Publicação da associação brasileira de distribuidores volkswagen Ano 34 • n• 304 MAIO 2O12 Regime Automotivo 2 FASE a O Mais um passo pela indústria nacional regime automotivo é novamente tema central de Showroom. No III Fórum da Indústria Automobilística, promovido pela Automotive Business, que aconteceu pouco mais de uma semana depois do anúncio do novo regime, em 9 de abril último, o tom era de otimismo e precaução. A Anfavea já havia se manifestado e comemorou a Medida Provisória 563 e o decreto 7716, batizada pelo governo de “Inovar-Auto”. Os principais líderes do setor se manifestaram favoravelmente à medida, ainda que com ressalvas: o presidente da entidade que reúne as montadoras, Cledorvino Belini, disse tratar-se de uma medida de longo prazo (até 2017) que “não resolve todos os problemas de competitividade da indústria, mas vai ajudar bastante as empresas que investem em inovação e traz um horizonte positivo para o setor.” Já o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, afirmou que a melhor notícia foi a desoneração da contribuição previdenciária patronal da folha de pagamentos (20%) neste e em outros setores intensivos de mão de obra. “A desoneração da folha de pagamentos é uma grande vitória, o Sindipeças vem lutando por isso há anos. Vai dar mais competitividade e as empresas devem usar esses recursos para fomentar parques industriais mais modernos, para crescer e para fazer frente ao mercado interno estimado em 5 milhões de unidades em 2018.” Segundo o dirigente, o impacto dos salários e seus encargos é de 26,4% dos custos do setor, matérias-primas 55,5% e outros custos 18,1%. “Mais do que tudo, é o reconhecimento pelo Estado brasileiro de uma situação difícil que o setor enfrenta. A falta de competitividade é motivada, em grande parte, pelo câmbio, mas, sobretudo pelo Custo Brasil. O País deixou de ser competitivo.” Leia a análise completa sobre o regime automotivo – segunda fase na matéria de capa desta edição. Boa leitura. SHOWROOM Conselho Editorial 3 A mensagem do Conselho Editorial. 5 Cartas O que dizem sobre Showroom. 37 Freio Solto 20 Administração 38 Fala Sério! Por onde vai a tecnologia da informação. Destaques da XVI Cenassobrav, a convenção da Rede VW. 10 Gente 24 Capa O médico Roberto Kikawa, que percorre o Brasil com uma carreta-ambulatório, atendendo pessoas carentes. Desde 2009, através do batizado Projeto CIES (Centro de Integração de Educação e Saúde) já beneficiou mais de 77 mil e 400 pessoas nas 37 cidades visitadas. Com uma equipe capacitada de cerca de três mil profissionais, já realizou 236 mil procedimentos. 16 Inovação Ao menos 7% dos veículos vendidos no mundo em 2023 serão elétricos. Os híbridos ganharão espaço após 2018 e os ‘puros elétricos’ entre 2025 e 2030. 18 TechMania 4 19 TI Todos os consultores advertem, mas ainda há empresários que são pegos de surpresa pelas mudanças do mercado, justamente por não terem os recursos necessários para enfrentá-las. 6 Quem esteVE em Istambul. Os testes em laboratórios e em pistas de provas da indústria automobilística, segundo o jornalista Fernando Calmon. GENTE A PASSEIO CAPA 3 Recado “A indústria brasileira não irá sobreviver sem uma mudança da atual carga tributária e inviabilizará um potencial de mercado de automóveis que poderia ser o dobro do volume de hoje já em 2018.” Esta é a visão consensual dos líderes do setor automobilístico, que até aplaudiram a Medida Provisória 563 e o decreto 7716, mas ainda esperam soluções que não sejam paliativas. 30 A Passeio A Bolívia é uma bela opção de turismo para quem quer neve, paisagens incríveis e muita história para contar. Nem mesmo o “soroche” - mal de altitude, causado pela falta de adaptação do organismo à hipóxia (diminuição das taxas de oxigênio) - é impedimento para visitar o país, um destino que surpreende até mesmo os mais exigentes turistas. A opinião, a crítica e a ironia do jornalista Joel Leite. O novo tom da crônica de Maria Regina Cyrino Corrêa. 39 Quando a Bola Rola... O comentário de Marcelo Allendes sobre o que acontece nos gramados, quadras, piscinas...e em outros espaços também. 40 Novidades O que há de novo em eletrônicos, periféricos de informática e outras utilidades. 41 Livros & Afins Nossas dicas para a sua biblioteca, cedeteca, devedeteca e pinacoteca. 42 Vinhos & Videiras A opinião abalizada de Arthur Azevedo, diretor executivo da ABS – Associação Brasileira de Sommeliers – SP e editor da revista WineStyle e do site www.artwine.com.br A última Showroom trouxe assuntos variados e interessantes como sempre, mas mereceram minha atenção os artigos sobre meio ambiente (“Práticas eficientes e revolucionárias para a economia de água”, página 14, edição 300 – Abril 2012), uma mostra real do que pode ser feito para economizar água, apresentando inclusive novos produtos que substituem o seu uso, e a matéria sobre a evolução do ensino a distância (Seção Treinamento, página 18, edição 300). Como professor, confesso que fiquei surpreso, pois defendo a prática há anos, que nunca mereceu a atenção devida do nosso governo. Bom que vocês o fizeram. Gilbert de Bezerra Amarok automática Foi uma grata surpresa fazer o test-drive na Amarok automática. É um carrão: robusto, com ótimo desempenho e de visual atraente. A Volkswagen acertou em cheio! Marcelo Luiz A nova picape da VW É mesmo verdade o que diz o fabricante: a nova picape da Volkswagen estabelece novos padrões de consumo de combustível, de segurança e conforto. Adorei o carro. Jairo Almeida Carta de Vinhos premiada Sempre leio a coluna de Arthur Azevedo, sommelier de Showroom. O autor sempre apresenta uma novidade, dá informações úteis e não esconde sua paixão pelo vinho. Para mim, ele se tornou mais simpático ainda quando soube, pela própria coluna (Edição 303 – Abril 2012), que a TAM foi premiada no concurso “Cellars in the Sky” por oferecer na Primeira Classe e na Classe Executiva vinhos selecionados por Arthur Azevedo, responsável pela Carta de Vinhos da Companhia. Parabéns ao Arthur e à Showroom que soube escolher muito bem o seu crítico de vinhos. Alice Raimundo Consultor destacado Gostaria de parabenizar Showroom por ter em seu quadro de colaboradores Arthur Azevedo, um dos mais conceituados e simpáticos sommeliers do Brasil. Tanto é assim que por ser o responsável pela seleção de vinhos oferecidos pela TAM conquistou importantes prêmios. Parabéns a todos e continuem nesse caminho. Marcos Túlio Qualidade dos taninos Tenho o privilégio de voar TAM e de saborear os vinhos que compõem a Carta da Companhia. Sou testemunha da qualidade e do sábio critério em oferecer vinhos equilibrados e sutis, próprios para a altitude. Arthur de Azevedo, consultor que também assina a coluna Vinhos & Videiras de Showroom, está de parabéns por ser o responsável pela escolha. Antonio Paulo Junqueira N.R.: Recordamos que para receber Showroom mensalmente os interessados devem enviar um e-mail à Redação ([email protected]) informando o seu endereço e solicitando o envio da publicação. Os pedidos serão atendidos por ordem de chegada e conforme a disponibilidade de exemplares. Publicação mensal da Ano 34 – Edição 304– maio de 2012 Conselho Editorial Antonio Francischinelli Jr. , Juan Carlos Escorza Dominguez, Mauro I.C. Imperatori e Silvia Teresa Bella Ramunno. Editoria e Redação Trade AT Once - Comunicação e Websites Ltda. 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SHOWROOM Sobre água e ensino a distância 5 “ Um povo de olhar intenso, profundo, impressionante...” Assim uma concessionária do interior de São Paulo definiu os turcos durante a breve, porém intensa convivência com a cultura milenar de Istambul por ocasião da XVI Cenassobrav - Convenção Nacional da Assobrav - que reuniu entre os dias 20 e 25 de ABRIL 450 pessoas, entre titulares, seus familiares e executivos da Rede Volkswagen. A convenção, que historicamente privilegia a confraternização e a troca de experiências entre os empresários da marca, promoveu jantares, visitas culturais e passeios aos pontos mais históricos, tradicionais e requintados da cidade erguida em dois continentes - Europa e Ásia - cuja divisa é o impressionante Rio Bósforo e em cujas margens se descortina o berço da cultura ocidental. Anfitriões da XVI Cenassobrav, incansáveis e primorosos na função, o presidente da Assobrav, Sérgio, e Caterina Reze... 6 Convidados para compartilhar do maior evento da Rede Volkswagen, o presidente da VWB, Thomas, e sua inseparável Luciane Schmall... Jutta Dierks, vice-presidente de Vendas e Marketing da VWB com o marido, Klaus-Peter Dierks também convidados especiais da Convenção... O diretor de Vendas da VWB, Jochen Funk e sua contagiante simpatia, prestigiou o evento participando efusiva e atentamente... SHOWROOM Mentor da escolha de Istambul como cidade para receber a XVI Cenassobrav, o ex- presidente da Assobrav, Mauro, e a eloquente Marisa Saddi... Meticuloso, com especial talento para organizar eventos, Elias Monteiro, expresidente da Assobrav, foi o responsável pelo desenho da XVI Cenassobrav, contando sempre com a sensatez e o bom gosto de Rosita Zamora Monteiro... 7 Principal patrocinador do evento, o Banco Volkswagen esteve representando por seus principais executivos, comandados pelo gentleman Décio Carbonari de Almeida, também presidente da ANEF. Ao seu lado, Vera, cuja elegância, em todos os sentidos, dispensa comentários... O presidente da Fenabrave - Federação Nacional de Veículos, Flávio Meneghetti, e sua esposa Maria Cristina, simpaticíssimos, fizeram questão de acompanhar toda a programação do evento... O Sr. e a Sra. (Marlene) Paulo Pinho, diretor do Banco Volkswagen, em clima mais que romântico durante o jantar de encerramento da XVI Convenção no impressionante Palácio Ciragan... 8 O “casal 20” - Renata e Renato Giannini, ela, gerente de Marketing do Banco Volkswagen, não pouparam elogios aos organizadores da XVI Cenassobrav, para eles, “inesquecível”... SHOWROOM Frequentador assíduo da Assobrav, Dieter Strass da VWB, veio também a Istambul, trazendo sua querida Sabine... Os britânicos Keith e Anne Parkins, ele, diretor de Pós-Vendas da VWB, não perderam um passeio sequer, sempre interessados na história e na cultura do Império Otomano... 9 Fotos: divilgação Roberto Kikawa 10 “Existe uma África a céu aberto em São Paulo” O Por Thais Martins gastroenterologista Roberto Kikawa aprendeu sua primeira especialidade médica (primeiros-socorros) ainda pequeno, como integrante de um grupo de escoteiros que o ensinou a “cuidar de pessoas”. Anos depois, acompanhou a evolução de um câncer de seu pai. A partir daí, comprometeu-se a ser um médico que prima pela qualidade do atendimento. Cursou medicina em Londrina (PR) e, em São Paulo, tornou-se cirurgião-geral. Porém, um tremor nas mãos o impediu de seguir este caminho. Foi então que no Hospital Sírio-Libanês voltou ao cuidado de pacientes sem perspectiva de cura e à endoscopia. Hoje, é mestre pela Universidade de São Paulo e professor-titular do centro universitário. É também diretor do hospital São Camilo e está à frente do serviço de endoscopia de outros quatro hospitais. Percorrendo a periferia paulistana, teve a ideia de inaugurar um sistema móvel para exames preventivos. Em busca de patrocínio, falava em renúncia fiscal e responsabilidade social, mas o argumento que efetivamente levou o seu projeto de vida e de carreira adiante foi a fé. Desde 2009, o Projeto CIES (Centro de Integração de Educação e Saúde) já beneficiou mais de 77 mil e 400 pessoas nas 37 cidades visitadas. Com uma equipe capacitada de cerca de três mil profissionais, já foram realizados 236 mil procedimentos. “Além de qualidade no trabalho, é preciso ter o DNA do amor para participar, ou seja, dar atenção ao paciente”, diz Kikawa. A Carreta da Saúde foi o destaque social da premiação da Ernest & Young deste ano por seu pioneirismo e atuação social, depois de ter conquistado o prêmio Empreendedor Social 2010 pela Fundação Schwab e Folha de São Paulo. O Projeto CIES recebeu o título de utilidade pública em abril de 2011. SHOWROOM `11 São Paulo. Era preciso fazer algo aqui mesmo. privando o paciente terminal do convívio com a sua família. 12 Revista Showroom: Quem é Roberto Kikawa? Roberto Kikawa: Sou médico gastroenterologista, professor da Faculdade São Camilo, trabalho no Hospital São Camilo, mas minha grande missão é me dedicar ao Projeto CIES, que leva saúde e tratamento de qualidade às comunidades de baixa renda no Brasil. Ainda estudante de medicina, decidi implantar no Brasil um programa bastante conhecido no exterior, o Hospice Care, que visa atender aos pacientes em estado terminal de forma mais humana e também amparar a família por meio do alívio da dor e do seu sofrimento. Na época da morte do meu pai, o professor Dr. Mitio Ono junto com sua esposa, a Dra. Megumi Oto, ambos da National Cancer Center de Tóquio e voluntários do Hospice Care, foram responsáveis por ajudarem minha família a conviver e a entender melhor a partida do meu pai. São médicos que não tratam apenas o corpo, mas a mente e o espírito. A partir desta filosofia, atendi voluntariamente por 12 anos mais de 25 famílias no norte do Paraná e na região metropolitana de São Paulo. Com o tempo, este trabalho tornou-se restrito a um pequeno grupo, pois não existiam condições estruturais e financeiras. A experiência permitiu evidenciar a necessidade de implantação desta concepção a populações carentes, uma vez que os pacientes crônicos e terminais ocupam leitos hospitalares por longo período, muitas vezes sem tratamento definido e adequado, Como chegou à ideia de montar uma carreta para atender às pessoas? O maior número de pessoas sem acesso a saúde e prevenção está nas regiões periféricas, com vulnerabilidade mais alta. Pensando em estruturas que facilitassem o acesso, me lembrei de algo que tinha visto na França. Fiz um estágio lá e, nas folgas, tinha contato com Médicos Sem Fronteiras. Eles desenvolviam contêineres com uma estrutura fantástica para levar para a África, a lugares de alta vulnerabilidade social. Na época, aquilo me tocou. O centro móvel é essencial porque, apesar de o custo da construção de um centro móvel ou fixo ser parecido, sempre haverá problemas de manutenção do centro fixo devido à ociosidade. Certa vez fiz atendimento em uma favela do Jardim Pantanal, na divisa entre São Paulo e Guarulhos. Quando cheguei lá vi ratos que andavam pelas palafitas que os moradores matavam para comer. Eu não sabia nem como ia falar de prevenção e saúde pública. Como dizer que só pode tomar água potável e andar calçado se eles não têm acesso à água, se não têm chinelos para usar? Quer dizer, já temos uma África a céu aberto em Como foi tirar a ideia do papel e colocá-la em prática? Tudo começou porque uma amiga me apresentou ao presidente da Olympus para retribuir um favor. No dia montei algumas imagens de como o projeto seria, de forma bem simples mesmo. Imaginei a Carreta e coloquei nela a marca da Olympus. O presidente achou bonito e me levou a Washington para mostrar o projeto ao presidente internacional. Saí de lá com um milhão de dólares em equipamentos. Só não sabia como iria fazer a carreta para abrigar aquilo. A ideia do “Transformer” - a logística da Carreta dividida em várias salas que abrem para os dois lados - eu tive no avião. O engenheiro que desenvolveria o projeto estava ao meu lado e ajudou a criar o desenho ali mesmo. Que bacana, o universo começava a conspirar a favor... Pois é, e em 2005 foi criada a Associação Beneficente Ebenézer, uma OSCIP (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público) com a missão de se tornar agente de mudança para o desenvolvimento de um modelo de gestão autossustentável e replicável de saúde, integrada à educação e à comunidade, por meio de parcerias público- A Carreta da Saúde do CIES é um verdadeiro hospital sobre rodas. Como foi a ampliação desse atendimento com a inclusão da Van e do Box da Saúde? A Carreta da Saúde do CIES é um verdadeiro hospital sobre rodas. Com 15 metros de comprimento e dotada de um sistema automatizado que permite a abertura das laterais, atingindo uma área de aproximadamente 100 m², o centro médico móvel possui quatro salas de atendimento climatizadas e com equipamentos de diagnósticos de alta tecnologia, áreas de esterilização, bem como duas amplas áreas de espera, banheiros e elevador para pessoas com dificuldade de locomoção. Possui capacidade de nove mil atendimentos por mês, em 10 diferentes especialidades médicas. Desta forma é possível desafogar o SUS... Exato, principalmente nos exames médicos como endoscopia digestiva, colonoscopia, cirurgia de catarata, exames cardiológicos e diversos tipos de ultrassonografia. Inicialmente tínhamos a intenção de multiplicar a ideia, mas no começo não foi tão simples. Antes era preciso procurar as cidades para apresentar o projeto. Com os prêmios e uma maior divulgação, já somos procurados por municípios. Houve um boom de chamadas, o que nos pressiona para pensarmos em desenvolver mais ideias. Nossa equipe está em constante crescimento e hoje já temos uma consultoria no Rio de Janeiro e estamos montando uma no Vale do Paraíba, em São Paulo. Já criamos locais de apoio fixo em várias cidades. A Van da Saúde veio auxiliar nos atendimentos a partir de 2011... Sim, a ideia surgiu após uma conversa com o secretário de saúde carioca. Embarquei no aeroporto SantosDumont agoniado, pois não sabia como levar a Carreta a lugares como as favelas do Rio de Janeiro. Fiquei pensando nisso durante o voo e, quando cheguei em Congonhas, falei para o engenheiro que me acompanhava: “Vamos fazer uma van equipada!”. Sua capacidade de atendimento vai até duas especialidades médicas e não possui sistema de água e energia autônomo. Porém, tem maior facilidade de locomoção, alcançando regiões montanhosas ou serranas, e pode, até mesmo, ser utilizada como veículo para transporte de pacientes a hospitais, pois possui equipamentos para serviços de emergência. Já o Box da Saúde está sendo lançado agora... Sim. O Box é uma estrutura do tipo container, facilmente transportada por um caminhão, um catamarã ou uma jangada, a fim de servir a população que mora no Alto da Bacia Amazônica, por exemplo. Com ele podem ser realizados atendimentos em um máximo de quatro especialidades, tem uma sala de Raio-X, uma de ecocardiograma e ultrassonografia com banheiro e a recepção. Também possui um sistema de ar condicionado e gerador de energia para emergências, pontos de luz, água da torneira e bueiros, enfim, autonomia para se adequar a qualquer espaço, incluindo praças públicas. E qual é o investimento disso tudo? Os projetos sempre tiveram o apoio de empresas para que pudessem sair do SHOWROOM privadas (PPP’s), diferindo dos modelos atuais, cujo conceito de assistencialismo continua sendo o alicerce principal, altamente dependente de verbas públicas. Somos uma OSCIP formada por amigos, pequenos empresários e profissionais, entre médicos, advogados e contadores, que se uniram em torno da ideia de que a Carreta seria viável. Além do apoio da Olympus, tivemos também a participação de outras empresas, como a Philips e a Engemet, que estão conosco até hoje. Um dos objetivos da Associação Ebenézer foi desenvolver o projeto denominado CIES – Centro Integrado de Educação e Saúde, através da implantação de unidades móveis. A primeira foi a Carreta da Saúde (2009), depois criamos a Van da Saúde (2011) e agora estamos lançando o Box da Saúde. O CIES passou a ser o carro-chefe da Ebenézer. 13 papel. Para que sejam mantidos e sustentados, precisamos de parceiros que nos acompanhem, como a própria Olympus, Philips, Engemet, Brasil Insurance e Abe, Costa, Guimarães e Rocha Neto Advogados. Os custos variam de acordo com o tipo da ação, do número de pessoas atendidas, das especialidades médicas e do tempo da ação. Nosso valor médio por procedimento era de R$ 30 em 2010; R$ 13,84 em 2011 e, em 2012, estamos conseguindo chegar a R$ 3. É importante ressaltar que à minha exceção e à exceção dos membros do Conselho, todos os profissionais que trabalham no CIES são remunerados. Nossa visão é ser um negócio social, o chamado setor dois e meio, em que temos os objetivos de uma ONG com a estrutura de uma empresa. Quais são suas histórias mais marcantes? Temos muitas histórias, mas a que mais me marcou foi a de um senhor que tinha problemas de catarata e saiu da Carreta enxergando. Ele estava há uns três, quatro anos, na fila de espera para fazer a cirurgia. Ele foi até a Carreta e com uma pequena incisão, que agendamos com antecedência, saiu enxergando. Lembro que este senhor chorava de emoção durante o procedimento e tínhamos que pedir para ele parar para completarmos a cirurgia. Foi muito gratificante. 14 Sua iniciativa já lhe rendeu muitos prêmios. O que isto significa para o médico Roberto Kikawa? Além do reconhecimento com os prêmios, conseguimos maior visibilidade e alcançamos cidades que não conheciam nosso serviço. Já o prêmio de Utilidade Pública foi importante para que a Carreta da Saúde e os demais projetos da Associação pudessem se valer dos benefícios da declaração e serem convocados pelo poder público para prestar atendimento em diversas cidades com muito menos burocracia. Conte um pouco sobre o interesse do exterior no projeto CIES... Em recente visita à China no Fórum Econômico Mundial, representantes do país ficaram bastante interessados em replicar a Carreta em diversas cidades. Porém, em países com uma cultura tão diferente é necessária uma série de pesquisas aprofundadas para entender como funciona a saúde local, como se dá o acesso dos pacientes, além de considerar importantes fatores culturais. Quais serão seus próximos passos? Nosso sonho é que o projeto possa ser replicado para várias comunidades, não só no Brasil, mas também em outros países que necessitam deste tipo de atendimento. Queremos também resgatar o objetivo de ser médico na essência, de ter as condições necessárias para fazer uma medicina de alto padrão a toda e qualquer população, principalmente àquelas com risco de vulnerabilidade social mais alto, que se encontram nas regiões periféricas. Não queremos utilizar a tecnologia para substituir o toque do médico, mas sim utilizar estas ferramentas como auxiliares para que o médico possa ter mais tempo para atender o paciente, para ouvi-lo, e realmente fazer uma medicina muito mais humanizada. Nosso sonho é que o projeto possa ser replicado para várias comunidades, não só no Brasil, mas também em outros países que necessitam deste tipo de atendimento. E os híbridos, quando vÊm? Mais uma “jabuticaba”. Embora a fruta jabuticaba esteja presente também na Bolívia, Brasil e Paraguai, Honduras e El Salvador, a palavra “jabuticaba” é usada como gíria para se referir a coisas que só existem no Brasil. A 16 Por Sophia Zahle ssim, são “jabuticabas” a proibição de venda de automóveis de passeio a diesel no Brasil como acontece na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, onde os Volkswagen Jetta, Passat e Golf lideram o ranking dos modelos a diesel mais vendidos. A mais recente “jabuticaba” é a falta de incentivo e interesse para a produção e venda de veículos elétricos e híbridos por aqui, mas eles já estão entre nós, são poucos, caros e, por isso, as vendas são incipientes. A demanda por veículos leves foi de 75.6 milhões de unidades em 2011, com o mundo crescendo pouco e apesar das turbulências na Europa. A previsão da consultoria IHS Automotive é que o mercado global de automóveis leves se estabilize logo e, até 2020, cresça 50%. Em 2025 a demanda prevista é de 115 milhões de unidades. “A urbanização crescente, as pressões ambientais e a mudança no perfil dos consumidores aceleram a busca por eficiência energética e adoção de sistemas sustentáveis de mobilidade e propulsão como elétricos e híbridos”, prevê Paulo Cardamone, diretor da IHS. Para o executivo, ao menos 7% dos veículos vendidos no mundo em 2023 serão elétricos. “Os híbridos ganharão espaço após 2018 e os ‘puros elétricos’ entre 2025 e 2030.” O Brasil ainda está muito atrÁs em termos de inovação Cardamone alerta que mesmo demorando a eletrificação dos sistemas de propulsão, a eletrificação de componentes acontecerá em menos tempo. Segundo ele, isso mudará a base de fornecedores em todo o mundo. As montadoras continuarão liderando, mas as regiões produtoras que não se alinharem à realidade dos elétricos serão ilhas de pouca inovação, alto custo e risco. “O mundo migrará para veículos mais eficientes, mas o Brasil ainda está muito atrás em inovação na comparação com outros mercados, como a Europa, por pura ineficiência na legislação”, explica o executivo, referindo-se ao fato do Brasil cobrar IPI dos veículos com base no tipo de motor que usam. Os veículos elétricos ou híbridos não recebem tratamento diferenciado e são enquadrados na categoria “outros”, sobre a qual incide a alíquota mais elevada. Antes da exigência de 65% de conteúdo regional pagavam 25%, depois da medida 55%. O ideal seria a tributação similar aos econômicos e populares 1.0, que pagavam 7% de IPI. Graças a isso, o Ford Fusion Hybrid, o primeiro Toyota Prius Sem especificar data, a Toyota anunciou que começará a comercializar o Prius no Brasil ainda em 2012. Com o IPI elevado em 30 pontos percentuais e motor 1.8, o preço para o consumidor, especulase, seria entre R$ 100 e R$ 130 mil. No Japão, isento de impostos equivalentes ao IPI e IPVA brasileiros, custa US$ 30 mil. O Prius foi o primeiro híbrido lançado no mundo em 1997, está na terceira geração e vendeu mais de 2,3 milhões de unidades em todo o mundo. Dez por cento das vendas da Toyota no mercado europeu são de veículos híbridos. Só em 2011, nos EUA, a segunda maior montadora do mundo, vendeu 150 mil híbridos. Apenas no mês de março de 2012 as vendas totais de híbridos e elétricos nos EUA alcançaram 48.206 mil carros, um aumento de 28% em relação ao mesmo período de 2011. O Toyota Prius lidera o ranking com 27.800 unidades. Outro player deste mercado, a Honda, que comercializa sete modelos híbridos em cerca de 50 países, já declarou que o percentual de carros híbridos vendidos em relação ao total de veículos comercializados pela empresa chegou a 45% em dezembro de 2011. O Honda Insight, o primeiro híbrido da marca já vendeu mais de um milhão de unidades ao redor do mundo. 4.5 milhões o ano que vem A tendência é de crescimento mundo afora e já em 2013 a estimativa é de que 4,5 milhões de carros híbridos terão sido vendidos. Nos EUA, em agosto de 2009, o presidente Barack Obama anunciou a concessão de US$ 2.4 bilhões em recursos federais para ajudar Ford, GM, Chrysler e outras 45 companhias e universidades na criação de baterias e veículos híbridos e elétricos. Foi criado ainda um subsídio de US$ 7.500 para o consumidor que adquirir um veículo elétrico. A meta de Obama é ver um milhão de veículos híbridos nas ruas norteamericanas até 2015. Na Alemanha também há condições especiais de financiamento e metas para a entrada de veículos elétricos no mercado. Mas o boom de elétricos e híbridos virá da China, onde oito montadoras já apresentaram protótipos de novos modelos híbridos e o governo chinês pretende elevar a produção do país de 2.1 mil unidades para 500 mil híbridos nos próximos três anos. “Seria importante definir uma alíquota de IPI específica para veículos elétricos e seus componentes.” “O Brasil já está na contramão quando deveria acompanhar a tendência mundial em torno desses veículos”, pondera João Paulo dos Reis Velloso, presidente do Ibmec-Mercado de Capitais, professor da FGV e ex-ministro do Planejamento. A razão, explica Reis Velloso, é que veículos híbridos e elétricos representam um novo ciclo de transformação na indústria automobilística mundial. “Se, nesse cenário de ‘inovação radical’, o Brasil ficar de fora, terá grandes perdas em produção e exportações de carros, assim como de autopeças, um setor importante para o País. Estamos atrasados na corrida para o carro elétrico, quando deveríamos estar na vanguarda como em relação ao etanol.” Revolução Veículos híbridos e elétricos promoverão uma revolução na indústria automotiva. O sistema de powertrain (motor e a transmissão) será o mais atingido pela eletrificação, mesmo nos híbridos que não eliminam o motor à combustão. Nesses carros a tração e o motor também são responsáveis por gerar energia. A energia acumulada na bateria, tradicionalmente utilizada para partida do automóvel e para os itens de eletrônica instalada (injeção eletrônica, ABS, airbag, trio elétrico, ar condicionado, alarme etc.), nos híbridos e elétricos alimentam o motor de tração fazendo o trabalho executado pelo tanque de combustível nos modelos convencionais. Para o ex-ministro, incentivos fiscais são cruciais para acelerar a penetração desses veículos, que não se beneficiam de economia de escala e enfrentam elevados custos de baterias. “Seria importante definir uma alíquota de IPI específica para veículos elétricos e seus componentes. Além de incentivar o desenvolvimento tecnológico através de mecanismos como o Creative Catching-Up, isto é, importação de tecnologia, com criatividade. “Isso permitiria tornar o Brasil plataforma de desenvolvimento de produtos para a América Latina, África e países emergentes, em geral.” Uma das razões para a inércia brasileira em relação aos elétricos e híbridos, segundo Velloso, é a grande diferença entre as motivações que encaminham à discussão da introdução desses carros no mercado mundial e no Brasil. “Na agenda mundial essa tecnologia tem como apelo importante a redução da dependência em relação ao petróleo importado e a maior autonomia energética. Já no caso brasileiro, a situação é mais confortável, quer pela autossuficiência em petróleo, quer pela disponibilidade do etanol e biodiesel.” Mas o Brasil precisará acompanhar esse movimento, para se manter como um dos principais produtores mundiais de veículos. SHOWROOM , híbrido (usa motor a combustão em conjunto com um elétrico) lançado no País, mesmo vindo do México, país que mantém com o Brasil acordo de livre comércio, custa modestos R$ 134 mil, 54% mais que a versão com motor 2.5 a gasolina. O preço desanima e o híbrido da Ford vendeu apenas 175 unidades em 2011. 17 Foco no controle de emissões Existe a pretensão de emitir 20% menos gás carbônico (CO2) em relação a 2005, em território paulista. E 18 Por Fernando Calmon mbora o Brasil ainda não tenha alcançado alta taxa de motorização (5,5 habitantes/veículos contra menos de 2 hab./veic. nos países centrais), algumas regiões metropolitanas se aproximam de índices das nações avançadas: no aspecto de cuidados com o meio ambiente ao envolver uma frota de 35 milhões de automóveis e veículos comerciais, além de 12 milhões de motocicletas, até que o País se situa razoavelmente bem. Desde 1986, o Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) provou ser iniciativa de sucesso. Veículos leves com motores de ciclo Otto cumpriram as seis fases de redução de emissões gasosas, que resultaram em queda significativa da poluição. Veículos pesados com motores de ciclo Diesel sofreram tropeços no cronograma. Só agora, em 2012, entrou nos eixos ao estrearem novos motores e combustível de baixo teor de enxofre (50 mg/kg ou 50 ppm). No próximo ano chegará o diesel S10, de apenas 10 ppm de enxofre. A fim de discutir o futuro do controle de emissões, inclusive motos, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva organizou um seminário recente em São Paulo. A fase L-7 para automóveis está prevista para 2015 ou 2016. Teor de enxofre na gasolina (etanol não tem enxofre) será diminuído para 50 ppm em 2014. Abre caminho, assim, aos motores flexíveis etanol/gasolina com injeção direta de combustível. Essa conquista tecnológica exige gasolina de baixo teor de enxofre para se obter economia de combustível e simultâneo aumento de potência, além de cortar emissões. A injeção direta é um sistema de formação de mistura ar-combustível que consegue subverter a lógica de maior potência, maior consumo. A atual injeção indireta representou um passo adiante. Porém, a tendência no exterior é substituí-la, mesmo a custo maior. Ponto interessante do seminário foi a pouca divulgada política do governo de São Paulo para combater gases de efeito estufa, responsáveis por possíveis mudanças climáticas no planeta. Trata-se da iniciativa estadual mais relevante no País, que organiza, em junho, a Conferência das Nações Unidas de Desenvolvimento Sustentável (Rio +20). Existe a pretensão de emitir 20% menos gás carbônico (CO2 ) em relação a 2005, em território paulista. CO2 é subproduto atóxico da combustão de motores convencionais. Os meios de transporte respondem, em média, por um quinto das emissões de efeito estufa no mundo. Não há filtros ou catalisadores: só resolve se reduzir consumo de combustível. São Paulo considera que seu perfil socioeconômico exige maior atenção ao controle da frota. Estima-se que veículos motorizados respondam, no Estado, por cerca de 30% do total de CO2 emitido. Eis algumas propostas para o segmento de veículos leves: ampliação da inspeção ambiental, incentivo ao uso de etanol, programa de renovação e reciclagem de veículos, selo socioambiental nas compras oficiais, ampliação de etiquetagem veicular (consumo de combustível). Para tornar competitivo o etanol, o governo cogita criar a chamada nota fiscal “verde”, emitida nos postos de abastecimento. Afinal, biocombustível de cana anula, praticamente, a emissões de CO2 no escapamento, quando a planta cresce no campo. Não é possível com combustíveis fósseis. Fernando Calmon ([email protected]) é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É reproduzida em uma rede nacional de 65 publicações entre jornais, revistas e sites. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto (Inglaterra). O futuro da Tecnologia da Informação Por Claudia Forgas futuro das novas tecnologias. É essencial aproveitar as sinergias que surgem não só no coração da empresa, mas também aquelas que vêm de fora das nvestir em novas tecnologias é nossas fronteiras. São elas que investir no futuro. Um futuro que nos permitem responder e nos vai ser claramente definido pelos adaptar à globalização. Trata-se de princípios básicos do dinamismo, apoiarmos uns aos outros, a fim da colaboração, da mobilidade, da de agregar mais valor e oferecer segurança e da responsabilidade. serviços de qualidade melhor Uma série de tendências que, e mais abrangente, conforme no médio e no longo prazos, exige o mercado. A manutenção impulsionarão os negócios das do nível de competitividade é organizações. Nesse contexto, TI e telecomunicações desempenharão o que vai nos conduzir para o papel vital na superação de desafios. envolvimento com nosso trabalho, a fim de melhorar e crescer num Empresas que se esforçam para embarcar em novas atividades com ambiente que é cada vez mais versátil e móvel. velocidade, energia e otimismo são as que vão sobreviver e fortalecer-se Mobilidade é outro dos princípios num cenário desafiador. Os clientes básicos e não deve ter limites. Trata-se de permanecer precisam ter acesso a estruturas completamente integrado, de tecnologia que os ajudem a se adaptar continuamente ao mercado mesmo quando não se está fisicamente presente. Se puderem e que se encaixem na atual forma de compreensão do próprio negócio alcançar o sentido mais amplo da mobilidade, as empresas vão e também no ritmo das constantes ganhar mais produtividade, mudanças da vida. Isso significa conquistar novos mercados, que, num futuro definido pelo satisfazer e se antecipar às dinamismo, não há espaço para a necessidades dos clientes. Graças rigidez, dado que a necessidade de às novas tecnologias móveis, se adaptar às novas circunstâncias trabalhamos em um ambiente exige flexibilidade em relação à infraestrutura tecnológica. Somente ideal, independentemente da as empresas que aproveitarem esses nossa localização. momentos para realizar ações e implementar projetos inovadores vão conseguir se destacar e alcançar A mobilidade conduz a outro um alto nível de diferenciação em dos princípios fundamentais: relação ao resto. a segurança. A comunicação móvel deve ser segura em todas as circunstâncias. Já O trabalho em equipe é essencial no estão disponíveis soluções que permitem a comunicação mundo dos negócios, uma vez que melhores resultados só virão se nos possibilita recuperar dados e garantir que a acessibilidade seja cercamos de bons colaboradores monitorada permanentemente, e coordenarmos com eles o nosso assegurando confidencialidade, trabalho. Colaboração é diretriz integridade e autenticidade. importante para a definição do Mobilidade Colaboração O quinto e último princípio básico é também o principal porque define tanto o presente quanto o futuro: a responsabilidade ambiental – essencial para as empresas. Além dos requisitos básicos em termos de energia e redução de emissão de CO2, as soluções verdes de TIC também oferecem possibilidades econômicas e ajudam a reduzir custos. Nesse sentido, as tecnologias têm papel de liderança, uma vez que seu consumo contínuo de energia obriga à constante busca por novas maneiras e atitudes que ajudem a respeitar o meio ambiente, criando um mundo mais responsável e sustentável. Em resumo, é hora de aproveitar ao máximo as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias e oferecer o máximo de informações às empresas, para que compreendam os verdadeiros benefícios que trazem consigo. A meta é difícil, mas é mais do que possível. Apenas temos de nos manter comprometidos com as melhorias, em vez de ficarmos parados esperando que a tempestade passe. Esses cinco princípios básicos são os pontos-chave que nos prepararão para o futuro. Claudia Forgas é gerente de Marketing da T-Systems do Brasil. SHOWROOM I Fazer previsões em tempos de estabilidade é relativamente fácil. Mas prognosticar quando e quais mudanças ocorrerão no cenário econômico está se tornando especialmente complicado. As Tecnologias da Informação e Comunicação têm sobrevivido a sucessivas crises, graças aos esforços do setor em continuar desenvolvendo soluções e aplicações inteligentes e comprometidas com os negócios de seus clientes. 19 Monitorar o planejamento para eliminar surpresas O maior problema das surpresas é a empresa não possuir os recursos necessários para enfrentá-las. Mesmo as boas surpresas podem acarretar sérios problemas para a companhia. A 20 Edgard Bello s surpresas nos negócios são inevitáveis. Elas não escolhem hora para acontecer e geralmente pegam as empresas desprevenidas e nem sempre os gestores conseguem lidar com a nova situação de uma forma adequada. Na verdade, ninguém deseja que as suas metas não sejam atingidas ao chegar o último dia de cada mês. Mas, se as surpresas acontecem, como podemos nos preparar para elas? Dependendo da característica de cada negócio, a resposta pode variar significativamente. O que devemos ter sempre em mente é que o planejamento pode sofrer alterações e ajustes durante o tempo e que análises do tipo “e se”, são fundamentais. Nem sempre o que foi planejado será possível de ser realizado. Outro tipo de situação - que o mercado costuma definir como “bom problema”, é a equipe de vendas conquistar novos clientes em determinado período quando a produção não está preparada para atender demandas elevadas. Em todos os casos, o maior problema das surpresas é a empresa não possuir os recursos necessários para enfrentá-las. Mesmo as boas surpresas podem acarretar sérios problemas para a companhia. Este tipo de ocorrência é notado em vários mercados e, mais recentemente, em negócios mantidos pela Internet, onde o anúncio de um produto ou serviço pode registrar procura além do previsto. Se a empresa quer estar preparada para as possíveis surpresas desagradáveis, o melhor a fazer é reunir todas as informações possíveis sobre o público alvo, possíveis oscilações de mercado, variantes diversas que podem influenciar o planejamento e simular a combinação de algumas possíveis variantes em cenários para o planejamento da tomada de decisão no momento certo. Mas, os executivos brasileiros podem ter na ponta dos dedos - ou de um clique - o acesso aos dados de uma campanha de vendas, de um cliente, um demonstrativo de resultados, de forma extremamente ágil e a um custo muito baixo. de possíveis variantes para as analises “e se”. Com o advento da “computação na nuvem” a oferta deste tipo de ferramenta aumentou e os executivos brasileiros podem ter na ponta dos dedos - ou de um clique - o acesso aos dados de uma campanha de vendas, de um cliente, um demonstrativo de resultados, de forma extremamente ágil e a um custo muito baixo. Evitar surpresas é o que se consegue através de uma ferramenta de CPM. Para isso, é necessário ter em mente que as variantes dos negócios não avisam quando irão surgir. Cabe ao gestor estar atento às oscilações e estar preparado, com os recursos necessários para dar a resposta que a situação exige, através da criação de infinitos cenários com simulações de possíveis situações para o estudo da tomada de decisão para cada caso. Você pode fazer tudo isso com base em planilhas eletrônicas, mas, certamente levará muito mais tempo e não terá a confiabilidade, mobilidade e a colaboração em tempo real necessárias que o seu negócio exige. O segredo e o conceito geral de hoje é a sua capacidade de automação. Com a “computação na nuvem”, ele ganha novos horizontes e os negócios agradecem. Edgard Bello é CEO da ODE Peopleware, fornecedora no Brasil do Adaptive Planning SHOWROOM como organizar estas informações? Como criar possíveis cenários e suas variantes? A resposta pode estar no uso de ferramentas avançadas de planejamento, tradicionalmente conhecidas como ferramentas de CPM - Corporate Performance Management. Com a evolução dos negócios, a indústria de tecnologia já oferece várias opções aos gestores de planos orçamentários. O segredo está em como avaliar qual delas é a mais adequada ao seu negócio. Mesmo com os modelos de negócios sofisticados, as metodologias de planejamento e previsões se mantêm por décadas. A variante está na capacidade da ferramenta em permitir aos gestores dar respostas rápidas e imediatas às surpresas do dia a dia corporativo. Então, podemos afirmar que o gerenciamento do desempenho dos negócios é a chave do sucesso do planejamento e, consequentemente, da companhia. A cada nova condição que devemos incluir em nosso planejamento, a ferramenta tecnológica deve oferecer de forma simples e ágil condições para adequação da lógica da ferramenta para a continuidade do planejamento futuro, sem a dependência de pessoal especializado em tecnologia, seja interna ou de consultores externos. As ferramentas de Corporate Performance Management (CPM) possibilitam o planejamento de ações futuras baseado na criação de cenários com a simulação da combinação 21 Será que agora vai? 24 Ao contrário da primeira fase do regime automotivo, anunciada em setembro de 2011, que desagradou 9 entre 10 players da indústria automotriz por apostar no protecionismo, sobretaxando veículos importados ou com baixo conteúdo nacional - ao invés de atacar problemas que afetam a competitividade do veículo -, a segunda fase, comunicada às vésperas do feriado de Páscoa, agradou à maioria, mas pode não ser suficiente. Por Rosângela Lotfi o III Fórum da Indústria Automobilística, promovido pela Automotive Business, que aconteceu pouco mais de uma semana depois do anúncio do novo regime, em 9 de abril último, o tom era de otimismo e precaução. A Anfavea já havia se manifestado e comemorou a Medida Provisória 563 e o decreto 7716, batizada pelo governo de “InovarAuto”. O presidente da entidade que reúne as montadoras, Cledorvino Belini disse tratar-se de uma medida de longo prazo (até 2017) que “não resolve todos os problemas de competitividade da indústria, mas vai ajudar bastante as empresas que investem em inovação e traz um horizonte positivo para o setor.” O presidente do Sindipeças, Paulo Butori, afirmou que a melhor notícia foi a desoneração da contribuição previdenciária patronal da folha de pagamentos (20%) neste e em outros setores intensivos de mão de obra. “A desoneração da folha de pagamentos é uma grande vitória, o Sindipeças vem lutando por isso há anos. Vai dar mais competitividade e as empresas devem usar esses recursos para fomentar parques industriais mais modernos, para crescer e para fazer frente ao mercado interno estimado em 5 milhões de unidades em 2018.” Segundo o dirigente, o impacto dos salários e seus encargos é de 26,4% dos custos do setor, matérias-primas 55,5% e outros custos 18,1%. “Mais do que tudo é o reconhecimento pelo Estado brasileiro de uma situação difícil que o setor enfrenta. A falta de competitividade é motivada, em grande parte, pelo câmbio, mas, sobretudo pelo Custo Brasil. O País deixou de ser competitivo. As autopeças não são competitivas, mas se o freio da alíquota de importação fosse tirado às montadoras de automóveis, estariam em uma situação ainda mais delicada, tanto que as exportações caem mês a mês. Como diz Rogélio Golfarb (executivo da Ford e ex-presidente da Anfavea) ‘Quem não é capaz de exportar, não freia as importações. ’” Altos custos Há grandes desvantagens no Brasil comparativamente a outros países, a começar pela excessiva carga tributária sobre os veículos. Outro fator que aflige os empresários é o alto valor da energia elétrica, que custa exatamente o dobro do que nos Estados Unidos, por exemplo. Além dos citados, Paulo Butori enumera outros fatores prioritários: custos logísticos, falta de escolaridade básica e de qualificação da mão de obra. Na mesma semana em que o governo anunciou o pacote de benefícios, a consultoria KPMG divulgou a pesquisa “Competitive Alternatives” que aponta o Brasil como o lugar mais caro para fazer negócios, entre os países considerados emergentes e que têm apresentado alto crescimento econômico. A pesquisa levantou 26 itens relevantes para o ambiente de negócios e comparou com uma base de referência que são os Estados Unidos (base 100). Os custos no Brasil são apenas 7% mais baixos em relação aos Estados Unidos, enquanto a China, que lidera a lista, tem custos 25,8% menores que os dos norte-americanos, seguida pela Índia (-25,3%), SHOWROOM N “A indústria brasileira não irá sobreviver sem uma mudança da atual carga tributária e inviabilizará um potencial de mercado de automóveis que poderia ser o dobro do volume de hoje já em 2018.” 25 26 México (-21%) e Rússia (-19,7%). Paulo Cardamone, diretor da consultoria IHS Automotive, viu de forma positiva as medidas do Inovar-Auto, mas alerta que a posição competitiva do Brasil tem que ser equacionada num horizonte máximo de cinco anos. Para ele a indústria automotiva vive o que ele chama de “Efeito Telma” (Transformação excessivamente lenta da manufatura automotiva). “Estamos nos escondendo atrás do ataque do câmbio e do atraente mercado doméstico brasileiro por não termos executado, no passado recente, as reformas estruturais. Protege-se uma indústria ineficiente pela quebra de regras e acordos, privilegia-se ações pontuais que potencializam a desindustrialização do setor, enquanto deveríamos estar regulando o custo de matéria prima e incentivando a criatividade e a inovação, eliminando o peso fiscal incidente sobre investimentos, em equipamentos e bens de capital e combatendo a carga tributária. A indústria brasileira não irá sobreviver sem uma mudança da atual carga tributária e inviabilizará um potencial de mercado de automóveis que poderia ser o dobro do volume de hoje já em 2018.” Mais medidas Durante o Fórum, todo o setor esperava entender as minúcias do pacote e o impacto para os negócios. Paulo Butori, que ainda aguardava o anúncio de mais medidas especificas para as autopeças e o detalhamento desta segunda etapa, concordou com Cardamone: “Impostos, custos logísticos e qualificação de mão de obra são coisas básicas que precisam ser equacionadas. Não acontecerá neste governo; a presidente Dilma, assim como seus antecessores FHC e Lula, desperdiçou o cacife precioso do primeiro ano de governo e não endereçou as reformas estruturais que o País precisa.” Só em 2013 as medidas começarão a valer e perdurarão até 2017. Naturalmente, as montadoras estabelecidas há mais tempo no País como a Volkswagen, Ford, Fiat e General Motors serão as mais Incertezas Para Renato Crespo, “haverá incremento da capacidade instalada, newcomers e também novos fornecedores. O próximo passo, acredito, seria o da demanda. Nos Brasil precisa continuar sendo um importante competidor próximos anos haverá uma capacidade instalada maior que a demanda e o governo precisa olhar para isso”, disse, referindo-se a um gargalo presente que já preocupa: o arrocho no crédito de financiamentos de automóveis, causado pelo aumento da inadimplência que, por sua vez, estagnou as vendas. Outra dúvida das montadoras é saber se os fornecedores terão fôlego para fazer frente ao aumento da demanda por componentes regionais. Os fabricantes dizem que para cada US$ 100 que investem, as autopeças aportam US$ 52. Paulo Butori afirma que há capacidade ociosa nas autopeças, agravada pela queda nas exportações. “O setor está trabalhando com 60% da capacidade instalada. Sempre que fomos requisitados aumentamos a produção. Já partimos de 900 mil unidades/ano para 1.800 milhão em cinco anos e com índice de nacionalização entre 80 a 90% sem interferência governamental. O produtor de autopeças está sempre disposto a responder à altura. Até 2017, o índice de compras de peças feitas no Brasil poderá chegar a 45%, mais que o dobro do atual”, estima. O que todos anseiam é que o Brasil continue a ser um importante competidor no cenário mundial. De acordo com Paulo Cardamone, o mercado mundial de veículos leves - que em 2011 vendeu 75,6 milhões de unidades em todo o mundo - tem perspectiva de crescer 50% ao ano até 2020, com volume estimado em 115 milhões de unidades em 2025. “Diante deste cenário, os países integrantes do Brics serão responsáveis por mais de 42% das vendas e aumento na participação global dos segmentos A, B e C. A projeção, segundo o executivo, é de que haja um crescimento constante por causa da recuperação dos mercados desenvolvidos e, mais uma vez, puxados pelos Brics, que devem investir fortemente nos próximos anos, principalmente em infraestrutura.” O mercado brasileiro, segundo Cardamone, será de 3,5 milhões de unidades em 2012. Em 2018, o volume de vendas no Brasil deve chegar a 5,1 milhões de unidades, o que, segundo o executivo, será sustentado por um investimento total de US$ 24,5 bilhões para a produção local. “O Brasil continuará a se posicionar como um dos países mais importantes no contexto global da indústria nos próximos anos, sustentado pela força de seu mercado, mas com a urgência de buscar soluções para aumentar sua competitividade. Este é o grande desafio do País”, afirma. SHOWROOM beneficiadas. Renato Crespo, gerente de suprimentos da VWB, disse que a montadora recebeu as medidas positivamente. “É um avanço o governo olhar atentamente essa indústria importante para o País, mas ainda falta entendimento.” Segundo Crespo, na Volkswagen esse índice de conteúdo regional já é maduro, 90% das compras são locais. “Estamos aqui há 59 anos, fizemos desenvolvimentos consistentes, temos modelos líderes de mercado por muitos anos e isso não é possível sem fornecedores locais.” Na Fiat, afirma José Franscisco Romero, o índice de conteúdo local é de 98%. “Só não compramos aqui componentes de eletrônica embarcada.” Ambos reiteram que logisticamente é impossível “tocar” uma fábrica com 50% ou mais de conteúdo importado, graças à ineficiência nos portos. Outra impossibilidade é aumentar a competitividade sem investir em diminuição dos custos e no aumento da produtividade, inclusive da infraestrutura nacional. 27 Patrimônio mundial da Unesco, paisagens lunares e pistas de esqui. Tudo na Bolívia Uma das culturas mais antigas do planeta está bem ao nosso lado. A Bolívia é uma bela opção de turismo para quem quer neve, paisagens incríveis e muita história para contar. L 30 Por Carolina Gonçalves a Paz é a capital mais alta do mundo, a 3.650 m do nível do mar. Faz frio o ano todo, mesmo no verão, quando os termômetros não ultrapassam 20ºC. Do avião já se vê os picos nevados da cordilheira dos Andes. É de arrepiar. Também se vê a cidade, num cânon escavado pelo rio Chuquiyapu, que a protege dos ventos do altiplano. Um lugar tão alto causa um certo desconforto no começo. Mas resista, porque no segundo dia já fica melhor. O chamado soroche, ou mal de altitude é causado pela falta de adaptação do organismo à hipóxia (diminuição das taxas de oxigênio) da altitude. O ideal é esperar a adaptação com um pouco de repouso, dieta leve e líquidos. A cidade foi fundada em outubro de 1548, como Nuestra Señora de La Paz, um pouco mais ao norte da sua localização atual, perto do lago Titicaca. Tem muitas atrações turísticas. Andando pela rua se veem casas antigas em contraste com os prédios modernos recém construídos. Comece pela casa de Murillo, que foi residência de Pedro Domingo Murillo, líder da revolução de 1809 contra os espanhóis. Preservada, exibe coleções de arte colonial, móveis e objetos, como tecidos, instrumentos musicais e utensílios domésticos de vidro e prata, retratando a antiga aristocracia boliviana. Artefatos pré-hispánicos O Museo de los Metales Preciosos é uma bela construção do século XVI. Também conhecido como Museo del Oro, tem quatro salões. O acervo tem diversos artefatos pré-hispânicos em ouro, prata e cobre. Mas também exibe cerâmicas, objetos da cultura Tiwanaku, máscaras funerárias e uma múmia. Já o Museo Costumbrista “Juan de Vargas” está num casarão colonial restaurado. Miniaturas, esculturas em cerâmica, fotos, maquetes, roupas e móveis de época contam a história de La Paz, desde a sua fundação. As antigas culturas bolivianas estão no Museu Nacional de Arqueologia, também chamado Museu Tiwanaku. Vale a pena visitar, antes de ir ao sítio arqueológico, para entender melhor o local. A cidade ainda tem mais museus como o Litoral Mercados atraentes A cidade tem ainda mercados que valem a visita. O Mercado Negro tem de tudo. Mas o mais interessante é o Mercado de las Brujas, onde se encontra tudo para um ritual de feitiçaria índia. Como as barraquinhas das bruxas atraem muitos turistas, pode-se comprar outros produtos ao redor, como roupas de lã, tapetes, cerâmicas, joias de prata e todo tipo de suvenir. Outro bom lugar para fazer compras é a Calle Sagárnaga, onde se encontra prataria, artesanato, roupas de lã ao lado de hotéis, agências de viagem, cafés e lanchonetes. A rua não é linda, mas os turistas se divertem... A Catedral Nuestra Señora de La Paz foi construída em 1831. Seu estilo neoclássico é suntuoso e contribui para criar um clima de paz. Já a Igreja de São Francisco, em estilo barroco, é deslumbrante. Construída em meados do século XVIII, abriga uma pinacoteca com obras renascentistas, barrocas, maneiristas e neoclássicas. As Peñas: onde tudo é dança Para conhecer um pouco da cultura, vá a uma peña. São espetáculos de danças folclóricas, com música ao vivo em bares modestos que servem comida típica. Começam logo no início da noite e estende-se até depois da meia-noite. Pode-se optar por só ver o show, sem jantar. A mais famosa é a Peña Huari. A partir de La Paz você pode fazer vários passeios. A 15 km está o Valle de la Luna. A erosão nas rochas calcárias cria uma paisagem lunar bem interessante. Mas se a pedida é esquiar, arrume seu equipamento e vá para Chacaltaya, que fica a 35 km de La Paz. É a pista mais alta do mundo! As altitudes variam entre 5.283 m e 5.486 m, na Cordilheira Real. Dali se tem uma vista maravilhosa dos altíssimos picos nevados vizinhos, como o Illimani, o Mururata e o Huayna Potosí. Para ver mais picos, vá a La Cumbre. O passeio de 2 horas leva à área nevada de um dos picos e a vista é deslumbrante! O mais importante sítio arqueológico Um pouco mais longe, a 70 km, está Tiwanaku, ou Tiahuanaco, o mais importante sítio arqueológico da Bolívia, a 3.843 m. Esta civilização é um dos mais importantes precursores do império Inca. Foi a capital administrativa e ritualística de um grande SHOWROOM Boliviano, dedicado à Guerra do Pacífico, travada contra o Chile em 1879, quando a Bolívia perdeu seu litoral. O Museo de la Coca, dedicado às propriedades terapêuticas da folha de coca, muito consumida no Altiplano. O Museo Nacional de Arte, no Palácio de los Condes de Arana, construído em 1775, com arquitetura barroca. 31 poder regional por mais de cinco séculos. Próximas à margem sudeste do lago Titicaca, as ruínas da cidade ancestral foram registradas pela primeira vez pelo conquistador espanhol Pedro Cieza de León, em 1549, quando buscava uma capital inca. Acredita-se que a área pode ter sido habitada desde 1500 a.C. Mas foi entre 300 d.C. e 1000 d.C. que Tiwanaku cresceu muito em poder e influência. Entre 300 a.C e 300 d.C. foi o centro moral e cosmológico ao qual muitos faziam peregrinações. Deste poder cosmológico veio o poder do império. Tanto, que muitos acreditam que o nome derive de uma palavra que significava pedra do meio, como se a região fosse o centro do mundo. Mas a verdade é que não se sabe como os habitantes se autodenominavam, uma vez que não deixaram escrita. Pedras de até 100 toneladas 34 A cidade teve uma extensão máxima de seis quilômetros quadrados e teve, no apogeu, algo como 40 mil habitantes. Seu estilo de cerâmica único é encontrado numa vasta região que cobre a Bolívia, o Peru o norte do Chile e a Argentina, demonstrando sua influência cultural. Esta civilização também é precursora das grandes construções monolíticas da América do Sul. Pedras de até 100 toneladas foram cortadas, entalhadas e esculpidas, encaixando-se umas às outras com precisão e engenhosidade raras. O estilo original da arte Tiwanaku tem um paralelo com o estilo da cultura Huari, que juntas definem o período médio do horizonte das culturas pré-incaicas. São muitas as teorias que tentam explicar a arquitetura original, especialmente dos portais em diferentes tamanhos, mas sempre respeitando a proporção. Tiwanaku é o passeio ideal para curiosos, que gostam de maravilhar-se com as diferentes manifestações artísticas da humanidade. Filhos do “deus Sol” O Lago Tititaca, com 8.300 km² é o segundo mais extenso do mundo. Perde só para o Lago de Maracaibo, na Venezuela. Está a 3.821 m acima do mar, sendo o lago comercialmente navegável mais alto do mundo. Fica no altiplano dos Andes, na fronteira do Peru Origem do nome Copacabana Seguindo no entorno do lago está Copacabana, cidade de onde partem os barcos para a Ilha do Sol, no centro do lago, com o complexo Chinkana de ruínas incas e a Fuente del Inca, que preservam a arquitetura précolombiana. Copacabana, que faz fronteira com o Peru, está a 3.841 m acima do nível do mar e a 155 km de La Paz. A Catedral dedicada a Nossa Senhora de Copacabana, padroeira do país, tem uma das imagens mais cultuadas da Virgem Maria. É muito bem conservada, com grandes quadros e pinturas religiosas. O altar recoberto com ouro e prata reluz por toda a igreja. Uma curiosidade: conta-se que no século XIX, uma réplica local da imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi levada por comerciantes ao Rio de Janeiro. Criaram uma pequena igreja para abrigá-la, que acabou nomeando o bairro carioca. Esta é uma das versões para o nome no Brasil. A Copacabana boliviana tem boa infraestrutura para turismo. A vista é belíssima do alto do Morro do Calvário. A maior planície salgada do mundo No sudoeste da Bolívia está o Salar de Uyuni, a maior planície salgada do mundo. Há cerca de 40 mil anos a área era parte do enorme lago pré-histórico Michin. O lago secou e deixou dois lagos remanescentes, Poopó e Uru Uru e dois desertos salgados, o Coipasa e o Uyuni. O Salar tem em torno de 12 mil m² e 10 bilhões de toneladas de sal. Além da extração, o Salar é um importante destino turístico, com a ilha do Pescado, que tem formações de recifes e cactos de 10 metros de altura. No verão, o Salar abriga flamingos de três tipos diferentes: o chileno, o andino e o flamingo de James. Eles vêm para a temporada das chuvas e do degelo, que cobrem o Salar de água, com profundidade de 30 cm. Torna-se um espelho, onde céu e água confundem-se no horizonte. Mas no período da seca, o passeio é ainda mais exótico. Num mesmo passeio pode-se conhecer lagoas de águas termais e gêiseres que exalam vapor a 38º C. Acredita-se que a origem do sal a 3.650 metros acima do mar esteja relacionada aos vulcões ao redor. Fronteira brasileira Indo em direção ao centro do continente, chega-se no Parque Nacional de Noel Kempff Mercado, no departamento de Santa Cruz, junto à fronteira com o Brasil. O parque homenageia o pesquisador que fez muitas descobertas ali e é declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2000. São mais de 15 mil km² com uma das maiores biodiversidades do mundo. Fauna e flora variadas têm mais de 400 espécies de plantas vasculares, 130 espécies de mamíferos, 620 espécies de aves e 70 espécies de répteis. Também perto do Brasil está a região de Chiquitos. São seis cidades fundadas pelos missionários Jesuítas entre 1696 e 1760 e preservadas. Foram encontradas na região partituras de música barroca transcritas pelos índios. Todos os anos acontece um festival de música barroca nas igrejas da região. Seis delas, San Francisco Javier, Concepción, Santa Ana, San Miguel, San Rafael e San José, foram declaradas Patrimônio Mundial ela UNESCO em 1990. Grande construção monolítica O sítio arqueológico de Samaipata, a 2 mil metros de altitude abrigava antigos rituais indígenas. Ali seria o centro cerimonial de uma antiga cidade, sobre uma colina. Considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO, em 1998, reúne uma enorme rocha esculpida e um complexo de estanques e canais. É uma das maiores construções monolíticas do planeta e representa de maneira única as tradições e crenças précolombianas. O Nevado Sajama é o monte mais alto da Bolívia, inserido na Cordilheira dos Andes, a mais larga do mundo, que atravessa todo o litoral pacífico da América do Sul. Ele é um estrato vulcão – em forma de cone – extinto, com 6.542m de altitude. Escalada só com guias locais A Salar de Coipasa, no departamento de Oruro na parte centro-oeste do planalto andino, está a 3.657 metros. É o quinto maior salar contínuo do mundo e o segundo da Bolívia. Rodeia todo o lago de Coipasa, cercado por rochas vulcânicas e está conectado ao Salar do Uyuni. Licancabur é um vulcão entre o Chile e a Bolívia, perto de San Pedro do Atacama, no Chile e a sudoeste da Laguna Verde, na Bolívia. Ali também fica o Salar de Atacama. O vulcão semiativo domina a paisagem com 5.916 m de SHOWROOM com a Bolívia. Suas águas profundas recebem mais de 25 rios que deságuam no lago, em torno de 41 ilhas, algumas povoadas. Mas o lago é alimentado pela chuva e pelo degelo das geleiras do altiplano. Segundo uma lenda dos Andes, a civilização Inca nasceu no lago, na Ilha do Sol, apontada pelos filhos do “deus Sol” como o local ideal para seu povo. Os incas dominaram a região entre os séculos XII e XVI, quando houve a invasão espanhola. 35 de altitude. A escalada só pode ser tentada com guias locais. Já a Laguna Verde é um lago de sal, visitado por flamingos que parecem dançar no sal. A cor verde é resultado dos sedimentos que contêm minerais de cobre. O lago está a 4.300 m e o cenário é espetacular, com fontes termais. Potosí já foi a cidade mais populosa do mundo Potosí é capital da província de Tomás Frías e do departamento de Potosí. A divisão política da Bolívia tem departamentos, divididos em províncias. Potosí é pequena e está a 3.967 metros de altitude. É uma das cidades mais altas do mundo. A cidade tem um incrível patrimônio arquitetônico, onde destacam-se a Catedral Gótica, a Casa da Moeda e a Universidade Tomás Frías. Baseada na extração de prata, a cidade, fundada em 1546 alcançou seu apogeu no século XVII, como a cidade mais populosa do mundo, só perdendo para Paris, naquele então. E a mais rica. A prata esgotou-se por volta de 1825 e a população diminuiu muito. Potosí voltou a crescer no começo do século XX por causa da exploração do estanho. A cidade conta muitas lendas sobre a prata e o Cerro Rico, montanha de onde o metal era extraído. Vale a pena a visita. A cidade branca das Américas 36 Sucre, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1991, é uma cidade histórica, fundada em 1538, com o nome de Vila da Prata. Conhecida como a cidade branca das Américas por estar perto da Cordilheira dos Andes, tem edifícios com mais de 200 anos. Vale visitar o Mercado Central, com produtos variados e exóticos O Museu Casa de la Libertad é um dos mais importantes da Bolívia. Lá foi assinada a primeira ata da independência do país e abriga muitas relíquias históricas. Na mesma Plaza 25 de Mayo estão o Museu de História Natural, a Catedral Metropolitana e a Igreja de San Francisco, que conserva a “campana de la libertad” – o sino que chamou para a revolução em 25 de maio de 1809, que foi a primeira da América. A cidade tem ainda o Museu Universitário Charcas que abriga dois acervos, um colonial e outro antropológico, num prédio do século XVII. Logo alí Santa Cruz de La Sierra é a cidade mais conhecida dos brasileiros, pela proximidade com nosso país. Maior que a capital La Paz, é a única com mais de 1 milhão de habitantes, sendo que na região metropolitana passa de 2 milhões. Fundada em 1561, tornou-se motor econômico do país. Gente de toda Bolívia vai para lá em busca de oportunidades. Essa diversidade cultural contribuiu para que a cidade tenha boa tradição gastronômica. Lá você pode provar majao, locro, patasca, e as bebidas somó e chicha. E as arepas, deliciosas. A terceira maior cidade da Bolívia é Cochabamba, com cerca de 600 mil habitantes. A 2.560 metros de altitude, é uma cidade universitária. Sua primeira universidade foi fundada em 1826. Por tudo isso, deixe o preconceito de lado e vá conhecer a Bolívia. Você vai se surpreender. Brasileiros não precisam de visto, mas é preciso tomar vacina contra febre amarela. Vamos copiar a China Por JOEL LEITE omo a China consegue produzir a baixo custo e vender a preços tão baixos? Qual o segredo que faz esse gigante enfrentar, em todas as áreas do conhecimento, o império mais poderoso de todos os tempos? Para entender a China é preciso se desprender dos conceitos ocidentais. O país passou do império para um governo centralizado e em seguida para o comunismo, nunca experimentou uma democracia tal qual o Ocidente considera o regime ideal. Assim, o conceito de liberdade (individual ou empresarial) no país não é exatamente o mesmo que no Ocidente. Para os teóricos do capitalismo, liberdade é o direito de ir e vir, mesmo que isso signifique permitir migrações que transformem cidades em caos social, deixando as pessoas à própria sorte. Talvez por isso eles não entendam por que o regime chinês “proíbe a migração”: na China o cidadão só muda de cidade com autorização do governo e faz isso com destino certo: emprego e salário garantidos, casa para morar, escola para as crianças, lazer e outros privilégios que o povo de países capitalistas não tem. O interior do país, cortado por autoestradas recém construídas, é um canteiro de obras. Você tem a impressão que todos os guindastes do mundo estão na China. Edifícios de dezenas de andares são construídos aos montes, um ao lado do outro, em blocos de 30, 40 unidades. Em meses, áreas rurais se transformam em bairros urbanizados. A organização permite o planejamento necessário para promover uma sociedade mais ou menos igualitária e evita a criação de “oportunidades” que deturpam os custos de produção e levam os preços a patamares inaceitáveis. Claro que isso não explica tudo, mas é um sintoma do jeito com que os chineses tratam a coisa pública. O executivo chinês é a antítese do ocidental. Viaja na classe econômica, sem assistentes ou seguranças. Vai de van do aeroporto para o flat, maleta de mão com um terno e três camisas: se a roupa sujar, manda lavar, nada de comprar outra. No fim do dia, abre o computador e “trabalha na China”, onde o dia está começando. Os custos e os preços são desprezíveis para os padrões ocidentais. O frete de um contêiner da China para o Brasil custa U$ 1,2 mil; de Santos a São Paulo custa R$ 2 mil. Um almoço no Din Tai Fung (um dos dez melhores restaurantes do mundo, segundo o New York Times), na Kan Jin Rd, a rua das lojas de grife de Shangai, sai por R$ 50,00 por pessoa. Um carro popular U$ 4 mil, uma bicicleta elétrica, R$ 800,00. Em 1995, quando conheci a China, o plano de Deng Xiaoping - que tinha como meta fazer da China o maior país do mundo até 2050 - ainda soava como uma piada. Agora em 2012, quando retornei ao país, percebo que ninguém duvida que o país vai dominar o mundo ainda antes do planejado. Moderna e poderosa, a China consegue, criando a própria tecnologia ou copiando do Ocidente, ter o maior número de bilionários do mundo, e ao mesmo tempo distribuir a riqueza para uma população continental, de quase 1,5 bilhão de pessoas. Precisamos fazer como eles e copiar esta receita. Joel Leite é jornalista, formado pela Fundação Cásper Líbero, com pósgraduação em Semiótica, Comunicação Visual e Meio Ambiente. Diretor da Agência AutoInforme, assina colunas em jornais, revistas, rádio,TV e internet. Não tem nenhum livro editado e nunca ganhou nenhum prêmio de jornalismo. Nem se inscreveu. SHOWROOM C O negócio é fazer como os próprios chineses: copiar a receita que está transformando o país no mais poderoso do mundo. 37 Memória só para o bom E 38 A memória é uma dádiva e ao mesmo tempo uma maldição. Já pensou como seria horrível lembrar tudo ao mesmo tempo? A gente seria dado como louco, sendo louco mesmo. Seria uma terrível confusão de imagens e vozes em nossa cabeça... Por Maria Regina Cyrino Corrêa u fiz uma pesquisinha rápida no “grande irmão Google” e entendi que a memória se forma a partir de estímulos sensoriais. Todos os seus órgãos dos sentidos recebem informações que você armazena por um período. Mas você só “arquiva” as coisas que chamam a sua atenção. Ou seja, você “escolhe” o que guardar. Lógico que eu sou leiga e provavelmente não entendi a metade do que eu li, mas acho que contado assim faz sentido. Pelo menos pra mim. Muita gente se queixa de ter memória ruim, sem se dar conta de que hoje em dia você é praticamente obrigado a ter boa memória. Pense nos números que sabe repetir e digitar sem olhar uma cola... CPF, RG, senhas de cartões e bancos, senhas de internet. Sem falar nas letras enormes de músicas complexas que sabemos de cor! Para quem gosta do Renato Russo, por exemplo, decorar o “Faroeste Caboclo” deve ser um grande exercício! Eu tenho muito boa memória para fatos específicos da infância. Lembro de coisas de quando tinha 2, 3 anos. Já para fatos recentes minha memória é um lixo. Não consigo me lembrar do que jantei na sexta-feira (e estou escrevendo na quarta...). Mas eu também tenho memória seletiva. Lembro sempre de coisas boas. Não sou do tipo que remói o passado, guarda mágoas... Às vezes, minha mãe me dizia: “mas você é amiga desta pessoa de novo? Não lembra o que ela fez?” Não! E não precisa me contar! Memória é para lembrar viagens maravilhosas, beijos, abraços, comidas que enchem a boca d’água só de pensar. Lembrar festas, músicas, namoros... Carros novos, roupas chiques. Histórias vistas em filmes lindos e tristes, lidas em livros eletrizantes. Mas não para lembrar dores. “A memória focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade.” Assim a Wikipedia define a memória. Bom, se deteriora-se com a idade, eu vou ter que usar crachá... Mas se gasta energia, acho que deve ser bom. Exercício é sempre para o bem. Também acho que tem certas memórias que são irretocáveis. Então, não tente repetir uma experiência que foi muito boa. Você vai acabar decepcionado. Por exemplo, se eu como uma comida maravilhosa num restaurante, nunca mais peço o mesmo prato. Não vai ser igual! Com pessoas, a mesma coisa. Tem pessoas que são para uma conversa única, mágica! A gente vai se lembrar para o resto da vida do olhar, do perfume, vai suspirar se ouvir uma música que tocava na época... Não sei se vou durar muito, mas se for para ficar velhinha, quero ter um bom estoque de boas lembranças. Eu me lembro que uma vez estava em Salvador, no Farol da Barra. Era o último dia de férias e eu olhei aquele mar prateado maravilhoso e pensei: se na hora da morte a gente revê tudo o que viveu, quero ver muitos mares assim. Desde então, encho a minha memória de coisas bonitas e catalogadas. Boas sensações, odores, sentimentos. Acho que manter o foco na desgraça e na tragédia, nas traições e decepções não pode ser produtivo, nem para a memória nem para mais nada na vida de alguém. Tem um caso interessante de uma amiga que trabalhou comigo no mesmo lugar, na mesma época, de onde nós duas fomos demitidas. Eu fui muito feliz lá! Já a lembrança dela é de que o lugar era um “ninho de cobras”, onde todos conspiravam uns contra os outros. Não sei qual versão era a verdade, mas acho que o fato de não focar no lado ruim me ajuda a ser mais feliz. E minhas lembranças são sempre as melhores, porque só ocupo meu hard disk com as coisas boas. Maria Regina Cyrino Corrêa, jornalista, publicitária, cultiva lembranças fantásticas de Paris... [email protected] http://felllikeaqueen.blogspot.com.br/ O vazio das redes sociais onfesso que sou e estou pouco familiarizado com as redes sociais na internet. Tema de filme vencedor de prêmios e passatempo de muitas pessoas, esses meios de relacionamento já fazem parte do dia a dia de quase todos. Bem... ainda não do meu cotidiano... mas juro que tenho tentado. Comecei com um grau de curiosidade no Orkut. Preenchi meu perfil, baixei fotos, adicionei amigos e fui adicionado por eles e por amigos desses amigos, que não conhecia e nunca conheci. Além disso, fucei a vida dos outros e acabei descobrindo nada do outro mundo. Por fim, segui comunidades como “Futebol de Kichute”, “Taco no meio da rua” ou “Gol a Gol”. E por aí terminei. Abandonei o Orkut quando percebi que meus únicos amigos on-line eram os amigos que eu encontrava pessoalmente quase todo dia. Então, não fazia muito sentido continuar. Apaguei minha história virtual e cancelei a conta. Numa viajem a minha terral natal ouvi falar do Facebook. E isso já tem alguns anos. Primos, tias e sobrinhos estavam conectados e convivendo pacificamente, coisa que em uma família isso não acontece com frequência quando o contato é físico. Assim que retornei ao Brasil resolvi compartilhar o espaço com eles. No início, mantinha contatos diários, troca de fotografias, vídeos e arquivos. Fiquei uma semana sem entrar. Depois outra. E mais uma. Agora tenho o Facebook no meu celular. Sempre que o mundo virtual se mexe – os chamados feeds – sou informado. E me decepciono com as mensagens públicas que meus amigos deixam no mundo virtual. Afinal, quem insiste em perder tempo escrevendo coisas profundas e interessantes como “Boooom dia... acordei”; “Hoje o elevador do meu prédio quebrou. Subi cinco andares pela escada”; “Estou com sono. Vou dormir”; “Aaaiiiii, alguém já olhou para o céu hoje?”; “Gente, este macarrão está uma delícia!!!!”? Bem... se há pessoas escrevendo, imagino que há outras lendo. Prefiro seguir o conselho da mensagem que recebi esta manhã: “Desligue o computador. Vá ler um livro”. Profundo. Vou nessa. Marcelo Allendes é jornalista e colaborador do Banco Volkswagen. Seja amigo dele no Facebook. Email: [email protected] SHOWROOM C Por Marcelo Allendes O problema não é o meio. Mas sim o conteúdo. As redes sociais aceitam até suspiro como expressão do cotidiano. 39 Fácil compartilhamento GPS para todos os usos A californiana Magellan, reconhecida mundialmente como marca líder em GPS, chega ao Brasil com uma linha para veículos (leves e pesados/logística) e para fitness que auxiliam esportistas e aventureiros a traçar rotas em qualquer lugar, na cidade, no mato ou no mar. São vários produtos, entre eles, o GPS eXplorist modelo 610, top de linha, que ajuda a descobrir as melhores rotas e a não se perder em qualquer aventura na natureza, seja fazendo trekking, escalada, campismo ou pesca esportiva. O eXplorist 610 tem tela de três polegadas à prova d’água, sensível ao toque, câmera de 3.2 megapixels, gravador, bússola, barômetro, altímetro e, vendido separadamente, imagens de satélite. Outro aparelho que auxilia nas práticas esportivas é o Swtich Up com várias funções e recursos úteis para melhorar a performance. Handheld, com formato de relógio, pode ser colocado no pulso ou em uma bicicleta e monitora o desempenho nos treinos, acompanhando se o objetivo de tempo e distância foi alcançado em tempo real. O Swtich Up tem nove perfis esportivos customizáveis, tela de alta resolução, bateria com oito horas de duração (bateria adicional de 16 horas), receptor GPS de alta sensibilidade e resistência à água até 50 metros de profundidade. Conta também com altímetro barométrico, termômetro, alerta vibratório e um sistema de transição simples para a mudança de modalidades esportivas. O Swtich Up chegará ao mercado em julho e o preço ainda não foi divulgado. Já o GPS eXplorist 610 tem preço sugerido de R$ 1.699, 00 e estará disponível para compra em maio. Onde encontrar: http://www. magellangps.com.br 40 “Filme e compartilhe” é o mote da filmadora HDR-PJ10 com projetor integrado da Sony. A câmera capta vídeos em Full HD e permite projetá-los em uma área de até 60 polegadas em qualquer lugar, a todo o momento, sem cabos. Ou compartilhá-los com apenas um clique no YouTube e no Facebook (com cabo USB). Segundo a Sony, a HDR-PJ10 possui o dobro da sensibilidade das câmeras de vídeo CMOS convencionais, graças ao sensor Exmor R CMOS que possibilita a captura de detalhes em alta definição e sem ruídos, mesmo em condições de pouca luz por ser retroiluminado em comparação com os sensores que usam iluminação frontal, isto é, as áreas de recepção recebem mais luz, aumentando a sensibilidade. Os resultados são imagens mais naturais, nítidas e definidas. Um recurso que facilita a vida dos amadores é o iAuto que identifica automaticamente até 90 diferentes tipos de situações e sugere os ajustes ideais para gravar as melhores imagens. A memória interna é de 16 GB, a tela é LCD de três polegadas touchscreen e áudio dolby digital 5.1 canais, com microfone zoom incorporado. Preço sugerido: R$ 2.999,00 Onde encontrar: sonystore.com.br Câmera com celular Tudo bem que os smartphones têm recursos cada vez mais poderosos, mas a Nokia resolveu inovar e mostrar do quê uma câmera de celular é capaz no Nokia 808 PureView, o sucessor do N8. A câmera do novo modelo, chamada de sensor de imagem, tem 41 megapixels, parece muito, e é, mas tem uma pegadinha. Com lentes Carl-Zeiss, a câmera agrega as imagens tiradas pelo sensor de 41 megapixels e produz uma imagem “juntando pixels”: cada ponto ou pixel da foto final na verdade é a união de sete pixels. O Nokia 808 é apto a produzir imagens oito e 38 megapixels, mas as fotos com melhor qualidade de imagem terão cinco megapixels. O sensor de imagem também filma em Full HD e, afirma a empresa, captura áudio com qualidade de CD. O 808 PureView é uma demonstração de tecnologia dentro do conceito adotado pela Nokia de atender a nichos específicos para se diferenciar neste competitivo mercado. De resto, é um celular comum com 512 de RAM e um processador 1,3 GHz. E roda Symbian Belle, não Windows Phone. Disponível para o mercado europeu em maio, a preço sugerido de 450,00€. No Brasil sem previsão de lançamento. A história da dama negra da literatura Patrícia Highsmith (1921-1995) era chamada a “Dama negra das letras americanas”. Escrevia livros policiais e literatura de primeiro nível. Ficou mundialmente conhecida por livros adaptados para o cinema, como “Pacto sinistro”, dirigido por Alfred Hitchcock em 1950, “O “Conspiração americana” (do original The Conspirator), dirigido por Robert Redford, talentoso Ripley” e “Os fugitivos”. Aliás, ela se fala da prevalência da lei e dos direitos civis em qualquer circunstância, mesmo em recusou a conhecer o cineasta inglês, mestre tempos de exceção. O cenário é a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, o conflito bélico do suspense, quando da filmagem de “Pacto e os interesses entre os estados do sul e os do norte. Quase no fim da guerra, em 14 de sinistro”, seu primeiro romance. abril 1865, o então presidente Abraham Lincoln é assassinado em uma conspiração que Esta e outras histórias estão na biografia “A matou também o vice-presidente e o secretário de Estado. A junta militar do norte assume talentosa Highsmith”, escrito por Joan Schenkar. o poder, caça e prende os conspiradores; sete homens e uma mulher são acusados. O A autora teve acesso a correspondências, secretário da guerra, Edwin Stanton (Kevin Kline) deseja vingança e não justiça. A mulher arquivos, diários, e relatos de amigos íntimos acusada é Mary Surratt (Robin Wright), proprietária de uma pensão onde John Wilkes de Highsmith, para organizar esta biografia. Booth e os outros, inclusive o filho de Mary, John Surratt, se reuniram e planejaram os Com dezenas de fotos do acervo pessoal da ataques. Herói de guerra que lutou na Guerra Civil contra o exército dos confederados, o própria Patrícia, a autora Joan Schenkar retrata jovem advogado Frederick Aiken (James McAvoy), indo contra todos os seus princípios, as várias “personas” de Highsmith: a criadora aceita defender Mary Surratt perante um tribunal militar. Ao perceber que sua cliente de ficções policiais que renovaram o gênero, pode ser inocente e que está sendo usada para atrair o único conspirador que escapou a americana de alma europeia, a escritora da caçada – o filho dela, John Surratt -, Aiken trava uma batalha para ver cumprida a de histórias em quadrinhos. É um retrato Constituição estadunidense, criada pelos Founding Fathers em 1776 nos princípios de da obra e da vida que expõe lados ocultos, a presunção de inocência e direito a ser julgado por seus pares, cidadãos civis. personalidade reclusa, obsessiva, apaixonada Em um momento emblemático do filme, o promotor (Danny Huston) declara ao e apesar do sucesso, insegura para assinar com advogado de defesa a frase que resume todo o filme: “Em tempos de guerra, a lei seu próprio nome obras mais pessoais, que silencia.” “Conspiração americana” é um filme histórico, de tribunal, que reúne revelavam sua intimidade (como Carol, de 1952, os melhores ingredientes do gênero, além de uma bela reconstituição de época, primeiro romance norte-americano sobre o amor fotografia deslumbrante e a participação de grandes atores em papeis pequenos. passional entre duas mulheres, que publicou sob o Uma curiosidade é que a casa de Mary Surratt ainda existe na cidade de Clinton, pseudônimo de Claire Morgan). Maryland, como um museu. Um fato é que um ano depois desse julgamento a A obra permite entender a criadora do amoral Suprema Corte Americana decidiu que a lei prevaleça mesmo em tempos de personagem Tom Ripley e por que ela acabou sendo guerra. referência para diretores como Wim Wenders e Um filme pequeno, bem realizado, produzido em 2010, que só agora Anthony Minghella, entre outros. chega aos cinemas em uma época ingrata, a estreia dos blockbusters Nascida no Texas, Patrícia Highsmith passou a juventude que virão nos Estados Unidos e que por causa disso tenderá a passar em Nova York, no Greenwich Village dos anos 1940, “as despercebido. quatro milhas quadradas mais livres da Terra”, dizia ela. Encantadora, reservada e desejada por muitos, viveu nos “Conspiração Americana”: direção de Robert Redford, com Robin Wright, limites da transgressão. A vida amorosa foi intensa com muitas Tom Wilkinson, James McAvoy, Alexis Bledel, Danny Huston, Evan Rachel mulheres interessantes, alguns homens convenientes, fontes de Wood, Kevin Kline, entre outros. inspiração para sua obra, além do longo autoexílio na Europa, onde Estreia 4 de maio, mas serão lançadas apenas 40 morreu solitária. cópias nas principais praças. Um livro fascinante, envolvente como a própria Patrícia Highsmith e os personagens que ela criou. “A talentosa Highsmith”, de Joan Schenkar (tradução Ricardo Lísias, Globo Livros, 2012, 816 páginas). Preço sugerido: R$ 74,90 SHOWROOM Um filme de tribunal com ótimos ingredientes 41 Bordeaux, um mito que se renova Entre os apreciadores de vinhos, a simples menção do nome Bordeaux causa frisson e exclamações de admiração, visto serem estes os vinhos mais desejados e procurados no mundo. S 42 Por Arthur Azevedo ão Paulo teve recentemente a oportunidade de receber no hotel Hyatt, uma inesquecível mostra de vinhos de Bordeaux, da safra 2009, uma das mais prestigiadas de todos os tempos. O curioso é que os vinhos de Bordeaux têm admiradores em todos os segmentos de enófilos, dos mais aos menos abastados e, por incrível que pareça, todos conseguem degustar seu Bordeaux com muito prazer. Nesse sentido, talvez seja o mais democrático dos vinhos, pois existem ofertas de vinhos de boa qualidade em todas as faixas de preços. Se há alguns anos essa afirmação pudesse parecer demagógica, hoje isso é real, devido ao enorme progresso observado tanto na vinicultura quanto na viticultura da região. Em função disso, os Bordeaux apresentam sensível melhora e avanços consideráveis. O mais notável deles, o fato dos vinhos, de modo geral, serem acessíveis mais jovens, algo impensável no passado recente. Este fato ficou mais que patente, pela constatação de que muitos vinhos de 2009 já estão plenamente abordáveis, deliciosos para serem consumidos hoje, mesmo se sabendo que isso é o equivalente a um infanticídio. Os apressados e os apreciadores de vinhos jovens devem estar muito felizes. Eu, confesso, não faria isso e guardaria os vinhos por pelo menos mais 8 anos, para pensar em abri-los. Uma das razões da mítica de Bordeaux diz respeito à famosa Classificação de 1855, quando os vinhos da região foram classificados em “Crus Classés”, e designados como Primeiro até Quinto “Crus Classés”, por ordem de Napoleão III. O lógico seria uma classificação por qualidade, mas os negociantes resolveram classificar os vinhos pelo preço de venda que alcançavam na época. O problema é que esta classificação só mudou uma única vez até os dias de hoje, fato acontecido em 1973, quando o Château Mouton-Rothschild passou de Segundo para Primeiro Cru Classé. Evidentemente muita coisa mudou desde 1855 e a classificação não refletiu estas mudanças, o que a torna pouco útil nos dias atuais. Além disso, regiões importantes ficaram de fora e criaram sua própria classificação, como SaintÉmilion, ou mais radicalmente, como Pomerol, nunca adotaram nenhum tipo de ordenamento. Curiosamente, algumas das maiores estrelas das recentes - e mágicas - safras de 2009 e 2010 vieram destas regiões, como, por exemplo, os vinhos do Château Clinet, Château Canon, Château Troplong Mondot, Clos Fourtet, Château L’Evangile e Château Angelus. Estes vinhos são provenientes da chamada Margem Direita da Gironde, o famoso estuário formado pela junção dos rios Garonne e Dordogne. Entre seus pares da Margem Esquerda da Gironde, os grandes destaques da safra 2009, mostrados no Hyatt, foram: Château LéovillePoyferré, Château Saint-Pierre, Château RauzanSegla, Château Gruaud Larose, Château Malescot Saint-Exupéry, Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande e Château Lynch-Bages. Entre os brancos 2009 merecem ser citados: Domaine de Chevalier, Château La Louvière, Château Pape Clément e Château Smith HautLafite. Já da badalada Sauternes, fonte dos melhores vinhos doces da França, brilharam em 2009 os vinhos dos Château Siduiraut e DoisyDaëne. Arthur Azevedo é diretor-executivo da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, editor do website Artwine (www.artwine.com. br), palestrante e consultor de vinhos.