INSTITUTO DE CIÊNCIAS DE SAÚDE
FUNORTE / SOEBRÁS
ESTUDO DA AGRADABILIDADE FACIAL PARA A POPULAÇÃO DO NORDESTE
BRASILEIRO
EVALUATION FACIAL ATRACTTIVENESS TO THE NORTHEAST BRAZILIAN
PEOPLE
MARIANA CLÁUDIA ALMEIDA DIAS
Feira de Santana
2014
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DE SAÚDE
FUNORTE / SOEBRÁS
ESTUDO DA AGRADABILIDADE FACIAL PARA A POPULAÇÃO DO NORDESTE
BRASILEIRO
EVALUATION FACIAL ATRACTTIVENESS TO THE NORTHEAST BRAZILIAN
PEOPLE
MARIANA CLÁUDIA ALMEIDA DIAS
Monografia apresentada ao Programa de
Especialização em Ortodontia do ICS –
FUNORTE/SOEBRÁS NÚCLEO FEIRA DE
SANTANA, como parte dos requisitos para
obtenção do titulo de Especialista.
ORIENTADOR: Prof. Dr. Alexandre Medeiros Viera
Feira de Santana
2014
DEDICATÓRIA
Aos meus pais, Benedito e Lúcia, exemplos de amor, caráter, união e determinação que
norteiam a minha vida. E as minhas irmãs, Daniela e Vanessa, por estarem sempre ao meu lado,
oferecendo apoio e amor incondicional.
AGRADECIMENTO
Primeiramente a Deus, pela vida, saúde e constante presença, guiando meus passos e
me permitindo chegar até aqui.
Aos meus pais, irmãs e familiares, minha fortaleza, minha base de amor e respeito.
Aos professores do curso de especialização em Ortodontia da FUNORTE, Núcleo de
Feira de Santana, Dieter Kuehnitzsch, Carolina Calabrich, Amine Senhorinho, Evência Teles,
Tiago, por transmitirem seus conhecimentos e experiências profissionais com tanta dedicação
e atenção.
Aos colegas e amigos da especialização que tornaram cada dia de curso um dia especial,
pelos bons momentos de aprendizado e descontração que passamos juntos nesses três anos.
A amiga Samanta Parreira que me impulsionou desde o início nesta cada vez mais
amada área da ortodontia.
Aos pacientes, pela confiança, por cada elogio e carinho demonstrado, por vocês tento
ser melhor a cada dia.
A equipe de funcionários do Instituto de Formação e Aperfeiçoamento Profissional
(IFAP), sempre prontos a solucionar problemas e pela atenção em todos os momentos.
SUMÁRIO
LISTA DE GRÁFICOS.............................................................................................................05
RESUMO..................................................................................................................................06
ABSTRACT..............................................................................................................................07
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................08
2 REVISÃO DE LITERATURA............................................................................................10
2.1 O CONCEITO DE BELEZA E HARMONIA FACIAL......................................................10
2.2 ANÁLISE FACIAL SUBJETIVA.......................................................................................13
3 OBJETIVOS........................................................................................................................20
4 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................................21
5 RESULTADOS....................................................................................................................23
6 DISCUSSÃO.......................................................................................................................28
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................................33
REFERÊNCIAS........................................................................................................................34
ANEXOS..................................................................................................................................37
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 01- Avaliação da agradabilidade do perfil facial pelo Grupo Leigos..........................23
Gráfico 02 - Avaliação da agradabilidade do perfil facial pelo Grupo Ortodontistas..............23
Gráfico 03 - Avaliação da agradabilidade do perfil facial pelo Grupo Bucomaxilofaciais......23
Gráfico 04 - Avaliação da agradabilidade do perfil facial pelo Grupo Cirurgiões Plásticos....23
Gráfico 05- Avaliação geral da agradabilidade do perfil facial................................................24
Gráfico 06- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Ortodontistas.....................24
Gráfico 07- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Leigos................................25
Gráfico 08- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Bucomaxilo.......................26
Gráfico 09- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Cirurgiões Plásticos...........26
Gráfico 10- Estruturas apontadas como responsáveis por cada nota atribuída às imagens......27
RESUMO
A beleza e a estética facial desempenham um importante papel na sociedade, e cada vez
mais se discute sobre o que seria agradável e belo, já que a percepção de beleza é uma
preferência individual com viés cultural. Quando a análise facial subjetiva, ao avaliar a
agradabilidade estética, é aliada à análise cefalométrica de tecidos moles, pode acrescentar
muito ao diagnóstico e ao planejamento ortodôntico, já que a configuração facial do paciente é
respeitada. Deve-se flexibilizar os conceitos sobre harmonia facial, priorizando a queixa do
paciente, com o intuito de obter os melhores resultados possíveis, alcançando a estética aliada
a um correto posicionamento dentário. Esta pesquisa propõe-se a relacionar a agradabilidade
entre os diferentes tipos faciais sob apreciação de cinco ortodontistas, cinco cirurgiões
bucomaxilofaciais, cinco cirurgiões plásticos e cinco leigos. Foram selecionados seis pacientes,
três do gênero feminino e três do gênero masculino, com idades entre 18 e 27 anos, pertencentes
ao curso de especialização em ortodontia da FUNORTE – Núcleo de Feira de Santana, Bahia.
Os indivíduos foram fotografados em norma lateral e as imagens obtidas trabalhadas
digitalmente, sendo que o contorno dos perfis faciais foram modificados no sentido sagital, a
fim de obter diferentes tipos faciais. Foram totalizadas 36 imagens para a avaliação neste
estudo, os avaliadores atribuíram notas para classificá-las em esteticamente agradável,
esteticamente aceitável e esteticamente desagradável. 45% foram classificadas como
esteticamente desagradáveis, 39,3% aceitáveis e 15,7% agradáveis. Os resultados apontaram o
perfil equilibrado como o mais atraente para ambos os gêneros. Os cirurgiões plásticos foram
o grupo mais crítico, o de bucomaxilos o menos rigoroso e detectou-se uma distribuição menos
discrepante entre os grupos de ortodontistas e leigos. Observou-se também maior aceitação
pelos perfis em que havia projeção maxilar ou biprotrusão em detrimento dos perfis com
projeção mandibular e que, a mandibula, maxila, lábios, nariz e mento são os principais
responsáveis na avaliação da agradabilidade do perfil facial.
Palavras-chave: Agradabilidade facial, estética, ortodontia.
ABSTRACT
The beauty and facial aesthetics represent an important role in society, and increasingly
discussing about what would be nice and beautiful, since the perception of beauty is an
individual preference with cultural influence. When the subjective facial analysis, to evaluation
the aesthetic pleasantness, is combined with soft tissue cephalometric analysis, can add much
to the diagnosis and orthodontic planning, since the facial configuration of the patient is
respected. It should be flexible concepts about facial harmony, prioritizing the patient's
complaint, in order to get the best possible results, increasing the aesthetic combined with a
correct tooth positioning. This research proposes to relate the attractiveness between different
facial types in the perception of five orthodontists, five maxillofacial surgeons, five plastic
surgeons and five lay people. Six patients, three female and three males were selected, aged
between 18 and 27, belonging to the specialization in Orthodontics Funorte - Center of Feira de
Santana, Bahia. The subjects were photographed in lateral view and the images digitally
worked, and the contour of facial profiles were modified in the sagittal direction in order to get
different facial types. Were totaled 36 images for evaluation in this study, the evaluators notes
to classify them into pleasant, acceptable and not pleasant. 45% were classified as not pleasant,
39.3% acceptable and 15.7% pleasant. The results indicated the equilibrated profile as the most
attractive to both genders. Plastic surgeons were the most critical group, bucomaxilos of the
less rigorous and it was detected a less disparate distribution between groups of orthodontists
and lay people. There was also a greater acceptation by the profiles that had jaw projection or
biprotrusion detriment of profiles with mandibular projection and that the mandible, jaw, nose,
lips and chin are primarily responsible for the evaluation of the pleasantness of the facial profile.
Keywords: Facial pleasantness, aesthetic, orthodontics.
8
1 INTRODUÇÃO
A beleza e a estética facial desempenham um importante papel na sociedade, e cada
vez mais se intensificam as discussões sobre o que seria e o que não seria agradável e belo.
A identificação da beleza está relacionada a uma sensação de prazer diante da
visualização de um objeto, um som, uma pessoa. Assim, o conceito de beleza é próprio de
cada indivíduo, sendo estabelecido a partir de valores individuais relacionados ao gênero,
raça, educação e experiências pessoais; e a valores da sociedade como o ambiente e a mídia,
cada vez mais responsável pela globalização do conceito de beleza (REIS et al, 2006). A
estética facial é considerada um fator significativo quanto às percepções dos indivíduos em
relação a si mesmos e tem papel importante nas avaliações de personalidade, aceitação e
inserção social (CADENA E GUERRA, 2006).
Devido a esta valorização crescente da beleza, a cobrança por tratamentos com
resultados mais satisfatórios impulsionou o desenvolvimento dos instrumentos de diagnóstico
ortodôntico, como a análise facial, somada as discrepâncias de modelos e ao estudo
cefalométrico. Hoje, reconhece-se que os efeitos nos tecidos moles, provenientes do
tratamento dento facial, oferecem grandes benefícios funcionais e estéticos, mas, somente há
pouco tempo, a forma de avaliação do tecido mole como direcionador do tratamento dos
problemas dento esqueléticos, emergiu na Ortodontia (OLIVEIRA, 2010).
No início do século XX, grande parte das pesquisas se preocupava somente com a
posição dos dentes em relação às suas bases ósseas, e o diagnóstico e planejamento dos casos
ortodônticos se ativeram basicamente à cefalometria. Com isso, as análises das
telerradiografias tiveram um grande desenvolvimento e inúmeros foram os pesquisadores que
criaram suas próprias análises (CUNHA, 2011).
Com este advento da cefalometria, permitindo o estabelecimento de referências de
normalidade mensuráveis, iniciou-se um período de grande paradoxo entre os objetivos dos
ortodontistas e de seus pacientes. Enquanto os pacientes desejavam melhorar sua aparência,
os
ortodontistas
baseavam-se
principalmente
físicas/matemáticas/numéricas/normativas
entre
nos
dentição,
desvios
esqueleto
das
e
relações
tecido
mole
(CAVICHILO et al, 2010).
A cefalometria radiográfica está consagrada como um exame complementar de
fundamental importância para a avaliação das condições dento esqueléticas; entretanto, o
estudo das relações tegumentares da face com os perfis ósseo e dentário tem despertado
9
interesse crescente, no sentido de aliar o tratamento ortodôntico às mudanças que envolvem a
estética da face (MENDES, 2011).
Em 2004, Capelozza Filho propõe que os ortodontistas levem em consideração os
padrões subjetivos na análise facial e organiza o diagnóstico ortodôntico de acordo com os
padrões faciais. Deste modo, ele classificou os indivíduos como padrão I, II III, face longa e
face curta, sendo a análise morfológica da face o principal recurso diagnóstico para
determinação do padrão facial, denominando como Análise Facial Subjetiva Morfológica.
Esta classificação tem o Padrão I identificado pela normalidade facial, a má oclusão quando
presente é apenas dental não associada a qualquer discrepância esquelética sagital ou vertical.
Os pacientes portadores dos Padrões II e III apresentam discrepância sagital entre a maxila e a
mandíbula identificada, principalmente, na avaliação lateral da face.
Quando a análise facial subjetiva é aliada à análise cefalométrica de tecidos moles no
diagnóstico ortodôntico, pode acrescentar muito ao diagnóstico e ao planejamento
ortodôntico, já que a configuração facial do paciente é considerada e respeitada (FERES e
VASCONCELOS, 2009). A análise facial subjetiva, ao avaliar a agradabilidade e o impacto
na aparência estética, norteia a decisão sobre tratar cirúrgica ou compensatoriamente um caso
clínico, considerando que para corrigir efetivamente uma discrepância esquelética, o
tratamento cirúrgico traz melhores benefícios estéticos (CARVALHO, 2007).
É importante que os ortodontistas como responsáveis pela obtenção de sorrisos e faces
estéticas, aliem a análise facial subjetiva à cefalométrica, e sempre verifiquem se as propostas
de tratamento correspondem às expectativas dos pacientes, já que nem sempre as preferências
estéticas embasadas cientificamente são aceitas pelos mesmos (PERON et al, 2012). Assim,
durante o diagnóstico, o profissional deve identificar as características faciais possíveis de
serem alteradas com o tratamento ortodôntico e que estejam em discordância com a estética
facial agradável. E preservar ou acentuar, quando possível, os aspectos de agradabilidade,
considerando as características étnicas e individuais do paciente, tentando utilizar os mesmos
parâmetros de avaliação estética do paciente e da sociedade ao qual o mesmo pertence (REIS
et al, 2011).
Com o propósito de contribuir com o estudo do diagnóstico ortodôntico e das análises
faciais, esta pesquisa propõe-se a relacionar a agradabilidade entre os tipos faciais sob
apreciação dos profissionais da área de saúde e leigos.
10
2 REVISÃO DE LITERATURA
Para uma melhor compreensão do leitor a revisão foi dividida em duas partes:
2.1 O conceito de beleza e harmonia facial
Peck e Peck (1970) apresentaram uma importante perspectiva histórica do conceito de
beleza e estética facial, refletindo a visão de cada era e sociedade. As impressões sobre beleza
acompanham o desenvolvimento das civilizações e mudam conforme as influências de cada
uma. Os autores relataram a herança estética da humanidade, desde a pré-história, quando os
homens paleolíticos começaram a desenvolver sua atenção estética e sensibilidade através da
arte primitiva com pinturas, figuras representando temas relacionados com a caça. Depois foi
se iniciando a preocupação com a forma anatômica, mas a forma humana retratada ainda era
grotesca ou distorcida, aparentemente por razões de superstição e medo, retratavam faces
mais robustas, com prognatismo alveolar e queixo bem desenvolvido. Os egípcios já
possuíam um ideal de beleza com harmonia e proporção, as imagens retratadas em sua
maioria apresentavam biprotrusão dentoalveolar. Os gregos clássicos, primeiros a expressar
sensibilidade nas qualidades da beleza facial através da filosofia e escultura, questionaram o
intrínseco significado da beleza e estética; a face grega representada era oval, queixo pouco
afilado e testa proeminente. Depois dos gregos, no final do quarto século, novo fervor
religioso tomou toda a Europa, a beleza física perdeu a importância para a beleza espiritual,
assim as proporções da harmonia facial na arte foram governadas pelo princípio da hierarquia
moral, toda a contribuição grega e romana foram condenadas como pagãs e mitos. Na
Renascença, no século XV, os reais valores da estética foram mais uma vez preocupação da
civilização ocidental, com o desenvolvimento da impressão na renascença, obras sobre beleza
e estética começaram a aparecer. Os autores citam também que os conceitos de estética facial
tornam-se cada vez mais apurados, e esta complexidade que envolve a estética não pode ser
expressada totalmente por números ou padrões.
Arnett e Bergman (1993), relataram que a capacidade de uma pessoa para reconhecer
um rosto bonito é inata, mas traduzir isso para definir os objetivos de tratamento que envolva
a face é problemático. A percepção da beleza é uma preferência individual com viés cultural.
Não existem regras que definam que uma face é bonita, assim artistas e profissionais de saúde
11
têm tentado definir e recriar um ideal. Eles reconhecem a beleza, mas padrões objetivos são
difíceis, apesar das tentativas intermináveis, para esclarecer este conceito. Como os
profissionais de saúde têm aumentado a sua capacidade de mudar as faces, a necessidade de
entender o que é e não é bonito tem se intensificado. Os autores ainda citam que apesar da
análise facial clínica estar sendo subordinada ao exame cefalométrico no planejamento do
tratamento, é imprudente se basear exclusivamente na cefalometria, devido a alguns
problemas que esta apresenta, como o fato de cada estudo cefalométrico examinar diferentes
medições como sendo a chave para o diagnóstico, assim quando diferentes análises
cefalométricas são utilizadas para examinar o mesmo paciente, diferentes diagnósticos, planos
de tratamento, e resultados podem ser gerados.
Cadena e Guerra (2006) enfatizaram que as percepções e a capacidade de julgar a
própria imagem estão vinculadas a questões emocionais, como a constituição da auto-estima e
culturais como a atratividade social. A imagem é aquilo que aparece e na sociedade ela tem
sido extremamente valorizada e explorada pela mídia. A imagem que o sujeito tem de si,
sempre será em relação a um padrão ideal imposto pelas exigências sociais.
O estabelecimento de regras rígidas para a definição do que é estético e belo torna-se
impossível, mas é possível descrever características gerais que auxiliam na otimização dos
resultados estéticos do complexo dento-facial entre as outras metas do tratamento. Os
cirurgiões-dentistas, profissionais da saúde, tendem a esquecer que o objetivo final dos
tratamentos não é a satisfação dos seus valores de beleza pessoais, e sim, a satisfação do
indivíduo. A atratividade física e sua interação social são campos complexos no cotidiano do
ser humano, e o papel do dentista em ajudar o paciente a tomar decisões sobre a necessidade
de tratamento é um ponto de especial interesse (FREITAS, COSTA, PINHO, 2007).
O principal motivo responsável pela procura dos pacientes pelos ortodontistas é a
questão estética, já que o tratamento ortodôntico é capaz de alinhar dentes, alterar o sorriso e
mudar o perfil de uma face. Fato este afirmado por Maltagliati & Montes (2007) em estudo no
qual avaliaram os principais fatores que motivaram pacientes adultos a procurarem o
tratamento ortodôntico, concluindo que a estética relacionada ao posicionamento dentário é o
fator que mais influencia na busca por tratamento ortodôntico, havendo pouca percepção das
anomalias esqueléticas por parte dos pacientes entrevistados. Assim, deve-se flexibilizar os
conceitos sobre harmonia facial e dentária, priorizando a queixa do paciente e aceitando a não
intervenção em desvios passíveis de correção, mas que estejam fisiológicos para oclusão, uma
vez que estejam permitindo a manutenção da saúde oclusal e periodontal.
12
Sant’Ana et al (2009) enfatizaram que a beleza se apresenta de formas diferentes e
com características distintas e que a objetividade neste tema não é relevante para a maioria
dos indivíduos, porém, para os cirurgiões e ortodontistas, trata-se de um conceito da mais alta
relevância. Atualmente, os planejamentos são realizados de maneira que o primeiro passo ao
se examinar um paciente cirúrgico, é saber o que devemos enxergar no seu rosto para poder
corrigir, na totalidade, os defeitos estéticos por ele apresentados e, além disso, proporcionar a
esse indivíduo as chaves de oclusão. O bom senso e o senso estético devem ser considerados,
com o intuito de obter os melhores resultados possíveis.
Picolo e Silva (2009) investigaram a natureza do belo no contexto histórico e
avaliaram a implicação desta sobre as intervenções da área da saúde, em particular na
especialidade de ortodontia, considerando as expectativas do paciente e os sistemas de
diagnósticos utilizados para a avaliação do fenômeno. A revisão evidenciou um paradoxo nos
sistemas de diagnóstico utilizados na especialidade, pois questionou a simetria como fator de
avaliação do resultado da intervenção ortodôntica. Os autores são adeptos da definição de
beleza como o qualificativo que designa aquilo que é formoso, lindo, delicado primoroso,
agradável e harmonia como a relação de várias partes diferentes entre si que formam um todo.
Deste modo, faces agradáveis devem apresentar uma conjunção de fatores que envolvem
elementos de simetria, equilíbrio e proporção; princípios de estética perfeitamente
combinados entre si. Assim, os autores observaram que para as intervenções da área da saúde
(diagnóstico, prognóstico e tratamento) não basta perceber a beleza através de impressões
subjetivas, mas é necessário medi-la de algum modo, através de parâmetros objetivos.
Portanto, é importante a utilização de um conjunto de valores, mas considerando as variações
individuais, antecedentes étnicos, aspectos culturais e as preferências individuais dos
pacientes.
Desta forma, o perfil facial tegumentar vem sendo estudado com o objetivo de
alcançar a harmonia aliada a um correto posicionamento dentário. O revestimento do tecido
mole possui as formas mais variadas, o que multiplica as variáveis que afetam a relação entre
retração dentária e o movimento dos lábios. As variáveis envolvidas no tratamento
ortodôntico mostram que uma finalização que contenha beleza, harmonia facial e oclusão
adequada não se apresenta como tarefa fácil (OLIVEIRA, 2010).
PERON et al (2012) em estudo sobre a atratividade facial, enfatizaram a importância
do estudo da proporção divina, ou seção áurea, nas análises das proporções faciais, mas sem
deixar de lado os valores médios normais para servirem como um guia durante o
planejamento do tratamento ortodôntico. Os autores notaram que as faces consideradas belas
13
podem não exibir a proporção divina e vice-versa e por conseguinte, nem sempre a melhoria
na estética facial no final do tratamento deve ser relacionado a proximidade com a proporção
divina. As características da estética facial individual, e não apenas as proporções, tem maior
influência na percepção da beleza e, como em análises cefalométricas, a análise facial da
proporção divina também têm certos limitantes.
2.2 Análise facial subjetiva
Durante muito tempo Angle (1899) guiou o diagnóstico na Ortodontia pela oclusão
como sendo o principal objetivo do tratamento ortodôntico e se acreditava que uma ótima
oclusão levaria, consequentemente, a uma estética facial ideal.
Em desacordo com este pensamento, Capelozza Filho (2004) propôs que os
ortodontistas levem em consideração padrões subjetivos para uma análise facial, distanciandose dos padrões rígidos que a cefalometria impõe. O autor organizou o diagnóstico ortodôntico
de acordo com os padrões faciais; deste modo ele classifica os indivíduos como padrão I, II
III, face longa e face curta, sendo a análise morfológica da face o principal recurso
diagnóstico para determinação do padrão facial: é a Análise Facial Subjetiva Morfológica.
Sugeriu que os pacientes devem ser tratados de acordo com o seu padrão facial, para que o
tratamento ortodôntico e a contenção sejam mais eficientes. A organização do diagnóstico
ortodôntico de acordo com os Padrões Faciais, permite abordar o tratamento das más
oclusões, considerando a localização da discrepância esquelética, quando presente, a etiologia
da má oclusão, estabelecendo protocolos de tratamento específicos para cada Padrão em cada
faixa etária, com perspectivas em longo prazo previsíveis, considerando a gravidade da
discrepância. O autor lembra que os benefícios dessa nova visão da Ortodontia dependem,
entretanto, do diagnóstico adequado do Padrão Facial.
Em 2006, Reis et al, propõem a Análise Facial Subjetiva Estética, com o intuito de
permitir o estudo da avaliação estética realizada rotineiramente pela sociedade em geral e não
somente pela comunidade ortodôntica. Assim, classificam os indivíduos em esteticamente
agradável, esteticamente aceitável e esteticamente desagradável. Verificam que a grande
maioria (89%) pertence ao grupo dos esteticamente aceitáveis e que somente 3% eram
esteticamente agradáveis; nos esteticamente desagradáveis, 38,35% das justificativas residia
no nariz e 18,9% residia no mento. Relatam a importância de incluir a Análise Facial
14
Subjetiva como instrumento diagnóstico na rotina da atividade clínica, por ser o parâmetro
pelo qual o paciente e as pessoas à sua volta vão avaliar os resultados do tratamento
ortodôntico, aproximando o ortodontista da expectativa do paciente. Ao paciente não interessa
que os ângulos e proporções de sua face estejam dentro de um padrão de normalidade se este
padrão não se adequar às suas características étnicas e individuais. Dentro dessa perspectiva,
os autores citam que o profissional deve entender como a população realiza a apreciação
estética dos seus integrantes, para que possam reproduzir essa avaliação na rotina de
diagnóstico. Concluem alertando para o cuidado a ter para que em consequência de um
tratamento ortodôntico o paciente não piore na sua classificação estética.
Nesta mesma linha de pesquisa, Trevisan e Gil (2006), avaliaram o perfil facial em
fotografias de jovens brasileiros leucodermas e com oclusão normal. A classificação subjetiva
do perfil facial de 58 fotografias, 23 jovens do gênero masculino e 35 do feminino, foi
realizada por 21 alunos e duas professoras de pós graduação em ortodontia. Os examinadores
classificaram os perfis faciais em três grupos: agradável, aceitável ou desagradável, sendo
que, quando classificado neste último, pediu-se ao avaliador que citasse qual a estrutura que
mais contribuíra para a inclusão do perfil neste grupo. Os resultados da análise facial
mostraram que 46% dos indivíduos foram considerados com perfil agradável, 26% aceitável e
28% desagradável. Nos perfis considerados desagradáveis, as estruturas responsáveis pela
desagradabilidade mais citadas foram os lábios (22%), o nariz (21%) e o mento (19%). A
partir desses resultados, foi feita uma comparação entre cada um dos perfis e as médias das
medidas lineares e angulares utilizadas na análise fotogramétrica realizada, agrupando-os por
gênero, idade e classificação. Concluiu-se que uma parcela considerável dos indivíduos
recebeu classificação desagradável do perfil apesar da oclusão normal, ratificando que essa,
isoladamente, não poderia ser um indicativo de agradabilidade do perfil facial. Concluiu-se
também que para o perfil masculino ser considerado agradável deveria haver um bom
comprimento da linha queixo-pescoço, proporcional à altura do terço inferior da face e um
comprimento horizontal do nariz aumentado em relação à altura do nariz. Para o perfil
feminino, foram considerados agradáveis aqueles que apresentaram, proporcionalmente, um
nariz menos proeminente. Dentre as medidas fotogramétricas pesquisadas para os diferentes
grupos de perfis, verificou-se que poucas se apresentaram estatisticamente diferentes,
concluindo-se que, isoladamente, as medidas fotogramétricas do perfil facial não poderiam
indicar a beleza do perfil.
Câmara (2006) apresentou os Diagramas de Referências Estéticas Dentárias e Faciais,
com o intuito de prover uma avaliação da estética dentofacial de uma forma simples,
15
individualizada e subjetiva de cada paciente, que sirvam como instrumentos de referência para
todas as especialidades odontológicas, auxiliando no diagnóstico e planejamento dos
tratamentos multidisciplinares. Diagramas de Referências Estéticas Faciais ajudam a definir
um padrão de normalidade das proporções faciais em norma frontal e sagital e servem para
dar uma noção simplificada das relações entre as diversas estruturas faciais. O autor relatou
que embora a avaliação morfológica não seja uma tarefa para se obter com números, pode-se
fazê-la com medições visuais, através de enquadramentos e comparações, da percepção de
proporções, mesmo não sendo definitiva e impassível de erros. O emprego do conceito de
padrão craniofacial, que amplia a classificação das más oclusões para além da relação molar e
da posição dos dentes, facilita bastante o entendimento da morfologia facial. Nesse contexto,
a utilização de diagramas de referências estéticas dentárias e faciais simplifica e avalia o que
os números nem sempre conseguem explicar.
Em seu estudo em 2007, Carvalho avaliou, através de fotografias em norma lateral e
frontal, a agradabilidade facial obtida com o tratamento – cirurgia ortognática ou
compensação dentária – de pacientes portadores de má oclusão classe II, sendo que os casos
cirúrgicos em norma lateral foram os que obtiveram melhores resultados tanto pela análise
dos leigos como dos ortodontistas. Segundo o estudo, a análise facial subjetiva que avalia a
desagradabilidade e o impacto negativo na aparência estética, que tem norteado a decisão
sobre tratar cirúrgica ou compensatoriamente um caso, considerando que para corrigir
efetivamente um defeito ósseo, o tratamento cirúrgico traz melhores benefícios estéticos e
melhora a agradabilidade facial. Nem sempre as preferências estéticas embasadas
cientificamente são aceitas pelos pacientes, portanto, é importante para os ortodontistas
verificar se as propostas de tratamento correspondem às expectativas dos pacientes.
Esta autoconsciência sobre a aparência facial, fator importante na decisão de procurar
tratamento ortodôntico, foi foco de pesquisa realizada por Tufekci, Jahangiri e Lindauer
(2008) onde objetivaram determinar se existem diferenças na autoconsciência e na percepção
de um indivíduo sobre os próprios dentes e perfil, entre os leigos, estudantes de odontologia e
pacientes ortodônticos. Estes autores relatam que os pacientes podem ser persuadidos a
submeter-se a tratamento ortodôntico e cirúrgico com base no julgamento profissional do seu
clínico, contudo, a percepção de um perfil atrativo de um paciente pode ser diferente da
percepção do clínico.
Rino Neto (2008) com o objetivo de obter dados específicos e atualizados referentes à
atratividade facial de indivíduos leucodermas brasileiros, se propôs a determinar a preferência
do perfil facial tegumentar masculino e feminino, considerando a avaliação de ortodontistas,
16
cirurgiões bucomaxilofaciais, cirurgiões plásticos, artistas plásticos, profissionais ligados à
estética facial e leigos em conjunto e separados por grupos; e verificar as possíveis diferenças
na classificação da preferência dos perfis, masculinos e femininos, no ranking estabelecido
pelos avaliadores de todos os grupos. Foram selecionados dois indivíduos brasileiros,
leucodermas, um do gênero feminino (29 anos de idade) e outro do masculino (24 anos de
idade) com os perfis dos tecidos moles da face equilibrados. As imagens foram manipuladas
em computador e o contorno dos perfis faciais, especificamente os contornos dos lábios e do
mento mole, foram modificados no sentido horizontal e vertical, com incrementos de 4mm,
com a finalidade de obtenção de outros perfis dos mesmos indivíduos. Os resultados
apontaram o perfil equilibrado como o perfil mais atraente para ambos os gêneros. As
avaliações dos ortodontistas, cirurgiões bucomaxilofaciais e cirurgiões plásticos foram mais
críticas, enquanto a dos leigos evidenciou maior tolerância na avaliação do perfil mais
atraente.
Scavone Jr et al (2008) atentaram para o fato que a análise facial subjetiva sofre
variáveis dentro do próprio grupo e de grupos diferentes, assim analisaram os parâmetros dos
tecidos moles faciais ântero-posterior para uma amostra de adultos brasileiros brancos e
compararam essas medidas com os valores propostos para adultos brancos norte-americanos.
Foram tomadas fotografias faciais de perfil de 59 brancos brasileiros (30 homens e 29
mulheres) com oclusões normais e faces equilibradas, com idades variando de 18 a 30 anos.
Mulheres brancas brasileiras apresentaram uma menor projeção facial em comparação com
mulheres brancas americanas, exceto para a região da glabela. Mulheres brancas brasileiras
mostraram uma projeção nasal menor, menor projeção labial superior e inferior, um ângulo
nasolabial mais obtuso, e uma projeção menor do ponto B e do queixo do que as mulheres
americanas brancas. Por outro lado, os dois grupos masculinos demonstraram diferenças
menos evidentes dos tecidos moles do perfil, com exceção da projeção do nariz, que era
menor em homens brancos brasileiros do que em homens brancos norte-americanos. Um
padrão universal de estética facial não é aplicável a diversas populações brancas. As
diferenças devem ser consideradas no diagnóstico para cirurgia ortodôntica / ortognática e
plano de tratamento, juntamente com a opinião individual do paciente e percepção da beleza.
Feres e Vasconcelos (2009) realizaram um estudo comparativo entre a análise facial
subjetiva e a análise cefalométrica de tecidos moles no diagnóstico ortodôntico, demonstrando
que a análise facial subjetiva é um método eficaz na classificação do padrão facial. Existe
aplicabilidade do método, desde que haja um conhecimento teórico e treinamento adequado
para a classificação dos indivíduos. A utilização clínica que essa análise proporciona pode
17
acrescentar muito ao diagnóstico e ao planejamento ortodôntico, já que a configuração facial
do paciente está sendo considerada e respeitada.
Seibel et al. (2009) analisaram uma amostra fotográfica padronizada de frente e de
perfil, de sessenta indivíduos brasileiros, leucodermas, do gênero masculino, com idades entre
18 e 19 anos, da cidade de Criciúma-SC e a compararam com os valores-padrão encontrados
na literatura, correlacionando-a com a percepção de beleza e harmonia facial avaliada
subjetivamente por profissionais da área de ortodontia. Para a aferição das medidas lineares
nas fotografias, foi utilizada uma régua milimetrada de 10cm, fixada na vertical absoluta de
cada um dos participantes da amostra, durante a obtenção das fotos. A determinação do valor
real das medidas foi dada a partir da regra de três. Foi aplicado um questionário a 25
ortodontistas, escolhidos ao acaso, que deram suas opiniões em relação à beleza e a harmonia
facial dos sessenta indivíduos da amostra. A preferência estética dos ortodontistas não
denotou concordância significante, demonstrando que os critérios estéticos dos avaliadores,
quanto ao contorno do perfil facial tegumentar foram subjetivos, portanto, mostrando não
haver relação entre a percepção de beleza facial avaliada subjetivamente por ortodontistas e
valores de referência encontrados na literatura.
Morihisa e Maltagliati (2009) realizaram uma avaliação comparativa entre duas
análises faciais subjetivas utilizadas para o diagnóstico ortodôntico, verificando a associação
existente entre estas. Para o estudo, foi utilizada uma amostra de 208 fotografias, sendo 104
em norma frontal e 104 em norma lateral, de 104 indivíduos brasileiros, escolhidos ao acaso,
sendo 48 do gênero masculino e 56 do gênero feminino. Para a classificação da
agradabilidade facial foram constituídos dois grupos de avaliadores: o “Grupo Ortodontia”,
composto por um especialista e 24 alunos de pós-graduação em nível de mestrado. E o
“Grupo Leigos”, constituído por 25 indivíduos dos mais diversos graus de escolaridades,
profissões, classes sociais e descendências. Os avaliadores de ambos os grupos foram
solicitados a avaliarem as fotografias, classificando-as de acordo com sua opinião pessoal em
“agradável”, “aceitável” ou “desagradável”. Para analisar o padrão facial, três avaliadores,
sendo um professor doutor e dois mestrandos do programa de pós-graduação estudaram, em
conjunto, os tipos de Padrão Facial e discutiram as diferenças de opiniões até estabelecerem
um consenso sobre as características dos Padrões Faciais. Cada avaliador analisou
individualmente as 104 imagens em norma lateral, classificando as faces dos indivíduos em
Padrão I, Padrão II, Padrão III, Face Curta ou Face Longa. Através de testes estatísticos,
verificou-se a associação entre agradabilidade e o padrão facial para os dois grupos de
avaliadores, para as normas lateral e frontal. Concluiu-se que não houve associação entre a
18
avaliação subjetiva da agradabilidade facial em norma frontal e o Padrão Facial em ambos os
grupos de avaliadores. Porém, em norma lateral, houve associação fortemente positiva, onde a
grande maioria dos indivíduos considerados “agradáveis” era pertencente ao Padrão I, na
avaliação de ambos os grupos.
Cavichiolo et al (2010) compararam a avaliação de ortodontistas e leigos quanto à
agradabilidade facial de indivíduos portadores de Padrão II e III, do sexo masculino e
feminino. Para a seleção da amostra foram avaliadas as fotografias do perfil facial de 74
indivíduos brasileiros. Os indivíduos foram previamente classificados por três examinadores
calibrados, de acordo com as características dos Padrões descritas por Capellozza Filho. O
grupo de avaliadores para classificar a agradabilidade da amostra foi composta por 30
ortodontistas e 30 leigos. Foi encontrada diferença na avaliação da agradabilidade facial entre
leigos e ortodontistas, onde o leigo mostrou-se mais rigoroso nas notas atribuídas ao perfil
facial. Na avaliação de agradabilidade entre os Padrões e sexo, verificou-se que os grupos de
avaliadores concordaram que o Padrão III feminino foi o mais agradável.
Reis et al (2011) enfatizaram a importância de se avaliar a estética e harmonia da face
considerando características étnicas e individuais do paciente. Afirmaram a incapacidade que
os valores das medidas do perfil têm em determinar se uma face é normal ou não; ou seja a
incapacidade dos números expressarem forma, pois o mesmo valor de uma variável pode estar
associado a diferentes desenhos anatómicos do perfil facial.
Cunha (2011), relatou a importância de aliar a análise cefalométrica, a análise facial e
a auto-percepção do paciente na elaboração do diagnóstico de um tratamento ortodôntico,
evidenciando as virtudes e os pontos fracos de cada método, além da influência de cada um na
busca de um diagnóstico completo, que procure ser o mais abrangente possível. A montagem
do diagnóstico e plano de tratamento de um paciente é algo complexo, que envolve uma série
de fatores. As características do seu perfil, os dados cefalométricos e a expectativa do
paciente em relação ao que se quer alcançar são pontos chave na elaboração do caminho mais
correto para se conseguir um resultado eficiente, onde esteja presente a satisfação do paciente.
Concluiu que a análise cefalométrica está sujeita a uma série de pequenas variações que
podem causar alterações no seu resultado, assim como a análise facial está sujeita ao seu
caráter subjetivo, sendo, portanto, as duas complementares.
Arqoub e Al-Khateeb (2011) realizaram um estudo que investigou a influência de
alterações das proporções ântero-posterior e vertical do terço inferior da face na classificação
de atratividade facial, determinando o que a sociedade jordaniana considera ideal para a
atratividade facial e se essa preferência é afetada por idade, sexo e profissão. Quatrocentos e
19
cinquenta e quatro (219 homens e 235 mulheres) imagens de perfil de jordanianos foram
classificadas por dentistas e leigos quanto a atratividade, as imagens de perfil alteradas
digitalmente representavam uma gama de proporções faciais inferiores antero-posteriores e
verticais. As posições da maxila e da mandíbula foram alteradas da imagem original por
estiramento e compressão subnasal, sublabial e ântero-posterior por incrementos de 4 mm
utilizando programas de software. As análises estatísticas foram utilizadas para a comparação
entre as diferentes faixas etárias, gêneros e profissões. O perfil masculino Classe I com uma
altura facial inferior normal e perfil feminino Classe I perfil feminino com uma reduzida
altura facial inferior foram classificadas como as mais atraentes. Perfis de homens e mulheres
de classe II com aumento da altura facial inferior foram classificados como menos atraentes.
Imagens com características do perfil de Classe II e aumento da altura facial inferior foram
consideradas menos atraentes do que as imagens correspondentes com as características do
perfil de Classe III e reduzida altura facial inferior. O gênero teve uma influência limitada
sobre a avaliação da atratividade. Foi encontrada uma diferença significativa entre os dentistas
e leigos na percepção da atratividade do perfil.
Nesta perspectiva atual para o diagnóstico ortodôntico, em que se enfatiza a
observação do paciente como um todo e a análise facial, procura-se evitar a frieza objetiva
dos números aplicada à ortodontia, pois por detrás de uma face com determinadas medidas
existe um único ser humano e para esse é que deve ser voltado o senso clínico. É alicerçado
no respeito dessa individualidade que se deve objetivar a melhor harmonia e
proporcionalidade facial para o paciente em causa, lembrando sempre que a simetria perfeita
não existe. Esta é uma das justificações de não recorrer apenas às medições absolutas, e
valorizar mais a relação entre elas (MENDES, 2011).
A análise facial numérica utilizada isoladamente não é sensível na detecção de padrões
de atratividade. Através do diagnóstico, o profissional deve tentar identificar as características
desagradáveis faciais que podem ser melhoradas com o tratamento ortodôntico, bem como
preservar os aspectos considerados agradáveis, atentando às necessidades estéticas do
paciente e não apenas aos elementos funcionais e a cefalometria (MOROSINI et al, 2012).
20
3 OBJETIVOS
Comparar a avaliação de ortodontistas, cirurgiões bucomaxilofaciais, cirurgiões
plásticos e leigos quanto à agradabilidade de diferentes tipos faciais masculinos e femininos.
21
4 MATERIAIS E MÉTODOS
Para esta pesquisa foram selecionados seis indivíduos, três do gênero feminino e três
do gênero masculino, com idades entre 18 e 27 anos, pertencentes ao acervo do curso de
especialização em ortodontia da FUNORTE – Núcleo de Feira de Santana, Bahia. Os
indivíduos foram fotografados em norma lateral e as imagens obtidas trabalhadas digitalmente
em software Adobe Photoshop® Adobe Sistems, versão 7.01, sendo que o contorno dos perfis
faciais, especificamente os contornos dos lábios e do mento mole, foram modificados no
sentido sagital, com incrementos de 4mm, a fim de obter diferentes tipos faciais dos mesmos
indivíduos.
Os seguintes perfis faciais, femininos e masculinos, foram obtidos: biprotrusão obtido avançando a região maxilar e mandibular em 4 mm; protrusão maxilar - obtido
avançando a região maxilar em 4 mm; protrusão mandibular - obtido avançando o mento
mole e o lábio inferior em 4 mm; retrusão mandibular – obtido recuando o mento mole e o
lábio inferior em 4 mm; retrusão maxilar - obtido recuando a região maxilar em 4 mm. Tais
perfis criados, juntamente com os perfis originais, totalizaram 36 imagens para a avaliação
neste estudo (ANEXO I).
Os critérios utilizados para inclusão dos indivíduos na amostra foram não terem sido
submetidos a nenhum tratamento ortodôntico ou cirúrgico facial anteriormente, serem padrão
I facial segundo classificação de Capelozza Filho (2004), leucodermas, mesofaciais,
apresentarem selamento labial passivo e disponibilidade em participar do estudo, assinando
previamente o termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO II).
Os critérios utilizados para exclusão da amostra foram os indivíduos terem sidos
submetidos anteriormente a algum tratamento ortodôntico ou cirurgia facial, não apresentarem
22
selamento labial passivo, não serem leucodermas e apresentarem desproporção entre os terços
verticais faciais.
Os indivíduos foram fotografados em norma lateral com a câmera digital Nikon L810,
no mesmo local e pelo mesmo operador. As fotografias originais obtidas e as manipuladas
foram organizadas aleatoriamente em um álbum, dispostas uma por página e levadas para a
avaliação individual a 05 ortodontistas, 05 cirurgiões bucomaxilofaciais, 05 cirurgiões
plásticos e 05 leigos na cidade de Feira de Santana- Bahia.
O grupo dos avaliadores foi composto por uma amostra heterogênea, os quais também
assinaram previamente um termo de aceitação em participar da pesquisa (ANEXO III)
Cada avaliador recebeu individualmente um questionário (ANEXO IV) e o álbum de
imagens, e quantificaram sua avaliação da agradabilidade facial atribuindo notas de 0 a 3 para
as faces consideradas esteticamente desagradáveis, 4 a 7 para as consideradas esteticamente
aceitáveis e 8 a 10 para as esteticamente agradáveis, expressando livremente sua opinião,
indicando o motivo principal, ou seja, a estrutura anatômica responsável, para a atribuição de
cada nota.
Os questionários tiveram suas respostas compiladas em variáveis objetivas, analisadas
graficamente.
23
5 RESULTADOS
Os resultados da análise realizada nesse estudo foram dispostos em gráficos. A
distribuição da amostra pela avaliação da agradabilidade facial do grupo dos ortodontistas,
leigos, cirurgiões plásticos e cirurgiões bucomaxilofaciais individualmente está apresentada
nos gráficos de 1 a 4. O gráfico 5 representa as porcentagens para a classificação geral.
Gráfico 01- Avaliação da agradabilidade do
perfil facial pelo Grupo Leigos
GRUPO LEIGOS
GRUPO
ORTODONTISTAS
Agradável
15,6%
Desagradável
46,1%
Gráfico 02- Avaliação da agradabilidade do
perfil facial pelo Grupo Ortodontistas
Desagradável
48,3%
Agradável
15,6%
Aceitável
38,3%
Agradável
Aceitável
Desagradável
Gráfico 03- Avaliação da agradabilidade do
perfil facial pelo Grupo Bucomaxilofaciais
GRUPO
BUCOMAXILOFACIAIS
Desagradável
33,3%
Agradável
17,2%
Aceitável
36,1%
Agradável
Aceitável
Gráfico 04- Avaliação da agradabilidade do
perfil facial pelo Grupo Cirurgiões Plásticos
GRUPO CIRURGIÕES
PLÁSTICOS
Agradável
14,5%
Desagradável
52,2%
Aceitável
33,3%
Aceitável
49,5%
Agradável
Aceitável
Desagradável
Desagradável
Agradável
Aceitável
Desagradável
24
Gráfico 05- Avaliação geral da agradabilidade do perfil facial
Agradável
15,7%
Desagradável
45%
Aceitável
39,3%
Agradável
Aceitável
Desagradável
Os gráficos de 6 a 9 dispõem a média dos valores de avaliação das imagens para cada
grupo de avaliadores. Observa-se a associação entre a avaliação da agradabilidade facial e a
protrusão ou retrusão maxilo e mandibular para os grupos “Ortodontia”, “Leigos”,
“Bucomaxilofaciais” e “Cirurgiões plásticos” na norma lateral.
Gráfico 06- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Ortodontistas
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Imagem
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
Na opinião dos ortodontistas, a imagem do gênero masculino considerada mais
atraente foi a de número 29 e do gênero feminino a de número 11, ambas referentes a um
padrão facial mais equilibrado, padrão I. As imagens números 7 e 27 foram as classificadas
mais desagradáveis referentes ao gênero masculino, representando, respectivamente, um perfil
25
padrão III com retrusão maxilar e padrão II com retrusão mandibular. Para o gênero feminino,
a imagem número 13, padrão III por retrusão maxilar, foi a apontada como mais desagradável.
Gráfico 07- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Leigos
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
Imagem
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
No conceito de beleza facial dos leigos para o gênero masculino, a imagem número 26
e para o gênero feminino, a de número 29, foram as consideradas mais agradáveis, referentes
ao padrão I. Em relação as imagens consideradas mais desagradáveis, foram apontadas as de
número 17 e 31 para o gênero masculino, referentes ao padrão III facial, a primeira por
protrusão mandibular, a segunda por retrusão maxilar, e a de número 32 para o feminino,
também referente ao padrão III, sendo por protrusão mandibular.
26
Gráfico 08- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Bucomaxilo
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
Na avaliação dos cirurgiões bucomaxilofaciais, foram apontadas como as mais
agradáveis para o gênero masculino as imagens 11 e 26 e para o feminino a imagem 29, todas
referentes ao padrão I facial. Já as imagens consideradas mais desagradáveis para o gênero
masculino foram as de números 17 e 31, referentes ao padrão III, por protrusão mandibular e
retrusão maxilar, respectivamente, e a 27 referente ao padrão II por retrusão de mandíbula.
Para o gênero feminino as mais votadas como desarmônicas foram as de números 20 e 32,
ambas referentes ao padrão III, a primeira por retrusão maxilar e a segunda por protrusão
mandibular.
Gráfico 09- Média das notas da avaliação por imagem do Grupo Cirurgiões Plásticos
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
27
O grupo dos cirurgiões plásticos apontou como as faces mais harmônicas a de número
21 para o gênero masculino e a 29 para o feminino, correspondentes ao padrão I facial. Com
relação às faces menos equilibradas, foram mais votadas a de número 31, padrão III por
retrusão maxilar para o gênero masculino e a de número 32, padrão III por protrusão
mandibular para o gênero feminino.
No gráfico 10 estão os resultados em porcentagens para os motivos apontados pelos
avaliadores para a atribuição da nota de cada imagem. Observou-se que, a mandibula, maxila,
lábios, nariz e mento são os principais responsáveis pela agradabilidade ou não do perfil
facial. Com o intuído de buscar o motivo mais espontâneo apontado pelo avaliador, não foram
sugeridos no questionário da pesquisa os termos classificatórios.
Gráfico 10- Estruturas apontadas como responsáveis por cada nota atribuída as imagens
(justificativas apresentadas pelos avaliadores para a classificação quanto a agradabilidade dos
perfis faciais).
Perfil côncavo
Sulco
ou convexo
mentolabi…
Relação
3%
vertical (AFAI)
Linha queixo1%
pescoço
1%
Zigomático
3%
Lábios
15%
Ângulo
nasolabial
7%
Maxila e Mand
7%
Nariz
10%
Maxila
16%
Mento
8%
Mandibula 35%
Mandíbula
Ângulo nasolabial
Linha queixo-pescoço
Maxila
Sulco mentolabial
Zigomático
Nariz
Perfil (côncavo ou convexo)
Lábios
Maxila e mandíbula
AFAI
Mento
28
6 DISCUSSÃO
A ortodontia busca o equilíbrio e a harmonia da face e do sorriso no tratamento de
todos os padrões faciais. Para o resultado satisfatório deste tratamento, é fundamental um bom
diagnóstico e planejamento e, neste ponto, a análise facial subjetiva permite a avaliação da
agradabilidade dos padrões faciais, considerando as concepções estéticas dos pacientes e dos
profissionais envolvidos.
Ao paciente não interessa que os ângulos e as proporções de sua face estejam dentro
de um padrão de normalidade se este padrão não se adequar às suas características étnicas e
individuais (REIS et al, 2006). Assim, é fundamental aliar a análise cefalométrica e o estudo
de modelos à análise subjetiva da face. O que, segundo Câmara (2006), amplia a classificação
das más oclusões para além da relação molar e da posição dos dentes e possibilita um
entendimento da morfologia facial.
O presente estudo, ao se propor a avaliar a agradabilidade facial através de fotos de
perfis faciais manipuladas em computador, utilizou para quantificar a estética facial notas de 1
a 10, sendo 0 a 3 consideradas desagradáveis, 4 a 7 aceitáveis e 8 a 10 agradáveis, método
utilizado também no estudo de Peron et al (2012). Entretanto, a maior parte dos estudos
referentes às análises faciais subjetivas utilizou escalas como método para quantificar a
estética. No estudo de Carvalho (2007) foi utilizada uma escala analógica visual de 50mm de
comprimento. Cavichiolo et al (2010) instruíram os avaliadores a darem notas de acordo com
o grau de agradabilidade facial segundo uma escala de 10cm.
No trabalho de Arqoub e Al-Khateeb (2011) utilizou-se uma escala numérica de 10
pontos, onde a pontuação 1 correspondia ao perfil mais atrativo e 10 ao menos atrativo para
cada grupo separadamente.
Morihisa e Maltagliati (2009) utilizaram uma forma semelhante à escala visual
análoga, porém sem o artifício da linha horizontal, sendo que os avaliadores livremente
classificaram a estética facial dos indivíduos em desagradável, aceitável ou agradável, o
indivíduo considerado desagradável seria comparável na linha horizontal aos valores menores,
enquanto aceitável estaria na média da escala, e agradável os com valores maiores.
Trevisan e Gil (2006) utilizaram um índice para a classificação, que permitisse o
agrupamento dos indivíduos de acordo com a quantidade de votos nos três diferentes tipos de
perfis, com uma escala de três pontos (-2, 1, 2). O valor negativo foi atribuído às
classificações desagradáveis do perfil, o valor um às aceitáveis e o valor máximo às
29
agradáveis. Os indivíduos foram considerados agradáveis quando o valor do índice variou
entre 2 e 0,5, aceitáveis entre 0,49 e -0,49 e desagradáveis quando a variação esteve entre -0,5
e -2.
Nosso estudo se baseou na pirâmide de agradabilidade estética como o estudo de Reis
et al em 2006, na qual o esteticamente agradável está no topo da pirâmide e cabe ao
ortodontista realizar uma melhora do paciente na pirâmide, os pacientes esteticamente
desagradáveis devem ter a possibilidade de, ao final do tratamento, serem classificados como
esteticamente aceitáveis e os pacientes esteticamente aceitáveis e agradáveis só podem ser
submetidos a procedimentos que mantenham ou incrementem a classificação do paciente na
pirâmide.
Das 36 imagens avaliadas nesta pesquisa, 45% foram classificadas como esteticamente
desagradáveis, 39,3% aceitáveis e 15,7% agradáveis. A distribuição diferencia-se dos dados
de Reis (2011) para fotografias do perfil, que encontrou a maioria da amostra (89%) no grupo
aceitável, 3% agradável e 8% desagradável. Nesta mesma linha de pesquisa sobre brasileiros
leucodermas, Trevisan e Gil (2006), mostraram que 46% dos indivíduos foram considerados
com perfil agradável, 26% aceitável e 28% desagradável, também em desencontro com os
achados do presente estudo.
Na avaliação do perfil facial, o Padrão I é caracterizado por um grau moderado de
convexidade. O Padrão II apresenta convexidade facial aumentada, em consequência do
excesso maxilar, mais raro, ou pela deficiência mandibular. Normalmente, observa-se uma
maxila com boa expressão na face, enquanto o terço inferior está deficiente e com a linha
queixo-pescoço curta. Apresenta, usualmente, um ângulo nasolabial bom, associado ao sulco
mentolabial marcado pela eversão do lábio inferior. No Padrão III a convexidade facial
apresenta-se reduzida, resultando em um perfil reto ou mais raramente côncavo devido à
deficiência maxilar, ao prognatismo mandibular ou à associação de ambos. O terço médio da
face tende a parecer deficiente, mesmo que esteja normal, pois o excesso mandibular desloca
para anterior o tecido mole da maxila, mascarando a leitura da projeção zigomática. O terço
inferior da face tende ao aumento, principalmente no prognatismo e a linha queixo-pescoço
apresenta-se normal nos deficientes maxilares ou em excesso nos prognatas. O sulco
mentolabial encontra-se aberto, devido à verticalização compensatória dos incisivos
inferiores. Os Padrões Face Longa e Face Curta são discrepâncias evidenciadas no sentido
vertical e correspondem à extrapolação da variação de normalidade da face na vista frontal. A
denominação Face Longa caracteriza-se por excesso de exposição dentária ântero-superior,
com os lábios em repouso, e dentogengival, durante o sorriso, ocasionado pelo aumento
30
excessivo do terço inferior da face. Ao contrário, no Padrão Face Curta a altura facial total é
diminuída, pela deficiência desproporcional do terço facial inferior (CAPELOZZA FILHO,
2004). Devido a padronização no presente estudo de trabalhar apenas com fotos em norma
lateral, não foi realizada análise para os Padrões Face Longa e Face Curta, já que os mesmos
são melhores avaliados por fotos em norma frontal.
Os resultados da presente pesquisa mostram haver associação entre a nota recebida
pelo indivíduo para a estética do perfil facial e o padrão facial, observando o ângulo de
convexidade facial. Capelozza Filho et al (2011) também observaram entre as variáveis do
perfil avaliadas, a associação entre a nota recebida para a estética do perfil facial e os ângulos
de convexidade facial e do terço inferior da face, o ângulo de convexidade facial é
extremamente sensível às discrepâncias esqueléticas sagitais. Pode-se deduzir que perfis cuja
convexidade é aumentada ou reduzida em relação aos perfis equilibrados (Padrão I) são
considerados esteticamente menos agradáveis.
Na presente pesquisa observou-se maior aceitação dos perfis em que havia projeção
maxilar ou biprotrusão em detrimento dos perfis com projeção mandibular, justificando desta
forma a maior procura e aceitação dos pacientes padrão III cirúrgicos pela cirurgia ortognática
do que os pacientes padrão II cirúrgico, como observado no trabalho de Capelozza Filho et al
(2011), devido ao impacto dessa discrepância na estética facial. Esse fato confirma também as
afirmativas de Vasconcelos e Feres (2009), os quais sugerem que a sociedade hoje aprecia
indivíduos com lábios e um perfil facial mais protruso.
Os resultados apresentados mostram que houve associação entre agradabilidade facial
e protrusão ou retrusão maxilar e/ou mandibular para todos os grupos de avaliadores. A
maioria dos perfis considerados agradáveis foram referentes as imagens originais, ou seja,
apresentavam perfis equilibrados. As imagens consideradas mais desagradáveis pelos
avaliadores referem-se as com protrusão mandibular ou retrusão maxilar, caracterizando o
perfil facial côncavo, referente ao Padrão III. Quando se considera a distribuição por sexos, os
perfis equilibrados masculino e feminino foram considerados os mais atraentes por todos os
grupos de avaliadores, sendo que o perfil masculino com retrusão mandibular foi o
considerado menos atraente, corroborando com a análise realizada por Neto (2008) na qual se
observou que tanto a retrusão como a protrusão mandibular foram os considerados menos
atraentes.
Arqoub e Al-khateeb (2011) observaram que os perfis característicos do Padrão I
foram os mais atrativos e os do Padrão II masculino e feminino foram os menos atrativos,
contrapondo-se com o observado no presente estudo em que os perfis Padrão III foram os
31
considerados mais desagradáveis. Mas o autor relata que o gênero tem uma influência
limitada na percepção da atratividade, entretanto observou diferença significante entre a
percepção de atratividade dos perfis entre leigos e ortodontistas.
Morihisa e Maltagliati (2009) também confirmam a hipótese de que indivíduos Padrão
I, considerados com equilíbrio facial, sagitalmente apresentam maior aceitabilidade que
indivíduos Padrão II ou III, que mostram mais evidentemente suas discrepâncias esqueléticofaciais.
O padrão III foi considerado mais aceitável para o sexo masculino do que para o sexo
feminino, demonstrando que o aumento da convexidade facial no sexo feminino e a redução
no masculino são esteticamente aceitáveis (REIS et al, 2011).
Os cirurgiões plásticos foram o grupo mais crítico, o de bucomaxilos o menos rigoroso
e detectou-se uma distribuição menos discrepante entre os grupos de ortodontistas e leigos.
Este alto critério dos leigos em comparação ao de profissionais como os cirurgiões
bucomaxilos também foi observado no estudo de Cavichiolo (2010) e pode ser justificado,
como aponta o estudo de Carvalho (2007), pelo fato dos leigos utilizarem referências estéticas
distintas, que podem estar baseadas em parâmetros de beleza facial disponibilizados na mídia,
os quais representam uma superioridade de agradabilidade em relação à média populacional;
os profissionais baseiam-se em parâmetros técnicos de proporcionalidade e harmonia facial,
que nem sempre representam uma face bela. Entretanto, esta observação contrasta com o
encontrado por Rino Neto (2008) em que a avaliação do perfil pelos leigos evidenciou maior
tolerância.
Vários estudos já tentaram determinar as características e estruturas faciais
responsáveis por uma aparência estética agradável ou desagradável, entretanto, o conceito de
beleza é constantemente alterado ao sofrer influencias da sociedade, mídia e momento
histórico. Alguns estudos, como o de Picolo (2009) associam a agradabilidade do perfil facial
a um equilíbrio e harmonia entre as partes. Outros estudos, como de Cadena e Guerra (2006)
relatam que a classificação estética dos perfis depende não apenas do avaliado, mas também
do sentimento despertado pelo mesmo no avaliador. O presente estudo identificou a maxila,
mandíbula, lábios e nariz como as partes fundamentais na avaliação da estética. A face
equilibrada foi vista como uma unidade, já as faces desagradáveis e aceitáveis atraiam a
atenção para determinados pontos.
Nesta pesquisa, para identificar as estruturas faciais associadas à aparência estética
desagradável, os avaliadores justificaram quando classificavam um indivíduo como
esteticamente desagradável ou aceitável, sendo que em 35% das justificativas a mandíbula foi
32
a estrutura responsabilizada, seguida pela maxila (16%), lábios (15%) e nariz (10%). Já no
estudo de Reis et al (2006), em 38,35% das justificativas para desagradabilidade, o nariz foi
apontado, em 18,9% o mento, seguidos pelo ângulo queixo pescoço e lábios. Tal estudo
contrapõe-se a presente pesquisa pelo fato da convexidade facial estar presente nas faces mais
desagradáveis.
No estudo de Reis et al (2011), a convexidade do perfil facial e a projeção anterior do
mento foram, entre os fatores avaliados, os determinantes para a estética do perfil facial.
Trevisan e Gil (2006) perceberam que, pela frequência das respostas dos avaliadores, os
lábios, o nariz e o mento são responsáveis pela agradabilidade ou não do perfil facial,
merecendo atenção especial dos profissionais.
Tais dados indicam quais estruturas devem ter atenção especial dos profissionais,
assim como mostram a importância da análise facial subjetiva como norteadora na decisão
sobre tratar cirúrgica ou compensatoriamente um caso limítrofe.
Cunha (2011) mostrou a importância de aliar as análises cefalométrica, facial e de
modelos e a auto-percepção do paciente na elaboração do diagnóstico de um tratamento
ortodôntico, evidenciando as virtudes e os pontos fracos de cada método, além da influência
de cada um na busca de um diagnóstico completo. O que também foi tratado por Mendes em
2011, que, ao comparar várias análises cefalométricas, chamou a atenção para o fato de que
um mesmo paciente avaliado por diferentes análises pode gerar diagnósticos diferentes,
existindo o risco de piorar a condição estética ao elaborar planos de tratamento baseados
apenas na análise cefalométrica.
Desta forma, é fundamental que os profissionais reconheçam o papel da avaliação da
agradabilidade por parte do paciente e da análise facial subjetiva no arsenal de recursos de
diagnóstico e planejamento dos casos ortodônticos.
33
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através dos resultados obtidos e da avaliação dos estudos presentes na literatura,
pode-se observar a validade da análise de agradabilidade dos perfis faciais através das
fotografias na elaboração do diagnóstico e planejamento dos casos clínicos, aliada aos outros
exames ortodônticos. E que a estética facial está intimamente ligada a proporção entre as
estruturas faciais, enfatizando-se a maxila, mandíbula, nariz e lábios.
Observou-se também a associação entre Padrão e estética facial, e não entre o sexo e a
avaliação estética do perfil. O perfil equilibrado como sendo o preferido esteticamente,
seguido pelo perfil convexo e o côncavo considerado menos estético.
O presente estudo chama a atenção para que os profissionais de saúde estejam atentos
às expectativas dos pacientes, lembrando que nem sempre as preferências estéticas embasadas
cientificamente são aceitas pelos pacientes, tentando obter resultados com uma estética e
função satisfatórias.
Sugere-se, para trabalhos futuros, que se utilize uma amostra maior, para verificar a
concordância dos resultados.
34
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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MENDES, E.J. Análise facial em ortodontia. Dissertação (Mestrado em Cirurgia Ortognática
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36
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Dental Students and Orthodontic Patients. The Angle Orthodontist, v. 78, n. 6, p. 983-987,
nov. 2008.
37
ANEXO I
Imagens na ordem em que foram apresentadas aos avaliadores.
01- Retrusão mandibular
02- Protrusão maxilar
03- Protrusão mandibular
04- Retrusão mandibular
05- Original
06- Biprotrusão
07- Retrusão maxilar
08- Original
09- Retrusão mandibular
38
10- Protrusão maxilar
11- Original
12- Retrusão mandibular
13- Retrusão maxilar
14- Retrusão maxilar
15- Biprotrusão
16- Biprotrusão
17- Protrusão mandibular
18- Retrusão mandibular
39
19- Biprotrusão
20- Retrusão maxilar
22- Retrusão maxilar
23- Biprotrusão
25- Protrusão mandibular
26- Original
21- Original
24- Protrusão mandibular
27- Retrusão mandibular
40
28- Protrusão mandibular
31- Retrusão maxilar
34- Retrusão mandibular
29- Original
32- Protrusão mandibular
35- Protrusão maxilar
30- Biprotrusão
33- Protrusão maxilar
36- Protrusão maxilar
41
ANEXO II
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
O (a) Sr (a) está sendo convidado (a) para participar como voluntário (a) do
estudo “Estudo da agradabilidade facial para a população do nordeste brasileiro”, sob
a responsabilidade da pesquisadora Mariana Cláudia Almeida Dias, cirurgiã-dentista
CROBA 11143 e estudante do Curso de Especialização em Ortodontia da FUNORTE /
Núcleo Feira de Santana - Bahia, o qual pretende avaliar os padrões faciais mais aceitáveis
por profissionais de saúde e leigos da cidade de Feira de Santana, com o objetivo de
contribuir com o estudo do diagnóstico ortodôntico e das análises faciais, respeitando a
individualidade e opinião de cada paciente.
Sua participação é voluntária e se dará da seguinte maneira: sua foto facial de
perfil será manipulada em um programa de computador de forma que represente outros
tipos faciais, sua foto original e as manipuladas serão impressas em um formulário e
apresentadas a 20 entrevistados (ortodontistas, leigos em avaliação facial, cirurgiões
plásticos e cirurgiões bucomaxilofaciais) que responderão individualmente a um questionário
através do qual darão notas para avaliar as faces que mais os atraem, indicando também
qual estrutura foi fundamental para determinar sua nota.
Os riscos à sua saúde física e mental decorrentes de sua participação na
pesquisa são mínimos, por se tratar de um estudo estatístico.
Se depois de consentir em sua participação o (a) Sr (a) desistir de continuar
participando, tem o direito e a liberdade de retirar seu consentimento em qualquer fase da
pesquisa, seja antes ou depois da coleta dos dados, independente do motivo e sem nenhum
prejuízo a sua pessoa. O (a) Sr (a) não terá nenhuma despesa e também não receberá
nenhuma remuneração. Os resultados da pesquisa serão analisados e publicados em meio
científico, mas sua identidade não será divulgada, sendo guardada em sigilo. Para qualquer
outra informação, o (a) Sr (a) poderá entrar em contato com a pesquisadora no endereço
Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, 267, Capuchinhos, Feira de Santana, Bahia, pelo telefone
(75)88063070 ou (75)36223757.
Consentimento Pós–Informação
Eu,___________________________________________________________, concordo em
participar desta pesquisa e declaro que fui devidamente informado e esclarecido sobre a
pesquisa e os procedimentos nela envolvidos. Este documento é emitido em duas vias que
serão ambas assinadas por mim e pelo pesquisador, ficando uma via com cada um de nós.
_________________________________________
ou impressão datiloscópica do participante
_________________________________________
Assinatura do Pesquisador Responsável
Data: ___/ ____/ _____ Assinatura
42
ANEXO III
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
O (a) Sr (a) está sendo convidado (a) para participar como voluntário (a) do
estudo “Estudo da agradabilidade facial para a população do nordeste brasileiro”, sob
a responsabilidade da pesquisadora Mariana Cláudia Almeida Dias, cirurgiã-dentista
CROBA 11143 e estudante do Curso de Especialização em Ortodontia da FUNORTE /
Núcleo Feira de Santana - Bahia, o qual pretende avaliar os padrões faciais mais aceitáveis
por profissionais de saúde e leigos da cidade de Feira de Santana, com o objetivo de
contribuir com o estudo do diagnóstico ortodôntico e das análises faciais, respeitando a
individualidade e opinião de cada paciente.
Sua participação é voluntária e se dará da seguinte maneira: seis pacientes da
Clínica de Especialização em Ortodontia, FUNORTE / Núcleo Feira de Santana-Bahia terão
suas fotos faciais de perfil manipuladas em programa de computador de forma que
representem outros tipos faciais, as fotos originais e as manipuladas serão organizadas
aleatoriamente em um formulário e apresentadas a você e mais 19 avaliadores
(ortodontistas, leigos em avaliação facial, cirurgiões plásticos e cirurgiões bucomaxilofaciais)
que responderão individualmente a um questionário através do qual darão notas para avaliar
as faces que mais os atraem, indicando também qual estrutura foi fundamental para
determinar sua nota.
Os riscos à sua saúde física e mental decorrentes de sua participação na
pesquisa são mínimos, por se tratar apenas de questionário de perguntas e respostas.
Se depois de consentir em sua participação o (a) Sr (a) desistir de continuar
participando, tem o direito e a liberdade de retirar seu consentimento em qualquer fase da
pesquisa, seja antes ou depois da coleta dos dados, independente do motivo e sem nenhum
prejuízo a sua pessoa. O (a) Sr (a) não terá nenhuma despesa e também não receberá
nenhuma remuneração. Os resultados da pesquisa serão analisados e publicados em meio
científico, mas sua identidade não será divulgada, sendo guardada em sigilo. Para qualquer
outra informação, o (a) Sr (a) poderá entrar em contato com a pesquisadora no endereço
Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, 267, Capuchinhos, Feira de Santana, Bahia, pelo telefone
(75)88063070 ou (75)36223757.
Consentimento Pós–Informação
Eu,___________________________________________________________, concordo em
participar desta pesquisa e declaro que fui devidamente informado e esclarecido sobre a
pesquisa e os procedimentos nela envolvidos. Este documento é emitido em duas vias que
serão ambas assinadas por mim e pelo pesquisador, ficando uma via com cada um de nós.
_________________________________________
ou impressão datiloscópica do participante
_________________________________________
Assinatura do Pesquisador Responsável
Data: ___/ ____/ _____ Assinatura
43
ANEXO IV
QUESTIONÁRIO
Nome:
Classificação:
Analise as imagens apresentadas individualmente e utilize as notas: entre 0 a 3 para as faces
consideradas esteticamente desagradáveis, 4 a 7 para as consideradas esteticamente aceitáveis e 8
a 10 para as consideradas esteticamente agradáveis. Cite qual estrutura facial foi determinante, o
motivo principal, para a atribuição de cada nota.
Imagem 01
Imagem 06
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 02
Imagem 07
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 03
Imagem 08
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 04
Imagem 09
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 05
Imagem 10
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
44
Imagem 11
Imagem 19
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 12
Imagem 20
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 13
Imagem 21
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 14
Imagem 22
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 15
Imagem 23
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 16
Imagem 24
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 17
Imagem 25
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 18
Imagem 26
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
45
Imagem 27
Imagem 32
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 28
Imagem 33
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 29
Imagem 34
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 30
Imagem 35
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
Imagem 31
Imagem 36
Nota:__________
Nota:__________
Motivo principal:________________
Motivo principal:________________
_____________________________
_____________________________
46
Download

estudo da agradabilidade facial para a população do