REPÚBLICA DEMOCRATICA DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE Ministério de Plano e Finanças ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA Versão final S. Tomé, Dezembro / 2002 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA LISTA DE ABREVIATURAS ACP – Atitudes, Comportamentos e Práticas AFD - Agência Francesa de Desenvolvimento AIDI - Atenção Integrada às Doenças da Infância BAD - Banco Africano de Desenvolvimento BCG - Vacina contra a Tuberculose BCSTP - Banco Central de São Tomé e Príncipe BM - Banco Mundial CCIAS – Câmara de Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços CEEAC - Comunidade Económica dos Estados da África Central CFA - Comunidade Financeira Africana CNE - Centro Nacional de Endemias CPS - Cuidados Primários de Saúde CST - Companhia Santomense de Telecomunicações DCS - Direcção dos Cuidados de Saúde DPAF - Direcção do Plano, Administração e Finanças DPT - Vacina contra a Difteria, Tosse Convulsa e Tétano DST - Doença Sexualmente Transmissível DTS – Direito Especial de Saque ENRP – Estratégia Nacional para a Redução da Pobreza FAC - Fundo de Ajuda e de Cooperação (Cooperação Francesa) FENAPA-STP - Federação Nacional dos Pequenos Agricultores de S. Tomé e Príncipe FENU - Fundo de Equipamento das Nações Unidas FIDA - Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola FMI - Fundo Monetário Internacional FNUAP - Fundo das Nações Unidas para a População FRPC – Facilidade para a Redução da Pobreza e Crescimento GIEPPA - Grupo de Interesses Económicos das Palaiês e dos Pescadores Artesanais GSTP - Governo de S. Tomé e Príncipe GTIP - Grupo de Trabalho Inter- Projectos HIPC - Países Pobres Altamente Endividados HIV - Vírus de Imunodeficiência Humana IEC – Informação, Educação e Comunicação INE - Instituto Nacional de Estatística LCP/DR - Projecto de Luta Contra a Pobreza pelo Desenvolvimento Rural MARAPA - ONG - Mar, Ambiente e Pesca Artesanal MEJC - Ministério de Educação, Juventude e Cultura MICS - Estudo sobre os Indicadores Múltiplos MPF - Ministério do Plano e Finanças NLTPS - Estudos das Perspectivas Nacionais a Longo Prazo NTIC – Novas tecnologias de informação e comunicação OGE - Orçamento Geral do Estado 2 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 3 OMS - Organização Mundial de Saúde ONG - Organização Não Governamental PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa PIB - Produto Interno Bruto PIP - Programa de Investimentos Público PNADD - Plano Nacional de Desenvolvimento Durável PNAPAF - Programa Nacional de Apoio e Promoção da Agricultura Familiar PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento POLIO - Vacina contra a Poliomielite PPADPP - Projecto de Privatização Agrícola e Desenvolvimento de Pequenas Propriedades PPME - Países Pobres Muito Endividados PSR - Programa de Saúde Reprodutiva RDSTP - República Democrática de S. Tomé e Príncipe RGPH – Recenseamento Geral da População e de Habitação SIDA - Síndroma de Imunodeficiência Adquirida SRO - Soro de Reidratação Oral STP – S. Tomé e Príncipe TRO - Terapia de Reidratação Oral UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 4 ÍNDICE Lista de abreviaturas ....................................................................................................... 2 ÍNDICE ............................................................................................................................ 4 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 7 1. A pobreza em S. Tomé e Príncipe: um balanço analítico .................................... 11 1.1. Fase da economia centralizada ....................................................................... 11 1.2. Processo de liberalização da economia .......................................................... 11 1.3. Caracterização genérica da pobreza ............................................................... 12 1.3.1. Evolução da pobreza monetária e das condições de vida ....................... 13 1.3.2. Desigualdades geográficas ..................................................................... 14 1.3.3. Desigualdade social e de género............................................................. 15 1.4. As determinantes da pobreza .......................................................................... 15 1.4.1. No plano económico ............................................................................... 15 1.4.2. No plano social ....................................................................................... 17 1.4.3. No plano político-institucional ........................................................... 1819 1.4.3.1. Desajustamento das instituições democráticas e fraco poder de decisão 19 1.4.3.2. Gestão deficiente dos bens públicos ............................................... 19 1.4.3.3. Sistema de descentralização inadequado ........................................ 19 1.4.3.4. Fraca capacidade da Administração Pública .................................. 19 Pouca participação da Sociedade Civil............................................................... 20 2. Estratégia de redução da pobreza no horizonte 2015 .......................................... 21 2.1. Visão estratégica de curto, médio e longo prazos .......................................... 21 2.2. Objectivos globais de médio e longo prazo .................................................... 21 2.3. Os eixos fundamentais da estratégia............................................................... 21 2.3.1. Reforma das instituições públicas, reforço das capacidades e promoção de uma política de boa governação ........................................................................ 22 2.3.2. Crescimento acelerado e redistributivo .................................................. 22 2.3.3. Criação de oportunidades de aumento e diversificação de rendimentos 22 2.3.4. Desenvolvimento dos recursos humanos e melhoria do acesso aos serviços sociais de base .......................................................................................... 23 2.3.4.1. Educação, Alfabetização, Formação .............................................. 23 2.3.4.2. Saúde .............................................................................................. 23 2.3.5. Criação de mecanismos de seguimento, avaliação e actualização da estratégia 23 2.4. Os riscos da estratégia .................................................................................... 24 3. reforma das instituições públicas, reforço das capacidades e promoção de uma política de boa governação ............................................................................................ 25 3.1. Consolidação do Estado de Direito Democrático ........................................... 25 3.2. Promoção de uma gestão responsável, eficaz e transparente dos bens públicos 26 3.3. Adequação do processo de descentralização e readaptação da administração local 26 3.4. Redimensionamento e modernização da Administração Pública ................... 27 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 5 3.5. Promoção da Sociedade Civil e do seu envolvimento participativo .............. 28 3.6. Desenvolvimento dos mecanismos de acesso à informação e comunicação e promoção de uma cultura de participação .................................................................. 28 4. Crescimento Acelerado e Redistributivo, meio Ambiente e Enquadramento macro-económico........................................................................................................... 29 4.1. Estimular o desenvolvimento do sector privado ............................................ 29 4.2. O investimento e a poupança .......................................................................... 29 4.3. Estratégias sectoriais dos principais sectores e sub – sectores económicos tradicionais ................................................................................................................. 30 4.3.1. Agricultura .............................................................................................. 30 4.3.2. A Pecuária .............................................................................................. 30 4.3.3. Silvicultura e floresta .............................................................................. 30 4.3.4. O Turismo ............................................................................................... 30 4.3.5. Indústria e fileira de produção ................................................................ 31 4.3.6. Pesca e os Recursos Haliêuticos ............................................................. 31 4.3.7. Infra-estruturas........................................................................................ 31 4.3.7.1. Telecomunicações ...................................................................... 3132 4.3.7.2. Energia ............................................................................................ 32 4.3.7.3. Água ...................................................................................................... 32 4.3.7.4. Transportes e Comunicações ................................................................. 33 4.3.8. Sectores não tradicionais: Zonas francas e Petróleo ............................... 33 4.3.8.1. Zonas Francas ................................................................................. 33 4.3.8.2. Hidrocarbonetos (Petróleo, Gaz Natural e Outros) ........................ 33 4.3.9. Comércio, integração internacional, regional e sub-regional ................. 34 4.3.10. Meio Ambiente ....................................................................................... 34 4.4. Enquadramento macro-económico ................................................................. 34 5. Oportunidade de aumento e diversificação de rendimentos para os pobres ....... 37 5.1. Aumento e diversificação das produções ....................................................... 37 5.1.1. Garantia da segurança alimentar............................................................. 38 5.1.2. Melhoria das condições socio-económicas da população do meio rural, urbano e zonas envolventes (luchans e localidades) .............................................. 39 5.1.3. Conservação do património natural ........................................................ 40 5.1.4. Promoção das mulheres e dos jovens ..................................................... 40 5.1.5. Promoção de exportações de bens e serviços ......................................... 40 5.1.6. Industria .................................................................................................. 41 5.1.7. Comércio e Serviços ............................................................................... 42 5.2. Medidas de Política ........................................................................................ 42 5.3. Políticas de Promoção de Micro-Finanças e de Micro-Empresas .................. 42 5.4. Bolsas de segurança para os mais pobres e os mais vulneráveis .................... 43 6. desenvolvimento dos recursos humanos e melhoria dos serviços sociais básicos44 6.1. Educação, Alfabetização, Formação .............................................................. 44 6.1.1. Educação................................................................................................. 44 6.1.2. Alfabetização .......................................................................................... 44 6.1.3. Formação ................................................................................................ 44 6.2. Saúde, Nutrição e População .......................................................................... 45 6.2.1. Saúde ...................................................................................................... 45 6.2.1.1. Política Nacional de Saúde ............................................................. 45 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 6 6.2.1.2. Objectivos gerais ............................................................................ 45 6.2.1.3. Objectivos específicos .................................................................... 45 6.2.2. Política de população .............................................................................. 46 6.3. Água ............................................................................................................... 46 6.4. Saneamento..................................................................................................... 46 7. MECANISMOS DE Execução, seguimento e avaliação da estratégia ............... 47 7.1. Mecanismos de seguimento, avaliação e actualização ................................... 47 7.2. Sistema de Seguimento e Avaliação da Pobreza ............................................ 47 7.3. Medida da pobreza e as diferentes necessidades de informação para avaliar a sua evolução no país .................................................................................................. 47 7.3.1. Os indicadores de seguimento e avaliação da situação da pobreza no país 48 8. Plano de Acções ..................................................................................................... 49 9. IMPLICAÇÕES ORÇAMENTAIS DA ENRP ..................................................... 50 9.1. Questões prévias ............................................................................................. 50 9.2. Áreas de acção prioritárias ............................................................................. 50 9.3. Impactos da economia petrolífera................................................................... 51 9.4. Recursos necessários ...................................................................................... 52 9.5. Fontes de financiamento ................................................................................. 54 A N E X O S .............................................................................................. 59 ANEXO N.º 1 – PLANO DE ACÇÕES......................................................................... 60 ANEXO N.º 2 - Objectivos Quantificados de Redução da Pobreza ......................... 8589 Educação e Alfabetização...................................................................................... 100104 Emprego e Solidariedade Social ............................................................................. 101105 1.2.0. ................................................................................................................. 101105 ANEXO N.º 4 - Lista de Projectos da ENRP incluídos no OGE/2003 ................ 103107 ANEXO N.º 5 - RELATÓRIO DO SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA ............................. 107111 ANEXO N.º 6 - SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA (Resumo das Conclusões e Recomendações) .................................................................................................... 123127 ANEXO N.º 7 - DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA CERIMONIA SOLENE DE ABERTURA DO SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUçÃO DA POBREZA .............................................................................................................. 125129 ANEXO N.º 8 – Discurso de S. Exa. a Ministra do Plano e Finanças na cerimónia de abertura do Seminário Nacional de Validação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza ................................................................................................................... 131135 ANEXO N.º 9 - Discurso de S. E. a Primeira–Ministra e Chefe do Governo na sessão solene de encerramento do Seminário Nacional de Validação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza.......................................................................................... 137141 ANEXO N.º 10 - PROJECTO DE DECRETO Nº________/2002..................... 141145 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 7 INTRODUÇÃO 1. O documento de Estratégia Nacional de Redução da Pobreza representa o resultado de análises sobre a situação actual do País, bem com um pacote de propostas, cuja materialização visa superar as causas da pobreza em S. Tomé e Príncipe a médio e longo prazos e lançar as bases para a criação de condições que viabilizem o desenvolvimento e propiciem o bem-estar dos cidadãos. Antecedentes 2. A iniciativa de sua elaboração é motivada pela percepção dos problemas com que se confronta o País nos mais variados domínios, e que têm contribuído para uma situação de empobrecimento quase generalizado. 3. Um documento do PNUD sobre o limiar da pobreza em S. Tomé e Príncipe, elaborado em 1994, recolheu alguns dados sobre a situação da pobreza em São Tomé e Príncipe. Dele pode-se constatar que 40% da população viviam abaixo do limiar da pobreza e, cerca de 30%, na extrema pobreza. Essa situação deteriorou-se de 1994 a 2000. 4. As dívidas públicas de STP evoluíram entre 1992 e 1999 num ritmo crescente, passando de 172 milhões de dólares americanos para 294 milhões, razão pela qual o Governo estabeleceu como uma das suas prioridades a redução da dívida pública. 5. Nesse contexto, com a assistência técnica do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, o Governo elaborou em Novembro de 1999 o documento de Estratégia Provisória de Redução da Pobreza, cujo projecto foi submetido à apreciação dos parceiros de desenvolvimento e da sociedade civil a vários níveis, para a garantia do consenso nacional sobre o seu conteúdo e para a sua implementação. 6. Devido ao desempenho considerado satisfatório das políticas de estabilização macro-económica entre 1998 e 2000, atingiu-se em Dezembro de 2000 o Ponto de Decisão da Iniciativa HIPC e, como resultado das negociações com os parceiros bilaterais e multilaterais, obteve o perdão de uma parte das dívidas acumuladas e ficou acordada a utilização dos recursos financeiros destinados ao pagamento dos serviços da dívida externa em projectos prioritários para a redução da pobreza. 7. Por outro lado, também ficou estabelecido entre as autoridades santomenses e as instituições de Bretton Woods, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, duas condições para que o País atinja o Ponto de Conclusão da Iniciativa HIPC em 2003: a consolidação do bom desempenho ao nível macro-económico e a elaboração de uma estratégia nacional para a redução da pobreza, através de um processo participativo que envolvesse todas as forças vivas do País. A estratégia nacional de redução da pobreza 8. Partindo da análise da situação da pobreza e da identificação das suas principais determinantes, o presente documento projecta o plano estratégico de S. Tomé e Príncipe para a redução da pobreza através de cinco grandes eixos: ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 9. 8 • Reforma das instituições públicas, reforço das capacidades e promoção de uma política de boa governação; • Crescimento acelerado e redistributivo; • Criação de oportunidades de aumento e diversificação de rendimentos para os pobres; • Desenvolvimento de recursos humanos e acesso aos serviços sociais de base; • Adopção de mecanismos de seguimento, avaliação e actualização da estratégia. Para a materialização dos eixos estratégicos acima mencionados é apresentado em anexo o Plano de Acções através das quais se propõe a redução da pobreza num horizonte que se estende até 2015, pelo cumprimento dos seguintes objectivos globais: • alcançar um ritmo de crescimento do PIB de 5% a partir de 2003; • reduzir a metade a percentagem da população santomense que vive na situação de pobreza até 2010, e a menos de 1/3 até 2015; • conseguir até 2015 o acesso de toda a população aos serviços sociais básicos e promover a melhoria da sua qualidade de vida; • reduzir consideravelmente as diferenças sociais e de género, entre os distritos e entre estes e a Região Autónoma de Príncipe, bem como entre a população urbana e rural; • promover o reforço da capacidade institucional e uma política de boa governação. 10. A vontade política necessária para o perfilhar das opções apresentadas, a estabilidade política e o funcionamento regular das instituições democráticas constituirão os trunfos para a garantia dos resultados esperados. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 9 Quadro organizativo e processo participativo Através do Despacho n.º 4/2001 do Primeiro-Ministro e Chefe do Governo, foi determinada em 29 de Junho de 2001 a elaboração de uma Estratégia Nacional de Redução da Pobreza e adoptado os mecanismos e procedimentos de base para o cumprimento dessa decisão. O quadro organizativo para a elaboração da estratégia nacional de redução da pobreza contemplou: • Comissão de orientação e supervisão, presidida pelo Primeiro-Ministro e Chefe do Governo; • Comité de concertação entre o Estado, a Sociedade Civil e o Sector Privado, presidido pelo Ministro do Planeamento e Finanças; • Comité de concertação entre o Estado e os parceiros de desenvolvimento, presidido pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação; • Comité de Elaboração, presidido pelo Ministro do Planeamento e Finanças; • Secretariado Permanente de Coordenação, como órgão de apoio ao Comité de Elaboração em todas as actividades ligadas à elaboração da estratégia. Para complementar esse quadro, todos os sectores de actividade nacional estavam obrigados a colaborar com o Secretariado Permanente de Coordenação, pondo à disposição todas as informações requeridas para o bom andamento dos trabalhos. Na metodologia utilizada nesse processo foi considerado de grande utilidade apoiar-se na experiência já acumulada a vários níveis no País, pelo que foram considerados os projectos e programas em curso, e retidas as propostas constantes da estratégia provisória estabelecida entre o Governo e as instituições de Bretton Woods. Também foram tidos em conta as experiências de países que registaram resultados rápidos em matéria de preparação da estratégia de redução da pobreza e inspirou-se particularmente no caso da Mauritânia. No cumprimento do processo participativo adoptado, foram criados grupos temáticos, orientados cada um por um membro do Comité de Elaboração, coadjuvado por um consultor-facilitador contratado para o efeito e envolvendo quadros técnicos, incluindo estrangeiros trabalhando em S. Tomé e Príncipe, e representantes do Sector Privado e da Sociedade Civil. Os seis grupos temáticos criados produziram reflexões em torno dos temas seguintes: • Potencialidades de crescimento, enquadramento macro-económico, ambiente; • Oportunidades de aumento e diversificação de rendimento para os pobres; • Educação, alfabetização, formação; • Saúde, nutrição, população; • Governação, descentralização, participação, comunicação, informação; • Análise e seguimento da pobreza. Os Órgãos de Soberania, os responsáveis de Administração Pública, das Autarquias, dos Partidos Políticos, dos Sindicatos e das Entidades Patronais, das distintas Confissões Religiosas, da Sociedade Civil em geral, os parceiros bilaterais e multilaterais, a diversos níveis, tanto nacional como regional e distrital, foram solicitados a se pronunciarem, em cada uma das fases do processo, fazendo apreciações críticas e apresentando sugestões e propostas que pela sua pertinência foram sendo sucessivamente integradas nas quatro versões preliminares do documento. Por outro lado, foram organizados ateliers na capital da Região Autónoma do Príncipe e nas sedes de todos os Distritos em S. Tomé, que contribuíram de igual modo para a diversificação e consolidação das propostas de acções formuladas, tendo em conta o grau de participação neles registados. Após a elaboração e apresentação da quarta versão, o documento de estratégia foi ainda submetido à apreciação do Venerando Conselho de Ministros e a Sua Excelência o Presidente da República, em reuniões que, para além de serem esclarecedoras, constituíram momentos de sensibilização para a pertinência de sua implementação dentro dos prazos estabelecidos. Seguidamente, no quadro da preparação do Seminário Nacional de Validação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza, foram realizadas duas sessões preliminares de discussão com quadros técnicos ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 10 nacionais, representantes dos partidos políticos, das autarquias locais, das igrejas, das organizações não governamentais e da sociedade civil em geral, permitindo, deste modo e uma vez mais, testar a identificação dos presentes com as propostas de acções a serem desenvolvidas no âmbito da implementação da estratégia. Finalmente, em 10 de Dezembro de 2002, em cumprimento da agenda de trabalhos aprovado para o efeito, realizou-se o Seminário Nacional de Validação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza em S. Tomé e Príncipe, cuja cerimónia solene de abertura foi superiormente presidida por Sua Excelência o Senhor Presidente da República, e que contou com a presença e participação dos Excelentíssimos Senhores Presidente da Assembleia Nacional i.e., Primeira-Ministra e Chefe do Governo, Ministros e Altos Funcionários da Administração Pública, Representantes do Corpo Diplomático, das Organizações Internacionais e dos Parceiros de Desenvolvimento de S. Tomé e Príncipe. O Seminário Nacional de Validação da Estratégia também contou com uma presença e participação bastante representativa de quadros técnicos nacionais, representantes dos partidos políticos, de organizações de empregadores, sindicatos, igrejas e confissões religiosas, associações de mulheres, de jovens e de artistas, de organizações não governamentais, da Polícia Nacional e das Forças Armadas. A sessão solene de encerramento foi presidida por sua Excelência, a Primeira-Ministra e Chefe do Governo. 11 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 1. 1.1. A POBREZA EM S. TOMÉ E PRÍNCIPE: UM BALANÇO ANALÍTICO Fase da economia centralizada 11. Conquistada a Independência Nacional em 12 de Julho de 1975, S. Tomé e Príncipe manteve quase inalterada a estrutura produtiva herdada da colonização portuguesa até 1987. A economia baseava-se na monocultura do cacau, cuja exploração passou a ser realizada por empresas agrícolas estatais (EAA) após as nacionalizações das Roças em 30 de Setembro de 1975. O Estado torna-se o principal produtor ao concentrar mais de 90 % das terras de valor agrícola do país. De igual modo, a saúde, a educação e todos os demais sectores, tanto do domínio social como do económico, foram centralizados pelo Estado Santomense. 12. A partir dos inícios da década de 80, a descapitalização das EAA, aliada às péssimas condições de vida dos trabalhadores agrícolas em todo o sector social (habitat sem condições de convivência condignas, favorecendo situações de promiscuidade, saneamento básico nulo, ausência de serviços sanitários nas dependências das EAA) e conjugada com os baixos salários, concorria para alimentar um êxodo rural irreversível. 13. Os assalariados (em alguns casos, famílias inteiras!) abandonam as EAA, formando contingentes que vão acelerar o processo de urbanização desorganizada da segunda metade dos anos 80 e os inícios de 90. Assim, a pobreza rural se associa agora também a pobreza urbana e suburbana. 1.2. Processo de liberalização da economia 14. A liberalização da economia teve o seu início em 1985. Em 1987 foi lançado oficialmente o primeiro Programa de Ajustamento Estrutural com um financiamento do Banco Mundial no valor de 17 milhões de dólares. De igual modo, um Acordo foi concluído com o FMI (Junho/1989) para um crédito de 2,8 milhões de DTS. 15. A agricultura foi um dos primeiros sectores da economia a beneficiar dos créditos do WB; contudo os resultados ficaram muito aquém dos objectivos perseguidos. Foi introduzido um ambicioso programa de privatização de empresas públicas agrícolas e não agrícolas que conduziu à liquidação ou privatização parcial ou total da sua grande maioria. Entre 1988 e 1997, o crescimento do PIB real, apesar de positivo, continua aquém do ritmo de crescimento da população; ou seja, o processo de empobrecimento real mantém-se, embora a taxa de crescimento do PIB consiga finalmente cobrir a taxa de crescimento demográfico, em 1998. 16. Apesar da evolução positiva de alguns indicadores macro-económicos, a situação da dívida externa do país constitui quase que um bloqueio à sua capacidade de negociação externa. No período de 1992 à 1999, ela conheceu um ritmo de crescimento acelerado passando de USD 172 à USD 294 milhões, sendo USD 168,1 milhões correspondente a dívida multilateral e 125,9 a bilateral, como se pode observar no quadro seguinte: Quadro n.º 1: Evolução da Dívida Externa de S. Tomé e Príncipe 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Período considerado Stock da dívida externa 172,0 185,4 205,5 238,0 229,5 238,3 275,7 Multilateral 111,1 122,4 142,9 159,3 162,3 162,9 162,3 Bilateral 60,9 63,0 62,6 78,7 67,2 75,4 113,4 1999 294,0 168,1 125,9 Fonte: Iº Seminário Nacional sobre Análise e Estratégia da Dívida Externa (19 à 31 Outubro de 2000) ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 12 17. Em 2000, a situação económica de S. Tomé e Príncipe continua muito difícil. O déficit das finanças públicas é muito grande, o peso e o serviço da dívida externa não param de crescer, as receitas de exportação diminuem devido a queda dos preços no mercado internacional. Os rácios do saldo primário do Orçamento do Estado, embora tivessem valores decrescentes entre 1996 e 2000, continuam a ser negativos, o que traduz as dificuldades do Estado em poder realizar actividades significativas, no domínio social a favor dos pobres, com os seus próprios recursos. Os juros das dividas também acusam uma evolução ascendente, contribuindo para agravar a situação financeira do Estado. 18. No entanto, os esforços do Governo permitiram conseguir resultados encorajadores em alguns indicadores importantes: i) a taxa de inflação baixa drasticamente para 9,6 % (80,5 % em 1997); ii) a taxa de câmbio em relação ao dólar (USD) estabiliza-se (diferencial inferior a 5 % em relação ao mercado paralelo). E em função dos resultados obtidos no domínio do saneamento económico e financeiro, o país assegurou as condições para negociar com os seus parceiros bilaterais e multilaterais a questão da Dívida Externa e da sua sustentabilidade, e conseguiu alcançar o Ponto de Decisão da Iniciativa HIPC em Dezembro de 2000. 19. Assim, desde o ano 2001, o país vem beneficiando dos recursos financeiros libertados do pagamento do seu serviço da Dívida que são utilizados no financiamento de obras e acções nos sectores sociais (Saúde e Educação) e das infra-estruturas. De assinalar que, para além do Meio Rural, é nesses sectores onde incide mais fortemente a pobreza em S. Tomé e Príncipe. 1.3. Caracterização genérica da pobreza 20. As primeiras tentativas para medir a pobreza no país remontam aos finais dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90. Com efeito, o "Relatório sobre o limiar da pobreza" (1987 à 1990) financiado pelo PNUD e publicado em Janeiro/1991 e o “Limiar da Pobreza em S. Tomé e Príncipe" (período 1991 - 1994) publicado em Março/1995 forneceram os primeiros elementos para análise da pobreza. Ambos estudos utilizaram o método do custo das necessidades essenciais (CNE). Na altura foram feitas várias estimações, em ausência de dados mais fiáveis, o que acabou por dificultar a fiabilidade e a compatibilidade estatística com estudos realizados posteriormente. No entanto, é perceptível o agravamento da situação pelas manifestações exteriores de pobreza (fenómeno “meninos de rua”, abandono de menores, diminuição da taxa bruta de escolaridade no ensino básico, entre outras). 21. Com efeito, o inquérito sobre as condições de vida das famílias (ICVF), que permitiu definir o "Perfil da Pobreza em S. Tomé e Príncipe" (Novembro 2000 à Fevereiro 2001) utilizou o método dos rendimentos médios (RM), e determinou que o limiar de pobreza em S. Tomé e Príncipe era de Dbs. 2.638.618 por ano (cerca de USD 294/ano). Este valor apenas cobre as despesas mínimas de uma refeição diária e algumas despesas não alimentares essenciais (vestuário, alojamento, combustível para confecção das refeições). 22. Por isso, os rendimentos disponíveis para fazer face as demais despesas básicas, sobretudo a educação e a saúde da família são irrisórios. 23. Para o caso da habitação, há 3 aspectos importantes a sublinhar o(a): -i) facto do peso dos recursos dos pobres dedicados a esse necessidade básica terem diminuído durante o período de 1991 à 1994, passando de 6,3 % para 2,7 %; -ii) regime de propriedade do imóvel - o pobre é apenas arrendatário da habitação, com um ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 13 vínculo extremamente frágil resultado de um compromisso de honra assumido entre as partes, normalmente sem nenhuma declaração escrita e muito menos um contrato, podendo o proprietário exigir-lhe a desocupação da casa num período inferior à 3 semanas; e, -iii) ausência de elementos recentes de comparação o que impede o conhecimento da evolução da situação do pobre com relação a habitação nos últimos 7 anos. 1.3.1. Evolução da pobreza monetária e das condições de vida 24. O "Relatório sobre o limiar da pobreza" (1987 à 1990) financiado pelo PNUD e publicado em Janeiro/1991, reporta que a situação dos serviços sanitários se agravou consideravelmente devido a ausência de meios necessários à importação de medicamentos e materiais, bem como para a melhoria das infra-estruturas existentes; doenças como o paludismo e a cólera que quase tinham desaparecido passaram a ter uma forte ascensão, marcada particularmente por uma situação que se tornou endémica, tendo culminado com um surto epidémico da cólera em 1989. A mortalidade infantil tinha aumentado. A pobreza começava a manifestar-se visivelmente, passando de 36% da população total em 1987, para 41% em 1990. 25. Um segundo estudo financiado pela mesma instituição (PNUD) "O Limiar da Pobreza em S. Tomé e Príncipe" (período 1991 - 1994) publicado em Março de 1995 vem confirmar esta tendência; com efeito, em 1992 o índice sobe para 48%. 26. Nesse relatório, foram identificados os grupos sócio-económicos mais vulneráveis à pobreza, a saber: i) os trabalhadores agrícolas; ii) os funcionários dos escalões mais baixos; iii) os pescadores e palaiês; iv) as mulheres chefes de família; e v) os idosos solitários (pessoas com mais de 60 anos). 27. Mais recentemente, o estudo sobre o "Perfil da Pobreza em S. Tomé e Príncipe" (Novembro 2000 a Fevereiro 2001) realizado com o apoio técnico do BIT e financiamento do PNUD e BAD - publicado em Maio de 2001 – confirmou o processo de êxodo rural e a consequente urbanização acelerada; assim, a população urbana estimada em 44 % da população total em 1992, passa a 54,5 % em 2001, segundo o terceiro RGPH. Cerca de 1/3 das famílias santomenses são dirigidas por mulheres. As famílias de 4 a 7 pessoas perfazem 57% da população total enquanto que as maiores (com 8 pessoas ou mais) totalizam 26,7% do total. 28. Segundo o mesmo estudo, a pobreza afecta 53,8 % da população total do país, atingindo mais as famílias dirigidas por mulheres (55,7 %) do que as dirigidas por homens (53 %). A extrema pobreza atinge 15,1 % da população santomense. O tamanho médio da família evolui na razão inversa do seu nível de rendimentos; assim, é de 6,43 pessoas para as famílias extremamente pobres e de 3,78 pessoas para as famílias consideradas não pobres. 29. No que concerne a pobreza das condições básicas de vida (acesso à educação, saúde, água potável, saneamento do meio e habitação), o estudo conclui que 11,8 % da população nunca frequentou uma escola. No mesmo sentido constatou que o analfabetismo aumenta com o grau da pobreza; com efeito, ele atinge 9,6 % da população não pobre em comparação com os 12,9 % dos pobres e 15,9 % dos 14 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA extremamente pobres. Com relação aos cuidados da saúde, o estudo observou que a atenção para com a saúde aumenta com o nível dos rendimentos. Assim, 23,2 % de doentes não pobres já consultaram um médico numa clínica privada contra apenas 8,7 % de doentes pobres e somente 2 % dos extremamente pobres. No que diz respeito a água canalizada, a situação a nível nacional é bastante grave pois apenas19,6 % da população total tem acesso a água canalizada. 9,2 % das famílias extremamente pobres têm agua canalizada em comparação com 13 % das famílias pobres e 25,5% das não pobres. Também o saneamento do Meio apresenta uma situação verdadeiramente catastrófica. Apenas 16 % de famílias santomenses dispõem de uma fossa séptica ou está ligada a uma rede de esgotos pública. 69 % da população satisfaz as suas necessidades fisiológicas ao ar livre. 30. Quando conjugamos os resultados dos 2 últimos inquéritos sobre as condições de vida das famílias (ICVF), obtemos os seguintes resultados: Quadro n.º 2: Estrutura das despesas no limiar da pobreza em S. Tomé e Príncipe (%) Tipo de Despesa 1991 1992 1993 1994 2000/2001 Extremamente pobres Alimentação 73,0 74,6 75,0 84,1 Pobres Não pobres 81,7 79,1 66,17 Educação 0,8 1,9 2,0 1,2 1,2 1,6 2,09 Saúde 3,1 3,9 4,3 3,1 3,2 3,5 5,33 Habitação (renda de casa) 6,3 5,7 5,4 2,7 ____ ____ ____ Outras despesas 16,8 13,9 13,3 8,9 13,9 15,7 26,41 TOTAL 100 100 100 100 100 100 100 Fontes: De 1991 a 1994, dados tomados de: "O Limiar da Pobreza em S. Tomé e Príncipe (período 1991 - 1994)" PNUD, Março de 1995; De 2000/2001, dados tomados de "Perfil da Pobreza em S. Tomé e Príncipe" (Novembro 2000 à Fevereiro 2001) BAD, Maio de 2001. 1.3.2. Desigualdades geográficas 31. O estudo "Perfil da Pobreza em S. Tomé e Príncipe" (Novembro 2000 à Fevereiro 2001) constatou que quase 2/3 da população total (mais especificamente 64 %) vivem na região Centro (Distrito de Água Grande e Mé Zochi) do país. De igual modo, observou uma grande desigualdade na distribuição das despesas de consumo médio/habitante que no meio rural é de quase 1/3 (especificamente 32 %) inferior ao do meio urbano. 32. O fenómeno da pobreza concentra-se em 1º lugar na região Norte (Distritos de Lemba e Lobata) - 70,6 % da população da região -, seguida da região Sul (Distritos de Cantagalo e Caué) - 65,1 % da população da região - , da Região Autónoma do Príncipe ( 60 % da população da região) e da região Centro com 46,4 %. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 1.3.3. 15 Desigualdade social e de género 33. A desigualdade observada na repartição do consumo médio/habitante entre cidade/campo, também se constata em relação ao sexo. Assim, esse consumo é inferior em 11 % para o caso das famílias dirigidas por uma mulher. 34. O consumo médio/habitante é maior em 42 % na categoria sócio-profissional "Independentes" (artesãos, comerciantes, pequenos proprietários de actividades geradoras de rendimentos não agrícolas, etc.) em relação à classe mais pobre, a dos "Agricultores, pescadores e criadores de animais". Esse consumo diminui à medida que se afasta da Capital. 35. De igual modo, o consumo médio/habitante aumenta na razão inversa ao tamanho da família; assim, ela é 2,3 vezes superior para as famílias constituídas por 1 pessoa do que para as que têm 10 pessoas ou mais. 1.4. As determinantes da pobreza 1.4.1. No plano económico 36. No plano interno, a economia está confrontada com os problemas seguintes: baixa produção e produtividade; inflação ainda elevada; incapacidade de gerar empregos; valor da moeda nacional ainda instável; incapacidade de assegurar de uma maneira sistemática os mecanismos de estabilidade financeira; insuficiência de infraestruturas socio-económicas; êxodo rural; desigualdade de acesso aos recursos nacionais. 37. No plano externo, regista-se o insucesso da política de integração regional, uma grande dependência da ajuda externa e das obrigações das dívidas contraídas anteriormente. 38. Os indicadores macro-económicos(*) revelam a grande fragilidade da economia santomense durante o último decénio. No período de 1996 a 1999, verificou-se uma forte redução do PIB por habitante, bem como uma evolução desfavorável das taxas de inflação que aumentou até 80,5% em 1997. A partir desta data, como consequência das medidas de rigor para a estabilização da economia, a inflação baixou para 9,6 %, em 2000. Já nos anos anteriores, os Governos foram tomando medidas de rigor, para assegurar a estabilidade financeira, pelo que começa-se a verificar alguma melhoria da situação. Posteriormente, tendo sido descurado estas medidas, a situação tornou a deteriorar-se. 39. No Meio Rural, a situação de pobreza é condicionada por 2 conjuntos fundamentais de factores: os de natureza estrutural e os de natureza conjuntural. 40. Os factores de natureza estrutural são: - (*) as características do relevo da maior parte da superfície agrícola útil impõem limitações as culturas bem como a possibilidade de sua mecanização; mão-de-obra para a agricultura cada vez mais refractária e onerosa; infra-estruturas deficientes; a dimensão reduzida do mercado interno, aliado a uma escassez manifesta de recursos financeiros e de recursos humanos devidamente qualificados; os elevados custos derivados do isolamento de um pequeno país insular Fonte: Banco Central de S. Tomé e Príncipe ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA - 16 quadro legislativo sectorial desajustado (lei florestal, legislação fundiária inadaptadas).. 41. Os factores de natureza conjuntural são: - política económica desencorajadora para a produção agro-pecuária, facilitando a concorrência à produção local; ausência de políticas concretas em matéria de protecção e de incentivos; gestão e utilização deficiente de recursos financeiros; ausência de política coerente de crédito e de incentivos ao sector; estrutura produtiva deformada, com as receitas em divisas resultantes da exportação de um único produto: o cacau; 42. Assiste-se nos nossos dias a uma grande pressão social sobre a terra e como resultado um número apreciável de famílias recebeu menos de 1,5 ha, chegando mesmo a haver beneficiários aos quais foram atribuídos apenas 0,5 ha, quando a área média de parcelas estipulada por agricultor é de 2,1 ha. Essa prática veio a generalizar-se, contrariando os critérios inicialmente estabelecidos pelo PPADPP e consagrados na Lei, quanto à proporção de áreas destinadas às pequenas parcelas e às médias empresas. 43. No período inicial (1993 a 1995), a produção de cacau conheceu alguns aumentos, à medida que as parcelas eram distribuídas, devido a uma maior eficiência na colheita. Nos anos seguintes, devido ao efeito combinado da deficiente aplicação de fitofármacos para o combate ao míldio (Phytophotora palmivora) e outras pragas e doenças (apenas 22% dos agricultores utilizam pesticidas) e do ressurgimento em força do Rubrocinctus (a partir de 1998), causado pelo abate indiscriminado de árvores, houve quebras acentuadas na produção desse produto. 44. O cacau que estava a gerar os maiores rendimentos às famílias (73% em 1999 contra 66% no ano 2000) e que estava a ser cotado no mercado internacional a um preço superior a USD 2000/ton/ CIF, baixou para metade, tendo-se verificado esta tendência regressiva a partir do ano de 1998. Deste modo, o cacau em goma produzido pelos agricultores passa a ser de Dbs. 1000,00/kg, contrariamente ao preço de Dbs. 2.300,00 por que vinha sendo vendido, originando uma brutal quebra dos seus rendimentos. 45. No domínio de culturas alimentares, apesar dos esforços desenvolvidos pelos agricultores no sentido da diversificação da produção para a obtenção de rendimentos complementares e adicionais (banana, matabala, milho, mandioca, produtos frescos hortícolas), não foram devidamente compensados por causa dos constrangimentos ligados ao seu escoamento e comercialização. 46. No concernente a protecção ambiental, o facto de determinadas medidas legislativas (regulamentares) não terem sido adoptadas em tempo útil, faz com que o sector apresente resultados críticos, a saber : a.- Na utilização de recursos florestais: -a. i) exploração intensa das espécies de alto valor comercial na floresta de sombra; ii) invasão de áreas florestais para a produção de carvão; iii) degradação do sistema de sombreamento da cultura de cacau, tendo causado um forte ataque de rubrocinthus em 1998; iv) grande aumento do número de madeireiros (operadores de motosserra) originando importantes perdas no processo de transformação da madeira (65% a 70%); ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 17 b.- No ambiente : -b. i) deflorestação nas encostas das montanhas para a prática de culturas alimentares, aumentando os níveis de erosão; ii) inadequada utilização dos solos sem ter em conta o seu potencial produtivo; iii) perda da biodiversidade. 47. A flora e a fauna são caracterizadas por uma biodiversidade muito rica e variada, mas encontram-se ameaçadas : a vida animal tende a ficar mais pobre e a floresta densa começa a reduzir-se, dada a falta de racionalidade e de controlo adequado da sua exploração, o que favorece o seu empobrecimento. 48. No domínio da pecuária e apesar do grande esforço de que o sector tem sido alvo, do significativo potencial genético local, das boas áreas de pastos naturais e de instalação de pastos melhorados, bem como de alimentos para as diversas espécies, o sector não conhece melhorias significativas, não só em termos de rendimentos dos criadores como da dieta alimentar. Nas comunidades agrícolas, a grande maioria das famílias (86%) consome carne menos de 1 vez por semana. 49. Nas pescas, os pescadores, não registaram evolução favorável. A coordenação e articulação no terreno das intervenções dos distintos programas e projectos em matéria de infra-estruturas, não tem vindo a decorrer como seria desejável. 50. A aparição de uma classe agrícola dispondo de fracos ou nenhuns meios em capital faz questionar sobre o modo de financiamento dessas novas estruturas agrárias para a valorização e intensificação das terras concedidas. 51. À partir de 1997, o acesso ao crédito através das caixas rurais descentralizadas esteve limitado a financiamento a curto prazo, sem ter em conta as necessidades objectivas das parcelas e dos respectivos beneficiários. 52. As difíceis condições de vida do meio rural têm tido um impacto negativo nas mulheres, particularmente nas que receberam parcelas de terra. 1.4.2. No plano social 53. Tanto a formação como a educação beneficiaram ao longo desses últimos anos de uma mobilização considerável de recursos financeiros tanto a nível dos parceiros da cooperação internacional como a nível dos recursos internos. No período 19901995, a ajuda externa representou 12,5% para educação e 14,5% para formação. 54. No ano lectivo 2000 – 2001, os efectivos escolares no ensino primário, foram de 22 270 alunos, sendo 11 577 masculinos e 10 689 femininos. 55. Os valores percentuais referentes a distribuição da população escolar por Distrito do país, são elevados nos Distritos de Água Grande e Mé Zóchi (39 % e 40 % em 2000 - 2001), mas mantém-se nos Distritos de Lembá e na Região Autónoma do Príncipe com 7 % e 4 %, respectivamente. Distrito Ano Lectivo 1999-2000 Ano Lectivo 2000-2001 Água_Grande 39% 40% Mé-Zóchi 26% 25% Cantagalo 9% 9% Caué 4% 4% Lobata 10% 11% Lembá 7% 7% Príncipe 4% 4% Fonte: Estudo Preliminar sobre a Carta Escolar, 2000 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 18 56. A existência de escolas secundárias em todos os distritos do país não significa o fácil acesso do conjunto da população em idade escolar a esse nível de ensino. A dispersão geográfica, a má acessibilidade, a falta e os altos custos dos meios de transportes são elementos que condicionam o acesso à educação. 57. As instalações escolares registam todas uma ocupação muito intensa. No entanto, verifica-se a incapacidade do Estado para garantir a recuperação dos edifícios e a extensão do Parque Escolar face a crescente procura. 58. Os professores que asseguram a docência em quase todos os níveis de ensino têm uma formação científica globalmente bastante baixa e praticamente não têm qualquer qualificação pedagógica. 59. A quase inexistência de transportes colectivos e as distâncias, algumas vezes, consideráveis que as crianças têm de percorrer condiciona a frequência as aulas e está na base de uma alta proporção do abandono escolar. 60. No domínio da saúde, os principais problemas têm a sua origem em situações preveníveis, como as que provocam o paludismo, as doenças respiratórias agudas e as doenças diarreicas que constituem as principais causas de mortalidade e de morbilidade da população. 61. A malnutrição tem também uma elevada responsabilidade nas causas de morte em crianças menores de 5 anos, estimada em cerca de 15%. 62. As anemias nutricionais - deficiência de ferro- reportam valores de hemoglobina abaixo da norma em mais de 60% da população inquirida. O índice de prematuridade (baixo peso à nascença) situa-se nos 15,2 (MICS /2000). 63. Por outro lado, o aprovisionamento de medicamentos em S. Tomé e Príncipe é bastante imperfeito e frágil. O circuito de medicamentos vem padecendo de várias falhas no interior do sistema sanitário. 64. Até 1960, a população sãotomense apresentava uma estrutura, em que a faixa etária entre os 15 e os 59 anos representavam 60,9 %. A partir de 1970, esta tendência inverte-se e assim em 1991, 46,9 % da população pertencia ao grupo etário dos 0-14 anos e 42,1 % em 2001. 65. Esta proporção de população jovem incluindo também a população de mais de 65 anos (4,4% em 1991 e 4,3 % em 2001) conduz a uma proporção de dependência alta (51,3 % em 1991). Por outro lado, uma população jovem implica uma maior procura de infra-estruturas e serviços sociais e também uma forte pressão sobre o mercado de trabalho. 66. O processo de urbanização, verifica-se sobretudo no distrito de Água Grande, seguido pelo de Mé-Zóchi. A população de Água Grande passou de 15% da população total em 1960 para 36,5% em 1991 e 37,7 % em 2001. Segundo o último recenseamento, a população de Água Grande e Mé-Zóchi juntas é 63,2 % da população total. 1.4.3. No plano político-institucional 67. Ao longo dos últimos 12 anos houve conflitos institucionais repetidos e momentos prolongados de instabilidade política. Até Outubro de 2002, o país experimentou nove (9) diferentes governos. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 19 68. Por outro lado, como consequência de crises sucessivas e da falta de capacidade de decisão, regista-se por um lado, a falta da autoridade do Estado, e, por outro, uma deficiente manutenção da ordem pública. 1.4.3.1.Desajustamento das instituições democráticas e fraco poder de decisão 69. O actual número de deputados à Assembleia Nacional não corresponde à necessidade de racionalização do aparelho de Estado, tendo em conta a realidade do país, nomeadamente a dimensão do território, a população e a actual capacidade económica e financeira. 70. Às mudanças de Governos, todos eles de composições diferentes, sucedem-se nomeações, exonerações, mexidas ao nível do corpo técnico nos Ministérios. As motivações político-partidárias, o clientelismo, o compadrio, o amiguismo e as relações familiares sobrepõem-se a critérios de competência e antiguidade. 71. Os Tribunais confrontam-se com carência de quadros capacitados, reduzidos recursos orçamentais, meios materiais e de equipamentos insuficientes ou inadequados ao exercício das suas funções. Embora já tenha sido aprovada a lei sobre a sua criação, o Tribunal de Contas não está a funcionar. 1.4.3.2.Gestão deficiente dos bens públicos 72. Ao nível do Orçamento Geral do Estado, a programação de despesas nem sempre é feita em função de objectivos concretos e definidos num quadro de prioridades. Há falta de rigor no engajamento de despesas correntes. Não há garantia de transparência nos procedimentos de aquisição de bens e serviços e de adjudicação de obras solicitadas por organismos ou entidades do sector público. As autarquias recebem ajudas provenientes de instituições congéneres no quadro de parceria ou geminação, das quais não há qualquer controlo. 1.4.3.3.Sistema de descentralização inadequado 73. Uma década após o início do processo de descentralização, as estruturas políticoadministrativas locais não têm sido um instrumento eficaz de apoio à população na resolução dos seus problemas de ordem social, habitacional e profissional. 74. Por outro lado, nos termos da lei, as eleições tanto locais como regionais têm lugar de três em três anos. Mas após as eleições locais de 1992 e regionais de 1995 não voltaram a realizar-se eleições autárquicas. 75. Constata-se hoje que a divisão territorial adoptada não é a mais adaptada para a realidade de um país de 1001 quilómetros quadrados, com menos de 140 mil habitantes e com limitados recursos disponíveis. 1.4.3.4.Fraca capacidade da Administração Pública 76. A Administração Pública caracteriza-se pela falta de eficiência dos seus serviços fraca capacidade de decisão por parte de entidades responsáveis, ausência de critérios sobre as formas de relacionamento e de responsabilização ao nível da estrutura orgânica dos serviços, a insuficiência de quadros qualificados, baixo nível de salários, incumprimento dos horários de trabalho, absentismo frequente, falta de ética no atendimento do público. 77. Desde 1997 foi adoptado um novo Estatuto da Função Pública (Lei n.º 5/97). No entanto, continua a registar-se alterações periódicas das estruturas dos serviços, conforme as mudanças dos respectivos responsáveis e critérios imprecisos no ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 20 enquadramento do pessoal. Considera-se mesmo que o próprio Estatuto é inadaptado, pelo que precisa ser novamente revisto. Pouca participação da Sociedade Civil 78. Têm sido criados vários grupos de iniciativas de carácter económico e associações para promover interesses ou gerir infra-estruturas e serviços comuns. Embora seja notória alguma dinâmica nos esforços de participação na vida cultural, social, política e económica, a Sociedade Civil continua de débil organização e pouco actuante. 79. Embora a rede telefónica cubra quase todas as zonas habitadas, o seu acesso à população pobre é ainda bastante limitado. A utilização dos Serviços da Internet circunscreve-se mais aos funcionários superiores da administração pública, do sector privado e de uma percentagem baixíssima da população urbana, situada sobretudo na capital do país, embora se registe anualmente o aumento do número de utilizadores. 80. A Rádio continua a ser o meio de comunicação por excelência. Cerca de metade das famílias têm aparelhos de rádio. A imprensa escrita é mais diversificada. Mas porque uma parte significativa da população é analfabeta, uma aposta na comunicação no sentido da estratégia de redução da pobreza passa necessariamente pela adequação das informações e programas radiofónicos e televisivos tendo em conta os grupos alvos específicos. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 2. 21 ESTRATÉGIA DE REDUÇÃO DA POBREZA NO HORIZONTE 2015 2.1. Visão estratégica de curto, médio e longo prazos 81. Tendo em conta as principais determinantes da pobreza e apoiando-se num cenário optimista inspirado nos estudos nacionais de perspectivas a longo prazo, a estratégia visa uma redução significativa da pobreza num espaço temporal que se estende até 2015, mediante um bom aproveitamento das potencialidades humanas, recursos naturais e materiais do País, bem como da cooperação bilateral e multilateral. 2.2. Objectivos globais de médio e longo prazo 82. A estratégia deverá, pela implementação das acções inscritas em cada um dos seus eixos, dar lugar ao cumprimento dos seguintes objectivos globais a médio e longo prazos: - Reduzir a metade a percentagem da população santomense (53,8%) que vive na situação de pobreza até 2010 e a menos de 1/3 até 2015; Conseguir até 2015 o acesso de toda a população aos serviços sociais básicos e promover a melhoria da sua qualidade de vida; Reduzir consideravelmente as diferenças sociais e de género entre os Distritos e entre estes e a Região Autónoma do Príncipe. 5.o Por outro lado, as acções inscritas ao nível dos diferentes eixos estratégicos têm em conta a necessidade de se atingir as metas previstas no quadro do cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), na medida em que o Governo está engajado no processo conducente ao alcance das referidas metas. 2.3. Os eixos fundamentais da estratégia 83. Apesar de se reconhecer que o crescimento económico é fundamental para a redução da pobreza, pelos efeitos que pode ter na criação de emprego e rendimentos susceptíveis de serem investidos nos sectores que directa ou indirectamente favorecem a melhoria das condições de vida dos pobres, elegeu-se como prioridade absoluta a promoção de uma política de boa governação. 84. Essa opção estratégica visa responder à necessidade de consolidar o Estado de Direito Democrático e defender os direitos humanos, adequar e capacitar as instituições e organismos da administração pública, reforçar os mecanismos de responsabilização e de prestação de contas e promover uma cultura de participação dos cidadãos na tomada e seguimento das medidas para a solução dos seus problemas. 85. Pretende-se que através dessa opção sejam garantidas as condições que viabilizem um compromisso de cumprimento da estratégia de redução da pobreza, bem como as respectivas adaptações em função da evolução da situação socioeconómica e dos níveis de pobreza no País. 6.o Assim, a estratégia de redução da pobreza em S. Tomé e Príncipe desenvolve-se a partir dos cinco (5) eixos fundamentais seguintes: - Reforma das instituições públicas, reforço das capacidades e promoção de uma política de boa governação ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA - 22 Crescimento acelerado e redistributivo Criação de oportunidades de aumento e diversificação de rendimentos Desenvolvimento de recursos humanos e acesso aos serviços sociais de base Mecanismos de seguimento, avaliação e actualização da estratégia 2.3.1. Reforma das instituições públicas, reforço das capacidades e promoção de uma política de boa governação 86. Tendo em conta a situação actual, o eixo estratégico relativo à promoção de uma boa governação pró redução da pobreza, num horizonte temporal de médio e longo prazos até 2015, articula-se em torno da necessidade de: −• manutenção da estabilidade política; −• consolidação das instituições democráticas; −• fortalecimento da transparência e responsabilidade na gestão dos bens públicos; −• adequação das políticas de descentralização e reorganização da administração regional e local; −• promoção do envolvimento participativo do sector privado e da sociedade civil na concepção e execução de medidas que beneficiem as populações pobres; −• promoção da contribuição da comunicação e informação no processo de redução da pobreza. 2.3.2. Crescimento acelerado e redistributivo 87. O desenvolvimento agrícola é e deve continuar a ser uma componente essencial do crescimento, diversificação da produção, comercialização, emprego e retenção da população nas zonas rurais. 88. O relance dos sectores produtivos apoiar-se-á assim sobre os três pólos seguintes: o desenvolvimento do sector primário como factor de aumento da produção nacional, da criação de emprego e da diversificação do sector secundário; a valorização turística e piscatória do arquipélago; a promoção de novos sectores de crescimento, voltada para a exportação. 2.3.3. Criação de oportunidades de aumento e diversificação de rendimentos 89. Nos próximos 15-20 anos, toda a acção governativa nesse sentido deverá ter primeiramente como objectivo essencial, o estabelecimento de um ambiente económico e institucional estável, através da definição de políticas que devidamente enquadradas, visem estruturar e desenvolver o meio rural e urbano, articulando-se em torno de: - crescimento e diversificação das produções; garantia da segurança alimentar; melhoria das condições socio-económicas da população do meio rural, urbano e zona envolvente (luchans e localidades); conservação do património natural ; promoção das Mulheres e dos Jovens; - desenvolvimento da capacidade de exportação. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 23 2.3.4. Desenvolvimento dos recursos humanos e melhoria do acesso aos serviços sociais de base 2.3.4.1.Educação, Alfabetização, Formação 90. No que respeita à Educação, Alfabetização e Formação, a estratégia visa o cumprimento dos seguintes objectivos globais: −− a erradicação do analfabetismo; −− o cumprimento da escolaridade obrigatória de 6 anos; −− a igualdade de oportunidades efectiva no acesso e permanência no ensino secundário. −− a formação de recursos humanos para responder às necessidades de desenvolvimento do país. 91. Alguns princípios orientadores devem nortear a implementação da reforma com vista ao alcance desses objectivos, tendo em conta a necessidade de redução da pobreza: •− abordar os problemas de acordo com as prioridades estabelecidas; •− apoiar-se em dados e informações fiáveis no processo de tomada de decisões; •− considerar o reforço das capacidades como uma aposta (formação, modernização dos serviços, melhoria de gestão); •− promover o princípio da solidariedade responsável. 2.3.4.2.Saúde 92. A visão estratégica relativamente à problemática da saúde tem em conta a melhoria qualitativa do estado de saúde das populações e do respectivo bem-estar. Nesse sentido ela sustenta-se numa Política Nacional de Saúde (PNS) que reconhece a natureza social das prestações de saúde, enquanto um factor de desenvolvimento, de justiça social e de luta contra a pobreza. 93. Caberá ao sistema nacional de saúde garantir a saúde da população são-tomense, através da formulação e execução de políticas que visem a redução de riscos de doenças e de outros agravos, do estabelecimento de condições que assegurem um acesso universal e equânime às acções e serviços de promoção, protecção, recuperação e manutenção da saúde, tendo em atenção os factores determinantes e condicionantes desse estado de bem-estar. 2.3.5. Criação de mecanismos de seguimento, avaliação e actualização da estratégia 94. Face a experiências anteriormente vividas de iniciativas valiosas e custosas, que ficaram pelo caminho, nomeadamente o Estudo das Perspectivas Nacionais a Longo Prazo, há o risco de iniciativas pontuais se sobreporem às exigências de coerência no seguimento, avaliação e reactualização, que a estratégia nacional de redução da pobreza requer. Essa preocupação legitima a inclusão dos mecanismos de seguimento, avaliação e actualização da estratégia também como opção estratégica. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 2.4. 24 Os riscos da estratégia 95. Em primeiro lugar, requer a existência da estabilidade política e o normal funcionamento das instituições, aliás, componentes intrínsecos à própria estratégia. Importa, pois, que sejam sanadas, e a curto prazo, as causas que estiveram na base dos conflitos institucionais, registados no passado. 96. Em segundo lugar, para se atingir os objectivos da presente estratégia, torna-se necessário o envolvimento e a assunção de todos os órgãos de soberania, assim como dos principais actores do desenvolvimento, quer públicos quer privados, na implementação de uma dinâmica favorável à execução das suas diferentes fases num quadro participativo, coerente e organizado, sem perder de vista a necessidade do controlo sistemático das mesmas, o que dificilmente se consegue em situações de perda de confiança nos ou entre os membros do Executivo. 97. Além disso, é deveras importante assegurar a participação/compromisso dos parceiros bilaterais e multilaterais, disponibilizando os meios necessários e outros apoios ao financiamento e execução de cada uma das fases. 98. E, finalmente, considerando que estão em curso as iniciativas em torno do dossier petróleo, há o risco de confrontação com acções determinadas por novas orientações de governação incompatíveis com a visão estratégica projectada para a redução da pobreza no horizonte temporal estabelecido. 99. Todavia, esses riscos poderão ser ultrapassados, desde que continue a se manifestar a firme vontade política para a sua implementação, por um lado, e, por outro, se forem redinamizados os esforços de concertação entre os vários actores sociais de forma a encontrar consensos sobre as acções prioritárias de cada etapa posterior. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 3. REFORMA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS, REFORÇO CAPACIDADES E PROMOÇÃO DE UMA POLÍTICA DE GOVERNAÇÃO 3.1. 25 DAS BOA Consolidação do Estado de Direito Democrático 100. A consolidação do Estado de Direito Democrático passa necessariamente por: − Um amplo consenso em torno da revisão constitucional, visando clarificar as disposições ambíguas, nomeadamente no concernente aos limites da separação dos poderes e da competência de cada órgão de soberania, e expurgar focos de potenciais conflitos institucionais; − Reposição da autoridade de Estado através do reforço das capacidades para o cumprimento das leis e da manutenção da ordem pública democrática, por um lado, e, por outro, através de iniciativas de informação e sensibilização sobre as normas de conduta cívica e moral. − Uma reorganização da Assembleia Nacional a partir da aceitação consensual da necessidade de sua adaptação à dimensão do País e de garantia da efectiva representatividade em função de uma divisão política-administrativa mais realista. Nesse quadro não seria demais uma reflexão profunda sobre a necessidade de eventual definição do perfil dos deputados como garantia de uma representação mais equilibrada das respectivas circunscrições ou círculos eleitorais. − Uma presença condigna e percentualmente representativa de mulheres deverá ser encorajada e transformar-se em norma. Por outro lado, deverão reforçar essa posição as iniciativas de formação com vista à qualificação dos parlamentares nos diversos domínios que requeiram a sua intervenção no quadro das missões específicas da Assembleia Nacional, incluindo as das suas diferentes Comissões. − Concepção e fixação por lei de uma composição do Governo a partir dos imperativos de uma administração central com base na realidade económica, social e cultural e com base na disponibilidade de recursos, tanto humanos como financeiros, para o seu efectivo funcionamento. Nessa perspectiva deverão ser fixados os Ministérios-chave que devem fazer parte da composição de qualquer Governo. − Reforço do sistema e estruturas judiciais visando promover a sua eficácia, a sua aproximação dos cidadãos vulneráveis e desprotegidos e a confiança dos cidadãos nos Tribunais independentes. Urge para isso que as instâncias da justiça sejam objecto de um tratamento que permita a sua verdadeira dignificação, bem como a dos respectivos magistrados, funcionários ou técnicos. A administração da justiça no quadro estratégico de redução da pobreza deverá não só privilegiar a protecção dos direitos humanos fundamentais e garantir a segurança, mas também contribuir para a promoção da igualdade dos cidadãos perante a lei, a luta contra a discriminação sexual, contra a violência de que são vitimas as mulheres e contra a corrupção. 101. Cabe nesse âmbito uma referência particular às forças militares e paramilitares, cuja problemática no contexto de um País pequeno, insular e pobre, deverá merecer ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 26 uma especial atenção, e ser objecto de partilha de reflexões entre os mais diversos actores da vida política, social e económica do País. 102. Esse exercício de reflexão deverá conduzir à apropriação de um conceito próprio de Estratégia de Defesa Nacional, que tanto se compatibiliza com os esforços de redução da pobreza, como facilita a apresentação de um pacote consensual de serviços que sejam eficazes na garantia dos direitos soberanos da Nação Santomense. 3.2. Promoção de uma gestão responsável, eficaz e transparente dos bens públicos 103. A gestão dos bens públicos constitui um dos domínios cujas consequências podem determinar a orientação das intervenções a favor dos grupos sociais mais pobres ou vulneráveis. 104. Mas a ineficiente gestão dos bens públicos, associada ao funcionamento deficiente dos Tribunais, costuma ser apontada entre os problemas com que se confronta o país. 105. Assim, a estratégia nacional de redução da pobreza compreende para uma boa governação económica e em coerência com os propósitos de redução da pobreza as medidas seguintes: i. “Vulgarizar”, através dos meios de comunicação social e outros, a importância e necessidade de responsabilidade, transparência e prestação de contas respeitantes à gestão da coisa pública; ii. Reforçar os mecanismos de preparação, elaboração, aprovação e execução do Orçamento Geral de Estado, considerando que as opções orçamentais deverão incidir em acções estratégicas de redução da pobreza; iii. Promover a responsabilidade e prestação periódica de contas ao nível dos serviços de cobrança de receitas do Estado; iv. Acelerar o processo de implantação e funcionamento do Tribunal de Contas e muni-lo de meios humanos e materiais que permitam o exercício independente das suas funções, particularmente nos domínios da luta contra a fraude e a corrupção; v. Proceder à inventariação de todos os bens públicos e a sua afectação a exactores com a responsabilidade de prestação regular de contas. 3.3. Adequação do processo de descentralização e readaptação da administração local 106. Numa perspectiva de descentralização a longo prazo, não se pode perder de vista nem a dimensão do País, nem o número dos seus habitantes, nem o seu potencial económico, em função dos quais deverá ser configurada a nova divisão políticoadministraviva, para se evitarem gastos desnecessários com a proliferação de estruturas de representação autárquicas. 107. Também nessa matéria, a solução dos problemas parece depender mais da vontade política do que dos entraves encontrados ao nível das leis que regulam as formas de existência e de funcionamento das autarquias. Tendo em conta a actual situação, a estratégia considera pertinente que as seguintes acções sejam empreendidas: ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 27 a) Revisão e/ou actualização dos instrumentos jurídico-legais, Constituição da República e Lei da Divisão Político-Administrativa inclusivé, que regem a organização, estruturação e funcionamento dos órgãos de poder local; b) Necessidade urgente de criação de um serviço de inspecção autárquica enquanto instrumento imprescindível no âmbito do exercício de tutela por parte do Governo nos termos da lei, com atribuições específicas que não são cobertas pela actual Inspecção de Finanças; c) Criação de mecanismos de coordenação interna ao nível do Governo face à necessidade de trabalho conjunto no âmbito do ordenamento do território e do meio ambiente; d) Estudo e criação de procedimentos para a concretização dos propósitos de desconcentração dos serviços sociais de base em benefício das populações circunscritas aos distritos e sua maior aproximação dos cidadãos; e) Definição de mecanismos de apoio conforme a solicitação das Câmaras, enquanto ainda não dispõem de recursos próprios para o andamento dos seus projectos; f) Programação, preparação e organização das eleições, quer autárquicas, regionais e locais, visando repor a regularidade do processo de representatividade democrática, conforme a vontade dos eleitores; g) Apoio às autarquias para que possam exercer conjuntamente com o sector privado e com a sociedade civil organizada um papel fundamental no desenvolvimento socio-económico, cultural e ambiental das localidades, tendo em conta as aspirações das populações respectivas. 3.4. Redimensionamento e modernização da Administração Pública 108. Os sucessivos diagnósticos da Administração Pública feitos no País identificaram vários constrangimentos institucionais, incluindo a fragilidade da gestão dos recursos humanos, a inadequabilidade ou não aplicação dos processos administrativos, sistemas de informação estatística pobres e fraca coordenação das ajudas. 109. Um esforço para a reorganização e modernização da Administração Pública deve reconsiderar a curto e médio prazos: - A adaptação às novas missões do Estado na sequência do seu afastamento da esfera produtiva; - A descentralização efectiva dos serviços, visando a sua proximidade dos cidadãos, e tendo em conta na reorganização da Administração Regional e Local o reforço das capacidades para dar satisfação às necessidades da população; - Uma orientação precisa sobre a missão e funcionamento de cada instituição (evitar duplicações); - A formação/capacitação adequada do staff indispensável para o seu bom funcionamento; - A aquisição de meios materiais e equipamentos adequados; - A institucionalização de mecanismos de prestação regular de contas nos mais diversos níveis; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 3.5. 28 - Níveis salariais mais compatíveis com as exigências de competência necessária, como forma não só de estimular a disciplina e a eficiência e de superar a vulnerabilidade à corrupção, mas também de dignificar o exercício da Função Pública; - A obrigatoriedade de organização e actualização periódicas dos dados estatísticos sobre as evoluções nos diferentes sectores, com assistência técnica e supervisão do Instituto Nacional de Estatística. Promoção da Sociedade Civil e do seu envolvimento participativo 110. Visando reforçar a dinâmica de uma Sociedade Civil organizada e assim favorecer o seu envolvimento na promoção da boa governação, em parceria com o Estado e com o Sector Privado, deverá ser tida em conta: a) O reforço das capacidades técnicas e de organização das representações da Sociedade Civil através de apoios concretos, nomeadamente nos domínios infra-estruturas sociais e culturais (Centros Culturais e Recreativos, Salas de Reuniões, Bibliotecas, …), de políticas de crédito e em matéria de formação profissional; b) Desenvolvimento de uma estratégia de intervenção das ONG que respondam às prioridades da estratégia de redução da pobreza; c) Promoção de diálogo sobre questões que requeiram consenso; d) Promoção de uma ampla campanha de sensibilização e mobilização para as vantagens da abordagem participativa de todas as questões que se prendem com iniciativas de melhoria das condições de vida dos pobres. 3.6. Desenvolvimento dos mecanismos de acesso à informação e comunicação e promoção de uma cultura de participação 111. A estratégia de participação e comunicação em torno da redução da pobreza em S. Tomé e Príncipe requererá uma estreita ligação com campanhas de Informação, Educação, Comunicação. Nesse âmbito a estratégia deverá contemplar: −• A promoção de uma ampla campanha interactiva de advocacia e IEC; −• A ampliação do acesso das comunidades pobres à informação para que possam participar e monitorar as actividades locais; −• A melhoria da quantidade e qualidade de informações que chegam às populações; −• A diversificação da Comunicação Social através da contribuição responsável dos Órgãos privados; −• A melhoria do funcionamento dos Órgãos estatais; −• A regularização do funcionamento do Conselho Superior de Imprensa; −• O incentivo ao gosto pela leitura nas escolas e comunidades; −• A promoção da utilização de novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) nas localidades (telemóvel, internet,. ..). 112. É fundamental para o sucesso dessa vertente em particular, mas de toda a estratégia nacional de luta contra a pobreza, a promoção de uma ampla e intensiva campanha de alfabetização, incluindo educação sanitária e difusão de valores culturais, morais ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 29 e éticos ao nível de todo o País (Educação para a Cidadania). Essa acção combinada com um amplo processo de informação, envolvendo os órgãos de comunicação social, contribuirá para a melhoria da capacidade de intervenção do cidadão e fortalecerá o quadro de participação ao nível geral. 4. CRESCIMENTO ACELERADO E REDISTRIBUTIVO, MEIO AMBIENTE E ENQUADRAMENTO MACRO-ECONÓMICO 113. O afastamento do Estado e a liberalização dos sectores produtivos, assim como a sua intervenção na implementação dos principais sectores de infra-estruturas abrem importantes oportunidades para o sector privado, na medida em que o Estado propicie o ambiente favorável aos agentes privados. 4.1. Estimular o desenvolvimento do sector privado 114. As principais vias transversais do plano de acção para a promoção do sector privado são: α)− O aprofundamento das reformas relativas ao quadro jurídico e judiciário dos negócios, nomeadamente através da revisão da legislação do trabalho no sentido da sua adaptação a nova conjuntura, do código de investimentos e implementação de um conjunto de medidas destinadas a melhorar o ambiente do sector privado tais como: a melhoria das infra-estruturas de transporte interior; a diversificação e a segurança dos meios de comunicação com o exterior; a adopção de meios que contribuam para a redução dos custos dos factores; a consolidação do sector bancário e dos seguros; a simplificação dos procedimentos administrativos; ou ainda a melhoria dos dispositivos de incitação ao investimento; β)− O desenvolvimento das relações comerciais, conduzindo a uma política de cooperação económica e financeira mais aberta, em particular, com os países da sub-região; χ)− A continuidade da reforma da fiscalidade com vista à sua simplificação e abrandamento para as empresas; δ)− A melhoria da competência das autoridades de regulação e sua aplicação ao sector das telecomunicações e a promulgação de textos de aplicação da lei sobre a concorrência e a implementação de mecanismos de regulação do mercado; ε)− O engajamento do Governo no sentido de uma política voluntariosa para os principais sectores prioritários, em particular, a agricultura, pecuária e o turismo, visando a elevação da taxa de crescimento, a diversificação da produção, a diversificação e o aumento de oportunidades de empregos e rendimentos, através de políticas adequadas de utilização intensiva da mão-deobra. 4.2. O investimento e a poupança 115. O conjunto do contexto económico e financeiro, tais como a dimensão do mercado, a exiguidade das infra-estruturas, a fraqueza da poupança interna e a inadaptação do sistema de crédito tem desencorajado os operadores económicos nos seus projectos de investimentos. 116. Assim o Governo em concertação com a sociedade civil agirá no sentido de criar um ambiente propício ao investimento privado e à poupança interna. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 4.3. 30 Estratégias sectoriais dos principais sectores e sub – sectores económicos tradicionais(I) 4.3.1. Agricultura 117. Dada a grande amplitude dos problemas do mundo rural, a estratégia visa o aumento da produtividade para fazer face aos desafios que se impõem para reduzir substancialmente os atrasos e a pobreza no mundo rural, baseada no seguinte: ι.− Diversificar a produção e as exportações agrícolas; ιι.− Assegurar um desenvolvimento rápido da produção agro-pastoral de base familiar; ιιι.− Desenvolver os sectores conexos da agricultura (transformação, transportes, conservação, comercialização, serviços e técnicas) entre outras; Apoiar os agricultores na vulgarização, na aquisição de insumos e ιϖ.− animais de carga e seu uso no processo produtivo; ϖ.− Estabelecer e aplicar normas sobre a protecção dos recursos naturais; ϖι.− Proporcionar infra-estruturas de base; ϖιι.− Implementar a formação agrícola. 4.3.2. A Pecuária 118. O desenvolvimento do sector será baseado na pequena exploração familiar e nas médias empresas agrícolas. A intervenção pública terá as prioridades seguintes: vulgarização técnica destinada como prioridade aos criadores de pequenos ruminantes, aves e porcos; reforço da protecção sanitária; organização do aprovisionamento em medicamentos; o reforço de autoridade local e geral para combater o roubo e a devastação de áreas produtivas pelos animais soltos; adopção de uma postura integrada de promoção agro-pastoral; melhoria das condições de conservação, comercialização e de transformação dos produtos da pecuária. 4.3.3. Silvicultura e floresta 119. Os objectivos nesse domínio visam: criar as bases institucionais e técnicas para uma gestão global e eficaz das florestas; lutar contra a exploração excessiva e incontrolada da madeira; garantir a renovação a prazo do património florestal. Tais objectivos para serem alcançados, obedecerão as seguintes orientações estratégicas: revisão do enquadramento jurídico da gestão das florestas e reforço das capacidades institucionais do sector; promoção de operações de gestão comunitária dos espaços florestais; adopção de medidas técnicas com vista à reconstituição e à preservação dos recursos florestais 4.3.4. O Turismo 120. O Governo já dispõe de um Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo (PEDT) que contempla um estudo de mercado, sendo uma das linhas reitoras fazer com que o sector seja um dos principais motores do aumento e da diversificação do Rendimento Nacional daqui ao ano 2005. 121. Os objectivos/ estratégias visam: aumentar de maneira significativa a contribuição do sector para o PIB, de 5% a 7%, a partir de 2003 promovendo o turismo como um dos sectores motores do crescimento a médio prazo; desenvolver empregos directos no sector e maximizar os seus efeitos de arrastamento; valorizar o Capítulo 1 (I) (Cf. Capítulo 5 : Oportunidade de aumento e diversificação de rendimentos para os pobres). ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 31 património natural, arquitectónico e sócio-cultural; desenvolver o ecoturismo e o turismo balnear; assegurar ao privado as condições necessárias ao seu envolvimento no sector. 4.3.5. Indústria e fileira de produção 122. Perante a situação em que se encontra o sector industrial, o sector primário - a agricultura, a pecuária, a silvicultura e florestas e as pescas - deve continuar a representar umas das componentes essenciais de crescimento, de criação de postos de trabalho e de fornecimento de matérias-primas para a agro-indústria. Isto permitiria o aumento de receitas do Estado e a oportunidade ao privado no exercício de actividades empresariais, o que contribuiria para aumentar o valor acrescentado, reduzir o desemprego e a pobreza. 123. Os objectivos/estratégias são os seguintes: contribuir para uma aceleração do crescimento pela diversificação da produção; reduzir a dependência do País face às receitas de exportação do cacau a fim de promover uma corrente de exportação de bens e serviços não agrícolas; reduzir o desemprego nos centros urbanos através da promoção de actividades com forte conteúdo agrícola; promoção das trocas e investimentos externos; apoio orientado para os sectores geradores de receitas; diligências com vista à integração de STP nas zonas económicas regionais e subregionais. 4.3.6. Pesca e os Recursos Haliêuticos 124. Tendo em conta as potencialidades, torna-se necessário que se estabeleça uma política do sector visando o incremento da sua participação no produto interno bruto, assim como a criação de postos de trabalho, do auto-emprego e rendimento das famílias, sendo os objectivos/estratégias os seguintes: contribuição para o abastecimento da população com proteína animal; melhoria das condições de vida e de trabalho das comunidades piscatórias; criação das estruturas organizacionais e institucionais adaptadas às necessidades e às realidades do sector para a implementação do Plano Director das Pescas e para a coordenação das actividades; criação de um quadro estratégico de referência e reforço das capacidades institucionais do sector; desenvolvimento das condições de produção e comercialização da pesca artesanal; promoção de uma gestão equilibrada dos recursos haliêuticos. 4.3.7. Infra-estruturas 125. A existência de infra-estruturas económicas em quantidade e qualidade para responder as diversas fases do processo de desenvolvimento da RDSTP é um elemento indispensável da estratégia do relançamento económico e social. A linha reitora neste domínio contempla: a melhoria da capacidade de gestão, manutenção, conservação das infra-estruturas, propondo para o efeito uma política de investimentos públicos que seja inteiramente coerente com as prioridades de desenvolvimento da produção. 4.3.7.1.Telecomunicações 126. Foi elaborado em 1989 o Plano Director das Telecomunicações que vem sendo remodelado, tendo em conta as numerosas mudanças processadas ao nível de tecnologias, de regulamentos internacionais e de evoluções institucionais internas. Na sequência da criação em 1990 da CST, o desenvolvimento do sector está estreitamente ligado ao contrato de concessão assinado com o então Ministério do ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 32 Equipamento Social e Ambiente (MESA) em que é acordado um regime de exclusividade por 20 anos a este operador de novos serviços. 127. Os objectivos/estratégias para o desenvolvimento do sector são: adaptar os intervenientes públicos e privados do sector aos riscos tecnológicos e económicos do mercado das telecomunicações; melhorar a fiabilidade da rede e o nível do equipamento das telecomunicações nacionais e internacionais; reduzir os custos de exploração e as tarifas para ajudar ao desenvolvimento das empresas; desenvolver serviços telefónicos básicos, nas regiões rurais; incitar os privados a investir no sector das telecomunicações; melhoria da qualidade das prestações de serviços dos operadores locais; redução dos custos das comunicações internacionais; diversificação dos produtos existentes no mercado; extensão da telefonia rural e desenvolvimento da capacidade reguladora do Estado nesse sector de actividade. 4.3.7.2.Energia 128. Um dos problemas de capital importância a ser resolvido, para se garantir um processo produtivo sequencial é fornecer energia à população a um custo acessível. 129. Assim o Governo da RDSTP nesses últimos anos fez um grande esforço no sentido de aumentar o potencial energético através da fonte térmica, tendo adquirido grupos de geradores que permitiram melhorar substancialmente o fornecimento de energia para a iluminação pública e para utilização doméstica e industrial. 130. Os objectivos/estratégias são: garantir a satisfação das necessidades básicas da população em energia; contribuir para o desenvolvimento dos sectores produtivos através da introdução de medidas capazes de garantir o aprovisionamento e a redução dos custos de energia fornecida; produzir a energia minimizando as despesas em divisas; reforço das capacidades de gestão da EMAE, dando prioridade aos serviços de manutenção técnica e aumentar a autonomia de gestão da empresa; reabilitação e criação de condições de segurança da rede; optimização económica das tecnologias de produção e de distribuição de energia; revisão e extensão progressiva da capacidade instalada. 4.3.7.3. Água 131. Uma das grandes potencialidades de São Tomé e Príncipe em recursos naturais é a abundância de água. Existem provavelmente cerca de 12 nascentes de águas minerais em vários pontos do País de acordo com um levantamento efectuado em 1990/91. 132. Os objectivos/estratégias são: aumentar a taxa de acesso da população aos sistemas colectivos de Abastecimento de Agua à População (AAP) através de ligações privadas e marcos fontanários; melhorar a qualidade da água, nomeadamente ao nível da rede da EMAE; desenvolver as infra-estruturas e apurar as medidas destinadas ao saneamento do meio ambiente, nomeadamente no que se relaciona a gestão das águas paradas dado o impacto negativo em doenças tais como o paludismo; desenvolvimento dos sistemas urbanos existentes de adução de água potável; reforço das capacidades de protecção das fontes e de controlo da qualidade da água; definição de uma política de manutenção dos sistemas de AAP (EMAE, municípios, populações); desenvolver as infra-estruturas de evacuação dos resíduos sólidos e das águas poluídas nos principais centros urbanos; fomentar as instalações sanitárias autónomas (latrinas) e medidas de higiene nas zonas rurais. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 33 4.3.7.4. Transportes e Comunicações 133. Os transportes e comunicações foram concebidos no período colonial para apoiar as estruturas produtivas das antigas roças. Com o desaparecimento da cabotagem e dos caminhos de ferro no interior das plantações e nas zonas costeiras do Pais, a estrada tornou-se o meio de transporte interno quase exclusivo. 134. Os objectivos/estratégias são: reabilitar e garantir a conservação das vias terrestres em função dos imperativos produtivos (escoamento dos produtos, em especial) e sociais (acessibilidade as zonas isoladas); reforçar a rede marítima de São Tomé e Príncipe para garantir um desenvolvimento integrado das duas ilhas; desenvolver os transportes marítimos e aéreos internacionais a fim de dar resposta à necessidade de diversificação da economia e de quebra de isolamento do arquipélago; definição e implementação de uma política de conservação da rede rodoviária primária (SENAE) e das pistas rurais; melhorar as capacidades operacionais do porto de São Tomé; promoção de projectos de operadores privados para o desenvolvimento dos transportes marítimos entre cada uma das ilhas do arquipélago e entre o arquipélago e mundo exterior; liberalização do tráfego aéreo; reforço da segurança aérea; desenvolvimento da capacidade de planificação do sector. 4.3.8. Sectores não tradicionais: Zonas francas e Petróleo 135. Os estudos e as diligências efectuados no último decénio têm demonstrado que STP tem duas fontes potenciais de recursos ainda mal conhecidos e explorados: situação geográfica privilegiada em pleno golfo da Guiné e hidrocarbonetos. 136. A valorização destas duas fontes potenciais de recursos poderá, por um lado, proporcionar receitas ao Estado para se dotar de uma administração pública e infraestruturas modernas e eficazes e, por outro lado, gerar oportunidades de rendimento e de emprego, susceptíveis de reduzir a pobreza. 4.3.8.1.Zonas Francas 137. Desde o princípio dos anos de 1990 que os sucessivos governos vêm tentando promover actividades ligadas à Zonas Francas e reconhecendo a sua importância para o desenvolvimento do País foram adoptadas leis sobre as zonas francas. 138. Torna-se portanto necessário que o Governo adopte políticas eficazes com vista a dinamizar o processo de efectivação das Zonas Francas e que, no seu quadro de funcionamento, a Autoridade da Zona Franca possa proceder ao desenvolvimento progressivo de actividades e serviços que valorizem a posição geográfica do arquipélago. 4.3.8.2.Hidrocarbonetos (Petróleo, Gaz Natural e Outros) 139. Ainda não se sabe ao certo o potencial de hidrocarbonetos existentes e da sua viabilidade comercial. Em Maio de 1997 foi rubricado um acordo entre o Governo e a empresa americana ERHC, tendo culminado na constituição de uma sociedade de capital misto (49% ERHC; 51% STPETRO representando o Estado). Neste quadro, a ERHC entregou 5 milhões de US$ ao Estado, orçamentados em 1998 e 1999. Em seguida, foi rubricado um contrato com a sociedade Mobil New Exploration Ventures Group, que realizou uma prospecção sísmica em Janeiro de 1999. Constitui-se também uma comissão técnica do petróleo com vista a estudar o dossier e preparar, se necessário, uma estratégia de gestão da economia santomense para era do petróleo. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 34 140. Até à presente data, já foram conduzidas com sucesso as negociações que culminaram com a delimitação de fronteiras marítimas com os Países vizinhos, nomeadamente Gabão e a Guiné Equatorial. O Governo de STP também já negociou com a Nigéria os problemas relativos à exploração de hidrocarbonetos em áreas consideradas como comuns e o processo de exploração conjunta está em curso. 141. Isto leva-nos a concluir que, para os anos futuros, o crescimento económico de STP dependerá não somente dos recursos tradicionais, das ajudas externas, dos investimentos estrangeiros externos, mas também dos recursos provenientes da exploração dos hidrocarbonetos. 4.3.9. Comércio, integração internacional, regional e sub-regional 142. A importância do comércio na economia santomense é tanto mais significativa quando se tem presente que os sectores primários e secundários da economia santomense não estão em condições de produzir o suficiente para satisfazer as múltiplas necessidades, no que se refere quer a bens de primeira necessidade, quer a outros bens de que a população tanto necessita. 143. Neste contexto, a abertura económica do País representa um desafio essencial para o seu desenvolvimento. Por isso, simultaneamente com as acções de políticas sectoriais, torna-se necessário dispor de uma estratégia de conjunto para favorecer uma melhor integração da RDSTP na economia regional e mundial. 4.3.10. Meio Ambiente 144. A RDSTP dispõe de uma espaço terrestre muito reduzido de cerca de 1001 quilómetros quadrados. A zona marítima territorial é pouco espaçosa e a zona económica exclusiva, vasta. Em cada uma destas referidas zonas existem seres vivos e inertes de que o País precisa para satisfazer as mais diversas necessidades: comercialização, alimentação, construção de habitação, medicamentos e outras. Estes recursos naturais uns são renováveis e outros não. Daí a necessidade de preservar os recursos não renováveis porque o seu desaparecimento total seria muito prejudicial para o futuro do País. 145. Assim os objectivos/estratégias são: a preservação das florestas, altamente degradadas devido a cortes de árvores realizadas sem replantação de espécies novas; a protecção das costas, atingidas pela extracção de areia utilizada para a construção; preservação das paisagens, da fauna e do património arquitectural, elementos essenciais simultaneamente para o quadro de vida das populações e de uma política de desenvolvimento de turismo. 4.4. Enquadramento macro-económico 146. A história económica recente de São Tomé e Príncipe revela a importância que as autoridades concedem a um quadro económico estável para o crescimento económico. Em princípios de 1998, uma série de medidas de políticas macroeconómicas e de ajustamento foram levadas a cabo e permitiram consolidar a situação das finanças públicas, reduzir a inflação, aprofundar o processo de liberalização da economia e reduzir o diferencial entre as taxas de cambio do mercado oficial e paralelo. 147. Apesar dos progressos realizados, a vulnerabilidade externa da economia continua sendo preocupante. O peso da divida publica externa é elevada, o rendimento per ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 35 capita é muito baixo e problemas estruturais continuam a dificultar o crescimento económico e os investimentos privados. 148. A estratégia considera que a redução da pobreza só será possível através do crescimento real do Produto Interno Bruto. Nesse processo, a participação de todos os sectores da sociedade, particularmente aqueles que podem gerar rendimento e oportunidades de emprego para os pobres é vital. Também é de extrema importância melhorar o acesso ao crédito e aos activos produtivos. 149. A estratégia de crescimento económico está assente na expansão do sector privado e na diversificação da produção. O sector público ainda é dominante e representa quase 70 % da produção nacional. O desafio é criar condições para permitir que o sector privado seja a fonte de crescimento e das oportunidades de emprego. Para o efeito, já foi levado a cabo um amplo programa de privatizações, foi preparado um novo código de investimentos e está a ser concluída uma reforma fiscal mais abrangente e mais favorável ao desempenho das empresas. 150. Com vista a aumentar as receitas de exportação e criar novas oportunidades de emprego para os pobres nas regiões rurais, o governo elaborou estratégias sectoriais para os sectores de agricultura, infra-estruturas e turismo. 151. Para facilitar o crescimento económico acelerado, o governo adoptará as suas políticas num quadro de equilíbrio macro-económico apoiado por reformas estruturais, visando o desenvolvimento do sector privado e a diversificação económica. O quadro macro-económico de meio prazo (2003-05) fixa a taxa de 5 % para o crescimento real do PIB para o período compreendido entre 2003-2005 e projecta a diminuição da inflação de 9.2 por cento em 2002 a 8 % em 2003 e 4 % em 2005. A taxa de câmbio nominal continuará sendo determinada pelo mercado. Adoptando esses objectivos, o governo criará um ambiente favorável para as iniciativas contidas na ENRP e atingirá mais facilmente o Ponto de Conclusão da Iniciativa HIPC. 152. O governo dará a máxima importância ao objectivo do déficit primário compatível com o quadro macro-económico. Esse objectivo, garantindo a disciplina fiscal, diminui a ameaça da inflação proveniente da escassez de recursos financeiros do país e da limitada capacidade de absorção de despesas, e cria também um ambiente propício ao desenvolvimento das actividades do sector privado. 153. Para o período 2003-05, a política fiscal será conduzida com vista a se manter o déficit primário, incluindo a Iniciativa HIPC, a um nível de 7% do PIB. Para atingir esse objectivo, o governo continuará o seu esforço no sentido de mobilizar as receitas não provenientes das actividades ligadas ao petróleo e exercerá um adequado controlo das despesas primárias. No que concerne as receitas, pretende-se simplificar o sistema de taxação e as isenções fiscais e alfandegárias serão limitadas. Os serviços de inspecção e de auditoria das finanças e alfândegas serão fortalecidos para melhor combater a fraude e a corrupção. Em relação as despesas, o governo priorizará os programas relacionados com a pobreza enquanto as despesas correntes sem juros serão fixadas a uma média de 10 % do PIB durante o período 2003-05. As despesas com os salários situar-se-ão a 9% do PIB. 154. A redução da inflação, a taxa que mais penaliza os pobres, será apoiada pelo Banco Central, controlando o crescimento dos activos internos através de uma importante esterilização dos recursos provenientes do sector petrolífero. Espera-se que o crédito ao sector privado cresça de acordo com o crescimento económico previsto ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 36 pela Estratégia da Redução da Pobreza e a utilização também de operações de mercado aberto a partir de 2003. Isto permitirá a moeda no sentido amplo, crescer a um ritmo consistente com a manutenção de 4 meses de importação em termos de reservas internacionais brutas. Neste sentido a supervisão bancária será melhorada. 155. As medidas de reforma estrutural preparadas com a assistência do FMI e BM, contêm um amplo leque de medidas com vista a tornar as políticas públicas mais eficientes e transparentes. Entre essas medidas destacam-se: a privatização de empresas públicas; o ajustamento continuo dos preços dos produtos derivados de petróleo assim como os da água e energia de forma a reflectirem os custos de produção, sem deixar de proteger os grupos mais vulneráveis; e várias reformas para fortalecer os serviços de educação e saúde. 156. A economia de São Tomé e Príncipe poderá ser dominada pelos investimentos relacionados com o petróleo. O governo estima que o licensing round para a exploração do petróleo na Zona de Exploração Conjunta com a Nigéria poderá ter lugar em 2003; os investimentos para a exploração do petróleo intensificar-se-ão durante 2003-06 e a exploração começará a partir de 2006. Durante esse período, o déficit da conta corrente (excluindo as transferencias oficiais) poderá exceder até 4 vezes o PIB com grandes fluxos de investimento directo estrangeiro. Como a exploração do petróleo é offshore e os recursos entram numa conta especial, então a pressão inflacionária será minimizada e a Dobra em termos efectivos reais poderá ver o seu valor apenas ligeiramente apreciada. 157. O governo está empenhado em distribuir a riqueza proveniente da exploração do petróleo de uma forma equitativa entre a geração presente e a futura. Considerando que as reservas de petróleo são limitadas, o governo está firmemente decidido a preservar essa riqueza também para as gerações futuras. Para o efeito, haverá transparência na gestão do Fundo onde serão depositados todos os recursos provenientes da exploração petrolífera e os resultados da sua auditoria periódica serão publicados. Basicamente, o governo pretende uma gestão racional, transparente e eficaz desses recursos, que contribua para combater a pobreza, melhorar as condições e o nível de vida dos cidadãos e garantir poupanças que se enquadram numa visão de realizações para um desenvolvimento humano sustentado e durável. 158. A curto e médio prazos, São Tomé e Príncipe continuará a depender da ajuda externa e de créditos concessionais para financiar os déficits das contas externas que se manifestam claramente na grande diferença entre as importações e as exportações. Contudo, a estratégia de diversificação das exportações poderá melhorar a balança comercial. Há alguns resultados já encorajadores como por exemplo ao nível da produção da cerveja, óleo de palma, flores, peixe, matabala, coco e frutas tropicais, para além de pequenos ruminantes. Enquanto a situação continuar frágil, São Tomé e Príncipe necessitará de apoio da comunidade internacional para financiar o déficit da balança de pagamentos. O fluxo de ajuda necessária é projectado em U.S. $ 5.1 milhões de dólares para 2003, U.S. $ 4.8 milhões em 2004 e U.S. $ 4 milhões em 2005. Essas entradas de capital serão complementadas por investimentos estrangeiros directos. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 37 5. OPORTUNIDADE DE AUMENTO E DIVERSIFICAÇÃO DE RENDIMENTOS PARA OS POBRES 159. A estratégia para o alcance de um desenvolvimento gradual e evolutivo à favor das populações pobres terá necessariamente que implementar os sectores e sub-sectores da agricultura, pecuária, pesca, industria, comércio, turismo e serviços e se articular à volta dos seis grandes objectivos gerais, a saber: 1)- Aumento e diversificação das produções; 2)- Garantia da segurança alimentar; 3)- Melhoria das condições socio-económicas da população do meio rural, urbano e das zonas envolventes (luchans e localidades); 4)- Conservação do património natural; 5)- Promoção das mulheres e dos jovens; 6)- Promoção das exportações de bens e serviços. 5.1. Aumento e diversificação das produções 160. O mundo rural é o maior empregador da mão-de-obra (mais de 50%) e quase o único produtor de receitas de exportação, mas é também onde se observa maior incidência de pobreza. Para isso, o Governo incrementa um conjunto de medidas em parceria com as Autarquias e as organizações não governamentais (ONG) em cada distrito com vista a: Favorecer actividades económicas geradoras de empregos, auto-emprego e rendimentos, promovendo o surgimento e o desenvolvimento de microempresas de produção agrícola, pecuária, florestal, de transformação industrial, de artesanato, de comércio e de serviços; Proporcionar a melhoria da dieta alimentar da população através do incremento de actividades produtivas, formação técnico-profissional, educação e saúde; Reduzir as disparidades sócio-económicas entre as duas ilhas e entre os distritos, procurando adoptar um plano físico de ordenamento territorial em que os espaços do território nacional serão, na medida do possível, utilizados em função das vantagens ambientais, aptidões naturais e de infra-estruturas sócioeconómicas; Criar 4 pólos de desenvolvimento sócio-económico em conformidade com o plano físico do desenvolvimento nacional e com as aptidões naturais e humanas de cada distrito, designadamente na cidade Capital, em Lembá, em Portalegre e na Região Autónoma do Príncipe; Apoiar as políticas referentes ao urbanismo, ambiente e reestruturação do espaço rural; Desenvolver os serviços de transportes marítimos de curta distância; Adquirir o equipamento adequado ao aprovisionamento energético necessário para cada fase de desenvolvimento global e agro-industrial; Implementar um programa de irrigação, integrando a construção de reservatórios de água (micro-represas) para a sua utilização, quando houver carência de chuva e em períodos de seca prolongada, tomando medidas ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 38 tendentes a evitar os possíveis impactos negativos na saúde das populações, como sejam a proliferação dos mosquitos vectores do paludismo; Apoiar os pequenos agricultores no acesso aos factores de produção; Regulamentar o direito de propriedade aos pequenos agricultores que receberam parcelas de terra; Facultar incentivos, créditos, apoios em alfaias agrícolas e meios de vulgarização; Aprofundar as reformas nos domínios alfandegário, fiscal, financeiro e agrário; Estabelecer as bases de um novo modelo de gestão de infra-estruturas, em particular nos sectores de água, energia e comunicações; Implementar as zonas francas; Reabilitar as infra-estruturas sociais e económicas (estradas, pistas rurais, água, energia, esgotos, estações de investigação e pesquisas); Explorar os recursos naturais do país de uma maneira equilibrada e racional; Reabilitar e rentabilizar os antigos centros de formação existentes (CATAP, Água Izé, Uba Budo, Centro Politécnico e outros). 5.1.1. Garantia da segurança alimentar 161. A segurança alimentar deverá ser conseguida através do crescimento da produção local de alimentos, de uma melhor distribuição dos alimentos pela adopção de medidas de política conducentes à redução dos preços de produtos locais, ao aumento da sua oferta (com qualidade) para que sejam competitivos em relação aos produtos importados e educação orientada para o consumo prioritário de produtos de base local. 162. O crescimento per capita de produção alimentar, processar-se-á a uma taxa superior à taxa de crescimento demográfico, conduzindo à melhoria do rendimento das populações rurais e por conseguinte um maior acesso aos produtos básicos importados. Este objectivo será conseguido através de : α) − apoio à comercialização, conservação e transformação de produtos alimentares, a melhoria da qualidade e das condições higiénicas; β) − melhoria dos circuitos de armazenamento, conservação, transformação e comercialização dos produtos alimentares, visando a conquista de novos mercados regionais e internacionais; χ) − incentivar e apoiar a produção hortícola com disponibilização de sementes de boa qualidade e vulgarização de técnicas adequadas ; δ) − incentivar o apoio à produção pecuária com particular incidência nos animais de pequeno porte, através de um plano de fomento que inclua a melhoria das raças e distribuição de animais aos criadores e a vulgarização de técnicas de maneio; ε) − melhoria de variedades e de técnicas de cultivo utilizados, através da pesquisa e vulgarização ; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 39 φ) − investigação e experimentação para a obtenção de ração animal, baseada em componentes locais ; γ) − financiamento pelo Estado, à título de incentivo, da melhoria, reparação e construção de benfeitorias sociais no Meio Rural; η) − apoio no abastecimento em insumos e outros materiais. 5.1.2. Melhoria das condições socio-económicas da população do meio rural, urbano e zonas envolventes (luchans e localidades) 163. A promoção social das populações mais desfavorecidas, conjugando a elevação do seu bem-estar material com os níveis educacional, técnico e sanitário, e uma adequada canalização de recursos financeiros nacionais, orientados no sentido da realização das infra-estruturas de base, e ainda, a realização de investimentos na agricultura, silvicultura e pecuária e em outras actividades tais como a pesca, as pequenas indústrias de transformação, o artesanato e o turismo, poderão constituir um poderoso estímulo e força actuante para se percorrer o caminho para a redução da pobreza no País. 164. Nesta ordem de ideias, considera-se necessário uma acção coordenada e intensa de todos os serviços públicos para : −− melhoria das condições familiares e de habitação; −− promoção social da Mulher e da Criança; −− realização de pequenas obras locais, alteração dos padrões alimentares vigentes e educação das populações sobre normas de higiene, sanidade e de saúde pública; −− estabelecimento de rede adequada de creches e unidades primárias de saúde; −− garantia de acesso à educação de base às crianças e em particular às raparigas; −− promoção de cursos de alfabetização para adultos; −− melhoria das condições de formação profissional; −− orientação da mão de obra sub-empregada para outras actividades; −− incentivar a construção e/ou reabilitação de sistemas de adução de água, eliminando assim o abastecimento de água através dos rios, e das instalações sanitárias e de higiene no sentido de que as populações deixem de satisfazer as suas necessidades fisiológicas ao ar livre; −− promover a motivação das populações ao processo sócio-económico; −− difundir e aperfeiçoar métodos de cultura dos produtos tradicionais e de novos produtos que conduzam à rápida melhoria da dieta alimentar e do rendimento do agregado familiar; −− promoção da mobilidade social e da qualificação profissional através de todos os meios úteis, nomeadamente um vasto programa de educação a todos os níveis, a criação de uma rede de centros de formação profissional acelerada e uma política coerente de emprego e de salários; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 40 −− redução dos desequilíbrios regionais transferindo a capacidade de estudo e o poder de intervenção e decisão para o nível distrital; −− garantir o acesso aos cuidados de saúde de qualidade. 5.1.3. Conservação do património natural 165. Este objectivo visa preservar o estado de equilíbrio dos recursos naturais através de níveis aceitáveis de exploração desses recursos, tendo em conta a sua taxa de regeneração. No sector das florestas, para além dos objectivos já projectados, no quadro das medidas de política de crescimento, impõe-se: a) - assegurar a renovação do património florestal; b) - responder às necessidades nacionais em madeira; c) - reestruturar a indústria de serração; d) - promover a arborização das terras distribuídas, com espécies de interesse económico, já adaptadas às condições do País em simultaneidade com o esquema de combate à erosão. 5.1.4. Promoção das mulheres e dos jovens 166. Em relação aos jovens, reconhece-se ser necessário uma estratégia de desenvolvimento, devendo ser estudadas e implementadas as seguintes acções: - um sistema de crédito para os jovens para a realização de actividades geradoras de rendimento, nomeadamente, fabrico de produtos artesanais, criação de micro-empresas, criação de animais, pequenas unidades de transformação, pequenas lojas; - programas de formação profissional e inserção no mercado de trabalho; - criação de cooperativas de jovens para a produção e de comercialização. 167. Em relação às mulheres, para além das enunciadas nos pontos anteriores, prevê-se : -o instalação de um programa nacional de micro-crédito para as mulheres do Meio Rural e do sector informal; -o apoio à instalação de cooperativas de produção comercialização e reforço das associações existentes; e -o desenvolvimento de programas de alfabetização e de formação profissional, no sector agrícola, comercial, industrial e de serviços; -o melhoria dos conhecimentos sobre a situação da Mulher no sector informal; -o instalação de creches comunitárias nas diversas regiões do país. 5.1.5. Promoção de exportações de bens e serviços 168. O mercado do país, tendo em conta o número reduzido da sua população e o poder de compra da mesma, não pode absorver uma grande produção, pelo que torna-se imperativo aplicar uma estratégia global do desenvolvimento de actividades económicas, rompendo com o relativo isolamento do país cujas alterações essenciais radicam na(o): i) redinamização de novos apoios para o crescimento e o ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 41 desenvolvimento das exportações; ii) profissionalização dos operadores económicos; e, iii) desencravamento do arquipélago e a diversificação das trocas. 169. No entanto, atendendo a debilidade do empresariado nacional, confrontado com a falta de informações e de conhecimentos técnicos, o Estado deve apoiar os privados a implementar, para além dos sectores da agricultura, pecuária, pesca, florestas e turismo acima mencionados, os da indústria, do comércio e dos serviços. 5.1.6. Industria 170. Os objectivos fundamentais deverão ser a implementação e o desenvolvimento de indústrias, visando o consumo interno e externo, nomeadamente através de : 1. produção e refinação de óleos alimentares, quer através da rentabilização do complexo agro-industral da EMOLVE, quer através de equipamento e modernização de pequenas unidades de fabrico de óleo, quer ainda da instalação e/ou modernização das instalações de tratamento da copra ; 2. transformação do cacau ´´goma‘’ em ‘’seco‘’ constitui uma mais valia importante, garantindo um aumento de rendimento às famílias dos pequenos agricultores. Registando actualmente algumas acções nesse sentido, estas deverão ser ampliadas e apoiadas no quadro das actividades económicas comunitárias ; 3. produção de sumos, compotas e marmeladas ; 4. produção de farinha de mandioca e farinha ‘’bombom’’ através da transformação da mandioca. Saliente-se que algumas iniciativas relacionadas com a exportação dos referidos produtos têm sido bem sucedidas; 5. produção de aguardente de cana-de-açúcar (actualmente produzida pelas famílias rurais em condições técnicas e higiénico-sanitárias bastante precárias) melhorando tanto qualitativa como quantitativamente o fabrico; 6. produção de massa e concentrado de tomate; 7. criação de uma base interna de alimentação animal, através da instalação de fábrica de ração utilizando como matérias primas, a copra, o peixe, entre outros produtos locais; 8. desenvolvimento do processo da salga do peixe, cujo produto também deverá ser destinado à exportação; 9. apoio ao sector artesanal para a confecção de artigos de qualidade, derivados do coqueiro (tapetes, sacos, fios, etc.); 10. instalação de tecnologias apropriadas no quadro das serrações de madeira que permitam aproveitar os desperdícios e os resíduos que actualmente se verificam à nível dessas unidades; 11. aproveitamento industrial de águas minerais em termos comerciais; 12. incremento da produção nacional de cervejas e de refrigerantes, melhorando os padrões de qualidade e desencorajando a importação de produtos similares; 13. aproveitamento de produtos de origem animal através do desenvolvimento da produção de salsicharia e enchidos; 14. desenvolvimento do fabrico de gelo. 171. Por outro lado, deverão ser adoptadas medidas de política que permitam: 1. coordenar o desenvolvimento da indústria com o das outras actividades económicas, em especial no que respeita à criação de infra-estruturas económicas e sociais; 2. fomentar a dinamização dos sectores industriais, favorecendo e impulsionando a sua expansão equilibrada e o reforço da sua capacidade concorrencial; 3. melhorar a composição sectorial da indústria; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 42 4. suscitar ou apoiar a criação de pólos industriais de desenvolvimento regional, atendendo às condições específicas de determinadas regiões e aos requisitos de desenvolvimento global. 5.1.7. Comércio e Serviços 172. Este sector defronta com os seguintes constrangimentos: 1. concorrência do sector informal que prolifera sobretudo devido à pobreza e ao êxodo rural; 2. inexistência ou fracas perspectivas de incremento industrial que justifiquem o lançamento de aproveitamentos de matéria-prima para a produção de bens de consumo em substituição de importações tradicionalmente consumíveis; 3. inexistência de políticas restritivas de importações; 4. incapacidade de acesso à mercados alternativos e falta de identificação de novos produtos e serviços de exportação; 5. desactualização de legislações sobre as actividades comerciais e ausência de políticas adequadas de implantação de um sistema de protecção do consumidor; 6. inexistência de mecanismos de apoio ao desenvolvimento dos pequenos comerciantes locais, assim como de uma rede adequada que garanta o acesso ao abastecimento das populações rurais. 5.2. Medidas de Política 173. Da multiplicidade das acções a desenvolver pelo sector estatal e privado, dever-se-á dar especial relevância ao seguinte conjunto de acções: −• estudos de mercados alternativos para garantir o melhor aproveitamento do mercado externo; −• negociações entre o Governo de STP e outros Governos de acordos para a livre circulação de pessoas e bens com países numa perspectiva de integração regional e internacional; −• elaboração de legislação que garanta a regulamentação e o enquadramento legal da actividade comercial e de protecção dos direitos do consumidor; −• adequação de uma medida de política que contemple essencialmente o apoio à micro-empresas, associando a Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura e Serviços e o sector privado em geral como parceiros privilegiados no processo de desenvolvimento do país. 5.3. Políticas de Promoção de Micro-Finanças e de Micro-Empresas 174. O Governo estabelecerá parcerias com os operadores económicos, quer representados em associações, quer individualmente para: -o Consolidar as Caixas Rurais de Poupança e Crédito já existentes nas comunidades rurais; -o Criar Caixas de Crédito Solidárias, envolvendo comerciantes, agricultores, artesãos e pescadores; -o Constituir equipas de quadros nacionais com formação na área de metodologia e de técnicas de micro-finanças com vista a apoiar e a seguir o incremento das Caixas de micro-finanças; -o Implementar um programa nacional de micro-créditos; -o Reforçar as associações existentes assim como as cooperativas de produção e de comercialização; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 43 -o Promover as actividades geradoras de emprego e de autoemprego; -o Desenvolver a formação profissional nas áreas de agricultura, pecuária, pesca, comércio, construção agro-industrial, integrada na formação escolar geral; -o Realizar um estudo, tendo como objectivo a avaliação das principais necessidades em matéria de formação profissional nos referidos sectores; -o Elaborar uma lei-quadro, na qual se defina o papel e o tipo de diferentes parceiros nas actividades de formação profissional; -o Elaborar uma política nacional e um plano de acção, no domínio de formação profissional, cobrindo a zona da Capital e outras localidades. 5.4. Bolsas de segurança para os mais pobres e os mais vulneráveis 175. A incidência da pobreza em STP (1 de cada 2 santomenses está abaixo do limiar da pobreza) bem como a sua severidade (15,1 % da população vivem na condição de extrema pobreza), tem afectado de forma mais incisiva os grupos mais vulneráveis. 176. Esse facto justifica ainda a implementação durante um período relativamente longo (até 10 anos), de políticas e programas específicos de protecção às populações mais vulneráveis. A estratégia do Governo neste domínio deverá articular-se em torno de 2 vertentes fundamentais: (i) a vertente global de segurança alimentar, e (ii) uma vertente específica de luta contra a exclusão social no meio urbano. 177. As pessoas de terceira idade constituem quase 5 % da população total do país, são quase sempre regular e sistematicamente postos à margem de todo(s) o(s) processo(s) em curso no país, com excepção dos processos decorrentes das campanhas eleitorais. Justifica-se a concepção, elaboração e implementação de uma Política Nacional dos Idosos, visando o apoio indispensável à sua devida inserção e valorização como ser social. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 6. 6.1. 44 DESENVOLVIMENTO DOS RECURSOS HUMANOS E MELHORIA DOS SERVIÇOS SOCIAIS BÁSICOS Educação, Alfabetização, Formação 6.1.1. Educação 178. As intervenções no domínio da Educação, como contributo para o melhor acesso aos serviços sociais de base, têm de ter em conta o seguinte: −• a descentralização e maior envolvimento de todos os actores implicados no processo educativo; −• a priorização da educação de base e da melhoria da eficácia e qualidade do ensino; −• a adopção de medidas de discriminação positiva a favor das crianças provenientes de famílias de fraco rendimento; −• a articulação entre os sistemas de educação, formação e emprego, preparando as crianças, jovens e adultos para a vida activa. 6.1.2. Alfabetização 179. Nesse domínio as intervenções são: −• realização de um estudo sobre a situação do analfabetismo no País e levantamento e articulação de iniciativas de alfabetização; −• dinamização de iniciativas de alfabetização ligadas à formação/preparação para a vida activa/aprendizagem de um ofício ou profissão; −• envolvimento da comunidade nas iniciativas visando o combate/prevenção do analfabetismo com recurso à IEC/mobilização social para levar as comunidades a conhecer a relevância e a importância da educação; −• inserção de crianças que nunca frequentaram a escola (articulação com a carta escolar de S.T.P.); −• apoio a iniciativas de ensino de base em circuitos não formais e integração de crianças e jovens alfabetizados nesse âmbito no ensino formal; −• criação de mecanismos que favoreçam a pós–alfabetização (animação comunitária, IEC, centros de interesse, etc.); −• formação de especialistas e animadores e adopção de técnicas de ensino adequadas. 6.1.3. Formação 180. A estratégia nessa área vai no sentido de uma estreita articulação entre a Educação e a Formação, de modo a que se desenvolva a capacidade para o auto-emprego, ministrando conhecimentos sólidos, práticos e duradouros. O produto de saída das escolas deverá ser indivíduos dotados de espírito de iniciativa, capazes de se autoempregarem e criarem emprego. 181. Para isso, a adopção de uma estrutura do sistema de ensino em que cada nível de saída do sistema educativo propicie o acesso a um ramo de formação no País ou no exterior (prática, técnico profissional, média ou superior) deverá ser objecto de um estudo visando a sua viabilização. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 45 182. Com o fito de reduzir a pobreza, a intervenção no domínio da formação visa: −• a promoção de medidas com vista à inserção dos jovens em estruturas de formação profissional e criação de condições para a formação de micro-empresas de jovens rapazes e raparigas; −• a articulação da educação não-formal em função das necessidades de inserção na vida activa; −• a adopção de um plano de formação com base num estudo sobre o mercado de trabalho e necessidade de mão-de-obra; −• a análise das estruturas de funcionamento do subsistema de formação profissional e o alargamento do seu âmbito (diversificação, nível de formação); −• a promoção da componente científica e tecnológica nos programas escolares e de formação de professores; −• a adopção de um programa de formação de formadores de modo a privilegiar a formação interna, sem no entanto descurar os riscos da formação feita no exterior (fuga de cérebros, custos sem retorno); −• a formação de especialistas em vários domínios (recursos humanos, promoção de micro-empresas). 6.2. Saúde, Nutrição e População 6.2.1. Saúde1 6.2.1.1.Política Nacional de Saúde 183. A Política Nacional de Saúde (PNS) reconhece a natureza social das prestações de saúde, enquanto um factor de desenvolvimento, de justiça social e de luta contra a pobreza. 6.2.1.2.Objectivos gerais 184. Os objectivos globais da saúde no âmbito da redução da pobreza centram-se no aumento da esperança de vida das populações, acesso e equidade para todos aos cuidados de saúde adequados e de qualidade, contribuindo assim para a redução dos níveis actuais da mortalidade e da morbilidade respectivamente. 6.2.1.3.Objectivos específicos 185. Os objectivos específicos sãos os seguintes: −• criar condições para que a população adquira autonomia para adoptar atitudes, comportamentos e práticas que contribuam para melhorar e preservar a sua saúde. −• reestruturar e organizar os serviços de saúde de base para melhor responderem às demandas geradas, garantindo o acesso e a equidade aos cuidados de saúde. −• implementar de forma integrada acções que conduzam ao combate às doenças que mais contribuem para a morbi-mortalidade no País. Capítulo 2 1 As considerações, bem como propostas de acções no domínio da saúde complementam com as do Relatório sobre a Saúde e Pobreza em S. Tomé e Príncipe, Agosto 2002 (Koffi Ekanmian e Mohamed Didi). ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 46 −• desenvolver e implementar acções promocionais, preventivas e protectoras dirigidas aos grupos alvos da população, nomeadamente às crianças, adolescentes, jovens, mulheres em idade fértil, trabalhadores e idosos. −• contribuir para a melhoria do estado nutricional das populações nomeadamente nos grupos alvos. −• garantir o acesso aos cuidados especializados (terciários) através da melhoria da qualidade de prestação de serviços do Hospital Dr. Ayres de Menezes. −• contribuir no esforço nacional para a eliminação das condicionantes ambientais que concorrem para uma má qualidade de vida da população e condicionam o seu desenvolvimento. 6.2.2. Política de população 186. Torna-se necessário e urgente, a definição de uma política de população, cuja linha de força seja a melhoria das condições de vida das pessoas e que articule todas as acções, quer sejam no domínio da educação, saúde, ambiente, alívio da pobreza ou outros, que venham a ser desenvolvidas no domínio da população e desenvolvimento. 6.3. Água 187. Uma grande parte da população, fundamentalmente nas zonas rurais, continua sem acesso à água potável e utiliza a água do rio ou recorre a fontes existentes sem qualquer protecção e controlo. 188. Nesse domínio, a estratégia visa aumentar a taxa de acesso aos sistemas colectivos de abastecimento de água à população e melhorar a qualidade de água fornecida tanto nas zonas urbanas como rurais. 6.4. Saneamento 189. No concernente a saneamento do meio, persistem problemas sérios que constituem uma das grandes ameaças para a saúde pública e tem produzido entre outros, os seguintes efeitos: −• −• −• −• altas taxas de morbilidade e mortalidade ligadas as doenças de origem hídrica; proliferação de vectores causadores do paludismo e outras doenças: ameaça constante de epidemias ligadas à insalubridade; poluição do meio por lixos e outros resíduos humanos com graves consequências sobre a saúde e sobre a economia. 190. Nesse sentido, são retomados os objectivos seguintes, conforme estabelecidos no Plano Nacional do Ambiente para o Desenvolvimento Durável: −• elevar para os 100% a taxa de cobertura de recolha e de transporte dos resíduos sólidos nas áreas urbanas e peri-urbanas; −• dotar os 100% das habitações a nível nacional com instalações sanitárias; −• inventariar devidamente todas as áreas pantanosas de São Tomé e Príncipe de modo a permitir a definição de uma política coerente sobre as mesmas; −• reabilitar as antigas redes de esgotos para a evacuação das águas pluviais na cidade de São Tomé e construir novas redes; −• promover uma ampla campanha de hábitos e estilos de vida saudáveis. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 47 7. MECANISMOS DE EXECUÇÃO, SEGUIMENTO E AVALIAÇÃO DA ESTRATÉGIA 7.1. Mecanismos de seguimento, avaliação e actualização 191. A estratégia nacional de redução da pobreza é um projecto ambicioso, apesar da sua pertinência e da necessidade urgente da sua implementação. A sua execução envolve quase todos os sectores da vida do País e implica um desafio de coordenação entre o Estado, o Sector Privado e a Sociedade Civil organizada, tendo em conta a actual debilidade institucional e o volume de recursos que a sua materialização requer. Todavia, requer uma instância de coordenação geral que possa manter as interligações e ter uma visão do conjunto das acções a serem empreendidas. 7.2. Sistema de Seguimento e Avaliação da Pobreza 192. A concepção, elaboração e determinação de Indicadores necessários para o Seguimento da Pobreza depende em primeiro lugar das necessidades de informação formuladas tendo em conta os objectivos específicos da política de combate à pobreza no país. 193. Por isso, é de toda a conveniência a criação de uma estrutura adaptável e flexível, capaz de evoluir no tempo, para melhor corresponder às exigências das próximas etapas e cuja vocação permite a assunção de projectos de estudos numa base regular e contínua e que possa se assumir como instituição de seguimento, coordenação, avaliação e actualização periódica da Estratégia (ENRP) em cooperação e parceria com outras instituições nacionais, regionais e internacionais, cabendo-lhe a montagem e coordenação do Sistema de Seguimento e Avaliação da Pobreza no país. 194. No entanto, dados os constrangimentos actuais do país, relativos principalmente as dificuldades financeiras, logísticas e as debilidades ligados aos fornecimentos de dados estatísticos, poderia ser conveniente nesta 1ª etapa, aproveitar as capacidades instaladas na Direcção da Planificação Económica do Ministério do Plano e Finanças e organizar uma equipa instaladora dos serviços do Sistema de Seguimento e Avaliação da Pobreza do país, que deverá evoluir para uma estrutura autónoma, com competências próprias, e capaz de responder as atribuições e funções para o qual será criado. 7.3. Medida da pobreza e as diferentes necessidades de informação para avaliar a sua evolução no país 195. O tipo de necessidade de informação concernente a pobreza monetária, das condições de vida e das potencialidades toma como suporte um determinado número de indicadores que exprimem o nível de rendimentos e do consumo, das situações de alimentação, de educação, da saúde e saneamento, da habitação, entre outras necessidades básicas. 196. Assim, para que os objectivos de médio e longo prazos da Estratégia (ENRP) sejam escrupulosamente respeitados, foram desenvolvidos os Objectivos Quantificados de Redução da Pobreza no pais (cf. ANEXO n.º 2) que irão permitir medir, seguir e avaliar o problema em S. Tomé e Príncipe. Naturalmente que se trata apenas de uma base de trabalho que terá que ser completada, nos dados em falta, e melhorada nos aspectos julgados necessários. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 48 7.3.1. Os indicadores de seguimento e avaliação da situação da pobreza no país 197. Os indicadores que permitem fazer o seguimento de outras formas de pobreza, tal como os monetários, encontram-se integrados num Sistema de Monitorização, Seguimento e Avaliação da Pobreza no país (cf. ANEXO n.º 3). Este sistema irá permitir pôr em contacto e integrar num sistema funcional, todas as Instituições, entidades, organismos e parceiros sociais que pela natureza do seu trabalho estejam a lidar com a temática da pobreza. 198. Sendo a Dívida Externa uma das primeiras causas bloqueadoras do combate ao ciclo de pobreza do país, torna-se necessário dispor de informações detalhadas e específicas que permitam uma gestão adequada da sua evolução. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. A Iniciativa de Redução da Dívida Externa (Iniciativa HIPC) Ao longo do ano 1999, o Governo trabalhou no sentido de tentar cumprir os objectivos do seu Programa, em particular no plano macro-económico. O clima de relativa estabilidade política encontrada ao longo do período permitiu concluir as negociações com o FMI o que conduziu a assinatura de um Programa de Redução da Pobreza e de Crescimento Económico no 1º semestre do ano 2000. Esse programa, previsto para 3 anos, deverá permitir a S. Tomé e Príncipe preencher as condições para a renegociação da sua dívida externa no quadro da Iniciativa HIPC. Pelos resultados positivos conseguidos no domínio da gestão macro-económico, o país alcançou o Ponto de Decisão da Iniciativa HIPC em 21 de Dezembro do ano de 2000. Esta conquista tem vindo a permitir ao país a utilização dos recursos financeiros destinados ao pagamento do serviço da dívida externa para os sectores da Vida Nacional entretanto definidos pelo Governo (Saúde, Educação e Infra-estruturas) na etapa actual. Esse propósito exige a concepção, definição e elaboração de um conjunto de indicadores de processo e de resultados capazes de medir o impacto da aplicação desses recursos financeiros em programas e projectos de intervenções prioritárias dirigidos a determinadas regiões ou grupos-alvo da população. Segundo o Relatório Anual de Actividades do Comité de Controlo dos Fundos HIPC, no decorrer do ano 2001, os recursos financeiros depositados na conta HIPC, de que o país beneficiou resultantes do alívio da dívida do BM e do BAD, atingiram o valor de Dbs 23.617.936.868,97 (Vinte e Três Biliões Seiscentas e Dezassete Milhões Novecentas e Trinta e seis Mil e Oitocentas e Sessenta e Oito Dobras e Noventa e Sete Cêntimos). No mesmo período, foram desembolsados Dbs 19.364.648.218,75 (Dezanove Biliões Trezentas e Sessenta e Quatro Milhões Seiscentas e Quarenta e Oito Mil Duzentas e Dezoito Dobras e Setenta e Cinco Cêntimos). De salientar que este montante inclui também a reposição da dívida de Janeiro ao BAD/FAD (Dbs 2.203.986.668,00) que não foi considerada despesa efectiva do HIPC. Existe um saldo disponível (Base Caixa) de Dbs 4.253.288.650,22 ( Quatro Biliões Duzentas e Cinquenta e Três Milhões Duzentas e Oitenta e Oito Mil Seiscentas e Cinquenta Dobras e Vinte e Dois cêntimos). Esses recursos foram efectivamente utilizados nos domínios previamente definidos (Educação/Formação, Saúde e Infra-estruturas). Segundo dados e elemetos fornecidos pelo Secretariado do Comité de Controlo dos Fundos HIPC, até Outubro/2002, foram utilizados vinte biliões setecentos e setenta e nove milhões quinhentas e seis mil oitocentas e sessenta e tres dobras e cinquenta centimos (Dbs 20.779.506.863,50). Esses recursos financeiros foram aplicados na Educação (Dbs 3.392.190.663,50), na Saúde (Dbs 8.630.489.693,50), nas Infraestruturas (Dbs 7.545.830.398,00) e em Outros (Dbs 1.210.996.108,50). Para o ano 2003, foram alocados pelos fundos HIPC um montante que atinge os trinta e um biliões novecentas e nove milhões novececentas e quarenta e três mil dobras (Dbs 31.909.943.000,00). Esses fundA previsão da sua aplicação é a seguinte: Educação (Dbs 9.904.449.000,00), Saúde (Dbs 9.111.011.000,00), Infra-estruturas (Dbs 11.944.483.000,00) e Outros (Dbs 950.000,00). ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 49 8. PLANO DE ACÇÕES 199. O Plano de Acção proposto para fazer face aos problemas, situações, problemáticas e temas concernentes às distintas dimensões da pobreza no país encontra-se no ANEXO n.º 1. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 9. 9.1. 50 IMPLICAÇÕES ORÇAMENTAIS DA ENRP Questões prévias 200. O presente capítulo aborda o enquadramento orçamental dos recursos necessários à execução do Plano de Acções. A orçamentação foi projectada para o período compreendido entre 2003 e 2010 (8 anos). Contudo, a análise das implicações orçamentais da ENRP circunscreveu-se ao período de 2003-2005. 201. As principais limitações e factores que condicionam as projecções são os seguintes: (i)o Factores exógenos: O grau de imprevisibilidade das projecções macro-económicas até ao ano 2015, tendo em conta o cenário da evolução da economia mundial e consequências na disponibilização de recursos para a ajuda ao desenvolvimento e nos fluxos turísticos; (ii)o Factores endógenos: Os impactos da aplicação dos recursos do petróleo na matriz económica e social, por um lado ao nível do crescimento económico e por outro na redistribuição do rendimento nacional. Os cenários mais optimistas apontam para uma alteração radical da estrutura dos indicadores macro-económicos a partir de 2006, o que inviabiliza a construção de séries estatísticas homogéneas e coerentes para um horizonte superior a dois ou três anos. Esta limitação, aconselha a montagem urgente de indicadores de conjuntura e de monitorização da economia; (iii)o A evolução do HIV e outras endemias, poderão constituir um factor perturbador, tanto nas projecções da população como na alocação de recursos; (iv)o A mudança de atitudes e comportamentos no que concerne às motivações individuais dos cidadãos e da classe dirigente, no que respeita aos padrões de consumo, entendimento sobre a equidade, igualdade de oportunidades, etc... (v)o Há ainda que ter em conta as limitações de natureza conceptual relativamente aos indicadores utilizados, nomeadamente o conceito de PIB per-capita que não reflecte as mutações operadas na redistribuição do rendimento nos grupos-alvo da ENRP. (vi)o Embora tendo em conta estas limitações, a incidência orçamental da estratégia, medida pelo peso orçamental dos sectores prioritários verificado no PIP e OGE de 2002, constitui um indicador adequado para a confirmação da relevância que o Governo atribui à estratégia de redução da pobreza no conjunto das suas políticas. 9.2. Áreas de acção prioritárias 202. A educação, saúde, infra-estruturas (estradas, energia e água) agricultura e desenvolvimento rural, boa governação e políticas económicas e financeiras, foram definidos como sectores estratégicos da ENRP e mereceram maior detalhe na orçamentação pelos seguintes motivos: ι.• As iniciativas e acções dos cidadãos e das instituições, exigem medidas adequadas da Administração que envolvem alterações de comportamentos. Destacam-se as acções no campo da boa governação, produção de legislação e no acesso à justiça. A desconcentração e descentralização implicam o desenvolvimento do poder local ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 51 que promove uma maior interacção entre as populações e as instituições na luta contra a pobreza através do desenvolvimento sócio-económico. ιι.• As políticas financeiras e macro-económicas, são fundamentais para assegurar uma melhor alocação dos recursos internos, transparência na preparação e execução do Orçamento e do PIP. A eficiência da máquina fiscal é um importante contributo para as políticas de redistribuição da riqueza gerada no processo produtivo em que os estratos populacionais mais pobres mais contribuem. ιιι.• A capacitação humana é o principal factor que contribui para a identificação e concretização das acções a implementar pelos agentes económicos e pelas instituições. A educação e a saúde são componentes vitais que influenciam os comportamentos e as capacidades que propiciam a eficiência no trabalho, o aumento da produção de bens e serviços e na sua distribuição. Neste sentido, no caso da educação, complementarmente à educação básica e alfabetização, a formação técncico-profissional são relevantes na ENRP. ιϖ.• A disponibilidade de infra-estruturas, em particular, estradas, energia e água, é o factor que assegura a concretização das acções, facilitando a mobilidade dos factores de produção, melhorando o processo produtivo, o alargamento do mercado e principalmente o acesso aos serviços básicos de saúde e saneamento. De crucial importância para o desenvolvimento, o turismo devido ao elevado VAB que proporciona e ainda as condições naturais que o país oferece, também foi considerado vital para a ENRP. Também se assume que o crescimento económico, em que o sector privado é o principal actor, é uma condição sine qua non para a redução da pobreza, e, simultaneamente, as políticas de redução da pobreza., se bem conduzidas, contribuem decisivamente para o crescimento económico. ϖ.• Tendo em conta que a maioria da população pobre vive em zonas rurais, para além de se privilegiar a componente geradora de rendimento (agricultura, pecuária, florestas) deve ter-se em conta que a melhoria das condições de vida passa pelo desenvolvimento humano e criação de infra-estruturas comunitárias. 203. A selecção e hierarquização das acções prioritárias, teve em conta os seguintes critérios: O reconhecimento de que a acção contribui para a melhoria do bem(ι)• estar, é fruto do processo consultivo realizado junto dos beneficiários e da sociedade civil; (ιι)• Assegurem o crescimento económico de forma sustentável e são vitais para a estratégia sectorial; (ιιι)• Tenham viabilidade económica financeira e institucional – promovam um saudável clima social, político e estabilidade macro-económica. 9.3. Impactos da economia petrolífera 204. As receitas provenientes do “aluguer de blocos”, no curto prazo poderão não ter um impacto directo na economia real e consequentemente na evolução do PIB. Nos primeiros anos (2003-2006), como não está perspectivado que haja produção para a exportação, o impacto ocorrerá apenas nas variáveis da procura interna e no investimento. Como consequência do excesso de liquidez da economia, os preços dos bens essenciais poderão disparar por não haver suficiente capacidade de produção interna. Este cenário, poderá criar bolsas de pobreza com maior 52 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA incidência nas zonas rurais e extractos urbanos com baixo nível de instrução, idosos e mulheres. 205. O cenário mais optimista assenta no pressuposto de que os recursos do sector petrolífero são insuflados na economia nacional, privilegiando: (i) o desenvolvimento do capital humano (educação de base, formação, saúde) ; (ii) o fortalecimento da economia rural através da infraestruturação das comunidades, assegurando a distribuição equilibrada da população e evitando a importação de produtos produzidos localmente a preços inferiores e de forte incidência na formação do VAB; (iii) a aquisição e construção de equipamentos básicos que promovem a produtividade e uma “base económica” equilibrada e alicerçada na diversidade - Energia, serviços de apoio à economia petrolífera (metalo-mecânica ligeira, reparação, transportes), técnicas agrícolas e hotelaria e finalmente, (iv) o desenvolvimento das capacidades de inovação e de gestão empresarial e institucional. 9.4. Recursos necessários 206. Tendo em conta os princípios e critérios acima enunciados, as acções inscritas na ENRP, tiveram a seguinte alocação de recursos por objectivos (EIXOS): Programação por Objectivos e Sectores Prioritários (Valores em milhares de dólares americanos) EIXOS / SECTORES 1,1 PERIODO 2003 - 2005 948,0 919,4 0,5 262,0 0,4 45.165,4 22,3 20.025,7 31,8 29.252,0 11.226,8 14,4 5,5 7.488,0 9.480,0 12,0 15,1 3 – Oportunidades de rendimento Dos quais: ♣• Agricultura, pecuária, pescas, floresta ♣• Infra-estruturas 106.999,4 52,8 20.804,9 33,1 52.921,2 54.078,2 26,1 26,7 12.222,1 8.582,7 19,4 13,6 4– Acesso aos Serviços Sociais Básicos Dos quais: ♣• Educação ♣• Saúde, Nutrição e População ♣• Trabalho, Formação e Solidariedade 46.280,9 22,8 19.631,1 31,2 22.836,7 19.851,2 3.593,0 11,3 9,8 1,8 7.876,5 10.491,6 1.263,0 12,5 16,7 2,0 2.035,6 202.590,7 1,0 100 1.472,1 62.881,8 31,0 2,4 100 1 –Reforma e Capacitação das Instituições e Boa Governação Dos quais: ♣• Justiça 2 – Crescimento económico e redistributivo Dos quais: ♣• Energia ♣• Água e Saneamento 5 – Análise, Seguimento e Avaliação TOTAIS Percentagem do total Investimento per-capita (Dólares Americanos ) TOTAIS 2003 - 2010 2.109,4 % % 1,5 207. A curto prazo (2003-2005), as acções que propiciam a criação de rendimentos, centradas nas infra-estruturas básicas e nas actividades do sector primário, absorvem 64,9% dos recursos. As actividades relacionadas com o Acesso aos Serviços Sociais Básicos representam 31,2% do total, aparecendo a Educação e a Saúde com um peso relativo muito próximo. 53 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 208. Um outro dado importante a reter, situa-se na deslocação do peso relativo das despesas na educação e na saúde que em 2001 representavam 9% e 7% do total das despesas correntes do OGE e nas projecções passam a ter um peso relativo de 13% e 17% respectivamente. Programaçao por Objectivos (Periodo 2003-2005) E1 31,8% E2 33,1% E4 3,8% 209. Constata-se ainda que apenas 31,0% do custo total das acções programadas se concentra no E3 31,2% período 2003-2005, o que reflecte as dificuldades em realizar programação no médio-longo-prazo e ao mesmo tempo tem subjacente um cenário com moderada taxa de capacidade de realização dos sectores na fase inicial da implementação da estratégia. Programação por Tipo de Recursos (Valores em milhares de dólares americanos) CATEGORIAS DE DESPESA 1 – Construção Civil Dos quais: ♣• Salas de aula ♣• Infra-estruturas da saúde ♣• Infra-estruturas Viárias ♣• Água e Saneamento 2 – Bens Dos quais: ♣• Material Vegetal ♣• Bens Alimentares ♣• Manuais e equipamentos para a Educação ♣• Medicamentos, equipamentos e materiais para a saúde 3– Serviços Dos quais: ♣• Assistência Técnica Nacional ♣• Assistência Técnica Internacional ♣• Estudos ♣• Legislações ♣• Sistemas de informação 4 – Formação Dos quais: ♣• Formação de professores ♣• Formação Profissional 5 - Outros recursos, não distribuídos por categorias TOTAIS TOTAIS 2003 - 2010 % PERÍODO % 107.006,3 52,8 2003 - 2005 26.987,5 42,9 12.056,2 3.820,4 49.308,7 12.673,4 6,0 1,9 24,3 6,3 2.131,2 509,9 6.124,2 10.784,6 3,4 0,8 9,7 17,2 36.960,6 18,2 10.669,0 17,0 13.353,0 1.159,7 1.030,5 5.469,1 6,6 0,6 0,5 2,7 1.415,7 379,5 397,0 1.638,7 2,3 0,6 0,6 2,6 26.323,8 13,0 11.548,9 18,4 15.318,0 7.026,7 1.539,6 705,3 1.734,1 7,6 3,5 0,8 0,3 0,9 3.244,5 6.000,5 1.146,6 599,4 558,0 5,2 9,5 1,8 1,0 0,9 7.968,8 3,9 2.628,1 4,2 2.022,7 5.703,8 1,0 2,8 311,3 2.169,4 0,5 3,5 24.331,2 12,0 11.048,3 17,5 202.590,7 100 62.881,8 100 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 9.5. 54 Fontes de financiamento 210. O exercício orçamental por fontes de financiamento, foi realizado apenas para o ano de 2003. O prolongamento deste exercício para os anos seguintes pressupõe a existência do (MTEF) – Programação da Despesa Pública para médio prazo. 211. A concretização das actividades programadas para o ano de 2003, exige a mobilização de US$ 22.519.727 com a seguinte repartição por fontes de financiamento: Fontes de financiamento Tesouro Público Fundos HIPC Créditos Externos Assegurados Donativos Assegurados Recursos de Empresas Públicas Actividades sem financiamento – Créditos e Donativos a mobilizar Total Valores US$ Percentagem 240.671 1,07 2.678.930 11,90 4.712.655 20,93 10.013.282 44,46 151.000 0,67 4.723.190 20,97 22.519.728 100,00 55 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Table1. São Tomé and Príncipe: Selected Economic Indicators, 2000-05 2000 Production Cocoa export volume (in thousands of metric tons) Cocoa export unit value (in U.S. dollars per kilogram) Gross domestic product (in billions of dobras) At constant prices (percentage change) Gross domestic product deflator (percentage change) Consumer prices (percentage change; end of period) Consumer prices (percentage change; average) 3,8 0,9 369,5 3,0 7,4 9,6 11,0 2001 Est. 2002 2003 Est. (In units indicated) 3,8 1,1 422,0 4,0 9,8 9,4 9,5 3,8 1,5 491,0 5,0 10,8 9,0 9,2 2004 2005 3,8 3,8 3,8 1,5 1,4 1,4 550,5 605,3 647,5 5,0 5,0 5,0 6,8 4,7 1,9 7,0 5,0 3,0 8,0 6,0 4,0 (Annual percentage change, unless otherwise specified) External sector Exports, f.o.b. Imports, c.i.f. Exchange rate (in dobras per U.S. dollar; period average) 1/ Exchange rate (in dobras per U.S. dollar; end of period) 1/ Real effective exchange rate 2/ Terms of trade Money and credit (end of period) Net domestic assets 3/ Credit to government (net) 3/ Credit to the economy 3/ Broad money Velocity (ratio of GDP to average broad money) Central bank discount rate (in percent; end of period) Commercial bank lending rate (in percent; end of period) Commercial bank lending rate in foreign currency Commercial bank deposit rate (in percent; end of period) -18,7 -2,7 7.908,5 8.567,6 11,3 -1,5 9,4 11,1 8.756,2 8.949,0 -6,5 10,8 15,0 9,7 1,4 28,8 3,7 17,0 34.0 to 39.0 ... 14.0 to 16.0 5,0 15,4 -2,0 36,7 3,2 85,4 -3,0 -0,8 14,7 31,0 32,1 8.986,9 ... ... 9.024,7 ... ... -1,1 ... ... 38,4 -13,9 1,0 -26,6 -32,6 4,3 23,1 3,1 2,0 283,7 ... ... … -5,4 … … 34.0 to 39.0 … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … ... … 14.0 to 16.0 … … … … (In percent of GDP, unless otherwise specified) National accounts Consumption Gross investment Public investment Private investment Of which: oil sector Gross domestic savings Public savings Private savings Gross national savings Government budget Total revenue and grants Of which: grants Total expenditure Of which: noninterest current expenditure Overall balance (commitment basis) Primary balance (commitment basis; incl. HIPC Initiative spending) 4/ 5/ Primary balance (commitment basis; excl. HIPC Initiative spending) 4/ 5/ External sector Current account balance (excluding official transfers) Current account balance (including official transfers) Net present value of total external debt outstanding 4/ 5/ Net present value of total debt 6/ 7/ 8/ Net present value of total debt 6/ 7/ 9/ 103,5 43,5 26,0 17,5 0,0 -3,5 -8,4 4,9 23,1 105,2 50,0 33,1 16,9 0,0 -5,2 -12,5 7,4 34,2 103,0 45,2 28,3 16,9 0,0 -3,0 -10,7 7,7 35,1 105,4 101,9 102,5 58,4 95,6 411,4 28,7 29,3 29,0 29,8 66,3 382,4 17,3 44,6 361,4 -5,4 -1,9 -2,5 -12,1 -10,3 -10,5 6,7 8,4 8,1 27,0 32,8 32,2 49,6 28,0 66,1 17,6 -16,5 2,1 64,9 42,3 76,7 21,8 -11,8 -9,9 63,0 41,0 69,7 19,6 -6,7 -4,7 57,5 35,0 69,7 19,7 -12,1 -7,7 60,4 33,3 73,2 20,1 -12,8 -7,1 61,8 33,7 74,6 21,0 -12,7 -7,8 2,1 -5,9 -0,1 -1,9 1,2 0,2 -52,3 -20,4 306,3 920,8 1.353,2 -62,4 -16,1 308,9 908,9 1.339,1 -54,2 -10,0 277,8 825,9 1.259,1 -68,9 -98,4 -415,0 -31,4 -62,8 -379,2 243,7 224,8 211,7 704,0 620,4 564,9 1.084,2 830,8 752,0 (In millions of U.S. Dollars, unless otherwise specified) External sector Export earnings Of which: cocoa Overall balance 3,2 2,9 -2,4 3,5 3,1 1,5 6,5 5,1 3,4 6,3 4,7 32,9 6,2 4,6 -10,1 6,4 4,6 -11,2 56 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 2000 Outstanding public external debt (before debt relief) Of which: arrears Gross foreign reserves (in months of following year's imports of goods and services) External debt service Before debt relief (in percent of government revenue) Before debt relief 8/ Actual debt service paid 8/ 252,0 0,0 2001 Est. 259,3 2,1 2002 Est. 263,6 6,9 3,5 3,8 4,8 36,2 26,1 22,3 4,2 ... 2003 2004 2005 261,9 265,7 269,1 6,9 6,9 6,9 5,1 30,1 4,7 63,6 ... 4,1 37,9 ... 38,1 ... Sources: São Tomé and Príncipe authorities 1/ For 2002, as at end-August. 2/ For 2002, as at end-June. 3/ In percent of broad money at beginning of period. 4/ Excluding interest obligations, grants, and foreign-financed capital outlays. 5/ Excluding oil revenue. 6/ Includes arrears to Italy on a loan that remains in dispute. 7/ Assumes the completion point under the enhanced HIPC Initiative is reached in 2003. 8/ In percent of exports of goods and services. 9/ In percent of government revenue. Table2. São Tomé and Príncipe: Financial Operations of the Central Government, 2001-05 Total revenue and grants Total revenue Tax revenue Consumption taxes Import taxes Export taxes Profit taxes Personal income taxes Other taxes Nontax revenue Of which: transfers from enterprises fishing royalties Of which: oil reserve fund revenue Grants Of which: nonproject grants HIPC Initiative-related grants Total expenditure and net lending Current expenditure of which: noninterest current expenditure Personnel costs Of which: wages and salaries Local embassies Goods and services Interest on external debt due Interest on internal debt due Transfers Other Redeployment fund Capital expenditure Financed by the treasury Financed by extraordinary funds Financed by external sources HIPC Initiative-financed social expenditure Public service restructuring 1/ Net lending 2/ Overall fiscal balance 2001 2002 (In billions of dobras) 274,0 309,4 95,6 108,3 78,6 87,8 30,1 34,3 19,4 21,6 0,0 0,0 9,5 11,2 14,3 16,7 5,3 4,0 17,1 20,5 8,2 10,8 2,7 5,0 … … 178,4 201,1 17,3 27,6 21,4 37,7 323,6 124,3 92,2 40,5 32,6 28,7 3,9 18,8 31,0 1,1 13,1 17,0 2,8 180,3 28,2 0,0 152,1 17,2 1,9 0,0 343,3 132,4 96,3 44,8 37,0 33,1 4,0 24,1 35,0 1,1 9,3 16,3 1,8 182,2 12,7 0,0 169,5 22,5 6,2 0,0 2003 2004 2005 316,6 123,8 101,1 39,1 25,6 0,0 12,8 19,1 4,5 22,6 12,1 5,4 0,0 192,9 27,0 0,0 365,6 163,8 111,7 43,2 28,7 0,0 14,1 21,1 5,0 52,1 13,9 5,4 27,0 201,9 22,5 0,0 400,5 182,3 127,0 49,2 31,5 0,0 16,0 23,9 5,7 55,3 15,5 5,4 27,0 218,2 22,5 0,0 383,5 143,1 108,3 51,3 44,4 39,7 4,8 27,3 33,7 1,1 10,4 18,3 0,9 208,4 26,0 0,0 182,4 31,9 0,0 … 0,0 442,0 160,6 121,5 57,9 49,0 43,7 5,3 30,8 37,9 1,1 11,8 20,6 0,5 230,9 35,0 0,0 195,9 50,5 478,7 177,1 136,1 65,0 55,6 49,6 6,0 34,6 39,9 1,1 13,2 23,1 0,2 249,4 44,7 0,0 204,7 52,3 … 0,0 0,0 57 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA (commitment basis, including grants) 2001 2002 (In billions of dobras) -49,6 -33,8 2003 2004 2005 -66,8 -76,4 -78,3 Change in arrears (net; reduction -) External arrears (net; reduction - ) Domestic arrears (net; reduction - ) -26,9 -26,9 0,0 5,9 5,9 0,0 -7,7 -7,7 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 Overall fiscal balance (cash basis) -76,5 -27,9 -74,5 -76,4 -78,3 76,5 42,0 15,8 25,8 25,8 -144,2 -36,7 -107,5 144,6 27,9 31,8 33,7 29,7 29,7 -31,5 -55,2 23,7 0,0 -54,1 -86,9 16,5 29,7 29,7 -133,2 -102,2 -31,0 0,0 -17,1 -14,2 16,5 27,0 27,0 -57,8 -57,8 0,0 0,0 -25,8 -33,4 9,0 27,0 27,0 -69,4 -69,4 0,0 0,0 34,6 17,3 -4,3 -0,1 17,2 0,0 0,0 -3,9 -50,1 -15,2 -0,1 45,0 -88,8 0,0 0,0 32,8 -35,3 0,0 0,0 405,0 -88,8 -336,9 128,7 -2,8 -2,0 0,0 0,0 0,0 -88,8 0,0 93,4 7,6 -2,0 0,0 0,0 13,7 -88,8 0,0 104,1 137,5 -41,9 -24,7 36,1 10,1 131,5 -23,1 -0,6 60,6 6,7 166,2 -42,4 -10,5 174,6 7,3 207,0 -43,3 7,2 95,7 8,0 233,0 -50,7 1,6 109,3 8,8 Financing External (net) Disbursements (projects) Program financing (loans) Loans Amortization (net) Scheduled Net change in arrears (reduction - ) Debt relief 3/ Domestic (net) Bank net credit Of which: HIPC Initiative account Privatization proceeds Oil concession rights proceeds Change in foreign currency balances (increase - ) Oil reserve fund Financing gap (excess financing -) Memorandum items: Domestically financed primary expenditure 4/ 5/ Primary balance (commitment basis) 4/ 5/ Primary balance (commitment basis) 4/ External debt-service cash payments Transfers (in US$ per capita) … Table 2. São Tomé and Príncipe: Balance of Payments, 2000-05 (In millions of U.S. dollars, unless otherwise specified) 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Trade balance Exports, f.o.b. Cocoa Other Imports, f.o.b. Food Investment goods Petroleum-related investment Petroleum products Other Services and income (net) Exports of services Travel and tourism Fishing concessions Other services Imports of nonfactor services Freight and insurance Technical assistance Petroleum-related services Other -18,2 -20,2 -20,7 -29,4 -40,9 -174,5 3,2 2,9 0,3 3,5 3,1 0,4 6,5 5,1 1,4 6,3 4,7 1,5 -21,4 -4,5 -11,8 0,0 -4,0 -1,0 -23,7 -5,6 -12,8 0,0 -3,6 -1,7 -27,2 -6,4 -13,5 0,0 -4,4 -2,9 -35,7 -7,6 -15,5 -3,4 -5,7 -3,5 -47,1 -180,8 -8,9 -9,8 -16,6 -18,1 -11,0 -141,1 -6,1 -6,7 -4,5 -5,1 -6,7 -10,4 -9,5 -13,4 -25,9 -124,7 12,3 8,7 0,0 3,6 13,7 9,6 0,0 4,1 16,1 11,6 0,0 4,5 17,5 12,8 0,0 4,7 -16,1 -4,7 -6,0 0,0 -5,3 -20,5 -4,9 -9,9 0,0 -5,6 -21,7 -5,8 -10,2 0,0 -5,7 -27,2 -7,3 -10,8 -3,0 -6,1 6,2 4,6 1,7 20,5 15,0 0,0 5,5 6,4 4,6 1,8 24,0 17,7 0,0 6,3 -45,2 -147,3 -10,0 -43,1 -12,1 -13,1 -16,5 -84,0 -6,6 -7,1 58 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Interest due (In millions of U.S. dollars, unless otherwise specified) 2000 2001 2002 2003 2004 2005 -3,0 -3,6 -3,9 -3,7 -1,2 -1,4 Private transfers (net) 0,5 0,6 0,6 0,6 -24,4 -30,1 -29,6 -42,1 14,9 12,0 1,9 0,0 1,0 22,3 13,8 2,0 2,9 1,4 2,3 24,1 15,1 2,0 4,2 1,1 1,7 22,9 18,4 2,0 0,0 1,0 1,5 Current account, including official transfers -9,5 -7,7 -5,5 -19,2 Medium- and long-term capital (net) Project loans Nonproject loans IDA AfDB Oil signature bonuses Direct foreign investment Of which: petroleum related Amortization Of which: repayment of Nigerian advance Short-term capital and errors and omissions Of which: Nigerian advance 7,1 6,6 0,0 3,0 3,0 8,9 4,8 3,0 3,0 3,0 2,0 3,5 0,0 -4,4 3,9 3,8 3,3 3,3 3,3 0,0 3,0 0,0 -6,2 Current account, excluding official transfers Official transfers (net) Public investment projects Aid in kind HIPC Initiative-related grants European Union budget support Other … 3,8 0,0 -3,3 … 0,0 … Overall balance Financing Change in reserves (increase -) Oil reserve fund Medium- and long-term arrears (net; decrease -) 1/ Short-term arrears (net; decrease -) Poverty Reduction and Growth Facility (net) Other Debt relief Financing gap To be covered by debt relief Residual gap Memorandum items: Exchange rate (in dobras per U.S. dollars, average) 2/ GDP (in billions of dobras) GDP (in millions of dobras) Debt-service ratio (before debt relief) 3/ 4/ Debt-service ratio (after debt relief, including HIPC Initiative assistance) 3/ 4/ Debt service actually paid 3/ 5/ Current account, excluding official transfers (in percent of GDP) Current account, including official transfers (in percent of GDP) Gross reserves (in millions of U.S. dollars) Gross reserves (in months of following year's imports) … 0,4 0,6 0,6 -66,2 -298,5 23,9 19,9 1,5 0,0 1,0 1,5 25,7 21,7 1,5 0,0 1,0 1,5 -42,2 -272,8 52,1 32,1 261,6 1,8 1,8 1,0 3,3 3,0 3,0 3,3 0,0 0,0 3,3 0,0 0,0 45,0 0,0 1,5 13,4 33,7 263,8 10,6 30,0 260,0 -11,4 -6,4 -7,7 -5,0 … … 5,0 0,0 0,0 0,0 5,0 … … … -2,4 1,5 3,4 32,9 -10,1 -11,2 2,4 -2,0 -1,5 -2,7 -3,4 -6,6 -0,2 -0,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 -0,2 -0,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 10,3 0,0 10,3 11,4 0,0 11,4 -32,5 -22,3 2,5 -0,3 57,1 1,0 -16,6 0,0 0,0 16,8 3,3 0,0 0,0 0,0 0,0 -47,2 -5,5 -37,4 -4,3 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 14,3 0,0 14,3 … … … 7908,5 8756,2 8986,9 ... ... ... 369,5 422,0 491,0 550,5 605,3 647,5 370 422 491 551 605 648 36,2 22,3 30,1 63,6 37,9 38,1 26,1 10,0 8,8 ... ... ... 26,1 -52,3 -20,4 12,9 3,5 4,2 ... ... ... ... -62,4 -54,2 -68,9 -98,4 -415,0 -16,1 -10,0 -31,4 -62,8 -379,2 15,6 22,2 27,7 27,9 28,1 3,8 4,8 5,1 4,7 4,1 through end-December 2002, pending a possible new Paris Club rescheduling agreement. 2/ For 2002, as at end-August. 3/ In percent of exports of goods and services; 4/ Includes amortization to the IMF; excludes arrears. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA ANEXOS 59 60 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA ANEXO N.º 1 – PLANO DE ACÇÕES Domínio Objectivos/estratégias Reduzir a percentagem Programa de Redução da Pobreza da população pobre (abaixo do limiar da pobreza) de 53,8 % para menos de 1/3 até 2015 Acções prioritárias Período Realização de inquéritos Cada 3 nacionais para conhecer e anos avaliar periodicamente a [(2004; situação da pobreza no país 2007; (...)] Estudo da relação entre a 2003 estrutura, o tamanho da família e a pobreza Realização de um estudo 2003 sobre a situação da pobreza urbana e suburbana Implementação das acções Reduzir a pobreza em prioritárias da Estratégia 2003/2005 todas as suas formas Nacional para a Redução da Pobreza (ENRP) EIXO 1: REFORMA DAS INSTITUIÇOES PUBLICAS, REFORÇO DAS CAPACIDADES E PROMOÇÃO DE UMA POLÍTICA DE BOA GOVERNAÇÃO NormativoConstitucional - Assembleia Nacional - Consolidar o Estado de Direito Democrático Reforçar a capacidade do poder legislativo Revisão da Constituição, 2003 visando nomeadamente a adaptação da dimensão, competência e organização dos órgãos de soberania. Criação do Conselho de Estado 2004 Criação do Conselho Constitucional 2004 Revisão da sua A partir de composição, tendo em 2006 conta a nova divisão político-administrativa e a necessidade de representação das colectividades regional e local Redefinição do papel das comissões parlamentares (Regimento) A partir de 2006 Reforço dos procedimentos 2003 de controlo orçamental e das contas e bens públicos Organização de programas de formação e visitas de estudo 2004-2005 61 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Apetrechamento da biblioteca com fundo documental adequado às exigências de consulta dos parlamentares e funcionários e técnicos Período 2004 Dinamização dos serviços 2004 de informação sobre as actividades parlamentares Governo - Racionalizar a organização da Administração Central do Estado Fixação do seu tamanho, 2004 composição, atribuições e competências, tendo em conta os sectores-chave Estabelecimento das 2003 relações orgânicas 2005 (verticais e horizontais) entre o Primeiro-Ministro e cada Organismo da Administração Central do Estado e entre os Ministros e os respectivos serviços 2004 Restabelecimento da autoridade de Estado e manutenção da ordem pública democrática – estabelecimento de regras claras para o funcionamento das instituições e cumprimento das respectivas missões, reforço das instituições policiais e de fiscalização, e do respeito pelas hierarquias Justiça - Reforçar a organização e funcionamento dos tribunais Revisão a Lei Base do Sistema Judicial, incluindo a criação de Tribunais especializados 2004 Actualização das leis caducas e demais instrumentos obsoletos com origem na época colonial 2004-2005 Estabelecimento e 2003-2005 aplicação de um programa de formação e especialização dos magistrados e auxiliares da justiça, incluindo formação de formadores 62 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Período Adequação de políticas de 2003-2005 remuneração dos magistrados e agentes da justiça, tendo em conta as especificidades da sua missão Gestão dos públicos bens - Promover uma gestão responsável, eficaz e transparente dos bens públicos Actualização e reforço da Inspecção de Justiça 2004 Promoção de mecanismos de acesso à informação e de aproximação dos cidadãos às instâncias da justiça (patrocínio judicial…) 2003-2005 Apoio à Comissão Eleitoral Nacional e ao respectivo Gabinete Técnico Depois de 2005 Promoção da aplicação do Plano Nacional de Contabilidade 2003 Realização rápida do processo de implantação do Tribunal de Contas 2003 Reforço das instituições de 2004 fiscalização e controlo Estabelecimento da legislação contra a corrupção 2004 Melhoria da conformidade das receitas e despesas com as normas existentes 2003 Redefinição dos mecanismos de gestão da ajuda externa 2004 Tratamento e divulgação de informações estatísticas relativas à situação da ajuda externa ao desenvolvimento 2004 2005 – Proceder à inventariação anual dos bens públicos, nomear os respectivos exactores e submetê-los à prestação periódica de contas 2003 2004 – 63 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Descentralização Objectivos/estratégias - Adequar o processo de descentralização e readaptar a Administração Local Acções prioritárias Período Promoção de uma ampla campanha de informação sobre a necessidade de transparência, eficácia e de prestação de contas sobre a gestão dos bens públicos 2004-2005 Revisão da lei da divisão político-administrativa 2004 Revisão das leis quadro e complementares sobre o processo de descentralização e gestão autónoma dos órgãos de administração regional e local 2004 Definição das formas de tutela e o quadro de relacionamento entre os órgãos de poder central, regional e local 2004 2005 – Organização e realização das eleições autárquicas regional e local em conformidade com as leis 2003 2004 – Estabelecimento de mecanismos de apoio à consolidação dos poderes regional e local 2003 2004 – Reforço das capacidades 2003-2005 humanas, materiais e organizativas dos órgãos de poder descentralizados para gerir infra-estruturas e serviços Promoção de um quadro de 2003-2005 formação permanente e continua dos eleitos e funcionários da administração regional e local Administração Pública - Redimensionar e modernizar a Administração Pública Reajustamento da Administração Pública e adaptação da sua missão tendo em conta o quadro de liberalização económica 2003-2004 Racionalização do seu efectivo e reforço das capacidades necessárias à eficiência da acção administrativa 2003 64 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Período Arranque de uma nova 2004 revisão do actual Estatuto da Função Pública, visando a sua adaptação às novas realidades da Administração Aplicação de forma consequente, do Estatuto da Função Pública 2004-2005 Apetrechamento dos 2003-2005 serviços com meios materiais e equipamentos informáticos e outros para um bom desempenho das respectivas missões Introdução de instrumentos 2003 de avaliação sistemática dos agentes da Função Pública Sociedade Civil - Promover a sociedade civil e o seu envolvimento participativo no processo de redução da pobreza Revisão da tabela salarial para dignificar a função dos servidores do Estado e responder aos imperativos de eficiência e de luta contra a corrupção 2003 Criação de um quadro de atendimento, promoção e apoio do movimento associativo junto do Gabinete do Chefe de Governo 2003-2005 Dinamização do funcionamento adequado do Conselho de Concertação Social 2004 2005 - Organização de campanhas 2004-2005 de formação em torno do envolvimento participativo para a luta contra a pobreza Comunicação Informação e - Desenvolver os mecanismos de acesso à informação e comunicação e promover uma cultura de participação Reforço da qualidade de gestão e profissionalismo das ONG 2004-2005 Extensão da cobertura radiofónica e televisiva a todo o espaço nacional; 2004-2005 Elaboração de pacotes de 2004-2005 programas radiofónicos e televisivos de conteúdo informativo e educativo no sentido da luta contra a pobreza; 65 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Período Colocação postos 2004-2005 telefónicos públicos nas localidades mais distantes Realização de um Seminário sobre o papel da Comunicação Social na luta pela Redução da Pobreza 2003 Realização de um Seminário sobre o papel das forças militares e paramilitares no quadro da Redução da Pobreza 2003 EIXO 2: UM CRESCIMENTO ACELERADO E REDISTRIBUTIVO Promoção do sector Acelerar o crescimento e Crescimento 2003/2005 atingir uma taxa tendencial privado e diversificação da produção do PIB > superior a 5 % Quadro macroeconómico do crescimento Manter uma taxa de inflação < 2 dígitos e assegurar um ambiente macro-económico propício ao desenvolvimento durável e sustentado Promoção dos sectores produtivos: agricultura, pecuária, pescas, floresta, turismo, serviços, comércio, indústria e fileira de produção Revisão do quadro jurídico e regulamentar para favorecer o acesso aos serviços produtivos e promoção do investimento estrangeiro Desenvolvimento de infraestruturas económicas (energia, estradas, transportes, telecomunicações, água e saneamento) Melhoria da oferta dos serviços e da sua eficácia Aumento do ritmo da produção e da capacidade de exportação; Diversificação da produção 2003/2005 Prioridade aos créditos destinados à economia Estudo sobre a viabilidade de integração numa zona monetária 2003/2005 2003 2003/2005 2003/2005 2003/2005 2003/2005 2003/2005 Política monetária: 2003/2005 controlo estrito da emissão e da massa monetária Câmbio: estabilização das 2003/2005 taxas de câmbio e reconstituição das reservas cambiais Reforço da capacidade do 2004 66 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Garantir a Sustentabilidade da Dívida Manter uma adequada taxa de pressão fiscal Melhorar o poder de Acções prioritárias Banco Central Orçamento, Finanças Publicas: aumento das receitas, racionalização das despesas de investimento público e despesas correntes; controlo das despesas salariais, mas permitindo a sua evolução em função do custo de vida, da produção e da produtividade; reorientação das despesas públicas para os serviços sociais de base; manter um déficit externo corrente/PIB<3,6%; manter um déficit primário/PIB incluindo a Iniciativa HIPC a um nível de 7 % PIB Dívida Pública: acompanhar os trabalhos da Célula do Banco Central e das instituições encarregues do seguimento da Dívida com vista a sua sustentabilidade; metodologia de tratamento da Dívida Externa Incentivo a divulgação periódica das estatísticas relativas a evolução da Dívida Externa Política externa: redução do déficit externo Abertura do sector financeiro a outros bancos Finalização do estudo de desenvolvimento do sector financeiro Formação em diversas áreas do sector bancário Actualização de equipamentos informáticos Actualização e aplicação dos estudos relativos à captação da poupança dos emigrantes Criação de um quadro propício ao desenvolvimento e diversificação do sector financeiro Formação sobre a Balança de Pagamentos Apoio com assistência técnica internacional a Balança de Pagamentos Estimulo a poupança, ao investimento e a produtividade Revisão do sistema de impostos e melhoria de cobrança Apoio as famílias que Período 2004 2004 2003 2003 2003/2005 2004 2003/2005 2003/2005 2003/2005 2004 2004 2003/2005 2004 2003/2005 67 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias compra e rendimento das franjas populacionais mais vulneráveis Criar um meio envolvente favorável ao sector privado Promoção do sector privado Agricultura Aumentar e diversificar as produções e as exportações agrícolas Acções prioritárias Período queiram valorizar os seus factores de produção Execução dos investimentos públicos tendo em conta as classes sociais mais vulneráveis Implementação dos Órgãos do Poder locais e apoio as populações para que sejam elas mesmas a resolver os seus problemas de produção Apoio ao desenvolvimento de agricultura alimentar e o relançamento da actividade de construção civil Formação e enquadramento do sector privado 2003/2010 Revisão do Código de Investimento Privado Constituição de empresas Melhoria dos mecanismos de concessão de crédito bancário Diversificação da produção e promoção das exportações Implementação das industrias de transformação e relacioná-las com o desenvolvimento do sector turístico e outros serviços Reforço da dinâmica emanada de privatização parcial de terras Organização das actividades profissionais e de cooperação económica e financeira com outros Estado da sub-região Promoção dos sectores de exportação: zona franca, hidrocarbonetos, turismo, pesca e agricultura Implementação no seio da Administração Pública de um Guichet Único para o atendimento do sector privado; Elaboração de uma estratégia nacional de promoção e desenvolvimento do sector privado Prosseguimento da reforma fundiária 2003 Coordenação e extensão 2003 2003/2010 2003/2010 2003/2005 À partir de 2003 2003/2010 2003/2010 2003/2010 2003/2010 2003/2010 2003 2003 2003 68 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Garantir a segurança alimentar Promover uma gestão racional dos recursos naturais Período 2003/2007 2004/2005 2003 2004/2005 2003/2010 2003/2010 2003 2003/2005 Ver o eixo estratégico 3: Criação de oportunidades para os pobres Pecuária 2003/2005 Florestas Indústria, Artesanato, Comércio e Serviços Turismo Acções prioritárias das acções de vulgarização Reabilitação e construção de novos caminhos rurais Criação de um sistema perene para a manutenção dos caminhos rurais e para a gestão das outras infra-estruturas colectivas em zonas rurais Estudo para a criação de um sistema de crédito agrícola Definição de uma política de crédito agrícola (adaptação dos estatuto das Caixas de Poupança e Crédito e uniões de Caixas, harmonização das condições de crédito e formação dos gestores de Caixas) Organização dos intervenientes para a melhoria das condições de abastecimento de factores de produção e de colheita, comercialização primária e tratamento dos produtos agrícolas Prosseguimento das acções de Investigação e Desenvolvimento (R/D) e projectos-piloto orientados para a produção alimentar e para a diversificação das exportações Reorganização do ensino agrícola (fusão CATAP/CENFOPA) e execução de programas prioritários Ver o eixo estratégico 3: Criação de oportunidades para os pobres 2003/2005 Execução do programa de Aumentar de maneira formação profissional para o significativa a contribuição sector do sector para o PIB (objectivo de 5-7% em 2005); 2003/2005 Ver o eixo 3: Oportunidade de rendimento para os pobres Aquisição de equipamentos À partir de e meios rolantes para o sector 2006 69 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Empreendimento de campanhas de promoção junto de um número limitado de países Efectuar o acompanhamento das medidas dependentes de outros sectores (protecção dos lugares de interesse turístico, política de infra-estruturas, saúde pública) Promoção do turismo (ecológico e balnear) Energia Promover o turismo como sector motor do crescimento, a médio prazo Reforço da gestão Garantir a satisfação das necessidades básicas da comercial da EMAE população em energia e contribuir para o desenvolvimento dos sectores produtivos Diversificar as fontes de obtenção de energia, procurando produzi-la minimizando as despesas em divisas Rever e aumentar progressiva a capacidade instalada Período 2004 2003 2003/2007 2003/2010 Reabilitação da Central de Contador 2003 Reabilitação das redes de baixa e média tensão 2004 Actualização do Plano Director 2003 Realização (ou 2003/2005 actualização) dos estudos de viabilidade sobre os investimentos futuros: transferência da Central da Capital, Abade III, projecto hidroeléctrico do Yô Grande e Rio Papagaio Construção da nova 2003/2010 Central Eléctrica com os recursos financeiros da transferencia da Central térmica Construção de microcentrais nas zonas rurais (1ª Bernardo Faro e Olivares Marim, 2ª - Santa Catarina e Comunidades vizinhas e 3ª António Soares /Santa Margarida) Construção da Central Hidroeléctrica Abade III A partir de 2006 Estudo sobre a viabilidade de descomprometimento do Estado e sobre as opções de evolução do sector Estudo técnico-económico sobre substituição ou mudança de combustível 2003 A partir de 2006 A partir de 2006 70 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Reabilitar e garantir a conservação das vias terrestres em função dos imperativos produtivos (escoamento dos produtos, em especial) e sociais (serventia das zonas isoladas) Transportes Período Implementação acelerada 2003/2010 do programa de reabilitação dos caminhos rurais (cf. Agricultura) Reforço da capacidade técnica e de gestão do SENAE 2004/2005 Reforço das capacidades operacionais do Porto de São Tomé (equipamentos de elevação, infra-estrutura para a manutenção dos navios, reforço das capacidades de gestão,...) Estudo preliminar sobre a estratégia sectorial dos transportes (na perspectiva da elaboração, após 2002, de um Plano Director dos Transportes) Elaboração e implementação de normas e regulamentos Acompanhamento da actividade dos operadores privados na área dos transportes marítimos inter-ilhas e entre o arquipélago e o Continente Arranque da actualização do inventário dos caminhos rurais Desenvolvimento da função pública de orientação ao sector 2004/2005 Diversificação dos produtos existentes no mercado Extensão da telefonia rural Clarificação do esquema institucional relativo à gestão do espaço radioeléctrico (controlo da utilização do espectro radioeléctrico, controlo dos equipamentos industriais, concessão de licenças,...) Alargamento e consolidação da rede das Telecomunicações Revisão da política Reduzir os custos de exploração e as tarifas para tarifária (contrato CST/Estado) 2003/2010 Reforçar a rede marítima de STP para garantir um desenvolvimento integrado das duas ilhas Desenvolver os transportes marítimos e aéreos internacionais Telecomunicações Acções prioritárias Desenvolver o serviço telefónico básico nas regiões rurais 2003-2004 2004 2003/2005 2003/2005 2003/2010 2003/2010 2003 2004/2005 2004 ajudar o desenvolvimento das empresas Alargamento da rede Internet 2003 71 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Actualização do Plano Aumentar o grau do Director de Águas acesso da população aos sistemas colectivos de Abastecimento de Agua à População (AAP) ligações privadas e marcos fontanários - Água e Saneamento Período 2003/2004 Reabilitação dos sistemas de adução de água potável em zonas urbanas Acções de informação, Melhorar a qualidade da água, nomeadamente ao Educação e Comunicação para a saúde (IEC) relativas aos nível da rede da EMAE temas da utilização e da protecção da água Controlo químicobacteriológico regular da água da rede pública e de microsistemas de abastecimento das zonas rurais Desenvolvimento das infra-estruturas de evacuação dos resíduos e águas poluídas, nos principais centros urbanos Acções de IEC em matéria de saneamento (latrinas, fossas sépticas) Reforço das capacidades Desenvolver as infrada EMAE (controlo da estruturas e apurar as qualidade, conservação e medidas destinadas ao reparação das infra-estruturas, saneamento do Meio gestão comercial e financeira) 2003/2005 Instalação de microsistems da AAP nas zonas rurais e prosseguimento das acções de reabilitação dos sistemas de abastecimento das Comunidades agrícolas Reforço da capacidade de protecção das fontes e do controle da qualidade de água Regulamentação do quadro jurídico para a protecção do ambiente, devendo-se velar pela aplicação das seguintes normas: Regulamentação da leiquadro do Ambiente Aplicação da Convenção internacional sobre a biodiversidade, às mudanças climáticas e a luta contra a desertificação Regulamentação da lei sobre a extracção de inertes 2003/2005 2003/2005 2003/2005 2004/2005 2003/2005 2003/2005 Ambiente Proteger os solos usados Ambiente Preservar as florestas muito degradadas, devido aos cortes indiscriminados de árvores Proteger as costas danificadas pela extracção de areia utilizada para a 2003/2005 2003 2003 2003 72 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Período construção Regulamentação da lei 2003 sobre os resíduos sólidos Decreto definindo as áreas 2003/2005 Preservar as paisagens, protegidas no território nacional a fauna e o património arquitectónico, elementos essenciais para um melhor quadro de vida das populações e para uma política de desenvolvimento do turismo Ratificação das convenções 2003 internacionais como à referente à regulamentação do trafico das espécies selvagens 2003/2010 Outras medidas decorrentes do Plano Nacional do Ambiente para o Desenvolvimento Durável EIXO 3: CRIAÇÃO DE OPORTUNIDADES DE RENDIMENTOS PARA OS POBRES Estudo de um estatuto Gestão das terras do Proceder a melhoria do jurídico para as diferentes quadro jurídico e de domínio público distribuição das terras do Estado Agricultura Aumentar o rendimento e reduzir a pobreza no Meio Rural 2004 formas de uso, propriedade e exploração das terras Revisão da Lei Fundiária em vigor Promoção do envolvimento das Comunidades na gestão participativa do Espaço Rural e do Meio Ambiente Implementação de um Cadastro Rural Elaboração de um plano de uso de terras (Zonas rurais) com a participação dos beneficiários das terras do Estado Implementação do Programa de Apoio Participativo a Agricultura Familiar e a Pesca Artesanal (PAPAFPA)–Financiamento FIDA Apoio a agricultura familiar no desenvolvimento da cultura do café robusta e arábica (3000 ha) e na melhoria da sua tecnologia de transformação Estudo da «cadeia coqueiro» para a renovação da plantações e desenvolvimento da produção Apoio a renovação dos 2003 2005 2003 2005 – – 2005 2003 2005 – 2003 2010 – 2003 2008 - 2003 2004 – 2004 - 73 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Garantir a segurança alimentar Valorizar o potencial de produção pecuária Pecuária Infra-estruturas de apoio ao aumento da comercialização da produção animal Acções prioritárias Período coqueiros (5000 ha) Apoio aos pequenos agricultores na produção e comercialização da pimenta Estudo de viabilidade para a produção de plantas odoríferas a nível familiar Estudo da « cadeia cacau » para organização e promoção de uma inter-profissão Implementação do programa de replantação de árvores de sombra no cacauzal e no cafezal (5000 ha) Implementação do programa de replantação do cacau a nível da pequena agricultura (2000 ha) Implementação do programa de replantação do cacauzal (4000 há) Programa de apoio à produção e à tecnologia de transformação do cacau biológico (1600 ha) • Desenvolvimento das culturas de arroz e das hortaliças 2010 2003 2010 2004 2008 – • Projecto de apoio e desenvolvimento da produção e comercialização hortícola a nível familiar • Projecto de apoio ao desenvolvimento da produção frutícola • Projecto de apoio ao desenvolvimento e diversificação agrícola de tubérculos e raízes • Apoio ao desenvolvimento de tubérculos (mandioca) e raízes Projecto de Apoio ao Desenvolvimento Pecuário 2004 2008 – 2004 2006 – 2005 2004 2003 2010 - 2003 2010 – 2003 2008 – 2004 – 2010 2003 2003 2003 Projecto de Apoio ao 2004 Desenvolvimento Pecuário (II 2008 fase) Projecto de criação avícola 2004 2005 2005 • Criação de pequenos 2007 matadouros nas Capitais dos Distritos • Estudo sobre a viabilidade técnica e económica da privatização da Medicina Veterinária – 2004 – – 74 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Florestas Pescas Acções prioritárias • Estudo para a extensão das exportações dos pequenos ruminantes para o Gabão • Projecto de utilização de animais de tracção nas Comunidades rurais • Programa de selecção e melhoramento genético das raças tradicionais de ciclo curto • Revisão do código de sanidade pecuária reforçando o papel da polícia sanitária Implementação de um Proceder à melhoria da programa de replantação de gestão e protecção das espécies florestais de qualidade florestas para exportação Melhoria das técnicas de serração e de aproveitamento de resíduos Inventário Florestal Nacional Elaboração e aplicação da regulamentação da caça Reforço do corpo de guardas florestais Reforço da capacidade técnica e financeira à Direcção de Florestas para a elaboração e monitorização de programas Aumentar os níveis de captura para garantir a Segurança Alimentar Período 2004 2004 2005 – 2004 2007 – 2003 2004 2008 – 2004 2007 2008 2003 2004 2004 2005 – – – 2004 Implementação do Complexo Pesqueiro de Neves 2003 2004 – Importação de apetrechos de pesca Concessão de crédito aos operadores privados da pesca artesanal Construção e perenização dos dispositivos de concentração de pescado (DCPS) Vulgarização de novos tipos de piroga Criação de uma base de dados para o sector das Pescas • Melhoria da conservação e comercialização do pescado (aquisição de fabriquetas de gelo) • Apoio institucional a Direcção das Pescas • Apoio a GIEPPA 2003 2006 2003 2010 – 2003 2007 – • Visitas de estudo – 2003 2004 2005 2003 – 2003 2006 2004 2008 2004 2008 - 75 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Infra-estruturas Meio Rural Objectivos/estratégias no Melhorar o estado das infra-estruturas no Meio Rural Programa de Investigação acompanhamento do agronómica aplicada Sector Primário Formação Protecção Vegetal e Animal Comercialização e transformação de produtos alimentares Acções prioritárias Período Estudo para a implantação de povoados de forma mais concentrada em harmonia com o novo reordenamento territorial (infra-estruturas sociais e económicas, água, arruamentos, saneamento do Meio e electrificação das zonas rurais) Reforço da capacidade de gestão (SENAE) Programa de construção e/ou reabilitação de "caminhos de produção" para Comunidades rurais/zonas ( 85 Kms) : 1ª fase Programa de construção e/ou reabilitação de "caminhos de produção" para Comunidades rurais/zonas Programa de construção e/ou reabilitação de estradas asfaltadas Construção e/ou reabilitação dos sistemas de adução de água nas localidades e Comunidades rurais Construção e/ou reabilitação dos sistemas de saneamento do Meio Programa de construção de alojamentos nas Comunidades rurais Estudo sobre a utilização de materiais de construção alternativos a madeira Apoio ao Centro de Investigação Agronómica e Tecnológico (CIAT) 2003 2005 - 2004 2007 2003 - 2004 2005 – 2004 2008 – 2004 2008 – 2004 2008 – 2003 2010 – Elaboração de um Plano Nacional, à longo prazo, da Pesquisa Agrária Programa de conservação e restituição da fertilidade dos solos Programa de formação básica na agricultura para jovens e adultos no Meio Rural Alfabetização no Meio Rural Reabilitação do Centro de Quarentena e controlo das entradas de produtos químicos e de origem animal Estudo sobre o potencial de produção, comercialização, valorização e exportação dos produtos alimentares do país 2004 2005 - 2004 2008 – 2003 2005 – 2003 2007 2004 2005 – 2004 2004 2003 – 2004 – 76 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Crédito no Meio Rural Vulgarização Acções prioritárias Projecto de apoio as mulheres para a transformação e comercialização de produtos agro-pecuários e das pescas Apoio ao desenvolvimento e consolidação de uma rede de Caixas Locais de poupança e créditos descentralizados Desenvolvimento de acções e projectos-piloto para incentivar a fixação das jovens e adolescentes a fixar-se no Meio Rural Apoio as organizações associativas e cooperativas de pequenos agricultores na implementação de actividades e iniciativas de carácter económico, social e cultural Promoção e apoio ao fortalecimento da Vulgarização Agrícola, Pecuária e Piscatória participativas em parceria com o movimento e sector associativo Período 2003 2004 – 2003 2010 – 2003 2004 – 2003 2010 – 2003 2005 – EIXO 4: DESENVOLVIMENTO DOS RECURSOS HUMANOSE MELHORIA DO ACESSO AOS SERVIÇOS SOCIAIS BÁSICOS Educação - Generalizar e melhorar a qualidade do ensino de base de 6 anos Garantia da entrada efectiva e da permanência e frequência escolar para todas as idades consideradas Prevenção contra o fenómeno de abandono escolar Construção e apetrechamento das salas de aula com vista a suprimir o regime de três turnos, assim como dos jardins de infância Produção de manuais escolares Estabelecimento de relações mais estreitas entre as escolas e as comunidades Montagem de um sistema de informação para a gestão (criação de base de dados) Promoção da participação dos pais e encarregados de educação na gestão do ensino Formação de professores do ensino básico de 6 anos 2003-2005 2003-2005 2003-2010 2003-2005 2003-2005 2004 2003-2005 A partir de 2006 77 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias - Melhorar a qualidade do sistema secundário e a sua ligação com a formação profissional Alfabetização Acções prioritárias Período Organização de acções de reciclagem para professores do ensino básico Formação de formadores Melhoria do sistema de avaliação e inspecção escolar Estabelecimento de critérios para o pagamento da matrícula, inscrição, propinas 2003-2005 Ajuda com materiais e isentar de propinas os mais desfavorecidos (bolsas de estudos, apoio em transporte e lar de estudantes) Construção e equipamento das salas de aula Implementação do 12.º ano de escolaridade Revisão do quadro - Melhorar a gestão, legislativo que permita maior planificação e precisão nas funções dos financiamento do sistema diferentes órgãos educativo Revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo Institucionalização da carreira docente Institucionalização das associações de pais e encarregados de educação Formação de técnicos estatísticos para análise dos dados Conclusão da elaboração da Carta Escolar Formação de pessoal para programação das despesas públicas da Educação Reformulação do Curriculum Escolar Melhoria do sistema de avaliação escolar Realização de um estudo Erradicar o sobre a situação do analfabetismo analfabetismo visando a implementação de um programa de alfabetização ao nível nacional Formação de professores para a erradicação do analfabetismo Produção de manuais para alfabetização: cadernos de exercício e outros elementos de suporte pedagógico, meio audiovisuais, revistas.. 2004 2004 2003-2005 2003-2005 2006 – 2010 À partir de 2006 2003-2005 2004 2004 – 2005 2003-2005 2004 2003-2004 2004 – 2005 2003-2005 2003-2005 2002 2003 2003-2005 2003-2005 78 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Formação Saúde, nutrição população e - Acções prioritárias Difusão de programas radiofónicos de combate ao analfabetismo Adopção de um programa Formar recursos humanos de formação de formadores Promoção de iniciativas de para responder as formação sócio-profissional de necessidades do jovens desenvolvimento Estabelecimento de do país parcerias no âmbito de formação profissional Coordenação de todas as iniciativas já existentes Reabilitação e relançamento dos centros de formação existentes Implementação de acções de formação especializada nos domínios de artesanato, comércio, indústria, agricultura e turismo Implementação de acções Criar condições para de IEC nas escolas, serviços de que a população saúde assim como nas adquira autonomia para adoptar atitudes, comunidades utilizando os mais diversos canais e serviços. comportamentos e Divulgação e praticas que promoção de contribuam para mensagens melhorar e preservar a educativas sua saúde através do dirigidas para os reforço da adolescentes, homens e mobilização social e mulheres sobre da informação e questões educação para a relacionadas com saúde. a protecção da saúde incluindo a luta contra as doenças, a nutrição, a sexualidade, saúde reprodutiva e género. Realização de campanhas regulares de informação e educação nas comunidades sobre a promoção e a protecção da saúde, usando os diversos canais de comunicação Período 2003-2005 2004 2003-2005 2003-2005 2003 2004 2003-2005 2003-2005 2003-2005 2003-2005 2003-2005 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias - Reestruturar e organizar os serviços de saúde de base através do reforço do quadro institucional e das capacidades de intervenção nos diferentes níveis de atendimento para melhor responderem às demandas geradas, garantindo o acesso e a equidade aos cuidados de saúde. Acções prioritárias 79 Período Envolvimento 2003-2005 das comunidades nas questões de saúde. Revisão da Lei Orgânica 2004 da Saúde. Elaboração e implementação da Lei de Base da Saúde 2003-2005 Revisão da legislação farmacêutica e dos mecanismos de financiamento da saúde 2003-2004 Implementação progressiva 2003-2005 de infra-estruturas sanitárias nos Distritos segundo a Carta Sanitária 2003-2005 Dotação progressiva das diferentes unidades sanitárias com pessoal e equipamentos necessários Dotação progressiva das unidades sanitárias com medicamentos essenciais, a baixo custo 2003-2005 Dotação do Serviço Nacional de Saúde de mecanismos que permitam a recuperação de custos 1.º semestre 2002 Promoção da criação de 2004-2005 sistemas de Seguro Contra Doenças, assim como de Segurança Social e de sistemas de mutualismo - Implementar de forma integrada as acções que conduzam ao combate às doenças Operacionalização do Sistema de Informação Sanitária 2003-2005 Criação de incentivos para o exercício privado da medicina e valorização e aproximação da medicina tradicional 1.º semestre 2002 Criação de serviços de fiscalização e inspecção sanitária. 2003-2005 LUTA CONTRA O PALUDISMO Manejo adequado dos casos de paludismo a todos os níveis (publico e privado) 2002-2005 80 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias que mais contribuem para a morbimortalidade no País incluindo a infecção por HIV/SIDA Acções prioritárias Período Vigilância epidemiológica e acções de quimioprofilaxia às gravidas e pessoas não imunes Luta anti-vectorial (saneamento e higiene do meio, destruição das larvas e vulgarização de mosquiteiros impregnados) LUTA CONTRA AS DST E INFECÇÃO HIV/SIDA Integração das acções contra as DST nos diversos tipos de prestação de serviços e à todos os níveis utilizando a estratégia de abordagem sindrómica. Elaboração do plano estratégico de luta contra a infecção HIV/SIDA Campanhas de informação e de sensibilização através da Comunicação Social, ONG, agentes sanitários, professores, etc. Aumento do uso do preservativo pelos jovens e em particular por grupos de risco. Aquisição e distribuição de preservativos. Aquisição de antiretrovirais e aumentar a sua acessibilidade às grávidas seropositivas com o objectivo de reduzir a transmissão vertical Aconselhamento junto aos portadores e doentes das DST e infecção HIV/SIDA. LUTA CONTRA A TUBERCULOSE Redefinição da estratégia de luta contra a tuberculose. Manejo adequado de casos de tuberculose a nível comunitário Reforço das capacidades e da vigilância epidemiológica Prevenção através da vacinação contra a BCG (incluída na saúde infantil) 2003-2005 A partir de 2003 2003-2005 2003 2003 2003-2005 2003-2005 2003-2005 2003-2005 2003 2003-2005 2003 2003-2005 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias - Desenvolver e implementar acções promocionais, preventivas e proteccionais dirigidas aos grupos alvos da população, nomeadamente às crianças, adolescentes, jovens, mulheres em idade fértil, trabalhadores e aos idosos. Acções prioritárias SOBREVIVENCIA DA CRIANÇA Implementação da estratégia Atenção Integrada às Doenças de Infância (AIDI) em todas as unidades sanitárias integrando também acções de luta contra o paludismo 81 Período 2003-2005 Disponibilização de medicamentos essenciais e SRO no quadro da AIDI às unidades sanitárias 2004-2005 Dotação das infraestruturas com equipamento e materiais para vacinação e tratamento das doenças correntes de infância. 2003-2005 Prevenção através da vacinação das principais doenças da infância . 2003-2005 Acções integradas para o 2003-2005 desenvolvimento da saúde escolar em parceria com o MEJC ATENÇÃO INTEGRADA AO ADOLESCENTE E A MULHER Prestação de cuidados integrados de saúde reprodutiva 2003-2005 nas unidades sanitárias (prénatal, pós-natal, contracepção, DST/SIDA, nutrição, aconselhamento, etc) Reforço dos cuidados 2004 obstétricos de base nos Distritos e melhoria na prestação dos cuidados obstétricos de urgência Implementação da estratégia de “dupla protecção” para reduzir a incidência de gravidez não desejada e de DST/SIDA. 2004-2005 82 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias - Contribuir para a melhoria do estado nutricional das populações nomeadamente nos grupos alvos. Acções prioritárias Período Promoção do consumo de alimentos ricos em ferro, acido fólico, e vitamina A e suplementação periódica da população em risco com vitamina A e outros micronutrientes. Vigilância epidemiológica e nutricional em todas as unidades de saúde e nas comunidades Promoção do aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade nomeadamente nas comunidades. Integração multi-sectorial para as questões de segurança alimentar e nutrição 2003-2005 2003 – 2005 2003 – 2005 2004 - - Garantir o acesso aos cuidados especializados (terciários) através da melhoria da qualidade de prestação de serviços do Hospital Dr. Ayres de Menezes. Contribuir no esforço nacional para a eliminação das condicionantes ambientais que proporcionem uma má qualidade de vida da população e condicionam o desenvolvimento. Reforço da capacidade de intervenção do Hospital Central. 2003-2005 Dotação do serviço nacional de saúde de um sistema de referencia e contra–referência. 2003 Elaboração de normas e 2003-2005 mecanismos que permitem o acompanhamento das acções de abastecimento de agua potável e preservação do meio ambiente EIXO 5: ANÁLISE, SEGUIMENTO E AVALIAÇÃO DA POBREZA Mecanismos de Seguimento e Avaliação da Estratégia (ENRP) Criação de uma Unidade Promover um quadro de Seguimento, Avaliação de Coordenação da Estratégia e Actualização periódica da (ENRP) Estratégia (ENRP) A partir de 2003 Estabelecimento de uma A partir de rede de colaboração com 2003 quadros técnicos nacionais para a realização de consultorias específicas no quadro da execução da Estratégia (ENRP) 83 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Melhorar progressivamente as Condições de Vida das populações pobres (rural e urbana) nos próximos 15 anos Programa de Redução da Pobreza das Condições de Vida Acções prioritárias Criação de 1 Base de Dados sobre a pobreza no país e sua actualização periódica Promoção de uma coordenação das iniciativas e actividades da Estratégia (ENRP) Aproveitamento dos resultados do Recenseamento Geral da População e da Habitação (RGPH/2001) para definir e avaliar a situação do regime habitacional no país Período A partir de 2003 A partir de 2003 2002 – 2003 Realização de uma Cada 3 avaliação trianual da evolução anos da situação habitacional no país [(2004; 2007; (...)] Actualização dos Ponderadores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) Inquérito sobre as Condições de Vida das Famílias (ICVF) 2004 Melhorar as condições sanitárias das populações pobres pela Promoção da Saúde de Base para Todos Operacionalização de um sistema de indicadores de seguimento capaz de medir a evolução da situação sanitária do país 2003-2004 2003-2004 Realização de estudos de impacto das despesas de transporte sobre o Orçamento doméstico (familiar) dos pobres Melhorar as condições de Transporte e de Acesso Viário as populações pobres Programa de Proceder a definição e Redução da Pobreza avaliação do déficit das das Potencialidades potencialidades materiais dos pobres Realização de estudos sobre o déficit de capital físico ou financeiro que condiciona a situação de pobreza material e do esforço necessário para ultrapassar o limiar de pobreza Realização de estudos Proceder a definição e avaliação do déficit das sobre o déficit de capital potencialidades humanas humano (nível de saúde e educação) que condiciona a dos pobres situação de pobreza material e do esforço necessário para ultrapassar o limiar de pobreza 2003-2004 2003-2004 2003-2004 84 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio Objectivos/estratégias Acções prioritárias Período Realização de estudos 2003-2004 Proceder a definição e avaliação do déficit das sobre o déficit de capital social potencialidades sociais dos (rede de relações, melhor emprego, formações pobres Programa Redução Dimensão Económica Pobreza de Redução da Pobreza da Humana Não da Reduzir a Pobreza Social profissionalizantes, domínio da informação, etc) que condiciona a situação de pobreza material e do esforço necessário para ultrapassar o limiar de pobreza Desenvolver estudos sobre 2004 a evolução (relaxamento ou reforço) dos laços sociais no interior da família santomense, a(s) (dificuldade(s) de inserção social, os processos de exclusão social, assim como as diversas formas de abandono Produção e divulgação de indicadores sociais e de evolução da pobreza Desenvolvimento de um Reduzir a Pobreza estudo sobre a influencia dos Cultural factores exógenos bem como os problemas actuais de assunção de determinadas praticas e valores da cultura nacional (dificuldades na pratica de determinadas tradições, negação da assunção de certas manifestações culturais, o não reconhecimento da sua identidade, etc.) Desenvolvimento de um Redução estudo sobre o nível de da Envolvimento do Cidadão nas Pobreza grandes decisões e sobre os Política problemas que determinam o futuro do país (participação ou não nas tomadas de decisões, dificuldade - ou incapacidade de pertencer a Associações, pratica de violação dos Direitos Humanos, entre muitas outras) Desenvolvimento de um Reduzir a Pobreza estudo sobre a situação (ou a degradação) dos valores morais Ética e éticos na sociedade (a subida da violência e da delinquência, a corrupção, a perda dos valores comuns a sociedade, entre muitas outras) 2003 2005 2004 2004 2004 – 85 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA ANEXO N.º 2 - OBJECTIVOS QUANTIFICADOS DE REDUÇÃO DA POBREZA INDICADORES E METAS2 Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores 4º Draft ENRP § Fontes de Informação Situação de referência Unidade Data Metas Indicativas Indicador 2005 2010 2015 1 - Objectivos Gerais – Reduzir a pobreza3 População – Projecções com taxa de crescimento anual de 2,5% Distribuição espacial da população INE – RGPH – Agosto de 2001 Milhares 2002 145 156 177 200 Urbana. Da qual : pobre § 50 Estudo « Perfil da Pobreza », 20002001. PNUD-BAD-OIT, Maio 2001 Percentagem da população 2001 55,6 60 56 50 58 30 60 20 Rural : Da qual : Pobre Incidência da P0 Pobreza4 Meio P1 Urbano P2 P0 Meio P1 Rural P2 Rendimento da População no Limiar da pobreza – Projecções com base nas taxas de crescimento do PIB –FMI (02-05=5%); (06-10=37,3%) e (1115=5%) § 50 Estudo « Perfil da Pobreza », 2000-2001. PNUD-BAD-OIT, Estudo « Perfil da Pobreza », 2000-2001. PNUD-BAD-OIT, Maio 2001 Estudo « Perfil da Pobreza », 2000-2001. PNUD-BAD-OIT, Maio 2001 Inquérito sobre as Condições de Vida das Familias (INE – Novembro de 2000-Fevereiro de 2001) Percentagem da população Percentagem da população 2001 44 70 37* 42 40 22* 40 25 15* Percentagem da população 2001 57* 33* 20* Mil Dbs /Ano/Pessoa US$ /Ano/Pessoa 2001 44,4 80 45,0 14,9 6,8 64,9 24,7 12,4 2.639 2001 294 357* 1.742* 2.223* § 36 - 2 - n.d. = Valores não disponíveis - * Estimativas - 3 Ver conceitos e definições em 1.3 do Documento da ENRP e bibliografia especializada (PRSP do Banco Mundial – Monitoring & Evaluationl) - 4 Po= Incidência da Pobreza ( Média nacional = 53,8%) ; P1= Profundidade da Pobreza ; P2 = Intensidade da Pobreza N.e = Valores não estimados 2001 86 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores Perfil da pobreza Peso das despesas com a alimentação no orçamento das Familias Peso das despesas com a Saúde, Educação e Habitação 4º Draft ENRP § População pobre § 47 População no limiar da População em estado de pobreza extrema Pobres § 47 Extremamente pobres § 47 § 55 § 55 Pobres § 55 Extremamente pobres § 55 Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Estudo « Perfil da Pobreza », 2000-2001. PNUD-BAD-OIT, Estudo « Perfil da Pobreza », 2000-2001. PNUD-BAD-OIT, Estudo « Perfil da Pobreza », 2000-2001. PNUD-BAD-OIT, Maio 2001 INE – Indice de Preços no Consumidor Metas Indicativas Indicador 2005 2010 2015 % 2001 53,8 51,1 26,9 17,7 % 2001 38,7 37,5 19,4 12,8 % 2001 15,1 14,3 7,5 4,9 % 2001 74,8 n.e. n.e. n.e. INE – Indice de Preços no Consumidor % 2001 79,1 n.e. n.e. n.e. INE – Indice de Preços no Consumidor INE – Indice de Preços no Consumidor % 2001 5,1 n.e. n.e. n.e. % 2001 4,4 n.e. n.e. n.e. 5,0 5,0 37,3 5,0 2002 443 519 1.558 1.988 2 - Política económica e financeira – Acelerar o crescimento económico Taxa de crescimento média anual do PIB FMI – Outubro 2002 Rendimento Nacional Bruto per capita Estimativas do FMI – Outubro 2002 % US$ 2002 Deflator do PIB INE % 2001 8,6% n.d. n.d. n.d. Peso do Consumo Privado no PIB INE % 2001 87,9% n.d. n.d. n.d. Peso do Investimento no PIB INE % 2001 24,1% n.d n.d n.d 87 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores 4º Draft ENRP § Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Metas Indicativas Indicador 2005 2010 2015 Sector Externo Exportações (FOB) FMI (Outubro 2002) Milhões US$ 2002 6,5 6,4 393,0 n.d. Importações (CIF) FMI (Outubro 2002) Milhões US$ 2002 27,2 180,8 175,0 n.d Taxa de cobertura (E t õ /I t õ ) FMI (Outubro 2002) % 2002 23,4% 3,5% 124,6% n. d. Receitas correntes internas Percentagem das receitas correntes no PIB Despesas correntes MPF Biliões Dbs % 2001 2001 95,6 17% 20% 25% 30% MPF Biliões de Dbs 2001 92,2 Saldo global do OGE MPF Biliões de DBS 2001 -158,9 4,0 3,0 3,0 Orçamento Estabilidade macroeconómica – Preços e Câmbios Taxa de inflação (em %) Taxa de câmbio média anual da Dobra face ao Dólar americano Diferencial da taxa de câmbio entre a Dobra e o Dólar Americano (Câmbio paralelo e oficial) § 33 Rácio da Dívida Externa/PIB (em %) ENRP Pg. 32 Agricultura e desenvolvimento rural Estimativas FMI – Outubro 2002 % 2002 9,2% BCSTP Dbs 2001 8.842 2000 5% Dez. 1999 624% 1º seminário nacional sobre estratégia da Dívida Externa –19 a 31 de Outubro de 2000 % 88 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores 4º Draft ENRP § Incidência da extrema pobreza na população localizada em meio rural Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Metas Indicativas Indicador 2005 2010 2015 70 40 25 Estudo « Perfil da Pobreza », 2000-2001. PNUD-BAD-OIT, Maio 2001 INE % 2001 80 % 2001 22% Investimentos na Replantação do cacauzal Plano de acções da ENRP Ha 2.000 2.000 3.000 Investimentos na Replantação do cafezal Plano de acções da ENRP Ha 2.000 2.000 3.000 Apoio à agricultura familiar na plantação do café robusta e arábica Plano de acções da ENRP Ha 1.000 1.000 Construção de caminhos agricolas Plano de acções da ENRP Km 8 10 Peso do sector agrícola no PIB Famílias beneficiadas com parcelas de terra § 276 Nº Familias Nº Total Beneficiários § 206 % 85 932000 8.297 40.0005 Turismo Contribuição do sector para o PIB 3 – Sectores Sociais - 5 Corresponde a metade da população rural n.d. 5a7 89 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores 4º Draft ENRP § Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Indicador Metas Indicativas 2005 2010 2015 Emprego INE – Inquérito sobra as Condições de Vida das Famílias (2000-2001) População activa (Definição = Pessoas com 10 ou mais anos). Dos Quais: - Economicamente activos 2001 Nº % Nº % Nº % - Inactivos. Dos quais: Estudantes Mulheres exercendo funções domésticas Outros indicadores : - População economicamente activa ocupada - População não ocupada que já trabalhou Educação Taxa liquida de escolarização6 ENSINO PRIMÁRIO Nº 92.337 43.839 47,5% 48.498 52,5% 23.586 19.195 2001 85,6% 5,5% 8,9% Ficha das projecções do sector da Educação Idem % 2002 79,85 87,0 97,0 100 22.270 31.091 44.011 62.000 Coeficiente de eficácia Idem % 200001 2001 56,0 80,0 90,0 100 Taxa bruta da escolarização das raparigas Idem % Efectivos escolares - 6 § 95 O Ensino Primário prevê escolaridade de 1-6 anos a partir do ano de 2005-2006 200001 90 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores 4º Draft ENRP § Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Metas Indicativas Indicador 2005 2010 2015 Idem Nº Nº Nº 2002 2002 2002 33 31 2,1 30 30 2 30 30 2 30 30 2 Professores com titulo académico Idem % 2002 45,5 60 70 80 Rácio turmas / Sala Idem Nº 2002 1,5 1,5 1,5 1,5 Rácio alunos / turma Idem Nº 2002 47 40 35 30 Rácio Alunos / Professor no ensino secundário Idem Nº 2002 32 30 30 25 Taxa de alfabetização de jovens e adultos Peso das despesas com a educação no OGE Idem % 2001 80,7 85 95 100 Idem % 1999 10,8 17 17 17 Peso das despesas de investimento com a educação no total do PIP PIP % 2000 6,7 Peso das despesas das Familias com o ensino (Inscrição, livros e materiais escolares) INE – Ponderadores do IPC % 2002 0,4 Esperança de vida à nascença « Pauvrété et santé – Agosto 2000 Anos 2002 65 Indice sintético de fecundidade Quadro estratégico para redução da pobreza – Sector Saúde Taxa 2000 2,8 ENSINO SECUNDÁRIO Rácio alunos / Professor Rácio alunos / Sala Rácio turmas / Sala Proporção de raparigas que ingressam no E.S. § 334 Saúde e Nutrição 91 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores Habitantes por técnicos de saúde 4º Draft ENRP § Médicos Enfermeiras Parteiras Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Indicador Pauvreté et santé – Agosto 2002 Direcção de Recursos humanos da Saúde Nº 2000 7.414 1.963 33.364 Taxa de mortalidade infantil Pauvreté et santé – Agosto 2002 Permilagem 2000 62 Taxa de mortalidade materna Pauvreté et santé – Agosto 2002 Base = 100.000 2000 122 Taxa de cobertura vacinal Pauvreté et santé –Agosto 2002 – Q.8.4 Média aritmética das % distritais Pauvreté et santé–Agosto 2002 – Q 8 16 MICS 2000 Perc. 2000 85,5 % 2000 58,5 % 2000 15,2 Taxa de partos assistidos Indice de prematuridade (Baixo peso à nascença) § 375 Prevalência de casos de infecção du HIV em mulheres grávidas § 360 % 1996 3% Seropositividade em dadores de sangue § 360 ; 361 % 1996 1% Seropositividade atribuida a transfusões de sangue PALUDISMO Causas de morte de crianças de menos de 5 anos por má nutrição Metas Indicativas 2005 2010 2015 75% 90% 100% 15% § 124 Prevalência na população Peso nas principais causas de Pauvreté et santé – Agosto 2002 % 2001 15% % 2000 80% 24% § 358 Causa de morte de crianças com menos de cinco anos Unidades sanitárias que prestam cuidados de saúde materna e planeamento familiar § 354 % 50% % 73% 92 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores População com idade entre 15-65 que padece de doenças não especificadas que pode ser transmitida sexualmente 4º Draft ENRP § § 359 Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Indicador Estudo transversal abrangendo 6 distritos % 1991 47% Menos de 30 minutos Menos de uma hora Mais de uma hora Peso das despesas com a saúde no Orçamento do Estado Carta Sanitária de STP – 2000 % 2000 65,1 85,5 14,5 PIP % 2001 7 Peso das despesas de investimento com a saúde no PIP PIP % 2000 4,8 Peso das despesas das Familias com a Saúde (Medicamentos e Serviços) INE – Ponderadores do IPC % 2002 1,3 Peso das despesas das Familias com a alimentação (Produtos alimentares e bebidas) INE – Ponderadores do IPC % 2002 71,8 Estudo « Perfil da Pobreza », 20002001. PNUD-BAD-OIT, Maio 2001 % 2001 19,6 INE – Ponderadores do IPC % 2002 0,2 Acesso geográfico a C.S. Distritais Metas Indicativas 2005 2010 2015 13 13 13 25 50 60 4 – Infra-estruturas e Meio Ambiente Água e Saneamento Taxa de ligação à rede pública de água Peso das necessidades em água nas despesas das Famílias § 52 93 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Eixos da ENRP / Objectivos e indicadores Agregados familiares que têm fossa séptica ou estão ligados a rede pública de esgotos Utilização de WC modernos equipamentos Latrinas sanitários Outros meios 4º Draft ENRP § Fontes de Informação Unidade Situação de referência Data Metas Indicativas Indicador 2005 2010 2015 25 75 90 § 52 Estudo « Perfil da Pobreza », 20002001. PNUD-BAD-OIT, Maio 2001 % 2001 16 § 398 Pauvreté et santé – Agosto 2002 % 2000 16,1 12,3 71,6 100 Energia % População com acesso à electricidade, a nivel nacional Consumo per capita (Nacional) Kwa Kwa/Pessoa Condições de vida em bairros periféricos urbanos População abrangida Nº Acesso à agua potável % Acesso à energia electrica % Cobertura com latrinas e saneamento básico % Ambiente Taxa de recolha e transporte de resíduos sólidos no meio urbano e periurbano § 398 % 100 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 94 Anexo N.º 3: Monitorização e Avaliação da ENRP – Proposta de Indicadores Domínio(s) Área(s) de intervenção Valor corrente do limiar da pobreza - Despesas com Programas de emprego dos pobres Redução da Pobreza - Número de beneficiários dos Programas de Emprego para os pobres. Dimensão da pobreza Estrutura da pobreza Políticas Económicas e financeiras Agricultura e Indicadores monetários Papel do Estado na redistribuição dos frutos do crescimento económico Disparidade de rendimentos e de consumo Acelerar o Crescimento Económico e Redistributivo Apoio aos pequenos agricultores Número de pobres (n) Incidência da pobreza (P0) - % da população com nível de consumo abaixo da linha da pobreza. - % da população extremamente pobre versus total da população pobre Profundidade da pobreza (P1) Contribuição das regiões, dos grupos vulneráveis, das classes sócio-profissionais na estrutura da pobreza Severidade da pobreza (P2) Índice de Gini, rendimentos e consumo dos 10% mais ricos e dos 10% mais pobres Receita/Despesa dos 20% mais ricos em relação ao rendimento/despesa do total da população PIB / habitante Taxa de crescimento anual do PIB nos últimos 10 anos e as previsões futuras Taxa de crescimento anual do PIB agrícola Taxa de investimento (em % do PIB) nos últimos 10 anos Reserva bruta em divisas (em meses de importação) Rácio da Dívida Pública/PIB (em %) Taxa de inflação nos últimos 10 anos e previsão da sua evolução futura Índice de Preços ao Consumidor (IPC) nacional e regional Evolução e estrutura do Orçamento (OGE) dos últimos 10 anos e previsão da sua evolução futura Fontes de financiamento do Programa de Investimentos Públicos (PIP) Estrutura da Ajuda Externa ao Desenvolvimento por fonte de financiamento Nível da Ajuda Externa ao Desenvolvimento por sector Montante da cooperação técnica ao país por sector Índice de produção alimentar per capita ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio(s) Área(s) de intervenção Desenvolvimento para aumentar o rendimento agrícola e reduzir a pobreza no Rural Meio rural em particular e no país em geral 95 Indicadores monetários Valor de importação de sementes (hortícolas e cereais)/ano Valor de importação de ferramentas agrícolas/ano Valor de importação de alimentos (cereais, alho, cebola, batata e outros vegetais)/ano Valor de importação de outros alimentos/ano Quantidade (em peso) de alimentos (cereais, alho, cebola e outros vegetais)/ano Evolução da Ajuda alimentar em cereais Evolução do consumo alimentar familiar Total de pessoas que pediram terras para dedicar-se a agricultura versus total das pessoas que obtiveram terras Total das pessoas que obtiveram terras - Quais os indicadores de políticas económica e agrícola a reter para estimular a produção agrícola e incentivar a diversificação da agricultura em particular e do sector primário em geral ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio(s) Área(s) de intervenção 97 Indicadores não monetários Estado de Direito Democrático Reforço da capacidade do poder legislativo Estabilidade político-institucional Justiça Reforço dos tribunais Gestão dos bens públicos Melhoria de gestão Descentralização Readaptação da Administração Local Administração Pública Desburocratização Aligeiramento dos processos administrativos Sociedade Civil Organização, envolvimento e participação Entrada em vigor da Constituição revista Disponibilização de serviços de informação sobre actividades parlamentares - Entrada em funcionamento do Conselho Constitucional - Entrada em funcionamento do Conselho de Estado - Apreciação do tempo de permanência dos Governos - Espaçamento entre remodelações do Governo - Eficiência da manutenção da ordem pública - Entrada em funcionamento da Inspecção da da Justiça - Acessibilidade e proximidade dos cidadãos às instâncias da Justiça - Aplicação do Plano Nacional de Contabilidade - Coerência na orçamentação das despesas e receitas - Reactivação do processo de inventariação dos bens públicos - Existência de legislação contra a corrupção - Entrada em funcionamento do Tribunal de Contas - Revisão das leis sobre descentralização - Formas de financiamento dos órgãos de Poder Regional e Local - Grau de autonomia dos órgãos de Poder Regional e Local - Formas de relacionamento com o Poder Central - Grau de participação dos cidadãos nos assuntos regionais e locais - Grau de acesso aos serviços administrativos - Eficiência e celeridade dos serviços administrativos - Grau de desconcentração dos serviços administrativos - Prazo ou período de espera para se obter uma resposta, um despacho ou documento solicitado - Disponibilidade de quadros qualificados colocados nos lugares (postos) apropriados - Tratamento de casos de corrupção - Funcionamento do Conselho de Concertação Social - Número de instituições representativas da Sociedade Civil - Áreas e interesses representados - Formas e qualidade de intervenção - Grau de adesão em iniciativas de interesse económico, social e cultural - Formas de relacionamento com as instituições públicas, com o sector privado e com as comunidades ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio(s) Comunicação e Informação Área(s) de intervenção Promoção de informação e participação Sectores sociais Promoção da Segurança Alimentar e do equilíbrio nutricional Indicadores não monetários - Extensão da cobertura radiofónica e televisiva - Garantia da liberdade de imprensa - Intervenção dos cidadãos - Acesso aos meios de comunicação Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH) Indicador da Pobreza Humana (IPH) Despesas do Orçamento do Estado/domínio (Saúde, Educação, Habitação, Emprego, etc.) Despesa média/habitante/por domínio de análise supracitado Valor global da Ajuda Alimentar internacional Ajuda alimentar/habitante Nível de disponibilidades/habitante Despesa média alimentar do lar/membro da família Valor monetário da alimentação na estrutura de rendimentos (ou de despesas) do lar Parte (%) de determinados produtos-chave na alimentação Proporção (%) de crianças com deficiência nutricional crónica Proporção (%) de crianças com baixo peso à nascença/total de nascimentos Proporção (%) de crianças com baixo peso à nascença/total de nascimentos Índice de nutrição Número de idosos beneficiando de apoio e assistência da Acção Social/ano 98 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio(s) Área(s) de intervenção Promoção da Saúde de base para todos 99 Indicadores não monetários Parte do orçamento doméstico (rendimento ou despesa) dedicado aos cuidados de saúde do lar/rendimento (ou despesas totais) da família Parte do orçamento doméstico (rendimento ou despesa) dedicado ao paludismo Custo médio dos medicamentos e dos tratamentos Grau de disponibilidade de medicamentos no país Número de habitantes / médico Número de habitantes / enfermeiro Número de consultas / Distrito Número de parteiras/ Distrito Consultas por tipo de agregado familiar Taxa de cobertura vacinal Número de partos assistidos por pessoal de saúde qualificado Taxa de morbilidade / paludismo Taxa de mortalidade infantil (‰) - - Mortalidade por causa de morte, - - Mortalidade infantil por causa de morte, - - Morbilidade segundo as doenças mais frequentes (doenças diarreicas e de origens respiratórias, etc.) Taxa de mortalidade materna Taxa de mortalidade infantil (crianças < 5 anos) Número de infecção ou frequência de infecção por doenças diarreicas Tamanho e estrutura da família/categoria social Incidência de DST em mulheres grávidas Incidência do HIV Taxa de mortalidade por malnutrição ( < 5 anos) Grau de disponibilidade de informação sobre nutrição Taxa de cobertura de mulheres grávidas recorrendo aos centros de saúde Taxa de partos assistidos nos centros de saúde Taxa de fecundidade por Distrito (e/ou Região) Taxa de população coberta por um centro de saúde há 1 hora de marcha à pé População coberta por Centro de Saúde há ½ hora de marcha à pé População coberta por Centro de saúde há + de 1 hora de marcha à pé ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio(s) Educação e Alfabetização Área(s) de intervenção Acesso à educação de base e Alfabetização para todos Indicadores não monetários Peso do Orçamento da Saúde no PIB (%) Peso do Orçamento da Saúde no OGE (%) Despesas de investimento no Orçamento da Saúde (%) Despesas com salário no Orçamento da Saúde (%) Despesas com a saúde nas despesas totais da família (%) Despesas com a saúde nas despesas totais da família (%) em 20% das famílias mais pobres Despesas com a saúde nas despesas totais da família (%) em 20% das famílias mais ricas. Despesa média de educação do lar/membro da família Parte do orçamento doméstico (rendimento ou despesa) dedicado à educação do lar Estado de conservação das escolas / Distrito Despesa média do lar/membro da família (aluno) Taxa bruta de escolarização Taxa bruta de escolarização por níveis de escolaridade (primária, secundária, liceal, técnica e pré-universitária) por sexo, idade e Distrito Taxa líquida de escolaridade no ensino básico Taxa de transição entre os ciclos (primário, secundário e pré-universitário) Taxa de aprovação na 4ª classe Taxa de abandono escolar Taxa de reprovação Número ou tarefas a cumprir antes do aluno ir a escola Acesso a Lar de Estudantes ou a alojamentos para alunos Nível de formação dos professores Percentagem (%) de mulheres na docencia Relação de escolaridade entre sexos (alunos vs alunas) Rácio alunos por sala de aula Rácio alunos por professor Taxa de alfabetização (global, por género, categoria socioprofissional …) Distancia média a percorrer para chegar a escola Número de adultos alfabetizados/ano 100 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio(s) Emprego e Solidariedade Social 101 Área(s) de intervenção Indicadores não monetários Acesso ao emprego, melhoria da produtividade e da capacidade de criar o seu próprio emprego (autoemprego) População activa e suas características (educação, qualificação, etc.) - Número de Empregos criados - Número total de desempregados inscritos nos serviços de emprego Taxa de desemprego - número de desempregados por sexo e grupos etários - número de trabalhadores familiares não remunerados - número de novas empresas familiares criadas - número de desempregados à procura do primeiro emprego - Emprego por ramo de actividade Taxa de pluriactividades Taxa de informalização (sector informal) de actividades geradoras de rendimentos Nível de salários nas actividades económicas de carácter informal Valor do salário/hora (em diferentes sectores económicos, tanto público como privado) Percentagem (%) de mulheres com uma actividade geradora de rendimento Sectores abrangidos pela formação profissional Custo e outras condições de acesso as formações profissionais Número e tipo de projectos intervindo para dar formação profissional Número de empregos criados nos sectores beneficiados pelas formações profissionais Proporção (%) de mulheres chefes de família Proporção (%) de famílias monoparentais Número de meninos da rua Número de órfãos do SIDA Número de Centros de atendimento ao fenómeno de abandono e da exclusão social Proporção (%) de famílias / tipo de habitação Proporção (%) de famílias / tipo (ou estatuto) de ocupação da habitação Proporção (%) de despesas de pagamento de renda de casa nas despesas totais da família Número médio de ocupantes/compartimento da casa Forma de evacuação dos lixos domésticos Proporção (%) de casas com instalações sanitárias Tipo de ligação à uma rede de esgoto Forma de alimentação em água potável Taxa de acesso à água potável Taxa de acesso à electricidade Despesa média de transporte /membro da família Parte do orçamento doméstico dedicado ao transporte dos membros da família Tempo de espera de um transporte colectivo Protecção dos grupos vulneráveis e inserção social Habitação, água potável e saneamento do Meio Melhoria do quadro de vida das populações Transportes Melhoria de acesso aos transportes colectivos. Abertura de vias de acesso as zonas de produção Promoção das trocas comerciais ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Domínio(s) Área(s) de intervenção 102 Indicadores não monetários Tempo médio de transporte (incluindo o tempo de espera) versus distancia ao destino Distancia com relação ao centro urbano mais próximo Distancia com relação a Capital Viabilidade de acesso/tipo de transporte N.B. Sempre que for necessário e/ou possível, integrar-se-á para todos os indicadores, a desigualdade por género, grupos sociais, região, etc., com o fim de ter em conta as especificidade, e orientar melhor a política de luta contra a pobreza. 103 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA ANEXO N.º 4 - LISTA DE PROJECTOS DA ENRP INCLUÍDOS NO OGE/2003 Sector Actividades a2003 Financiador SECTOR PRIVADO A. Formação e enquadramento do sector privado (9º FED) 27,000 UE SECTOR PRIVADO SECTOR PRIVADO Apoio à Associação dos Sapateiros 50,000 BAD Apoio à outra iniciativas privadas 270,000 BAD SECTOR PRIVADO Apoio à Associação dos cabeleileiros 50,000 BAD SECTOR PRIVADO Apoio à transformação de produtos 50,000 BAD SECTOR PRIVADO Apoio à Associação dos alfaiates e modistas 80,000 BAD SECTOR PRIVADO Apoio à Associação dos carpinteiros e marceneiros 50,000 BAD SECTOR PRIVADO Apoio à Associação dos estufadores e vulcanizadores 50,000 BAD SECTOR PRIVADO Inquérito ao produtor 11,480 Tesouro SECTOR PRIVADO Inquérito harmonizado às empresas 10,630 Tesouro AGRICULTURA Equipamentos /b 100,000 SF AGRICULTURA Adaptação das instalações 52,500 SF AGRICULTURA Contratação de topografos e especialistas /c 70,000 SF AGRICULTURA Formação 20,000 SF AGRICULTURA Registo Notarial, Cadastral e Apoio Institucional 32,000 SF AGRICULTURA C. Criação do sistema de crédito agricola /f ENERGIA A. Estudos viabilidade investimentos privatização ENERGIA Reabilitação componente electromecanica Rio Contador ENERGIA Conclusão electrificação Norte e sul Principe ENERGIA Electrificação Diogo Simão/Torres Dias ENERGIA 4,000 PORTUGAL 18,000 BM 500,000 UE 11,000 SF 110,000 SF electrificação Monte café 55,000 SF ENERGIA Electrificação Agua Telha 25,000 SF ENERGIA Iluminação Pública na cidade de Santana 28,000 SF AGUA E SANEAMENTO Sistema de Água Moreira II, III e IV /c 350,000 BADEA AGUA E SANEAMENTO Sistema de Água Moreira II, III e IV /c 8,510 Tesouro AGUA E SANEAMENTO Sistema Água Clara I e II /d 328,000 BADEA AGUA E SANEAMENTO Introdução de sistemas de tratamento /j AGUA E SANEAMENTO 8,000 EMAE Reabilitações a nivel da EMAE /k 50,000 EMAE AGUA E SANEAMENTO Protecção das captações em meio rural /l 15,000 EMAE AGUA E SANEAMENTO E. Reforço capacidades da EMAE /m 78,000 EMAE AGUA E SANEAMENTO Abastecimento água Boa Entrada-guadalupe AGUA E SANEAMENTO Extensão Agua Canga-Obo Longo-Folha Fede AGUA E SANEAMENTO Reabilitação rede agua Almeirim até Melhorada AGUA E SANEAMENTO Construç obras drenagem atras Estadio 12 de Julho AGUA E SANEAMENTO Drenagem de prédio angolares AGUA E SANEAMENTO Processamento de residuos sólidos urbanos TRANSPORTES Actualização e modernização da sinalização TURISMO TURISMO 77,970 TAIWAN 270,000 TAIWAN 54,250 159,570 8,190 HIPC HIPC Tesouro 200,000 TAIWAN 21,270 Tesouro Linguas, TURISMO 1,500 BM Gestão, TURISMO 3,000 BM TURISMO Informática, TURISMO 2,000 BM TURISMO Técnicas de Promoção e Marketing /b 22,500 SF TURISMO Ecoturismo /c 22,500 SF TURISMO Fiscalização e inspecção /d 22,500 SF TURISMO Estatisticas do Turismo /e 5,310 Tesouro TURISMO Formação interna na area turistica 5,319 Tesouro 104 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Sector Actividades a2003 Financiador TURISMO Legislação sobre o turismo 5,000 BM TURISMO Levantamento de sitios de interesse turistico e sinalização 15,000 SF TURISMO Formação de quadros para a Hotelaria /j 12,000 SF AMBIENTE 5. Outras actividades financiamento PNUD /c 48,000 PNUD AGRICULTURA Programa de Apoio Participativo à Agricultura Familiar 480,000 FIDA AGRICULTURA 5. Apoio à produção e comercialização da pimenta 342,000 ESPANHA AGRICULTURA Apoio à produção de baunilha 200,000 ESPANHA AGRICULTURA 10. Programa apoio à produção e transformação do cacau biológico 262,000 FIDA AGRICULTURA Apoio à produção de mandioca 10,000 BAD AGRICULTURA Apoio à diversificação agrícola AGRICULTURA Custos de explor desenvolvim. café robusta e arábica 71,055 FIDA PECUARIA 1. Projecto de apoio ao desenvolvimento pecuário /b 351,000 BAD PESCAS A. Implementação do Complexo pesqueiro de Neves /b 300,000 ESPANHA PESCAS B. Importação de apetrechos de pesca /c PESCAS C. Construção dispositivo concentração de pescado (DCPS) /d 50,000 UE PESCAS D. Vulgarização de novos tipos de piroga /e 150,000 UE PESCAS G. Apoio Institucional à Direcção das Pescas 45,000 UE PESCAS Determinação componentes biologico e acções estatisticas PESCAS Prog de apoio participativo pesca artesanal PESCAS Formação de quadros do sector da pescas INFRAESTRUCTURAS Estudos preliminares INFRAESTRUCTURAS Pistas no meio rural, 8º FED 500,000 UE INFRAESTRUCTURAS Reabilitação estrada Cidade St. Antómio- Bela Vista 35,000 SF INFRAESTRUCTURAS Conclusão Estrada Bombom, Cova Barro-Pantufo 266,130 HIPC INFRAESTRUCTURAS Conclusão Estrada Riboque-bobo forro 71,880 HIPC INFRAESTRUCTURAS Const. Estrada Riboque-Ponte graça 238,000 SF INFRAESTRUCTURAS Construção Mesquita até Santarem Cantanhede fase 2 236,800 HIPC INFRAESTRUCTURAS Conclusão Reabilitação Estrada Guadalupe-Morro Peixe 141,530 HIPC INFRAESTRUCTURAS Reabilitação estrada Santana-Zandrigo 18,000 SF INFRAESTRUCTURAS Reabilit Estrada em pedra MESA EN1 175,000 SF INFRAESTRUCTURAS Conclusão Reabilita Est. Bairro Popular Santana 66,340 HIPC INFRAESTRUCTURAS Construção de casas sociais 425,530 Tesouro INFRAESTRUCTURAS Reabilitação do Bairro Sucata 417,000 FRANÇA PR. ACOMP. SECT AGRICOLA 1. Transformação artesanal dos produtos**** /e PR. ACOMP. SECT AGRICOLA 2. Aquisição, instalação de congeladores p.a PR. ACOMP. SECT AGRICOLA 2. Apoio às Comunidades Locais de Base /f PR. ACOMP. SECT AGRICOLA EDUCAÇÃO 300,000 TAIWAN 50,000 UE 50,000 UE 590,000 FIDA 40,000 UE 315,000 UE 10,000 BAD 165,000 TAIWAN 60,000 PNUD 3. Integração das Raparigas nas actividades produtivas /g 376,987 PNUD a. Construção de 40 salas de aula novas /c 500,000 SF EDUCAÇÃO a. Construção de 40 salas de aula novas /c 500,000 HIPC EDUCAÇÃO Construção e apetrech. 8 salas de aulas Almas, fase 2 72,000 TAIWAN EDUCAÇÃO Construç de 1200 carteiras para escolas 31,910 HIPC EDUCAÇÃO Reabilitaç da vedação e pavimentaç da Atanasio Gomes 196,800 HIPC EDUCAÇÃO Reabilitaç da Escola Primaria Sundy 20,210 HIPC EDUCAÇÃO Formação em exercicio de professores do ensino básico /f 28,700 HIPC EDUCAÇÃO Capacitação dos Educadores de infancia 20,000 Tesouro EDUCAÇÃO b. Construção e equipamento de lar para estudantes 400,000 SF EDUCAÇÃO Professores no Liceu e IDF 67,200 PORTUGAL 105 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Sector Actividades a2003 Financiador EDUCAÇÃO Bolseiros no exterior /k 106,380 EDUCAÇÃO Bolseiros no exterior /k, 370,000 PORTUGAL Tesouro EDUCAÇÃO Bolseiros no exterior /k, 394,000 EDUCAÇÃO Bolseiros no exterior /k, 210,000 TAIWAN EDUCAÇÃO Bolseiros internas 10,125 PORTUGAL EDUCAÇÃO Bolseiros internos 15,957 EDUCAÇÃO Apoio ao ISP-Desenvolvimento tecnologias /l 24,000 PORTUGAL EDUCAÇÃO A. Manutenção de escolas /p 150,000 SF EDUCAÇÃO Abastecimento de água às escolas 191,480 HIPC EDUCAÇÃO Construç 2 salas de aulas, biblioteca Principe 64,000 UE EDUCAÇÃO Construç de 2 casas professores, Sundy 37,230 HIPC EDUCAÇÃO Construç biblioteca Santana 50,000 PORTUGAL EDUCAÇÃO Construç biblioteca Santana 20,000 SF EDUCAÇÃO Peq. Obras reabiitação ISP 2,120 Tesouro EDUCAÇÃO Reabilitaç, equipamentos do laboratorio biologia fisica e quimica,LN 21,740 HIPC ALFABETIZAÇÃO Programas radiofónicos, no programa de alabetizaç adultos 15,957 Tesouro FORMAÇÃO PROFISSIONAL Equipamentos para o edificio do Ministério do TSSS /b FORMAÇÃO PROFISSIONAL Elaborar regulamentação para definição de competências no sector 2,000 PORTUGAL FORMAÇÃO PROFISSIONAL Estudo sobre levantamento das necessidades de formação 2,000 PORTUGAL FORMAÇÃO PROFISSIONAL 1. Formação em áreas prioritárias /c 75,000 PORTUGAL FORMAÇÃO PROFISSIONAL 3. Reconversão dos funcionários da AP licenciados /e 20,000 PORTUGAL FORMAÇÃO PROFISSIONAL Formação profissional para o primeiro emprego FORMAÇÃO PROFISSIONAL Formação profissional para o primeiro emprego SAÚDE 1. Luta contra o paludismo /p SAÚDE Luta contra as DST e HIV/SID 70,000 OMS SAÚDE "AIDI, programa de vacinação 42,500 Tesouro SAÚDE Acesso a cuidados especializados SAÚDE Aquisição Camara de identificação Lampada Fenda SAÚDE Aquisição de equipamento para pediatria SAÚDE Aquisição de equipamento para escola de formaç de quadros SAÚDE Assistência técnica Hospital Aires de Menezes SAÚDE Capacitação de Qaudros Ministério da Saúde SAÚDE Elaboração planta de arquitectura centros de saúde e postos sani SAÚDE LIBIA Tesouro 100,000 PORTUGAL 784,000 PORTUGAL 25,500 HIPC 400,000 TAIWAN 1,918,000 PORTUGAL 15,420 HIPC 431,000 SF 65,000 SF 300,000 SF 44,000 ACBF 6,000 SF Equipamento HOT. Raio X , laboratório Distrito de Lembá 29,780 Tesouro SAÚDE Sistema de informaçã sanitária 45,000 BM SAÚDE Reforço da Capacidade do Laboratório análises Dr. A. Menezes 202,000 SF SAÚDE Reorganização do sistema de referencia e contra-ref dos doentes SAÚDE SAÚDE Abasteci. Agua, saneamento, luta c/doenças origem hidrica Concl, lavandaria canalização de água ao posto sanitario Angra Toldo Cavalete SAÚDE Construção do posto comunitario de Angra Toldo Praia 19,140.0 HIPC SAÚDE Construção do posto de Monte Mario 20,140.0 HIPC SAÚDE Intervenção Hospital Manuel Q.D. Graça 127,650.0 HIPC 6,000 SF 715,100 BAD 31,900.0 HIPC SAÚDE Intervenção Hospital Manuel Q.D. Graça 150,000.0 SF SAÚDE Remodelação e equipamento do posto de Micolo 43,000.0 SF SAÚDE Apoio funcional ao CNES Aquisição medicam essenciais, consumíveis d laboratório para Aires M e distritos 50,000.0 FRANÇA SAÚDE 400,000.0 UE 106 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA Sector Actividades a2003 Financiador SAÚDE Aquisição de reagentes para o Hospital Aires de Menezes e distritos 100,000.0 SF SAÚDE Pacote minimo dos cuidados de Saude 101,000.0 UE SAÚDE Serv. Integr. Activ. Comun. Mudanca Comport. Mat. SS R. STP-02-PO1 19,148.0 Tesouro 80,000.0 PNUD SAÚDE Serv. Integr. Activ. Comun. Mudanca Comport. Mat. SS R. STP-02-PO2 SAÚDE Construção maternidade Lobata SAÚDE Construção de 400 latrinas SAÚDE 150,000.0 SF 88,000 BAD Manutença limpeza e sanemanto de 9763 m de canais 319,140 HIPC SAÚDE Manutenção, limpeza e saneamento capital e meio hospitalar 256,000 SF SAÚDE Estatísticas demográficas e sociais 10,630 Tesouro SAÚDE Integração variaveis população 8,510 Tesouro SAÚDE Integração variaveis população 65,000 FNUAP SAÚDE Apoio e melhoria habitacional às pessoas + carenciadas 21,270 HIPC SAÚDE Construção do lar dos idosos na região do Principe 75,000 PORTUGAL SAÚDE Construção do lar dos idosos na região do Principe 74,200 HIPC GOVERNAÇÃO/TRIBUNAIS Formação de Magistrados e Auxiliares da Justiça 20,000 SF GOVERNAÇÃO/TRIBUNAIS Apoio institucional aos Tribunais 20,000 SF GOVERNAÇÃO/TRIBUNAIS Capacitação de quadros de justiça e administração pública 78,000 ACBF GOVERNAÇÃO/ADMINISTRAÇÃO Estudo para a racionalização de efectivos da AP 21,000 BM GOVERNAÇÃO/ADMINISTRAÇÃO Reforma Administrativa 86,000 SF ACTIVIDADES DE SEGUIMENTO Projecto de Redução da Pobreza 732,000 ACTIVIDADES DE SEGUIMENTO Projecto de Redução da Pobreza 8,510 BAD Tesouro ACTIVIDADES DE SEGUIMENTO Inquérito ao sector informal 30,000 BAD ACTIVIDADES DE SEGUIMENTO Inquérito à população activa, emprego e desemprego 15,950 Tesouro ACTIVIDADES DE SEGUIMENTO Inquérito à produção horticola 10,630 Tesouro ACTIVIDADES DE SEGUIMENTO Inquérito ao orçamento familiar 42,550 Tesouro ACTIVIDADES DE SEGUIMENTO Inquérito ao orçamento familiar 150,000 SF 22,519,727 - ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 107 ANEXO N.º 5 - RELATÓRIO DO SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA ABERTURA Realizou-se em 10 de Dezembro de 2002, numa das salas do Palácio dos Congressos, o Seminário para a Validação da Estratégia Nacional da Redução da Pobreza que passarse-á em diante a designar como ENRP. O objectivo do referido seminário foi de colher as últimas contribuições dos parceiros sociais antes de submetê-lo ao Conselho de Ministros para aprovação, ratificação e conseguinte implementação a partir do ano de 2003, através de uma sessão aberta de exposição do documento e posterior debate. O Sr. Diógenes Pires dos Santos, coordenador do Secretariado Permanente para a elaboração da ENRP, na sua breve alocução introdutória, abriu a sessão agradecendo a presença de SEXA. Fradique Bandeira Melo de Menezes, Presidente da República, da SEXA Maria das Neves, Primeira-Ministra, de SEXA. Maria dos Santos Tebús Torres, Ministra do Plano e Finanças, dos demais membros do Conselho de Ministros, dos membros do Corpo Diplomático, bem como de todos os participantes presentes no local. Anunciou em seguida que passariam a fazer os seus discursos, respectivamente, a Sr.ª Ministra e Sr. o Presidente da República. A senhora Ministra introduziu o seu discurso com os respectivos agradecimentos aos presentes. Chamou atenção para o facto de que um dos principais constrangimentos com que se deparará a implementação da ENRP será a obtenção de financiamento posto que, por meio de receitas do Estado santomense tornar-se-á impossível. No entanto, espera que através da iniciativa HIPIC e por conseguinte, com o alívio da dívida, que consome 54% das receitas correntes, seja possível materializar a ENRP. Comentou que foram produzidas 04 versões do documento da Estratégia, com a participação activa de toda a sociedade. Segundo a oradora, a cerimónia também surge como um instrumento de sensibilização junto a todos os parceiros de desenvolvimento. Sensibilização tal, para alertar aos dirigentes do país que os recursos gerados devem ser aplicados em sectores prioritários. Um acto de campanha, pela não interrupção da implementação da ENRP até 2015, de maneira que se alcance o desenvolvimento almejado. Um apelo a que haja maior alocação de recursos em sectores prioritários como a Educação e a Saúde. A que se respeitem o direito de igualdade entre os sexos, entre outros aspectos. Seguiu-se o discurso de SEXA. o Sr. Presidente da República que manifestou o seu regozijo pelo facto do plano estratégico da redução da pobreza coadunar com as linhas mestras do seu projecto de sociedade apresentado por ocasião da sua candidatura a Presidência da República. Passou a discorrer sobre as raízes intrínsecas da pobreza enquanto fenómeno social, que interpreta como sendo a ignorância e a incapacidade das sociedades subdesenvolvidas em combater a doença, a fome e a miséria. Sublinhou o facto de que através da implementação da ENRP, concomitantemente o país também alcança gradativamente os objectivos traçados e acordados entre as ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 108 diversas nações na cimeira realizada em Nova York alusiva aos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Segundo Sua Excelência, o desafio que se nos impõe é encontrar um modelo, formas de se acelerar o crescimento da economia nacional de forma a torná-la mais competitiva em relação aos mercados externos. Recordou, que conforme o relatório das Nações Unidas, a governação é um elemento chave, considerado pressuposto básico para a Redução da Pobreza. Faz-se mister portanto, fazer uso da eficácia como instrumento de combate à pobreza no âmbito da governação, assim como da transparência e do combate à corrupção. De suma importância, é também assegurar a paz ao cidadão, investir nos recursos humanos e possibilitar que estes tenham acesso as mais recentes tecnologias de ponta. Modernizar a agricultura, melhorar as infra-estruturas, promover a integração regional de modo a que se tenha acesso a mercados mais alargados, investir no sector privado nacional e estrangeiro. O Sr. Presidente chamou atenção ao facto da própria pobreza auto reproduzi-la na medida que, em função da sua existência, são abatidas arvores, utilizadas de forma indiscriminada as areias das praias, agredindo assim o meio ambiente e destruindo o nosso próprio habitat. Outro aspecto destacado por Sua Excelência como de extrema relevância para a redução da pobreza é a necessidade de se alcançar a igualdade entre os sexos. Em virtude da pobreza incidir mais nas zonas rurais do que urbanas, assiste-se a um fluxo migratório de mão única ou seja sempre das zonas rurais para a capital e este foi outro aspecto capital, frisado por SEXA. que deverá ser contornado pois, traz como corolários, a disseminação de meninos de rua, o aumento do desemprego, a prostituição, criminalidade, etc. Sua Excelência, o Presidente Fradique Melo Bandeira de Menezes, concluiu dizendo que a redução da pobreza é necessariamente um processo político, pois passa pela vontade política de todos os actores e que implica em acções tais como o aumento do PIB, o investimento nos domínios da Educação e Saúde, entre outras medidas impreteríveis. Terminou assim SEXA o seu discurso com agradecimentos. APRESENTAÇÃO DE TEMAS I - O PERFIL DA POBREZA EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E A ESTRATÉGIA PARA A SUA REDUÇÃO Por Diógenes Pires dos Santos. Este introduziu o seu discurso discriminando os diversos tipos de pobreza que podem caber no conceito genericamente utilizado: a pobreza material, a moral, a cultural, etc. e as suas implicações. Esclareceu que a pobreza constitui um problema multidimensional que deve ser abordada nos seus variados prismas. Revelou que 01 (um) em cada 07 (sete) santomenses vivem com menos de meio dólar por dia, o que assinalou ser de extrema gravidade. Comentou que poderia se estender, ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 109 citando os mais diversos indicadores do sector da saúde, educação, habitação, mas tornar-se-ia deveras enfadonho na medida em que o documento compartido com os presentes possuía todos estes elementos de forma bem especificada. Formulou então a questão: Quem são os pobres em São Tomé e Príncipe? Reportou-se aos últimos estudos sobre o perfil da pobreza em São Tomé e Príncipe, realizados em meados de Novembro de 2000 e Março de 2001, estudos recentes aliás, utilizando como critérios de classificação os sócio-profissionais, em que circunscrevem-se na categoria dos pobres, os agricultores, os criadores de gado e pescadores. Em suma, os habitantes do mundo rural ou mais genericamente, os vinculados ao sector primário. Discerniu, que a pobreza em São Tomé e Príncipe tem essa característica bem demarcada. Segundo o orador, estão inseridos outrossim na categoria de pobres, os aposentados, os desempregados, os assalariados do sector público e privado e os independentes. Deparou-se então com a questão, o que fazer para mudar a situação prevalecente? A que respondeu, esclarecendo que, embora nos planos dos sequentes Governos pós República esteja sempre plasmada a preocupação com a luta contra a pobreza, não se obteve resultados relevantes. Pelo que, com este acumular de experiências, chegou-se a conclusão, que seria de extrema importância, o envolvimento de toda a sociedade civil no combate a pobreza. Que a sociedade no seu todo, as pessoas, os pobres, pudessem ser sujeitos na elaboração, na definição, da estratégia para a redução da pobreza. Face a tal contexto, o Governo junto aos seus parceiros definiu a necessidade de se elaborar esta Estratégia de Redução da Pobreza. Pelo que, em seguida, o orador passou a apresentar um breve resumo dos objectivos globais plasmados no documento de Estratégia Nacional para a Redução da Pobreza a que todos os presentes tinham acesso. Esta, aliás, como as sequentes apresentações expuseram sucintamente os pontos assentes no supracitado documento, de acordo com os respectivos temas, que, no caso, tratava-se fundamentalmente: 1- Da caracterização genérica da pobreza; 2- Dos determinantes da pobreza no plano económico a nível interno e externo, de naturezas estrutural e conjuntural. Bem como os determinantes no plano social e político – institucional; 3- Da estratégia da redução da pobreza no horizonte 2015: a visão estratégica a curto, médio e longo prazos; 4- Dos objectivos globais a médio e longo prazo; 5- Dos eixos fundamentais em que a estratégia se baseia, para atingir os supracitados objectivos; 6- Dos riscos da estratégia; II - CRESCIMENTO ACELERADO E REDISTRIBUTIVO. Por Leonel Mário D’Alva Este apresentador iniciou a sua explanação afirmando que o crescimento económico é medido pelo PIB - Produto Interno Bruto, e que este por sua vez, resulta da soma dos valores acrescentados no processo de actividades produtivas de bens e serviços de cada sector e o ramo da economia em cada ano. Esclareceu ainda que o crescimento do PIB é condição necessária para a redução da pobreza, mas não suficiente. Para tal, são ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 110 necessários existir mecanismos de justiça fiscais e investimento em prestações de serviços que sirvam aos pobres, tais como: infra-estruturas, água, serviços sociais de base nomeadamente, educação, saúde, habitação, etc. Havendo um crescimento do PIB sem a adequada redistribuirão da riqueza e dos processos de prestações de serviços, não se alcançará a redução da pobreza. Prosseguiu sua dissertação adiantando que o crescimento da riqueza não pode cingir-se a apenas um sector para que se reduza a pobreza (como por exemplo através dos tão esperados recursos provenientes da exploração petrolífera). Se os recursos do petróleo constituírem o produto fundamental do país e caso estes sejam inseridos na mecânica da economia nacional sem que se redistribua aos outros sectores produtivos, sobretudo o da agricultura e dos serviços, onde se encontram as pessoas mais pobres, não se reduzirá a pobreza. É necessário que os sectores se desenvolvam paralelamente, já que a redução da pobreza é um processo multifacetário. Colocou em seguida a questão: o que fazer em via de um crescimento suficientemente distributivo, de modo a que se possa reduzir paulatinamente a pobreza? Conforme a estratégia pretende-se reduzir a metade a pobreza até 2010 e a 1/3 até 2015. E como chegar a esta meta? O orador citou dados de estudos em que, para reduzir a pobreza em África, necessitar-se-á de um crescimento do PIB em média de 7% anuais. E formulou ainda a questão: como sair do actual crescimento (em torno de 2% anuais) para atingir tal média até 2015? Segundo o Sr. Leonel Mário D' Alva, a Estratégia vislumbra os primeiros passos e é um grande desafio que se nos impõe. Conforme o mesmo, a estratégia contempla um conjunto de acções que deverão ser realizadas nos diversos sectores de desenvolvimento, para atingir o crescimento sustentando de maneira solidificada e se reduzir a pobreza. É imperioso, um crescimento acelerado e redistributivo. Imprescindível, que todos os eixos sejam articulados, que as acções sejam bem monitorizadas com informações obtidas sobre as condições do país, através da boa utilização dos mecanismos de desenvolvimento para que se possa reduzir a metade a pobreza até 2010. E passou a resumir as acções, constantes no documento do ENRP conforme abaixo, em linhas gerais: 1- Emergência de novas fontes de crescimento; 2- Relance dos sectores produtivos; 3- Políticas estruturais consistentes; 4- Promoção do desenvolvimento do sector privado; Conclui a sua explanação, esclarecendo ainda que para se reduzir a pobreza há que se levar em conta os seguintes pontos: - A desburocratização: derrubar-se os entraves estabelecidos aos investidores estrangeiros que os têm desencorajado a aplicar maiores montantes em investimento; - A criação de um ambiente propício ao negócio acompanhado, outrossim, pela criação de um Tribunal de Contas célere, que dê vazão as questões contenciosas; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 111 - O controle dos mecanismos do enquadramento macro-económico, isto é, o asseguramento de uma taxa de inflação que seja favorável ao crescimento e aos pobres; - O controle monetário, evitando a depreciação da nossa moeda; - A sustentabilidade da dívida: o alívio desta, permitirá que mais recursos sejam canalizados a favor dos mais pobres. - A boa monitorização da economia: o equilíbrio do saldo da balança de pagamentos; - O combate ao desemprego, etc. III - OPORTUNIDADES DE RENDIMENTO PARA OS POBRES Por Carlos Pires dos Santos. Durante a sua explanação, ressaltou que a pobreza em são Tome e Príncipe tem uma forte incidência no meio rural e é manifestamente visível nos sectores da agricultura e da pesca. O orador falou da popularização de que tem sido objecto a concessão de terras a qualquer cidadão que se julgue com o direito ao seu usufruto, pratica que se generalizou dada a grande pressão social sobre a terra contrariando assim os critérios inicialmente estabelecidos pelo projecto de privatização agrícola. Neste sentido, referiuse de que o impacto da situação mencionada repercutiu negativamente na produção de cacau que se tem mantido praticamente no mesmo nível, contrariamente a produção de culturas alimentares que cresceu significativamente. Ainda na sequência da sua intervenção, fez referencia a protecção ambiental cujos resultados, quer em termos de utilização de recursos florestais como ambientais foram críticos pelo facto de, medidas legislativas não terem sido adoptadas em tempo útil. A flora e a fauna, caracterizadas por uma biodiversidade rica e variada, encontra-se ameaçada. A vida animal tende a desaparecer e a floresta densa começa a reduzir-se. A situação da pecuária também mereceu particular realce por parte do orador. Considera que, não obstante os esforços de que o sector da pecuária tem sido alvo em termos de implementação de medidas, não conheceu melhorias significativas quer em termos de rendimento dos criadores como da dieta alimentar. Por tudo isto, o exponente fez reviver a memória dos participantes quanto aos diversos programas implementados nos últimos dez anos com vista a relançar as bases para a melhoria dos rendimentos e das condições de vida das famílias rurais. Neste sentido, mencionou de que foram beneficiados com parcelas de terra um total de mais de 8.000 famílias o que corresponde a uma população de aproximadamente 40.000 pessoas (cerca de 1/3 da população e metade da população rural), numa área de aproximadamente 18.000 hectares. Concernente ao Distrito de Pague, o apresentador fez menção a constituição de uma Federação Nacional de Pequenos Agricultores (FENAPA) que vem ocupando um papel importante como interlocutor junto do Governo e de outras entidades para as questões relacionadas com o desenvolvimento rural. IV - EDUCAÇÃO, ALFABETIZAÇÃO, FORMAÇÃO Por Guilherme Octaviano dos Ramos Este orador começou por dizer que o crescimento ao longo prazo exige um maior investimento no homem como agente principal de desenvolvimento. É nesta óptica que considera a educação como um dos principais actores no processo de estratégia da redução da pobreza em São Tome e Príncipe. Fez recordar aos presentes de que o ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 112 período de 1990/95 a ajuda externa representou 12,5% para Educação e 14,5% para a formação. No ano lectivo de 2000/01 os objectivos escolares do Ensino Primário foram de 22.270 alunos sendo 11.577 do sexo masculino e 10.689 feminino. Os valores percentuais referente a distribuição da população escolar por distritos do pais, os distritos de Agua Grande e Mé Zochi representam 39 e 40 % respectivamente em 2000/01 para 7 e 4% que se mantém nos distritos de Lembá e na Região Autónoma de Príncipe respectivamente. Segundo o orador na sequência da sua intervenção, o Ensino Secundário é servido por um parque escolar de 10 sendo 9 em São Tome e 1 no Príncipe onde é apenas leccionadas a Secundaria Básico 5ª e 9ª classes. Entretanto, apesar de existir Escola Secundaria em todas as capitais do distrito do País, a sua distribuição comporta bastantes assimetrias. Para ilustrar a sua afirmação adiantou de que de acordo com a Direcção de Planeamento e Desenvolvimento Curricular, no ano lectivo de 98/99 estavam concentrados no Liceu Nacional 37,6% da totalidade dos alunos do Ensino Secundário. O orador considera que a dispersão geográfica, a má sensibilidade e a falta de meios de transporte são elementos que condicionam o melhor funcionamento da educação em São Tome e Príncipe, apesar de existir alguns transportes escolares mas ainda continua a evidenciar-se zonas em que esses transportes não são acessíveis aos alunos. O apresentador deste tão importante tema considera que o sector de Educação continua sendo parente pobre em todos os domínios. No que toca aos recursos humanos adiantou na sua intervenção que segundo os dados da Direcção do Planeamento e Desenvolvimento Curricular, no ano de 1998/99 62% dos professores tinha 11ª classe, 12,7% 10ª classe, 8,3% antigo Magistério Primário, 7,6% bacharelato e apenas 1,5% possuía licenciatura ligada ao ensino. A docência do Ensino Pré-Universitário é assegurada maioritariamente pelos professores que têm como qualificação o curso médio ou superior o que não significa uma melhor qualidade de ensino pelas condições em que esses trabalham. A reconhecida falta de quadros superiores a nível do ensino tem levado a Direcção do Liceu Nacional a recorrer a outros profissionais tais como Militares, Deputados ou Dirigentes da Administração Publica. Naturalmente que as suas ocupações profissionais e políticas alheias a escola têm impedido a regular assiduidade e participação quotidiana no conjunto das actividades pedagógicas. A planificação, gestão e insuficiência de recursos financeiros têm também influenciado negativamente nos resultados obtidos no sector de educação nos últimos dez anos. O problema da alfabetização também esteve no centro da atenção do orador. Neste sentido, explicou que na década 80 dedicou-se uma atenção especial à luta contra o analfabetismo. Nessa acção missiva registou-se uma grande adesão e participação da população. Em 1991, dentre as varias alternativas, a opção foi prevenir o analfabetismo pela via de uma forte atenção à população escolarizada no âmbito da estratégia nacional da redução da pobreza. Foi na esteira desse compromisso que se definiu que todas as crianças na idade escolar deverão ser matriculadas e frequentar o ensino publico ou privado. Por outro lado, deverão ser tomadas medidas necessárias para prevenir o abandono escolar. V - SAÚDE, NUTRIÇÃO, POPULAÇÃO E SANEAMENTO DO MEIO Por Anastácio de Menezes A sua intervenção incidiu essencialmente sobre saúde e nutrição. Neste sentido, fez referencia a relação que existe entre o programa de luta contra a pobreza e os planos de acção do Ministério da Saúde nas diversas áreas operacionais, nomeadamente áreas de serviços, programas e distritais. Falou na melhoria registada em termos de cobertura 113 ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA vacinal e da redução de mobilidade e mortalidade por paludismo. Ainda na esteira da sua intervenção, o orador deu a conhecer os principais eixos de acção no quadro de luta contra a pobreza, fixados no plano global dos cuidados a serem prestados exclusivamente as populações. Nesse quadro, avançou de que o eixo prioritário seria a promoção da protecção da saúde e luta contra doenças tais como o paludismo onde todos os esforços seriam concentrados. Um outro aspecto, seria a operacionalizacao do Centro Nacional de Educação Sanitária como forma de garantir a prestação de cuidados de saúde de qualidade, acessível a toda a população num espirito de equidade, o que implicará também o reforço do sistema distrital de saúde e o cometimento da Comunicação Social e das ONG's. Pressupõe a introdução de novas estratégias, como a do "pacote mínimo", a garantia de medicamentos essenciais e análises laboratoriais. É necessário criar condições para o atendimento das emergências médicas. O reforço institucional é também importante, através da melhoria do planeamento, formação dos recursos humanos, dignificação da Escola de Formação de Quadros e a melhoria da informação sanitária. No campo da nutrição, a segurança alimentar é importante pela promoção do tratamento directo e o fornecimento de vitaminas às mulheres grávidas e crianças desnutridas. VI GOVERNAÇÃO, DESCENTRALIZAÇÃO, COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO PARTICIPAÇÃO, Por Frederico Gustavo dos Anjos Este orador concentrou a sua exposição nos seguintes aspectos: 1. Conceituação e definição de "boa governação", como a gestão transparente e responsável dos recursos humanos, naturais, económicos e financeiros, considerando-se o primado da lei, de modo a prevenir e combater a corrupção. 2. O imperativo da revisão constitucional, em virtude dos subsequentes conflitos institucionais observados ao longo dos anos, visando tal revisão: a) A estabilidade governamental; b) A estabilidade institucional e; c) A consolidação do Estado de direito democrático. 3. A necessidade de tomada de decisão através de um processo participativo, sem que as decisões sejam tomadas a priori à população. Pressupõe que desde o princípio a população seja informada dos processos, faça o seguimento e tenha o poder de controlar e fiscalizar. Significa também: a) A melhoria da capacidade de intervenção das instituições sociais e não governamentais; b) A adequação do processo de descentralização dos poderes locais e a melhoria da eficácia da sua administração; c) O estabelecimento de comunicação governante - governado, para informação deste e para que os governantes conheçam as suas preocupações; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 114 d) O papel essencial da comunicação social; e) No controlo e fiscalização; f) A promoção da sociedade civil e de seu desenvolvimento participativo; g) O desenvolvimento de mecanismos de acesso, comunicação e promoção de uma cultura de participação. 4. A reforma da administração pública, consubstanciada no: a) Redimensionamento e modernização dos Serviços; b) Serviços próximos e a favor da população: aumento da transparência e da eficácia; c) Reposição da autoridade do Estado; d) Aumento de segurança pública e fronteiriça: o importante papel da Polícia Nacional e das FARSP. VII - EXECUÇÃO, SEGUIMENTO E AVALIAÇÃO DA ENRP Por Diógenes Cravid A ENRP prevê a criação da base que propicie o seguimento e avaliação de todo o edifício a construir ou seja, a criação de uma estrutura que permita saber ao longo do tempo qual a evolução do estado da pobreza em São Tomé e Príncipe. A execução da ENRP envolve todos os sectores da vida nacional e constitui um desafio de coordenação entre o Estado, a sociedade civil e o sector empresarial. Existe uma base de trabalho, constituído por indicadores quantitativos que permitirá medir a evolução dos diversos sectores relacionados com a pobreza. Existem também elementos de reflexão, dados pelas experiências de outros países que já implementam a sua estratégia, mas não existe ainda uma estrutura acabada e sim as bases para a formação dessa estrutura. ORÇAMENTAÇÃO DA ENRP Por Agapito Mendes Dias 1. O orador expressou a sua grande satisfação pelo trabalho apresentado e teceu largas considerações elogiosas à equipa que trabalhou no documento. 2. Considerou que as imperfeições decorrem principalmente da ausência de informação estatística, o que condiciona a correcta priorização dos sectores a privilegiar, na medida em que não permite uma avaliação correcta. 3. A questão fundamental na luta contra a pobreza e pelo desenvolvimento em São Tomé e Príncipe não é a falta de financiamento, e isto é provado pela imensa dívida externa do país. 4. Há uma serie de factores outros que entravam o desenvolvimento e, entre eles talvez o maior, seja a pouca consciência da gravidade do problema que representa a pobreza, e o facto desta não constituir prioridade na agenda da vida política e social. Enquanto não houver essa consciência, os problemas da pobreza continuarão. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 115 5. É necessário investir cada vez mais na educação e na formação e ir diminuindo o fosso cada vez maior existente relativamente aos países mais desenvolvidos. 6. O orçamento da ENRP programado para o ano de 2003 é de 22,519 milhões de USD, dos quais apenas 800 mil USD provêm do OGE. 4 milhões de USD não têm financiamento garantido e é preciso um esforço para o obter. 7. Este orçamento é o resultado das restrições financeiras do país e do nível do produto interno bruto, o que condiciona a baixa capacidade de investimentos. Assim, para financiar o orçamento é necessário recorrer a recursos externos que são escassos e condicionados. 8. No momento presente, São Tomé e Príncipe não tem capacidade institucional para executar investimentos num valor superior a 25 milhões de USD. 9. O montante programado é compatível com as taxas de crescimento e de inflação previstas de 5% e 8% respectivamente, para 2003. 10. Os orçamentos apresentados de 2004 à 2010 são apenas indicativos. 11. É necessário investir mais no aumento da capacidade institucional do país. Os recursos do petróleo podem não resolver a questão do desenvolvimento e da pobreza se não houver aumento da capacidade institucional. DEBATE Iniciou-se o debate, cuja moderação esteve sob a responsabilidade do Sr. Armindo Vaz d'Almeida. O primeiro interveniente Expôs preocupações relativas a corrupção que assola o país, paralelamente aos financiamentos que o mesmo recebe que deveriam reverter-se como paliativo às dificuldades existentes no seio da população santomense. Exortou para a necessidade de indivíduos com espírito e boa vontade de trabalho. Referiu-se ao abate excessivo de árvores, cujos protagonistas agem de forma desonesta, comercializando tanto os meios de produção, como o próprio produto. Dissertou outrossim, sobre a problemática da extracção de areias, em que existem regras que deveriam ser seguidas, posto que estabeleceram-se dias estipulados que não são respeitados. Segundo o interveniente, diariamente há extracção de areias, o que perturba o desenvolvimento do turismo em São Tomé e Príncipe. Atentou ainda para a má gestão dos recursos petrolíferos que, muito embora tenha-se conhecimento de que já estão a ser introduzidos no país, não se sabe qual a utilização que tem sido dada aos mesmos. Postulou ainda a questão relativa a negociação que o Governo vem conduzindo com a República Federativa da Nigéria, em relação ao acordo de exploração do petróleo, solicitando uma explicação coerente em relação a redução de 65 mil para 10 mil barris. Manifestou a sua concordância com a destituição do Primeiro-Ministro e, por outro lado, o seu desacordo com a revisão constitucional, já que o país vem se afundando numa maré de instabilidade em virtude da disputa e conflitos entre os poderes. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 116 Questionou ainda, qual o destino dado ao financiamento que é concedido a São Tomé e Príncipe pelos parceiros de desenvolvimento, já que subentende-se nas adjudicações das obras públicas, questões perniciosas e dúbias (fez alusão ao INDES) na aplicação destes investimentos. Segundo interveniente A inquietação deste participante girava em torno da seguinte questão: a partir de quando é que a redução da pobreza reflectir-se-á claramente em beneficio da população? Terceiro interveniente De acordo com este interlocutor a questão em mote desencadeia-se com a moralidade do Estado e esta, segundo o mesmo, começa pelo funcionamento pleno dos Tribunais e com a criação premente de um Tribunal de Contas. É da opinião, de que, se até então não se criou um tribunal de contas, é porque o surgimento deste não convém aos objectivos dos governantes. Que é necessário banir a "Constituição paralela" e a "lei de impunidade" que impossibilitarão o encaminhamento da ENRP. Manifestou ainda o seu desagrado pelo facto das forças armadas não terem sido consultadas para o processo de elaboração da ENRP, embora os oradores tenham afirmado que foi um processo que envolveu toda a sociedade. Acrescentou que muitos dos assuntos que foram durante aquele seminário abordados como o controle dos recursos piscatórios, a espoliação dos nossos mais variados recursos, o controle de catástrofes, etc., têm relação com as forças armadas, já que estes é que guardam as várias fronteiras do país. Exaltou ainda que a "redução da pobreza" está relacionada com o bem estar social que pressupõe-se implicar na boa governação e na distribuição justa da riqueza. E que é indissociável o bem-estar social da segurança. Comentou ainda, que a injusta distribuição dos recursos vem modificando o modo de ser do santomense que está se tornando colérico, apelando constantemente a ameaças e se refugiando em alternativas violentas para por cobro à situação insuportável em que vive. Que esta realidade pode tomar proporções maiores e que não é aconselhável ao Governo subestima-la Pelo que, considerava importante que as forças armadas fossem auscultadas, a não ser que houvesse um compartilhamento do mito popular de que os mesmos são todos "burros". Quarto interveniente Iniciou sua intervenção felicitando pela elaboração da Estratégia Nacional da Redução da Pobreza. Teceu algumas considerações sobre a disponibilidade do sistema que representa em participar, não só a nível financeiro. Adiantou acreditar que estratégia terá que passar prioritariamente pela boa governação e pela capacitação dos recursos humanos. Segundo o mesmo, conseguir implementar a ENRP é caminhar no sentido de um objectivo comum e universal que é o de alcançar as metas acordadas no ODM Objectivo de Desenvolvimento do Milénio. Quinto interveniente O interveniente ficou com dúvidas quanto a exposição ali apresentada. No seu entendimento, depois da validação do documento, este seria posto a disposição do Governo. No entanto, o Orçamento Geral do Estado (OGE) comparticiparia com uma ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 117 parte mínima (3%) e o resto do financiamento viria dos doadores? O documento será inscrito futuramente no OGE? Se assim for, será uma actividade que o Governo terá que implementar? Outra dúvida dizia respeito a Unidade de Coordenação da ENRP que não consta no orçamento para 2003. Sexto interveniente Suas dúvidas seguiram na sequência do interveniente que a antecedeu. Saber em relação a execução, como a ENRP será incorporada no Orçamento Geral do Estado, uma vez que este (para 2003) já foi submetido a Assembleia Nacional. Em resumo quando é que de concreto o documento será integrado ao Orçamento e como será executado? Sétimo interveniente O desassossego deste interlocutor dizia respeito a actividade pesqueira. Segundo o mesmo, falou-se sobre a pesca, mas em São Tomé e Príncipe pratica-se uma pesca empírica, sem qualquer orientação. Pratica-se a pesca artesanal, ainda a vela e a remo cujos custos de insumos são muito altos (o custo do motor por exemplo). O mesmo reclama a necessidade de efectuar-se uma actividade piscatória que implique em investigação, em aplicação na ciência e na técnica, de maneira a que esta actividade torne-se dirigida. De acordo com este interveniente o documento (ENRP) deveria abordar tal questão. Em relação a promoção do sector privado, anuiu, sob a condição de que se adopte legislação que proteja a iniciativas do empresariado nacional. Defendeu a necessidade de se estabelecer limites para o investimento estrangeiro, estimulando os que geram empregos e promovam o desenvolvimento do país ao contrário do tipo de investimento que se tem verificado, que poderia ser empreendido pelos nacionais, caso os mesmos tivessem esta prerrogativa. Finalizou, comentando que as oportunidades têm sido tiradas ao micro-empresariado nacional para privilegiar investimentos estrangeiros de pequeno porte. Oitavo interveniente Este interveniente atribui a responsabilidade do caos em que o país se encontra aos próprios santomenses. Principalmente aos dirigentes e a todos os que vêm compactuando com tal cenário. Atestou que no país já foram formados muitos quadros e que há necessidade de se formar mais, mas que no entanto não há uma política de valorização dos mesmos que têm sido preteridos em relação aos quadros estrangeiros. Sempre que há a necessidade de se contratar uma consultoria, são em geral chamados os consultores estrangeiros, cujo pagamento são relativamente exorbitantes tendo em conta, os que são praticados para os nacionais. Porque há de se considerar que os consultores estrangeiros detêm necessariamente maior conhecimento do que os nacionais? Outra questão relevante para este interveniente é também o da criação do Tribunal de Contas. Este é da opinião de que beneficiará aos dirigentes. Denunciou ainda que apenas as pessoas desonestas e incompetentes é que se promovem no país. O único caminho para a promoção é via corrupção. E caso as pessoas não estejam preparadas para a era do petróleo, poderá se avizinhar uma ruptura. Concluiu, incitando o combate ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 118 a pobreza moral, que é o principal mal que afecta o país, independente da pobreza material. Nono interveniente Este participante no uso da palavra, questionou a intervenção da senhora Ministra do Plano e Finanças quando se referia a necessidade de melhoria rápida. Pois, a sua preocupação consistia em saber o espaço de tempo necessário para essa melhoria rápida. O participante na sequência da sua intervenção considera o mundo dividido em dois padrões a saber: Pobre e Rico. É neste sentido que tendo o documento feito referencia a 58% de pessoas pobres, questiona a designação a dar aos restantes 42%. Falou do transporte colectivo posto ao serviço dos alunos. Lamentou o facto de, enquanto os alunos são beneficiados com o transporte colectivo, os professores que também auferem magros salários não estão autorizados a usar esse transporte colectivo sob alegação de que beneficiam do subsídio de transporte. Décimo interveniente O participante na sua intervenção considera que com o documento sobre a pobreza apresentado no seminário os problemas estão identificados. A sua maior preocupação é saber como atacar estes mesmos problemas. Considera urgente o concurso de todos no sentido de combater a pobreza em STP. Para o efeito avança como proposta o combate a instabilidade política e o apoio as ONGs que trabalham directamente com as famílias. Décimo primeiro interveniente Este participante criticou o comportamento dos dirigentes sãotomenses com relação a visita dos empresários estrangeiros a São Tome e Príncipe. Explica que os empresários estrangeiros uma vez em STP são levados a visitar as "grandes empresas" descurando a necessidade de visitarem também as pequenas unidades de transformação com as quais também podem cooperar. Não escondeu as condições péssimas em que trabalha. No entanto acredita que muitas pessoas que adquirem o seu produto acabado pensam que o seu espaço de trabalho é dos melhores pela boa qualidade de produtos colocados no mercado nacional. Décimo segundo interveniente Este orador manifestou uma certa reserva quanto ao critério de priorização das acções. Considera urgente a repartição de recursos em função das prioridades de execução das acções e que seja bem claro o montante a atribuir a cada uma. Neste sentido, propõe que haja um trabalho de análise de custo/beneficio que permita o uso de forma mais coerente dos recursos disponíveis. Décimo terceiro interveniente A participante tomou a palavra durante a sessão de debate para chamar a atenção da necessidade da actualização dos dados demográficos, assim como da taxa de crescimento. Pois considera, que estes indicadores não correspondem a realidade actual. Décimo quarto interveniente Reconhece que o documento ora apresentado deve ser melhorado. Considera que se deve encontrar uma forma de entender a luta contra a pobreza como uma luta para dignificar os são-tomenses. No seu ponto de vista, isto significa reflectir, repensar o que ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 119 é para os são-tomenses reduzir a pobreza. Considera que devemos ser mais ambiciosos o que significa ter uma cultura ao trabalho. Se os são-tomenses não trabalharem não sairão dessa nem com o produto do petróleo. Tem-se notado um sinal de desconforto e de frustração dos quais se deve prestar a maior atenção. Tem que se dar mostras de sacrifícios. Deve constituir a responsabilidade dos dirigentes dar sinais de contenção de gastos. Décimo quinto interveniente Este participante na sua intervenção considera que se deve reforçar a questão de hierarquização de prioridades. Adianta que questões como gestão de bens públicos e descentralização não estão espelhados no orçamento. Adianta que o quadro orçamental não reflecte qual o esforço feito para a redução da pobreza. Considera que boa governação não significa governar bem. Para o orador a boa governação não pode limitar-se a reorganização dos tribunais e da Administração Publica. ESCLARECIMENTOS RELATIVOS AO DEBATE SEXA. Maria dos Santos Tebús Torres, Ministra do Plano e Finanças SEXA. agradeceu e felicitou os intervenientes pela coragem de muitos, em expor as questões de forma tão aberta e clara. Frisou que era este o intuito ao se promover tal seminário, o de receber contribuições para a melhoria do documento em epígrafe. Esclareceu ainda que o documento da Estratégia não é estático e está sujeito a alterações conforme a evolução do panorama em São Tomé e Príncipe em termos da economia, capacidade intelectual, financeira, etc. Começou por clarificar como será implementada a estratégia. Explicou que 90% do orçamento da ENRP programado para 2003 já estão inscritos enquanto projecto no OGE, para a execução no referido ano. Redarguiu ainda que o documento em mote, é uma iniciativa do Governo. Sendo este o responsável pela negociação com os parceiros económicos, assinatura com o Banco Mundial e o FMI, pela institucionalização dos procedimentos para a elaboração do documento com a intervenção de consultores vários deles nacionais. Apelou para a auto valorização dos quadros nacionais que deveriam primar pelo profissionalismo, independente dos baixos rendimentos auferidos. Apelou para que se envidem esforços no sentido de trabalhar seriamente, por esta ser a condição sine qua non para reerguer o país. Contrariou a afirmação de que o Governo está de mãos estendidas e afirmou, por outro lado, que há um esforço no sentido de mobilizar recursos tanto a nível interno e externo. Identificar os parceiros, buscar alternativas como empréstimos e donativos, consiste também num esforço do Governo, já que as receitas produzidas são consumidas pelas despesas correntes. Ressaltou que todos estão comprometidos nesse esforço, porque a iniciativa HIPIC está sendo onerosa para todos, logo, que o esforço é não só do Governo como da própria população. Sr. Diógenes Pires dos Santos, Coordenador do Secretariado Permanente Em réplica às questões abordadas que tocam o seu tema, o orador concordou que a luta contra pobreza não deve cingir-se aos paliativos da redução da pobreza. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 120 Em relação aos dados demográficos esclareceu que, embora a desactualização tenha sido detectada, os resultados provisórios do último recenseamento ficaram disponíveis relativamente tarde e o Secretariado optou por adiar esta actualização para a fase final da elaboração. Referindo-se a Unidade de Coordenação, elucidou que perante constrangimentos financeiros houve necessidade de fazer opções, pelo que não foi possível integrá-la no orçamento de 2003. Acrescentou que, após a aprovação pelo Conselho de Ministros, o Governo junto aos seus parceiros iria negociar os recursos financeiros para a implementação da Estratégia e para tal haveria um consenso ou seja, um compromisso também por parte do doador em relação aos objectivos nela plasmados. Nesta altura, seria possível encontrar formas de financiar a Unidade. Sr. Frederico dos Anjos, membro do Secretariado Permanente Começou por dizer que as preocupações foram registadas, e que estão de acordo com as que foram levantadas. No entanto, algumas delas já se encontram reflectidas na estratégia. Afirmou que irão tomar em conta as preocupações que ainda não estão reflectidas no documento. Todavia, salientou que é preciso sublinhar que esta estratégia como qualquer outra é uma opção que resultou dos contactos que tiveram com a população. Isto significa dizer que a estratégia não considera necessariamente todas as questões que possam ser levantadas. Adiantou na sua intervenção de que a estratégia foi elaborada numa perspectiva de actualização permanente. Algumas das questões que, por razões de orçamento ou por razões de incapacidade de solução, não podem ser contempladas em 2003 encontrarão a sua solução sucessivamente em 2004, 2005 ou 2006. Portanto, dizia ele que a estratégia está aberta a actualização permanente em função da evolução da realidade de STP. Isto quer dizer também que se as coisas funcionam de acordo com a visão estratégica com que a equipa técnica funcionou, mesmo os problemas ligados a gestão do petróleo e os recursos adicionais que poderão chegar ao País serão equacionados em função de uma evolução da estratégia para a redução da pobreza e não despendidos arbitrariamente. No tocante ao sector da defesa, segundo o orador, a sua omissão foi intencional. Não quiseram envolver questões de defesa em debates públicos, daí que fizeram apenas uma menção e que haverá a necessidade de se equacionar essas questões num outro fórum. Muito recentemente, por ocasião de uma sessão preliminar que foi feita já se constatou a necessidade de se organizar um seminário especificamente sobre a defesa. E nesse quadro as questões relevantes a apontar serão tomados em conta. O mesmo acontecerá com a problemática da comunicação social cujo maior envolvimento se requer, no quadro da redução da pobreza. Questionando sobre a questão levantada sobre a distribuição de recursos de forma equilibrada, o orador avançou que há acções que não precisam necessariamente de recursos a nível da estratégia. São situações que poderão ser resolvidas com recursos próprios das instituições ou recursos próprios a nível dos sectores. O que se tem é a estratégia possível em função dos recursos disponíveis e a mobilizar. Sr. Leonel Mário d’Alva, membro do Secretariado Permanente Como complemento às questões já respondidas pela equipa que elaborou o documento, aproveitou para esclarecer a preocupação levantada sobre a definição das prioridades. A esse respeito, chamou a atenção dos que receberam o documento de resumo da estratégia nacional para que dessem um olhar a pagina 14, número 101. Confirma que aí ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 121 estão espelhados os critérios utilizados para a definição da estratégia da qual fez a leitura pontual. Explicou depois que houve um critério para selecção, tendo reconhecido que o nível da organização não permitiu que esse critério fosse perfeito. Não obstante terem tido um encontro com técnicos do Ministério da Educação e Cultura para a recolha de informações, surpreende-se pelo facto de agora aperceber-se de que esse Ministério não tem definido as prioridades para o sector, nem a curto nem a médio prazo. Se houvesse efectivamente uma organização no quadro global, o sector de Educação seria o primeiro a definir as suas prioridades e depois enviaria para um organismo central que fizesse outro tratamento no sentido de seleccionar essas prioridades. Reconhece que ainda persiste no grupo problemas organizativos. No entanto, fez notar que a questão da prioridade que foi levantada é bastante pertinente. No entanto, a solução deve ser encontrada na base de uma maior organização onde cada um dos sectores elabore as suas estratégias e defina o que pode fazer a curto, médio e longo prazos, para depois terem tratamento num quadro global. ENCERRAMENTO SUA EXCELÊNCIA SR.ª MARIA DAS NEVES BATISTA DE SOUSA, PRIMEIRA-MINISTRA E CHEFE DO GOVERNO A senhora Primeira-Ministra e Chefe do Governo, antes de proceder ao encerramento do Seminário, aproveitou a oportunidade para esclarecer duas questões. A primeira delas tem a ver com a intervenção de um dos participantes na qual questionava sobre a percentagem da pobreza que é de 58% conforme consta no documento de base. Sobre isto a senhora P.M. esclareceu que a percentagem restante que se situa em 42% não necessariamente sejam ricos. Frisou que todos temos a plena consciência de que isto não corresponde a realidade. O problema dos 58% são pessoas que se situam no limiar da pobreza ou seja vivem abaixo do limite normal da pobreza. A segunda questão tem a ver com o processo de exploração do petróleo. Com relação a isto, a senhora P.M. considera que é necessário que a Nação sãotomense esteje esclarecida sobre o problema do petróleo. Para tal, deixou a esperança de que o Governo irá promover um debate para falar sobre a problemática e que na altura seriam todos convidados para o efeito. Ao pronunciar o seu discurso de encerramento, considerou o Programa de Luta Contra a Pobreza como um dos eixos fundamentais do Programa do seu Governo. Na continuação do seu discurso a senhora P.M. considera que este seminário se realiza num momento particularmente importante do processo de consolidação da democracia sãotomense onde as forças que se intervêm na cena política nacional tem sabido dar provas de elevada maturidade e de sentido de Estado, na busca de alargados consensos indispensáveis à garantia da estabilidade político-institucional e da estabilidade governativa, factores determinantes e propiciadores de um ambiente favorável ao desenvolvimento de São Tome e Príncipe. Considera que só o aprofundamento das mais variadas formas de convivência pacifica constituirá a melhor garantia para o cumprimento de uma das mais importantes estratégias em que todos nos envolvemos com o fim exclusivo de tudo fazer com vista a redução da pobreza em São Tome e Príncipe. Mais adiante, a senhora Primeira-Ministra na sua intervenção associa-se a diversas constatações de muitos concidadãos de que São Tome e Príncipe não é pobre. No entanto, considera que estamos pobres por razoes de natureza conjuntural que têm a ver com deficientes processos de gestão dos nossos recursos levados a cabo a longo dos anos e da inadequação das opções de políticas com que vimos fazendo e convivendo. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 122 A senhora P.M. esclareceu aos participantes de que a Estratégia Nacional de Redução da Pobreza apresentada no seminário, ao representar mais do que um compromisso face as condições dos parceiros de desenvolvimento no quadro do alivio da divida, é sobretudo o reconhecimento da necessidade de esforço conjugado ao nível dos diferentes sectores e sub- sectores tendo em vista ultrapassar os constrangimentos que determinam os níveis de pobreza com que se confronta STP. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 123 ANEXO N.º 6 - SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA (RESUMO DAS CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES) - 10 de Dezembro de 2002 Necessidade de criação de uma estrutura capaz de proceder ao acompanhamento, coordenação e avaliação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza (ENRP), para garantia da sua implementação; O problema da pobreza tem de se tornar prioridade na agenda política e social dos decisores políticos do país; A grande Dívida Externa do país prova que o problema da pobreza não é fundamentalmente a falta de financiamentos mas uma criteriosa gestão dos recursos externos de que o país tem beneficiado, pelo que se torna necessária uma gestão baseada em critérios mais rigorosos, tanto técnicos como económicos e sociais; É necessário investir cada vez mais na Educação e na Formação no combate à pobreza; Os recursos do petróleo podem não resolver a questão da pobreza e do desenvolvimento se não houver melhoria da capacidade institucional do país; É necessário um combate muito sério contra a corrupção, a todos os níveis; É necessário proceder-se à implementação do Plano Nacional do Desenvolvimento Durável como meio para garantir uma gestão séria, rigorosa e adequada dos nossos recursos naturais; É absolutamente necessário a rápida implementação do Tribunal de Contas para se banir a “Constituição paralela” e a “lei da impunidade”; As Forças Armadas e de manutenção da Ordem Pública têm de ter um papel mais relevante no quadro da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza (ENRP); Tem de se criar condições para a aplicação dos avanços da Ciência e da Técnica, na nossa actividade pesqueira, para aumentar os níveis de captura de pescado; Deve ser adoptada legislação que proteja as iniciativas do empresariado nacional que é relegado para um plano secundário em favor do empresariado estrangeiro; O combate à pobreza moral e ética é mais importante para o país do que a pobreza material; O combate à pobreza deve ser entendido como uma luta para dignificar os santomenses, pelo que deve se implantar com muito vigor uma “cultura de trabalho” para mudar a situação actual; Dadas as especificidades das questões relativas às Forças Armadas e à Polícia Nacional, o debate respectivo deve ser realizado em fórum próprio (Seminário sobre a Defesa e Segurança Nacional); De igual modo, dadas as especificidades das questões relativas à Comunicação Social, o debate respectivo deve ser realizado em fórum próprio (Seminário sobre o papel da Comunicação Social na Estratégia Nacional de Redução da Pobreza); O dossier petróleo deverá ser alvo de um debate nacional, aberto a toda a Sociedade; A Estratégia Nacional de Redução da Pobreza deve tornar-se um eixo fundamental do Programa do Governo; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 124 S. Tomé e Príncipe não é um país pobre, tornou-se pobre devido a deficientes processos de gestão dos recursos nacionais e inadequação das opções políticas implementadas, pelo que urge corrigir rapidamente a situação; É necessário o esforço conjugado de todos os sectores e subsectores com vista a ultrapassar-se os constrangimentos que determinam os níveis de pobreza com que o país se confronta. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 125 ANEXO N.º 7 - DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA CERIMONIA SOLENE DE ABERTURA DO SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA SENHORAS MINISTRAS E SENHORES MINISTROS DO SEGUNDO GOVERNO DE UNIDADE NACIONAL, SENHORES MEMBROS DO CORPO DIPLOMATICO, SENHORES REPRESENTANTES DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS E ORGANIZACOES NÃO GOVERNAMENTAIS, CAROS SEMINARISTAS, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES, Permitam-me iniciar a minha intervenção começando por saudar a todos aqui presentes a este seminário e endereçar uma palavra de amizade e de apreço àqueles que pelo seu empenhamento e contributo, tudo fizeram para tornar possível a realização deste Seminário para a Validação da Estratégia Nacional para a Redução da Pobreza. Estou pois convencido que no quadro do presente evento, um debate aberto e rico terá aqui lugar, o que constituirá de certo um valioso contributo para a afinação da nossa estratégia de luta contra a pobreza. Quero aqui ainda manifestar a minha grande satisfação pelo percurso já por nós conseguido nesta primeira etapa deste tão importante processo que é, o de luta contra a pobreza. A minha satisfação é tanto maior ainda, quanto mais me apercebo que esta estratégia para a redução da pobreza está orientada para um conjunto de acções e medidas concretas que vão no sentido da materialização das linhas mestres do meu projecto de sociedade apresentado aquando da minha candidatura às eleições como Presidente da República. Na ocasião apresentei um conjunto de asserções relativas à situação de pobreza no nosso País e anunciei o meu comprometimento em agir afincadamente com outras instituições, especialmente com o Governo, para encontrar a breve trecho o caminho da erradicação da pobreza. CAROS SEMINARISTAS, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES, A pobreza enquanto fenómeno económico e social tem raízes intrínsecas que é preciso debelar a partir da sua origem. Este fenómeno assenta-se essencialmente na ignorância e na incapacidade das sociedades subdesenvolvidas em combaterem a fome, a doença e a miséria. Torna-se assim imperioso abrir uma ampla frente de luta contra tais males, identificando deste modo o caminho do progresso e do bem-estar para todos. Com efeito, a adopção de uma estratégia envolvendo todas as forças vivas do país, incluindo a dos nossos principais parceiros de desenvolvimento e uma análise profunda da situação do País com especial incidência para esfera político-institucional, económica e social, é sem dúvida uma grande aposta para nos libertarmos deste pesado flagelo. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 126 Estou convicto de que, com o esforço e empenhamento colectivo, com uma governação criteriosa e ainda a participação efectiva dos nossos parceiros, estaremos em condições de mobilizar energias com vista a fazer face à difícil situação de pobreza que o País enfrenta e deste modo, poderemos alcançar paulatinamente os objectivos do milénio, que consistem em reduzir à metade os indicadores concernentes a incidência da pobreza no País. DISTINTOS SEMINARISTAS, SENHORAS E SENHORES, Preocupada com a situação de pobreza no mundo, a Organização das Nações Unidas realizou em Setembro de 2000, em Nova Iorque, a cimeira do Milénio. Os temas mais candentes desta cimeira centraram-se na situação dos conflitos armados em África e as suas consequências sobre a vida das populações; o drama da pobreza; a dívida pública; as doenças como o VIH/Sida, o paludismo e outros. Os imperativos do desenvolvimento sustentado e o meio ambiente de países como o nosso, vêm conhecendo atrasos significativos, colocando em perigo a qualidade de vida das populações, com consequências nefastas a nível de toda a Comunidade Mundial. Sendo a situação de pobreza caracterizada no documento que ora se apresenta para debate e enriquecimento, um dos males que, à semelhança de outros países menos avançados da Comunidade Mundial, parece justo afirmar que tal fenómeno encontra raízes na herança do milénio anterior para o caso de S.Tome e Príncipe. E como consequência disso, no nosso pais mais de metade da população vive com um rendimento inferior ao equivalente a um dólar por dia, sendo assim vítimas e reféns da fome e da doença, causados por dificuldades de acesso, à água potável, ao saneamento básico, ao ensino moderno, à saúde e ao meio envolvente. Ao aceitarmos pacificamente uma tal situação será uma atitude de irresponsabilidade e de injustiça. Por isso impõe-se que mudanças estruturais profundas tenham lugar, o que por sua vez implica vencer desafios complexos que carecem de imaginação e de esforços conjugados de toda a Nação, bem como de objectivos e parcerias viradas para a solução dos problemas. MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES, O grande desafio que se nos coloca hoje ao nível do nosso Continente, representa a descoberta do modelo que nos possa conduzir a níveis de desenvolvimento equivalente a de outras partes de mundo, o que por outras palavras significa formas de acelerar o crescimento das nossas economias de forma que elas sejam suficientemente fortes para suportar os efeitos perversos endógenos e exógenos e tornarmos competitivos em relação aos mercados externos, podendo gerar emprego e riqueza susceptível de debelar a pobreza; Como construirmos escolas, hospitais, produzir alimentos e gerar energia, água potável e saneamento para garantir uma vida condigna aos nossos concidadãos? Este representa o grande desafio que temos pela frente e que desde já, devemos mentalizar-nos que iremos vencer tal desafio. No relatório das Nações Unidas concernente à transformação da economia africana, a boa governação é colocada no centro dos esforços que devem ser empreendidos para reduzir a pobreza em África. Isto pressupõe que os países africanos devam integrar-se ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 127 num quadro de boa governação em que serão implementadas políticas mais eficazes, mais transparentes, o combate à corrupção, o melhor controlo das finanças do país e procurar proporcionar a paz e a segurança aos cidadãos, a liberdade individual e igualdade de oportunidades, o acesso aos mercados sub-regionais, regionais e internacionais, obtendo assim mais valias. Outra grande questão diz respeito ao investimento nos recursos humanos, aproveitando os já disponíveis e promovendo a educação, a saúde, o acesso às novas tecnologias de processo produtivo e de informação. Torna-se ainda necessário investir na agricultura de modo a modernizá-la, melhorar as infra-estruturas, dedicar uma atenção especial à questão de integração e cooperação regional para permitir a criação de mercados mais alargados, criar condições para investimento e expansão do sector privado nacional e estrangeiro. É com satisfação que constato que embora este seja o primeiro exercício de elaboração de uma estratégia para a redução da pobreza, foram dados já passos significativos para equacionar os problemas que acabei de invocar e que, com certeza, encontrarão melhor tratamento com o aperfeiçoamento do sistema de recolha de informações quantitativas com base na elaboração das contas da contabilidade nacional tão necessárias à gestão macroeconómica do País. SENHORAS E SENHORES SEMINARISTAS MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES Como se infere da análise da pobreza monetária da população do nosso país, 68.685 ou seja (53,8%) da nossa população (mais de metade) são consideradas pobres, por viverem com menos de 220.000,00 dobras por mês. Que 19.237 ou seja (15,1%) são consideradas em estado de extrema pobreza por viverem com menos de 110.000,00 dobras por mês. Os grupos sócio-profissionais mais afectados pela situação de pobreza, segundo a ordem decrescente de incidência da pobreza são:os trabalhadores agrícolas, os pescadores, os reformados, os idosos e outros inactivos. A análise da pobreza segundo o lugar de residência mostra que a Região Norte tem maior incidência de pobreza, 70,6% da população, seguida por ordem pela Região Sul, (65,1%) da população e de da Região Autónoma do Príncipe, 60% da população. No que toca aos distritos, é o distrito de Água Grande onde há uma menor incidência da pobreza, 39,4% da população. No outro extremo, encontramos o distrito de Caué, em que a incidência da pobreza é de 82,2%. A pobreza tem colocado as pessoas na impossibilidade de adquirir, quer pelo trabalho por conta de outrem, quer pelos rendimentos provenientes de auto-emprego ou outros, os recursos necessários à satisfação das necessidades humanas básicas, tais como comer de modo a saciar a sua fome e dispor de segurança alimentar. Não podem dispor de boa saúde devido à carência alimentar, às difíceis condições de alojamento, de vestuário, de assistência médica e medicamentosa, do meio envolvente poluído , inseguro e impróprio para a vida humana. Vivem numa situação de carência de condições e de meios para aprender com vista a obter, pelo menos, um ciclo de escolaridade, sexta classe; não estão em condições de fazer prevalecer os seus direitos, nem tão pouco que seja tomada em conta a sua voz; não vivem em segurança e na dignidade por lhes faltar um trabalho ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 128 que lhes dê dinheiro para satisfazer, pelo menos, as necessidades básicas que lhes permitam uma vida decente. Vivendo num meio envolvente desfavorável, as pessoas atingidas pela pobreza destruem, muitas vezes, pela necessidade de sobrevivência, o meio envolvente em que vivem abatendo indiscriminadamente as árvores, extraindo a areia nas praias, deixando as costas marítimas sem protecção e sem beleza, comprometendo deste modo a instauração de um desenvolvimento durável. Na nossa sociedade, embora já muito tenha sido feito para evitar a desigualdade entre os sexos, a desigualdade ainda existente entre homens e mulheres na nossa sociedade é um elemento que se deve ter sempre presente seja qual for a dimensão da pobreza encarada. A progressão da pobreza tem gerado novos fenómenos preocupantes, tais como o incremento de assimetrias regionais, dos distritos e das localidades, bem como o aumento do fluxo migratório de outras localidades para a capital na miragem de ali encontrar meios de sobrevivência. Tal situação tem acarretado consequências como as dos meninos de rua, o aumento da criminalidade e do número de desempregados na cidade capital e seus arredores, o que pode vir a comprometer o futuro do País. MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES A pobreza apresenta-se como um fenómeno multi-dimensional. O seu grau de incidência é mais forte nas regiões rurais e suburbanas. As suas diferentes formas económicas, tais como o salário e o rendimento baixos têm influência sobre a produtividade. Ao nível individual, a fraca remuneração do trabalho tem influência na fraca produtividade, determinada, entre outros, pelos factores ligados à saúde e/ou à educação. O acesso à educação é igualmente influenciado pela situação monetária dos agregados familiares. O quadro macro-económico em que se processa o desenvolvimento global e sectorial assim como as outras políticas públicas, o meio envolvente institucional, político e cultural são também, ao nível mais global, os determinantes a terem em conta. A pobreza apresentando-se como um fenómeno multi-dimensional exige, portanto, para a sua redução, um conjunto de acções simultâneas sobre o sistema global em que se integram. É neste quadro que foi elaborado o presente documento de Estratégia para a redução da pobreza. Neste documento procedeu-se à análise da situação da pobreza em STP, nos aspectos monetários, das condições de vida, pobreza política e pobreza social com vista a adoptar-se uma estratégia adequada para a redução global da pobreza. Reduzir a pobreza exige uma vontade política da parte de todos os actores: os governantes, os partidos políticos, as igrejas, os trabalhadores, os empregadores, o sindicato, a sociedade civil e os nossos parceiros externos. É um processo político toda a estratégia de redução da pobreza. Isto implica um conjunto de acções resolutas para estabelecer as relações entre o crescimento do produto interno bruto e a sua melhor repartição através de boa fiscalidade e de prestação dos serviços sociais básicos como as infra-estruturas, o saneamento do meio, a educação, a saúde, de modo a retirar os pobres da situação de marginalização em que se encontram. Implica também a instauração de parcerias estratégicas com as forças interessadas no progresso social da nossa sociedade, dando-lhes meios para se fazerem ouvir, com base ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 129 em princípios democráticos de prestação de contas. Assim a sociedade civil pode contribuir utilmente para a transformação social e política, devendo-se, para isso, o Governo encontrar mecanismos para levar a cabo acções a favor do diálogo com todos os parceiros de desenvolvimento à escala nacional para a participação dos interessados no quadro de instituições democráticas. Assim, no quadro desta estratégia, o Governo deverá continuar a apoiar e a associar a sociedade civil na fixação dos objectivos prioritários de redução da pobreza. Para se atacar a situação da pobreza no nosso país é necessário uma maior coerência de políticas governamentais susceptíveis de influenciar o processo de desenvolvimento. São necessários também: o alívio da dívida pública em relação aos parceiros bilaterais e multilaterais; melhorar as trocas comerciais que as populações mais afectadas pela pobreza fazem com os agentes económicos quer no interior do país, quer com os agentes externos, actuando fora do país; o investimento e a tecnologia apropriados são factores fundamentais para a redução da pobreza, na medida em que propiciam o crescimento económico e fortalecem as infra-estruturas sociais para aliviar a condição de vida de população pobre do País. A maior parte das nossas populações vivem nos meios rurais e da agricultura. Por isso, uma atenção especial deve ser dada a este sub-sector para que as populações possam dali retirar o rendimento que lhes permita melhorar a sua condição de vida. A coerência da política deve englobar também os sectores tais como o ambiente, a migração das populações, a busca de cuidados de saúde, a segurança e as infraestruturas socio-económicas. Assim as acções do Governo têm de ser encaminhadas no sentido de reforçar a coerência das políticas ao serviço da redução da pobreza com as possíveis ajudas que podem ser obtidas no seio das instâncias internacionais. CAROS SEMINARISTAS, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES Nesta fase de elaboração da estratégia, é com viva alegria que notamos que os parceiros bilaterais e multilaterais estão decididos em nos apoiar, de modo a fazer com que a redução da pobreza seja uma prioridade essencial de cooperação com os países pobres como o nosso, actuando no sentido de reforço das capacidades dos operadores nacionais. Compete-nos promover um esforço nacional para melhor gerir os parcos recursos do País e as ajudas externas que nos são proporcionadas para combater este flagelo que é a pobreza e atingir as várias fases do objectivo do milénio de redução para metade a percentagem da população que vive actualmente em situação de pobreza. A promoção da coerência de políticas constituem outros tantos objectivos fundamentais a serem gradualmente tidos em conta nos nossos esforços com vista a redução da pobreza. Gostaria de salientar que a redução da pobreza em STP exige não somente a elaboração mas também a capacidade de materialização de estratégias concertadas entre o Estado, a Sociedade Civil e os parceiros de desenvolvimento, quer bilaterais, quer multilaterais, de forma a implementar-se iniciativas criadoras, para, que numa perspectiva de maior abertura ao exterior, o país possa dispor de maior capacidade de gerar riquezas e assegurar a sua justa repartição entre o capital e o trabalho. A entrada provável do país no ciclo de petróleo deve ser mais uma ocasião para aproveitar os recursos que dali advierem para em primeiro lugar resolver os problemas gritantes da pobreza e garantir que no futuro este flagelo não se abata sobre as gerações vindouras. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 130 Para terminar, gostaria de apresentar os meus mais cordiais agradecimentos à Comunidade Internacional, pelo apoio que nos vêm dando nesta árdua luta pela redução da pobreza, assim como testemunhar, mais uma vez, o meu empenhamento sem reservas nesta grande missão que não é só de reduzir a pobreza como dissemos até aqui, mas de acabar com ela no nosso solo pátrio. Pois há aqui lugar e meios para a felicidade de todos. VIVA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E A BRAVURA DOS SANTOMENSES PARA SE SAIREM DA SITUACÃO EM QUE SE ENCONTRAM! MUITO OBRIGADO PELA VOSSA ATENCÃO. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 131 ANEXO N.º 8 – DISCURSO DE S. EXA. A MINISTRA DO PLANO E FINANÇAS NA CERIMÓNIA DE ABERTURA DO SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA Sua Excelência o Senhor Presidente da República; Senhora Primeira Ministra e Chefe do Governo; Senhores Membros do Governo; Senhores Deputados e Representantes dos Partidos Políticos; Senhores Representantes do Corpo Diplomático; Caros Doadores, Convidados e Participantes; Senhores Membros do Comité de Elaboração da Estratégia de Luta Contra a Pobreza e Secretariado Permanente; Minhas Senhoras e meus Senhores; Antes de iniciar a minha intervenção sobre a matéria que nos reúne aqui hoje, gostaria de em nome do Comité de Elaboração da Estratégia que presido, agradecer a honrosa presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República por ter aceite o nosso convite para presidir este tão importante acto, que lança as bases para uma melhoria rápida das condições de vida e do destino dos filhos de S.Tomé e Principe; Igualmente , gostaria de agradecer a todos quantos responderam prontamente a este convite, e em especial os nossos parceiros de desenvolvimento, que tiveram de percorrer largas milhas para tomarem parte nesta cerimonia; Como sabeis , o motivo deste acto tem a ver com a validação da nossa Estratégia Nacional para a Redução da Pobreza em S.Tomé e Príncipe. Este documento constitui uma iniciativa que surge como resposta à necessidade de Redução da Pobreza que afecta largas camadas da População a nível mundial. O nosso País não se exclui, deste processo , devido o nível de degradação dos principais indicadores da condição de vida, tanto económico como social, comprovado pelos resultados do estudo sobre o “ Perfil da Pobreza em S.Tomé e Principe “ realizado em Novembro de 2000 a Fevereiro 2001, com apoio dos nossos parceiros sociais . O estudo que acabo de referir, demonstrou que a Pobreza em S.Tomé e Principe , afecta 53,8% da População total do País , sendo 55,7% atingindo as famílias dirigidas por mulheres e 53,0% as dirigidas por homens; No mesmo estudo concluiu-se ainda que o nível de rendimento vem evoluindo em razão inversa do tamanho médio da família, isto é, os rendimentos tendem a baixar a medida que aumenta o nº. de pessoas que compõem o agregado familiar. A extrema pobreza atinge 15,1% da população Santomense. No que concerne à pobreza das condições básicas de vida, isto é, o acesso à educação, saúde, água potável, saneamento de meio e habitação, concluiu-se que 11,8% da ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 132 População nunca frequentaram uma escola, o grau de analfabetismo aumenta com o grau da pobreza, atingindo a 12.9% dos pobres e 9,6% da população não pobre. No que toca a saúde, o nível de degradação é também desencorajador: a população que vive em situação de extrema pobreza não tem tido acesso aos cuidados primários da saúde. Apenas 19,6% da população tem acesso a agua canalizada, concluindo-se que a situação a nível Nacional é bastante preocupante. Quanto ao saneamento do meio, também a situação é catastrófica. A baixa de produção e de produtividade vem influenciando negativamente o indicador de rendimento, o que fez com que o PIB per capita passasse de USD 365,0 em 1994 para USD 295,0 em 1999. Sua Excelência Senhor Presidente da Republica Caros presentes; Minhas Senhoras e Meus Senhores Todos os estudos realizados no país em diversos períodos, revelaram que todos os indicadores determinantes da pobreza têm vindo a agravar-se em S.Tomé e Principe. Preocupado com esta situação, e em função dos resultados obtidos no domínio da estabilização macro-económica, o País conseguiu atingir o ponto de decisão da iniciativa (HIPC), Países Pobres Altamente Endividados, em Dezembro de 2000, conseguindo libertar interinamente recursos para financiamento de alguns programas prioritários no âmbito da Redução da Pobreza. Daí que, ficou garantido que para a libertação de maior volume de recursos, S.Tomé e Principe deveria atingir o Ponto de Conclusão em 2003, respeitando as seguintes condições : 1º. Consolidação do processo de estabilização macro- económica; 2º. Elaboração de uma Estratégia Nacional de Redução da Pobreza; O processo de elaboração da Estratégia Nacional para a Redução da Pobreza, iniciou com a assinatura de um documento provisório de Estratégia para a Redução da Pobreza entre o Governo ,representado pelo Ministério do Plano e Finanças e o FMI e BM em Abril de 2000. Este documento serviu de metodologia que nos orientou em todo o processo de elaboração da nossa Estratégia Nacional para a Redução da Pobreza, que hoje apresentamos a esta augusta assembleia para validação. A Estratégia para a Redução da Pobreza foi institucionalizada através do despacho n.º 4/2001 de 29 de Junho, do então Primeiro Ministro e Chefe do Governo, através do qual se definiu a estrutura organizativa para a elaboração da presente estratégia, sustentada numa filosofia participativa. A estrutura organizativa para elaboração da estratégia assentou-se: ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 133 Numa comissão de orientação e supervisão, integrada pelo Primeiro Ministro, os Ministros do Plano e finanças, da educação, dos Negócios Estrangeiros, Saúde, da Economia, das Infra-estruturas. Num comité de concertação Estado – sociedade civil - sector privado, que tinha a função de acompanhar o processo de elaboração da ENRP e emitir opiniões sobre os documentos preparatórios, preparados no quadro da sua elaboração . Esse comité era presidido pelo Ministro do Plano de Finanças. Num comité de concertação Estado - parceiros de desenvolvimento, presidido por ministro dos negócios estrangeiros- com a missão principal de mobilizar os recursos necessários para o financiamento de implementação da enrp, garantir a harmonização e a complementaridade das intervenções dos parceiros de desenvolvimento; Num comité de elaboração da ENRP, presidido pelo ministro do plano e finançasque tinham a missão de coordenar e avaliar sistematicamente os trabalhos realizados, através de pareceres e relatórios trimestrais. Esse comité era constituído por elementos indigitados por diversos organismos da administração central do Estado, como o Gabinete do Primeiro Ministro, Ministério da Saúde; Ministério da Educação, Ministério da Economia, e Ministério do Plano e Finanças. O secretariado permanente composto por 3 membros tem como missão apoiar o comité de elaboração em todas as actividades ligadas à elaboração da ENRP. De acordo com os objectivos inicialmente previstos, para a elaboração da estratégia foram criados 6 grupos temáticos, onde se definiu os seguintes temas: 1. Potencial de Crescimento, Enquadramento Macro-económico e Ambiente/ com coordenador Dr. Manuel Filipe Moniz; e consultor Drº. Leonel Mário d’Alva; 2. Oportunidade de Rendimentos para os Pobres/ coordenador eng. Carlos Pires dos Santos; consultor eng. Calixto Will; 3. Educação, Alfabetização e Formação/ coordenadora Dr.ª Fernanda Pontífice; consultor Dr.Guilherme Octaviano; 4. Saúde, Nutrição e População/coordenador Dr. Eduardo Carmo f. Matos; consultor Dr. José Manuel Carvalho; Descentralização, Participação, Comunicação e 5. Governação, Informação/coordenador Dr. Armindo Vaz d’Almeida; consultor Dr. Frederico Gustavo dos Santos; 6. Ánalise e Seguimento da Pobreza/consultor engº Diogenes Pires dos Santos; Os grandes eixos da estratégia são: - crescimento acelerado e redistribuitivo, - criação de oportunidades de aumento e diversificação de rendimentos, - desenvolvimento de recursos humanos e acesso aos serviços sociais de base, - reforma das instituições públicas, reforço das capacidades e promoção de uma política de boa governação; ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA - 134 mecanismo de seguimento, avaliação e actualização da estratégica. Sua Excelência Senhor Presidente da República; Caros presentes; Minhas Senhoras e Meus Senhores A nossa estratégia enquadra-se numa visão de crescimento durável e sustentado, com vista a redução da pobreza no horizonte 2015, em que os objectivos globais de médio e longo prazos são as de atingir uma taxa de crescimento do PIB de 5% em 2003, e superior após esta data, permitindo assim a redução dos níveis da pobreza para a metade até 2010 e até 2015 projecta-se esta redução para 1/3. O período até 2015 está em consonância com o período previsto no Objectivo de Desenvolvimento do Milénio como foi aconselhado a todos os países que lutam para o mesmo fim. Portanto, os objectivos da Redução da Pobreza em S. Tomé e Principe, coincidem com os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio. A implementação correcta desta estratégia irá permitir que até 2015, sob a filosofia de boa governação, a população possa ter acesso aos serviços sociais básicos, melhorar a qualidade da educação e saúde , reduzir as diferenças sociais entre os distritos e entre estes e a região autónoma do príncipe, bem como entre a população urbana e rural, garantindo assim uma melhoria na qualidade de vida das populações; Alguns constrangimentos podem pôr em causa a implementação com sucesso das acções dessa estratégia. Um dos principais constrangimentos têm a ver com o peso da dívida externa. As informações disponíveis mais recentes sobre a analise de sustentabilidade da dívida externa, realizado em S.Tomé em Outubro de 2000; o Stock da Dívida era de USD 294 milhões, o rácio do Valor Presente da Dívida em relação a Exportação se situava em 851% (150%), e Valor Presente da Dívida em relação as receitas correntes se situava em 1.253% (250%). Actualmente as nossas receitas próprias, situam-se em 22% do PIB. Sem querer referir a recursos outros provenientes da cooperação internacional, o serviço da dívida representa aproximadamente 54% das receitas correntes. Isso significa que um dos maiores constrangimentos para a implementação da estratégia é o financiamento. Por isso a iniciativa HIPC continua sendo a nossa maior esperança para resolver a crise da dívida, apesar da lentidão do processo até a meta final. Temos a necessidade de assegurar que através da iniciativa HIPC iremos libertar os recursos necessários para o financiamento das acções previstas na estratégia. Sua Excelência Senhor Presidente da Republica Caros presentes Minhas Senhoras e Meus Senhores O documento que ora apresentamos, baseia-se numa filosofia participativa, envolvendo para além dos agentes da Administração Central do Estado, a Civil organizada, os doadores, sector privado, as Associações e as ONGs. Por isso deve ser considerado como um documento orientador na definição das políticas públicas no âmbito sócioeconómico com vista ao crescimento durável sustentado cujo objectivo é a da Redução da Pobreza e a melhoria das condições de vida das populações Santomenses. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 135 Em cada etapa da elaboração do documento da Estratégia foi-se solicitando pareceres dos Órgãos de Soberania ,dos responsáveis da administração pública, das Autarquias, dos partidos políticos, dos sindicatos e da sociedade civil em geral e dos parceiros bilaterais . A medida que esses órgãos iam emitindo os seus respectivos pareceres, os mesmos eram utilizados para enriquecimento do documento até que atingimos essa fase de validação. Ao todo foram produzidos quatro/ versões de documento, e esta versão que hoje apresentamos é fruto de várias contribuições, de acordo com a metodologia inicialmente prevista. Quanto aos pormenores dos trabalhos, o grupo técnico irá apresentar os detalhes pelo que, convidamos todos os presentes a colocar questões que podem contribuir ainda para melhorar e enriquecer o nosso documento que a partir dessa validação, seguida de aprovação do Venerando Conselho de Ministros, passará a ser um documento nacional. A todos os consultores e coordenadores gostaria de reconhecer o vosso desempenho e também felicitar e agradecer todos quantos contribuíram de uma forma ou de outra para o enriquecimento deste documento. Uma nota positiva a esse trabalho é de se referir que o mesmo foi elaborado com o empenhamento de quadros nacionais. Antes de passar a palavra a Sua excelência o Presidente da República para proceder a abertura do Seminário, queria deixar aqui expresso, que para além de validação, esta cerimónia é também uma cerimónia de campanha; Campanha para passar a mensagem necessária sob o nível da pobreza da nossa população, focalizando a atenção das acções públicas sobre o sistema de redução da pobreza e do desenvolvimento humano. Campanha para passar a mensagem aos nossos parceiros de desenvolvimento, no sentido de nos apoiar sobre a anulação urgente da dívida, baseando na prova dos resultados de esforços da implementação de políticas de estabilização macroeconómica; Campanha para alertar todos aqueles que dirigem o destino do país que os recursos disponíveis devem ser afectados prioritariamente aos sectores com impacto imediato na redução da pobreza; Campanha sobre a maior mobilização dos recursos nacionais com vista a garantir as prioridades orçamentais pertinentes a redução da pobreza, reforço dos direitos humanos; da democracia, e boa governação conforme a declaração do milénio; Campanha pela não interrupção da implementação da estratégia até 2015, de forma a contribuir para a transformação do debate político e intelectual ao nível nacional e global; para colocar os objectivos do desenvolvimento acima das prioridades pessoais ou de grupos; para priorizar os projectos com evidentes efeitos na promoção do crescimento económico e com vista à redução da pobreza; Campanha para uma maior alocação de despesas no domínio da educação e saúde, tendo em conta as suas vantagens; Campanha de alerta sobre os direitos à igualdade entre os sexos; Com estes alertas gostaria de convidar Sua Excelência, o senhor Presidente da República para proceder a abertura da cerimónia. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 136 Muito Obrigada ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 137 ANEXO N.º 9 - DISCURSO DE S. E. A PRIMEIRA–MINISTRA E CHEFE DO GOVERNO NA SESSÃO SOLENE DE ENCERRAMENTO DO SEMINÁRIO NACIONAL DE VALIDAÇÃO DA ESTRATÉGIA NACIONAL DE REDUÇÃO DA POBREZA Senhores Membros do Governo SENHORES EMBAIXADORES E REPRESENTANTES DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS ACREDITADOS EM S. TOMÉ E PRÍNCIPE Excelências Minhas Senhoras MEUS SENHORES Tenho a honra e o grato prazer de presidir a sessão de encerramento de um dos mais importantes eventos que realiza o Governo na recta final do ano de 2002, que é o Seminário Nacional sobre a Validação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza, enquanto um dos eixos fundamentais do programa deste Governo. Este seminário realiza-se num momento particularmente importante do processo de consolidação da nossa democracia, onde as forças que intervêm na cena política nacional, têm sabido dar provas de elevada maturidade e sentido de Estado, na busca de alargados consensos, indispensáveis à garantia da estabilidade político-institucional, e por conseguinte, da estabilidade governativa, enquanto factores determinantes e propiciadores de um ambiente favorável ao desenvolvimento do País. Regozijamo-nos profundamente por esse facto, na medida em que estamos convencidas, de que só o aprofundamento das mais variadas formas de convivência pacífica, constituirá a melhor garantia para o cumprimento de uma das mais importantes estratégias em que todos nos envolvemos, com o fito exclusivo de tudo fazer, com vista à redução da pobreza em S. Tomé e Príncipe, cujo seminário de validação teve hoje o seu corolário de afirmação, devendo ocupar doravante o seu papel de intervenção permanente na nossa sociedade. Minhas senhoras e Meus senhores Que me seja pois, permitida em abono da verdade, associar-me ao que tem sido a constatação de muitos dos nossos concidadãos, de que S. Tomé e Príncipe não é pobre, mas estamos é pobres, por razões de natureza conjuntural, que têm a ver com deficientes processos de gestão dos nossos recursos, levados a cabo ao longo dos anos e à inadequação das opções de política com que vimos fazendo e infelizmente com elas convivendo. Apesar dos esforços consentidos ao longo da última década, visando em última instância a estabilização da nossa economia, vimos paulatinamente serem agravadas as condições de vida dos nossos cidadãos, mergulhando hoje mais de 53% destes numa situação de pobreza efectiva. Minhas Senhoras e Meus Senhores A Estratégia Nacional de Redução da Pobreza que hoje foi apresentada, ao representar mais do que um compromisso face às condições dos nossos parceiros no quadro de alívio da dívida, é sobretudo o reconhecimento da necessidade do esforço conjugado ao nível dos diversos sectores e subsectores, tendo em vista ultrapassar os ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 138 constrangimentos que determinam os níveis de pobreza com que se confronta S. Tomé e Príncipe. Ela é assim desde logo a nossa estratégia. Se para a sua elaboração procedeu-se a um amplo processo de consultas e auscultação a vários níveis, envolvendo quadros técnicos nacionais, o sector privado, a sociedade civil e os parceiros de desenvolvimento de S. Tomé e Príncipe, torna-se imperioso também para a sua implementação a participação tanto directa como indirecta de todos, cuja contribuição determinará sem dúvidas o alcance das metas estabelecidas no cumprimento dos objectivos globais fixados. Além disso, a compatibilização desses objectivos globais com os grandes objectivos do milénio, conforme os estabelecidos pelos Chefes de Estado e Governos do Mundo inteiro na Cimeira de Nova York, organizada pelas Nações Unidas em Setembro último, situa os nossos esforços de redução da pobreza ao nível da contribuição para a redução do fenómeno da pobreza ao nível Mundial. É nesse sentido, que, no quadro da visão estratégica assumida, foram projectadas acções nos domínios da educação e da saúde, para que se possa de facto proporcionar resultados positivos e substânciais, como contributo fundamental para o desenvolvimento dos recursos humanos no nosso País. Excelências Sendo que há uma forte incidência da pobreza no meio rural, e uma tendência crescente do êxodo rural, os apoios previstos para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas poderão contribuir para a fixação das populações. Essas medidas, aliadas à criação de infra-estruturas e ao desenvolvimento de serviços sociais de base mais próximos da população, favorecerão sem dúvida a criação de pólos de desenvolvimento no meio rural. Apesar de se reconhecer a importância dos sectores produtivos na garantia do aumento da produção e do rendimento necessário, cuja justa redistribuição possibilitará a melhoria das condições de vida dos pobres, não podemos deixar de sublinhar a urgência na adopção de uma política de boa governação, como um dos requisitos para que as acções estratégicas consideradas, possam ser desenvolvidas numa perspectiva de continuidade, dando lugar a evolução sem perturbações dos resultados preconizados. Nessa perspectiva, consideramos como sendo de prioridade absoluta, a implementação das acções circunscritas ao eixo estratégico, relativas à “reforma das instituições públicas, reforço das capacidades e promoção de uma política de boa governação”. Estamos convencidas de que uma melhor adaptação das nossas instituições à realidade geográfica, demográfica, económica, social e cultural do nosso País, permitirá um funcionamento mais adequado das nossas instituições democráticas, e consequentemente, favorecerá a gestão mais transparente e eficiente dos recursos em benefício das populações mais pobres. Felicitamo-nos, pelo facto dessa vertente da estratégia ter sido eleita como prioridade das prioridades. Por outro lado, não podemos deixar de reconhecer que a institucionalização de uma estrutura de atendimento e de acolhimento das preocupações ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 139 das organizações não governamentais, poderá vir a contribuir para facilitar a troca de informações pertinentes sobre as aspirações e expectativas das comunidades, sobre as medidas de políticas que possam ter impacto real na sua vida. Ocorre-nos ainda registar e com satisfação que a estratégia ora validada tenha considerado a análise da actual situação das Forças Armadas nacionais. Os imperativos de garantia da soberania nacional, da defesa da integridade territorial, e da urgente necessidade de controlo e fiscalização das nossas águas, face à vulnerabilidade do tráfego ilegal e à exploração não autorizada dos recursos marinhos e outros, legitimam uma tomada de posição que se supõe coerente com os objectivos de exploração racional dos recursos. Nesse sentido, saudamos o facto de estar contemplada a realização a curto prazo de um seminário virado especificamente para questões relativas à participação das forças armadas nos esforços nacionais de redução da pobreza. Minhas Senhoras e Meus Senhores Gostávamos de sublinhar a oportunidade de criação de mecanismos de seguimento e avaliação da estratégia. Mais do que seguimento e avaliação, urge que a estrutura a ser criada assuma a orientação do processo de execução, respondendo tanto pelo desenrolar das acções, como das eventuais correcções que resultarão das adaptações a serem feitas em função das novas realidades. Sendo muitos os constrangimentos com que amiúde nos confrontamos na busca de soluções que concorram para o bem-estar do nosso povo, são particularmente os de natureza económica e financeira, que mais têm limitado as possibilidades de cumprimento de tudo quanto são planos, programas e projectos nos limites dos prazos estabelecidos. Neste sentido, a Estratégia hoje tornada pública, contempla apenas as acções de realização possível, tendo em conta os recursos susceptíveis de serem mobilizados para o efeito, e tendo também em linha de conta a nossa real capacidade de sua absorção nos prazos indicados. Finalmente uma palavra de felicitação e agradecimento muito especiais, vai dirigida ao Secretariado Permanente de Coordenação que ao longo de mais de um ano, trabalhou com competência zelo e dedicação na elaboração da estratégia que ora validamos, mesmo num contexto de situações adversas. Aos técnicos dos vários sectores que participaram nos grupos temáticos, aos representantes do sector privado e da sociedade civil organizada pelo valioso contributo dado, cujo parecer, comentários e sugestões permitiram enriquecer as várias versões elaboradas ao longo do processo. Aos nossos parceiros de desenvolvimento pelo apoio material e financeiro prestados o que contribui para a conclusão com êxito deste importantíssimo documento. O Governo, ciente da amplitude da situação da pobreza no País, e face aos compromissos que assumiu junto dos nossos parceiros, está pronto e disponível para o cumprimento de uma longa, complexa, mas eficaz jornada, rumo à redução da pobreza em S. Tomé e Príncipe. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA 140 Por isso aproveito o ensejo para lançar um vibrante apelo, a todas as forças vivas da Nação para que dêem o seu contributo na implementação da Estratégia Nacional da Redução da Pobreza em S. Tomé e Príncipe. Que esta estratégia se converta num dos pontos de inspiração permanente da nossa actuação quotidiana, são os votos mais sinceros que professo. Declaro pois, encerrado os trabalhos do Seminário Nacional sobre Validação da Estratégia Nacional de Redução da Pobreza. A todos, Muito obrigada. ESTRATÉGIA NACIONAL DA REDUÇÃO DA POBREZA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA 141 DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE MINISTÉRIO DO PLANO FINANÇAS GABINETE DO MINISTRO (Unidade - Disciplina – Trabalho) ANEXO N.º 10 - PROJECTO DE DECRETO7 Nº________/2002 Considerando que a pobreza é um flagelo que atinge uma longa franja da população santomense, comprometendo sobremaneira a estabilidade social e os equilíbrios necessários a execução das políticas de desenvolvimento preconizadas pelo Governo; Considerando que o Governo definiu a luta contra a pobreza como um dos pilares fundamentais do seu programa; Considerando que para uma maior eficiência e eficácia das múltiplas acções necessárias a luta contra a pobreza, o Governo decidiu elaborar um Documento de Estratégia de Redução da Pobreza que foi publicamente validado; Mas, tornando-se necessário a adopção formal deste documento e conferir - lhe força obrigatória, enquanto documento reitor de todas as acções e instituições que participam no processo de luta pela redução da pobreza; Nestes Termos; No uso das competências que lhe são conferidas pela alínea C/ do Artigo 99º da Constituição Política, o Governo da República Democrática de São Tomé e Príncipe decreta e eu promulgo o seguinte: Artigo I É aprovado o Documento de Estratégia de Redução da Pobreza em São Tomé e Príncipe, que faz parte integrante do presente Decreto. Artigo II O Documento de Estratégia da Pobreza é de cumprimento obrigatório para todas as instituições e entidades envolvidas nas acções de luta pela redução da pobreza. Artigo III O presente Decreto entra imediatamente em vigor. 7 Este projecto de decreto foi submetido e aprovado pelo Venerando Conselho de Ministros na sua reunião ordinária de Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2002, superiormente presidida por Sua Excelência o Presidente da República.