EFEITOS DE 10 SEMANAS DO TREINAMENTO COM PESOS SOBRE
INDICADORES DA COMPOSIÇÃO CORPORAL EM INDIVÍDUOS DO GÊNERO
MASCULINO.
Guilherme Jardim Batista
Graduado em Educação Física pelo Unileste-MG
Maria Teresa da silva Barbosa
Mestre em Educação pela Universidade Católica de Brasília
Docente do Curso de Educação Física do Unileste-MG
[email protected]
RESUMO
O objetivo do referente estudo foi avaliar na prática o efeito de 10 semanas do
treinamento com pesos sobre indicadores da composição corporal em indivíduos do
gênero masculino. Um grupo de 24 sedentários com idades entre 18 a 30 anos, foram
divididos em dois grupos, grupo-experimental (GE n=12) e grupo controle (GC n=12).
Os participantes do GE realizaram o treinamento durante 10 semanas com uma
freqüência de 3 a 5 vezes semanais, com 3 séries de 15 repetições a 60% de 1RM e
com um número total de 13 exercícios. O GC não se envolveu em nenhum tipo de
atividade física sistematizada nesse período. A avaliação antropométrica (peso, dobras
cutâneas), foi coletada em ambos os grupos antes e após o período de intervenção.
Somente no GE foi observada uma diminuição (12%) em média no percentual de
gordura corporal relativa que conseqüentemente corresponde a uma redução de (1,42
kg) de gordura corporal absoluta e um aumento de (1,14kg) na massa corporal magra,
o que acarretou uma diferença estatisticamente significativa (p≤0,05) na comparação
dentro de cada grupo (pré e pós) e na comparação entre os grupos (GE e GC).
Concluindo então que o treinamento com pesos, possue efeitos positivos na redução
do percentual de gordura corporal (gordura relativa) e aumento da massa corporal
magra.
Palavras - chave: Composição corporal, Treinamento com pesos, Obesidade.
ABSTRACT
The purpose of this study was to evaluate in practicing the effect from a ten weeks
training using weights in body composition indicators in male subjects. A 24 sedentary
men at the ages of 18 to 30 years old, were divided into two teams, experiment- team
(GE N=12) and control-team (GC N=12). The et participants carried out the training
during ten weeks at the rate of 3 to 5 a week, in 3 sequences of 15 repetitions at 60% of
1RM and in a total number of 13 exercises. GE involved itself in no kind of systematized
physique activities within that period. The anthropometric evaluation (weight, skin folds),
was taken in both the teams before and after the intervention period. Only in et was
observed a decrease (12%) on an average in the relating body fat percentage what, for
consequence corresponds to a decrease (1,42kg) of absolute body fat and an increase
of (1,14kg) in lean body mass, what caused a significant diference (p≤0,05) in
comparison among the participants inside each team (pre and pos) and in comparison
between the teams (GE and GC). Concluding then that training with weights has got
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positive effects in reducing the body fat percentage (relating fat) and increase the lean
body mass.
Keywords: Body composition, weight training, obesity.
INTRODUÇÃO
O treinamento com pesos, também conhecido como treinamento com cargas ou
treinamento de força, tornou-se uma das formas mais conhecidas de exercícios, tanto
para o condicionamento de atletas como para melhorar a forma física de não-atletas.
Todas as pessoas que participam de um programa de treinamento com pesos
esperam que o programa produza alguns benefícios, tais como o aumento de força,
aumento de tamanho dos músculos, melhor desempenho esportivo, crescimento da
massa livre de gordura e diminuição da gordura corporal (FLECK; KRAEMER, 1999).
Segundo Mcardle et al. (1998), um excesso de gordura corporal é indesejável
para uma boa saúde e aptidão, porém não podemos emitir opiniões categóricas acerca
do nível ideal de gordura corporal ou de peso corporal para determinados indivíduos. É
mais do que provável que esse ideal varie de uma pessoa para outra e que seja muito
influenciado por fatores genéticos
Santarém (1997) afirma que exercícios resistidos são reconhecidos como os
mais eficientes para modificar favoravelmente a composição corporal. Para esse efeito,
contribuem para o aumento de massa muscular, o aumento de massa óssea calcificada
e a redução da gordura corporal.
Nos últimos anos, a prática do treinamento de pesos direcionado à diminuição
da gordura corporal, vem sendo praticado por todas as faixas etárias: crianças,
adolescentes, jovens, adultos e a terceira idade, assim podemos observar que as
academias e clubes vêm tentando oferecer condições ideais para suprir as
necessidades dos clientes, pois estão aumentando significativamente o seu número
(PINTO et al., 2001).
Assim, o referente estudo teve como objetivo avaliar na prática, os efeitos do
treinamento com pesos sobre os indicadores da composição corporal, para confirmar
alguns estudos, que relatam diminuição da gordura corporal, tendo como prioridade
estudar indivíduos do sexo masculinos, não treinados, com a faixa etária entre 18 e 30
anos, após 10 semanas de treinamento.
O fenômeno do excesso de peso e da obesidade.
O excesso de peso e a obesidade, como uma entidade única, constituem
atualmente um dos problemas de saúde mais sérios no mundo. O excesso de peso é
simplesmente definido como aquele em que o peso do indivíduo excede ao da média
da população, determinada segundo o sexo, a altura e o tipo de compleição física
(POLLOCK; WILMORE, 1993).
A obesidade refere-se à condição na qual as quantidades de gordura corporal
excedem os padrões considerados normais para um mesmo sexo. Neste sentido,
padrões exatos admissíveis para a quantidade de gordura não tem sido universalmente
convencionados, embora através da literatura observa-se mais comumente que estão
classificados como obesos, homens com 20% do peso corporal como gordura e
mulheres com mais de 30%. Assim o fenômeno da obesidade, pelo seu maior acúmulo
de gordura, irá provocar obrigatoriamente um aumento no peso corporal; entretanto,
pode ser que o peso corporal excessivo não reflita uma condição de obesidade,
considerando que o excesso de peso possa ser ocasionado por um elevado
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desenvolvimento do componente de massa magra e não da quantidade de gordura
(GUEDES; GUEDES, 1994).
Segundo Creff (1983), a obesidade existe de duas formas morfológicas: A
ginóide que é mais encontrada em mulheres, cujo acúmulo de gordura concentra-se
nas nádegas e coxas. A andróide mais encontrado nos homens, nos quais o acúmulo
de gordura se encontra no abdômen e tórax.
Fatores que podem contribuir para o acúmulo de gordura corporal.
O mundo nos últimos 25 a 50 anos sofreu grandes alterações, as horas de
trabalho foram diminuídas, foram instaladas máquinas em fábricas e casas, o
transporte ficou mais fácil e mesmo as atividades de lazer são mais sedentárias que
ativas (TURKKI; RYNBERGEN 1988, apud COSTA, 2001). Portanto, devido à alta
tecnologia, grande parte da população tem uma vida totalmente sedentária, o que as
levam a um acúmulo de gordura corporal.
Howley e Franks (2000), registraram evidências de que a hereditariedade é um
fator que contribui no desenvolvimento de gordura excessiva. Portanto a predisposição
hereditária sofre influências do ambiente familiar, do meio sócio-econômico, dos pais e
impulsos da própria criança (CREF, 1983).
De acordo com Garcia (1997), o acúmulo de gordura corporal possue apenas
uma causa direta: balanço calórico positivo. Qualquer pessoa terá aumento de peso se
a quantidade de calorias ingeridas superar a quantidade de calorias gastas ou mesmo
que não aumente o número de calorias ingeridas, bastando apenas reduzir suas
atividades físicas.
Existe um grande número de pessoas que tentam compensar carências afetivas
e emocionais negativas como: tristeza, raiva, tédio e solidão aumentando a sua
ingestão de alimentos, influenciando então o aumento do peso corporal (PY; JACQUES
1998 apud COSTA, 2001).
Creff (1983), afirma que várias pessoas quando param de fumar engordam
devido ao ato reflexo de levar alguma coisa a boca como: chocolates, doces e outras,
promovendo o aumento da fome devido à nicotina hiperglicemiante, anorexígena. Anjos
(1983), diz que não é a falta da nicotina que engorda, mas o processo benéfico de
desintoxicação orgânica e melhoria geral do organismo.
O acúmulo de gordura corporal, portanto, representa o resultado final de uma
interação complexa de numerosos fatores e influências (McARDLE et al., 1998).
Relação dos fatores clínicos com o acúmulo de gordura corporal.
Um acúmulo de gordura corporal é indesejável por varias razões. Do ponto de
vista da saúde existem problemas médicos nos quais a obesidade ou excesso de
gordura corporal é considerado um fator de risco, o que torna desejável a redução
desse excesso de gordura. Estes problemas incluem certos tipos de Cardiopatias:
Hipertensão arterial, distúrbios do metabolismo glicídio e lipídio, osteoartropatias,
colecistopatias, diabetes, asma e certas pneumopatias. Engordar acompanha-se,
também de alterações dos padrões de comportamento e personalidade, irritabilidade e
agressão (KATCH; McARDLE, 1984).
Alguns estudos destacam desde frustrações pessoais, que levam à diminuição
da auto-estima, à depressão e ao isolamento pessoal, até os mais sérios distúrbios
psicológicos associados à alimentação, como anorexia e a bulimia (WADDEN, 1996 e
WILSON, 1993 apud GUEDES, 2002).
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De acordo com Kartch e Mcardle (1996), a sobrecarga de gorduras em diversos
tecidos pode estar relacionada com o surgimento do câncer de cólon, estômago,
esôfago, seios e útero.
O acúmulo de gordura corporal representa um dos principais fatores de risco
para o desenvolvimento dos diabetes. Acredita-se que, à medida que o indivíduo vai se
tornando obeso, ocorre uma redução no número de receptores de insulina, uma
redução da sensibilidade à insulina, ou de ambos. Isto geraria uma superposição deste
hormônio, numa tentativa de controlar os níveis glicêmicos. À medida que os indivíduos
obesos vão perdendo peso, observa-se um retorno subseqüente do número de
receptores a sensibilidade à insulina. Os níveis de glicemia podem, assim, ser
controlados (POLLOCK; WILMORE, 1993).
Relação da atividade física com a composição corporal.
Mediante análises dos achados de dois importantes estudos sobre a prática da
atividade física, publicados recentemente por Dipetro (1995) e Stefanik (1993) apud
Guedes (2002), em que foram revisadas dezenas de experimentos, tornando possível
concluir que:
1. A atividade física induz a adaptação favorável no peso corporal, mediante
reduções da quantidade de gordura corporal, enquanto preserva a massa isenta
de gordura.
2. O índice de redução do peso corporal é positivamente relacionado à freqüência
e à duração das sessões de exercícios físicos.
3. Apesar do índice de redução do peso corporal em conseqüência da atividade
física ser relativamente menor que as das dietas hipocalóricas, em longo prazo é
uma estratégia mais efetiva na manutenção do peso corporal que as dietas
hipocalóricas.
Guedes e Guedes (1997), afirmam que a promoção da atividade e/ou exercícios
físicos é uma necessidade básica em todas as fases da vida, inclusive na infância e
adolescência, pois é nesta fase da vida que os benefícios da prática poderão atuar
trazendo benefícios na vida adulta.
Van Dale e Saris (1989) apud Guedes (2002), relatam que o exercício físico
contribui para a minimização das agressões metabólicas associadas aos repetidos
ciclos de perda e de ganho do peso corporal e as modificações nos hábitos alimentares
relacionados à menor ingestão de gorduras.
Componente de massa corporal magra
A massa corporal magra é a massa corporal restante após subtrair a gordura
corporal. É o tecido ativo disponível (ossos, músculos, tecidos conectivos e orgânicos),
(BARBANTI, 1994).
Segundo Guedes e Guedes (1997), os programas de exercícios físicos podem
provocar importantes modificações com relação aos parâmetros da composição
corporal – gordura e massa magra – tornando-se, portanto um importante fator na
regulação e na manutenção do peso corporal. Maiores mudanças na quantidade de
gordura corporal estão associadas a um programa de exercícios físicos nos quais
predominam na utilização de energia proveniente do metabolismo aeróbico, ao passo
que, quando existe predomínio de atividade envolvendo força e resistência muscular
(exercícios anaeróbicos), deverão ocorrer modificações mais acentuadas nos
componentes de massa magra.
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Tipos de contração muscular
Weinek (1999) classifica diferentes tipos de contração muscular: contração
isotônica, contração isométrica, e contração auxotônica. O músculo é constituído por
elementos elásticos e contráteis em conjunto. O comportamento dos elementos
elásticos e contráteis varia de acordo com o tipo de contração ou extensão.
A contração isotônica apresenta duas fases distintas: a fase concêntrica e a fase
excêntrica. A contração concêntrica é um tipo comum que ocorre quando o músculo se
encurta. A contração isotônica excêntrica ocorre quando a resistência externa é maior
do que a força muscular promovendo um alongamento do músculo (KATCH;
McARDLE, 1996).
A contração isométrica ou estática acontece quando o músculo tenta alongar-se,
mas é incapaz de superar a resistência contrária, isto é, a contração muscular não é
visível (POWERS; HOWLEY, 2000).
A contração auxotônica é uma combinação das contrações isotônica e
isométrica. O sistema neuromuscular coordena o liga-desliga das unidades motoras
neuromusculares de acordo com o tipo e a velocidade do movimento.
Tipos de força muscular
Segundo Weineck (1999), não é impossível obter um bom desempenho
individual sem que haja um mínimo de força adequada à idade e à capacidade de
desempenho. A força já disponível tem um efeito imediato sobre a eficácia de um
treinamento num processo em longo prazo e serve de apoio ou de limitações para o
desenvolvimento da capacidade. Sendo assim, classificada em três tipos de força,
força máxima, força rápida e resistência de força.
A força máxima representa a maior força disponível que o sistema
neuromuscular pode mobilizar através de uma contração máxima voluntária. É
distinguida em força máxima estática e dinâmica.
A força rápida compreende a capacidade do sistema neuromuscular de
movimentar o corpo ou parte do corpo (braços, pernas) ou ainda objetos (bolas, pesos,
esferas, discos, etc.) com uma velocidade máxima (WEINECK, 1999).
Resistência de força: Segundo Harre (1976) apud Weineck (1999), é a
capacidade de resistência à fadiga em condições de desempenho prolongado de força.
Os critérios para a resistência de força são a intensidade do estímulo (dada em
percentual da força de contração rápida), e o volume do estímulo e da duração do
mesmo.
Função muscular e tipos de fibras musculares
Os músculos representam cerca de 40% a 50% do peso corporal no corpo
humano, desempenhando diferentes funções como: gerar força para movimentar,
respirar, sustentar postura e produzir calor durante alguns períodos de exposição ao
frio (POWERS; HOWLEY, 2000).
Segundo Mcardle (1992), os músculos são formados por milhares de células
cilíndricas denominadas fibras. Estas fibras de tecido muscular por serem fusiformes
possuem o comprimento do músculo e podem ser classificadas em: fibras musculares
de contração lenta e fibras musculares de contração rápida.
As fibras musculares de contração lenta, oxidativas, vermelhas ou tipo I,
possuem alta concentração de mioglobina, grande número de capilares e alta atividade
enzimática mitocondrial, isto faz com que estas fibras possuem grande capacidade de
metabolismo aeróbico sendo resistentes à fadiga.
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As fibras de contração rápida, brancas, apresentam-se em dois diferentes tipos:
tipo II B e tipo II A, com maior adequação ao trabalho anaeróbio.
As fibras do tipo II B são rápidas, glicolíticas e menos resistente à fadiga, sendo
recrutadas nas atividades de forte velocidade. E apresenta-se menos eficiente do que
todos os outros tipos de fibras, devido à alta atividade da ATPase que acarreta maior
consumo energético.
As fibras do tipo II A oxidativas, glicolítica ou intermediária são bem adaptáveis,
pois, no treinamento de endurance elas podem aumentar a capacidade oxidativa a
níveis iguais às do tipo I. Portanto, as fibras musculares variam em características
bioquímicas e físicas e são recrutadas de acordo com a exigência do exercício.
Princípios fisiológicos de um treinamento com pesos
Para que os treinamentos com pesos, sejam bem desenvolvidos devem levar
em consideração os princípios fisiológicos do treinamento. Segundo Mcardle (1992),
são os seguintes:
Principio da individualidade biológica – refere-se à pessoa que responde
diretamente ao mesmo tipo de exercício. Por isso há necessidade de um trabalho mais
individualizado atendendo às necessidades e características de cada indivíduo.
Princípio da sobrecarga – é preciso que o indivíduo se submeta a um stress
físico superior às necessidades diárias para assim acarretar modificações relacionadas
ao exercício.
Princípio da adaptação – relacionado com o meio ambiente, pois a cada
momento ele estimula uma reação no organismo acarretando uma resposta adequada
para se chegar a um equilíbrio “homeostase”.
Princípio da continuidade – envolve o aumento da carga ao longo do tempo de
acordo com as necessidades do indivíduo.
Princípio do volume e intensidade – prescreve-se a superposição do volume
sobre a intensidade ou vice versa, sendo desaconselhável a aplicação de ambas.
Princípio da especificidade – onde estímulos aplicados devem ser específicos
para cada músculo trabalhado.
MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi realizado com 24 indivíduos do gênero masculino sendo 12 (24,5 ±
1,78 anos) do grupo-controle (GC) e 12 (22,0 ± 4,9 anos) do grupo experimental (GE),
recrutados e treinados em uma academia da cidade de Ipatinga-MG. O proprietário da
academia e os participantes autorizaram a realização do estudo após o pesquisador ter
esclarecido os objetivos e a metodologia a ser utilizada, sendo todos novatos e
sedentários. Os indivíduos do grupo controle (GC), não realizaram nenhum tipo de
atividade física sistematizada e apenas mantiveram suas atividades diárias normais
durante o período estudado. Ambos os grupos foram submetidos a uma avaliação
antropométrica, não tendo sido feito nenhum tipo de controle alimentar.
A massa corporal foi medida por uma balança mecânica da marca Welmy de
150 kg de capacidade e sensibilidade de 100g, com o individuo descalço, vestindo o
mínimo possível de roupas. As dobras cutâneas (DC) foram medidas com um
adipômetro científico Cescorf, com precisão de 1mm no lado direito do corpo, em sete
locais (subescapular, triciptal, peitoral, axilar média, supra-iliaca, abdominal e femural
média), segundo o protocolo de Pollock (1984) apud Fernandes (1999). A avaliação
antropométrica foi realizada no início e no final do estudo com ambos os grupos.
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Os indivíduos do grupo GE foram submetidos a um período de adaptação
durante duas semanas de um programa de exercícios leves, no qual foram utilizados
os mesmos aparelhos/exercícios constituintes no programa de treinamento de 10
semanas.
Os participantes do GE realizaram o treinamento durante 10 semanas com uma
freqüência de três a cinco vezes semanais. Todos os exercícios eram realizados em 3
séries de 15 repetições com intervalo de 30 segundos a 1minuto entre elas. As cargas
eram correspondentes a 60% de 1 RM, que foi realizado após o período de adaptação
(duas semanas), seguindo a tabela de predição de Baechle (1992) apud Damasceno
(2001), em pirâmide crescente e foram ajustadas durante o treinamento. O sistema de
treinamento empregado seguiu-se o sistema de series alternadas, descrito por Fleck e
Kraemer (1999). Os exercícios utilizados no programa foram os seguintes: supino reto,
leg press inclinado, hack squat, cadeira extensora, cadeira flexora, cadeira adutora/
abdutora, desenvolvimento atrás da nuca com barra, rosca direta, puxada com polia
baixa, puxada atrás com polia alta, tríceps com polia alta em pronação, flexão plantar e
abdominal.
Na análise estatística para a avaliação das mudanças ocorridas entre os
períodos pré e pós-treinamento realizou-se o teste ‘’t’’ de Student para amostras
pareadas em ambos os grupos e as variações observadas entre os dois períodos de
cada grupo (experimental e controle), o teste ‘’t’’de student para amostras
independentes. O nível de significância adotado para todas as comparações foi
(p≤0,05).
RESULTADOS
Os resultados obtidos no estudo dos períodos pré e pós-experimentos estão
apresentados nas Tabela 01 e 02. As modificações ocorridas entre os dois momentos
estão expressas em valores percentuais (%) e em kilos (kg) para as variáveis
estudadas.
Tabela 01 – Valor do Percentual de Gordura corporal antes e após 10 semanas com e
sem treinamento com pesos.
COMPARAÇÃO DO PERCENTUAL DE GORDURA (%) PRÉ E PÓS
GRUPO CONTROLE
GRUPO EXPERIMENTAL
AMOSTRA
MÉDIA
DESVIO PADRÃO
*p≥0,05
**DIF - Diferença
% DE GORDURA
PRÉ
PÓS
15,60
13,74*
6,21
6,30
**DIF
%
12%
**DIF
KG
1,42
% DE GORDURA
PRÉ
PÓS
13,20
13,23
5,56
5,43
**DIF
%
0,01%
**DIF
KG
0,06
A Tabela 01 revela uma diminuição significativa (p≤0,05) no percentual de
gordura corporal relativa (12%), que corresponde (1,42kg) de gordura corporal
absoluta, somente para o GE (pré e pós). O treinamento também provocou uma
diferença significativa na comparação entre os grupos, com o GC preservando os
valores observados inicialmente.
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Tabela 02 – Valores dos Indicadores da MCM antes e após 10 semanas com e sem
treinamento com pesos.
COMPARAÇÃO DA MASSA MAGRA (KG) PRÉ E PÓS
AMOSTRA
MÉDIA
DP
GRUPO EXPERIMENTAL
**MCM KG
DIF.
DIF.
PRÉ
PÓS
%
KG
GRUPO CONTROLE
**MCM KG
DIF.
PRÉ
PÓS
%
DIF.
KG
60,09
61,23
60,89
60,83
0,06
5,62
5,69
4,51
4,53
2%
1,14*
0,10%
*p≥0,05
**MCM - Massa Corporal Magra, DIF - Diferença
A Tabela 02 apresenta os valores dos indicadores da massa corporal magra.
Diferenças estatisticamente significativas foram observadas (*p≤0,05), ocorrendo um
aumento na massa corporal magra (1,14kg) somente para o GE (pré e pós). Houve
também uma diferença entre os grupos, quando o grupo controle preservou os valores
iniciais.
DISCUSSÃO
Os resultados encontrados neste estudo após 10 semanas de treinamento com
pesos, vão ao encontro dos achados da maioria das investigações sobre o efeito do
treinamento com pesos sobre indicadores da composição corporal, que há muito tempo
vem sendo alvo de várias controvérsias.
Fleck e Kraemer (1999), falam que as mudanças na composição corporal
ocorrem em programas de treinamento de curta duração, entre 6 (seis) e 24 (vinte
quatro) semanas.
De acordo com Santarém (1999), os exercícios anaeróbios, como por exemplo
os exercícios com pesos, que utilizam grandes quantidades de glicogênio e não
mobilizam gordura durante a sua execução, emagrecem igual aos aeróbios. A
explicação é que após os exercícios, todo o glicogênio gasto tem que ser reposto no
músculo, e para tanto, é utilizado o carboidrato alimentar. Esse carboidrato portanto
não fornece calorias para o metabolismo basal, pois foi "desviado" para o músculo, e
tudo se passa como se a pessoa não o tivesse ingerido. Assim sendo, as calorias que
faltaram na alimentação para manter a vida, serão obtidas do tecido adiposo, em
repouso. Caso a pessoa não restrinja a ingestão calórica, os exercícios serão menos
eficientes ou inúteis para o emagrecimento. Esses conceitos foram bem estabelecidos
em revisões de literatura sobre obesidade e atualmente são consensuais.
Um comportamento semelhante dos depósitos de gordura corporal foi verificado
por Marcinik et al (1991) apud santos (2002), ao acompanhar 10 adultos jovens, por um
período de 12 semanas, durante um programa de treinamento com pesos. Todavia,
nesse estudo, autores encontraram um aumento significativo na massa corporal (1,3kg
ou 2%), e uma redução de (4%) na gordura corporal.
Em um estudo realizado por Santos et al (1999) apud Santos (2002), verificaram
modificações bastante positivas nos componentes da composição corporal, após 16
semanas de treinamento com pesos. Vinte e seis indivíduos do sexo masculino foram
separados aleatoriamente em dois grupos, grupo treinamento (n: 13) e grupo controle
(n: 13). Modificações estatisticamente significantes foram verificadas na massa isenta
de gordura (+ 2,9%) e na gordura corporal relativa e absoluta (-10,2% e 13,4kg), no
grupo treinamento comparadas ao grupo controle. Os autores concluíram que o
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treinamento com pesos pode auxiliar na redução dos depósitos de gordura, pelo menos
a médio e longo prazo.
Westcott (1999) apud Nunes (2003), relata estudo realizado com mais de 1100
pessoas adultas sedentárias, que participaram de um programa de treinamento de
força por oito semanas e tiveram um aumento de massa magra de 1,2 kg e uma
diminuição de gordura de 2,3 kg em média
Hickson (1980) apud Santos et al (2002), após submeter sete homens e uma
mulher a 10 semanas de treinamento com pesos, constatou aumento de 1,9kg (2,5%)
na massa corporal e 5,5% de redução na gordura corporal relativa.
Em um estudo muito interessante desenvolvido por Alen et al (1988) apud
Santos (2002), comprovou a eficiência de 24 semanas de treinamento progressivo com
pesos para o aumento da massa corporal (0,7%) e redução na gordura corporal relativa
(7,8%). Nesse mesmo estudo também foi controlado o período de destreinamento e os
resultados indicaram que as modificações verificadas após o período de treinamento
com pesos foram preservadas após 12 semanas, sem qualquer tipo de treinamento.
Geliebter et al (1997) apud Gentil (s.d.), e outros autores também conduziram
um experimento no qual se comparou o efeito do treinamento aeróbio com o da
musculação nas alterações da composição corporal de indivíduos moderadamente
obesos. Ao final de 8 semanas ambos os grupos obtiveram uma perda de peso de 9
quilos em média, porém somente o grupo que treinou com pesos conseguiu atenuar a
perda de massa magra.
Existem estudos a favor da musculação com mais de 30 anos de idade. Fleck e
Kraemer (1999), comparam estudos de Withers (1970), Fahey e Brown (1973), Misner
et al (1974), Peterson (1975), Coleman (1977). Muitos trabalhos encontraram bons
resultados com musculação há mais de duas décadas como os publicados em 1978
por Gettman et al; Wilmore e Grimditch et al; Wilmore e Girandola et al. Há também os
estudos de Gettman et al (1979), Hunter (1985), Crist et al (1988). Fleck e Kraemer
(1999), relatam também estudos com um pouco mais de uma década como os de
Bauer, Thayer e Baras (1990), Staron et al (1991), Pierce, Rozenek e Stone (1993), e
por ultimo Staron (1994). Todos estes estudos concluíram, que o treinamento com
pesos é de grande importância para a redução da gordura corporal.
CONCLUSÃO
Os exercícios com pesos referem se a uma modalidade de atividade física, com
um grande número de variáveis (volume, intensidade, freqüência, duração,
recuperação, equipamentos, tipo de treinamento) que se bem controladas pode trazer
resultados e benefícios aos participantes. Portanto, os resultados obtidos nessa
pesquisa permitem concluir que o treinamento com pesos, possue efeitos positivos na
redução do percentual de gordura corporal e no aumento da massa corporal magra,
mesmo não sendo controlado o estilo de vida (sem orientação nutricional) dos
participantes, indo então ao encontro da maioria dos achados na literatura.
Espera-se, que este estudo possa oferecer importantes informações que
poderão contribuir de forma significativa para ampliação de novos conhecimentos na
área, tornando-se uma nova opção de estudos.
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