EXPERIÊNCIA DOCENTE NO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO EM
GEOGRAFIA
Luiz Eduardo do Nascimento Neto
Doutorando do PPGG - UFPB.
[email protected]
Antônio Carlos Pinheiro
Professor do PPGG - UFPB.
[email protected]
Djanní Martinho dos Santos Sobrinho
Mestrando do PPGG- UFPB.
[email protected]
RESUMO
Este trabalho incide em reflexões produzidas no Estágio Curricular Supervisionado em Geografia no
Curso da UERN- Campus Avançado Professora Maria Elisa Albuquerque Maia - CAMEAM na
cidade de Pau dos Ferros/RN. No seio das reflexões produzidas estão às análises referentes ao
contexto do Estágio Curricular Supervisionado de como este se encontra estruturado e realizado no
espaço anteriormente citado. Pesquisou-se os subsídios que concretizam as ações do Estágio, tecendo
considerações em seus componentes curriculares. Nos cursos de licenciatura e no caso da Geografia,
as mudanças provenientes das Diretrizes Curriculares Nacionais que propõem mudanças significativas
ao que diz respeito à estruturação curricular e, por conseguinte, a elaboração e execução dos estágios
em Geografia. Tais alterações no processo curricular favoreceu no curso em discussão, uma
remodelação do Estágio, almejando uma nova aplicação para este componente ao que concerne a
prática formativa proposta pelo curso. Analisar o processo de desenvolvimento do Estágio Curricular
Supervisionado adotado pelo curso e que se considera preliminarmente como insuficiente para a
construção do processo prático-teórico e formativo dos alunos estagiários. A metodologia utilizada
consistiu em entrevistas e relatos de experiências de alunos e professores do CAMEAM. São
inúmeras problemáticas que se apresentam na construção da estrutura curricular do componente do
Estágio e este não consegue ser desenvolvido a contento conforme preconiza o Projeto Pedagógico
Curricular (PPC) do curso. Diante destas considerações preliminares faz-se necessário autoavaliações
no processo formativo dos Estágios. Portanto o objetivo deste trabalho é analisar as experiências de
ensino e aprendizagem dos estagiários do curso de Geografia ao desenvolver os estágios nas escolas
estes apontam, uma distorção nos elementos práticos e teóricos e a necessidade de mudanças que
possibilitem significado e valorização do Estágio Curricular Supervisionado.
Palavras-chave: Estágio Curricular Supervisionado. Educação Geográfica. Geografia.
INTRODUÇÃO
A Educação Geográfica necessita estar ancorada na construção de uma reflexão
voltada para os alunos, professores e num contexto mais amplo, para o universo escolar.
Registro-se em nossa prática docente, constantes embates que almejam uma renovação desta
educação revelando a necessidade de refletir sobre nossas práticas e os reais objetivos que
1
devemos proporcionar aos nossos alunos para a construção de um Ensino Geográfico
correspondente às diretrizes curriculares propostas para a Geografia brasileira.
Este trabalho propõe analisar e refletir sobre os direcionamentos que cercam o Estágio
Supervisionado no Ensino de Geografia e de forma mais ampla o contexto que circunda as
ações propostas por este componente curricular.
As análises concernentes incidem no Estágio Curricular Supervisionado do curso de
Geografia localizado em Pau dos Ferros-RN, da Universidade Estadual do Rio Grande do
Norte- UERN. Para além das discussões nossas considerações baseiam-se também nas
experiências vivenciadas ao longo de nossa atuação docente. Neste trabalho, analisar as etapas
dos Estágios, verificando a concretização das ações deste componente curricular e em
especial, como este é direcionado para os alunos e professores na cadeia formativa do ensino
de Geografia do referido espaço citado. Assim, ao elenca-se os desdobramentos concernentes
ao Estágio Curricular Supervisionado como base para nossas análises. A pesquisa enfatizou a
mudança estrutural e curricular do curso anteriormente mencionado.
Para a construção deste trabalho foi necessário ancorar as discussões e análises, em um
referencial teórico: Callai (2013), Cavalcanti (1998), Moreira (2007), Pimenta (2008),
Pontuschka (2007) dentre outros que sustenta os subsídios elencados, proporcionando um
olhar em direção as práticas docentes e autoavaliações.
O objetivo primordial neste trabalho é analisar o desenvolvimento dos Estágios
Curriculares Supervisionados, propondo reflexões neste componente curricular, sobre as
experiências da prática de ensino e as desenvolvidas pelos estagiários do curso de Geografia
da UERN no CAMEAM.
Neste contexto, analisar-se o processo de ensino e aprendizagem abordando o curso de
Geografia anteriormente citado, enfatizando êxitos, fracassos e propondo assim, críticas e
medidas construtivas para este componente curricular.
APORTE CONCEITUAL
Sobre a Geografia escolar entende-se que esta tem como tem como papel proporcionar
aos alunos a capacidade de entender, decodificar e interagir enfim, reconstruir ideias e
posicionamentos da realidade socioespacial que o cerca possibilitando, rever conceitos e
2
práticas. Colaborando com este pensar citamos Callai (2013, p.40) que define a Geografia
escolar como sendo:
[...] um componente do currículo e seu ensino caracteriza-se pela
possibilidade de que os estudantes percebam a singularidade de sua vida e
reconheça sua identidade e seu pertencimento em um mundo de que a
homogeneidade apresentada pelos processos de globalização trata de tornar
tudo igual.
Contribuindo com este pensar apontamos a definição de Geografia Escolar defendida
por Vlach e Lima (2002, p.44) quando expressam que:
A Geografia escolar tem um papel ideológico. Por isso, não cabe a idéia da
neutralidade científica; se, de um lado, essa disciplina contribuiu para
reprodução da dominação, por outro lado, as práticas educativas
demonstraram e demonstram lutas concretas dos educadores dessa área pela
melhoria do ensino público.
Os aprendizes desta ciência podem correlacionar o processo de ensino-aprendizagem
às práticas cotidianas da atualidade, sendo que tal procedimento deve ser construído na
interação prática de uma Educação Geográfica.
Na atualidade, a Geografia tem apontado à necessidade de mudanças no contexto das
frações do sistema educativo, sejam estas no ensino básico ou no ensino superior. Assim,
convém assinalar que não somente no ensino de Geografia, mas, em tantas outras áreas de
conhecimento, a realidade formativa tem se comportado em algumas instâncias como
insuficiente.
A ciência geográfica contém (re)construções de paradigmas científicos, porém, os
avanços conquistados na Educação Geográfica “[...] se mantêm como prática de ensino em
muitas aulas de geografia [...] a permanência no ensino atual da Geografia ‘tradicional’ e o
saber por ela transmitido, estruturado na memorização de dados e na descrição de lugares”.
(MOURA; ALVES, 2009, p. 314). Este modelo de ensino se materializa em sua essência nos
espaços escolares do Brasil.
Para entender a definição de Educação Geográfica merece atenção a significação
deste termo utilizado por Callai ( 2013, p.92) que a conceitua como sendo:
A educação geográfica pode constituir-se no aspecto crítico de como fazer o
ensino de Geografia - conteúdo específico de uma matéria de ensino
curricular e de uma ciência que se constitui como tal, para compreender a
sociedade a partir da analise espacial.
3
Assim, pensar a formação do professor de Geografia tendo em vista que continua em
sua maioria, a ser ensinada com os métodos tradicionais que não atendem as demandas atuais
da Educação Geográfica. O real contexto educativo contemporâneo requer pensar o processo
construtivo que a Geografia perpassa, para o entendimento o contexto sócio-espacial.
A formação do professor de Geografia nos últimos anos tem sido uma preocupação
constante nas reformulações das diretrizes que norteiam o processo formativo. Os referenciais
sobre o tema de formação surgem com a necessidade de um ensino inovador indispensável na
Educação geográfica da atualidade e, sobre este aspecto Callai (2013, p.115) aponta:
A formação do professor de Geografia deve estar referida a dois momentos:
1)a habilitação formal; 2) a formação num processo. A primeira é restrita à
duração do curso de Licenciatura e apresenta as características que vão
depender da instituição em que é realizado. A segunda é permanente, decorre
do “pensar e teorizar a própria prática” e se insere na integração do terceiro
com o primeiro e o segundo graus (atualmente universidade e ensino básico).
Tendo em vista que o processo formativo do professor de Geografia apresenta-se de
forma fragmentada e, por vezes desconectada (PONTUSCHKA et al., 2007) é necessário
apontar que esta formação deve apresentar dinamicidade e outros saberes evitando rupturas
como nos propõe Morin (p.04, 2002); “[...] o ensino por disciplina, fragmentado e dividido,
impede a capacidade natural que o espírito tem de contextualizar, é essa capacidade que deve
ser estimulada e deve ser desenvolvida pelo ensino de ligar as partes ao todo e o todo às
partes”.
Neste campo de discussão, a Geografia brasileira apresenta na sua conjuntura do
ensino uma cisão entre Geografia Física e Humana. Não pretende-se aprofundar esta questão,
mas, resaltar que esta ruptura desencadeia problemas na dinâmica do ensino da Educação
Geográfica nos espaços acadêmicos ou na educação básica.
Estas rupturas são detectadas em nossa ação docente nas elaborações das atividades
práticas do componente curricular do estágio, nas dificuldades dos alunos em produzir
materiais de ensino sobre os conteúdos da Geografia Escolar, concebendo um ensino
desarticulado do empírico e dos aportes conceituais além da cisão da ciência geográfica.
Na busca de sanar esta dicotomia ao longo dos últimos dez anos as mudanças
curriculares nacionais apontam para uma valorização da ação docente no processo
educacional brasileiro.
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ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO: ALTERAÇÕES E ETAPAS NO
CURSO DE GEOGRAFIA-CAMEAM.1
Diante das experiências vivenciadas em sala de aula no ensino superior, num período
de seis anos e trabalhando com o Estágio Curricular Supervisionado no curso citado foi
possível verificar que apesar dos avanços, estes ainda necessitam melhorar por apresentar
contradições e empecilhos de ordem institucional e formal quando de sua realização. Por não
corresponder em sua totalidade às diretrizes referentes aos Estágios da UERN. Estes são
realizados com práticas superadas em relação aos novos direcionamentos propostos para os
Estágios do ensino da Geografia Escolar.
Para uma maior compreensão dos Estágios Curriculares Supervisionados utilizar-se
uma definição conceitual que contempla nosso entendimento deste componente:
O estágio como campo de conhecimento e eixo curricular central nos cursos
de formação de professores possibilita que sejam trabalhados aspectos
indispensáveis à construção da identidade, dos saberes e das posturas
específicas ao exercício profissional (PIMENTA; LIMA, 2010, p.61).
É esta identidade docente que necessita ser despertada nos cursos de licenciatura, e
constatou-se que passa despercebida esta identidade pelos alunos, alertando-se para ela apenas
quando se deparam com o Estágio Curricular Supervisionado. Sobre identidade profissional
Pimenta e Lima (1999, p. 67) nos apontam que: “Uma identidade profissional se constrói,
pois, a partir da significação social da profissão, da revisão constante de significados sociais
da profissão, da revisão das tradições”.
Cabe não somente aos professores supervisores dos Estágios buscar a valorização do
profissional de Geografia, mas também os docentes do curso proporem que esta identidade
chegue aos alunos e demais envolvidos no curso de Geografia.
A organização deste componente curricular na UERN está fundamenta em resoluções,
sendo que as mesmas seguem o que está orientado pelas Diretrizes Nacionais para as
licenciaturas.
As etapas concernentes ao Estágio Curricular Supervisionado no seio do curso de
Geografia do CAMEAM estão descritas no PPC e estas sofreram alterações anteriores a partir
1
Estas alterações ocorreram a partir do ano de 2007 no Curso de Geografia-UERN- CAMEAM quando passou
por reformulação em seu PPC e apontou a necessidade de conectar-se as mudanças preconizadas a nível nacional
no componente curricular Estágio docente.
5
da mudança curricular necessária para a adequação, consolidação, aprovação e
reconhecimento do curso. Aprovado no modelo de licenciatura que abordava o sistema três
mais um, em que somente no final do curso o aluno executava o seu Estágio em dois períodos
consecutivos nos componentes Práticas de Ensino I e II respectivamente. Na alteração atual
do PPC, o aluno estagiário e professores participam da execução de quatro disciplinas que
promovem
o
Estágio
Curricular
Supervisionado
a
saber:
Orientação
Curricular
Supervisionado I, II, III e IV. Estas mudanças possibilitam um aumento de horas de
atividades e disciplinas no currículo dos cursos de licenciatura plena, a saber: Estágio
Curricular Supervisionado (405h), atividades práticas (400h) e atividades complementares
(200h).
A nova estrutura curricular a ser empregada nos cursos de licenciatura brasileira e no
caso da Geografia do CAMEAM, altera as trezentas horas de atividades para o Estágio
Curricular Supervisionado. Notadamente, o aumento de horas do componente do estágio
possibilita ao aluno estagiário uma maior participação na unidade campo de Estágio.
DESENVOLVIMENTO
SUPERVISIONADO
DAS
ATIVIDADES
DO
ESTÁGIO
CURRRICULAR
As atividades do Estágio Curricular Supervisionado. A Orientação e Estágio
Supervisionado em Geografia (OEG) I e II apresentam as mesmas orientações nas atividades.
Estas disciplinas estão remetidas ao ensino básico fundamental em que este componente é
desenvolvido do sexto ao nono ano. As OEG II e IV são desenvolvidas no ensino médio.
Estas OEG’s apresentam como ponto fundamental em sua execução as atividades de
observação e coparticipação em conjunto com os professores supervisores das escolas campo
de Estágio.
No diagnóstico do campo de estágio é fundamental que o aluno estagiário conheça o
universo em que estará inserido, ainda que de modo temporário, regendo a sala de aula. Ao
longo desta etapa o estagiário tem a oportunidade de conhecer o campo de estágio, as práticas
pedagógicas exercidas pelo professor, o comportamento dos alunos e a relação destes com os
profissionais da escola, a dinâmica existente no espaço escolar e os recursos didáticos
disponíveis. O diagnóstico do espaço escolar é primordial para o significado das atividades de
estágio.
6
Ainda que os alunos estagiários reproduzem apenas uma caracterização da escola. Não
há um aprofundamento nas análises das informações colhidas no espaço escolar nos relatórios
parciais ou finais do Estágio. Este tem sido uma das problemáticas por entendermos que o
aluno estagiário desconhece a dinâmica do espaço escolar onde desenvolve suas atividades.
Para além do conhecimento do espaço físico se faz necessário conhecer a estruturação
subjetiva do espaço campo de Estágio.
As diferenças entre as OGE’s II e IV são pontuais. Nestes componentes o estagiário
efetiva sua ação docente em sala de aula na aplicação de conhecimentos da Geografia Escolar.
No entanto, é preciso ter claro os objetivos que da prática do Estágio, ainda que a mesma seja
temporária, deve-se observar e analisar as problemáticas e potencialidades que circunda este
universo.
Dentre as etapas indicadas resalta-se a importância das oficinas didáticopedagógicas. Estas oficinas são organizadas na disciplina anterior a sua aplicação. Estas têm
como principal objetivo a “elaboração teórica e construção de temáticas e/ou alternativas
pedagógicas para os espaços educacionais. (UERN, 2007, p.84).
Esta alternativa está remetida ao ensino da Geografia Escolar de modo que, as
categorias de análise espacial possam ser apreendidas e propiciem eficácia na construção dos
conhecimentos geográficos entre alunos e professores supervisores do Estágio do Ensino
Fundamental e Médio. Na preparação destas oficinas são utilizadas diversas linguagens e
produzidos materiais que facilitam a construção de conhecimento acima descrito.
Ao avaliar estas oficinas entende-se que as mesmas têm sido organizadas enfatizando
recursos tecnológicos, no entanto, estas devem romper com este direcionamento buscando
alternativas disponíveis que necessariamente não esteja direcionado somente ao viés
tecnológico. Ainda que essencial nos dias atuais, nem todos os envoltos no espaço escolar
dominam as ferramentas tecnológicas ou estas não estão disponíveis nas escolas campo de
Estágio.
As orientações em sala de aula servem como suporte para as discussões referentes às
dificuldades encontradas e apontam formas que contribuam para superação dos embates. Esta
etapa se consolida em debates com referenciais teóricos fundamentais no processo formativo
dos alunos estagiários.
REFLEXÕES NO CONTEXTO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO:
CURSO DE GEOGRAFIA-UERN-CAMEAM.
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As problemáticas do Estágio Curricular Supervisionado de Geografia estão remetidas
a um contexto histórico que demanda aprofundamentos e para serem discutidas devem estar
baseadas em referenciais que forneçam subsídios para as reflexões a serem discutidas.
Nestes termos, fala-se das práticas docentes e das experiências adquiridas ao longo
de nossa atuação concernentes ao Estágio Curricular Supervisionado do curso citado. Ao tecer
considerações sobre este processo formativo docente, direciona-se atenção para o componente
Estágio que evidencia sua fragmentação na grade curricular entre as demais disciplinas dos
cursos de licenciatura. Tal processo de esfacelamento se desencadeia nas demais disciplinas
do curso. Neste sentido, é oportuno expor algumas problemáticas.
Quanto ao número de professores que lecionam as disciplinas de Estágio vale resaltar
que, em sua maioria, são professores substitutos que não participam da congregação do curso.
Assim, a cada semestre renovam-se os contratos destes profissionais e o que já estava sendo
encaminhado para a execução deste componente, acaba em um processo descontínuo pela
substituição de outros professores contratados.
Este processo de ruptura das atividades dificulta o desenvolvimento de etapas
anteriores do Estágio, pois, os professores do curso não detém assimilação com as disciplinas
didáticas e reforçando afirma que os mesmos não se identificam com este componente.
Contrariamente, não assumem uma postura de um curso de licenciatura plena e neste sentido,
o viés bacharelesco assume total configuração, necessitando de uma integração por parte dos
professores em assumir sem maiores problemas o Estágio Curricular Supervisionado.
Outro ponto que reforça as problemáticas referem-se ao número insuficiente de
professores para exercer as demandas necessárias ao curso. Este número totaliza dez
professores, e na área de ensino como efetivos do curso apenas um está direcionado para a
área formativa mencionada. O curso necessita de no mínimo mais dois professores efetivos
nesta área. Uma reivindicação constante por parte dos demais docentes do curso do qual relato
estas problemáticas.
Um item que reforça a solicitação exposta acima está remetido ao número de ofertas
de turmas de Estágio a cada semestre. Após as alterações provenientes da alteração da grade
curricular anteriormente adotada pelo curso, o número de turmas de Estágio passou a ser de
no mínimo quatro turmas a cada semestre.
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Cada professor Supervisor de Estágio assume duas OEG, de no mínimo dez e no
máximo dozes alunos para acompanhar no processo de Estágio Curricular Supervisionado.
Esta medida visa proporcionar que cada professor desenvolva as etapas do Estágio.
Estas medidas são amparadas legalmente e acompanhas pelo Fórum Integrado das
Licenciaturas (FIEL)2, fórum este que detém a organização administrativa e é responsável
pela execução e acompanhamento das etapas e diretrizes que regem o Estágio de licenciatura
na UERN. O FIEL tem encontrado desafios e embates onde são discutidos e analisados no
contexto da universidade (UERN) resaltando que as decisões tomadas neste Fórum, são
legitimadas pela Pró-reitoria de Ensino e Graduação. (PROEG)3.
Outros problemas de ordem institucionais e burocráticos podem ser elencados neste
rol que ora discute-se. O distanciamento entre Universidade e a Escola, que se configura
como um problema em escala macro, em que deveria acontecer uma parceria efetiva, (...)
sendo que ocorrem apenas tramites meramente burocrático para a realização do estágio entre
as instituições envolvidas. Não existe por parte das escolas campo de Estágio e a
Universidade em análise, convênios que interliguem estes espaços de formação e atuação
docente.
Os somatórios destes problemas deságuam em outros que dificultam a realização plena
das atividades do componente curricular Estágio Curricular Supervisionado, entre estes os
calendários das escolas campo de Estágio que diferem do calendário acadêmico.
Ainda que o número de Escolas Campo de Estágio para o curso de GeografiaCAMEAM são insuficientes para atender a demanda de alunos estagiários que necessitam
exercer as atividades num mesmo período. Este tem sido um problema que atinge grande
parte dos alunos estagiários dos cursos da referida unidade acadêmica e enfraquece as
realizações das atividades deste componente.
Como saída para vencer este obstáculo os cursos de licenciatura do Campus em
análise em 2007, elaborou os Polos de Estágio do CAMEAM. Deste mesmo modo, os alunos
matriculados no componente do Estágio podem exercer as atividades nas cidades sedes destes
polos. Atualmente o FIEL acompanha semestralmente o Plano e o Relatório de Atividades do
Estágio elaborado por cada Coordenador de Estágio de Curso da UERN.
2
Resolução N.º 56/2013 – CONSEPE. Regulamenta o Fórum Integrado de Ensino das Licenciaturas – FIEL na
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 11 de dezembro de 2013.
3
A PROEG é responsável também pela emissão dos contratos de apólices de seguro destinados aos alunos
estagiários a cada semestre.
9
Outro problema está remetido ao número insuficiente de transportes disponíveis no
CAMEAM para que os professores possam acompanhar o desenvolvimento das atividades de
Estágio de seus respectivos alunos estagiários. Torna-se humanamente e estruturalmente
impossível acompanhar todos os alunos estagiários no componente curricular Estágio em face
deste empecilho. Este problema foge ao domínio da própria Universidade, pois, a frota
disponível é insuficiente para atender a demanda de todos os cursos.
Finalizando e não discorrendo em todas as problemáticas referentes a este componente
curricular, abordar-se o fato de que o curso de Geografia, na área de ensino, encontra
fragilidades na bibliografia disponível para consulta aos alunos na biblioteca do Campus. O
acervo é insuficiente para atender as discussões provenientes para este componente curricular.
Ainda neste contexto temos o agravante da política de aquisição de novos exemplares para as
bibliotecas encontrar dificuldades na burocracia, impossibilitando o acesso dos alunos a
produção científica na área do ensino em Geografia.
Os resultados de todos estes percalços aparecem nos Trabalhos finais ou parciais de
Conclusão de Estágio (TCE’s). Sobre estes documentos consideramos que a metodologia
adotada para a elaboração dos mesmos ainda estão atreladas as diretrizes anteriores. São
documentos que pouco refletem a dinâmica produzida no interior da Universidade e das
Escolas Campo de Estágio. Necessita assim, rever práticas que configuram e caracterizam o
TCE, refazer caminhos que apontem melhorias e as potencialidades dos Estágios.
Mesmo assim é oportuno dizer que este componente curricular apresenta resultados
positivos. No entanto, neste momento não é possível adentrar e aprofundar outros
questionamentos que envolvem a cadeia formativa do Estágio.
Contudo, em outra
oportunidade de discussão e análise pode-se apresentar outros resultados sobre o Estágio
Curricular Supervisionado no referido curso.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do que foi exposto é necessário uma autoavaliação das ações dos alunos
estagiários e dos profissionais docentes evolvidos no Estágio que buscam exercer um trabalho
condizente com a dinâmica formativa. Diante das problemáticas acima descritas faz-se
necessário, rever as práticas trabalhadas, e como pensadas e executadas pelos profissionais.
Este é um exercício de esforço profissional que demanda confrontar o que vemos dentro e o
10
que produzimos para fora do contexto profissional. Nem sempre estamos abertos ao diálogo
como uma constante aprendizagem, o que implica falha de nossas práticas docentes.
Ao acompanhar turmas de alunos estagiários desde o ano de 2007 com colegas do
curso, alunos estagiários, professores supervisores das escolas campo de Estágio,
compartilham-se percalços e conquistas deste componente.
A necessidade de melhorias e adequação as diretrizes que norteiam o Estágio. Por
vezes, as contradições existentes servem como ferramentas para autoavaliação de nossas
práticas e isso tem sido discutido em conjunto com os envolvidos neste processo de formação
docente. Espera-se a superação de uma prática distorcida para uma ação conjunta consolidada
entre universidade, curso, escolas, professores e alunos estagiários.
Necessita coerência para efetivar uma prática que consolide o processo de ensinoaprendizagem ampliando o estágio para além de um componente curricular puramente
obrigatório e formal.
Para esta consolidação faz-se necessário que o futuro docente seja inserido de forma
efetiva neste processo através do ensino voltado para a valorização da profissão docente da
Geografia. Necessita que as escolas campo de estágio entendam que esta etapa formativa
possibilita a inserção e integração dos futuros docentes no contexto da Educação Geográfica.
Entende-se que este processo de mudanças é gradual e depende de outros contextos
que ora não estão expostos, mas estão remetidas as mudanças políticas e econômicas que
regem as estruturas da educação brasileira.
Percebe-se ainda que o Estágio Curricular Supervisionado não tem importância como
as demais disciplinas dos cursos de licenciatura. Dessa forma, este componente curricular
necessita ser institucionalmente pensado e executado como uma das práticas formativas que
integra as disciplinas dos cursos de licenciatura.
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11
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13
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