CARTA REGIONAL
DE COMPETITIVIDADE
BAIXO MONDEGO
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1.TERRITÓRIO
O Baixo Mondego é uma região NUTS III do litoral da região Centro do País, com uma área de
cerca de 2062 Km2 e que compreende oito municípios: Coimbra, Cantanhede, Condeixa-a-Nova,
Figueira da Foz, Mira, Montemor-o-Velho, Penacova e Soure.
FIGURA 1 - SUB-REGIÃO BAIXO MONDEGO
Integra o sistema urbano do Centro Litoral, multipolar, e que incorpora o conjunto territorial definido
por Aveiro, Viseu, Coimbra e Leiria, com potencial para sustentar um desenvolvimento regional
policêntrico, equilibrado e centrado em Coimbra.
Esta cidade evidencia-se, pela sua dimensão física e funcional, como uma importante centralidade,
polarizando e influenciando um vasto território envolvente e fazendo a ligação entre as áreas
metropolitanas de Lisboa e do Porto. A Coimbra é atribuído um duplo papel de centralidade,
consubstanciado nos seguintes posicionamentos estratégicos: 1) localização intermédia no Eixo
de Desenvolvimento Atlântico do País, entre as duas áreas metropolitanas do País; 2) vértice
do “Triângulo Centro-Atlântico Ibérico de Cidades Médias Europeias”, o qual inclui, em território
nacional, as cidades interiores da Guarda, Covilhã e Castelo Branco.
em torno de Coimbra estruturam-se várias aglomerações urbanas, de tamanho e importância
funcional desigual: a Norte, Mealhada e Cantanhede; a Sul, Condeixa-a-Nova e Soure; a Este,
Penacova, Lousã e Miranda do Corvo; a Oeste, Montemor-o-Velho e Figueira da Foz.
Neste sistema urbano policêntrico evidencia-se o importante eixo de desenvolvimento CoimbraFigueira da Foz, organizador do território regional na parte baixa do Rio Mondego, de maior
concentração de actividade económica, em particular dos serviços e, em menor grau, da indústria.
O restante território do Baixo Mondego apresenta uma forte componente agrícola, destacando-se
as culturas do arroz e milho e a produção leiteira.
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FIGURA 2 - TRIÂNGULO CENTRO-ATLÂNTICO IBÉRICO DE CIDADES
Adaptado de DGOTDU (2002) - As Regiões Metropolitanas no Contexto Ibérico.
FIGURA 3 - SISTEMA URBANO DO BAIXO MONDEGO
Fonte: Moreira, Claudete (2007) - O Baixo Mondego: Delimitação de um Território Regional.
O Mondego, maior rio que nasce e desagua em território nacional, é o elemento natural marcante
de toda a região Centro e, em particular, do Baixo Mondego, estendendo-se a sua bacia hidrográfica
desde a Serra da Estrela à Figueira da Foz.
Todavia, o Baixo Mondego insere-se num território marcado pela presença de importantes activos
naturais, de entre os quais de destacam:
• Os campos do Mondego, vasta área fértil e de vocação agrícola;
• As praias da Figueira da Foz;
• O Paul de Arzila, uma das áreas do País que acumula mais classificações e protecções
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•
•
ambientais, sendo a foz do Mondego considerada uma das zonas húmidas mais importantes
do mundo;
A Albufeira da Aguieira, que, não sendo um espaço natural per si, é um elemento natural
muito importante no controlo do caudal do Mondego, possibilitando a prática de diversas
actividades náuticas de recreio e lazer;
O Complexo montanhoso composto pela Serra do Buçaco, Serra do Açor, Serra da Lousã
e Serra do Sicó.
A par do património natural, o Baixo Mondego beneficia da presença de valioso património cultural,
centrado sobretudo na cidade de Coimbra. Este município é o terceiro do País, após Lisboa e
Évora, em número de monumentos nacionais (25). Destaque para monumentos como a Sé Velha
e as Igrejas de São Tiago, São Salvador e Santa Cruz (com os túmulos dos primeiros reis de
Portugal), os conventos de Santa-Clara-a-Velha e Santa-Clara-a-Nova, a Igreja de Santo António
dos Olivais, o Mosteiro de Celas, o Jardim (ou Claustro) da Manga ou a Sé Nova de Coimbra.
De referir que a Via Latina, na Universidade de Coimbra, foi seleccionada como um dos 28 melhores
projectos de 2009 na área do património cultural europeu. Além da riqueza monumental de Coimbra,
no Baixo Mondego existe um outro vasto património arquitectónico, de que são exemplos o castelo
de Montemor-o-Velho e o celeiro dos Duques de Aveiro, igrejas e conventos, entre outros valores
arquitectónicos.
O Baixo Mondego dispõe de boas infra-estruturas de acessibilidades e transportes, sendo servido
pelos eixos rodoviários que fazem a ligação Sul-Norte (IC1/A17 e IP1/A1) e Oeste-Este (IP3/A14/
A25), apesar de algumas debilidades na ligação com Espanha e com as principais cidades do
interior. A sub-região é ainda servida pelos eixos ferroviários da “Linha do Norte” e “Linha do Oeste”,
ligadas pelo “ramal da Figueira da Foz” e pela “Linha da Beira Alta”. É bem servida em termos de
transporte marítimo, nomeadamente através do porto comercial da Figueira da Foz e da proximidade
ao porto comercial de Aveiro.
FIGURA 4 - ACESSIBILIDADES E TRANSPORTES NO BAIXO MONDEGO
Fonte: Associação de Municípios do Baixo Mondego (2008) - Programa Territorial
de Desenvolvimento do Baixo Mondego.
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2. DEMOGRAFIA
O Baixo Mondego ocupa 2.2% do território nacional e a sua população representa 3.1% do total do
País, apresentando uma densidade populacional elevada (161.1 hab/km2, em 2009, contra 115.3
hab/km2 no País). Coimbra é o terceiro município da região Centro com densidade populacional
mais elevada (429.6 hab/km2), após o Entroncamento (1553.5 hab/km2) e Ílhavo (555.6 hab/km2).
Em 2009, residiam no Baixo Mondego 328.6 mil indivíduos, concentrados sobretudo no município
de Coimbra (41% da população total da sub-região). Os restantes municípios mais populosos são,
por ordem decrescente, Figueira da Foz (19% da população da sub-região), Cantanhede (12%) e
Montemor-o-Velho (8%).
Entre 1991 e 2001, a população residente da sub-região aumentou cerca de 3%. Todavia, nos
últimos anos a taxa de crescimento efectivo da população residente tem sido negativa (-0.55%, em
2009).
É interessante constatar que o município de Coimbra tem tendencialmente perdido população
por força do fenómeno natural (saldo natural negativo) mas também migratório (saldo migratório
negativo). Uma parte deste fluxo migratório ter-se-á dirigido para municípios vizinhos, pertencentes
ao Baixo Mondego (casos de Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz e Mira) ou a outras sub-regiões
da região Centro (exemplo da Lousã, no Pinhal Interior Norte, e alguns municípios da faixa Sul do
Baixo Vouga, com destaque para a Mealhada e Ílhavo).
FIGURA 5 - POPULAÇÃO RESIDENTE - 2009
Fonte: INE.
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FIGURA 6 - TAXA DE CRESCIMENTO EFECTIVO DA POPULAÇÃO - 2009
Fonte: INE.
Como resultado deste processo de regressão, a população do Baixo Mondego apresenta uma
tendência para o envelhecimento, deixando de reunir condições naturais para se renovar sem
o contributo de população proveniente do exterior (o saldo natural da sub-região tem assumido
valores negativos, exceptuando-se apenas o município de Condeixa-a-Nova).
O Baixo Mondego é a sub-região da faixa litoral da região Centro com um valor global para o
índice de envelhecimento mais elevado (157%, em 2009, contra os 149% na região Centro e, em
termos de comparação com as sub-regiões do Litoral Centro, os 118% no Baixo Vouga). Apesar dos
valores apresentados pelo Baixo Mondego, Coimbra apresenta-se, no contexto da região Centro,
como um município jovem, com um índice de envelhecimento mais baixo (139%).
3. ACTIVIDADES ECONÓMICAS,
POLOS INDUSTRIAIS E CLUSTERS
Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes da sub-região Baixo Mondego rondava
os 5.1 mil milhões de Euros (o equivalente a 3.1% do total nacional e a 16% do total da região
Centro). Quando aferida em termos de Valor Acrescentado Bruto (VAB), a relevância nacional da
sub-região também ronda os 3% (rondando igualmente os 16% do total da região Centro).
As actividades industriais representam cerca de 17% do total do VAB do Baixo Mondego
(correspondendo a apenas 3.2% do VAB industrial do País). O contributo dos produtos industriais para
o valor acrescentado é mais acentuado na região Centro e em Portugal do que no Baixo Mondego,
uma vez que a indústria assume nesta sub-região uma importância reduzida, evidenciando-se uma
estrutura produtiva essencialmente terciarizada.
O VAB gerado no Baixo Mondego, à semelhança do que se verifica na região Centro e em Portugal,
assenta sobretudo nos serviços mercantis, que representam nesta sub-região cerca de 42% do VAB
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total. Esta supremacia resulta do facto de os serviços mercantis abarcarem uma grande variedade
de actividades muito presentes na sub-região, como são exemplos o comércio, restauração e os
serviços financeiros e às empresas.
Todavia, os serviços não mercantis também apresentam uma grande importância no Baixo
Mondego, nomeadamente os serviços não mercantis da educação e da saúde e os outros serviços
da administração pública.
Em 2009, o PIB per capita a preços correntes da sub-região era de 15.7 milhares de euros (valor
muito próximo da média nacional, de 15.8 milhares de euros, e ligeiramente acima da média da
região Centro, de 13.2 milhares de euros). O índice de disparidade do PIB per capita da sub-região
em relação à média nacional permite aferir que o Baixo Mondego apresenta um PIB per capita
apenas cerca de 1% abaixo do valor médio nacional.
A sub-região representava, em 2010, cerca de 3.6% dos fluxos do comércio internacional em
Portugal. Em 2009, a taxa de cobertura das entradas pelas saídas na sub-região foi de 195% (muito
acima da média regional de 121% e da média nacional de 62%).
Numa aferição à intensidade exportadora do Baixo Mondego, conclui-se que as exportações
representam cerca de 20% do PIB da sub-região.
Na região Centro, são os municípios de Aveiro, Leiria e Viseu, assim como alguns municípios
limítrofes a estes, que se afirmam como os principais pólos de exportação. Coimbra apresenta, no
contexto desta região, um volume reduzido de exportações, reflexo da elevada terciarização da
economia do município e da sub-região Baixo Mondego.
Em 2009, cerca de 93 mil indivíduos desenvolviam a sua actividade económica no Baixo Mondego,
o equivalente a 2.5% do emprego total do país. Coimbra e Figueira da Foz constituem as principais
bolsas de emprego da sub-região, concentrando, conjuntamente, cerca de 60% da população
residente empregada.
O Baixo Mondego é a sub-região do Centro que apresenta a mais elevada percentagem de
população activa empregada no sector terciário (67%), sendo que todos os seus municípios
apresentam valores superiores a 50% (situação ímpar na Região Centro).
A actividade económica mais representativa no Baixo Mondego em termos de emprego é o comércio
por grosso e a retalho (cerca de 16% do emprego total), seguindo-se a agricultura, produção animal
e silvicultura (11%), a educação (10%), a administração pública (9%), a construção civil (8%) e a
saúde e acção social (7%).
As actividades industriais representam cerca de 14% do emprego total do Baixo Mondego. Destaque
para a indústria alimentar, das bebidas e do tabaco (28.3% do emprego industrial), seguindo-se,
a longa distância, a fabricação de produtos minerais não metálicos (13.2%), a indústria de pasta e
papel (11.5%) e a indústria têxtil (10.6%).
Em 2009, cerca de 37 mil empresas tinham sede nos municípios do Baixo Mondego, 43.4% das
quais no município de Coimbra, seguindo-se os municípios da Figueira da Foz, Cantanhede e
Montemor-o-Velho, (com valores respectivos de 19.5%, 13.2% e 5.6%). Os sectores de actividade
económica mais representativos em termos empresariais são, por ordem decrescente de
importância, o comércio por grosso e a retalho (27% do total de empresas sedeadas na sub-região),
as actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas (20%), a construção civil
(13%) e a saúde e acção social (10%).
As actividades industriais representam cerca de 7% do total de empresas com sede nos municípios
do Baixo Mondego, com destaque para os seguintes sectores: indústrias metalúrgicas de base e
produtos metálicos (30% do total de empresas com sede na sub-região); indústrias alimentares,
das bebidas e tabaco (15%); indústria têxtil e vestuário (10%) e a indústria da madeira, cortiça e
suas obras (8%).
Em 2008, a taxa de natalidade de empresas posicionou-se abaixo da média nacional (12.9% contra
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14.2%). A taxa de mortalidade de empresas, em 2007, foi de 15.8%, valor inferior ao registado a
nível nacional (16.1%) e ligeiramente superior ao valor médio regional (14.5%).
No que respeita à estrutura dimensional das empresas com sede nos municípios da sub-região, o
Baixo Mondego é marcado pela forte presença de pequenas e médias empresas (cerca de 97% das
empresas com sede na sub-região têm menos de 10 trabalhadores).
Na sub-região coexistem municípios com um tecido empresarial mais atomizado (Penacova e Mira)
e municípios em que a presença de empresas de grande dimensão (medida pelo peso do emprego
nesse tipo de empresas) está alinhada com a média nacional (Cantanhede, Coimbra e Figueira da
Foz).
Verifica-se uma forte dualidade no que respeita à distribuição dos Trabalhadores por Conta de
Outrem (TCO) pelas empresas do Baixo Mondego, por grupo de dimensão das mesmas: cerca
de 25% dos TCO do Baixo Mondego desenvolviam a sua actividade, em 2008, em empresas
com menos de 10 trabalhadores - no município de Penacova este indicador assume o valor mais
elevado da sub-região (50.2%); por outro lado, 26% dos TOC da sub-região estão empregados
em empresas com mais de 250 trabalhadores, registando-se o valor mais elevado no município de
Coimbra (33%).
FIGURA 7 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MENOS DE 10 TRABALHADORES - 2008
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FIGURA 8 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MAIS DE 250 TRABALHADORES - 2008
Fonte: INE.
Em 2009, as empresas do Baixo Mondego atingiram um volume de negócios na ordem dos 6.3
mil milhões de euros. Os sectores mais representativos em termos de volume de negócios foram,
por ordem decrescente de importância: comércio por grosso, excepto de veículos automóveis e
motociclos (17% do volume de negócios total); comércio a retalho, excepto de veículos automóveis
e motociclos (14%); fabricação de pasta, de papel, de cartão e seus artigos (12%); actividades de
saúde humana (12%); comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos
(9%).
Especialização da base produtiva
O modelo de especialização produtiva do Baixo Mondego assenta sobretudo em indústrias que
sustentam a sua competitividade na intensidade de recursos naturais, complementado com
indústrias sustentadas pelo esforço de I&D.
Em termos de clusters, no Baixo Mondego destaca-se a importância dos:
Cluster Madeira/Papel – este cluster encontra-se presente na generalidade dos municípios
do Baixo Mondego, apresentando concentrações de maior dimensão em termos de
emprego nos municípios de Figueira da Foz e Mira. Está instalada na sub-região a maior
unidade integrada produtora de papéis de impressão e escrita (a SOPORCEL, do grupo
PORTUCEL - vd. Caixa), além da maior unidade produtora de pasta branqueada de
eucalipto (a CELBI – Celulose Beira Industrial, vd. Caixa). De referir também a presença de
um fornecedor de produtos químicos para a indústria do papel (a SPECIALITY MINERALS
Portugal). Na vertente madeira deste cluster, destaca-se a SOMIT – Sociedade de Madeiras
Industrializadas e Transformadas, do grupo SONAE.
Cluster Automóvel – estão localizados na sub-região alguns fabricantes de componentes
para a indústria automóvel, com destaque para a alemã MAHLE – Componentes de Motores
(vd. Caixa), a MICROPLÀSTICOs SA que produz microcomponentes de grandeprecisão em
plástico injectado essencialemnte para os forncedores de 1º linha da indústria automóvel; a
TRIDEC – Sistemas Direccionais para semi-reboques e a ICCE – Indústrias de Cablagens
e Circuitos Electrónicos.
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Cluster Alimentar – este cluster concentra as suas actividades de maior dimensão nos
municípios da Figueira da Foz, Coimbra, Montemor-o-Velho e Mira. São de destacar as
actividades de pesca e conservas de pescado na Figueira da Foz o arroz carolino, produzido
em cerca de 6 mil hectares do Vale do Mondego (uma das principais regiões orízicolas do
País); o milho e beterraba sacarina (importantes em Soure, vale secundário do rio Arunca e em
Montemor-o-Velho, nos terços médio e a jusante do vale do rio Mondego); os lacticínios, em
torno da empresa LACTOGAL (com unidade de produção e centro de distribuição na Tocha,
no município de Cantanhede, apesar da tendência de concentração da produção da empresa
na unidade de Oliveira de Azeméis); confeitaria, com destaque para a empresa DAN CAKE,
em Coimbra, especializada em pastelaria embalada (vd. Caixa); transformação de carnes, em
virtude do importante pólo da Bairrada e Mealhada de produção de leitões e da presença de
empresas de dimensão significativa como a PROBAR, em Coimbra (vd. Caixa).
Ao longo do IP1/A1, no eixo Coimbra-Mealhada e na proximidade do porto da Figueira da Foz,
concentram-se actividades relacionadas com a indústria de material de construção, ainda que não
detenham dimensão suficiente para a criação de um cluster. O Baixo Mondego apresenta igualmente
níveis de especialização elevados em actividades relacionadas com a educação, saúde e cultura, que
se concentram exclusivamente nos pólos urbanos e universitários de Coimbra e Figueira da Foz e
que conduzem à criação/consolidação de clusters em torno destas actividades.
Para além daqueles clusters, destacam-se na sub-região algumas empresas isoladas nos seguintes
sectores:
Minerais não metálicos, com a presença de empresas como a SAINT-GOBAIN Mondego,
fabricante de vidro de embalagem e da CLIPER CERÂMICA SA na cerâmica de
revestimento.
Produtos metálicos, com a presença da ROCA Torneiras, do grupo cerâmico espanhol
ROCA.
Siderurgia e metalurgia, com a FAPRICELA (vd. Caixa), unidade industrial de trefilaria.
Química pesada, com a presença da AKZO NOBEL, empresa holandesa líder no sector
das tintas.
Na área das actividades mais intensivas em conhecimento, são de referir a BLUEPHARMA
(ex: BAYER Portugal) na indústria farmacêutica; a TEANDM – Tecnologia, Engenharia
e Materiais, especializada em tratamentos de superfícies; a CRITICAL SOFTWARE,
especializada em sistemas de informação para sectores como a banca, aeronáutica,
espaço, defesa, indústria, telecomunicações e transportes (vd Caixa).
Como surge referido no Programa Territorial de Desenvolvimento (PTD) do Baixo Mondego, a
especialização industrial da sub-região é Influenciada por três dinâmicas diferenciadas:
1) Pela dinâmica de especialização comum aos municípios de Coimbra, Condeixa-a-Nova e
Cantanhede, polarizada por indústrias cujo principal factor-chave de competitividade é o
esforço de investimento em I&D.
2) Pela dinâmica de especialização da Figueira da Foz, Mira e Penacova, em que a proximidade
e o acesso facilitado à exploração de recursos naturais aparece como principal factor
competitivo.
3) Pelo facto de alguns municípios combinarem uma produção industrial centrada na exploração
de recursos naturais com indústrias assentes em factores competitivos mais avançados,
como a produção industrial com economias de escala (Cantanhede e Montemor-o-Velho) e
com diferenciação do produto (Coimbra e Mira).
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CAIXA 1 - PORTUCEL-SOPORCEL
O Grupo Portucel Soporcel (a Portucel adquiriu em 2001 a Soporcel) é uma das mais fortes marcas de Portugal no mundo,
com posição de grande relevo no mercado internacional de pasta e papel. Posiciona-se entre os cinco maiores produtores de
papéis finos não revestidos (UWF – Uncoated Woodfree) da Europa e é também o maior produtor europeu, e um dos maiores
a nível mundial, de pasta branca de eucalipto (BEKP – Bleached Eucalyptus Kraft Pulp).
A sua marca Navigor lidera as vendas à escala mundial no segmento premium de papéis de escritório. É líder de mercado no
fornecimento de pasta branca de eucalipto para o segmento de papéis especiais, que representa mais de 50% das vendas, e
para o segmento de papéis de impressão e escrita não revestidos de elevada qualidade.
O Grupo dispõe de uma capacidade produtiva de 1,05 milhões de toneladas de papel e de 1,35 milhões de toneladas de pasta
(das quais cerca de 780 mil integradas em papel), sendo responsável pela gestão de cerca de 120 mil hectares de floresta..
No seu conjunto, o Grupo, exporta mais de mais de 92% das suas vendas de papel e de pasta 950 milhões de euros para
um vasto conjunto de países, o que representa. Cerca de 18% das suas exportações são direccionadas para mercados não
comunitários. Tendo como principal destino dos seus produtos a Europa, o Grupo dispõe de uma rede de vendas própria, com
estruturas de apoio nas principais cidades europeias, além dos EUA.
O Grupo é também o maior produtor nacional de energias renováveis a partir de biomassa (produz quase 70% da energia
eléctrica a partir da valorização deste recurso). No domínio da I&D, é de destacar a actividade da RAIZ – Instituto da Investigação
da Floresta e Papel, empresa onde o Grupo detém uma participação de 94%, nomeadamente na área do melhoramento
genético do eucalipto, matéria-prima de excelência para o fabrico de papéis de elevada qualidade, e na melhoria das práticas
de gestão florestal. A estrutura produtiva do Grupo, que conta com aproximadamente 2 mil colaboradores, corresponde a três
complexos industriais, localizados em Setúbal, Figueira da Foz e Cacia.
A unidade industrial da Figueira da Foz, inaugurada em 1984 no Complexo Industrial de Lavos, assegura um volume anual
de produção e transformação de papéis finos não revestidos cifrado em 770 mil toneladas, representando uma das maiores
unidades industriais da Europa.
A sua actividade está integrada verticalmente, da floresta ao papel, passando pela produção de 555 mil toneladas de pasta
ao sulfato de eucalipto. A produção de pasta é totalmente integrada no fabrico de papel de impressão e escrita não revestido.
A quase totalidade do papel produzido é transformada internamente, em folhas para a indústria gráfica (grandes formatos) e
em folhas para escritório (A4 e A3).
Fontes: Grupo Portucel Soporcel/Secil.
CAIXA 2 - CELBI/ALTRI – CELULOSE BEIRA INDUSTRIAL
A Celbi – Celulose da Beira Industrial é uma empresa do sector da pasta e papel, produtora de pasta de fibra curta de
elevada qualidade.
A origem da empresa remonta a 1962, quando a empresa sueca Billerud AB iniciou as actividades florestais em Portugal.
A Celulose Billerud SARL surgiu então como uma iniciativa daquela empresa sueca (71%) associada a um dos maiores
grupos industriais portugueses da época - a Companhia União Fabril (23%) - e um grupo de produtores florestais (6%).
Em 1965, a Celbi arrancou com a produção de pasta solúvel destinada ao fabrico de fibras têxteis, sendo de 80 mil toneladas
a sua capacidade máxima de produção. Em 1975 verificou-se a nacionalização do capital português, passando o Estado
a deter, através do IPE, 29 % do capital da empresa. Diversas operações de concentração da indústria florestal na Suécia
conduziram a que, a partir de 1984, o capital da Celbi passasse a ser detido pelo grupo sueco STORA.Em 1998 verificou-se
uma alteração na designação social da empresa de Stora Celbi para Celulose Beira industrial, em consequência da fusão
entre a Stora (Sueca) e a Enso (Finlandesa), que originou o grupo Stora-Enso, um dos maiores grupos mundiais na área de
transformação e comercialização de produtos de origem florestal.Em 2006, o Grupo Stora-Enso vendeu a empresa à Altri
SGPS, que já controlava as empresas Celulose do Caima, a Celtejo e a F. Ramada. Refira-se que a Altri foi constituída em
Março de 2005, no âmbito do projecto de reestruturação da Cofina, SGPS, S.A
Decorreu desde 2007 e terminou em 2010 o Projecto de Expansão da Celbi, com a opção, em cada fase do ciclo produtivo,
das melhores tecnologias disponíveis, que foi acompanhado pela construção de um ramal ferroviário interno que servirá
o armazém de pasta. Este projecto, denominado C09 e com um investimento total de 425 milhões de euros, permitiu a
modernização e o aumento de capacidade da fábrica de pasta e papel (de 300 mil para 550 mil toneladas) e a construção
de uma Central a Biomassa (EDP - Produção Bioeléctrica).
A Celbi integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Indústrias de Base Florestal, reconhecido formalmente como
Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Celbi.
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CAIXA 3 - GRUPO CATARINO
O Grupo Catarino é um grupo com sede em Cantanhede fundado há 60 anos e com uma presença de 30 anos no sector da
construção civil e obras públicas, através da Ramos Catarino, e que se tem vindo a distinguir-se como grupo de engenharia
e construção especializado na construção de unidades hoteleiras, centros de distribuição e logística, unidades de saúde
(hospitais, clínicas, centros de diagnóstico imagiológico) e estabelecimentos de ensino. Em termos de Obras Públicas
distinguem-se as que se dirigem aos sectores do ensino, da saúde e das infra-estruturas para as autarquias.
Tem vindo a diversificar-se para áreas afins da construção, como sejam a decoração e design de interiores de hotéis, através
da D&ID com execução de projectos de decoração em hotéis em Portugal e Espanha; a RC2, vocacionada para projectos
de pequena e média dimensão ao nível da construção e/ou remodelação de espaços residenciais, comerciais e hoteleiros.
Está presente em Espanha onde se tem distinguido na construção de centros comerciais e grandes superfícies para marcas
internacionais (IKEA, Corte Inglés, Sport Zone, E.Leclerc), de áreas de serviço associadas à distribuição de combustíveis;
através da Santos & Santos, o grupo detém não só uma carpintaria das mais modernas do País como adquiriu uma
experiência destacada na construção de jardins e espaços verdes e, através da Catarino Mobiliário e Decoração, completa
a sua presença na oferta para interiores de edifícios.
O Grupo Catarino tem vindo diversificar-se também para outras áreas nos sectores da floresta, da agricultura e das
agroindustrias com base tecnológica avançada, desde a exploração florestal e o aproveitamento da biomassa, através da
Oryzon Energias, também presente na área emergente da agricultura biológica; na agroindústria com base biotecnológica,
com a 4BioInova que se tem lançado num conjunto de produções valorizando recursos agrícolas regionais (vd compotas
biológicas) e com a Planete BIO, presente na produção de fertilizantes e substratos para floricultura e jardinagem.
Fontes: Newsletters do Grupo Caatrino
CAIXA 4 - MAHLE – COMPONENTES DE MOTORES
O Grupo MAHLE, fundado em 1921, é um dos principais fornecedores mundiais de componente de motores, contando com
um total de 110 fábricas e mais de 50 mil trabalhadores. É o principal concorrente da Federal Mogul, da Nippon Rings e da
Teikoku.
Em Portugal, a MAHLE – Componentes de Motores está, desde 1993, localizada no Núcleo Industrial de Murtede
(Cantanhede) e dedica-se exclusivamente ao fabrico de anéis de pistão para veículos automóveis (motores a gasolina e
diesel), bem como à produção de bronzinas “Sputter”, sistemas de filtragem e sistemas de válvulas, através das marcas
Mahle Original, Knecht, Mahle Filter, Mahle Mondial, Cofap Rings e Metal Leve. As matérias-primas utilizadas na sua
produção são o ferro fundido cinzento, ferro fundido ligado e o aço, provenientes sobretudo do Brasil e da Alemanha.
Toda a produção é posteriormente colocada no “mercado original” (em linhas de montagem de motores de veículos das
mais importantes marcas mundiais) e no “mercado de reposição”.
EM 1997 o Grupo MAHLE e a empresa Magnetti Marelli (do Grupo Fiat) formaram uma aliança cuja estratégia se prendia
com a aquisição do grupo brasileiro COFAP - Companhia Fabricadora de Peças. Ao Grupo MAHLE interessaram três
unidades industriais: as duas fábricas Cofap no Brasil e a Cofapeuropa - Indústria de Componentes para Automóveis, em
Portugal, ficando as restantes unidades na posse do grupo italiano.Saliente-se que foi apenas em 2000 que a Cofapeuropa
mudou de denominação para MAHLE – Componentes de Motores, tendo adquirido o Grupo MAHLE a totalidade do capital
detido pelo IPE - Investimento e Participações Empresariais do Estado.~
A unidade portuguesa é actualmente a maior fornecedora de anéis do grupo MAHLE (90% da produção de anéis), exportando
essencialmente para clientes de países comunitários ou países terceiros.
Fontes: Grupo Mahle.
CAIXA 5 - DAN CAKE
A Dan Cake é uma empresa multinacional, que constitui uma marca de referência mundial no fabrico de biscoitos de
manteiga e bolos familiare
Em Portugal, onde se instalou em 1978, é líder do segmento de mercado das tortas (71%). No entanto, o grande sucesso
a nível internacional são os biscoitos de manteiga, que representam 48% das vendas para o estrangeiro, sendo a empresa
uma das maiores produtoras mundiais deste tipo de biscoitos.Outra grande fatia da exportação, mais de 50%, está alocada
à produção de marcas próprias para outros clientes, onde se destacam: Lidl (16,19%), Auga (11,54%), Dia (10,89%),
Lambertz (8,73%), Agenor (2,16%) e Wall-Mart (1,34%). Desde Novembro de 2008 que a Dan Cake distribui em Portugal
todos os produtos importados da United Biscuit. A distribuição directa da Dan Cake fora de Portugal é feita através da marca
Danesita. A qualidade inerente aos produtos da Dan Cake está reconhecida internacionalmente através da certificação do
British Retail Consortium (BRC), com o “Higher Level”, e também pela norma do International Food Standard (IFS).
Fontes: Dan Cake.
88
CAIXA 6 - PROBAR
A empresa PROBAR - Companhia de Produtos Alimentares Barreiros, inicialmente com denominação social de
Companhia de Produtos Alimentares Barreiros, foi fundada em Dezembro de 1967, em Cernache, desenvolvendo a sua
actividade no sector de abate de gado e de preparação e fabrico de conservas de carne.
Em Janeiro de 2003, a totalidade do capital social da empresa foi adquirida em partes iguais pelas famílias LAVRADOR
e RUIVO, tomando a designação actual de PROBAR – Indústria Alimentar.
Entre os seus produtos destacam-se: fiambres e mortadelas, enchidos e fumados, presuntos portugueses de cura natural
e fumados, salsichas, refeições tradicionais e patês.
A PROBAR detém as seguintes empresas: a Suigranja – Sociedade Agrícola, constituída em 1983 e pertencente à
família RUIVO, que desenvolve actividade nos sectores da suinicultura, bovinicultura, agricultura e vinicultura; a
Nutricampo - Produção de Rações, constituída em 1998 e também detida pela família RUIVO, exclusivamente dedicada
ao fabrico de alimentos compostos para animais.
Fontes: Probar.
CAIXA 7 - FAPRICELA – INDÚSTRIA DE TREFILARIA
A FAPRICELA foi fundada em 1977, em Ançã, e iniciou a sua actividade vocacionada essencialmente para o fabrico
de prego de construção. Posteriormente, foram sendo integrados na sua actividade novos produtos resultantes das
crescentes exigências do mercado: redes; arames; redes electrossoldadas; arame e cordão de aço de alta resistência
para pré e pós-esforço de baixa relaxação; arames para molas.
Em 2007 a empresa atingiu um volume de facturação de cerca de 100 milhões de euros. A empresa exporta para todo
o mundo, destacando-se os seguintes mercados: Cuba, Irão, Marrocos, Argélia, Qatar, Emirados Árabes, Espanha,
Inglaterra, Irlanda, Escócia, EUA, Alemanha, Finlândia, Noruega e Angola.
A FAPRICELA integra um grupo, com o mesmo nome, com escritórios em Madrid, Liverpool e Havana.
O Grupo FAPRICELA conta com cerca de 500 trabalhadores (300 dos quais ligados à empresa-mãe de Ançã), distribuídos
por mais sete empresas dedicadas ás áreas da construção, imobiliário, comércio, hotelaria e saúde.
Entre estas empresas destacam-se: a Ibermetais–Indústria de Trefilagem; a LusoMondego Construções; a Torricentro –
Construção e Obras Públicas; a Águas Claras – Construções; a Quiaios Hotel e a Águas Claras – Clínica Médica.
Fontes: Grupo Fapricela.
4. RECURSOS HUMANOS - EDUCAÇÃO BÁSICA E SECUNDÁRIA
O Baixo Mondego apresenta um posicionamento favorável, nos contextos nacional e regional, no
que respeita aos indicadores de qualificação dos recursos humanos. Em 2008/2009, a taxa bruta
de escolarização do ensino secundário era de 197.3%, valor muito superior aos registados na
região Centro (151.6%) e no País (146.7%). Coimbra destacava-se com o valor mais elevado deste
indicador (259%), contrastando com os valores mais baixos observados nos municípios Condeixaa-Nova (51.2%) e Mira (81.9%). Verificam-se portanto fortes disparidades concelhias no nível de
qualificações dos recursos humanos.
A taxa de retenção e desistência no ensino básico foi, no ano lectivo 2008/2009, de 5.2%, muito
inferior à média nacional de 7.8%. Todos os municípios do Baixo Mondego apresentam valores
inferiores à média nacional neste indicador.
Naquele ano lectivo, cerca de 13 mil estudantes da sub-região frequentavam o ensino secundário.
Cerca de 12% dos alunos deste nível de ensino estavam inscritos em cursos profissionais de Nível
3. Entre os estabelecimentos de ensino profissional do Baixo Mondego, destacam-se:
• A Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra (EHTC): criada em 1989, integra a rede pública
de Escolas de Hotelaria e Turismo, do Turismo de Portugal e tuteladas pela Secretaria
de Estado do Turismo. Na dependência da EHTC funcionam as Escolas de Hotelaria e
Turismo do Fundão, inaugurada em 2002, e a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste –
Pólo de Óbidos, cuja actividade teve início em 2006.
• O Centro de Formação Profissional de Coimbra: criado em 1973, está vocacionado para
89
•
•
as áreas de construção civil; electricidade e electrónica; frio e climatização; metalurgia
e metalomecânica; serviços pessoais; serviços administrativos e financeiros; informática;
agricultura e desenvolvimento rural. Tem um pólo em Cantanhede.
O Centro de Formação Profissional do Artesanato (CEARTE): a partir da sua sede em
Coimbra, o CEARTE desenvolve a sua actividade de forma descentralizada em todo o País.
Conta com três infra-estruturas fixas e permanentes (sede em Coimbra e pólos de formação
em Semide - Miranda do Corvo; em Cabaços – Alvaiázere; e no Centro de Formação
Profissional de Aveiro). Oferece cursos de formação diversificados nas seguintes áreas cerâmica, têxteis, madeiras, fotografia e multimédia, conservação e restauro de madeiras
e arte sacra, papel e encadernação, electricidade, gestão, tecnologias de informação e
comunicação, higiene e segurança.
Instituto Tecnológico e Profissional da Figueira da Foz (INTEP): esta instituição lecciona
os seguintes cursos profissionais de nível III, com equivalência ao 12º ano - técnico de
apoio psicossocial, técnico de segurança e salvamento em meio aquático, técnico de apoio
à infância e técnico de banca e seguros. Tem um pólo em Soure, onde são leccionados
os cursos de técnico de electrónica, técnico de energias renováveis e técnico de apoio à
infância.
No que se refere ao ensino tecnológico, no ano lectivo 2008/2009, cerca de 1.2 mil alunos
frequentavam cursos tecnológicos (o equivalente a 13% dos alunos inscritos no ensino secundário).
Destacaram-se os cursos tecnológicos na área da informática, da administração, da acção social,
do desporto e da electrotecnia e electrónica.
FIGURA 9 - ALUNOS INSCRITOS EM CURSOS TECNOLÓGICOS POR ÁREA CIENTÍFICA
(% TOTAL INSCRITOS NESTE TIPO DE CURSOS)
ANO LECTIVO 2008/2009
Fonte: Ministério da Educação.
O Instituto Politécnico de Coimbra lecciona diversos Cursos de Especialização Tecnológica (CET),
em diversas áreas como a qualidade ambiental, a qualidade alimentar, a construção civil, as
energias renováveis ou a informática.
90
QUADRO 1 - CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO TECNOLÓGICA – ANO LECTIVO 2009/2010
Instituição Promotora
Instituto Politécnico de Coimbra
Estabelecimento
Escola Superior Agrária de Coimbra
Instituto Politécnico de Coimbra
Instituto Politécnico de Coimbra
Instituto Superior de Contabilidade e Administração
de Coimbra
Instituto Superior de Engenharia de Coimbra
Instituto Politécnico de Coimbra
Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira
do Hospital
Designação do CET
Defesa da Floresta contra Inc êndios
Qualidade Alimentar
Qualidade Ambiental
Aplicações Informáticas de Gestão
Automação, Robótica e Controlo Industrial
Construção Civil e Obras Públicas
Construção e Administração de Websites
Energia e Automação
Instalação e Manutenção de Redes e
Sistemas Informáticos
Tecnologia e Gestão Automóvel
Condução de Obra
Instalação e Manutenção de Redes e
Sistemas Informáticos
Qualidade Ambiental
Fonte: Direcção Geral do Ensino Superior.
5. RECURSOS HUMANOS
- ENSINO SUPERIOR E INVESTIGAÇÃO
5.1. Diplomados do ensino superior
No ano lectivo 2009/2010, a taxa de escolarização do ensino superior era no Baixo Mondego
de 111.4%, valor muito superior ao registado no País (30.6%) e na região Centro (32.6%). No
município de Coimbra este indicador atingia os 283%, um dos valores mais elevados registados a
nível nacional.
No que respeita aos diplomados do ensino superior, este município distingue-se de forma notória
dos restantes municípios da região Cento: cerca de 24% da sua população detém formação superior
(Aveiro é o município com valores mais próximos, na ordem dos16%).
Coimbra apresenta uma importante oferta de instituições de ensino superior. Além da Universidade
de Coimbra, existem no município quatro instituições de ensino politécnico público (pertencentes
ao Instituto Politécnico de Coimbra) e quatro instituições privadas de ensino superior (Escola
Universitária das Artes de Coimbra; Instituto Superior Bissaya Barreto; Instituto Superior Miguel
Torga; Universidade Internacional da Figueira da Foz).
No ano lectivo 2009/2010, cerca de 34 mil alunos estavam matriculados nas instituições de ensino
superior do Baixo Mondego (70% dos quais na Universidade de Coimbra, o equivalente a 9% do
total nacional).
O rácio entre população estudantil do ensino superior e população residente em Coimbra é de
cerca de 23%, valor impressionante quando comparado com a média nacional (4%) ou com outros
municípios de média dimensão da região Centro (como Aveiro, com 16%).
Numa análise mais fina, de distribuição dos alunos do ensino superior pelas áreas científicas,
verifica-se a importância das ciências da saúde e das engenharias, depreendendo-se a dimensão
nacional que Coimbra apresenta nestes domínios. A título de exemplo, Coimbra detém cerca de
14% dos alunos a nível nacional em ciências físicas e engenharias e 11% em ciências da vida e
saúde.
91
FIGURA 10 - DIPLOMADOS POR ÁREA CIENTÍFICA
ANO LECTIVO 2008/2009 (% TOTAL)
Fonte: Direcção-Geral do Ensino Superior.
5.2. Investigação
Em 2008, cerca de 3400 indivíduos desenvolviam actividades de I&D no Baixo Mondego, sobretudo
em instituições de ensino superior. As despesas em I&D atingiram, naquele ano, os 133 mil milhares
de euros.
No Baixo Mondego existem diversas entidades de investigação com relevância a nível nacional
nos seus domínios de actividade. A maioria destas entidades está integrada na Universidade de
Coimbra. Pode-se afirmar que de, entre as múltiplas actividades de I&D desta Universidade nas
áreas de Ciências & Tecnologias, se destacam a nível nacional pelo número de investigadores
envolvidos e pela excelência ou muito alta qualidade da Investigação realizada as seguintes macro
áreas:
Ciências da Saúde
Esta é uma área em que a Universidade de Coimbra dispõe de unidades de I&D que se distinguem
no contexto nacional pela qualidade da Investigação e pela dimensão e natureza pluridisciplinar das
suas equipas, ao mesmo tempo que se assiste à incorporação de temas associados às tecnologias
da saúde em várias outras áreas de investigação existentes nesta Universidade – Instrumentação,
Tecnologias da Informação, Ciências dos Materiais. Três instituições têm uma forte tradição: o
Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNBC), hoje consagrado como Laboratório Associado;
o Instituto Biomédico de Investigação da Luz e da Imagem (IBILI) e o CEF - Centro de Estudos
Farmacêuticos (CEF), com investigação em química fina, formulação e controlo de medicamentos,
plantas medicinais, análise de alimentos, resistência e citotoxicidade. Mais recentemente, e no
cruzamento de pólos de excelência em Física e Instrumentação e Ciências da Saúde, foi criado
o Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) que conta com a participação das
Faculdades de Medicina, Farmácia e Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e que inclui
o primeiro acelerador de partículas (ciclotrão) público existente em Portugal, além de equipamentos
como tomógrafo PET (tomografia por emissão de positrões) e outros equipamentos de Medicina
Nuclear que permitirão a realização de investigação de ponta em áreas como a Bioquímica, a
Biologia Aplicada à Saúde e a Física.
Física & Instrumentação Científica
Se há área em que a Universidade de Coimbra se distingue no contexto nacional é sem dúvida a
92
da Instrumentação Científica, área que decorre das competências existentes em vários domínios
da Física e que se tem vindo a cruzar com as áreas da Electrónica e Tecnologias da Informação. As
unidades principais são o pólo de Coimbra do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental
de Partículas (LIP), que tem como objectivo a investigação no campo da física experimental
de altas energias e da instrumentação associada (física experimental de altas energias e astro
partículas, a instrumentação de detecção de radiação, a aquisição e processamento de dados
e a computação avançada, com aplicações noutros domínios, em particular na física médica); o
Centro de Instrumentação (instrumentação atómica e nuclear, detectores de radiação, transporte
de electrões e iões em gases, automação e controlo e instrumentação industrial e ambiental) e
o Centro de Electrónica e Instrumentação (instrumentação electrónica, telemetria e controlo,
processamento de sinal, detecção de radiação).
Ciências da Computação & Tecnologias da Informação e Telecomunicações
Esta área, com já longa tradição na Universidade de Coimbra, abrange um leque de temas variado
em que se destacam as Ciências da Computação, as aplicações de Sistemas Informáticos e as
Tecnologias de Telecomunicações e as aplicações da informática. A maior unidade de I&D é o
Centro de Informática e Sistemas, destacando-se ainda o INESC Coimbra e o pólo de Coimbra do
Instituto de Telecomunicações.
Ciências e Tecnologias dos Materiais
Esta área, no cruzamento da Física e da Química, áreas tradicionais de investigação da Universidade
de Coimbra, tem vindo a desenvolver-se em torno do pólo de Coimbra do Instituto de Ciências e
Engenharia dos Materiais e Superfícies - ICEMS (vd Caixa), sendo que a localização em Coimbra
do Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV) tem permitido uma interacção entre este
pólo de conhecimento e as actividades industriais.
Robótica, Automação e Mecânica
Cruzando-se com as áreas das Tecnologias de Informação e da Engenharia Mecânica, a área da
Robótica e Automação tem vindo a desenvolver-se em torno de três unidades de I&D: o pólo de
Coimbra do Instituto de Sistemas e Robótica - ISR (vd. Caixa), o Centro de Engenharia Mecânica
- CEM (Controlo, Mecânica Estrutural e Aplicações de FEM, i.e, força electromotriz). Uma área da
Engenharia Mecânica em que Coimbra se destaca a nível nacional é a da investigação realizada
no Laboratório de Aerodinâmica Industrial, com múltiplas áreas de I&D aplicada (aerodinâmica,
mecânica de fluidos, transmissão de calor; climatização e ambiente; tecnologias de detonação
etc.).
Química do Papel
Associada ao tradicional pólo de Química da Universidade de Coimbra, o Centro de Engenharia dos
Processos e Química dos Produtos da Floresta é o centro de I&D mais significativo existente em
Portugal sobre as Tecnologias Químicas da Pasta e do Papel.
93
As caixas seguintes detalham as actividades de I&D das principais unidades de investigação do
Baixo Mondego:
CAIXA 8 - CENTRO DE NEUROCIÊNCIAS E BIOLOGIA CELULAR (CNC)
O CNC é um instituto de investigação dedicado às biociências e biomedicina. Foi o primeiro Laboratório Associado
português e integra a Rede Europeia de Institutos de Neurociências (ENI). Está envolvido em projectos de investigação
entre o Governo português e o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a Harvard Medical School (HMS).
Junta investigadores das Faculdades de Ciências e Tecnologia, Farmácia e Medicina da Universidade de Coimbra,
bem como dos Hospitais da Universidade (HUC). Os Grupos de Investigação do CNC estão agrupados nas seguintes
áreas temáticas: 1) neurociências e doenças; 2) biotecnologia molecular e saúde; 3) toxicologia celular e molecular; 4)
microbiologia; 5) ressonância magnética em biofísica e biomedicina; 6) biologia celular.
O ensino no CNC centra-se nos estudos graduados em biociências e biomedicina, particularmente nas áreas de biologia
celular e molecular, neurociências e biotecnologia.
De referir que o CNC vai instalar junto ao Biocant Park, em Cantanhede, um pólo para desenvolvimento das valências de
investigação fundamental na área da biotecnologia. A assinatura do contrato-programa, em 2008, entre a autarquia de
Cantanhede e o CNC, deu início a uma parceria entre ambas as instituições para as próximas duas décadas.
Fontes: CNC.
CAIXA 9 - INSTITUTO BIOMÉDICO DE INVESTIGAÇÃO DE LUZ E IMAGEM
(IBILI)
Este Instituto de investigação é o principal centro de I&D em Oftalmologia existente em Portugal e um dos mais destacados
a nível europeu. Integra o Centro de Oftalmologia e Ciências Visuais, o Instituto de Biofísica e Biomatemática e o Instituto
de Farmacologia e Terapêutica, tendo ainda uma Divisão de Instrumentação e outra de Dermatologia e Fotobiologia.
Os seus três principais programas de investigação são os processos de degeneração da retina e cerebrais; novos
métodos de diagnóstico e terapêuticas inovadoras para doenças degenerativas da retina, do nervo óptico e do cérebro;
instrumentos para a produção de imagem clínica e novos métodos de administração de fármacos.
O IBILI criou uma entidade associada, a AIBILI, que é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que reúne Departamentos
da Universidade de Coimbra, empresas e outras instituições de apoio à I&D. O seu principal objectivo é a realização de
I&D para empresas da área da saúde, assumindo-se como uma instituição de interface universidade-empresa. A AIBILI é
uma Organização de Investigação por Contrato (CRO) especializada em realizar as fases I, II, III e IV de ensaios clínicos
de fármacos e dispositivos médicos, segundo as Boas Práticas Clínicas (BPC) e as Boas Práticas de Laboratório (BPL).
Está localizada no Pólo III da Universidade de Coimbra e é constituída por três unidades de investigação: 1) Centro
de Ensaios Clínicos (CEC) - realiza ensaios clínicos sobretudo na área da oftalmologia e, mais especificamente, na
retinopatia diabética, degenerescência macular relacionada com a idade, glaucoma, cirurgia da catarata e inflamação
ocular; 2) Centro de Estudos de Biodisponibilidade (CEB) - está vocacionado para dar resposta a vários tipos de
solicitações da indústria farmacêutica relativas a introdução de novos medicamentos ou genéricos, ou produtos com as
mesmas ou diferentes dosagens e fórmulas farmacêuticas; 3) Centro de Novas Tecnologias para a Medicina (CNTM) está orientado para o desenvolvimento de novos instrumentos e técnicas de diagnóstico, com especial ênfase na área da
oftalmologia e imagem. O seu principal objectivo é a transferência de tecnologia para a indústria.
Todas estas unidades têm o apoio da Unidade de Gestão da Qualidade (UGQ) e da Unidade de Transferência de
Tecnologia (UTT) da AIBILI.
Fontes: IBILI.
94
CAIXA 10 - CENTRO DE INFORMÁTICA E SISTEMAS (CIS)
Este Centro está organizado em cinco áreas principais de Investigação:
1)
2)
3)
4)
5)
Sistemas Cognitivos e Media - a investigação nesta área centra-se na Inteligência Artificial, Media e Tecnologias
da Informação para educação, tendo resultado da fusão ocorrida em 2007 de três grupos existentes no CIS
(Ciências da Computação, Inteligência Artificial e Simulação e Tecnologias da Informação) e incluindo actualmente
equipas em Criatividade Computacional e Media Digital, Sistemas de Inteligentes e de Conhecimento; Inteligência
Ambiental e Tecnologias Educativas.
Computação Adaptativa - a investigação nesta área incide sobre o processamento multimodal da informação
para sistemas adaptativos, utilizando técnicas de inteligência computacional como as redes neuronais, a lógica
fuzzy, as support vector machines, o processamento avançado de sinal etc., com aplicações em sistemas
médicos/clínicos, processos industriais e aprendizagem distribuída com base na internet.
Software e Engenharia de Sistemas - as actividades distribuem-se na actualidade por três laboratórios (Sistemas
Confiáveis, Data Management e Sistemas de Computação Paralela e Distribuída); a investigação nesta área
esteve na base do surgimento de empresas como a Critical Software e a Wit Software.
Comunicações e Telemática - as actividades de investigação centram-se actualmente em temas como a
qualidade de serviço, a mobilidade, multicast, segurança e gestão de redes de comunicações.
Sistemas de Informação – as actividades de investigação incluem o Desenvolvimento e Gestão de Sistemas
de Informação (o interesse tradicional deste grupo pela engenharia de software evoluiu para o desenvolvimento
de soluções para a selecção, utilização e integração e gestão de complexos; package software utilizados pelas
empresas); as Metodologias e Tecnologias de Colaboração e Participação on line e a Concepção e Design de
Sistemas de Aprendizagem.
Fontes: CIS.
CAIXA 11 - INSTITUTO DE CIÊNCIAS E ENGENHARIA DOS MATERIAIS
E DAS SUPERFÍCIES (ICEMS)
Este Instituto de I&D tem cinco áreas principais de investigação:
1)
2)
3)
4)
5)
Engenharia dos Materiais e Superfícies - com temas de I&D como a produção e caracterização de películas finas;
o desenvolvimento de nano compósitos, os materiais multicamada e com camadas sensoriais; os processos de
coating por pós; a moldação de materiais por injecção de pós etc.
Comportamento dos Materiais e Mecânicas em torno dos temas do comportamento de materiais quando
submetidos a cargas estáticas ou dinâmicas (fadiga nas junções obtidas por soldadura ou adesivas; fadiga em
aços sujeitos a tratamento de superfícies; fadiga e fractura em materiais compósitos; fadiga a altas temperaturas
etc.).
Electroquímica e Corrosão - com investigação em electroanálise (novos materiais para eléctrodos baseados
em carbono, novos coatings paramodificação de eléctrodos); bioelectroquímica (biosensores electroquímicos
para aplicações em medicina e ambiente; desenvolvimento de DNA biosensores electroquímicos; detecção
electroquímica de moléculas biológicas etc.); corrosão e polímeros condutores.
Técnicas Nucleares de Análise de Materiais – com aplicação das tecnologias de positrões a vários tipos de
estudos sobre materiais.
Tecnologias de Materiais Electrónicos e Ultrasons – com temas em que se incluem a optimização da produção
de materiais cerâmicos (SnO2); tecnologias de coating em materiais electrónicos; caracterização de materiais
compósitos; controlo e caracterização de materiais por ultrasons.
Fontes: ICEMS.
95
CAIXA 12 - PÓLOS EM COIMBRA DE REDES NACIONAIS
ISR - INSTITUTO DE SISTEMAS E ROBÓTICA: as principais áreas de I&D realizadas no pólo de Coimbra estão
organizadas por laboratórios dos quais se destacam - Automação da Produção e Robótica; Controlo Inteligente;
Manipulação Robótica; Visão por computador e Visão para Robótica; Robótica Móvel e Mecatrónica; tendo ainda uma
unidade vocacionada para a colaboração mais directa com a indústria.
IT- INSTITUTO DE TELECOMUNICAÇÕES: as principais áreas de I&D realizadas no pólo de Coimbra incidem sobre
Comunicações e Imagem; Redes e Comunicações Multimédia; Comunicações Ópticas; Microondas Rádio e Ondas
milimétricas; integrando também um grupo de Matemáticas Aplicadas às Redes de Telecomunicações e estando
localizadas na Covilhã uma área de I&D em Comunicações e Multimédia
INESC COIMBRA: as principais áreas de I&D realizadas no pólo de Coimbra do INESC têm uma clara orientação
para aplicações destacando-se as que se referem a Teletráfico e planeamento de redes de telecomunicações e
ao planeamento e controlo em redes de transmissão e distribuição de electricidade, para além das que envolvem
investigadores da faculdade de Economia em Análise Multicritério/Optimização de objectivos.
Fontes: ISR/IT/INESC.
A Figura seguinte identifica os principais Centros e Institutos de I&D atrás referidos:
FIGURA 11 - UNIVERSIDADE DE COIMBRA - PRINCIPAIS CENTROS DE I&D
EM CIÊNCIAS & TECNOLOGIAS
UNIVERSIDADE DE
COIMBRA PRINCIPAIS CENTROS DE
I&D EM CIÊNCIAS & TECNOLOGIAS
Instituto
Ciências
Nucleare
p/Saúde
Eleectr
oscopi
a RMN
Centro
Instrum
entação
LIP
Coimbra
Centro
Electró
nica e
Intrum
entaçã
o
Centro
Neurociências
e Biologia
Celular
Instituto
Biomédico de
Investigação
Luz e imagem
Centro
Física
Compu
tacional
Centro
Estudos
Farmacêuticos
Centro
Engº
Processo
s
Químicos
e Prod.
Floresta
Centro de
Química
ICEMS
Coimbra
Centro de
Matemática
Legenda
Centro de
Informática e
Sistemas
Centro
Ciências da Saúde
ISR
Coimbra
Química & Bioquímica
Ciências dos Materiais
Física & Instrumentação
Engº
Mecãnica
Lab.A
erodin
âmica
Industr
ial
INESC
Coimbra
IT
Coimbra
Nota:
Mecânica, Automação e Robótica
Ciências Computação & Tecnologias Informação
A proximidade dos Centros não significa
relações entre eles, mas tão só pertença uma mesma
Área genérica de I&D
Nota: Consideraram-se os Centros e Institutos de I&D com notação Excelente e Muito Bom
na avaliação realizada pelos painéis da FCT e com 30 ou mais investigadores.
Além das unidades atrás referidas, destaque ainda para a Associação para a Inovação Tecnológica
e Qualidade (AEMITEQ), uma instituição privada de utilidade pública, de apoio à indústria e à
comunidade científica no domínio da química (é especializada em controlo químico da qualidade).
Nas suas instalações laboratoriais são desenvolvidos trabalhos de química analítica nas seguintes
áreas de investigação: controlo químico de matérias-primas e produtos; composição de produtos
naturais; controlo da qualidade de águas (assegurando a análise de mais de 70 compostos
pesticidas); análise de resíduos industriais e urbanos; determinações analíticas em materiais
biológicos; desenvolvimento de métodos analíticos e química fina.
96
As Spin-offs da Universidade de Coimbra
A Universidade de Coimbra tem dado origem a várias empresas spin-offs, pertencentes sobretudo aos
sectores de actividade cobertos pelos referidos centros de investigação da instituição universitária.
O Instituto Pedro Nunes (ver caixa adiante) constitui um relevante centro de incubação de empresas
inovadoras do baixo Mondego. As caixas seguintes apresentam alguns destes exemplos:
CAIXA 13 - CRITICAL SOFTWARE
A Critical Software é uma empresa de base tecnológica, sediada em Coimbra, com escritórios em Lisboa e Porto e
subsidiárias nos EUA e Reino Unido. Desenvolve tecnologias e soluções inovadoras para sistemas de informação
críticos, operando em diversos mercados globais, nomeadamente a aeronáutica, banca, defesa, indústria, espaço,
telecomunicações e transportes.
Desde a sua fundação em 1998, na incubadora de empresas do IPN, que a Critical Software tem mantido um forte
investimento em I&D. Deste investimento têm resultado novas tecnologias e produtos, nomeadamente:
- EedgeBOX - network appliance para fornecimento de todos os serviços de infra-estrutura e conectividade, incluindo
VOIP.
- WOW! – solução para gestão de ordens de trabalho e trouble-tickets baseada em ITIL e ITSM.
- PREMFIRE - solução para gestão de risco e apoio ao combate de fogos florestais que foi demonstrada na Iniciativa
COTEC Fogos Florestais.
- WMPI - a única solução no mercado global para midleware de computação de elevado desempenho (Grid).
- Xception - ferramenta para teste automático de software crítico baseada em tecnologia inovadora de injecção de
falhas.
O EdgeBOX recebeu o prémio internacional InfoVision Award 2005, atribuído pelo International Engineering Consortium
(IEC), para Best Broadband Appliance.
Em 2007, havia lançado nos EUA a Critical Link, para comercializar o Edgebox à escala global. No início de Maio de
2009, esta empresa lançou no mercado a EdgeBOX SoHo, uma versão do dispositivo multi-serviços dirigida ao segmento
das empresas até 10 pessoas, o maior segmento de mercado das PME.
A empresa detém 20% da start-up Critical Materials, criada em 2008, em Guimarães, com o objectivo de desenvolver
um produto, que inserido nos novos materiais, será capaz de realizar diagnósticos e prognósticos de manutenção em
aeronaves, de forma a estender a sua vida útil e maximizar as hora de voos.
Por outro lado, lançou, também em 2008, uma outra spin-off, na área da saúde (Critical Health), especializada no
desenvolvimento de soluções para diagnóstico e tratamento de doenças e cujo primeiro produto se destinará aos
diabéticos (produto RetMarker).
Entre os principais clientes da Critical Software destacam-se as Forças Armadas Portuguesas e do Reino Unido, a
Agência Especial Europeia, a EADS Astrium, o European Southern Observatory, a NASA, a ChevronTexaco, a Deutsch
Telekom, a AgustaWestland, a Siemens, a Angola Telecom, a Vodafone, entre outros.
Em 2008 a Critical Software foi distinguida com o Prémio PME Inovação COTEC-BPI. De referir que a empresa integra
o Pólo de Competitividade e Tecnologia TICE.PT, reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva
em Julho de 2009. No âmbito deste Pólo, a Critical Software é a empresa promotora do projecto One.Stop.Transport
- Sistemas de Comunicação Avançados para Transportes Urbanos Complementares, que tem como objectivo explorar
novas soluções para o transporte urbano, mais eficientes e abrangentes, através do uso de TIC que permitam integrar
várias soluções disponíveis, de uma forma ecológica, mais eficiente do ponto de vista energético e com mais qualidade
para o utente. De referir que este projecto conta com a participação de diversos actores do Baixo Mondego como o
Instituto Pedro Nunes, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, o ISR-Coimbra, a WIT –
Software e a Sustentessência – Veículos Eléctricos Autónomos.
Por outro lado, a empresa integra o consórcio Portuguese Aerospace Industrial Consortium (PAIC, liderado pela Associação
para a valorização e Promoção da Oferta das Empresas Nacionais para o Sector Aeronáutico, PEMA, e em parceria com
a Lockheed Martin), que tem como objectivo desenvolver sistemas de avião não tripulados, nomeadamente aeronaves,
sensores (payload) e estações de controlo de missão. De referir ainda que a Critical Software está a desenvolver com
o Massachussets Institute of Technology (MIT) um carro eléctrico sem condutor para transporte de pessoas em locais
públicos como hospitais, aeroportos, parques industriais ou resorts turísticos.
Fontes: Critical Software.
97
CAIXA 14 - ISA - INTELLIGENT SENSING ANYWHERE
A ISA teve a sua origem em 1990, quando um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra decidiu comercializar um
equipamento para monitorização da qualidade do ar por eles desenvolvido na Universidade.
É uma empresa de base tecnológica que desenvolve e comercializa sistemas de gestão remota (telemetria) aplicados ao
gás e ambiente. Desenvolve também soluções de domótica, video-vigilância e automação industrial. O primeiro cliente
desta spin-off do Departamento de Física da Universidade de Coimbra foi o Ministério do Ambiente, mas gradualmente
a empresa foi conquistando o mercado nacional e internacional. A empresa foi pioneira na introdução do conceito de
telemetria em Portugal. Levou também para a Europa e para o Brasil a aplicação desta ciência ao sector do gás.
Entre os principais clientes desta empresa destacam-se empresas como a Shell, BP, Repsol ou a PrimaGaz, cujos
sistemas de telemetria de reservatórios e contadores de gás está a cargo (a nível global) da ISA.
Exporta produtos, aplicações e soluções inovadoras reconhecidas e implementadas mundialmente nas áreas da
electrónica, desenvolvimento de software, telemetria e controlo, aplicados ao ambiente, energia, oil & gás, gestão
integrada e edifícios e saúde.
Conta com mais de 100 colaboradores, escritórios em França, Espanha, Alemanha, Irlanda e Brasil e está presente
noutros países através de agentes locais.
A empresa criou uma linha de produtos inteiramente dedicada à eficiência energética e à telecontagem multi-utility.
Esta inclui sensores, contadores e toda uma gama de dispositivos inovadores que estabelecem uma rede capaz de
monitorizar à distância diversos parâmetros, tais como o consumo de água, gás e electricidade, a qualidade do ar, entre
outras funcionalidades.
Em 2008, a empresa recebeu o prémio Produto Inovação COTEC-Unicer. De referir ainda que a empresa integra o Pólo
de Competitividade e Tecnologia TICE.PT, reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho
de 2009.
Fontes: ISA.
CAIXA 15 - WIT SOFTWARE
A WIT-Software é uma empresa especializada no desenvolvimento de aplicações e serviços de software para operadores
de telecomunicações móveis, oferecendo também serviços de consultoria ou desenvolvimento de software a qualquer
empresa que pretenda explorar o negócio da Internet Móvel.
Fundada em Março de 2001 como spin-off da Universidade de Coimbra, desde a sua criação que mantém uma parceria
tecnológica com a Vodafone Portugal.
As suas áreas de actuação incluem: tecnologias para a internet móvel; plataformas para suporte a serviços móveis (SMS,
MMS, WAP); plataformas de multimédia para operadores móveis; soluções baseadas em localização (GSM, GPS);
portais móveis (Web, WAP, PDA’s e TV); aplicações J2ME e Symbian; Bluetooth, WiFi, WiMax; soluções micropagamentos; soluções baseadas em tecnologia IMS; soluções VoIP.
A empresa conta com diversos clientes nacionais e internacionais, abrangendo o sector das telecomunicações móveis
(Vodafone Portugal, Vodafone Espanha, Vodafone Global, entre outros), banca (Caixa Geral de Depósitos e Banif),
media (SIC/Impresa e Real Networks), comércio (Procter&Gamble) e transportes (Brisa e European Space Agency).
Os produtos desenvolvidos pela Wit-Software estão presentes em vários mercados, nomeadamente na Europa, Norte
de África e América do Norte. Foram estabelecidas parcerias tecnológicas com as seguintes empresas: Airborne
Entertainment (mercado norte americano de telecomunicações), EF-Tecnologias (sector da banca), Real Networks
(media), Alcatel Portugal (sector das telecomunicações), ICS (Chile), Numidia (Tunísia), Brisa (operador de autoestradas), HP, Ericsson e Oracle.
De referir que a WIT-Software integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia TICE.PT, reconhecido formalmente como
Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Wit-Software.
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CAIXA 16- MEDIA PRIMER - TECNOLOGIAS E SISTEMAS MULTIMÉDIA
A MediaPrimer é uma empresa spin-off da Universidade de Coimbra, fundada em 2000 e especializada no desenvolvimento
de produtos e serviços nas áreas de software, web & multimédia, design & comunicação.
A área de software dedica-se ao desenvolvimento de aplicações informáticas, horizontais e verticais, genéricas e à
medida. Um dos focos actuais desta área é o desenvolvimento de soluções integradas de cadastro, controlo e telegestão
de infra-estruturas de saneamento (abastecimento de água e drenagem de águas residuais e pluviais).
Na área de web & multimédia são desenvolvidos sistemas de informação locais e para a Internet, bem como aplicações
multimédia. A MediaPrimer oferece um leque de soluções muito diversificado, ao disponibilizar um conjunto de serviços
integrados de comunicação e imagem, gestão dinâmica de conteúdos, programação de sistemas locais e distribuídos,
arquivos digitais, acessibilidades, soluções multimédia, ambientes virtuais e sistemas avançados de visualização
gráfica,
Através da área de design & comunicação oferece soluções completas e diferenciadoras de comunicação e imagem,
idealizando, produzindo e implementando suportes de comunicação para marcas em todos os domínios da sua actividade
comunicacional.
A empresa conta com um leque muito vasto de parceiros e clientes, como a UMIC (Agência para a Sociedade do
Conhecimento), o Ministério da Cultura, a Secretaria de Estado da Modernização Administrativa, a Direcção Regional
dos Assuntos Culturais da Região Autónoma da Madeira, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do
Centro, a Universidade de Coimbra, entre outros. Está actualmente numa fase de reforço das suas actividades de I&D,
de consolidação estrutural e de preparação para a internacionalização.
Fontes: Media Primer.
CAIXA 17 - BLUEWORKS - MEDICAL EXPERT DIAGNOSIS
A empresa Blueworks é a primeira spin-off do curso de Engenharia Biomédica da Universidade de Coimbra, criada com o
objectivo de desenvolver e lançar à escala mundial sistemas inovadores de pré-diagnóstico baseados na análise inteligente
de dados e imagens provenientes de exames clínicos e no seu processamento com recurso a redes neuronais.
Foi criada por três recém-licenciados daquele curso e por professores do Departamento de Física e da Faculdade
de Medicina da Universidade de Coimbra. Reúne ainda parceiros empresariais: a ISA, a NeuroEye - Electromedicina
e Psicofisiologia da visão e o Centro Cirúrgico de Coimbra. Está sedeada nas instalações do Centro Cirúrgico de
Coimbra.
A origem da empresa está ligada ao projecto WIA-DM desenvolvido na disciplina de Projecto do referido curso, com
o objectivo de desenvolver técnicas informáticas para a análise de dados obtidos em ambiente clínico na área da
Oftalmologia.
Fontes: Blueworks.
6. A INOVAÇÃO EMPRESARIAL NA REGIÃO
Existem no Baixo Mondego várias instituições de apoio à inovação empresarial da sub-região e do
País. Assumem relevância o Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), o Instituto Pedro
Nunes (IPN) e algumas infra-estrutura de acolhimento empresarial, em particular de empresas de
base tecnológica vocacionadas para actividades emergentes (como a biotecnologia e as ciências
da vida).
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CAIXA 18 - INSTITUTO PEDRO NUNES (IPN)
Criado em 1991, o IPN - Instituto Pedro Nunes tem desenvolvido uma função importante na ligação entre a Universidade
e o mundo empresarial. As principais áreas em que o IPN tem actuado são: investigação e desenvolvimento tecnológico,
conjugado com a prestação de consultoria e serviços especializados; incubação de empresas, tendo já dado origem a
empresas reconhecidas no mercado nacional e internacional como são exemplos a Critical Software, a CrioEstaminal ou a
CWJ (Componentes Eléctricos e Electrónicos); formação em áreas tecnológicas, em regime de colaboração com o tecido
empresarial da região.
A estrutura do IPN é a seguinte:
- LABPHARM – Laboratório de Estudos Farmacêuticos, que actua nas áreas científicas de farmacologia, química farmacêutica,
tecnologia farmacêutica e farmacognosia.
- LABGEO – Laboratório de Geotecnia, que actua nas áreas científicas e técnicas de geotecnia e fundações.
- LAS – Laboratório de Automática e Sistemas, que actua nas áreas da robótica, energia, automação, instrumentação e controlo
do tecido empresarial e instituições, através do desenvolvimento e promoção da aplicação de novas tecnologias relacionadas
com essas áreas. Este laboratório possui uma unidade denominada UAII - Unidade de Automação e Instrumentação Industrial,
que visa reforçar as competências do Laboratório na área de instrumentação de aplicação industrial.
- LEC- Laboratório de Electro-Análise e Corrosão, que actua sobretudo em áreas relacionadas com a corrosão electroquímica
de materiais metálicos, e com a electroanálise para determinações quantitativas de metais tóxicos em águas e efluentes.
- LED&MAT - Laboratório de Ensaios, Desgaste e Materiais, que cobre os domínios revestimentos para aplicações mecânicas,
protecção contra o desgaste e oxidação, recuperação de resíduos inorgânicos, injecção de materiais cerâmicos, novas ligas
metálicas, selecção de materiais, análise de falhas de componentes em serviço, análise química de sólidos, tribologia, análise
não destrutiva de materiais. Este laboratório integra também a UGRAN – Unidade de Caracterização e Certificação de
Materiais Granulares e a UMS – Unidade de Modificação de Superfícies.
- LIS - Laboratório de Informática e Sistemas, com competências em todas as áreas das Tecnologias de Informação e
Comunicações, Sistemas Inteligentes, Informática Industrial, Sistemas Multimédia e Sistemas de Formação.
- Núcleos de Competências - além dos laboratórios mencionados, o IPN desenvolve actividades noutros campos da ciência
através do recurso a uma rede de investigadores do Sistema Científico e Tecnológico, em particular da Universidade de
Coimbra, nomeadamente através da sua Faculdade de Ciências e Tecnologia.
- GAPI - Gabinete de Apoio à Promoção da Propriedade Industrial, que tem por missão promover a utilização do Sistema
de Propriedade Industrial, prestando apoio e esclarecimentos personalizados a investigadores, docentes e discentes de
instituições do ensino superior e do sistema científico, empreendedores e empresas, essencialmente de base tecnológica.
- Incubadora de empresas - existe no IPN a primeira incubadora de empresas de base tecnológica da região Centro, a
IPN-Incubadora - Associação para o Desenvolvimento de Actividades de Incubação de Ideias e Empresas, criada em 2002
por iniciativa do IPN e da Universidade de Coimbra. Esta incubadora promove a criação de empresas spin-offs, apoiando
ideias inovadoras e de base tecnológica oriundas dos laboratórios do IPN, de instituições do ensino superior (em particular da
Universidade de Coimbra), do sector privado e de projectos de I&D em consórcio com a indústria.
Foi eleita a segunda melhor incubadora do mundo no concurso Best Science Based Incubators, organizado pela Technopoly
Network (rede gerida por vários centros de investigação). Alberga cerca de 60 empresas e apresenta uma taxa de sobrevivência
das empresas incubadas de cerca de 80%. A IPN Incubadora já apoiou a criação e o desenvolvimento de mais de 140
empresas de base tecnológica, com resultados nacionais e internacionalmente reconhecidos, tais como a Critical Software, a
Crioestaminal, a CWJ-Componentes Electrónicos, a Wit-Software, a Active Space Technologies e a FEEDZAI.
De referir que o IPN lidera o Projecto GAPI 2.0 (Gabinetes de Valorização do Conhecimento pela promoção do
Empreendedorismo, Inovação e Propriedade Industrial), um consórcio apoiado pelo Programa Operacional Factores de
Competitividade (COMPETE) que reúne as principais universidades portuguesas. Este projecto pretende promover a
competitividade da economia via valorização do conhecimento gerado por empresas, empreendedores e instituições do
ensino superior e do sistema científico, bem como fomentar o empreendedorismo de base tecnológica e promover a utilização
do Sistema de Propriedade Industrial junto dos agentes económicos.
Por outro lado, o IPN integra os Pólos de Competitividade e Tecnologia TICE.PT e Engineering and Tooling, reconhecidos
formalmente como Estratégias de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Finalmente, de referir que, em Outubro de 2010, a IPN Incubadora alcançou o 1º lugar no concurso mundial “Best Science
Based Incubator”, colocando-a como a melhor Incubadora de Base Tecnológica do mundo. Os vencedores de anos anteriores
incluem instituições de elevado prestígio e renome internacional, tais como: o Tsinghua Science Park de Beijing, o Oxford
BioBusiness Center, o I3P - Incubadora de empresas do Politécnico de Turim ou o Symbion – Science Park de Copenhaga.
Este Concurso Internacional ocorreu durante a 9ª Conferência Anual sobre Boas Práticas em Incubadoras de Base Tecnológica,
realizado em Liverpool. A IPN Incubadora destacou-se entre as mais de 50 incubadoras em competição, provenientes de 23
países diferentes, pelos seus excelentes resultados, dos quais se destacam: um modelo de negócio autosustentado com forte
retorno do investimento público, uma taxa de sobrevivência das empresas incubadas superior a 80%; um volume de negócios
agregado destas empresas, em 2009, superior a 70 milhões de euros; e a criação de mais de 1.500 postos de trabalho
directos, muito qualificados, desde o seu inicio de actividade.
Fontes: IPN; imprensa.
100
CAIXA 19 - CENTRO TECNOLÓGICO DA CERÂMICA E DO VIDRO (CTCV)
O CTCV - Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro é uma instituição de utilidade pública, sem fins lucrativos, criada
em 1987 para prestar apoio técnico e promoção tecnológica às indústrias nacionais da fileira da construção e do habitat.
Surgiu no quadro de uma estratégia de apoio a parcerias público-privadas, promovida pelo então Ministério da Indústria
e Energia, para o apoio sustentado dos principais sectores da indústria extractiva e transformadora nacional.
Consciente de que a performance das empresas está cada vez mais dependente da inovação, o CTCV tem apostado
fortemente nessa componente, com especial incidência na inovação do produto e na inovação tecnológica. No entanto,
como forma de potenciar as mais-valias dos investimentos em inovação, o CTCV tem apostado na formação de quadros
para a gestão de projectos de inovação, gestão de Sistemas de I&D e desenvolvimento de metodologias de monitorização
de performance de inovação nas empresas.
Através do intenso nível de relacionamento com diversas entidades do Sistema Científico e Tecnológico (nacionais
e internacionais), o CTCV assume-se como entidade de charneira no estabelecimento da ligação funcional entre as
Universidades e as empresas, fornecendo serviços inovadores em áreas de elevada especificidade técnica que as
empresas não possuem.
O esquema seguinte ilustra a estrutura do CTCV e respectivas áreas de actuação:
Os laboratórios do CTCV estão acreditados pelo Instituto Português de Acreditação (IPAC), no âmbito do Sistema
de Gestão da Qualidade. O seu Laboratório de Ensaio de Produtos realiza ensaios para certificação de produtos de
cerâmica, vidro e cimento e está acreditado pela AMECA - Automotive Manufacturers Equipment Compliance Agency,
para efeitos de realização de ensaios para marca DOT (vidro automóvel) e também pelo FORS - Federal Office of Road
Safety, Austrália. Para efeito da concessão da marca NF-UPEC de pavimentos, está acreditado pelo CSTB - Centre
Scientifique et Technique du Bâtiment.
Adicionalmente, o CTCV é um Organismo Notificado pela Comissão Europeia como Laboratório para a realização de
ensaios para a marcação CE de colas para ladrilhos, canaletes para drenagem de águas e pavimentos e revestimentos
cerâmicos.
O CTCV possui um centro de desenvolvimento de software, integrado na Rede Microsoft Innovation Centers.
Possui experiência em processos de transferência de tecnologia: fundou e é accionista da empresa TEandM - Tecnologia
e Engenharia de Materiais, empresa de tecnologias de revestimentos de cerâmicos e superligas metálicas por projecção
térmica (plasma, hipersónica) e PVD - Physical Vapor Deposition para aplicações industriais. Esta empresa, constituída
em 2001, resultou de um processo de spin-off desta área de investigação do CTCV.
Os recursos Humanos do CTCV são constituídos por 62 pessoas, das quais mais de metade são técnicos superiores,
especialistas em engenharia de cerâmica e do vidro, ambiente, gestão industrial, mecânica, civil, química, geologia,
ciência dos materiais, informática e sistemas, design, entre outros.
Tendo em vista a implementação da estratégia definida no Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável do CTCV
(2008-2013), no que concerne ao desenvolvimento de acções relacionadas com o desenvolvimento de produtos, materiais,
processos e tecnologias de produção para o habitat, prevê-se a expansão do CTCV para um Centro de Conhecimento
em Materiais para a Construção Sustentável, a construir no Coimbra Inovação Parque – iParque. Através deste Centro,
o CTCV pretende também diversificar a sua oferta de serviços, apostando no apoio à especialização das indústrias do
101
habitat, com ênfase no desenvolvimento de produtos e soluções multifuncionais e integradas, orientadas para a função
dos produtos e sua aplicação.Para o desenvolvimento deste projecto, assume relevância o facto de o CTCV ter visto
reconhecida a candidatura a Cluster do Habitat Sustentável, no âmbito do concurso Estratégias de Eficiência Colectiva.
O CTCV lidera um consórcio composto pelo ITeCons - Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em
Ciências da Construção (da Universidade de Coimbra) e o CentroHabitat - Associação Plataforma para a Construção
Sustentável, além de um conjunto elevado de empresas oriundas dos diversos sectores que compõem o habitat (exemplos
de empresas: Cinca, Revigrés, Saint Gobain Glass, Spal), associações, entidades do Sistema Científico e Tecnológico,
parques tecnológicos, autarquias da região Centro, ordens profissionais, entre outros actores.
De referir ainda que o CTCV integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Produtech – Tecnologias de Produção,
reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: CTCV.
Além do IPN e do CTCV, o Baixo Mondego conta com outras instituições de apoio à inovação empresarial
e de acolhimento de empresas de base tecnológica. Destaque para:
O BioCant Park - Centro de Inovação em Biotecnologia - localizado em Cantanhede, é um
centro de investigação e desenvolvimento aplicado em ciências da vida que tem como objectivo
criar produtos e serviços inovadores em biotecnologia. Através do seu Centro de I&D, realiza
actividades de inovação e investigação na área da biotecnologia aplicada às ciências da vida,
desenvolvendo projectos de iniciativa própria ou em consórcio com empresas ou centros de
investigação fundamental. Disponibiliza serviços inovadores para empresas e organismos públicos
e privados nas áreas da saúde, biologia celular, bioinformática, genômica, biotecnologia molecular,
microbiologia e indústrias farmacêutica, alimentar e agro-alimentar. Desde Abril de 2009 que alberga
duas novas spin-offs – a Interactome, que desenvolveu uma tecnologia baseada num algoritmo que
permite obter um mapa de interacções entre proteínas de levedura e identificar um elevado número
de complexos de proteínas, relevantes para o tratamento de doenças humanas; a Matera, que
tem como objectivo comercializar internacionalmente materiais ou revestimentos com propriedades
antimicrobianas.
De destacar ainda a presença da BioCant Ventures, primeira empresa de business angels a investir
exclusivamente em projectos na área das ciências da vida. Criada em 2006, apoiou os seguintes
projectos: a Biopremier – Inovação e Serviços em Biotecnologia, que centra as suas actividades na
área do diagnóstico molecular, através de produtos para detecção de microganismos patogénicos
no sector clínico e para autenticação de espécies no sector agro-alimentar; a Gene PreDiT, start-up
de biotecnologia que tem como principal objectivo o desenvolvimento de estratégias inovadoras na
identificação de biomarcadores e de novas aplicações de compostos farmacológicos para doenças
com incidência significativa a nível mundial; a Thelial Techonologies - Finding Drugs Using the Power
of the Fly, que desenvolveu um método inovador para identificar novas drogas com potencial anticancerígeno e possível aplicação em estádios precoces e tardios da doença.
O Coimbra Inovação Parque (iParque Coimbra) - tem como missão o desenvolvimento e
modernização do tecido empresarial de Coimbra e do Baixo Mondego, através de acções de
promoção, de criação e instalação de empresas de elevado conteúdo tecnológico, de consultoria e
de formação orientadas para a inovação, desenvolvimento experimental e incorporação de novas
tecnologias. Está vocacionado para as seguintes áreas de inovação: saúde e indústria farmacêutica;
informática; microelectrónica; química; biotecnologia; mecânica de precisão; telecomunicação
digital; novos materiais; automação industrial.
O Curia TecnoParque - centro de desenvolvimento tecnológico, de inovação e empreendedorismo.
Conta com 6 empresas instaladas (Sigyn, Lanic, AAS, Enodestinos, CBL e IdeiaSoft) e uma outra
empresa, incubada virtualmente (a Safespace). Encontra-se aqui sediado a referida CentroHabitat –
Plataforma para a Construção Sustentável, que se assume como uma plataforma de conhecimento
e inovação, envolvendo em rede instituições de I&D, autarquias e a comunidade empresarial da
102
fileira do habitat, tendo como objectivo a afirmação da especialização em construção sustentável. De
referir que esta Plataforma, criada em Outubro de 2007, está envolvida na dinamização de projectos
no âmbito do referido Cluster Habitat Sustentável, reconhecido pelo QREN como Estratégia de
Eficiência Colectiva no Concurso para o Reconhecimento de Pólos de Competitividade e Tecnologia
e Outros Clusters.
As Caixas seguintes apresentam alguns exemplos de outras empresas inovadoras localizadas no Baixo
Mondego.
CAIXA 20 - INNOVNANO
Esta empresa do Grupo José de Mello, criada em 2003, está presente na área avançada dos nano materiais e constitui um vector
chave do reposicionamento do Grupo na indústria química, privilegiando actividades em que disponha de tecnologia própria e
onde identifica um potencial de crescimento elevado, ao mesmo tempo que foi desinvestindo de actividades tradicionais sujeitas
a intensa concorrência de preços como os adubos ou o amoníaco/ureia.
A INNOVNANO iniciou a sua actividade em torno de quatro materiais, nomeadamente sob a forma de nano partículas:
•
A Zircónia tetragonal, utilizada por exemplo para melhorar as propriedades mecânicas, tendo aplicação na biomédica
(fabrico de próteses), e a zircónia cúbica que pode ser aplicada no sector automóvel (para sensores de oxigénio para
escapes);
•
O Óxido de Zinco, que tem aplicações desde a cosmética (protecção solar) à electrónica (LCD e iluminação LED), ou
a outras que utilizem as suas propriedades como catalisador ou as suas características eléctricas e piezo eléctricas:
•
O Dióxido de Titânio – há muito utilizado como pigmento, tem outros campos potenciais de aplicação, como foto
catalisador, como bloqueador de raios UV e na conversão energética (aplicações em células solares, em electrólise
para obtenção de hidrogénio e em fuel cells),
•
A Ferrite Magnética – com propriedades que permitem a sua aplicação em gravação magnética, no armazenamento
de energia e em aplicações biomédicas).
Esta empresa vai criar de raiz uma fábrica de nano materiais em Coimbra no Coimbra Inovação Parque (iParque), contando
especificamente com uma parceria com a Universidade de Coimbra para o desenvolvimento de novos materiais – nano
partículas de dióxido de titânio - para uma nova geração de células solares com tecnologia alternativa á do silício
Em Espanha, a INNOVNANO tem já uma parceria com uma instituição científica para fazer um estudo preliminar sobre o
potencial dos seus produtos no fabrico de baterias de iões de lítio para o ramo automóvel. O objectivo da empresa é conseguir
entrar também neste negócio em Portugal.
Fontes: Innovnano.
CAIXA 21 - CRIOESTAMINAL- SAÚDE E TECNOLOGIA
A Crioestaminal - Saúde e Tecnologia é uma empresa de biotecnologia, criada em 2003 por um conjunto de profissionais e
empresas da área da saúde. É pioneira e líder em Portugal no isolamento e criopreservação de células estaminais do sangue
do cordão umbilical. Em 2006, investiu na construção dos seus laboratórios de referência internacional no Biocant Park,
onde são processadas e armazenadas amostras de vários países. Nesse mesmo ano, a Crioestaminal fundou a Genelab
– Diagnóstico Molecular, empresa que se dedica ao diagnóstico de doenças em fase precoce por técnicas de biologia
molecular e que representou o primeiro passo para a diversificação do portefólio de produtos e serviços da empresa.
No início de 2007, entraram na estrutura accionista da Crioestaminal a Associação Nacional das Farmácias (ANF) e o Fundo
de Private Equity Explorer I, com o objectivo de consolidar a liderança da empresa no mercado português e de reforçar
a aposta na internacionalização. A Crioestaminal está presente nos mercados de Espanha, tendo criado a Crioestaminal
Spain por si detida a 100% (sedeada em Barcelona), e de Itália, estando prevista a expansão da sua actividade para outros
mercados. O objectivo é não só reforçar a sua liderança em Portugal, como também consolidar nos próximos anos a sua
posição de 3ª maior empresa de criopreservação de células estaminais na Europa em termos de número de clientes.
A empresa é líder de mercado no seu sector de actividade, contando com mais de 20 mil clientes e uma equipa de 50 técnicos
a trabalhar a tempo inteiro (boa parte antigos estudantes da Universidade de Coimbra). A estratégia de investigação definida
pela empresa tem como objectivo o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores direccionados para o mercado
da saúde e biotecnologia. Neste sentido, foram estabelecidos protocolos de colaboração com entidades de referência do
sistema científico e tecnológico nacional, com experiência na área das células estaminais e da biotecnologia em geral. Um
dos grandes interesses da investigação desenvolvida pela empresa é o alargamento do leque de aplicações das células
estaminais do sangue do cordão umbilical, nomeadamente a sua utilização futura em medicina regenerativa para reparação
de tecidos danificados.
De referir que a Crioestaminal integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Health Cluster Portugal, reconhecido
formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009.
Fontes: Crioestaminal.
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CAIXA 22 - ACTIVE SPACE TECHNOLOGIES
Fundada em 2004, e incubada no IPN, a Active Space Technologies presta serviços de valor acrescentado em
engenharia mecânica (CAD e modelação, análise e testes térmicos e estruturais, desenho mecânico para projectos
aeroespaciais, automóveis e moldes) e engenharia electrotécnica (sistemas embebidos, controlo digital optoelectrónica
e desenvolvimento de hardware). Com sede em Coimbra, a empresa dispõe igualmente de escritórios na Alemanha e
Holanda.
A empresa oferece soluções integradas de tecnologia provada e tecnologia de ponta para os sectores aeroespacial,
automóvel, defesa e energia. Actua, ainda, como uma entidade de I&D para missões espaciais, sistemas optoelectrónicos
e sensores e instrumentação.Tem trabalhado para a Agência Espacial Europeia, a Galileo Avionica, o JET/UKAEA, a
Critical Software, e a EFACEC, entre outros. Tem desenvolvido projectos para várias empresas e entidades portuguesas
e europeias tais como: Centro de Fusão Nuclear (IST), Critical Software, EFACEC, Luso Space e Veneporte em Portugal,
Bleuler-Baumer Mechanik na Suiça, Galileo Avionica em Itália, Callisto em França, Hovemere no Reino Unido; a Agência
Espacial Europeia; o projecto “Mars Gravity Biosatellite” do MIT e da Universidade Georgia Tech nos EUA.
É um membro activo do PeMAs (Portuguese SME for Aerospace Industry), Epicos (Global e-Business Platform for
Aerospace & Defense) e da Proespaço (Portuguese Association of Space Industries).
Constitui uma das poucas empresas nacionais com participação em hardware espacial. De salientar a sua participação
no projecto do satélite YES2 - grande parte do projecto de engenharia térmica foi desenvolvido pela empresa, que
também contribuiu em vários subsistemas mecânicos. O YES2 SpaceMail é um demonstrador de tecnologia que visa
experimentar um novo método de transporte de carga do espaço para a Terra, nomeadamente a partir da Estação
Espacial Internacional (teste de uma inovadora tecnologia de reentrada usando cabos em detrimento dos convencionais
métodos de propulsão).
De referir que a Active Space Technologies está envolvida no consórcio Portuguese Aerospace Industrial Consortium
(PAIC, liderado pela Associação para a valorização e Promoção da Oferta das Empresas Nacionais para o Sector
Aeronáutico, PEMA, e em parceria com a Lockheed Martin), que tem como objectivo desenvolver sistemas de avião não
tripulados, nomeadamente aeronaves, sensores (payload) e estações de controlo de missão.
Fontes: Active Space Technologies.
CAIXA 23 - TAKE THE WIND
A Take The Wind é uma empresa de base tecnológica focada na inovação em novos interfaces de comunicação e
aprendizagem de conteúdos biomédicos. A empresa foi constituída em Janeiro de 2008, contando já com 11
colaboradores.
Produz filmes em realidade virtual e realidade aumentada (com a marca BioMedical Movies®), aplicações interactivas
em ambientes enriquecidos pelos New Media e animação a 3D, destinados a profissionais, estudantes, empresas e
instituições na área dos cuidados de saúde.
Está portanto vocacionada para o desenvolvimento de novos conteúdos na área biomédica e biotecnológica (suportes
para marketing/educação médica) e da educação para a saúde. O modelo de negócio assenta, preferencialmente, em
sistemas de pay per click, com elevada personalização de conteúdos para públicos diferenciados e distribuição selectiva
para múltiplos canais (internet e dispositivos móveis).
Fontes: Take The Wind.
CAIXA 24 - BBM - BIOMEDICAL MODELING
A empresa BMM – Biomedical Modeling, resultante de um concurso de empreendedorismo e fomento do espírito
empresarial, desenvolveu uma nova ideia de negócio, em que o objectivo central consiste na criação de um serviço que
coloque à disposição das equipas médicas biomodelos tridimensionais (virtuais e protótipos). Estes modelos, obtidos
através de um conjunto de metodologias integradas - imagiologia, engenharia inversa, análise por elementos finitos e
prototipagem rápida -, constituem uma ferramenta de elevada potencialidade na visualização, diagnóstico, quantificação
e monitorização de diversas patologias.
É uma spin-off do Instituto Politécnico de Coimbra, que permite colocar à disposição das equipas médicas uma ferramenta
nova e de grande potencial, por exemplo para o treino cirúrgico (em segmentos do corpo humano minuciosamente
reproduzidos em modelos). Outra área beneficiada é a do desenvolvimento de próteses e implantes personalizados.
Fontes: Biomedical Modeling.
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7. OS NOVOS PROJECTOS
– INFRAESTRUTURAS E ACTIVIDADES
Actividades emergentes
No Baixo Mondego destacam-se três principais actividades económicas emergentes:
Cluster da saúde e Cências da Vida - o Baixo Mondego revela um importante papel no
domínio dos serviços de saúde, de nível regional e nacional. Destaca-se Coimbra por ser
um importante pólo hospitalar, acolhendo três unidades hospitalares centrais (Hospitais
da Universidade de Coimbra, Centro Hospitalar de Coimbra e Instituto Português de
Oncologia). Os Hospitais da Universidade de Coimbra são uma referência para a região
Centro e, em muitos casos para o País, em diversas especialidades como a neurologia,
infecciologia, cardiologia, oncologia, transplantação, queimados, oftalmologia, entre outros.
A título de exemplo, Coimbra foi pioneira na investigação a nível molecular em cardiologia
em Portugal e inovadora a nível mundial na realização de transplantes hepáticos,
transplantes pancreáticos e transplantes do intestino delgado. Por outro lado, têm surgido
nos últimos anos em Coimbra/Cantanhede importantes empresas tecnológicas no domínio
da oftalmologia (exemplos da Neuroeye e da Blueworks).
O Baixo Mondego beneficia de condições privilegiadas para a criação de um cluster nesta
área, na medida em que conta com parques empresarias (exemplo do BioCant), incubadoras
(exemplo do IPN) e de empresas de relevância no domínio da saúde.O acordo de parceria
da Universidade de Coimbra com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos
domínios Sistemas de Transportes e Sistemas de Bioengenharia, poderá criar o momentum
de alavancagem da oportunidade de desenvolvimento deste cluster no Baixo Mondego. Por
outro lado, o IPN lidera o projecto “XMHS - Centro de Excelência Healthcare and Medical
Solutions”, que teve início em 2006 como um consórcio na área da saúde apoiado pela
Agência de Inovação. Este projecto integra cerca de 40 entidades dos sectores da saúde e
das tecnologias da saúde, com empresas, organizações do sistema científico e tecnológico
nacional, unidades prestadoras de cuidados de saúde e entidades de desenvolvimento local
e regional. Visa catalisar actores e competências da região Centro para o fortalecimento
de uma rede de excelência reconhecida a nível internacional no sector do Healthcare and
Medical Solutions (HMS).
Cluster das indústrias criativas - este cluster tem como base de partida alguns elementos
de referência da riqueza cultural de Coimbra, como sejam a lenda de Inês de Castro, a
Rainha Santa Isabel ou escritores famosos ligados à cidade como Teófilo Braga, Antero de
Quental, Vieira de Castro, Miguel Torga, João de Deus e Eugénio de Castro. O processo
de candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial pela UNESCO é um
passo importante para alavancar o património cultural da cidade, nomeadamente no que
respeita à eliminação de alguns problemas que limitam a sua potenciação, quer na vertente
patrimonial quer na vertente da sua valorização turística. De salientar que o potencial de
desenvolvimento deste cluster no Baixo Mondego não se circunscreve a Coimbra. Alguns
núcleos urbanos da sub-região têm-se distinguido numa oferta cultural complementar
(exemplos: o município de Montemor-o-Velho organiza o CITEMOR – Festival de Teatro;
o município de Cantanhede organiza o Festival Internacional de Dixieland, festival de jazz
popular).
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Cluster do turismo - apesar de o sector do turismo representar apenas cerca de 2.5% do
VAB do Baixo Mondego, este cluster tem ganho relevância em virtude da importância turística
das cidades de Coimbra e Figueira da Foz. Destaque para a notoriedade dos destinos de
sol e praia, da tradição termalista, da singularidade do património monumental e de alguns
exemplos pontuais de turismo activo e de natureza. Este cluster poderá beneficiar das
competências do Baixo Mondego no domínio da saúde, desenvolvendo produtos turísticos
de qualidade ligados à saúde, beleza e bem-estar. Poderá aproveitar a proximidade das
marca Luso e Buçaco, das competências técnicas e científicas da Universidade de Coimbra,
das unidades hospitalares, laboratórios e unidades de investigação nestes domínios e
promovendo uma cooperação com as outras unidades termais da região.
De referir que o desenvolvimento dos clusters da saúde e das indústrias criativas poderá beneficiar
das competências existentes no Baixo Mondego no domínio das TIC, em torno da Universidade de
Coimbra e de empresas de base tecnológica que se têm afirmado no panorama nacional, e mesmo
internacional, deste sector.
Novos Projectos
Entre os projectos mais importantes para o desenvolvimento futuro do Baixo Mondego destacamse:
Acessibilidades e Mobilidade
Metro Mondego - um dos projectos supramunicipais mais estruturantes para Coimbra,
devendo permitir articular os sistemas de transportes urbano, periurbano e regional. Este
projecto visa a implementação de um sistema de transporte moderno e sustentável - metro
ligeiro de superfície “modo tram-train” - na ligação Coimbra B/Lousã, aproveitando o actual
ramal ferroviário da Lousã, a criação de uma linha urbana de ligação da Baixa de Coimbra
aos Hospitais da Universidade de Coimbra e de futuras ligações urbanas e suburbanas
(para Norte/Souselas e para Sul/Condeixa).
Modernização da Linha do Oeste, entre as estações de Alfarelos/Granja do Ulmeiro e
Figueira da Foz, de forma a melhorar as actuais condições do serviço.
Projectos ao nível da malha de ligação exterior do Baixo Mondego e dos seus municípios,
de entre os quais se destacam: IC6/IC7 Coimbra-Covilhã; Auto Estrada Coimbra-Viseu; IC3
Coimbra-Tomar-Poceirão; conclusão da obra da A17 (Marinha Grande/Mira, Troço Louriçal/
Mira e Nó de Acesso em Soure /Montemor); IC2 Coimbra-Oliveira de Azeméis, incluindo
a variante entre Mealhada-Anadia-Águeda, a nova ponte do Mondego e a beneficiação
do troço já existente; construção de variante ao IC2 Coimbra-Condeixa; construção da via
rápida alternativa às actuais EN341 e 347 e variantes entre Alfarelos/Taveiro/Montemor.
Plataforma Logística de Vale da Murta - futura plataforma logística da Figueira da Foz,
integrada no projecto CentroLogis - Centro Logístico do Litoral, que deverá entrar em
funcionamento em 2011. Este projecto, promotor da Plataforma Empresarial e Logística
Polinucleada da Área de Influência do Porto Comercial da Figueira da Foz, inclui, para além
da Zona de Actividades Logísticas (ZAL) da Figueira da Foz, plataformas logísticas em
Pombal e Coimbra, dois centros de distribuição (Coimbra e Leiria), o Centro de Transportes
de Cantanhede e Mealhada, o Parque Logístico de Montemor-o-Velho e a Plataforma
Intermodal Rodo-Ferroviária da Pampilhosa.
Obras de melhoramento no Porto da Figueira da Foz - estas obras têm como objectivos
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melhorar as condições de abrigo nos cais comerciais, as condições de manutenção natural
dos fundos no canal de acesso ao Porto e a profundidade do canal de acesso, para
permitir a entrada de navios de maior porte. Encontram-se já em execução os projectos
de prolongamento do Terminal de Granéis Sólidos, a reabilitação do Molhe Sul e Diques
Interiores, o Terminal de Produtos Betuminosos, estando previsto um Terminal Papeleiro/
Ro-Ro para além da obra de prolongamento do Molhe Norte.
Centro de Alto Rendimento (CAR) de Montemor-o-Velho - projecto que conta com o
envolvimento da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, das Federações Nacionais das
modalidades de Canoagem, Natação de Águas Abertas, Remo, Triatlo e da Secretaria de
Estado do Desporto. Este Centro será dotado dos mais modernos equipamentos técnicos
específicos para aquelas modalidades desportivas, destacando-se um canal central com
dois quilómetros de extensão, uma pista de retorno, as balizagens e uma ciclovia.
CAIXA 25 - PROVERE LOCALIZADOS NO BAIXO MONDEGO
O PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos) é uma tipologia de Estratégias de Eficiência
Colectiva (EEC), previstas pelo QREN, destinada a estimular as iniciativas dos agentes económicos orientados para a
melhoria da competitividade territorial das áreas de baixa densidade, com o objectivo de acrescentar valor económico
aos recursos endógenos. Os projectos integrados em EEC beneficiam de majorações previstas nos diversos sistemas de
incentivo e outros programas de apoio ao investimento no âmbito do QREN.
Entre Outubro de 2008 e Julho de 2009 realizou-se o processo de reconhecimento de candidaturas apresentadas no
primeiro concurso de reconhecimento formal de EEC-PROVERE. Dois dos PROVERE reconhecidos têm incidência no
Baixo Mondego:
- Villa Sicó, Valorização Económica dos Espaços de Romanização - identificada a Romanização como recurso estratégico
(materializada de forma exemplar pelos espaços da Cidade Romana de Conimbriga, Villa Romana do Rabaçal, Villa
Romana de Santiago da Guarda e da Cidade Romana de Sellium), esta iniciativa tem como objectivo o aproveitamento
económico (turístico) deste recurso endógeno.
- Valorização das Estâncias Termais da Região Centro – tem como objectivo desenvolver um conjunto de intervenções
que contribuam para a plena implementação na região Centro do produto turístico Saúde e Bem-Estar (definido no Plano
Estratégico Nacional do Turismo), através da valorização económica do recurso endógeno estância termal.
8. DESAFIOS, RISCOS E OPORTUNIDADES NO MÉDIO PRAZO
O Baixo Mondego apresenta as características típicas dos territórios litorais do País: uma densidade
populacional acima da média regional; a existência de serviços, sobretudo no domínio da saúde e da
educação, com influência de nível regional e mesmo nacional; um bem-estar relativo da população
residente; e boa dotação de infra-estruturas de transportes e de apoio à actividade económica.
Beneficia da polarização exercida pela cidade de Coimbra, o maior pólo populacional e económico
da região Centro (sobretudo de serviços - cerca de 80% da população activa da sub-região
desenvolve a sua actividade neste sector). A importância regional (e mesmo nacional) de Coimbra
é particularmente notória nos domínios da saúde e do ensino superior, realçando-se a relevância
das unidades de saúde da sub-região em algumas especialidades médicas (como a neurologia,
infecciologia, cardiologia, oncologia, transplantação, queimados, oftalmologia, entre outras) e a
relevância da Universidade de Coimbra em determinadas áreas científicas (ligadas às ciências da
vida, engenharias e ciências económicas).
Também do ponto de vista territorial, a sub-região do Baixo Mondego apresenta um potencial de
afirmação não negligenciável, ao integrar um subsistema urbano policêntrico, não metropolitano,
de forte influência regional. De referir que o desenvolvimento dos eixos urbanos Aveiro-CoimbraLeiria e Coimbra-Viseu surge como elemento fundamental na obtenção de massa crítica necessária
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para sustentar um conjunto de actividades económicas e empresas que procuram fugir à lógica de
polarização pelas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
O posicionamento de Coimbra como “Cidade do Conhecimento”, baseada no ensino superior, nos
serviços, na investigação e empreendedorismo em áreas fundamentais da saúde e das ciências da
vida, poderá permitir à cidade e sub-região decalcar alguns exemplos europeus de sucesso nestes
domínios (exemplo de Cambridge e Montpellier).
Mas também noutros sectores económicos o Baixo Mondego e, em particular, a cidade de Coimbra
têm conseguido destacar-se a nível nacional, com o desenvolvimento dos alicerces para a
consolidação de importantes clusters de nível regional (e mesmo nacional, como é o caso do cluster
da saúde e ciências da vida). Destaque para as actividades em torno da criatividade (ancoradas na
riqueza cultural e patrimonial de Coimbra e Montemor-o-Velho) e do turismo (em virtude da presença
de extensa faixa litoral e da riqueza do património cultural, patrimonial, natural e paisagístico de
toda a sub-região).
A par destes clusters emergentes na economia da sub-região, o Baixo Mondego tem conseguido
preservar actividades, algumas tradicionais, e de relevância regional e nacional, intensivas nos
recursos endógenos da sub-região (é o caso do famoso arroz carolino do Baixo Mondego ou da
exploração de sal e actividade piscatória na Figueira da Foz; é também o caso da indústria da pasta
e papel).
Na exploração de todas as oportunidades referidas, e para o desenvolvimento competitivo do Baixo
Mondego, assume um papel fundamental o muito favorável nível de qualificações da população
residente e activa da sub-região, apesar das disparidades intra-regionais observadas (os elevados
níveis de qualificação dos recursos humanos dos municípios de Coimbra e, embora em menor grau,
da Figueira da Foz contrastam com os menores desempenhos dos municípios de Mira, Condeixaa-Nova, Soure e Penacova).
Estão previstos alguns projectos, sobretudo de infra-estruturação do território ao nível das
acessibilidades, sistemas de transportes e acolhimento empresarial, mas também ao nível da
dinamização de novas actividades, que poderão apoiar o reforço da competitividade da subregião.
O principal desafio do Baixo Mondego é portanto a capacidade de alavancagem das actividades
económicas emergentes, em particular em torno do cluster da saúde e das ciências da vida,
posicionando-se como líder nacional neste domínio através, e conseguindo, entre outras condições,
a captação de investimentos empresariais complementares aos já existentes e a complementaridade
entre projectos já previstos ou a propor num futuro próximo.
Todavia, os actores regionais devem estar atentos aos riscos que poderão comprometer a
competitividade da sub-região e que residem, fundamentalmente, no falhanço de projectos
basilares, sobretudo naquele cluster em que o Baixo Mondego se tem conseguido afirmar de forma
mais notória. O risco de incapacidade de afirmação da sub-região nesta actividade (ou noutras
relevantes) poderá ser reforçado pelo efeito polarizador das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto
nestas mesmas actividades (saliente-se a crescente importância da cidade do Porto no domínio
das ciências da saúde, com o desenvolvimento de empresas de referência, de entre as quais se
destaca a Bial, líder do Pólo de Competitividade e Tecnologia Health Cluster Portugal reconhecido
formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva, em Julho de 2009.
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FICHA TÉCNICA
Coordenação Científica
Professor Doutor José Veiga Simão
José Félix Ribeiro
Execução: Dr. José Félix Ribeiro
e Mestre Joana Chorincas
NOTA: As Cartas Regionais de Competitividade que agora se apresentam foram elaboradas
durante os anos 2008 e 2009, tendo a informação estatística sido actualizadas em 2011. A
informação sobre Empresas e Centros de Investigação deverá ser periodicamente actualizada
dada a dinâmica do mundo empresarial e a evolução das actividades de I&D no País.
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