Publicação da associação brasileira de distribuidores volkswagen
Ano 34 • n• 304
MAIO 2O12
Regime Automotivo
2 FASE
a
O
Mais um passo pela
indústria nacional
regime automotivo é novamente tema central de Showroom. No III
Fórum da Indústria Automobilística, promovido pela Automotive Business,
que aconteceu pouco mais de uma semana depois do anúncio do novo
regime, em 9 de abril último, o tom era de otimismo e precaução. A Anfavea
já havia se manifestado e comemorou a Medida Provisória 563 e o decreto
7716, batizada pelo governo de “Inovar-Auto”.
Os principais líderes do setor se manifestaram favoravelmente à
medida, ainda que com ressalvas: o presidente da entidade que reúne as
montadoras, Cledorvino Belini, disse tratar-se de uma medida de longo
prazo (até 2017) que “não resolve todos os problemas de competitividade
da indústria, mas vai ajudar bastante as empresas que investem em
inovação e traz um horizonte positivo para o setor.” Já o presidente do
Sindipeças, Paulo Butori, afirmou que a melhor notícia foi a desoneração
da contribuição previdenciária patronal da folha de pagamentos (20%)
neste e em outros setores intensivos de mão de obra. “A desoneração da
folha de pagamentos é uma grande vitória, o Sindipeças vem lutando por
isso há anos. Vai dar mais competitividade e as empresas devem usar esses
recursos para fomentar parques industriais mais modernos, para crescer e
para fazer frente ao mercado interno estimado em 5 milhões de unidades
em 2018.” Segundo o dirigente, o impacto dos salários e seus encargos é
de 26,4% dos custos do setor, matérias-primas 55,5% e outros custos 18,1%.
“Mais do que tudo, é o reconhecimento pelo Estado brasileiro de uma
situação difícil que o setor enfrenta. A falta de competitividade é motivada,
em grande parte, pelo câmbio, mas, sobretudo pelo Custo Brasil. O País
deixou de ser competitivo.”
Leia a análise completa sobre o regime automotivo – segunda fase na
matéria de capa desta edição.
Boa leitura.
SHOWROOM
Conselho Editorial
3
A mensagem do Conselho Editorial.
5 Cartas
O que dizem sobre Showroom.
37 Freio Solto
20 Administração
38 Fala Sério!
Por onde vai a tecnologia da
informação.
Destaques da XVI Cenassobrav, a
convenção da Rede VW.
10 Gente
24 Capa
O médico Roberto Kikawa, que percorre
o Brasil com uma carreta-ambulatório,
atendendo pessoas carentes. Desde
2009, através do batizado Projeto CIES
(Centro de Integração de Educação e
Saúde) já beneficiou mais de 77 mil e
400 pessoas nas 37 cidades visitadas.
Com uma equipe capacitada de cerca de
três mil profissionais, já realizou 236 mil
procedimentos.
16 Inovação
Ao menos 7% dos veículos vendidos
no mundo em 2023 serão elétricos. Os
híbridos ganharão espaço após 2018 e os
‘puros elétricos’ entre 2025 e 2030.
18 TechMania
4
19 TI
Todos os consultores advertem,
mas ainda há empresários que são
pegos de surpresa pelas mudanças
do mercado, justamente por não
terem os recursos necessários para
enfrentá-las.
6 Quem esteVE em
Istambul.
Os testes em laboratórios e em
pistas de provas da indústria
automobilística, segundo o
jornalista Fernando Calmon.
GENTE
A PASSEIO
CAPA
3 Recado
“A indústria brasileira não irá
sobreviver sem uma mudança da
atual carga tributária e inviabilizará
um potencial de mercado de
automóveis que poderia ser o dobro
do volume de hoje já em 2018.” Esta
é a visão consensual dos líderes
do setor automobilístico, que até
aplaudiram a Medida Provisória 563
e o decreto 7716, mas ainda esperam
soluções que não sejam paliativas.
30 A Passeio
A Bolívia é uma bela opção de
turismo para quem quer neve,
paisagens incríveis e muita história
para contar. Nem mesmo o “soroche”
- mal de altitude, causado pela falta
de adaptação do organismo à hipóxia
(diminuição das taxas de oxigênio)
- é impedimento para visitar o país,
um destino que surpreende até
mesmo os mais exigentes turistas.
A opinião, a crítica e a ironia do
jornalista Joel Leite.
O novo tom da crônica de Maria
Regina Cyrino Corrêa.
39 Quando a Bola
Rola...
O comentário de Marcelo
Allendes sobre o que acontece nos
gramados, quadras, piscinas...e em
outros espaços também.
40 Novidades
O que há de novo em eletrônicos,
periféricos de informática e outras
utilidades.
41 Livros & Afins
Nossas dicas para a sua biblioteca,
cedeteca, devedeteca e pinacoteca.
42 Vinhos &
Videiras
A opinião abalizada de Arthur
Azevedo, diretor executivo da
ABS – Associação Brasileira de
Sommeliers – SP e editor da revista
WineStyle e do site
www.artwine.com.br
A última Showroom trouxe assuntos variados e interessantes como sempre, mas mereceram minha atenção os
artigos sobre meio ambiente (“Práticas eficientes e revolucionárias para
a economia de água”, página 14, edição 300 – Abril 2012), uma mostra real do que
pode ser feito para economizar água, apresentando inclusive novos produtos que
substituem o seu uso, e a matéria sobre a evolução do ensino a distância (Seção
Treinamento, página 18, edição 300). Como professor, confesso que fiquei surpreso,
pois defendo a prática há anos, que nunca mereceu a atenção devida do nosso
governo. Bom que vocês o fizeram. Gilbert de Bezerra
Amarok automática
Foi uma grata surpresa fazer o test-drive na
Amarok automática. É um carrão: robusto,
com ótimo desempenho e de visual atraente.
A Volkswagen acertou em cheio! Marcelo Luiz
A nova picape da VW
É mesmo verdade o que diz o fabricante: a
nova picape da Volkswagen estabelece novos
padrões de consumo de combustível, de segurança e conforto. Adorei o carro. Jairo Almeida
Carta de Vinhos premiada
Sempre leio a coluna de Arthur Azevedo, sommelier de Showroom. O autor sempre apresenta uma novidade, dá informações úteis e
não esconde sua paixão pelo vinho.
Para mim, ele se tornou mais simpático ainda
quando soube, pela própria coluna (Edição 303 – Abril 2012), que a TAM foi premiada no concurso “Cellars in the Sky” por oferecer na Primeira Classe e na Classe
Executiva vinhos selecionados por Arthur Azevedo, responsável pela Carta de
Vinhos da Companhia.
Parabéns ao Arthur e à Showroom que soube escolher muito bem o seu crítico de
vinhos. Alice Raimundo
Consultor destacado
Gostaria de parabenizar Showroom por ter em seu quadro de colaboradores Arthur Azevedo, um dos mais conceituados e simpáticos sommeliers do Brasil. Tanto
é assim que por ser o responsável pela seleção de vinhos oferecidos pela TAM conquistou importantes prêmios. Parabéns a todos e continuem nesse caminho.
Marcos Túlio
Qualidade dos taninos
Tenho o privilégio de voar TAM e de saborear os vinhos que compõem a Carta da
Companhia. Sou testemunha da qualidade e do sábio critério em oferecer vinhos
equilibrados e sutis, próprios para a altitude. Arthur de Azevedo, consultor que
também assina a coluna Vinhos & Videiras de Showroom, está de parabéns por
ser o responsável pela escolha. Antonio Paulo Junqueira
N.R.: Recordamos que para receber Showroom mensalmente os interessados devem
enviar um e-mail à Redação ([email protected]) informando o seu endereço e
solicitando o envio da publicação. Os pedidos serão atendidos por ordem de chegada e
conforme a disponibilidade de exemplares.
Publicação mensal da
Ano 34 – Edição 304– maio de 2012
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Paulo Pires Simões, João Cláudio
Pentagna Guimarães, Rômulo D. Queiroz
Monteiro Filho, Orlando S. Álvares de
Moura, Amaury Rodrigues de Amorim,
Carlos Roberto Franco de Mattos,
Roberto Torres Neves Osório,
Elmano Moisés Nigri e
Rui Flávio Chúfalo Guião.
SHOWROOM
Sobre água e ensino a
distância
5
“ Um povo de olhar intenso, profundo, impressionante...” Assim uma
concessionária do interior de São Paulo definiu os turcos durante a breve,
porém intensa convivência com a cultura milenar de Istambul por ocasião
da XVI Cenassobrav - Convenção Nacional da Assobrav - que reuniu entre
os dias 20 e 25 de ABRIL 450 pessoas, entre titulares, seus familiares e
executivos da Rede Volkswagen. A convenção, que historicamente privilegia
a confraternização e a troca de experiências entre os empresários da
marca, promoveu jantares, visitas culturais e passeios aos pontos
mais históricos, tradicionais e requintados da cidade erguida em dois
continentes - Europa e Ásia - cuja divisa é o impressionante Rio Bósforo e
em cujas margens se descortina o berço da cultura ocidental.
Anfitriões da XVI Cenassobrav,
incansáveis e primorosos na função,
o presidente da Assobrav, Sérgio, e
Caterina Reze...
6
Convidados para compartilhar do
maior evento da Rede Volkswagen,
o presidente da VWB, Thomas, e sua
inseparável Luciane Schmall...
Jutta Dierks, vice-presidente de
Vendas e Marketing da VWB com o
marido, Klaus-Peter Dierks também
convidados especiais da Convenção...
O diretor de Vendas da VWB, Jochen
Funk e sua contagiante simpatia,
prestigiou o evento participando
efusiva e atentamente...
SHOWROOM
Mentor da escolha de Istambul como
cidade para receber a XVI Cenassobrav,
o ex- presidente da Assobrav, Mauro, e
a eloquente Marisa Saddi...
Meticuloso, com especial talento para
organizar eventos, Elias Monteiro, expresidente da Assobrav, foi o responsável
pelo desenho da XVI Cenassobrav, contando
sempre com a sensatez e o bom gosto de
Rosita Zamora Monteiro...
7
Principal patrocinador do evento,
o Banco Volkswagen esteve
representando por seus principais
executivos, comandados pelo
gentleman Décio Carbonari de
Almeida, também presidente
da ANEF. Ao seu lado, Vera, cuja
elegância, em todos os sentidos,
dispensa comentários...
O presidente da
Fenabrave - Federação
Nacional de Veículos,
Flávio Meneghetti, e sua
esposa Maria Cristina,
simpaticíssimos, fizeram
questão de acompanhar
toda a programação do
evento...
O Sr. e a Sra. (Marlene)
Paulo Pinho, diretor
do Banco Volkswagen,
em clima mais que
romântico durante o
jantar de encerramento
da XVI Convenção no
impressionante Palácio
Ciragan...
8
O “casal 20” - Renata
e Renato Giannini, ela,
gerente de Marketing do
Banco Volkswagen, não
pouparam elogios aos
organizadores da XVI
Cenassobrav, para eles,
“inesquecível”...
SHOWROOM
Frequentador assíduo da
Assobrav, Dieter Strass
da VWB, veio também a
Istambul, trazendo sua
querida Sabine...
Os britânicos Keith
e Anne Parkins, ele,
diretor de Pós-Vendas da
VWB, não perderam um
passeio sequer, sempre
interessados na história
e na cultura do Império
Otomano...
9
Fotos: divilgação
Roberto
Kikawa
10
“Existe uma África
a céu aberto em
São Paulo”
O
Por Thais Martins
gastroenterologista Roberto Kikawa aprendeu sua primeira especialidade
médica (primeiros-socorros) ainda pequeno, como integrante de um grupo de
escoteiros que o ensinou a “cuidar de pessoas”. Anos depois, acompanhou a
evolução de um câncer de seu pai. A partir daí, comprometeu-se a ser um médico
que prima pela qualidade do atendimento. Cursou medicina em Londrina (PR) e,
em São Paulo, tornou-se cirurgião-geral. Porém, um tremor nas mãos o impediu
de seguir este caminho. Foi então que no Hospital Sírio-Libanês voltou ao cuidado
de pacientes sem perspectiva de cura e à endoscopia.
Hoje, é mestre pela Universidade de São Paulo e professor-titular do centro
universitário. É também diretor do hospital São Camilo e está à frente do serviço
de endoscopia de outros quatro hospitais.
Percorrendo a periferia paulistana, teve a ideia de inaugurar um sistema móvel
para exames preventivos. Em busca de patrocínio, falava em renúncia fiscal e
responsabilidade social, mas o argumento que efetivamente levou o seu projeto
de vida e de carreira adiante foi a fé. Desde 2009, o Projeto CIES (Centro de
Integração de Educação e Saúde) já beneficiou mais de 77 mil e 400 pessoas
nas 37 cidades visitadas. Com uma equipe capacitada de cerca de três mil
profissionais, já foram realizados 236 mil procedimentos. “Além de qualidade no
trabalho, é preciso ter o DNA do amor para participar, ou seja, dar atenção ao
paciente”, diz Kikawa.
A Carreta da Saúde foi o destaque social da premiação da Ernest & Young deste
ano por seu pioneirismo e atuação social, depois de ter conquistado o prêmio
Empreendedor Social 2010 pela Fundação Schwab e Folha de São Paulo.
O Projeto CIES recebeu o título de utilidade pública em abril de 2011.
SHOWROOM
`11
São Paulo. Era preciso fazer algo
aqui mesmo.
privando o paciente terminal do
convívio com a sua família.
12
Revista Showroom: Quem é Roberto
Kikawa?
Roberto Kikawa: Sou médico
gastroenterologista, professor da
Faculdade São Camilo, trabalho no
Hospital São Camilo, mas minha
grande missão é me dedicar ao Projeto
CIES, que leva saúde e tratamento de
qualidade às comunidades de baixa
renda no Brasil. Ainda estudante de
medicina, decidi implantar no Brasil
um programa bastante conhecido
no exterior, o Hospice Care, que
visa atender aos pacientes em estado
terminal de forma mais humana e
também amparar a família por meio do
alívio da dor e do seu sofrimento. Na
época da morte do meu pai, o professor
Dr. Mitio Ono junto com sua esposa, a
Dra. Megumi Oto, ambos da National
Cancer Center de Tóquio e voluntários
do Hospice Care, foram responsáveis
por ajudarem minha família a conviver
e a entender melhor a partida do meu
pai. São médicos que não tratam apenas
o corpo, mas a mente e o espírito.
A partir desta filosofia, atendi
voluntariamente por 12 anos mais
de 25 famílias no norte do Paraná
e na região metropolitana de São
Paulo. Com o tempo, este trabalho
tornou-se restrito a um pequeno
grupo, pois não existiam condições
estruturais e financeiras. A experiência
permitiu evidenciar a necessidade
de implantação desta concepção a
populações carentes, uma vez que
os pacientes crônicos e terminais
ocupam leitos hospitalares por
longo período, muitas vezes sem
tratamento definido e adequado,
Como chegou à ideia de montar
uma carreta para atender às
pessoas?
O maior número de pessoas
sem acesso a saúde e prevenção
está nas regiões periféricas, com
vulnerabilidade mais alta. Pensando
em estruturas que facilitassem o
acesso, me lembrei de algo que tinha
visto na França. Fiz um estágio lá
e, nas folgas, tinha contato com
Médicos Sem Fronteiras. Eles
desenvolviam contêineres com
uma estrutura fantástica para levar
para a África, a lugares de alta
vulnerabilidade social. Na época,
aquilo me tocou. O centro móvel é
essencial porque, apesar de o custo
da construção de um centro móvel
ou fixo ser parecido, sempre haverá
problemas de manutenção do centro
fixo devido à ociosidade.
Certa vez fiz atendimento em
uma favela do Jardim Pantanal, na
divisa entre São Paulo e Guarulhos.
Quando cheguei lá vi ratos que
andavam pelas palafitas que os
moradores matavam para comer.
Eu não sabia nem como ia falar de
prevenção e saúde pública. Como
dizer que só pode tomar água
potável e andar calçado se eles
não têm acesso à água, se não têm
chinelos para usar? Quer dizer, já
temos uma África a céu aberto em
Como foi tirar a ideia do papel e
colocá-la em prática?
Tudo começou porque uma amiga
me apresentou ao presidente da
Olympus para retribuir um favor.
No dia montei algumas imagens
de como o projeto seria, de forma
bem simples mesmo. Imaginei a
Carreta e coloquei nela a marca
da Olympus. O presidente achou
bonito e me levou a Washington
para mostrar o projeto ao
presidente internacional. Saí de
lá com um milhão de dólares em
equipamentos. Só não sabia como
iria fazer a carreta para abrigar
aquilo.
A ideia do “Transformer” - a
logística da Carreta dividida em
várias salas que abrem para os
dois lados - eu tive no avião. O
engenheiro que desenvolveria
o projeto estava ao meu lado
e ajudou a criar o desenho ali
mesmo.
Que bacana, o universo
começava a conspirar a favor...
Pois é, e em 2005 foi criada a
Associação Beneficente Ebenézer,
uma OSCIP (Organização de
Sociedade Civil de Interesse
Público) com a missão de se
tornar agente de mudança para o
desenvolvimento de um modelo
de gestão autossustentável e
replicável de saúde, integrada
à educação e à comunidade,
por meio de parcerias público-
A Carreta da Saúde do CIES é um
verdadeiro hospital sobre rodas.
Como foi a ampliação desse
atendimento com a inclusão da
Van e do Box da Saúde?
A Carreta da Saúde do CIES é um
verdadeiro hospital sobre rodas.
Com 15 metros de comprimento e
dotada de um sistema automatizado
que permite a abertura das
laterais, atingindo uma área de
aproximadamente 100 m², o centro
médico móvel possui quatro salas
de atendimento climatizadas e
com equipamentos de diagnósticos
de alta tecnologia, áreas de
esterilização, bem como duas amplas
áreas de espera, banheiros e elevador
para pessoas com dificuldade de
locomoção. Possui capacidade de
nove mil atendimentos por mês,
em 10 diferentes especialidades
médicas.
Desta forma é possível desafogar
o SUS...
Exato, principalmente nos exames
médicos como endoscopia digestiva,
colonoscopia, cirurgia de catarata,
exames cardiológicos e diversos tipos
de ultrassonografia.
Inicialmente tínhamos a intenção de
multiplicar a ideia, mas no começo
não foi tão simples. Antes era preciso
procurar as cidades para apresentar o
projeto. Com os prêmios e uma maior
divulgação, já somos procurados
por municípios. Houve um boom de
chamadas, o que nos pressiona
para pensarmos em desenvolver
mais ideias. Nossa equipe está em
constante crescimento e hoje já temos
uma consultoria no Rio de Janeiro e
estamos montando uma no Vale do
Paraíba, em São Paulo. Já criamos
locais de apoio fixo em várias cidades.
A Van da Saúde veio auxiliar nos
atendimentos a partir de 2011...
Sim, a ideia surgiu após uma conversa
com o secretário de saúde carioca.
Embarquei no aeroporto SantosDumont agoniado, pois não sabia
como levar a Carreta a lugares como
as favelas do Rio de Janeiro. Fiquei
pensando nisso durante o voo e,
quando cheguei em Congonhas,
falei para o engenheiro que me
acompanhava: “Vamos fazer uma
van equipada!”. Sua capacidade
de atendimento vai até duas
especialidades médicas e não possui
sistema de água e energia autônomo.
Porém, tem maior facilidade de
locomoção, alcançando
regiões montanhosas ou serranas,
e pode, até mesmo, ser utilizada
como veículo para transporte de
pacientes a hospitais, pois possui
equipamentos para serviços de
emergência.
Já o Box da Saúde está sendo
lançado agora...
Sim. O Box é uma estrutura do
tipo container, facilmente
transportada por um caminhão,
um catamarã ou uma jangada, a
fim de servir a população que
mora no Alto da Bacia Amazônica,
por exemplo. Com ele podem
ser realizados atendimentos
em um máximo de quatro
especialidades, tem uma sala
de Raio-X, uma de ecocardiograma
e ultrassonografia com banheiro e
a recepção. Também possui
um sistema de ar condicionado
e gerador de energia para
emergências, pontos de luz,
água da torneira e bueiros, enfim,
autonomia para se adequar a
qualquer espaço, incluindo praças
públicas. E qual é o investimento disso
tudo?
Os projetos sempre
tiveram o apoio de
empresas para que
pudessem sair do
SHOWROOM
privadas (PPP’s), diferindo dos
modelos atuais, cujo conceito de
assistencialismo continua sendo
o alicerce principal, altamente
dependente de verbas públicas.
Somos uma OSCIP formada por
amigos, pequenos empresários
e profissionais, entre médicos,
advogados e contadores, que se
uniram em torno da ideia de que a
Carreta seria viável. Além do apoio
da Olympus, tivemos também a
participação de outras empresas,
como a Philips e a Engemet, que
estão conosco até hoje.
Um dos objetivos da Associação
Ebenézer foi desenvolver o projeto
denominado CIES – Centro
Integrado de Educação e Saúde,
através da implantação de unidades
móveis. A primeira foi a Carreta
da Saúde (2009), depois criamos
a Van da Saúde (2011) e agora
estamos lançando o Box da Saúde. O
CIES passou a ser o carro-chefe da
Ebenézer.
13
papel. Para que sejam mantidos e sustentados,
precisamos de parceiros que nos acompanhem,
como a própria Olympus, Philips, Engemet, Brasil
Insurance e Abe, Costa, Guimarães e Rocha Neto
Advogados.
Os custos variam de acordo com o tipo da ação, do
número de pessoas atendidas, das especialidades
médicas e do tempo da ação. Nosso valor médio por
procedimento era de R$ 30 em 2010; R$ 13,84 em
2011 e, em 2012, estamos conseguindo chegar a R$ 3.
É importante ressaltar que à minha exceção e
à exceção dos membros do Conselho, todos
os profissionais que trabalham no CIES são
remunerados. Nossa visão é ser um negócio social,
o chamado setor dois e meio, em que temos os
objetivos de uma ONG com a estrutura de uma
empresa.
Quais são suas histórias mais marcantes?
Temos muitas histórias, mas a que mais me marcou
foi a de um senhor que tinha problemas de catarata
e saiu da Carreta enxergando. Ele estava há uns três,
quatro anos, na fila de espera para fazer a cirurgia.
Ele foi até a Carreta e com uma pequena incisão,
que agendamos com antecedência, saiu enxergando.
Lembro que este senhor chorava de emoção durante
o procedimento e tínhamos que pedir para ele parar
para completarmos a cirurgia. Foi muito gratificante.
14
Sua iniciativa já lhe rendeu muitos prêmios.
O que isto significa para o médico Roberto
Kikawa?
Além do reconhecimento com os prêmios,
conseguimos maior visibilidade e alcançamos cidades
que não conheciam nosso serviço. Já o prêmio de
Utilidade Pública foi importante para que a Carreta
da Saúde e os demais projetos da Associação
pudessem se valer dos benefícios da declaração e
serem convocados pelo poder público para prestar
atendimento em diversas cidades com muito menos
burocracia.
Conte um pouco sobre o interesse do exterior
no projeto CIES...
Em recente visita à China no Fórum Econômico
Mundial, representantes do país ficaram bastante
interessados em replicar a Carreta em diversas
cidades. Porém, em países com uma cultura tão
diferente é necessária uma série de pesquisas
aprofundadas para entender como funciona a
saúde local, como se dá o acesso dos pacientes,
além de considerar importantes fatores culturais.
Quais serão seus próximos passos?
Nosso sonho é que o projeto possa ser replicado
para várias comunidades, não só no Brasil,
mas também em outros países que necessitam
deste tipo de atendimento. Queremos também
resgatar o objetivo de ser médico na essência,
de ter as condições necessárias para fazer uma
medicina de alto padrão a toda e qualquer
população, principalmente àquelas com risco de
vulnerabilidade social mais alto, que se encontram
nas regiões periféricas. Não queremos utilizar a
tecnologia para substituir o toque do médico, mas
sim utilizar estas ferramentas como auxiliares para
que o médico possa ter mais tempo para atender
o paciente, para ouvi-lo, e realmente fazer uma
medicina muito mais humanizada.
Nosso sonho é que o projeto possa ser
replicado para várias comunidades,
não só no Brasil, mas também em
outros países que necessitam deste
tipo de atendimento.
E os
híbridos,
quando
vÊm?
Mais uma “jabuticaba”. Embora a fruta
jabuticaba esteja presente também na
Bolívia, Brasil e Paraguai, Honduras e El
Salvador, a palavra “jabuticaba” é usada
como gíria para se referir a coisas que só
existem no Brasil.
A
16
Por Sophia Zahle
ssim, são “jabuticabas” a proibição de venda de
automóveis de passeio a diesel no Brasil como
acontece na Europa e nos Estados Unidos, por
exemplo, onde os Volkswagen Jetta, Passat e Golf
lideram o ranking dos modelos a diesel mais
vendidos. A mais recente “jabuticaba” é a falta de
incentivo e interesse para a produção e venda de
veículos elétricos e híbridos por aqui, mas eles já
estão entre nós, são poucos, caros e, por isso, as
vendas são incipientes.
A demanda por veículos leves foi de 75.6 milhões de
unidades em 2011, com o mundo crescendo pouco
e apesar das turbulências na Europa. A previsão
da consultoria IHS Automotive é que o mercado
global de automóveis leves se estabilize logo e, até
2020, cresça 50%. Em 2025 a demanda prevista é de
115 milhões de unidades. “A urbanização crescente,
as pressões ambientais e a mudança no perfil dos
consumidores aceleram a busca por eficiência
energética e adoção de sistemas sustentáveis de
mobilidade e propulsão como elétricos e híbridos”,
prevê Paulo Cardamone, diretor da IHS. Para o
executivo, ao menos 7% dos veículos vendidos
no mundo em 2023 serão elétricos. “Os híbridos
ganharão espaço após 2018 e os ‘puros elétricos’
entre 2025 e 2030.”
O Brasil ainda está
muito atrÁs em
termos de inovação
Cardamone alerta que mesmo
demorando a eletrificação dos
sistemas de propulsão, a eletrificação
de componentes acontecerá em
menos tempo. Segundo ele, isso
mudará a base de fornecedores
em todo o mundo. As montadoras
continuarão liderando, mas as regiões
produtoras que não se alinharem à
realidade dos elétricos serão ilhas
de pouca inovação, alto custo e risco.
“O mundo migrará para veículos
mais eficientes, mas o Brasil ainda
está muito atrás em inovação na
comparação com outros mercados,
como a Europa, por pura ineficiência
na legislação”, explica o executivo,
referindo-se ao fato do Brasil cobrar
IPI dos veículos com base no tipo de
motor que usam. Os veículos elétricos
ou híbridos não recebem tratamento
diferenciado e são enquadrados
na categoria “outros”, sobre a qual
incide a alíquota mais elevada. Antes
da exigência de 65% de conteúdo
regional pagavam 25%, depois da
medida 55%. O ideal seria a tributação
similar aos econômicos e populares
1.0, que pagavam 7% de IPI. Graças a
isso, o Ford Fusion Hybrid, o primeiro
Toyota Prius
Sem especificar data, a Toyota
anunciou que começará a
comercializar o Prius no Brasil ainda
em 2012. Com o IPI elevado em 30
pontos percentuais e motor 1.8, o
preço para o consumidor, especulase, seria entre R$ 100 e R$ 130 mil.
No Japão, isento de impostos
equivalentes ao IPI e IPVA brasileiros,
custa US$ 30 mil. O Prius foi o primeiro
híbrido lançado no mundo em 1997,
está na terceira geração e vendeu
mais de 2,3 milhões de unidades em
todo o mundo. Dez por cento das
vendas da Toyota no mercado europeu
são de veículos híbridos. Só em 2011,
nos EUA, a segunda maior montadora
do mundo, vendeu 150 mil híbridos.
Apenas no mês de março de 2012 as
vendas totais de híbridos e elétricos
nos EUA alcançaram 48.206 mil carros,
um aumento de 28% em relação ao
mesmo período de 2011. O Toyota Prius
lidera o ranking com 27.800 unidades.
Outro player deste mercado, a Honda,
que comercializa sete modelos
híbridos em cerca de 50 países, já
declarou que o percentual de carros
híbridos vendidos em relação ao total
de veículos comercializados pela
empresa chegou a 45% em dezembro
de 2011. O Honda Insight, o primeiro
híbrido da marca já vendeu mais de
um milhão de unidades ao redor do
mundo.
4.5 milhões o ano que
vem
A tendência é de crescimento mundo
afora e já em 2013 a estimativa é de
que 4,5 milhões de carros híbridos
terão sido vendidos. Nos EUA, em
agosto de 2009, o presidente Barack
Obama anunciou a concessão de US$
2.4 bilhões em recursos federais para
ajudar Ford, GM, Chrysler e outras
45 companhias e universidades
na criação de baterias e veículos
híbridos e elétricos. Foi criado
ainda um subsídio de US$ 7.500
para o consumidor que adquirir
um veículo elétrico. A meta de
Obama é ver um milhão de
veículos híbridos nas ruas norteamericanas até 2015. Na Alemanha
também há condições especiais
de financiamento e metas para a
entrada de veículos elétricos no
mercado. Mas o boom de elétricos
e híbridos virá da China, onde
oito montadoras já apresentaram
protótipos de novos modelos
híbridos e o governo chinês
pretende elevar a produção do país
de 2.1 mil unidades para 500 mil
híbridos nos próximos três anos.
“Seria importante
definir uma
alíquota de IPI
específica para
veículos elétricos e
seus componentes.”
“O Brasil já está na contramão
quando deveria acompanhar
a tendência mundial em torno
desses veículos”, pondera João
Paulo dos Reis Velloso, presidente
do Ibmec-Mercado de Capitais,
professor da FGV e ex-ministro do
Planejamento. A razão, explica Reis
Velloso, é que veículos híbridos
e elétricos representam um
novo ciclo de transformação na
indústria automobilística mundial.
“Se, nesse cenário de ‘inovação
radical’, o Brasil ficar de fora, terá
grandes perdas em produção
e exportações de carros, assim
como de autopeças, um setor
importante para o País. Estamos
atrasados na corrida para o carro
elétrico, quando deveríamos estar
na vanguarda como em relação ao
etanol.”
Revolução
Veículos híbridos e elétricos
promoverão uma revolução
na indústria automotiva. O
sistema de powertrain (motor e a
transmissão) será o mais atingido
pela eletrificação, mesmo nos
híbridos que não eliminam o
motor à combustão. Nesses carros
a tração e o motor também são
responsáveis por gerar energia.
A energia acumulada na bateria,
tradicionalmente utilizada para
partida do automóvel e para
os itens de eletrônica instalada
(injeção eletrônica, ABS, airbag,
trio elétrico, ar condicionado,
alarme etc.), nos híbridos e elétricos
alimentam o motor de tração
fazendo o trabalho executado
pelo tanque de combustível nos
modelos convencionais.
Para o ex-ministro, incentivos
fiscais são cruciais para acelerar
a penetração desses veículos, que
não se beneficiam de economia de
escala e enfrentam elevados custos
de baterias. “Seria importante
definir uma alíquota de IPI
específica para veículos elétricos
e seus componentes. Além de
incentivar o desenvolvimento
tecnológico através de mecanismos
como o Creative Catching-Up,
isto é, importação de tecnologia,
com criatividade. “Isso permitiria
tornar o Brasil plataforma de
desenvolvimento de produtos para
a América Latina, África e países
emergentes, em geral.”
Uma das razões para a inércia
brasileira em relação aos elétricos
e híbridos, segundo Velloso, é
a grande diferença entre as
motivações que encaminham à
discussão da introdução desses
carros no mercado mundial e
no Brasil. “Na agenda mundial
essa tecnologia tem como
apelo importante a redução
da dependência em relação ao
petróleo importado e a maior
autonomia energética. Já no
caso brasileiro, a situação é
mais confortável, quer pela
autossuficiência em petróleo,
quer pela disponibilidade do
etanol e biodiesel.” Mas o Brasil
precisará acompanhar esse
movimento, para se manter
como um dos principais
produtores mundiais de
veículos.
SHOWROOM
,
híbrido (usa motor a combustão em
conjunto com um elétrico) lançado
no País, mesmo vindo do México, país
que mantém com o Brasil acordo de
livre comércio, custa modestos R$ 134
mil, 54% mais que a versão com motor
2.5 a gasolina. O preço desanima e o
híbrido da Ford vendeu apenas 175
unidades em 2011.
17
Foco no
controle de
emissões
Existe a pretensão de emitir 20% menos
gás carbônico (CO2) em relação a 2005, em
território paulista.
E
18
Por Fernando Calmon
mbora o Brasil ainda não tenha alcançado
alta taxa de motorização (5,5 habitantes/veículos
contra menos de 2 hab./veic. nos países centrais),
algumas regiões metropolitanas se aproximam
de índices das nações avançadas: no aspecto de
cuidados com o meio ambiente ao envolver uma
frota de 35 milhões de automóveis e veículos
comerciais, além de 12 milhões de motocicletas, até
que o País se situa razoavelmente bem.
Desde 1986, o Proconve (Programa de Controle da
Poluição do Ar por Veículos Automotores) provou
ser iniciativa de sucesso. Veículos leves com
motores de ciclo Otto cumpriram as seis fases de
redução de emissões gasosas, que resultaram em
queda significativa da poluição. Veículos pesados
com motores de ciclo Diesel sofreram tropeços no
cronograma. Só agora, em 2012, entrou nos eixos
ao estrearem novos motores e combustível de
baixo teor de enxofre (50 mg/kg ou 50 ppm). No
próximo ano chegará o diesel S10, de apenas 10
ppm de enxofre.
A fim de discutir o futuro do controle de emissões,
inclusive motos, a Associação Brasileira de
Engenharia Automotiva organizou um seminário
recente em São Paulo. A fase L-7 para automóveis
está prevista para 2015 ou 2016. Teor de enxofre na
gasolina (etanol não tem enxofre) será diminuído
para 50 ppm em 2014. Abre caminho, assim, aos
motores flexíveis etanol/gasolina com injeção
direta de combustível.
Essa conquista tecnológica exige gasolina de
baixo teor de enxofre para se obter economia de
combustível e simultâneo aumento de potência,
além de cortar emissões. A injeção direta é um sistema
de formação de mistura ar-combustível que consegue
subverter a lógica de maior potência, maior consumo.
A atual injeção indireta representou um passo adiante.
Porém, a tendência no exterior é substituí-la, mesmo a
custo maior.
Ponto interessante do seminário foi a pouca divulgada
política do governo de São Paulo para combater gases
de efeito estufa, responsáveis por possíveis mudanças
climáticas no planeta. Trata-se da iniciativa estadual
mais relevante no País, que organiza, em junho, a
Conferência das Nações Unidas de Desenvolvimento
Sustentável (Rio +20). Existe a pretensão de emitir
20% menos gás carbônico (CO2 ) em relação a 2005, em
território paulista.
CO2 é subproduto atóxico da combustão de motores
convencionais. Os meios de transporte respondem, em
média, por um quinto das emissões de efeito estufa no
mundo. Não há filtros ou catalisadores: só resolve se
reduzir consumo de combustível. São Paulo considera
que seu perfil socioeconômico exige maior atenção ao
controle da frota. Estima-se que veículos motorizados
respondam, no Estado, por cerca de 30% do total de
CO2 emitido.
Eis algumas propostas para o segmento de veículos
leves: ampliação da inspeção ambiental, incentivo ao
uso de etanol, programa de renovação e reciclagem
de veículos, selo socioambiental nas compras oficiais,
ampliação de etiquetagem veicular (consumo de
combustível).
Para tornar competitivo o etanol, o governo cogita criar
a chamada nota fiscal “verde”, emitida nos postos de
abastecimento. Afinal, biocombustível de cana anula,
praticamente, a emissões de CO2 no escapamento,
quando a planta cresce no campo. Não é possível com
combustíveis fósseis.
Fernando Calmon ([email protected]) é jornalista
especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor
em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística
e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É
reproduzida em uma rede nacional de 65 publicações entre jornais,
revistas e sites. É, ainda, correspondente para a América do Sul do
site just-auto (Inglaterra).
O futuro da Tecnologia
da Informação
Por Claudia Forgas
futuro das novas tecnologias. É
essencial aproveitar as sinergias
que surgem não só no coração
da empresa, mas também
aquelas que vêm de fora das
nvestir em novas tecnologias é
nossas fronteiras. São elas que
investir no futuro. Um futuro que
nos permitem responder e nos
vai ser claramente definido pelos
adaptar à globalização. Trata-se de
princípios básicos do dinamismo,
apoiarmos uns aos outros, a fim
da colaboração, da mobilidade, da
de agregar mais valor e oferecer
segurança e da responsabilidade.
serviços de qualidade melhor
Uma série de tendências que,
e mais abrangente, conforme
no médio e no longo prazos,
exige o mercado. A manutenção
impulsionarão os negócios das
do nível de competitividade é
organizações. Nesse contexto, TI e telecomunicações desempenharão o que vai nos conduzir para o
papel vital na superação de desafios. envolvimento com nosso trabalho,
a fim de melhorar e crescer num
Empresas que se esforçam para
embarcar em novas atividades com ambiente que é cada vez mais
versátil e móvel.
velocidade, energia e otimismo são
as que vão sobreviver e fortalecer-se Mobilidade é outro dos princípios
num cenário desafiador. Os clientes básicos e não deve ter limites.
Trata-se de permanecer
precisam ter acesso a estruturas
completamente integrado,
de tecnologia que os ajudem a se
adaptar continuamente ao mercado mesmo quando não se está
fisicamente presente. Se puderem
e que se encaixem na atual forma
de compreensão do próprio negócio alcançar o sentido mais amplo
da mobilidade, as empresas vão
e também no ritmo das constantes
ganhar mais produtividade,
mudanças da vida. Isso significa
conquistar novos mercados,
que, num futuro definido pelo
satisfazer e se antecipar às
dinamismo, não há espaço para a
necessidades dos clientes. Graças
rigidez, dado que a necessidade de
às novas tecnologias móveis,
se adaptar às novas circunstâncias
trabalhamos em um ambiente
exige flexibilidade em relação à
infraestrutura tecnológica. Somente ideal, independentemente da
as empresas que aproveitarem esses nossa localização.
momentos para realizar ações e
implementar projetos inovadores
vão conseguir se destacar e alcançar
A mobilidade conduz a outro
um alto nível de diferenciação em
dos princípios fundamentais:
relação ao resto.
a segurança. A comunicação
móvel deve ser segura em
todas as circunstâncias. Já
O trabalho em equipe é essencial no estão disponíveis soluções
que permitem a comunicação
mundo dos negócios, uma vez que
melhores resultados só virão se nos possibilita recuperar dados e
garantir que a acessibilidade seja
cercamos de bons colaboradores
monitorada permanentemente, e coordenarmos com eles o nosso
assegurando confidencialidade,
trabalho. Colaboração é diretriz
integridade e autenticidade.
importante para a definição do
Mobilidade
Colaboração
O quinto e último princípio básico é
também o principal porque define
tanto o presente quanto o futuro:
a responsabilidade ambiental –
essencial para as empresas. Além
dos requisitos básicos em termos
de energia e redução de emissão
de CO2, as soluções verdes de TIC
também oferecem possibilidades
econômicas e ajudam a reduzir custos.
Nesse sentido, as tecnologias têm
papel de liderança, uma vez que seu
consumo contínuo de energia obriga
à constante busca por novas maneiras
e atitudes que ajudem a respeitar o
meio ambiente, criando um mundo
mais responsável e sustentável. Em resumo, é hora de aproveitar ao
máximo as possibilidades oferecidas
pelas novas tecnologias e oferecer
o máximo de informações às
empresas, para que compreendam
os verdadeiros benefícios que trazem
consigo. A meta é difícil, mas é mais
do que possível. Apenas temos de
nos manter comprometidos com as
melhorias, em vez de ficarmos parados
esperando que a tempestade passe.
Esses cinco princípios básicos são os
pontos-chave que nos prepararão para
o futuro.
Claudia Forgas é gerente de Marketing
da T-Systems do Brasil.
SHOWROOM
I
Fazer previsões em tempos de estabilidade é relativamente fácil. Mas
prognosticar quando e quais mudanças ocorrerão no cenário econômico está se
tornando especialmente complicado. As Tecnologias da Informação e Comunicação
têm sobrevivido a sucessivas crises, graças aos esforços do setor em continuar desenvolvendo soluções e aplicações inteligentes e comprometidas com os
negócios de seus clientes.
19
Monitorar o
planejamento
para eliminar
surpresas
O maior problema das surpresas é
a empresa não possuir os recursos
necessários para enfrentá-las. Mesmo as
boas surpresas podem acarretar sérios
problemas para a companhia.
A
20
Edgard Bello
s surpresas nos negócios são
inevitáveis. Elas não escolhem hora
para acontecer e geralmente pegam
as empresas desprevenidas e nem
sempre os gestores conseguem lidar
com a nova situação de uma forma
adequada. Na verdade, ninguém
deseja que as suas metas não sejam
atingidas ao chegar o último dia de
cada mês.
Mas, se as surpresas acontecem, como
podemos nos preparar para elas?
Dependendo da característica
de cada negócio, a resposta pode
variar significativamente. O que
devemos ter sempre em mente é
que o planejamento pode sofrer
alterações e ajustes durante o tempo
e que análises do tipo “e se”, são
fundamentais. Nem sempre o que
foi planejado será possível de ser
realizado. Outro tipo de situação
- que o mercado costuma definir
como “bom problema”, é a equipe
de vendas conquistar novos clientes
em determinado período quando a
produção não está preparada para
atender demandas elevadas.
Em todos os casos, o maior
problema das surpresas é a
empresa não possuir os recursos
necessários para enfrentá-las.
Mesmo as boas surpresas podem
acarretar sérios problemas para a
companhia. Este tipo de ocorrência
é notado em vários mercados e,
mais recentemente, em negócios
mantidos pela Internet, onde o
anúncio de um produto ou serviço
pode registrar procura além do
previsto.
Se a empresa quer estar preparada
para as possíveis surpresas
desagradáveis, o melhor a fazer
é reunir todas as informações
possíveis sobre o público alvo,
possíveis oscilações de mercado,
variantes diversas que podem
influenciar o planejamento e
simular a combinação de algumas
possíveis variantes em cenários
para o planejamento da tomada
de decisão no momento certo. Mas,
os executivos brasileiros podem ter na ponta dos dedos - ou de um clique - o
acesso aos dados de uma campanha de vendas, de um cliente, um demonstrativo de
resultados, de forma extremamente ágil e a um custo muito baixo. de possíveis variantes para as
analises “e se”. Com o advento da
“computação na nuvem” a oferta
deste tipo de ferramenta aumentou
e os executivos brasileiros podem
ter na ponta dos dedos - ou de um
clique - o acesso aos dados de uma
campanha de vendas, de um cliente,
um demonstrativo de resultados, de
forma extremamente ágil e a um
custo muito baixo. Evitar surpresas é o que se consegue
através de uma ferramenta de CPM.
Para isso, é necessário ter em mente
que as variantes dos negócios não
avisam quando irão surgir. Cabe ao
gestor estar atento às oscilações e
estar preparado, com os recursos
necessários para dar a resposta
que a situação exige, através da
criação de infinitos cenários com
simulações de possíveis situações
para o estudo da tomada de decisão
para cada caso.
Você pode fazer tudo isso com base
em planilhas eletrônicas, mas,
certamente levará muito mais
tempo e não terá a confiabilidade,
mobilidade e a colaboração em
tempo real necessárias que o
seu negócio exige. O segredo e
o conceito geral de hoje é a sua
capacidade de automação. Com a
“computação na nuvem”, ele ganha
novos horizontes e os negócios
agradecem.
Edgard Bello é CEO da ODE Peopleware,
fornecedora no Brasil do Adaptive Planning
SHOWROOM
como organizar estas informações?
Como criar possíveis cenários e suas
variantes? A resposta pode estar no
uso de ferramentas avançadas de
planejamento, tradicionalmente
conhecidas como ferramentas de CPM
- Corporate Performance Management.
Com a evolução dos negócios, a
indústria de tecnologia já oferece
várias opções aos gestores de planos
orçamentários. O segredo está em como
avaliar qual delas é a mais adequada ao
seu negócio.
Mesmo com os modelos de negócios
sofisticados, as metodologias de
planejamento e previsões se mantêm
por décadas. A variante está na
capacidade da ferramenta em permitir
aos gestores dar respostas rápidas e
imediatas às surpresas do dia a dia
corporativo. Então, podemos afirmar
que o gerenciamento do desempenho
dos negócios é a chave do sucesso do
planejamento e, consequentemente,
da companhia. A cada nova condição
que devemos incluir em nosso
planejamento, a ferramenta tecnológica
deve oferecer de forma simples e ágil
condições para adequação da lógica
da ferramenta para a continuidade
do planejamento futuro, sem a
dependência de pessoal especializado
em tecnologia, seja interna ou de
consultores externos.
As ferramentas de Corporate
Performance Management (CPM)
possibilitam o planejamento de ações
futuras baseado na criação de cenários
com a simulação da combinação
21
Será que agora vai?
24
Ao contrário da primeira fase do regime automotivo,
anunciada em setembro de 2011, que desagradou 9 entre
10 players da indústria automotriz por apostar no
protecionismo, sobretaxando veículos importados ou com
baixo conteúdo nacional - ao invés de atacar problemas
que afetam a competitividade do veículo -, a segunda fase,
comunicada às vésperas do feriado de Páscoa, agradou à
maioria, mas pode não ser suficiente.
Por Rosângela Lotfi
o III Fórum da Indústria
Automobilística, promovido pela
Automotive Business, que aconteceu
pouco mais de uma semana depois
do anúncio do novo regime, em 9 de
abril último, o tom era de otimismo
e precaução. A Anfavea já havia se
manifestado e comemorou a Medida
Provisória 563 e o decreto 7716,
batizada pelo governo de “InovarAuto”. O presidente da entidade que
reúne as montadoras, Cledorvino
Belini disse tratar-se de uma medida
de longo prazo (até 2017) que “não
resolve todos os problemas de
competitividade da indústria, mas
vai ajudar bastante as empresas
que investem em inovação e traz
um horizonte positivo para o setor.”
O presidente do Sindipeças, Paulo
Butori, afirmou que a melhor notícia
foi a desoneração da contribuição
previdenciária patronal da folha de
pagamentos (20%) neste e em outros
setores intensivos de mão de obra. “A
desoneração da folha de pagamentos
é uma grande vitória, o Sindipeças
vem lutando por isso há anos. Vai dar
mais competitividade e as empresas
devem usar esses recursos para
fomentar parques industriais mais
modernos, para crescer e para fazer
frente ao mercado interno estimado
em 5 milhões de unidades em 2018.”
Segundo o dirigente, o impacto dos
salários e seus encargos é de 26,4%
dos custos do setor, matérias-primas
55,5% e outros custos 18,1%. “Mais do
que tudo é o reconhecimento pelo
Estado brasileiro de uma situação
difícil que o setor enfrenta. A falta
de competitividade é motivada,
em grande parte, pelo câmbio,
mas, sobretudo pelo Custo Brasil. O
País deixou de ser competitivo. As
autopeças não são competitivas, mas se
o freio da alíquota de importação fosse
tirado às montadoras de automóveis,
estariam em uma situação ainda mais
delicada, tanto que as exportações caem
mês a mês. Como diz Rogélio Golfarb
(executivo da Ford e ex-presidente da
Anfavea) ‘Quem não é capaz de exportar,
não freia as importações. ’”
Altos custos
Há grandes desvantagens no Brasil
comparativamente a outros países, a
começar pela excessiva carga tributária
sobre os veículos. Outro fator que
aflige os empresários é o alto valor da
energia elétrica, que custa exatamente
o dobro do que nos Estados Unidos, por
exemplo. Além dos citados, Paulo Butori
enumera outros fatores prioritários:
custos logísticos, falta de escolaridade
básica e de qualificação da mão de obra.
Na mesma semana em que o governo
anunciou o pacote de benefícios, a
consultoria KPMG divulgou a pesquisa
“Competitive Alternatives” que aponta o
Brasil como o lugar mais caro para fazer
negócios, entre os países considerados
emergentes e que têm apresentado
alto crescimento econômico. A pesquisa
levantou 26 itens relevantes para o
ambiente de negócios e comparou
com uma base de referência que são
os Estados Unidos (base 100). Os custos
no Brasil são apenas 7% mais baixos
em relação aos Estados Unidos,
enquanto a China, que lidera a
lista, tem custos 25,8% menores
que os dos norte-americanos,
seguida pela Índia (-25,3%),
SHOWROOM
N
“A indústria brasileira não irá
sobreviver sem uma mudança
da atual carga tributária e
inviabilizará um potencial de
mercado de automóveis que
poderia ser o dobro do volume
de hoje já em 2018.”
25
26
México (-21%) e Rússia (-19,7%).
Paulo Cardamone, diretor da
consultoria IHS Automotive, viu
de forma positiva as medidas
do Inovar-Auto, mas alerta
que a posição competitiva do
Brasil tem que ser equacionada
num horizonte máximo de
cinco anos. Para ele a indústria
automotiva vive o que ele
chama de “Efeito Telma”
(Transformação excessivamente
lenta da manufatura
automotiva). “Estamos nos
escondendo atrás do ataque do
câmbio e do atraente mercado
doméstico brasileiro por
não termos executado,
no passado recente, as
reformas estruturais.
Protege-se uma indústria
ineficiente pela quebra de regras
e acordos, privilegia-se ações
pontuais que potencializam
a desindustrialização do
setor, enquanto deveríamos
estar regulando o custo de
matéria prima e incentivando
a criatividade e a inovação,
eliminando o peso fiscal
incidente sobre investimentos,
em equipamentos e bens
de capital e combatendo a
carga tributária. A indústria
brasileira não irá sobreviver
sem uma mudança da atual
carga tributária e inviabilizará
um potencial de mercado de
automóveis que poderia ser o
dobro do volume de hoje já em
2018.”
Mais medidas
Durante o Fórum, todo o setor
esperava entender as minúcias
do pacote e o impacto para os
negócios. Paulo Butori, que
ainda aguardava o anúncio de
mais medidas especificas para
as autopeças e o detalhamento
desta segunda etapa,
concordou com Cardamone:
“Impostos, custos logísticos
e qualificação de mão de
obra são coisas básicas que
precisam ser equacionadas.
Não acontecerá neste governo;
a presidente Dilma, assim como
seus antecessores FHC e Lula,
desperdiçou o cacife precioso
do primeiro ano de governo
e não endereçou as reformas
estruturais que o País precisa.”
Só em 2013 as medidas
começarão a valer e perdurarão
até 2017. Naturalmente, as
montadoras estabelecidas
há mais tempo no País como
a Volkswagen, Ford, Fiat e
General Motors serão as mais
Incertezas
Para Renato Crespo, “haverá
incremento da capacidade
instalada, newcomers e
também novos fornecedores.
O próximo passo, acredito,
seria o da demanda. Nos
Brasil precisa
continuar sendo
um importante
competidor
próximos anos haverá
uma capacidade instalada
maior que a demanda e o
governo precisa olhar para
isso”, disse, referindo-se a
um gargalo presente que
já preocupa: o arrocho no
crédito de financiamentos
de automóveis, causado pelo
aumento da inadimplência
que, por sua vez, estagnou as
vendas.
Outra dúvida das montadoras
é saber se os fornecedores
terão fôlego para fazer frente
ao aumento da demanda por
componentes regionais. Os
fabricantes dizem que para
cada US$ 100 que investem, as
autopeças aportam
US$ 52. Paulo Butori afirma
que há capacidade ociosa
nas autopeças, agravada
pela queda nas exportações.
“O setor está trabalhando
com 60% da capacidade
instalada. Sempre que fomos
requisitados aumentamos a
produção. Já partimos de 900
mil unidades/ano para 1.800
milhão em cinco anos e com
índice de nacionalização entre
80 a 90% sem interferência
governamental. O produtor
de autopeças está sempre
disposto a responder à altura.
Até 2017, o índice de compras
de peças feitas no Brasil
poderá chegar a 45%, mais que
o dobro do atual”, estima.
O que todos anseiam é que o Brasil
continue a ser um importante
competidor no cenário mundial.
De acordo com Paulo Cardamone, o
mercado mundial de veículos leves
- que em 2011 vendeu 75,6 milhões
de unidades em todo o mundo - tem
perspectiva de crescer 50% ao ano
até 2020, com volume estimado
em 115 milhões de unidades em
2025. “Diante deste cenário, os
países integrantes do Brics serão
responsáveis por mais de 42% das
vendas e aumento na participação
global dos segmentos A, B e C.
A projeção, segundo o executivo,
é de que haja um crescimento
constante por causa da recuperação
dos mercados desenvolvidos e, mais
uma vez, puxados pelos Brics, que
devem investir fortemente nos
próximos anos, principalmente em
infraestrutura.”
O mercado brasileiro, segundo
Cardamone, será de 3,5 milhões
de unidades em 2012. Em 2018, o
volume de vendas no Brasil deve
chegar a 5,1 milhões de unidades,
o que, segundo o executivo, será
sustentado por um investimento
total de US$ 24,5 bilhões para
a produção local. “O Brasil
continuará a se posicionar como
um dos países mais importantes
no contexto global da indústria
nos próximos anos, sustentado
pela força de seu mercado, mas
com a urgência de buscar
soluções para aumentar
sua competitividade. Este
é o grande desafio do País”,
afirma.
SHOWROOM
beneficiadas. Renato Crespo,
gerente de suprimentos da
VWB, disse que a montadora
recebeu as medidas
positivamente. “É um
avanço o governo olhar
atentamente essa
indústria importante
para o País, mas ainda
falta entendimento.”
Segundo Crespo, na
Volkswagen esse
índice de conteúdo
regional já é maduro,
90% das compras são
locais. “Estamos aqui
há 59 anos, fizemos
desenvolvimentos
consistentes, temos
modelos líderes de
mercado por muitos anos
e isso não é possível sem
fornecedores locais.” Na Fiat,
afirma José Franscisco Romero,
o índice de conteúdo local é
de 98%. “Só não compramos
aqui componentes de
eletrônica embarcada.” Ambos
reiteram que logisticamente
é impossível “tocar” uma
fábrica com 50% ou mais de
conteúdo importado, graças à
ineficiência nos portos. Outra
impossibilidade é aumentar a
competitividade sem investir
em diminuição dos custos e
no aumento da produtividade,
inclusive da infraestrutura
nacional.
27
Patrimônio mundial da Unesco,
paisagens lunares e pistas de esqui.
Tudo na Bolívia
Uma das culturas mais antigas do
planeta está bem ao nosso lado. A Bolívia
é uma bela opção de turismo para quem
quer neve, paisagens incríveis e muita
história para contar.
L
30
Por Carolina Gonçalves
a Paz é a capital mais alta do mundo, a 3.650
m do nível do mar. Faz frio o ano todo, mesmo no
verão, quando os termômetros não ultrapassam
20ºC. Do avião já se vê os picos nevados da cordilheira
dos Andes. É de arrepiar. Também se vê a cidade, num
cânon escavado pelo rio Chuquiyapu, que a protege
dos ventos do altiplano.
Um lugar tão alto causa um certo desconforto no
começo. Mas resista, porque no segundo dia já fica
melhor. O chamado soroche, ou mal de altitude
é causado pela falta de adaptação do organismo
à hipóxia (diminuição das taxas de oxigênio) da
altitude. O ideal é esperar a adaptação com um
pouco de repouso, dieta leve e líquidos.
A cidade foi fundada em outubro de 1548, como
Nuestra Señora de La Paz, um pouco mais ao norte da
sua localização atual, perto do lago Titicaca.
Tem muitas atrações turísticas. Andando pela rua
se veem casas antigas em contraste com os prédios
modernos recém construídos.
Comece pela casa de Murillo, que foi residência de
Pedro Domingo Murillo, líder da revolução de 1809
contra os espanhóis. Preservada, exibe coleções de arte
colonial, móveis e objetos, como tecidos, instrumentos
musicais e utensílios domésticos de vidro e prata,
retratando a antiga aristocracia boliviana.
Artefatos pré-hispánicos
O Museo de los Metales Preciosos é uma bela
construção do século XVI. Também conhecido como
Museo del Oro, tem quatro salões. O acervo tem
diversos artefatos pré-hispânicos em ouro, prata
e cobre. Mas também exibe cerâmicas, objetos da
cultura Tiwanaku, máscaras funerárias e uma múmia.
Já o Museo Costumbrista “Juan de Vargas” está num
casarão colonial restaurado. Miniaturas, esculturas em
cerâmica, fotos, maquetes, roupas e móveis de época
contam a história de La Paz, desde a sua fundação.
As antigas culturas bolivianas estão no Museu
Nacional de Arqueologia, também chamado Museu
Tiwanaku. Vale a pena visitar, antes de ir ao sítio
arqueológico, para entender melhor o local.
A cidade ainda tem mais museus como o Litoral
Mercados atraentes
A cidade tem ainda mercados que valem a visita. O
Mercado Negro tem de tudo. Mas o mais interessante
é o Mercado de las Brujas, onde se encontra tudo para
um ritual de feitiçaria índia. Como as barraquinhas das
bruxas atraem muitos turistas, pode-se comprar outros
produtos ao redor, como roupas de lã, tapetes, cerâmicas,
joias de prata e todo tipo de suvenir. Outro bom lugar
para fazer compras é a Calle Sagárnaga, onde se encontra
prataria, artesanato, roupas de lã ao lado de hotéis,
agências de viagem, cafés e lanchonetes. A rua não é
linda, mas os turistas se divertem...
A Catedral Nuestra Señora de La Paz foi construída em
1831. Seu estilo neoclássico é suntuoso e contribui para
criar um clima de paz. Já a Igreja de São Francisco, em
estilo barroco, é deslumbrante. Construída em meados
do século XVIII, abriga uma pinacoteca com obras
renascentistas, barrocas, maneiristas e neoclássicas.
As Peñas: onde tudo é dança
Para conhecer um pouco da cultura, vá a uma peña. São
espetáculos de danças folclóricas, com música ao vivo em
bares modestos que servem comida típica. Começam logo no
início da noite e estende-se até depois da meia-noite. Pode-se
optar por só ver o show, sem jantar. A mais famosa é a Peña
Huari.
A partir de La Paz você pode fazer vários passeios. A 15 km
está o Valle de la Luna. A erosão nas rochas calcárias cria uma
paisagem lunar bem interessante. Mas se a pedida é esquiar,
arrume seu equipamento e vá para Chacaltaya, que fica a
35 km de La Paz. É a pista mais alta do mundo! As altitudes
variam entre 5.283 m e 5.486 m, na Cordilheira Real. Dali se
tem uma vista maravilhosa dos altíssimos picos nevados
vizinhos, como o Illimani, o Mururata e o Huayna Potosí.
Para ver mais picos, vá a La Cumbre. O passeio de 2 horas leva
à área nevada de um dos picos e a vista é deslumbrante!
O mais importante sítio
arqueológico
Um pouco mais longe, a 70 km, está Tiwanaku, ou
Tiahuanaco, o mais importante sítio arqueológico
da Bolívia, a 3.843 m. Esta civilização é um dos mais
importantes precursores do império Inca. Foi a
capital administrativa e ritualística de um grande
SHOWROOM
Boliviano, dedicado à Guerra do Pacífico, travada contra
o Chile em 1879, quando a Bolívia perdeu seu litoral. O
Museo de la Coca, dedicado às propriedades terapêuticas
da folha de coca, muito consumida no Altiplano. O Museo
Nacional de Arte, no Palácio de los Condes de Arana,
construído em 1775, com arquitetura barroca.
31
poder regional por mais de cinco séculos. Próximas à
margem sudeste do lago Titicaca, as ruínas da cidade
ancestral foram registradas pela primeira vez pelo
conquistador espanhol Pedro Cieza de León, em 1549,
quando buscava uma capital inca. Acredita-se que
a área pode ter sido habitada desde 1500 a.C. Mas
foi entre 300 d.C. e 1000 d.C. que Tiwanaku cresceu
muito em poder e influência. Entre 300 a.C e 300
d.C. foi o centro moral e cosmológico ao qual muitos
faziam peregrinações. Deste poder cosmológico veio
o poder do império. Tanto, que muitos acreditam que
o nome derive de uma palavra que significava pedra
do meio, como se a região fosse o centro do mundo.
Mas a verdade é que não se sabe como os habitantes
se autodenominavam, uma vez que não deixaram
escrita.
Pedras de até 100 toneladas
34
A cidade teve uma extensão máxima de seis
quilômetros quadrados e teve, no apogeu, algo como
40 mil habitantes. Seu estilo de cerâmica único é
encontrado numa vasta região que cobre a Bolívia, o
Peru o norte do Chile e a Argentina, demonstrando
sua influência cultural. Esta civilização também é
precursora das grandes construções monolíticas da
América do Sul. Pedras de até 100 toneladas foram
cortadas, entalhadas e esculpidas, encaixando-se
umas às outras com precisão e engenhosidade raras. O
estilo original da arte Tiwanaku tem um paralelo com
o estilo da cultura Huari, que juntas definem o período
médio do horizonte das culturas pré-incaicas. São
muitas as teorias que tentam explicar a arquitetura
original, especialmente dos portais em diferentes
tamanhos, mas sempre respeitando a proporção.
Tiwanaku é o passeio ideal para curiosos, que gostam
de maravilhar-se com as diferentes manifestações
artísticas da humanidade.
Filhos do “deus Sol”
O Lago Tititaca, com 8.300 km² é o segundo mais
extenso do mundo. Perde só para o Lago de Maracaibo,
na Venezuela. Está a 3.821 m acima do mar, sendo o
lago comercialmente navegável mais alto do mundo.
Fica no altiplano dos Andes, na fronteira do Peru
Origem do nome
Copacabana
Seguindo no entorno do lago está
Copacabana, cidade de onde partem
os barcos para a Ilha do Sol, no centro
do lago, com o complexo Chinkana
de ruínas incas e a Fuente del Inca,
que preservam a arquitetura précolombiana. Copacabana, que faz
fronteira com o Peru, está a 3.841 m
acima do nível do mar e a 155 km de
La Paz. A Catedral dedicada a Nossa
Senhora de Copacabana, padroeira
do país, tem uma das imagens
mais cultuadas da Virgem Maria. É
muito bem conservada, com grandes
quadros e pinturas religiosas. O altar
recoberto com ouro e prata reluz
por toda a igreja. Uma curiosidade:
conta-se que no século XIX, uma
réplica local da imagem de Nossa
Senhora de Copacabana foi levada
por comerciantes ao Rio de Janeiro.
Criaram uma pequena igreja para
abrigá-la, que acabou nomeando o
bairro carioca. Esta é uma das versões
para o nome no Brasil.
A Copacabana boliviana tem boa
infraestrutura para turismo. A vista
é belíssima do alto do Morro do
Calvário.
A maior planície
salgada do mundo
No sudoeste da Bolívia está o Salar
de Uyuni, a maior planície salgada
do mundo. Há cerca de 40 mil anos
a área era parte do enorme lago
pré-histórico Michin. O lago secou
e deixou dois lagos remanescentes,
Poopó e Uru Uru e dois desertos
salgados, o Coipasa e o Uyuni.
O Salar tem em torno de 12 mil
m² e 10 bilhões de toneladas de
sal. Além da extração, o Salar é um
importante destino turístico, com a
ilha do Pescado, que tem formações
de recifes e cactos de 10 metros
de altura. No verão, o Salar abriga
flamingos de três tipos diferentes:
o chileno, o andino e o flamingo de
James. Eles vêm para a temporada
das chuvas e do degelo, que cobrem
o Salar de água, com profundidade
de 30 cm. Torna-se um espelho,
onde céu e água confundem-se no
horizonte. Mas no período da seca,
o passeio é ainda mais exótico.
Num mesmo passeio pode-se
conhecer lagoas de águas termais
e gêiseres que exalam vapor a 38º
C. Acredita-se que a origem do sal a
3.650 metros acima do mar esteja
relacionada aos vulcões ao redor.
Fronteira brasileira
Indo em direção ao centro do
continente, chega-se no Parque
Nacional de Noel Kempff Mercado,
no departamento de Santa Cruz,
junto à fronteira com o Brasil. O
parque homenageia o pesquisador
que fez muitas descobertas ali e é
declarado Patrimônio Mundial pela
UNESCO desde 2000. São mais de
15 mil km² com uma das maiores
biodiversidades do mundo. Fauna
e flora variadas têm mais de 400
espécies de plantas vasculares, 130
espécies de mamíferos, 620 espécies
de aves e 70 espécies de répteis.
Também perto do Brasil está a
região de Chiquitos. São seis cidades
fundadas pelos missionários
Jesuítas entre 1696 e 1760 e
preservadas. Foram encontradas
na região partituras de música
barroca transcritas pelos índios.
Todos os anos acontece um festival
de música barroca nas igrejas da
região. Seis delas, San Francisco
Javier, Concepción, Santa Ana, San
Miguel, San Rafael e San José, foram
declaradas Patrimônio Mundial ela
UNESCO em 1990.
Grande construção
monolítica
O sítio arqueológico de Samaipata,
a 2 mil metros de altitude abrigava
antigos rituais indígenas. Ali seria
o centro cerimonial de uma antiga
cidade, sobre uma colina. Considerado
Patrimônio Mundial pela UNESCO,
em 1998, reúne uma enorme
rocha esculpida e um complexo
de estanques e canais. É uma das
maiores construções monolíticas
do planeta e representa de maneira
única as tradições e crenças précolombianas.
O Nevado Sajama é o monte mais alto
da Bolívia, inserido na Cordilheira
dos Andes, a mais larga do mundo,
que atravessa todo o litoral pacífico
da América do Sul. Ele é um estrato
vulcão – em forma de cone – extinto,
com 6.542m de altitude.
Escalada só com guias
locais
A Salar de Coipasa, no departamento
de Oruro na parte centro-oeste do
planalto andino, está a 3.657 metros.
É o quinto maior salar contínuo do
mundo e o segundo da Bolívia. Rodeia
todo o lago de Coipasa, cercado por
rochas vulcânicas e está conectado ao
Salar do Uyuni.
Licancabur é um vulcão entre o Chile
e a Bolívia, perto de San Pedro do
Atacama, no Chile e a sudoeste da
Laguna Verde, na Bolívia.
Ali também fica o Salar
de Atacama. O vulcão
semiativo domina a
paisagem com 5.916 m de
SHOWROOM
com a Bolívia. Suas águas profundas
recebem mais de 25 rios que
deságuam no lago, em torno de 41
ilhas, algumas povoadas. Mas o lago é
alimentado pela chuva e pelo degelo
das geleiras do altiplano. Segundo
uma lenda dos Andes, a civilização
Inca nasceu no lago, na Ilha do Sol,
apontada pelos filhos do “deus Sol”
como o local ideal para seu povo. Os
incas dominaram a região entre os
séculos XII e XVI, quando houve a
invasão espanhola.
35
de altitude. A escalada só pode ser
tentada com guias locais.
Já a Laguna Verde é um lago de
sal, visitado por flamingos que
parecem dançar no sal. A cor
verde é resultado dos sedimentos
que contêm minerais de cobre. O
lago está a 4.300 m e o cenário é
espetacular, com fontes termais.
Potosí já foi a cidade
mais populosa do mundo
Potosí é capital da província de Tomás Frías e
do departamento de Potosí. A divisão política
da Bolívia tem departamentos, divididos em
províncias. Potosí é pequena e está a 3.967 metros
de altitude. É uma das cidades mais altas do
mundo. A cidade tem um incrível patrimônio
arquitetônico, onde destacam-se a Catedral Gótica,
a Casa da Moeda e a Universidade Tomás Frías.
Baseada na extração de prata, a cidade, fundada
em 1546 alcançou seu apogeu no século XVII, como
a cidade mais populosa do mundo, só perdendo
para Paris, naquele então. E a mais rica. A prata
esgotou-se por volta de 1825 e a população
diminuiu muito. Potosí voltou a crescer no começo
do século XX por causa da exploração do estanho.
A cidade conta muitas lendas sobre a prata e
o Cerro Rico, montanha de onde o metal era
extraído. Vale a pena a visita.
A cidade branca das
Américas
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Sucre, Patrimônio Mundial da UNESCO desde
1991, é uma cidade histórica, fundada em 1538,
com o nome de Vila da Prata. Conhecida como a
cidade branca das Américas por estar perto da
Cordilheira dos Andes, tem edifícios com mais
de 200 anos.
Vale visitar o Mercado Central, com produtos
variados e exóticos O Museu Casa de la
Libertad é um dos mais importantes da
Bolívia. Lá foi assinada a primeira ata da
independência do país e abriga muitas relíquias
históricas. Na mesma Plaza 25 de Mayo estão o
Museu de História Natural, a Catedral Metropolitana
e a Igreja de San Francisco, que conserva a “campana
de la libertad” – o sino que chamou para a revolução
em 25 de maio de 1809, que foi a primeira da
América. A cidade tem ainda o Museu Universitário
Charcas que abriga dois acervos, um colonial e outro
antropológico, num prédio do século XVII.
Logo alí
Santa Cruz de La Sierra é a cidade mais conhecida
dos brasileiros, pela proximidade com nosso país.
Maior que a capital La Paz, é a única com mais
de 1 milhão de habitantes, sendo que na região
metropolitana passa de 2 milhões. Fundada em 1561,
tornou-se motor econômico do país. Gente de toda
Bolívia vai para lá em busca de oportunidades. Essa
diversidade cultural contribuiu para que a cidade
tenha boa tradição gastronômica. Lá você pode
provar majao, locro, patasca, e as bebidas somó e
chicha. E as arepas, deliciosas.
A terceira maior cidade da Bolívia é Cochabamba,
com cerca de 600 mil habitantes. A 2.560 metros de
altitude, é uma cidade universitária. Sua primeira
universidade foi fundada em 1826.
Por tudo isso, deixe o preconceito de lado e vá
conhecer a Bolívia. Você vai se surpreender.
Brasileiros não precisam de visto, mas é preciso
tomar vacina contra febre amarela.
Vamos
copiar a
China
Por JOEL LEITE
omo a China consegue
produzir a baixo custo e vender
a preços tão baixos? Qual o
segredo que faz esse gigante
enfrentar, em todas as áreas do
conhecimento, o império mais
poderoso de todos os tempos?
Para entender a China é preciso
se desprender dos conceitos
ocidentais. O país passou do
império para um governo
centralizado e em seguida
para o comunismo, nunca
experimentou uma democracia
tal qual o Ocidente considera o
regime ideal. Assim, o conceito
de liberdade (individual ou
empresarial) no país não é
exatamente o mesmo que no
Ocidente.
Para os teóricos do capitalismo,
liberdade é o direito de ir e
vir, mesmo que isso signifique
permitir migrações que
transformem cidades em caos
social, deixando as pessoas à
própria sorte. Talvez por isso eles
não entendam por que o regime
chinês “proíbe a migração”:
na China o cidadão só muda
de cidade com autorização do
governo e faz isso com destino
certo: emprego e salário
garantidos, casa para morar,
escola para as crianças, lazer e
outros privilégios que o povo de
países capitalistas não tem.
O interior do país, cortado por
autoestradas recém construídas,
é um canteiro de obras. Você
tem a impressão que todos os
guindastes do mundo estão na
China. Edifícios de dezenas de
andares são construídos aos
montes, um ao lado do outro,
em blocos de 30, 40 unidades.
Em meses, áreas rurais se
transformam em bairros
urbanizados.
A organização permite o
planejamento necessário para
promover uma sociedade mais
ou menos igualitária e evita a
criação de “oportunidades” que
deturpam os custos de produção
e levam os preços a patamares
inaceitáveis. Claro que isso não
explica tudo, mas é um sintoma
do jeito com que os chineses
tratam a coisa pública.
O executivo chinês é a antítese
do ocidental. Viaja na classe
econômica, sem assistentes
ou seguranças. Vai de van do
aeroporto para o flat, maleta
de mão com um terno e três
camisas: se a roupa sujar, manda
lavar, nada de comprar outra. No
fim do dia, abre o computador e
“trabalha na China”, onde o dia
está começando.
Os custos e os preços são
desprezíveis para os padrões
ocidentais. O frete de um contêiner
da China para o Brasil custa U$ 1,2
mil; de Santos a São Paulo custa R$
2 mil. Um almoço no Din Tai Fung
(um dos dez melhores restaurantes
do mundo, segundo o New York
Times), na Kan Jin Rd, a rua das
lojas de grife de Shangai, sai por
R$ 50,00 por pessoa. Um carro
popular U$ 4 mil, uma bicicleta
elétrica, R$ 800,00.
Em 1995, quando conheci a China,
o plano de Deng Xiaoping - que
tinha como meta fazer da China
o maior país do mundo até 2050
- ainda soava como uma piada.
Agora em 2012, quando retornei ao
país, percebo que ninguém duvida
que o país vai dominar o mundo
ainda antes do planejado.
Moderna e poderosa, a China
consegue, criando a própria
tecnologia ou copiando do
Ocidente, ter o maior número de
bilionários do mundo, e ao mesmo
tempo distribuir a riqueza para
uma população continental, de
quase 1,5 bilhão de pessoas.
Precisamos fazer como eles e
copiar esta receita.
Joel Leite é jornalista, formado pela
Fundação Cásper Líbero, com pósgraduação em Semiótica, Comunicação
Visual e Meio Ambiente. Diretor da
Agência AutoInforme, assina colunas
em jornais, revistas, rádio,TV e internet.
Não tem nenhum livro editado e
nunca ganhou nenhum prêmio de
jornalismo. Nem se inscreveu.
SHOWROOM
C
O negócio é fazer como
os próprios chineses:
copiar a receita que está
transformando o país no
mais poderoso do mundo.
37
Memória só
para o bom
E
38
A memória é uma dádiva e ao
mesmo tempo uma maldição.
Já pensou como seria horrível
lembrar tudo ao mesmo tempo?
A gente seria dado como louco,
sendo louco mesmo. Seria uma
terrível confusão de imagens e
vozes em nossa cabeça...
Por Maria Regina
Cyrino Corrêa
u fiz uma pesquisinha rápida
no “grande irmão Google” e entendi
que a memória se forma a partir
de estímulos sensoriais. Todos os
seus órgãos dos sentidos recebem
informações que você armazena
por um período. Mas você só
“arquiva” as coisas que chamam a
sua atenção. Ou seja, você “escolhe”
o que guardar. Lógico que eu sou
leiga e provavelmente não entendi
a metade do que eu li, mas acho
que contado assim faz sentido. Pelo
menos pra mim.
Muita gente se queixa de ter
memória ruim, sem se dar conta de
que hoje em dia você é praticamente
obrigado a ter boa memória. Pense
nos números que sabe repetir e
digitar sem olhar uma cola... CPF, RG,
senhas de cartões e bancos, senhas
de internet. Sem falar nas letras
enormes de músicas complexas que
sabemos de cor! Para quem gosta do
Renato Russo, por exemplo, decorar
o “Faroeste Caboclo” deve ser um
grande exercício!
Eu tenho muito boa memória para
fatos específicos da infância. Lembro
de coisas de quando tinha 2, 3
anos. Já para fatos recentes minha
memória é um lixo. Não consigo
me lembrar do que jantei na
sexta-feira (e estou escrevendo na
quarta...).
Mas eu também tenho memória
seletiva. Lembro sempre de
coisas boas. Não sou do tipo
que remói o passado, guarda
mágoas... Às vezes, minha mãe
me dizia: “mas você é amiga desta
pessoa de novo? Não lembra o que
ela fez?” Não! E não precisa me
contar!
Memória é para lembrar viagens
maravilhosas, beijos, abraços,
comidas que enchem a boca
d’água só de pensar. Lembrar
festas, músicas, namoros... Carros
novos, roupas chiques. Histórias
vistas em filmes lindos e tristes,
lidas em livros eletrizantes. Mas
não para lembrar dores.
“A memória focaliza coisas
específicas, requer grande
quantidade de energia mental e
deteriora-se com a idade.” Assim a
Wikipedia define a memória. Bom,
se deteriora-se com a idade, eu
vou ter que usar crachá...
Mas se gasta energia, acho que
deve ser bom. Exercício é sempre
para o bem.
Também acho que tem certas
memórias que são irretocáveis.
Então, não tente repetir uma
experiência que foi muito boa.
Você vai acabar decepcionado. Por
exemplo, se eu como uma comida
maravilhosa num restaurante,
nunca mais peço o mesmo prato.
Não vai ser igual! Com pessoas, a
mesma coisa. Tem pessoas que são
para uma conversa única, mágica!
A gente vai se lembrar para o resto
da vida do olhar, do perfume, vai
suspirar se ouvir uma música
que tocava na época... Não sei se
vou durar muito, mas se for para
ficar velhinha, quero ter um bom
estoque de boas lembranças.
Eu me lembro que uma vez
estava em Salvador, no Farol da
Barra. Era o último dia de férias
e eu olhei aquele mar prateado
maravilhoso e pensei: se na hora
da morte a gente revê tudo o
que viveu, quero ver muitos
mares assim.
Desde então, encho a minha
memória de coisas bonitas e
catalogadas. Boas sensações,
odores, sentimentos. Acho que
manter o foco na desgraça
e na tragédia, nas traições
e decepções não pode ser
produtivo, nem para a memória
nem para mais nada na vida de
alguém.
Tem um caso interessante de
uma amiga que trabalhou
comigo no mesmo lugar, na
mesma época, de onde nós duas
fomos demitidas. Eu fui muito
feliz lá! Já a lembrança dela é de
que o lugar era um “ninho de
cobras”, onde todos conspiravam
uns contra os outros. Não sei
qual versão era a verdade, mas
acho que o fato de não focar no
lado ruim me ajuda a ser mais
feliz.
E minhas lembranças são
sempre as melhores, porque só
ocupo meu hard disk com as
coisas boas.
Maria Regina Cyrino Corrêa, jornalista,
publicitária, cultiva lembranças
fantásticas de Paris...
[email protected]
http://felllikeaqueen.blogspot.com.br/
O vazio das
redes sociais
onfesso que sou e estou pouco familiarizado
com as redes sociais na internet. Tema de
filme vencedor de prêmios e passatempo
de muitas pessoas, esses meios de
relacionamento já fazem parte do dia a dia
de quase todos. Bem... ainda não do meu
cotidiano... mas juro que tenho tentado.
Comecei com um grau de curiosidade no
Orkut. Preenchi meu perfil, baixei fotos,
adicionei amigos e fui adicionado por eles e
por amigos desses amigos, que não conhecia
e nunca conheci. Além disso, fucei a vida dos
outros e acabei descobrindo nada do outro
mundo.
Por fim, segui comunidades como “Futebol
de Kichute”, “Taco no meio da rua” ou “Gol
a Gol”. E por aí terminei. Abandonei o Orkut
quando percebi que meus únicos amigos
on-line eram os amigos que eu encontrava
pessoalmente quase todo dia. Então, não
fazia muito sentido continuar. Apaguei
minha história virtual e cancelei a conta.
Numa viajem a minha terral natal ouvi
falar do Facebook. E isso já tem alguns anos.
Primos, tias e sobrinhos estavam conectados
e convivendo pacificamente, coisa que
em uma família isso não acontece com
frequência quando o contato é físico. Assim
que retornei ao Brasil resolvi compartilhar
o espaço com eles. No início, mantinha
contatos diários, troca de fotografias, vídeos
e arquivos. Fiquei uma semana sem entrar.
Depois outra. E mais uma.
Agora tenho o Facebook no meu celular.
Sempre que o mundo virtual se mexe – os
chamados feeds – sou informado. E me
decepciono com as mensagens públicas que
meus amigos deixam no mundo virtual.
Afinal, quem insiste em perder tempo
escrevendo coisas profundas e interessantes
como “Boooom dia... acordei”; “Hoje o
elevador do meu prédio quebrou. Subi cinco
andares pela escada”; “Estou com sono. Vou
dormir”; “Aaaiiiii, alguém já olhou para o
céu hoje?”; “Gente, este macarrão está uma
delícia!!!!”?
Bem... se há pessoas escrevendo, imagino
que há outras lendo. Prefiro seguir o
conselho da mensagem que recebi esta
manhã: “Desligue o computador. Vá ler um
livro”. Profundo. Vou nessa.
Marcelo Allendes é jornalista e
colaborador do Banco Volkswagen.
Seja amigo dele no Facebook. Email:
[email protected]
SHOWROOM
C
Por Marcelo Allendes
O problema não é o meio.
Mas sim o conteúdo. As redes
sociais aceitam até suspiro
como expressão do cotidiano.
39
Fácil
compartilhamento
GPS para todos os usos
A californiana Magellan, reconhecida
mundialmente como marca líder em GPS,
chega ao Brasil com uma linha para veículos
(leves e pesados/logística) e para fitness que
auxiliam esportistas e aventureiros a traçar
rotas em qualquer lugar, na cidade, no mato
ou no mar. São vários produtos, entre eles, o
GPS eXplorist modelo 610, top de linha, que
ajuda a descobrir as melhores rotas e a não
se perder em qualquer aventura na natureza,
seja fazendo trekking, escalada, campismo
ou pesca esportiva. O eXplorist 610 tem tela
de três polegadas à prova d’água, sensível ao
toque, câmera de 3.2 megapixels, gravador,
bússola, barômetro, altímetro e, vendido
separadamente, imagens de satélite.
Outro aparelho que auxilia nas práticas
esportivas é o Swtich Up com várias
funções e recursos úteis para melhorar a
performance. Handheld, com formato de
relógio, pode ser colocado no pulso ou em
uma bicicleta e monitora o desempenho
nos treinos, acompanhando se o objetivo de
tempo e distância foi alcançado em tempo
real. O Swtich Up tem nove perfis esportivos
customizáveis, tela de alta resolução,
bateria com oito horas de duração (bateria
adicional de 16 horas), receptor GPS de alta
sensibilidade e resistência à água até 50
metros de profundidade. Conta também com
altímetro barométrico, termômetro, alerta
vibratório e um sistema de transição simples
para a mudança de modalidades esportivas.
O Swtich Up chegará ao mercado em julho e o preço
ainda não foi divulgado. Já o GPS eXplorist 610 tem
preço sugerido de R$ 1.699, 00 e estará
disponível para compra em maio.
Onde encontrar: http://www.
magellangps.com.br
40
“Filme e compartilhe” é o mote da
filmadora HDR-PJ10 com projetor
integrado da Sony. A câmera
capta vídeos em Full HD e permite
projetá-los em uma área de até
60 polegadas em qualquer lugar,
a todo o momento, sem cabos. Ou
compartilhá-los com apenas um
clique no YouTube e no Facebook
(com cabo USB). Segundo a Sony,
a HDR-PJ10 possui o dobro da
sensibilidade das câmeras de vídeo
CMOS convencionais, graças ao
sensor Exmor R CMOS que possibilita
a captura de detalhes em alta
definição e sem ruídos, mesmo
em condições de pouca luz por ser
retroiluminado em comparação com
os sensores que usam iluminação
frontal, isto é, as áreas de recepção
recebem mais luz, aumentando a
sensibilidade. Os resultados são
imagens mais naturais, nítidas e
definidas.
Um recurso que facilita a vida dos
amadores é o iAuto que identifica
automaticamente até 90 diferentes
tipos de situações e sugere os ajustes
ideais para gravar as melhores
imagens. A memória interna é de 16
GB, a tela é LCD de três polegadas
touchscreen e áudio dolby digital
5.1 canais, com microfone zoom
incorporado.
Preço sugerido: R$ 2.999,00
Onde encontrar: sonystore.com.br
Câmera com
celular
Tudo bem que os
smartphones têm recursos
cada vez mais poderosos,
mas a Nokia resolveu
inovar e mostrar do quê
uma câmera de celular
é capaz no Nokia 808
PureView, o sucessor do
N8. A câmera do novo
modelo, chamada de
sensor de imagem, tem
41 megapixels, parece
muito, e é, mas tem uma
pegadinha. Com lentes
Carl-Zeiss, a câmera agrega
as imagens tiradas pelo
sensor de 41 megapixels
e produz uma imagem
“juntando pixels”: cada
ponto ou pixel da foto
final na verdade é a
união de sete pixels.
O Nokia 808 é apto a
produzir imagens oito e 38
megapixels, mas as fotos
com melhor qualidade
de imagem terão cinco
megapixels. O sensor de
imagem também filma
em Full HD e, afirma
a empresa, captura
áudio com qualidade
de CD. O 808 PureView
é uma demonstração
de tecnologia dentro
do conceito adotado
pela Nokia de atender a
nichos específicos para
se diferenciar neste
competitivo mercado.
De resto, é um celular
comum com 512 de RAM
e um processador 1,3 GHz.
E roda Symbian Belle, não
Windows Phone.
Disponível para o mercado
europeu em maio, a preço
sugerido de 450,00€. No Brasil
sem previsão de lançamento.
A história da dama negra
da literatura
Patrícia Highsmith (1921-1995) era chamada a
“Dama negra das letras americanas”. Escrevia
livros policiais e literatura de primeiro nível.
Ficou mundialmente conhecida por livros
adaptados para o cinema, como “Pacto sinistro”,
dirigido por Alfred Hitchcock em 1950, “O
“Conspiração americana” (do original The Conspirator), dirigido por Robert Redford,
talentoso Ripley” e “Os fugitivos”. Aliás, ela se
fala da prevalência da lei e dos direitos civis em qualquer circunstância, mesmo em
recusou a conhecer o cineasta inglês, mestre
tempos de exceção. O cenário é a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, o conflito bélico
do suspense, quando da filmagem de “Pacto
e os interesses entre os estados do sul e os do norte. Quase no fim da guerra, em 14 de
sinistro”, seu primeiro romance.
abril 1865, o então presidente Abraham Lincoln é assassinado em uma conspiração que
Esta e outras histórias estão na biografia “A
matou também o vice-presidente e o secretário de Estado. A junta militar do norte assume
talentosa Highsmith”, escrito por Joan Schenkar.
o poder, caça e prende os conspiradores; sete homens e uma mulher são acusados. O
A autora teve acesso a correspondências,
secretário da guerra, Edwin Stanton (Kevin Kline) deseja vingança e não justiça. A mulher
arquivos, diários, e relatos de amigos íntimos
acusada é Mary Surratt (Robin Wright), proprietária de uma pensão onde John Wilkes
de Highsmith, para organizar esta biografia.
Booth e os outros, inclusive o filho de Mary, John Surratt, se reuniram e planejaram os
Com dezenas de fotos do acervo pessoal da
ataques. Herói de guerra que lutou na Guerra Civil contra o exército dos confederados, o
própria Patrícia, a autora Joan Schenkar retrata
jovem advogado Frederick Aiken (James McAvoy), indo contra todos os seus princípios,
as várias “personas” de Highsmith: a criadora
aceita defender Mary Surratt perante um tribunal militar. Ao perceber que sua cliente
de ficções policiais que renovaram o gênero,
pode ser inocente e que está sendo usada para atrair o único conspirador que escapou
a americana de alma europeia, a escritora
da caçada – o filho dela, John Surratt -, Aiken trava uma batalha para ver cumprida a
de histórias em quadrinhos. É um retrato
Constituição estadunidense, criada pelos Founding Fathers em 1776 nos princípios de
da obra e da vida que expõe lados ocultos, a
presunção de inocência e direito a ser julgado por seus pares, cidadãos civis.
personalidade reclusa, obsessiva, apaixonada
Em um momento emblemático do filme, o promotor (Danny Huston) declara ao
e apesar do sucesso, insegura para assinar com
advogado de defesa a frase que resume todo o filme: “Em tempos de guerra, a lei
seu próprio nome obras mais pessoais, que
silencia.” “Conspiração americana” é um filme histórico, de tribunal, que reúne
revelavam sua intimidade (como Carol, de 1952,
os melhores ingredientes do gênero, além de uma bela reconstituição de época,
primeiro romance norte-americano sobre o amor
fotografia deslumbrante e a participação de grandes atores em papeis pequenos.
passional entre duas mulheres, que publicou sob o
Uma curiosidade é que a casa de Mary Surratt ainda existe na cidade de Clinton,
pseudônimo de Claire Morgan).
Maryland, como um museu. Um fato é que um ano depois desse julgamento a
A obra permite entender a criadora do amoral
Suprema Corte Americana decidiu que a lei prevaleça mesmo em tempos de
personagem Tom Ripley e por que ela acabou sendo
guerra.
referência para diretores como Wim Wenders e
Um filme pequeno, bem realizado, produzido em 2010, que só agora
Anthony Minghella, entre outros.
chega aos cinemas em uma época ingrata, a estreia dos blockbusters
Nascida no Texas, Patrícia Highsmith passou a juventude
que virão nos Estados Unidos e que por causa disso tenderá a passar
em Nova York, no Greenwich Village dos anos 1940, “as
despercebido.
quatro milhas quadradas mais livres da Terra”, dizia ela.
Encantadora, reservada e desejada por muitos, viveu nos
“Conspiração Americana”: direção de Robert Redford, com Robin Wright,
limites da transgressão. A vida amorosa foi intensa com muitas
Tom Wilkinson, James McAvoy, Alexis Bledel, Danny Huston, Evan Rachel
mulheres interessantes, alguns homens convenientes, fontes de
Wood, Kevin Kline, entre outros.
inspiração para sua obra, além do longo autoexílio na Europa, onde
Estreia 4 de maio, mas serão lançadas apenas 40
morreu solitária.
cópias nas principais praças.
Um livro fascinante, envolvente como a própria Patrícia Highsmith e os
personagens que ela criou.
“A talentosa Highsmith”, de Joan Schenkar (tradução Ricardo Lísias, Globo Livros, 2012, 816 páginas).
Preço sugerido: R$ 74,90
SHOWROOM
Um filme de tribunal com ótimos ingredientes
41
Bordeaux,
um mito que se
renova
Entre os apreciadores de vinhos, a
simples menção do nome Bordeaux
causa frisson e exclamações de
admiração, visto serem estes os vinhos
mais desejados e procurados no mundo.
S
42
Por Arthur Azevedo
ão Paulo teve recentemente a
oportunidade de receber no hotel Hyatt, uma
inesquecível mostra de vinhos de Bordeaux,
da safra 2009, uma das mais prestigiadas de
todos os tempos. O curioso é que os vinhos
de Bordeaux têm admiradores em todos os
segmentos de enófilos, dos mais aos menos
abastados e, por incrível que pareça, todos
conseguem degustar seu Bordeaux com
muito prazer. Nesse sentido, talvez seja o mais
democrático dos vinhos, pois existem ofertas
de vinhos de boa qualidade em todas as faixas
de preços. Se há alguns anos essa afirmação
pudesse parecer demagógica, hoje isso é
real, devido ao enorme progresso observado
tanto na vinicultura quanto na viticultura
da região. Em função disso, os Bordeaux
apresentam sensível melhora e avanços
consideráveis. O mais notável deles, o fato
dos vinhos, de modo geral, serem acessíveis
mais jovens, algo impensável no passado
recente. Este fato ficou mais que patente, pela
constatação de que muitos vinhos de 2009 já
estão plenamente abordáveis, deliciosos para
serem consumidos hoje, mesmo se sabendo
que isso é o equivalente a um infanticídio. Os
apressados e os apreciadores de vinhos jovens
devem estar muito felizes. Eu, confesso, não
faria isso e guardaria os vinhos por pelo menos
mais 8 anos, para pensar em abri-los.
Uma das razões da mítica de Bordeaux diz
respeito à famosa Classificação de 1855,
quando os vinhos da região foram classificados
em “Crus Classés”, e designados como Primeiro
até Quinto “Crus Classés”, por ordem de
Napoleão III. O lógico seria uma classificação
por qualidade, mas os negociantes resolveram
classificar os vinhos pelo preço de venda que
alcançavam na época. O problema é que esta
classificação só mudou uma única vez até os
dias de hoje, fato acontecido em 1973, quando o
Château Mouton-Rothschild passou de Segundo
para Primeiro Cru Classé. Evidentemente muita coisa mudou desde 1855
e a classificação não refletiu estas mudanças,
o que a torna pouco útil nos dias atuais. Além
disso, regiões importantes ficaram de fora e
criaram sua própria classificação, como SaintÉmilion, ou mais radicalmente, como Pomerol,
nunca adotaram nenhum tipo de ordenamento. Curiosamente, algumas das maiores estrelas
das recentes - e mágicas - safras de 2009 e
2010 vieram destas regiões, como, por exemplo,
os vinhos do Château Clinet, Château Canon,
Château Troplong Mondot, Clos Fourtet, Château
L’Evangile e Château Angelus. Estes vinhos são
provenientes da chamada Margem Direita da
Gironde, o famoso estuário formado pela junção
dos rios Garonne e Dordogne.
Entre seus pares da Margem Esquerda da
Gironde, os grandes destaques da safra 2009,
mostrados no Hyatt, foram: Château LéovillePoyferré, Château Saint-Pierre, Château RauzanSegla, Château Gruaud Larose, Château Malescot
Saint-Exupéry, Château Pichon Longueville
Comtesse de Lalande e Château Lynch-Bages.
Entre os brancos 2009 merecem ser citados:
Domaine de Chevalier, Château La Louvière,
Château Pape Clément e Château Smith HautLafite. Já da badalada Sauternes, fonte dos
melhores vinhos doces da França, brilharam em
2009 os vinhos dos Château Siduiraut e DoisyDaëne. Arthur Azevedo é diretor-executivo da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, editor do website Artwine (www.artwine.com.
br), palestrante e consultor de vinhos.
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