Agradecimentos
Os formandos do curso EFA B3 de Operado(a) de Pré-Impressão, desenvolvido pela ZIR gostariam de exprimir o seu reconhecimento aos vários elementos, entidades e respectivos representantes, pelos contributos
fornecidos ao longo da realização do presente livro e que em muito o enriqueceram.
Neste contexto, agradecemos os contributos empenhados:
- Da ZIR – Associação de Intervenção Social e Formação por nos apresentar esta oportunidade de trabalho
através da promoção de cursos como aquele em que estamos inseridos;
- Do POPH, através do financiamento deste curso;
- De todos os formadores e mediadora do curso pelo empenho na concretização dos nossos objectivos.
- Da Divisão de Cultura, Museu, Biblioteca e Arquivos da Câmara Municipal da Figueira da Foz, nomeadamente da Drª Sónia Ferreira Pinto, na qualidade de Coordenadora do Núcleo Museológico do Sal;
- Dos senhores António Curado de Oliveira, José Pedro Simões Oliveira, José Carlos Rodrigues Almeida,
Leopoldina Lopes da Silva Jordão e esposo, que tanta disponibilidade manifestaram em falar connosco sobre a sua vida de marnoteiros e salineiras;
- Dos senhores Manuel Antunes e da sua filha Mª de Lurdes Antunes, de Maria de Lurdes Pedrosa Martins,
José Augusto Marques Bertão, que tão gentilmente nos cederam os seus retratos do passado;
- Do Presidente da Junta de Freguesia de Lavos, Sr. José Elísio que nos cedeu uma Listagem de marnoteiros
e salineiras existentes na freguesia de Lavos
- Do Presidente da Casa do Povo das Regalheiras de Lavos, Sr. José Mirão, que nos cedeu algumas fotografias constantes do espólio da Casa do Povo.
A todos, o nosso muito obrigado!
Nota de Abertura
O presente livro de compilação documental e testemunhal sobre a salicultura no concelho da Figueira da Foz,
no passado, no presente e perspectivas para o futuro, foi elaborado no âmbito do curso EFA B3 de Operador(a)
de Pré-Impressão, promovido pela ZIR - Associação de Intervenção Social e Formação e co-financiado pelo
Fundo Social Europeu e pelo Estado Português, através do Programa Operacional Potencial Humano.
Surgiu na sequência do que se preconiza como metodologia dos cursos de Educação e Formação de Adultos
de Nível Básico – o desenvolvimento de Actividades que evidenciam a integração de todas as componentes
de formação em torno de um Tema de Vida que seja do interesse dos formandos. E o Tema de Vida escolhido – “Salicultura no concelho da Figueira da Foz: ontem, hoje, que futuro?” – assenta nas vivências directas e/ou indirectas dos formandos que o escolheram: os elementos do grupo, maioritariamente nasceram
e/ou cresceram na Figueira da Foz; desde a infância acompanharam a extensão do manto branco de sal que
ladeava o concelho e assistiram à sua substituição por extensões escuras de lama. Alguns, assistiram ainda
aos seus familiares a participarem nas lides da salicultura e uma das formandas foi inclusivamente salineira
durante os anos áureos da exploração do sal.
Actualmente, esta memória colectiva mantém-se viva, grata a todos.
Esta pequena compilação, pretende também ser uma homenagem a todos os que deram e continuam a dar
ainda o seu contributo para esta actividade na Figueira da Foz. Por esse motivo os formandos quiseram “dar
voz”, pelas entrevistas realizadas, àqueles que de pés descalços, percorreram e percorrem os caminhos do sal.
Nuno Guedes
Presidente da Direcção da ZIR – Associação de Intervenção Social e Formação
Índice
Glossário
Ín050500011
Introdução
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Enquadramento Geográfico da Figueira da Foz
19
Estuário do Mondego e a Localização das Salinas da Figueira da Foz
19
Do Passado ao Presente
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O Sal e a sua Produção
25
A produção na Figueira da Foz
28
A preservação das salinas – o ecomuseu.
31
A Rota das Salinas
33
O Sal, a Flor do Sal e a Salicórnia - Curiosidades
33
Histórias de Ontem e de Hoje
35
Testemunhos de Ontem
37
Outros testemunhos
43
Testemunho de um marnoto no activo
44
O Futuro…
47
Estudo estatístico sobre a temática
51
Conclusão
59
Bibliografia
63
ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Glossário
Água – O pH desta água é superior a 8/8,5. No caso da água do mar, o pH é acima dos 8,5, uma vez que esta
tem dissolvido carbonatos de cálcio e magnésio, bem como cloretos e sulfatos, brometos e iodetos de sódio.
Ancinho – Apanhar limos e algas.
Aluvião - Conjunto de detritos transportados e depositados por um curso de água.
Bomba de tirar água – Bomba manual, que remove águas que já apresentam magnésio a mais, distribuindo a água .
Balde de valar/Pá de valar – Utilizada para fazer torrão de acento, para fazer grandes reparações e encher as gamelas. .
Cabaço – Funciona como um balde para tirar água dos compartimentos.
Caneiras – Pequenas valas onde passa a água entre os talhos.
Círcios – Grande cilindro de madeira utilizado para aplanar os fundos dos talhos.
Cumbeiro – Para dar passagem da água para a praia de baixo e posteriormente para o talhão, para não ferir o terreno.
Escoira – Lama.
Esteiros – Parte terminal de um curso de água penetrada pelas correntes da maré. O limite interior do estuário
é o ponto mais a montante atingindo pela salina (ápice do estuário). O estuário caracteriza-se por um ou vários
canais por entre os quais, se desenvolvem bancos de areia e conchas partidas (muchão). Junto às margens dos
canais e muchões, na faixa entre marés desenvolvem-se plataformas argilo-limosas, por vezes areno limosas.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Fanga – Instrumento de medida do sal. Uma fanga corresponde a quatro alqueires, aproximadamente 70L.
Forma de correr as marachas dos caneiros – Quando a terra do caneiro não é direita e funciona como
uma rampa, esta forma serve para polir e correr as marachas.
Forma de correr as marachas singelas – Quando a terra da maracha é direita, esta forma que tem os dois
lados do mesmo tamanho serve para polir e correr as marachas.
Gravato – Limpar os moiradoiros ou caneiros.
Halófito – Espécie que em ambiente (ou solo) salgado vive em mangais, sapais, dunas litorais ou praias.
Lêntico – Ambiente que se refere a água parada ou a organismos, que vivem nela.
Lodo – Mistura de argila e/ou limo com água. Este apresenta características próprias, sendo muito mole no
tacto. O lodo no litoral é denominado de vasa mole.
Malhadal – Espaço geralmente cultivado, compreendido entre o entraval e a defensão da marinha.
Marachão – Caminho paralelo aos talhos.
Marinha – Conjunto de reservatórios feitos de terra, que se destinam a receber água do mar, por intermédio
dos rios, esteiros ou sapais, que com ele comunicam. Aqui dá-se a evaporação da água e a retenção do saque
vem dissolvido, na água do mar.
Marnoto – Termo genérico que designa a pessoa que fabrica o sal e mais particularmente aquele que
dirige os trabalhos da marinha.
Marnotagem – Ofício do marnoto.
Pá das carreiras – Instrumento para limpar a carreira do malhadal.
Pá de malhadal – Instrumento que serve para encher as gamelas e para limpar as lamas e limos.
Pá de moirar – Instrumento que serve para por água nos moiros.
Pá do sal – Instrumento que serve para medir o sal, também usado para a sua arrumação no armazém.
Redura – Processo de puxar o sal para o meio do talho e posteriormente puxá-lo para cima da silha (acto de rer).
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Raspinhadeira de joelhos – Instrumento de cortar os marachões.
Raspinhadeira de pé – Instrumento utilizado para cortar alguns cabeços, que possam haver nos talhões,
serve para raspinhar e endireitar os talhos.
Salgado – Conjunto de marinhas, de uma dada região.
Salina – Reservatório artificial, com diques e pequenas comportas (greiros) construídos no espraiado, para
produção de sal marinho.
Salinidade – Conjunto de sais dissolvidos na água do mar, sendo esta a sua característica mais importante.
Silha – Caminho perpendicular aos talhos, por onde as pessoas passam e nos quais são colocados os montes de sal.
Sapais – Terrenos planos, interpostos entre o mar e as marinhas, que ficam alagadas de água salgada, em certas marés.
Tamanco – Instrumento utilizado na limpeza dos caneiros.
Ugalhos – Ferramenta utilizada para puxar lama e para (rer).
Ugalho de achegar – Junta o sal, começa nas zonas laterais, e junta o sal até meio.
Ugalhos das lamas – Limpa as impurezas da água.
Ugalho de rer – Puxa o sal para cima das silhas, até formar um montinho. A todo o processo chama-se redura.
Viveiros – Reservatórios que têm a função de conter as águas salgadas, que serão dadas às salinas.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Introdução
Somos um grupo de formandos a frequentar um Curso EFA B3 – Operador de Pré-Impressão, na
Associação ZIR. No âmbito da nossa actividade integradora escolhemos como Tema de Vida - “Sal e a
Salicultura no Concelho da Figueira da Foz – Ontem, Hoje, Que Futuro?” A escolha do tema em questão,
deveu-se ao facto de esta ser uma actividade historicamente importante no nosso concelho, pelo facto de
haver ligações familiares na exploração do sal e ainda pela experiência de vida de uma formanda, que trabalhou durante 6 anos, nas salinas da Morraceira.
Neste seguimento, para dar forma ao nosso trabalho, optamos por elaborar um Livro, com várias informações (localização geográfica das salinas, história, dados de produção, entre outras). O Livro, além de ser
um bom suporte para reunião de elementos e para memória futura, está também directamente relacionado
com o curso que estamos a frequentar. Neste seguimento de interligação da formação curricular com a
formação cívica, e para complementar o Livro, optamos também por desenvolver uma colecção de postais.
Para o trabalho foram realizadas várias pesquisas, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, na Internet, foram ainda efectuados inquéritos à população local e entrevistas a quem trabalhou nessa actividade
durante décadas. Foi feita uma visita ao Núcleo Museológico do Sal, no âmbito da pesquisa de informação,
assim como de fotos e conhecimento in loco das salinas do concelho.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Introduction
We are a group of trainees attending a class EFA B3 – Pre-Impression Operator, in ZIR Association.
One of our activities is a public presentation, so we chose as work theme – Salt in Figueira da Foz: Yesterday, Today, what Future? The main reason we had chosen this theme is because that’s an activity historically
important in our city. There are also family connections in salt exploration, and finally by the life experience
of one trainee, who worked for 6 years in this activity on Morraceira.
So, to give shape to our work, we chose to elaborate a book, with several information (geographic
location of the salt cultivations, history, production data, among others). The book, besides being a good
support to elements reunion and future memory, is also directly related with the studies we are attending.
Following this interconnection of the curricular and civic formation, and to complement the book, we
also decided to develop a postcard collection.
To this work, we made some researches, in the town Library, in the internet. We also made some surveys
to the local population and interviewed people who have worked on this activity for decades. Finally we visited
the Salt Museum in order to look for information, as well as photos of the salt cultivations of the town.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Enquadramento Geográfico da Figueira da Foz
A Figueira da Foz é uma cidade portuguesa, localizada no distrito de Coimbra, inserida na região centro do país. É conhecida como a “Rainha” da Costa de Prata pelas suas
praias extensas, quer a norte do Cabo Mondego, como a praia de Quiaios, ou a sul, com
as praias da Claridade, junto à marginal da cidade, a praia do Cabedelo (na Freguesia de S.
Pedro) ou ainda mais a sul, a praia da Costa de Lavos.
O município da Figueira da Foz é subdividido em 18 freguesias, e é um dos centros
turísticos mais importantes de Portugal.
A sua população activa reparte-se entre as várias actividades económicas da região, com
destaque para a pesca, indústria vidreira, produção de celulose, agricultura, indústria do sal, e as
actividades ligadas ao turismo, ainda um pólo dinamizador importante para a cidade.
Estuário do Mondego e a Localização das Salinas da Figueira da Foz
A Figueira da Foz nasceu na foz do Mondego, muito antes da ocupação lusa ou romana. Assim
graças ao rio e ao mar, o povo desta terra soube arranjar meios de sobrevivência. A atestar esse facto
temos as salinas da ilha da Morraceira, outrora importante centro de produção de sal.
Actualmente, os tanques de captação das águas formam um quadro espantoso na paisagem, existindo
ainda os canais, onde as águas do mar e do rio se juntam.
Nas áreas alagadiças do sapal vivem algumas espécies de grande valor, como o caso do “perna-longa”,
ave de bico fino, que tem um enorme conhecimento da área onde habita e costuma fazer os seus ninhos
nestas zonas. Podem-se também encontrar ao longo dos rios muitos moinhos, como um moinho de marés,
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
perto do Rio do Pranto e ainda o Moinho das Doze Pedras. O salgado da Figueira da Foz situa-se
geograficamente ao longo dos dois (braços Norte e Sul), que o rio Mondego forma, antes da sua foz
e ao longo da margem esquerda, do rio Pranto.
Administrativamente localiza-se no concelho da Figueira da Foz, sendo distribuídas as marinhas por
três freguesias: São Julião, Lavos e Vila Verde, formando três regiões bem demarcadas:
Ilha da Morraceira;
Lavos;
Vila verde.
A tipologia das salinas da Figueira está englobada num tipo semelhante a Aveiro, correspondente a
pequenas unidades com uma grande quantidade de compartimentos, ligados por uma rede de canais. Cada
marinha forma uma unidade autónoma, com uma surpreendente regularidade de traçado e um engenhoso
sistema hidráulico, que chega ao pormenor de incluir sistemas subterrâneos de drenagens, destinados a canalizar as intrusões de água doce na área dos cristalizadores.
Cada marinha tem os seus armazéns de sal, que são geralmente construídos em madeira e cobertos com
telhas, para uma melhor conservação do sal. Um aspecto muito característico do salgado da Figueira da Foz é a
preservação destes típicos armazéns do sal. São construções em madeira com capacidade para armazenar entre 150
a 200 toneladas de sal, servindo também de abrigo aos salineiros. Estruturalmente são construções muito curiosas,
particularmente bem adaptadas ao meio, já que a sua sustentação não é feita por meio de fundações ou alicerces,
mas sim sobre uma plataforma e, sendo construídos em madeira têm uma maior durabilidade, pois o aço ganha
muita ferrugem com o contacto muito próximo que tem com a água salgada. A forte corrosão, que a água salgada
provoca, originou que se criassem fechaduras também em madeira, para estes armazéns.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Do Passado ao Presente
O sal é tão velho como a Terra e esta foi a primeira obra de criação. Não se sabe ao certo quando o
homem deu o primeiro testemunho do sal. Supõe-se que o teria encontrado numa das suas perseguições
aos animais selvagens, de cuja carne se alimentavam e da pele se vestiam. Seguindo este rasto dos animais o
Homem Primitivo ter-se-ia deparado com autênticas grutas formadas em depósitos salíferos, pelo hábito do
lamber do gado. Nesta época o homem também pouco mais era do que um animal selvagem e raro sobre a
terra, ocupando-se da caça para sobreviver.
Na Pré-História, o homem já utilizava o sal para temperar a carne crua da sua caça. Foi na passagem
para a agricultura e para uma alimentação à base de grãos que introduziu o sal como complemento.
O sal desde os primórdios da civilização assumiu um papel muito importante nas sociedades antigas.
As suas propriedades permitiam uma maior conservação dos alimentos, sendo indispensável para a vida
quotidiana, até à invenção de novas formas de conservação de alimentos mais modernas. O seu valor era
comparável ao do ouro, da seda e das especiarias.
O Sal e a sua Produção
O sal, cientificamente designado por cloreto de sódio (CINa), é um recurso praticamente inesgotável
na natureza, já que cerca de 77% dos elementos dissolvidos na água do mar são CINa. Para além da água do
mar, o sal surge na natureza de outras formas, sendo a halite ou sal - gema uma das mais comuns.
Do ponto de vista químico, o cloreto de sódio é uma substância composta por um átomo de sódio
(Na+) e um átomo de cloro (CI-), cuja estrutura cristalina pertence ao sistema cúbico, isto é, os átomos do cloro e
do sódio estão organizados na forma de um cubo, formando uma célula unitário de NaCI.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Um quilograma de água do mar contém em média, cerca de 965,6 gramas de (H20) e 34,4 gramas de outros
componentes, sendo o cloreto de sódio, o elemento dominante, o que significa que é necessário, a evaporação de uma grande quantidade de água, por acção do vento e do calor do sol, nas salinas de evaporação solar, para conseguir uma solução saturada de NaCI, onde a cristalização do sal irá ocorrer.
Percentualmente, o sal marinho tradicional, tal como é produzido na Figueira da Foz, ou seja, recolhido manualmente sem lavagens ou tratamentos posteriores, tem um menor teor de cloreto de sódio (NaCI), do que o sal
produzido industrialmente (de origem marinha ou mineral), tendo também uma presença mais expressiva, de uma
série de outros elementos considerados de maior valor do ponto de vista nutricional e gastronómico.
O sal é um produto com larga aplicação. Ainda hoje, os processos de produção mantêm-se artesanais, com
muito pouca tecnologia.
A preparação das marinhas começa em Maio. Nesta
altura as marinhas encontram-se alagadas, sendo o processo de alagamento muito variável. A água que cobre a
marinha é, regra geral, doce. É nesta fase que se procede
ao levantamento das “esburras”. De seguida, há necessidade de começar a esgotar as marinhas, abrindo para isso
a cuba na baixa-mar. De seguida faz-se o ajuntamento das
lamas. Esta etapa é feita pelo marnoteiro com um rodo,
alfaia de madeira, que na região é designado por “ugalho”,
chamando-se a este processo “estranger a marinha”.
As lamas e os limos são postos em montes, sobre
os marachões e cilhas, que depois de secos são retirados para fora da marinha em gamelas (recipiente
usado para transporte) por mulheres. Este processo é vulgarmente designado por “escoiçar”.
O tempo de secagem é muito variável e importante. O ritmo de limpeza é condicionado pela presença de água
no viveiro, que circula de forma demorada, e pelas condições atmosféricas. O gesso ou argila, que serve de fundo
aos talhos, permite dar a conhecer o nível de secagem do solo. O marnoteiro conta com a sua experiência para ter
uma ideia, embora grosseira, da concentração do gesso, e consequente secagem do solo.
Passados dias, as praias são novamente limpas. Nesta segunda fase de limpeza, as marachas e caneiras são
arranjadas com a lama e “corridos” de forma apropriada. Nesta altura, a água vai-se concentrando e a cristalização
começa. Os talhões são limpos, uma última vez, e os sertões sofrem também uma última limpeza.
Durante o período da safra, os viveiros vão sendo cheios de água do estuário do Mondego. Aí, uma parte da
água evapora, por acção do calor e vento, concentrando o sal. Quando atinge uma determinada concentração, a
água passa para talhões progressivamente mais pequenos: vasas, depois cabeceiras e finalmente talhos.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Nas salinas existentes na Figueira da Foz, à semelhança de outras salinas do país, a exploração das marinhas
era feita em regime de parceria, de terça, cabendo dois terços da produção ao proprietário e um terço ao marnoto.
Faziam parte deste processo, as mulheres que transportavam as lamas da limpeza das marinhas para os
muros, e o sal para os armazéns. Os homens eram chamados para os trabalhos de reparação das marinhas,
da extracção e do enchimento das gamelas com sal.
Os trabalhadores eventuais actuavam em regime de jorna ou de empreitada e eram remunerados
só com dinheiro ou com dinheiro e géneros.
O marnoteiro iniciava-se na actividade, na sua adolescência, trabalhando como auxiliar, executando
todos os serviços necessários. O marnoteiro era quase sempre agricultor, chegando mesmo a desprezar um
pouco a salicultura, para se entregar ao cultivo de cereais, de fava e de tremoço nos muros das marinhas.
Esta circunstância relaciona-se em parte, à necessidade que tem de recorrer ao trabalho alheio. De um modo
geral, o marnoto foge de contratar mão-de-obra permanente, para não diminuir os lucros, actuando sozinho
na maior parte das explorações.
O marnoteiro admitia um ou mais moços durante toda a safra, ou mais vulgarmente, servia-se de auxiliares se tivesse mais que uma marinha a seu cargo, ou se aquela que lhe estava confiada fosse grande, ou
ainda, se as suas condições físicas fossem precárias ou se tivessem outras ocupações que lhe absorvessem o
tempo. Esta tendência de admitir moços foi desaparecendo, ao longo dos anos.
Tal como sucedia com o pessoal assalariado, alguns marnoteiros residiam em Lavos e Vila Verde, pelo
que se tornava necessário vencer a caminhada para o trabalho, e que se alongava em distâncias consideráveis.
Nas marinhas do sal da Morraceira eram utilizados transportes fluviais. Nessa época, o próprio sal
era transportado à cabeça, em cestas de verga directamente para os armazéns do sal e posteriormente para
os barcos, seguindo daí para o seu destino, a Figueira da Foz e Armazéns de Lavos. Todos os trabalhos,
realizavam-se normalmente da parte da manhã, entre as sete e as doze horas.
De três em três dias, os marnotos recolhem o sal cristalizado e enchem os viveiros com água nova do
estuário do Mondego. É comum os trabalhadores das marinhas, não usarem qualquer tipo de calçado, tendo
os pés nus permanentemente em contacto com o sal, pois o calçado escorregava muito, e aproveitavam também, as características terapêuticas do sal, no sistema linfático. Nos Verões quentes, muito secos e ventosos,
a evaporação é muito forte e há sal que cristaliza em cristais tão finos, que flutuam à superfície do talho.
Este sal é muito branco, porque nunca assenta no fundo feito de argila, e é recolhido antes dos cristais de
sal grosso, é a Flor do Sal.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
A produção na Figueira da Foz
Sabe-se que no início da nacionalidade, já era muito elevado o número de salinas na costa portuguesa,
pois aparecem inúmeras referências dado o elevado valor comercial (heranças, trocas, compras, doações)
ao longo do litoral e mesmo em áreas onde há muito tempo a exploração do sal desapareceu, como por
exemplo, na região do Entre – Douro e Minho.
O sal tornou-se assim, um produto indispensável e altamente apreciado no comércio interno e
internacional, até porque era inexistente, ou muito escasso, em regiões de alto consumo de pescado,
como a Europa interior e a do norte.
No contrato assinado pelo Bispo de Coimbra e pelo cabido, aparecem referidas duas marinhas de sal,
uma delas com a obrigação de pagar por foro um sétimo da produção de sal, e a outra obrigada a pagar
metade da produção. Esta última chamada “da rainha” por ter sido mandada implantar junto à Morraceira,
no tempo da rainha D. Dulce, mulher de D. Sancho I.
A Morraceira é uma “Ilhota” formada à custa dos sucessivos assoreamentos da Foz do Mondego. O
seu primeiro nome era “Ouveiroa” e no século XII, já aqui se fazia sal.
Em 1158, aproveitaram ao máximo as suas excelentes condições, para a Salicultura. Mas no séc. XVI
e XVII a Morraceira tinha as suas terras divididas, entre o cultivo do milho e outros cereais, os caniçais incultos e as salinas. No século XVIII, voltou-se quase por completo para a exploração do sal, uma vez que
toda a ilha foi dividida em “foros”, que eram exploradas pelas famílias mais importantes, da Figueira da Foz.
O comércio do sal e a indústria do seu fabrico cresceram nesta cidade. É de salientar, que durante metade de um século a Figueira da Foz produziu sal, quer para satisfazer as necessidades de consumo do país,
quer para preencher as necessidades das exportações. Posteriormente, a produção foi diminuindo de forma
sensível. Pelos registos existentes da época, podemos constatar as diferenças nos números de produção de
sal que passaram pelo porto e ficaram registados:
1708 - 10 Embarcações;
1709 - 7 Embarcações;
1710 - 324 Moios;
1711 - 72 Moios;
1722 - 102 Moios;
1729 - 53 Moios;
1730 - 156 Moios;
1731 - 120 Moios;
1732 - 19 Moios.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
A causa deste facto esteve relacionada com o começo, entre 1712 e 1713, da divisão da ilha da Morraceira, por meio de aforamentos parciais, com vista ao fabrico de marinhas. A separação foi prosseguindo em
larga escala, principalmente em 1715, 1730-36, 1741 e ainda posteriormente.
As exportações do sal até 1713 foram pouco evidentes, dando crédito aos poucos registos encontrados:
1701 - 73 Moios;
1702 - 6 Moios;
1703 - 91 Moios;
1706-08 - 49 Moios (de média);
1709-11 - 762 Moios;
1712 - 110 Moios;
1713 - 30 Moios.
Após este período houve um grande crescimento na produção de sal no concelho da Figueira da Foz,
que se pode constatar pelo registo das médias anuais de produção da época:
1714-17 - 1.159 Moios;
1719-22 - 751 Moios;
1731-34 - 314 Moios;
1735-38 - 286 Moios;
1742-45 - 247 Moios;
1746-49 - 277 Moios;
1753-56 - 2.268 Moios;
1757 - 2.651 Moios;
1758 - 1.376 Moios.
É a partir do século XVIII, segundo a opinião do Dr. Santos Rocha, que se intensifica esta actividade, especialmente
de 1790-1791 período em que as marinhas do concelho da Figueira da Foz já produziam cerca de 9% do sal, de todo o país.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
As condições naturais fizeram da bacia inferior do Mondego, uma zona propícia à cultura e à extracção do sal.
As freguesias de S. Julião, à qual pertence a ilhota da Morraceira e a de Lavos constituem, no século XIX, as únicas
zonas de produção de sal, no distrito de Coimbra. Na sua exploração empregavam-se, em 1883, cerca de 2500
pessoas de ambos os sexos, residentes nas freguesias de S. Julião, Tavarede, Vila Verde e Lavos.
Por fins da década de 60, deve ter-se processado uma reactivação do movimento de exportação.
Posteriormente, podem distinguir-se três fases distintas:
1ª - Fase Alta (1871-1889);
2ª - Fase de Estagnação (1890-1901);
3ª - Fase Baixa (1902-1920).
Neste período de 1871 a 1920, passaram pela barra da Figueira da Foz, para exportação:
1871-1878 - 8734 ½ Moios;
1881-1883 - 10586 Moios;
1890-1901 - 7122 ¼ Moios;
1902-1910 - 3131 Moios;
1911-1920 - 913 ¼ Moios;
Como se pode verificar, o movimento é de forma dura, no sentido descendente. Este fenómeno
prolonga-se mesmo pelo período da Guerra Mundial e justifica-se, segundo se pensa, pela incapacidade de obtenção de novos mercados alternativos, e também pelo facto de se terem dado inovações
tecnológicas no domínio da conservação dos alimentos. O mercado interno continua a ser um bom
escoadouro para o sal da Figueira da Foz, muito embora o comércio de navegação marítima, estivesse
em visível decadência. Aos 146 navios saídos entre 1850 e 1852 com sal para os portos do continente
e ilhas, correspondem 68 navios do período de 1909 a 1910.
Em Setembro de 1902, entram na Figueira 60 moios de sal, provenientes de Aveiro. Parece ser a primeira vez que tal acontece. Tal facto demonstra as dificuldades que a salicultura conhece por essa altura,
na região. Apesar da quebra visível, operada nos fins do século passado, convém notar que a expedição anual continua a registar, no primeiro decénio do século XX, as 5000 toneladas. Uma parte deste
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
sal era, aliás, destinada a Espanha, embora se considerasse que “a falta de tratado de comércio com
Espanha, vem em parte suspender a marcha crescente desta valiosa exportação”. Mas com a entrada
em vigor da legislação que liberaliza o comércio de exportação do sal, para o país vizinho, pela via-férrea,
saíram pela linha da Beira Alta, com destino aquele país 2100 moios.
Na tentativa de combater os efeitos conjugados, de todos estes factores recorre-se à associação, tentada
deste 1906, e que veio a sair na assinatura de um compromisso.
Quando se aborda o problema da comercialização do sal da Figueira, convém fazê-lo sob uma dupla
perspectiva: a do comércio externo por via marítima e, neste caso, a realidade por volta de 1920 apresenta-se
bastante sombria; e a do comércio interno, por via-férrea, como seu complemento na exportação para algumas províncias espanholas, que continua a manter-se bastante animado, e a proporcionar riqueza a algumas
comandos da população Figueirense.
A preservação das salinas – o ecomuseu.
Durante séculos, a produção de pequenos cristais regulares de sal, isentos de impurezas, foi utilizada em
grandes quantidades pela frota piscatória local (bacalhau e sardinha). O sal subia o rio Mondego até aos diversos entrepostos que posteriormente o distribuíam pelos confins da Beira, para a conservação das carnes
e dos queijos. Este sal saía também da barra e, em brigues e escunas, chegava a pontos tão distantes como o
Báltico ou a Nova Inglaterra. A partir da década de 1970, as alterações drásticas no mercado e nos circuitos
de comercialização levaram a uma desvalorização progressiva do sal produzido artesanalmente.
Existiam há poucos anos umas 400 marinhas, actualmente devem existir aproximadamente 40 marinhas, no concelho da Figueira da Foz. No entanto, todos os produtores, ou seja, os marnotos estão de
acordo numa coisa: que na Figueira se faz o sal de melhor qualidade, apesar do pouco lucro em relação ao
esforço que implica e olham com saudade para a maioria dos “barracões” que existiam junto a cada salina,
ficando a recordar, os tempos que os viram transformar em pequenas casas de fim – de – semana, onde as
famílias aproveitam para vir fazer as suas merendas no Verão. Algumas salinas, transformaram-se em viveiros de peixe, tendo outras sido abandonadas por completo.
Longe vai o tempo, que as salinas da Morraceira andavam cheias de mulheres a acartar sal, com as cestas
à cabeça, e que um só marnoto chegava a produzir três barcos de sal, que levavam à volta de dez toneladas
cada um. O sal ia de barco para os armazéns de grosso na Figueira da Foz, e não havia sal que chegasse para
tanta encomenda. Hoje em dia, a procura deste produto é muito menor.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Na tentativa de impedir que as marinhas da Figueira da Foz desaparecessem, e com elas, todo o
património cultural e ambiental, foi estudada a regularização da Morraceira.
Esta regularização consistiu num projecto-piloto que envolveu a Comunidade Europeia, a Câmara Municipal,
a Direcção Regional do Ambiente, a Sociedade Figueira Praia e a Associação de Produtores de Sal da Figueira, num
espaço conjunto para tornar a Morraceira uma área pedagógica e de produção duma qualidade de sal que pudesse
entrar no mercado exigente da alta culinária, da cosmética e da indústria farmacêutica.
A outra vertente do projecto estava relacionada
com a protecção dos “habitats” das diversas espécies
marinhas e aves que habitualmente escolhem a Morraceira para nidificar, assim como a criação dum ecomuseu do sal, recuperando-se por completo uma salina e
os inerentes “barracões” de madeira. Pelo meio ficaram os trilhos de descoberta da natureza e do sal que
bem poderá integrar uma rota mundial do sal.
É neste local que se formam actualmente novos marnotos (salineiros), para que a actividade da produção de sal,
reiniciada em 2001, tenha continuidade. Esta salina artesanal
pretende fazer face às grandes unidades de produção industrial de sal, diferenciando o seu sal como produto 100% natural e de origem biológica. Todos os anos em Junho e Setembro fazem a colheita do sal nesta salina, chegam a retirar
50 toneladas de sal, para venda. Durante o resto do ano, a salina está em manutenção, limpeza e preparação para a
venda do sal, do ano seguinte.
Existe também a salina Eiras Largas, que é uma pequena salina, actualmente convertida para agricultura biológica e que já tem a sua flor de sal laminada certificada pela SATIVA. É gerida numa filosofia de
desenvolvimento integrado, em que se tenta articular a produção de sal, com o ambiente, a flora, a fauna
e a cultura associada aos marnotos. Além dos produtos inovadores que apresenta a Salina Eiras Largas,
também está aberta a visitas guiadas, para que se perceba como se pode fazer uma gestão integrada, de uma
actividade tradicional e qual o circuito da água até se fazer o sal. No Verão, os visitantes podem mesmo ver
a recolher a flor de sal tradicional e a laminada e prová-la.
Em cooperação com a Câmara da Figueira da Foz, a Salina Eiras Largas tem participado nos Cursos de
Iniciação - Provas de Vinho, que têm decorrido no Núcleo Museológico do Sal (entre outras), com a degustação de produtos oriundos das Salinas. Em 2005 a Câmara Municipal da Figueira da Foz premiou a Salina,
com o reconhecimento da sua actividade inovadora, na Salicultura da Figueira Foz.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
A Rota das Salinas
Inserido no projecto do Núcleo Museológico do Sal, a Câmara Municipal da Figueira da Foz decidiu
criar espaços onde os visitantes (locais ou não) pudessem de forma livre explorar e conhecer as Salinas do
Corredor da Cobra e entre outras. Assim desenvolveu dois tipos de rotas distintas: a pedestre e a fluvial.
A rota pedestre das salinas tem como ponto de partida e chegada o eco-museu do sal. Os visitantes podem de livre acesso explorar estes caminhos, devidamente identificados
com placas, ao longo dos seus 3 Km. Ao longo do percurso
foram também colocadas placas com informação acerca da
fauna e flora das salinas. Este percurso, dada a sua pouca dificuldade, poderá ser efectuado por visitantes de todas as idades.
Na rota fluvial os visitantes poderão navegar num tradicional batel de sal, exemplar único no rio Mondego, com
tem 20 metros de comprimento que foi construído há oito
anos. O “Sal do Mondego”, nome deste batel, proporciona
passeios turísticos, pelos canais adjacentes às salinas, e é uma
réplica das tradicionais embarcações de transporte de sal existentes na região, até aos anos 50 do século XX.
O Sal, a Flor do Sal e a Salicórnia - Curiosidades
Na Idade Média, quando havia hóspedes a comer em casa, o estatuto social de um indivíduo era medido pela quantidade de sal que se colocava na mesa. As grandes correntes humanas seguiam as estradas, que convergiam para as localidades, onde se comercializava o sal.
Apesar do sal ser essencial na alimentação moderna de forma moderada para uma boa saúde, utilizam-se, regra geral, grandes quantidades deste alimento.
Actualmente, a maior parte do sal utilizado é refinado a 99,9% de cloreto de sódio, ao qual muitas vezes é adicionado iodo e dextrose (açúcar). O sal refinado provoca muito mais sede e pode afectar o normal
funcionamento renal. Em contrapartida, o sal marinho integral, à venda nas lojas de produtos naturais, tem
uma quantidade aceitável de magnésio, flúor, brómio, cloreto de cálcio e preserva muitos dos minerais e
oligoelementos inexistentes no sal refinado, tendo um sabor menos salgado e ligeiramente adocicado.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
O sal marinho integral é essencial para a criação de um bom sangue, linfa e fluidos corporais, assim
como para os sistemas digestivo e nervoso. O sal (se não for consumido em excesso) beneficia também os
rins, bexiga, coração e intestino delgado.
O sal deve ser utilizado na preparação dos alimentos e não à mesa, a não ser muito excepcionalmente.
O hábito português de salpicar a comida com sal (mesmo que seja de boa qualidade) é prejudicial para a
saúde, pelo que deve ser o mais possível evitado.
Reza a lenda, que a flor de sal começou a ser extraída pelos celtas, no início da Era Cristã. Hoje é
considerada a Dom Pérignon do Mundo Marinho. Tem sabor delicado, toques de avelã e textura levemente
crocante, ideal para finalização de pratos, especialmente saladas. Na França é chamada de ouro branco.
A flor de sal é a fina flor de sal marinho, também chamada de nata ou coalho de sal, por ser recolhido
à superfície dos pequenos talhos, tal como a nata do leite.
Nos dias calmos de maior calor, forma-se à superfície da salina uma delgada película de cristais de sal,
que são diariamente recolhidos e secos ao sol. A sua produção só acontece no Verão europeu, de Julho a
Setembro. Estes cristais desagregam-se muito facilmente com, por exemplo, a pressão entre os dedos. A flor
de sal é branca, húmida e cristalina.
Este sal pode servir, para substituir o sal refinado e é aconselhável ser utilizado após a confecção dos
alimentos. A sua concentração permite o uso em menores quantidades. Actualmente, a flor de sal é um
produto muito procurado e considerado gourmet.
Além da flor do sal, existe também a salicórnia: uma planta substituta do sal.
A salicórnia é uma planta anual, que cresce nas salinas, mas também nos sapais e nas arribas, temporariamente encharcadas por água salgada ou salobra, ou que sofrem o efeito da maresia. É uma planta carnuda,
um pouco semelhante aos espargos selvagens, razão porque também é conhecida por espargos do mar.
Como é banhada com a água salgada das marinhas, a salicórnia tem um travo salgado, substituindo o sal na
alimentação. Esta planta suporta elevadas taxas de salinidade, sendo por isso, classificada como cacheiro.
Deve ser colhida no fim da Primavera ou início do Verão, porque depois torna-se mais fibrosa.
A salicórnia tem a grande vantagem de ser comestível, apresentando um fresco sabor salgado, dispensando por isso o uso do sal. A sua aplicação mais generalizada é nas saladas, ligeiramente migada, conferindo
um sabor às saladas inigualável. Esta planta pode ser conservada no frio, durante aproximadamente uma
semana ou em vinagre, durante alguns meses.
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Histórias de Ontem e de Hoje…
Testemunhos de Ontem
António Curado de Oliveira
António Curado de Oliveira nasceu a 9 de Abril de
1936. Contava 74 anos, quando decidiu partilhar a sua
história. António começou cedo a passar os seus dias nas
salinas, o que o levou a abandonar a escola. O seu avô foi
o seu “guia”, o seu pai também por lá andava, e como
naquele tempo não havia muitas posses, um dos caminhos lógicos era começar a trabalhar cedo. Uma das suas
primeiras tarefas, aos 13 anos, foi encabeçar o sal, porque
não havia ainda força suficiente para fazer o restante processo, sobretudo nas subidas. Mesmo que ajudasse um
metro, já dava jeito. Nesse tempo, o trabalho era iniciado
muito cedo. A escolaridade foi portanto interrompida,
“era tão novo e não faço uma pequena ideia, era apenas o dia-a-dia, nunca tive grandes problemas, o problema era que o dinheiro não era muito naquele tempo, é a fase que vamos passar daqui para o futuro, vai-se
passar uma fase idêntica à que a gente passou naquela altura.” Chegava-se ao local de trabalho e começava-se
logo a trabalhar, não havia rituais nem cantigas, apenas uns assobios para distrair...
Não havia horário de entrada nem saída. As luas tinham influência só para encher os reservatórios, porque
os quartos, dadas as marés serem pequenas não dava para encher. Com as luas, a água entrava em maior quantidade e era mais graduada, com mais salinidade. Quando havia temperaturas muito elevadas, tinham de fugir ao
calor e iam ao fim da tarde tirar o sal, ou então de madrugada. Comiam junto das salinas, dentro dos armazéns.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Após a recolha do sal, havia um processo de negociação através do Grémio, e a tiragem do sal era
repartida por todos. Mais tarde, quando o Grémio terminou, cada um passou a vender por si próprio. O
dinheiro era distribuído por todos e era depositado pelo comerciante, consoante a tiragem do sal. António e
os restantes trabalhadores ficavam com uma senha e iam receber a quantia da venda do sal a quem pertencia
naquela altura o barco (que levava 10 toneladas). Antigamente era tudo avulso e era transportado pelos barcos no rio. Era sobretudo no mês de Novembro, no primeiro domingo que os viveiros iam à praça pública.
De seguida era arrematado, por aqueles que lá trabalhavam. O sal era vendido a dois mil escudos, cada 10000 kg.
O pai de António chegou a vender a 180 escudos o
barco, isto por volta de 1938. Nesse tempo, a actividade
era à parceria, eram duas partes para o patrão e outra para
quem trabalhava. A salina do seu pai era grande e tinha
que arranjar um homem a quem pagava do seu bolso. Os
patrões só pagavam metade às mulheres que tiravam o sal.
Naquela época, o pagamento era justo, do lado de Lavos
era a 9 escudos e do lado da Morraceira eram a 10 escudos. Hoje pagam a 25 euros.
Antes de ser carregado para os barcos, o sal era depositado nos armazéns das próprias salinas, os barcos só eram carregados quando subiam as marés, então
daí partiam para a Figueira da Foz e para os Armazéns de Lavos.
Ainda hoje, ambos os sexos trabalham nas salinas, mas António recorda-se de serem mais mulheres, já
que estas é que tiravam o sal, ao contrário do que se via noutras zonas como Aveiro, em que eram mais os
homens. Ainda hoje existem lá vários com a canastra ao ombro, levando cerca de 60 a 70 quilos. Durante
a sua vida profissional, os homens nunca se dedicavam a tirar o sal, estes tomavam conta das marinhas, na
fabricação e depois só puxavam o sal para cima das cilhas. Este era um movimento de puxar para a corda,
a que chamavam de chegar ou rer.
Os meses ditavam as acções destes homens, já que em Setembro a actividade parava até Abril ou Maio,
dependendo da temperatura que estivesse, se fosse boa em Abril, começava-se logo a fazer limpeza desde
o sapal vasa, entubantes, cabeceiras, praia de baixo, tudo tinha que ficar limpinho. Depois deixavam o sol
“actuar”, por essa altura já os terrenos estavam muito adocicados e não se podia exagerar na exposição ao
sol, porque poderia deixar o terreno a atolar.
Tinham uns reservatórios que se chamavam viveiros, onde tinham uma comporta que se abria de 15 em
15 dias, na altura da lua, abria-se para encher os tais reservatórios e depois de estarem cheios, distribuíam a
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
água até abastecer as salinas. Depois de tudo limpo, iam pondo água para não estragar o terreno – ainda doce,
sobretudo devido ao Inverno. As águas da chuva destemperavam tudo, o que também era favorável para a
nova campanha e o início de nova safra. O processo de pôr sal continuou sempre, passando de uns lados para
os outros. Era tudo tapado e as águas concentradas, depois eram tapadas com palhetas – mais tarde haveriam
de ser substituídas por pinos de plástico, porque as palhetas estragavam-se com o sal e entrava água por baixo.
Além dos reservatórios existiam os viveiros, já que nesse tempo havia muita enguia. Desde o momento que arrematavam os viveiros, em Novembro, até
15 ou 20 de Fevereiro, durante três ou quatro meses,
dedicavam-se à pesca da enguia, às camarinhas, ao robalo, era o que entrava (era o que se agarrava).
Após a safra do sal, também tinham uns bocadinhos de vinha de que cuidavam, tinham o quintal onde
semeavam as batatas, os feijões, o milho, tudo para consumo próprio, já que os ganhos das salinas não davam
para sustentar a casa. Mesmo isto não impediu que António continuasse a sua vida nas salinas.
Os instrumentos que utilizavam na altura eram para
rer, o ugalho de rer, para chegar, o ugalho de chega, para
mexer, o ugalho de mexer, para a lama o ugalho da lama. Os ugalhos e as formas, as marachitas, antigamente
eram feitos de madeira. Era o carpinteiro que fazia, era feita uma forma em madeira, depois eram corridas
para ficarem bonitas. Quando eram feitas em terra, eram feitas com uma forma, e a terra todas as épocas
era “estrampalhada” pelo Inverno.
Antigamente, as separações dos talhos eram em terra. Os talhos de António foram todos construídos,
por conta própria e hoje são de madeira. O sal é pesado, embalado e transportado para o destino. Antigamente
era avulso, e era medido com uma fanga – um quadrado com uma altura de 30 cm que levava 50 kg de sal.
Esta tinha duas pegas, uma de cada lado e depois enchiam com as pás e viravam para dentro das cestas. Os
alguidares antigamente levavam à volta de 50kg, depois passaram a 40kg, hoje um alguidar não passa dos 30kg.
As mulheres que ainda trabalham nas salinas, não podem, nem têm a disponibilidade de outros tempos.
Vão todas de carro e segundo António, andam todas ali por necessidade do dinheiro, o que as levava a terem
de trabalhar também noutros sítios e a conciliarem horários.
António mostrou-se sempre um resistente, mesmo à própria visão de assistir ao desaparecimento de
muitas salinas. A vida tem-no “preso” às salinas, e só mesmo um problema de saúde o levou a uma paragem,
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
uma operação seguida da proibição de trabalhar. Mesmo sob algumas lágrimas (salgadas) não se demonstrou
convencido, porque acalenta a vontade de continuar sempre...
Quando olha para os seus colegas, outros “velhos” resistentes diz: “o futuro é acabar praticamente
quando for daqui por 5 anos, todos os colegas que ainda por lá andam deixarão de trabalhar, são quase
todos da minha idade e outros mais velhos chegam a altura em que têm que deixar.” António está reformado, descontou para a Segurança Social, e enquanto puder vai trabalhar. Custa-lhe aceitar que o seu corpo
se tenha rendido um pouco – antes de ser operado não
lhe doía nada, não se cansava, disse mesmo aos médicos
que nunca tinha desmaiado. Não tem esperança de que
os mais novos surjam para a revitalização da actividade,
porque é preciso tempo para aprender a mesma - “só se
for algum mais noviço que são poucos, é que podem ficar ali, mesmo estes mais novos tiveram que aprender a
actividade, porque isto não se aprende de um dia para o
outro, aquilo tem um grande segredo a conservação do
terreno.” António sabe que os seus dias foram duros e
não espera que os netos sigam os mesmos passos. Se isso
acontecesse seria por não haver outras oportunidades, seria por não haver outro futuro - “os meus netos oxalá
que não, é sinal que não há trabalho, porque se se dedicarem a esta actividade é porque não há fora e serão
obrigadas, então também não gostava nada de os ver lá, não gostava porque não é futuro.” O preço do sal
pouco mudou em 10 ou 15 anos. Nos dias que correm, seria necessária uma força maior, para aumentar a
pouca quantidade que é produzida.
António guarda uma fotografia mental, que provavelmente é o que o desperta para a vontade de resistir,
“em cima daquela ponte quando era a Morraceira - o salgado todo daquele lado chama-se Morraceira, daqui
é a parte dos Armazéns - quando estava tudo a trabalhar aquilo era uma brancura autêntica por aí fora tirávamos fotografias aquilo, hoje só se vê uma escuridão, aparece um monte aqui, outro lá adiante, quer dizer
a gente nem se apercebe que aquilo é salgado. É uma escuridão...” Para António ainda existem lutas a travar,
e não quer para já uma despedida do branco salgado, termina da seguinte forma: “Estou a fazer conta de ir
pró ano, eles disseram que eu podia ir fabricar sal.”
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Maria da Luz Pedrosa Pires
Hoje, com 54 anos, sou uma Formanda de um Curso de Pré-Impressão, na Associação de Intervenção Social e Formação (ZIR).
Vou começar por contar aquilo que me lembro, quando eu tinha cerca dos meus 9 anos de idade e nessa
altura estava a minha mãe a trabalhar na salicultura, onde eu a acompanhava.
Foi com esta idade que perdi o meu pai e a minha
mãe tinha ficado com sete filhos para criar sozinha. Eu
era muito pequena e este período, como muitos outros
negativos, deixaram-me lembranças que me marcaram
para o resto da vida, porque foi uma época em que passei
por muitas necessidades, inclusive fome, isto também por
descender de uma família muito pobre.
Sei que nessa altura, o sal era carregado à cabeça das
salineiras em cestas de verga, para os armazéns, onde ficava depositado até a altura que fosse comprado, depois mais
tarde voltavam as mulheres a carregá-lo para os barcos, que
atracavam na berma do rio ou do esteiro, dependendo do seu
destino. Nesse tempo não sabia para onde ia, e nem sequer
tinha noção do quanto era cansativo e pesado esse trabalho.
Os anos foram passando e com cerca dos meus 18 anos e já casada foi a vez de começar eu nessa actividade e fui trabalhar para o meu sogro, que era marnoto, então a partir daí, eu comecei a ter mais algum
conhecimento nesta área.
O processo das marinhas começava pelo esvaziamento das águas em excesso, que se acumulavam
durante todo o Inverno e era feito quando estavam as marés baixas, assim facilitava a descida das
mesmas, os homens juntavam todos os limos e as lamas em montes, que ficavam a secar e mais tarde
eram transportadas por mim e outras mulheres para os morros ou motas, este era o nome da divisão
que separa as propriedades, na qual eram de outros proprietários.
Acabada a limpeza começavam então a tratar da fabricação do sal, as marés cheias mais uma vez
eram esperadas, para a entrada das novas águas nas salinas. Era muito trabalhoso e também muito cansativo, mas ao mesmo tempo era lindo ver todo aquele sal tão branquinho, que se começava a formar
em montes, com forma de pirâmides.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Então entravam novamente as mulheres e neste caso também eu, que nessa época executávamos o mesmo
serviço, todo o sal era levado à cabeça por nós ainda em cestas de verga ou em alguidares de plástico, cada um
levava cerca de 50 ou mais quilos, esta rotina repetiu-se durante alguns anos. Lembro-me que todas as marinhas
existentes no salgado ou mais propriamente no lado da Ilha da Morraceira estavam a funcionar, eu tinha dias
que tirava duas marinhas, cheguei também a fazer o trabalho que era só destinado aos homens, por ser muito
forçoso, (rer) é este o nome utilizado que se dava ao sal que era puxado por ugalhos ou (rodos), utensílio ainda
hoje existente, mas infelizmente nas poucas marinhas em produção, o mesmo e que durante décadas foi um
meio de sustento para tantas famílias.
Esta actividade funciona apenas na época do Verão e
as réduras eram tiradas sempre de madrugada, por volta das
seis horas da manhã ou então se fosse o caso de tirar duas
por dia, teria que ser marcada para o final da tarde, isto apenas para fugir ao calor intenso que faz nesta estação do ano.
Durante os anos que trabalhei no sal devo dizer que
não foi nada fácil, em virtude de ser um trabalho pesado e
cansativo, mas como era muito nova, levava a minha vida
entre brincadeiras cantigas e por vezes muitas anedotas,
com o resto das minhas companheiras de trabalho, assim o
tempo que durava a rédura passava mais rápido.
Hoje é triste ver aquelas marinhas ao abandono, derivado ao facto de todos os homens que as tratavam chegarem a uma idade em que as forças começam a
esgotar e outros infelizmente já não estão entre nós, os poucos que restam também daqui a algum tempo
têm que abandonar a actividade e tudo desaparecerá para sempre, porque na minha opinião não vejo os jovens de hoje dedicarem-se a esta actividade, embora acrescente ainda que na minha família já passaram por
esta vida no sal três gerações a minha mãe, depois eu e duas filhas, uma delas já deixou, mas a outra ainda
este ano esteve a tirar marinhas, eu como mãe na verdade não gostava de as ver lá, porque sei dar o valor de
como é muito pesado e cansativo, mas por vezes também a necessidade assim o obriga.
Termino esta minha experiência dizendo como era lindo passar por cima da ponte e ver as marinhas
de sal todas a funcionar, naquele tempo era maravilhoso, tudo o que avistava era maravilhoso, aquela zona
transformava-se num mundo de montinhos brancos no Verão, agora o que se avista em vez da brancura da
época, é a tristeza da escuridão derivado ao abandono.
Gostaria sinceramente que a salicultura no nosso Concelho voltasse ao que foi no passado, mas na minha opinião acho que ano após ano vai desaparecer por completo e a Figueira da Foz vai ficando cada vez menos evoluída.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Outros testemunhos:
Leopoldina Lopes da silva Jordão (79 anos, vive no Viso)
Descarregava o barco de noite, trabalhava com uma senhora no Bairro alto. De noite atravessavam a seca
do souto, para ir para o campo da aviação. Conta que: “ a senhora do bairro Alto era danada para andar, mas
que naquele dia não andava e quando deu por ela, as botas
estavam calçadas ao contrário desde o Bairro Alto até ao
campo da aviação, ela bem queria andar e não podia.
Havia mais mulheres nas salinas. Na salina era um homem por cada salina, conforme as marinhas.
Havia anos de tirar 10 marinhas.
As ferramentas que utilizavam eram o ugalho de madeira e cada um tinha a sua ferramenta. Outras ferramentas
importantes eram: Ugalho de rer, Ugalho de mexer, Ugalho de achegar, Ugalho de lama, Ugalho de tamanco para
limpar a marinha, Ugalho de marachas, Ugalho de forma.
Na época tinham muito material para trabalhar, havia
cestas para transportar o sal, que agora são alguidares.
A técnica especial era carregar à cabeça o sal para o barco e depois no barco, eles metiam o sal na ré, as
mulheres iam à proa, para o barco ficar mais direito.
Habitualmente saiam às vinte e três horas de casa e era rotativo, conforme as horas da maré. Era dona
de casa e trabalhava na agricultura, para consumo próprio.
José Pedro Simões Oliveira (85 anos, residente em Vila Verde).
O pai era marnoteiro e ele com 7 anos em férias já ia para o salgado, deixou a escola aos 10 anos e foi
trabalhar nas salinas. Foi trabalhar cedo porque gostava.
Na altura o sal era retirado das salinas, era dividido em três partes, duas para o proprietário e uma para o marnoteiro.
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Poema:
(A rapariga estava em cima da cilha,
Fica de noite ao relento,
Diz o rapaz à rapariga,
Quando é o nosso casamento.)
O marnoto tinha muitas ferramentas, todas em madeira, à volta de 20 -a técnica era o saber.
Não havia horário, íamos de madrugada até ao anoitecer.
O sal era transportado nos barcos, tinha saída para as seiras, Leiria.
Nos meses que não havia sal nas salinas, os salineiros trabalhavam na agricultura.
Deixo uma mensagem: “ Que nunca acabe, que continue…Em Vila Verde só há cinco salinas em funcionamento”.
Testemunho de um marnoto no activo
O senhor José Carlos Rodrigues Almeida, de 53 anos de idade, casado, natural de S.Julião e residente
no Paião diz que em 1971 o seu pai comprou umas salinas, mas teve que ir para fora para ganhar dinheiro.
Só aos 14 anos começou a trabalhar, esteve 3 anos nas salinas até o seu pai regressar com o dinheiro, para a
compra das salinas, começou cedo, porque o seu pai foi sempre marnoteiro e a mãe salineira. Além disso teve também outras actividades marítimas, toda a sua família estava ligada à salicultura e foram sempre salineiros e salineiras.
Naquela altura havia pouco tempo para se divertirem, lembra-se que quando eram pequenos, sentiam as
cobras debaixo dos pés, passavam fome, e não tinham muito que comer, mas chegavam ao rio e apanhavam
umas enguias, uns camarões ou umas amêijoas, hoje é mais difícil, pois está tudo rebuscado.
Andavam sempre a cantar as canções tradicionais populares, faziam-no para esquecer um pouco as tristezas e
para que o ano corresse bem. Refere ainda que naquela altura ver o joelho de uma mulher já era muito importante.
Cada salina tinha um ou dois marnoteiros, e uma salina tinha em média 4 ou 5 salineiras, e eram as
salineiras que carregavam e descarregavam os barcos do sal, faziam o transporte do sal com cestas à cabeça.
O marnoteiro trabalha tratando das salinas e no seu caso era marnoteiro por necessidade. Os instrumentos que usavam eram os tradicionais, que ainda hoje existem nas salinas. A etapa das salinas começa de
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Maio a Setembro, em Maio os marnoteiros começam por meter água nos viveiros, nessa altura as águas são
mais salitradas, faz-se então a respectiva limpeza das salinas, que é limpar os limos do Inverno, e reconstruir
as marachas que são de terra, limpar também as praias de baixo e praias do meio, os talhões e sertões; explica
que agora as águas são doces e os viveiros são pescados, ficando secos, chama-lhe a isso esturra.
Conta-nos que a técnica que usava era saber um pouco do que é tratar uma salina, e também gostar
muito do que se faz, levantava-se às 6:00 horas da manhã, para puxar o sal (a que ele chama de rer) tinha que
ser feito pela fresca, só andavam pelo calor se houvesse
necessidade disso, não tinha por isso um horário certo,
fala que, por vezes podia almoçar e dormir uma sestazinha, que servia para dar uma pausa às salinas (a marinha
tem necessidade de estar a encarnar) quer dizer a praia
estar em seco para salgar.
Falou também que o sal que faziam era vendido para
os barcos de bacalhau, hoje em dia, o peixe é conservado
no frio, mas antigamente pescava-se e escalava-se o peixe,
e depois era salgado. Cada barco levava umas dez toneladas de sal, vendia-se também o sal para Espanha.
Quando não trabalhavam nas salinas, tentavam vender o sal que faziam e também pescavam nos viveiros.
Além disso, também se ocupavam no Inverno dos barcos do sal, fazendo o seu transporte para venda. Por
vezes cortavam junco para a cama do gado, recolhiam os limos que serviam para fertilizar a terra, e assim
ganhavam algum dinheiro para sobreviver.
Conta-nos que, sempre esteve ligado ao mar e comprou umas salinas em armazéns de Lavos, das quais
foi marnoteiro durante 4 anos, mas que depois veio trabalhar para o barco fazendo a rota turística, sendo
também marnoteiro das salinas da Câmara.
Em termos de futuro, o senhor José Carlos acha que não vale a pena ser marnoteiro se o negócio não
for viável ou seja, se não tiver condições para escoar o produto.
Hoje em dia vão vendendo algum sal para as azeitonas, quando arranjarem uma técnica diferente -50%
do sal fica, dentro dos armazéns, tem pena que tudo isto acabe, na sua opinião depende das condições económicas, é de uma certificação do sal, pois uma certificação seria uma garantia para escoar o produto, mas a
forma como estão a fazer as exigências, vai ser muito difícil, e não se justifica, porque um proprietário rico
vai avante, mas um pobre não, prefere ficar sem certificação e deixar as salinas em poisio.
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A seu ver, só a câmara tem possibilidade para isso, lamenta que o sal hoje em dia esteja a ser praticamente dado, e que um saco de sal de 20 kg de boa qualidade custa 1.80 €, e por isso não dá para um proprietário
pagar a um marnoteiro e fazer a manutenção.
Tem esperança que não acabem com o salgado no futuro, falou-nos que ainda há jovens que procuram
trabalho nas salinas, uns por falta de emprego, e outros por que gostam, e não há mais jovens, porque ouvem
falar que é um trabalho muito duro.
Presentemente estão cerca de 40 a 42 salinas no activo, aqui no salgado da Figueira da Foz e têm-se mantido, disse-nos ainda que se mantém a dificuldade da venda do sal, e que este até tem mesmo vindo a baixar.
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O Futuro…
No quadro do INTERREG – SAL a participação da
Figueira da Foz é assegurada pelo Município da Figueira
da Foz, com responsabilidades em várias acções, nomeadamente no que respeita à organização dos produtores,
do turismo e valorização do património cultural. Neste
domínio inseriram-se uma série de iniciativas locais que
incluíram, entre outras, a realização do Festival do Sal da
Figueira da Foz, o início do processo de certificação do
sal da Figueira da Foz, o equipamento do futuro Núcleo
Museológico do Sal e a construção de um cais junto a este
Núcleo (que inclui a marinha como unidade demonstrativa, o armazém do sal e o museu do sal) e também a compra de um batel do sal (embarcação típica da Figueira para o transporte de sal) que visará assegurar a ligação regular entre a cidade e o Núcleo Museológico.
Foi no desenvolvimento deste projecto que, no ano de 2000, a Câmara Municipal da Figueira da Foz
adquiriu a Salina do Corredor da Cobra, em Armazéns de Lavos, onde instalou também o Núcleo Museológico do Sal, inaugurado a 18 de Agosto de 2007.
Na consolidação dos conteúdos referidos anteriormente foi realizada uma entrevista à Dr.ª Sónia Pinto (Arqueóloga do Museu Municipal Santos Rocha e coordenadora do Núcleo Museológico do Sal) que nos forneceu
informações sobre o desenvolvimento das salinas, no concelho. Entre 2000 e 2003 surgiu o Projecto INTERREG
que dava oportunidade de todos os produtores de sal obterem a sua certificação, no entanto somente a Câmara
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Municipal (com a Salina Corredor da Cobra) e os produtores independentes com as salinas dos Doutores
e das Eiras Largas conseguiram assegurar os custos da certificação. Uma das principais causas da não aderência de todos os produtores, ao processo de certificação do sal, prendeu-se com o facto de este exigir
modificações, na estrutura dos armazéns, nas salinas e principalmente nas condições de higienização.
Actualmente, está em vigor um Projecto Ecosal Atlantis que nasceu a 1de Janeiro de 2010 e que terminará em 2012, com a edição dum livro acerca das salinas e da exploração do sal, na área geográfica do
Atlântico, que engloba 4 países: Espanha, França, Portugal e Reino Unido.
O objectivo deste projecto envolve, o desenvolvimento turístico das salinas do Atlântico: património,
desenvolvimento territorial e biodiversidade e turismo da natureza.
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Estudo estatístico sobre a temática “Sal e a Salicultura no Concelho da
Figueira da Foz – Ontem, Hoje, Que Futuro?”
No âmbito do tema de vida “Sal e a Salicultura no Concelho da Figueira da Foz – Ontem, Hoje,
Que Futuro?” foi elaborado um inquérito o qual foi aplicado a 49 habitantes do concelho da Figueira da Foz.
Numa parte inicial, foram feitas as questões habituais como Sexo e Idade. Numa segunda parte, foram
feitas questões de resposta fechada, algumas com mais do que uma opção de resposta.
Os quadros estatísticos e os gráficos correspondentes a esta análise são apresentados de seguida.
Começamos por analisar as idades dos inquiridos.
Podemos verificar que os inquiridos apresentam idades muito diversas.
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Relativamente ao sexo dos inquiridos, podemos constatar através da tabela e, consequentemente, do
gráfico, apresentados a seguir, que o número de inquiridos é sensivelmente igual em ambos os sexos.
Tabela de frequências
Sexo
Frequência relativa (fri)
fri%
feminino
0,55
55
masculino
Total
0,45
1,00
45
100
42
ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Numa primeira questão os inquiridos foram questionados sobre a importância do sal nas nossas vidas.
Averiguámos que 41 pessoas, o equivalente a 84%, responderam sim.
Tabela de frequências
Respostas
Sim
Não
Talvez
Total
fi
41
3
5
49
fri
0,84
0,06
0,10
1,00
fri %
84
6
10
100
Relativamente à pergunta efectuada no inquérito se “A exploração do sal é uma actividade que existe no concelho na
actualidade?” resultou numa maioria de respostas positivas (96 %), tal como se pode verificar no gráfico que se segue.
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Posteriormente, foi feita a questão: “Conhece o processo de salinação?”.
O quadro e o gráfico que se seguem mostram os resultados dos inquéritos efectuados.
Tabela de frequências
fi
fri
fri %
Sim
27
0,55
55
Não
20
0,41
41
Não respondeu
2
0,04
4
Total
49
1
100
Podemos observar que obtivemos 55% de respostas positivas, que 41% dos inquiridos não conhecem
o processo e ainda 4% de pessoas que não responderam à questão.
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O concelho da Figueira da Foz tem um Núcleo Museológico e quisemos saber se os habitantes do concelho tinham conhecimento da existência deste Museu. Através do gráfico seguinte podemos concluir que
92% dos inquiridos sabem que existe o Museu Museológico do Sal. Contudo, verificamos que ainda existem
habitantes que desconhecem tal Museu (8%).
Dos 45 inquiridos que responderam sim à questão anterior (terem conhecimento da existência do Museu), 31% destes já visitou o Museu, enquanto 69 % ainda não.
O gráfico seguinte mostra o constatado.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Na pergunta feita aos inquiridos “Considera correcto que algumas salinas tenham sido transformadas em viveiros”
chegámos à conclusão que as respostas sim e talvez obtiveram a mesma percentagem (29%), tendo a resposta não obtido uma maior percentagem (43%). Significa que as opiniões estão repartidas, embora 21 dos
inquiridos considera errado o facto de terem sido transformadas em viveiros.
Tabela de frequências
Sim
Talvez
Não
total
fi
14
14
21
49
fri
0,29
0,29
0,43
1
fri %
29
29
43
100
Na questão que se seguiu, os inquiridos teriam de responder, assinalando os termos relacionados com a salicultura.
O gráfico ilustra as respostas obtidas.
Podemos averiguar que 14 das pessoas inquiridas consideram que o batel é um termo relacionado com
a salicultura, contudo, é de salientar que apesar de batel ser um barco, não é o barco utilizado na salicultura.
Todas as outras respostas estão correctas, mas podemos observar que a planta salicórnia é o termo menos
conhecido pelos inquiridos.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Posteriormente, queríamos saber se os inquiridos tinham conhecimento sobre o tipo de terreno onde se
encontram as salinas. Chegámos à conclusão que 76 % dos inquiridos responderam que as salinas estão em
terreno argiloso e 24% pensam, erradamente, que as salinas se encontram em terreno arenoso.
Argiloso
Arenoso
Total
fi
37
12
49
fri
0,76
0,24
1,00
fri %
76
24
100
Quisemos ainda saber se as pessoas sabem que o sal para além de uso culinário também tem propriedades benéficas para a saúde.
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Através do gráfico podemos afirmar que 65 % das pessoas inquiridas responderam positivamente. Porém, 35 % ou não tinha essa noção ou considera que talvez isto seja verdade.
Numa penúltima questão os inquiridos teriam de responder se consideravam que esta área de produção
era importante para o concelho da Figueira da Foz. Pela análise do gráfico que se segue podemos constatar
que a maioria dos inquiridos respondeu positivamente (98%). As razões apontadas cingem-se ao desenvolvimento do concelho/região, criação de postos de trabalho e aproveitamento turístico.
Para finalizar o questionário, e sabendo que esta área de produção está em vias de extinção, quisemos
saber se os inquiridos consideravam importante continuar a apostar nela.
Através do gráfico podemos verificar que a maioria dos inquiridos (86%) considera que se deve continuar a apostar nesta área de produção.
As respostas ao porquê, de continuarem a apostar nesta área de produção, restringem-se sobretudo a
nível da criação de empregos, dos benefícios turísticos para o concelho e pelo papel que este produto desempenha na confecção alimentar.
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ZIR - ASSOCIAÇÃO DE INTERVENÇÃO SOCIAL E FORMAÇÃO
Conclusão
Após várias pesquisas realizadas sobre o sal e a salicultura no concelho da Figueira da Foz, concluímos
que a exploração desta actividade no passado foi de grande importância neste concelho.
Presentemente, os processos de produção mantêm-se artesanais, com pouca tecnologia. Actualmente
devem existir apenas aproximadamente 40 marinhas no activo.
Concluímos ainda que o futuro das salinas passa pela certificação do sal nelas produzido, pela construção de um cais
junto ao núcleo museológico do sal, pela compra de um batel, e por diversos projectos virados para o turismo.
Sendo o sal de grande importância para as nossas vidas, e uma actividade histórica no nosso concelho, estando
também interligado com a vida e o passado de alguns de nós, achámos pertinente o trabalho nesta temática.
No âmbito do estudo que fizemos, ficámos a conhecer o processo de salinação, e as dificuldades existentes nesta área.
Durante esta trajectória, percorremos os espaços da salicultura, procedemos a um breve historial sobre
as salinas onde fizemos várias entrevistas a pessoas que trabalharam e outros que ainda estão no activo.
Tentámos fazer uma pequena pesquisa através de questionário, sobre os conhecimentos que a população do
concelho tem em relação a alguns aspectos da salicultura e do sal.
Fizemos pesquisas na Internet, biblioteca Municipal Pedro Fernando Tomás, no Núcleo Museológico
do sal, etc. Compilámos e trabalhámos fotos, fizemos este livro…
Ao terminarmos este estudo esperamos que ele possa dar um contributo válido para o conhecimento
da salicultura da Figueira da Foz. Esta constitui uma parte integrante da história da região e, inequivocamente poderá ser um elemento para a valorização económica e turística da cidade.
Não temos a pretensão de esgotarmos o tema, pois estamos conscientes de que nos devem ter faltado
outros estudos, que viessem enriquecer o trabalho, ajudando a sistematizar esta temática.
No final, contudo, mantemos a questão: Será que a salicultura no concelho consegue ter futuro?
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Bibliografia
Fontes impressas:
GOMES, Paulino, Figueira Da Foz: conhecimento, memória e inovação. Héstia Editores
SILVA, João Ferreira, O Sal Plano de E. Popular (1966). (Consulta feita na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás da Figueira da Foz)
LOPES, Luís Antunes Dias, Comissão Reguladora dos Produtos Químicos e Farmacêuticos (1955). (Consulta feita na
Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás da Figueira da Foz)
Fontes electrónicas:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Figueira_da_Foz (consulta feita em 29/11/2010 ás 14h)
http://casadosal-eiraslargas.blogspot.com/2008/08/sal-marinho-integral.html
(consulta feita em 29/11/2010 ás 14h)
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http://www.frigideiras.com/2010/08/flor-de-sal.html (consulta feita em 29/11/2010 ás 14h)
http://www.anoplanetaterra.org/docs/Roteiro_Sal.pdf( consulta feita em 29/11/2010 ás 14h )
http://www.regiaocentro.net/lugares/figueiradafoz/po-estmondego.html (consulta feita em 29/11/2010 ás 14h)
http://atlanticprojects.inescporto.pt/projec-area/ecosalatlantis/newsletters
Newsletters:
(Ecosal_Atlantis_Maio_2010_pt)
(Ecosal_Atlantis_Outubro_2010_pt)
(Ecosal_Atlantis_Setembro_2010_pt)
http://www.mulherportuguesa.com/alimentação/alimentos/1825-flor-de-sal
http://casadosal-eiraslargas.blogspot.com/2008/05/museu do sal fig-da foz-armazns.html
Fontes manuscritas:
Porto da (Figueira da Foz) Ontem, Hoje e Amanhã (1986)
Figueira da Foz - Memórias, conhecimentos e inovação…
Manual de Formação para guias e animadores turísticos do núcleo museológico do sal
“Ouro branco, uma história da extracção artesanal do sal na Figueira da Foz”Fotografado por Sérgio Morgado
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Entrevistas realizadas:
Leopoldina Lopes da Silva Jordão (79 anos, vive no Viso)
António Curado de Oliveira (74 anos, vive nas Regalheiras de Lavos)
José Pedro Simões Oliveira (85 anos, vive em Vila Verde)
José Carlos Rodrigues Almeida (53 anos, Paião)
Outros testemunhos:
Maria da Luz Pedrosa Pires (54 anos)
Inquérito feito a 49 habitantes no âmbito do Tema de Vida (O sal). 21/12/2010
Estudo Estatístico sobre a temática «O sal e a Salicultura no Concelho da Figueira da Foz -Ontem,
Hoje Que Futuro?».
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FICHA TÉCNICA
O SAL E A SALICULTURA NO CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ - ONTEM, HOJE, QUE FUTURO?
Autoria
Formandos do grupo 20010/ 2011 - Operador(a) de Pré-Impressão
Anabela Costa | Ana Maria Moura | Bruno Ventura | Carla Costa | Maria da Luz Pires | Nuno Francisco | Paula Silva | Rosa Costa | Susana Santos | Susana Vasco| Vitor Fernandes
Design / Paginação
Formandos do grupo 20010/ 2011 - Operador(a) de Pré-Impressão
Edição
ZIR -Associação de Intervenção Social e Formação
Impressão
Ediliber - Gráfica, Lda
50 Exemplares | Fevereiro 2011
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Sal e a Salicultura no Concelho da Figueira da Foz – Ontem