A FAMÍLIA BARROS NA POLÍTICA PARANAENSE
Tiago Valenciano
Doutorando em Sociologia pela UFPR. E-mail: [email protected]
Resumo: O objetivo deste artigo é descrever e analisar o perfil social e político dos integrantes
da família Barros e suas vertentes. Para tal, apresentaremos brevemente os conceitos de
prosopografia e trajetória (Bourdieu), no intuito de auxiliar a compreensão do perfil familiar.
No segundo momento há a descrição da conjuntura familiar e dos personagens elencados neste
trabalho. Por fim, há a conclusão e os apontamentos finais sobre a família Barros, sinalizando
as conexões de nepotismo e ratificando a presença de seus membros na esfera política.
Palavras-chave: Família Barros; Nepotismo; Trajetória Política.
Anais do XI Seminário de Ciências Sociais - 21 a 25 de Outubro de 2013
Ciências Sociais em foco: faces do Brasil no mundo contemporâneo
Universidade Estadual de Maringá | Departamento de Ciências Sociais
A FAMÍLIA BARROS NA POLÍTICA PARANAENSE
INTRODUÇÃO
Um sobrenome, um destino: a participação ativa na vida pública paranaense. Tratando-se da
família Barros esta afirmação não perde o sentido. Presentes na sociedade maringaense desde o
início da história política do Município, os Barros ganharam destaque na configuração social e
política paranaense. De uma elite empresarial e social, ganhou destaque político; das relações
familiares ocupadas apenas no âmbito local, um destaque estadual (e porque não nacional); da
primeira disputa à vereança de Maringá à concorrência ao Senado. Afinal, quem são os Barros?
Como se desenvolveu o capital político de seus integrantes? Ocupam eles posições estratégicas
no poder? Até onde eles influenciam a decisão dos rumos da política estadual?
Pretende-se, assim, neste artigo, descrever e analisar o perfil social e político dos
integrantes da família Barros e suas vertentes. Para tal, apresentaremos brevemente os conceitos
de prosopografia e trajetória (Bourdieu), no intuito de auxiliar a compreensão do perfil familiar.
No segundo momento há a descrição da conjuntura familiar e dos personagens elencados neste
trabalho, bem como as “três” gerações de políticos identificadas e os respectivos desdobramentos
familiares. Por fim, há a conclusão e os apontamentos finais sobre a família Barros, sinalizando
as conexões de nepotismo e ratificando a presença de seus membros na esfera política.
PROSOPOGRAFIA E AS TRAJETÓRIAS SOCIAIS
O conceito de prosopografia é amplamente debatido nas pesquisas que envolvem a história e as
ciências sociais. Os recentes trabalhos sobre o tema versam a necessidade de aproximação das
áreas, destacando que a prosopografia tem sido utilizada como método muito mais nas ciências
sociais do que na história. Dentre os estudiosos do assunto, destacamos Stone (2011), definindo-a
como a “investigação das características comuns de um grupo de atores na história por meio de
um estudo coletivo de suas vidas” (Stone, 2011: p. 115). Esta afirmação metodológica facilita
o estudo das biografias coletivas, isto é, de um grupo de atores sociais que se relacionam entre
si por algum atributo social.
Dentre as questões de investigação histórica usualmente pesquisadas, Stone declara que
o uso da prosopografia é uma importante ferramenta, pois:
Refere-se à estrutura e à mobilidade sociais: um conjunto de problemas envolve
a análise do papel na sociedade, especialmente as mudanças nesse papel ao longo
do tempo, de grupos de status específicos (usualmente da elite), possuidores
de títulos, membros de associações profissionais, ocupantes de cargos, grupos
ocupacionais ou classes econômicas [...] de um certo status político ou posição
ocupacional, o significado dessa posição em uma carreira e o efeito de deter essa
posição sobre as fortunas da família. (Stone, 2011: p. 116)
Quer dizer, optamos pelo método prosopográfico pela facilidade na busca de conexões
entre a trajetória política dos integrantes da família Barros e as conexões inter e extra familiares
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estabelecidas pelos seus membros. Ou seja, partir do princípio que as biografias coletivas, ora
colocadas lado a lado, ora justapostas, prevê que a dinâmica e a interação deste grupo familiar
e societário ainda importam na configuração social atual do Paraná.
Do mesmo modo, nosso interesse por este grupo familiar reflete às preocupações de Bourdieu
(1986), argumentando que o sujeito e o objeto da biografia acabam se interessando pela lógica
da narrativa biográfica. Por esta visão do autor, podemos enfatizar que não somente a família
Barros almeja conhecer suas origens e seus destinos, mas também há a possibilidade de que
outras pessoas questionem: afinal, quem são os Barros? De onde vieram? Para onde vão?
Nesta busca biográfica, salientamos que não somente as biografias interessam, mas sim o “balanço”
orientado pela trajetória de seus membros, isto é, qual foi o itinerário percorrido ao longo dos
anos por seus integrantes, quais cargos ocuparam, que conexões políticas estabeleceram? Esta
sucessão de acontecimentos marcados na história é tratada por Bourdieu, dizendo que:
O que equivale a dizer que não podemos compreender uma trajetória sem que
tenhamos previamente construído os estados sucessivos do campo no qual ela
se densenrolou e, logo, o conjunto das relações objetivas que uniram o agente
considerado – pelo menos em certo número de estados pertinentes – ao conjunto
dos outros agentes envolvidos no mesmo campo e confrontando com o mesmo
espaço dos possíveis. (Bourdieu, 1986: p. 190)
Assim, é necessário avaliar e analisar o campo em que as trajetórias de vida ocorreram:
suas conquistas, seus relacionamentos, sua presença em determinado período da história. Nossa
pesquisa justifica-se, portanto, por três argumentos. O primeiro deles diz respeito à necessidade
de pesquisar as trajetórias políticas da elite, algo que muito auxilia nas respostas de perguntas
ainda não decifráveis na história política paranaense. O segundo valoriza a biografia coletiva da
família Barros, importante agrupamento político, social e empresarial do Noroeste Paranaense e
que busca a expansão para o cenário estadual. E, por fim, justificamos o presente trabalho pelas
redes de nepotismo e conexões de parentesco estabelecidas no meio societário maringaense,
expostas na descrição de seus integrantes.
O INÍCIO DA ERA BARROS
A história da família Barros inicia-se em Maringá pelo pioneirismo, fenômeno característico do
Município. Como muitas famílias, a história dos Barros confunde-se com a própria formação da
cidade. Foi a partir da expansão da região do Maringá Velho (aquela, composta por apenas seis
quadras) que Maringá passou a ganhar perspectivas de município. Diante das más condições dos
moradores que na região velha residia, a necessidade de ampliação era evidente. Este processo
de expansão obedecia não somente a busca por melhores instalações no então distrito, mas,
sobretudo à grande quantidade de imigrantes que todos os dias desembarcavam em Maringá. E,
nestas correntes migratórias que a família Barros fixou-se na cidade.
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Concomitantemente com o plantio do café, os primeiros comércios, residências,
agremiações associativas e instalações públicas tomaram força e vigor, destacando-se a figura
dos pioneiros do município. Este grupo de fundadores de Maringá até hoje possuem prestígio
local, não somente pela função de desbravamento da cidade, mas pela relevância que o grupo
tomou ao longo dos anos, denominando ruas e que constituem uma espécie de baluartes da
composição societária local. Munido deste capital social do pioneirismo, rapidamente houve a
integração social da família nos principais locais de sociabilidade do Município.
O período de rápida expansão de Maringá perpetuou-se até 1951, com a criação do
município em 14 de Novembro daquele ano, a partir da Lei nº 790/1951, de autoria do Deputado
Estadual Rivadavia Vargas. Neste hiato, surgiu a primeira igreja, o Hotel Maringá, a fixação
do escritório da CMNP, a criação da unidade arrecadadora do município de Mandaguari e a
subprefeitura, ambas em 1948, a instalação da coletoria estadual, fundação do aeroclube e do
primeiro campo de aviação e da primeira emissora de rádio de Maringá.
Tal cenário proporcionou a vinda de um grande fluxo migratório para Maringá. E, é
neste contexto que duas famílias chegaram na cidade: os Barros e os Netto. Por intermédio da
união entre os Barros e os Netto que a família Barros consagrou-se na política local. Foi da
união entre Silvio Magalhães Barros e Bárbara Cecily Netto Barros em dezembro de 1954 que
se iniciou a carreira política da família Barros. Antes, porém, é necessário relatar como as duas
famílias chegaram ao município.
Os Barros tem um envolvimento familiar (quantitativo) menor na formação de Maringá.
Silvio Magalhães Barros chegou ao município no início da década de 1940. Nascido em 03 de
setembro de 1927 em Auruoca-MG, é filho de José Magalhães Barros e Olga Quiarelli. Com a
família residindo em São Paulo-SP, Silvio se muda para Mandaguari após o falecimento da mãe1
para atuar como agrimensor. Como havia a necessidade de demarcação das terras de Maringá,
Silvio decide mudar-se para o então distrito de Mandaguari, atuando nesta profissão. Pelo
destaque que obteve, Silvio era sempre lembrado para participar em piqueniques às margens do
rio Ivaí2, fato que o levou a conhecer a senhora Bárbara Cecily Netto.
Além desta participação com os membros da elite social e econômica local, Silvio
integrava o Aero Clube de Maringá, sendo formado em 1949 como instrutor de vôo pela
segunda turma do clube, fundado em 09 de agosto de 1948. Era o Aero Clube o principal espaço
de socialização da cidade na época e os bailes realizados no mesmo atraíam muitas pessoas das
altas rodas da sociedade local. Chega-se a comentar que em 1956 era um dos maiores clubes do
gênero no Brasil3.
Desde quando residia na capital paulistana, Silvio Magalhães Barros era engajado
na política estudantil, algo que prosperou após a mudança para o Paraná. Gozando de uma
importante atuação profissional como agrimensor, integrante da elite social local via Aero
1 Depoimento dado pela senhora Bárbara Cecily Netto Barros à série “pioneiros de Maringá”, disponível
em http://www.youtube.com/watch?v=rlXzgV9tqUI. Acesso em 29 de setembro de 2013.
2 Idem nota 2.
3 REIS, Osvaldo. Maringá 60 anos: a história em conta-gotas. Maringá: edição do autor, 2007.
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Clube e instrutor de vôo (algo marcante para época), a trajetória política de Silvio parecia estar
no caminho certo. Todavia, a necessidade de casamento (típica dos políticos do país) fez com
que o mesmo viesse a contrair matrimônio com a senhora Bárbara Barros em dezembro de
1954, na Capela Santa Cruz. Mas, quem era Bárbara Cecily Netto?
A família Netto desembarcou em Maringá em 14 de dezembro de 1947. De origem inglesa,
da Ilha de Santa Helena, os Netto optaram por desbravar o município (muito provavelmente
atraídos pelos ingleses da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná – CMNP, a colonizadora
oficial da época). Chegaram à Maringá o senhor Odwaldo Bueno Netto e a senhora Winifred
Ethel Netto. De grande dinamismo e atuação social, contribuíram para a fundação de diversas
instituições locais, destacando-se a Santa Casa de Misericórdia, o Rotary Club Maringá,
Maringá Clube, Associação Comercial e Empresarial de Maringá, o Clube Hípico, a Sociedade
Rural de Maringá, a Rádio Cultura e...o Aero Clube de Maringá.4
Da união do casal nasceram Ana, Carlos, Peter, Délia, Odwaldo, Renato, Waldwin,
Silvia e Bárbara Cecily Netto, que nasceu em 05 de outubro de 1936 na Ilha de Santa Helena, na
Inglaterra. Face à grande atuação social de Odwaldo (pai) e Winifred e, sobretudo, a participação
no Aero Clube local, os destinos de Silvio Magalhães Barros e Bárbara Cecily Netto logo se
cruzaram – que explica o matrimônio em 1954.
Após a união, o casal passou a atuar no ramo do comércio, abrindo uma loja de materiais
de construção. Sem esquecer a paixão pela aviação, Bárbara foi a primeira mulher de Maringá a
obter o Brevet, documento oficial para pilotar aviões. E, da atuação na elite social local via Aero
Clube e militância no empresariado, aliado ao gosto pela política do tempo estudantil, Silvio
Magalhães Barros decidiu ingressar na vida pública.
A PRIMEIRA GERAÇÃO POLÍTICA DA FAMÍLIA BARROS
O primeiro cargo público ocupado por Silvio Magalhães Barros5 foi a vereança. Suplente
durante a 3ª Legislatura (1960-1964), com 237 votos, Silvio assumiu ao longo do mandato,
representando a UDN (União Democrática Nacional). Novamente candidato, foi eleito para
4ª Legislatura (1964-1969), com 260 votos. Neste ínterim, em 1966 foi eleito Deputado
Estadual, ocupando a cadeira de 1967 até 1970, quando foi eleito Deputado Federal pelo MDB
(Movimento Democrático Brasileiro), com 29.618 votos.
4 Matéria sobre o falecimento da senhora Winifred Ethel Netto. Disponível em: http://maringa.odiario.com/
maringa/noticia/161360/winifred-ethel-netto-100-anos-de-vida-60-vividos-em-maringa/. Acesso em 29 de
setembro de 2013.
5 Foto: http://www.fabiocampana.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Silvio.pai_-180x260.jpg. Acesso
em 29 de setembro de 2013.
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Porém, a maior marca de Silvio Magalhães Barros na política foi
a conquista da Prefeitura Municipal de Maringá em 1972.
Sucedendo Adriano Valente (MDB), Silvio obteve apoio de João
Paulino Vieira Filho, que já havia sido prefeito e, desarticulada, a
ARENA (Aliança Renovadora Nacional) não conseguiu obter
êxito contra a candidatura de Barros. Com 29.218 votos,
representando 62,5% dos votos, Silvio era eleito prefeito de
Maringá para o mandato 1973-19776. Dentre suas obras e
conquistas destacam-se: a criação do Serviço Autárquico de
Obras e Pavimentação (SAOP), hoje transformado em secretaria,
mas que é referência para a população mais simples quando o
assunto é obra pública; construção da Biblioteca Municipal;
estabelecimento do Tiro de Guerra; construção do Centro
Esportivo do Jardim Alvorada; Reforma do Estádio Willie Davids
e da Vila Olímpica; ampliação de avenidas, praças, rede de esgoto,
entre outras obras7.
Dois anos após o término do mandato como prefeito, Silvio faleceu – em 1979. Por
ironia do destino, Silvio sofreu uma fatal parada cardíaca na pista do aeroporto Dr. Gastão
Vidigal, quando rumava à aeronave com destino à Curitiba, onde iria realizar exames no coração.
Justamente no aeroporto (uma de suas paixões, a aviação), Silvio teve a vida ceifada. Da união
com Bárbara Cecily Netto Barros vieram os filhos: Christina Helena Barros (já falecida),
Beatriz Barros, Bárbara Magalhães e os dois que enveredaram na vida pública – Ricardo José
Magalhães Barros e Silvio Magalhães Barros II.
A SEGUNDA GERAÇÃO POLÍTICA DA FAMÍLIA BARROS
A segunda geração de integrantes da família Barros na política certamente é a que possui maior
destaque. Elencamos a seguir a biografia de Ricardo e Silvio II, que duplamente ocuparam a
Prefeitura Municipal de Maringá. Aliado a Ricardo, há a esposa Maria Aparecida Borghetti, que
também milita na vida pública.
Ricardo José Magalhães Barros8 nasceu em 15 de Novembro de 1959. Formado em
Engenharia Civil pela Universidade Estadual de Maringá, Ricardo atua profissionalmente como
empresário (majoritariamente falando). É proprietário de uma escola, de uma imobiliária e de
uma construtora.
6 Informações extraídas do livro “Da arte de votar e ser votado – as eleições municipais em Maringá”, de
Reginaldo Benedito Dias (2010).
7 Informações extraídas do livro “Maringá e seus prefeitos”, de Osvaldo Reis (1996).
8 Foto: Governo do Estado do Paraná.
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Todavia, é na vida pública que logrou êxito e
reconhecimento da população. Casou-se com Débora Kasprovicz
e, da união, nasceram as filhas Raffaele e Andressa. Divorciou-se
de Débora e contraiu núpcias com Maria Aparecida Borghetti,
tendo a filha caçula Maria Victória Borghetti Barros. A carreira
política de Ricardo iniciou-se em 1988. Foi candidato a Prefeito
de Maringá e foi eleito com 38.902 votos. O partido o qual
representava era o PFL (Partido da Frente Liberal), recémcriado na ocasião e que elegeu dois parlamentares para a Câmara
Municipal.
Seu vice foi o também engenheiro civil Akito Willy Taguchi. Muito se comentou pela
ascensão meteórica e eleição ao cargo de Prefeito. Todavia, aquela eleição foi marcada pela
tradicional força da família Barros, apoiando-se nas expectativas de uma população que buscava
o continuísmo político (tradicional, familiar), aliado às forças renovadoras – sendo o jovem
Ricardo, à época com 29 anos, o representante deste anseio.
Ricardo passou pela Prefeitura durante quatro anos. Ficou reconhecido como incentivador
da infância e juventude e realizou 400 obras em 4 anos, segundo seu site oficial. Mas, foi no
parlamento que Ricardo Barros obteve o maior destaque. Após o término do mandato frente
ao Município, foi candidato a Deputado Federal em 1994 ainda pelo PFL, obtendo 54.049
votos – o oitavo mais votado do Paraná. Já em 1998, foi reeleito Deputado Federal pelo PPB
(Partido Progressista Brasileiro), atual Partido Progressista, o qual se mantém filiado até hoje.
Com 68.919 votos, ampliou o eleitorado e foi consolidando o posto de Deputado Federal que
representa Maringá e região. Mantendo a tendência de ampliar a votação, Ricardo reelegeu-se
para o terceiro mandato em 2002, com 118.036 votos. Com 130.085 votos, foi eleito para o
quarto mandato consecutivo em 2006, obtendo seu maior êxito nas urnas até então. Este foi o
último mandato eletivo de Ricardo Barros.
Em 2010 veio o maior desafio da carreira política de Ricardo – e a primeira derrota.
Foi candidato a Senador pelo PP, na chapa encabeçada para o Governo do Estado por Beto
Richa (PSDB). Apesar da expressiva votação – 2.190.539, na tentativa de expandir o campo de
atuação política, Ricardo visitou todos os municípios do Estado (segundo o seu portal oficial
na internet), além de ser o segundo mais votado em Curitiba, perdendo apenas para o atual
Prefeito Gustavo Fruet (PDT), na ocasião no PSDB. Após a derrota para o Senado, Ricardo
Barros foi indicado para assumir a Secretaria Estadual da Indústria, do Comércio e de Assuntos
do Mercosul, ocupando a pasta até o presente momento.
A esposa de Ricardo Barros também tomou gosto pela política. Maria Aparecida
Borghhetti Barros9 é natural de Caçador, Santa Catarina. Nasceu em 18 de fevereiro de 1965.
Formada em Administração Pública pela Unisul e Especialista em Políticas Públicas pela UFRJ,
é proprietária de uma agência de comunicação e marketing e já apresentou programa de TV
veiculado em Curitiba.
9
Foto: https://si0.twimg.com/profile_images/3768731741/28cc4839b58511ef7a4aa1976e86688e.png.
Acesso em 10 de outubro de 2013.
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Politicamente iniciou sua militância na juventude
do PDS, filiando-se ao PFL (que o marido também
integrava), depois passou pelo PP até assumir a
Presidência Estadual do Partido Republicano da
Ordem Social – PROS10. É irmã de Juliano Borghetti,
que foi Secretário de Esportes (2001-2004) de Curitiba
e Vereador na mesma cidade, de 2008 a 2012, pelo PP.
É casado11 com Renata Bueno, que foi Vereadora no
mesmo período em Curitiba e atualmente é Deputada
do Parlamento Italiano. Filha do ex-Prefeito de Campo
Mourão e Deputado Federal, Rubens Bueno.
A primeira candidatura de Cida Borghetti (seu usual nome político) foi em 2000, quando
disputou a Prefeitura Municipal de Maringá pelo PP. Obtendo 22.931 votos, terminou a disputa
em quarto lugar. Dois anos após, em 2002, foi candidata a Deputada Estadual, dobrando com
o marido então candidato a Deputado Federal. Obteve 53.225 votos, elegendo-se. Em 2006 foi
novamente candidata, sendo eleita com 66.492 votos. A última candidatura ocorreu em 2010,
quando disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados e elegeu-se com 147.910 votos, a
maior votação do casal em um pleito para o legislativo federal.
Por fim, o último integrante desta geração de
políticos é Silvio Magalhães Barros II12. Irmão de Ricardo,
nasceu em 11 de dezembro de 1956. Também é formado
em Engenharia Civil, sendo especialista em Engenharia
Sanitária e Ambiental. Atuou na área turística em Manaus,
sendo Secretário Estadual no Amazonas. Disputou a
Prefeitura de Maringá pela primeira vez em 1996, obtendo
31.081 votos pelo PFL. Não disputou nenhum cargo para o
Poder Legislativo em sua carreira política. Foi eleito pela
primeira vez em 2004 pelo PP, obtendo 43.333 votos no
primeiro turno e 92.052 no segundo turno para a Prefeitura
de Maringá. Reeleito em 2008 (o primeiro da história),
obteve 104.820 votos, representando 57% do eleitorado.
Seu mandato ficou marcado pelas inovações fiscais, pelos
avanços tecnológicos e a preocupação com a qualidade de
vida da população. Atualmente ingressou no PHS13.
10 Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?id=1413520&tit=CidaBorghetti-deixa-PP-para-presidir-Pros-no-Parana. Acesso em 10 de outubro de 2013.
11 Disponível em: http://www.fabiocampana.com.br/2011/03/o-casamento-de-renata-bueno-e-julianoborghetti/ . Acesso em 10 de outubro de 2013.
12 Disponível em: http://silviobarros.com.br/sistema/imagens/gd_silvio_barros_2004131366482749.jpg.
Acesso em 10 de outubro de 2013.
13 Disponível em: http://digital.odiario.com/colunas/noticia/775883/ex-prefeito-silvio-barros-troca-o-pppelo-phs/. Acesso em 10 de outubro de 2013.
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A TERCEIRA GERAÇÃO POLÍTICA DA FAMÍLIA BARROS
A terceira geração da família Barros na política paranaense inicia-se em 2013, com a ascensão
de Maria Victória Borghetti Barros à liderança da Juventude Progressista no Estado do Paraná14.
Filha do casal Cida e Ricardo, Maria Victória estudou Turismo na Suíça e atualmente cuida
dos negócios da família: a St. James International School, a Borghetti Barros Imóveis e a
Construtora Magalhães Barros.
Articulada, Maria Victória já nasceu no berço político, acompanhando as campanhas
na família. Não disputou ainda nenhum cargo eletivo, iniciando neste ano sua carreira com os
mesmos passos da mãe: a militância na juventude partidária. Pela movimentação empresarial
no setor escolar, Maria cursa também pedagogia.
AS CONEXÕES DO NEPOTISMO:
A PRESENÇA DOS BARROS NA POLÍTICA PARANAENSE
O sociólogo Ricardo Costa de Oliveira vem há anos pesquisando o fenômeno do nepotismo
no Brasil. Em “O Silêncio dos Vencedores: genealogia, classe dominante e Estado no Paraná”
(2001), Oliveira já apontava o resultado de suas buscas quanto à gênese e a configuração das
relações de parentesco e poder no Paraná. No recente livro intitulado “Na teia do nepotismo:
sociologia política das relações de parentesco e poder político no Paraná e no Brasil” (2012), o
autor defende seu argumento:
A minha tese é simples. Família ainda importa. As estruturas de parentesco formam
parte da realidade social e política brasileira no século XXI. Redes familiares
controlam partidos políticos, controlam o centro do poder executivo e formam
redes atravessando o poder legislativo com parlamentares hereditários, sempre se
renovando pelas gerações. (Oliveira, 2012: p. 13).
O argumento central de Ricardo (que não é o Barros) ratifica os conceitos de prosopografia
e trajetória social. O método prosopográfico é a saída para um estudo aprofundado e articulado
das biografias coletivas. Todavia, é necessário considerar a trajetória social dos membros
do grupo pesquisado, analisando o campo em que concentraram suas ações e a respectiva
manutenção no jogo da política, no jogo do poder, no jogo do...nepotismo.
Estudar o nepotismo é, portanto, é estudar um sistema político, uma rede social de
interesses (Oliveira, 2012: p. 14). E é justamente isso que captamos neste estudo de caso: uma
família de colonização recente, com prestígio social e empresarial de seus genitores, que fez da
política uma profissão bem sucedida e perpetuada no poder. Em duas gerações do clã Barros,
observamos como a rede de nepotismo é formada, como as relações de parentesco acabam
sempre no poder público.
14 Disponível em: http://digital.odiario.com/cidades/noticia/773444/maringaense-assumira-pp-jovem/.
Acesso em 10 de outubro de 2013.
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A FAMÍLIA BARROS NA POLÍTICA PARANAENSE
O diagrama abaixo demonstra quem são e quais foram os principais cargos públicos
ocupados pelos integrantes da família Barros:
Fonte: Valenciano (2013).
Quer dizer, o diagrama nos demonstra as ramificações da família Barros e a herança
política adquirida pelos integrantes desde o patriarca Silvio. Curioso ainda é que, Maria
Aparecida Borghetti Barros, esposa de Ricardo, possui um irmão que foi Vereador em Curitiba
e que se casou com Renata Bueno, filha de Rubens Bueno, Prefeito de Campo Mourão (19931996) e Deputado Estadual / Federal desde a década de 1980 em períodos alternados.
Na tabela abaixo podemos verificar as eleições disputadas e o êxito eleitoral dos integrantes da
família Barros:
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Fonte: Valenciano (2013)
Ao todo são 53 anos dedicados à vida pública. Neste período, os Barros disputaram 20
eleições, logrando êxito em 16 oportunidades – considerando somente os sucessos eleitorais de
Juliano Borghetti e Renata Bueno, já que o primeiro também disputou a vereança em Curitiba
em 2012 (não eleito) e Renata já havia disputado outras eleições também.
Resumindo: há uma perpetuação histórica no poder da família Barros, ocupando cargos
não somente municipais (como a vereança e a prefeitura), mas também estaduais e nacionais
(Deputado). A maior candidatura capitaneada por Ricardo Barros em 2010 não obteve sucesso,
mas definitivamente inseriu o sobrenome da família no cenário político paranaense.
O que objetivamos neste artigo é demonstrar que há sim um caso claro de nepotismo e
perpetuação no poder dos Barros. Fica claro que Oliveira tinha razão em afirmar que “temos
em vários quadrantes praticamente uma “casta” hereditária de políticos profissionais. A política
vem se tornando negócio de família e negócio de ricos. As eleições são caríssimas” (Oliveira,
2012: p. 18). O caso dos Barros é mais um exemplo da hereditariedade política, passada de pai
para filho e que auxilia na explicação de como a política é comandada e articulada em Maringá
(e porque não no Paraná), salientando, sobretudo, que é praticamente impossível pensar a
política maringaense e o tabuleiro eleitoral estadual sem antes conversar com os Barros.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOURDIEU, Pierre. A ilusão bibliográfica. In: M. A. Ferreira & J. Amado, Usos e abusos da
história oral - Rio de Janeiro: FGV, 1986.
DIAS, Reginaldo Benedito. Da arte de votar e ser votado – as eleições municipais em
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Universidade Estadual de Maringá | Departamento de Ciências Sociais
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