadequado da maioria dos condutores brasileiros, no que diz respeito às técnicas e atitudes de direção defensiva. As condições de circulação nas vias do Município de São Paulo ocasionam uma insegurança para os motoristas e pedestres. “[...] e o mais grave é que não temos conhecimento da real dimensão desta guerra. Não sabemos quantos são os combatentes e muitas menos quantas são as vítimas” (ELETROBRÁS, 1996, p. 10). Através da compilação dos dados fornecidos pelo sites do CET, Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) juntamente com a análise de projetos executados e propostos, pode-se analisar a Engenharia de Tráfego do Município e por consequência o desenvolvimento do gerenciamento do trânsito. Esse trabalho tem o intuito de fornecer informações relacionadas às técnicas de intervenção existente no Município tendo como contribuição a melhoria da segurança na circulação somente de veículos de pequeno porte (automóveis), não sendo escopo deste trabalho a análise do tráfego de veículos de grande porte (caminhões) e os sistemas de transportes coletivos como ônibus e metrô. 6 5 ENGENHARIA DE TRÁFEGO A área de atuação do especialista em engenharia de tráfego tende a restringir-se às intervenções na via, ou seja, no sistema viário. Suas funções primordiais são estudar informações sobre acidentes, identificar pontos críticos e analisar o melhor método de intervenção que pode reduzir a frequência de acidentes em locais com índices elevados de acidentes (GOLD, 1998). Para isso, é necessário estudar as informações disponíveis sobre os acidentes, inspeção dos locais, descobrir padrões e fatores comuns nos acidentes e identificar e implantar modificações nos sistemas viários. Estas modificações visam corrigir as inadequações do próprio projeto de engenharia e compensar inadequações nos elementos não controlados pelos engenheiros: o comportamento dos condutores e dos pedestres; as características dos veículos; a regulamentação; e o nível de fiscalização. O objetivo primordial não é atribuir culpa, nem julgar os condutores, pedestres ou engenheiros de tráfego, e sim, elaborar as intervenções viárias mais adequadas para atenuar qualquer tipo de fator contribuinte identificado. 5.1 Contribuições da Engenharia de Tráfego A crença comum divulga, inclusive pelos meios de comunicação, que 90% dos acidentes de trânsito são causados por fator humano e que as únicas soluções são a educação, a fiscalização e a punição dos motoristas e pedestres. Não há dúvidas da importância destes fatores e da urgência de medidas corretivas. No entanto, a inadequação dos veículos, da sinalização e da construção e manutenção das vias e calçadas são fatores contribuintes em muitos acidentes. É possível reduzir significativamente o número de acidentes por meio da engenharia de tráfego, gerando grandes melhorias sociais independentemente da ocorrência de mudanças na conduta das pessoas no trânsito. 7 Segundo Gold (1998), se comparados com os programas de educação e fiscalização do trânsito, os investimentos em engenharia de tráfego apresentam certas vantagens. Em primeiro lugar, os resultados são imediatos e comprováveis, o que dificilmente ocorre com as campanhas publicitárias ou com os programas de educação de trânsito. Em segundo lugar, os resultados tendem a ser mais duradouros e menos dependentes dos investimentos contínuos de recursos humanos. Quando as medidas de engenharia de tráfego são mais completas e incluem modificações urbanísticas de pequeno porte, os resultados podem chegar a ser ainda maiores. Algumas intervenções em pontos críticos podem reduzir substancialmente a ocorrência de acidentes no local da intervenção, quando não eliminá-los totalmente. Segundo experiências estrangeiras e brasileiras na implantação de um grande número de intervenções viárias de diversos tipos, pode-se esperar uma redução média de aproximadamente 30% na frequência de acidentes nos locais tratados (GOLD, 1998). Este nível de redução é suficiente para justificar plenamente os recursos investidos, comparando-se o custo da implantação das intervenções com o benefício subseqüente do resultado social dos acidentes evitados. 5.2 Legislação e Normas Estão incluídas neste tópico, leis e normas relacionadas ao trânsito, porém não se encontram na íntegra, pois foram consideradas somente as partes relacionadas ao tema do trabalho (Anexo A). Segundo a Lei nº. 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), tem-se que, conforme Artigo 5º que o Sistema Nacional de Trânsito é o conjunto de órgãos e entidades, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Pode-se observar que a Lei prevê fatores de segurança e conduta no trânsito, dentre elas destacam-se os Artigos 26 que define os deveres dos usuários das vias 8 terrestres. Nota-se que o CTB ressalta a importância do condutor em manter o seu veículo em boas condições de tráfego. Neste trabalho não serão apresentados os itens de segurança do veículo que os condutores devem atentar ao dirigir, porém serão feitos comentários sobre o assunto, visto que é considerado como um dos fatores que podem ocasionar acidentes. Os Artigos 36, 37, 38 e 39, referem-se aos procedimentos corretos que os condutores de veículos devem realizar ao trafegar numa via e também faz referência aos diferentes tipos de vias existentes e possibilidades de conversões em vias com conversões à direita e esquerda. A Lei define a maneira com que os condutores devem agir em determinadas situações como ultrapassagem, parada de emergência, sinalização e retornos, a fim de evitar acidentes. Nos Artigos 55 a 59 são definidos os procedimentos de circulação, transporte e segurança dos veículos ciclomotores, motocicletas, motonetas e bicicletas, nas vias e em locais onde seja permitida a circulação dos mesmos. Nos Artigos 61 e 62 são feitas menções com relação a velocidade máxima e mínima permitida para as vias e os artigos 64 e 65, referentes ao transporte de crianças e o uso do cinto de segurança pelos condutores e passageiros. Os Capítulos IV, V e VI do Código de Trânsito Brasileiro são relacionados aos direitos e deveres dos pedestres e condutores de veículos não motorizados e a educação no trânsito. O Capítulo VII (Da sinalização de Trânsito), por sua importância na segurança do trânsito, será apresentado com maior detalhamento no Capítulo 4 deste trabalho, sendo apresentadas as principais classificações, tipos e locais de uso de cada tipo de sinalização. Existem também, as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entidade privada, fundada em 1940, responsável pelas normas no país. A ABNT é constituída de 25 Comitês Brasileiros (CB), que mantêm Comissões de Estudo em diversas áreas. Os Comitês são os responsáveis pela elaboração das Normas 9 Brasileiras Registradas (NBR). Os assuntos da área de transporte e tráfego estão ao cargo da CB-16. A seguir, serão descritas sucintamente algumas normas relacionadas diretamente com este trabalho: • NBR 5101/1992 – Iluminação Pública: fixa os requisitos mínimos necessários à iluminação de vias públicas, os quais são destinados a propiciar algum nivelo de segurança aos tráfegos de pedestres e veículos. • NBR 6972/1983 – Sinalização de Trânsito: classifica o conjunto de elementos e de processos de comunicação visual e/ou sonora, que constituem a Sinalização de Trânsito, definidos, ordenados e distribuídos. • NBR 7032/1983 – Engenharia de Tráfego: relaciona os termos e as expressões usadas em engenharia de tráfego, reduzindo dúvidas atualmente existentes. • NBR 7395/1982 – Marcas Viárias: fixa as condições a fim de definir e orientar o projeto, a execução e a fiscalização de marcações em vias publica. • NBR 7946/1983 – Sinalização Semafórica: define os termos empregados na sinalização semafórica. • NBR 12255/1992 – Execução e Utilização de Passeios Públicos: fixa as condições exigíveis para a execução e utilização dos passeios (calçadas), bem como os padrões e as medidas que visam propiciar as pessoas, sadias ou deficientes, melhores e mais adequadas condições trânsito, fácil e seguro, nessa parte dos logradouros públicos. Pode-se verificar que existem normas e leis específicas relacionadas com a segurança no trânsito e com as técnicas de intervenção, definindo seus termos, utilização e orientação de projetos. 10 6 ACIDENTES DE TRÂNSITO Segundo Grinblat (1980), a Organização Mundial da Saúde define acidente como um evento independente do desejo do homem, causado por uma força externa, alheia, que atua subitamente e deixa feridas no corpo e na mente. Outra definição mais simples é o evento não intencional que produz ferimentos ou danos. Assim, um acidente de trânsito pode ser definido como um evento do tipo descrito, que envolve ao menos um veículo que circula, normalmente por uma via para trânsito de veículos, sendo o veículo motorizado ou não. Tais acidentes podem ser classificados em três grandes grupos: acidentes sem vítima, acidentes com vítima e acidente fatal. 6.1 Histórico de Acidentes Como o levantamento dos dados estatísticos pesquisados no ano de 2006 do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ilustrando a evolução dos acidentes de trânsito no Município de São Paulo, fica notável a importância de estudos na área de segurança no trânsito, devido ao grande número de acidentes com vítimas. Os gráficos apresentados são dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trânsito de 2002, do Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN, 2006). Na Figura 6.1, pode-se verificar a evolução da frota de veículos entre 1999 e 2003, e verificar o crescimento contínuo da frota de veículos no Município de São Paulo a partir de 2000. 11 Nº de veículos 6.000.000 4.500.000 3.000.000 1.500.000 0 1999 2000 2001 2002 2003 NºAno de veículos Figura 6.1 – Evolução da frota de veículos (DENATRAN, 2006). Na Figura 6.2, pode-se analisar o número de acidentes de trânsito com vítimas classificadas pela sua natureza no ano de 2002. Os acidentes que ocorrem com maior frequência são as colisões e abalroamentos seguidos pelos tombamentos e capotagens. 60% 54,1% 40% 20% 14,9% 14,6% 11,2% 4,6% 0,6% Ignorada Outros Choque com objeto fixo Atropelamento Tombamento e Capotagem Colisão e Abalroamento 0% Figura 6.2 – Acidentes com vítima classificado pela sua natureza (DENATRAN, 2006). Na Figura 6.3, é fornecido informações referentes ao período em que ocorrem mais acidentes, sendo que o período diurno possui a maior frequência de acidentes devido ao maior número de veículos que circulam neste período. 12 56,5% 60% 43,5% 40% 20% 0% Dia Noite Figura 6.3 – Acidentes com vítima classificado por período (DENATRAN, 2006). A Figura 6.4, quantifica o número de vítimas fatais classificadas por sexo, sendo que, o número de vítimas do sexo masculino, no Município de São Paulo, é quatro vezes maior do que o número de vítimas fatais do sexo feminino. 5.000 4.128 Nº vítimas 4.000 3.000 2.000 956 1.000 13 Ignorado Feminino Masculino 0 Figura 6.4 – Vítimas fatais classificados por sexo (DENATRAN, 2006). Pode-se analisar a Figura 6.5 e perceber que os maiores números de vítimas fatais classificados por faixa etária encontram-se entre 30 a 59 anos, com 2.178 vítimas seguido da faixa entre 18 a 29 anos com 1.598 vítimas. 13 5.000 3.000 2.178 1.598 230 59 238 13 a 17 1.000 10 a 12 2.000 0a9 Nº vítimas 4.000 526 268 Ignorado 60 e mais 30 a 59 18 a 29 0 Figura 6.5 – Vítimas fatais classificados pela faixa etária (DENATRAN, 2006). 6.2 Fatores Contribuintes para Ocorrência de Acidentes Segundo Gold (1998), os fatores contribuintes para a ocorrência de acidentes de trânsitos podem ser divididos em quatro grupos básicos, frequentemente interrelacionados que são: fatores humanos, fatores relativos ao veículo, fatores relativos às vias, meio ambiente e ambiente construído e fatores institucionais e sociais. Os fatores humanos se referem a todos os fatores vinculados ao comportamento das pessoas envolvidas no acidente, como tensão nervosa (devido a problemas de trabalho, familiares ou pessoais), ingestão de álcool, desconhecimento ou excesso de conhecimento do trajeto e distração (devido à conversas com pessoas dentro do veículo, música com volume elevado, movimentação externa de pessoas e animais). Esses fatores contribuem para a diminuição dos reflexos dos condutores causando, por exemplo, um possível retardo do acionamento dos freios, aumentando as chances de uma colisão ou atropelamento (GOLD, 1998). Os fatores relativos ao veículo se referem à inadequação no estado operacional dos veículos envolvidos em acidentes, como, por exemplo, desgaste das pastilhas de freio, desgaste excessivo dos pneus, problemas na direção, amortecedores gastos e limpadores de pára-brisa enguiçados (GOLD, 1998). 14 Segundo Gold (1998), os fatores relativos às vias, meio ambiente e ambiente construído se referem a todos os fatores vinculados diretamente às características das vias, das sinalizações e das áreas mais próximas das vias no momento do acidente, como, por exemplo, a superelevação inadequada da curva, o pavimento excessivamente liso, desgastado ou com pouca aderência, distância insuficiente entre postes de iluminação e a pista, vegetação cobrindo placas de sinalização impedindo a visibilidade dos sinais de trânsito, sinalização precária ou até mesmo ausente, chuva e neblina. Os fatores institucionais e sociais se referem à regulamentação e a fiscalização. Habitualmente estes aspectos não são considerados fatores contribuintes na análise de acidentes e de pontos críticos. A regulamentação é realizada pelo Código Nacional de Trânsito (CNT), porém alguns trechos do código podem deixar lacunas nas informações transmitidas aos usuários, o que constitui um aspecto relevante na identificação dos fatores contribuintes para a ocorrência de acidentes (GOLD, 1998). A fiscalização tem por obrigação fazer com que o usuário cumpra as normas do código de trânsito, mas a ausência de fiscais e policiais não libera o usuário de seus deveres, e, portanto, essa ausência em um determinado local não pode ser considerada como um fator contribuinte (GOLD, 1998). 6.3 Tipos de Acidentes Os acidentes de trânsito podem ser classificados conforme o seu tipo, porém em alguns casos podem ocorrer mais de um tipo de acidente, por exemplo, um atropelamento que provoca um engavetamento e uma capotagem (GOLD, 1998). Entre os tipos de acidentes com maior índice de ocorrência, pode-se destacar: • Atropelamento é o acidente em que um pedestre ou um animal é atingido por um veículo (motorizado ou não-motorizado). Pode ocorrer na pista ou na calçada. No momento do acidente o pedestre pode estar cruzando a pista, andando pela calçada ou pela pista, ou estar parado. Atropelamento múltiplo é o acidente com duas ou mais vítimas atropeladas. • Colisão é o acidente entre dois ou mais veículos em movimento, no mesmo sentido ou em sentidos opostos, na mesma faixa da via. 15 • Colisão traseira e a colisão entre dois veículos em movimento, no mesmo sentido. • Colisão frontal é a colisão entre dois veículos em movimento, em sentidos opostos. • Engavetamento é a colisão de três ou mais veículos, um atrás do outro. Pode ser por colisão traseira. • Abalroamento lateral é o acidente entre veículos em movimento em faixas distintas, porém no mesmo sentido, quando um deles inicia uma conversão à esquerda ou à direita. • Abalroamento transversal envolve veículos que vão em direção com um ângulo de 90º (noventa graus), geralmente em interseções e saídas de estacionamentos. • Abalroamento transversal frontal é uma colisão transversal quando o ponto de impacto entre ambos os veículos é a parte dianteira. • Abalroamento lateral em sentidos opostos é o acidente entre veículos que vão em sentidos opostos e em faixas distintas. Geralmente um dos veículos está iniciando uma conversão à esquerda ou à direita. • Choque é o acidente entre um veículo em movimento e um obstáculo sem movimento. O obstáculo pode ser outro veículo parado ou um obstáculo fixo (postes, cabines telefônicas, bancas de jornal, defesas e gradis, caixas de correio). • Capotagem é qualquer acidente em que o teto do veículo toma contato com o chão, pelo menos uma vez, durante o acidente. • Tombamento é qualquer acidente envolvendo um só veículo, em que um dos lados do veículo fica em contato com o chão, ao final do acidente. 6.4 Pontos Críticos Pontos Críticos são locais passíveis de acidente como atropelamento, colisões e abalroamentos, tanto entre veículos como também entre veículos e pedestres. Pode-se verificar na Figura 6.6 um exemplo de duas vias com sentido duplo e sem a utilização de sinalização semafórica para controle do tráfego, fazendo com que o cruzamento das vias possua 28 (vinte e oito) pontos possíveis de conflitos. 16 Segundo Gold (1998), a implantação de sentido único de circulação é uma das medidas mais utilizadas para ordenar a circulação das vias. Seus benefícios podem ser observados nas interseções e ao longo de vias. Nas interseções com as quatro aproximações operando em sentido duplo, existem 28 (vinte e oito) pontos de conflito (locais de possível choque entre veículos independentemente do sentido em que circulam). entre os movimentos, ou seja, 28 possibilidades de choque entre veículos das diferentes aproximações (Figura 6.6) Figura 6.6 – Vias de sentido duplo - 28 pontos de conflito (Gold,1998). Sendo as duas vias de sentido único apenas, haverá três pontos de conflito (Figura 6.7), assim, a introdução do sentido único faz a interseção muito mais simples, em termos de operação e segurança, ao reduzir o potencial de conflitos entre veículos. 17 Figura 6.7 – Duas vias de sentido único (Gold, 1998). Pode-se verificar que a implantação de técnicas de intervenção provoca uma redução considerável no número de pontos críticos em uma via, porém cada caso deve ser analisado para que se possa implementar a técnica mais eficaz a fim de se obter uma maior redução do número de acidentes. 18 7 TÉCNICAS DE INTERVENÇÃO EXISTENTES – OBRAS Neste capítulo são apresentadas as técnicas de intervenção realizadas no formato de obras viárias, em pontos específicos considerados de risco de acidentes. Nem sempre os pontos são considerados como de risco devido a uma falha de projeto, mas com o passar do tempo o tipo de público e o tráfego de determinadas regiões se modificam, sendo necessárias intervenções com o objetivo de reduzir e evitar acidentes. Este capítulo foi baseado em levantamento fotográfico realizado no Município de São Paulo e grande parte nas informações contidas no livro de Philip A. Gold (1998) devido a sua riqueza de informações pertinentes ao tema deste trabalho. 7.1 Fileiras de Obstáculos Transversais com Tachões As fileiras de obstáculos transversais com tachões (Figura 7.1) são formadas por tachões refletivos e instaladas de forma contínua em sentido transversal à via. Os tachões devem ser aplicados em declives acentuados e vias de alta velocidade entre outros, onde não é conveniente a instalação de obstáculos do tipo lombada (GOLD, 1998). Um exemplo de utilização deste tipo de técnica é encontrado no acesso de entrada do Shopping Interlagos em São Paulo (Figura 7.2). As disposições são variadas, havendo fileiras simples, duplas ou triplas, cujo distanciamento varia desde centímetros até dezenas de metros. As fileiras pouco distanciadas entre si (ao redor de 0,70 metros) revelam-se bastante eficientes, já que, além de servirem como obstáculos, apresentam efeitos de vibração e sonoridade, Segundo Gold (1998), as avaliações de projetos de tachões transversais implantados em São Paulo mostraram uma redução das velocidades médias dos veículos entre 25 e 65%, além de uma diminuição do número de acidentes. Porém as avaliações também mostraram quem não houve redução nas velocidades máximas registradas. 19 Figura 7.1 – Fileiras de tachões (Gold, 1998). Figura 7.2 – Fileiras de tachões – Shopping Interlagos (Acervo pessoal, 2005). Portanto, este dispositivo é eficiente para diminuir velocidades médias, porém não o é para as máximas, não sendo recomendado o emprego de tachões, por exemplo, em locais onde cruzem crianças por não reduzir velocidades máximas. 7.2 Linhas de Estímulo à Redução de Velocidade com Tachões Os tachões podem ser utilizados como linhas de estímulo à redução de velocidade, sendo instalados transversais à via (Figura 7.3) são utilizados anteriormente a outros obstáculos ou em pontos críticos onde se pretende causar uma redução gradual da velocidade dos veículos, como em travessias de pedestres. 20 Figura 7.3 – Linhas de Estímulo à Redução de Velocidade (Gold, 1998). Algumas precauções devem ser tomadas na instalação de tachões. Primeiro o descuido na fixação ou o uso de materiais inferiores resultam em tachões soltos e rompidos algum tempo depois da instalação, pode-se verificar este tipo de problema na Avenida Sapobemba (Figura 7.4). Deve-se se efetuar uma constante manutenção destes tachões, repondo rapidamente as peças soltas ou rompidas, a fim de se evitar a livre passagem das rodas dos veículos. Uma solução para este problema é a instalação de fileiras duplas, no caso de desprendimento de uma das peças a outra pode realizar a função de redutor de velocidade. 21 Figura 7.4 – Tachões arrancados ou danificados (Gold, 1998). A segunda precaução, no caso de reasfaltamento das vias, os tachões devem ser retirados e posteriormente reinstalados, para evitar que sejam enterrados sob o novo asfalto. É aconselhável que não seja utilizado este sistema em regiões próximas de residências, devido à vibração e aos ruídos que são liberados quando da passagem de veículos. 7.3 Lombada Entre os dispositivos redutores de velocidade, a lombada física se revela a mais eficaz, se implantada com sinalização de advertência e o perfil adequado. A lombada, ao contrário dos tachões, reduz tanto a velocidade média como a máxima. Em sendo o grau de incômodo proporcional à velocidade, as velocidades elevadas praticamente desaparecem após a construção deste dispositivo (Figura 7.5). 22 Figura 7.5 – Lombada dotada de prolongamento até o meio-fio (Gold, 1998). A eficácia das lombadas está ligada diretamente a sua execução, sendo que em muitos casos não são utilizadas medidas adequadas, provocando efeitos até piores do que sem elas, como freadas bruscas e colisões traseiras. Pode-se verificar nas Figuras 7.6 e 7.7, um exemplo de lombada executada de forma adequada com dimensões aceitáveis na largura e altura, conforme exemplo localizado na Rua Visconde de Porto Seguro em São Paulo. Figura 7.6 – Lombada de concreto (Acervo pessoal, 2005). 23 Figura 7.7 – Detalhe da altura da lombada (Acervo pessoal, 2005). No Município de São Paulo, pode-se verificar muitos exemplos de locais onde a utilização desta técnica não é eficiente principalmente devido à execução na construção, como pode-se verificar na Rua Barbosa Lopes (Figura 7.8). Figura 7.8 – Lombada de concreto com largura inadequada (Acervo pessoal, 2005). 24 7.4 Lombada Eletrônica Segundo Gold (1998), trata-se de laços detetores embutidos na pista que medem a velocidade dos veículos ao se aproximarem de um totem, que mostra ao condutor a velocidade máxima permitida e a sua própria velocidade. Quando a velocidade do condutor ultrapassa a máxima permitida, o aparelho tira uma fotografia do veículo, para que posteriormente possa emitir a multa. Entre os diversos locais no Município de São Paulo pode-se citar a Avenida Doutor Antonio Maria Laet (Figura 7.9). Figura 7.9 – Lombada eletrônica (Acervo pessoal, 2005). A lombada eletrônica apresenta vantagens como, permitir fixar a velocidade máxima desejada, permitir mudar a velocidade máxima desejada quando for necessário, não prejudica a circulação de veículos de emergência e pode ser autofinanciado por meio das multas. 7.5 Radares Recentemente foram instaladas câmaras encapadas e afixadas em postes, conhecidas como radares, vulgarmente conhecidas como pardais, em diversos lugares no Brasil. Usam-se várias dessas câmaras ao longo de um trecho de via para controlar a velocidade em toda a sua extensão, sendo que são registradas, por meio de fotos, as placas dos veículos que estiverem circulando acima da velocidade máxima permitida na via (Figuras 7.10 e 7.11). 25 Figura 7.10 – Radar para fiscalização de semáforo (Acervo pessoal, 2005). Figura 7.11 – Radar para fiscalização de velocidade (Acervo pessoal, 2005). Em algumas avenidas de grande fluxo da cidade de São Paulo, como as avenidas Vinte Três de Maio e Radial Leste, o radar é o método utilizado para o controle de velocidade dos veículos. Os radares possuem a vantagem de condicionar o condutor a trafegar na via no limite máximo permitido, não causando problemas de fluidez devido a reduções bruscas de velocidade. 26 7.6 Valetas As valetas transversais ou obliquas têm um efeito bastante similar ao das lombadas, reduzindo tanto as velocidades médias como as máximas. Não existe um perfil padronizado para as valetas como redutores de velocidade. As existentes costumam ter dimensões semelhantes às valetas de drenagem. Em São Paulo, construíram-se valetas como redutores de velocidade com as seguintes dimensões: 2,10 m de largura e 0,8 m de profundidade. Na Figura 7.12, pode-se verificar a aplicação na Rua Maestro Jordão B. De Sene. Figura 7.12 – Valeta de concreto (Acervo pessoal, 2005). Como as valetas sofrem um grande desgaste mecânico, devem ser feitas em concreto de alta resistência, com uma base suficientemente resistente para garantir sua duração. Valetas executas com concreto de baixa resistência podem gerar um alto custo de manutenção devido a baixa durabilidade (Figura 7.14). 27 Figura 7.14 – Valeta realizada com concreto de baixa resistência (Gold, 1998). As valetas, além de servirem como uma técnica de intervenção visando a redução de acidentes, elas também podem ser usadas para o direcionamento das águas de chuva para bueiros, evitando pontos de alagamento e por consequência o problema da aquaplanagem dos veículos. 7.7 Alargamento de Calçada próximo às Esquinas (Estreitamento de Via) Os principais objetivos deste tipo de alargamento são a redução do tempo e a distância da travessia para os pedestres e da velocidade dos veículos, devido ao estreitamento da via (Figura 7.15), além de melhorar a visibilidade entre pedestres e condutores. Figura 7.15 – Detalhe em planta de alargamento de calçada (Gold, 1998). 28 Figura 7.16 – Alargamento de calçada Gold, 1998). Figura 7.17 – Alargamento de calçada (Acervo pessoal, 2005). O desenho do alargamento de calçada (Figura 7.16, 7.17 e 7.18) deve promover o estreitamento da via, paulatinamente, para que não seja um obstáculo frontal para os veículos que chegam ao cruzamento e permitem também a diminuição na distância de travessia dos pedestres. Recomenda-se que a amplitude do alargamento da calçada seja de 2 a 2,5 m correspondendo à largura da via ocupada por um veículo estacionado, e não compromete a capacidade da via. Este tipo de técnica pode ser encontrado em diversas ruas no Município de São Paulo. 29 Figura 7.18 – Estreitamento gradual (Gold, 1998). Esta técnica pode ser aplicada junto às esquinas ou no meio da quadra. Recomenda-se o alargamento da calçada nos seguintes casos: • Cruzamentos com calçadas estreitas, que implice em incômodo e exposição ao atropelamento, por ocupação parcial da pista por parte dos pedestres, especialmente nos ciclos longos de semáforos; • Locais nos quais haja estacionamento irregular de veículos nas esquinas; • Locais que dificultam a visibilidade entre condutores e pedestres; • Cruzamentos com semáforos sem fase específica para pedestres, onde se vêem obrigados a cruzar a via em conflito com os veículos que fazem conversão à direita ou à esquerda, frequentemente em velocidades incompatíveis com a segurança; • Pontos de ônibus em vias de velocidade alta, visando uma área segura para a parada e saída dos ônibus (Figura 7.19). 30 Figura 7.19 – Execução de ponto de ônibus (Acervo pessoal, 2005). Em alguns bairros de São Paulo onde ocorreram reformas nas ruas e calçadas como Brooklin e Itaim Bibi, é possível encontrar este tipo de técnica, que além de trazer mais segurança ao tráfego, permite uma valorização das regiões comerciais da cidade por facilitar os acessos aos pedestres, estacionamentos dos veículos e por consequência uma melhora na fluidez do tráfego na região. 7.8 Refúgio A finalidade principal da construção de um refúgio (uma ou um par de ilhotas na rua) é permitir que o pedestre realize a travessia da via em duas etapas, diminuindo assim o risco de atropelamento, conforme pode-se verificar na Avenida Conselheiro Carrão e na travessia entre a Rua Verbo Divino e a Avenida Santo Amaro (Figuras 7.20 e 7.21). 31 Figura 7.20 – Refúgio de concreto (Gold, 1998). Utiliza-se esta técnica para vias de duplo sentido, com uma largura superior aos 12m e em locais com concentrações de travessia de pedestres como escolas, hospitais, supermercados, paradas de ônibus e cruzamentos. Figura 7.21 – Refúgio de concreto (Acervo pessoal, 2005). Os refúgios possuem vantagens como, não existir necessidade da vinculação à instalação de um semáforo, baixa redução na capacidade da via (embora diminua a largura da via mantém o mesmo número de faixas por sentido) e relativamente barato especialmente se executado em meio-fio moldado “in-loco”. 32 7.9 Canteiro Central O uso de canteiro central em uma via separa os fluxos opostos de veículos, evitando as ultrapassagens na contra-mão. Da mesma forma que o refúgio, o canteiro permite ao pedestre atravessar em duas etapas, conforme verificado na Avenida Salim F. Maluf (Figura 7.22). Figura 7.22 – Canteiro Central (Gold, 1998). Esta técnica é utilizada para vias com características comerciais com uma largura mínima de 14m, apesar de, em alguns casos, ser utilizada em vias com 12m de largura, porém o canteiro central com uma largura mínima de 1m (Figuras 7.23). Figura 7.23 – Canteiro central (Acervo pessoal, 2005). 33 A vantagem na utilização do canteiro central é impedir o movimento indesejável de veículos (retornos e conversões fora dos cruzamentos). Pode ser realizado com prismas de concreto reduzindo substancialmente o custo de implantação. 7.10 Rua de Pedestres – Calçadão Este tipo de técnica tem por objetivo reduzir os conflitos existentes entre veículos e pedestres em vias de zonas comerciais com grande concentração de pedestres, muitas vezes ocupadas por comerciantes informais (ambulantes). Esta técnica é utilizada principalmente nas regiões centrais da cidade (Figuras 7.24 e 7.25). Entre os benefícios da implantação de ruas de pedestres, pode-se destacar o aumento do comércio, redução dos níveis de poluição (sonora, visual e atmosférica) e a preservação dos locais históricos pela redução do trânsito de veículos. Figura 7.24 – Rua de pedestres (Gold, 1998). 34 Figura 7.25 – Rua de pedestres (Gold, 1998). Segundo reportagem do Jornal O Estado de São Paulo de 09 de julho de 2005, em 2006, dez calçadões do centro de São Paulo serão reabertos para o trânsito. Até março de 2007, já foram reabertos 4 calçadões na região central de São Paulo para o tráfego de veículos. As opiniões quanto aos benefícios da reabertura dos calçados se dividem, sendo que para arquitetos e urbanistas os impactos nessas regiões não serão benéficos devido à presença de edifícios históricos e pelo motivo que os calçadões representam um cartão postal para a cidade. Comerciantes não sabem ao certo qual será o impacto no comércio, mas temem a redução do movimento e o aumento na violência devido à dificuldade da circulação de policiais com os calçadões abertos aos veículos. A Prefeitura do Município de São Paulo – PMSP, garante que será feito um trabalho de revitalização nas regiões em questão como a reconstrução das calçadas, troca e padronização das lixeiras e orelhões e melhoria na iluminação. Para garantir a segurança haverá um aumenta de 50% (cinqüenta por cento) no efetivo da Guarda Civil Metropolitana. A previsão é que as obras sejam realizadas em duas etapas abrangendo as ruas 7 de Abril, Florêncio de Abreu até a Rua Líbero Badaró, 24 de Maio, 15 de Novembro, São João – Anhangabaú – Rua Formosa, Silveira Martins – Rua do Carmo e Barão de Itapetininga. 35 7.11 Implantação de Ilhotas As ilhotas são áreas bem definidas, situadas entre as faixas de circulação de trânsito, destinadas a orientar os movimentos de veículos e servir de refúgio aos pedestres (Figura 7.26). Figura 7.26 – Execução de ilhotas separadoras de fluxo (Gold, 1998). Com a sua construção é possível atingir alguns objetivos como, controlar o ângulo de conflito, reduzir a área de conflito, criar zonas de refúgio, ordenar os fluxos de trânsito, controlar a velocidade, dificultar as manobras proibidas, localizar e proteger os dispositivos de controle de trânsito e apoiar a travessia de pedestres (Figuras 7.27). 36 Figuras 7.27 – Ilhotas para orientação do fluxo de veículos (Acervo pessoal, 2005). As ilhotas podem ser classificadas em divisórias e direcionais. As ilhotas divisórias, que separam os sentidos de trânsito iguais ou contrários, são construídas em vias secundárias, nas proximidades de interseções, para ordenar os movimentos de conversão e criar faixas de espera para as conversões à esquerda. As ilhotas direcionais servem para manter os veículos em trajetórias adequadas, de forma que as conversões na interseção se realizem nas áreas previstas e com ângulos e velocidades mais convenientes. Também são utilizadas para ocupar zonas nas quais se quer impedir a circulação de veículos (Figura 7.28). Figuras 7.28 – Ilhotas para impedir a circulação (Acervo pessoal, 2005). 37 As ilhotas devem ser desenhadas de forma a não confundir os condutores. As soluções de canalização devem ter um número pequeno de ilhas grandes, ao invés de utilizar um número grande de ilhotas. Possuir extremidades arredondadas e uma área mínima de 4,5 metros quadrados (preferivelmente de 7 metros quadrados). 7.12 Faixas de Mudança de Velocidade As faixas de mudança de velocidade são acrescentadas à pista de uma rodovia, via rápida ou artéria primária, e permitem ao condutor fazer a mudança de velocidade necessária para entrar em uma via secundária ou incorporar-se ao tráfego de uma via principal, sendo imprescindíveis à segurança (Figuras 7.29 e 7.30). Figura 7.29 – Faixa de mudança de velocidade (Acervo pessoal, 2005). 38 Figuras 7.30 – Faixas de mudança de velocidades (Acervo pessoal, 2005). Em São Paulo, esta técnica é muito utilizada nas principais avenidas como, Marginal Tietê e Pinheiros, Vinte Três de Maio, Vicente Rau e Vereador José Diniz, entre outras onde a velocidade e o volume de veículos são elevados. 7.13 Minirrotatória Desenvolvida na Inglaterra e adaptada a outras cidades em vários países, a minirrotatória permite diminuir o número de conflitos existentes em interseções de vias com baixos volumes de trânsito e elevados índices de acidentes, mediante a diminuição da velocidade de aproximação e ordenamento das conversões (Figuras 7.31 e 7.32). 39 Figura 7.31 – Implantação de minirrotatórias (Roess, 1998). Figura 7.32 – Minirrotatória (Acervo pessoal, 2005). Observa-se que a “negociação” do direito de passagem entre os condutores realizase em velocidades mais baixas e, normalmente, quem está dentro da rotatória consegue a preferência, o que é a regra, no Brasil (CTB, 1997). Na versão desenvolvida pela CET utilizada em centenas de interseções em São Paulo, o seu dispositivo principal compõe-se de um círculo pintado de amarelo no centro do cruzamento, com um raio entre 1m e 8m, rodeado de tachões refletores unidirecionais (Figura 7.33). 40 Figura 7.33 – Minirrotatória com tachões em intersecção de três vias (Acervo pessoal, 2005). Alguns cuidados devem ser tomados na utilização desta técnica como: o local não deve ser itinerário típico de ônibus ou caminhões, o ângulo menor formado pelo eixo das vias que compõe a interseção deverá estar entre 60° e 90°, o local deve possuir boas condições topográficas para permitir a visibilidade do conjunto, o diâmetro da minirrotatória deve ser de 0,35m do diâmetro da maior circunferência que se possa inscrever na área interna da interseção, sem ultrapassar o limite representado pelo meio-fio e deve acompanhar sinalização e a de regulamentação, de uma sinalização horizontal de canalização nas aproximações e de setas horizontais em torno do círculo, para garantir a eficácia do dispositivo. Em bairros de São Paulo como, Alto da Boa Vista, Granja Julieta, Brooklin e Moema, as minirrotatórias são muito utilizadas devido ao baixo nível de tráfego e ao grande número de interseções de vias nas regiões residenciais, não sendo necessária à instalação de semáforos nos cruzamentos. 41 8 TÉCNICAS DE INTERVENÇÃO EXISTENTES – SINALIZAÇÕES Neste capítulo são apresentadas as técnicas de sinalização utilizadas no Município de São Paulo que visam à fluidez, orientação do trânsito e segurança dos veículos e pedestres. Serão apresentadas sinalizações verticais, horizontais, dispositivos de canalização, proteção contínua e temporária e alterações no pavimento. 8.1 Dispositivos e Sinalizações Auxiliares São aqueles constituídos de materiais de composições, formas, cores e refletividades diversas, aplicadas em obstáculos, no pavimento da via ou adjacente à mesma. Sua função básica é incrementar a visibilidade da sinalização ou de obstáculos à circulação, alertando os condutores quanto às situações de perigo potencial ou que requeiram maior atenção, de forma a tornar mais eficiente e segura a operação da via. Os dispositivos podem ser classificados nos seguintes grupos: dispositivos delimitadores, dispositivos de canalização, dispositivos e sinalização de alerta, alterações nas características do pavimento, dispositivos de proteção contínua, dispositivos de uso temporário e painéis eletrônicos. 8.2. Dispositivos Delimitadores São elementos refletores ou que contêm unidades refletoras, apostos em série, fora ou sobre a superfície pavimentada, com o objetivo de melhorar a percepção do condutor quanto aos limites do espaço destinado ao rolamento e a sua separação em faixas. Pode-se separar este dispositivo em três tipos, conforme suas características e funções: • balizadores: refletores, não refletores, monodirecionais e bidirecionais afixadas em suportes (Figuras 8.1 e 8.2); 42 Figura 8.1 – Balizadores refletivos (World Center Import, 2005). Figura 8.2 – Balizador não refletivo (Acervo pessoal, 2005). • balizamento refletivo de pontes e viadutos: unidades refletoras afixadas ao longo do guarda corpo e/ou mureta de proteção de pontes e viadutos; • tachões: elementos de forma quadrada ou retangular contendo unidades refletoras, aplicadas diretamente no pavimento, sobre ou adjacente às marcas longitudinais. Sua cor e unidades refletoras são coerentes com a cor das marcas que acompanham (Figuras 8.3 e 8.4). 43 Figura 8.3 – Tachões refletores na cor branca (Acervo pessoal, 2005). Figura 8.4 – Tachões refletores na cor amarela (Acervo pessoal, 2005). Podem ser mono ou bidirecionais em função de possuírem uma ou duas unidades refletoras nas cores branca ou amarela. Os tipos e as cores das faces refletoras dos balizadores e balizamentos refletivos de pontes e viadutos são definidos conforme se enquadrem nas condições locais, considerando como referencial um dos sentidos de circulação, ou seja, a face voltada para este sentido. 8.3 Dispositivos de Canalização São elementos, geralmente não refletorizados, apostos em série sobre a superfície pavimentada em substituição às guias quando não for possível a construção 44 imediata das mesmas ou para evitar que veículos transponham determinado local ou faixa de tráfego. Sua cor é usualmente branca, podendo ser amarela se contíguas à sinalização horizontal desta cor. Sua forma é normalmente prismática e são executados em concreto (Figura 8.5). Figura 8.5 – Prisma de concreto (Acervo pessoal, 2005). 8.4 Dispositivos e Sinalizações de Alerta Conjunto de elementos colocados ou aplicados junto ou nos obstáculos e ao longo de curvas horizontais, com o objetivo de melhorar a percepção do condutor de veículo quanto a um possível empecilho ao seu deslocamento, a mudanças bruscas no alinhamento horizontal da via, ou em situação de perigo potencial. Figura 8.6 – Sinalização de alerta (Acervo pessoal, 2005). 45 Utilizam usualmente as cores amarela e preta em faixas inclinadas e alternadas, sendo separadas em três grupos. • marcação de obstáculos destinada a alertar o condutor quanto a um possível obstáculo de dimensões significativas; • marcadores de perigo que são placas aplicadas junto a obstáculos tais como pilares de viadutos, cabeceiras de pontes, narizes de bifurcações; • marcadores de alinhamento que são placas refletivas colocadas em série ao longo das curvas horizontais, retornos ou acessos em interseções (Figura 8.6). 8.5 Alterações nas Características do Pavimento São recursos que alteram as condições normais da pista de rolamento, quer pela sua elevação com a utilização de dispositivos físicos colocados sobre a mesma, quer pela mudança nítida de características de rugosidade do próprio pavimento. São utilizados para estimular a redução de velocidade. Podem ser classificados conforme as características do pavimento em: • pavimentos rugosos: obtidos pela alteração da composição granulométrica dos agregados utilizados na fabricação do próprio pavimento; • pavimentos fresados: obtidos pela impressão de ondulações, ressaltos ou ranhuras na superfície do pavimento; • ondulação transversal à via: dispositivos físicos colocados acima do pavimento pintados por marcas oblíquas nas cores preta e amarela alternadamente ou totalmente amarelas. 5.6 Dispositivos de Proteção Contínua São elementos colocados de forma contínua e permanente ao longo da via, feitos de material flexível ou rígido que tem como objetivo evitar que veículos e/ou pedestres transponham determinado local. Podem ser separados em três tipos principais: defensas, barreiras de concreto e gradis (Figura 8.7). 46 Figura 8.7 – Gradis em conjunto com cones (Acervo pessoal, 2005). Em alguns casos, os dispositivos de proteção contínua são utilizados em conjunto com outras proteções para uma melhor eficiência. No município de São Paulo, este dispositivo é muito utilizado em grandes avenidas como na avenida Vinte Três de Maio, onde em alguns trechos são utilizados defensas duplas na divisão das vias evitando a passagem por pedestres e em caso de acidentes, de um veículo desgovernado. 8.7 Dispositivos de Uso Temporário São elementos diversos utilizados em situações especiais e temporários como obras e situações de emergência ou perigo, com o objetivo de alertar os condutores para estas situações, bloquear e/ou canalizar o trânsito e proteger pedestres e trabalhadores, entre outros. Os tipos mais utilizados são os cones, cavaletes, tapumes e elementos luminosos (balde) (Figuras 8.8 e 8.9). 47 Figura 8.8 – Cavalete (CET, 2005). Figura 8.9 – Tapumes com elementos luminosos (Acervo pessoal, 2005). 8.8 Painel Eletrônico É um dispositivo eletrônico disposto verticalmente à via, que fornece informações diversas ao motorista e ao passageiro, principalmente referentes à: • advertência de situação inesperada à frente, tais como, obras na pista, interdição parcial da via, desvios, entre outros; • mensagens educativas ao comportamento dos usuários da via; 48 • placas de regulamentação de velocidade em função do volume de veículos ou de situações perigosas à frente; • mensagens sobre pátios públicos de estacionamentos; • mensagens sobre o volume das vias principais orientando o trânsito para a utilização de outras vias alternativas. 8.9 Sinalização Horizontal É um subsistema da sinalização viária que se utiliza de linhas, marcações, símbolos e legendas, pintados ou apostos sobre o pavimento das vias. Tem como função organizar o fluxo de veículos e pedestres; controlar e orientar os deslocamentos em situações com problemas de geometria, topografia ou frente a obstáculos e complementar os sinais verticais de regulamentação, advertência ou indicação. Diferentemente dos sinais verticais, a sinalização horizontal mantém alguns padrões cuja mescla e a forma de colocação na via definem os diversos tipos de sinais (CTB, 1997), seu padrão de traçado pode ser: • contínua: são linhas sem interrupção pelo trecho da via onde estio demarcando; podem estar longitudinalmente ou transversalmente opostas à via (Figura 8.10); Figura 8.10 – Sinalização horizontal contínua branca (Acervo pessoal, 2005). • tracejada ou seccionada: são linhas seccionadas com espaçamentos de extensão igual ou maior que o traço (Figura 8.11); 49 Figura 8.11 – Sinalização horizontal tracejada branca (Acervo pessoal, 2005). • símbolos e legendas: são informações escritas ou desenhadas no pavimento indicando uma situação ou complementando sinalização vertical (Figura 8.12). Figura 8.12 – Sinalização horizontal como símbolos (Acervo pessoal, 2005). A sinalização horizontal se apresenta em cinco cores, amarela, vermelha, branca, azul e preta, sendo que cada uma delas possui uma utilização específica. São elas: • amarela: utilizada na regulação de fluxos de sentidos opostos, na delimitação de espaços proibidos para estacionamento e/ou parada e na marcação de obstáculos; • vermelha: utilizada na regulação de espaço destinado ao deslocamento de bicicletas leves (ciclovias). Símbolos (Hospitais e Farmácias/cruz); 50 • branca: utilizada na regulação de fluxos de mesmo sentido; na delimitação de espaços especiais, de trechos de vias, destinados ao estacionamento regulamentado de veículos em condições especiais; na marcação de faixas de travessias de pedestres; na pintura de símbolos e legendas. Utilizada na regulação de fluxos de mesmo sentido; na delimitação de espaços especiais, de trechos de vias, destinados ao estacionamento regulamentado de veículos em condições especiais; na marcação de faixas de travessias de pedestres; na pintura de símbolos e legendas; • azul: utilizada nas pinturas de símbolos em áreas especiais de estacionamento ou de parada para embarque e desembarque; • preto: utilizada para proporcionar contraste entre o pavimento e a pintura. A sinalização horizontal também é classificada em marcas longitudinais, marcas transversais, marcas de canalização, marcas de delimitação e controle de estacionamento e inscrições no pavimento. • marcas longitudinais: separam e ordenam as correntes de tráfego, definindo a parte da pista destinada ao rolamento, a sua divisão em faixas, a divisão de fluxos opostos, as faixas de uso exclusivo de um tipo de veiculo, as reversíveis, alem de estabelecer as regras de ultrapassagem (Figura 8.13); Figura 8.13 – Marcas longitudinais (CTB, 1997). 51 • marcas transversais: ordenam os deslocamentos frontais dos veículos e os harmonizam com os deslocamentos de outros veículos e dos pedestres, ou seja, adverte os condutores relativamente sobre a necessidade de reduzir a velocidade e indica a posição de parada, de modo a garantir sua própria segurança e a dos demais usuários da via (Figura 8.14); Figura 8.14 – Marcas transversais (CTB, 1997). • marcas de canalização: também chamadas de "Zebrado ou Sargento" orientam os fluxos de tráfego em uma via, direcionando a circulação de veículos pela marcação de áreas de pavimento não utilizáveis. Podem ser na cor branca quando direcionam fluxos de mesmo sentido e na cor amarela quando direcionam fluxos de sentidos opostos (Figuras 8.15 e 8.16); 52 Figura 8.15 – Marca de canalização amarela (Acervo pessoal, 2005). Figura 8.16 – Marca de canalização branca (Acervo pessoal, 2005). • marcas de delimitação e controle de estacionamento e/ou parada: delimitam e propiciam melhor controle das áreas onde é proibido ou regulamentado o estacionamento e a parada de veículos; • inscrições no pavimento: melhoram a percepção do condutor quanto às condições de operação da via, permitindo-lhe tomar a decisão adequada, no tempo apropriado, para as situações que se lhe apresentarem. 53 8.10 Sinalização Vertical A sinalização vertical é um subsistema da sinalização viária, que utiliza-se de placas, onde o meio de comunicação (sinal) está na posição vertical, fixado ao lado ou suspenso sobre a pista, transmitindo mensagens de caráter permanente e, eventualmente, variáveis, mediante símbolos e/ou legendas pré-reconhecidas e legalmente instituídas. As placas, classificadas de acordo com as suas funções, são agrupadas em um dos seguintes tipos de sinalização vertical: • sinalização de regulamentação: tem por finalidade informar aos usuários das condições, proibições, obrigações ou restrições no uso das vias. Suas mensagens são imperativas e seu desrespeito constitui infração (Figura 8.17); Figura 8.17 – Sinalização de regulamentação (Acervo pessoal, 2005). Sendo necessário acrescentar informações tais como período de validade, características e uso do veículo e condições de estacionamento, além de outras, deve ser colocado, uma placa adicional abaixo do sinal de regulamentação. Esta poderá estar incorporada à principal, formando uma só placa e sempre nas cores branca (fundo), vermelha (tarjas) e preta (símbolos e letras) (Figura 8.18). 54 Figura 8.18 – Sinalização de regulamentação (Acervo pessoal, 2005). • sinalização de advertência: tem por finalidade alertar aos usuários da via para condições potencialmente perigosas, indicando sua natureza. Suas mensagens possuem caráter de recomendação (Figuras 8.19 e 8.20); Figura 8.19 – Sinalização de advertência (Acervo pessoal, 2005). 55 Figura 8.20 – Sinalização de advertência (Acervo pessoal, 2005). • placas especiais: são placas de advertência cuja função é chamar a atenção dos condutores de veículos para a existência ou natureza de perigo na via em razão da possibilidade de ocorrência de situação de emergência no local, ou ainda de mudança na situação do trânsito que vinha se estabelecendo (Figura 8.21); Figura 8.21 – Sinalização de advertência (Acervo pessoal, 2005). • informações complementares: havendo necessidade de informações complementares, estas serão inscritas em placa adicional de forma retangular, colocada abaixo da de advertência com as mesmas cores 56 dessa. Tal placa adicional poderá estar incorporada à principal formando uma só placa (Figuras 8.22 e 8.23); Figura 8.22 – Informações complementares (Acervo pessoal, 2005). Figura 8.23 – Informações complementares (Acervo pessoal, 2005). • sinalização de indicação: tem por finalidade identificar as vias, os destinos e os locais de interesse bem como orientar condutores de veículos quanto aos percursos, os destinos, as distâncias e os serviços auxiliares, podendo também ter como função a educação do usuário. Suas mensagens possuem um caráter meramente informativo ou educativo, não constituindo imposição; 57 • placas de orientação de destino: indicam ao condutor a direção que o mesmo deverá seguir para atingir determinados lugares, orientando seu percurso e distância (Figuras 8.24 e 8.25); Figura 8.24 – Placa de orientação de destinos (Acervo pessoal, 2005). Figura 8.25 – Placa de orientação de destinos (Acervo pessoal, 2005). • placas educativas: tem a função de educar condutores e pedestres quanto ao seu comportamento no trânsito (Figura 8.26); 58 Figura 8.26 – Placa educativa (Acervo pessoal, 2005). • placas indicativas de serviços auxiliares e atrativos turísticos: indicam aos condutores e pedestres os locais onde os mesmos podem dispor dos serviços indicados nas placas e localizar os marcos referenciais de atrativos turísticos. Além dos pictogramas, podem ser utilizados símbolos que representam os marcos referenciais de atrativos turísticos. 8.11 Sinalização Semafórica Sinalização Semafórica é um subsistema da sinalização viária que se compõe de luzes, acionadas alternada ou intermitente através de sistema elétrico/eletrônico, cuja função é controlar os deslocamentos. A sinalização semafórica é separada em dois grupos, a sinalização semafórica de regulamentação e a semafórica de advertência, conforme descrito a seguir: • sinalização semafórica de regulamentação: tem a função de efetuar o controle do trânsito num cruzamento ou seção de via, através de indicações luminosas, alternando o direito de passagem dos vários fluxos de veículos e/ou pedestres (Figuras 8.27 e 8.28); 59 Figura 8.27 – Sinalização semafórica de regulamentação (Acervo pessoal, 2005). • • Figura 8.28 – Sinalização semafórica de regulamentação (Acervo pessoal, 2005). • sinalização semafórica de advertência: tem a função de advertir da existência de obstáculo ou situação perigosa, devendo o condutor reduzir a velocidade e adotar as medidas de precaução compatíveis com a segurança para seguir adiante. Compõe-se de uma ou duas luzes de cor amarela cujo funcionamento é intermitente ou piscante alternado, no caso de duas luzes (Figura 8.29); 60 Figura 8.29 – Sinalização semafórica de advertência (Acervo pessoal, 2005). 61 9 ESTUDO DE CASO O Estudo de Caso analisado tem como finalidade apresentar um via onde foram aplicadas técnicas construtivas visando o aumento da segurança no tráfego de veículos e pedestres. 9.1 Localização O local selecionado para o Estudo de Caso foi a Rua Joaquim Nabuco localizada na Região Sul da Cidade de São Paulo, rua esta localizada entre os bairros de Santo Amaro, Campo Belo, Moema e Itaim Bibi tendo como principais acessos as Avenidas Santo Amaro e Vereador José Diniz (Figura 9.1 e 9.2). A região em questão apresenta grande quantidade de circulação de veículos e pedestres devido a dois fatores principais, comércio com grande diversidade (bancos, restaurantes, farmácias entre outros) e o grande crescimento imobiliário baseado em edifícios de médio e alto padrão. Figura 9.1 – Localização geral da Rua Joaquim Nabuco (Google Earth, 2007). 62 Figura 9.2 – Localização aproximada da Rua Joaquim Nabuco (Google Earth, 2007). 9.2 Situação Inicial O local em análise, inicialmente apresentava uma configuração desfavorável a segurança de veículos e pedestres, possuindo muitos pontos de conflito conforme identificado pelos círculos vermelhos na Figura 9.2 onde eram encontrados pontos de conflito entre duas vias de sentido único, devido ao estacionamento de veículos próximo às esquinas, sinalização vertical e horizontal danificadas e sem manutenção preventiva e distância de travessia de pedestre muito elevada (Figura 9.3). 63 Figura 9.3 – Situação inicial da via (Acervo pessoal, 2007). A via, inicialmente, possuía três faixas de rolamento e passeios estreitos (os trechos demarcados em vermelho na Figura 9.3 indicam a situação inicial da via), porém com o desenvolvimento da região o fluxo de pedestres e veículos sofreu um crescimento muito rápido obrigando a serem aplicadas técnicas construtivas visando o aumento da segurança na região. 9.3 Situação Atual Visando o aumento na segurança de veículos e pedestres, as técnicas implementadas na via foram: estreitamento de via próximo às esquinas e a reorganização e manutenção da sinalização horizontal e vertical (Figura 9.4). 64 Figura 9.4 – Situação atual da via (Acervo pessoal, 2007). 9.4 Análise das Informações Coletadas As principais técnicas construtivas aplicadas no logradouro apresentado foram o estreitamento da via próximo as esquinas não permitindo que veículos estacionem nas esquinas proporcionando maior campo de visão entre condutores e pedestres e a utilização da sinalização vertical e horizontal (Figura 9.5). 65 Figura 9.5 – Estreitamento de pista (Acervo pessoal, 2007). 9.5 Sinalização Utilizada As sinalizações encontradas no local após a revitalização da via são: sinalização vertical de regulamentação, placas de orientação de destino, sinalização semafórica, sinalização horizontal com símbolos e marcas longitudinais (Figura 9.6). Figura 9.6 – Sinalização (Acervo pessoal, 2007). 66 9.6 Técnica Escolhida A utilização do estreitamento da via próximo as esquinas, proporcionou um resultado satisfatório, pois obteve dois resultados importantes, o aumento da segurança de motoristas e pedestres e a não interferência na fluidez do tráfego local conforme apresentado no capítulo sete anteriormente. Outro ponto importante para o aumento na segurança no trânsito da região foi a sinalização vertical e horizontal aplicadas em conjunto orientando e sinalizando os locais necessários conforme apresentado no capítulo oito deste trabalho. Acompanhado da aplicação da técnica construtiva visando a segurança, foi realizado um trabalho de reurbanização da via incluindo reforma das calçadas, acesso para deficiente físico pré-moldado nas esquinas, substituição da iluminação e o plantio de árvores (Figura 9.7). Figura 9.7 – Reurbanização da região (Acervo pessoal, 2007). Como o trânsito diário que se pode verificar no Município de São Paulo, a técnica a ser implementada deve ser analisada primeiramente com o objetivo de proporcionar o aumento na segurança do tráfego, mas não se pode deixar de analisar a questão da fluidez. 67 10 CONCLUSÃO Pode-se verificar com este trabalho os tipos de técnicas de intervenção existentes e utilizadas atualmente para a aplicação em obras e sinalização de projetos viários novos, como também, para a melhoria de pontos específicos considerados críticos, levando-se em consideração a segurança de tráfego tanto dos veículos como dos pedestres que transitam nessas regiões. Com a implementação de técnicas de intervenção adequadas aliadas a uma fiscalização é possível obter resultados satisfatórios com relação à segurança no trânsito do Município de São Paulo. Na grande maioria dos locais apresentados foram utilizadas mais de um tipo de técnica (obras e sinalização). Nota-se também, que o desenvolvimento urbano em determinadas regiões, pode tornar as técnicas de intervenção utilizadas anteriormente ineficientes, sendo necessário adaptá-las visando uma segurança compatível com as necessidades locais. A segurança no trânsito do Município de São Paulo está ligada diretamente com as técnicas de intervenção aplicadas nos pontos críticos das vias sendo de extrema importância para a redução de acidentes de trânsito. 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CET, Companhia de engenharia de tráfego. São Paulo: [s.n.] 2005. Disponível em: <http://www.cetsp.com.br>. Acesso em: 14 dezembro 2005. DENATRAN, Departamento nacional de trânsito. São Paulo: [s.n.] 2006. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidades/xtras/temas.php?.nomemun=S%E30%>. Acesso em: 30 maio 2006. ELETROBRÁS, Comitê de gestão empresarial. Segurança transportes. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. COGE, 1996. 87 p. operacional de ENGENHEIROS discutem situação das vias públicas. Revista engenharia, São Paulo, nov. 1998, v. 56, n. 530, p. 39. GOLD, P. A. Segurança de trânsito: aplicação de engenharia para reduzir acidentes. 1. ed. Brasil: Ed. BID, jun. 1998, 211 p. GOOGLE EARTH, Google. Disponível em: <http://www.earth.google.com.br>. Acesso em: 15 agosto 2007. GRINBLAT, B. M. Noções de engenharia de tráfego. 5. ed. Brasil: [s.n.], maio 1980, 302 p. INSPEÇÃO, trânsito e qualidade de vida. Revista engenharia, São Paulo, ago. 2000, v. 57, n. 539, p. 38. ROESS, R. P. et al. Traffic engineering. 2. ed. Estados Unidos: Ed. Prentice-Hall, 1998, 714 p. SCARINGELLA. Brasil, [2003?]. Disponível em: <http://www.scaringella- transito.com.br/ces-html>. Acesso em: 18 maio 2005. SOUZA, B.. Fim de calçadões divide opiniões. O estado de São Paulo, São Paulo 09 jul. 2005. Caderno Cotidiano, p. C4. 69 GLOSSÁRIO automóvel – veículo automotor destinado ao transporte de passageiros, com capacidade para até oito pessoas, exclusive o condutor. calçada – parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros fins. canteiro central – obstáculo físico construído como separador de duas pistas de rolamento, eventualmente substituído por marcas viárias (canteiro fictício). conversão – movimento em ângulo, à esquerda ou à direita, de mudança da direção original do veículo. cruzamento – interseção de duas vias em nível. dispositivo de segurança – qualquer elemento que tenha a função específica de proporcionar maior segurança ao usuário da via, alertando-o sobre situações de perigo que possam colocar em risco sua integridade física e dos demais usuários da via, ou danificar seriamente o veículo. estacionamento – imobilização de veículos por tempo superior ao necessário para embarque ou desembarque de passageiros. faixa de trânsito – qualquer uma das áreas longitudinais em que a pista pode ser subdividida, sinalizada ou não por marcas viárias longitudinais, que tenham uma largura suficiente para permitir a circulação de veículos automotores. fiscalização – ato de controlar o cumprimento das normas estabelecidas na legislação de trânsito, por meio do poder de polícia administrativa de trânsito, no âmbito de circunscrição dos órgãos e entidades executivos de trânsito e de acordo com as competências definidas neste Código. ilha – obstáculo físico, colocado na pista de rolamento, destinado à ordenação dos fluxos de trânsito em uma interseção. infração – inobservância a qualquer preceito da legislação de trânsito, às normas emanadas do Código de Trânsito, do Conselho Nacional de Trânsito e a regulamentação estabelecida pelo órgão ou entidade executiva do trânsito. 70 interseção – todo cruzamento em nível, entroncamento ou bifurcação, incluindo as áreas formadas por tais cruzamentos, entroncamentos ou bifurcações. manobra – movimento executado pelo condutor para alterar a posição em que o veículo está no momento em relação à via. marcas viárias – conjunto de sinais constituídos de linhas, marcações, símbolos ou legendas, em tipos e cores diversas, apostos ao pavimento da via. parada – imobilização do veículo com a finalidade e pelo tempo estritamente necessário para efetuar embarque ou desembarque de passageiros. passeio – parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas. pista – parte da via normalmente utilizada para a circulação de veículos, identificada por elementos separadores ou por diferença de nível em relação às calçadas, ilhas ou aos canteiros centrais. placas – elementos colocados na posição vertical, fixados ao lado ou suspensos sobre a pista, transmitindo mensagens de caráter permanente e, eventualmente, variáveis, mediante símbolo ou legendas pré-reconhecidas e legalmente instituídas como sinais de trânsito. refúgio – parte da via, devidamente sinalizada e protegida, destinada ao uso de pedestres durante a travessia da mesma. retorno – movimento de inversão total de sentido da direção original de veículos. sinais de trânsito - elementos de sinalização viária que se utilizam de placas, marcas viárias, equipamentos de controle luminosos, dispositivos auxiliares, apitos e gestos, destinados exclusivamente a ordenar ou dirigir o trânsito dos veículos e pedestres. sinalização – conjunto de sinais de trânsito e dispositivos de segurança colocados na via pública com o objetivo de garantir sua utilização adequada, possibilitando melhor fluidez no trânsito e maior segurança dos veículos e pedestres que nela circulam. 71 trânsito – movimentação e imobilização de veículos, pessoas e animais nas vias terrestres. ultrapassagem – movimento de passar à frente de outro veículo que se desloca no mesmo sentido, em menor velocidade e na mesma faixa de tráfego, necessitando sair e retornar à faixa de origem. veículo de passeio – veículo destinado ao transporte de pessoas e suas bagagens. via – superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais, compreendendo a pista, a calçada, o acostamento, ilha e canteiro central. vias e áreas de pedestres – vias ou conjunto de vias destinadas à circulação prioritária de pedestres. 72 ANEXO A Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 Institui o Código de Trânsito Brasileiro O CONGRESSO NACIONAL decreta: CAPÍTULO II DO SISTEMA NACIONAL DE TRÂNSITO Seção I Disposições Gerais Art. 5º. O Sistema Nacional de Trânsito é o conjunto de órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que tem por finalidade o exercício das atividades de planejamento, administração, normatização, pesquisa, registro e licenciamento de veículos, formação, habilitação e reciclagem de condutores, educação, engenharia, operação do sistema viário, policiamento, fiscalização, julgamento de infrações e de recursos e aplicação de penalidades. Art. 6º. São objetivos básicos do Sistema Nacional de Trânsito: I - estabelecer diretrizes da Política Nacional de Trânsito, com vistas à segurança, à fluidez, ao conforto, à defesa ambiental e à educação para o trânsito, e fiscalizar seu cumprimento; II - fixar, mediante normas e procedimentos, a padronização de critérios técnicos, financeiros e administrativos para a execução das atividades de trânsito; III - estabelecer a sistemática de fluxos permanentes de informações entre os seus diversos órgãos e entidades, a fim de facilitar o processo decisório e a integração do Sistema. CAPÍTULO III DAS NORMAS GERAIS DE CIRCULAÇÃO E CONDUTA Art. 26. Os usuários das vias terrestres devem: I - abster-se de todo ato que possa constituir perigo ou obstáculo para o trânsito de veículos, de pessoas ou de animais, ou ainda causar danos a propriedades públicas ou privadas; II - abster-se de obstruir o trânsito ou torná-lo perigoso, atirando, depositando ou abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela criando qualquer outro obstáculo. 73 Art. 28. O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito. Art. 36. O condutor que for ingressar numa via, procedente de um lote lindeiro a essa via, deverá dar preferência aos veículos e pedestres que por ela estejam transitando. Art. 37. Nas vias providas de acostamento, a conversão à esquerda e a operação de retorno deverão ser feitas nos locais apropriados e, onde estes não existirem, o condutor deverá aguardar no acostamento, à direita, para cruzar a pista com segurança. Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá: I - ao sair da via pelo lado direito, aproximar-se o máximo possível do bordo direito da pista e executar sua manobra no menor espaço possível; II - ao sair da via pelo lado esquerdo, aproximar-se o máximo possível de seu eixo ou da linha divisória da pista, quando houver, caso se trate de uma pista com circulação nos dois sentidos, ou do bordo esquerdo, tratando-se de uma pista de um só sentido. Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem. Art. 39. Nas vias urbanas, a operação de retorno deverá ser feita nos locais para isto determinados, quer por meio de sinalização, quer pela existência de locais apropriados, ou, ainda, em outros locais que ofereçam condições de segurança e fluidez, observadas as características da via, do veículo, das condições meteorológicas e da movimentação de pedestres e ciclistas. Art. 42. Nenhum condutor deverá frear bruscamente seu veículo, salvo por razões de segurança. Art. 55. Os passageiros de motocicletas, motonetas e ciclomotores só poderão ser transportados: I - utilizando capacete de segurança; II - em carro lateral acoplado aos veículos ou em assento suplementar atrás do condutor; III - usando vestuário de proteção, de acordo com as especificações do CONTRAN. Art. 56. É proibida ao condutor de motocicletas, motonetas e ciclomotores a passagem entre veículos de filas adjacentes ou entre a calçada e veículos de fila adjacente a ela. (VETADO) Art. 57. Os ciclomotores devem ser conduzidos pela direita da pista de rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita ou no bordo direito da pista sempre que não houver acostamento ou faixa própria a eles destinada, proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas das vias urbanas. 74 Parágrafo único. Quando uma via comportar duas ou mais faixas de trânsito e a da direita for destinada ao uso exclusivo de outro tipo de veículo, os ciclomotores deverão circular pela faixa adjacente à da direita. Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores. Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa. Art. 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios. Art. 61. A velocidade máxima permitida para a via será indicada por meio de sinalização, obedecidas suas características técnicas e as condições de trânsito. § 1º. Onde não existir sinalização regulamentadora, a velocidade máxima será de: I - nas vias urbanas: a) oitenta quilômetros por hora, nas vias de trânsito rápido: b) sessenta quilômetros por hora, nas vias arteriais; c) quarenta quilômetros por hora, nas vias coletoras; d) trinta quilômetros por hora, nas vias locais; II - nas vias rurais: a) nas rodovias: 1) cento e dez quilômetros por hora para automóveis e camionetas; 2) noventa quilômetros por hora, para ônibus e microônibus; 3) oitenta quilômetros por hora, para os demais veículos; b) nas estradas, sessenta quilômetros por hora. § 2º. O órgão ou entidade de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via poderá regulamentar, por meio de sinalização, velocidades superiores ou inferiores àquelas estabelecidas no parágrafo anterior. Art. 62. A velocidade mínima não poderá ser inferior à metade da velocidade máxima estabelecida, respeitadas as condições operacionais de trânsito e da via. Art. 64. As crianças com idade inferior a dez anos devem ser transportadas nos bancos traseiros, salvo exceções regulamentadas pelo CONTRAN. Art. 65. É obrigatório o uso do cinto de segurança para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em situações regulamentadas pelo CONTRAN. 75 CAPÍTULO IV DOS PEDESTRES E CONDUTORES DE VEÍCULOS NÃO MOTORIZADOS Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios ou passagens apropriadas das vias urbanas e dos acostamentos das vias rurais para circulação, podendo a autoridade competente permitir a utilização de parte da calçada para outros fins, desde que não seja prejudicial ao fluxo de pedestres. § 1º. O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres. § 2º. Nas áreas urbanas, quando não houver passeios ou quando não for possível a utilização destes, a circulação de pedestres na pista de rolamento será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila única, exceto em locais proibidos pela sinalização e nas situações em que a segurança ficar comprometida. § 3º. Nas vias rurais, quando não houver acostamento ou quando não for possível a utilização dele, a circulação de pedestres, na pista de rolamento, será feita com prioridade sobre os veículos, pelos bordos da pista, em fila única, em sentido contrário ao deslocamento de veículos, exceto em locais proibidos pela sinalização e nas situações em que a segurança ficar comprometida. § 4º. Os pedestres poderão utilizar-se da pista de rolamento, observadas as normas dos §§ 1º e 2º, quando se deslocarem transportando objetos que atrapalhem a circulação dos demais pedestres. (VETADO) § 5º. Nos trechos urbanos de vias rurais e nas obras de arte a serem construídas, deverá ser previsto passeio destinado à circulação dos pedestres, que não deverão, nessas condições, usar o acostamento. § 6º. Onde houver obstrução da calçada ou da passagem para pedestres, o órgão ou entidade com circunscrição sobre a via deverá assegurar a devida sinalização e proteção para circulação de pedestres. Art. 69. Para cruzar a pista de rolamento o pedestre tomará precauções de segurança, levando em conta, principalmente, a visibilidade, a distância e a velocidade dos veículos, utilizando sempre as faixas ou passagens a ele destinadas sempre que estas existirem numa distância de até cinqüenta metros dele, observadas as seguintes disposições: I - onde não houver faixa ou passagem, o cruzamento da via deverá ser feito em sentido perpendicular ao de seu eixo; II - para atravessar uma passagem sinalizada para pedestres ou delimitada por marcas sobre a pista: a) onde houver foco de pedestres, obedecer às indicações das luzes; b) onde não houver foco de pedestres, aguardar que o semáforo ou o agente de trânsito interrompa o fluxo de veículos; 76 III - nas interseções e em suas proximidades, onde não existam faixas de travessia, os pedestres devem atravessar a via na continuação da calçada, observadas as seguintes normas: a) não deverão adentrar na pista sem antes se certificar de que podem fazê-lo sem obstruir o trânsito de veículos; b) uma vez iniciada a travessia de uma pista, os pedestres não deverão aumentar o seu percurso, demorar-se ou parar sobre ela sem necessidade. Art. 70. Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código. Parágrafo único. Nos locais em que houver sinalização semafórica de controle de passagem será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia, mesmo em caso de mudança do semáforo liberando a passagem dos veículos. Art. 71. O órgão ou entidade com circunscrição sobre a via manterá, obrigatoriamente, as faixas e passagens de pedestres em boas condições de visibilidade, higiene, segurança e sinalização. CAPÍTULO V DO CIDADÃO Art. 72. Todo cidadão ou entidade civil tem o direito de solicitar, por escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança, bem como sugerir alterações em normas, legislação e outros assuntos pertinentes a este Código. Art. 73. Os órgãos ou entidades pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito têm o dever de analisar as solicitações e responder, por escrito, dentro de prazos mínimos, sobre a possibilidade ou não de atendimento, esclarecendo ou justificando a análise efetuada, e, se pertinente, informando ao solicitante quando tal evento ocorrerá. Parágrafo único. As campanhas de trânsito devem esclarecer quais as atribuições dos órgãos e entidades pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito e como proceder a tais solicitações. CAPÍTULO VI DA EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO Art. 74. A educação para o trânsito é direito de todos e constitui dever prioritário para os componentes do Sistema Nacional de Trânsito. § 1º. É obrigatória a existência de coordenação educacional em cada órgão ou entidade componente do Sistema Nacional de Trânsito. 77 § 2º. Os órgãos ou entidades executivos de trânsito deverão promover, dentro de sua estrutura organizacional ou mediante convênio, o funcionamento de Escolas Públicas de Trânsito, nos moldes e padrões estabelecidos pelo CONTRAN. Art. 75. O CONTRAN estabelecerá, anualmente, os temas e os cronogramas das campanhas de âmbito nacional que deverão ser promovidas por todos os órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, em especial nos períodos referentes às férias escolares, feriados prolongados e à Semana Nacional de Trânsito. § 1º. Os órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito deverão promover outras campanhas no âmbito de sua circunscrição e de acordo com as peculiaridades locais. § 2º. As campanhas de que trata este artigo são de caráter permanente, e os serviços de rádio e difusão sonora de sons e imagens explorados pelo poder público são obrigados a difundi-las gratuitamente, com a freqüência recomendada pelos órgãos competentes do Sistema Nacional de Trânsito. Art. 76. A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação. Parágrafo único. Para a finalidade prevista neste artigo, o Ministério da Educação e do Desporto, mediante proposta do CONTRAN e do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, diretamente ou mediante convênio, promoverá: I - a adoção, em todos os níveis de ensino, de um currículo interdisciplinar com conteúdo programático sobre segurança de trânsito; II - a adoção de conteúdos relativos à educação para o trânsito nas escolas de formação para o magistério e o treinamento de professores e multiplicadores; III - a criação de corpos técnicos interprofissionais para levantamento e análise de dados estatísticos relativos ao trânsito; IV - a elaboração de planos de redução de acidentes de trânsito junto aos núcleos interdisciplinares universitários de trânsito, com vistas à integração universidades-sociedade na área de trânsito. Art. 77. No âmbito da educação para o trânsito caberá ao Ministério da Saúde, mediante proposta do CONTRAN, estabelecer campanha nacional esclarecendo condutas a serem seguidas nos primeiros socorros em caso de acidente de trânsito. Parágrafo único. As campanhas terão caráter permanente por intermédio do Sistema Único de Saúde - SUS, sendo intensificadas nos períodos e na forma estabelecidos no art. 76. Art. 78. Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desporto, do Trabalho, dos Transportes e da Justiça, por intermédio do CONTRAN, desenvolverão e implementarão programas destinados à prevenção de acidentes. Parágrafo único. O percentual de dez por cento do total dos valores arrecadados destinados à Previdência Social, do Prêmio do Seguro Obrigatório de 78 Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre - DPVAT, de que trata a Lei nº 6.194, de 19 de dezembro de 1974, serão repassados mensalmente ao Coordenador do Sistema Nacional de Trânsito para aplicação exclusiva em programas de que trata este artigo. Art. 79. Os órgãos e entidades executivos de trânsito poderão firmar convênio com os órgãos de educação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, objetivando o cumprimento das obrigações estabelecidas neste capítulo. CAPÍTULO VII DA SINALIZAÇÃO DE TRÂNSITO Art. 80. Sempre que necessário, será colocada ao longo da via, sinalização prevista neste Código e em legislação complementar, destinada a condutores e pedestres, vedada a utilização de qualquer outra. § 1º. A sinalização será colocada em posição e condições que a tornem perfeitamente visível e legível durante o dia e a noite, em distância compatível com a segurança do trânsito, conforme normas e especificações do CONTRAN. § 2º. O CONTRAN poderá autorizar, em caráter experimental e por período prefixado, a utilização de sinalização não prevista neste Código. Art. 81. Nas vias públicas e nos imóveis é proibido colocar luzes, publicidade, inscrições, vegetação e mobiliário que possam gerar confusão, interferir na visibilidade da sinalização e comprometer a segurança do trânsito. Art. 82. É proibido afixar sobre a sinalização de trânsito e respectivos suportes, ou junto a ambos, qualquer tipo de publicidade, inscrições, legendas e símbolos que não se relacionem com a mensagem da sinalização. Art. 83. A afixação de publicidade ou de quaisquer legendas ou símbolos ao longo das vias condiciona-se à prévia aprovação do órgão ou entidade com circunscrição sobre a via. Art. 84. O órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá retirar ou determinar a imediata retirada de qualquer elemento que prejudique a visibilidade da sinalização viária e a segurança do trânsito, com ônus para quem o tenha colocado. Art. 85. Os locais destinados pelo órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via à travessia de pedestres deverão ser sinalizados com faixas pintadas ou demarcadas no leito da via. Art. 86. Os locais destinados a postos de gasolina, oficinas, estacionamentos ou garagens de uso coletivo deverão ter suas entradas e saídas devidamente identificadas, na forma regulamentada pelo CONTRAN. Art. 87. Os sinais de trânsito classificam-se em: I - verticais; II - horizontais; 79 III - dispositivos de sinalização auxiliar; IV - luminosos; V - sonoros; VI - gestos do agente de trânsito e do condutor. Art. 88. Nenhuma via pavimentada poderá ser entregue após sua construção, ou reaberta ao trânsito após a realização de obras ou de manutenção, enquanto não estiver devidamente sinalizada, vertical e horizontalmente, de forma a garantir as condições adequadas de segurança na circulação. Parágrafo único. Nas vias ou trechos de vias em obras deverá ser afixada sinalização específica e adequada. Art. 89. A sinalização terá a seguinte ordem de prevalência: I - as ordens do agente de trânsito sobre as normas de circulação e outros sinais; II - as indicações do semáforo sobre os demais sinais; III - as indicações dos sinais sobre as demais normas de trânsito. Art. 90. Não serão aplicadas as sanções previstas neste Código por inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou incorreta. § 1º. O órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via é responsável pela implantação da sinalização, respondendo pela sua falta, insuficiência ou incorreta colocação. § 2º. O CONTRAN editará normas complementares no que se refere à interpretação, colocação e uso da sinalização.