1 IMAGENS E O ENSINO DO LUGAR EM FEIRA DE SANTANA: CONHECENDO OS PROCESSOS DE MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NOS NÍVEIS FUNDAMENTAL E MÉDIO Daiane Correia de Vasconcelos Cléa Cardoso da Rocha RESUMO: Este trabalho pretende discutir os resultados da pesquisa de Iniciação Científica “Imagens e o Ensino do Lugar em Feira de Santana: Conhecendo os Processos de Mediação Pedagógica nos Níveis Fundamental e Médio”. As perguntas norteadoras desta pesquisa foram: Os professores de geografia utilizam imagens nas suas aulas, com destaque para a apropriação do conceito de lugar, em especial da cidade de Feira de Santana? Se as usam de que maneira o fazem? Quais imagens são relacionadas aos conteúdos abordados? De que maneira nós (pesquisadores e professores) poderemos contribuir para a prática docente e o ensino e aprendizagem de geografia? Para responder a essas perguntas emprendeu-se os seguintes objetivos: Conhecer os processos de mediação pedagógica dos professores de geografia dos níveis fundamental e médio sobre ensino do lugar tendo como referência o uso de imagens; Diagnosticar se os professores utilizam imagens de Feira de Santana como recurso didático pedagógico; Identificar os temas/conteúdos abordados na elaboração de material didático-pedagógico utilizando imagens de Feira de Santana pelos professores do nível básico de ensino; e Levantar e analisar os recursos imagéticos empregados pelos professores em suas aulas. Para atingir aos objetivos propostos os métodos empregados foram: Levantamento bibliográfico sobre as temáticas da pesquisa; Discussão dos conceitos e delimitação teórica da pesquisa no âmbito do Grupo de Estudos Lugar; Observações numa escola da Rede Estadual de Ensino de Feira de Santana e participação no Projeto Ciência na Escola; Análise dos planejamentos anuais de Geografia do colégio investigado; Aplicação de questionários aos professores de Geografia; Sistematização e análise dos resultados. A partir dos dados coletados na escola investigada, foram levantadas informações como: formação docente; utilização de imagens nas aulas de Geografia; articulação entre os conteúdos com o espaço de vivência do aluno; que evidenciaram questões importantes para a construção desse trabalho. Palavras-chave: imagem, lugar, mediação pedagógica. 2 1. INTRODUÇÃO Diante das mudanças na dinâmica mundial e, consequentemente, no ensino de forma geral, compreender o lugar de vivência, se apresenta como uma importante demanda em um cenário onde o processo de globalização rompe fronteiras e se materializa nos lugares, transformando relações cotidianas historicamente estabelecidas, resultando num sentimento de estranhamento dos seus habitantes. A escola tem um relevante papel de desenvolver um ensino-aprendizagem que possibilite ao aluno entender essas constantes transformações da sociedade contemporânea, ou como salienta Vesentini (2003, p. 22), que faça o aluno “compreender o mundo em que vive, da escala local até a planetária, dos problemas ambientais até os econômicos-culturais”. O uso de imagens como recurso didático-pedagógico pode trazer grandes contribuições ao processo de ensino-aprendizagem, no entanto, o seu uso ainda é muito limitado. Para Katuta (2007) as imagens são indícios, testemunhas oculares, são representações e registros da geograficidades e estão ligadas ao modo de produção das sociedades. Portanto, sua utilização torna-se imprescindível para a construção do conhecimento geográfico. No processo de ensino-aprendizagem, a imagem ao ser utilizada de forma apropriada “auxilia a desenvolver o conhecimento sobre o assunto e a refletir sobre uma gama abrangente de processos que vão desde os processos culturais, simbólicos, de comunicação, de percepção, de cognição, assim como os que envolvem a expressão” (COLE, 2007, p. 1). Acredita-se que a articulação dos conteúdos geográficos com a realidade do aluno, sobretudo com o auxílio das imagens, possibilita que este construa seu próprio conhecimento. Nessa perspectiva, é relevante o papel do professor na condição de mediador entre o saber científico e a realidade do aluno. Masetto (2000) compreende por mediação pedagógica a atitude e o comportamento docente enquanto um facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem, apresentando-se como uma ponte – não estática – entre o aprendiz e sua aprendizagem. As informações aqui presentes referem-se aos resultados obtidos na pesquisa de Iniciação Científica “Imagens e ensino do lugar em Feira de Santana: conhecendo os processos de mediação pedagógica nos níveis fundamental e médio”, abrangendo o período de 01 de outubro de 2013 a 31 de julho de 2014. Esta pesquisa propôs-se a responder alguns questionamentos: Os professores de geografia utilizam imagens nas suas aulas com destaque para a apropriação do conceito de lugar, em especial da cidade 3 de Feira de Santana? Se as usam de que maneira o fazem? Quais imagens são relacionadas aos conteúdos abordados? Para o desenvolvimento desta pesquisa foram feitas observações num colégio da Rede Estadual de Ensino de Feira de Santana, que se localiza em um dos maiores bairros de Feira de Santana, em termos de população e extensão territorial. Esta instituição funciona a mais de 30 anos, sendo mantida por uma corporação e pela Secretaria de Educação e Cultura (SEC). Os alunos são, majoritariamente, filhos de funcionários públicos residentes de vários bairros de Feira de Santana e, também, de cidades circunvizinhas. A partir das observações e dos dados coletados no colégio investigado, foram levantadas informações a respeito da formação docente e do uso de imagens nas aulas de Geografia em que são trabalhados conteúdos referentes à Feira de Santana, a exemplo de: fotografias, desenhos e mapas. Notou-se que os professores articulam os conteúdos com o espaço de vivência, considerando esta articulação como um facilitador no processo de aprendizagem. 2. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 2.1. Participação no Projeto Ciência na Escola Ao estabelecer contato com um colégio da Rede Estadual de Ensino para realizar as observações na mesma, foi-nos feito o convite para participar do Projeto Ciência na Escola. Este projeto buscou analisar os impactos socioambientais da comunidade de Três Riachos sobre um trecho da sub-bacia do Rio Jacuípe e as consequências para a saúde da comunidade. Nossa participação aconteceu através da orientação para elaboração do questionário pelos alunos sobre o meio ambiente e o lugar e, acompanhamento da atividade de campo em colaboração com um professor de geografia da escola campo de pesquisa. Visando atender ao objetivo proposto, foi feito um plano de aula objetivando diagnosticar o que os alunos compreendem por lugar para, a partir daí, relacioná-lo com o conhecimento científico de lugar, fundamentado na fenomenologia (Geografia CríticaHumanista) e, posteriormente, elaborar um questionário abarcando questões sobre lugar e meio ambiente. Durante a visita a Comunidade Três Riachos, foram realizados: a apresentação da situação problema, o reconhecimento da área de estudo e a aplicação do questionário. 4 Durante a atividade de campo foi possível perceber que, dentre os alunos que estavam participando, alguns sequer sabiam da existência da comunidade, e isto se refletia também na comunidade local, que não conhecia aquela escola, apesar desta ser bastante notória no interior baiano. Muitos alunos chegaram à comunidade com uma imagem pré-concebida daquele lugar, que resultou no estranhamento dos mesmos ao ver a realidade daquele lugar. O questionário foi aplicado pelos alunos envolvidos com o projeto, e se apresentou como um recurso importante para aproximar os alunos da população local, que posteriormente permitiu que os alunos dialogassem com eles para além dos questionários. A partir do momento que os alunos passaram a conhecer melhor a história daquele lugar e daquela comunidade e, ao dialogar com a população que ali vivia, aos poucos o sentimento de estranhamento por parte deles já não estava mais tão aparente, como, também, o estereótipo que eles tinham sobre aquela comunidade começou a ser rebatido. As análises aqui presentes referem-se, apenas, ao que foi percebido durante a realização da atividade e as informações contidas no banner, que apresenta o resultado do Projeto. Apesar da relevância que as questões sobre lugar tiveram para a coleta dos dados nesta Comunidade, no banner não foi ressaltado, por parte dos professores, em nenhum momento, a contribuição desta temática. Os autores afirmam, no mesmo material, que o Projeto foi importante, apenas, para a formação de conceitos relacionados ao mau uso dos recursos naturais e as consequências, tanto para o ambiente quanto para a saúde humana. Nota-se, a partir daí, a falta de articulação por parte dos professores, entre os conteúdos estudados e a formação dos conceitos, em especial com o ensino do lugar. 2.2. Elaboração e aplicação do questionário e análise do planejamento anual do Ensino Fundamental e Médio O estudo foi desenvolvido com todos os professores de geografia do colégio investigado, que corresponde a um total de 6 de professores, distribuídos da seguinte forma: 5 professores do Ensino Fundamental II e 1 professor do Ensino Médio. O questionário foi feito e aplicado com o objetivo de coletar dados acerca da formação profissional e das práticas docentes no que diz respeito ao estudo do lugar na escola. O instrumento elaborado e utilizado para a coleta de dados foi um questionário contendo 18 questões (sendo 11 questões mistas, ou seja, com alternativas fechadas e a 5 possibilidade de explicação ou inclusão de alternativas; 5 questões abertas; e 2 questões fechadas). O questionário foi entregue aos professores à medida que eram encontrados no colégio, durante os períodos de observação. Embora a maioria já tivessem conhecimento a respeito da pesquisa, foi reforçado quais seriam os objetivos e que o anonimato seria mantido, por questões éticas. Dos seis professores escolhidos para serem sujeitos desta pesquisa, apenas um não participou, por não ter respondido o questionário, mesmo lhe tendo sido entregue. Dos professores que fizeram parte da pesquisa, todos são formados pela Universidade Estadual de Feira de Santana, na modalidade presencial. Destes, dois são Licenciados em Geografia e possuem especialização; dois apenas graduação em Licenciatura em Geografia; e um é Licenciado em Estudos Sociais. Todos possuem mais de dez anos de experiência em sala de aula e destes, quatro professores ensinam, também, em outro colégio para completar sua carga horária; o único professor que não trabalha em outra instituição completa sua carga horária com um cargo de gestão (totalizando 40h), no mesmo colégio, em turno oposto ao que leciona a disciplina de Geografia. Em relação à carga horária, três professores lecionam 40h semanais, sendo 20h no colégio investigado; e dois professores lecionam 60h semanais, sendo que um destes lecionam 20h no colégio investigado e 40h em outros colégios, e um deles leciona 40h no colégio investigado e 20h numa instituição de Ensino Superior. Todos os professores afirmaram trabalhar conteúdos geográficos relacionandoos com o espaço de vivência e acreditam que esta articulação contribui para a compreensão local-mundo do seu aluno. E, para realizar a articulação entre os conteúdos geográficos com o lugar e o cotidiano do aluno, os recursos utilizados nas aulas de Geografia são: livro didático (80%), mapas (80%), revista (80%), Datashow (60%), jornal (60%), retroprojetor (60%), computador (20%) e TV (20%). Dentre os professores investigados o único que diz não fazer uso de mapas, para articular lugar e cotidiano com os conteúdos geográficos em sala de aula, é o formado em Estudos Sociais. Todos os professores afirmaram trabalhar conteúdos referentes à Feira de Santana, e, para tanto, utilizam os seguintes recursos didáticos: jornal (80%), TV (80%), livro didático (60%), mapas (60%), revista (60%), Datashow (40%) e rádio (40%). A respeito do uso de imagens nas aulas de geografia, obteve-se que são usadas: charges (100%), fotografia (100%), mapas (80%), desenho (60%), vídeo (40%), 6 imagens de satélite (20%) e história em quadrinhos (20%). E ainda sobre o uso de imagens, agora no que se referem à abordagem de Feira de Santana nas aulas de geografia, 80% dos professores disseram que utilizam imagens, sendo assim: fotografia (60%), desenho (60%) e mapas (40%). Outra alternativa acrescentada foi o uso do celular nas aulas de Geografia, independente do conteúdo. Três professores afirmam utilizar recursos didáticos-pedagógicos de autoria própria, sendo que destes, um afirma utilizar, também, recursos didáticos-pedagógico de terceiros. A respeito da elaboração de materiais didáticos-pedagógicos que fizessem referência a Feira de Santana apenas um professor afirma que já produziu material, no entanto, pela ética adotada na pesquisa e pela falta de maiores informações à respeito, não foi possível identificar o material didático-pedagógico que foi produzido. Em diálogo com alguns professores percebeu-se que compreendem por material didático-pedagógico apenas ao livro didático. Possivelmente, por esta razão, não assinalaram a alternativa para confirmar a elaboração de material didático-pedagógico produzido por eles próprios. Percebeu-se, através das falas destes professores, que eles possuem uma concepção que se contrapõe a ideia de Fiscarelli (2007), visto que ela considera o material didático-pedagógico como todo ou qualquer material que o professor possa utilizar em sala de aula para auxiliar na construção do conhecimento, desde os mais simples como giz, a lousa, livro didático e textos impressos, até os materiais mais elaborados ou sofisticados. Por fim, os professores foram questionados sobre o interesse dos alunos nas aulas de Geografia ao relacionar o conteúdo geográfico com o espaço de vivência dos mesmos, e todos afirmam perceber maior interesse dos alunos pelas aulas. Em síntese, a partir das explicações dadas nas questões abertas do questionário, notou-se que os professores compreendem que a articulação conteúdos/lugar de vivência facilita os exemplos citados em aula, tornando-os compreensíveis, além de que esse “ver-se” no conteúdo trabalhado em sala proporciona condições para maior participação nas aulas, e isto desperta o interesse e possibilita que percebam a importância da geografia. A partir da sistematização e análise dos dados coletados do questionário aplicado para os professores do colégio investigado e da análise do planejamento anual do mesmo, notou-se uma divergência entre o que foi respondido no questionário e o que está sendo contemplado no planejamento anual de ensino. Os planejamentos não contemplam os resultados obtidos com a aplicação dos questionários. Os planejamentos são disponibilizados no site da instituição, no entanto existem algumas lacunas, a 7 exemplo dos 6º e 9º anos. Diante desta situação, surgem alguns questionamentos: Há uma atualização periódica dos planejamentos de geografia disponibilizados? O plano de ensino é realmente utilizado nas aulas de Geografia ou consiste num mero instrumento burocrático? O planejamento anual de ensino do colégio investigado é estruturado em: competências e habilidades, conteúdos, metodologia e avaliação. Sendo assim, serão feitas algumas considerações, de âmbito geral, a respeito do que está sendo contemplado no planejamento de Geografia, sua possível contribuição para a articulação dos conteúdos geográficos com o lugar de vivência do aluno ou com Feira de Santana e o uso de imagens como recurso didático-metodológico. Nos planejamentos do ensino médio não está explícito a intenção de utilizar como recurso a cidade de Feira de Santana. Tanto no 1º ano quanto no 3º ano, a única possibilidade apresentada no planejamento que pode propor uma articulação entre conteúdos estudados e o lugar de vivência está no objetivo de que pretende estabelecer relação entre os conteúdos estudados e o contexto social atual. No planejamento do 1º ano no tocante ao uso de imagens pretende-se desenvolver como competências e habilidades a interpretação de croquis, maquetes e perfis e ter noção das situações mais apropriadas para o uso de cada um, como, também, identificar os elementos representados em imagens de satélites. E no que se refere à aproximação entre o lugar de vivência e o conteúdo, é proposto identificar consequências do capitalismo relacionadas à sua realidade (do aluno) imediata. No planejamento do 2º ano pretende-se estabelecer relação entre os conteúdos estudados e o contexto social atual e valorizar a leitura de mapas. Quanto à metodologia, a imagem utilizada consiste nos estudos de mapas, vídeos, confeccção de jornal e cordel, apresentação de vídeo-aulas, confecção de painéis e mostra de filmes. O uso de imagens é contemplado nos planejamentos do 3º ano através dos objetivos propostos nas competências e habilidades, que consistem em compreender, ler e analisar os mapas; e na metodologia, as possibilidades de estudo e observação de imagens não são identificadas. Também há, na metodologia, o uso de filmes e o estudo de mapas, e a construção de maquetes dinâmicas, por exemplo. No planejamento do7º ano propõe-se como competências e habilidades definir a categoria geográfica lugar e como esta e outras categorias (território e região) se comportam diferenciadamente em relação às suas formas, processos e funções. Além disso, também é proposto estudar o lugar, incluindo sua formação e função a partir das 8 redes geográficas, no entanto, no planejamento não encontra explícito se haverá correlação com o lugar de vivência dos alunos e/ou Feira de Santana. Por fim, a competência e habilidade que mais se aproxima da análise do espaço de vivência do aluno pretende relacionar a situação geográfica de uma cidade com o “seu lugar” na hierarquia urbana, que acredita-se que seja o lugar do aluno. A respeito do uso de imagens, como recurso didático, no planejamento propõe-se utilizar mapas, globos e ilustrações. No planejamento do 8º ano a única aproximação do conteúdo estudado em sala de aula com o lugar de vivência dos alunos está no objetivo das competências e habilidades de compreender o mundo em que vive, porém não estabelece se o mundo será apresentado na escala global ou local ou em ambas as escalas, e se, consequentemente, condiz com a realidade vivida pelo aluno. E quanto às imagens os únicos recursos contemplados no planejamento são os filmes. A partir da análise dos planejamentos percebeu-se que nas aulas de Geografia propõem-se a utilização dos seguintes recursos imagéticos: croquis, maquetes, perfis, mapas, vídeos, filmes, globos, imagens de satélite e ilustrações; no entanto, também são contemplados outros tipos de recursos que tem a possibilidade de se apresentar como recurso imagético, a exemplo de: confecção de cordel, jornal e painéis, a depender de como serão trabalhados/utilizados estes recursos. 2.3. Observação das aulas de Geografia Durante as observações das aulas de Geografia percebeu-se, de um modo geral, que os professores fazem menção a Feira de Santana, no entanto, não aprofundam no assunto ou utilizam recursos sobre a cidade. Alguns professores ainda se prendem muito ao livro didático, diante disso perceberam-se algumas controvérsias entre o que foi respondido no questionário e o que foi notado em sala de aula. Outros professores vão além do livro didático e utilizam a lousa para representar aspectos importantes, através de desenhos, que facilitam a compreensão dos alunos e, também, tentam relacionar os conteúdos com o espaço de vivência, o que favorece a participação dos mesmos na aula, tornando as aulas mais interativas. Percebeu-se, também, que os professores não seguem o planejamento anual que está disponibilizado no site, logo, pode-se supor que os planejamentos são vistos burocraticamente e não como um roteiro para as aulas, uma questão a ser aprofundada nos próximos passos da pesquisa. 9 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Com a sistematização e análise dos dados coletados, percebeu-se que os professores não utilizam imagens nas aulas de geografia, tampouco utilizam Feira de Santana como conteúdo nas aulas, aparece apenas de forma ilustrativa, como exemplo de algum conteúdo. Isto reforça a necessidade de produção de material didáticopedagógico que auxilie na articulação dos conteúdos escolares com o espaço de vivência. Apesar dos professores realizarem Projetos sobre Feira de Santana, os mesmos não os veem como um recurso didático-pedagógico. Estas problemáticas (a ausência de imagens nas aulas e a concepção dos professores sobre material didático-pedagógico associando-o apenas ao livro didático) encontradas ao longo da pesquisa podem ser justificadas por vários fatores, tais como: a falta de recursos didáticos-pedagógicos ou de uma infraestrutura adequada; a deficiência na formação dos professores e/ou nos cursos de formação continuada; ou, até mesmo, a acomodação com a metodologia utilizada nas aulas. Esta pesquisa consistiu basicamente num diagnóstico sobre o uso de imagens nas aulas de Geografia, com ênfase no ensino do lugar, pretende-se, nas próximas etapas identificar e discutir os fatores desta ausência do uso das imagens e do ensino de Feira de Santana, enquanto lugar. Além de propor/elaborar materiais didáticos-pedagógicos para serem usados/avaliados pelos professores. 4. REFERÊNCIAS COLE, Ariane Daniela. Imagem, percepção e processo de criação: paisagens urbanas. III Fórum de Pesquisa FAU - Mackenzie, 2007. FISCARELLI, Rosilene Batista de Oliveira. Material didático: discursos e saberes. Araraquara, SP: Junqueira e Marin, 2008. KATUTA, Ângela Massumi. A Educação docente: (re)pensando as suas práticas e linguagens. Terra Livre, n. 28, São Paulo, p. 221-238, 2007. MASETTO, Marcos Tarciso. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: BEHRENS, Marilda Aparecida; MASETTO, Marcos Tarciso; MORAN, José Manuel. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 10 ed. Campinas, SP: Papirus, 2000. p. 133-173. 10 VESENTINI, José William. Educação e ensino de Geografia: instrumento de dominação e/ou de libertação. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2003.