III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 A TEORIA DE HERZBERG APLICADA AOS PROFISSIONAIS DE CONTABILIDADE Vladênia Latieri Gonçalves Josimar Farias Cordeiro Jorge Expedito de Gusmão Lopes Marcleide Maria Macêdo Pederneiras RESUMO O presente trabalho buscou evidenciar a situação motivacional dos contabilistas, segundo a aplicação da teoria dos dois fatores de Frederick Herzberg. Foi realizada um levantamento através de questionário junto a profissionais contábeis cadastrados no CFC/CRC´s das cidades de Maceió-AL, Caruaru-PE e Campina Grande-PB, com uma amostra, por conveniência, resultante em 41 respondentes. Concluiu-se que os contabilistas estão motivados e estão satisfeitos em seus afazeres, porém as condições de trabalho oferecidas aos mesmos não são as ideais, de acordo com os próprios, tão pouco as necessárias para um ambiente de trabalho onde se deseja ter a satisfação do empregado e que a teoria dos dois fatores de Herzberg é perfeitamente aplicável aos profissionais da área contábil. 1 INTRODUÇÃO Para a gestão de uma empresa é essencial que o trabalho de seus funcionários seja produtivo. Essa produtividade pode ser obtida através da aplicação de teorias motivacionais. A motivação tornou-se mais popular nos últimos 50 anos e motivou vários estudos, trabalhos científicos e até livros com o objetivo de estudar as relações interpessoais do trabalho e a satisfação dos trabalhadores. A aplicação das teorias motivacionais mostra-se mais avançada principalmente no campo do comportamento organizacional e da gestão empresarial. Esta aplicação geralmente é categorizada em dois grupos, que são: as teorias de satisfação e teorias de processos. As teorias de satisfação têm seu foco principal nas necessidades individuais dos trabalhadores, que visa explicar os fatores comportamentais dos mesmos. Estas teorias são embasadas principalmente por Maslow (1954) na teoria da hierarquia das necessidades, por McClelland (1961) na teoria das necessidades e por Herzberg et al (1959) na teoria dos dois fatores, que é objeto deste estudo. (WAGNER III e HELLENBECK, 2006; OWENS, 1980; DUFF e MONK, 2006; BOWDITCH e BUONO, 2002) Já as teorias de processos focam na investigação formal dos processos, onde se verifica o ‘porque’ de motivar. Esta teoria tem sua base em Adams (1965) na teoria da equidade, em Vroom (1964) na teoria da expectativa e em Porter e Lawler (1968) que têm um modelo com seus nomes. Diante do exposto emerge o seguinte questionamento: Estarão os empregadores dos profissionais contábeis dando condições de motivação e satisfação no trabalho aos mesmos de acordo com a teoria dos dois fatores de Herzberg? 1.1 Objetivos III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 1.1.1 Geral Evidenciar a situação motivacional dos profissionais em contabilidade, segundo a aplicação da teoria dos dois fatores de Frederick Herzberg. 1.1.2 Específicos Ø Revisar a literatura acerca de comportamento organizacional, motivação, a teoria dos dois fatores de Herzberg e outros fatores motivacionais; Ø Identificar os principais elementos de motivação apresentados pelos profissionais inseridos neste estudo; Ø Analisar qual o nível de satisfação dos profissionais contábeis, objetivando a aplicação dos fatores motivacionais, constantes da teoria dos dois fatores de Herzberg. 1.2 Justificativa Este estudo justifica-se através da necessidade de evidenciar os fatores motivacionais em conjunto com a satisfação no trabalho por parte do empregados da área contábil. Muitas pesquisas já foram realizadas em diversos países do mundo e em outras grandes áreas profissionais. Há também o foco das pesquisas deste gênero na área industrial e na área médica. A própria pesquisa que embasou a elaboração da teoria dos dois fatores de Herzberg foi realizada numa indústria. Na pesquisa de Herzberg, Mausner e Snyderman, contadores foram entrevistados em conjunto com engenheiros, empregados na mesma empresa, porém o foco desta pesquisa visa atingir contadores, técnicos e empregados de empresas prestadoras de serviços contábeis. Desconhece-se qualquer pesquisa com este foco na área de prestação de serviços, bem como prestadores e consultores contábeis. 1.3 Delimitação do Estudo O presente estudo será realizado no período de junho a setembro de 2008 nos prestadores de serviços contábeis, cadastrados junto aos Conselhos Regionais de Contabilidade dos estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba com atuação específica nas cidades de Maceió, Caruaru e Campina Grande. 1.4 Metodologia A pesquisa caracterizou-se como exploratório-descritiva, segundo Lopes (2006), tendo por finalidade uma identificação mais profunda do problema, possibilitada através de levantamentos e pesquisas bibliográficas, de forma qualitativa. Os levantamentos foram realizados através de questionários, aplicados junto a profissionais contábeis atuantes em III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 Maceió, Caruaru e Campina Grande. A pesquisa bibliográfica baseou-se em livros, periódicos, artigos, e sítios na Internet. Os questionários aplicados tratavam de três blocos de perguntas: o primeiro correspondeu à escolaridade, o gênero e o tempo de atuação do profissional nesta função; o segundo constou de 11 (onze) questões elaboradas através das premissas dos dois fatores de Herzberg com critério de mensuração através da escala Likert onde 1 representou concordância forte e 5 discordância forte em relação ao tema questionado e o terceiro refletiu a satisfação e a motivação espelhadas por estes profissionais. A população de estudo correspondeu a 50 (cinqüenta) profissionais atuantes nos estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, subdividido em 05 cidades, Maceió em Alagoas, Caruaru em Pernambuco e Campina Grande na Paraíba, com limitação de profissionais cadastrados junto ao sistema CFC/CRC´s, resultando numa amostra de 41 (quarenta e uma) pessoas, o que representa um retorno dos consultados de 82%. A amostra deste estudo foi por conveniência. 2 REFERENCIAL TEÓRICO Segundo estudos realizados em 1939, por Roethlisberger e Dickson, o movimento das relações humanas surgiu através de trabalhos executados na Western Eletric Company por Elton Mayo, porém alguns dos grandes divulgadores deste movimento foram Herzberg, Mausner e Snyderman em 1959, através do desenvolvimento da teoria dos dois fatores (MOORE, CRUICKSHANK e HAAS, 2006). Semelhantemente a Mayo, Fayol também participou ativamente do processo de formação do movimento das relações humanas. Para Parker e Ritson (2005), Fayol em 1949, ano bem anterior à criação das teorias de Maslow e Herzberg, já tinha um discurso semelhante aos dois. Para Herzberg et al (1959, p. 55) “O dinheiro se esconde dentro de diferentes ocasiões a ponto de tornar-se um fator onipresente... O dinheiro não é o que você faz, é o que você adquire pelo que você faz... O dinheiro não é um fator motivador, porém é um bom contribuidor” (tradução livre). 2.1 Teoria dos dois fatores de Herzberg A teoria dos dois fatores foi desenvolvida em 1959 por Frederick Herzberg, Bernard Mausner e Barbara Snyderman, porém esta teoria foi atribuída popularmente apenas a Herzberg (RUTHANKOON e OGUNLANA, 2003). Esta teoria tem este nome porque tem sua apresentação em dois grupos de fatores: os fatores de motivação e os fatores higiênicos. De acordo com a teoria, os fatores de motivação frisam apenas a satisfação no trabalho, já os fatores higiênicos apresentam também a insatisfação. Para Furnham, Forde e Ferrari (1999) a teoria dos dois fatores é inicialmente bem semelhante à teoria da hierarquia das necessidades de Abraham Maslow, desenvolvida em 1954. III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 Esta teoria surgiu através de uma investigação, que segundo Robbins (1999) cria que a relação das pessoas com seus trabalhos é básica e que seu modo de convivência e atitude em relação a este trabalho, pode determinar qual o seu futuro, se o sucesso ou o fracasso. Ainda segundo Robbins (1999, p. 111), Herzberg com base em sua crença, citada anteriormente, realizou pesquisa sobre “O que as pessoas querem de seus trabalhos?”. Herzberg passou a analisar dentre o comportamento dos profissionais estudados algumas situações e como eles se sentiam em relação aos seus empregos. Através de respostas divididas em categorias, foi observado que as pessoas quando se sentiam bem davam respostas significativamente diferentes das respostas quando se sentiam mal. Os dados desta pesquisa também revelaram que o oposto de satisfação não é a insatisfação (ROBBINS, 1999), pois se alguém remover situações com características insatisfatórias não, necessariamente, tornará o trabalho satisfatório. Sendo assim representado através da seguinte figura: Para Herzberg (1959) os fatores motivacionais são seis: realização profissional, reconhecimento, trabalho, responsabilidade, avanço e possibilidade de crescimento. Os fatores higiênicos são dez: políticas da empresa, supervisão, relacionamento com os supervisores, condições de trabalho, relacionamento com dificuldades, salário, vida pessoal, relacionamento com subordinados, status e segurança no trabalho. O autor ainda cita defende que os fatores que levam à satisfação no trabalho são separados e distintos daqueles que levam à insatisfação no trabalho. Acredita-se que a satisfação dos trabalhadores é fundamental para o bom andamento da empresa e por conseqüência a obtenção de sucesso e retorno. Os fatores envolvidos na produção da satisfação (e motivação) no trabalho são separados e distintos dos fatores que levam à insatisfação no trabalho. Já que é necessário considerar fatores separados, dependendo do fato de estarmos examinando a satisfação ou insatisfação no trabalho, segue-se que esses dois sentimentos não são antagônicos. Desta forma, o oposto de satisfação no trabalho não é insatisfação no trabalho, mas sim a ausência de satisfação; e, da mesma forma, o oposto de insatisfação no trabalho não é satisfação no trabalho, mas sim ausência de satisfação. 2.2 Os fatores de Herzberg 2.2.1 Realização profissional A realização profissional pode ser dar através de aspectos como a conquista de prêmios, a obtenção de sucesso. Esta realização dá-se a partir do reconhecimento da eficiência do profissional em determinado cargo ou organização. 2.2.2 Reconhecimento O reconhecimento ocorre quando o funcionário é elogiado, tem suas idéias aceitas. Este fator está relacionado diretamente com o fator da realização profissional. 2.2.3 Trabalho III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 O trabalho, para que os funcionários estejam motivados, deve ter boas condições ambientais, físicas e operacionais. 2.2.4 Responsabilidade A responsabilidade tem seu ápice enquanto fator motivacional na sua delegação por parte dos gestores, para tomada de decisões, onde o funcionário sente-se mais confiante, por esta delegação demonstrar intrinsecamente sua capacidade. 2.2.5 Avanço Pode ser considerado como promoções e ascensões de cargos e funções. 2.2.6 Possibilidade de crescimento Este fator é bastante semelhante em conceito de avanço, pois está diretamente ligado à ascensão funcional e salarial, porém é auxiliado por cursos e treinamentos que desenvolvam as habilidade do profissional. 2.2.7 Políticas da empresa As políticas da empresa podem acarretar diretamente tanto para a satisfação, quanto para a insatisfação do empregado. É preciso que seja bem definida a política organizacional da empresa. 2.2.8 Supervisão Refere-se diretamente ao relacionamento dos supervisores, chefes e superiores para com os seus subordinados. Vai desde fatores de lealdade até a delegação de tarefas. 2.2.9 Relacionamento com os supervisores Fator que está ligado à supervisão, com o acréscimo da interação, da cooperação e de debates com os demais funcionários. 2.2.10 Condições de trabalho Também ligado à estrutura organizacional e ambiental da empresa, é extremamente necessário para a motivação dos funcionários. 2.2.11 Relacionamento com dificuldades O relacionamento com dificuldades consiste no apoio dos gestores e diretores aos demais funcionários, quando no momento de dificuldades tanto no trabalho, quanto em outros ambientes que o mesmo conviva. 2.2.12 Salário III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 O salário reflete a satisfação ou a insatisfação do funcionário, pois embora o mesmo possa trabalhar por um salário mais baixo, em um momento de necessidade, pode não desempenhar tão bem as suas funções, quanto se obtivesse um provento maior. 2.2.13 Vida pessoal A vida pessoal pode afetar bastante a relação do funcionário com o ambiente de trabalho e por conseguinte o bom desempenho das funções trabalhistas. 2.2.14 Relacionamento com subordinados O relacionamento com subordinados reflete os fatores de supervisão e relacionamento com supervisores. 2.2.15 Status O status reflete um cargo mais alto, um cargo de direção ou gerência, demonstra uma estrutura superior hierarquicamente para o funcionário. 2.2.16 Segurança no trabalho Deve existir segurança no trabalho para que haja motivação, há também a segurança ergonômica, que deve estar diretamente ligada ao ambiente físico da empresa, já citado anteriormente. Alguns pesquisadores criticam a teoria de Herzberg, taxando-a por limitada em relação à sua metodologia. Para outros a limitação deve-se ao fato das pessoas pesquisadas serem de categorias consideradas bem valorizadas, que são as categorias de contadores e engenheiros (RANTZ, SCOTT e PORTER, 1996). Já Tietjen e Myers (1998) discorrendo em pesquisa sobre motivação e satisfação no trabalho, aponta críticas que Locke faz em relação à teoria de Herzberg. Ao longo dos anos muito tem se falado acerca das teorias motivacionais e de suas contribuições no trato empresa / empregados. Herzberg não é diferente, pois para Ferreira (2006, p.24) as maiores contribuições que Herzberg traz através da teoria dos dois fatores foram: “a possibilidade de o funcionário ter a maior autonomia para realização e planejamento de seu trabalho, a valorização dos processos de enriquecimento de cargos e uma abordagem diferenciada sobre papel da remuneração sobre a motivação no trabalho”. 3 ESTUDOS MOTIVACIONAIS COM A APLICAÇÃO DA TEORIA DE HERZBERG Frederick Herzberg realizou em 1968, nova pesquisa com base em sua teoria motivacional entre pessoas da mesma área, neste caso médicos e enfermeiros, pesquisa esta que confirmou os resultados anteriores da teoria dos dois fatores. Já na aplicação desta teoria por Smith e Nalepka (1985) com uma amostra de enfermeiros, e Sergiovani (1966), Park et al (1988) e Williams (1992) entre professores os resultados apresentaram diferenças em relação a Herzberg (RUTHANKOON e OGUNLANA, 2003). III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 O quadro 1 demonstra algumas pesquisas, seus pesquisadores, e a amostra escolhida para aplicação da teoria dos dois fatores. Quadro 1 – A Teoria dos dois fatores e sua aplicação. Pesquisador Amostra Sergiovanni (1966) Professores Sithiphand (1983) Banco de empregados em Bangkok Smith (1983) Enfermeiros de Tulsa (EUA) Nalepka (1985) Enfermeiros (EUA) Park et al. (1988) Professores (Coréia e EUA) Al-Mekhalafie (1991) Faculdades do Yemen Williams (1992) Professores de escolas de Detroit (EUA) Jensen (1993) Escola de superintendentes de Dakota do Sul (EUA) Ruthankoon e Ogunlana (2003) Engenheiros e operários da construção civil da Tailândia Fonte: Elaboração própria com base em Dissertations Abstracts Online – DAO (Ruthankoon e Ogunlana, 2003) 4 ANÁLISE DOS DADOS Os dados desta pesquisa são oriundos de uma amostra de 41 respondentes, de um universo populacional de 50 profissionais contábeis. O questionário foi subdividido em três partes. A primeira correspondeu a dados referente aos profissionais acerca da escolaridade, do gênero e do tempo de atuação nesta função. No segundo bloco de questões foram tratadas 11 questões retiradas e adaptadas das premissas contidas na teoria dos dois fatores e o terceiro bloco de perguntas constou de 02 questões que deveriam refletir a satisfação e a motivação encontrada no ambiente de trabalho destes profissionais. Observou-se que dentre os entrevistados que 85% possuem nível superior, sendo que 53% do total já possuem algum tipo de especialização, o que demonstra que há motivação por parte do profissional para capacitação e aperfeiçoamento. (Ver tabela 1) Tabela 1 – Escolaridade dos profissionais Nível de Escolaridade Ensino Médio Freqüência % 06 15 III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 Ensino Superior 13 32 Pós graduação 17 41 Mestrado / Doutorado 05 12 41 100 Total Fonte: Elaboração própria Já em relação ao gênero dos profissionais grande maioria é composta por mulheres, o que chegou a 78% do total dos respondentes, conforme tabela 2. Tabela 2 – Gênero dos profissionais Gênero Freqüência % Masculino 09 22 Feminino 32 78 41 100 Total Fonte: Elaboração própria A maioria dos profissionais, 80% deles, já atua na profissão contábil a mais de 2 anos, que pode-se caracterizar como um nível de experiência considerável em relação ao tempo de trabalho. (Ver tabela 3) Tabela 3 – Tempo de atuação dos profissionais Tempo de Atuação Freqüência % Até 01 ano 03 7 De 01 a 02 anos 05 12 De 02 a 05 anos 19 46 Acima de 05 anos 14 34 41 100 Total Fonte: Elaboração própria A tabela 4 representa o segundo bloco de perguntas do questionário, onde constavam 11 questões inerentes aos fatores motivacionais existentes no ambiente de trabalho dos respondentes. As questões foram: 1 O trabalho que você realiza está em sintonia com você e sua qualificação? 2 No desempenho de suas funções sente-se estar realizando algo importante? 3 As atividades que desenvolve no trabalho são de grande responsabilidade? 4 Na empresa que você trabalha você vê possibilidades claras de crescimento? III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 5 Você sente orgulho e prestígio decorrentes da sua profissão? 6 Você gosta da maneira em que é supervisionado pelo seu chefe imediato? 7 As relações pessoais com seus colegas de trabalho são amistosas? 8 serviço? Você está satisfeito com o seu salário em relação à complexidade do seu 9 Existem boas políticas de administração de pessoal na empresa? 10 As condições físicas do ambiente de trabalho são boas? 11 Há boas condições de segurança do seu trabalho? Em relação à questão 01, 63% dos respondentes acusam que o trabalho que estão realizando está em sintonia com a qualificação dos mesmos. Dos entrevistados, 59 % sentem-se realizados em suas funções, por sentirem estar fazendo algo importante. Aproximadamente 70% dos profissionais afirma que a execução dos seus trabalhos é algo de grande responsabilidade. Quando questionado acerca da possibilidade de crescimento destes profissionais 44% mostraram-se indiferentes, e outros 34% são pessimistas, a esta possibilidade de ascensão, o que se comparado com os percentuais informados anteriormente tornam-se díspares, onde os profissionais têm grandes responsabilidades na execução de suas tarefas, sentem que estão fazendo algo importante e estão realizados por terem essa função e não sentem que há reconhecimento por parte das empresas. Em relação ao orgulho e prestígio decorrentes da função realizada 58% têm este sentimento, porém 32% são indiferentes aos mesmos. Dos respondentes 56% estão insatisfeitos com maneira que o seu chefe superior supervisiona os seus serviços e apenas 29% concordam com o tipo de avaliação de seus chefes. O ambiente organizacional em que os respondentes estão inseridos, demonstra ser de relações amistosas, pois apenas 7% dos entrevistados afirmam não haver tais relações entre seus colegas. O valor do salário percebido por 51% dos respondentes é apresentado como insatisfatório de acordo com a complexidade do serviço executado. Semelhantes 51% dos respondentes afirmam que a administração de pessoal da empresa não possui boas políticas para tratamento dos funcionários. As condições físicas do trabalho são consideradas como favoráveis por 56% dos respondentes e outros 37% afirmam que estas condições nem são boas, nem ruins. As boas condições de segurança no trabalho que foram apresentadas pelos entrevistados representaram 51%, sendo 32% indiferentes a estas condições. Todas as 11 (onze) questões do segundo bloco de perguntas estão demonstradas através da tabela 4. Tabela 4 – Fatores motivacionais do trabalho dos profissionais Fatores Motivacionais Grau de Importância dos fatores motivacionais no trabalho 1 2 3 4 5 Total III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % 1 - Trabalho 16 39 10 24 10 24 01 2 04 10 41 100 2 - Realização 16 39 08 20 12 29 05 12 - - 41 100 3 - Responsabilidade 28 68 03 7 02 5 08 20 - - 41 100 4 - Crescimento 05 12 04 10 18 44 05 12 09 22 41 100 5 - Orgulho 19 46 05 12 13 32 04 10 - - 41 100 6 - Supervisão 03 7 09 22 06 15 12 29 11 27 41 100 7 - Relações Pessoais 20 49 10 24 08 20 - - 03 7 41 100 8 - Salário 04 10 10 24 06 15 09 22 12 29 41 100 9 - Administração de Pessoal 02 5 11 27 07 17 12 29 09 22 41 100 10 - Condições Físicas do Trabalho 07 17 16 39 15 37 01 2 02 5 41 100 11 – Condições de Segurança no Trabalho 09 22 12 29 13 32 05 12 02 5 41 100 Fonte: Elaboração própria Em relação à motivação e a satisfação no trabalho, percebidas como próprias dos respondentes, obteve-se o seguinte panorama: • 63% dos respondentes sentem-se motivados no trabalho em que se encontram atualmente; • 73% dos respondentes sentem satisfação pelo trabalho que estão executando. É importante frisar que embora estes percentuais sejam considerados bastante satisfatórios, em nível de boas condições no trabalho do contabilista, 34 e 24% dos respondentes, respectivamente, afirmaram que sua motivação e satisfação no trabalho é regular, percentual este que pode ser considerado alto. Estes dados podem ser comprovados via tabela 5, a seguir. Tabela 5 – Relações do trabalho dos profissionais Grau de motivação e satisfação no trabalho Níveis de Motivação e Satisfação Ótimo Freq. % Bom Regular Péssimo Total Freq. % Freq. % Freq. % Freq. % Motivação no Trabalho 03 7 23 56 14 34 01 2 41 100 Satisfação no Trabalho 09 22 21 51 10 24 01 2 41 100 Fonte: Elaboração própria 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E LIMITAÇÕES III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 Este trabalho buscou evidenciar a situação motivacional dos profissionais em contabilidade, segundo a aplicação da teoria dos dois fatores de Frederick Herzberg. Foram aplicados 50 questionários dentre profissionais contábeis cadastrados junto ao CFC/CRC´s, atuantes nas cidades de Maceió-AL, Caruaru-PE e Campina Grande-PB, resultando numa amostra de 41 respondentes. Numa análise das questões dos segundo bloco respondidas pelos entrevistados, os pontos positivos mais freqüentes foram apresentados pelos itens: • Responsabilidade; • Orgulho; e • Relações Pessoais. Estes três pontos não são decorrentes das condições oferecidas pelos empregadores dos contabilistas, uma vez que o item responsabilidade advém da percepção do respondente em relação ao trabalho realizado. O item orgulho é decorrente apenas da profissão do contabilista e não da função desempenhada. E o item relações pessoais decorre apenas das pessoas que trabalham em conjunto com os respondentes. Os piores fatores observados foram: • Crescimento; • Supervisão; • Salário; e • Administração de Pessoal. Onde os mesmos não atingiram nem 15% de freqüência o que demonstra que quando o fator depende da contraprestação do empregador, apenas, não está sendo muito valorado pelos profissionais. Observou-se que apenas 12% dos respondentes vêem possibilidades claras de crescimento da empresa. Que apenas 7% dos profissionais estão satisfeitos com a forma que são supervisionados por seus chefes imediatos. Apenas 10% concordam que o seu salário é compatível com a complexidade da execução do seu trabalho. E 5% dos contabilistas afirmam que existem boas políticas de administração de pessoal na empresa. Conclui-se que os profissionais contabilistas estão motivados e estão satisfeitos com o seu trabalho, porém as condições de trabalho oferecidas aos mesmos não são as ideais, tão pouco as necessárias para um ambiente de trabalho onde se deseja ter a satisfação do empregado. E que a teoria dos dois fatores de Herzberg é perfeitamente aplicável aos profissionais da área contábil. III Seminário UFPE de Ciências Contábeis Recife, 22 e 23 de outubro e 2009 Por limitações apresenta-se a amostra por conveniência em virtude de acessibilidade aos contabilistas. Recomenda-se que esta pesquisa seja realizada posteriormente com uma amostra maior e em regiões diferentes. REFERÊNCIAS BOWDITCH, James L. e BUONO, Anthony F. Elementos de Comportamento Organizacional. Tradução de José Henrique Lamendorf. 3ª Reimpressão, 1ª Edição. São Paulo: Pioneira Thomson, 2002. DUFF, A. e MONK, E. A. Attitudes of new appointees to accounting and finance departments in the higher education sector. The British Accounting Review. v.38, p. 193-220, 2006. FERREIRA, André. Fatores de Motivação no Trabalho: o que pensam os líderes. 2006. 62p Dissertação (Mestrado Profissional em Gestão e Estratégia em Negócios). Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, UFRRJ, Seropédica, RJ, 2006. FURNHAM, A.; FORDE, L. e FERRARI, K. Personality and work motivation. 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