EXPERIÊNCIA DOCENTE NO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM GEOGRAFIA Luiz Eduardo do Nascimento Neto Doutorando do PPGG - UFPB. [email protected] Antônio Carlos Pinheiro Professor do PPGG - UFPB. [email protected] Djanní Martinho dos Santos Sobrinho Mestrando do PPGG- UFPB. [email protected] RESUMO Este trabalho incide em reflexões produzidas no Estágio Curricular Supervisionado em Geografia no Curso da UERN- Campus Avançado Professora Maria Elisa Albuquerque Maia - CAMEAM na cidade de Pau dos Ferros/RN. No seio das reflexões produzidas estão às análises referentes ao contexto do Estágio Curricular Supervisionado de como este se encontra estruturado e realizado no espaço anteriormente citado. Pesquisou-se os subsídios que concretizam as ações do Estágio, tecendo considerações em seus componentes curriculares. Nos cursos de licenciatura e no caso da Geografia, as mudanças provenientes das Diretrizes Curriculares Nacionais que propõem mudanças significativas ao que diz respeito à estruturação curricular e, por conseguinte, a elaboração e execução dos estágios em Geografia. Tais alterações no processo curricular favoreceu no curso em discussão, uma remodelação do Estágio, almejando uma nova aplicação para este componente ao que concerne a prática formativa proposta pelo curso. Analisar o processo de desenvolvimento do Estágio Curricular Supervisionado adotado pelo curso e que se considera preliminarmente como insuficiente para a construção do processo prático-teórico e formativo dos alunos estagiários. A metodologia utilizada consistiu em entrevistas e relatos de experiências de alunos e professores do CAMEAM. São inúmeras problemáticas que se apresentam na construção da estrutura curricular do componente do Estágio e este não consegue ser desenvolvido a contento conforme preconiza o Projeto Pedagógico Curricular (PPC) do curso. Diante destas considerações preliminares faz-se necessário autoavaliações no processo formativo dos Estágios. Portanto o objetivo deste trabalho é analisar as experiências de ensino e aprendizagem dos estagiários do curso de Geografia ao desenvolver os estágios nas escolas estes apontam, uma distorção nos elementos práticos e teóricos e a necessidade de mudanças que possibilitem significado e valorização do Estágio Curricular Supervisionado. Palavras-chave: Estágio Curricular Supervisionado. Educação Geográfica. Geografia. INTRODUÇÃO A Educação Geográfica necessita estar ancorada na construção de uma reflexão voltada para os alunos, professores e num contexto mais amplo, para o universo escolar. Registro-se em nossa prática docente, constantes embates que almejam uma renovação desta educação revelando a necessidade de refletir sobre nossas práticas e os reais objetivos que 1 devemos proporcionar aos nossos alunos para a construção de um Ensino Geográfico correspondente às diretrizes curriculares propostas para a Geografia brasileira. Este trabalho propõe analisar e refletir sobre os direcionamentos que cercam o Estágio Supervisionado no Ensino de Geografia e de forma mais ampla o contexto que circunda as ações propostas por este componente curricular. As análises concernentes incidem no Estágio Curricular Supervisionado do curso de Geografia localizado em Pau dos Ferros-RN, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte- UERN. Para além das discussões nossas considerações baseiam-se também nas experiências vivenciadas ao longo de nossa atuação docente. Neste trabalho, analisar as etapas dos Estágios, verificando a concretização das ações deste componente curricular e em especial, como este é direcionado para os alunos e professores na cadeia formativa do ensino de Geografia do referido espaço citado. Assim, ao elenca-se os desdobramentos concernentes ao Estágio Curricular Supervisionado como base para nossas análises. A pesquisa enfatizou a mudança estrutural e curricular do curso anteriormente mencionado. Para a construção deste trabalho foi necessário ancorar as discussões e análises, em um referencial teórico: Callai (2013), Cavalcanti (1998), Moreira (2007), Pimenta (2008), Pontuschka (2007) dentre outros que sustenta os subsídios elencados, proporcionando um olhar em direção as práticas docentes e autoavaliações. O objetivo primordial neste trabalho é analisar o desenvolvimento dos Estágios Curriculares Supervisionados, propondo reflexões neste componente curricular, sobre as experiências da prática de ensino e as desenvolvidas pelos estagiários do curso de Geografia da UERN no CAMEAM. Neste contexto, analisar-se o processo de ensino e aprendizagem abordando o curso de Geografia anteriormente citado, enfatizando êxitos, fracassos e propondo assim, críticas e medidas construtivas para este componente curricular. APORTE CONCEITUAL Sobre a Geografia escolar entende-se que esta tem como tem como papel proporcionar aos alunos a capacidade de entender, decodificar e interagir enfim, reconstruir ideias e posicionamentos da realidade socioespacial que o cerca possibilitando, rever conceitos e 2 práticas. Colaborando com este pensar citamos Callai (2013, p.40) que define a Geografia escolar como sendo: [...] um componente do currículo e seu ensino caracteriza-se pela possibilidade de que os estudantes percebam a singularidade de sua vida e reconheça sua identidade e seu pertencimento em um mundo de que a homogeneidade apresentada pelos processos de globalização trata de tornar tudo igual. Contribuindo com este pensar apontamos a definição de Geografia Escolar defendida por Vlach e Lima (2002, p.44) quando expressam que: A Geografia escolar tem um papel ideológico. Por isso, não cabe a idéia da neutralidade científica; se, de um lado, essa disciplina contribuiu para reprodução da dominação, por outro lado, as práticas educativas demonstraram e demonstram lutas concretas dos educadores dessa área pela melhoria do ensino público. Os aprendizes desta ciência podem correlacionar o processo de ensino-aprendizagem às práticas cotidianas da atualidade, sendo que tal procedimento deve ser construído na interação prática de uma Educação Geográfica. Na atualidade, a Geografia tem apontado à necessidade de mudanças no contexto das frações do sistema educativo, sejam estas no ensino básico ou no ensino superior. Assim, convém assinalar que não somente no ensino de Geografia, mas, em tantas outras áreas de conhecimento, a realidade formativa tem se comportado em algumas instâncias como insuficiente. A ciência geográfica contém (re)construções de paradigmas científicos, porém, os avanços conquistados na Educação Geográfica “[...] se mantêm como prática de ensino em muitas aulas de geografia [...] a permanência no ensino atual da Geografia ‘tradicional’ e o saber por ela transmitido, estruturado na memorização de dados e na descrição de lugares”. (MOURA; ALVES, 2009, p. 314). Este modelo de ensino se materializa em sua essência nos espaços escolares do Brasil. Para entender a definição de Educação Geográfica merece atenção a significação deste termo utilizado por Callai ( 2013, p.92) que a conceitua como sendo: A educação geográfica pode constituir-se no aspecto crítico de como fazer o ensino de Geografia - conteúdo específico de uma matéria de ensino curricular e de uma ciência que se constitui como tal, para compreender a sociedade a partir da analise espacial. 3 Assim, pensar a formação do professor de Geografia tendo em vista que continua em sua maioria, a ser ensinada com os métodos tradicionais que não atendem as demandas atuais da Educação Geográfica. O real contexto educativo contemporâneo requer pensar o processo construtivo que a Geografia perpassa, para o entendimento o contexto sócio-espacial. A formação do professor de Geografia nos últimos anos tem sido uma preocupação constante nas reformulações das diretrizes que norteiam o processo formativo. Os referenciais sobre o tema de formação surgem com a necessidade de um ensino inovador indispensável na Educação geográfica da atualidade e, sobre este aspecto Callai (2013, p.115) aponta: A formação do professor de Geografia deve estar referida a dois momentos: 1)a habilitação formal; 2) a formação num processo. A primeira é restrita à duração do curso de Licenciatura e apresenta as características que vão depender da instituição em que é realizado. A segunda é permanente, decorre do “pensar e teorizar a própria prática” e se insere na integração do terceiro com o primeiro e o segundo graus (atualmente universidade e ensino básico). Tendo em vista que o processo formativo do professor de Geografia apresenta-se de forma fragmentada e, por vezes desconectada (PONTUSCHKA et al., 2007) é necessário apontar que esta formação deve apresentar dinamicidade e outros saberes evitando rupturas como nos propõe Morin (p.04, 2002); “[...] o ensino por disciplina, fragmentado e dividido, impede a capacidade natural que o espírito tem de contextualizar, é essa capacidade que deve ser estimulada e deve ser desenvolvida pelo ensino de ligar as partes ao todo e o todo às partes”. Neste campo de discussão, a Geografia brasileira apresenta na sua conjuntura do ensino uma cisão entre Geografia Física e Humana. Não pretende-se aprofundar esta questão, mas, resaltar que esta ruptura desencadeia problemas na dinâmica do ensino da Educação Geográfica nos espaços acadêmicos ou na educação básica. Estas rupturas são detectadas em nossa ação docente nas elaborações das atividades práticas do componente curricular do estágio, nas dificuldades dos alunos em produzir materiais de ensino sobre os conteúdos da Geografia Escolar, concebendo um ensino desarticulado do empírico e dos aportes conceituais além da cisão da ciência geográfica. Na busca de sanar esta dicotomia ao longo dos últimos dez anos as mudanças curriculares nacionais apontam para uma valorização da ação docente no processo educacional brasileiro. 4 ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: ALTERAÇÕES E ETAPAS NO CURSO DE GEOGRAFIA-CAMEAM.1 Diante das experiências vivenciadas em sala de aula no ensino superior, num período de seis anos e trabalhando com o Estágio Curricular Supervisionado no curso citado foi possível verificar que apesar dos avanços, estes ainda necessitam melhorar por apresentar contradições e empecilhos de ordem institucional e formal quando de sua realização. Por não corresponder em sua totalidade às diretrizes referentes aos Estágios da UERN. Estes são realizados com práticas superadas em relação aos novos direcionamentos propostos para os Estágios do ensino da Geografia Escolar. Para uma maior compreensão dos Estágios Curriculares Supervisionados utilizar-se uma definição conceitual que contempla nosso entendimento deste componente: O estágio como campo de conhecimento e eixo curricular central nos cursos de formação de professores possibilita que sejam trabalhados aspectos indispensáveis à construção da identidade, dos saberes e das posturas específicas ao exercício profissional (PIMENTA; LIMA, 2010, p.61). É esta identidade docente que necessita ser despertada nos cursos de licenciatura, e constatou-se que passa despercebida esta identidade pelos alunos, alertando-se para ela apenas quando se deparam com o Estágio Curricular Supervisionado. Sobre identidade profissional Pimenta e Lima (1999, p. 67) nos apontam que: “Uma identidade profissional se constrói, pois, a partir da significação social da profissão, da revisão constante de significados sociais da profissão, da revisão das tradições”. Cabe não somente aos professores supervisores dos Estágios buscar a valorização do profissional de Geografia, mas também os docentes do curso proporem que esta identidade chegue aos alunos e demais envolvidos no curso de Geografia. A organização deste componente curricular na UERN está fundamenta em resoluções, sendo que as mesmas seguem o que está orientado pelas Diretrizes Nacionais para as licenciaturas. As etapas concernentes ao Estágio Curricular Supervisionado no seio do curso de Geografia do CAMEAM estão descritas no PPC e estas sofreram alterações anteriores a partir 1 Estas alterações ocorreram a partir do ano de 2007 no Curso de Geografia-UERN- CAMEAM quando passou por reformulação em seu PPC e apontou a necessidade de conectar-se as mudanças preconizadas a nível nacional no componente curricular Estágio docente. 5 da mudança curricular necessária para a adequação, consolidação, aprovação e reconhecimento do curso. Aprovado no modelo de licenciatura que abordava o sistema três mais um, em que somente no final do curso o aluno executava o seu Estágio em dois períodos consecutivos nos componentes Práticas de Ensino I e II respectivamente. Na alteração atual do PPC, o aluno estagiário e professores participam da execução de quatro disciplinas que promovem o Estágio Curricular Supervisionado a saber: Orientação Curricular Supervisionado I, II, III e IV. Estas mudanças possibilitam um aumento de horas de atividades e disciplinas no currículo dos cursos de licenciatura plena, a saber: Estágio Curricular Supervisionado (405h), atividades práticas (400h) e atividades complementares (200h). A nova estrutura curricular a ser empregada nos cursos de licenciatura brasileira e no caso da Geografia do CAMEAM, altera as trezentas horas de atividades para o Estágio Curricular Supervisionado. Notadamente, o aumento de horas do componente do estágio possibilita ao aluno estagiário uma maior participação na unidade campo de Estágio. DESENVOLVIMENTO SUPERVISIONADO DAS ATIVIDADES DO ESTÁGIO CURRRICULAR As atividades do Estágio Curricular Supervisionado. A Orientação e Estágio Supervisionado em Geografia (OEG) I e II apresentam as mesmas orientações nas atividades. Estas disciplinas estão remetidas ao ensino básico fundamental em que este componente é desenvolvido do sexto ao nono ano. As OEG II e IV são desenvolvidas no ensino médio. Estas OEG’s apresentam como ponto fundamental em sua execução as atividades de observação e coparticipação em conjunto com os professores supervisores das escolas campo de Estágio. No diagnóstico do campo de estágio é fundamental que o aluno estagiário conheça o universo em que estará inserido, ainda que de modo temporário, regendo a sala de aula. Ao longo desta etapa o estagiário tem a oportunidade de conhecer o campo de estágio, as práticas pedagógicas exercidas pelo professor, o comportamento dos alunos e a relação destes com os profissionais da escola, a dinâmica existente no espaço escolar e os recursos didáticos disponíveis. O diagnóstico do espaço escolar é primordial para o significado das atividades de estágio. 6 Ainda que os alunos estagiários reproduzem apenas uma caracterização da escola. Não há um aprofundamento nas análises das informações colhidas no espaço escolar nos relatórios parciais ou finais do Estágio. Este tem sido uma das problemáticas por entendermos que o aluno estagiário desconhece a dinâmica do espaço escolar onde desenvolve suas atividades. Para além do conhecimento do espaço físico se faz necessário conhecer a estruturação subjetiva do espaço campo de Estágio. As diferenças entre as OGE’s II e IV são pontuais. Nestes componentes o estagiário efetiva sua ação docente em sala de aula na aplicação de conhecimentos da Geografia Escolar. No entanto, é preciso ter claro os objetivos que da prática do Estágio, ainda que a mesma seja temporária, deve-se observar e analisar as problemáticas e potencialidades que circunda este universo. Dentre as etapas indicadas resalta-se a importância das oficinas didáticopedagógicas. Estas oficinas são organizadas na disciplina anterior a sua aplicação. Estas têm como principal objetivo a “elaboração teórica e construção de temáticas e/ou alternativas pedagógicas para os espaços educacionais. (UERN, 2007, p.84). Esta alternativa está remetida ao ensino da Geografia Escolar de modo que, as categorias de análise espacial possam ser apreendidas e propiciem eficácia na construção dos conhecimentos geográficos entre alunos e professores supervisores do Estágio do Ensino Fundamental e Médio. Na preparação destas oficinas são utilizadas diversas linguagens e produzidos materiais que facilitam a construção de conhecimento acima descrito. Ao avaliar estas oficinas entende-se que as mesmas têm sido organizadas enfatizando recursos tecnológicos, no entanto, estas devem romper com este direcionamento buscando alternativas disponíveis que necessariamente não esteja direcionado somente ao viés tecnológico. Ainda que essencial nos dias atuais, nem todos os envoltos no espaço escolar dominam as ferramentas tecnológicas ou estas não estão disponíveis nas escolas campo de Estágio. As orientações em sala de aula servem como suporte para as discussões referentes às dificuldades encontradas e apontam formas que contribuam para superação dos embates. Esta etapa se consolida em debates com referenciais teóricos fundamentais no processo formativo dos alunos estagiários. REFLEXÕES NO CONTEXTO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: CURSO DE GEOGRAFIA-UERN-CAMEAM. 7 As problemáticas do Estágio Curricular Supervisionado de Geografia estão remetidas a um contexto histórico que demanda aprofundamentos e para serem discutidas devem estar baseadas em referenciais que forneçam subsídios para as reflexões a serem discutidas. Nestes termos, fala-se das práticas docentes e das experiências adquiridas ao longo de nossa atuação concernentes ao Estágio Curricular Supervisionado do curso citado. Ao tecer considerações sobre este processo formativo docente, direciona-se atenção para o componente Estágio que evidencia sua fragmentação na grade curricular entre as demais disciplinas dos cursos de licenciatura. Tal processo de esfacelamento se desencadeia nas demais disciplinas do curso. Neste sentido, é oportuno expor algumas problemáticas. Quanto ao número de professores que lecionam as disciplinas de Estágio vale resaltar que, em sua maioria, são professores substitutos que não participam da congregação do curso. Assim, a cada semestre renovam-se os contratos destes profissionais e o que já estava sendo encaminhado para a execução deste componente, acaba em um processo descontínuo pela substituição de outros professores contratados. Este processo de ruptura das atividades dificulta o desenvolvimento de etapas anteriores do Estágio, pois, os professores do curso não detém assimilação com as disciplinas didáticas e reforçando afirma que os mesmos não se identificam com este componente. Contrariamente, não assumem uma postura de um curso de licenciatura plena e neste sentido, o viés bacharelesco assume total configuração, necessitando de uma integração por parte dos professores em assumir sem maiores problemas o Estágio Curricular Supervisionado. Outro ponto que reforça as problemáticas referem-se ao número insuficiente de professores para exercer as demandas necessárias ao curso. Este número totaliza dez professores, e na área de ensino como efetivos do curso apenas um está direcionado para a área formativa mencionada. O curso necessita de no mínimo mais dois professores efetivos nesta área. Uma reivindicação constante por parte dos demais docentes do curso do qual relato estas problemáticas. Um item que reforça a solicitação exposta acima está remetido ao número de ofertas de turmas de Estágio a cada semestre. Após as alterações provenientes da alteração da grade curricular anteriormente adotada pelo curso, o número de turmas de Estágio passou a ser de no mínimo quatro turmas a cada semestre. 8 Cada professor Supervisor de Estágio assume duas OEG, de no mínimo dez e no máximo dozes alunos para acompanhar no processo de Estágio Curricular Supervisionado. Esta medida visa proporcionar que cada professor desenvolva as etapas do Estágio. Estas medidas são amparadas legalmente e acompanhas pelo Fórum Integrado das Licenciaturas (FIEL)2, fórum este que detém a organização administrativa e é responsável pela execução e acompanhamento das etapas e diretrizes que regem o Estágio de licenciatura na UERN. O FIEL tem encontrado desafios e embates onde são discutidos e analisados no contexto da universidade (UERN) resaltando que as decisões tomadas neste Fórum, são legitimadas pela Pró-reitoria de Ensino e Graduação. (PROEG)3. Outros problemas de ordem institucionais e burocráticos podem ser elencados neste rol que ora discute-se. O distanciamento entre Universidade e a Escola, que se configura como um problema em escala macro, em que deveria acontecer uma parceria efetiva, (...) sendo que ocorrem apenas tramites meramente burocrático para a realização do estágio entre as instituições envolvidas. Não existe por parte das escolas campo de Estágio e a Universidade em análise, convênios que interliguem estes espaços de formação e atuação docente. Os somatórios destes problemas deságuam em outros que dificultam a realização plena das atividades do componente curricular Estágio Curricular Supervisionado, entre estes os calendários das escolas campo de Estágio que diferem do calendário acadêmico. Ainda que o número de Escolas Campo de Estágio para o curso de GeografiaCAMEAM são insuficientes para atender a demanda de alunos estagiários que necessitam exercer as atividades num mesmo período. Este tem sido um problema que atinge grande parte dos alunos estagiários dos cursos da referida unidade acadêmica e enfraquece as realizações das atividades deste componente. Como saída para vencer este obstáculo os cursos de licenciatura do Campus em análise em 2007, elaborou os Polos de Estágio do CAMEAM. Deste mesmo modo, os alunos matriculados no componente do Estágio podem exercer as atividades nas cidades sedes destes polos. Atualmente o FIEL acompanha semestralmente o Plano e o Relatório de Atividades do Estágio elaborado por cada Coordenador de Estágio de Curso da UERN. 2 Resolução N.º 56/2013 – CONSEPE. Regulamenta o Fórum Integrado de Ensino das Licenciaturas – FIEL na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 11 de dezembro de 2013. 3 A PROEG é responsável também pela emissão dos contratos de apólices de seguro destinados aos alunos estagiários a cada semestre. 9 Outro problema está remetido ao número insuficiente de transportes disponíveis no CAMEAM para que os professores possam acompanhar o desenvolvimento das atividades de Estágio de seus respectivos alunos estagiários. Torna-se humanamente e estruturalmente impossível acompanhar todos os alunos estagiários no componente curricular Estágio em face deste empecilho. Este problema foge ao domínio da própria Universidade, pois, a frota disponível é insuficiente para atender a demanda de todos os cursos. Finalizando e não discorrendo em todas as problemáticas referentes a este componente curricular, abordar-se o fato de que o curso de Geografia, na área de ensino, encontra fragilidades na bibliografia disponível para consulta aos alunos na biblioteca do Campus. O acervo é insuficiente para atender as discussões provenientes para este componente curricular. Ainda neste contexto temos o agravante da política de aquisição de novos exemplares para as bibliotecas encontrar dificuldades na burocracia, impossibilitando o acesso dos alunos a produção científica na área do ensino em Geografia. Os resultados de todos estes percalços aparecem nos Trabalhos finais ou parciais de Conclusão de Estágio (TCE’s). Sobre estes documentos consideramos que a metodologia adotada para a elaboração dos mesmos ainda estão atreladas as diretrizes anteriores. São documentos que pouco refletem a dinâmica produzida no interior da Universidade e das Escolas Campo de Estágio. Necessita assim, rever práticas que configuram e caracterizam o TCE, refazer caminhos que apontem melhorias e as potencialidades dos Estágios. Mesmo assim é oportuno dizer que este componente curricular apresenta resultados positivos. No entanto, neste momento não é possível adentrar e aprofundar outros questionamentos que envolvem a cadeia formativa do Estágio. Contudo, em outra oportunidade de discussão e análise pode-se apresentar outros resultados sobre o Estágio Curricular Supervisionado no referido curso. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do que foi exposto é necessário uma autoavaliação das ações dos alunos estagiários e dos profissionais docentes evolvidos no Estágio que buscam exercer um trabalho condizente com a dinâmica formativa. Diante das problemáticas acima descritas faz-se necessário, rever as práticas trabalhadas, e como pensadas e executadas pelos profissionais. Este é um exercício de esforço profissional que demanda confrontar o que vemos dentro e o 10 que produzimos para fora do contexto profissional. Nem sempre estamos abertos ao diálogo como uma constante aprendizagem, o que implica falha de nossas práticas docentes. Ao acompanhar turmas de alunos estagiários desde o ano de 2007 com colegas do curso, alunos estagiários, professores supervisores das escolas campo de Estágio, compartilham-se percalços e conquistas deste componente. A necessidade de melhorias e adequação as diretrizes que norteiam o Estágio. Por vezes, as contradições existentes servem como ferramentas para autoavaliação de nossas práticas e isso tem sido discutido em conjunto com os envolvidos neste processo de formação docente. Espera-se a superação de uma prática distorcida para uma ação conjunta consolidada entre universidade, curso, escolas, professores e alunos estagiários. Necessita coerência para efetivar uma prática que consolide o processo de ensinoaprendizagem ampliando o estágio para além de um componente curricular puramente obrigatório e formal. Para esta consolidação faz-se necessário que o futuro docente seja inserido de forma efetiva neste processo através do ensino voltado para a valorização da profissão docente da Geografia. Necessita que as escolas campo de estágio entendam que esta etapa formativa possibilita a inserção e integração dos futuros docentes no contexto da Educação Geográfica. Entende-se que este processo de mudanças é gradual e depende de outros contextos que ora não estão expostos, mas estão remetidas as mudanças políticas e econômicas que regem as estruturas da educação brasileira. Percebe-se ainda que o Estágio Curricular Supervisionado não tem importância como as demais disciplinas dos cursos de licenciatura. Dessa forma, este componente curricular necessita ser institucionalmente pensado e executado como uma das práticas formativas que integra as disciplinas dos cursos de licenciatura. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP Nº 1, de 18 de Fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Diário Oficial da União, Brasilia, DF, 2002. Disponível em<http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/res1_2.pdf >Acesso em: 05 abr. 2014. BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Resolução Cne/Cp 2, de 19 de Fevereiro de 2002. .Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação 11 Básica em nível superior. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 4 mar. 2002. 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