Dissertações
163
A FUNDAMENTAÇÃO METAFÍSICA DA ESPERANÇA EM GABRIEL MARCEL
por A n t ó n i o Batista Pinela
Dissertação de Mestrado em Filosofia, Faculdade de Letras da Universidade de
Lisboa, Lisboa, 1996, 273 pp.
Quando iniciámos o estudo da filosofia de Gabriel Mareei, ficámos com a
i m p r e s s ã o de que ele n ã o era muito lido entre nós, impressão que, infelizmente,
se veio a confirmar.
S a b í a m o s , no entanto, que Manuel Antunes escrevera, em Novembro de
1973, logo após a morte do filósofo (8.10.1973), que ele se revelara "um dos
mais lúcidos, mais livres e mais preocupados defensores do humano no homem,
no que vai do século" (Manuel Antunes, "Occasionalia".
Homens e Ideias de
Ontem e de Hoje, Lisboa, Multinova, 1980, 409). E um pouco mais a diante, é
ainda Manuel Antunes que chama a Gabriel Mareei "um sage que soube ver, escutar e discernir, apontando os caminhos a trilhar e os caminhos a evitar"
(ib., 410)
T ã o elogiosas referências aguçaram o nosso espírito: q u e r í a m o s ter mais informação sobre o filósofo francês. Por isso, nos aventurámos na pesquisa das
suas ideias, mais precisamente daquelas que se prendem mais directamente com
o tema da nossa dissertação: A Fundamentação
Metafísica da
Esperança.
Para fundamentar a nossa pesquisa, n ã o fomos além de um exame fenotnenológico da situações concretas, que é a metodologia seguida por Mareei. Queremos dizer com isto, que o tema em apreço n ã o c um estudo teológico, mas sim
filosófico, embora n ã o deixemos de abordar, sempre que necessário, os valores
religiosos que implicam a e s p e r a n ç a humana.
Com efeito, a nossa reflexão visa expor, tanto quanto o nosso saber o
permitir, o pensamento marceliano da esperança, entendida esta como uma resposta credível para chamar a atenção dos graves problemas que atormentam o
homem do nosso tempo, que, n ã o raro, mergulha nas profundezas da descrença,
que é o caminho mais curto que conduz o homem ao desespero.
A esperança
é um daqueles temas que tem sido pouco tratado entre nós,
muito menos, ainda, tem havido a p r e o c u p a ç ã o de observar em que se fundamenta. Talvez que seja considerada assunto menor da Filosofia! N o entanto, ela é
permanentemente evocada por todos n ó s .
Se tudo nos corre bem, diremos: "Eu tinha a esperança de que assim seria".
Se as coisas não v ã o pelo melhor, t a m b é m não desistimos: "Tenho esperança de
que da p r ó x i m a vez é que é!"
Gabriel Mareei fala-nos destas questões. Procura esclarecer o sentido da
esperança,
em que se fundamenta e qual a sua eficácia. Quisemos, por isso,
compreender a importância das suas preocupações neste plano da vida humana.
164
Dissertações
Gabriel Mareei faz parte de uma geração de filósofos, cuja e s p e c u l a ç ã o filosófica tem como ponto de partida a sua própria experiência pessoal. Ele recusa
conceber a vida enquadrada num sistema, porque, segundo ele, não existem sistemas de vida, mas unicamente sistemas de pensamento. Com efeito, não é sensato pretender enquadrar o ser humano, com todas as suas fraquezas, vícios e virtudes, vontades e particularidades, em sistemas pré-determinados.
Gabriel Mareei está plenamente convencido de que só no quadro de uma f i losofia concreta é possível pensar e compreender o homem, mas o homem das v i vências reais, aquelas que cada um vive.
Anti-intelectualista convicto, interessa-lhe simplesmente o ser concreto e
individual. O filósofo é, aliás, hostil à racionalização e à conceptualização da
vida, uma vez, que estas "faculdades" descambam facilmente para a generalização
e, consequentemente, para o plano do abstracto. E o filósofo, escreve ele, só pode
contribuir
para salvar o homem de si mesmo, mostrando sem piedade nem
descanso as devastações
causadas pelo espírito de
abstracção.
Porque não é u m defensor do espírito abstracto, Gabriel Mareei n ã o pretende construir, com o seu pensamento filosófico, um sistema para ser seguido.
Pretende, apenas, com a sua metodologia, descrever
as experiências
vividas,
como, por exemplo, a experiência da sua própria conversão, que é uma experiência única e pessoal, sentida e conhecida apenas por quem a vive.
Esta ou quaisquer outras experiências pessoais não podem ser transmitidas
exactamente como se relata u m acontecimento observado ou uma fórmula científica. Na hipotética t r a n s m i s s ã o escaparia sempre a d i m e n s ã o da vivência que n ã o
pode ser dada, por ser única. Deste modo, uma vez que as vivências não se determinam nem se enquadram por quaisquer fórmulas a priori, as experiências pessoais subtraem-se aos m é t o d o s e aos sistemas.
Eis porque Gabriel Mareei se escusou a imaginar qualquer novo sistema de
e s p e c u l a ç ã o filosófica. A sua e s p e c u l a ç ã o , como ele faz q u e s t ã o de sublinhar, resume-se a alguns lineamentos de uma filosofia que se preocupa com o homem em
situação e as experiência por si vividas.
A metodologia marceliana consiste, por conseguinte, em irmos ao encontro
"do nosso próprio eu" e apreender o que h á de mais original e pessoal em nós, no
sentido de compreendermos o ser que somos enquanto estamos em situação, enquanto vivemos cada situação. E este percurso reflexivo que permite descobrir o
sentido e o valor filosófico da vida.
E esta experiência pura que consultamos e evocamos, enquanto seres-a- -caminho; é esta a e x p e r i ê n c i a que Mareei denomina de existencial,
porque ela
nos faz participar na vida por inteiro.
A experiência pessoal e concreta, aquela que mais p r e o c u p a ç õ e s nos traz,
podemos, assim, traduzi-la pelas situações de cativeiro por que passa o ser humano, como s ã o as d o e n ç a s , a perda de um familiar, da liberdade ou de outras contrariedades da vida. Por tudo isto, o homem está sujeito a desesperar.
No entanto, e apesar de todos os obstáculos, o homem tem uma enorme capacidade de r e n o v a ç ã o da esperança. C o m efeito, esta é, ao mesmo tempo, uma
Dissertações
165
atitude espiritual perante o conhecimento das situações dramáticas e uma resposta a essas mesmas situações. É uma atitude espiritual, na medida em que o
homem de e s p e r a n ç a vive em estado de disponibilidade c de crença na possibilidade da s u p e r a ç ã o daquelas situações. É uma resposta, porque não se deixa
inebriar pelo quadro desesperante em que está envolvido.
É esta c r e n ç a na e s p e r a n ç a que faz com que o homem seja capaz de restaurar a integridade que, n ã o raro, julga perdida.
N o contexto da filosofia marceliana, esta crença relaciona-se com a ideia de
salvação, ao acreditarmos que a nossa existência pode ser salva do sofrimento
que nos tortura no momento. Mas esta salvação não depende de n ó s . Quando
s o b r e v ê m as situações-limite
como que nos entregamos não a algo que está ali
diante de nós, que vemos e tocamos, mas a algo que transcende o nosso próprio
ser, c no qual acreditamos.
Deste modo, conscientes das nossas limitações, e acreditando que nem tudo
está perdido, somos capazes de superar dificuldades e, até, de nos libertar do sentimento de que estamos num impasse. Tanto assim é, que mesmo nas situações
mais d r a m á t i c a s n ã o desistimos de acreditar na possibilidade de um milagre. Para
tanto, basta que saibamos esperar. Mas "que espero eu?" Naturalmente que espero a cura para a dor que me atormenta, o conforto para o mal estar que me degrada, a paz espiritual para o meu desassossego e d e s â n i m o . Esta é a realidade que
eu espero. N o entanto, como nem sempre assim acontece, o desespero assoma.
A este propósito, é oportuno salientar que esperar não significa esperar que
algo aconteça. O simples acto de esperar é aberto à novidade, é nele que se faz
sentir a luz velada da e s p e r a n ç a e se define o essencial da transcendência;
enquanto esperar que quadra-se mais no âmbito do simples desejo, e desejar é
sempre desejar qualquer coisa, e se aquele não se efectiva consuma-se a degrad a ç ã o da esperança. É por isso que Mareei insiste em dizer que é necessário distinguir entre o desejo e a esperança, uma vez que estas dimensões da vida humana se situam em planos distintos da vida espiritual: aquele está ligado a uma
expectativa, enquanto que esta n ã o é expectante, mas sim é uma virtude, tal como
a fé ou a caridade.
A e s p e r a n ç a t a m b é m é diferente do temor. Este liga-se directamente ao sentimento de incapacidade de realizar objectivos e a perdas materiais ou da própria
vida. Por conseguinte, enquanto que o desejo e o temor se situam no mesmo
plano, a saber, no plano do ter, a esperança manifesta-se noutro, o plano do ser.
Naturalmente que o homem não pode deixar de ter. Para além do seu corpo,
ele tem os bens de que necessita, tem vícios e virtudes. Que fazer, então, para que
não sejamos desnaturados pela avidez do ter? Ter c o m medida, parece ser o ensinamento do autor de Être et Avoir, abrindo-nos ao desconhecido e ao mistério,
que, pela sua natureza, escapam à objectivação do ter, controlando os impulsos
deste e aproximando-nos do ser. Na perspectiva do filósofo, abrir-se ao mistério
significa a necessidade de abrir-se aos outros, à c o m u n h ã o , disponibilizando-se,
uma vez que se observa no tempo hodierno fortes sinais de
indisponibilidade.
S i t u a ç ã o que se traduz de várias formas: desprezo pelos valores humanos, inca-
166
Dissertações
paridade para ouvir os outros [falta de comunicação], desagregação da família, etc.
Esta abertura espiritual leva o homem a compreender que a provação
faz
parte integrante do ser humano, e que é no amor, na intersubjectividade, na partic i p a ç ã o e na t r a n s c e n d ê n c i a que ele pode encontrar r e m é d i o e alívio para a sua
dor e, ao mesmo tempo, o caminho da verdade. É esta pré-disposição que faz
com que o homem viva em situação de esperança, mesmo que os escolhos dificultem a caminhada.
O afastamento da vida do mistério é, talvez, a causa principal de uma certa
indisponibilidade e de um certo fechamento do homem sobre si mesmo. Esta atitude, isoladora do homem, tem produzido os piores exemplos de desumanidade,
traduzidos por guerras, d e p o r t a ç õ e s , massacres, miséria, d e s a g r e g a ç ã o das famílias, morte e destruição.
Ainda assim, é nesta situação que persiste em emergir a relação humana que
se expressa pelo simples acto de esperar, significando este a firme disposição i n terior de n ã o capitular e de retomar constantemente o esforço que há-de levar o
homem, para além de todos os obstáculos, ao termo do seu itinerário. Neste sentido, a afirmação da e s p e r a n ç a corresponde à faculdade de se poder retomar um
novo percurso, de se poder reiniciar uma nova partida.
Com efeito, afirmar a e s p e r a n ç a é afirmar que há no ser, independentemente
de tudo o que é dado, de tudo quanto pode ser calculado, um princípio misterioso
que Mareei denomina o mistério
ontológico.
Esta afirmação ocorre quando eu acredito plenamente que esperar, em qualquer situação de cativeiro, é sentir que não estou sozinho e que a situação se resolverá, mesmo que no decorrer do meu percurso subsistam contrariedades que
possam conduzir-me ao desespero.
Desesperar parece ser, aliás, uma c o n d i ç ã o da situação humana. Porquanto,
SÓ tem sentido falar de e s p e r a n ç a se admitirmos a possibilidade de estar sujeitos
a estados de desespero. Tanto aquela como este têm um lugar permanente na
nossa vida. N o entanto, a e s p e r a n ç a é como que uma força interior clarificadora
que se manifesta nas horas mais difíceis, enquanto que o desespero obscurece a
nossa capacidade de discernimento.
Diga-se, contudo, que s ã o os momentos difíceis da nossa existência que justificam as razões para esperar. Aliás, n i n g u é m espera sem motivos. O acto de
esperar está sempre justificado, basta que o homem creia na sua atitude para que
esta tenha valor. N ã o importa que outros julguem que ele n ã o tem razões para esperar. O outro é, neste caso, sempre um observador, mas este está de fora, vive o
acontecimento num segundo grau, ao contrário do sujeito da e s p e r a n ç a que está
directamente implicado numa situação, sem intermediação.
Queremos c o m isto dizer que a esperança, atitude misteriosa da vida, não
pode ser considerada do exterior. Ou seja, ela pode ser sujeita à reflexão analítica
enquanto objecto de estudo, n ã o enquanto vivência.
As vivências, por mais que sejam descritas por outrem, porque são pessoais
e intransmissíveis, escapam completamente ao critério da análise. Sc, por acaso,
pretendermos relatar uma vivência que n ã o é nossa, n ã o é esta que relatamos,
Dissertações
167
mas sim uma outra que j á n ã o é a original, visto que é uma e l a b o r a ç ã o pessoal do
observador sobre uma vivência de terceiros.
Apesar de a e s p e r a n ç a não se deixar submeter à objectivação, não quer
dizer que ela seja, apenas, uma disposição subjectiva, isto é, uma energia estimuladora da vida, capaz de possibilitar a realização do ser. A esperança não é, pois,
um simples estímulo subjectivo, mas sim um elemento do processo criador, pelo
qual a criação humana se realiza. Sem esta vitalidade interna nada de grandioso
seria feito. Se o homem cria é porque acredita no valor da sua criação, e ao criar
ele não está a pensar apenas em si, ele está a abrir-se ao exterior, está a descentrar-se e a subtrair-se à solidão.
Aliás, o acto de esperar exclui o sentimento de solidão e veicula a afirmaç ã o de um eu solidário, intersubjectivo e comunitário, isto é, de um nós. A esperança exclui todo o isolamento. Por conseguinte, onde há o nós há amor, e onde
há amor há esperança, e, desta maneira, as condições de desespero tendem a
ate nu ar-se.
P o r é m , sabemos que nem sempre o homem está disponível. S ã o as circunstâncias da vida que o fazem fechar-se em si próprio e, até, ao futuro.
Gabriel Mareei, conhecendo bem a situação do homem moderno, enfatiza a
i m p o r t â n c i a da disponibilidade e da noção de presença. Dirá ele que ser disponível é estar aberto aos outros quando eles necessitam de mim. E, neste caso, eu
sou uma p r e s e n ç a ao mesmo tempo que me disponibilizo. N o entanto, é preciso
acentuar que a p r e s e n ç a envolve a reciprocidade, sem a qual n ã o faz sentido falar
de disponibilidade, sem a qual nenhuma espiritualidade é concebível.
O registo próprio da m e d i t a ç ã o marceliana é, aliás, o registo espiritual, veículo p r ó p r i o para a restauração da integridade interior, cujo meio visível é precisamente a c o m u n h ã o . Neste sentido, a esperança é apresentada como forma
superior de participação. Sendo certo que esta só se realiza na c o m u n h ã o espiritual. É nesta c o m u n h ã o que esperar ganha o seu verdadeiro sentido, visto que es-
perar para mim é esperar para nós.
Em conformidade com o que tem sido dito, acresce dizer que o único caminho para superar o desespero é, de facto, a união convivencial e o amor. Seguro
desta realidade, Gabriel Mareei aconselha a multiplicação das relações humanas
e a lutar, com todas as forças, contra o anonimato descaracterizador da pessoa
humana, que vigora no tempo actual.
Enquanto filósofo da existência, o nosso autor não privilegia a afirmação do
eu. Reflectindo sobre si p r ó p r i o , conclui que a investigação filosófica se situa no
ponto de j u n ç ã o em que o eu encontra o outro. Era sua convicção de que o eu só
existe, na medida cm que existe para os outros, porque o ser é sempre coesse participação c comunicação.
Esta coexistência possibilita a abertura do eu aos outros e significa ascender
até â invocação, situação que pressupõe o sentimento da vivência em comunidade, em que a comunicação com o outro é realmente uma comunicação com o tu.
A relação entre aquele que espera e a realidade esperada toma, assim, a
forma de uma relação entre eu-tu, em que o tu é assumido como um T u absoluto.
168
Dissertações
R e l a ç ã o que constitui a essência profunda da esperança, uma vez que é nela que,
em última análise, nos confiamos.
A reflexão sobre a experiência humana, isto é, sobre o homem em situação,
mostra-nos que o homem só se d á conta desta confiança abrindo-se à transcend ê n c i a numa r e l a ç ã o pessoal. É por isso que se pode dizer que a e s p e r a n ç a está
para além de toda a vida particular e imediata, que é inseparável de uma fé e que
transcende todas as minhas possibilidades de realização.
Por conseguinte, a relação da p r o v a ç ã o com a e s p e r a n ç a tem um sentido específico: o caminho de Deus como T u supremo e transcendente que eu c o n h e ç o
pela fé, cuja invocação, a oração, permite a recuperação do meu ser, quando me
encontro em situação de perdição, prestes a desesperar.
Enfim, n ã o podemos deixar de concordar que a
esperança só se pode fun-
damentar em termos metafísicos, porque não é no eu, mas no tu e, particularmente, no Tu Absoluto que encontramos o alimento para a esperança.
As c o n s i d e r a ç õ e s de Gabriel Mareei acerca da e s p e r a n ç a metafísica convertem-se, em última análise, numa apologia do cristianismo, e n ã o podem ser desprezadas em nossos dias, de tal modo elas correspondem às necessidades espirituais em que vivemos.
Filósofo itinerante, Gabriel Mareei é um pensador para quem, o facto de
"estar-a-caminho", é o alvo e essência de todo o pensamento filosófico. E porque
a sua reflexão é uma filosofia da presença, da fé e da participação, o filósofo analisa profundamente o sentido da existência humana, na sua experiência concreta,
que faz da sua reflexão uma filosofia pessoal, aberta para o mundo e para Deus, e
tem na esperança metafísica a sua última e mais alta afirmação.
O pensamento de Gabriel Mareei, na época em que escreveu alguns dos
seus textos mais representativos, j á traduzia a noite sombria que invadia as consciências mais atentas. C o m efeito, o filósofo dá-se conta de que o homem
c o n t e m p o r â n e o está a deixar-se encaminhar para as fronteiras do.desespero. Por é m , afirma que mesmo nas horas mais dramáticas da vida humana cintilam chamas de e s p e r a n ç a capazes de iluminar e revitalizar os c o r a ç õ e s .
Esta certeza é plena de sentido e faz de Mareei um filósofo da actualidade,
que é preciso revisitar e reflectir. As suas investigações podem, estamos certos,
trazer algo de útil à filosofia tradicional e motivar novas reflexões.
Download

a fundamentação metafísica da esperança em