UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel
Programa de Pós-Graduação em Ciência e
Tecnologia de Sementes
Tese
DORMÊNCIA, VIGOR E ESTABELIMENTO INICIAL
DE BRAQUIÁRIA E ALFAFINHA.
Carlos Guilherme Trombetta
PELOTAS
Rio Grande do Sul – Brasil
Dezembro de 2013
ii
CARLOS GUILHERME TROMBETTA
DORMÊNCIA, VIGOR E ESTABELECIMENTO INICIAL
DE BRAQUIÁRIA E ALFAFINHA
Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciência e Tecnologia de
Sementes da Faculdade de Agronomia Eliseu
Maciel da Universidade Federal de Pelotas,
como requisito parcial à obtenção do título de
Doutor em Ciências.
Orientador: Prof. Paulo Dejalma Zimmer, Dr.
Co-Orientador: Prof. Velci Queiróz de Souza, Dr.
PELOTAS
Rio Grande do Sul – Brasil
Dezembro de 2013
Universidade Federal de Pelotas / Sistema de Bibliotecas
Catalogação na Publicação
T111d Tombetta, Carlos Guilherme
TomDormência, vigor e estabelimento inicial de braquiária
e alfafinha / Carlos Guilherme Tombetta ; Paulo Dejalma
Zimmer, orientador. — Pelotas, 2013.
Tom62 f. : il.
TomTese (Doutorado) — Programa de Pós-Graduação em
Ciência e Tecnologia de Sementes, Faculdade de
Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas,
2013.
Tom1. Qualidade fisiológica,. 2. brachiaria brizantha,. 3.
Medicago polymorpha l.. I. Zimmer, Paulo Dejalma, orient.
II. Título.
CDD : 633.31
Elaborada por Gabriela Machado Lopes CRB: 10/1842
iii
CARLOS GUILHERME TROMBETTA DORMÊNCIA, VIGOR, E ESTABELECIMENTO INICIAL
DE BRAQUIÁRIA E ALFAFINHA.
Tese aprovada, como requisito parcial, para obtenção do título de Doutor em Ciências,
Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes, Faculdade de Agronomia
Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas.
Data da Defesa:
Banca examinadora:
___________________________________________________________________________
Prof. Dr. Paulo Dejalma Zimmer (Orientador)
Doutor em Ciências, pela Universidade Federal de Pelotas
___________________________________________________________________________
Prof. Dr Velci Queiróz de Souza (Co-Orientador)
Doutor em Melhoramento Vegetal, pela Universidade Federal de Pelotas
___________________________________________________________________________
Prof. Dr. Tiago Zanatta Aumonde
Doutor em Ciencias, pela Universidade Federal de Pelotas
___________________________________________________________________________
Prof. Dr. Bráulio Otomar Caron
Doutor em Fitotecnia, pela Universidade Federal de Santa Maria
___________________________________________________________________________
Bióloga Drª. Andréia da Silva Almeida
Doutora em Ciencias, pela Universidade Federal de Pelotas
iv
“O que me preocupa não é o
grito dos maus, mas sim o
silêncio dos bons”.
Martin Luther King
“ Aos meus pais (in memoriam), minha família,
meus orientadores, amigos e todas as
pessoas que contribuíram neste importante
momento de minha vida”.
v
AGRADECIMENTOS
A Deus por iluminar meu caminho, proporcionar-me paciência, saúde, tenacidade e
compreensão, estando sempre presente em todos os momentos de minha vida, principalmente
nos mais difíceis.
Ao Programa de Ciência e Tecnologia de Sementes da Universidade Federal de
Pelotas por propiciar esta oportunidade de atingir um objetivo de vida.
A Universidade Federal de Santa Maria, sua unidade Colégio Agrícola de Frederico,
pela licença concedida propiciando esta busca do ideal.
Aos meus pais Vitório e Rachel (in memoriam) pelo exemplo e a criação, deles
recebi todo o carinho, ajuda e amor.
A Cleusa, Francielle e Daniel pelo apoio, incentivo, carinho. Vocês são minha base.
Ao Pesquisador Científico Prof. Dr. Paulo Dejalma Zimmer pela qualidade da
orientação, a amizade e o companheirismo.
Ao Prof. Dr. Velci Queiróz de Souza pela co-orientação, a quem dedico este
trabalho. Pelo incentivo, amizade, acompanhamento e os contínuos exemplos.
Aos colegas Diego Follmann, Ivan Carvalho, Maicon Nardino pela parceria, pela
ajuda, aprendemos muito juntos.
Aos professores, colegas, bolsistas e servidores do Programa de Pós graduação em
Ciência e Tecnologia de Sementes da UFPEL.
A Universidade Federal de Santa Maria Campus de Frederico Westphalen pela
disponibilidade do Laboratório de Pós Graduação em Melhoramento Genético e Produção de
Plantas.
Aos bolsistas e estagiários do Laboratório de Melhoramento Genético e Produção de
Plantas da UFSM, Campus Frederico Westphalen.
Aos meus familiares e amigos que aqui não foram citados, que de uma forma ou de
outra contribuíram para a concretização deste trabalho.
A Associação de Produtores de Sementes do Mato Grosso (Aprosmat) na pessoa do
Suemar. Ao prof. Antônio Mauro Rodrigues Cadorin e o José Altair Machado (Juca) pelas
sementes fornecidas.
vi
RESUMO
TROMBETA, Carlos Guilherme. Dormência, vigor e estabelecimento inicial de braquiária
e alfafinha. Orientador: Prof. Dr. Paulo Dejalma Zimmer. 2013, 66 p. Tese (Doutorado) –
Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes. Universidade Federal de
Pelotas, Pelotas.
A agropecuária brasileira, para alcançar altos níveis de produção de massa nas pastagens,
necessita de um planejamento prévio em sua instalação, o que é de fundamental importância,
pois só assim será possível obter campos livres de invasores e sementes apresentando alto
vigor, adequada germinação e estabelecimento em menor tempo possível do dossel
vegetativo. Dentre os problemas enfrentados para a instalação adequada de uma pastagem,
esta a baixa qualidade de sementes em pureza e germinação, bem como a presença de plantas
daninhas invasores e o baixo vigor associado às sementes. Com base nisto, esta pesquisa teve
como objetivo geral avaliar a qualidade fisiológica das sementes pertencentes ao gênero
Brachiaria e Medicago, assim como a resposta aos diferentes manejos de superação de
dormência propostos. Foram realizados três trabalhos: o primeiro tratou de avaliar a qualidade
física, fisiológica e crescimento vegetativo de cinco distintos lotes de Brachiaria brizantha
cv. BRS Piatã, avaliando a resposta a estímulos de superação de dormência e diferentes testes
de avaliação do vigor, com o objetivo de avaliar as observações condizentes a pureza e
expressão de germinação de distintos lotes. Os resultados revelaram que a maioria dos lotes
apresenta pureza mínima e está de acordo com a legislação, entretanto, expressando baixo
valor cultural. A associação com altas temperaturas e estresse por frio potencializou em
alguns lotes a germinação, com aumento significativo para a associação com nitrato de
potássio condizente para a germinação e vigor em grande número de observações. O segundo
trabalho condiz com o estudo de sementes de um acesso de Medicago naturalizado
espontaneamente no estado do Rio Grande do Sul, ao qual procederam as avaliações
condizentes à qualidade fisiológica das sementes, com o objetivo de analisar diferentes
métodos de superação de dormência em sementes com colorações e tempo de armazenamento
contrastante, e inferir sobre a influencia em atributos fisiológicos relacionado ao vigor das
sementes de alfafinha. Os tratamentos utilizados diferiram da testemunha, expressando que a
espécie é responsiva aos tratamentos utilizados, com as maiores médias encontradas para
germinação em tratamentos que utilizaram lixa manual, com a coloração escura apresentando
germinação maior que a clara em determinados tratamentos. O terceiro trabalho condiz com a
qualidade fisiológica e análise de crescimento em condições de campo, para quatro espécies
comerciais do gênero Brachiaria e uma do gênero Medicago na busca de proceder a análise e
identificação dos materiais com melhor desempenho de estabelecimento de dossel vegetativo
nas condições da região do norte do Rio Grande do Sul. Os baixos percentuais da qualidade
fisiológica das sementes forrageiras encontradas neste estudo demonstram que é necessário
ampliar as pesquisas para identificação de genótipos com bom índice de vigor e germinação,
para atender a crescente demanda do setor pecuarista. As sementes do gênero Brachiaria e
Medicago podem vir a expressar altos níveis de dormência, prejudicando os padrões mínimos
de qualidade exigida, salvas as exceções que alcançam padrões superiores aos mínimos
estabelecidos, cabendo ao consumidor final exigir sementes de qualidade.
Palavras chave: Qualidade fisiológica, Brachiaria brizantha, Medicago polymorpha L.
vii
ABSTRACT
TROMBETA, Carlos Guilherme. Dormancy, force and initial establishment of brachiaria
and alfalfa. Leader: Teacher Dr. Paulo Dejalma Zimmer. 2013, 66 p. Thesis (Doctorate) –
Graduate Program in Seed Science and Technology. Federal University of Pelotas, Pelotas.
The Brazilian agriculture, in order to achieve high levels of mass production on pastures,
requires a prior planning in its installation, which is very important, because only then it will
be possible to obtain fields without invasive plants and seeds, showing high force,
appropriate germination and establishment in shortest possible time for the vegetative canopy.
Among the problems faced for the appropriate installation of a pasture are the low quality of
seed in purity and germination, as well as the presence of invasive weeds and the low force
associate of seeds. On this base, the main objective of this research is to evaluate the
physiological quality of the seeds of genus Brachiaria and Medicago, as well as the reply to
the different managements proposed in order to overcome the dormancy. Three studies were
performed: the first evaluated the physical and physiological quality, and vegetative growth in
five different lots of Brachiaria brizantha cv. BRS Piatã, evaluating the reply to the stimulus
of overcoming the dormancy and different tests of the evaluation of force, with the objective
of evaluating the consistent observations to purity and germination expressed in different lots.
The results disclosed that most of the lots show the minimum purity and they are in agreement
to the laws, however expressing low crop value. The association with high temperature and
cold stress potentiated in some lots the germination, with significant increase for the
association to potassium nitrate for germination and force in many observations. The second
study consisted on the study of seeds of Medicago spontaneously naturalized in the state of
Rio Grande do Sul, to which proceeded the consistent evaluations of physiological quality of
seeds, with the objective to analyze different methods of overcoming dormancy in seeds with
coloring and time of contrasting storage and to infer the influence on physiological attributes
related to seed force of alfalfa. The treatments used differed from the witness expressing that
the species is responsive to treatments used, with the highest averages found to germination in
treatments that use manual sandpaper, with the dark coloring showing higher germination
than clear coloring in certain treatments. The third study consisted on the physiological
quality and growth analysis in field conditions, for four commercial species of genus
Brachiaria and one of genus Medicago in search of undertake analysis and identification of
the materials with better performance in the establishment of vegetative canopy in conditions
in the northern region of Rio Grande do Sul. The low perceptual of physiological quality of
forage seeds found in this study shows the need to increase the research to identify genotypes
with good force of germination index, to attend the growing demand of the farmer sector. The
seeds of genus Brachiaria and Medicago can express high level of dormancy, harming the
minimum quality standards required, save exceptions that reached above the minimum
establishment standards, being the final consumer the responsible for requiring quality seeds.
Key words: physiological quality, Brachiaria brizantha, Medicago polymorpha L.
viii
LISTA DE TABELA
Página
Tabela 1 - Médias para a variável contagem de germinação aos 7, 14 e 21 dias, submetida
ao teste normal de germinação em relação a distintos lotes de B. brizantha
cultivar Piatã associado ao uso de superação de dormência, onde S.S.D. (sem
superação de dormência) e C.S.D. (com superação de dormência), Frederico
Westphalen –RS, 2013 .................................................................................................. 16 Tabela 2 - Médias para a variável, contagem de germinação aos 7, 14 e 21 dias, submetidas
ao teste de frio em relação a distintos lotes de B. brizantha cultivar Piatã
associado ao uso de superação de dormência, onde S.S.D. (sem superação de
dormência) e C.S.D. (com superação de dormência), Frederico Westphalen-RS,
2013. .............................................................................................................................. 17 Tabela 3 - Médias para a variável contagem de germinação aos 7, 14 e 21 dias, submetida
ao teste de envelhecimento acelerado em relação a distintos lotes de Brachiaria
brizantha cultivar Piatã associado ao uso de superação de dormência, onde
S.S.D. (sem superação de dormência) e C.S.D. (com superação de dormência),
Frederico Westphalen-RS, 2013.................................................................................... 19 Tabela 4 - Médias para a variável emergência a campo aos 7, 14, 21 dias e índice de
velocidade de emergência (I.V.E.), submetidas ao teste de campo em relação a
distintos lotes de Brachiaria brizantha cultivar Piatã, Frederico Westphalen-RS,
2013. .............................................................................................................................. 20 Tabela 5 - Médias para a massa seca de plântulas submetidas ao teste padrão de germinação
(TG.), teste de frio (T.F.) e envelhecimento acelerado (E.A.) em relação a
distintos lotes de Brachiaria brizantha cultivar Piatã associado ao uso de
superação de dormência, onde S.S.D. (sem superação de dormência) e C.S.D.
(com superação de dormência), Frederico Westphalen-RS, 2013................................. 21 Tabela 6 - Médias para o comprimento de parte aérea de plântulas submetidas ao teste
padrão de germinação (T.G.), teste de frio (T.F.) e envelhecimento acelerado
(E.A.) em relação a distintos lotes de Brachiaria brizantha cultivar Piatã
associado ao uso de superação de dormência, onde S.S.D. (sem superação de
dormência) e C.S.D. (com superação de dormência), Frederico Westphalen-RS,
2013. .............................................................................................................................. 22 Tabela 7 - Médias para o comprimento de radícula (cm) em plântulas submetidas ao teste
normal de germinação (T.N.) e envelhecimento acelerado (E.A.) em relação
distintos lotes de Brachiaria brizantha cultivar Piatã com e sem superação de
dormência, Frederico Westphalen-RS, 2013. ................................................................ 23 Tabela 8 - Médias para o comprimento radícula de plântulas submetidas ao teste de frio em
relação a distintos lotes de B. brizantha cultivar Piatã associado ao uso de
superação de dormência, Frederico Westphalen-RS, 2013. .......................................... 23 Tabela 9 - Médias para percentagem de pureza e valor cultural em relação a distintos lotes
de Brachiaria brizantha cv. Piatã Piatã associado ao uso de superação de
dormência, Frederico Westphalen-RS, 2013. ................................................................ 24 Tabela 10 - Percentual de sementes germinadas na primeira contagem para sementes de
coloração clara e escura, em tempos de armazenagem de três e seis meses,
submetidas à distintos tratamentos de superação de dormência, testemunha
(Test.), lixa manual (L.M.), ácido giberélico (GA3), lixa manual associada ao
ácido giberélico (L.M.+GA3), Frederico Westphalen-RS, 2013 ................................... 33 ix
Tabela 11 - Percentual de sementes germinadas final e sementes não germinadas final para
sementes de M. Polymorpha L. separadas em coloração clara e escura
submetidas à distintos tratamentos de superação de dormência, testemunha
(Test.), lixa manual (L.M.), ácido giberélico (GA3), lixa manual associada ao
ácido giberélico (L.M.+GA3), Frederico Westphalen-RS, 2013 ................................... 34 Tabela 12 - Percentual de sementes germinadas finais (GF), sementes não germinadas finais
(NGF), plântulas anormais (ANOR) em função do tempo de armazenamento
(TARM) de três e seis meses. ...................................................................................... 355 Tabela 13 - Percentual de plântulas anormais (ANOR) influenciado por diferentes
colorações (COR), Frederico Westphalen, 2013. .......................................................... 35 Tabela 14 - Percentual de sementes anormais (ANOR) submetidas aos distintos tratamentos
de superação de dormência (TRAT), Frederico Westphalen, 2013. ............................. 36 Tabela 15 - Massa Fresca (MF) e massa seca (MS) de plântulas em gramas e comprimento
de raiz primária (CR) e comprimento do hipocótilo (CI) em milímetros,
Frederico Westphalen, 2013 .......................................................................................... 43 Tabela 16 - Resultados médios para germinação(G) %, primeira contagem de germinação
(PC) %, envelhecimento acelerado (EA) % e teste de frio (TF) %, para cinco
espécies forrageiras, Frederico Westphalen, 2013 ........................................................ 45 Tabela 17 - Resultados médios para germinação(G) %, primeira contagem de germinação
(PC) %, envelhecimento acelerado (EA) % e teste de frio (TF) %, para cinco
espécies forrageiras, Frederico Westphalen, 2013 ........................................................ 46 Tabela 18 - Resultados para pureza (PS) percentagem e umidade das sementes de cinco
espécies forrageiras, Frederico Westphalen, 2013 ........................................................ 46 Tabela 19 - Resultados médios para massa de mil sementes (MMS) em gramas, emergência
a campo aos sete (EC 7), 14 (EC 14) e 21 dias (EC 21) após e semeadura em
percentagem, Frederico Westphalen, 2013 ................................................................... 47 Tabela 20 - Resultados médios com número de afilhos medidos a campo aos 60 dias após
emergência (NA), altura média das plantas em centímetros (AM) e altura de
inserção da folha bandeira em centímetros (AIFB), Frederico Westphalen, 2013 ........ 48 x
SUMÁRIO
Página
INTRODUÇÃO GERAL ............................................................................................................................... 1
LITERATURA CITADA ................................................................................................................................ 7
ARTIGO I ................................................................................................................................................ 10
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................ 12
MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................................................... 13
RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................................................... 14
CONCLUSÃO .......................................................................................................................................... 25
LITERATURA CITADA .............................................................................................................................. 25
ARTIGO 2 ............................................................................................................................................... 28
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................ 29
MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................................................... 30
RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................................................. 32
CONCLUSÃO .......................................................................................................................................... 36
LITERATURA CITADA .............................................................................................................................. 36
ARTIGO 3 ............................................................................................................................................... 38
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................ 39
MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................................................... 40
RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................................................... 43
CONCLUSÃO .......................................................................................................................................... 49
LITERATURA CITADA .............................................................................................................................. 49
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................ 52
INTRODUÇÃO GERAL
Para obtenção de pastagens com significativa qualidade produtiva e nutricional, é de
suma importância proceder ao planejamento da atividade antes da semeadura. O insucesso na
implantação das forrageiras pode estar atrelado à presença de dormência conciliada ao baixo
vigor das sementes, provenientes de lotes disponíveis a comercialização. Estudos conduzidos
por Machado (2010) relatam que as altas produtividades do meio agropecuário estão ligadas a
oferta de água e pastagem de qualidade, promovendo o sucesso da atividade pecuária.
A produção pecuária brasileira apresenta-se em constante crescimento, com a dieta
fornecida baseada quase exclusivamente pelas forrageiras em pastejo direto. O Brasil destacase como grande produtor de sementes forrageiras, com a maior parte das sementes
comercializadas no mercado interno e externo pertencente ao gênero Brachiaria (MARCHI
et. al. 2008), referenciando o país com destaque relativo ao comércio de sementes do gênero
(DIAS & ALVES, 2008).
No Brasil encontram-se extensas áreas agricultáveis destinadas a pastagens, das quais
muitas se estão em estágio inicial de implantação e avançado grau de degradação. Para
solucionar essa situação devem-se empregar técnicas de intervenção nessas pastagens,
intervindo com adequada calagem, adubação e instalação de novas pastagens. Além disso, as
estruturações às adequações da taxa de lotação das pastagens podem evitar ou retardar a
degradação (MACHADO et al. 2008).
As plantas silvestres e cultivadas que apresentam capacidade de sobrevivência e
perpetuação sem a interferência do homem, apresentam elevados níveis de dormência, sendo
esta uma característica que em meio natural aumenta a capacidade e probabilidade de
perpetuação. Quando essas espécies são cultivadas e semeadas em lavouras comerciais
necessita-se a intervenção com superação de dormência, sendo esta de maior intensidade em
um breve período posterior a colheita (DIAS & ALVE, 2008).
A introdução de alfafa Medicago sativa L. no Brasil ocorreu por imigrantes
europeus, os quais utilizavam a planta para a produção de alimentos destinado aos seus
animais, sendo a principal variedade cultivada a crioula, resultante de seleção natural das
primeiras sementes introduzidas. É considerada a rainha das forrageiras devida à elevada
qualidade bromatológica, planta perene, ereta e cespitosa, com resistência a seca devido ao
sistema radicular, o qual pode ultrapassar dois metros de profundidade. É utilizada no Brasil
2
principalmente para corte e feno, necessitando de 5 a 10 kg ha-1 de sementes puras e viáveis
para sua implantação (MACHADO, 2010).
A alfafa é uma planta com cultura em diversas regiões do globo terrestre, ocupando
área de cultivo de aproximadamente 32,4 milhões de hectares, destacando-se como uma das
mais importantes forrageiras a nível mundial. Dentre as características que propiciam a
espécie em destaque, compreende-se a alta produtividade, elevado teor protéico, alta
digestibilidade associada à grande palatabilidade, além de fixar elevados valores de
nitrogênio atmosférico ao solo (FERREIRA et al. 2011).
A alfafa (Medicago sativa L.) é uma planta típica de clima temperado, porém
apresenta grande capacidade de adaptação em ambientes com divergências climáticas, com
cultivo presente desde áreas litorâneas até áreas com elevada altitude, com grande
plasticidade adaptativa em função de seu meio de polinização, tendo na alogamia um fator
que proporciona maior probabilidade de fecundação com pólen oriundos de genitores mais
adaptados, favorecendo o surgimento de populações adaptadas às condições de cultivo em
condições contrastantes as de origem da espécie, nas regiões subtropicais e regiões tropicais
(RASSINI et al. 2007).
Outras espécies do gênero Medicago, a Medicago polymorpha L. possivelmente,
apresentaram a introdução misturada a sementes de Medicago sativa, caracterizando-se como
uma planta espontânea naturalizada no estado do Rio Grande do Sul, apresentando seu centro
de origem na Europa (SCHNEIDER, 2007). A espécie pode ser encontrada no Chile ao longo
de um grande gradiente territorial (DEL POZO et al, 2002), também com maior incidência em
regiões mais povoadas do Uruguai (MÉROLA & RAIMONDO, 2007), porém seu
melhoramento genético apresenta avanços significativos em países como a Austrália
(PORQUEDDU, 2000).
As sementes de Medicago polymorpha L. caracterizam-se por apresentarem elevada
dormência, característica que dificulta a homogeneização da espécie em cultivos para fins
comerciais, com tratamentos de superação de dormência empregados na espécie trazendo
respostas de acréscimo significativo para a variável germinação (KHAEF et al. 2011).
Em trabalho conduzido na Itália, pesquisadores constataram que altos índices de
dormência atribuídos a espécie podem vir a trazer características significativas na
ressemeadura natural, ao proceder a um descanso ao final do ciclo de pastejo, atribui-se ao
solo um número elevado de sementes, necessário para a perpetuação da espécie por muitos
anos (SITZIA et al. 2000).
3
A indústria sementeira brasileira está em pleno crescimento, influenciada
principalmente pela demanda por forrageiras tropicais. Tais índices vêm elevando o país ao
maior produtor, consumidor e exportador de sementes forrageiras tropicais (SANTOS et al.
2011).
O gênero braquiária apresenta-se com ampla distribuição geográfica condizente com
as regiões tropicais e subtropicais, adaptando-se de várzeas a savanas, correspondendo a mais
de 100 espécies pertencentes à tribo Paniceae. No Brasil as espécies que apresentam maior
relevância são as espécies B. arrecta; B. brizantha; B. decumbens; B. dictyoneura; B.
humidicula; B. mutivae; B. ruziziensis. (VALLE et al. 2009).
A Brachiaria brizantha (Hochst.) Stapf é uma forrageira que se destaca pela sua
grande rusticidade associada a capacidade de adaptação às condições de intensa oscilação
climática, a introdução de acessos da mesma no país, oriundas de acessos coletados na África
do Sul, destaca-se pelas características citadas associadas a boa resistência ao pisoteio e
pastoreio intensivo, com boa produção de biomassa associada a bons índices bromatológicos
encontrados em adequado manejo (BIANCO et al. 2000).
Segundo Machado et al., (2008), embora a B. brizantha seja a principal espécie
utilizada nas pastagens brasileiras, devem ser implementados estudos para maior
entendimento da sua relação com a produção animal. A implantação e naturalização desta
espécie datam de algumas décadas atrás, apresentando-se com muitos desafios a serem
superados pelo melhoramento genético da espécie juntamente com seu adequado manejo, para
que altas produtividades possam vir a serem expressas.
Durante a evolução das espécies, do ponto de vista ecológico, a dormência surgiu
como um mecanismo de defesa natural. A espécie B. brizantha apresenta, associada a
dormência, a degrana e a desuniformidade na maturação, atributos que se apresentam como
características marcantes (PREVIERO et al. 1998).
Como característica em destaque, a B. brizantha apresenta elevada tolerância à seca,
possui capacidade de sobrevivência a geadas, produzindo forragem desde a primavera até o
outono, e para um adequado estabelecimento necessita-se de 6,0 a 8,0 kg ha-1 de sementes
puras e viáveis. A B. humidicula é originária de regiões com altas precipitações
pluviométricas, classificando-se como planta perene, estolonífera e prostrada, expressando-se
com grande número de gemas junto ao solo. Destaca-se com boa tolerância à seca aceitando
solos com elevada umidade, necessita de 5,0 a 7,0 kg ha-1 de sementes puras e viáveis para
sua adequada implantação (MACHADO, 2010).
4
Podem-se encontrar diferentes tipos de dormência associada à baixa germinação ou à
associação de ambas. Em sementes de braquiária, o principal fator para baixa germinação das
sementes é a acentuada dormência presente nas mesmas, destacando-se a presença da
dormência tegumentar (CASTRO et al. 1996).
Porém, para superar problemas relativos à dormência, comumente, são adotadas
técnicas em associação, que alcançam resultados mais satisfatórios, dentre as quais se indica a
associação de altas temperaturas com tempo de armazenamento (VIEIRA et al. 1998). O
nitrato de potássio também é considerado um bom agente que auxilia na superação de
dormência em sementes de braquiária (MARTINS & SILVA, 2001).
Em trabalho desenvolvido por Laura et al. (2009) encontrou-se em uma amplitude de
18 lotes de sementes de braquiária estudados apenas um condizente a legislação pertinente.
Dentre os principais fatores que podem influenciar na qualidade de sementes, tem-se em
destaque a época na qual é realizada a colheita e o método empregado (CASTRO et al. 1994).
Vários fatores com variabilidade em função do ambiente podem contribuir para a
qualidade e produção de sementes a níveis de campo. A sustentabilidade do sistema de
produção de sementes das gramíneas forrageiras encontra-se ameaçada pela incidência de
patógenos, que podem reduzir a qualidade e produtividade das sementes (MARCHI et al.
2008).
As plantas, de maneira geral, podem responder a flutuações ambientais, modificando
sua morfologia e fisiologia (TAIZ & ZEIGER, 2011). A dormência é uma defesa das plantas
para garantir a perpetuação de sua espécie, e existem vários hormônios que apresentam
interferência sobre a germinação de sementes dentre os quais se destacam o ácido abscísico e
o ácido giberélico (CARNEIRO, 2001).
A germinação envolve uma série de processos metabólicos, os quais ocorrem de
forma programada, recebendo influência de condições externas e presentes nas sementes.
Essas substâncias em determinadas concentrações podem inibir o processo de germinação
(CARNEIRO et al. 2001).
O processo de germinação inicia-se a partir do momento em que sementes começam
a embeber água, ao iniciar o processo, caso a semente apresente estresse hídrico, o processo
de germinação pode ser interrompido ou atrasado (GARCIA et al. 1998).
A utilização de sementes de baixa qualidade é um fator negativo na formação de uma
pastagem. Para conferir a qualidade de sementes adquiridas, variáveis como percentual de
pureza, germinação de sementes viáveis e vigor, são indicativos de aferição da qualidade de
5
sementes através de amostras representativas do lote, e os devidos testes são procedidos em
condições de laboratório (EMBRAPA, 1995).
Ao intensificar práticas e manejo cultural em semeadura de lavouras com alta
tecnologia, recomenda-se a adoção de práticas que contribuam para superação de dormência,
possibilitando um cultivo inicial com uniformidade de emergência de plântulas. As técnicas
que podem ser empregadas na superação de dormência compreendem a exposição à alta
temperatura, exposição a períodos de armazenamento, escarificação entre outras (MARTINS
& SILVA, 2006).
A classificação de dormência condiz com um fenômeno natural no qual não ocorre a
germinação de determinada espécie, mesmo o ambiente apresentando todas as condições
ideais para que isso ocorra. Ecologicamente, a dormência é entendida como um recurso ao
qual a natureza redistribui a germinação ao longo do tempo, é um recurso ecológico que se
apresenta como uma característica marcante para a maior parte das gramíneas forrageiras
(PREVIERO et al. 1998).
Existem diferentes tipos de dormência associado às sementes nas quais se destacam a
impermeabilidade à água e trocas gasosas, resistência mecânica, imaturidade fisiológica e
substâncias inibidoras. Portanto, a associação em conjunto de diferentes métodos de
superação de dormência pode trazer respostas positivas (LAGO & MARTINS, 1998).
Segundo PREVIERO et Al. (1998) as diferentes espécies apresentam-se com
peculiaridades para os seus mecanismos de dormência, tornando difícil precisar sua causa,
podendo ser independente ou combinada de forma similar ao que ocorre em grande maioria
das espécies forrageiras.
Dentre a fisiologia da planta condizente com as características intrínsecas de
dormência, os genes relacionados são ativados em função de hormônios que fazem a rota de
sinalização, oriunda de fatores que induzem a dormência como a água, temperatura, foto
período e nutrição mineral. A planta apresenta vários hormônios, e suas concentrações
regulam todo o seu metabolismo, eles são ativadores da expressão gênica e também ativados
devido a estresses fisiológicos que as plantas sofrem durante seus subperíodos,
correspondentes as suas fases (TAIZ & ZEIGER, 2011).
A resposta para cada espécie é expressa de maneira diferente nos métodos de
superação de dormência. Dentre os principais podemos citar: escarificação mecânica, água
quente, uso de éter, álcool, acetona, baixa temperaturas em ambientes úmidos, interação entre
a luz e temperatura, elevadas temperaturas, nitrato de potássio, armazenamento em ambiente
seco, lavagem em água corrente, fito hormônios, interação dos fito hormônios com a luz, uso
6
de ácido sulfúrico. As metodologias de métodos de superação de dormência estão sempre em
atualização, devido aos resultados de pesquisas atuais (BRASIL, 2009).
Métodos de superação da dormência são indicados para diversas condições
funcionais de cada espécie, e dentre as muitas condições a serem superadas podem ser citadas:
a impermeabilidade do tegumento à água e gases, o balanço hormonal, e a imaturidade
fisiológica do embrião. Em contrapartida, para a solução de todos estes empecilhos e redução
dos problemas causados pela dormência, evidencia-se o armazenamento como o mais
eficiente. Este comportamento é comprovado por estudos realizados por PREVIERO (1998)
em sementes de B. brizantha, nos quais os efeitos da dormência foram minimizados pelo
período de armazenamento em que as sementes foram submetidas.
Os métodos mais usuais empregados são: a escarificação química com ácido
sulfúrico concentrado (SANTOS et al. 2011), embebição com nitrato de potássio (BRASIL,
2009) e tempo de armazenamento em associação à altas temperaturas (LAGO & MARTINS,
1998). Devem-se adequar as metodologias e de maneira usual seguir as recomendações
pertinentes à superação da dormência, pois os tratamentos empregados para a superação das
mesmas pode prejudicar a superação de sementes não dormentes (DIAS & ALVES, 2008).
A primeira atitude em busca de altos rendimentos das culturas é obtida através de
semeadura adequada do dossel vegetativo. Para que isso aconteça, torna-se necessária a
utilização de sementes de alta qualidade, que condizem com a utilização de sementes com
elevada pureza, sanidade, viabilidade e vigor (BRASIL, 2009).
O teste de vigor é a mensuração de diferenças entre lotes, lotes de elevado vigor se
apresentam com capacidade de estabelecer melhor arranjo de plantas em condições menos
favoráveis, mesmo se possuírem a capacidade de germinação semelhante aos empregados nos
testes normais de laboratório. Um lote que apresenta baixo vigor pode apresentar boa
germinação, entretanto apresenta baixa emergência. A determinação correta do vigor de um
lote de sementes de Braquiária é de grande importância, expressando-se como referência para
a determinação do valor comercial, juntamente com a quantidade de semente necessária para
implantação da pastagem (DIAS & ALVES, 2008).
Quando se tem como objetivo avaliar a qualidade de lotes de sementes, emprega-se a
prática de métodos consagrados condizentes com as avaliações aplicadas em laboratórios na
condição de ambiente controlado. Além disso, a correlação dos testes expressos como
referência em relação aos desenvolvidos no campo é um excelente parâmetro devido às
sementes emergidas no campo estarem sujeitas às condições ambientais, e a comparação dos
7
métodos é uma boa maneira de prever o comportamento dos lotes das sementes em condições
reais de cultivo (SANTOS et al. 2011).
Pode-se empregar mais de uma metodologia para avaliação do vigor expressa por
diferentes lotes de sementes, dentre as quais é possível citar o índice de velocidade de
emergência, índice de velocidade de germinação, primeira contagem de germinação,
condutividade elétrica, envelhecimento acelerado, teste de frio, e metodologias que tentam
simular condições de estresse, uma vez que plantas com baixo vigor diminuem a capacidade
de adaptação em condições desfavoráveis. Atualmente os testes de vigor mais usuais e
práticos consistem na germinação em câmara de germinação em laboratório, todavia, a
confiabilidade desses dados expressos é potencializada quando a germinação em laboratório é
associada ao teste de tetrazólio a 0,1% de concentração com visualização das duas metades da
semente, considerando-se ambos os testes complementares (DIAS & ALVES, 2008).
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10
ARTIGO I
TESTES DE VIGOR ASSOCIADOS À SUPERAÇÃO DE DORMÊNCIA EM
Brachiaria brizantha CV. BRS PIATÃ
RESUMO: O cultivo de Brachiaria brizantha (Hochst.) Stapf apresenta-se em expansão no
Rio Grande do Sul, com os produtores encontrando dificuldades para aquisição de sementes
de qualidade. O objetivo deste estudo foi avaliar as observações condizentes a pureza e
expressão de germinação e vigor de distintos lotes de B. brizantha (Hochst.) Stapf cv. Piatã,
em diferentes testes associados à superação de dormência, com avaliações realizadas em
laboratório e em área de campo localizado em latitude subtropical. O experimento foi
conduzido na Universidade Federal de Santa Maria com localização nas coordenadas
(27°39’S, 53°42’O) a 490 metros de altitude no município de Frederico Westphalen - RS,
onde foram realizadas parte das avaliações em laboratório e parte realizadas no campo
experimental. As sementes estudadas são da Cultivar BRS Piatã oriundas de cinco distintos
lotes, forma avaliadas a germinação e vigor de sementes submetidas ao teste de
envelhecimento acelerado, teste de frio, teste normal de germinação e teste de campo, com a
avaliação da utilização do nitrato de potássio como alternativa para a superação da dormência,
as variáveis que revelaram efeitos significativos para interação foram desmembradas aos
efeitos simples, as demais aos efeitos principais com as médias comparadas pelo teste de
Tukey com 5 % de probabilidade de erro. Portanto, em resposta às avaliações realizadas,
observa-se que a maioria dos lotes tem pureza mínima de acordo com a legislação, entretanto
expressando baixo valor cultural, a associação com altas temperaturas e estresse por frio
potencializou em alguns lotes a germinação, com aumento significativo para a associação com
nitrato de potássio condizente para a germinação e vigor em grande número de observações.
Palavras chave: Sementes, germinação, potencial fisiológico, valor cultural.
11
VIGOR TEST ASSOCIATED BREAKING DORMANCY IN Brachiaria brizantha CV.
BRS PIATÃ
ABSTRACT: The Brachiaria brizantha (Hochst) Stapf cultivation is expanding in Rio
Grande do Sul, with the producers facing difficulties to buy quality seeds. The aim of this
study is to evaluate the consistent observations of purity and expression of germination and
the force of different batches of Brachiaria brizantha (Hochst.) Stapf cv. Piatã, in different
tests associated to breaking dormancy, with evaluations carried out in the laboratory and in
field area located in subtropical latitude. The experiment was conducted in the Federal
University of Santa Maria located in coordinates (27°39’S, 53°42’O) 490 meters of above sea
level in the city of Frederico Westphalen – RS, where part of evaluations were proceeded in
laboratory and part were proceeded in experimental field. The seeds studied are of cultivate
BRS Piatã deriving from five different batches, were evaluated the germination and the force
of seeds submitted to accelerated aging, cold test, normal test of germination and field test,
with the evaluation of the use of potassium nitrate as an alternative for overcoming dormancy,
the variables which revealed significant effects for interaction were dismembered in simple
effects, others to principal effect with average were compared by Tukey test at 5% probability
of error. Therefore in response to the evaluations proceeded it was observed a minimum
purity according to law for most of the batches, however expressing low cultural value, the
association with high temperatures and cold stress potentialized in some batches the
germination, with significative increase for the association with potassium nitrate consistent
with germination and force in a great number of observations.
Key words: Germination, seeds, cultural value, physiological potential
12
INTRODUÇÃO
O cultivo de Brachiaria brizantha (Hochst.) Stapf apresenta-se em expansão no Rio
Grande do Sul, justificado pelo bom desempenho produtivo em específicos microclimas que
possibilitam o cultivo. O Brasil é considerado referência e apontado como o maior produtor,
exportador e consumidor de sementes do gênero brachiaria (DIAS & ALVES, 2008).
As características que se destacam no cultivo de B. brizantha são sua rusticidade e
adaptação a variações climáticas. Ela foi introduzida a partir da África do Sul, apresentando
como características em destaque a boa resistência ao pisoteio e pastoreio intensivo, se
destacando pela alta qualidade bromatológica associada à produção de biomassa (BIANCO et
al. 2000).
A B. brizantha cultivar BRS piatã foi desenvolvida pela Embrapa Gado de Corte e
seus parceiros, com lançamento no mercado no ano de 2006, apresenta como característica
destacada a robustez e produtividade. A mesma apresenta-se como alternativa para realizar
frente a cultivar Marandu, apresentando desempenho de ganho médio de peso diário em pasto
superior (EUCLIDES et al. 2009).
Durante a evolução, as espécies desenvolveram mecanismos de defesa para as
variações ambientais, entre elas destaca-se a dormência, mecanismo que aumenta a
probabilidade de perpetuação das espécies. Entretanto em sementes de brachiária, verifica-se
a dormência como o principal fator da baixa germinação de sementes com destaque para a
dormência não fisiológica (CASTRO et al., 1996). As sementes têm o maior índice de
dormência em um breve período posterior a colheita (DIAS & ALVES, 2008).
Entre as formas que podem ser adotadas para a superação de dormência, estão à
exposição a altas temperaturas e tempo de armazenamento (MARTINS & SILVA, 2006),
tempo de armazenamento associado às altas temperaturas (VIEIRA et al. 1998a), e a
utilização de nitrato de potássio (MARTINS & SILVA, 2001).
Entre os principais problemas encontrados por produtores gaúchos destacam-se a
baixa qualidade de sementes adquiridas para os níveis de pureza e vigor presentes, problemas
também encontrados em outras regiões de comercialização (LAURA et al., 2009).
O objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade fisiológica de distintos lotes de
sementes de B. brizantha (Hochst.) Stapf cv. Piatã, em diferentes testes associados à
superação de dormência, com avaliações realizadas em laboratório e campo.
13
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na Universidade Federal de Santa Maria com
localização nas coordenadas (27°23’26”S, 53°25’43”W) a 490 metros de altitude no
município de Frederico Westphalen-RS, em área experimental de domínios do Laboratório de
Melhoramento Genético e Produção de Plantas da UFSM – Campus de Frederico Westphalen.
Neste local foram realizadas parte das avaliações em laboratório e outra parte no campo
experimental, em um ambiente composto por solo classificado como Latossolo Alumínico
férrico, e o clima descrito por Köppen é do tipo Cfa, subtropical úmido, apresentando
precipitação média anual de 1606 mm (MALUF, 2000).
Foram utilizadas sementes da cultivar BRS piatã representadas por cinco lotes, estas
sementes foram adquiridas em casas comerciais da cidade de Campo Grande - MS, escolhidas
de modo aleatório. Sementes classificadas como Certificadas, produzidas em campos
certificados na safra 2011/2012.
Todos os testes de determinação de vigor foram diferenciados em avaliação sem e
com a presença de superação de dormência utilizando KNO3 0,2% diluído em água na
realização dos testes.
As sementes foram submetidas à avaliação da qualidade através dos seguintes testes:
a) Pureza. Realizado a partir da separação da amostra média que foi dividida em amostras de
trabalhos possuindo massa de 10 gramas, separadas em sementes puras, outras sementes e
materiais inertes, com a determinação da pureza encontrada a partir da subtração de outras
sementes e material inerte (BRASIL, 2009).
b) Para determinação da umidade foi feita a separação de amostras médias, que
foram separadas em amostra de trabalho, determinando-se a umidade através do método de
estufa em alta temperatura, permanecendo as amostras em estufa de circulação de ar forçado a
105ºC durante período de quarenta e oito horas, além da aferição de massa e por diferença,
obtendo-se o teor de umidade das sementes (BRASIL, 2009)
c) A germinação foi realizada em rolo de papel germitest umedecido com água
destilada com 2,5 vezes a massa seca do papel. Foram feitas quatro repetições de 100
sementes com temperaturas noturnas oscilando 20ºC num período de 16 horas, e diurnas a
35ºC por período de iluminação artificial de 8 horas. A primeira contagem foi realizada sete
dias após a semeadura, outra aos 14 dias e a contagem final aos 21 dias (BRASIL 2009).
14
d) O envelhecimento acelerado foi conduzido com quatro repetições de 100 sementes
dispostas em recipiente tipo gerbox com tela de arame galvanizado, contendo 40 ml de água
alocada na extremidade inferior. As sementes foram incubadas a temperatura constante de
43ºC pelo período de 48 horas (KRZYZANOWSKI; VIEIRA e FRANÇA, 1999). Após este
período as sementes foram submetidas ao teste de germinação e as avaliações realizadas no
sétimo dia após a semeadura (BRASIL, 2009).
e) O teste de frio foi realizado com a utilização de 100 sementes dispostas em quatro
repetições com temperatura de 10ºC por um período de sete dias (NARDINO et al. 2013),
após, as mesmas foram dispostas à germinação, e as avaliações realizadas no sétimo dia após
a adura (BRASIL, 2009).
f) O índice de velocidade de emergência, oriundo da emergência a campo: a
semeadura foi realizada após preparo prévio da área com gradagem leve e abertura manual
dos sulcos dia 27/02/2013 em espaçamento de 0,20 m entre linhas para parcelas
dimensionadas em 2 m². As contagens de emergência foram procedidas aos 7, 10, 14, 17 e 21
dias após a semeadura, determinando-se o índice de velocidade de emergência.
As variáveis analisadas na condução do experimento foram germinação aos 7, 14 e
21 dias, emergência à campo, massa seca de plântula, comprimento da parte aérea,
comprimento de raiz e determinação da pureza dos distintos lotes, com a finalidade de
verificar a qualidade das sementes comercializadas obedecendo às Regras de Análise de
Sementes (BRASIL 2009).
Após a coleta dos dados as médias foram analisadas estatisticamente pelo teste de
Tukey com 5% de probabilidade de erro utilizando o programa estatístico GENES (CRUZ,
2006).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise de variância relevou significância para interação superação de dormência
nos lotes de B. brizantha cultivar Piatã, para as variáveis percentuais de sementes germinadas
aos 7, 14 e 21 dias, massa seca de plântulas e comprimento de parte aérea para os testes
padrão de germinação, frio, envelhecimento acelerado e comprimento de radícula. As
variáveis com ausência de interação foram a emergência de plântulas a campo aos 7, 14, 21
dias, índice de velocidade de emergência, comprimento de radícula para os testes normal de
germinação e envelhecimento acelerado, pureza e valor cultural.
15
Estudos são constantemente conduzidos de maneira a adequar as espécies para uma
germinação mais regular, rápida e completa na padronização de condições consideradas
ótimas (BRASIL, 2009a).
Conforme a tabela 1, as sementes germinadas na primeira contagem em ausência de
superação de dormência, os lotes 3 e 5 contam com maior percentual de germinação. Os
menores valores encontrados são para os lotes 1 e 2, para a utilização da superação de
dormência se observa nos lotes 1, 3, 4 e 5 os melhores valores de vigor e o lote 2 com os
menores. Em virtude dos resultados expressos, foi observado que o lote 2 não foi responsivo à
superação de dormência, pois apresentou valores baixos de germinação em condições ideais.
O tempo de armazenamento e o mesmo associado à tratamentos de sementes, trazem
respostas distintas para diferentes lotes (SANTOS et al., 2010).
Para a variável germinação final, encontram-se resultados semelhantes aos
encontrados em primeira contagem, com destaque para as melhores médias sem superação de
dormência para os lotes 3 e 5 e com os melhores valores encontrados nos lotes 1, 3, 4 e 5
quando submetidos a superação de dormência. Para a superação de dormência mais de um
método pode ser utilizado, ou também a associação de múltiplos métodos (LAGO &
MARTINS 1998).
Algumas espécies, após sua maturidade fisiológica, passam por um período
compreendido como latência, pois segundo Lago (1998), as sementes necessitam de
condições especificas para iniciar o processo de germinação em condições ideais, e a ausência
de germinação é fato indicativo de dormência, o que reflete diretamente sobre os resultados
em laboratório e a campo.
16
Tabela 1 - Médias para a variável contagem de germinação aos 7, 14 e 21 dias, submetida ao
teste normal de germinação em relação a distintos lotes de B. brizantha cultivar Piatã
associado ao uso de superação de dormência, onde S.S.D. (sem superação de dormência) e
C.S.D. (com superação de dormência), Frederico Westphalen –RS, 2013
Lote
7 dias
14 dias
21 dias
S.S.D.
C.S.D.
S.S.D.
C.S.D.
S.S.D.
C.S.D.
1
11,0 c B
26,5 a A
11,5 b B
27,0 a A
17,5 c B
33,2 a A
2
13,0 c A
15,2 b A
22,0 a A
17,7 b A
28,2 b A
20,7 b B
3
32,5 a A
25,0 a A
41,5 a A
29,5 a B
42,5 a A
31,0 a B
4
23,2 b A
25,7 a A
26,5 a A
27,7 a A
29,7 b A
31,2 a A
5
31,2 ab A
24,0 a A
38,0 a A
25,5 ab B
44,5 a A
29,0 ab B
CV (%)
25,64
21,8
21,71
R²
0,68
0,75
0,68
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem
estatisticamente a Tukey com 5% de probabilidade de erro.
De acordo com a tabela 2, que expressa valores de germinação em sementes
submetidas a teste de frio, encontram-se os melhores valores de germinação para os lotes 1, 4
e 5. Quando associado à superação de dormência com nitrato de potássio para primeira
contagem analisou-se o melhor vigor para os lotes 1, 3, 4 e 5 em comparação ao tratamento
testemunha. A utilização de nitrato de potássio proporciona melhor germinação de sementes
do gênero braquiária, apresentando grande expressão e aplicabilidade em condições de
semeadura no campo (SANTOS et al., 2011).
Para a variável germinação final observam-se os melhores valores de germinação
sem a associação com superação de dormência para os lotes 4 e 5, quando se associa a
germinação final com o nitrato de potássio verifica-se que os melhores valores são expressos
nos lotes 3 e 5. Pode-se verificar que em relação ao teste normal de germinação o nitrato de
potássio potencializou a germinação dos lotes de brachiaria, juntamente com a associação ao
frio, pois os valores encontrados nesta condição são mais expressivos em relação às sementes
que não passaram pelo estresse, concluindo-se que o estresse por frio aumentou a germinação.
Todavia, a exposição das sementes de brachiaria somente a condição de baixa temperatura de
armazenamento pode retardar a superação da dormência (VIEIRA et al., 1998a).
O melhor desempenho frente ao estresse das sementes ocorreu não apenas na
primeira contagem, demonstrando um maior vigor, mas durante todo o período do teste de
germinação. A germinação final expressa na tabela 2 demonstra que para os tratamentos sem
17
superação de dormência apenas o lote 5 encontra-se dentro dos padrões estabelecidos. No
entanto ao associar tratamentos contendo nitrato de potássio, a germinação final apresenta-se
dentro dos padrões estabelecidos para os lotes 1, 3 e 5. A qualidade da semente produzida
pode ser influenciada por fatores distintos, entre os quais se destacam a época na qual se
procede a colheita, o momento e principalmente o método empregado, resultando em distintas
respostas à qualidade fisiológica das sementes (CASTRO et al., 1994).
Tabela 2 - Médias para a variável, contagem de germinação aos 7, 14 e 21 dias, submetidas
ao teste de frio em relação a distintos lotes de B. brizantha cultivar Piatã associado ao uso de
superação de dormência, onde S.S.D. (sem superação de dormência) e C.S.D. (com superação
de dormência), Frederico Westphalen-RS, 2013.
Lote
7 dias
14 dias
21 dias
S.S.D.
C.S.D.
S.S.D.
C.S.D.
S.S.D.
C.S.D.
1
37,5 ab A
44,0 a A
42,0 c B
57,5 a A
45,5 b B
60,5 bc A
2
14,5 c B
32,0 b A
19,0 d B
35,0 b A
21,5 c B
42,5 c A
3
34,0 b A
46,5 a A
45,5 bc A
53,5 a A
46,5 b B
68,0 ab A
4
47,0 a A
32,5 ab B
51,0 ab A
51,0 a A
59,0 a A
56,5 c A
5
44,5 ab A
38,5 ab A
59,0 a A
54,5 a A
60,5 a B
73,5 a A
CV (%)
26,054
17,457
16,154
R²
0,597
0,759
0,806
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem
estatisticamente a Tukey com 5% de probabilidade de erro.
Ao analisar a tabela 1 na germinação final com e sem superação de dormência,
nenhum valor correspondeu à legislação vigente, devido ao fato de que submeter as sementes
à baixas temperaturas pode viabilizar a superação da dormência e adequação à lei. O mesmo
comportamento apresenta-se quando se adiciona nitrato de potássio em associação ao frio. Em
trabalho anterior realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi encontrado em uma
amplitude de 18 lotes de sementes comercializadas apenas um em acordo com a legislação
(LAURA et al., 2009).
Conforme a tabela 3, a germinação em sementes de braquiária submetidas ao teste de
envelhecimento acelerado, no teste de vigor em primeira contagem as melhores médias
expressas foram pertencentes aos lotes 1, 3, 4 e 5, com valores inferiores aos expressos nos
testes de referência expostos na tabela 1. Pode-se avaliar que a resposta a diferentes ambientes
18
é expressa em diferentes proporções pelos distintos lotes, com significativa influência do
manejo empregado em lavouras para produção de sementes e manejo de colheita das mesmas,
apresentando inferências diferentes na qualidade das sementes produzida (CASTRO et al.,
1994). As sementes de braquiária quando se liberam da planta mãe, nem sempre atingem sua
completa maturação, a qual é continuada em contato com o solo (LAGO & MARTINS,
1998).
De acordo com Meschede et al., (2004) o envelhecimento acelerado pode auxiliar na
superação da dormência, porém depende da qualidade inicial do lote, e em alguns lotes a
utilização do mesmo pode diminuir a germinação. Para a contagem final aos 21 dias, as
maiores médias continuaram a se expressar nas avaliações sem superação de dormência nos
lotes 1, 3, 4 e 5, entretanto nenhum dos lotes alcançou os valores exigidos como mínimos para
a comercialização de sementes, conforme descrito na legislação. Para a contagem final
expressa com superação de dormência com nitrato de potássio, as maiores médias foram
obtidas nas avaliações referentes aos lotes 1 e 5, os quais se apresentaram potencializados
com relação a testemunha.
Sem a presença da superação de dormência, pode-se verificar que a exposição ao
envelhecimento acelerado associado à quebra de dormência com nitrato de potássio expressou
resultados positivos para os lotes 1 e 5, os quais se encontram em acordo com a legislação
vigente. O nitrato de potássio até determinados níveis de concentração do mais eficiente,
potencializa a germinação de sementes de brachiaria, após a concentração ideal o mesmo
passa a ser prejudicial à germinação (VIEIRA et al., 1998b). Contudo, o envelhecimento
acelerado é um teste usual para avaliar o vigor de distintos lotes de sementes, destacando-se
como uma alternativa auxiliar na superação da dormência (LAGO & MARTINS, 1998).
Conforme a tabela 4, para a variável emergência a campo, na contagem aos 7 dias os
valores expressaram-se com igualdade estatística para a testemunha, em todos os lotes,
entretanto aos 14 dias após a semeadura observam-se diferenças significativas para a
associação ou não de superação de dormência, com superioridade encontrada nos tratamentos
contendo superação de dormência.
Já a contagem final aos 21 dias expressou-se com
destaque estatístico para as médias contendo superação de dormência. Os resultados aferidos
em testes de campo não são sempre satisfatórios, visto que podem apresentar grande
influência das condições ambientais (BRASIL, 2009a).
19
Tabela 3 - Médias para a variável contagem de germinação aos 7, 14 e 21 dias, submetida ao
teste de envelhecimento acelerado em relação a distintos lotes de Brachiaria brizantha
cultivar Piatã associado ao uso de superação de dormência, onde S.S.D. (sem superação de
dormência) e C.S.D. (com superação de dormência), Frederico Westphalen-RS, 2013.
7 dias
Lote
14 dias
21 dias
S. S. D.
C.S.D.
S. S.D
C.S.D.
S. S.D
C.S.D.
1
21,5 a B
59,5 a A
23,5 a B
64,5 a A
23,7 a B
66,5 a A
2
3,2 b B
38,0 b A
3,7 b B
43,5 b A
4,2 b B
53,0 b A
3
21,7 a A
10,0 c B
26,7 a A
12,0 c B
28,0 a A
12,5 c B
4
18,2 a A
4,0 c B
24,2 a A
6,0 c B
26,5 a A
7,0 c B
5
20,2 a B
65,5 a A
22,2 a B
69,5 a A
26,0 a B
73,5 a A
CV (%)
24,74
23,57
22,36
R²
0,94
0,93
0,94
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem
estatisticamente a Tukey com 5% de probabilidade de erro.
O índice da velocidade de emergência a campo é um parâmetro de avaliação
importante para o estabelecimento de um dossel vegetativo, levando em consideração o
ambiente no qual se deseja analisar e estudar as suas devidas proporções. Para o citado teste
de vigor, foi observada superioridade para o tratamento contendo superação de dormência
com nitrato de potássio, tendo o teste de vigor se destacado como um indicador que expressa
as reais condições de uma lavoura para implantação de área com cultura forrageira. O índice
de velocidade de emergência aumenta em associação ao maior tempo de armazenamento das
sementes (PEREIRA et al., 2011).
Os valores de germinação comparados da emergência a campo foram superiores nos
tratamentos com nitrato de potássio quando comparados à testemunha, apresentando
sobretudo diferença estatística para a avaliação do índice de velocidade de emergência na
associação de nitrato de potássio apenas para as avaliações procedidas nas condições de
campo.
20
Tabela 4 - Médias para a variável emergência a campo aos 7, 14, 21 dias e índice de
velocidade de emergência (I.V.E.), submetidas ao teste de campo em relação a distintos lotes
de Brachiaria brizantha cultivar Piatã, Frederico Westphalen-RS, 2013.
7 DIAS
14 DIAS
21 DIAS
I.V.E.
S.S.D.
17,77 a
23,73 b
30,40 b
25,58 b
C.S.D.
22,40 a
48,00 a
55,73 a
47,26 a
CV(%)
80,93
45,69
39,80
49,81
R²
0,146
0,462
0,456
0,355
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente a Tukey
a 5% de probabilidade de erro.
Ao observar a tabela 5, para a variável massa seca de plântulas, na comparação de
associação ou não com superação de dormência na variável normal de germinação, verificamse as maiores médias nos tratamentos sem a presença de superação de dormência, o mesmo
também pode ser observado no teste de frio e envelhecimento acelerado, com a associação de
tratamento de superação de dormência com nitrato de potássio apresentando diminuição da
germinação inicial de massa de plântulas. O nitrato de potássio pode potencializar o
desenvolvimento de plântulas, servindo como substrato para a síntese de aminoácidos e
proteínas, entretanto a sua absorção em doses elevadas pode prejudicar o crescimento
vegetativo (BONOME et al., 2006).
A variável massa seca de plântulas, para o normal de germinação, condiz que o lote 1
é apresentado com superioridade estatística em relação aos demais, o teste contendo
superação de dormência se expressa sem distinção. Entretanto, em relação ao teste de frio as
melhores médias encontram-se sem a superação de dormência para os lotes 2, 3 e 4, e em
associação a superação de dormência observa-se que as melhores médias são condizentes com
lotes 1, 2 e 3. As condições de ambiente expressam influência em relação às respostas da
planta relativas à produção de massa seca (TAIZ & ZEIGER, 2011).
O teste de envelhecimento acelerado expressa as melhores médias para os lotes 1, 4 e
5, quando condiz com a associação com nitrato de potássio o melhor lote observado
apresenta-se no lote 2. A influência gerada pelo manejo empregado em sementes de
braquiária, método de colheita e época de colheita, apresenta influência na germinação e vigor
das sementes com fácil compreensão após a aplicabilidade do teste de envelhecimento
acelerado (CASTRO et al., 1994).
21
Tabela 5 - Médias para a massa seca de plântulas submetidas ao teste padrão de germinação
(TG.), teste de frio (T.F.) e envelhecimento acelerado (E.A.) em relação a distintos lotes de
Brachiaria brizantha cultivar Piatã associado ao uso de superação de dormência, onde S.S.D.
(sem superação de dormência) e C.S.D. (com superação de dormência), Frederico
Westphalen-RS, 2013.
Teste Germinação
Teste Frio.
S. S. D
C.S.D.
S.S. D
C.S.D.
S.S.D
1
0,0134 a A
0,0065 a B
0,0106 b A
0,0082 a B
0,0080 ab A 0,0046 c B
2
0,0073 b A
0,0063 a A 0,0124 ab A 0,0078 ab B 0,0058 c A
0,0067 a A
3
0,0072 b A
0,0068 a A 0,0138 a A
0,0074 a B
0,0078 b A
0,0065 b A
4
0,0077 b A
0,0065 a A 0,0139 a A
0,0052 c B
0,0097 a A
0,0048 bc B
5
0,0048 c A
0,0064 a B
0,0060 b B
0,0084 ab A 0,0064 bc B
CV (%)
14,934
14,583
17,900
R²
0,855
0,870
0,650
Lote
0,0108 b A
Envelhec. Acelerado
C.S.D.
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem
estatisticamente a Tukey com 5% de probabilidade de erro.
De acordo com a tabela 6 referente ao comprimento de parte aérea de plântulas, para
a variável normal de germinação, encontram-se as melhores médias expressas nos lotes 1 e 5,
quando ocorre a associação com quebra de dormência encontram-se as mesmas relativas aos
lotes 1, 3 e 4 . Em função de estímulos ambientais e níveis de concentração hormonal, a
planta distribui e controla a velocidade de divisão celular e expansão celular (TAIZ e
ZEIGER, 2011).
Com relação ao teste de frio, os melhores valores compreendidos para comprimento
da parte aérea encontram-se nos lotes 1, 3 e 4, em associação dos mesmos com a quebra de
dormência, encontram-se as melhores médias compreendidas para os lotes 1, 2, 3 e 5.
Segundo Lago e Martins (1998), a exposição ao frio pode diminuir a dormência, porém em
menor intensidade.
Com relação ao envelhecimento acelerado, as melhores médias são compreendidas
para com os lotes 1, 3, 4 e 5, quando o mesmo em associação com o nitrato de potássio
observam-se as melhores médias para os lotes, 1, 2, 3 e 5. Em trabalho desenvolvido por
Nardino et al.(2013) também foi encontrada a diminuição da dormência na associação do
nitrato de potássio com o envelhecimento acelerado.
22
Tabela 6 - Médias para o comprimento de parte aérea de plântulas submetidas ao teste padrão
de germinação (T.G.), teste de frio (T.F.) e envelhecimento acelerado (E.A.) em relação a
distintos lotes de Brachiaria brizantha cultivar Piatã associado ao uso de superação de
dormência, onde S.S.D. (sem superação de dormência) e C.S.D. (com superação de
dormência), Frederico Westphalen-RS, 2013.
Teste Germinação
Teste Frio
Envelhec. Acelerado
S.S.D
C.S.D.
S.S.D
C.S.D.
S.S.D
C.S.D.
1
7,682 a A
4,480 a B
8,320 a A
4,150 ab B
6,990 ab A
6,365 a A
2
6,168 d A
3,260 c B
5,630 b A
4,820 ab A
6,485 b A
6,250 a A
3
6,461 cd A
5,125 a A
7,800 a A
4,500 ab B
7,725 ab A
5,394 ab B
4
6,429 cd A
4,600 a B
8,090 a B
4,000 b B
8,270 a A
4,770 b B
5
7.292 abc A 3.595 bc B 6.460 b A
5.125 a B
7.685 ab A
6.055 ab B
CV (%)
13,276
11,466
15,428
R²
0,854
0,890
0,604
Lote
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem
estatisticamente a Tukey com 5% de probabilidade de erro.
Conforme a tabela 7 para as médias de comprimento de radícula em teste normal de
germinação, observa-se superioridade nos tratamentos sem superação de dormência em
comparação com as médias associadas à superação de dormência. Segundo Souza Filho et al.
(1997), existe uma inter-relação entre substâncias as quais podem causar alelopatia nas
plantas, refletindo em diferentes desenvolvimentos radiculares.
Para a variável envelhecimento acelerado não houve distinção entre as observações
associadas ou não à superação de dormência. Para os lotes não foi esboçada diferença
significativa, as médias para comprimento médios de radícula expressaram-se próximas as
encontradas em trabalhos anteriores (MARTINS et al., 2006).
23
Tabela 7 - Médias para o comprimento de radícula (cm) em plântulas submetidas ao teste
normal de germinação (T.N.) e envelhecimento acelerado (E.A.) em relação distintos lotes de
Brachiaria brizantha cultivar Piatã com e sem superação de dormência, Frederico
Westphalen-RS, 2013.
T. Germinação
Envelhec. Acelerado
S.S.D.
4,3040 a
5,5193 a
C.S.D.
3,0467 b
5,3570 a
CV(%)
21,729
24,079
R²
0,518
0,222
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente a Tukey
a 5% de probabilidade de erro.
Para a variável comprimento de raiz primária, tabela 8, verifica-se no teste de frio sem
superação de dormência as melhores médias observadas para os lotes 3 e 5, todavia para o
teste associado à superação de dormência não ocorreram diferenças entre lotes, mostrando que
neste caso o frio pode ter influenciado na superação de dormência. Entretanto para os
tratamentos não associados à superação de dormência expressou-se superioridade para os
lotes 3 e 5, já para o lote 2 o mesmo não foi observado, compreendendo-se entre os melhores
valores para a superação de dormência. Submeter as sementes de brachiaria a baixas
temperaturas pode interferir em suas respostas fisiológicas (LAGO & MARTINS, 1998).
Tabela 8 - Médias para o comprimento radícula de plântulas submetidas ao teste de frio em
relação a distintos lotes de B. brizantha cultivar Piatã associado ao uso de superação de
dormência, Frederico Westphalen-RS, 2013.
Lote
S.S.D.
C.S.D.
1
4,450 b A
3,693 a A
2
3,080 b B
4,631 a A
3
6,480 a A
4,173 a B
4
3,960 b A
4,600 a A
5
6,112 a A
3,500 a B
CV(%)
23,105
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferem
estatisticamente a Tukey com 5% de probabilidade de erro.
De acordo com a tabela 9 as médias para pureza e valor cultural mostram que os
lotes 1, 2, 3 e 4 apresentam os melhores valores para pureza, e adequados a categoria de
24
sementes que confere com pureza mínima estabelecida pela legislação brasileira de 60% para
a comercialização das sementes (BRASIL, 2009b).
O valor cultural expressa as melhores médias para o lote 2 e 3, com os lotes 1 e 5
apresentando médias abaixo de 20%, sendo esse valor considerado baixo, encarecendo o custo
com transporte destas sementes da sementeira ao consumidor final, além de aumentar a
probabilidade de conter plantas invasoras junto a massa de sementes. As sementes invasoras
podem aumentar os níveis de degradabilidade das pastagens, que segundo Peron &
Evangelista (2004) afeta a sustentabilidade do sistema e a idade de abate dos animais.
O valor cultural é um método empregado para atestar a qualidade física e fisiológica
de sementes de brachiaria, onde valores abaixo de 50% são comumente encontrados
(MARTINS et al., 1998).
Tabela 9 - Médias para percentagem de pureza e valor cultural em relação a distintos lotes de
Brachiaria brizantha cv. Piatã Piatã associado ao uso de superação de dormência, Frederico
Westphalen-RS, 2013.
Lote
Percentual de Pureza
Valor Cultural
1
75,588 ab
11,589 c
2
75,791 ab
33,507 ab
3
90,313 a
42,899 a
4
71,492 ab
24,235 bc
5
55,158 b
16,648 c
CV(%)
6,560
11,444
R²
0,940
0,974
Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem estatisticamente a Tukey
com 5% de probabilidade de erro.
Como o valor cultural mostra o desempenho de pureza e viabilidade da semente, este
é o passo fundamental em direção ao máximo rendimento da cultura, tem-se com isto um
parâmetro dos custos de implantação, e se será possível conseguir, através de uma população
recomendável, a cobertura do terreno oferecida pela forrageira, oferecendo um desempenho
produtivo aos animais que usufruirão desta forragem.
25
CONCLUSÃO
Analisando fisicamente os distintos lotes estudados, quatro deles estão adequados à
legislação brasileira para a pureza mínima de 60%, todavia refletindo em um baixo valor
cultural presente em virtude da baixa germinação expressa em determinados lotes.
Os testes de germinação e vigor apresentam variação em função dos lotes, entretanto
expressam diferentes respostas para os tratamentos e associações empregados. De maneira
geral, destaca-se o teste de frio como um condicionante para a superação de dormência, o
mesmo pode ser observado para a avaliação do envelhecimento acelerado para a maior parte
dos lotes estudados.
Para a superação de dormência verifica-se o auxílio da associação do nitrato de
potássio, com o mesmo apresentando associação e respostas positivas para germinação de
sementes em condições de campo, também para sementes após exposição ao envelhecimento
acelerado e teste de frio.
LITERATURA CITADA
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28
ARTIGO 2
PODER GERMINATIVO DE UM ACESSO DE ALFAFINHA (Medicago polymorpha
L.) INFLUÊNCIADO PELA COLORAÇÃO E TEMPO DE ARMAZENAMENTO
Revista SODEBRAS (ISSN 1809 – 3957)
A alfafinha (Medicago polymorpha L.) tem seu centro de origem na Europa e
possivelmente sua introdução e naturalização no Brasil ocorreu através do estado do Rio
Grande do Sul, juntamente com a imigração de colonizadores no século passado. O objetivo
do trabalho foi analisar diferentes métodos de superação de dormência em sementes com
colorações e tempo de armazenamento contrastante e inferir sobre a influência em atributos
fisiológicos relacionado ao vigor das sementes de alfafinha. A coleta do material para estudo e
realização do experimento ocorreu em área de domínios da Universidade Federal de Santa
Maria extensão de Frederico Westphalen. O armazenamento das sementes procedeu à
temperatura constante de 35ºC e a separação das sementes por coloração ocorreu
manualmente. Os tratamentos realizados forma: testemunha, lixa manual, ácido giberélico
utilizado na concentração de 1000 p.p.m. e ácido mais lixa associado. Os tratamentos
empregados diferiram da testemunha expressando que a espécie é responsiva aos tratamentos
utilizados, com as maiores médias encontradas para germinação em tratamentos que usaram
lixa manual, com a coloração escura apresentando germinação maior que a clara em
determinados tratamentos.
Palavras chave: naturalização, dureza, dormência, vigor, separação.
29
INTRODUÇÃO
A alfafinha (M. polymorpha L.), planta espontânea naturalizada no estado do Rio
Grande do Sul, tem seu centro de origem na Europa e sua provável introdução no estado
ocorreu através da colonização de imigrantes europeus no século passado (SCHNEIDER,
2007).
Alguns acessos e cultivares de Medicago foram ocasionalmente introduzidos em
regiões da Austrália, Chile, África do Sul e Estados Unidos, e vários estudos de botânica,
taxonomia e ecologia foram realizados na bacia do mediterrâneo, mas a maioria dos
programas de seleção ocorre na Austrália onde espécies anuais do gênero Medicago são
amplamente cultivadas (PORQUEDDU, 2000).
A espécie também é naturalizada no Chile, onde em estudo de campo no período de
1988 e 1994 em uma gradiente de 1000 km foram identificados mais de 69 acessos coletados
durante pesquisas (DEL POZO et al, 2002).
Em trabalho desenvolvido no Uruguai com a finalidade de identificar espécies
oriundas da região do Mediterrâneo e Europa como um todo, encontrou-se a espécie M.
polymorpha L. com uma frequência de 7,02% de incidência nas regiões colonizadas por
europeus, classificada como planta que escapou do cultivo para se tornar espontânea em cinco
séculos de colonização (MÉROLA e RAIMONDO, 2007).
Em trabalho realizado na cidade de Olmedo – Itália, foi averiguada dormência para a
espécie, constatando-se que ao proceder a um período de descanso ao final do ciclo da espécie
em primeiro ano de implantação traz a agregação de um elevado número de sementes ao solo,
possibilitando a ressemeadura natural em anos posteriores (SITZIA et al, 2000). A mesma
apresenta flores com mecanismo de polinização típico de leguminosas apresentando sendo
elas papilionanthe (KALIN ARR0YO, 1981).
As sementes de M. polymorpha L. apresentam dormência, e em trabalho desenvolvido
com espécies do gênero Medicago ocorreu acréscimo significativo de tratamentos para
superação de dormência das sementes (KHAEF et al, 2011).
O objetivo do trabalho foi analisar diferentes métodos de superação de dormência em
sementes com colorações e tempo de armazenamento contrastantes e inferir sobre a influência
em atributos fisiológicos relacionado ao vigor das sementes de alfafinha.
30
MATERIAL E MÉTODOS
A coleta do material para estudo ocorreu em área de posse da Universidade Federal de
Santa Maria extensão Frederico Westphalen – RS localizada nas coordenadas (27°23’26”S,
53°25’43”W) com altitude aproximada de 490 metros, solo classificado como Latossolo
Alumínico férrico, e clima descrito por Köppen do tipo Cfa, subtropical úmido, com
precipitação média anual de 1606 mm (MALUF, 2000).
As sementes coletadas compreendem um acesso de plantas pertencentes ao gênero
Medicago e conforme classificação e características morfológicas pertencem a um acesso da
espécie M. polymorpha L. (IBPGR, 1991). Espécie caracterizada como exótica que apresenta
hábito de crescimento prostrado, com morfologia expressa em flores amarelas, legumes
espiralados com deiscência elástica (DAMBROS et al, 2004).
O material para estudo foi amostrado em pontos de ocorrência espontânea da espécie,
onde os legumes foram colhidos manualmente junto ao solo após senescência natural das
plantas, os legumes foram transferidos em sacos de papel e armazenados em estufa de
circulação de ar durante período de estudo. A coleta de material no campo foi realizada dia
21/10/2011.
Os fatores de avaliação foram tempo de armazenamento, diferentes métodos para
superação de dormência em sementes, espaçadas por diferentes colorações. As avaliações
realizadas foram o teste de vigor, onde foi mensurado número de sementes germinadas em
primeira e segunda contagem para verificar os melhores lotes gerados pelos diferentes
tratamentos.
Para avaliar as diferentes colorações de sementes, as mesmas foram separadas em duas
categorias diferenciadas: sementes de coloração clara e sementes de coloração escura, que
foram separadas manualmente após abertura das estruturas protetoras das sementes. A
coloração presente nas sementes apresentou uma proporção de 60:40, com as sementes claras
correspondendo a maior proporção em relação as escuras.
Os legumes foram armazenados em estufa de circulação de ar com temperatura
constante de 35ºC, as avaliações realizadas decorreram quando os legumes atingiram três
meses de armazenamento para a primeira época e seis meses de avaliação para a segunda
época.
Os tratamentos para superação de dormência estudados foram: lixa manual, ácido
giberélico na concentração 1000 p.p.m.(gL-1) exposto com o mesmo por um período de duas
horas; lixa manual mais ácido giberélico na concentração 1000 p.p.m. pelo período de duas
31
horas (T1-testemunha, T2-lixa manual, T3- ácido giberélico, T4-lixa manual associado ao
ácido giberélico).
As sementes foram trilhadas manualmente no Laboratório de Melhoramento Genético
e Produção de Plantas da universidade antes da realização dos testes, e separadas observando
as diferenças de coloração. A temperatura de germinação da B.O.D. foi de 20°C e utilizaramse quatro repetições de 100 sementes por gerbox, com a primeira e segunda contagem
realizada no quarto e 14° dia e os resultados expressos em percentagem de plântulas normais
(BRASIL, 2009).
- Separação das Sementes: Após a coleta no campo, transcorrido os períodos de
armazenamento estudados, três e seis meses, os legumes foram abertos manualmente com o
intuito de não danificar as sementes para posterior utilização dos tratamentos.
- Germinação: Foi utilizada a metodologia indicada pela BRASIL (2009), onde as sementes
foram dispostas em quatro repetições de 100 sementes, com as mesmas alocadas em papel
Germitest umedecido com água destilada na proporção de 2,5 vezes a massa seca do papel. A
temperatura adotada para germinação foi de 20 ºC, e foram consideradas plântulas normais as
que apresentavam raiz primária e hipocótilo sem deformações e danificações severas, as
sementes as quais não iniciaram o processo de embebição de água foram consideradas como
sementes duras.
- Primeira contagem: Foi realizada no 4º dia após o início do teste, onde procedeu a aferição
das plântulas germinadas e plântulas não germinadas (BRASIL, 2009).
- Segunda contagem: Foi procedida no 14º dia de condução do teste, onde foi mensurado o
percentual de plântulas germinadas e não germinadas (BRASIL, 2009).
- Sementes duras: Ao final da realização do teste foi avaliado dentre as sementes não
germinadas, as sementes duras, sementes que se caracterizam por não embeberem água,
geralmente por apresentar uma barreira física que impede o inicio da germinação.
- Plantas anormais: As plantas anormais se caracterizam pelas plantas que iniciaram o
processo de germinação, entretanto apresentando anormalidades como a surgimento de raízes
primárias deformadas e duplas e ou problemas relacionados ao hipocótilo.
Os dados foram submetidos à análise de variação, revelada a interação entre os fatores
passou-se ao desmembramento dos efeitos simples. As variáveis que não apresentaram
interação desmembraram-se aos efeitos principais de cada fator e comparados pelo teste de
Tukey com nível de 5% de probabilidade de erro.
32
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Houve interação significativa entre tratamento, coloração e tempo de armazenamento
para primeira contagem, também ocorreu interação significativa entre tratamento e coloração
para a germinação final.
Na tabela 10 estão descritos os valores de germinação na primeira contagem
resultantes da interação tempo de armazenamento x tratamento x coloração. Para sementes de
coloração clara em um tempo de armazenamento de três meses, o tratamento de superação de
dormência com lixa manual expressou superioridade em relação aos demais, com os
tratamentos testemunha e ácido giberélico apresentando inferioridade.
O tratamento utilizado para superar a dormência com lixa manual associado ao ácido
giberélico expressou inferioridade em relação ao tratamento com lixa manual. Analisando o
período de armazenamento para sementes de coloração escura no terceiro mês de
armazenamento, os dois tratamentos com lixa manual apresentaram as maiores médias.
O tempo de armazenamento apenas não proporcionou superação de dormência
expressiva, confirmado pelo tratamento testemunha que não se expressou entre os melhores.
Ratificando que a espécie de M. polymorpha apresenta resistência tegumentar, o que pode
ocasionar dormência, necessitando de tratamentos que proporcionem a superação desta
(KHAEF et al, 2011).
Para a variável coloração em período de armazenamento de três meses, todos os
tratamentos que apresentam coloração escura expressaram maiores valores de germinação,
com exceção ao tratamento com lixa manual que apresentou valores próximos de germinação
em diferentes colorações. As fabaceae podem ter diferentes colorações em populações onde
não se melhorou essa característica, com a coloração se apresentando como um fator que pode
influenciar no vigor das sementes, potencial de armazenamento e sua susceptibilidade a danos
por embebição (SOUZA & MARCOS-FILHO, 2001).
Para o tempo de armazenamento de seis meses, em sementes de coloração clara os
melhores resultados encontrados em primeira contagem foram para os tratamentos contendo
lixa manual e lixa associado a ácido giberélico, a testemunha e o ácido giberélico
apresentaram inferioridade nos testes de germinação, valores semelhantes aos resultados
encontrados para o menor período de armazenamento, entretanto na comparação do terceiro
mês de armazenamento e o sexto ocorreu um aumento da germinação. Caracterizando que a
espécie se apresenta responsiva a métodos de superação de dormência e também é
influenciada pelo seu armazenamento (SITZIA et al, 2000).
33
Para a coloração escura em primeira contagem os tratamentos contendo lixa manual
e lixa associada com ácido giberélico expressaram os maiores valores. Analisando as duas
colorações dentro do tempo de armazenamento de seis meses, novamente a coloração escura
apresentou superioridade em relação à coloração clara, onde apenas o tratamento lixa manual
associado ao ácido giberélico apresentou semelhança entre as duas colorações.
Tabela 10 - Percentual de sementes germinadas na primeira contagem para sementes de
coloração clara e escura, em tempos de armazenagem de três e seis meses, submetidas à
distintos tratamentos de superação de dormência, testemunha (Test.), lixa manual (L.M.),
ácido giberélico (GA3), lixa manual associada ao ácido giberélico (L.M.+GA3), Frederico
Westphalen-RS, 2013.
TARM
3
6
TRAT
Clara
Escura
Clara
Escura
Test.
0,50 c B α
40,25 b A β
2,00 b B α
55,50 b A α
L.M.
55,25 a A β
67,50 a A β
70,00 a B α
85,00 a A α
GA3
0,50 c B α
21,50 c A β
1,50 b B α
40,25 c A α
L.M.+GA3
31,50 b B β
64,50 a A β
72,75 a A α
77,75 a A α
CV (%)
20,45
Médias iguais seguidas de letras minúsculas fazem a comparação entre diferentes tratamentos,
maiúsculas fazem a comparação entre diferentes colorações, algarismos gregos comparação
entre tempo de armazenamento, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de
5% de probabilidade de erro.
Para a comparação das sementes na mesma coloração em distintos tempos de
armazenamento, pode-se observar que os tratamentos com lixa manual e lixa manual
associado ao ácido giberélico demonstraram menores valores para o tempo de armazenagem
de três meses, enquanto os tratamentos testemunha e ácido giberélico não expressaram
diferenças para o tempo de armazenamento.
Para a coloração escura, todos os tratamentos utilizados em tempo de
armazenamento de seis meses apresentaram maior número de sementes germinadas na
primeira contagem em comparação com a coloração clara, com destaque para o tratamento
com ácido, que apresentou elevada diferença e ácido associado à lixa que não diferiram.
O ácido giberélico auxilia na germinação das sementes escuras, porém o mesmo não
pode ser afirmado para sementes de coloração clara, acredita-se que a diferença de coloração
seja ocasionada pela maturação fisiológica em função do hábito de crescimento. Tratamentos
34
contendo a escarificação com lixa expressam melhores índices de germinação. A superação
do revestimento natural das sementes que é responsável pela impermeabilidade do oxigênio e
água é realizada com sucesso para o gênero Medicago com a utilização lixa manual (KHAEF
et al, 2011).
Conforme a tabela 11 para a avaliação da germinação final de sementes em distintas
colorações submetidas a diferentes tratamentos para a superação de dormência, dentre as
sementes claras os tratamentos que apresentaram melhor germinação foram os que continham
lixa manual e lixa em associação ao ácido giberélico, apresentando semelhanças com os
resultados encontrados para primeira contagem.
Para as sementes de coloração escura, também foram encontrados maiores valores de
germinação em tratamentos contendo lixa manual, com grandes diferenças no tratamento
contendo somente ácido giberélico, o qual apresentou significativo aumento na comparação
entre coloração clara e escura.
Como já demonstrado na tabela 10, as sementes de coloração escura continuaram a
apresentar valores de germinação superiores, com os tratamentos lixa manual e lixa manual
associado ao ácido giberélico não se diferiram entre si nas duas colorações, apresentando
grandes diferenças no tratamento contendo somente ácido, o qual apresentou significativo
aumento na comparação entre coloração clara e escura.
Segundo (KAHEF, 2011), a M. polymorpha L. apresenta sementes com espessura de
tegumento muito densa e serve de protetor mecânico, ocasionando as chamadas sementes
duras, dureza que diminui com o passar do tempo de armazenamento e justificado pelo alto
número de sementes não germinadas.
Tabela 11 - Percentual de sementes germinadas final e sementes não germinadas final para
sementes de M. Polymorpha L. separadas em coloração clara e escura submetidas à distintos
tratamentos de superação de dormência, testemunha (Test.), lixa manual (L.M.), ácido
giberélico (GA3), lixa manual associada ao ácido giberélico (L.M.+GA3), Frederico
Westphalen-RS, 2013
GF
NGF
TRAT
Clara
Escura
Clara
Escura
Test.
1,37 b B
51,12 b A
98,62 a A
47,62 b B
L.M.
75,37 a A
77,37 a A
23,87 b A
20,62 c A
GA3
1,87 b B
43,37 c A
97,87 a A
55,37 a B
L.M.+GA3
74,25 a A
77 a A
24,5 b A
21,25 c A
CV (%)
14,29
13,44
Médias iguais seguidas de letras minúsculas fazem a comparação entre diferentes tratamentos,
maiúsculas fazem a comparação entre diferentes colorações, não diferem estatisticamente pelo
teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade de erro.
35
Os percentuais de germinação final, não germinadas e plantas anormais em relação
ao tempo de armazenamento estão dispostos na Tabela 12. Nota-se que o tempo de
armazenamento não influenciou significativamente na germinação aos 14 dias apresentando
valores semelhantes, porém com uma tendência para o aumento da percentual de germinação
em função do tempo de armazenamento.
Tabela 12 - Percentual de sementes germinadas finais (GF), sementes não germinadas finais
(NGF), plântulas anormais (ANOR) em função do tempo de armazenamento (TARM) de três
e seis meses.
TARM
NGF
GF
ANOR
3
50,53 a
47,34 a
2,12 a
6
46,9 a
53,09 a
1,62 a
CV (%)
67,42
64,38
84,07
Médias iguais seguidas de letras minúsculas fazem a comparação entre diferentes tratamentos,
não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade de erro.
Entre os distintos tempos de armazenamento das sementes não se obteve diferenças
significativas para o percentual de plântulas anormais.
Tabela 13 - Percentual de plântulas anormais (ANOR) influenciado por diferentes colorações
(COR), Frederico Westphalen, 2013.
COR
ANOR
Clara
1,12 b
Escura
2,62 a
CV (%)
74,33
Médias iguais seguidas de letras minúsculas fazem a comparação entre diferentes tratamentos,
não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade de erro.
De acordo com a tabela 13, a coloração também apresentou influência sobre os
resultados encontrados para plântulas anormais. Esses valores são apresentados pela
comparação das médias com um maior número de plântulas anormais encontrados para
sementes de coloração escura. Enquanto sementes com coloração clara apresentaram menores
valores de plântulas anormais.
Tabela 14 - Percentual de sementes anormais (ANOR) submetidas aos distintos tratamentos
de superação de dormência (TRAT), Frederico Westphalen, 2013.
___________________________________________________________________________
TRAT
ANOR
Test.
0,75c
L.M.
1,50bc
GA3
2,25ab
LM+ GA3
3,00a________________________________________
Médias iguais seguidas de letras minúsculas fazem a comparação entre diferentes tratamentos,
não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade de erro.
36
Conforme expresso na tabela 14, a superação de dormência influencia no percentual
de sementes anormais, com a comparação de médias de sementes anormais apresentando
diferenças em função do tratamento. O tratamento com ácido giberélico associado à lixa
manual apresentou o maior valor de sementes anormais, sendo que o tratamento com ácido
giberélico se mostrou bastante semelhante.
A testemunha obteve os menores valores de sementes anormais, podendo se
constatar que os tratamentos empregados podem ter causado danificações ao embrião.
CONCLUSÃO
Os métodos de superação de dormência empregados expressam valores de germinação
superiores à testemunha, demonstrando que a M. polymorpha apresenta acentuada dormência
e é responsiva a métodos de superação da mesma, destacando os tratamentos de escarificação
com lixa manual.
O teste de vigor revela que lotes contendo sementes de coloração escura apresentam
maiores valores de germinação, com a coloração das sementes estando relacionadas a
processos fisiológicos da planta.
O armazenamento não difere estatisticamente entre as avaliações procedidas após a
colheita, mas apresenta uma tendência para sementes com maior tempo de armazenamento
expressarem maiores valores de germinação.
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VI. COPYRIGHT
Direitos autorais: Os autores são os únicos responsáveis pelo material incluído no artigo.
38
ARTIGO 3
COMPORTAMENTO FENOTÍPICO E QUALIDADE FISIOLÓGICA DE
SEMENTES DE BRACHIÁRIA E ALFAFA
Revista SODEBRAS (ISSN 1809 – 3957)
Resumo: O aumento das áreas com cultivo de pastagens no Brasil faz expandir a busca por
espécies com sementes de boa qualidade. O presente trabalho como objetivo ampliar os
conhecimentos sobre a qualidade de sementes e o comportamento fenotípico de genótipos de
Brachiaria e alfafa, para identificação de possíveis materiais que venham atender a crescente
demanda do setor forrageiro e tornar-se alternativa aos pecuaristas da região Sul do Brasil.
Avaliou-se quatro genótipos de Brachiaria (Mg5, Piatã,) Humidícola e Brizantha, e um
genótipo de alfafa, através de testes de laboratório e de campo, este último, para critério de
identificação dos materiais com melhor desempenho nas condições da região. Os trabalhos de
laboratório e de campo foram conduzidos em Frederico Westphalen – RS, situado na região
norte do estado. Encontrou-se um baixo percentual de germinação para os genótipos de
Brachiaria estudados, estando fora dos índices exigidos. A alfafa apresentou um bom nível de
germinação. Para os testes de vigor houve disparidade entre as espécies e entre os testes,
sendo as sementes de Brachiaria Humidícola com menor qualidade. A alfafa demonstrou que
quando exposta às condições adversas apresenta um bom desempenho quanto ao vigor, assim
como a Brachiaria Piatã e Brizantha na maioria dos testes para vigor. Os baixos percentuais
da qualidade fisiológica das sementes forrageiras encontradas neste estudo demonstram que é
necessário ampliar as pesquisas para identificação de genótipos com bom índice de vigor e
germinação, para assim vir a atender e tornar-se uma alternativa a crescente demanda do setor
pecuarista.
Palavras-chave: Vigor. Germinação. Desenvolvimento a Campo.
39
INTRODUÇÃO
Os problemas decorrentes do grande volume de produção, aliados à necessidade de
alcançar, controlar e manter elevado nível de qualidade exigem tecnologias apropriadas para
diversos tipos de sementes. A geração dessas tecnologias depende de um ágil e eficiente
sistema de pesquisa, capaz de vislumbrar antecipadamente as dificuldades e perceber os
problemas do programa de sementes, e de desenvolver as pesquisas necessárias à obtenção
das informações indispensáveis à sua superação (POPINOGIS, 1988).
A velocidade e a amplitude da expansão de áreas cultivadas com pastagens tropicais,
no Brasil, estão associadas à disponibilidade de sementes de qualidade, sendo que as
condições edafoclimáticas favoráveis às cultivares adaptadas a estas condições, e o
dinamismo dos empresários do setor favorecem a produção de sementes no Brasil. Estas
características fizeram do país o maior produtor, consumidor e exportador de sementes
forrageiras tropicais do mundo. (PARIZ et al. 2010).
O uso de sementes de má qualidade é causa frequente de fracasso na formação de
áreas de pastagens. A qualidade de um lote de sementes é o conjunto de atributos que
determina seu valor para semeadura. Os percentuais de pureza, germinação e de sementes
viáveis expressam alguns dos principais componentes deste conjunto. Tais informações são
obtidas em testes conduzidos em laboratórios de análise de sementes a partir de uma amostra
representativa do lote (EMBRAPA, 1995).
O gênero B. brizantha vem impondo-se pela notável capacidade de domínio ecológico
em solos ácidos e de baixa fertilidade, sendo que as espécies B. decumbens e, recentemente,
B. brizantha vêm trazendo solução provisória para a produção animal nos cerrados (ROCHA,
1986).
Segundo CASTRO; VIEIRA e CARVALHO (1994), as sementes de brachiaria
produzidas no Brasil têm apresentado baixos valores culturais de mercado, em torno de 40%
para B. decumbens e de 35% para B. brizantha, quando comparados aos índices que são
exigidos para exportação de sementes que são de 72 % B. decunbens e 63% B. brizantha
respectivamente.
A alfafa (M. sativa L.) originária da Ásia Central é uma fabacea perene, pertencente à
família fabaceae considerada a "rainha das plantas forrageiras", por apresentar elevado valor
nutritivo, grande produtividade e boa palatabilidade (PAULA; SILVA, 1998). Embora seja
uma planta típica de clima temperado, apresenta capacidade de adaptação a grande variedade
40
de climas e altitudes, podendo ser cultivada tanto ao nível do mar, quanto em altitudes
elevadas.
Apesar de ser uma das forrageiras mais difundidas em países de clima temperado,
recentemente a alfafa tem sido cultivada com sucesso em ambientes tropicais (RASSINI,
2007). Com base nestas informações, faz-se necessário aprofundar os estudos e buscar em
cada um dos itens individualizados o aumento produtivo destes materiais.
O objetivo deste trabalho é buscar na semente atributos, sejam eles físicos,
fisiológicos ou genéticos, que possam melhorar estes aspectos, bem como, minimizar ou
erradicar seus efeitos, através dos mais variados testes laboratoriais e de campo.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Melhoramento Genético e Produção de
Plantas e no campo experimental da Universidade Federal de Santa Maria – Campus de
Frederico Westphalen - UFSM, que se localiza através das coordenadas geográficas: 27º 23’
26”S, 530 25’ 43”W. O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho
Distrófico, e o clima da região, conforme classificação de Köppen é do tipo Cfa, subtropical,
com altitude de 490 metros (MALUF, 2000).
Os genótipos de braquiária e alfafa foram obtidos de campos de produção de sementes
da região Centro Oeste, a colheita dos materiais foi realizada de forma mecanizada, no ano de
2012.
Foram realizados os seguintes testes para avaliação da qualidade fisiológica de
braquiária cultivar Mg5, Piatã e Humidícola, Brizantha e Alfafa:
- Análise de pureza: Para a variável seguiram-se as recomendações da Regra de Análise de
Sementes (BRASIL 2009), para as braquiárias aferiu-se a massa de 10 gramas; para alfafa 5
gramas de amostra. Antecipadamente à retirada da amostra, fez-se a homogeneização de cada
material com homogeneizador mecânico e posteriormente os materiais foram divididos em
três frações: sementes puras, outras sementes e material inerte.
- Teste de umidade das sementes: Foram retiradas duas amostras para cada espécie da
fração de sementes puras, onde foram aferidas as massas, após foram dispostas em estufa com
ventilação forçada a 105 0C por 48 horas, passado este período, foram novamente aferidas as
massas e pela diferença estimou-se o teor de umidade das sementes.
41
- Massa de mil sementes: a condução do teste foi de acordo com a Regra de Análises de
Sementes (BRASIL 2009), utilizaram-se oito repetições de 100 sementes para cada gênero e a
média dos dados foi expressa em gramas.
- Germinação: seguiram-se os parâmetros indicados pela BRASIL (2009), as sementes foram
dispostas em caixa tipo gerbox com papel Germitest umedecido com água destilada 2,5 vezes
a massa, para as braquiárias juntamente com a água se diluiu KNO3 a 0,2% como mecanismo
de superação da dormência das sementes, a temperatura adotada segundo as indicações da
BRASIL ( 2009) para os genótipos de braquiária foi utilizado 25 ºC, para alfafa a temperatura
usada foi 20 ºC, para análise da variável utilizou-se quatro repetições de 100 sementes. Foram
consideradas como plântulas normais as que apresentaram radícula e hipocótilo, havendo uma
das partes desenvolvidas, foram consideradas como anormais, as demais sementes como
mortas.
- Envelhecimento acelerado: para condução do teste de envelhecimento acelerado, utilizouse o método descrito por KRZYZANOWSKI; VIEIRA & FRANÇA (1999), conduzido com
quatro repetições de 50 sementes, dispostas sobre uma bandeja de tela de arame galvanizado,
fixado no interior de caixas plásticas (gerbox) as quais continham 40 mL de água no fundo,
de modo que não se encostasse à tela e molhasse as sementes. As sementes dos genótipos de
braquiária foram incubadas na temperatura constante de 43ºC por 48 horas, entretanto a
alfafa permaneceu por 72 horas com a mesma temperatura, após este período as sementes
foram colocadas em condições ideais de germinação. Então, seguindo os mesmos padrões
indicados pela BRASIL (2009) para germinação, os materiais de braquiária passaram pela
superação de dormência com a mesma metodologia imposta para o teste de germinação.
- Primeira contagem: conduziu-se juntamente com o teste de germinação, computando-se a
porcentagem de plântulas normais, ou seja, com radícula e hipocótilo desenvolvidos, para
braquiária laborado aos sete dias e para alfafa aos quatro dias.
- Comprimento de radícula e hipocótilo: os comprimentos da raiz primária e do hipocótilo
foram aferidos após a contagem de germinação, com paquímetro digital. Os dados foram
processados em milímetros.
- Massa fresca e seca de plântula: realizado em seguida a contagem de germinação, foram
separadas dez plântulas que foram aferidas quanto massa fresca e posteriormente levadas
para câmera de ventilação forçada em temperatura de 60 ºC por 48 horas para obtenção da
massa seca.
- Teste de frio: desenvolveu-se através da disposição de 200 sementes dispostas em quatro
repetições de 50 sementes para cada espécie de braquiária e alfafa em câmera com
42
temperatura de 10 ºC por um período de sete dias, após foram colocados nas condições
normais de germinação, as sementes dos genótipos de braquiária passaram pela superação de
dormência.
- Emergência em campo: consistiu em avaliações em campo do comportamento das
espécies, através de três repetições, a semeadura ocorreu numa área em pousio,
antecipadamente ao processo de implantação das espécies o local foi roçado, e após passouse uma grade leve, então ocorreu a abertura dos sulcos manualmente, e a semeadura das
espécies ocorreu em 10/10/2010.
Foram semeadas nas densidades, para braquiárias de 15 kg ha-1 e alfafa de 12 kg ha-1,
com espaçamentos de 0,45 m, a parcela possuía 12m2 no esquema (3x4), as avaliações para
as espécies de brachiária foram efetuadas aos sete, 14 e 21 dias após a semeadura, para alfafa
a contagem ocorreu aos quatro e dez dias, para a avaliação da emergência se contou em um
metro linear nas duas linhas centrais da parcela o número de plântulas emergidas, tendo
conhecimento do número de sementes semeadas se obteve a percentagem de plântulas
emergidas.
- Altura média e da folha bandeira de planta: Para caracterização fenotípica sobre o
comportamento dos materiais nas condições edafoclimáticas do local, realizou-se a avaliação
partindo através de medições de dez plantas por repetição. A avaliação ocorreu após as
plantas já estarem estabelecidas e bem desenvolvidas, ela consistiu na retirada da altura
média das plantas na forma que estavam comportadas no campo, e das mesmas plantas se
retirou a altura de inserção da folha bandeira, partindo da base da planta até a altura onde
estava inserida a folha bandeira, avaliaram-se aos 45 e 60 dias após a emergência das
plântulas. A variável de inserção da folha bandeira foi imposta apenas para as poaceae.
- Número de afilhos: efetuado 65 dias depois da emergência das espécies, foram
contabilizados o número de afilhos de dez plantas, somente afilhos desenvolvidos ou em
desenvolvimento foram considerados para contagem.
Não sendo uma característica
intrínseca da alfafa, somente os genótipos de braquiárias foram avaliados para caráter.
Para as variáveis analisadas em laboratório utilizou-se o delineamento experimental
inteiramente casualizado com quatro repetições (envelhecimento acelerado, primeira
contagem, teste de frio) e dez repetições para o comprimento de raiz primária e de hipocótilo,
massa fresca e seca de plântula.
O delineamento experimental no campo foi de blocos casualizados com três repetições. Os
dados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste F, identificando as variáveis
43
de magnitude significativa, onde as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade de erro.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com relação ao comprimento da raiz primária houve diferença significativa a (P<0.05)
entre as espécies analisadas (Tabela15), a alfafa e B. humidícola apresentaram superioridade
para variável, de acordo com ZANUSO; MULLER e MIRANDA (2010).
Isso se explica pelo fato de o embrião ter adquirido melhores condições para
acúmulos de carboidratos e hormônios suficientes para um melhor crescimento da radícula.
Quanto ao comprimento do hipocótilo ocorreu diferença significativa entre materiais, onde a
B. Mg5 e brizantha obtiveram os maiores comprimentos, a humidícola teve o menor
comprimento de hipocótilo.
Segundo VANZOLINI et al. (2007), o teste é comumente empregado, pois apresenta
baixo custo e não demanda treinamento adicional específico para desenvolvimento da técnica,
e são relativamente rápidos, onde fornecem uma boa informação do vigor das sementes.
Tabela 15 - Massa Fresca (MF) e massa seca (MS) de plântulas em gramas e comprimento de
raiz primária (CR) e comprimento do hipocótilo (CI) em milímetros, Frederico Westphalen,
2013
Espécies
Alfafa
Brizantha
Piatã
Mg5
Humidícola
CV(%)
Médias seguidas
probabilidade.
CR
CI
MF
MS
27,89 a
10,97c
0,127d
0,018c
23,39 c
49,01ª
0,472b
0,089b
21,29 c
54,43b
0,456b
0,10 a
21,92 c
59,74ª
0,572 a
0,105a
25,60 b
49,77d
0,185 c
0,005d
3.92
2,07
3,88
3,04
pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente, Tukey a 5% de
Em relação à massa fresca e seca de plântulas os materiais tiveram diferença
significativa (Tabela 15), sendo atribuída a maior massa fresca a B. Mg5, a alfafa e a B.
humidícola obtiveram os menores resultados em massa fresca.
Os demais materiais não diferiram entre si para variável em questão. Para a análise
da massa seca, as espécies de B. Piatã e Mg5 se mostraram superiores nesta característica,
diferindo-se estatisticamente apenas dos demais materiais, as menores massas secas, assim
como fresca estão com B. humidicola e alfafa. Este teste, segundo POPINIGIS (1988), está
44
inserido como um teste direto para determinação do vigor, ou seja, está dentro dos testes que
simulam as condições adversas do campo. KRZYZANOWSKI; VIEIRA e FRANÇA (1999),
citam que a maneira precisa de avaliar a transferência de matéria seca, dos tecidos de reserva
para o eixo embrionário, é a massa de matéria seca de plântula, conferindo no trabalho a B.
Piatã e Mg5 como os materiais com maior capacidade para característica de transferência de
matéria para a plântula.
Para análise de primeira contagem de germinação verifica-se diferença significativa
entre as espécies estando com maior vigor analisado através do teste a alfafa e B. piatã, com
percentagem de 49 e 21,5% de germinação (Tabela 16). Em contrapartida os índices menos
significativos ficaram com B. Mg5 e B. humidicola.
Conforme KRZYZANOWSKI; VIEIRA e FRANÇA (1999), este teste é empregado
como mais um teste de vigor, pois sementes que apresentam maior percentagem de plântulas
normais na primeira contagem serão mais vigorosas que sementes de outros lotes, neste
aspecto a B. Piatã e alfafa apresentam superioridade para característica analisada.
Em relação à germinação (Tabela I6), obteve-se diferença entre os materiais onde a
alfafa apresentou maior percentual germinativo, relacionado aos demais, piatã e brizantha
tiveram índices semelhantes para variável, a B. Mg5 e B. humidicola proporcionaram os
menores percentuais de germinação (Tabela I6), estando muito abaixo dos índices ideais de
germinação para espécie (63%)
Este fato que confere a baixa percentagem de vigor e viabilidade das sementes pode
ser explicado parcialmente através da massa de mil sementes, em que para as braquiárias,
tanto a Mg5 como a humidícola, possui os menores níveis massas. Quando comparado às
outras cultivares ou espécies tropicais, a baixa expressividade dos materiais das braquiárias
pode ser vinculada a colheita precoce, como são materiais com inflorescência indeterminada.
Possivelmente estas sementes não apresentavam acúmulos de matéria seca, suficientes
para propiciar um desenvolvimento satisfatório no momento em que se efetuou a colheita, ou
ainda poderiam ter permanecidos expostos as intempéries climáticas por um longo período
após a maturidade fisiológica. Todos esses influenciadores potencialmente negativos a
viabilidade e vigor da semente se relacionam a massa destas sementes e segundo estes
autores, SILVA; MAIA e MORAES (2007), o peso da semente vincula-se a qualidade do
embrião, sendo as sementes mais pesadas as que possuem maior viabilidade.
Em relação ao envelhecimento acelerado (Tabela 16) empregado como teste de
vigor, ocorreu diferença significativa entre as espécies (p<0.05), em que a maior média é da
alfafa e da B. brizantha demonstrando maior qualidade fisiológica destas, em função das
45
condições impostas pelo teste de alta umidade e temperatura, em sequência aparecem B.
Piatã, as espécies B. Mg5 e B. humidicola que demonstram percentuais mais baixos, tendo
assim menor vigor medido através do teste.
Este trabalho contradiz as avaliações de PIRES (2006), que relatou que estas
condições de alta umidade e temperatura impostas por este teste são favoráveis a B.
humidicola. O envelhecimento acelerado é um teste comumente empregado na avaliação da
qualidade fisiológica (vigor) de sementes em geral, para estimar a longevidade durante o
armazenamento e a emergência no campo (DELOUCHE; BASKIN, 1973; LAGO;
MARTINS 1998).
O excesso de umidade é prejudicial à germinação das sementes, pois limita a entrada
de oxigênio e diminui a respiração, provocando atrasos ou paralisações no desenvolvimento
das plântulas e anormalidades (ausência de radicelas e formação de plântulas hialinas),
podendo resultar na morte das sementes (MARCOS FILHO; CÍCERO; SILVA, 1987).
Este fato pode estar relacionado com a queda na germinação da B. Piatã neste teste
de envelhecimento acelerado.
Tabela 16 - Resultados médios para germinação(G) %, primeira contagem de germinação
(PC) %, envelhecimento acelerado (EA) % e teste de frio (TF) %, para cinco espécies
forrageiras, Frederico Westphalen, 2013
Espécies
Alfafa
Brizantha
Piatã
Mg5
Humidícola
CV(%)
Médias seguidas
probabilidade.
G
86,75 a
32,50 b
32,00 b
17,25 c
2,50 d
2,37
pela mesma letra
PC
EA
TF
49,25 a
65,00 a
91,0 a
10,00 c
39,00 b
25,0 b
21,50 b
14,50 c
21,5 b
8,25 c
9,50 d
8,00 c
1,00 d
5,50 e
4,00 c
4,43
3,63
3,50
na coluna não diferem estatisticamente, Tukey a 5% de
O teste de frio (Tabela 16) foi utilizado no trabalho como mais um indicativo de vigor.
Para esta variável a alfafa expressou os maiores percentuais, e os menores índices, assim
como no teste anterior (E.A), ficaram com B. humidícola e a Mg5, comprovado através destes
testes que as sementes destes genótipos são de baixa qualidade fisiológica, onde estes fatores
devem ser observados pelos produtores, em casos de semeadura fora das condições ideais,
fatores que podem acarretar num baixo estande de plantas na área.
46
Tabela 17 - Resultados médios para germinação(G) %, primeira contagem de germinação
(PC) %, envelhecimento acelerado (EA) % e teste de frio (TF) %, para cinco espécies
forrageiras, Frederico Westphalen, 2013
Espécies
Alfafa
Brizantha
Piatã
Mg5
Humidícola
CV(%)
Médias seguidas
probabilidade.
G
86,75 a
32,50 b
32,00 b
17,25 c
2,50 d
2,37
pela mesma letra
PC
EA
TF
49,25 a
65,00 a
91,0 a
10,00 c
39,00 b
25,0 b
21,50 b
14,50 c
21,5 b
8,25 c
9,50 d
8,00 c
1,00 d
5,50 e
4,00 c
4,43
3,63
3,50
na coluna não diferem estatisticamente, Tukey a 5% de
O teste de frio é provavelmente o mais utilizado para a avaliação do vigor de
sementes de gramíneas (POPINIGIS, 1985; MARCOS FILHO; CÍCERO; SILVA, 1987;
LAGO; MARTINS 1998), tendo sido desenvolvido inicialmente para milho e posteriormente
adaptado para outras espécies. Atualmente, o teste de frio é frequentemente empregado para
espécies que normalmente não ficam sujeitas a condições de solo frio e úmido após
semeadura.
Através da análise de pureza física (Tabela 17) dos genótipos, nota-se que as
braquiárias e cultivares apresentam uma pureza relativamente baixa, sendo a B. brizantha o
material com menor índice de impurezas dentre as braquiárias, logo a alfafa apresenta a
maior pureza entre todas as espécies avaliadas, a B. Mg5 apresenta os maiores níveis de
impurezas com 63,55%.
Em relação à umidade das sementes (Tabela 17) a maior percentagem foi da B. Mg5,
podendo ser explicado o fato da baixa pureza, as sementes de braquiária colhidas
precocemente com maior teor de umidade pode dificultar o processo de separação das
sementes na colheitadeira, resultando num maior percentual de impurezas para o lote, a
menor umidade encontrada nas sementes foi da alfafa com 9,35%.
Tabela 18 - Resultados para pureza (PS) percentagem e umidade das sementes de cinco
espécies forrageiras, Frederico Westphalen, 2013
Espécies
Alfafa
Brizantha
Piatã
Mg5
Humidícola
PS (%)
95,9
64,82
48,9
34,55
59,46
US (%)
9,35
11,87
11,32
12,41
11,49
47
Na análise realizada para massa de mil sementes (Tabela 18) pode-se fazer uma
relação com estes materiais para a massa de plântula, percentagens de germinação e os testes
de vigor entre as braquiárias, demonstrando que a maior massa do genótipo acarreta no
melhor desempenho quanto aos testes submetidos.
Tabela 19 - Resultados médios para massa de mil sementes (MMS) em gramas, emergência a
campo aos sete (EC 7), 14 (EC 14) e 21 dias (EC 21) após e semeadura em percentagem,
Frederico Westphalen, 2013 Espécies
Alfafa
Brizantha
Piatã
Mg5
Humidícola
CV(%)
Médias seguidas
probabilidade.
MMS
2,002 c
6,522 a
6,985 a
4,310 b
2,261 c
3,75
pela mesma letra
EC 7
EC14
EC21
62,50 a
65,50 a
71,25 a
4,50 c
31,75 b
50,00 b
13,75 b
35,50 b
55,00 ab
2,50 c
35,75 b
55,00 ab
0,00 c
3,75 c
12,50 c
23,89
13,83
16,95
na coluna não diferem estatisticamente, Tukey a 5% de
Alguns autores (HOU & ROMO 1998; HARE; PARRY & BAKER 1999;
MALCOLM; HOLFORD & MCGLASSON 2003; SILVA; MAIA & MORAES 2007),
correlacionam o peso para avaliação intraespecífica de espécies da forma que sementes
pequenas carregam um embrião menor, assim uma baixa quantidade de reserva, enquanto
que sementes maiores apresentam um embrião mais desenvolvido com mais quantidade de
reservas, possuindo maior longevidade no solo, enquanto que sementes menores possuem
menor viabilidade no campo. Segundo os autores, pode-se correlacionar também a massa de
sementes com a percentagem de germinação e emergência, massa e comprimento de
plântulas, fatores determinantes para um bom estabelecimento.
Os estudos de HAMPTON (1986) mostraram que sementes grandes originam
plântulas mais vigorosas, que podem resultar em maior produtividade no caso de azevém,
quando semeado com igualdade de sementes por unidade de área. Considerando que as
espécies forrageiras estudadas, principalmente as braquiárias, possuem um lento
estabelecimento, para os quais são necessárias rápidas condições de pastejo, logo se
evidencia a exigência por sementes com maior qualidade fisiológica, característica citada
conforme os autores que pode ser atribuída ao maior peso de mil sementes.
Para as variáveis analisadas, emergência a campo aos 7, 14 e 21 dias (Tabela 18) houve
diferença significativa entre as espécies, onde para a variável de sete dias, a maior emergência
foi da alfafa, em sequência a B. piatã, os demais não diferiram estatisticamente.
48
Para a variável de 14 dias, a maior emergência a campo foi alcançada novamente pela
alfafa, os genótipos B. brizantha, Piatã e Mg5 apresentaram níveis de emergência
semelhantes, a B. humidicola obteve o menor índice de emergência a campo.
Para emergência a campo na variável de 21 dias, a alfafa, a Mg5 e Piatã apresentaram
índices similares, porém conforme a (Tabela 18) os menores índices foram apresentados pela
B. brizantha e B. humidicola, este resultado comprova que alfafa juntamente com B. piatã
possuem os melhores índices de viabilidade e de estabelecimento no campo, sendo espécies
com o melhor desempenho.
Os resultados de vigor obtidos no laboratório para B. humidicola são semelhantes aos
alcançados no campo, demonstrando serem sementes de baixo potencial fisiológico. Dessa
forma, verifica-se que as sementes de B. piatã, brizantha e de alfafa, ao mesmo tempo
apresentaram a maior taxa de germinação, maior emergência a campo, maior vigor medido
através do teste de frio, e maior vigor encontrado com o teste de envelhecimento acelerado.
Este fato é importante para caracterizar uma uniformidade no desempenho, com ótima taxa de
germinação em menor tempo, o que permite inferir que uma grande quantidade de sementes
tem potencial para rápido e uniforme estabelecimento nas condições de campo.
Com relação às avaliações fenotípicas atribuídas às espécies sobre comportamento no
campo iniciando pela altura dos materiais aos 45 e 60 dias após a emergência (Tabela 19),
ocorreu diferença onde a B. humidicola apresenta a menor altura para os dois períodos
analisados.
Tabela 20 - Resultados médios com número de afilhos medidos a campo aos 60 dias após
emergência (NA), altura média das plantas em centímetros (AM) e altura de inserção da folha
bandeira em centímetros (AIFB), Frederico Westphalen, 2013
Espécies
NA1
AM2
AM3
AIFB2
AIFB3
Alfafa
*
19,5 a
34,5 a
*
*
Brizantha
12,7ª
19,0 a
38,0 a
39,50 a
55,50 a
Piatã
9,2 ab
21,0 a
37,7 a
37,25 a
63,00 a
Mg5
9,5 ab
16,5 a
39,5 a
36,75 a
59,25 a
Humidícola
7,5 b
5,50 b
5,0 b
12,5 c
6,00 c
CV(%)
21,92
20,8
14,92
10,04
11,08
1
Número de afilhos aferido aos 65 dias após a emergência.
2
Altura média e de inserção da folha bandeira aos 45 dias após a emergência das plantas.
3
Altura média e da inserção da folha bandeira aos 60 dias após a emergência das plantas.
* Caracteres não avaliados na espécie forrageira.
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem estatisticamente a Tukey 5% de
probabilidade de erro.
49
Ao analisarmos a altura de inserção da folha bandeira aos 45 e 60 dias após a
emergência, obteve-se disparidade entre as espécies. As maiores alturas ficaram com Mg5,
Piatã e Brizantha, e a menor altura ficou com B. humidícola, fato que pode ser atribuído ao
hábito de crescimento, pois diferentemente das demais braquiárias esta possui um
desenvolvimento baixo e rasteiro.
Para a análise de número de afilhos atribuída somente as gramíneas (Tabela 19) por
planta, obteve-se diferença significativa em meio às braquiárias quanto à variável, ocorrendo
diferença expressiva. O mais elevado índice de afilhamento foi da B. brizantha, mas não
diferindo da piatã e da Mg5. Entretanto, a B. humidicola teve a menor expressão para variável
analisada. A alfafa não foi submetida à análise, considerando que esta não é uma
característica do genótipo.
O uso do caráter número de afilhos é bastante questionado quanto ao seu melhor
aproveitamento em diversas espécies, seja pela complexidade do controle genético e dos
processos envolvidos na sua manifestação fenotípica como pela sua resposta diferencial às
condições edafoclimáticas e sistemas de manejo, (KURAPARTHY; SOOD; DHALIWAL,
2007; OZTURK; CAGLAR; BULUT 2006, VALÉRIO et al, 2009).
CONCLUSÃO
Através das diversas análises atribuídas com as avaliações de qualidade fisiológica das
sementes dentre as espécies, assim como do desenvolvimento em campo, houve disparidade
nos resultados entre os materiais e testes.
As sementes da alfafa (M. sativa L.), diferentemente dos outros materiais estudados
expressam boa qualidade fisiológica, medida através dos testes do referido trabalho.
Os genótipos de braquiária apresentam qualidade fisiológica abaixo da exigida para
comercialização, onde as sementes advindas da região Centro Oeste submetida aos testes para
este estudo expressam baixo índice de vigor e germinação.
É indiscutível o potencial que o Brasil apresenta para a produção de sementes de
forrageiras tropicais, mas é importante que novas pesquisas incrementem mais conhecimento
de cada etapa do setor de produção de sementes elevando a qualidade das mesmas.
LITERATURA CITADA
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VI. COPYRIGHT
Direitos autorais: Os autores são os únicos responsáveis pelo material incluído no artigo.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com relação às espécies estudadas dos gêneros Medicago e Brachiaria é possível
afirmar que para ambas as espécies ocorre a presença de dormência, tratando-se de uma
recomendação sugestiva a adoção de métodos para superação de dormência.
O estudo do vigor expresso nos distintos lotes apresenta variação, condizente a
diferentes respostas fisiológicas, as quais estão associadas à procedência do lote e
características intrínsecas pertinentes à espécie estudada.
Os lotes adquiridos em comparação às leis que regem a pureza e germinação
mínimas necessária, na maior parte, os mesmos não atingiram os padrões estabelecidos na
legislação,
devendo
proceder
a
reavaliação
com
relação
a
fiscalização
desses
estabelecimentos, visto que facilmente se comercializam sementes de baixa qualidade.
Com relação às avaliações condizentes ao desenvolvimento fisiológicos de plantas,
as sementes semeadas a campo apresentam um crescimento inicial satisfatório às condições
edafoclimáticas do presente estudo, com os mesmo dados apresentando valores contrastantes
em relação aos dados padrões de laboratório, em virtude de diferentes valores de vigor
expresso nos diferentes lotes de sementes.
Em função das espécies estudas serem exóticas, as mesmas estão em constante
adaptação às condições edafoclimáticas brasileiras, visto a importância social e econômica
que o cultivo das mesmas representa para o Brasil, devem ser mantidos estudos constantes
que ajudem a esclarecer e solucionar possíveis problemas encontrados no manejo das
espécies.
A qualidade de sementes em relação à germinação e vigor nestas espécies,
principalmente nos genótipos de braquiária, com certeza é o grande problema para ser
enfrentado. Entretanto será importante a participação de um sistema efetivo de fiscalização e
ação complementar de laboratórios com bons equipamentos e bom monitoramento na
produção, visando estas espécies como alternativas forrageiras para as diferentes regiões com
potencial de expansão da pecuária.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Faculdade de