UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS
CURSO DE QUÍMICA
A UTILIZAÇÃO DO JOGO LUDO QUÍMICO COMO INSTRUMENTO
MOTIVADOR E FACILITADOR DA APRENDIZAGEM DE CINÉTICA
QUÍMICA NA 2ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO DO COLÉGIO
ESTADUAL PROFESSOR JOSÉ ABDALLA
Anápolis-GO
2012
1
TIAGO PEREIRA DA SILVA
A UTILIZAÇÃO DO JOGO LUDO QUÍMICO COMO INSTRUMENTO
MOTIVADOR E FACILITADOR DA APRENDIZAGEM DE CINÉTICA
QUÍMICA NA 2ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO DO COLÉGIO
ESTADUAL PROFESSOR JOSÉ ABDALLA
Monografia apresentada à Banca Examinadora
como exigência para a obtenção do título de
licenciado em Química pela Universidade
Estadual de Goiás, sob a Orientação do
Professor Ms. Rogério Daniel P. Ramos.
Anápolis-GO
2012
2
TIAGO PEREIRA DA SILVA
A utilização do jogo Ludo Químico como instrumento motivador e facilitador da
aprendizagem de cinética química na 2ª série do ensino médio do Colégio Estadual Professor
José Abdalla.
Monografia apresentada à Banca Examinadora como requisito parcial para obtenção do título
de licenciado em Química pela Universidade Estadual de Goiás.
Monografia aprovada ____/____/____
Orientador: ________________________________________________________
Prof. Ms. Rogério Daniel Pereira Ramos
1º Examinador: _____________________________________________________
2º Examinador: ____________________________________________________
Coordenador do Curso: ______________________________________________
Anápolis-GO
2012
3
Aos meus pais, orientador e amigos, que
estiveram comigo em todos os momentos, bons
ou ruins. Sem eles nada seria possível!
4
Agradeço, primeiramente a Deus, que me
ajudou a solucionar todos os problemas e
situações difíceis com serenidade e paciência
durante o curso.
Ao Rogério que me orientou mesmo em tempos
difíceis.
Aos meus amigos que sempre estiveram
comigo, Loraine, Wanderson, Gislaine, Ana
Carulina, Anielly, Júnior, Rodrigo e Marcos.
5
RESUMO
Solucionar problemas relacionados ao processo de ensino-aprendizagem e procurar
alternativas que promovam maior rendimento escolar é um desafio para a escola, pais e
professores. Os diversos problemas que favorecem o fracasso escolar, como a indisciplina,
desinteresse e a falta de motivação por parte dos alunos, levam os professores a criar
metodologias diversificadas para melhorar a aprendizagem em sala de aula. O jogo Ludo
Químico foi utilizado como uma proposta metodológica motivadora da aprendizagem do
conteúdo de Cinética Química, procurando contribuir para a prática pedagógica dos
professores de Química e aquisição de conhecimento por parte dos alunos. Esse trabalho
monográfico busca detectar os problemas relacionados ao processo de ensino-aprendizagem
do Colégio Estadual Professor José Abdalla e demonstrar que o Lúdico pode favorecer a
aquisição de conhecimento em clima de alegria e prazer. A análise da proposta foi feita
através da aplicação do jogo Ludo Químico e de dois questionários, aplicados por sua vez, a
um grupo de docentes e alunos da 2ª série do ensino médio do turno noturno. Os resultados
obtidos mostraram que o jogo possui função educativa, visto que sua aplicação favorece o
raciocínio, argumentação e o interesse do aluno, desenvolvendo dessa maneira, a criatividade,
senso crítico e aspectos comportamentais saudáveis, resgatando assim, o prazer de aprender.
PALAVRAS-CHAVES: Lúdico. Aprendizagem. Ludo Químico.
6
ABSTRACT
Solving an amount of problematics related to the process of learning-teaching and looking out
for alternatives to improve education outcome, has been a challenge in schools, for parents
and educators. Much of the problems that facilitate school failure, such as indiscipline,
disinterest and student's lack of motivation, induce the educators into developing diversified
methodologies to improve the learning skills inside the classroom. The Ludo in Chemistry has
been used as learning motivational and methodological proposal of the contents of Chemical
Kinetics, in addition to contribute into educator's chemistry pedagical practicing and
acquisition of knowledge by the students. This practical work (Monograph) searches to
identify the issues related to the learning-teaching process at Colégio Estadual Professor José
Abdalla and demonstrate how Ludo could favor knowledge acquisition, inside a playful and
joyful environment. The proposal's review was made it by applying the Ludo Chemistry game
and two questionnairies, performed in this case, with a group of educators and at a secondary
education class of the night shift. The findings obtained shows that Ludo Chemistry Game has
an educational function, and its applications favors logical thinking, argumentation and the
student's interest, developing this way, creativity, critical sense and healthy behaviors aspects,
rescuing this way, the pleasure of learning.
WORDS-KEYS: Ludo. Learning. Chemistry Ludo.
7
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1- Tabuleiro utilizado no Jogo Ludo Químico (Zanon) ....................................... 23
FIGURA 2- Tabuleiro: casas claras e casas escuras ........................................................... 24
FIGURA 3- Peões ................................................................................................................ 24
FIGURA 4- Dados ............................................................................................................... 25
FIGURA 5- Cartas de perguntas ......................................................................................... 25
FIGURA 6- Carta desafio .................................................................................................... 26
FIGURA 7- Cartas coringa .................................................................................................. 27
FIGURA 8- Aula com o conteúdo cinética química na 2ª série do Ensino Médio ............. 30
FIGURA 9- Aula explicativa do jogo Ludo Químico na 2ª série do Ensino Médio ........... 30
FIGURA 10- Aula prática do jogo lúdico na 2ª série do Ensino Médio .............................. 31
FIGURA 11- Formação dos grupos - 2ª série do Ensino Médio .......................................... 31
FIGURA 12- Orientações do jogo - 2ª série do Ensino Médio ............................................ 32
FIGURA 13- Finalização do jogo - 2ª série do Ensino Médio ............................................. 37
8
LISTA DE TABELAS
TABELA 1- Resultado da questão 01 da pesquisa com alunos .......................................... 40
TABELA 2- Resultado da questão 02 da pesquisa com alunos .......................................... 40
TABELA 3- Resultado da questão 03 da pesquisa com alunos .......................................... 41
TABELA 4- Resultado da questão 04 da pesquisa com alunos .......................................... 41
TABELA 5- Resultado da questão 05 da pesquisa com alunos .......................................... 42
TABELA 6- Resultado da questão 06 da pesquisa com alunos .......................................... 42
TABELA 7- Resultado da questão 07 da pesquisa com alunos .......................................... 43
TABELA 8- Resultado da questão 01 da pesquisa com professores .................................. 44
TABELA 9- Resultado da questão 02 da pesquisa com professores .................................. 44
TABELA 10- Resultado da questão 03 da pesquisa com professores ................................. 45
TABELA 11- Resultado da questão 04 da pesquisa com professores ................................. 45
TABELA 12- Resultado da questão 05 da pesquisa com professores ................................. 46
TABELA 13- Resultado da questão 06 da pesquisa com professores ................................. 46
9
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURA
APUD
Citado por, segundo.
ETAL
Para identificar obras que além do autor citado tem outros.
I
Identificação da Palavra Número.
LDB
Lei de Diretrizes e Bases.
UEG
Universidade Estadual de Goiás.
UNESP
Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho.
V
Identificação do Volume da Obra.
10
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 12
1 A PROBLEMÁTICA DO ENSINO DE QUÍMICA E SUAS MANIFESTAÇÕES NAS
SALAS DE AULA ............................................................................................................... 13
1.1 Situando o ensino de química no contexto das práticas educativas ............................................ 13
1.2 A ausência de significados para a aprendizagem dos conteúdos de Química ................ 14
1.3 A necessidade do planejamento e da inovação metodológica nas aulas de Química ..... 15
2 A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NO DENSENVOLVIMENTO DO PROCESSO DE
ENSINO-APRENDIZAGEM DE CINÉTICA QUÍMICA .................................................. 16
2.1 O significado do lúdico no ato de aprender e conviver com o outro .......................................... 16
2.2 Trabalhando com jogos lúdicos em sala de aula ........................................................................... 18
2.3 A 2ª série do turno noturno do Colégio Estadual Professor José Abdalla: Espaço
destinado à realização de experiência com aplicação do jogo Ludo Químico no estudo
de cinética química ................................................................................................................................. 19
2.3.1 Explicando o funcionamento do jogo Ludo Químico ............................................................... 22
2.3.2 Etapas, regras e aplicação do jogo Ludo Químico .................................................................... 23
2.3.3 Uma experiência vivida no Colégio Estadual Professor José Abdalla: O uso do
jogo Ludo Químico nas aulas de cinética química ............................................................... 28
3- COLÉGIO ESTADUAL PROFESSOR JOSÉ ABDALLA: REFERENCIAL PARA
ESTUDO E DIAGNÓSTICO SOBRE A UTILIZAÇÃO DE JOGOS E BRINCADEIRAS
NAS AULAS DE QUÍMICA ............................................................................................... 38
3.1 Roteiro metodológico ..................................................................................................................... 38
3.2 Análise dos resultados da pesquisa com alunos da 2ª série do ensino médio do turno
noturno do Colégio Estadual Professor José Abdalla acerca da aprendizagem dos conteúdos
de cinética química com ênfase metodológica no Jogo Ludo Químico ........................................... 39
3.3 Análise dos resultados da pesquisa com professores da 2ª série do ensino médio do
turno noturno e matutino do Colégio Estadual Professor José Abdalla acerca da aprendizagem
dos conteúdos de cinética química com ênfase metodológica no Jogo Ludo Químico .................. 43
3.4 Realizando um comparativo dos dados obtidos através da analise das opiniões dos professores
e alunos .................................................................................................................................................... 47
11
CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 48
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 49
ANEXOS .............................................................................................................................. 51
12
INTRODUÇÃO
Os tempos atuais nos mostram que é necessário que a escola caminhe rumo às
necessidades dos alunos no sentido de oferecer aos mesmos, a possibilidade de acesso e
permanência na escola com a oferta de um ensino de qualidade como determina a LDB
9394/96.
A presença do aluno na escola, bem como o interesse pela mesma se perde com o
passar do tempo, visto que a carga de conteúdos se avoluma, a seriedade exigida nas
compreensões aumenta as responsabilidades no compromisso com o aprendizado e, culminam
que no ensino médio, o aproveitamento das disciplinas mais complexas como Química, Física
e Matemática torna-se uma tarefa difícil e cansativa, devido à dificuldade de contextualização
do conteúdo.
Nesse sentido é necessário que os professores estejam dispostos a tentar atrair esses
alunos com a implantação de metodologias diferenciadas que possam motivá-los a
participarem das aulas de Química, em especial com atividades lúdicas que muito contribuem
para esse propósito.
Este trabalho apresenta uma proposta de investigação sobre a ludicidade no ensino de
química, como instrumento pedagógico da prática docente. Nesse contexto, temos como
objeto de estudo o jogo didático Ludo Químico aplicado ao estudo da cinética química para
uma turma de 2º ano noturno do ensino médio do Colégio Estadual Professor José Abdalla,
localizado em Anápolis. A proposição é investigar as possibilidades de uso de tal recurso
como agente de construção de conhecimento cognitivo, bem como ferramenta facilitadora do
processo ensino-aprendizagem, pois existe uma estreita relação entre o sentido e o significado
das ações desse jogo nos âmbitos linguístico, científico e pedagógico do ensino de Química.
Como é certo o maior envolvimento do aluno com o conteúdo trabalhado quando este se faz
de maneira mais prazerosa e ágil, é também de se esperar que a construção do conhecimento
se torne mais significativa, se a forma como o mesmo for trabalhado, envolver não só
características lúdicas, mas também relações com seus esquemas de interpretação de mundo,
de acordo com as reflexões acerca da práxis do professor.
A estrutura do trabalho se dá em três capítulos, onde no primeiro capítulo,
descreveremos os principais problemas do ensino de química de forma geral, focalizando
algumas problemáticas encontradas na escola campo, onde aconteceu a pesquisa. O segundo
capítulo se refere à fundamentação teórica, que através de autores consagrados como
ZANON, defendem o uso do jogo Ludo Químico nas aulas de química nos mostrando a
13
importância e o significado do lúdico na aprendizagem dos conteúdos da matéria, em especial,
de cinética química. No terceiro capítulo buscaremos interpretar e discutir os resultados
obtidos através das entrevistas e questionários aplicados a alunos e professores do Colégio
Estadual Professor José Abdalla a respeito do uso do jogo Ludo Químico nas aulas de
química.
Com isso, espera-se contribuir com a construção de um processo ensino-aprendizagem
mais dinâmico, significativo e agradável aos sentidos humanos em sua plenitude, sem
esquecer que não é intenção referir-se à atmosfera lúdica como apenas jogos, pois o
entendimento é muito mais que isso, uma vez que os jogos, quando utilizados somente para o
ato de jogar, sem contextualização, pouco contribui para a prática educacional do professor
(HUIZINGA, 1999).
1 A PROBLEMÁTICA DO ENSINO DE QUÍMICA E SUAS MANIFESTAÇÕES NAS
SALAS DE AULA
1.1 Situando o ensino de química no contexto das práticas educativas
Embora muito se discuta sobre a importância dos conteúdos de Química valorizarem
os aspectos sociais para a formação de um sujeito crítico, participativo e transformador,
observa-se poucas mudanças na prática da maioria dos professores. Tendo como base uma
visão tradicional do ensino pode-se afirmar que um percentual elevado de professores utiliza
em suas aulas metodologias de ensino ultrapassadas, tendo como princípio a memorização e a
repetição excessiva de exercícios, o que torna as práticas em sala de aula distante da realidade
dos alunos, provocando o desinteresse e a desmotivação dos mesmos em relação às aulas de
Química.
Pesquisas no mundo todo têm sugerido que o ensino de Química é, via de
regra e salvo honrosas exceções, caótico, pouco frutífero e dicotomizado da
realidade de professores e alunos. Além disso, como agravante, apresenta-se
essencialmente livresco e, em nível de linguagem, parece incapaz de romper
com o hermetismo linguístico que lhe é próprio, tornando-se instrumento de
opressão e de discriminação na medida em que contribui para punir os
alunos que, sem compreensão de seus fundamentos, são mal sucedidos
quando submetidos ao adestramento para seu uso. Nota-se grande ênfase nos
modelos atômicos, modelos de ligações químicas, classificação de ácidos e
bases, nomenclatura de compostos, enquanto uma aproximação com aquela
Química que está mais perto do aluno e de sua realidade, (por exemplo, a
produção de materiais industrializados como plásticos e medicamentos, o
tratamento do lixo e da água ou o impacto da atividade humana sobre o meio
14
ambiente), via de regra é relegada a plano secundário. Talvez fosse possível
migrar a chamada “Química do cotidiano” (como se pudesse haver o oposto
de um cotidiano sem Química) para os conceitos fundamentais. Talvez fosse
frutífero. Talvez [...]. (MACHADO, 2001 apud RAMOS, 2003, p.15).
No Brasil e em Goiás a situação não é diferente, observa-se um ensino desvinculado
da realidade dos alunos, sendo os conteúdos repassados como verdades absolutas e de
maneira totalmente livresca. Embora nos últimos anos a educação brasileira tenha passado por
um período de mudanças, ainda está muito longe de apresentar um ensino de qualidade.
Problemas como desinteresse dos alunos, a falta de formação continuada dos professores,
estrutura física das escolas e de metodologias diferenciadas que facilite a aquisição de
conhecimento, dificultam a efetivação do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula.
1.2 A ausência de significados para a aprendizagem dos conteúdos de Química
Considerando o fato de que a construção da cidadania acontece a partir do momento
em que os indivíduos da sociedade participam de forma consciente e deliberada, fica clara a
importância de que os mesmos disponham de conhecimentos químicos relacionados ao meio
social em que estão inseridos (ROSA & SCHNETZLER, 1998, p. 31).
Nesta perspectiva, o estudo da química contribui de maneira significativa para o
entendimento de assuntos presentes em nosso cotidiano, como meio ambiente e até mesmo
processos que acontecem diariamente em nossas vidas, como metabolismo e ação de
medicamentos, tornando assim, o indivíduo mais crítico e ativo no mundo em que vivemos
(ROSA & SCHNETZLER, 1998, p. 31).
Aprender nessa perspectiva tornaria, sem dúvidas, nossos alunos portadores de uma
visão crítica que de fato pudesse contribuir para a tão sonhada transformação da sociedade em
que vivemos, porém, infelizmente essa não tem sido a resultante esperada quando observamos
o triste cenário das escolas que a cada ano perdem dezenas de alunos para um mercado de
trabalho que explora o cidadão e não oferece condições dignas de sobrevivência e nem
tampouco de continuidade da frequência aos bancos das salas de aula, uma vez que o cansaço
resultante da sobrecarga de trabalho o impede de continuar.
Interpretando essa situação se percebe uma necessidade urgente de uma política por
parte do governo que valorize os profissionais da educação e que destine investimentos
maiores para estruturação física e pedagógica das unidades escolares.
15
Só assim os professores poderão exercer sua criatividade, capacidade de fazer
investigação e levar o conhecimento científico ao aluno, tendo como base o processo criativo,
mediante a busca de soluções novas, em termos de planejamento e estratégias de ensino.
1.3- A necessidade do planejamento e da inovação metodológica nas aulas de Química
Em um mundo globalizado, cuja realidade econômico-tecnológica imprime profundas
transformações em um ritmo surpreendentemente acelerado, a escola tem papel fundamental
no processo de integração do aluno à sociedade. Dessa maneira, cabe aos educadores, em
sintonia com toda comunidade escolar, viabilizar um conjunto de atividades contextualizadas
e que atenda a essas novas perspectivas. O ensino de qualidade tem-se generalizado e a
sociedade aspira por ver seus jovens aptos a enfrentar os desafios do novo milênio e da
globalização. A escola tem função básica capaz de analisar problemas diversos, solucionandoos; busca-se o desenvolvimento do espírito crítico e o domínio de habilidades e competências
diversas pelo aluno.
Entretanto, deve-se ter clareza que formar cidadãos não significa apenas ensinar
conceitos e ilustrar a Química cotidiana com fotos e comentários de processos químicos
envolvidos. Hoje, existe uma compreensão mundial de que o cidadão precisa, sobretudo,
compreender e saber aplicar conceitos, além de desenvolver a capacidade de tomar decisões.
Por isso, é necessária uma reforma do conteúdo químico, para que o aluno possa entender as
múltiplas inter-relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, permitindo-o tomar decisões,
analisando o custo e benefício das mesmas (SANTOS, 2003).
GIL-PEREZ & CARVALHO (1993), MENEZES (1996), PORLAN E TOSCANO
(2000) apud SCHNETZLER (2003, p. 32), apontam as principais necessidades em relação
formação de professores de Ciências:
Dominar os conteúdos a serem ensinados em seus aspectos epistemológicos
e históricos, explorando suas relações como contexto social, econômico e
político, questionar as visões simplistas do processo pedagógico de ensino
das ciências usualmente centradas no modelo de transmissão-recepção e na
concepção empirista-positivista da ciência; a saber, planejar, desenvolver e
avaliar atividades de ensino que contemplem a construção e reconstrução de
ideias dos alunos; conceber a prática pedagógica cotidiana como objeto de
investigação, como ponto de partida e de chegada de reflexões e ações
pautadas na articulação teoria-prática.
Os professores devem ser preparados e se sentirem estimulados para as inovações
metodológicas na escola, para a criação e utilização de materiais didáticos alternativos e para
16
darem aos livros e demais materiais didáticos a função que devem ter na formação da
consciência crítica da realidade dos educandos.
Nesse sentido, em períodos de observação de aulas propostos pelos professores de
estágio supervisionado foi possível detectar a carência dos estudantes por aulas de química
diferenciadas daquelas em que o professor escreve o resumo no quadro e posteriormente faz
uma leitura explicativa do mesmo. Nenhuma reflexão, nem debate, ausência total de
experimentos ou atividades lúdicas que pudessem motivar aqueles estudantes desconectados
da essência do que se explicava em sala de aula.
Pensando nessas situações e compreendendo a aula como um processo que exige do
professor tempo e disposição para acolher o novo, será apresentado nas páginas seguintes uma
proposta metodológica para aulas de química onde se utilizará o jogo Ludo Químico como
forma de facilitar a compreensão dos conteúdos da segunda série do ensino médio, em
especial os relacionados ao estudo da cinética química.
2 A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NO DENSENVOLVIMENTO DO PROCESSO DE
ENSINO-APRENDIZAGEM DE CINÉTICA QUÍMICA
2.1 O significado do lúdico no ato de aprender e conviver com o outro
A ludicidade faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. Caracterizando
por ser espontâneo, funcional e satisfatório levando a realização de diversas atividades que
englobam o indivíduo dentro de sua especificidade, contribuindo para uma satisfação pessoal.
Foi através da criatividade que o homem solucionou os problemas do seu cotidiano,
como criar armas para caçar, obter alimentos e roupas, utilizar o fogo para se aquecer.
Avançando e buscando diversas formas para melhorar a sua condição de vida.
A criatividade humana manifesta-se pelo progresso conquistado pelo homem em todos
os campos da vida. Em qualquer profissão a criatividade está presente. No plano individual, a
criatividade torna o homem um ser mais acessível para realizar experiências enriquecedoras,
para expressar e ativar sua capacidade, para ser feliz.
O resgate da sensibilidade humana, do conhecimento contextualizado, da
implementação do “lúdico” como caráter recreativo tem que se fazer presente nas escolas. De
um modo geral os educadores reconhecem a importância do lúdico no desenvolvimento
infantil, percebendo seu papel na construção do Eu e das relações interpessoais.
17
A partir disso, ressalta-se a importância do lúdico e como ele, os jogos, os brinquedos
e as brincadeiras podem ser importantes para o desenvolvimento e para a aprendizagem das
crianças e também do adolescente ou adulto em uma aula de química ou de outra disciplina
qualquer, inclusive tendo sido confirmado por alguns educadores que possuem conhecimento
acerca do tema e que é possível reunir dentro da mesma situação o brincar e o educar.
O lúdico permite um desenvolvimento global e uma visão de mundo mais
real. Por meio das descobertas e da criatividade, a criança pode se expressar,
analisar, criticar e transformar a realidade. Se bem aplicada e compreendida,
a educação lúdica poderá contribuir para a melhoria do ensino, quer na
qualificação ou formação crítica do educando, quer para redefinir valores e
para melhorar o relacionamento das pessoas na sociedade (DALLABONA,
Disponível em: <http://www.posuniasselvi. com.br/artigos/rev04-16.pdf>.).
A brincadeira e os jogos por si apresentam uma série de alternativas que auxiliam na
construção do conhecimento, pra que a criança aproprie-se deste conhecimento de uma forma
muito agradável e interessante. No jogo, brincando, ela mesma consegue avaliar seu
crescimento e sente-se naturalmente desafiada a ir adiante.
Neste sentido, a escola é fundamental neste processo de resgate da ludicidade através
de trabalhos de incentivo ao professor com o uso sucatas, jogos e brincadeiras em suas aulas,
reconhecendo que a participação em jogos propicia a formação de atitudes, no que refere ao
respeito mútuo, cooperação, obediência às regras, senso de responsabilidade, iniciativa
pessoal e grupal, bem como favorece o desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo.
E, jogando, a criança aprende o valor do grupo como força integradora e o sentido da
competição salutar e, da colaboração consciente e espontânea. Portanto, o lúdico, as
brincadeiras e os jogos são atividades sérias, de fundamental apoio para a formação de seres
integrais, tendo papéis muito importantes para a inclusão social. Como afirma WINNICOTT
apud PINTO & TAVARES (2010):
O lúdico é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o
indivíduo de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo. É este
aspecto de envolvimento emocional que torna uma atividade de forte teor
motivacional, capaz de gerar um estado de vibração e euforia (p. 230-231).
O significado do lúdico até agora discutido se refere à realidade do indivíduo nas
séries iniciais. Todavia esse mesmo significado se estende para as atividades realizadas com
alunos do ensino fundamental e médio, em especial nas aulas de ciências e química
respectivamente.
18
As atividades lúdicas, no ensino Fundamental e Médio, são práticas privilegiadas para
a aplicação de uma educação que vise o desenvolvimento pessoal do aluno e a atuação em
cooperação na sociedade. São também instrumentos que motivam, atraem e estimulam o
processo de construção do conhecimento, podendo ser definida, de acordo com SOARES
(2004), como uma ação divertida, seja qual for o contexto linguístico, desconsiderando o
objeto envolto na ação. Se há regras, essa atividade lúdica pode ser considerada um jogo.
Sendo assim se pode considerar que o aluno está a todo o momento passando por um processo
de mudanças, no qual, está sempre adquirindo novos conhecimentos e novos valores,
tornando a utilização do lúdico proveitosa.
2.2 Trabalhando com jogos lúdicos em sala de aula
A maioria dos professores de Química relata grande dificuldade para se trabalhar a
Química em sala de aula. A utilização de métodos diversificados, ainda é uma prática limitada
na atividade docente.
Os jogos possuem a vantagem de, ao mesmo tempo em que ensinam,
divertem. Outra vantagem dos jogos é que tanto crianças quanto adultos
gostam de brincar, de jogar. Além disso, o aluno/jogador pode usar esses
jogos em casa ou até mesmo em outros ambientes, onde poderá aprender
enquanto se diverte (ELLENSOHN et. al, 2007, p. 1).
Nesse sentido, “brincar funciona como um cenário no qual as crianças tornam-se
capazes não só de imitar a vida, como também transformá-la”, tornando-as capazes de
enfrentar obstáculos encontrados durante sua vida (OLIVEIRA, 2007, p. 14).
A brincadeira é o espaço da interação e do confronto. É também através dela
que a criança e o grupo constroem a sua compreensão sobre o mundo e as
ações humanas. Não é atividade espontânea, antes se constrói através das
experiências constituídas no contato social, primeiro na família, depois nos
grupos informais e depois na escola, ou simultaneamente. Representa o elo
de ligação entre a criança e a cultura na qual ela está imersa. Produz e
responde a indagações e abre espaço para experiências impossíveis em
outros contextos de vida, o que promove comportamentos que vão além das
possibilidades atuais da criança, apontando para sua área potencial de
desenvolvimento (CAMARGO apud SANCHES, 2007, p. 27).
A atividade lúdica quando utilizada de forma adequada e consciente, pode
proporcionar ao aluno um desenvolvimento intelectual, ou seja, proporcionar saltos
qualitativos de um determinado nível de conhecimento para outro.
19
Segundo Vygotsky (1984), o brinquedo não é simbolização, mas sim
atividade da criança. Isso porque o símbolo é um signo e no brinquedo a
criança opera com significados desligados dos objetos aos quais estão
habitualmente ligados. Mesmo sem considerar o brinquedo como um aspecto
predominante da infância, Vygotsky ressalta a importância dessa atividade
para o desenvolvimento mostrando que ela cria uma zona de
desenvolvimento proximal, pois, ao brincar, a criança está acima das
possibilidades da própria idade, imitando os mais velhos nos seus
comportamentos (PEDROSA, 2005, p. 65).
Considerando o fato de que a maioria dos alunos considera o ensino de Química
desinteressante, o jogo lúdico pode ser uma alternativa viável para tornar o processo de
ensino-aprendizagem mais interessante e divertido. Segundo MENEZES & SOUZA (2011, p.
9):
A química tem múltiplas relações com os jogos lúdicos, permitindo ao
educador realizar diversas atividades empíricas que possibilitem a
compreensão dos conteúdos químicos. Ainda nesse sentido, os conteúdos
químicos são possíveis de aprender de forma lúdica, recreativa e divertida,
tendo maior aprendizagem em relação aos conteúdos estudados, bem como,
contribuir de forma significativa para o aumento da criatividade, criticidade
e inventalidade no ensino de química.
Porém, mesmo sabendo do valor social da educação lúdica na vida da criança como
ser em desenvolvimento, alguns professores apresentam resistência à prática, afirmando que
acarreta desorganização, dificultando o processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim,
procurar desenvolver adequadamente a atividade lúdica é de extrema importância para o
professor, pois suas ações devem apresentar significado para o aluno, dando a oportunidade
de vivenciar regras, aprender de acordo com as necessidades, desenvolver o raciocínio e sua
linguagem. Seria um momento de reelaboração do conhecimento adquirido pela vivência do
aluno, podendo ser realizada em grupo ou individualmente (PINTO & TAVARES, 2010).
2.3 A 2ª série do turno noturno do Colégio Estadual Professor José Abdalla: Espaço
destinado à realização de experiência com aplicação do jogo Ludo Químico no estudo de
cinética química
O Colégio Estadual Professor José Abdalla está situado à Rua da Liberdade, s/nº, Vila
Esperança, Anápolis-GO. Localiza-se próximo aos bairros: São João, Pólo Centro 1 e 2,
Jardim São Paulo e Arco-íris.
20
O colégio possui uma área de 3.200 m² doados pela prefeitura, com 582 m
construídos, restantes 2.618 m² para futuras ampliações, e é de fácil acesso aos alunos que se
dirigem a pé, de ônibus, carro, bicicleta, etc.
Possui 08 (oito) salas de aula, sendo que uma sala foi remanejada para o
funcionamento da sala de informática e a outra para o funcionamento de uma biblioteca;
secretaria, cantina com depósito, banheiro feminino para os alunos com 04 (quatro) sanitários,
banheiro masculino para alunos com 02 (dois) sanitários, um banheiro feminino e um
masculino para funcionários, sala de professores, sala de direção, sala de coordenação, um
pátio pequeno coberto e uma outra parte necessitando de cobertura.
As salas de aula são pequenas, não são arejadas, a acústica passa de uma sala para a
outra, a rede de esgoto publica é inexistente, nesse caso, utiliza-se fossa séptica.
O colégio tem por missão o compromisso de ensino de qualidade, num ambiente
apropriado e inovador, garantindo a formação e preparação dos alunos para um futuro
promissor, proporcionando o saber e o saber-fazer críticos como pré-condição para sua
participação em outras instâncias da vida social, inclusive para melhoria de suas condições de
vida.
Tem como visão ser reconhecido pela comunidade como Colégio necessário e
comprometido politicamente com o processo educativo, capaz de preparar o aluno para o
conhecimento cultural e para ação de cidadania numa sociedade moderna e inclusiva, para
isso busca executar o trabalho de maneira eficaz, comprometida e solidária, com professores
capacitados e baixos índices de reprovação e abandono, buscando sempre a qualidade do
processo ensino-aprendizagem.
A Proposta Curricular adotada pelo colégio não se define pela transmissão de verdades
definitivas. Elas são antes as críticas a estas verdades, porque desvela a aparência e mostra
que o saber é também trabalho e, como tal, é produzido no tempo e no espaço pela ação
humana. Portanto, é preciso que aja uma preocupação e uma investigação a respeito da
natureza dos conteúdos a serem incorporados aos currículos, contexto social e histórico em
que ocorre a educação, bem como de que tipo de conhecimento está em sintonia com o tempo
em que vivemos e com os alunos que temos. O Colégio procura desenvolver um currículo
comum de experiências cognitivas e culturais, uma escola democrática que parta da cultura
local para inserir-se na cultura mais ampla.
A abertura e a flexibilidade caracterizam a proposta curricular, no sentido de “unir a
educação à vida, associá-la com objetivos concretos e estabelecer uma correlação estreita com
o meio ambiente”. Isso significa aprender a pensar livre e criticamente, a amar o mundo e a
21
fazê-lo mais humano, a realizar-se mediante o trabalho criador no sentido de construir a
sociedade do futuro.
Para tanto, o Colégio Estadual Professor José Abdalla propõe uma metodologia onde
coordenadores, professores e alunos caminhem no sentido de aprender através de aulas que
partam, antes, do conhecimento acumulado do aluno, porém somados aos conteúdos que,
assimilados tornem o educando, sistematicamente melhor preparado para enfrentar as demandas
que a sociedade – cada vez mais exigente – impõe aos indivíduos que nela inserem-se.
O papel do professor é insubstituível, mas acentua-se também a participação do aluno
no processo. Ou seja, o aluno, com sua experiência imediata num contexto cultural, participa
na busca da verdade, ao confrontá-la com os conteúdos e modelos expressos pelo professor.
Mas esse esforço do professor em orientar, em abrir perspectivas a partir dos conteúdos,
implica um envolvimento com o estilo de vida dos alunos, tendo consciência inclusive dos
contrastes entre sua própria cultura e a do aluno. Não se contentará, entretanto, em satisfazer
apenas as necessidades e carências; buscará despertar outras necessidades, acelerar e
disciplinar os métodos de estudo, exigir o esforço do aluno, propor conteúdos e modelos
compatíveis com suas experiências vividas, para que o aluno se mobilize para uma
participação ativa.
Segundo os professores do Colégio Estadual Professor José Abdalla, ensinar nos dias
de hoje não está sendo uma tarefa fácil. Segundo eles, os alunos parecem não saber a
importância que o ensino representa em suas vidas, são desinteressados, não apresentam
motivação durante as aulas, são indisciplinados e não dão importância para o que está sendo
ensinado em sala de aula.
Essas anotações aqui descritas de forma sistematizadas foram retiradas do projeto
pedagógico do colégio que representa a identidade da escola, ou seja, o que ela é de fato no
seu cotidiano.
No período noturno, onde a pesquisa foi realizada, a situação é ainda pior, além dos
alunos serem desestimulados, desinteressados e indisciplinados, os mesmos são infrequentes,
colocando dessa maneira, uma barreira entre o conhecimento e o aluno.
Tendo como referencia a realidade vivida pelos professores e alunos dessa instituição
de ensino, suas limitações e dificuldades, pretende-se desenvolver uma aula de Química na 2ª
série do ensino médio utilizando o jogo Ludo Químico a fim de despertar a curiosidade dos
alunos e consequentemente o interesse dos mesmos acerca do conteúdo de cinética química,
podendo dessa forma contribuir para a prática educativa dos professores do Colégio Estadual
Professor José Abdala e de outros que puderem ter acesso a este trabalho.
22
2.3.1 Explicando o funcionamento do jogo Ludo Químico
O Ludo Químico foi proposto durante a disciplina “Prática de Ensino e Estágio
Supervisionado em Química II” oferecida aos alunos do 5° ano de um curso de Licenciatura
em Química da Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Dentre os objetivos
dessa disciplina, está atuar como instrumento de integração dos estudantes com a realidade
social e educacional de escolas públicas do ensino médio ou outros ambientes educacionais
nas atividades de observação, análise e intervenção.
O Ludo Químico para o ensino de nomenclatura dos compostos orgânicos foi
realizado para ser utilizado na 3ª Série ou quando o professor decidisse iniciar o estudo da
matéria de Química Orgânica. Seu objetivo foi favorecer a cooperativismo, ou seja, fazer com
que os alunos vençam os objetivos do jogo através da cooperação entre todos os integrantes
do grupo, um ajudando o outro.
O jogo Ludo Químico para o ensino de nomenclatura dos compostos orgânicos foi
composto por 01 (um) tabuleiro, 04 (quatro) peões de cores distintas, um dado enumerado de
1 a 6, 100 (cem) cartas de perguntas, 20 (vinte) cartas desafio, 20 (vinte) cartas coringa e
caderno, lápis ou caneta para anotações dos alunos, que dependendo da ocasião poderiam ser
substituídos por lousa ou quadro branco.
O jogo foi idealizado para ser realizado em grupos, entretanto pode ser realizado entre
adversários individuais. Possuía as seguintes regras:
1) Inicia-se após o lançamento do dado por cada grupo. O grupo que tirar o maior
número iniciará o jogo, seguido pelos demais.
2) Durante o jogo, os peões, peças nos quais os grupos se movem no tabuleiro,
podem cair nas casas claras do jogo que representam passagem livre, ou seja, não
serão efetuadas perguntas quando os grupos estiverem nessa situação. As casas
escuras representam desafios aos jogadores.
3) Quando um jogador (grupo) estiver sobre uma casa escura, o adversário que jogará
na sequência deverá retirar uma carta e submeter ao grupo anterior uma questão ou
desafio, conforme a carta, tirada do conjunto.
4) Ganha o jogo quem chegar ao final do tabuleiro como mostra a figura 1.
Segundo Zanon et. al. (2008), sua utilização demonstrou resultados positivos
favorecendo a aquisição de conhecimento em clima de alegria e lazer, merecendo espaço na
prática pedagógica dos professores por ser uma estratégia motivante que agrega aprendizagem
de conteúdo ao desenvolvimento de aspectos comportamentais saudáveis.
23
Por isso, baseado nesses resultados, houve motivação de reproduzir a ideia, uma vez
que no Colégio Estadual Professor José Abdalla há problemas relacionados à desmotivação e
interesse dos alunos frente aos conteúdos de Química.
Figura 1 – Tabuleiro utilizado no Jogo Ludo Químico (Zanon).
Fonte: Zanon.
2.3.2 Etapas, regras e aplicação do jogo Ludo Químico
Antes da apresentação do funcionamento do jogo ludo químico, faremos uma proposta
descritiva dos materiais utilizados, com o intuito de maior compreensão do trabalho a ser
desenvolvido.
I) Tabuleiro: O tabuleiro é composto de casas claras e casas escuras. Essa estrutura do
tabuleiro serve para diferenciar as casas, nas quais, os jogadores responderão perguntas ou
não.
24
Figura 2 – Tabuleiro: casas claras e casas escuras.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
II) Peões: São as peças, nas quais, os jogadores se movem pelo tabuleiro. Para vencer
o jogo os peões devem partir do início do jogo e prosseguirem até a chegada. Lembrando que
é através da casa em que o peão cai que saberemos se o jogador deve continuar jogando o
dado (caso caia na casa clara) ou se os alunos passarão por um desafio (caso caia nas escuras
e tenha que responder às questões).
Figura 3 – Peões.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
25
III) Dados: Os dados são utilizados para determinar quantas casas o jogador poderá
avançar no tabuleiro, dependendo dos números apresentados pelos mesmos.
Figura 4 – Dados.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
IV) Cartas: O jogo possui três tipos de cartas. Cartas de perguntas, cartas desafios e
cartas curinga. Os três tipos estão representados abaixo.
a) Cartas de perguntas: podem ser perguntas objetivas ou contextualizadas. Exemplo:
Figura 5 – Cartas de perguntas.
Objetiva
26
Contextualizada
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
b) Cartas desafios: São cartas em que as perguntas requerem maior empenho dos
jogadores para responder. Exemplo:
Figura 6 – Carta desafio.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
27
c) Cartas coringa: Cartas que podem mudar o rumo do jogo. Exemplos:
Figura 7 – Cartas coringa.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
Do planejamento à execução do jogo Ludo Químico compreenderam várias etapas:
1) Busca de informações relevantes sobre o tema escolhido, no caso cinética química.
2) Estudo exploratório com professores e alunos da 2ª série do ensino médio do turno
noturno, com o objetivo de identificar pequenos ajustes necessários ao jogo, para
facilitar a aprendizagem e a dinâmica do Ludo Químico.
3) Aplicação do jogo Ludo Químico aos alunos da 2ª série do ensino médio do turno
noturno, sendo seu desenvolvimento avaliado por meio de questionários e participação
dos alunos durante o jogo.
Para melhor compreensão do funcionamento do jogo Ludo Químico, descreve-se
abaixo as etapas para a aplicação do mesmo:
1) O educador apresenta os materiais que compõe o jogo, sendo eles 01 (um) tabuleiro;
04 (quatro) peões de cores distintas; 02 (dois) dados numerados de um a seis; 30
(trinta) cartas e caderno, lápis ou caneta, para anotações que podem ser substituídos
pela lousa ou quadro branco;
2) O educador organiza a ordem dos jogadores; sendo que cada sala possuirá 04 (quatro)
grupos respeitando a quantidades de alunos na sala de aula no dia da aplicação;
3) O jogo começa a partir do lançamento do dado por todos os grupos, o que obtiver o
maior número começará o jogo e assim por diante;
4) O tabuleiro possuirá casas claras (azul claro) que representam a passagem livre, ou
seja, não serão efetuadas perguntas quando os participantes estiverem nessa situação.
As casas escuras representam desafios aos jogadores.
5) Quando o jogador (grupo) estiver sobre a casa escura (azul escuro), o adversário que
jogará em seguida deverá retirar uma carta e ler a questão pro grupo anterior. Caso o
28
grupo acerte a questão, continua na casa, caso não consiga responder, volta à casa que
estava situada anteriormente;
6) As cartas de perguntas e as cartas desafios apresentam perguntas relacionadas aos
conteúdos de cinética química, sendo que as cartas desafios apresentam questões
interdisciplinares, contextualizadas, que exigem maior reflexão por parte do
aluno;
7) Vence o jogo a equipe que conseguir chegar ao final do tabuleiro.
2.3.3 Uma experiência vivida no Colégio Estadual Professor José Abdalla: O uso do jogo
Ludo Químico nas aulas de cinética química
A Cinética Química é um ramo da Química que fala sobre a velocidade das reações
químicas. Para que a aprendizagem dessa matéria seja significativa, o aluno deve
compreender como se processa uma reação química, em que velocidade ela ocorre e quais são
os fatores que alteram essa velocidade.
Durante a sua prática, os professores encontram bastante dificuldade para ensinar essa
matéria utilizando aulas expositivas, pois como o conteúdo é abstrato, dificulta a aprendizagem
por parte dos alunos, que acabam considerando as aulas complexas e desinteressantes.
Diante dessa dificuldade, os dias atuais exigem que os professores repensem sua
prática, procurando buscar alternativas que desperte o interesse dos alunos. Sendo assim, foi
proposto nesse trabalho a utilização do Jogo Ludo Químico para analisar o desempenho dos
alunos através dessa atividade lúdica.
Segundo RAMOS (2003), para que uma atividade promova uma aprendizagem
significativa, a mesma deve apresentar os seguintes componentes:
Motivação: Neste momento, o professor deve buscar um motivo
suficientemente forte, que provoque no estudando a necessidade de busca de
um novo conhecimento, ou a necessidade de aplicar um conhecimento já
instalado na resolução de um problema novo. Em resumo: é por o estudando
em conflito cognitivo e que aceite com boa disposição as tarefas que
conduzam a resolvê-lo. O motivo surge quando o objetivo da atividade
coincide com os interesses do sujeito.
Orientação: É este momento de criação de uma base de orientação para a
ação, donde o estudante deve apropriar-se do plano de ação para a execução
da tarefa proposta ou de resolução de um problema (planificação). É aqui
onde o estudando deve reaver informações referentes ao problema a resolver,
conectar um conhecimento com outra, de forma tal que o estudando possa,
por si mesmo e com ajuda de outros, planejar e desta forma sentir-se
descobridor.
Execução: Este é o momento de realização da ação no plano prático mental,
o qual pressupõe variantes de execução no plano material, verbal e mental. A
29
execução da tarefa nos planos verbal e mental exige-se do estudando
justificar tanto os passos ou ações a realizar como os critérios em que se
baseia seu trabalho e isto contribui à reflexão, à defesa de posições e de
critérios técnicos e científicos.
Controle: É o momento de assegurar-se da qualidade das decisões tomadas
e de recolher os sinais de aviso neste sentido. Abrange tanto o controle da
planificação, como o controle segundo o resultado final da tarefa que se
executa. Manifestações de controle devem produzir-se tanto no momento de
orientação como no de execução da atividade (p. 51-52).
A partir do que foi descrito acima e considerando que os professores do Colégio
Estadual Professor José Abdalla também encontram dificuldades para ensinar o conteúdo de
cinética química, aplicou-se o jogo Ludo Químico na 2ª série do ensino médio do Colégio
Estadual Professor José Abdalla no turno noturno. A aplicação do jogo foi realizada com o
intuito de despertar a motivação nos alunos, mostrando aos mesmos que podem aprender os
conteúdos de cinética química de maneira divertida, facilitando a interação entre os alunos,
consolidando o processo de ensino-aprendizagem.
Essa atividade lúdica apresenta situações problemas fazendo com que os alunos
busquem respostas adequadas. Portanto, a cada situação proposta o aluno está sentindo a
necessidade de resolver problemas, que quando realizada em grupo promove a cooperação,
fazendo com que os mesmos busquem ajuda de outros colegas de seu grupo para responder a
questão, possibilitando assim o alcance de uma aprendizagem que seja de referência para
continuidade de outros conteúdos.
Para que a aplicação do jogo não fosse uma prática sem fundamento, durante dias,
trabalhou-se o conteúdo de cinética química, buscando dar embasamento teórico aos alunos,
para que depois fosse realizado o jogo lúdico.
Para realização da prática, primeiramente foi feito uma sistematização de uma aula
onde foram abordados os conteúdos de cinética química anteriormente explicados, fazendo
uma breve explicação sobre cada item.
30
Figura 8 – Aula com o conteúdo cinética química na 2ª série do Ensino Médio.
Fonte: Colégio Estadual Prof. Jose Abdalla.
Feita a esquematização e uma breve explicação sobre os conteúdos, explicou-se para
os alunos que iria ser realizado uma atividade diferenciada utilizando o jogo Ludo Químico,
visando reforçar os conteúdos anteriormente ministrados durante as aulas.
Figura 9 – Aula explicativa do jogo Ludo Químico na 2ª série do Ensino Médio.
Fonte: Colégio Estadual Prof. Jose Abdalla.
31
Foi em seguida explicado o funcionamento do Jogo Lúdico. Nesse momento foram
elucidadas as etapas, regras e objetivos do jogo.
Figura 10 – Aula prática do jogo lúdico na 2ª série do Ensino Médio.
Fonte: Colégio Estadual Prof. Jose Abdalla.
Após ter sido formado os grupos, os mesmos foram orientados a jogar os dados para se
definir quem iniciaria o jogo.
Figura 11 – Formação dos grupos – 2ª série do Ensino Médio.
Fonte: Colégio Estadual Prof. Jose Abdalla.
32
Durante o jogo, como foi dito anteriormente, os peões podem cair nas casas claras e
nas casas escuras. Caso caiam nas casas escuras, os jogadores poderiam responder perguntas.
Figura 12 – Orientação do jogo – 2ª série do Ensino Médio.
Fonte: Colégio Estadual Prof. Jose Abdalla.
Essas perguntas foram propostas com o intuito de serem utilizadas para a consolidação
dos conteúdos explicados ao longo de várias aulas. Além disso, o propósito maior era fazer
com que o aluno aprendesse de forma prazerosa e integradora.
As questões elaboradas estão descritas abaixo:
Questão 01- Como se chama o tipo de choque que ocorre entre as moléculas dos reagentes
para formar produto?
a) Choques não efetivos
b) Choques determinados
c) Choques diretos
d) Choques efetivos
Questão 02- Os choques efetivos são aqueles que acontecem de maneira:
a) organizada
b) orientada
c) fixa
33
d) desorganizada
Questão 03- Os choques efetivos devem acontecer entre as moléculas dos:
a) reagentes
b) produtos
d) catalisadores
e) reagentes e produtos
Questão 04- Nos dias atuais é muito importante saber os fatores que alteram na velocidade
das reações químicas. Esses fatores podem ser utilizados para acelerar vários tipos de reações,
tornando a reação mais rápida e prática. Dentre os fatores que alteram a velocidade das
reações, qual diminui a energia de ativação, ou seja, energia necessária pra formar produto,
em uma reação química?
a) temperatura
b) pressão
c) Superfície de Contato
d) Catalisador
Questão 05- O sonrisal é um remédio cuja função é agir em casos de acidez estomacal.
Fernando, ao sentir uma dor no estomago sentiu a necessidade de tomar o remédio. Porém na
sua casa existia o remédio em pó e em pastilha. Sabendo disso, para acabar com sua dor mais
rapidamente, acelerando o processo da reação do remédio em água, qual das duas opções ele
usou e por quê?
a) em pastilha, pois o remédio tem uma superfície de contato maior com a água.
b) em pó, pois a concentração do remédio é maior reagindo mais rápido.
c) em pó, pois a superfície de contato entre os reagentes serão maiores.
d) em pastilha, pois as moléculas dos reagentes se chocarão mais fácil.
Questão 06- Para que uma reação aconteça é preciso que haja:
a) temperatura e pressão
b) rapidez e choques entre as moléculas
c) Afinidade química e contato entre as moléculas
d) Afinidade química e temperatura
34
Questão 07- Qual dos fatores abaixo aumenta a energia cinética, responsável pelo movimento
das moléculas:
a) temperatura
b) pressão
c) catalizador
d) concentração dos reagentes
Questão 08- Um palito de fósforo não se acende, espontaneamente, enquanto está guardado.
Porém basta um ligeiro atrito com uma superfície áspera para que ele, imediatamente, entre
em combustão, com emissão de luz e calor. Considerando-se essas observações, é CORRETO
afirmar que a reação:
a) é endotérmica e tem energia de ativação maior que a energia fornecida pelo atrito.
b) é endotérmica e tem energia de ativação menor que a energia fornecida pelo atrito.
c) é exotérmica e tem energia de ativação maior que a energia fornecida pelo atrito.
d) é exotérmica e tem energia de ativação menor que a energia fornecida pelo atrito.
Questão 09- Em estudos de Cinética Química, catalisador significa substância que sempre
modifica a:
a) variação de entalpia.
b) constante de equilíbrio.
c) variação de energia livre.
d) velocidade da reação
Questão 10- No Brasil percebemos que há muitas queimadas. Essas Queimadas se alastram
rapidamente quando está ventando. A velocidade dessa reação é ocasionada por um dos
fatores que alteram na velocidade das reações. Sabendo disso qual o fator que altera na
velocidade dessa reação.
a) pressão
b) temperatura
c) superfície de contato
d) concentração dos reagentes
Questão 11- A temperatura aumenta a velocidade das reações devido:
a) ao aumento de choques não efetivos entre as moléculas dos reagentes
b) ao aumento da quantidade de reagentes na reação
35
c) ao aumento da energia cinética responsável pelo movimento, causando mais choques efetivos
d) a diminuição da energia cinética responsável pelo movimento, causando mais choques efetivos
Questão 12- Para conservar os alimentos, colocamos comida dentro do refrigerador, dessa
maneira as reações responsáveis pela perda da comida acontece mais devagar. Qual é o fator
que influencia na velocidade dessas reações:
a) temperatura
b) pressão
c) catalisador
d) superfície de contato
Questão 13- Ao queimar lascas de madeira percebe-se que a reação acontece mais rápido do
que quando se queima uma tora de madeira. Segundo o que foi dito anteriormente, qual o fato
que influencia na velocidade da reação:
a) catalizador
b) concentração dos reagentes
c) superfície de contato
d) pressão
Questão 14- Ao acender uma vela percebe-se que a mesma libera calor. Quando uma reação
libera calor é denominada de reação:
a) espontânea
b) exotérmica
c) endotérmica
d) explosiva
Questão 15- Ao sair molhado em um local aberto sentimos frio, isso se deve as moléculas de
água absorverem energia na forma de calor do corpo. Reações ou transformações físicas em
que há absorção de energia na forma de calor são denominadas:
a) espontânea
b) exotérmica
c) endotérmica
d) explosiva
36
Questão 16- Como é chamado o estado intermediário onde as velhas ligações estão sendo
rompidas e as novas ligações estão sendo formadas em uma reação química?
a) Energia de ativação
b) Energia de mobilização
c) Entalpia
d) Complexo ativado
e) Complexo de mobilização
Questão 17- Cite qual das opções abaixo pode acelerar uma reação:
a) temperatura
b) superfície de contato
c) catalisador
d) todas as alternativas acima
Questão 18- Foram adicionados dois efervescentes em 2 (dois) recipientes com água. Um
recipiente a água está fria e no outro a água está quente. Em qual dos dois recipientes a reação
do efervescente com a água acontece mais rápido e por quê?
a) na água fria, pois ocorrerão mais choques efetivos.
b) na água quente, porque ocorrerão mais choques não efetivos.
c) na água fria, pois ocorrerão mais choques não efetivos.
d) na água quente, porque ocorrerão mais choques efetivos devido ao aumento da energia
cinética das moléculas.
Questão 19- Cite qual dos fatores abaixo aumenta a quantidade de reagentes e por sua vez
aumenta a velocidade da reação química.
a) Concentração dos reagentes
b) temperatura
c) pressão
d) catalisador
Questão 20- O diagrama a seguir representa a evolução da energia potencial em função do
caminho de uma reação química. (A+B→C)
37
Qual dos intervalos representa a variação de entalpia (ΔH) da reação apresentada?
a) intervalo 1
b) intervalo 2
c) intervalo 3
d) intervalo 4
O jogo foi finalizado quando um dos grupos conseguiu chegar ao final do tabuleiro.
Figura 13 – Finalização do jogo – 2ª série do Ensino Médio.
Fonte: Colégio Estadual Prof. Jose Abdalla.
38
É importante salientar que as etapas do jogo devem apresentar função educativa.
Durante a prática, a aquisição de conhecimento deve sempre ocorrer em clima de alegria e
prazer. Sendo assim, pode-se através da prática estimular o raciocínio, a argumentação, a
criatividade, interação aluno-aluno e professor-aluno de maneira divertida, desenvolvendo
aspectos comportamentais saudáveis importantes dentro de um ambiente escolar.
3 COLÉGIO ESTADUAL PROFESSOR JOSÉ ABDALLA: REFERENCIAL PARA
ESTUDO
E
DIAGNÓSTICO
SOBRE
A
UTILIZAÇÃO
DE
JOGOS
E
BRINCADEIRAS NAS AULAS DE QUÍMICA
3.1 Roteiro metodológico
Procurando atender aos objetivos dessa pesquisa de campo, foi empregado como
metodologia, o levantamento de dados primários realizados junto aos professores e alunos do
2° ano do ensino médio do Colégio Estadual Professor José Abdalla em Anápolis. Pesquisa de
campo é aquela que tem como objetivo conseguir informações ou conhecimentos a respeito de
um determinado problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese que se
queira comprovar, ou ainda descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles (LAKATOS
& MARCONI, 1991).
Dados primários são gerados pelo pesquisador com a intenção específica de solucionar
o problema de uma pesquisa (ANDRADE apud RAMOS, 2003).
O levantamento de dados primários foi realizado com pesquisa de natureza qualitativa.
Aborda e discute as propriedades e características presentes dentro do universo pesquisado.
Os métodos utilizados para realização do trabalho são:
Histórico lógico- abordagem do contexto histórico do ensino de Química no Brasil,
Goiás e especificamente em Anápolis.
Análise e síntese- revisão bibliográfica da literatura.
Observação- acompanhamento dos professores e alunos no Colégio Estadual José
Abdalla no 2º ano do ensino médio com relação ao trabalho desenvolvido em sala com o jogo
Ludo Químico na fase de estágio supervisionado.
A amostra da pesquisa compõe-se por 24 (vinte e quatro) alunos da 2ª série do ensino
médio do turno noturno do Colégio Estadual Professor José Abdalla e 06 (seis) professores
que lecionam as disciplinas física, química, matemática e biologia.
39
Para GIL (1999, p. 100), “amostra é uma porção ou parcela convenientemente
selecionado do universo; é um subconjunto do universo (população) por meio do qual se
estabelecem ou se estimam as características desse universo”.
A pesquisa baseou-se em um delineamento não-probabilístico, e dentre os diversos
métodos para seleção de amostras, utilizamos o método de amostragem intencional, ou seja, a
opinião (ação, intenção) de elementos que exercem funções de líderes de opinião.
Portanto, os resultados desta investigação representam informações relevantes no
âmbito escolar, no que permite a validade e a representatividade dos resultados obtidos e
discutidos na pesquisa.
Para a coleta de dados, foi aplicado (um) questionário aos educadores e (um), aos
educandos, com questões objetivas.
Ambos os questionários têm o intuito de coletar somente dados de natureza nominal.
De acordo com Mattar (apud RAMOS, 2003, p. 82) “os dados nominais surgem quando se
definem categorias e se conta o número de observações pertencentes a cada categoria”.
O objetivo da aplicação dos questionários foi analisar criticamente se os professores de
Química e áreas afins costumam utilizar metodologias diferenciadas em sala de aula, em
especial, o uso do jogo Ludo Químico. Para os alunos o intuito principal da aplicação do
questionário foi coletar dados que pudessem confirmar ou não que os mesmos se sentiam
motivados em participar da aula com a utilização do jogo ludo químico e, sobretudo se
aprenderam com facilidade os conteúdos relacionados ao estudo da cinética química.
3.2 Análise dos resultados da pesquisa com alunos da 2ª série do ensino médio do turno
noturno do Colégio Estadual Professor José Abdalla acerca da aprendizagem dos
conteúdos de cinética química com ênfase metodológica no Jogo Ludo Químico
Foi aplicado um questionário a vinte e quatro alunos da 2ª série do Ensino Médio do
turno noturno do Colégio Estadual Professor José Abdalla, com o intuito de coletar dados a
respeito do uso do jogo Ludo Químico nas aulas de cinética química pelos professores e a
consequente aquisição de uma aprendizagem significativa desses conteúdos por parte dos alunos.
As questões presentes nos questionários e seus resultados estão representados a seguir.
40
Tabela 1 – Resultado da questão 01 da pesquisa com alunos.
QUESTÃO 01
Você gosta de estudar Química?
No. Cit.
Sim
Não
Às vezes
TOTAL OBS.
12
08
04
24
Freq.
50%
33,33%
16,66%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
De acordo com a questão 01, 50% dos alunos afirmam gostar de estudar Química,
33,33% não gostam de estudar a matéria e 16,66% diz que às vezes gostam de estudar a
matéria de Química. Percebe-se através da questão, que a maior parte dos alunos gosta de
química. A outra parte diz ter respondido “não” pelo fato da química ser muito difícil e por
não entenderam bem os conteúdos explicados, porque são distantes de suas realidades. Isso
acontece, porque alguns professores ainda utilizam em suas aulas, metodologias de ensino
ultrapassadas, tendo como princípio a memorização e a repetição excessiva de exercícios,
tornando sua aula, distante da realidade dos alunos, aumentando o desinteresse e a
desmotivação dos mesmos em relação às aulas de Química. Os alunos que disseram “às
vezes” afirmam que escolheram essa opção porque tem conteúdos que são muito difíceis e
nem deveriam ser dados em sala de aula, porém, dizem que determinadas aulas são bem
interessantes e úteis no seu dia-a-dia. Sendo assim, é preciso que aja uma preocupação e uma
investigação a respeito da natureza dos conteúdos a serem incorporados aos currículos,
procurando dessa maneira, tornar os alunos cidadãos críticos e ativos no mundo em que vivemos.
Tabela 2 – Resultado da questão 02 da pesquisa com alunos.
QUESTÃO 02
Em alguma aula de Química o professor já utilizou algum tipo de brincadeira para
ganhar a sua atenção enquanto aluno?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
00
24
24
0,0%
100%
100%
41
De acordo com a questão 02, 100% dos alunos que responderam o questionário,
afirmaram que nunca tiveram uma aula onde o professor utilizou de alguma brincadeira pra
chamar a atenção dos mesmos em sala de aula. Esses dados evidenciam que o lúdico ainda
não faz parte da prática docente dos professores do Colégio Estadual Professor José Abdalla,
mostrando a necessidade em se desenvolver atividades lúdicas no colégio, procurando dessa
forma, contribuir para a prática docente do professor, melhorando assim, a aprendizagem dos
alunos em relação aos conteúdos ministrados.
Tabela 3 – Resultado da questão 03 da pesquisa com alunos.
QUESTÃO 03
Já ouviu falar do Jogo Ludo Químico?
Sim
Não
TOTAL OBS.
No. Cit.
Freq.
00
24
24
0,0%
100%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
Quando perguntados se já ouviram falar do jogo Ludo Químico, todos os alunos
responderam que nunca ouviram falar do jogo. Sendo assim, 100% dos 24 alunos que
responderam a questão 03, afirmaram não conhecer o Ludo Químico. Essa questão reflete
diretamente na questão do lúdico em sala de aula. Alguns professores ainda consideram o
lúdico perca de tempo e afirmam que só provoca indisciplina dentro da sala de aula, o que faz
com que maior parte dos alunos não tenha conhecimento sobre os jogos lúdicos utilizados
para ensinar Química.
Tabela 4 – Resultado da questão 04 da pesquisa com alunos.
QUESTÃO 04
Durante sua vida de estudante do ensino médio, algum professor utilizou-se do Jogo
Ludo Químico ou outro tipo de jogo para testar seus conhecimentos?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
00
24
24
0,0%
100%
100%
42
Na questão 04, 100% dos alunos afirmam que seus professores nunca utilizaram o
jogo Ludo Químico ou nenhum outro jogo como instrumento para testar seus conhecimentos
dentro da sala de aula. Isso mostra a importância do trabalho realizado, pois através da
aplicação do jogo, será possível mostrar a importância do Lúdico no processo de ensinoaprendizagem, podendo contribuir de maneira significativa na prática docente dos professores,
que futuramente poderão utilizar o jogo Ludo Químico para ensinar conteúdos de Química.
Tabela 5 – Resultado da questão 05 da pesquisa com alunos.
QUESTÃO 05
Você se sentiu motivado a aprender o conteúdo de cinética química durante a aplicação
do Jogo Ludo Químico?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
21
03
24
87,5%
12,5%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
Na questão 05, quando os alunos foram perguntados se houve motivação para
aprender o conteúdo de cinética química durante a aula em que foi aplicado o jogo Ludo
químico, 87,5% afirmaram terem ficado motivados e 12,5% afirmaram não terem ficado
motivados a aprender o conteúdo de cinética química. Isso mostra que a aplicação do Jogo
Ludo Químico motiva os alunos a buscarem conhecimento para que, dessa maneira possam
vencer as etapas impostas pelo jogo, sabendo que dentre elas está a necessidade de saber o
conteúdo para que o jogador (aluno) avance no jogo.
Tabela 6 – Resultado da questão 06 da pesquisa com alunos.
QUESTÃO 06
Você considera que conseguiu aprender de forma satisfatória os conteúdos de cinética
química através do jogo Ludo Químico?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
21
03
24
87,5%
12,5%
100%
43
Na questão 06, 87,5% dos alunos afirmam ter aprendido de forma satisfatória os
conteúdos de cinética química através do Jogo Ludo Químico e 12,5% consideram que não
aprenderam. Quando questionados sobre o que tornou a aprendizagem possível, os alunos
disseram que foi a procura por respostas das perguntas realizadas durante o jogo. Segundo
eles, as perguntas fizeram com que os integrantes dos grupos trocassem informações entre si,
buscando as melhores repostas para as perguntas, sempre reforçadas pelo professor que estava
coordenando o jogo. Afirmaram também, que como todos os grupos estavam focados no jogo
e nas perguntas respondidas pelos outros grupos, todos entendiam o conteúdo, o que tornava a
aprendizagem significativa.
Tabela 7 – Resultado da questão 07 da pesquisa com alunos.
QUESTÃO 07
Você considera que foi possível aprender os conteúdos de cinética química de maneira
prazerosa utilizando o jogo Ludo Químico?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
20
04
24
83,33%
16,67%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
Na questão 07, 83,33% dos alunos afirmam que aprenderam o conteúdo de cinética
química de maneira prazerosa e 16,67% afirmam que não foi possível aprender de tal maneira
utilizando o jogo Ludo químico. Portanto, através desses dados percebe-se que a aplicação do
jogo Ludo Químico possui função educativa, favorecendo a aquisição de conhecimento em
clima de alegria e prazer. O que nos leva a acreditar que o jogo é capaz de estimular o
raciocínio, argumentação e até mesmo desenvolver a criticidade, a participação, resgatando
assim, o prazer de aprender.
3.3 Análise dos resultados da pesquisa com professores da 2ª série do ensino médio do turno
noturno e matutino do Colégio Estadual Professor José Abdalla acerca da aprendizagem
dos conteúdos de cinética química com ênfase metodológica no Jogo Ludo Químico
Abaixo serão apresentadas as perguntas realizadas a partir da aplicação do
questionário e as respostas dos professores. O questionário foi aplicado a 6 (seis) professores
do Colégio Estadual Professor José Abdalla, 4 (quatro) do turno noturno e 2 (dois) do período
44
matutino, sendo 2 (dois) professores de química, 2 (dois) de matemática, 1 (um) de biologia e
1 (um) de física. A pesquisa foi realizada com professores de outras áreas, pois os mesmos
podem chegar a ministrar aulas de química dependendo da disponibilidade de professores que
o Colégio apresenta.
Tabela 8 – Resultado da questão 01 da pesquisa com professores.
QUESTÃO 01
Qual a sua formação?
No. Cit.
Licenciado em Química
Bacharel em Química
Outra
TOTAL OBS.
02
00
04
06
Freq.
33,33%
0,0%
6,67%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
De acordo com a questão 01, dos professores que responderam o questionário 33,33%
são formados em Licenciatura em Química, e os outros 66,67% são formados em outras
disciplinas (Matemática, Biologia e Física). Esses resultados demonstram que poucos
professores são formados em Química, ou seja, aptos para dar aulas de Química.
Tabela 9 – Resultado da questão 02 da pesquisa com professores.
QUESTÃO 02
Você gosta de ensinar Química?
Sim
Não
Às vezes
TOTAL OBS.
No. Cit.
Freq.
03
01
02
06
50%
16,67%
33,33%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva
A questão acima demonstra que 50% dos professores gostam de ensinar Química,
16,67% dos professores não gostam de ensinar tal matéria e que 33,33% afirmam que às vezes
gostam de ensinar Química. Dos professores que afirmam gostar de Química, dois são
professores de química e um de Biologia. O professor de biologia diz que gosta de ensinar
química, pois seus conteúdos se aproximam de sua área de formação. Um professor de
45
matemática respondeu “não” e afirma que sua matéria é muito distante da matéria de
Química, o que dificulta na hora de ministrar as aulas. Dois professores (Física e Matemática)
responderam “talvez”, que dependendo da matéria gostam de ensinar química, mas que
preferem ministrar somente aulas em sua área de atuação.
Tabela 10 – Resultado da questão 03 da pesquisa com professores.
QUESTÃO 03
Em alguma aula de Química você já utilizou algum tipo de atividade lúdica para ganhar
a atenção dos seus alunos?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
02
04
06
33,33%
66,67%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
Quando perguntados se já utilizaram algum tipo de atividade lúdica para ganhar a
atenção dos alunos, 33,33% dos professores responderam que sim e 66,67% responderam que
nunca utilizaram esse tipo de atividade. Esses dados demonstram que grande parte dos
professores ainda não utiliza a atividade lúdica como meio de diversificar suas aulas. Segundo
os professores que disseram “sim”, eles afirmam terem utilizado atividades lúdicas durante
suas aulas, mas que deixaram a prática de lado devido a quantidade de conteúdo que precisam
ser ensinados, não restando tempo para realizar esse tipo de atividade. Segundo a maioria dos
professores que disseram “não”, eles não se sentem preparados para realizar a atividade
lúdica, pois afirmam encontrar dificuldades para utilizar esse tipo de prática, pela falta de
recursos financeiros, condições de trabalho e de tempo para planejamento.
Tabela 11 – Resultado da questão 04 da pesquisa com professores.
QUESTÃO 04
Durante o curso de graduação você teve alguma disciplina que te auxiliou a trabalhar
com atividades lúdicas?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
02
04
06
33,33%
66,67%
100%
46
Em relação à questão 04, 33,33% dos professores afirmaram que tiveram alguma
disciplina que os auxiliou a trabalhar com atividades lúdicas e 66,67% não tiveram esse tipo
de disciplina. Esses dados reforçam a ideia de que é necessário demonstrar a importância da
atividade lúdica no Colégio Estadual Professor José Abdalla, fazendo com que os professores
revejam sua prática, para que dessa maneira possam diversificar suas aulas, melhorando dessa
forma, o processo de ensino-aprendizagem.
Tabela 12 – Resultado da questão 05 da pesquisa com professores.
QUESTÃO 05
Durante sua vida de professor (a) do ensino médio, você já utilizou o jogo Ludo Químico
para testar os conhecimentos dos alunos relacionados aos conteúdos de Química?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
00
06
06
0,0%
100%
100%
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
A questão acima demonstra que 100% dos professores que responderam o
questionário nunca utilizaram o jogo Ludo Químico no processo de ensino-aprendizagem de
Química. Os professores afirmaram que não conhecem o jogo, por isso nunca utilizaram o
mesmo em sala de aula.
Tabela 13 – Resultado da questão 06 da pesquisa com professores.
QUESTÃO 06
Você gostaria de conhecer o jogo Ludo Químico para melhorar sua prática enquanto
professor (a) de Química?
No. Cit.
Freq.
Sim
Não
TOTAL OBS.
Fonte: Tiago Pereira da Silva.
04
02
06
66,67%
33,33%
100%
47
Quando perguntados se gostariam de conhecer o jogo Ludo Químico, 66,67% dos
professores responderam que sim e 33,37% responderam que não. A maioria dos professores
afirma que gostaria de conhecer o jogo Ludo Químico para melhorar sua prática enquanto
professor de química. Os professores que responderam “não” afirmam que essa prática
atrasaria o conteúdo, provocando indisciplina e gastando tempo que afirmam que não tem.
Na verdade, o Jogo Ludo Químico não atrasa o conteúdo, pois sua utilização pode ser
realizada no lugar de uma lista de exercício ou para avaliar os alunos em relação a algum
conteúdo. Sua utilização não provoca indisciplina quando o professor planeja devidamente a
aula e orienta adequadamente seus alunos. E não toma muito tempo do professor, já que para
a realização do jogo nesse trabalho foram utilizadas somente duas aulas.
3.4. Realizando um comparativo dos dados obtidos através da analise das opiniões dos
professores e alunos.
Através dos questionários aplicados aos professores e alunos, percebemos que apesar
de observar uma barreira entre alguns professores e a atividade lúdica, a maioria dos
professores e alunos considera a prática de fundamental importância no processo de ensino
aprendizagem.
Pode-se observar que os professores se sentiram interessados por esta prática, visto
que a maior parte dos alunos a realizaram adequadamente e se mostraram motivados a
aprender os conteúdos de Química, fato que antes não acontecia quando as aulas eram
ministradas através de aulas tradicionais.
Outro fator importante a ser observado está relacionado ao curso de graduação dos
professores, que em sua maioria não ofereceu subsídios necessários para que os professores
utilizassem a atividade lúdica como meio de inovar suas aulas. Isso explica porque a maioria
dos alunos não tiveram aulas em que o professor utilizasse de brincadeiras para ensinar o
conteúdo.
Portanto, observando os resultados fica evidente que os professores precisam inovar
suas práticas, tornando suas aulas mais interessantes, favorecendo a aprendizagem dos
conteúdos ministrados em sua aula. Sabendo disso, o jogo Ludo Químico, se torna uma
ferramenta útil quando se fala em aprender de maneira prazerosa e divertida, demonstrando
por sua vez, resultados positivos em sua aplicação.
48
CONCLUSÃO
A busca por um ensino de qualidade ainda é questão nuclear nas escolas e um dos
maiores desafios quando nos referimos à educação do país. Ensino de qualidade é aquele cujo
indivíduo seja capaz de criticar, participar e transformar o mundo em que vive, propiciando o
desenvolvimento pessoal e a melhoria em sua qualidade de vida.
Para que essa educação seja efetivada, é necessário que os alunos se sintam
interessados e motivados a aprender, fato que não acontece nos dias de hoje em sala de aula.
Isso ocorre devido à presença de um ensino totalmente desvinculado da realidade dos alunos e
do uso de metodologias ultrapassadas pelos professores.
Sendo assim, cabe ao professor desenvolver metodologias diversificadas que possam
motivar e estimular o interesse desses alunos, podendo dessa maneira ocasionar uma
aprendizagem significativa dos conteúdos de química destinados ao ensino médio.
Acreditamos que o jogo educativo enquanto atividade lúdica seja capaz de promover
uma educação de qualidade, visto que sua utilização pode promover um ensino em clima de
alegria e prazer. Através das revisões bibliográficas foi possível observar que o jogo Ludo
Quimico é capaz de desenvolver a criatividade, senso crítico, raciocínio, argumentação, além
de desenvolver aspectos comportamentais saudáveis resgatando o prazer de aprender e de
conviver com o outro.
Identificada as debilidades pedagógicas no Colégio Estadual Professor José Abdalla,
tais como indisciplina, desinteresse e desmotivação por parte dos alunos e professores, foi
aplicado o jogo Ludo Químico com o intuito de mostrar a importância da atividade lúdica no
desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, evidenciando que é possível aprender
de maneira divertida e prazerosa os conteúdos de Química, mais especificadamente, os de
cinética química em sala de aula.
Os resultados obtidos através da aplicação do jogo Ludo Químico se mostraram
satisfatórios, visto que a maioria dos alunos afirmou ter aprendido de maneira divertida e
significativa os conteúdos de cinética química.
Portanto fica claro, que o jogo Ludo Quimico pode ser utilizado como ferramenta para
enriquecer as aulas de Química e ser utilizado pelos professores para ensinar de maneira que
facilite a compreensão dos conteúdos oportunizando aos alunos o contato com meios
didáticos que vão além da utilização do quadro negro e do giz em sala de aula.
49
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Diferencial Curricular Nacional para Educação Infantil. v. 1-3, Brasília: MEC/SEF, 1998.
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H.; BASSANESE, M. Uso dos Jogos Lúdicos para o Ensino de Funções Orgânicas. Curso
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São Paulo: Atlas, 1991.
MENEZES, U. S; SOUZA, V. B. Química Lúdica: Brincando e Aprendendo com os Jogos na
Química. V Encontro Sergipano de Educação Básica – ESEB. Sergipe: Universidade
Federal de Sergipe – Campus São Cristóvão, 3-5 out. 2011.
OLIVEIRA, Lenice. O lúdico como facilitador das dificuldades do ensino aprendizagem
da criança da fase introdutória. Faculdades integradas de Jacarepaguá, Rio de Janeiro- Rj.
Pós-graduação em psicopedagogia. Lagoa da Prata, 2007.
PEDROSA, R. L. S. Aprendizagem e Subjetividade uma Construção a partir do Brincar.
Revista do Departamento de Psicologia. Brasília-DF: Universidade de Brasília, 2005.
PINTO, C. L; TAVARES, H. M. Revista da Católica. v. 2, n. 3, Uberlândia, p. 230-231,
2010.
RAMOS, R. D. P. Fundamentação Teórico-Metodológica de uma proposta alternativa
para substituir a falta do laboratório de Química nos Colégios de Ensino Médio de
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SANCHES, M. A Importância do Jogo Simbólico na Intervenção Pedagógica como
forma de Enriquecimento no Processo de Ensino Aprendizagem. Bauru-SP: Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2007.
50
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cidadania. 3. ed. Ijuí: Editora Ijui, 2003.
SCHNETZLER, R. P. Pesquisa em Ensino de Química: sua contextualização seu
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SOARES, M. H. F. B. O lúdico em Química: jogos e atividades aplicados ao ensino de
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ZANON, D. A. V.; GUERREIRO, M. A. S.; OLIVEIRA, R. de. Jogo didático ludo químico
para o ensino de nomenclaturas dos compostos orgânicos: projeto, produção, aplicação e
avaliação. São Paulo: Departamento de Didática – UNESP, 2008.
51
ANEXOS
Universidade Estadual de Goiás
Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas
Prof.° Orientador: Rogério Daniel Ramos
Acadêmico: Tiago Pereira da Silva
Referencial: Questionário Aplicado aos Alunos
Este questionário faz parte da realização de uma pesquisa sobre a utilização do jogo
Ludo Químico como instrumento motivador e facilitador da aprendizagem de cinética
química na 2ª Série do Ensino Médio do Colégio Estadual Professor José Abdalla.
Tem como objetivo coletar dados a respeito do uso do jogo Ludo Químico nas aulas
de química de forma a contribuir para a melhoria da prática pedagógica dos professores e
aquisição de uma aprendizagem significativa dos conteúdos de química por parte dos alunos.
Sua participação é muito importante para o desenvolvimento desta pesquisa.
Por isso, é necessário que você responda este questionário de maneira livre e
espontânea.
As informações aqui serão mantidas em sigilo, posteriormente, elas serão tabuladas e
sistematizadas.
Sua colaboração é indispensável para o êxito do trabalho.
Desde já agradecemos.
52
Questionários para Alunos
1- Você gosta de estudar Química?
( ) Sim
( ) Não
( ) Às vezes
2- Em alguma aula de Química o professor já utilizou algum tipo de brincadeira para ganhar a
sua atenção enquanto aluno?
( ) Sim
( ) Não
3- Já ouviu falar do Jogo Ludo Químico?
( ) Sim
( ) Não
4- Durante sua vida de estudante do ensino médio, algum professor utilizou-se do Jogo Ludo
Químico ou outro tipo de jogo para testar seus conhecimentos?
( ) Sim
( ) Não
5- Você se sentiu motivado a aprender o conteúdo de cinética química durante a aplicação do
Jogo Ludo Químico?
( ) Sim
( ) Não
6- Você considera que conseguiu aprender de forma satisfatória os conteúdos de cinética
química através do jogo Ludo Químico?
( ) Sim
( ) Não
7- Você considera que foi possível aprender os conteúdos de cinética química de maneira
prazerosa utilizando o jogo Ludo Químico?
( ) Sim
( ) Não
53
Universidade Estadual de Goiás
Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas
Prof.° Orientador: Rogério Daniel Ramos
Acadêmico: Tiago Pereira da Silva
Referencial: Questionário Aplicado aos Professores
Este questionário faz parte da realização de uma pesquisa sobre a utilização do jogo
Ludo Químico como instrumento motivador e facilitador da aprendizagem de cinética
química na 2ª Série do Ensino Médio do Colégio Estadual Professor José Abdalla.
Tem como objetivo coletar dados a respeito do uso do jogo ludo nas aulas de química
de forma a contribuir para a melhoria da prática pedagógica dos professores e aquisição de
uma aprendizagem significativa dos conteúdos de química por parte dos alunos. Sua
participação é muito importante para o desenvolvimento desta pesquisa.
Por isso, é necessário que você responda este questionário de maneira livre e
espontânea.
As informações aqui serão mantidas em sigilo, posteriormente, elas serão tabuladas e
sistematizadas.
Sua colaboração é indispensável para o êxito do trabalho.
Desde já agradecemos.
54
Questionários – Professores
1- Qual a sua formação?
(
) licenciado em química
(
) bacharel em química
( ) outra
2- Você gosta de ensinar química?
( ) Sim
( ) Não
( ) Às vezes
3 - Em alguma aula de Química você já utilizou algum tipo de atividade lúdica para ganhar a
atenção dos seus alunos?
( ) Sim
( ) Não
4- Durante o curso de graduação você teve alguma disciplina que te auxiliou a trabalhar com
atividades lúdicas?
( ) Sim
( ) Não
5- Durante sua vida de professor (a) do ensino médio, você já utilizou o jogo Ludo Químico
para testar os conhecimentos dos alunos relacionados aos conteúdos de Química?
( ) Sim
( ) Não
6- Você gostaria de conhecer o jogo Ludo Químico para melhorar sua prática enquanto
professor (a) de Química?
( ) Sim
( ) Não
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TCC final - tiago - UnUCET