UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FCF/FSP/FEA Programa de Pós Graduação Interunidades em Nutrição Humana Aplicada - PRONUT REVISTAS FEMININAS: HISTÓRIA, COMUNICAÇÃO E NUTRIÇÃO – UMA ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA DANIELLA MOREIRA DE SOUZA Dissertação para obtenção do grau de Mestre. Orientador: Profº. Titular Dr. Franco Maria Lajolo SÃO PAULO 2005 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FCF/FSP/FEA Programa de Pós Graduação Interunidades em Nutrição Humana Aplicada - PRONUT REVISTAS FEMININAS: HISTÓRIA, COMUNICAÇÃO E NUTRIÇÃO – UMA ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA DANIELLA MOREIRA DE SOUZA Dissertação para obtenção do grau de Mestre. Orientador: Profº. Titular Dr. Franco Maria Lajolo SÃO PAULO 2005 Daniella Moreira de Souza Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação, por processos fotocopiadores. Assinatura: Data: Souza, Daniella Moreira Revistas Femininas: História, Comunicação e Nutrição – Uma Análise Quantitativa e Qualitativa / Daniella Moreira de Souza - - São Paulo, 2005. 236 p. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP. Faculdade de Saúde Pública da USP. Curso Interunidades em Nutrição Humana Aplicada. Orientador: Lajolo, Franco Maria 1. Nutrição 2. Revistas Femininas 3. Comunicação 4. História das Revistas Femininas 5. Alimentos Funcionais 6. Alimentação Equilibrada Daniella Moreira de Souza DANIELLA MOREIRA DE SOUZA REVISTAS FEMININAS: HISTÓRIA, COMUNICAÇÃO E NUTRIÇÃO – UMA ANÁLISE QUANTITATIVA E QUALITATIVA Comissão Julgadora Dissertação para obtenção do grau de Mestre Prof. Titular Dr. Franco Maria Lajolo Orientador/Presidente __________________________ Prof. Titular Franco Maria Lajolo Orientador __________________________ Prof. Drª Beatriz Helena GelasLage 1° Examinador __________________________ Prof. Drª SoniaTucunduva Philippi 2° Examinador São Paulo, 26 de abril de 2005 Daniella Moreira de Souza Dedicatória Dedico especialmente à minha família por ter me apoiado em mais esta realização. Daniella Moreira de Souza Agradecimentos À Deus, por ter me dado força e sabedoria. À minha filha Anna Carolina, que foi gerada durante este trabalho e sabe tudo que foi lido nestas revistas. Ao meu marido Paulo, pela dedicação e paciência para que este momento fosse realizado. À minha grande amiga Maria Alice, que sempre me deu força para chegar até aqui e que segurava os materiais de estudo para realizar as provas enquanto eu amamentava. Ao meu querido professor orientador Franco Maria Lajolo, que mesmo com tantas viagens, sempre tratou tudo com muito respeito e confiante nos resultados. Aos meus pais, por terem me ensinado que nunca se deve desistir de um objetivo, mesmo que seja árduo. A todos os meus amigos que de maneira direta e indireta, torceram por este momento. À minha amiga Lucia Maria Branco, por ter feito a revisão desta pesquisa. Às grandes professoras Sonia Tucunduva e Beatriz Lage, por acreditar no potencial deste trabalho. Daniella Moreira de Souza Sumário RESUMO i ABSTRACT ii 1. INTRODUÇÃO 1 1.1. Comunicação de Massa 1 1.1.1. Teorias da Comunicação de Massa 3 1.2. Transição da Comunicação Humana 7 1.3. Breve Relato Histórico dos Diversos Meios de Mídia 8 1.3.1. Revistas Femininas 11 1.3.2. A Imprensa Feminina 15 1.4. Comunicação e Mídia 23 1.4.1. Mídia Impressa 27 1.4.2. Mídia Eletrônica 29 1.5. Revistas Femininas, Saúde e Nutrição 31 1.6. Nutrição e o Profissional Nutricionista 42 1.6.1. Nutrição 42 1.6.2. O Profissional Nutricionista 46 2. OBJETIVOS 50 2.1. Geral 50 2.2. Específicos 50 3. MATERIAL 51 3.1. Objeto de Estudo 51 3.2. Classificação das Informações de Nutrição 52 3.3. Análise Qualitativa 52 3.4. Análise Quantitativa 52 4. RESULTADOS e DISCUSSÃO 54 4.1. Análise Quantitativa 54 4.2. Análise Qualitativa 76 Daniella Moreira de Souza 4.2.1. Chamadas de Capa 76 4.2.2. Alimentos Funcionais 90 4.2.3. Alimentação Equilibrada 93 4.2.3.1. Alimentação Saudável 94 4.2.4. Dúvidas das Leitoras 95 4.3. Análise das Informações relacionadas à Alimentos Funcionais 98 4.4. Análise das Informações relacionadas à Alimentação Equilibrada 139 5. CONCLUSÃO 191 6. RECOMENDAÇÕES 195 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 196 ANEXOS Daniella Moreira de Souza LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – Estratégia da Persuasão Psicodinâmica Daniella Moreira de Souza 6 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista A, fevereiro a junho de 2002 TABELA 1.1. - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista A, fevereiro a junho de 2002. TABELA 1.2 - Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista A, fevereiro a junho de 2002. TABELA 2 - Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista B, fevereiro a junho de 2002 TABELA 2.1 - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista B, fevereiro a junho de 2002. TABELA 2.2 - Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista B, fevereiro a junho de 2002. TABELA 3 - Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista C, fevereiro a junho de 2002 TABELA 3.1 - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista C, fevereiro a junho de 2002. TABELA 3.2 - Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista C, fevereiro a junho de 2002. TABELA 4 - Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista D, fevereiro a junho de 2002 TABELA 4.1 - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista D, fevereiro a junho de 2002. TABELA 4.2 - Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista D, fevereiro a junho de 2002. 54 TABELA 5 - Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista E, fevereiro a junho de 2002 TABELA 5.1 - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista E, fevereiro a junho de 2002. 66 Daniella Moreira de Souza 54 55 57 57 58 60 60 61 63 63 64 66 TABELA 5.2 - Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista E, fevereiro a junho de 2002. TABELA 6 - Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista F, fevereiro a junho de 2002 TABELA 6.1 - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista F, fevereiro a junho de 2002. TABELA 6.2 - Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista F, fevereiro a junho de 2002. TABELA 7 - Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista G, fevereiro a junho de 2002 TABELA 7.1 - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista G, fevereiro a junho de 2002. TABELA 7.2 - Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista G, fevereiro a junho de 2002. TABELA 8 - Distribuição do número de informações de Nutrição inseridas nas revistas analisadas no período de fevereiro a junho de 2002. TABELA 9 - Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição nas revistas analisadas no período de fevereiro a junho de 2002 Daniella Moreira de Souza 67 69 69 69 71 71 71 73 74 LISTA DE ANEXOS ANEXO I – Nome das revistas analisadas A1 ANEXO II – Quadro resumo – dados das revistas analisadas A2 ANEXO III – Quadro “Minerais Neles” A3 ANEXO IV - Quadrinhos “Ele só quer macarrão” A4 Daniella Moreira de Souza Resumo Souza, D. M. Revistas Femininas: História, Comunicação e Nutrição – Uma Análise Quantitativa e Qualitativa. São Paulo; 2005. [Dissertação de Mestrado – Nutrição Humana Aplicada PRONUT - FCF/FEA/FSP-USP] Objetivo: avaliar quantitativamente e qualitativamente as informações de nutrição veiculadas em revistas leigas, assim como os profissionais que escreveram estas informações. Metodologia: o estudo foi dividido em quatro etapas: seleção das revistas, classificação das informações de nutrição de acordo com os temas “alimentos funcionais” e “alimentação equilibrada”, análise quantitativa dos profissionais que escreveram as matérias, análise qualitativa das informações veiculadas em revistas leigas de acordo com os estudos científicos consultados por meio eletrônico (Medline, Scielo, Lilacs), livros e revistas de caráter científico. Resultados e discussão: no período de fevereiro a junho de 2002 as revistas analisadas resultaram em 35 unidades; o número de informações de nutrição inseridas foi de 276 artigos: 40 sobre alimentos funcionais, 52 alimentação equilibrada e 184 no item outros, que compreende assuntos como dietas de emagrecimento, receitas, valores calóricos de alimentos, suplementação etc. O número de profissionais que escreveram as matérias foi de 279 no total. Destes, 125 são os nutricionistas, 49 profissionais de saúde (médicos e professores de educação física) e 105 outros e de outras áreas. Há 70 inserções, que não possuíam referências de profissionais. Na análise qualitativa das informações publicadas, observou-se que a maioria possui um caráter generalizado de transmitir as informações, levando as leitoras a possíveis erros de interpretação de como e quanto utilizar de determinados alimentos. Conclusão: Os erros de interpretação das informações veiculadas podem gerar dúvidas no público leitor, fazendo com que o significado esperado não seja atingido, já que a maioria destas informações apresenta-se incompletas dificultando a análise e mudança de hábitos pela população. As revistas poderiam ser melhor exploradas do ponto de vista dessas mudanças de hábitos, o que de acordo com esta pesquisa, não pode ser afirmado, tanto para a questão de Alimentação Equilibrada como para Alimentos Funcionais. Palavras-chave: comunicação de massa, revistas femininas, nutricionista, mídia, alimentos funcionais e alimentação equilibrada. Daniella Moreira de Souza Abstract Souza, D. M. Revistas Femininas: História, Comunicação e Nutrição – Uma Análise Quantitativa e Qualitativa. São Paulo; 2005. [Dissertação de Mestrado – Nutrição Humana Aplicada PRONUT - FCF/FEA/FSP-USP] Aim: to evaluate quantitatively and qualitatively the information on nutrition published in unprofessional magazines, as well as the professionals who have written such information. Methodology: the study was divided into four stages: selected of the magazines; classification of the information on nutrition according to the themes “functional foods” and “balanced nourishments”; quantitative analysis of the printed information in not specific magazines according to scientific studies that were consulted through electronic means (Medline, Scielo, Lilacs), scientific books and magazines. Results and discussion: during the period which goes from February to June of 2002, the analyzed magazines summed 35 editions: the number of information on nutrition inserted (in the magazines) comprehends 276 articles: 40 about functional foods, 52 about balanced nourishment and 184 included in the item “others”, wich comprehends subjects such as losing weight diets, recipes, caloric values of foods, supplement etc. The number of professionals that have written the subjects was 279 as a whole. From these, 125 are nutritionists, 49 are health professionals (physicians and physical education teachers) and other 105 from other areas. Yet, there are 70 insertions that had no references on professionals. In the qualitative analysis of the published information, it was observed that the majority of them have a generalized character of transmitting the information, leading the readers to possible mistakes of interpretation concerning how and how much to make use of certain foods. Conclusion: The interpretation mistakes of informations published can produce doubts at the reader public, doing so, and so, the expect meaning don't be reach, now that the most of these informations show incompletely difficulting the analysis and changing the habits by population. The magazines could be better explore to the point of view of these habits changings, what in agreement with this research, can't be affirm, so much to the question of the balanced nourishment as to functional food. Key words: mass communication, female magazines, nutritionists, media, functional foods and balanced nourishment. Daniella Moreira de Souza 1. INTRODUÇÃO A nutrição hoje em dia, tem se tornado assunto do momento quer seja pelo simples fato de informação, quer seja pela aquisição de conhecimento a respeito de uma determinada patologia e tentar se tratar através da alimentação. Mesmo porquê, a mídia vem explorando estes assuntos atualmente. Muitos fatores têm influenciado o processo de informação da comunidade em geral, através de divulgação de pesquisas na área da saúde, por meio de mídia impressa e eletrônica. Sendo a primeira o objeto de estudo – as revistas femininas. 1.1. Comunicação de Massa A palavra Globalização ganha estatuto de um processo cultural autônomo e irrefreável em que a idéia de cultura e mercado se fundem em nome de uma concepção alargada e hipervalorada. Globalizar tem diferentes sentidos e modos, principalmente de analisar a inserção da cultura latino-americana nas novas mídias “globalizadoras” como a Internet e os canais de TV à cabo. Neste contexto, existe de um lado uma população cuja cultura, educação e informação são basicamente orais e audiovisuais e que tem um acesso restrito aos bens tecnológicos (vídeo cassete, DVD, computador) e de outro lado, uma elite econômica e cultural que sofre não pela falta de informação e sim pelo excesso, com dificuldade de decodificar e assimilar a quantidade de dados que recebe. Pensando nas classes menos privilegiadas, a disseminação da informação se dá exclusivamente através do rádio e televisão (BENTES, 2000). Daniella Moreira de Souza Nos dias atuais com a inserção de muitas revistas no mercado, num preço acessível, a população já possui condições de estar obtendo informações de seu interesse por meio da aquisição destas revistas. A população busca estas informações, justamente para melhorar algum problema que tenha em sua família e adquire revistas, para tentar achar uma solução ou até mesmo de encontrar uma solução para o problema que a aflige. A exposição à Comunicação de Massa é importante para conceituar explicações do relacionamento entre as mensagens dos veículos de massa e fenômenos como atitudes, padrões de percepção, imitação do comportamento de modelos, tomada de decisões e comportamentos ostensivos como ao votar e ao comprar. Há a tentativa de entender como as mensagens são percebidas, como padrões de ação são aprendidos das descrições pela mídia e como atitudes, conhecimento, valores e probabilidades de comportamento podem ser alterados por persuasão. Hoje em dia, há instrumentos de mensuração de atitudes e outros processos de pesquisa, que podem ser resumidos e divididos em 3 categorias: 1- “Conteúdo de mau gosto: conteúdo da mídia amplamente difundido e assistido pela audiência de massa e que consistentemente mobiliza a ira dos críticos. Ex: produções sobre crimes na TV ou filmes, seriados diurnos, revistas de confissões pessoais, histórias em quadrinhos sobre crimes, música sugestiva ou qualquer outro assunto que rebaixe a moral ou o estímulo de condutas socialmente inaceitáveis, quer sejam verídicas ou não”. 2- “Conteúdo não-polêmico: conteúdo da mídia amplamente disseminado e assistido. Ex: boletins metereológicos da TV, certos conteúdos de noticiários, Daniella Moreira de Souza música que não seja sinfônica nem popular, revistas dedicadas a assuntos especializados, filmes sobre temas sadios”. 3- “Conteúdo de bom gosto: conteúdo da mídia amplamente difundido não sendo necessariamente assistido ou buscado, ou seja, o que os críticos da mídia julgam ser educativo ou até mesmo inspirador. Ex: música séria, teatro de alto nível, debates políticos, filmes de arte ou revistas dedicadas a comentário político”. DEFLEUR & ROKEACH (1993). Os anúncios nas revistas, jornais e outros periódicos, constituíram-se numa estratégia, visando alcançar recursos para sustentar as publicações. A introdução de anúncios publicitários nos jornais acontece a partir do século XIX e transforma o cenários da imprensa, inaugurando a fase de publicidade. Nos anos 50 do século XX, as revistas bem sucedidas continham em média 65% de anúncios em seu conteúdo, sendo assim, a maioria era projetada para a publicidade e não pra o conteúdo editorial. A revista Nova assim como Claudia e Marie Claire, dedicam grande parte da revista à veiculação das propagandas de seus anunciantes. As imagens estão presentes desde as primeiras páginas, dificultando às vezes até a identificação dos textos. As imagens são coloridas e muitas vezes ocupam páginas inteiras, evidenciando a estratégia das edições impressas de competir com a linguagem audiovisual (D’ELIA, 2004). 1.1.1. Teorias da Comunicação de Massa Cabe aqui um resumo das principais teorias que surgiram há muitos anos atrás e que são reflexo de todos os meios de comunicação utilizados nos dias de hoje. É importante para saber como as pessoas são influenciadas através de cada tipo de mídia. Daniella Moreira de Souza Teoria da Bala Mágica – Iniciado o século XX, com a Primeira Guerra Mundial, houve a necessidade de transmitir informações do que estava acontecendo com as pessoas que estavam deixando suas famílias para participar deste ato. Para criar o elo entre o indivíduo e a sociedade, o meio foi criar as “propagandas”. Foram muito bem trabalhadas para que a população tivesse acesso à notícias, filmes, discursos, fotos, cartazes, boatos, calúnias e muitos outros para que a população sentisse ódio e alimentasse convicções irreais da sua terra natal. Com a guerra, a crença da comunicação ficou bem caracterizada, onde a mídia foi a responsável por moldar a opinião pública e influenciar as massas a agirem de acordo com o transmitido pelo comunicador. Sendo assim, as mensagens da mídia são consideradas como Balas Mágicas, onde o impacto da propaganda em tempo de guerra comparando com o poder da mídia como a nova passagem da solidariedade de massa. As propagandas de massa da época consideravam a mídia, capaz de convencer as pessoas a fazerem coisas impossíveis, como comprar produtos em quantidades e variedades até então nunca sonhadas. Esta teoria é relativamente direta de estímulo-resposta, além de ser uma teoria que presume um determinado conjunto de suposições não mencionadas, referentes tanto à organização social como à estrutura psicológica dos seres humanos que estão sendo estimulados e reagindo à mensagem da comunicação de massa (LAGE, 1999; DeFLEUR & BALL-ROKEACH, 1993). Teoria das Influências Seletivas – cabe aqui as novas reflexões sobre o entendimento das influências da comunicação no comportamento dos grupos. Dentro desta teoria, há a Teoria das Diferenças Individuais, onde tem um vasto campo de experiência, a psicologia. Ao realizarem experiências com animais, foi identificado que os animais não tinham somente conhecimentos adquiridos por herança e que possuíam um processo de aprendizagem muito significativo A partir desta certeza, as mídias passaram a assumir um papel ainda maior, Daniella Moreira de Souza onde a transmissão de mensagens seriam específicas para um público específico, através e apelos, chavões e outras estratégias para atrair a atenção de certo segmento do mercado e provocar a reação desejada. Há também, a teoria da Diferenciação Social, que evidenciou o fato de que os membros de uma sociedade urbana industrial não são todos semelhantes, sendo assim, são muito importantes nas pesquisas de comunicação de massa, por se tratar de produtos de mudanças sociais ocorridas pelo incremento da industrialização como a modernização, urbanização, migração, divisão de trabalho, estratificação social e mobilidade ascendente. A teoria dos Relacionamentos Sociais foi identificada em 1940, antes da televisão ser o principal veículo de massa para a população. Os contatos informais, identificados nesta teoria, como o estudo dos discursos e mensagens políticas da época, apresentadas pelos políticos republicanos e democratas à população, mostrou uma fonte de influência pessoal (parentes, amigo, vizinhos), passando a ter uma grande importância na comunicação (conhecida como boca a boca) que uma pessoa desempenha junto a outra para modificar a comunicação de massa. Os pesquisadores que estudavam a mídia eram em geral investigadores das ciências sociais básicas, que usavam o comportamento das audiências da mídia como forma para testar conceitos, hipóteses e teorias que de fato pertenciam a suas próprias disciplinas. Teoria da Influência Indireta – Surgiu em 1960, ao qual tenta explicar como os indivíduos observam as ações de outras pessoas e tentam adotar estes modelos de ação no seu modo pessoal de agir. Diante disto é dividida em 2 teorias, a primeira é a Teoria da Modelagem ou Aprendizagem: a ação dos atores destes canais ce comunicação podem servir de modelos de comportamento para as pessoas imitarem, campanhas contra drogas, álcool, fumo e outros malefícios, são aplicados de maneira a fazer com que os indivíduos adotem uma posição diferente de acordo com o padrão de comportamento considerado modelo. A segunda é a Teoria das Expectativas Daniella Moreira de Souza Sociais, onde as influências de socialização da comunicação de massa são decorrentes de retratos de modelos de vida em grupo, como no trabalho, na religião, no consumo, no lazer etc. Teoria da Persuasão – esta teoria foi utilizada na Grécia e depois em Roma, como sendo uma habilidade para vencer nos tribunais e para apresentar propostas perante fóruns políticos. Persuasão é a que introduz comparabilidade no processo de desenvolvimento e avaliação de teorias. Ou seja, ao construir explicações competitivas da mesma coisa, são definidos conjuntos de variáveis independentes, descrevendo-os e sintetizando-os em sistemas de proposições que vinculem a alguma variável dependente. Outra importante definição é a ação que tem o mundo prático da propaganda, campanhas políticas, solicitação financeira, campanhas de saúde pública dentre outras. Quando se mudam conceitos e sentimentos nas pessoas, é diferente comparado ao ato de comprar, doar e votar. Na figura 1 pode ser entendida como a persuasão pode alterar as ações desejadas pela mídia nas pessoas, retratando que, se ocorrer a modificação, as ações desejadas ocorrerão. Figura 1 – Estratégia da Persuasão Psicodinâmica Fonte: DeFLEUR & BALL-ROKEACH, 1993 Tudo – aprendizagem, atitudes e comportamento – é de alguma forma influenciado pela propaganda, mas para entender como esta funciona precisamos conhecer a ordem dos acontecimentos... A teoria primitiva baseava-se em uma simples corrente de causalidade, descrita por Charles Raymond como “aprender-sentir-fazer”. Nessa teoria, as pessoas recebem conhecimentos factuais acerca de determinada marca. Em conseqüência, suas atitudes face a essa marca mudam e elas passam a preferi-la. Aí, compram-na. Daniella Moreira de Souza (DeFLEUR & BALL-ROKEACH, 1993; LAGE, 1999) 1.2. Transição da Comunicação Humana A partir deste ponto, serão abordados assuntos do fascinante mundo da comunicação. A Era dos Símbolos e dos Sinais: “fase em que os seres pré-humanos comunicavam-se lentamente através de rosnados, gritos, berros, urros, além de posturas, linguagens corporais e outras formas de manifestação que assinalavam o perigo, a presença de alimentos, a disposição para o acasalamento e a caçada”. Não tinham como se comunicar, pois a língua e os tecidos moles a ela ligados não alcançavam a caixa de ressonância para os sons necessários. Era da Fala e da Linguagem: em uso pelos cro-magnon de quem somos descendentes diretos, houve a evolução cultural e a facilidade de expressão proporcionou um salto para o desenvolvimento humano. Era da Escrita: com o surgimento dos caracteres simbólicos ou hieróglifos, onde cada símbolo representada uma idéia, coisa ou conceito. Era da Imprensa: concebida por Johannes Gutenberg e, 1455, foi possível o uso da tipografia e de uma nova tecnologia de comunicação com muitas cópias impressas, modificações sociais, já que padres, escribas, elites políticas, eruditos e outros membros da aristocracia intelectual acabam perdendo o monopólio de leitura e escrita. Daniella Moreira de Souza Século XVI: obras foram reproduzidas por prensas com tipos móveis, em várias línguas, para conhecimento de qualquer pessoa. É o período em que se abrem muitas bibliotecas, escolas, doenças curadas, doutrinas religiosas propagadas e muitas outras contribuições importantes. Século XX – Era da Comunicação de Massa: surgimento de jornais, livros, revistas, invenção do telégrafo, telefone, cinema, rádio e da televisão, trazendo muitas modificações para a condição humana (LAGE, 1999). 1.3. Breve Relato Histórico dos Diversos Meios de Mídia A tecnologia da imprensa proporcionou ao homem a primeira “máquina de ensinar”, com o surgimento do livro (McLUHAN, 1971). Na Idade da Imprensa, foi produzido o primeiro livro por uma prensa que usava móveis fundidos em metal, poucas décadas antes de Colombo realizar sua viagem. Na Era da Comunicação de Massa (início do século XIX), houve um grande número de jornais direcionado a pessoas comuns e a mídia elétrica, como o telégrafo e o telefone. Mas realmente, a Comunicação de Massa teve início no século XX com a invenção e adoção do filme do rádio e da televisão para as grandes populações. No final do século XIX, os pioneiros cientistas sociais, verificaram que os novos veículos de massa (jornais, revistas e livros), estavam trazendo importantes mudanças para a condição humana, representando uma nova forma de comunicação que influenciava os padrões de interação nas comunidades, sociedades e perspectivas psicológicas dos indivíduos. Na década de 1970, a Comunicação de Massa era praticamente total nos Estados Unidos e progredia em outras partes, sendo acrescidos a TV a cabo, gravadores de videocassete e até videotexto com reciprocidade, tornando-se um dos fatos da vida moderna. Esta Comunicação abrange mais que tentar descobrir as forças pelas quais o conteúdo da mensagem difundida Daniella Moreira de Souza por veículos impressos, filmes ou irradiações, influencia as crenças, atitudes ou comportamentos de audiências. Na medida em que cada um dos principais veículos de massa foi surgindo na sociedade, foi alvo de controvérsia e debate. Esses debates começaram quando o primeiro número da imprensa de tostão chegou às ruas de Nova York em 1834. Continua-se até hoje, discutindo o papel do rádio, livros em brochura, televisão, histórias em quadrinhos e filmes. MIRA (2000), relata que a partir dos anos 60, houve grandes transformações, dando principalmente lugar à indústria cultural consolidada. Nos anos 70, o Brasil ocupava o 6º mercado fonográfico do mundo e o 7º em publicidade, perdendo apenas para os Estados Unidos em número de emissoras de rádio e era um dos 10 maiores na produção e venda de aparelhos de TV. O cinema brasileiro chegou a produzir na década de 70, mais de 100 filmes por ano. Tornou-se ainda nesta década, um dos 10 maiores produtores de livros do mundo, dobrando a produção entre 1969 e 1972. Já a indústria de revistas também dobrou sua produção entre 1960 e 1975, saltando de 104 para 202 milhões de exemplares. Entre o início dos anos 70 e meados de 80, iniciou-se um novo período na história das revistas no Brasil, deixando o desejo de autenticidade brasileira. A partir de meados dos anos 80, o processo de segmentação da mídia se acelerou de maneira geral, principalmente no rádio e na TV, aprofundando-se na década de 90, a revista. O jornal é fruto da combinação de muitas culturas. Em 1833, o New York Sun por Benjamin H. Days provocou uma revolução na era jornalística, pois divulgou assuntos chocantes de interesse humano, como relatos de crimes, catástrofes, histórias pecaminosas, caos humorístico, alegres e tristes, fofocas misturadas com a economia e a política. Logo em seguida surgem vários jornais, dentre eles, o Herald de New York e vários outros periódicos. A ilusão e a fantasia são Daniella Moreira de Souza apresentadas à sociedade através do cinema, antecedido pela fotografia. A partir do início do século XX, o cinema foi se desenvolvendo e sofisticando de acordo com os segmentos de consumidores de mercado. A indústria cinematográfica apresenta uma queda, quando a televisão aparece como um dos meios mais importantes de comunicação até os dias de hoje. Outros veículos se seguiram como, o vídeo, a televisão a cabo e o computador, enfatizando a importância do papel social da comunicação como meio de compartilhar entre grupos, classes e instituições um conteúdo de informações (LAGE, 1999). GOLDBERG (1992), divide a mídia em impressa e eletrônica, sendo os principais meios da impressa, os jornais e as revistas e da eletrônica, o rádio e a televisão. As mensagens transmitidas devem ser modificadas no sentido de evidenciar maior envolvimento cientifico, o que depende da integração dos órgãos Governamentais, Profissionais da Saúde e Imprensa. O acesso ao consumo cultural, num primeiro momento restrito a pequenas parcelas da população, generaliza-se rapidamente, incorporando até mesmo classes de baixa renda (LOPES, 2001). O ordenamento de elementos visuais no impresso esconde discursos e técnicas que são manipuladas, não apenas por profissionais, designers ou diagramadores, mas por qualquer pessoa que domine o mundo da editoração eletrônica. A primeira página de um veículo impresso funciona como a “embalagem” do produto e, portanto, precisa reunir elementos de identificação atrativos que façam com que o leitor a veja e reconheça em meio às demais “embalagens”. Muitas vezes a legibilidade do texto, não corresponde à capacidade de entendê-lo e interpretá-lo (HOELTZ, 2001). Daniella Moreira de Souza O livro e a mídia impressa são e ainda serão importantes do ponto de vista de renovar e adaptar para enfrentar os desafios propostos pelas novas tecnologias da informação, na busca de um novo equilíbrio no sistema cultural contemporâneo (BRAGANÇA, 2001). 1.3.1. Revistas Femininas As Revistas Femininas como fonte básica de estudo deste trabalho, é justificada pelas possibilidades de pesquisa, já que são meios de comunicação de massa, estando implícitas em sua estrutura e conteúdo em vários aspectos. As revistas ao mesmo tempo em que veiculam o que é considerado próprio do mundo feminino pelos seus contemporâneos e as representações dominantes das relações homem-mulher, também são formadoras de opinião, gostos, padrões de consumo e de conduta. O discurso das revistas tenta corresponder à demanda, aos interesses e aspirações do público leitor, procurando disciplinálo nos limites da ordem dominante. “... a persuasão coloca exigências precisas e a mais fundamental é a de responder, de alguma maneira, às necessidades daquele que deve ser persuadido... o espaço em que se movem as publicações dirigidas à mulher: limitadas por uma perspectiva conciliadora com relação aos valores socialmente dominantes, mas obrigadas a levar em conta – ou tomar como ponto de partida – o nível de expectativa e aspirações de suas leitoras”. Nem sempre o discurso das revistas é unilateral e de forma nenhuma é isento de contradições e lacunas. “A imprensa feminina... está estreitamente ligada ao contexto histórico que cria razões para o seu surgimento e que interfere em cada passo de sua evolução. Jornais e revistas femininas funcionam como termômetros dos costumes de época, cada novidade é imediatamente Daniella Moreira de Souza incorporada.... a movimentação social mais significativa também vai sendo registrada” (BASSANEZI, 1992). Este subitem é muito interessante em se analisar, pois se pode observar algumas das revistas mais marcantes na época de 1945 a 1964 (BASSANEZI, 1992). Várias revistas circularam principalmente nos centros urbanos, sendo dirigidas a um público feminino de classe média onde os padrões morais que veiculam, seguem os valores deste estrato social. Os temas são limitados a: casa, prendas domésticas, moda, beleza, filhos, marido, culinária, crônica social, contos, artigos de comportamento, curiosidades, enfim, uma gama de assuntos bastante restrita sem espaço para atualidades e realidade do cotidiano. Uma das primeiras revistas do período de 1945 a 1964 foi o Jornal das Moças, que tem a tradição de anos como arauto das coisas boas que só a família pode proporcionar, sobre os ensinamentos que os pais dão aos filhos. Ficou em 1° lugar na imprensa feminina em 1945 em São Paulo, e 1° lugar entre as revistas femininas semanais durante a década de 50 em São Paulo e Rio de Janeiro. Apresenta informações, curiosidades e dicas variadas, nem sempre muito exatas ou científicas do tipo: “dizem que travesseiros são prejudiciais” ou “afirma-se que a memória é mais clara no verão que no inverno”, reforçando apenas que as funções femininas e as fundamentais são em ser mãe, dona de casa e esposa. A partir dos anos 50, passam a ter opinião, médicos e enfermeiros, mas sempre permeado por concepções religiosas e deveres morais. A partir de 1958, aparecem seções que fazem com que as consumidoras saiam do seu mundinho, tomando os outros conhecimentos. Daniella Moreira de Souza Em meados dos anos 50, a revista Querida foi a favorita entre as revistas quinzenais, gerando ressentimentos no Jornal das Moças, o qual divulgou em 1956, que continuava a ser a 4ª mais lida do Brasil (depois de O Cruzeiro, Manchete e Revista do Rádio). Mesmo assim, perdeu espaço para revistas mais ousadas como Querida, fotonovelas, revistas sobre artistas, revistas para jovens. A revista Jornal das Moças entrou em decadência sendo até visível na capa onde se compara a 1959 é em 4 cores e em 1961 é em 2 cores – a hipótese para isso é a incapacidade de sobreviver à concorrência de revistas mais modernas. Esse fato acontece também com outras revistas como Eu Sei Tudo (de conhecimentos gerais) e Tico Tico (infantil), que desapareceram do mercado. No período de 1945-1960, há algumas mudanças sutis no conteúdo do Jornal das Moças, mas não há grandes transformações de discurso. Nota importante: os diretores desta revista para mulheres são homens. Vários artigos assinados por homens e publicados na Revista Feminina perduraram de 1914 a 1936, numa época em que os periódicos não costumavam ultrapassar poucos anos de funcionamento. Há opiniões sobre o universo feminino através de construções discursivas e passividade, apresentando-as como indissociáveis da natureza da mulher. Ao lado de artigos assinados por homens, há dezenas de escritos por mulheres e que expressavam desejos e reivindicações de maior liberdade e participação femininas (D’ELIA, 2004). Outras revistas desta época são: Vida Doméstica – o enfoque é a crônica social; A Casa – ênfase em decoração; Você – voltada para jovens com artigos do tipo “como conseguir um marido”, contos sentimentais e fotonovelas); Alterosa – não é especificamente para mulheres, mas tem uma seção “Bazar Feminino”; Capricho e Grande Hotel – fotonovelas (que são proibidas em muitos lares por focalizar paixões arrebatadoras, mocinhas decididas, cenas picantes...); Revista do Rádio – trata da vida de artistas; Querida – pra adultos, Daniella Moreira de Souza o ponto forte são os contos, quatro ou cinco em cada exemplar, considerados ousados na época, muitas moças liam esta revista às escondidas; O Cruzeiro – revista de interesse geral, especificamente ás mulheres com uma seção “Lar Doce Lar”, onde apresentava artigos de culinária; Senhor – começa a ser publicada em 1959, no Rio de Janeiro, com uma programação visual de alto nível além de ser cara e destinada a um público mais elevado intelectualmente, homens em sua maioria. Vários textos são assinados por mulheres, sendo bem aceita pelo público feminino, pois tem uma preocupação com a moral e o comportamento. Claudia – a revista amiga – percebendo o nicho de mercado, foi um marco na imprensa feminina (1961), revista com propagandas planejadas para dar lucro certo, uma grande vencedora, já que foi considerada a marca da publicidade, sendo mais forte que a Jornal das Moças. Na capa há um rosto feminino, o que já faz da marca uma personalização da revista, uma amiga próxima da leitora e, Jornal das Moças traz uma mulher de corpo inteiro. Na revista Claudia, há uma consideração importante: “por que Claudia? O Brasil está mudando rapidamente... Claudia será dirigida a estas mulheres e será dedicada a encontrar soluções para seus novos problemas. Claudia não esquecerá porém, que a mulher tem mais interesse em polidores do que em política, mais em cozinhar do que em contrabando, mais em seu próprio corpo ao que em outros planetas. Claudia enfim, entenderá que o eixo do universo da mulher é seu lar” (Julho 1961). Na classe média de São Paulo, foi um sucesso. A revista admite muitas vezes perspectivas contraditórias o que sugere possibilidades e tensões entre os discursos e mesmo entre as escolhas e os estilos de vida das leitoras. Nos anos 70, muitas questões são levantadas pelo movimento feminista, como o estudo, família, cartas, diários e profissionalização, bem como cursos programados. Daniella Moreira de Souza 1.3.2. A Imprensa Feminina No Brasil, a Imprensa Feminina tem origem no século XIX, trazida com a vinda de D. João VI. Dentre os primeiros periódicos femininos temos: O Espelho Diamantino (1827); Correio das Modas (1839), cujos figurinos vinham da Europa e eram pintados manualmente; O Espelho das Brazileiras (1831); A Violeta, O Recreio e O Brindo das Damas (1849), todas com temas centrais de moda, literatura, poesia, charadas e anedotas. Constitui em 3 gerações, sendo que a primeira, corresponde ao período entreguerras, tendo como pólo cultural o Rio de Janeiro. A diversidade de revistas nesta época, é explicada em parte, pela agitação e contradições que o marcam. A segunda geração, corresponde ao período de 1945 até fins dos anos 60, onde houve uma trilogia: foto-magazine, revista de cultura geral e “imprensa do coração”. As foto-magazines dominam a imprensa internacional nos anos 50 e caracterizam-se pelas reportagens marcadas por grandes ilustrações fotográficas, como por exemplo, a Revista O Cruzeiro. As revistas de Cultura geral. Tem seu papel no desenvolvimento associado à elevação do nível de escolarização no país. A publicação mais marcante é a Seleções do Reader’s Digest (1942), adaptada da Reader’s Digest americana. A “imprensa do coração” tem seu ponto de partida entre 1948 e 1954, período em que foram lançadas cinco revistas: O Idílio (1948); Rosalinda (1950); Gilda e Capricho (1952) e Querida (1954). O declínio desta geração ocorreu entre 1960 e 1970, Daniella Moreira de Souza sendo substituída por uma nova geração de imprensa periódica. A terceira geração reúne outra trilogia: imprensa masculina, imprensa feminina diferente das fotonovelas (que são as atuais) e as revistas de atualidades. A pioneira neste tipo de imprensa foi a Visão – única revista de atualidades a circular no Brasil no final de 1959 e início de 1960. Logo depois surge Veja e Realidade (1968), com uma fórmula que substituiria o sensacionalismo das fotomagazines. A queda nas vendas de Realidade, faz com que seja retirada de circulação em 1976. Ainda tem Isto É (1976), com uma fórmula bem próxima de Veja, circulando inicialmente mensalmente. Os anos 70 são marcados pelo surgimento de uma imprensa periódica erótica, destinada ao público masculino como Status e Playboy em 1974 e 1975, respectivamente. Um novo tipo de publicação feminina surge com um novo formato para auxiliar a mulher no seu autoconhecimento e sua auto-ajuda, que são Claudia (1961) e Nova (1973). Algumas revistas especializadas são publicadas no Brasil como: Cinelândia (cinema) e Revista do Rádio (rádio), em 1955, as especializadas em TV como Ilusão e Contigo, a partir dos anos 60 e posteriormente, Placar (esportes em 1970), Quatro Rodas (automóveis em 1960) e Exame (economia em 1970) (BORELLI, 1994). Nas décadas de 40, 50 e 60, surgem vários tipos de imprensa: a revista Mulher de Papel – onde há colocações sobre: a “mulher celulóide”, relaciona os tipos personificados por artistas; a “garota moderna”, modelo reforçado pelo consumismo dos anos 50, que vive em função do sentimento amoroso Daniella Moreira de Souza vinculado ao casamento, esperta o bastante para não ofuscar ou cansar o namorado, a dona de casa insatisfeita ou a nova mulher casada. O Estado de São Paulo é especialmente a relação mãe-filho. O discurso é único, neutro e verdadeiro, diz para a mulher o que é ser mãe. Diários Associados (carioca) – fonte principal é a contribuição das leitoras para o jornal, material privilegiado para a prevenção tanto das donas de casa “em ação” quanto de suas próprias representações e visão do mundo. As revistas Nova (feminina) e Ele/Ela (masculina), direcionadas à classe média, visam manter a ordem familiar conservadora ao mesmo tempo em que abrem espaço para concepções de modernidade. Carícia para meninas de 15 a 19 anos de idade. Nova - para mulheres que trabalham e querem assumir a sexualidade. Jornais Brasil Mulher e Nós Mulheres, são pela ação, convidam a mulher a atuar e denunciar os problemas femininos, levando em conta as distinções sociais, enquanto que Nova é pela sedução, os problemas da opressão feminina são mascarados e a mulher é mitificada: “Nova” e sedutora. Jornal A Mãe de Família (1879-1888), retrata a identidade feminina à maternidade. Na segunda metade do século XIX, o Jornal das Senhoras, O Bello Sexo, O Sexo Feminino, Echo das Damas, veiculam insatisfações e reivindicações de mulheres das classes média e alta por uma melhor educação, mais valorização e respeito, tanto na família quanto na esfera pública. Daniella Moreira de Souza Revista Feminina (1914-1930) – a leitura é sistemática e bastante descritiva com imagens ideais de mulher como esposa, dona de casa, mãe e cidadã. Revista Mensageira – maior participação feminina no espaço público, com a subjetividade para a mulher moderna, ao mesmo tempo em que defende e reafirma o ideal burguês da boa dona de casa, mãe abnegada e esposa perfeita dedicada ao marido. Nos anos 50 e 60, o número de mulheres já se aproxima do numero de homens no ensino médio e nos anos 60, em Claudia, as habilidades das esposas na cozinha continuam muito valorizadas, aconselham as esposas a preparem os pratos favoritos do marido (mesmo que os detestem) e a esperarem o esposo sempre com boas refeições. Na Revista Jornal das Moças a idéia de conservar o marido pode ser conseguido pelo bom desempenho de atividades domésticas, especialmente cozinhar e deixar a casa em ordem. A imprensa segundo BUITONI (1981), nasceu “masculina”, pois apenas os homens eram letrados, sendo propiciada a necessidade de uma imprensa voltada à minoria para o lado doméstico, envolvendo assuntos como maquilagem, educação infantil, horóscopo, receitas, arquitetura, moda e psicologia, incluindo ainda, política. Como para os periódicos de informação, os Estados Unidos serviram de modelo para as revistas femininas criadas no Brasil. Todo esse conhecimento acerca da imprensa feminina, leva a entender quais são os fatores de algumas revistas assumirem hoje um determinado padrão. Foi Daniella Moreira de Souza realizada uma revolução na forma como se escreve as matérias, mas mantendo algumas seções. Castro (1994), analisou algumas revistas femininas como Claudia, Capricho e Nova, com o objetivo de conhecer especificamente o que as leitoras tem a dizer. A concepção de texto, não se remete somente à leitura erudita ou culta, mas também, a legitimidade do prazer, resgatando o prazer da repetição e do reconhecimentos presentes nas leituras populares. O item mais lido nestas revistas, é o relato de depoimentos das leitoras, por se identificarem com as demais mulheres. As revistas femininas correspondem a dois lados: 1- utilitário / prático – dicas de beleza, decoração e o 2- questões de comportamento – sexualidade e relacionamento A característica das leitoras de Nova e Capricho ficam com o 2° lado e as de Claudia com o 1°. Com relação aos testes de personalidade, as leitoras dizem não creditar nos resultados, mas fazem para só ver se bate, só pela curiosidade. O sucesso dos testes leva as pessoas a pensar em duas possíveis explicações: o aspecto lúdico, estimulando a necessidade do “testar-me”, no sentido de perceber os limites e potencialidades da personalidade – por outro lado – a necessidade de conhecer “que tipo de mulher eu sou”? Ou se “ele vai subir na vida?”, remetem ao autoconhecimento ou a busca do conhecimento do outro, cada vez mais necessária diante das negociações da vida contemporânea. Mulheres que não pertencem a classe média, também lêem Daniella Moreira de Souza essas revistas, acionando o mecanismo de projeção, quando o sonho e a fantasia voltam a reinar. Através de cartas enviadas à redação de Claudia, do final dos anos 50, acreditavam no sonho alimentado pela revista, do casamento perfeito e resolução para todos os problemas, a mesma passou a oferecer opções de trabalho doméstico remunerado ou possibilidades de vida fora do casamento. A Nova é a mais colecionada pelas leitoras – traz muitos textos reflexivos que abordam questões psicológicas e emocionais com a contribuição de especialistas – sempre inseridos de maneira explícita e direta, principalmente na área de psicologia. O segundo profissional é o ginecologista – estes especialistas tem o papel de filtrar informações e conhecimentos, trazendo-os para o universo das leitoras e traduzindo para sua linguagem. Esta mesma autora em 1995 aborda que a estratégia pode ser entendida como formas, estilos, linguagens e códigos a que recorrem os produtores, visando alcançar a máxima eficácia na transmissão de suas mensagens, ou seja, a maior capacidade de penetração no universo cotidiano do leitor o que garante a sua “competência comunicativa”. Uma das estratégias de comunicabilidade mais utilizadas pelos editores das revistas femininas, é o tom personalizado que o editor busca imprimir no discurso, ao utilizar-se da primeira pessoa ou ao dirigir-se à leitora como “minha amiga”. Escritores de literatura de massa, ingleses, que escrevem de 4 a 12 livros por ano e que apesar de alcançarem um grande sucesso de mercado, nunca se tornam escritores célebres porque “pessoas dotadas de determinadas qualidades e grau superior àquelas que caracterizam os seus leitores, mas partilham de uma mesma ética”. Como estratégia importante de Nova, é destacada a experiência da leitora, através do aproveitamento de relatos enviados por cartas para elaboração Daniella Moreira de Souza de muitas matérias e também ajuda a inspirar matérias como da jornalista que se utiliza de situações vivenciadas em seu cotidiano para escrever os textos. A estratégia de Claudia é articulada para atingir a mulher em 3 domínios básicos: na família, na vida profissional e na sociedade. Esta preocupação mais abrangente vem se colocando na última década, já que nas décadas anteriores (1960 a 1970), a revista priorizava a discussão de problemas ligados ao âmbito familiar. Já a Revista Capricho, consiste em produzir uma revista muito colorida e descontraída e que busque o “fio”, como colocam os jornalistas entrevistados, ou seja, algo que ligue toda e qualquer adolescente, “careta ou rebelde, agitada ou introspectiva”, fazendo aquilo que vai mexer tanto emocionalmente quanto racionalmente, para a leitora se ligar no que você está escrevendo. Evita-se falar como tia, mãe, psicólogo e professor, por isso do sucesso da revista. A revista Nova aproveita matérias de vários paises, por fazer parte da rede Cosmopolitan desde 1973, tudo é adaptado à realidade brasileira; já a Capricho é considerada um produto nacional e Claudia mescla os dois procedimentos (por fazer parte de Housekeeping e New Woman). A revista feminina presente em todo o globo ao lidar com os temas femininos universais, explora a existência de uma identidade biopsicultural do “ser mulher”, contudo, de maneira segmentada e resgatando particularidades culturais. Com a formulação do conceito de hegemonia, apresenta uma visão de ideologia muito diferente daquela que a vê como falsa consciência, Daniella Moreira de Souza passando a ser algo que organiza aquilo que as pessoas sentem, fazem, vestem em suas vidas cotidianas. Deve-se ficar atento à noção de competência cultural, não só do produtor, no sentido de verificar como o meio penetra na cotidianidade do indivíduo, mas também do receptor. A complexidade cultural do receptor tem como elementos constituidores a memória e a narrativa ou a tradição oral, ou seja, o imaginário que ancorase em matrizes culturais que têm formas de narrar particulares e conteúdos específicos (CASTRO, 1992). Em estudo proporcionado por LUKIANCHUKI em 2000, os temas abordados em jornais direcionados ao público feminino foram: violência, saúde, trabalho e família. Impregna-se uma carga valorativa e estereotipada em relação a sua imagem. Não há grandes variações de temas, sempre aparecendo com freqüência: beleza, casa, decoração, culinária e moda. Em 2004 (D’ELIA), estudou as revistas femininas em seu caráter de sexualidade, sendo o objeto de estudo a revista Nova, pois foi a que mais tratou deste assunto. Ao longo dos anos, as revistas femininas foram sendo diversificadas e se apropriando do discurso científico e das informações sobre sexo e sexualidade. A incorporação de temas de sexualidade, mesmo aumentando, não eliminou das revistas os temas tradicionais de moda e culinária, em parte vistas ainda, como ligadas às representações conservadoras da mulher fútil (moda), dona de casa (culinária), atributos pontuados como naturalmente femininos. Daniella Moreira de Souza 1.4. Comunicação e Mídia Segundo SERRA (2001), para facilitar o entendimento no que tange à comunicação, fez-se necessário uma avaliação do título da matéria: quem fala; o que fala; quem é o intermediário; qual ou quais os modos do discurso; o que converge e diverge entre o discurso midiático e técnico-científico. Os títulos devem funcionar como uma propaganda, pois atraem a atenção, chamando a atenção do leitor motivando-o a leitura e dá qualidade à informação. Sobre quem fala, a matéria pode adquirir maior ou menor credibilidade, estabelecendo ou não a fidelidade do leitor (BRAGA, 1999). O que fala pode perceber a significância dos discursos sobre práticas alimentares (FOCAULT, 1990). Quem é o intermediário, muitas vezes os repórteres é que possuem este papel, sendo geralmente os mesmos intermediários para os assuntos de alimentação e saúde. Geralmente, há uma filosofia de transmissão de mensagens para qual o repórter desempenha suas funções (BENVENISTE, 1989). Quais os modos do discurso, para a produção de um texto é utilizado a linguagem verbal, imagens, mostração, interação e sedução (PINTO, 1995). Daniella Moreira de Souza O que converge e diverge no discurso midiático e técnico-científico, este item diz respeito ao que é dito pela mídia e o que é dito pela ciência da nutrição (SERRA, 2001). Outros tipos de comunicação são complementares aos meios de comunicação de massa, como: teatro, folhetos, teatro de boneco, festas populares, feiras e vídeos (LOPES, 2000). Estudo realizado na Faculdade de Saúde Pública da USP, por JANES (2000), analisou a problemática da comunicação na divulgação de informações. Apresentou a falta de conscientização por parte dos docentes, produtores de pesquisa, na divulgação destas informações. A principal forma de publicação utilizada pelos professores foi a publicação em anais, seguido por publicações em artigos de revistas científicas, em livros, em artigos de jornais e por último, em artigos de revistas de divulgação. A mídia menos utilizada foi a publicação em artigos de coletâneas. Nesta mesma pesquisa, um dos entrevistados justificou o motivo de não dar entrevistas: “acredito que nesse tipo de divulgação o entrevistador e o editor, divulgam somente o que é de interesse particular”. Embora não seja a realidade, a maioria dos entrevistados considera muito importante a divulgação das pesquisas para a comunidade científica e leiga. Foi solicitado que os entrevistados escolhessem alguns temas para serem publicados, sendo em ordem decrescente os citados: administração e políticas de saúde, nutrição e problemas relacionados a alimentação, meio ambiente, promoção e prevenção da saúde e qualidade de vida. Apenas 35% dos docentes entrevistados participaram da pesquisa. Este número impressiona pela falta de compromisso destes professores, já que todos são da área científica e muitas vezes uma pesquisa é baseada em questionários para que a pesquisa tenha validade. Daniella Moreira de Souza CASTRO em 2001 entende por mídia os meios de comunicação de massa (MASS) como jornal, televisão, rádio, cinema, que têm como função básica atrair a maior audiência para os publicitários e anunciantes. Os meios de comunicação de massa podem ter contribuído para a diminuição da obesidade, bem como, atividades ou mensagens educativas veiculadas em jornais, revistas dentre outras, como meios para mudanças de hábitos alimentares (MONTEIRO, 2000). Na prática, a realidade atual da população brasileira não é esta. A sociedade possui muitos indivíduos com problemas de saúde, como obesidade, hipertensão arterial, colesterol elevado e em praticamente todos os meios de comunicação de massa estes problemas são apresentados. O que pode estar faltando é a forma como se expressam estas informações para a população. Os meios de comunicação de massa, especialmente a televisão, veiculam notícias de saúde com ênfase no discurso clínico e biomédico. Geralmente estes temas são colocados em pauta, devido o interesse de empresas de equipamentos, medicamentos e serviços médicos (PITTA, 2002). No Canadá e Estados Unidos, os meios de comunicação que a população tem preferência são as comunicações de massa (jornais, revistas, televisão), e com menor freqüência solicitar informações sobre nutrição aos médicos (CHEW et.al, 1995; BUTRISS, 1997). Na Inglaterra, GOODE et al. (1995), constatou que os meios de comunicação mais presentes entre a população são os jornais, as revistas e como meio eletrônico a televisão. O que não é diferente com a população brasileira. Em estudo realizado por CASTRO (2001), foram apresentados os seguintes dados: o hábito de leitura é maior no sexo feminino (91,7%), sendo as revistas, as preferidas (80%). Neste mesmo estudo, identificou-se que cada vez mais Daniella Moreira de Souza tem importância o marketing, através da comunicação de massa. A televisão é o primeiro meio de comunicação, após os jornais e por último as revistas. Analisando por um contexto, a televisão é o meio eletrônico de preferência, pois o indivíduo só recebe a informação e decodifica. Não possui o esforço de ler e decodificar as informações transcritas. Geralmente os adolescentes são alvos “privilegiados” por produtos da indústria cultural. A maior parte das informações veiculadas nas comunicações de massa, vão fazer parte do processo de formação destes adolescentes. Muitas revistas destinadas a este público em especial as adolescentes femininas, representam um panorama geral de como esta adolescente irá se comportar perante a sociedade (COUTO, 2003). Alguns autores afirmam que a comunicação midiatizada é mais significativa e em expansão no mundo contemporâneo, sendo que estes meios são cada vez mais estruturados (RUBIM, 2000; DIZARD, 1998). Provavelmente pelo fato de ser mais contundente no momento de transmitir uma informação aos leitores garantindo uma fidedignidade pelo meio de comunicação. A Mídia, através dos meios de comunicação é um importante instrumento capaz de incentivar mudanças de comportamento, principalmente quanto às práticas dietéticas induzindo crianças e adultos para determinados hábitos e produtos alimentares (OSTBYE et al, 1993; ROSSNER, 1991), podendo ser o tanto quanto benéfica, como por exemplo: cuidados com a saúde, certos alimentos para prevenir doenças cardiovasculares, como de forma contrária quando anuncia-se certos produtos, induzindo a compra e, estes produtos consumidos em quantidades maiores, podem levar a estes distúrbios, sendo o mais comentado, a obesidade. Daniella Moreira de Souza ORLANDI (1987) e FOCAULT (1990), discutem que as palavras e os textos fazem parte de formações discursivas, podendo ser entendidas como um conjunto de redes que engajam relações de história e tecnologias, formação de conhecimentos e discursos num domínio específico, tendo como único objetivo: a transmissão do poder. Desta forma, a mídia utiliza termos científicos, em formato para pessoas leigas entenderem. Um discurso midiático apresenta apenas um indivíduo que dirige a palavra a um público que não possui a efetividade da palavra (SERRA, 2001). Estudo realizado no Chile relatou que o nível educacional do consumidor resulta em um fator determinante para aquisição dos alimentos diante das diversas alternativas oferecidas pelo mercado, procurando resistir às propagandas comerciais. Foi demonstrado que as donas de casas de famílias pobres compram muitos dos produtos anunciados pela televisão, sendo muitas vezes apenas para satisfazer as preferências das crianças. O valor monetário não influi no aspecto nutritivo dos alimentos, resultando assim na deterioração da dieta familiar, sendo que os hábitos alimentares tradicionais estão cada vez mais desprezados (TAGLE, 1988). A mídia a cada dia vem ocupando um espaço considerável na vida da população, mas devem-se tomar alguns cuidados como a fonte de informação complexa. O conhecimento sobre saúde pode ter outras características segundo a fonte de informação e a fidelização de certas fontes de pesquisa tem considerável importância no conhecimento. Parte da mídia vem procurando fazer um jornalismo sério e centrado, mas muitos erros acontecem (SILVA, 2001). Daniella Moreira de Souza 1.4.1. Mídia Impressa A legibilidade do texto se refere ao poder de entendimento e a leiturabilidade ao poder de interpretação, ou seja, muitas vezes o texto não apresenta estas características conjuntamente, dificultando as informações para o público leigo. A mídia assume algumas funções como a de difundir e operar valores da ideologia da sociedade globalizada, necessitando assim, criar novas ações de mudança. As revistas apresentam um estilo próprio, no qual conseguem definir uma imagem aos seus leitores estabelecendo um vínculo. Apresentam caráter unilateral de divulgação, divulgando e esclarecendo os assuntos, de forma a apresentar as matérias de forma digitalizada e colorida para facilitar o entendimento pelos leitores (SERRA, 2001; LOPES,1998). ORLANDI (1987), discute que além das informações, tentam transmitir a certeza e as mesmas opiniões de condutas e comportamentos. O que geralmente na prática não acontece, pois depende muito do que está em discussão e o intermédio dos repórteres pode ter algumas distorções. RABAÇA et al. (1978), classifica a entrevista jornalística em 5 categorias principais: noticiosa; de opinião; de personalidade ou de ilustração; de grupo e coletiva. É apresentado por uma estratégia enunciativa, ou seja, pela conquista das cores. Além das fotos, as cores compõem o nome da revista e os enunciados das matérias. Estas cores facilitam a leitura e a memorização do conteúdo discorrido. Daniella Moreira de Souza As revistas são vendidas pela capa, caso não seja de uma forma alegre e chamativa, com certeza, será considerada um “furo”, como dizem os repórteres. Por este motivo, estão sempre na capa, imagens de modelos famosas ou de mulheres bonitas, aparentando não possuir nenhum tipo de problema, para que a população possa parar, olhar, se espelhar e adquirir a revista, além da chamada de capa, que é muito importante (LOPES, 1998). Ainda sobre embalagem, já que as capas das revistas são consideradas como tal, pois é a partir desta que o leitor escolherá qual revista comprar, por isso há um investimento em cores, palavras diferentes, atores e atrizes, personalidades famosas, enfim, chamadas para atrair o consumidor. Quando se fala em embalagem alguns aspectos devem ser levados em consideração: - investigar o mercado (atrair a atenção do consumidor; permitir uma identificação rápida do produto e da marca); - aspecto e visão: conjunto linear e formativo; proporção, texto e letras; esquema e preferência de cores; visibilidade e legibilidade; - qualidade e forma: tamanho e forma, custo e preço de venda (CARVALHO et al., 1996) Para os ocidentais a diagramação da leitura sempre se dá da esquerda para a direita, diagonal e de cima para baixo. A primária fica no canto superior esquerdo. A secundária encontra-se diagonalmente em oposição, no canto inferior direito. O leitor ao “bater” o olho na página, percebe o centro ótico, o qual é traçado em cima de uma linha imaginária no papel (CASTRO, 1995; LOPES, 1998). Daniella Moreira de Souza O livro e a mídia impressa são e ainda irão continuar a ser muito importantes, mesmo tendo a necessidade de renovação para os novos desafios que a tecnologia da informação exige (BRAGANÇA, 2001). 1.4.2. Mídia Eletrônica Os principais meios de mídia eletrônica são a televisão e a Internet. Esta última, está a cada dia, sendo mais utilizada pelo fato de se obter informações rápidas, porém nem sempre precisas. CASTRO (2003), analisou a produção científica brasileira em saúde pública e os resultados foram que as bases de dados LILACS e MEDLINE foram as fontes de apoio mais abrangentes para fazer este serviço de busca. A Internet ainda está em andamento e o seu uso precisa ser estimulado. Realmente a Internet tem um papel fundamental de transmitir informações na área de saúde e nutrição, mas estas devem ser analisadas de forma crítica, já que nem sempre as informações são verídicas. As mídias impressa e eletrônica, sobre ciência, programa de televisão e as propagandas resultaram num segundo grupo de fontes usadas em uma população de estudantes universitários, mostrando a importância desses veículos na circulação e difusão do tipo de assunto. As três principais fontes citadas são as revistas em geral, médicos e programas de televisão. Muitos profissionais médicos e nutricionistas têm sido entrevistados ou citados em reportagens e artigos que circulam nos diversos meios de comunicação (SANTOS et al, 2002). Daniella Moreira de Souza Com o crescimento na quantidade de informação científico-técnica produzida na área da saúde, a Internet é um potente meio de divulgação destas informações pelo acesso rápido de toda a população. Porém, existe uma preocupação grande com estas informações, pois muitas vezes as informações disponibilizadas na Internet, são contraditórias às questões científicas, deixando a população em dúvida na tomada de decisão (CASTRO, 2003). Muitas pesquisas são feitas na tentativa de se chegar a um consenso sobre a influência da mídia nos hábitos alimentares desde a infância. Estudo realizado por GRAZINI (1996), relata que as estratégias de publicidade apresentam as condições favoráveis para divulgar um produto e motivar o consumidor à ação de compra. A freqüência de inserção por emissora, relaciona-se ao plano de mídia das campanhas publicitárias, ao custo dos comerciais de aproximadamente 30 segundos no horário, a credibilidade do público ao programa, bem como, o seu tipo. As propagandas que mais apareceram foram a do hambúrguer vitaminado Seara e as de refrigerante; esta pesquisa analisou as propagandas veiculadas na televisão entre os intervalos do Programa Malhação da Rede Globo e Programa Livre do SBT. As estratégias de marketing que as indústrias alimentícias usam, induzem o lançamento de alimentos funcionais, produtos enriquecidos com substâncias benéficas ou com teor reduzido em certos nutrientes ou com objetivo de diminuir o risco de doenças. No Brasil, a cobertura pela mídia nos programas de televisão e publicações que apresentam o tema de alimentação e saúde não tem o apoio científico (SANTOS et al, 2002). Daniella Moreira de Souza 1.5. Revistas Femininas, Saúde e Nutrição No Brasil, tem se observado que há uma tendência à exaltação e glorificação ao corpo, estimulando a exposição pública de partes e aspectos corporais antes ocultos. Embora a exibição do corpo seja um arrefecimento da moral, está diante de uma outra moral que apregoa a obediência a um determinado padrão estético, denominado de “boa forma”. As publicações dirigidas ao público feminino são particularmente insistentes no controle das formas. Na revista Nova, há um movimento disciplinar, assim como em outras revistas femininas dirigidas à classe média e média alta, instruindo a leitora sobre as melhores maneiras de conservar ou adquirir uma estética corporal condizente com os padrões contemporâneos (D’ELIA, 2004). Figuras e fotos veiculadas nas revistas têm forte impacto nas meninas, devido à preocupação com o peso corporal, influenciando consideravelmente algumas modificações nos seus hábitos alimentares (FIELD et al., 1999). Para AYOUB (2002), a American Dietetic Association afirma que o meio de informação pode ter efeitos na saúde e no estado econômico de consumo. O Governo Federal reconhece que há um contato entre nutrição e saúde nos anos mais recentes. Os profissionais dietéticos são preparados para comunicar os avanços científicos sobre nutrição, sendo a responsabilidade totalmente deles, não devendo haver interpretações errôneas. No CRN-3 (Conselho Regional de Nutricionistas), os meios de comunicação para disseminação de informações são os jornais, rádio, TV, Internet, revistas, folders, revistas técnicas, informes técnicos, palestras e atendimentos / consultas. Daniella Moreira de Souza A lei nº 5250 de 04/02/67 regulamenta a liberdade de manifestação de pensamento e diz: Art 1º: é livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias por qualquer meio e sem dependência de censura, respondendo cada um nos termos da lei pelos abusos que cometer. Parág. 1º: não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão de ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe. Art 2º: é livre a publicação e circulação no território nacional de livros e jornais e outros periódicos, salvo se clandestinos ou quando atentem contra a moral e os bons costumes. “Aos profissionais de comunicação é necessário tornar claro o papel da linguagem verbal no produto cultural, desde a influência que ela exerceu / exerce na formação do próprio comunicador / produtor até as questões relacionadas à adequação da linguagem verbal na construção das personagens, por exemplo, ou na elaboração de um texto jornalístico ou de uma peça promocional. E mais: refletir sobre o papel da linguagem na manifestação da arte e da consciência, visto que ela está presente em todos os atos de compreensão e interpretação da realidade objetiva. A linguagem está presente, portanto, na formação do comunicador, na elaboração do produto cultural de que ele se mostra capaz; no espectador, leitor ou ouvinte. Temos, portanto, de conhecê-la (BACCEGA, 1990)”. Daniella Moreira de Souza Nas notícias de saúde, quando veiculadas, predomina reportagens sobre o corpo, beleza e problemas de saúde, sendo que estas vendem muito mais que outras notícias de saúde. Desta forma, intensificam-se os conflitos entre os profissionais de saúde e de comunicação (KUSCINSKY, 2002). Segundo a ADA (2002), os meios de comunicação que a população mais tem acesso em questões relacionadas à saúde são: televisão com 48%, revistas com 47% e jornais 18%. Outro meio de informação é a Internet, onde mais de 70 milhões de informações sobre saúde foram transmitidas à população americana no ano de 1999. É muito importante o papel da comunicação na humanização da atenção à saúde dos indivíduos, pois resgata a capacidade que o ser humano possui através de códigos psicossociais (lingüísticos) e psicobiológicos (comportamento e expressão não verbal). A forma como o profissional se expressa, tem a capacidade de criar vínculos com o leitor. Toda comunicação possui 2 partes: o conteúdo, o fato, a informação que se quer transmitir e o sentimento quando se interage com o outro (SILVA, 2002). A relação entre nutrição e saúde, está sempre destacada como objeto de pesquisa e debate. Destaques de riscos à saúde pela ingestão de gorduras saturadas e benefícios como as vitaminas antioxidantes, vem sendo investigados e divulgados com freqüência. Reportagens sobre alimentação e saúde têm se destacado pela mídia impressa (revistas) e na televisão, além de campanhas publicitárias e rótulos de alimentos e de suplementos nutricionais (SANTOS, 2002). Daniella Moreira de Souza A informação em saúde não é sinônima de conhecimentos, mas deve ser realizado tendo o agente mediador na produção de conhecimento. Neste processo, há sujeitos que emitem e recebem informações, de acordo com o contexto e momento da ação. As informações científicas são obtidas por meio de pesquisas, onde o pesquisador escolhe onde estas informações serão transmitidas. O meio de divulgação destas informações científicas são as revistas científicas. Vários trabalhos analisados apontam para a falta de interação entre os pesquisadores e os tomares de decisão (neste caso poderia ser considerado os jornalistas / repórteres), alguns motivos relatados são: “falta de canais de comunicação bem definidos; ênfase em contatos pessoais e não em literatura publicada; pouca divulgação de resultados em nível social; falta de continuidade das prioridades; distanciamento entre as agendas de pesquisa acadêmica e governamental na área da saúde” (CASTRO, 2003). A interpretação dos hábitos alimentares é influenciada por diversos fatores: geográficos (produção e processamento, comercialização, distribuição e disponibilidade de alimentos), poder aquisitivo (políticas econômicas - fator de suma importância para o acesso ao alimento); econômico-ambientais (políticas agrícolas e ambientais) e sócio-religiosos (grande influência no comportamento alimentar pelo desejo de formação social). Verifica-se ainda, diversidade, quanto aos costumes relacionados ao momento das refeições, como rituais religiosos ou regras de conduta à mesa (orações, alimentar-se em silêncio, conversando, lendo ou até mesmo assistindo televisão). A influência psicológica se faz presente na escolha da alimentação, pois as emoções implicam em afetividade, segurança, auto-afirmação e status. A transformação de hábitos deve enfocar o incentivo às práticas alimentares saudáveis sem prender-se apenas em recriminar os hábitos errôneos (PHILIPPI, 1992). Daniella Moreira de Souza De acordo com TAGLE (1988), da mesma forma que a cultura é adquirida, ela pode ser aprendida novamente, pois os hábitos não são casuais, originando-se de múltiplos fatores, que para serem modificados devem ser analisados minuciosamente quanto a sua natureza e dinâmica. A comunicação em saúde deve demandar precisão, profundidade e explanação de mecanismos, sendo que estes estão pouco presentes na difusão científica (BOYD,1987). Este tipo de comunicação na área da saúde deve ter caráter de cientificidade pois está trabalhando com a saúde da população, no sentido de melhorar as suas condições e não de confundir o entendimento podendo resultar no efeito contrário. Todo conhecimento científico pode ser formalizado e objetivado para a comunicação como forma de persuasão científica (TARGINO,1997). Para FOUREZ (1997), há muita prescrição de receitas na divulgação de informações, e isto não contribui para mudanças de comportamento e comunicação. Mas de outro lado, existe incertezas e inseguranças sobre os conhecimentos de saúde (SELIGMAN, 1975), chegando até mesmo a ponto de ter o efeito contrário na saúde da população, ou seja, pode ocorrer uma deseducação científica promovida pela mídia (CANDLISH, 1996). Pode realmente haver esta distorção, dependendo da forma como a notícia / matéria foi divulgada, podendo ter até mesmo sentido dúbio nestas informações, não deixando claro para o leitor afinal qual, quando e como deve ser o procedimento correto. Há necessidade de ter mais estudos aplicados para serem disponibilizados à população, com caráter científico para manter os canais de comunicação com a população (TOLLMAN & ZWI, 2000). Daniella Moreira de Souza Muitas reportagens sobre alimentação e saúde de vários profissionais da saúde estão sendo veiculados em meios de comunicação de grande circulação e também na televisão. De outro lado pode-se observar também o interesse pela população leiga por informações com base científica nestas mesmas áreas; os países que apresentaram um maior impacto destas informações foram os Estados Unidos, Canadá e Inglaterra. Os profissionais mais valorizados na difusão destas informações são os nutricionistas e médicos – Estados Unidos. Já no Brasil, em estudo realizado com estudantes universitários de Ciências Humanas, Biológicas e Exatas, constatou que a maioria dos recursos foi mais freqüente entre as mulheres e as revistas (em geral), permanecendo como a mais mencionada (33%), seguidas pelos médicos (18,4%) vindo a seguir pelos jornais diários (13,4%), programas de televisão (9,9%) e familiares (7,2%). Diante destes resultados, destaca-se a importância da imprensa periódica (revistas), como veículo de disseminação de nutrição e saúde (SANTOS et al, 2002). Algumas informações veiculadas erradas pela mídia, podem direcionar a escolha pelo alimento errado (TRUSWEL,1999). Vários estudos tiveram o objetivo de investigar o poder da mídia sobre os hábitos alimentares da população, relacionando sempre com a infância, vida adulta e grupos de indivíduos com problemas nutricionais e a influência com o poder de compra (KAUFMAN, 1980; LANK et al, 1992). Em estudo realizado por SERRA (2001), das 19 matérias analisadas e veiculadas nas revistas Capricho, havia: 6 participações de médicos e 6 de artistas, 4 professores de educação física e 4 nutricionistas, 3 adolescentes e 1 psicólogo. A autora concluiu que médicos e artistas têm a mesma quantidade de participações, ou seja, tanto o discurso técnico-científico quanto o sócio- Daniella Moreira de Souza estético possuem o mesmo valor. Quanto à participação dos nutricionistas, esta é muito pequena; é interessante por se tratar de um assunto avaliado (obesidade) e o profissional não ter sido muito solicitado. A American Dietetic Association (1995), ressalta: “pesquisadores e meios de comunicação devem compartilhar a responsabilidade de oferecer informação adequada ao público leigo; a preocupação com a qualidade das informações deve incluir não apenas a fidelidade aos trabalhos científicos que as originam, mas também a explicitação de suas limitações e do conjunto de dados no qual estão inseridas”. De acordo com o CRN – 3 (Conselho Regional de Nutricionistas – 3ª região – São Paulo, Paraná e Mato Grosso), os nutricionistas devem seguir algumas regras no processo de publicação e divulgação de informação de alimentação e nutrição nos meios de comunicação: 1- Sejam observadas as determinações da Resolução CFN n 141, de 01 de outubro de 1993, que dispõe sobre o Código de Ética do Nutricionista, mais precisamente o disposto no Artigo 9, incisos II, III, IX, X e XI. 2- Sejam observadas as determinações da Lei n 8078, de 11 de setembro de 1990, que dispõe sobre o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. 3- Sejam registrados os dados de identificação do profissional: nome, profissão, número de inscrição e da jurisdição do Conselho Regional de Nutricionistas. 4- Seja evitado divulgar e/ou privilegiar produtos alimentícios ou farmacêuticos por meio de objetos e/ou peças de vestuários, quando no exercício profissional, exceto quando a natureza de sua atividade esteja relacionada a marketing. Daniella Moreira de Souza 5- Não se faça auto promoção e sensacionalismo, por ocasião de entrevistas, comunicações, publicações de artigos e informações ao público sobre alimentação e nutrição. 6- O conteúdo da informação nutricional seja de forma exata, atualizada, de fácil entendimento, em linguagem objetiva e fundamentado no consenso científico. 7- A informação nutricional veiculada nos meios de comunicação não tenha caráter individualizado, considerando-se a necessidade de avaliação do cliente por meio do contato pessoal. 8- Sugere-se a citação da seguinte frase quando da divulgação sobre alimentação e nutrição: “As informações fornecidas não são individualizadas. Portanto, o nutricionista deve ser consultado antes de iniciar um tratamento e/ou acompanhamento dietoterápico”. Estudo de UUSITALO et al. (2000), relacionou 200 antioxidantes publicados em jornais e revistas femininas nos anos de 1988, 1991 e 1994, sendo considerado 53% das recomendações gerais sobre antioxidantes, 38% dos artigos sobre recomendações dos antioxidantes da dieta (frutas, vegetais) e 32% de suplementação. Muitas publicações dizem respeito a prevenção de câncer, ou seja, da importância da suplementação do betacaroteno com vitamina E. Os termos mais usados nestas matérias foram: antioxidantes, oxidação – radicais livres, beta caroteno - vitamina A – retinóides – carotenóides, vitamina E – tocoferol, vitamina C – ácido ascórbico, selênio, ubiquinona, flavonóides, ATBC – Estudo Prevenção do Câncer. A maioria das reportagens possuem um colorido, criam metáforas para expor o texto, relacionam antioxidantes, com vitalidade, tornando um modo atrativo para o consumidor. Daniella Moreira de Souza Para alguns autores a mídia impressa apresenta mensagens de nutrição confusas e inconsistentes (GOLDBERG et al., 1997). Muitos artigos publicados simplesmente ignoram os resultados negativos divulgados pela ATBC Câncer Prevention Study, sendo que os profissionais que escrevem estas matérias são os médicos e nutricionistas (UUSITALO et al., 2000) O termo antioxidante vem sendo largamente utilizado na mídia impressa e é um chamativo à toda população, já que a maioria possui algum tipo de problema e quando lê a matéria identifica-se e passa a consumir. Mas ao contrário das publicações acima, aqui no Brasil (pelo menos no tempo analisado), as revistas não apresentaram recomendações ou enfatizaram suplementações de antioxidantes, tendo como prioridade a presença destes nos alimentos e as vantagens. Como exemplo de persuasão, foi avaliada a freqüência de publicações sobre o consumo de ovo em revistas apresenta com dados inconsistentes, pelo fato de muitas matérias estarem entrando em conflito de informação. Diante deste fato, o consumo de ovos apresentou um declínio, pois a população associa o consumo de ovos com colesterol elevado e risco de doenças cardiovasculares, sendo que a maioria das matérias publicadas apresentava este enfoque (MELNTOSH, 2000). Como se pode perceber, a influência da mídia é muito importante, podendo sim modificar hábitos, mas estes devem ser bem avaliados e não deixando o consumidor em dúvida. É aceitável dizer que a Educação Nutricional conduzida de maneira inadequada pode estar relacionada com problemas de saúde no adulto, dependendo da responsabilidade dos profissionais dessa área a promover mudanças de atitudes na comunidade (BOULTON, 1985). Daniella Moreira de Souza Sendo assim, estudos mais recentes na área de nutrição, analisando as revistas femininas, apontam alguns erros de interpretação que jamais poderiam ocorrer, já que a maioria é redigida pelo profissional nutricionista, que deveria seguir as normas de comunicação, impostas pelo CRN – 3ª região. O profissional jornalista, ao contrário do nutricionista, não possui um código de ética, onde acabam divulgando as informações do seu modo, podendo ocorrer desvios de interpretação (SATO & CASTANHEIRA, 2003). Portanto cabe a nós profissionais capacitados para mudar esta concepção do mundo das revistas femininas. No estudo de SATO & CASTANHEIRA (2003), as principais matérias analisadas em duas revistas, em ordem decrescente foram: receitas com cálculos de calorias, dicas e atualidades sobre nutrição, valor calórico de porções de alimentos, dicas de restaurantes, alimentos e suas propriedades, dietas de emagrecimento, perguntas pra nutricionistas ou profissionais da saúde, relato de perda de peso e dietas para fins específicos. Os erros de conceitos nutricionais observados nas reportagens foram: ausência de medidas caseiras dos alimentos que compõe as dietas; falta de informação em relação à quantidade de alimento que deveria ser consumido para que o indivíduo obtenha seus benefícios; publicação de dietas e informações elaboradas por pessoas desprovidas do conhecimento técnico necessário; publicação de resultados de estudos que merecem maiores comprovações; falta de alerta quanto aos possíveis efeitos indesejáveis de certas condutas; não publicação das fontes que foram utilizadas nas reportagens e o título das reportagens levam os indivíduos a terem uma idéia errada acerca do seu conteúdo (indução). Além disso, foi analisado as dietas de emagrecimento publicadas nas revistas, e os resultados foram decepcionantes. Muitas não atendem às novas recomendações nutricionais de macro e principalmente de micronutrientes e Daniella Moreira de Souza possuem um baixo valor calórico, podendo ter sérias conseqüências metabólicas. Em outro estudo, realizado por AMANCIO & CHAUD (2004), avaliou 112 dietas publicadas em duas revistas femininas e todas apresentaram inadequação nos teores de macro e micronutrientes. Menos de 25% das dietas apresentaram distribuição adequada de macronutrientes e níveis inadequados de cálcio, ferro, e vitamina E. Não devendo ser permitido que publicações não-científicas anunciassem dietas para perda de peso sem uma composição nutricional adequada. Diante de todas estas evidências sobre o mundo das revistas femininas na área de nutrição, há necessidade de se instalar normas mais sérias e rígidas a fim de melhorar estas informações. Daniella Moreira de Souza 1.6. Nutrição e o profissional Nutricionista 1.6.1. Nutrição A Nutrição vem de longas datas, onde os povos de cultura primitivas já estabeleciam restrições alimentares em condições especiais como gestação, puerpério e doenças. A ciência avançava na tecnologia lançando no mercado muitos produtos e com a facilidade na distribuição comercial, houve a revolução no sistema alimentar. Os progressos científicos do século XX possibilitaram ao homem produzir sinteticamente, vitaminas, minerais e eletrólitos, concentrados protéicos e sintetização de aminoácidos. No campo da tecnologia alimentar, merece registro as indústrias de conservação de alimentos, levando ao máximo da perfeição de métodos antigos (desidratar, defumar, congelar etc) e as de pré preparo de alimentos para pronto uso, supergelados, para diminuir o tempo de cocção ou serviço. A cozinha é substituída pela fábrica, as receitas culinárias são programadas por computadores (NUTRIÇÃO EM PAUTA, 2001). Vale um momento importante a ser destacado aqui, que são os alimentos transgênicos. Muitas pesquisas tem sido realizadas, com o único objetivo a segurança alimentar e nutricional, para garantir uma alimentação saudável, considerando a possibilidade de aumentar a quantidade e melhorar a qualidade dos nutrientes nestes alimentos. O assunto é de extrema discussão em diversos órgãos governamentais e industriais. Sempre que ocorre mudança nos alimentos, há preocupação pública. Foi o caso do enlatamento, da pasteurização, da comercialização da margarina, do milho híbrido, uso da irradiação e de microondas e como não poderia deixar de ser com os alimentos geneticamente modificados. Estes alimentos fazem parte da tecnologia do DNA recombinante, onde se mistura ou transfere-se para uma planta, grupos de genes, resultando numa na produção de uma variedade com muitas características. Alguns Daniella Moreira de Souza alimentos geneticamente modificados em desenvolvimento podem ser citados de acordo com as perspectivas nutricionais e tecnológicas: frutas - uva, maçã, tomate, morando com maior teor de açúcares e retardo do amadurecimento; Sementes – soja, milho, canola, com modificação do perfil lipídico, aminoácidos, amido, vitamina A, ferro, fitatos, menor alergenicidade, menos escurecimento; Café – redução da cafeína; Frutas e vegetais como veículos de vacinas e fármacos; Vegetais com resistência a pragas, seca, salinidade do solo e metais pesados (LAJOLO & NUTTI, 2003). A Nutrição é a base de qualquer ser vivo. Para que todos possam manter suas funções vitais e desempenhar outras, a Nutrição tem que estar presente. É uma área nova com muitas descobertas ainda a serem realizadas para melhorar a vida da população em geral. As pesquisas em nutrição começaram a ser realizada a partir de 1900. A primeira vitamina descoberta foi em 1897 e a primeira estrutura de uma proteína descrita em 1945. Definições importantes são básicas ao mundo da Nutrição: (SIZER & WHITNEY, 2003) Alimento: qualquer substância que o corpo é capaz de ingerir e assimilar e que o manterá vivo e em crescimento. Nutrição: estudo dos nutrientes presentes nos alimentos e no organismo. Nutrientes: componentes do alimento que são indispensáveis ao funcionamento do organismo. Fornecem energia, ajudam na formação, manutenção das funções vitais. Os nutrientes incluem: água, carboidrato, gordura, proteína, vitaminas e minerais. Daniella Moreira de Souza Uma alimentação pobre ou rica em determinados nutrientes e/ou calorias acarreta uma série de conseqüências ao organismo, como por exemplo: desnutrição protéico-calórica, fome oculta, doenças crônicas não transmissíveis (diabetes, hipertensão arterial, obesidade dentre outras). Existem órgãos muito competentes que monitoram a nutrição através de projetos para melhorar a Qualidade de Vida das pessoas. Como por exemplo, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (DHHS – Departament of Health and Human Services), que tem objetivos de saúde e nutrição até o ano de 2010. Estes objetivos são: Objetivos relacionados a doenças: - Reduzir as mortes por doença arterial coronariana; - Reduzir as mortes por câncer; - Diminuir a incidência de diabetes (tipo 2), aumentar o número de diagnósticos da doença e reduzir as taxas de enfermidades e morte relacionadas a diabetes; - Reduzir a osteoporose; - Reduzir as cáries dentárias. Objetivos da Nutrição: - Aumentar a prevalência de peso saudável e diminuir a prevalência de obesidade; - Reduzir o retardo do crescimento em crianças de baixa renda; - Aumentar a proporção de pessoas com 2 anos e acima que satisfaçam as orientações dietéticas para gordura e gordura saturada na dieta; - Aumentar a ingestão de frutas e verduras a pelo menos 5 porções ao dia; - Aumentar a ingestão de produtos de cereais a pelo menos 6 porções ao dia; Daniella Moreira de Souza - Aumentar a proporção de pessoas que satisfaçam a recomendação de cálcio; - Aumentar a proporção de pessoas que satisfaçam o Valor Diário de 2400 mg ou menos de sódio diariamente; - Reduzir a anemia por deficiência de ferro em crianças, adolescentes, mulheres em idade reprodutiva e mulheres grávidas de baixa renda; - Aumentar a proporção de mães que amamentam imediatamente após o parto, durante os primeiros 6 meses de vida e preferivelmente durante todo o 1° ano de vida do lactente. Aumentar a proporção de crianças e adolescentes cuja ingestão de refeições e merendas na escola contribua para a qualidade dietética global; - Aumentar a proporção de escolas que ensinam tópicos essenciais de nutrição. Objetivos de Segurança Alimentar: - Reduzir a proporção de infecções causadas por patógenos transmitidos pelos alimentos e patógenos resistentes a antibióticos; - Reduzir as mortes por alergia alimentar (anafilaxia); - Aumentar a proporção de consumidores que praticam 4 comportamentos críticos de segurança alimentar ao manipular alimentos: lavar as mãos, prevenir contaminação cruzada, cozinhar completamente as carnes e resfriar os alimentos prontamente; - Reduzir as ocorrências de técnicas inadequadas de segurança alimentar nos estabelecimentos de varejo de alimentos. Daniella Moreira de Souza 1.6.2. O Profissional Nutricionista O curso de Graduação em Nutrição tem como perfil do formando egresso / profissional: *o nutricionista com formação generalista, humanista e crítica, capacitado a atuar, visando à segurança alimentar e à atenção dietética em todas as áreas do conhecimento em que a alimentação e nutrição se apresentem fundamentais para a promoção, manutenção e recuperação da saúde e para a prevenção de doenças de indivíduos ou grupos populacionais, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, pautado em princípios éticos, com reflexão sobre a realidade econômica, política, social e cultural (ZIMMER, 2003). Sendo assim, atuar no mercado de trabalho nos dias de hoje, exige uma visão holística da profissão, onde a prática profissional requer contínua aquisição de conhecimento e desenvolvimento de habilidades estruturadas em uma relação multiprofissinal, onde devem estar integralizados para compartilhar conhecimentos sobre os melhores métodos ou práticas, de modo a usar plenamente seu potencial (NUTRIÇÃO EM PAUTA, 1999). Diante desta responsabilidade, MOTTA et al. (1984), relaciona as atividades educativas do profissional nutricionista: * atuar como tradutor da ciência da nutrição de acordo com cada público; * planejar e desenvolver programas educativos; * utilizar resultados de pesquisa e as novas descobertas; * procurar formar no consumidor uma consciência crítica sobre as informações relativas à nutrição que são veiculadas pelos meios de comunicação; * colaborar para que os meios de comunicação de público transmitam informações reais e pertinentes sobre alimentação e nutrição; Daniella Moreira de Souza * não se omitir, quando procurado para qualquer esclarecimento ou orientação sobre nutrição. Levando-se em consideração estas três últimas responsabilidades para com os meios de comunicação, é importante fazer algumas considerações. A informação em saúde veiculada pela imprensa “leiga” pode ter duplo sentido, ou seja, de um lado apresenta a informação à população leiga com caráter de promessas e melhorias para resolver algum problema de saúde (pode ser que a informação ainda nem esteja comprovada cientificamente), ou no mesmo assunto apresentar possíveis danos à saúde, isto é bastante complicado, pois afinal qual será a decisão final do consumidor? É muito importante que se tenha muita ética na divulgação de certas informações. Vale ressaltar da importância que o os jornalistas / repórteres devem ter, já que possuem e colaboram na construção de processos de saúde (CASTIEL, 2003). Ainda este mesmo autor, assinala alguns pontos de fundamental importância, onde primeiramente, deve-se estar atento à relação de cientistas da saúde e a difusão pública de seus achados. Para isso destaca: Aos jornalistas: * “credibilidades das fontes – aspectos relativos ao reconhecimento da formação e produção dos cientistas”; * “informação acerca da adequação de procedimentos e métodos de pesquisa e da opinião de outros profissionais do campo sobre esse tema”; * “existência de avanços importantes nos achados e conclusões”; * “significação dos achados se são preliminares, se discordam do conhecimento hegemônico, se são baseados em amostras representativas, se os cientistas só Daniella Moreira de Souza encontraram associação estatística, se houve generalização de modelos animais para humanos”; * “comunicação de riscos – em termos de risco absoluto ou relativo, possibilidade de comparações com outros aspectos, grau de biossegurança envolvido”; *”antecipação de impacto – ansiedade ou otimismo passíveis de serem gerados no público receptor e importantes advertências devidamente ressaltadas incluídas”; * “posição de outros jornalistas especializados e editores sobre o tópico”; * “papel de subeditores em relação aos formatos de apresentação e destaque da matéria”; * “contatos com experts – perspectiva de outros especialistas no campo da pesquisa realizada”. Aos profissionais da ciência e da saúde: * “convívio com a mídia – relacionamento com jornalistas, busca de orientação de profissionais especializados sobre a questão”; * “credibilidade – disponibilização de informações sobre aspectos da pesquisa”; * “acurácia – exagero sobre o significado dos achados, possibilidade de outras interpretações sobre os achados, interferência de aspectos subjetivos; * “comunicação de risco e benefícios”; * “ênfase ao tópico biossegurança – se houve explicações apropriadas sobre a impossibilidade de proporcionar segurança absoluta”; * “recurso a contestações e demandas de correções no caso de publicação de informações incorretas ou distorcidas”. O rigor científico não precisa ser de modo difícil de entendimento, impossível de ser entendido pela população leiga; a população deve ter o acesso a estas informações verdadeiras para mudança de hábitos (BIZZOCCHI,1999). Daniella Moreira de Souza É importante uma proposta de reflexão e compreensão aos aspectos envolvidos na difusão de informações de ciência em saúde pelos profissionais e locais que fazem este tipo de informação como escolas e instituições de saúde (BIZZO, 2002). A profissão de Nutricionista é muito importante para a sociedade como atuante nos processos de educação nutricional para fazer com que as pessoas mudem seus hábitos alimentares, proporcionando uma melhora na Qualidade de Vida. O profissional que estuda a ciência dos nutrientes – Nutrição – é o nutricionista que segundo o American Dietetic Association, é o “profissional que aplica a ciência da nutrição para auxiliar as pessoas a selecionarem e consumirem os alimentos necessários a seu organismo na saúde ou na doença e através de todo seu ciclo de vida”. Daniella Moreira de Souza 2. Objetivos 2.1. Geral Avaliar a cientificidades das informações de nutrição publicadas em revistas femininas e os profissionais que redigem as matérias. 2.2. Específicos - Analisar a cientificidade das matérias publicadas em revistas; - Classificar os tipos de matérias publicadas de acordo com alimentos funcionais e alimentação equilibrada e outros (que não serão analisados cientificamente); - Obter dados do número de profissionais nutricionistas e outros profissionais de saúde que redigem as matérias; - Conhecer o tipo de informação segundo Alimentos Funcionais e Alimentação Equilibrada, enfocado em cada revista. Daniella Moreira de Souza 3. Material 3.1. Objeto de Estudo A pesquisa consistiu em um levantamento de dados de matérias sobre nutrição, veiculadas em revistas, na Cidade de São Paulo com periodicidade mensal. Foram escolhidas revistas de duas grandes Editoras e uma terceira editora que possui uma revista na área infantil, totalizando 35 revistas. Estas revistas ao longo do texto serão identificadas como sendo: A; B; C; D; E; F e G por questões éticas e sua periodicidade é mensal. No Anexo I pode ser encontrado o nome das revistas analisadas e suas editoras. O período de levantamento de dados foi entre os meses de fevereiro a junho de 2002. As revistas femininas foram escolhidas por serem hoje, uma forma de transmissão de conteúdos de informação das mais variadas categorias para as mais diversas classes sociais. Existem no mercado inúmeras revistas destinadas a este público e com diversos preços, por isso, é interessante conhecer como estes assuntos são abordados. Todas as matérias publicadas de nutrição foram analisadas com relação a sua veracidade de acordo com estudos científicos. Daniella Moreira de Souza 3.2. Classificação das Informações de Nutrição As informações foram classificadas de acordo com os temas Alimentos Funcionais e Alimentação Equilibrada e os mais diversos outros assuntos publicados (que aqui não serão analisados). 3.3. Análise Qualitativa Para haver a discussão de acordo com a cientificidade das informações publicadas neste período, foi utilizada pesquisa eletrônica na MedLine, Lilacs, Scielo, software (Virtual Nutri, 1996) para cálculo de valores nutricionais, livros e revistas científicos impressos. É relevante ser colocado que as informações são muito úteis para que os nutricionistas apresentem o processo educativo em indivíduos ou em grupos, sendo que, com base no conhecimento dos indivíduos, estabelece-se muitas estratégias para mudança de hábitos alimentares, através da persuasão. Adiante serão apresentadas as análises quantitativas e qualitativas deste estudo. 3.4. Análise Quantitativa Neste capítulo serão avaliados e discutidos os seguintes tópicos: • Número de informações sobre alimentos Funcionais, Alimentação Equilibrada (tabelas 1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8) e Outros. • Categoria de profissionais que escreveram as informações de Nutrição (tabelas 1.1; 2.1; 3.1; 4.1; 5.1; 6.1; 7.1; 9), sendo divididos em: Daniella Moreira de Souza ENutricionistas, outros profissionais da Saúde e Outros, podendo este englobar os seguintes profissionais: leitoras que escrevem sobre como conseguiram vencer algum desafio alimentar, astrólogo, farmacêutico, pesquisadores, cientistas, psicólogo, antropólogo, atriz, modelo, coordenador de academia, instituto de pesquisa, naturólogo, naturopata, escritores, empresas de alimentos, bioquímico, farmacêutico, químico, psicobiologista, engenheiro agrônomo, biólogo, psicofarmacólogo. ESem referência, diz respeito à informação que foi escrita nas mais diversas áreas da nutrição e não indicaram o profissional responsável pela mesma. Há ainda, uma tabela, relacionando os itens de Alimentos Funcionais e Alimentação Equilibrada, onde será avaliado qualitativamente (tabelas 1.2; 2.2; 3.2; 4.2; 5.2; 6.2; 7.2). Daniella Moreira de Souza 4. RESULTADOS e DISCUSSÃO 4.1. Análise Quantitativa TABELA 1 – Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista A, fevereiro a junho de 2002. Revista A Alimentos Funcionais n 0 4 2 2 3 Fevereiro Março Abril Maio Junho % 0 21,05 13,33 9,09 15 Alimentação Equilibrada n 4 1 2 3 3 Outros % 23,53 5,26 13,33 13,64 15 n 13 14 11 17 14 % 76,47 73,68 73,34 77,27 70 Total n 17 19 15 22 20 % 100 100 100 100 100 TABELA 1.1 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista A, fevereiro a junho de 2002. Revista A Fevereiro Março Abril Maio Junho Nutricionistas n 5 11 8 14 9 % 27,78 42,31 42,11 45,16 33,33 Demais profissionais da saúde n % 3 16,67 4 15,38 1 5,26 3 9,68 2 7,41 Daniella Moreira de Souza Outros Sem referência Total n 4 7 6 7 10 n 6 4 4 7 6 n 18 26 19 31 27 % 22,22 26,93 31,58 22,58 37,04 % 33,33 15,38 21,05 22,58 22,22 % 100 100 100 100 100 TABELA 1.2 – Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista A, fevereiro a junho de 2002. Revista A Alimentos Funcionais Fevereiro Março nenhum Abril Alface; Soja; Chá verde; feijão; farelo de trigo; brócolis; repolho; laranja; azeite; alho; tomate; aveia; nozes Espinafre; Iogurte Maio Uvas; Ômega 3 Junho Cebola; Soja; Abacate; azeite; chá verde; oleaginosas; laticínios Alimentação Equilibrada Escolher alimentos saudáveis; Nova Pirâmide alimentar Escolher alimentos saudáveis Escolher alimentos saudáveis; Nova pirâmide alimentar Escolher alimentos saudáveis Escolher alimentos saudáveis; A importância das refeições Na tabela 1, pode-se verificar que o mês de março apresentou 21,05% de informações de nutrição, relacionadas à Alimentos Funcionais, seguido pelo mês de junho, enquanto no mês de fevereiro, foi de maior evidência as informações acerca de alimentação equilibrada alcançando 23,53%, seguido pelos meses de junho e maio. Considerando todo tipo de matéria sobre alimentação e nutrição, o mês de maior número de informações publicadas foi Maio totalizando 22 inserções. Estes números provavelmente refletem a “preocupação” que as editoras tem em transmitir aos leitores a importância de uma boa alimentação, aquisição de uma boa forma para o verão e os cuidados com a chegada do Inverno. O item Outros foi de maior relevância no mês de Maio (77,27%) e no mês de Fevereiro com 76,47%, demonstrando que há grande espaço e diversificação nos temas sobre alimentação e nutrição. Na Tabela 1.1, observa-se que 45,16% de Nutricionistas escreveram as matérias de nutrição no mês de Maio e 42,31% no mês de Março. Quanto aos demais profissionais da saúde, obteve-se 16,67% no mês de Daniella Moreira de Souza Fevereiro, seguidos por 15,38% no mês de Março. E ainda, 37,04% no mês de Junho relativos aos outros profissionais que escreveram as informações. No mês de fevereiro, 33,33% das publicações foram apresentadas sem referências de profissionais. È importante ressaltar que o mês de Maio foi o mês onde mais se teve informações de nutrição escritas por profissional nutricionista. Na relação de assuntos da Revista A (Tabela 1.2), o mês de Março foi o que mais apresentou temas relativos a Alimentos Funcionais, tendo uma repetição das informações sobre Soja, chá verde e oleaginosas no mês de junho, Iogurte e Laticínios nos meses de Abril e Junho. Quanto aos temas de Alimentação Equilibrada, não houve uma grande variedade sobre o assunto “Como Escolher Alimentos” em todos os meses, durante a pesquisa uma vez que esta revista apresenta uma quadro específico sobre o tema. A Importância de seguir uma alimentação considerando-se a pirâmide de Alimentos apareceu nos meses de fevereiro e abril. Daniella Moreira de Souza TABELA 2 – Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista B, fevereiro a junho de 2002. Revista B Alimentos Funcionais n 4 2 4 6 2 Fevereiro Março Abril Maio Junho % 26,27 15,38 28,57 54,55 20 Alimentação Equilibrada n 3 4 2 1 3 Outros % 20 30,77 14,29 9,09 30 n 8 7 8 4 5 Total % 53,33 53,85 57,14 36,36 50 n 15 13 14 11 10 % 100 100 100 100 100 TABELA 2.1 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista B, fevereiro a junho de 2002. Revista B Fevereiro Março Abril Maio Junho Nutricionistas n 10 6 7 8 6 % 40 37,5 43,75 66,67 40 Demais profissionais da saúde n % 6 24 3 18,75 5 31,25 2 16,67 3 20 Daniella Moreira de Souza Outros n 9 5 3 1 5 % 36 31,25 18,75 8,33 33,33 Sem referência n 0 2 1 1 1 % 0 12,5 6, 25 8,33 6,67 Total n 25 16 16 12 15 % 100 100 100 100 100 TABELA 2.2 – Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista B, fevereiro a junho de 2002. Revista A Alimentos Funcionais Fevereiro Fitoesteróis; Licopeno; Alho; Lactobacillus Março Maçã; Vinho Abril Resveratrol; Maçã; Chá preto; Clorofila Maio Gengibre; Cebola; Framboesa; Abacate; Cogumelos; Tofu; Cenoura Avocado; Café Junho Alimentação Equilibrada Café da Manhã; Colesterol Mirim; Alimentação Infantil Carnes; Chuchu; Gordura oculta; Beliscos Embutidos; Cuidados ao comer Lanches Saudáveis Vasos Vitaminados; Feijão; Carne Suína Na tabela 2, pode-se evidenciar que o mês de Maio, foi o que apresentou a maior porcentagem sobre Alimentos Funcionais (54,55%), tendo também um número participativo nos meses de Abril (28,57%) e fevereiro (26,27%). Sobre Alimentação Equilibrada, o mês de Março foi o que apresentou mais informações com 30,77%, seguido dos meses de Junho e Fevereiro, 30% e 20% respectivamente. No item sobre os Outros temas de alimentação e nutrição, o mês de Abril com 57,14%, foi o de maior relevância. No geral, no mês de fevereiro houve um maior número de matérias totalizando 15 inserções. Com relação ao número de profissionais que escreveram as matérias foi de maior importância o mês de Maio (66,67%) para os nutricionistas, 31,25% para os demais profissionais da saúde também no mês de abril e 36% para outros profissionais no mês de fevereiro, ocorrendo ainda 12,5% de matérias sobre alimentação e nutrição no mês de março sem referência de profissionais. O Mês de maior número de profissionais referenciados (64%) que escreveram as informações foi o de fevereiro totalizando 25 inserções, Daniella Moreira de Souza correspondendo assim, ao mesmo mês que obteve-se um maior número de informações, porém 36% de outros profissionais foram responsáveis por escrever sobre os temas. Na relação de assuntos abordados nas Revistas B (tabela 2.2), no que se refere ao tema de Alimentos Funcionais o mês que mais se destacou foi o de Maio, seguido pelo de abril e com temas bastante variados. Diferente da Revista A (tabela 1.2), que no mês de fevereiro não teve nenhum tema nesta área, esta revista apresenta em todos os meses um assunto diferente, tendo repetição do assunto sobre Maçã e Resveratrol nos meses de Março e Abril. Sobre Alimentação Equilibrada, houve também uma grande diversidade de assuntos como: café da manhã, alimentação infantil, carne suína, dentre outros que serão discutidos na análise qualitativa. Daniella Moreira de Souza TABELA 3 – Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista C, fevereiro a junho de 2002. Revista C Alimentos Funcionais n 3 2 2 1 1 Fevereiro Março Abril Maio Junho % 33,33 33,33 22,22 14,28 11,11 Alimentação Equilibrada n 0 1 1 3 0 Outros % 0 16,67 11,11 42,86 0 n 6 3 6 3 8 % 66,67 50 66,67 42,86 88,89 Total n 9 6 9 7 9 % 100 100 100 100 100 TABELA 3.1 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista C, fevereiro a junho de 2002. Revista C Fevereiro Março Abril Maio Junho Nutricionistas n 4 2 3 4 2 % 44,45 33,33 37,5 57,15 22,23 Demais profissionais da saúde n % 1 11,11 2 33,33 2 25 1 14,29 3 33,33 Daniella Moreira de Souza Outros n 3 2 0 1 1 % 33,33 33,34 0 14,28 11,11 Sem referência n 1 0 3 1 3 % 11,11 0 37,5 14,28 33,33 Total n 9 6 8 7 9 % 100 100 100 100 100 TABELA 3.2 – Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista C, fevereiro a junho de 2002. Revista C Fevereiro Alimentos Funcionais Março Abril Maio Ômega 3; Nozes; Cereais integrais; folhas escuras; Alimentos que previnem o Câncer de cólon de útero; Frutas e legumes Pistache; Vegetais Repolho; Licopeno Clorofila Junho Dieta da fertilidade Alimentação Equilibrada Nenhum Produtos integrais Alimentação infantil Tudo de bom e tudo de mau; Colesterol; Conservantes Nenhum Na revista C (tabela 3.0), verifica-se que os meses de Fevereiro e Março apresentaram 33,33% cada um, de informações sobre Alimentos Funcionais. No mês de maio houve destaque para alimentação equilibrada com 42,86% e 88,89% sobre outros assuntos no mês de junho. Os meses de Fevereiro, Abril e Junho, apresentaram uma constante de número de informações totalizando 9 cada um destes meses. Quanto aos profissionais que escreveram as matérias (tabela 3.1), o mês de maio, com 57,15%, foi o de maior importância para os nutricionistas, seguido por 33,33% nos meses de Março e Junho para os demais profissionais da saúde, 33,34% para Outros profissionais no mês de Março, sendo muito aproximado o mês de fevereiro com 33,33% e ainda, 33,33% para o mês de Junho para as informações sem referência de profissionais. Como pode ser observado, para esta revista as informações de nutrição não são prioridade no conteúdo, mas de alguma forma apresenta temas relevantes para o momento, não deixando nenhum mês sem qualquer informação. Na tabela 3.2, na relação de assuntos abordados, há uma constância nas informações. Nos meses de Fevereiro e Março, pode-se observar temas sobre oleaginosas e vegetais. Em Fevereiro e Abril, alimentos que Daniella Moreira de Souza previnem câncer e repolho, respectivamente. Nos meses de fevereiro e maio, folhas escuras e clorofila, respectivamente. Sobre Alimentação Equilibrada, nos meses de fevereiro e Junho não houve referência a este tema e nos meses de março, abril e maio, há temas sobre produtos integrais, alimentação infantil, colesterol, conservantes e como escolher os alimentos a serem consumidos. As Revistas D e E são direcionadas a um público específico, ou seja, para gestantes, mulheres que estão planejando ter filhos e mulheres / homens que já tenham seus pequenos e procuram informações sobre como alimentar seus filhos desde pequenos. Primeiramente, foram avaliadas as informações da Revista D. Daniella Moreira de Souza TABELA 4 – Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista D, fevereiro a junho de 2002. Revista D Alimentos Funcionais n 0 0 1 0 0 Fevereiro Março Abril Maio Junho % 0 0 16,67 0 0 Alimentação Equilibrada n 4 4 0 2 4 Outros % 44,44 44,44 0 22,22 33,33 n 5 5 5 7 8 Total % 55,56 55,56 83,33 23,32 66,67 n 9 9 6 9 12 % 100 100 100 100 100 TABELA 4.1 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista D, fevereiro a junho de 2002. Revista D Fevereiro Março Abril Maio Junho Nutricionistas n 8 2 3 0 4 % 72,73 18,18 27,27 0 28,57 Demais profissionais da saúde n % 0 0 0 0 0 0 0 0 1 7,14 Daniella Moreira de Souza Outros n 2 5 6 3 3 % 18,18 45,45 54,55 33,33 21,43 Sem referência n 1 4 2 6 6 % 9,09 36,36 18,18 66,67 42,86 Total n 11 11 11 9 14 % 100 100 100 100 100 TABELA 4.2 – Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista D, fevereiro a junho de 2002. Revista D Fevereiro Alimentos Funcionais Nenhum Março Nenhum Abril Maio Junho Soja Nenhum Nenhum Alimentação Equilibrada Achocolatados; Cardápio para gestante; Papinhas vitaminadas; Preguiça de comer Cálcio da Hora; Seu filho está comendo bem?; Na mesa como gente grande; Comer, comer, comer Nenhum Abóbora; Bolos Café da manhã; Verduras e legumes; De olho na mesa; Hora certa de comer cada alimento Na tabela 4.0, observa-se que o mês de Abril apresentou 16,67% inserções para o tema de Alimentos Funcionais. Para o tema Alimentação Equilibrada, os meses de Fevereiro e Março, apresentaram 44,44% cada um e o item Outros 83,33% no mês de Abril. O mês que mais teve informações gerais de nutrição foi o de junho totalizando 12 inserções. Na tabela 4.1, os profissionais que mais escreveram informações de nutrição foram os nutricionistas com 72,73% no mês de fevereiro e 7,14% no mês de junho para os demais profissionais da saúde. No mês de Abril 54,55% de outros profissionais escreveram as matérias e 66,67% no mês de maio corresponde a informações sem referência de profissionais. O mês que mais teve profissionais foi o de junho com 14 inserções de nutrição, correspondendo ao mês com maior número de informações nesta área, mas é importante ressaltar que é grande o número destas inserções sem a referência de profissionais. Na tabela 4.2, na relação de assuntos abordados, o único tema publicado referente a Alimentos Funcionais que foi publicado foi sobre Soja, com algumas receitas para incentivar a criança a comer. Já para o item Alimentação Equilibrada, há uma seção de Nutrição nesta revista que geralmente corresponde a duas páginas, com várias informações de Daniella Moreira de Souza nutrição para crianças e mamães, como: dietas, informações sobre determinados nutrientes, como escolher os melhores alimentos. No mês de Abril, não houve nenhum tema abordado. Daniella Moreira de Souza TABELA 5 – Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista E, fevereiro a junho de 2002. Revista E Alimentos Funcionais n 0 0 0 0 0 Fevereiro Março Abril Maio Junho Alimentação Equilibrada % 0 0 0 0 0 n 1 0 0 1 2 Outros % 33,33 0 0 50 50 n 2 2 2 1 2 % 66,67 100 100 50 50 Total n 3 2 2 2 4 % 100 100 100 100 100 TABELA 5.1 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista E, fevereiro a junho de 2002. Revista E Fevereiro Março Abril Maio Junho Nutricionistas n 1 1 0 2 2 % 14,29 50 0 50 50 Demais profissionais da saúde n % 2 28,57 0 0 0 0 1 25 1 25 Daniella Moreira de Souza Outros n 4 1 1 1 1 % 57,14 50 50 25 25 Sem referência n 0 0 1 0 0 % 0 0 50 0 0 Total n 7 2 2 4 4 % 100 100 100 100 100 TABELA 5.2 – Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista E, fevereiro a junho de 2002. Revista E Fevereiro Março Abril Maio Junho Alimentos Funcionais Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Alimentação Equilibrada Alimentos orgânicos Nenhum Nenhum Baião de Dois Minerais neles!; Ele só quer comer macarrão (turma da Mônica) Na Revista E, não houve em momento algum, referências sobre o tema Alimentos Funcionais (tabela 5.0). Não houve uma constância de matérias sobre Alimentação Equilibrada durante o período de análise, porém sempre no final da revista houveram dicas de nutrição de acordo com a faixa etária das crianças ou dicas de uma alimentação saudável para gestantes. Houve 50% de matérias sobre Alimentação Equilibrada nos meses de Maio e Junho, e nos meses de Março e Abril houve 100% em cada um sobre outros temas. Na tabela 5.1, os meses de Março, Maio e Junho apresentaram 50% cada um de profissionais nutricionistas. Os outros profissionais da saúde 28,57% ficou em evidência no mês de fevereiro e 57/14% para outros profissionais no mesmo mês. Ainda fevereiro, foi o mês que totalizou o maior número de profissionais que escreveram as matérias correspondendo a 7 inserções. Provavelmente o mês de fevereiro foi evidenciado devido o início das aulas para as crianças. Na tabela 5.2, observa-se que no período analisado não houve registro de nenhum tema sobre Alimentos Funcionais. Já para Alimentação Equilibrada, apareceram informações sobre alimentos orgânicos, a importância de alguns nutrientes para as crianças e uma estória com a Turma da Mônica. Daniella Moreira de Souza Na Revista F, assim como na Revista C e na revista G, o enfoque não é a respeito de alimentação e nutrição, mas em todas elas mesmo que sejam poucas as informações, em nenhuma foi deixado de apresentar em seu conteúdo os temas aqui expostos. Daniella Moreira de Souza TABELA 6 – Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista F, fevereiro a junho de 2002. Revista F Alimentos Funcionais n 0 0 1 0 1 Fevereiro Março Abril Maio Junho % 0 0 100 0 0 Alimentação Equilibrada n 1 1 0 0 0 Outros % 20 33,33 0 0 0 n 4 2 0 2 2 Total % 80 66,67 0 100 100 n 5 3 1 2 2 % 100 100 100 100 100 TABELA 6.1 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista F, fevereiro a junho de 2002. Revista F Fevereiro Março Abril Maio Junho Nutricionistas n 1 0 0 0 0 % 12,5 0 0 0 0 Demais profissionais da saúde n % 0 0 2 40 0 0 0 0 0 0 Outros n 3 2 0 0 1 % 37,5 40 0 0 50 Sem referência n 4 1 1 2 1 % 50 20 100 100 50 Total n 8 5 1 2 2 % 100 100 100 100 100 TABELA 6.2 – Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista F, fevereiro a junho de 2002. Revista F Fevereiro Alimentos Funcionais Nenhum Março Abril Maio Junho Nenhum Remédio Gostoso Nenhum Nenhum Daniella Moreira de Souza Alimentação Equilibrada Qualidade de Vida (alimentação equilibrada) Orgânicos Nenhum Nenhum Nenhum Na tabela 6.0, observa-se que na revista F, houve 100% referencia ao tema Alimentos Funcionais no mês de Abril devido ter sido somente 1 inserção geral na revista. Para o tema Alimentação Equilibrada, houve 33,33% de matérias no mês de março, e 100% para cada mês de Maio e Junho para o tema Outros, por terem apresentado somente 2 inserções em cada revista. O mês de fevereiro foi o que teve maior número de informações inseridas totalizando 5. Na tabela 6.1, nota-se que para os profissionais nutricionistas o mês de fevereiro foi o de maior evidência correspondendo a 12,5 % das matérias assinadas, apresentando 40% para os Outros profissionais da saúde no mês de março e 50% para outros profissionais no mês de Junho. Ainda sem referência de profissionais que escreveram as informações, houve 100% para os meses de Abril e Maio com apenas 1 e 2 inserções apenas respectivamente. Na tabela 6.2, na relação de assuntos abordados para Alimentos Funcionais, apenas o mês de Abril é que houve uma referência com o tema “Remédio Gostoso” e já para o tema Alimentação Equilibrada, os meses de Fevereiro e Março é que apresentou o tema em questão, Qualidade de vida e Orgânicos. Daniella Moreira de Souza TABELA 7 – Distribuição do número de informações sobre alimentos funcionais, alimentação equilibrada e outros itens relativos a alimentação publicados na Revista G, fevereiro a junho de 2002. Revista G Alimentos Funcionais n 0 0 0 0 0 Fevereiro Março Abril Maio Junho Alimentação Equilibrada % 0 0 0 0 0 n 0 1 0 0 0 Outros % 0 50 0 0 0 n 1 1 1 1 4 % 100 50 100 100 100 Total n 1 2 1 1 4 % 100 100 100 100 100 TABELA 7.1 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição na Revista G, fevereiro a junho de 2002. Nutricionistas Revista G Fevereiro Março Abril Maio Junho n 0 2 0 0 0 % 0 50 0 0 0 Demais profissionais da saúde n % 0 0 1 25 0 0 0 0 0 0 Outros n 1 1 1 1 4 % 100 25 100 100 80 Sem referência n 0 0 0 0 1 % 0 0 0 0 20 Total n 1 4 1 1 5 % 100 100 100 100 100 TABELA 7.2 – Relação dos temas sobre alimentos funcionais e alimentação equilibrada publicados nas matérias da revista G, fevereiro a junho de 2002. Revista G Fevereiro Março Abril Maio Junho Alimentos Funcionais Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Daniella Moreira de Souza Alimentação Equilibrada Nenhum Mais é menos Nenhum Nenhum Nenhum Analisando a Revista G, na tabela 7.0, pode se avaliar que em nenhum momento houve referência para o tema Alimentos Funcionais, tendo apenas uma inserção sobre Alimentação Equilibrada, totalizando assim 50% no mês de Março e já para Outros temas, houve referência de 100% nos meses de Fevereiro, Abril, Maio e Junho. Totalizando 4 inserções de nutrição no mês de Junho. Já na tabela 7.1, observa-se que o número de profissionais nutricionistas que escreveram as matérias foi de 50% no mês de Março, seguido pelos Outros profissionais da saúde no mês de Março com 25%, havendo 100% para outros profissionais nos meses de Fevereiro, Abril e Maio, correspondendo aos Outros temas publicados na revista nestes meses. Sem referência de profissionais que escreveram as matérias, houve 20% no mês de Junho, totalizando 5 profissionais que mais escreveram no mês de junho. Ainda na tabela 7.2, sobre os assuntos abordados não há referência para alimentos funcionais e apenas no mês de março um tema para Alimentação Equilibrada com o título “Mais é Menos”. Na tabela 8, pode-se avaliar de uma maneira global o número de informações que foram inseridas no conteúdo das revistas. Daniella Moreira de Souza TABELA 8 – Distribuição do número de informações de Nutrição inseridas nas revistas analisadas no período de fevereiro a junho de 2002. Alimentos Funcionais Revista A Revista B Revista C Revista D Revista E Revista F Revista G Total n 11 18 9 1 0 1 0 40 % 11,83 28,57 22,5 2,22 0 7,69 0 Alimentação Equilibrada n 13 13 5 14 4 2 1 52 % 13,98 20,64 12,5 31,11 30,77 15,38 11,11 Outros n 69 32 26 30 9 10 8 184 % 74,19 50,79 65 66,67 69,23 76,93 88,89 Total n 93 93 40 45 13 13 9 276 % 100 100 100 100 100 100 Observando-se a tabela 8, destaca-se a Revista A com o maior número de inserções gerais na área de nutrição totalizando 93 matérias, seguida pela revista B com 63 matérias e sendo a revista G a que teve menor número, totalizando 9 matérias. Para o tema Alimentos Funcionais a Revista B destacou-se pelo perfil da revista que é de levar todo tipo de conhecimento na área de nutrição para o seu público leitor, correspondendo a 28,57%. Para Alimentação Equilibrada, a Revista D foi de maior relevância, devido fazer parte do seu conteúdo uma Seção de Nutrição, com uma folha frente e verso e várias outras matérias sobre alimentação infantil, para gestantes e lactantes. Notou-se que é uma revista que aborda os temas de uma forma bem descontraída facilitando o entendimento do público. Para Outros temas, a Revista A foi a que apresentou o maior número de inserções, correspondendo a 74,19%, seguida também pela Revista B com 50,79%. Estes resultados só evidenciam o objeto de estudo – as Revistas Femininas – que são o meio pelo qual milhares de pessoas, principalmente mulheres, tem acesso a este tipo de informação e por isso devem estar muito bem redigidas e cientificamente fundamentadas. Daniella Moreira de Souza TABELA 9 – Distribuição do número de profissionais que escreveram as matérias sobre nutrição nas revistas analisadas no período de fevereiro a junho de 2002. Nutricionistas Revista A Revista B Revista C Revista D Revista E Revista F Revista G Total n 47 37 15 17 6 1 2 125 % 38,84 44,05 38,46 30,36 31,58 5,55 16,67 Demais profissionai s da saúde n % 13 10,74 19 22,62 9 23,08 1 1,78 4 21,05 2 11,11 1 8,33 49 Outros n 34 23 7 19 8 6 8 105 % 28,1 27,38 17,95 33,93 42,1 33,34 66,67 Sem referência n 27 5 8 19 1 9 1 70 % 22,32 5,95 20,51 33,93 5,27 50 8,33 Total n 121 84 39 56 19 18 12 % 100 100 100 100 100 Este é o resultado mais esperado neste capítulo, o qual demonstra que o profissional nutricionista está conseguindo sua inserção na mídia impressa e eletrônica e assim pode proporcionar à população informações adequadas sobre alimentação e nutrição. As Revistas A e B, foram as que mais tiveram estes profissionais em suas publicações o que engrandece a categoria ainda mais. Esse quadro foi melhorado, mas sem dúvida há ainda muito o que fazer, quando depara-se com o Quadro de Informações sem Referência de Profissionais. Com certeza, poderia aqui ter sido muito maior o número de profissionais nutricionistas que redigiram as matérias, mas que seus nomes não foram citados. Mesmo quando a revista coloca em seu quadro de Profissionais fixos, um nutricionista, há necessidade de colocar o crédito deste na matéria, já que ao longo da revista há vários outros profissionais ficando este esquecido para a leitora que está com dúvidas ou que não possui o hábito de ler a página onde constam os profissionais fixos. Ao mesmo tempo que é importante a participação do profissional nutricionista, como encontrado nesta análise um grande número de inserções, é extremamente preocupante o número de profissionais de outras áreas que estão escrevendo sobre nutrição, ocupando na análise Daniella Moreira de Souza desta pesquisa o 2º lugar. É preciso refletir o que está acontecendo. Por que ainda não são apenas chamados os nutricionistas para escreverem estas matérias de nutrição? Não é este o profissional mais indicado de acordo com sua experiência e formação acadêmica? Tem-se a ferramenta certa e o público certo para isso, mas é preciso tomar muito cuidado com o que se coloca de informação. Não é porque as revistas são leigas que devem ser colocadas as informações de qualquer jeito, sem conhecimento científico. As pessoas que procuram estas informações é porque querem certamente mudar algo em suas vidas, quer seja para redução de peso, quer seja para obter informações de determinados alimentos para melhorar alguma patologia instalada e até mesmo para prevenir doenças. È importante novamente, refletir sobre a importância que o profissional nutricionista representa para a sociedade, com todos os estudos que permeiam a nossa integridade e de todo ser humano. Em todas as revistas ficou evidenciado que é o profissional mais procurado para redigir estas matérias, mas há ainda um caminho a ser desbravado que é o respeito à Ética para que os jornalistas / repórteres entendam que deve ser colocado o crédito do profissional e que assuntos de nutrição, competem somente ao profissional nutricionista e mais ninguém. Daniella Moreira de Souza 4.2. Análise Qualitativa Este capítulo compreende a análise científica, das informações publicadas nas revistas femininas A / B / C / D / E / F / G, de acordo com Alimentos Funcionais e Alimentação Equilibrada. O item Outros, não será aqui analisado, mas terá uma importância de alguns assuntos abordados durante este período de análise (fevereiro a junho de 2002). Primeiramente, será mostrado as chamadas de Capa destas revistas em torno da Nutrição. 4.2.1. CHAMADAS DE CAPA Revistas A Fevereiro “Programa Okinawa – A Dieta Japonesa que enxuga 4 quilos e prolonga a juventude” “Será que você vai conseguir perder peso? Faça o teste se for mulher” Março “Repita conosco: VOU EMAGRECER! A Dieta para quem não consegue fazer dieta” “ Já tomou chá verde hoje? Ajuda a perder peso, a rejuvenescer, a prevenir o câncer” “ 8 SUPERALIMENTOS que podem mudar a sua vida” “Diário de uma gordinha, K.C., pedagoga, 30 anos, 88 quilos, é a nova candidata a vencer a balança. Será que ela consegue? Só lendo! Abril “Infeliz com o seu peso? A Dieta do pH promete eliminar 5 quilos de uma vez por todas” Daniella Moreira de Souza “Pôster grátis de exercícios e + um superguia de ALIMENTAÇÃO” “Diário de uma gordinha – 2° capítulo” Maio “Suplemento alimentar – Dá músculo? Queima gordura? Descubra Hoje” “Yessss! Você vai emagrecer comendo tudo o que gosta. É a última palavra em matéria de dieta. E Funciona! Junho “É garantido! Os planos que vão manter você magrinha neste inverno: 1 ginástica light + dieta fácil, fácil; 2 malhação especial + dieta com direito a fondue, chocolate...” “Guia dos SPAs – um roteiro em todo o Brasil para perder peso, relaxar, diminuir medidas, ficar mais bonita” “Eu venci a compulsão a doces – L. passou a vida devorando todos os bombons da caixa. Mas conseguiu se libertar dessa prisão. Inspire-se! Ao depararmos com todas estas chamadas de capa desta revista, podemos observar o forte apelo que se faz em torno do peso das mulheres e até do ponto de vista psicológico, pois as pessoas que querem perder peso, geralmente querem encontrar algo fácil, rápido e até milagroso sem fazer nenhum esforço, comendo de tudo que mais gostam e, é o que estas revistas procuram fazer, prender a atenção destas pessoas. Sempre com dietas novas e “que vão dar certo”, como se a do mês passado publicada não valesse de mais nada. É a intenção provável da revista de sempre estar vendendo. A cada mês uma nova chamada para uma dieta “milagrosa”, como poderíamos chamar. E isto pode ter uma influência muito grande no peso destas pessoas, afinal que dieta seguir ou será que tentam todas as dietas publicadas? Acreditando que “agora vai dar certo”... Foram poucas as chamadas para os alimentos funcionais, apenas uma sobre o chá verde e os “8 superalimentos que vão mudar a sua vida”, será discutido mais adiante. Daniella Moreira de Souza Em todas as capas tiveram a presença de mulheres artistas com corpos “esculpidos”, para chamar mais a atenção das leitoras e até para se identificarem e comprar a revista. No Anexo II pode ser encontrado um quadro resumo com todas as informações de cada revista, como perfil de leitores, idade, custo e classe social. O perfil de leitor desta Revista A é: 55% têm entre 20 e 39 anos, sendo: homens: 22% mulheres: 78% Divididos nas classes sociais: Classe A: 22% Classe B: 44% Classe C: 25% Possui uma tiragem mensal de: 285.100 exemplares Sendo divididos por regiões: 4% Região norte 12% Nordeste 8% Centro Oeste 57% Sudeste 18% Sul OBS: dados obtidos pela editora. Custo da revista: R$ 5,40 É uma revista direcionada ao público feminino, de 20 a 39 anos de idade, fase da vida em que as mulheres estão preocupadas com a forma física e na mudança de hábitos alimentares. O maior público é da classe média e média alta e com a maior concentração de exemplares na região Sudeste. Provavelmente onde a maioria das mulheres trabalham fora e apresentam problemas com a estética corporal. Daniella Moreira de Souza CHAMADAS DE CAPA DA REVISTA B Fevereiro “Defenda-se do câncer de mama – A dieta que previne tumores e os novos remédios que podem salvar quem tem a doença” “Alho – Estudos provam que ele trata infecções e evita infartos” “Reposição natural – conheça a black cohosh, a planta americana que alivia com sucesso os sinais da menopausa” Março “Descubra a gordura escondida em alimentos que parecem ser light” Abril “Vigilantes do peso – o programa está para mudar e vai permitir que você coma de tudo. Será que todo mundo consegue emagrecer desse jeito? “Clorofila – o suco da moda trata doenças sim. Mas não por causa dela” Maio “Vamos a um japonês? Conheça todos os benefícios dessa culinária” Junho “Surpresa! A carne de porco pode ser menos gordurosa que a de frango” Os assuntos destas revistas são mais direcionados à questão dos Alimentos Funcionais, como fator de prevenção de doenças, além de assuntos relacionados a dieta e escolhas de alimentos certos na hora da compra, dentre outros temas que serão apresentados e discutidos. Daniella Moreira de Souza O perfil de leitor desta Revista B é: 63% têm entre 20 e 49 anos, sendo: homens: 32% mulheres: 68% Divididos nas classes sociais: Classe A: 20% Classe B: 38% Classe C: 28% Possui uma tiragem mensal de: 205.900 exemplares Sendo divididos por regiões: 4% Norte 17% Nordeste 8% Centro Oeste 50% Sudeste 22% Sul OBS: dados obtidos pela editora. Custo da revista: R$ 4,50 OBS: no mês de junho houve uma alteração no formato da revista, alterando assim o valor para R$ 5,20. O público desta revista compreende as mulheres entre 20 e 49 anos de idade, tendo uma porcentagem maior que a revista anterior para os homens, sendo a maior parte de classe média, seguido pela classe C (média baixa). Este grupo de pessoas visam os cuidados com a saúde em geral não somente com a questão de perder peso, pelo próprio estilo de revista que é de transmitir várias informações na área de nutrição e não somente perda de peso. Está mais concentrado na região Sudeste, seguido pela região Sul e Nordeste. Daniella Moreira de Souza Revistas C Fevereiro “As novas descobertas sobre os alimentos que previnem doenças” Março Nenhuma chamada de capa na área de nutrição Abril Nenhuma chamada de capa na área de nutrição Maio “GRÁTIS! Um guia para sua pele ficar linda” Junho Nenhuma chamada de capa na área de nutrição Como podemos observar, o enfoque desta revista não é a área de nutrição, embora não tenha chamadas na capa, há várias matérias de nutrição no conteúdo da revista. A única que houve chamada, foi a do mês de fevereiro que aborda a questão dos alimentos funcionais e o encarte sobre Pele , que também abordará assuntos relacionados à nutrição. Daniella Moreira de Souza O perfil de leitor desta Revista C é: 52% têm entre 18 e 39 anos homens: 14% mulheres: 86% Divididos nas classes sociais: Classe A: 21% Classe B: 45% Classe C: 27% Possui uma tiragem mensal de: 473.780 exemplares Sendo divididos por regiões: 3% Norte 13% Nordeste 27% Sudeste 8% Centro Oeste 19% Sul OBS: dados obtidos pela editora. Custo da revista: R$ 6,30 O público desta revista, são as mulheres compreendendo 86% do total, tendo como classe social mais consumista a B. A região do Brasil que mais tem acesso à revista é a Sudeste, assim como todas as outras citadas anteriormente, seguida pela região Sul. Daniella Moreira de Souza Revista D Fevereiro “Leite Materno – Aprenda a tirar e a conservar este líquido poderoso” “Papinha Vitaminada – receitas nutritivas que ajudam no crescimento” Março “Superteste: seu filho está comendo bem?” “Guia da grávida mês a mês – um roteiro completo...... dentre outros assuntos sobre alimentação” Abril Nenhuma chamada de nutrição Maio “Bolos: Saudáveis e gostosos” Junho “Nutrição – a hora certa de comer cada alimento” Como pode ser observado, estas revistas são um pouco diferenciadas das já citadas anteriormente, onde o público-alvo também são as mulheres, que possuam filhos ou que estão planejando em tê-los. De uma forma geral, aborda temas sobre alimentação saudável para as crianças para que tenham bons hábitos desde pequenos, prevenindo assim, possíveis doenças crônicas não-transmissíveis (obesidade, diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial etc). Daniella Moreira de Souza Informações complementares: Tiragem mensal desta revista: 193.100 OBS: únicos dados fornecidos pela editora Custo da revista: R$5,50 REVISTA E Fevereiro “Alimento orgânico – vantagens para a saúde de toda a família” Março Nenhuma chamada de nutrição Abril Nenhuma chamada de nutrição Maio “Gravidez – como se alimentar direitinho para seu nenê nascer forte e saudável” Junho Mauricio de Sousa e Magali ensinam: criança come de tudo” Esta revista possui um enfoque semelhante ao da Revista D, tendo como público-alvo as mulheres que já possuem filhos ou que estão planejando tê-los, para informações dentre outras coisas a importância da Nutrição das crianças. A únicas informações que pode ser observada é com relação à alimentação equilibrada, mesmo sendo pouco veiculadas. Daniella Moreira de Souza O perfil de leitor desta é: 32% têm entre 18 e 24 anos homens: 12% mulheres: 88% Divididos nas classes sociais: Classe A: 13% Classe B: 45% Classe C: 32% Possui uma tiragem mensal de: 79.544 exemplares Sendo divididos por ensino: 31% ensino superior 36% ensino médio 33% ensino fundamental OBS: dados obtidos pela editora. Custo da revista: R$ 5,90 Comparando-se as Revistas D e E, cujo enfoque é o mesmo, a D possui uma tiragem maior e em compensação a E apresenta um custo um pouco maior, isso faz com que a leitora faz opção pelo preço da revista no momento de comprar. Daniella Moreira de Souza REVISTA F Fevereiro “Sexo e Gula! Receitas para enfeitiçar” “Você é gulosa?” “Dieta relâmpago – para entrar naquele vestido em uma semana” “Spa em casa – chame as amigas” Março Nenhuma chamada de nutrição Abril Nenhuma chamada de nutrição Maio “Os melhores métodos para reduzir as medidas” Junho “Com açúcar com afeto comidinhas para conquistar” De acordo com as chamadas destas revistas, pode-se entender que há mais apelação dos alimentos para o lado sensual, como forma de proporcionar prazer e também no que diz respeito à redução de medidas para ter um corpo mais “enxuto” e como não poderia deixar de ser, em pouco tempo. Também mostra um forte apelo para emagrecimento rápido, mas sendo sempre para o lado sensual. Daniella Moreira de Souza O perfil de leitor desta é: 22% têm entre 35 e 44 anos homens: 12% mulheres: 88% Divididos nas classes sociais: Classe A: 13% Classe B: 42% Classe C: 32% Possui uma tiragem mensal de: 159.621 exemplares Sendo divididos por ensino: 21% ensino superior 46% ensino médio 33% ensino fundamental OBS: dados obtidos pela editora. Custo da revista: R$ 5,90 O público leitor desta revista compreende 88% da classe feminina, tendo entre 35 e 44 anos de idade (22%), sendo 42% da classe B e 46% com ensino médio completo. Daniella Moreira de Souza REVISTA G Fevereiro Nenhuma chamada de capa Março “Dieta: emagreça comendo mais e melhor” Abril Nenhuma chamada de nutrição Maio Nenhuma chamada de nutrição Junho Nenhuma chamada de nutrição O perfil de leitor desta é: 22% têm entre 18 e 24 anos e 22% tem entre 25 e 34 anos homens: 16% mulheres: 84% Divididos nas classes sociais: Classe A: 20% Classe B: 44% Classe C: 28% Possui uma tiragem mensal de: 273.832 exemplares Sendo divididos por ensino: 30% ensino superior 44% ensino médio 26% ensino fundamental Daniella Moreira de Souza OBS: dados obtidos pela editora. Custo da revista: R$6,50 Esta revista assim como a Revista C, não há chamadas de capa na área de nutrição, por ser um outro perfil que a revista aborda. Mas no corpo da revista, há várias matérias de nutrição. É uma revista mais elitizada, tanto que a qualidade do material utilizado é bem diferente das demais revistas, assim como as fotos que fazem parte do conteúdo da revista. Neste período analisado, todas as capas foram de grandes personalidades como modelos e atrizes, sempre enfatizando muito o rosto destas mulheres. Um outro aspecto bastante interessante, é que as matérias das chamadas de capa, sempre estão localizadas do meio para o final da revista, para “forçar” a leitora a folhear as demais páginas que compõe a revista. O custo das revistas, são semelhantes de acordo com o estilo de cada uma, variando de R$ 4,50 a 6,50. As revistas C e G, apresentam um custo semelhante R$6,30 e R$6,50 respectivamente. Como já foi mencionado a revista G é elitizada, e a Revista C segue este padrão. Já as revistas D e E, que tem o mesmo enfoque – Nutrição para Gestantes e Crianças – apresentam custos semelhantes R$5,50 e R$5,90 respectivamente. Enquanto que as revistas A, B e F, apresentam custos semelhantes (R$5,40, R$ 4,50-5,20 e R$5,90), embora tenham em seu corpo editorial enfoques diferentes. Os custos de venda destas revistas geralmente são bem próximos não havendo discrepâncias, pois senão ficam fora de padrão, não atingindo a sua tiragem mensal. Não podem ficar muito abaixo da média do mercado e nem muito acima, claro de acordo com o estilo da revista. Existe no mercado, revistas que custam até R$1,00 ou R$1,99, mas não se compara o material a ser utilizado. Neste caso, as editoras querem atingir as mulheres que não tem condição de acessar as demais revistas, devido ao preço, mas mesmo nestas revistas, há informações de nutrição escritas por profissionais. Daniella Moreira de Souza Como pode ser observado, existem muitas revistas no mercado, cada uma com um direcionamento, mas todas sempre procuram abordar algo sobre o mundo da nutrição, umas mais outras menos, mas em todas existem matérias para fazer com que as leitoras mudem seus hábitos alimentares assim como de suas famílias. A partir de agora dar-se-á início às análises das matérias publicadas em cada revista, no que se refere à: Alimentos Funcionais Alimentação Equilibrada Dúvidas das leitoras 4.2.2. Alimentos Funcionais Hoje em dia muito tem se falado em vitaminas e minerais antioxidantes, como forma de prevenção de câncer, doenças cardiovasculares dentre outras. O oxigênio do nosso organismo reage com compostos para produzir moléculas altamente instáveis – os famosos radicais livres; o maior problemas destes, é quando são maiores que as defesas do organismo gerando assim, o estresse oxidativo. Para que o organismo reaja, entra em ação as vitaminas e minerais antioxidantes. São incluídas neste grupo: vitamina C, E, betacaroteno, selênio, zinco e magnésio. Como muito se tem falado e discutido acerca destes compostos a ANVISA, na Resolução n°18 (1999), regulamenta as diretrizes básicas para análise e comprovação de propriedades funcionais e/ou de saúde alegadas em rotulagem de alimentos. Para alegação de propriedades funcionais de alimentos estes podem: - o alimento ou ingrediente que alegar propriedades funcionais ou de saúde pode, além de funções nutricionais básicas, quando se tratar de nutriente, Daniella Moreira de Souza produzir efeitos metabólicos e ou fisiológicos e ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica; - são permitidas alegações de função e ou conteúdo para nutrientes e não nutrientes, podendo ser aceitas aquelas que descrevem o papel fisiológico do nutriente ou não nutriente no crescimento, desenvolvimento e funções plenamente reconhecidas pela comunidade científica não será necessária a demonstração de eficácia ou análise da mesma para alegação funcional na rotulagem; - as alegações podem fazer referências à manutenção geral da saúde, ao papel fisiológico dos nutrientes e não nutrientes e à redução de risco a doenças. Não são permitidas alegações de saúde que façam referências à cura ou prevenção de doenças. Já a Resolução RDC n° 2 (2002), considerando a necessidade do constante aperfeiçoamento das ações de prevenção e controle sanitário na área de alimentos; visando a saúde da população; possibilidade de efeitos benéficos de nutrientes e de substâncias bioativas dos alimentos; a necessidade de estabelecer condições para avaliação da segurança de uso de substâncias bioativas; possibilidade de ocorrência de interações entre as substâncias bioativas e nutrientes possam ser ingeridas em quantidades que causem efeitos adversos à saúde a curto ou longo prazo; possibilidade de ocorrência de interações entre as substâncias bioativas e nutrientes ou não nutrientes no organismo, com efeitos indesejáveis à saúde, a curto ou longo prazo, regulamenta as substâncias bioativas e probióticos isolados com alegação de propriedades funcional e/ou de saúde: Daniella Moreira de Souza - são excluídos desta categoria: chás, composto líquido pronto para consumo, alimentos para praticante de atividade física; produtos com finalidade de uso que indique ação terapêutica ou medicamentosa; produtos com ação farmacológica preventiva ou curativa definidas, mesmo de origem natural; produtos fitoterápicos; alimentos e ingredientes alimentares que contenham ou consistam em organismos geneticamente modificados; alimentos e ingredientes alimentares produzidos a partir de organismos geneticamente modificados mas que não o contenham; suplemento vitamínico e/ou de mineral; novos alimentos e/ou novos ingredientes. Os produtos que fazem parte deste regulamento são: carotenóides, fitoesteróis, flavonóides, fosfolipídios, organosulfurados, polifenóis, probióticos. Substância ativa: além dos nutrientes, os não nutrientes que possuem ação metabólica ou fisiológica específica. É a substância bioativa, seguido do nome da fonte da qual foi extraída a substância bioativa, acompanhada da forma de apresentação do produto. Probiótico: microorganismos vivos capazes de melhorar o equilíbrio microbiano intestinal produzindo efeitos benéficos à saúde do indivíduo; é o nome do probiótico, acompanhado da forma de apresentação do produto. Todas as informações devem estar no rótulo para a população informar-se acerca dos benefícios do produto. Daniella Moreira de Souza 4.2.3.Alimentação Equilibrada Este tema envolve também muitas discussões, não no sentido de dúvidas, mas no sentido de dificuldades que as pessoas apresentam em ter um padrão de hábitos alimentares saudáveis, muito influenciado pela mídia. A alimentação tem importância fundamental na vida e todos os indivíduos, desde a infância até a terceira idade (melhor idade). Sendo assim, se faz necessária a elaboração de normas e guias alimentares, como forma de adaptar os conhecimentos científicos à ingestão alimentar, recomendada e à composição dos alimentos em um instrumento que facilite a sua seleção e o consumo. Outro elemento importante das normas e guias alimentares brasileiras é quanto ao seu importante papel de divulgar o conhecimento científico existente na área de nutrição (OLIVEIRA et al., 2000). Tratando-se de Guias Alimentares, cada país aborda de uma maneira, como os Estados Unidos, Canadá e Venezuela que considera a família e o Brasil e Argentina as crianças. Em cada país é exemplificado de uma maneira, como nos Estados Unidos em forma de pirâmide, dividida em 5 grupos; No Canadá, em forma de arco íris, tendo 4 grupos, baseados em dados epidemiológicos; Panamá, pirâmide com 6 grupos; Guatemala em forma de pote; Inglaterra aborda 7 pontos que incluem abundância e insatisfação. Enfim, cada país deve ter um Guia Alimentar. A cada estudo científico, surge novas propostas de Guias Alimentares como a nova proposta americana, estando sendo estudada por muitos profissionais, já que apresenta várias mudanças na questão de alimentação saudável e como modelo de prevenção de doenças. No Brasil, a pirâmide americana foi adaptada de acordo com divisão dos alimentos em 8 grupos, sendo: cereais, vegetais, frutas, leguminosas, leite, carnes, gorduras e açúcares. Deste modo, esta pirâmide precisa ser revista em vários pontos, já que uma dieta rica em carboidratos, apresenta deficiência em micronutrientes (DANONE, 1998). Daniella Moreira de Souza 4.2.3.1.Alimentação Saudável É aquela planejada com alimentos de todos os tipos, de preferência naturais e preparados de forma a preservar o valor nutritivo e as características sensoriais. A refeição deve ser realizada no mínimo em 3 refeições diárias, que são as principais (café da manhã, almoço e jantar), intercaladas com lanches, compondo um dia alimentar com 6 refeições, tendo como referência que a quantidade de calorias que o indivíduo necessite no dia, seja dividido em : 25% para o café da manhã, 5% para o lanche; 35% almoço; 5% lanche; 25% jantar e 5% no último lanche. A pirâmide alimentar possui 8 grupos compreendendo: Grupo do arroz, pão, massa, batata, mandioca – são os cereais, tubérculos e raízes, fontes de carboidratos, contribuindo com a maior parte das calorias da dieta. Grupo das verduras e legumes (hortaliças) e grupo das frutas - fontes de vitaminas e minerais. Grupo das carnes e ovos – fontes de proteínas, ferro e vitaminas. Carnes de todas as espécies. Grupo dos feijões – leguminosas (feijão, soja, lentilha, ervilha) – fonte de proteína vegetal. Grupo do leite, queijo e iogurte – fonte de proteínas, cálcio e vitaminas. Grupo dos óleos e gorduras e grupo dos açúcares e doces – devem ser consumidos com moderação e encontram-se no topo da pirâmide. (PHILIPPI et al., 2001) Uma dieta nutritiva portanto, apresenta cinco características básicas, segundo SIZER & WHITNEY (2003). 1- Adequação: fornecimento de todos os nutrientes essenciais, fibra e energia em quantidades suficientes para manter a saúde e o peso corporal. 2- Equilíbrio: alimentos de vários tipos em proporção uns aos outros, de tal modo que os alimentos ricos em alguns nutrientes, não excluam da dieta alimentos ricos em outros nutrientes. Também chamada de proporcionalidade. Daniella Moreira de Souza 3- Controle calórico: controle da ingestão de calorias, plano de uma dieta. 4- Moderação: provimento de constituintes dentro de limites estabelecidos, não em excesso. 5- Variedade: característica dietética de fornecer uma ampla seleção de alimentos – o oposto da monotonia. Desta maneira, seguindo estes passos básicos, todo e qualquer indivíduo pode ter uma alimentação equilibrada e saudável. OBS: O item Outros compreende as seguintes informações: Cálculo de calorias de alimentos, dietas, elaboração de cardápios, merchandising de alimentos feitos pelas empresas, receitas, depoimentos de leitoras/ atrizes/ modelos que fazem dietas, dúvidas de leitoras que não se enquadram nos outros dois tipos de informações, dietas de moda, diet e light, que aqui não serão analisadas. 4.2.4. Dúvida das leitoras Abre-se um parêntese para as dúvidas das leitoras das diversas revistas aqui analisadas, visto que em todas as revistas esta seção se mostrou presente, contribuindo de alguma forma para esclarecer a população leitora. Revista A “ Prisão de ventre – Como aveia pela manhã por causa do meu intestino preso. Isso atrapalha minha dieta?” (Fevereiro/2002) “Dieta com Sorvete – Posso tomar um sorvete todos os dias sem comprometer a minha dieta?” (Fevereiro/2002) “Dieta sem sofrimento – Por que sinto dor de cabeça sempre que faço algum tipo de regime?” (Março/2002) “Molho refrescante – Como fazer molho de iogurte para salada que a Wanessa Camargo utiliza na dieta?” (Junho/2002) “Lanche em barras – quantas barrinhas de cereal posso comer sem comprometer a minha dieta?” (Junho/2002) Daniella Moreira de Souza Revista B “As frutas e as verduras vão perdendo nutrientes mesmo quando estão na geladeira?” (Fevereiro/2002) “A forma como mastigamos interfere na digestão?” (Fevereiro/2002) “Podemos fazer regime por conta própria?” (Fevereiro/2002) “Não como feijão. Isso pode me causar algum mal?” (Março/2002) “Quais as qualidades da graviola?” (Março/2002) “O que é melhor. O leite em caixinha ou aquele que vem em saquinho?” (Abril/2002) “Quais os valores nutricionais da jabuticaba?” (Abril/2002) “O mingau de aveia é muito calórico?” (Abril/2002) “Qual a diferença entre o pão e a torrada?” (Abril/2002) “Não tenho muito tempo para as refeições. Vocês podem dar dicas de lanches rápidos e saudáveis?” (Maio/2002) “Quero saber mais sobre o tamarindo. Tomo seu suco diariamente para melhorar o funcionamento do intestino. Como sou hipertenso, isso pode me fazer mal?” (Maio/2002) “Mulheres grávidas podem tomar bebidas alcoólicas?” (Maio/2002) Revista C Não houve nenhuma pergunta sobre nutrição à redação da mesma. Daniella Moreira de Souza Revista D “É verdade que os achocolatados neutralizam o cálcio do leite?” (Fevereiro/2002) “Quais os principais alimentos para as crianças com tendência à anemia?” (Fevereiro/2002) “Faz mal dar leite desnatado para as crianças?” (Maio/2002) “Estou grávida de seis meses e tenho anemia porque não como nenhum tipo de carne, crustáceos ou verdura, mas estou tomando vitamina “neutrofer fólico” à base de ácido fólico. O que fazer para evitar problemas para o bebê?” (Maio/2002) “Qual é a melhor época para começar a dar vitaminas à minha filha? Ela tem 8 meses.” (Junho/2002) “Estou grávida de cinco meses e pratico hidroginástica três vezes por semana, no período da manhã. O que seria recomendável comer no café da manhã antes de realizar a atividade física?” (Junho/2002). Revista E “Meu filho de 8 anos está engordando muito rapidamente. Estou preocupada, pois tenho medo de que se torne uma criança obesa. O que devo fazer?” (Fevereiro/2002) “Minha filha de 1 ano e sete meses não engorda. Pesa apenas 9 quilos, apesar de se alimentar razoavelmente bem e de forma equilibrada. Meu marido e eu somos magros. Será que ela puxou nosso tipo físico?” (Abril/2002) “Meu filho de 2 anos tem alergia a lactose desde os 2 meses de idade. Costumo dar leite de cabra e alimentos à base de soja, mas chocolates e sorvetes, por exemplo, não entram no cardápio. Existe algum tratamento para ele voltar a tomar leite de vaca?” (Junho/2002). Pode-se observar que as leitoras possuem muitas dúvidas a respeito de temas variados na área de nutrição, fazendo com que as revistas sempre tenham espaço para discussão com a participação de vários profissionais, embora nem sempre apareça o crédito do profissional que redigiu a resposta à estas leitoras, pode-se chegar a um consenso que a área da nutrição é um mundo que precisa ser melhor explorado para todas as classes sociais, através de qualquer meio de divulgação. Daniella Moreira de Souza 4.3. Análise das Informações relacionadas a Alimentos Funcionais As análises serão demonstradas identificando os alimentos ou substâncias de relevância nas matérias. Soja “O poder dos alimentos – Soja para prevenir o câncer, leite morno para uma boa noite de sono e muita água se você deseja ficar longe dos cálculos renais”. (Revista A – março 2002) “Câncer de mama – a isoflavona, o mais conhecido agente anticangerígeno, age como antioxidante, combatendo os radicais livres e inibindo a ação do estrógeno, responsável pela multiplicação das células mamárias”. (Revista A – março 2002) “Os 8 Superalimentos – Soja – O que tem: proteínas, minerais e fibras. O que faz pelo organismo: a genisteina, pode exercer tanto efeito antiestrogênico como estrogênico, pode funcionar como ação preventiva contra o câncer principalmente o de mama, pode ainda reduzir risco de osteoporose. O fitoestrógeno pode inibir a produção do colesterol ruim (LDL) e aumentar o bom (HDL). Quanto consumir: 1 porção de grãos duas vezes por semana. Ou 200ml de leite, e ainda sob a forma de queijo (tofu) ou pasta tempero”. (Revista A – março 2002). “Soja. Sim! – ela faz um bem danado para a saúde: reduz o colesterol, previne o câncer, evita osteoporose... E a desculpa de que não é saborosa não cola mais. A soja pode e deve ser substituída pelo feijão. É mais rica em ferro, cálcio e vitaminas, principalmente as do complexo B. Outra vantagem, é que tem mais proteína, essencial para desenvolver a massa muscular. Rica em isoflavonas, muito parecido com o estrogênio, a soja é eficaz na prevenção do câncer de mama e também do colo do útero. Além de regularem a produção de estrogênio, as isoflavonas favorecem a absorção do cálcio, essencial para a saúde dos ossos. Para a menopausa, tem a mesma ação, tendo que ingerir ½ xícara de chá do grão cozido ou 1 copo de leite de soja ou ½ xícara de chá de tofu. As isoflavonas podem reduzir o LDL – mau colesterol em até 8% e aumentar em 2,4% o HDL – bom colesterol. Mas para ter efeito, a ingestão deve ser de 25 a 50 gramas de proteína de soja por dia, ou seja, de 1 a 2 xícaras do grão cozido”. Apresenta ainda receitas com soja e uma demonstração de alguns alimentos à base de soja, mas somente enfatizando as calorias e não o teor de isoflavonas (Revista A – Junho 2002). Daniella Moreira de Souza “Vamos a um japonês? O poder da soja deve-se principalmente à isoflavona, que ao substituir o hormônio estrógeno, nas mulheres, impede que ele dispare a multiplicação de células cancerosas nas mamas. Já nos homens o ingrediente inibe uma enzima capaz de detonar doenças na próstata. Tofu – assim somo outros derivados da soja, tem substâncias que diminuem o colesterol, previnem a osteoporose, protegem contra o câncer e aliviam alguns sintomas da menopausa. O cardápio japonês, é cheio desse ingrediente”. (Revista B – Maio 2002). “O grão de ouro –supernutritiva, a soja contém proteínas vegetais, vitaminas, sais minerais e fibras. Versátil, pode ser utilizada de inúmeras formas para agradar ao paladar da criançada. Um ponto positivo para a soja é a gordura vegetal de alta qualidade que o grão possui, isenta de colesterol e rica em ácidos graxos ômega 3, protetor natural do coração. As fibras ajudam a regularizar o intestino dos pequenos. As isoflavonas, compostos que diminuem o riso de doenças coronarianas, câncer de mama e ainda sintomas da menopausa, prevenção de tumores na próstata, abaixar a pressão arterial e os níveis de triglicérides e colesterol. Mas tem que tem bom senso pois ela não substitui todas as fontes de proteínas, como a carne, pois não é tão rica em ferro e possui componentes que impedem a total absorção de cálcio da dieta. Tem que incluir a soja numa alimentação variada e equilibrada.” – apresenta ainda na reportagem, os derivados de soja não informando as quantidades a ser consumidas e uma comparação do óleo de soja com o de canola , girassol e milho. (Revista D – Abril 2002). A soja vem sendo utilizada a milhares de anos. O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo sendo que 22% da produção de soja mundial é de sua responsabilidade e 7% apenas para uso na alimentação humana. Isto só demonstra que suas propriedades precisam ser relatadas a toda a população brasileira para melhorar o consumo humano e assim, melhorar as condições de saúde, já que esta apresenta tantos benefícios. Os principais componentes fitoquímicos são as isoflavonas, daidzeína e genisteína, pertencentes ao grupo dos fitoestrógenos. Outros compostos com ações antioxidantes são: saponinas, fitoesteróis, fitatos e ácidos fenólicos. Daniella Moreira de Souza As ações esperadas pelos componentes existentes na soja são: Doenças Cardiovasculares Muitos produtos de soja apresentam em sua composição 51% de ácido linoléico (atua na síntese e metabolismo de eicosanóides), na peroxidação lipídica e na agregação plaquetária; 7% de ácido alfa-linolênico (efeito na síntese e metabolismo de eicosanóides tendo efeitos favoráveis na reatividade plaquetária), LORGERILL et al., 1994. As isoflavonas podem retardar o desenvolvimento da formação plaquetária, inibindo a adesão da célula e alterando a atividade de alguns fatores que podem se formar durante a lesão, estes efeitos podem ser mediados pela ação da tirosina-quinase. A modificação oxidativa do LDL-colesterol é um importante mecanismo na aterosclerose pelas propriedades antioxidantes que as isoflavonas tem em reduzir a peroxidação lipídica (RAINES et al., 1995; Wei et al., 1995). As isoflavonas podem agir de três maneiras diferentes: como estrógenos e antiestrógenos; como inibidores de enzimas ligadas ao desenvolvimento do câncer e como antioxidantes. Os efeitos da genisteína com atividade estrogênica são importantes para: diminuir o LDL-colesterol e aumentar o HDL-colesterol; atuar na elasticidade do vaso, propiciando maior reatividade; ação antioxidante; prevenção de formação de radicais livres, através do aumento da síntese de superóxido dismutase – elimina o radical peróxido que promove a formação de lesões e trombos; inibição do desenvolvimento de lesão aterosclerótica por diminuição da lesão celular (Nutrição em Pauta, 2001). Câncer Vários estudos mostram que há diminuição de hormônios dos ovários e diminuição de câncer de mama em mulheres que consumiam soja na dieta. As isoflavonas são inibidoras da proteína tirosina quinase (PTK), importante para a fosforilação de substâncias cancerígenas e de outra enzimas que são responsáveis pelas alterações do DNA (BARNES et al., 1996; LAMATINIERE, 2000). O possível efeito protetor da soja contra o câncer relaciona-se a presença de propriedades estrogênicas e antiestrogênicas das isoflavonas. O câncer de próstata é um câncer hormônio-dependente e a incidência tem aumentado. A daidzina é também considerada uma importante potencializadora imune, devido à capacidade de ativar as células imunes, como linfócitos e macrófagos, promovendo uma maior defesa contra o câncer (Nutrição em Pauta, 2001). Daniella Moreira de Souza Osteoporose Os efeitos protetores das isoflavonas relacionam-se com uma menor excreção urinária de cálcio que ocorre, quando o consumo de proteína de soja é maior, provavelmente pelo baixo conteúdo de aminoácidos sulfurados; ação estrogênica suficiente para formação óssea, pela supressão dos osteoclastos e promoção do balanço de cálcio adequado, prevenindo assim, a perda óssea (Nutrição em Pauta, 2001). Memória e Depressão O estrógeno tem muita importância na função cognitiva. Os fitoestrógenos da soja tem a função de desempenhar o mesmo papel. O estudo de FILE et al. (2001), avaliou o efeito da dieta rica em soja sobre esta função e na do lobo frontal. Após 10 semanas de análise, houve melhora significativa na memória verbal e na função do lobo frontal nos pacientes que consumiram a soja rica em isoflavona. Já em caso de depressão, há várias melhoras da depressão geriátrica. Num estudo onde foram avaliados 54 idosos que consumiram 27 gramas de proteína texturizada de soja e “leite” de soja durante 35 dias. Após o estudo, foi comprovado, que houve diminuição na depressão, devido aos compostos triptofano, lisina e valina presentes na soja (VASILACHI, 2001). Alergia Alimentar A intolerância ao consumo de leite, é resultado da intolerância a uma ou mais proteínas que não são absorvidas na mucosa intestinal. Quando há alergia ao leite de vaca, as reações podem ser causadas pelas frações protéicas, especialmente a caseína, beta-lactoglobulina e albumina séricas bovina. Estas reações são freqüentes em crianças de pouca idade, devido ainda estarem com o sistema imunológico fragilizado onde há baixa produção de IgA secretória que se ligaria com estas moléculas, limitando a absorção. Por isso, as fórmulas à base de soja tem as seguintes características: menor imunogenicidade, menor alergenicidade, adequação ao valor nutricional ao leite de vaca, melhor palatabilidade que as fórmulas hidrolisadas (SMITH, 1986; BAHNA et al., 1980). Quanto consumir: Segundo a ADA (1999), o ideal é consumir 25g por dia para redução da LDLcolesterol e 60g para amenizar os sintomas da menopausa. Em estudo de Teixeira et al. (2000), foi avaliado a quantidade de proteína de soja que deveria ser ingerido para diminuir o teor colesterolêmico e foi Daniella Moreira de Souza comprovado que se ingerir 20g de proteína de soja por dia, há redução nas concentrações de colesterol e apolipoproteína B. Abaixo, são citadas algumas referências de teores de isoflavonas em diversos tipos de alimentos, mostrando que uma dieta bem variada, com produtos à base de soja colaboram para todas as ações apresentadas nos trabalhos anteriores. Conteúdo Total e Distribuição de Isoflavonas das Proteínas Texturizadas de Soja comercializada por diferentes empresas Fórmulas Proteína (%) 49,7 Total de Isoflavonas (mg/100g) * 86,9 ± 2,1 Total Daidzeína (%) 39,1 Total Gliciteína (%) 9,3 Total Genisteína (%) 51,6 Mais Vita Pró-Vida 49,5 99,9 ± 4,0 40,4 10,9 48,7 Mãe Terra 48,0 88,0 ± 2,9 39,2 9,6 51,2 Fonte: Genovese & Lajolo, 2002 Conteúdo Total e Distribuição de Isoflavonas das Bebidas a base de Soja Fórmulas Proteína (%) Total de Isoflavonas (mg/100g) * 17,8 ± 0,9 Total Daidzeína (%) 33,6 Total Gliciteína (%) 47,9 Total Genisteína (%) 18,5 AdeS Maçã 0,6 AdeS Original2,5 82,9 ± 3,6 39,3 50,1 10,5 Tonyu Maçã 1,4 30,8 ± 0,9 35,8 43,1 21,1 Mupy Maçã 24,8 ± 0,9 41,9 56,2 1,9 Milkshake 6,3 12,1 ± 0,1 chocolate Ensure Plus Fonte: Genovese & Lajolo, 2002 32,0 68,0 Nd 0,7 Daniella Moreira de Souza Conteúdo Total e Distribuição de Isoflavonas das Bebidas Instantâneas a base de Soja Fórmulas Proteína (%) 17,5 Total de Isoflavonas (mg/100g) * 48,2 ± 0,5 Total Daidzeína (%) 35,9 Total Gliciteína (%) 14,4 Total Genisteína (%) 49,7 Soymilk Banana Soymilk Natural Novo Milk 24,5 39,3 ± 0,0 37,6 17,1 45,2 7,8 9,0 ± 0,5 39,8 20,4 39,8 Fonte: Genovese & Lajolo, 2002 Conteúdo Total de Isoflavonas dos alimentos tradicionais a base de soja Fórmulas Total de Isoflavonas* Molho de soja (shoyu) 5,7 ± 0,0 mg/L Missô 20,0 ± 0,6mg/100g Tofu 6,8 ± 0,3 mg/100g Fonte: Genovese & Lajolo, 2002 Em todas as revistas, foi unânime enfatizar a importância da soja, especialmente as isoflavonas como fator de prevenção de câncer de mama e atuação na diminuição das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e aumento da lipoproteína de alta densidade (HDL). A revista A (março), abordou a questão da genisteína, um fitoestrógeno que atua sobre os níveis das lipoproteínas, o que está correto de acordo com a análise científica realizada. Mas, indica que deve ser ingerido 1 porção de grãos duas vezes por semana, sem informar a quantidade que compreende estas porção. Na revista A (junho), encontramos a frase coloca que “as isoflavonas, muito parecido com o estrogênio”, na verdade, as isoflavonas podem atuar como estrógenos para prevenção de câncer e somente há um aumento na absorção de cálcio, se houver consumo diário de proteína de soja, sendo recomendado 2 xícaras de chá por dia. Na matéria poderia Daniella Moreira de Souza haver referência aos demais produtos de soja, indicando também as quantidades a serem ingeridas diariamente. Na revista B (maio), se faz referência às isoflavonas “que ao substituir o hormônio estrógeno”, mesmas ressalvas anteriores são válidas aqui. Na revista D (abril), a matéria é direcionada às crianças e enfatizam a importância do grão, considerando a importância de uma alimentação equilibrada. Na revista A de março, B de maio e D de abril, não há referências de quantidade diária a ser ingerida. Há na revista A de março, a recomendação de consumo de 1 porção de grãos 2 vezes por semana, não informando ao leitor da quantidade que é essa porção. A falta de informações faz com que a leitora até compre o produto pelos seus inúmeros benefícios, mas na hora de preparar e ingerir tem dúvidas ou usam de forma inadequada não obtendo os reais benefícios, desistindo muitas vezes de consumir. Daniella Moreira de Souza Chá Verde “Velho conhecido dos povos orientais, o chá verde conquista os céticos pesquisadores americanos e europeus: estudos mostram que a bebida é mesmo capaz de combater o câncer, proteger o coração e até queimar gordura – está comprovado: combate o envelhecimento precoce das células, diminui as taxas de colesterol, reforça os vasos sanguíneos e evita vários tipos de câncer, além disso previne cáries, tem ação antiinflamatória e antigripal, ativa o sistema imunológico, regenera a pele, fornece vitaminas e sais minerais, acelera o metabolismo e a queima de gorduras. Uma molécula chamada teofilina, dilata os brônquios e facilita a respiração dos asmáticos, além de auxiliar nos tratamentos de gripe, bronquite e pneumonia. A vedete da turma de elementos ativos é uma substância batizada de EGCGS. Ela barra a enzima quinoloxidase, estimuladora do crescimento de células cancerosas, especialmente no intestino, esôfago, pulmão, mama e pele, combatendo assim, esses tipos de câncer. No Brasil é vendido em saquinhos nos supermercados. No Japão já foi até desenvolvido uma goma de mascar para fortificar os dentes. Contém altas taxas de concentração de antioxidantes que combatem os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento. Os polifenóis da bebida têm maior poder que as vitaminas C e E. Pessoas que bebem uma ou mais xícaras de chá por dia, tem menos risco de sofrer ataque cardíaco. A catequina presente no chá verde, atua na prevenção de doenças cardiovasculares e nas artérias. É recomendável até 1 litro de chá por dia”. (Revista A – Março 2002) “Câncer de mama – pesquisadores descobriram que o chá verde também combate o câncer de mama pois concentra ingredientes antioxidantes que freiam a formação de células cancerososas” (Revista A – Março 2002). O chá verde tem muitas propriedades nutricionais, mas a população ainda não conhece, ou confunde com outros chás de ervas, ou faz uso do chá de saquinho, vendido em mercados que não possuem o mesmo efeito por ter sido tostado, perdendo algumas de suas propriedades. É um produto natural da planta, obtido por meio de vaporização ou secagem a temperaturas elevadas, porém preservando seus compostos fenólicos. Possui muitos compostos como óleos voláteis, vitaminas, minerais, purinas e polifenóis, principalmente as catequinas (AGARWAL et al., 1996; FERRARA et al., 2001). O chá verde é rico em flavonóides e vários polifenóis como as catequinas, podem inibir a enzima responsável pela degradação da norepinefrina. De acordo com a importância do sistema nervoso simpático e deste neurotransmissor no controle da termogênese e na oxidação de gordura, é provável que as catequinas, pela inibição desta enzima, resulte no Daniella Moreira de Souza aumento da norepinefrina na termogênese e na oxidação de gordura. A quercetina e a miricetina, podem também participar deste efeitos metabólicos feitos pelo chá verde (BORCHARDT et al., 1975). As ações contra as doenças crônicas são: diminuição dos níveis de colesterol, pressão arterial, protegendo as lipoproteínas LDL-colesterol da oxidação e redução da agregação plaquetária. Os efeitos contra o câncer são devido à redução na formação e ativação de carcinogênicos; aumento da desintoxicação por carcinogênicos, melhora na comunicação da célula, dentre outras ações (DREOSTI, 2000). Na recomendação da quantidade a ser ingerida encontramos diferentes dosagens, sendo de 2 a 3 litros diariamente para se obter os benefícios esperados segundo WEISBURGER (1999) e, para a ADA (1999), o consumo deve ser de 4 a 6 xícaras de chá por dia, para redução de riscos de câncer de esôfago e estômago. Mais uma vez, na revista A (março), não há relato da quantidade que é indicado ser ingerido, não sendo completa a informação para o leitor. Já na primeira matéria, há vários apontamentos acerca dos benefícios do chá, inclusive outras formas de obtenção dos efeitos do chá verde como a goma de mascar que existe somente no Japão, mesmo não sabendo ainda das suas comprovações científicas. Como a população sempre busca formas milagrosas de emagrecer, ao ler a matéria, com certeza, irá comprar o produto, sem lembrar que é necessário ter uma alimentação saudável e mudança de hábitos para que possa realmente melhorar seu estado geral. E isso em nenhuma matéria é citado. A recomendação diária está adequada e realmente possui todas estas funções para o organismo (WEISBURGER, 1999; ADA, 1999). Daniella Moreira de Souza Feijão “Câncer de mama – atua diretamente na prevenção. Suas fibras diminuem a absorção de gordura pelo organismo, um dos fatores associados ao mal”. (Revista A – Março 2002). O feijão é o alimento consumido diariamente por quase toda a população brasileira, seja o comum, preto, branco, rosa ou jalo, está presente na mesa todos os dias. É do grupo das leguminosas, que são em vagens, assim como ervilha, lentilha, grão de bico etc. Apresenta vários fitoquímicos em sua composição, vitaminas, minerais, proteínas e fibras e baixa quantidade de lipídios (Messina et al., 1996). Apresentam em sua composição também vários fatores antinutriocionais, mas que no processo de remolho e cocção é consegue-se inibir estes fatores. Há também fitatos e são ricas em frutooligossacarídeos e saponinas, com ação antioxidante e anticancerígena (MESSINA, 1999). Há ainda, uma média de 2,8 a 2,9% de beta-d-glucanas, fator que pode auxiliar no tratamento de diabetes. Para que esta pequena matéria tivesse maior êxito, seria interessante, ter colocado a quantidade ideal de feijão a ser consumido diariamente, que deve ser equilibrado com o arroz, portanto, não pode ter nem mais e nem menos feijão para que os aminoácidos essenciais possam estar em equilíbrio, respeitando a quantidade de 3:1, ou seja, 3 partes de arroz para 1 de feijão. Devido a presença de fibras em sua composição, esta pode auxiliar na eliminação de gordura, fazendo com que seja um apoio na prevenção do câncer e não a solução (SIZER & WHITNEY, 2003). Daniella Moreira de Souza Crucíferas “Brócolis – tem compostos como o sulforafano, que elimina das células certas substâncias químicas responsáveis por mutações cancerígenas. Contém também o indol-3-carbinol, substância que diminui o estrógeno na circulação sanguínea. Os indóis, substâncias transformadas pelo estômago em um composto que impede a multiplicação de células cancerosas nas glândulas mamárias”. (Revista A – Março 2002). “Repolho – a verdura contém ácido picumárico e rutina, que previne diversos tipos de câncer. Agem como antioxidantes, anulando o efeito dos radicais livres”. (Revista A – Março 2002). “Os 8 Superalimentos – Brócolis – O que tem: cálcio, fósforo, ferro, fibras, carotenos (pró-vitaminas A), vitamina C e E. O que fazem pelo organismo: possui uma substância chamada sulforafano, que pode proteger as células das toxinas que causam o câncer (principalmente o de mama, o de cólon e o de estômago). É também rica em betacaroteno, fibras e vitamina C (uma xícara de chá contém mais vitamina C que uma laranja). As pró-vitaminas A facilitam a incorporação de cálcio no tecido ósseo, evitando a osteoporose. Quanto consumir: um prato fundo, de duas a três vezes por semana”. (Revista A – Março 2002). “Sua Saúde de Bandeja – contra câncer de estômago, recomenda-se brócolis e couve flor, além de outros vegetais. É recomendado ingerir sete porções por semana, diminuindo em 50% o risco de câncer de bexiga e no trato gastrintestinal. Além das vitaminas C e E, possui ferro, potássio e sulforafano, substância que tem o poder de eliminar compostos cancerígenos do organismo, prevenindo a doença”. (Revista C – Fevereiro 2002). “Poderes do Repolho – rico em fibras, vitamina C e potássio. Pobre em calorias, gordura e colesterol. Por causa das fibras, ele prolonga a sensação de saciedade e ajuda a prevenir câncer de reto e de cólon. Deve ficar al dente para preservar a vitamina e as fibras. Em excesso, provoca gases e indisposição gástrica”. (Revista C – Abril 2002). Estes alimentos são considerados como crucíferas, por terem em sua composição compostos de enxofre. Está mais que comprovado que estas hortaliças atuam na prevenção de câncer. As hortaliças crucíferas são: couve-flor, repolho, couve manteiga, couve de Bruxelas e brócolis. Elas apresentam em sua composição os glucosinolatos e propriedades que tem a capacidade de transformar os xenobióticos (substâncias tóxicas do organismo), podendo influenciar ainda, na toxicidade do câncer. O efeito protetor contra o câncer está associado com os Daniella Moreira de Souza isotiocianatos e do dialil sulfido, que inibe as enzimas responsáveis pela bioativação de carcinogênicos, induzindo assim, as enzimas de desintoxicação (SMITH et al., 2000). No caso específico do brócolis, o isotiocianato sulforafano é o indutor natural mais potente. Os isotiocianatos apresentam propriedades cardioprotetoras por inibir a agregação plaquetária (FAHEY et al., 1999; MORIMITSU et al., 2000). O indol-3-carbinol presente nestas hortaliças, é um elemento significativo, capaz de transformar os produtos da decomposição química do estrogênio em 2-hidroesterona e também de interromper as células de câncer. Mas é desativado pelo calor. É recomendado para ter os efeitos desejados cozinhar no vapor ou passadas na frigideira com azeite (CARDOSO, 2002). As recomendações destas crucíferas tiveram muita variedade, na revista A de Março, foi orientado que se ingerisse 1 prato fundo de 2 a 3 vezes por semana, esta recomendação não é adequada para o padrão dos brasileiros que ingerem tão poucas hortaliças, além do mais, fica sem sentido fazer esta recomendação sem citar a quantidade que a pessoa deve ingerir. Já na revista C de fevereiro, coloca-se que deve ser ingerido 7 porções por semana, mas não é relatado a quantidade. Esta informação melhor dizendo, é para consumir um pouco destas hortaliças todos os dias, mas só fazem referência ao brócolis e couve-flor, sendo que a pessoa pode variar mais a dieta com os demais alimentos deste grupo. Em todas as revistas, foi citado a ação dos sulforafanos que possuem a ação de eliminar as substâncias tóxicas (xenobióticos), produzidos ou induzidos pelo organismo, evitando assim os mais diversos tipos de câncer, sendo dado uma maior ênfase para o câncer de estômago. A única revista que informa a forma de preparo do repolho, mas que vale para todos os alimentos deste grupo, foi a revista C do mês de Abril. Mas, há de se fazer uma ressalva que na revista C de Abril, foi descrito que não deve-se ingerir o repolho em excesso pois provoca gases e indisposição gástrica. . O que é o excesso, se não foi recomendada uma quantidade exata? Estas colocações necessitam ser bem avaliadas pois o excesso pode significar várias quantidades para uma pessoa, Por exemplo, uma pessoa que ingere muito pouco este alimento, quando passar a ingerir diariamente isto é considerado excesso para ela? Colocações do profissional ao escrever esta matéria precisam ser mais criteriosas para não gerar constrangimento no leitor e até a dúvida de quanto se deve ingerir realmente. Daniella Moreira de Souza AZEITE “Os 8 Superalimentos - Azeite de Oliva – O que tem: gorduras monoinsaturadas. O que faz pelo organismo: contribui para o bom funcionamento do sistema cardiovascular e libera substâncias antioxidantes, que controlam o envelhecimento provocado pelos radicais livres. Rico em gordura monoinsaturada, diminui a incidência de doenças cardíacas e câncer. Quanto consumir: 1 colher de chá para temperar a salada diariamente”. (Revista A – Março 2002). O azeite despertou muita curiosidade dos pesquisadores, devido o povo do Mediterrâneo serem grandes consumistas de azeite e apresentarem as menores taxas de colesterol e outras doenças cardiovasculares do mundo. Vem sendo muito difundido seu uso pela mídia por prevenir estas doenças. A dieta mediterrânea possui algumas características interessantes, não sendo só o azeite o fator chave, mas também o grande consumo de vegetais e frutas, baixo consumo de produtos de origem animal, consumo de peixes e frutos do mar e utilização de muitas ervas nas refeições, além das pessoas não terem a vida sedentária como em outros países. O azeite que possui estas ações é exclusivamente o virgem, devido suas quantidades de ácidos graxos monoinsaturados (ácido oléico), fenólicos, triterpeno, esqualeno e lignanas. As ações já evidentes são: prevenção de aterosclerose, hipotensor, anticancerígeno, imunológico e também sobre o aparelho digestório. O ácido graxo monoinsaturado mais presente na dieta do mediterrâneo e no azeite é o oléico, assim como nos demais óleos vegetais, abacate e frutas oleaginosas. Tem a capacidade de aumentar a atividade dos receptores de LDL-colesterol e também ação antioxidante (SMITH, 2000; PATRICK et al., 2001; HARGROVE et al., 2001). O azeite extra virgem possui em média 77% de ácidos graxos monoinsturados, 10% de poliinsaturados e 13% de saturados. Cerca de 70% é monoinsaturado, o que faz com que o azeite seja a melhor fonte de ômega 9. Sendo assim, pode-se dizer que 20 ml de azeite oferece 20% das necessidades diárias de vitamina E (BARRETO, 2001). A recomendação diária segundo o FDA (Food and Drug Administration) é de 15 ml. Com relação à recomendação diária proposta pela FAO de 15 ml, na Revista em questão, foi mencionado apenas 1 colher de chá, porém, de acordo com o programa Virtual Nutri (1996), uma colher chá corresponde a 2,4 gramas, portanto, esta recomendação não está adequada. Daniella Moreira de Souza Com relação às citações de ação do azeite no organismo, corrobora com os autores em questão. Realmente possui estas ações benéficas, principalmente contribuindo para o aumento da lipoproteína de baixa densidade (HDL) e na diminuição da lipoproteína de alta densidade (LDL), prevenindo as doenças cardiovasculares. ALHO “Os 8 Superalimentos – Alho – O que tem: vitamina E, selênio e compostos alílicos (sulfetos que estimulam a produção de enzimas protetoras). O que faz pelo organismo: Os sulfetos de alila e outros fitoquímicos presentes no alho podem ajudar a proteger o coração. É indicado para diminuir o mau colesterol (LDL), controlar a pressão sanguínea e prevenir coágulos nas artérias. Quanto consumir: o ideal são 2 dentes de alho, três vezes por semana. Para liberar os compostos do alho, é necessário picá-lo, moê-lo ou esmagá-lo. Mas o ideal é ingerir cru. Cozinhar por muito tempo ou em alta temperatura é ruim porque acaba destruindo as substâncias benéficas”. (Revista A – Março 2002). “O Inconfundível Alho – quando o alho é triturado, seja na boca, seja num pilão, suas enzimas começam a agir. Daí surge a alicina, uma das principais moléculas na mira da ciência. O alho é rido em selênio e zinco, melhora a ação do sistema imunológico. Tem ainda vitamina C e de moléculas da família do enxofre, estimulando a formação das células de defesa. Ainda não há consenso sobre a quantidade ideal diária, mas os chineses recomendam 2 dentes por dia, isso fornece 4 miligramas de alicina. Há quem defenda o consumo de 20 gramas diários, o que equivale a uns 6 dentes. O certo é que o alho deve ser ingerido cru. Possui em seus compostos o ajoeno, que apresenta poderes contra o câncer. O coração também leva vantagens, acrescentá-lo no prato diminui o risco de endurecimento das artérias. Pesquisas apontam uma queda no sangue de até 7% para o mau colesterol – LDL”. (Revista B – Fevereiro 2002). O alho é o alimento que possui vários estudos para definir suas verdadeiras ações. Há relatos das propriedades do alho no Egito Antigo por Hipócrates, o pai da Medicina. Este alimento possui vários compostos bioativos, atribuindo aos compostos sulfurados as ações benéficas, já que apresenta até três vezes mais que alguns outros alimentos. Algumas das ações encontradas no alho são os efeitos hipoglicemiante, hipotensor, antiviral, antigripal, Daniella Moreira de Souza antitumoral, hipocolesterolêmico, antifúngico e antioxidante (GARCIAGOMEZ et al. 2000; MATSUURA, 2001). Dentre os compostos e suas ações destacam-se a aliina - hipotensor e hipoglicemiante; ajoeno – preventivo de coágulos, antiinflamatório, vasodilatador, hipotensor e antibiótico; alicina e tiosulfinatos – antibiótico, antifúngico e antiviral; alil maercaptano – hipocolesterolêmico; S-alilcisteína e compostos ã-glutâmico – hipocolesterolêmico, antioxidante e quimioprotetor; sulfeto dialil – hipocolesterolêmico (Garcia-Gomez et al. 2000). Ainda este mesmo autor relaciona os compostos não sulfurados do alho que podem ser considerados: adenosina, fructanos, fração protéica F-4, quercetina, saponinas, escordinina, selênio, ácidos fenólicos e saponinas com efeitos benéficos à saúde dos seres humanos. O alho tem ação de inibir a agregação plaquetária, bloqueando a síntese de prostaglandinas, precursora da tromboxane (DUARTE et al. 1997). SUMIYOSHI (1997), sugere que os fitoquímicos do alho atuam na inibição da biossíntese do colesterol no fígado, impedindo assim, a oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL) e diminuindo o processo de aterosclerose. O alho tem mais de 100 compostos sulfúricos ativos que contém alinas que são convertidas em alicina pela ação da enzima alinase, isto ocorre quando os dentes de alho são esmagados ou cortados. Por isso, deve ser consumido fresco para garantir suas propriedades benéficas (ADUMU et al. 1982). A sugestão para ingestão é de 600 a 900 mg/ dia, o que equivale a 1 dente de alho por dia, mas ressalta-se que deve ser consumido fresco para redução da pressão arterial e dos níveis de colesterol sanguíneo (ADA 1999). É recomendado que após o alho ser amassado, descanse por um período de 10 minutos antes do aquecimento para evitar a perda das substâncias benéficas (ANDLAUER et al. 1998). Portanto, analisando as citações das revistas acima, verifica-se que as propriedades funcionais descritas estão de acordo com as referências científicas, sendo informada de uma maneira simples já que é direcionada ao público leigo. Mas com relação à recomendação de ingestão de alho, são apontadas quantidades diferentes, ou seja, na primeira, recomenda-se 2 dentes de alho por semana e na segunda, dois dentes por dia, chegando até 6 dentes. Não há consenso nestas recomendações que é de 1 dente de alho cru por dia para se obter os tantos benefícios esperados segundo a ADA (1999). Cada revista dá um enfoque para uma ação do alho, na primeira, fala-se da importância geral dos compostos alílicos e na segunda para o ajoeno, mas as duas chegam ao consenso das propriedades gerais do alho. Daniella Moreira de Souza FRUTAS OLEAGINOSAS “Os 8 Superalimentos – Nozes – O que tem: selênio, vitamina E e lípides. O que fazem pelo organismo: o tipo de gordura encontrada – as monoinsaturadas e poliinsaturadas, fazem com que os níveis de triglicérides e de colesterol LDL (ruim) diminuir e o HDL (bom) aumentar, uma fórmula perfeita para diminuir as doenças cardíacas. Possui um fitoquímico chamado de ácido elágico que ativa a apoptose, no qual células cancerosas matam a si mesmas. Quanto consumir: três vezes por semana e apenas três unidades por vez”. (Revista A – Março 2002). “Ingredientes que combatem o câncer de próstata – os fitoesteróis – moléculas gordurosas de origem vegetal, podem inibir a proliferação de células cancerosas na próstata. As amêndoas e as margarinas enriquecidas com essa substância são boas fontes do nutriente. Mas devem ser consumidas sem exagero, por quem tende a engordar, porque são bem calóricas. Cerca de 8 amêndoas ou uma colher de sopa de margarina com fitoesteróis por dia é o indicado para evitar o tumor”. (Revista B – Fevereiro 2002). “Sua Bandeja de Saúde - Nozes – Cinco porções por semana diminui em 35% o risco de doenças cardiovasculares”. (Revista C – Fevereiro 2002). “As Aparências Enganam – o pistache não é tão ruim para a dieta como parece. Uma porção de pistache por dia (cerca de 10 unidades) – em vez de outras guloseimas – diminuem a taxa do colesterol ruim em pelo menos 10% e conseqüentemente, reduzem em 50% os riscos de doenças cardíacas. Esse tipo de noz contém vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, que previnem vários tipos de câncer”. (Revista C – Março 2002). As oleaginosas são muito lembradas somente em época de festa e final de ano, quando as pessoas comem em grandes quantidades em uma única vez, o que está errado, pois estas frutas devem ser ingeridas diariamente para ter os efeitos esperados. Possuem muitos componentes benéficos como o selênio (mineral antioxidante) que contribui para a eliminação de xenobióticos. As oleaginosas compreendem: nozes, noz macadamia, pistache, amêndoas, avelãs, amendoim, castanha-do-Brasil (castanha-doPará) e castanha de caju. Nas oleaginosas tem-se fitoesteróis que são conhecidos como esteróis vegetais, sendo um extrato vegetal natural presente, por exemplo, em sementes de girassol e grãos de soja. Possuem uma função similar à do colesterol humano, ou seja, manutenção da estrutura e função da membrana da célula. Os mais comuns são: sitosterol, campesterol e Daniella Moreira de Souza estigmasterol, que possuem a estrutura similar ao colesterol, pertencendo à classe 4- desmetilesteróis. A ação dos fitosteróis se consumidos regularmente, é de reduzir os níveis de colesterol. Reduzindo as taxas de LDL, sem afetar a fração de HDL (LIEVENSE, 2000; JONES et al., 1997). As oleaginosas são ricas em ácidos graxos insaturados e pobres em saturados, fonte de proteína vegetal, fibras, vitaminas antioxidantes, minerais e fitoquímicos como o ácido elágico, flavonóides, resveratrol, fenólicos, luteolina e fitosteróis (JANG et al., 1997; KRIS et al., 1999). Num estudo que avaliou a relação da quantidade de ingestão com os níveis plasmáticos, mostrou que mulheres que ingeriam mais de cinco vezes por semana de castanhas, tinham os níveis plasmáticos de colesterol mais baixos (HU et al., 1999). A quantidade recomendada para ingestão diária dos estudos variam entre 40 a 100g de castanhas. De acordo com o programa Virtual Nutri (1996), após fazer os cálculos considerando ingestão de 40 gramas seria o mesmo que ingerir diariamente (levando em consideração as 40 gramas diárias): 8 castanhas do Brasil ou 2 colheres de sopa de amendoim torrado com pele, ½ xícara de chá de castanha de caju, de noz macadamia e pistache. Mas de nada adianta a pessoa ingerir estes alimentos e continuar ingerindo frituras e cometendo excessos alimentares. Em todas as revistas pode-se observar as referências que fazem sobre a importância da prevenção de doenças cardiovasculares e como fator preventivo de câncer e do aumento da HDL e diminuição da LDL. Mais uma vez, as recomendações diárias não são uniformes, deixando o leitor em dúvida. Na revista A de Março, fala-se na ingestão de 3 vezes por semana apenas 3 unidades por vez. Na B de fevereiro, 8 amêndoas por dia. Na C de Fevereiro, 5 porções por semana sem mencionar a quantidade da porção e na C de Março, 10 unidades de pistache por dia, como a matéria era exclusivamente sobre pistache, não mencionaram as demais oleaginosas. Geralmente o que é publicado nas revistas, é a quantidade de calorias destas frutas, fazendo com que as pessoas não consumam devido seu alto valor calórico, não enfatizando as propriedades nutricionais e que precisam fazer parte da dieta diária, deixando de lado as demais guloseimas, para assim, não haver aumento de peso corporal. Daniella Moreira de Souza PROBIÓTICOS “Iogurte Bom de Boca – existem bactérias muito boas para o organismo, esse exército de bichinhos amigáveis torna-se praticamente invencível se você adotar um hábito simples: tomar todos os dias pelo menos um copo de iogurte. Se a questão for regularizar a flora intestinal, a bebida com lactobacilos vivos torna-se ainda mais eficiente. Else produzem enzimas que impedem a absorção de substâncias tóxicas responsáveis por distúrbios do aparelho digestivo. São chamados de probióticos. Pena que no processo de fabricação e armazenamento, boa parte dos lactobacilos morrem. O mesmo acontece durante a digestão, antes de chegarem ao intestino, mas há um jeito de aumentar o potencial dos sobreviventes: consumir o iogurte durante ou imediatamente após a refeição, quando o nível de acidez do estômago está baixo. As bactérias presentes nos iogurtes são o Streptococcus termophilus e os Lactobacillos bulgaricus. Estes são capazes de regular a flora intestinal, eliminando microorganismos que causam desarranjos intestinais e combatendo a prisão de ventre. O iogurte é ainda rico em cálcio (cada copo tem 400 miligramas, um terço da necessidade diária) “. (Revista A – Abril 2002). “Lactobacilos Contra Dor de Barriga – os leites fermentados ajudam a acabar com as infecções intestinais. As bactérias desses leites, os lactobacilos, estimulam os anticorpos de defesa”. (Revista B – Fevereiro 2002). Os alimentos considerados probióticos tem a principal função de refazer a flora intestinal, fazendo com que os nutrientes sejam melhor absorvidos. Os probióticos são classificados como alimentos funcionais. ‘São organismo vivos que ingeridos exercem efeito benéfico no balanço da flora bacteriana intestinal do hospedeiro ou mais tarde foi conceituado como organismos vivos que quando ingeridos em determinado número exercem efeitos benéficos para a saúde’. Apresenta a função de equilibrar a flora intestinal, controlar o colesterol e diarréias e reduzir os riscos de câncer. A ação dos probióticos se deve à inibição da colonização do intestino por bactérias patogênicas através de: produção de substâncias bactericidas, disputa por nutrientes, alteração do metabolismo microbiano, estimulação do sistema imunológico e capacidade de adesão á mucosa intestinal. Os probióticos mais conhecidos são: Lactobacilos acidófilos, casei, bulgárico, lactis, plantarum; Estreptococo termófilo; Enterococus faecium e faecalis; Bifidobactéria bifidus, longus e infantis. No mercado há os leites fermentados, iogurtes e podem ainda ser encontrados na forma de pó ou cápsulas (Nutrição em Pauta, 2001). Daniella Moreira de Souza Há ainda prováveis resultados na redução de câncer, de acordo com relato de KOPP (2000), devido reação aos efeitos mutagênicos e genotóxicos. Estes alimentos são geralmente ingeridos por crianças, mas às vezes em, quantidades além da necessária por julgarem ser ‘gostoso’. Na Revista A de Abril, faz referências importantes à ação dos probióticos no organismo, mas coloca que para ter ação, deve ingerir após a refeição para que os lactobacilos não ‘morram’, esta não é a recomendação ideal. Atualmente as empresas estão se especializando e tomando as devidas providências para que estes produtos fiquem em condições adequadas para que não haja a morte destes microorganismos. Ao ingerir 1 pote de iogurte após a refeição o cálcio deste alimento, compete com o ferro da dieta, fazendo com que este não seja absorvido. De acordo com GLEERUP (1995), 300 mg de cálcio reduz cerca de 50 a 60% na absorção de ferro não heme quando administrados no mesmo horário, portanto, a recomendação de ingestão, não corresponde com o estudo em questão. Não se faz também referência ao tipo de iogurte, geralmente os lactobacilos tem sua melhor ação quando em jejum, já que irá agir mais rapidamente no intestino. Na revista B de Fevereiro, não é feito menção de como é a ação dos lactobacilos, somente se referindo que é bom para melhorar a função intestinal. Todas as ações descritas na Revista A de Abril, correspondem aos estudos científicos. RESVERATROL “Uvas Vermelhas Contra o Colesterol – Se você adora essa fruta, mas joga a casca fora pode parar! É justamente ela que pode prevenir o LDL, o mau colesterol. Isso porque contém uma substância chamada resveratrol – uma arma contra as placas de gordura que entopem as artérias do coração. Vale comer também a casca das uvas, arroxeadas para evitar o risco de doenças cardiovasculares. Quem tem problema de peso, não deve exagerar”. (Revista A – Maio 2002). “Um Brinde à Saúde Mental – pesquisas revelam que o álcool pode prevenir doenças degenerativas do sistema nervoso. Em holandeses os que tomavam de uma a três doses por dia de vinho, cerveja ou licor, apresentavam 42% de diminuição de risco desses problemas, inclusive o mal de Alzheimer”. (Revista B – Março 2002). “Como esta fruta afasta o câncer – UVA - já se sabe que o resveratrol – antioxidantes presente na uva previne o câncer. Pesquisadores ingleses descobriram seu mecanismo de ação. Certas enzimas, ele se transforma em Daniella Moreira de Souza uma substância poderosíssima, batizada de piceatanol. É ela que destrói as células cancerosas”. (Revista B – Abril 2002). “Framboesa para Proteger o Estômago – Essa frutinha ataca os tumores no esôfago, devido ter as antocianinas. São pigmentos azulados presentes tanto na framboesa quanto em outros frutos silvestres, como a groselha e a amora. As antocianinas desaceleram a multiplicação de células cancerosas”. (Revista B – Maio 2002). “Remédio Gostoso – Framboesa – contém altas taxas de fenol, substância que ajuda a evitar câncer, derrame e problemas cardíacos”. (Revista F – Abril 2002). Muito tem se falado sobre a ação do vinho e das uvas arroxeadas como fator de prevenção de doenças cardiovasculares, porém, quase não são feitas referências com tanta ênfase para algumas frutas silvestres que possuem estas ações. Os vinhos possuem algumas funções, devidos a presença de compostos fitoquímicos ou fenólicos dentre elas: proteção contra disfunções neurológicas, efeito anti-inflamatório, ação anticancerígena (ISHIMOTO, 2003). Para BAER et al. (2002), um consumo moderado de álcool – um ou dois drinques por dia - diminui o risco de doenças cardiovasculares em mulheres pós menopausadas em cerca de 13%, diminuindo as concentrações de LDL-colesterol, apolipoproteína B e triacilglicerol e aumentando o HDL-colesterol e apolipoproteína A-1. Um drinque equivale a 15g. Também para BRETELER (2002), o consumo de álcool, reduz riscos de demência vascular. O vinho tinto pelo método de fermentação das cascas, concentra os compostos antocianinas e procianidinas, sendo desta forma, superior ao suco de uva e ao vinho branco, não que estes não possuam estes compostos, mas há em baixa quantidade. Os vinhos produzidos na Serra Gaúcha, com as uvas Merlot, Tannat e Sangiovese, apresentam altos índices de resveratrol – 8mg/l contra 3ml/l de outros vinhos (ANDLAUER et al., 1998). GORISTEIN (1999), relata que o consumo de bebidas alcoólicas pode alterar bioquimicamente o metabolismo de lipídios aumentando a ação antioxidante e melhorando a coagulação, prevenindo desta forma, as doenças cardiovasculares. Os taninos e as epicatequinas estão presentes em grandes quantidades de vinho. Daniella Moreira de Souza As sementes de uva também possuem substâncias fenólicas. Há a inibição da oxidação de LDL quando as sementes são esmagadas e com maior tempo de extração, resultando num maior conteúdo de flavan-3-o ., além de possuir antocianinas e procianidinas no vinho e suco de uva respectivamente. Quanto às frutas vermelhas elas apresentam uma quantidade também muito interessante de resveratrol, possuindo na sua composição, ácido gálico (polifenol encontrado nos vegetais), com ação antioxidante, antimutagênica e anticarcinogênica. No caso de morangos, além das antocianinas, as elagitaninas fazem parte do maior grupo de polifenóis (GORISTEIN, 1999; KAHKONEN et al., 2001). Estas frutas possuem em sua composição as antocianinas, que dão cores vermelhos, roxos e azuis aos morangos, framboesas, amoras, groselhas dentre outras (DOKKUM, 2001). Portanto, ao analisar as informações mencionadas nestas revistas, podese constatar que em nenhuma revista se faz menção quanto às quantidades que devem ser ingeridas de frutas e principalmente de bebidas alcoólicas, bem como seu tipo. No caso da Revista B de março. Isso faz com que a pessoa que já tenha prazer em ingerir bebidas alcoólicas, passe a consumir ainda mais, não fazendo com que aumente o efeito esperado, pelo contrário. Para isso, é importante rever estas colocações também. As frutas devem fazer parte das porções diárias de frutas (que será discutido mais adiante no item sobre alimentação equilibrada), que é de 3 a 5 por dia. No caso da revista A de Maio, enfatiza para não abusar da ingestão de uva pois aumenta o peso, afinal qual a quantidade que não pode ser ultrapassada? Não consta na revista. Nas revistas A de Maio, B de Abril, B de Maio e F de Abril, fala-se na importância do resveratrol, como fator importante na prevenção de câncer e no controle das doenças cardiovasculares. O que corresponde aos estudos científicos aqui citados. ÔMEGA 3 “Alimentos ricos em ômega 3 ajudam a preservar a saúde dos vasos – excesso de peso é um dos maiores responsáveis pelo problema, já que prejudica o retorno do sangue para as pernas. Adotar hábitos saudáveis, o que significa evitar fritura, açúcar e refrigerante em excesso. Já os alimentos ricos em ômega 3, como atum, salmão e sardinha, preservam a saúde dos vasos. Essa substância é capaz de evitar a adesão de placas de gordura nas veias e Daniella Moreira de Souza artérias. Frutas, verduras e legumes também são bem-vindos pois retardam o envelhecimento”. (Revista A – Maio 2002). “Sua Saúde de Bandeja – Peixe rico em ômega – três porções por semana, diminui em 50% o risco de doenças cardiovasculares”. Este tipo de gordura é encontrado em peixes de água fria (salmão, atum e sardinha) e em óleos vegetais (canola e azeite de oliva). Aumenta o HDL, o colesterol bom, reduz o LDL, colesterol ruim, diminui o índice de triglicérides e a pressão sanguínea, ajudando a evitar a aterosclerose, infarto e derrame, além de baixar o nível de insulina, impedindo o desenvolvimento do diabetes. O ômega 3 tem sido usado com sucesso no tratamento de distúrbios psiquiátricos, pois melhora os níveis de serotonina e dopamina no cérebro – o desequilíbrio destas substâncias está associado à depressão”. (Revista C – Fevereiro 2002). O ômega 3 também vendo sendo muito divulgado em vários meios de mídia, ma muitas vezes só informando as suas propriedades e não as quantidades e forma de preparo que se deve proceder. Ácidos graxos essenciais são moléculas que desempenham várias funções no organismo, por isso ser essenciais, como por exemplo: fazem parte de membranas plasmáticas, estando presentes tanto fora quanto dentro da célula, sem a presença destes ácidos graxos, as células e o DNA, não poderiam funcionar. Todos os PUFA (ácidos graxos poliinsaturados), apresentam função no metabolismo e transporte de gordura, na função imunológica e manter a integridade e funcionamento da célula. Os grupos de ácidos graxos poliinsaturados são: ácido linoléico (ômega 6) e ácido linolênico (ômega 3). Existem alguns fatores que bloqueiam a conversão de ácido linolênico em ácido gama-linolênico, que podem ser: envelhecimento, poluição, álcool, carcinógenos químicos, colesterol, deficiência de biotina, cálcio, magnésio e zinco, radicais livres, deficiência de insulina, gorduras saturadas e ácidos graxos trans. Os ácidos graxos ômega 3 mais importantes são: ácido alfa linolênico, ácido eicosapentaenóico e ácido docosahehaenóico (OKANIWA et al., 1996; ). Várias pesquisas relacionam a deficiência de ácidos graxos ômega 3 com patologias como câncer, doenças cardiovasculares, artrite reumatóide, obesidade, diabetes mellitus, depressão - suplementação com 6,2 gramas de EPA e 3.4 gramas de DHA, diminuem sintomas de depressão (BURCHFIELD et al., 1995; CHRISTENSEN et al., 2001; GOGOS et al., 2000; BOUGNOUX, 1999; SIMOPUOLOS, 1991; KLERMAN & WEISMAN, 1989; HAMAZAKI et al., 1996). Daniella Moreira de Souza O ômega 3 tem a capacidade de estimular o sistema imunológico, se, associado à arginina aumenta a produção de citocinas, fazendo com que haja um efeito supressor na proliferação de células cancerosas e redução do tumor (SENKAL, 1995). Podem ser encontrados em vegetais de folhas verdes, óleos de canola e linhaça, além de peixes como a cavala, sardinha, arenque, truta, bacalhau (HARRIS, 1989). Algumas da principais ações do ômega 3, segundo CONNOR (2000), são: Prevenção de arritmias, trombos, diminuição da síntese de triglicérides e VLDL-colesterol; doenças auto-imunes; doença de Chron; câncer de cólon, mama e próstata; hipertensão. A relação entre os PUFA e a saúde cardiovascular deu-se início nos anos 80. Diversos estudos mostram a importância do ômega 3 das doenças cardiovasculares, seja através da suplementação ou da ingestão de peixes. O ômega 3 inibe a síntese hepática de triacilgliceróis, limitando a produção de VLDL, que por sua vez, se transforma em LDL através da lipoproteína lípase em lipoproteínas de baixa densidade, sendo consideradas não aterogênicas. Na Revista A de Maio, há referências para os problemas de doenças cardiovasculares, que os ômega 3 estão presentes nos peixes e deve-se ter uma alimentação saudável para melhorar esta ação. É fato que uma alimentação saudável melhora as condições de riscos de doenças cardiovasculares, mas se associada com a ingestão de peixes será muito melhor, mas não faz referência à quantidade que deve ser ingerida e nem a forma, que não deve ser fritura. Já na Revista C de Fevereiro, indica a ingestão de 3 porções de peixe por semana, mas novamente não é colocado a quantidade ideal. É a matéria que mais informa as ações e benefícios contra as doenças cardiovasculares, aumentando o HDL e diminuindo o LDL, no diabetes e na depressão, porém como citado acima, em casos de depressão, é interessante a suplementação para uma ação mais efetiva. CEBOLA “Cebola – arma contra infecções. Crua é de chorar, mas faz um bem danado à saúde. Rica em vitaminas (A, B12, e C), minerais (cálcio, fósforo, ferro) e fibras. Tem ainda, compostos alílicos (sulfetos que estimulam a produção de enzimas protetoras), capazes de aumentar a resistência contra infecções – de garganta Daniella Moreira de Souza por exemplo e até contra o câncer. Ainda é uma forte aliada para reduzir a pressão arterial. O ideal é consumir pelo menos duas fatias na salada, diariamente”. (Revista A – Junho 2002). “Quanto mais ardida, melhor – Os compostos sulfurosos evitam coágulos. Eles também equilibram a flora intestinal. A cebola deve ser ingerida crua, ou esses compostos somem”. (Revista B – Maio 2002). A cebola é muito utilizada pela população, como forma de tempero em praticamente todos os pratos. A maioria das pessoas atribuem o uso da cebola como fator antigripal, mas existem outras tantas funções importantes. A cebola assim como o alho, pertence à família das Liláceas, e é uma grande fonte de flavonóides e compostos sulfurados. Os flavonóides presentes na cebola são a quercetina, quercetina 4’-O-beta-glicosídeo e quercetina 3,4’-O-beta-diglicosídeos, que são substãncias bioativas. Ao analisar os métodos de cocção como fator de prevenção destas substâncias, verificou-se que a cocção em microondas sem água retém mais os flavonóides e o ácido ascórbico. A fritura não afeta os flavonóides. A fervura diminui cerca de 30% da quercetina (IOKU et al., 2001; HOLLMAN et al., 1999). Quanto a ingestão de cebolas, há relatos em alguns estudos afirmando que a quercetina afeta o stress oxidativo do DNA dos leucócitos e redução de pressão arterial, da viscosidade plasmática e dos hematócritos de indivíduos que tem o hábito de ingerir a dieta mediterrânea (BEATTY et al., 2000; KALUS et al., 2000). De acordo com as pesquisas acima, não necessariamente a cebola precisa ser ingerida crua, mas que tenha um leve aquecimento para que não perca as suas propriedades. Essa recomendação é citada nas duas revistas. Sendo que na B de Maio não há referência de quantidade, somente fala-se sobre os compostos sulfurosos que a compõe. Na Revista A de Junho, há descrição de algumas ações benéficas que a cebola proporciona, o que evidencia estas ações de acordo com os estudos já realizados, mas informa superficialmente, não relatando realmente o nome da substância que proporciona esta ação. Daniella Moreira de Souza LICOPENO “Macarronada antioxidante – o licopeno, pigmento que dá cor ao tomate, é aclamado como protetor da próstata. Após três semanas comendo macarronada com molho de tomate vermelho diariamente, 32 pacientes com tumor na próstata, apresentaram redução”. (Revista B – Fevereiro 2002). “Quanto mais processado melhor – ao consumir extrato de tomate, molhos enlatados ou ketchup, você está ingerindo uma quantidade maior de licopeno do que se optar pelo tomate fresco. O processo de industrialização faz com que haja uma grande quebra do licopeno, antioxidante poderoso na prevenção do câncer. O organismo absorve melhor o licopeno processado”. (Revista C – Abril 2002). “Remédio Gostoso – Tomate – além de ser uma ótima fonte de vitamina C (aumenta as defesas do organismo), tem licopeno, que previne o câncer de próstata”. (Revista F – Abril 2002). “Os 8 Superalimentos – Tomate – O que tem: licopeno, bioflavonóides e vitamina C. O que faz pelo organismo: contém licopeno, pigmento vermelho que atua como antioxidante, prevenindo o envelhecimento celular – provavelmente o mais poderoso antioxidante entre os carotenóides (componentes que dão às frutas e legumes a cor alaranjada). É tão potente que protege as células de lesões e ajuda na prevenção de doenças cardiovasculares. Quanto consumir: meia xícara de chá por dia. Prefira tomates bem vermelhos, cozidos e batidos. Explica-se: embora o licopeno seja originário do tomate, no molho a concentração é maior. Isso porque essa substância é prontamente liberada durante o cozimento. E mais: o licopeno é facilmente absorvido quando uma pequena quantidade de óleo é acrescida. Portanto, se possível, coloque um fio de azeite extravirgem”. (Revista A – Março 2002). O licopeno é um dos 600 carotenóides encontrados na natureza, responsável pela cor vermelha das frutas e vegetais. É um potente antioxidante e tem a capacidade de inibir a síntese do colesterol (ARAB et al., 2000). Pessoas que contém maiores concentrações de licopeno plasmático são menos suscetíveis às doenças cardiovasculares. Entretanto, somente o fruto maduro contém os principais princípios ativos tais como: ácidos málico, cítrico, tartárico, oxálico e succínico; pectina; vitaminas e pigmentos carotenóides (licopeno e xantofila) BEECHER, 1998. Um dos efeitos mais estudados é a redução do risco de câncer de próstata. Produtos à base de tomate, como catchup, molho de pizza e suco de tomate, apresentam as melhores fontes de licopeno (FLESHNER Daniella Moreira de Souza et al., 1998; BRAMLEY, 2000). Um outro estudo realizado na Itália, após ser ingerido uma pequena porção de purê de tomate por dia (25g), aumentou a concentração de carotenóides no sangue, melhorando a resistência de linfócitos para o stress oxidativo (PORRINI et al., 2000). Ainda outro estudo indica que o consumo de 500 ml diariamente de suco de tomate industrializado, aumenta a resistência na oxidação de LDL, diminuindo níveis plasmáticos de um fator de risco de infarto do miocárdio, em pacientes portadores de diabetes (UPRITCHARD et al., 2000). O licopeno tem a capacidade de reduzir o risco de câncer de próstata, segundo GIOVANNUCCI et al., 2002. Este estudo foi de coorte, onde os participantes possuíam entre 40 e 75 anos de idade, compreendendo o período de 1986 a 1998. Foi notado que o molho de tomate é a fonte primária de licopeno biodisponível. A absorção do licopeno de tomates frescos é menor que outros compostos à base de tomate, devido a maior solubilidade dos isômeros cis nas micelas de ácidos biliares que são mais facilmente incorporados nos quilomicrons (PAPAS, 1999). Mas este fator pode ser mudado se associado com algum tipo de gordura, principalmente azeite. Um estudo revelou que a inibição de formação de peróxidos lipídicos foi de 93%, mediante a combinação de antioxidantes e 27% do licopeno isolado. Foi concluído que o licopeno age sinergicamente com outros antioxidantes na oxidação do LDL-colesterol, tendo ação antiaterogênica (FUHRMAN et al., 2000). A recomendação é de 35 mg por dia de licopeno, o que equivale a 2 copos de suco de tomate (RAO et al., 1998). Algumas fontes de licopeno são: Alimento Tomate fresco Melancia Goiaba vermelha Mamão papaia Molho de tomate Massa de tomate Suco de tomate Catchup Molho de pizza Fonte: BRAMLEY, 2000 Daniella Moreira de Souza Licopeno (mcg/100g) 8,8 – 42 23 – 72 54 20 – 53 62 54 – 1500 50 – 116 99 – 134,4 127,1 Como não poderia deixar de ser, todas as revistas apresentaram unanimidade, na questão que o licopeno previne o câncer, principalmente o de próstata. Porém em todas, foi citado somente o tomate como agente que tem esta ação, deixando de lado todos os demais alimentos vermelhos que possuem o licopeno. Quanto à recomendação diária, somente a revista A de Março fez esta menção, recomendando ½ xícara de chá de molho de tomate por dia, o que está correto de acordo com as necessidades de licopeno diárias para tal efeito. As Revista C de Abril e A de Março, foram as únicas que relataram a importância de se ingerir o tomate em sua forma processada, para que tenha uma melhor absorção do licopeno assim como adicionar um pouco de azeite para melhorar esta ação, conforme estudo já citado de PAPAS (1999). Neste estudo de BRAMLEY (2000), tem que se levar em consideração a quantidade de licopeno no catchup, além deste componente importante, apresenta outros compostos como o sódio. Principalmente as crianças e adolescentes gostam de consumir este tipo de produto, caso seja divulgado sobre esta ação, poderá aumentar, portanto, deve ser sempre enfatizado a importância do consumo do tomate bem vermelho ou o molho de tomate. Já que o licopeno no tomate fresco está na forma alltrans, durante o processamento ocorre a isomerização fazendo com que se transforme na forma cis (SHI et al., 2000). CHÁ PRETO “Chá Preto, uma boa pedida na refeição – a bebida é capaz de neutralizar os prejuízos nas artérias causados por um cardápio da pesada. Num estudo no Japão, foi receitado pratos bem gordurosos a dois grupos de jovens saudáveis. Um grupo recebeu água durante a refeição e o outro, chá preto. Ao final, o fluxo sanguíneo mostrou-se melhor no segundo grupo. O poder antioxidante dessa infusão deve estar por trás do efeito”. (Revista B – Abril 2002). O chá preto é muito consumido por uma parcela da população. Mas muitas pessoas tem dúvida sobre sua ação devido a presença de cafeína em sua composição. Ao analisar esta informação sobre o chá preto, pode-se destacar que o chá preto possui catequina em sua composição, fazendo com que tenha a Daniella Moreira de Souza ação parecida com a do chá verde. Há estudos que revelam que o chá preto pode reduzir o risco de doenças cardíacas ao evitar que o sangue se aglutine e forme coágulos. As pessoas que beberam cinco xícaras de chá preto por dia, durante 30 dias, apresentaram níveis reduzidos em selectina P (proteína associada ao fator de coagulação). Outros estudos associam ao mecanismo de ação de polifenóis, fazendo com que haja diminuição de envelhecimento, câncer e doenças cardíacas. Mas mais estudos precisam ser realizados (PUDDEY et al., 2002). Como foi relatado apenas na revista B de Abril, a informação ficou bem vaga, sem segurança efetiva da ação do chá preto. Foi colocado somente um estudo realizado no Japão com o chá preto e que apresentou resultados efetivos em doenças cardiovasculares, não tendo sido informado a quantidade de chá a ser ingerido, portanto, realmente mais estudos precisam ser feitos já que não há maiores comprovações científicas. GENGIBRE “Para cada caso um alimento – o gengibre é eficaz contra enjôos’. Propaganda de livro de uma nutricionista. (Revista B – Maio 2002). “Vamos a um japonês? O gengibre estimula o fígado a produzir bile, suco essencial para a digestão. E contém óleos voláteis que auxiliam o corpo a se livrar de mucos, daí sua indicação para resfriados. Também está comprovado que ajuda a barrar inflamações”. (Revista B – Maio 2002). O gengibre é muito lembrado somente em época de festas juninas como forma de fazer o famoso quentão, mas esta especiaria tem muitas funções e compostos. O gengibre é uma das mais populares e antigas especiarias do mundo. Possui óleos essenciais como o canfeno, landreno, zingibereno e zingerona. É recomendado para problemas com digestão, respiratórios, enjôos e náuseas, por ser vasodilatador e estimulante circulatório. É indicado usar fresco, em conserva, em pó ou cristalizado. Um estudo avaliou o efeito do gengibre no tratamento da náusea e vômitos durante a gestação e observou que houve melhora nos sintomas em muitas mulheres que receberam o gengibre (VUTYAVANICH et al., 2001). Na Revista B de Maio, foi apenas feito uma chamada do poder do gengibre, já que era mais uma propaganda de um livro, para estimular a leitora a adquirir o livro. Daniella Moreira de Souza Ainda na Revista B de maio, em outra matéria, é identificada algumas ações que o gengibre pode desempenhar no nosso organismo, por ter os óleos essenciais citados acima, pode ser que esta ação contra resfriados assim como os problemas respiratórios sejam amenizados, mas não foi informada a forma e a quantidade que deve ser ingerido. CAFÉ “Em defesa do cafezinho – querem absolver a cafeína da acusação de elevar a pressão. Pesquisadores americanos acompanharam durante 30 anos, homens que tomavam 2 xícaras de café por dia. E afirmaram que não há relação entre esse hábito e a hipertensão. Mas a revista fez uma ressalva: os fãs de café não tomam somente uma xícara por dia e que a bebida preparada á moda americana é tão diluída que um brasileiro pode considerar um chá. Outro especialista aponta que o ideal é não ultrapassar 7 xícaras pequenas por dia – do café feito em casa e três xícaras para o café expresso”. (Revista B – Junho 2002). O tão famoso cafezinho consumido pelo brasileiro, tem algumas ações, mas ainda são muito controversas, precisando ser melhor estudadas. A cafeína é um componente derivado do trimetilado da xantina. É naturalmente encontrada em uma variedade de semente e frutas, estando presente nos grãos de café e em alguns outros alimentos. A meia vida da cafeína é cerca de 3 a 7 horas. Está associada ao estado de alerta e pensamentos rápidos. A fadiga pode ser reduzida e o sono adiado, tendo uma reação em cada pessoa. Tem a capacidade de estimular o músculo cardíaco, a secreção do ácido gástrico e a eliminação urinária. Aumenta ainda, a consciência mental e pode resultar na manutenção do esforço intelectual (BARONE & ROBERTS, 1996). Alguns estudos revelaram que o consumo em torno de 250 mg/dia de cafeína, o equivalente a 2 a 5 xícaras de café, é uma dose segura, podendo ser ingerida até 350 mg/dia. Com relação à densidade óssea, aumenta as concentrações urinárias de cálcio em adultos em idade avançada como em jovens, fato que pode desencadear um quadro de osteoporose (MASSEY & WHITING, 1993). Outro estudo relaciona a ação das xantinas no fluxo sanguíneo, melhorando a nutrição do coração e o ritmo respiratório. Os efeitos mais significativos são no sistema nervoso central, onde a cafeína funciona como um estimulante atuando no córtex cerebral e medula espinhal. Mesmo doses baixas de ingestão, fazem com que a atividade mental e concentração seja estimulada e ainda, redução do sono. Daniella Moreira de Souza De acordo com os estudos aqui relatados, ainda são necessários outros aqui no Brasil para afirmar as suas reais propriedades. A Revista B de Junho ao mesmo tempo que publica a matéria, faz uma ressalva um tanto quanto significativa, já que o café brasileiro é totalmente diferente do café americano em teor de concentração, alterando portanto, o teor de cafeína. “PRATO FÉRTIL” “A alimentação pode estimular a fertilidade. Tese defendida por um médico. Revela o papel do inhame, das crucíferas (como brócolis, couve e repolho) e da soja e seus derivados. O inhame induz a ovulação – no homem, ajuda na formação dos espermatozóides. A soja atua como o hormônio feminino estrogênio, que auxilia na qualidade dos óvulos e na produção ovariana. Já as crucíferas aumentam os níveis dos hormônios da hipófise e facilitam a ovulação. Esses alimentos, no entanto, devem fazer parte de um conjunto de hábitos saudáveis”. (Revista C – Junho 2002). Não existem estudos científicos que comprovem com esta informação editada nesta revista. Como a Revista C tem um enfoque sensual, provavelmente foi colocado esta matéria para despertar a curiosidade nas leitoras. ERVAS “Remédio Gostoso – Orégano – poderoso para reduzir o colesterol: uma colher de chá usada para temperar a comida é suficiente para proteger o organismo”. (Revista F – Abril 2002). O consumo de ervas é bem incentivado, mas a população apresenta muitas dúvidas de como preparar e como combinar os sabores. Além de Daniella Moreira de Souza apresentarem várias ações benéficas ao organismo, há muitas opções de preparar alimentos usando as ervas, até mesmo em sucos de frutas. A erva em questão é o orégano que apresenta em sua composição o carvacrol, timol e monoterpenos (limonenos). Vale ressaltar aqui também a importância das outras ervas como o manjericão que apresenta em sua composição terpenos, derivados fenólicos, como o eugenol, também presente no cravo e na folha de canela (LEWINSOHN et al., 2000). Já a hortelã, o orégano, sálvia e tomilho, apresentam os mono e sesquiterpenos, ainda na sálvia, são encontrados a luteolina, o campferol, ácido ursólico, tendo sua propriedade antiinflamatória (KARAKAYA et al., 1999). Há ainda a curcumina, que confere a cor característica destas ervas. Já foi comprovado a ação antiinflamatória e anticarcinogênica em modelos animais (NEWMARK, 1996). Com tantas substâncias que existem nestas ervas, com certeza há a ação esperada como fator de prevenção de doenças cardiovasculares, principalmente a redução do colesterol, mas ainda não há estudos referenciando a quantidade ideal, assim como não foi publicado nesta revista também, estando certa desta vez. CEREAIS INTEGRAIS “Câncer de mama – Farelo de Trigo – o cereal pode reduzir o risco de ter câncer de mama. Ao absorver o excesso do hormônio feminino estrógeno, o farelo de trigo impede o crescimento do tumor”. (Revista A – Março 2002). Daniella Moreira de Souza “Os 8 Superalimentos – Aveia – O que tem: vitaminas do complexo B, vitamina E e fibras. O que faz pelo organismo: contém antioxidantes difíceis de encontrar, como os compostos de vitamina E (chamados tocotrienóis). É desintoxicante, pois retira os metais tóxicos presentes no sangue. Ajuda também a regularizar o trânsito intestinal. Contém betaglucano, uma fibra solúvel e esponjosa que remove o colesterol nos intestinos. Ajuda a reduzir a pressão sanguínea em pacientes hipertensos. Quanto consumir: quatro colheres de sopa por dia”. (Revista B – Março 2002). “Sua Bandeja de Saúde – Cereais integrais – uma porção por dia, diminui 30% o risco de doenças cardiovasculares e diabetes”. (Revista C – Fevereiro 2002). O consumo de grãos integrais, aponta para um efeito protetor, especialmente o câncer gástrico, coloretal e hormônios-dependentes (SLAVIN, 2000). Os grãos integrais por serem ricos em fibras solúveis agem reduzindo o colesterol total, enquanto que os farelos, parecem exercer uma melhor ação sobre os triglicerídeos. Fazem parte da sua composição, o enterodiol, enterolactanona e matairesinol, promovendo uma melhora na resposta vascular (ANDERSON & HANNA, 1999). A aveia é um cereal rico em ácido oléico e linolênico, além de grande quantidade de fibra solúvel (WEBSTER, 1998; FLOCH & HONG-CURTIS, 2001). Estudos revelaram que dietas suplementadas com farelo de aveia (de 28 a 100g) por dia promoveram uma redução significativa nos teores de colesterol sérico total (BELL et al., 1999). Este fator se deve pela quantidade de â-glucanas, que possuem a capacidade de aumentar a síntese de ácidos biliares e reduzir a absorção do colesterol sanguíneo, há ainda, referência de efeito protetor no câncer de cólon e diminuição de Daniella Moreira de Souza glicose em diabéticos (MARTLETT et al., 1997; WOOD et al., 1998; JACOBS et al., 1995). As publicações nas revistas, A de Março, fizeram uma relação entre câncer de mama com o farelo de trigo, o que pode haver uma relação, mas estudos mostram que este tem uma ação mais relacionada com os triglicérides e o modo como foi informado “ao absorver o excesso de hormônios, impede a ação cancerígena”, não é tão simples assim esta ação como descrito. Esta ação acontece no processo de absorção de lipídios no intestino, fazendo com que haja uma diminuição de riscos de câncer, já que acaba levando alguns compostos xenobióticos como e descrito na Revista B de Março. Na primeira, não foi citada a quantidade de ingestão diária, já na segunda recomendou-se 4 colheres de sopa por dia e na C, somente indicou-se ingerir uma porção por dia, mas não definiu o que é uma porção. FRUTAS E VEGETAIS “Coma Mais e Mais... frutas e legumes. Pesquisa do Instituto do Câncer após analisar a quantidade ingerida pelas mulheres jovens, pensava que cinco porções diárias seriam suficientes, só que o número passou para sete. A longo prazo só tem a ganhar, pois estarão ingerindo mais fibras, mais vitaminas e mais antioxidantes. Para alcançar a meta: aumente o tamanho da salada, acrescente outras frutas ao suco de laranja e comece as refeições com uma sopa de legumes”. (Revista C – Fevereiro 2002). “Sua Saúde de Bandeja – Frutas e Vegetais – quatro porções por dia, diminuem em 30% o risco de doenças cardiovasculares; Frutas e Vegetais ricos em carotenóides – cinco porções por dia, diminuem em 30% o risco de câncer de pulmão; Vegetais de folhas verde-escuras (couve, espinafre), seis porções por Daniella Moreira de Souza semana, diminuem em 50% o risco de câncer no ovário”. (Revista C – Fevereiro 2002). “Vegetais: quanto mais melhor – aumente a ingestão de frutas, verduras e legumes e deixe a carne ser o complemento. Um estudo publicado nos Estados Unidos, revelou que esses alimentos possuem ácido salicílico, o composto da aspirina, que é antiinflamatório. O conselho é comer cerca de nove porções de vegetais e frutas por dia”. (Revista C – Março 2002). “Anti-HPV – Um estudo mostrou que carotenóides encontrados em tomate, cenoura ou brócolis podem controlar a incidência de infecções causadas pelo HPV, o papiplomavírus humano, isso no entanto, não é um método de prevenção contra o vírus”. (Revista C – Fevereiro 2002). “Alface para aliviar a tensão – Alface no prato é a solução. A folha ajuda a tornar o seu organismo mais resistente aos efeitos do stress. O talo possui lactucina, uma substância que funciona como calmante. Além disso, essa verdura é rica em ácido fólico, importante para evitar a depressão, a confusão mental e o cansaço. E o melhor é que dá para amenizar a irritação sem medo de engordar, pois um prato raso cheio de alface picada tem apenas 13 calorias”. (Revista A – Março 2002). “Os 8 Superalimentos: Laranja – O que tem: vitamina C, potássio e bioflavonóides. O que faz pelo organismo: tem efeito antioxidante, neutralizando a ação dos radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento. Além disso, fortalece o sistema imunológico, pois aumenta a resistência às infecções. Quanto consumir: de duas a três vezes por semana, de preferência logo após uma refeição rica em vegetais que contenham ferro, como feijão. É que a vitamina C auxilia a absorção desse mineral”. (Revista A – Março 2002). Daniella Moreira de Souza “Espinafre: Popeye não estava certo – a verdura não tem tanto poder quanto o famoso marinheiro promete. Realmente, é um dos vegetais que mais contém ferro e cálcio. Entretanto, não significa que estes nutrientes estão disponíveis para serem absorvidos pelo organismo. Explica-se: o ácido fítico e o ácido oxálico presentes na folha têm a capacidade de se ligar ao cálcio e ao ferro, fazendo com que eles acabem sendo eliminados sem ser aproveitados. Substitua espinafre por couve, brócolis, agrião ou folhas de mostarda”. (Revista A – Abril 2002). “Remédio Gostoso – Maçã: duas por dia reduzem a taxa do colesterol que se acumula nos vasos sanguíneos e pode causar infarto”. (Revista F – Abril 2002). “Maçã para respirar melhor – a fruta não deve faltar na mesa de quem sofre de asma. A recomendação é de cientistas que investigaram 1,5 mil pacientes: aqueles que comiam maçã diariamente estavam mais protegidos. Os flavonóides desse alimento reduzem a inflamação dos brônquios. Nessa família de moléculas, o destaque vai para a quercetina, a substância se revelou mais eficiente que a vitamina C contra a formação de células cancerosas”. (Revista B – Março 2002). “Maçã de Amores – uma maçã por dia mantém o médico a distância. A fruta tem realmente antioxidantes que melhoram as defesas do organismo, mas essa não é sua principal qualidade. Tem também uma quantidade generosa de fibras solúveis, entre elas a pectina, que ajudam a diminuir as taxas de colesterol ruim no sangue e a varrer para fora substâncias tóxicas capazes de causar até mesmo tumores. E, para sorte de quem gosta de um bom doce, essas tais fibras não se perdem em receitas de sobremesas que enfrentam o calor do fogão”. (Revista B – Abril 2002). Daniella Moreira de Souza “Avocado – é um parente do abacate, só que menor, mas usas qualidades são superiores, pois concentra mais nutrientes na polpa. Um estudo apontou que ele realmente tem uma concentração maior de nutrientes que o abacate, especialmente vitaminas A, C e E. Elas são conhecidas pela ação antioxidante. A fruta também leva vantagem no teor de gordura insaturada, aquela capaz de varrer o colesterol ruim das artérias”. (Revista B – Junho 2002). “Cozinha Verde: abacate – Ele é gorduroso sim. Mas diga-se sua gordura é aquela que faz bem para as artérias, livrando-as do colesterol ruim. A fruta é uma das maiores fontes em glutationa, um antioxidante conhecido por prevenir diversos tipos de câncer. Ela é também é riquíssima em potássio, quase se igualando à banana, que leva a fama sozinha e tem muita, muita vitamina E. Deve ser saboreado com moderação e sem culpa”. (Revista B – Maio 2002). “Vamos à um Japonês? - Cogumelos – Em dieta de japonês não faltam shimeji e shiitake. No Japão são comidos secos ou frescos – o preparo na manteiga é invenção de restaurantes no Ocidente. Além das fibras, os cogumelos contém ácido glutâmico e lentinan, substâncias que reforçam o sistema imunológico. Sem contar as vitaminas B2 e D, esta importantíssima para a prevenção da osteoporose. Outro componente é a niacina, necessária para o bom funcionamento das células e para a eliminação de toxinas”. (Revista B – Maio 2002). “Cenoura – ao comer cenoura você evita problemas de visão. Além disso, ela é ótima para a pele. O betacaroteno presente na cenoura ajuda a manter a saúde dos olhos. E realmente deixa a pele bonita. Mas, para que ele seja mais bem aproveitado pelo organismo, prefira cenoura cozida no vapor. Seja como for, crua ou cozida, só corte a cenoura momentos antes de consumi-la. É que seus nutrientes, inclusive o betacaroteno, podem ir se perdendo se ficarem muito tempo em contato com o ar e com a luz”. (Revista B – Maio 2002). Daniella Moreira de Souza “Clorofila para beber – a substância que dá cor verde às plantas virou nome de suco terapêutico. Mas no copo quem funciona de fato não é ela – a grama verdinha do trigo é a matéria-prima para o suco. Só que a clorofila propriamente dita nada tem a ver com os benefícios comprovados do refresco que leva seu nome. Suco de clorofila é um mero nome para suco de verduras. É um tremendo concentrado de vitaminas e minerais, suficiente para suprir as necessidades do organismo. Só que, por não ter fibras, não substitui a salada. Graças à clorofila os vegetais transformam gás carbônico e água no alimento de que precisam, liberando o oxigênio que respiramos. A clorofila é uma molécula composta de átomos de nitrogênio, carbono e hidrogênio, um átomo de magnésio e só. Daí, conclui-se que o poder do suco verde não está na clorofila, mas nas vitaminas, nos minerais e em outros antioxidantes que ele também carrega. A grama do trigo tem vitaminas A, B, E e K, 17 aminoácidos, 22 minerais e substâncias que desintoxicam o organismo”. (Revista B – Abril 2002). “Clorofila: a bebida fashion – à base de alfafa e napim (um tipo de capim), ele é nutritivo, rico em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes, o que vem atraindo a atenção do público feminino. A clorofila é apenas o pigmento verde dos vegetais e vem junto com outros nutrientes”. (Revista C – Maio 2002). No Brasil há uma diversidade de frutas e hortaliças que em nenhum outro país há, mas infelizmente a população precisa aprender a saborear estes alimentos, não só como prazer, mas sim de importantes papéis que desempenham no nosso organismo, como protetores de diversas doenças. As frutas e hortaliças são grandes fontes de favonóides. Sendo assim num estudo realizado por HOLLMAN & KATAN (1999), dividiu o teor de flavonóis em alimentos menos 10mg de flavonas/kg; com menos de 50mg/kg e acima de 50mg/kg, apresentando dentre estes alimentos: repolho, espinafre, cenouras, cogumelos, pêssegos, suco de laranja; alface, maçã; endívia, couve, cebola, respectivamente. Ainda para as frutas cítricas, que são ricas em fitoquímicos, dentre os mais ativos, hesperidina e naringenina, nobiletina, tangeritina e narirutina. Daniella Moreira de Souza Portanto, como mostra a revista C de Fevereiro, em duas matérias, há contradições na quantidade a ser ingerida. Na primeira coloca que é importante o consumo de 5 porções ao dia e que é interessante que seja 7, mas não coloca o que é porção. Na segunda revista, é informado que deve ser ingerido 4 porções de frutas diariamente, e das frutas ricas em carotenóides, 5 porções ao dia, se for considerar esta recomendação já são 9 porções diárias, não informando também a quantidade de cada porção. Na Revista C de Março, também indica 9 porções de frutas e vegetais diariamente, sem informar a quantidade; comenta-se ainda que devido ter na sua composição o ácido salicílico, funciona como antiinflamatório. Esta comparação não deve ser feita, pois a quantidade que há no medicamento é muito superior à quantidade encontrada nas frutas e outros vegetais, além de não informar em quais alimentos esta substância está presente. Na Revista C de Fevereiro, há a informação sobre a importância dos carotenóides em prevenir o câncer, o que é fato, mas não informa onde são encontrados e as quantidades recomendadas, relatando ao menos que não é fator de prevenção. A revista A de Março comenta que a alface é um calmante, devido a presença da lactucina. Ainda nesta revista, há informação sobre a laranja, com informações de suas ações corretas e recomendando que seja ingerida logo após a refeição para melhor absorção do ferro, o que está certo, devido o ferro não heme ser melhor absorvido na presença de uma vitamina C (COZZOLINO, 1997). Daniella Moreira de Souza Na Revista A de Abril, o espinafre é apontado como uma hortaliça que deve ser abolida do cardápio, mas não é preciso ser tão radical, pois apesar de seus compostos antinutricionais que em outros vegetais também existem outros nutrientes interessantes como o magnésio por exemplo, cuja principal função é atuar nas funções celulares, auxiliando na atividade de mais de 300 enzimas, sendo ainda imprescindível para liberação e utilização de energia proveniente dos nutrientes energéticos, afetando diretamente o metabolismo de potássio, cálcio e vitamina D. Participa ainda, do processo de contração e relaxamento muscular junto com o cálcio (SIZER & WIHITNEY, 2003). Nas Revistas F de Abril e B também de Abril, houve referência à Maçã, fruta saborosa que muitas pessoas gostam. Nas duas há consenso de que a ingestão adequada é uma por dia (primeira referência onde isto ocorre), sendo que a primeira enfoca a quercetina como agente contra a asma e na segunda, sobre a pectina. Como já foi mencionado a presença de flavonóides nas frutas a maçã não poderia deixar de ser importante, apresentando várias ações anticarcinogênicas e respiratórias (LAMSON, 2000). Nas Revistas B de Junho e B de maio, houve menção às propriedades do avocado e abacate, respectivamente. Na primeira informa que apesar do pequeno tamanho, possui mais nutrientes que o abacate e na segunda, informa a presença da glutationa que ajuda na diminuição do colesterol e riscos de câncer. Na revista B de maio, ainda se fala que o abacate é mais rico em potássio que a banana. Ao analisar porção de 100 gramas para cada uma, obtém-se os seguintes dados: Daniella Moreira de Souza Banana nanica – 396 mg (PHILIPPI, 2001) Abacate – 599 mg (PHILIPPI, 2001) Avocado - 898,50 mg (FISBERG et al., 2002) O que corrobora para com a afirmação da revista, mas que não foi demonstrado a quantidade para transmitir com segurança a leitora. O avocado é uma fruta do continente americano, sendo confundida com o abacate. Tem excelente perfil lipídico, alta taxa de ácido graxo oléico. É rico em vitaminas antioxidantes como A, C e E, além da B6 e C, fósforo, potássio, magnésio, â sitosterol. Alguns estudos relacionam com a redução de doenças cardiovasculares, câncer e níveis de LDL. Com relação à fibras, apresenta quatro vezes mais fibras que outras frutas, como a maçã por exemplo. A principal gordura é a monoinsaturada, que atua contra as placas de ateroma (FISBERG et al., 2002). O abacate apresenta estas mesmas qualidades, mas o avocado está em maior vantagem em termos de quantidade. Sendo assim, as informações destas revistas estão corretas, não apenas mencionando a quantidade a ser ingerida diariamente. Na Revista B de maio, há informações sobre Cogumelos, que atuam no processo de osteoporose, e devem ser ingeridos frescos ou secos. Pesquisas mostram que os cogumelos possuem vários compostos bioativos que diminuem patologias imunodepressoras como o câncer e a hipercolesterolemia, não tendo maiores estudos que revelam que os cogumelos tem ação no controle da osteoporose (KIDD, 2000; CHANG, 1996). Daniella Moreira de Souza Na Revista B de Maio, informa sobre a cenoura que ajuda nos problemas de visão (o que já se sabe há muito tempo) e que a forma de se obter mais betacaroteno é cozinhar no vapor. A propriedade principal da cenoura é a presença de betacaroteno realmente. Os 2 glicosídeos tem ação hipotensora e a forma como a cenoura é cozida depende muito da forma de absorção do betacaroteno, já que a cenoura crua, não apresenta grandes quantidades (PAPAS, 1999). O melhor método para se obter maior quantidade de betacaroteno é a cocção em água sem pressão e não a cocção a vapor como foi mencionado na matéria (SANT’ANA et al., 1998). Não foi mencionada a quantidade a ser ingerida. Quanto às Revistas B de Abril e C de Maio, trazem informações sobre a Clorofila, porém, não existe comprovações científicas sobre este assunto. A matéria da Revista B de Abril explica perfeitamente que não é a clorofila que age e sim os nutrientes como vitaminas, minerais e fibras que possuem a ação de trazer benefícios ao organismo. Já na Revista C de Maio, a informação é muito vaga não trazendo novas informações a leitora. Daniella Moreira de Souza 4.4. Análise das Informações relacionadas a Alimentação Equilibrada Serão analisadas as informações relacionadas à Alimentação Equilibrada constantes nas revistas durante o período avaliado. Será dividido por assuntos e as considerações feitas no final de cada item. Pirâmide Alimentar “A melhor Dieta do Planeta – revolucionária, uma pirâmide alimentar (sucesso nos Estados Unidos) revela o que comer para perder de 4 a 6 quilos, aumentar a energia e parecer mais jovem pelo resto da vida – após 25 anos de pesquisa, foi comprovado que uma alimentação com baixas calorias, rica em vegetais e carboidratos não refinados é capaz de fazer emagrecer e manter o peso, melhorar a saúde, aumentar a energia, diminuir o stress e prolongar a vida. Há várias recomendações diferentes da pirâmide americana e também com relação às quantidades semanais e diárias que devem ser ingeridas (vide figura 1). As recomendações são: grãos integrais – de sete a treze porções. Cada uma equivale a ½ xícara de chá de cereal cozido, arroz ou massa; 30 gramas (1 colher de sopa cheia) de cereal ou 1 fatia de pão. Benefícios: o arroz e o trigo integrais, ricos em carboidratos não-refinados, têm boa quantidade de fitoquímicos e fibras, que facilitam o funcionamento intestinal, dão sensação de saciedade, ajudam a perder peso e fornecem combustível para o cérebro e para os músculos. Quer mais? São eles que providenciam os nutrientes capazes de diminuir o risco de doenças cardíacas, diabetes e câncer. Já os alimentos refinados, como pães, biscoitos, bolos e arroz branco, contêm pouca ou nenhuma fibra. Além disso, em excesso podem causar problemas como obesidade e diabetes. Alimentos ricos em cálcio – de duas a quatro porções. Benefícios: o mineral ajuda a prevenir a osteoporose (doença que torna os ossos porosos e suscetíveis a fraturas, o câncer do cólon (parte do intestino), a pressão alta e os sintomas da TPM. As melhores fontes são as folhas verdes (1 Daniella Moreira de Souza xícara de chá de brócolis, espinafre ou couve) e o tofu (queijo de soja), além do leite – a principal fonte de cálcio. Estudos mostram que bastam pequenas quantidades diárias do mineral para prevenir a osteoporose. O importante é consumir alimentos com baixo teor de gordura para evitar o colesterol. Vegetais – De sete a 13 porções. Frutas: de duas a quatro porções. Cada uma equivale a 1 xícara de folhas cruas; ½ xícara de vegetais crus ou cozidos; 1 banana. Maçã ou laranja de tamanho médio ou ½ papaia; ½ xícara de fruta em lata ou 170 ml (1 copo pequeno) de suco de fruta. Benefícios: uma dieta rica em frutas e vegetais diminui o risco de doenças cardíacas, câncer, diabetes, catarata, derrame e hipertensão. Também evita o ganho de peso e garante uma vida mais longa. Os vegetais são a maior fonte de antioxidantes. Para seu corpo, isso significa células mais protegidas da agressão dos radicais livres (moléculas que aceleram o processo de envelhecimento), menos prejuízo para o colágeno (substância que dá elasticidade à pele, prevenindo rugas) e menos danos para os órgãos internos. A maioria das plantas contém antioxidantes, algumas mais do que as outras. O importante é a variedade. Alimentos ricos em flavonóides - de duas a quatro porções. Esses compostos naturais, poderosos antioxidantes, são encontrados em legumes, verduras, castanhas, ervas, vinho, chá verde, grãos, tomate, batata, berinjela, feijão marrom, cebola, rabanete, couve, escarola, nabo, semente de linhaça, cereja, amora, uva, morango, jabuticaba e sucos de uva. Opções não faltam para variar o cardápio todos os dias. Benefícios: os flavonóides fornecem uma substância semelhante ao estrogênio, que age nas áreas em que o organismo mais precisa, ao mesmo tempo em que bloqueia o estrogênio natural nos pontos em que esse hormônio feminino pode alimentar um câncer. É importante na redução das doenças cardiovasculares. A ingestão diária de 90 granas de tofu ou 2 colheres de sopa de grãos de soja (nozes, castanhas ou amêndoas) ou 1 xícara de leite de soja, já faz bem. Alimentos ricos em ômega 3 – de uma a três porções. Benefícios: se não tem o hábito de ingerir peixe ou semente de linhaça várias vezes por semana, provavelmente não está ingerindo a quantidade necessária de ômega Daniella Moreira de Souza 3, gordura rica em ácidos graxos. Essa substância é fundamental para o desempenho cerebral e para garantir a saúde do coração e fortalecer o sistema imunológico. As melhores fontes estão no salmão, no atum e na cavala. Os vegetarianos podem consumir nozes picadas (2 colheres de sopa). Doces podem, mas sem exagero, deve ser dado preferência para sorvetes e iogurtes light para ficar magra e saudável”. (Revista A – Fevereiro 2002). “Mais saúde, peso ideal – esta é quente: uma nova pirâmide nutricional (tabela 2), tema de um livro que está dando o que falar nos Estados Unidos, inverte a ordem de importância dos alimentos, promete ótima disposição física e mental, aumento da resistência às doenças e emagrecimento definitivo – a nova pirâmide, sugere que para o período de um dia, seja ingerido quatro grupos de alimentos para garantir ao organismo o suprimento ideal de vitaminas, sais minerais, proteínas, gorduras e carboidratos. Na base ficam os alimentos que podem ser ingeridos em maior quantidade (carboidratos energéticos como massas, pães e cereais integrais) e, no topo, os que devem ser controlados (gorduras, óleos e açúcares). Para o pesquisador desta nova pirâmide, é errônea a idéia de que os carboidratos complexos são invariavelmente bons. Os cereais integrais – e só eles – são a fonte verdadeiramente saudável de carboidratos. Ele também combate a idéia de que a gordura deva ser considerada a inimiga pública número 1. As monoinsaturadas, disponíveis no azeite de oliva e em outros óleos vegetais, são benéficas ao coração. A maior parte das calorias vem dos carboidratos, que contribuem mais que as gorduras para o ganho de peso. Ao reduzir a quantidade de gordura, as pessoas acabam comendo mais carboidratos e... engordam. A ênfase na importância dos grãos integrais, bem como a colocação das frutas e vegetais no segundo andar, são os únicos pontos em comum entre as duas pirâmides. Mais: a carne vermelha e os laticínios integrais, no terceiro andar da pirâmide clássica, vão para o topo, ou seja, devem ser ingeridos com moderação. Os 7 mandamentos da saúde: 1Controle o peso – quanto mais estável, menores os riscos de surgirem doenças Daniella Moreira de Souza cardíacas, hipertensão, colesterol alto, diabetes e vários tipos de câncer (mama, endométrio, cólon e rins). Esse novo conceito de pirâmide pode ajudála a consumir menos calorias; 2- Ingira mais gorduras do bem – em vez de manter todas elas no topo (como faz a pirâmide tradicional), a nova ordem propõe que as saudáveis fiquem na base. É até permitido obter 30% das calorias diárias das gorduras, desde que seja, insaturadas. Fontes permitidas: óleo de soja, canola, milho e girassol. Nozes e castanhas também têm sinal verde, mas modere o consumo porque são muito calóricas; 3- Coma mais cereais integrais – a melhor fonte de carboidratos saudáveis. A longo prazo, eles protegem contra a diabetes, as doenças cardíacas, o câncer e os problemas gastrointestinais; 4- Escolha fontes saudáveis de proteínas – as melhores são as do peixe, do frango e dos ovos. O autor também destaca a proteína vegetal (a das nozes e a do feijão, por exemplo), que, aliás, ocupa o terceiro andar da pirâmide – boa opção para quem segue uma dieta vegetariana. A carne vermelha fica lá no topo, porque contém gorduras saturadas e compostos de gorduras potencialmente causadoras do câncer e de doenças crônicas; 5- Consuma mais frutas e vegetais – eles não apenas protegem contra todos os tipos de problemas oculares (catarata e degeneração macular são as causas mais comuns de perda de visão entre pessoas com mais de 65 anos). Parece cedo para pensar nisso? Engano. A prevenção tem de começar agora, enquanto você ainda é jovem. A única restrição é a batata, que deve ser consumida com moderação, pois interfere nos níveis sanguíneos de açúcar e insulina; 6- Modere o consumo de álcool – em pequenas doses (um drinque por dia é o recomendável, mas só tome se você gostar), pode reduzir em cerca de um terço os riscos de doenças cardíacas, não importa se é vinho ou outro tipo de bebida. Em grande quantidade, ao contrário, há perigo de ocorrer diversos tipos de câncer, elevar a pressão arterial, enfraquecer o coração e destruir o fígado; 7- Tome suplemento vitamínico diariamente – mesmo quem se alimenta direito acaba cometendo alguns pecados e deixando de ingerir nutrientes essenciais. As vitaminas, principalmente a B6, a B12, a D e Daniella Moreira de Souza o ácido fólico preenchem eventuais lacunas. Elas são ainda úteis para quem tem dificuldade de absorver os nutrientes dos alimentos. Se você é do tipo que foge do sol (um pouquinho por dia ajuda a fixação da vitamina D nos ossos), também pode tirar proveito do plus vitamínico”. (Revista A – Abril 2002). Na figura 2 pode ser avaliado as mudanças ocorridas na nova pirâmide com as recomendações da pirâmide tradicional. “Vem jantar menina! – ei, você que nunca janta direito. Essa mania de pular a refeição, cortar carboidratos, comer muito ou pouco, ao contrário, não conter a gula só vai adiar seu projeto de conquistar um corpão. Quer encontrar o meiotermo? Então, leia os conselhos de nutricionistas para quatro mulheres que também cometem seus pecadinhos alimentares à noite – o jantar deve ser mais leve, já nesse horário o organismo entra em repouso e precisa de menos combustível. O consumo de energia chega a ser 20% menor à noite. A polêmica fica por conta da ingestão de carboidratos (arroz, batata, massa ou mandioquinha) à noite. Alguns nutricionistas acreditam que cortá-los totalmente ajuda a emagrecer. São eles que fornecem energia de que o corpo necessita. Como não utilizamos este combustível durante o sono, ele acaba estocado sob a forma de gordura. Outros, porém, defendem que uma quantidade pequena de carboidratos à noite não impedem a perda de peso. O organismo continua trabalhando durante o sono, embora um pouco mais devagar. Por isso, uma porção reduzida de carboidrato no jantar não faz mal, desde que você não tenha exagerado nesses nutrientes durante o dia. ‘Há apresentação de 4 pessoas que cometem erros neste período noturno e os nutricionistas dão a sua opinião’”. (Revista A – Junho 2002). “Memória bem nutrida de manhã – pesquisadores americanos provaram que a memória fica mais afiada após um bom café da manhã. Vinte e dois voluntários podiam escolher entre quatro cardápios matinais, um à base de proteínas, outro rico em carboidratos, um terceiro cheio de gorduras e, finalmente, uma Daniella Moreira de Souza beberagem sem grandes valores nutricionais. Depois de saborear a refeição, eles partiam para testes de memória. As três primeiras opções melhoraram a performance dos participantes, em comparação com testes feitos anteriormente. Depois do jejum noturno, os níveis de glicose despencam. O café da manhã ideal combina uma fruta, uma porção de cereal rico em fibras, uma fatia de pão para completar a dose de carboidratos e uma porção de leite ou de iogurte ou, ainda, de queijo”. (Revista B – Fevereiro 2002). Com relação a este item, já foi discutido anteriomente as questões dobre alimentação equilibrada e saudável, porém é interessante observar alguns pontos comentados nestas matérias: Na Revista A de Fevereiro e na A de Abril, abordou-se o mesmo assunto, em edições diferentes e pirâmides diferentes. Diante desta situação a leitora que havia encontrado uma solução na edição de Fevereiro, deve ter ficado em dúvida em qual seguir, já que foi feito uma nova abordagem da Pirâmide no mês de Abril. O que deve ser levado em consideração é que nenhuma destas pirâmides são brasileiras ou demonstra a realidade da população brasileira. O nosso hábito geralmente é de consumir carne vermelha, arroz e feijão, claro que como nutricionista nosso papel é informar quais são as melhores práticas de alimentação, mas será muito difícil, deixar a carne no penúltimo degrau da proposta de Okinawa e no topo da pirâmide americana. Por isso, é que deve ser feita uma adaptação das necessidades interessantes ao brasileiro respeitando os hábitos e costumes. Hoje já se fala até em pirâmides regionais (em estudo na Universidade de Rio Grande do Norte), por tão diferentes hábitos encontrados no Brasil, sendo difícil obter-se uma pirâmide única. Em todas as propostas há inclusão dos cereais e grãos integrais no primeiro degrau, devendo ser ingeridos em maior quantidade, proporcionando o alcance da necessidade energética ser maior e pelo fato destes alimentos colaborarem no aporte de fibras, Daniella Moreira de Souza vitaminas e minerais. Há também referência aos alimentos funcionais, já que naquela população há uma comprovação de que apresenta benefícios como um todo e nos Estados Unidos, como fica toda essa questão de tantos estudos e a população ainda continuar a ser obesa ou com outros problemas de doenças crônicas não transmissíveis? O que importa é que muitos profissionais estão envolvidos em intensas pesquisas justamente com este objetivo, encontrar uma solução para tantos problemas que estão instalados em diversas populações tornando-se problemas de saúde pública. Há muito se sabe que uma alimentação com baixas calorias e rica em vegetais e a não ingestão de carboidratos refinados é capaz de emagrecer e manter o peso, como menciona a pirâmide de Okinawa e também a americana. Para a leitora a matéria gera dúvidas sobre quanto afinal ingerir para obter tantos benefícios, na de Okinawa ainda coloca-se o número de porções, sem mencionar as respectivas quantidades e a Americana, nem se quer coloca as porções, fazendo com que se realmente houver interesse, procure informações em outros meios ou entre em contato com a redação da revista. Ainda na concepção do autor acerca da proposta Americana, é enfatizado o consumo de suplementos vitamínicos diariamente, mesmo se a pessoa tiver uma alimentação balanceada. O que pode ser considerada um equívoco, pois dependendo da quantidade de micronutrientes destes compostos, o organismo não absorve, por não serem biodisponíveis ou também interações negativas impedindo a absorção, ou quantidades não equilibradas. Portanto, para uma dieta equilibrada não é necessário ingerir este suplemento, pois as frutas, legumes, verduras e demais alimentos da dieta já suprem estas necessidades e, para os indivíduos que não estiverem se alimentando corretamente, em primeiro lugar devem Daniella Moreira de Souza procurar fazer uma readaptação alimentar, sendo a suplementação um segundo ou até um terceiro plano, sendo que cada caso é um caso a ser analisado e identificado qual ou quais elementos devemos suplementar, e não simplesmente resumir o consumo a um complexo de componentes. É informado também que os carboidratos fornecem mais energia que as gorduras, depende muito de como está a alimentação do indivíduo, pois 1 grama de gordura fornece 9 calorias e 1 grama de carboidrato 4 calorias (SIZER & WHITNEY, 2003) portanto, se o indivíduo não controlar o consumo de gorduras, quem estará fornecendo mais calorias neste caso será a gordura. O que deve ser avaliado é a quantidade de cada nutriente no alimento que se esta ingerindo, para verificar qual está contribuindo com o maior aporte calórico. Entretanto, cabe aqui que mediante as discussões acerca das novas propostas de pirâmide, devem ser analisadas e adaptadas à realidade brasileira, pois com certeza essas tem mais conteúdo e embasamento científico que as atuais que são utilizadas. Sendo assim, os profissionais nutricionistas devem estar dispostos a quebrar paradigmas para fazer com que o estado nutricional atual da nossa população seja alterado e para melhor. Como uma alimentação saudável implica em fazer pelo menos 5 refeições, foi incluído neste item, as demais matérias, como a da Revista A de Junho, que informa sobre a importância de não pular refeições e cortar ou reduzir o carboidrato à noite. Sobre a questão de não pular refeições está correto, pois o organismo não funciona adequadamente, fazendo com que a pessoa coma mais na próxima refeição (sem perceber) e assim, aumente de peso. Existem várias pesquisas em andamento sobre comer ou não carboidratos à noite, mas até o momento não foi efetivada esta afirmação. Muitas pessoas por conta própria deixam de comer à noite e se sentem Daniella Moreira de Souza melhores, associando até mesmo a perda de peso, mas estudos e afirmações precisam ser concluídos. A revista B de Fevereiro comenta sobre a importância do café da manhã, que faz com que as pessoas que se alimentam neste período, tenham seu rendimento físico e mental fica melhor durante o dia. Cabe aqui o comentário que algumas pessoas fazem “café da manhã de uma rainha, almoço de uma princesa e jantar de mendigo”, justamente por ser a primeira refeição que deve ser quebrado o jejum de oito horas, onde gastou-se muita energia no estado de repouso e precisa ser compensado, e para enfrentar o gasto com as atividades durante o dia (CARMUEGA, 1994). Substituição de Alimentos / Escolha de Alimentos mais Saudáveis / Dicas de Nutrição “Hambúrguer-salada – escolha uma opção básica: pão, hambúrguer de carne, alface e tomate. O sanduíche oferece proteínas, carboidratos e fibras de maneira equilibrada. Tempere apenas com ketchup e mostarda e esqueça o queijo e a maionese. Eles deixam o lanche gorduroso demais. Para completar a refeição, peça um suco de laranja com acerola – ótima fonte de vitamina C, o que ajuda na absorção do ferro pelo organismo. Apesar de mais calórico, é muito mais nutritivo do que um refrigerante light”. (Revista A – Fevereiro 2002). Algumas observações seriam importantes neste lanche, poderia enriquecer ainda mais, se fosse um pão integral, hambúrguer assado, quanto à presença da alface e do tomate está correto, mas falar que este sanduíche fornece fibras de maneira equilibrada é um tremendo erro, afinal a quantidade ideal de fibras durante o dia é de 25 a 30gramas (SIZER & WHITNEY, 2003), portanto, a alimentação deve ser baseada em cereais e Daniella Moreira de Souza grãos integrais e, não simplesmente um lanche. Quando se fala do suco é realmente correto afirmar que os sucos cítricos ajudam na absorção de ferro (COOK & REDDY, 2001). “Olho Vivo no Menu – na hora de escolher o prato no restaurante, fique esperta: os pedidos mais calóricos sempre têm no nome palavras do tipo cremoso, gratinado, crocante, milanesa e dorê, quer dizer, ou levam creme de leite ou são frituras. Já as iguarias mais inofensivas, vêm com informações do tipo assado, cozido no vapor ou grelhado”. (Revista A – Fevereiro 2002). Esta matéria dá dicas do que escolher nos restaurantes, diante dos nomes das preparações que são oferecidas. De acordo com GOMENSORO (1999), o termo gratinado significa que um alimento foi adicionado de creme (à base de farinha de trigo), manteiga e queijo ralado e levado ao forno até ficar tostado. Dorê – passar o alimento em farinha de trigo e ovos batidos e depois fritar em óleo. Milanesa – alimento passado em ovos batidos e, em seguida, passado em farinha de rosca, depois fritas em óleo. Cremoso pode significar alimento adicionado de cremes à base de farinha de trigo com queijos ou ainda creme de leite, já o termo crocante é o alimento que pode ou não ser passado em ovos batidos (dependendo do alimento) e passado em farinha de milho, farinha de rosca com queijo ralado, cereais moídos e logo em seguida, fritos em óleo. Portanto, na matéria é dada uma idéia geral das preparações, para quem lê rapidamente nem percebe o quão importante são estes termos na hora de escolhê-los em um restaurante. Já os demais usados, estão corretos, pois são mais saudáveis, por não terem em sua composição frituras e nem adição de óleos ou farinhas. Daniella Moreira de Souza “Tratamento VIP para todo mundo – em uma academia, os alunos tem à disposição sucos, frutas e biscoitinhos integrais, como forma de incentivar a alimentação saudável e natural”. (Revista A – fevereiro 2002). Muito interessante esta pequena inserção, é somente desta maneira que se consegue mudar hábitos saudáveis das pessoas, mostrando a elas como se deve comer e os horários adequados para ter uma alimentação saudável, ainda mais quando se trata de alunos que praticam atividade física. “Sorveteria por quilo – fique com sabores de fruta, com as versões light e diet ou com os sorvetes de iogurte, que são mais leves do que os cremosos, como pistache, doce de leite ou crocante. Dê um toque a mais com o biju. O biscoito mata a vontade de comer a casquinha. A calda de frutas só é permitida se for light – o açúcar da versão normal deixa a taça hipercalórica. Vale também calda light de morango, amora ou framboesa. Para não extrapolar, coloque 3 colheres de sopa”. (Revista A – Março 2002). Com certeza, sempre deve ser dado preferência por sorvetes á base de frutas, para diminuir a ingestão de calorias, porém, a dica de adicionar 3 colheres de calda de frutas light acaba sendo um pouco demais, mesmo que seja light, afinal ainda tem adição de açúcar. “Omelete com legumes e queijo branco – a salada de alface, rúcula, tomate, palmito e beterraba tem vitaminas, sais minerais e fibras para dar e vender. Os carboidratos ficam por conta do milho. Temperada com molho de mostarda, ganha sabor especial e quase nada de calorias. A omelete é uma boa fonte protéica. Para o recheio, escolha legumes, como brócolis (rico em bioflavonóides, que protegem contra o câncer de mama) e cenoura (ótima fonte de betacaroteno, que ajuda a combater os radicais livres, responsáveis pelos Daniella Moreira de Souza danos celulares capazes de provocar doenças e o envelhecimento). O queijo branco é pobre em gorduras e rico em cálcio. Resultado: ossos mais fortes. Para beber, um suco de acerola com adoçante garante um bom suprimento de vitamina C que ajuda na prevenção do câncer e das doenças coronarianas”. (Revista A - Abril 2002). Nesta dica, foi informado algo a mais, como as propriedades do brócolis com os bioflavonóides e a cenoura com o betacaroteno. De uma maneira rápida é fácil do leitor entender a ação destes dois alimentos. Falar que o queijo branco é pobre em gorduras também não faz sentido, pois dependendo do tipo e marca do queijo, pode ter muita gordura. Falta a informação de qual a quantidade é indicado para fazer uma porção de omelete. “Fome noturna – o sanduíche é um jeito prático e saudável para a refeição da noite. O ideal é prepará-lo com pão integral, queijo-de-minas e peito de peru”. (Revista A – Maio 2002). Nesta dica, está faltando apenas os alimentos reguladores como legumes e verduras crus, para fazer do lanche uma refeição mais completa, já que a pessoa que possui fome à noite pode querer “beliscar” outro tipo de alimento não saudável. “Restaurante por quilo – a carne de frango é ótima fonte de proteínas. Escolha duas coxas pequenas ou uma sobrecoxa. Deixe a pele de lado para diminuir as calorias e evitar o colesterol. Pegue uma colher grande e cheia daquelas de servir arroz, (se for integral, melhor, por causa das fibras). Ele é seu combustível para encarar a tarde no escritório. ‘em referência ao arroz’. Escolher um legume ou verdura quente enriquece a quantidade de fibras, vitaminas e minerais. Fique com 2 colheres de sopa de couve refogada, que Daniella Moreira de Souza garante o ferro. Uma colher de sopa cheia de farofa, completa a cota de carboidratos. Coloque no prato mais farinha e menos ovo e bacon, presentes em algumas receitas e gordurosos demais. Alface, tomate, rúcula e brócolis dão sensação de saciedade, regulam o intestino e diminuem a absorção da gordura, graças às fibras. Tempere com sal e limão”. (Revista A – Maio 2002). Esta matéria está adequada de acordo com a proposta da pirâmide brasileira. Bem equilibrado, fornece todos os nutrientes que uma refeição deve ter. Só não fala como deve ser preparada a coxa e a sobrecoxa, ou seja, assada, frita etc. “Saladinha pra lá de perigosa – está pensando que um prato de folhas verdes é sempre uma opção light? Depende do tempero. Caprichar no azeite, colocar tomate seco, salpicar bacon frito ou queijo parmesão e acrescentar maionese, são mancadas que transformam sua salada em uma bomba calórica. Cuidado também com o excesso de sal, que provoca retenção de água e faz o ponteiro da balança subir. O melhor é pingar gotas de limão ou preparar uma mistura de iogurte desnatado com mostarda. Quem não abre mão do azeite, deve usar no máximo, 1 colher de chá para um prato grande. O molho de soja é uma boa pedida”. (Revista A – Maio 2002). Com certeza o tempero precisa ser avaliado ao escolher, como a maionese, bacon e outros citados. Embora o tomate seco seja um pouco calórico, apresenta licopeno em sua composição, a pessoa não irá comer somente tomate seco, portanto, não se torna tão calórico assim nessa composição. O azeite aqui é colocado como se não fosse interessante no prato, e de acordo com as recomendações de alimentos funcionais, foi verificado que deve ser consumido até 2 colheres de chá diariamente para evitar as doenças cardiovasculares. Daniella Moreira de Souza “Faça o que eu faço – dez mil experts em nutrição se reuniram nos Estados Unidos para a convenção da Associação Dietética Americana. Na hora do lanche, veja só quais os itens mais consumidos – Coca Cola light: tem 99,9% de água em sua composição. Portanto, nenhum problema em tomar uma ou duas latas por dia. Sanduíche: com pão integral, peito de peru e folhas de alface, preenche nossas necessidades de carboidratos e proteínas. Frozen yogurt: gostoso e pouco calórico. Uma taça pequena (100g) de sorvete de iogurte com calda de chocolate diet tem apenas 180 cal”. (Revista A – Junho 2002). Nesta matéria colocou-se em destaque, os itens de maior importância a serem comentados. É interessante que muitos profissionais enfatizam a necessidade de mudanças de alimentação para mais saudáveis e continuam ingerindo alimentos não saudáveis, como aconteceu neste encontro. Como dizer que se ingerir coca-cola light não tem problema pois tem 99,9% de água em sua composição..... é um absurdo infelizmente ter estas colocações vindo de profissionais da área. Então quer dizer que está liberado? E o valor nutricional que este alimento apresenta? Nenhum nutriente essencial para o organismo. Não é porque as calorias foram diminuídas que será liberada a sua ingestão. E falar que este lanche preenche as necessidades de carboidratos e proteínas é errado também. Qual a quantidade dos itens deste lanche então? E quantos foram consumidos individualmente? Estas necessidades são do dia ou de uma refeição? Curioso esse nosso mundo de informações errôneas e distorcidas, que lidas por um público leigo, passam a serem seguidas e se prejudicam com tais referências. Daniella Moreira de Souza “Salgados de Lanchonete – uma unidade média de esfiha de carne tem 4 gramas de gordura contra 18 gramas de um croissant com queijo e 13 gramas de uma coxinha. A massa fornece carboidrato (que dá energia) e a carne dá uma boa quantidade de proteína (responsável por construir músculos). Para completar a refeição, peça um suco de frutas. O de abacaxi tem baixas calorias por causa da grande quantidade de água e ainda garante as vitaminas e as fibras de que o organismo precisa, diferente de um refrigerante ou um chá light”. (Revista A – Junho 2002). Foi muito bem feita esta inserção, está mostrando à leitora as opções de salgados interessante para escolher se estiver na rua, poderia ter enfatizado a importância de escolher salgados assados que fritos, embora o croissant seja assado, possui em sua elaboração muita gordura, fazendo com que seja mais calórico, ainda mais se tiver recheios. “Você belisca tudo isso por dia? – tem gente que passa o dia mastigando. De mordiscada em mordiscada chegam a ingerir 560 calorias sem perceber. A compulsão é uma armadilha para quem está de olho no peso. As dietas em média permitem 1,7 mil calorias por dia, aquele valor é um terço disso”. (Revista B – Março 2002). Ficou vago a informação do que seria ingerir 560 calorias de “mordiscada em mordiscada”. Para ficar mais claro às leitoras seria interessante colocar quais alimentos equivalem a esse valor, pois elas podem estar fazendo isso diariamente e ainda não perceberam. Daniella Moreira de Souza “Na hora de comer, preste atenção – as pessoas comem, em média, 15% a mais quando estão desatentas. É uma espécie de amnésia alimentar causada pela dispersão com bate-papos, programas de televisão ou trabalhos no computador. Quando não se concentra na comida, a gente não mastiga direito e por isso demora mais para sentir saciedade. Outra boa dica para não ultrapassar o limite é acender a luz. Uma pesquisa americana notou que quem se alimentava em um ambiente pouco iluminado não se controlava mesmo. O correto é sentar-se à mesa e comer com calma”. (Revista B – Abril 2002). Esta é uma ótima dica, pois os brasileiros estão com esse hábito de comer em frente à televisão, principalmente as crianças que além de passarem horas assistindo TV ainda consomem alimentos na sua frente, fazendo com que não percebam o que estão comendo. Em estudo de MATHESON (2004), foi verificado que as crianças que ingeriam alimentos em frente à TV aumentavam cerca de 16,6% de energia total diária o se consumo, ou porque consumiam mais alimentos ou porque as propagandas induziam as mesmas a comprar e a consumir. Portanto, nada de assistir televisão e comer. “Não tenho tempo para as refeições. Vocês poderiam me dar dicas de lanches rápidos e saudáveis? – se você não almoça direito, invista nas outras refeições, principalmente no café da manhã. Se a idéia é fazer um lanche no lugar do almoço, prefira os sanduíches aos salgadinhos, mas evite recheá-los com molhos à base de maionese ou de requeijão. E lembre-se: não é bom fazer esse tipo de substituição constantemente, até porque ficam faltando legumes e verduras no prato. Se não há outra saída de vez em quando, ao menos procure somar uma fonte de carboidratos com outra de proteínas e completar com uma fruta ou um copo de suco”. (Revista B – Maio 2002). Dá ainda dicas de 3 lanches que podem ser consumidos. Daniella Moreira de Souza Muita informação sem fornecer exemplos de todos os alimentos que podem fazer parte deste tipo de lanche, embora tenha sido informada uma dica de lanches equilibrados, é difícil alguém comer palitos de pepino enrolados num peito de peru. Além do mais, no questionamento da leitora, não foi explicado qual a refeição que ela não tem tempo de realizar e, a resposta foi dada como se ela não almoçasse. “Vasos vitaminados – o ácido fólico já era festejado por diminuir os riscos de malformações fetais. Agora sugerem evidências de que também protegem as artérias. Cientistas ficaram de olho nos hábitos de 9764 americanos. Coincidência ou não (e é provável que não), quem comia mais alimentos cheios dessa vitamina apresentava uma tendência menor a infartos e derrames. Sabese que o ácido fólico diminui a homocisteína no sangue, substância que, apesar de não ser gordura, é apontada como culpada por problemas arteriais. Mulheres devem consumir 150 microgramas de ácido fólico por dia. A necessidade diária dos homens é ainda maior: 200 microgramas. Onde encontrar o ácido fólico: fígado de boi (1 filé médio = 187mcg); espinafre cozido (1/2 xícara = 131 microgramas); feijões brancos (1/2 xícara = 122 microgramas); brócolis (1 xícara = 78 microgramas)”. (Revista B – Junho 2002). Esta informação está correta, alimentos ricos em ácido fólico contribuem na diminuição de homocisteína, responsável por causar infartos (WALD et al., 2001). Mas de acordo com a novas recomendações (DRIs) de 1998, as recomendações de ácido fólico para homens e mulheres de 19 a 50 anos de idade é de 320 microgramas, estando assim, a recomendação errada. Os valores referentes aos alimentos, não correspondem com os obtidos a partir de cálculos pelo programa Virtual Nutri (1996). “É mais vantajoso para a saúde consumir produtos integrais? esses alimentos são mais naturais porque não passam pelo processo de refinamento. Daniella Moreira de Souza Conseqüentemente, conservam as fibras e as vitaminas em maior quantidade. Há várias vantagens em consumi-los: eles dão saciedade por mais tempo, auxiliam no trânsito intestinal e exigem mais energia do corpo para digeri-los. Eles são definitivamente mais benéficos, mas isso não significa que tenham menos calorias”. (Revista C – Março 2002). Sempre há referências destes alimentos por serem calóricos, mas não devem ser somente assim lembrados, pois apresentam vários minerais e vitaminas, como descritos nessa matéria. Isso faz com que a leitora não seja incentivada em consumir este tipo de alimento, pois o que ela está preocupada é com as calorias dos alimentos e não necessariamente com os demais valores nutricionais. “Tudo de mau – Creme de leite e queijos gordurosos, como parmesão e queijo prato: se consumidos em apenas duas refeições por semana, não oferecem riscos. Mais que isso é perigoso, porque eles são ricos em ácido mirístico, que ajuda a formar placas de gordura, responsável pela obstrução dos vasos. Frituras à milanesa: o alimento frito se torna mais calórico ainda porque a farinha absorve o óleo, contribuindo para o aumento do colesterol. Gordura animal: aquela gordurinha da picanha, que todos adoram, é riquíssima em colesterol. Uma bomba para a saúde. Refrigerantes tipo cola: possuem cafeína, que diminui a absorção do cálcio e do ferro. É prejudicial, principalmente na fase de crescimento ou depois dos 40, quando começa a preocupação com a osteoporose. Carne bovina: dificulta a digestão e tende a aumentar o abdome por causa das fermentações que provoca. Só é indicada para os casos de falta de energia. Leite: aumenta a produção de muco e gases. Substitua por iogurte, que não possuir nenhuma contra-indicação. Tudo de Bom: Frutas – fonte de potássio, magnésio, hidratantes, pigmentos antioxidantes, vitamina C e fibras, elas ajudam no controle da pressão arterial, diminuem inchaços e auxiliam no bom funcionamento do intestino. Saladas com hortaliças, azeite e Daniella Moreira de Souza limão – ricas em fibras, ajudam no trânsito intestinal e evitam câncer. As ervas têm pigmentos como betacaroteno e licopeno, reconhecidos pelas propriedades antioxidantes; o azeite ajuda a controlar o colesterol, é fonte de vitamina E e também facilita o funcionamento do intestino; e o limão ajuda na absorção do cálcio e do ferro , contido ns folhas verdes. Peixes – ricos em ômega 3, que ajuda a prevenir as doenças coronarianas. Os povos do Mediterrâneo, que se alimentam basicamente de peixes, apresentam índices baixíssimos de hipertensão e de outras disfunções cardíacas. Soja – mesmo os leites de soja com açúcar e sabores são saudáveis. Evitam doenças cardíacas e vários tipos de câncer, como os de próstata, mama, útero e ovário. Cereais integrais – arroz, granola e farelo de aveia são ricos em vitaminas como as do complexo B, responsável pela energia, e em fibras, que diminuem o colesterol, protegem o coração e o intestino. Iogurte ligh e queijos magros – são ricos em cálcio e pouco calóricos (queijo-de-minas, requeijão light, cream cheese e ricota). Ovos – até quatro por semana não aumentam o colesterol”. (Revista C – Maio 2002). Quando se fala de creme de leite e queijo parmesão, tudo bem quanto á recomendação de duas vezes por semana, mas não se fala em quantidade a ser consumida. A indicação de carne bovina que só é indicada em casos de falta de energia, para a leitora é complicado pois afinal ela não tem uma definição se realmente é para comer ou não, quando comer e quanto comer. Quanto ao leite o responsável pela matéria não é muito a favor de seu consumo, é um outro ponto que deve ser avaliado, quem escreve a matéria, qual a filosofia da sua alimentação, como só o que ele escrevesse estivesse correto. Nas saladas com hortaliças, azeite e limão, fala-se que as ervas tem betacaroteno e licopeno, provavelmente foi referido os legumes e verduras e não ervas. As demais informações estão corretas. “Xô colesterol – quer diminuir o colesterol? A solução está em suas mãos, ou melhor no seu prato. Veja as dicas de um autor: aumente a ingestão de ácido Daniella Moreira de Souza graxo ômega 3 (presente nos peixes em geral); abuse de fibras, alho, pimenta malagueta e cogumelos shiitake; evite carboidratos refinados; beba chá verde; coma bastante frutas, legumes frescos e alimentos à base de soja; o consumo de gordura saturada não deve exceder 5% das calorias diárias”. (Revista C – Maio 2002). A recomendação de ingerir mais peixes, não informa qual a quantidade ideal e quantas vezes por semana. Para os demais alimentos comentados, não se explica o motivo pelo qual devem ser ingeridos e, ainda, que o consumo de gordura saturada não deve ultrapassar 5% das calorias diárias, a leitora não sabe fazer o cálculo para chegar a estes valores, ficando complicado desta informação ser seguida. “Tire os conservantes do organismo – para manter a cor de produtos como lingüiça, presunto, salsicha, bacon, carne seca e bacalhau, os fabricantes adicionam nitrito de sódio, que também inibe o crescimento de bactérias. No estômago se converte em nitrosaminas, potencialmente cancerígenas. A vitamina C retarda essa conversão e reduz os efeitos malignos da substância. Ela aconselha, portanto, consumir esses alimentos com vegetais crus ou sucos de acerola, caju ou laranja. Compostos de soja também atuam da mesma forma”. (Revista C – Maio 2002). Vale aqui a mesma observação já feita em algumas outras inserções. Qual a quantidade permitida destes alimentos e qual a dosagem de vitamina C que retarda este efeito, ficando muito vago a leitora que posição tomar para mudar algo na sua alimentação. “É verdade que os achocolatados neutralizam o cálcio do leite? O cacau é rico em oxalato, substância que costuma interferir na absorção do cálcio. Entretanto, a quantidade de cacau nos leites achocolatados (depois de prontos) não é tão Daniella Moreira de Souza grande para que isso ocorra. Porém, o mais saudável seria substituir o chocolate por leite batido com frutas”. (Revista D – Fevereiro 2002). O fator que interfere na absorção de cálcio é o tipo de fibra. Em geral, a absorção de cálcio é inversamente proporcional ao conteúdo de oxalato do alimento. Por isto, o oxalato, um componente natural da semente de cacau e outras plantas, não afeta a absorção de cálcio, quando o chocolate é misturado ao leite, pois a quantidade de oxalato do chocolate é de cerca de 0,5 a 0,6% do peso total (WEAVER et al., 1999; WOLF et al., 2000). Mas de qualquer modo a recomendação de preferir frutas é interessante, para estimular o consumo destas por todos. “Coma bem! O cardápio elaborado por uma nutricionista é um exemplo do que (e quanto) você deve comer para garantir o desenvolvimento do bebê. Exemplo: Café da manhã – 1 copo de leite + 6 biscoitos + 1 fruta. Lanche – ½ xícara de cereal integral + ½ copo de leite. Almoço – 1 prato (sobremesa) de vegetais crus, temperados com azeite, vinagre e sal + ½ xícara de vegetais refogados + 1 ½ xícara de arroz + 1 concha de feijão + 1 bife médio acebolado + 1 fruta. Lanche: 1 copo de suco de fruta + 1 pão francês + 1 fatia de mussarela + 1 fatia de presunto magro + 1 colher de sobremesa de margarina. Jantar – 1 prato de sobremesa de salada de vegetais crus + 1 ½ xícara de macarrão com molho de tomate + 1 xícara de ervilhas + 1 coxa e sobrecoxa de frango ensopado + 1 fruta. Lanche - ½ copo de leite + 1 fatia de pão de forma + 1 fatia de queijo branco”. (Revista D – Fevereiro 2002). Este exemplo de cardápio até está adequado, levando em consideração os aspectos de cor, variedade, harmonia sendo que desta forma o aporte de nutrientes esteja correto, só deveria ter mencionado o tipo de xícara (se chá) bem como o tipo de copo. Daniella Moreira de Souza “De olho na mesa – observe se estes alimentos estão faltando em seu cardápio: peixe – após avaliar 8729 gestantes, cientistas dinamarqueses notaram que o baixo consumo de peixe no início da gravidez pode aumentar o risco de parto prematuro, um estudo supõe que os ácidos graxos ômega 3, presentes sobretudo nos peixes de água fria, contribuam para o bebê nascer no tempo certo. Fígado, leite, carne, gema de ovo, banana, laranja, tomate – são as principais fontes de biotina, uma vitamina do complexo B essencial para prevenir malformações fetais, foi constatado que esta vitamina é deficiente na gravidez”. (Revista D – Junho 2002). A alimentação para gestantes é de extrema importância para prevenir deficiências nutricionais no bebê. Embora tenha sido colocado que a deficiência de biotina seja um problema na gestação, existem outras deficiências mais complicadas que ocorrem como ferro e ácido fólico, e é fácil obter a recomendação de biotina diariamente através destes alimentos mencionados (Nutrição em Pauta, 2000). Já com relação ao ômega 3, não foi informado quais os peixes que podem contribuir com esta substância. “Baião-de-dois – se você se alimenta bem, seu bebê nasce forte. Mas isso não significa comer mais e sim melhor, de forma saudável e equilibrada – a gravidez tira o apetite de algumas mulheres, torna outras vorazes e tem aquelas que continuam a se alimentar normalmente. Mas é necessário melhorar a qualidade da sua alimentação para atender às necessidades de desenvolvimento do bebê. O primeiro passo para ajustar o cardápio é conversar com o médico , pois qualquer alteração nutricional dependerá de uma avaliação geral de saúde. Se você já estava com excesso de peso ao engravidar ou se inclui entre as gestantes de risco, por ser hipertensa, por exemplo, o médico pode achar conveniente um controle alimentar. Sem regime: grávida não pode fazer regime de emagrecimento e muito menos por conta própria, pois pode deixar de ingerir Daniella Moreira de Souza nutrientes importantes para o bebê e pode acabar por prejudicá-lo. Para o bebê: o que é bom para o desenvolvimento do feto (primeiro trimestre), é a gestante comer alimentos ricos em proteínas, pois é à custa delas que a divisão celular acontece. Nesse período não pode faltar nas refeições ovos, carnes e laticínios. São fontes importantes de proteína e também de ferro, que previne a anemia. Se gostar de leite, a grávida deve tomar pelo menos três copos por dia ou dois potes de iogurte ou ainda cinco fatias de queijo. Outro nutriente essencial no primeiro trimestre é o ácido fólico, porque participa da formação neurológica do feto. Derivado da vitamina B, ele é encontrado em leguminosas como feijão, ervilha e grão de bico e em vegetais de folhas escuras como rúcula, espinafre e brócolis, senão gostar de nada disso é interessante procurar o médico para indicar um suplemento de vitaminas e minerais. No segundo trimestre, deve comer de tudo, até doces, desde que de forma moderada . Como o terceiro trimestre é mais a fase do bebê engordar, é comum, desconfortos como inchaço e prisão de ventre. Para aliviá-los, a dica é reduzir o sal e reforçar as fibras no cardápio. A nutricionista recomenda consumir pelo menos 20 gramas de fibra todo dia, o que corresponde a dois pratos de sobremesa de salada de folhas ou a cinco frutas. As fibras também estão presentes no arroz, no pão integral, no feijão e nos legumes. Melhor evitar: refrigerantes podem prejudicar a absorção de ferro e de cálcio pelo organismo. Nem mesmo a versão light é recomendável, por conter adoçante. Para a grávida que sofre de diabete, o consumo desse tipo de bebida deve ser controlado pelo médico. Quem for hipertensa também deve evitar comidas salgadas ou ricas em sódio, como enlatados e bebidas isotônicas. Nem light nem diet: esses alimentos não são recomendados para a grávida. Os light são menos calóricos quando comparados à versão tradicional por causa da redução de gordura em sua composição. Mas é justamente na gordura que é encontrada a vitamina D, responsável pela formação do cálcio para os ossos do bebê. A mulher que consome alimentos light corre o risco de ter deficiência desse nutriente. Os alimentos diet que têm o açúcar substituído por adoçante, são assunto Daniella Moreira de Souza polêmico. Testes feitos em adultos comprovam que em grande quantidade o adoçante pode ser tóxico. Mas não se sabe se poderia ser prejudicial ao bebê. Na dúvida é melhor não usar”. ( Revista E – Maio 2002). Na chamada desta matéria parece que vai ser abordada uma preparação de um prato típico nordestino, mas não é o que se percebe, pois é relatada a importância de uma boa alimentação nos três trimestres de uma gestação. Realmente as necessidades de macro e micronutrientes são aumentadas pela condição que a gestante se encontra, ter de manter o seu aporte e do bebê adequados. Dizer que para adequar o cardápio é necessário procurar um médico, não seria este o profissional mais indicado para fazer o cardápio e sim, o nutricionista, o que deve haver é uma interação médico-nutricionista, para saber quais as condições de saúde da gestante e poder adaptar a dieta para que não haja prejuízo algum. A gestante realmente não deve fazer nenhum tipo de regime, pois nesta fase precisa de muita energia para garantir o crescimento e desenvolvimento adequado do feto, regime deve ser pensado após o período de amamentação. Claro que isto não quer dizer que a gestante poderá comer em grandes quantidades, por isso é conveniente o equilíbrio alimentar e uma orientação adequada. As recomendações para o primeiro trimestre estão adequadas, já no 2° trimestre pode comer de tudo até doces, não é o ideal, tem que evitar ao máximo este último, pois quanto mais doce a mãe ingerir, mais o bebê se acostuma com este sabor, dando preferência por ele após o nascimento (CTENAS & VITOLO, 1999). Teria sido interessante, falar do consumo de doces, mas em forma de doces à base de frutas. Daniella Moreira de Souza Não existem estudos que comprovem que as grávidas não possam ingerir adoçantes ou alimentos light. Para uma gestante diabética, terá que consumir os produtos com adoçantes e para a que esteja com sobrepeso, seria interessante os alimentos lights (se já tivesse o hábito de ingerir). O que não pode acontecer é ultrapassar as recomendações diárias dos edulcorantes, pois se isso acontecer, pode haver algum problema, mas isto não só para a gestante ou para o bebê, para todos os indivíduos. Falar que é na gordura que está a vitamina D, está errado, a vitamina D é melhor absorvida em presença de gordura por ser lipossolúvel, as fontes desta vitamina D são: gema de ovo, ostra, carne bovina, sardinha, atum, manteiga e leite integral, tendo várias ações dentre elas, como garantir a boa formação óssea do bebê (DRI, 1997). “Qualidade de Vida – é o que você ganha com algumas trocas na hora de comer. A gente sabe que almoçar no fast food é prático e gostoso, mas pense bem: precisa ser todo dia a mesma coisa? Para animá-la, lembramos aqui o que os lanchinhos naturais podem fazer por sua saúde e (beleza) – Hambúrguer por peito de peru: troque a gordura saturada da carne de hambúrguer por uma dose de proteína magra do peito de peru. Aproveite e acrescente um fio de azeite no sanduíche. Você diminui o colesterol ruim e se previne de vários problemas do coração. Sundae por salada de frutas: o açúcar em excesso do sundae produz muita insulina (uma das causas do diabetes). Dá energia na hora, mas, pouco depois, gera cansaço. Com a salada de frutas, o organismo vai assimilando o açúcar aos poucos. E as fibras das frutas ajudam na digestão. Refrigerante por suco de acerola: enquanto o refrigerante é considerado fonte de energia vazia por não fornecer nenhum nutriente, o suco de acerola é rico em vitaminas A e C. Boa notícia: você fica mais resistente a doenças e aumenta sua cota de antioxidantes (substâncias Daniella Moreira de Souza que promovem a renovação celular, garantindo uma pele jovem e bonita)”. (Revista F – Fevereiro 2002). A referência de trocar a gordura do hambúrguer pela proteína magra do peito de peru, parece não ser uma justificativa interessante. Poderia ter exposto sobre a importância da gordura que o peito de peru possui que é bem menor que a do hambúrguer, como por exemplo, 56,5 mg e 30 mg de colesterol, respectivamente (Virtual Nutri, 1996). Trocar o sundae por salada de frutas é uma troca justa, menos calórica e ainda com fornecimento de vitaminas e minerais naturalmente presentes nas frutas. Dizer que a causa do diabetes é o aumento de insulina, isto está errado, o aumento de insulina causa hipoglicemia e o diabetes é causado pela diminuição da insulina produzida pelo pâncreas (MEDEIROS et al., 2003). “Mais é Menos – não basta fechar a boca. Mais importante do que cortar é prestar atenção no que se come, ensinam os especialistas. O truque saudável é incluir alimentos e hábitos que estimulam o metabolismo e, de quebra, ajudam a subtrair calorias – Fibras: pobres em calorias, as fibras criam a sensação de saciedade, tornando-se saborosas em uma dieta de emagrecimento. Mas o melhor é que esse alimento exige do organismo mais tempo e esforço para ser digerido, provocando um aumento automático do gasto metabólico. Isto quer dizer que o corpo precisa de mais energia para processar as fibras: segundo um estudo da American Dietetic Association, em média, 7 calorias para cada grama de fibra ingerida, provando que comer mais nem sempre significa comer a mais. Além disso, as fibras normalizam o trânsito intestinal, evitam a prisão de ventre e têm sido associadas à diminuição dos níveis de colesterol (teor de gordura) no sangue. Para incluir no cardápio: farelo de trigo, aveia, pães e biscoitos integrais, leguminosas (como feijão, ervilha, lentilha, soja e grão de bico), frutas frescas (principalmente as cítricas, como laranja – de preferência, com bagaço – pêra, pêssego, goiaba e maçã), semente de gergelim, saladas Daniella Moreira de Souza cruas, vegetais cozidos e algas. Cereais: depois de oito horas de sono, o ideal para despertar o organismo é tomar um café da manhã à base de cereais. Essa é a receita para que o metabolismo funcione a todo vapor. Estudos recentes mostram que as pessoas que sempre comem cereais ao acordar em geral pesam menos do que as não ingerem esse alimento no café da manhã. Ricos em fibras e com baixos teores de gordura e colesterol, cereais regularizam o fluxo intestinal e ajudam a controlar o apetite porque satisfazem, fazendo volume no estômago. Para incluir no cardápio: barras de cereais, granola, flocos de arroz, de aveia ou de milho (com iogurte, leite desnatado ou frutas, por exemplo), arroz parboilizado, integral ou selvagem, trigo, cuscuz marroquino. Refeições por dia: está mais que provado: emagrece melhor e mais rapidamente quem faz pequenas refeições varias vezes por dia. Quem se alimenta só nos três horários convencionais tende a consumir mais, a cada vez. Além disso, comer em intervalos menores é um expediente que mantém o metabolismo em constante funcionamento, o que acelera a perda de peso. Para montar o cardápio: distribua a ingestão calórica total ao longo do dia, levando em conta que o café da manhã e o jantar correspondem a 50% das calorias ingeridas, o almoço fica com 35% do total e os dois lanches intermediários dividem o saldo restante. Em uma dieta baseada em 2 mil calorias/dia, cada lanche pode somar até 150 calorias, como um sanduíche de pão preto com peru. Alimentos de baixa densidade energética: abusar de alimentos que permitem o consumo de grandes volumes a um baixíssimo custo calórico é uma das chaves para controlar o peso. Os especialistas recomendam que esse grupo seja incluído em todas as refeições: frutas no café da manhã e nos lanches, verduras e legumes crus ou cozidos no almoço e no jantar. Isso garante o fornecimento adequado de vitaminas, minerais e de boa quantidade de fibras, além de ocupar o espaço de outras opções, mais calóricas. Como regra geral, vale guardar na memória que os alimentos densos normalmente fornecem uma grande quantidade de calorias em um volume ou peso menor. Basta pensar que 100g de chocolate ao leite contem 568 calorias contra 12,5 Daniella Moreira de Souza calorias contidas em 100g de alface. Outro segredo: os alimentos densos possuem teores de gordura. A explicação é que esse nutriente sempre fornece mais calorias do que os outros: 1g de gordura equivale a 9 calorias, a mesma quantidade de carboidrato ou proteína contém apenas 4 calorias. Para incluir no cardápio: frutas pouco calóricas, como pêra e melancia, folhas, legumes, gelatina, chás e limonada, grãos e produtos industrializados com baixos teores de gordura (de azeites a margarinas, cereais matinais a requeijões, frios como blanquet de peru). Água: quem lembra de beber água quando sente sede está maltratando o próprio corpo. A sede é um sintoma de que o organismo já está desidratado: nessas condições, o corpo passa a funcionar como um carro com o freio de mão puxado, isto é, o metabolismo fica mais lento e queima menos calorias. Combustível indispensável, a água mantém a hidratação da pele, estimula o funcionamento dos rins (e a conseqüente eliminação de toxinas) e pode ser consumida à vontade, não tem calorias. Os especialistas concordam que 2 litros ou o equivalente a oito copos é mais que suficiente. Menos, pode fazer falta e mais é desnecessário. Para incluir no cardápio: água pura sempre é melhor. Refrigerantes, sucos e refrescos diet são muito concentrados, o que faz com que a absorção do líquido seja mais lenta. Bebidas isotônicos são indicadas para repor as perdas de nutrientes, principalmente depois da prática de esportes”. (Revista G – Março 2002). Todos os grãos e cereais integrais colaboram no processo de emagrecimento, devido presença de fibras solúveis e insolúveis, que possuem a capacidade de melhorar o trânsito intestinal, colaboram na liberação de glicose devido sua digestão ser mais demorada e provoca a sensação de saciedade pela sua capacidade de absorção de água no estômago (BANERIEE et al., 2004), fez um estudo relacionando a ingestão de cereais integrais e perda de peso e observou que para cada 40g/dia no aumento do consumo de grãos integrais, o peso foi reduzido em 0.49 kg. O farelo que foi adicionado à dieta ou obtido de grãos fortificados também Daniella Moreira de Souza reduziu o risco de aumento de peso, e, para cada 20g/dia consumidos, o peso foi reduzido em 0.36 kg – perda de peso semanal. Já nos indivíduos com consumo de alimentos refinados não foram observados o ganho ou a perda de peso. ALIMENTAÇÃO INFANTIL “Controle o colesterol mirim – ter altas taxas de gordura no sangue não é exclusividade de gente grande. Uma pesquisa realizada no interior paulista, avaliou 1,6 mil crianças entre 7 e 14 anos e chegou a um índice assustador: 35% delas tinham colesterol alterado. Ao avaliar a alimentação dos pequenos, os cientistas absolveram o ovo. O problema é causado principalmente pela falta de fibras na dieta. Em vez de proibir o ovo, os pais deveriam dar aos filhos no mínimo duas porções diárias de feijão”. (Revista B – Fevereiro 2002). A recomendação de absolver o ovo da alimentação das crianças não pode ser tão severa, já que foi comprovado que o ovo possui gorduras monoinsaturadas em sua composição não sendo tão vilão como era considerado (GINSBERG, 1994; SCHNOHR, 1994; McCOMBS, 1994). O que precisa ser feito é melhorar os hábitos alimentares das crianças conforme a proposta de alimentação equilibrada da pirâmide de alimentos, não sendo somente o feijão como fonte de fibras, mas todas as verduras, legumes e frutas. Diversos estudos tem sido feitos para avaliar os níveis de colesterol sérico e a ingestão de ovos como o de SCHNOHR et al. (1994), onde examinaram os efeitos do consumo de 2 ovos cozidos por dia, verificando-se que depois de 6 semanas de estudo, os níveis de HDLcolesterol aumentaram em 10% e o de colesterol total aumentou apenas 4%, sendo que a razão colesterol/HDL não mudou significativamente. Daniella Moreira de Souza “Exigentes à mesa – cerca de 35% das crianças têm uma lista de alimentos preferidos. E, para desespero dos adultos, se recusam a comer qualquer outra coisa – A cada refeição uma batalha: o problema apelidado de anorexia seletiva pelos especialistas, aparece lá pelos 2 anos de idade. A criança percebe a ansiedade da família e descobre na alimentação uma forma de manipular todos. Uma pesquisa americana, revela que 80% dos pequenos seletivos aprenderam esse comportamento dentro de casa. São os próprios pais que, com medo de o filhote comer menos do que consideram suficiente, liberam o menu. Daí, permitem que os filhos comam o que querem e na hora que bem entendem. Saciam a fome com salgadinhos, chocolate e copos de leite entre as refeições. E, na hora de encarar a mesa, não têm disposição para conhecer novos sabores e novas texturas. Acabam preferindo as fontes de carboidratos de sempre – batata, pão e macarrão -, de gosto menos marcante e fáceis de mastigar. Há faixas etárias em que a criança naturalmente come menos. Mudanças de apetite são comuns perto dos 2 anos de idade e na fase escolar. Mas fique de olho na saúde da criança: aftas, dentes cariados e dificuldade de digestão também podem levá-la a recusar alimentos. Um nutrólogo coloca que se a criança não quiser nada, deixe-a em jejum – sem dó nem piedade – até a próxima refeição. É preciso ter fome para entender a importância da alimentação. Controle os petiscos – impedir que o pequeno encha a barriga de doces ajuda a despertar seu interesse por carnes, saladas e frutas. Aos poucos ele se habitua aos novos sabores. Mas isso não é tudo. Os pratos devem ser coloridos, pois, além de oferecer diversidade de nutrientes – e com isso boas doses de proteínas, vitaminas e minerais – atraem a garotada. E mais: nada de levar o jantar para a criança durante a brincadeira ou enquanto ela assiste à TV. Um outro estudo mostrou que as crianças que viam os pais comendo frutas e verduras aceitavam mais esses alimentos que as outras. Mas lembre-se de que o paladar varia de pessoa para pessoa e os pequenos têm direito de não gostar de certas receitas. Não caia na tentação de medicar seu filho com estimulantes de apetite, mesmo que a fome aumente, a criança seletiva continuará exigindo Daniella Moreira de Souza sua comida preferida; esses remédios destinam-se apenas às crianças que estão com deficiência de desenvolvimento e raramente são receitados pelos pediatras’”. (Revista B – Fevereiro 2002). “Preguiça de comer – hábitos inadequados podem transformar a hora de comer numa verdadeira batalha. Essa é a melhor fase para cortar o mal pela raiz (1 a 3 anos) – A criança não quer perder tempo comendo para poder brincar, além do mais, dá a maior preguiça mastigar o bife. E pra que, se comer um danoninho é muito mais fácil e gostoso? A preguiça começa a despontar desde as primeiras papinhas. No início, como ela não aceitava sopinha com textura consistente, sua mãe, na maior boa vontade, batia tudo no liquidificador até ficar bem fluida, muito mais fácil de engolir. O resultado dessa facilidade inicial se traduz hoje na preguiça de mastigar alimentos mais consistentes. Hora do almoço – a preguiça surge também em conseqüência de outros costumes errados, como a falta de horários regulares para as refeições e substituições equivocadas, como oferecer um pacote de bolachas mais tarde, porque a criança não estava a fim de comer no almoço. Para explicar essa atitude, usase uma justificativa do tipo: Melhor ele comer biscoitos do que ficar com o estômago vazio, coitadinho! Raspando o prato – deve-se reformular os hábitos alimentares, antes que o mal cresça e ele se torne um adolescente que só come tranqueiras: sirva as refeições sempre no mesmo horário; nos primeiros dias, se ele não quiser comer, não force. Mas também não dê nada mais até a hora do lanche. A estratégia pode parecer dura, mas não desista nas primeiras tentativas; procure não fazer trocas que estimulem a preguiça. Um iogurte com frutas, por exemplo, cai bem no lanche, mas não no almoço; sirva porções pequenas, se ele já é preguiçoso, imagine o desânimo quando encarar um prato cheio de comida. Ambientes barulhentos e muito agitados estimulam a dispersão, além de deixar seu filho louco para sair da mesa e ir brincar”. (Revista D – Fevereiro 2002). Daniella Moreira de Souza Estas duas matérias retratam os hábitos de muitas crianças e de muitos lares, as gratificações em forma de alimento que as crianças recebem na primeira infância, em busca de relaxamento das tensões fica arraigado nas crianças. A relação de sabores oferecidos nos primeiros anos de vida, ficam registrados fazendo com que queiram somente alimentos que lhes recorde sobre determinados sabores (CTENAS & VITOLO, 1999), não sendo necessário, portanto, oferecer açúcar às crianças . Estas considerações feitas na matéria, fazem com que a criança tenha uma predisposição para engordar por querer somente alimentos fáceis de mastigar e engolir. Atitudes como atraso na introdução de alimentos em pedaços, para estimular a mastigação, alimentação prolongada com mamadeira, dificuldade em preparar refeições e lanches saudáveis, uso do alimento como recompensa ou consolo, tolerância a certos modismos alimentares, como por exemplo, brindes em alimentos, estimular a preferência por doces e frituras, fazem com que as crianças se tornem adultos com sérios problemas de saúde (BEAUCHAMP & MENELLA, 1994; POSKITT, 1994). “Atenção à balança – admitir que o filho está com sobrepeso, não é tarefa fácil para os pais. Uma pesquisa americana, com mães de crianças obesas revelou que apenas 21% delas notavam o excesso de peso dos filhos – um dado alarmante, já que em muitos países a obesidade atinge cerca de uma em cada quatro crianças. É comum a idéia de que os cheinhos são mais saudáveis. O melhor é deixar que o pediatra faça uma avaliação. Se houver problema, a família deve se mobilizar para ajudar. É sugerido à criança caminhadas diárias e, aos pais, uma lição de casa: programar as compras de alimentos, o cardápio da semana e, inclusive o lazer dos fast-foods”. (Revista C – Abril 2002). Daniella Moreira de Souza Este tema é muito discutido ultimamente, por realmente as crianças estarem apresentando sobrepeso e até obesidade. Para que isso seja modificado, os hábitos alimentares são fatores essenciais que precisam ser melhorados, mas com a ajuda dos pais, necessitando que estes também mudem os hábitos para que todos aproveitem dos benefícios de uma alimentação saudável. O diagnóstico da obesidade ou sobrepeso nas crianças é muito importante, pois o filho para os pais é um filho normal como as demais crianças e é muito amado independente de seu peso. Geralmente, visualmente já é possível verificar que a criança está com alguns quilos acima do peso, mas existem cálculos como o IMC (índice de massa corporal que nos dá uma estimativa da relação da adiposidade por meio do peso para a altura do indivíduo (NAVARRO & MARCHINI, 2000), para efetivar o diagnóstico. Afirma-se que uma criança está acima do peso quando o peso real for 120% maior que o peso ideal pra a altura e sexo, segundo a fórmula; peso real/peso ideal X 100 usa os cálculos de Waterlow. Porém, deve ficar claro que estes pequenos pacientes não são responsáveis pelos alimentos que existem em casa, como são preparados nem pelo estilo de vida que a família adota, portanto, todos devem estar bem envolvidos e dispostos a mudar seus hábitos de vida (VIUNISKI, 2000). “Papinhas vitaminadas – durante os dois primeiros anos de vida, a criança precisa de nutrientes adequados ao seu desenvolvimento. No início, os alimentos devem ser introduzidos um de cada vez: os primeiros, passados em peneira; depois amassados com garfo e finalmente oferecidos em pedaços. A papinha caseira é uma maneira saudável de iniciar essa nova alimentação. Basta conter os grupos de alimentos corretos, como carboidratos, gorduras, proteínas, frutas e vegetais. Eles garantem o aporte essencial de vitaminas, além de uma nutrição sadia e saborosa. As frutas devem ser as primeiras a ser introduzidas e, assim, que a criança se habituar a elas, é hora das papas Daniella Moreira de Souza salgadas. Se o bebê continuar a querer o peito, não há problema algum. O que não pode é depois do sexto mês, a criança ficar só com a amamentação, pois a partir dessa fase o leite materno não atende mais às necessidades energéticas de vitaminas e minerais. A papinha, além de nutritiva é prática, econômica e rápida de fazer. ‘na matéria há várias dicas de papinhas e todas com explicações de alguns ingredientes que foram indicados no rodapé, referente às propriedades nutricionais’. A importância das combinações: na papa do bebê deve ter pelo menos um alimento de cada grupo, para garantir o crescimento sadio. Uma papa de carne (construtor) + arroz (energético) + espinafre (regulador), por exemplo, contém os nutrientes dos três grupos. Veja: Grupo 1 (energéticos) – fornece energia para a revitalização das funções do organismo. Fontes: arroz, macarrão, batata, mandioca, cará, mandioquinha, aveia, farinha, fubá, pão. As gorduras também são fontes energéticas, porém são utilizadas na elaboração das refeições, como a manteiga, o azeite e o óleo de canola. E, nessa fase do desenvolvimento, a gordura é essencial. Grupo 2 (construtores) – são substâncias construtoras do organismo, responsáveis pela formação e pelo crescimento de órgãos e tecidos (pele, unhas, cabelos). Fontes: carne de boi, frango, peixes, miúdos, grão de bico, feijão, lentilha. Grupo 3 (reguladores) – regulam as funções de todo o corpo, protegendo o bebê de doenças. A maioria das vitaminas não é formada no organismo, por isso, temos que ingeri-las. Fontes: frutas, legumes e verduras, como escarola, espinafre, couve, alface, chuchu, abobrinha, cenoura, abóbora, beterraba e agrião”. (Revista D – Fevereiro 2002). Esta matéria está de acordo com a recomendação da pirâmide alimentar para crianças, devendo ter em cada refeição um alimento de cada grupo para ter um aporte adequado de nutrientes. Logo após o desmame, as crianças iniciam a sua alimentação com suco de frutas, papinha de frutas até chegar nas papinhas salgadas, sendo recomendações de consistência (CTENAS, 1998). Daniella Moreira de Souza exatamente estas as “Cálcio da hora – para as crianças ele é fundamental, pois ajuda na formação e manutenção de ossos e dentes sadios. A ingestão diária recomendada varia de acordo com a idade. Crianças de 1 a 3 anos devem ingerir 400mg de cálcio por dia. Entre 4 e 8 anos, são necessários 800 mg do mineral. Dos 9 até a fase adulta, o recomendado é 1300mg por dia. Para facilitar os cálculos: 50g (uma fatia grossa) de queijo ou 1 copo de leite contêm 650 mg do nutriente. Nos produtos industrializados, a informação vem na embalagem”. (Revista D – Março 2002). Quanto às recomendações colocadas nesta matéria, há algumas considerações a serem feitas. De acordo com as DRIs (1999), para crianças de 1 a 3 anos é necessário 500mg, de 4 a 8 anos está correta a recomendação, dos 9 aos 18 anos 1300mg, de 18 anos até 50 anos 1000 mg e a partir desta idade 1200mg. Sendo assim, para a criança de 1 a 3 anos, foi colocado uma quantidade menor e depois foi generalizado a quantidade dos 9 anos em diante, o que está errado. Além disso, as quantidades de alimentos que foram colocadas não informam a que quantidade corresponde estas porções. “Seu filho está comendo bem? – para garantir que ele está se alimentando numa boa, o segredo é fazê-lo experimentar comidas variadas. Até o primeiro ano de vida, para alegria de pais, mães e responsáveis a criança se alimenta bem e bastante. O apetite desacelera no segundo ano de vida, com o fim do primeiro estirão de crescimento. A partir daí, quando os pequenos pronunciam um sonoro não e já manejam os talheres sozinhos, as dificuldades à mesa podem começar. Dos 2 aos 6 anos de vida, muitas mães temem não estar oferecendo um cardápio tão nutritivo quanto pede a boa saúde de seus filhos. Os baixinhos saudáveis possuem um sistema auto-regulador que avisa ao organismo a hora e a quantidade necessária de comida. Para ativá-lo, basta saírem da cozinha 5 a 6 refeições diárias – o café da manhã, o lanche matinal, Daniella Moreira de Souza o almoço, o lanche da tarde, o jantar e até um lanchinho da noite – numa quantidade adequada. As crianças gastam muita energia, uma criança de 4 aos 6 anos precisa de 1800 calorias. A falta de horários regulares faz com que a criança ingira bolachas, sucos e biscoitos. No prato infantil não pode faltar: um representante do grupo dos carboidratos (arroz, macarrão, batata); um do grupo das proteínas, como as carnes (vermelhas e brancas) e as leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão de bico) – que também garantem boa oferta de ferro; as hortaliças e os legumes, com seu fabuloso aporte de vitaminas e de minerais. Novas pesquisas avisam: é preciso variar – uma pesquisa americana, esclarece que a formação dos hábitos alimentares ocorre cedo. Para alicerçá-los bem é fundamental expor cada alimento diferente de 8 a 10 vezes à criança antes de aceitar um não gosto disso. Sem disfarces – mascarar o alimento em sopas ou suflês ou enfiar as colheradas na boca da criança que assiste hipnotizada à televisão não são estratégias inteligentes. Uma pesquisa americana revela que as propagandas de televisão têm influência exagerada na pressão dos filhos para incorporar itens – em geral com excesso de sal, doce, gorduras ou calorias – na lista de compras domésticas. A preferência dos pequenos já pelo sabor doce e pela gordura desde cedo, por isso, para não cair no ciclo do só-come-oque-quer, estimule o gosto pelos outros sabores”. Dá ainda dicas de alimentos que geralmente são fritos para fazer assado e nada de oferecer recompensas (Revista D – Março 2002). “Na mesa como gente grande (de 1 a 3 anos) – nessa faixa etária, a criança já pode fazer refeições iguais às dos adultos e aprender a ter hábitos alimentares saudáveis – se seu filhinho tem mais de 1 ano e meio e adquiriu maior controle motor, já pode começar a comer sozinho. A partir de agora, poderá fazer as refeições com a família, um bom motivo para ser comemorado com um belo suco, até porque esse é um fato muito importante no processo de sociabilização da criança. É preciso saber transformar a hora das refeições em um momento feliz. Comida de avó – A criança pode comer de tudo o que os maiores e os Daniella Moreira de Souza adultos comem, apenas com algumas restrições. Talvez seja necessário fazer adaptações no cardápio da família, principalmente no que diz respeito à simplicidade dos pratos. Você já reparou como comida de avó faz sucesso? A razão é uma só. Criança não gosta de comida complicada. Entre uma carne moída com purê e uma bela lagosta ao termidor, ela com certeza fica com a primeira”. (Revista D – Março 2002). Estas duas inserções correspondem à importância da alimentação baseada na pirâmide alimentar e na oferta de alimentos à disposição da criança. As informações estão corretas, lembrando que para se ter uma alimentação equilibrada, deve ser observado a qualidade, quantidade, harmonia e adequação nutricional para que seja completa, ou seja, a quantidade deve ser a que ela esteja satisfeita e não a que a mãe julgue necessária a ela. Gostam de comer porções pequenas, por isso, o prato deve ser bem colorido para garantir a harmonia e a qualidade dos nutrientes, evitando sempre os alimentos calóricos e estimulando o consumo dos demais para assim, garantir uma adequação nutricional completa. É importante lembrar que a influência dos pais nesta fase da vida das crianças é decisiva para evitar as mais diversas doenças (IRALA & FERNANDEZ, 2001; SIZER & WHITNEY, 2003). “Comer, comer, comer... (5 a 7 anos) – a merenda deve ser leve e balanceada para garantir uma dieta saudável. Hoje e sempre! – é preciso ter um bom estoque de alimentos saudáveis como sucos e leite em caixinhas. Convoque seu filho para participar da preparação do próprio lanche. É uma maneira de aprender um pouco mais sobre os hábitos saudáveis de alimentação. Lógico que seu filho tem o direito de escolher o que quer levar. Porém, isso não quer dizer que você deve ceder a seus apelos de mandar todo santo dia refrigerantes e chocolates. Para ter uma hora do lanche tranqüila; não entupa a lancheira de comida. É preferível mandar porções pequenas de acordo com o Daniella Moreira de Souza tamanho da fome dele; use a criatividade, mas também não queira inovar demais. Entre um pão com manteiga ou torradas com patê de foie gras, na opinião de seu filho a primeira opção ganha de lavada; lembre-se de que o lanche deve ser saudável e nutritivo, mas também precisa seguir mais ou menos o cardápio comum entre as crianças. Seu filho pode adorar comer nabos e endívias em casa, mas é melhor evitar tiras do legume para o lanche na escola; evite salgadinhos, como coxinhas e outros alimentos perecíveis; cuidado com leite, queijos e iogurtes em dias muito quentes. Quando armazenados por muito tempo em temperaturas ambiente, podem causar transtornos intestinais; dê preferência aos alimentos que vêm embalagem tipo longa vida; de vez em quando, coloque um pacote pequeno de salgadinhos, aqueles de porções individuais; coloque na garrafinha térmica da lancheira leite longa vida integral bem gelado, batido com a fruta predileta dele; se mandar biscoitos, não exagere no pacote. Coloque embalagens individuais ou apenas quatro ou cinco biscoitos embrulhados em papel alumínio”. (Revista D – Março 2002). Estas dicas para a hora do lanche são fundamentais, mas os exemplos dados são muito diferentes. Existem várias campanhas sobre Alimentação Saudável em cantinas e lanchonetes de escolas, algumas até proibindo a venda de determinados alimentos, os mais calóricos, frituras, doces, salgadinhos etc. O processo de educação nutricional deve ter início quando criança ou para mudar hábitos errados ou para formar estes hábitos. As crianças a partir da idade escolar começam a ter autonomia para decidir o que comer e até o que levar para a escola como lanche, mas deve sempre ser incentivada a comer os alimentos mais saudáveis. A mídia tem um papel muito sério, estimulando o consumo de certos alimentos. Numa pesquisa realizada em 2000, durante a programação infantil na televisão, 65% eram de alimentos concentrados em açúcar e gorduras. Para as crianças que levam seu lanche para a escola, sendo Daniella Moreira de Souza este um momento social onde o prazer de lanchar está associado à competição e comparação, deve ser determinado pela escola os tipos de alimentos saudáveis que devem fazer parte desta refeição para não desestimular a criança com seus lanches saudáveis (IRALA & FERNANDEZ, 2001). “Saudável e versátil – se você ainda não apresentou seu filho à abóbora, comece já. Ela é rica em fibras, que ajudam o intestino a funcionar bem. Sua polpa possui alta quantidade de betacaroteno, essencial para manter a visão perfeita. Ela ainda é rica em vitaminas do complexo B, que colaboram para o desenvolvimento e crescimento dos tecidos. Experimente colocar pedaços do legume na sopa. Também vai muito bem em tortas e combina com massas”. (Revista D – Maio 2002). Este precioso alimento contém mesmo estas propriedades nutricionais e muitas outras. Tanto as abóboras de inverno (moranga) quanto as de verão (abobrinha courgette) possuem poucas calorias e carboidratos e são uma boa fonte de ferro, cálcio, magnésio, potássio além de vitaminas A, C e B (incluindo ácido fólico). As abóboras são extremamente versáteis e podem ser utilizadas em pratos doces ou salgados, podendo ser cozidas no vapor, fervidas, sauteadas, assadas ou ainda preparadas no microondas (GONZALEZ et al., 2001; MARTIN; 2002). “Matéria da chamada de capa: bolos saudáveis e gostosos – bolo de chocolate com confete; bolo mesclado; bolo xadrez e bolo prestígio”. (Revista D – Maio 2002). Esta matéria é do tipo que se espera uma coisa e há outra totalmente diferente, pois se esperava (pelo título), encontrar receitas de bolos Daniella Moreira de Souza diferentes e, no entanto, são os bolos tradicionais e calóricos que há em qualquer outro lugar. “Café da manhã – a primeira refeição do dia deve atender em média, a 20% das calorias de que seu filho precisa para o dia inteiro. Além do pão com manteiga e do leite achocolatado, você pode oferecer: salada de frutas e suco; iogurte de frutas com cereais; suco de frutas com bolo; leite batido com frutas ou achocolatado e pão com geléia; bisnaguinhas com requeijão; pão de queijo com goiabada; frutas picadas, como maçã, pêra ou mamão papaia”. (Revista D – Junho 2002). O consumo de café da manhã como já foi discutido em outro momento, é de fator primordial, pois melhora a qualidade total da dieta e a ingestão de nutrientes. É a refeição mais importante do dia, já que reconstitui a perda de energia que houve durante o sono. As crianças que omitem o café da manhã não são tão eficientes na solução de problemas em comparação com os companheiros que tomam o café da manhã (CARMUEGA, 1994). A variedade de alimentos sugerida está de acordo com os itens de um café da manhã. “Verduras e legumes atrativos – se seu filho ainda não é fã de legumes e verduras, ofereça-os bem picados, junto com outros alimentos. E use a criatividade. Um tomate-cereja pode virar um nariz de palhaço, por exemplo. Alface: corte em tirinhas bem finas e acrescente ao sanduíche; beterraba: ralada ou picadinha no molho de macarrão; Cenoura: cozinhe no feijão ou faça esculturas com o vegetal; Ervilha: na omelete ou junto com salsicha ao molho; Espinafre: no bolinho; Tomate: em rodelas ou por cima da mussarela da pizza; Vagem e brócolis: picadinhos servidos com ovos mexidos”. (Revista D – Junho 2002). Daniella Moreira de Souza Estas técnicas podem ser feitas sem uma rotina, pois senão, a criança não aprende a comer, pensando somente em brincar com as esculturas feitas. Disfarçar os alimentos para que possam ser ingeridos também não é interessante, mas se a criança já está com hábitos alimentares arraigados e não aceita de maneira alguma os legumes e verduras, vale a tentativa de escondê-los para melhorar o aporte de micronutrientes, só deve ser evitado a fritura. Para substituir o espinafre como sugestão de bolinho poderia ter sido colocado uma torta. “Hora certa de comer cada alimento – diet, light, fritura, embutido, doce industrializado... nem tudo que o adulto consome pode ser dado à criança sem comprometer sua saúde. A não ser que você respeite a idade segura para cada tipo de alimento – Com a correria do dia-a-dia, acaba-se apelando aos enlatados, embutidos, frituras e refrigerantes. O problema é quando esse tipo de alimentação vira rotina, principalmente na vida da criança. Esses maus hábitos alimentares fazem com que ela passe a dar preferência aos carboidratos, como biscoito recheado, pizza e nuggets, porque são mais fáceis de mastigar e têm, por exemplo, gosto menos acentuado do que o espinafre. Não se deve cortar nada do cardápio do seu filho, apenas saber quando e quanto oferecer. Confira: Leite desnatado – durante o processo industrial, os derivados do leite têm a sua gordura reduzida a pelo menos 30% e, por isso, também podem ser denominados light. É o caso do requeijão, do iogurte e do queijo. Não há necessidade de a criança consumir alimentos desnatados. Ao contrário, ela precisa de gorduras e de vitaminas lipossolúveis (dissolvidas na gordura) A, D, E e K para se desenvolver e crescer de maneira saudável. O melhor é optar pelo alimento integral. Diet – é isento de algum ingrediente na formulação, sendo que o mais comum é retirar o açúcar e acrescentar adoçante artificial, como é feito em refrigerantes e doces. Não existe contra-indicação para crianças a partir de 2 anos de idade, mas o ideal é um ajuste na quantidade e na qualidade da alimentação diária para dispensar esse tipo de Daniella Moreira de Souza alimento. No caso de diabéticos ou de quem tem distúrbios no metabolismo glicídico, é preciso até excluir os açúcares e inserir os adoçantes. Light – esses produtos têm redução de pelo menos 25% de seu ingrediente principal. No caso de maionese e da margarina, há diminuição da gordura. Para saber o que foi alterado na formulação, procure sempre ler o rótulo do produto. A criança pode consumir esse tipo de alimento, sem problemas, depois que completar 1 ano de idade, momento em que já está comendo o mesmo que os pais. Quanto à quantidade é livre de acordo com a necessidade. Doce industrializado – pó para preparo de pudim e flan, concentrados como marrom-glacê e marmelada; frutas em calda e doces de bar, entre eles a paçoca e o pé-de-moleque, geralmente são oferecidos às crianças a partir dos 3 anos para que ela não se acostume ao excesso do sabor doce, que pode prejudicar a aceitação do salgado. Conhecidos como calorias vazias – por não conter nutrientes – é melhor deixá-los apenas para ocasiões especiais, como festas, passeios e viagens. Sorvetes e outros produtos à base de leite devem ficar distantes das principais refeições, especialmente das que contêm carne. Isso porque o cálcio do leite inibe a absorção do ferro da carne pelo organismo. Enlatados – ervilhas, milho ou qualquer outro produto vendido em lata só podem ser consumidos a partir dos 2 anos. Antes dessa idade, o organismo é muit frágil e propenso a infecções, má digestão e alergias desencadeadas por conservantes e corantes. O industrializado sempre perde em qualidade nutricional para os alimentos frescos. Pode-se oferecer uma xícara apenas. Peixe – a partir dos 8 meses já pode acrescentar o peixe na papa do bebê uma vez por semana. Antes dessa idade, é melhor evitar, porque a capacidade digestiva do pequenino é limitada. Frutos do mar - moluscos e crustáceos, como mexilhões, ostras, mariscos, caranguejos, lagostas, camarões, lula, polvo, caramujos e vôngole, devem ser dados à criança somente depois que ela completar 1 ano. É que o desenvolvimento do sistema de defesa só acontece a partir dessa fase e o risco de ocorrer alergia a esses produtos é maior nos primeiros meses. Refrigerantes – ingredientes como gás, cafeína e açúcar que Daniella Moreira de Souza fazem parte das bebidas gaseificadas, podem causar cólica, agitação, prisão de ventre e cáries. Além disso, podem impedir a absorção de cálcio (importante para a formação dos ossos e dos dentes) e de ferro (sua falta pode causar anemia). O razoável é esperar até os 2 anos, no mínimo, se seu filho fizer questão. Caso contrário, não dê, porque ele não vai perder nada. Suco artificial – durante o processamento de industrialização, é inevitável a perda de vitaminas e, em não raros casos, há o acréscimo de conservantes. Por isso, é sempre melhor priorizar o suco natural, que é bastante nutritivo. Pode ser dado até 2 copos por semana a partir dos 2 anos. Também evite a polpa, perde as fibras durante a prensagem. Iogurte com lactobacilos vivos – os derivados do leite, enriquecidos por esses bichinhos, permitem que eles cheguem vivos à flora intestinal e auxiliem na absorção dos nutrientes ingeridos por meio da alimentação. Além disso, pesquisas indicam que os lactobacilos equilibram o funcionamento intestinal, melhoram a digestão, fortalecem a imunidade e impedem a multiplicação de bactérias nocivas. O produto pode ser dado quinzenalmente a partir dos 2 anos e meio. Frituras – alimentos preparados em gordura de imersão não acrescentam valor nutricional ao prato, com exceção das calorias, que podem aumentar em até 50 %. Portanto, adie ao máximo no cardápio infantil os alimentos preparados dessa forma, especialmente antes dos 3 anos. Embutidos – esses alimentos têm origem animal, como o presunto e a mussarela. Quanto mais tarde iniciar o consumo, melhor, pois ao ricos em gordura e sal, que em excesso podem causar diarréia e até desidratação. Além disso, contém conservantes que são tóxicos ao organismo do baixinho. Mas a partir dos 2 anos a criança pode consumir duas fatias de embutido por semana”. (Revista D – Junho 2002). Daniella Moreira de Souza Com certeza a ingestão de alimentos industrializados devem ser o quanto mais tarde melhor. Mas com a correria do dia-a-dia, acaba se consumindo por exemplo, algum alimento enlatado por exemplo, o que se deve ficar atento é com a quantidade de alimentos industrializados que está sendo comprada, pois, se comprou a família toda irá consumir. Quanto aos produtos diet e light, caso a criança seja diabética, terá que fazer uso deste tipo de produto. Crianças até os dois anos de idade não devem ter muito contato com o açúcar para evitar a predileção por este tipo de alimento. A partir desta idade é permitido o uso de adoçantes de acordo com o tipo de edulcorante a ser utilizado por kg de peso. Existe hoje no mercado até mesmo alimentos com diets, caracterizados para crianças. Já os lights, não há necessidade de se ingerir, pois estes alimentos são reduzidos em 25% das calorias, é melhor neste caso ter uma alimentação bem variada (SIZER & WHITNEY, 2003). “Minerais neles! – confira quais são os minerais mais importantes na alimentação do seu filho, as fontes e a quantidade diária recomendada – (anexo III) – há um quadro com alguns nutrientes como o cálcio, fósforo, magnésio, ferro, iodo, selênio e zinco, com a designação das funções, fontes e porções diárias”. (Revista E - Junho 2002). Este quadro é um panorama geral dos principais minerais que as crianças necessitam, onde a leitora tem noção onde encontrar os minerais e quais as quantidades de alimentos que supre as necessidades destes minerais. “Ele só quer macarrão – (anexo IV) – uma estória com o Dudu da turma da Mônica que não gosta de comer certos alimentos”. (Revista E – Junho 2002). Como pode ser observado no anexo, a matéria retrata a estória de um personagem, o Dudu que não aceita comer outro alimento que não seja Daniella Moreira de Souza macarrão. E isto acontece na maioria das vezes, onde a criança não foi estimulada desde os primeiros anos de vida a ter uma variedade na alimentação e o estímulo à mastigação, fazendo com que a criança só aceite alimentos fáceis de mastigar. Alimentos “Carne demais, perigo à vista – uma pesquisa americana, concluiu que exagerar na carne vermelha aumenta o risco de câncer no esôfago e no estômago. O problema é o alto teor de gordura saturada. Ela induz a formação de radicais livres. Apesar de fornecer boas doses de proteína, a carne vermelha deveria ser consumida três vezes por semana, no máximo”. (Revista B – Março 2002). Esta matéria ficou vaga, expôs muita coisa e não explicou nada. O risco de câncer de esôfago ou estômago não é necessariamente, devido à gordura saturada. A gordura saturada se consumida em excesso, provoca aumento de colesterol no organismo, gerando esta e outras doenças cardiovasculares. Não se fala em quantidades máximas das três vezes por semana e nem no melhor modo de preparo destas carnes. “Bom pra chuchu – quem diz que ele não tem gosto de nada nunca experimentou receitas como as das páginas a seguir – Cada chuchu é uma mina de cálcio, potássio, niacina, fibras, vitamina B2. Tem até um pouquinho da C. O chuchu é uma das dez hortaliças mais consumidas no país, que, aliás, é seu maior produtor mundial. Mas economize água na panela, procure tampá-la e, se possível, aproveite o caldo do cozimento. É que suas vitaminas e seus sais minerais se dissolvem no líquido”. (Revista B – Março 2002). Daniella Moreira de Souza O chuchu é um alimento muito rico nestes nutrientes e no Brasil há uma grande cultura. A recomendação de cozinhar com pouca água está correta, para que as propriedades nutricionais, as vitaminas hidrossolúveis não sejam perdidas. “Cuidado com os embutidos – salsicha, lingüiça, salame estão na berlinda. Um estudo da Associação Americana de Diabetes revela que esse tipo de alimento tende a detonar a doença. Depois de avaliar mais de 42 mil homens, concluíram que o consumo de carne processada aumenta em até 50% esse risco. Um nutrólogo explica que exagerar em itens gordurosos pode provocar aumento de peso e isso leva a alterações nos níveis de insulina”. (Revista B – Abril 2002). A ingestão destes alimentos é preocupante uma vez que na sua composição utiliza-se nitrito de sódio, um aditivo que tem a capacidade de ser cancerígeno, se ingerido com muita freqüência pela formação de nitrosaminas no organismo (HOUAISS et al., 2001; World Cancer Research Fund, 1997). Para quem tem o diabetes é preciso escolher alimentos mais saudáveis e com certeza estes alimentos apresentam grandes quantidades de gordura, o que deixa o alimento mais calórico, fazendo a pessoa aumentar de peso. “No país do feijão – o brasileiro das grandes cidades está comendo cada vez menos essa leguminosa. E só tem a perder com isso – O Brasil é maior produtor mundial de seus grãos. Em 20 anos, o consumo de feijão caiu 36% nessas cidades. A urbanização desenfreada que se acentuou no país a partir dos anos 1970 é apontada como a principal causa do brasileiro estar renegando o feijão. Nas metrópoles as pessoas comem em média 16 quilos de feijão por ano e no campo 32 quilos. ‘O que há é uma mudança no hábito alimentar. As pessoas trocam a comida caseira pelo sabor dos fast foods’ (comentário de Daniella Moreira de Souza uma nutricionista). Há quem recuse o feijão, dizendo que ele engorda e que, ainda por cima, incha a barriga porque provoca gases. E ao contrário, quem sempre come feijão, sofre menos de flatulência. Ele é a nossa principal fonte de fibras e de proteína vegetal, sem falar de ferro. No Nordeste, onde é mais comido, há menos casos de anemia do que no Sul e no Sudeste do país. E é bom que as crianças se habituem a comer feijão desde pequenas. A faixa etária de maior risco de anemia é dos 2 aos 5 anos. As grávidas também devem caprichar nas conchas de feijão que despejam sobre o arroz. Ele contém ácido fólico, que evita malformações no bebê. É claro que há outras maneiras de saboreá-lo, mas o que pouca gente sabe é o segredo dessa velha dupla de sucesso: junto do arroz, a leguminosa forma uma combinação inigualável de aminoácidos essenciais, raramente encontrada em qualquer outro alimento”. (Revista B – Junho 2002). O hábito do brasileiro é comer o feijão com o arroz, mas esse hábito realmente vem sendo mudado, provavelmente pela participação da mídia, induzindo a mudança de hábitos alimentares. No estudo de MONDINI & MONTEIRO (1994), foi detectado que na região nordeste e sudeste o consumo de feijão está sendo reduzido, apesar de ainda serem os maiores consumidores deste alimento, já no estudo de MATTOS & MARTINS (2000), o feijão foi o único alimento com alto teor de fibras na dieta, sendo o almoço e o jantar as refeições que mais apresentaram fibras. Portanto, ainda pode ser considerado um alimento presente no prato dos brasileiros, mesmo estando sendo reduzido e com importante valor nutritivo. “O porco emagreceu! – ele passou os últimos 20 anos fazendo regime e o resultado é digno dos melhores spas: perdeu 30% de sua mal-afamada gordura. Hoje, muitas vezes chega a ser mais magro – quem diria? - que o frango – Estudos relacionaram a ingestão de gorduras saturadas (as de origem Daniella Moreira de Souza animal), com infartos.E, para os criadores, não havia saída a não ser afinar a silhueta dos porcos – ou seu consumo despencaria, o que de certa maneira até aconteceu. Por meio de cruzamentos e mudanças na dieta, a espessura do toucinho passou a ser de 1,5 centímetro, antes chegava a 6. O toucinho, claro, ainda é um dos cortes suínos mais gordurosos e ameaçadores à saúde. No entanto, outros, de tão magros, podem ser mais saudáveis que a carne branca das aves. No Brasil o consumo por habitante anual é de 11 quilos, enquanto que na Espanha é de 66 quilos. O Brasil produz suínos de ótima qualidade, além de ter diminuído o teor do famigerado tipo saturado, causador de encrencas nas artérias, o porco passou a carregar uma quantidade maior do tipo insaturado, aquele capaz de varrer o colesterol ruim. Isto graças às novas rações ingeridas pelos animais. Como toda carne vermelha, a suína fornece proteínas e é também rica em ferro. Para não deixar evaporar tantos nutrientes, cobrir o pedaço do lombo com fatias de tomate e cebola segura essas substâncias e o deixa mais úmido. Mas vale a pena enfatizar que não é por tudo isso que os exageros são bem-vindos. Bastam 2 filés finos em uma refeição”. Há ainda uma tabela de comparações: “O Frango não é tão magro: um filé grelhado e sem pele, pesando 100 gramas, contém 3 gramas de gordura, uma coxa grande tem 9 gramas; há 73 miligramas de colesterol no filé e 81 miligramas na coxa; E as calorias? 140 para o filé e 178 para a coxa; O Suíno não é tão gordo: em 100 gramas de lombo cozido ou duas fatias , há 6 gramas de gordura – um teor maior do que o filé de frango e menor que o da coxa; O colesterol – 69 miligramas nas duas fatias de lombo e 78 miligramas nos 100g de filé mignon, uma ligeira vantagem sobre o frango. E as calorias? 165 calorias nos 100 gramas de lombo e quase a mesma coisa 164 no filé mignon”. (Revista B – Junho 2002). A carne suína está sendo desmistificada como sendo a pior carne para ser ingerida devido seu alto teor de colesterol. Várias pesquisas atuais revelam ser o contrário, elas tem menores teores de colesterol se Daniella Moreira de Souza comparada com alguns outros tipos de carne. É considerada carne branca e com muitas vitaminas e minerais. Devido as mudanças na ração destes animais a composição nutricional da carne também mudou. Sempre estas qualidades são demonstradas no lombo e no pernil, não devendo ser fritos. Há variações na quantidade de colesterol e gordura saturada de acordo com a fonte de pesquisa, segundo ROPPA (1999) a quantidade de gordura saturada presente no lombo e pernil suíno cozido é de 2,6 g para cada 100g; comparando com o frango, o peito cozido sem pele é de 1 g e coxa cozida com pele apresenta 3 g; já o filé mignon bovino possui 3,8g. Quando se compara os teores de colesterol: lombo cozido = 78 gramas, pernil não tem valores disponíveis; peito cozido sem pele = 84g, coxa cozida com pele = 92 g e o filé mignon bovino = 84 gramas, sendo assim é uma boa carne para ser ingerida. “Mais saudáveis do que nunca – os produtos sem agrotóxicos são mais saborosos e nutritivos. Só o preço, até 200% mais salgado, ainda impede que seu consumo seja maior – Alimentos orgânicos: mesmo sem uma avaliação mais profunda, sua primeira impressão é de que se trata de produtos mais saudáveis. Mais minerais: um estudo de pesquisadores americanos comparou durante dois anos maçãs, batatas, pêras, trigo e milho doce cultivados de maneira orgânica e pelo modo convencional. Os alimentos orgânicos apresentaram 63% mais cálcio, 73% mais ferro, 118% mais magnésio, 91% mais fósforo, 125% mais potássio e 60% mais zinco, todos minerais essenciais para o desenvolvimento do seu filho. E mais surpreendente ainda: os pesquisadores encontraram nos produtos orgânicos 29% menos de mercúrio, substância tóxica e nociva à saúde. Menos Perecíveis: além disso, os alimentos orgânicos duram mais e são mais saborosos. Na cultura orgânica, os agrotóxicos são substituídos por adubos naturais, como o pó de rochas, farelo de algodão e mamona, conchas moídas e um composto de palha curtida. Em lugar dos defensivos químicos, que protegem as plantações de pragas. São Daniella Moreira de Souza usados ainda, caldas de alho e pimenta, que combatem as doenças e aumentam a fertilização do solo. Com estes recursos além de melhorar os produtos, a agricultura orgânica respeita o meio ambiente, evitando a contaminação da terra e dos rios. Fonte garantida: sempre procure na embalagem o que o certifica como orgânico, fornecido por institutos e associações autorizados pelo Ministério da Agricultura. Mais consumidores: como o risco está no efeito cumulativo, o ideal seria usar alimentos orgânicos desde a primeira papinha, já que não podemos dar ar puro para as crianças respirarem, pelo menos é possível fornecer-lhes um alimento melhor. Mesmo seu preço ser salgado uma pesquisa mostra que 72% dos paulistanos reconheciam que o preço desses produtos eram mais elevados, mas ainda assim admitiam pagar de 20 a 30% a mais por eles. Em controvérsia, um cientista escocês admite: o esterco animal utilizado como fertilizante nos orgânicos facilita o aparecimento da bactéria E. coli, que pode provocar doenças. Ele acredita também que o preço mais alto do alimento orgânico faz diminuir o consumo individual de verduras, legumes e frutas, o que também é prejudicial e pode ocasionar doenças. Quem pode consumir frutas, legumes e verduras cultivados sem agrotóxicos certamente tem muito a ganhar. “ (Revista E – Fevereiro 2002). “Lavoura arcaica – se você quer alimentos orgânicos, vá até o supermercado mais próximo. Esses produtos não são mais exclusividade de butiques naturais (Revista F de Março) – mesma matéria da Revista E de Fevereiro, e inclusive as mesmas fotos. Foi surpreendente esta última matéria, pois as duas revistas apresentaram as mesmas matérias, mesmo conteúdo e mesmas fotos, talvez por ser da mesma editora e com revistas totalmente diferentes, as leitoras não iriam comparar as duas revistas. Daniella Moreira de Souza Estes alimentos vêm se destacando no mercado por suas características de serem mais saudáveis, o único problema em questão é o preço, que ainda é muito alto. Os alimentos orgânicos para serem comercializados necessitam ser certificados por associações responsáveis que acompanham todo o processo do cultivo até a colheita. A opinião do cientista escocês em destaque, nem deve ser considerada, diante de tantos benefícios que estes alimentos apresentam. No item outros que aqui não será analisado, duas informações que chamaram muito a atenção foram: “refrigerante light não faz mal e sim carboidratos de absorção rápida: batata, pão, farinhas” (Revista B – Fevereiro 2002). “não há problema nenhum em tomar 2 latas por dia de coca light, pois tem 99% de água” (Revista A – Junho 2002). Essas duas colocações merecem destaque, pois as leitoras que gostarem de beber refrigerante, estarão sendo estimuladas a consumi-los. Comparar a velocidade de absorção do refrigerante com a batata, pão e farinhas não tem fundamento. Todos os alimentos, independentemente da sua composição, são quebrados por enzimas nas moléculas básicas que os constituem. Sendo assim, a composição do refrigerante (água e açúcar), apresenta a velocidade de absorção muito rápida enquanto que os demais alimentos citados que possuem em sua composição (amido, fibras solúveis e insolúveis, vitaminas e minerais) será muito mais prolongado até a sua absorção. Portanto, não se deve fazer esta comparação. Daniella Moreira de Souza Pode ter sido um erro de interpretação de informações. Enfatizar que não há problema em consumir refrigerante por ter 99% de água, também não está correto, pois não se pode esquecer de que este produto não possui valores nutricionais significantes. Daniella Moreira de Souza 5.CONCLUSÃO Pode-se perceber que desde o seu surgimento, a Comunicação de Massa vem se modernizando frente ao avanço da tecnologia, de acordo com o design gráfico, comunicação com o leitor / usuário, sempre levando em consideração a necessidade destes, para atrair maiores adeptos. A mídia noticiosa não se propõe deliberadamente a criar ilusões ou enganar quem quer que seja, pelo menos na maior parte das sociedades ocidentais. Há uma inevitável perda de pormenores em qualquer relato que tente focalizar os fatos centrais e ignore outros. Além disso, há o problema de captar e prender a atenção em indústrias de mídia que dependem de anúncios como sua principal fonte de renda. Mas se as comunicações de massa, podem modificar significados e influenciar, sem querer, o comportamento, há base suficiente para se procurar uma estratégia de construção de significados com a finalidade de, deliberadamente, alterar o comportamento. A informação de comunicação de massa deve ser tão eficiente quanto qualquer outra para mudar os significados atribuídos pelas pessoas a alguma coisa, produto, candidato ou questão. Se tais mudanças podem ser obtidas, daí devem decorrer modificações de comportamento no sentido daquele alvo de persuasão (DeFLEUR & BALL-ROKEACH, 1989). Ainda estes autores, assumem idéias básicas para influenciar modelos de vida em grupo: vários modelos de vida em grupos são freqüentemente retratados nas mídias; estes podem ser ou não autênticos; quaisquer que sejam, as audiências os assumem como enunciados das expectativas sociais esperadas; as definições propiciadas por tais expectativas servem como guias para a ação, ou seja, a forma de como os indivíduos devem comportar-se pessoalmente para com os outros e agir em determinadas circunstâncias sociais. Daniella Moreira de Souza Mas com toda essa evolução que houve e ainda está ocorrendo, deve-se tomar certos cuidados no momento de publicar determinadas matérias, principalmente no que tange a informações transmitidas à população. O que se pode observar no campo da nutrição são informações veiculadas de forma a fazer com que o leitor não tenha uma legibilidade da informação, dificultando assim o seu entendimento. As revistas contemporâneas tornaram-se mercadorias da audiência e do lucro. A racionalização que envolve sua produção é a mesma que norteia a produção de outras mercadorias. O produto jornalístico passa a ser submetido ao gosto do público, obedecendo as posições ideológicas dos grupos editoriais, tornando-se plasticamente bonito e ideologicamente vazio (D’ELIA, 2004). Como observado nesta pesquisa, a maior incidência de profissionais envolvidos nas reportagens é composto de nutricionistas, os quais tentam informar, da melhor forma possível à população, sobre temas inerentes à nutrição. Este resultado é muito importante para a classe profissional. Mas mesmo tendo este resultado, a forma que se escreve as informações do ponto de vista científico precisam ser melhor avaliadas para terem uma ação mais precisa na população de leitores que acessam as revistas. Mas, a educação nutricional deve ser pensada e informada como um ato capaz de mudar, transformar antigos paladares e hábitos – o que não é uma tarefa simples. O educar a nutrição ou ensinar a nutrição precisa de uma compreensão da história, da visão de mundo dos sujeitos sociais (FREITAS, 1997). Daniella Moreira de Souza Teorias mais recentes afirmam que, mesmo que as mídias não consigam transmitir às pessoas formas de como pensar têm a surpreendente capacidade de sugestão sobre temas para seus consumidores refletirem (LAGE, 1999). Em estudo de SATO & CASTANHEIRA (2003), as revistas avaliadas, veiculam informações com conteúdos inadequados, podendo induzir os indivíduos com falta de conhecimentos, a seguir dietas inadequadas ou incluir alimentos com funções não comprovadas, criando mitos. Muitas informações são veiculadas por profissionais não capacitados ou mesmo leigos. Ainda, pode-se questionar se as informações transmitidas por nutricionistas ou outros profissionais da área de saúde foram efetivamente compreendidas pelos repórteres, gerando informações equivocadas. O resultado do estudo acima vem de encontro aos resultados deste, confirmando que há muitos leigos na área de nutrição, escrevendo matérias, em revistas de grande circulação. Isto é muito preocupante, pois as revistas aqui analisadas, quando se referem ao tema de alimentos funcionais, não citam as referências de estudos fidedignos e a maioria não informa as quantidades diárias de alimentos que devem ser ingeridos, nem a forma de preparação. Como garantir desta maneira, a tão esperada ação destes alimentos? Já no item de alimentação equilibrada, as informações são relatadas de uma forma vaga, gerando mais dúvidas ainda no leitor, se deve consumir ou não aquele produto. Sempre há duas ‘faces’ acerca deste assunto, deixando para que o leitor tome a sua decisão. Só consegue-se educar a população com dados fidedignos e consistentes, para não causar conflitos e tomada de decisões erradas na população. É necessário, haver mais regulamentos na maneira de escrever uma matéria, para garantir a sua real leiturabilidade e legibilidade das informações Daniella Moreira de Souza veiculadas, procurando inserir nas publicações, pesquisas científicas de forma que o público leigo entenda perfeitamente. As mensagens veiculadas por estas revistas, são muitas vezes contraditórias, devido os grupos editoriais não ter como prioridade a educação e sim, o lucro. Todas as informações que foram publicadas vem como forma de novidade para causar um impacto nos leitores e isso é preocupante, pois deixa de informar o necessário de forma correta. Sem dúvida alguma, as revistas femininas desempenharam e continuam desempenhando um papel muito importante na vida de milhares de mulheres, como forma de transmitir informações de diversos conteúdos, inclusive na área de nutrição, como forma de melhorar a sua beleza estética, saúde e de toda a sua família. Infelizmente, não há segurança nestas informações, como fator de mudar valores já agregados a esta população. Como apresentado as revistas abrangem todas as classes sociais faixas etárias por onde são veiculadas. Muitas informações estavam corretas, cada uma no seu enfoque, com relação às ações destes alimentos como protetores de doenças. Mas algumas ‘apelam’ na chamada de capa, para depois não ter uma informação segura sobre aquele alimento. Do ponto de vista científico, não se pode confiar nas informações de nutrição veiculadas com caráter difusor de mudanças de hábitos alimentares e como fator de prevenção de doenças, já que as informações são incompletas. Daniella Moreira de Souza 6. RECOMENDAÇÕES Sem dúvida, um trabalho deste cunho científico, precisa ser analisado de uma forma ideológica, ou seja, constitutivo da realidade que faz parte das práticas cotidianas, não como algo imposto. Desta forma, há necessidade de se criar medidas nos órgãos competentes, tanto de nutrição quanto dos grupos editoriais, que pensem mais nos indivíduos como um ser que necessita de informações corretas para mudança de hábitos. 1- Ao redigir uma matéria para uma revista o profissional seja nutricionista ou pesquisador da área, deve pesquisar cientificamente acerca do assunto e esclarecer de que forma deve ser divulgado aos leitores; 2- Aumentar a inserção de profissionais nutricionistas especializados para fornecer informações, já que as revistas são ótimos veículos de mudança de hábitos alimentares. Daniella Moreira de Souza 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [ADA] American Dietetic Association. Position of the American Dietetic Association: Functional Foods. 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