O GÊNERO TEXTUAL ENTREVISTA DE RECRUTAMENTO E
SELEÇÃO DE PESSOAL COMO “FERRAMENTA” DE INSERÇÃO DO
ESTUDANTE DO ENSINO MÉDIO NO MERCADO DE TRABALHO
Rosemary Cândido Coelho
Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade Ibirité
Departamento de Letras
RESUMO: O Ensino das últimas séries da Escola básica do Brasil passa, segundo os autores
dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (2008), por um processo de
reformulação que objetiva preparar, os estudantes deste meio social e educacional, para a vida
trabalhista ou acadêmica. Em consonância com esse objetivo, percebe-se que os Governos
Federal do Brasil e Estadual de Minas Gerais vêm implementando vários projetos que visam a
atender, principalmente, os objetivos acadêmicos ou trabalhistas deste público em específico,
vislumbrando a inserção desses jovens cidadãos brasileiros no cenário trabalhista nacional ou
internacional. Este trabalho, na etapa das pesquisas bibliográficas, trouxe as contribuições de
teóricos ou pesquisadores renomados das áreas da Linguística, Administração de Pessoas e da
Psicologia Comportamental, como: Marcuschi, Bakhtin, Bazermam. Dolz & Scheneuwly,
Coscarelli, Chiavenato, Maximiano, Maslow, Herzberg e outros. Contudo, para tentar
comprovar que o ensino dos gêneros textuais, formulário escrito de requisição de emprego
e entrevista de seleção de pessoal oral, empregados geralmente pelos especialistas da Área
de Gestão de Pessoas, como ferramenta de trabalho, nas etapas de Recrutamento e Seleção de
Pessoal, podiam, no contexto do Ensino Médio da turma 3003, de uma escola estadual da
cidade de Contagem- Minas Gerais, contribuir para a aprendizagem e motivação dos alunos
nas aulas de Língua Portuguesa e facilitar a inserção destes estudantes, no Mercado de
trabalho. Foram realizadas duas pesquisas de campo: uma na Escola Estadual com os alunos
supramencionados e outra em duas Agências de Recursos Humanos, instaladas em Contagem
há mais de sete anos. Os resultados dessas pesquisas, apresentados neste trabalho de forma
qualitativa e quantitativa, revelaram que a escolha no ambiente educacional, dos objetos de
ensino-aprendizagem com a participação ou de acordo com as reais necessidades dos alunos,
pode elevar , de forma positiva, o nível de motivação e aprendizagem em sala de aula. E que
no meio social, o domínio dos gêneros textuais pesquisados, podem facilitar a entrada dos
concluintes do Ensino Médio ao cenário organizacional ou empresarial. Com intuito, de
averiguar quais eram os planos desses estudantes para o futuro, a pesquisadora elaborou um
questionário informativo com foco no aluno. O resultado deste instrumento diagnóstico,
surpreendeu a comunidade escolar do contexto pesquisado, pois a maioria dos alunos
responderam que precisavam ingressar no mercado de trabalho, para tentar conciliar ou
realizar seus sonhos acadêmicos, após a conclusão do Ensino Médio,. No entanto, os
educadores de Língua Portuguesa, acreditando que o foco desses era passar, principalmente,
no Exame Nacional do Ensino Médio, escolhiam os objetos de ensino, inclusive os gêneros
textuais, que visavam ao meio acadêmico e não ao mercado de trabalho. As observações feitas
ainda neste contexto educacional durante a fase da pesquisa de campo, apontaram que a falta
de capacitação dos professores e outras questões trabalhistas, colocavam em risco o
desenvolvimento dos projetos lançados pelo Governo Estadual e Federal e, que de acordo com
a pesquisa de campo voltada para a Gestão de Pessoas, os alunos que estão concluindo o
Ensino Médio na cidade de Contagem não estão atingindo seus objetivos neste meio social
porque não dominam os gêneros textuais orais e escritos, que são exigidos ou cobrados nos
processos de recrutamento e seleção de pessoas.
PALAVRAS-CHAVE: Entrevistas de Recrutamento e Seleção de Pessoal; Ensino Médio; Gêneros
Textuais.
1. Introdução
Este artigo propõe o uso dos gêneros textuais ou ferramentas de trabalho, formulário
de requisição de emprego e entrevista de seleção oral como objeto de ensino-aprendizagem
nas aulas de Língua Portuguesa dos concluintes do Ensino Médio e defende o uso de
instrumentos diagnósticos para tentar identificar os planos destes estudantes para o futuro.
Parte das pesquisas bibliográficas e de campo compõem o TCC (Trabalho de Conclusão do
Curso) de Letras da autora deste texto, aprovado pela UEMG – Unidade Ibirité, em junho de
2014.
De acordo com esse TCC, preparar os jovens do 3º ano do Ensino Médio das escolas
estaduais para os desafios do meio trabalhista, justifica-se uma vez que, muitos desses, mesmo
desejando dedicar-se exclusivamente à carreira acadêmica, acabam ao encerrarem esta etapa
de ensino, indo para o MT (Mercado de Trabalho) tentar sua inserção profissional. Diante
disso, levando em consideração as questões político-educacionais e as mudanças deste mundo,
cada vez mais globalizado, questionou-se nesta pesquisa, se as entrevistas que compõem os
processos de R&S (Recrutamento e Seleção de pessoal) podiam no contexto do Ensino Médio
de Língua Portuguesa da turma 3003,
do turno vespertino de uma escola estadual do
município de Contagem, MG (Minas Gerais), contribuir para a aprendizagem, motivação e
inserção desses estudantes no mercado de trabalho.
Contudo, percebe-se que, no MRH (Mercado de Recursos Humanos) existe um
processo chamado recrutamento de pessoal, que antecede o processo de seleção de pessoas. O
candidato, para participar deste último, precisa preencher adequadamente seus dados
cadastrais nos formulários de requisição de emprego ou produzir seu próprio currículo. Essas
ferramentas ou gêneros textuais poderão ser enviados, de maneira virtual ou de forma
presencial, para as agências de emprego ou empresas contratantes.
Depois desse processo de recrutamento, o especialista de recursos humanos poderá
utilizar na próxima etapa (seleção de pessoas), como instrumento de trabalho, a entrevista de
seleção de pessoal oral, ferramenta considerada altamente subjetiva por vários teóricos, mas
que “além de ser a mais utilizada pelos especialistas ou gestores desta área, acaba decidindo
em grande parte, qual candidato será aprovado ou não, nos processos interno ou externo de
RH ( Recursos Humanos)”. (CHIAVENATO, 2010, p. 144 e 145).
Tendo em vista esses processos sociais, a teoria dos gêneros textuais que tem sido
considerada uma grande inovação no âmbito da língua falada no Brasil, da qual fazem parte os
gêneros (formulário de requisição de emprego, entrevista de seleção oral e questionário
informativo) e levando em consideração duas teorias da motivação humana que fazem parte
da psicologia comportamental, este artigo apresenta a seguir seu referencial teórico.
2. Referencial teórico
O referencial teórico desta pesquisa que baseia-se de maneira geral no campo
Educacional e no Mercado de Trabalho e de forma mais específica pertence, principalmente,
às áreas de Linguística, Administração e Gestão de Pessoas, traz para tentar alcançar seus
objetivos geral e específico as contribuições de teóricos ou pesquisadores como: Marcuschi
(2008), Dolz & Sheneuwly (2004), Coscarelli (2007), Bazerman (2011) , Bakhtin (2003),
Chiavenato (2010), Maximiano (2007) e outros que serão citados ao longo deste texto.
3. Objetivos
O objetivo principal deste artigo é avaliar, sem pretensão de esgotar esse assunto, se o
estudante do 3º ano do EM, ou o candidato que concluiu recentemente essa modalidade de
ensino no município de Contagem, possui ou não, o domínio dos gêneros textuais: formulário
de requisição de emprego e da entrevista de seleção de pessoal oral, que fazem parte dos
processos de R&S de pessoas.
Especificamente, este texto objetivará refletir sobre a teoria e o ensino dos gêneros
textuais no cenário educacional brasileiro, apresentar o gênero textual formulário de
requisição de emprego e entrevista de seleção como objeto de ensino-aprendizagem, discutir
a partir de Maximiano (2007) as contribuições das teorias motivacionais de Maslow e
Herzberg e, por fim, expor os resultados das pesquisas de campo realizadas no contexto da
Turma 3003 e de duas Gestoras de Recursos Humanos.
4. Metodologia
Para tentar responder aos vários questionamentos levantados na fase das pesquisas
bibliográficas, foram realizadas, neste trabalho, duas pesquisas de campo. Sendo assim, foram
escolhidas uma Escola Estadual e duas Agências de R&S de pessoal. Os modelos empregados
nas pesquisas de campo foram de cunho qualitativo e quantitativo. No meio educacional
utilizou-se “in loco” o método de observação e para coleta de dados os instrumentos de
pesquisa ou questionários informativos com foco no aluno e no educador e o formulário de
requisição de emprego.
A segunda pesquisa de campo, que contou com a participação de duas especialistas de
Recursos Humanos, aconteceu de maneira virtual e além dos meios de comunicação e
informação, (telefone e computador), utilizou-se na coleta de dados, o (questionário
informativo com foco no gestor, conversas telefônicas e e-mails).
5. Desenvolvimento
Sabendo-se que as entrevistas de recrutamento e seleção de pessoas pertencem ao
estudo das teorias dos gêneros textuais e que esta vem mudando atualmente o modo de
ensinar e aprender Língua Portuguesa no nosso país, no desenvolvimento deste texto
apresenta-se, primeiramente, a “Teoria dos gêneros textuais”, em seguida, “O gênero
entrevista”, para logo após, “As contribuições de Maslow e Herzberg” e, por último, alguns
“Resultados das duas pesquisas de campo”.
5.1 Teoria dos gêneros textuais
Marcuschi (2008, p. 147) afirma que o estudo dos gêneros textuais não é novo. Esse,
“no Ocidente possui pelo menos vinte e cinco séculos e iniciou-se com a observação
sistemática de Platão.” O que se tem hoje, é “uma nova visão do mesmo tema” e sobre a
expressão “gênero”. O mesmo autor comenta que,
A expressão “gênero” esteve, na tradição Ocidental, especialmente ligada aos
(gêneros literários, cuja análise se inicia com Platão para se firmar com Aristótoles,
passando por Horácio e Quintiliano, pela idade Média, o Renascimento e a
Modernidade, até os primórdios do século XX. (MARCUSCHI, 2008, p. 147).
Na opinião do pesquisador, embora exista no cenário atual uma dificuldade no
tratamento desse tema, provocada pela abundância e diversidade de fontes e perspectivas de
análise “o estudo dos gêneros está tornando-se um empreendimento cada vez mais
interdisciplinar”. (MARCUSCHI, 2008, p. 149).
Nesse sentido, percebendo que o ensino dos gêneros textuais pode ser feito, não só na
área da linguística e que esses se encontram “no cotidiano da sociedade nas mais diversas
formas”, é preciso então “dominar bem os gêneros textuais para empregá-los livremente”.
(BAKHTIN, 2003, p. 285. Apud COSCARELLI, 2007, p. 80).
De acordo com essa fala de Bakhtin (2003, p. 285), conclui-se que o domínio dos
gêneros textuais pode facilitar a comunicação e a interação do indivíduo no meio social. Logo,
isso significa que: “precisamos conhecer e nos familiarizar com os diversos gêneros textuais
que circulam em nossa sociedade”. (COSCARELLI, 2007, p. 81). Diante disso, pressupõe-se
que o uso e reflexão de diferentes gêneros textuais em sala de aula são importantes. No
entanto, na visão desta pesquisadora, não precisamos conhecer todos os gêneros textuais, pois,
Há gêneros para ler e gêneros para escrever, para ouvir, para falar. A maioria das
pessoas não precisa saber escrever bula de remédio, mas a maioria delas precisa
saber ler bulas. Precisamos saber onde encontrar as informações de que precisamos.
Não precisamos saber escrever poemas ou textos, mas precisamos saber ler esses
textos (a escrita desses textos pode ser um exercício lingüístico e\ ou lúdico, sem a
obrigação de ser um texto realmente literário). (COSCARELLI, 2007, p. 83).
Em contrapartida, ela acredita que precisamos saber ler e escrever bilhetes, recados
telefônicos, torpedinhos, teclar MSN (Microsoft Service Network), ler e navegar em sites de
busca e etc., porque são textos frequentemente usados no nosso cotidiano. Já com o acesso
cada vez maior das pessoas ao ensino superior, Coscarelli (2007, p. 83) considera também
importante, que,
as pessoas aprendam a fazer resumos, resenhas, projetos, entre outros. Mas, não
podemos generalizar dizendo que todo mundo tem de saber este ou aquele gênero.
Isso vai depender muito da comunidade e das situações de comunicação que são
recorrentes naquele ambiente social. (COSCARELLI, 2007, p. 83).
Sendo assim, verifica-se que para a autora, os gêneros textuais orais ou escritos devem
ser adotados em sala de aula a partir da observação do ambiente social e das necessidades de
leitura e escrita do próprio aluno. Mas como detectar essas necessidades? Será que além do
método de observação o professor de Língua Portuguesa do EM não deveria dispor de um
instrumento diagnóstico mais preciso para tentar descobrir quais são de fato, os planos dos
seus alunos para o futuro? Afinal, o que podemos fazer para evitar que as escolhas dos
gêneros textuais, nas aulas de Língua Materna, sejam feitas de maneira menos subjetiva?
O questionário informativo com foco no aluno, elaborado inicialmente para tentar
traçar o perfil dos estudantes da turma 3003, surgiu dessas reflexões e por possuir, na visão da
pesquisadora, um caráter investigativo, apresentou-se durante a primeira pesquisa de campo
como um bom instrumento diagnóstico, podendo desta forma, ser utilizado desde as séries
iniciais do Ensino Médio, para que os educadores de Língua Portuguesa escolham os gêneros
textuais com os quais que irão trabalhar em sala de aula, de acordo com a realidade do seu
alunado.
Feito este diagnóstico e a escolha dos gêneros textuais, é preciso verificar se o
educador sente-se capacitado para trabalhar com esta teoria, pois a falta de consenso em
relação à definição e a distinção de termos importantes como gêneros e tipos textuais, acaba
dificultando na opinião de vários teóricos e pesquisadores o tratamento dessa abordagem no
ambiente escolar.
Tendo em vista a identificação e a definição dos gêneros textuais, Bazerman (2011, p.
32) afirma que estes não devem ser definidos como apenas um conjunto de traços textuais,
uma vez que,
A definição de gêneros como apenas um conjunto de traços textuais ignora o papel
dos indivíduos no uso e na construção de sentidos. Ignora as diferenças de percepção
e compreensão, o uso criativo da comunicação para satisfazer novas necessidades
percebidas em novas circunstâncias e a mudança no modo de compreender o gênero
com o decorrer do tempo.
Para esse linguista norte-americano, “Podemos chegar a uma compreensão mais
profunda de gêneros se os compreendermos como fenômenos de reconhecimento psicossocial
que são parte de processos de atividades socialmente organizadas.” De acordo com essa teoria
os gêneros são,
tão- somente os tipos que as pessoas reconhecem como sendo usados por elas
próprias e pelos outros. Gêneros são o que nós acreditamos que eles sejam. Isto é,
são fatos sociais sobre os tipos de atos de fala que as pessoas podem realizar e sobre
os modos como elas os realizam. Gêneros emergem nos processos sociais em que
pessoas tentam compreender uma às outras suficientemente bem para coordenar
atividades e compartilhar significados com vistas a seus propósitos práticos.
Contudo, Marcuschi (2008, p. 154) antes de apresentar de forma mais sistemática
as definições de gênero textual e tipo textual, observa que esses termos raramente são
definidos de modo explícito e para esse teórico o gênero textual, refere-se,
aos textos materializados em situações comunicativas recorrentes. Os gêneros
textuais são os textos que encontramos em nossa vida diária e que apresentam
padrões sociocomunicativos característicos definidos por composições funcionais,
objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças
históricas, sociais,institucionais e técnicas. Em contraposição aos tipos, os gêneros
são entidades empíricas em situações comunicativas e se expressam em designações
diversas, constituindo em princípio listagem abertas. (MARCUSCHI, 2008, p.155).
Como exemplos de gêneros textuais, esse pesquisador cita entre outros: telefonema,
sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem e etc. Já o termo tipo
textual, em sua abordagem teórica, designa:
uma espécie de construção teórica{em geral uma sequência subjacente aos textos}
definida pela natureza lingüística de sua composição{ aspectos
lexicais,
sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, estilo}. O tipo caracteriza-se muito mais
como sequências lingüísticas (sequências retóricas) do que como textos
materializados; a rigor, são modos textuais. Em geral, os tipos textuais abrangem
cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação,
exposição, descrição, injunção. O conjunto de categorias para designar tipos textuais
é limitado e sem tendência a aumentar. Quando predomina um modo num dado texto
concreto, dizemos que esse é um texto argumentativo ou narrativo ou expositivo ou
descritivo ou injuntivo. (MARCUCHI, 2008, p. 154 e 155).
Nota-se que no contexto do ensino de Língua Portuguesa, além do conhecimento
prévio desses termos, é preciso que o educador saiba empregar na prática a teoria dos gêneros
textuais. No entanto, ao avaliar os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) desta disciplina,
de 1998, Segate (2010 ) concluiu que, apesar desse oferecer inúmeras contribuições para os
profissionais que atuam nessa área, não mostra como trabalhar na prática com este arcabouço
teórico . Diante disso, ela indica a teoria proposta pelos suíços Dolz & Scheneuwly (2004) que
além de congregar para a pesquisadora as orientações do PCN (1998), sugerem como pensar e
como trabalhar os diferentes gêneros em sala de aula.
Segate (2010) diz no seu artigo que Dolz & Scheneuwly (2004) com intuito de tentar
entender as particularidades de cada gênero, compreender a relação entre os gêneros
trabalhados na escola e os
que fora dela funcionam como objeto de referência para o
aprendizado do aluno, formularam um modelo didático. Esse, possui uma sequência didática,
que na obra Gêneros orais e escritos na escola, é definido como:
Uma sequência de módulos de ensino, organizados conjuntamente para melhorar
uma determinada prática de linguagem. As sequências didáticas instauram uma
primeira relação entre um projeto de apropriação de uma prática de linguagem e os
instrumentos que facilitam essa apropriação (DOLZ & SCHENEUWLY, 2004,
p.51).
Ao finalizar essa passagem do texto, torna-se relevante dizer que a professora regente
de Língua Portuguesa da turma 3003, conhecia de maneira aprofundada a teoria dos gêneros
textuais e o modelo da sequência didática proposto por Dolz & Scheneuwly. Porém, ela fez
questão de pontuar para a pesquisadora que nunca recebeu das duas escolas estaduais onde
atua nenhum tipo de treinamentos ou reciclagem sobre esses conhecimento linguísticos. Para
não ficar desatualizada, esta educadora investiu com recursos próprios na sua carreira
profissional. Mas ela assegura que por motivos diversos, a maioria de suas colegas de
profissão não fizeram este movimento e em sua opinião, essa falta de capacitação vem
interferindo na qualidade de ensino e colocando em risco os projetos educacionais
implantados pelo governo federal ou estadual.
5.2 O Gênero entrevista
Ao discorrer sobre os gêneros escolares Dolz & Scheneuwly (1999, p. 13) afirmaram
que a entrevista é “um gênero jornalístico de longa tradição que diz respeito a um encontro
entre um jornalista (entrevistador) e um especialista ou uma pessoa que tem interesse
particular num dado domínio (entrevistado).” Levando em consideração este princípio,
observa-se que as pessoas podem assumir na sociedade de maneira formal ou informal, tanto
o papel de entrevistador ou entrevistado. Porém, para esses linguistas, a diferença da
entrevista para uma conversa comum consiste no fato de que “ contrariamente a uma conversa
comum, a entrevista apresenta um caráter estruturado e formal cujo objetivo é satisfazer as
expectativas do destinatário” e, como num jogo de papéis,
o entrevistador abre e fecha a entrevista, faz perguntas, suscita a palavra do outro,
incita a transmissão de informações, introduz novos assuntos, orienta e reorienta a
interação; o entrevistado, uma vez que aceita a situação, é obrigado a responder e
fornecer as informações pedidas. Geralmente, os dois interlocutores ocupam papéis
públicos institucionalizados; a natureza da relação social e interpessoal condiciona
fortemente a relação que se instaura entre os dois. Em relação a outros gêneros
próximos, a entrevista mantém uma ligação fundamental com o universo da mídia.
Seu lugar social de produção é a imprensa escrita, o rádio ou a televisão. (DOLZ &
SCHENEUWLY, 1999, p. 13).
Dolz & Scheneuwly ( 1999, p. 13) a partir da análise de entrevistas realizadas por
alunos chegaram à conclusão de que “a entrevista é um gênero já bastante praticado no quadro
escolar.” No entanto, a entrevista que é investigada neste trabalho, não mantém uma ligação
fundamental com universo da mídia e sim com o da Gestão de Pessoas. Portanto, seu lugar
social de produção não é o da imprensa e sim o do Recrutamento e Seleção de Pessoal. E
este tipo de entrevista escrita ou oral encontram-se presentes nos ambientes presenciais ou
virtuais da Gestão de Recursos Humanos .
Ao perceber que o enfoque e o objetivo do gênero entrevista que geralmente são
trabalhados na escola distanciam do meio social trabalhista, é preciso saber como funciona a
entrevista, que na gestão de pessoas, é conhecida como ferramenta ou instrumento de
trabalho, assunto esse que será abordado no tópico seguinte.
5.2.1 A entrevista no recrutamento de pessoas
A entrevista de recrutamento de pessoas discutida neste artigo está centrada no
recrutamento externo, que inicia com o candidato preenchendo seu formulário de requisição
de emprego ou apresentando seu currículo à organização ou agências de emprego, de maneira
presencial ou virtual. Esses instrumento de trabalho ou gêneros textuais, considerados por
vários especialistas de RH, como uma espécie de entrevista escrita e indireta, podem ser
utilizados pelos candidatos que pretendem ocupar uma vaga no mercado de trabalho.
Chiavenato (2010, p.118 e 119) ao falar sobre a proposta de emprego ou formulário de
requisição de emprego menciona que este é “ um formulário que o candidato preenche seus
dados pessoais, escolaridade, experiência profissional, conhecimentos, endereço e telefone
para contatos”. Já o currículo, em sua opinião assume enorme importância no recrutamento
externo, pois funciona como um catálogo ou portifólio do candidato.
O diretor de RH da Arccor, que é citado por Chiavenato (2010, p.129) , acredita que
os formulários que são empregados por muitas organizações nos seus processos de
recrutamento de pessoas são interessantes para a seleção de jovens profissionais no início da
carreira, porque “eles não têm muito que escrever e sentem-se pouco confortáveis para tratar
de assuntos pessoais.”
Segundo Chiavenato (2010, p. 114 e 115), o papel do recrutamento (conjunto de
atividades desenhadas para atrair candidatos qualificados para uma organização que do ponto
de vista da sua aplicação pode ser externo (atua sobre candidatos que estão no mercado de
recursos humanos) ou interno (atua sobre o candidato que estão dentro da organização) é
comunicar e divulgar as oportunidades de trabalho para que as pessoas saibam como
procurá-las e possam iniciar seu relacionamento com as organizações ou empresas. O
recrutamento interno ou
externo que podem ser encontrados no meio social de forma
presencial ou virtual, é representado no esquema abaixo de Chiavenato:
O preenchimento das vagas e oportunidades é feito
pelos próprios colaboradores atuais
INTERNO
Os colaboradores internos são os candidatos
preferidos
Isto exige que sejam promovidos ou transferidos para
RECRUTAMENTO
EXTERNO
O preenchimento das oportunidades é feito pela
admissão dos candidatos externos
Os candidatos externos são os candidatos preferidos,
isto exige que sejam recrutados externamente e
selecionados para preencher as oportunidades.
A organização oferece oportunidades aos candidatos
FIG. 1 – Recrutamento interno e recrutamento externo. Fonte: Chiavenato, 2010.
Porém, ao avaliar os resultados do recrutamento de pessoas este teórico afirma que
“essa não é uma atividade isolada da estratégia da empresa e que como os negócios mudam e
surgem novas funções a cada dia, torna-se imprescindível contar com pessoas flexíveis,
capazes de adaptar a essas mudanças constantes.” (CHIAVENATO, 2010, p. 143).).
Diante disso, o que os educadores ou futuros educadores de Língua Portuguesa
podem fazer a partir dos gêneros textuais para facilitar a inserção dos seus alunos num
mercado de trabalho que se torna cada vez mais globalizado e competitivo? Conhecer os
gêneros textuais que fazem parte deste contexto externo pode tornar-se essencial, nesse
processo de ensino-aprendizagem. Por isso, o próximo tópico considera e estuda “A entrevista
na seleção de pessoas”.
5.2.2 A entrevista na seleção de pessoas
Para Chiavenato ( 2010, p. 143), a seleção de pessoas funciona “como uma espécie
de filtro que permite que apenas algumas possam ingressar na organização, aquelas que
apresentam as características desejadas pela organização”. Mas, quais ferramentas os
profissionais desta área podem utilizar nesses processos?
Esses profissionais utilizam as técnicas de seleção que são agrupadas em cinco
categorias (entrevistas, prova de conhecimento ou capacidade, testes psicológicos, testes de
personalidade e técnicas de simulação) e essas permitem na visão deste autor, um
rastreamento das características pessoais do candidato através de amostras de seu
comportamento. A imagem abaixo, embasada na obra de Chiavenato (2010, p. 143), visa
ilustrar este processo:
___________________________________________________________________________
CANDIDATOS ENCAMINHADOS
RECRUTAMENTO
PELO
CANDIDATOS
SELECIONADOS
APLICAÇÃO DAS TÉCNICAS DE SELEÇÃO
ENCAMINHADOS
AO GERENTE
__________________________________________________________________________
FIG. 2 - O processo de seleção de pessoas
Fonte: Chiavenato, 2010.
Ao falar sobre a entrevista de seleção de pessoal Chiavenato (2010, p.144 e 145)
afirma que essa, “constitui-se na técnica ou método de seleção mais utilizada apesar de seu
forte componente subjetivo e impreciso” e nas organizações pode ser aplicada na:
Triagem inicial dos candidatos ao recrutamento, como entrevista pessoal inicial na
seleção, entrevista para avaliar conhecimento técnicos e especializados entrevista de
aconselhamento e orientação profissional no serviço social, entrevista de avaliação
do desempenho, entrevista de desligamento, na saída dos empregados que se
demitem ou são demitidos nas empresas etc. ( CHIAVENATO, 2010, p. 144).
Verifica-se nessa citação que as entrevistas de seleção de pessoal podem ser
empregadas em vários processos de RH. Neste trabalho, são discutidas apenas: as entrevistas
escritas utilizadas na triagem dos candidatos ao recrutamento e a entrevista oral da seleção de
pessoas. Porque essas, provavelmente, serão utilizadas pelos alunos da turma 3003 ao tentar
inserir-se no Mercado de Trabalho.
Outro fator que pode determinar o sucesso desses jovens no ambiente educacional e
organizacional é segundo Maximiano (2007, p. 250) a questão da motivação humana
Pensando neste aspecto, destacam-se nesta parte do texto, as contribuições de Maslow e
Herzberg.
5.3 A teoria motivacional de Maslow
Maslow citado por
Maximiano (2007,
p. 262), é considerado o autor da mais
conhecida teoria que se baseia na ideia de que as necessidades humanas dispõem-se numa
hierarquia mais complexa que a simples divisão em dois grupos. E de acordo com a obra
desse autor, essas necessidades humanas dividem-se em cinco grupos:
1- Necessidades fisiológicas ou básicas. Necessidade de alimento, abrigo ( proteção
contra a natureza), repouso, exercício, sexo, e outras necessidades orgânicas.
2- Necessidades de segurança. Necessidades de proteção contra ameaças, como a
perda de emprego e riscos à integridade física e à sobrevivência.
3- Necessidades sociais. Necessidades de amizade, afeto, interação, e aceitação
dentro do grupo e da sociedade.
4- Necessidade de estima. Necessidades de autoestima e estima por parte de outros.
5- Necessidade de autorealização. Necessidade de utilizar o potencial de aptidões e
habilidades, autodesenvolvimento e realização pessoal. (MAXIMIANO, 2007, p.
262).
Constata-se que o estudo dessa teoria é visitado na disciplina de Psicologia em muitos
cursos de licenciatura. No entanto, talvez falte ensinar aos futuros educadores como aplicar de
forma prática esse conhecimento em sala de aula com seus alunos. Abaixo, é apresentado uma
imagem, conhecida como Pirâmide de Maslow ou Pirâmide da hierarquia das necessidades de
Maslow. (MAXIMIANO, 2007, p. 263).
NECESSIDADES DE AUTO-REALIAÇÃO
NECESSIDADES DE ESTIMA
NECESSIDADES SOCIAIS
NECESSIDADES DE SEGURANÇA
NECESSIDADES BÁSICAS
___________________________________________________________________________
Fig. 3 - Hierarquia das necessidades humanas segundo Maslow. Fonte: Maximiano, 2007.
Na visão de
Maximiano (2007, p. 263) a teoria de Maslow e outras teorias
motivacionais vêem sendo consolidadas, pelas empresas que investem nos seus trabalhadores,
porque seus gestores acreditam que as pessoas que trabalham nessas são “seu maior ativo ou
capital humano”.
Nesse texto, no entanto, a teoria de Maslow é discutida com o objetivo principal de
levar o educador de Língua Portuguesa do Ensino Médio a pensar e repensar no perfil do
alunado com o qual irá trabalhar durante o ano letivo, para que possa tomar suas decisões
educacionais de maneira mais assertiva.
Mas e o educador desta disciplina, que perfil ele deverá ter para tentar atender à
demanda dos seus alunos e do novo Ensino Médio, no Brasil? Será que esse profissional está
recebendo uma capacitação adequada para trabalhar com as novas abordagens de ensino “por
competências” e de “forma interdisciplinar”, como sugere, por exemplo, os autores dos
Parâmetros Curriculares Nacionais mais Ensino Médio (2008, p.10)? Com intuito de refletir
sobre essas questões, este artigo traz neste momento, a teoria motivacional dos dois fatores de
Herzberg, que costuma ser utilizada pelos Gestores de RH no meio organizacional.
5.3.1 Teoria de Herzberg
De acordo com Maximiano (2007, p. 268 e 269) Herzberg afirma na teoria dos dois
fatores que os “ fatores higiênicos ou extrínsecos (relacionados às condições de trabalho)
criam o clima psicológico e material saudável e influenciam a satisfação com as condições
dentro dos quais o trabalho é realizado”, mas não a motivação para o trabalho. Já, os fatores
motivacionais ou intrínsecos (relacionados ao próprio trabalho) podem induzir a esse estado
de motivação, porque para Herzberg “ apenas o trabalho em si e seu conteúdo produzem
motivação para o trabalho” . As conclusões dos estudos desse teórico, sugerem que,
Os fatores relacionados com a satisfação e a insatisfação no trabalho são diferentes
entre si. O oposto de satisfação não é insatisfação, mas não-satisfação; oposto de
insatisfação não é satisfação, mas não-insatisfação. Atualmente, essa idéia está
simplificada: Fatores higiênicos estão associados à satisfação e fatores motivacionais
a motivação. (MAXIMIANO, 2007, p. 269).
Sobre esses aspectos motivacionais, ao observar que o ensino de Língua Portuguesa
vem passando no Brasil por um processo de transição entre o ensino tradicional e o ensino
embasado nos gêneros textuais, infere-se que o nível de satisfação desse educador no seu
ambiente de trabalho, sofreu algum tipo de alteração. Ao avaliar esse processo de mudança,
Coscarelli (2007,
p. 81)
pontua que depois de muitos anos de estudos e pesquisas,
verificou-se que,
Ter o ensino da nomenclatura tradicional como prioridade não ajudava o estudante a
se tornar um bom leitor e um bom escritor. Esse é um consenso, pelo menos na
universidade, e os professores já estão se convencendo. Mas, e agora, o que ensinar
nas aulas de Português? Não tendo mais gramática tradicional como guia para o
ensino, os professores ficaram perdidos. Ensinar o quê? Ensinar a ler e escrever bem.
Mas como? È aí que entra o gênero textual como salvador da pátria.
(COSCARELLI, 2007, p. 81).
Contudo, ao refletir sobre o contexto educacional investigado, a pesquisadora observa
que sem capacitação ou reciclagem dos educadores que se encontram em exercício, durante
sua jornada de trabalho, dificilmente o ensino de Língua Portuguesa terá seu salvador da
pátria ou atingirá sua excelência, pois muitos educadores da rede estadual de ensino de Minas
Gerais, segundo a regente da turma 3003, deixam de investir na sua carreira profissional, por
causa da baixa remuneração salarial, ou da dupla ou tripla jornada de trabalho.
Pensando neste ambiente educacional e no cenário da Gestão de Pessoas que se
encontram no município de Contagem em Minas Gerais, serão apresentados no próximo
tópico as análises e os resultados das pesquisas de campo realizadas numa escola estadual de
Ensino Médio e em duas Agências de Recrutamento e Seleção de Pessoal.
5.4 Análises e resultados
Notou-se no espaço educacional da turma 3003 que havia superlotação de alunos, atos
de vandalismo, poluição sonora (provocado pela via expressa); falta de segurança, de recursos
financeiros e didáticos e etc. Diante desses fatores, de acordo com depoimento do Diretor em
relação aos profissionais de educação, verificou-se que a escola enfrentava diversos problemas
tais como: alto índice de adoecimento dos trabalhadores, absenteísmo e outros aspectos que
comprometia de maneira significativa o desenvolvimento com qualidade do ensino.
De acordo com o (questionário com foco no aluno),
entre as nove perguntas
destaca-se neste texto, a de número cinco, onde foi questionado em relação aos objetivos para
o futuro, após a conclusão do EM, você pretende inserir-se no: Meio acadêmico; Mercado
de trabalho; Meio acadêmico e mercado de trabalho ao mesmo tempo; Nenhuma das
alternativas?
Para essa pergunta, extraíram-se, no final, os seguintes resultados: quatro alunos
pretendiam ingressar no meio acadêmico; dezenove no meio acadêmico e no Mercado de
trabalho ao mesmo tempo; sete somente no MT. Levando em consideração esses números e as
observações feitas neste contexto escolar, durante a pesquisa de campo, infere-se que a
educadora de LP, da turma 3003, deveria escolher como objeto de ensino os gêneros textuais
voltados para o meio acadêmico e MT, uma vez que a maioria dos seus alunos, afirmaram que
pretendiam ingressar nesses dois meios sociais ao mesmo tempo.
Na sexta questão, foram colocados nas opções, três gêneros textuais que geralmente
são empregados pelos Gestores de RH no seu ambiente de trabalho. Os alunos deveriam
marcar com um X os gêneros textuais que eles sabiam produzir. Dezesseis alunos afirmaram
que conheciam ou dominavam o gênero (currículo,) quatorze, (entrevista de seleção de
pessoal) , dez, (formulário de requisição de emprego) e sete (NDA). Observou-se ainda nesta
questão que: cinco alunos marcaram simultaneamente os três tipos de gêneros textuais, quatro
o (currículo e entrevista), um aluno assinalou (currículo e formulário) e outro marcou
(entrevista e formulário).
Embasada nos resultados obtidos no (Questionário com foco no aluno) a pesquisadora
elaborou como aplicativo, um (Formulário de requisição de emprego), que além de revelar
que os alunos da turma 3003, não dominavam ou conheciam este gênero textual, demonstrou
durante a realização desta atividade, que os estudantes sentem-se motivados, quando os
objetos de ensino-aprendizagem vão de encontro aos seus anseios ou necessidades.
Os questionários informativos e o formulário de requisição de emprego, aplicados nas
duas pesquisas de campo, encontram-se anexados, no final deste texto. No entanto,
ressalta-se que no contexto educacional, por falta de condições de trabalho, a professora de LP
da turma 3003, ausentar-se com grande freqüência, de suas atividades. Essa profissional
afirma, que o índice de adoecimento e rodízio dos professores nessa instituição é alto, por
causa principalmente, da intolerância e violência dos alunos do 1º ano do EM. Nesse cenário,
como “manter-se motivado, se não existe condições de trabalho e nem segurança para
trabalhar”? Desabafou a educadora num momento de tensão, após explosão de uma bomba
caseira, no pátio da escola.
No contexto da Gestão das Pessoas as especialistas pesquisadas de RH, afirmaram
entre outras coisas, que os educadores das escolas estaduais do EM de Contagem precisam
estar atentos às produções textuais orais e escritas de seus alunos, para que no futuro, eles
tenham condições reais de serem aprovados nestes processos e possam exercer de forma
plena sua cidadania nas empresas brasileiras ou não.
6 Conclusão
Constatou-se neste artigo, que existe por parte do Governo Federal e Estadual de
Minas Gerais, uma preocupação com a atualização e modernização do Ensino Médio e que, de
acordo com esses princípios, alguns projetos têm sido criados para tentar atender à demanda
ou às necessidades desse público em específico.
No entanto, verificou-se que esses projetos encontram-se, no ambiente escolar da
turma 3003 em fase de implantação, por isso não foi possível avaliar nesta pesquisa de campo,
os resultados dessas ações governamentais que prometem, entre outras coisas, inovar o
Ensino Médio público, mineiro e brasileiro. Contudo, notou-se na fase das pesquisas
bibliográficas, que os representantes do governo, das esferas federal e estadual de ensino, em
consonância com os autores do PCN+EM (2008, p.10), visam preparar, atualmente, os alunos
desta modalidade tanto para o meio acadêmico, quanto para o mercado de trabalho.
Porém, de acordo com o contexto educacional pesquisado, chegou-se à conclusão de
que os alunos da turma 3003 não possuíam domínio dos gêneros textuais, (formulário de
requisição de emprego e entrevista de seleção oral), porque o ensino de Língua Portuguesa
desta escola, não priorizava o ensino dos gêneros textuais dos processos de R&S de pessoas e
sim os que faziam parte do meio acadêmico ou do ENEM (Exame Nacional do Ensino
Médio).
Portanto, ao mensurar e analisar as respostas dadas pelos alunos, no questionário com
foco no aluno e no formulário de requisição de emprego, ficou evidente que a escola
pesquisada não estava de fato atendendo às necessidades ou objetivos dos seus alunos, pois a
maioria desses afirmou, nesses gêneros textuais, que precisavam trabalhar para manter seus
estudos no meio acadêmico, ou para ajudar a família financeiramente.
Diante disso, visando contribuir para a educação dos alunos desta comunidade
escolar, a pesquisadora sugeriu que os professores aplicassem, o questionário informativo
como instrumento diagnóstico, para que no futuro pudessem talvez, fazer as escolhas dos
objetos de ensino ou de suas práticas pedagógicas de acordo com a realidade de seu alunado
ou contexto educacional .
Partindo da teoria dos gêneros textuais e dos pressupostos teóricos de Maslow e
Herzberg foi aplicado, na turma 3003, o Formulário de requisição de emprego. No
desenvolvimento dessa atividade, notou-se que os alunos queriam aprender esse gênero
textual e que, por causa desse e de outros fatores, sentiam-se altamente motivados. No
entanto, mesmo diante desses resultados positivos, concluiu-se que o ensino dos gêneros
textuais formulário de requisição de emprego e entrevista de seleção oral embora possam
contribuir para o aprendizado de Língua Portuguesa e motivação dos alunos em sala de aula.
Não pode garantir a inserção e manutenção dos candidatos no mercado de trabalho, porque
esses estão encerrando o ensino básico, segundo os gestores de RH pesquisados, sem dominar,
com competência, as produções textuais orais e escritas.
O problema da falta de habilidade dos candidatos ao produzirem os textos orais e
escritos, que são aplicados nos processos de R&S de pessoas, pode ser provocado por vários
fatores. Observando porém, a atuação da professora de LP da turma 3003, chegou-se à
conclusão de que essa possuía uma boa capacitação e conhecia a teoria dos gêneros textuais,
mas encontrava-se desmotivada, porque perdeu sua saúde vocal no exercício da profissão e
não existia entre outros, no seu ambiente de trabalho, recursos didáticos adequados, segurança
e etc.. Sendo assim, infere-se que os fatores higiênicos ou extrínsecos estão de acordo com a
teoria de Herzberg (2007) interferindo negativamente no ensino de Língua Portuguesa da
turma 3003.
Em relação aos alunos da turma 3003, certifica-se que alguns adotam de acordo com
as respostas dadas no formulário de requisição de emprego, uma postura mais realista ao
traçarem seus planos para o futuro, mas a maioria desses sonha com um futuro de sucesso seja
no meio acadêmico ou no mercado de trabalho ou nos dois espaços, simultaneamente. Nessa
turma, observou-se que alguns alunos já vêm tentando conciliar o trabalho com a escola, ou o
ensino profissionalizante com o Ensino Médio.
Para que os objetivos educacionais de Língua Portuguesa sejam alcançados nesse
cenário, recomenda-se neste texto, o ensino a partir dos gêneros textuais de forma
contextualizada ou de acordo com as necessidades e realidade dos alunos porque, embora tais
gêneros não possam garantir a inserção e manutenção dos cidadãos no mercado de trabalho ou
no meio acadêmico, eles podem contribuir, de acordo com os resultados dessa pesquisa, para a
aprendizagem e motivação dos alunos do Ensino Médio.
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de 2014.
ANEXOS
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS – UNIDADE IBIRITÉ
Curso de Licenciatura em Letras
FORMULÁRIO DE REQUISIÇÃO DE EMPREGO
A aplicação desse gênero textual na turma 3003 do ensino médio do turno vespertino de
uma escola estadual do município de Contagem, faz parte da 2ª fase da pesquisa de
campo do TCC da aluna Rosemary Cândido Coelho do 8º período de Letras da UEMG
- Undiade Ibirité.
NOME_____________________________________________________________________
_____________________SEXO____________________IDADE______________________
DATA___________________________TELEFONES______________________________
CARGO PRETENDIDO______________________________________________________
E-MAIL_____________________________PRETENSÂO SALARIAL________________
CEP_____________________________LOGRADOURO___________________________
NÚMERO___________COMPLEMENTO____________BAIRRO___________________
__________________CIDADE__________________________ESTADO CIVIL_________
__________________________FILHOS________QUANTOS________CNH___________
CATEGORIA ____ ADQUIRIDA EM_________________________________________
ESCOLARIDADE DO CANDIDATO__________________________________________
ESTUDA ATUALMENTE ?_________HORÁRIO________SÉRIE__________________
__________TEM NOÇÔES DE INFORMÀTICA ?_________FAZ OU JÁ FEZ OUTRO
CURSO ?__________________________________________________________________
ÚLTIMO EMPREGO NOME DA EMPRESA____________________________________
CARGO_____________________________ENTRADA___________________SAÍDA____
____________SALÁRIO________________________MOTIVO DA SAÍDA___________
ATIVIDADES
DESENVOLVIDAS___________________________________________
___________________________________________________________________________
Aponte nesse espaço seus pontos fortes e seus pontos fracos?________________________
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS – UNIDADE IBIRITÉ
Curso de Licenciatura em Letras
QUESTIONÁRIO INFORMATVO
Prezado (a) Gestor (a) de Recursos Humanos, meu nome é Rosemary Cândido Coelho, sou
estudante do 8º período de Letras da Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG, e
estou desenvolvendo uma pesquisa
de conclusão de curso, onde pretendo investigar
principalmente, se o ensino do gênero textual entrevista de seleção de pessoal na escola,
pode contribuir para a inserção do educando do 3º ano do ensino médio, no mercado de
trabalho.
Diante disso, peço-lhe o favor e de antemão agradeço por responder as questões propostas
neste questionário.
Observação: As informações sobre o sujeito dessa pesquisa e a organização para qual este
presta serviço, serão mantidas em sigilo.
Instrução: Marque com um X a (s ) alternativa (s) que julgar verdadeira (s).
1- Senhor (a) Gestor (a) de RH a respeito dos candidatos que concluíram o Ensino Médio,
pode-se afirmar que nos processos de recrutamento de pessoal, esses geralmente:
( ) Conseguem preencher com desenvoltura os dados cadastrais dos formulários de
requisição de emprego.
(
) Conseguem produzir adequadamente seus currículos vitae.
( x ) Não conseguem preencher o formulário de requisição de emprego e nem produzir
adequadamente seu Currículo Vitae.
(
) Nenhuma das alternativas.
2- No processo de seleção de pessoas, segundo Idalberto Chiavenato a entrevista é a
ferramenta mais utilizada pelos Gestores de RH, diante disso, pode-se dizer que o
educando que completa o ensino médio:
( ) Sente-se confiante ao ser entrevistado por um Gestor de RH e geralmente é aprovado
nos processos de seleção de pessoas.
( ) Sente-se inseguro ao ser entrevistado e geralmente é reprovado nos processos de
seleção de pessoas, porque não domina esse instrumento de trabalho ou gênero textual.
(
) Sente-se inseguro e tem dificuldade de apontar seus pontos fortes e fracos, como
qualquer outro candidato, porque geralmente desconhecem a entrevista como “ferramenta”
de seleção de pessoal.
( x ) Nenhuma das alternativas.
3- Em relação ao ensino da entrevista de seleção de pessoas, dos formulários de requisição
de emprego e do Currículo Vitae nas aulas de língua portuguesa, você coloca-se:
( ) A favor, pois muitos candidatos são excluídos dos processos de recrutamento e seleção
de pessoal, porque não possui domínio desses gêneros textuais ou dessas ferramentas de
RH.
( ) Contra, porque o candidato ao conhecer esses instrumentos com profundidade, pode
interferir de forma negativa nos resultados desses processos de RH.
( x ) A favor, desde que esse ensino não coloque em risco a eficácia destes instrumentos
nos processos de RH.
( ) Nenhuma das alternativas.
4- Em sua opinião a maioria dos alunos que concluem o ensino médio:
( ) Buscam sua inserção profissional para ajudar a família.
( ) Ingressam no mercado de trabalho, porque não gostam de estudar.
( x ) Tem que trabalhar para custear sua carreira acadêmica.
( ) Nenhuma das alternativas.
5- Analisando o desempenho dos candidatos que encerraram o ensino médio ao serem
submetidos aos testes de recrutamento e seleção de pessoas você diria que esses:
( x ) Sentem mais dificuldade de realizar os testes que exige habilidade escrita.
( ) Sentem mais dificuldade de realizar os testes que exige habilidade oral.
( ) Sentem dificuldade de realizar os testes que exige habilidade escrita e oral.
( ) Nenhuma das alternativas.
6- Avaliando a comunicação oral e escrita e o índice de aprovação desses jovens
candidatos nos processos de recrutamento e seleção de pessoas você sugere a escola que
trabalhe com seus alunos, principalmente:
( x ) A prática de leitura.
( ) A produção de textos escritos.
( ) A produção de textos orais.
( ) nenhuma das alternativas.
7- Pensando no índice de aproveitamento dos jovens cidadãos que encerram o ensino
médio no mercado de trabalho, você pode afirmar que:
( ) A maioria conseguem sua colocação, pois saem da escola preparados para enfrentar
esse desafio.
( ) A maioria são reprovados, porque não estão preparados para enfrentar esse desafio.
( ) A maioria são reprovados, porque existe mais candidatos que oferta de trabalho.
( x ) Nenhuma das alternativas.
8- Sobre a motivação dos candidatos que buscam o primeiro emprego é possível dizer que,
esses jovens ao escolherem as empresas para trabalharem:
( x ) Preocupam-se mais com a remuneração salarial e outros benefícios.
( ) Com a oportunidade de crescimento dentro da organização.
( ) Em conciliar trabalho com a formação acadêmica.
( ) Nenhuma das alternativas.
9- Ainda em relação a motivação até que ponto você acredita que ela pode interferir na
produção humana no ambiente de trabalho? Dê uma nota de 0 a 3 e justifique sua resposta.
3, a motivação é muito importe para o desenvolvimento humano, não só no quesito
emprego como também laser, escola, convivência, etc. O ser desmotivado não se coloca na
sociedade e se deixa levar pelo dia a dia. A maior dificuldade dos profissionais em R.H.
esta em encontrar pessoas dispostas a aprender, renovar, investir numa carreira ou mesmo
numa empresa. A primeira coisa que perguntam é remuneração, benefícios e horário de
trabalho, depois é que vão procurar se informar sobre a função a ser desempenhada ou em
se existe algum plano de carreira. Infelizmente não pensam em construir uma carreira, se
realizar junto a mesma. (é lógico que existem raras exceções.).
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o gênero textual entrevista de recrutamento e seleção de pessoal